Um Olhar Tradicional sobre Charles Leland

por Mazarol Rosmarin

As crenças mágicas dos italianos começaram a ter repercussão na mídia escrita a partir das publicações de Charles Leland, principalmente com o seu Gospel of the Witches e Etruscan and Roman Remains. No Gospel of the Witches, ele parte de um suposto relato de uma bruxa da Toscana, Maddalena, enquanto no Etruscan and Roman Remains ele descreve lendas e crenças mágicas dos camponeses da Romanha, e devido ao recém movimento de unificação da nação e língua italiana, generaliza como sendo absoluta em toda a Itália. No final dos anos 90 se utilizando das fontes de Leland e fragmentos familiares de magia popular, sob uma perspectiva wiccana de culto, o autor ítalo-americano Raven Grimassi lança a sua stregheria, ajudando a intensificar a nostalgia pela velha Itália, de muitos já nostálgicos ítalo descendentes em todo mundo. Atualmente, Brasil, EUA e Argentina são os países com maior número de ítalo descendentes, superando até mesmo a Itália em número de italianos, por isso, somado aos movimentos de Nova Era, esoterismo e revivalismo pagão, o trabalho de Grimassi teve uma aceitação muito grande.

Nos anos 2000 a antropóloga ítalo descendente Sabina Magliocco, da UCLA, apresenta uma série de artigos referentes à magia e espiritualidade italiana e ítalo-americana, classificando a stregheria de Raven Grimassi como uma “bruxaria neo-pagã de origem ítalo-americana”, desvelando o purismo que Raven Grimassi clamava existir em suas tradições.

Atualmente, na segunda década do século XXI, vemos em termos de Brasil um considerável crescimento de uma bruxaria chamada italiana, baseada nos escritos de Raven Grimassi, mas que devido à toda rejeição acadêmica que esse autor possui, mascara-se na forma de uma Bruxaria Tradicional supostamente desintoxicada dos escritos e conceitos desse autor.

As motivações do crescimento dessa bruxaria italiana no Brasil são os mesmos expostos acima. O Brasil é o maior país com concentração de ítalos descendentes, e a cultura italiana influenciou e ainda influencia a cultura de toda região Sudeste e Sul do país, acabando por refletir em muitas áreas das outras regiões brasileiras.

Porém muito do que exposto como bruxaria italiana por essas correntes neopagãs não passa de releituras da religiosidade romana, sem nenhuma relação como os movimentos de bruxaria na Itália medieval. Poucas são de fato as crenças desses stregoni modernos que possam ser classificadas como bruxaria, mas podem e devem ser classificadas como crenças neopagãs baseadas na Roma Antiga.

O trabalho de Leland deve ser lido com olhos cuidadosos e contextualizados na época e cultura no qual foi concebido. Ele relatou uma série de lendas oriundas de um período histórico confuso, onde a Itália tentava estabelecer uma identidade única, que nunca havia ocorrido em sua história. Por isso figuras de exaltação à romanidade dos italianos eram exaltadas, como o poeta Virgílio, tentando enaltecer nos italianos o sentimento de união e patriotismo como se vindo dos antigos romanos. Nunca desde o Império Carolíngio a Itália apresentara uma união.

Nesse clima de ultranacionalismo italiano é que Leland recolhe seus relatos.

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Um Altar para todos

Publicado originalmente em 19/07/2011

Sua sede, próxima de completar 100 anos, é rodeada de simbolismo. Desde o número do endereço, as colunas que a rodeiam, as esfinges, até mesmo simples abajures com a face de Hermes. A Casa do Templo, como é conhecida, abrange entre outras coisas: a biblioteca pública mais antiga do Distrito de Colúmbia, com um dos maiores acervos de livros maçônicos do mundo; a biblioteca particular e objetos pessoais de Albert Pike; seus restos mortais, localizados junto aos “Pilares da Caridade”; incontáveis relíquias relacionadas à Maçonaria em geral e ao Rito Escocês em particular; a sede administrativa do Supremo Conselho; além de, é claro, o Templo.

E como o coração e a mente da Sublime Ordem Maçônica estão no Altar Maçônico, onde todo maçom presta seus juramentos perante seu Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso, foi para o Templo que dirigi a melhor de minhas atenções. Em seu centro está o gigantesco Altar, feito de mármore preto, e pode-se ler no chão à sua volta: “Da luz do Verbo Divino, o Logos, vem a sabedoria da vida e o objetivo da Iniciação“. Logo acima, no teto, um vitral permite a luz do Sol iluminá-lo. Mas é sobre o Altar que se vê a Universalidade da Maçonaria: estão presentes 8 Livros Sagrados.

Entre a Bíblia, a Tanakh, o Alcorão, a Bhagavad Gita e outros, um Livro me chamou a atenção: o Zend Avesta, livro sagrado do Zoroastrismo. Apesar de quase impraticado, o Zoroastrismo tem origem persa e suas crenças de imortalidade da alma, a vinda de um messias e a dualidade entre o Bem e o Mal influenciaram as religiões abraâmicas – judaísmo, cristianismo e islamismo. Sua presença no Altar é justa, visto sua influência também ter alcançado o próprio Rito Escocês.

Pedi licença àquele que me acompanhava e me ajoelhei diante do Altar, imaginando os tantos Irmãos que ali também se ajoelharam e prestaram um juramento solene. Ali refleti sobre os compromissos maçônicos que assumimos e que só podem ser considerados sagrados quando realizados perante o Livro que cada um considera sagrado.

Olhei para o Altar e enxerguei ali a melhor representação de como a Maçonaria está aberta a todos os homens livres das amarras da ignorância, da intolerância e do fanatismo. Talvez, se pudéssemos enxergar essa imagem em outros lugares, a humanidade seria mais feliz.

Leia também:

– Maçonaria & Templários

– O Ângulo do Compasso

– O Visitante &  o Ritual

#Maçonaria

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A Roda e a Cruz

O símbolo da roda (a esfera, na tridimensionalidade) está estreitamente associado com o do círculo, do qual já falamos. Tal como este, também se encontra em todos os povos tradicionais, o que nos fala de sua primordialidade, atestando assim sua importância como veículo para o entendimento dos mistérios da Cosmogonia, considerada como um suporte vivo que nos permite ter acesso ao conhecimento da Metafísica e das verdades eternas. Aliás, ambos os símbolos se referem às mesmas idéias, pois respondem à idêntica estrutura: um ponto central e a circunferência a que este dá lugar por sua irradiação.

Lembraremos que o ponto central simboliza a Unidade, o Princípio Supremo, e a circunferência, a manifestação universal, o mundo ou Cosmo entendido em sua totalidade, que uma vez manifestado graças à emanação do Princípio, retorna novamente a ele, cumprindo assim um duplo movimento de expansão e concentração, centrífugo e centrípeto –solve et coagula da Alquimia–, que encontramos presente no próprio ritmo cardíaco e no expirar e aspirar respiratório.

Queremos destacar também as vinculações da roda com outros símbolos, como o da cruz, que precisamente conforma sua divisão quaternária fundamental, como já se disse, e que constitui sua estrutura interna, que permite conectar o ponto central com a circunferência ou, o que dá no mesmo, a Unidade com a manifestação universal, caracterizada pelo movimento incessante, o que é promovido justamente pela rotação da cruz em torno do centro, que, no entanto, permanece totalmente imóvel, simbolizando desta maneira a imutabilidade do Princípio.

Esse movimento criacional gera também o espaço e o tempo (e com eles a possibilidade da vida em todas suas expressões), ordenados pelos raios da cruz, como muito bem expressam as quatro direções e as quatro estações, as que por certo estão assinaladas pelas respectivas posições do sol, cujo símbolo astrológico, e também alquímico, não é outro senão o ponto e a circunferência.

A roda, com a cruz em seu interior, é igualmente a imagem de todo ciclo, que se divide segundo o modelo quaternário: as quatro fases da lua, do dia e do ano, as quatro idades da vida do homem, as quatro grandes divisões do ciclo cósmico (chamado Manvántara pela tradição hindu), que compreendem a manifestação inteira do mundo e da humanidade, etc.

Naturalmente o círculo admite também outras divisões, que se adicionam a sua simbólica e a enriquecem, como é o caso da partição em seis, oito e doze raios. Neste último caso temos o do zodíaco, que além de “roda da vida”, em outras tradições também significa “roda dos signos” e ”roda dos números”.

#hermetismo

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Autoiniciação

Texto de Huberto Rohden

Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados. Mas entendem por iniciação uma alo-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru. Esta alo-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual.

O homem só pode ser iniciado por si mesmo. O que o Mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode autoiniciar; pode colocar setas ao longo do caminho, setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre si mesmo. Isto pode e deve o mestre fazer – suposto que ele mesmo seja um autoiniciado.

Jesus, o maior dos Mestres que a humanidade ocidental conhece, ao menos aqui, durante três anos consecutivos, mostrou a seus discípulos o caminho da iniciação, o que ele chama o “Reino dos Céus”, mas não iniciou nenhum dos seus discípulos. Eles mesmos se autoiniciaram na gloriosa manhã do domingo de Pentecostes, às 9 horas da manhã – como diz Lucas, nos Atos dos Apóstolos.

Mas esta grandiosa autoiniciação aconteceu só depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação; 120 pessoas se autoiniciaram, sem nenhum mestre externo, só dirigidas pelo mestre interno de cada um, pela consciência de seu próprio Eu divino, da sua alma, do seu Cristo Interno.

E esta autoiniciação do primeiro Pentecostes, em Jerusalém, pode e deve ser realizada por toda a pessoa. Mas, acima de tudo, o que é que quer dizer Iniciação?

Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo.

O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo. Não sabe o que ele é realmente. O homem profano se identifica com o seu corpo, com a sua mente, com suas emoções. E nesta ilusão vive o homem profano a vida inteira, 30, 50, 80 anos. Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isto não pode entrar na autorrealização.

O que deve um homem profano fazer para se autoiniciar?

Para sair do mundo da ilusão sobre si mesmo e entrar no mundo da verdade? Deve fazer o que fez o primeiro grupo de autoiniciados, no ano 33, em Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar, ou cosmo-meditar. Os discípulos de Jesus fizeram três anos de aprendizado e nove dias de meditação – depois se autoiniciaram. Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos. A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções; saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora: “Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai… O reino dos céus está dentro de mim”.

E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda a injustiça, de toda a desonestidade, de todos os ódios e malevolências – de todo o mundo caótico do velho ego.

O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu Eu verdadeiro.

O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do “Reino dos Céus”. Começa a vida eterna em plena vida terrestre. Não espera um céu para depois de morte, vive no céu da verdade, aqui e agora – e para sempre.

Isto é autoiniciação.

Isto é autoconhecimento.

Isto é autorrealização.

O início de tudo isto é a meditação ou cosmo-meditação, de que já falamos em outra ocasião.

Repito que é impossível a verdadeira meditação sem que o homem se esvazie de todos os conteúdos do seu ego ilusório; quem se esvaziar do sua egoconsciência será plenificado pelo cosmo-consciência, que é a iniciação.

Mas é possível realizar este ego-esvaziamento na hora da meditação, mesmo que seja meia hora de introversão, se o homem viver 24 horas extrovertido, escravizado pelas coisas de seu ego ilusório.

A meia hora de meditação nada resolve, não abre as portas para a iniciação – se o homem não se libertar, durante o dia, da escravidão de seu ego.

Como fazer isto?

Libertar-se da escravidão do ego é usar as coisas materiais na medida do necessário, e não do supérfluo; o homem deve e pode ter um conforto necessário, sem desejar confortismos excessivos.

A mística da hora da meditação é impossível sem a ética da vida diária, sem o desapego do supérfluo. Luxo e luxúria são lixo, que atravancam o caminho para a iniciação. Quem não remove esse lixo do luxo e da luxúria pode fazer quantas meditações quiser que não se poderá iniciar; porque as leis cósmicas não podem ser burladas.

A verdadeira felicidade do homem começa com a sua autoiniciação. Fora disto, pode ele ter um mundo de gozos e prazeres, mas não terá felicidade verdadeira, paz de espírito, tranquilidade de consciência. Todos os gozos e prazeres são do ego ilusório, somente a felicidade é do Eu verdadeiro.

Um autoiniciado é também um redentor, para os outros.

Quando um único homem, escreveu Mahatma Gandhi, chega à plenitude do amor (autorrealização), neutraliza ele o ódio de muitos milhões.

Nada pode o mundo esperar de um homem que algo espera do mundo – tudo pode o mundo esperar de um homem que nada espera do mundo.

O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo. Ele já encerrou as contas com o mundo, está quite com o mundo. Pode dar tudo sem perder nada.

O autoiniciado é um místico – não um místico de isolamento solitário, mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo.

Onde há uma plenitude, aí há um transbordamento. O homem plenificado pelo autoconhecimento e pela autorrealização transborda a sua plenitude, consciente ou inconscientemente, saiba ou não saiba, queira ou não queira. Esta lei cósmica funciona infalivelmente. Faz bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia com a alma do Universo.

Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade, não é necessário nem é suficiente fazer muitas coisas, mas é necessário e é suficiente ser bom, ser realizado, e plenificado do seu Eu central, conscientizar-se e vivenciar de acordo com o seu Eu central, com o seu Cristo interno.

A plenitude da consciência mística da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente na vivência ética da fraternidade universal dos homens.

Para ter laranjas – laranjas verdadeiras – não é necessário fabricá-las. É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e mantê-la forte e vigorosa. Nem é necessário ensinar à laranjeira como fazer laranjas – ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos. Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira. Mais importante que todo o fazer é ser.

Onde não há plenitude interna não pode haver transbordamento externo. Para fazer o bem aos outros deve o homem ser realmente bom em si mesmo.

Que quer dizer ser bom?

Ser bom, não é ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho. Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência.

Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude. O nosso fazer bem vale tanto quanto o nosso ser bom. O ser bom é autoconhecimento e autorrealização.

Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.

Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são deslumbrantes vacuidades; são como bolhas de sabão – belas por fora, mas cheias de vacuidade por dentro. 1% de ser bom realiza mais do que 100% de fazer bem.

Autoiniciação é essencialmente uma questão de ser, e não de fazer. Esta plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão. O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação, e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso.

Todo o autoiniciado consiste ingredir e nesse egredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.

Não há evolução sem resistência. Tudo que é fácil não é garantido; toda evolução ascensional é difícil, exige luta, sofrimento, resistência.

Estagnar é fácil.

Descer é facílimo.

Subir é difícil.

Toda evolução é uma subida, e sem subida não há iniciação.

Autoiniciação e autorrealização é o destino supremo do homem.

Um único homem autorrealizado é maior maravilha do que todas as outras grandezas do Universo.

Huberto Rohden

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#Filosofia #iniciação #Rohden #Universalismo

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O Círculo

Pode-se perceber na figura precedente que não há circunferência sem um ponto interior que a gere, pois ela extrai sua forma, assim a tracemos com compasso ou cordel, de um centro existente previamente. Conjuntamente, circunferência e centro conformam a circularidade. O centro geralmente é invisível, ou tácito, ou se acha outras vezes especificamente assinalado como elemento constitutivo. Este ponto original é o que emana sua energia a todos os pontos da circunferência, que são um reflexo de sua potencialidade num plano definido e limitado. Essas emanações são representadas como irradiações do centro e formas de conexão entre este e a periferia. A mais singela e notável destas figurações é a seguinte:

Este é também o símbolo do quaternário, ou seja, o da maneira “quatripartida” em que se produz toda manifestação. Os exemplos mais claros desta divisão são os quatro pontos cardeais no espaço, as quatro estações do dia ou do ano no tempo, a interação dos elementos que em ordem mutável, configuram a matéria, as quatro idades na vida de um homem, etc. Ou seja, que este número caracteriza a todo o criado.

A cruz é, pois, o símbolo do número quatro em seu aspecto dinâmico e generativo, que recebe sua energia original da quintessência central, do ponto que é a origem da irradiação, e ao que esta tem de voltar necessariamente num espaço curvo.

Advertências:

a) Deve se considerar, da mesma forma, o círculo como uma esfera. Ou seja, adicionar volume, ou tridimensionalidade, às figuras simbólicas planas com as quais iremos trabalhando.

b) Não se tem que se considerar aos símbolos como exteriores a nós, pois se deve ter em conta que a esfera do universo nos envolve. Estamos dentro dela, somos unos com ela.

#hermetismo #Matemática

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O Bode na Maçonaria

Dentro da organização maçonica, muitos desconhecem o nosso apelido de bode. A origem desta denominação data do ano de 1808.

Porém, para saber do seu significado temos necessidade de voltarmos no tempo. Por volta do II e III século d.C. vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região. Procurando saber o porquê daquele monologo foi difícil obter resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação aquele fato.

Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia, foi informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros. Fazia parte da cultura daquele povo, contar alguém da sua confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas, ficaria mais aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema. Mas por que bode?

Quis saber Paulo. É por-que o bode é seu confidente. Como o bode nado fala, o confesso fica ainda mais seguro de que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino. A Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor – nesse ponto a história não conta se foi o Apóstolo que levou a idéia aos seus superiores da Igreja, o certo é que ela faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio, 0 povo passou a contar as suas faltas.

Voltemos em 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos 18 Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A Igreja, sempre oportunista, uniuse a ele e começou a perseguir todas as instituições que não governo ou a Igreja. Assim a Maçonaria que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados; proibida de se reunir. Porém, irmãos de fibra na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições. Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons. Chegando a ponto de um dos inquisidores dizer a seguinte frase a seu superior: – “Senhor este pessoal (Maçons) parece BODE, por mais que eu flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra”. Assim, a partir desta frase, todos os Maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação: “BODE” – aquele que não fala, sabe guardar segredo.

Texto do Ir. Jose Castellani

Achei no Blog do meu irmão Mathaus

#Maçonaria

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Yom Kipur

Yom Kipur, o dia do perdão, é o dia mais sagrado no calendário judaico. Trata-se de um dia de jejum, introspecção e autoanálise, durante o qual confessamos nossos pecados e oramos por um ano bom e doce.

Leis relacionadas com Yom Kipur

Costuma-se fazer caparot – abate de um galo, para um homem, e de uma galinha, para uma mulher, no dia 9 de Tishrei de madrugada, por um shochet qualificado. Também é possível cumprir este costume com dinheiro, doando-o para tzedacá.

É proibido jejuar no dia que precede Yom Kipur, mesmo se este jejum por Taanit Halom. É, ao contrário, uma mitzvá fazer uma refeição adicional. A refeição que antecede o jejum deve ter pão e pratos de fácil digestão e ser concluída 20 minutos antes do pôr-do-sol. Bebidas alcoólicas são proibidas.

As mulheres devem acender as velas antes de ir à sinagoga, dizendo a bênção “Lehadlik Ner Shel Shel Shabat Veshel Yom HaKipurim”. Se a mulher quiser locomover-se de automóvel ou usar o elevador antes do início de Yom Kipur, deverá, antes de acender as velas, fazer uma ressalva dizendo que não está recebendo Yom Kipur com o ato de acendimento das velas. É, porém, necessário antecipar o recebimento de Yom Kipur para antes do pôr-do-sol.

É costume os pais abençoarem os filhos, pedindo que estes sejam selados no Livro da Vida e que, em seus corações, permaneça sempre o amor a D’us. Convém também ir à sinagoga antes do pôr-do-sol, para poder participar do Kol Nidrei, a “anulação dos votos”.

Restrições durante Yom Kipur

Yom Kipur é o Shabat dos Shabatot e, portanto, todo trabalho profano deve cessar e todas as leis do Shabat devem ser respeitadas. Assim como no Shabat, é proibido carregar sobre si qualquer objeto durante Yom Kipur. Além de observar as leis do Shabat, em Yom Kipur outras cinco restrições são acrescidas:

“Não comer, não beber, não trabalhar, não se lavar e nem massagear a pele (perfumes, cremes etc.), não calçar couro, não ter relações conjugais”.

O jejum diz respeito tanto aos homens quanto às mulheres, mesmo grávidas ou amamentando. Só em caso de doença ou onde haja algum perigo à vida, o jejum pode ser suspenso (consulte seu rabino). As crianças de 9 a 10 anos podem jejuar algumas horas, e, a partir dos 11 anos, conforme avaliação dos pais, podem jejuar o dia todo. Mas o jejum torna-se obrigatório aos 12 anos, para meninas, e aos 13, para meninos.

O uso de sapato, sandálias ou tênis de couro é proibido tanto para homens como para mulheres. As crianças também devem ser orientadas neste sentido.

Ao término de Yom Kipur, a Havdalá deve ser feita sem bessamim, e a Bênção da Luz deve ser feita sobre uma vela que permaneceu acesa desde o dia anterior.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yom-kipur

Ciência e Hermetismo

A Antigüidade não estabelecia diferenças nítidas entre Ciência, Arte e Filosofia. Igualmente os alquimistas medievais se autodenominavam tanto artistas como filósofos, e ao se referirem a suas atividades, faziam-no chamando-as Ciência. Desse modo a vinculavam com a Ciência sagrada e tradicional que não excluía as disciplinas cosmológicas nem a meditação Metafísica, e tampouco o rito e a oração, segundo pode se ver em todos os documentos emanados de suas mãos, que unanimemente o atestam.

A Ciência, tal qual a conheciam os antigos, não tinha nada que ver com um método literal, como a concebem nossos contemporâneos (nascida esta idéia com Descartes no Discurso do Método, aparecido recém no século XVII) e menos ainda pensavam em sua substituição pela “técnica” ou “técnicas”, modos de ver estes exclusivamente empíricos e racionais, em contraposição com a universalidade da autêntica Ciência. A chamada ciência moderna, fundamentada na estatística e na comprovação de um mesmo fenômeno em circunstâncias “ideais” não é de nenhuma maneira exata, como bem o sabiam os alquimistas medievais (que repetiam um mesmo experimento centos de vezes, sabendo que as circunstâncias eram sempre distintas, para obter finalmente resultados palpáveis de transmutação natural), pois é sabido que as mesmas coordenadas espaço-temporais não se dão de uma mesma maneira indefinida num suposto mundo imóvel, frio e irreal (o que se entende equivocadamente como “matemático”), e a melhor comprovação disso é a observação atenciosa da terra e do céu, do macrocósmico e microcósmico, sempre em contínuo movimento e perpétua geração de novas formas de vida.

Por outro lado, queremos destacar que esta ciência “moderna”, à qual estamos nos referindo, é na verdade um esquema “antiquado” do século XIX, que paradoxalmente permanece vigente nas casas de estudo oficiais. No entanto, as comprovações da mais moderna ciência, ocorridas aproximadamente desde uns 50 anos para cá, com uma concepção absolutamente diferente do racionalismo mecânico, tocam-se com as concepções da Antigüidade e descrevem uma cosmologia análoga à das doutrinas tradicionais de todos os lugares e tempos, segundo daremos algum exemplo em subseqüentes séries e capítulos.

#Ciência #hermetismo

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Aquele que não segue a multidão

Tao Te Ching

Retirado do Tao Te Ching (*)

Quando renunciamos ao aprendizado

cessa toda a aflição.

A menor diferença entre as palavras,

como “maçã” e “maça” [1],

pode ser alvo de interminável controvérsia

e debate intelectual.

Atemorizante é a morte,

pois que todos os homens a temem.

Mas as infindáveis discussões que se seguem acerca dela

causam ainda mais medo!

A multidão parece satisfeita;

como se participasse de um grande banquete;

como se festejasse no cume da montanha na primavera.

Mas eu estou aqui só, calmo e tranquilo,

sem ser incomodado por meus desejos.

Eu sou como o recém-nascido que ainda não sorriu.

Eu pareço triste e desamparado

como alguém que não tem uma casa para retornar.

A multidão tem todo o necessário,

e até mais do que o necessário,

enquanto eu pareço haver perdido tudo o que eu tinha…

Minha mente se parece com a mente de um abobado,

sem forma definida.

O homem da multidão parece brilhante e perspicaz,

mas eu pareço carregar uma mente em branco.

O homem da multidão a tudo critica

com suas ideias pré-concebidas,

mas eu pareço totalmente despreocupado.

Eu pareço com um náufrago no oceano,

carregado pelos ventos, a deriva, sem destino…

O homem da multidão parece ter todo o curso da sua vida

cuidadosamente planejado e definido,

mas eu pareço um inapto, um incapaz,

um refugiado vindo da fronteira.

Sim, eu sou diferente de todos esses homens da multidão.

Não preciso me mover até o rio – bebo minha água

direto da Fonte.

***

[1] Nota do tradutor: Tanto Legge quanto Crowley usaram os termos do inglês “yes” (sim; formal) e “yea” (sim; informal). Murillo optou por ignorar a passagem. Já eu optei por usar os termos “maçã” (a fruta) e “maça” (a arma medieval), pois por muitos anos escrevi “maçã” como “maça”, isto é, sem o acento devido. A ideia aqui é, no entanto, apenas a crítica a preocupação excessiva da intelectualidade, de modo que os termos em si não importam tanto assim.

Todo mês traremos mais uma passagem do Tao Te Ching…

(*) Nesta tradução exclusiva do Tao Te Ching a partir da tradução clássica de James Legge para o inglês, Rafael Arrais (autor do blog Textos para Reflexão) usa do auxílio precioso das interpretações do ocultista britânico Aleister Crowley e do filósofo brasileiro Murillo Nunes de Azevedo para compor uma visão moderna da antiga sabedoria de Lao Tse.

» Versão impressa

» eBook (Kindle)

» eBook (Kobo/Cultura)

» eBook (Saraiva)

#Tao

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A Maçonaria na Alemanha

Por Kennyo Ismail

Há na Alemanha 05 diferentes Grandes Lojas Regulares. Até aí tudo bem, algo normal se comparado com muitos outros países. A diferença é que essas 05 Grandes Lojas da Alemanha formaram juntas um corpo maçônico diferente. Elas são independentes, soberanas, possuem seus Ritos, paramentos, legislação e líderes distintos. Porém, as 05 formam juntas o que podemos chamar de “Maçonaria Unida da Alemanha”: Todas as 05 Grandes Lojas abriram mão oficialmente de sua soberania em assuntos de relações exteriores e de relações públicas, concedendo essa autonomia à essa instituição nacional. Esse Corpo Maçônico, chamado de “Grandes Lojas Unidas da Alemanha” é composto por um Senado e uma Diretoria que possui Grão-Mestre, Adjunto, Grande Secretário e Grande Tesoureiro. As Lojas elegem os membros do Senado, geralmente indicados pelo Grão-Mestre de cada Grande Loja participante. O Senado indica o Grão-Mestre e seu Adjunto, e a Assembléia dos Veneráveis aprova ou reprova a indicação do Senado. O Grão-Mestre nomeia o Grande Secretário e o Grande Tesoureiro.
As 05 Grandes Lojas que compõem as Grandes Lojas Unidas da Alemanhã são:

– Grande Loja de Maçons Livres e Aceitos da Alemanha Velha (260 Lojas)

– Grande Loja Landesloge de Maçons da Alemanha (120 Lojas)

– Grande Loja Mãe Nacional (40 Lojas)

– Grande Loja Canadense e Americana (30 Lojas)

– Grande Loja dos Maçons Ingleses na Alemanha (20 Lojas)

Juntas, possuem o aproximadamente a 470 Lojas e 14.000 Irmãos Maçons.

A Convenção que elege o Senado e o Grão-Mestre e seu Adjunto ocorre a cada 03 anos.

As 11 cadeiras do Senado são proporcionais ao tamanho de cada Grande Loja participante:

– GLMLAAV – 05 senadores

– GLLMA – 03 senadores

– GLMN – 01 senador

– GLCA – 01 senador

– GLMIA – 01 senador.

O Senado é presidido pelo Grão-Mestre, que não tem direito a voto.

As Lojas de Pesquisa são filiadas diretamente à Grandes Lojas Unidas da Alemanha, e ela possui tratados de reconhecimento com nada menos do que 172 Grandes Lojas no mundo.

Agora o ponto mais interessante: nos eventos das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, os 05 Grão-Mestres têm o costume de usarem aventais de Aprendiz Maçom para simbolizar que, apesar de Grão-Mestres, eles são eternos Aprendizes.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ma%C3%A7onaria-na-alemanha