Monte Osore, a Montanha do Medo

Há algum tempo atrás, eu comentei sobre as Montanhas Sagradas do Japão e, principalmente, sobre o fato de elas serem consideradas entradas para o Outro Mundo. Várias são as montanhas famosas por lá, como o Monte Hiei e o Monte Koya, mencionadas naquele post, mas nenhuma exerce tamanho fascínio como o Monte Osore. Osorezan, para os japoneses, é a Montanha do Medo, a entrada para o Inferno, onde está localizado o Sai-no-Kawara, o Leito Seco do Rio das Almas, o limbo das Crianças.

Localizado na cidade de Mutsu, na Península de Shimikita, estendendo-se em direção ao norte de Hokkaido, ao norte da Prefeitura de Aomori, Osorezan não é exatamente um monte, mas uma área formada por uma série de picos devido à forte ação vulcânica que lá ocorria. A paisagem, de tão árida e rochosa, lembra a superfície da lua. O cheiro de enxofre é forte, e não há vida no lago formado na cratera do vulcão, de tão venenosas que são suas águas.

O lago, Usoriyama, ainda mantém o nome pelo qual era conhecida a região pela antiga população indígena do local, o Povo Ainu: Usori. Foi apenas mais tarde, com a introdução do budismo do Japão, quando os monges alcançaram o norte, que o nome foi alterado para o idioma japonês: Osorezan.

A região é dirigida pelo Templo Budista Bodaiji de Mutsu, mais conhecido como Templo Bodaiji de Osorezan. Um templo bodaiji é geralmente um templo familiar dedicado aos serviços fúnebres. O patrono do templo é o Bosatsu Jizô, e é por eles organizado o festival Itako Taisai.

Duas vezes por ano, durante o Itako Taisai, Osorezan reúne pessoas vindas de diversas partes para ver a reunião das médiuns conhecidas como itako, mulheres shamans que mantêm ainda o ofício inicialmente desenvolvido pelos antigos Ainu, incorporando os espíritos dos antepassados e transmitindo suas mensagens aos seus familiares através de sua voz mediante a prática do kuchiyose.

Ainda, é em Osorezan onde se encontra o Sanzu-no-Kawa, o Rio das Três Passagens, que conduz os mortos ao Outro Mundo, Este rio é atravessado por uma pequena ponte vermelha, a qual deve ser cruzada por todos aqueles que abandonaram esta vida sete dias após a morte. É o Bosatsu Jizô que auxilia todos na sua travessia, sejam adultos ou crianças.

É nas margens do Sanzu-no-Kawa onde fica o Sai-no-Kawara, o Leito Seco do Rio das Almas, o limbo das Crianças. Por isso, é muito comum encontrar, sobretudo aos pés das estátuas de Jizô, pequenas torres de pedras, empilhadas pelos pais cujos filhos faleceram ainda pequenos. Nas margens do rio é possível ainda encontrar outros tipos de oferendas, como brinquedos e bonecas.

Monte Osore, a Montanha do Medo, o local onde este mundo e o Outro se encontram. O local por onde os espíritos de todos aqueles que faleceram encontram o seu caminho para a próxima vida; o local onde aqueles que permanecem vivos encontram conforto pela partida de seus entes queridos na voz mediúnica das itako.

“O mundo que brilha lá no alto, onde será? Será a terra onde mora o santo Jizô? Amor é encontro, separação, um pedaço de pano surrado.

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A História da Maçonaria para Adultos

Diversos historiadores maçons se dedicaram a contar e recontar a história do surgimento da Maçonaria Especulativa como conhecemos hoje. As versões são geralmente bastante similares entre si e, pelo conteúdo, se parecem com as histórias contadas para crianças antes de dormir:

Parece uma ótima história para explicar ao seu filho de cinco anos de idade o motivo de você ser um “pedreiro-livre” e não construir casas. Mas, definitivamente, não serve como História da Maçonaria, em pleno século XXI, a ser ensinada ao novo maçom de hoje, que possui nível superior e um mínimo de senso lógico e crítico.

Não se pode contar a história da Maçonaria e de sua transição de Operativa para Especulativa sem considerar o contexto histórico e os aspectos socioeconômicos da época. A extinção da Maçonaria Operativa não se deveu por um simples processo de evolução interna dentro da Maçonaria, que teria então evoluído para Especulativa. Não foi um movimento interno, impulsionado pelos membros “aceitos”, que assumiram a liderança da instituição e promoveram seu desenvolvimento por uma via mais intelectual e elitista. Na verdade, foi um movimento estritamente externo e incontrolável pela Maçonaria. Para se compreender o fenômeno, deve-se, antes de tudo, contextualizá-lo:

A Maçonaria, sendo antiga e ocidental, teve logicamente origem no Velho Mundo: a Europa. Documentos históricos como a “Carta de Bolonha” (Século XIII), o “Poema Regius” (Século XIV), os Manuscritos de “Cooke” e “Estrasburgo” (Século XV) e alguns outros confirmam essa teoria, apresentando a Maçonaria Operativa, com suas cerimônias e Antigos Costumes, antes mesmo do descobrimento do Novo Mundo. Assim sendo, nada mais natural do que as primeiras Grandes Lojas terem surgido na Europa, nas primeiras décadas do Século XVIII.

O documento mais antigo citado, a “Carta de Bolonha”, evidencia que, já no século XIII, maçons especulativos conviviam com os operativos. Quando do surgimento da primeira Grande Loja, na Inglaterra de 1717, é sabido que, das quatro Lojas fundadoras, três eram compostas predominantemente por maçons operativos. Há inúmeros relatos e documentos que indicam que, durante quase todo o século XVIII, Lojas Operativas conviveram com Lojas Especulativas em boa parte da Europa. Isso significa que, por pelo menos 500 anos, meio milênio, os maçons operativos conviveram com os especulativos, sendo os operativos maioria. Afinal, o que então aconteceu com os maçons operativos? Por que eles desapareceram da Maçonaria no final do século XVIII?

O que exterminou a Maçonaria Operativa não foi a Especulativa, nem mesmo um processo de evolução cultural. O que pôs fim à Maçonaria Operativa foi… a Revolução Industrial. A mudança no processo produtivo, originada pelas invenções de máquinas e impulsionada pelo surgimento das indústrias, pôs fim à era de produção manual baseada nas guildas.  O trabalho estritamente manual foi substituído pelo trabalho de controle de máquinas. A iniciativa inglesa rapidamente se espalhou pela Europa, promovendo um êxodo rural e o abandono dos ofícios artesanais e manuais para atender a demanda por mão-de-obra industrial. Ao fim do século XVIII, o maçom operativo não teve outra escolha a não ser se tornar operário fabril e trabalhar uma média de 80 horas por semana.

Muitos dos países europeus, preocupados em consolidar o novo modelo econômico, chegaram a adotar leis proibindo a Maçonaria Operativa. Esse foi o caso do famoso Ministro Turgot, da França, que determinou que:

Leis como essa foram o tiro de misericórdia para as poucas Lojas Operativas que ainda tentavam sobreviver aos primeiros anos da Revolução Industrial. Dessa forma, a Maçonaria Operativa desapareceu de vez, ficando a Maçonaria Especulativa como única e legítima herdeira de sua essência, responsável por preservar e passar adiante seus ensinamentos.

Essa é a história real. Sem contos de fadas.

Leia também:
– O legítimo lema da Maçonaria
– Obediência Maçônica – Conselho Profissional ou Sindicato
– Um happy hour entre o REAA e o Rito de York

#Maçonaria

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Do Rito de Heredon ao Rito Escocês

Continuando a série histórica do final dos Templários ao início da Maçonaria, apresento um trabalho feito pelo irmão Mourice Joton, apresentado em 1923 a respeito da fusão do que se conhece como Rito de Heredon, da Antiga Ordem Escocesa templária, à Ordem de Maçons Livres de Kilwinning, dando origem ao embrião que em 1717 seria oficializado como o que conhecemos hoje como “Maçonaria”.

A influência das Cruzadas devia fazer-se sentir, não só entre os artífices mas ainda entre os nobres que também conheceram na Palestina, formas de associações novas e, uma vez de volta a Europa constituíram Ordens, semelhantes às do Oriente, nas quais admitiram logo outros iniciados. É assim que em 1196, fundou-se na Escócia a “Ordem dos Cavaleiros do Oriente”, cujos membros tinham como ornamento uma cruz entrelaçada por quatro rosas.

Essa Ordem foi trazida da Terra Santa no ano de 1188 da Era Cristã, da qual o rei Eduardo I da Inglaterra, (1239-1307), veio a fazer parte dela. Um século após a fundação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, ou seja pelo ano de 1300, em seguida a última Cruzada em que também tomara parte o rei de uma Ordem estabelecida no Monte Moria, na Palestina (lugar escolhido por Salomão para a construção do seu Templo), fundaram um Capítulo dessa mesma Ordem, fixando-lhe a sede dos Hébridas, e mais tarde em Kilwinning, denominando essa Ordem de “Ordem de Heredon” (lembramos que a palavra “Heredon” e composta de “hieros”- santo e “domos”- casa, portanto Casa Santa ou Templo).

Alguns anos mais tarde, no começo do século XIV, o papa Clemente V e o rei da França, Felipe o Belo, iniciaram sua obra nefasta de perseguição contra os Templários.

Para se compreender o papel que a Ordem do Templo desempenhou na Maçonaria Escocesa é necessário resumir sua história.

A Ordem do Templo foi fundada após a primeira Cruzada, por Godofredo de Bouillon, Hugues de Payens e Godofredo de Saint-Omar, com o fito de proteger os peregrinos que de Jerusalém se dirigiam ao lago de Tiberiade. Associados em 1118, à outras sete Cavaleiros, os Templários fizeram seu quartel numa casa vizinha ao terreno do Templo de Jerusalém. Dez anos mais tarde receberam do papa, os estatutos que os constituíram em Ordem, ao mesmo tempo Religiosa e Militar.

Em breve essa Ordem tomou um desenvolvimento considerável, que no século XII, possuía nove mil residências na Europa. No século XIV, contava com mais de vinte mil membros. Apesar do seu poder e da sua riqueza, o mistério que os Templários cercavam as reuniões de seu Capítulo e de suas iniciações e, prestava-se as acusações de impiedade e de crueldade que o vulgo em todos os tempos proferiu contra as associações secretas.

Consciente de uma impopularidade crescente o Grão-Mestre Jacques de Molay pediu ao papa Clemente V, em 1306, a abertura de um inquérito, mas este contentou-se a convidar Molay a ir a Avignon, na França, onde, por força de circunstâncias adversas estava, provisoriamente instalado o papado.

Por outro lado o rei da França tinha mais do que nunca necessidade de dinheiro, e para resolver esta dificuldade valia-se dos Templários que lhe emprestavam elevadas somas. Ora, naquele tempo, quando alguém queria se desembaraçar de uma dívida, o meio mais simples era desembaraçar-se do credor. Foi por isso que em setembro de 1307, todos os oficiais do rei receberam instruções mais que misteriosas, sendo que a 12 de setembro do mesmo ano Molay era preso no Templo, ao mesmo tempo que outros membros da Ordem também o eram, em todos os pontos da França. No mesmo dia todos foram levados perante inquisitores, que os acusaram dos mais abomináveis crimes, e como não podiam confessar um crime que não cometeram, foram levados a tortura. Disse um deles a seus juizes: – Fui de tal modo torturado, atormentado, exposto a força que as carnes dos meus calcanhares foram consumidas, que os ossos caíram poucos dias depois.

O Rei, Felipe o Belo, apresou-se em fazer mão baixa no tesouro da Ordem, depositado no Templo de Paris. O concílio que deveria julgar os Templários reuniu-se em Viena, no Delfinado à 13 de outubro de 1311, onde ninguém foi citado para defender-se. Porém diante da resistência do concílio em julgar tal iniquidade, o papa, Clemente V, cassou a autoridade da Ordem do Templo em 12 de abril de 1312, quando os concílios de Ravena, Salamanca e Moguncia tinham absolvido os Templários, sendo estes levados a sua presença.

A supressão da Ordem dos Templários teve seu epílogo em 1313. O papa reservara para si o julgamento do Grão-Mestre e dos dignitários presos a sete anos, nas masmorras de Felipe o Belo. A 18 de março de 1313 todos se retrataram e na noite daquele mesmo dia todos pereceram nas fogueiras, que com antecedência haviam sido preparadas. Prevaleceu a força e o interesse sobre a justiça. A última frase de Jacques de Molay foi: – “Spes mea in Deo est”.

Esta frase tornou-se uma divisa para o Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

É muito provável que os sobreviventes da Ordem dos Templários, anatematizados pela igreja, tenham então procurado agrupar-se de novo em outras associações, em especial a Ordem Cavalheiresca de Heredom, ou ao Grande Capítulo de Kilwinning. Entretanto desde que começaram as perseguições na França, vários templários escaparam, fugindo para a Escócia, e alistaram-se sob a bandeira do Rei Roberto I, que criou a 24 de junho de 1334, a “Ordem do Cardo”, em favor dos maçons e dos Templários que haviam contribuído para o sucesso de suas armas em Bannock-Bum, na qual as recepções eram semelhantes as da Ordem do Templo.

Parece pois que, o rei da Inglaterra quis recompensar os Templários, restabelecendo sua Ordem, com as suas formas, mas com outra designação. Há outro fato mais importante ainda, um ano depois, Roberto I, fez a fusão da Ordem do Cardo com a Ordem de Heredom e elevou a Loja Mãe de Kilwinning a categoria de Loja Real e, estabeleceu junto a ela o Grande Capítulo da Ordem Real de Heredon de Kilwinning e dos Cavaleiros Rosa-Cruz. Este nome de Cavaleiro Rosa Cruz aparece aqui pela primeira vez, no século XVI (antes, portanto, dos “Manifestos Rosacruzes” na Europa) fazendo, tudo supor, que não é senão outra designação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, cujo emblema era uma cruz enlaçada por quatro rosas.

Estes fatos históricos são de importância capital para o Escocismo e pedem mais atenção para o assunto. Verificamos em primeiro lugar, que nos séculos XII e XIII, a Maçonaria Operativa viu abrigarem-se nas sua Lojas, Ordens de Cavalaria que nenhuma relação tinham com aquela associação de ofício, e cujas iniciações, praticas, cerimônias e graus eram diferentes dos seus. Algumas dessas Ordens, se refugiavam na nova Ordem estabelecida pelo rei Roberto I, por si próprias, outras pelo beneplácito dos reis da Inglaterra, que acumulavam dos mesmos favores, à maçons e cavaleiros, em recompensa aos serviços prestados à coroa, e os agrupava em uma fraternidade, sobre a qual podiam apoiar-se, em caso de necessidade.

Uma outra constatação importante para o escocismo, é que os Templários, desde 1307, penetravam nas Lojas da Escócia, que estavam sob a égide da Ordem do Cardo, levando não obstante as cerimônias Templárias e seus graus. Estes graus junto aos outros da Ordem da Cavalaria eram conferidos pelo Grande Capítulo Real de Heredom de Kilwinning, e formavam o sistema escocês, conhecido pelo nome de Rito de Heredom ou de Perfeição. Pode-se assim explicar como, após a suspensão da Ordem do Templo, certas Ordens de Cavalaria, que haviam mantido sua influência sobre a maçonaria operativa da Escócia, acharem o meio de desenvolverem o cerimonial das iniciações dos pedreiros, num ritual completo e suscetível de incultar aos seus iniciados mais do que a simples comunicação dos segredos da arte de construir.

É também por essa época, ou seja mais de quatrocentos anos antes da constituição da Grande Loja da Inglaterra, que se viu nascer na Escócia o nome de Maçom Adotado, pelo qual entenderam os membros das Lojas que não pertenciam a profissão de pedreiros. Insistamos em que essa fusão da Maçonaria operativa com as Ordens da Cavalaria, se operou somente na Escócia, mas não na Inglaterra. Isto explica portanto, a origem escocesa dos graus, outros, que não eram conferidos pela corporação dos pedreiros de outros países – aprendiz, companheiro e mestre.

Enfim, realcemos o papel político das Ordens da Cavalaria e das Lojas da Escócia, inteiramente devotados ao rei da Inglaterra, compreenderemos então a fidelidade que a Maçonaria Escocesa defendia a causa dos destronados.

Para terminar esta parte deste trabalho, é interessante notar quais os graus que a Loja Real de Kilwinning e seu Grande Capítulo de Heredon conferiam desde o seu estabelecimento. A própria Loja trabalhava com os graus da Maçonaria operativa, ou sejam Aprendiz, Companheiro e Mestre de ofício, mas convém notar que o Grau de Mestre não existia naquela época em que os mestres não eram senão os dirigentes das Oficinas, isto é das construções, cada qual em sua profissão.

Os demais graus inspirados pelos Rosa-Cruz, foram criados no começo do século XVIII, quando o Capítulo de Heredon, conferia aos membros da Ordem dos Cavaleiros do Oriente ou Ordem dos Cavaleiros Rosa-Cruz, e a Ordem do Cordo, ou do Templo, todos os graus dessas duas Ordens. Depois de haver assim, brevemente resumido as tradições da confraria dos pedreiros e estabelecido, em conseqüência de circunstâncias, as Ordens da Cavalaria a elas se ligaram.

Convém deter-nos um instante na Ordem da Rosa-Cruz, que exerceu uma influência preponderante na transformação da Maçonaria Operativa na sua forma Simbólica, como a conhecemos hoje. Poucos historiadores se ocuparam da real origem da Rosa-Cruz, que entretanto desempenhou papel considerável nos séculos XVI e XVII. O motivo dessa abstenção, se explica pela ausência da necessária documentação história que os Rosa-Cruz não se preocuparam em guardar, pois viveram espalhados pelo mundo, conhecido então, reunindo-se uma vez por ano para transmitir, uns aos outros, os conhecimentos adquiridos, porem estes conhecimentos sempre foram transmitidos verbalmente.

A Conferência Internacional dos Cavaleiros Rosa-Cruz, realizada em Bruxelas em 1880, felizmente lançou uma nova luz sobre a história dessa Ordem.

A princípio a conjuração dos Rosa-Cruz, não foi mais do que uma afirmação da liberdade de pensar. Uma obra de apaziguamento e de tolerância. O que os Templários tinham querido fazer no seio da Igreja Romana, os Rosa-Cruz também tentaram realizar, porém ficando cautelosamente fora de qualquer afirmação confessional.

Passados quase quinhentos anos, desde que os Templários remanescentes do massacre ordenado por Clemente V, se estabeleceram na Escócia, durante os quais o Escocismo se consolidou e se espalhou pela Europa, é que vamos encontrar nos novos registros das mudanças estabelecidas no Escocismo, tal qual o conhecemos hoje. É conveniente lembrar, que o poder diretivo da Ordem não mais estava na Escócia nem na França, mas sim na Prússia, onde Frederico II, seu rei, havia efetivado profundas modificações no Escocismo, fazendo vigorar a primeira Constituição, Regulamentos e Leis normalizando o Escocismo. Uma dessas mudanças foi a de dar ao Escocismo os atuais trinta e três graus, pois até então somente tinha vinte e cinco.

As grandes Constituições de 1786 não chegaram a realizar imediatamente o fim a que se haviam proposto, e é fácil determinar a causa. Três meses depois de serem publicadas em 17 de agosto de 1786, Frederico II, seu autor, morreu. Todos que, com Frederico II, compuseram o primeiro Conselho da Ordem, reestruturada, foram obrigados a se dispersar, premidos pelo novo rei Frederico Guilherme II, que só queria a Ordem Rosa-Cruz e passou a não tolerar outra forma de Maçonaria.

Deste modo a reforma foi levada para a França, por um dos colaboradores de Frederico II, o conde D’Esterno, embaixador da França em Berlim, e um dos signatários das Grandes Constituições. D’Esterno, tentou introduzir, desde o seu regresso, o Rito Escocês Antigo e Aceito em seu país, fundando para isso um Supremo Conselho, em Paris, em cuja presidência ficou o duque de Orleans e do qual tomaram parte Chaítlon de Joinville, o Conde de Clermont-Tonnerre e o Marquês de Bercy. Este Supremo Conselho teve vida efêmera, sendo obrigado a desaparecer pelas circunstâncias revolucionárias que se estabeleceram na Franca.

Há um fato curioso à ser registrado. O Escocismo, havia sido fundado na Europa, onde adormeceu, e voltou a funcionar mais tarde, voltando da América de uma forma mais vigorosa e mais envolvente, pelas seguintes razões.

A 27 de agosto de 1761, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente havia entregue ao Irmão Estevão Morin cujos negócios o chamavam à América, uma Patente de Grão-Mestre Inspetor, autorizando-o a “Trabalhar regularmente pelo próprio proveito e adiantamento da Arte Real e constituir Irmãos nos Sublimes Graus de Perfeição”. Morin, saindo de Paris, chegou a São Domingos onde instalou o seu gabinete, espécie de Grande Oriente para os Altos Graus no Novo Mundo. Em 1770, fundou o Conselho dos Príncipes do Real Segredo de Kingston, na Jamaica, criou muitos Inspetores Gerais, entre eles, Francken, De Grasse-Tilly, De la Hogue e Hacquest.

Ora, esses Maçons da América, pertenciam ao Rito de Perfeição, mantinham assíduas relações com o Grande Consistório de Bordeaux. Mas, como já foi dito este adormece em 1781. Desde então os novos Corpos de São Domingos e da Jamaica passam a manter relações com Berlim até a morte de Frederico II, que era tido como o Grão-Mestre Universal. É provável entretanto que não podendo mais prevalecerem-se de Atos Constitucionais emanados de uma autoridade desaparecida, aqueles maçons dirigiram-se a Berlim tendo em vista agruparem-se sob outro sistema, e ligaram-se em definitivo ao Rito constituído pelas Grandes Constituições.

A 29 de novembro de 1785, Salomão Bush, Grão-Mestre de todas as Lojas e Capítulos da América do Norte, dirige-se a Frederico II na sua qualidade de chefe supremo da Maçonaria para dar-lhe a conhecer a criação, em presença de uma grande assembléia de Irmãos, de uma “Sublime Loja” em Philadelphia, que “se submeteria as Leis e Constituições que a Ordem deve ao seu Chefe Soberano”, e exprime o desejo de que a “Grande Luz de Berlim condescenderá em iluminar a nova Loja”. Não obstante, os maçons da América trabalham até 1801 com o Rito de Perfeição, pois até aquela data o mais alto grau conhecido na América era o de Príncipe do Real Segredo, ou seja o Grau 25, na escala do Escocismo, antes da reforma estabelecido por Frederico II, que lhe acrescentou mais sete graus.

A 31 de maio do mesmo ano, foi constituída em Charleston uma nova Potência dirigente que adota as Grandes Constituições de 1786 e os trinta e três Graus nelas estabelecidas. Essa Potência que tomou o nome de “Supremo Conselho dos Grande Inspetores Gerais para os Estados Unidos da América”, foi realmente o primeiro a realizar de modo definitivo o objetivo das Grandes Constituições de Frederico II, ou seja, a primeira a praticar o Escocismo como é hoje conhecido. De Grasse-Tilly, era membro do Supremo Conselho de Charleston. Em 1802 voltou à Jamaica e fundou com De La Houge naquela cidade, um Supremo Conselho de qual foi o Mui Poderoso Soberano Grande Comendador. Em 1803, De Grasse-Tilly regressou à França onde instalou em 22 de setembro de 1804 um Supremo Conselho em Paris, com jurisdição internacional.

Assim o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Escocismo, renasciam de suas cinzas no solo francês, de onde não mais saiu, e achava-se definitivamente constituídos sobre as bases das Grandes Constituições. Sucessivamente foram fundados outros Supremos Conselhos em muitos países da Europa e na maior parte dos da América. Estes Supremos Conselhos formam hoje o Escocismo e o Rito Escocês Antigo e Aceito, que é o Rito maçônico mais praticado no mundo (@MDD em 1923… hoje pode-se dizer que o rito de Emulação é o mais praticado no Mundo, mas o REAA ainda é o mais praticado na América do Sul/Brasil)

“Trabalho colocado em observações próprias do autor e na conferência realizada no Subl.’. Capítulo L’Amitié (Amizade) em Lousanne em 5-5-1923 pelo Ir.’. Mourice Joton, grau 30º.”

#Maçonaria #Templários

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Iniciação de Dom Pedro

O rei de Portugal, D. João VI, no ano de 1821, extinguiu o reinado do Brasil e determinou o regresso de D. Pedro com toda a família real para Portugal. Nessa época, funcionava no Rio de Janeiro, a Loja Maçônica Comércio e Artes, da qual eram membros vários homens ilustres ligados à corte, como o Cônego Januário da Cunha Barbosa, Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira entre outros.

Após terem obtido a adesão dos irmãos de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, aqueles maçons resolveram fazer um apelo a D. Pedro para que permanecesse no Brasil e que culminou, como se sabe, com a celebre: “como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico”. Entretanto, não parou ai o trabalho dos maçons. Teve início, logo em seguida, um movimento coordenado entre os irmãos de outras províncias brasileiras objetivando promover a Independência do Brasil.

É importante ressaltar que, naquela época, na metrópole, nas lojas “Comércio e Artes”, “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, nenhuma pessoa era iniciada, sem que fossem conhecidas suas opiniões sobre a Independência do Brasil. Ademais, todo neófito jurava não só defendê-la como também promovê-la.

No dia 13 de julho de 1822, por proposta de José Bonifácio, D. Pedro é iniciado na Maçonaria, na loja Comércio e Artes, e logo elevado ao grau de Mestre Maçom. Enquanto isso, crescia em todo o Brasil, o movimento pela Independência, encabeçado pelos maçons.

Ir.’. Celso Benito, ARLS Icaro, 3840.

#Maçonaria

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Lilith, a Lua Negra – NOT

“No mapa astrológico,a Lua Negra, ou Lilith, simboliza um lado secreto e obscuro de nossa personalidade. Identificar e trazer à luz esses aspectos é fundamental para cultivar o autoconhecimento e alcançar a paz de espírito.

A influência da Lua sobre a vida e os traços de caráter é bem conhecida, mas a da Lua Negra, também chamada de Lilith, nem tanto. Na astrologia, da mesma forma que a Lua simboliza o inconsciente e as emoções, Lilith identifica uma porção mais profunda e desconhecida da alma, como um lugar inexplorado na face escura de nosso satélite.”

BULLSHIT.

Em 1898, um astronomo alemão chamado Georg Waltermath afirmou ter descoberto através de cálculos a existência de uma segunda lua orbitando ao redor da Terra, dentro de um sistema composto de pequenas micro-luas. Em 1918, um astrólogo chamado Walter Gornold (conhecido como Sephariel) publicou um livro onde afirmava que esta “segunda lua” era toda negra, por isso não poderia ser visível da Terra porque ficava contra o fundo escuro das estrelas, mas que ele havia visto esta lua em certas observações contra o sol. Nomeou esta lua de “lilith” e afirmava que, por ela ser totalmente escura, representaria o “lado obscuro” da psique das pessoas, sendo de vital importância que todo mundo comprasse o livro dele para aprender mais sobre este astro que até então “não havia sido detectado”.

OK. Para uma primeira análise minimamente cética, cheira a bullshit. Quer dizer que os sacerdotes, astrólogos, astrônomos, magos, babilônicos, reptilianos, maias, incas, chineses, faraós, alquimistas e toda sorte de ocultistas e cientistas do planeta inteiro haviam observado os céus por mais de 7.000 anos e somente um “astrólogo” (entre aspas) não apenas havia detectado, mas também rapidamente já tinha toda uma explicação publicada a respeito das propriedades astrológicas deste astro?

Não seria minimamente esperado que os chineses, os egipcios, os maias ou os babilônicos tivessem feito pelo menos uma anotação sobre este “tão importante” astro? Umazinha que fosse?

As teorias de Gornold foram desprezadas pelos ocultistas sérios. Não há livros da Golden Dawn, Astrum Argentum ou Ordo Templi Orientis que a mencionem. O assunto parecia ter morrido.

Em 1930, o matemático Maurice Rougié introduziu o conceito de “Apocentro” (Ponto de uma órbita mais afastado do centro de atração, como o segundo ponto para se traçar uma elipse) e o calculou para a lua. Por influência de seus colegas astrólogos, acabou nomeando este ponto de “lilith”. Grande erro.

#Astrologia

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Ordens Paramaçônicas Juvenis Internacionais

O investimento na juventude, através da criação e desenvolvimento das Ordens Paramaçônicas Juvenis Internacionais,  foi, sem dúvida alguma, a maior obra maçônica no século XX. Trata-se dos únicos projetos sociais de caráter internacional e permanente realizados pela Maçonaria Regular Universal: Ordem DeMolay, Ordem das Filhas de Jó, e Ordem do Arco-Íris para Meninas.

A iniciativa partiu da Maçonaria norte-americana que, através de Frank Sherman Land, deu o primeiro passo no investimento na juventude, com a fundação da Ordem DeMolay, no Missouri. No ano seguinte, surgiu em Nebraska a Ordem das Filhas de Jó, e 02 anos depois a Ordem do Arco-Íris para Meninas, em Oklahoma. Em poucos anos, essas 03 instituições fraternas juvenis espalharam-se pelo mundo, sendo abraçadas por Obediências e Corpos Maçônicos pela América, Caribe, Europa, Ásia e Oceania.

A Ordem DeMolay foi criada com o intuito de ser uma Escola de Liderança. Frank Land dizia que “um DeMolay nunca pode falhar como homem, como cidadão e como líder”. Voltada a jovens do sexo masculino e sem exigência de parentesco maçônico, a Ordem se tornou extremamente popular. Só nos EUA, mais de um milhão de jovens foram iniciados em poucas décadas, formando jovens que se tornaram posteriormente as maiores autoridades civis, militares e religiosas do país, incluindo um presidente da república. A Maçonaria norte-americana também encontrou na Ordem DeMolay o seu próprio futuro: atualmente, as maiores autoridades maçônicas, incluindo muitos Grão-Mestres são Sênior DeMolays. Os núcleos locais da Ordem DeMolay são chamados de “Capítulos”.

A Ordem das Filhas de Jó foi um projeto idealizado por uma senhora chamada Ethel Mick, o qual foi logo abraçado pela Ordem da Estrela do Oriente (voltado para mulheres adultas com parentesco maçônico) e pela Grande Loja de Nebraska. Fundada em 1920, a Ordem das Filhas de Jó é voltada para jovens mulheres entre 10 e 20 anos de idade, e exige parentesco maçônico. Seu objetivo é colaborar na formação moral e espiritual das participantes, através de ensinamentos baseados no Livro de Jó. Os núcleos locais das Filhas de Jó são chamados de “Bethéis”.

Já a Ordem do Arco-Íris para Meninas foi criada em 1922, em Oklahoma, por iniciativa de um maçom, Mark Sexson, em parceria com a Ordem da Estrela do Oriente. Baseada na Ordem DeMolay, a Ordem do Arco-Íris para Meninas tem o objetivo de formar lideranças femininas, e não é exigido parentesco maçônico. Os ensinamentos básicos também são baseados em Sete Virtudes, que diferem um pouco das Virtudes Cardeais de um DeMolay. Os núcleos locais das garotas do Arco-Íris são chamados de “Assembléias”.

Essas três Ordens Paramaçônicas Juvenis Internacionais foram criadas nos EUA, no início do século XX, e compartilham da mesma base ritualística, tendo como referencia o Monitor de Webb, que já havia servido de base para a Estrela do Oriente. Por esse motivo, alguns cargos e suas posições na sala são comuns entre as Ordens, assim como o tipo de circulação nas cerimônias.

Se você é um Maçom e sua Loja ainda não patrocina um Capítulo, Bethel ou Assembléia, pense com carinho na possibilidade de levar o assunto à apreciação dos Irmãos. Sua Loja estará assim participando do maior e mais importante projeto maçônico do mundo. Prédios podem ruir. Hospitais podem falir. Ritos podem sumir. Até mesmo a independência de um país ontem é maculada pela sua dependência financeira e econômica hoje. Mas o investimento em almas, corações e mentes jovens é algo intocável e imortal, que ultrapassa todas as fronteiras. É a garantia de um melhor amanhã.

#Maçonaria

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O Real Motivo

Até alguns anos atrás pouquíssimo era o meu conhecimento acerta de ordens, grupos e suas respectivas obrigações, deveres e o que compete desde à preparação do aspirante a Adepto, e um pensamento que antes parecia ser pessoal se mostrou de importância geral, e de particular preocupação aos grupos que tencionam formar verdadeiros Iniciados: O que motiva seus membros? O que faz o espirito humano buscar o conhecimento oculto, e o que faz de cada candidato sincero verdadeiro merecedor de ultrapassar os Umbrais do Templo?

Segundo o Codex Hermeticum 00 do CIH ‘Preparação do postulante ao Circulo Inciático de Hermes’, com texto de abertura, segundo item, temos:

“2. Deve buscar o real motivo de seu ingresso ao CIH

Antes da iniciação o postulante deve meditar e questionar-se sobre o motivo que o trouxe às portas da iniciação. Em nenhum momento, seus motivos devem ser apenas a curiosidade ou o interesse passageiro na escola. O caminho da iniciação e duro e penoso. Os que são motivados por pensamentos superficiais e tolos, não a poderão compreender em sua plenitude ou aproveitar sua profunda sabedoria.”

Essa preocupação aparece entre as Ordens e Grupos Iniciáticos com o intuito não somente de preservar sua própria integridade de pessoas movidas por mera curiosidade, por sentimentos levianos ou passageiros, mas também como forma de provação prévia do candidato quanto sua sinceridade de pensamento e julgamento, assim como a pureza de suas aspirações e conduta, assim como uma forma do próprio candidato perceber e buscar razões nobres para seu pedido de filiação.

Segundo o Site do Grande Oriente do Brasil (G.:O.:B.:), retiro um trecho do artigo aberto “Como Posso Tornar-me Maçom” que diz:

“Antes de mais nada, o postulante ao ingresso nos quadros da Ordem Maçônica, deve autoavaliar-se em busca de valores, costumes, atitudes (interiores), e comportamentos sociais exteriorizados cotejando-os com algumas premissas a seguir apresentadas.

(…)

A admissão à Maçonaria é restrita a pessoas adultas sem limitações quanto à raça, credo e nacionalidade, desde que gozem de reputação ilibada e que sejam homens íntegros.

Nenhum homem, por melhor que seja, poderá ser recebido na Maçonaria, sem o consentimento de todos os maçons. Se alguém fosse imposto à Maçonaria, poderia ali causar desarmonia, ou perturbar a liberdade dos demais, o que sempre deve ser evitado.

A aceitação do pedido de ingresso na Ordem depende bastante da declaração de motivos do candidato. A Ordem espera que o candidato seja sincero perante sua própria consciência, quando do preenchimento da proposta de admissão.”

Então pergunto: O que te motiva, o que faz com que busque os caminhos do Templo, o conhecimento secreto de Eras Infindáveis, os poderes ocultos da Natureza? A resposta deve satisfazer o candidato, e ser tão sincera quanto suas intenções se mostram, pois apenas com espirito receptivo, a humildade de reconhecer que muito há o que aprender, muito há o que trilhar e percorrer, assim abrem-se as verdadeiras portas do templo, assim a Iniciação se faz Verdadeira, assim começam os verdadeiros Adeptos, assim caminham os verdadeiros Mestres.

Taffarel Micaloski é autor do blog Hermetic Rose, estudante de ciências ocultas,

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O que é Huzzé?

Por Kennyo Ismail

Não há registros de quando se começou a usar “Huzzé” nas Lojas, mas remonta à Maçonaria Operativa.

Ao contrário do que afirma um dos maiores escritores maçônicos brasileiros, Rizzardo da Camino, Huzzé não é uma palavra hebraica, e muito menos significa “Acácia”. Na verdade, “acácia” em hebraico seria “shittah”.

O termo Huzzé parece vir do árabe, e significa “Viva”, tendo sido um dos tantos termos incorporados pelos europeus como consequência da dominação e ocupação árabe na Europa, que durou quase 800 anos (711 a 1492) . É adotado em substituição ao termo latino “Vivat” e ao que foi tão utilizado na monarquia francesa “Vive”. O termo Huzzé entrou para o vocabulário inglês com o escrito “HUZZAH” e seu significado nos dicionários da língua inglesa é “aclamação medieval equivalente a Viva!”. Trata-se de uma tríplice aclamação de alegria: “Huzzé, huzzé, huzzé!” significa o mesmo que “Viva, viva, viva!”. Uma das variações derivada da tríplice aclamação Huzzé ficou popularizada como “Hip Hip Hurrah”, usado em aniversários e jogos, com o mesmo sentido original “Viva, viva, viva!”.

Há ainda a teoria de Jack Weatherford de que Huzzé derivou-se da palavra mongol “Hurree”, que significa “Aleluia”. Já de acordo com Jean Paul Rox, a origem é turca. Os turcos usavam nas guerras, quando atacavam seus adversários: “Ur Ah!”.

A tríplice aclamação de Viva era oficialmente utilizada quando da coroação de um novo Rei, tanto na França quanto na Inglaterra.

Ao que tudo indica, o escrito “Huzzé” nos rituais de língua portuguesa surgiu para garantir a correta pronúncia do termo. Em Loja do REAA, a tríplice aclamação é usada como forma de render graças ao GADU, e por isso é realizada logo após a abertura e o fechamento do Livro da Lei. A tríplice aclamação também ocorre no Rito Moderno, no Adoniramita e no Brasileiro, como herança da influência do REAA nos mesmos. Porém, a tríplice aclamação nesses ritos varia para “Liberdade, Igualdade, Fraternidade!” no Rito Moderno, “Vivat, Vivat, Vivat!” no Adoniramita e “Glória, Glória, Glória!” no Rito Brasileiro.

Se “Huzzé” fosse realmente uma palavra hebraica que significasse “Acácia”, faria algum sentido aclamá-la, ainda mais nos graus de Aprendiz e Comapanheiro? Não faria sentido algum.

#Maçonaria

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J. Edgar Hoover, maçom.

John Edigar Hoover está atualmente em evidência por conta do filme em cartaz que conta a história de sua vida, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Leonardo DiCaprio. Sem entrar no mérito da abordagem apresentada no filme, a qual vem sofrendo fortes críticas dos especialistas, Hoover foi diretor do FBI por quase 50 anos, tendo sido uma das personalidades mais importantes dos EUA no século XX, e era um maçom muito atuante.

J. Edigar Hoover iniciou na Maçonaria aos 25 anos de idade, na Loja Federal #01, uma das Lojas mais tradicionais da cidade de Washington. Nos graus superiores do Rito de York, foi um Maçom do Real Arco, membro do Capítulo “Lafaiette #5”, e Cavaleiro Templário, membro da Comanderia Templária “Washington #46”. Ambos os Corpos também situados em Washington, DC.

Hoover ainda alcançou o 33o grau em 1955, pelo Supremo Conselho do REAA da Jurisdição Sul dos EUA.

Sua atuação maçônica não ficou restrita ao Rito de York e Rito Escocês: Hoover foi membro efetivo do DeMolay International, além de um Nobre Shriner, membro do ALMAS Shriners, o que demonstra uma preocupação com a formação de jovens e a saúde de crianças e adolescentes.

#Maçonaria

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O Ritual da Missa e a Igreja Gnóstica

A plena compreensão deste texto só será alcançada por aqueles que entenderem que existe uma diferença abissal entre Catolicismo e Cristianismo.

O ato de ir à Missa para a maioria das pessoas é um ato mecânico, descompromissado de qualquer compreensão ritualística, um ato social para atender aos pedidos de esposa/marido, pai/mãe. Desconfio sinceramente daqueles que dizem com orgulho ter prazer em ir à Missa e que não sabem exatamente o que esta acontecendo ali. É para muitos uma manhã perdida, uma atividade cansativa, isso quando a nossa mãe/avó carola nos obriga a ir às Missas noturnas, para fazer companhia. É escutar coisas que muitas vezes não fazem sentido, um senta, levanta, ajoelha que aparentemente não tem objetivo nenhum.

A razão disso é que a grande maioria das pessoas vai à Missa por obrigação, e essa obrigação começa na infância quando fazemos a primeira comunhão também obrigados pelos nossos pais, e não somos informados do real significado dos simbolismos da Missa. Tudo é empurrado goela abaixo.

A Missa é um ritual de prosperidade e de comunhão com o divino, é um ritual solar, por isso só pode ser realizado durante o dia e por homens, diferente dos rituais de fertilidade que são femininos e realizados a noite. As mulheres têm grande importância na realização do ritual auxiliando na sua preparação e desenvolvimento, não tendo de maneira nenhuma uma função menor.

O simbolismo do pão e do vinho existiu comprovadamente em varias culturas, (Maia, Asteca, Egípcia) não sendo um monopólio ou criação da ICAR.

A cruz também como elemento religioso já era usado muito antes da criação da ICAR.

Na ritualística antiga da Igreja, o sacerdote quando ficava em alguns momentos de costas para o publico estava na realidade evocando energias, (isso jamais foi explicado aos participantes da Missa) isso acabou por pressão do publico que pela ausência da explicação da real função dos atos, se sentia excluído do ato litúrgico, assim o sacerdote virou um animador. Restando apenas a homilia.

É preciso coragem para entender, que Catolicismo e Cristianismo são duas coisas bem diferentes, como a água e o vinho, ambos são líquidos, mas com características bem diferentes. É preciso entender também que a ICAR foi criada pelo Imperador Constantino para dar sustentáculo ao regime de então, e na raiz de sua criação estava à subjugação e o controle do povo e não simplesmente a divulgação do evangelho. Tudo era secreto, o conhecimento devia ser escondido, até mesmo de membros da igreja (vejam o filme O Nome da Rosa). Com o passar do tempo como forma de aumentar seu publico, a Igreja começa a incorporar rituais e festas já existente simplesmente mudando o nome (o Natal). O objetivo sempre foi o de divulgar uma “verdade” que fizesse as pessoas ficarem calminhas e obedientes.

Muitas vezes para atender conveniências, um símbolo ou ritual anteriormente aceito passa a ser desmoralizado (A Astrologia), outros são interpretados de uma maneira totalmente diversa (O Tridente de Poseidon, quem viu O Código da Vinci sabe disso). Um bom exemplo também é a criação do purgatório. Leiam O Pecado e o Medo de Jean Delumeau.

E ai daqueles que questionassem os erros ou as mudanças de opinião da Igreja, certamente iria para a fogueira. É para isso que existe a infabilidade Papal (Conheçam ao lado o Papa Gelasio I). Com o passar dos anos, e muitas ameaças, após algumas gerações aquilo virava uma verdade inquestionável aceita por todos, e a verdade antiga esquecida.

Com o ritual da Missa aconteceu isso, todo seu simbolismo real se perdeu com o tempo.

O ritual da Missa da igreja Gnóstica tem seu simbolismo explicado freqüentemente aos membros postulantes da FRA, pois entendemos que a presença na Missa deve ser um ato de amor e devoção, e não um ato forçado. Ali por meio da transubstanciação daquele pão (hóstia) e daquele vinho (suco de uva), o participante recebera energias angelicais que o ajudaram a se modificar da melhor maneira possível que é de dentro para fora, coisas boas acontecem aqueles que participam da Missa Gnóstica com amor no coração.

Abaixo explicação de alguns símbolos da igreja gnóstica, sendo que muitos são os mesmos para a ICAR, que na realidade bebeu na mesma fonte.

A Patena: (O prato dourado colocado sob a hóstia) é a representação do Sol, o doador da Vida, por isto sempre é colocada sob a hóstia, feita de farinha de trigo, cujos grãos dourados representam a materialização do Sol na Terra. Ao oferecê-la como “Meu corpo” depois de se consagrar, o sacerdote passa a ser o Representante do Logos (Cristo) durante o Ritual.

O Cálice: Simboliza o Aspecto Materno de Deus, o útero Divino onde é gestada toda a criação. É também o coração, onde se coloca ou está o Espírito Divino no homem, ou seja, o vinho.

O Vinho: Simboliza o Espírito Divino.

O Cibório: (local onde ficam os paramentos) é a gruta que recebe o Corpo de Cristo ao nascer e quando ele “morre”, ou seja, onde ele passa o período dos 3 meses do inverno para ressurgir dentre os mortos em cada Primavera.

A Lâmpada Votiva: Representa a Luz do Espírito Santo.

O Óleo: É o Amor Divino que ilumina toda a congregação e o trabalho do próprio sacerdote

O Azeite Sagrado: É o que consagra os móveis e instrumento do Templo para a execução do ofício da Santa Missa. Como elemento ígneo, é o AMOR DIVINO que serve de base para a iluminação do Templo.

A Cruz: Representa o corpo de um homem, com os braços abertos na horizontal. Significa o sacrifício do Espírito na Matéria. Este símbolo foi usado no Egito Antigo, na Grécia (mistérios de Eleusis), entre os Gnósticos e Hebreus-kabalistas. Entre os Toltecas simbolizava o sacrifício de Quetzalcoatl. Somente no Concílio de 692 é que um homem foi pregado na cruz, representando o Cristo. Anteriormente, o símbolo era apenas a Cruz. O formato usado é o da Cruz do Calvário, firmada sobre três degraus que representam a subida de Jesus ao calvário, essa cruz exalta a fé, a esperança e o amor em sua simbologia

A Pedra Branca que serve de base para o altar: É o símbolo das energias criadoras purificadas, ou seja, as energias sexuais consagradas à Divindade. “Pois também eu te digo que tu és Pedra (=kepha), e sobre esta pedra (=kepha) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela – Mateus 16:18”.

O Incenso: é o elemento aéreo do Ritual da Missa e a queima do mesmo visa modificar as vibrações ambientes (nisto incluso os apetrechos, móveis e da própria congregação), adequando-as para a descida de nossos Irmãos das Evoluções Angélica e Arcangélicas. É o elemento purificador por excelência do ambiente. (e não coisa de macumba como muitos dizem, principalmente evangélicos)

Diferente da Igreja onde a Missa é celebrada por apenas um sacerdote, na igreja gnóstica na celebração trabalham três pessoas o Acolito, o Diácono e o Sacerdote, que simbolizam o Pai o Filho e o Espírito Santo.

A Lança o Cajado e o Bastão (na entrada do Sacerdote para o início do ritual): simboliza a coluna vertebral, onde está o poder do Homem Iluminado. Representa o sustentáculo de seu trabalho, onde ele se apóia, pois é, acima de tudo, o símbolo da vontade do Iniciado.

O Circulo na Cruz: representa o 3°. Aspecto da Trindade (O Espírito Santo, o ovo cósmico, Maria, Maia, Isis, etc.) A Rosa-Cruz é o triunfo do indivíduo sobre si mesmo, por si mesmo. Esta palavra é puramente simbólica e ao mesmo tempo alegórica. Alude a Consciência (A Rosa) que surge sobre A Arvore da Vida (A Cruz) e da qual urge emancipar-se.

As 7 Rosas Dentro do Circulo, na Cruz: simbolizam os 7 chacras do corpo humano. Os 3 acima da barra horizontal correspondem ao Coronário (Sahasrara), Frontal (Ajna) e Laríngeo (Vishudda) e os 4 abaixo da barra horizontal ao Cardíaco (do coração), do plexo solar (Manipura), do plexo genésico (Swasdhitanna) e do plexo coccídeo (mulahara).

O desenvolvimento das sete flores na Cruz representa para o Iniciado a conquista das seguintes qualidades: Pureza, Coragem (valor), Fé, Conhecimento, Amor, Sacrifício e Verdade.

INRI: IGNI NATURA RENOVATUR INTEGRA (O Fogo Renova Integralmente a Natureza) IN NECIS RENASCOR INTEGER (Na Morte, Renasceremos Intacto e Puro)

As Pétalas da Flor de Liz na Ponta dos Braços da Cruz: representam as três energias, PINGALA, SHUSHUMNA E IDA e se observado corretamente a extremidade dos braços da cruz, verificamos que a flor de lis nasce de uma concavidade com pequenos “chifres” que representam o osso Cóccix, onde se apóia a coluna vertebral.

As 7 Velas do altar: (3 de Cada Lado e uma Chama Central) simbolizam os 7 princípios humanos iluminados. (notar que estão sobre a Pedra Branca, ou seja, o Altar). Quando são em número de 3 simbolizam a trindade.

O Sinal do Bom Pastor: é um símbolo muito antigo, que antecedeu ao Cristianismo e servia para identificar àqueles que reconheciam a Presença do Cristo em Si.

O Cordeiro foi o símbolo da Era de Áries da mesma forma como os Peixes são os símbolos da Era de Peixes e permaneceu durante mais de 700 anos durante a Era Cristã e seu símbolo durante muitos anos foi aceito como representação de Jesus que era conhecido como “O CORDEIRO DE DEUS”. Ao descobrir a conotação com a Era de Áries, os Padres Católicos o aboliram. Até hoje a Igreja Gnóstica o utiliza, pois simboliza o mesmo Cristo, independente das Eras Zodiacais.

Existem outros símbolos, mas esses são os principais, e como podem ver muitos são comuns ao ritual da ICAR.

A Igreja Gnóstica da FRA, funciona ininterruptamente há 78 anos com Missas aos domingos as 9:00 da manhã, (por ser domingo o dia do sol, Sunday em Inglês), realizando alem da Missa batizados e Casamentos. Missa a noite é ficção.

Para compreender essa presença de criaturas angelicais na Missa vejam ao final do filme de Chico Xavier já nos créditos, quando passa um trecho do programa pinga fogo onde Chico fala que quando ia a Missa criança via essas criaturas em forma de luz na hóstia e na Igreja e que ultimamente, já não via tal fenômeno.

É patético ver pessoas que ao irem à Missa gnóstica levadas por alguém, se recusam a comungar alegando não terem se confessado. A confissão nada tem de religioso. Em sua origem, foi uma coisa inventada pela ICAR para saber de tudo o que acontecia nos povoados, e só era permitida a comunhão para aqueles que se confessassem.

Ninguém deve ir à Missa forçado. O ato de ir a Missa deve ser um ato de prazer, amor e fé. Da compreensão do sagrado, da compreensão do ato e da compreensão do momento, ninguém deve forçar seus filhos ou conjugues a ir à Missa, a eles deve ser explicado o que esta acontecendo ali, e a eles deve ser dado o direito de escolher ir ou não, sem transformar a ida em obrigação, e em conflito familiar (a iluminação é dada de acordo com a evolução e a capacidade de cada um, cada um tem o seu tempo). Como freqüentador eventual da Missa gnóstica posso dizer que é uma experiência prazerosa.

Enviado pelo Frater Mozart: M + R

#FRA #Gnosticismo

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