Biografias: Theodore Reuss

No post anterior tive a oportunidade de divulgar algo sobre a pouco conhecida biografia de Carl Kellner, um industrial austríaco às vezes erroneamente citado como o fundador da Ordo Templi Orientis. Agora, apresentarei também um pouco a respeito da vida do verdadeiro fundador dessa Ordem, o angloalemão Theodor Reuss.

De imediato, a leitura de ambos esboços biográficos deixará algo muito claro: se aquele era reconhecidamente um notável praticante de yoga, alguém brilhante, além de homem extraordinário e leal, quanto a este o quadro se mostra bastante diferente. Ao mesmo tempo, se vários dos assuntos relacionados a esta Ordem ainda têm a propriedade de causarem divergências, não deixa de ser curiosamente notável verificar que as inúmeras referências historiográficas acerca tanto do caráter quanto do comportamento de Reuss convirjam para uma espécie de ponto comum, uma vez que elas têm se mostrado surpreendentemente parecidas.

Filho de pai alemão e mãe inglesa, Reuss nasceu na cidade de Augsburgo, em 28 de junho de 1855. Pouco depois de completar 21 anos, já residindo em Londres, por indicação de um amigo ex-maçom chamado Heinrich Klein (?-1912) Reuss foi recebido e iniciado como Aprendiz na Loja Maçônica Peregrino nº 238, Loja esta que abrigava em seus quadros apenas maçons de ascendência alemã (Howe & Möller, 1979:28).(1)

Considerado um sujeito esquisito, Reuss por vezes se posicionava como um enfático militante da causa comunista (King, 1987:78), característica esta que logo após a sua chegada a Londres o levou a solicitar ingresso na Liga Socialista daquela cidade. Para ser aceito, ele se apresentou disfarçado sob o pseudônimo de Charles Theodore (tradução inglesa de seu nome alemão de batismo) e, querendo se passar como um homem profundamente envolvido nas atividades da extrema esquerda, falsamente se declarou membro de uma associação socialista internacional de trabalhadores dedicada à educação. Deste modo, uma vez admitido na Liga e, de certa forma, graças à inicial credulidade suscitada por sua pompa exibicionista, Reuss foi apontado como uma espécie de secretário de educação, passando a ensinar Inglês aos seus camaradas alemães. Na época, ele também costumava se ostentar como um preclaro cantor lírico, inclusive se dizendo amigo pessoal do extraordinário compositor Richard Wagner (1813-1883). Tão amigos eram que, segundo o próprio Reuss, aquele o havia pessoalmente escolhido para cantar na primeira apresentação pública da ópera Parsifal, ocorrida em 1882 (Howe & Möller, 1979:29).

Em 1887, agora como escritor, Reuss publica seu primeiro ensaio literário sob o sugestivo título The Matrimonial Question from an Anarchistic Point of View. Neste breve texto, ele abertamente se declara comunista (apesar do título do ensaio mencionar anarquista), defensor da revolução social e da total igualdade entre os sexos, bem como se posiciona em defesa da liberdade sexual das mulheres. Numa análise superficial, o texto parece bem interessante, ousado e profundamente vanguardista, mas em última forma ele apenas se mostra como fruto de uma fraude intelectual: mais da metade deste pequenino ensaio assinado por Reuss não passa de uma literal tradução de um capítulo da, esta sim polêmica, obra do crítico social húngaro Max Nordau (1849-1923) intitulada As Mentiras Convencionais da nossa Sociedade, originalmente publicada 4 anos antes, em 1883 (Howe & Möller, 1979:30). Em palavras mais claras, a “ousada obra” de Reuss nada mais era senão um crasso plágio.

Em seguida, o cantor, professor, farmacêutico, escritor, “anarquista comunista” e membro da Liga Socialista Theodor Reuss acabaria por ser o pivô de um pequeno escândalo: ao cantar em um dos muitos encontros da Liga, ele acabou por provocar a desconfiança e a indignação justamente de Eleanor Marx (1855-1898) – filha caçula de Karl Marx (1818-1883) – pois ela, além de achá-lo um cantor de qualidades duvidosas, considerou a canção escolhida de péssimo gosto e bastante ordinária para quem se dizia tanto. A desconfiança de Eleanor fez com que a Liga abrisse uma investigação para saber quem era, na verdade, aquele mau cantor. Após um brevíssimo inquérito, a Liga publicou um violento artigo onde Reuss era desmascarado e exposto como espião (King, 2002:99).

Deste modo, agora enfurecida pelo que julgava serem as reais intenções de Reuss, Eleanor logo viria a sumariamente expulsá-lo da Liga, sob a alegação de que ele a haveria traído e fornecido informações tanto para um governo estrangeiro equanto para a imprensa burguesa (Howe & Möller, 1979:29). Embora hoje seja voga afirmar que Reuss, naquela ocasião, exercia secretamente a atividade de espião, sendo um agente pago pelo departamento de inteligência da polícia secreta prussiana para investigar as atividades londrinas da família de Karl Marx (King, 1976:69), as evidências contra Reuss jamais passaram de circunstanciais, não havendo prova conclusiva de que ele realmente fosse qualquer tipo de espião ou agente policial secreto (Howe & Möller, 1979:30). Porém, de certa forma, é correto concluir que nesse período Reuss possuía uma verdadeira obsessão pela família Marx, muito embora isto não signifique que ele tenha sido – propriamente dito – um espião infiltrado. Longe disso, especula-se que uma das principais razões de Reuss para pedir sua admissão na Liga Socialista era a esperança de ingressar na família Marx, através de um bem sucedido casamento com Eleanor, e não meramente para melhor exercer algum tipo de eficaz militância comunista, fazer espionagem ou qualquer outra coisa. Contudo, a grande antipatia da filha de Marx em relação a ele (simplesmente, Eleanor achava Reuss um homem vulgar), logo o faria desistir dessa ideia (King, 2002:99).

Excluído da Maçonaria, expulso da Liga Socialista e definitivamente privado do convívio com a família Marx, com fama de espião e traidor, Reuss, também percebendo que sua carreira de cantor não teria futuro algum,(2) seguiu como escritor, mas também exercendo outras atividades tais como jornalismo ou atuando como publicitário de eventos teatrais.

Considerado por alguns como um jovem rico de modos rude e apressado, que não era mesquinho quando se tratava de apoiar propaganda revolucionária, Reuss, de forma evasiva e sem muitos detalhes, dizia que sua fortuna vinha de uma bem favorecida esposa londrina, embora pouco se saiba sobre este seu suposto casamento. Por outro lado, conforme alguns registros, Reuss teria ganhado bastante dinheiro negociando patentes maçônicas (Koenig, 1999:13). A má fama de espião, contudo, forçou-o a deixar Londres (Koenig, 1993:189). Assim, em 1889, Reuss se mudou para Berlim, onde continuou com suas atividades como jornalista e professor de Inglês. Depois, conforme o próprio Reuss alega, quando de sua permanência nesta cidade, ele teria sido um importante delegado do ramo alemão da Sociedade Teosófica,(3) tendo conhecido pessoalmente sua famosa fundadora, a russa Helena P. Blavatsky (Howe & Möller, 1979:30).

Talvez este tivesse sido o início da carreira de Reuss como ocultista o que viria, mais tarde, levá-lo a conhecer o também ocultista, praticante de hipnotismo, espiritualista e ator Leopold Engel (1858-1931)(4) e, principalmente, o industrial Carl Kellner. Com aquele, Reuss pretendeu dar novo alento a Ordem dos Iluminados (a Ordo Illuminati),(5) organização criada por volta de 1776 por Adam Weishaupt (1748-1830), e, a partir do contato com Kellner, Reuss ingressou em um pequeno círculo de praticantes de yoga, cujos ensinamentos o levaram, logo após a morte do austríaco, a idealizar e fundar a sua Ordo Templi Orientis. Entretanto, a amizade com Engel não duraria muito. Por volta de 1901, este acusaria Reuss de ser um completo farsante e romperia qualquer vínculo com o mesmo (Koenig, 1993:188).

Além destas duas Ordens, a partir de 1902, Reuss também fundaria uma fantástica série de outras Ordens esotéricas e pseudomaçônicas, muitas das quais apenas existiram como um nome a ser citado. Ao mesmo tempo, ele iniciou uma série de contatos, visando a promoção das Ordens as quais dizia ter representação, patenteando e sendo patenteado por diversas personalidades do mundo ocultista europeu e americano. Ocupando a posição de líder supremo e vitalício da O.T.O., bem como de uma série de outras organizações místicas, Reuss assim seguiu, até 1923, quando veio a falecer, sem designar explicitamente qualquer nome como herdeiro legítimo da sua principal criação, a Ordo Templi Orientis.

Ás conexões amplamente questionáveis de Reuss, suas preferências políticas suspeitas, desconfiança de espionagem, comércio de patentes, fama de plagiador, criação indiscriminada de supostas Ordens ocultas, seu comportamento dissimulado quando perguntado sobre si mesmo e a tendência rocambolesca de criar falsas notícias, tudo isso acabou por construir nele a imagem de alguém simplesmente a ser evitado. De modo seco e quase que exaustivamente repetitivo, Reuss é, de modo direto, descrito pela historiografia como réles empresário do oculto (Webb, 1989:98), pessoa pouco confiável (Howe & Möller, 1979:29), meramente alguém a ser taxado como um pitoresco ocultista alemão, maçom marginal e aventureiro (McIntosh, 1988:173), negociante de graus (Gilbert, 1996:135) ou até mesmo rotulado como maçom charlatão que presumivelmente usava a Maçonaria apenas para seus próprios fins, vivendo às custas da credulidade alheia (cit. Howe & Möller, 1979:44). Até mesmo Aleister Crowley considerava Reuss um sujeito de temperamento incerto e não confiável (cit. Scriven, 2001: 220), que no final de sua vida emitia patentes, a torto e a direito, a qualquer um que se dispusesse a pagar por elas (cit. Koenig, 1994b:43).

Resumidamente, esse era Theodor Reuss, o fundador da Ordo Templi Orientis.

Registre-se que, atualmente, devido unicamente aos fatos pertinentes a sua biografia, tão fortemente questionável é a não convincente personalidade de Reuss, que os membros da O.T.O. simplesmente tendem a citá-lo an passant, ora como um maçom de altíssimo grau ora como um dos líderes que haveriam pertencido a uma espécie de “fase maçônica” da Ordem. Concomitantemente, graças à débil confiança gerada pelo seu caráter, há hoje a nítida tendência dos membros da O.T.O. de desviarem a fundação da Ordem do nome de Theodor Reuss, associando-a a um nome de maior respeitabilidade como o de Carl Kellner. No entanto, ante a imperiosa dificuldade de sustentá-lo como fundador, a alternativa tem sido imputar a Kellner a gasosa condição de “Pai Espiritual” da Ordem.

Finalmente, registre-se também o inglório esforço de se construir em Reuss a imagem de alguém a se idolatrar. Não por menos que os membros da O.T.O. citam-no como um “Santo” (Scriven, 2001: 218), ou seja, alguém a quem se deve adoração.

Texto do meu querido irmão Carlos Raposo, publicado originalmente no blog Orobas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/biografias-theodore-reuss

Biografia de alguns ocultistas do Século XVIII

Antoine Court de Gebelin (1719-1784)
Martinez de Pasqually (1727-1779)
Jean Baptiste Willermoz (1730-1824)
Franz Anton Mesmer (1734-1815)
Jean-Baptiste Alliette (1738 – 1791)
Louis Claude de Saint-Martin (1743-1803)
Samuel Hahnemann (1755-1843)
William Blake (1757-1827)
Francis Barret (1765-1825)
John Dalton (1766-1844)
Marie Laveau (1794-1881)

Você saberia dizer o que cada um deles fez de importante?

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/biografia-de-alguns-ocultistas-do-s%C3%A9culo-xviii

Al-Ghazali

Abu Hamid al-Ghazali, também conhecido como Al-Ghazzali ou Algazel (1058-1111) foi um dos mais famosos intelectuais muçulmanos da Idade Média, ele escreveu importantes obras sobre misticismo islâmico, teologia e filosofia que tiveram um efeito duradouro no pensamento religioso muçulmano medieval.

Al-Ghazali nasceu na cidade de Tus, no Irã, onde recebeu seus primeiros estudos antes de se mudar para Nishapur, um importante centro iraniano de aprendizado sunita nos séculos XI e XII.

Entre seus professores mais famosos em Nishapur estava al-Juwayni (m. 1085), um renomado estudioso da teologia Ashari e da jurisprudência islâmica (Fiqh).

Al-Ghazali permaneceu em Nishapur até a morte de al-Juwayni.

Depois, ele se juntou ao círculo de estudiosos patronizados por Nizam al-Mulk (m. 1092), o poderoso vizir turco seljúcida do Império Abássida.

Al-Ghazali logo se tornou um dos principais estudiosos de Bagdá, e em 1091, foi um dos primeiros professores nomeados para integrar o corpo docente da nova Faculdade de Nizamiyya (madrasa), onde ensinou a lei Shafii.

Há informações de que algumas de suas palestras atraíram até 300 alunos, um número invulgarmente grande para uma escola medieval.

O sucesso público de Al-Ghazali como acadêmico e professor o levou a questionar seus motivos e a sinceridade de sua fé, de modo que em 1095, ele se viu incapaz de falar ou de continuar com seu trabalho.

Esta crise espiritual levou-o a renunciar ao cargo, deixando sua família e partindo em um período sabático de 11 anos na Síria.

Durante este tempo, suas explorações se concentraram nos caminhos e ensinamentos do Sufismo.

Em sua autobiografia espiritual, Al-Ghazali escreveu sobre o que ele descobriu durante este longo retiro:

De todas as várias escolas de religião no Islã, “eu sabia com certeza que os Sufis são exclusivamente aqueles que seguem o caminho para o Deus Altíssimo, seu modo de vida é o melhor de todos, seu caminho o mais direto, e sua ética a mais pura” (Al-Ghazali, 56).

Ele voltou a ensinar brevemente na madrasa de Nishapur e fundou um hospício sufi (khanqah) em sua cidade natal, Tus, onde passou seus últimos dias.

Al-Ghazali adquiriu um profundo conhecimento de muitas áreas do pensamento religioso islâmico e abordou seus assuntos de forma sistemática.

Os estudiosos o identificaram como autor de cerca de 60 livros.

Seu livro mais famoso é O Renascer das Ciências Religiosas (ca. 1097), uma obra abrangente que busca casar a prática islâmica com as verdades teológicas e místicas.

Escrito durante seu longo retiro, o livro está organizado em quatro partes:

1) os Cinco pilares do Islã e seu significado espiritual;

2) como conduzir moralmente os assuntos diários – tais como práticas alimentares, casamento, trabalho, viagens e ouvir música – de modo a aproximar-se de Deus;

3) como disciplinar o eu para eliminar as fraquezas humanas tais como desejo, calúnia, inveja e ganância que levam à condenação; e

4) como purificar a alma humana e buscar o caminho para Deus e a salvação.

A última parte também inclui descrições vívidas da morte e do pós-vida, o destino final de todos os humanos.

Dois outros livros bem conhecidos, A Incoerência dos Filósofos (ca. 1095) e O Libertador do Erro (ca. 1108), mostram o saber-fazer de Al-Ghazali – tanto das tradições teológicas e filosóficas de seu tempo como dos diferentes pontos de vista dos estudiosos e dos homens de religião.

Nessas obras, ele procurou demonstrar logicamente o que ele pensava serem as falácias e os erros dos filósofos e teólogos dos Ismaili, isto é, dos xiitas ismaelitas.

Defendendo a escola de teologia ashari à qual ele pertencia, ele sustentou que as verdades religiosas pertencentes a Deus, à criação e à alma não poderiam ser adequadamente sondadas pela mente racional, a não ser pela revelação.

Na opinião de Al-Ghazali, os argumentos de filósofos muçulmanos como Al- Farabi (m. 950) e Ibn Sina, Avicena (m. 1037) contra a existência de almas individuais e a crença em uma ressurreição corporal estavam em conflito com as verdades do Alcorão, assim como sua posição sobre a eternidade do mundo.

A principal crítica de Al-Ghazali aos Xiitas Ismaelitas, que representavam uma séria ameaça à hegemonia sunita durante os séculos XI e XII, era a de que eles davam demasiada autoridade aos seus Imãs.

Os crentes só tinham que reconhecer a existência de Deus e aderir à Umma (a Comunidade Islâmica) de Muhammad para conduzir suas vidas.

Além disso, Al-Ghazali advertiu contra permitir que os plebeus se engajassem em especulações teológicas ou filosóficas, pois isso prejudicaria suas chances de salvação.

Ele também criticou as reivindicações exageradas dos místicos sufistas, que falavam do conhecimento divino e da completa aniquilação do eu em Deus.

Somente Deus pode se conhecer plenamente, escreveu ele, e a aniquilação, se alcançada, é apenas temporária.

As contribuições de Al-Ghazali para a história do pensamento e do misticismo islâmico ainda hoje estão sendo debatidas.

Muitos reconhecem que seus escritos ajudaram a dar um novo significado às práticas muçulmanas, unindo-as aos valores e entendimentos sufistas.

O uso de argumentação lógica em seus escritos teológicos estabeleceu um padrão a ser seguido pelos teólogos muçulmanos posteriores.

As críticas ousadas de Al-Ghazali aos filósofos muçulmanos ecoaram em todo o mundo intelectual muçulmano e obrigaram Ibn Rushd (m. 1198), o filósofo e jurista andaluz, a escrever uma réplica intitulada A Incoerência da Incoerência.

No lado negativo, Al-Ghazali pode ter contribuído para o declínio da reflexão filosófica islâmica pela força de seus argumentos baseados teologicamente contra muitos dos seus principais princípios.

Leitura adicional:

– Massimo Campanini, “Al-Ghazzali.” In History of Islamic Philosophy, edited by Seyyed Hossein Nasr and Oliver Leaman, 258–274 (London: Routledge, 1996);

– Abu Hamid al-Ghazali, Al-Ghazali’s Path to Sufism: His Deliverance from Error, al-Munqidh min al-dalal. Translated by R. J. McCarthy (Louisville, Ky.: Fons Vitae, 2000);

– W. Montgomery Watt, The Faith and Practice of al-Ghazali (London: George Allen & Unwin, 1953).

***

Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-ghazali/

Perdurabo, a biografia de Aleister Crowley – Richard Kaczinsky

Bate-Papo Mayhem 209 – gravado dia 26/07/2021 (Segunda) 21h Com Richard Kaczinsky – Perdurabo, a biografia de Aleister Crowley

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Richard Kaczinsky: https://www.richard-kaczynski.com/

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/perdurabo-a-biografia-de-aleister-crowley-richard-kaczinsky

Aisha

Por Aysha A. Hidayatullah.

Aisha bint Abi Bakr ibn Abi Quhafa (ca. 614-ca. 678), foi uma das esposas favoritas de Muhammad e membra principal da comunidade muçulmana primitiva.

Aisha (Aysha) nasceu em Meca, ela era filha de Abu Bakr (d. 634), o amigo próximo de Muhammad e primeiro califa do Islã.

Aisha ficou noiva de Muhammad no ano 623 em Medina, quando ela tinha nove anos de idade.

Aisha foi a única virgem com quem Muhammad se casou, e ela nunca deu à luz nenhuma criança.

Ela é frequentemente lembrada como a esposa mais próxima e mais amada de Muhammad, como a pessoa que tem a mais íntima compreensão das práticas do Profeta.

Como resultado, Aisha é creditada pelos sunitas como a transmissora de mais de 2.000 relatos de hadith.

Após a morte de Muhammad, ela foi consultada como uma autoridade sobre seus hábitos e recomendações.

Em 627, Aisha foi acusada por alguns muçulmanos habitantes de Medina de cometer adultério.

Durante uma jornada com Muhammad e sua caravana, ela havia se separado do grupo enquanto procurava por um colar perdido.

Um jovem a encontrou e a acompanhou de volta a Medina em segurança.

Os rumores começaram a circular, acusando-a de ter tido relações ilícitas com o homem.

Em resposta a esta calúnia, o Alcorão defende a inocência de Aisha em Alcorão 24:11-20:

“11 Aqueles que lançam a calúnia, constituem uma legião entre vós; não considereis isso coisa ruim para vós; pelo contrário, é até bom. Cada um deles receberá o castigo merecido por seu delito, e quem os liderar sofrerá um severo castigo.

12 Por que, quando ouviram a acusação, os fiéis, homens e mulheres, não pensaram bem de si mesmos e disseram: É uma calúnia evidente?

13 Por que não apresentaram quatro testemunhas? Se não as apresentarem, serão caluniadores ante Deus.

14 E se não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia para convosco, nesse mundo e no outro, haver-nos-ia açoitado um severo castigo pelo que propalastes.

15 Quando a receberdes em vossas línguas, e dissestes com vossas bocas o que desconhecíeis, considerando leve o que era gravíssimo ante Deus.

16 Deveríeis, ao ouvi-la, ter dito: Não nos compete falar disso. Glorificado sejas! Essa é uma grave calúnia!

17 Deus vos exorta a que jamais reincidais em semelhante (falta), se sois fiéis.

18 E Deus vos elucida os versículos, porque é Sapiente, Prudentíssimo.

19 Sabei que aqueles que se comprazem em que a obscenidade se difunda entre os fiéis, sofrerão um doloroso castigo, neste mundo e no outro; Deus sabe e vós ignorais.

20 E se não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia para convosco…e Deus é Compassivo, Misericordiosíssimo”.

Muhammad morreu quando Aisha tinha 18 anos de idade; consta que ele morreu em seus braços nos seus aposentos.

Após a morte do terceiro califa, Uthman ibn Affan em 655, ela se opôs à sucessão de Ali ibn Abi Talib ao califado, lutando contra ele na Batalha do Camelo, a primeira guerra civil do Islã, em 656.

Por este desafio a Ali, ela é frequentemente considerada pelos muçulmanos xiitas com desdém.

Embora Ali tenha sido vitorioso, os esforços de Aisha refletem seu caráter desafiador e franco, assim como o papel ativo que ela desempenhou em assuntos políticos.

Após sua derrota militar, Aisha voltou para Medina, passando o resto de sua vida transmitindo seus relatos sobre o Profeta.

Ela morreu lá em 678 aos 66 anos de idade e foi enterrada no cemitério de al-Baqi.

Leitura adicional:

– O Significado dos Versos do Alcorão Sagrado, traduzido por Samir El Hayek;

– Leila Ahmed, Women and Gender in Islam: Historical Roots of a Modern Debate (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1992);

– Denise A. Spellberg, Politics, Gender, and the Islamic Past: The Legacy
of Aisha bint Abi Bakr (New York: Columbia University Press, 1994).

***

Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aisha/

Agathodaemon 

Agathodaemon  (c. 300) foi um alquimista egípcio que viveu no final do Período do Egito Romano, conhecido apenas por fragmentos citados em tratados alquímicos medievais, principalmente os Anepígrafos, que se referem a obras de sua autoria que se acredita serem do século III. [1] Ele é lembrado principalmente por suas várias descrições de elementos e minerais, mais particularmente, por suas descrições de um método de produção de prata[1], e de uma substância que ele havia criado, que ele chamou de “veneno ardente”, e que, a julgar por seu relato, seria o trióxido de arsênico, um óxido anfotérico altamente tóxico[2].

Ele descreveu o “veneno ardente” como sendo formado quando um certo mineral (provavelmente realgar ou auripigmento) foi fundido com natrão (carbonato de sódio natural), e que se dissolveu na água para dar uma solução clara. Ele também escreveu sobre como, quando colocou um fragmento de cobre na solução, o cobre transformou um tom verde profundo, dando mais validade à sugestão de que o auripigmento ou o realgar foram usados, pois ambos são minérios de arsênico, e este seria o tom obtido do cobre após ter sido colocado no trióxido de arsênico se a substância formada fosse a arsenita de cobre[2].

As descobertas de Agathodaemon existem como parte dos fundamentos para o uso posterior do veneno, pois o arsênico e substâncias relacionadas foram usados regularmente nos últimos séculos como meio de envenenamento e assassinato. Como os únicos registros de sua existência são referências em trabalhos posteriores, ele pode ser apócrifo, mas como a própria prática da alquimia começou a declinar por volta da época em que se acredita que ele viveu, e pode ser que grande parte de sua escrita tenha sido perdida. [1] Esta informação que foi coletada pelos nestorianos acabou sendo transmitida aos árabes, e isto contribuiu em parte para o florescimento da alquimia naquela região e em suas mãos; a moderna palavra inglesa “alquimia” vem do idioma árabe, e muitas das bases para a alquimia nas nações ocidentais foram lançadas pelos árabes.

***

Notas:

1 – Brian P. Copenhaver, Hermetica: the Greek Corpus Hermeticum and the Latin Asclepius in a new English translation, with notes and introduction. Cambridge University Press, 1992. ISBN 978-0-521-36144-6.

2 – John Emsley, The Elements of Murder: A History of Poison. Oxford University Press, 2006. ISBN 0-19-280600-9.

3 – Joseph Jastrow, Story of Human Error. Ayer Publishing, 1936. ISBN 0-8369-0568-7.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/agathodaemon/

Adam Weishaupt

Adam Weishaupt foi educado em um colégio de jesuítas e acabou obtendo o título de professor dos cônegos.  No decorrer dos anos os conceitos do catolicismo acabaram não lhe agradando mais.  Isso o levou a tornar-se aluno particular do filósofo judeu Mendelsohn, que o converteu ao gnosticismo.

Em 1770, Weishaupt provavelmente foi procurado pelos sócios-capitalistas da casa Rothschild, que se haviam reunido antes, para que ele fundasse em Ingolstadt, a  “Ordem Secreta dos Iluminados  da  Baviera”.

Breve explicação:

É necessário não confundir os Iluminados da Baviera de Weishaupt com o grupo de pessoas denominadas  Illuminati.  Os verdadeiros  Illuminati  tinham-se infiltrado na  “Confraria  da  Serpente”  na  Mesopotâmia, conforme  já  mencionei.  Eles nunca eram mencionados e jamais apareciam pessoalmente em público.  Uso o termo de  Illuminati  neste livro porque ele é empregado pelos iniciados para designar esse grupo de pessoas que agem secretamente.  Adam Wieshaupt utilizou entretanto o nome de Iluminados para designar sua ordem cujas finalidades eram semelhantes a dos Illuminati, que já existiam antes (talvez para que essa designação de Iluminados pudesse criar uma confusão para o público entre aqueles que procuravam saber demais?).  Para prevenir qualquer confusão, designarei, o grupo de Weishaupt pelo nome de  “Iluminados da Baviera” e os outros pelo nome de Illuminati.

Os Iluminados da Baviera estavam organizados em círculos imbricados uns nos outros (como as bonecas russas).  Desde que um iniciado provasse sua faculdade de guardar um segredo, ele era admitido num círculo mais restrito e ligado aos segredos ainda mais profundos.  Somente aqueles que se encontravam nos círculos menores conheciam a verdadeira finalidade dos  “Iluminados  da  Baviera”.  Diziam aos membros dos graus inferiores que não existia graus superiores e se lhes ocultava ao mesmo tempo a identidade do grão-mestre, como aconteceu na  “Estrita  Observância”.  Os Iluminados da Baviera eram divididos em 13 graus, simbolizados pelos 13 degraus da pirâmide dos Iluminados, representada  “na cédula de um dólar”.

Eles copiaram dos jesuítas seu sistema de espionagem para testar as fraquezas dos membros que alcançavam o título de  “patriarcas”.  Essa política da ordem permitia-lhes colocar os patriarcas nas posições onde seu talento era explorado ao máximo.  Lançar o descrédito tornou-se também uma das táticas para assegurar-se de que nenhum dos patriarcas se desviasse da ordem.
Weishaupt sabia como atrair à sua ordem as melhores e mais esclarecidas mentes, as quais escolhia na alta finança, na indústria, na educação e na literatura.  Ele utilizava a corrupção pelo dinheiro e pelo sexo para controlar as pessoas de posição elevada.
Isso feito, ele sabia chantagear as pessoas que o procuravam, dando-lhes postos de direção para ficar seguro de poder tê-las sob seu controle.  Os Iluminados da Baviera puseram-se a aconselhar pessoas do governo, servindo-se dos adeptos (dos graus superiores).  Isto, bem entendido, secretamente.  Esses “especialistas” sabiam como dar conselhos aos políticos em exercício, para que adotassem certas formas de política que correspondesse ao que eles visavam.

Isso era feito, no entanto, com tanta sutileza que aqueles que recebiam os conselhos acreditavam serem eles os próprios autores das idéias que colocavam em prática.

Alegava-se como pretexto para explicar a existência dos Iluminados da Baviera, que eles eliminariam o que a sociedade tinha de ruím e levariam o ser humano ao seu estado natural e feliz.  Isso significava que eles iriam sujeitar a monarquia e a Igreja, o que lhes valeu perigosos adversários.  Isso demonstra mais uma vez, que manter o segredo era a diretriz mais importante da ordem.
Nós reconhecemos que ela era verdadeiramente a ideologia de Weishaupt, devido a um documento que era conhecido pela designação  Novo Testamento de Satã, severamente guardado pelos Iluminados da Baviera.  É intencionalmente que apresento aqui esse documento, pois existem sempre aqueles que duvidam da veracidade dos  Protocolos dos Sábios de Sião.  Talvez seja mais fácil para essas pessoas aceitarem meu plano e a continuidade do livro se não empregar a palavra judeu.  Esse documento só se tornou acessível ao público em 1875:  um mensageiro dos Iluminados da Baviera, durante sua cavalgada de Frankfurt a Paris, foi atingido por um raio;  esse incidente permitiu que se tomasse conhecimento de uma parte das informações relativas a uma conspiração mundial.

Eis o conteúdo desse documento:

O primeiro segredo para dirigir os seres humanos e ser senhor da opinião pública é semear a discórdia, a dúvida e criar pontos de vista opostos, o tempo necessário para que os seres humanos, perdidos nessa confusão, não se entendam mais e se persuadam de que é preferível não ter opinião pessoal quando se tratar de assuntos de Estado.  É preciso atiçar as paixões do povo e criar uma literatura insípida, obscena e repugnante.  O dever da imprensa é de mostrar a incapacidade dos não-iluminados em todos os domínios da vida religiosa e governamental.

O segundo segredo consiste em exacerbar as fraquezas humanas, todos os maus hábitos, as paixões e os defeitos até o ponto em que reine total incompreensão entre os seres humanos.
É preciso principalmente combater as personalidades fortes, que são os maiores perigos. Se demonstrarem um espírito criativo, elas produzem um impacto mais forte do que milhões de pessoas deixadas na ignorância.

Invejas, ódios, disputas e guerras, privações, fome e propagação de epidemias (Por exemplo a AIDS) devem esgotar os povos a tal ponto que os seres humanos não possam ver outra solução senão que a de submeter-se plenamente à dominação dos Iluminados.

Um estado esgotado por lutas interinas ou que caia no poder de inimigos estrangeiros depois de uma guerra civil, em todos os casos, está fadado ao inaquilamento e acabará ficando no poder destes.
É preciso habituar os povos a tomar a aparência do dinheiro como verdade, a satisfazer-se com o superficial, a desejar somente tomar seu próprio prazer, esgotando-se em sua busca sem fim de novidades, e, no fim das contas, seguir os Iluminados.

Estes conseguiram sua finalidade, remunerando bem as massas por sua obediência  e sua atenção.  Uma vez que a sociedade esteja deprevada, os seres humanos perderão toda fé em Deus.
Objetivando seu trabalho pela palavra e por escrito e dando prova de adaptação, eles dirigirão o povo segundo sua vontade.

É preciso desabituar os seres humanos a pensar por si mesmos:  dar-se-á a eles um ensinamento baseado no que é concreto e ocuparemos sua mente em disputas oratórias que não passam de simulações.  Os oradores entre os Iluminados aviltarão as idéias liberais dos partidos até o momento no qual os seres humanos se sentirão tão cansados que se aborrecerão de todos os oradores, seja qual for o seu partido.  Por outro lado, é preciso repetir incessantemente aos cidadãos a doutrina de Estado dos Iluminados para que eles permaneçam em sua profunda inconsciência.

A massa, estando cega, insensível e incapaz de julgar por si mesma, não terá o direito de opinar nos negócios de Estado, mas deverá ser regida com mão forte, com justiça, mas também com impiedosa severidade.

Para dominar o mundo, é preciso empregar vias indiretas procurar desmantelar os pilares sobre os quais repousa toda a verdadeira liberdade  –  a da jurisprudência, das eleições, da imprensa, da liberdade da pessoa e, principalmente, da educação e da formação do povo  –  e  manter o mais estrito segredo sobre todo o empreeendimento.

Minando intencionalmente as pedras angulares do poder do Estado, os Iluminados farão dos governos seus burros de carga até, que de cansaço, eles renunciem a todo o seu poder.

É preciso exarcebar na Europa as diferenças entre as pessoas e os povos, atiçar o ódio racial e o desprezo pela fé, a fim de que se abra um fosso intransponível, para que nenhum estado cristão encontre sustento:  todos os outros Estados deverão negar-se a ligar-se com ele contra os Iluminados, por medo que essa tomada de posição os prejudique.

É preciso semear a discórdia, as perturbações e as inimizades por toda a parte da Terra, para que os povos aprendam a conhecer o medo e que não sejam capazes de opor a menor resistência.

Toda a instituição nacional deverá preencher uma tarefa importante na vida do país para que a máquina do Estado fique paralisada quando uma instituição se retire.

É preciso escolher os futuros chefes de Estado entre aqueles que serão servis e submissos incondicionalmente aos Iluminados e também aqueles cujo passado tenha manchas escondidas.  Eles serão os executores fiéis das instruções dadas pelos Iluminados.  Assim, será possível, a estes últimos contornar as leis e modificar as constituições.

Os Iluminados terão em mãos todas as forças armadas se o direito de ordenar o estado de guerra for conferido ao presidente.
Pelo contrário, os dirigentes “não iniciados” deverão ser afastados dos negócios de Estado.  Será suficiente fazê-los assumir o cerimonial e a etiqueta em uso em cada país.

A venalidade dos altos funcionários do Estado deverá impulsionar os governantes a aceitarem os empréstimos externos que os endividarão e os tornarão escravos dos Iluminados;  a consequência:  as dívidas de Estado aumentarão sensivelmente!Suscitando crises econômicas e retirando repentinamente da circulação todo o dinheiro disponível, isso provocará o desmoranamento da economia monetária dos “não iluminados”.

O poder monetário deverá alcançar com muita luta a supremacia no comércio e na indústria a fim de que os industriais aumentem seu poder político por meio de seus capitais.  Além dos Iluminados  –  de quem dependerão os milionários, a polícia e os soldados  –  todos os outros nada deverão possuir.

A introdução do sufrágio universal (direito de voto a todos os cidadãos) deverá permitir que somente prevaleça a maioria.
Habituar as pessoas à idéia de autodeterminar-se contribuirá para destruir o sentido de família e dos valores educativos.  Uma educação baseada sobre uma doutrina enganadora e sobre ensinamentos errôneos embrutecerá os jovens, pervertendo-os e os tornando depravados.

Ligando-se às lojas franco-maçônicas já existentes e criando aqui e acolá novas lojas, os  Illuminatti  atingirão a finalidade desejada.
Ninguém conhece sua existência nem suas finalidades, e muito menos esses embrutecidos que são os não-iluminados que são levados a tomar parte das lojas franco-maçônicas abertas, onde nada se faz senão jogar-lhes poeira nos olhos.

Todos esses meios levarão os povos pedir aos Iluminados para tomarem a rédea do mundo.  O novo governo mundial deve aparecer como protetor e benfeitor por todos aqueles que se submeterem livremente a ele  (à ONU) .  Se um estado rebelar-se, é preciso instigar seus vizinhos a guerrear contra ele.  Se eles desejarem aliar-se, é preciso desencadear uma guerra mundial.

Coralf:  Maitreya, der kommende Weltlehrer.  Maitreya, o futuro mestre do mundo  –  Konny-Verlag, 1991, p.115 e s.

É muito fácil reconhecer que o conteúdo do  “Novo  Testamento” de  Satã” é quase o mesmo dos  “Protocolos dos Sábios de Sião”, com a única diferença de que os judeus foram trocados pelos Iluminados.  Nós já vimos por ordem de quem Adam Weishaupt fundou a ordem dos Iluminados da Baviera, e é fácil concluir de onde vem o  Novo Testamento de Satã.

Os conspiradores tinham reconhecido a força e a influência das lojas franco-maçônicas já existentes e começaram a infiltrar-se nelas segundo um plano preciso para obter o seu controle (§11 dos protocolos).

As lojas que foram infiltradas foram designadas pelo nome de  “Lojas  do  Grande  Oriente” (Lodges of the Grand Orient).
Um cérebre orador francês, o Marquês de Mirabeau, endividou-se seriamente levando uma vida dispendiosa e foi então contactado por Weishaupt por ordem dos emprestadores judeus.  Nisso, Moses Mendelsohn fez Mirabeau conhecer a esposa do judeu Herz.  Em seguida, percebeu-se que ela estava mais freqüentemente em companhia de Mirabeau do que de seu marido.  Com isso Mirabeau sofreu uma chantagem e acumulou dívidas;  logo encontrou-se sob o controle absoluto dos Iluminados da Baviera.  Pouco depois, foi obrigado a familiarizar-se com o iluminismo.

Ele recebeu a missão de persuadir o Duque de Orleans, que era então o grão-mestre dos franco-maçons na França, a transformar as  “Lojas Azuis” em  “Lojas do Grande Oriente”.
Mirabeau organizou um encontro em 1773 entre o duque de Orleans, Talleyrand e Weishaupt, que iniciou os dois na franco-maçonaria do  “Grande Oriente)”.

Quando a declaração da independência americana foi assinada em 1.º de maio de 1776, Adam Weishaupt levou ao fim seu plano bem pensado e introduziu oficialmente a ordem dos Iluminados da Baviera.  Esta data é dada erroneamente como sendo a data da fundação da ordem.  Mas os mais importantes anos da ordem foram os seis anos que precederam sua instauração oficial.
Entre outros membros da ordem, constam Johann Wolfgang von Goethe, o duque Carlos Augusto de Weimar, o duque Fernando de Brunswick, o barão de Dahlberg (vago-mestre geral de Thurn und Taxis), o barão de Knigge e muitos outros…

Em 1777, Weishaupt foi iniciado na loja franco-maçônica de  “Theodoro do Bom Conselho” (“Theodore of Good Council”) em Munique, onde logo infiltrou toda a loja.

Em 16 de abril de 1782, a aliança entre franco-maçons e os Iluminados da Baviera foi selada em Wilhelmsbad.  Esse pacto estabeleceu uma ligação entre mais ou menos três milhões de membros das sociedades secretas dirigentes.  Um acordo do Congresso em Wilhelmsbad tornou possível a admissão dos judeus nas lojas, enquanto que estes últimos tinham, nessa época, poucos direitos.

Controlando os Iluminados da Baviera, os Rothschild exerciam agora uma influência direta sobre outras lojas secretas importantes.
Todas as pessoas presentes juraram como bons conspiradores guardar segredo absoluto: de fato, quase nada transpareceu desse encontro.  Perguntaram ao conde de Virieu, um dos franco-maçons participantes do congresso, se ele poderia dizer algo das decisões tomadas.  Ele respondeu:

Não posso revelar-te, posso somente dizer-te que é bem mais sério que possas imaginar.  A conspiração que se desenvolveu aqui foi tão perfeitamente imaginada que não há possibilidade para a monarquia e a Igreja escaparem disso.

Outra pessoa presente, o conde de Saint Germain, advertiu mais tarde sua amiga Maria Antonieta do complô de morte que deveria derrubar a monarquia francesa.  Não levaram em conta, infelizmente, seu conselho.

Alguns segredos subversivos começaram a manifestar-se apesar de tudo, o que teve como conseqüência que em 11 de outubro de 1785, o Eleitor da Baviera ordenou uma invasão da casa do sr. Zwack, principal assistente de Weishaupt.  Pilharam muitos documentos que descreviam o plano dos Iluminados da Baviera, a  “Nova Ordem Mundial” –  (Novus Ordo Seclorum).  Eleitor da Baviera decidiu então publicar esses papéis com o nome de  “Escritos originais da ordem e seita dos Iluminados”.

Esses escritos foram, em seguida, divulgados tão largamente quanto possível para advertir os monarcas europeus.  O título de professor foi retirado de Weishaupt, que desapareceu com o duque de Saxe-Gotha, outro membro dos Iluminados da Baviera.  Como eles não se opuseram ao rumor que a ordem dos Iluminados estava aniquilada, isso permitia-lhes continuar trabalhando em segredo para ressurgir, mais tarde, com outro nome.  No espaço de um ano, vimos aparecer publicamente a Deutsche  Einheit  (Unidade Alemã), que expandiu a propaganda dos Iluminados entre os círculos de leitores existentes.

Foi aí que nasceu o grito de guerra:  “Liberdade, igualdade, fraternidade”.

Os monarcas europeus não estavam nada conscientes do perigo, o que teve como conseqüência o nascimento da Revolução Francesa e o aparecimento do regime do terror.
Jan van Helsing

[…] Adam Weishaupt fundou — ou reviveu — a secreta Ordem dos Illuminati em 1º de maio de 1776; isso parece um fato histórico. Todo o resto permanece disputado e acaloradamente controverso. […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/adam-weishaupt/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/adam-weishaupt/

Adam

A contribuição de “Adão” na história da cabala

Quando: cerca de 6000 anos atrás

Onde: Mesopotâmia

Livro: Sefer Raziel HaMalakh

Importância: Primeira pessoa a buscar uma realidade além da ordinária.

Antes de qualquer coisa, sejamos bem claros. Historiadores chegaram a conclusão que qualquer coisa relacionada a cabala (ou se quiser ser chato, Kabbalah) que seja anterior ao século 13 é indistinguível das lendas e mitos do povo hebreu. Sendo assim, todos os primeiros grandes nomes da história da cabala devem ser entendidos como leituras judaicas de personalidades (ou lendas) anteriores a formação desta tradição.

Dito isso, comecemos dizendo que a Cabala é a sabedoria e a prática que permite seus adeptos sentir, conhecer e interagir com níveis mais elevados da realidade. É portanto natural que seja tão antiga quanto a humanidade e que sua história comece com a do primeiro ser humano completo.  Para o entendimento cabalista Adão não foi a primeira pessoa mas sim o primeiro ser humano que discerniu que a realidade aparente era apenas uma parte da realidade total. Nem sequer podemos dizer que foi um homo sapiens ou algum ancestral mais aintigo. A partir deste momento a vida na terra chegou a um novo patamar.

A cabala divide os reinos em Mineral, Vegetal, Animal e Falante. Assim podemos concluir que o surgimento da cabala deu-se poco depois do desenvolvimento da linguagem. Tanto é assim que até hoje as letras/números e palavras tem uma importância central nos estudos cabalistas.

Seu nome é certamente tão simbólico quanto sua história. Note que não se trata do primeiro homem das cavernas que teve algum conjunto de crenças ou supertições, mas sim o primeiro macaco que se perguntou  “Para que eu estou vivendo? O que está acontecendo com minha vida? O que vou fazer com tantas bananss afinal de contas” A tradição atribui assim a Adão o início deste estudo que chamamos hoje de cabala.

Além disso é atribuido a Adão Livro do Anjo Raziel (Sefer Raziel HaMalakh) que teria sido revelado a ele pelo anjo do título ainda no Jardim do Éden. Esta obra trata do uso dos nomes sagrados do Criador, as divisões dos céus e questões astrológicas, as hierarquias dos anjos e espíritos. Este teria sido o livro mais antigo da humanidade, isso é claro se na verdade não tivesse sido escrito por Alfonso X no século 13.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/adam/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/adam/

Abramelin

Abraao o judeu

1362 – 1460

Tudo o que se sabe sobre Abrão, o mago, alquimista, teólogo e filósofo do século XIV é diretamente derivado do manuscritos de posse da Bibliotheque de l’Arsenal em Paris, um arquivo, deve-se dizer, rico em fontes originais do ocultismo medieval.  O título completo da obra é em português “O Livro da Sagrada Magia de Abramelim, conforme passado por Abrão, o Judeu para seu filho Lamech.” Inteiramente escrito em francês, este documento alega ser a tradução de um manuscrito ainda mais antigo em hebraico, e o estilo da caligrafia sugere um escriba que viveu no século dezoito ou no final do século dezessete. A grafia e gramática do texto sugerem que o autor era ou semiletrado ou pouco cuidadoso, possivelmente não tendo o francês como lingua nativa.

Abraão, (doravente chamado de Abraham para maior acuidade histórica) foi ao que tudo indica nativo de Mayence, nascido em cerca de 1362. Seu pai, Simon, também foi adepto das investigações ocultistas e da prática mágica e desde cedo guioi seu filho nos estudos. Numa certa fase da vida, a tutotia do pai da lugar a um outro professor indetificado com o nome Moses. Abraham no entando ao crescer, rapidamente supera seu segundo mestre ao ponto de o descrever por fim como “um bom homem, mas inteiramente ignorante do Verdadeiro Mistério e da Verdadeira Magia.”

Sem um guia a sua altura, a fase sgeuinte da sua vida é dedicada a numerosas viagens educacionais ao redor do mundo conhecido. Com seu amigo Samuel, boemio por natureza, ele visita a Austria, a Hungria, a Grécia até chegar a Constantinopla (atual Istambul) onde fixou-se por aproximadamente dois anos. Após isso Abraham viajou para a Arabia, em sua época talvez o maior centro de aprendizagem mística do mundo onde dedicou mais alguns anos de vivência. Em seguida dirigiu-se para a Palestina e então para o Egito onde aprendeu uma grande quantidade de segredos ocultos.

Foi nas terras do Egito que Abraham conheceu Abra-Melin, célebre filósofo da região, a esta altura já com idade avançada em uma pequena cidade chamada Arach próxima ao Rio Nilo.  Lá ele vivia em uma casa modesta no topo de um pequeno monte coberto de árvores. Um homem gentil e educado, levando uma vida simples e regrada, apóstolo do Temor a Deus e evitando qualquer acúmulo de riquezas. Ele concordou em ensinar sua sagrada arte a Abraham com a promessa de que ele abandonaria seus falsos fogmas e passaria a viver no caminho e sob a lei de Deus.

Pelo presso de dez florins de ouro, que foram distribuidos aos pobres da cidade, Abra-Melin confiou a Abraham certos documentos contendo uma grande variedade de operações e segredos acumulados durante sua vida. Este conhecimento parece emergir de um cenário ocultista especificamente, mas não exclusivamente judaico. Um exemplo claro disso são as receitas que ele lega para a confecção do óleo e o incenso, que podem ser encontradas de forma idêntica no Pentateuco. Em Êxodo 30:23-25, temos a receita para o Óleo de Abramelim: “Também toma das principais especiarias, da mais pura mirra quinhentos siclos, de canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, de cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos, de cássia quinhentos siclos, segundo o siclo do santuário, e de azeite de oliveiras um him.” Pouco adiante em Êxodo 30:34-36, temos a receita para o Incenso de Abramelim: “Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será.”

Após isso Abraham deixa o Egito e segue para a Europa onde eventualmente fixa morada em Würzburg, na Alemanha, tornando-se profundamente envolvido com o estudo da Alquimia. Nesta época ele se casa com uma mulher, provavelmente sua própria prima, que lhe dá três filhas e dois filhos. O filho mais velho foi chamado Joseph e o mais novo recebeu o nome de Lamech.

Assim como seu pai, e provavelmente o pai de seu pai antes dele, Abraham instruiu seus filhos homens nos assuntos ocultos, enquanto que para suas filhas deixou dotes de 100,000 florins de ouro. Esta considerada soma de riqueza, assim como suas muitas viagens demonstram que Abraham foi um homem de posses, a quem nunca faltou sustento e recursos. Tesouro estes que o próprio mago atribuiu aos seus talentos como magista.

Ele também tornou-se célebre ao final da vida ao produzir impressionantes atos de magia na presença de pessoas famosas e importantes de sua época como o próprio Imperador Sigismund da Alemanha, o bisco de Würzburg, Henrioque VI da Inglaterra, o duque da Bavária e o papa João XXII. Aqui a narrativa se encerra e não existe detalhes sobre o final da vida de Abraham, sendo que a data e circustancias de sua morte são incertas, embora seja estimada como ocorrida em meados de 1460.

A Sagrada Magia de Abra-Melin

 

O documento mencionado, que é a origem destas informações biográficas foi traduzido em 1896 por Samuel Liddell MacGregor Mathers, um dos fundadores da Hermetic Order of the Golden Dawn e tornou-se um dos tomos mais importantes da magia cerimonial. As  traduções mais recentes para o inglês feita por Georg Dehn e Steven Guth atribuem a autoria e e identidade histórica de Abraham com a de Rabbi Yaakov Moelin יעקב בן משה מולין. Diversos fatores nos levam a crer que Abraham, o Judeu é o pseudônimo ou o nome iniciático deste Rabbi, pois muitos dados biográficos deles se encaixam como uma luva na narrativa acima passada.

A primeira parte desta obra conta a própria história de vida de Abraham, tal como aqui mencionada. A segunda parte é baseada nos documentos entregues por Abra-Melin durante sua viagem ao Egito. Nesta seção do manuscrito são expostos os princípios gerais da magia, incluindo o capítulos como “Quais são e quais são as classes da Verdadeira Magia”? “O que deve ser levado em consideração para uma operação mágica”, “Como convocar os Espíritos” e “De que maneira devem ser feitas as operações”

A terceira parte do documento é bem menos teórica e o autor supões que seu leitor sabe a base do que está sendo exposto. Aqui são tratadas a parte prática da operação mágica. São técnicas com vários propósitos como: provocar visões, reter espíritos familiares, dominar tempestades, transformar coisas e pessoas em diferentes formas e figuras, voar através dos ares, destruir edifícios, curar doenças, descobrir objetos roubados e caminhar debaixo d`agua. O autor ainda trata da cura taumaturgica de males como a lepra, a paralisia, a febre e o mal estar geral. Ele também oferece conselhos sobre como fazer-se amado por uma mulher e como conseguir o favor de papas, imperadores e pessoas influêntes. Muitas dessas façanhas são realizadas pelo emprego adequado de quadrados e signos cabalísticos. Com eles o autor ensina como causar visões específicas como a de homens armados, ou mesmo como evocar “Comédias, Operas e todo tipo de Música e Dança”. Diferentes símbolos representam diferentes resultados nas operações.

O temperamento e personalidade de Abraham é revelado nas entrelinhas da obra. Nela há um evidênte pouco caso de quase todos os magistas de sua época e um quase desprezo de todas as obras ocultas que não as dele mesmo ou de seu mestre Abra-Melin. Abraham critica abertamente todos aqueles que se contentam com os dogmas das religiões em que nasceram e aponta que ninguém culpado desta falha jamais atingirá qualquer sucesso nas práticas da magia. A doutrina fundamental do livro é que o cosmos é povoado por hostes de anjos e demônios. Os demônios trabalham em última instância, sob a direção dos anjos O homem situa-se entre as forás angélicas e demoniacas. E a cada homem é designado um anjo protetor e um demônio tentador. O objetivo dos grandes iniciados é controlar seu demônio e atingir o contato e conversação com seu sagrado anjo guardião. Uma vez que tenha atigido este grau elevado o magista tem ao seu controle todos os espíritos infernais, e portanto grande poder sobre a criação. Apesar dos claros benefícios materiais e pessoas óbvios, em seus escritos existe uma fé bastante forte de que isso pode e deve ser feito não apenas para o benefício imediato do mago, mas sim como uma conquista que afeta imediatamente a posição da humanidade no cosmos.

 

O impacto no ocultismo posterior

 

Após a tradução de MacGregor Mathers, este sistema ganhou um lugar de destaque no ocultismo ocidental igualavel ao sistema enoquiano e as chaves de Salomão. Sua herança direta pode ser encontrada no Hermetismo, no Rosicrucianismo, na Thelema e mesmo  no Neopaganismo. Sem muita procura pode ser visto nas obras ocultistas posteriores encabeçadas pelo próprio Mathers, assim como nos trabalhos de Aleister Crowley e Dion Fortune. O primeiro obstáculo desta nova geraçao foi tentar sobreviver diante do forte monoteísmo abraamico que permeia todo o sistema de Abra-melin. O temor a Deus é o primeiro e  mais necessário requisito da obra e a todo tempo lembrada. Orações incessantes e leitura constante dos textos bíblicos fazem parte do processo que leva ao contato do Sagrado anjo Guardião. De fato, todos os outros tipos de operações mágicas são tidas por Abraham como falsas e inúteis, verdadeiras armadilhas dos demônios para afastar os adeptos do caminho da Grande Obra. Foi necessária uma releitura histórica de todo o manuscrito para que ele pudesse ser usado em uma época tão mais laica como os século XIX e XX.

O grimório de Abramelim passou a ser visto então como uma coletânea de conhecimentos mágicos muito mais antigos, na mesma medida em que Plotino e Agostinho de Hipona fizeram os ensinamentos de Platão atravessarem a Idade Média, Abramelim foi o responsável por apresentar os mistérios Egípcios e Babilônicos numa roupagem monoteísta. Na perspectiva do ocultismo renascente do período de Crowley e compania, o judeu Abraham aproveitou o trabalho de magistas mais antigos e dos sacerdotes da antiguidade e encharcou com toda a submissão e servidáo própria de sua religião.

Na mão dos autores modernos, o Anjo Guardião de Abraham desdobrou-se em equivalentes como o Gênio da Golden Dawn, ao Augoeideis de Iamblichus, ao Atman do Hinduismo e ao Daemon dos gnósticos. É Cristo em Jesus e Budha em Sidarta. A roupagem judaica foi portanto eliminada em prol de uma imersão com a egrégora mais antiga, mais primal e atávica.

Na magia cerimonial o objetivo é portanto conseguir uma conexão com esta realidade intima superior. Em Magick Without Tears, Crowley é enfático ao dizer: “Nunca se deve esquecer nem por um momento que o trabalho central e essencial do magista é atingir o Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Uma vez que seja atingido ele deve é claro se inteiramente deixado nas mais deste Anjo, que pode ser invariavelmente e inevitavelmente levá-lo ao grande passo seguinte – atravessar o Abismo e obter o grau de Mestre do Templo.”

Depos da edição de Mathers uma nova edição foi publicada em 1970 reapresentando a história de Abraham e o sistema de Abra-Melin a uma nova geração de magistas, muit mais acostumados com a experimentação e muito menos dada a dogmatismos de qualquer tipo. Apesar do respeito histórico pelo autor, existe uma tendência na maioria dos magistas contemporâneos em afirmam que em realidade o “Anjo da Guarda” de Abraham é o arquétipo profundo do Eu Superior, o Kia de Austin Spare ou do Self, para usar termos psicológicos atualizados. Ao atingir este estado de integração o adepto se torna consciênte de sua Verdadeira Vontade. Sua vida então é esclarecida com seu propósito. Com isso em mente, a operação de Abra-Melin se torna uma exploração do Eu Interior em direção a natureza divina que existe em potencial dentro de cada um. No Brasil, a editora Madras publicou uma edição sob o título “Santo Anjo Guardião – A Magia Sagrada de AbraMelin, o Mago Atribuída a Abraão, o Judeu”.

 

Sources:

The Book of the Sacred Magic of Abra-Melin the Sage. Translated by S. L. MacGregor-Mathers. Chicago: De Laurence, 1932. Reprint, New York: Causeway Books, 1974.
The Book of Abramelin: A New Translation
, Georg Dehn, transl. by Steven Guth, Ibis Publishing, 2006)
Santo Anjo Guardião – A Magia Sagrada de AbraMelin, o Mago Atribuída a Abraão, o Judeu, Editora Madras

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abrao-o-judeu-e-abramelin/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abrao-o-judeu-e-abramelin/

Abraão

A contribuição de Abraão na história da cabala
Quando: cerca de 4000 anos atrás
 
Onde: Babilônia
 
Livro: Sefer Yetzirá
 
Importância: Primeira péssoa a perceber a existência de uma unidade divina

Conta a tradição que entre Adão e Noé e o mundo acabou em um dilúvio mostrando a estupenda capacidade humana de esquecer. Se não fosse assim bastaria um grande cabalista na história. Mas o caso foi que entre Noé e Abraão o conhecimento foi sendo passado de forma tímida, tanto porque a humanidade como um todo não estava interessada como pelas próprias formas de comunicação primitivas que pudessem existir. Nenhum fim do mundo.

Nascido e criado em uma sociedade onde era normal culturar muitos deuses. Abraão é tido como a primeira pessoa a defender o monoteísmo. Não no sentido simplório da maioria das pessoas de hoje, mas com a percepção de que a divindade é una e que todo o universo está intimamente interconectado e unificado com este nível superior da realidade.

Por sua boa intenção Abraão recebeu revelações que recuperaram  a sabedoria recebida por Adão e as levaram a um novo patamar.  Abraão é tido também na cabala como um símbolo do amor intenso e universal em contrapartida a Isaque, símbolo da justiça e da severidade e a Jacó representando o equilíbrio entre estas duas forças.

A Abraão também é atribuído o famoso Sefer Yetzirá, o Livro da Formação que trata da formação do mundo por meio dos números, das letras e das palavras.  Dificilmente chamaríamos de livro hoje em dia posto que se trata de poucas páginas com menos de cem palavras no total. E isso levanta uma questão intrigante: Como todos os mistérios do universo podem estar contidos em um texto tão pequeno? A resposta dos cabalistas é que trata-se de uma fórmula. Considera a famosa equação de  Einstein E=mc². Páginas e páginas de equações matemáticas foram usadas para chegar a esta fórmula simples. Só assim os segredos do espaço-tempo podem ser incluídos dentro de apenas cinco caracteres. É por esta razão que, apesar do livro ser diminuto muitas volumes já foram preenchidos por comentaristas e estudiosos explicando suas minuncias.

Outro ponto interessante do papel destacado de Abraão é que sua vida e obra surgiram muito antes das principais religiões que tem ele como patriarca. Abraão viveu na Babilônia e não podia ser muçulmano, cristão e particularmente não era judeu. O judaismo só nasceu tal como o conhecemos hoje após a destruição do segundo templo no Israel e a disperssão da nação da Judeia pelo mundo e a elevação da lei rabinica ao status de mandamentos religiosos.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abraao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abraao/