Mapa Astral de Jorge Amado

Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001) foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos.

Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.

O Mapa de Jorge Amado possui Sol em Leão, Lua em Câncer, Vênus em Leão-Virgem (Rei de Moedas); Mercúrio e Marte em Virgem (na Casa 3, da comunicação), Júpiter em Sagitário, Saturno em Gemeos-Touro (Rei de Espadas), Ascendente em Gêmeos e Caput Draconis em Áries. Seu Planeta mais forte é Mercúrio em Virgem, com 4 Aspectações fortes, sendo a Principal aspectação a quadratura com Saturno (em Gêmeos) que vai indicar uma das relações mais interessantes de seu mapa: a Facilidade em escrever.

Lua em Câncer, eu já falei em diversos mapas, é a lua das mães, das enfermeiras e dos poetas; indica a energia de lidar e cuidar dos sentimentos dos outros e colocar as emoções dos outros em suas mãos. Combinando esta energia com qualidades metódicas virginianas (Mercúrio e Marte… pensamento organizado e vontade organizada, ambas na casa 3, das comunicações) temos alguém com uma facilidade enorme de redigir estratégias e cultivar o emocional dos leitores… alguém capaz de trabalhar as palavras de maneira bastante complexa e ao mesmo tempo penetrar fundo na essência emocional do leitor.

Júpiter em Sagitário indica uma facilidade acima da média de observar o mundo ao redor e agarrar oportunidades. Normalmente encontrado em pessoas “sortudas”, na verdade mostra pessoas com uma facilidade natural para observar os mecanismos da realidade e entender como estas oportunidades se manifestam. No caso do escritor, ele utilizou esta facilidade para compreender a natureza humana e retratá-la de maneira profunda em seus livros.

Saturno em Gêmeos-Touro (Gêmeos a 2,54 graus, ou seja, ainda com influencias da energia taurina; posição que, na Astrologia Hermética, é chamado de Rei de Espadas) trabalha a energia da comunicação e profundidade de maneira rigorosa e responsável. A casa 12 é da espiritualidade (Jorge Amado se classificava como “um materialista que adora o Candomblé”, religião na qual exercia o posto de honra de Obá de Xangô (protetor do terreiro; um dos títulos honorários mais importantes do Candomblé no Rio de Janeiro).

#Astrologia #Biografias

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Évora, a bruxa

Com certeza a bruxa de Évora, ainda conhecida como a Moura Torta, é uma das figuras mais notórias e rodeada de mistério no âmbito da magia ibérica e povoou o imaginário dos portugueses e depois os brasileiros com a chegada dos colonizadores. É um daqueles casos onde a história e as lendas se misturam e o mito que nasce se torna mais relevante do que a biografia que o originou. Uma figura representativa do “medo mouro” e dos  fascínio europeu pelos segredos e feitiços do Oriente.

É difícil precisar a época em que teria vivido. Contos ibéricos dão conta que essa poderosa bruxa viveu em Portugal, na época de Dom Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal, que nasceu em 1109 em Coimbra e faleceu em 1185 na Galiza. Em seu livro ‘A Bruxa De Evora’,  Maria Helena Farelli relata:

“Era a bruxa da cidade, que andava com um mocho às costas e que tocava harpa nas noites frias de inverno. Aliada do Tinhoso era ao mesmo tempo temida e adorada. A bruxa árabe era chamada de Moura Torta, nome que fazia os portugueses se arrepiarem, fazendo o sinal da cruz; e como moura e bruxa passou à história” …. “Vivia como eremita, sempre só em sua casa, com suas galinhas e coelhos, com chapelão, saia e avental, com sapatos golpeados, murmurando rezas estranhas

Muito requisitada, quando os outros não sabem o que fazer, ela sabe e faz com a maior vontade e ódio, sedenta a completar seu objetivo. Mas ao invés de perseguir suas vitimas, ela prefere atraí-los, o que faz muito bem. É ela quem decide qual demônio será designado para cada missão e tem o poder de suspendê-los se não desempenharem bem sua função.

A Bruxa de Évora falava bem o árabe, o português e o latim. Foi criada por umas velha tia que lhe ensinou as artes mágicas, dando-lhe como talismãs sete moedas de ouro do califa Omir, uma pedra ágata com inscrições árabes e uma chapa de prata com o nome do profeta. Usava trapos, mas em seu peito brilhava um amuleto de âmbar. Ela lia o Alcorão e escrevia, sabia matemática, e olhando o céu reconhecia as estrelas, lia a sorte nas areias, nas estrelas e fazia feitiços e curas. Conhecia a magia dos seus ancestrais muçulmanos, mas também sabia a dos celtas.

A bruxa voava montada em cães, lobos, camelos, carneiros e em vassouras, mas sempre era vista voando em seu bode preto. O bode sempre foi um animal de feiticeiros, talvez por ser muito sensual; sugere pactos com demônios, feiticeiras, seres parte homem e parte animal, força de grande magia. O bode da era pagã emprestou sua forma para o diabo. As bruxas também eram companheiras dos dragões, deram a eles muitos nomes: o terrível, o magnífico, o senhor do mundo, o guardião.

A Bruxa Évora tinha um gato preto chamado Lusbel. Apesar de temida, as pessoas buscam os poderes dessa bruxa: seus feitiços, sortilégios, banhos, amarração, conjuros, etc…, com a finalidade de obter cura, proteção e sucesso no amor e na vida.

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Mapa Astral de Pablo Picasso

Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor, escultor e desenhista espanhol, tendo também desenvolvido a poesia.

Foi reconhecidamente um dos mestres da arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares de trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas e cerâmica, usando, enfim, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como sendo o co-fundador do Cubismo, junto com Georges Braque.

Picasso, ao contrário da maioria dos artistas, enriqueceu de maneira fenomenal ao passo em que criava uma quantidade imensa de obras. Suas mais de 14.000 pinturas fizeram com que, em sua morte, Picasso fosse praticamente um bilionário. Ele dizia, sem falsas modéstias, que era capaz de ganhar 30.000 dolares com qualquer pintura que fizesse enquanto estava se barbeando.

Mapa

O mapa de Picasso possui Sol em Escorpião-Libra, Lua em Sagitário e Ascendente em Leão-Câncer; Mercúrio em Escorpião; Vênus em Libra, Marte em Câncer e um Stellium (conjunto de 3 Planetas próximos) fortíssimo em Touro na Casa 10, composto por Júpiter, Saturno e Netuno. seu caput Draconis faz conjunção com sua Lua em Sagitário na casa 5. Plutão em Touro-Gêmeos é o Planeta mais forte de seu Mapa.

Esta combinação em touro indica alguém focado na carreira e que teria uma facilidade quase sobrenatural em ganhar dinheiro onde quer que colocasse as mãos; todos estes planetas em Aspectações com Marte em Câncer indicam que um dos caminhos para manifestar estas energias seria através da Arte (e Picasso trabalhou com praticamente todos os tipos de arte, de desenhos a esculturas, pinturas, guache e todas as técnicas que você puder imaginar). Seu Mercúrio em Escorpião indica alguém cujo intelecto trabalha de maneira profunda, explorando cada limite de possibilidades na área em que escolheu (e a Aspectação forte com Plutão em Touro-Gêmeos [Rei de Espadas, o senhor do conhecimento] reforça ainda mais esta busca pelo conhecimento e experimentação). Sua grandiosidade (e, alguns diriam, falta total de modéstia) vem da combinação forte entre seu Ascendente em Leão, Lua e Caput Draconis em Sagitário (na Casa 5, que é a Casa de Leão).

#Astrologia #Biografias

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Erichto da Tessália

Erichtho por John Hamilton Mortimer.

Na literatura romana, Erichtho (do grego antigo: Ἐριχθώ) é uma lendária bruxa da Tessália que aparece em várias obras literárias. Ela é conhecida por sua aparência horrível e seus modos ímpios. Seu primeiro papel importante foi no épico Farsália do poeta romano Lucano, que detalha a Guerra Civil de César. Na obra, o filho de Pompeu, o Grande, Sexto Pompeu, a procura, esperando que ela seja capaz de revelar o futuro da iminente Batalha de Farsalos. Em uma cena horrível, ela encontra um cadáver, o enche de poções e o ressuscita dos mortos. O cadáver descreve uma guerra civil que está assolando o submundo e traz uma profecia sobre o que o destino reserva para Pompeu e seus parentes.

O papel de Erichtho na Farsália tem sido frequentemente discutido por classicistas e estudiosos da literatura, com muitos argumentando que ela serve como uma antítese e contraparte da Sibila de Cumes, de Virgílio, uma profetisa piedosa que aparece em sua obra a Eneida. No século 14, o poeta italiano Dante Alighieri fez referência a ela em sua Divina Comédia (onde é revelado que ela, usando magia, forçou Virgílio a buscar uma alma do nono círculo do Inferno). Ela também faz aparições na peça Fausto de Johann Wolfgang von Goethe do século XIX, bem como na peça jacobina de John Marston, The Tragedy of Sophonisba (A Tragédia de Sofonisba).

Origem Literaria

A personagem Erichtho pode ter sido criada pelo poeta Ovídio, como ela é mencionada em seu poema, Heroides XV. Há algum debate sobre onde Erichtho apareceu pela primeira vez. O poema Heroides XV de Ovídio apresenta uma referência à furialis Erictho. Em 1848, Karl Lachmann argumentou que o poema em si foi elaborado após a publicação da Farsália de Lucano por um autor desconhecido no estilo de Ovídio. Ele sustentou que Erichtho era, portanto, uma invenção de Lucano sozinho. O argumento de Lachmann foi altamente influente, embora S. G. De Vries tenha apontado que Lucano poderia facilmente ter tirado o nome de Ovídio, ou que ambos poderiam ter tirado o nome de uma fonte agora perdida. O argumento de De Vries e o trabalho subsequente de A. Palmer sobre o poema sugerem que ele é de fato o produto de Ovídio. É provável que a personagem tenha sido inspirada nas lendas das bruxas da Tessália desenvolvidas durante o período grego clássico. De acordo com muitas fontes, a Tessália era notória por ser um refúgio para bruxas, e “o folclore sobre a região persistiu com contos de bruxas, drogas, venenos e feitiços mágicos desde o período romano”. No entanto, a popularidade de Erichtho veio várias décadas depois, graças ao poeta Lucano, que a apresentou com destaque em seu poema épico Farsália, que detalha a Guerra Civil de César.

A Farsália, de Lucano:

Na Farsália de Lucano, Erichtho é repugnante (por exemplo, ela é descrita como tendo uma “nuvem seca” pairando sobre sua cabeça e que sua respiração “envenena o ar de outra forma não letal”) e perversa a ponto de sacrilégio (por exemplo, “Ela nunca suplica aos deuses, nem chama o divino com um hino suplicante”). Ela vive à margem da sociedade e mora perto de “cemitérios, forcas e campos de batalha abundantemente supridos pela guerra civil”; ela usa as partes do corpo desses locais em seus feitiços mágicos. De fato, ela se deleita em atos hediondos e macabros envolvendo cadáveres (por exemplo, “quando os mortos são confinados em um sarcófago, (…) então ela avidamente enfurece cada membro. Ela enfia a mão nos olhos, se delicia em desenterrar os globos oculares congelados e rói as unhas pálidas de uma mão ressecada.”)

Ela é uma necromante poderosa; enquanto ela está examinando cadáveres em um campo de batalha, observa-se que “Se ela tivesse tentado levantar todo o exército no campo para retornar à guerra, as leis de Érebo teriam cedido, e um exército – puxado do Averno do Estige por seu terrível poder – teria ido para a guerra.” É por esta razão que ela é procurada pelo filho de Pompeu, o Grande, Sexto Pompeu. Ele quer que ela realize um rito necromântico para que ele possa saber o resultado da Batalha de Farsalos. Erichtho obedece e vagueia em meio a um campo de batalha para procurar um cadáver com “tecidos ilesos de um pulmão endurecido”. O que esse campo de batalha é um vestígio nunca fica claro no poema. Dolores O’Higgins, no entanto, afirma que é o rescaldo da Batalha de Farsália, e que Erichtho está efetivamente saltando para o futuro. O’Higgins argumenta que essa flexão do tempo é “uma demonstração consciente do poder dos vates”.

Ela limpa os órgãos do cadáver e enche o corpo com uma poção (que consiste, entre outras coisas, de uma mistura de sangue quente, “veneno lunar” e “tudo o que a natureza carrega perversamente”) para trazer o corpo morto de volta ao vida. O espírito é convocado, mas, a princípio, se recusa a retornar ao seu antigo corpo. Ela então prontamente ameaça todo o universo, prometendo convocar “aquele deus em cujo nome terrível a terra treme”. De acordo com Andrew Zissos: “A identidade da divindade mencionada obliquamente por Erictho aqui tem sido a fonte de muito debate acadêmico. As sugestões incluem a misteriosa divindade Demiurgo (Haskins 1887 ad loc., Pichon 1912: 192), Ahriman (Rose 1913: li-lii); Hermes Trismegisto (Bourgery 1928: 312) e Yahweh ou Jeová (Baldini-Moscadi 1976: 182-3). Todas essas identificações são plausíveis, mas nenhuma conclusiva – um ponto que é em si sugestivo: Lucano pode ter desejado para evitar escolher uma divindade inferior suprema em detrimento de outra, particularmente considerando que era uma prática aceitável em rituais mágicos não oferecer uma designação precisa. poeta está explorando a ofuscação convencional de fórmulas mágicas para seu próprio programa artístico.” Imediatamente após essa explosão, o cadáver é reanimado e oferece uma descrição sombria de uma guerra civil no submundo, bem como uma profecia bastante ambígua (pelo menos para Sexto Pompeu) sobre o destino que está reservado para Pompeu e seus parentes.

Porque o sexto livro da Farsália é visto por muitos estudiosos como sendo uma reformulação do sexto livro da Eneida de Virgílio, Erichtho é muitas vezes visto como a “contraparte antitética da Sibila de Cumes de Virgílio. Na verdade, ambas cumprem o papel de ajudar um humano a obter informações de o submundo; no entanto, enquanto a Sibila é piedosa, Erichtho é perversa. Andrew Zissos observa:

“O vasto abismo moral entre Erictho e a Sibila é bem evidenciado pelo relato de Lucano sobre seus respectivos preparativos. Enquanto a Sibila insiste piedosamente que o cadáver insepulto de Miseno (exanimum corpus, Aen. 6.149) deve ser devidamente enterrado antes de Enéias embarcar em sua jornada pelo submundo, Erictho exige especificamente um cadáver insepulto (descrito similarmente como exanimes artus, 720) para seu empreendimento. Como (Jamie) Masters aponta, há uma conexão clara entre o cadáver de Erictho e o Miseno de Virgílio. Isso facilita mais uma inversão: enquanto os ritos da Sibila começam dentro de um enterro, os de Erictho terminam com um enterro.”

Masters, como Zissos aponta, argumenta que os comandos da Sibila para enterrar Miseno e encontrar o Ramo Dourado estão invertidos e compactados em Lucano: Erichtho precisa de um corpo – não enterrado – mas sim recuperado. Muitos outros paralelos e inversões abundam, incluindo: a diferença de opiniões sobre a facilidade de obter o que se busca no submundo (a Sibila diz que apenas a descida inicial ao submundo será fácil, enquanto Erichtho diz que a necromancia é simples), a maneira oposta em que são descritos aqueles que buscam informações do submundo (a Sibila insta Enéias a ser corajoso, enquanto Erichtho critica Sexto Pompeu por ser covarde), e a maneira invertida como os ritos sobrenaturais ocorrem (a Sibila envia Enéias para o subterrâneo para obter conhecimento, enquanto Erichtho evoca um espírito do solo para aprender o futuro).

O Inferno, de Dante:

Erichtho também é mencionado pelo nome no primeiro livro da Divina Comédia de Dante Alighieri, Inferno: no Canto IX, Dante e Virgílio são inicialmente negados o acesso aos portões de Dis, e assim Dante, duvidando de seu guia e esperando confirmação, pergunta a Virgílio se ele já viajou para as profundezas do inferno antes. Virgílio responde afirmativamente, explicando que em um ponto ele viajou para o círculo mais baixo do Inferno a mando de Erichtho para recuperar uma alma para um de seus ritos necromânticos. Simon A. Gilson observa que tal história é “sem precedentes em fontes medievais e altamente problemática”.

As explicações para esta passagem são abundantes, algumas das quais argumentam que a passagem é um mero “artifício hermenêutico”, uma tática proposital por parte de Dante para minar o senso do leitor sobre a autoridade de Virgílio, uma alusão a uma lenda medieval sobre Virgílio, uma reelaboração de conceitos medievais sobre a necromancia, um paralelo literário à Descida de Cristo aos Infernos, simplesmente um eco do suposto conhecimento do Inferno de Virgílio (baseado em sua descrição do submundo na Eneida, 6.562-565), ou apenas uma referência ao episódio mencionado acima de Lucano. Gilson afirma que a referência a Erichtho reforça o fato de “que a própria jornada de Dante pelo Inferno é divinamente desejada”, embora “isso seja alcançado às custas da jornada anterior de inspiração necromântica empreendida por Virgílio”. Da mesma forma, Rachel Jacoff argumenta:

“A reescrita de Dante da cena lucana ‘recupera’ a bruxa Erichtho tornando-a necessária ao status de Virgílio de Dante como guia: ela funciona assim de acordo com a providência cristã que controla o avanço do enredo da Divina Comédia. Ao mesmo tempo, a Erichtho lucaniana é marginalizada e subordinada a um poder superior. Nesse sentido, a reescrita de Erichtho por Dante também desfaz a subversão de Lucano ao modelo virgiliano original.”

E embora seja um anacronismo literário ligar Virgílio à Erichtho, dado que Lucano – aquele que popularizou Erichtho na literatura – nasceu cerca de cinquenta anos após a morte de Virgílio, essa conexão joga com sucesso a crença medieval popular de que o próprio Virgílio era um mago e profeta.

Outros:

Erichtho também é uma personagem da peça Fausto, do século XIX, de Johann Wolfgang von Goethe. Ela aparece na Parte 2, Ato 2, como a primeira personagem a falar na clássica cena da Walpurgisnacht (A Noite de Valpúrgis). O discurso de Erichtho toma a forma de um solilóquio (monólogo), no qual ela faz referência à Batalha da Farsália, Júlio César e Pompeu. Ela também alude a Lucano, alegando que ela “não é tão abominável quanto os poetas miseráveis ​​(ou seja, Lucano e Ovídio) me pintaram”. Esta cena precede imediatamente a entrada de Mefistófeles, Fausto e Homúnculo nos ritos que resultam na Sequência da Vida Onírica de Fausto como um cavaleiro vivendo em um castelo com Helena de Tróia – até que a morte de seu filho destrua a fantasia e Fausto retorne ao físico. mundo para a conclusão da peça.

Na peça jacobina de John Marston, The Tragedy of Sophonisba (A Tragédia de Sofonisba), que se passa durante a Segunda Guerra Púnica, o príncipe da Líbia, Syfax, convoca Erichtho do Inferno e pede a ela que faça Sofonisba, uma princesa cartaginesa, amá-lo. Erichto, através do “poder do som”, lança um feitiço que faz com que ela assuma a aparência de Sofonisba; ela posteriormente tem relações sexuais com Syfax antes que ele seja capaz de perceber sua identidade. Muitos críticos, de acordo com Harry Harvey Wood, “desconsideraram essa cena como revoltante”.

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Fontes:

Clark, Brian (November 28, 2011), The Witches of Thessaly (PDF), History of the Ancient World, archived from the original (PDF) on March 7, 2016, retrieved April 18, 2016

Alighieri, Dante (1961). The Divine Comedy 1: Inferno. Translated by Sinclair, John. Oxford, UK: Oxford University Press. ISBN 9780195004120.

Alighieri, Dante (1995). Dante’s Inferno: The Indiana Critical Edition. Translated by Musa, Mark. Bloomington, IN: Indiana University Press. ISBN 9780253209306.

Gilson, Simon (2001). “Medieval Magical Lore and Dante’s ‘Commedia’: Divination and Demonic Agency”. Dante Studies (119). JSTOR 40166612. (subscription required)

Goethe, Johann (1912). Goethe’s Faust: Parts I and II. Translated by Latham, Albert George. London, UK: J. M. Dent & Sons.

Goethe, Johann (1897). Goethes Faust, Part 2. Translated by Thomas, Calvin. Boston, MA: D. C. Heath & Company.

Kyriakidēs, Stratēs; De Martino, Francesco (2004). “Middles in Latin Poetry”. Le Rane. Levante. 38.

Jacoff, Rachel (1993). The Cambridge Companion to Dante. Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9780521427425.

Love, Genevieve (2003). “‘As from the Waste of Sophonisba’; or, What’s Sexy about Stage Directions”. Renaissance Drama. 23. JSTOR 41917374. (subscription required)

Masters, Jamie (1992). Poetry and Civil War in Lucan’s Bellum Civile. Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9780521414609.

O’Higgins, Dolores (October 1988). “Lucan as ‘Vates’”. Classical Antiquity. 7 (2). JSTOR 25010888. (subscription required)

Solomon, Jon (March 2012). “Boccaccio and the Ineffable, Aniconic God Demogorgon”. International Journal of the Classical Tradition. 19 (1). JSTOR 23352461. (subscription required)

Thorsen, Thea (2014). Ovid’s Early Poetry: From his Single Heroides to his Remedia Amoris. Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9781107040410.

Wiggins, Martin (2015). British Drama (1533-1642): A Catalogue. Oxford, UK: Oxford University Press. ISBN 9780198719236.

Wood, Harry Harvey (1938). The Plays of John Marston, Volume 2. Edinburgh, UK: Oliver and Boyd.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Erichto da Tessália: Uma Necromante na Roma Antiga

Erichtho por John Hamilton Mortimer.

Na literatura romana, Erichtho (do grego antigo: Ἐριχθώ) é uma lendária bruxa da Tessália que aparece em várias obras literárias. Ela é conhecida por sua aparência horrível e seus modos ímpios. Seu primeiro papel importante foi no épico Farsália do poeta romano Lucano, que detalha a Guerra Civil de César. Na obra, o filho de Pompeu, o Grande, Sexto Pompeu, a procura, esperando que ela seja capaz de revelar o futuro da iminente Batalha de Farsalos. Em uma cena horrível, ela encontra um cadáver, o enche de poções e o ressuscita dos mortos. O cadáver descreve uma guerra civil que está assolando o submundo e traz uma profecia sobre o que o destino reserva para Pompeu e seus parentes.

O papel de Erichtho na Farsália tem sido frequentemente discutido por classicistas e estudiosos da literatura, com muitos argumentando que ela serve como uma antítese e contraparte da Sibila de Cumes, de Virgílio, uma profetisa piedosa que aparece em sua obra a Eneida. No século 14, o poeta italiano Dante Alighieri fez referência a ela em sua Divina Comédia (onde é revelado que ela, usando magia, forçou Virgílio a buscar uma alma do nono círculo do Inferno). Ela também faz aparições na peça Fausto de Johann Wolfgang von Goethe do século XIX, bem como na peça jacobina de John Marston, The Tragedy of Sophonisba (A Tragédia de Sofonisba).

NA LITERATURA:

Origem:

A personagem Erichtho pode ter sido criada pelo poeta Ovídio, como ela é mencionada em seu poema, Heroides XV. Há algum debate sobre onde Erichtho apareceu pela primeira vez. O poema Heroides XV de Ovídio apresenta uma referência à furialis Erictho. Em 1848, Karl Lachmann argumentou que o poema em si foi elaborado após a publicação da Farsália de Lucano por um autor desconhecido no estilo de Ovídio. Ele sustentou que Erichtho era, portanto, uma invenção de Lucano sozinho. O argumento de Lachmann foi altamente influente, embora S. G. De Vries tenha apontado que Lucano poderia facilmente ter tirado o nome de Ovídio, ou que ambos poderiam ter tirado o nome de uma fonte agora perdida. O argumento de De Vries e o trabalho subsequente de A. Palmer sobre o poema sugerem que ele é de fato o produto de Ovídio. É provável que a personagem tenha sido inspirada nas lendas das bruxas da Tessália desenvolvidas durante o período grego clássico. De acordo com muitas fontes, a Tessália era notória por ser um refúgio para bruxas, e “o folclore sobre a região persistiu com contos de bruxas, drogas, venenos e feitiços mágicos desde o período romano”. No entanto, a popularidade de Erichtho veio várias décadas depois, graças ao poeta Lucano, que a apresentou com destaque em seu poema épico Farsália, que detalha a Guerra Civil de César.

A Farsália, de Lucano:

Na Farsália de Lucano, Erichtho é repugnante (por exemplo, ela é descrita como tendo uma “nuvem seca” pairando sobre sua cabeça e que sua respiração “envenena o ar de outra forma não letal”) e perversa a ponto de sacrilégio (por exemplo, “Ela nunca suplica aos deuses, nem chama o divino com um hino suplicante”). Ela vive à margem da sociedade e mora perto de “cemitérios, forcas e campos de batalha abundantemente supridos pela guerra civil”; ela usa as partes do corpo desses locais em seus feitiços mágicos. De fato, ela se deleita em atos hediondos e macabros envolvendo cadáveres (por exemplo, “quando os mortos são confinados em um sarcófago, (…) então ela avidamente enfurece cada membro. Ela enfia a mão nos olhos, se delicia em desenterrar os globos oculares congelados e rói as unhas pálidas de uma mão ressecada.”)

Ela é uma necromante poderosa; enquanto ela está examinando cadáveres em um campo de batalha, observa-se que “Se ela tivesse tentado levantar todo o exército no campo para retornar à guerra, as leis de Érebo teriam cedido, e um exército – puxado do Averno do Estige por seu terrível poder – teria ido para a guerra.” É por esta razão que ela é procurada pelo filho de Pompeu, o Grande, Sexto Pompeu. Ele quer que ela realize um rito necromântico para que ele possa saber o resultado da Batalha de Farsalos. Erichtho obedece e vagueia em meio a um campo de batalha para procurar um cadáver com “tecidos ilesos de um pulmão endurecido”. O que esse campo de batalha é um vestígio nunca fica claro no poema. Dolores O’Higgins, no entanto, afirma que é o rescaldo da Batalha de Farsália, e que Erichtho está efetivamente saltando para o futuro. O’Higgins argumenta que essa flexão do tempo é “uma demonstração consciente do poder dos vates”.

Ela limpa os órgãos do cadáver e enche o corpo com uma poção (que consiste, entre outras coisas, de uma mistura de sangue quente, “veneno lunar” e “tudo o que a natureza carrega perversamente”) para trazer o corpo morto de volta ao vida. O espírito é convocado, mas, a princípio, se recusa a retornar ao seu antigo corpo. Ela então prontamente ameaça todo o universo, prometendo convocar “aquele deus em cujo nome terrível a terra treme”. De acordo com Andrew Zissos: “A identidade da divindade mencionada obliquamente por Erictho aqui tem sido a fonte de muito debate acadêmico. As sugestões incluem a misteriosa divindade Demiurgo (Haskins 1887 ad loc., Pichon 1912: 192), Ahriman (Rose 1913: li-lii); Hermes Trismegisto (Bourgery 1928: 312) e Yahweh ou Jeová (Baldini-Moscadi 1976: 182-3). Todas essas identificações são plausíveis, mas nenhuma conclusiva – um ponto que é em si sugestivo: Lucano pode ter desejado para evitar escolher uma divindade inferior suprema em detrimento de outra, particularmente considerando que era uma prática aceitável em rituais mágicos não oferecer uma designação precisa. poeta está explorando a ofuscação convencional de fórmulas mágicas para seu próprio programa artístico.” Imediatamente após essa explosão, o cadáver é reanimado e oferece uma descrição sombria de uma guerra civil no submundo, bem como uma profecia bastante ambígua (pelo menos para Sexto Pompeu) sobre o destino que está reservado para Pompeu e seus parentes.

Porque o sexto livro da Farsália é visto por muitos estudiosos como sendo uma reformulação do sexto livro da Eneida de Virgílio, Erichtho é muitas vezes visto como a “contraparte antitética da Sibila de Cumes de Virgílio. Na verdade, ambas cumprem o papel de ajudar um humano a obter informações de o submundo; no entanto, enquanto a Sibila é piedosa, Erichtho é perversa. Andrew Zissos observa:

“O vasto abismo moral entre Erictho e a Sibila é bem evidenciado pelo relato de Lucano sobre seus respectivos preparativos. Enquanto a Sibila insiste piedosamente que o cadáver insepulto de Miseno (exanimum corpus, Aen. 6.149) deve ser devidamente enterrado antes de Enéias embarcar em sua jornada pelo submundo, Erictho exige especificamente um cadáver insepulto (descrito similarmente como exanimes artus, 720) para seu empreendimento. Como (Jamie) Masters aponta, há uma conexão clara entre o cadáver de Erictho e o Miseno de Virgílio. Isso facilita mais uma inversão: enquanto os ritos da Sibila começam dentro de um enterro, os de Erictho terminam com um enterro.”

Masters, como Zissos aponta, argumenta que os comandos da Sibila para enterrar Miseno e encontrar o Ramo Dourado estão invertidos e compactados em Lucano: Erichtho precisa de um corpo – não enterrado – mas sim recuperado. Muitos outros paralelos e inversões abundam, incluindo: a diferença de opiniões sobre a facilidade de obter o que se busca no submundo (a Sibila diz que apenas a descida inicial ao submundo será fácil, enquanto Erichtho diz que a necromancia é simples), a maneira oposta em que são descritos aqueles que buscam informações do submundo (a Sibila insta Enéias a ser corajoso, enquanto Erichtho critica Sexto Pompeu por ser covarde), e a maneira invertida como os ritos sobrenaturais ocorrem (a Sibila envia Enéias para o subterrâneo para obter conhecimento, enquanto Erichtho evoca um espírito do solo para aprender o futuro).

O Inferno, de Dante:

Erichtho também é mencionado pelo nome no primeiro livro da Divina Comédia de Dante Alighieri, Inferno: no Canto IX, Dante e Virgílio são inicialmente negados o acesso aos portões de Dis, e assim Dante, duvidando de seu guia e esperando confirmação, pergunta a Virgílio se ele já viajou para as profundezas do inferno antes. Virgílio responde afirmativamente, explicando que em um ponto ele viajou para o círculo mais baixo do Inferno a mando de Erichtho para recuperar uma alma para um de seus ritos necromânticos. Simon A. Gilson observa que tal história é “sem precedentes em fontes medievais e altamente problemática”.

As explicações para esta passagem são abundantes, algumas das quais argumentam que a passagem é um mero “artifício hermenêutico”, uma tática proposital por parte de Dante para minar o senso do leitor sobre a autoridade de Virgílio, uma alusão a uma lenda medieval sobre Virgílio, uma reelaboração de conceitos medievais sobre a necromancia, um paralelo literário à Descida de Cristo aos Infernos, simplesmente um eco do suposto conhecimento do Inferno de Virgílio (baseado em sua descrição do submundo na Eneida, 6.562-565), ou apenas uma referência ao episódio mencionado acima de Lucano. Gilson afirma que a referência a Erichtho reforça o fato de “que a própria jornada de Dante pelo Inferno é divinamente desejada”, embora “isso seja alcançado às custas da jornada anterior de inspiração necromântica empreendida por Virgílio”. Da mesma forma, Rachel Jacoff argumenta:

“A reescrita de Dante da cena lucana ‘recupera’ a bruxa Erichtho tornando-a necessária ao status de Virgílio de Dante como guia: ela funciona assim de acordo com a providência cristã que controla o avanço do enredo da Divina Comédia. Ao mesmo tempo, a Erichtho lucaniana é marginalizada e subordinada a um poder superior. Nesse sentido, a reescrita de Erichtho por Dante também desfaz a subversão de Lucano ao modelo virgiliano original.”

E embora seja um anacronismo literário ligar Virgílio à Erichtho, dado que Lucano – aquele que popularizou Erichtho na literatura – nasceu cerca de cinquenta anos após a morte de Virgílio, essa conexão joga com sucesso a crença medieval popular de que o próprio Virgílio era um mago e profeta.

Outro:

Erichtho também é uma personagem da peça Fausto, do século XIX, de Johann Wolfgang von Goethe. Ela aparece na Parte 2, Ato 2, como a primeira personagem a falar na clássica cena da Walpurgisnacht (A Noite de Valpúrgis). O discurso de Erichtho toma a forma de um solilóquio (monólogo), no qual ela faz referência à Batalha da Farsália, Júlio César e Pompeu. Ela também alude a Lucano, alegando que ela “não é tão abominável quanto os poetas miseráveis ​​(ou seja, Lucano e Ovídio) me pintaram”. Esta cena precede imediatamente a entrada de Mefistófeles, Fausto e Homúnculo nos ritos que resultam na Sequência da Vida Onírica de Fausto como um cavaleiro vivendo em um castelo com Helena de Tróia – até que a morte de seu filho destrua a fantasia e Fausto retorne ao físico. mundo para a conclusão da peça.

Na peça jacobina de John Marston, The Tragedy of Sophonisba (A Tragédia de Sofonisba), que se passa durante a Segunda Guerra Púnica, o príncipe da Líbia, Syfax, convoca Erichtho do Inferno e pede a ela que faça Sofonisba, uma princesa cartaginesa, amá-lo. Erichto, através do “poder do som”, lança um feitiço que faz com que ela assuma a aparência de Sofonisba; ela posteriormente tem relações sexuais com Syfax antes que ele seja capaz de perceber sua identidade. Muitos críticos, de acordo com Harry Harvey Wood, “desconsideraram essa cena como revoltante”.

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Fontes:

Clark, Brian (November 28, 2011), The Witches of Thessaly (PDF), History of the Ancient World, archived from the original (PDF) on March 7, 2016, retrieved April 18, 2016

Alighieri, Dante (1961). The Divine Comedy 1: Inferno. Translated by Sinclair, John. Oxford, UK: Oxford University Press. ISBN 9780195004120.

Alighieri, Dante (1995). Dante’s Inferno: The Indiana Critical Edition. Translated by Musa, Mark. Bloomington, IN: Indiana University Press. ISBN 9780253209306.

Gilson, Simon (2001). “Medieval Magical Lore and Dante’s ‘Commedia’: Divination and Demonic Agency”. Dante Studies (119). JSTOR 40166612. (subscription required)

Goethe, Johann (1912). Goethe’s Faust: Parts I and II. Translated by Latham, Albert George. London, UK: J. M. Dent & Sons.

Goethe, Johann (1897). Goethes Faust, Part 2. Translated by Thomas, Calvin. Boston, MA: D. C. Heath & Company.

Kyriakidēs, Stratēs; De Martino, Francesco (2004). “Middles in Latin Poetry”. Le Rane. Levante. 38.

Jacoff, Rachel (1993). The Cambridge Companion to Dante. Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9780521427425.

Love, Genevieve (2003). “‘As from the Waste of Sophonisba’; or, What’s Sexy about Stage Directions”. Renaissance Drama. 23. JSTOR 41917374. (subscription required)

Masters, Jamie (1992). Poetry and Civil War in Lucan’s Bellum Civile. Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9780521414609.

O’Higgins, Dolores (October 1988). “Lucan as ‘Vates’”. Classical Antiquity. 7 (2). JSTOR 25010888. (subscription required)

Solomon, Jon (March 2012). “Boccaccio and the Ineffable, Aniconic God Demogorgon”. International Journal of the Classical Tradition. 19 (1). JSTOR 23352461. (subscription required)

Thorsen, Thea (2014). Ovid’s Early Poetry: From his Single Heroides to his Remedia Amoris. Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9781107040410.

Wiggins, Martin (2015). British Drama (1533-1642): A Catalogue. Oxford, UK: Oxford University Press. ISBN 9780198719236.

Wood, Harry Harvey (1938). The Plays of John Marston, Volume 2. Edinburgh, UK: Oliver and Boyd.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/erichto-da-tessalia-uma-necromante-na-roma-antiga/

Mapa Astral de Ruy Barbosa

Ruy Barbosa de Oliveira (Salvador, 5 de novembro de 1849 — Petrópolis, 1 de março de 1923) foi um jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro.

Um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo, foi um dos organizadores da República e coautor da constituição da Primeira República juntamente com Prudente de Morais. Ruy Barbosa atuou na defesa do federalismo, do abolicionismo e na promoção dos direitos e garantias individuais. Primeiro Ministro da Fazenda do novo regime, marcou sua breve e discutida gestão pelas reformas modernizadoras da economia. Destacou-se, também, como jornalista e advogado.

Foi deputado, senador, ministro. Em duas ocasiões, foi candidato à Presidência da República. Empreendeu a Campanha Civilista contra o candidato militar Hermes da Fonseca. Notável orador e estudioso da língua portuguesa, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, sendo presidente entre 1908 e 1919.

Mapa Astral

O Mapa de Ruy Barbosa mostra Sol em Escorpião; Ascendente em Capricórnio; Mercúrio e Vênus em Libra na Casa 10; Marte e Lua em Câncer; Júpiter em Virgem na Casa 9; Saturno em áries-Peixes (Rainha de Bastões) na casa 3. Seu Planeta mais forte é Plutão em Áries-Touro (Cavaleiro de Ouros).

A combinação entre Sol em Escorpião e Ascendente em Capricórnio mostra alguém cuja vida sempre vai estar pautada pelo poder e disciplina, como políticos e militares. Mercúrio e Vênus em Libra (equilíbrio, justiça) na Casa 10 (novamente, indica que estas características seriam usadas na carreira), Marte em Câncer na Casa 6 (trabalho) e a força motriz profunda de Plutão (também co-regente de Escorpião) em Cavaleiro de Ouros (“gente que faz”) tornam este mapa um paraíso de recursos para uma pessoa que descubra a carreira jurídica, política ou diplomática como Verdadeira Vontade.

A facilidade em entender o outro, pautada pela ética capricorniana e profundidade escorpiana e amansadas pela lua em câncer (o “tomar conta”) nas oitavas altas prepararam um terreno poderoso para um jurista e, dominando as energias que o guiaram para sua Verdadeira Vontade, seu Caput Draconis em Leão-Virgem (Rei de Ouros, o “Rei trabalhador e justo” arquetipal) era algo esperado.

“Como delegado do Brasil na II Conferência da Paz, em Haia (1907), notabilizou-se pela defesa do princípio da igualdade dos Estados. Sua atuação nessa conferência lhe rendeu o apelido de “O Águia de Haia”. Teve papel decisivo na entrada do Brasil na I Guerra Mundial. Já no final de sua vida, foi indicado para ser juiz da Corte Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio, que recusou.”

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-ruy-barbosa

Enoque

(Texto original em inglês extraído da The Encyclopedia of Jewish Myth, Magic and Mysticism, de Rabbi Geoffrey Dennis)

Enoque, do hebraico “Chanokh”, é um dos ancestrais primordiais da humanidade.

Ele foi, significativamente, o sétimo nas primeiras dez gerações de humanos listados em Gênesis.

De acordo com as Escrituras, Enoque era o mais Justo dos antediluvianos e “foi com Deus … e ele não foi, porque Deus o levou”.

A partir dessas informações mínimas, muito é extrapolado.

Enoque aparece como uma figura importante em uma série de obras apócrifas (I Enoque; Jubileus; Livro dos Gigantes).

A ele é atribuída a criação da escrita, da astrologia e do recebimento do calendário solar oelos Anjos, calendário esse que era tão precioso para os sacerdotes que coletaram os Manuscritos do Mar Morto.

Para aqueles sacerdotes, ele era o protótipo de todos os escribas, sábios e sacerdotes (I Enoque 12, 14, 80–82, 106–7; Jubileus 4).

Ele também era um oniromante, isto é, um adivinhador de sonhos (Livro dos Gigantes).

Em alguns lugares, seu papel é tão exaltado que ele funciona como o principal canal do conhecimento divino para os mortais.

Algumas tradições judaicas sustentavam que Enoque ascendeu corporalmente ao céu, onde foi transubstanciado no príncipe angelical Metatron (III Enoque), embora haja pelo menos uma tradição que rejeita essa afirmação (Targum Onkelos de Gênesis 5:24; Gênesis Rabbah 5:24).

Junto com a mudança de nome, seu corpo material é consumido e substituído por um corpo de fogo supremo.

Ele é conhecido por vários títulos e nomes angelicais, incluindo Sar ha-Panim, o Príncipe do Rosto Divino e/ou Bar Enosh, “Filho do Homem”.

Os textos hebraicos sobre Enoque e sua translação angelical incluem Sefer Hechalot, Hechalot Rabbati e Sefer Chanoch.

Os Livros de Enoque

Existem vários livros em grego, hebraico e aramaico associados ao nome de Enoque, como III Enoque, o Livro dos Gigantes e Sefer ha-Razim de Chanoch.

Vários outros livros foram preservados apenas em traduções (eslavo e etíope).

Existem muitas variações entre os textos, e alguns se contradizem, mas o conjunto de elementos que se sobrepõem em diferentes versões é a história do papel terreno de Enoque antes do Dilúvio, sua ascensão ao céu, sua experiência de revelações apocalípticas lá, seu envolvimento nos assuntos dos anjos (caídos), e sua translação em anjo.

Abordaremos agora acerca dos livros existentes que são atribuídos a Enoque:

O Primeiro Livro de Enoque, também conhecido como I Enoque:

Este livro existe apenas em duas traduções variantes, grega e etíope.

O original hebraico não existe mais, embora tenhamos encontrado fragmentos hebraicos/aramaicos entre os Manuscritos do Mar Morto.

A tradução etíope é um apocalipse dividido em cinco livros: o Livro dos Vigilantes, o Livro das Similitudes, o Livro do Curso dos Luminares Celestiais, o Livro dos Sonhos e a Epístola de Enoque.

O livro de I Enoque Inclui a lenda dos anjo caídos, visões de sonhos, visões do julgamento final e outras parafernálias e refugos literários

A versão grega de I Enoque compartilha alguns textos e tem apenas um terço do tamanho da versão etíope.

O Segundo Livro de Enoque, também conhecido como II Enoque:

II Enoque é uma obra pseudoepigráfica judaica, provavelmente escrita no Egito, do século I EC.

Apenas manuscritos eslavos antigos (em duas versões) sobreviveram até hoje.

Este livro bastante enigmático também é um apocalipse, revelando o funcionamento do céu, do inferno e do fim do mundo.

O livro é um dos primeiros a expor os sete céus e a dar uma descrição detalhada dos prazeres do Paraíso (e o primeiro a associar a vida após a morte celestial ao Éden) para os mortos justos.

O Terceiro Livro de Enoque, também conhecido como III Enoque:

III Enoque também é conhecido como Sefer ha-Hechalot, Sefer Chanoch ou “o Enoque Hebraico”, este livro descreve o processo de ascensão mística.

Ao contrário dos primeiros livros de Enoque, que refletem mais puramente uma espiritualidade sacerdotal, esta obra também está claramente enraizada no judaísmo rabínico.

Um Sábio Sacerdote talmúdico, Rabi Ishmael ben Elisha ha-Kohen, é a figura central, e o trabalho é provavelmente um produto dos místicos merkavá.

III Enoque foi agrupado com os outros livros enoqueanos anteriores principalmente porque Rabi Ismael encontra Enoque no céu, em sua forma angélica de Metatron.

Este texto narra a ascensão mística de Rabi Ismael aos sete céus e seus encontros lá com seres angélicos.

Ele detalha os passos da angelificação e transubstanciação de Enoque.

Inclui uma descrição do guf ha-briyot, o Tesouro das Almas e a transmigração das almas.

O Quarto Livro de Enoque, também conhecido como IV Enoque:

IV Enoque é uma obra aramaica fragmentária encontrada entre os Manuscritos do Mar Morto, que inclui muitas partes de outros livros enoquianos e pode de fato ser a versão mais antiga dessas obras que temos agora.

O Livro dos Gigantes também pode pertencer à biblioteca Enoqueana.

Traduzido e adaptado do inglês para o português por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/enoque/

Perturbando os Mortos

Gilberto Antônio Silva

Escrevi esse artigo para nossa nova edição da revista eletrônica Daojia, sobre Taoismo. Mas devido ao teor da matéria e sua importância, achei por bem publicar aqui no portal em primeira mão.
Acredito que vivemos hoje uma preocupante crise de bom senso. E digo bom senso, mesmo, que não é questão de instrução nem “diplomas”, pois o bom senso nada mais é que uma maneira simples e objetiva de entender uma situação através de experiência e conhecimentos adquiridos.

Um cemitério sempre foi o lugar de “descanso dos mortos”, onde os falecidos encontram seu repouso eterno. Você já ouviu essas definições, sem dúvida. Cemitérios são lugares interessantes pela paz, pelo silêncio e por uma forte impressão de quietude. Quem consegue sentir as energias, o Qi do ambiente, percebe que ele é mais denso e pesado nestes locais e se move muito pouco, lentamente. É um local de quietude.

Para o Feng Shui tradicional chinês existem basicamente dois tipos de locais, chamados de “residências” (zhai): os Yin Zhai, que são locais de energia Yin, de repouso e contemplação, que incluem igrejas, templos e cemitérios, e os Yang Zhai, que possuem energia Yang, movimento, vida, e que são nossas residências familiares, comércio, indústria. Um contempla o Invisível, o Mistério, e o outro o mundo manifestado, a vida cotidiana e ativa das pessoas. Essa diferença é extremamente importante dentro do Feng Shui, que possui escolas especificas para cada tipo de residência e técnicas adequadas à configuração dos locais de acordo com sua utilização. Um Feng Shui para um túmulo é diferente do Feng Shui para sua casa, por exemplo.

Isso ocorre porque lidam com polaridades energéticas diferentes, uma o Yin (repouso) e outra o Yang (atividade). Seus objetivos também são diferentes: um busca estabelecer uma ligação entre nosso mundo manifestado e o Invisível, criando uma ponte de energia harmoniosa que permita haver uma interação benéfica entre os dois mundos; o outro procura harmonizar os fluxos de energia dinâmicos que permeiam nossas casas e nossas vidas em uma torrente de movimento e atividade.

Visitando o jazigo de meu pai há algum tempo, notei que havia uma quantidade exorbitante de cata-ventos colocados nos túmulos. O fato de ser um cemitério do tipo jardim, com vastos gramados, facilitava a colocação dos apetrechos pelos familiares. A geografia acidentada induzia ventos constantes que serviam de força motriz para os brinquedos, que giravam sem cessar em suas facetas multicoloridas. Um espetáculo bonito, se não estivessem em um cemitério. E isso se tornou algo muito comum, basta pesquisar “cata-ventos em cemitérios” no Google.
O Yin é caracterizado como repouso, concentração, imobilidade, alta densidade, enquanto o Yang aparece como movimento, dispersão, leveza. O que acontece quando se gera imobilidade em um ambiente Yang e movimento em um ambiente Yin?

No primeiro caso temos o que é chamado na Medicina Chinesa de “estagnação de Qi”. A energia não circula como deveria e isso gera um problema, seja em uma pessoa, seja em um imóvel. Uma das principais preocupações do Feng Shui é garantir um livre e harmonioso fluxo de Qi pelo imóvel, tanto interna quanto externamente. Qualquer obstrução ou impedimento nesse fluxo é caracterizado como problema e deve ser solucionado.

No segundo caso colocamos movimento e energia em um local onde deveria vigorar o repouso e a imobilidade. A consequência clara é a perturbação dessa energia Yin, que se agita e adquire características Yang, que não são adequadas.

Túmulos são elementos altamente importantes para os chineses. Sua harmonia ou desarmonia pode influenciar todas as gerações posteriores daquela família, por isso todo cuidado é pouco na sua elaboração. Na China continental, hoje, devido à população elevada, o governo tem como norma a cremação dos mortos para reduzir a enorme área destinada a cemitérios que seria necessária se todos fossem enterrados. Ocorre que as famílias precisam, por motivos culturais, enterrar seus mortos em túmulos regidos pelo Feng Shui para que suas futuras gerações tenham paz, harmonia e prosperidade. Com isso instituiu-se no sul da China, especialmente, um comércio clandestino de corpos. Pessoas sem parentes ou indigentes que morrem tem seus corpos vendidos para famílias que os repassam ao governo como se fossem os parentes falecidos, para cremação oficial, enquanto os verdadeiros corpos são enterrados em túmulos secretos, feitos de acordo com as regras tradicionais. Essa é a importância do túmulo para os chineses.

Voltando ao nosso problema, os túmulos aqui não possuem as mesmas necessidades que os chineses buscam, pois nossa cultura é diferente. No entanto, o aspecto de energia é o mesmo, pois independe de fatores culturais. E nossa tradição coloca os cemitérios como lugar de respeito, de repouso, de paz, o que mostra que a percepção energética de nossos antepassados era muito boa. Eles intuíam que é uma área de energia Yin que não deve ser perturbada.

Para bagunçar o Yin precisamos trazer aspectos Yang como movimento, ruído alto, cores vibrantes. Quase tudo que um inocente cata-vento fornece. Quando se colocam cata-ventos nos túmulos estão injetando energia Yang no campo de energia Yin e causando uma distorção. O movimento e as cores que irradiam alegria ao invés da muda contemplação perturbam a energia do local. Sabemos que existem vestígios energéticos dos falecidos sob vários aspectos e é necessária a tranquilidade do Yin para que se conclua esse trânsito entre as esferas. Quando você incute movimento, você atrapalha essa transição e coloca mais energia nos remanescentes energéticos que estão por ali, alimentando um estado que deveria se dissipar naturalmente. A rigor, se está perturbando os mortos.

Colocar cata-ventos nos túmulos é o equivalente a dar um show de rock no cemitério. Não seria estranho e desrespeitoso? Pense então que um show de rock duraria algumas horas e acabaria. Um cata-vento está lá, girando, 24 horas por dia, sete dias por semana. Desconheço a intenção precisa por detrás disso, se é justamente quebrar o clima de tristeza desse ambiente, mas é preciso manter separado o tratamento que damos aos mortos e o que fazemos por nós. A tristeza que nos invade nestes casos é fruto do apego e do egoísmo latente nos seres humanos e precisamos trabalhar isso usando ferramentas filosóficas e espirituais voltadas para nós. Não se resolve um cisco em nosso olho colocando colírio no olho do cara ao lado. Não se combate a tristeza pessoal pela perda de um ente querido “alegrando” o cemitério.

Acho que já está na hora de prestarmos mais atenção ao que fazemos e usarmos o bom senso como diretriz para nossas ações. Na dúvida recorremos à tradição, pois é um conhecimento passado através de gerações e que possui muito valor. Nem sempre o que é novo é necessariamente bom.
Que os que partiram encontrem seu descanso no intervalo de seu eterno caminhar e que os que ficaram possam respeitar mais as regras básicas do Universo e promover seu próprio autodesenvolvimento.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, incluindo “Os Caminhos do Taoismo” e “Dominando o Feng Shui”. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/perturbando-os-mortos

O Diabo Eleito

por Nicholaj de Mattos Frisvold

“Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze?

Contudo, um de vós é diabo.”

– Do Evangelho de João 6:70

O drama que cerca a Última Ceia detalha um Grande Mistério, pois vemos aqui a necessidade cósmica do Diabo como aquele que afirma o desígnio. O papel do Diabo pode ser dado de acordo com o ditame de Destino ou ao se nomear alguém que mantenha esta dignidade. Em ambos os casos, o Diabo é aquele que marca o limite exterior da possibilidade, a contração dos mundos na dor ou prazer já que afirma a beleza e a bem-aventurança. Em suas atividades mais profanas, o Diabo apontado é meramente percebido como um causador de problemas, uma nuance, um difamador, um mentiroso – um filho desobediente de Mercúrio em todas as medidas. Ainda assim, ao ser apontado como Diabo, uma tensão é estabelecida e afirma a intenção daquele que apontou seu acusador – e o acusador então afirmará a verdade e a mentira através de sua mera existência.

Comumente “Diabo” e “Demônio” são usados intercambiavelmente, mas é importante aqui distingui-los. Se seguirmos as primeiras transcrições gregas da Bíblia Sagrada, o Manuscrito de Vaticano número 1209, também conhecido com o “Emphatic Diaglott”, é interessante notar que no Evangelho de João, capítulo 6 onde Jesus aponta Judas como seu diabo, a palavra grega original é diabolos. Em outra passagem onde a versão King James (Rei James/Tiago) usa “diabo”, como através do 11º capítulo do Evangelho de Lucas, encontramos o daimone/demônio grego em uso. Na versão de King James, esta distinção é ausente e diabo é a tradução tanto para diabolos e daimone. Diaglott nos deixa claro que o chefe dos demônios é Baelzebubth/Baelzebub – e foi com o auxílio de Baelzebubth que Jesus, o Cristo, foi acusado de controlar a hoste demoníaca. Não há conexão aqui com demônios sempre serem diabolos.

Barry W. Hale comenta, em relação a isto, em seu excelente tratado demonológico “Legion 49” que “Diabolus” também pode ser interpretado como “o que traz para baixo”, não apenas como “acusador”. Esta observação é interessante, pois Diabolus pode ser visto como aquele que descende ou cai tal qual um ídolo celestial encarnando uma intenção particular que é feita na revelação do ato de acusar.

Logo, a qualidade diabólica, ou seja, a acusação, não deve ser entendida somente como uma categoria nefasta ou profana – porque isto tornaria este mistério vulgar. Como João 6 demonstra, este é um mistério embutido na concepção cósmica. Em relação a isto, Hale menciona em um comentário sobre Mateus 12:25 que aqui falamos de um “reinado dividido contra si mesmo”. O mistério diabólico, a acusação e difamação que tomam forma internamente são relacionados à divisão dentro de si mesmo. O santo para esta divisão interna deve ser Judas Iscariotes.

Judas Iscariotes, o diabo apontado, foi instrumental para o cumprimento do propósito através da traição e acusação. Pela divisão interna ele afirmou o desígnio. A afirmação do desígnio do salvador veio com a promessa de má reputação e calúnias sobre seu legado, encontrando sua libertação ao se enforcar pelo caminho de prata. Este tema também lança luz no comentário enigmático nos Eddas, que fala sobre o penduramento de Odin como o sacrifício de si para si, e as nove noites revelando a presença do caminho e chave de prata – ao afirmar a divisão temporal e restabelecer a unidade.

Sobre isto podemos ver na cruz o símbolo atemporal para o equilíbrio, interação, sacrifício, manifestação, unidade e potência. Na cruz, o círculo se torna “quadrado” e assim, o atemporal é manifesto ao longo do rio da repetição em terras de diferença.

Na sabedoria bogomila, como em algumas linhagens Sufis como silsilyah e tariqah, o Diabolus, sob o nome Satanael, Iblis ou outro de seus muitos nomes, é considerado como o poder que define os limites e afirma a criação. Curiosamente, estes pensamentos também são expressos por Maria de Naglowska e sua exposição sobre o Terceiro Termo da Trindade, onde Judas Iscariotes assume um papel similar em relação ao drama da salvação em torno de Jesus, o Cristo. Naglowska também menciona o significado mais profundo do enforcamento de Iscariotes propriamente, carregando sua própria salvação pela afirmação e remorso nascidos pelo amor.

Parece-me que o diabo, assim como demônio, representa em geral qualquer deidade ou espírito estrangeiro e particularmente a corte de anjos caídos, enquanto o diabo, como em Diabolus, é mais uma reminiscência de um ofício, uma função, um verbo, em conformidade com a função jurídica mesopotâmica de ha-satan, o acusador, que poderia ser material ou imaterial. Segue-se daqui um anjo, caído ou não, bem como um homem que assume esta função seja pelo Destino ou pela nomeação. Como tal, uma calúnia direcionada ao Diabolus toma forma de fogo que permite ao acusador afirmar a verdade velada dentro do caluniador. Em face da calúnia, o Diabo somente responderá a única coisa apropriada para seu ofício, ou seja, “abençoado seja”.

A função jurídica do acusador era a de provocar o surgimento da verdade ao salientar a Companhia da Mentira. Esta função, traduzida para uma compreensão metafísica, tomará então a forma de afirmar a verdade. A verdade não deve ser confundida com simples fatos, mas sim tomada com a pureza de uma Idéia ou forma particular. Ela toma, por todas as formas e intenções, a completa profundidade da freqüente declaração de Robin the Dart, o Magister do Clan of Tubal Cain: “Que a Palavra lhe proteja da Mentira”. Com este reconhecimento, a forma do estado apropriado pode também ser percebida, assim como a Palavra se tornou Carne – porque no coração deste drama repousa a percepção, livre da corrupção, completa e pura na forma em que percebe o mundo e seus caminhos.

Nota Biográfica:

Nicholaj de Mattos Frisvold é um antropólogo e psicólogo com uma inclinação para a metafísica dos cultos de uma genealogia tradicional. Ele é um especialista nas obras de Marsilio Ficino, e é um astrólogo tradicional praticante. Autor de várias obras, entre as quais estão “Artes da Noite – A história da prática da bruxaria” (Ed. Rosa Vermelha), “Craft of the Untamed – An inspired vision of Traditional Witchcraft” (Mandrake of Oxford), “Invisible Fire” (Capall Bann) e “Pomba Gira and the Quimbanda of Mbuma Nzila” (Scarlet Imprints). É um irmão jurado do Clã de Tubal Caim e Magister do Lilium Umbrae Cuveen, sua extensão no hemisfério sul. O autor mantém o blog “The Starry Cave” (http://www.starrycave.com/).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-diabo-eleito

Emanuel Swedenborg

Emanuel Swedenborg nasceu em Stockholm, em 1688, e morreu em Londres, em 1772, com a idade de 84 anos. Era notável em todas as ciências, e sobretudo na teologia, na mecânica, na física e na metalurgia. Sua prudência, sua sabedoria, sua modéstia e sua simplicidade valeram-lhe a alta reputação da qual goza ainda hoje. Os reis o chamaram em seus conselhos. Em 1716, Charles XII nomeou-o assessor ao Colégio metálico de Stockholm; a rainha Ulrique tornou-o Nobre, e ele ocupou os postos mais honrosos com distinção até 1743, época em que teve sua primeira revelação do mundo invisível.

Embora os fenômenos vividos por ele fossem relatados sob a influência da sua crença nos escritos bíblicos, percebe-se a veracidade dos fatos vividos por esse surpreendente personagem mais de 100 anos antes do estabelecimento da Codificação Espírita.
Usando a formatação bíblica, descreveu as zonas de sofrimento como sendo o inferno e as zonas felizes como Céu, e os espíritos superiores como Anjos e os inferiores como demônios, mas os reconheceu como espíritos que viveram na Terra.

Segundo suas experiências fora do corpo ele afirma ter observado que o outro mundo, para onde vamos após a morte, consiste de várias esferas, representando outros tantos graus de Luminosidade e de felicidade; cada um de nós irá para aquela a que se adapta a nossa condição espiritual. Somos julgados automaticamente, por uma lei espiritual das similitudes; o resultado é determinado pelo resultado global de nossa vida, de modo que a absolvição ou o arrependimento no leito de morte têm pouco proveito.

Nessas esferas verificou que o cenário e as condições deste mundo eram reproduzidas fielmente, do mesmo modo que a estrutura da sociedade. Viu casas onde viviam famílias, templos onde praticavam o culto, auditórios onde se reuniam para fins sociais, palácios onde deviam morar os chefes.

A morte era suave, dada a presença de seres celestiais que ajudavam os recém-chegados na sua nova existência. Esses recém-vindos passavam imediatamente por um período de absoluto repouso. Reconquistavam a consciência em poucos dias, segundo a nossa contagem.

Havia anjos e demônios, mas não eram de ordem diversa da nossa: eram seres humanos, que tinham vivido na Terra e que ou eram almas retardatárias, como demônios, ou altamente desenvolvidas, como anjos.

O homem nada perde pela morte: sob todos os pontos de vista é ainda um homem, conquanto mais perfeito do que quando na matéria. Leva consigo não só as suas forças, mas os seus hábitos mentais adquiridos, as suas preocupações e os seus preconceitos.
Não havia penas eternas. Os que se achavam nos infernos podiam trabalhar para a sua saída, desde que sentissem vontade. Os que se achavam no céu não tinham lugar permanente: trabalhavam por uma posição mais elevada.

Havia o casamento sob a forma de união espiritual no mundo próximo, onde um homem e uma mulher constituíam uma unidade completa.

Não havia detalhes insignificantes para a sua observação no mundo espiritual. Fala da existência da arquitetura, do artesanato, das flores, dos frutos, dos bordados, da arte, da música, da literatura, da ciência, das escolas, dos museus, das academias, das bibliotecas e dos esportes.

Os que saíram deste mundo velhos, decrépitos, doentes, ou deformados, recuperavam a mocidade e, gradativamente, o completo vigor. Os casais continuavam juntos, se os seus sentimentos recíprocos os atraíam. Caso contrário, era desfeita a união. “Dois amantes verdadeiros não são separados pela morte, de vez que o Espírito do morto habita com o do sobrevivente, até à morte deste último, quando então se encontram e se unem, amando-se mais ternamente do que antes”.

Apesar do renome e dos privilégios de que desfrutava junto a sociedade contemporânea, Swedenborg teve a coragem de publicar suas experiências transcendentes, mesmo sabendo que elas feriam velhos conceitos religiosos predominantes na sua época.

Essas experiências vividas e relatadas por um leigo, no período em que o Espiritismo ainda não havia sido estabelecido, se ajustam e confirmam as revelações dos espíritos superiores codificadas por Kardec.

O mais interessante nas suas observações sobre a vida após a morte é que ela é rica de detalhes, o que contribui para ampliar nossa visão sobre certas características do mundo espiritual conhecidas até agora. Revelações que vão além das Colônias Espirituais preconizadas na maioria das obras psicografadas.

As várias esferas de luminosidade e felicidade a que se refere Swedenborg, e que ele denomina como o céu, são os planos vibratórios que transcendem às zonas umbralinas onde se situa a Colônia Nosso Lar. Verdadeiros mundos paralelos aglutinando as consciências afins formando um todo imensurável com as características aperfeiçoadas dos mundos físicos a que estão vinculados.

Swedenborg morreu em 29 de março de 1772, morte por ele prevista com com semanas de antecedência. Ele foi enterrado na catedral luterana de Londres que havia sido criada em 1710, por seu pai, mas, em 1908, seu corpo foi transportado para ser enterrado na Catedral de Upsália.

Bibliografia: “O Céu e o Inferno” de Emmanuel Swedenborg – (O Céu, e suas maravilhas, e o Inferno, segundo o que foi ouvido e visto). Traduzido pelo Sr. Levindo Castro de La Fayette. Publicado no Rio de Janeiro em 1920.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/emanuel-swedenborg/

O Mapa Astral de Friedrich Nietzsche

Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”, embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo” (O anticristo). Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não obstante, também se auto-intitula ateu.

Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível, à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma, à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. Em Nietzsche, diferentemente de Kant, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas “dançam nos pés do acaso” e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.

Nietzsche passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica, inicialmente num manicômio em Jena, depois em casa de sua mãe em Naumburg e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar, onde, após a morte de sua mãe, foi cuidado por sua irmã. Como diria o Datena, “Falta de Deus no coração”.

O Mapa de Nietzche possui Sol em Libra; Lua, Ascendente e Caput Draconis em Sagitário (por “enorme coincidência” justamente as energias mais voltadas para a filosofia e academia). Uma pessoa com facilidade para se comunicar e entender os outros e cujo mapa é voltado para Filosofia. A inclinação para observar o mundo ao redor e tirar conclusões é extremamente marcante no Mapa de Nietzche (Stellium de Lua, Ascendente e Caput Draconis com menos de 2 graus entre eles). Some a isso Marte e Mercúrio em Virgem-Libra (Rainha de Espadas, a energia mais fria e cínica do zodíaco, manifestada nele na forma de pensar e de lutar/gastar energia) e Saturno em Capricórnio-Aquário (Cavaleiro de Espadas, a pessoa que consegue enxergar as regras do mundo ao redor e quebrá-las influenciano o planeta ranzinza).

Uma Aspectação importante a ser destacada neste Mapa é a Oposição de Urano (seu Planeta mais forte com nada menos do que 9 Aspectações) em Peixe-Áries (Rainha de Bastões, que indica energia relacionada com conselheiros filosóficos) com Marte (em Virgem-Libra, a energia cínica que falei acima).

Resumindo o Mapa: o tio Bigodudo era mesmo um filósofo osso duro de roer mas, no final da vida seu ceticismo e ateísmo exagerados entraram em conflito com seu Júpiter em Peixes (facilidade para entrar em contato com o Astral). Os biografos de sua vida dizem que ele se tornou esquizofrênico por conta da Sífilis, embora esta avaliação seja controversa… é possível que um ateu de pedra como ele tenha simplesmente ficado louco com as coisas que via e ouvia como médium, já que não acreditava em nada espiritual…

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mapa-astral-de-friedrich-nietzsche