Asmodeus – Adornado em Chamas

7 Aconteceu que, precisamente naquele dia, Sara, filha de Raguel, em
Ecbátana na Média, teve também de suportar os ultrajes de uma serva

de seu pai.

8 Ela tinha sido dada sucessivamente a sete maridos. Mas logo que eles  5
se aproximavam dela, um demônio chamado Asmodeu os matava.

9 Tendo Sara repreendido a jovem criada por alguma falta, esta
respondeu-lhe: Não vejamos jamais filho nem filha nascidos de ti sobre
a terra! Foste tu que assassinaste os teus maridos.

Livro de Tobias (3: 7-8-9)

asmodeus1Os três Sacerdotes do Templo de Satã, dedicam esse texto como uma homenagem a ti, Katlyn Babalon, nossa Musa do Apocalipse 

Parabéns e aprecie, e relembre tudo que Asmoday já te trouxe.

Quando falamos de demonologia, um dos principais nomes, é Asmodai, o trigésimo terceiro demonio da goetia, tão famoso por ter construído o templo de Salomão. Eu comecei a trabalhar com ele, no meio de 2008 e de lá pra cá, comecei a passar pra outras pessoas, sobre ele, e sobre como trabalhar com este demônio. Afinal, o inferno é free pass ? Ou não ?

Senhor de toda a Luxuria, ASMODAI, ASMODEUS, ACHENEDAY, SIDONAI, ASHMODAY, ASMODÉÉ, é o mais sedutor de todos os demônios, sem duvida alguma, por causa de seus domínios, acaba aprisionando os incautos em teus jogos de possessão. Ele é alimentado com álcool puro, fluidos sexuais, jóias masculinas, Absinto, maçã, enxofre, pimenta (todos os tipos) velas vermelhas e todos os incensos afrodisíacos podem ser dedicados á ele. Além de luxuria, ele trabalha fornecendo sabedoria, riquezas, une e desune casais, mata destrói, enlouquece, é um senhor da Loucura,  acendendo ou apagando paixões, causando dor e sofrimento, tornando homens ignorantes, perturbando-os.

É o senhor da Ira, do Caos.

Cuida também de virilidade, dando ou retirando de um homem, e de fertilidade, regendo a sensualidade, os jogos, o adultério, a homossexualidade, discórdia, engano. Um dos demônios mais intensos que já convoquei.

Em uma das minhas brincadeiras, eu e uma amiga, convocamos ele, ao meio da madrugada, na praia vazia, somente para acender a paixão de duas pessoas para nós. Ela morava comigo na época, e foi uma época rica de demonologia – que serão detalhadas aqui. Usamos apenas o que tínhamos, que era somente incenso de almíscar. Foi magnifico a invocação, olhando pro mar, pequenos globos de energia se formavam e desapareciam,  terminada a conjuração, os dois, se sentiam possuídos,  rindo a toa, e sentindo uma força sobrenatural dentro de si. Assim perdurou por dois dias. Quando estavamos brincando com o tarot, uns dias após, o telefone toca. Uma garota, a qual o demônio foi enviado, acabara de ligar desesperada. Ela acordou com um homem a sua frente, a sombra de um, se sentindo paralisada. Começou a ter crises de choro fortes, e só pensava em mim, no caso, e me ligou pedindo tanto ajuda como segundas intenções, reveladas somente mais tarde, no ápice da lascívia. E esta mania de se mostrar, é tipica do Asmoday, quando mandei ele separar duas pessoas, uma delas um amigo intimo e sua ex namorada, ele me contou que a sua ex, também acordou com esse homem, vestido de negro ao lado da sua cama, e a sensação de desespero também a fez ligar para seu namorado e contar. E ele me contou logo em seguida, sem saber que era uma brincadeira demoníaca minha.

Já pra ela, Asmoday agiu de outra forma. Ela o invocou para um rapaz a qual veio a namorar um tempo, ela ganhou fascínio com o Asmoday, por ver, que o rapaz falava exatamente, segundo ela, exatamente tudo que ela pediu pro Asmoday. Ele se tornou uma casca, com o Asmoday dentro, jogando com seus sentimentos. A cada vez que mantinham relações, ela mentalizava o nome do Asmoday, e assim alimentava o demônio. Até que a coisa perdeu o controle. Tudo se iniciou por sonhos perturbadores do rapaz, que ficava desordenado, e se rebatia na cama. Até o ponto, que numa madrugada ela me ligou me sem saber o que fazer. O garoto tava se rebatendo demais, além de gritar o tempo todo, falando em línguas que ela não entendia, ela não conseguia acorda-lo, e ele se batia violentamente, e em algumas vezes, parecia q ele se levantara meio sonambulo, quase vindo pra cima dela, e logo em seguida caindo. Ela estava assustada, me ligou. Em posse de fios de cabelo dele, eu comecei a exorcizar o demônio, ainda bêbado de sono, assim que desliguei o telefone com ela. Uma hora após, ela tornou-me a me ligar relatando que ele caíra num sono tranquilo. Asmodai foi embora, junto com ele, toda a obsessão amorosa que o rapaz tinha por ela.  Ela logo terminou o namoro, assim que notou a diferença gritante que aconteceu da noite pro dia, literalmente.

Já outro rapaz, Lipe, convocou para uma garota a qual estava interessado. Ele começou a invocar toda semana, dando fluidos sexuais para o demônio, depositando-os sobre o selo do mesmo. Em um mês e pouco, tudo mudou radicalmente. Em questão de dias, a garota começou a demonstrar uma paixão louca por ele. E enlouqueceu a ponto de ela ter visões dele pela casa, sonhar com ele diariamente, ter crises de choro sentindo a falta dele, ela perdia o sentido, tinha falta de ar, parecia que perdia a próprio controle. Ela tinha visões dele, alucinações com o rapaz, vindo e se envolvendo com ela. Ela sentia fisicamente isso.  Ele fazia apenas dois pedidos, cada vez que dava seus fluidos pro Asmodai – Enlouquece-la de paixão, traze-la até á ele.E as coisas aconteciam de modo brusco, se não, violento. Asmoday fez a garota delirar, literalmente, perder o próprio controle. Ele teve que mudar de demônio, quando ela começou a ter complicações respiratórias, além das alucinações mais frequentes.

Sexo com demônios não é um assunto novo, tão antigo quanto a minha própria bissexualidade, e por isso, em uma projeção astral eu o convoquei para tal proposito. Voltei completamente exausto, tonto, não conseguindo me manter em pé direito. As mesmas experiencias, uma amiga minha Hydra, teve com ele. As quais estarei descrevendo. Adiante no texto;

Eu conheci Asmodai através do meu amigo Inkubus e estava muito tentada a trabalhar com ele dentro da demonologia porque queria a aproximação de uma pessoa. Encontrei uma linda foto de Asmodeus e a imprimi, e trabalhava com energia sexual alimentando-o e buscando sua presença com fluidos sexuais. Em poucos das eu estava fascinada por Asmodeus, que se mostrou muito sedutor e comecei a buscar incessantemente sua materialização. Um belo dia eu acordo e vejo Asmodeus pairando sobre mim, como que flutuando… minha respiração estava ofegante e a excitação sexual muito intensa. Sentia que o corpo sutil dele ganhava forma e conteúdo enquanto ele penetrava em mim. Isso levou alguns poucos minutos e então ele se dissipou. Terminei por mim mesma este “ritual” sexual entre eu e ele e ofertei a energia desprendida desse ato à ele. Asmodeus respondeu positivamente aos meus pedidos e desse dia em diante se tornou um dos demônios com os quais eu mais me identifico. 

Lupus aeternos, me descreveu este cavalheiro desta forma;

Asmoday é um rei reservado e calmo, porem quando evocado ele pode deixar um rastro de discórdia e perversões sexuais. Na mitologia semítica encontramos que Asmodeus nasceu para se tornar o rei dos shedim (espíritos malignos) e na mitologia cristã cabalista ele pode ser identificado com o anjo Asmodel. Seu ofício é o confronto, a destruição e a luxuria. 

Sendo um demônio do fogo e marido da jovem Lilith(Na’amah mãe e esposa dele) ele foi conhecido por auxiliar feiticeiros no Negev e matar hebreus através de pragas, loucura e violência. 

A ele podemos associar animais como o galo, touro, serpente e o cão. 

Não posso dizer que tive experiencias tranquilas com ele mas algumas forma muito positivas e outras muito conturbadas. A energia dele leva a um estado de consciência que pode “simular” uma possessão  e as vezes nos induzir à momentos de insanidade, ao mesmo tempo que parece ser um estimulante sexual e também aumenta o vigor e a força física do mago ou feiticeiro.

Ele buscou no Asmoday outra coisa; queria vingança – untando uma vela em sangue, ele começou a fazer a seguinte invocação, de forma poética, expressando teu desejo;

“Abra a tua boca Asmodeus e deixa o enxofre sair,
Rei de toda ira e luxuria deixa tua força fluir,
Pela minha ira e meu desejo de vingança destroi o corpo deX,
Lança tuas legiões a cada hora de vida para para assolar “X” até que ele esteja morto!
Deixa tua discórdia fluir e destruir a vida e a mente deste que me feriu,
E tudo que ele mais gosta na vida se volte contra ele,
Eu invoco a tua ira e tua força e ordeno ao céu, a terra e aos mares que se voltem contra ele!
E por todos os shedim sobre o teu comando que a peste e a desgraça caiam sobre ele,
A loucura e a insanidade venha a tona, para que ele engasgue com os proprios ossos!
Asmodeus, pela minha voz destroi o corpo, a mente e o espirito de “X’ com  a tua ferocidade!”

Formas variadas de se trabalhar com esse demônio, nos levam a crer, que magia é mais pessoal que formal, que não existem receitas para que a magia aconteça, por que ela, simplesmente acontece. Asmoday nesses 4 anos ao meu lado, me mostrou claramente que demônios são vivos, tem personalidade, e muitas vezes além de pedir o que se deseja, deve –se pedir o que se não deseja – para que se evite resultados desastrosos.  Talvez o Inferno seja um grande professor, ou até mais que isso. Pouco importa hoje em dia a origem dos mitos, o que nos vale, é como usa-los. E aqui está Aeshma Daeva, em uma entrevista completa e participações em vidas pessoais. Usem bem.

Excitação, domínio e magia. Achenaday, um dos príncipes da Escuridão, este é um trabalho dedicado á ti.

Por Inkubus

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/asmodeus-adornado-em-chamas/

Asmoday

O trigésimo segundo espírito é Asmoday[1] , ou Asmodai. É um grande, forte e poderoso rei. Aparece com três cabeças, eventualmente a primeira é a de um Búfalo, a segunda como um homem, e a terceira de um bode; ele possui também a cauda de uma serpente, e de sua boca jorram flamas de fogo. Seus pés são como de um ganso. Ele senta-se sobre um dragão infernal, e trás uma bandeira em sua mão. É o preferido de AMAYMON, e acima dele não existe nenhum outro.

Quando for convocá-lo deve-se proceder com muito cuidado, pois AMAYMON tentará iludi-lo. Asmoday concede o anel das Virtudes e ensina as artes aritméticas, astronomia, geometria e todos os ofícios manuais. Responde corretamente o que lhe seja requisitado. Torna também o magista invisível e revela os lugares onde existem tesouros ocultos os quais ele guarda.

Como AMAYMON ele governa 72 legiões de espíritos inferiores. Este é seu selo, que deve ser usado para a evocação:

Notas

1- AShMah-Devah ou Asmoday, ou Asmodeus foi o “Arquiteto”, segundo a Qaballah, do famoso templo de Shlomo, ou Salomão. Esta lenda nos afirma que ASMODEUS foi aprisionado em correntes mágicas por Shlomo e impelido, talvez ameaçado por este sábio a revelar um segredo desconhecido até então; a existência e fonte de um mineral que permitia riscar a madeira como o diamante risca o vidro. É por isso que está escrito que no Templo de Shlomo não foi usado nenhum metal como pregos, serras etc e ele teria sido feito unicamente através de um engenhoso jogo de peças encaixadas e firmadas umas nas outras.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/asmoday/

As formas de se trabalhar com magia goética

“Existe muita mitificação sobre o sistema Goétia. Muitas pessoas falam sem autoridade alguma, e muitas autoridades no assunto preferem se manter caladas. Sem grandes mistérios, basicamente trata-se de um sistema de invocação multi-propósito.” -Morbitvs, Entendendo a Goetia

Quando o assunto é a magia goética, existem quatro formas de se trabalhar com esses espíritos.

Independente da cerimônia ser aplicada com triangulo, circulo, baqueta e quaisquer outros fetiches ou apenas mentalmente se concentrando no demônio e o acessando, essas formas são os subsídios para qualquer praticante.

A Petição

A mais recorrente dentre os praticantes se baseia em apenas contatar o espírito e entrar em comunhão com o mesmo. Quando digo comunhão, se baseia em ver se o espírito está com vontade de realizar aquilo que você pede. Geralmente, quando se tratado com respeito o mesmo pode simplesmente aceitar sem nenhuma delonga.

A petição é uma forma contraria a magia cerimonial, que não procura entender a vontade do espírito, apenas subjugando-o a realizar o efeito desejado. Ambas formas fazem efeito, porém se você encontrar um espírito que quer realizar aquilo que você precisa, os efeitos tendem a ser potencializados. Quando se obtém um “não”, o magista simplesmente procura outro espírito. Uma das formas comuns para se praticar isso, é desenhar os selos dos espíritos que estão associados aquilo que se deseja e então, com todos os selos na sua frente, perguntar em voz clara qual deles está disposto a trabalhar contigo. Pode ser que um, dois ou mais (assim como nenhum) responda. O ideal é que dentre os que responderem, o magista procure então selecionar qual sente maior afinidade para então contata-lo.

O espírito nem sempre pede algo em troca, muitas vezes apenas realiza porque está sendo alimentado diretamente do desejo do magista.

A Negociação

O famoso “trato”, “pacto” é costumeiro dentre os praticantes de goetia. Busca-se nessa forma, recompensar o espírito com algum tipo de sacrifício – que pode ser desde bebidas, incensos, velas a sangue ou fluidos. Dentro desta forma de trabalho, os praticantes alegam somente dar o alimento depois de cumprido o pedido. Já outros, dão uma parte na hora do trato e a outra depois que ele for cumprido. O LöN Plo permaneceu uns anos praticando essa forma – ele cortava a mão com estilete e vertia o sangue para o espírito,  prometendo dar mais sangue quando o espírito cumprir aquilo que foi solicitado.

Quando se negocia com o espírito pode-se fazer de duas maneiras – ou você oferta aquilo que deseja para ele ou pergunta o que ele quer em troca. Pode ser suficiente para alguns deles pedirem apenas uma única vela. Tudo depende do tamanho do pedido e da velocidade que deseja que ocorra a magia. Quando se há paciência para esperar um, dois ou três meses, a petição e negociação costumam ser as melhores maneiras para se trabalhar devido a economia de recursos gastos no interlúdio com o espírito.

A Ameaça

Uma das formas herdadas da stregheria e da magia popular católica, ameaçar o espírito também é um jeito de se conseguir aquilo que deseja. Os praticantes de goécia fazem um “vodu” do espírito com o selo do mesmo. Desenhando-o em um metal resistente e então machucando o metal, queimando-o como usualmente feito, para que o espírito sinta a dor do fogo e então se entregue a vontade do magista. Na goecia de Samuel Liddell “MacGregor” Mathers, essa pratica é feita colocando o selo com enxofre em uma caixa de metal, em cima do fogo.

Outra pratica de ameaça é feita chamando os superiores do espírito. Na Goécia, dois espíritos se destacam dizendo quem são seus superiores – Paimon e Belial. O livro de Johann Weyer, Pseudomonauchia Daemonum (de 1577), que foi a base para a construção da chave menor de Salomão – a Goetia – nos revela detalhes sobre essas relações. O livro pode ser lido aqui.

Na goécia, Lúcifer é dito ser o “chefe” de todos os espíritos. Como pode ser visto no material citado acima, assim como em qualquer tradução moderna da goecia, quando se refere nos textos de Paimon e Belial, se revela essa ligação entre os espíritos e Lúcifer. Se Lúcifer não for convocado, o praticante pode apelar aos poderes divinos – conjurações aos arcanjos e nomes de deus para obrigar o espírito realizar aquele pedido. Interessante notar que, a pratica de goetia, cerimonialmente falando, se baseia quase que totalmente nisso – se traça um triangulo com o nome de Michael, conjura-se o Não Nascido e então pelos nomes de Deus, o espírito. Alguns praticantes são profundamente contra esse tipo de pratica, achando-a desnecessária e quase nunca efetiva. Nas palavras do LöN Plo, “antes xingar o pizzaiolo, lembre-se que ele está fazendo a sua pizza e que pode fazer o que quiser com ela. E nela.”

O Culto

Durante os anos de faculdade, Morbitvs praticou essa forma com Belial. Ele ofertava carne crua diariamente para o espírito e então pedia aquilo que desejava. Segundo ele, não houve nada nessa época que ele não conseguiu. A questão era que ele estava se viciando nisso e então perdendo o controle e portanto, cortou os laços com o espírito.

O culto pode ser feito de várias formas. Crowley praticava ofertando fluidos sexuais aos espíritos regularmente para realizar suas façanhas. Outros praticantes, podem usar sangue. Vinho, velas, incenso, frutas, água, pão, sangue… A oferenda fica a cargo do praticante, que regulariza os dias e horários em que pretende realizar seu culto ao espírito. Costuma-se estabelecer um “laço de amizade” com o espírito, que se mantém próximo ao operador, influenciando o mesmo. Alguns praticantes afirmam que o culto é a forma mais forte  e rápida de se conseguir resultados e que não existe oferenda – existe investimento.

A demonolatria moderna trouxe esse tipo de pratica, juntamente com altares e diversas associações aos espíritos. Alguns praticantes acreditam que os espíritos não precisam de nenhum tipo de oferta para realizar qualquer coisa que seja. Outros em discrepância, dizem que qualquer espírito precisa de energia para que realize algum pedido.

 

A experiência pessoal é a melhor autoridade quando é esse assunto. Magickamente não existe unanimidade, portanto o magista deverá se atrever a trabalhar e desenvolver suas próprias formas de trabalho dentre essas bases.

por King

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-formas-de-se-trabalhar-com-magia-goetica/

As falácias sobre a magia goética

“O Homem é capaz de ser e usar qualquer coisa que percebe; porque tudo que ele percebe é, de certo modo, uma parte de seu ser. Ele pode, desta forma, subjugar todo o Universo do qual ele é ciente a sua Vontade Individual.”

“Ele poderá atrair para si mesmo, qualquer força do Universo, tornando-se um receptáculo adequado para isto, estabelecendo a conexão adequada às condições para que a natureza desta força faça fluir através dele.” – O que é Magick?, Aleister Crowley

A popularização da goécia trouxe consigo uma grande remessa de mestres – como tudo em ocultismo, a vontade de poder se torna base sustentável de muitas pessoas. De adolescentes que evocavam seus espíritos as escondidas no banheiro a psicopatas que acreditam que estavam em contato direto com espíritos e usavam isso para seu charlatanismo interpessoal, a década de 2000 trouxe consigo muito mais desinformação do que realmente algo prodigioso.

Eu tenho medo, então você não faz

Qualquer um que tenha se deparado na busca de goétia encontrou diversos avisos – desde os mais kardecistas, “você vai atrair obsessores”, passando para os umbandistas “você vai se encher de egum”, ou os mais cristãos “os espíritos vão se vingar de você”. A verdade é que o medo é o pior inimigo e costuma ser contagioso. Os pretensos mestres e ocultistas poderosos que circulam pela internet pouco sabem ou simplesmente não querem que você saiba. Ou podem ser ainda mais egoístas e desejar ambos ao mesmo tempo.

Quando se obtém sucesso do mais ínfimo ao esplendor, a primeira reação é óbvia –  desde o cético “foi pura coincidência” ao melindroso “você vai ver a hora que ele te cobrar”, a pequenez humana não costuma admitir para si a possibilidade de sucesso do outro, ainda mais quando se sente superior aquele outro. “Os meus anos de estudo” costuma ser um escudo eficaz para a covardia.

Eles vão atormentar a sua vida

Devemos ter em mente que magia não encobre burrice. Simplesmente desculpar as suas falhas com “o espírito X está me atormentando” ou “só aconteceu merda comigo depois de evocar Y”, é uma forma simples de desviar da própria culpa. A generalização sempre foi sintoma da estupidez e livrar-se disso deveria ser sua primeira meta como magista.

Um espírito ganha muito mais com você trabalhando a favor dele do que você tentando banir ele. Logo seria contraprodutivo ele “ferrar a sua vida”, simplesmente porque você o evocou – e absurdamente ignorante pensar assim. Qualquer um que realmente já tenha trabalhado com espíritos goéticos, sabe que os mesmos possuem uma inteligência e um conhecimento peculiar. Para os mesmos, é muito mais inteligente produzir toneladas de seguidores do que atormentar qualquer indigente que o evocou por acaso e/ou curiosidade. O próprio anônimo pode ser o canal para trazer mais pessoas para eles.

A ideia comum do ocultismo atual de que os espíritos goéticos estão prontos para atormentar justifica a inutilidade dos próprios ocultistas. Os mesmos são neutros. Assim como anjos causam dor e agonia (vide a bíblia cristã, apocalipse), os demônios podem ter efeitos benéficos. Isso não significa que são “bonzinhos”, significa que foram evocados para esse fim. Nas palavras de Crowley, “toda força no Universo é capaz de ser transformada em qualquer tipo de força pelo uso dos meios adequados. Há deste forma uma inesgotável fonte de qualquer tipo de força que precisemos.”

Interessante relatar também que Crowley e seu discípulo evocaram o espírito Buer para curar seu ex mentor, Allan Bennett. Ele relata isso em Magick – Book 4, sua obra prima em magia. Assim como Bartzabel, um “demônio” do planeta marte, foi evocado por Crowley para que assegura-se o estabelecimento da Lei de Thelema na terra.

Antes de finalizar o calculo dando crédito total ao espírito que está trabalhando por qualquer evento contrario, pense na sua parcela de culpa (isso é se o calculo todo não for culpa sua) e lembre-se de uma máxima: magia não te impede de fazer más escolhas, tampouco te assegura de conserta-las.

 

Eles querem a sua alma

Essas são as primeiras desculpas plausíveis para interromper alguém. Porém antes de dar credibilidade total a isso, pense um pouco: espíritos precisam se alimentar. De uma simples vela acesa passando por sangue animal e/ou humano, o alimento mantém vivo o espírito. Muitas vezes, o alimento pode ser o próprio operador, que ganha características daquele espírito enquanto o mesmo se mantém  sobre ele.

Mas isso não é um fato exclusivo de goécia.

É natural que um operador que entre em contato com Hermes, comece a se comunicar mais com outras pessoas, por mais introvertido que ele seja. Isso se opera porque a energia de Hermes induz ele a isso – e conforme ele se comunica, Hermes se alimenta do mesmo. O mesmo acontece com qualquer espírito/energia, que induzindo uma sensação/sentimento/característica em quem o evoca, acaba por se alimentar disso que está no operador. No Opus Lutentianum,  Crowley relata os efeitos que Zeus teve em sua personalidade/vida conforme foi o evocando. A “possessão” e a durabilidade da mesma permaneceu enquanto Crowley manteve o contato com o espírito.

Isso se defini como evocação – evocar para fora – e invocação – chamar para dentro de si. Porém, na pratica os termos se tornam muito mais superficiais. É fato que toda e qualquer evocação vai ter efeitos na sua psique como se fosse uma invocação. E isso não significa ser algo necessariamente ruim.

Enquanto espíritos como Marte podem acentuar sua coragem, outros como Astaroth e Vassago podem potencializar sua intuição e outros dons psíquicos. Não porque você pede isso a ele, mas sim por ser um efeito colateral de se lidar com aquele espírito. Asmodeus acentua tanto sua libido como sua raiva, assim como Belial faz com a sua ganancia. Porém, psicologicamente você se torna igual as pessoas com quem tem mais contato. É natural do ser humano absorver aquela energia e desenvolver características iguais pelo momento. Quantas pessoas já andaram com você e depois que parou de falar com elas, você notou que elas mudaram? E quantas vezes outras pessoas notaram o mesmo em você?

Um pouco de auto controle e um bom auto conhecimento, é suficiente para driblar quaisquer efeitos que um espírito pode ter sobre você. Entenda que evocar um espírito de discórdia, como Haures ou Andras, instiga seu instinto bélico. Mas isso não é desculpa alguma para agir feito um idiota, assim como desculpar sua tara porque está trabalhando com qualquer espírito de luxuria.

Antes de procurar magia, procure o bom senso.

por King

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-falacias-sobre-a-magia-goetica/

As diversas hierarquias angelicais desde a idade mé

No Cristianismo os anjos foram estudados de acordo com diversos sistemas de classificação em coros ou hierarquias angélicas.

As classificações propostas na Idade Média são as seguintes:

* São Clemente, em Constituições Apostólicas, século I:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Éons, 4. Hostes, 5. Potestades, 6. Autoridades, 7. Principados, 8. Tronos, 9. Arcanjos, 10. Anjos, 11. Dominações.

* Santo Ambrósio, em Apologia do Profeta David, século IV:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Dominações, 4. Tronos, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Anjos, 9. Arcanjos.

* São Jerônimo, século IV:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Dominações, 5. Tronos, 6. Arcanjos, 7. Anjos.

* Pseudo-Dionísio, o Areopagita, em De Coelesti Hierarchia, c. século V:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* São Gregório Magno, em Homilia, século VI:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* Santo Isidro de Sevilha, em Etymologiae, século VII:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Principados, 5. Virtudes, 6. Dominações, 7. Tronos, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* João de Damasco, em De Fide Orthodoxa, século VIII:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Potestades, 6. Autoridades (Virtudes), 7. Governantes (Principados), 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* São Tomás de Aquino, em Summa Theologica, (1225-1274):

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* Dante Alighieri, na Divina Comédia (1308-1321):

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Arcanjos, 8. Principados, 9. Anjos.

De todas estas ordenações a mais corrente, derivada do Pseudo-Dionísio e de Tomás de Aquino, divide os anjos em nove coros, agrupados em três trìades:

– Primeira Tríade: composta pelos anjos mais próximos de Deus, que desempenham suas funções diante do Pai –» composta por: Serafins, Querubins, Tronos.

– Segunda Tríade: composta pelos Príncipes da Corte celestial, que operam junto aos governos gerais do universo. –» Composta por: Dominações, Virtudes, Potestades.

– Terceira Tríade: composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados dos caminhos das nações e dos homens e estão mais intimamente ligados ao mundo material. –» Composta por: Principados, Arcanjos e Anjos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-diversas-hierarquias-angelicais-desde-a-idade-me/

As Demônias da Qabalah

Este texto não tem como propósito falar sobre as lendas, nem buscar os aspectos históricos das demônias. Ele é um resumo, um pouco da minha experiência pessoal, entre evocações/invocações, incubações e vivências com todas as demônias cabalísticas. Por motivos pessoais não irei expor todas as Demônias, mas deixo aqui um bom material, produto de experiência direta, com as Senhoras, as Rainhas do Prazer, que me proporcionaram experiências incríveis neste ano.

Os rabinos associam a Sammael quatro esposas. Quatro prostitutas, rainhas dos Succubi e Incubbi.

Lilith, Nahemah, Aggarath e Mochlath; Laylah, Naamah, Agrat e Eishet Zeninum. São as quatro esposas de Sammael, as Mães, da sedução, dos abortos, da Liberdade e da prostituição. Apesar de dizerem que Lilith é o símbolo de tudo isso em um Arquétipo/Força/Entidade, só quando se entra em contato com a mesma ela mostra claramente o que ela faz.

Ela Seduz. Ela é a Mãe da Sedução, da paixão, do amor em sua forma mais viceral. Lilith, é a Lua Nova, apesar de muita gente associa-la á Lua Negra, período que ocorre três dias antes da Lua Nova. Aquele Chifre fino ao entardecer anuncia o Reinado daquela que seduz todos que deseja. Invoca-se ela com uma vela vermelha, acesa, dedicada a ela, e Laylah, ou Lilith, como é mais conhecida, sempre atende.

Ela traz o objeto de desejo. Ela o enche de luxuria e de paixão por ti. Lilith é a preferida, segundo as lendas, de Sammael, e através dela uma geração de Demônios nasceram. As descrições do Zohar e da Cabalah tradicional a descrevem como uma mulher que aos poucos está apodrecendo ou uma criatura meio mulher meio animal, ou até mesmo meio mulher e meio homem.

Ela é morena, tem longos cabelos negros como seus olhos que trazem um detalhe diferencial: sua pupila é vermelha; veste um vestido preto, semi-transparente. Sua voz é doce, ela vem em sonhos de uma maneira muito diferente do que muitos relatam. Sem fornicação, sem violência. Muito pelo contrário do que se diz os demônios são cavalheiros e damas exemplares. LYLYTh, ou LYL, vem com sonhos sensuais, brincadeiras de sedução e nunca se deixa levar pelas crendices babacas de vulgaridade e afins. Ela é Uma Dama, uma Rainha. E gosta de ser tratada assim. O Zohar e as Tradições Cabalistas sempre falam bizarrices sobre os Demônios, suas descrições são as mais horrendas que a mente rabina pode conceber a algum ser – são escravos de alucinações ortodoxas. E os Satanistas deverão ser Adeptos da Experiência pessoal.

Em minha experiência com a Lilith, pude presenciar seu poder de forma extremamente interessante. Cabe a cada Um Invoca-la e presenciar o poder dela, causando no objeto de seu desejo uma paixão incontrolável pelo Invocador, levando aos poucos a se entregar completamente aquilo que foi solicitado a Ela.

Enquanto uma é Morena, a segunda é Loira. Veste um vestido Verde-claro e tem olhos da mesma cor. Ela vem com um cheiro de absinto, de desejo, de sedução. Muitos dizem que Nahemah é mãe do adultério, mas não: ela é a verdadeira Mãe dos Abortos. As tradições cabalísticas também a descrevem horrendamente – como uma mulher meio animal, careca, que vaga pelo Gehenna comendo areia. Estão completamente equivocados e Ela mostra isso claramente, seu tom sarcástico de voz nos deixa cientes disto.

Ela é a “charmosa” como a tradução de seu nome, NHMH, ou Naamah, nos mostra. Por razões pessoais não falo muito de Naamah. Mas digo que a expêriencia, a invocação da mesma, nos mostra o poder absurdo que Ela possui. Sua Lua é a Minguante e, apesar de seu sarcasmo, ela é uma demônia muito fácil de se obter contato. O Maior problema está em retirar dela as informações sobre o que ela pode fazer, já que a palavra “abortos” vai muito além para a compreensão da Loira. Como qualquer experiência com ela mostrará.

Ela é tanto mulher de Sammael quanto de Asmoday, ela é a pequena Lilith, a jovem Lilith, descrita em alguns textos rabinos.

Encerrando o assunto Naamah solicito a quem desejar chamá-la que se mostre extremamente educado e cortês. Ela admira muito isso.

A terceira mulher, que a Qabalah tradicional descreve como uma mulher em uma carruagem sendo puxada por um boi e um asno e que possui cabelos feitos de serpentes, como a Medusa, tem o nome de Aggarath, ou Agrat. AGGRTh é a demônia da Liberdade mas seu nome também nos remete a algo interessante: Agrat Bat Mahalat, ou Agrat filha de Mahalath (Mochlath), aquela que traz Ilusão. Uma das demônias mais perigosas porém mais interessantes. Ela ensina feitiçaria para as bruxas, dá receitas de feitiços, encantos e afins. Mas também nos traz tristeza e arrependimento quando invocada para tal propósito. Ela vem como uma mulher com um vestido amaranto, um amarelo fosco.Tem cabelos castanhos claros e fala com a arrogância de uma Soberana.

Ruiva com olhos claríssimos, que vão do tom do céu ao tom do mar em segundos, vem a última esposa, seu nome é Mochlath. Ela se apresenta como a Mãe da Prostituição, a Senhora da Dor e do Prazer, veste um vestido azul-esverdeado e é coberta de jóias. Ela ama isso. Ela é isso. Ela intensifica o tesão, o prazer sexual, o desejo que alguém possa ter por você e leva-o até o descontrole. Muito parecida com a Deusa Macha Celta, Mochlath, Mahalath, Machaloth, Eishet Zeninum, é uma deusa extremamente calma e pode te falar dos piores flagelos com uma doçura peculiar a ela. A Ela também cabe ensinar a Feitiçaria,
trabalhos com a vaidade e com a fraqueza pessoal de cada um. O trabalho, a experiência pessoal com cada demônia, vai lhe mostrar muito do que Elas realmente são capazes, assim como seus gostos; algumas irão te pedir incensos, frutas, velas … são agrados, mimos, que se dão á rainhas, ás deusas do Inferno.

Por início basta acender uma vela vermelha e solicitar a comunicação em sonhos e no decorrer, ir perguntando o que deseja, ou solicitando algo desejado. Seja claro quando ao pedido – seja especifico. São rainhas e para elas pouco trabalho é ensinar ou tornar um humano louco de paixão.

Seu trabalho vai muito além do amor e feitiçaria. O que expus aqui é um pouco do que Elas podem fazer. Em sonhos elas podem te mostrar e mais para frente em visões ou até materializações. Com respeito qualquer coisa pode ser obtida com as Rainhas. Encare-as como Damas e trate-as como tal. Dar-se para Receber.

Fica aqui um trabalho feito em honra á Elas e um bom material para quem deseja trabalhar com as Esposas. Um material baseado em experiências pessoais, em vontade e amor pela magick.

Inkubus King

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-demonias-da-qabalah/

Anjos Rebeldes

Deus não criou o Diabo: um anjo criado por ele é que se fez demônio. Era um arcanjo (como Miguel) que arrebatou consigo outras criaturas celestes. Era o mais belo de todos e também o mais amado por Deus. Seu nome era Lúcifer (“portador da luz”). Extremamente orgulhoso de sua beleza , queria se igualar a Deus e persuadir os outros anjos a tratarem-no como tal. Numerosos anjos o seguiram e foram parar junto com ele, nas trevas, indo reinar no Inferno.

No livro do Gênesis, em seu 6º capítulo, há uma passagem a qual mostra os filhos de Deus se unindo às filhas dos homens. Surgiram diversas versões uma delas narra que 200 anjos chefiados por Semjaza e Azazel, atraídos pela beleza das mulheres, desceram a terra para se unir a elas. Estes anjos ensinaram aos mortais vários conhecimentos nocivos.

As mulheres conceberam gigantes famintos e descomunais (alguns com mais de 3000 metros de altura) comiam tudo o que encontravam e começaram a devorar uns aos outros. O mundo mergulhou numa anarquia total. Deus interveio, enviando seu anjo Miguel que aprisionou os anjos turbulentos nos vales da terra, onde estão à espera do juízo final.

Outra versão afirma que os anjos encarregados de velar pelas criaturas terrestres foram seduzidos pelas mulheres. Dessa união resultaram os demônios que dominam os homens por meio da magia.

O orgulho e o ciúme são apontados como causas possíveis da queda dos anjos.

Os demônios se multiplicaram e formaram um universo complexo. Diz-se que existem cerca de 7459126 diabos divididos em 1111 legiões, dirigidos por 72 príncipes.

Seus poderes são reais: souberam tentar tanto Adão e Eva como Cristo. São provocadores de calamidades e heresias, responsáveis pelas diversas enfermidades físicas e morais que tanto afligem os homens.

“Há três tipos de demônios. Aqueles que procuram infernizar a própria pessoa, induzindo-a a pensamentos ou atos espúrios, ações degradantes, visões apavorantes. Há demônios que fazem com que o possuído irradie mal a pessoas, animais ou objetos que estão em seu campo de ação e, por fim, existem demônios que impelem à ambição, avareza, egoísmo, vaidade, fazendo com que o indivíduo tenha como propósito dominar e explorar seus semelhantes”.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/anjos-rebeldes/

Anjos e Demônios

O Senhor dos Exércitos:

Nas mais antigas escrituras judaicas Iahweh, aparecia como criador e rei do universo. Tudo o que acontecia, tanto de bom como de ruim, era causado por ele. Em Isaías 45, 7, escrito no sexto século a.C., Deus diz: “Eu formo a luz e crio as trevas, asseguro o bem-estar e crio a desgraça: sim eu, Iahweh, faço tudo isto”. No Livro de Samuel, compilado no décimo século a.C., está escrito: “O Senhor tentou Samuel”. Mas no primeiro Livro de Crônicas (21,1), um texto bem posterior do Velho Testamento, é Satã quem tenta Davi para que desobedeça a Lei e seja alvo da ira de Deus. Segundo esta interpretação, o perigo passava a vir por meio de outros, e não mais através das mãos de Deus (apesar de que ainda sob as ordens dele). Por volta do segundo século a.C., os dois lados de Deus já não eram mais enfatizados nos mitos e nas histórias religiosas dos judeus. [Muitos séculos mais tarde, a primitiva idéia judaica de Iahweh voltava a ser expressada. Na Cabala medieval, dizia-se que Iahweh, que era tudo, também continha tudo – o bem e o mal. Sua mão direita dava a misericórdia, a esquerda, a destruição. Entretanto ele nunca deixou de ser o responsável pelo “mal”, ou melhor, pela “justiça”; afinal de contas não há muita diferença entre punir alguém pessoalmente ou enviar outro, sob ordens expressas, para fazer o mesmo.]

No Livro de Jó, Satã aparece como acusador e tentador do homem, mas ainda é visto como um súdito do Soberano do mundo. Ele apresenta-se diante da coorte celestial como um dos filhos de Deus, que age conforme as instruções do Senhor.

Também em textos apócrifos, midraxes, etc., o casal Samael e Lilith muitas vezes aparece como funcionários de Deus encarregados de testar a fé dos homens e punir aqueles que caírem em erro. No que diz respeito a pecados de natureza sexual, usualmente, as mulheres Lilith, Nahema, Igrat, etc. são quem testam e Samael quem pune. No mais, Lilith costuma punir pecadores matando seus filhos, portanto tirando-lhes a esperança de que sua descendência “será numerosa como as estrelas do céu”, “gerará reis” ou “governará sobre a terra”.

Anjos: Os Mensageiros de Deus

A versão grega das escrituras, conhecida como Septuaginta, traduziu a expressão hebraica “bene ha’ Elohim” por “aggelon theu”, o que acabou por dar no latim “Angelorum”. A palavra grega “ággelos” significa mensageiro, por isso a palavra Anjos passou do latim para as línguas deste derivadas trazendo mais acentuada a idéia de mensageiro do que qualquer outro aspecto da personalidade ‘angélica’, entretanto nos antigos escritos hebraicos, midraxes, etc. haviam “bene ha’ Elohim” para tudo. Por exemplo, haviam anjos para dirigir nações, cuidar do movimento dos astros, transmitir conhecimento aos profetas, guiar os estudantes da Mercabá através dos sete Hehalot, testar os homens através do ciúme, enviar pragas e morte aos infiéis, etc.

Mas também, tanto nas escrituras hebraicas e árabes quanto nas cristãs, aparecem anjos mensageiros (hebr. “Malachim”): Eles trazem mensagens importantes de Deus para os homens, como os avisos da destruição de Sodoma e Gomorra, do nascimento de Isaac (filho de Abraão e Sara), etc. – Para os cristãos a mensagem mais importante que um ser divino já trouxe está no evangelho de Lucas, no episódio em que Gabriel avisa a Maria que ela conceberia Jesus e, uma lenda árabe diz que foi também Gabriel quem teria ditado o Alcorão a Maomé.

Hierarquias Angélicas:

A Bíblia não dá uma descrição precisa a respeito da “hierarquia celeste” e os escritos hebreus conservados apresentam um material um tanto quanto desorganizado. Apesar disso, estudiosos cristãos esforçaram-se para descrever um quadro bem definido. (Podemos ver que estas descrições de autores cristãos foram bastante influenciadas pela filosofia platônica, aristotélica e textos gregos em geral, se afastando em muito do sentido original dos “bene ha’ Elohim”, principalmente nos comentários referentes aos demônios. Mas não é de todo inútil conhece-las devido à antigüidade dos textos e sua influência em autores posteriores).

Ficou mais ou menos estabelecido que os anjos (Angelorum) estariam organizados em hierarquias de sete ordens, de nove coros ou de três tríades. Dionísio, o Aeropagita, elaborou a respeito dos anjos a mais perfeita das teorias cristãs de seu tempo, mas foi São Tomas de Aquino que apresentou a tabela hierárquica atualmente mais aceita, simplesmente por conter o maior número de divisões de “cargos” entre todas as suas contemporâneas.

Santo Agostinho em sua época de pregação enfrentou um problema causado pela grande popularidade dos anjos: As pessoas estavam fazendo-lhes sacrifícios, orando, etc. e esta devoção aos anjos estava causando prejuízos à igreja. Por isso ele pregava ao público: «Sejam quais forem, por conseguinte, os bem aventurados imortais habitantes das mansões celestes, se não tem amor por nós, se não desejam nossa felicidade, não merecem nossa homenagem. Se nos amam, se querem nossa felicidade, querem sem dúvida que a recebamos da mesma fonte que eles»; «Legítimos habitantes das moradas celestes, os espíritos imortais, felizes pela posse do Criador, eternos por sua eternidade, fortes de sua verdade e santos por sua graça, tocados de compulsivo amor por nós, infelizes e mortais, e desejosos de partilhar conosco sua imortalidade e beatitude, não, querem que sacrifiquemos a eles, mas Àquele que sabem ser, como nós, o sacrifício [ou seja, Jesus Cristo]. Porque somos com eles uma só Cidade de Deus.»; «Quanto aos milagres, sejam quais forem, operados pelos anjos ou por qualquer outro modo, se se destinam a glorificar o culto da religião do verdadeiro Deus, princípio único da vida bem aventurada, devem ser atribuídos aos espíritos que nos amam com verdadeira, é preciso acreditar ser o próprio Deus quem neles e por eles opera.»; «… Aquele cuja palavra é espírito, inteligência, eternidade, palavra sem começo e sem fim, palavra ouvida em toda a pureza, não pelos ouvidos do corpo, mas do espírito, por intermédio de seus ministros, enviados que gozam de sua verdade imutável, no seio de eterna beatitude, palavra que lhes comunica de maneira inefável as ordens que devem transmitir à ordem aparente e sensível, ordens que executam sem demora e facilmente.»; «Assim, mostram-nos os anjos fiéis com que sincero amor nos amam; com efeito, não é à sua própria dominação que querem submeter-nos, mas ao poderio daquele que são felizes de contemplar, soberana beatitude a que desejam cheguemos também e de que não se apartam.» (De civitate Dei, X). – De qualquer forma, Santo Agostinho também não deixou a hierarquia angélica bem definida, anotando cerca de três tipos de “anjos” de forma que a fonte mais abalizada para a obtenção de uma angelologia cristã é Dionísio, mais conhecido como o Pseudo-Dionísio, o Areopagita. Seus tratados Gerarchia celeste, Gererchia ecclesiastica, Nomi divini e suas Epistole formaram um corpo que granjeou a estima de muitos, inclusive Gregório Magno, são Tomé, a Escolástica, Dante, Meister Eckhart e são João da Cruz. Seu texto Gerarchia celeste é o mais conhecido e apreciado da angelologia cristã. Nesse texto ele menciona: «Vejo que os Anjos também foram iniciados primeiro no Mistério Divino de Jesus e em Seu amor pelo homem e através deles o Dom desse conhecimento nos foi passado: pois o divino Gabriel anunciou a Zacarias, o sumo sacerdote, que o filho gerado pela Graça Divina, quando já desprovido de esperanças, seria um profeta de Jesus e manifestaria a união entre as naturezas humana e divina mediante a vontade da Boa Lei pela salvação do mundo; ele revelou a Maria que dela nasceria o Mistério Divino da inefável encarnação de Deus.» Dionísio estabeleceu que existem nove ordens celestes, subdividas em três ordens principais: A primeira é aquela que está sempre na presença de Deus e inclui os Tronos e suas legiões ‘com muitos olhos e muitas asas’ (os Querubins e os Serafins) A Segunda ordem inclui os Poderes, as Dominações e as Virtudes; a terceira os Anjos, os Arcanjos e as Potestades. Foi só com Dionísio e Tomás de Aquino que o número das hierarquias foi estabelecido e tornou-se praticamente definitiva nas obras posteriores de autores cristãos. São Tomás de Aquino faz uma longa descrição das hierarquias celestes na Suma contra os gêntios:

«Como as coisas corporais estão governadas pelas espirituais, segundo consta, e entre as corporais existe uma certa ordem, é mister que os corpos superiores sejam governados pelas substâncias intelectuais superiores, e os inferiores pelas inferiores. Além disso, porque quanto mais superior é uma substância, tanto mais universal é sua virtude. Logo, a virtude da substância intelectual é mais universal que a virtude corpórea; e por conseguinte, as substâncias intelectuais superiores possuem virtudes que não podem ser desempenhadas por virtude corporal alguma, e por isso não estão unidas a corpos; já que as inferiores possuem virtudes parciais e que podem ser desempenhadas por alguns instrumentos corporais, dessa forma, é preciso que estejam unidas aos corpos.

E como as substâncias intelectuais superiores tem uma virtude mais universal, por isso também estão mais perfeitamente dispostas por Deus, de maneira que conhecem com detalhe a finalidade da ordem que Deus lhes comunica. E esta manifestação da ordenação divida, realizada por Deus, chega inclusive às substâncias intelectuais mais inferiores, como confirma [a palavra] de Jó: “Inumeráveis são Seus servidores, e sobre qual deles não resplandece Sua luz?” (Jó 25:3). Não obstante, as inteligências inferiores não a recebem de maneira tão perfeita que possam conhecer com detalhe quanto hão de executar em vista do ordenado pela providência, mas somente em geral; pois, quanto mais inferiores são, menos conhecimento detalhado da ordem divina recebem ao serem iluminadas pela primeira vez; entretanto, o entendimento humano, que possui o último grau do conhecimento natural, só tem notícia de algumas coisas universalíssimas.

Assim, pois, as substâncias intelectuais superiores recebem imediatamente de Deus um conhecimento perfeito da ordem divina e, em conseqüência, o hão de comunicar às inferiores, tal como, segundo dissemos, o conhecimento universal do discípulo é aperfeiçoado pelo mestre, que conhece com detalhe. Por isso, Dionísio, falando das supremas substâncias intelectuais, que chama primeiras hierarquias, em outras palavras, sagrados principados, disse que não são santificadas por outras, mas que alcançam imediatamente e plenamente de Deus a santidade, e, enquanto cabe, são transportadas à contemplação da beleza imaterial e invisível e ao conhecimento dos motivos das obras divinas; e disse que por elas são doutrinadas as ordens subalternas de espíritos celestes. Segundo ele, as inteligências mais elevadas recebem do princípio mais alto a perfeição de seu conhecimento. […]»

«Assim, pois, aquelas inteligências que percebem imediatamente em Deus o conhecimento perfeito da ordem da divina providência estão dispostas numa certa hierarquia, porque os superiores e primeiros vêem a razão da ordem da providência – em si mesma – o último fim, que é a bondade divina; porém uns com maior clareza que outros. E estes se chamam Seraphim, i. e., ardentes ou incandescentes, porque o incêndio designa a intensidade do amor ou do desejo, que são duas tendências em relação ao fim. Por isso disse Dionísio que com este nome se designa sua rapidez ou eterno movimento em torno da divindade, fervente e flexível, e sua capacidade de influenciar os seres inferiores excitando-os a um sublime fervor à divindade.

Os segundos conhecem perfeitamente a razão da ordem da providência na imagem mesma de Deus. E se chamam Cherubim, que quer dizer plenitude da ciência, já que a ciência se aperfeiçoa pela forma cognoscível. Por isso disse Dionísio, que tal nome significa que são contempladores da primeira virtude operante da divina beleza.

Dessa forma, os terceiros contemplam a disposição das ordens divinas nelas mesmas. E se chamam Throni, porque trono significa o poder de julgar, segundo o dito: “Te sentas no trono e distribui justiça” (Salmos 9:5). Conforme isso, disse Dionísio que com este nome se declara que são portadores divinos e tomam parte familiarmente em todas as determinações divinas. […]

Por outra parte, entre os espíritos inferiores que para executar a ordem divina recebem das superiores um conhecimento perfeito é preciso estabelecer uma ordem. Pois os mais altos deles tem uma virtude mais universal do conhecimento; por isso conhecem a ordem da providência nos princípios e causas mais universais enquanto os inferiores o obtêm em causas mais particulares. […]

Também estas substâncias intelectuais (i. e. os anjos da Segunda hierarquia) hão de ter certa ordem. Porque, efetivamente a disposição universal da providência se distribui, em primeiro lugar, entre muitos executores. E isso se realiza pela ordem das Dominationum, pois é próprio dos senhores mandar o que hão de executar os outros. Por isso disse Dionísio que este nome (de) dominação designa certo senhorio que rejeita toda servidão e que é superior a toda submissão.

Em segundo lugar, a providência é distribuída e aplicada a vários efeitos pelo que age e executa. E isso se faz mediante a ordem das Virtutum [virtudes], cujo nome, segundo Dionísio, significa certo augusto poder aplicado à todas as obras divinas, que não abandona a nenhum movimento a sua própria debilidade. E isso demonstra que o princípio universal da atividade pertence à esta ordem. Segundo isso, parece que movimento dos corpos celestes, dos quais procedem, como de certas causas universais, os efeitos particulares da natureza, pertence à esta ordem. Por este motivo se chamam virtudes celestes no cap. 21 de S. Lucas, onde diz: “Se moveram as virtudes celestes”. Parece também que a execução das obras divinas que se realizam à margem da ordem natural pertence à esta classe de espíritos, porque tais obras são o que há de mais sublime nos mistérios divinos. Por esta razão diz S. Gregório que “se chamam virtudes aqueles espíritos que freqüentemente fazem coisas milagrosas” (Homil. 34). Por fim, se no cumprimento das ordens divinas há algo principal e universal, é conveniente que pertença à esta ordem.

Em terceiro lugar, a ordem universal da providência, estabelecida já nos efeitos, é preservada de toda confusão pela coerção exercida sobre aquilo que poderia perturbá-la. Coisa que corresponde à ordem das Potestatum [potestades]. Por isso disse Dionísio que o nome de potestade implica certa ordenação, bem disposta e sem confusão alguma acerca do estabelecimento por Deus. E por isso disse S. Gregório que corresponde a esta ordem o conter das forças opostas.

As últimas das substâncias intelectuais superiores são aquelas que conhecem divinamente a ordem da providência através das causas particulares, e são as imediatamente superiores às coisas humanas. Sobre elas Dionísio disse que esta terceira ordem de espíritos manda, por conseguinte, nas hierarquias humanas. E por coisas humanas se há de entender todas as naturezas inferiores e causas particulares que estão ordenadas ao homem e sujeitas a seu serviço.

Aqui também existe uma ordem. Pois nas coisas humanas existe certo bem comum, que é o bem da cidade ou dos cidadãos, e que, ao parecer, pertence a ordem dos Principatuum [principados]. Por isso, disse Dionísio que o nome de principados significa certa categoria de caráter sagrado. Conforme isso, Daniel fez menção de Miguel, príncipe dos judeus e príncipe dos persas e gregos (Dan. 10, 13-20). Segundo isso, a disposição dos reinos, a transmissão de poder de um povo a outro, deve pertencer ao ministério desta ordem. Inclusive a inspiração daqueles que são príncipes entre os homens com respeito a como hão de administrar seu governo, parece que corresponde à esta ordem.

Há, porém, outro bem humano que não é comum, mas individual, ainda que não se utilize em benefício próprio, mas em benefício de muitos: Como as coisas de fé, que todos e cada um hão de crer e observar; o culto divino, etc. E isto corresponde aos Archangelos [arcanjos], de quem disse S. Gregório que anunciam o maior; razão porque chamamos arcanjo a Gabriel, que anunciou a encarnação do Verbo à Virgem.

Há, também, certo bem humano que pertence a cada um em particular. E os bens desta classe correspondem à ordem dos Angelorum [anjos], que, segundo S. Gregório, anunciam as coisas pequenas; e por isso se chamam custódios dos homens, segundo o dizer do salmo: “Te encomendará a seus anjos para que te guardem em teus caminhos” (Sl. 90;11). Por isso, disse Dionísio que os arcanjos são intermediários entre os principados e os anjos, e tem como ambos algo em comum; dessa forma, com os principados, enquanto que são chefes dos anjos inferiores, (…) e com os anjos, porque anunciam aos anjos e, mediante estes – cujo ofício é manifestarem-se aos homens -, a nós o que lhes corresponde segundo a categoria. Por este motivo a última ordem se apropria do nome comum como especialmente seu, porque desempenha o ofício de anunciar aos homens sem intermediários. Daí que os arcanjos tem um nome composto pelos dois, pois se chamam arcanjos, i. e., príncipe dos anjos. (…)

Por último, em todas as virtudes ordenadas é comum que todas as inferiores obrem em virtude da superior. Segundo isso, o que dissemos que pertence à ordem dos serafins o executam as inferiores na virtude dos mesmos. E isso se aplica também às ordens seguintes.»

Tomás de Aquino fala sobre os anjos em outras partes de sua vasta obra, como por exemplo, nos seguintes trechos da Suma Teológica: «Nos anjos (lat. angelis) não pode haver outra virtude senão a intelectiva e a vontade, conseqüente ao intelecto, porque nisso consiste toda a virtude do mesmo. A alma [humana], porém, tem muitas outras potências; assim, as sensitivas e as nutritivas. E portanto, não há símile.»; «o intelecto angélico está sempre em ato em relação aos seus inteligíveis, por causa da proximidade com o intelecto primeiro, que é ato puro como antes se disse.»; «Há, porém, outra virtude cognoscitiva que nem é ato de órgão corpóreo, nem está, de qualquer modo, conjunta com a matéria corpórea, como o intelecto dos anjos. Por onde, o objeto desta virtude é a forma subsistente sem a matéria. Pois, embora conheçam os anjos as coisas materiais, só as vêem no imaterial a saber, em si mesmos ou em Deus»; «inversamente [aos homens], os anjos conhecem as coisas materiais pelos seres imateriais»; etc.

Satã, os olhos do Rei:

Depois do Cativeiro da Babilônia, a religião judaica, influenciada pela doutrina de Zoroastro do Bem e do Mal, e impregnada pelos conceitos religiosos mesopotâmicos, concebeu Satã, baseado num funcionário do sistema de governo mesopotâmico. A origem da palavra Satã é conhecida. Significa “o adversário”, “o acusador”. Sabemos que um funcionário com essas atribuições existia no Império Persa, em oposição a outro funcionário, chamado “Os olhos do rei”. O “acusador” ou os “acusadores”, tinham como função percorrerem secretamente o reino e fiscalizar tudo o que estava sendo feito de errado, para apresentar denúncias diante do Imperador, que mandava chamar os funcionários faltosos e os castigava. Pode-se perceber, facilmente, as conotações de medo, repulsa e verdadeiro pavor que os funcionários exerciam. No livro “Bases da Política Imperial dos Aquemênidas”, Pedro Freire Ribeiro refere-se, também, a verdadeiras expedições de fiscalização, acompanhadas de tropas, para arrecadar impostos e aplicar corretivos (pag. 66). Jeayne Auboyer, na “História Geral das Civilizações”, volume I, pg. 205, diz também, sobre este sistema: “mas apenas a correspondência não é sucifiente: o governo central envia, além disto, a fim de controlar a administração local, inspetores designados, por uma metáfora já corrente nas monarquias precedentes, como ‘os olhos e ouvidos do rei’”. Eis, portanto, a origem de Satã. Estamos diante de uma tradição calcada no sistema administrativo dos Mesopitâmicos e dos Persas. No livro de Jó, Satã aparece, claramente, como uma espécie de inspetor, que se apresenta depois de percorrer a terra junto com os outros anjos (ou “olhos do rei”), para apresentar seu relatório, sobre o que tinha visto.

Satã, em suma, é um “acusador” e este é um dos significados da palavra. Mas Satã não é, obviamente, um demônio. Ele apresenta-se em um concílio diante do Senhor, junto com os anjos e dialoga calmamente com Deus. Naturalmente, esta mesma idéia de Jó, tentado com todas as desgraças, não é originalmente, hebraica. Samuel Kramer em “A Mesopotâmia” (pg. 123), nos dá um resumo da lenda de Jó, na Babilônia: “Entre os mitos da Suméria, figura a história de um homem de nome desconhecido, que um dia se encontrou sozinho por motivos que não era capaz de compreender. Cercado de torturadores, ele é visto aqui no fundo do quadro numa súplica ao seu deus tutelar, que observa do alto. O homem lastima sua sorte, exclamando: “Minha palavra honrada transformou-se em mentira… uma doença maligna cobriu meu corpo… Deus meu… por quanto tempo me abandonarás, me deixarás sem proteção?” A história deste “Jó” sumeriano também tem um desfecho feliz, porque o deus lhe ouviu as preces e fez que as provações terminassem tão abruptamente como tinham começado. Mas as questões fundamentais do sofrimento humano e da justiça divina, formuladas pelos sumérios e ainda com maior pungência pelo seu descendente bíblico, ainda nos desafiam”. Apenas para finalizar o assunto da identificação com os funcionários conhecidos como “os olhos do rei”, vejamos esta passagem em Crônicas (16:9):

“Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para aquele cujo coração é totalmente dele; nisto procede loucamente, por isso desde agora haverá guerra contra ti.” (Crônicas, 16:9)

Os seus olhos que passam por toda a terra (o império) são os funcionários que fiscalizam. No caso, alguém foi apanhado em flagrante delito pelos “olhos acusadores” de Satã. E o Rei lhe fará guerra ou perdão… Satã só aparece nos livros mais recentes da Bíblia. Começa no livro de Jó e depois surge em Zacarias e nas Crônicas. Se, no princípio é um acusador, a etimologia da palavra nos levaria, inclusive a “chatám”, isto é, “o adversário”, mais tarde vai tomando as formas de “o contraditor” ou “o acusador”. É uma espécie de procurador de Javé e trata de ver se seus “filhos” são realmente fiéis. Mas, não é só. Depois do cativeiro da Babilônia, Satã vai ganhando contornos cada vez maiores, até que se transforma num ser que induz ao pecado. Neste instante, já estamos entrando na chamada Era Cristã. (Para mais detalhes, veja Fernando G. Sampaio. A História do Demônio. Editora Garatuja. Porto Alegre. 1976.)

A história de Jó:

O autor do Prólogo de Jó, conservou neste relato em prosa seu cunho de narrativa popular onde Deus recebe ou dá audiência em dias determinados, como faz um monarca. Começa com uma introdução elogiando Jó, da terra de Hus, ao sul de Edom: Era um homem íntegro e reto, que temia a Deus e se afastava do mal. Tinha sete filhos, três filhas e era o homem mais rico do Oriente, até que Satã, duvidando de sua honestidade, resolveu testa-lo:

«No dia em que os Filhos de Deus vieram se apresentar a Iahweh, entre eles veio também Satã. Iahweh então perguntou a Satã: “De onde vens?” – “Venho de dar uma volta pela terra, andando a esmo”, respondeu Satã. Iahweh disse a Satã: “Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se afasta do mal.” Satã respondeu a Iahweh: “É por nada que Jó teme a Deus? Porventura não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Abençoaste a obra das suas mãos e seus rebanhos cobrem toda a região. Mas estende tua mão e toca nos seus bens; eu te garanto que te lançará maldições em rosto.” Então Iahweh disse a Satã: “Pois bem, tudo o que ele possui está em teu poder, mas não estendas tua mão contra ele.” E Satã saiu da presença de Iahweh.» (Jó: 6-12)

Logo os sabeus, uma tribo de nômades, “passaram os servos a fio de espada” e roubaram os rebanhos de Jó. No mesmo dia, em outro lugar, “um furacão se levantou das bandas do deserto e se lançou contra os quatro cantos da casa, que desabou sobre os jovens [filhos de Jó] e os matou.” (Jó 1: 19) O Targum, Jó 1:15 acrescenta ainda que:

«Lilith, a Rainha de Zemargad, lanchou, atacou, agarrou [as canções de Jó] e matou o jovem homem…» (Targum, Jó 1:15)

Apesar de toda esta desgraça repentina, Jó conformou-se, não cometeu pecado nem protestou contra Iahweh. Entretanto, o pessimista Satã não ficou totalmente convencido da fidelidade de Jó e continuou a duvidar de sua integridade:

«Num outro dia em que os Filhos de Deus vieram se apresentar novamente a Iahweh, entre eles, para apresentar-se diante de Iahewh veio também Satã. Iahweh perguntou a Satã: “De onde vens?” Ele respondeu a Iahweh: “Venho de dar uma volta pela terra, andando a esmo”. Iahweh disse a Satã: “Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se afasta do mal. Ele persevera em sua integridade, e foi por nada que me instigaste contra ele para aniquilá-lo.” Satã respondeu a Iahweh e disse: “Pele após pele! Para salvar a vida, o homem dá tudo o que possui. Mas estende a mão sobre ele, fere-o na carne e nos ossos; eu te garanto que te lançará maldições em rosto”. “Seja!”, disse Iahweh a Satã: “fase o que quiseres com ele, mas poupa-lhe a vida.” E Satã saiu da presença de Iahweh.» (Jó: 6-12)

Satã feriu Jó com chagas malignas dos pés à cabeça. Contudo, ele não maldisse a Deus. A partir daí história continua em forma de discursos e só retoma o formato de prosa no Epílogo (Jó 42). No primeiro ciclo de discursos, Jó amaldiçoou a noite de seu nascimento:

«Que a amaldiçoem os que amaldiçoam o dia,
Os entendidos em conjurar Leviatã!» (Jó 3:8)

Passado um tempo, Jó, abatido com sua miséria, fala:

«Levo cravadas as flechas de Shaddai
e sinto absorver seu veneno.
Os terrores de Deus assediam-me.» (Jó 6:4)

Mais tarde, finalmente Satã consegue seu intento. Jó revolta-se e entra em debates com três sábios, a respeito de sua condição. Por fim, ele lamenta-se de não poder ele mesmo ir até Deus defender sua causa, entretanto Deus vem até ele e mostra seu poder. Jó responde:

«Reconheço que tudo podes
e que nenhum dos teus desígnios fica frustrado.
Sou aquele que denegriu teus desígnios,
Com palavras sem sentido.» (Jó 42:2-3)

Por fim, Jó arrepende-se e faz penitência, Iahweh repreende os três sábios porque “não falastes corretamente de mim como o fez meu servo Jó” (Jó 42:7) e recompensou Jó, duplicando todas as suas posses, que teve também outros sete filhos e três filhas em substituição dos que morreram. Suas novas filhas Rola, Cássia e Azeviche foram as mais belas mulheres de toda a terra e seu pai repartiu-lhes herança em igualdade com seus irmãos [o que é fora da regra corrente, pois as filhas só herdavam em último caso, na falta de filhos varões]. Depois desses acontecimentos, Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e netos até a quarta geração. Jó morreu “velho e cheio de dias”. (Jó 42)

Por Shirley Massapust

Alimente sua alma com m

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/anjos-e-demonios/

Andromalius

O heptagésimo segundo espírito em ordem é nomeado Andromalius. É um Conde, grande e poderoso, aparecendo na forma de um homem que prende uma serpente grande em sua mão. Sua tarefa consiste trazer os ladrões de volta assim como o produto dos furtos que este executou; assim como descobrir todos os indivíduos violentos e os traidores e puni-los e descobrir os tesouros ocultos. Ele governa 36 legiões dos espíritos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/andromalius/

Andrealphus

65º espírito é Andrealphus ou Andreafos. É um Marques poderoso aparecendo primeiramente dentro na forma de um Pavão, e fazendo muito barulho. Mas após um momento ele toma na forma humana. Pode ensinar a geometria perfeitamente. Ele torna os homens muito sutis nisso, e também em todas as coisas que pertencem a Mensuração ou Astronomia. Pode tornar um homem semelhante a um pássaro. Governa 30 legiões.

[…] Andrealphus […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/andrealphus/