Magnetismo: A Chave de uma imensidade de fenômenos

    Nelson Moraes

Na conclusão de O Livro dos Espíritos, capítulo I, Kardec afirma:

      “Quem, de magnetismo terrestre, apenas conhecesse o brinquedo dos patinhos imantados que, sob a ação do imã, se movimentam em todas as direções numa bacia com água, dificilmente poderia compreender que ali está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos”.

Essa afirmação de Kardec não se restringe apenas ao magnetismo consistente nos corpos celestes, mas se estende ao magnetismo nas suas mais variadas configurações e que está presente em todas partículas com as quais se constituem o micro e o macro Universo. É através desse fluido elétrico que os seres pensantes se atraem ou se repelem e se influenciam mutuamente segundo seus pensamentos, suas emoções e seus sentimentos.

Na pergunta 388, de O livro dos Espíritos, Kardec indaga:

 “Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?”

E obteve a seguinte resposta:

“Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.

Esta resposta dos espíritos coloca o magnetismo como piloto dessa ciência. Quer dizer, está no comando dos acontecimentos e é ele que atua para que haja tal encontro. Ou seja, quando necessitamos compartilhar de uma convivência com alguém, nosso encontro se dará infalivelmente, pois seremos atraídos mutuamente por força de uma imantação magnética que liga os nossos destinos para uma convivência em comum.

Essa imantação é construída através das nossas ações praticadas durante nossas vidas sucessivas segundo as quais não só nos imantamos às pessoas, mas também aos acontecimentos que irão compor o roteiro das nossas provações e resgates enquanto encarnados neste mundo de expiação e prova.

É através do magnetismo cósmico ou fluido cosmico universal que nos imantamos e nos submetemos às leis naturais e divinas que nos impulsionam na direção das nossas necessidades evolutivas, situando-nos exatamente onde merecemos estar e com quem devemos estar segundo as leis de causa e efeito.

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo da Intervenção dos Espíritos, os espíritos afirmam:

  “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única*, revela a realidade das coisas e suas verdadeiras causas”.

Realmente, o estudo do Espiritismo sem uma compreensão maior do magnetismo fica incompleto, pois o Espiritismo nos revela a natureza espiritual do ser humano e nos esclarece sobre as leis naturais e divinas às quais todos os seres estão submetidos, e o magnetismo por sua vez nos revela o meio por onde essas leis se cumprem.

Assim como tudo se origina de uma transformação do fluido cosmico universal, o magnetismo ou fluido magnético também é uma modificação do fluido cosmico universal e não difere do fluido vital revelado pelos espíritos e que está presente em todos os corpos orgânicos.

No Capítulo intitulado Do Princípio Vital, de O Livro dos Espíritos, os espíritos fazem uma analogia interessante:

“Um aparelho elétrico, como todos os corpos da Natureza, contém eletricidade em estado latente. Os fenômenos elétricos, porém, não se produzem senão quando o fluido elétrico é posto em atividade por uma causa especial. Poder-se-ia então dizer que o aparelho está vivo. Vindo a cessar a causa da atividade, cessa o fenômeno: o aparelho volta ao estado de inércia.”

“Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte. A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie. Alguns há, que se acham, por assim dizer saturados desse fluido, enquanto os outros o possuem em quantidade apenas suficiente. Daí, para alguns, vida mais ativa, mais tenaz e, de certo modo, superabundante. A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.”

O progresso no estudo do eletromagnetismo, ocorrido principalmente no século XIX, provocou uma mudança a respeito dos conceitos da Ciência sobre a energia.

Segundo as teorias quânticas, a troca de energia a distância se produz em conseqüência das ondas eletromagnéticas, que viajam no espaço à velocidade da luz. Tais ondas, constituídas por fótons, atuam sobre as partículas do meio e dos corpos.

Os apontamentos dos espíritos e o estudo da física quântica nos induzem a uma compreensão ampliada do que consiste o fluido cosmico universal e nos dá uma idéia da importância do magnetismo e da sua função no contexto das relações entre os mundos e entres os seres, o qual podemos defini-lo como o veiculo condutor dos pensamentos e da vontade do Criador e de todos os seres pensantes.

Na parte 2 cap. IX de O Livro dos Espíritos, os espíritos afirmam:

“…o fluido universal entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som.”

Se, segundo a ciência as ondas eletromagnéticas atuam sobre as partículas do meio e dos corpos e, considerando que hoje o pensamento é reconhecido como pulsos eletromagnéticos, torna-se clara a força incomensurável com que o pensamento atua sobre os corpos e partículas quando direcionado sob o impulso de uma vigorosa vontade ou desejo.

Ainda em O Livro dos Espíritos, pergunta 424.

“Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?”

Resposta:

“Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos”.

Segundo Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, todo ser vivo seria dotado de um fluido magnético capaz de se transmitir a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos.

Considerando o magnetismo como condutor da vontade e dos pensamentos dos seres pensantes atuando incessantemente sobre as partículas e os corpos, sua ação pode ser benéfica ou maléfica dependendo da fonte que o irradia. Neste caso, a fonte geradora, ou seja, o ser pensante, pode ser comparado a uma usina de eletricidade e os seus pensamentos e sentimentos os transformadores que graduam e determinam sua potência e qualidade. Nada melhor para a comprovação dessa realidade do que os fatos observados e que são muito numerosos, registrando a ação magnética direcionada através dos pensamentos e dos sentimentos humanos.

Lembro-me quando eu contava apenas nove anos de idade e como sempre fazíamos, estava eu e minha mãe no portão de casa aguardando meu pai retornar do trabalho quando uma vizinha parou para conversar com minha mãe. Em determinado momento, ela voltou-se para a jardineira onde minha mãe cultivava suas plantas e, demonstrando uma certa indignação, afirmou:

– Dona Aurora! Que avenca linda! Por que a minha nunca ficou tão bonita?

Logo depois ela foi embora. Minha mãe, após alguns instantes, apontou para a avenca cujas folhas haviam se fechado como se estivessem murchando, e explicou-me:

– Viu meu filho, o que o pensamento de despeito e de inveja da nossa vizinha fez com a nossa plantinha? Guarde esta lição! Nunca use o seu pensamento para invejar ou odiar alguém. Da mesma forma que a planta se ressentiu do magnetismo negativo da nossa vizinha, as pessoas mais sensíveis também se ressentem e podem até adoecer. Mas, se você usar os seus pensamentos para ajudar, envolvendo-as com o seu amor, o teu magnetismo poderá até curá-las das suas enfermidades.

Dizendo isso, voltou-se para a planta e impôs suas mãos sobre ela e orou. Antes que o meu pai retornasse do trabalho, a avenca já havia se recuperado. Minha mãe passou-me esta lição com conhecimento de causa, pois durante toda sua vida aliviou e curou muita gente impondo suas mãos revestidas da generosidade e do amor que nos ensina o Espiritismo Cristão.

A avenca é uma das plantas mais sensíveis, por isso logo se ressentiu da carga magnética negativa que enfraqueceu o fluido vital que lhe garantia a vida. O mesmo ocorre com os animais, cujo efeito demora um pouco mais para se manifestar, mas se não socorrido este acabará morrendo.

No ano de 1970, eu morava em uma casa com um quintal muito grande, como eu gosto de animais, passei a criar algumas galinhas, um casal de gansos e um peru. Certo dia eu estava muito feliz, pois a gansa havia chocado seus ovos trazendo à vida seis filhotes. Uma conhecida nossa, dona do armazém onde realizávamos nossas compras, ficou sabendo e quis ver os gansos, pois, segundo ela, eles não procriavam facilmente no cativeiro. Certo dia ela apareceu em casa e logo ao entrar no quintal demonstrou ser uma apaixonada pela criação de gansos e revelou-me que possuía três casais que nunca haviam procriado. Percebi no seu olhar e semblante uma certa indignação. Ficou algum tempo olhando para os gansos admirando-os e elogiando a beleza de todas as aves do meu quintal, logo depois se despediu e partiu.

No dia seguinte da sua visita, as galinhas não desceram do poleiro para se alimentarem e ali ficaram defecando fezes líquidas até que acabaram morrendo. No terceiro dia foi o galo que, à semelhança das galinhas, permaneceu no poleiro até a morte. No quarto dia morreu os gansos, entretanto, o peru continuou vivo, mas apresentava sinais de que também morreria, pos já não descia do poleiro e não se alimentava. Foi quando conversando com minha mãe chegamos à conclusão de aquela mulher poderia estar por trás daquelas mortes, pois nenhum remédio veterinário conseguira curá-los. Foi então que resolvemos tentar salvar o peru magnetizando-o. Qual não foi a nossa surpresa quando depois de algumas horas após atuarmos sobre ele, apresentava uma visível revitalização recuperando-se completamente ao final do dia.

A ação magnética negativa emitida pela mulher enfraqueceu o fluido vital dos animais, levando-os à morte em uma sinistra seqüência: primeiramente morreu os mais fracos, no caso as galinhas, depois o galo, mais tarde os gansos, porém, o peru, por apresentar uma constituição física mais forte, conseguiu resistir mais tempo até que pudéssemos socorrê-lo.

A ação magnética que direcionamos sobre o peru, operou no sentido inverso e repôs o fluido vital enfraquecido pelo magnetismo maléfico da mulher.

Quando observamos os relatos acima onde ambas as mulheres com um simples olhar alteraram as condições físicas da planta e dos animais, fica claro para nós que a ação magnética não depende de gestos manuais e nem de técnicas. O magnetismo não é captado, é próprio do indivíduo. A simples presença de uma pessoa dotada de bons sentimentos pode causar uma influência magnética benéfica nas pessoas a sua volta, da mesma forma que uma pessoa dotada de maus sentimentos pode causar uma influência maléfica.

O espírito reencarnado através do magnetismo que irradia a sua volta revela sua índole e grava o seu perfil mental nos seus objetos de uso pessoal e no ambiente onde vive, impregnando-os com o seu psiquismo.

Certa vez, quando eu administrava a construção de um prédio industrial na capital do estado de São Paulo, ocorreu um fato que ilustra bem esse fenômeno de impregnação psíquica magnética nos objetos de uso pessoal. Um dos meus funcionários, o encarregado da obra, foi acometido de um mal estranho. Todo dia chegava bem no canteiro da obra, mas assim que começava a trabalhar passava a sofrer de cólicas intestinais violentas sendo obrigado a retornar para casa, porém, assim que deixava a obra, sentia-se muito bem. Isso se repetiu durantes três dias. No quarto dia conversávamos enquanto ele se trocava no barraco da obra e observando-o, fui intuído de que o problema estava na roupa que usava para trabalhar, então perguntei a ele a origem da roupa e ele afirmou que a calça e a cinta que ele usava ganhara de uma vizinha e que era a roupa do seu marido que há pouco tempo havia desencarnado de câncer intestinal. Diante dessa afirmação, a qual confirmava a minha intuição, eu atuei com o meu magnetismo sobre as calças e a cinta. A partir daquele dia não mais sentiu as cólicas que o importunavam.

É evidente que a calça e a cinta do recém-desencarnado ainda se mantinham impregnadas do seu psiquismo de dor e de sofrimento que havia precedido à sua passagem para o mundo dos espíritos, cuja atuação magnética alterava a estabilidade das moléculas situadas na região gástrico intestinal do meu funcionário provocando dores semelhantes as que havia sofrido.

Aqui fizemos um pálido estudo sobre o magnetismo, pois seria impossível em um espaço diminuto de uma matéria se aprofundar mais num assunto tão empolgante e esclarecedor, porém, tenho a certeza que foi o suficiente para compreendermos a profunda visão de Kardec quando afirmou que ninguém imagina que no brinquedo dos patinhos imantados está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos.

Matéria publicada na Revista Internacional de Espiritismo 07/LXXXI

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/magnetismo-a-chave-de-uma-imensidade-de-fenomenos/

Lúcifer, o Portador da Luz

Lúcifer é uma palavra latina que significa “portador da luz” (Vem do latim, lux, lucis = luz; ferre = carregar) cuja correspondente em grego é “phosphoros”, significa “o portador do archote” ou “o portador da luz”, sendo ele mesmo, como indica o seu nome, aquele que traz a luz onde ela se faz necessária.

Além disso, Lúcifer foi um nome dado pelos latinos ao planeta Vênus. (Nesta acepção leva inicial maiúscula.) Todos sabem que Vênus, por sua proximidade ao sol, “aparece” quando este se encontra ao horizonte, durante os crepúsculos, seja esse matutino ou vespertino. Dai ele ser conhecido como a estrela da manhã, e também a estrela vespertina. Durante o amanhecer, a “estrela” Vênus aparece ao horizonte antes do “nascimento” do sol. Na observação dos antigos, é como se fizesse o papel de arauto do sol, puxando o astro rei de seu sono nas regiões abissais. Ele, nas manhãs, anunciava a chegada do sol, como se o carregasse. No entardecer, Vênus “empurrava” o Sol de volta para as regiões obscuras. Dai se dizer que Vênus ou Lúcifer, estrela da manhã “porta” o archote, ou, o sol… Esta é a razão pela qual um dos primeiros papas foi chamado de Lúcifer, como provam Yonge e registros eclesiásticos. (O termo “Lúcifer” não aparece no Novo Testamento como nome de demônio).

Em Apocalipse 22:16 está escrito: “Eu, Jesus, … Eu sou a raiz e o descendente de Davi, sou a estrela radiosa da manha.” — Isso abre uma discussão interessante pois se o próprio Jesus se auto denominou a estrela radiosa da manhã, que também é Lúcifer, este nome não deveria ter sido associado ao mal de forma alguma! — Houve também um Bispo chamado Lúcifer, de Cagliari, na Sicília, de 370 a 371, que montou uma doutrina contrária a todo e qualquer contato com os idólatras.

Posteriormente, para combater e substituir a versão aceita corrente dos Livros de Enoch para a “quedados anjos”, Tomás de Aquino entre outros, criaram uma segunda versão, tomando a decisão infeliz de transformar a palavra num epíteto do demônio. Helena Blavatsk, escreveu uma crítica na introdução da revista “Lúcifer” [Vol. I, No 1, Setembro, 1887] informando que “foi Gregório Magno quem aplicou pela primeira vez a seguinte passagem de Isaías, ‘Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da manhã’, etc. à Satã e, desde então, a ousada metáfora do profeta, que se referia, afinal, a um rei assírio inimigo dos israelitas, tem sido aplicada ao Diabo”. Já outros atribuem essa tradição como tendo se originado com uma interpretação — bastante forçosa — de Orígenes de algumas passagens Bíblicas.

Falando a respeito do poder dado aos discípulos, para lutarem contra o poder do Inimigo, Cristo disse: “Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago!” (Lucas 10, 18). No Apocalipse 9, uma estrela cai do céu sobre a Terra e se transforma em Apollyon, o anjo do poço do abismo. Obviamente, ambos se referiam metaforicamente a humanos usando uma analogia de passagens da condenação dos anjos, liderados por Semjazah, em Enoch. Entretanto, estas palavras foram interpretadas por Orígenes, e depois pelos Padres da Igreja, como referências a um capítulo do Livro de Isaías no qual Yaveh protege seu povo destruindo o orgulho de seu inimigo. (O nome de “Estrela d’alva”, ou Lúcifer, foi interpretado por Orígines como sendo o nome de Satanás antes de sua queda do Paraíso. Segundo ele, Lúcifer e seus anjos caíram por sua própria escolha. Seu motivo teria sido o orgulho, representado pela tentativa de se equipararem a Deus. Desejavam colocar sua própria vontade no lugar da vontade de Deus. E isto era considerado como a base do pecado em todos os níveis. Aos poucos, estas idéias começaram a se transformar na base dos ensinamentos tradicionais sobre o Diabo). Trata-se de uma interpretação errônea do seguinte trecho de Isaías que fala da “morte do rei da Babilônia” Nabucodonosor (Nebukadneççar em hebraico), que recebeu a maldição suprema da privação da sepultura:

“Como caíste do céu, ó estrela dálva, filho da aurora!
Como foste atirado à terra, vencedor da nações!
E, no entanto, dizias no teu coração:
‘Hei de subir até o céu, acima das estrelas de Deus colocarei o meu trono, estabelecer-me-ei na montanha da Assembléia, nos confins do norte.
Subirei acima das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo.’
E, contudo foste precipitado ao Xeol, nas profundezas do abismo”.
Os que te vêem fitam os olhos em ti, e te observam com toda atenção, perguntando:
“Porventura é este o homem que fazia tremer a terra, que abalava reinos?”

(Isaías 14, 12-15)

Segundo estudiosos da Bíblia, a expressão usada no texto “ó estrela d’alva, filho da aurora!” parece inspirar-se num modelo fenício. Em todo caso, eles apresentaram vários pontos de contato com os poemas de Râs-Shamra: a estrela d’alva e a aurora são duas figuras divinas; a montanha da assembléia é aquela em que os deuses se reuniam, como no Olimpo dos gregos. Posteriormente, os padres interpretaram a queda da estrela d’alva (Vulg., “Lúcifer”) como a do príncipe dos demônios.

Daí em diante a história se arrastou acumulando erro após erro. Como já era de se esperar, não seria tão simples sepultar Enoch. Muitos aceitaram a nova versão da “queda dos anjos” mas não esqueceram a antiga e, logo, as interações culturais cuidaram de unir ambas. Relações sexuais de anjos com humanos saíram de um passado longínquo de Enoch e passaram para o “tempo presente”. Falava-se de Íncubos e Succubos; Então, como o novo objetivo do lado negro seria tomar o trono de Deus, nada mais prático do que criar um novo messias. Assim, já nos primeiros tempos da cristandade, a profetiza Sibila Tiburtina, previa a chegada do Anticristo — que seria de origem judia. Entretanto, Santa Hildegarda foi a primeira a dizer que ele seria filho de “um demônio disfarçado de anjo de luz”. Diz ela:

“O filho de perdição que reinará pouco tempo, virá ao anoitecer da duração do mundo, no tempo correspondente a esse momento em que o sol desapareceu já no horizonte, isto é, que virá nos últimos dias. Armai-vos com tempo, e preparai-vos para o mais terrível de todos os combates. Após haver passado uma juventude libertina no meio de homens muito perversos e num deserto onde haverá sido conduzido por um demônio disfarçado de anjo de luz, a mãe do filho de perdição o conceberá e o alumiará sem conhecer seu pai. O filho de perdição é essa besta muito malvada’, que fará morrer os que recusam crer nele…

Quando o filho de perdição tiver levado a cabo todos os seus propósitos, reunirá todos os crentes e lhes dirá que quer subir ao céu. No momento dessa ascensão, um raio lhe ferirá, matando-o. Por outro lado, a montanha na qual se terá estabelecido para proceder à sua ascensão, será coberta no mesmo instante por uma nuvem que propagará um cheiro de podre horrível e infernal.”

Ainda no século V, Dante Alighieri apresentava o quadro mais falso, famoso e hediondo que o mundo já conheceu:

“O imperador do reino doloroso erguia o peito para fora da geleira. Eu, com minha estatura, mais próximo estou de um gigante do que um gigante comparado com o braço, apenas, de Lúcifer. Imagina pois, leitor, quão grande será Lúcifer, se calculado pelo tamanho de seus braços. Se um dia foi belo, quanto é hoje horrendo; se contra seu Criador alçou a fronte, bem entendo seja ele a fonte única do mal que o mundo inteiro chora.

Nem sei como diga a estupefação que em mim causou o haver-me aparecido de três faces era sua cabeça. Era vermelha (a indicar o ódio que o move) a face que eu via de frente; as outras duas repousam, cada uma, sobre largo ombro, mas lá em cima, no alto crânio, formavam três um só conjunto. A face da direita estava entre o branco e o amarelo; a da esquerda lembrava a cor que amorena a gente nascida e afeita à terra onde o Nilo tem seu curso. Sob cada face, duas asas vastas quando convém a um ser de modo volátil e mau.

Velas tão grandes não vi jamais em nau de alto mar. Não tinham penas, e mais lembravam aquelas asas próprias dos morcegos. Continuamente agitadas, produziam os três ventos gélidos / que mantém o Cócito enregelado. Pelos seis olhos, chorava; por três peitos escorriam suas lágrimas, pranto feito de sangue e espuma. Em cada boca triturava um pecador, qual moinho a esmagar o grão. Ao condenado que na boca fronteira a mim atormentava, acrescentava-se um outro sofrimento, pois com as garras, em fúria constante, Lúcifer por inteiro lhe arrancava a pele.”

(ALIGHIERI, Dante. A divina comédia. S. Paulo: Cultrix, 1965, p. 121, vv. 28-60)

Inúmeros inquisidores, artistas, etc. propagaram pelos séculos esta desmerecida “má fama”, juntando horrores após horrores num “efeito bola de neve”, que aglomerava e crescia com todo tipo de disparates, frutos do medo dos condenados e da demência humana. Provavelmente, dos autores mais recentes, o que mais influenciou a imaginação humana foi Milton, com sua cultuada obra “O Paraíso Perdido”:

“Fere-lhes com tais modos os ouvidos:
Dominações, virtudes, principados,
Tronos, poderes, se são vossos inda
Estes imensos títulos pomposos,
Se acaso inda não são nomes inúteis:

Há quem, por um tirânico decreto,
Todo o poder a si vem arrogar-se
Fazendo dele horrível monopólio,
E, sob o nome de monarca ungido,
Eclipsa nossa glória e privilégios.

Toda esta marcha rápida, noturna,
Esta convocação acelerada,
Promove-as ele, a fim de vermos como,
Com que pompas nos cumpra recebê-lo
Quando vier extorquir de nós – escravos !-
Tributo genuflexo agora imposto,
Vil prostração, que feita ante um já cansa,
Que feita a dois se torna insuportável!

E não pode outro arbítrio mais sisudo
Dar-nos mais elevados pensamentos,
Que a sacudir tal jugo nos ensinem?
Curvareis vosso colo majestoso ?
Súplice joelho dobrareis humildes ?
Decerto o não fareis, se não me engano,

Que vosso jus por vós é conhecido:
Bem sabeis que no Céu nascidos fostes,
No Céu antes de vós nunca habitado;
E, se ente vós não sois iguais de todo,
Iguais contudo sois na liberdade:
As várias gradações, as jerarquias
Da liberdade os forros não estragam,
Antes maior firmeza lhes transmitem.

Quer dentre iguais na liberdade pode
Por direito ou razão alçar um cetro
Sobre consórcios seus, posto mostraram
Menor poder em si, menos fulgores?

Não temos leis e nem por isso erramos;
E quem tais leis impor-nos pode ou deve ?
Ninguém pois pode ser monarca nosso,
Nem de nós exigir tão vil tributo
Em desprezo dos títulos excelsos,
Que atestam destinada nossa essência
Para ser dominante e não escrava.”

(MILTON, John. O paraíso perdido. Trad. de Antônio José de Lima Leitão. S. Paulo: Logos, p. 261-2)

O mal esta feito, o erro divulgado. “É o falso Lúcifer da legenda heterodoxa; é este anjo altivo para julgar-se Deus, bastante corajoso para comprar a independência a custo de uma eternidade de suplícios, bastante belo para ter podido adornar-se em plena luz divina; bastante forte para reinar ainda nas trevas e na dor e para construir um trono com sua inextinguível fogueira.”

(LÉVI, Éliphas, História da Magia, S. Paulo, Pensamento, p. 29).

 

por Shirlei Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/lucifer-o-portador-da-luz/

Livre Arbítrio

Jean Dubuis

Existe ou não livre arbítrio para os humanos?

A resposta depende do ponto de Evolução do indivíduo. Como qualquer coisa resultante da incorporação da Eternidade e do espaço-tempo, a questão do livre-arbítrio na Evolução é uma questão difícil de explicar. No entanto, como é uma chave principal, tentaremos entender como ela funciona.

Tudo na Natureza passa primeiro por uma fase de involução e depois por uma fase de evolução. Na origem, o homem é um ser eterno em potencial, mas pode, de repente, partir do ponto-semente primordial para o Ser realizado do fim dos tempos. Essa mudança ocorre em etapas. O homem necessariamente desce a mundos mais densos até chegar ao nosso: é a fase de involução. Quando as estruturas apropriadas estiverem preparadas, o homem pode iniciar a viagem de retorno. Esta é a fase evolutiva, o caminho da reintegração. Esta viagem, em ambas as direções, é realizada em dez passos que correspondem a dez níveis de consciência no homem, os dez níveis de energia da Criação.

O Homem Verdadeiro é, portanto, de Essência Eterna (Energia Primal). Essa Essência, como tudo que vem do Universo, passa por uma série de preparativos no tempo. Portanto, o Ser de Essência Eterna eleva-se gradativamente até sua realização através do tempo, parte ativa da Eternidade. Esta preparação é realizada em três ciclos:

  • Involução-evolução mineral,
  • Involução-evolução da planta,
  • Involução-evolução animal.

Então o foco da Energia Primordial, o ponto-semente do Ser atinge a autoconsciência, o primeiro passo decisivo para a Realização. A diferença essencial que causará a involução e a evolução é que o homem onisciente mas passivo do começo se torna o homem onisciente ativo do retorno, ou seja, livre.

Na Essência Eterna, o determinismo não existe. Não pode existir porque o elemento tempo ainda não se manifestou. Ele se manifestará em 3-4 (veja o diagrama acima). Na Criação há duas áreas: a do infinito, a da Eternidade; e a do Espaço-tempo do mundo finito e determinado. É neste último que o homem adquirirá a liberdade.

A Primeira Energia, quando brota, envolve três estágios:

  • Emanação no manifesto,
  • Diferenciação que cria dualidade em energia,
  • Condensação ou coagulação da energia em matéria.

Essa diferenciação de energia, ao criar dualidade, separa as polaridades passiva e ativa do homem andrógino.

Concomitantemente ocorre a diferenciação do espaço-tempo. Aparece então uma possibilidade de ação, ou iniciativa, de que o ser ativo seja capaz de agir sobre o passivo. O livre arbítrio pode começar a se manifestar.

Durante a descida (ou involução), essa dualidade vai aumentando, e com ela a possibilidade de aumentar a ação. Mas, ao mesmo tempo, o esquecimento abrange a onisciência da Origem e o determinismo aumenta sua aderência. Vamos esclarecer esse fenômeno.

A parte eterna do homem, livre em sua essência, não pode atuar em seu mundo de eternidade por falta de espaço-tempo. Seu domínio das leis da Natureza só pode ser expresso através do vínculo com a parte encarnada do homem. À medida que o ser progride para mundos cada vez mais densos, o ser é cada vez mais forçado a agir sob a pressão de forças mecânicas determinísticas da matéria. Assim, o vínculo entre o ser Eterno e o eu na Terra se estica e enfraquece. O livre arbítrio do homem depende da qualidade da conexão entre seu ser Eterno e seu ser na Terra.

No nível mais baixo, o nosso (nível 10), as leis dos vários planos limitam o campo de ação do homem, e ele não pode mudar isso antes do início de sua ascensão ao seu estado original. Dentro da área do “mundo finito”, o homem é livre, ou seja, livre dentro desse quadro finito. Ele pode, portanto, aprender a ser ativo, a empreender.

Ele também pode se recusar a agir e ignorar momentaneamente a “Pressão Cósmica” que o leva a se tornar. Neste caso, se ele estiver muito atrasado em seu Caminho, o vínculo com a eternidade enfraquecerá ainda mais com sua recusa em estar atento ao que lhe convém. Essa escuta, é verdade, ainda é muito baixa ou inaudível. Assim, o determinismo o obrigará a retomar sua Rota, geralmente de maneira desconfortável.

De fato, o livre-arbítrio para o homem é estar atento às Leis da Natureza e aplicá-las para aumentar seu escopo de ação. Podemos ordenar a Natureza apenas pelo uso de suas leis.

A boa vontade, ou a abordagem inteligente de ir na direção da “Pressão Cósmica” aumentará o livre arbítrio do homem e ao mesmo tempo permitirá que ele retorne (evolução).

Quando a jornada de Retorno estiver completa, o homem recuperará a onisciência original e terá forjado dentro de si a capacidade de usá-la em ciclos contínuos de Criação.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/livre-arbitrio/

Homem, Sansara e o Princípio Diretor

Paulo Jacobina

O Homem é um dos estados transitórios no qual o Eu se manifesta e, como tudo o que existe e o que não existe, é composto por infinitos Eus, cada um em um estágio distinto da Consciência e responsável por reger um ponto específico da constituição do Homem.

No núcleo do Homem existe um Eu Central, que é o responsável por reger a orquestra de Eus que compõe o Homem, aplicando o Amor para que toda a estrutura se mantenha coesa. Ao seu redor, infinitos Eus se encontram, alguns em estágios mais sutis da Consciência, compondo os estágios do Psiquismo Diretor que atuam sobre o Homem; além de outros em estágios menos sutis em comparação ao Eu Central, compondo os elementos básicos que constituem o Homem. A esse conjunto de Eus centrados em um Eu Central dá-se o nome de Persona.

Em cada Persona, infinitos Eus com seus Livres-Arbítrios atuam vivenciado as situações necessárias para o deslocamento por ressonância na Consciência, fazendo uso do Amor e do Ódio. Na condição de núcleo do Homem, um dos estágios do Psiquismo Diretor, o Eu Central deve se conectar aos Eus mais sutis para receber a orientação necessária à sua transformação, bem como orientar os menos sutis, seguindo a Escada de Jacó e estabelecendo a harmonia necessária para a sutilização, para percorrer o Dharma.

RODA DE SAMSARA

Tal qual ocorre com o Planeta, a Existência e a tudo o que existe e o que não existe, todos os Eus que integram o Homem também têm os seus ciclos de sístoles e diástoles, inclusive o Eu Central. E, tal qual ocorre em todos os estágios de Consciência, o Eu Central inicia o seu ciclo no ponto de maior Vitalidade e, consequentemente, de maior estado de sutilização.

Quando atinge o seu ponto de menor fluxo de vitalidade, no ápice da sístole, o Eu Central do Homem perde a capacidade de manter coesa toda a estrutura que dá forma ao Homem, e aqueles Eus que compunham os elementos básicos da constituição do Homem são redistribuídos pelo sistema em que se encontram, de acordo com o seu estado de Consciência.

Iniciando o período de diástole, o Eu Central começa a receber mais Vitalidade, e, por isso, aumenta a sua capacidade de atrair novos Eus elementares, dando forma a outro organismo, a outra Persona. Quando essa Persona se encontra inteiramente formada no ponto de maior fluxo de Vitalidade, de maior sutileza possível para este organismo, no ápice da diástole, tem início o período de sístole.

Durante o período de sístole, em decorrência da mudança do fluxo de Vitalidade, a Persona se torna menos sutil e, por isso, começa a transitar entre Mundos Existenciais, passando a experimentar as situações desses Mundos, compatíveis aos Corpos Existenciais de que principalmente faz uso. A esse processo, que acompanha o período de sístole, costuma-se dar o nome de Encarne e, em contrapartida, ao período de diástole, dá-se o nome de Desencarne.

A Persona que durante o período de sístole ou Encarne manifesta-se, sobretudo, fazendo uso de um Corpo Físico, e durante o período de diástole ou Desencarne, sobretudo fazendo uso de um Corpo Energético.

Tanto o Encarne ou sístole, quanto o Desencarne ou diástole, são períodos nos quais a Persona manifesta-se simultaneamente em dois Corpos Existenciais com estados de sutileza próximos, como o Corpo Físico e o Corpo Energético, e por consequência, coexiste em dois Mundos Existenciais, como o Mundo Físico e o Mundo Energético[1].

No início do período de sístole ou Encarne, o Corpo Existencial mais sutil se encontra em zênite e o menos sutil em nadir. Durante esse período, o mais sutil entra em ocaso, ao passo que o menos sutil inicia a sua aurora.

E no início do período de diástole ou Desencarne, o Corpo Existencial menos sutil se encontra em zênite e o mais sutil em nadir. Durante esse período, o menos sutil entra em ocaso à medida que o mais sutil inicia a sua aurora, como duas ondas sobrepostas e que possuem a mesma frequência e amplitude, mas em oposição de fase.

PSIQUISMO DIRETOR

O Psiquismo Diretor é um dos atributos dos elementos que constituem o Grande Plano Atman, sendo responsável pelos infinitos padrões adotados por tudo o que existe e o que não existe, seja no Grande Plano Mental, seja no Grande Plano Físico, e que visam, tão somente, promover a integralidade da manifestação.

Para experimentar o Mundo de Existência, cada Eu, ilusoriamente, é submetido à atuação de elementos integrantes dos Grandes Planos de Existência, de acordo com o estado de Consciência no qual se encontra. Ao ser submetido ilusoriamente aos elementos do Grande Plano Atman, o Eu passa a adotar características desse plano existencial, à medida que se encontra mais identificado com cada Mundo Existencial.

O Eu mais próximo ao Eu Inferior gera um padrão mais simples, enquanto o Eu mais próximo ao Eu Superior dá origem a um padrão mais complexo, e tudo que se manifesta no Grande Plano Físico e no Grande Plano Mental decorre de uma amálgama dos padrões originados no Grande Plano Atman.

Essas amálgamas que se manifestam no Grande Plano Físico seguem parcialmente a classificação taxonômica[2], sendo que cada Clado[3] tem origem em um Eu.

Apenas para ilustrar, a manifestação de uma Persona só é possível em virtude da atuação de elementos do Grande Plano Atman no Eu Central, que estabelece o padrão daquela Persona. São infinitos os Eus em estados mais próximos do Eu Inferior que do Eu Central, os responsáveis pelos padrões mais simples que compõem aquela Persona, como, por exemplo, a habilidade de andar, respirar, sentir etc.

Do mesmo modo, são infinitos os Eus em estados mais próximos ao Eu Superior que do Eu Central, responsáveis por padrões mais complexos, como, por exemplo, a forma humana, as características físicas típicas de um povo, os padrões culturais, a compreensão do Todo, a manifestação no Planeta, a correlação com o Sistema Planetário etc.

[1] Em que pese a utilização do termo Mundo Energético, como ocorre com o Absoluto e com tudo o que existe e o que não existe, o nome em si não é relevante e, por isso, o Mundo Energético também, como acontece em algumas culturas, pode receber o nome de Umbra ou Umbral, Mundo Espiritual, Submundo, Salão das Duas Verdades, o Mundo das Sombras, Mundo dos Mortos, a Sombra Aveludada, Mundo Inferior etc.

[2] Modelo de classificação científica adotado pela biologia para agrupar espécies de seres de acordo com as suas características morfológicas, mas que deixa de englobar a vida que se manifesta no reino mineral, por exemplo.

[3] Clado ou ramo é o nome dado cientificamente a um grupo de organismos originados de um único e exclusivo ancestral comum.


Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalis

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/homem-sansara-e-o-principio-diretor/