Memes para reflexão (parte 1)

Muita gente passou a conhecer os memes após o advento das redes sociais online. O que pouca gente sabe, no entanto, é que os memes da internet nada mais são do que uma espécie de “subgrupo” de um conceito muito mais abrangente, poderoso, e até mesmo místico:

Um meme – conforme proposto pelo biólogo britânico Richard Dawkins – é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma se autopropagar. Os memes podem ser ideias, línguas, sons, desenhos, doutrinas religiosas, valores estéticos e morais etc. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.

Apesar de ser um conceito puramente metafísico, ele tem sido capaz de explicar muita coisa que ocorre dentro da mente humana, particularmente no que tange a troca de informações sociais e culturais. Assim, se é verdade que muitos memes da internet não passam de pequenas peças de humor, não é verdade que todos eles possam ser considerados somente isso.

Conforme um dia nos explicou Ralph Waldo Emerson, “A chave de todo ser humano é seu pensamento. Resistente e desafiante aos olhares, tem oculto um estandarte que obedece, que é a ideia ante a qual todos os seus fatos são interpretados. O ser humano pode somente ser reformado mostrando-lhe uma ideia nova que supere a antiga e traga comandos próprios”.

É levando isto em consideração que eu pensei comigo mesmo, “Ora, se há tantos memes bobos que alcançaram tamanho sucesso em se replicar pelas mentes alheias, por que não usar do mesmo expediente para tentar refletir adiante ideias um pouco mais profundas?”.

Foi assim que me senti inspirado para criar alguns “memes para reflexão” e publicá-los em nossa página no Facebook. A minha ideia, é claro, não é criar memes “acadêmicos” ou “muito sérios”, mas me aproveitar do bom humor e do grande alcance deste tipo de linguagem online para, como sempre tento fazer, levar as pessoas a refletirem um pouco mais sobre algumas ideias que talvez estejam já velhas demais, solidificadas demais, dogmáticas demais.

Com isso não quero denegrir ou reduzir tais ideias, que são memes muito mais antigos e duradouros do que qualquer meme de internet, mas pelo contrário: mostrar outros pontos de vista para, quem sabe, trazer tais ideias ancestrais para o meio do século 21, onde há um verdadeiro Dilúvio de informação irrelevante; de modo que as ideias relevantes talvez precisem ser guardadas com carinho, na segurança de nossa Arca de Noé, esta que sempre navegou em nossa própria alma.

Na sequência, trarei alguns dos memes publicados em nossa galeria no Facebook, com uma pequena explicação sobre o que exatamente quis passar com cada um, assim como uma rápida descrição das discussões geradas por aqueles que foram mais compartilhados.

» Em breve, os memes!

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Crédito da imagem: Raph/Google Image Search

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum
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#Humor #memes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/memes-para-reflex%C3%A3o-parte-1

Fantasmas no Egito Antigo

A alma, ka ou duplo do homem pode tornar-se um espírito errante se as cerimônias funerárias não forem observadas. De especial importância são as provisões de comida e água que devem abastecer o morto, tal como foram encontradas nos túmulos e pirâmides descobertos pelos arqueólogos. A concepção da constituição física-metafísica do homem em mais de uma alma era conhecida no Egito.

O espírito sempre transcendia a realidade terrena porém, na tumba, permanecia a alma animal e era esta que consumia os alimentos e bebidas depositados no sepulcro. Sem isso, esta alma sairia vagando pelo mundo satisfazendo sua fome e sede ainda que fosse consumindo coisas imundas. O Livro dos Mortos refere-se insistentemente a esses casos, quando o fantasma bebe “águas sujas”.

Árabes e egípcios também receiam a ação dos fantasmas. No Egito o termo éfreet é aplicado tanto aos fantasmas quanto aos gênios do mal. Mr. Lane conta o caso de um criado, viciado em haxixe que encontrou, certo dia, falando sozinho, sentado no chão, do lado de fora da casa. Exigiu que voltasse ao serviço, mas o homem não respondia e continuava seu falatório sem responder. Irritado, o patrão insistiu e finalmente, o homem declarou: “O éfreet de um soldado turco está aqui, sentado neste chão, fumando seu cachimbo e recusa-se a ir embora”. O patrão nada via e atribuiu o comportamento do empregado aos efeitos da droga. Mais tarde, Mr. Lane descobriu que a casa era considerada assombrada e que, de fato, um soldado turco havia sido assassinado ali [RADCLIFF].

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-no-egito-antigo/

A Maçã Atômica

» Parte 2 da série “Reflexões sobre o materialismo” ver parte 1

Fusão Nuclear – é o processo no qual dois ou mais núcleos atômicos se juntam e formam um outro núcleo de maior número atômico. A fusão nuclear requer muita energia para acontecer, e geralmente liberta muito mais energia que consome. Até o início do século XXI, o ser humano ainda não conseguiu encontrar uma forma de controlar a fusão nuclear como acontece com a fissão.

Conforme vínhamos dizendo, a filosofia de Demócrito não despertou tanto interesse, na época, quanto as de Pitágoras, Sócrates ou Platão. Mas coube a Aristóteles resgatar suas ideias décadas após sua morte.

Aristóteles dizia que o raciocínio que guiou Demócrito para afirmar a existência dos átomos foi o seguinte: o movimento pressupõe o vazio no qual a matéria se desloca, mas se a matéria se dividisse em partes sempre menores infinitamente no vazio, ela não teria consistência, nada poderia se formar porque nada poderia surgir da diluição sempre cada vez mais infinitamente profunda da matéria no vazio. Daí concluiu que, para explicar a existência do mundo tal como o conhecemos, a divisão da matéria não pode ser infinita, isto é, que há um limite indivisível, o átomo. “Há apenas átomos e vazio”, disse ele. Observando um raio de sol que penetrou numa fresta de um recinto escuro, Demócrito viu partículas de poeira num movimento de turbilhão, levando-o à ideia de que os átomos (os indivisíveis da matéria) se comportariam da mesma maneira, colidindo aleatoriamente, alguns se aglomerando, outros se dispersando, outros ainda nunca se juntando com outro átomo.

Talvez seja mais conveniente ilustrar o pensamento de Demócrito por seu experimento mental onde imaginamos cortar uma maçã com uma faca (claro, o experimento não necessariamente precisa ser apenas mental, mas em sua época só era possível visualizar aos átomos através da imaginação pura – guardem isso):

“Quando cortamos a maçã” – afirmou Demócrito – “a faca deve passar pelos espaços vazios entre os átomos. Se não houvessem tais lacunas, então a faca iria encontrar algum átomo impenetrável, e a maçã não seria cortada. Em uma escala muito pequena, a matéria exibe uma aspereza irredutível – o mundo dos átomos.” Segundo Carl Sagan, os argumentos de Demócrito não são os mesmos que usamos hoje, mas são elegantes, sutis, e derivados da experiência do dia a dia, a observação da natureza – suas conclusões estavam fundamentalmente certas.

Para Demócrito, nada ocorria aleatoriamente, tudo advinha de alguma causa material. Ele sabiamente afirmava “que preferia conhecer uma causa do que ser o rei da Pérsia.” Ele acreditava que a pobreza em uma democracia era muito melhor do que a riqueza em uma tirania. Foi essencialmente um livre-pensador, um observador meticuloso da natureza.

O atomismo foi essencial para o desenvolvimento da física ao longo da história da ciência, mas hoje se sabe que os átomos são muito, muito menores do que poeira flutuando num facho de luz, ou pequeníssimas lascas de poupa de maçã… Os átomos são constituídos por um núcleo de prótons e nêutrons com elétrons girando ao redor, porém mesmo estas partículas ainda são constituídas de grupamentos de partículas ainda menores, os quarks. Atualmente os quarks são o limite do “muito pequeno” observável por instrumentos, mas através de elegantes teorias matemáticas os físicos postulam que as menores unidades materiais podem ser cordas cuja vibração produziria partículas de maior ou menor massa – mas isso já é uma outra história.

Demócrito estava fundamentalmente correto quando postulava sobre a quantidade de vazio que existe entre os átomos, mas certamente não pôde vislumbrá-la em toda sua magnitude… Para se ter uma ideia básica, consideremos o hidrogênio, o elemento mais abundante do universo. A maior parte dos átomos de hidrogênio é bem simples: um único próton com um único elétron girando ao redor (é também o único elemento que não necessariamente possuí nêutrons). Caso o núcleo do hidrogênio fosse do tamanho aproximado de uma maçã, o elétron a orbitá-lo estaria vagando a cerca de 3Km de distância… Isso demonstra um universo bastante vazio!

Mas não para por aí: felizmente os elétrons jamais se chocam na natureza, a não ser em condições extremas como no núcleo das estrelas… Graças a força de repulsão eletroestática, os elétrons não se chocam (como quando aproximamos dois imãs de mesma carga). Não fosse por isso, ao cortarmos maçãs ou apertarmos a mão uns dos outros, causaríamos verdadeiros incidentes nucleares com a fusão nuclear de nossos átomos…

Se tudo que existe é, de fato, átomos e vazio, consideremos quão bizarro é este mundo onde seres constituídos de átomos deslizam para cá e para lá, e julgam estar caminhando, tocando o solo; e julgam estar realmente tocando a água ao mergulharem no mar; e julgam realmente estar tocando uns aos outros nas relações sexuais… Não, toda a matéria é intangível, e tudo o que há são átomos a deslizar em turbilhão pelo vazio infinito.

Mas e o que isso tudo tem a ver com nossa questão em relação ao materialismo? Ora, é muito comum vermos seres ignorantes responderem abruptamente quando afirmamos, enquanto espiritualistas, que não somos materialistas – eles dizem mais ou menos assim:

“Ora, então você não crê na matéria? Então vá chutar uma parede para ver se a sua perna não te convence!” – Como se o mero ato de caminhar contra o vento já não provasse algo semelhante… Ou ainda, de fato, o mero fato de estarmos aqui inteiros, sem termos explodido em uma reação nuclear, levando conosco boa parte de nossa cidade (a bomba de Hiroshima tinha apenas 0,6g de urânio enriquecido).

O que ocorre é essencialmente uma confusão de nomenclaturas e conceitos, o que, aliás, parece ser a principal razão das discussões inúteis no ramo da filosofia, da ciência ou mesmo da religião… De fato, todos somos materialistas, no sentido de crer em átomos, ah não ser talvez os mais alienados ou alucinados. Há mesmo muitos religiosos que são extremamente materialistas. Mas, então, que espécie de materialismo se opõe ao espiritualismo?

» Para responder essa pergunta, primeiro teremos de analisar a grande aposta do materialismo científico…

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Crédito da imagem: Igor Kostin/Sygma/Corbis (maçãs contaminadas por radiação em Chernobyl)

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#Ciência #Filosofia #materialismo

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24 Milhões de Conspiradores!

Acabamos de chegar à marca de 24 milhões de Pageviews neste blog… Nada mal para um blog de Hermetismo e Espiritualismo no país da polarização partidária… Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 3.321 posts publicados e 49.267 comentários. Temos 4.848 followers no twitter , 23k subscribers no Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática. Também gravamos 22 Videos com Entrevistas e bate-papo sobre Hermetismo.

Post sobre como tudo começou.

Nosso Projeto de Hospitalaria está funcionando a todo vapor e passamos de 5,5 mil mapas astrais, 3,4 mil sigilos e 1.600 Mapas Sephiroticos (aproximadamente 17.400 cestas básicas ou equivalente distribuídas em 8 anos).

Quem acompanha o Blog faz tempo sabe que tudo o que fazemos aqui tem reflexo de outras Esferas e não foi por acaso que fechamos 24 milhões de visitantes praticamente ao mesmo tempo em que terminamos o Maior Financiamento Coletivo de um Jogo de RPG/Boardgame Baseado na Kabbalah e Hermetismo.

Sucesso é a Única Possibilidade!

#Blogosfera

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Fantasmas no Cinema

O ILUMINADO [The Shining ─ EUA, 1980]
Um homem é contratado como zelador de um hotel em baixa temporada e, isolado com sua mulher e filho, gradualmente enlouquece enquanto forças sobrenaturais começam a persegui-lo.
Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Diane Johnson e Stanley Kubrick, baseado em livro de Stephen King

POLTERGEIST – O FENÔMENO (Poltergeist ─ EUA, 1982)
Em Poltergeist, uma família é visitada por fantasmas em sua casa, que inicialmente se manifestam apenas movendo objetos. Com o tempo, aterrorizam cada vez, até que capturam a caçula, levando-a para outra dimensão, através do tubo de imagem do televisor. Os pais se desesperam e uma especialista em fenômenos paranormais sugere a ajuda de uma mulher com poderes mediúnicos. Dominique Dunne, que interpretou a jovem adolescente Dana Freeling em Poltergeist, morreu no mesmo ano do lançamento do filme, asfixiada pelo seu namorado. Poltergeist – O Fenômeno gerou ainda duas seqüências, chamadas Poltergeist II – O Outro Lado (1986) e Poltergeist III – O Capítulo Final (1988).
Diretor: Tobe Hooper
Elenco: Craig T. Nelson, JoBeth Williams, Beatrice Straight, Dominique Dunne.
Roteiro: Steven Spielberg, Michael Grais e Mark Victor, baseado em história de Steven Spielberg

A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street ─ EUA, 1984)
Quatro amigos começam a ter pesadelos recorrentes com uma criatura assustadora que usa uma luva com lâminas nos dedos. Quando um deles morre os outros acreditam a entidade é Freddy Kruger (Robert Englund). Eles têm pesadelos, nos quais se vêm sedo assassinados e começam a morrer na vida real. Daí por diante, eles têm que ficar acordados e desvendar o segredo por trás de Freddy Kreuger e de sua matança. O filme fez muito sucesso e teve várias seqüências tornando Freddy Kreuger um dos vilões mais conhecidos do cinema. O diretor, Wes Craven, seguiu dirigindo e produzindo outros filmes de terror adolescente, como a série Pânico. Filme de estréia de Johnny Depp.
Diretor: Wes Craven
Elenco: John Saxon, Ronee Blakley, Heather Langenkamp, Robert Englund, Amanda Wyss, Johnny Depp, Nick Corri.
Roteiro: Wes Craven

OS CAÇA-FANTASMAS (Ghostbusters ─ EUA, 1984)
Comédia. Quatro parapsicólogos que estudam fantasmas vêem suas pesquisas canceladas e resolvem abrir uma agência para combater assombrações. Armados com parafernálias, eles saem às ruas de Nova York em busca dos fantasmas que aterrorizam a cidade. Mas as coisas ganham novas proporções quando encontram um portal para outra dimensão, onde está uma terrível força maligna que ameaça tomar conta do mundo.
Diretor: Ivan Reitman
Elenco: Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Harold Ramis, Rick Moranis.
Roteiro: Dan Aykroyd, Harold Ramis e Peter Torokvei

GHOST [EUA, 1990]
Sam Wheat (Patrick Swayze) e Molly Jensen (Demi Moore) formam um casal apaixonado que tem suas vidas destruídas: ao voltarem de uma apresentação de “Hamlet” são atacados e Sam é morto. Porém seu espírito não vai para o outro plano e decide ajudar Molly, pois ela corre o risco de ser morta. Para poder se comunicar com Molly ele utiliza Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma médium trambiqueira que acaba se descobrindo verdadeira paranormal.
Diretor: Jerry Zucker
Elenco: Patrick Swayze, Demi Moore e Whoopi Goldberg
Roteiro: Bruce Joel Rubin

OS ESPÍRITOS (The Frighteners ─ Nova Zelândia/EUA, 1996)
Na pacata cidadezinha de Fairwater, a população está diminuindo misteriosamente, os médicos estão desesperados e o medo está crescendo. Chega, então, Frank Bannister, um psicólogo diferente, que junta seus amigos fantasmas para assombrar as pessoas até que eles consigam exorcizá-las. Logo as autoridades começam a suspeitar do envolvimento de Frank nas mortes e somente ele sabe da verdade. Frank morre, ressuscita, morre novamente, volta a vida e estabelece um vínculo entre a “figura da Morte” e um assassino em série que foi parar na cadeira elétrica há 40 anos.
Diretor: Peter Jackson
Elenco: Michael J. Fox, Trini Alvarado, Peter Dobson, John Astin, Jeffrey Combs, Dee Wallace-Stone, Jake Busey, Chi McBride, Jim Fyfe, Troy Evans, Julianna McCarthy, R. Lee Ermey, Elizabeth Hawthorne, Angela Bloomfield, Bannister, Desmond Kelly.
Roteiro: Peter Jackson, Frances Walsh.

O SEXTO SENTIDO [The Sixth Sense ─ EUA, 1999]
Cole Sear (Haley Joel Osment), um menino de 8 anos, é assombrado por um segredo: ele vê fantasmas. Confuso com seus poderes paranormais, Cole é muito jovem para entender sua missão e muito assustado para contar a qualquer pessoa sobre suas angústias. O psiquiatra infantil Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis) tenta descobrir a causa do comportamento introvertido e assustado do garoto, sem saber de seu dom sobrenatural.
Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (Sleepy Hollow ─ EUA, 1999)
Um conto de Washington Irving sobre a aventura de Ichabod Crane e o Cavaleiro Sem Cabeça. Dirigido por Tim Burton com seu estilo característico, Ichabod (Johnny Depp) é um detetive nova-iorquino enviado à distante cidade de Sleepy Hollow para desvendar uma série de assassinatos que tinham um detalhe em comum: todas as vítimas encontradas estavam sem cabeça. Toda a cidade acusava o temido Cavaleiro Sem Cabeça, lenda local que o jovem detetive considerava mera crendice popular. Durante a história, Ichabod começa a mudar de opinião.
Diretor: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Christina Ricci, Miranda Richardson, Michael Gambon, Casper Van Dien.
Roteiro: Andrew Kevin Walker
Fotografia: Emmanuel Lubezki

OS OUTROS (The Others/Los Otros ─ Espanha/EUA/França, 2001)
Nicole Kidman está no papel de Grace, uma mulher que nos anos 40 mora com seus filhos em um isolado casarão na costa inglesa enquanto seu marido está na guerra. As crianças sofrem de uma rara doença, em razão da qual não podem receber diretamente a luz do dia, vivendo isoladas. Três novos empregados, contratados para substituir os anteriores, que desapareceram misteriosamente, precisam aprender regras importantes: a casa tem de estar sempre na penumbra, nunca se deve abrir uma porta antes de fechar a anterior. Mas estas regras são quebradas ao mesmo tempo em que eventos assustadores e sobrenaturais começam a acontecer. Inicialmente, Grace mostra-se relutante em acreditar nas visões assustadoras narradas pela filha, mas logo começa também a sentir a presença de intrusos em sua casa. Para descobrir a verdade, Grace deve deixar todos seus medos e crenças de lado e entrar no mundo intangível do sobrenatural.
Diretor: Alejandro Amenábar
Elenco: Nicole Kidman, Christopher Eccleston, Fionnula Flanagan, Elaine Cassidy, Eric Sykes, Alakina Mann, James Bentley, Rene Ascherson.
Roteiro: Alejandro Amenábar

OS 13 FANTASMAS (Thirthen Ghosts/13 Ghosts ─ EUA, 2001)
Remake do filme de 1960. Arthur Kriticos (Tony Shalhoub) e seus filhos, Kathy (Shannon Elizabeth) e Bobby (Alec Roberts) perderam tudo em um incêndio. Inesperadamente, eles herdam a velha mansão do excêntrico e misterioso Tio Cyrus (F. Murray Abraham) e se mudam para lá. Embora arquitetonicamente bonita, a casa é bastante estranha, com paredes que parecem mudar de lugar e fantasmas assustadores e perigosos transitando por ali. Em pouco tempo, eles percebem que a nova residência é, na verdade, uma charada. A busca por sua resposta pode significar a salvação ou a destruição.
Diretor: Steve Beck
Elenco: F. Murray Abraham, Tony Shalhoub, Shannon Elizabeth, Kathryn Anderson, J.R. Bourne, Embeth Davidtz, Rah Digga, Matthew Lillard, Alec Roberts.
Roteiro: Neal Marshall Stevens, Steve Beck, Todd Alcott, James Gunn, Rich d’Ovidio

DARK WATER – ÁGUA NEGRA (Honogurai mizu no soko kara/Dark Water Japão ─ 2002)
Recém-divorciada, Yoshimi (Hitomi Kuroki) muda-se para um apartamento antigo com sua filha de seis anos, Ikuko (Rio Kanno). O lugar parece ser perfeito para as duas, apesar de ser um prédio antigo. Os problemas começam quando uma goteira insuportável invade o apartamento. Ela pede a ajuda do agente imobiliário e do síndico, mas nenhum dos dois parece competente o suficiente para consertar seus problemas. Quando ela descobre que o apartamento de cima, aparentemente vazio, está inundado, ela e a filha são envolvidas em uma trama sobrenatural.
Diretor: Hideo Nakata
Elenco: Hitomi Kuroki, Rio Kanno, Mirei Oguchi. Asami Mizukawa, Fumiyo Kohinata, Yu Tokui, Isao Yatsu, Shigemitsu Ogi.
Roteiro: Hideo Nakata, Takashige Ichise, baseado em romance de Kôji Suzuki.

O CHAMADO (The Ring ─ EUA, 2002)
Rachel Keller (Naomi Watts) é uma jornalista que resolve investigar a morte misteriosa de quatro adolescentes. Com o tempo, descobre que os assassinatos aconteceram após as pessoas assistirem a um determinado vídeo. Cada em que assiste à fita recebe um telefonema avisando que viverá apenas mais sete dias; depois vê algumas alucinações e recebe uma espécie de chamado, fazendo com que ele morra sem que haja qualquer motivo aparente. Decidida a decifrar esse enigma, Rachel assiste ao vídeo e agora terá apenas uma semana para descobrir a razão das mortes. Refilmagem do cult japonês Ringu.
Diretor: Gore Verbinski
Elenco: Naomi Watts, Martin Henderson, David Dorfman, Brian Cox, Jane Alexander, Lindsay Frost, Amber Tamblyn, Rachael Bella, Daveigh Chase, Shannon Cochran.
Roteiro: Ehren Kruger, Hiroshi Takahashi, baseado em texto de Kôji Suzuki

ROSE RED ─ A CASA ADORMECIDA (Rose Red ─ USA, 2002)
A professora de parapsicologia Joyce Reardon (Nancy Travis) forma um grupo de paranormais para desvendar os mistérios de Rose Red, uma casa mal-assombrada no centro de Seattle (EUA). Juntos, eles despertam estranhos poderes na casa e terão de enfrentar os espíritos que estavam adormecidos. A história foi baseada em fatos reais, na Califórnia. Porém o filme foi gravado em Seattle por causa das locações.O ator David Dukes morreu de ataque cardíaco, jogando tênis, durante as filmagens. Foi substituído por Craig Baxley Jr. com uma máscara de zumbi.
Diretor: Craig R. Baxley
Elenco: Nancy Travis, Matt Keeslar, Kimberly J. Brown, David Dukes, Judith Ivey, Melanie Lynskey, Matt Ross, Julian Sands, Kevin Tighe, Julia Campbell, Emily Deschanel, Laura Kenny, Tsidii Leloka, Yvonne Sciò, Jimmi Simpson, Robert Blanche, Bobby Preston.
Roteiro: Stephen King

NAVIO FANTASMA (Ghost Ship ─ EUA/Austrália, 2002)
A equipe de resgate Artic Warrior é comandada pelo capitão Sean Murphy (Gabriel Byrne) e constituída pelos melhores especialistas da área: a chefe de equipe Maureen Epps (Julianna Margulies), o contramestre Greer (Isaiah Washington) e os técnicos Dodge (Ron Eldard), Munder (Karl Urban) e Santos (Alex Dimitriades). Eles são capazes de localizar e consertar qualquer navio e levá-lo até a costa. Quando o piloto canadense Jack Ferriman (Desmond Harrington) os contrata para encontrar um navio perdido na costa do Alasca, a equipe encontra destroços do lendário barco italiano Antonia Graza, desaparecido há 40 anos. O problema é que agora o navio é habitado por um ser estranho e imortal, que colocará a vida de todos em risco.
Diretor: Steve Beck
Elenco: Gabriel Byrne, Julianna Margulies, Ron Eldard, Desmond Harrington, Isaiah Washington, Alex Dimitriades, Karl Urban, Emily Browning, Francesca Rettondini, Boris Brkic.
Roteiro: Mark Hanlon, John Pogue

THE EYE – A HERANÇA (The Eye/Jian Gui ─ Hong Kong/Reino Unido/Tailândia/Cingapura, 2002)
Este filme de terror asiático, inédito nos cinemas brasileiros, virou cult depois de ser exibido em festivais internacionais e caiu nas graças de Hollywood depois que Tom Cruise comprou os direitos para refilmagem. A produção conta a assustadora história de Mun (Angelica Lee), cega desde os dois anos. Aos 18, ela faz um transplante de córneas, mas começa a também enxergar coisas que as outras pessoas não conseguem ver. Assombrada por esses espíritos, ela conta com a ajuda de um psicanalista para descobrir a identidade do doador e, assim, esclarecer o caso.
Diretor: Oxide Pang Chun, Danny Pang
Elenco: Angelica Lee, Lawrence Chou, Chutcha Rujinanon, Yut Lai So, Candy Lo, Yin Ping Ko, Pierre Png.
Roteiro: Jo Jo Yuet-chun Hui, Oxide Pang, Danny Pang

MEDO (A Tale Of Two Sisters ─ Coréia, 2003)
Baseado numa lenda tradicional na Coréia, o terror conta a história de duas irmãs que, após passarem um bom tempo numa instituição mental, voltam ao lar, onde vivem com o pai e sua cruel madrasta. Lá, um espírito ajuda as irmãs a lidarem com os hábitos obsessivos e violentos da madrasta.
Diretor: Ji-woon Kim
Elenco: Kap-su Kim, Jung-ah Yum, Su-jeong Lim, Geun-yeong Mun, Seung-bi Lee.
Roteiro: Ji-woon Kim

O GRITO (The Grudge ─ EUA/Japão, 2004)
Karen (Sarah Michelle Gellar) é uma enfermeira norte-americana que vive em Tóquio. Ao entrar em uma casa, ela é exposta a uma maldição antiga e sobrenatural: a assombração de um espírito de uma pessoa que morreu durante um momento de extremo ódio, condenado a vagar até que outra vítima seja feita e contraia a mesma maldição. Agora cabe a Karen a tarefa de desvendar esse mistério.
Diretor: Takashi Shimizu
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jason Behr, Clea DuVall, William Mapother, Kadee Strickland, Bill Pullman.
Roteiro: Stephen Susco, Takashi Shimizu

ESPÍRITOS – A MORTE ESTÁ AO SEU LADO (Shutter ─ Tailândia, 2004)
Jovem fotógrafo Thun (Ananda Everingham) e sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) descobrem misteriosas sombras em suas fotografias, tiradas do local de um acidente. Enquanto investigam o fenômeno, descobrem que os retratos contêm imagens sobrenaturais, assim como outras.
Diretor: Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom
Elenco: Ananda Everingham, Natthaweeranuch Thongmee, Achita Sikamana, Unnop Chanpaibool.
Roteiro: Banjong Pisanthanakun, Sopon Sukdapisit, Parkpoom Wongpoom

VOZES DO ALÉM (White Noise ─ Canadá, 2004)
O tema do filme está relacionado ao FVE (Fenômeno de Voz Eletrônica). Segundo a teoria, o ruído, estática de um rádio mal sintonizado permite ouvir vozes do além. Se o mesmo é feito em relação a uma TV fora do ar, faces podem aparecer. São as imagens e sons da morte. Neste filme, Michael Keaton é John Rivers, um homem que acredita ter sido contatado por sua mulher, morta em um acidente de carro. A partir daí, ele usa as técnicas no FVE para rever mais uma a esposa mas a situação foge de controle.
Diretor: Geoffrey Sax
Elenco: Michael Keaton, Deborah Unger, Ian McNeice, Chandra West, Colin Chapin, Anastasia Corbett, Mike Dopud.
Roteiro: Niall Johnson

ALMAS REENCARNADAS (Rinne ─ Japão, 2005)
Professor universitário inicia massacre num hotel turístico, matando 11 hóspedes e funcionários. Enquanto filma seus atos com uma câmera 8mm, ele esfaqueia uma vítima após a outra. Trinta e cinco anos depois, Matsumura (Kippei Shiina) é um diretor que vai transformar esse crime em filme. Intitulado Memory, ele convida a atriz Nagisa Sugiura (Yuuka) para interpretar a heroína de seu projeto. Mas, quando o início das filmagens se aproxima, Nagisa começa a ter alucinações e sonhos assustadores.
Diretor: Takashi Shimizu
Elenco: Yûka, Takako Fuji, Mantarô Koichi, Marika Matsumoto, Tomoko Mochizuki, Kippei Shiina.
Roteiro: Masaki Adachi, Takashi Shimizu

HORROR EM AMITYVILLE (The Amityville Horror ─ EUA, 2005)
George (Ryan Reynolds) e Kathy Lutz (Melissa George) mudam-se, com os três filhos, para uma antiga mansão na cidade de Amityville (Long Island). A casa, que parecia ser a dos sonhos para esse jovem casal, acaba sendo um pesadelo. Um ano antes, Ronald DeFeo matou seus pais e os quatro irmãos com uma arma, enquanto eles dormiam. Apenas 28 dias depois da mudança, a família Lutz começa a ser aterrorizada por uma força demoníaca presente na casa. Baseado em fatos verídicos, refilmagem de clássico do terror de 1979.
Diretor: Andrew Douglas
Elenco: Ryan Reynolds, Melissa George, Jimmy Bennett, Philip Baker Hall, Jesse James, Chloe Moretz, Jason Padgett.
Roteiro: Scott Kosar, Sheldon Turner

1408 (1408 ─ EUA, 2007)
Mike Enslin (John Cusack) é escritor cético e famoso por suas obras sobre paranormalidade, as quais começou a escrever após a morte da filha. Para terminar seu livro Dez Noites em Quartos de Hotéis Mal-Assombrados, hospeda-se no hotel Dolphin e passa uma noite no quarto 1408. Mesmo com os avisos do gerente Gerald Olin (Samuel L. Jackson) sobre a morte de quase 60 pessoas naquele quarto, ele decide enfrentar os medos e encarar o desafio.
Diretor: Mikael Håfström
Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Jasmine Jessica Anthony, Len Cariou, Ray Nicholas, Paul Kasey, Tony Shalhoub.
Roteiro: Matt Greenberg, Scott Alexander, Larry Karaszewski, Stephen King

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-no-cinema/

Uma Visão não-linear do Karma

Um dos problemas centrais na busca espiritualista é a conciliação entre a crença intuitiva em uma Criação perfeita e o oceano de dúvida e dor que existe em nossa realidade cotidiana. Filosoficamente isso resulta em dezenas de especulações e interpretações que chegam até mesmo a negar a relação direta entre Criador e Criação (supondo que exista tal diferenciação) através de um personagem intermediário, o demiurgo gnóstico, que teria gerado o mundo corrupto que observamos.

Outra maneira de tentar conciliar essas percepções opostas é a concepção de um processo de causa e efeito tão natural e impessoal quanto a gravidade, que ajusta essas realidades aparentemente díspares. Enquanto a tradição ocidental, de raízes egípcias, fala em um julgamento final da alma humana, o oriente imagina um processo dinâmico e cotidiano, que dispensa júri e juiz (embora algumas linhas, como a teosofia, citem a figura dos Senhores do carma, essa personificação da lei não é a mais comum, mantendo seu caráter natural).

O quanto desse conceito é útil e o quanto é apenas uma fantasia egóica? Dando um passo atrás, pensemos a reencarnação e veremos o mesmo comportamento. De uma hipótese sistêmica muito interessante, ela passa a ser uma simples maneira de afagar o ego. Quantas princesas e generais não se redescobrem em centros espíritas e terapias de vidas passadas? Nunca a humanidade foi tão nobre quanto em suas pretensões…

Em sua interpretação tradicional, todo o mecanismo reencarnatório/cármico é tradicionalmente respaldado por um interpretação linear do tempo. Mas essa interpretação faz sentido de um ponto de vista do Self (vamos chamar assim uma possível dimensão maior do Ser) ou é apenas um ponto de vista raso do ego? A argentina Zulma Reyo, em seu livro Karma e Sexualidade faz uma representação interessante entre o que ela chama de tempo linear e o tempo concêntrico, a realidade vivida pelo Self. Ela considera a existência egóica, linear, como uma experiência do Self projetado na tridimensionalidade, a partir de condições absolutamente aleatórias. O mecanismo cármico existe apenas como elemento de aprendizagem dentro dessa única existência linear, não atuando como elemento de ajuste entre consecutivas experiências lineares. Do ponto de vista de uma Criação una, essa visão é absolutamente harmônica. Mas do ponto de vista do ego individualizado, a perspectiva de uma vida iniciada em condições aleatórias não difere em nada de uma visão absolutamente materialista.

A autora também define como elemento chave para entender o processo cármico aquilo que chamamos de forma-pensamento. É através dessas estruturas mentais/emocionais geradas e mantidas por nossos pensamentos e ações que se dá a atração das condições externas que caracterizam a relação de causa e efeito. E essas formas-pensamento seriam visíveis a médiuns treinados como aderências no campo causal. É praticamente a mesma interpretação, dita em termos atuais, do processo cármico tal como compreendido no Jainismo, uma das religiões mais antigas da India. Os janistas crêem que o carma é uma substância que se adere à alma, e essa quantidade e qualidade de substância aderida que define as condições atuais da vida do individuo. Essa substância pode ser eliminada através de jejuns e meditações.

Fica então a questão. É possível conciliar reencarnação, causa e efeito e uma existência não linear?

Texto do meu irmão Andrei Puntel

#Espiritualidade #espiritualismo #karma

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/uma-vis%C3%A3o-n%C3%A3o-linear-do-karma

Fantasmas na Tradição Hindu: Butha, Preta e Pisaca

A tradição doutrinária indiana distingue 10 categorias de seres malévolos, três delas de origem humana. Estas, são descontentes, errantes que habitam uma dimensão intermediária entre o céu e o inferno, ocupadas em fazer o mal e aborrecer os mortais através da produção de fenômenos como a possessão e as inspirações para ações nefastas. Estas três categorias são: os Butha, os Preta e os Pisacha [Pisaca]. Porém, o termo Butha, que pertence ao sânscrito, idioma da antiga Índia, é popularmente aplicado aos três tipos. Serve para designar seres que viveram e não vivem mais como seres humanos deste mundo. Em um sentido específico, aplica-se a fantasmas, simulacros, relíquias do homem morto, impureza astral.  São sombras, pálidos habitantes do plano astral, cópia do homem que foi um dia. A crença nos Bhutas se entende ao Tibet, à China e outros países do Oriente, como a Indonésia, no contexto do Budismo.

Os Butha são almas daqueles que morreram de morte violenta [como se vê, uma crença de todas as culturas]; dos loucos; dos que eram afligidos pela dor ou pela avidez em todas as suas formas, fosse avareza, luxúria ou gula. A diferença precisa entre as três classes determina que os Pretas são fantasmas de crianças ou de pessoas que nasceram deformadas, com imperfeições físicas, mostruosidades que, no passado, eram atribuídas à negligência no proceder a certas cerimônias destinadas a propiciar a boa formação dos membros do feto [WALHOUSE]. [No Bardo-Thödol, Livro dos Mortos Tibetano, os Pretas são caracterizados como seres profundamente tristes]. Os Pisacas, aproximam-se mais dos vampiros, por sua capacidade de extrair energia vital e, geralmente, são de natureza feminina.

A distinção entre um butha e rupa [a alma animal do ser humano] é muito tênue: Bhuta é o corpo fantasmagórico, rupa é o alento vital que anima bhuta. Os bhutas são “cadáveres astrais” remanescentes homem depois da morte física e, entre os hindus, o contato com tais criaturas, essas “cascas”, produz, inevitavelmente, resultados maléficos. Apesar de pertencentes ao astral, os buthas são magneticamente atraídos para os ambientes da Terra com os quais se identificam por conta dos hábitos cultivados em vida.

Normalmente, os Bhutas, depois da morte do indivíduo, transcendem a realidade terrena e vão para mundo sublunar, Kama-Loka, onde se desintegram lentamente [o espírito puro, dissociado de seus atributos terrestres vai para a dimensão ontológica, plano de Ser, chamada Devakan]. Quando permanecem entre os vivos, os Bhutas tornam-se assombrações de cemitérios, que se escondem nas árvores, animam cadáveres, iludem e destroem seres humanos.

É melhor para alguém entrar no corpo de um tigre, de um cachorro do que tornar-se um bhuta…” — disse o velho hindu… Todo animal possui seu próprio corpo e o direito de fazer uso honesto dele enquanto que os bhutas são amaldiçoados, dakoita — bandidos, ladrões. Estão sempre espreitando, ansiando uma oportunidade de usar o que não lhes pertence. É um estado horrível, um horror indescritível, um verdadeiro inferno“. [BLAVATSKY]

Em algumas culturas regionais, como no Hindustão*, os Buthas recebem reverência como entidades tutelares e as famílias mantêm em casa representações do fantasma: uma pedra sem forma definida. Diariamente, depositam diante dele [a] oferendas, como roupas e arroz, para aplacar alguma possível irritação e requerer sua proteção contra maquinações de Buthas dos vizinhos.

No Deccan, platô localizado na Índia central, os fantasmas são chamados Vîrikas e, mais ao sul, Paisâchi. Nestes locais, os santuários para oferendas são feitos com pilhas de pedras no topo das quais há um cavidade onde é colocada a pedra representativa do fantasma. Se os presentes forem esquecidos, os espíritos visitarão o “negligente” provocando tormentos e infortúnios ou aparecendo durante a noite para reclamar o que lhes é devido.

Dr. Buchanan relata um caso de aparição de Paisâchi: em viagem a Mysore [sul da Índia] seu cozinheiro ficou doente e morreu. Os pertences do morto foram reunidos para serem entregue à esposa e filhos. Porém, o mordomo, chefe dos criados, havia se apoderado de um par de chinelos e tinha a consciência pesada. O cozinheiro, transformado em Paisâchi, começou a atormentá-lo aparecendo à noite, com um turbante negro, exigindo reparação. Noite após noite o fantasma visitava o mordomo, tomando a forma de um cão, rondando o local onde havia morrido, mudando de forma, agigantando-se até assumir o aspecto do cozinheiro. O mordomo não teve mais ânimo de conservar os chinelos e devolvendo-os, recuperou a paz [RADCLIFFE, 1954].

* Hindustão ou Indostão: O subcontinente indiano é a região peninsular do Sul da Ásia onde se situam os estados da Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Por razões culturais e tectônicas, a ilha do Sri Lanka e as Maldivas podem também considerar-se como pertencentes ao Subcontinente. Esta região do sul da Ásia foi historicamente conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje apenas utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente. [WIKIPEDIA]

por Ligia Cabús

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Fantasmas na Rússia

Os lugares mais assombrados mais famosos da Rússia são o Kremlin e St. Petersburg. No Kremlin, a torre Komendantskaya abriga uma mulher com uma pistola nas mãos. É o fantasma de Fanny Kaplan, que tentou matar Lenin e foi executada. Ivan, o Terrível, prefere a torre do sino. Ao longo do muro, caminha o czar Dmitri Pretender. Sua última aparição documentada foi em 1991. St. Petersburg tem a praça Toitskaya próxima à Casa de Pedro, o Grande, assombrada por uma menininha. Na Academia de Artes o arquiteto Kolkorin é ouvido nas noites frias, batendo nas portas e gritando: “Sou eu, o escultor Kozlovsky do cemitério Smolenskoe. Eu estou molhado e gelado em meu túmulo…. Abram a porta!”

Na ponte de Lieutenant Schimidt,a jovem Shishiga aborda os caminhantes dispostos a ouvir seus problemas, um fantasma lamuriento. Perto da Fortaleza de Petropalovskaya, a princesa Tarakanova chora às margens congeladas do rio Neva. Finalmente, na ponte sobre o canal Ekaterininsky, Sofia Perovskaya, membro do partido Socialista Revolucionário, que comandou o assassinato de vários membros do governo czarista, aparece nos dias mais sombrios de março. Sua face é azulada, como os que morreram sufocados; no pescoço, a marca roxa de uma corda e na mão um lenço branco, que servia para sinalizar o ataque das bombas…

por Ligia Cabús

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Fantasmas na Grécia e Roma Antiga

Lucius Apuleio [125-180 d.C.], escritor latino nascido na Argélia, classificou os espíritos da antiguidade greco-romana em três categorias: os Manes [na Grécia, Lares, em Roma], espíritos de ancestrais que não precisavam ser temidos se os ritos funerários fossem observados conforme as prescrições religiosas, que incluíam a manutenção do fogo doméstico. Os Manes poderiam, inclusive, ser um recurso de proteção no sentido de interferir a favor dos parentes usando poderes adquiridos em sua existência no Além.

Os Lemures [Lemuri], eram uma designação mais genérica para os espíritos desencarnados, geralmente entendidos como “espíritos da noite” que vagavam nos cemitérios, comportamento considerado muito natural se, por qualquer motivo, não obtinham o descanso póstumo, como no caso dos assassinos. Alguns rituais eram realizados para aliviar o sofrimento dos espíritos, como oferendas de sangue que, na verdade, deveriam servir somente para prolongar a permanência daquelas almas no mundo dos vivos. As Larvas [Larvae], o terceiro tipo descrito por Apuleio, tinham características maléficas específicas: causavam a epilepsia e a demência mas também podiam ser brincalhões, travessos apesar de sua aparência sombria, muitas vezes descritos como esqueletos etéreos.

Na Grécia, durante três dias, considerados desafortunados, entre fevereiro e março, templos e casas comerciais eram fechados porque, acreditava-se, os espíritos Lemures estavam circulando no mundo. Pela manhã, as casas eram marcadas com piche e ornadas com ramos de espinheiro branco, cujas folhas também eram mascadas a fim de manter longe os espíritos. No último dia desse festival, que na Grécia chamava-se Nemesia, eram feitas oferendas a Hermes e os mortos eram formalmente convidados a se retirar.

Em Roma, Ovídio descreve a Lemurália, que acontecia em maio. O mês que atualmente é considerado o mês das noivas, [possivelmente por influência do calendário católico-cristão no qual este é o mês de Maria], naquela época, era desfavorável para casamentos por conta do retorno assombroso do fantasma de Remo, o irmão que Rômulo assassinou no episódio da fundação de Roma. Na ocasião, o “cabeça” da família, o pater, caminhava descalço pela casa fazendo sinais místicos que afastavam o “olho do mal”. Colocava feijões [favas] na boca e atirava outras por cima dos ombros dizendo: “Com estas favas eu redimo a mim e aos meus”. A cerimônia era repetida nove vezes. Depois, o pater purificava-se pelo banho e convidava os espíritos a deixarem sua casa. O procedimento tinha validade: um ano; depois disso, todo o ritual deveria ser repetido. Havia também as Lâmias, de origem grega, que assombravam os quartos, que tinham, então, de ser defumados com enxofre enquanto outros ritos eram feitos com ovos a fim de exorcizar o mal.

Os mortos sem descanso pertenciam a três classes: os que tinham morrido antes do tempo, aeroi: se tornavam errantes até que se completasse o tempo que teriam de vida; os que tinham sofrido morte violenta, biaiothanatoi; os que ficaram sem túmulo, ataphoi. Estes espíritos assombravam os lugares que abrigavam seus restos mortais

A Casa Assombrada de Atenas

Caio Plínio Cecílio Segundo ou Plínio, o Jovem – [61/62-114 d.C.], italiano de Como, região da Lombardia, fornece um dos mais antigos registros escritos sobre uma casa mal-assombrada. Existia em Atenas uma grande casa na qual ninguém queria morar porque, nas altas horas da noite, ali eram ouvidos os barulhos de um arrastar de correntes dos jardins ao quintal. Houve quem pudesse ver a figura esquelética e pálida de um ancião com uma longa barba; as correntes estavam presas às suas mãos e pés. A casa foi definitivamente abandonada e posta à venda por baixo preço; mas não havia comprador. Foi quando o filósofo Athenodorus, chegando a Atenas, ouviu falar do lugar e, intrigado com o caso, comprou a casa. Ele queria desvendar o mistério. Instalou sua cama de frente para o jardim, fechou a porta principal, dispensou seus escravos e preparou-se para passar a noite na tocaia. Distraia-se lendo e escrevendo quando escutou as tais correntes se arrastando. Levantou-se e examinando o local viu, afinal, a aparição que lhe fez sinais para que a seguisse. Relutante, a princípio, depois, o filósofo, resolveu atender o pedido e munido com uma lâmpada foi atrás do fantasma, que se movia lentamente, como que estorvado pelo peso das cadeias. Chegaram à parte mais ampla do jardim e, então, o espectro desapareceu. Athenodorus marcou o lugar com folhas e gravetos. No dia seguinte, o local foi escavado na presença de um magistrado. Encontraram o esqueleto de um homem acorrentado. Os restos mortais foram sepultados com todas as cerimônias. O fantasma nunca mais foi visto [COLLISON-MOLEY].

Batalhas-Fantasma

As assombrações que reproduzem batalhas, episódios de guerras históricas, também estão presentes na tradição greco-romana. Como que aprisionados às suas rivalidades, os soldados continuam lutando mesmo depois de mortos, em sua guerra eterna e sem fim que se prolonga e se repete ao longo de séculos. São contendas travadas no céu entre guerreiros espectrais que não assinam tratado de paz. Relata Tacitus: quando Titus [imperador romano: 30-81 d.C.] sitiava Jerusalém, exércitos foram vistos combatendo no céu. O mesmo acontecia nas muralhas de Roma, muito tempo depois da grande batalha contra os Hunos de Átila; os fantasmas lutaram durante três dias e três noites e o ruído de suas armas em confronto era ouvido claramente. A Batalha de Maratona [Grécia, guerras médicas, 490 a.C.] também virou assombração. Segundo Pausânias, à noite, escutava-se o tropel dos cavalos e os homens em combate. Alguns heróis gregos também viraram fantasmas e suas histórias tornaram-se parte do folclore da região, como Ajax e Aquiles. Ajax, por exemplo, não tolerava desrespeito com sua tumba e certa feita, tendo a sepultura sido perturbada por pastores e seus rebanhos, admoestou-os contra o sacrilégio proferindo suas censuras em uma voz potente e cavernosa e vinha das profundezas da terra.

O Fantasma de Nero

O fantasma do imperador incendiário, facínora matricida e péssimo poeta foi um dos mais famosos na Roma antiga. Acreditava-se que sua alma passeava na ruas da cidade recusando abandonar seus antigos domínios. A igreja de Santa Maria del Popolo, dizem, foi construída sobre sua sepultura, a fim de que seu espírito errante encontrasse repouso.

O Fantasma de Caligula

Este outro imperador, também um tanto descompensado das idéias, andou assombrando os romanos, especialmente os guardas dos Lamian Gardens porque tinha sido enterrado apressadamente ali, sem as devidas cerimônias. Foi preciso que suas irmãs, que realmente o amavam, retornassem do exílio e os rituais fossem apropriadamente realizados. Somente assim, Calígula descansou em paz.

Evocação de Espíritos na Grécia e na Itália

Os gregos acreditavam que certos lugares eram especialmente propícios para se obter comunicação com os mortos, verdadeiros portais do Hades que, governado por Plutão/Hades, era o lugar ou mundo para onde iam as espíritos desencarnados. Eleusis, Colonus, Enna, na Sicília, são alguns exemplos, além de certos lagos e mares. Locais onde havia a emanação de gases sulforosos e, certamente, alucinógenos, não raro eram alvo desse tipo de crença, como o Oráculo de Apolo [Delfos], onde as pítias previam o futuro com ou sem consulta aos mortos. Numerosos templos também eram freqüentados para ouvir os fantasmas que, acreditava-se, eram capazes de conhecer o futuro, entre estes, o Templo de Phigalia, na Arcádia.

Os mortos somente podiam se manifestar para consultas com a permissão de Plutão e, quando apareciam, eram conduzidos por Mercúrio [Hermes]. Somente os mortos recentes atendiam os vivos porque ainda tinham algum interesse nas coisas terrenas. Porém, havia exceções, como o herói Aquiles, que apareceu evocado por Apolônio de Thiana.

Na Itália, segundo Cícero, o Lago de Avernus, próximo a Nápoles, era um “oráculo dos mortos” onde as “sombras, os espíritos dos mortos eram chamados na densa treva da boca do Aqueronte, o rio de sangue salgado”; e, nas palavras do historiador grego Ephorus: “os sacerdotes que evocavam os mortos no Avernus moravam no subsolo e comunicavam-se com os espíritos nas passagens subterrâneas posto que estes habitavam as entranhas da terra”. Não muito longe do lago, também havia cavernas-oráculo onde os consulentes recitavam fórmulas encantadas e ofereciam sacrifícios para propiciar as revelações. Os fantasmas apareciam como sombras insubstanciais, difíceis de ver e reconhecer mas com uma audível voz humana.

por Ligia Cabús

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