Queima ele, Jesus! – parte I

Postado no Sedentário em 24.09.2008.
Depois destes últimos meses estudando a origem dos demônios inventados pela Igreja Católica e fartamente utilizados pelas evangélicas, vamos retornar no Tempo e passar para dois temas que vocês estavam aguardando: Templários e Rei Arthur. Como veremos a seguir, estas duas histórias estão diretamente associadas aos descendentes de Jesus e Maria Madalena, bem como a guerra política, religiosa e mágica que Roma travou com os ocultistas/cientistas por mais de 1.600 anos.
Para quem chegou agora, eu recomendo ler os posts antigos Bota o Natal na conta do Papa, Yod-He-Shin-Vav-He e Maria Madalena, Pitágoras e Buda, os professores de Jesus e finalmente Seria Yeshua um x-men?
Continuemos, então, com um pouco de história antiga…

Terminamos nossa narrativa histórica no resgate de Yeshua da crucificação, quando os iniciados Essênios conseguem, através de acordos políticos com Pilatos, remover o corpo de Yeshua para o sepulcro (o “Santo Sepulcro”) e curá-lo através de imposição de mãos. Jesus reúne-se com seus apóstolos mais algumas vezes, e isto ficou retratado no Novo Testamento como se fosse uma “ressurreição”.

Mais tarde, ainda temendo a revolução, seus discípulos precisaram separar sua família e enviá-los para locais seguros. Maria Madalena, grávida, foi enviada sob proteção para o Egito, onde permaneceu durante quase um ano, quando se reencontrou com Yeshua no Sul da França. Falaremos sobre a Madonna Negra em posts futuros.
Outro dos filhos de Yeshua foi para Glastonbury, acompanhado de José de Arimatéia, seu tio. O terceiro filho de Yeshua, Barrabás (Barr Abas significa “filho de uma pessoa muito importante”), permaneceu com ele e muitos dizem que acabou se tornando um dos mentores intelectuais da Primeira Grande Revolta dos Judeus, que começa em 66DC. Yeshua termina seus dias na Caxemira.

A revolução começou na Cesárea, quando os judeus atacaram uma guarnição da legião romana em frente a uma sinagoga de Jerusalém, em reação à provocação de alguns gregos. Naquela época, era muito comum a disputa religiosa e filosófica entre Helenistas e Judeus: um grupo de gregos sacrificou pássaros em frente à sinagoga como uma provocação e, como os soldados romanos nada fizeram para impedir, os judeus começaram uma revolta atacando os gregos e os soldados. Esta primeira batalha ficou conhecida como a Batalha de Beth-Horon.
Os romanos estavam em vantagem de 5 homens para cada judeu, mas através de uma guerrilha bem planejada, os soldados treinados de Yeshua conseguiram matar uma legião inteira romana.
Muito puto da vida, o Imperador Nero decidiu acabar com os judeus de uma vez por todas.

Aliás, a vida de Nero não foi fácil: ele teve de lidar com revoltas na Inglaterra (60-61) orquestradas por guerreiros ligados a Boudicea, a rainha das tribos de Iceni e provavelmente pertencente aos clãs que acolheram os descendentes de Yeshua. As tribos daquela região estavam em relativa paz com os romanos, até a morte de Presutagus, marido de Boudicea. Como os romanos não reconheciam mulheres como legítimas herdeiras, o governador das Ilhas não quis reconhecer a autoridade de Boudicea, invadindo seu castelo. Boudicea foi chicoteada e suas filhas estupradas pelos romanos.
Como retaliação, os guerreiros celtas atacaram e destruíram 3 das mais importantes cidades romanas, incluindo Londinun (L0ndres) matando mais de 70.000 invasores no processo. Os rebeldes só retrocederam quando a legião comandada por Gaius Suetonius Paulinus conseguiu derrotá-los na batalha de Watling Street.

Boudicea serviu como uma das bases da heroína celta chamada Gwenhwyfach que muitos séculos depois se tornaria Guinevere, esposa do Rei Arthur. Assim como as outras rainhas celtas, Boudicea possuía concubinos (homens encarregados de lhe dar prazer sexual enquanto o rei estivesse longe em batalhas). Este costume celta irá horrorizar os púdicos católicos muitos séculos depois, e Guinevere terá um “amante” para “consertar” esta narrativa. É uma história interessante que contarei mais para a frente, mas adianto que o termo “carregar chifres” como sinônimo para adultério veio deste costume celta.

No meio destas confusões, Nero fazia o que todo Imperador e Papa romano faz melhor: mandava matar os judeus/cristãos (note que o termo “cristãos” usado aqui se refere aos judeus discípulos e seguidores de Yeshua, não aos católicos apostólicos romanos, como a Igreja mentirosamente quer que você acredite quando chama estes caras de “mártires do catolicismo”). As pessoas que iam para os leões eram judeus, maniqueístas, marcionistas, setianos, essênios, ofitas, bogomilos, valentinos e outras seitas judias.

Em 64, um incêndio de enormes proporções devastou 4 dos 14 bairros de Roma e destruiu severamente outros 7 bairros. Nero acusou os cristãos de cometerem este crime e utilizou todo este processo para dar as desculpas necessárias para inaugurar as festividades de jogar os cristãos na arena com os leões.

Flavio Josefus
Outro personagem importante em nossa história é Mattitiyahu ben Yosef ha-Kohen, fariseu que nasceu em 37 EC (Era Comum ou Depois de Cristo); a data da sua morte não é exata – algo entre 95 e 100 EC. Líder da revolta dos judeus contra o domínio de Roma na década de 60 EC e depois da derrota entregou-se aos romanos, caindo nas graças de Vespasiano – comandante das legiões romanas – ao profetizar que este se tornaria imperador. Como sua profecia se confirmou, ele tornou-se protegido do imperador romano, recebeu o título de cidadão e foi nomeado Flávio, o nome da dinastia romana dominante na época. Flávio Josefo – como é conhecido hoje – passou a residir em Roma e escreveu algumas obras históricas, entre elas “As Guerras Judaicas”, “Antiguidades Judaícas” e “Contra Apião”, fornecendo pormenores da destruição de Jerusalém em 70 EC, da qual foi testemunha ocular, e detalhes sobre outros aspectos da história dos hebreus não registradas na Bíblia.

Sei que esta parte será um pouco chata, mas é necessária para entendermos o que aconteceu com a doutrina de Yeshua após seu exílio. Enquanto o Império romano entrava em guerras cada vez mais violenta contra os judeus, sua expansão em direção às Ilhas Britânicas.

Masada

A única fonte histórica para o episódio é a obra do judeu romanizado Flavius Josephus, “Guerra dos Judeus“. Entretanto, os historiadores modernos concordam que realmente um grupo de Zelotes matou a si e às próprias famílias e incendiou algumas construções em Masada. Vocês lembram quem era um dos líderes dos Zelotes, não? Isso mesmo! Judas, o melhor amigo de Jesus.

Quando os zelotes tomaram a fortaleza em 66, após eliminar uma coorte da Legio III Gallica ali estacionada, encontraram um bem sortido estoque de armas, bem como quantidade de ferro, bronze e chumbo para o fabrico de armas e munição. Os armazéns estavam completos com grãos, óleos, tâmaras e vinho; as hortas forneciam alimentos frescos; os canais, escavados na pedra de calcário, coletavam e conduziam as águas pluviais para grandes cisternas subterrâneas, com capacidade superior a 200 mil galões.
Na Primavera de 73, a fortaleza encontrava-se ocupada por 960 zelotas, incluindo mulheres e crianças, sob o comando de Eleazar ben Yair. Outro comandante zelota, um dos envolvidos na defesa de Jerusalém, era Judas, que havia retirado para Masada após a queda de Jerusalém. A guarnição vinha resistindo por dois anos a um assédio das legiões romanas, constituindo-se no último foco de resistência judaica.
Nesse momento, o governador romano, general Flavius Silva, reassumiu as operações militares no sul da Judéia. Em fim de março, à frente da Legio X Fretensis, marchou de Jerusalém para o Mar Morto.
As tropas tomaram posição diante de Masada, passando a construir oito acampamentos de campanha na planície do lado Oeste da elevação. Foi principada ainda uma muralha de circunvalação ao redor de Masada, com cerca de três metros de altura, que se estendia por mais de duas milhas de comprimento, amparada por fortes e torres.
No lado Oeste, 137 metros abaixo do topo de Massada, e separado por um vale rochoso, havia um promontório chamado de Penhasco Branco. Os engenheiros militares romanos decidiram que, a partir desse promontório, seria construída uma única rampa para o topo do monte, iniciando-se a movimentação de terras.
A rampa assim construída, apresentava um gradiente de 1:3 e uma base de 210 metros. Em pouco tempo alvançou os 100 metros de altura e, em sua extremidade foi montada uma plataforma de 22 metros de altura por 22 de largura. Em seguida, uma torre de cerco de 28 metros de altura foi posicionada contra a muralha. Do seu alto, os artilheiros romanos faziam disparos com os escorpiões e balistas, enquanto que na sua base, um aríete golpeava a base da muralha.

Quando a muralha foi rompida, os legionários que penetraram pela brecha constataram a existência de uma segunda muralha, interna. Ao atacá-la, por sua vez, com o aríete, constatou-se que esta fora construída com vigas de madeira alternadas com pedra, técnica que absorvia os golpes de aríete. Desse modo, a 2 de Maio, promoveu-se o incêndio desta muralha, iniciando-se os preparativos para o assalto final no dia seguinte.
Enquanto isso, na fortaleza, os zelotas acompanhavam os preparativos romanos, constatando a iminência do assalto romano. Durante a noite, decidiram que preferiam morrer a ser escravizados ou mortos pelos romanos. Sacrificaram assim as mulheres e crianças, e depois os próprios defensores, até que restaram apenas dez e o comandante Eleazar ben Yair. Tiraram sortes para ver qual deles sacrificaria os demais. Após cumprir a sua tarefa, o último homem ateou fogo ao palácio, e lançou-se sobre a própria espada, ao lado da família morta.
Na manhã do dia 3 de Maio, os legionários ultrapassaram a brecha aberta na muralha interna, encontrando a fortaleza em silêncio. Chamando os rebeldes à luta, apresentou-se uma anciã seguida por uma mulher jovem, parente de Eleazar, e cinco crianças pequenas, que haviam se escondido em um dos condutos de água subterrâneos.
Masada era conhecida como uma das principais bases de resistência dos judeus. Um dos líderes deste agrupamento não era outro senão Barrabás. De acordo com as lendas templárias, Barrabás foi um dos dez últimos homens a se sacrificar, mas que seus filhos estariam a salvo fora da fortaleza antes do ataque romano. Esta lenda é interessante, porque ela explica a origem de outra lenda que surgiu na Idade Média a respeito dos romanos estarem procurando o “Santo Graal” em Masada, mas que os judeus conseguiram retirá-lo de lá antes do derradeiro ataque. Neste caso, o “Cálice Sagrado” (San Graal, Sangreal, ou simplesmente “sangue real” eram os descendentes de Jesus que estavam em Masada com os zelotes).
Estava encerrada assim a Primeira Revolta dos Judeus.

A Gnose
Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose (palavra grega que significa conhecimento), com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos. Este movimento revindicava a posse de conhecimentos secretos (a “gnose apócrifa“, em grego) que, segundo eles, os tornava diferentes dos cristãos alheios a este conhecimento. Originou-se provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, como os mistérios de Elêusis, com as doutrinas do Cristianismo. Em seu sentido mais abrangente, o Gnosticismo significa “a crença na Salvação pelo Conhecimento”.
Entre 100 e 300 DC surgiram muitos grupos cristãos que traziam o conhecimento pregado por Yeshua, derivado tanto da ritualística egípcia quanto dos conhecimentos do oriente.
Entre eles podemos destacar:

Mandeísmo
Mandeísmo é uma religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica.
Os mandeístas são assim classificados devido à etimologia da palavra manda em mandeu: conhecimento, que é a mesma palavra gnosis em grego. É considerada uma das religiões gnósticas remanescentes até os dias atuais, junto com o gnosticismo de Samael Aun Weor (que alguns segmentos gnósticos não aceitam).
Os mandeístas veneram João Baptista como o Messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100.000 adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque.
A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma, existe uma clara divisão entre luz e trevas. O senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como “a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos“. Quando esse ser emanou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo.
A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma sub-espécie do aramaico.

Basilismo ou Basilíades
Basílides (circa de 117-138) foi um Filósofo gnóstico de Alexandria, possivelmente originário de Antioquia, atual cidade turca na província de Hatay. Admitiu um princípio incriado, o Pai, cinco hipóteses emanadas dele e trezentos e sessenta e cinco céus, um dos quais é o nosso mundo, comandado por YHVH (Yahweh, Jeová ou Javé). Santo Irineu e Santo Hipólito refutaram as suas doutrinas. Basílides foi, com Valentino o mais célebre dos gnósticos.

Carpocratos
Carpócrates de Alexandría foi o fundador de uma seita gnóstica na primeira metade do Século II
Filósofo e teólogo do Século II, suas opiniões são uma mescla de cristianismo e platonismo. Sustentava que o mundo foi criado por anjos caídos. Por isso, esta criação era ruim e somente poderia o homem liberar-se dela através da Gnose, ou ciência divina.
Algumas fontes ligam Carpócrates ao Mandeísmo.

Ceritios (não confundir com Coríntios)
Cerinto (c 100) foi um dos primeiros líderes do antigo gnosticismo que foi reconhecido como herético pelos primeiros Cristãos devido aos seus ensinamentos sobre Jesus Cristo e suas interpretações sobre o cristianismo. Ao contrário dos ensinamentos da Cristandade ortodoxa, a escola gnóstica de Cerinto seguiu a lei Judaica, negando que o deus supremo tinha feito o mundo físico e negando a divindade de Jesus. Na interpretação de Cerinto, o espírito de “Cristo” veio a Jesus no momento do seu batismo, guiando-lhe em todo o seu ministério, mas abandonando-o momentos antes de sua crucificação.
Cerinto, assim como os ebionitas, usava apenas uma versão do evangelho de Mateus como escritura, rejeitando os demais escritos, principalmente os do apóstolo Paulo por o considerarem apóstata da lei. Esforçava-se e se sujeitava aos usos e costumes da lei judaica e à maneira de viver dos judeus. Venerava a cidade de Jerusalém como se fosse a casa de Deus.
Cerinto ensinou numa época em que a relação do Cristianismo com o Judaísmo estava se tornando irreconciliável. Para definir o criador do mundo como Demiurgo, combinou a filosofia grega com os ensinos sincréticos dos gnósticos. Sua descrição de Cristo como um espírito sem corpo que residido temporariamente no homem Jesus combina com o gnosticismo de Valentim.
A tradição Cristã antiga descreve Cerinto como um contemporâneo e oponente de João, o Evangelista, que escreveu o Evangelho segundo João contra ele. Tudo que nós sabemos sobre Cerinto vem da escrita de seus oponentes teológicos.

Maniqueísmo
Filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo profeta persa Mani (ou Manes), combinando elementos do Zoroastrismo, Cristianismo e Gnosticismo, condenado pelo governo do Império Romano, filósofos neoplatonistas e cristãos ortodoxos.
Filosofia dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.
A igreja cristã de Mani era estruturada a partir dos diversos graus do desenvolvimento interior. Ele mesmo a encabeçava como apóstolo de Jesus Cristo. Junto a ele eram mantidos doze instrutores ou filhos da misericórdia. Seis filhos iluminados pelo sol do conhecimento assistiam cada um deles. Esses “epíscopos” (bispos) eram auxiliados por seis presbíteros ou filhos da inteligência. O quarto círculo compreendia inúmeros eleitos chamados de filhos e filhas da verdade ou dos mistérios. Sua tarefa era pregar, cantar, escrever e traduzir. O quinto círculo era formado pelos auditores ou filhos e filhas da compreensão. Para esse último grupo, as exigências eram menores.
Mais tarde, no Sul da França, os maniqueístas e o druidismo formariam as bases do Catarismo.

Menandritas
Menandro foi um patriarca gnóstico da corrente caldeu-síria, uma das figuras mais importantes do Gnosticismo. Como Simão Mago, era da mesma cidade de seu Mestre e transmitiu os ensinamentos Gnósticos e como também mágicos. A sua doutrina afirmava que a Gnose podia entender e controlar as forças da Natureza. O centro de suas atividades era a cidade de Antioquia. Menandro e seus discípulos afirmavam que havia uma entidade superior ao Demiurgo, o Inefável, na administração do mecanismo Universal. Foi o primeiro Gnóstico a separar as duas entidades.

Marcionismo
Fundado em 144 DC. em Roma por Marcião de Sinope (110-160), um religioso cristão do segundo século, e um dos primeiros a serem denunciados pelos cristãos como um herético.
O Marcionismo rejeita o Antigo Testamento. Alguns cristãos julgam mesmo que os marcionistas sejam Anti-Semitas. A palavra marcionismo é mesmo por vezes usada para referir as tendências anti-judaicas nas igrejas cristãs. Seus textos foram uma das bases que muitos e muitos séculos depois serviram de inspiração para a filosofia da Thulegesselshaft (ordem secreta por trás da filosofia nazista).
Mas Marcião tornou-se famoso em sua época, o que acabou tornando os judeus muito impopulares em Roma (anote isso no seu caderno: naquela época, os judeus eram muito impopulares em Roma! Isto ajudará a entender o porquê de Constantino deturpar tanto a história de Yeshua para se adaptar aos anseios de um povo que desejava um messias mais parecido com Apolo/Mithra do que com um “rei judeu”).

Saturninos
Saturnino de Antioquia: (séc. II DC) foi outro renomado teólogo, foi também um grande Cabalista e profundo conhecedor do Zend Avesta e do Gnosticismo. Seus ensinamentos eram tão conhecidos que até mesmo Papus confessou haver tomado muitas de suas fórmulas como base de estudos. Ele pregava a castidade e abstinência sexual como forma de religação com deus.

Setitas ou Setianitas
O Setianismo foi um grupo de antigos gnósticos, que datam sua existência antes do cristianismo . São assim chamados devido à sua veneração à Sete, que teria sido o escolhido de Deus para a promessa de se organizar uma sociedade humana perfeita . Apesar de ter uma origem judaica ,suas doutrinas tem uma forte influência do platonismo.
Tome cuidado para não confundir: em inglês, este culto é chamado de Sethianism. As vezes muitos confundem com Set, Deus egípcio, a sua veneração em inglês é chamada de Setianism.
Existe um trecho de um texto gnóstico descoberto em 1945 em Nag-Hammadi, no Egito, nomeada “A Revelação de Adão“, onde Adão é referido como pai de Seth e que passou todo o conhecimento secreto a ele: “Estas são as revelações que Adão desvelou ao seu filho Seth; e o seu filho ensinou a seus descendentes. Este é o conhecimento secreto que Adão entregou a Seth; é o santo de batismo daqueles que adquirem o conhecimento eterno…”

Lá pelo século III, havia cerca de 80 a 90 seitas cujos ensinamentos variavam por toda uma gama do Budismo ao Judaísmo ortodoxo, passando pelo Helenismo clássico, com todas as variações possíveis e imaginárias a respeito da divindade de Yeshua, da virgindade de Maria, de Reencarnação e Karma até o Olimpo e Hades (que mais tarde se transformarão no “Céu e Inferno” no catolicismo), sobre a traição ou não de Judas, sobre o culto à Madonna Negra, sobre o Sangue Real, sobre o sexo sagrado e sobre o uso de magia e teurgia, além de debates intermináveis sobre quais textos sagrados cada uma destas facções adotava como verdadeiros.

Na próxima semana: O Imperador Constantino botando ordem no galinheiro.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/queima-ele-jesus-parte-i

O Louco no Tarot de Rider-Waite e Thoth

Breve descrição dos símbolos nas imagens do Arcano do Louco em dois tarots: Rider-Waite e Thoth (Crowley). Vale lembrar que no curso de Tarot e História da Arte, discutiremos 18 decks diferentes (desde o Visconti Sforza, Marselha e Boêmios até os mais modernos como o Mitológico, Golden Dawn e Egipcio) e as comparações simbólicas entre cada Arcano.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-louco-no-tarot-de-rider-waite-e-thoth

Repartir a Chama

Vi no documentário National Geographic “A Estória de Deus” que na Igreja do Santo Sepulcro, em Jesusalém, na Páscoa, as 4 principais seitas de cristãos ortodoxos se reúnem para testemunhar um “milagre”: O acendimento espontâneo de uma vela (supostamente por um anjo) colocada na (suposta) tumba onde Jesus ficou sepultado. As pessoas se aglomeram naquele espaço apertado, se empurrado e brigando, pois os sentimentos nacionalistas se misturam com os religiosos, e aguardam o “milagre”, que ocorre há mais de 1.000 anos.

Para os mais céticos é um “milagre” de gosto duvidoso, já que em momento algum as velas ficam expostas para o público (e sim dentro de uma cripta), mas fui levado às lágrimas ao ver toda a simbologia, onde 3 a 5 velas acendidas pelo “anjo” se transformam rapidamente em milhares de pontos de luz, provindos do mesmo fogo. Na penumbra da capela, a luz se espalha entre gregos, armênios, coptas, sem fazer juízo de valor, e o último a recebê-la terá sua chama tão quente, tão vívida quanto a que incandesceu a primeira vela.

Me emocionei ao pensar: Por que as pessoas não fazem isso no dia-a-dia? Por que brigam minutos antes e só confraternizam diante de um milagre?! O ser humano pauta sua conduta em função da religiosidade, quando a religiosidade é que deveria ser para o ajuste da conduta!!! Não deveria ser preciso Deus “descer do Céu” e dizer “Não matarás” para que saibamos que matar não é correto, e ainda assim vemos no mesmo livro dessa religião relatos de chacinas diversas em nome do mesmo Deus… vimos as cruzadas justificadas (não sei como) em Jesus, e enquanto escrevo outros tantos matam e morrem em nome de Allah…

Pensamos cada vez menos no semelhante, vivemos em um mundo que faz por onde reproduzir exatamente as características do “fim dos tempos” predito por Jesus. Quem pensa no outro é fraco, babaca. Até mesmo na espiritualidade há concorrência de grupos, seitas, integrantes. O conhecimento não é compartilhado, mas sim usado como moeda de troca, ou explicitamente vendido. Coleciona-se títulos como quem coleciona selos, ou moedas. Não percebem que, ao buscarem gradualmente a ILUMINAÇÃO, não perderão o “brilho da chama” ao compartilhá-la com o outro! Ao contrário, duas chamas trazem mais luz ao ambiente, e ambos poderão ver mais longe e melhor!

#Espiritualidade #Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/repartir-a-chama

Hermes na Alquimia

Referir-nos-emos agora a Hermes, deidade chave na tradição egípcia, grega e romana. Thot, o Hermes egípcio, que na Alexandria é conhecido como Hermes Trismegisto, ou seja, o possuidor das três quartas partes da sabedoria universal, é identificado igualmente com o Hermes grego e com o Mercúrio romano. Sempre se considerou este deus como uma imagem da transmissão, e a isso se deve que os atributos com os quais é identificado, capacetes e sandálias aladas, estejam relacionados com o vento. Uma de suas características é a rapidez de seu deslocamento, o que na Alquimia pode ser observado, de forma análoga, quanto ao metal do mesmo nome, que conhecemos como Mercúrio em sua versão latina.

Bem se diz que Hermes é eterno, seja este ou aquele o nome que lhe dispensaram os distintos povos. Unanimemente é transmissor de ensinos e segredos, chame-se Thot, Enoch, Elias ou Mercúrio, como já dissemos. Sua revelação pelo batismo da inteligência se produz naqueles que encararam sem preconceitos nem muletas o Conhecimento e se filiam intelectualmente a seu patrocínio; sua invocação, a concentração e a aplicação dos distintos métodos de sua ciência estabelecem uma comunicação direta com esta altíssima entidade, que se manifesta internamente em qualquer grau nas individualidades dispostas a isso. Como se sabe, esta deidade se manifestou –e o segue fazendo– na história do Ocidente por meio da Tradição Hermética e das disciplinas que a conformam.

Espírito protetor dos viajantes, dos comerciantes e peregrinos, sua influência se faz sentir como a própria energia que nos transmite as mensagens mais rápidas e ligeiras no caminho iniciático. Seu poder é tal que sem ele nada seria, já que, como iniciador nos mistérios da vida e do Cosmo, suas vibrações protetoras –e também dissolventes– atuam como um catalisador dos efeitos da viagem do Conhecimento. Mercúrio é sutil e ligeiro, mas ao mesmo tempo leva em sua mão a vara do caduceu, símbolo do eixo e das duas correntes que se enroscam simultaneamente nele. Sua missão é específica e nos aguarda em todas as encruzilhadas de nossos caminhos. Seu pensamento é sábio e revelador, como bem o atesta o Corpus Hermeticum, um dos documentos mais excelsos da Antigüidade, emanado da Alexandria nos primeiros tempos do cristianismo, e do qual queremos extrair este texto:

“Já que o Demiurgo criou o mundo inteiro, não com as mãos, senão pela palavra, concebe-lhe, pois, como sempre presente e existente, e tendo feito tudo e sendo Um Só, e como tendo formado, por sua própria vontade, os seres, porque, verdadeiramente, é este seu corpo, que não se pode tocar, nem ver, nem medir, que não possui dimensão alguma, que não se parece a nenhum outro corpo. Já que não é nem fogo, nem água, nem ar, nem alento, mas todas as coisas provêm dele. Agora bem, como é bom, não quis dedicar-se esta oferenda só a si mesmo nem enfeitar a terra só para ele, senão que enviou aqui para baixo, como ornamento deste corpo divino, o homem, vivente mortal, ornamento do vivente imortal.”

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-na-alquimia

Macrocosmos e Microcosmos

Divisão dos 4 planos da Árvore de Vida em correspondência com outras linguagens simbólicas presentes em textos sagrados hebreus:

Os termos hebreus Arik Anpin e Zeir Anpin –Macroprosopos e Microprosopos–, em grego querem dizer, respectivamente, “Face Maior” e “Face Menor”. Estes se encontram separados por um fosso imenso chamado o Abismo (Tehom). Entre eles se costuma situar a sefirah “invisível”, ou não-sefirah, Daath, Conhecimento. Efetivamente, na Árvore da Vida, Daath está no pilar do meio, justo entre Hokhmah (Sabedoria) e Binah (Inteligência), pois se diz que ela surge da união ou combinação destas duas sefiroth, constituindo o próprio conhecimento que a Unidade (Kether) tem de si mesma, o qual se transmite às restantes sete sefiroth (o Microprosopos) através dos canais ou caminhos que as comunicam entre si, dando lugar à criação propriamente dita.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/macrocosmos-e-microcosmos

As Palavras, Símbolos e o Poder

Muitos anos atrás quando ainda podíamos sair de nossas casas, fui com a Pri Martinelli assistir à peça “Troilo e Créssida” no teatro SESI, pois um grande amigo nosso, Eduardo Semerjian, está fazendo o papel de Ulisses, um dos generais gregos no texto. A peça, escrita por William Shakespeare em 1602, é uma de suas peças menos conhecidas no grande público mas, por lidar diretamente com a Guerra de Tróia e conter diversas referências herméticas, é uma das favoritas dos apreciadores de História da Arte.
No caminho, estava aguardando a Priscilla recarregar o cartão dela e, quando retornou, explicou que havia demorado pois a moça à sua frente na fila era analfabeta e não conseguia de jeito nenhum fazer a recarga na máquina sozinha e tiveram de ajudá-la na tarefa.

“Analfabetismo” talvez seja uma das coisas que, como escritor, creio ser das mais cruéis possíveis quando se diz respeito à alma humana e a Pri me pediu para escrever alguma coisa sobre isso… analfabetismo não apenas no sentido mais tradicional, mas também voltado ao espiritual. É uma verdadeira prisão em todos os sentidos possíveis e imaginários, que limita e encolhe o ser humano à condição quase de um animal. E é algo muito difícil de se compreender, pois se você está lendo este texto, significa que nunca conseguirá imaginar o que é não ter a capacidade de interpretar os símbolos ao seu redor, pois é impossível fingir ser analfabeto mesmo que para um teste de se colocar no lugar do outro.

Esta prisão é estudada na Kabbalah dentro das Qlipoth. Thantifaxath é o nome pela qual conhecemos o 32o túnel de Set, a Sombra de TAV. Enquanto TAV representa os portais do Templo do conhecimento que nos permitem adentrar a Árvore da Vida, Thantifaxath são as portas fechadas aos que querem aprender. Neste texto não falarei sobre responsabilidades governamentais, políticas nem nada assim, EMBORA como os túneis estão conectados, Thagirion, a Corrupção (a Sombra de Tiferet) demanda que os servos estejam aprisionados e Thantifaxath cumpre este papel de carcereiro, da mesma maneira que um povo ignorante e analfabeto político serve aos interesses dos ditadores e populistas de plantão…

Magia e Imagem

Não é à toa que a palavra MAGIA está ligada diretamente à palavra IMAGEM, e GRIMÓRIO vem do francês Grimoire, que relata à Gramática. “spell” em inglês tem a mesma relação com soletrar uma palavra e conjurar um feitiço ou sortilégio. Os primeiros magos da humanidade foram as primeiras pessoas que aprenderam a ler e escrever. Com estes hieróglifos, eles eram capazes de passar o conhecimento para um papiro ou parede no templo e outros com o mesmo conhecimento eram capazes de resgatar estes ensinamentos mesmo longe da presença dos Mestres. O “Conhecimento invisível” (e daí o termo “Colégio Invisível” usado na Rosacruz) vem da capacidade de aprender algo novo simplesmente olhando para um desenho na parede (ou, no seu caso, olhando símbolos na tela de um computador)! o quão mágico pode ser isso? E ai o Elemento AR estar ligado diretamente ao Conhecimento, aos Símbolos e às letras. E, em última instância, ao AUTO-CONHECIMENTO.

Pois é… você não tem como saber. Você não possui as CHAVES. Porém, você sabe ler em Português, e consegue ler o que EU escrevo. Se eu soubesse ler Akkadio, eu poderia traduzir os textos para você entender… e se eu não soubesse, eu poderia inventar e você não teria como saber se eu estou dizendo a verdade. O que, nas duas alternativas, coloca você, analfabeto acadiano, nas mãos da pessoa que DIZ que sabe interpretar os textos… o princípio vale para os textos acadianos e também para a BÍBLIA… ou você também fala aramaico, grego ou latim?

Em 1998, no interior da Grécia, tive por algumas horas a sensação de não conseguir interpretar as palavras e letras que estão dispostas nos letreiros de ônibus, lojas, restaurantes, mercados e jornais… um mundo alienígena onde só conseguia compreender as fotos, logomarcas e imagens nas embalagens do produto, onde mal se conseguiria diferenciar um shampoo de uma embalagem de ketchup. As notícias de todos os jornais pareciam todas iguais! Letras incompreensíveis e algumas fotos de pessoas de terno apertando as mãos em alguma reunião. O que estariam discutindo?Apenas quando perdemos algo que nos é tido como garantido que percebemos como nos faz falta!

Todos nós somos ignorantes em algum aspecto. Não há vergonha alguma em admitir isso. O problema começa quando algumas pessoas DIZEM ter todas as chaves e respostas que, de fato, não possuem. E isso vale para um jornal em grego ou para a BÍBLIA. E pior ainda, para as interpretações do que é “certo” e do que é “errado” de acordo com qualquer texto “sagrado”. Fica mais simples de entender porque justamente o túnel de Thantifaxath controla as chaves para os portões do Templo, certo? Sem o triângulo TAV-SHIN-RESH, não temos competência para interpretar os símbolos que são apresentados diante dos nossos olhos e nos tornamos vulneráveis às mentiras e informações falsas (SAMAEL, a Qlipoth de HOD, trata justamente da Mentira e é a emanação do túnel de Shalicu, o Preconceito).

Samael também cuida da MÍDIA como grande manipuladora da informação. Um povo analfabeto acredita em qualquer coisa que a mídia disser. Não é à toa que todas as Igrejas compram emissoras de rádio, jornais e televisões e que por trás de todo grande partido político corrupto está uma ligação com emissoras de televisão, jornais e rádios (e agora blogs e “jornalistas” de internet?).

Como escapar de Thantifaxath?
Não há uma maneira fácil, a evolução demanda sacrifício. A Espada Excalibur está permanentemente enterrada na pedra bruta, aguardando todo aquele que será o Rei de seu Reino retirá-la da pedra. Se a Espada e o elemento Ar representam o Conhecimento e a Pedra Bruta o Mundo Profano, o que deve fazer um Mago, ou Rei? Estudar sempre. Aprender, questionar, procurar obter as chaves do conhecimento em todos os sentidos. Alfabetizar-se em todos os sentidos (não apenas saber juntar as letras e formar palavras, isso minha filha de sete anos consegue fazer…). O grande problema de Thantifaxath é quando as pessoas ACHAM que são alfabetizadas, mas são o que chamamos de “Analfabetos funcionais”, o segundo degrau da escada, ainda mais perigoso que o primeiro, como demonstrei acima. Em 2001 quando fazia especialização em Semiótica, um professor disse que “A população brasileira não tem capacidade nem para discernir entre um merchandising e um conselho… Quando o povão vê uma apresentadora de TV dizer que usa um shampoo X no cabelo, eles não acreditam que aquilo seja uma propaganda; 78% das pessoas acreditam que a apresentadora está REALMENTE recomendando e usa aquele produto”. Bem, isso explica muita coisa em relação à nossa TV aberta e os programas de auditório, certo?

Alfabetizar-se no Elemento AR significa ter a capacidade crítica e racional de questionar o mundo ao seu redor e conseguir separar o joio do trigo. No Brasil, apenas 8% das pessoas podem ser consideradas realmente alfabetizadas, de acordo com as pesquisas mais recentes, o que significa que a situação ficou PIOR nestes últimos 15 anos.

Hermetismo e Metalinguagem
O Hermetismo no Renascimento assume o papel de uma Metalinguagem capaz de implementar mais força e impacto na apreciação de qualquer obra de Arte. Um artista talentoso consegue fazer um retrato ou um desenho, mas somente um Mestre é capaz de colocar os símbolos certos nos locais certos e invocar em nosso subconsciente as sensações que tornarão aquela obra de arte inesquecível. Da mesma maneira, qualquer um consegue escrever um texto, uma peça de teatro ou uma história em quadrinhos, mas somente os verdadeiros Mestres conseguirão mexer com o público em sua forma mais íntima e impactante, como camadas (ver o texto anterior sobre O Hermetismo ser como Camadas de uma Cebola). É a diferença entre aquela HQ mensal meia-boca que será esquecida daqui alguns meses e um Sandman, Promethea, Invisibles, Liga Extraordinária ou Watchmen que serão clássicos para sempre.

Cada camada desta cebola exige um vocabulário específico, uma maneira de conversar com o público e uma linguagem que atinja o público que você deseja. E os Símbolos conversam com todas as pessoas ao mesmo tempo. É possível escrever um texto em camadas, desde que você tenha o fio de Ariadne para conduzir a narrativa (se duvida, releia os primeiros textos do TdC após alguns anos e veja se continuam iguais aos que você lembra de ter lido…). Desta maneira, seu texto conversará com todo mundo, não importa o grau de conhecimento que a pessoa possua. E quanto mais culta a pessoa for e mais chaves ela tiver, mais ela gostará do seu texto, pois será capaz de se aprofundar cada vez mais no labirinto.

Troilo e Créssida
Para finalizar, queria dar os parabéns a toda a equipe da peça, tanto o diretor Jô Soares em suas escolhas de adaptar o roteiro junto com Maurício Guilherme para uma versão mais popular e simplificada, sem perder o simbolismo da história. A escolha de redefinir os figurinos dos Gregos e Troianos com base na dicotomia do Xadrez, para facilitar a compreensão do público em relação a qual lado da disputa cada personagem estava, entre outros detalhes muito bem acabados. O balanço entre a comédia e a tragédia ficou bem marcado (embora a peça tenha pendido muito mais para o lado da comédia nesta versão… uma “comédia sinistra, como diz o cartaz) e as caracterizações dos atores estão sensacionais (eu não assisto TV aberta, mas alguns dos atores da peça são conhecidos por seus trejeitos em programas como Zorra Total e outros e os aspectos mais caricatos foram bem explorados para conseguir a empatia do público junto a personagens complicados como Aquiles, Pátroclo, Menelau, Ajax, Pândoro e o estrupício Térsito.

Os gregos

Shakespeare conseguia conversar com todos os tipos de público em sua linguagem simples e suas obras podem ser adaptadas para praticamente qualquer contexto, por serem profundamente hermetistas e dançarem na Árvore da Vida. Suas obras podem ser apreciadas tanto pelas camadas mais populares quanto pelos mais eruditos e cultos. E quanto mais chaves você tiver, mais gostará desta peça.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-palavras-s%C3%ADmbolos-e-o-poder

O Pensamento que Liberta

“Não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco” Millôr Fernandes

Nos tempos pré-históricos, encontrava-se o homem num período de escuridão intelectual, sua inteligência achava-se dormente. Tal como uma semente que carrega dentro de si todo o potencial de um dia tornar-se árvore, assim era o homem, um embrião em estado latente, prestes a se transformar.

Com o passar do tempo, sua compreensão dos fenômenos físicos aumentava, diminuam seus medos, suas distrações. Logo, encontrava mais tempo para refletir sobre a sua existência. Movido pela curiosidade, passou a buscar um entendimento lógico da realidade natural, da origem do cosmos, bem como, o entendimento do próprio pensamento.

Portanto, se filosofia é amor pela saber, ela não nasceu na Grécia. É claro que não podemos tirar o mérito dos gregos, por serem, provavelmente, os primeiros a elaborar uma forma de pensamento que se desvincula das explicações míticas e religiosas, formalizando o que hoje chamamos de filosofia. Mas não foram eles os inventores do livre pensar.

Grandes civilizações da antiguidade já faziam suas especulações filosóficas, entretanto, o caráter religioso desses pensadores fez com que hoje fossem categorizados como místicos e não como filósofos.

No entanto, um livre pensador não se importa se esse conhecimento é de origem filosófica, científica ou religiosa, mas se esse conhecimento é significativo para sua vida, para sua evolução como ser humano.

Ciência, Filosofia, Religião e Arte

Da mesma forma que o capitão de um navio, utiliza-se de uma bússola com quatro pontos cardeais para orientar-se pelos mares, também o livre pensador, que é o capitão do seu destino, precisa de quatro pontos cardeais para orientar sua navegação pelos turbulentos mares do conhecimento. Os quatro pontos cardeais, a saber, são: o da ciência, da religião, da filosofia e da arte. Seu destino: autoconhecimento e autorrealização.

Quando possível, é através da Ciência que o livre pensador tira a prova real das suas reflexões. Aqui, a ciência é vista sob uma óptica um pouco diferente do cientificismo materialista. A Ciência representa o pensamento livre e esclarecido, e a entendemos em seu significado original, do latim Scientia, significando, conhecimento.

Conhecimento este que deve ser útil e prático para o próprio indivíduo, pois, conhecimento que não se usa, atrofia, tal como um músculo quando não se movimenta. Assim também funcionam nossos neurônios, pesquisas recentes indicam que as áreas do cérebro não exercitadas, são progressivamente desativadas.

Ao livre pensador, religião é a vivência espiritual que ocorre no interior de cada um. Através dela procuramos ligar nosso espírito individual com a essência do Universo. Mas uma religião não institucionalizada, uma religião que não é alienante, que não possui dogmas inquestionáveis ou leis imutáveis, mas que pretende se realizar no interior do indivíduo, tal como o significado real da palavra religião, religar-se com o divino, o grande Todo universal.

Filosofia é simplesmente, “amor pela sabedoria”, união das palavras gregas philos e sophia, e a compreendemos como uma atitude natural do homem que, movido pela curiosidade, realiza a busca pelo conhecimento de si mesmo, das suas verdades, a fim de compreender os mistérios da alma e do cosmos. Acordando com as antigas inscrições do oráculo de Delfos “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”.

Entretanto, o livre pensador, não deve obediências à filosofia acadêmica, que infelizmente aprisionam seus alunos em labirintos metodológicos. Mas deve obediência a si mesmo, a sua consciência. Não devendo reduzir sua capacidade de pensar aos métodos, que em muitas ocasiões são tão úteis como formas de gelo: congelar o pensamento em blocos iguais.

Como nos atenta o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, os alunos de filosofia devem: “pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a liberdade de pensamento”.

Arte, do latim Ars, significa técnica ou habilidade de criar algo. Esse processo de criação ocorre a partir da percepção que temos de algo, assim, expressamos emoções e ideias através das habilidades que desenvolvemos. Ao final desse processo, cada obra ganha um significado único.

Através da arte, o livre pensador materializa suas reflexões, assim, ideias podem ser expressas através da música, da escultura, do desenho ou da literatura. Para tal, o artista deve expressar-se sinceramente, na medida do possível, sem a intervenção de metodologias ortodoxas, que por muitas vezes, desviam o pensamento autêntico, convertendo o artista num mero refém de teorias.

Filósofo ou Livre Pensador?

Antes de Pitágoras, o filósofo era chamado de sábio, mas ele entendia que esse termo qualificativo caberia apenas ao Eterno, ao Criador de todas as coisas, que tudo sabe. Portanto, para Pitágoras, o homem em sua pequenez só pode ser um buscador da sabedoria, um amigo da sabedoria, ou filósofo, união das palavras philos e sophia.

Philos é um termo grego que dá significado a uma das facetas do Amor. É o amor fraterno, o amor entre a família, o amor entre amigos, pais e filhos. E está diretamente relacionado com o nível mental do ser humano. Vale lembrar que os gregos utilizavam três palavras distintas para os diferentes aspectos do amor: eros, philos, e ágape.

Sophia, também de origem grega, significa Sabedoria. Sophia, em algumas ramificações do cristianismo e judaísmo, é também considerada como sendo o aspecto feminino de Deus.

Atenção, todo livre pensador é também um filósofo, mas talvez, nem todo filósofo seja um livre pensador.

Um livre pensador não se preocupa em provar nada para ninguém, ele simplesmente pensa. E uma vez que seu pensamento é transmitido, a lei é a mesma que ocorre nas redes sociais: gostou? curta! quer dividir com mais alguém? compartilhe!

Contudo, ele tem a liberdade para navegar pelos diversos afluentes do grande rio do conhecimento, usar tudo, sem apegar-se a nada. Até que um dia, trilhando seu próprio caminho, esteja preparado para ultrapassar o limiar do santuário, entrando em contato com o mundo metafísico da suprema sabedoria, e quando aí chegar estará próximo de completar sua grande obra.

Convém lembrar que filosofar não é algo para desocupados. É dito na doutrina budista que: “Para se andar com segurança, nos labirintos da vida humana, é necessário que se tenham como guias a luz da sabedoria e a virtude”. Entendo que busca pela sabedoria tem por finalidade iluminar cada um de nossos pensamentos, de nossas palavras, de nossas ações.

Mas nem tudo são flores, a busca pelo saber, também tem os seus espinhos. Como bem escreveu Salomão: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor”. (EC.: 1:18). Entretanto, parafraseando o escritor russo Isaac Asimov, “se a busca pelo saber traz problemas, não é a ignorância que os resolve”.

Assim, estamos longe de encontrar respostas imediatas, nosso caminho é mais demorado, envolve questionamentos, pesquisas e constantes leituras. Isso porque, o livre pensar não pretende aliviar os sintomas, mas tratar a causa. Leva-se tempo para começar a sentir seus efeitos, porque também, leva-se muito tempo para libertar nosso organismo de toda uma miríade de concepções e ideias intoxicantes.

O alimento dessa busca incessante é a curiosidade, é o querer ir além do óbvio e a vontade de enxergar a realidade um pouco diferente daquela que é jogada aos nossos olhos. No fim, queremos apenas encontrar nosso lugar no cosmos, aceitando que somos apenas meros aprendizes da vida.

E fiquem em Paz.

#Filosofia #Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pensamento-que-liberta

As Constelações (Estrelas Fixas)

Blog do frater Matheus, que trata das constelações por aquilo que elas realmente são: Pontos de referência simbólicos no céu. Os profanos e esquisotéricos acabaram associando-as à Astrologia, embora as constelações não tenham papel algum na confecção de Mapas Astrais.

As chamadas “estrelas fixas” (o que é também apenas um referencial, já que nada está “fixo” no universo) – em contraposição às “estrelas errantes” (os planetas) – constituem um dos mais antigos focos de interesse da humanidade. Registros históricos atestam que os primeiros assentamentos humanos do Neolítico já se maravilhavam com a observação delas. Ocupavam o plano mais alto e estável de tudo o que se movia aparentemente no céu.

Agrupadas nas constelações, as “estrelas fixas” ajudavam a orientação dos viajantes, marcavam início de colheitas, épocas de plantio, festas anuais e muitas outras atividades.

Constelação é o nome dado a certos grupos de estrelas do Céu onde é projetado o imaginário coletivo de um grupo social. As formas, desenhos e atributos variados as distinguem no firmamento. A palavra constelação vem do latim com-stelattus, marcado com estrelas. Em 1945, a União Internacional Astronômica marcou oficialmente os limites das constelações e quais estrelas pertencem a qual constelação. Por volta de 1970, 88 constelações eram aceitas universalmente, além de grupos estelares menores, chamados asterismos.

Catálogos do Céu para ajudar o trabalho na Terra

Os gregos povoaram a esfera celestial com suas lendas e mitos acrescidos das que herdaram da Mesopotâmia e da Fenícia. Tales, o mais antigo astrônomo grego conhecido, era de origem fenícia. Em Hesíodo (Teogonia e Os trabalhos e os dias) e em Homero há referências a certas estrelas e constelações que têm relação com mitos sumérios. N’ O Trabalho e Os Dias – um calendário/tratado para uso dos pastores gregos – Hesíodo faz referência às Plêiades, Híades, Orion, Sirius e Arcturus. Assim ocorre também nos Hinos Homéricos, em que há citações sobre as anteriores, além da constelação do Boieiro – e outras que são elencadas em Jó (do Antigo Testamento). A partir do sec VI a C, as constelações começam a aparecer nos registros de historiadores e poetas gregos: Aglaóstenes registra a Ursa Menor (Cinosura) e a translação de Aquila; Epimenides de Creta observa a translação de Capricórnio e da estrela Capella; Ferécides de Siros escreve sobre Orion, observando que, quando esta constelação se põe, o signo de Escorpião ascende; Ésquilo e Helano de Mitilene narram a lenda das 7 irmãs Pleiades, filhas do gigante Atlas, e Hécato de Mileto relaciona o mito da Hidra à constelação de mesmo nome.

Euctêmon, um astrônomo grego (séc. V a C), compila um calendário de estações no qual Aquário, Aquila, Cão Maior, Coroa Boreal, Cisne, Golfinho (Delphinus em latim), Lira, Orion, Pegasus, Sagitário e os asterismos Hiades e Plêiades estão ali mencionados, em relação ao tempo, às mudanças de estação. Neste calendário, solstícios e equinócios estavam associados aos signos.

O mais antigo trabalho grego com relação às constelações foi escrito por Eudoxo de Cnido (Phaenomena). Embora perdido, o original emprestou a base e o nome para que Arato, um poeta da corte macedônia, escrevesse seu longo poema. No Phaenomena, são descritas 44 constelações, sendo 19 ao norte, 13 zodiacais e 12 ao sul.

Cláudio Ptolomeu, astrônomo alexandrino, cerca de 300 anos mais tarde, no livro 6o de seu Almagesto, adota o sistema de Hiparco e cataloga 48 constelações por nome e localização, atribuindo a cada estrela próxima da eclíptica características de um ou mais planetas. O Almagesto foi a base para todos os catálogos de estrelas posteriores.

Outros catálogos estelares importantes, bem posteriores, foram feitos por J Bayer (1603), J Flamsteed (1725), J Hevelius (1690), N de Lacaille (1751), entre outros. Cada um destes astrônomos, além da catalogação, criou métodos de classificação estelar e, ainda, outras constelações, como por exemplo a de Lacerta (Lagarto) ou de Camelopardalis (Camelo). A constelação do Cruzeiro do Sul (Crux Australis) foi incluída por Augustine Royer em catálogo de 1679. Essa constelação, próxima do Escorpião, tem estrelas como Gacrux, Acrux e Mimosa, que, além de serem consideradas, em astrologia política, relativas ao Brasil, têm um simbolismo que está associado à astrologia, astronomia, botânica e a poderes psíquicos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-constela%C3%A7%C3%B5es-estrelas-fixas

Pitágoras

Na Antigüidade existia uma lenda segundo a qual Pitágoras foi engendrado no seio materno graças a uma intervenção direta do deus Apolo, também pai das Musas e herdeiro da lira de Hermes. Destacava-se assim a origem celeste e divina de sua doutrina, máxime tendo em conta que Apolo (númen da Luz inteligível, da Harmonia e da Beleza) era considerado uma deidade de origem hiperbórea, o que o punha em relação com a Tradição Primordial. O mesmo nome de Pitágoras procede da Pítia do templo de Delfos (dedicado a Apolo) que profetizou seu nascimento como um bem doado aos homens, nascimento que aconteceu aproximadamente no ano 570 a.C., na ilha grega de Samos. Tendo recebido os mistérios órficos próprios da antiga tradição grega, Pitágoras abandona sua pátria natal para realizar uma série de viagens que o levarão por todo o mundo antigo, especialmente Fenícia, Babilônia e Egito, país onde residiu durante um longo período de tempo, sendo iniciado pelos sacerdotes egípcios, guardiões da sabedoria de Hermes-Thot. Amadurecido seu pensamento, e depois de realizar a síntese de todo o saber recebido, Pitágoras regressou a Samos trinta e quatro anos depois, preparado para cumprir com o alto destino predito em seu nascimento, e que não era outro senão o de criar as bases sobre as quais se assentaria a cultura grega, e posteriormente a civilização ocidental.

Em Samos fundou sua primeira escola, que seria o germe das que mais tarde se estabeleceram por toda a planície mediterrânea, especialmente na Magna Grécia (Sicília), em cuja cidade de Crótona esteve o centro mais importante na vida de Pitágoras. Seus ensinos (cosmogônicos, esotéricos e metafísicos) articulavam-se em torno ao Número, onde residia a origem da Harmonia Universal, pois através dele se revelam as medidas e proporções de todas as coisas, celestes e terrestres, idéia que Platão recolhe no Timeu, seu livro pitagórico por excelência. Para Pitágoras “tudo está disposto conforme o Número” encontrando na tetraktys, ou Década, o número perfeito, e a própria expressão dessa Harmonia, pois “serve de medida para o todo como um esquadro e uma corda em mãos do Ordenador”. Harmonia manifestada fundamentalmente também por meio da música e das formas geométricas, como atestam seus famosos teoremas e a estrela pentagramática ou pentalfa, distintivo da própria fraternidade pitagórica, que continuou subsistindo durante longo tempo, ao menos até a Alexandria dos séculos II e III d.C., onde acabou se integrando na Tradição Hermética, chegando assim até nossos dias através das diversas artes e ciências que tendem à transmutação do ser humano mediante a Sabedoria, a Inteligência, o Amor e a Beleza.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pit%C3%A1goras