Símbolos, Fórmulas Mágicas e Rituais (Parte 4)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos e então falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução.

No capítulo passado sugeri uma experiência de organização e consagração do mundo físico, de modo a alterar o mundo das ideias, o mundo formativo, ou Yetzirah. Fazendo uso da capacidade do ser humano em perceber diferentes padrões, modificamos o ambiente de maneira a estabelecer um padrão que, sempre que entrarmos em tal ambiente, nossa consciência será levada a ele, de certa forma começamos a ter um domínio sobre nossos pensamentos utilizando o mundo físico para modificá-los.

Separei um trecho do livro “O Poder do Mito”, que é uma entrevista com Joseph Campbell, um dos melhores pesquisadores que o mundo já teve na área de mitologia comparada, para poder terminar de esclarecer sobre o ponto do experimento do último capítulo:

“MOYERS: Como transformamos nossa consciência?

CAMPBELL: Depende do que você esteja disposto a pensar a esse respeito. E é para isso que serve a meditação. Tudo o que diz respeito à vida é meditação, em grande parte uma meditação não intencional. Muitas pessoas gastam quase todo o seu tempo meditando de onde vem e para onde vai o seu dinheiro. Se você tem uma família para cuidar, preocupa-se com ela. Essas são todas preocupações muito importantes, mas, na maior parte dos casos, têm a ver apenas com as condições físicas. Como você pode transmitir uma consciência espiritual às crianças se você não a tem para você mesmo? Como chegar a isso? Os mitos servem para nos conduzir a um tipo de consciência que é espiritual.

Apenas como exemplo: eu caminho pela Rua 51 e pela Quinta Avenida, e entro na catedral de St. Patrick. Deixei para trás uma cidade muito agitada, uma das cidades economicamente mais privilegiadas do planeta. Uma vez no interior da catedral, tudo ao meu redor fala de mistérios espirituais. O mistério da cruz – o que vem a ser, afinal? Vejo os vitrais, responsáveis por uma forte atmosfera interior. Minha consciência foi levada a outro nível, a um só tempo, e eu me encontro num patamar diferente. Depois saio e eis-me outra vez de volta ao nível da rua. Ora, posso eu reter alguma coisa da consciência que tive quando me encontrava dentro da catedral? Certas preces ou meditações são concebidas para manter sua consciência naquele nível, em vez de deixá-la cair aqui, o tempo todo. E, afinal, o que você pode fazer é reconhecer que isto aqui é apenas um nível inferior ao daquela alta consciência. O mistério expresso ali está atuando no âmbito do seu dinheiro, por exemplo. Todo dinheiro é energia congelada. Creio que essa é a chave de como transformar a sua consciência.”

Bom, se temos o mundo físico modificando o mundo das ideias, podemos também utilizar o mundo das ideias para modificar o mundo físico. A base desse raciocínio é a de que as atitudes que tomamos no mundo físico são baseadas no nosso processo cognitivo; uma definição para cognição pode ser “O conjunto dos processos mentais usados – no pensamento – na classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas. De uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos.”

É aqui que entra o axioma mágico “Fake until you make it”, ou “Finja até ser/fazer de fato”. Fazendo alguma coisa repetidas vezes, programamos nosso cérebro a adotar aquele padrão como uma fórmula a ser seguida no nosso dia a dia ou em situações específicas.

Um exemplo simples: repita (falando com sua voz, não somente em pensamentos) consigo mesmo “Vai dar certo!” antes de fazer qualquer coisa que julgue relativamente difícil e que já tenha feito antes, para sentir a diferença em seus pensamentos (bom para acabar com bloqueios e travas, não deixa vir o famoso “branco” que te impede de lembrar de algo que você sabe).

Este tipo de repetição é ótimo para homogeneizar algum tipo de comportamento e deixá-lo mais consistente. No caso aqui do blog utilizo o nome “Colorado Teus” para escrever, não meu nome do mundo físico. Até hoje ninguém que não soubesse antecipadamente que eu era o “Colorado Teus” conseguiu descobrir sozinho, isto porque o estado de consciência que fico ao escrever para este blog é muito diferente do meu eu natural. No começo era puro fingimento, eu fingia ser Colorado Teus e tentava sempre tomar cuidado com alguns defeitos que meu eu do dia a dia tinha, que poderiam vir para os textos contra minha vontade. Depois de muito treinamento e repetição, estes defeitos escolhidos já nem chegam perto da minha mente enquanto estou escrevendo.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Gênesis 1:1

No princípio “Coloradoteus” era uma palavra, e Colorado Teus estava Comigo, e Colorado Teus era Eu.

Esta é uma fórmula mágica de criação e transformação ensinada na Bíblia. Vamos a mais uma definição:

“Uma fórmula mágica é um enunciado de como um fato ou teoria cosmológica é percebido. Uma fórmula mágica se desenvolve a partir de outra mais antiga, do mesmo modo como aumenta a habilidade humana de perceber a si mesmo e o Universo. Uma mudança na consciência torna necessária uma alteração na fórmula mágica. Isso não significa que a velha fórmula nunca mais funcione, mas apenas que a nova se revela muito melhor.” DUQUETTE, Lon Milo. 2007. A Magia de Aleister Crowley – Um manual dos Rituais de Thelema. São Paulo: Madras.

Ou seja, alguém consegue chegar num certo nível de consciência e, então, após ter o devido entendimento de como chegou até este nível, cria uma fórmula mágica que pode ajudar outras pessoas a chegarem também. Basicamente, é assim que funciona a magia a ritualística, os rituais são formados através da mistura de fórmulas mágicas, de modo que um padrão seja atingido com a pessoa alterando seu nível de consciência através das falas e encenações.

Um tipo de fórmula mágica que vale a pena ser frisada é o Símbolo. A palavra ‘símbolo’ vem do Grego e significa “Aquilo que une” (enquanto ‘diábolo’ significa “Aquilo que separa”). É um tipo específico de signo, geralmente transmite mais ideias do que as óbvias; vem de uma prática muito comum que é criar uma imagem para representar a ideia que une um grupo de pessoas ou empresa, feito com o intuito de que toda vez que estas pessoas olharem para ele, se lembrarão dos princípios e ideais que levaram à criação do grupo e como estão conectadas a esta criação, sendo assim este signo recebe a qualidade de símbolo.

Um exemplo prático, uma aliança de casamento é um ‘símbolo’, pois representa o que une duas pessoas, enquanto uma carta de divórcio é um ‘diábolo’, pois representa o que separa duas pessoas.

No processo de iniciação em uma ordem iniciática, a pessoa recebe uma introdução à base simbólica dela, de modo que a pessoa começa a aprender como aquele grupo pensa e o que os torna um grupo. Com o devido aprendizado a pessoa começa a conseguir alterar sua consciência com os símbolos da ordem e tornar seu corpo de ideias mais próximo ou harmonizado com o dos outros membros; o problema aqui é que aprender sobre um símbolo não é apenas ler em um livro sobre o que falaram dele, mas o aprendizado também está no plano dos sentimentos – aprender sobre que emoções aquele símbolo pode causar – que é o plano logo acima do plano das ideias, como foi dito na parte 3. Portanto, para se conectar concisamente com um grupo desses é necessário passar por uma série de estudos, experiências e rituais, de maneira que só assim a mudança será concisa e a pessoa será digna de falar e agir em nome do grupo e de seu trabalho.

É exatamente por isso que muitas ordens são fechadas e exigem certo nível de compreensão sobre alguma coisa antes do pretendente ser iniciado, caso a pessoa não tenha este tipo de compreensão os objetivos dos símbolos podem ser deturpados e isso pode atrapalhar futuros membros que ainda não tiveram a devida explicação, o que possivelmente provocará uma mudança de sentido no grupo ou fatalmente o destruirá, como já aconteceu com diversas ordens. Para tentar evitar isso, a maioria das ordens ensina os significados de maneira gradual, ou seja, cada pessoa ocupa um grau e vai aprendendo e experimentando os estados de consciência de acordo com seu merecimento; uma vez que chegam nos últimos graus terão grande possibilidade de atingir um grau de consciência similar ao que os criadores da ordem intencionavam que os membros atingissem.

Aliás, o nome “membros” vem exatamente daí, cada grau da ordem (o corpo todo) te ensina sobre o funcionamento de um pedaço do corpo e, incorporando os fundamentos de todos, você se torna este corpo.

Na fala de Joseph Campbell citada no começo deste capítulo, ele se pergunta sobre o mistério da Cruz, o que é este símbolo para um cristão? A cruz os lembra, toda vez que olham para ela, de um ato de compaixão, que é doar sua própria vida ou se arriscar por quem ama. A compaixão é tida como uma qualidade muito importante para manter um grupo de pessoas unidas, ou até mesmo uma sociedade, sendo um dos alicerces de grande parte dos grupos aqui no Brasil. Assim, sempre que alguma pessoa entra em contato com uma cruz, caso tenha sido iniciada em tal mistério, seu corpo de ideias é relembrado da ideia e ela consegue tomar decisões tendo aquilo em mente.

Para concluir este texto, vamos a um novo experimento: Atuando em um ritual.

Como aqui no TdC o Marcelo já fez um post só sobre o Ritual Menor dos Pentagramas, vou deixar o link aqui embaixo e propor, para quem quiser experimentar, que comentem sobre as reações e sensações que se tiverem durante e após a ‘encenação’. Um alarde sobre rituais: não brinquem com eles, forças que vocês nem imaginam que existem podem te ouvir e fazer com que o intencionado dê certo… a reação é obviamente sua!

A ideia do RMP é que a pessoa se coloque como Deusa e, após firmar isso em sua cabeça, movimente energias com a finalidade de alterar padrões específicos em sua consciência. No próximo texto comento um pouquinho mais sobre isso, com o aprofundamento em cada uma das fórmulas mágicas aqui utilizadas, o ritual também terá maior efeito. Então segue o link que explica como fazer o RMP:

Ritual Menor dos Pentagramas

Lembre-se, você é um Deus, possui o poder de criar com o verbo, então, Abrahadabra!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%ADmbolos-f%C3%B3rmulas-m%C3%A1gicas-e-rituais-parte-4

Hermes – Metais, Ervas e Pentagramas

Postado no S&H dia 26/jun/2008,

“É verdade, certo e muito verdadeiro.
O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua ama;
O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
Desse modo obterás a glória do mundo.
E se afastarão de ti todas as trevas.
Nisso consiste o poder poderoso de todo poder,
Vencerá todas as coisas sutis e penetrará em tudo o que é sólido.
Assim o mundo foi criado.
Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.
O que eu disse da Obra Solar é completo.”

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana retrasada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Em seguida, comentei sobre Hecate e a intuição. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hermes, a manifestação da vontade (Thelema) no Astral.

Ao contrário de hecate, que representava a parte passiva da espiritualidade, através da mediunidade, Hermes representa a parte ativa da mediúnidade, ou a capacidade dos seres no Plano Físico atuarem sobre o Astral.
Esta atuação acontece na forma de mantras (ou palavras de poder), de objetos mágicos (círculos, espada, taças e outros objetos magnetizados pela luz astral) e da vontade do magista. Deste tipo de atuação surgiram as bases a respeito dos exorcismos, conjurações e banimentos.

Hermes
Já havia falado sobre Hermes AQUI. Recomendo a leitura antes de prosseguir.
Hermes é tido como uma das mais importantes divindades gregas do Panteão Olímpico. Considerado o mais jovem dos deuses, ele é o protetor de todos os viajantes e ladrões, é o mensageiro dos deuses, responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais (qualquer semelhança com Prometeu ou Lúcifer NÃO é mera coincidência); Hermes é o deus da eloqüência, ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia (que era chamada de Hermeneus pelos gregos) e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra Hermenêutica). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha permissão para descer ao Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.
Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas, o caduceu (que curiosamente representa a Kundalini, duas serpentes enroscadas em um cajado) e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira Lira) e sua flauta de 7 notas.
Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes era considerado o patrono dos atletas. Finalmente, era tido como o inventor do Fogo (em alguns textos anteriores a Prometeu) e considerado um deus pregador de peças, que adorava aprontar com seus irmãos (isto desde seu nascimento, quando a primeira coisa que fez quando aprendeu a andar foi roubar os bois de Apolo e esconde-los). Hermes era patrono dos alquimistas, magos e filósofos.

Hermes representa HOD, ou seja, a RAZÂO. Como pudemos ver, a razão está diretamente ligada à VONTADE dentro da Magia. A escolha simbólica de Hermes como o terceiro Psycopompo traduz bem esta manifestação da magia.

Influências do Físico no Astral
Desde a antiguidade sabemos que determinados elementos físicos são capazes de atuar nos elementos sutis do Astral. Os mais conhecidos e que acabaram se tornando parte de ínumeros folclores são o Sal, o Mercúrio, o Enxofre, a Prata, o Ouro e os outros metais alquímicos. As plantas afetam o astral por causa de suas auras, que interagem eletromagneticamente com as nossas e com elementos dos planos sutis, como explicarei abaixo.

O Sal
O sal absorve emanações negativas, cristalizando-as e limpando o ambiente. Disto derivam diversos costumes que perduram até os dias de hoje.
O mais comum de todos é o “banho de sal grosso”. Água com sal marinho é uma das melhores substâncias para remover miasmas astrais de um corpo. E o melhor banho energético de todos continua sendo o banho de mar. Os antigos tinham o costume de deixar-se banhar por sete ondas para limpar quaisquer miasmas ou impurezas que tivessem. Ao contrário dos ignorantes, que “pulam” sete ondas, o correto é deixar as sete ondas cobrirem TOTALMENTE o seu corpo. Claro que as dondocas com seus vestidos caríssimos de final de ano não vão sair ensopadas do mar, então esse costume foi “ajustado”. O tio Marcelo adianta que pular sete ondas não serve para absolutamente NADA; a limpeza só funciona se você for inteiramente banhado pela água salgada.
Banhos de sal grosso podem fazer o mesmo efeito, mas há uma ressalva. Como ele age como um solvente, se a pessoa já estiver debilitada, em certos casos, não é recomendado. O melhor é um “banho de ervas”, como explicarei mais abaixo.
O sal grosso pode ser colocado nos cantos de uma sala para absorver miasmas, funcionando como uma “fossa séptica astral” (funciona pelo mesmo princípio da “Firmeza” nas tradições africanas, mas de eficácia obviamente muito menor). A cada 3 ou 7 dias, quando o sal estiver empapado, recolha e jogue em água corrente ou aos pés de uma árvore e troque o sal. Na Europa é comum espalhar sal por sobre o batente das portas, pela mesma razão.

A palavra Salário vem de “salarium argentum” que é a medida em prata ou ouro recebida pelos soldados romanos suficiente para comprar determinada quantia de sal (ao contrário do imaginário popular, eles não recebiam diretamente em sal; se fosse assim, seria muito mais rentável ficar na beira do mar coletando sal o dia inteiro do que ir para batalhas se arrebentar em troca de um punhado de cristais brancos). A palavra “Salarium” vem das estradas até as minas de sal (“Via Salarium“) que estes soldados protegiam. Os “Assalariados” eram os soldados que guardavam estas estradas.
O valor do sal estava muito associado ao seu poder mágico, por isso era costume das pessoas carregar consigo pequenos saquinhos de sal grosso e ervas amarrados em seu corpo para absorver emanações negativas. Nas tradições africanas este saquinho era chamado de Patuá e no Japão esta prática é conhecida como Kusudama. Os celtas usavam trevos como principal erva nestes amuletos, de onde veio a tradição do trevo de quatro folhas como planta da sorte.

Derramar este sal era considerado má-sorte, pois deixava a pessoa desprotegida contra ataques astrais ou psíquicos. Desse costume também vem a expressão “fulano não vale o sal que come” que mais tarde se tornou “não vale o que come”.

Lágrimas também entram na categoria de fluidos capazes de absorver más emanações (especialmente porque vem acompanhado de emanações emocionais mais fortes). Nem preciso falar a respeito da quantidade de lendas e contos medievais a respeito de “lágrimas” e seus processos curativos. A própria palavra “saudade” vem de “saldare” em referência às lágrimas vertidas pelo sentimento de falta de determinada pessoa.

E finalmente temos a Água Lustral, e posteriormente a cópia da Igreja chamada “água Benta”, muito utilizada para limpar instrumentos mágicos, locais e consagrações.

O Enxofre
Um dos mais efetivos materiais de remoção de miasmas, o enxofre era muito utilizado em defumações na antiguidade. Antes dos principais rituais religiosos ou em locais muito carregados, era costume passar com defumadores contendo mirra, louro e enxofre, especialmente em locais onde haviam muitos sacrifícios. Mais tarde, a Igreja iria inventar a associação entre o Diabo e o cheiro de enxofre baseado nisto.
No oriente, o enxofre era utilizado na forma de pólvora e fogos de artifício para dissolver miasmas e outras entidades obsessoras, especialmente elementais e construtos astrais malignos. Disto vem o costume de usar fogos de artifícios em comemorações. Eles são usados para literalmente “limpar o ambiente”.
A pólvora também é utilizada pelos cultos africanos em sessões de “descarrego” justamente por esta propriedade de dissolver larvas astrais que estejam porventura enraizadas no duplo-etérico da pessoa (e muitos picaretas universais também estão tentando adaptar a prática “em nome de Jesus” – até arrumaram a desculpa para o cheiro de enxofre que fica depois). Também é utilizada na bruxaria celta e nórdica dentro de caldeirões (a razão prática pela qual caldeirões precisam ser de ferro).

Os metais alquímicos
Os sete metais alquímicos (ouro [sol], prata [lua], mercúrio [mercúrio], cobre [vênus], ferro [marte], estanho [júpiter] e chumbo [saturno]) afetam em diferentes graus e intensidades os fluidos astrais. Por esta razão, são utilizados em diferentes rituais com diferentes finalidades, que não vêm ao caso agora.
Os mais conhecidos nas lendas são a prata, associada a Yesod/lua/Astral, que dissolve miasmas ao toque (de onde originou a lenda da prata como sendo o metal capaz de ferir lobisomens e vampiros); o ferro (que é utilizado em portões e grades de cemitérios para não deixar espíritos irados trespassarem os limites da necrópole e também deu origem à lenda de que fadas e elementais não podem tocar ferro frio, o que é uma verdade).

Ervas
As plantas também possuem duplo-etérico e consequentemente, uma aura. Quando falamos de “banho de ervas”, queremos dizer que as ervas em questão precisam ser maceradas (esfareladas com suas próprias mãos e deixar a seiva – que é o SANGUE da planta – misturar com água). Qual a ciência por trás disso? Normalmente o Guia ou médium é capaz de enxergar alguma perturbação no duplo-etérico da pessoa e recomenda uma erva adequada para estabelecer o equilíbrio (de onde surgiu a lenda a respeito de determinados orixás serem senhores de determinadas plantas). Com esta seiva misturada à água, o banho fará com que ambos os campos eletromagnéticos sutis entrem em contato e se equilíbrem. As plantas mais comuns para estes banhos são a arruda e o manjericão, mas existem dezenas de tipos de banhos de ervas diferentes, de acordo com o tipo de problema. Algo importante e que quase ninguém sabe é que após tomar um banho de ervas não devemos nos enxugar, mas apenas secar levemente nosso corpo, deixando-o terminar de secar naturalmente.
Da mesma maneira, existem os chás de ervas, nos quais as ervas são fervidas e bebidas posteriormente, com efeitos curativos dos mais diversos.

Cristais
Com o conhecimento de que nossos corpos são máquinas eletromagnéticas, muitas doenças nada mais são do que o desequilíbrio energético nos nadis (dutos) em nosso duplo-etérico. Neste sentido, o que acupuntura faz é direcionar estes fluxos energéticos de maneira adequada e equilibrar o balanço de prana dentro do organismo, eliminando a causa da doença logo em seu estágio inicial.
Os cristais funcionam de forma análoga; eles geram campos magnéticos sutis que ressoam com os campos eletromagnéticos de cada chakra específico, auxiliando o fluxo de prana e reestabelecendo o equilíbrio e saúde.

MAS eu preciso fazer uma mega-hiper-super ressalva aqui. São ALGUNS cristais específicos, aplicados em alguns pontos certos do corpo e da maneira apropriada. Não é éssa loucura alucinada dos misticóides da Nova Era e suas feiras de badulaques exotéricos (com “X”). Comprar cristais “Além da Lenda” e deixá-los em cima do seu corpo não vai adiantar em NADA. Um dia eu faço uma matéria só sobre cristais, desmistificando essas loucuras que a gente vê por ai.

Desnecessário dizer que nada disso é reconhecido pela ciência ortodoxa mas, para ser sincero, eu prefiro assim, pois se do jeito que está já existem uns 90% de charlatões místicos, imagine se alguém emite um certificado das otoridades dizendo que funciona mesmo… imagine que, se com conselhos sérios como o CRM já existem milhares de charlatões se passando por médicos e trocentos problemas de cirurgias e picaretagens que vemos por ai nos jornais (sem falar dos “misticos”), que caos acontecerá com seres irresponsáveis do gado posando de “doutores em cristais”…

Além disso, existe o desinteresse natural da “ciência médica” em relação a métodos gratuitos de cura e saúde… quantos bilhões são gastos anualmente fabricando drogas que não precisamos? quem lucra com isso não tem o menor interesse que as populações sejam “equilibradas energeticamente”… aliás, fazem o possível para isso ser o mais ridicularizado possível. Para quê se equilibrar com Ioga, respirações e alimentação adequada quando você pode simplesmente ficar doente e gastar dinheiro com remédios caros!

Como eu costumo dizer, as superstições são os cadáveres das antigas práticas religiosas e mágicas… Quando se remove a razão e o conhecimento dos motivos, sobra apenas a repetição cega e a crendice.

Conjurações
Sempre existiu uma certa confusão entre os limites da mediúnidade e da magia de conjuração. Desde o xamanismo e suas manifestações tribais mais primitivas aborígenes e africanas, existiam duas classes de magistas. Em essência, ambos trabalhavam com o mesmo princípio, apenas variando as freqüências astrais de suas conjurações.
Ao contrário da mediunidade, onde o médium irá “receber” passivamente um espírito, na Magia cerimonial o magista irá ordenar ativamente que o espírito venha até sua presença e obedeça sua vontade.
E a palavra chave para tudo isso é “vontade”. Através do domínio de seu consciente e subconsciente, o magista é capaz de canalizar sua vontade através da Luz Astral e influenciar os corpos sutis tanto dos espíritos dos mortos (Thanatos) quanto as habilidades mediúnicas de outras pessoas (Hecate).

o Círculo e as Ferramentas
O círculo delimita o espaço de trabalho do magista. Ele é considerado uma manifestação da vontade do mago e uma extensão de seus domínios. Pode-se traçá-lo fisicamente no chão ou mentalmente no espaço (fisicamente será melhor para iniciantes, pois desta maneira se conseguirá manter a concentração mais facilmente, ainda mais quando a mente estiver ocupada com todos os outros detalhes da ritualística).
As ferramentas exigirão uma matéria apenas para elas. As mais comuns são o bastão, a espada, o athame, o pantáculo, a taça, o incensário, as velas, as roupas e o cetro (ou varinha). Com eles, o magista é capaz de direcionar sua vontade e canalizar suas manifestações mentais no astral com maior efetividade.

Fazendo a comparação com Thanatos: através da vontade, um magista consegue interferir no astral o suficiente para afetar quaisquer seres astrais/espíritos que estejam nas proximidades, seja removendo miasmas, seja afastando-os ou até mesmo aprisionando-os (as histórias a respeito dos gênios dentro de garrafas não são meras alegorias).
Fazendo a comparação com Hecate: através da vontade, o magista consegue interferir na mediunidade de uma pessoa, aumentando ou diminuindo a sensibilidade, cortando os canais de ligação entre os médiuns e os espíritos ou facilitando/simulando esta comunicação através de outros objetos (espelhos mágicos oraculares, por exemplo… “espelho espelho meu, você acha que o tio Waldisney colocou esta passagem à toa na Branca de Neve?”)

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Exercício Prático de Imaginação e Vontade
Pode ser feito em seu quarto ou local de descanso.
Em primeiro lugar, encontre o Leste.
Fique de pé, mantendo os pés em esquadro, o pé direito apontado para o leste. Deixe o braço esquerdo caído ao lado do corpo e junte os dedos polegar, indicador e médio da mão direita, formando o Kureba Mudra. A posição dos dedos no Kureba mudra parece como se você estivesse segurando um giz de cera invisível.

Respire calma e relaxadamente alguns instantes, até estar plenamente concentrado, e comece:
Trace um Pentagrama no Ar, localizado à sua frente, começando do 1 e seguindo a ordem numérica, de acordo com a imagem. Imagine que ele seja formado por uma luz azul muito forte e brilhante. INSPIRE enquanto traçar o risco de 1 para 2, EXPIRE quando traçar o risco de 2 para 3, INSPIRE quando traçar o risco de 3 para 4, segure a respiração quando traçar o risco de 4 para 5 e EXPIRE quando traçar o risco de 5 para 1.

Se você souber qual é, imagine agora o símbolo do ELEMENTO AR dentro do pentagrama, se não souber, vai pesquisar. Faça um ponto dentro do pentagrama e deslize seu corpo e o braço no ar 90 graus para a direita, ficando de frente para o SUL e traçando uma linha de luz azul na altura do seu ombro, ao seu redor, formando um círculo onde você estiver. É importante manter a concentração e inspire enquanto estiver traçando este círculo.
De frente para o SUL, repita o traçado do segundo pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO FOGO dentro do pentagrama.
Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Oeste; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no sul e continue até o oeste.
De frente para o OESTE, repita o traçado do terceiro pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO ÁGUA dentro do pentagrama.
Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Norte; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no oeste e continue até o norte.
De frente para o NORTE, repita o traçado do quarto pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO TERRA dentro do pentagrama.

Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Leste, onde você começou o exercício; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no norte e continue até o exato ponto onde você começou a traçar o círculo.

Agora vem o exercício de imaginação e vontade: esta estrutura precisa ser mantida na sua imaginação com o máximo de detalhes possível: luz, o brilho azulado influenciando no físico, imaginar as paredes do local iluminadas fracamente por esta luz, os quatro pentagramas flutuando no espaço, ao redor dos 4 pontos cardeais no círculo e o próprio círculo luminoso contínuo.
Depois do exercício, você pode fazer o que quiser na sala, mas tente manter esta construção mental pelo maior tempo que conseguir. Se estiver fora do quarto, imagine a estrutura montada dentro dele; quando voltar, enxergue o conjunto. Se estiver em outro lugar e imaginar sua sala de estudos, imagine a estrutura dentro dela.

Mas tio Marcelo, isso é alguma forma de círculo de proteção?
Talvez… por enquanto é apenas um exercício de concentração e imaginação. Nada mais. e não esqueça de fazer os outros exercícios que eu passei nas colunas anteriores, em especial o da Vela e dos Chakras.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-metais-ervas-e-pentagramas

Mozart, O Grande Arquiteto da Música

Em 5 de dezembro de 1784 era proposto o nome de Wolfgang Amadeus Mozart à Loja Maçônica “A Beneficência”. Entretanto, analisando o teor esotérico da sua obra, nota-se que Mozart era ligado a egrégora maçônica muito antes do seu ingresso na fraternidade. Aos 11 anos, Mozart musicou o poema maçônico “Andie Freude“. Aos 16, compôs uma ária para o hino ritual “Oh heiliges Band“. E aos 17, compôs o drama maçônico “Thamos, König in Ägypten”.

Mozart escreveu aproximadamente 30 obras destinadas exclusivamente à maçonaria. Dedicou à congregação cantatas com textos que falam em igualdade entre seres humanos, seres livres de jugos impostos por determinadas religiões, melodias compostas para atos solenes, para acompanhar os ritos e até mesmo concertos beneficentes abertos ao público.

É interessante o fato que Mozart não encontrava incongruências entre a Maçonaria e a igreja. Para ele, ambos os sistemas se complementavam, na Maçonaria ele faria a busca pelo autoconhecimento, a transformação do chumbo do Ego no ouro da Essência, no catolicismo reconheceu a busca do aperfeiçoamento espiritual, o perdão dos pecados, e a consolidação da redenção na vida após a morte.

Óperas

A iniciação era o centro do pensamento mozartiano. Suas obras refletem os aspectos mais profundos da Maçonaria e da via alquímica, porém imperceptível ao grande público. Suas óperas foram concebidas como verdadeiros rituais, possuindo vários níveis de percepção e significado.

“Descobrimos o mistério: não há nada a acrescentar.” (As Bodas de Fígaro ato II, cena 2)

Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro), ópera dividida em três atos, tem como tema a Igualdade, ela representa a jornada do Aprendiz, Fígaro. Há também alusões ao casamento alquímico, sagrada geometria, enfim uma obra de várias camadas.

“Não se alimenta de alimentos mortais aquele que se alimenta de alimentos celestes” (Don Giovanni ato II, cena 15)

Don Giovanni tem como tema a Liberdade e trata do drama vivido pelo companheiro em busca do grau de Mestre. O próprio Mozart confirmou o caráter iniciático desta obra. Don Giovanni representa o companheiro, o Comendador a encarnação do Mestre-de-Obras Hiram, Leporello o Primeiro Vigilante, isso se descrevermos apenas os principais. Ao longo de todo o ritual, Leporello fará a formação de Don Giovanni e o levará na direção das provas até ser engolido pela terra.

Cosi fan Tutte (Todas elas são assim), aparentemente representa o comportamento das mulheres, mas Mozart a concebeu pensando nas Lojas. Todas elas agem de maneira ritualística se desejam viver a tradição iniciática. Sob a óptica da alquimia, Cosi fan Tutte aborda o segredo do pilar da Sabedoria. Don Alfonso, detentor dos segredos, representa o Venerável Mestre. Ao atravessar a morte alquímica sob a conduta do Venerável Alfonso, os dois casais atingem a verdade do amor autêntico, em outras palavras, a Grande Obra.

“Se a virtude e a Justiça espalharem a glória pelo caminho dos Grandes, então a Terra será um reino celeste, e os mortais, semelhantes aos deuses.” (A Flauta Mágica, ato I, cena 19)

Die Zauberflöte (A Flauta Mágica), tem como tema a Fraternidade, com o simbolismo muito mais explícito que as anteriores, é uma das obras mais ricas em conteúdo iniciático da história da música, não por acaso o filósofo e dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe afirmou: “É suficiente que a multidão tenha prazer em ver o espetáculo; mas, ao mesmo tempo, seu significado elevado não vai escapar aos iniciados”.

A flauta sintetiza todo o simbolismo iniciático. No decorrer da ópera Pamina diz que ela foi esculpida em madeira numa noite de tempestade (água e escuridão) repleta de sons de trovões (terra) e de relâmpagos (fogo), e a própria flauta representando o elemento ar. Maçonaria, Hermetismo, Rosacrucianismo, Astrologia, Magia, Tarot,  Kabbalah, Mitologia, está tudo lá. E como vocês já perceberam, dá pra fazer um post pra cada ópera, e desta eu já fiz AQUI.

“Todos os esforços que fizemos para conseguir expressar a profundidade das coisas se tornaram inúteis depois do aparecimento de Mozart.” (Goethe)

A Gruta

Mozart era mais inclinado aos elementos místicos da Maçonaria do que o seu racionalismo ético, e sua música procurava refletir esse espírito místico. Naquela época houve o surgimento de interesse em ritos iniciáticos do Antigo Egito e a introdução do simbolismo egípcio em alguns rituais maçônicos. A Loja de Mozart praticava a “Estrita Observância”, um rito que dava atenção às influências dos Cavaleiros Templários, sendo descrita como uma mistura de “simbolismo maçônico, práticas alquímicas e tradições rosacruzes.

Em 1791, ano da sua morte, Mozart decide fundar uma nova Ordem iniciática, a qual iria se chamar “Gruta”. Como é demonstrado na ópera-ritual “A Flauta Mágica” a Gruta seria uma ordem “celestial”, permitindo a iniciação feminina com rituais inspirados na tradição dos mistérios egípcios. Entretanto, poucos sabiam dessa intenção de Mozart, como revelou sua esposa Constanze numa carta “A respeito da Ordem ou Sociedade denominada Gruta, que ele queria criar”, escreveu ela, “não posso dar maiores explicações. O antigo clarinetista da corte, Stadler, que redigiu o resto dos estatutos, poderia fazê-lo, mas ele confessa que tem medo, pois sabe que as Ordens e as sociedades secretas são odiadas.”

Última Obra

Curiosamente a última obra terminada por Mozart, anotada no seu catálogo, foi uma pequena cantata maçônica intitulada “Laut verkünde unsre Freude” (Em alta voz anuncia nossa Alegria). Finalizada no dia 15 de novembro de 1791 à apenas três semanas do dia da sua morte (05 de dezembro), o espírito de despedida ressoa por estas melodias. Mozart dirigiu a cantata pessoalmente em sua Loja, foi a sua última aparição pública.

“Em alta voz anuncia nossa alegria

O alegre soar dos instrumentos.

O coração de cada Irmão sente

O eco destes muros.

Portanto, consagremos este lugar,

Pela cadeia de ouro da fraternidade,

E com verdadeira humildade de coração,

Hoje, o nosso Templo.”

(Trecho da letra de “Laut verkünde unsre Freude”)

Referências:

Tetralogia: Mozart, o grande mago, Christian Jacq

A Flauta Mágica, Ópera maçônica de Jacques Chailley

Música e Simbolismo de Roger J.V. Cotte

Mozart e a Música Maçônica, SCA.

Links
A Flauta Mágica e a Kabbalah
Mapa Astral de Mozart

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mozart-o-grande-arquiteto-da-m%C3%BAsica

Goécia, Kiumbas e os demônios de verdade

Postado no S&H em 3/9/2008.
Já estava com saudades de escrever para o Sedentário. Estas semanas sem parar na correria da Bienal e todas as palestras para lançamento da Enciclopédia de Mitologia praticamente acabaram com o meu (pouco) tempo livre e prejudicaram um pouco o cronograma do Teoria da Conspiração. Para manter a constância, tenho publicado textos de amigos meus e ocultistas famosos no meu Blog pessoal.
Mas esta semana retornaremos às atividades normais.

Dando continuidade à série “Desmistificando os Demônios”, falaremos agora sobre as entidades hostis que habitam o Plano Astral. Para entender o que se passa, você precisará ler primeiro os textos “O Diabo não é tão feio quanto se pinta”, “Belzebu, Satanás e Lúcifer”, “Zaratustra, Mithra e Baphomet” e “666, the Number of the beast”. Nestes textos, eu explico detalhadamente de onde surgiu cada um dos alegados “demônios” inventados pela Igreja Católica e copiados ad nausea pelas Igrejas evangélicas e caça-níqueis que se vê por ai. Porém, esta explicação precisou fazer um parênteses porque não seria possível continuar a explicação sobre manifestação de entidades astrais no Plano Físico sem explicar primeiro o que é o Plano Astral. Então chegamos a uma “mini-série” onde expliquei o que é e como funciona o Plano Astral. Esta série está nos textos “Yesod – Bem vindo ao Deserto do Real”, “Thanatos”, “Hecate”, “Hermes”, “Morpheus” e “Caronte”, que explicam as cinco interações do Plano Físico com o Astral.
Sei que é um bocado de texto para ler, mas tenho fé em vocês, jovens leitores. E muito do que eu falei em colunas anteriores, sobre Pirâmides, Círculos de Pedra e Chakras estão interligados com estas manifestações físicas das entidades astrais.

A Goécia e os 72 demônios de Salomão
Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. Pela estrutura da composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C. provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.
Muitos dos títulos usados nos textos (Príncipes, Duques, Barões…) não existiam nos tempos bíblicos e, portanto, não poderiam ter sido usados naquela época.
O Lemegeton Clavicula Salomonis, na minha opinião, se trata de uma compilação dos 72 “espíritos das trevas”, que deveriam fazer a contraparte dos 72 anjos cabalísticos, ou derivados dos nomes de Deus (falarei sobre isso no futuro, por ora chega de textos sobre kabbalah).
Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele tentam imprudentemente evocar.
E quais seriam estas entidades?

Bem… para entender o que estes magos estavam invocando, precisamos retornar um pouco no tempo e estudar as magias cerimoniais e tribais africanas (ou nossa contraparte moderna da Umbanda, Condomblé, Wodun, Santeria, Vodu e ritos caribenhos de invocação dos mortos). Ou mesmo entender o fenômeno das mesas girantes estudadas pelo maçon Allan Kardec ou as tábuas de Oui-ja do século XVIII-XIX. Embora mais “educados” em suas aparições para a fina nata européia, todos os princípios acima lidam com basicamente a mesma coisa: a manifestação de seres espirituais no Plano Físico.

Sabemos que as entidades que vivem no Astral são basicamente o MESMO tipo de pessoa que vive no Plano Físico; apenas não possuem um corpo de carne ou as limitações que possuímos aqui. Sendo assim, a índole e a moral destas pessoas varia da mesma maneira que a índole e a moral das pessoas que estão vivas. E o trabalho dos feiticeiros ou magistas consiste em chamar e contratar as pessoas certas para realizar o trabalho desejado.

No Plano Material, quando temos um problema de hidráulica em casa, contratamos um encanador para resolver o problema; se o problema é na fiação, chamamos um eletricista; se estamos doentes, chamamos um médico; e assim por diante…
No Plano Astral, a coisa funciona da MESMA MANEIRA.
Quando um xamã indígena realiza um ritual de invocação de um “espírito ancestral” para, por exemplo, ajudar no tratamento de uma pessoa doente, é exatamente isso que ele está fazendo: entrando em comunicação com os antigos médicos da tribo que examinarão a pessoa e dirão o que há de errado com ela.
Quando um Guia em um templo de umbanda ou candomblé examina uma pessoa, ele está observando as alterações e distúrbios na aura (campo eletromagnético) e sugerindo algum tratamento para sanar aquele problema.

No mundo físico, se alguém precisar “eliminar” um oponente, pode contratar os serviços de um matador de aluguel. Claro que isso é considerado criminoso, anti-ético, ilegal, etc… mas é uma possibilidade que existe!
No Mundo Astral, acontece a mesma coisa. Pode-se contratar os serviços de pessoas especializadas em separar casais, manipular a índole das pessoas, quebrar objetos, atrapalhar negócios ou até mesmo aleijar, adoecer ou mesmo matar um outro ser vivente. Nenhuma surpresa.

No mundo físico, os bandidos se agrupam em gangues, com símbolos, ritualísticas próprias (máfia russa, tríade, yakusa, etc.), vestem máscaras para não serem identificados e usam do terror e intimidação para impor respeito e medo nas suas vítimas (como por exemplo, nas armaduras samurai japonesas). No Plano Astral ocorre a exata mesma coisa. Como o duplo-etérico (perispírito) é MUITO mais maleável do que nossa pele física, é possível modificar e transformar nossa estrutura espiritual para ficarmos com a aparência que desejarmos, o que inclui chifres, garras, dentes afiados e qualquer outra coisa que você pensar que vá assustar os crentes. E eles sabem disso e usam destas modificações astrais como maneira de intimidação, desde sempre.

Na antiguidade, os médiuns videntes eram capazes de enxergar estas formas e dos relatos delas surgiram as descrições que tradicionalmente associamos aos demônios, como asas, chifres, dentes, garras, rapo, espinhos e tudo mais. Outros assumem formas animalescas como lobos ou serpentes; outros ainda assumem formas vampíricas, monstruosidades ou deformidades (eu vi certa vez no astral um ser extremamente pálido, quase albino, careca, vestindo um robe negro, que possuía 6 olhos avermelhados no rosto, quatro do lado direito e dois no esquerdo, uns sobre os outros, e que ficavam piscando de maneira desordenada…). Também há entidades que se utilizam de correntes, pregos, ganchos, piercings, espetos e toda forma de agressões e auto-mutilações sado-masoquistas que você puder imaginar (Clive Barker certamente inspirou-se nestes seres para criar os cenobitas nos seus livros da série “Hellraiser”). O Baixo-Astral ou Baixo-Umbral está repleto deste tipo de criaturas.

Nos cultos afros, chamam estas entidades de Kiumbas, de onde vem a palavra quimbanda, ou “magia negra”. No kardecismo, chamam estas entidades de “obsessores” ou “espíritos trevosos”, no hermetismo chamamos estas entidades de “seres goéticos”. Tome muito cuidado com a mistureba que a mídia e os cristitas fazem com os cultos africanos:
UMBANDA , CANDOMBLÉ e QUIMBANDA são religiões bem diferentes entre si, embora os cristitas misturem tudo e chamem de “Macumba”.

E o termo “magia negra” é utilizado errôneamente, pois não há “cor” na magia, existe o uso que se faz da magia. Assim como o gênio da lâmpada na história de Aladin, estas entidades fazem o que o magista as comandar.
O ritual e toda a ritualística envolvida serve para se entrar em conexão com as entidades astrais. Para tanto, os magistas dividem as ritualísticas de invocação e evocação em três tipos: a Teurgia, a Magia Natural e a Goécia.

A Teurgia lida com os anjos e com os seres de luz, lida com os 72 nomes de Deus, com suas manifestações, com as sephiroth da Kabbalah e com os Salmos bíblicos (sim, crianças, mais uma vez a Bíblia se mostra extremamente valiosa para o estudante de ocultismo).
A Magia Natural lida com Elementais (gnomos, ondinas, silfos e salamandras), orixás, Exus, Devas, Asuras, Djinns, Efreetis e outras criaturas da natureza.
E finalmente, a Goécia lida com os seres do baixo-umbral.

Tendo os rituais certos, nos dias e horários certos, consegue-se contatar estas criaturas; mas apenas contatá-las: é como ter à mão o telefone do Cabeleira e do Zé Pequeno. O Ritual apenas chama estas entidades, o segundo passo é negociar com elas o preço do serviço. E não usei o Zé Pequeno de exemplo à toa… negociar com estas entidades é como negociar com os traficantes do “Cidade de Deus”, você nunca sabe o que poderá acontecer.

Acho que com isto conseguimos fechar a série desmistificando os demônios. Se tiverem alguma dúvida deixem nos comentários que eu tento responder aqui mesmo ou, se for o caso, abro uma nova sessão de “Perguntas e Respostas”.

#Goécia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia-kiumbas-e-os-dem%C3%B4nios-de-verdade

Astrologia e Ciência

Em 1994, o cineasta, fotógrafo e multimilionário Gunther Sashs decidiu proceder em uma investigação estatística e matemática das propostas astrológicas, uma aproximação empírica tal qual imaginávamos que os antigos haviam feito. Ele não era astrólogo, nem nenhum de seus colaboradores. Quando os estudos começaram, motivados por pura curiosidade, nenhum deles sabia muito sobre Astrologia Hermética. Mas levantaram uma série de dados que acompanharemos a seguir:

Em primeiro lugar, seguem os termos de referência:
1. Examinar por meio de um estudo científico largamente estruturado os possíveis efeitos dos signos no comportamento humano
2. Não tentar provar nem desprovar a astrologia acima ou ao lado de mitologias, mas investigar se ela existe e exerce efeito real em grandes massas populacionais.
3. Publicar seus estudos, mesmo se falhassem em provar a existência de uma astrologia não-mitológica.
4. Basear suas pesquisas exclusivamente em dados empíricos, sem consultar qualquer astrólogo.
5. Examinar e explicar cientificamente quaisquer fatores que pudessem distorcer seus resultados estatísticos.
6. Indicar como significativo qualquer desvio aparente dos resultados esperados que não pudesse ser explicado como simples acaso.
7. Ter seus cálculos e resultados conferidos por uma aceitável autoridade neutra, tal como uma universidade.

Eles trabalharam com um instituto de Pesquisas Europeu de grande prestígio, que atuou como seu árbitro independente: o Institute fur Demoskopie, em allensbach, e utilizaram os serviços da dra. Rita Kunstler, uma profissional do Instituto de Estatística de Ludwig-Maximilian University, em Munique, como consultora de metodologia estatística.

Eles conseguiram seus dados brutos de autoridades públicas, companhias de seguro e pesquisadores de mercado. Coletaram um enorme arquivo a respeito de criminosos, traficantes, casamentos e divórcios, doentes, suicidas e muito mais. As regras de proteção dos arquivos impediam que os indivíduos fossem identificados, mas poderiam obter a data e local de nascimento.

Quando conseguiram os dados brutos e passaram a analisá-los, os resultados foram todos documentados e são fascinantes.

O estudo de Sashs usava amostras muito grandes, e quando ele procedeu a testes significativos, o Instituto de Estatística da Universidade Ludwig-Maximilian verificou seu método. Uma coisa estava bem clara: ele fez seus testes de maneira imparcial e teve todo o trabalho de eliminar amostras preconceituosas sistemáticas.

Gunther começou analisando as vendas de livros de Astrologia, de signos estelares, e comparou as vendas em proporção aos indivíduos nascidos sob aqueles signos em particular em áreas de vendas. Ele encontrou significativas diferenças estatísticas em 10 dos 12 signos, um resultado que poderia ocorrer por acaso apenas uma vez em dez milhões (um nível de significância muito além da “1 chance em 99” aceita na imensa maioria dos testes estatísticos usuais na ciência ortodoxa).

Ele baseou seus dados na amostra de 313.368 vendas de livros de signos durante o período de 1991 a 1994. Se algum leitor quiser saber quais signos estão mais interessados em Astrologia e quais estão menos, recomendo a leitura do livro de Saschs, “The Astrology File”, da editora Orion, 1997. Neste texto, estou interessado nos resultados estatísticos.

A Seguir, Sashs analisou dez diferentes áreas da vida onde ele poderia obter dados. apresento abaixo um sumário de algumas das descobertas que ele fez:

1 – Quem casa com quem?
Ele partiu de uma amostra de 717.526 pessoas casadas e observou se seus mapas eram compatíveis, para concluir se as expectativas astrológicas eram cumpridas. Sua hipótese nula (o resultado esperado) assumia que as combinações estariam aleatoriamente distribuídas entre todos os signos. NÂO ESTAVAM.
Das 144 possíveis combinações entre signos dentro dos planetas, ele encontrou 25 pares que se desviavam significantemente das expectativas aleatórias. Quando conferidas as probabilidades de tais eventos ocorrerem por coincidência, a possibilidade é de 1 para 50.000 contra. Isso significa que estas escolhas eram 49.999 vezes mais prováveis de serem causadas por algum fator que não o acaso!

2 – Quem se divorciou de quem?
O tamanho de sua amostra para este teste foi de 109.030 casais. O método usado foi o mesmo do casamento. Mais uma vez, das 144 possíveis combinações de signos dentro dos planetas, ele encontrou 25 desvios significativos (mas desta vez com um nível de significância menor, de 1 a cada 260 testes). Embora bem menor que o anterior, este resultado não é desprezível estatisticamente.

3 – Quem é solteiro?
Este teste foi baseado no censo de 1989-1990, cobrindo toda a população da Suíça, de 4.045.170 habitantes. isto deu uma amostra de 2.731.766 pessoas na idade aceitável (18 a 26 anos). Ele descobriu que certos signos e combinações estão mais preparados para comprometimento e casamentos que outros. Sete desvios significativos no comportamento aleatório eram estatisticamente significativos em 1 para 10.000, ou seja, há um padrão de comportamento definido nesta amostra.

4 – Quem estuda o que?
Os dados vieram de universidades e cobriam 231.026 candidatos em dez cursos específicos. A hipótese nula é que os signos estariam distribuídos aleatoriamente entre as disciplinas. Haviam 120 combinações de signos/disciplinas possíveis e ele encontrou 27 desvios significativos. a chance de obter este resultado por coincidência são de 1 em 10 milhões. Este resultado é monumental (pessoas são condenadas à morte com base em evidências de DNA com significância estatística milhares de vezes menor que essa).

5 – Quem faz qual trabalho?
A amostra foi tirada do censo de 1989-1990 que chegou a 4.045.170 habitantes na Suíça e estudou 47 tipos de ocupação. isso resultou em 564 possíveis combinações entre trabalhos e mapas/signos. saschs encontrou 77 variações significativas com probabilidade de 1 em 10 milhões de ser mera coincidência. Novamente, apenas um tolo poderia negar uma correlação destas.

6 – Quem morre de que?
Este teste foi conduzido com todas as mortes registradas na Suíça entre 1969 e 1994, com uma amostra de 1.195.174 eventos. Para tornar este teste significativo, apenas mortes por causas naturais foram consideradas. Isto reduziu a amostra para 657.492 indivíduos. as 240 possíveis combinações (das quais a hipótese nula era, como nas demais, uma distribuição aleatoria entre signos e causa mortis) revelaram, porém, cinco desvios com probabilidade de 1 para 270. Apesar de modesto em comparação com os outros resultados, ainda tem valor estatístico.

7 – quem comete suicídio?
Do registro de mortes acima, Sachs pôde extrair uma amostra de 30.358 pessoas que cometeram suicídio. ele encontrou cinco desvios significativos com a possibilidade de coincidência apenas de 1 em 1000.

8 – quem dirige de que jeito?
Esta amostra foi colhida junto a seguradoras e cobria 25 mil acidentes durante 1996. mais uma vez, Sachs encontrou desvios para quatro signos com nível de significância de um para dez milhões (curiosamente, foram os mesmos 4 signos que eu, Marcelo Del Debbio, encontrei desvios em pilotos de fórmula 1 que venciam corridas em um estudo que fiz e devo publicar em breve aqui no blog).
Ele também tirou uma amostra de 85.598 acidentes na Suíça e novamente encontrou os mesmos quatro signos envolvidos, mostrando significantes desvios estatísticos com probabilidade de 1 para 5.000 de ser coincidência.

9 – Quem comete quais crimes?
a amostra tomou 325.866 prisões para 25 diferentes tipos de crimes. os dados foram coletados no Ofício de Registros Criminais da Suíça. A combinação testada era de 300 possíveis crimes/signos. Assim como nos outros testes, a hipótese nula era que estivessem distribuídos aleatoriamente entre as combinações, mas 6 destas combinações mostraram desvios da expectativa, com significância de 1 para dez milhões contra a coincidência.

10 – quem joga futebol?
De uma amostra de 4.162 futebolistas na alemanha, Sachs encontrou nove signos desviando significativamente das chances esperadas. As chances de serem coincidência eram de 1 para 1 milhão. quando analisou os atletas profissionais, esta probabilidade subia para 1 em 10 milhões.

Após estas análises, Sashs fez uma conferência cética do resultado: A equipe de consultoria misturou todos os dados e as datas foram arrumadas de maneiras aleatórias, criando 12 signos “artificiais” (usaram um gerador de números aleatórios para agrupar os 365 dias do ano em 12 blocos totalmente arbitrários) e refizeram os testes.

Aqui está o resultado, em suas próprias palavras:

Os estatísticos podiam misturar os dados ao acaso e criar signos na mesma ordem com o ano, mas este foi provido com datas de nascimento artificiais (falsas). Desda forma, um ano artificial apareceria começando em 6 de abril, seguido por 11 de novembro, 7 de março, 19 de agosto e assim por diante, até os 365 dias.
Se a afirmativa dos astrólogos a respeito do efeito dos signos fossem inválidas, aqui também seriam encontradas significâncias estatísticas, no entanto, não houve correlações significativas entre os signos artificiais.

Sashs resumiu seu trabalho comos segue:
O principal propósito deste estudo não era produzir resultados individuais interessantes – esses seriam, de fato, não mais que entretenimento encontrado como subproduto de nosso projeto. Ao invés disso, o objetivo da pesquisa era estabelecer se havia uma correlação entre signos/planetas e o comportamento e predisposição humanos.

Provamos isto. Há uma correlação!

Todos os dados de suas pesquisas foram publicados no livro “The Astrology File, publicado pela editora Orion em 1997. Após esta data, Gunther passou a estudar Astrologia Hermética e a testar e refinar seus resultados em seu instituto. Apesar de um excelente trabalho, ele ainda não pode satisfazer o critério de aceitação que Stephen Hawkins colocou:

“A razão pela qual a maioria dos cientistas não acredita em Astrologia não é a evidência ou falta dela, mas porquê ela não é consistente com outras teorias que foram testadas por experimentação”.

Talvez isso aconteça porque o estudo é amplamente ignorado pelos acadêmicos e, quando é realizado, é feito com metodologias totalmente furadas, envolvendo apenas signos solares ou horóscopos de jornal. De um lado, a comunidade científica está entrincheirada contra ela porque a vê conflitando com outras teorias e do outro lado, malucos e charlatões apresentando uma bizarrice maior do que a outra em programas de TV. E, no meio disso, os “Astrólogos Sérios”, dentro de Ordens iniciáticas que possuem o conhecimento do método e das técnicas, mas não os recursos para demonstrá-las. Sorte nossa que Gunther Sashs é milionário.

E apenas um último adendo: Stephen Hawkings está errado; a Astrologia Hermética É consistente com as teorias espiritualistas e teosóficas; que envolvem reencarnação, Verdadeira Vontade e outros aspectos que ainda não podem ser provados pelo método científico aceito pela ciência ortodoxa. O astrólogo e teósofo Dane Rudhyar publicou diversos livros a respeito destas correlações.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/astrologia-e-ci%C3%AAncia

Isso tudo está apenas na sua mente

» Parte final da série “Xamãs ancestrais”
ver parte 1 | ver parte 2

Xamã é um termo de origem tungúsica, que nessa língua siberiana quer dizer, na tradução literal, “aquele que enxerga no escuro”. Os xamãs são os portadores da função religiosa na tribo, que podem entrar em um estado extático, “voar” para outros mundos e ter acesso e contato com seus aliados (animais, vegetais e minerais), seres de outras dimensões e os espíritos ancestrais. Apesar de ter surgido na Sibéria, o termo “xamanismo” se aplica atualmente a práticas espiritualistas em vários pontos do mundo, tanto no espaço quanto no tempo.

Sigmund Freud, quase todos no Ocidente o sabem, foi o fundador da psicanálise. O que talvez muitos não saibam é que a própria psicanálise talvez deva sua origem a uma droga que nos dias atuais é ilegal em quase todo o mundo…

Entre as idades de 28 e 39, por onze anos, Freud utilizou regularmente a cocaína em sua forma de alcaloide, em pó (diluída em água). Como jovem neurologista, essa foi sua primeira tentativa experimental fora da prática médica tradicional. Ele estava buscando o reconhecimento público capaz de gerar a clientela que lhe traria fama e recursos financeiros permitindo, assim, que se casasse com sua noiva, de quem estava separado havia dois anos. Durante esse período, Freud publicou três artigos importantes e fez uma apresentação para a Sociedade Psiquiátrica de Viena sobre os usos terapêuticos da cocaína. Embora esse experimento não tenha atingido suas expectativas, e seus artigos sobre a cocaína nunca tivessem aparecido em seus escritos publicados, esses estudos fizeram de Freud, na verdade, um fundador da psicofarmacologia e, provavelmente, influenciaram seu trabalho com os sonhos e o inconsciente.

Freud acreditava que a cocaína era fundamental para curar as “doenças da alma”, mas com o tempo se apercebeu de seu seus perigos, quando verificou que seus pacientes, e ele mesmo, estavam ficando viciados na substância. Foi a partir dessa experiência, entretanto, que Freud se concentrou em alcançar novamente algumas daquelas reflexões e pensamentos de quando era influenciado pela cocaína, porém apenas com a própria mente, e a linguagem correta: a droga não era mais necessária, estava fundada a psicanálise.

Nos dias atuais, após meio século de uma Guerra as Drogas que parece ter gerado apenas mais e mais violência em todo o mundo, substâncias como a cocaína são demonizadas: não são tratadas apenas como um psicotrópico perigoso, mas como uma espécie de “pó do inferno”, algo que, uma vez consumido, nos condenará eternamente a carregar a alcunha de “drogados”, sem jamais, jamais, sermos capazes de dia sequer retornar ao que éramos antes. No fundo, sabemos que não é bem assim, mas, não obstante, essa é a crença generalizada, embutida em nossa mente pela mídia mundial, particularmente a americana, e da qual é realmente difícil escapar.

Longe de mim querer aqui relativizar o perigo da cocaína e outras drogas (já a cannabis, poderia muito bem ser legalizada). Na verdade, eu nem posso falar com tanta propriedade do assunto: nunca usei droga alguma além do álcool, ao menos nessa vida… Mas, talvez estejamos pegando pesado demais com a cocaína e outros psicotrópicos. Afinal, quem somos nós para julgar o que mesmo um papa recomendou com grande entusiasmo?

O Vin Tonique Mariani, ou Vin Mariani, era um vinho misturado com cocaína (também diluída em água), criação do químico francês Angelo Mariani, que era uma bebida bastante popular no fim do séc. XIX. Popular ao ponto de ter sido regularmente consumida por pelo menos dois papas da Igreja de Roma… O Papa Leo XIII chegou ao ponto de participar de uma campanha de publicidade da época, como “garoto propaganda” do grande Vin Mariani. Será que, por ser o papa, ele estaria livre do inferno ao consumir cocaína?

Gostemos ou não, o ser humano sempre teve, ao longo de toda a história, uma relação muito íntima com as drogas e todo o tipo de substância psicoativa… Como vimos anteriormente na série, é bem capaz de a própria pré-história, antes das civilizações e da escrita, já ter registrado práticas de consumo de drogas. Práticas essas que, bem controladas e devidamente classificadas como “sagradas”, podem mesmo ter dado origem a boa parte de nossa mitologia, magia, arte e religião.

Não eram, de fato, absolutamente todos os xamãs que usavam dessas substâncias. Na verdade, sabemos que muitos deles desenvolveram outros tipos de técnicas para alcançar seus estados de transe e consciência alterada, sua experiência mística. A lógica parece nos dizer que, entretanto, existe aqui uma proporção inversa em jogo: quanto mais consumimos substâncias psicoativas, mais facilmente conseguiremos alcançar os estados extáticos, porém mais árdua e complexa será nossa compreensão acerca do que efetivamente ocorre neles, na viagem para dentro de nós mesmos. Da mesma forma, quanto menos nos valemos de substâncias psicoativas, mais árdua e desgastante será nossa prática mental até que consigamos alcançar tais estados místicos “por nós mesmos”, apenas pelo uso da própria mente, mas por outro lado, tanto mais simples será nossa compreensão acerca do que ocorre dentro da mente. Freud parece, portanto, ter começado pelo primeiro método, e depois ter preferido o segundo. Talvez seja só isso mesmo: questão de preferência. Eu estou com Freud.

Ainda assim, há muitas questões que permanecem em aberto: porque, afinal, nossos ancestrais gastavam tanto tempo e energia nessas tentativas de adentrar “dimensões ocultas” dentro de suas próprias mentes? No que exatamente isso auxiliava em sua sobrevivência? Porque, afinal, tal prática estranha parece um dia ter sido comum em todas as partes do globo onde houvessem caçadores-coletores a caminhar pela terra, os pais e as mães de todos nós, os humanos…

Os signos da arte rupestre, com similaridades encontradas em sítios na Europa e na África, distantes não apenas no espaço, mas em milhares de anos no tempo, talvez nos deem alguma pista do que nossos xamãs ancestrais buscavam. Em seu extensivo estudo [1], Graham Hancock lista alguns dos pontos em comum: (a) As pessoas ou seres podem ser parte animal, parte homem, e podem se transformar plenamente em animais; (b) Certas pessoas ou seres são, às vezes, empaladas por lanças, flechas ou arpões quando estão se transformando em animais (os “homens feridos”); (c) Animais podem se transformar em outros animais ou aparecer como híbridos de duas ou mais espécies, e alguns podem ter a aparência distorcida, “fantástica”, inteiramente desconhecida do mundo natural (de qualquer época do planeta); (d) Há padrões geométricos, pontos, grades e zigue-zagues de linhas e “linhas-serpentes”, por toda parte; (e) A face da rocha onde a arte rupestre é encontrada é dinâmica e permeável, não como uma tela em branco, plana, a espera de ser decorada, mas muito mais como uma mescla em três dimensões entre a rocha e a arte, como se a arte também fosse, ali, um portal para uma outra dimensão, acessível apenas na contemplação daquele “local sagrado”.

Após ter encontrado tantas similaridades, Hancock partiu para uma tentativa ousada de explicar aquilo tudo, o que preenche boa parte de seu livro, e da qual não entraremos em maiores detalhes aqui [2]. Porém, talvez seja uma boa hora para refletirmos acerca do que os próprios xamãs afirmam que fazem em seu xamanismo, ou pelo menos daqueles xamãs que sobreviveram ao tempo. O importante é que seu relato é bastante similar ao que os xamãs san do século XIX disseram a Bleek e Lloyd [3]: (a) Entrar em contato com uma “realidade primordial”, espiritual, acessível através de alguma espécie de “sintonia mental” alcançada em certos estados extáticos; (b) Entrar em contato direto com ancestrais (já “mortos”, mas que vivem neste outro plano de existência), entidades, deuses, semi-deuses e seres “sobrenaturais” cujo conselho é informação inestimável para a sobrevivência da tribo; (c) Influência sobre o clima, particularmente na tentativa de produzir chuvas; (d) Influência e/ou identificação da movimentação de agrupamentos de animais que são caçados pela tribo nas redondezas; (e) Conhecimento de propriedades farmacológicas de ervas e plantas; e finalmente, talvez a mais importante: (f) Conhecimento e capacidade de cura de enfermidades físicas, psicológicas e/ou espirituais que afligem os membros da tribo.

Estariam os xamãs ancestrais totalmente certos, ou absolutamente equivocados, em todas essas práticas? Disso não temos como saber sem experimentar os mesmos estados extáticos… Mas, a lógica e o bom senso nos dizem: estavam mais certos que errados; Do contrário não estaríamos aqui para contar a história, não seríamos nós mesmos os seus descendentes, o seu presente para o mundo.

O Chefe Seattle, outro grande xamã, uma vez disse em sua carta ao presidente em Washington: “Sabemos que a terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. Todas as coisas são interligadas, como o sangue que nos une. O homem não tece a teia da vida – ele é apenas um fio dela. O que fizer à teia, fará a si mesmo”. Mas, o que é afinal essa teia, esse tecido de realidade que parece habitar tanto o mundo lá fora quanto a nossa própria mente? É possível, afinal, influenciar e interagir com o mundo lá fora, através de alguma ponta de teia que puxamos ainda dentro de nossa mente?

O cético escandalizado com tal possibilidade vai prontamente nos responder: “Isso tudo está apenas na sua mente!”… Mas, afinal de contas, e o que não está?

Nossa consciência desperta, normal, a qual chamamos de racional, nada mais é do que um tipo especial de consciência. Ao redor e sobre ela, separada pela mais fina das telas, há formas potenciais de consciências muito diferentes. Podemos atravessar a vida sem nem sequer desconfiarmos de sua existência. Mas, aplique o estímulo necessário e, ao menor toque, elas estão lá, em toda a sua inteireza… Nenhum relato do universo em sua totalidade pode ser tão definitivo que deixe essas outras formas de consciência inteiramente menosprezadas… De qualquer maneira, elas proíbem um encerramento prematuro de nosso acerto de contas com a realidade (William James, Variedades da Experiência Religiosa)

***

Leitura recomendada: Sobrenatural, de Graham Hancock (Nova Era).
[1] Maiores detalhes no livro recomendado acima.
[2] Hancock prossegue em um longo, extensivamente detalhado e devidamente documentado relato de similaridades entre as experiências do xamanismo, os relatos de abdução por OVNIs (inclusive muitos séculos antes do século XX) e os relatos de encontros com seres mitológicos e do “reino das fadas”… Trata-se, talvez, de um “passo maior do que as pernas”, mas nada disso invalida o que vinha sido demonstrado desde o início do livro, particularmente o que foi resumido nas duas primeiras partes desta série.
[3] Ver parte 2 desta série de artigos.

***

Crédito das imagens: [topo] Wikipedia (Papa Leo XIII recomenda o Vin Mariani); [ao longo] Imagem criada a partir de imagem compartilhada no Facebook

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Espiritualidade #Drogas #Freud #Psicologia #xamanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/isso-tudo-est%C3%A1-apenas-na-sua-mente

Seria o TdC uma Sociedade Secreta?

cebola

Com o projeto do livro de Kabbalah Hermética chegando em sua reta final, sinto que também está na hora de dar um passo adiante com o Blog também. Nestes últimos 9 meses eu estive bastante ausente em termos de escrever textos de ensinamentos aqui, embora, na verdade, estava extremamente ocupado escrevendo textos de ensinamentos para o Livro! Depois de mais de 8 anos publicando textos sobre praticamente TUDO o que se pode imaginar dentro do Hermetismo, Alquimia, Maçonaria, Umbanda, Rosacruz e trocentos outros assuntos, chega uma hora que a maioria das perguntas do tipo “onde eu acho algo sobre X?” já foi respondido em algum post dentro dos 3.000 publicados.

Então, vou tentar uma nova fórmula que acho que deve ser bacana e, ao mesmo tempo, me forçará a escrever novamente com constância. Usar o Blog como “Blog”, contando causos, debatendo sobre assuntos aleatórios relacionados ao Hermetismo, Cultura Pop, resenha de filmes que tenham assuntos iniciáticos e coisas assim… e vocês me ajudam sugerindo tópicos nos comentários ou nas postagens do Facebook.

Hoje vou falar um pouco sobre um tema que bombou na lista de debates do facebook: Afinal, o TdC está caminhando para se tornar uma Sociedade Secreta?

A Resposta mais honesta seria: Talvez sim. Mas não do jeito que você imagina.

A verdade é que existem inúmeros Círculos de Compreensão dentro do Hermetismo e que de uma certa maneira, eu preciso ser capaz de conversar com cada um destes Círculos de maneira diferente. Geralmente, quanto maior o Círculo, mais leigas são as pessoas e mais diluída precisa ser a mensagem, senão a quantidade de chorume ignorante que vai chover sobre os textos nos comentários não está no gibi. Comecemos com dois exemplos bons:

O Mundo profano

1 – Quando eu vou em algum programa tipo “Superpop”, sempre aparece algum idiota para xingar “Ah, mas olha lá o deldebbio no Superpop! Nenhum mago sério toparia ir naquele programa que só tem abobrinha”… o que é de certa maneira um espelho do próprio preconceito e arrogância de quem diz esse tipo de coisa. Programas populares de auditório escolhem pautas XYZ por causa da popularidade, depois buscam no google se tem algum expert para falar sobre aquilo. Se o cara diz “não”, eles ligam pro próximo, e pro próximo, e pro próximo, ATÉ ALGUÉM ACEITAR. Muitos idiotas da net acham que bastaria falar “não” que o programa não aconteceria e que poderíamos escapar desta exposição, mas simplesmente não é verdade. Então eu prefiro mil vezes ir em um programa do Superpop, ou Regina Casé, ou Faustão ou o que seja para falar sobre Hermetismo do que deixar que eles escolham algum tosco fantasiado de dr. Estranho ou Constantine pra falar besteiras. Eu sei que eu me garanto e que, em vinte anos de entrevistas, já tenho tarimba para sacanear quem acha que vai nos sacanear. E cada programa destes atinge 400.000 famílias (é gente pra caramba!) e, se eu articular direito e levantar a curiosidade da maneira certa, aqueles que tem um QI maior que o de um funkeiro vão buscar algo no Google… e não são poucos! Lembro que da última vez que fui no Superpop, fui reconhecido até por caixa de supermercado uma semana depois do programa! É uma chance de ouro de defender o hermetismo nas grandes massas.

2 – Quando eu escrevo ou publico algo no mundo geek/nerd, geralmente entrevistas relacionadas com RPG ou cinema, procuro ficar mais nos assuntos de mitologia, ou utilizar elementos da magia dos universos de fantasia para trazer aqueles com QI maior que o de um orc para dentro do blog. Apesar de ser um círculo mais fechado, ainda tem muito retardado com o ego de crianças de 12 anos no meio Rpgístico e que se melindra com qualquer coisa, ainda mais nestes tempos pós-modernxs. Ao longo de quase 20 anos, jogos como Arkanun, Trevas, Anjos e Demônios atraíram muita gente para o hermetismo. Pessoas que começaram a jogar com 10-15 anos e que hoje possuem 35-40 anos, já estão em ordens iniciáticas e/ou estudando.

Estes são os exemplos mais distantes das cascas da cebola, públicos onde a imensa maioria é composta de leigos, palpiteiros e “achadores” de egos imensos, mas é a primeira filtragem. Em seguida, temos o próprio Blog do TdC, que começou como uma Coluna no site Sedentário e Hiperativo (uns 8 anos atrás, hoje o foco do site são vídeos e memes). Nos tempos do Sedentário cada postagem na Coluna chegava a 40.000 visualizações, o que ainda é um número gigantesco, porém mais afinado com a egrégora.

Podcasts e Entrevistas
Outro método excelente de abrir as portas aos buscadores é através de entrevistas e bate-papos em podcasts, sites e youtubers. Um vídeo como a palestra sobre A Kabbalah e os Deuses de Todas as religiões já foi visto mais de 80 mil vezes. Aqui tem uma lista com as melhores. Fora os excelentes podcasts do Descontrole (aliás, fica o convite: se você possui um podcast sobre qualquer assunto que seja e quiser bater papo comigo, é só me mandar um email ou mensagem no Facebook e marcamos). Estas conversas atingem públicos às vezes muito diversos do habitual e serve como porta de entrada para os textos do site. Acho que os livros e textos em PDF (especialmente o “Grande Computador Celeste” também ajudaram muita gente a chegar até as portas do Labirinto).

No TdC ocorre o que gosto de chamar de “Porta de Entrada”. São cerca de 10 mil visitantes por dia, cerca de 7 mil no post principal e 3 mil espalhados pelo que chamamos de “cauda longa”, que é movimentado principalmente pelos Sites de Busca e pelo alto Pagerank do TdC. Por ter material original e bem cotado, o Blog está sempre entre os primeiros sites (tirando os patrocinados e os esquisotéricos de portais gigantescos) e conseguimos manter um bom diálogo com a galera e começar a redirecioná-los para círculos mais específicos…

Os Primeiros Círculos costumam ser os Grupos de Hermetismo no Facebook, antigamente (em tempos de Orkut) tínhamos o Projeto Mayhem, mas com o tempo, a praticidade do Facebook fez com que o pessoal naturalmente migrasse de uma plataforma para outra. Nossos grupos de Facebook são moderados e bem cuidados. Não permitimos fakes nem trolls e qualquer problema com babacas gera advertência e banimento. Assim, conseguimos manter a qualidade mesmo dentro de um dos maiores grupos do Facebook do tema. E dentro destes Grupos, temos grupos menores relacionados à Kabbalah, Astrologia Hermética, Runas, Tarot e outros assuntos. Grupos mais fechados e mais selecionados, porque o nível dos debates também é mais complexo. Nestes grupos chegamos a 300, 400 pessoas no máximo.

Finalmente, temos nossos próprios grupos de estudo, onde você pode estudar sozinho e fazer os exercícios práticos em casa. São Monografias e relatórios, cada lição resolvida abre as portas para a próxima Monografia… Apesar de parecer simples e mais de 8 mil pessoas já terem pedido para entrar, menos de 10% sequer consegue chegar ao grau de Probacionista, onde a jornada começa. Aqui já temos uma Egrégora bem forte protegendo aqueles que resolveram se dedicar ao estudo da Alquimia, Hermetismo e busca pela Verdadeira Vontade.

Nesta caminhada, temos cursos presenciais de Hermetismo e, para os que não possuem finais de semana livre ou tempo disponível ou moram longe de São Paulo, estruturamos os Cursos de Hermetismo À Distância no Excelente site da Daemon Editora. o Conteúdo é rigorosamente o mesmo dos cursos presenciais e faço acompanhamento com apostilas e plantão de dúvidas. Aos poucos, fazemos o que está ao nosso alcance para ajudar, mas a Caminhada até o Santo Graal deve ser feita pelo Buscador.

Então, a conclusão é que depois de 22 milhões de pessoas visitando nosso site ao longo de 8 anos, cada uma destas pessoas ultrapassou o que conseguiu do próprio abismo. Muitas abriram, leram e entenderam tudo ao contrário e vão sair falando merda; muitas leram alguma coisa, mataram a curiosidade e retornaram às suas vidas; muitas leram alguns posts, até gostaram do que viram mas ficaram com preguiça de continuar e retornaram para as vidas normais; outros começaram a estudar alguma coisa; outros resolveram aprofundar os estudos; alguns entraram em ordens iniciáticas (muitas e muitas e muitas diferentes para poder citá-las todas aqui) e uma parte realmente avançou dentro destas ordens. Hoje tenho a felicidade de encontrar leitores do Arkanun/Trevas entre médicos, advogados, engenheiros, artistas, administradores; temos amigos dentro dos maiores graus de todas as Ordens no Brasil e em vários outros países…

O que nos leva à resposta do título: SIM, praticamente somos uma Ordem Secreta enraizada dentro da Cultura Pop, das Ordens Iniciáticas e de profissionais que estão no caminho para se tornarem os melhores profissionais que puderem ser. O quanto você pretende avançar na Árvore da Vida só depende de você!

Certo homem saiu para semear. Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram. Outra parte caiu no meio de pedras, onde havia pouca terra. Essas sementes brotaram depressa pois a terra não era funda, mas, quando o sol apareceu, elas secaram, pois não tinham raízes.

Outra parte das sementes caiu no meio de espinhos, os quais cresceram e as sufocaram. Uma outra parte ainda caiu em terra boa e deu frutos, produzindo 30, 60 e até mesmo 100 vezes mais do que tinha sido plantado. Quem pode ouvir, ouça.

– Matheus, 13

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/seria-o-tdc-uma-sociedade-secreta

Sobre a Magia do Caos

Faz bastante tempo que não escrevo aqui, então resolvi dar um alô, mesmo que eu não tenha nenhuma notícia. O objetivo do post de hoje é dizer: “Magia do Caos é muito foda e aqui vão algumas das razões e faltas de razões disso; obrigada, de nada”. Tentemos fazer isso de uma maneira breve e pouco dolorosa para os miolos. Não quero meter no meio coisas como filosofia, teologia, cálculos ou qualquer coisa tirada da cartola do demônio da epistemologia.

Há aquele negócio chamado magia tradicional, que costuma ser qualquer coisa entre astrologia, cabala e tarot. Muitas outras coisas podem ser “magia clássica”, como diferentes sistemas de magia dos grimórios famosos, alguns dos quais muito me encantam. E vem a velha questão: “Por que dividir magia em ortodoxa e heterodoxa, esquerda e direita, branca e negra, cor-de-rosa e cor de capim?” Só para sistematizar, meu filho. Algumas sistematizações são mais úteis que outras. Certos agrupamentos já estão bem ultrapassados como “pessoas boas e pessoas ruins”, mas cada um com suas preferências de linguagem (contanto que se compreenda que termos adquirem diferentes conotações através dos tempos).

Eu não concordo completamente com a divisão de magia velha e magia nova, ou qualquer coisa parecida. Eu só uso esses termos quando não encontro outros melhores. A linguagem está cheia de termos inapropriados e se quisermos uma comunicação realmente eficiente vamos todos meditar e conversar nos outros planos sem usar palavras, já que, como dizia Wittgenstein “a filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento da nossa inteligência por meio da linguagem” (bosta, eu disse que não ia citar filósofos!!)

Então agora que estamos entendidos que eu só uso o termo “magia tradicional” e outros termos ainda piores por falta de termos melhores, vamos seguir em frente.

Vantagens da magia tradicional: confiança/fé na eficácia do sistema devido à sua antiguidade e tradição. Se já foi usado com sucesso no passado, e por tanta gente, por que falharia no presente? A egrégora provavelmente só se tornou mais forte. Esse argumento é bom e compreensível. Eu concordo com ele. Contudo, a proibição de não modificar algumas fórmulas clássicas, embora por um lado preserve as minúcias que as tornam fortes, pode torná-las não tão adequadas aos tempos atuais.

Desvantagens da magia tradicional: alguns sistemas são meio ultrapassados e monótonos (leia-se, velhos e chatos). O enfoque está em preservar a tradição e não em adaptá-los para torná-los divertidos e atraentes. Se parar para pensar, qual é a graça de assistir a uma missa católica tradicional, além de presenciar o poder da tradição? Por isso tantos jovens são atraídos para o espiritismo ou igrejas evangélicas. São adaptações que condizem mais com a onda new age de “eu tenho uma espiritualidade, mas quero segui-la do meu jeito”. Essa postura, é claro, tem seus lados positivos e negativos. Para seguir algo do seu jeito é bom estudar. Por isso os caoístas estudam tanto e fazem tantos experimentos: para realmente entender como a coisa toda funciona. Ou desvendar/inventar novos meios de fazê-la funcionar.

Um caoísta deve estudar magia tradicional? É bom ter algumas noções. Muitos caoístas apoiam seus trabalhos em sistemas tradicionais. Caso ele resolva apoiar em qualquer outra área (física, geologia, videogames ou o que valha) é esta área que deve ser explorada com cuidado e adaptada à magia.

Vantagens do caoísmo: uma magia pessoal e sob medida, como uma roupa sob encomenda. Uma magia divertida, que te dá prazer de fazer e de vivenciar. Em suma, é magia da nossa época. Por isso nós nos identificamos com as propostas. Claro, algumas pessoas se identificam com elementos de outras épocas. Isso também não impede de praticar magia do caos. O magista pode adaptar esses elementos com outras coisas que lhe agrade. Além disso, a minha parte preferida do caoísmo não é somente misturar sistemas, mas criar seus sistemas. Você não somente repete o que já foi dito (“como um papagaio”, diria Frater Xon), mas também contribui criando algo original.

Desvantagens do caoísmo: apenas leia as vantagens da magia tradicional e inverta. Muita gente não se adapta à magia do caos porque, lá no fundo de sua mente, ainda há um teimoso cujo cérebro foi moldado pelo “certo” e “errado” da sociedade, pelo que é real e imaginário, pelo que é permitido ou proibido. Em suma, algumas pessoas “não se adaptam à ideia de que adaptações são possíveis”. “Só posso realizar essa magia no horário de Saturno” ou “vermelho é melhor para uma magia de amor do que azul” ou qualquer outro dogma que a magia tradicional te fez acreditar. Isso significa que todas as regras da magia ortodoxa são mentiras? Não! Elas funcionam muito bem. Pode haver alguma verdade nelas quando utilizadas da forma correta, mas isso não significa que a magia é algo fixo, uma rocha inquebrantável, que nunca possa ser modificada sem autorização de Deuses (se acha mesmo, vá lá chamar o tal Deus, tome um chá com ele e altere as regras, diabos!). Então eu diria que provavelmente as desvantagens do caoísmo estão na nossa própria cabeça.

A Magia do Caos poderia ser um sistema totalmente divertido e eficiente se ao menos nós permitíssemos a nós mesmos toda essa liberdade e prazer. Alguns são muito rigorosos consigo mesmos. Há quem considere que existe magia verdadeira e falsa, a baixa e a alta magia. E, convenhamos: pode ser que exista. O ponto é que não faz diferença se essas coisas existem ou não. O nosso objetivo é trabalhar com esses conceitos e aplicá-los não para nos trazer angústia, mas momentos especiais. O foco não é alterar a realidade em si (que pode ser real ou uma Matrix, não sabemos e pouco importa), mas nossa percepção da realidade. O copo está pela metade (partindo do pressuposto de que o copo existe), mas você escolhe se ele está meio cheio ou meio vazio.

O objetivo da magia não é necessariamente absoluto. Cada um tem seus objetivos com magia. Quem tem paixão por história e mitologia, por exemplo, não resistirá a pesquisar a magia tradicional e experimentá-la. Isso também pode ser fantástico. Mas a magia ortodoxa e a heterodoxa não são totalmente contraditórias. Podem coexistir.

Muitos dizem que o objetivo da magia, espiritualidade ou religião é a evolução espiritual, que temos que ajudar os outros (ou, no caso do budismo Theravada, libertar-se tanto do bom karma quanto do ruim), amar, servir a sociedade e às pessoas próximas e que através disso iremos atingir um grau superior ao que nos encontramos agora.

Novamente, pode haver alguma verdade nessas palavras. Mas muito provavelmente essa não é toda a verdade, até porque, como dissemos antes, palavras são inapropriadas para expressar. Sempre haverá erros na comunicação que podem levar a desentendimentos. Sendo assim, podemos considerar que, sim, amar e ajudar é algo muito nobre, mas há outras coisas relacionadas que talvez o termo “evolução espiritual” não capte com precisão.

São João da Cruz, em seu livro “Noite Escura da Alma” descreve os “dez degraus da escada” e diz que aqueles que chegam ao último degrau serão “semelhantes a Deus”. Ele até mesmo diz que será “Deus por participação”, um termo também encontrado na Suma Teológica de Tomás de Aquino (e eu disse que não ia falar de teologia). Nesse momento quase temos um encontro entre RHP e LHP…

Mas a ideia de uma escada ainda me parece por demais metafórica. Isto é, sei lá, vai que tem mesmo uma escada! Mas não acho que para subir tal escada se deva colocar necessariamente um pé na frente do outro somente de um jeito correto, como robôs. Cada um tem características diferentes e sobe a escada do seu jeito, alguns mais rapidamente, outros tropeçando, mas cada um vai tricotando seu emaranhado de linhas até que forma seu cachecol personalizado! (eu falei tanto em tricotar no meu último livro, Sociedade do Sacrifício, que até fiquei com vontade de voltar a tricotar. Minha avó me ensinou a tricotar quando eu era criança e lembro que era uma das coisas mais relaxantes).

Magia do Caos é sobre isso: não é um ataque à magia tradicional. Ela usa a magia ortodoxa como aliada. Pega o que serve, tira o que não serve, mas não somente com base numa preferência sem reflexões e numa análise superficial. Muitos testes são realizados até que se descubra a melhor forma de fazer as coisas (a melhor forma para si, pois pode variar para cada praticante).

Que cada aranha construa sua própria teia. Não é à toa que o número 8 é celebrado no caoísmo. E mesmo que seja à toa, não nos importamos tanto assim. Há tantos números (reais, imaginários…) e tantas possibilidades que vale mais a pena viver experimentando um pouco de tudo em vez de continuar fechado na caixinha de sempre.

Existem muitas formas de viver. Não somente a forma que nos foi ensinada. E se as outras formas das quais ouvimos falar tampouco funcionam para nós, talvez seja melhor inventar uma outra: uma magia somente sua, sem cabimento: porque não “cabe” nesse universo ou nos outros; somente no universo que você criou.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sobre-a-magia-do-caos

Pequenas Mortes

Durante muitos séculos o conteúdo de nosso crânio foi percebido com algo relativamente sem importância. Quando mumificavam os mortos, os egípcios antigos lhes retiravam o cérebro e os jogavam fora, mas preservavam com todo cuidado o coração. O filósofo grego Aristóteles acreditava que o cérebro fosse um radiador para esfriar o sangue. René Descartes, filósofo e cientista francês, dedicou ao órgão um pouco mais de respeito, concluindo que ele era um tipo de antena pela qual o espírito poderia se comunicar com o corpo. Apenas agora se percebe toda a maravilha do cérebro.

A função básica do cérebro é manter o restante do corpo vivo. Porém, ele é também o órgão que nos possibilita ter a consciência de que estamos vivos, e que eventualmente iremos morrer.

Para os céticos, a morte compreende o cessar da consciência, exatamente quando o cérebro deixa de executar suas funcionalidades. Para os religiosos e espiritualistas em geral, a morte representa apenas uma passagem para um outro mundo, ou uma outra forma de existência, a qual muitos chamam de mundo espiritual. De qualquer forma, existe um sentimento que une a grande maioria de nós, do cético mais pragmático ao crente mais devoto: o medo da morte.

Há esta distinta idéia de retorno à escuridão, ao nada

Onde tudo o que construímos nessa longa estrada

Da vida, nada restará: não há homem são

Que não trema, com um assombro no olhar

Ante tal nefasto pensamento, uma existência inteira

A navegar pelo oceano à beira, tudo em vão,

Tudo perdido neste derradeiro momento:

Da água do mar ficará apenas o gosto amargo do sal

Do mundo, apenas uma brisa, uma curiosidade,

Uma ansiedade por saber de seu final [1]

Entretanto, poucos se dão conta de que morremos já por todos os dias de nossas vidas.

Sto. Agostinho, o grande filósofo dos primórdios do cristianismo, já havia chegado a uma curiosa conclusão acerca do tempo: se o futuro ainda não existe e o passado já deixou de existir, o único tempo em que vivemos é o presente, ainda que não possamos medi-lo de forma alguma, já que o próprio ato de medir o presente, ou de pensar e refletir sobre o assunto, já o coloca em nosso passado. Todo o tempo que dispomos é este momento, aqui e agora. É aqui que a consciência opera, embora possa nos trazer lembranças do passado e expectativas do futuro, nós estamos sempre num incessante presente.

Há quem tenha se angustiado com tal pensamento, mas isso é uma outra história. O importante é que esta idéia, se bem analisada, pode nos trazer uma bela compreensão acerca da morte, e no mínimo aliviar um pouco nosso medo do Grande Nada. Ora, eis que, se a morte é o cessar da consciência, no momento presente, nós morremos toda vez que vamos dormir, e renascemos toda vez que nossa consciência volta à tona, ao acordarmos. Todos os dias de nossas vidas, além de nossas células que morrem e se renovam com o tempo, também nossa consciência opera pequenas mortes, e passamos praticamente 1/3 da vida “mortos”.

Porque então gostamos tanto de descansar, mas abominamos a idéia de morrer? Talvez porque a morte nada mais seja do que uma idéia, que de concreto não tem nada, a não ser no derradeiro momento em que passamos para o outro lado do véu.

O célebre filósofo grego Sócrates, ao ser condenado a morte pela ingestão de veneno, avisou a seus injustos acusadores de que não se poderia saber quem iria para um lugar melhor: ele, ou aqueles que permaneceriam em Atenas. Já Epicteto, o espírito iluminado do estoicismo grego, dizia que deveríamos viver sempre prontos para quando a embarcação ancorasse no porto e nos chamasse para a próxima viagem: não havia razão para nos digladiarmos com nosso medo da morte, pois que tudo o que está fora do alcance de nossa vontade não deveria sequer ser levado em consideração. Era melhor se preocupar com a vida.

Nossa tendência de evitar a mudança a todo custo é o principal foco de angústias ao longo da vida. É como tentar tapar o raio de sol com a peneira: não adianta, a natureza sempre vence, tudo vibra, tudo muda a todo momento. As células que constituem nosso corpo na idade avançada não são as mesmas células que o constituíam em nossa adolescência, absolutamente nenhuma delas – todas morreram. E quando perdem a capacidade de se renovar, também nosso relógio biológico avisa ao cérebro, o grande comandante: está na hora da próxima viagem.

E existem aqueles que crêem que isso é apenas o fim permanente da consciência. Mas mesmo entre os céticos há alguns mais poéticos, como Carl Sagan, que dizia que “viver na mente e no coração daqueles que nos amam, é viver para sempre”.

Mas não é possível viver para sempre. Graças à natureza, graças à evolução constante e incessante do Cosmos. Absolutamente tudo precisa seguir adiante, se renovar, por caminhos e mecanismos belíssimos e elegantes. A natureza faz com que tudo o que há navegue sempre em direção ao próximo farol, a próxima parada, e não podemos saber ainda aonde tudo isso vai desaguar.

Que se façam novas todas às coisas.
Assim sempre foi e sempre será.

***
[1] Trecho do meu poema, “O assombro no olhar“.

Crédito das fotos: [topo] Wikipedia, [ao longo] Gustave Doré (a morte de Abel).

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#estoicismo #biologia #Filosofia #Tempo #morte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pequenas-mortes

Nove Anos do Teoria da Conspiração!

Hoje, 10/08, exatamente nove anos atrás, em 10/08/2007, era postado o primeiro texto do Teoria da Conspiração no Sedentário: A Santa Ceia e os Símbolos Astrológicos. Lembrando as palavras de um Exu amigo, “Quando vai ver, já foi!”.

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta dez anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de subcelebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde se estudava magia prática e que era formada por membros da OTO, Astrum Argentum, Arcanum Arcanorum, AMORC, TOM e SRIA, e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança kkkkk). A ARLS Crowley era tão engajada que até o Padre Quevedo palestrou uma vez sobre demonologia lá.

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos. Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais de Aleister Crowley. “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Seriado de TV baseado nos estudos da Kabbalah Hermética.

E agora esta em financiamento coletivo para um livro que deve elevar todos os paradigmas de Kabbalah hermética para outro patamar. O Livro bateu todos os recordes de arrecadação no Catarse e ainda há mais de um mês pela frente.

Quando sair publicado, o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os nove anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nove-anos-do-teoria-da-conspira%C3%A7%C3%A3o