As palavras de Abremelin, o Mago

 Este manuscrito – disponível na biblioteca do Arsenal de Paris é um documento essencial para aqueles que desejem compreender a doutrina e a prática do vampirismo, às quais se dedicavam algumas das grandes famílias da Europa central.

Segismundo, imperador da Hungria, utilizou as revelações de Abremelin, o mágico para tentar roubar à morte bárbara Cillei. Ele fundou a Ordem do Dragão usufruindo para tal dos conselhos do seu mágico, Eleazar, a quem Abremelin teria confiado os seus segredos. Drácula tornou-se ponta de lança dessa Ordem misteriosa, seguido por outros príncipes romenos como Hermann de Cillei, Minéa Garaï, Erzsébet Bathory que se isolaram nos seus ninhos de águia para perpetuar obscuras alianças com os poderes da noite.

Apresentamos ao leitor uma página inédita do manuscrito de Abremelin o Mágico, um dos textos importantes escritos por Aléazar – este manuscrito pode também ser visto na Biblioteca Marciana de Veneza.

No dia seguinte apresentei-me a Abremelin, que sorrindo me disse: «quero-te sempre assim…» e conduziu-me ao seu apartamento privado onde copiei dois manuscritos. Ele então perguntou-me se na verdade e sem receios eu desejava aprender a Ciência Divina e a Magia Negra. Respondi-lhe que, se empreendera tão longa e fatigante viagem, o motivo fora o de querer saber toda a verdade.

«E eu», disse Abremelin, «forneço-te esta Ciência Sagrada, permitindo que a pratiques respeitando as leis destes dois pequenos livros, sem omitir a mais pequena coisa, por mais inconcebíveis que elas possam parecer-te. Servir-te-ás desta Sagrada Ciência para reencontrar os antigos poderes, e voltar a ser um deus imortal, vencedor da vida e da morte.

»Então as trevas não te vencerão porque tu serás o vencedor, e hás de entrar na cadeia das trevas que habitam a Eternidade. Não ofereças esta ciência senão àqueles cujo olhar pode desafiar a obscuridade sem tremer aqueles cujo coração é tão forte que suportam a força do infinito sem que sobre o fardo se dobrem. Mas quero que saibas que esta verdadeira Ciência não durará em ti nem na tua geração para além de setenta e dois anos e tão pouco se manterá na nossa seita. Outras virão e, retomando o facho, hão de levá-lo cada vez mais longe, através do mundo, em nome do Supremo Senhor detentor da Pedra Sagrada. Que nunca a curiosidade te arraste a saberes os porquês de tudo isto, a não ser que o teu coração seja suficientemente forte para receber a vida infinita nos seus vastíssimos limites. Imagina tu que a nossa maldade fez da nossa seita uma seita insuportável, não a todo o ser humano como também aos deuses venerados pelos homens.»

Fiz menção de me ajoelhar ao receber os livros mas, repreendendo-me, Abremelin avisou-me de que apenas perante o Senhor deveria fazê-lo. «Estes dois livros estão escrupulosamente escritos, e depois da minha morte poderás lê-los, meu querido Lamech.» Instruído por Abremelin, despedi-me dele e parti pelo caminho de Constantinopla depois de receber a sua bênção. Em Constantinopla surgiu-me uma estranha doença que me esgotou. Foi como se num sonho a alma saísse e fosse substituída por uma luz forte. Retomando as minhas forças, espantado com a minha transformação, com a vitalidade de um jovem e o saber de Abremelin, tomei um barco e parti para Veneza.

Cheguei a esta cidade onde amigos meus me receberam… e foi nesta mesma cidade que invoquei os quatro espíritos superiores, que me entregaram um espírito familiar, a chave e o número que permite prodígios!

Seguidamente na Hungria dei ao imperador Segismundo, príncipe muito clemente, um espírito também familiar da segunda hierarquia satisfazendo assim um seu anterior pedido.

Ele queria dominar toda esta operação, mas foi prevenido de que essa não era a vontade do Senhor, pelo que teve de contentar-se que tudo acontecesse como se se tratasse de uma pessoa simples, e não de um imperador.

Esse espírito facilitou o casamento com uma mulher linda. E foi ainda o mesmo que ajudou a encontrar bárbara de Cillei, ainda mais bonita que a primeira. Mas bárbara de Cillei morreu e foi enterrada no castelo de Vazradin. Confidenciei ao meu imperador que a morte não existe para aquele que possui a Ciência Sagrada de Abremelin. Pediu-me então o imperador para que lhe ressuscitasse a bela e maravilhosa jovem. Assim o fiz, invocando de novo os quatro espíritos já invocados em Veneza, em circunstâncias diferentes e segundo a Ciência Mágica de Abremelin.

Informei o imperador sobre o perfume que deveria fazer parte da cerimônia do despertar do cadáver: uma porção de incenso, uma meia parte de Stoelas do Levante, e uma quarta parte de madeira do bosque de Aloés.

Estes produtos, reduzidos a pó, deveriam ferver numa caçoleta, perto do cadáver. Expliquei em seguida ao imperador que seria necessário invocar os quatro espíritos do décimo terceiro quadrado mágico: Oriens, Paymon, Ariton, Amaymon, porque só eles poderiam conseguir o regresso do morto à vida, tirando-o das trevas que acorrentam corpo e espírito.

 No fim do manuscrito de Abremelin, o mágico Eléazar conclui:

A sagrada magia que Deus deu a Moisés, Aarão, David, Salomão e a outros profetas ensina a verdadeira sapiência divina, deixada por Abraão a seu filho Lamech, traduzido do hebraico em Veneza no ano de 1458.

É estranho que se veja este texto tomar as suas raízes na Bíblia, uma vez que servia de manual prático aos adeptos do vampirismo da Europa central. Uma vez mais o culto do vampiro aparece como uma blasfêmia organizada e uma magia anti-Deus, reclamando-se o poder dos profetas com fins puramente materiais.

Este desvio da força espiritual é obsessivo em todos os praticantes de magia negra, que vêem Jesus Cristo como um mágico, capaz de ressuscitar Lázaro, de multiplicar os pães, as riquezas, e de ultrapassar a morte num corpo que fica incorruptível.

Este desafio não pode trazer senão ódio, a desagregação e finalmente um vazio de alma como diz Simeão, o grande místico ortodoxo, nos Capítulos Teológicos.

 Cada vez que a inteligência é arrastada pela presunção mergulhando nela, e quando imagino que o que é a si o deve, logo a graça que invisivelmente irradia a alma parte deixando-a vazia.

(Centúria capo 75)

Jean Paul Bourre

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-palavras-de-abremelin-o-mago/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-palavras-de-abremelin-o-mago/

As Linhas de Vampirismo no Mundo Moderno

Este Texto tem o propósito de desmitificar e deixar claro as linhas de pensamento, de varias ordens vampíricas atuais.Não aludindo ou subjugando qualquer uma porém classificando-as de acordo com suas próprias crenças, de um ponto de vista cético.
Apesar de ser Thelemita, procuro manter uma visão imparcial das ordens supracitadas, levando em conta que, algumas são mais fáceis de engolir que outras.

 

Tudo se iniciou com Aleister Crowley afiando seus dentes e mordendo pulsos de bailarinas, com teu infame Beijo da Serpente. Dali em diante um novo movimento iria surgir, e restituir o Vampirismo. Após obras claras de alusão ao Vampirismo, como o De Arte Magica e o Liber Stellae Rubrae, aonde Crowley afirma no ritual;

 “48. Eu sou Apep, Ó tu Sacrificado. Tu te sacrificarás sobre o meu altar: Eu beberei teu sangue. 

   49. Pois Eu sou um poderoso vampiro, e minhas crianças sorverão o vinho da terra, que é sangue. 

   50. Tu reabastecerás tuas veias pelo cálice do céu”

O Nono Grau da OTO aludia ainda que discretamente a pratica de vampirismo, como um método para substituir o ‘Entusiasmo Energizado’ do Crowley.

Isso tudo, alguns boas décadas atrás.Michael Aquino sai da Church Of Satan e resolve fundar seu Templo. O Templo de Set, nos EUA, foi a primeira organização vampírica vindo a publico no fim dos anos 60.No inicio dos anos 70, surge a House Sahjaza que traz o vampirismo de volta, com direito a ankhs, fangs e rituais pagãos. Dela em diante surgiu uma série de ‘Houses’ vampíricas nos EUA, cada uma incorporando a pratica do vampirismo a sua forma, até que uma, em especifico, resolveu vir a público nos anos 90;

A Temple of The Vampire, como é conhecida em publico, ou a Hekal Tiamat, alegava ser tão velha quanto o tempo, e permanecer escondida nos véus dele. Ela veio a publico nos anos 90, junto com a Michelle Bellanger e sua House Kheperu, que trazia agora um novo conceito, os otherkins. A ToV como ficou conhecida veio aparecer com a Bíblia do Vampiro, e dentre sua coleção de textos num livro particularmente pequeno, ela trazia uma nova forma de ver o vampirismo. Ele era muito mais que drenar e ‘des-drenar’, ou brincar com esferas de energia. Haviam espíritos, Deuses Vampiros, que haviam atingido a imortalidade através dessa pratica; eles buscavam maestria dentro da projeção astral e domínio sobre o que chamavam de 9 leis da Magia.

As 9 Leis da Magia, segundo a TOV, era uma forma de trabalhar encima da realidade. Eles vinham com um conceito inovador na época, que hoje em dia está sendo discutido pela física quântica – o conceito de que, a Realidade Física, é um Sonho. As 9 leis da Magia era uma forma de alterar a realidade diretamente; os vampiros da TOV, não buscavam apenas magia para amor, dinheiro ou destruição; não havias rituais exceto a comunhão, não acendiam velas, nem usavam psicodrama;

-Eles tratavam objetos físicos como pessoas, e esses objetos respondiam suas ordens,

-Eles tratavam situações e coisas intangíveis como gente, e o ‘transito’, a ‘chuva’, o ‘sinal de internet’ respondia suas ordens

-Eles acreditavam que não existia espaço nem tempo para a mente deles, e por isso, poderiam falar com uma pessoa a distancia; dar ordens ao subconsciente dela para responder, ou enviar pensamentos e sentimentos

-Eles percebiam que tudo que existe, é feito de força vital, de Sangue. E que se eles reunissem no seu corpo muito sangue, eles poderiam canalizar aquilo para um desejo. Pouco importaria a natureza daquele desejo, visto que a força vital é manipulada a bel prazer. Ela é leite e veneno.

-Eles usavam o subconsciente das pessoas ao seu redor para realizar desejos; eles implantavam suas vontades na cabeça das pessoas, para que as pessoas criassem uma egregora sobre aquilo que desejavam.

-E acima de tudo, eles tratavam a realidade física como se fosse um sonho. E segundo eles, ela respondia da mesma forma.

A força da TOV logo se alastrou pelo mundo, suas 5 bíblias ficaram conhecidas e podem ser pegas em qualquer lugar da internet. Elas são Segredos Abertos, como diz a linhagem. Abertos porque quase ninguém as entenderá, ou irá praticar. Elas permanecerão indignas de crença e logo, de uso pela maioria. Isso era tudo que a ordem precisava; de uma maioria para servir de alimento a uma minoria. Era isso que ensinava a tradição da Hekal Tiamat. Alimentar-se do Contingente Humano.

Junto com a TOV, a Michelle Bellanger veio a publico com a House Kheperu – uma ordem com forte influencia egípcia, que crê, na existência de pessoas que são ‘Otherkins’. O conceito Otherkin logo se espalhou e vários outros tipos de otherkin vieram a publico. Mas o que é Otherkin ? Otherkin seriam pessoas que nascem com almas não humanas. Eles creem que são vampiros, fadas, dragões, anjos, anjos caídos, demônios… em corpos humanos. E que num dado momento de sua vida, eles ‘despertam’.  Pode ser um conceito até bizarro, mas tem gente que crê nisso. E a Bellanger acreditava que era do tipo, vampiro, ‘vampiro psíquico’, e que num dado momento em sua vida, ela ‘acordou’ para a sua ‘verdadeira essência’. Um grupo vampírico aqui no Brasil, chamado Comunidade Awake, acredita nisso, e na existência de Otherkins.

Os Otherkins logo começaram a falar sobre quem é ‘vampiro de verdade’ e ‘vampiro de mentira’. Quem tinha a essência e quem não tinha. Uma discussão bizarra que, por vezes ainda se propaga em algumas comunidades vampíricas, junto com pessoas que se denominam ‘sanguíneas’. Sim, eles não sugam energia vital. Eles bebem sangue mesmo. É incrível ver como a imaginação humana consegue chegar a pontos bizarros, de dizer que precisa de pelo menos uma colher de sangue humano por semana, do contrario não conseguiria viver. Esses Otherkins Vampiros Sanguíneos, mantinham sua dieta de ‘doadores’, pessoas que gentilmente ofereciam seu sangue á esses otherkins.

Em Portugal, logo após a TOV, sai uma nova ‘bíblia’ e uma nova ordem. A Aset Ka; seguindo a mesma linha de pensamento da Kheperu com o Kemetismo, a Hopuse of Aset Ka, segue a linha otherkin, ainda que mesclando com o livro dos mortos egípcio e algumas passagens do livro da lei. Eles acreditavam fielmente em reencarnação, trabalhando com o paganismo egípcio com vampirismo, seu chefe e escritor da sua Bíblia era Louis Marques.

Junto com esse conceito se espalhou a manipulação energética, as psyballs, escudos e tudo mais que a manipulação de energia trazia consigo. A Kheperu, trazia uma perspectiva nova sobre a força psíquica do ser humano.A Michelle Bellanger, por fora de suas crenças pessoais, desenvolvia um trabalho maravilhoso com o desenvolvimento do poder psíquico humano.

Unindo Lovecraft, ToV e rituais com Deuses Negros, nasceu a Tempel of Azagthot. Uma ordem que seguia a mesma linha de raciocínio da TOV, crendo na evolução do ser humano como algo principal. O Ser humano tinha um potencial de se Tornar Vampiro. A ToA, desenvolveu uma série de rituais, pelo seu líder, o Emperor Norduk, e foi uma das primeiras ordens ‘satânico-vampíricas’, ao qual a Black Order Of Dragon, do Michael W. Ford viria satisfazer o publico então. Essas ordens, descendendo da TOV e dos ensinamentos dela, claramente plagiaram. Mas tudo pelo seu dinheiro, bom leitor. Tudo pelo dinheiro.

Até que vem adiante, a Ordo Strigoi Vii, feita pelo Father Sebaastian. Sim, Father, não Frater. Seb, como ele é gentilmente chamado incorporou tudo dentro da sua nova ordem; misturou a vontade de se fantasiar em vampiro, com bruxaria, com os ensinamentos da TOV, e criou um novo mundo, com novas nomenclaturas; era um muno dele, aonde ele ganharia o planeta, divulgando esse mundo. Através de festas promovidas por ele, seu carisma incomparável, ele acabou conquistando adeptos pelo mundo, pessoas que tinham duas vertentes; os fashionistas, pessoas que gostavam de viver no estilo ‘vampírico’ e os vampiros reais, pessoas que realmente se afundavam nos mistérios do vampirismo da OSV. O Seb não discriminava nada nem ninguém. Todos eram bem vindos e aceitos, sejam vampiros ou não, ele criou seu mundo, um mundo de festas imensas com a temática vampírica.

Algumas ordens começaram a usar o termo ‘vampyro’ para diferenciar entre um praticante e a lenda do vampiro. É uma forma de diferenciar, particularmente das houses americanas e da Ordo Strigoi Vii. Alguns indo mais adiante, começaram a usar o termo ‘Wamphyro’ para mostrar seus magos negros. Cada um com sua forma de diferenciar, ganhar uma personalidade, uma busca por identidade própria que poderia ser resolvida com a nomenclatura.

Hoje em dia, estão a dispor, ainda que sem muito conteúdo para oferecer, um cardapio variado de Houses Vampiricas. Grande parte, além, de plagiar descaradamente as maiores, fantasiam demais o tema, fazendo assim, o buscador ‘perder o tesão’ devido a tanta fantasia envolvido no tema. Lembrando que, a maior parte das pessoas envolvidas com vampirismo, estão ligadas ao fashionismo, a arte, do que a pratica em si. Apenas gostam da literatura, musica e todo tipo de arte relacionado ao lado vampiresco.

Longe da propaganda, mas ainda sim realizando-a, deixo claro que para aqueles que buscam vampirismo real, sem todas aquelas fantasias da maior parte das ordens, recomendo que seja lido material de ordens como Temple of The Vampire (a principal e mais ‘pé no chão’), da Tempel of Azagthot, Black Order of Dragon e Strigoi Vii (a mais ‘artística’). Deixando claro que quando ler, verá que todas essas ordens derivaram do material da TOV, e criaram suas próprias linhas.

Para aqueles que seu pecado for a Thelema, ordens do Kenneth Grant, desenvolveram esse trabalho do Crowley com Vampirismo. Deixo claro que o tema, ‘Qliphot’ será absurdamente enquadrado nessa linha de raciocínio.

Já os que acreditam que não pertencem a raça humana, e que nasceram vampiros, ordens como a House of Kheperu, House of Quinotaur, Sanguinarium,  Comunidade Awake, irão agradar seu paladar.

 

Eu particularmente ligado a Thelema, finalizo esse texto com uma máxima do Liber Al, “Todo número é infinito; não há diferença”, alertando que, cada um deve retirar da senda, aquilo que mais agrada, descartando tudo aquilo que não for bom aos olhos; todas elas, por mais psicodélicas que possam ser suas crenças, podem acrescentar e tem um potencial imenso em si. O maior tesouro, é o buscador, não a ordem. É o buscador que tem o poder infinito, não há ordem. A ordem é um instrumento pra evolução pessoal, não um fim em si. Alguns praticantes mesclam suas próprias crenças pessoais em uma crença coletiva, de alguma ordem. Outros remodelam a seu bel prazer. Já mais avançados fundem crenças totalmente discordantes, num termo só.

O Mundo é regido pelo CHAOS, o nosso pai, criador da Vida. Não tente adulterar o casamento dele com a Nossa Senhora Babilônia, criando regras e restrições. É somente quando eles se unem por Vontade e Amor, que seu coito gera todas as Abominações da Terra.

 

Desconexus

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RPG na Câmara dos Vereadores de São Paulo

Pela primeira vez na história, a Câmara Municipal de São Paulo, representada pelo Vereador Adolfo Quintas e em parceria com a Oscip O Caminho, abriu as portas para abordar o tema a respeito do fanatismo religioso e os preconceitos com o trabalhador esotérico. Temas relacionados : intolerância religiosa e o desenvolvimento do

Fanatismo religioso, Terapias alternativas, Tarot, Vampirismo, perseguição a cosplayers e RPGistas, ataques a obras literárias, arte e religião foram abordados. Participaram do Debate o Prof. Roberto Caldeira, o Engenheiro Serg Rios, o escritor Lord A, a terapeuta Silvana Martins e o arquiteto Marcelo Del Debbio. O vereador Adolfo Quintas abraçou o conteúdo do Debate, deixando sua agenda aberta para os participantes na elaboração dos projetos que contribuem para melhorar a qualidade de vida.

Pela primeira vez tivemos a oportunidade de relatar as perseguições que os jogos de Role-Playing Games sofrem nas mãos dos fanáticos religiosos, esclarecer os ataques estereotipados da mídia e relatar os diversos problemas que jogos como Dungeons & Dragons, Vampiro, Arkanun e outros tiveram em conflitos com o fanatismo religioso.

#RPG

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/rpg-na-c%C3%A2mara-dos-vereadores-de-s%C3%A3o-paulo

As leis do sangue

O vampirismo está sempre associado a um drama, uma maldição, uma doença psíquica hereditária. Na epopéia negra e vermelha dos vampiros apareciam casais amaldiçoados, homicidas megalômanos tais como o príncipe VIad Drakul, grandes famílias atingidas por um mal misterioso, como os Bathory ou os Cillei na Romênia do século XV.

Todos eles fascinados por uma espécie de vontade mórbida, rapidamente transformada em neurose, em obsessão. Cultivam desejos dos mais perturbadores, tais como Bárbara Cillei e seu irmão partilhando da mesma cama ou VIad Drakul empalando os seus prisioneiros e fazendo-se servir de faustosas refeições, entre cadáveres suspensos de lanças e piques.

Vive-se febril e loucamente a sexualidade e a morte. O leito nupcial torna-se fúnebre pelas maldições e juramentos terríveis nele feitos. «Voltarei!…» Uiva Bárbara Cillei antes de morrer. Herman, seu irmão, invocará os demônios da antiga magia para que a irmã ressuscite. As crônicas romenas da região da Transilvânia afirmam que o êxito teria sido completo. Bárbara Cillei saiu do túmulo visitando o castelo de Varazdin, onde tem a sua sepultura. Coincidências ou epidemias diabólicas? Em 1936, na aldeia de Kneginecc – perto de Varazdin – várias pessoas novas, rapariguitas, pereceram de maneira estranha. «Algumas morreram em poucas semanas, em dois ou três meses no máximo, sem se lhes conhecer qualquer doença. Todas tinham sobre a garganta duas ou três manchas azuladas. Muitos destes jovens acordavam durante a noite atormentados por horríveis pesadelos.»

O ritual do exorcismo praticou-se nas ruínas de Varazdin por um sacerdote ortodoxo da igreja do Oriente. Rapidamente pararam as manifestações. Dizem os velhos de Kneginec que o Grande Exorcista libertou a aldeia, mas ninguém esclarece se os restos mortais de Bárbara Cillei, morta no século XV, foram ou não exumados.

Os processos verbais que relatam os fenômenos vampirescos demonstram-nos através de que mecanismos o não morto se propaga e contamina quantos leiam. Citemos por exemplo o inquérito conduzido pelo tenente Buttner, do regimento de Alexandre de Vurtemberga, a 7 de Janeiro de 1732, o Visum et Repertum, que intrigou Luís XV e o duque de Richelieu:

«Tendo ouvido dizer por mais de uma vez que na aldeia de Medwegga, na Sérvia, os pretensos vampiros provocavam a morte de muita gente sugando-lhes o sangue, recebi a ordem e missão, através do comando superior de Sua Majestade, para que o caso fosse esclarecido beneficiando, para questão de inquérito, do apoio de oficiais e de dois Unterfeldscherer.

»Perante o capitão da Companhia de Heiduques Gorschitz, Heiduck, Burjaktar e os outros heiduques mais antigos do local, examinamos os fatos. Estes, logo que interrogados, nos relataram unanimemente um caso ocorrido, havia cinco anos, com um heiduque da região (um heiduque é um membro da nobreza local) chamado Arnold Paul que ao cair do carro de feno partira o pescoço. Mais tarde, passados alguns anos, teria contado repetidas vezes ter sido vítima de um vampiro, perto de Casanova, na Pérsia turca.[1][1]

»Teria por esse fato resolvido comer alguma terra no túmulo de um vampiro, esfregando-se com o sangue do mesmo, uma vez ser voz corrente evitar assim a maléfica influência. Todavia, vinte ou trinta dias após a sua morte havia gente a queixar-se que Arnold Paul os atormentava, chegando mesmo a matar quatro pessoas. Para que se acabasse com este perigo, o heiduque aconselhou os habitantes dessa região a desenterrarem o vampiro e assim foi, quarenta dias depois da morte deste. Encontraram-no em perfeito estado de conservação; a carne não decomposta, os olhos injetados de sangue fresco que também escorria do nariz e dos ouvidos, sujando-lhe a camisa e a mortalha. As unhas das mãos e pés estavam soltas, e novas unhas cresciam em seu lugar, pelo que se concluiu tratar-se de um arqui-vampiro. Assim, segundo a norma do sítio, atravessaram-lhe o coração com uma estaca.

»Mas enquanto se procedia a esta ação, jorrou do corpo uma enorme quantidade de sangue, acompanhada de um lancinante grito. Nesse próprio dia foi queimado, e as cinzas lançadas ao túmulo. Aquela gente afirmava que as vítimas dos vampiros transformam-se, por sua vez, em vampiros. Por tal razão se decidiu proceder da mesma forma para com os quatro corpos atrás referidos.

»O caso não ficou por aqui porque o dito Arnold Paul atacara não só pessoas mas também gado!

»Aqueles que diziam ter comido carne de animal contaminado e que disso vieram a morrer ficaram presumíveis vampiros, tanto que no espaço de três meses, (em dois ou três dias) sem nenhuma doença previamente detectada, pereceram dezessete pessoas das idades mais diversas.

»Heiduque Joika faz saber que a sua nora, Staha Joica, tendo-se deitado quinze dias antes de perfeita saúde, soltou durante a noite um grito medonho, acordou em sobressalto tremendo de medo, queixando-se de ter sido ferida no pescoço por um homem, filho do heiduque Milloe, que morrera havia quatro semanas. Desde então definhando hora a hora, morria oito dias depois.

»Por todas estas coisas nessa mesma tarde, depois de ouvidas as testemunhas, fomos ao cemitério acompanhados pelo heiduque da aldeia, para que se abrissem os túmulos suspeitos e se observassem os corpos.

»Esta investigação revelou os seguintes fatos:

»– Uma mulher de nome Stana, ao dar um filho à luz e no seguimento de uma curta doença de três dias, morreu aos 20 anos e 3 dias confessando que, para se livrar de toda a espécie de influências, se esfregara com sangue de vampiro. O seu estado de conservação era excelente. Aberto o corpo descobriu-se uma grande quantidade de sangue fresco na cavitate pectoris.

»– Miliza, uma mulher com 60 anos que morreu após três meses de doença e enterrada noventa e tal dias depois, tinha ainda uma quantidade de sangue em estado líquido.

»– Os oficiais do rei enumeram ainda onze pessoas da mesma aldeia, mortas em circunstâncias estranhas mantendo sangue fresco e concluem a seguir, no seu relatório: ‘Depois de devidamente registrado o que atrás foi exposto, ordenamos à ciganagem que passava que decapitassem todos esses vampiros. Foram queimados os corpos e espalhadas as cinzas por Morávia, enquanto, devolviam aos caixões, os corpos encontrados em estado de decomposição.’ EU AFIRMO e os Unterfeldscherer, QUE TODAS AS COISAS SE PASSARAM TAL COMO ACABAMOS DE RELATA-LAS, em Medwegya, na Sérvia, a 7 de Janeiro 1732.»

Assinatura: os oficiais do rei… As testemunhas. Belgrado, 26 de Janeiro 1732.

Jean Paul Bourre

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-leis-do-sangue/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-leis-do-sangue/

Uma Explicação Rápida Sobre o Umbral

Umbral

A explicação para eles é bem lógica e até banal:

Após a morte física, as pessoas tendem a ir para outros planos, que irão variar de acordo com o próprio grau de sutilização, etcétera e tal.

Pessoas que levem vida mais desregrada (uso aqui este termo de forma propositalmente genérica, sem tentar definir o que seja “vida desregrada”, visto que cada um terá diferentes definições para isto) tendem a ser mais dependentes e apegadas às coisas deste mundo e assim, após a morte física, acabam permanecendo em planos bem próximos a este, de onde inclusive terão maiores possibilidades para tentar satisfazer os vícios e necessidades que ainda conservam em si como reminiscências de seus tempos de encarnadas.

Aí acabarão por embarcar num nocivo círculo vicioso de roubo de energia vital de encarnados (vampirismo necessário para que possam permanecer nas redondezas deste nosso plano) e “usufruto” desta energia roubada, ou seja, satisfação ou pseudo-satisfação dos densos objetivos que as mantêm nestes planos.

“Umbral” quer dizer fronteira, divisa. E realmente, como foi explicado, estas colônias e regiões são fronteiriças ao nosso mundo físico.

Mas por que então seriam lugares tipicamente tristes e decrépitos, se todos que estão lá estão reunidos por compartilharem da mesma sintonia?

A explicação é que imensos aglomerados de entidades de baixa densidade, como o são estes bairros astrais, tenderão naturalmente a ser extremamente heterogêneo, em termos de população.

E assim, o vício de um daqueles infelizes poderá ser o tormento do outro, cujo comportamento, por sua vez, fará a desgraça daquele um, ou de um terceiro, numa roda viva a la Jean Paul Sartre, onde “o inferno são os outros”.

Tal e qual numa prisão, onde você não pode escolher seus companheiros de cela.

Mas mesmo assim, uma questão muito mais de sintonia do que de culpa, castigo, punição, etc.

Tanto que projetores astrais em momentos de má sintonia podem mesmo acabar passeando por tais plagas, em suas projeções, quase sempre contra a vontade.

Umbral é isto. Apenas isto. Não entrarei aqui nos aspectos espiritualistas e filosóficos que nos ensinam as formas de escapar dele, ou de elevar a sintonia para criar afinidades com planos mais elevados, pois para isto temos brilhantes oradores e escritores, com suas centenas de páginas, parábolas e palestras.

E mesmo porque acredito que cada um por aqui saiba, pelo menos intuitivamente, o que deve e não deve fazer para permanecer longe dele.

#Espiritismo #Espiritualidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/uma-explica%C3%A7%C3%A3o-r%C3%A1pida-sobre-o-umbral

Anatomia de um vampiro

Pele  – 

Com as células e corpúsculos mortos, nossa pele adquire uma cor incrivelmente branca e fria, xatamente como a dos cadáveres, a não ser que tenhamos nos alimentado a pouco tempo, hora em que ela adquire um tom rosado e um calor mais humano devido a passagem do sangue pelos seus tecidos. Sem células de defesa ficamos incrivelmente vulneráveis a radiação emitida pelo sol ou às chamas de um fogo. Fazendo com que se algum destes atinjam nosso corpo espalhem-se rapidamente, assim como faria numa folha seca, ou num corpo ligeiramente umedecido por álcool.


Olhos  – 

Nossos olhos parecem se clarear e refletir luz quando estamos vampirizados, isso acontece porque somos criaturas extremamente noturnas, e quando vampirizados, precisamos de uma adaptação melhor para ver melhor no escuro, ou seja, nossos olhos absorvem muito mais a luz, por isso parecem ser bastante claros e estranhos.

 

Unhas 

–  Nossas unhas têm uma textura parecida com o vidro, mas de extrema resistência, é muito difícil quebrá-las. Eu poderia compará-las com as unhas de felinos.

 

Órgãos  –

Devido a não-utilização dos órgãos eles se atrofiam. O mesmo acontece com músculos que não recebem sangue diretamente. Isso faz com que os vampiros não apresentem muito porte físico, por mais fortes que sejam. O único órgão que permanece praticamente inalterado é o coração, motivo pelo qual será explicado mais tarde.

 

Cabelos  –

Os cabelos permanecem exatamente iguais a como eles eram antes do abraço (antes de tornar-se vampiro). Se cortado, o cabelo crescerá de novo até atingir o tamanho e a forma inicial (esse processo não é instantâneo: demora horas e horas, às vezes até dias).

 

Dentes  – 

Os dentes permanecem inalterados, exceto pelos caninos que podem ser projetados para fora e se tornarem grandes quando uma certa quantia de sangue é enviada para essa região. Isso ocorre para permitir a perfuração de veias e artérias pelas quais o vampiro se alimentará.

 

Alimentação 

–  O único alimento necessário e permitido para a nossa sobrevivência é o sangue. É preciso de sangue para qualquer simples movimento. Por exemplo, se eu desejo movimentar um dedo, preciso movimentar uma parte do sangue para o dedo. Todo sangue pode ser movimentado devido a bombeamentos do coração (que continua a trabalhar, mas só que de forma voluntária. O vampiro controla quando e como quer que seu coração bombeie o sangue. O coração só sofre verdadeiras contrações para ações que realmente exerçam grande trabalho físico e/ou mental. Para a maioria dos movimentos eações o coração nem ao menos parece se mover). O sangue não se propaga pelo corpo através de veias e artérias, como no corpo mortal, ele se propaga por um processo de Osmose, no qual vai se espalhando internamente, de acordo com os pulsos emitidos pelo coração.


Aparelho Respiratório 

–  Vampiros definitivamente não respiram, a não ser que queiram, pois estão mortos. E mesmo que queiram respirar precisam de uma certa habilidade.


Aparelho Digestivo

–  O aparelho digestivo dos vampiros não funciona. O único alimento que não possui rejeição nos nossos corpos é o sangue, todo o resto ocorre da seguinte forma: A ingestão de qualquer tipo de liquido, que não seja sangue causa um mal estar terrível ao vampiro e é expelido através do suor ou de lágrimas. Se bebido em grandes quantidades, o liquido é vomitado pelo vampiro. Sólidos comidos, em geral, causam um péssimo estar no vampiro e são vomitados, juntamente com bastante sangue.

 

Sistema Imunológico

–  Vampiros são imunes a qualquer tipo de doença mortal. Nota: Correm boatos de doenças vampíricas que chegam até a induzir a vítima a morte. E também correm boatos de que algumas doenças mortais, como o Ebola, por exemplo, podem chegar a matar, mesmo que indiretamente, porque faz com que a vítima expila todo o sangue.

 

Regeneração 

–  O vampiro pode regenerar-se rapidamente de qualquer ferimento bombeando sangue para o local. Por Ter o sangue super forte e concentrado, as plaquetas agem milhões de vezes mais rápido que nos humanos. O vampiro só não pode se regenerar de queimaduras solares ou por fogo porque o sangue fica bastante aquecido quando queimado e perde temporariamente suas propriedades até que abaixe a sua temperatura.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/anatomia-de-um-vampiro/

Explicando o Tarot dos Vampiros

O Tarot dos Vampiros, publicado no Brasil pela editora Madras, traz uma visão interessante sobre os Arcanos do tarot. Ele parte da proposta de como seriam os arcanos se eles tivessem sido criados por vampiros. Lorde A, organizador da “RedeVamp”, me convidou para explicar simbolicamente cada um dos Arcanos.

Vale a pena assistir, especialmente quem já fez os cursos de Tarot, para acompanhar as nuances de cada modificação feita por Davide Corsi.

O Encontro do Tarô dos Vampiros, desde 2011 é um evento mensal que congrega apreciadores do Tarô, de vampiros na cultura pop e também no Fashionismo e Cosmovisão. A entrada é a doação de 1kg de ração de cão ou gato que são doadas para ongs que cuidam de animais abandonados no centro velho de SP.

#Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/explicando-o-tarot-dos-vampiros

Alhos e Vampiros

Assim como o crucifixo, acredita-se que os vampiros tinham uma intensa aversão pelo alho, e as pessoas, portanto, têm-no usado para manter os vampiros afastados. Introduzido no reino da literatura pelo romance de Bram Stoker, o alho se tornou essencial para o desenvolvimento do mito vampírico durante o século 20. Alho foi o primeiro tratamento que o Dr. Abrahan Van Helsing administrou no caso de Lucy Westenra. Van Helsing tinha uma caixa com flores de alho que lhe foram enviadas da Holanda e com as quais Lucy decorou seu quarto. Pendurou-se em volta do pescoço de Lucy e disse-lhe que havia muita virtude na pequena flor. O alho funcionou até que a mãe de Lucy, sem conhecer a finalidade das flores, arrancou-as de seu pescoço.

Alho era um elemento crucial para se matar um vampiro. Depois de enfiar uma estaca no corpo do vampiro e de lhe remover a cabeça, era colocado alho em sua boca. Aliás, foi assim que Van Helsing tratou finalmente do corpo de Lucy. Entretanto, esse tratamento era eficiente somente no caso de vampiros recém-criados, porque os mais velhos (Drácula e as três mulheres no Castelo de Drácula) se desintegravam em poeira assim que a estaca fosse enfiada em seus corpos. Stoker obteve a idéia de usar alho após a decapitação do vampiro no livro The Land Beyound the Forest, de Emily Gerard. O livro sugeria que era o método empregado pelos romenos para casos persistentes de vampirismo (isto é, aqueles que não tinham sido resolvidos por métodos que não necessitassem de qualquer mutilação do corpo).

O alho, membro da família dos lírios, tinha sido usado desde os tempos mais remotos como erva e medicamento. Desenvolveu uma reputação como poderoso agente restaurador, e havia rumores de que possuía poderes mágicos como agente protetor contra a peste e vários males sobrenaturais. Nas regiões da Eslávia do Sul, ficou conhecido como um poderoso agente contra forças demoníacas, bruxas e feiticeiras. O Santo André cristão foi considerado o doador do alho à humanidade.

Nos países as Eslávia do Sul e da vizinha Romênia, o alho foi integrado ao mito do vampiro. Era usado tanto na detecção como na prevenção de ataques de vampiros. Os vampiros que viviam incógnitos na comunidade poderiam ser identificados pela sua relutância em consumir alho. Nos anos 70 Harry Senn foi aconselhado pelos seus informantes romenos de que a distribuição de alho durante uma cerimônia religiosa e a observação dos que recusassem sua porção era uma maneira aceitável de se detectar um vampiro escondido na comunidade.

Os vampiros eram muito ativos nessas religiões por volta da véspera do dia de Santo André e da véspera do dia de São Jorge. Nesses dias, janelas e outras aberturas da casa eram untados com alho para manter os vampiros afastados. Podia-se dar também alho ao gado pelo método de esfregação. Em algumas comunidades, o alho era misturado à comida e dado ao gado antes de um feriado importante. Se uma pessoa recém-falecida fosse suspeita de vampirismo, o alho poderia ser enfiado na boca do morto ou colocado dentro do caixão.

Se a detecção e a necessidade de confortar com a decapitação e o alho poderia ser colocado e sua boca ou dentro do caixão. O alho também era importante na Europa oriental e era servido como a proteção mais universal contra os vampiros e as entidades vampíricas. Apareceu no folclore do México, da América do Sul e da China. No decorrer do século 20, o alho se tornou um dos objetos mais bem conhecidos associados com o vampiro. Sem ser um símbolo particularmente religioso, o alho sobreviveu, enquanto o crucifixo desapareceu gradualmente da lista de armas antivampíricas. Às vezes, como no livro e no filme The Lost Boys, a eficácia do alho foi negada, mas apareceu mais freqüentemente como uma substância de detecção e/ou prevenção viável contra os vampiros.

A enciclopédia dos mortos vivos

(*) Isso faz parte da superstição popular. Aqui no Brasil usa-se arruda e alfazema entre outras plantas e objetos “magicos” como a figa e o pé de coelho para afastar mau olhado ou trazer sorte. O alho faz parte da tradição européia para afastar influências negativas e – por extensão – os vampiros…

Adendo – Shirlei Massapust.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/alhos-e-vampiros/

Além do Mito do Vampiro

“Tivemos um lampejo da realidade e enxergamos a verdade por trás do véu. Fechamos o círculo e redescrobimos o Demônio. Recuperamos nossa herança ancestral. Achamos aquilo a que concedemos tantos nomes – a fonte de nosso terror mortal. Descobrimos o inimigos… e somos nós.”

– Retirado do livro: Vampiro: A Máscara

Um dia desses, dentre uma visita e outra à sites de vampirismo, me peguei tentando definir, em resumo o que é vampiro. Pensei, indaguei, refleti e a única verdade que achei foi que, vampiro, em um sentido amplo, não pode ser definido assim, como numa palavra em um dicionário. O vampirismo tem várias correntes, vampiros têm vários sentidos, que vai muito além do mito do monstro de dentes grandes que suga o sangue das pessoas para saciar sua sede e torná-las morta-vivas. Podemos pensar em vampiros como monstros vagando pela noite, criaturas noturnas, presas a sua imortalidade não humana, mas querendo resgatar seus valores humanos, perdidos há tempos, na hora de sua morte. Monstros que se revelam malignos quando atacam suas vítimas, deixando que a bestialidade possua seu corpo e mente para logo depois seu remorso lhe avisar que a cada vítima, a cada toque cruel, a sua humanidade se esvai como o sangue que ele bebe. Seres que se mostram ainda humanos, quando choram por seus entes queridos, por lembranças que nunca mais serão realidade, por sonhos que agora foram transformados em trevas e sangue. Esse é o mito, que tanto fascina a humanidade há tempos, que é retratado e reverenciado pela mídia e seus espectadores. Esse é a personificação do mau humano, o que o homem tem a oferecer de ruim, o “canibalismo social” que há na sociedade, onde a concorrência e o sistema lhe engolem, caso você não siga a risca o que é mandado por eles. O mito vampiro é, a consciência do homem por todos seus atos vis contra ele mesmo, é o arrependimento, o remorso e ao mesmo tempo, a agressividade, a bestialidade que cada um tem dentro si, o lado animal e humano. Mas podemos olhar também os vampiros como uma filosofia, um modo de pensar e agir, um reflexo distorcido do ser humano. Nele estão incluídos, em síntese, os sentimentos que mais mexem com a mente humana, não só de hoje, mas de sempre. Ódio e amor, prazer e sofrimento, crueldade e bondade. O bem e o mal lutando entre si dentro de uma só pessoa, e a mesma tentando achar um equilíbrio racional para a aflição de sua alma. Pare um pouco e pense como um vampiro.. sinta o que ele sente. Pense em uma sede que faz seu corpo ferver, faz sua cabeça girar e girar cada vez mais rápido, um impulso animal que o toma e que só pode ser terminado se você se alimentar do sangue de um ser humano, alguém que possui os mesmos sentimentos seus, que ama, que é amado, que tem um passado e principalmente um futuro e que você vai acabar por causa da sua sede animal. Pare um pouco… Pense… Sinta… Agora que você o matou, pense na família dessa pessoa, seus filhos, sua mulher, eles não terão mais o conforto e a segurança de um pai e a culpa é sua. Você matou para se alimentar, passou por cima da sua razão e da sua humanidade para acalmar o ódio, a besta que está aí lhe consumindo . Remorso… Sinta… Agora vamos a outro exemplo, mais rápido, prático, real e cruel. Pense na concorrência absurda que está aí fora da sua casa. Estudo, emprego, dinheiro, dinheiro… Você passa por cima de pessoas para poder ter a sua vida confortavelmente, com sua família, com o seu dinheiro. Você que o bem para você e para o seu próximo, e o resto que se dane. Mas não é porque você quer, é por que tem algo, sempre foi assim, que lhe força a esmagar a sua concorrência, seja quem for e como for, para você ter o poder. Esse é o sistema, é a nossa sociedade. Pense… Agora compare os dois exemplos. Você vê a semelhança? Você vê a profundidade que o mito “vampiro” tem? Vê o nosso reflexo nele? Somos vampiros, sugamos do outro para nos “alimentar”. E lá no fundo da nossa consciência, as vezes nem tão fundo, está o nosso remorso por fazer isso, daí vem a nossa carência em exercer a nossa cidadania, em dar para quem precisa por estar com a consciência pesada, por saber que errou, mesmo não tendo uma culpa real, mesmo sendo manipulado, dominado pela besta, o sistema.

por Hurlon

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/alem-do-mito-do-vampiro/

A Vassoura Atrás da Porta

“Nunca convide um vampiro para entrar em sua casa. Isso deixa você sem poder”.
– Janice Fischer e James Jeremias, The Lost Boys.

Num de seus poucos ensaios de não ficção Gedeone Malagoa afirma que, em 1855, “um ferreiro de Exter inventou um trinco de segurança que até hoje nós usamos em casa, para que bruxas e monstros não entrassem”.[1] Segundo Bram Stoker, o mesmo é válido contra vampiros salvo quando bem-vindos:

>>He cannot go where he lists; he who is not of nature hás yet to obey some of nature’s laws — why we know not. He may not enter anywhere at the first, unless there be some one of the household who bid him to come; though afterwards he can come as he please.[2]

Ele não tem acesso a todos os lugares aos quais desejaria ir e, mesmo não pertencendo à natureza, deve obedecer a algumas dessas leis naturais… e não sabemos por que motivo. Não lhe será possível jamais entrar em nenhuma moradia, pela primeira vez, se não for convidado por um dos moradores, embora depois disso possa ir e vir à vontade.[3]<<

O vampiro não precisa ser reconhecido quando convidado, pois, no oitavo capítulo de Drácula (1897), Lucy Westenra realizou um convite bem sucedido a um grande morcego.[4] Trata-se de uma situação diametralmente oposta a da adaptação no filme Nosferatu (1922) de F. W. Murnau onde a ardilosa Ellen Hutter (Greta Schröder) abre a janela para receber, na cama, o velho Conde Orlok (Max Schreck), afim de fazê-lo perder a noção do tempo entretendo-o até a aurora. No primeiro caso o vampiro domina a donzela em estado de sonambulismo hipnótico enquanto, no segundo, a mulher sagaz ludibria e subjuga o vampiro.

Outros artistas trabalharam sobre o mesmo problema. – A solução mais criativa talvez esteja na comédia The Monster Squad (EUA, 1987) onde Drácula (Duncan Regehr) obriga as pessoas a saírem de um local impenetrável atirando dinamite pela janela! – Conforme anotado por Leonard Wolf, apenas um habitante da residência necessita convidar o vampiro, não havendo necessidade da anuência de todos.[5] Por isto muitos roteiros destinados ao público infanto-juvenil falam de adultos incrédulos que deixam abertos os seus armários cheios de monstros e convidam vampiros para uma visita doméstica a despeito das súplicas das crianças; sendo o mito ocasionalmente tratado como metáfora da insegurança do menor que tem sua privacidade invadida pela presença de um estranho que tomou sua mãe por mulher e age como se tivesse direito ao pátrio poder sem ser seu pai.

Um tratamento inteligente pode ser visto em Fright Night (EUA, 1985) onde Tom Holland cria uma situação onde a mãe solteira Judy Brewster (Dorothy Fielding) nutre um desejo secreto por seu novo vizinho Jerry Dandrige (Chris Sarandon) mesmo suspeitando que ele seja homossexual. Na primeira oportunidade ela o convida, contra a vontade do filho Charley Brewster (William Ragsdale), sob pretexto de cumprir normas de etiqueta, e Jerry se apressa a aproveitar a oportunidade para coagir Charley, ameaçando matar sua mãe.

No roteiro de Janice Fischer e James Jeremias para The Lost Boys (1987) o discurso do vampiro Max (Edward Herrmann) é ainda mais específico:

>>I know what you’re thinking, Sam. But you’re wrong. I’m not trying to replace your father or steal your mother away from you. I would just like to be your friend. That’s all.

Eu sei o que você está pensando, Sam. Mas você está enganado. Não estou tentando substituir o seu pai ou roubar sua mãe de você. Eu apenas gostaria de ser seu amigo. Só isso.[6]<<

A comédia Mamãe Saiu com um Vampiro (Mom’s Got a Date With a Vampire) lançada em 2000 pela Walt Disney Pictures, com direção de Steve Boyum, assimila um contexto pós-moderno, onde as crianças estão mais abertas para mudanças do que os próprios pais e tentam arrumar um namorado para Lynette (Caroline Rhea), mãe divorciada, mas escolhem o cara errado…
Em certas mídias o vampiro só não pode entrar “na casa de Deus” – expressão geralmente usada para designar uma igreja católica ou mosteiro e, muito raramente, a residência de um cristão. – Seriam área de caça lícita todos os bares, motéis e a casa do devasso. Tal como o Morto do Pântano, o vampiro também pode agir como justiceiro anti-herói eliminando humanos “que não merecem viver”.[7] (Se bem que certas publicações voltadas a um público mais adulto repetem teimosamente que apenas o sangue inocente sacia-lhes a sede).

CONCLUSÃO:

Uma simpatia muito conhecida no Brasil manda botar uma vassoura de cabeça para baixo, com a piaçava virada para o alto, atrás da porta dos fundos de uma residência para encurtar a visita de humanos indesejáveis.[8] Isso significa que ninguém pode viver confinado, evitando um problema para sempre. É preciso encarar o inoportuno e enfrentá-lo para fazê-lo sair… O tabu do impedimento teve sua utilidade à época da sua criação e principal difusão, servindo para aumentar o número de situações onde a prática da hipnose – proibida em vários países, quando anexa ao espiritismo – pudesse ser retratada. Mas os tempos mudaram, as leis caíram, a liberdade sexual e religiosa prosperou e os artifícios para velar o desejo das mulheres ou a fé dos excluídos deixaram de ser necessários.

O caráter progressivo da arte não pode aceitar dogmas eternos e absurdos, tais como a sugestão de que a falta de convite funcione como um campo de forças invisível que impede o vampiro de entrar num local da mesma forma que o vidro interrompe o vôo dos insetos que batem e caem. A boa produção artística deve ser, na medida do possível, verossímil e comedida.

Também, como a possibilidade de imaginar saídas engenhosas é limitada, o vasto comércio nascido em torno do mito estaria com os dias contados se, em todo momento, o Conde Drácula tivesse de parar para hipnotizar, seduzir, ludibriar ou explodir algo ou alguém enquanto a vítima almejada corre de casa em casa.
Enfim, ao longo do tempo os produtores de cinema, editores, etc., perceberam que não fazia sentido limitar os movimentos de Drácula por ser ridícula a hipótese do vampiro ‘bem educado’ necessitar de convite enquanto o ladrão comum continua a invadir qualquer domicílio sem permissão.

Notas:

[1] GEDEONE. Um Rastro em Linha Reta. Em: Mestres do Terror. São Paulo, D-Arte, 1982, Ano I, nº 4, 3ª capa.
[2] WOLF, Leonard (ed). The Essential Dracula: The Definitive Annotated Edition of Bram Stoker’s Classic Novel. New York, Plume, 1993, p 290.
[3] STOKER, Bram. Drácula. Trd. Vera M. Renoldi. São Paulo, Abril, 2002, p 236.
[4] WOLF, Leonard (ed). Op Cit, p 126, nota 20 e 290, nota 18.
[5] WOLF, Leonard (ed). Op Cit, p 290, nota 18.
[6] Ao contrário de outros vampiros que mentem o tempo todo, Max foi quase sincero. Ele desejava desposar Lucy (Dianne Wiest) de forma que o casal, os dois filhos dela e os seis filhos dele formassem uma única família. O problema é que ele omitiu o fato de ser vampiro e precisar converter a todos na mesma espécie, além de pelo menos dois dos seus ‘filhos’ terem sido roubados de outras famílias e adotados. Daí o título Garotos Perdidos.
[7] MIRANDA JR, Décio. O Morto do Pântano, p 7. Em: ZALLA, Rodolfo (ed). Mestres do Terror. São Paulo, D-Arte, 1982, nº 1.
[8] A lógica desta superstição segue o princípio da similitude, já que a vassoura é normalmente usada para varrer o lixo para fora de casa.

Shirlei Massapust

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