Resultados da Hospitalaria – Janeiro de 2013

Em Janeiro, tivemos 64 mapas e 47 sigilos, além de 28 doações de sangue. Entidades ajudadas este mês:

– Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba

– AACD

– Medicos sem Fronteiras

– CAJEC – Casa Jose Eduardo Cavicchio

– Santa Casa de Misericordia de Rondonopolis

– Cruz Vermelha da Alemanha

– Doação de 314kg de alimentos

– Centro de Estudos Budistas Bodisatva

– Shrinners

– Centro Espírita Nosso Lar – Casas André Luiz

– Lar de Velhos e Espaço Dia Emanuel

– Aprai – Associação Protetora dos Animais de Indaiatuba

– Caixa de AMRA – Loja Rosacruz AMORC de São Paulo

E continuamos com o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-janeiro-de-2013

Astrologia e Ciência

Em 1994, o cineasta, fotógrafo e multimilionário Gunther Sashs decidiu proceder em uma investigação estatística e matemática das propostas astrológicas, uma aproximação empírica tal qual imaginávamos que os antigos haviam feito. Ele não era astrólogo, nem nenhum de seus colaboradores. Quando os estudos começaram, motivados por pura curiosidade, nenhum deles sabia muito sobre Astrologia Hermética. Mas levantaram uma série de dados que acompanharemos a seguir:

Em primeiro lugar, seguem os termos de referência:
1. Examinar por meio de um estudo científico largamente estruturado os possíveis efeitos dos signos no comportamento humano
2. Não tentar provar nem desprovar a astrologia acima ou ao lado de mitologias, mas investigar se ela existe e exerce efeito real em grandes massas populacionais.
3. Publicar seus estudos, mesmo se falhassem em provar a existência de uma astrologia não-mitológica.
4. Basear suas pesquisas exclusivamente em dados empíricos, sem consultar qualquer astrólogo.
5. Examinar e explicar cientificamente quaisquer fatores que pudessem distorcer seus resultados estatísticos.
6. Indicar como significativo qualquer desvio aparente dos resultados esperados que não pudesse ser explicado como simples acaso.
7. Ter seus cálculos e resultados conferidos por uma aceitável autoridade neutra, tal como uma universidade.

Eles trabalharam com um instituto de Pesquisas Europeu de grande prestígio, que atuou como seu árbitro independente: o Institute fur Demoskopie, em allensbach, e utilizaram os serviços da dra. Rita Kunstler, uma profissional do Instituto de Estatística de Ludwig-Maximilian University, em Munique, como consultora de metodologia estatística.

Eles conseguiram seus dados brutos de autoridades públicas, companhias de seguro e pesquisadores de mercado. Coletaram um enorme arquivo a respeito de criminosos, traficantes, casamentos e divórcios, doentes, suicidas e muito mais. As regras de proteção dos arquivos impediam que os indivíduos fossem identificados, mas poderiam obter a data e local de nascimento.

Quando conseguiram os dados brutos e passaram a analisá-los, os resultados foram todos documentados e são fascinantes.

O estudo de Sashs usava amostras muito grandes, e quando ele procedeu a testes significativos, o Instituto de Estatística da Universidade Ludwig-Maximilian verificou seu método. Uma coisa estava bem clara: ele fez seus testes de maneira imparcial e teve todo o trabalho de eliminar amostras preconceituosas sistemáticas.

Gunther começou analisando as vendas de livros de Astrologia, de signos estelares, e comparou as vendas em proporção aos indivíduos nascidos sob aqueles signos em particular em áreas de vendas. Ele encontrou significativas diferenças estatísticas em 10 dos 12 signos, um resultado que poderia ocorrer por acaso apenas uma vez em dez milhões (um nível de significância muito além da “1 chance em 99” aceita na imensa maioria dos testes estatísticos usuais na ciência ortodoxa).

Ele baseou seus dados na amostra de 313.368 vendas de livros de signos durante o período de 1991 a 1994. Se algum leitor quiser saber quais signos estão mais interessados em Astrologia e quais estão menos, recomendo a leitura do livro de Saschs, “The Astrology File”, da editora Orion, 1997. Neste texto, estou interessado nos resultados estatísticos.

A Seguir, Sashs analisou dez diferentes áreas da vida onde ele poderia obter dados. apresento abaixo um sumário de algumas das descobertas que ele fez:

1 – Quem casa com quem?
Ele partiu de uma amostra de 717.526 pessoas casadas e observou se seus mapas eram compatíveis, para concluir se as expectativas astrológicas eram cumpridas. Sua hipótese nula (o resultado esperado) assumia que as combinações estariam aleatoriamente distribuídas entre todos os signos. NÂO ESTAVAM.
Das 144 possíveis combinações entre signos dentro dos planetas, ele encontrou 25 pares que se desviavam significantemente das expectativas aleatórias. Quando conferidas as probabilidades de tais eventos ocorrerem por coincidência, a possibilidade é de 1 para 50.000 contra. Isso significa que estas escolhas eram 49.999 vezes mais prováveis de serem causadas por algum fator que não o acaso!

2 – Quem se divorciou de quem?
O tamanho de sua amostra para este teste foi de 109.030 casais. O método usado foi o mesmo do casamento. Mais uma vez, das 144 possíveis combinações de signos dentro dos planetas, ele encontrou 25 desvios significativos (mas desta vez com um nível de significância menor, de 1 a cada 260 testes). Embora bem menor que o anterior, este resultado não é desprezível estatisticamente.

3 – Quem é solteiro?
Este teste foi baseado no censo de 1989-1990, cobrindo toda a população da Suíça, de 4.045.170 habitantes. isto deu uma amostra de 2.731.766 pessoas na idade aceitável (18 a 26 anos). Ele descobriu que certos signos e combinações estão mais preparados para comprometimento e casamentos que outros. Sete desvios significativos no comportamento aleatório eram estatisticamente significativos em 1 para 10.000, ou seja, há um padrão de comportamento definido nesta amostra.

4 – Quem estuda o que?
Os dados vieram de universidades e cobriam 231.026 candidatos em dez cursos específicos. A hipótese nula é que os signos estariam distribuídos aleatoriamente entre as disciplinas. Haviam 120 combinações de signos/disciplinas possíveis e ele encontrou 27 desvios significativos. a chance de obter este resultado por coincidência são de 1 em 10 milhões. Este resultado é monumental (pessoas são condenadas à morte com base em evidências de DNA com significância estatística milhares de vezes menor que essa).

5 – Quem faz qual trabalho?
A amostra foi tirada do censo de 1989-1990 que chegou a 4.045.170 habitantes na Suíça e estudou 47 tipos de ocupação. isso resultou em 564 possíveis combinações entre trabalhos e mapas/signos. saschs encontrou 77 variações significativas com probabilidade de 1 em 10 milhões de ser mera coincidência. Novamente, apenas um tolo poderia negar uma correlação destas.

6 – Quem morre de que?
Este teste foi conduzido com todas as mortes registradas na Suíça entre 1969 e 1994, com uma amostra de 1.195.174 eventos. Para tornar este teste significativo, apenas mortes por causas naturais foram consideradas. Isto reduziu a amostra para 657.492 indivíduos. as 240 possíveis combinações (das quais a hipótese nula era, como nas demais, uma distribuição aleatoria entre signos e causa mortis) revelaram, porém, cinco desvios com probabilidade de 1 para 270. Apesar de modesto em comparação com os outros resultados, ainda tem valor estatístico.

7 – quem comete suicídio?
Do registro de mortes acima, Sachs pôde extrair uma amostra de 30.358 pessoas que cometeram suicídio. ele encontrou cinco desvios significativos com a possibilidade de coincidência apenas de 1 em 1000.

8 – quem dirige de que jeito?
Esta amostra foi colhida junto a seguradoras e cobria 25 mil acidentes durante 1996. mais uma vez, Sachs encontrou desvios para quatro signos com nível de significância de um para dez milhões (curiosamente, foram os mesmos 4 signos que eu, Marcelo Del Debbio, encontrei desvios em pilotos de fórmula 1 que venciam corridas em um estudo que fiz e devo publicar em breve aqui no blog).
Ele também tirou uma amostra de 85.598 acidentes na Suíça e novamente encontrou os mesmos quatro signos envolvidos, mostrando significantes desvios estatísticos com probabilidade de 1 para 5.000 de ser coincidência.

9 – Quem comete quais crimes?
a amostra tomou 325.866 prisões para 25 diferentes tipos de crimes. os dados foram coletados no Ofício de Registros Criminais da Suíça. A combinação testada era de 300 possíveis crimes/signos. Assim como nos outros testes, a hipótese nula era que estivessem distribuídos aleatoriamente entre as combinações, mas 6 destas combinações mostraram desvios da expectativa, com significância de 1 para dez milhões contra a coincidência.

10 – quem joga futebol?
De uma amostra de 4.162 futebolistas na alemanha, Sachs encontrou nove signos desviando significativamente das chances esperadas. As chances de serem coincidência eram de 1 para 1 milhão. quando analisou os atletas profissionais, esta probabilidade subia para 1 em 10 milhões.

Após estas análises, Sashs fez uma conferência cética do resultado: A equipe de consultoria misturou todos os dados e as datas foram arrumadas de maneiras aleatórias, criando 12 signos “artificiais” (usaram um gerador de números aleatórios para agrupar os 365 dias do ano em 12 blocos totalmente arbitrários) e refizeram os testes.

Aqui está o resultado, em suas próprias palavras:

Os estatísticos podiam misturar os dados ao acaso e criar signos na mesma ordem com o ano, mas este foi provido com datas de nascimento artificiais (falsas). Desda forma, um ano artificial apareceria começando em 6 de abril, seguido por 11 de novembro, 7 de março, 19 de agosto e assim por diante, até os 365 dias.
Se a afirmativa dos astrólogos a respeito do efeito dos signos fossem inválidas, aqui também seriam encontradas significâncias estatísticas, no entanto, não houve correlações significativas entre os signos artificiais.

Sashs resumiu seu trabalho comos segue:
O principal propósito deste estudo não era produzir resultados individuais interessantes – esses seriam, de fato, não mais que entretenimento encontrado como subproduto de nosso projeto. Ao invés disso, o objetivo da pesquisa era estabelecer se havia uma correlação entre signos/planetas e o comportamento e predisposição humanos.

Provamos isto. Há uma correlação!

Todos os dados de suas pesquisas foram publicados no livro “The Astrology File, publicado pela editora Orion em 1997. Após esta data, Gunther passou a estudar Astrologia Hermética e a testar e refinar seus resultados em seu instituto. Apesar de um excelente trabalho, ele ainda não pode satisfazer o critério de aceitação que Stephen Hawkins colocou:

“A razão pela qual a maioria dos cientistas não acredita em Astrologia não é a evidência ou falta dela, mas porquê ela não é consistente com outras teorias que foram testadas por experimentação”.

Talvez isso aconteça porque o estudo é amplamente ignorado pelos acadêmicos e, quando é realizado, é feito com metodologias totalmente furadas, envolvendo apenas signos solares ou horóscopos de jornal. De um lado, a comunidade científica está entrincheirada contra ela porque a vê conflitando com outras teorias e do outro lado, malucos e charlatões apresentando uma bizarrice maior do que a outra em programas de TV. E, no meio disso, os “Astrólogos Sérios”, dentro de Ordens iniciáticas que possuem o conhecimento do método e das técnicas, mas não os recursos para demonstrá-las. Sorte nossa que Gunther Sashs é milionário.

E apenas um último adendo: Stephen Hawkings está errado; a Astrologia Hermética É consistente com as teorias espiritualistas e teosóficas; que envolvem reencarnação, Verdadeira Vontade e outros aspectos que ainda não podem ser provados pelo método científico aceito pela ciência ortodoxa. O astrólogo e teósofo Dane Rudhyar publicou diversos livros a respeito destas correlações.

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Marosia: Assassinatos, papas e crucifixos

Após Bento III ter estreado a famigerada “cadeira papal” e mostrado os culhões para ganhar o direito de usar a Mitra, começou o processo de fortificação de Roma por conta da ameaça dos muçulmanos. Bento III enfrentou vários problemas internos na Igreja, que culminaram com a eleição do antipapa Anastácio III durante alguns meses, quando a população de Roma tirou o concorrente do trono e recolocou Bento III no poder. Seu conturbado papado durou apenas alguns meses, tendo sido “esticado” oficialmente quando suprimiram a papisa Joana das fontes oficiais.
Nicolau I foi papa de 858 a 867 e seu governo foi marcado por conflitos com a dinastia dos Carolíngios (a dinastia que sucedeu os Merovíngios no sul da França – falarei mais sobre eles nas próximas colunas), em especial o imperador Lotário II.
O papa Adriano II (867-872) tentou novas reconciliações com os cristãos do sul da França, sem sucesso. O papa João VIII sofreu finalmente o ataque dos muçulmanos, que enfrentaram as forças italianas no sul do país. Durante seu papado, o sul da Itália passou por maus bocados nas mãos dos muçulmanos.
A partir de 872, as disputas internas pelo poder em Roma tornaram-se extremamente acirradas. Tanto João VIII (envenenado) quanto Marinho I (envenenado), Adriano III (esfaqueado, talvez porque não quis tomar o veneno…), Estevão VI (estrangulado), Formoso I (circunstâncias misteriosas) e Bonifácio VI foram assassinados em menos de 12 anos, devido a disputas internas pelo poder do papado.

O Sínodo do Cadáver
Não contente em matar seu antecessor, Estevão VII também resolveu sacanear Formoso I, seu inimigo pessoal, convocando o que ficou conhecido como o “Sínodo do cadáver”. O Sínodo do cadáver, também conhecido como Julgamento do Cadáver ou ainda, em latim Synodus Horrenda é o nome pelo qual ficou conhecido o episódio do julgamento póstumo do papa Formoso que se deu na basílica de São João de Latrão em janeiro de 897. À presença de Lamberto de Espoleto (governador de Roma) e da imperatriz-mãe, rodeados de eclesiásticos, foi trazido o cadáver mumificado de Formoso, retirado sacrílegamente de seu ataúde. Foi o corpo assentado num trono e acusado do grande crime de haver aceito ser Papa (os Papas são Bispos de Roma), quando já era Bispo de Porto. Intimado a se defender, e logicamente nada respondendo, foi o morto julgado criminoso, despojado das insígnias pontificais; cortaram-lhe os dedos da destra que abençoara as multidões; o corpo foi depois atirado ao rio Tibre.

Estêvão VII, aliás, acabou seus dias aprisionado por seus ex-amigos e estrangulado, para variar. O papa Romano I o substituiu: inimigo mortal de Estêvão VII, o primeiro ato que fez ao chegar no pontificado foi mandar encontrar o cadáver de Formoso e erigir um magnífico mausoléu para ele, redimindo-o de todas as “injustas acusações” feitas por seu antecessor. Alguém imagina como Romano I morreu? Certo… envenenado em novembro de 879 e foi substituído pelo papa Teodoro II, cujo papado durou apenas vinte dias… alguém quer chutar a causa de sua morte?

O século da corrupção
A partir de Teodoro II, a situação em Roma estava complicada para o pontificado. Cada vez que um papa morria, seus opositores saqueavam suas riquezas e atacavam a memória do papa e dos aliados anteriores. Também a corrupção generalizada e a venda de indulgências estavam causando muitos problemas para a Igreja.
Bento IV reinou de 900 a 903 e, além destes problemas, ainda teve de enfrentar os húngaros no norte da Itália e os muçulmanos no sul. O papa Leão V o substituiu mas foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas menos de 5 meses após sua posse. Foi substituído em 904 por Sérgio III, cujos historiadores da época o acusam de ter envenenado Leão V. Com Sérgio III começa o período conhecido como Pornocracia.

Pornocracia
A pornocracia (do grego porne, prostituta e kratein, governo) foi um período na história do Papado que se estendeu da primeira metade do século X, com a instalação do Papa Sérgio III em 904 por sessenta anos, e terminou após a morte do Papa João XII em 963.
Sérgio III possuía o apoio do Imperador Teofilacto, que era casado com uma mulher chamada Teodora (não confundir com a outra Teodora de Constantinopla) e tinha uma filha chamada Marosia. Marosia é gente que faz.
A belíssima Marosia começou sua carreira política aos quinze anos, quando tornou-se amante do papa Sérgio III (com 45 anos, na época). Mais tarde, quando completou 19 anos, casou-se com o nobre Alberico I de Espoleto (em 909). Marosia teve um filho com o papa em 910, chamado Alexandre de Tusculum (que nós conheceremos daqui a pouco com o titulo de papa João XI).

Sérgio III governou até 911, quando foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas e foi substituído por Anastácio III, cujo papado durou dois anos e também foi encerrado por um assassinato. Lando I permaneceu seis meses no papado e também foi envenenado.
O papa João X, que substituiu Lando, era amante de Teodora (a mãe de Marosia) e foi considerado um papa enérgico. O maior problema enfrentado pelos italianos nesse período foi(surpresa!) os ataques muçulmanos, que continuavam tocando o terror no sul da Itália. No período de seu papado, os árabes destruíram os grandes mosteiros de Subiaco e de Farfa, além de assaltarem os peregrinos que iam a Roma, vendendo-os como escravos.
De saco cheio dos cabeças de turbante, João X organizou uma coalizão de ducados e, auxiliado pela esquadra bizantina, expulsou os infiéis do sul da Itália.
O ambicioso Alberico I, marido de Marosia, que comandara as tropas da coalizão, por influência de sua esposa, comandou uma revolução para tomar o controle de Roma, na qual morreu combatendo em 924.
Marosia se torna amante de João X, mas este se recusa a ceder aos seus comandos, tratando-a apenas como mais uma de suas concubinas.

Irritada, Marosia casou-se, então, com Guido de Túscia, com cujas tropas atacou Roma, fez trucidar o comandante pontifício, Pedro (o irmão de João), diante dos olhos do pontífice. Em seguida, mandou prender João X e torturá-lo durante um ano, até que este veio a falecer.

Marosia escolhe, então, um de seus amantes, Leão VI, como novo papa (enquanto o papa ainda estava vivo e sendo torturado na prisão). Leão VI dura exatos sete meses no papado, sendo assassinado por aliados de João X.
Estêvão VIII foi colocado no lugar de Leão VI e governou sob o controle de Marosia durante dois anos e dois meses, quando foi assassinado. Em 931, Marosia decidiu colocar seu próprio filho, Alexandre de Tusculum, como papa João XI, na época com cerca de 21 anos, no poder papal.

Quando o segundo marido de Marosia faleceu em 929, Marosia negociou um casamento com o meio-irmão de Guido, Hugo de Arles, autoproclamado Rei da Itália, para continuar no poder, mas Alberico II, filho de Alberico I e legítimo sucessor do trono, irritou-se com a tentativa de traição da mãe e depôs os dois picaretas, aprisionando-a em um castelo por cerca de 8 anos, até sua morte em 937 (Hugo conseguiu escapar da cidade antes de ser preso).

Por influência de Alberico II, o próximo papa, Leão VII, foi escolhido entre os monges beneditinos. Para apaziguar a iminente guerra entre Alberico II e Hugo, ele consegue uma aliança que culmina no casamento de Alberico II com Alda, filha de Hugo. Seu papado ficou conhecido pela perseguição aos judeus e também aos bruxos, cabalistas e adivinhos, que eram expulsos das terras cristãs.
Estêvão IX (939-942) entrou em conflito com os interesses de Alberico e terminou seus dias confinado no Palácio de Latrão, sendo substituído por um papa mais agradável aos interesses do rei, Marino II (942-946). Após este, Agapito II tentou por dez anos colocar ordem na promiscuidade que estava tomando conta dos palácios católicos. Também tentou, em vão, reestabelecer o celibato obrigatório e organizar a comunicação entre as igrejas. Morreu em 955 e, quando as coisas pareciam que voltariam ao normal no Vaticano, Alberico II faz os cardeais colocarem Otaviano, seu filho de apenas 18 anos de idade, como sucessor de Agapito II…
Otaviano (ou melhor, papa João XII), que ficou conhecido por violar virgens e viúvas e promover verdadeiras orgias no palácio papal, acabou assassinado pelo marido de uma de suas amantes em 964. Assim terminava a pornocracia em Roma.

Papas fantoches e o celibato
O 132º papa, Leão VIII, teve problemas com o imperador Oto I, da Alemanha, que, sob ameaça de invadir Roma, o exilou e colocou papas fantoches no comando do bispado de Roma, que nada mais faziam do que obedecer às suas ordens. Neste período, seus domínios ficaram conhecidos como “Sacro Império Romano-Germânico”. Tanto Leão VIII quanto Bento V, João XIII e Bento VI foram indicados por Oto I.
Em 974, após a morte de Oto I, Bento VI, o papa escolhido pelo Imperador foi capturado e estrangulado na prisão em uma revolução anti-germânica e substituído por um bispo romano novamente, Bento VII.
Neste papado o celibato entre os clérigos é novamente reestabelecido, desta vez por conta da farra de compra e venda de títulos eclesiásticos, que resultavam em dioceses se tornando “propriedades” de famílias através da compra do cargo de sacerdote por filhos e netos. A partir de agora, todas as igrejas retornavam ao domínio de Roma, deixando os padres e bispos sem direito a repassar suas heranças para esposas ou filhos. Esta é a verdadeira razão pela qual a Igreja Católica exige o celibato dos seus membros eclesiásticos.

João XIV (983-984) foi indicado pelo Imperador Oto II e também foi assassinado por opositores. João XV, também indicado pelo imperador, ficou mais dez anos no papado, sendo substituído por Gregorio V (que foi assassinado) e posteriormente Silvestre II (999 a 1003).

Silvestre II foi um papa diferente: monge beneditino francês, passou muito tempo no sul da Espanha, onde teve muito contato com a cultura árabe. Antes de se tornar papa, foi um dos principais divulgadores dos numerais indo-arábicos na Europa. Foi o inventor do primeiro relógio mecânico.
Atendendo a um pedido do imperador Oto II, dirigiu por um breve período a abadia de São Columbano em Bobbio e depois voltou a Reims (983), onde, como atuou como conselheiro do arcebispo Adalberon, deteve o controle da política francesa, favorecendo a ascensão ao trono de Hugo Capeto (Capeto… capeta… guarde este nome e esta dinastia, ela vai explicar mais para a frente a origem do termo “capeta” como sinônimo do tinhoso).
Protegido pelo imperador Oto III, que, vinte anos antes, havia sido seu discípulo em Roma, Oto III levou-o consigo, como conselheiro, à Itália, onde fez com que fosse nomeado primeiramente arcebispo de Ravena (998), e depois, com a morte de Gregório V, favoreceu sua eleição ao papado (999).
Os ideais iluministas do papa francês e do imperador alemão, contudo, não eram compartilhados pela população romana; ambos foram expulsos da cidade em fevereiro de 1001. O papa pôde voltar a Roma alguns meses depois, mas, nos dois últimos anos de vida e de reinado, toda sua vontade reformadora desaparecera: suas últimas esperanças foram destruídas com a morte de Oto III (1002).

O novo Milênio
João XVII foi um “papa de transição”… seu papado durou 4 meses. João XVIII ficou 5 anos e finalmente Sérgio IV dois anos. Mas nenhum deles foi assassinado: eram velhinhos quando assumiram o papado. Bento VII enfrentou novamente os muçulmanos no sul da Itália e, ao final do seu mandato (1024), começou a articular os príncipes europeus em um movimento para a expulsão dos muçulmanos do “santo sepulcro”. João XIX, irmão de Bento VII, deu continuidade a este movimento.

Bento IX, o homem que foi papa 3 vezes
Quando João XIX faleceu em 1032, a aristocracia romana colocou no papado Bento IX, um rapaz de 20 anos cuja função era atender aos interesses da classe campestre de Roma, que não aceitava os outros candidatos mais velhos. Por não conhecer os protocolos do papado, sua vida era um escândalo para a Igreja. Foi removido da cátedra e substituído por Silvestre III, mas em pouco tempo, os lordes de Roma o colocaram novamente como papa. Foi deposto uma segunda vez, em 1045, onde foi substituído por Gregório VI e posteriormente Clemente II, mas os lordes não desistem nunca, e Bento IX voltou a ser eleito papa em 1047. Pena que faleceu tão jovem, vítima de “intoxicação alimentar”… Foi substituído pelo papa Damaso II, cujo pontificado durou exatos 23 dias, vindo a falecer de “intoxicação alimentar” também.

O papa Leão IX também pegou um belo abacaxi para descascar… durante seu pontificado ocorre a Cisma do Oriente, que foi a divisão entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Romana. As relações entre as duas Igrejas nunca foi lá essas coisas, mas teve a gota d´água com uma discussão teológica sobre a natureza do Espírito Santo, em 1054, que terminou na excomunhão de todo mundo por todo mundo e a ruptura formal entre as Igrejas.

Tanto Bento IX quanto Damaso II, Leão IX, Vitor II, Nicolau II e Alexandre II lutaram contra uma das maiores pragas dentro da Igreja Católica: a simonia, ou comercialização das coisas sagradas. Os três papas tentaram, em vão, lutar contra a venda de indulgências, badulaques sagrados e relíquias (a coisa era tão absurda que existia até mesmo o “prepúcio sagrado”, que era exatamente isso que você está pensando… de Jesus!!! ). E antes de achar isso absurdo, saiba que o “prepúcio sagrado” ficou em exposição na catedral de Calcata até 1983 (século VINTE), quando foi ROUBADO. Eu fico pensando… quanto valeria um prepúcio sagrado no mercado negro de relíquias?

As cruzadas
Gregório VII, sucessor de Alexandre II em 1073, foi um dos papas mais influentes da história. Em 1075, Gregório VII publica o Dictatus Papae, que são 27 axiomas onde expressa as suas ideias sobre o papel do Pontífice na sua relação com os poderes temporais, especialmente com os imperadores do Sacro Império. Estas ideias poderão resumir-se em três modestos pontos principais:
1 – O Papa é senhor absoluto da Igreja, estando acima dos fiéis, dos clérigos e dos bispos, e acima das Igrejas locais, regionais e nacionais, e acima dos concílio;
2 – O Papa é senhor único e supremo do mundo, todos lhe devem submissão incluindo os príncipes, reis e imperadores.
3 – A Igreja romana não cometeu nunca erros.

No período de 1059 até 1087, as batalhas entre o chamado “Exército do Pontificado” contra os muçulmanos no norte da África foram se tornando cada vez piores e mais sangrentas. Finalmente, quando Vitor III falece em 1087 e o papa Urbano II assume o papado. No Concílio de Clermont-Ferrand (1095) Urbano II convocou os cristãos a uma guerra contra os “infiéis” muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém. Iniciaram-se assim as cruzadas, expedições militares que partiam da Europa cristã a fim de combater os muçulmanos no Oriente.

Nos próximos capítulos:
“salvação a todos os mortos em combate contra os infiéis”
E as catedrais dedicadas a Maria Madalena, “Notre Damme”.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/marosia-assassinatos-papas-e-crucifixos

O dia em que a Terra parou (parte final)

« continuando da parte 1

Artigo original em inglês por Lynn Picknett e Clive Prince (para a revista Fortean Times), tradução de Rafael Arrais. Algumas das notas ao final também são minhas.

“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes.” (Bernard de Chartres).

A revolução hermética

Voltando a Bruno, em 1592 ele se mudou para Veneza – e conforme as coisas ocorreram após, foi uma decisão equivocada. A república era um viveiro de oposição a autoridade papal, e inclusive haviam movimentos no sentido de se forjar uma aliança política e religiosa com a Inglaterra. As figuras chaves neste plano estavam todas associadas a Bruno, incluindo Traiano Boccalini, autor de Novidades do Parnaso que, explicitamente modelado numa das obras de Bruno, pedia uma “reforma geral de todo o mundo” [1]. Bruno também visitou um antigo contato em Pádua, na República da Veneza, Gian Vincenzo Pinelli, o distinto erudito no centro da rede de intelectuais e pensadores radicais da Europa. Ele hoje é mais conhecido como o mentor de Galileu.

Entretanto, Bruno foi traído e entregue a Inquisição, tendo permanecido na prisão, em Roma, por oito anos, antes de ser queimado na fogueira em Fevereiro de 1600. Seu julgamento final e execução foram presididos pelo Cardeal Inquisidor Roberto Bellarmino, mais tarde um personagem chave do drama envolvendo Galileu.

A saída de cena de Bruno deixou um vazio no palco central, uma grande oportunidade para um intelectual aspirante. Bruno havia aplicado para a cadeira de matemática na Universidade de Pádua, mas após sua detenção o emprego caiu no colo de outro candidato – chamado Galileu Galilei [2]. No entanto, algo de maior impacto imediato foi a chegada, alguns meses após a partida de Bruno, de seu herdeiro no Hermetismo.

As impressionantes similaridades entre as carreiras, filosofias e objetivos de Bruno e Tommaso Campanella (1568-1639) sugerem um plano compartilhado. De fato, a chegada do jovem Campanella (então com apenas 23 anos) na cena hermética italiana, logo após a prisão de Bruno, sugere que ele estava dando continuidade ao que o napolitano foi forçado a largar. Assim como Bruno, Campanella era um napolitano e dominicano que tornara-se um cruzado do Hermetismo. Chegando a Pádua logo após a saída de cena de Bruno, Campanella encontrou-se com Pinelli e Galileu. Foi também em Pádua que ele foi preso pela Inquisição, no início de 1594, e transferido para Roma – para a mesma prisão onde esteve Bruno. Comparado a Bruno, Campanella teve uma pena bem mais branda: após haver abjurado toda sua obra, foi levado a um monastério dominicano e então, logo após, enviado de volta a Nápoles.

Campanella compartilhava da visão de Bruno onde o heliocentrismo seria um gatilho para uma mudança de era – seu maior trabalho foi A cidade do Sol (La città del Sole, escrito antes de 1602; publicado em 1623), onde ele delineou sua visão de uma sociedade ideal amparada pelos princípios herméticos – que ele acreditava que iria se iniciar a partir de 1600 [3]. A aproximação do novo século o encorajou a ser muito mais proativo, politicamente, do que Bruno. Ele ajudou a organizar a Revolta Calabresa, tentando expulsar os regentes espanhóis do Reino de Nápoles para pavimentar o caminho ao estabelecimento de uma república baseada em princípios mágicos, um sistema que iria manter soerguida a tocha da nova era, para que o resto do mundo os seguisse.

Informantes traíram a insurreição em favor da Espanha, e após a organização haver sido impiedosamente esmagada em Novembro de 1599, Campanella e os outros líderes foram presos. Isto quase certamente explica o repentino desejo da Inquisição em se livrar de Bruno, que também protestava contra a regência espanhola e foi o inspirador espiritual da revolta; ele foi para a fogueira praticamente três meses depois. Stephen Mason, da Universidade de Cambridge, argumenta que ele foi executado como forma de exemplo aos rebeldes calabreses, por conta de sua conexão com Campanella [4]. Executando publicamente o líder espiritual dos insurgentes no início de seu ano especial, 1600, foi sem dúvida um movimento calculado [5].

Campanella escapou da pena de morte fingindo-se louco, e foi então sentenciado a pena perpétua em sua própria residência. Mas ele não apenas teve direito ao acesso a livros e materiais de escrita, como também recebia visitas de eruditos, que se asseguravam de que seus escritos fossem publicados na Alemanha. Presumivelmente propinas estavam envolvidas neste processo.

Vista sob a luz das maquinações políticas dos herméticos – especialmente a ameaça dos sombrios Giordanos – a evocação original do nome de Hermes Trimegisto, feita por Copérnico em seu Da Revolução das Esferas Celestiais, era algo que dificilmente teria escapado do olhar dos guardiões da Igreja. Os defensores da Igreja – a Inquisição e os Jesuítas – tinha todas as razões para estarem nervosos. Durante o século 16, a Igreja Romana havia experimentado seu maior trauma, o advento do Protestantismo. Quem poderia dizer o que poderia ocorrer a seguir? Talvez a Inquisição e os Jesuítas tenham reagido de forma desproporcional, mas aqueles tempos despertavam a paranoia.

Enquanto a ideia de Copérnico permanecesse como uma simples teoria, entretanto, as implicações herméticas poderiam ser contidas. Porém, quando um indivíduo declarou que ele havia encontrado uma prova, então a Igreja ficou seriamente preocupada. E a ansiedade eclesiástica cresceu ainda mais com tal ameaça de um associado direto dos místicos revolucionários, Tommaso Campanella e os outros Giordanos suspeitos – em outras palavras, Galileu.

O mensageiro das estrelas

A carreira de Galileu Galilei se iniciou em 1592 aos 28 anos – graças à prisão de Bruno –, quando ele se tornou professor de matemática na Universidade de Pádua. Lá, como vimos, ele se encontrou com Campanella, no que foi o início de uma colaboração de toda uma vida. Outra grande influência foi seu mentor Pinelli, que o introduziu a ciência emergente da ótica, que ajudou a formar sua reputação. Outro associado herege era Traiano Boccalini, autor de Novidades do Parnaso (inspirado em Bruno). Com amigos como esses, Galileu certamente já estava na lista negra da Inquisição desde o início.

Galileu também estava familiarizado com os escritos de Bruno. De fato, após a publicação do primeiro livro de Galileu que tocava esta controvérsia, o astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler o criticou por não deixar claro em sua obra o débito intelectual que ela tinha para com as ideias de Bruno.

Foi por volta de 1610, com a nova tecnologia do telescópio, que Galileu fez observações – a superfície acidentada da Lua, as luas de Júpiter, e particularmente as fases “quase lunares” de Vênus – que davam imenso suporte a teoria de Copérnico. Galileu reconheceu o potencial de suas descobertas, e rapidamente resumiu a primeira leva de observações em seu Sidereus Nuncius (O Mensageiro das Estrelas), de 1610. A intelligentsia (grupo de pessoas engajadas em trabalho intelectual) estava entusiasmada: ele rapidamente tornou-se matemático e filósofo da corte de Cosimo de Medici, Grade Duque da Toscana.

Entretanto, Galileu não usou suas descobertas para apoiar a teoria copernicana, mesmo em sendo um defensor ardoroso dela, conforme escreveu a Kepler em 1597, contanto que havia “sido convencido por Copérnico muitos anos atrás”. No Mensageiro das Estrelas, e noutro livro sobre suas descobertas acerca das fases de Vênus, ele meramente apresentou suas observações. Talvez já imaginasse que seria mais seguro não alardear as implicações copernicanas de seus livros.

É claro que o destino de Bruno estava gravado em sua mente como um conto ameaçador. Mas não há nenhuma dúvida de que ele estava totalmente a par da significância do Hermetismo no heliocentrismo. Um de seus mais firmes defensores durante a controvérsia, Campanella escreveu A Apologia de Galileu (Apologia pro Galileo) de sua cela prisional, em 1622. E – então vivendo como um homem livre em Roma sob a proteção do próprio Papa – Campanella ainda se correspondia com Galileu por toda a década seguinte, durante seu período mais difícil, o encorajando a permanecer firme e a lembrar da importância espiritual de seu trabalho [6].

Conforme escreveu Frances Yates, um historiador britânico: “Tanto na Apologia quanto nas cartas a Galileu, Campanella fala sobre o heliocentrismo como um retorno a verdade antiga e o início de uma nova era, usando de linguagem muito similar a de Bruno em A Cena de Le Ceneri [A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, onde ele defende a teoria de Copérnico e declara que o estabelecimento do heliocentrismo iria libertar o espírito humano]… E em outras cartas ele assegura a Galileu que estava construindo uma nova teologia que iria vingá-lo.” [7]

As coisas se encaminharam a uma decisão em 1615 quando Galileu finalmente foi a público, escrevendo: “Eu afirmo que o Sol está localizado ao centro da revolução das órbitas celestes e não se move, e que a Terra gira sobre si mesma e se move em torno do Sol” [8]. Ele tornou-se uma celebridade notória da noite para o dia.

Galileu, Campanella e o Papa

Quando, como resultado da declaração pública de Galileu, o Papa Paulo V ordenou uma investigação em bases teológicas do heliocentrismo, que concluiu que esta teoria era contrária às escrituras, o livro de Copérnico, Da Revolução das Esferas Celestiais, foi finalmente banido, juntamente com outras obras que defendiam o heliocentrismo [9]. Galileu foi chamado a Roma para ser repreendido. O Sol se movia em torno da Terra e não o contrário. Era verdade porque o Vaticano afirmava ser verdade.

Mas houve um subtexto não alardeado: o cardeal que recebeu a tarefa de repreender Galileu foi Roberto Bellarmino, o mesmo que havia interrogado Bruno, o mesmo que havia sido responsável por sua condenação e execução. Isto não foi uma coincidência; Bellarmino havia sido Arcebispo de Cápua desde 1602, porém foi chamado de volta a Roma especificamente para tratar do caso de Galileu.

Bellarmino, é claro, entendia, por experiência própria (tendo lidado com o caso de Bruno), a significância do heliocentrismo para a revolução hermética. Bruno estava morto e Campanella encarcerado em Nápoles, mas eles tinham seguidores – ninguém sabia quantos.  E agora aqui estava Galileu, associado com sujeitos como Campanella, se encaminhando para cada vez mais perto da prova que, segundo Bruno, iria iniciar uma nova era do Hermetismo. Galileu recebeu uma declaração escrita por Bellarmino dizendo que o Papa havia decretado que as ideias de Copérnico não poderiam ser “defendidas ou sustentadas”. Galileu concordou apressadamente.

Ainda mais indicativa foi sua reação imediata: ele pediu a permissão de seu patrono, Duque Cosimo, para viajar a Nápoles – mas esta foi negada. Porque Nápoles? Um ponto crucial do quebra cabeças se encaixou quando lemos num artigo de Olaf Pedersen, um especialista nos aspectos religiosos do caso Galileu, que a razão do pedido de seu pedido e da estranha recusa de seu patrono foi precisamente porque Galileu desejava visitar Tommaso Campanella em sua cela [10]. A Igreja traz de volta o homem que havia condenado Bruno para repreender Galileu, e sua primeira reação é tentar se consultar com o sucessor de Bruno, Campanella…

Ainda que a Galileu tenha sido negada sua viagem, Campanella escreveu A Apologia de Galileu, que foi publicada, em seguida, em Frankfurt, com a ajuda de seus seguidores. No entanto, em se considerando a reputação de Campanella – condenado por heresia e subversão – ele dificilmente ajudaria no caso Galileu. Isto é provavelmente a causa de, em Florença, Galileu ter mantido sua cabeça baixa. Nada no decreto papal proibia a discussão do heliocentrismo como uma hipótese, e muitos intelectuais estavam fazendo exatamente isso, entusiasmadamente. O próprio Galileu não mencionou a questão por muitos anos, embora estivesse claramente esperando por uma oportunidade mais apropriada para retornar a ela.

Então em 1623, um velho amigo, Maffeo Barberini, tornou-se o Papa Urbano VIII. Tomando isto como um sinal de que sua sorte finalmente havia mudado, Galileu foi até Roma visitá-lo pouco depois. A eleição de Urbano era também uma boa notícia para Campanella. Em 1626, Urbano requisitou que o rei da Espanha libertasse-o de sua prisão para que Campanella fosse até Roma realizar magias de proteção. Após 27 anos, Campanella não somente estava livre, como também era o mais novo conselheiro do Papa! Urbano chegou inclusive a lhe dar permissão para fundar uma universidade em Roma para treinar missionários que simpatizavam com suas ideias filosóficas e religiosas. Este favor papal garantido ao seu maior e mais controverso colaborador foi outro bom sinal aos olhos de Galileu.

Galileu decidiu que era seguro escrever seu Diálogo Acerca dos Dois Sistemas Principais do Mundo (Dialogo sopre i due massimi sistemi del mondo), uma discussão cerca do antigo sistema ptolomaico, e do novo sistema copernicano. Com a aprovação prévia da Inquisição, ele foi publicado em Florença em 1632. O Papa apenas pediu a Galileu para que suas próprias ideias anti-heliocêntricas fossem incluídas.

Era significativo, no entanto, que houvessem alguns conceitos próximos entre o Diálogo de Galileu e a obra de Bruno, A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, de 1584. Pode não ter sido uma coincidência, já que esta era exatamente a obra giordana favorita de Campanella. Apesar do mito da “batalha de egos”, ficou claro que Urbano teve de ser “incentivado” a entrar em ação. Seus diversos oponentes dentre os Cardeais Inquisidores estavam começando a sugerir que o aval papal a publicação do Diálogo era um sinal que endossava os crescentes rumores acerca de suas tendências heréticas. Não houve nenhuma batalha de egos. O Papa Urbano estava apenas ficando cada vez mais temeroso.

Um relutante Urbano instruiu a Inquisição a chamar um chocado Galileu até Roma, onde se apresentou diante da Inquisição em Abril de 1633. Ele declarou que seu livro apenas discutia brevemente a teoria de Copérnico, e que até o decreto de 1616 ele não havia considerado nem a hipótese copernicana nem a ptolomaica como definitivas (contradizendo o que escreveu a Kepler 36 anos antes), mas que desde então havia passado a considerar a visão ptolomaica como “verdadeira e além de questionamentos”. Enquanto poucos iriam condenar Galileu por tentar escapar – afinal, esta era a Gestapo do Vaticano – estas palavras dificilmente podem ser imputadas a um nobre defensor da liberdade intelectual, futuro “mártir da ciência”. E ainda assim, Galileu tampouco se pareceu com um velho arrogante que se recusava a admitir que estava errado [11].

Galileu perdeu. Os inquisidores declararam que o Diálogo era uma tentativa dissimilada de promover o heliocentrismo – e nisto provavelmente estavam certos – e que suas desculpas não haviam lhes convencido do contrário. Ele se encontrou “veementemente suspeito de heresia” – apenas um degrau inferior a ser formalmente acusado como herege. Sua única escapatória foi “abjurar e amaldiçoar” as ideias heréticas.

Ajoelhado ante o altar de Santa Maria, no mesmo local onde Bruno foi condenado 33 anos antes, Galileu renegou oficialmente o heliocentrismo. Todas as suas publicações passadas e futuras foram formalmente proibidas, e ele foi condenado a passar o resto de seus dias em prisão domiciliar, embora já tivesse mais de 70 anos na época. Uma de suas primeiras visitas na prisão foi de seu grande colaborador e apologista, Tommaso Campanella.

Conclusão

Apesar do julgamento de Galileu ser sempre citado como o momento onde as forças da razão e do dogma colidiram, o fator hermético é, nós argumentamos, mais importante. A reverência religiosa que os seguidores do Hermetismo davam ao heliocentrismo foi a principal razão que levou a Igreja a condenar tardiamente a teoria de Copérnico, e logo após, ao próprio Galileu. O fator hermético estava lá, mas no pano de fundo, o que é precisamente a causa deste senso de que falta alguma coisa na controversa história deste julgamento.

Entretanto, Galileu de forma alguma era tão inocente quanto parecia. Existem inúmeras questões válidas acerca de sua relação com o movimento undergroud da reforma hermética. Há sua contínua associação e correspondência com Campanella, especialmente seu desejo de visitá-lo logo após a primeira repreensão dada pela Inquisição, em 1616. Campanella dificilmente seria o tipo de companhia que Galileu gostaria de manter, há menos que tivesse relação com os Giordanos.

E há ainda o aparente uso das ideias de Bruno – que, em seu A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, fez a primeira menção ao Sol de Copérnico como o gatilho para uma nova era hermética – como modelo para o seu Diálogo Acerca dos Dois Sistemas Principais do Mundo. Seria esta a forma que encontrou para demonstrar aos Giordanos que era um simpatizante? Ou seria o próprio Galileu um dos membros ativos desta organização revolucionária?

***

[1] Nota dos autores: Esta é descrição da obra de Boccalini declamada no primeiro dos famosos manifestos rosacrucianos de 1614, que incluíam um trecho de Novidades do Parnaso (News from Parnassus), uma dos diversos exemplos da conexão estreita entre o movimento de reforma do Hermetismo italiano e os círculos germânicos de onde o rosacrucionismo surgiu.

[2] Nota dos autores: Timothy Ferris: Coming of Age in the Milky Way, The Bodley Head, 1989, p.85–86.

[3] Devemos levar em consideração que as mudanças de séculos (ao menos no calendário cristão) despertavam muitas ideias de “mudanças de era”. No entanto, há muitos espiritualistas que, como eu, enxergam tais mudanças como processos que levam muitos séculos. Ou, como diz a lei hermética: “Tudo flui, nada está parado”.

[4] Nota dos autores: Stephen Mason: Religious Reformation and the Pulmonary Transit of the Blood, History of Science, vol. 41, part 4, no. 134, Dec 2003, p.468.

[5] Tanto Bruno quanto Campanella eram, afinal, dominicanos, parte da Igreja. Bem ou mal, condená-los a fogueira era algo que “arranhava” a imagem do Vaticano. Desta forma, preferiram queimar apenas um, apenas o líder espiritual, Giordano Bruno. Campanella era somente o “líder de operações”, e por isso foi poupado da fogueira.

[6] Para os “mártires da ciência”, ironicamente, seu próprio trabalho tinha profundo significado espiritual. Campanella estava apenas a reafirmar o que Galileu já sabia desde muito cedo.

[7] Nota dos autores: Frances Yates: Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, Routledge & Kegan Paul, 1964, p.383.

[8] Só muito tempo depois se descobriu que mesmo o Sol se move ao redor da Via Láctea, e que mesmo nossa galáxia se move em relação às galáxias próximas, e também em relação ao aglomerado de galáxias locais. Mas as implicações espirituais destas descobertas ainda estão um tanto quanto distantes de serem assimiladas. Talvez o novo guru tenha sido um agnóstico, e não um espiritualista.

[9] É aqui que fica muito claro o caráter de “guerra religiosa” na questão do heliocentrismo. Ainda que Copérnico não declarasse ter provas da teoria, se em sua época ela fosse associada a uma tentativa de derrubada da Igreja em favor de uma nova era espiritual com menos dogmas e mais investigações filosóficas e livre pensamento (o que desejavam os Giordanos), certamente já haveria sido banida muitos anos antes. É precisamente esta história que a Academia e o Vaticano não contam.

[10] Nota dos autores: Olaf Pedersen: Galileo’s Religion, in CV Coyne (ed.): The Galileo Affair: A Meeting of Science and Faith – Proceedings of the Cracow Conference, May 24–27, 1984, Specola Vaticana, Vatican City, 1985, p.97.

[11] Galileu nunca teve um espírito revolucionário da altura de Giordano Bruno. A Inquisição havia queimado o sujeito certo. Mas, como vimos, as ideias de Bruno não puderam ser destruídas junto com seu corpo… Iriam ecoar ainda na mente do próximo gênio da história da ciência, o matemático, físico, alquimista, teólogo, filósofo e ocultista – Sir Isaac Newton. Mas esta é uma outra história.

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Crédito das imagens: [topo] National Geographic Society/Corbis (pintura de Jean-Leon Huens, onde Galileu explica a topografia lunar aos céticos); [ao longo] Gravura de autor anônimo, divulgada primeiramente em um livro de Camile Flammarion

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Ciência #hermetismo #história

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-dia-em-que-a-terra-parou-parte-final

Tempo de Despertar

Escrevi isso exatos dez anos atrás.. fiquei muito relutante em publicar, mas várias “indicações” ao longo do caminho me fizeram ter a certeza de que devo publicar sim. Espero que ninguém se sinta particularmente ofendido, pois não escrevi pensando em ninguém em especial:

Sabe, eu sempre procurei aliar meus estudos esotéricos a um objetivo prático. De nada adianta toda a teoria se não há um impacto aqui e agora em nossas vidas. Isso não quer dizer que ao ler “Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” eu vá passar a aplicar isso automaticamente, mas tenho de ter um mínimo de bom-senso de que aquele deve ser meu objetivo. Então eu fico realmente cabreiro com o monte de teoria inútil que é distribuída por aí e que não fazem diferença alguma na vida de ninguém!! São em sua maioria canalizações, que espalham de forma indiscriminada coisas como duplicação de DNA, transmutação em corpo de luz, fim dos tempos, chegada dos extraterrestres, etc.

Ora, de que me adianta saber destas coisas que não têm nenhum paralelo com o mundo real e não servem nem como abstração para a evolução do meu espírito? Por exemplo, quando estudo sobre corpo astral (que é um troço abstrato) essa informação vai ter um impacto em minha vida. Como? Sabendo que eu tenho um corpo astral, que me interpenetra e é susceptível às energias circundantes, saberei que ele também precisa de limpeza e proteção, como o meu corpo físico, e ainda MAIS que ele, por não haver as limitações físicas de alcance e interação com outros corpos. Como posso comprovar essa teoria na prática? Conversando com aquele chato sanguessuga do trabalho, indo a um “inferninho”… Enfim, em pessoas sensíveis os efeitos são gritantes. Se eu fosse clarividente até me interessaria pelas cores da aura, que denotam a intenção do pensamento da pessoa, mas não sou, então essa informação não me interessa (mas pode ser útil pra milhares de outras pessoas!). Se eu me projetasse (saísse do corpo) com facilidade, a informação de que o corpo se subdivide em 7 corpos cada vez menos materiais poderia me ser útil, mas eu mal consigo sair do primeiro corpo!! Não me adianta querer fazer uma tese de mestrado se eu ainda não saí do primário!

Há alguns anos tais informações só estavam acessíveis a quem realmente precisasse delas, pois a obtenção era difícil e exigia real interesse. Com a Internet e o modismo esotérico, fala-se em “salto quântico” como se fosse falar de novela, em contextos totalmente incoerentes, e muitas vezes a pessoa que usou o termo mal sabe o que é um quanta!

Onde estou tentando chegar? No samba do esotérico doido que se tornou o ocultismo hoje, que mistura ufologia, ciência, todas as religiões possíveis (preferencialmente o judaísmo, porque estudar Cabalá “é muito chique”) e previsões catastróficas do futuro. Nem os Santos Católicos escapam: tem um site que traz supostas canalizações de uma Nossa Senhora da Aparecida que diz o tempo todo que “O que digo não é para causar-vos medo”, mas não tem uma mensagem sequer que ela não fale uma dúzia de desgraças como “Atenas tropeçará e perderá sua fama. O Braço forte de Deus agirá. Grande sofrimento experimentarão os habitantes da Dinamarca, Bélgica e Alemanha. A morte passará pelo Ceará. Arrependei-vos.” Tudo isso numa só linha! Não sabia que a mãe de Jesus era porta-voz do Apocalipse… Ora, o que se pode tirar de útil disso? Será que a Santa está insinuando que devemos nos converter pelo medo, como na Idade Média? Será que Jesus pregava através do medo? Considerando que o site não parece ter fins lucrativos (embora tenha doações envolvidas no meio) é de se pensar que seja alguma doença mental, ou então devemos aceitar que a mãe de Jesus tenha uma péssima assessoria de comunicação e tenha de descer sua vibração dos mais altos planos a cada dois dias para contatar pessoalmente alguém no Brasil pra ficar repassando mensagens vazias (A morte passará em tal local…), redundantes (ela já ameaçou o Japão três vezes) e intimidadoras.

Sei que eu não devia estar falando essas coisas das crenças dos outros, mas existe uma grande diferença entre respeito e covardia. Eu estaria sendo omisso comigo mesmo se, dentro do meu próprio blog não alertasse as pessoas que vêm em busca de informações de cunho espiritual. Jesus disse para olhar primeiro para a trave em nosso próprio olho, mas não deixava de criticar os hipócritas e aproveitadores da fé de sua época. Estaria sim, sendo desrespeitoso se entrasse no site deles para criticá-los.

Dito isso, vamos a outro tópico que me dá nos nervos: A tal da mudança do DNA. Isso surgiu em algum canto dos EUA e foi traduzido em diversas línguas, onde um tal de Dr. Berrenda Fox, com “doutorado em Fisiologia e Naturopatia” sugere (sem evidência científica alguma, claro) que o nosso DNA está mudando… e MUITO. Isso se espalhou como fogo pelas comunidades esquisotéricas. Um MÍNIMO de formação acadêmica já descartaria tal teoria como um absurdo, afinal, muitos sabem que a diferença entre o DNA do homem e do macaco é de apenas 1,5%, e como eu acredito que em tais comunidades existam médicos e professores, me parece ser mais uma questão de constrangimento que cria um véu de “tabu” ao redor desse assunto. Vejamos alguns trechos do artigo, onde vocês verão as inconsistências do texto:

Pergunta: Quais são as mudanças que estão ocorrendo neste momento no planeta, e como nossos corpos têm sido afetados?
Berrenda Fox: Existem grandes mudanças, mutações que não ocorriam, de acordo com geneticistas, desde quando, supostamente, saímos da água. Há alguns anos atrás, na cidade do México, houve uma convenção de geneticistas de todo o mundo e o tópico principal foi a mudança no DNA. Nós estamos fazendo uma mudança evolucionária, embora não saibamos em no que vamos nos transformar.

Pergunta: Como está mudando o nosso DNA?
Berrenda Fox: Todas as pessoas têm uma hélice dupla de DNA. O que estamos descobrindo é que existem outras hélices que estão sendo formadas. Na hélice dupla, existem duas seqüências de DNA enroladas em uma espiral. Meu entendimento é o de que iremos desenvolver doze hélices. Durante este tempo, que parece ter começado talvez entre 5 e 20 anos atrás, temos sofrido uma mutação. Esta é a explicação científica. É uma mutação da nossa espécie em algo para o qual o resultado final ainda não é conhecido.
As mudanças não são conhecidas publicamente, porque a comunidade científica sente que isso iria amedrontar a população. De qualquer forma, as pessoas estão mudando a nível celular. Estou trabalhando atualmente com três crianças que possuem três hélices de DNA.

E tem mais:

DNA, MUDANÇAS CORPORAIS E RECOMENDAÇÕES
Extraído do artigo “A imagem superior” por Susanna Thorpe-Clark

Nós estamos sendo mudados fisicamente de seres basicamente carbônicos com duas seqüências de DNA para seres cristalinos com 1.024 seqüências de DNA (eventualmente), porque apenas substâncias cristalinas podem existir em níveis dimensionais mais elevados.
Na verdade, estamos fundindo nossos corpos com seqüências de DNA dos Sírios, já que este formato é suficientemente próximo ao nosso para que nos integremos com relativamente poucos efeitos colaterais…

_____________
Agora sim, uma explicação satisfatória… Eu bem que desconfiava que esses ETs de Sírios estavam querendo fundir com a gente… Eles que fundam a mãe, porque comigo não!

Se o bom-senso não for satisfatório pra descartar estes textos, então faço uso de uma réplica supostamente escrita por um PHD na comunidade “Biologia” do Orkut:

“Nunca me vi perdendo tanto tempo numa leitura absurda como esta de Berrenda Fox! As mutações acontecem, mas elas são postas em cheque quanto à letalidade do fenótipo apresentado ou sua implicação fisiológica geral no indivíduo.

Por exemplo:
1) Se o novo caractere for inócuo à sobrevivência do portador, ele pode se perpetuar com suas descendências em F1, F2, etc, ou poderá se combinar com os genes de seus compares, consortes ou se diluir depois de gerações e desaparecer por completo.

2) Se o novo caractere apresentar letalidade, então dificilmente apresentará uma variabilidade crescente (culminando depois em presença dominante genética) como conta o texto.

Absurdo! É até um paradoxo pensar nesta segunda hipótese, sem dúvida contra a herança genética como a conhecemos, e implicando diretamente em aberração à lógica da partilha de genes e sua recessividade/dominância.

NÃO, o nosso ADN (DNA) não está mudando como diz o texto. 12 hélices? Acho que o autor leu muito as histórias de Gene Roddenberry e quer passar algumas das idéias dos episódios de Star Trek em forma de ciência para fazer sucesso imediato nas revistas de pasquim, boletins via email da internet, manchetes de supermercados ou para deslumbrar o leigo com fantasias destoantes.

Mutação é uma ocorrência no ADN que pode ser transmitida para futuras gerações, dependendo do tamanho da seqüência do ADN que modificou, levando o portador daquela mudança a manifestar caracteres lesivos ou não a sua saúde, anatomia ou comportamento.

Algumas mutações são benéficas – como as que aconteceram com certos seres aquáticos quando evoluíram de uma vida totalmente aquática para uma semi-aquática e semi-terrestre, vindo a surgir assim os anfíbios, certos répteis e quelônios. Muitas espécies surgiram assim, através de mutações genéticas, muitas delas mantiveram a capacidade natural de se autopreservar e outras acabaram mal por falta de mecanismos de adaptação ao ambiente.

Outras mutações são inofensivas, como a perda de funcionalidade de nosso apêndice vermiforme (que se suspeita ser parte ativa de um intestino mais largo em pitecantropos – antepassados da espécie humana há centenas de milhares de anos).

Existem ainda as mutações danosas, como as que acontecem no aparecimento de cânceres, em aneuploidias diversas que acontecem entre nós (propiciando doenças e síndromes que dificultam a sobrevivência da espécie, incapacitando os portadores sexualmente, psicologicamente, imunologicamente, socialmente e patologicamente).

As mutações podem modificar o ADN de todas as células humanas sim, pelo menos daquele portador e seus descendentes (vide o que eu escrevi acima, sob certas circunstâncias), mas NÃO VÃO MODIFICAR TODO O ADN.

As mutações podem desequilibrar células somáticas (de todo o corpo) e/ou germinativas (nossos gametas, espermatozóides nos homens e óvulos nas mulheres), e freqüentemente apresentam estas falhas de código no ADN, negando a captação ou síntese de proteínas pelos genes, ou podem passar despercebidas caso atingirem áreas do ADN que não sejam hábeis a traduzir sequência de proteínas (íntrons).

Além disso, existem outros certos tipos de mutações que ocorrem apenas em células especializadas, ou em áreas localizadas como o que acontece em mosaicos durante alguma malformação na meiose ou em heterotopias subcorticais (o que acontece com algumas desordens de migração neuronal com a ativação parcial do gene LIS1).

Algumas dessas mutações são corrigidas pelo próprio ADN, a nível molecular através de uma rede de sinais celulares, enzimas diversos, ou equipamento regulador do ARN, etc, outras não precisarão ser corrigidas por caírem em regiões neutras do ADN, conforme descrito antes.

Mas o que acontece com mutações num período curto? Num período de 6 anos ou menos, a poluição poderia influenciar no aparecimento de novas mutações, assim como radiação, medicamentos, substâncias tóxicas administradas como drogas ou aditivos alimentares, respostas à infecção viral e bacteriana, cânceres e combinação deletéria de uma série de doenças genéticas em uma pequena população.

O resultado que possa se apresentar diferente do normativo (num indivíduo adulto) em decorrência da alteração genética de seus cromossomos por alguma mutação é conseqüência de alguma doença, síndrome ou aparecimento de debilidades diversas de cunho anatômico, comportamental, etc, isoladamente.

Acho muito difícil que isso venha implicar em uma total reestruturação biológica populacional com o escopo de criar uma nova espécie daquele ponto em diante somente em 6 anos, conforme o texto se coaduna, ou até mesmo em 50 anos!

Para se criar uma espécie é preciso muito mais tempo, muitos mais descendentes, todos funcionalmente interativos e cooperativos para a transmissão dos novos caracteres (cientes ou não deste fim) para as futuras gerações, e se possível em algum ambiente isolado e sem participação de fatores que permitam descontinuar o desenvolvimento próprio destes novos caracteres. Ou seja, algo como que ocorreu nas ilhas Galápagos, ao longo de séculos, seria um exemplo mais apropriado para que isso desse certo.

Seremos os mesmo no futuro, porém melhores…

Existem textos mais brilhantes que aventam a possibilidade da espécie humana estar mudando, acrescendo-se de novas características funcionais, eliminando aquelas nocivas, prejudiciais e deletérias, e fazendo aos poucos uma nova espécie que se acomode aos desafios do ambiente, aprenda a manipular melhor as diferentes facetas da natureza, adaptando-se ao meio melhor e enriquecendo a massa encefálica com novas e mais amplas conexões sinápticas. Eu vejo o homem do futuro, um ser com um ADN muito próximo ao atual (com pouquíssimas modificações), mas com uma anatomia muito mais adaptada ao mundo do que a que temos hoje – com maior volume encefálico, maiores defesas epiteliais, maior eficácia cárdio-respiratória, vascular, óssea, com maiores habilidades carpo-cinéticas, visuais, degustatórias, e de percepção… e menos pilosidade corporal.

Sem dúvida seremos humanos, mas é duvidoso que seremos uma espécie nova com outro ADN, ou com um ADN exógeno (a não ser que encontremos melhores espécies fora deste planeta, e com isso decidamos incorporar ou combinar nosso ADN com os da espécie mais talentosa, com devido indulto e reverência à astrobiologia, claro, heheheh).”

Bem, vamos passar a outro tópico: Mestres Ascensionados. Taí um assunto que já foi interessante, há alguns anos, quando estava vinculado tão-somente aos Sete Raios. Até fiz um post a respeito. Os Sete Raios podiam servir como “teste vocacional espiritual”, algo como um guia, um horóscopo, mas já naquela época estava se iniciando um movimento de glorificação do Saint-Germain como uma espécie de “Jesus da Nova Era”. E os outros Mestres ganharam status de santos, da mesma forma que na Igreja Católica. Se você quer ter sucesso em certa área da vida, reze ou acenda uma vela pra o Mestre tal, na cor tal (à venda nos shoppings e nas tendas esotéricas de duendes e bruxinhas).

Temos também o Ashtar Sheran, um ser alto, louro e nórdico das galáxias, protetor do planeta Terra e comandante-em-chefe das tropas estrelares da Confederação Intergaláctica da Grande Fraternidade Branca Universal, a serviço de Jesus (que é conhecido nesses meios por Sananda)! Pra quem não conhece, essa é a Ufologia mística, que aterroriza todos os pesquisadores SÉRIOS do estudo ufológico e contribui para que o fenômeno UFO seja ridicularizado. A idéia de Ashtar é antiga (1952), e sua missão é enviar mensagens aos habitantes do Planeta Terra, para que estes tomassem consciência de suas ações; orientar e ajudar durante os períodos de transição da Terra para uma “dimensão superior” e resgatar seres-humanos que estivessem “preparados” ou em perigo, para serem novamente recolocados na Terra, após um inevitável cataclismo que estaria se aproximando (há mais de 50 anos!). Ou seja, é mais uma seita apocalíptica de “eleitos” que prevê uma forma new-age de arrebatamento. Isso é mais velho do que andar para frente, só que, para as pessoas de hoje, insatisfeitas com o catolicismo e ainda dependentes de mitos e grupinhos fechados, isso cai como uma luva para suas aspirações, afinal, basta entrar para o grupo (e ler todas as mensagens) para se tornar uma pessoa especial, que vai ser “salva” nessa espécie de “juízo final”. Não precisa nem pagar dízimo! Mas é preciso ter cuidado os Greys, aqueles alienígenas cinzentos do cabeção. Tudo o que lhe acontecer de ruim você pode pôr a culpa neles, afinal, você agora é um trabalhador da luz, e os demônios da nova era irão persegui-lo. Por isso, NÃO SAIA DO NOSSO GRUPO ou você estará vulnerável! Perceberam?

Claro, devido a quantidade de grupos espalhados pelo Brasil que lidam com Ashtar e Mestres Ascensionados, é impossível não estar cometendo uma injustiça com alguns deles. É como se eu pegasse um centro espírita onde se faz charlatanismo e dissesse que todos são assim. Mas é preciso SIM ficar de olhos bem abertos. O Fantástico desse domingo vai começar uma série que visa desmistificar aqueles “gurus” que se fazem passar por místicos, seres iluminados com percepção extra-sensorial, e tal, mas que são na verdade aproveitadores cujo “poder” é apenas ler as mensagens que as próprias pessoas passam no dia-a-dia, com roupas, gestos, expressões, etc.

#Espiritualidade #espiritualismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/tempo-de-despertar