O Mago e o Feiticeiro

Minha intenção aqui não é iniciar uma polêmica a respeito do significado desses dois termos segundo diferentes autores. Também não estou diminuindo o ofício de um ou de outro, seja qual for a definição utilizada. Aprecio a sua visão a respeito do tema, mesmo que ela seja diferente da que aqui apresento. Tampouco desejo estabelecer conclusões definitivas sobre o tópico. Esclarecidos esses pontos, partirei para uma análise cujo intuito é uma reflexão saudável, que não intenciona impor o “melhor caminho”, pois a via de cada um é totalmente pessoal.

Seja na magia tradicional ou na Magia do Caos, muito ouvimos falar em feitiços, sistemas, rituais, receitas ou fórmulas, que podem variar em denominações e níveis de complexidade na execução. Muitos rituais da magia tradicional são belíssimos e ricos em simbologia, sendo que há aqueles que podem demorar longas semanas ou meses, até que se alcance um importante objetivo. Na Magia do Caos é comum a utilização dos sigilos e servidores, que podem resolver alguns problemas simples com rapidez. O método ou o tempo de duração podem depender de inúmeros fatores, sendo alguns dos mais relevantes a dificuldade da operação e as entidades envolvidas.

Existem rituais e feitiços para praticamente tudo: amor, dinheiro, cura, só para citar alguns. No ocultismo você estuda as correspondências para saber quais cores, aromas, etc, atingem o inconsciente com mais eficácia, para aumentar as chances de sucesso de certa operação. Uma magia cujo tempo de preparação é mais longo também influencia diretamente em aumentar a confiança do magista para que seu objetivo se realize, o que é fundamental.

Na magia tradicional o enfoque geralmente está nos estudos das simbologias mais adequadas, o entendimento do aspecto filosófico e a aplicação de todos esses fatores no desenvolvimento de uma magia cerimonial altamente elaborada, que poderá influenciar tanto o mundo material como a mente, no momento em que as conexões da mente do mago com a mente do mundo são estabelecidas.

No caoísmo costuma-se realizar experimentos para saber qual tipo de método poderá ser empregado para cada indivíduo. Considerando-se que cada pessoa possui uma visão de mundo e uma experiência de vida diferenciadas, seria natural supor que as influências externas as afetam de modos diversos, mesmo que em alguns momentos isso possa ocorrer num nível sutil. O caoísmo explora essas sutilezas visando mais o resultado do que as explicações por trás do processo. Tais explicações podem ser exploradas numa busca de potencializar o resultado como um entendimento relativo, não com o objetivo de sistematizar essas diretrizes através da criação de um sistema absoluto e determinado que funcione para todos.

Acredito que tanto a metodologia da magia tradicional como a do caoísmo são admiráveis, e ambas possuem seu mérito. Há momentos em que as duas se relacionam, uma utilizando técnicas da outra. Novamente, a escolha de uma linha de magia depende completamente das inclinações da pessoa, e não porque amarelo é melhor que laranja ou uvas são mais gostosas que melancias. Eventualmente praticantes da magia tradicional podem concluir que realmente o amarelo seja mais eficaz que o laranja em dada ocasião (mesmo que o magista odeie o amarelo e a cor lhe traga lembranças ruins), e sejam capazes de montar diversos quebra-cabeças do mundo para explicá-lo. Mas como os caoístas enxergam a realidade mais como um caos dançante e livre do que como uma equação a ser solucionada, talvez não seja uma questão de definir se o mundo é redondo ou quadrado, mas de ter a consciência do formato da armação de nossos óculos que enxerga o mundo dessa maneira. No final, seria extremamente agradável se tudo fosse um quebra-cabeça dançante. Assim, as duas visões seriam reconciliadas, como deseja o Princípio da Polaridade do Caibalion.

Seja qual for a sua abordagem, há realização de feitiços em muitas linhas de magia, religiões e nos mais variados sistemas e subsistemas filosóficos, herméticos e na simpatia da esquina. Para a preparação de algo assim, alguns partem de uma abordagem mais pessoal e realização de testes; outros de técnicas mais gerais, cerimoniais e altamente filosóficas.

O problema começa quando passam a existir apenas duas opções que determinem a eficácia mágica:

1- Sua magia deu certo. Você foi bem sucedido.

2- Sua magia deu errado. Você falhou.

Muitos pensam que ser bem sucedido num grande número de feitiços torna a pessoa um bom mago. Isso não é verdade. Isso faz dela um bom feiticeiro. As duas áreas estão relacionadas, mas não são a mesma coisa. De modo análogo, a habilidade de ser rápido em cálculos não torna alguém automaticamente um bom matemático. Pode ser que um matemático seja meio lento em operações aritméticas, mas possua um raciocínio lógico fenomenal para enxergar padrões em diversas áreas da matemática e relacioná-las.

Ser bom em feitiços pode ajudar um mago, mas isso não é tudo. Não é nem o começo. O princípio é perguntar-se: “Em primeiro lugar, por que eu preciso de feitiços? Estou insatisfeito com o mundo? Ou comigo mesmo? O mundo precisa mudar? Ou eu preciso mudar?”.

Nós temos a tendência a pensar que somos o centro do universo e que o mundo existe somente para nos servir. Então quando as coisas não ocorrem conforme nossa vontade ficamos tristes ou furiosos, e desejamos alterar algo lá fora rapidamente, para que o “equilíbrio seja restabelecido”, como se o equilíbrio ideal fosse sempre a satisfação imediata de todos os nossos desejos.

Não estamos sozinhos. Nossa família, nosso círculo de amigos e nossa comunidade não são tudo o que existe. Além de bilhões de pessoas, há tantos outros seres vivos, substâncias orgânicas e inorgânicas que compõem a biosfera que, por melhores que sejam nossas intenções de realizar uma magia para ajudar a nós mesmos ou a alguém, seria um desafio além de nossas forças possuir a sabedoria absoluta que determinaria quais são as ações corretas e incorretas que estariam de acordo com um “equilíbrio do universo” – sendo que até este poderia ser um “equilíbrio dinâmico”, em constante mutação.

Sabendo que não possuímos a sabedoria infinita, seria lógico entender que, por essa razão, tampouco possuímos poder infinito. Isso geraria um desequilíbrio imenso. Ter poder sem a sabedoria para usá-lo seria um perigo para os outros e para nós mesmos.

Portanto, espero que da próxima vez que um feitiço seu não dê certo, você se sinta grato. Seria realmente terrível se você fosse capaz de sair por aí alterando todas as coisas do mundo conforme sua vontade. Sabedoria e poder nem sempre evoluem proporcionalmente em todos os graus que se almeja, como ocorreu na obtenção do poder das bombas, sem a sabedoria para usar adequadamente o conhecimento das reações nucleares. Sendo assim, certas capacidades adquiridas poderiam lhe trazer solidão imensa e outros efeitos colaterais. A natureza muitas vezes freia a eficácia de algumas magias suas realizadas sem a devida sabedoria, para sua proteção e segurança, mesmo que isso lhe traga insatisfação.

Muitos magistas se tornam obcecados com a realização de feitiços, a ponto de pensar que isso é tudo o que existe no campo da magia, ou que feitiços são a magia em si. Eles são somente uma das manifestações dela.

Alguns praticantes se frustram quando cometem muitos erros, principalmente no início, e logo concluem que magia “não existe”, que é “lenda”, “não funciona”, e acham que tudo o que fizeram foi bobagem ou perda de tempo. Há também aqueles que realizam um número espetacular de acertos logo em suas primeiras experiências e se empolgam muito. Mas ao sinal do primeiro erro perdem a confiança e começam a se questionar se tudo aquilo não foi apenas “coincidência”. Sua crença no processo é abalada, e a partir daí muitos erros ocorrem em sequência, como um efeito dominó.

Para ser um bom feiticeiro é altamente desejável ser um bom mago, embora um bom magista não precise necessariamente ser exímio em feitiços. O Mago compreende que ele não é um indivíduo isolado e que sua sabedoria não é infinita. Por isso, ele entenderá com serenidade que muitos feitiços seus não irão dar certo e nem devem.

Agora nós iremos ainda mais longe na análise. Um feiticeiro que acerte mais de 60% de seus feitiços é bom, certo? E um que acerte mais de 80% seria ótimo, correto?

Não é bem assim. Até mesmo no caso de feitiços, as coisas não podem ser medidas apenas em termos de acertos e falhas. Quando se realiza um processo mágico, o efeito obtido não é apenas um resultado concreto e facilmente mensurável. Você alterou a ordem de algumas coisas lá fora, e também dentro de si mesmo.

Um feitiço seu que falhe na esfera física poderá deixar uma carga residual positiva em sua mente que contribua para a eficácia de seu próximo feitiço, caso você tenha a compreensão de que é completamente natural haver falhas e que isso não depende diretamente da sua falta de habilidade. Há inúmeros fatores em jogo. Se ao não obtiver o que deseja você pensar “Não aconteceu porque afetaria negativamente em outras partes, então eu me sinto grato”, a carga residual irá lhe favorecer, então uma parte do feitiço funcionou, pela sua sabedoria em não carregar erros físicos para a esfera mental.

Para aqueles que não se dão bem com a aparente “roda da fortuna” dos feitiços, e que não desejam transformá-la numa “roleta russa”, que retire toda sua empolgação em praticar a magia, sugiro começar com processos mais simples e mais subjetivos, como rituais para fortalecer sua confiança e coragem.

Há naturalmente pessoas com mais facilidade em obter um maior número de “acertos mensuráveis” em feitiços, mas aqueles com dificuldades não devem se desanimar, pois nada que um treino intensivo e dedicado não resolva.

Mas talvez você não seja o tipo de “mago feiticeiro”. Embora tantos grimórios possam sugerir que essa é a única categoria de magista que existe, há outras possibilidades¹. Quem sabe você não se sinta confortável, emocionalmente e filosoficamente falando, com a realização desse tipo de magia. Há os magos que defendem que a realização de feitiços vai “contra seus princípios” de aceitar a realidade como ela é e não lutar contra ela, que seria uma filosofia mais ligada ao taoísmo e budismo.

Quando você muda sua atitude mental para se harmonizar com o mundo da forma que ele nos é apresentado, nem sempre precisa realizar uma alteração mais radical lá fora (que seria o wu wei, ação pela não ação). Já no caso do budismo, você não busca diretamente poderes supramundanos. Pode acontecer de esbarrar neles ao longo da meditação, e tê-los não é considero bom e nem ruim.

Então um mago que não realiza feitiços não realiza magias? Ele realiza. O Mago é um indivíduo capaz de executar a mais poderosa alquimia: a interna, com a alteração de sua percepção do mundo e de si mesmo. Através disso, ele poderá obter o poder mais fabuloso e cobiçado: a felicidade. E essa felicidade pode ser até mesmo a capacidade de entender que ele não precisa estar feliz em todos os momentos para ser feliz, por mais paradoxal que possa parecer essa afirmação (há quem chame essa “alegria pela transitoriedade da alegria” de bem-aventurança).

Em vez de fazer o vento parar, o Mago poderá ser como a rocha, que não se abala com o sopro do vento. Ou como a árvore, que pode até se dobrar, mas não se quebrar. Há acontecimentos que poderão derrubar o nosso corpo, como a própria morte, ou até tocar a nossa mente, mas o Mago não permitirá que atinja seu espírito.

Quando entendemos que nosso espírito não é só nosso, mas está em tudo, vemos que coisas como dinheiro, saúde, pessoas ou até mesmo a felicidade não nos pertencem para que possam ser agarrados ou aprisionados. Feitiços são formas de engaiolar o pássaro por mais algum tempo. Semanas? Anos? Décadas? Um dia irá alçar voo. O Mago não engaiola a felicidade. Ele aquieta sua mente para voar com ela.

[¹Para quem deseja um exemplo de uma magia não centrada nos feitiços, aqui nós trabalhamos com uma linha de fábulas que inspiram a vivência espiritual, técnica já utilizada em tantos livros sagrados. As fábulas se relacionam a grimórios que sistematizam a porção ontológica e mágica dos sistemas. No que concerne à mente, o limite é a imaginação. Para os que não entenderam como funciona, explicarei possivelmente no meu próximo post].

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mago-e-o-feiticeiro

Agradecimento aos Alunos dos cursos de 2013

Fotos-2013

Dia 15/12 encerramos o ano de 2013 com o Curso Avançado de História da Arte em SP. Queria agradecer a todos os alunos de Kabbalah, História da Arte e Tarot, Astrologia, Qlipoth e Imagens da Alquimia.

Ano que vem estaremos juntos novamente.

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

#Cursos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/agradecimento-aos-alunos-dos-cursos-de-2013

Curso de Kabbalah e Astrologia em Porto Alegre

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

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21/4 – Kabbalah

22/4 – Astrologia Hermética

Horário: Das 10h00 as 19h00

Informações: marcelo@daemon.com.br

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Cores, metais, incensos,

– Construção do Templo Astral e exercícios relacionados.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

– Sigilações envolvendo a Kabbalah.

ASTROLOGIA

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

#Astrologia #Cursos #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-kabbalah-e-astrologia-em-porto-alegre

Os Doze Trabalhos de Hércules e a Iniciação

Excelente texto do Blog Martinismo e Cura. Recomendo a visita ao site.

Ao estudarmos as narrativas de Hércules e seus Doze Trabalhos, inclusive correlacionando-os com a passagem através dos Doze Signos do Zodíaco, podemos abordar a questão do ponto de vista do aspirante espiritual ou iniciado, individualmente, ou do plano da humanidade como um todo.

As provas a que Hércules se submeteu podem ser enfrentadas por milhares de indivíduos que trilham o caminho do desenvolvimento espiritual consciente e da iniciação.

Cada um de nós é um Hércules em embrião; os trabalhos, que ontem foram de Hércules, são de toda a humanidade, ou pelo menos de todos aqueles que mantêm as rédeas de sua evolução em mãos, tendo em vista a iluminação espiritual.

Os trabalhos de Hércules demonstram o caminho que aguarda o aspirante espiritual sincero, aquele estágio do buscador espiritual inteligente, onde, tendo desenvolvido a mente e coordenado suas habilidades mentais, emocionais e físicas, esgotou os interesses no mundo fenomênico e procura expandir sua consciência. Esse estágio sempre foi expresso pelos indivíduos mais evoluídos de todos os tempos.

Enquanto escalamos a montanha da verdadeira Iniciação, vamos eliminando todo medo e aprendendo a controlar as forças inerentes à natureza humana, até que possamos nos tornar um servidor da humanidade, eliminando a competição e os objetivos egoístas.

Ao se aprofundar nos Doze Trabalhos de Hércules, torna-se claro qual deve ser a conduta de cada aspirante e iniciado no Caminho do Discipulado e da Iniciação Real. Um grande desafio é trazer, para nosso dia a dia hoje, novas maneiras de expressar e vivenciar as velhas verdades contidas nestes mitos, de forma a ajudar as velhas fórmulas para o desenvolvimento espiritual a adquirirem nova e pulsante vida para nós.

Este é o desafio de sempre atualizar a luta humana para se superar a natureza animal, fazer desabrochar a natureza humana e revelar a natureza divina oculta em cada um de nós, o que está tão bem configurado nos Trabalhos de Héracles.

Os Doze Trabalhos de Hércules oferecem um quadro sintético do progresso da alma, indo da ignorância à sabedoria, do desejo material à conquista espiritual, de tal modo que o fim possa ser visualizado a partir do início, e a cooperação inteligente com o propósito da alma substitua o esforço feito às cegas.

Verifica-se que a história das dramáticas experiências desse grande e venerável Filho de Deus, Hércules ou Héracles, serviria justamente para focalizar qualquer uma das faces da vida o aspirante espiritual em seu esforço para expansão da consciência e realização espiritual.

Este tema é tão rico e profundo, que todos nós, lutando em nossa atual vida moderna, podemos aplicar a nós mesmos os testes e provas, os fracassos e as conquistas desta figura heróica que lutou valorosamente para atingir a mesma meta que nós almejamos.

Através da cuidadosa e reflexiva leitura deste mito, talvez possam ser despertados na mente do buscador espiritual um novo interesse e um impulso renovado, pois diante de um tal quadro do desenvolvimento e do destino especial do homem, ele pode querer prosseguir com redobrada coragem e determinação na Senda.

Em sua narrativa mítica, podemos acompanhar como Hércules se esforçou e desempenhou o papel de buscador espiritual. Neste Caminho, ele desembaraçou-se de certas tarefas, de natureza simbólica, e viveu certos episódios e acontecimentos que retratam, em qualquer época, a natureza do treinamento e das realizações que caracterizam o homem que se aproxima da libertação pela senda iniciática.

Ele representa um filho de Deus encarnado, mas ainda imperfeito, que definitivamente toma em suas mãos a natureza inferior e, voluntariamente, submete-a a disciplina que finalmente fará emergir o divino. É a partir do ser humano falível, mas que é sinceramente dedicado, inteligentemente consciente do trabalho a ser realizado, que se forma um iniciado ou um Adepto.

Duas grandes e dramáticas histórias têm sido conservadas diante dos olhos dos homens ao longo do tempo. Nos Doze Trabalhos de Hércules, o Caminho da Iniciação é retratado e suas experiências, preparatórias e que conduzem ao grande ciclo de iniciações, podem ser reconhecidas pelo homem que sinceramente aspira a este Caminho. Na vida e obra de Jesus Cristo, radiante e perfeito Filho de Deus, o Reparador, que penetrou o véu por nós, deixando-nos o exemplo para que seguíssemos seus passos, temos retratadas as etapas do Caminho Iniciático de Libertação ou Regeneração e Reintegração, que são os episódios culminantes para os quais os Doze Trabalhos preparam o discípulo.

O oráculo falou e suas palavras ressoam através das eras:

”Homem, conhece-te a ti mesmo.”

Este conhecimento é a mais importante realização no caminho do discipulado e a recompensa de todo o trabalho de Hércules. Sem este conhecimento, não se pode avançar seguramente na senda da Iniciação. Somente assim, o homem pode-se encaminhar firmemente para tornar-se definitivamente auto-consciente e intencionalmente se impõe a vontade da alma – que é essencialmente a vontade de Deus – sobre sua natureza inferior.

Neste caminho, o indivíduo submete-se a um trabalho sobre si mesmo que demanda esforço e dedicação, pureza de coração e caridade, para que a flor da alma possa desabrochar mais rapidamente.

Simbolicamente, é uma obra onde um solvente psíquico (psique = alma) consome toda escória e deixa apenas o ouro puro. É um processo de refinamento, sublimação e de transmutação, continuamente levado adiante até finalmente se alcançar o Monte da Transfiguração e da Iluminação.

Em suma, trata-se de alquimia superior. Os Doze Trabalhos demonstram exatamente este caminho acima, onde os mistérios ocultos e as forças latentes nos seres humanos são descobertos e têm de ser utilizados de maneira divina e de acordo com o divino propósito sabiamente entendido. Quando são utilizados desta maneira, o iniciado vê-se em sintonia com energias e poderes divinos similares, que sustentam as operações do mundo natural.

Torna-se, assim, um trabalhador sob o plano de evolução e um cooperador com aquela “nuvem de testemunhas”, a Igreja Invisível do Cristo, que através do poder de sua supervisão, e do resultado de sua realização, engloba hierarquias espirituais por meio das quais a Vida Una guia a humanidade para sua gloriosa consumação.

Essa é a meta da série de trabalhos de Hércules, e com essa meta, a humanidade como um todo alcançará sua conquista espiritual grupal através das múltiplas perfeições individuais. Outra grande e sábia maneira de se enxergar este mito é apresentá-lo como um aspecto especial da Astrologia.

Acompanhamos a história de Hércules à proporção que ele percorre os doze signos do Zodíaco. Ele expressou, uma a uma, as características de cada signo, e em cada um, ele conquistou um novo conhecimento de si mesmo, e através desse conhecimento, demonstrou o poder do signo e adquiriu os dons que o signo confere.

Em cada signo, vamos encontrá-lo superando suas próprias tendências naturais, controlando e governando seu próprio destino, e demonstrando o fato de que astros predispõem, mas não controlam. Esta visão astrológica do mito é uma apresentação sintética dos acontecimentos cósmicos que se refletem em nossa vida planetária, na vida da humanidade como um todo, e na vida do indivíduo, o qual é sempre o microcosmo do macrocosmo.

Este estudo fornece indicações claras para a compreensão dos propósitos de Deus para a evolução do mundo e do homem. Somente a consciência de que somos partes integrantes de um Todo maior e o conhecimento da divina totalidade, pode revelar o propósito mais vasto.

Hércules representou astrologicamente a história de vida de cada aspirante espiritual e iniciado, e demonstrou o papel que a unidade deve desempenhar na Obra eterna. A analogia astrológica dos Doze Trabalhos de Hércules diz respeito aos doze tipos de energias por meio dos quais a consciência da Realidade divina é obtida.

Através da superação da forma e da subjugação do homem inferior, é-nos mostrado um quadro do desenrolar da auto-realização divina. Hércules, em seu corpo físico, embaraçado e limitado pelas tendências a ele conferidas pelo signo no qual ele cumpria sua tarefa, alcançou a compreensão da sua própria divindade essencial.

As provas a que Hércules voluntariamente se submeteu, e os trabalhos a que, às vezes impensadamente, atirou-se, são aqueles possíveis para muitos de nós ainda hoje. É evidente que, curiosamente, vários detalhes da sua dramática, e às vezes divertida, história dos seus esforços de ascensão podem ser aplicáveis em nossas vidas modernas.

Cada um de nós é mesmo um Hércules em embrião, deparando-nos com idênticos trabalhos; cada um de nós tem a mesma meta a conquistar e o mesmo círculo do Zodíaco a abranger. Hércules aprende a lição de que agarrar-se a qualquer coisa do eu separado não faz parte da missão de um filho de Deus.

Ele descobre que é um indivíduo, apenas para descobrir que o individualismo deve ser sabiamente sacrificado pelo bem do grupo. Ele descobre também que a ambição egoísta não tem lugar na vida do aspirante espiritual que está em busca de libertação dos ciclos recorrentes de existência e da constante crucificação na cruz da matéria.

As características do homem imerso na vida da forma e sob o domínio da matéria são o medo, o individualismo, a competição e a cobiça. Estes têm de ceder lugar à confiança espiritual, à cooperação, à consciência grupal e ao altruísmo.

Esta é a lição que Hércules traz; esta é a demonstração da vida de Deus que está sendo trazida à operação no processo criativo, e que floresce, de maneira sempre mais bela, a cada volta que a vida de Deus faz em torno do Zodíaco.

Esta é a história do Cristo cósmico, crucificado na Cruz Fixa dos céus; esta é a história do Cristo histórico, apresentada nos Evangelhos e representada, na Palestina, há dois mil anos; esta é a história do Cristo individual, crucificado na cruz da matéria e encarnado em cada ser humano.

Este é a história de nosso sistema solar, a história de nosso planeta, a história do ser humano. Assim, ao admirarmos os estrelados céus acima de nós, temos eternamente representado para nós este drama magnífico, o qual é detalhadamente explicado ao homem pelos Doze Trabalhos de Hércules.

Nos próximos posts falaremos um pouco de cada tarefa…

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-doze-trabalhos-de-h%C3%A9rcules-e-a-inicia%C3%A7%C3%A3o

Princípios da Alquimia

A transmutação de qualquer metal em ouro, o elixir da longa vida são na realidade coisas minúsculas diante da compreensão do que somos. A Alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia é um andarilho a percorrer as estradas da vida. O verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto. É capaz de realizar coisas que a ciência e tecnologias atuais jamais conseguirão, pois a Alquimia está pautada na energia espiritual e não somente no materialismo e a ciência a muito tempo perdeu este caminho. A Alquimia é o conhecimento máximo, porém é muito difícil de ser aprendida ou descoberta. Podemos levar anos até começarmos a perceber que nada sabemos, vamos então começar imediatamente pois o prêmio para os que conseguirem é o mais alto de todos.

O ideal alquimista não constitui a descoberta de novos fenômenos, ao contrário do que procura cada vez mais intensamente a ciência moderna, mas sim reencontrar um antigo segredo, que ainda é inacessível e inexplicado para a maioria. Ela não é constituída somente de um caminho material, como por exemplo a transmutação de qualquer metal em ouro. Antes de tudo a alquimia é uma arte filosófica, uma maneira diferente de ver o mundo.

Não podemos, no entanto, separar o material do espiritual, uma vez que na Terra estamos encarnados em um corpo, onde um sofre influência do outro, pois na realidade tudo é uma coisa só, uma unidade, o ser humano. Na alquimia ocorre a transmutação da matéria e do espírito ao mesmo tempo. O alquimista adquire conhecimentos irrestritos da natureza, se pondo em um ponto especial de observação, vendo tudo de maneira diferente. Seria como se uma pessoa pudesse ver tanto o aspecto físico nos mínimos detalhes bem como as energias associadas a este corpo. O alquimista estaria em contato total com o universo, enquanto que para todos nós este contato é apenas superficial.

Na realização da Grande Obra, o alquimista consegue obter a pedra filosofal e modificar sua aura eliminando a cobiça e a avidez. Descobre que o ouro material não tem grande valor quando comparado ao ouro interno, ou seja, o caminho espiritual é infinitamente mais importante que as coisas materiais. Todos deveriam se contentar com o básico para sobrevivência do corpo e se dedicar por inteiro a busca de um aperfeiçoamento espiritual. Somente os homens de coração puro e intenções elevadas serão capazes de realizar a Grande Obra.

A corrida atômica se intensificou durante a Segunda guerra mundial, onde vários cientistas desenvolveram a bomba atômica que viria a ser a maior ameaça para a sobrevivência da Terra. Se os alemães tivessem tido acesso a estes conhecimentos antes, não teria sobrado muita coisa em nosso planeta. Portanto se os cientistas tivessem mais consciência e um maior conhecimento das conseqüências de suas descobertas, não teriam divulgado muitas coisas. Os alquimistas já conheciam o poder e os perigos da energia atômica a muito tempo e não divulgaram em função dos riscos inerentes de uma má utilização destes conhecimentos.

Por isso existe um grande segredo em torno da alquimia. A ciência na atualidade se especializou tanto que cada vez mais os cientistas estudam uma parte menor de determinada área. Acreditam que com isso podem avançar muito mais em determinada direção. Assim, perdem a visão do todo, tornando-se menos conscientes da utilização de tais pesquisas, quer seja para o bem ou para mal.

Os cientistas estão mais preocupados com a fama e dinheiro do que com o próprio sentido da ciência. Eles podem ser comparados a empresários capitalistas pois para a maioria o caminho é unicamente material. Quando pensam no aspecto espiritual este se encontra dissociado de tudo o quanto mais acreditam. Eles são os sopradores modernos.

O alquimista é o estudante assíduo da alquimia, aquele que busca o caminho para a iluminação. O soprador é um mercenário que só se interessa pelo ouro que ele poderá produzir e o Adepto é o alquimista que realizou a Grande Obra, ou seja um iluminado.

A alquimia é a mais antiga das ciências e influenciou todas as demais. Tem como principal objetivo compreender a natureza e reproduzir seus fenômenos para conseguir uma ascensão a um estado superior de consciência. Os alquimistas, em suas práticas de laboratório, tentavam reproduzir a pedra filosofal a partir da matéria prima primordial. Com uma pequena parte desta pedra é possível obter o controle sobre a matéria, transformando metais inferiores em ouro e também o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente.

O ouro é considerado o mais perfeito dos metais pois dificilmente se oxida, não perde o brilho e acredita-se que todos os outros metais evoluem naturalmente até ele no interior da terra. Portanto, a transmutação é considerada um processo natural. Os alquimistas somente aceleram este processo, realizando as transmutações em seus laboratórios. Este tipo de conhecimento ficou sendo o mais cobiçado, não pelos alquimistas, mas pelos não iniciados, os sopradores como eram chamados. Eles buscavam a pedra filosofal, que lhes confeririam poderes como a invisibilidade, viagens astrais, curas milagrosas, etc.

Esta pedra filosofal não se constituía necessariamente de um objeto, mas sim energia que pode ser adquirida e controlada. Este conjunto pedra e alquimista são responsáveis dos poderes alcançados. Um não iniciado poderia possuir a pedra e dela não desfrutar toda a sua potencialidade conseguindo, quando muito transformar uma pequena quantidade de chumbo em ouro. A transformação da matéria-prima na pedra filosofal, juntamente com a transformação do indivíduo constitui a Grande Obra.

No laboratório, com experimentos e constantes leituras e releituras, o alquimista nas várias etapas da transformação da matéria, vai gradativamente transformando a própria consciência. Antes do ouro metal, o alquimista deverá encontrar o ouro espiritual dentro de si.

Os ideais e poderes pretendidos pelos alquimistas, nos faz correlacioná-los aos poderes de Cristo, que foi capaz de transmutar água em vinho, multiplicar os pães, andar sobre a água, curar milagrosamente, dentre outros. Ele sempre dizia: “aquele que crê em mim, fará tudo que eu faço e ainda fará coisas maiores”.

Os alquimistas buscavam esta pureza e compreensão espiritual, conseguindo assim, realizar estas obras. Portanto, o exemplo de Cristo, além do exemplo espiritual, constitui-se em um meio de descobrir o poder sobre a matéria. Muitos alquimistas consideram Cristo a pedra filosofal. Encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da existência, um estado de perfeita harmonia física, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar a pureza primordial do homem, que tanto se degradou na Terra. Portanto, a Grande Obra eleva o ser a mais alta perfeição: purifica o corpo, ilumina o espírito, desenvolve a inteligência a um ponto extraordinário e repara o temperamento.

A pedra filosofal era gerada a partir da matéria prima primordial, além de outros compostos, no Ovo Filosófico que é um recipiente redondo de cristal onde todos estes compostos vão sendo transformados, em várias etapas, sempre utilizando o forno. Este processo freqüentemente é comparado a uma gestação da pedra filosofal. Isto seria como reproduzir o que a Natureza fez no princípio, quando só existia o caos, porém de maneira mais rápida, dando melhores condições para que ocorram as transformações. Portanto, a conclusão da Grande Obra, ou seja, o entendimento dos segredos alquímicos, significa adquirir os conhecimentos das leis universais e penetrar em uma dimensão espaço-tempo sagrada, diferente da do cotidiano de todos.

A unidade da matéria e do universo:

O mundo é como um grande organismo (macrocosmo), enquanto que o homem é um pequeno mundo (microcosmo), esta é uma das interpretações da frase: “O que está em cima é como o que está em baixo”. O próprio laboratório do alquimista é um microcosmo onde ele tenta reproduzir de maneira mais acelerada um processo semelhante ao da criação do mundo.

Toda matéria (por matéria fica entendido tudo que existe no universo, até mesmo a energia pode estar revestida pela matéria) é constituída de uma mesma unidade comum a todas as substâncias. A partir desta “semente” pode-se produzir infinitas combinações e infinitas substâncias. O símbolo alquímico do ouroboros, que é a figura de uma serpente mordendo a própria calda formando um círculo, representa estas constantes transformações em que nada desaparece nem é criado, tudo é transformado como o princípio da conservação de energia, ou primeira lei da termodinâmica, postulado muito tempo depois.

Portanto, esta unidade da matéria é única e a mesma para todas as coisas, podendo combinar-se produzindo uma variedade infinita de substâncias e energias. Matéria e energia provém de uma mesma entidade. Einstein unificou a interconversão entre matéria e energia, na equação E=m.c2 (E = energia liberada; m = matéria transformada e c = velocidade da luz).

Os alquimistas procuram reduzir a matéria à unidade comum, que não são os átomos, para assim poderem reestruturá-la, tornando possível a transmutação. Esta unidade da matéria constitui tudo que existe, desde os átomos que se combinam para formar as moléculas e estas irão formar outras substâncias mais complexas, os organismos até os planetas que formam os sistemas e galáxias. Portanto, todas as coisas possuem a mesma unidade fundamental, este é o postulado fundamental da alquimia “Omnia in unum” (Tudo em Um).

O caos primordial que deu origem ao universo é comparado no reino mineral à matéria-prima, que é uma massa em estado de desordem que dará origem à pedra filosofal.

Deus – o mundo celeste e o terreno:

Tudo o que existe material ou espiritual constitui uma única unidade. O divino é expresso como sendo “o círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma”. Portanto, todas as coisas surgiram do mesmo Criador, o mundo terreno é constituído pelos mesmos componentes que o mundo celeste.

Um dos grandes problemas de compreensão dos fundamentos da alquimia consiste na interpretação do espírito que só pode ser compreendido remontando a uma memória muito antiga, da época em que todos os seres do mundo celeste e do mundo terreno se comunicavam e o espírito circulava livremente entre todos os seres.

Muitos alquimistas foram grandes profetas como Nostradamos, Paracelso, dentre outros e todos eles acreditavam que em breve, no fim de mais um ciclo terrestre, haveria uma grande catástrofe que seria um novo começo para a humanidade. Restaria uma consciência coletiva, a mesma que deu origem a alquimia em outros ciclos.

O dualismo sexual:

A energia original é criada pela junção dos princípios masculino e feminino (sol e lua). Muitos alquimistas constituem casais na busca da Grande Obra, porém para que ocorra uma perfeita união alquímica este casal, ou seja, estas duas metades devem ser complementares formando um único ser (como a figura alquímica do andrógino). Contudo é muito difícil encontrar um par que produza uma união tão perfeita.

O Cosmo:

O cosmo é visto como um ser vivo sendo que seus constituintes tem espírito e propósito definido. As estrelas exalam um campo de energia que pode ser sentido e utilizado pelo homem e assim obter as transformações.

A vida:

Existe uma crença na alquimia da criação artificial de um ser humano, o homúnculo ou Golem, porém estes relatos de alguns alquimistas célebres poderia referir-se de forma figurada ao processo de fabricação da pedra filosofal, onde o homúnculo representaria a matéria prima para a fabricação da pedra ou então uma fase da iniciação em que o homem ressurge após a morte do outro já degradado.

Na concepção alquímica tudo o que existe é vivo, até mesmo os minerais. Os metais vivem, crescem, reproduzem-se e evoluem. Portanto qualquer metáfora sobre seres vivos podem estar referindo-se também ao reino mineral. A natureza e todos os seus constituintes devem ser respeitados para que a harmonia perfeita possa ser mantida. Esta consciência opõe-se claramente a forma de encarar a natureza até hoje, em que esta deve ser explorada o máximo possível e ainda consideram isto a evolução da humanidade. Reaprender a ver, sentir e ouvir a natureza, significa incorporar-se a ela, para relembrar o remoto passado quando fazíamos parte dela integralmente.

O amor:

Todo o conhecimento alquímico está alicerçado no amor e por isso inacessível aos processos científicos atuais. A união pelo amor está sempre presente em qualquer obra alquímica representando uma energia que une dois princípios ou dois materiais, tornado-os um só. De forma figurada é descrita como o casamento do Sol e da Lua, do enxofre e do mercúrio, do Rei e da Rainha, do Céu e da Terra ou do irmão e da irmã, por terem vindo da mesma raiz ou mesma substância.

Astrologia:

Na alquimia a astrologia exerce um papel fundamental desde a escolha do momento certo para o início da obra, da colheita dos materiais utilizados, até o momento mais propício para o alquimista trabalhar.

Retirado do Site:

http://mortesubita.net/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/princ%C3%ADpios-da-alquimia

O Caibalion: uma nova tradução

As Edições Textos para Reflexão desta vez trazem a você o grande clássico do hermetismo moderno, O Caibalion.

Escrita e publicada no início do século 20 por estudantes anônimos do hermetismo, esta obra introdutória traz preceitos e axiomas do antigo hermetismo, comentados e explicados para uma nova era e um novo público. Publicado originalmente em inglês, nos EUA, este Caibalion é mesmo um fruto de nosso tempo, porém ele se refere a outro Caibalion, bem mais antigo e oculto, que se perdeu nos anais da história, mas que se encontra preservado nas mentes e nas almas de todos aqueles que não deixaram morrer a chama. Acaso deseje se tornar um jogador no jogo de tabuleiro da vida, e não mais mera peça a ser movida pelas circunstâncias e influências externas, este pequeno livro cheio de luz pode ser o seu guia nas noites mais escuras.

Disponível em e-book e versão impressa :

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À seguir, trazemos um trecho do Cap. I – A Filosofia Hermética:

Nos primeiros tempos, havia uma compilação de algumas Doutrinas Herméticas Básicas, passadas de instrutor a estudante, que ficaram conhecidas como O Caibalion, cujo exato significado do termo esteve perdido por muitos séculos. Este ensinamento, entretanto, é conhecido por muitos seres ao qual ele foi derramado ao longo dos séculos, de lábios a ouvidos, sempre escoando pelo tempo. Até onde sabemos, os seus preceitos nunca foram escritos ou impressos. Se tratava de uma mera coleção de máximas, axiomas e preceitos, que soavam incompreensíveis aos estrangeiros das ordens, mas que eram prontamente assimilados pelos estudantes assim que o seu conteúdo era explicado e exemplificado pelos Iniciados aos seus Neófitos.

Tais ensinamentos constituíam de fato os princípios básicos da Arte da Alquimia Hermética, que, ao contrário da crença popular, se baseia no domínio das Forças Mentais, e não dos Elementos Materiais – portanto, a Alquimia não fala da transmutação de um tipo de metal em outro, mas da transmutação de um tipo de Vibração Mental em outra. As lendas acerca da Pedra Filosofal, que transformava qualquer metal comum em Ouro, falavam tão somente de uma alegoria relacionada à Filosofia Hermética, facilmente compreendida por quaisquer estudantes do verdadeiro Hermetismo.

Neste pequeno livro, cuja Primeira Lição é esta, nós convidamos nosso estudante a examinar os Ensinamentos Herméticos, conforme expostos no Caibalion e explicados por nós, humildes estudantes dos Ensinamentos (e que, apesar de carregarem o título de Iniciados, são tão somente estudantes prostrados aos pés de Hermes, o Mestre). Assim, nós lhe oferecemos muitas das máximas, dos axiomas e dos preceitos do Caibalion, acompanhados de explicações e comentários que acreditamos servir de auxílio para a compreensão do estudante moderno, particularmente porque o texto original se encontra propositalmente velado em muitos termos obscuros.

As máximas, axiomas e preceitos originais do Caibalion estarão sempre destacados em negrito no restante de nossa obra, e todos eles vêm diretamente dos lábios de Hermes. O restante do texto, sem destaque, pertence a nós. Esperamos que muitos dos estudantes aos quais nós hoje oferecemos esta pequena obra possam tirar tanto proveito do seu estudo e conhecimento quanto aqueles buscadores que já a seguiram através do Caminho do Adepto, ao longo dos muitos séculos que se passaram desde o tempo de Hermes Trimegisto, o Mestre dos Mestres, o Três Vezes Grande:

“Onde se encontram as pegadas do Mestre, os ouvidos daqueles preparados para os seus Ensinamentos se abrem completamente.” – O Caibalion

“Quando os ouvidos do estudante estão preparados para ouvir, logo vêm os lábios para preenchê-los de sabedoria.” – O Caibalion

Assim, conforme indicam os Ensinamentos, a divulgação desta obra se dará na medida em que os seus futuros estudantes se encontrarem em condições de compreendê-la, pois do contrário sequer lhe darão a atenção devida, e ela lhes passará desapercebida, como deve ser. E, segundo a mesma Lei, quando o pupilo estiver devidamente preparado para receber a verdade, então esta pequena obra dará um jeito de chegar ao seu conhecimento.

O Princípio Hermético de Causa e Efeito, em seu aspecto de Lei de Atração, tratará de juntar lábios e ouvidos – e muitos pupilos ainda hão de conhecer este livro.

Que Assim Seja!

#hermetismo #Magia #Ocultismo

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O Misticismo Taoista

Por Gilberto Antônio Silva

Semana passada eu assisti ao filme do Dr. Estranho. Era um personagem que há muito eu deseja ver nas telas. Achei o filme muito interessante e que não deixou muito a desejar. Mas eu esperava um pouco mais de filosofia, de conhecimento místico de verdade (não importa a ramificação). Houve apenas uma cena em que isso aconteceu e o restante do filme se desenrolou na base da fantasia, ficção científica e efeitos especiais. Uma pena.
Em suma, um bom filme no Universo Marvel, mais adulto e complexo, com uma pitada de espiritualidade. Mas o motivo desses comentários é que saí do cinema pensando em quanto as pessoas desconhecem a amplidão do Taoismo. Parece um poço sem fundo de conhecimentos onde mesmo depois de décadas de estudo perseverante não divisamos nele nenhuma pista sobre um final. É o caso do misticismo taoista, muito pouco conhecido.

Todos sabem que o Taoismo (Daojia) é uma filosofia antiga e muito sólida cujos alicerces remontam ao Yi Jing (I Ching), há 3.000 anos. A partir do ano 142 de nossa Era ele começa a virar religião (Daojiao) através do trabalho do Mestre Zhang Daoling. Mestre Zhang era um estudioso taoista que teve visões de Laozi lhe passando informações e a missão de difundir esses ensinamentos. O Taoismo, então, começa a crescer como religião e a absorver a antiga religião ancestral chinesa (Shendao).

O Shendao é tão antigo que ninguém sabe quando começou ou quem o iniciou. É um conjunto de crenças, ritos e técnicas que remontam à idade neolítica e aos primeiros habitantes da China, dezenas de milhares de anos atrás. Ele possui profundas raízes xamânicas e está mergulhado no antigo misticismo das estepes mongóis. Um conhecimento tão antigo quanto a mais antiga das tradições de magia que conhecemos no Egito ou Europa. Algo que está permanentemente entranhado nos arquétipos humanos, por mais que a moderna (e superficial) ciência nos diga que não existe.

A maior parte de seu conhecimento era transmitida oralmente e praticado segundo nuances e características próprias de cada região da China, apesar de vários pontos de convergência. O poder que emana do Céu (Tian), o culto aos antepassados, o respeito pelas forças da Natureza, a existência de divindades, seres elementais e demônios de todos os tipos eram ideias em comum que permeavam essa prática.

Ao se fundirem, o Daojia e o Shendao se tornaram ainda mais poderosos. O Shendao ganhou uma filosofia sólida, que não apenas explicava muito bem sua metafísica como servia para incrementar seus rituais, que se tornaram mais complexos e formais. Dessa forma pôde enfrentar o Budismo que cresceu muito a partir do século IV. O Taoismo, por outro lado, ganhou espaço junto à população mais simples que não era muito afeita aos rigorosos treinamentos e pesada filosofia, mas apreciavam os rituais e as práticas que eram muito próximas do que era feito tradicionalmente dentro de suas famílias. Também ganhou um lado místico que estava praticamente ausente nos seus primórdios.

Embora sempre estivesse com um olho no Absoluto, em busca do Tao e do mergulho no universo latente representado pelo Wuji (vazio primordial), o Taoismo não lidava ainda com algumas forças do mundo invisível. A partir do crescimento do Daojiao os taoistas passaram também a lidar com demônios, seres celestiais, mundos paralelos, encantamentos, invocações e tudo aquilo que já é bem conhecido dos iniciados. Hoje esse conhecimento está restrito a algumas linhagens enquanto a maioria se preocupa ainda com a obtenção da imortalidade, a alquimia interna e a busca pelo Tao.
Algumas práticas místicas taoistas são bastante similares em objetivo às de outras tradições, embora se manifeste através de mecanismos diferentes. Os talismãs, por exemplo, são recursos adotados pelos taoistas desde o início dos tempos. Consistem basicamente em uma mistura de ideogramas convencionais, escrita arcaica, selos e carimbos, e desenhos diversos. A origem documentada dentro da tradição se encontra em algumas escrituras taoistas, como representações de sinais do Céu para trazer sua energia para a Terra.

Existem muitas formas de se fazer um talismã e muitas maneiras de empregá-lo. Em geral se utiliza tinta preta e vermelha sobre um papel amarelo. O talismã pode ser utilizado em uma cerimônia e queimado em seguida; pregado na parede para proteger o local ou expulsar espíritos nefastos; carregado pela pessoa para garantir proteção ou usado por um doente para recuperar a saúde. Também podem ser queimados e suas cinzas misturadas com água e depois bebidas, especialmente para fins terapêuticos.

A possessão é outro fenômeno largamente trabalhado pelos taoistas, que volta e meia eram chamados para resolver esse tipo de problema. Pela concepção taoista, nós possuímos duas almas: Hun (Alma Etérea) e Po (Alma Corpórea). Po é ligado à Terra, ao Ego, às coisas corpóreas e materiais, e Hun às coisas sutis, celestiais e espirituais. Quando uma pessoa se perde nos vícios, sexo desregrado, excesso de bebidas alcoólicas, drogas, músicas turbulentas, o equilíbrio interno fica comprometido. Tudo isso corrompe Po e deprime Hun. Quando o Hun fica muito deprimido e retraído, abre-se espaço para a entrada de seres malignos ou energias perversas, ocorrendo o que se denomina de influência maligna ou “possessão.

Na prática isso não implica necessariamente que depois desse processo de corrupção de Po e depressão de Hun a pessoa será tomada pelo capeta (embora algo assim possa eventualmente acontecer). O mais comum é que esse modo de vida leve ao contágio com energias nefastas bem conhecidas da Medicina Chinesa e do Feng Shui, pois isso abre um buraco no sistema energético da pessoa, facilitando o ingresso de forças nefastas exteriores.

Alguma entidade nefasta pode vir a assumir o controle da pessoa, pois o fato de freqüentar ambientes de baixa qualidade energética já o coloca em contato com tudo o que existe de pior na esfera espiritual. Depois basta uma porta aberta. Quando esse tipo de coisa se manifestava um taoista era chamado para efetuar o exorcismo, uma prática complicada e trabalhosa, que não raramente terminava com a morte do exorcista ao menor descuido. Poucos taoistas se especializavam nessa prática, geralmente gente soturna e de poucas palavras.

O mundo espiritual também possui uma grande quantidade de fantasmas. Um fantasma se forma quando o falecido possui grande apego às coisas materiais e não consegue ser naturalmente levado pela corrente da transmigração (reencarnação) e nem acabar nas prisões infernais, nos subterrâneos de Fengdu. Eles vagam pela Terra, desejando satisfazer seus apetites de coisas materiais ou vingança. Lidar com esses seres era tarefa dos taoistas, assim como caçar entidades maléficas e demônios. A técnica geralmente consistia em utilizar encantamentos, fórmulas e mantras para prender a entidade maligna em uma cabaça ou vaso de cerâmica (modernamente se utilizam até mesmo garrafas de vidro). Existiam mosteiros taoistas famosos por serem caçadores destas entidades. Um deles, que colecionava centenas de vasos contendo demônios, fruto de centenas de anos de combate a estas forças, foi “visitado” pelo Exército Vermelho na Revolução Comunista de 1950, que quebrou grande número destes vasos. Acredita-se que estes seres, agora libertos, se espalharam pelo mundo gerando diversos problemas de guerra, violência e doenças que sentimos ainda hoje.
As invocações também estão no repertório místico dos taoistas. Pode-se invocar uma entidade celestial ou um demônio. Neste último caso, ele pode se tornar um servo do mago. Mas para isso dar certo (e não acabar na morte do mago “vacilação”) é necessário executar muito bem o ritual adequado e saber o nome correto do demônio, coisa que era grafada em vários livros de algumas linhagens. Alguns deles traziam centenas de nomes.

Manipulação da natureza também era uma habilidade muito exercida. Conjurar uma nevasca ou granizo contra inimigos era uma tarefa muito requisitada por reinos em guerra. Da mesma forma, fazer chover em uma seca prolongada era muito útil. Existem vários encantamentos de clima que poderiam ser utilizados.

O exposto é uma pequena parte da tendência mística taoista. O Taoísmo é uma fonte inesgotável de conhecimento que merece ser investigada em sua essência e extensão. E os taoistas, em geral tão cordiais e espiritualistas, vejam só, podem ser barra pesada se necessário.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, incluindo o grande sucesso “Os Caminhos do Taoismo”. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

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O Alfabeto Templário, o Alfabeto Marciano e o Menino do Acre

Olá crianças,

Desde o suposto desaparecimento do guri lá nos cafundós do Acre, quase todos os dias recebo emails e mensagens pedindo algum comentário sobre todo o circo que a mídia retardada brasileira ergueu. Bem, a gente tem como base “não bater palma para maluco dançar” aqui no TdC, por isso não comentamos falsos Videntes da Luz que “avisam” sobre os desastres DEPOIS que eles ocorrem, ou fazem “previsões” de eventos DEPOIS que eles ocorrem, ou picaretas que vendem “Pactos com Lucifer”, “Pactos Pactoruns” e outras baboseiras porque a cada cinco pessoas que são alertadas e se afastam desses picaretas, outras dez escrevem pedindo recomendações e indicações dos videntes e amarradores “sérios”…

Logo que mostraram as primeiras imagens, ficou claro que o tal “círculo mágico” desenhado aos pés da estátua era uma cópia de um desenho animado japonês (Full Metal Alchemist) e o tal “alfabeto mágico” dos livros nada mais era do que uma versão do Alfabeto Templário, que publiquei no RPG Trevas em 2001. Graças aos deuses este alfabeto saiu também em infinitos lugares e, mais especificamente, no “Manual do Escoteiro Mirim” que tem um alcance infinitamente maior do que os meus livros e blog. E Graças a Zeus que a mídia tosca chegou primeiro ao “Manual do Escoteiro Mirim” e não ao “Manual de RPG” senão teríamos outra caça às bruxas vinda da mídia retardada, como foi no começo dos anos 2000.

Mas tio Del Debbio, não é um alfabeto muito fácil de ser decifrado?

Sim e não. É necessário lembrar que na Idade Média, 99,9% da população era analfabeta, então nem o latim ou inglês as pessoas eram capazes de ler. a substituição funcionava por que mesmo as pessoas que sabiam ler não tinham a ideia de que poderia haver uma substituição deste tipo e acreditavam que os textos fossem runas esculpidas em uma outra língua. E você mesmo só sabe que o alfabeto é de substituição simples porque leu na internet, senão não saberia…

Em 1974, o Manual do Escoteiro Mirim publicou estas cifras como sendo “Alfabeto Marciano”, já que colocar isto como “Alfabeto Maçônico” traria um tremendo problema junto com os crentes de plantão do Brasil. Vale lembrar que o Walt Disney era Rosacruz e Demolay e muito do que foi colocado nos Manuais antigos vinha de conhecimentos hermetistas.

Provavelmente o Full Acre Alchemist escolheu as cifras dos infinitos alfabetos templários disponíveis na internet, ou até mesmo deu uma adaptada e tinha esperança que a mídia fosse pensar que aquilo era um “alfabeto doziluminatti” ou “alfabeto maçônico” mas, para azar dele, a Editora Abril reimprimiu recentemente o Manual do Escoteiro Mirim e a zueira never ends… muito mais engraçado para os sites avacalharem o moleque com referência ao Manual do Escoteiro Mirim do que associarem a escrita à Eliphas levi ou aos Templários.

Sorte nossa, que livrou o RPG de mais uma caça às bruxas, e azar do garoto, que a cada dia que passa perde cada vez mais o status de “cool” para o marketing do livro dele.

Se você gosta de assuntos relacionados a hermetismo e alquimia, apoie o Projeto RPGQuest, um jogo de tabuleiro de Alquimia.
https://www.catarse.me/rpgquest

#Blogosfera

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da Iniciação

Muito se fala sobre iniciação, seja em um grupo, ou sozinho, da sua importância, do seu papel na vida do magista, do ser humano como um todo. Muito se fala sem saber, muito se sabe sem falar. Pouco se sabe, muito se fala.

Vejo a iniciação não como uma etapa isolada, mas como uma parte constante, com influencias tanto antes quanto depois de sua realização, um processo que acompanha a vida do magista.

Apenas ao morrer aprendemos a viver, e simbolicamente a iniciação representa isso: a morte de uma vida profana, para o renascimento em uma nova vida, buscando novos horizontes, novos caminhos, deixando de lado o ego e nosso lado mais animal, afastando-nos da besta, compreendendo sua parte em nós e aproximando-nos do divino, descobrindo nossa própria centelha, tornando-nos estrelas iluminando o caminhos dos justos.

Um rito de passagem, onde o que fica, o resultado dos nossos esforços, noso trabalho se torna o nosso presente para o mundo. Viemos ao mundo para aprender, para contemplar, para ensinar. Não vejo nada mais belo do que nosso próprio mundo, síntese material de tudo o que há no universo, de tudo o que é sutil e efêmero, onde ao descobrirmos o que é nosso, o que devemos fazer torna-se a descoberta do que é do mundo, do que pertence a nossos irmãos, e aos poucos o mundo acorda e percebe o que é de cada um. Resta-nos viver e descobrir quem somos, e fazer de nosso caminho o caminho do mundo, da humanidade, da divindade.

A iniciação representa uma quebra, um rompimento, uma mudança à nivel espiritual, e que sua vida a partir desse momento jamais voltará a ser o que era. É ver o mundo com outros olhos, ser alguém melhor, diferente do que se era, é deixar velhos vícios e buscar novas virtudes. Uma iniciação onde não há essa ruptura é no máximo simbólica, e pouco muda na vida do dito iniciado, sendo apenas simbólico. O rito de passagem, a Iniciação, deve conter esse corte, essa ruptura, e para que isso possa ocorrer o Iniciador deve conter o toque, mostrar-se merecedor e possuidor da linhagem à qual o novo candidato está para ingressar.

Sejam 3, 7 ou 15 neófitos iniciados em um mesmo ritual, a Iniciação é puramente individual, cada um tem sua percepção, e a visão do divino, do real sentimento se ingresso na egrégora deve sersentido por si mesmo, e mesmo com sentimentos e visões diferentes as sensações serão iguais em efeito, o real marco da entrada no Templo.

A iniciação em um grupo, o marco de entrada do ser renascido para uma nova vida coroado e divinizado pela egrégora dos que o cercam, é motivo de jubilo, de votos de sucesso e de trabalho, de luta por sua evolução e autoconhecimento, afirmação de si perante a divindade suprema. Motivos divididos pelos que foram acolhidos como irmãos, como iguais, indiferente das diferenças, papéis e subtrações impostos socialmente. Não é apenas o grupo que acolhe o iniciado, é uma troca, um diálogo de idéias, de forças, por um bem comum maior.

Sejam os do esquadro e compasso, da rosa e da cruz, dos símbolos da natureza, ou dos buscadores solitários, somos todos artistas, moldando a realidade perante nossa vontade, buscando o Éden em nossos próprios jardins, fazendo de nós, assim, a síntese de todo o macrocosmo em nossos corpos profanos, veículos talvez toscos da luz divina que é nossa alma, centelhas do principio criativo superior.

Somos um só, um principio e uma alma, uma mesma energia que se propaga e se manifesta das mais variadas formas, com o mesmo papel: evoluir, elevar-nos ao nosso verdadeiro lugar, a despeito da negatividade, intempéries e desafios, nossos fados enquanto divindades em treinamento.

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O Incenso de Ketoret

Traduzido por Gabriela Ayres

Em março de 1988 foi encontrado em uma caverna de Qumran, uma pequena jarra que continha um oléo avermelhado. Acredita-se que é a única amostra sobrevivente de um óleo balsâmico, descrito na Toráh para ungir o Mishkan (Tabernáculo) e seus vasos, assim como os kohanim, sacerdotes e reis de Israel. O óleo – quando foi encontrado – tinha uma consistência como o mel. A jarra em que o encontraram, estava embrulhada em folhas de palmeiras, cuidadosamente dobradas e preservadas em um poço com profundidade suficiente para evitar que se desperdiçasse devido às intempéries do tempo externo da zona.

Quatro anos depois, descobriram 600 quilos de uma substância orgânica avermelhada dentro de um silo, construído com rochas, em outra parte do complexo de Qumran. Uma série de análises determinaram que a dita sustância avermelhada continha pelo menos oito das onze espécies que eram utilizadas em Pitum haQetoret (mistura de incenso) e oferecidas no Templo.

Alguns anos mais tarde, foi apresentado uma amostra perante dois rabinos que a deram à seus próprios profissionais químicos para analisar a qualidade orgânica, e sugeriram que se queimasse uma porção dessa mistura com propósitos científicos (para tal, utilizaram ácido cloridrico e fogo). Também foi sugerido que a queimasse junto com outras duas espécies que se escontraram no outro lado da caverna.

Os resultados foram assombrosos. Se por um lado, as espécies haviam perdido algum traço da sua potência ao longo dos milênios desde seu enterro, por outro ainda eram poderosas. O resíduo da fragrância permaneceu nos arredores por inúmeros dias depois da experiência. Muitas pessoas informaram que seus cabelos e roupas consevaram o mesmo perfume. Ainda mais assombroso, a área onde foram queimadas as espécies, mudou radicalmente já que estava infestada durante meses, com formigas, mosquitos e outros insetos, que logo depois da experiência do incenso, desapareceram magicamente.

Depois de Ketoret, nenhum inseto foi visto por um bom tempo. Isto traz lembrança da Mishná em Avot 5:5 (Talmude) que diz que não havia moscas na área do Templo.

O poder e efeito prolongado do Ketoret estão também escritos no Talmude Yoma 39b, que as cabras em Jericó (ao norte de Qumrán) espirravam ao sentir o cheiro do Ketoret, e as mulheres não precisavam se perfumar. Em Jerusalém as noivas não precisavam usar seu perfumeiro (um pingente com misturas de ervas) em virtude do dulcíssimo e onipresente cheiro do Ketoret.

O Ketoret e a Bíblia

No Talmude (Arajin 16ª) está escrito que em Beit haMikdash (Templo), o Mishkán (Tabernáculo) assim como os vasos sagrados, o Aron Hakodesh (Arca sagrada), a Menoráh (o candelabro), o Mizbeaj haKetoret (Altar do Incenso), as roupas do Cohen Hagadol (Sumo Sacerdote), as cinzas dos sacríficios, etc., não eram só arterfatos físicos, mas sim, representavam níveis espirituais para estar mais perto de Deus. O mesmo acontece com o Óleo (Shemen) e o Ketoret.

Da leitura de Exôdo 30, podemos destacar que o óleo da unção e o Ketoret estão muito ligados um ao outro, já que contêm várias especiarias iguais.

Outra coisa que podemos destacar é que ambos são muito sagrados. Sagrado em Hebreu se diz Kodesh, quando algo é Kodesh se deve afastar-se e ser mantido separado, adquirindo por tanto o poder de santificar e elevar tudo ao redor (Shabat Hakodesh, Torat Hakodesh, lashon Hakodesh, Ierushalaim Ir Hakodesh, etc.).

Da Kabalah, podemos dizer que o incenso consistía em dez perfumes ou especiarias com uma agradável fragância, e uma especiaria a mais, jelbená (gálbano), com un cheiro horrível. Essas espécies eram misturadas para serem usadas no Templo. Como as onze especiarias representavam as dez, mais uma sefirot (ou originária) da Árvore da Vida do Universo de Tohu (caos), se diz entre tanto que representam a completa retificação do mal. Isto é indicado pela junção da 11ª especiaria, gálbano, que faz menção a elevação do mal retornando ao reino sagrado.

O Talmude (Shabat 89ª) ensina que Moisés foi instruído sobre o mistério do incenso pelo Anjo da Morte (o Anjo da Morte revelou a Moisés que o Ketoret tem poder de anular um decreto maligno, ainda que fosse o da morte).

Por que o Ketoret supera a maldade da morte? De onde sai o seu poder? Obtêm-se do fato da pulverização das especiarias se assemelharem ao rompimento da morte das sefirot originais. As sefirot originais dão luz com uma pequena porção de escuridão. A escuridão não poderia se manifestar como “mal” integro até que a luz fosse “pulverizada”. O rompimento da luz se demomina morte e escuridão. Mas o Ketoret, na precisa forma que está, e especialmente pelo número e natureza dos seus ingredientes tem o poder de sobrepôr-se a morte e a escuridão, e tranformar completamente o mal, tanto em nós e no mundo, no bem.

O Jelbená

O incenso consistia em dez especiarias, ou perfumes, com boas fragrâncias e uma 11ª, gálbano, com um cheiro horrível que se refere a elevação do mal no reino sagrado.

É interesante observar que o jelbená, uma das quatro especiarias mais importantes do Ketoret, descrita no Toráh, corresponde a nada mais nada menos que o carbono, ao carbono animal, um dos quatro elementos primários encontrados no Universo, que junto com o oxigênio eram essenciais para manter a vida!

Continuando com a idéia das dez fragrancias especiais e uma desagradável, o Talmude diz: (Keritot 6b): Todo jejum coletivo que não inclua os pecadores de Israel, não é jejum”.

Isto tem a ver com o fato de que o incenso tinha jelbená. Assim como o jelbená, era preciso que o incenso adquirisse esse aroma, uma congregação não está completa sem alguém que tenha errado e queira redimir-se através do arrependimento. Em particular quando um castigo era decretado contra Israel devido a alguma má ação, este mesmo mal deve ser elevado. Entre tanto, a idéia de trasformar o mal, o elevando novamente a sua fonte no sagrado está incorporanda no incenso. É por essa razão, que todo jejum coletivo deve incluir os pecadores de Israel.

A Toráh menciona quatro especiarias fundamentais para o Ketoret: Bálsamo, estacte, gálbano e frankincenso puro. É somente através da trasmissão oral que conhecemos as outras sete, somando um total de onze. Os sábios, tentam nos explicar, de que maneira se menciona na Toráh, repetindo duas vezes, a palavra “samim”, ou especiarias. A Toráh não especifica quais eram.

O Talmude mais uma vez explica as propriedades do Keroret:

Keritot 6ª: “De que era composto o Ketoret? Continha 368 maneh (medidas). 365 correspondiam ao número de dias do ano solar, uma medida por dia: meia pela manhã e meia a noite. As outras três são aquelas que o Cohen Hagadol (Sumo Sacerdote) traria (ao Sancta Sanctorum) como dobro da porção no “Iom Kipur”

Existe uma súplica, dizendo que nossa oferta seja agradável e aceitável a Deus. O Ketoret tem o poder de anular os efeitos do Lashon Hará (palavras torpes, fofocas, insultos, ofensas verbais, literalmente, a “lingua afiada”). Aqui devemos frisar que a Toráh e a súplica são a forma mais poderosa de utilização da linguagem para o bem. Às vezes, é muito fácil dizer palavras, aquelas que não são nossas e acostumamos repeti-las a ponto de perderem a profundidade e o significado. Mas o segredo da verdadeira súplica é nos colocarmos atrás das palavras, de convertê-las em ações, especialmente aquelas que foram pronunciadas para purificar durante milênios

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-incenso-de-ketoret