A Origem do Tarot

A origem do Tarot continua em questão e são muitas as teorias propostas. Na verdade, porém, nada existe de idêntico em outras culturas, pintado ou impresso em cartões, que pudesse ter estabelecido um modelo direto para o jogo de 78 cartas que vem à luz, na Europa, no final do séc. 14. E os desenhos mais antigos de cartas que chegaram até nós são coerentes com a iconografia cristã dessa época. Se essa afirmação vale particularmente para os 22 arcanos maiores, não cabe inteiramente para o conjunto das 56 ou 52 cartas do baralho sarraceno, já mencionado no séc. 14.

Apesar desses dois indícios mais próximos cabe investigar a possível influência de outras culturas desse período histórico e, igualmente, o material resgatado de civilizações anteriores.

Alguns estudiosos mostram as analogias entre o Tarot e o antigo jogo indiano do Chaturanga, ou jogo dos Quatro Reis, que correspondem aos quatro naipes das cartas de jogar. A quadruplicidade, no entanto, é a representação de uma realidade universal que transcende os dois jogos em questão.

O Chaturanga, que data do séc. V ou VI, antecessor do moderno jogo de xadrez, originalmente tinha o Rei, o General (a Rainha moderna), seu Cavaleiro e os peões ou soldados comuns. Não há, porém, indicações consistentes de como poderia ter ocorrido um caminho entre esse jogo e o Tarot.

Cruzados ou árabes?

Há quem acredite que as cartas de jogar foram levadas para a Europa pelos cruzados. Contudo, a última Cruzada terminou mais ou menos em 1291 e não existem referências que comprovem a presença de cartas de jogar na Europa até pelo menos cem anos mais tarde.

Uma justificativa para a origem sarracena das cartas é o nome espanhol e português naipe, que derivaria do árabe naibi. Também a palavra hebraica naibes se assemelha a naibi, o antigo nome italiano dado às cartas e, em ambas as línguas, a palavra indica bruxaria, leitura da sorte e predição. No entanto, não se encontram na história dos árabes e judeus referências ao jogo de cartas, anteriores aos século 15.

Esse tipo de restrição histórica, no entanto, não invalida a hipótese de uma criação ou recriação “multi-tradicional” do Tarot. Sabemos que, em especial na Península Ibérica, sábios cristãos, árabes e judeus, mantiveram uma criativa convivência durante o período em que o Tarot dá sinal de vida.

Do ponto de vista das provas históricas, o que se pode afirmar com segurança é que os árabes utilizavam, já em meados do séc. 14, um baralho de 52 cartas, com estrutura idêntica aos que hoje conhecemos como “arcanos menores” ou “baralho”.

Origem cigana?

Igualmente discutível é a hipótese que associa as cartas de ler a sorte com os ciganos originários do Hindustão. Apenas no começo do século XV começaram a entrar na Europa. Em 1417, um bando de ciganos chegou às proximidades de Hamburgo, na Alemanha; outros relatos situam os ciganos em Roma, no ano de 1422 , e em Barcelona e Paris, em 1427. Há, porém, claras evidências de que a raça cigana só estendeu suas peregrinações para o interior da Europa depois que as cartas já eram conhecidas ali há algum tempo.

Povo nômade, recorria aos mais variados expedientes para sobreviver. As mulheres particularmente utilizavam diversos recursos para “ler a sorte” dos habitantes das comunidades que visitavam, em especial a quiromancia (predição do futuro segundo as linhas e sinais das mãos) e, bem mais tarde, a cartomancia (utilização dos baralhos impressos na Europa). É esse um dos motivos pelos quais os ciganos ficam intimamente associados às cartas, ao baralho, no imaginário popular. Tiveram um grande papel na circulação e na difusão da cartomancia popular, mas estavam longe da tradição escrita e do conhecimento técnico de impressão das cartas.

Origem egípcia?

A hipótese da origem egípcia do Tarot foi aventada por Court de Gebelin em sua obra, Le Monde Primitif analysé et comparé avec le monde moderne, publicada a partir de 1775.

Gebelin foi um apaixonado estudioso da mitologia antiga e estabeleceu inúmeras correlações entre os ensinamentos tradicionais e as cartas do Tarot que, segundo ele, seriam alegorias representadas em antigos hieróglifos egípcios.

Um ponto, no entanto, não pode ser esquecido: embora existam necessariamente similaridades entre as linguagens simbólicas mais consistentes, isso não quer dizer que tenha existido influência direta de uma sobre a outra.

O significado das correspondências entre linguagens simbólicas constitui um tema delicado. Nem sempre é possível chegar a uma conclusão, pois similaridades e correspondências não querem dizer, necessariamente, que tenha havido cópia ou simples adaptação de uma cultura nacional para outra.

A favor da correção intelectual de Court de Gebelin, é importante lembrar que as cartas utilizadas por ele continuaram a ser as do Tarot clássico. Ele não falsificou nem inventou um “baralho egípcio” para justificar suas hipóteses. Somente após a publicação de seus estudos é que começaram a aparecer baralhos desenhados com os motivos egípcios, descompromissados com a história comprovável desse desafiador jogo de cartas.

Seja como for, é com Gebelin que se inicia a divulgação de textos e de estudos que assinalam um sentido mais alto para o Tarot, como uma linguagem simbólica, como um meio de transmissão dos conhecimentos esotéricos, espirituais, que vai muito além de sua utilização como jogo de baralho.

Múltiplas influências

A maior parte dos estudiosos reconhece uma origem iniciática do Tarot, ou seja, ele traduziria o significado e as propriedades do Cosmo, bem como o do papel do homem na Criação. Seria produto de uma Escola (escola dos criadores de imagens da Idade Média, como sugere Oswaldo Wirth). Nessa direção de pensamento, o Tarot seria uma criação de Escolas francesas e/ou italianas, no final do séc. XII, sem qualquer relação com indianos ou chineses. A favor desse ponto de vista pesa o fato de que não se encontram, em particular, jogos iguais aos arcanos maiores em qualquer outra civilização.

Há muitos estudos que apontam as relações entre o Tarot e Cabala. De fato, as 22 lâminas dos “trunfos”, ou “Arcanos Maiores”, são em igual número ao das letras do alfabeto hebraico e ao dos 22 “caminhos” ou conexões entre os sefirot do desenho simbólico denominado “Árvore da Vida”. As 40 cartas numeradas, dos Arcanos Menores, representam o mesmo número de sefiroth da “Escada de Jacó”, esquema resultante da superposição de quatro “Árvores da Vida”.

Tal constatação, porém, não exclui a hipótese de contribuições árabes, que tiveram um forte e prolongado impacto, através do sufismo, sobre a mística cristã, em particular na Península Ibérica.

Um período de ouro

Não é implausível, para alguns autores, imaginar o nascimento do Tarot por volta de 1180, período de grande força criativa na Europa, embora as primeiras menções registradas ocorram apenas duzentos anos após, em 1391. A razão para isso, segundo eles, seria simples: na origem, o Tarot não tinha a função lúdica de jogo de paciência ou de apostas em dinheiro, mas desempenhava o papel de estimular a reflexão pessoal sobre o caminho espiritual. Desse modo, ele não poderia ser mencionado como jogo de lazer nas crônicas da época.

“A essência do Tarot – escreve Kris Hadar – se funde maravilhosamente à mística que fez do séc. XII um século de luz, de liberdade e de profundidade da qual não temos mais lembrança. Nessa época, a mulher era mais liberada que hoje.”

É no correr desse período que são erigidas as catedrais góticas, em memória da elevação do espírito, e que aparece igualmente a busca de um ideal cavalheiresco que alcançará sua perfeição graças aos trovadores e o Fin’Amor, que colocará em evidência a arte de crescer no amor.

Para corroborar tal ponto de vista, pode ser lembrado que nesse mesmo período se desenvolvem os primeiros romances iniciáticos sobre os cavaleiros da Távola Redonda, a lenda do Rei Artur e a Demanda do Santo Graal.

Contemporâneo dos primeiros romances, o Tarot poderia ser considerado como um dos livros sem palavras (comuns na alquimia) para a reflexão e a meditação sobre a salvação eterna e a busca de Si, mesmo para quem não soubesse ler. Era uma porta aberta à verdade, tal como as catedrais, que permitiam aos pobres e aos ricos crescerem na comunhão com Deus.

“O Tarot” – afirma Kris Hadar – “é uma catedral na qual cada um pode orar para descobrir, no labirinto de sua existência, o caminho da Salvação”.

Paralelos do Tarot com outros jogos

Quando deixamos de lado as tentativas – algumas delas forçadas – de encontrar para o Tarot uma origem necessariamente fora da Europa, em outras culturas e povos, abre-se um outro campo muito atraente para os estudos simbólicos.

Tal como foi mencionado mais acima, a propósito da similaridades entre o Tarot e o jogo indiano do Chaturanga, os estudos comparativos permitem reconhecer princípios básicos e universais que estão presentes em diferentes jogos criados em culturas diversas sem que houvesse um contato próximo entre elas, sem que uma expressão em dado contexto cultural tenha sido necessariamente copiado de outro. Podemos encontrar provas de que o conhecimento das leis primordiais se revela por caminhos criativos e renovados.

Por Constantino K. Riemma

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-origem-do-tarot

Hochma

Texto extraído do livro “A Cabala Mística”, de Dion Fortune

1. Toda fase de evolução tem início num estado de força instável e caminha, graças à organização, para o equilíbrio. Uma vez este alcançado, nenhum desenvolvimento posterior poderá ocorrer, se a estabilidade não for superada, dando início, mais uma vez, a uma fase de forças em conflito. Como já vimos, Kether é o ponto formulado no vazio. De acordo com a definição euclidiana, um ponto tem posição, mas não dimensões. Se, contudo, concebermos esse ponto movendo-se no espaço, ele se transformará numa linha. A natureza da organização a da evolução das Três Supremas está tão distante da nossa experiência que só podemos concebê-la simbolicamente; mas, se imaginarmos o Ponto Primordial que é Kether estendendo-se pela linha que é Hochma, teremos a representação simbólica mais adequada que seremos capazes de alcançar em nosso presente estágio de desenvolvimento.

2. Esse fluxo de energia, representado pela linha reta ou pelo cetro ereto do poder, é essencialmente dinâmico. Trata-se, na verdade, de um dinamismo primário, pois não podemos conceber a cristalização de Kether no espaço como um processo dinâmico; ela partilha, antes, de uma certa estaticidade – a limitação do informe a do liberto, nos moldes da forma, por mais tênue que a forma possa parecer aos nossos olhos.

3. Atingidos os limites da organização dessa forma, a força que flui incessantemente do Imanifesto transcende as suas limitações, demandando modos novos de desenvolvimento a estabelecendo relações a tensões novas. Hochma é esse fluxo de força desorganizada a desequilibrada, e, sendo Hochma uma Sephirah dinâmica, que flui incessantemente como energia ilimitada, poderíamos considerá-la, apropriadamente, mais como um canal por onde passa a energia do que como um receptáculo em que a força é armazenada.

4. Hochma não é uma Sephirah organizada, a sim a Grande Estimuladora do Universo. É de Hochma que Binah, a Terceira Sephirah, recebe o seu influxo de emanação, a Binah é a primeira das Sephiroth organizadoras e estabilizantes. Não é possível compreender nenhuma Sephirah sem estudar a sua companheira; por conseguinte, para compreender Hochma, deveremos dizer algo a respeito de Binah. Notemos, preliminarmente, que Binah é atribuída ao planeta Saturno, recebendo o título de Mãe Superior.

5. Em Hochma a Binah temos, respectivamente, o positivo e o negativo arquetípicos; a masculinidade e a feminilidade primordiais, estabelecidas quando “o rosto não contemplava rosto algum” a quando a manifestação ainda era incipiente. É desses pares de opostos primários que surgem os Pilares do Universo, por entre os quais se tece a rede da manifestação.

6. Como já observamos, a.Árvore da Vida é uma representação diagramática do Universo, na qual os aspectos positivo a negativo, masculino a feminino são representados pelos dois pilares laterais, da Misericórdia e da Severidade. Pode parecer estranho que o título de Misericórdia seja conferido ao Pilar masculino a positivo, e o de Severidade ao feminino; mas, quando se compreende que a força dinâmica masculina é a que estimula a elevação e a evolução, a que é a força feminina que edifica as formas, percebe-se que a nomenclatura é adequada, pois a forma, embora seja edificadora a organizadora, é também limitadora; toda forma constituída precisa, por sua vez, ser superada, perdendo sua utilidade a assim, tomando-se um obstáculo à vida evolutiva; por conseguinte, ela é a causadora da dissolução a da desintegração que conduz à morte. O Pai é o Dador de vida; mas a Mãe é a Dadora da morte, porque seu útero é a porta de ingresso para a matéria, a por intermédio dela a vida é animada na forma, a nenhuma forma pode ser infinita ou eterna. A morte está implícita no nascimento.

7. É por entre esses dois aspectos polarizados dá manifestação – o Pai Supremo e a Mãe Suprema – que se tece a rede da vida; as almas vão a vêm entre eles, como a lançadeira de um tecelão. Em nossas vidas individuais, em nossos ritmos fisiológicos, na história da ascensão a queda das nações, observamos a mesma periodicidade rítmica.

8. Nesse primeiro par de Sephiroth, temos a chave para o sexo – o par de opostos biológicos, a masculinidade e a feminilidade. Mas a paridade de opostos não ocorre apenas no tipo; ela ocorre também no tempo, a temos épocas alternadas em nossas vidas, em nossos processos fisiológicos, a na história das nações, durante as quais atividade a passividade, construção a destruição prevalecem altemadamente; o conhecimento da periodicidade desses ciclos integra a antiga sabedoria secreta dos iniciados e é operado astrológica e cabalisticamente.

9. A imagem mágica de Hochma a os símbolos atribuídos a ela confirma essa idéia. A imagem mágica é a de um homem barbado – barbado para indicar maturidade; o pai que provou sua masculinidade, não o homem virgem inexperiente. A linguagem simbólica fala claramente, e o lingam dos hindus e o falo dos gregos são o órgão gerador masculino em seus respectivos idiomas. O pedestal, a torre e o cetro levantado simbolizam o membro viril em sua potência maior.

10. Não devemos pensar, contudo, que Hochma é apenas um símbolo fálico ou sexual. Ela é, antes de mais nada, um símbolo dinâmico ou positivo, pois a masculinidade é uma forma de força dinâmica, assim com a feminilidade é uma forma de força estática, latente ou potencial, inerte até que se lhe comunique o estímulo. O todo é maior do que a parte, a Hochma e Binah são o todo de que o sexo é uma parte. Compreendendo a relação existente entre o sexo e a força polarizante como um todo, descobrimos a chave para a correta compreensão desse aspecto da natureza, a podemos avaliar, no contexto do padrão cósmico, os ensinamentos da psicologia a da moralidade a respeito da sexualidade. Podemos observar também, com os freudianos, os inúmeros símbolos de que se vale a mente subconsciente do homem para representar o sexo, compreendendo, ademais, conforme assinalam os moralistas, o processo de sublimação do instinto sexual. A manifestação é sexual porque ocorre sempre em termos de polaridade; e o sexo é cósmico a espiritual porque suas raízes mergulham nas Três Supremas. Devemos aprender a não dissociar a flor aérea da raiz terrestre, pois a flor que é separada de sua raiz fenece, a suas sementes ficam estéreis, ao passo que a raiz, protegida pela terra-mãe, pode produzir flor após flor a levar o seu fruto à maturidade. A natureza é maior do que a moralidade convencional, que, no mais das vezes, não passa de tabu a totemismo. Felizes sáo os povos cuja moralidade incorpora as leis da natureza, pois suas vidas serão harmoniosas a eles crescerão e, multiplicados, dominarão a Terra. Desgraçados são os povos cuja moralidade é um sistema selvagem de tabus, concebido para incensar uma divindade imaginária como Moloch, pois eles serão estéreis a pecadores; a desgraçados também são os povos cuja moralidade ultraja a santidade dos processos naturais a que, ao arrancarem a flor, não prestam atenção ao fruto, pois seu corpo será doente e o seu Estado, corrupto.

11. Em Hochma , portanto, devemos ver tanto a Palavra criadora que disse “Faça-se a luz” como o lingam de Siva e o falo adorado pelas bacantes. Devemos aprender a reconhecer a força dinâmica, e a reverenciá-la, onde quer que a vejamos, pois seu nome divino é Jehovah Tetragrammaton. Vemo-la na cauda aberta do pavão a na iridescéncia do pescoço do pombo; igualmente, podemos ouvi-la no chamado do gato no cio, e a senti-la no cheiro do bode. Também a encontramos nas aventuras colonizantes das épocas mais viris da história inglesa, especialmente as de Elizabeth a Vitória ambas mulheres! Vemo-la novamente no homem diligente que se esforça em sua profissão para manter o lar. Esses aspectos pertencem todos a Hochma , cujo título adicional é Abba – Pai. Em todas essas manifestações, devemos ver o pai, o progenitor, que dá vida ao não-nascido, assim como o macho que deseja a sua companheira; teremos, assim, uma perspectiva mais autêntica dos assuntos relativos ao sexo. A atitude vitoriana, em sua reação contra a grosseria da Restauração, atingiu praticamente o padrão de tribos muito primitivas, as quais, como nos contam os viajantes, não associam a união dos sexos com o nascimento da prole.

12. Está dito que a cor de Hochma é o cinza; em seus aspectos superiores, cinza-pérola iridescente. Essa cor simboliza o velamento da pura luz branca de Kether, que desce, em sua rota de manifestação, até Binah, cuja cor é o preto.

13.O Chakra Cósmico, ou manifestação física direta de Hochma , é o Zodíaco, que em hebraico se chama Mazloth. Vemos assim que os antigos rabinos compreendiam corretamente o processo da evolução de nosso sistema solar.

14.O Texto Yetzirático atribuído a Hochma é, como de costume, extremamente obscuro em sua formulação; não obstante, podemos extrair dele algumas pistas esclarecedoras. O Segundo Caminho, como se denomina Hochma , chama-se Inteligência Iluminadora. Já nos referimos à Palavra criadora que diz “Faça-se a luz”. Entre os símbolos atribuídos a Hochma no 777 (sistema Malher-Crowley), encontramos o do Manto Intemo da Glória, que é um termo gnóstico. Essas duas idéias, tomádas em conjunto, suscitam a idéia da vida animadora – o espírito iluminador. É a força masculina que, em todos os planos, deposita a centelha fecundante no óvulo passivo e transforma a latência inerte deste no desenvolvimento ativo do crescimento a da evolução. É a força dinámica da vida, que é espírito, que anima a argila da forma física a constitui o Manto Interno da Glória.

15. O Texto Yetzirático confere também a Hochma o título de Coroa da Criação, implicando assim que essa Sephirah, como Kether, é antes extema ao universo manifesto do que imanente a ele. É a força viril de Hochma que dá impulso à manifestação e, por conseguinte, é anterior à própria manifestação. A Voz do Logos clamou “Faça-se a luz” muito antes que as águas e o firmamento fossem separados. Essa idéia se destaca ainda mais na frase do Texto Yetzirático que fala de Hochma como o Esplendor da Unidade, que o iguala, indicando assim claramente a sua afinidade antes com Kether, Unidade, do que com os planos da forma dualística. A palavra esplendor, tal como é aqui empregada, indica claramente uma emanação ou irradiação, a nos ensina a pensar em Hochma mais como a influência emanante do ser puro do que como uma coisa em si. Isso nos leva a uma compreensão mais verdadeira do sexo. Fique bem claro, contudo, que a esfera de Hochma nada tem a ver com os cultos da fertilidade como tais, salvo pelo fato de que é a masculinidade, a força dinámica, que promove a vida primordial a evoca a manifestação. Embora as manifestações superiores e inferiores da força dinãmica sejam da mesma esséncia, elas são de níveis diferentes; Priapo não é idintico a Jehovah. Não obstante, a raiz de Priapo se encontra em Jehovah, e a manifestação de Deus Pai encontra-se em Priapo, como o indica o fato de que os rabinos chamam Hochma de Yod do Tetragrammaton, e o Yod, em sua fraseologia, é idêntico ao fngam.

16. É curioso que a Sepher Yetzirah afirme, a respeito das duas Sephiroth, que elas são exaltadas sobre todas as cabeças – o que é uma contradição; no entanto, como essa afirmação diz respeito a Hochma a Malkuth, poderemos compreender-lhe o significado se meditarmos sobre seu sentido. Hochma é o Pai Supremo, Malkuth é a Mãe Inferior, e o mesmo texto que declara sua exaltação sobre todas as cabeças afirma que ela se senta no trono de Binah, a Mãe Superior, a contraparte negativa de Hochma . Ora, Hochma é a forma mais abstrata da força, a Malkuth é a forma mais densa da matéria, de modo que temos nessa afirmação uma pista de que cada um dos membros desse par de opostos extremos é a manifestação suprema de seu próprio tipo, sendo ambos igualmente sagrados em seus diferentes caminhos.

17. Devemos fazer uma distinçâo entre o rito da fertilidade, o rito da vitalidade e o rito da iluminação ou inspiração, que invoca as línguas de fogo de Pentecostes. O culto da fertilidade visa à reprodução clara a simples, seja dos rebanhos, dos campos ou das esposas; pertence a Yesod, a nada tem a ver com o culto da vitalidade, que pertence a Netzach, a esfera de VênusAfrodite, a que diz respeito a certo ensinamento esotérico muito importante, relativo ao tema das influências vitalizantes a magnéticas que os sexos exercem um sobre o outro a que é distinto do ato sexual, do qual trataremog quando estudarmos Netzach, a esfera de Vênus.

18.O rito de Hochma , se assim podemos chamá-lo, diz respeito ao influxo da energia cósmica. É informe, por ser o impulso puro da criação dinâmica; e, sendo informe, a criação a que dá lugar pode assumir toda e qualquer forma; daí a possibilidade de sublimar a força criativa, desviando-a de seu aspecto puramente priápico.

19. Até onde sei, não existe uma cerimônia mágica formal de qualquer das Trés Supremas. Só podemos entrar em contato com elas participando de sua natureza essencial. Kether, ser puro, é atingido quando alcançamos a compreensão da natureza da existência sem partes, atributos ou dimensões. Essa experiência é apropriadamente chamada de Transe da Aniquilação, a aqueles que a experimentaram caminham com Deus a não mais retomam, pois Deus os arrebata; por conseguinte, a experiência espiritual atribuída a Kether é a União Divina, a aqueles que a experimentam penetram na luz a nela permanecem.

20. Para nos colocarmos em contato com Hochma , temos de experimentar a precipitação da energia cósmica dinâmica em sua forma pura; uma energia tão imensa que o homem mortal nela se funde a se desagrega. Conta-se que, quando Semele, mãe de Dionísio, viu Deus – seu amante divino sob a forma de Zeus -, foi ela crestada a queimada, dando à luz prematuramente o seu filho. A experiência espiritual atribuída a Hochma é a Visão de Deus face a face; a Deus (Jehovah) disse a Moisés: “Não podes contemplar minha face a sobreviver.”

21. Mas, embora a visâo do Pai Divino queime os mortais com Fogo, o Filho Divino pode ser evocado familiarmente por meio dos ritos apropriados – as Bacanálias, no caso do Filho de Zeus, e a Eucaristia, no caso do Filho de Jehovah. Vemos, assim, que existe uma forma inferior de manifestação, que “nos mostra o Pai”, mas esse rito deve sua validade apenas ao fato de que deriva sua Inteligência fuminadora, seu Manto Interno de Glória, do Pai, Hochma .

22. O grau de iniciação correspondente a Hochma é o do Mago, a as armas mágicas atribuídas a esse grau são o falo e o Manto Interno da Glória. Esses símbolos têm um significado microcósmico ou psicológico, assim como um significado macrocósmico ou místico. O Manto Interno da Glória significa seguramente a Luz Interna que ilumina todos os homens que vêm ao mundo – a visão espiritual por meio da qual o místico disceme as coisas espirituais, a forma subjetiva da Inteligência Iluminadora a que se refere o Texto Yetzirático.

23. O falo ou lingam é uma das armas mágicas do iniciado que opera o grau de Hochma . O conhecimento do significado espiritual do sexo a do significado cósmico da polaridade diz respeito a esse grau. Aquele que é capaz de compreender o aspecto mais profundo das coisas místicas a mágicas não pode deixar de perceber o fato de que, na compreensáo desse poder tremendo a misterioso (que chamamos sexo em uma de suas manifestações), reside a chave de muitas coisas. Não é por acaso que as imagens sexuais invadem as visões do vidente, desde o Untico dos Cânticos até O Castelo Interior.

24. Não se deve deduzir do que antecede que advogo ritos orgiásticos como Caminho de Iniciação; mas posso dizer claramente que sem a correta compreensão do aspecto esotérico do sexo o Caminho é um beco sem saída. Freud falou a verdade à sua geração quando apontou o sexo como a chave da psicopatologia; mas ele errou, em minha opinião, quando o transformou na única chave da multiforme alma humana. Assim como não pode haver saúde da subconsciência sem harmonia da vida sexual, não pode haver operação positiva ou dinâmica no plano da superconsciência sem a correspondente compreensão a observação das leis da polaridade. Para muitos místicos que buscam refúgio da matéria no espírito, essas palavras poderáo parecer duras, mas a experiência provará que elas traduzem a verdade; por conseguinte, é preciso dizê-las, embora isso não suscite muitos agradecimentos.

25. O tremendo fluxo descendente da força Hochma evocada por meio do Nome Divino de Quatro Letras vai do Yod macrocósmico ao Yod microcósmico, sendo, então, sublimado. Se a mente subconsciente não estiver livre de dissociações a repressôes, a todas as partes da multiforme natureza humana não estiverem coordenadas a sincronizadas, as reações e os sintomas patológicos serão o resultado desse fluxo descendente. Isso não significa que o invocador de Zeus é necessariamente um adorador de Priapo, mas significa, isto sim, que nenhum homem pode sublimar uma dissociação. Quando o canal está livre de obstruções, a força descendente pode voltear o nadir a transformar-se numa força ascendente, a qual pode ser dirigida para qualquer esfera ou transformar-se no canal que desejarmos; mas, queiramos ou não, essa força assumirá necessariamente a direção descendente antes de tomar-se ascendente e, a menos que os nossos pés estejam firmemente plantados na terra elemental, rebentaremos como velhos odres de vinho.

26. Os ocultistas práticos sabem que Freud falou a verdade, embora não toda a verdade, mas não ousam afirmá-lo, por medo de serem acusados de adoração do falo a de práticas orgiásticas. Essas coisas têm seu lugar, embora não no Templo do Espírito Santo, a negar-lhe o seu lugar é uma loucura pela qual a era vitoriana pagou bem caro com uma rica colheita de psicopatologia.

27. Quando operamos dinamicamente em qualquer plano, nós o fazemos no Pilar Direito da Árvore, derivando nossa energia primária da força Yod de Hochma . A esse respeito, devemos nos referir ao fato de que a correspondência microcósmica de Hochma se estabelece com o lado direito da face. As correspondências macrocósmicas a microcósmicas exercem um papel importante nos trabalhos práticos. O Macrocosmo, ou Grande Homem, é, naturalmente, o próprio universo; e o microcosmo é o homem individual. O homem é o único ser cuja natureza, quádrupla, corresponde exatamente aos níveis do cosmo. Os anjos carecem dos planos inferiores, a os animais carecem dos planos superiores.

28. As referências ao microcosmo não devem ser tomadas literalmente em relação às panes do corpo físico; as correspondências referem-se à aura a às funçôes das correntes magnéticas na aura, a devemos ter sempre em mente, como afirma Swami Vivelcananda, que o que está à direita no macho está à esquerda na fêmea. Além disso, deve-se lembrar que o que é positivo no plano físico é negativo no plano astral; é positivo novamente no piano mental a negativo no plano espiritual, como o indicam as serpentes gêmeas branca a preta do caduceu de Mercúrio. Se colocarmos esse caduceu sobre a Árvore quando pretendermos com ela representar os Quatro Mundos dos cabalistas, formaremos um hieróglifo que revela as operaçôes da lei da polaridade em relação aos pianos. Esse é um hieróglifo muito importante, que fornece aspectos interessantíssimos à meditação.

29. Decorre entáo que, estando a alma numa encarnação feminina, funcionará ela negativamente em Assiah a Briah, mas positivamente em Yetzirah a Atziluth. Em outras palavras, uma mulher é física a mentalmente negativa, mas psíquica a espiritualmente positiva, sucedendo o contrário no homem. Nos iniciados, contudo, há um considerável grau de compensação, pois cada um aprende a técnica tanto dos métodos psiquicos positivos quanto negativos. A Centelha Divina, que é o núcleo de toda alma viva, é, naturalmente, bissexual, contendo as raízes de ambos os aspectos, como ocorre com Kether, à qual corresponde. Nas almas altamente desenvolvidas, o aspecto compensador está desenvolvido pelo menos até certo ponto. A mulher puramente feminina e o homem puramente mascuiino estão hipersexualizados, a julgar pelos padrôes civilizados, a só podem encontrar um lugar apropriado nas sociedades primitivas, onde a fertilidade é a primeira exigência que a sociedade faz às mulheres, e a caça e a guerra são a ocupação constante dos homens.

30. Isso não significa, contudo, que as funções físicas dos sexos estão pervertidas no iniciado, ou que a configuração de seu corpo apresente qualquer modificação. A ciência esotérica ensina que a forma física e o tipo racial que a alma assume em cada encarnação são determinados pelo destino, ou Carma, a que a vida deve ser vivida de acordo com isso. É muito arriscado para nós introduzir mudanças em nosso tipo, racial ou físico, a deveríamos sempre aceitá-to como a base de nossas operaçôes, a escolher nossos métodos de acordo com ele. Há certas operações a certas atividades numa loja para as quais o veículo masculino é mais apropriado do que o feminino e, quando é preciso realizar trabalhos práticos numa cerimônia, os oficiantes são selecionados por seu tipo; mas, quando se trata de realizar os rituais referentes ao treinamento de um iniciado, é costume deixar que cada um se ocupe dos diferentes ofícios para que possam aprender a manipular os diferentes tipos de força e, assim, alcançar o equilibrio.

31. Benjamin Kidd, em seu estimulante livro, Lhe Science of Power, assinala que o tipo superior do ser humano se aproxima ao da criança. Observamos que o tamanho de sua cabeça é relativamente grande em comparação com o peso do corpo, a que as características sexuais secundárias não estão presentes. Encontramos a mesma tendência, de uma forma modificada, no adulto civilizado. O tipo superior de homem não é um gorila hirsuto, nem é o tipo superior de mulher um mamífero exagerado. A tendência da evolução na civilização é para uma aproximação do tipo entre os sexos no que diz respeito às características sexuais secundárias. Que porcentagem de varões civilizados poderia deixar erescer uma barba realmente patriarcal? O caráter sexual primário, contudo, precisa manter-se integralmente ou a raça perecerá rapidamente; a não temos razão alguma para acreditar que esse seja o caso, mesmo entre nossos mais modernos epicenos, que enchem as cortes de divórcio com abundantes evidências de sua transbordante filoprogenitividade.

32. Podemos entender melhor essas coisas se as “colocarmos sob a Ârvore”. Os dois Pilares, o positivo sob Hochma e o negativo sob Binah, correspondem, respectìvamente, ao Ida a ao Pingala dos sistemas da ioga. Essas duas correntes magnéticas, que correm na aura paralelamente à espinha, chamam-se correntes do Sol a da Lua. Numa encarnação masculina, trabalhamos predominantemente com a corrente do Sol, a fertilizadora; numa encarnação feminina, trabalhamos predominantemente com as forças da Lua. Se desejamos operar com o tipo de força oposto àquele com que somos naturalmente dotados, temos de fazê-to utilizando nosso modo natural como base de operação e, por assim dizer, fazê-to “por tabela”. O homem que deseja utiiizar as forças da Lua emprega algum artifício que lhe possibilite obter, por reflexo, a força lunar; e a mulher que deseja utilizar as forças solares emprega um artifício pelo qual é capaz de focalizá-las em si mesma a refleti-las. No plano físico, os sexos se unem, e o homem gera um filho na mulher, aproveitando-se dos poderes liuiares de que esta dispõe. A mulher, por outro lado, desejando a criação a sendo incapaz de realizá-la por si própria, seduz o homem por meio de seus desejos, até que este lhe derrame sua força solar, fecundando-a.

33. Nas operações mágicas, o homem e a mulher que deseja operar com a força oposta à de seu veículo físico (e essa operação é parte integrante da rotina do treinamento oculto) eleva o nível de consciência para o piano no qual se acha a polaridade necessária a passa a operar desse plano. O sacerdote de Osíris emprega às vezes os espíritos elementais para suplementar sua polaridade, e a sacerdotisa de Ísis invoca as influências angélicas.

34. Como toda manifestação se produz por meio dos pares de opostos, o princípio da polaridade está implícito não apenas no macrocosmo, mas também no microcosmo. Compreendendo tal princípio a sabendo aproveitar as possibilidades por ele concedidas, seremos capazes de elevar nossos poderes naturais a um nível muito acima do normal; poderemos utilizar o meio ambiente como uma rampa de empuxo, descobrindo a poderosa força de Hochma nos livros, em nossa tradiçáo racial, em nossa religião, em nossos amigos a colegas; poderemos receber de todos eles o estímulo que nos fecunda a nos toma mental, emocional a dinamicamente criativos. Fazemos o nosso meio ambiente exercer o papel de Hochma para nosso Binah. Da mesma maneira, podemos exercer o papel de Hochma para o Binah do meio ambiente. Nos planos sutis, a polaridade não é fixa, mas relativa; o que é mais poderoso do que nós é positivo para nós, tomando-nos comparativamente negativo; o que é menos poderoso do que somos em qualquer aspecto é negativo para nós, a podemos assumir comparativamente o papel positivo. Essa polaridade fluídica, sutil a flutuante constitui um dos aspectos mais importantes dos trabalhos práticos; se a compreendermos a formos capazes de aproveitá-la, poderemos fazer coisas notáveis, estabelecendo nossas vidas a nossas relações com nosso meio ambiente em bases completamente diferentes.

35. Devemos aprender a discernir quando podemos funcionar como Hochma a produzir feitos no mundo; a quando podemos atuar melhor como Binah, a fazer o nosso meio ambiente fertilizar-nos, de modo a nos tomarmos produtivos. Jamais devemos esquecer que a autofertilização envolve a esterilidade em poucas gerações, a que precisamos sempre ser fertilizados pelo meio no qual estamos trabalhando. É preciso haver um intercâmbio de polaridade entre nós a tudo o que nos propomos a fazer, a devemos estar sempre alerta para descobrir as influências polarizantes, seja na tradição, ou nos livros, seja nos colegas que operam no mesmo campo, ou mesmo na própria oposição a antagonismo dos inimigos; pois há tanta força polarizante num ódio sincero quanto no amor, quando sabemos utilizá-la. Precisamos ter estímulos se desejamos criar alguma coisa, mesmo que esta se resuma a viver uma vida útil. Hochma é o estímulo cósmico. Tudo que estimula é atribuído a Hochma , na classificação da Árvore. Os sedativos são atribuídos a Binah. Compreenderemos melhor esse princípio de polaridade cósmica quando estudarmos Binah, a Terceira Sephirah, pois é muito difícil compreender as implicações de Hochma sem as relacionar ao seu oposto polarizante, com o qual ela sempre funciona. Por conseguinte, não prosseguiremos nosso estudo da polaridade no presente capítulo, concluindo nosso exame de Hochma com o estudo das cartas que lhe são atribuídas no Tarô. Retomaremos nossa investigação sobre esse tema tão significativo quando Binah nos proporcionar mais dados.

36. Como observamos no capítulo sobre Kether, os quatro naipes do baralho do Tarô são atribuídos aos quatro elementos, a vimos que os quatro ases representavam as raízes dos poderes desses elementos. Os quatro dois são atribuídos a Hochma , a representam o funcionamento polarizado desses elementos em equilíbrio harmônico; por conseguinte, um dois é sempre uma carta de harmonia.

37.O Dois de Paus, que é atribuído ao elemento Fogo, chama-se Senhor do Domínio. O pau é essencialmente um símbolo fálico masculino, e é atribuído a Hochma ah, de modo que podemos interpretar essa carta como referência à polarização – o positivo que encontrou seu parceiro no negativo a está em equilíbrio. Não há antagonismo ou resistência ao Senhor do Domínio, a um reino contente aceita o seu governo; Binah, satisfeita, aceita seu parceiro.

38.O Dois de Copas (Agua) chama se Senhor do Amor; temos aqui, novamente, o conceito da polarização harmoniosa.

39. O Dois de Espadas (Ar) chama-se Senhor da Paz Restaurada, indicando que a força destrutiva das espadas está em equilíbrio temporário.

40.O Dois de Ouros (Terra) chama-se Senhor da Mudança Harmoniosa. Aqui, como nas Espadas, vemos a natureza essencial da força elemental modificada por seu oposto polarizante, indicando, assim, o equilíbrio. A força destrutiva de Espadas retoma à paz, e a inércia e a resistência da Terra tomam-se, quando polarizadas pela influência de Hochma , um ritmo equilibrado.

41. Essas quatro cartas indicam a força Hochma na polaridade, isto é, o equilíbrio essencial do poder, tal como este se manifesta nos Quatro Mundos dos cabalistas. Quando surgem na adivinhação, elas indicam poder em equilíbrio. Não traduzem, porém, uma força dinâmica, como se poderia esperar em relação a Hochma , pois Hochma , sendo uma das Sephiroth Supremas, apresenta força positiva nos planos sutis e, conseqüentemente, nos planos da forma. O aspecto negativo de uma força dinâmica é representado pelo equilíbrio – polaridade. O aspecto negativo de um poder negativo é representado pela destruição, como podemos observar no hieróglifo de Kali, a terrível consorte de Siva, cingida de crânios a dançando sobre o corpo de seu esposo.

42. Esse conceito dá-nos uma chave para outro dos muitos problemas da Árvore – a polaridade relativa das Sephiroth. Como já se observou anteriormente, cada Sephirah é negativa em sua relação com a Sephirah que lhe é superior a da qual recebe o influxo das emanações, a positiva em relação àquela que lhe é inferior, que procede dela, a em relação à qual representa o papel de emanadora. Alguns dos pares de Sephiroth têm, contudo, uma natureza mais definitivamente positiva ou mais definitivamente negativa. Por exemplo, Cholanah é Positiva positiva a Binah é Negativa positiva. Chesed é Positiva negativa, a Binah Negativa negativa. Netzach (Vênus) a Hod (Mercúrio) são hermafroditas. Yesod (Lua) é Negativa positiva a Malkuth (Terra) é Negativa negativa. Nem Kether nem Tiphareth são predominantemente masculinas ou femininas. Em Kether, os pares de opostos estão em estado de Iatência a ainda não se manifestaram; em Tiphareth, eles estão em perfeito equilíbrio.

43. Há dois meios pelos quais a transmutação pode ser efetuada na Árvore; a esses são indicados por dois dos hieróglifos que se superpôem sobre os Sephiroth; um deles é o feróglifo dos Trés Pilares, e o outro é o Hieróglifo do Relâmpago Brilhante. Os Pilares já foram descritos; o Relâmpago Brilhante indica simplesmente a ordem de emanação das Sephiroth, que ziguezagueia de Hochma a Binah a de Binah a Chesed, para a frente a para trás, através da Árvore. Se a transmutação ocorre de acordo com o Relâmpago Brilhante, a força altera seu tipo; se ocorre de acordo com os Pilares, ela permanece do mesmo tipo, mas num arco superior ou inferior, de acordo com o caso.

44. Esse ponto pode parecer muito complexo~ a abstrato, mas os exemplos servirão para demonstrar-lhe a simplicidade e a praticidade, quando o compreendemos bem. Tomemos o problema da sublimação da força sexual, que tanto preocupa os psicoterapeutas, e a respeito do qual, embora falando muito, eles dizem tão pouco. Em Malkuth, que no microcosmo é o corpo físico, a força do sexo se expressa em termos de óvulo a espermatozóide; em Yesod, que é o duplo etéreo, ela se expressa em termos de força magnética, a respeito da qual nada sabe a psicologia ortodoxa, mas sobre a qual temos muito a dizer sob o cabeçalho da Sephirah correspondente. Hod e Netzach estão no plano astral; em Hod a força do sexo se expressa em imagens visuais e, em Netzach, num tipo diverso de magnetismo, mais sutil, popularmente referido como “aquele algo”. Em Tiphareth, o Centro Cristológico, a força torna-se inspiração espiritual, iluminação, influxo oriundo da consciência superior. Se é de tipo positivo, ela se toma inspiração dionísica, inebriação divina; se é negativa, toma-se o amor cristão impessoal a harmonizador.

45. Quando a transmutação é óperada nos Pilares, ficamos impressionados com a verdade da irônica frase francesa Plus ça change, plus c’est la Wme chose. Hochma , dinamismo puro, estímulo puro sem expressão formada, toma-se, em Chesed, o aspecto edificador a organizador da evolução; anabolismo, em oposição ao catabolismo de Geburah. Em Chesed, a força Hochma toma-se essa forma peculiarmente sutil de magnetismo que concede o poder de liderança e é a raiz da grandeza. Assim também, no Pilar Esquerdo, a força restritiva de Binah toma-se a força destrutiva de Geburah, e novamente a produtora de imagens mágicas, Mercúrio-Hermes-Thoth.

46. De tempos em tempos, os símbolos da ciência oculta transpiraram para o conhecimento popular, mas o não-iniciado não compreendeu o método de dispor esses símbolos num padrão como o da Árvore, nem soube aplicar-lhe os princípios alquímicos da transmutação a destilação, que é onde residem os segredos reais de sua utilização.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hochma

17 Milhões de Conspiradores!

hermetismo

Acabamos de chegar à marca de 17 milhões de Pageviews neste blog (e, de quebra, virei pop-star no Astrotheme, com direito até a página em francês)… Nada mal para um blog de hermetismo e espiritualismo no país do Templo de Salomão… Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 2.653 posts publicados e 46.981 comentários. Temos 4.639 followers no twitter , 18.038 subscribers no Facebook.

Temos Grupos de debates para Todos os Estados no Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática e estamos quase chegando a 1.500 followers.

Nosso Projeto de Hospitalaria está funcionando perfeitamente e passamos de 4.000 mapas astrais e 3.000 sigilos (aproximadamente 11.000 cestas básicas ou equivalente distribuidas).

O Projeto Mayhem está com 3.983 membros. A Wikipedia de Ocultismo conta atualmente com 5.219 verbetes e 2.082 imagens.

O Arcanum Arcanorum conta com 6.586 membros que passaram por seus atrios e 162 que chegaram ao grau de Probacionista, além de uma Loja Maçônica (ARLS Arcanum Arcanorum, 4269 – GOB), o projeto SOL, que já realizou 45 palestras públicas e três Terreiros irmãos, o que nos coloca como uma das egrégoras mais fortes dentro das Ordens Iniciáticas aqui no Brasil.

Ao longo destes seis anos (incluindo o TdC S&H que completou 7 anos em 7/Agosto/14), perdi a conta de quantas pessoas conseguimos iniciar nos estudos da Kabbalah, Astrologia, Tarot, Runas e Magia Prática, sem contar os leitores que se filiaram à FRA, AMORC, Lectorium, OKRC, CALEN, AA, SCA, CIH, Demolay, Eubiose, Circulo Egregore, Casa do filósofo, Pró-Vida, Sirius-Gaia, Gnose, Martinismo ou Maçonaria graças ao blog.

O Raph Arrais editou o Grande Computador Celeste que contém os 70 primeiros textos do TdC, distribuido em pdf gratuito ou versão impressa, e o PH gravou comigo um Curso Básico gratuito de Exercícios Herméticos. Não tem desculpa para não começar a estudar e praticar!

Fazemos anualmente uma das maiores correntes de meditação no Sefirat Ha Omer aqui no Brasil, três Encontros do Blog, ajudamos em três Simpósios Brasileiros de Hermetismo (o IV Simpósio a caminho agora em Novembro) e temos conseguido organizar cursos presenciais pelo menos uma vez por mês. No início de 2015 começamos o primeiro Curso de Kabbalah em Ensino à Distância, logo em seguida, com o resultado do primeiro curso, gravamos o curso de Astrologia Hermética, Geomancia e Tarot – Arcanos Maiores, levando os estudos de Hermetismo a quem mora longe dos grandes centros urbanos.

E, como se não bastasse, publicamos o Tarot da Kabbalah Hermetica, feito em parceria por mim e pelo talentoso artista Rodrigo Grola, a nova impressão da Enciclopédia de Mitologia e agora os Posteres do Lamen e da Árvore da Vida.

E para fechar com chave de ouro, emplacamos um cardgame de protesto Pequenas Igrejas, Grandes Negócios! que foi notícia até na Playboy, Folha e Gizmodo e três Livros de Hermetismo para crianças, As Aventuras de Lilith, “As Aventuras de Isis” e “As Aventuras de Hércules” (que saem agora em Agosto, mas foram financiados com sucesso no catarse este mês).

Sucesso é a Única Possibilidade!

#Blogosfera

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O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda: agora em e-book na Amazon

As Edições Textos para Reflexão publicam o livro mais conhecido do primeiro escritor a tratar da Umbanda em detalhes: Leal de Souza.

O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, publicado originalmente em 1933, no Rio de Janeiro, continua sendo uma surpreendente fonte de informação acerca dos primórdios da primeira religião genuinamente brasileira (a despeito de alguns termos da língua portuguesa que caíram em desuso, e foram substituídos por sinônimos mais atuais em nossa edição).

Um ebook já disponível para Amazon Kindle e Kobo (estaremos tentando publicar também na versão impressa pela Amazon):

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Abaixo, segue uma amostra com o capítulo XVIII da obra:

XVIII. As Sete Linhas Brancas

A Linha Branca de Umbanda e Demanda compreende sete linhas:

A primeira, de Oxalá.
A segunda, de Ogum.
A terceira, de Oxóssi.
A quarta, de Xangô.
A quinta, de Iansã.
A sexta, de Iemanjá.
A sétima é a linha de santo, também chamada de Linha das Almas.

Essas designações significam, na Língua de Umbanda:

A primeira, Jesus, em sua invocação de Nosso Senhor do Bonfim.
A segunda, São Jorge.
A terceira, São Sebastião.
A quarta, São Jerônimo.
A quinta, Santa Bárbara.
A sexta, a Virgem Maria, em sua invocação de Nossa Senhora da Conceição.
A linha de santo é transversal, e mantém a sua unidade através das outras.

Cada linha tem o seu ponto emblemático e a sua cor simbólica:

A de Oxalá, a cor branca.
A de Ogum, a cor encarnada [ou avermelhada].
A de Oxóssi, a cor verde.
A de Xangô, a cor roxa.
A de Iansã, a cor amarela.
A de Iemanjá, a cor azul.

Oxalá é a linha dos trabalhadores humildes; tem a devoção dos espíritos de pretos de todas as regiões, qualquer que seja a linha de sua atividade; e é nas suas falanges, com Cosme e Damião, que em geral aparecem as entidades que se apresentam como crianças.

A linha de Ogum, que se caracteriza pela energia fluídica de seus componentes (caboclos e pretos da África, em sua maioria), contém em seus quadros as falanges guerreiras de Demanda.

A linha de Oxóssi, também de notável potência fluídica, com entidades frequentemente dotadas de brilhante saber, é, por excelência, a dos indígenas brasileiros.

A linha de Xangô pratica a caridade sob um critério de implacável justiça: quem não merece, não tem; quem faz, paga.

A linha de Iansã consta de desencarnados que na existência terrena eram devotados de Santa Bárbara.

A linha de Iemanjá é constituída dos trabalhadores do mar, espíritos das tribos litorâneas, de marujos, de pessoas que perecem afogadas no oceano.

A Linha de Santo é forma de pais de mesa, isto é, de médium de “cabeça cruzada”, assim chamados porque se submeteram a uma cerimônia pela qual assumiram o compromisso vitalício de emprestar o seu corpo, sempre que seja preciso, para o trabalho de um determinado espírito, e contraíram “obrigações” equivalentes a deveres rigorosos e realmente invioláveis, pois acarretam, quando esquecidos, penalidades duras e inevitáveis.

Os trabalhadores espirituais da Linha de Santo, caboclos ou negros, são egressos da Linha Negra, e tem duas missões essenciais na Linha Branca – preparam, em geral, os despachos propícios ao Povo da Encruzilhada, e procuram alcançar amigavelmente, de seus antigos companheiros [da Linha Negra], a suspensão de hostilidades contra os filhos e protegidos da Linha Branca. Por isso, nos trabalhos em que aparecem elementos da Linha de Santos disseminados pelas outras seis [linhas], estes ostentam, com as demais cores simbólicas, a preta, de Exu.

Na falange geral de cada linha figuram falanges especiais, como na de Oxóssi, a de Urubatan, e na de Ogum, a de Tranca-Rua, que são comparáveis as brigadas dentro das divisões de um exército.

Todas as falanges têm características próprias para que se reconheçam os seus trabalhadores quando incorporados. Não se confunde um caboclo da falange de Urubatan com outro de Araribóia, ou de qualquer outra legião.

As falanges dos nossos indígenas, com os seus agregados, formam o “povo das matas”; a dos marujos e espíritos da linha de Iemanjá, o “povo do mar”; os pretos africanos, o “povo da costa”; os baianos e demais negros do Brasil, o “povo da Bahia”.

As diversas falanges e linhas agem em harmonia, combinando os seus recursos para a eficácia da ação coletiva. Exemplo:

Muitas vezes, uma questãozinha mínima produz uma grande desgraça…

Uma mulatinha que era médium da magia negra, empregando-se em casa de gente opulenta, foi repreendida com severidade por ter reincidido na falta de abandonar o serviço para ir a esquina conversar com o namorado. Queixou-se ao dirigente do seu antro de magia, exagerando, sem dúvida, os agravos, ou supostos agravos recebidos, e arranjou contra os seus patrões um “despacho” de efeitos sinistros.

Em poucos meses, marido e mulher estavam desentendidos, um, com os negócios em descalabro, a outra, atacada de moléstia asquerosa da pele, que ninguém definia, nem curava. Vencido pelo sofrimento e sem esperança, o casal, aconselhado pela experiência de um amigo, foi a um centro da Linha Branca de Umbanda, onde, como sempre acontece, o guia, em meia hora, esclareceu-o sobre a origem de seus males, dizendo quem e onde fez o “despacho”, o que e por que mandou fazê-lo.

E, por causa desse rápido namoro de esquina, uma família gemeu na miséria, e a Linha Branca de Umbanda fez, no espaço, um de seus maiores esforços.

Ofertou-se as entidades causadoras de tantos danos um “despacho” igual ao que as lançou ao malefício; e, como o presente não surtiu resultado, por não ter sido aceito, os trabalhadores espirituais da Linha de Santo agiram, junto aos seus antigos companheiros de Encruzilhada, para alcançar o abandono pacífico dos perseguidos, mas foram informados que não se perdoava a ofensa à médiuns da Linha Negra.

Elementos da falange de Oxóssi teceram as redes de captura, e os secundaram, com o ímpeto costumeiro, a falange guerreira de Ogum; mas a resistência adversa, oposta por blocos fortíssimos de espíritos adestrados nas lutas fluídicas, obrigou a Linha Branca a tomar recursos extremos, trabalhando fora da cidade à margem de um rio.

Com a pólvora sacudiu-se o ar, produzindo-se formidáveis deslocamentos de fluidos; apelou-se, depois, para os meios magnéticos; e, por fim, as descargas elétricas fagulharam na limpidez puríssima da tarde.

Os trabalhadores de Iemanjá, com a água volatizada do oceano, auxiliados pelos de Iansã, lavaram os resíduos dos malefícios desfeitos e, enquanto os servos de Xangô encaminhavam os rebeldes submetidos, o casal se restaurava na saúde e na fortuna.

#Espiritismo #Kindle #Magia #Umbanda

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De médicos e loucos

» Parte 2 da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1

Para saber o que é loucura, a gente tem que entender o que é ser normal. E isso ninguém conseguiu definir até hoje. Mas, uma coisa é certa, um pouco de maluquice faz parte da normalidade e ser normal demais é o mesmo que ser muito louco. (Psicologia UERJ) [1]

A esquizofrenia é um transtorno psíquico severo que se caracteriza pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações, delírios e distúrbios no contato com a realidade. É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão de grupos ou classes sociais. De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 1% da população mundial.

Quando aqueles que se sentem escandalizados com o fato da mediunidade ser praticada até hoje são céticos quanto à existência de deuses e demônios, eles invariavelmente costumam resumir a questão com um comentário do tipo: “sim, mediunidade existe, e é loucura, esquizofrenia, mas tem tratamento!”. Você pode ficar especialmente chateado por ser chamado de louco, e até mesmo entrar numa discussão inútil, mas existe uma outra questão que estará ignorando: E o que é exatamente “ser louco”? O que é “ser esquizofrênico”?

A esquizofrenia como entidade de diagnóstico tem sido criticada como desprovida de validade científica ou confiabilidade e é parte de críticas mais amplas à validade dos psicodiagnósticos em geral. Uma alternativa sugere que os problemas com o diagnóstico seriam melhor atendidos como dimensões individuais ao longo das quais todos variam, de tal forma que haveria um espectro contínuo em vez de um corte entre normal e doente… Para alguns produtores de pornografia, ou criadores de comerciais de cerveja, podemos talvez separar a população entre jovens e velhos: “jovens” seriam todos aqueles com menos de 25 anos, “velhos” seriam os demais. Esta visão radical obviamente não condiz com a realidade, e o mesmo poderia ser dito da esquizofrenia e da loucura – não é a questão de dizermos “este é louco, aquele é são”, mas sim de analisarmos as patologias psíquicas uma a uma, tentando tratar das que são prejudiciais ao convívio social.

Taxar alguém de esquizofrênico ou louco pode ser também um julgamento político. Particularmente na antiga Rússia comunista este diagnóstico foi utilizado com a finalidade de silenciar os dissidentes políticos ou forçá-los a desistir de suas ideias através da utilização forçada de confinamento e tratamento. Em 2000, houve preocupações semelhantes quanto à detenção e “tratamento” de praticantes do movimento religioso Falun Gong pelo governo chinês. Se pensarmos em médiuns ativos e equilibrados, me parece óbvio que julgá-los loucos é também uma espécie de “julgamento político” – assim alguns céticos evitam ter de pensar muito no assunto.

Desde 2009, pesquisadores da UFJF analisam cerca de 100 médiuns de Juiz de Fora para listar critérios para um diagnóstico que diferencie experiências espirituais saudáveis de transtornos mentais, como os psicóticos, pois os dois estados podem se confundir, afirmam pesquisadores. Outro estudo captou imagens do cérebro de médiuns quando psicografavam e quando escreviam um texto de sua autoria, para avaliar quais áreas são ativadas nessa parte do organismo. Já uma pesquisa, finalizada, concluiu que as ocorrências mediúnicas não implicam necessariamente em esquizofrenia: “Se a pessoa diz que está vendo vultos, será que é uma experiência espiritual não patológica ou alucinação, indicando um transtorno mental?”, questiona o professor da UFJF, Adair Menezes Júnior.

Se as imagens da atividade cerebral indicam que médiuns quando em transe apresentam características muito semelhantes a dos esquizofrênicos, isso nada nos diz sobre a capacidade do médium de controlar este transe, de “entrar e sair da loucura” como quem entra e sai de casa. Na verdade, tais estudos genuinamente científicos com eletroencefalogramas (EEGs) e outras ferramentas de scanning cerebral são muito interessantes e promissores, pois desde muito cedo já identificaram dois fatos que muitos médiuns já sabiam, mas alguns céticos não: (1) a grande maioria dos médiuns não está fingindo, dentro de seus cérebros “coisas estranhas” realmente ocorrem; (2) a mediunidade não é doença mental, pois se os médiuns “ligam e desligam” seus transes de forma consciente, isso em nada interfere em seu convívio social e equilíbrio mental geral – de fato, tais pesquisas indicam que os médiuns em geral são mais equilibrados do que a média da população.

O Dr. Sergio Felipe de Oliveira, psiquiatra com mestrado na USP que vem estudando a mediunidade há anos [2], talvez tenha resumido essa questão da melhor forma: “Na doença mental, o paciente não tem crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Agora, um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte? Aí ele perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo que esteja em psicose não possa estar em transe também. A mediunidade se instala no indivíduo são, ou pode dar uma dimensão muito maior a uma doença. A mediunidade sempre vai dar um efeito superlativo. Se a pessoa alimenta bons sentimentos, ela cresce. Se ela tem uma doença, aquela doença pode ficar fora de controle”.

Esse tipo de abordagem é interessante para os médiuns porque é sempre importante considerar que nossa sensibilidade é mais aflorada do que a das demais pessoas – podemos dizer que ser médium é essencialmente sentir mais do que os outros, de acordo com as capacidades da mediunidade de cada um. Porém, se “abrimos nossa mediunidade” há todo momento e em qualquer lugar, estamos nos arriscando… É como andar com um rádio ligado tentando sintonizar diversas estações ao mesmo tempo, uma após a outra, sem muito controle, sem muito cuidado: às vezes vamos ouvir música boa, muitas vezes vamos ouvir algo de que não gostamos.

Muitos médiuns procuram centros espíritas ou terreiros de umbanda não exatamente por curiosidade ou por vontade de auxiliar nos trabalhos da casa, mas simplesmente porque estão desesperados, desequilibrados, aturdidos, prestes a entrar em colapso mental… Nesses casos, a pior coisa que um dirigente pode dizer é: “não se preocupe, isso é mediunidade, com o trabalho na casa vai passar rapidinho”. Não! Não vai passar rapidinho, e pode até piorar… Pois a mediunidade é uma atividade sagrada de contato com as forças espirituais que preenchem toda a natureza, algo tão antigo quanto às primeiras tribos e os primeiros xamãs. Mas os xamãs não eram pessoas desequilibradas e desesperadas, eles eram, pelo contrário, os mais equilibrados e sábios, e exatamente por isso que tinham a oportunidade de guiar sua tribo nos assuntos espirituais. Ainda que um centro espírita esteja desesperadamente precisando de médiuns ativos, aceitar qualquer ser angustiado que bata a porta como “trabalhador da casa”, da noite para o dia, só vai agravar ainda mais a situação.

O primeiro espírito que um médium precisa aprender a incorporar é o seu próprio. Precisa estar equilibrado, no mínimo, para poder exercer sua mediunidade de forma sadia. Não estou querendo dizer que um médium precise ser muito normal, pois como vimos ser muito normal pode ser a mesma coisa que ser muito louco – mas precisa pelo menos tomar posse de seus sentimentos, pensamentos, intuições. Nem que seja apenas para saber diferenciar melhor as informações que vem de dentro, das que vem de fora.

No mais, aqueles seres angustiados que procuraram a casa espírita ou espiritualista pela dor, e não pelo amor, não são irrecuperáveis, pelo contrário: muitos dos grandes médiuns começaram assim. Mas precisam primeiro se tratar, inclusive na medicina tradicional, inclusive tomando remédios, caso necessário. E, paralelamente, irem estudando a doutrina que pretendem seguir: sejam livros de Allan Kardec, sejam livros de Umbanda Sagrada, sejam livros espiritualistas em geral. Quanto mais conhecimento, mais poderão compreender o que se passa em seu interior, particularmente durante os transes. Nesse sentido o trabalho nas casas espiritualistas pode servir de um excelente complemento terapêutico para o tratamento de distúrbios mentais, desde que se desenvolvam gradualmente, sem procurarem ser “grandes médiuns” em alguns meses [3].

Diz o ditado popular que de médico e louco, todos têm um pouco. Talvez por isso mesmo todos sejam médiuns. Em maior ou menor grau, com a sensibilidade desperta ou ainda sonolenta, com compreensão ou sem compreensão, com muitas ou poucas dúvidas, todos nós somos um pouco loucos. Todos às vezes captamos pensamentos, belos ou obscuros, que parecem ter vindo com o vento, a escorar pelo ombro – e não adianta nos virarmos para tentar identificar para onde foram: se perderam com as brisas. Mesmo assim, por vezes captamos tais pensamentos, de início fragmentados mas, caso queiramos realmente desenvolver tais sentidos ocultos, dia virá que os perceberemos de forma cada vez mais clara.

Então faltará sermos também médicos. Faltará auxiliar aos outros a curar suas dores e angústias através de uma poderosa corrente de amor. Faltará converter nossa loucura em luz.

» A seguir, as diversas formas de manifestação da mediunidade…

***

[1] Li este texto em uma imagem que circulava nas redes sociais anos atrás. O texto estava em um cartaz no centro acadêmico de psicologia da UERJ.

[2] Sua pesquisa, genuinamente científica e objetiva, procura associar o número elevado de cristais de apatita encontrados na glândula pineal dos pacientes a um grau mais elevado de mediunidade. Segundo este promissor estudo, os cristais da pineal podem ser receptores e emissores de ondas eletromagnéticas, e esta poderia ser a via pela qual a troca de informações com espíritos “de fora” ocorre. O Dr. Sergio pode comprovar que Descartes estava errado – a pineal não é a sede do espírito no corpo –, mas nem tão errado assim.

[3] Suspeite de qualquer um que lhe diga que a mediunidade se desenvolve “rapidinho”. Na verdade, um médium só se torna plenamente equilibrado e de posse das próprias capacidades após muitos e muitos anos. Uns 10 a 15 anos não seria um cálculo muito distante da média.

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Crédito da imagem: CJ Burton/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Mediunidade #Espiritismo #neurologia #UmbandaSagrada #Psicologia

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Autoiniciação

Texto de Huberto Rohden

Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados. Mas entendem por iniciação uma alo-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru. Esta alo-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual.

O homem só pode ser iniciado por si mesmo. O que o Mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode autoiniciar; pode colocar setas ao longo do caminho, setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre si mesmo. Isto pode e deve o mestre fazer – suposto que ele mesmo seja um autoiniciado.

Jesus, o maior dos Mestres que a humanidade ocidental conhece, ao menos aqui, durante três anos consecutivos, mostrou a seus discípulos o caminho da iniciação, o que ele chama o “Reino dos Céus”, mas não iniciou nenhum dos seus discípulos. Eles mesmos se autoiniciaram na gloriosa manhã do domingo de Pentecostes, às 9 horas da manhã – como diz Lucas, nos Atos dos Apóstolos.

Mas esta grandiosa autoiniciação aconteceu só depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação; 120 pessoas se autoiniciaram, sem nenhum mestre externo, só dirigidas pelo mestre interno de cada um, pela consciência de seu próprio Eu divino, da sua alma, do seu Cristo Interno.

E esta autoiniciação do primeiro Pentecostes, em Jerusalém, pode e deve ser realizada por toda a pessoa. Mas, acima de tudo, o que é que quer dizer Iniciação?

Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo.

O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo. Não sabe o que ele é realmente. O homem profano se identifica com o seu corpo, com a sua mente, com suas emoções. E nesta ilusão vive o homem profano a vida inteira, 30, 50, 80 anos. Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isto não pode entrar na autorrealização.

O que deve um homem profano fazer para se autoiniciar?

Para sair do mundo da ilusão sobre si mesmo e entrar no mundo da verdade? Deve fazer o que fez o primeiro grupo de autoiniciados, no ano 33, em Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar, ou cosmo-meditar. Os discípulos de Jesus fizeram três anos de aprendizado e nove dias de meditação – depois se autoiniciaram. Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos. A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções; saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora: “Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai… O reino dos céus está dentro de mim”.

E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda a injustiça, de toda a desonestidade, de todos os ódios e malevolências – de todo o mundo caótico do velho ego.

O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu Eu verdadeiro.

O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do “Reino dos Céus”. Começa a vida eterna em plena vida terrestre. Não espera um céu para depois de morte, vive no céu da verdade, aqui e agora – e para sempre.

Isto é autoiniciação.

Isto é autoconhecimento.

Isto é autorrealização.

O início de tudo isto é a meditação ou cosmo-meditação, de que já falamos em outra ocasião.

Repito que é impossível a verdadeira meditação sem que o homem se esvazie de todos os conteúdos do seu ego ilusório; quem se esvaziar do sua egoconsciência será plenificado pelo cosmo-consciência, que é a iniciação.

Mas é possível realizar este ego-esvaziamento na hora da meditação, mesmo que seja meia hora de introversão, se o homem viver 24 horas extrovertido, escravizado pelas coisas de seu ego ilusório.

A meia hora de meditação nada resolve, não abre as portas para a iniciação – se o homem não se libertar, durante o dia, da escravidão de seu ego.

Como fazer isto?

Libertar-se da escravidão do ego é usar as coisas materiais na medida do necessário, e não do supérfluo; o homem deve e pode ter um conforto necessário, sem desejar confortismos excessivos.

A mística da hora da meditação é impossível sem a ética da vida diária, sem o desapego do supérfluo. Luxo e luxúria são lixo, que atravancam o caminho para a iniciação. Quem não remove esse lixo do luxo e da luxúria pode fazer quantas meditações quiser que não se poderá iniciar; porque as leis cósmicas não podem ser burladas.

A verdadeira felicidade do homem começa com a sua autoiniciação. Fora disto, pode ele ter um mundo de gozos e prazeres, mas não terá felicidade verdadeira, paz de espírito, tranquilidade de consciência. Todos os gozos e prazeres são do ego ilusório, somente a felicidade é do Eu verdadeiro.

Um autoiniciado é também um redentor, para os outros.

Quando um único homem, escreveu Mahatma Gandhi, chega à plenitude do amor (autorrealização), neutraliza ele o ódio de muitos milhões.

Nada pode o mundo esperar de um homem que algo espera do mundo – tudo pode o mundo esperar de um homem que nada espera do mundo.

O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo. Ele já encerrou as contas com o mundo, está quite com o mundo. Pode dar tudo sem perder nada.

O autoiniciado é um místico – não um místico de isolamento solitário, mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo.

Onde há uma plenitude, aí há um transbordamento. O homem plenificado pelo autoconhecimento e pela autorrealização transborda a sua plenitude, consciente ou inconscientemente, saiba ou não saiba, queira ou não queira. Esta lei cósmica funciona infalivelmente. Faz bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia com a alma do Universo.

Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade, não é necessário nem é suficiente fazer muitas coisas, mas é necessário e é suficiente ser bom, ser realizado, e plenificado do seu Eu central, conscientizar-se e vivenciar de acordo com o seu Eu central, com o seu Cristo interno.

A plenitude da consciência mística da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente na vivência ética da fraternidade universal dos homens.

Para ter laranjas – laranjas verdadeiras – não é necessário fabricá-las. É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e mantê-la forte e vigorosa. Nem é necessário ensinar à laranjeira como fazer laranjas – ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos. Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira. Mais importante que todo o fazer é ser.

Onde não há plenitude interna não pode haver transbordamento externo. Para fazer o bem aos outros deve o homem ser realmente bom em si mesmo.

Que quer dizer ser bom?

Ser bom, não é ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho. Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência.

Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude. O nosso fazer bem vale tanto quanto o nosso ser bom. O ser bom é autoconhecimento e autorrealização.

Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.

Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são deslumbrantes vacuidades; são como bolhas de sabão – belas por fora, mas cheias de vacuidade por dentro. 1% de ser bom realiza mais do que 100% de fazer bem.

Autoiniciação é essencialmente uma questão de ser, e não de fazer. Esta plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão. O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação, e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso.

Todo o autoiniciado consiste ingredir e nesse egredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.

Não há evolução sem resistência. Tudo que é fácil não é garantido; toda evolução ascensional é difícil, exige luta, sofrimento, resistência.

Estagnar é fácil.

Descer é facílimo.

Subir é difícil.

Toda evolução é uma subida, e sem subida não há iniciação.

Autoiniciação e autorrealização é o destino supremo do homem.

Um único homem autorrealizado é maior maravilha do que todas as outras grandezas do Universo.

Huberto Rohden

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#Filosofia #iniciação #Rohden #Universalismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autoinicia%C3%A7%C3%A3o

A Metamorfose

Texto de Chuang Tzu (*)

Quatro homens entraram em discussão.

Cada qual falou:

«Quem souber

Ter o vazio como cabeça,

A vida como espinha dorsal

E a Morte como cauda,

Este será meu amigo!»

Nisto todos se entreolharam,

Viram que concordaram,

Riram alto

E ficaram amigos.

Depois um caiu doente

E o outro foi visitá-lo.

«Grande é o Criador», dizia o doente,

«Que me fez como sou!»

«Estou tão confuso,

Meu tutano cobre a minha cabeça;

Sobre o meu umbigo

Descanso a minha cabeça;

Meus ombros salientam-se

Além do pescoço;

Minha fronte é uma úlcera

Medindo o céu;

Meu corpo é o caos,

Mas minha mente está em ordem».

Arrastou-se para o poço,

Viu seu reflexo, e declarou:

«Que confusão Que ele fez de mim!»

Seu amigo perguntou-lhe:

«Você está desanimado?»

«Qual nada!

Por que haveria de estar?

Se Ele me separa

E faz um galo

De meu ombro esquerdo,

Eu anunciarei a madrugada.

Se Ele fizer um arco

Do meu ombro direito

Procurarei pato assado.

Se meu assento se transformar em rodas

E se meu espírito vier a ser um cavalo,

Prepararei minha própria carroça

E andarei por aí.

Há um tempo de juntar

E um tempo de separar.

Aquele que entender

Este curso dos acontecimentos

Toma cada novo estado

Em sua devida hora

Sem nenhuma tristeza nem alegria.

Os antigos diziam:

‘O enforcado

Não pode cortar-se a si mesmo’.

Mas no tempo adequado

A Natureza é mais forte

Do que todas as cordas e elos.

Sempre foi assim.

Onde está uma razão

Para desanimar?»

(*) Chuang Tzu foi um grande filósofo taoísta do Séc. IV a.C., os textos aqui publicados são fruto de um grande esforço de compilação e meditação de Thomas Merton, um monge católico do Séc. XX d.C. que estudou os textos de Chuang Tzu em várias fontes, nenhuma delas sendo a original, mas traduções da fonte original. Finalmente, coube a Paulo Alceu Lima traduzir a Merton, do inglês para o português, conforme visto no livro “A Via de Chung Tzu” (Ed. Vozes, esgotado)

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#Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-metamorfose

18 Milhões de Conspiradores!

hermetismo

Acabamos de chegar à marca de 18 milhões de Pageviews neste blog… Nada mal para um blog de hermetismo e espiritualismo no país da Família Tradicional… Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 2.740 posts publicados e 47.474 comentários. Temos 4.680 followers no twitter , 18.708 subscribers no Facebook.

Temos Grupos de debates para Todos os Estados no Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática e estamos quase chegando a 1.700 followers.

Post sobre como tudo começou.

Nosso Projeto de Hospitalaria está funcionando perfeitamente e passamos de 4.500 mapas astrais e 3.200 sigilos (aproximadamente 13.000 cestas básicas ou equivalente distribuidas).

O Projeto Mayhem está com 3.983 membros. A Wikipedia de Ocultismo conta atualmente com 5.219 verbetes e 2.082 imagens e, de quebra, virei pop-star no Astrotheme, com direito até a página em francês…

O Arcanum Arcanorum conta com mais de 7 mil que passaram por seus atrios e 200 que chegaram ao grau de Probacionista, além de uma Loja Maçônica (ARLS Arcanum Arcanorum, 4269 – GOB), o projeto SOL, que já realizou 45 palestras públicas, três Terreiros irmãos e agora um Capítulo Arcanum Arcanorum na Ordem Demolay, o que nos coloca como uma das egrégoras mais fortes dentro das Ordens Iniciáticas aqui no Brasil.

Ao longo destes seis anos (incluindo o TdC S&H que completou 7 anos em 7/Agosto/14), perdi a conta de quantas pessoas conseguimos iniciar nos estudos da Kabbalah, Astrologia, Tarot, Runas e Magia Prática, sem contar os leitores que se filiaram à FRA, AMORC, Lectorium, OKRC, CALEN, AA, SCA, CIH, Demolay, Eubiose, Circulo Egregore, Casa do filósofo, Pró-Vida, Sirius-Gaia, Gnose, Martinismo ou Maçonaria graças ao blog.

O Raph Arrais editou o Grande Computador Celeste que contém os 70 primeiros textos do TdC, distribuido em pdf gratuito ou versão impressa, e o PH gravou comigo um Curso Básico gratuito de Exercícios Herméticos. Não tem desculpa para não começar a estudar e praticar!

Fazemos anualmente uma das maiores correntes de meditação no Sefirat Ha Omer aqui no Brasil, três Encontros do Blog, ajudamos em três Simpósios Brasileiros de Hermetismo (o IV Simpósio a caminho agora em Novembro) e temos conseguido organizar cursos presenciais pelo menos uma vez por mês. No início de 2015 começamos o primeiro Curso de Kabbalah em Ensino à Distância, logo em seguida, com o resultado do primeiro curso, gravamos o curso de Astrologia Hermética, Geomancia e Tarot – Arcanos Maiores, levando os estudos de Hermetismo a quem mora longe dos grandes centros urbanos.

E, como se não bastasse, publicamos o Tarot da Kabbalah Hermetica, feito em parceria por mim e pelo talentoso artista Rodrigo Grola, a nova impressão da Enciclopédia de Mitologia e agora os Posteres do Lamen e da Árvore da Vida.

E para fechar com chave de ouro, emplacamos um cardgame de protesto Pequenas Igrejas, Grandes Negócios! que foi notícia até na Playboy, Folha e Gizmodo e três Livros de Hermetismo para crianças, As Aventuras de Lilith, “As Aventuras de Isis” e “As Aventuras de Hércules”.

Sucesso é a Única Possibilidade!

#Blogosfera

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Analisando um Mapa Astral

Uma das minhas maiores broncas com os que acreditam que não existe nada além do físico e suas “experiências refutando a Astrologia” é que a imensa maioria das experiências feitas até hoje que já caíram nas minhas mãos (e não foram poucas) caem nos seguintes quesitos:

1) usam apenas o “Signo” das pessoas para avaliar os resultados ou

2) pegam uns astrólogos e tentam fazer com que eles “adivinhem” alguma coisa a partir de um mapa e algumas vítimas ou façam “previsões” sobre algum assunto.

Não é de se estranhar que nada dá certo nunca. Ou estes experimentos apenas reforçam o que eu já expliquei em várias colunas: que o que vendem por ai hoje com o nome de “Astrologia” é puro LIXO.

Mas não posso culpar os céticos de verdade e as pessoas inteligentes. Eu mesmo, dez anos atrás, fui fazer um curso de Astrologia com um dos maiores astrólogos do país, Frank Avabash, com esse preconceito. Na época, ele devia ter uns 25 anos de experiência com Astrologia e eu estava totalmente convencido que seria uma furada. Mas me enganei. A Astrologia Hermética (aquela que Isaac Newton, Galileu Galilei, Kepler, Tycho Brache, John Dee, Max Heindel, Fernando Pessoa, Winston Churchill e Hitler estudavam) não lembra nem de longe o que os profanos chamam de “astrologia”.

Então, afinal de contas, o que é Astrologia?

Para começar, falaremos sobre o que se entende por “astrologia” no mundo profano: segundo os horóscopos, os humanos são divididos em 12 castas estereotipadas chamadas “signos”. Todo dia no jornal sai o “horóscopo” que é o que vai acontecer com 1/12 da população do mundo naquele dia e volta e meia algum picareta vai na TV fazer “previsões” que nunca se concretizam…

Isso é o que as pessoas pensam que seja Astrologia.

Bem… agora vamos falar sobre Astrologia de Verdade.

Um Mapa Astral, ou Carta Natal, é uma representação geométrica e simbólica do céu no exato momento do nascimento de qualquer coisa no Planeta. Uma pessoa, um objeto, um contrato, um ritual… Nenhum dos planetas “influencia” nada. Muito menos a “atração gravitacional” ou “energias emanadas” deles, como eu já vi céticos afirmarem.

As posições dos Planetas atuam apenas como mostradores; ponteiros invisíveis de um relógio astral, movimentando-se em sincronicidade com os acontecimentos em cada planeta. Tudo o que está em cima é semelhante ao que está em baixo. E o que realmente conta na confecção de um Mapa Astral é a angulação que eles fazem com o horizonte. Para alguém totalmente materialista, não parece mesmo fazer sentido… é como se alguém da segunda dimensão desse de cara com uma esfera atravessando o plano… na visão deles, o máximo que poderiam compreender seria o círculo aumentando e diminuindo de raio, mas não conseguiriam explicar o que está acontecendo porque não possuem o conhecimento da terceira dimensão. O mesmo ocorre no exemplo acima. A explicação para o por quê a astrologia Funciona está em um plano que a ciência ortodoxa AINDA não consegue explicar.

O cálculo exato das efemérides e a posição exata dos planetas no Mapa é de vital importância para a ciência da Astrologia. Por esta razão, em seu nascimento, Astrólogos e Astrônomos eram uma profissão apenas.

Mas tio, e as Constelações?

Constelações não servem para nada no cálculo de Mapas. São apenas REFERÊNCIAS simbólicas que os antigos encontraram para explicar para as pessoas algo que é extremamente difícil descrever apenas com palavras. Se fomos avaliar diferentes métodos astrológicos (astrologia chinesa, védica, asteca, etc) veremos que, apesar de cada uma delas dar NOMES DIFERENTES para casa signo, as descrições de cada período temporal em relação ao comportamento dos indivíduos é rigorosamente o mesmo. Mudam apenas a referência. Em um horóscopo são animais, em outro são deuses, no terceiro constelações, em outro constelações diferentes e assim por diante…

Esta é uma das “refutações” que mais vejo entre os céticos: de que se a Astrologia fosse una, todas as Astrologias seriam iguais. Só que elas SÂO iguais… onde em uma cultura o signo é chamado de “touro”, em outra é chamado de “urso” e em outra de “elefante”. São símbolos que expressam uma mesma idéia, apenas culturalmente diferentes.

As próprias “constelações” não fazem sentido, quando agrupadas em um universo 3D. Peguemos, por exemplo, a constelação de Libra: alfa de Libra (Zubenelgenubi) está a 77 anos luz. Beta de Libra (Lanx Australlis) está a 160 anos-luz, gama de Libra está a 150 anos-luz e sigma de Libra (Brachium) está a 300 anos-luz… ou seja, elas não tem NADA em comum para serem agrupadas “próximas”.

Mas elas serviam como símbolos para contar histórias e fazer com que os cientistas primitivos fossem capazes de entender os conceitos abstratos que regem a psicologia.

Além disso, devido à precessão dos equinócios, o Sol atualmente cruza as constelações de Áries de 18 de abril a 12 de maio, Touro de 13 de maio a 20 de junho, Gêmeos de 21 de junho a 19 de julho, Câncer de 20 de julho a 9 de agosto, Leão de 10 de agosto a 15 de setembro, Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro, Libra de 31 de outubro a 22 de novembro, Escorpião de 23 de novembro a 28 de novembro, Ofiúco de 29 de novembro a 16 de dezembro, Sagitário de 17 de dezembro a 18 de janeiro, Capricórnio de 19 de janeiro a 15 de fevereiro, Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março e Peixes de 12 de março a 17 de abril (e não riam… já vi astrólogos esquisotéricos querendo “reformular” os signos baseado nessas bullshits).

Ou seja, outros céticos usam isso como desculpa para “refutar” a Astrologia, alegando que graças à precessão dos Equinócios, o signo que você pensa que possui não é o verdadeiro signo que deveria ter e assim por diante…

Retornando aos planetas

Na “astrologia” que as pessoas conhecem, existem 12 tipos de signos/pessoas… ou 144 tipos de pessoas (12×12) se você for legal e contar o ascendente.

Na Astrologia Hermética, temos 10 planetas (o nome Planeta vem de “viajante”, ou os “astros que caminham no céu”, por isso consideramos o Sol, a Lua e Plutão como planetas) mas, na realidade, são apenas os ponteiros do Sistema solar que contam.

O círculo do Zodíaco possui 360 graus. Sabendo que Mercúrio, pela posição relativa do sol em relação à Terra nunca estará mais do que 28 graus afastado do sol e Vênus nunca estará mais do que 46 graus afastado do sol, temos então:

360 (sol) x 56 (mercúrio) x 92 (Vênus) x 360 (terra/ascendente) x 360 (marte) x 360 (júpiter) x 360 (saturno) x 360 (urano) x 360 (netuno) x 360 (plutão) x 360 (lua) Mapas Astrais diferentes! Fazendo as contas, temos: 1,45344 E+24, ou seja,

1,453.440.000.000.000.000.000.000 de possibilidades diferentes. Um SETILHÃO de combinações possíveis, se levarmos em conta 1 grau de precisão. A conta inclui os 360 graus do sol por causa das CASAS. Se quisermos “facilitar” e considerarmos apenas as combinações dos 12 signos com os 10 planetas, teremos 61.917.364.224 tipos de Mapas diferentes (ou 61 BILHÕES de combinações).

Complexo, não? Mas se a biologia ou a astrofísica podem chegar a complexidades matemáticas absurdas, porque insistem em manter a astrologia presa no século XVIII?

Simbolicamente, cada Planeta reflete um aspecto da Árvore da Vida dentro de cada pessoa. Para compreender a Astrologia, então, é necessário um conhecimento da Kabbalah (não a judaica, mas a estrutura que originou tanto a Kabbalah judaica quanto a hermética) e o que cada sephira representa dentro do Mapa de Estados de Consciência Humana (ou seja, o Astrólogo também precisa estudar a fundo psicologia e simbologia). E aqui começa o real problema da Astrologia: VOCABULÁRIO.

O vocabulário humano é extremamente limitado. Vamos a um exemplo simples: Você conseguiria descrever em palavras o amor que sente por sua mãe? E por seu pai? E por sua esposa/esposo? Por sua/seu amante? Pelo seu/sua filho mais velho? É o mesmo amor que o do filho caçula? E o amor que você sente pelos seus colegas de exército? Seu time de futebol? O amor-compaixão que sente por um mendigo pedindo esmola? o amor-piedade que sente por uma criança espancada? o amor-ódio que sente pela ex-namorada/o ? Não há nenhum degradê entre estas formas de “amor”?

Certamente que quando você diz “eu amo minha esposa” e “eu amo meu time de futebol”, “eu amo meus amigos torcedores” e “eu amo batata frita” há diferenças enormes de significado.

Talvez um poeta conseguisse “traduzir” estes sentimentos em poemas enormes; colocar em palavras os nobres sentimentos humanos… textos longos, rebuscados, melodias singelas, pinturas… ainda assim não conseguiria chegar ao ponto exato.

Se o olho humano pode distinguir 10 milhões de cores diferentes, por que não temos um nome diferente para cada uma delas? E para cada um dos sentimentos/emoções?

Estão conseguindo chegar ao cerne do problema?

Se a astrologia tivesse avançado como as outras ciências, ao invés de ter sido expulsa das universidades pela IGREJA (e não por ser uma “pseudo-ciência” como a maioria dos céticos gosta de afirmar), talvez teríamos hoje um código para o Mapa de cada pessoa semelhante ao código genético ou ao código Pantone, com letras e números; e computadores buscando similaridades comportamentais, ao invés de astrólogos se matando para explicar sentimentos com palavras.

Queria ver se o Richard Dawkins tivesse de dar nomes simbólicos ou fazer poemas para cada código genético que encontrasse…

O Mapa Astral, então, é um perfeito mapa vocacional que mostra onde estão suas facilidades e dificuldades, a maneira como você pensa, sente, briga, transa, intui, aprende… mostra o que te agrada e o que te incomoda; mostra os vícios que você tem e às vezes nem sabe por quê. Mostra suas virtudes e os seus defeitos.

O que o Astrólogo faz é analisar um mapa e tentar achar palavras que se encaixem com cada uma destas combinações em suas diversas matizes. Quando falamos “seu Marte está em Gêmeos”, estamos usando um código que simplifica MUITO, mas MUITO mesmo o que realmente estamos vendo naquele código… é como falar “sua camisa é azul”. Azul o que? Azul royal? azul royal bebê? azul royal bebê fúcsia? azul royal bebê fúcsia prussiano do inverno do rio Volga?

Um Astrólogo está limitado pelo seu próprio vocabulário e pelo seu conhecimento da astrologia e simbolismo; também está limitado pelo seu próprio mapa astral. Um astrólogo cujo próprio mapa tenha muitos planetas em virgem fará uma interpretação de um mapa de outra pessoa bem diferente de um astrólogo com muitos planetas em peixes… mesmo que os dois tenham entendido as nuances de maneira iguais,

certamente se expressarão de maneira diferente, com palavras diferentes. Os céticos adoram pegar estas diferenças para alegar “que os astrólogos não falam a mesma língua nas mesmas interpretações”.

E nessa “subjetividade” acabam as chances da Astrologia de se enquadrar nas ditas ciências ortodoxas… imagine a dificuldade que os geneticistas teriam se precisassem ficar dando nomes e descrições para cada um dos 27.000 genes humanos baseado em sua interpretação pessoal…

Desta forma, o que os Astrólogos fazem é compilar em tabelas palavras, símbolos e descrições que mais se encaixam àquela determinada matiz energética (novamente, usando vocabulário de acordo com seu próprio entendimento). O que eu acho “teimoso” como um adjetivo depreciativo, você pode achar que é um elogio relacionado com “obstinação”, por exemplo! Uma pessoa “curiosa” é um elogio ou é uma pessoa frívola?

E assim caímos nas brechas para as astrologias esquisotéricas… tentando rotular e simplificar ao máximo, chegam e dizem “todo virginiano é discreto, gosta de organização e limpeza”. Não é necessariamente verdade. Boa parte deles possui estas características, mas isso não define absolutamente nada em alguém… para vocês terem uma idéia, um Mapa bem feito não tem menos do que 15-20 páginas de texto sobre a pessoa.

Conhece a ti mesmo

E como se todas estas dificuldades não bastassem, também há o livre-arbítrio. Uma pessoa que tenha, por exemplo, “Mercúrio em Gêmeos” terá uma facilidade muito maior que a média de lidar com palavras… ela terá facilidade bem maior do que outras pessoas se desejar tornar-se escritor, jornalista, repórter, contador de casos… ou um grande fofoqueiro… ou um grande mentiroso, ou combinações destes adjetivos. A habilidade de manipular bem as palavras não implica necessariamente que você as usará para o bem. E nas facilidades que estão as tentações.

Não temos como distinguir no mapa um grande repórter de um hábil mentiroso. Podemos dizer “fulano tem facilidade para lidar com palavras” (você sentiria alguma diferença se eu tivesse escrito “fulano tem facilidade para manipular palavras”?); talvez alguns céticos considerem isso vago (é outra das alegações furadas dos céticos em relação à astrologia). E NADA garante que alguém que tenha Mercúrio em Gêmeos vá seguir a carreira de lidar com palavras… ele pode muito bem ser um vendedor de carros usados que usa isso como lábia.

Para mim, “Mercúrio em gêmeos” diz muita coisa… Questão de vocabulário. Não podemos aprofundar a descrição sem conhecer a pessoa… talvez, somente a própria pessoa vai realmente saber o quanto ela usa esta capacidade para o bem ou para o mal.

É nisso que entra o autoconhecimento e a parte Hermética do “Astrologia Hermética”.

Avaliando nossos mapas, podemos detectar as energias com as quais temos mais facilidade e lapidar nossa pedra bruta para chegarmos até a pedra filosofal.

Mas é duro olharmos para o espelho e reconhecermos nossos defeitos… e mais difícil ainda lutar para transmutá-los das oitavas mais baixas nas oitavas mais altas; vencer as paixões que nos levam ao uso egoísta de nossas habilidades e transformá-las em virtudes. É como transformar chumbo em ouro.

Desta forma está a dificuldade em adequar o real ao experimento… fazer “testes de múltipla escolha” parece completamente nonsense para alguém que sabe para que o mapa realmente serve. Minha sugestão seria pegar um psicólogo neutro para fazer um levantamento psicológico completo de cada pessoa, bem como uma entrevista onde ela revelaria suas ambições, fantasias, o que realmente gostaria de fazer, o que realizou dos sonhos, que tipo de parceiro sexual gosta e assim por diante.

Por outro lado, o Mapa seria gerado pelo banco de dados que estamos organizando através das doações dos leitores do Teoria da Conspiração, ou seja, sem a “interpretação” pessoal do Astrólogo. E como comparação, um grupo de psicólogos/astrólogos compararia o perfil psicológico da pessoa com o do mapa e faria as correspondências. Claro que eu gostaria de fazer isso não com 20 mapas, mas com 10.000 mapas. Só que daria um puta trabalho… e os céticos já estão previamente convencidos que astrologia não funciona (embora eu sempre pensasse que cientistas avaliassem primeiro e julgassem depois, mas tudo bem).

#Astrologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/analisando-um-mapa-astral

O Ritual DeMolay e sua interpretação

Frank Land foi questionado em uma entrevista de radio como DeMolay se diferenciava de outras organizações. Ele instantaneamente respondeu, “Ela possui um Ritual”. Sua serena e rápida resposta ainda é a qualidade inerente da Ordem DeMolay. – Hi Dad, 1970, por Hebert E. Duncan.

Esse é o tesouro a nós legado por nossos fundadores, Frank S. Land que idealizou e Frank A. Marshall que escreveu nosso Ritual dos Trabalhos Secretos.

Aqui trarei algumas interpretações dos símbolos que os autores do Ritual deixaram nas entrelinhas, tanto DeMolays como da Ordem de Cavalaria, mas sem revelar nem profanar os rituais em si. Alguns desses símbolos estão claros, e outros estão velados. Mas estão lá e ninguém pode assim negar. Nosso Ritual foi criado com a mais profunda inspiração e dedicação dos nossos Dads fundadores, e são seus desejos que preservemos e cresçamos cultural e intelectualmente com seu conteúdo, nos tornando homens mais virtuosos. E a essas pessoas empenhadas em evoluir, ascender e em ajudar o próximo, que dedicarei meus textos. Não podemos mais ser comuns e benevolentes àqueles que prejudicam o nome e a egrégora de nossa Ordem e pregam o fanatismo. Precisamos urgentemente aprender sobre ela e lutar por sua preservação.

Cuidados e empecilhos

Não tenhamos medo de especular sobre interpretações e entendimentos sobre os Rituais dos Trabalhos Secretos, mas também não podemos fugir da lógica. Como disse o Ir. Hugo Lima em seus posts, nossos fundadores não deixaram nenhum manual de como ser DeMolay ou como interpretar os rituais. Isso acontece porque pregamos a Liberdade. Através da liberdade e da lógica exploraremos de simples símbolos à Kabbalah e mitologia dentro da Ordem, aprendendo sobre esses símbolos, rituais, egrégora, psicologia, e ocultismo, perceberemos o quão vasto é o campo de estudos do DeMolay e quanto uma Loja Maçônica pode contribuir para a pátria patrocinando e guiando corretamente um Capítulo.

Nenhuma interpretação ritualística deve ser dogmática, pois se assim fosse estaremos limitando nossa liberdade. O grande problema em interpretar os rituais da Ordem está na resistência de alguns irmãos demolays (normalmente os mais velhos e já dogmáticos) e de alguns maçons que insistem em afirmar que “isso não é Ordem DeMolay” por diversos motivos. A esses dou meus mais sinceros sentimentos de compreensão. Mas a tolerância também é importante, portanto se querem ir contra a lógica e a liberdade, que revejam e reflitam sobre o Ritual de Elevação e vejam em qual das posições se encontram.

Aos irmãos demolays e maçons que apoiam a causa da expansão cultural do jovem peço que compartilhem com interpretações e divulgação do conhecimento em seus blogs, em seus Capítulos, independente do seu Supremo, e em suas Lojas, independente de sua potência. Dessa maneira conseguiremos aos poucos alcançar mais e mais jovens, para que se tornem homem virtuosos e com iniciativa de mudar a sociedade, e quem sabe até consigamos alcançar o desejo de algum maçom a abrir um Capítulo em sua Loja.

O que é um ritual?

Com certeza não é um livro com falas e movimentos que devem ser simplesmente seguidos e fim de papo.

Um ritual é um guia que transmite ao praticante seu objetivo através dos seus símbolos, falas e movimentos. Símbolo é aquilo que representa uma ideia, está no mundo dos pensamentos. Nem sempre um símbolo é uma imagem, símbolo pode ser uma roupa, pode ser uma expressão, uma fala ou um objeto. São as ideias atuando em vários níveis diferentes. A interação dessas diferentes maneiras de expressão do símbolo é que permite que nós criemos o ritual e o coloquemos em ação.

Por exemplo, a Bíblia representa simbolicamente a palavra de Deus (do Criador, do Pai Celestial, etc), e quando nos ajoelhamos ou abaixamos a cabeça e fazemos uma oração estamos botando em ação vários símbolos diferentes. Se ajoelhar ou baixar a cabeça é um movimento que representa a humildade e reverência a alguém, nesse caso estamos pedindo auxílio a um Ser superior. A oração em frente a Bíblia guia nossas intenções. Tudo isso consiste na operação de diferentes símbolos, e nesse caso é um simples ritual de oração.

Outro simples exemplo são as regras de conduta ao cantar o Hino Nacional diante da Bandeira da Pátria. Estamos firmes em pé, braços estendidos ao longo do corpo (alguns botam a mão direita na altura do coração em simbolo de amor) e cabeça estendida, não devemos dar as cosas para Bandeira, não devemos bater palmas nem assoviar o Hino Nacional. Tudo isso é um simbolo de reverencia e respeito. São os símbolos que usamos quando cantamos o Hino Nacional.

Ou seja, um ritual existe para por um símbolo em ação. O ritual traz os princípios do mundo das ideias para nosso íntimo. Por isso que os rituais devem ser seguido a risca e sempre repetido da mesma maneira. O praticamente deve sentir o que faz, e não somente repetir e repetir. Um ritual quando devidamente praticado causa mudanças psicológicas no participante. Se o praticante não sentir e participar intimamente do ritual, o ritual terá formulas vazias.

Como interpretar o ritual DeMolay?

Através dos seus símbolos. Símbolos gráficos (Brasão da Ordem), símbolos das falas e dos movimentos.

Em toda interpretação simbólica existe uma regra, e essa regra é a da analogia, onde nada existe de maneira isolada. Os estudantes de hermetismo conhecem essa regra, essa lógica, como a Lei ou Princípio da Correspondência. O famoso “o que está em cima é como o que está em baixo, e vice versa“.

Sim, devemos aplicar toda interpretação ritualística a essa regra, se não as interpretações terão fórmulas vazias e estaremos criando dogmas. A ultima coisa que precisamos dentro da Ordem DeMolay é “Os Conselheiros representam a jornada do o Sol porque na Sala Capitular eles sentam de leste a oeste e ponto final“. Ok, mas qual o fundamento, qual a lógica? Não é por capricho e/ou por cópia dos rituais da maçonaria que nossos fundadores colocaram nossos Conselheiros como a jornada do Sol no Céu. É adentrando no fundamento dos símbolos, procurando analogias entre outras culturas, que conseguiremos chegar a razão das coisas de serem como são. Isso dará muito mais valor ao nosso ritual e enfatizará a importância de praticá-lo de maneira correta.

A Lua, símbolo do nascimento

Deem uma olhada na figura ao lado. Observem os vários elementos que a compõe. Selecionemos um, a Lua central para uma breve interpretação.

É comumente conhecido no mundo DeMolay que a lua do Brasão representa o segredo, e que sua parte escura representa o quanto ainda faltamos evoluir. Tudo isso é muito bonito, mas agora devemos perguntar, por que? Foi dito, escrito, publicado e portanto foi aceito? Qual o fundamento dessa interpretação? É isso a isso que devemos chegar pela Lei da Correspondência.

Usemos a lei da analogia.

A lua não possuí luz própria, ela reflete a luz do sol e na sua viagem ao redor da terra, temos suas fases e o movimento das marés. Mas mesmo quando a lua está cheia, nós não a contemplamos por completo, pois ela possui um lado escuro que não conseguimos ver da terra, devido ao seu tempo de revolução e rotação. Como se ainda houvesse sempre algo que não conseguimos contemplar, algo a esconder. E nessas fases movimentam os líquidos da terra, e sabemos que os líquidos estão psicologicamente relacionado a nossas emoções. Por esse motivo que o arquétipo da lua é tido como o segredo, e também se relaciona a parte da nossa mente que é o inconsciente.

A Lua em si é um grande segredo. Os ciclos de fertilidade da mulher (quando esta está com o organismo saudável) segue também as fases da lua. As parteiras interpretam essas mesmas fases para saber quando a mulher dará a luz. Esse é o motivo pelo qual a Lua é também o símbolo da mãe.

O feto humano é gerado dentro do útero por nove voltas que a lua faz ao redor da Terra, que são também 9 meses solares. Por isso adicionemos ao arquétipo da lua o útero, o segundo chakra, e Yesod da Árvore da Vida que por acaso é a sephira número nove.

Ísis, a deusa da magia egípcia, é a deusa da Lua. É a deusa da Iniciação, cujo o homem mortal jamais levantou seu véu. Muitas religiões guiam suas datas comemorativas pelo calendário lunar, e não solar.

Não é atoa que dad Land e dad Marshall criaram a Ordem DeMolay com nove meninos. Também não é atoa que a lua esteja no centro do Brasão, pois sabemos do amor, respeito e admiração que Frank S. Land tinha pela maternidade, escolhendo como Primeira Virtude do DeMolay o Amor Filial, “aquele amor que existia antes mesmo de você nascer”.

Sintam-se a vontade fazer uma interpretação sobre o Defeito e Virtude da Lua na Astrologia (Preguiça e Humildade) e sobre o seu binário hebraico (Domínio e Servidão) representado pela letra Gimmel (G), com tudo dito aqui.

Entendido sobre o princípio da analogia na interpretação?

Espero que aproveitem e compartilhem suas idéias no comentários, e que distribuam o conhecimento. E principalmente, que criem e cheguem a suas próprias interpretações. Honremos nossos antepassados.

DeMolay ou não, Maçom ou não, lembremos do testamento de Fernando Pessoa e lutemos contra os três assassinos de Jacques DeMolay e da Ordem do Templo, a ignorância o fanatismo e a tirania, que atuam no campo material, emocional, intelectual e espiritual.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda.

Leonardo Cestari Lacerda é Sênior DeMolay do Cap. Imperial de Petrópolis, nº 470, e Maçom da A.’.R.’.L.’.S.’. Amor e Caridade 5ª, nº 0896.

Virtude Cardealé uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#hermetismo #Maçonaria #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ritual-demolay-e-sua-interpreta%C3%A7%C3%A3o