O Dia da Marmota

Pode uma marmota prever o tempo ? Cientificamente é por demais questionável, mas uma tradição de mais de cem anos numa pequena cidade do nordeste dos Estados Unidos chama a atenção de todo o mundo a cada ano e já foi parar até no cinema.

O Dia da Marmota (Groundhog Day) é uma festa tradicional nos Estados Unidos que é celebrada a cada dia 2 de fevereiro. Segundo a tradição, as pessoas devem observar uma toca de marmota Marmota monax e, se o animal sair da toca por o tempo estar nublado, isso significa que o inverno terminará cedo. Se, ao contrário, o sol estiver a brilhar e o animal se asustar com a sua sombra e voltar para a toca, então o inverno durará mais 6 semanas.

A cidade de Punxsutawney, localizada a aproximadamente 120 quilômetros a nordeste de Pittsburgh, entrou para o mapa do mundo justamente com a festa do Dia da Marmota. Lá vive “Punxsutawney Phil”, a marmota que todos os anos anuncia de o inverno vai durar ou não mais seis semanas. Ela é conhecida na cidade como a Previsora das Previsoras e é cuidadodamente protegida pelo Punxsutawney Groundhog Club, um grupo de cidadãos da localidade que desde 1887 promove o festival e que neste mesmo ano intitulou Punxsutawney como “the weather capital of the world” (a capital mundial do tempo). Quem chega a Punxsutawney é recebido por uma placa que anuncia que a previsão oficial da marmota de fato funciona e que seminários sobre os prognósticos são oferecidos anualmente.

O site oficial do Festival da Marmota de Punxsutawney diz que a marmota passa grande parte do ano em um ambiente Punxsutawneynte climatizado na biblioteca da cidade. A cada dia 2 de fevereiro, ela é retirada de sua toca às 07:25 da manhã para dizer ao mundo a sua previsão do tempo. A marmora Phil teria mais de cem anos de idade, brincam os moradores locais. De acordo com eles, a extraordinária longevidade de Phil é resultado da relação com a marmota Phyllis, a sua “esposa’, e uma dieta especial.

Mas, afinal, a previsão do tempo da marmota Phil funciona ? As suas previsões foram analisadas na 86ª Convenção da Sociedade Americana de Meteorologia em Atlanta e os resultados não impressionaram os pesquisadores. Um meteorologista destacou que o grau de precisão dos prognósticos da marmota desde o primeiro registro em 1887 é de apenas 39 por cento. Apesar da incerteza se a recente elevação da temperatura do planeta é resultado do aquecimento global ou de causas naturais, um grupo de estudantes de Meteorologia da Purdue Universityfez pouco caso do debate sobre a marmota. “Elas são péssimas prognosticadoras”, disse Kim Klockow durante a convenção em Atlanta. “Nós ainda amamos as marmotas, mas pra saber do tempo é melhor jogar uma moeda pra cima do que acreditar nelas”, concluiu.

A festa do Dia da Marmota se tornou tão popular que atrai milhares de pessoas a cada dia 2 de fevereiro e até nas telas do cinema foi parar. Imagine um dia em que tudo parece dar errado. Phil se tornou estrela no filme Feitiço do Tempo (Groundhog Day em seu título original, filmado em 1993.

A divertida história, já exibida diversas vezes na televisão brasileira, conta a história de um dia que certamente ninguém gostaria de viver. Imagine agora que esse dia se repita incontáveis vezes sem que você possa fazer nada para evitar isso. Esta é a maldição que vive Phil Connors (Bill Murray), um meteorologista e apresentador de televisão, egocêntrico ao extremo, sem amigos, nem amores, que após ter passado um dia aborrecidíssimo em Punxsutawney acorda todos os dias no mesmo dia, sem que mais ninguém, além dele, perceba essa situação. Cercado por desconhecidos, sem condições de sair da cidade, Phil se vê preso no dia 2 de fevereiro, em plena comemoração do Dia da Marmota.

A curiosidade é que Feitiço do Tempo não foi filmado na cidade onde acontece a grande festa do Dia da Marmota. A Columbia Pictures decidiu rodar o filme em local que fosse mais acessível a uma grande cidade. Punxsutawney se localiza numa zona rural de difícil acesso, com poucas auto-estradas na região, o que fez que os produtores escolhessem Woodstock, Illinois, para filmar O Feitiço do Tempo.

@MDD – Feitiço do Tempo é um dos meus filmes favoritos. É uma grande metáfora a respeito de reencarnações.

#Humor

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-dia-da-marmota

Häxa – a transformação de uma palavra Sueca de “mulher do Diabo” para uma “amálgama da Nova Era”

Um pacto com o Diabo – ou um pacto com forças que eram, pela Igreja, percebidas como o Diabo ou seus agentes demoníacos. Os deuses pagãos pré-cristãos são considerados como tais forças demoníacas e alguns deles estão proximamente conectados com o häxor.

Metamorfose – a habilidade de mudar para a forma de um animal.

Häx-riding (häxritt em sueco) – a habilidade de voar através dos ares ou em sonhos, na forma de uma pessoa ou de um animal. A cavalgada é facilitada com uma vassoura, bastão ou outra ferramenta apropriada, ou ao cavalgar uma pessoa ou um animal.

Häx-sabbath e a copula como o Diabo – uma festa e intercurso sexual com as forças mencionadas no primeiro parágrafo.

Feitiçaria proibida – o tipo de feitiçaria que usava ervas e encantaments era considerada má. É importante notar que no tempo dos julgamentos de bruxas, todos os tipos de feitiçaria eram considerados malignos e virulentos.

Em minha opinião, existem duas variedades de pessoas (suecas) que se dão ao título de häxa: o häxor traditional e o neo-häxor.

O Häxa Tradicional

Se você preenche todas as condições que consistem ao conceito häxa, então você é um häxa. Nem todo mundo pode se tornar um häxa. Você precisa nascer com o potencial, a habilidade de häxa para tecer a feitiçaria, assim como alguém nascido com uma porção de musicalidade e pode se tornar músico. Sem este potencial, você não pode häx-cavalgar (häx-ride), metamorfosear e fazer outras formas de arte-häx (häx-craft).

Para evitar confusão, vou colocar o “tradicional” após do häxa quando quero dizer häxa pela definição dada previamente para a continuação deste artigo.

Um häxa tradicional recebe seu chamado através de uma deidade-häx, faz um pacto com a deidade e serve-o (a). Em troca, ela recebe um poder mágico crescente e conhecimento. Ela (e) irá häx-cavalgar (e com isso eu quero dizer verdadeiramente viagens astrais e não visões internas, fantasias, visualizações e tal) e ela irá metamorfosear-se para que outros possam vê-la transformar-se (e não “animais internos”, animais totem, etc). Ela realiza festejos cúlticos juntamente com as forças a quem serve, e o culto irá conter elementos sexuais. Ela realizará sua feitiçaria específica e pode tanto abençoar quanto amaldiçoar.

O häxor tradicional pode ser dividido em duas categorias: aqueles que são parte de uma tradição e aqueles que não são. Tradições-Häx são fechadas, o que significa que somente aqueles escolhidos para serem parte da tradição terão acesso a este conhecimento e prática. Isto, por sua vez, significa que não posso dizer mais do que eu já disse sobre a häxa que seja parte do que uma tradição é ou faz.

O Neo-Häxa Moderno

Se o título häxa não tivesse sido tão furtado de seu significado como foi, eu não precisaria adicionar rótulos adicionais como neo ou tradicional a ele. Se tivesse mantido seu significado e definição estrita intactos, aqueles que se chamam de häxor teriam sido o que o verdadeiro sentido da palavra traz.

Para fazer com que este assunto fique ainda mais confuso, não há uma definição nova e homogênea que não seja o único denominador comum que é: se você quer se chamar häxa, você pode. Assim, eu não posso dar-lhe um sumário do que um neo-häxa é exceto “alguém que se chama de häxa sem preencher as condições do conceito de häxa”.

O que posso lhe dar são exemplos das diferentes variedades de neo-häxor, o que são e o que fazem.

O Sem Noção

Tenho visto aqueles que admitem não saber de nada, ou mesmo de fazer algo mesmo que remotamente próximo do conceito original, alegremente chamando-se a si como häxa porque “sente que é o certo”. Dentre aqueles que possuem – para dizer o mínimo – uma muita vaga conexão ao conceito, você geralmente descobrirá que são muito jovens e muito inexperientes, e que possuem uma ânsia romântica ao místico.

O Romântico

Então temos aqueles que confundem häxa com sua imagem de sábio ou sábia. Eles imaginam alguém que anda pelo interior, coletando ervas e plantas, conversando com os animais, sentido os espíritos da natureza e então retornam às suas pequeninas casas de campo nos limites de uma velha floresta onde eles plantam mais ervas, fazem bálsamos e decoctos e auxiliam as pessoas – mas somente aqueles que precisam de “boa” ajuda, sem aquelas coisas ruins como feitiços de amor e maldição.

Esta imagem não é consistente nem com o povo sábio de antigamente ou com o häxa tradicional. Isto foi concebido durante a era de romantismo nacional, quando um caminho rural, mais natural de viver, foi idealizado pela elite intelectual daquele tempo.

Este grupo também abraça terapias, teorias e idéias do movimento New Age, como por exemplo a terapia de cristais, cura e etc.

Povos indígenas e sua espiritualidade possuem grande apelo a este grupo. Os românticos esperam encontrar algo primal que seja próximo a natureza que sentem perdida em nossa cultura moderna. Isto é raramente apreciado pelos próprios povos indígenas que vem o “homem branco” interpretar mal, colonizar e comercializar suas tradições espirituais.  Os exemplos mais flagrantes são os nativos da América, de ambos norte e sul, os aborígenes da Austrália e as tradições crioulas que emergiram nos Estados Unidos, Caribe e América do Sul (Hoodoo, Voudou, Santeria, etc.)

Wiccanos e Pseudo-Wiccanos

Aqui encontramos um grande grupo que, ou são Wiccanos mas se chamam de häxor, ou são aqueles que adaptaram as características principais do que acreditam e praticam da Wicca enquanto confundem com o que o häxor acredita e pratica.

É neste grupo que encontramos tais generalizações como a que todos os häxor celebram os oito sabbaths wiccanos, vivem pelo Wiccan Rede (um não ferir ninguém, faça a tua vontade) e aderem à lei tríplice que dita que tudo o que você faz volta para você triplicadamente (e a interpretação do que isto significa na realidade pode ser qualquer coisa, do muito literal ao altamente simbólico).

Desde que existem tantos livros sobre o assunto e a palavra escrita é geralmente é percebida como verdadeira, e é geralmente aqui que encontro a mais certeira e barulhenta oposição em qualquer momento em que discuto o conceito häx. Isto é piorado pela questão relacionada de que Wiccanos que se chamam de bruxos sem igualmente compreender completamente esta palavra.

Por que usar uma palavra quando você não sabe o que ela significa?

É como se aqueles que argumentam que qualquer um pode se chamar de häxa são aqueles que investiram toda a sua vida mágica/mística e/ou religiosa no título häxa. Eles sentem que tanto está em jogo que se não puderem se chamar de häxa, eles não podem continuar com sua obra de forma alguma. Geralmente sou percebida como mesquinha e elitista por eles quando argumento que nem todo mundo pode ser um häxa e que assim, o título não deve ser usado levianamente. Posso concordar que seu seja mesquinha, se alguém que diz sua opinião e declara fatos possa ser considerada mesquinha. Eu sou uma elitista se isso for o mesmo que acreditar que ninguém pode fazer tudo, e que seja preciso um grande compromisso individual se uma pessoa quer realmente se chamar de häxa.

A coisa mais lógica a se fazer – na minha opinião -, é descobrir o máximo possível a respeito do título antes de se usar. É uma questão de integridade e respeito, tanto por mim e também para a tradição por trás do título.

Infelizmente, a atitude parece sair mais e mais da moda, e parece haver duas razões para tal.

Primeiro, um tipo de idéia mal direcionada de democracia, onde a noção de que todos tem igual valor é erroneamente interpretada como um direito para qualquer um, sem importar seu grau de conhecimento, habilidade e experiência a se chamarem como se quiserem, pelo menos desde que o título não tenha que ser provado por um diploma, exame ou similar.

A segunda razão é a quantidade enorme de informações similares disponíveis numa única busca do Google. Se onze páginas com conteúdo quase idêntico dizem todas as mesmas coisas sobre o que um häxa, isto deverá ser lido como verdadeiro e poucos irão checar os fatos com outras fontes mais confiáveis. Procurar por informações offline usando a heurística para avaliar a qualidade dos fatos que você encontra parece ser uma arte que logo será esquecida pela maioria das pessoas.

Alternativas

O ideal seria se aqueles que buscam o título olhassem para o que fazem, acreditam e praticam, e escolherem o que gostariam de se chamar ao fazer aquilo. Muitos dos que se chamam häxa iriam descobrir que são wiccanos solitários, ou talvez aspirantes a sábios. Outros iriam descobrir como animistas ou adoradores da Deusa. Talvez um número maior fosse (neo) pagão em geral, desde que estão no começo da descoberta do que seus caminhos, crenças e práticas são.

Sumário

Eu não posso proibir ninguém de se chamar de häxa, e não quero privar ninguém de suas crenças ou práticas – mas espero que ter fornecido alimento para algum pensamento mais profundo e inspirado os leitores para olharem além do que aparentemente mais acessível. Talvez a palavra häxa possa ser trazida de volta à sua definição, e talvez mais pessoas possam encontrar um caminho que é realmente o seu próprio e não uma estrada de livros brilhantes e rasas páginas da web.
Gostaria de agradecer meu bom amigo e mentor Gandbera pelo auxlílio, sem seus insights, conhecimento e assistência, não haveria um artigo.

Do original: Häxa – the transformation of a Swedish word from ”woman of the Devil” to ”New Age catch-all”, escrito pela bruxa sueca Mari Högberg. Traduzido com permissão da autora.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A4xa-a-transforma%C3%A7%C3%A3o-de-uma-palavra-sueca-de-mulher-do-diabo-para-uma-am%C3%A1lgama-da-nova-era

Os Três Amores: Agape, Philos e Eros

O ser humano não precisa de amor, mas de amores. Precisa sim de três: Agape, Eros e Philos, para que seja um ser (quase) completo. Completo como um ente único manifestando três aspectos do amor humano e divino que se complementam e são transferidos para os objetos desses amores, interagindo com outros entes também únicos.

Sem as influências estéreis da maioria dos filósofos acadêmicos, vamos abordar algo sobre esses três amores do ser humano, de maneira inteligível, sintética e prática para que possamos assimilá-los em nossa existência.

Agape, Philos e Eros são fundamentais na vida de qualquer indivíduo e devem ser desenvolvidos por todo aquele que tem consciência desse fato. São também aspectos considerados muito importantes e trabalhados na Via Draconiana. Nessa Via, pouco explorada pela grande maioria, os três amores podem ser tipificados pelos arquétipos de Lucifer (Agape), Sophiae (Philos) e Venus (Eros), entre outras associações e correlações. O leitor verá, pelo que segue, o porquê dessas associações. Contudo, por hora, não abordaremos as extensas implicações desse Caminho. O interessado pode se aprofundar nessa matéria, sem medos infundados, estudando as obras A Cabala Draconiana e A Revolução Luciferiana.

Mas, vamos aos amores da humanidade, amores “doados” por Lúcifer e Vênus para que façamos bom proveito, com discernimento.

As três formas de amor – Agape, Philos e Eros – manifestam-se em três níveis que interagem entre si: Agape é o amor em nível espiritual e universal (coração de Lúcifer); Philos, em nível psicomental (cabeça de Lúcifer); e Eros, em nível etérico-material e sexual (genitália de Lúcifer). É um sistema ternário que funciona no ser humano, sendo cada forma de amor em maior ou menor grau. No humano superior, mais evoluído, em seu estado lux-venusiano, iluminado pela consciência e pela sabedoria, os três amores estão em equilíbrio.

“Agape” em grego significa “amor”. Esse é o amor fraternal e espiritual entre camaradas, irmãos e irmãs, entre a família, entre casais e seus filhos (quando de fato existe o sentimento fraterno, e não uma mera convenção social de fachada). Agape é o amor afetivo isento de conotações sexuais, isento de segundas intenções, isento de malícia e de interesses pessoais. Sendo Agape o amor de afeição, é também amor de satisfação, pois uma fraternidade, quer seja entre irmãos de sangue ou não, quer seja entre esposo e esposa, quer seja entre um núcleo familiar, etc., esse amor satisfaz porque é compartilhado e tem resposta entre todos aqueles que se reúnem para formar uma fraternidade de homens, mulheres e crianças.

A satisfação de Agape também se refere ao prazer por boas comidas e bebidas, por banquetes geralmente alegres e harmoniosos partilhados entre pessoas fraternas e espiritualizadas que se respeitam. Em antigos textos clássicos gregos como o poema épico A Odisséia, de Homero, Agape expressa essa satisfação, esse prazer de compartilhar refeições entre determinada fraternidade, determinado grupo, seja de homens, mulheres, crianças, etc. Ao longo da obra de Homero, Agape pode ser evidentemente percebido nas ações de seus personagens, especialmente entre Odisseus e seus companheiros, bem como entre Odisseus e sua esposa Penélope, entre Odisseus e seu filho Thelêmaco, entre Odisseus e seus empregados, o que é manifestado com notável respeito e admiração. Podemos ver também a satisfação entre esses atos fraternos associados às refeições em diversas circunstâncias descritas ao longo da obra homérica.

Ainda na mitologia grega, Prometheus (uma forma de Lúcifer) é um dos principais exemplos da manifestação de Agape, vindo dos céus, do divino, com sua vontade e amor titânicos, para a humanidade na Terra. A propósito, as palavras gregas Thelema (vontade) e Agape (amor) têm ambas valor numérico 93 (9+3=12; 1+2=3, os três amores fundamentais, Agape, Philos e Eros).

Assim, devido ao seu significado e importância, Agape também existe no interior de ordens maçônicas, ordens ocultistas, ordens esotéricas, ordens draconianas, etc.

Philos (ou phileo, philia), em certo sentido, é também o amor fraternal, manifestado por lealdade, igualdade e mútuo benefício, um amor de dedicação ao objeto amado. Contudo, Philos vai além dessas definições, e a “dedicação” desse amor pode chegar a ser mental, que é um nível abaixo do espiritual e acima do emocional. É o caso do amor pela sabedoria (o objeto amado), ou seja, a filosofia. Esta pode ser um meio de engrandecimento mental, intelectual e cultural, de busca pela verdade das coisas, bem como todo um modo de vida que se adota e que se ama profunda e conscientemente. Philos como amor, dedicação e apreciação, manifesta-se como inquietudes interiores que impulsionam o ser humano à busca da sabedoria que irá torná-lo maior, mais nobre, mais digno de ser amado e mais capaz de amar conscientemente. Manifesta-se também como prazer mental, intelectual e cultural, como prazer e sede por conhecimento e cultura útil, estimulante e construtiva. O benefício mútuo que existe em Philos é o benefício que se tem quando se vai adquirindo sabedoria ao longo da vida, pois quando se ama a sabedoria (Sophia, a Deusa Mãe provedora de virtudes), ela própria nos devolve mais sabedoria em troca de dedicação e adoração.

Nosso terceiro amor, Eros, expressa o amor sexual, sensual, carnal, de atração física com a consumação do prazer, e manifesta o instinto de união e reprodução. Sendo filho de Afrodite (ou Vênus, a deusa da beleza, do amor, do sexo e dos prazeres, um aspecto de Sophia), Eros (Cupido) manifesta o amor em seu nível físico-etérico, no mundo material, com o estímulo dos cinco sentidos físicos e sua gratificação. Eros é o amor que evoca a beleza, o prazer pela beleza e a perigosa obsessão pelo objeto amado e pelo prazer que ele traz. Mas é também o amor essencial da Natureza, a força primitiva da procriação de tudo o que vive, o amor theriônico, bestial, de instinto sexual e de preservação da espécie. Eros deve unir-se com Agape para gerar a beleza do amor romântico e sensual, a princípio, que evolui para o amor de reciprocidade e de desejo mútuo um pelo outro, fluindo em trocas de energias polarizadas entre o homem e a mulher. Tal troca de energias ocorre por meio do sexo, em determinado nível, e por meio das afinidades mentais e espirituais quando desenvolvido em amor completo (Agape-Philos-Eros). Entretanto, Eros representa o amor mais perigoso dos três, pois traz prazer, e (muita) dor se não for devidamente administrado, assimilado e combinado com Agape e também com Philos.

Mas devemos sim buscar o prazer, com o discernimento de epicuristas espiritualizados, pois é um direito da raça humana, um bem de todos aqueles que o merecem. Devemos buscar os prazeres sadios que nos enriquecem, que nos confortam, e que não degradam o espírito, a mente e o corpo, de maneira que nosso esforço para obtê-los não seja maior do que o seu desfrute. A obsessão e o vício doentios não são um prazer, mas dor que leva à própria destruição do ser como um todo, o que não contribui em nada para a evolução. Lúcifer não é debilidade, não é submissão aos vícios, não é escravidão, não é decadência, não é degradação. Quando combinado com Agape e Philos, o prazer erótico luciferiano é essencial para a saúde do corpo e para a saúde do amor romântico (sem vulgarização), entre o homem (Lúcifer) e a mulher (Vênus).

Nesse caso, para nascer uma união ideal ou (quase) perfeita, é preciso de:

-Eros (atração física e desejo);

-Philos (afinidade mental e cultural);

-Agape (afinidade de ideais espirituais e de grau evolutivo).

Assim, se forma a unidade ternária do amor criativo e criador, a inspiração e o estímulo para a Senda da evolução.

Para concluir, fazendo uma outra analogia, no ser humano temos a cabeça (Philos), o coração (Agape) e os genitais (Eros) unidos em um sistema cérebro-cardio-genital que deve funcionar em harmonia. O ser humano deveria se esforçar para unir em si esses três amores para que haja satisfação sadia em suas inter-relações, cada qual no lugar certo e na medida certa, evitando a degeneração em seus vícios opostos (paixonite grosseira, obsessão egoísta e depravação sexual). Tal corrupção dos três amores pode causar uma “perda da alma” e seu conseqüente sofrimento, como podemos facilmente observar ao redor do mundo com sua lastimável “civilização”.

Amar nessas três formas não é sofrer mas sim atingir a paz ataráxica, quer dizer, a paz interior impertubável do espírito auto-consciente, do espírito sábio, desfrutando o prazer sadio e natural da alma, da mente e do corpo, traqüilamente.

Por Fr.’. Adriano Camargo Monteiro

#LHP #Luciferianismo

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Os Mamelucos e as Últimas Cruzadas

Publicado originalmente no Sedentário dia 3/3/2010.

Retornando às duas últimas cruzadas para finalizar esta que foi uma das fases mais sangrentas das batalhas pelo Oriente Médio durante os séculos XI e XII. Se você chegou agora, eu recomendo que leia antes os artigos sobre a Primeira Cruzada, sobre a Segunda e Terceira, sobre a Quarta Cruzada e os Cátaros, sobre a Quinta, Sexta e Sétima Cruzada pelo ponto de vista Templário.

Antes de prosseguirmos, será necessário explicar algumas coisas sobre os chamados “Mamelucos” que viviam no norte da África e o estrago que fizeram nas tropas cristãs estacionadas no Oriente Médio.

Os malucos Mamelucos

Os mamelucos eram escravos que originalmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano para os seus exércitos, e que em algumas situações também detiveram o poder no Egito.

Os primeiros mamelucos serviram os califas em Bagdad no século IX. Os Abássidas (os descendentes de Abbas, tio do profeta Maomé) recrutaram-nos das famílias não muçulmanas capturadas em áreas que incluem a atual Turquia, Europa de Leste e o Cáucaso.

O uso de não muçulmanos justifica-se sobretudo porque os governantes islâmicos, muitas vezes lidando com conflitos tribais e debatendo-se com as intrigas para manter o poder, muitas vezes precisavam depender de tropas sem ligação com as estruturas (familiares e culturais) de poder estabelecidas. Também podemos justificar esta escolha em parte pelo argumento de que o Islã proibia que muçulmanos combatessem entre si (o que, naturalmente, era bullshit teórica religiosa, dado que na, verdade, eles viviam se matando).

Como mencionei acima, o principal motivo desta opção era político. Os guerreiros locais eram frequentemente mais fiéis aos sheiks tribais, às suas famílias ou nobres, do que ao sultão ou califa.

Se algum comandante militar local conspirasse contra o governante, era praticamente impossível lidar com ele sem causar intranquilidade entre a nobreza (que estava ligada a esse comandante por laços familiares ou culturais). As vantagens das tropas-escravas é que eles eram estrangeiros, possuiam o estatuto mais baixo possível na sociedade, não podiam conspirar contra o governante sem correrem o risco de ser punidos.

Após serem convertidos ao Islão, os mamelucos eram treinados como soldados de cavalaria. Apesar de não serem mais escravos de um ponto de vista técnico, após esse treino eles eram obrigados a servir ao sultão. Eram mantidos pelo Sultão como uma força autônoma sob o seu comando direto, para serem usados no caso de atritos entre tribos locais. Muitos mamelucos ascenderam a posições de influência no império desta maneira. Esse estatuto permaneceu não-hereditário no início e as suas crianças eram impedidas de seguir os seus pais. Com o tempo, porém, tornaram-se uma casta militar poderosa.

A Oitava Cruzada

Em 1265, os egípcios da dinastia mameluca tomaram Cesaréia, Haifa e Arsuf; em 1266, ocuparam a Galiléia e parte da Armênia e, em 1268, conquistaram a Antioquia. O Oriente Médio vivia uma época de anarquia total entre as ordens religiosas que deveriam defendê-lo, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos.

O rei francês Luís IX (São Luís), retomou, então, o espírito das cruzadas, e lançou novo empreendimento armado, a Oitava Cruzada , em 1270, embora sem grande percussão na Europa. Os objetivos eram agora diferentes dos projetos anteriores: geograficamente, o teatro de operações não era mais o Mediterrâneo, mas a Túnisia, e o propósito, mais que militar, era a conversão do emir da mesma cidade norte-africana (Túnis).

Luís IX partiu inicialmente para o Egito, que estava sendo devastado pelo sultão Bibars, que apesar do nome, era muito macho. Dirigiu-se depois para Túnis, na esperança de converter o emir da cidade e o sultão ao Cristianismo. O sultão Maomé (pelamordosdeuses, não confundam com “O” Maomé… fazem 600 anos que o original morreu) recebeu-o de armas nas mãos. A expedição de São Luís redundou como quase todas as outras expedições, numa tragédia. Não chegaram sequer a ter oportunidade de combater: mal desembarcaram as forças francesas em Túnis, logo foram acometidas por uma peste que assolava a região, ceifando inúmeras vidas entre os cristãos, nomeadamente São Luís e um dos seus filhos. O outro filho do rei, Filipe, o Audaz, ainda em 1270, firmou um tratado de paz com o sultão e voltou à Europa. Chegou a Paris em maio de 1271 e foi coroado rei, em Reims, em agosto do mesmo ano.

A Nona Cruzada

A Nona Cruzada é, muitas vezes, considerada como parte da Oitava Cruzada, de tão picareta que foi. Alguns meses depois da Oitava Cruzada, o príncipe Eduardo da Inglaterra, depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até Acre, embora sem resultados.

Em 1268, Bibas, sultão mameluco de Egito, reduziu o Reino de Jerusalém, outrora o mais importante dos estados cruzados, a uma pequena faixa de terra entre Sidão e Acre. A paz era mantida pelos esforços do rei Eduardo I, apoiado pelo Papa Nicolau IV.

Em 1271 e inícios de 1272, Eduardo conseguiu combater Bibars, após firmar alianças com alguns de seus adversários. Em 1272, estabeleceu contatos para firmar uma trégua, mas Bibars tentou assassiná-lo, enviando homens que fingiam buscar o batismo como cristãos. Eduardo, então, começou preparativos para atacar Jerusalém, quando chegaram notícias da morte de seu pai, Henrique III. Eduardo, como herdeiro ao trono e que de trouxa não tinha nada, decidiu retornar à Inglaterra e assinou um tratado de paz com Bibars terminando a Nona Cruzada.

Os Templários

No último post, paramos no 13o Grão Mestre, Phillipe de Plesis, que faleceu em 1208 e foi substituído por Guillaume de Chartres. Guillaume passou a maior parte de seu mandato na Espanha, em batalhas contra os mouros na Espanha, onde a Ordem adquiriu muitos territórios e um poder gigantesco. Guillaume faleceu em 1218, vítima da peste (Tifo) e foi substituído por Pedro de Montaigu.

Há uma curiosidade a respeito de Pedro. Como um dos principais Mestres Templários do período, Pedro foi eleito por unanimidade em 1218 e tomou parte nas batalhas da Quinta Cruzada. Seu irmão de sangue, Guerin de Montaigu, foi o Grão Mestre dos Hospitalários durante este período, o que explica este ser o período histórico onde as duas ordens mais cooperaram entre si, formando poderosas alianças que permitiram vitórias sobre os exércitos muçulmanos que não poderiam ter sido produzidas de outra maneira. As alianças entre as duas Ordens duraram até a morte de Pedro, em 1230.
Armand de Perigord foi o Grão Mestre Templário de 1230 até 1244, quando os cristãos enfrentaram para valer os Mamelucos pela primeira vez. O sultão de Damasco pediu a ajuda dos Templários, Hospitalários e Teutônicos (junto com suas próprias forças) para enfrentar a horda de mamelucos na Batalha de La Forbie (Outubro de 1244) onde levaram uma surra tão feia que resultou em mais de 30.000 cavaleiros mortos; entre eles, o próprio Armand.

Richard de Bures foi um Grão Mestre que serviu ao Templo de 1244 a 1247. Em alguns registros seu nome nem aparece. O que aconteceu é que pensava-se que Armand estivesse morto, mas depois descobriu-se que ele havia sido feito prisioneiro e estava de posse dos muçulmanos, onde ficou até 1247, quando foi dado oficialmente como morto. Muitos consideram Richard como um Grão mestre, enquanto outros historiadores dizem que ele foi apenas um marechal que cobriu a posição enquanto Armand estava capturado. De qualquer maneira, Guillaume de Sonnac assume o Grão Mestrado em 1247, no início dos massacres mamelucos.

A Campanha de Sonnac foi extremamente violenta. Os Cristãos haviam perdido Tiberias, Monte Tabor, Belvoir e Ascalon para os Mamelucos e as ordens do rei para estas campanhas eram para resolvê-las com violência, não diplomacia. As principais batalhas das quais participou foram a de Al Mansurah e a de Fariskur, em abril de 1250, onde acabou perecendo.
Renaul de Vichiers foi o décimo nono Grão Mestre Templário. Ficou no comando até 1256, quando faleceu em combate e foi substituído por Thomas Berard. Berard escreveu para o rei Henrique III descrevendo a situação miserável da Terra Sagrada. O poder dos mamelucos estava tão grande que foi necessário um acordo entre os Grãos Mestres Templários, Hospitalários e Teutônicos para conseguir resistir, e nem isso foi suficiente: os mamelucos dominaram a fortaleza de Safed em 1266, depois Beaufort, Antióquia, Gaston, La Roche e finalmente, em fevereiro de 1271, Chastel Blanc. Mais tarde, os Templários tiveram de retroceder para Tortosa e, em Junho, Monfort, a última fortificação cristã na Terra Santa foi tomada pelos mamelucos.
Guillaume de Beujeau foi o vigésimo primeiro Grão Mestre e participou de quase todas as derradeiras batalhas. Foi morto em 1291, durante o Cerco ao Acre e Thibauld Gaudin foi eleito o novo grão mestre. ao mesmo tempo, Jacques de Molay foi eleito Marechal de Campo. Gaudin tentou reagrupar os exércitos templários sobreviventes ao mesmo tempo em que tentava organizar as hordas de fugitivos que haviam chegado no Chipre. Aparentemente, a tarefa de reorganizar todo o exército cristão foi demais para ele e Gaudin faleceu em 1292, deixando para Jacques de Molay a tarefa de reconstruir toda a Ordem na Terra Santa à partir das ruínas.

Mas o pior ainda estaria por vir…

No próximo post, Jacques de Molay e o Fim dos Templários.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-mamelucos-e-as-%C3%BAltimas-cruzadas

A Divulgação da Thelema na Internet

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Algumas pessoas têm ojeriza à promulgação de Thelema na Internet, especialmente em mídias sociais como o Facebook. O argumento básico é que a esse tipo de promulgação “emburrece” a Lei por usar citações simples ou imagens.

Eu entendo a preocupação e concordo até certo ponto. Seria melhor se as pessoas lessem os textos de Crowley ao invés de simplesmente clicar no botão “Curtir” numa imagem do Facebook. Este é um argumento válido, entretanto – dentro do contexto da Internet – há muitas razões pelas quais ele acaba se perdendo.

Primeiramente, algumas citações relevantes do próprio Crowley sobre a promulgação:

• Crowley escreveu para frater Achad em junho de 1916: “Observe: a questão antes dos encontros é essa: Como iremos colocar em prática a Lei de Thelema. Nós já temos a Lei; eu não acho que precisemos de mais conhecimento, mas precisamos desesperadamente do poder de administrá-lo. Eu acho que estou fazendo papel de bobo, pensando, falando e escrevendo. O que eu preciso é eficiência na promulgação”

• Crowley também escreveu em 28 de agosto de 1936: “uma coisa eu digo: que eu não espero que algo venha das especulações qabalísticas. Eu acho que elas podem até mesmo ser extremamente maliciosas em tempos como o presente. Nosso único foco deveria ser usar a Lei para reconstruir o mundo a partir do caos no qual já estamos parcialmente imersos. Aquela fórmula é simples e não requer treinamento especializado. O trabalho requer a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que nunca ouviram falar da Qabalah; e elas têm de ser abordadas numa linguagem que elas possam entender.”

• Crowley também escreveu para Grady McMurty (Hymanaeus Alpha) em agosto de 1945: “É necessário expandir o escopo da apresentação da Lei de Thelema para que pessoas de todos os tipos sejam capazes de apreciar a parte específica que elas conseguem entender. Desta maneira, os processos de pensamento da maioria [das pessoas] será de tal forma direto que, a todos aqueles que entendem a Lei, será dada a oportunidade de fazê-lo enquanto fornecem guia para aqueles cuja compreensão está incompleta”.

Sabazius X° também escreveu em Ágape X:4, “Se, por um lado, não temos o dever de “converter” [pessoas], por outro, temos, sim, o dever de disseminar a Lei o mais amplamente possível em toda a sociedade humana, e não apenas dentro de específicas sub-culturas, classes e grupos sociais.”

A partir dessas citações, é possível perceber que Crowley estava interessado em diversas coisas concernentes à promulgação da Lei:

• Crowley queria mais poder e eficiência na divulgação da Lei.

• Crowley queria a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que não necessariamente conhecessem coisas específicas como a Qabalah.

• Crowley queria que a Lei fosse apresentada de forma que qualquer tipo de pessoa pudesse apreciar as partes da Lei que conseguisse entender.

Portanto, uma boa promulgação requer (1) um meio poderoso (ou mídia diversificada) de divulgação da Lei, (2) a capacidade de atingir milhares de pessoas, e (3) uma apresentação simples e direta.

Eu pessoalmente acredito que a Internet seja um meio perfeito que preenche os 3 requisitos para uma boa promulgação. O Facebook, em particular, é a mídia que, atualmente, permite que muitas pessoas não só vejam pedaços e partes da Lei por meio de citações e imagens, como também permite que indivíduos compartilhem estes posts facilmente, gerando mais promulgação. Por exemplo, a imagem que está no cabeçalho deste artigo foi visto por mais de 10,000 pessoas numa simples postagem. Exemplo, esta postagem (1) usou uma mídia poderosa como o Facebook que (2) alcançou mais de 10,000 pessoas e (3) foi uma citação que a maioria das pessoas, mesmo sem nenhum conhecimento prévio de Thelema e ou de assuntos mais técnicos como Magick ou Qabalah, puderam apreciar.

O alcance potencial do Facebook é realmente impressionante. Para dar um exemplo, a página “Aleister Crowley” tem um alcance semanal médio de 45,000 pessoas. Isso significa que, em qualquer semana, um post (seja texto, link, vídeo ou imagem) é visto no Feed de Notícias de 45,000 usuários. Qual outra forma de promulgação consegue alcançar 45,000 pessoas toda semana? Continuando com este exemplo, toda vez que alguém curte, comenta ou compartilha o post da página Aleister Crowley, ele poderá ser visto por qualquer um que esteja na lista de amigos de quem realizou qualquer uma destas ações. Quantos são os amigos de pessoas “fãs” desta página do Facebook? Mais de 24 milhões. Estes amigos podem curtir, comentar ou compartilhar, de forma que o número de possíveis visualizadores é, na verdade, maior que 24 milhões. Esta é apenas uma página (fora tantas outras e perfis pessoais) e os números deveriam, na minha opinião, falar por si mesmos. Não está escrito no Livro da Lei que “Sucesso é sua prova”? É possível que este seja, de fato, o maior e mais difundido esforço de promulgação que a Thelema já viu em toda a sua história.

O que estes esforços fazem que é um benefício para a finalidade de promulgar a Lei?

• Milhares de pessoas verão o conteúdo, seja um link para um texto completo, uma citação ou qualquer outra possibilidade, que de outra forma não teriam acesso ou possibilidade de reflexão.

• Milhares de pessoas que nunca ouviram falar sobre Thelema ou Aleister Crowley têm a oportunidade de ver uma pequena parcela do que é a Lei.

• A milhares de pessoas (que não o fariam de outra forma) é dada a oportunidade de promulgar a Lei por si próprio ao difundir o conteúdo.

• Todos podem escolher seguir essas páginas do Facebook, e eles podem decidir comentar e compartilhar. Isto é, de certa forma, o pináculo da promulgação, em oposição ao proselitismo. Ninguém está sendo forçado a fazer, ler ou escutar coisa alguma.

Serviria isto como substituto para as leituras basilares, engajamento na comunidade local, prática de Yoga e Magick, e integração geral da Lei em suas vidas? Claro que não. Mas também não o é qualquer outra forma de alcance, incluindo os melhores e mais bem articulados livros. Tão provável quanto alguém ler um livro inteiro sobre Magick e nunca realizar um ritual é alguém compartilhar uma citação no Facebook e realmente não integrá-la em sua vida.

Nós não temos o poder de forçar a Thelema a alguém; é o Trabalho de cada um estudar, entender, e integrar [isso] em suas vidas e nenhuma carga de trabalho feita por outrém jamais substituirá isso. Nunca substituiu e nunca irá. Estes esforços de promulgação na Internet simplesmente dão mais e mais oportunidades para as pessoas espalharem a Lei para “pessoas de todos os tipos” como Crowley desejava. E é, de certa forma, até mais poderoso do que um livro pois é gratuito, eficiente, permite às pessoas perpetuar ideias com o mínimo de esforço e pode atingir muitos indivíduos que de outra forma jamais teriam escutado sobre Crowley ou sobre a Lei de Liberdade. E também, – ainda que possa chocar ou insultar alguns Thelemitas – nem todo mundo é um intelectual que tem tempo para ler livros e artigos longos e obtusos. Seja por falta de instrução, interesse ou tendência, existem diversas pessoas – na verdade, eu diria que a maioria das pessoas – que não são bibliófilos cabeçudos como eu (e muitos outros Thelemitas contemporâneos). “A lei é para todos” e isso não significa só para bibliófilos cabeçudos.

Algumas pessoas se preocupam com a possibilidade de esses esforços de promulgação terem gerado mais iniciados na OTO local ou mesmo mais Thelemitas. No núcleo disto reside uma preocupação a respeito de quantas pessoas estão realmente integrando essas ideias e colocando-as em prática. Como eu disse há pouco: é a Grande Obra de cada um estudar, entender e integrar [a Lei¿] em sua vida e nenhuma carga de trabalho de outrem substituirá isso. Mais importante, não há qualquer forma de saberemos com certeza absoluta. À parte de não perguntarmos sistematicamente a cada novo rosto que aparece em um evento o que especificamente o fez aparecer lá, há também o fato de que muitas pessoas não têm certeza, não lembram ou não querem dizer (talvez parcialmente pela possibilidade de ser defrontado com beatice!). Não há maneira de saber como esses esforços de promulgação afetam os membros já existentes de organizações como a OTO. Eu, pessoalmente, acho que se alguma postagem do Facebook fez alguém pensar um pouco sobre Thelema naquele dia, mesmo que seja apenas por alguns momentos, já é um avanço se comparado ao não pensar sobre isso de forma alguma. Talvez eles nunca tenham encontrado essa ligação ou uma citação específica antes. E mais: além de organizações como a OTO, não há maneira alguma de determinar como isso afeta Thelemitas (e não-Thelemitas) que não estão associados a qualquer organização em particular.

Em suma, como já mencionei, não há maneira alguma de saber com certeza absoluta. O que sabemos de fato é a incrível extensão em que esses esforços de promulgação pela Internet atingem as pessoas de alguma forma ou de outra, tanto Thelemitas quanto não-Thelemitas. É um fato concreto que “dezenas de milhares de pessoas” (assim como Crowley queria) estão vendo este conteúdo quando, de outra forma, não o fariam. O Livro da Lei diz “e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema”. De verdade, deveríamos nos preocupar com a possibilidade de outras pessoas estarem ou não verdadeiramente engajando-se com o material de alguma forma? Não estaríamos possibilitando às pessoas uma “chance de permanecer neste êxtase ou não” e, independentemente de eles fazerem algo a respeito disso ou não, “não é problema”? Não seria a insistência que determina aos indivíduos que façam uma coisa específica ou que ajam de uma maneira específica uma violação fundamental do “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”?

O Livro da Lei diz: “O sucesso é tua prova; não argumentes, não convertas; não fale demasiado!”. Vamos fazer um pequeno exercício de pensamento: considere a diferença entre (a) um indivíduo que, por exemplo, cria uma imagem com uma citação sobre a Lei e a espalha no Facebook versus (b) um indivíduo que critica esse esforço. A pessoa A está criando uma oportunidade ou chance de alguém ouvir sobre a Lei, pensar sobre a Lei, e compartilhar a Lei, sem qualquer tentativa de converter ninguém (“Sucesso é tua prova”). A Pessoa B é, antes de tudo, reativa – eles estão definindo o princípio causal de suas ações fora de si ao re-agir ao invés de agir. A Pessoa B está argumentando no lugar de espalhar a Lei (“não argumentes”), está tentando obrigar e impor seu estilo de vida como “um verdadeiro Thelemita” sobre os outros (“não convertas”), e estão gastando tempo e energia punindo o outro (“não fale demasiado”) ao invés de criar seu próprio material que seria, obviamente, tão melhor. Se 10.000 pessoas veem algo sobre Thelema por que uma imagem foi postada, quantas pessoas estão realmente sendo alcançadas através da crítica desta mesma imagem?

Enquanto a crítica construtiva é sempre benéfica para aperfeiçoar a eficiência de uma abordagem, há uma série de críticas que são simplesmente emocionais e reativas (isto é, não construtivas). Parece haver algumas pessoas que, conscientemente ou não, querem manter a Thelema como uma camarilha de clausura, elitista e restrita a uma minúscula “panelinha”. Essa é a prerrogativa deles – Faça o que tu queres, é claro – mas acredito que eu, juntamente com dezenas de milhares de outras pessoas, estamos, juntos, fazendo muito trabalho substancial para espalhar a Lei de Thelema para o resto do mundo, de acordo com a atitude do Profeta (como visto nas citações acima). “A Lei é para todos” afinal, e eu digo: se realmente acreditamos que Thelema é a Lei da Liberdade – a Chave para a nossa evolução como indivíduos e como uma espécie – nós devemos dar a tantas pessoas quanto for possível a “chance de permanecer neste êxtase ou não “.

Amor é a lei

Amor sob vontade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-divulga%C3%A7%C3%A3o-da-thelema-na-internet

Um Médium Notável (parte 2)

« continuando da parte 1 (artigo sobre Chico Xavier)

Que nos sobra então após tantas suposições? Nada mais do que suposições. Se é verdade que alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, se é verdade que “não é possível experimentar com espíritos conforme se faz com uma pilha voltaica” – conforme disse Kardec –, e finalmente, se é verdade que a existência do espírito ainda requer comprovação experimental, então da mesma forma os céticos tem de correr atrás de comprovações para suas alegações. Recorrer à opinião de sobrinhos alcoólatras (que depois se ratificou das acusações ao tio), de supostos ex-coordenadores das reuniões de Chico em Uberaba, de “pesquisadores” que tem a idéia fixa de provar que Chico era uma fraude – nada disso será suficiente. De nada adianta encarar um fenômeno com um pré-julgamento em mente (“Todo médium é um fraude!”; “Espiritismo é coisa do demônio!”; “Espíritos existem e Chico é um santo!”), não sobrará espaço algum para qualquer análise objetiva – apenas para sua opinião subjetiva, que em todo caso já estava definida a priori.

Felizmente temos pesquisas sérias e aprofundadas sobre o fenômeno (leia-se: fato, e não mera teoria ou opinião) da produção literária de Chico:

O site Obras Psicografadas possui vasta análise cética de inúmeras obras espíritas, neste site existe uma análise de que certas obras de Chico podem ter plagiado textos pré-existentes. Na verdade, esse tipo de análise cai dentro do âmbito da hipótese da criptomnésia, já que dificilmente Chico iria se dar ao trabalho de inserir conscientemente certos trechos de outras obras, quando em realidade a vasta quantidade de sua produção literária fala por si só… De onde haveria “plagiado” todas as descrições minuciosas dos livros ditados por Emmanuel e André Luis? Que houvesse, sem querer, “plagiado” alguns trechos, é até verossímil… Que essa explicação se estendesse para toda sua obra, absolutamente não.

Já a própria FEB (Federação Espírita Brasileira) pesquisou citações históricas presentes em livros de Chico. Gilberto Trivelato, coordenador do estudo, parece estar se certificando da autenticidade da obra de Chico: “Alguns relatos são tão detalhados que Chico não os faria nem com a ajuda das melhores bibliotecas… Um deles diz que a Catedral de Notre-Dame, em Paris, tinha escadas. Hoje ela não tem. Mas se você pesquisar a fundo, descobre que no século 19 tinha, por causa de enchentes”.

Pesquisa a fundo: isso dá trabalho… Muitos preferem as generalizações e julgamentos apressados. Muitos se indignam com a possibilidade de um médium do interior de Minas ser, talvez, o maior brasileiro que já existiu. Um homem cuja obra obviamente ainda não pôde ser totalmente compreendida, mas cujo carisma arrastou multidões.

Merece a obra de Chico receber aprovação e credibilidade imediata pelos espíritas e simpatizantes? Obviamente que não, senão não seríamos muito diferentes dos pseudo-céticos… Uma coisa são as obras ditadas por Emmanuel e André Luis, outra são obras ditadas supostamente pela mãe de Chico (com todo respeito) com supostas descrições dos “seres alados de Marte” ou versões ufanistas da história do Brasil, considerado o “coração do mundo” por Humberto de Campos. E mesmo entre os espíritas de longa data há calorosas discussões acerca do relato das migrações entre planetas de “A Caminho da Luz” (embora o Gênesis de Kardec também afirme isso) – será que houve mesmo a migração de Capela?

Mas acima de tudo, há que se considerar que espíritos não são infalíveis, e falam somente sobre o que sabem: nada mais, nada menos. Considerar que Chico tenha sido ludibriado por espíritos zombeteiros, que afirmavam serem pessoas que em realidade não eram, talvez seja mais difícil de crer considerando a proteção quase permanente de Emmanuel. Mas e quanto ao próprio Emmanuel? Apesar de iluminado pela convivência no plano espiritual, não deixava de ser um ex-padre católico, no mínimo um espírito com enormes tendências ao lado religioso da doutrina – ao contrário de André Luis, que era um entusiasta da ciência.

Quanta coisa a ser levada em consideração… Quantos debates passados e vindouros… Quantas histórias contadas, e por contar, nos deixou esse médium notável! E quanto a Chico, será que o “capim de Deus” estaria hoje preocupado com seu legado?

“A doutrina é de paz… Emmanuel tem me ensinado a não perder tempo discutindo. Tudo passa… As pessoas pensam o que querem a meu respeito – pensam e falam. Estou apenas tentando cumprir com o meu dever de médium.” – respondeu-nos o médium ainda vivo [1].

Todo esse frenesi em torno de Chico, uns atacando-o como um demônio, outros o idolatrando como um santo, tudo isso também passa. Chico não é nem nunca foi o mito que as pessoas fizeram dele. “Não pretendo ser líder de nada” – afirmava. Chico foi a pessoa humilde do interior de Minas, o doce caipira com uma eterna doçura no olhar – mesmo por detrás dos óculos, todos que o conheceram sentiram-na –, aquele que agia naturalmente no amor, e continuará agindo.

Não se exponham a discussões inúteis com “céticos” e/ou “evangélicos” de opinião cristalizada… Deixem que julguem conforme acharem melhor, que enquanto não comprovarem nada, a obra de Chico e o seu exemplo moral continuarão falando por si próprios. Deixem os caminhos da doutrina em movimento, que o espiritismo não foi feito para se dogmatizar em um “kardecismo” ou uma “idolatria a Chico”. Deixem Chico em paz em suas planícies mineiras do outro lado do véu. Ou não, tanto faz – ele cumpriu sua missão.

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[1] Trecho de depoimento ao Jornal O Ideal – Nº 56 – Janeiro de 2000.

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Artigo relacionado: Chico Xavier: charlatão?

Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.

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#ChicoXavier #Espiritismo #Mediunidade

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A vida secreta das plantas

Desde os tempos mais remotos que, em todas as culturas os homens adquiriram profundos conhecimentos sobre a vida das plantas, sempre em relação com uma concepção universal de vida, conhecimento que se integrava nas grandes ciências da Alquimia, Astrologia, Medicina, etc.

As fontes principais deste saber foram as Escolas de Mistérios e a comunicação directa dos Médico-Magos com os elfos, silfos, fadas, duendes e demais espíritos elementais que convivem com as plantas, os quais intruiram o homem. Tão grandes conhecimentos foram-se perdendo gradualmente com o correr dos milénios, com brilhantes renascimentos na Grécia, Roma e entre os celtas, até às últimas luzes impulsionadas pelos povos incas e aztecas.

Passado o desastre da queda do Império Romano, e após séculos de obscurantismo, um novo hálito da Tradição desperta a Europa e a partir de Itália surge o Renascimento; génios da talha de Da Vinci, Paracelso ou Giordano Bruno, entre outros, permitiram que o Ocidente redescobrisse aquelas antigas Ciências, ainda que isso só fosse possível de maneira muito fragmentária.

O materialismo desenvolvido a partir do século XVII foi obstruindo cada vez mais esses contactos e, enquanto se edificava uma pseudociência mecanicista e dogmática, perdeu-se lentamente a capacidade de percepcionar o lado subtil da Natureza e os seus habitantes; alcançaram-se concepções muito precisas do mundo material em contraste com uma ignorância quase absoluta do invisível, verdadeiro agente dos fenómenos físicos e químicos.

No século XX, em que o materialismo entronizou a sua miopia, foram definitivamente cortados esses já tão frágeis vínculos. Chegou-se a considerar a vida como uma mera dinâmica de fenómenos ordenados, mas sem nenhuma transcendência. Os seres foram vistos como coisas que possuiam um mecanismo vital, e em consequência disso afirmou-se que nas plantas existia um tal fenómeno e que, por isso estavam vivas.

No meio desta obscuridade surgiu a figura singular de Helena Blavatsky que, apesar da incompreensão e da intolerância reinantes, manteve vigente num selecto grupo de mentes lúcidas a concepção da Vida-Una. Assim chegámos ao século XX, onde uma série de descobertas dera à Ciência oficial a possibilidade de considerar fenómenos que se afastavam de sua própria óptica materialista; e sem por isso abandonar as suas alienações, começa a estudar com maior humildade e menos preconceitos determinados fenómenos considerados noutros tempos pouco sérios. O cientista do século XIX foi intransigente, manifestando orgulhosamente o seu pretenso saber; o do século XX, pelo contrário, menciona os seus achados com muita cautela. E o facto é que na segunda metade do nosso século experiências inquestionáveis obrigaram-no à mais extrema prudência, face à probabilidade da vida ser uma realidade para além do estritamente material.

Estamos quiçá, assistindo à aceitação de algo que os esoteristas de todos os tempos afirmaram: que as plantas e tudo quanto existe têm tanta vida como nós e o Universo na sua totalidade.

Paracelso

Não podemos, nesta breve resenha dedicada à vida oculta das plantas, deixar de mencionar a grande figura de Paracelso.

Nos inícios do Renascimento, ao lado de outras grandes personagens, surge o génio maravilhoso de um grande alquimista e médico ilustre chamado Aureolus Philipo Teofrastos Bombast de Hohenheim.

Nasceu em Einsiedeln, Suiça, em 10 de Novembro de 1943; desde muito jovem o seu pais ensinou-lhe que a Medicina se encontra na Natureza, e só aí é que os homens deviam buscá-la. Dado que tinha um físico muito frágil, o seu pai levava-o a viajar constantemente, convencido de que a mudança de ares o fortificaria. Nessas viagens aprendeu a conhecer as plantas que tinham propriedades curativas ou tóxicas, seu pai também o iniciou nos conhecimentos de Medicina, Cirurgia, Alquimia, Teologia e Latim. Ainda muito jovem conheceu em Levanthal o bispo beneditino Eberhard Baungartner, tido como um dos mais notáveis alquimistas do seu tempo, recebendo os seus ensinamentos com grande avidez. No entanto, o seu maior anseio era poder curar os enfermos, orientando sempre a sua formação para esse fim.

Mais tarde viajou para Basileia, onde aprendeu ainda mais sobre Astrologia e outras Ciências afins. Porém os ensinamentos da Universidade conservavam o espírito medieval pleno de conhecimentos anquilosados; assim, decide procurar um verdadeiro Mestre embarcando para Wurzburg ao encontro do abade beneditino Tritemius, autêntico Adepto, que o instruiu na verdadeira Ciência. Dada a sua vocação, orientou tudo o que aprendeu para a cura das doenças, valendo-se principalmente das propriedades das plantas, assim como de comunicações com os espíritos elementais da Natureza, como ele próprio refere. Deu a conhecer, mais tarde, através de publicações, alguns ensinamentos de carácter ocultista, aplicados sempre à Medicina que tanto amou. Destaca entre os seus ensinamentos o que se refere à inter-relação das plantas com as múltiplas manifestações dos seres vivos no Cosmos, e que definiu como “Signatura”.

O seu amplo espírito levou-o a utilizar diversas vertentes no campo das terapêuticas, tais como a Fitoterapia, a Homeopatia e medicamentos de origem mineral. Chegou a desenvolver uma verdadeira Medicina mágica, aproximando-se de uma certa forma dos Mestres-Magos da Antiguidade.

É a ele, pois, que devemos a pequena chave deste conhecimento oculto, que oferecemos ao leitor através do presente artigo.

As plantas, o Homem e o Cosmos

Em 1966, Backster, famoso técnico na detecção de mentiras através de um galvanómetro, teve o impulso de conectar os seus eléctrodos às folhas duma dracena, acompanhando a reacção desta face à água vertida sobre as suas raízes. Qual não foi o seu espanto ao ver que o galvanómetro produzia um gráfico com linhas extremamente acidentadas: seria possível que a planta fosse capaz de exteriorizar emoções?

A maneira mais eficiente de provocar num ser humano uma reacção suficientemente forte para que o galvanómetro salte é ameaçar pôr em perigo o seu bem-estar. Foi precisamente isto que Backster decidiu fazer à planta: introduzir uma folha de dracena na sua chávena de café quente; o galvanómetro não registou nada. Reflectiu um momento e ocorreu-lhe uma ameaça maior: queimar a folha a que tinha aplicado os eléctrodos. No próprio momento em que pensou nisso o gráfico descreveu uma prolongada linha ascendente. Backster não se tinha movido na direcção da planta nem do gravador. Seria possível que a dracena estivesse lendo o seu pensamento?

Saiu da sala e voltou em seguida com alguns fósforos, observando então que o gráfico registava outro traço brusco para cima, sem dúvida causado pela sua determinação em levar à prática a ameaça que tinha pensado. Dispôs-se a queimar a folha. Desta vez o gráfico assinalou uma reacção mais baixa. Quando, efectivamente, começou a fazer os movimentos de tentar queimar as folhas, não houve reacção alguma. A planta parecia capaz de saber distinguir entre uma tentativa verdadeira e outra simulada.

Backster também comprovou que quando as plantas se viam irremediavelmente ameaçadas, recorriam ao “desmaio”. Assim, a sua planta não reagia a nenhum estímulo sempre que se encontrava na presença de um fisiólogo, cujo trabalho requeria destruir plantas a fim de obter o seu extrato seco.

Para averiguar se as plantas possuiam uma certa forma de memória deu-se início a um plano segundo o qual Backster iria tentar identificar o assassino secreto de uma planta. Seis estudantes, com os olhos vendados, tiraram à sorte um papelinho dobrado de um saco, havendo num deles instruções para arrancar e destruir completamente uma das suas plantas existentes numa sala contígua. O “assassino” tinha que cometer o crime em segredo, com a outra planta por única testemunha. Conectando a planta sobrevivente com um polígrafo e fazendo com que os alunos desfilassem um a um diante dela, Backster conseguiu identificar o culpado, pois só na presença de um deles é que a planta descreveu no polígrafo uma curva frenética de movimentos; a seguir, o estudante confirmou ter sido ele o “assassino”.

Numa outra série de observações, Backster notou que parecia criar-se uma espécie de vínculo de afinidade entre uma planta e o seu tratador, qualquer que fosse a distância que os separasse. Chegou a esta apreciação mediante cronómetros e anotando todas as suas actividades durante o dia, comprovando logo que a curva descrita pelo polígrafo coincidia com as diferentes emoções vividas pela planta ao longo da jornada.

Vogel, cientista inspirado nas experiências de Backster, dispôs três folhas na cabeceira da sua cama e todas as manhãs durante um minuto, exortava amorosamente duas delas a viver, ignorando deliberadamente a outra. Passado uma semana, esta última estava murcha, enquanto que as outras mostravam-se viçosas. Um dia convidou um psicólogo a ir a sua casa; a planta da sala, que tinha um polígrafo conectado, teve uma reacção instantânea e intensa, ficando de repente como morta. Quando Vogel perguntou ao psicólogo em que é que tinha pensado, este respondeu-lhe que tinha comparado mentalmente o filolendro de Vogel com um que tinha em casa, e pensou quão inferior era o de Vogel ao seu. De uma forma evidente, a planta de Vogel mostrou-se tão cruelmente ferida “nos seus sentimentos” que se recusou a reagir durante o resto do dia; com efeito, esteve quase duas semanas sombria e mal-humorada. A partir daí Vogel não teve dúvidas de que as plantas podiam ter aversão aos pensamentos dos seres humanos.

Isto não foi apenas comprovado com seres humanos; Backster pôde demonstrar a um grupo de estudantes da Universidade de Yale que os movimentos de uma aranha na sala em que uma planta estava conectada com o seu equipamento podiam originar importantes alterações no gráfico produzido por esta como, por exemplo, imediatamente antes da aranha escapar a uma tentativa humana de limitar os seus movimentos.

“Parecia – comentava Backster – que a planta captava cada uma das decisões da aranha em fugir, causando uma reacção na folha”.

Numa outra ocasião Backster cortou-se num dedo e untou-o com iodo; a planta que estava a ser observada por meio do polígrafo reagiu imediatamente à morte, segundo parece, de algumas células do dedo.

“A faculdade de sentir – assegura Backster – não parece acabar no nível celular. Pode-se estender ao molecular, ao atómico e até ao subatómico. Concluindo, todas as classes de seres que foram consideradas, convencionalmente, inanimadas, necessitam de uma nova avaliação”.

As plantas e a música

Dorothy Retallack, organista e soprano profissional que tinha dado concertos no Beacon Club de Denver, começou a realizar uma experiência biológica de laboratório com plantas. Juntamente com a amiga formaram dois grupos diferentes de plantas, entre as quais havia filolendros, milho, rabanetes, gerânios, etc. Em seguida, frente a um dos grupos, fizeram soar segundo a segundo as notas musicais “Si” e “Ré”, tocadas a piano e gravadas numa fita magnética; aqueles sons aborrecidos e monótonos, após três semanas de experimentação, fizeram com que todas as plantas começassem a murchar, e algumas delas, inclusivé, afastaram-se da fonte do som, como se fossem desviadas por uma forte ventania. O grupo de plantas que se tinha desenvolvido em paz floresceu.

Também realizou uma experiência de oito semanas com cabaças de Verão, transmitindo para o seu interior música de duas estações de rádio de Denver: uma delas “rock”, e a outra, música clássica. As cucurbitáceas não foram de modo algum indiferentes a estes dois estilos musicais: as expostas às peças de Haydn, Beethoven, Brahms, Schubert e de outros autores europeus dos séculos XVIII e XIX, orientaram-se na direcção do aparelho de rádio, e uma delas enroscou-se amorosamente em torno do transistor. As outras cabaças desenvolveram-se de forma a evitar a música “rock”, e até tentaram trepar pelas paredes resvaladiças da sua caixa de cristal. Em princípios de 1969, a senhora Retallack organizou uma série de ensaios semelhantes com milho, cabaças, petúnias, calêndulas, etc., tendo obtido o mesmo resultado. A música “rock” fazia que, de início, algumas plantas crescessem anormalmente altas e com folhas excessivamente pequenas, ou que ficassem paralisadas; ao cabo de quinze dias, todas as calêndulas tinham morrido, enquanto que outras idênticas, às quais chegavam os compassos de música clássica, floresciam a dois metros dali. Ocorreu algo ainda mais interessante: durante a primeira semana, as plantas expostas à música “rock”consumiam muito mais água do que as expostas à música clássica, embora tirassem menor proveito, já que ao examinar as suas raízes estas estavam esquálidas e só tinham uma polegada de longitude, ao passo que as do outro grupo eram grossas, espessas e quatro vezes mais compridas. Vemos, pois, que um determinado tipo de música exerce influências benéficas no crescimento e desenvolvimento das plantas, graças à sensibilidade que estas possuem, enquanto que outros ritmos produzem efeitos negativos, impedindo o seu desenvolvimento ou provocando enfermidades e, inclusivé, a morte.

Uma vez mais corroboramos a íntima vinculação das plantas com o meio ambiente.

Os Chamanes

O Médico-Mago da Antiguidade, que acumulava uma enorme Sabedoria ao longo dos tempos e dos ciclos históricos, tem na actualidade um modesto mas não menos enigmático herdeiro, o “chamane”.

Os chamanes, os “medicine man” dos povos marginais de todo o mundo, não são supersticiosos ignorantes que pretendem conjurar forças estranhas que desconhecem ou temem; bem pelo contrário; são, no seu meio, personagens de uma reputada capacidade e inteligência, e que reúnem condições de liderança face aos seus semelhantes.

Para alguém se tornar chamane de um povo é fundamental ter uma particular disposição ou abertura para com o mundo natural, o que lhe permite comunicar activamente com a Natureza, com o Espírito das montanhas, dos vales, dos bosques, dos animais e das plantas.

Um aspecto essencial destes singelos médico-magos é, pois, a possibilidade de entrarem em comunicação com os elementais das plantas, estabelecendo com eles uma espécie de diálogo que lhes permite encontrar o tipo de substâncias vegetais que podem utilizar para tratar determinadas maleitas dos seus povos; segundo as suas próprias referências, este diálogo é levado a cabo através das técnicas do êxtase. Segundo os investigadores, há milhares de anos atrás os estados místicos alcançavam-se por vontade própria, ao passo que actualmente os chamanes perderam muito do seu poder e necessitam de utilizar plantas alucinogéneas para realizarem o seu labor; não obstante, é preciso reconhecer neles um passado de alguma forma vigente, um conhecimento intuitivo da vida secreta das plantas, e hoje a Ciência actual voltou o seu olhar para eles em busca de tratamentos mais naturais. No entanto, esta Ciência não chega a compreender que o que necessita de aplicar não é uma maior acumulação de conhecimentos e de técnicas, mas uma concepção radicalmente diferente do Universo. Entretanto, próximo de nós estão estes seres singelos que preservam da soberba e ignorância do nosso século conhecimentos fabulosos.

Peter Tompkins e Christopher Bird

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-vida-secreta-das-plantas/

Lingam e Yoni

Na dualidade essencial do sistema Tântrico, temos dois símbolos que compõem a expressão máxima da interação de Shiva e Shakti: o Lingam e a Yoni. Estes dois simbolos estão de tal maneira imersos na mente da humanidade que literalmente toda a cultura extinta ou existente possue alguma versão deles. A Lua e o Sol, Vênus e Marte, A Deusa e o Deus, Altar e Totem, a Bela e a Fera, a Rosa e a Cruz, entre tantos outros.

O Lingam é o símbolo da energia criadora masculina, viril, e sua definição é a de ser “fixo”, “imóvel” (Dhruva), “forma fundamental” (Mulavigraha). É o pênis enrijecido, pleno de vida, desejoso de penetração. Este símbolo, na forma de um Falo de pedra, pode ser encontrado já no período Neolítico da civilização do Indo. Lingam está associado ao fogo, e sua natureza é a mesma do ÁXIS MUNDI, assim com pode ser considerado o Raio (ou Vajra).

Yoni é a Terra, a MÃE DO FOGO, abriga a energia potencial e a vivifica numa união não apenas divina, mas supra – divina. É o receptáculo, o Altar – Mor da Criação, do Ovo do Mundo, onde ele é gestado e ao mesmo tempo honrado. Desse modo, o Lingam – Raio penetra e fertiliza Yoni – Altar. A Yoni é a vagina molhada e sedenta por ser penetrada, é o Yantra ou Pitha da Deusa (sobre o Yantra falarei adiante). O adepto do tantra não pode considerar a yoni de outra maneira senão como o Altar. E quando ele (o Sadhaka) atinge o mais alto grau nesta disciplina ele é capaz então de prestar homenagem “amorosa” – Mithuna.

 

O Mito do Lingam

Não existia universo, apenas as águas e a noite sem estrelas do interregno sem vida, situado entre a dissolução e a criação. No oceano infinito repousam todas as sementes e potencialidades da evolução subseqüente, Num estado de letárgica indiferenciação. Vishnu, corporificação antropomórfica deste fluido vital, flutua sobre substância de sua própria essência. Sob a forma de um gigante luminoso, reclina – se no elemento líquido, irradiando o brilho perene de sua energia abençoada .

Surge, então, um novo e assombroso evento: Vishnu vê, de súbito, outra forma luminosa, a aproximar – se com a velocidade da luz, reluzindo com o brilho de uma galáxia de sóis. É Brahma, o quadricéfalo criador do universo, pleno de sabedoria yogue. Sorrindo, o gigante reclinado pergunta ao recém – chegado:

– Quem és tu? Qual é a tua origem? Que fazes aqui?
– Eu sou o primeiro progenitor de todos os seres; sou Aquele que se Originou de Si Mesmo! – diz Brahma.

Vishnu, respeitoso, discordou:

– Pelo contrário – contestou – sou eu o criador e destruidor do universo. Criei – o e o destruí vezes e vezes.

As duas poderosas presenças continuaram a contestar – se mutuamente e a discordar. Enquanto questionavam no vácuo infinito, viram que emergia do oceano um alto linga coroado de chamas. Rápido, este transformou – se no espaço infinito. As duas divindade cessaram a discussão, contemplando – o maravilhadas. Não conseguiam calcular – lhe a altura nem a profundidade.

Brahma disse:

– Enquanto mergulhas, eu sobrevôo. Tentemos localizar-lhe as extremidades.

Ambos os deuses assumiram suas formas animais tão conhecidas Brahrna, a de ganso; Vishnu, a de javali. O pássaro alçou vôo rumo ao céu e o javali mergulhou nas profundezas. Em direções opostas, avançaram sempre e sempre, sem conseguir encontrar os limites do linga, pois enquanto o javali submergia e Brahma ascendia, o prodígio elevava – se mais e mais.

De repente, numa face do extraordinário falo abriu – se um nicho em cujo interior mostrou – se Shiva, a força suprema do universo. Enquanto Brahma e Vishnu curvaram – se à sua frente em adoração, ele, solene, proclamou a si mesmo como a origem dos outros dois deuses. Proclamou – se ainda como Super Shiva, por simultaneamente conter e representar a tríade Brahma, Vishnu e
Shiva – Criação, Conservação e Destruição.

Embora emanados do linga, continuavam, entretanto, sempre contido nele. Eram suas partes constituintes: Brahma o lado direito e Vishnu o esquerdo, estando no centro Shiva – Hara, “O Que Reabsorve, Retoma ou Dissolve”. Shiva assim é figurado no lingam expandido, elevado, intensificado, na condição de elemento essencial e omniabrangente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/lingam-e-yoni/

A arte de sentir

» Parte 3 da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1 | ver parte 2

Magia é a arte – a arte original –, a ciência de se manipular símbolos, palavras ou imagens para se alcançar estados alterados de consciência. (Alan Moore)

Muitos podem achar um tanto estranho que um roteirista de quadrinhos tenha nos dado uma das mais simples e elaboradas definições do que é, afinal, a magia. Logo ele, que criou tantas histórias fantásticas, com super-heróis e seres mitológicos, vem nos dar uma definição “sem graça” como essa? Na realidade, não é surpreendente que artistas, sobretudo escritores de fantasia, sejam os que mais têm contato com a magia. A definição de Alan Moore, longe de diminuir a magia, apenas a expande e a devolve ao seu lugar de origem: o fundamento de todas as práticas mediúnicas de outrora, desde animais desenhados em cavernas na pré-história, até os primeiros rituais elaborados pelos grandes xamãs da antiguidade.

A magia é a arte, a mãe de todas as artes, a arte de sentir o mundo, sentir a natureza e, invariavelmente, captar tais pensamentos a pairar pelo ar [1]… Os médiuns ancestrais prontamente os associaram a espíritos, mas hoje há muitos artistas que acham que sua inspiração vem do inconsciente, ou de “algum lugar por aí”… Na verdade, é claro que a inspiração artística passa pelo crivo do inconsciente, e que muitas das criações humanas podem ser explicadas pelo encadeamento de informações das mais variadas fontes dentro de nosso grandioso e complexo cérebro. Porém, se nenhuma informação nova jamais tivesse surgido na mente humana, até hoje estaríamos a fabricar machadinhas de pedra lascada, e não computadores e tablets.

Desde uma cadeira entalhada em madeira até o mais alto arranha-céu de Dubai, desde uma pictografia pré-histórica a um quadro de Picasso, desde um preceito moral escrito em algum papiro chinês antigo até a última graphic novel de Neil Gaiman, toda criação humana partiu inicialmente de alguma mente, e é exatamente por isso que os espíritos estão mais interessados em influenciar nossos pensamentos – para o bem ou para o mal – do que em provocar fenômenos inúteis, se é que são possíveis, como se “materializarem” no meio de uma assembleia geral da ONU e darem um susto em alguns políticos…

Na verdade, segundo O Livro dos Médiuns, compilado por Allan Kardec, supostamente existem e existiram alguns raros médiuns de efeitos físicos que eram capazes de fazer algo parecido com “truques de mágica”, só que de forma real, como levitar objetos pesados (incluindo a si mesmos) e até mesmo efetivamente “materializar” espíritos, emprestando fluidos eletromagnéticos de si próprios para que estes consigam formar partículas que reflitam luz (ectoplasma). Será que isso realmente existe? Eu sou agnóstico quanto a isso – não afirmo que existe nem que não existe –, principalmente pelo fato de que tais fenômenos não acrescentam muito (mesmo que existam) ao objetivo primordial do contato dos espíritos: melhorar a vizinhança.

Na dúvida, portanto, se tais fenômenos ocorrem ou não, o importante é ter em mente que toda a prática da mediunidade tem (ou deveria ter) por objetivo a elevação moral e intelectual, passo a passo, não só dos espíritos enfermos atendidos pelos médiuns, como dos próprios médiuns. Principalmente dos médiuns, se poderia até dizer, pois que são esses que vem sendo lentamente preparados para assumir a responsabilidade de conduzir a humanidade a novos estágios de moralidade, compaixão, conhecimento e arte – mas não qualquer arte: a arte de sentir, a arte de amar.

É claro que a mediunidade, como uma machadinha pré-histórica, pode ser usada para a edificação ou para a destruição da vida. Podemos usar uma machadinha para cortar tiras de couro das carcaças de animais caçados e fazermos roupas para proteger os membros da tribo do inverno gélido, assim como podemos usá-la para matar um inimigo da tribo rival… Porém, na medida em que o espírito humano avançou pelo tempo, muitos de nós passaram à perceber e a compreender o que os “seres de cima” já sabiam há muitas eras: somos tolos por trazer a guerra aos nossos irmãos de armas. Todos viemos do mesmo Deus, filhos do mesmo Cosmos: somos irmãos desde sempre (neste caso, inclusive dos animais, embora ainda estejamos um tanto distantes da era em que os direitos animais serão plenamente reconhecidos).

Esclarecido isso, passemos a uma descrição bastante resumida das manifestações mediúnicas mais comuns, agrupadas de acordo com os tipos de médiuns que as costumam perceber [2]:

Médiuns sensitivos
Por definição todo o médium é sensitivo, apesar de esse grau de sensibilidade variar bastante. Algumas pessoas sentem calafrios ou o arrepio de pelos do corpo ao adentrarem certos ambientes, assim como se sentem inexplicavelmente confortáveis e seguras em alguns locais. O mesmo pode ocorrer ao encontrarem certos tipos de pessoas, principalmente as desconhecidas, das quais têm uma “primeira impressão”. É mesmo óbvio para todos que passaram por tais experiências que estas sensações não se dão através de nenhum dos sentidos físicos já conhecidos e descritos pela biologia; mas, ainda assim, a grande maioria dessas pessoas, mesmo tendo a sensibilidade elevada, continuam sendo médiuns passivos, pois não fazem vaga ideia do que se passa com elas nesses momentos, ou pior: criam as mais variadas mistificações e superstições para explicá-los.

Na verdade todo espírito tende a sentir a presença de um espírito na mesma sintonia de pensamento. Pense em coisas “positivas”, como o desenvolvimento da educação ou num belo concerto sinfônico que lhe tocou a alma de forma peculiar, e atrairá seres afins. Pense em coisas “negativas”, como na violência das grandes cidades ou na raiva que ainda sente da sua sogra, e, da mesma forma, atrairá espíritos que pensam mais ou menos as mesmas coisas – sejam os que habitam um corpo físico, os vivos, sejam os que não os habitam mais, os “mortos”.

No desenvolvimento mediúnico, você poderá por vezes começar a “sentir a presença” de alguém do seu lado, sem de fato haver ninguém ali (nenhum corpo físico, pelo menos)… Não se assuste: este é o início do afloramento da mediunidade.

Médiuns audientes

Estes são os médiuns que recebem informações dos espíritos de forma auditiva. Claro que, embora possa lhes parecer que seja assim, não é través de ondas sonoras captadas em seu ouvido (físico) que eles ouvem, mas através de sugestão mental. Às vezes pode parecer até mesmo uma “voz interna”, como se fosse um “pensamento falante”, e noutras vezes será como ouvir alguém falando ou sussurrando ao seu lado.

Este tipo de mediunidade, quando fruto de um desequilíbrio da alma, pode facilmente conduzir um médium ignorante de suas próprias faculdades a loucura… Mas, sob a proteção de uma boa casa espiritualista, a tendência é que os espíritos sombrios se afastem, e que ele passe, pelo contrário, a se regogizar em poder ouvir constantemente aos conselhos de espíritos amorosos.

Uma variedade interessante deste tipo de médium são os médiuns falantes, que em realidade não ouvem nada e tampouco têm controle algum sobre o que estão falando. São fisicamente influenciados pelos espíritos, diretamente nas áreas cerebrais responsáveis pela fala, e atuam apenas como “ferramentas de voz”. Ironicamente, muitos dos evangélicos que “falam línguas”, e que às vezes condenam a prática mediúnica, são eles mesmos médiuns falantes.

Médiuns videntes

A visualização de espíritos, de forma análoga a audição, não ocorre através da visão (física), mas através da visão espiritual, ou da percepção de ondas de matéria fluida através de alguma parte do cérebro (talvez a glândula pineal), da mesma forma que captamos fótons com os olhos. Este tipo de fenômeno é muito comum em estados alterados de consciência, ou em sonolência – por isso muitas pessoas dizem ter visto pessoas “de relance” quando estavam quase dormindo, ou logo após acordar. Isso é particularmente comum nos casos de “morte” de entes queridos, que costumam vir se despedir das pessoas amadas.

Porém, também existem médiuns videntes ostensivos, ou seja: que veem espíritos à todo momento! Esta é uma forma de mediunidade particularmente nociva se não for bem administrada, particularmente nos casos em que ocorre desde a infância (imagino que não precise explicar o porque). No entanto, quando tais médiuns sobrevivem aos infortúnios da infância e adolescência e conseguem manter a sanidade mental intacta, se tornam médiuns muito, muito úteis, na maioria dos trabalhos das casas espiritualistas. Além disso, se conseguem se alinhar aos padrões de pensamento de espíritos amorosos, há a tendência de verem cada vez menos cenas sombrias, e cada vez mais a verdadeiros espetáculos da existência.

Recentemente falamos no blog sobre o caso de um católico “estranho”, e se tratava de um caso clássico de médium vidente ostensivo – e, no seu caso, aparentemente muito bem sucedido no caminho espiritual [3].

Médiuns pneumatógrafos

Foi assim que Kardec classificou os médiuns capazes de escrever direta ou indiretamente informações passadas pelos espíritos. É interessante notar como este tipo de mediunidade era raro na época de Kardec (cerca de 150 anos atrás), e como hoje se tornou relativamente mais comum dentre os médiuns, ao menos no Brasil.

Claro que um médium sensitivo poderá simplesmente guardar as “inspirações súbitas” e posteriormente transpô-las a um papel ou documento do Word [4], e de fato é assim que muitos grandes poetas elaboram sua poesia – não quando querem escrever, mas quando podem escrever… A psicografia é um pouco diferente, pois se dá no ato da experiência espiritual, e às vezes pode ser sugestionada durante os encontros em casas espiritualistas – de tal forma que, embora o médium não saiba exatamente sobre o que irá escrever, é quase certo que algumas páginas ao menos serão escritas. Alguns médiuns conseguem manter consciência plena enquanto as informações “passeiam de sua mente para o papel”, enquanto outros operam de forma semiconsciente ou inconsciente, de modo que as vezes nem sabem ler ou compreender plenamente o que acabaram de escrever.

A psicografia ou “escrita automática” sem dúvida pode ser “treinada” com o desenvolvimento mediúnico. Isso levanta muitas dúvidas entre os céticos acerca da origem exata desse tipo de informação – que pode ser paranormal, mas também fruto do inconsciente (animismo do próprio médium) ou até mesmo resultado de criptomnésia (quando o médium não se lembra de ter lido anteriormente alguma informação que, não obstante, agora passa para o papel como se fosse de um outro espírito). Todas essas dúvidas são válidas, e cabe ao próprio médium analisar constantemente o fruto de suas psicografias, afim de avaliar se não poderiam ser, afinal, apenas algo que estava guardado em alguma gaveta do seu próprio arquivo mental.

Muitas informações que nos chagam através de psicografias, no entanto, podem ser objetivamente verificáveis quanto a sua validade – como, por exemplo, quando descrevem algo que o médium não poderia saber de forma alguma, um evento da vida de um desconhecido, às vezes até mesmo o número da identidade de um “morto”, etc. Claro que, nem é preciso dizer: Chico Xavier nos trouxe inúmeras “provas” do tipo [5].

Na psicopictografia, temos um fenômeno bastante similar, só que voltado para a concepção de obras de arte, geralmente pinturas realizadas em extrema velocidade, a despeito da usual inabilidade do médium em si na produção artística.

» A seguir, alguns conselhos aos jovens médiuns…

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[1] A mediunidade pode ser considerada uma filha da magia, mas de forma alguma a abrange em todo o seu espectro. Muitas vezes usamos técnicas magísticas para autoconhecimento e realização de fenômenos que independem de outros espíritos além do nosso próprio; Neste e em inúmeros outros casos, a magia vai além da mediunidade.
[2] Para um estudo minucioso de todas ou quase todas essas manifestações, os livros compilados por Kardec (mediante consulta as respostas dos espíritos através de algumas jovens médiuns) ainda são a melhor fonte de referência – sobretudo, neste caso, O Livro dos Médiuns.
[3] Eu também cito meu encontro com uma médium vidente ostensiva no conto pessoal Dançando com ciganos.
[4] Há alguns médiuns da atualidade, como Róbson Pinheiro, que afirmam por vezes psicografar diretamente no teclado do computador. Seria muito interessante vermos um estudo científico deste tipo de fenômeno, particularmente com o monitor desligado.
[5] Para saber mais, ler As vidas de Chico Xavier (Leya), do jornalista (cético) Marcel Souto Maior, que também deu origem ao filme Chico Xavier.

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Crédito das imagens: [topo] Vice.com (Alan Moore); [ao longo] Anônimo

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#Mediunidade #Ceticismo #Espiritismo #Magia #AlanMoore

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-arte-de-sentir

Magnetismo: A Chave de uma imensidade de fenômenos

    Nelson Moraes

Na conclusão de O Livro dos Espíritos, capítulo I, Kardec afirma:

      “Quem, de magnetismo terrestre, apenas conhecesse o brinquedo dos patinhos imantados que, sob a ação do imã, se movimentam em todas as direções numa bacia com água, dificilmente poderia compreender que ali está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos”.

Essa afirmação de Kardec não se restringe apenas ao magnetismo consistente nos corpos celestes, mas se estende ao magnetismo nas suas mais variadas configurações e que está presente em todas partículas com as quais se constituem o micro e o macro Universo. É através desse fluido elétrico que os seres pensantes se atraem ou se repelem e se influenciam mutuamente segundo seus pensamentos, suas emoções e seus sentimentos.

Na pergunta 388, de O livro dos Espíritos, Kardec indaga:

 “Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?”

E obteve a seguinte resposta:

“Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.

Esta resposta dos espíritos coloca o magnetismo como piloto dessa ciência. Quer dizer, está no comando dos acontecimentos e é ele que atua para que haja tal encontro. Ou seja, quando necessitamos compartilhar de uma convivência com alguém, nosso encontro se dará infalivelmente, pois seremos atraídos mutuamente por força de uma imantação magnética que liga os nossos destinos para uma convivência em comum.

Essa imantação é construída através das nossas ações praticadas durante nossas vidas sucessivas segundo as quais não só nos imantamos às pessoas, mas também aos acontecimentos que irão compor o roteiro das nossas provações e resgates enquanto encarnados neste mundo de expiação e prova.

É através do magnetismo cósmico ou fluido cosmico universal que nos imantamos e nos submetemos às leis naturais e divinas que nos impulsionam na direção das nossas necessidades evolutivas, situando-nos exatamente onde merecemos estar e com quem devemos estar segundo as leis de causa e efeito.

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo da Intervenção dos Espíritos, os espíritos afirmam:

  “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única*, revela a realidade das coisas e suas verdadeiras causas”.

Realmente, o estudo do Espiritismo sem uma compreensão maior do magnetismo fica incompleto, pois o Espiritismo nos revela a natureza espiritual do ser humano e nos esclarece sobre as leis naturais e divinas às quais todos os seres estão submetidos, e o magnetismo por sua vez nos revela o meio por onde essas leis se cumprem.

Assim como tudo se origina de uma transformação do fluido cosmico universal, o magnetismo ou fluido magnético também é uma modificação do fluido cosmico universal e não difere do fluido vital revelado pelos espíritos e que está presente em todos os corpos orgânicos.

No Capítulo intitulado Do Princípio Vital, de O Livro dos Espíritos, os espíritos fazem uma analogia interessante:

“Um aparelho elétrico, como todos os corpos da Natureza, contém eletricidade em estado latente. Os fenômenos elétricos, porém, não se produzem senão quando o fluido elétrico é posto em atividade por uma causa especial. Poder-se-ia então dizer que o aparelho está vivo. Vindo a cessar a causa da atividade, cessa o fenômeno: o aparelho volta ao estado de inércia.”

“Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte. A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie. Alguns há, que se acham, por assim dizer saturados desse fluido, enquanto os outros o possuem em quantidade apenas suficiente. Daí, para alguns, vida mais ativa, mais tenaz e, de certo modo, superabundante. A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.”

O progresso no estudo do eletromagnetismo, ocorrido principalmente no século XIX, provocou uma mudança a respeito dos conceitos da Ciência sobre a energia.

Segundo as teorias quânticas, a troca de energia a distância se produz em conseqüência das ondas eletromagnéticas, que viajam no espaço à velocidade da luz. Tais ondas, constituídas por fótons, atuam sobre as partículas do meio e dos corpos.

Os apontamentos dos espíritos e o estudo da física quântica nos induzem a uma compreensão ampliada do que consiste o fluido cosmico universal e nos dá uma idéia da importância do magnetismo e da sua função no contexto das relações entre os mundos e entres os seres, o qual podemos defini-lo como o veiculo condutor dos pensamentos e da vontade do Criador e de todos os seres pensantes.

Na parte 2 cap. IX de O Livro dos Espíritos, os espíritos afirmam:

“…o fluido universal entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som.”

Se, segundo a ciência as ondas eletromagnéticas atuam sobre as partículas do meio e dos corpos e, considerando que hoje o pensamento é reconhecido como pulsos eletromagnéticos, torna-se clara a força incomensurável com que o pensamento atua sobre os corpos e partículas quando direcionado sob o impulso de uma vigorosa vontade ou desejo.

Ainda em O Livro dos Espíritos, pergunta 424.

“Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?”

Resposta:

“Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos”.

Segundo Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, todo ser vivo seria dotado de um fluido magnético capaz de se transmitir a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos.

Considerando o magnetismo como condutor da vontade e dos pensamentos dos seres pensantes atuando incessantemente sobre as partículas e os corpos, sua ação pode ser benéfica ou maléfica dependendo da fonte que o irradia. Neste caso, a fonte geradora, ou seja, o ser pensante, pode ser comparado a uma usina de eletricidade e os seus pensamentos e sentimentos os transformadores que graduam e determinam sua potência e qualidade. Nada melhor para a comprovação dessa realidade do que os fatos observados e que são muito numerosos, registrando a ação magnética direcionada através dos pensamentos e dos sentimentos humanos.

Lembro-me quando eu contava apenas nove anos de idade e como sempre fazíamos, estava eu e minha mãe no portão de casa aguardando meu pai retornar do trabalho quando uma vizinha parou para conversar com minha mãe. Em determinado momento, ela voltou-se para a jardineira onde minha mãe cultivava suas plantas e, demonstrando uma certa indignação, afirmou:

– Dona Aurora! Que avenca linda! Por que a minha nunca ficou tão bonita?

Logo depois ela foi embora. Minha mãe, após alguns instantes, apontou para a avenca cujas folhas haviam se fechado como se estivessem murchando, e explicou-me:

– Viu meu filho, o que o pensamento de despeito e de inveja da nossa vizinha fez com a nossa plantinha? Guarde esta lição! Nunca use o seu pensamento para invejar ou odiar alguém. Da mesma forma que a planta se ressentiu do magnetismo negativo da nossa vizinha, as pessoas mais sensíveis também se ressentem e podem até adoecer. Mas, se você usar os seus pensamentos para ajudar, envolvendo-as com o seu amor, o teu magnetismo poderá até curá-las das suas enfermidades.

Dizendo isso, voltou-se para a planta e impôs suas mãos sobre ela e orou. Antes que o meu pai retornasse do trabalho, a avenca já havia se recuperado. Minha mãe passou-me esta lição com conhecimento de causa, pois durante toda sua vida aliviou e curou muita gente impondo suas mãos revestidas da generosidade e do amor que nos ensina o Espiritismo Cristão.

A avenca é uma das plantas mais sensíveis, por isso logo se ressentiu da carga magnética negativa que enfraqueceu o fluido vital que lhe garantia a vida. O mesmo ocorre com os animais, cujo efeito demora um pouco mais para se manifestar, mas se não socorrido este acabará morrendo.

No ano de 1970, eu morava em uma casa com um quintal muito grande, como eu gosto de animais, passei a criar algumas galinhas, um casal de gansos e um peru. Certo dia eu estava muito feliz, pois a gansa havia chocado seus ovos trazendo à vida seis filhotes. Uma conhecida nossa, dona do armazém onde realizávamos nossas compras, ficou sabendo e quis ver os gansos, pois, segundo ela, eles não procriavam facilmente no cativeiro. Certo dia ela apareceu em casa e logo ao entrar no quintal demonstrou ser uma apaixonada pela criação de gansos e revelou-me que possuía três casais que nunca haviam procriado. Percebi no seu olhar e semblante uma certa indignação. Ficou algum tempo olhando para os gansos admirando-os e elogiando a beleza de todas as aves do meu quintal, logo depois se despediu e partiu.

No dia seguinte da sua visita, as galinhas não desceram do poleiro para se alimentarem e ali ficaram defecando fezes líquidas até que acabaram morrendo. No terceiro dia foi o galo que, à semelhança das galinhas, permaneceu no poleiro até a morte. No quarto dia morreu os gansos, entretanto, o peru continuou vivo, mas apresentava sinais de que também morreria, pos já não descia do poleiro e não se alimentava. Foi quando conversando com minha mãe chegamos à conclusão de aquela mulher poderia estar por trás daquelas mortes, pois nenhum remédio veterinário conseguira curá-los. Foi então que resolvemos tentar salvar o peru magnetizando-o. Qual não foi a nossa surpresa quando depois de algumas horas após atuarmos sobre ele, apresentava uma visível revitalização recuperando-se completamente ao final do dia.

A ação magnética negativa emitida pela mulher enfraqueceu o fluido vital dos animais, levando-os à morte em uma sinistra seqüência: primeiramente morreu os mais fracos, no caso as galinhas, depois o galo, mais tarde os gansos, porém, o peru, por apresentar uma constituição física mais forte, conseguiu resistir mais tempo até que pudéssemos socorrê-lo.

A ação magnética que direcionamos sobre o peru, operou no sentido inverso e repôs o fluido vital enfraquecido pelo magnetismo maléfico da mulher.

Quando observamos os relatos acima onde ambas as mulheres com um simples olhar alteraram as condições físicas da planta e dos animais, fica claro para nós que a ação magnética não depende de gestos manuais e nem de técnicas. O magnetismo não é captado, é próprio do indivíduo. A simples presença de uma pessoa dotada de bons sentimentos pode causar uma influência magnética benéfica nas pessoas a sua volta, da mesma forma que uma pessoa dotada de maus sentimentos pode causar uma influência maléfica.

O espírito reencarnado através do magnetismo que irradia a sua volta revela sua índole e grava o seu perfil mental nos seus objetos de uso pessoal e no ambiente onde vive, impregnando-os com o seu psiquismo.

Certa vez, quando eu administrava a construção de um prédio industrial na capital do estado de São Paulo, ocorreu um fato que ilustra bem esse fenômeno de impregnação psíquica magnética nos objetos de uso pessoal. Um dos meus funcionários, o encarregado da obra, foi acometido de um mal estranho. Todo dia chegava bem no canteiro da obra, mas assim que começava a trabalhar passava a sofrer de cólicas intestinais violentas sendo obrigado a retornar para casa, porém, assim que deixava a obra, sentia-se muito bem. Isso se repetiu durantes três dias. No quarto dia conversávamos enquanto ele se trocava no barraco da obra e observando-o, fui intuído de que o problema estava na roupa que usava para trabalhar, então perguntei a ele a origem da roupa e ele afirmou que a calça e a cinta que ele usava ganhara de uma vizinha e que era a roupa do seu marido que há pouco tempo havia desencarnado de câncer intestinal. Diante dessa afirmação, a qual confirmava a minha intuição, eu atuei com o meu magnetismo sobre as calças e a cinta. A partir daquele dia não mais sentiu as cólicas que o importunavam.

É evidente que a calça e a cinta do recém-desencarnado ainda se mantinham impregnadas do seu psiquismo de dor e de sofrimento que havia precedido à sua passagem para o mundo dos espíritos, cuja atuação magnética alterava a estabilidade das moléculas situadas na região gástrico intestinal do meu funcionário provocando dores semelhantes as que havia sofrido.

Aqui fizemos um pálido estudo sobre o magnetismo, pois seria impossível em um espaço diminuto de uma matéria se aprofundar mais num assunto tão empolgante e esclarecedor, porém, tenho a certeza que foi o suficiente para compreendermos a profunda visão de Kardec quando afirmou que ninguém imagina que no brinquedo dos patinhos imantados está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos.

Matéria publicada na Revista Internacional de Espiritismo 07/LXXXI

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/magnetismo-a-chave-de-uma-imensidade-de-fenomenos/