Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC)

O livro “O Domínio da Vida” distribuído pela AMORC aos seus candidatos apresenta a Ordem como tendo nascido a quase 3.500 anos, no Egito. Nesta época o velho Egito atingiu um grau elevado da sua evolução, a religião e os conhecimentos científicos se fundiram. Para preservar esses conhecimentos foram criadas as escolas-de-mistérios, administrada pelos sacerdotes. A primeira reunião teria ocorrido no dia 1º de abril de 1489 a.C., no Templo de Kanark. A partir desta data, passaram a se reunir todas as quintas-feiras subseqüentes. A princípio, não foi usado nenhum nome parecido ou derivado da palavra rosacruz. A Ordem Rosacruz apenas tem suas raízes na antiga Fraternidade.

O faraó Ahmose I (1580 a.C.), foi o primeira a dirigir essa classe, antes governada pelos altos sacerdotes do Egito. É tido como fundador da Ordem o Faraó Tutmés III, da XVIIIª dinastia, por volta de 1350 a.C. Teria o Faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objetivo de estudar os mistérios da vida, assim como as tradições osirianas. Tutmés III usava sua insígnia pessoal, um escaravelho, que se tornou selo da ordem e hoje é usado pelos rosacruzes. Após A morte deste faraó, seu filho Amenhopet II passa a reger e assume os encargos do pai na fraternidade em setembro de 1448 a.C.. Em 1420 a.C. foi sucedido por seu filho, Thutmose IV, e este por Amenhopet III, que finalmente foi sucedido por seu filho Amenófis IV (ou Akhenaton – XVIII Dinastia), que particularmente é importante na história da Ordem Rosacruz. Considerado o primeiro Grande Mestre da Ordem, seu reinado é marcado pela instauração aos poucos do conceito monoteísta, a crença em um Deus único, criador de tudo o que existe. Esse deus chamava-se Aton, e acabou dando um novo nome ao faraó; Akhenaton (Devoto de Aton) [leia sua biografia na nossa área de Biografia dos Grandes Ocultistas]. Seu pai construíra o templo de Luxor, dedicado a fraternidade.

Foi Akhenaton quem construiu uma nova capital em El Amarna e um templo em forma de cruz dedicado à Aton. Neste templo vivia cerca de 236 Frates em regime monásticos. Eles usavam um cordão na cintura e viviam com a cabeça coberta. O sacerdote vestia um sobrepeliz de linho e tinha um corte de cabelo circular na cabeça. Akhenaton introduziu a cruz e a rosa como símbolos e adotou a CRUZ ANSATA Como emblema a ser usado por todos os mestres da ordem.

Com a morte de Akhenaton , terminou a primeira fase da Fraternidade. E os sacerdotes contrariados retomam o culto politeísta para agradar ao povo.

Não se pode esquecer que Moisés, filho da tribo de Levi, foi criado no Egito como filho de faraó Amenhotep, recebeu a educação de um herdeiro, freqüentou as escolas egípcias e provavelmente as escolas-de-mistérios, onde adquiriu o dogma de Monoteísmo. O dogma do “Deus Único”, era interpretação da Fraternidade Egípcia e constituía ensinamentos do Faraó Akhenaton que fundara a primeira religião monoteísta conhecida pelo homem.

Com a queda do império egípcio, cabe às Escolas de Mistério gregas perpetuarem os segredos.

Segundo os escritos da AMORC, durante o século XII, ela se desenvolveu na Alemanha, mas era secreta e inativa em suas manifestações externas. Este período de inatividade duraria cerca de 108 anos. Segundo muitos historiadores a fraternidade funcionava em períodos de atividades e outro de inatividade alternadamente e cada período duraria cerca de 108 anos, porém não se sabe porque esses ciclos foram adotado. Parece que a cada novo ciclo a Ordem renasce e sem ligações com os ciclos anteriores., sabe-se também que a diferença nos ciclos de atividade e inatividade, variava de país para país. Por isso quando a Fraternidade estava ativa na Alemanha, ela estava inativa na França. Esta falta de coincidências dos ciclos dificulta muito os estudos históricos para determinar a origem exata da Fraternidade em cada país.

O novo ciclo teve início no ano de 1915 (em 2007 teremos 92 anos de atividade), nos Estados Unidos, com Harvey Spencer Lewis primeiro Imperator sendo ele mesmo seu representante perante a FUDOSI, uma federação independente de ordens esotéricas. No início a sede da AMORC era na cidade de Nova Iorque, tendo lojas em São Francisco e Tampa, no estado da Flórida. A sede da Suprema Grande loja foi deslocada em 1927 para San José, na Califórnia. Em 1990, a sede foi transferida para a Cidade de Quebec, no Canadá.

O Dr. Lewis teria sido iniciado na tradição rosacruciana na Europa, em Toulouse, na Ordre Rose-Croix, por Emille Dantine. Como parte desse iniciação, foi ortogado ao Dr. Lewis cartas de autorização para fundar a AMORC como um novo corpo rosacruciano nos Estados Unidos. Através de seus inúmeros contatos europeus, o Dr. Lewis se associou à Madame May Banks-Stacy, uma das últimas sucessores da colônia original de rosacruzes que migraram para a América nos fins do século XVII. Já no final dos anos 20, ele se tornou uma figura notável e muito conhecida no mundo esotérico. Harvey Spencer Lewis morreu em 1939 e lhe sucedeu no cargo de Imperator seu filho, Ralph Maxwell Lewis, quem lhe servia anteriormente de Grande Secretário. Gary L. Stewart foi apontado para o cargo de Imperator para susceder Ralph Maxwell Lewis em 1987. O atual Imperator é Christian Bernard, que foi eleito para o cargo de Imperator em 1990.

A Ordem também é conhecida por seu nome em Latim, Antiquus Mysticusque Ordo Rosæ Crucis ( = Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, de onde temos a sigla AMORC). Esta denominação é a simplificação de “Antiga e Arcana Ordem da Rosa Vermelha e da Cruz Dourada”.A AMORC é a maior fraternidade rosa-cruz existente, em número de membros e de países em que possui membros ativos. Hoje, essa sociedade possui lojas em mais de 50 países.

A AMORC considera que provavelmente foi filósofo e ensaísta inglês Sir Francis Bacon (1501-1626) o autor do Fama Fraternitas e de outros trabalhos que reavivaram a Ordem na Alemanha. O livro “The New Atlantis”, escrito por ele, parece indicar esta conexão, segundo a Ordem.

A Segunda Grande Guerra Mundial teve um impacto devastador sobre os membros de muitas ordens esotéricas, já que tais ordens passaram para ilegalidade sob as leis nazistas de Adolf Hitler. Várias lideranças conhecidas foram presas, perseguidas, e em alguns casos, assassinadas pela GESTAPO. Outros ainda encontraram seu triste fim em campos de concentração, como prisioneiros comuns. A AMORC, estando protegida de tais perseguições, estando bem fundada nos Estados Unidos, cresceu imensamente nesse duro período. Após a destruição causada pela guerra, muitas ordens encontraram a apoio necessário na AMORC para retomarem seus trabalhos. Eventualmente, muitas ordens foram incorporadas pela administração da AMORC, em San José, como é o caso da Ordre Rose-Croix e da Ordre Martiniste Traditionnel (Tradicional Ordem Martinista – TOM).

A hierarquia da AMORC compreende 12 graus.

A Ordem Rosacruz-AMORC apresenta-se oficialmente com o símbolo do Sol Alado tendo acima a palavra “AMORC” e abaixo “Ordem Rosacruz”, Segundo a Ordem, através da história um número proeminente de pessoas no campo da ciência e das artes foram associados com o movimento Rosa Cruz, como Leonardo da Vinci (1452-1519), Francoix Rabelais (1494-1553), René Descartes (1596-1650), Blaise Pascal (1623-1662), Baruch Spinoza (1632-1677), Isaac Newton (1642-1727), Gottfried Wilhelm Leibnitz (1646-1716), Benjamin Franklin (1632-1677), Thomas Jefferson (1743-1826), Claude Debussy (1862-1916), Erik Satie (1866-1925) e Edith Piaf (1915-1952).

A Grande Loja do Brasil da Ordem Rosacruz implantada em 1956 no Rio de Janeiro, foi transferida para Curitiba em 1960. O templo faz parte de um conjunto arquitetônico de 06 edifícios em estilo egípcio em homenagem aos seus primeiros membros que (supostamente) se reuniam nas câmaras secretas da grande pirâmide. Nos outros edifícios funcionam a administração geral, o auditório “H. Spencer Lewis”, um memorial com pirâmide e a Loja Curitiba, onde funcionam a biblioteca e o museu com reproduções de peças egípcias de várias dinastias, inclusive papiros e múmias.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/antiga-e-mistica-ordem-rosa-cruz/

Mapa Astral de Raul Seixas

Normalmente eu posto os mapas na data de aniversário, mas dessa vez acabei perdendo o prazo. O aniversário do Raulzito não dava pra deixar passar, então com um pequeno atraso, segue a análise do Mapa do maluco beleza.

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor, compositor, produtor e músico brasileiro, é considerado por muitos o maior representante do rock brasileiro.

Seu gosto musical foi se moldando: primeiro, no rádio, acompanha o sucesso de Luiz Gonzaga (que era maçom), e nas viagens, onde acompanha o pai, ouve os matutos desfiarem repentes – e esta “raiz” nordestina nunca o abandonara. Porém, logo Raul Seixas conheceu um estilo que influenciou muito sua vida: o Rock’n Roll. Raul teve contato com o Rock através do consulado norte-americano, que ficava próximo de sua casa. A partir daí, foram muitas horas diárias na loja “Cantinho da Música”, ouvindo discos de rock e várias sessões nos cinemas, onde passou a apreciar as performances de Elvis Presley, de quem torna-se fã. Tão fã que chega a fundar o “Elvis Presley Fã-Clube de Salvador”. Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60.

Juntamente com alguns amigos de Salvador, monta um conjunto, “Os Relâmpagos do Rock”, a primeira banda de Salvador a utilizar instrumentos elétricos. Mais tarde, a banda muda de nome, passa a se chamar “The Panters”, e por último “Raulzito e os Panteras”. Fazem shows pelo estado em bailes e festinhas e até mesmo para um público de duas mil pessoas no Festival da Juventude. Mas o sucesso da banda não ultrapassava o eixo baiano, fato que aborrecia Raul. A decepção com o mundo artístico foi reforçada pelo namoro com a americana Edith Wisner. A pedidos do pai da garota – que era pastor protestante – Raul abandona a carreira musical.

Paulo Coelho, então em contato com Marcelo Ramos Motta, tomava suas primeiras instruções sobre Aleister Crowley e a Lei de Thelema. O fascínio pela filosofia desenvolvida pelo controvertido mago Inglês, não tardou a contagiar o promissor jovem escritor que, logo em seguida, a apresentaria a Raul Seixas. A vida e a obra dos dois foram fortemente marcadas por este período.

Motta, então, escreve para um de seus discípulos, pedindo para que este se responsabilizasse pelo desenvolvimento de Paulo Coelho, tanto na AA quanto na sua particular versão da OTO. Marcelo Motta também comporia algumas músicas em parceria com Raul Seixas e Paulo Coelho. Entre as mais famosas estão as belas “A Maçã”, “Tente Outra Vez” e “Novo Aeon”.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é “Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei”. Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos. No entanto, o seu LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso com a música “Gita”, que a Ditadura achou melhor trazer os dois de volta ao Brasil para não levantar suspeitas sobre seus desaparecimentos.

A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas.

Na manhã do dia 21 de agosto de 1989, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama pela sua empregada Dalva, por volta das oito horas da manhã, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante.

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O Mapa de Raul Seixas possui Sol, Mercúrio, Saturno e Caput Draconis em Câncer na Casa 12, com uma lua bem posicionada em Aquário (alguém tinha alguma dúvida disso?) e ascendente em Leão (o perfil facilitador dos artistas que não têm medo de se expor aos outros (atores, compositores, cantores). Suas aspectações mais fortes, no entanto, estão no Planeta Vênus (em Touro) com Mercúrio (Câncer). Liz Greene escreve sobre esse sextil: “O aspecto sextil é favorável e estimula sua capacidade de aprender com a experiência. Você é uma pessoa muito versátil e combina bom senso com bom gosto e capacidade para transmitir informações de maneira agradável. O sucesso chegará quando trabalhar com qualquer tipo de comunicação. Você pode superar-se nas artes ou na oratória.”.

O Mapa mostra uma pessoa com facilidade para as artes, com seu íntimo totalmente dedicado à liberdade. A quadratura de 1,34 graus de sua Lua com Marte (em Touro) garante que, apesar de “maluco beleza”, Raul tinha os pés no chão e sabia muito bem cada passo que dava. Sua Verdadeira Vontade estava direcionada também para as artes, em levar ao mundo uma mensagem voltada para a igualdade. Netuno, a espiritualidade, em Libra, formando um trigono com a Lua em Aquário de Raul representa muito bem os preceitos da “Sociedade alternativa” que levavam em conta o “Faz o que tu queres há de ser o todo da Lei” onde cada pessoa enxerga e respeita as liberdades das outras.

Muito bacana este mapa. Mais um exemplo do que pode ser conseguido quando a pessoa desenvolve a missão para qual veio neste planeta.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-raul-seixas

Os 7 Níveis do Ser Humano

Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:

– Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio.

– Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

– Mas, Mestre, que níveis são esses?

– Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação.

Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em um outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.

O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

– Dê-lhe um tapa no rosto.

– Mas por quê? Ele não me fez nada…

– Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.

Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque.

Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”. Agora, você testará da mesma maneira, o nosso companheiro que vem aí, do nível 2.

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte.

Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

– Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2. Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muleta” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu? Repita o mesmo com esse aí que vem chegando.

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

– O que é isso, moço?… Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra!

Estou falando sério!

– Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

– E querem ver como reajo?

– Sim. Exatamente isso…

– Já reparou que não tem sentido?

– Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar…

– Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

– Queremos verificar – interferiu o Mestre – as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

– De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: – Esse teste é muito bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente, muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

– Enfim – perguntou o buscador – como você vai reagir? Vai revidar?

Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

– Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês. Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas… Imagine só, dar tapas nos outros… Besteira… Idiotice… Falta do que fazer… E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento… Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatães!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

– Agora, você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo “pra lá”, pois “não tem tempo” para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os “outros”. É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá… É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade”, que se acha muito “entendido” e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra “muleta”) e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das “muletas” para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por “preguiça vital” e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las. De resto, não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar. Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.

E a cena repetiu-se.

O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

– Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

– Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

– Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

– É… Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

– Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo? Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido, em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer. Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitar-me-iam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

– E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? – perguntou o Mestre – Como reagiria a isso?

– Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei, muito bem, distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos. Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas. Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra. Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas, ou seja, de que falaram a verdade e, se assim o for, compartilhar da experiência de vocês. Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso. Não acham?

Instantaneamente, tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores. O Mestre assim comentou:

– O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas. Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas muletas, estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou.

– Filho meu… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

– Não entendi… Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

– Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

– Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…

– Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente, mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores. Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos. O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia?

Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

– Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre si mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita. O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais. É como se fosse uma Irmã Dulce, um Chico Xavier ou uma Madre Teresa de Calcutá da vida. Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos. Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa “muletas” diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a “muleta” que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram. A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem. Vamos ver como reage o homem do nível 6.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

– Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo? Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?

– Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma agressão gratuita.

– Por que você não aprende primeiro a amar? Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo. Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo amoroso que distribuirá Amor por todo o planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo. Eu amo a todos como amo a mim mesmo. No instante em que você compreender isso, passará a amar a si mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo: – Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim. Se você ama uma criança, jamais permitirá que ela se machuque ou se fira, porque ela ainda não entende que se agir de determinada maneira perigosa irá ferir-se e irá sofrer. Você a amparará, não é mesmo? Você deverá aprender, em primeiro lugar, a Lição do Amor, a viver o Amor em toda sua plenitude, pois o Amor é tudo e, se você está vivo, deve sua vida a um Ato de Amor. Pense nisso, medite muito sobre isso. Dê Amor gratuitamente. Ensine Amor com muito Amor e logo verá como tudo a seu redor vai ficar mais sublime, mais diáfano, pois você estará flutuando sob os influxos da Energia mais poderosa do Universo, que é o Amor. E sua vida será sublime…

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o Mestre falou:

– Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso. Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.

– Bata nele! – ordenou o Mestre.

– Não posso, Mestre, não posso…

– Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

– Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

– Bate-me – disse o Homem com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade.

– Não posso… Não posso… Não tem o menor sentido fazer isso…

– Então – tornou o Homem – já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

– Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que a s abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?

– Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! – volveu o Homem com suavidade e convicção – Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

– Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante – as suas “muletas” – e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder. Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente…

– A Humanidade ainda é uma criança , mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós – seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico. Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar, este conhecimento, esta grande Verdade: – Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

– Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

– Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

– Mas mesmo assim, então, não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

– E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra. O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações. O Autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia, ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos. Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros? É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu?

Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as “muletas”  que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus. Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso. Entendeste, filho meu?

#Fábulas #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-7-n%C3%ADveis-do-ser-humano

A Lei das Bruxas

A Lei foi escrita e decretada pelos antigos. 2A Lei foi feita para os Wicca, para aconselhá-los e ajudá-los em seus problemas. 3Os Wicca devem prestar justa adoração aos Deuses e obedecer sua vontade, que é por eles decretada, pois isso é feito para o bem de Wicca assim como a adoração dos Wicca é boa para os Deuses. Pois os Deuses amam os Irmãos de Wicca.

Apropriadamente preparados

4Assim como o homem ama a mulher dominando-a, 5os Wicca devem amar os Deuses sendo dominados por eles. 6E é necessário que o Círculo, que é o templo dos Deuses, seja verdadeiramente invocado e purificado. E que assim seja um local apropriado para os Deuses entrarem. 7E os Wicca devem estar apropriadamente preparados e purificados para estar na presença dos Deuses. 8Com amor e adoração em seus corações, eles devem criar retirar poder de seus corpos para dar poder aos Deuses. 9Assim foi ensinado pelos antigos.

Atribuições da Alta Sacerdotisa   10Pois apenas desta maneira os homens podem ter comunhão com os Deuses, pois os Deuses não podem auxiliar os homens sem o auxílio do homem. 11E a Alta Sacerdotisa deve comandar seu Coven como representante da Deusa. 12E o Alto Sacerdote deve auxiliá-la como representante do Deus. 13E a Alta Sacerdotisa devem escolher quem ela desejar, sendo ele de grau suficiente, para ser seu Alto Sacerdote. 14Pois, como o próprio Deus beijou seus pés na saudação quíntupla, depositando todo seu poder nos pés da Deusa por causa de sua juventude e beleza, sua doçura e gentileza, sua sabedoria e justiça, sua humildade e generosidade.15Assim ele submeteu todo seu poder a ela.16Mas a Alta Sacerdotisa deve sempre ter em mente que todo o poder vem dele. 17Ele é apenas emprestado, para ser usado sábia e justamente. 18E a maior virtude de uma Alta Sacerdotisa é a de reconhecer que a juventude é necessária à representante da Deusa. 19Assim ela irá graciosamente se retirar em favor de uma mulher mais jovem se o Coven assim decidir em conselho. 20Pois uma verdadeira Alta Sacerdotisa reconhece que ceder graciosamente seu honroso posto é uma das maiores virtudes. 21E desta maneira era retornará a seu honroso posto em outra vida, com maior poder e beleza.

Discrição
22Nos dias antigos, quando os bruxos eram numerosos, éramos livres e adorávamos em todos os grandes templos. 23Mas, nestes dias infelizes,nós devemoa celebrar nossos sagrados mistérios em segredo. 24Assim seja decretado, que ninguém além dos Wicca possa ver nossos mistérios, pois nossos inimigos são muitos e a tortura afrouxa a língua do homem. 25Assim seja decretado que nenhum Coven deve saber onde o outro se reúne. 26Ou quem são seus membros, salvo apenas o Sacerdote e Sacerdotisa e mensageiro. 27E não deve haver comunicação entre eles, salvo através do mensageiro dos deuses, ou o invocador. 28E apenas se for seguro os Covens podem reunir-se em algum lugar seguro para os grandes festivais. 29E enquanto lá estiverem, ninguém deve saber de onde o outro veio ou quais são seus nomes reais. 30Pois assim, qualquer um que seja torturado não dirá nada em sua agonia, pois nada sabe. 31Assim seja decretado que ninguém deve dizer a ninguém que não é da Arte que se é de Wicca, nem dar quaisquer nomes ou onde se reúnem, ou de maneira alguma dizer algo que possa denunciar um de nós a nossos inimigos. 32Nem ninguém deve dizer onde se localiza o Covendom. 33Ou o Covenstead. 34Ou onde as reuniões sejam. 35E se alguém quebrar essas leis, mesmo sob tortura, QUE A MALDIÇÃO DA DEUSA ESTEJA SOBRE ELE, e que assim ele nunca renasça na Terra e que permaneça onde é seu lugar, no inferno dos cristãos.

Discussões no Coven

36Que cada Alta Sacerdotisa governe seu Coven com justiça e amor, com a ajuda e o conselho do Alto Sacerdote e dos Sábios, sempre seguindo o conselho do mensageiro dos Deuses, se ele vier. 37Ela irá considerar todas as queixas de todos os Irmãos e se esforçará para eliminar todas as diferenças entre eles. 38Mas deve ser reconhecido que sempre haverão pessoas que se empenharão em obrigar os outros a fazer o que eles quiserem. 39Eles não são necessariamente maus. 40E eles muitas vezes têm boas idéias e tais idéias devem ser tratadas em conselho. 41Mas se eles não concordarem com seus Irmãos, ou se eles disserem: 42‘eu não vou trabalhar sob o comando desta Alta Sacerdotisa’, 43existiu sempre a Antiga Lei para ser conveniente à Irmandade e evitar disputas.

Formação de Novos Covens
44Qualquer um de terceiro pode requisitar a fundação de um novo Coven porque eles vivem mais de uma légua do Covendom, ou porque ele o quer fazer. 45Qualquer um vivendo nos limites do Covendom e desejando formar um novo Coven deverá dizer aos Sábios a sua intenção, e no mesmo instante mudar-se de residência e dirigir-se ao novo Covendom. 46Membros do antigo Coven podem juntar-se ao novo quando este estiver formado. Mas, se o fizerem, devem evitar definitivamente o antigo Coven. 47Os Sábios do novo e do antigo Coven devem encontrar-se em paz e amor fraternal para decidirem as novas fronteiras. 48Aqueles da Arte que residem foram de ambos Covendoms podem juntar-se a qualquer um deles, mas não a ambos, 49embora todos possam, se os Sábios concordarem, encontrar-se para os grandes festivais se for realmente em paz e amor fraternal, 50mas romper um Coven significa discórdia, e para tal essas Leis foram feitas pelos Antigos, e que A MALDIÇÃO DA DEUSA ESTEJA EM QUEM DESCONSIDERÁ-LAS. Que assim seja decretado.

O Livro das Sombras

51Se fores manter um livro, que seja com sua própria caligrafia. Deixe que irmãos e irmãs copiem o que desejarem, mas nunca deixe o livro sair de suas mãos, e nunca guarde os escritos de outro.52Pois se estes forem encontrados com sua caligrafia, eles poderão ser presos e processados. 53Que cada um guarde seus escritos e destrua-os quando qualquer perigo ameaçá-los. 54Aprenda o máximo que puder de cabeça e, quando o perigo passar, reescreva seu livro, se for seguro. 55Por essa razão, se alguém morrer, destrua seu livro se ele não o pôde fazer. 56Pois, se for encontrado, será uma prova clara contra ele. 57E nossos opressores sabem bem que ‘Não poderás ser um bruxo sozinho’. 58E então todos nossos amigos e Irmãos estarão em perigo de tortura, 59então destrua tudo que não for necessário. 60Se o seu livro for encontrado em suas mãos, será prova clara contra sua pessoa, e poderás ser processado.
Tortura e Interrogatórios

61Mantenha todos os pensamentos da Arte fora de sua mente. 62Se a tortura for muito forte para suportar, diga, ‘Eu confesso. Não posso suportar esta tortura. O que querem que eu diga ?’ 63Se eles tentarem fazê-lo falar da Irmandade, não o faça. 64Mas se eles tentarem fazê-lo falar de coisas impossíveis como voar pelos ares, relacionar-se com um demônio cristão ou sacrificar crianças, ou comer carne humana, 65para obter alívio da tortura diga, ‘Eu tive um sonho mau, eu estava fora de mim, estava enlouquecido’. 66Nem todos os juízes são maus, e, se tiverem uma desculpa, eles podem demonstrar misericórdia. 67Se confessaste antes, negue depois, diga que estavas alucinando sob tortura, diga que não sabias o que falava.

A Morte

68Se fores condenado, nada tema. 69A Irmandade é poderosa e o ajudará a escapar se tiveres mantido-te impassível, mas se tiveres cometido traição não haverá esperança para ti nesta vida ou na que virá. 70Esteja certo, se fores resoluto para a pira, drogas lhe serão oferecidas, e nada sentirás. Irás para a morte e para o que vem depois, o êxtase da Deusa.

Os Instrumentos Mágicos

71Para evitar descobertas, faça com que os instrumentos de trabalho sejam comuns, coisas que qualquer um teria em casa. 72Que os pentáculos sejam de cera para que sejam imediatamente quebrados ou derretidos. 73Não tenha uma espada a menos que sua posição o permita. 74E ela não terá nem nomes nem símbolos em nada. 75Escreva os nomes e símbolos nela com tinta antes de consagrá-la, e lave-a imediatamente após. 76 Que a cor do punho identifique qual é qual. 77Não grave nada nela, pois pode facilitar a descoberta.

Dissimulação

78Sempre lembre-se que somos as crianças escondidas da Deusa, portanto nunca faça algo que possa desonrar-nos ou a Ela. 79Nunca conte vantagens, nunca ameace, nunca diga que queres o mal de ninguém. 80Se alguma pessoa que não é do Círculo falar da Arte, diga, ‘Não fale-me disto, pois me assusta e traz má sorte’. 81Por estas razões, os cristãos têm seus espiões em todos os lugares. Eles falam como se fossem atraídos por nós, e como sentem por não irem em nossas reuniões, dizendo ‘Minha mãe adorava os Antigos. Como eu gostaria de fazê-lo também’. 82Para os que são assim, sempre negue qualquer conhecimento. 83Mas aos outros, sempre diga, ‘Estes homens tolos falam de bruxos voando pelos céus. Para fazer isso eles deveriam ser leves como cardo. E os homens dizem que as bruxas são todas velhas caolhas, então que prazer existiria num encontro de bruxos como os que o povo conta ?’ 84E diga, ‘Muitos homens sábios agora dizem que não há tais criaturas’. 85Sempre faça disso uma piada, e talvez em algum tempo futuro a perseguição morra e possamos adorar nossos Deuses em segurança novamente. 86Que todos nós rezemos por este dia feliz.

87Que as bênçãos da Deusa e do Deus esteja em todo aquele que mantenha estas leis assim como foram decretadas.

As Funções dentro do Coven
88Se o Coven possuir algum equipamento, que todos ajudem a guardá-lo e a mantê-lo limpo e bom para a Arte. 89E que todos justamente guardem todas as riquezas do Coven. 90E se algum Irmão verdadeiramente tiver os escrito, tem direto a seu pagamento, e que seja justo. Isso não é receber dinheiro pela Arte, mas por bom e honesto trabalho. 91Mesmo os cristãos dizem, ‘O trabalhador merece seu pagamento’, mas se algum Irmão quiser de vontade própria trabalhar para a Arte sem receber pagamento, que assim seja para sua grande honra. Que assim seja decretado.

Disputas e Desentendimentos

92Se houver alguma disputa ou desentendimento entre a Irmandade, a Alta Sacerdotisa deve imediatamente convocar os Sábios e inquiri-los no assunto, e eles devem ouvir ambos os lados, primeiro sozinhos e então juntos. 93E então eles decidirão justamente, sem favorecer um lado ou outro. 94Mesmo reconhecendo que há pessoas que nunca aceitarão trabalhar sob o comando de outros. 95Mas, da mesma maneira, há algumas pessoas que não conseguem comandar com justiça. 96Para aqueles que querem sempre comandar, há só uma resposta. 97Saia do Coven ou procure outro, levando com você aqueles que quiserem ir. 98Para aqueles que não o podem, a resposta deve ser simplesmente, ‘Aqueles que não podem aceitar seu comando sairão com você’. 99Pois ninguém deve vir a encontros com aqueles com quem estão em desacordo. 100Assim, todos irão concordar, daqui para frente, pois a Arte deve sempre sobreviver , e que assim seja decretado.

A Loucura dos Cristãos
101Nos dias antigos, quando tínhamos poder, nós podíamos usar a Arte contra qualquer um que intentasse mal contra a Irmandade. Mas nestes dias malditos nós não o podemos fazer. Pois nossos inimigos criaram uma fossa ardente de fogo eterno onde afirmam que seu deus lança todos que o adoram, exceto os poucos que são libertados por seus padres, orações e missas. E isso é feito principalmente dando-se riquezas e presentes valiosos para receber seu favor, pois seu grande deus está sempre precisando de dinheiro. 102Mas como nossos Deuses precisam de nossa ajuda para que o homem e a colheita sejam férteis, assim o deus dos cristãos está sempre precisando da ajuda dos homens para ajudá-lo a nos encontrar e nos destruir. Seus padres sempre lhes dizem que qualquer um que receber nossa ajuda está amaldiçoado a este inferno para todo o sempre, e os homens enlouquecem com o terror disto. 103Mas eles fazem os homens acreditarem que para escapar deste inferno eles precisar dar vítimas aos torturadores. Por esse motivo, todos estão sempre espionando, pensando, ‘Se eu capturar apenas um destes Wicca, eu escaparei da fossa ardente’. 104Por essa razão nós possuímos nossos esconderijos, para que os homens procurem muito e nada encontrem, e digam, ‘Não existe nenhum desses Wicca, e, se existir, estão nalguma terra distante’. 105Mas quando um de nossos opressores morre, ou até apenas adoece, sempre há o grito, ‘Isto é trabalho de bruxos’, e a caçada recomeça. E embora eles chacinem dez de seu povo para cada um de nós, mesmo assim eles não se importam. Eles são incontáveis milhares. 106Enquanto nós somos poucos. Que assim seja decretado.

 

Mais Considerações sobre os Cristãos
107Que ninguém faça uso da Arte de maneira a causar mal a alguém. 108Não importa quanto eles nos ferirem, não prejudique ninguém. E hoje em dia, muitos crêem que nós não existimos. 109Enquanto esta Lei estiver nos ajudando em nossas dificuldades, ninguém, não importa quão grande injúria ou injustiça houver recebido, deve usar a Arte para prejudicar ou causar mal a alguém. Mas pode-se, depois de um grande Conselho entre todos Wicca, usar a Arte para impedir cristãos de ferir nossos Irmãos, mas apenas para impedí-los, nunca para puní-los. 110Pois assim os homens dirão, ‘Aquele se diz um poderoso caçador, um perseguidor de mulheres velhas que ele diz serem bruxas, mas ninguém lhe fez mal, e isto é uma prova de que elas não têm poder ou que na verdade não há mais nenhuma’. 111Pois todos sabem muito bem que muitas pessoas morreram porque alguém os invejava, ou foram perseguidas porque tinham dinheiro ou bens para serem divididos, ou porque nada possuíam para subornar os caçadores. E muitas morreram por serem velhas rabugentas. Tantas destas morreram que os homens hoje dizem que apenas velhas são bruxas. 112E que isto seja nossa vantagem e que afaste as suspeitas de nós.

Manter a Lei

113Na Inglaterra e na Escócia já faz mais de um ano desde que um bruxo morreu a morte. Mas qualquer uso errôneo do poder pode reiniciar a perseguição. 114Por isso, nunca quebre essa Lei, por mais tentado que te sintas, e nunca permita que ela seja quebrada. 115Se souberes que ela está sendo quebrada, deves trabalhar fortemente contra isto. 116E qualquer Alta Sacerdotisa ou Alto Sacerdote que consentir com sua ruptura deve ser imediatamente deposto, pois é o sangue da Irmandade que eles estão arriscando.

117Faça tudo de maneira segura, e apenas se for realmente seguro. 118E mantenha estritamente a Antiga Lei.

Dinheiro

119Nunca aceite dinheiro pelo uso da Arte, pois o dinheiro sempre mancha aquele que o recebe. Há magos e sacerdotes e os padres dos cristãos que aceitam dinheiro pelo uso de suas artes. E vendem indultos para que os homens livrem-se de seus pecados. 120Não seja como estes. Se você não aceitar dinheiro, estará livre da tentação de usar a Arte para propósitos malignos.

O Uso da Arte

121Todos podem usar a Arte em vantagem própria ou para vantagem dos Irmãos apenas se houver a certeza de que não irá prejudicar ninguém. 122Mas permita sempre que o Coven debata este assunto o quanto desejar. Apenas se todos concordarem que ninguém vai ser prejudicado, a Arte poderá ser usada. 123Se não for possível atingir seu objetivo de uma maneira, provavelmente a meta pode ser atingida de outro modo sem ainda prejudicar ninguém. QUE A MALDIÇÃO DA DEUSA ESTEJA SOBRE QUALQUER UM QUE QUEBRAR ESTA LEI. Que assim seja decretado.

Ética
124 Foi julgado lícito se alguém da Arte precisar de uma casa ou terra e ninguém desejar vender, orientar a mente do proprietário de maneira que ele queira vender, contanto que ele não seja de maneira alguma prejudicado e que o preço seja pago sem barganhas. 125Nunca barganhe ou tente baixar o preço de algo se você o estiver comprando para a Arte. Que assim seja decretado.

A Antiga Lei

126Esta é a Antiga Lei e a mais importante de todas as leis: que ninguém faça qualquer coisa que ponha em risco qualquer membro da Arte, ou que coloque-o em contato com as leis da região ou quaisquer perseguidores. 127Se houver qualquer disputa entre a Irmandade, ninguém deve invocar nenhuma lei além destas da Arte. 129Ou nenhum tribunal além daquele formado por Sacerdotisa, Sacerdote e Sábios.

Mais Regras de Dissimulação e Discrição

129Não é proibido dizer como dizem os cristãos, ‘Há bruxaria neste lugar’, pois há muito nossos opressores classificaram como heresia não crer em bruxaria, e um crime tal como negá-la pode colocá-lo sob suspeita. 130Mas sempre diga, ‘Eu nunca ouvi falar disso por aqui, talvez eles devam existir mas muito longe, não sei onde’. 131Mas sempre fale de nós como velhas ranzinzas, concubinando-se com o demônio e voando pelos ares. 132E sempre diga, ‘Mas como elas podem voar pelos ares se não são leves como cardo’. 133Mas que a maldição da Deusa esteja em qualquer um que lançar suspeitas sobre alguém da Irmandade. 134Ou falar sobre algum verdadeiro local de encontro onde nós nos reunimos.

Livro das Sombras e Liber Umbrarum
 

135Que a Arte mantenha livros com os nomes de todas as ervas que são boas, e todas os remédios, para que assim todos possam aprender. 136Mas mantenha outro livro com todas as Leis e Rituais e que apenas os Sábios e outras pessoas de confiança possuam este conhecimento. Que assim seja decretado. 138E que as bênçãos dos Deuses estejam em todos que mantêm essas Leis, e que tanto a maldição do Deus quanto a da Deusa esteja em quem as desrespeitá-las.
 

A Sabedoria da Humildade

138Lembre-se que a Arte é o segredo dos Deuses e que deve ser usado apenas de maneira respeitosa e fervorosa, e nunca para exibir-se ou vangloriar-se. 139Magos e cristãos podem escarnecer de nós dizendo,’Vocês não têm poder, mostre-nos seu poder. Faça magia diante de nossos olhos, e apenas assim acreditaremos’, tentando nos obrigar a trair a Arte perante eles. 140Não lhes dê ouvidos, pois a Arte é sagrada e deve apenas ser usada quando for necessária, e que a maldição dos Deuses esteja em quem quebrar esta Lei.
Alta Sacerdotisa: renúncia, abandono e sucessão
 

141Sempre foi assim com as mulheres, e com os homens também, que eles sempre buscam novos amores. 142Não devemos reprová-los por isso. 143Mas isto pode ser um desvantagem para a Arte. 144Mais de uma vez aconteceu de um Alto Sacerdote ou uma Alta Sacerdotisa, impelida por amor, ir embora com seu amado. Isto é, eles deixaram o Coven. 145Agora, se a Alta Sacerdotisa quer renunciar, ela deve fazê-lo em uma reunião com o Coven completo. 146 E esta renúncia é válida. 147Mas se ela fugir sem renunciar, quem garante que não voltará em poucos meses ? 148Assim, a Lei é, se uma Alta Sacerdotisa deixar seu Coven, ela deve ser trazida de volta para que tudo seja como era antes. 149Enquanto isso, se ela tem uma auxiliar, esta auxiliar agirá como Alta Sacerdotisa enquanto a Alta Sacerdotisa não estive presente. 150Se ela não retornar em um ano e um dia, então o Coven deve eleger uma nova Alta Sacerdotisa. 151A menos que haja uma boa razão para que isso não ocorra. 152A pessoa que fez o trabalho deve receber o benefício de sua recompensa, donzela e auxiliar da Alta Sacerdotisa.

O Vínculo
153Foi visto que a prática da Arte causa uma forte ligação entre aspirante e tutor, e isto é o motivo de melhores resultados se assim o for. 154E se por alguma razão isto não for desejado, pode facilmente ser evitado por ambas as pessoas colocando firmemente em suas mentes que são como irmão e irmã, ou pai e filho. 155E por esta razão um homem pode apenas ser ensinado por uma mulher e uma mulher por um homem, e mulher e mulher não devem tentar estas práticas juntas. Que assim seja decretado.

Julgamento de Transgressões

156Ordem e disciplina devem ser mantidas. 157Uma Alta Sacerdotisa ou um Alto Sacerdote pode, e deve, punir todas as transgressões. 158 Assim, todos da Arte devem receber sua correção de boa vontade. 159Todos apropriadamente preparados, o culpado deve ajoelhar-se, sua transgressão relatada e sua sentença pronunciada. 160A punição deve ser seguida por algo agradável. 161O culpado deve reconhecer a justiça de sua punição beijando a mão ao receber a sentença e novamente quando a punição for cumprida. Que assim seja decretado.

Por: ALEX SANDERS. Tradução k-Ouranos 333

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-lei-das-bruxas/

Em Busca de Alhazred

Por Donald Tyson

Abdul Alhazred é atribuído como o misterioso autor do Necronomicon. Como o livro negro que ele tem a fama de ter escrito, ele foi a criação da mente fértil de Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), que inventou tanto Alhazred quanto o Necronomicon como detalhes de fundo para suas terríveis histórias de horror cósmico.

Lovecraft escreveu que Alhazred era um poeta louco do Iêmen que em sua juventude explorou o grande deserto árabe conhecido como o Espaço Vazio. Ele viajou muito pelo mundo antigo em busca da sabedoria arcana, e em sua velhice escreveu um livro documentando o que ele havia colhido em lugares secretos sob a terra – necromancia estranha, cidades perdidas e raças de extraterrestres tão alienígenas que nem eram compostas de carne. Alhazred adorava esses deuses, e no ano 738, enquanto vivia sua velhice em Damasco, ele pagou o preço final por sua arrogância. Ele foi apanhado no ar no mercado da cidade em plena vista da multidão e devorado pedaço a pedaço por um monstro invisível.

Alhazred não desempenha nenhum papel ativo nas histórias de Lovecraft, mas é meramente dito ser o autor do Necronomicon, que é o foco da atenção do leitor. Quando montei o Necronomicon (Llewellyn, 2004), senti constantemente a presença de Alhazred no meu ombro, enchendo minha mente com suas andanças e suas curiosas aventuras. Ele não aparece em minha versão do Necronomicon, exceto por uma breve menção no final do livro, mas sua presença invisível assombra cada página. O Necronomicon foi baseado no conhecimento que ele adquiriu enquanto perambulava pelo Espaço Vazio e viajava pelo Egito, Pérsia e outras terras. Foi escrito em sua velhice, enquanto ele olhava para trás, ao longo dos anos, para seu passado.

Quando terminei Necronomicon, eu sabia que havia outra história para contar – a história de Alhazred em sua juventude, as maravilhas e os terrores que ele experimentou enquanto perambulava por terras distantes adquirindo sabedoria proibida, a paixão que o levou a aventurar-se nas cavernas escuras nas raízes do mundo e a enfrentar as abominações da natureza que ali habitam, as circunstâncias de sua vida que resultaram em sua loucura nas areias ardentes do Espaço Vazio. Enquanto o Necronomicon é uma reunião de sabedoria do poeta em sua velhice, despojado da emoção humana e de detalhes pessoais, o romance Alhazred apresenta a vida real do jovem poeta como ela está sendo vivida.

Por causa de indiscrições juvenis com a filha do rei, Alhazred, que havia sido poeta da corte do Iêmen e favorito do rei, foi exilado no Espaço Vazio. Antes de sua expulsão para o deserto, ele foi castigado de maneiras horripilantes demais para mencionar neste ensaio, maneiras que o roubaram de seu amor, de sua humanidade, até mesmo de sua própria razão. Suas andanças detalham seus esforços para recuperar o que lhe havia sido tão cruelmente despojado e para se transformar de um vagabundo nu e sem um tostão em um necromante. Ao viajar por cidades perdidas e portais ocultos desconhecidos para aqueles que andam eretos, ele aprende da história inicial deste planeta, das raças das estrelas que foram seus mestres muito antes da evolução da humanidade, de suas terríveis guerras e das consequências de seu inevitável retorno.

Alhazred não vagueia em solidão, mas se move pelo mundo rico do Oriente Médio no final do século VII, não muitas décadas depois que os exércitos de Maomé varreram a Arábia, Síria, Egito, Pérsia e outras terras para criar o império muçulmano. Ele é externamente um membro da classe dominante muçulmana, mas em sua alma torturada ele não dá nenhuma lealdade aos ensinamentos de Maomé. Os deuses de Alhazred são os Grandes Antigos que vieram do passado éons além das estrelas, e que continuam a manter uma posição de apoio em nosso mundo, dando seu tempo até que os céus se realinhem e deixem de lançar raios venenosos para sua espécie.

Contra sua vontade, Alhazred é forçado a se tornar um espião do Antigo conhecido como Nyarlathotep, que procura usá-lo para sondar os enredos de seus inimigos. No século VII, muitos cultos sem nome ainda floresceram ao lado do cristianismo e do islamismo. Grande parte do mundo permaneceu inexplorado e desconhecido. Estranhos adoradores de deuses alienígenas realizavam rituais obscuros sob a lua, e davam sacrifícios de sangue humano. No entanto, além daqueles que permaneceram leais aos Antigos, havia inimigos jurados que os combatiam com artes potentes.

Alhazred encontra estas e outras maravilhas em suas andanças, mas talvez a maior de todas elas seja o amor. Apesar dos horrores cometidos contra ele e de sua loucura, que juntos o transformam em algo diferente do humano, ele não está sem companheirismo e afeto, embora eles tomem formas que lhe renderiam uma sentença de morte se eles se tornassem conhecidos, pois seu amante é ainda menos humano que Alhazred.

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Fonte:

TYSON, Donald. In Quest Of Alhazred. The Llewellyn’s Journal, 2006. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/1163>. Acesso em 8 de março de 2022.

COPYRIGHT (2006). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/em-busca-de-alhazred/

Stairway to Heaven

There’s a Lady who’s sure,

All that glitters is gold,

And she’s buying a Stairway to Heaven.

Há uma senhora que está certa

De que tudo o que brilha é ouro

E ela está comprando uma escadaria para o Paraíso

Esta “Lady”, ao contrário do que as pessoas imaginam, não é a Shirley Bassed (essa idéia apareceu em uma referência de Leonard tale no CD Australiano). A “Lady” que Robert Plant fala é Yesod, a Qualidade Universal do Espírito, a Princesa aprisionada dos contos de fada, a vontade primordial que nos leva á meditação, ao auto-conhecimento e ao início da Escada de Jacob, que é a Starway to Heaven, (Caminho das estrelas), trocadilho com o nome da música e que também foi utilizado em outros contextos para expressar as mesmas idéias, como por exemplo, no nome “Luke Skywalker” na Saga do Star Wars. Um dia falo mais sobre isso…

Na Mitologia Nórdica, a Lady é Frigga, também conhecida como Ísis, Maria, A Mãe, Iemanjá, Diana, Afrodite, etc… um aspecto de toda a criação e presente em cada um de nós.

Robert plant fará novas referências a esta “Lady Who´s sure” em outras músicas (Liar´s Dance, por exemplo, que trata do “Book of Lies” do Aleister Crowley).

Ao contrário do senso comum, que diz que “Nem tudo que reluz é ouro”, esta Lady possui dentro de si a esperança e o otimismo para enxergar o bem em todas as coisas; ver que tudo possui brilho e que mesmo a menor centelha de luz divina dentro de cada um possui potencial de crescimento.

E dentro deste entendimento, ela vai galgando os degraus desta escada para os céus. Na Kabbalah, os 4 Mundos formam o que no ocultismo chamamos de “Escada de Jacob”, descrita até mesmo em passagens da Bíblia. Esta “escada” simbólica traz um mapa da consciência do ser humano, do mais profano ao mais divino, que deve ser trabalhada dentro de cada um de nós até chegar à realização espiritual.

Aqui que os crentes e ateus escorregam. Eles acham que deuses são reais no sentido de “existirem no mundo físico” e ficam brigando sobre veracidade de imagens que apenas representam idéias para um aprimoramento interior.
When she gets there she knows,

If the stores are all closed,

With a word she can get what she came for.

E quando chega lá ela sabe,

Se as lojas estão fechadas,

Com uma palavra ela consegue o que veio buscar

Aqui é mencionado o “verbo”, ou a “palavra perdida” capaz de dar criação a qualquer coisa que o magista desejar. A Vontade (Thelema) do espírito do Iniciado é tão forte que “quando ela chegar lá ela sabe que se todas as possibilidades estiverem fechadas, ela poderá usar a palavra para criar o que precisar”. Este primeiro verso coloca que a dama está trilhando o caminho até a Iluminação e tem certeza daquilo que deseja, ou seja, conhece sua Verdadeira Vontade..
There’s a sign on the wall,

But she wants to be sure,

’cause you know sometimes words have two meanings.

Há um sinal na parede,

Mas ela quer ter certeza,

Pois você sabe, às vezes as palavras têm duplo sentido

Ainda trilhando este caminho, a dama precisa ser cautelosa. Porque todo símbolo possui vários significados. Todas as Ordens Iniciáticas trabalham e sempre trabalharam com símbolos: deuses, signos, alegorias e parábolas. Os Indianos chamam estes caminhos falsos de Maya (a Ilusão) e em todos os caminhos espirituais os iniciados são avisados sobre os desvios que podem levá-los para fora deste caminho (ou o “diabo” na Mitologia Cristã).
In a tree by the brook

There’s a song bird who sings,

Sometimes all of our thoughts are misgiven.

Em uma árvore à beira do riacho

Há uma ave que canta

Às vezes todos os nossos pensamentos são inquietantes

A Árvore a qual ele se refere é, obviamente, a Árvore da Vida da Kabbalah, ou Yggdrasil, na Mitologia Nórdica, a conexão entre todas as raízes do Inferno (Qliphoth) e as folhas nos galhos mais altos (Runas). Brook (Riacho) também é um termo usado no Tarot para designar o fluxo das Cartas em uma tirada, e o pássaro representa BA, ou a alma em passagem, considerada também o símbolo de Toth (que, por sua vez, é o lendário criador do Tarot, ou “Livro de Toth”, segundo Aleister Crowley) então a frase fica com dois sentidos: literal, que é uma árvore ao lado de um rio onde há um pássaro; e esotérico, que trata de Toth, deus dos ensinamentos (Hermes, Mercúrio, Exú, Loki…) aconselhando o iniciado enquanto ele trilha a subida simbólica pela Árvore da Vida.
There’s a feeling I get when I look to the west,

And my spirit is crying for leaving.

Há algo que sinto quando olho para o oeste

E o meu espírito clama para partir

O “Oeste” na Rosacruz, na Maçonaria e em várias outras Ordens Iniciáticas, representa a porta do Templo, os profanos ou a parte de Malkuth, o mundo material (enquanto o Oriente representa a luz, o nascer do sol). Ela não gosta do que vê e seu espírito quer trilhar um caminho diferente.
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees

And the voices of those who stand looking.

Em meus pensamentos tenho visto anéis de fumaça através das árvores

E as vozes daqueles que estão de pé nos observando

Os anéis de fumaça são o símbolo usado para representar os espíritos antigos, os ancestrais dentro do Shamanismo. Os grandes professores e os Mestres Invisíveis que auxiliam aqueles que estejam dentro das ordens iniciáticas
And it’s whispered that soon if we all call the tune

Then the piper will lead us to reason.

And a new day will dawn for those who stand long,

And the forests will echo with laughter.

E um sussurro nos avisa que cedo, se todos entoarmos a canção,

Então o flautista nos conduzirá à razão

E um novo dia irá nascer para aqueles que suportarem

E a floresta irá ecoar com gargalhadas

O “piper” é uma alusão ao flautista, ou Pan. O “Hino a Pã” é uma poesia de 1929 composta por Crowley (e traduzida para o português pelo magista Fernando Pessoa) que trata do Caminho de Ayin dentro da Árvore, que leva da Razão à Iluminação e é representada justamente pelo Arcano do Diabo no Tarot e pelo signo de Capricórnio, o simbólico Deus Chifrudo das florestas. As “florestas ecoando com gargalhadas” sugere que aqueles que estão observando (os Mestres Iniciados) estarão satisfeitos quando os estudantes e todo o resto do Planeta chegarem ao mesmo ponto onde eles estão e se juntarem a eles.
If there’s a bustle in your hedgerow,

Don’t be alarmed now,

It’s just a spring clean for the May Queen.

Se há um alvoroço em sua horta

Não fique assustada

É apenas a purificação da primavera para a Rainha de Maio

Esta parte não tem nada a ver com garotas chegando à puberdade. As mudanças referem-se à morte do Inverno e chegada da Primavera, que representa a superação das Ordálias e caminhada em direção à Verdadeira Vontade.
Yes there are two paths you can go by,

But in the long run

There’s still time to change the road you’re on.

Sim, há dois caminhos que você pode seguir

Mas na longa jornada

Há sempre tempo para se mudar de estrada

A lembrança de que sempre existem dois caminhos, e também uma referência ao Caminho de Zain (Espada, que conecta o Iniciado em Tiferet à Grande Mãe Binah, representada pelo Arcano dos Enamorados no Tarot). Separa a parte dos prazeres terrenos (chamados de “pecados” na cristandade ou de “Defeitos Capitais” na Alquimia) e o caminho da iluminação espiritual. A escolha é nossa e é feita a cada momento de nossa vida em tudo o que fazemos, e qualquer pessoa, a qualquer momento pode mudar de caminho (espero que do mais baixo para o mais elevado…)
And it makes me wonder.

Oh, e isso me faz pensar e me deixa maravilhado (uso duplo de “wonder”)

Robert Plant coloca várias vezes esta frase na música, em uma referência ao Arcano do louco (e o Caminho do Aleph na Kabbalah), como o sentimento de uma criança que se maravilha com tudo no mundo pela primeira vez (no catolicismo “Vinde a mim as criancinhas”, Mateus 18:1-6 sem trocadilho desta vez). Este é a sensação que um ocultista tem a cada descoberta de uma nova galáxia ou maravilha do universo, ou novas invenções da ciência e a descoberta de novos horizontes. No hinduísmo, esta sensação tem o nome de Sattva (em oposição a Rajas/atividade ou Tamas/ignorância).
Your head is humming and it won’t go,

In case you don’t know,

The Piper’s calling you to join him.

Sua cabeça lateja e isto não vai parar,

Caso você não saiba

O flautista lhe chama para que se junte a ele

Nesta altura da música, já fica claro que quem a escuta está sendo guiado pela Lady através da Árvore da Vida em direção à Iluminação. O aspirante a Iniciado está sendo conduzido pelo caminho pelo soar da música. Ou, em um caso mais concreto, o mesmo tipo de música que o Blog do Teoria da Conspiração toca para vocês…
Dear Lady can you hear the wind blow, and did you know,

Your stairway lies on the whispering wind.

Querida senhora, não pode ouvir o vento soprar? Você sabia

Que a sua escadaria repousa no vento sussurrante?

Esta frase tem duas analogias com símbolos muito parecidos, de duas culturas. O primeiro é a própria Yggdrasil, em cujas raízes fica um dragão (a Kundalini) e em cujo topo fica uma águia que bate suas asas resultando em uma suave brisa. A Águia representa o espírito iluminado (daí dela ser o símbolo escolhido pelos maçons americanos como símbolo dos EUA) e o vento é o elemento AR (Razão). Na Kabbalah, em um significado mais profundo, tanto os caminhos de Aleph (Louco/Ar) quanto de Beth (Mago/Mercúrio) que conduzem a Kether (Deus) são representados pelo elemento AR – O Led Zeppelin fala sobre águias em outras canções, igualmente cheias de simbolismo… algum dia eu falo sobre elas.
And as we wind on down the road,

Our shadows taller than our soul,

E enquanto seguimos soltos pela estrada

Nossas sombras se elevam mais alto que nossas almas

As Sombras, no ocultismo e especialmente nos textos do Crowley, são os defeitos ou aspectos negativos de nossa personalidade que mancham a pureza de nossa alma.
There walks a lady we all know,

Who shines white light and wants to show

How everything still turns to gold,

Lá caminha uma senhora que todos nós conhecemos

Que irradia uma luz branca, e quer nos mostrar

Como tudo ainda vira ouro

O terceiro Caminho até Kether é Gimmel, a sacerdotisa, o caminho iniciado em Yesod (Lua) que passa novamente pelos Grandes Mistérios. A analogia com o Ouro é óbvia. O processo alquímico na qual transformamos simbolicamente o chumbo do nosso ego no ouro da essência.
When all are one and one is all,

Unity.

To be a rock and not to roll.

Quando todos são um e um é todos,

Unidade

Ser como uma rocha e não rolar

Quando finalmente ultrapassamos o Abismo, chegamos a Binah, que representa a Ordem (“rock” em oposição ao Caos, que é o “roll”, em um genial jogo de palavras). Na Umbanda, o orixá representado ali é Xangô, senhor das “pedreiras” e da certeza das leis imutáveis do Universo. Representa a mente focada no caminho, sem deixar-se levar por qualquer evento ou adversidade.
And she’s buying a Stairway to Heaven.

E ela está comprando uma escadaria para o Paraíso

Novamente, a mensagem de esperança… a Dama do Lago está sempre ali, criando oportunidades para todos os buscadores no Caminho da Libertação.

***

análise e comentários por Marcelo Del Debbio

tradução dos versos em inglês por Rafael Arrais

#Arte #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/stairway-to-heaven

Apocatástase: A salvação é obrigatória

Cada templo e religião alega saber quem está condenado ao inferno e quem vai para o céu. Na maioria das vezes a receita é muito simples, para o inferno vão todos aqueles que discordam de mim enquanto o céu é reservado para aqueles que dividem comigo as mesmas crenças. Muito diferente do que o próprio Jesus deixou que se registrasse em João 12;47-48; “Se alguém ouvir minhas palavras e não crer, eu não o julgo, pois, não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado essa o julgará no último dia.” Este conceito simples é a essencia no Novo Testamento, e ele se traduz na boa notícia que é: Sabe o que você precisa fazer para ser salvo e viver uma vida abundante, tanto aqui quanto ao lado de Deus? ABSOLUTAMENTE NADA!

Quase a totalidade das igrejas na ânsia de angariar membros e dinheiro para seus clubes sociais, acabaram esquecendo-se de anunciar de modo suficientemente claro o fato de que não existem pré-requisitos para ganhar a graça de Deus. Não há nada que você possa fazer porque Jesus já fez todo o trabalho sujo para você.

Você pode ser um assassino, o pior dos criminosos, pode ter batido na mãe e quebrado cada um dos dez mandamentos e ainda assim irá para o céu, alcançará o paraíso e a eternidade na glória e alegria de Deus. A Apocatástase é o nome dado a restauração final de todas as coisas em sua unidade absoluta com Deus. A apocatástase representa a redenção e salvação final de todos os seres, inclusive os que habitam o inferno. É, assim, um evento posterior ao próprio apocalipse.

A apocatástase sintetiza o poder do Logos ou Verbo encarnado, ou seja, o próprio Cristo como poder redentor e salvador que não conhece limite algum.

Você duvida? Então vejamos alguns fatos muito claros na Biblia:

A – SOMOS TODOS UNS MERDAS. Segundo a Biblia TODOS os homens são pecadores. Romanos 3:23 diz “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Essa mensagem de que todas as pessoas são pecadoras é amplamente repetida nas Escrituras, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Isso significa que você não é nada diferente de um estuprador e nada melhor do que é um pedófilo. Mas por favor, não entenda isso da maneira errada; isso não quer dizer que você não faz nada direito e que deveria estar apodrecendo em alguma cela nalgum lugar afastado, isso significa tão somente que ninguém no mundo, absolutamente NINGUÉM NO MUNDO, e isto inclui você, faz todo o bem que poderia fazer. Isso é um fato.

B – ESTAMOS NA MERDA. Já que somos todos imperfeitos não podemos nos salvar. Ninguém pode salvar a si mesmo, se você pensa o contrario além de ser um merda e estar na merda é burro! Jesus deixou esse fato bem claro em Mateus 5:48, quando disse: “Portanto, sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste.” Agora, se todos precisamos ser perfeitos aos olhos de Deus, como alguém poderá ir ao céu se a Bíblia declara diversas vezes que TODOS são pecadores? Quem em sã consciência se declara perfeito como Deus? A conseqüência disso é que não importa o quanto você reze, quanta caridade pratique, quantos rituais conheça ou quantas reuniões da sua igreja você assista. Aos olhos de Deus você continuará onde está agora. Talvez conheça mais gente e se ocupe nos fins de semana, mas continuará na mesma situação de imperfeição.

Basicamente os pontos A e B são um resumo do Antigo Testamento. Em outras palavras Deus nos deu uma infinidade de mandamentos que deveríamos seguir para sermos perfeitos a seus olhos, mas que ninguém consegue obedecer de fato. Mas se estamos na merda e somos uns merdas, quem poderá nos salvar? Como evitar o destino reservado para todos os pecadores? É ai que entra o segredo da Nova Aliança.

A Boa Notícia (e este é o significado literal da palavra “evangelho”) é que quando Jesus morreu na cruz ele pagou todos os nossos erros no nosso lugar. O evangelho é bem claro ao dizer que Jesus morreu como um sacrifício substituto pelos nossos pecados e que assim conquistou vida eterna no céu como um Dom Gratuito! (Romanos 5:8, Romanos 5:19, Timóteo 1:15, Timóteo 4:10, Lucas 2:11, Tito 3:3-7).

E ele fez isso por todos nós, este é o maior presente de Cristo para você. Você pode ser branco ou negro. Homem ou mulher. Judeu ou muçulmano. Isso vale para cristãos de qualquer uma das igrejas ou para criminosos de todas as espécies. Em Romanos 6:23 está escrito: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” E em João 4:42 lemos: “E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.”

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (ITim 2,4). TODOS SE SALVEM. Esta é a vontade de Deus. Deus não quer que apenas os membros fiéis desta ou daquela seita sejam redimidos. Ele quer todo mundo. E tudo o que Deus quer ele consegue. Negar este fato é negar sua onipotência e sua própria condição como Criador e Senhor do Universo.

A vida eterna é um dom gratuito de Deus, por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Você não pode comprar a vida eterna, e com certeza mesmo que pudesse não a mereceria – já que você é um merda – mas Deus, sabendo disso, a oferece DE GRAÇA. Em Efésios 2:8-9, Paulo reitera este ensinamento que a vida eterna com Deus é um dom gratuito para todos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se vanglorie.”

Este plano universal de salvação divide um espaço igualmente importante com os ensinamentos da ética revolucionária nos escritos dos apóstolos e é necessária uma boa dose de má-fe para negar os fatos. Em João 1:29 está escrito “‘Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado mundo!” Oras, em absolutamente todos os contextos a palavra “mundo” é usada para se referir a totalidade da existência, obviamente ‘mundo’ não significa apenas a palestina, os eleitos ou a igreja. Quando foi crucificado ele rasgou o veu do Templo, terminando assim com a distinção entre o Judaísmo e qualquer outra religião. Ao acabar com o Templo ele deixa claro que a salvação é para todos, em Romanos 5:10 está escrito: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”. Mais para frente o apóstolo usa a mesma palavra ao escreve: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho Únigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Então alguém pergunta: E se eu não crer?

Em Marcos 16:16 essa preocupação se reafirma: “Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer não será salvo.” Isso absolutamente não representa qualquer problema e em especial não deveria ser motivo de acusações entre os crentes de diferentes opiniões. Isso deixa apenas as pessoas com uma escolha em mãos, uma liberdade que por ser dada por Deus não pode ser retirada pelos caprichos desta ou daquela religião: você pode escolher receber esse dom gratuíto, que já lhe foi garantido, AGORA, pela fé ou pode esperar MORRER para recebê-lo. Ou seja, basta SABER DE FATO que já está salvo, isso não quer dizer ter fé no que igrejas e pastores e templos pregam, isto quer dizer já assumir que está salvo e ponto. Você não precisa de sinais, de confirmações de nada, Atos dos Apóstolos 16:31: “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.” e Romanos 8:24: “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?”

Se não fosse isso como o amor de Deus poderia coexistir com as milhares de pessoas que nasceram e morreram antes de cristo ou aquelas que nasceram em outras religiões ou regiões sem a notícia da salvação ainda em vida? Simples assim! Você é livre para fazer o que quiser e acreditar no que quiser, mas se confiar sua vida a Jesus Cristo desde já, tomará imediatamente consciência de que está de fato salvo e que portanto você não é mais um servo de Deus, você se tornou seu filho ou filha. E como filho de Deus será herdeiro legítimo para tomar posse de todas as benção que Deus lhe tem reservado.

Em Efésios 2:encontramos: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)”. Este é o poder da Fé. “Ora a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” – Hebreus 11:1. Agora surge o momento de falarmos de fé real, não a fé de plástico vendida em igrejas pela módica quantia de 10% do seu salário. Quando falamos em fé, não estamos falando do adesivo de para-choques “ora que melhora!”, estamos falando da fé de sermos redimos de quaisquer erro que tenhamos cometido ou que venhamos a cometer. Jesus nunca vendeu aspirinas para sanar nossas dores de cabeça, nem nunca nos vendeu um empréstimo com juros menores para pagarmos nosso carro ou quitarmos a dívida de nossa casa. Nós vivemos nossas vidas de acordo com nossos erros e acertos. Quando recebemos o dom do livre arbítrio com ele ganhamos a responsabilidade por nossos atos. O que fazemos com nossas vidas diz respeito a nós, tratar Jesus como um super-herói que nos salvará nos momentos de perigo ou Deus como um juiz de testes que iniciará a experiência sempre que der errado é um ainocência que beira a ignorância. A fé em Cristo não garante que passaremos no vestibular ou que encontraremos uma pessoa para passar o resto da vida ou mesmo que nossa empresa prosperará. A fé em Cristo não é uma certeza infundada de que na hora H nossos problemas serão resolvidos ou que alguém nos tirará da forca. Significa apenas que somos puros, limpos, que somos responsáveis por toda e qualquer coisa que façamos agora e que independente do que isso for, nós temos a graça de Deus: “Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” Romanos 5:9. Quem tem uma vida mesquinha tem preocupações mesquinhas. A Salvação é tudo, menos mesquinha.

A salvação de Deus através de Cristo nos ensina que podemos viver sem culpa. Pra que serve a culpa? Se sentir culpado é o mesmo que afirmar que Jesus não fez seu serviço direito, que sua morte foi meia boca: “apenas para o povo daquela época!” – Besteira, o dom de Deus é ETERNO, para todo o tempo e além do tempo.

Nenhum sacerdote, padre ou pastor poderá estar diante de Deus na eternidade e se vangloriar de ter “comprado” sua entrada no céu. Ao contrário, todas as pessoas no céu estarão ali somente porque Jesus obteve esse direito, com sua morte em nosso lugar na cruz. Em vez de punir os pecados individuais de cada pessoa, Deus acumulou esses pecados sobre Jesus (Isaías 53:2-12) quando ele estava sofrendo.

Por isso em João 3:17 o versículo se completa: “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”. E o mundo, meu amigo, inclui você – quer você queira ou não!

Tamosauskas


Sentindo-se freak? Conheça Jesus Freak: o Guia de Campo para o Pecador Pós-Moderno


 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocatastase-a-salvacao-e-obrigatoria/

A Thelema e a FRA

Por Irmão Raphael

No início do século XX, a Lei da Thelema, sistema de filosofia e magia desenvolvido por Aleister Crowley (1875-1947) – To Mega Therion – teve grande influência filosófica na cultura esotérica, na cultura pop e também foi precursora do pensamento pós-moderno. No meio esotérico, a Lei da Thelema também influenciou outras ordens que não estavam ligadas diretamente a Crowley, ordens ligadas pelo fenômeno da O.T.O. (Ordo Templi Orientis), como a FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) do Dr. Krumm-Heller (1876-1949) – Mestre Huiracocha – foco do nosso estudo. Muitos argumentam que os ensinamentos do Dr. Krumm-Heller eram antagônicos com do Aleister Crowley, e que não possuíam nenhuma ligação esotérica, principalmente na questão da magia sexual. Mestre Huiracocha revela em seu livro, Logos Mantram Magia, ele afirma: “declaro que, para mim, a vocalização, o uso dos mantras e a oração, mediante o despertar das secreções sexuais, é o único caminho de chegar a meta, e o resto é, infelizmente, uma perda de tempo”.

Diante disso, Peter Koenig, classifica o ensinamento do Dr. Krumm-Heller como Gnosticismo Homeopático, já que há uma ideia de retenção inclusa; e classifica de Gnosticismo Libertino do Crowley, na qual não há nenhuma restrição quanto ao sexo.

Aparentemente, essas duas ordens não parecem ter muitos pontos em comum. No entanto, Crowley recomenda o estudo da Fórmula da Rosa-Cruz. O que leva muitos a considerar uma alegoria somente à magia sexual. Como ele mesmo escreve: “não precisamos nos sentir surpresos se a Unidade do Sujeito com o Objeto na Consciência é Samadhi, que é a unificação da Noiva e do Carneiro é o Céu (…), a união do Lingam e da Yoni, a da Cruz com a Rosa”. No entanto, James Eshelman escreve, que isso, na verdade, seria o trabalho mágico da união dos opostos em sua Natureza, que muitos místicos cristãos descrevem como no aniquilamento de si mesmo no Amado.

O Dr. Krumm-Heller foi membro da O.T.O., apesar de que recebeu seu grau, em 1908, de Theodor Reuss, antes da reformulação da ordem por Crowley. Mas após 1930, o Dr. Krumm-Heller e Crowley se encontram pessoalmente em Berlim onde Huiracocha foi presenteado com uma edição de Liber Aleph assinada pelo inglês, e trocaram uma extensa correspondência. O Mestre Huiracocha não foi discípulo do Mestre Therion, na verdade, Crowley em uma correspondência, considera o Dr. Krumm-Heller um maçom igual a ele, na qual tinha muito a ver com a realização da “Grande Obra”, e a divulgação da Lei da Thelema. E o Dr. Krumm-Heller escreve:

“Meus mestres foram Eliphas Levi e Papus, e graças a eles eu poderia decifrar os segredos da Magia. Dr. Hartman tem nos ensinado na Alemanha, a parte esotérica da Bíblia e da Igreja Cristã. Outro mestre que teve maior influência sobre mim foi o Mestre Therion, ele me deu a sua obra “Liber Aleph Vel CXI (O Livro da Sabedoria ou da Tolice)”.

E após esse encontro, o Dr. Krumm-Heller aceitou a Lei da Thelema, sendo que nos rituais de congregação da FRA é dito: “A nossa divisa é Thelema”. Apesar das muitas influências, o Dr. Krumm-Heller diz também em seu Logos Matram e Magia ter alçado aos últimos graus da Astrum Argentum (ordem esotérica desenvolvida por Aleister Crowley e George Cecil Jones), mas não ha documentação a respeito e nem há algum estudo aprofundado da doutrina thelêmica no currículo da FRA.

Diante disso, surge uma questão, como a Lei da Thelema se adequou ao ensinamento das ordens, como a FRA – uma ordem de tradição gnóstica rosacruciana.

THELEMA E O CRISTO

Para os seguidores de Crowley, a Lei da Thelema possui o objetivo de descobrir sua Verdadeira Vontade, através da Conversação com o Sagrado Anjo Guardião e, após isso, dedicar sua vida inteira ao seu cumprimento. A necessidade do cumprimento da Vontade se demonstra através daquele que é considerado o único mandamento em Thelema: “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. O amor é a lei, amor sob vontade”. A Lei da Thelema prega uma ética individual, na qual nenhuma regra externa pode interferir, ou seja, o cultivo e satisfação plena das próprias vontades. Mas qual é a visão do Dr. Krumm-Heller acerca da Lei da Thelema.

Para entender essa visão, peguemos o artigo do Dr. Krumm-Heller: CHRISTO-ABRAXAS-BAPHOMET- THELEMA, na qual é dito que há quatro forças – Cristo, Abraxas, Bafomet e Thelema – são uma só coisa: LUZ. Para o Dr. Krumm-Heller, o cristianismo adotou a ideia gnóstica de que o Cristo simboliza o Sol, conforme a Cristologia Gnóstica. E a Luz Solar atua de diversos modos. Ela é o Cristo, aspecto derivado do Pai, como parte do Sol Central. Para os gnósticos seria Abraxas. Outro aspecto desta Luz seria Baphomet, um aspecto mais grosseiro, porque é a força astral. E por fim, outro aspecto desta Luz é Thelema que significa a Vontade atuante na Luz.

Todas essas diferentes variações da Luz são denominadas pelos Gnósticos como Força Cristônica.

“(…) Outro aspecto desta força é Thelema que significa a vontade atuante na Luz. O discípulo não deve esquecer que todos esses nomes e símbolos representam forças e nos Mistérios usavam-se símbolos para objetivar essas forças. (…) Assim, pois a força de Abraxas manifesta-se de modo distinto da força de Baphomet; porém, todas derivadas da força espiritual da Luz, que os Gnósticos chamam FORÇA CRISTÔNICA. O discípulo precisa aprender o manejo de todas essas forças”.

CRISTOLOGIA GNÓSTICA

A Cristologia Gnóstica diz que o Sol visível é o mediador do Sol Central. E o Crestos Cósmico é o meio astral que liga o homem ao Pai Solar. A força de Cristo pode manifesta-se de diferentes modos, seja como Baphomet, Abraxas ou Thelema, porém, todas derivadas da força espiritual da Luz do Sol Central. Podemos inferir, assim, que Thelema é Cristo. Ou que a Vontade do Crestos é Thelema.

Como símbolo, Cristo se liga aos deuses solares, Mitra, Abraxas e Dionísio. Mas também é um fato histórico, na pessoa de Jesus. O corpo de Jesus de Nazaré foi utilizado para que a entidade divina do Cristo, no momento do batismo, pudesse tomar a forma que lhe era necessária para, daí em diante, estar em comunhão com as almas humanas. Os acontecimentos na Palestina foram necessários para o nascimento da vida terrena do Cristo que aconteceu a partir do Mistério do Gólgota, esse acontecimento é denominado por Rudolf Steiner (1861-1925) de “Impulso do Cristo”.

Para os Gnósticos há uma diferença sensível entre os as personalidades de Buda, Zoroastro, Confúcio, Maomé e a divindade do Cristo. Os primeiros foram certamente grandes filósofos e grandes Iniciados a quem lhes foi dada a incumbência de pregar e instalar uma região em sua época. No entanto, Cristo tem uma personalidade diferente.

Ele é Deus, é o Logos Solar ou a Essência Solar, a força do Espírito que está fundida no Sol.

O Dr. Krumm-Heller diz que a Força Cristônica de Jesus, se propagou pelo mundo (Impulso do Cristo) e transformou seu ambiente, perpetuando-se até nossos dias. Para vida terrestre, o Sol possui grande importância para nosso planeta, por sua vez, o Sol físico depende de outro Sol espiritual. O Sol espiritual é algo prático e real, como também é o Logos. Cristo é a Luz do Sol física e espiritual.

O Dr. Krumm-Heller reúne na figura do Cristo uma força de consciência e uma substância material. Isso pode parecer estranho, mas nas próprias palavras do Dr. Krumm-Heller, a realidade é formada pelo trio de matéria, energia (força) e consciência. Deste modo, o Crestos Cósmico é uma substância, uma força, uma consciência atuante. Os gnósticos aprendem a manejar Crestos e sua força mediadora.

CRISTO EM CONSCIÊNCIA

Seguindo a linha de pensamento, na qual o Dr. Krumm-Heller entendia Cristo e Thelema como forças impessoais, inferimos, então que a Força Consciencial Cristônica também é impessoal. Podemos entender melhor esse conceito Vontade Universal estudando a obra “Uma Aventura entre os Rosacruzes”, de Franz Hartmann. A Vontade apresentada por Hartmann não é a Vontade individual, apesar de atuar no individuo, é um princípio universal, análogo a Divina Providência. Desta forma, podemos entender a Vontade como uma Força Impessoal, como é invocada na Missa

Gnóstica do Mestre Huiracocha: “Vem, Santo Querer, Divina Energia Volitiva. Transforma a minha vontade fazendo-a una com a Tua”. Assim, para o Dr. Krumm-Heller, Thelema é a Vontade Divina Universal, na qual atua sobre toda existência. Como escrito por ele mesmo, Thelema é a Vontade atuante na Luz. E a Luz é o Cristo. A Vontade provém do Crestos Cósmico, a fonte universal que todos podem beber. A diferença entre Crowley e o Dr. Krumm-Heller é a origem dessa Vontade.

Para Crowley, a Thelema brota no próprio homem, mas em sua particular “alma imortal”: “Todo homem e toda mulher é uma estrela” (AL I:3). Frater Achad escreveu o ensaio Passando do Velho ao Novo Aeon, no qual explica que a partir do momento em que o homem passar a se identificar com o Sol, ele passará a ser um Deus, pois será a fonte de luz:

“Você sabe o quão profundamente nós sempre ficamos impressionados com as ideias de Sol nascente e Sol poente, e como os nossos antigos irmãos, vendo o Sol desaparecer à noite e nascendo novamente na manhã seguinte, basearam as suas ideias religiosas neste conceito de um Deus Moribundo e Ressuscitado. Essa á a ideia central da religião do Velho Æon (…). O Sol não morre, como acreditavam os antigos, ele está sempre brilhando, sempre irradiando Luz e Vida. Pare por um momento e tenha uma clara concepção deste Sol, como Ele está brilhando já cedo pela manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando à tarde e brilhando à noite. Você percebeu esta ideia claramente em sua mente? Você acabou de sair do Velho Æon e entrar no Novo. Agora consideremos o que aconteceu. O que você fez para obter essa imagem mental do Sol sempre brilhante? Você se identificou com o Sol. Você saiu da consciência deste planeta; e por um momento você teve que se considerar um Ser Solar”.

No novo Aeon de Hórus, a era thelêmica, da criança conquistadora, todo homem e toda mulher passam a serem deuses, co-criadores do Universo. E a Fraternitas Rosicruciana Antiqua é uma mediadora entre o antigo e o novo Aeon.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-thelema-e-a-fra

Reflexão

I.

Por muito tempo busquei o amor

Por muito tempo dele procurei

Nos recândidos do mundo

Perguntando a mim mesmo

De algo que jamais saberei

Agora, em silêncio profundo

Basta-me saber da lei:

Quero é ser o amor

Como a abelha é parte da colméia

Quero é viver o amor

Como só tu o soube

Ò rabi da Galileia

II.

Eis me aqui neste templo mental

Cercado de anjos e velhos pretos

Dançando ao toque

Do tambor ancestral…

Agora, em silêncio profundo

Basta-me imaginar ao sol

A iluminar divina cachoeira

– Um longo rio a desaguar

No mais belo jardim

Quem lá esteve, sabe que é assim:

O Éden não foi, nem será…

Em nossa volta

Na mente plena de paz

Tudo apenas é

III.

Por muito tempo busquei a luz

E, partindo de mim

Tal qual raio, a projetar

Até que um ser alado

Das falanges de muitas eras atrás

Ensinou-me a evocar

A pirâmide branca

De cume dourado…

Como o ótico de Haia

Vi a luz em reflexão

Dos confins do Cosmos

Até este nosso mundo

– Charco de solidão

IV.

Eis me aqui envolto em rede

De luz eterna

Tecida entre dois planos

Tão próximos

Tão distantes…

Eis o que sei por ora:

O amor está dentro

O amor é um fio

Mas a luz vem de fora

Agora, em silêncio profundo

A cangoma ainda toca…

Da outra ponta do mundo

Um fio é puxado

E todos os anjos

E pretos velhos

E todos os rabis

E neófitos

E todos os pensamentos em reflexão

Pendem

Na sua direção

– Quer compreendam

Quer não…

raph’12’A.’.A.’.

#Espiritualidade #poesia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/reflex%C3%A3o

Onde caminham os mortos

» Parte final da série “Intoxicados” ver parte 1 | ver parte 2

A criança que fui chora na estrada

Deixei-a ali quando vim ser quem sou

Mas hoje, vendo que o que sou é nada

Quero ir buscar quem fui onde ficou

(Fernando Pessoa)

Um homem caminha pelas vielas do inferno. Ele se veste a caráter: parece mais um mendigo, numa das mãos traz um saco com alguns pães que acabou de comprar na padaria, a face foi cuidadosamente maquiada para parecer tão suja quanto às faces dos mortos que perambulam por lá – perdidos das próprias almas, perdidos de suas essências. No entanto, não há nada de sobrenatural nesse inferno… Os seres mortos são apenas mortos em vida, não mortos-vivos; O inferno fica bem no centro da maior cidade do Brasil; Um homem visita a cracolândia.

Uma menina aborda o homem no meio da rua. Parece menor de idade, mas mesmo assim se porta como se não fosse. Ela está suja – suja no corpo, suja no olhar, suja na alma. Mas não há nada mais a oferecer em troca de um pedaço de pão ou, quem sabe, de 30, 20, 10 reais… Ela oferece a alma, ela oferece o olhar… E o corpo. O homem entrega o saco com os pães, e vai-se embora. Ele queria poder ver mais, mas sua estada no inferno, embora breve, já pesava muito em sua própria alma. Por um momento, se imaginou como aqueles que vivem naquela escuridão, nas trevas do inferno terreno, perdido, sem esperança… Caminhando junto aos mortos… Não foi uma boa imagem [1].

O crack é uma droga feita da mistura de cocaína com bicarbonado de sódio e outros pedaços de sujeira pelo caminho. Geralmente, é fumada. A fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos, devido ao fato de a área de absorção pulmonar ser grande. Seu efeito dura de 3 a 10 minutos, com efeito de euforia mais forte do que o da cocaína, após o que produz muita depressão, o que leva o usuário a usar novamente para compensar o mal-estar, provocando intensa dependência. Não raro o usuário tem alucinações e paranoia… Na cracolândia, vive-se em intervalos esporádicos de alguns minutos, numa semivida eufórica e mecânica que se esvai tão logo chega, como um estranho sonho curto em meio a um pesadelo. No resto do tempo, se morre.

Desde 2005, a Prefeitura de São Paulo tem se dedicado, timidamente, a restaurar a área da cracolândia. Sua ideia de restauração passa pelo fechamento de bares e hotéis ligados a prostituição e ao tráfico de drogas, o aumento do policiamento e a desapropriação de centenas de imóveis numa tentativa de criar “bolsões” onde a iniciativa privada se sinta a vontade para investir. Os moradores de rua, catadores de material reciclável e dependentes de drogas que perambulam pelo inferno vão sendo expulsos aos poucos – sabe-se lá para onde, mas certamente hão de levar seu inferno junto com eles… Muitos grupos de menores de rua dependentes, impedidos de caminhar por seu inferno particular, perambulam sem rumo pelos bairros vizinhos. Bandos e bandos de crianças que, mal tendo nascido, já se encontram mortas…

Na verdade, muitas grandes cidades do mundo em desenvolvimento têm suas cracolândias, seus infernos, para onde se dirigem todos aqueles sem rumo, perdidos de suas almas, que deixaram a si mesmos em algum canto, em alguma esquina, em alguma estrada, e nunca mais encontraram… E muitos se dizem sensibilizados, se dizem “cristãos”, mas se sentem mais a vontade o mais longe possível do inferno. Quase ninguém quer ir para o inferno, contanto que lá não se encontre nenhum parente, familiar, ou grande amigo. Ninguém quer em realidade saber de onde caminham os mortos: “deixem que fiquem por lá, morrendo, aos poucos, mas longe, muito longe de nós!”.

E tratamos aos dependentes como seres perdidos, sem volta, condenados. Mas não são todos que pensam assim… A Missão Batista Cristolândia, como foi chamada, é a sede de todos os batistas que desejam capacitação no trabalho de evangelização de dependentes químicos e excluídos socialmente. Como apresenta a coordenadora local do Radical Brasil, missionária Soraya Machado: “A Missão é a resposta dos batistas brasileiros a esta atrocidade chamada cracolândia”. O quartel general do Radical Brasil está localizado dentro da cracolândia e nesse espaço são oferecidas 300 refeições diárias – café, almoço e janta, espaço para banho, lavanderia, doação de roupas e calçados. Além do amparo social, o investimento espiritual é alto, com quatro cultos por dia nos períodos da manhã, tarde, noite e madrugada… Felizmente, alguns ainda são crentes o suficiente no ser humano, crentes a ponto de imaginarem que podem sim, adentrar ao próprio inferno, e sair de lá não com demônios ou mortos-vivos, mas com pessoas que podem sim viver uma vez mais.

Nós podemos criticar os evangélicos e crentes fervorosos por algumas de suas crenças descabidas, mas enquanto existirem crentes da esperança, crentes da vida que pode vencer a morte, todas as suas exaltações serão não somente perdoadas pelos que adoram a vida, mas admiradas… Nesse aspecto, pouco importa a crença ou descrença de cada um, e sim os frutos de suas obras, sua caridade, seu amor. É muito fácil desistir dos dependentes como se esses não fossem mais seres vivos, como se não tivessem mais almas, ou, pelo menos, como se não houvesse mais nenhuma esperança de as reencontrarem pela estrada… Mas a alma perdura, em meio ao mais pavoroso inferno, nos vales das sombras e da morte, ela não teme o mal, ela permanece ali, impávida, esperando ser resgatada – como a mais pura e inocente criança a chorar pela estrada: “Veja, aqui estou eu. Venha e salva-me! Venha e cuida de mim! Venha e me ame, que eu também te amarei…”

Paracelso já dizia que a diferença entre o veneno e o remédio é apenas a dose. As drogas e os vícios podem sim nos permitir escapar da tristeza perene da vida, mas o custo é alto: é a própria vida. Ao aprendermos a encarar a melancolia de frente, face a face, poderemos quem sabe perceber que mesmo ela, mesmo ela, era apenas uma dose do leve veneno da vida, mas dose esta que também pode virar um grande remédio… Se estamos intoxicados de angústias, devemos também tentar nos intoxicar de alguma sabedoria, e compreender que há sempre tempo de recomeçar – mesmo o nosso próprio corpo, em sua renovação incessante, será um novo corpo assim que nos limparmos do charco de toxinas químicas e nos banharmos na água cristalina de um rio, uma cachoeira, um oceano, ou da própria vida.

E então, quem sabe, poderemos passar a nos intoxicar da única substância que, independente da dose, só nos fará avançar, mais e mais, cada vez mais, para um céu de liberdade, e felicidade – sejamos todos dependentes do amor, e apenas dele, para que todos os infernos se façam céus, toda a indiferença se faça dor, e toda compaixão, fortaleza intransponível.

***

[1] Este trecho foi inteiramente baseado no depoimento de um amigo.

Crédito das fotos: [topo] AMCCE; [ao longo] ALESP

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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