Yama & Niyama: O que seria o “Thelemita ideal”?

O que é um “Thelemita ideal”? Simples: Não existe algo como “Thelemita ideal”. A Lei de Thelema é “Faça o que tu Queres”, o que significa que cada indivíduo é soberano. Todo Homem e toda Mulher tem sua própria Lei individual, sua Vontade única e particular. Como diria William Blake, “Uma Lei para o Leão e para o Boi é Opressão”.

O Fato de “não há Lei senão Faça o que tu queres” (Liber Al III: 60) é precisamente o motivo de não haver um ideal padrão ou universal. Cada indivíduo tem a sua própria Vontade, e cada Lei deve ter seu “ideal” próprio e único. Sobre o fato de não existir esse padrão ou ideal universal Crowley escreve:

“O que se faz necessário não é a busca por um ideal fantástico, profundamente desajustado às nossas necessidades reais, mas para descobrir a real natureza dessas necessidades, para preenchê-las, e gozar com elas” – Magick Without Tears, Capítulo 8.

“Saibas, o meu filho, que todas as Leis, todos os Sistemas, todos os Costumes, todos os Ideais e Padrões que tendem a produzir Uniformidade, estando diretamente em Oposição com a Natureza da Vontade de mudar e desenvolver através da Variedade, está amaldiçoado” Liber Aleph capítulo 31: ‘De Lege Motus’.

“Cada criança deverá desenvolver sua própria Individualidade, e Vontade, independente de Ideais alienantes. (…) Permita que as crianças eduquem a si mesmas a [ou para] serem elas mesmas. Aqueles que as treinam para seguir padrões as aleijam e as deforma. Ideais alheios impõem perversões parasíticas. (…) Padrões de educação, ideias de Certo e Errado, convenções, credos, códigos estaguinam a Humanidade” -”On the Education of Children”.

Poderia ser argumentado que Thelema é um “ideal universal” em si. Que Thelema é uma Lei universal quando “Faça o que tu queres” afirma que cada indivíduo deve encontrar sua Vontade única e pessoal, sua Lei particular. O ideal universal é, portanto, que não há um Ideal universal: cada um deve “descobrir a verdadeira natureza de suas necessidades reais, para preenchê-las e gozar com elas”. O único absoluto é que não há absoluto e a única constante é a mudança.

De certa forma, nós podemos dizer que o “Thelemita ideal” é aquele que faz a sua Verdadeira Vontade e deixa os outros fazerem as suas Verdadeiras Vontades. Esse “Thelemita ideal” segue sua própria Lei enquanto os outros seguem suas próprias e diferentes Leis; não há ideais universais- nem de “o que é melhor” ou “o que é absolutamente Certo e Errado” ou, além disso. Isso é às vezes chamado de “Yama e Niyama da Thelema”.

Nós emprestamos os termos “Yama” e “Niyama” do sistema Hindu do Raja Yoga como explicado, entre outros lugares, no clássico tratado de Patanjali intitulado “Yogasutras”. Yama e Niyama são palavras que representam coisas opostas, semelhantes a “Não deves” (Yama) e “Deves” (Niyama). Infelizmente, traduzi-las para o inglês (ou português) não é fácil, mas seu sentido no contexto de Thelema fica claro com uma pequena explicação.

O Yama de Thelema é ter a autodisciplina de encontrar a própria Vontade e de realizar (ou fazer) a própria Vontade. Como é dito “Não tens nenhum outro direito que não fazer tua vontade” (Liber Al, I:42). O Niyama de Thelema é cuidar de suas próprias coisas ou, em outras palavras, permitir que os outros encontrem suas próprias Vontades. O Niyama é estender a mesma liberdade de fazer sua própria Vontade que você corretamente assume para si a todos os outros indivíduos. Resumindo:

▪ A Yama de Thelema: Faça o que tu queres há de ser tudo da lei. Não há direito além de faça o que tu queres

▪ A Niyama de Thelema: Mind your own business (nota da tradução: equivalente a: Cuide de sua vida, mas no literal seria Se preocupe com suas tarefas)

Yama: Crowley menciona que Yama significa algo similar a “controle” ou “a palavra ‘inibição’ como usada pelos biólogos”. Basicamente, Yama significa a autodisciplina de se manter na “trilha” ou no “caminho” de sua Verdadeira Vontade e não desviar dela (e). “Não há direito mas apenas faça o que tu queres” (liber Al, I:42) explicita que você está, por definição, fora do seu único direito quando se desvia de seu Caminho. Isso requer uma autodisciplina de manter-se fiel a sua própria Lei. Como Crowley escreve “O que é verdadeiro para cada Escola é igualmente verdade para cada indivíduo. Sucesso na vida, com base na Lei de Thelema, implica autodisciplina severa”. Crowley nos dá um resumo sucinto de Yama da Thelema quando escreve:

“Eu desejaria reforçar mais uma vez que nenhuma questão de certo e errado entra em nossos problemas. Mas na estratosfera é ‘certo’ para um homem ser selado numa vestimenta resistente a pressão e eletricamente aquecida, com um suprimento de oxigênio, Enquanto em outros lugares seria errado ele usá-la se estivesse correndo três milhas num esporte de verão em Tanezrouft. Esse é o fosso que todas os grandes professores das religiões já caíram, e eu tenho certeza que vocês estão olhando avidamente para mim na esperança que eu faça o mesmo. Mas não! Há um princípio que nos carrega através de todos os conflitos referentes à conduta, porque é perfeitamente rígido e perfeitamente elástico – ‘Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei’ Isso é Yama” – Eight Lectures on Yoga, “Yama”

Niyama: Não há antônimo pra Yama, ou autodisciplina, que traduz adequadamente o termo “Niyama”. Nós poderíamos dizer que o complementar de “autodisciplina” é, nesse caso, algo como “disciplina do outro”. Se Yama é a disciplina que temos conosco para nos mantermos verdadeiros com a nossa Lei, Nyama é a disciplina que temos para com os outros, ao permitir que eles permaneçam verdadeiros em suas Leis. Essa “disciplina do outro” pode ser resumida em “Cuide de sua vida!”. Crowley versa exatamente isso em diversos lugares :

“Cuide da sua vida! é a única regra suficiente.” – Magick without Tears, capítulo 15

“Que tu saibas, ainda, meu querido Filho, a Arte da Conduta correta com eles a quem dar-lhe-ei para a Iniciação. E a Regra portanto, é uma só Regra: Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei. Observe-a constantemente para que ela não seja quebrada; especialmente a Sessão a seguir (se eu ousarei a falar) que será lido como Cuide da tua Vida. Isso é de Aplicação igual a todos, e o mais perigoso dos Homens (ou Mulher, como também ocorre) ) é o Bisbilhoteiro. Oh quão envergonhados somos nós, e movidos pela Indignação, vendo os Pecados e Tolices dos nossos vizinhos!” – Liber Aleph, capítulo 96 “De discipulis Regendis

“Toda estrela tem a sua Natureza própria, e que é “Certa” pra ela. Nós não devemos ser missionários, com padrões ideias de vestimenta e moral, e tais ideias quadradas. Nós devemos fazer o que queremos, e deixar os outros fazerem o que eles querem. Nós somos infinitamente tolerantes, salvo à intolerância” – New comment to Liber Al, II:57

“Se faz necessário que paremos, de uma vez por todas, essa intromissão ignorante na vida das outras pessoas. Cada indivíduo deve ser deixado livre para seguir seu próprio caminho” – New comment pra Liber Al I:31

O nome que Crowley dá para alguém que falha em manter o Niyama da Thelema é “bisbilhoteiro”. Um “bisbilhoteiro” é alguém que está preocupado com o que os outros estão fazendo, como os outros estão fazendo as coisas e porquê outras pessoas estão fazendo coisas. Um “bisbilhoteiro” está mais preocupado com a Verdadeira Vontade do outros do que com a sua própria. Eles estão indignados com os “pecados e tolices” de seus vizinhos ao invés de focados em si, e geralmente se intrometem na vida dos outros. Um bisbilhoteiro, em resumo, não cuida da sua própria vida.

Todos nós somos bisbilhoteiros em algum grau quando impomos nossos padrões, expectativas, e ideais aos outros, sempre que pensamos que “sabemos o que é melhor” para qualquer um que não nós mesmos. Isso acontece em qualquer instância, desde a coisa mais mundana e concreta, como criticar a escolha de vestiário do outro, às mais sutis, como esperar que o outro tivesse a mesma prática espiritual que você ou insistir que quem não acredita no mesmo que você acredita precisa ser “corrigido”.

Quando colocado em prática, nós vemos rapidamente que a Niyama da Thelema – que é cuidar da sua vida e permitir que o outro cumpra sua Vontade – não é simplesmente uma passividade manca. Não é “arreganhar os dentes e aguentar”, o que implica que – lá no fundo – você não quer realmente que eles façam as suas respectivas Vontades (que dirá regozijar com isso!). O Nyama da Thelema é algo ativo, positivo: nós afirmamos ativamente o direito de todos os indivíduos a conhecer e fazer as suas Verdadeiras Vontades. Quando cumprimentamos um ao outro, olhamos destemidamente um pro outro e dizemos, “Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei”. Isso deveria ser dito para todos que você encontra; como Crowley escreve, “Veja, irmão, nós somos livres! Regozije comigo, irmã, não há lei além de Faça o que tu queres!”

Alguns dizem que é necessário ter força para controlar tudo, mas é uma força muito maior para não querer controlar a tudo e a todos. Esse é um sintoma de ser inseguro e ansioso, e desejo de ter o controle das pessoas ao insistir que o seu caminho é o único caminho. Ou seja: Ser um bisbilhoteiro é um sintoma de fraqueza e medo, ainda que, inevitavelmente, se mascare como “virtude” que essencialmente se apresenta como “saber o que é melhor” para alguém (imagine só “para todos os Thelemitas”!). É neste ponto que “compaixão” e “Altruísmo” e até mesmo “ensinamento” flertam com o reino dos tolos.

Todos nós ouviremos inevitavelmente (ou provavelmente já ouvimos) algum Thelemita autodeclarado questionar por que os outros não fazem isso ou aquilo, insistindo que reclamam dos outros porque eles “realmente” se importam com a Thelema. Muitos de nós já caímos nestas garras (“Ah! Eu? Nunca!”… Sim, especialmente você). Esse “cuidado” – essa sua “causa nobre”- não é nada além da demanda de seu lado bisbilhoteiro se fantasiando de “virtude”. Nós todos devemos nos lembrar de “Não cobrir seus vícios em palavras virtuosas” (Liber Al II:52). Esse “cuidado” basicamente se resume em insistir que todo mundo deve ter os mesmos valores que você, o que é exatamente o oposto de “Faça o que tu queres”. Se você se pegar perguntando, ou ouvir alguém perguntando, algo parecido com “Porque esta(s) pessoa(s) não pensa(m) que isso é importante?” A resposta mais provável é “Porque não é importante pra eles, nem precisa ser”… ou, mais precisamente, “Cuida da tua vida”. Por isso que não existe “Thelemita Ideal”. É por isso que “Uma Lei pro Leão e pro Boi é Opressão”. Qualquer insistência contrário a isso levará à mesma armadilha do velho Aeon, a tirania de um único padrão ou ideal para toda humanidade, ao invés de multiplicidade de Leis, cada uma alinhada com um indivíduo.

De novo: A Niyama da Thelema não tem uma qualidade manca, passiva ou de “arreganhar os dentes e aguentar”. Ao contrário: ela pede uma qualidade ativa, quase viril, quando dizemos a qualquer indivíduo: “eu não sei qual é a sua Vontade, eu não sei qual o seu “bom” e “mau”, eu nem sei como a sua Vontade irá interagir e afetar a minha, mas eu te garanto que seu direito absoluto em fazer a sua Vontade assim como eu clamo igualmente o meu direito de fazer a minha Vontade”. Isso passa longe de algo passivo como “deixa acontecer naturalmente”; a Niyama de Thelema é uma afirmação ativa, um encorajamento entusiasmado, um alegre grito de guerra para que cada homem e mulher possa descobrir sua real necessidade, cumpri-la, e regozijar-se. Acreditar em algo diferente disso é a essência da tirania; agir de outra forma é a essência da opressão. Isso requer a força de manter-se no meio da incerteza e da ambiguidade, de aceitar a variedade e a diferença de estilo e opinião, em não saber “como as coisas deveriam ser” para todo mundo ou para qualquer pessoa. Qualquer preocupação no estilo “não fazendo as coisas do jeito certo” deveria ser um lembrete para todos nós re-focarmos na nossa Vontade: isso deveria ser um lembrete da Yama em permanecermos verdadeiros no nosso Caminho e da Niyama em afirmar o direito dos outros de serem verdadeiros em seus Caminhos.

Essa é a simplicidade e a beleza da Lei de Thelema: não existem padrões absolutos ou um ideais universais. Todo homem e toda mulher têm o direito irrevogável e o dever de conhecer e fazer a sua Verdadeira Vontade. Cada um tem seu próprio padrão e sua própria Lei. Qualquer ocorrência de impor sua Lei ao outro, ou alguém aceitar a Lei imposta por outrem, é uma distorção e deformidade da verdadeira natureza de uma estrela. É nosso Yama aderir a essa Lei de acordo com nossa Verdadeira Vontade, e é a nossa Niyama afirmar o direito de todos os outros indivíduos em aderirem à Lei de acordo com a Verdadeira Vontade deles. Essa é a real Liberdade, a perfeita ordem da Terra assim como as estrelas se movem na aparente perfeição nos Céus; é esse o motivo de nossa Lei de “faça o que tu queres” ser a Lei da Liberdade em si

Amor é a Lei, Amor sob vontade.

Publicado originalmente em Iao 131: https://iao131.com/2013/06/09/yama-niyama-of-thelema-what-is-the-ideal-thelemite/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yama-niyama-o-que-seria-o-thelemita-ideal

As stregoicas do castelo do Conde Drácula

Shirlei Massapust

Certa vez, muitos anos atrás, eu estava num shopping tirando xérox quando um homem que nunca vi na vida se apresentou como jornalista e depositou uma fotografia de Christopher Lee no balcão. Perguntei se me permitiria xerocar a foto também, para minha coleção de vampiros. Então ele anotou seu telefone atrás e gentilmente me doou aquele tesouro. Nunca telefonei. E nunca descobri quem são as três atrizes posando para nu artístico diante do ator vestido dos pés à cabeça.

No século XX a imprensa fazia ruidoso alarido sobre a virilidade do pródigo polígamo que tinha à sua mercê uma coleção de belas mulheres. Sérgio França resumiu o espírito da época numa curiosa edição retirada do mercado por decisão judicial em processo movido por Francis Ford Copolla contra um humilde e trêmulo editor brasileiro:

Essa é a essência do mito de Drácula, presente na totalidade das versões no cinema, na literatura, no inconsciente coletivo. O medo ancestral do hábito de morte e maldição nos dentes do vampiro, a sugar não só o sangue, mas a humanidade e o direito final de todas as pessoas — a morte.

Esse é o Drácula que retorna, o vampiro sempre presente: sangue e fogo; morte e amor — a real natureza do bem e do mal, da magia e do poder. Atitudes geradas pela liberação sexual de mulheres reprimidas. A vitória da sedução. Na verdade, a questão principal não é o efeito de Drácula sobre as mulheres, mas o fascínio que esse poder do vampiro exerce sobre os homens. E a despeito da eterna cena final dos filmes, Drácula sobrevive. Sempre.[1]

Em Drácula (1897) o conde não é o único residente num castelo na Transilvânia, Romênia. A poeirenta ala proibida para visitas era habitada por três stregoicas que, pelas atitudes e trajes, “se comportavam como damas da mais alta classe”.[2] Contudo, embora se comporte como arrimo da família provendo habitação e sustento, o Conde Drácula não parece sexualmente interessado em nenhuma das suas convivas. Quando flagra o trio em frenesi alimentar, aos beijos com o agente imobiliário Jonathan Harker, o vampiro expressa ciúme não por elas, mas por sua mais recente presa humana.

Tive a clara e imediata consciência da presença do conde e de sua explosão de raiva, violenta como a fúria de uma tormenta. Ao abrir meus olhos involuntariamente, vi sua possante mão agarrar a bela mulher pelo pescoço e com brutal violência arrastá-la para traz. Os olhos azuis como safiras expediam fagulhas de ódio, os dentes rilhavam e seu rosto agora estava rubro de paixão.

E o conde?

Eu nunca poderia imaginar tal expressão de ódio e de fúria, mesmo entre os demônios do inferno. Seus olhos estavam literalmente lançando chamas e seus lampejos sanguíneos eram sinistros, dando a impressão de que o fogo do inferno tivesse se concentrado em seu olhar. Agora seu rosto perdera o rubor anormal, se tornara mortalmente pálido e suas feições adquiriam uma rigidez de máscara mortuária. As espessas sobrancelhas que se tocavam por sobre o nariz pareciam formar um arco incandescente. Com um violento empurrão desferido por seu braço, arremessou a mulher para longe de si, e então investiu sobre as outras duas, como se as empurrasse para trás, mesmo sem tocá-las. Era aquele o mesmo e imperioso gesto que eu o vira empregar quando afugentara os lobos. E ele usou um tom de voz que, embora baixo e quase não passando de um sussurrar, parecia cortar o denso ar da sala.

— Como ousam vocês, qualquer uma de vocês, tocar esse homem? Como têm a audácia de se arriscar apenas para vir vê-lo, quando eu as proibi? Para trás, eu lhes ordeno! Esse ser me pertence! Fujam da tentação de se misturar com ele, do contrário terão de se haver comigo!

— Você nunca amou mesmo! Jamais amará!

Essas palavras foram apoiadas pelas outras duas, e as três, em uníssono, explodiram em uma nova, melancólica e cruel gargalhada que ecoou na sala de tal forma que por pouco não me causa um desmaio, parecendo-me antes uma demonstração de prazer demoníaco. Depois disso o conde voltou-se e, olhando firmemente em meus olhos, tornou a falar no mesmo tom sussurrado.

— Sim, eu também posso amar, e vocês mesmas o podem testemunhar através do passado. Não foi assim? Bem, agora lhes farei uma promessa… Depois que eu terminar com ele, as três poderão beijá-lo à vontade. Agora basta! Vão embora! Eu tenho de despertá-lo, pois há muito o que fazer.

— E nós não teremos nada esta noite? — perguntou ainda uma delas.

Ela deu uma breve risada, ao mesmo tempo apontando para um saco que fora lançado sobre o soalho e dentro do qual se debatia, como se ali se ocultasse algum ser vivo. O conde respondeu apenas movendo a cabeça, num leve aceno afirmativo.

Uma das mulheres deu alguns passos para a frente e abriu o pequeno fardo. Se meus ouvidos não me enganaram, ouvi um débil suspiro, acompanhado de um gemido, vindo daquela direção, como o som emitido por uma criança quase asfixiada. Em uma fração de segundo as três mulheres formaram um círculo em torno do local do ruído, enquanto eu estremecia de horror. Mas, quando voltei a olhar, elas já haviam desaparecido com o tétrico fardo.[3]

A minissérie brasileira Drácula – A Sombra da Noite (1985-1987)[4], com roteiro de Ataíde Braz e desenhos de Neide Harue Nakazato, foi a primeira adaptação onde uma das stregoicas ganhou um nome, Natasha. A segunda história é o único trecho fiel ao romance de Bram Stoker, com uma diferença significativa: As vampiras do castelo tem escrúpulos; ao invés de crianças elas só atacam assaltantes em legítima defesa.

Stregoicas, por Luis Royo.[5]

A primeira adaptação do livro Drácula para o cinema que os herdeiros de Bram Stoker autorizaram foi realizada pela Universal Studios Inc., em 1931. Nesta época não somente as stregoicas permaneceram anônimas como os nomes das atrizes Jeraldine Matilda Dvorak (1904-1985), Mildred Pierce (1908-1981) e Dorothy Estelle Triebitz (1906-1992) não foram listados nos créditos finais, em razão do papel secundário ser equiparado ao da mera figuração! As criaturas depravadas, com seios de fora, que mordem a virilha de Jonathan Harker (Keanu Reaves), em Bram Stoker’s Drácula (1992), ganharam coreografia personalizada, mas não identidades. Mas pelo menos os créditos mencionam as atrizes Michaela Bercu, Florina Kendrick e Mônica Belluci.

“Faça com que fique esquisito”, era a instrução básica de Francis a seu filho Roman Coppola, diretor da segunda unidade de Drácula de Bram Stoker e diretor de todos os efeitos especiais vistos no filme. Sem orçamento bastante para disputar com a tecnologia de ponta utilizada em marcos computadorizados (…) ele recorre a técnicas antigas, como (…) alçapões para o surgimento das noivas de Drácula de sob a cama. (…) Outros efeitos criados por Roman obedecem à tradição inicial do cinema — trucagem se dá pela maneira como a cena é realizada, não pela maneira como é filmada. Um exemplo claro é quando as noivas de Drácula se transformam numa gigantesca aranha humana. O “efeito”, ali, resultou de uma complicada coreografia, através da qual as atrizes criaram a forma da aranha combinando seus próprios corpos.[6]

Passaram cento e dez anos até o roteirista Stephen Sommers conceder o mínimo de dignidade às stregoicas, dando-lhes os nomes Aleera, Verona e Marishka no filme Van Helsing (2004). Interpretadas respectivamente pelas atrizes Eleana Anaya, Silvia Colloca e Josie Maran, elas fazem a diferença neste filme onde o conde quase fica em segundo plano. Aliás, tudo acontece porque Aleera, Verona e Marishka desejam superar a infertilidade natural da condição vampírica e criar enxames de bebês morcego.

Drácula ama Jonathan?

A interpretação de tal diálogo depende muito da permissividade e censura prévia dos editores e veículos de comunicação. Na Itália dos anos oitenta Guido Crepax (1933-2003) roteirizou e ilustrou o romance gráfico Conte Dracula (1987), onde fez Jonathan Harker queixar-se em desespero pelo vampiro tê-lo possuído como um animal cobrindo sua fêmea. Esse discurso discreto e minimamente gráfico foi a menção mais explícita a bissexualismo que pudemos encontrar desde sempre até décadas depois.

Noutro extremo, nos EUA do século XXI, a série Dracula (2020), adaptada por Mark Gatiss e Steven Moffat, dirigida por Jonny Campbell, Damon Thomas e Paul McGuigan, obedeceu à agenda progressista intrínseca ao período caracterizando o Conde Drácula (Claes Bang) como um monstro de gênero bissexual que se põe em posição passiva ao se relacionar sexualmente com homens hipnotizados.

Provavelmente a perspectiva menos incorreta era a interpretação majoritária das editoras paulistanas Continental (1959-1961), Outubro (1961-1966), Taika (1966-1978), D-Arte (1967-1993) e outras menos expressivas onde, nas inúmeras e intermináveis quadrinizações do Conde Drácula, o rei dos vampiros até poderia aparecer em posições sugestivas – ele frequentemente elogiava a beleza feminina,  –  todavia estava impedido por imposição de pacto demoníaco de se apaixonar, ou teria seus poderes reduzidos.

Romance de R. F. Lucchetti, sob o pseudônimo Brian Stockeler.

Nesta perspectiva vampiros extrairiam prazer do sangue e poder da maldade. Diferentemente do mitologema e folclore europeu, os vampiros dos principais títulos de quadrinhos brasileiros não faziam indivíduos eleitos para a conversão beberem sangue com propriedade de transposão de informação genética ou mágica, extraído de seus corpos. A reprodução (transformação) se dava por mordedura, como se eles fossem morcegos contaminados transmitindo vírus da raiva. Então o Conde Drácula precisa, ele mesmo, eliminar o perigo de concorrência todas as vezes em que não deseja que suas vítimas se transformem em novos vampiros e disputem território consigo.

Nos romances gráficos de Nico Rosso – especialmente naqueles roteirizados pela brasileira Helena Fonseca – o conde só morde mulheres e, a seguir, crava lâminas de ferro no coração da vítima para prevenir a explosão demográfica e concorrência pelo sangue dos mortais. Se algo der errado, caçadores de vampiros fazem serviço de utilidade pública eliminando restolhos antes que elas se tornem muito numerosas.

R. F. Lucchetti chegou a dar a um livro o título Os Vampiros não Fazem Sexo (1974), o qual originou uma versão em quadrinhos com desenhos de Nico Rosso.

Quando o Conde Drácula desobedece às regras do pacto e cai de amores por alguma mulher, não somente o Diabo vem pessoalmente lhe punir disparando raios como nascem poderosas vampiras boazinhas que atormentam a pós-vida do vilão, a exemplo de Naiara e Nadia, duas filhas de Drácula que ganharam séries próprias.

Voltando ao livro de Bram Stoker, imagino que todos os vampiros, machos e fêmeas, tinham interesse em humanos de qualquer sexo ou gênero; porém perdiam a chama da paixão por eles depois de conversos. — Repare que Drácula não procura Lucy após a conversão. — Se for verdade que uma ou todas as stregoicas foram noivas de Drácula, parece que eles passaram a viver sob regime de separação de corpos porque, embora o costume da época atribuísse à mulher o dever de realizar trabalhos domésticos, era o próprio conde quem limpava a ala do castelo onde somente ele vivia.

Um pesadelo inspirador

Pesquisadores descobriram que Bram Stoker não criou a parte da estória onde Jonathan é arrebatado pelas vampiras. Ele apenas descreveu um pesadelo sonhado em 08/03/1890, no qual “um rapaz vê algumas jovens; uma delas tenta beijá-lo, não nos lábios, e sim no pescoço”. Seis dias depois Stoker voltou a escrever sobre o assunto, já na intenção de produzir as primeiras linhas de um conto:

— “Será um sonho? Mulheres querem beijá-lo. Terror de morte. De repente o conde a afasta: ‘Este homem me pertence!’”

Houve quem sugerisse que a temível mulher era Florence Stoker. Um parente da família descreveu Florence como uma pessoa absorta, amaldiçoada por sua grande beleza e o desejo de preservá-la. Florence rompeu o noivado com Oscar Wilde para casar com Bram Stoker, mas, depois, o esposo preferia passar a maior parte do tempo viajando sozinho… A experiência da paternidade foi demasiadamente dispendiosa e o convívio foi se tornando cada vez mais problemático. Então, neste dia em particular, não foi só a comida indigesta que estragou sua noite. A antipatia pela pessoa real, em sua cama, fê-la invadir seus sonhos na forma de súcubo para exigir a atenção de um marido que não a amava mais.

Papéis descrevem os lugares que visitou, os livros que leu e os pensamentos que teve entre março de 1890 e fevereiro de 1986. O pesadelo esteve sempre presente nesses seis anos. Na redação final Jonathan observa que duas stregoicas possuíam “tez de um moreno dourado” e narizes aquilinos “à semelhança do conde”, detalhe que sugere parentesco consanguíneo.[7] Estas agregadas respeitam a hierarquia doméstica da mulher de etnia caucasiana, que abalou o sono do autor na pele do personagem:

Era dotada de rara beleza — o que de mais fascinante se possa imaginar sob a forma de mulher —, com uma farta e longa cabeleira de cachos dourados e olhos magníficos, da cor e com o brilho de safiras. Tive a impressão, embora indefinida e imprecisa, de já haver visto seu rosto e de conhecê-lo por meio de sua aparição em algum sonho tenebroso, do qual na hora não me foi possível lembrar.[8]

Infelizmente a diversidade genética nunca é representada nos filmes temáticos onde as stregoicas parecem todas iguais, modificando somente a cor da cabeleira lisa. A tendência nas produções cinematográficas do século XX foi o branqueamento da pele das personagens e redução do vestuário até o nudismo.

Notas:

[1] FRANÇA, Sérgio. Drácula: Sangue e sedução. Em: AS MELHORES HISTÓRIAS DE DRÁCULA. São Paulo, Bloch, 1993, p 31.

[2] STOKER, Bram. Drácula. Trad. Vera M. Renoldi. São Paulo, Nova Cultura, 2002, p 45.

[3] STOKER, Bram. Drácula. Trad. Vera M. Renoldi. São Paulo, Nova Cultura, 2002, p 46-47.

[4] A minissérie brasileira Drácula – A Sombra da Noite, com roteiro de Ataíde Braz e desenhos de sua esposa, Neide Harue Nakazato, foi lançada em cinco números pela editora Nova Sampa, indo às bancas de 1985 a 1987. Em 1989 os dois primeiros números foram relançados com novas capas. Em 1991 a minissérie completa foi reunida em um grosso volume. Uma nova edição está prevista para 2022.

[5] COOL WALLPAPERS. Acessado em 21/04/2022. URL: https://coolwallpapers.me/picsup/6058417-art-moon-luis-royo-girls-vampires-vampires-blood-cemetery.jpg>.

[6] RONDEAU, José Emilio. Drácula: Delírio sangrento. Em: SET: Cinema e vídeo, Ano VII, N.º 1. São Paulo, Editora Azul, janeiro de 1993, p 18-19.

[7] STOKER, Bram. Drácula. Trad. Vera M. Renoldi. São Paulo, Nova Cultura, 2002, p 45.

[8] STOKER, Bram. Drácula. Trad. Vera M. Renoldi. São Paulo, Nova Cultura, 2002, p 45.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-stregoicas-do-castelo-do-conde-dracula/

A qualidade misteriosa

Retirado do Tao Te Ching (*)

Para que a alma inteligente e a alma animal

se mantenham unidas

é necessário que o amor as abrace.

Quando demos atenção total a nossa respiração

e alcançamos sua elasticidade completa,

nos tornamos novamente um recém-nascido.

Quando limpamos a mente

das visões ilusórias de nossa imaginação,

alcançamos a Tranquilidade.

“Que Tranquilidade?”

Não há resposta intelectual para tal pergunta.

Deixe que a alma voe livremente

entre os indivíduos e a sociedade,

sem desejo de status.

Enquanto os portões do Céu se abrem

e tornam a fechar,

planemos como as gaivotas.

Deixe que a inteligência

penetre todas as regiões,

livre da gaiola da intelectualidade.

Aquilo que cria e sustenta toda a vida

jamais clama por sua posse.

Seu abraço abarca a todos, mas não exige gratidão.

Comanda tudo,

mas jamais exerce autoridade alguma.

Esta é a “qualidade misteriosa” do Tao.

***

Todo mês traremos mais uma passagem do Tao Te Ching…

(*) Nesta tradução exclusiva do Tao Te Ching a partir da tradução clássica de James Legge para o inglês, Rafael Arrais (autor do blog Textos para Reflexão) usa do auxílio precioso das interpretações do ocultista britânico Aleister Crowley e do filósofo brasileiro Murillo Nunes de Azevedo para compor uma visão moderna da antiga sabedoria de Lao Tse.

» Versão impressa

» eBook (Kindle)

» eBook (Kobo/Cultura)

» eBook (Saraiva)

#Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-qualidade-misteriosa

Conectando-se com os Arcturianos

Por David K. Miller.

Arcturus é um sistema solar localizado a 37 anos-luz do planeta Terra. É a estrela mais brilhante da constelação do Boieiro. Seus habitantes são os arcturianos; esses seres extrafísicos estão bastante atuantes neste momento de transformação que vivemos, da terceira para a quinta dimensão, em que é necessária uma mudança de consciência de toda a nossa cultura planetária.

Os arcturianos nos ofereceram um enfoque fundamental para a aceleração da consciência do mundo. Eles apresentaram o conceito de ascensão em grupo por meio da criação de Grupos de Quarenta. Existem milhares de pessoas ao redor do mundo formando Grupos de Quarenta, ativos na Austrália, assim como na Europa, incluindo Alemanha, Romênia e Grã-Bretanha. Grupos na América do Sul incluem Brasil, Argentina e Chile. Também há muitos grupos nos Estados Unidos e no Canadá.

Muitos falaram sobre o processo de ascensão, mas poucos realmente compreendem o que isso significa. Quem está realmente lá fora? Para onde estamos indo? Quais são nossas escolhas? O que precisa ser feito a fim de se preparar para esse evento? Todos estão ascendendo para o mesmo lugar? O que aconteceu com a quarta dimensão? Como podemos compreender a quinta dimensão? Como ela é? Como ela funciona? Como são os seres da quinta dimensão? Como eles vivem? Os arcturianos nos oferecem uma visão clara sobre a quinta dimensão. Essa nova realidade é muito diferente da nossa existência atual na terceira dimensão.

Mensagem Introdutória:

Saudações. Eu sou Julian, e nós somos os arcturianos. Estamos contentes porque as energias, os pensamentos e as técnicas espirituais arcturianos têm sido tão bem recebidos pelas sementes estelares. Tem sido uma missão importante para nós interagir e trazer uma nova tecnologia espiritual a este planeta.

Há muito tempo, éramos um planeta da terceira dimensão. Nosso planeta passou por polarizações e transtornos. Alguns desses transtornos foram muito dolorosos e, por vezes, nossos líderes espirituais perderam a esperança de que encontraríamos nosso caminho para uma consciência mais elevada. No entanto, mesmo em nossos tempos mais sombrios, havia líderes espirituais superiores que conseguiam se conectar com mestres dimensionais. Nós também tínhamos a importante capacidade de nos conectar com a quinta dimensão.

Nosso planeta passou por tempos sombrios. Enfrentamos problemas para encontrar o caminho da luz e da consciência superior, mas tivemos êxito. Nosso planeta passou por esses momentos difíceis, e nós superamos nossas diferenças e conflitos. Trabalhamos com todos os habitantes de nosso planeta para desenvolver um planeta verdadeiramente inspirador e espiritualmente unificador.

Tivemos experiências pessoais muito semelhantes ao que está acontecendo atualmente na Terra, mas também existem diferenças. A Terra é um planeta único. Vocês possuem muitas línguas, religiões e raças diferentes. Seu planeta tem uma história e uma singularidade próprias que são do conhecimento dos historiadores galácticos e dos mestres ascensionados. O que a Terra está enfrentando atualmente pode ser considerado como um drama cósmico. Quando digo que a Terra está encenando um drama cósmico atualmente, estou ciente de que pode haver incerteza quanto ao desfecho dessa história da Joia Azul (o nome arcturiano para a Mãe Terra).

Há forças externas envolvidas que estão fora dos ciclos de encarnação na Terra. Existem diferentes sistemas estelares que fecundaram raças na Terra. Há, inclusive, histórias na Bíblia que se referem a alguns desses seres estelares como nefilins. As referências indicam que o DNA e os códigos genéticos da humanidade estão imbuídos de raças externas de origem extraterrestre. Esse é um fato importante ao tentar analisar as visões e energias conflitantes que estão se revelando na Terra.

Esse drama cósmico que pode ser observado na Terra foi vivenciado em outros sistemas planetários. Ainda existem raças e civilizações pela galáxia que contêm essa energia de domínio, controle e violência. Esse tipo de situação ou drama planetário aconteceu em outros planetas. Atualmente está acontecendo na Terra, e com consequências muito perigosas.

Neste momento na Terra, o sistema imunológico de muitos grupos de pessoas está se enfraquecendo. Isso significa que há mais susceptibilidade a doenças e enfermidades em massa. O vírus Zika é um exemplo de infecção em massa. Outro exemplo é o vírus Ebola. Ambos representam ameaças perigosas ao sistema imunológico humano e são capazes de destruir a vida de um grande número de pessoas.

Decidimos que uma de nossas missões como seres da quinta dimensão deve ser nos conectarmos com os seres da Terra em busca de uma consciência e de uma compreensão superiores. De certa forma, reconhecemos que a única solução possível para evitar uma catástrofe assim é por meio da conexão e do trabalho com o pensamento da quinta dimensão.

Vemos as nossas principais incumbências na Terra como: (1) tornar as pessoas conscientes de uma realidade e de uma dimensão superiores que transcendem os conflitos atuais e (2) informar a humanidade de que ela pode evoluir durante essa crise evolutiva.

A Terra já demonstrou ser capaz de se modificar intensamente. Suas mudanças evolutivas na tecnologia nos últimos cem anos têm sido impressionantes. Um grande exemplo é o uso da tecnologia da computação. Vocês observaram muitos avanços e aprimoramentos na tecnologia que eram inimagináveis há 50 ou 60 anos. Agora, a humanidade é capaz de realizar um progresso espiritual.

A humanidade deve realizar um avanço na consciência de uma maneira tão intensa quanto realizou um avanço na tecnologia. O avanço evolutivo pode ser chamado de consciência da quinta dimensão e ser vivenciado em diversos níveis. O primeiro nível é que as pessoas devem vivenciar uma consciência da quinta dimensão. Um dos objetivos de nossos ensinamentos é tornar as pessoas conscientes da existência dessa dimensão superior.

O segundo nível – igualmente importante – é aprender como integrar e transferir a consciência da quinta dimensão na realidade da terceira dimensão. Vocês têm observado por experiência direta como é complicado e difícil manifestar o pensamento da quinta dimensão na terceira dimensão. Na realidade, até mesmo seus grandes líderes religiosos, como Moisés, Buda, Jesus e Maomé, tiveram de lutar para conseguir fazer isso. Manifestar e transferir a consciência da quinta dimensão no planeta estimulará novas soluções e energia em um nível quântico, a fim de trazer as mudanças necessárias para equilibrar este planeta novamente.

O pensamento da quinta dimensão pode ajudar a solucionar muitos dos problemas da Terra; isso inclui problemas de radiação e de poluição dos oceanos. Muitas ideias e sistemas complexos podem ser facilmente transferidos da quinta dimensão. Esse processo requer um número essencial de pessoas para ajudar a conexão com a energia superior.

Nós permanecemos confiantes nas habilidades das sementes estelares, e estamos otimistas quanto à habilidade da Terra em se transformar. Acreditamos que, principalmente entre as pessoas mais jovens, há uma aceitação maior da consciência superior. Os dolorosos acontecimentos que vocês presenciam nesta realidade estão relacionados à crise que existe em toda a espécie humana. Uma crise é sempre necessária para um avanço na evolução. Essa é uma das leis da natureza.

Desde a primeira publicação de Conectando-se com os Arcturianos, em 1998, continuamos a trazer novas tecnologias espirituais, incluindo um trabalho com Cidades de Luz Planetárias, biorrelatividade e projetos de cura pessoal e planetária. Vamos continuar a oferecer esses ensinamentos para despertar muitas sementes estelares. Não se preocupem se são ou não arcturianos, pleiadianos ou andromedanos, pois todos esses sistemas possuem mestres da quinta dimensão. Este é um momento extraordinário, no qual os mestres da quinta dimensão podem alcançar muitas pessoas interessadas.

A energia da quinta dimensão está próxima, e o acesso à informação e à energia superiores continua a ser transferido. Como mestres ascensionados, estamos aprendendo como ajudá-los da melhor forma. Pode parecer estranho para vocês quando digo que ainda estamos aprendendo como transferir a energia da quinta dimensão para a terceira dimensão. Até mesmo um grande líder espiritual como Jesus enfrentou dificuldades com o processo de transferência da quinta dimensão neste planeta. Estamos modificando nossos métodos e ensinamentos. Além disso, estamos utilizando tecnologias mais recentes para alcançar mais pessoas. Chegou um momento em que sentimos a necessidade de expandir nosso trabalho e nossos ensinamentos. A receptividade que vocês sentiram por nós está estimulando nossos mestres arcturianos a oferecerem mais ajuda e luz para a Mãe Terra.

A Missão Arcturiana na Terra:

Os arcturianos estão conectados com a Terra e com a raça humana em diversas capacidades há 150 mil anos. Estão muito envolvidos com os assuntos do planeta Terra há 20 mil anos. Nós não estivemos diretamente envolvidos nas mudanças evolutivas humanas e na reestruturação genética. Esses assuntos ficaram a cargo dos pleiadianos e dos sirianos. Outros grupos extraterrestres também fizeram isso. Nossa missão atual na Terra é muito ampla. É uma missão de amor, de envolvimento espiritual e de aprendizado. É uma missão de conexão e, mais especificamente, de infusão de energia.

A Terra está passando por uma transição interdimensional. Os bloqueios nos reinos da terceira dimensão estão sendo desfeitos não apenas para vocês, mas também para a Terra. Queremos ajudá-los a elevar seu nível de consciência a um ponto em que possam adentrar os corredores dimensionais que estão se abrindo agora. Vocês podem usar esses corredores dimensionais para se comunicar e interagir conosco. Podemos treiná-los para atuarem em espaços interdimensionais e se projetarem pelos corredores até nossas naves e, então, até o sistema arcturiano. Podemos ajudá-los a se projetarem até os templos interdimensionais localizados nas belas montanhas de Arcturus.

Também é nossa missão auxiliá-los em sua purificação. Venham até nós em sua consciência, e saibam que iremos auxiliá-los a se purificar e limpar, de forma que possam elevar a si mesmos e a seu planeta a um nível superior. Sabemos como ajudá-los a purificar seus padrões de pensamento. Percebemos há muito tempo que, quando vocês refinarem seus padrões de pensamento, estarão no caminho para o nascimento espiritual.

Somos uma raça espiritualizada e nos comunicamos telepaticamente. Somos especialistas em conduzir a vocês a luz espiritual superior e em utilizar câmaras de cura para auxiliá-los. Nós conduzimos a vocês um raio de luz azul-dourado. Essa luz irradia raios muito poderosos que vão adentrar seu chacra coronário. Nós recebemos pessoalmente cada um de vocês com essa explosão de energia. Recomendamos que obtenham essa energia do seu chacra coronário e expandam sua consciência para além do conhecimento crescente dos arcturianos.

Bênçãos a todos vocês.

Eu sou Julian.

Trecho do livro Conectando-se com os Arcturianos, de David K. Miller.

Texto revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/conectando-se-com-os-arcturianos/

A Redenção Feminina (ou como abraçar a receptividade com autoridade)

Erica M Cornelius

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.” – Al I: 40

“Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela trabalhe a obra de perversidade! Que ela mate seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta com jóias, e ricos trajes, e que ela seja desavergonhada diante de todos os homens!” – Al I: 44

Para os habitantes do velho Aeon, eu, mulher, sou perversa. Pois sou a Tentadora e a Bruxa, a Prostituta e a Kundry. Exibo minha carne sensual e meus ardis hipnóticos para atrair os homens desavisados ​​e os arruinar. Não peço desculpas. Pois neste Aeon, “os escravos servirão” II:51 e “não há lei além fazer tua vontade” III:60. Se um homem não puder resistir aos meus ardis, deixo-o baixo deles e ele só tem a si mesmo para culpar. Eu não sou má nem boa, mas uma força da natureza. Eu sou mulher.

Como posso, como mulher, entender a fórmula mágica da Redenção do Filho da Filha, como válida ainda hoje como era nos tempos anteriores? A redenção não é uma palavra que implica que a natureza da mulher seja fundamentalmente falha e incompleta? Em um contexto cristão, a palavra certamente foi tomada para implicar que as mulheres são exclusivamente pecaminosas e caídas. E, sim, uma mulher thelemita deve cuspir e pisar na noção de que seja a raiz de todo o mal – exceto, é claro, na medida em que isso é reconhecido como uma coisa boa. Tudo abaixo do abismo é duplo, e esse é o ponto.

Redimir significa restaurar, comprar de volta através de um resgate, resgatar. É fundamental entender que na lenda Graal, a Parsival não só redime a Kundry, ele realmente redime a si próprio. Tanto o homem quanto a mulher precisam de redenção. As mulheres não são únicas nisso. Na língua cristã, homens e mulheres foram expulsos do jardim do Éden e proibidos de retornar. Ambos os homens e mulheres existem como tal abaixo do abismo e, portanto, são incompletos. E ambos homens e mulheres são resgatados por este processo mágico de Amor sob Vontade. “Pois eu estou dividida por causa do amor, pela chance de união.” AL I:29

Quando os dois sexos se reúnem na magia sexual ensinada por Crowley, simbolicamente percebem a unidade original e eterna acima do abismo. A única razão pela qual a mulher parece precisar da redenção pelo homem e não o contrário é que ela simbolicamente representa a terra e ele, o céu. Isso não é arbitrário, mas exigido pela realidade física de nossos corpos. Nós as mulheres agimos como  parceira receptivas devido à natureza do nosso veículo. Não há valor moral atrelado. Assim, se nos reunimos pessoalmente, isso só indica que temos um trabalho importante e promissor para fazer em relação à nossa bagagem cármica. (E lembre-se, você sempre pode escolher um vaso do sexo masculino da próxima vez se isso for importante para você.)

Nosso veículo feminino está alinhado com a Terra. Para lhe dar uma ideia, enquanto o orgasmo possa prejudicar o macho, para nós não é nada além de bom. Quando nos excitamos, incluindo durante o orgasmo, não apenas mantemos a Essência Vital (O Tolo), mas temos o potencial de movê-la para um centro de força útil através de nossas naturezas emocionais. Nossas zonas erógenas são muito mais amplamente distribuídas do que as masculinas. Somos multi-orgásmicas por natureza. Assim, na magia sexual, canalizamos o poder através da nossa excitação e mantemos um ambiente adequado para nutrir o tolo, representando o Amor na fórmula.

Por outro lado, o pênis de um homem lhe da exclusivamente o poder de levar o Tolo ao abismo. Embora ele deva aprender a controlar cuidadosamente sua excitação física quando ele percebe esse potencial, seu próprio papel é direcionar a intenção mágica com sua mente, representando a Vontade na fórmula.

Mais uma vez, nós mulheres simbolicamente (isto é, na realidade) representamos o universo manifestado, Nuit, enquanto o macho simbolicamente representa o ponto de consciência não-manifestado, Hadit. Cooperando no processo de resgate, o Filho e filha do Tetragrammaton (Vav e Heh-Final) reúnem o céu e a Terra como parceiros iguais, percebendo o Pai e a Mãe eternamente unificados acima deles (Yod e Heh).

Como magistas, os machos e as fêmeas são iguais, embora sejamos distintos em nossos papéis. Como magistas sexuais femininas, devemos engajar nosso papel receptivo com autoridade. Cada uma de nós serve apenas a nossa divindade, nunca a outro magista. Podemos e devemos rejeitar a velha ideia osiriana de Crowley que as mulheres existem para serem usadas, como se não fôssemos estrelas por conta própria. Sejamos cautelosas com formas ainda mais sutis de manipulação e coerção em nome do desenvolvimento espiritual. Se você cair nessa, ele não está no erro – você está. Mais uma vez, “os escravos servirão” II:51. Nunca permita que outro colonize você, independentemente de suas realizações espirituais ou ativos pessoais. “A palavra do pecado é restrição.” I:41. Sua lealdade é apenas para sua divindade.

O primeiro teste está em nossa própria carne. Não podemos ser redimidas – não poderemos contribuir como parceiras iguais na magia sexual – se ainda estamos desconfortáveis ​​em nossos próprios corpos. À medida que encarnamos como mulheres no AEON, muitas de nós têm como parte de nossos destinos transmutar o karma e a fama relacionada a visões negativas das mulheres, ao ódio do corpo e até o abuso sexual. O primeiro passo é superar nosso karma pessoal que nos mantém prudentes demais ou excessivamente promíscuas em relação ao nosso próprio arquétipo zodiacal. Este trabalho pode levar muitos anos. Não desanime, pois você veio a corrente de thelêmica não apenas por você como um indivíduo, mas por toda sua história ancestral. Isso é trabalho difícil e importante. Cada uma de nós é uma encarnação de Babalon, e nosso direito de primogenitura é revelar nossa carne como deusas vivas.

Use sua carne também ao julgar um potencial Redentor. Ele deve ser capaz de te despertar e manter-se desperto. Por começar, você deve genuinamente tê-lo como sexualmente atraente. Nós não somos católicas medievais comprando indulgências. Nenhuma quantidade de atividade sexual com altos mágicos, seja falsa ou real, fará com que você ganhe recompensas espirituais apenas por isso. Claro, se manutenção de homens repulsivos é seu fetiche, essa é uma história diferente.

Mas mesmo que um homem te desnua de uma forma ou de outra, ele tem a capacidade de controlar sua excitação como foco central por longos períodos de meses, anos e décadas – ou sua excitação é apenas seu pênis? Qualquer homem pode reivindicar ser um sacerdote thelemita. Mas a menos que suas ações sejam colocadas na direção de sua excitação e longe da pressa da penetração, ele ou não entende a magia sexual de Crowley, ou é incapaz de praticá-la, ou ambos. Se veste um roupas e paramentos cerimoniais, examine seu comportamento com muito cuidado. Claro, toda a magia sexual é para um propósito maior do que a satisfação pessoal ou engrandecimento de qualquer participante. É para a evolução da humanidade. Portanto, não seja egoísta e mal-intencionada, mas seja exigente.

Claro que a excitação é uma rua de mão dupla, e seu papel é invocar o Senhor. Uma mulher por sua natureza astral é, na verdade, a parceira ativo a este respeito. Ela é a iniciadora nos planos internos. No entanto, porque nossa natureza externa fundamental ser yin e restritiva, parte do nosso trabalho é controlar essa fundação. Nós, como mulheres, naturalmente, somos ansiosas por estados que chamamos de segurança, felicidade, cumprimento, fidelidade, respeitabilidade, e até mesmo normalidade. Devemos constantemente estar vigilantes. Se começarmos a tentar coagir, manipular, mudar ou controlar o homem em uma tentativa de obter o nosso modo e esforços para nosso meio ou se começarmos a procurar pastagens mais verdes, a fim de atender às nossas necessidades pessoais, arriscamos uma queda calamitosa.

Claro que “o sucesso é tua prova” III:42 e a única lei é fazer a tua vontade. Eu não posso te dizer o que é certo para você. Meu ponto aqui é que uma grande parte do nosso trabalho é enxergar a imagem maior e que a magia sexual não é para o nosso benefício pessoal nem para o deles. Se você não deseja despertar seu parceiro “outra mulher despertará a volúpia e a adoração da Serpente” II:34. E Ra HOOR KHUT adverte: “Que a Mulher Escarlate se acautele! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então deverá minha vingança ser conhecida.” III:43

Como todo o poder vem através da mulher escarlate, ela precisa ser senhora de si mesma de fato para evitar a ruína. Magia sexual não é um brinquedo ou um hobby. É um caminho espiritual serio para as mulheres que exige uma discriminação cuidadosa para evitar a colonização, por um lado, e terríveis tristezas e arrependimentos do outro. Não há vergonha em admitir que isso não é para você. Se você não é tão inclinada a isso, pode desfrutar de todos os frutos da lei de Thelema, “A Lei é para todos.” I:34 e escolher a realização pessoal no plano horizontal. Essa pode ser sua vontade. No entanto, para a mulher que é elegante, inteligente, madura e totalmente comprometida em servir a seu Deus acima de qualquer pessoa e qualquer outra coisa, a magia sexual detém a promessa da redenção de sua natureza inferior.
Não só as mulheres participam igualmente na magia sexual como redimidas, mas os insights que ganhamos trabalhando a fórmula de Babalon no lado direito da árvore da vida iluminam este Aeon para todos. Na fórmula, trabalhamos externamente em nossos próprios corpos e os homens trabalham interiormente. As mulheres neste Aeon são, portanto, o equilíbrio para contribuir com o conhecimento mágico fundamental.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/redencao-feminina-ou-como-abracar-a-receptividade-com-autoridade/

Alquimia e Transmutação

Já dissemos que toda a transmutação alquímica, seja material, psicológica ou espiritual, é produzida pelo fogo. Quem aspira ao Conhecimento tem de saber que seu fogo interior –a sede pela Verdade e seu amor a ela– tem que ser constante e contínuo, ou seja, que não se acenda tanto que por sua causa arda e se perca nosso ânimo, e também que não diminua a ponto de se apagar. É o delicado jogo dos equilíbrios de que falavam os alquimistas medievais e renascentistas, os quais também aconselhavam que em todas as operações deviam prevalecer as virtudes da paciência e da perseverança. Na manutenção desse fogo e no controle natural de sua potência, radicam os princípios fundamentais da Alquimia. Não obstante, para harmonizar essas energias é imprescindível conhece-las e experimentá-las, sem negá-las nem dá-las por supostas. Muito pouco sabe o homem ordinário do conhecimento de outras realidades e de si mesmo, mesmo no mais elementar. Considera que sua “personalidade” (quer dizer, seus egos, fobias e manias) é sua verdadeira identidade, sem perceber que extraiu esses condicionamentos do meio, de modo imitativo, carente de significado e de transcendência.

A Ciência Sagrada representa uma guia e um caminho que existe para canalizar nosso processo para o Conhecimento. O aprendiz alquimista tem de compreender que a mente condicionada não pode consigo mesma, e que é necessário reconhecer nossa ignorância, que muitas vezes não é senão afeição a descrições da realidade puramente ilusórias, por meio das quais organizamos nossa existência. A Doutrina Tradicional constitui uma garantia neste sentido, pois facilita e concentra a manutenção desse fogo interno através do entendimento gradual que em nossa aprendizagem vamos obtendo de seus ensinos.

#Alquimia #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alquimia-e-transmuta%C3%A7%C3%A3o

A TV Globo e Sua História Secreta

“Um povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição”

As reais motivações que a Globo teve, e tem agora, depois das eleições, com uma inusitada e inesperada aproximação do Governo Lula. Uma reflexão sobre o papel da emissora na implantação do poder do capital especulativo sobre o produtivo no Brasil.

Recebi, com alegria, algumas observações competentes do amigo Giovano de Oliveira Cardoso, leitor da Novae, a respeito de meu artigo publicado nesta Revista em 28 de outubro [link da revista retirado do ar], sobre o resultado das eleições, o qual lembrou algumas razões da neutralidade da Rede Globo no recente processo eleitoral brasileiro.

Apropriadamente lembrava o amigo Giovano dos interesses conflitantes entre a rede Globo e o Grupo Silvio Santos, em diferentes âmbitos de uma mesma disputa. A aproximação do Gugu Liberato do candidato Serra, enquanto negociava a aquisição de um canal de televisão no Mato Grosso, e que já lhe havia sido concedido o direito de compra, fora dos prazos legais que são admitidos nos contratos de concessão, seria um dos motivos para essa disputa.

Outros motivos, que também podem ser visualizados no estreito contato do Governador de São Paulo ao próprio Silvio Santos, em evidente envolvimento por ocasião de seu seqüestro, em nebuloso episodio que incluiu o assassinato do seqüestrador na prisão, após ser admitido publicamente sua salvaguarda e integridade física pelo próprio Governador, em meio a fatos de apropriação do botim do seqüestro por policiais que não ficaram devidamente esclarecidos.

E ainda o pleito da Globo junto ao BNDES, de um escandaloso credito de um bilhão de reais, no sentido de salvar do naufrágio econômico os erros cometidos pela administração incompetente de um canal de TV por assinaturas dessa Rede, e vergonhoso, se comparamos o volume de crédito aos recursos de 400 milhões negados pelo Governo ao desenvolvimento de toda uma região, no caso o nordeste brasileiro, através da SUDENE, que foi fechada, para evitar que se averiguassem denuncias de corrupção em projetos financiados pelo órgão.

O amigo Giovano lembra ainda, com propriedade, o temor da Globo pela aprovação da lei que permite a participação de empresas estrangeiras em até 90% do capital social das emissoras nacionais, o que daria ensejo as redes norte-americanas para assediar a Globo, como maior canal brasileiro, e tentar assumir seu controle, dentro de uma política de lançamento da ALCA em nosso pais e de avanço dos produtos norte-americanos em substituição aos nacionais em nosso mercado interno.

Acredito que esses temas devam ser tópicos de reflexão ponderada de pesquisadores e intelectuais militantes, que se interessem por esclarecer as reais motivações que a Globo teve, e tem agora, depois das eleições, com uma inusitada e inesperada aproximação do Governo Lula. E, para colocar mais um pouco de lenha na fogueira, transcrevo um fragmento de meu livro Capitalismo Autoritário, ainda não publicado, onde abordo, em determinado momento o papel das comunicações, em especial da Rede Globo, para a implantação do poder do capital especulativo sobre o produtivo no Brasil.

Do livro “Capitalismo Autoritário”, ainda inédito:

Como veremos adiante, não se trata aqui somente dos recursos tecnológicos e materiais indispensáveis para o suporte técnico do Capitalismo Autoritário, mas da função adquirida pelos mesmos na estratégia montada para a condução desse Capitalismo, em suas bases ideológicas e econômicas que exercerão o poder de fato na nova Sociedade Capitalista.

Uma citação do diretor-presidente da TV Globo, em 1966, respondendo à Comissão Parlamentar de Inquérito (já se fazia isto, naquela época) que investigou as ligações entre a Globo e o grupo Time-Life (ligações espúrias, conforme veremos) é muito elucidativa para se entender a importância do sistema de comunicações no novo cenário nacional: “As empresas jornalísticas sofreram, mais talvez do que quaisquer outras, certas injunções, como depressões políticas, acontecimentos militares. Os prognósticos que estamos fazendo na TV Globo dependem muito da normalidade… da tranqüilidade da vida brasileira. Esses planos podem ser profundamente alterados, se houver um imprevisto qualquer ou advir uma situação que não esteja dentro dos esquemas traçados, como se vê nas operações de guerra.”

Esta era uma citação que fazia ver o papel que a rede Globo planejava, junto com o grupo Time-Life no futuro imediato do Brasil. O acusador, por outro lado, coincidentemente representante da rede de televisão já existente e líder das comunicações na época (os Diários Associados, proprietários da Rede Tupi), esclarecia à mesma CPI: “E esta é uma guerra – não é uma guerra quente, mas um episódio da guerra fria. Entretanto, se perdermos neste episódio, o Brasil deixará de ser um país independente para virar uma colônia, um protetorado. É muito mais fácil, muito mais cômodo e muito mais barato, não exige derramamento de sangue, controlar a opinião pública através dos seus órgãos de divulgação, do que construir bases militares ou financiar tropas de ocupação”.

Feitas estas considerações, passemos a analisar a montagem do sistema de comunicações durante o período da ditadura militar, que é um ponto importante para compreender a função desse sistema como parte do Capitalismo Autoritário.

A legislação que orienta as concessões de rádio e televisão foi estabelecida logo após o Golpe Militar de 1 de abril de 1964 e conservou-se inalterável até a Constituição de 1988, que apenas confirmou as normas já existentes e somente agora pretende ser alterada, para pior, é claro, dando permissão às empresas estrangeiras participarem do capital da radiodifusão brasileira.

Ela atribui ao presidente da República poder absoluto sobre as concessões, que não dependem em nenhum momento de pareceres técnicos, considerando-se, desta forma, apenas os prêmios políticos que o presidente utiliza como barganha para conquistar os votos dos deputados e senadores no Parlamento.

No apagar das luzes da ditadura, já no governo Figueiredo, foram feitas 700 concessões de rádio e televisão, que representou na época mais de um terço do total das emissoras inauguradas desde o surgimento da radiodifusão no país. (FSP, 14 mar. 1985).

O serviço de radiodifusão no Brasil é mantido sob estrito padrão privado comercial, sem a preocupação da transmissão e defesa da cultura nacional, exceção feita à Rede Universitária -TV Cultura que sobrevive com parcas verbas e de qualidade técnica inferior frente às concorrentes comerciais.

As concessões são feitas sem o cuidado de análise mercadológica e, distribuídas como brindes, dentro da mentalidade cartorial do governo federal. Elas são freqüentemente superpostas e tem sua abrangência geográfica aumentada arbitrariamente.

Dois são os tipos de concessão: a controlada pelas grandes redes de rádio e televisão e as presenteadas aos apaziguados do Poder. Servem, assim, para contemplar diretamente o poder econômico e o poder político, sem visar em nenhum momento o interesse público. A rede Globo sozinha detém 40% do mercado publicitário das emissoras de televisão, dominando, desta forma, o mercado em sua totalidade, e em completa abrangência do território nacional.

Na história da rede Globo existe o obscuro acordo com o grupo Time-Life, norte-americano, que financiou, equipou, planejou, treinou o pessoal e deu assistência técnica durante mais de dez anos, até sua autonomia técnica e comercial; este acordo, como vimos a pouco, foi motivo, inclusive de uma CPI para investigar as suas conseqüências monopolizadoras do mercado do país, logo no início da ditadura militar, quando esta ainda se preocupava em dar alguma função aos deputados e senadores, e mesmo que, como todas, terminasse em pizza.

Conforme o livro “História Secreta da Rede Globo – Ed. Tchê! Porto Alegre “, (p.71) o autor afirma que “Controlando as entidades representativas das emissoras de radiodifusão, o sistema Globo faz predominar seus interesses e neutraliza as manifestações das pequenas e médias empresas que são sufocadas pela concorrência dos oligopólios”. E, em seguida: “Com a Nova República, a Globo teve seu poder fortalecido”.

Visto está que, após a ditadura, o sistema de comunicações brasileiro, capitaneado pela rede Globo, manteve-se intacto e até fortalecido, dentro dos padrões ideológicos definidos pelo grupo Time-Life na década de sessenta, em plena guerra fria. E, pela importância e destaque que a Globo continua ocupando na mídia nacional, é evidente que este processo continuou a se fortalecer durante os últimos quinze anos.

Que a implantação da rede Globo no Brasil foi ilegal e fato criminoso é assunto já discutido e conhecido por uma grande parte da população pensante do país, mas entender que este fato faz parte de um contexto econômico e político-social configurado na “globalização” das comunicações e que é o grande orientador ideológico do Capitalismo Autoritário, isto é que é preciso analisar e definir claramente.

Com isso estaremos dando argumentos para que os setores que ainda resistem aos avanços do Capitalismo Autoritário possam ser “sacudidos” em seus brios éticos e de compromisso com a nação, e passem a defender o direito das maiorias de impor seus interesses nos sistemas de comunicação de massa.

Os jornais, censurados, dirigiram as notícias segundo os interesses da ditadura, que coincidiam com os Estados Unidos. Foi a era do “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. A subserviência aos americanos passou a ser completa, e assim continua até os dias atuais.

Mas a grande vedete das comunicações já era a televisão. Inaugurada em 1950, teve um caminho ascendente muito lento, que durou toda a década de cinqüenta. Só na década de sessenta é que começou a espalhar suas antenas e repetidoras por todo o país, tornando-se o maior veículo de comunicação e transmissão ideológica a partir de então.

O grupo Time-Life, da direita conservadora norte-americana tentou associar-se ao “Estado de São Paulo” mas os seus proprietários, ou não entenderam bem o significado da proposta, o alcance histórico que ela teria na formação da consciência nacional nas décadas seguintes, ou eram pretensiosos demais para dividirem o poder da mídia que detinham, mesmo que fosse com os norte-americanos.

O fato é que o grupo Time-Life acabou associando-se com o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, reconhecido como a cabeça da reação, do conservadorismo e do entreguismo no Brasil. O contrato assinado entre Roberto Marinho e o grupo Time-Life o foi em 1962, mas a primeira emissora só começou a funcionar em 1965, depois do Golpe Militar. Até então já haviam sido assinados vários acordos de cooperação entre ambos os sócios, chegando os dólares americanos em profusão, para a importante missão.

Tão importante que, em outubro de 1964, na “Conferência sobre o Desenvolvimento  Latino-americano”, promovida pelo Hudson Institute foram expostos com clareza, pelo comparsa de Roberto Marinho no projeto da rede Globo, Weston C. Pullen Jr., Presidente do Time-Life Broadcasting Inc., os desígnios norte-americanos com as associações na mídia televisiva que se processavam entre os Estados Unidos e os países da América Latina, que aqui reproduzimos, e que está citada na obra acima mencionada “História Secreta da Rede Globo – Ed. Tchê! Porto Alegre (p. 125/126)”:

“Passando em revista sua experiência em TV na Europa, Oriente Médio e América Latina, o Sr. Pullen afirmou que ele está operando na Venezuela, no Brasil, na Argentina e possivelmente entrará em nova operação na Colômbia. (…) A NBC, a CBS e a ABC, estão todas ativas nessas áreas e todas têm, como o Time, uma fórmula comercial que tende a incluir as seguintes características:

1. O grupo norte-americano necessariamente tem posição minoritária, em termos de oportunidade de investimentos, devido às leis dos respectivos países sobre telecomunicações.

2. Em todos os casos é indispensável ter sócios locais, o que é importante; e eles têm provado ser dignos de confiança.

3. A programação das estações é uma tarefa conjunta norte e latino-americana.

4. A política adotada mostra que a TV educativa diurna é importante para o êxito comercial e poderosamente eficaz e popular, quando tentada. O Sr. Pullen considera que o governo norte-americano pode e deve interessar-se por esse tipo de expansão por parte de grupos norte-americanos como um meio de atingir o povo. E apesar dos problemas que surgem, a TV se tornará para todo latino-americano, tal qual como para todo norte-americano (sic) em futuro bem próximo.”

A estratégia, portanto, estava muito clara: tratava-se de apoderar-se dos meios de comunicação mais importantes dos países-chaves da América Latina – Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia, da mesma maneira como o mesmo Sr. Pullen vinha fazendo na Europa e no Oriente Médio, e a intenção, óbvia, era a de influir decisivamente na formação da consciência das gerações que formariam o novo mundo do terceiro milênio, que os Estados Unidos desejavam, estivessem sob seu controle.

E, para garantir a completa estruturação do sistema de dominação ideológica através da mídia televisiva, o senhor Pullen ficou governando a Globo durante treze anos: desde o contrato inicial, em 1962, até o final do contrato de “assistência técnica”, em 1975.

Aqui é preciso verificar que o conceito básico da formação da consciência, que seria o objeto da programação, do conteúdo dessa programação, apresentado através das novelas e programas de auditório, procurava, além de alienar o povo brasileiro, quebrar também a sua auto-estima como Nação, única forma de se dominar sem precisar armas, nem bases militares que servissem à ocupação pelos norte-americanos.

As medidas eram mais simples: da mesma forma como o americano é auto-endeusado, através da metáfora do super-homem, ou seja, a capacidade que qualquer indivíduo isolado nascido nos Estados Unidos tem de resolver qualquer tipo de problema, situação ou risco, o que é mostrado sistematicamente na filmografia americana, principalmente, mas nas demais produções que se fabricam naquele país, com o intuito de elevar a auto-estima desse povo, e leva-lo a considerar-se superior aos demais, a estratégia da Time-Life e do governo norte-americano em relação ao povo brasileiro era justamente a oposta: mostrar as mazelas do povo, as dificuldades sem solução, a incapacidade, a corrupção e o conformismo como base do espírito brasileiro, utilizando-se para isto, principalmente, das novelas da televisão e dos programas “bandeira dois” nas rádios locais.

Nas novelas são mostrados o tempo todo as fraquezas dos personagens, a complacência e a traição permanente e geral. A vulgaridade das classes médias urbanas, nos bairros pobres cariocas, em contraste com a exuberância e extravagância das classes médias da Zona Sul. A caricatura do povo nordestino, apresentado como sub-nação, e ridicularizado em suas maneiras e modo de vida. É, evidentemente uma imagem falsa, mas, que de tanto ser repetida durante décadas pela rede nacional da Globo, acabou por ser aceita como verdade, quebrando a auto-estima desse povo, que se ridiculariza a si próprio, e ri de si mesmo com as humilhantes alegorias feitas aos pobres por “Caco Antibes” no programa “Sai de baixo” dos domingos globais.

A questão da TV educativa diurna também ficou bem colocada e explícita, segundo o ponto 4 acima, e se tornou mais recentemente uma tarefa sistemática, com os programas de ensino supletivo, dirigidos pela Rede Globo, assumindo a função do Estado e por ele reconhecido oficialmente, assim como os novos meios de ensino à distância, a tele-escola, com programas de desenvolvimento escolar através de tele-salas, o ensino técnico, empresarial (“Pequenas Empresas Grandes Negócios”), etc.

Antes que aconteça a expansão da tele-educação a níveis mais abrangentes, a Rede Globo se antecipou no controle desse nicho formador de consciência, assumindo essa tarefa, imprescindível para a manutenção do seu domínio, da ideologia norte-americana imperialista e do Capitalismo Autoritário que se estabeleceu.

Ou seja, a Globo assume a orientação da educação, cria e financia os sistemas de divulgação, estabelece a programação e é reconhecida em todos os seus atos pelo Ministério da Educação. Fecha-se o círculo, e a formação da Consciência Nacional fica entregue aos objetivos da Rede Globo e de sua integração com o pensamento e ideologia norte-americana.

Hoje, a Rede Globo absorve metade da audiência televisiva e setenta e cinco por cento das verbas gastas com publicidade, segundo abalizada opinião do jornalista Paulo Henrique Amorim. É evidente, assim, o domínio total deste meio de comunicação sobre a formação da consciência do povo brasileiro, capaz de eleger presidentes e determinar o curso de nossa história, como era o objetivo central da Ditadura Militar e do Governo Norte-americano, mancomunados para a derrota histórica da Nação Brasileira em 1964, quando lançaram os esteios sobre os quais se ergueria o Capitalismo Autoritário.

À mesma época se instalaram no Brasil dois outros grupos editoriais importantes: o grupo Visão, com matriz em Nova York, cujas publicações eram dirigidas à orientação da classe empresarial, assim como a editora Mc Graw Hill, que destinava suas publicações técnicas ao meio empresarial e que depois se associou ao grupo Visão. Além desses, o grupo Civita, da Editora Abril, também começou suas atividades, com dezenove revistas, o mesmo número que, na mesma época, começava a publicar na Argentina e no México. Victor Civita, seu presidente, italiano de nascimento, mas naturalizado norte-americano, havia sido empregado do grupo Time-Life e veio para a América do Sul com seu irmão, ele ficando no Brasil e o irmão indo para Argentina.

Assim, ficou formado o quadro de propriedade dos meios de comunicação brasileiros e latino-americanos, onde o grupo Time-Life aparecia como maior parceiro, ditando os investimentos financeiros, tanto na televisão, como no rádio e nas revistas. Mesmo alguns jornais, como O Globo, especialmente, já eram porta-vozes das posições norte-americanas pela afinidade ideológica que possuía e ainda possui com este país.

Evidentemente, a estratégia foi coroada de êxito, pois, nas décadas seguintes:

1. O Brasil passou a receber a influência cultural apenas dos Estados Unidos.
2. Foi estimulado o desenvolvimento de uma sub-cultura semelhante à norte-americana que dominou a consciência das massas.
3. A filmografia mostrada na Televisão concentrou-se na violência e no culto ao super-homem americano, que tudo resolve sozinho, seja ele homem, velho, moço, mulher ou criança, desprezando os esforços coletivos e o trabalho social.
4. Ao contrário do que ocorria nos Estados Unidos, nos países periféricos, como o Brasil, tentava-se quebrar a auto-estima desses povos, para permitir a dominação e a alienação a partir dos países centrais, Estados Unidos em primeiro lugar.
5. A mediocridade tomou conta das programações das estações (decidida em conjunto, “entre americanos e brasileiros”, segundo o Sr. Pullen).
6. A alienação cultural passou a ser a característica das novas gerações, contribuindo para o abandono do espírito crítico que ainda sobrevivia na “geração de 68”.
7. Os assuntos a serem ventilados e discutidos na Televisão passaram a ser os assuntos que interessavam aos norte-americanos e não aos brasileiros.
8. A metodologia educacional divulgada através da TV passou a privilegiar os resumos, as visões gerais, sem contribuir para a formação de conhecimentos sólidos, que levem ao pensamento crítico.
9. Surgiu, a partir da rede Globo, uma concentração desproporcional do mercado da televisão em mãos de uma única rede.
10. A formação da Consciência integrada, seguindo a ideologia norte-americana do Capitalismo Autoritário foi entregue oficialmente nas mãos da Rede Globo, com a parceria entre a Fundação Roberto Marinho e o Ministério da Educação.

11.2002

José Lucas Alves Filho – Economista pernambucano, formado na Faculdade de Ciências Econômicas de Montevideo. É professor de Metodologia Dialética em cursos de ‘pós-graduação’ nas universidades de Pernambuco, Consultor de Empresas, escritor e dramaturgo, entre outras atividades. Publicou trabalhos de economia como “Não à Teoria do Subdesenvolvimento” (Kairós, SP, 1983); “S.O.S., Homem do Campo”(Kairós, SP, 1984); “Capital Ilusão”(Ed. Coragem, SP, 1986); “O Fim do Desemprego ou A Jornada de Seis Horas”(Ed. do Autor, Recife, 1999); “A Cachorra Isaura (Romance, Ed. do Autor, Recife, 2001), além de outras obras inéditas, como: “Metodologia Científica – O Método Dialético”;”Reforma Agrária em Pernambuco”;os Romances “Madalena Uchôa”, “Para Onde Vamos” e “O Castelo Destruído”; as peças teatrais “O Direito à Preguiça”, “Verso e Reverso da História de Olinda”, “Ëlogio da Loucura” e o Poema “Século XXI”.

Ilustração: Cris Fernandes, produtora executiva da Novae. http://www.crisfernandes.blogger.com.br

URGENTE – BRASIL DECENTE
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Por José Lucas Alves Filho

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-tv-globo-e-sua-historia-secreta/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-tv-globo-e-sua-historia-secreta/

A Corrente Anticósmica 218

As bases da Corrente 218 firmam se originalmente nos mitos sumérios contidos no poema épico Enuma Elish escrito há mais de 3000 anos. No mito babilônio, Tiamat, um monstruoso dragão feminino, é a mãe de tudo aquilo que existe e de todos os deuses. Ela é a personificação da água salgada, das águas do Caos. Tiamat tem originalmente Apsu como consorte. Apsu é a personificação do abismo primordial da água doce do mundo inferior. Da união de Tiamat e Apsu surgiram os primeiros deuses.

O comportamento dos primeiros deuses irritava o casal primordial e Tiamat e Apsu planejaram matar a própria descendência. Ea (deus das águas doces; patrono da magia e da sabedoria; dizia-se que era onisciente.) , deus da quarta geração após Tiamat e Apsu, descobriu os planos e engendrou um plano para matar Apsu.

Ea aguardou Apsu adormecer e o matou. Tiamat foi tomada por fúria violenta ao saber da morte de seu esposo, tomou seu filho Kingu (Tiamat e Kingu são chamados Dragões do Caos.) como novo consorte e criou um exército de onze demônios para vingar a morte de Apsu. Tiamat pretendia que seu filho e esposo se tornasse Senhor dos Deuses, deu a ele as Tábuas do Destino e o colocou à frente de sua armada.

Foi Marduk, filho de Ea e Damkina, quem enfrentou e venceu Tiamat e Kingu ( Segundo o mito babilônio, Marduk criou a humanidade com o sangue de Kingu.). A vitória sobre os dragões do Caos conferiu a Marduk “poderes supremos”.

Marduk representa os poderes cósmicos que são combatidos pela Corrente 218 que, por sua vez, é representada pelos deuses anticósmicos e pelos onze poderes criados por Tiamat, ou seja, por Azerate.

Cosmos e Logos, Um Esboço de Definição

O cosmos nos é apresentado como a totalidade de um universo “ordenado”. Descrevem-no como o espaço universal, composto de matéria e energia, regulado por certas leis.

À suposta lei universal e fixa, regedora da “harmonia”, Heráclito de Éfeso chamou “Logos”. “Logos” também significa Palavra, Verbo e Razão.

O evangelista João se referiu ao Cristo como sendo o Logos. “Adaptado”, o vocábulo passou a ser uma forma de sinônimo para Deus e para seu filho.

Para os filhos do Logos morto o universo está sob a lei de uma pretensa força criadora onipotente, responsável pela manutência da “harmonia”: o funesto e confuso “demiurgo”. O Logos Morto, a pretensa força criadora do “demiurgo”, os conceitos arcaicos, tolos e estagnados resumem a corrente cósmica, a Grande Ilusão de Maya.

Nesse contexto, encontramos Marduk, o “demiurgo” associado a Javé.

Da Não Percepção ou da Percepção Ilusória

O homem ordinário (não) “percebe” o universo ao seu redor através de sentidos comuns, sendo ele mesmo parte do cosmos. O homem ordinário não percebe nada além de ilusão. No estado de dormência há uma espécie de sensação de equilíbrio (falso‐), um caminho com o qual se conformar, uma senda que se segue guiado por outrem, por algo. Um “ir” junto aos “muitos”, um caminhar entre os vários. Um não ver aquilo que é. Um não‐ser. Um enaltecer da ilusão. Um doloroso sonho cósmico. O indivíduo tem o Eu (Ego) plasmado, modelado pelas restrições impostas pelas correntes cósmicas, por Maya. O indivíduo comum É algo que não É.

Da Dominação do Pão e do Circo

Servilismo. Subserviência. Alienação. Prostração. Cega sujeição à vontade alheia e aos interesses manipuladores daquilo que o próprio homem ordinário criou e que não controla. Alheação. Incapacidade. O rebanho oprimido sob o jugo se deleita no que é franca e deliberada mentira, ilusão. Os muitos são os Vermes.

Da Caosofia

O vazio informe e a vacuidade ilimitada a que se referiu Hesíodo, a desordem e a confusão dos platônicos. Estado indefinido de não‐ordem que antecedeu a pretensa obra do “demiurgo”. Caos, o estado original do que está além e sob o abismo. Propiciar o Caos é incitar, impelir e impulsionar Transformação. Somente a transformação é contínua. O cosmos é tridimensional, linear, causal, previsível. O caos é multidimensional, não linear, é acausal e imprevisível. No cosmos jazem forças. No caos, energia dinâmica explode mundos e possibilidades sem fim. O cosmos precisou ser criado. O caos é causado por si, em si. Caos é potencial ilimitado em destruição (transformação) e criação. Nele estão todas as coisas manifestas e não‐manifestas.


   Azerate

Divindade – Fórmula – Conceito

Azerate é formado pelos 11 demônios criados por Tiamat para ajudá‐la a vingar a morte de Apsu.

Azerate é o nome da Divindade amorfa e anticósmica originária da reunião dos Onze Arquidemônios das Qliphoth. É o Deus Híbrido formado pela totalidade dos aspectos de Nahema, Lilith, Adramelek, Baal, Belfegor, Asmodeus, Astaroth, Lucifuge Rofocale, Beelzebub e Moloch.

Azerate alude aos onze príncipes de Edom que reinaram ao sul do Mar Morto antes das guerras judaicoromanas. É a fórmula de consecução mágicka que opera a destruição dos véus da Ilusão que aprisiona e aliena.

Azerate é a união das onze potências da Árvore do Conhecimento que destroem a mentira sobre o Universo criado.

Azerate é a chave para as dimensões de poder além dos limites da consciência.

Azerate é o Dragão Negro de 11 Cabeças que vomita fogo, morte, destruição e terror.

218 é o número místico de Azerate e da Corrente Anticósmica.

Aleph = 1
Zayin = 7
Resh = 200
Aleph = 1
Teth = 9

1+7+200+1+9=218
218
2+1+8=11
1+2+3+4+5+6+7+8+9+10+11=66

Azerate evoca e manifesta o conceito maldito e banido do Onze sobre o Dez.

O Onze, aquele que sucede o Ciclo Eterno, aquele que traz destruição, antítese e embate ao cosmos.

Azerate é o Onze que é Sessenta e Seis.

66 é o número místico das Qliphoth e da Grande Obra.

Σ(1‐11) =66

Azerate é o duplo 109, a dupla Esfera da Iluminação.

Proposições Básicas da Corrente Anticósmica

Destruir os véus da Ilusão, trazer a condição de Caos ao universo manifesto. A implosão impele e impulsiona dolorosa Transformação e Renascimento em Nox.

Fazer ruir estruturas decrépitas nas quais se fundamentam as idéias dos opositores da Vida.

Desfazer laços e cortar amarras que impedem o avanço e a evolução do indivíduo.

Proporcionar desafio ao indivíduo que, por vocação, aprende e faz guerra contra os agentes alienadores em todos os aspectos.

Trazer ao Universo manifesto as forças que combatem eternamente para que elas possam destruí‐lo tal como o conhecemos.

Trazer Morte ao Universo, propiciar Dissolução do Ego plasmado sobre os moldes da restrição imposta por padrões hipócritas, vazios e mentirosos.

A Corrente 218, Algumas Características Mais

Podemos dizer que a Corrente 218 é anticósmica, caótica, luciferiana e satânica.

É uma corrente por ser caracterizada pelo movimento acelerado das forças que a compõe.

É anticósmica por estar alinhada à Destruição dos conceitos estagnados de cosmos e logos tal como os

conhecemos e por buscar a Dissolução da dispersão do Ego que concorre contra a verdadeira vontade.

É Caótica por não se apegar a conceitos estagnados, superficiais e submissos; por enfatizar que o processo verdadeiro de aprendizado e de evolução do indivíduo se dá através da própria experiência, do contato direto com as forças inerentes à corrente; por estar alinhada com muitas das idéias do que se costuma rotular como magia do CAOS; por ter como uma de suas proposições básicas trazer o CAOS ao Universo manifesto e Destruí-lo como Ilusão, como Maya.

Luciferiana por propiciar ao indivíduo a possibilidade de evolução através do Conhecimento (Luz, Gnose Luciferiana).

Satânica por ser uma força de embate contra valores idiotas, hipócritas, ultrapassados, dominadores e alienadores.

O motor da Corrente é a força dinâmica de Azerate como Divindade, Conceito, Chave e Fórmula de consecução mágicka.

A fundamentação da corrente se dá a partir de um vasto sincretismo de ramos e vertentes do Caminho da Mão Esquerda. Tal sincretismo busca sintetizar a essência de cada aspecto que compõe a heterogeneidade e aplicá-la na consecução das proposições fundamentais. Dentre as diversas tradições que coadunam forças que se combinam na Corrente 218 citamos: a magia do Caos, o Satanismo (Tradicional e Moderno), o Luciferianismo
(Tradicional e Moderno), a tradição Draconiana, a tradição Tifoniana, a Bruxaria Sabática, a Qabalah Qliphótica, Thelema, o Tantra, a Quimbanda, o Vodu e cultos ligados à Morte.

Atualmente o Templo da Luz Negra na Suécia é o maior expoente relacionado à corrente anticósmica. O Templo é a evolução do trabalho iniciado pela Ordem Misantrópica Luciferiana (MLO). Seus principais trabalhos literários publicados são Liber Azerate, Liber Falxifer – The Book of the Left‐Handed Reaper e Quimbanda – Vägen till det Vänstra Riket. O Templo planeja lançar Liber Azerate em inglês durante o ano de 2010.

Uma das principais manifestações artísticas relacionadas à Corrente 218 é o singular álbum Reinkaos, último trabalho da banda Dissection.

Algumas Divindades Anticósmicas

Kali e Shiva

Deuses hindus que conduzem à liberação removendo a ilusão do Ego. Kali é a toda‐consumidora do tempo (Kal), Deusa que traz Morte à falsa consciência, pois está além de Maya.

Kali é uma das variadas formas de Devi, Mãe compassiva que traz liberação (moksha) aos seus filhos. Seus devotos adoram‐na com amor incondicional. É conhecida e adorada por vários nomes: Kalikamata, Kali Ma, Bhavatarini, Dakshineshvara, Kalaratri, Kottavei, Kalighat e Negra Mãe Divina. Kali Ma é a dissolução e a destruição. Foi graças a ela que os deuses, feitos Shiva, puderam destruir Raktabija, pois Kali consumiu todo o sangue que jorrava dos ferimentos de Raktabija e ele não pôde mais se reproduzir.

Shiva é o Deus da destruição e regeneração, fogo consumidor da transformação, cujo olhar relampeja e destrói violentamente. É um dos Três formadores da Trimurti hindu. Shiva é chamado o Destruidor. Shiva e Kali costumam ser adorados em crematórios a céu aberto, pois aludem à transitoriedade da vida material. O Lingam está para Shiva como a Yoni está para Kali: na destruição estão os elementos da geração.

Apsu

Deus primevo sumero-acadiano das águas doces do submundo. Primeiro consorte de Tiamat.

Tiamat

Deusa Dragão senhora do Caos e das águas salgadas. Deusa das águas abissais e do oceano primevo. Na mitologia sumeriana é chamada Nammu. É provavelmente uma das divindades mais antigas do panteão sumeriano.

Kingu

Deus Dragão, filho de Tiamat. Seu sangue foi utilizado para criar a humanidade segundo o mito babilônio. Tiamat o tomou como esposo após a morte de Apsu.

Lúcifer

Insígnia máxima da não-servidão, da rebeldia, do conhecimento aplicado e esclarecido. Beleza sem mácula. Portador do Archote, da Luz que guia “seus filhos” no tortuoso caminho da liberação.

Lilith
Negra Mãe Divina, Rainha da Noite e das Bestas da Escuridão, personificação da plena

Pharzhuph

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-corrente-anticosmica-218/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-corrente-anticosmica-218/

A Morte segundo Alan Watts

Alan Watts (tradução: Nando Pereira)

Sempre fui fascinado pela idéia da morte desde que consigo me lembrar, desde a primeira infância. Talvez você ache isso meio mórbido, mas quando uma criança à noite diz a frase Se eu morrer antes de acordar, há algo nisso que é absolutamente diferente. Como seria ir dormir e nunca acordar? A maioria das pessoas razoáveis simplesmente dispensa esse pensamento. Elas dizem, “Você não pode imaginar isso”, dão de ombros e dizem “Vai ser o que vai ser”.

Mas eu sou uma dessas pessoas teimosas que não se contentam com uma resposta dessas. Não que eu esteja tentando descobrir algo além, mas eu sou totalmente fascinado pelo que seria ir dormir e nunca mais acordar. Muitas pessoas pensam que seria como ir para uma eterna escuridão ou ser queimado vivo. Obviamente não seria nada como isso! Porque só conhecemos a escuridão pelo contraste, e somente pelo contraste, com a luz.

Tenho uma amiga, uma garota, que é muito inteligente e articulada, que nasceu cega e não tem a menor idéia do que seja a escuridão. A palavra significa tão pouco pra ela quanto a palavra luz. Então é a mesma coisa pra você: você não está consciente da escuridão quando está dormindo.

Se você for dormir, para dentro da inconsciência por todo o sempre, não seria nada como estar na escuridão; não seria nada como ser queimado vivo. Na verdade, seria como se você jamais tivesse existido! Não só você, mas como tudo o mais. Você estaria naquele estado, como se nunca tivesse existido. E, claro, não haveria problemas, não haveria alguém para se arrepender da perda de nada. Você nem sequer poderia chamar isso de tragédia porque não haveria ninguém para chamar isso de tragédia. Seria um simples – nada. Para sempre e para o nunca. Porque, não só não haveria futuro, você também não teria passado nem presente.

A essa altura provavelmente você deve estar pensando, “Vamos falar de outra coisa”. Mas eu não me contento com isso, porque isso me faz pensar em duas outras coisas. Primeiro, o estado do nada me faz pensar que a única coisa na minha experiência que é próxima do nada é a maneira que minha cabeça olha para meu olho, e então por trás do meu olho não há um ponto preto, não há sequer um lugar vazio. Não há nada! Não estou consciente da minha cabeça, como se fosse, como um buraco negro no meio de toda a experiência luminosa. Não tem nem delimitações muito claras. O campo de visão é oval, e por causa dessa visão oval não há nada. Claro, se eu usar meus dedos e tocar eu posso sentir algo por trás dos meus olhos; mas se eu uso o sentido da visão sozinho há simplesmente nada. Ainda assim, do vazio, eu enxergo.

A segunda coisa que me faz pensar é quando eu estiver morto eu serei como se eu nunca tivesse sido, e isso era o que eu era antes de ter nascido. Assim como eu tento ir para trás dos meus olhos e descubro o que há lá eu chego num vazio, se eu tentar ir pra trás e pra trás e me lembrar minhas memórias mais antigas, e anterior a elas – nada, branco total. Mas do mesmo jeto que sei que há algo por trás dos meus olhos usando meus dedos na minha cabeça, eu sei por outras fontes de informação que antes de eu nascer havia algo acontecendo. Havia meu pai e minha mãe, e os pais e mães deles, e todo o ambiente sólido da Terra e da vida de onde eu vim, e por trás disso o sistema solar, e por trás a galáxia, e por trás todas as galáxias, e por trás outro branco – o espaço. Eu raciocino que se quando eu morrer eu voltar para o estado onde eu estava antes de nascer, poderia isso acontecer de novo?

O que aconteceu uma vez pode muito bem acontecer de novo. Se aconteceu uma vez é extraordinário, e não é realmente muito mais extraordinário se acontecer de novo. O que eu sei é que vi pessoas morrerem e vi pessoas nascerem depois delas. Então depois que eu morrer não somente alguém vai nascer mais miríades de outros seres vão nascer. Todos sabemos disso; não há dúvida sobre isso. O que nos preocupa é se quando estivermos mortos haverá nada para sempre, como se houvesse algo com o que nos preocupar. Antes de você nascer havia esse mesmo nada para sempre, e você aconteceu. Se você aconteceu uma vez você pode acontecer de novo.

Mas o que isso significa? [nota da tradução: neste parágrafo o autor Alan Watts inventa um verbo em inglês e faz uma analogia com outra palavra em inglês que não se traduz da mesma maneira para o português, mas, apesar disso, o sentido está mantido] Olhar isso da maneira mais simples e pra me explicar, devo inventar um novo verbo. Esse é o vergo “ser EU” (do inglês, “to I”). Vamos falar com a palavra “Eu” mas invés de ser um pronome será um verbo. O universo “se torna eus”. Se torna eu em mim e eu em você. E vamos resoletrar a palavra “olho” (eye, igual a pronúncia de “I”), que significa olhar para algo, estar ciente de algo. Então vamos mudar as letras e diremos que o universo “olha”. Se tornar ciente de si mesmo em cada um de nós, e se manter “se tornando eus”, e cada vez que se torna um eu cada um de nós esse “eu” sente que é o centro de todas as coisas. Eu sei que você sente que você é esse “eu” do mesmo jeito que eu sinto que eu sou eu. Todos temos o mesmo passado do nada, não nos lembramos de ter feito isso antes, e ainda assim isso foi feito antes várias vezes, não só antes no tempo mas em torno de nós em todo o lugar há todo mundo, há o universo “se tornando eus”.

Vou tentar deixar isso mais claro dizendo que é o universo que está se “eu-sificando”. O que quero dizer com “Eu”? Há duas coisas. Primeiro, você pode entender pelo seu ego, sua personalidade. Mas esse não é o seu real Eu, porque sua personalidade é sua idéia de si mesmo, sua imagem de si mesmo, e isso vem de como você se sente, de como você pensar a respeito de si mesmo junto com o que todos os seus amigos e seus relacionamentos lhe disseram sobre você mesmo. Então sua imagem de si mesmo obviamente não é você assim como uma fotografia não é você e nenhuma outra imagem de qualquer coisa é. Todas as nossas imagens de nós mesmos não são mais do que caricaturas. Elas não contém informação para a maioria de nós de como nós crescemos nossos cérebros, como trabalhamos nossos nervos, como circulamos nosso sangue, como secretamos nossas glândulas, e como formamos nossos ossos. Isso não está contido na sensação da imagem que chamamos de ego, então obviamente, a imagem do ego não sou eu.

Meu ser contém todas essas coisas que o corpo está fazendo, a circulação do sangue, a respiração, a atividade elétrica dos nervos, tudo isso sou eu mas eu não sei como é construído. E, ainda assim, faço tudo isso. É verdadeiro dizer que eu respiro, que eu ando, eu penso, eu estou consciente – eu não somo eu faço para ser, mas eu faço da mesma maneira que cresço meu cabelo. Eu devo então localizar o centro de mim, meu “Eu-sificador” (I-ing), num nível mais profundo que meu ego que é minha imagem ou a idéia de eu mesmo. Mas quão profundo nós vamos?

Podemos dizer que o corpo é o “Eu”, mas o corpo vem do resto do universo, vem de toda essa energia – então é o universo que está se “eu-sificando”. O universo “se torna eus” da mesma maneira que uma árvore “se torna maçã” ou uma estrela brilha, e o centro do “em-maçã-amento” é a árvore e o centro do brilho é a estrela, e então o centro básico do ser do “se tornar eu” é o universo eterno ou a eterna ciosa que tem existido por dez milhares de milhões de anos e que provavelmente vai existir por no mínimo tanto tempo mais. Não estamos preocupados com o quão longo vai existir, mas repetidamente “se torna eus”, então parece totalmente razoável assumir que quando eu morrer e este corpo físico evaporar e o sistema de memória inteiro ir com ele, então a consciência que eu tinha antes começará tudo de novo, não exatamente da mesma maneira, mas de um bebê nascendo.

Claro, miríades de bebês irão nascer, não apenas bebês humanos mas bebês sapos, bebês coelhos, bebês moscas, bebês virus, bebês bactérias – e qual deles eu serei? Apenas um deles e ainda assim cada um deles, essa experiência sempre vem de uma maneira singular por vez, mas certamente um deles. Na verdade não faz muita diferença, porque se eu nascer de novo como uma mosca de fruta eu pensaria que ser uma mosca de fruta seria o curso normal dos eventos, e naturalmente eu pensaria ser uma pessoa importante, um ser de alta cultura, porque moscas de fruta obviamente tem alta cultura. Nós nem sabemos como olhar pra isso. Mas provavelmente elas tem todo tipo de sinfonias e música, de performances artísticas no jeito que a luz reflete em suas asas de maneiras diferentes, o jeito que dançam no ar, e elas dizem, “oh, olhe pra ela, veja ela realmente tem um estilo, olhe como a luz do sul aparece das asas dela”. Elas no mundo delas pensa que são tão importantes e civilizadas quanto nós pensamos em nosso mundo. Então, se eu acordasse como uma mosca de fruta eu não me sentiria nada diferente do que sinto quando acordo como um ser humano. Eu me acostumaria.

Bem, você diz, “Não seria eu! Porque se fosse eu de novo eu teria me lembrado de como eu era antes!”. Certo, mas você não sabe, lembre-se, como você era antes e ainda assim você está contente o suficiente para ser o “eu” que você é agora. Na verdade, é através de um bom arranjo neste mundo que nós não lembramos como era antes. Por que? Porque a variedade é o sabor deste mundo, e se lembrássemos, e lembrássemos, e lembrássemos termos feito isso de novo e de novo e de novo nós ficaríamos entediados. Para você conseguir ver uma figura, você tem que ter um fundo, para que a memória tenha valor você tem que ter um “esquecimento”. Por isso vamos dormir toda noite para nos renovarmos; vamos para a inconsciência para que ao voltar à consciência de novo tenhamos uma grande experiência.

Dia após dia nós lembramos os dias que se foram antes, mesmo que exista o intervalo do sono. Finalmente chega uma hora em que, se considerarmos o que é do nosso verdadeiro gostar, nós quereremos esquecer tudo que aconteceu antes. Então podemos ter a extraordinária experiência de ver o mundo de novo e de novo através dos olhos de um bebê, qualquer tipo de bebê. Então será tudo completamente novo e nós teremos toda a surpreendente maravilha que uma criança tem, toda a vivacidade da percepção que teríamos se lembrássemos tudo para sempre.

O universo é um sistema que esquece de si mesmo e então lembra-se como novo, para que sempre haja mudança e variedade constante em um período de tempo. Também faz isso no período de espaço ao olhara para si mesmo através de diferentes organismos vivos, dando uma visão completa ao redor.

É um jeito de se livrar do preconceito, de se livrar de uma visão fixa. A morte neste sentido é uma tremenda liberação da monotonia. Ela coloca um ponto final no processo do esquecimento total num processo rítmico de liga-desliga, liga-desliga para que você possa começar tudo de novo e nunca estar entediado. Mas o ponto é que se você pode fantasias a idéia de ser nada para sempre, o que você está realmente dizendo é que depois que eu estiver morto o universo pára, e o que eu estou dizendo é que ele vai justamente como foi quando você nasceu. Você pode achar incrível ter mais de uma vida, mas não é incrível que você tenha esta aqui? Isso é assombroso! E pode acontecer de novo e de novo e de novo!

O que estou dizendo é apenas que porque você não sabe como ser consciente, como crescer e formar o corpo, isso não significa que você não esteja fazendo. Da mesma maneira, se você não sabe como o universo estrela as estrelas, como ele constela as constelações, ou galaxia as galáxias – você não sabe mas não significa que você não esteja fazendo da mesma maneira que você está respirando sem saber como respirar.

Se eu disser realmente e verdadeiramente que sou este universo inteiro, ou este organismo particular, é um “eu-sificamento” feito pelo universo inteiro, então alguém poderia dizer pra mim, “Que diabos você pensa que é? Você é Deus? Você faz as galáxias girarem? Você pode unir as doces influências das Plêiades ou afrouxar os elos de Orion?. E eu respondo, “Quem diabos você pensa que é! Você pode me dizer como faz crescer seu cabelo, como forma seus globos oculares, e como faz para enxergar? Bem, se você não puder me dizer isso, eu não posso lhe dizer como eu giro as galáxias. Apenas localizei o centro de meu ser num nível mais profundo e mais universal do que nós estamos, em nossa cultural, acostumados a fazer”.

Então, se essa energia universal é o verdadeiro eu, o verdadeiro ser que “se torna eus” em diferentes organismos em diferentes espaços ou lugares, e acontece de novo e de novo em tempos diferens, temos um maravilhoso sistema funcionando em que podemos ficar eternamente surpresos. O universo é realmente um sistema em que se mantém surpreendendo a si mesmo.

Muitos de nós tem uma ambição, especialmente em uma era de competência tecnológica, de ter tudo sobre seu controle. Esta é uma falsa ambição porque você só tem que pensar por um momento como seria realmente saber e controlar tudo. Suponhamos que nós tivéssemos uma tecnologia supercoloosal que poderia realizar nossos maiores sonhos de competência tecnológica de maneira que tudo que estivesse acontecendo seria pré-conhecido, previsto e tudo estaria sobre nosso controle. Por que, seria como fazer amor com uma mulher de plástico! Não haveria surpresa nisso, nenhuma resposta nos tocar como quando tocamos outro ser humano. Disso vem uma resposta, algo inesperado, e é isso que realmente queremos.

Você não pode experimentar o sentimento que você chama de “eu” a menos que seja em contraste com o sentimento de um outro. É como conhecido e desconhecido, luz e escuridão, positivo e negativo. O outro é necessário para que você sinta si mesmo. Não é esse o arranjo que você quer? E, da mesma forma, não poderia você dizer que o arranjo que você quer é não se lembrar? A memória é sempre, lembre-se, uma forma de controle:Tenho em mente como fazer. Eu sei o seu jeito, você está sob controle. Eventualmente você irá querer largar esse controle.

Agora, se você for lembrando e lembrando e lembrando, é como escrever em um pedaço de papel e escrever e escrever até que não haja mais espaço no papel. Sua memória é preenchida e você precisa limpá-la para que você possa começar a escrever de novo.

Isso é o que a morte faz pra gente: ela limpa o quadro e também, do ponto de vista da população e do organismo humano no planeta, também nos “limpa”! Uma tecnologia que permitisse a cada um de nós ser imortal iria progressivamente lotar o planeta com pessoas com memórias desesperadoramente cheias. Elas seriam como pessoas vivendo em uma casa onde acumular tantas propriedades, tantos livros, tantos vasos, tantos jogos de garfos e facas, tantas mesas e cadeiras, tantos jornais que não existiria nenhum espaço para se mover.

Para viver precisamos de espaço, e espaço é um tipo de nada, e a morte é um tipo de nada – é tudo o mesmo princípio. E colocando blocos ou espaços de nada, espaços deespaço dentro os espaços de alguma coisa, tornamos a viva adequadamente espaçada. A palavra alemã lebensraum significa espaço para viver, e isso é o que o espaço nos dá, e o que a morte nos dá.

Perceba que em tudo que eu disse sobre a morte eu não trouxe nada que pudesse ser chamado de fantasmagórico. Não trouxe nenhuma informação sobre nada que você já não soubesse. Não invoquei nenhum conhecimento misterioso sobre almas, memórias de vidas passadas, nada disso; apenas falei usando termos que você já conhecia. Se você acredita na idéia que a vida além da tumba é apenas um desejo iludido, eu admitirei.

Vamos assumir que é um desejo iludido e quando você estiver morto não exista nada. Que seja o fim. Note, em primeiro lugar, que essa é a pior coisa que você poderia ter medo. Isso lhe amedronta? Quem é que vai ter medo? Suponha que termina – nenhum problema mais.

Mas então você verá que esse nada, se você acompanhou meu argumento, é algo de onde você seria jogado pra fora de novo assim como você foi jogado pra dentro quando nasceu. Você é jogado pra fora do nada. O nada é um tipo de salto porque implica que o nada implica algo. Você volta novo, diferente, nada a ser comparado com o de antes, uma experiência renovada.

Você tem esse senso de nada assim como você tem o senso de nada por trás do seus olhos, um nada muito poderoso e vivo por trás do seu inteiro ser. Não há nada naquele nada para se temer. Com esse entendimento você pode viver como se o resto da sua vida fosse um molho de carne porque você já está morto: você sabe que vai morrer.

Dizemos que as únicas certezas que temos são a morte e os impostos. E a morte de cada um de nós agora é tão certa quanto seria se fossemos morrer daqui a cinco minutos. Então, onde está sua ansiedade? Onde está sua desistência? Tome a si mesmo como já morto para que você não tenha nada a perder. Um provérbio turco diz que “Aquele que dorme no chão não cai da cama”. Da mesma forma é a pessoa que se toma como já morta.

Portanto, você é virtualmente nada. Daqui a cem anos você será um punhado de pó, e isso acontecerá de verdade. Junte tudo isso agora e aja baseado nessa realidade. E a partir disso… nada. Você repentinamente se surpreenderá: quanto mais você souber que é nada, mais você vai ascender a alto.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-morte-segundo-alan-watts/

A Federação Pagã

O que é a Pagan Federation ? 

A Federação Pagã, oficialmente fundada em 1971, trabalha para tornar o paganismo acessível às pessoas que genuinamente procuram um encontro espiritual baseado nos Antigos Deuses e na Natureza.

A Federação Pagã tem 30 Coordenadores regionais na Grã-Bretanha que actuam como bases de actividade e apoio da P.F., e como P.F.Internacional está representada com Coordenadores Nacionais em 26 Países.

Os Coordenadores mantém contacto postal , via internet ou pessolamente, com os membros da sua área, ou países, se eles assim o desejarem, e estão disponíveis para os orientar nas suas dúvidas, quando necessário.

Além dos seus coordenadores nacionais e regionais, a P.F tem Organizadores locais nomeados pelos Coordenadores nacionais que
actuam nas suas comunidades . Os coordenadores podem levar a cabo Celebrações, debates, encontros e conferências, ou delegar em seus organizadores.

Em Inglaterra, a P.F. leva a cabo mais de 1000 inquéritos por ano, desde a rádio, televisão, jornais e revistas. Para além de fornecer informação geral, a P.F. fornece contactos em tradições especificas.

A P.F. conseguiu que o Paganismo fosse reconhecido como uma religião válida pelo Home Office e pela UK´s Interfaith Network e trabalha para repor a verdade do paganismo, opondo-se aos retratos difamatórios e incorrectos resultantes da intolerancia religiosa e do oportunismo pessoal, facultando informacões, enviando correcções e quando necessário, apresentando queixas nos tribunais – a P.F. tem efectivamente auxiliado em casos de discriminação religiosa nos empregos e na custódia de crianças.

Os nossos materiais educativos ( folhetos e pacotes informativos) encontram-se em várias livrarias académicas e instituições de renome, e ocasionalmente também são enviados a professores e outros profissionais, quando conveniente.

Em todos os seus esforços, a P.F. promove a exactidão factual sobre o Paganismo, a mútua tolerãncia entre fés, sem contudo se mesclar, e tenta prestar a sua melhor assistência e colaboração a todos aqueles que desejam explorar a espiritualidade Pagã ou procurem simplesmente informações sobre a nossa religião.

Pagan Federation Internacional 

Os Departamentos, tal como são denominados todos os Núcleos externos da Pagan Federation, com sede em Inglaterra há 31 anos e a operarem em 26 Países, representam e actuam dentro das mesmas bases e objectivos.

O objectivo é facilitar o contacto entre os membros inscritos, se for essa a sua vontade (expressa por escrito quando da inscrição); promover encontros e debates entre os membros; o esclarecimento público e defesa dos seus ideais.

Dependendo das Leis vigentes em cada País, assim se actuará em defesa de um Membro, caso aconteça algum problema motivado por adoração em público (depois de apurados factos de que não ultrapassou riscos desnecessários, imprudência, ou exibição gratuita), ou no caso de molestamento de outros grupos religiosos.

Não nos responsabilizamos por actos propositados de provocação, indecoro ou de irresponsabilidade cívica, alheios ao espírito Pagão, nem a problemas jurídicos ou pessoais de um membro, assuntos esses externos à nossa Federação.

O objectivo é a aceitação do movimento como religião livre e também facilitar o contacto entre as pessoas de vários países. A P.F. escolhe pessoas qualificadas para Coordenadores Nacionais como os representantes oficiais em cada país, os quais trabalham para uma amena mas constante oficialização do paganismo como religião.

PFI – Portugal

Desde 1997 que The Pagan Federation nomeou Coordenadores Nacionais em Portugal. Nessa qualidade, informam que estão ao seu dispor para ajudar em algum assunto administrativo, ou caso seja já associado, na orientação de assuntos ligados ao Paganismo. Os Coordenadores Nacionais de Portugal editam um jornal em português sobre paganismo, e enquadram os seus associados em um grupo de trabalho adequado, comum a todos os membros, cuja participação e interesse depende dos mesmos.

Anualmente é actualizada uma lista de Grupos ou Individuais associados, e a pedido, é enviada aos nossos Membros que tenham as quotas em dia. No caso de termos indicações para não transmitir o contacto, apenas constará o 1º nome, e a Tradição Pagã que segue, sem quaisquer mais referências.

A Pagan Federation Internacional- PORTUGAL oferece os seguintes serviços aos seus membros:

WEB SITES – uma boa forma de estar informado!

Muitos países tem o seu próprio PFI Web site, com informações, links seleccionados, notícias, agenda de eventos etc. poderá encontrar uma lista dos nossos sites em : http://www.paganfederation.org .

PAGAN WORLD – Uma magazine sazonal na Web!

Esta revista, em inglês, contem artigos de bastante interesse, não disponível a não-membros. No caso de Membros que não tem acesso à Internet, os Coordenadores Nacionais disponibilizam uma cópia da revista impressa.

PFI CHAT LIST – Contactos informais entre NC e Membros da PFI!

Esta mailing list é em ingles e aqui pode pôr questões, falar com amigos de outros países e ler as notícias de última hora e até ter encontros com autores e nomes conhecidos no meio. Acesso só a membros. Caso deixe de ser membro será automaticamente “unsubscribed” desta lista.

PFI – LOCAL CHAT LIST

Alguns países tem também a sua lista própria de contactos entre membros. A melhor forma para expor dúvidas, receber orientações ou simplesmente falar de longe com seus Coordenadores. Portugal oferece esta serviço, através de www.onelist.com/group/PFI-Portugal

EVENTOS / REUNIÕES – Encontros informais!

Alguns países organizam reuniões (pub.moots) temáticas, ou de tema livre para os seus membros. A cargo dos Coordenadores Nacionais é organizada uma Saudação anual – consulte a secção Notícias.

Como tornar-se Membro ?

A qualidade de Membro permite-lhe, nomeadamente, assistir a eventos, reuniões sazonais e a ter contacto com o paganismo europeu através do convívio com outros pagãos, trocando ideias e esclarecendo eventuais dúvidas.

A quota anual para estes serviços é de EUR 13 (Euros). Uma forma económica de se ser membro desta Organização de nível mundial e de ter todos estes benefícios.

A filiação é permitida a qualquer pessoa de 18 anos ou mais, que se considere sinceramente pagã e que concorde com os três princípios que norteiam a Federação Pagã:

1. Amor para e afinidade com a Natureza. Reverência para com a força vital e seus ciclos de vida e morte em eterna renovação.

2. Uma moralidade positiva, segundo a qual o indivíduo é responsável pela descoberta e evolução de sua verdadeira natureza, em harmonia com o mundo externo e a comunidade. Isso é muitas vezes expresso como: “Faze o que tu queres, contanto que não prejudiques ninguém”.

3. Reconhecimento do Divino, o qual transcende gênero, com aceitação tanto o aspecto feminino quanto o aspecto masculino da Divindade.

Os Pagãos que concordem com esses princípios e tenham interesse em fazer parte da Federação Pagã deverão escrever para um dos endereços ao final referidos, falando de suas experiências, interesse e vivências no Paganismo. Serão também bastante úteis comentários sobre como o interessado descobriu sua condição de pagão, sobre os livros que possa ter lido, sobre a vertente do Paganismo que lhe interessa ou que pratica, assim como outras experiências que considere relevantes e significativas. (Mas saliente-se que Pagãos iniciantes ou experientes serão recebidos da mesma forma.) Após o recebimento dessas informações, o interessado, caso aceito, receberá uma carta convidando-o a participar da Federação Pagã, acompanhada de um formulário para preenchimento. Esse formulário, devidamente preenchido, deverá então ser devolvido aos Coordenadores da Federação Pagã do seu país.

A Federação Pagã reserva-se o direito de recusar um pedido de admissão a Membro efectivo.

Toda a correspondência enviada, deve ser sempre acompanhada de envelope já selado, para resposta.

Para se inscrever como membro da PFI, procure contacto na nossa morada:

P.F.I. -PORTUGAL
APARTADO 24170
1251-997 LISBOA

ou enviando um e-mail para pfiportugal@pt.paganfederation.org.

Copyright cedido pela Pagan Federation – London , G.B.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-federacao-paga/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-federacao-paga/