O Estado Anti-Islâmico

O termo Islã deriva de uma antiga palavra árabe que significa “submissão”. Num contexto místico-religioso, é claro que estamos falando de uma “submissão a Deus” e, dessa forma, fica subentendido que todos os verdadeiros islâmicos, os realmente religiosos e místicos, buscam a Deus dentro de si e em tudo o que há. A sua guerra é interna, e a única conquista que desejam é o amor divino.

O Estado Islâmico, dessa forma, está mais para Anti-Islâmico; eles não se submetem de fato a alguma divindade que lhes habita a alma, mas tanto o inverso disto: esperam que o mundo inteiro se submeta as suas regras, ao seu califado sombrio.

Eles basicamente entenderam a religião pelo inverso, mas isto não ocorreu da noite para o dia, e nem é exclusividade do islamismo, ou mesmo de doutrinas religiosas desvirtuadas. Como sabemos, os homens se dedicam a se matar uns aos outros há tempos e pelas mais variadas razões, e ainda que por vezes tentem justificar sua carnificina usando o nome de Deus, na prática eles fazem guerras pelo mesmo motivo de sempre, a mesma ignorância antiga e persistente: por estarem submissos aos territórios, as riquezas e ao poder mundano.

Para os que buscam “evangelizar” o terror, “Deus” é apenas uma palavra, uma desculpa. Como não conseguem se submeter ao Deus que lhes habita, como o evitam a todo custo e a todos os momentos, como temem se abandonar no amor, e aniquilar os seus próprios egos, eles buscam justificar sua própria ignorância da religião subvertendo o sentido de tudo: o caminho então já não é buscar a Deus em mim, mas ter certeza de que todos creiam na mesma doutrina que eu creio, nem que para isso eu precise recorrer a violência extrema, ao caos e ao medo.

Apesar de muitas doutrinas religiosas e ideologias políticas terem a sua cota de sangue pela história humana, é inegável o fato de que hoje, no início deste novo século, foi o islamismo quem pariu a cria mais nefasta e perigosa. E quem deve admitir isto são primeiramente os próprios islâmicos, uma vez que são eles os que mais sofrem com o chamado Estado Islâmico: os países que fazem fronteira com suas bordas no Iraque e na Síria, em sua maioria de muçulmanos, são aqueles que mais sofreram atentados, os que mais tiveram baixas em combates militares, e os que mais receberam refugiados.

No entanto, como vinha dizendo, tal organização pseudo-religiosa não surgiu do dia para a noite. O Estado Islâmico é uma cria do wahabismo, e o wahabismo não teria chegado onde chegou não fosse pela condescendência da Arábia Saudita.

Fica mais fácil explicar contanto uma triste história:

Era manhã em Karbala, uma cidade próxima de Bagdá, e o mercado local estava cheio quando todos ouviram gritos. Um grupo de homens vestidos de preto, levando espadas e bandeiras negras, invadiu o mercado matando crianças, mulheres, idosos e adultos; indistintamente e sem pena. Eles continuaram com a matança avançando pelas ruas até tomar o controle de toda a cidade. Alguns afirmam que, apenas neste dia, cerca de 4 mil pessoas morreram.

Os homens vestidos de preto que organizaram tal ataque não eram do Estado Islâmico. O massacre ocorreu há mais de 200 anos e o grupo era comandando por um dos primeiros governantes da Arábia Saudita, que havia acabado de fundar um novo movimento religioso ultraortodoxo e radical dentro do Islã, o wahabismo.

Segundo o professor Bernard Haykel, de Princeton, especialista em teologia islâmica [1], “o wahabismo sempre foi descrito popularmente como a mãe de todos os movimentos fundamentalistas”. “No entanto” – ele prossegue –, “para encontrar a inspiração ideológica destes movimentos é preciso voltar ao salafismo jihadista”.

O salafismo remonta ao século 19 e uma de suas figuras mais influentes foi um homem chamado Muhammad ibn Abd al Wahhab, um pregador nascido em um lugar remoto da Península Árabe em torno de 1703. Segundo Haykel, “ele acreditava que os muçulmanos tinham se distanciado da verdadeira mensagem do Islã, e ficou horrorizado com o que via em Meca, o lugar sagrado para os muçulmanos, com os nobres vestidos de forma extravagante, fumando haxixe e escutando música”.

Wahhab era um fundamentalista que queria “purificar” o Islã, crendo que para tal bastaria que todos se voltassem aos princípios básicos da fé. E assim, gradualmente, suas ideias foram se espalhando… Mas é claro que nem todos estavam de acordo e, como era de se esperar, ele acabou expulso do vilarejo onde morava.

Após peregrinar sem rumo, eventualmente encontrou abrigo junto ao homem que governava uma pequena cidade vizinha, Muhammad Ibn Saud, com quem fechou um acordo em 1744. Com este acordo, foram firmadas as bases para a formação de toda a região: Saud se comprometeu a apoiar Wahhab política e militarmente e, em troca, Wahhab conferiria a Saud uma “legitimidade religiosa”.

Juntos, eles tomaram o controle de muitas cidades no entorno. Saud reinava e Wahhab pregava e colocava em prática o que acreditava ser “o islamismo puro”. Segundo Haykel, “eles tinham listas de todos os membros da comunidade e assim garantiam que todos eles iam à mesquita cinco vezes ao dia para orar. Era uma imposição da fé que aplicavam quase como justiceiros, uma versão intolerante da fé que no Islã tradicional não existe”.

A aliança entre Wahhab e Saud continuou conquistando territórios. Pelo final do século 18 eles já controlavam quase toda a Península Árabe. Desta forma foi estabelecida a união histórica entre a Arábia Saudita e o wahabismo. Portanto, não deveria causar espanto que muitas das execuções transmitidas online pelo Estado Islâmico sejam muito parecidas com as execuções oficiais da Arábia Saudita: não poderia ser de outra forma, pois que ambos os estados, o oficial e o terrorista, de certa forma seguem a uma mesma lei sombria.

Nos dias de hoje há um debate acirrado entre os especialistas sobre se realmente Wahhab pregava a violência ou se suas ideias foram manipuladas por Saud e pelos descendentes e partidários que vieram depois dele, e eventualmente fundaram a Arábia Saudita em 1932, mas seja como for, fato é que a ignorância do verdadeiro Islã venceu, e o que restou foi somente o dogma e a violência, sem muito espaço para nada que lembre, nem de longe, alguma espécie de misticismo.

Decerto não ajudou em nada o Reino dos Saud estar situado bem em cima das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo. Somente tanta riqueza farta, afinal de contas, pode explicar como a sua monarquia sobreviveu até o nosso século, e como ainda conseguem se manter aliados do Ocidente e dos EUA, que convenientemente se esquecem de que os maiores grupos terroristas da nossa época basicamente não existiriam não fosse pela “vista grossa” que os governantes sauditas fizeram e ainda fazem em relação ao wahabismo.

Claro que estou resumindo bastante a história. Sempre vale lembrar que há séculos persiste o conflito entre duas vertentes do Islã: os sunitas e os xiitas [2]. No atual jogo de xadrez do Oriente Médio, a maior nação xiita é o Irã, enquanto que a maior nação sunita é a própria Arábia Saudita. Dessa forma, uma vez o wahabismo sendo uma vertente radical do sunismo, também foi sempre conveniente para os governantes árabes “fingirem que não estavam vendo” grupos radicais surgindo aqui e ali, dentro de seu próprio território, uma vez que eles eram a promessa de muito trabalho para os seus inimigos iranianos.

Mas certamente ninguém imaginou que a ignorância e a violência chegariam aos níveis atuais. Claro, é bem provável que o mar de refugiados batendo a porta da Europa tenha causado mais problemas para as “boas relações” do Ocidente com os sauditas do que propriamente os anos e anos de extermínios no Iraque, na Síria e no Curdistão, mas fato é que ainda hoje há muita gente que lucra com o Estado Islâmico. Afinal, eles ainda têm de encontrar compradores para sua produção de petróleo nos poços que vieram a conquistar; e, da mesma forma, alguém tem de estar lhes vendendo armamento de guerra. Quem será? Interessa ao Ocidente saber? Vocês me digam…

O Estado Islâmico é um câncer e uma mancha cada vez mais sombria na luz do verdadeiro Islã. Mas é chegada a hora de enfrentá-los de verdade, pois temos visto que apenas o discurso não tem dado tão certo.

E, no entanto, por mais bombas que joguem em suas cabeças, nada me parece tão letal para a sua doutrina do que estas palavras, as palavras de um poeta do século 13, um poeta que também foi um religioso islâmico, e é lembrado até hoje. O wahabismo é incapaz de sobreviver à poesia de Jalal ud-Din Rumi:

O que eu posso fazer, ó muçulmanos? Eu não me conheço mais. Não sou cristão ou judeu. Nem um islâmico, nem um mago. Não venho nem do Oriente nem do Ocidente. Nem do continente, nem do mar. Tampouco do Manancial da Natureza, ou dos céus circundantes. Nem da terra, nem da água, nem do ar, nem do fogo.

Não venho do trono, nem do solo. Nem da existência, nem do ser. Nem da Índia, nem da China, Bulgária ou Saqseen; nem do reino do Iraque ou de Khorasan; nem deste mundo nem do próximo: nem céu nem inferno. Nem de Adão nem de Eva. Nem dos jardins do Paraíso nem do Éden.

Meu lugar é sem lugar, minhas pegadas não deixam rastros. Nem corpo nem alma: tudo que há é a vida do meu Amado.

Eu afastei toda dualidade: eu vi dois mundos como um. Eu desejo Um, eu conheço Um, eu vejo Um, eu clamo: “Um”.

***
[1] Trechos retirados de artigo da BBC.
[2] A história remonta a uma cisma ocorrida ainda no século 7, 30 anos após a morte de Maomé, quando após o assassinato do atual califa (governante religioso), um grupo (os xiitas) defendeu que um primo de Maomé deveria ser o novo califa, enquanto outro (os sunitas) defendeu que tal cargo caberia a um amigo de Maomé, que no entanto não era seu parente de sangue. Os sunitas venceram a disputa e, ainda hoje, são o grupo majoritário, com cerca de 84% dos islâmicos do globo.

***

Para quem quiser se aprofundar no tema, indico o livro Estado Anti-Islâmico da jornalista brasileira e muçulmana Chadia Kobeissi (obs.: este artigo originalmente foi publicado em meu blog anteriormente ao lançamento do livro, o título similar é somente uma feliz coincidência).

Crédito da imagem: Google Image Search/khamenei.ir (uma comparação entre as execuções na Arábia Saudita e no Estado Islâmico)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

***

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

» Veja também nossa página no Facebook

#guerra #Islamismo #Rumi

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-estado-anti-isl%C3%A2mico

Dragões: Parceiros Míticos no Poder

Por Llewellyn.

Então você tem pensado sobre magia e seu papel em sua vida. Talvez você queira levar seu interesse por magia a um nível mais profundo, mais profundo. Talvez você esteja pronto para experimentar a magia que é criativa, amorosa, risonha. Ou talvez você esteja pronto para essas duas coisas. Se você estiver, então você está pronto para ler o livro Dancing with Dragons (Dançar com Dragões), de D. J. Conway.

Por que tantas histórias foram escritas e histórias contadas sobre uma criatura que nunca existiu? Como as crianças podem dar descrições vívidas de algo que nunca viram? Imaginação? As ilusões imaturas de uma mente criativa? Ou será que a liberdade que nos permitiu na infância e na contação de histórias nos conecta à energia de uma espécie que realmente existe e interagiu com a humanidade ao longo da história?

Certamente parece que sim, pois os dragões têm um papel real em nossas lendas e culturas atemporais. Em todo o mundo, o dragão e a serpente sempre foram fortes símbolos de energia vital. Os sacerdotes do Egito e da Babilônia chamavam-se Filhos do Deus-Serpente ou Filhos do Dragão. A palavra galesa para dragão, Draig, era usada para denotar um líder ou um herói. Os chineses conhecem há muito tempo o dragão e seu poder, e ainda é uma característica proeminente na arte e celebração chinesas. Essa conexão íntima permitiu que eles vissem os dragões como uma espécie inteira, que eles dividiram em mais de vinte subespécies, cada uma com suas características e propósitos próprios. Bastante complexo para uma fantasia sem sentido, você não concorda?

Dancing with Dragons (Dançar com Dragões) é especial porque não apenas nos diz o “o quê” e o “porquê” da magia do dragão – também nos diz o “como”. D. J. Conway tem um amor especial por dragões e procurou seu significado e propósito ao longo de sua vida. Incluído em Dancing With Dragons (Dançar com Dragões) está uma explicação completa dos diferentes tipos de dragões e seus propósitos específicos, juntamente com rituais eficazes para invocar cada um. Existem dragões que governam cada um dos elementos – ar, fogo, água, terra, luz e escuridão. Existem dragões guardiões, bem como dragões para o caos.

Junto com cada propósito do dragão vem uma personalidade, com gostos e desgostos específicos que estão incluídos. Os tipos de especiarias e ervas que cada energia de dragão prefere estão listados. Os óleos, cores, pedras e horários dos eventos com os quais cada personalidade do dragão funciona melhor são fornecidos neste livro. Um “script de dragão” para escrita simbólica em uma linguagem de entrada é incluído até mesmo para interações efetivas.

Antigamente, os dragões eram retratados nas bordas dos mapas para denotar território desconhecido. A maioria aceitou, e voltou quando chegaram à borda. Depois, havia os poucos que foram compelidos por essa linha tênue e a curiosidade do que estava além. Eles não podiam deixar de se perguntar o que esses dragões estavam guardando. Eles queriam conhecer o desconhecido e tiveram fé para ir onde nunca estiveram antes. Felizmente, esses buscadores existiram ao longo do tempo, mapeando novos horizontes para o resto da humanidade. Estas são as almas que dançam com dragões.

***

Fonte:

Dragons: Mythical Partners in Power, by Lllewellyn.

https://www.llewellyn.com/journal/article/85

COPYRIGHT (2001) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/dragoes-parceiros-miticos-no-poder/

Arcano 2 – Sacerdotisa – Gimmel

Uma mulher sentada, com um livro aberto sobre a saia e uma coroa tripla na cabeça.

Olha para a esquerda e veste uma túnica vermelha sobre a qual se desdobra um manto azul (em algumas versões as cores são opostas). Duas partes da sua tiara estão ornadas de florões, mas a parte superior é uma simples abóbada. Um véu, que lhe cai sobre os ombros, cobre totalmente os seus cabelos; na mesma altura desse véu, por trás, aparece uma cortina cujos pontos de fixação não são visíveis. Tampouco se podem ver os pés da mulher, assim como a base do trono. Fato curioso, que é reencontrado somente no arcano XXI, é que a figura ultrapassa a margem superior do quadro: o extremo da tiara supera a linha negra, um pouco à direita do número II.

Significados simbólicos
A Sabedoria, a Gnose, a Casa de Deus e do homem, o santuário, a lei, a Cabala, a igreja oculta, a reflexão.

Fala também do binário, do princípio feminino, receptivo, materno.

Mistério. Intuição. Piedade. Paciência, influência saturnina passiva.

Interpretações usuais na cartomancia
Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas.

Mental: Grande riqueza de idéias. Responde a problemas concretos melhor do que a questões vagas.

Emocional: É amistosa, recebe bem. Mas não é afetuosa.

Físico: Situação garantida, poder sobre os acontecimentos, revelação de coisas ocultas, segurança de triunfo sobre o mal. Boa saúde, mas com um ritmo físico lento.

Sentido negativo: Dissimulação, hipocrisia, intenções secretas. Mesquinharia, inação, preguiça. beatice. Rancor, disposição hostil ou indiferença. Misticismo absorvente, fanático. Peso, passividade, carga. As intuições que traz invertem seu sentido e se tornam falsas. Atraso, lentidão nas realizações.

História e iconografia
A tradução exata do nome que o Tarô de Marselha dá a este arcano (La Papesse) é A Papisa. Outras versões, como A Sacerdotisa ou A Alta Sacerdotisa, vêm do nome que lhe é dado em inglês (The High Priestess).

A figura da Papisa faz alusão a um fato histórico, ou melhor, lendário, que ocupa um lugar notável na literatura da Idade Média: a pretensa existência de um Papa do sexo feminino. A tradição popular diz que uma mulher ocupou a cadeira de São Pedro durante alguns anos sob o nome de João VIII.

Várias versões aparecem, mas o mais antigo testemunho que chegou até nós é bastante posterior à data de seu suposto reinado.

De qualquer modo, para o estudo tradicional e iconográfico do Tarô, não importa estabelecer alguma fidelidade histórica. Embelezada com o correr do tempo, uma de suas versões combina admiravelmente com o simbolismo maternal que se atribui à estampa: segundo tal versão, a papisa teria ficado grávida de um dos seus familiares e, como não se recolheu à época do parto, o acontecimento teria se dado em plena rua, durante uma procissão entre a igreja de São Clemente e o palácio de Latrão.

Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Antigas tradições romanas asseguram que, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que podiam ser lidas de três maneiras diferentes (jogando com a inicial comum a Papa, Pedro, pai e parto).

Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.

Enquanto o Mágico não poderia permanecer em repouso (numa unidade andrógina onde tudo é impulso e estímulo), a Sacerdotisa é o próprio repouso: sentada, majestosa, receptiva, seu reino é binário, uma etapa na distinção da polaridade do universo. Se o binário equivale a conflito, no sentido de rompimento da unidade, de abandono do caos essencial onde não existem as magnitudes nem os nomes, é também a primeira etapa dolorosa e imprescindível das vias iniciáticas, o começo da busca da identidade.

A Sacerdotisa representa a submissão majestosa às exigências dessa iniciação, o equilíbrio que a repartição elementar de forcas produz no conflito.

O que o Arcano I era para a encarnação das energias espirituais o Arcano II o é quanto à aceitação dessa metamorfose: o reconhecimento prévio da luta entre os princípios branco-negro, dia-noite, Yang-Yin.

Alguns autores vêem na Sacerdotisa a representação de Isis, com todas as suas conotações noturnas e ocultas. Também a associam a Cassiopéia, a rainha negra da Etiópia e mãe da constelação Andrômeda, e a Belkis, a belíssima rainha de Sabá, para quem Salomão teria composto o Cântico dos Cânticos. Essa relação da Sacerdotisa com deusas e rainhas negras (ou escuras) não parece casual e acentua a contrapartida com a carta a seguir: o simbolismo branco, luminoso e diurno do Arcano III (A Imperatriz), com quem a Sacerdotisa forma a dupla oposta e complementar da feminilidade.

Este símbolo subterrâneo, que se refere ao aspecto esotérico da revelação, teria passado para o cristianismo sob a forma das virgens negras, cujo ritual se realiza com freqüência numa cripta ou num lugar inacessível.

Mãe, esposa celeste, senhora do saber esotérico, a Papisa ou Sacerdotisa ocupa na estrutura do Tarô o lugar da porta, da passagem entre o exterior e o interior, do ponto imóvel e comum entre a Casa e a rua.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

#Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-2-sacerdotisa-gimmel

A Theurgia Egípcia

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

A doutrina esotérica da Theurgia contém toda a sabedoria arcana dos antigos.

No passado distante foi preservado no seio das religiões esotéricas onde fragmentos esparsos do esqueleto mágico foram retidos.

Ao longo dos séculos foi sendo aperfeiçoada e sistematizada por vários sábios e eruditos de diversas nações que cultivaram essa Magia da Luz.

Historicamente a palavra Theurgia surgiu a partir de Jâmblico – místico e filósofo neoplatônico que viveu no século IV d.C.

Sua origem, no entanto, é bem anterior ao século IV, e remonta aos mistérios Egípcios e Babilônicos. No Egito era considerada uma arte sagrada inseparável de sua religião.

A Theurgia era domínio dos Hierofantes que a ministravam nos diversos Templos. Muitos filósofos gregos viajavam até o Egito para estudar a sabedoria oculta dos sacerdotes Egípcios.

No Egito era considerada um conhecimento secreto, acessível a poucos escolhidos, os estudantes tinham que passar por duras provas de iniciação antes de terem permissão para sua aprendizagem. Como sempre ocorre na vida espiritual do mundo antigo, no Egito a prática da Magia se encontrava misturada com a religião.

O distanciamento e a separação da Magia e religião começa a surgir nos primeiros séculos do cristianismo e se torna cada vez mais evidente com o surgimento das Ordens Iniciáticas que absorveram parte de seus ensinamentos.

O aspecto que mais chama a atenção da religião mágica dos egípcios é a sua relação com os deuses.

Em vez de rogarem ajuda aos deuses, colocando-se como inferior aos mesmos, os Magos Egípcios tentavam comandar os deuses para fazer os seus trabalhos e obriga-los a aparecer segundo os seus desejos.

No texto hermético conhecido como Poimandres encontramos:

Não, se queremos falar verdade sem medo, aquele que é de fato um homem está acima dos deuses do céu e, de qualquer modo, tem o mesmo poder.

A religião egípcia ao contrário do que pensa a maioria, era simultaneamente politeísta e monoteísta. O deus Ptah é o pai dos deuses e criador do mundo e, como visto acima, acreditavam na superioridade da humanidade sobre os deuses.

Em outra passagem de Poimandres está escrito:

Querendo que o homem seja simultaneamente uma coisa terrena e capaz de imortalidade, Deus criou em duas substâncias: a divina e a mortal; e nisso ele foi criado como ordenado pela vontade de Deus que refere que o homem não só é melhor do que todos os seres mortais, mas também melhor do que os deuses que são feitos somente de substância imortal.

Os textos herméticos, como Poimandres, tiveram sua origem no Egito, apesar de serem bem posteriores e se situarem entre os séculos III a.C e II d.C. sob o disfarce de uma revelação procedente de uma única fonte Hermes três vezes grande – a literatura hermética e a Kabalah, fornecem as bases doutrinárias para a prática da Theurgia no Ocidente.

A Kabalah é um tratado hebraico de antigos ensinamentos e comentários místicos sobre a Bíblia escrito originalmente no século XII.

Para o Mago Kabalista a maior prática mágica consiste no aperfeiçoamento humano – fazer o homem à imagem de Deus na terra.

Agrippa (erudito e mago do século XVII) dizia que a magia era a verdadeira estrada para comunhão com Deus, associando-a portanto ao misticismo.

A Theurgia egípcia alcançou um nível muito elevado nas primeiras dinastias dos reis – sacerdotes que governavam o Egito. Após isso, o poder terreno os seduziu e, como conseqüência, caiu a qualidade de sua Magia. Em 332 a.C Alexandre Magno conquistou o Egito retirando-o das mãos dos ocupantes persas e colocando sob domínio grego durante três séculos.

Neste período existiu uma fusão completa entre a Theurgia Grega e a Egípcia. A Theurgia Grega, ou Magia dos Deuses, era originalmente Egípcia. É a raiz da Alta Magia ocidental moderna. A atração que os filósofos gregos tinham pelos Hierofantes Egípcios não residia apenas na sua reputação de concretizarem coisas maravilhosas.

A filosofia ocultista Egípcia continha a mais profunda e sutil sabedoria acerca da natureza dos deuses e da humanidade, da estrutura do universo, da hierarquia dos reinos espirituais, do funcionamento da mente humana, técnicas médicas avançadas, tanto físicas como psicológicas, química, botânica, história antiga, astronomia e toda uma gama de outros assuntos.

O conhecimento egípcio exercia o mesmo fascínio sobre os gregos que o conhecimento clássico exerceu sobre os europeus durante o Renascimento – abriu toda uma nova perspectiva para o conhecimento.

As doutrinas esotéricas do Egito formaram o coração da escola filosófica Grega conhecida por neoplatonismo e que se baseava numa visão mágica do mundo.

Surge então os cultos de Mistérios sob o influxo do pensamento místico e mágico então reinante.

Nessa época (por volta do século III a.C.) as realizações intelectuais do racionalismo grego estavam sendo questionadas e cultos de Mistérios Órficos e de Elêusis eram tidos em alta reputação, mesmo entre filósofos como Platão e Aristóteles.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fra. Samekh-Ra, 261 U IX° O.T.O. Diretor Geral da Escola Arcana

 

Samekh-Ra, Publicado em A Lança de Seth, OUTONO DE 2004 E.V.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-theurgia-egipcia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-theurgia-egipcia/

Beethoven como Informação

Não é por acidente que Lenin não suportava ouvir a música de Beethoven (a música o fazia querer chorar e tratar as pessoas com gentileza, disse ele) nem que a música de Ludwig foi banida na China Comunista debaixo de Mao Tse Tung, nem que o maior teórico marxista da América, Herbert Marcuse, denunciou a Nona Sinfonia em particular como uma Grande Mentira, invali dada pela cultura que a valoriza, a cultura do Individualismo Ocidental.

Todos os Marxistas, basicamente, são reac ionários, ansiando pelo despotismo dos Orientais dos tempos pré-helênicos, a teoria neolítica que precedeu o surgimento da auto-consciência e do egoísmo. Beethoven, como o bardo do individual ista recalcitrante é o Joeiro da música: o herói, não apenas da Terceira Sinfonia, mas de todos os seus trabalhos, é também Odisseus esperto em estratagemas, de quem Zeus disse, Como, com uma mente como esta ele é quase como um de nós! Tais indi víduos não surgem em culturas pré-homéricas e não são suportados nas culturas marxistas: são distintamente e particularmente os herdeiro s da truculência Grega.

John Fowles afirmou, num contexto dramático, que eleutheria é a mais Grega de todas as palavras. Eleutheria significa liberdade, que era aquilo que a música de Beethoven nos falava o tempo todo. A liber dade artística, logicamente , é aquilo que compreendeu toda a vida de Beethoven, a luta constante para ir além de todos os limites da música e forjar um maior significado e maior complexi dade de visão do que o som jamais carreou consigo. Mas o artista, como Joyce dramaticamente demonstrou em Ulysses e Finnegan’s Wake, está lutando a batalha que todo ser humano deve lutar se não queremos recair na mais completa robotiz ação: a lutar para ver e ouvir com nossos próprios olhos e ouvidos, não através dos circuitos de condicionamento social. Beethoven é um homem, e luta, sobre, e tri unfa como um homem, mas fala por todos que estão em algum grau, consciente s de sua potencial individualidade.

Qualquer um que compreenda a minha música nunca mais ficará infeliz, foi o que dizem que Ludwig afirmou. Alguns biólogos duvidam sobre a origem desta citação; mas não importa. Se ele não disse, poderia; a sua música com certeza certamente afirma isto. É a música de um teimoso que está disposto a tudo sofrer, paga qualquer preço pedido, para alcançar visões orgânicas ma is elevadas que aquelas que existiam no mundo à sua frente.

Para ir direto ao assunto, o que estava no interior da cabeça de Beethoven era mais importante, a longo prazo, do que tudo que esta va acontecendo fora dela naqueles anos. Sua música prova isso; e é prec isamente isto que os marxistas não podem tolerar sobre ele: que um homem possa se achar tão impor tante e, pior, que el e possa demonstrar o porquê dele ser tão importante. J.W. N. Sullivan, um matemático e portanto, acostumado à precisão, definiu em uma única palavra a resposta que todos apresentamos a Ludw ig: reverência. Mas é uma reverência primariamente pela mente de Ludwig que podia conter tanto numa doce precisão, e então pela Mente em geral, da qua l ele era apenas um trans-receptor humano ou super-humano.

Maynard Solomon descreveu a estrutura beet hoviniana típica como uma combinação de movimento irresistível e tensão intolerável. Mas essa é exatamente a forma de toda a criatividade (poderia também descrever o orga smo e o parto); e é também a fórmula da Iluminação, que os Sufis nos garantem exis tir em três estágios; que qualquer ouvinte pode ouvir nas composições tardias de Beethoven:

1. Senhor, usai-me.

2. Senhor, usai-me mas não me quebreis.

3. Senhor, não me importo que me quebreis.

É grosseiro, logicamente, descrever a Quinta como uma meditação sobre o Destino; Ludwig começou ele próprio esta linha de interpretações, dizendo que o tema de abertura representa o Destino batendo à porta. Sullivan não estava exagerando quando disse que a resolução maior do tema é B eethoven pegando o destino pela garganta. Sullivan poderá estar ou não correto na su a posterior suposição de que o Destino representa principalmente a crescente surd ez de Beethoven e o Finale triunfante (tão amargamente alcançado) simboliza a sua descoberta de que ainda poderia compor, mesmo que não mais pudesse ouvir. É mais provável que a Quinta sumarize tudo que Beethoven conhecia sobre todas as suas lutas, incluindo, mas não limitadas, aos problemas sociais, medos artísticos, qua ndo sua surdez foi declarada incurável e progressiva; isto é talvez o porquê dela re fletir todas as nossas batalhas, todas que ganhamos e perdemos, e aquilo que aprendemos na vitória ou derrota.

Ninguém, talvez com a exceção de Shakespeare ou um maldito de um tolo iria produzir um tema em pentâmero iâmbico a partir da palavra nunca repetida cinco vezes; mas Shakespeare faz isto, e quando e onde o faz, pr oduz um dos seus efeitos trágicos mais poderosos. E ninguém além de Beethoven ou um maldito de um tolo, iria representar a unidade da tese e antítese (ou a Vontade Individual e o Destino Implacável) pela progressão do terceiro para o quarto Movime nto sem interpor a pausa tradicional; mas Beethoven faz isto, e faz funcionar. O gênio é a capacidade de conc eber o inconcebível, como quando Alekhine faz um cheque-mate no xadrez com um peão, enquanto que o seu oponente e presentes ficam se perguntando o que estariam planejando seus Cavalos ou a Rainha.

Existe um momento na litera tura que corresponde ao final da Quinta. É o clímax de Moby Dick quando Ahab finalmente percebe qu e era realmente Vontade de Deus que a baleia atacasse seus agressores e que ira igualmente a Vontade de Deus que ele não repousaria enquanto não enfrentasse a baleia novamente. Sou o Tenente do Destino, diz Ahab, e é precisamente isto que Beethoven apre ndeu em todas as suas lutas contra o Destino. Sou aquilo que foi, é e será, uma citação de uma oração egípcia, em hieróglifos, copiada de seu próprio punho, era mantida numa moldura em sua escrivaninha, onde compos seus últimos trabalhos. Talvez alguns místicos tenham alcançado níve is mais elevados de consciência do que Beethoven (talvez!), mas se assim for, não podemos saber isto. Alei ster Crowley certa vez espantou-me ao escrever que o artista é maior que o místico; um estranho comentário para um homem que foi ele própri o um artista medíocre (embora um grande místico). Ao ouvir Ludwig, cheguei a compree nder aquilo que Cromel queria dizer. O místico, a menos que ele ou ela sejam um artista, não pode comunicar os estados superiores de percepção alcançados pelo cérebro completamente sintonizado; mas o artista pode. Ouvindo Beethoven, compartilhamos em parte, de suas percepções expandidas e quanto mais ouvimos, mais compartilhamos. Finalmente, podemos acreditar na sua premissa: se alguém ouve aquela música de forma suficiente, nunca mais ficará infeliz.

E Ludwig? Terminou seus dias como um homem (relativamente) pobre, um velho roto; andando por Viena uivando e gritando nu ma voz desafinada enquanto construía internamente uma música que não conseguia ouv ir; esgueirando-se furtivamente para os bordéis porque, finalmente, havia aceitado que o Amor Romântico que ansiava, não fazia parte de seu Destino. Alguns de seus vi zinhos diziam que ele era louco. Mas o que estava ocorrendo em sua cabeça era a criação da Nona Sinfonia, da Missa Solemnis e dos Quartetos finais, a maior expressão ar tística em toda a história do roteiro do DNA desde a evolução da dança unicelular às lu tas e sofrimentos de organismos complexos, até a perspectiva extr aterrestre dos Imortais Cósmic os que gradualmente vamos nos tornando.

Justin Case (Robert Anton Wilson) Justin Case é um pseudônimo de Robert Anton Wilson. Tradução NoKhooja

Grato por compartillharem !

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/beethoven-como-informacao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/beethoven-como-informacao/

A Missa de Panielo

Com o advento do capitalismo e a preocupação crescente no acúmulo de bens & capital, o inconsciente coletivo da humanidade acabou por resgatar uma das imagens arquetípicas primordiais: Papai Noel.

Papai Noel, como atribuição arquetipica, é visto como um velhinho simpático, que deseja sempre o bem para os seus & retribui este bem, ou seja, as boas ações, com presentes. Deste arquétipo principal derivou-se uma egrégora universal, onde um Papai Noel mundial percorre todo o globo na noite de Natal (25 de dezembro no calendario juliano, data aceita como o dia do nascimento do deus sacrificado do catolicismo) distribuindo presentes para as crianças que se comportaram conforme os padrões morais-éticos estabelecidos na época.

Esta egrégora é alimentada pelos proprio beneficiários, ou seja, as crianças. Milhões de crianças, de varios credos, raças e idades (devido à globalização da economia) unem sua vontade numa grande evocação onde pedem, fervorosamente, que Papai Noel traga, na noite de Natal, o seu presente, a sua paga pelo bom comportamento no decorrer do ano.

Papai Noel, como egrégora, vem sido alimentado há algumas décadas. O ritual da Missa de Papai Noel (PANIELO) tem como objetivo utilizar a imagem de Papai Noel como foco mágico para a concentração da vontade e reflexo das necessidades do conjurador. Sendo assim, o ritual conjura a egrégora e apresenta o desejo que cada conjurador quer ver realizado. A energia dispendida no ritual é acumulada pela egrégora, transmutada e devolvida ao conjurador na forma de seu pedido realizado.

Preparação & Materiais

O ritual deve ser realizado em um ambiente fechado, aconchegante e familiar a todos os participantes. São preferíveis ambientes tipicamente burgueses, como a sala de uma casa de familia “respeitável”, que possua, preferencialmente, uma lareira.

Deve-se encontrar um “pinheiro” (normalmente o topo deste), que caiba dentro da sala. Este pinheiro deve ser enfeitado com bolas de cristal multicoloridas, mini-lâmpadas coloridas que piscam, pequenas imagens com motivos natalinos (i.e. embalagens imitando presentes, trenos, papai-noelzinhos, etc). Não é necessário restringir os bibelôs à arvore, sendo que toda a sala pode ser enfeitada, conforme a vontade dos participantes (mas sempre seguindo a linha de motivos natalinos). A lareira, se existir, deve ser enfeitada com um cuidado especial, e nela devem ser penduradas meias (uma para cada participante).

O enfeite da árvore é de suma importância, visto que serve como um ponto de referência ao Papai Noel, para que ele reconheça a casa onde espera-se sua visita.

Esta preparação material deve ser feita pelo menos uma semana antes da realização do ritual. A sala deve ser mantida, durante essa semana, limpa e em “ordem” (i.e. ordem simétrica). Todos os participantes devem estar presentes durante a preparação da árvore e da sala, e se mostrar dispostos a ajudar na preparação.

A egrégora atual de Papai Noel tem como imagem um homem idoso (70-80 anos), caucasiano, de cabelos brancos bem aparados, uma barba longa (que vai até o meio do peito) branca e plena, bem aparada e limpa. Seu rosto apresenta poucas rugas, sendo mais visíveis quando sorri. Dentes limpos, simétricos e brilhantes. Usa um óculos de aros redondos, de grau imperceptível. Apresenta-se como obeso (120-150 kg), mas de uma forma bem “distribuída” entre os membros do corpo. É ginecomasta e possui um abdômem proeminente. Veste-se com um tecido vermelho acetinado, com as bordas brancas. Calça e camisa compridas, com um grande macacão para proteção contra frio extremo, botas pretas fechadas até o tornozelo, luvas brancas finas e um cinto preto, com uma grande fivela dourada. Utiliza um gorro em forma de cone, do mesmo tecido da roupa, e uma bola de pêlos pende da ponta do cone. Vive em uma parte obscura do Pólo Norte, provavelmente no subterrâneo. Desloca-se com a ajuda de um grande trenó dourado, próprio para neve, puxado por seis renas “mágicas”, que têm a capacidade de voar. Papai Noel traz consigo um grande saco vermelho, onde carrega os presentes que vem entregar.

O ritual deve ser realizado durante a noite, preferencialmente à meia-noite do dia 24 de dezembro. Os conjuradores devem escolher um simbolo qualquer para representar seu pedido, podendo ser um sigilo ou qualquer outro símbolo que contenha a ideia do pedido.

No dia da conjuração os participantes devem se reunir pelo menos uma hora antes do inicio da evocação. Durante essa hora os participantes podem utilizar qualquer tipo de substância que aumente sua percepção ou leve a estados catabólicos. Neste ínterim deve-se refletir ou mesmo comentar com os colegas seu pedido ao Panielo (Papai Noel).


A Conjuração

Na hora marcada, os participantes devem se reunir ao redor da arvore e bradar, em voz alta e com extremo desprendimento, apontando com o símbolo de seu pedido para a árvore, esta conjuração:

Vem turbulento pela noite! Vem!

De PANIELO! Iô PANIELO!

Iô PANIELO! Iô PANIELO! Do mar de além

Vem do Pólo Norte! Vem!

Vem trazer meu presente! Vem!

Sem mais demora! Vem!

Cortando o céu em seu trenó! Vem!

Com as renas cavalgando as nuvens! Vem!

Trazendo meu presente! Vem!

Iô PANIELO! Iô PANIELO!

Com sua barba branca! Vem!

Vem trazer meu presente! Vem!

Eu fui um(a) bom(a) menino(a)! Vem!

Ó PANIELO! Iô PANIELO!

Iô PANIELO! Iô PANIELO! Iô PANIELO!

Deve seguir uma grande gargalhada como a de Papai Noel (Hô! Hô! Hô!). Durante toda a conjuração cada participante deve visualizar um grande trenó cruzando o globo, saindo do Pólo Norte e dirigindo-se para onde o grupo agora se encontra. Dentro do trenó, o conjurador deve visualizar Panielo e seu saco, contendo seu presente.

Logo após a gargalhada, faz-se alguns instantes de silêncio, onde reflete-se novamente sobre o pedido feito ao Panielo. Então cada um dos participantes (um de cada vez) brada, em voz alta, segurando no ar (sobre a cabeça) o símbolo do pedido, esta fórmula:

Sim, Panielo! Eu fui um(a) bom(a) menino(a)!

Traga meu presente que é [falar o pedido], sem mais demora!

Repete-se a gargalhada em coro e faz-se mais alguns instantes de silêncio. Logo após finaliza-se bradando estas palavras:

Está feito!

Panielo ouviu meu clamor!

Satisfez meu desejo!

Agora volte para o Polo Norte, Panielo!

Continuarei a ser um(a) bom(a) menino(a)!

Agora cada participante gargalha livremente, de preferência até a exaustão, com grande desprendimento e entrega.

Conclusão

Dependendo da vontade de cada um, segue-se à conjuração uma grande orgia, ou um grande festim, onde cada participante deve abandonar o simbolo de seu pedido e esquecer completamente o pedido em si.

Se todos os passos do ritual forem realizados com grande devoção e desprendimento, o pedido será realizado.

 

por Leghba Valys 418 em 19980427 e.v.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-de-panielo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-de-panielo/

Autopsicografia

Como eu havia dito anteriormente, o papa Marcos I, que também foi considerado um poeta, começou a compilar a lista de bispos e mártires que se ajustassem aos interesses da Igreja Roma. Ele permaneceu no cargo apenas nove meses até seu falecimento (é o que chamamos de “papa de transição”), sendo substituído pelo 35º papa, Júlio I.
Júlio I, assim como os primeiros “papas” oficializados por Constantino, era um tremendo fingidor. Finge que comemora o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro apenas para agradar às massas, pois a festa do Solis Invictus já era comemorada há pelo menos 500 anos nesta data (mas, através da “fé” acaba convencendo tão completamente as pessoas que até os dias de hoje tem gente acreditando mesmo que Jesus nasceu neste dia). Ele provavelmente gostou da idéia, pois é em seu comando que o primeiro calendário com as festas católicas começa a ser elaborado (e adivinhem se cada data “coincidentemente” não chega a cair exatamente sobre as festas pagãs?).
O próximo papa chama-se Libério. Depois de fingir que fazia parte de uma seita ariana durante alguns anos (Arianismo é considerado mais uma heresia, pode adicionar na nossa lista), Libério retorna a Roma e vira a casaca, passando a perseguí-los. Neste meio tempo, instauram um antipapa chamado Félix II (um antipapa é como um vilão dos quadrinhos… é alguém que também se intitula papa ao mesmo tempo que o outro cardeal e surge uma cisma. O vencedor da disputa acaba virando o papa e o perdedor conhece a dor dos hereges e excomungados).
São Damaso I assume o cargo em 366 DC. Neste ponto, Constantino estava no auge de seu poder, coordenando a “Reestruturação do cristianismo segundo as doutrinas de Roma” (leia-se causar muita dor em qualquer seguidor de Yeshua que não concorde em seguir o Jesus-Apolo de Constantino). Damaso é conhecido por coordenar a “tradução” da bíblia e compilação dos capítulos e trechos que interessavam deveras ao Pontifex Maximus (líder da religião pagã em Roma). Em 376, o Imperador Graziano recusa este título, entregando-o para o papa, que sente o acumular do poder sobre os cristãos e sobre os pagões ao mesmo tempo!!!
Em 384 entra São Sirício, que instituiu o celibato para padres, bispos e para os cardeais. A razão para isto é que quando um padre falecia, a Igreja precisava tomar conta de sua esposa e filhos e o papado não desejava abrir os cofres sagrados pagando pensões a viúvas e filhos. É importante lembrar que naquele período não existia “salário” para padres e pastores; todas as suas contas eram pagas pela igreja (mais ou menos como os pastores evangélicos fazem hoje em dia). Também foi responsável pela equipe de tradução que lêem e traduzem para o clero os textos que chegam das seitas devastadas.
Anastásio I ficou no poder de 399 DC a 401 DC e escreve uma bula exigindo que os sacerdotes ficassem de pé na missa durante a leitura dos evangelhos (exceto se isto lhes causasse dor ou desconforto durante a lida); Inocêncio I assume o papado em 401 DC para logo em seguida Roma ser saqueada pelos Visigodos. Zózimo I assume o papado após sua morte, em 417, continuando a guerra contra a heresia do Pelagianismo (o Pelagianismo é a doutrina que diz que as pessoas vão para o céu se forem boas pessoas, independentes de “aceitarem Jesus” ou não). Esta briga entre os que pregavam a “salvação pelos atos” versus os que pregavam a “salvação apenas através da Igreja católica” ainda duraria muitos e muitos anos. Bonifácio I, Celestino I e Sisto III sentem bem as discussões com os antipapas e com outros heréticos.
Leão I, o 45º papa, conhecido como “Magno”, não teve um papado fácil. Assumiu o trono entre 440 e 461 e neste período, Roma foi saqueada pelos hunos e pelos vândalos. Mas este foi um papa macho, mesmo com as duasinvasões que ele teve de passar. Há relatos que, quando Átila o huno estava causando no ocidente, o papa montou um exército e foi até Mântua para negociar um acordo de paz com o velho Átila… todos achavam que o papa seria trucidado, mas ele conseguiu!
Em 461 assume o papa Hilário I. Ele só estabeleceu que para ser sacerdote era necessário possuir uma profunda cultura e que pontífices e bispos não podiam designar seus sucessores. Hilarus era o deus pagão da alegria. Achei curioso o papa adotar um nome pagão, se todos os pagões são satanistas pelos próprios critérios da Igreja… o que nos demonstra que até aquele momento há uma tolerância em relação aos deuses romanos, que como veremos daqui a pouco, ficará cada vez menor.
Durante seu pontifado ocorre a Queda do Império Romano. Definitivamente a Igreja de Roma não achou isso muito hilariante. Em 483 assume Félix III (ou Félix II, dependendo se você vai contar o anti-papa Félix II ou não). Para quem ficou curioso, ao todo existiram 39 anti-papas reconhecidos.
Além de Felix II, aparecem outros cardeais desafiando o papado. Felix alega que eles não têm direito sobre a cadeira de Pedro. E assim, excomunhões de ambos os lados e muitos envenenamentos depois, Gelásio I assume a cadeira de Roma. No meio de anti-papas e hereges (em seu papado enfrentou o Maniqueísmo, Arianismo e pelagianismo), como primeiro ato, declara que a figura do papa não poderia mais ser julgada por ninguém. Isto estabelece as bases da famigerada “Infabilidade papal” ou em outras palavras: “eu estou certo e vocês vão parar nas calhas de roda” (o costume da fogueira ainda estava sendo absorvido dos celtas, que queimavam seus inimigos em grandes bonecos de palha chamados Wicker Man). Gelásio também absorveu a “Gira (festa) de São Valentin”, transformando os bacanais pagãos em algo mais palatável à moral e aos bons costumes, que chamamos hoje de “dia dos namorados” (comemorado dia 14 de fevereiro).
Anastácio I tentou converter os francos e aquele povo pacífico que morava no sul da França e cultuava a Madonna Negra. Foi o primeiro a considerar a imagem blasfema. Dante Aliguieri (um iniciado) o coloca no Inferno em seu poema “Divina Comédia” por isso.
Em 498, com o falecimento de Anastácio, dois papas começam a disputar o papado. Símaco e Lourenço possuíam igual poder político e as guerras escalaram para um estado tal de violência que decidiram chamar o rei Teodorico (que era pagão) para decidir quem deveria ser o papa. Isso é tão absurdo quanto hoje em dia chamar o Richard Dawkins para decidir quem deveria ser o papa em caso de empate.
Os dois papas foram chamados a entreter o rei com promessas e, no final do concílio, Teodorico decide que quem tinha o maior número de votos deveria ser o papa (ah… a razão!).
Nos anos seguintes, esse comboio de papas formados por Símaco (498-514), Hormisdas (514-523) e João I (523-526) enfrentou todo tipo de problemas com hereges, antipapas e cismas, especialmente a de Acácio, Patriarca de Constantinopla, que estava causando com a corda toda no Oriente.
A decisão mais importante que tiveram foi a de proibir a compra do cargo de bispo com donativos e favores, pelo fim da simonia e para tentar colocar um pouco de ordem na bagunça política do Vaticano.
Felix IV (ou III, dependendo da lista) durou pouco no papado. O 54º papa tinha uma vida mais promíscua que o Clube 54 e o rei Ostrogodo o manteve completamente isolado politicamente. Quando ele morreu, Bonifácio II (que “coincidentemente” foi o primeiro papa de origem Germânica) assumiu, sob as bênçãos do rei germânico. É o que se chama “papa do coração”! Por alguma estranha razão, o novo papa estava totalmente alinhado com os gostos do Imperador e, talvez por esta estranha coincidência, tenha durado bastante no trono.

——————————————————-

AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

#Poemas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autopsicografia

A Voz do Silêncio

Tradução de Carlos Cardoso Aveline

Prefácio de Helena Blavatsky

As páginas que se seguem têm como origem o Livro dos Preceitos de Ouro, uma das obras que são colocadas nas mãos dos estudantes místicos do Oriente. O conhecimento destas páginas é obrigatório naquela Escola cujos ensinamentos são aceitos por muitos teosofistas. Portanto, como conheço de memória muitos destes Preceitos, o trabalho de traduzi-los foi uma tarefa relativamente fácil para mim.

É bem sabido que, na Índia, os métodos de desenvolvimento psíquico diferem de acordo com os Gurus (professores ou mestres), não só porque eles pertencem a diferentes escolas de filosofia, das quais existem seis, mas também porque cada Guru tem o seu próprio sistema e o mantém em grande segredo. Porém do outro lado dos Himalaias o método das Escolas Esotéricas não difere, a menos que o Guru seja simplesmente um Lama, e tenha poucos conhecimentos mais do que aqueles a quem ensina.

A obra da qual eu traduzo o material aqui publicado faz parte da mesma série de que foram tiradas as “Estâncias” do Livro de Dzyan, e nas quais se baseia a Doutrina Secreta. Assim como a grande obra mística chamada Paramartha − que, segundo conta a lenda de Nagarjuna, foi dada ao grande Arhat pelos Nagas ou “Serpentes” (na verdade um termo usado para designar os antigos Iniciados) −, o Livro dos Preceitos de Ouro reivindica a mesma origem. No entanto, as suas máximas e suas ideias, embora sejam nobres e originais, são frequentemente encontradas sob diferentes formas em obras sânscritas como o Dnyaneshvari, aquele esplêndido tratado místico no qual Krishna descreve para Arjuna, em cores brilhantes, o estado de um Iogue plenamente iluminado; e também em certos Upanixades. Isto é bastante natural, já que a maior parte, se não a totalidade dos grandes Arhats − os primeiros seguidores de Gautama Buddha − eram hindus e arianos, não mongóis, especialmente os que emigraram para o Tibete. Só as obras deixadas por Aryasangha já são muito numerosas.

Os Preceitos originais estão gravados em finas folhas ou lâminas oblongas; as cópias são feitas, com muita frequência, em discos. Estes discos, ou chapas, são geralmente preservados nos altares dos templos que existem junto aos centros onde as Escolas chamadas de contemplativas, ou Mahayana (Yogacharya), estão estabelecidas. Os Preceitos são escritos de várias maneiras, às vezes em tibetano, e na maior parte dos casos em escrita ideográfica. A língua sacerdotal (Senzar), além de possuir o seu próprio alfabeto, também pode ser usada em vários tipos de escrita, em símbolos cifrados que parecem mais ideogramas do que sílabas. Outro método (lug, em tibetano) consiste em usar algarismos e cores, cada um dos quais corresponde a uma letra do alfabeto tibetano (trinta letras simples, e setenta e quatro letras compostas), formando-se assim um alfabeto criptográfico completo. Quando são usados os ideogramas, há um modo definido de ler o texto, porque, neste caso, os símbolos e sinais usados em astrologia − isto é, os doze animais do zodíaco e as sete cores primárias, cada uma delas com três tonalidades, a mais clara, a básica e a mais escura − correspondem às trinta e três letras do alfabeto simples, para as palavras e as frases. Por isso, neste método, os doze “animais”, repetidos cinco vezes e associados aos cinco elementos e às sete cores, formam um alfabeto inteiro, composto de sessenta letras sagradas e doze signos. Um sinal, colocado no início do texto, determina se o leitor deve formar as palavras do modo indiano, segundo o qual cada palavra é simplesmente uma adaptação do sânscrito, ou de acordo com o princípio chinês da leitura por ideogramas. A maneira mais fácil, no entanto, é a que permite ao leitor não usar nenhuma língua em especial, ou usar qualquer língua, já que os sinais e símbolos eram, assim como os números ou algarismos arábicos, propriedade comum e internacional dos místicos iniciados e os seus seguidores. A mesma peculiaridade é característica de um dos modos chineses de escrever, que pode ser lido com igual facilidade por qualquer um que esteja familiarizado com o símbolo: por exemplo, um japonês pode lê-lo em sua própria língua, assim como um chinês o lê com igual facilidade em seu idioma.

O Livro dos Preceitos de Ouro − alguns dos quais são pré-budistas enquanto outros pertencem a uma data posterior − contém cerca de noventa diferentes tratados pequenos. Destes, eu memorizei trinta e nove, alguns anos atrás. Para traduzir o resto, eu teria que recorrer a notas espalhadas por um número excessivamente grande de papéis e memorandos reunidos durante os últimos vinte anos e que nunca foram colocados em ordem, para que a tarefa se tornasse pelo menos um pouco mais fácil. Além disso, nem todos eles poderiam ser traduzidos para um mundo tão egoísta e tão apegado aos objetos dos sentidos que não está preparado, de modo algum, para receber do modo correto uma ética tão elevada. Porque, a menos que o homem persevere seriamente na busca do autoconhecimento, ele jamais ouvirá com boa vontade conselhos desta natureza.

E, no entanto, esta ética ocupa volumes e volumes da literatura oriental, especialmente nos Upanishads. “Mate o desejo de viver”, diz Krishna a Arjuna. Este desejo se concentra apenas no corpo, o veículo do eu materializado, e não no EU que é “eterno, indestrutível, que não mata nem pode ser morto” (Katopanishad). “Mate a sensação”, ensina o Sutta Nipata; “olhe do mesmo modo para o prazer e a dor, o ganho e a perda, a vitória e a derrota.” E ainda: “Busque refúgio apenas no Eterno” (ibid). “Destrua o sentido de separatividade”, repete Krishna de muitas maneiras diferentes. “A mente (Manas) que segue os sentidos oscilantes torna a alma (Buddhi) tão indefesa quanto o barco que o vento leva à deriva pelas águas.” (Bhagavad Gita, cap. II)

Portanto, foi considerado mais correto fazer apenas uma seleção sábia daqueles tratados que serão mais úteis para os poucos realmente místicos da Sociedade Teosófica, e que irão, certamente, atender às necessidades deles. Só eles serão capazes de apreciar estas palavras de Krishna-Cristos, o “Eu Superior”:

“Os sábios não se preocupam nem pelos vivos nem pelos mortos. Eu nunca deixei de existir, nem você, nem estes líderes dos homens. Nenhum de nós jamais deixará de existir.” (Bhagavad Gita, cap. II)

Nesta tradução, fiz o melhor que pude para preservar a beleza poética da linguagem simbólica que caracteriza o original. Cabe ao leitor avaliar até que ponto o esforço foi bem sucedido.

“H.P.B.”, 1889.

A VOZ DO SILÊNCIO

1. Estas instruções são para aqueles que ignoram os perigos dos IDDHI inferiores.

2. Aquele que pretende ouvir a voz de Nada , o “Som Sem Som”, e compreendê-la, deve aprender antes a natureza de Dharana.

3. Tendo se tornado indiferente aos objetos de percepção, o aluno deve buscar o Rajá dos sentidos, o Produtor do Pensamento, aquele que desperta a ilusão.

4. A Mente é o grande Assassino do Real.

5. O Discípulo deve matar o Assassino.

Porque −

6. Quando para ele mesmo a sua forma parecer irreal, como parecem irreais ao despertar as formas que ele vê em sonhos;

1 A palavra páli Iddhi é sinônimo do termo sânscrito Siddhi, e se refere às faculdades psíquicas, os poderes anormais no homem. Há dois tipos de Siddhis. Um grupo abrange as energias inferiores, grosseiras, psíquicas e mentais; o outro grupo exige o mais elevado treinamento dos poderes Espirituais. Krishna afirma no Shrimad Bhagavad [Bhagavad Gita]: “Aquele que se dedica à realização da Ioga, que controlou seus sentidos e concentrou sua mente em mim (Krishna) a tal Iogue todos os Siddhis estão prontos para servir.”

2 A “Voz Sem Som”, ou a “Voz do Silêncio”. Do ponto de vista literal, talvez a melhor tradução seja “A Voz no Som Espiritual”, já que Nada é a palavra equivalente, em sânscrito, de um termo em senzar.

3 Dharana é a intensa e perfeita concentração da mente sobre um objeto interior, acompanhada de completa abstração de tudo o que pertence ao Universo externo, ou ao mundo dos sentidos.

7. Quando ele tiver cessado de escutar os muitos, ele poderá discernir o UM − o som interno que
mata os sons externos.

8. Só então, e não antes disso, ele poderá abandonar a região de Asat, do falso, para vir até o reino de Sat, o verdadeiro.

9. Antes que a Alma possa ver, a Harmonia interior deve ser alcançada e os olhos físicos precisam ficar cegos para toda ilusão.

10. Antes que a Alma possa ouvir, a imagem (o homem) deve tornar-se surda tanto para rugidos como para sussurros, e tanto para o bramido dos elefantes quanto para o leve zumbido do vaga- lume dourado.

11. Antes que a Alma possa compreender e possa lembrar, ela deve estar unida ao Orador Silencioso, assim como a forma pela qual a argila é modelada se une, primeiro, à mente do oleiro.

12. Porque então a Alma irá escutar, e ela lembrará.

13. E então falará, ao ouvido interno – E ela dirá: A VOZ DO SILÊNCIO

14. Se tua Alma sorri enquanto se banha na luz do Sol da tua Vida; se tua Alma canta dentro da sua crisálida de carne e matéria; se tua Alma chora dentro do seu castelo de ilusão; se tua Alma luta para romper o cordão de prata que a liga ao MESTRE, então fica sabendo, ó Discípulo, que a tua Alma é da terra.

15. Quando diante do tumulto do mundo a tua Alma florescente se põe a escutar; quando tua Alma responde à voz ruidosa da Grande Ilusão; quando, assustada por ver as lágrimas quentes do sofrimento, ensurdecida pelos gritos de aflição, tua Alma se retira como a tímida tartaruga para dentro da carapaça do SEU PRÓPRIO INTERIOR, percebe, ó Discípulo, que tua alma não é um templo digno do Silencioso “Deus” dela própria.

16. Quando, tornando-se mais forte, a tua Alma sai do seu retiro seguro; e, rompendo com o santuário protetor, estende o seu fio de prata e se apressa para avançar; quando, olhando para sua própria imagem nas ondas do Espaço, ela murmura: “esta sou eu” − confessa, ó Discípulo, que tua Alma está presa pelas redes da ilusão.

17. Esta terra, Discípulo, é o Salão do Sofrimento, e nele, ao longo de um Caminho de duras provações, há armadilhas para fascinar o Eu através da ilusão chamada “Grande Heresia”.

18. Esta terra, ó Discípulo ignorante, é apenas a entrada sombria que leva à luz fraca existente antes do vale da verdadeira luz − aquela luz que nenhum vento pode apagar, a luz que queima sem uma mecha, e sem combustível.

19. Diz a Grande Lei: “Para que tu te tornes CONHECEDOR de TODO SER, tu tens primeiro que conhecer o SER”. Para alcançar o conhecimento daquele SER, tu deves desistir do Eu em função do Não-Eu, e desistir do ser em função do não-ser. Então poderás repousar entre as asas do GRANDE PÁSSARO. Sim, agradável é o repouso entre as asas daquilo que não nasce, nem morre, mas é o AUM, ao longo das eras da eternidade.

20. Cavalga o Pássaro da Vida, se quiseres ter conhecimento.

21. Renuncia à tua vida, se queres viver.

22. Três Salões, ó Peregrino exausto, conduzem ao final da fadiga. Três Salões, ó vencedor de Mara, te levarão através de três estados até o quarto , e dali até os sete Mundos, os mundos do Descanso Eterno.

23. Se queres aprender os nomes deles, então escuta com toda atenção e lembra.

24. O nome do primeiro Salão é IGNORÂNCIA − Avidya.

25. Este é o Salão em que tu viste a luz, em que tu vives e morrerás.

26. O nome do segundo Salão é Salão do APRENDIZADO. Nele a tua alma encontrará as flores da vida, mas sob cada flor haverá uma serpente enroscada.

27. O nome do terceiro Salão é SABEDORIA, além do qual se estendem as águas sem praia de AKSHARA, a indestrutível Fonte da Onisciência.

28. Se queres atravessar o primeiro Salão em segurança, não deixes que a tua mente confunda o fogo da luxúria, que arde ali, com a luz do sol da vida.

29. Se queres atravessar o segundo Salão em segurança, não pares para experimentar a fragrância fascinante das suas flores. Se queres libertar-te das correntes cármicas, não procures o Guru nestas regiões mayávicas.

30. Os SÁBIOS não se demoram nas regiões prazenteiras dos sentidos.

31. Os SÁBIOS não dão atenção às vozes encantadoras da ilusão.

32. Busca por aquele que te fará nascer no Salão da Sabedoria, o Salão que está mais além. Nele todas as sombras são desconhecidas, e a luz da verdade brilha com uma glória que jamais perde sua força.

33. Aquilo que nunca foi criado está presente em ti, Discípulo, assim como está presente naquele Salão. Se queres alcançá-lo e unir os dois, deves deixar de lado as tuas escuras vestimentas de ilusão. Endurece a voz da carne, não deixes que imagem alguma dos sentidos se ponha entre a sua luz e a tua, de modo que assim os dois possam tornar-se um. E, tendo compreendido a tua própria Ajnyana, foge do Salão do Aprendizado. Este Salão é perigoso em sua beleza pérfida. Ele só é necessário para a tua provação. Cuida, Lanu, para não ser fascinado e capturado por esta luz enganosa.

34. Esta luz brilha desde a joia do Grande Enganador (Mara). Ela domina os sentidos, cega a mente, e deixa o imprudente abandonado e destruído.

35. A mariposa atraída para a luz deslumbrante do teu lampião noturno está condenada a perecer no óleo viscoso. A alma imprudente que deixa de lutar contra o demônio da imitação e da ilusão, retornará à terra como escrava de Mara.

36. Observa as Hostes de Almas. Olha como elas pairam sobre o mar tempestuoso da vida humana, e como, exaustas, sangrando, com as asas quebradas, caem uma depois da outra nas ondas crescentes. Levadas por ventos terríveis, perseguidas pelo temporal, elas vão à deriva até os remoinhos, e desaparecem dentro do primeiro grande vórtice.

37. Se queres alcançar o Vale da Bem-Aventurança através do Salão da Sabedoria, Discípulo, fecha com força os teus sentidos contra a terrível heresia da Separatividade que te afasta do resto.

38. Não deixes que o teu “Nascido-no-Céu”, submerso no mar de Maya, rompa com a Fonte Universal (ALMA), mas faz com que o poder flamejante se retire até a câmara mais interna, a câmara do Coração, e moradia da Mãe do Mundo.

39. Então, desde o coração aquele Poder surgirá no sexto, a região do meio, o lugar entre os teus olhos, e se transformará no alento da ALMA UNA, a voz que tudo permeia, a voz do teu Mestre.

40. Só então tu podes tornar-te um “Caminhante do Céu”, que pisa os ventos sobre as ondas e cujo passo não toca as águas.

41. Antes de colocares o teu pé sobre o degrau superior da escada, na escala dos sons místicos, deves escutar de sete maneiras a voz do teu DEUS interior.

42. O primeiro som é como a voz doce do rouxinol cantando uma canção de despedida para sua companheira.

43. O segundo vem como o som de um címbalo prateado dos Dhyanis, acordando as estrelas cintilantes.

44. O próximo é como o lamento melodioso de um espírito do oceano, preso em sua concha.

45. E este é seguido pelo canto da Vina.

46. O quinto alcança o teu ouvido como o som agudo da flauta de bambu.

47. Ele muda em seguida para o toque de uma corneta.

48. O último vibra como o rolar distante e pesado de um trovão pela nuvem.

49. O sétimo engole todos os outros sons. Eles morrem, e então já não são ouvidos.

50. Quando os seis são destruídos e colocados aos pés do Mestre, então o discípulo se une ao UM, torna-se aquele UM e nele vive.

51. Antes de ingressar neste caminho, tu deves destruir o teu corpo lunar, limpar o teu corpo mental, e tornar puro o teu coração.

52. As águas puras da vida eterna, cristalinamente claras, não podem misturar-se às águas lamacentas da tempestade tropical.

53. A gota de orvalho do céu que brilha no meio da flor de lótus com o primeiro raio de sol da manhã, quando cai na terra se torna um pedaço de barro; olhe, a pérola agora é uma partícula de lama.

54. Luta contra teus pensamentos impuros antes que eles te dominem. Usa-os como eles te usarão, porque se os poupares e deixares que criem raízes e cresçam, deves saber que estes pensamentos te dominarão e te matarão. Tem cuidado, Discípulo, não deixes sequer que a sombra de tais pensamentos se aproxime. Porque a sombra crescerá, aumentará em tamanho e poder, e então esta coisa de escuridão absorverá o teu ser antes que tu tenhas percebido bem a presença do monstro preto e repugnante.

55. Antes que o “Poder místico” 33 possa fazer de ti um Deus, Lanu, tu deves ter desenvolvido a capacidade de destruir à vontade a tua forma lunar.

56. O Eu Material e o EU Espiritual nunca podem encontrar-se. Um dos gêmeos deve desaparecer; não há lugar para ambos.

57. Antes que a mente da tua Alma possa compreender, o casulo da personalidade deve ser esmagado; a lagarta dos sentidos deve ser destruída além da possibilidade de ressurreição.

58. Não podes trilhar o Caminho antes de te transformares no próprio Caminho.

59. Que tua Alma ouça cada grito de dor, assim como a flor de lótus se abre para beber o sol da manhã.

60. Não deixes que o sol ardente seque uma só lágrima de dor antes que tu a tenhas tirado do olho daquele que sofre.

61. Mas faz com que cada lágrima humana caia queimando no teu coração e lá permaneça; não a afastes jamais, antes que a dor que a causou tenha sido removida.

62. Estas lágrimas, ó ser de coração extremamente piedoso, estas são as correntes que irrigam os campos da compaixão imortal. É neste solo que nasce a flor da meia-noite de Buddha, mais difícil de encontrar e mais rara que a flor da árvore de Vogay. É a semente da libertação dos renascimentos. Ela isola o Arhat tanto do conflito como da luxúria, e o leva através dos campos do Ser até a paz e a bem-aventurança conhecida apenas na terra do Silêncio e do Não-Ser.

63. Mata o desejo; mas, se o matas, cuida para que ele não ressurja dos mortos outra vez.

64. Mata o amor à vida, mas, se matas Tanha, que isso não seja por uma sede de vida eterna, mas sim para substituir o que é passageiro pelo que é eterno.

65. Não desejes coisa alguma. Não te irrites com o Carma, nem com as leis imutáveis da Natureza. Mas luta apenas com o que é pessoal, com o transitório, o evanescente e o perecível.

66. Ajuda a Natureza e trabalha com ela; e a Natureza te verá como um dos seus criadores, e te obedecerá.

67. E ela abrirá diante de ti os portais das suas câmaras secretas, e revelará diante do teu olhar os tesouros ocultos nas profundezas do seu puro seio virgem. Jamais manchada pela mão da Matéria, ela mostra os seus tesouros apenas para o olho do espírito − o olho que jamais se fecha, a visão diante da qual não há um só véu, em todos os reinos da natureza.

68. Então ela te mostrará os meios e o caminho, o primeiro portão e o segundo, o terceiro, até o próprio sétimo portão. E, então, a meta; depois da qual estão, sob o sol do Espírito, glórias indizíveis que só o olho da Alma pode ver.

69. Há uma única estrada para o Caminho; só no seu final a Voz do Silêncio pode ser ouvida. A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de sofrimento e dor, e estes só podem ser silenciados pela voz da virtude. Ai de ti, portanto, discípulo, se houver um só vício que ainda não abandonaste; porque então a escada cederá e te derrubará. O pé desta escada se apoia na lama profunda dos teus pecados e falhas, e, antes que tu possas tentar atravessar este amplo abismo de matéria, tens que lavar os teus pés nas Águas da Renúncia. Cuida para não pôr um pé ainda sujo no primeiro degrau da escada. Ai daquele que ousa sujar um degrau com pés enlameados. O barro mau e pegajoso seca, se torna resistente, e então gruda os seus pés naquele ponto. E, assim como um pássaro preso pela isca do caçador astuto, ele fica impossibilitado de obter mais progresso. Os seus vícios tomam forma e o arrastam para baixo. Seus pecados erguem suas vozes como a risada e o soluço do chacal depois que o sol se pôs. Os seus pensamentos se tornam um exército e o levam para longe como um escravo e um prisioneiro.

70. Mata teus desejos, Lanu, torna teus vícios impotentes, antes que seja dado o primeiro passo da viagem solene.

71. Estrangula os teus pecados e torna-os mudos para sempre, antes de erguer um pé para subir pela escada.

72. Silencia os teus pensamentos e fixa toda tua atenção em teu Mestre, que ainda não vês, mas sentes.

73. Funde os teus sentidos em um só sentido, se queres estar seguro contra o inimigo. É por este sentido apenas – que está escondido dentro do vazio do teu cérebro – que o caminho íngreme até o teu Mestre pode ser revelado diante dos teus olhos turvos.

74. O caminho diante de ti é longo e cansativo, ó discípulo. Um só pensamento sobre o passado, que tu deixaste para trás, te arrastará para baixo e então terás que começar novamente a subir.

75. Mata em ti mesmo toda memória de experiências passadas. Não olhes para trás ou estarás perdido.

76. Não acredites que se possa jamais eliminar a luxúria gratificando-a ou saciando-a, porque esta ideia é uma abominação inspirada por Mara. É ao alimentar o vício que o vício se expande e se torna forte, como o verme que engorda às custas do coração de uma flor.

77. A rosa deve transformar-se novamente em botão, nascido do seu caule progenitor antes que o parasita comesse seu coração e bebesse o seu fluido vital.

78. A árvore dourada produz botões de joias antes que o seu tronco fique ressequido devido à tempestade.

79. O Aluno deve recuperar o estado infantil que ele perdeu, antes que o primeiro som possa chegar ao seu ouvido.

80. A luz vinda do MESTRE ÚNICO, a única luz dourada e imperecível do Espírito, lança seus raios brilhantes sobre o Discípulo desde o início. Os seus raios atravessam as nuvens densas e escuras de Matéria.

81. Aqui e ali, agora e mais adiante, estes raios iluminam a Matéria assim como os clarões da luz do sol iluminam a terra através da densa folhagem da floresta em crescimento. Mas, ó Discípulo, a menos que o corpo físico esteja imóvel, a mente calma, a Alma tão firme e tão pura como um diamante que brilha, a energia radiante não chegará à câmara, a sua luz solar não aquecerá o coração, nem os sons místicos das alturas do akasha alcançarão os ouvidos – por mais que eles estejam atentos – no estágio inicial.

82. A menos que tu escutes, não poderás ver.

83. A menos que tu vejas, não poderás escutar. Ouvir e ver é o segundo estágio.

84. Quando o Discípulo vê e ouve, e quando ele percebe o odor e o gosto com os olhos e ouvidos fechados e a boca e as narinas paralisadas, quando os quatro sentidos se combinam e estão prontos a passar para o quinto sentido, o sentido do tato interior − então ele passou para o quarto estágio.

85. E no quinto, ó matador dos teus pensamentos, todos eles têm de ser mortos de novo, além da possibilidade de serem reanimados.

86. Afasta a tua mente de todos os objetos externos, de todas as visões externas. Detém as imagens internas, para que elas não lancem uma nuvem escura sobre a luz da tua Alma.

87. Tu estás agora em DHARANA, o sexto estágio.

88. Quando tu tiveres passado para o sétimo, ó ser feliz, tu já não perceberás o Três sagrad, porque te terás transformado tu mesmo naquele Três. Tu mesmo e a mente, como gêmeos em uma linha; a estrela que é a tua meta brilha no alto.

Os Três que vivem na glória e na bem-aventurança inefável agora perderam seus nomes no Mundo de Maya. Eles se tornaram uma estrela, o fogo que brilha mas não queima, aquele fogo que é o Upadhi da Chama.

89. E isso, ó iogue bem sucedido, é o que os homens chamam de Dhyana, o legítimo precursor de Samadhi.

90. E agora o teu Eu está perdido no EU, tu mesmo estás em TI MESMO, unido a AQUELE EU do qual foste irradiado em primeiro lugar.

91. Onde está a tua individualidade, Lanu, onde está o Lanu, ele próprio? Ele é a faísca que se perdeu na chama, é a gota dentro do oceano, o raio sempre-presente que se transforma no Todo e na radiância eterna.

92. E agora, Lanu, tu és o autor e a testemunha, o radiador e a radiação, a Luz no Som, e o Som na Luz.

93. Tu conheces os cinco impedimentos, ó ser abençoado. Tu és o vencedor, o Mestre do sexto, transmissor dos quatro tipos de Verdade. A luz que cai sobre eles brilha a partir de ti, ó tu que foste um discípulo, mas agora és um Mestre.

Em relação a estes tipos de Verdade: −

94. Tu não passaste pelo conhecimento de toda aflição − a primeira verdade?

95. Não venceste o Rei dos Maras no Tsi, o portal de reunião − a segunda verdade?

96. Não destruíste o pecado no terceiro portão, atingindo a terceira verdade?

97. Não entraste no Tau, o “Caminho” que leva ao conhecimento, a quarta verdade?

98. Que descanses agora sob a árvore de Bodhi, a perfeição de todo conhecimento; porque tu deves saber que és o Mestre do SAMADHI − o estado em que há uma visão impecável.

99. Observa! Tu te tornaste a Luz, tu te tornaste o som, tu és o teu Mestre e o teu Deus. Tu és TU MESMO o objeto da tua busca: a Voz inquebrantável que ressoa através das eternidades, isenta de mudança, isenta de pecado, os Sete Sons em um,

A VOZ DO SILÊNCIO

100. Om Tat Sat.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-voz-do-silencio/

Além do Mito do Vampiro

“Tivemos um lampejo da realidade e enxergamos a verdade por trás do véu. Fechamos o círculo e redescrobimos o Demônio. Recuperamos nossa herança ancestral. Achamos aquilo a que concedemos tantos nomes – a fonte de nosso terror mortal. Descobrimos o inimigos… e somos nós.”

– Retirado do livro: Vampiro: A Máscara

Um dia desses, dentre uma visita e outra à sites de vampirismo, me peguei tentando definir, em resumo o que é vampiro. Pensei, indaguei, refleti e a única verdade que achei foi que, vampiro, em um sentido amplo, não pode ser definido assim, como numa palavra em um dicionário. O vampirismo tem várias correntes, vampiros têm vários sentidos, que vai muito além do mito do monstro de dentes grandes que suga o sangue das pessoas para saciar sua sede e torná-las morta-vivas. Podemos pensar em vampiros como monstros vagando pela noite, criaturas noturnas, presas a sua imortalidade não humana, mas querendo resgatar seus valores humanos, perdidos há tempos, na hora de sua morte. Monstros que se revelam malignos quando atacam suas vítimas, deixando que a bestialidade possua seu corpo e mente para logo depois seu remorso lhe avisar que a cada vítima, a cada toque cruel, a sua humanidade se esvai como o sangue que ele bebe. Seres que se mostram ainda humanos, quando choram por seus entes queridos, por lembranças que nunca mais serão realidade, por sonhos que agora foram transformados em trevas e sangue. Esse é o mito, que tanto fascina a humanidade há tempos, que é retratado e reverenciado pela mídia e seus espectadores. Esse é a personificação do mau humano, o que o homem tem a oferecer de ruim, o “canibalismo social” que há na sociedade, onde a concorrência e o sistema lhe engolem, caso você não siga a risca o que é mandado por eles. O mito vampiro é, a consciência do homem por todos seus atos vis contra ele mesmo, é o arrependimento, o remorso e ao mesmo tempo, a agressividade, a bestialidade que cada um tem dentro si, o lado animal e humano. Mas podemos olhar também os vampiros como uma filosofia, um modo de pensar e agir, um reflexo distorcido do ser humano. Nele estão incluídos, em síntese, os sentimentos que mais mexem com a mente humana, não só de hoje, mas de sempre. Ódio e amor, prazer e sofrimento, crueldade e bondade. O bem e o mal lutando entre si dentro de uma só pessoa, e a mesma tentando achar um equilíbrio racional para a aflição de sua alma. Pare um pouco e pense como um vampiro.. sinta o que ele sente. Pense em uma sede que faz seu corpo ferver, faz sua cabeça girar e girar cada vez mais rápido, um impulso animal que o toma e que só pode ser terminado se você se alimentar do sangue de um ser humano, alguém que possui os mesmos sentimentos seus, que ama, que é amado, que tem um passado e principalmente um futuro e que você vai acabar por causa da sua sede animal. Pare um pouco… Pense… Sinta… Agora que você o matou, pense na família dessa pessoa, seus filhos, sua mulher, eles não terão mais o conforto e a segurança de um pai e a culpa é sua. Você matou para se alimentar, passou por cima da sua razão e da sua humanidade para acalmar o ódio, a besta que está aí lhe consumindo . Remorso… Sinta… Agora vamos a outro exemplo, mais rápido, prático, real e cruel. Pense na concorrência absurda que está aí fora da sua casa. Estudo, emprego, dinheiro, dinheiro… Você passa por cima de pessoas para poder ter a sua vida confortavelmente, com sua família, com o seu dinheiro. Você que o bem para você e para o seu próximo, e o resto que se dane. Mas não é porque você quer, é por que tem algo, sempre foi assim, que lhe força a esmagar a sua concorrência, seja quem for e como for, para você ter o poder. Esse é o sistema, é a nossa sociedade. Pense… Agora compare os dois exemplos. Você vê a semelhança? Você vê a profundidade que o mito “vampiro” tem? Vê o nosso reflexo nele? Somos vampiros, sugamos do outro para nos “alimentar”. E lá no fundo da nossa consciência, as vezes nem tão fundo, está o nosso remorso por fazer isso, daí vem a nossa carência em exercer a nossa cidadania, em dar para quem precisa por estar com a consciência pesada, por saber que errou, mesmo não tendo uma culpa real, mesmo sendo manipulado, dominado pela besta, o sistema.

por Hurlon

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/alem-do-mito-do-vampiro/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/alem-do-mito-do-vampiro/

Full Metal Alchemist e a Kabbalah

FMA é um anime baseado em magia e alquimia. Como tal, a autora coloca em seus personagens principais as características de cada parte da Árvore da Vida. Veja a explicação de cada esfera abaixo (AVISO: contém pequenos spoilers):

– Malkuth – Amestris = O desenho do mapa de Amestris representa Malkuth, com as quatro divisões representando os quatro elementos. O nome do país remete a Hermes Trismesgistos.

– Yesod – Izumi Curtis = A mestra dos irmãos Elric, representando a sacerdotisa, o inicio da caminhada espiritual, a iniciação. Depois de muita insistência por parte dos irmãos Elric, Izumii decide treiná-los e lhes ensinar alquimia, mas primeiro os deixa sozinhos em uma ilha. (Os testes dos iniciados.)

– Hod – Winry Rockbell = A esfera de Hod por representar o intelecto e estar ligado à tecnologia, Winry expressa essa esfera, pela sua capacidade de aprender com facilidade e colocar em prática (esplendor) a tecnologia dos automails, que são a sua vida, tanto que quando ela chega em Rush Valley, fica encantada com a tecnologia dos automails e fica por um tempo ali para aprender mais.

– Netzach – Alphonse Elric = Calmo, bondoso e paciente, ele representa muito bem Netzach (um dos aspectos da esfera é a tolerância). Com seu comportamento amoroso e carinhoso, ele acaba se deixando levar emocionalmente durante o anime. Todos acham que ele é o Alquimista de Aço por causa da armadura, mas esse título pertence ao irmão dele, Edward, que conseguiu esse título após entrar para o exército.

– Tiphereth – Edward Elric = Mesmo sendo a história dos irmãos Elric, Edward se encaixa em Tiferet, por sempre assumir a responsabilidade de toda a situação que ele encontra (compaixão). Um exemplo disso é depois que eles fazem a transmutação humana, ele se sente responsável pela situação do Alphonse. No final do anime ele se sacrifica mais uma vez, ou seja, sacrifica seu conhecimento sobre alquimia para poder vencer o Homunculo do frasco. Outra parte interessante que pela minha visão se encaixa como “A Noite Negra da Alma”, é quando Edward vai desenterrar os ossos da transmutação humana que ele fez, pensando ser os ossos transmutados de sua mãe.

– Geburah – Roy Mustang = Ele é o estereótipo de Geburah, trabalha tanto com seus defeitos (pavio curto, impaciente) e com sua qualidade (sua ambição é chegar ao posto de Fuhrer – diligência), usa o elemento fogo.

– Chesed – Maes Huge = É o melhor amigo de Roy Mustang, e um pai exemplar. Ele se comprometeu em ajudar Roy a atingir o posto de Fuhrer, ficando logo atrás dele. Sempre trabalharam juntos, porém em postos distintos. Aqui podemos ver o trabalho das duas esferas entre si, a diligência de Geburah – Roy – Posto Fuhrer e Chesed – Maes – Pai Atencioso.

– Daath – Pequenino do Frasco = Tudo aquilo que temos que encarar e trabalhar em nós mesmos, nossos defeitos, representados pelos homunculos criados por ele, os tuneis e os imensos encanamentos que levam ao subterrâneo, ao interior da cidade. As nossas Oitavas Baixas estão representadas pelo Pequenino do Frasco.

– Binah – Scar = Revoltado pela dizimação de seu povo, começa a buscar vingança, e quer destruir a todos os envolvidos no massacre de Ishval, usando sua vingança como uma forma de justiça (pilar da severidade). Após se envolver mais com os outros personagens do anime, passa a usar a alquimia que aprendeu para a construção, para a vida. Aqui vemos o que o anime passa: “A alquimia consiste em três passos: compreensão, destruição e reestruturação”. Depois que Scar “compreende” o que a alquimia significa, ele deixa de “destruir” (o braço de seu irmão transplantado nele) e passa a “construir, reestruturar” (o outro braço coberto de tatuagens).

– Chokmah – Van Hohenheim = Uma figura masculina, barbada (Cabala Mística – Dion Fortune). Representa a Sabedoria, a força bruta que gera vida (no corpo dele contem metade das almas da população de Xerxes). Sábio e muito velho, teve tempo de conversar com todas as almas dentro de si, mais de 3000 almas.

– Kether – A Verdade = Um local branco, sem noção de espaço, tempo, apenas uma figura representa quem acessa essa esfera, com se fosse um negativo da pessoa/ser que a acessa. “Eu sou a existência que vocês chamam de ‘Mundo’. Sou o ‘Universo’. Sou ‘Deus’.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/full-metal-alchemist-e-a-kabbalah