Adiando o Orgasmo

O sexo tântrico é uma forma de adiar ao máximo o orgasmo, para obter prazer prolongado. Segundo os praticantes, este é um processo que vai elevar o nível do sexo, segurando o orgasmo cada vez mais. Toda a energia retida, quando liberada, será uma explosão nuclear. Adeptos à prática dizem ter conseguido até 24 horas de contato sexual ininterrupto.

O tempo de uma relação com sexo tântrico deixa as pessoas “comuns” de queixo caído, já que a média brasileira é de 15 minutos para se atingir o ápice. Para se iniciar na prática do prazer sem limites, não importa a idade nem as condições de saúde.

Quando se fala em sexo tântrico, a primeira coisa que vem à cabeça é a inevitável tortura de ficar horas e horas adiando o orgasmo. Não desista. Afinal, isso é só uma pequena parte de uma filosofia muito mais abrangente, que requer uma mudança profunda no modo de vida e no jeito de encarar o sexo.

Literalmente, “tantra” significa instrumento de expansão. É um processo que deve ocorrer nos planos mental, espiritual e físico. O objetivo é atingir a realização pessoal e espiritual. E o sexo entra aí como um ritual sagrado de troca de energia. Segundo o livro Sexo Tântrico – Como prolongar o prazer e atingir o êxtase espiritual, da médica inglesa Cassandra Lorius, a união sexual tântrica é um meio de alcançar o êxtase divino.

O primeiro passo para se iniciar no tantra é esquecer o relógio. Aborte a idéia de querer chegar logo na penetração. Beije, toque o corpo da(o) parceira(o), explore as zonas erógenas. Se não der certo da primeira vez, não se preocupe. Tente novamente. Para os adeptos do tantra, o sexo nunca chega ao fim.

As mulheres também são aconselhadas a segurar seus próprios líquidos, conhecidos no tantra como rajas. Uma técnica simples consiste em pressionar a língua fortemente contra o céu da boca pouco antes do orgasmo.

Da preparação do terreno ao orgasmo, conheça as etapas do sexo tântrico:

1º passo: preparar o ambiente

Esta primeira etapa é fundamental para que a circulação da energia aconteça. O casal pode tomar um banho e deixar a pele o mais natural possível. Acender um incenso antes de começarem limpa o ambiente. Prefira os de sândalo e canela. Coloque flores ou frutas e velas no local. Escolha uma música calma e sensual. Se tiver, espalhe cristais pelo quarto.

2º passo: despertar os sentidos

Eles devem estar aguçados para que a entrega seja total. Para isso, um dos parceiros venda o outro com um pedaço de seda. Os dois devem estar nus. Pouco a pouco quem está sem a venda passa vários odores perto do nariz do parceiro. Isso desperta o olfato. Depois pode-se oferecer alguns licores de sabores diferentes ou frutas para aguçar o paladar. Em seguida, deve-se tocar o corpo inteiro do outro. No final, tira-se a venda para que se olhem profundamente nos olhos. Assim, as sensações ficarão à flor da pele. Encerrem com um longo abraço que toque o corpo todo do outro.

3º passo: ativar o ponto de energia sexual

Agora é importante ativar a energia kundalini. Poderosa, ela fica escondida e adormecida no chackra básico ou seja, na região pélvica. Você e seu parceiro podem fazer juntos. Fiquem de pé, com os pés paralelos abertos mais ou menos na largura dos quadris. Mantenham a coluna reta e as mãos dadas. Flexionem os joelhos. Ao inspirar, mexam a pélvis para trás e quando expirarem coloquem a pélvis para frente. Não movimentem o corpo inteiro, apenas essa região. A penetração começa nesse momento. Olhem-se nos olhos durante o movimento.

4º passo: distribuir a energia

Agora vocês devem espalhar essa energia para todo o corpo. Colocando uma das mãos sobre o peito do outro, a a energia “sobe” para o chackra do coração. Vocês podem ficar na posição clássica do tantra com as pernas entrelaçadas, um de frente para o outro, sentados. Almofadas podem ser usadas para acomodar. Parem com o movimento dos quadris. Sintam a energia subindo. Passem as mãos nas costas do parceiro de baixo para cima para levar a energia dos genitais para o chackra frontal, na cabeça. Ao distribuir assim a energia, vocês estarão “imersos” por completo no ato sexual. Quando sentirem que é o momento, reiniciem os movimentos dos quadris para “bombar” mais energia. Mas mantenham sempre olhos nos olhos para a energia circular. Assim é possível atingir o objetivo do sexo tântrico que é o êxtase, o orgasmo cerebral. “É um patamar de orgasmo em que se pode ficar por horas a fio”, descreve o terapeuta Savian.

5ª passo: finalmente, o orgasmo

No tantra, o orgasmo é diferente. São picos de êxtase. cada vez que vocês chegarem mais perto do orgasmo, adiem um pouco, parem os movimentos e recomecem depois. Quando não aguentarem mais, os especialistas garantem: vocês terão o mais intenso e prolongado orgasmo da vida.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/adiando-o-orgasmo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/adiando-o-orgasmo/

O aspecto religioso dos Super-herois- Com Felipe Cazelli

Bate-Papo Mayhem #043 – Com Felipe Cazelli – Mito e Sagrado nas Historias em Quadrinhos – O aspecto religioso dos Super-herois

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/sIIt094ppKQ

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-aspecto-religioso-dos-super-herois-com-felipe-cazelli

As Forças das Trevas

Por Konstantinos

Acusar-me de ser obcecado pela escuridão. Vá em frente. Só lhe peço que use uma palavra mais forte, e lhe digo que não estou sozinho. Não, eu não estou me referindo aqui à legião da humanidade noturna que vê as coisas na mesma, aham, luz. Deixei claro o quanto estes adultos e crianças são queridos para mim, mas não é deles que eu falo.

Acontece que os cientistas também são muito pendurados na escuridão. Ah, sim, verdadeiros e respeitados cientistas. Na verdade, na última década, mais ou menos, o trabalho mais fascinante que vem sendo feito na Mecânica Quântica e na Cosmologia tem sido o estudo da matéria escura e da energia escura. A primeira é um tipo de matéria que é invisível, mas que se acredita ocupar até noventa e cinco por cento do universo conhecido. A segunda é uma energia que se acredita estar acelerando o crescimento do universo.

O que temos nestes conceitos deliciosamente denominados são os segredos do verdadeiro poder oculto, sendo finalmente compreendido pela comunidade científica aceita. Uma peça de cada vez, a ciência do oculto, ou oculto, está sendo encontrada e quantificada, mais frequentemente sob os fenômenos bizarros que abundam na Mecânica Quântica. É um grande momento para ser um estudante das artes negras.

Como a compreensão da matéria escura e da energia escura ajuda a alcançar o domínio sobre o mundo invisível? Como isso não acontece? Estamos lidando aqui com uma forma de matéria que toca a maior parte da criação, e um tipo de energia que comprovadamente acelera o processo contínuo de criação – a expansão contínua do universo a partir do Big Bang. Coisas poderosas, de fato.

Tão perto quanto os cientistas estão chegando de quantificar a escuridão que permeia tudo, eles não estão muito perto de aproveitar seu poder. Provavelmente teremos carros movidos a fusão antes que um microwatt de energia escura seja usado de qualquer forma em um laboratório, ou seja.

Você pode usar a matéria escura e a energia em seu benefício nesta mesma noite. O ocultista já tem as ferramentas necessárias para chamar e aplicar forças cósmicas, sejam elas escuras ou claras. Mais uma vez, eu escolho a escuridão. Ao lidar com coisas complicadas como, oh, alterar a realidade, é melhor ater-se ao que é mais confortável.

As ferramentas são bastante simples, na verdade: psicodrama e elos simpáticos. Esqueça os anos de treinamento de concentração. Esqueça os estudos nos calcanhares dos chamados mestres ascendidos, que estão mais interessados em ter um servo indistinto do que em passar a sabedoria. Domine a arte de usar o psicodrama e ligá-lo a uma força universal, e essa força universal está à sua disposição.

O psicodrama é o “vestir” em um ritual: velas, incenso, cânticos, símbolos místicos ou outros métodos preparatórios – o que for preciso para que você possa ativar a parte de sua mente que está em sintonia com a energia invisível do universo. Andamos no mundo desperto muito adormecidos. O psicodrama desperta as partes de nosso cérebro que podem fazer coisas mais surpreendentes do que digitar e fazer pedidos na Starbucks, por mais importantes que essas coisas possam ser.

O conceito de ligação simpática tem sido usado para aplicar a consciência elevada a algum objetivo útil. Os bonecos Voodoo permitem enviar energia ao caminho de alguém, com o boneco atuando como um elo de ligação com a pessoa. Mas é aqui que o ocultismo pode ser extra potente. E se, em vez de aplicarmos apenas o princípio da magia simpática a um objetivo ou objeto, o aplicássemos ao acesso a uma força poderosa? Para acessar a matéria escura que permeia toda a criação, e para ter o poder enérgico da energia escura à sua disposição, tudo o que você precisa é de algo que aja como um elo de simpatia com a escuridão.

Entre na noite doce. Saia e você pode quase sentir isso como um campo etérico. Este é o melhor elo de simpatia com a matéria escura e a energia que existe. Por que se preocupar com conceitos físicos como a velocidade da luz e tentar enviar sua magia a um ritmo tão intenso? A escuridão é mais rápida que a luz. Já está lá!

Os ritos escuros que apresento em Nocturnicon permitem acesso total às forças que podem ter afugentado os exploradores do invisível no passado. O mago da morte, os seres Lovecraftianos, os demônios úteis e o próprio Lúcifer esperam por vocês em suas páginas. O psicodrama está lá para criar mudanças surpreendentes no resto de suas noites.

Ao contrário das explorações obscuras da Bruxaria Noturna e do Grimório Gótico, a magia do Nocturnicon não depende de um sistema de crenças específico da deidade. Na verdade, estes rituais nem sequer mencionam ou utilizam um ser supremo. A única coisa em que você estará confiando é na habilidade divina latente em todos nós. Sendo feitos da mesma energia e matéria invisível que o cosmos, podemos acessá-la e manipulá-la.

Corajoso o suficiente para experimentá-la? Ninguém, que eu saiba, tem sido levado a gritar pelas forças que você vai chamar. Pelo menos, ninguém que tenha vivido para contar sobre isso…

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Fonte:

KONSTANTINOS. Dark Forces. The Llewellyn’s Journal, 2005. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/909>. Acesso em 8 de março de 2022.

COPYRIGHT (2005). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/as-forcas-das-trevas-2/

Um Exercício simples de Relaxamento

(Este exercício pode ser feito sozinho, em grupo ou ou com um parceiro. Comece deitando de costas. Não cruze braços ou pernas. Afrouxe qualquer roupa que estiver causando algum tipo de compressão.)

“A fim de conhecermos o relaxamento, em primeiro lugar, devemos experimentar a tensão. Vamos tensionar todos os músculos do corpo, um por um, e mantê-los tensos até relaxarmos todo o nosso corpo em uma só respiração. Não aperte os músculos para que não tenha cãibra, somente retese-os ligeiramente.

“Comece com os dedos do pé. Tensione os dedos do pé direito… e, agora, do pé esquerdo. Tensione o pé direito… e o pé esquerdo. O calcanhar direito… e o calcanhar esquerdo…

(Continue passando por todo o corpo, parte por parte. De vez em quando, relembre o grupo para que tensione quaisquer músculos que deixaram soltos.)

“Agora, tensione seu couro cabeludo. Todo seu corpo está tenso… sinta a tensão em cada parte. Tensione quaisquer músculos que estejam afrouxados. Agora, respire fundo… aspire… (pausa)… expire… e relaxe!

“Relaxe completamente. Você está completa e totalmente relaxado.” (Em tom de melopéia:) “Os dedos de sua mão estão relaxados e os dedos do seu pé estão relaxados. Suas mãos estão relaxados e seus pés estão relaxados. Seus pulsos estão relaxados e seus calcanhares estão relaxados.”

(E assim por diante, por todo o corpo. Periodicamente, pare e diga:)

“Você está completa e totalmente relaxado. Completa e totalmente relaxado. Seu corpo está leve; como se fosse água, como se estivesse desmanchando na terra.

“Permita-se ser levado e vagar tranqüilamente em seu estado de relaxamento. Se quaisquer preocupações e ansiedades perturbarem a sua paz, imagine-as escoando do seu corpo como água e fundindo-se à terra. Sinta-se sendo purificado e renovado.”

(Permaneça em estado de relaxamento profundo por uns 10 ou 15 minutos.É bom praticar esse exercício diariamente, até que seja capaz de relaxar completamente só pela razão de deitar-se e soltar-se, sem necessidade de passar por todo o processo. Pessoas que têm dificuldade para dormir verificarão a eficácia desse exercício. No entanto, não se permita adormecer. A sua mente está sendo treinada para ficar relaxada mas alerta. Posteriormente, você utilizará esse estado para trabalhos de transe, que é muito mais difícil se você não tem o hábito de permanecer acordado. Se você pratica à noite, antes de dormir, sente-se, abra os olhos, e, conscientemente, termine o exercício antes de dormir.)

#Exercícios

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-exerc%C3%ADcio-simples-de-relaxamento

À Luz da Gnose

Por Tau Malachi

Muitas pessoas escrevem e me perguntam o que eu penso dos acontecimentos do mundo de hoje e dos tempos em que vivemos e, especificamente, perguntam sobre a visão gnóstica dos acontecimentos mundiais e os ensinamentos do gnosticismo sobre a segunda vinda de Cristo; daí a visão que os gnósticos têm do Livro do Apocalipse. Se olharmos para as tradições sábias do mundo, descobriremos que muitos profetas e sábios falaram sobre os tempos em que vivemos – ambos indicando os grandes desafios de nosso tempo e a esperança espiritual que está neles. O mesmo se aplica ao gnosticismo cristão. Adeptos e mestres gnósticos falam destes tempos como uma encruzilhada para a humanidade, e talvez até algo como uma crise evolutiva para nossa espécie e nosso mundo.

Nas tradições orientais, estes tempos têm sido chamados de Kali Yuga, que significa “idade das trevas”, e observando os eventos que estão acontecendo no mundo e as tendências que estamos colocando em movimento por nossas reações, não podemos deixar de nos perguntar que tipo de futuro estamos invocando, nem se pode discutir exatamente com aqueles que sentem estes tempos como sombrios e perversos. Contudo, de uma perspectiva cristã gnóstica, na verdade, estes são tempos poderosos e preciosos nos quais estamos vivendo – como pode haver grande escuridão se movendo no mundo, assim também há um potencial para maior luz.

É bem verdade que muitas coisas parecem muito incertas quando entramos no século XXI, e pode bem haver um potencial de escuridão e horror muito maior do que testemunhamos no século passado, com duas grandes guerras mundiais e o uso da bomba atômica. Ao mesmo tempo, no entanto, existe igualmente o potencial de grande beleza e luz para emergir. No mundo material, segundo o gnosticismo, uma luz maior só se torna possível ao lado do movimento das grandes trevas, e o potencial para um bem maior é naturalmente o potencial para um mal maior. Se quisermos ter uma visão disto, de acordo com os gnósticos cristãos, tudo o que precisamos fazer é olhar para os tempos da revelação de Cristo há cerca de dois mil anos. Os tempos tumultuosos em torno dos acontecimentos do Evangelho e as trevas que se moviam no mundo eram completamente integrais à revelação divina – como era então, assim é agora.

Vivemos em tempos tumultuosos e incertos, mas estes são tempos poderosos e preciosos para estarmos vivos. Há um renascimento gnóstico em curso, à medida que mais e mais pessoas procuram as raízes espirituais e místicas mais profundas de sua própria tradição ocidental, e há um renascimento de interesse em todas as formas de espiritualidade interior e mística. No meio da escuridão atual, parece haver um impulso em direção a uma evolução ativa e consciente – um impulso buscando dar à luz uma Nova Consciência na humanidade e no mundo. Esta, em essência, é a visão cristã gnóstica do que está acontecendo hoje – é semelhante às dores de parto no processo de dar à luz a Consciência Cristo.

Quando perguntado o que os gnósticos acreditam sobre “o Juízo”, e se eu acredito que estamos entrando nos tempos do Juízo, em geral minha resposta é: “Sim, eu acredito”. Acredito que vivemos em um tempo no qual devemos escolher invocar e incorporar a verdade e a luz, e no qual devemos fazer julgamentos sábios para nosso futuro – um tempo no qual devemos lutar para incorporar uma Consciência Superior, e buscar uma nova orientação e motivação para a vida humana e a sociedade. O gnosticismo nos ensina que somos cocriadores da realidade que experimentamos. Em vez de viver com medo e reação, ou focalizar um cenário de desgraça e desgraça, o gnosticismo cristão propõe que devemos escolher responder conscientemente focalizando-nos em uma nova visão da humanidade e do mundo – uma visão revelada na experiência gnóstica do Cristo Ressuscitado.

Isto não significa sugerir que devemos fechar os olhos para a dor e o sofrimento no mundo, nem viver em negação do que está acontecendo, como se a escuridão e o mal, e todos os nossos problemas, desaparecessem por ignorá-los – não implica que coloquemos óculos cor de rosa e digamos: “Tudo está bem”. Ao contrário, está falando de um otimismo de olhos abertos e de uma resposta consciente. Em vez de viver em reação e ir junto com o rebanho inconscientemente, o gnosticismo propõe que nos tornemos agentes conscientes para um bem maior no mundo, em nome da vontade divina e do reino divino.

Talvez um dos maiores perigos que enfrentamos, o maior engano da condição não iluminada, é a ideia de que nós, como indivíduos, somos impotentes para fazer a diferença no mundo ou impotentes para provocar qualquer mudança real. Nada poderia estar mais longe da verdade! Se cedermos a isso, nos tornaremos parte do problema, ao invés da solução. Uma mudança maior só pode ser trazida por coletivos maiores de pessoas trabalhando juntas em harmonia, como um só coração e uma só mente, unidos em seu foco em um ideal nobre ou propósito superior. Entretanto, tais coletivos são formados por indivíduos e são fortalecidos pelos indivíduos que os compõem. A verdade é que o que cada um de nós escolhe fazer importa, e há um incrível poder de luz em cada ser humano – para o melhor ou para o pior, somos mestres de nosso próprio destino, de acordo com os ensinamentos do Cristianismo Gnóstico.

Isto reflete a compreensão gnóstica da segunda vinda, pois a primeira vinda, na pessoa de Jesus Cristo, é a revelação do potencial divino em nós, e a segunda vinda é a atualização e realização de nosso potencial divino – uma evolução para a Consciência Cristo. O Cristos não é algo isolado para Jesus no Cristianismo Gnóstico, mas é a verdade e a luz dentro de cada um de nós. Muito naturalmente, para que esta verdade e esta luz sejam realizadas e encarnadas em nós, devemos trabalhar ativamente para trazê-la de dentro de nós – esta é a mensagem do Gnosticismo.

Em meu livro, Gnose Viva, compartilho ensinamentos e práticas essenciais que qualquer um pode aprender e usar para a geração de uma Nova e Superior Consciência-práticas que podem trazer uma mudança radical em sua própria vida e no mundo ao seu redor. Contudo, aqui neste artigo, eu gostaria de compartilhar abertamente a essência mais íntima da espiritualidade cristã gnóstica.

A Teoria da Relatividade de Einstein se baseia em uma conclusão básica: que a luz é a constante subjacente ao universo material, sendo a velocidade da luz um movimento chave que não muda em todo o nosso universo. Ironicamente, a mesma ideia fundamental está no coração do gnosticismo cristão, assim como de outras tradições místicas ao redor do mundo – a metáfora mais comum para Cristo e Deus é “luz” e, em essência, o gnosticismo é uma espiritualidade “iluminista”, focalizando a invocação da Luz Divina através de várias formas de oração, mediação e ritual sagrado. Essencialmente, nós nos imaginamos trabalhando com a Luz, na Luz e como a Luz. De todas as maneiras possíveis, procuramos nos lembrar da presença da Luz (Cristo) e do poder da Luz (Espírito Santo) em nós, e permitir que a Luz Divina brilhe com, dentro e através de nós. É claro, você também pode fazer isso!

Ao despertar pela manhã, procure lembrar-se da Luz; ao longo do dia, aqui e ali, dedique tempo para lembrar e visualizar a Luz; antes de ir dormir à noite, lembre-se da Luz. A seguir, um exemplo de uma maneira simples de fazer isso, que é utilizada pelos iniciados gnósticos:

Tome um momento e concentre-se interiormente – imagine-se de pé em um pilar de brilho branco, brilhando com tons de luz do arco-íris, e imagine a imagem de um sol dourado em seu coração. Depois, imagine seu ambiente cheio de luz, e todos e tudo cheio de luz – tudo na Luz Divina. Se desejar, você poderia acrescentar o canto do nome Yeshua Messiah (hebraico para “Jesus Cristo”) a esta prática, mas a visualização e a intenção consciente de invocar a Luz Divina é suficiente. Embora muito simples, esta é uma prática espiritual extremamente profunda e poderosa, que pode trazer uma mudança radical em sua consciência – o que pode começar como um voo da fantasia pode abrir sua consciência para novas dimensões e a experiência da Consciência Superior.

Outro exemplo simples é o seguinte:

Quando você respira, imagine que está respirando luz; quando está comendo ou bebendo, imagine a substância do alimento e da bebida como luz. (Isto representa uma compreensão esotérica da Santa Eucaristia entre os gnósticos). De maneira semelhante, de todas as maneiras possíveis que você possa imaginar, tudo de acordo com o Espírito Criativo e Luminoso em você, lembre-se e imagine a si mesmo e aos outros na Luz e como a Luz – tudo na Luz Divina.

A sugestão desta prática espiritual essencial aparece na Bíblia? De fato, ela aparece! Talvez um dos dizeres mais famosos do Mestre Jesus sobre o tema da Luz, e certamente um de seus dizeres mais sugestivos desta prática, seja encontrado no Sermão da Montanha, seguindo sua enunciação das Bem-aventuranças:

“Vós sois a luz do mundo”. Uma cidade construída sobre uma colina não pode ser escondida. Ninguém depois de acender uma lâmpada a coloca debaixo de uma cesta de alqueire, mas em um candelabro, e ela dá luz a todos na casa. Da mesma forma, que vossa luz brilhe diante dos outros, para que possam ver vossas boas obras e dar glória a vosso Pai que está nos céus” (Evangelho de São Mateus 5:14-16).

Da mesma forma, no mesmo evangelho é registrado outro ditado de Jesus que pode ser tomado como uma alusão à prática de lembrar e visualizar a luz:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregando fardos pesados, e eu vos darei descanso”. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossa alma”. Pois meu jugo é fácil, e meu fardo é leve” (11:28-30).

Ditos semelhantes aparecem também em outros evangelhos, e são muito comuns nas Escrituras Gnósticas – se lermos sobre a transfiguração, ou sobre a ressurreição e ascensão, o que diremos de Cristo? O Cristo é Luz, Vida, Amor e Liberdade – o Espírito da Verdade que nos liberta! Como as práticas espirituais dadas na Gnose Viva, a prática de lembrar e visualizar a Luz Divina pode ser usada por qualquer pessoa, independentemente de estarem ou não inclinados ao Caminho Gnóstico – é essencial e universal a sabedoria espiritual encontrada no Gnosticismo, assim como em outras tradições místicas do mundo. Talvez, mais do que nunca, precisemos tirar proveito da sabedoria espiritual disponível para nós e integrar essa sabedoria em nossa vida diária, buscando encarnar o Espírito da Verdade. Embora, de fato, vivamos em tempos desafiadores, há um movimento crescente em direção à aurora de uma Nova e Superior Consciência entre nós; cada um de nós pode fazer a diferença se estivermos dispostos à vida espiritual e à prática, dispostos a cultivar nossa humanidade e a descobrir a divindade inata dentro dela. É simplesmente uma questão de lembrar e ser quem e o que somos mais verdadeiramente – filhos da Luz.

(As referências bíblicas usadas neste artigo são extraídas da versão da Bíblia Sagrada da NRS).

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Fonte:

MALACHI, Tau. In the Light of Gnosis. The Lllewellyn’s Journal, 2005. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/966>. Acesso em 9 de março de 2022.

COPYRIGHT (2005). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-luz-da-gnose/

A Dança dos Paradigmas

Peter J. Carroll, Liber Null

É impossível viver completamente fora de um paradigma. Até mesmo a magia do caos, que é tida como um metassistema, no fundo também é um “sistema de criar sistemas” (já que poderiam ser criados outros metassistemas além da proposta do caoísmo). Por isso, se você considerar como verdade que “nada é verdadeiro, tudo é permitido” em vez de encarar esse pensamento como mais um paradigma dentre muitas outras opções, ele também poderá aprisioná-lo.

É mais ou menos como os cegos diante do elefante: você pode dizer que cada crença ou paradigma toca uma parte do elefante e todas elas, de certa forma, estão certas, dentro de seu respectivo ponto de vista. Mas essa forma de pensar também é um paradigma e você pode correr o risco de considerar que só você está certo ao pensar assim, se tomar isso como verdade absoluta.

Peter Carroll nos diz que é um erro considerar qualquer crença como mais libertadora do que outra, mas isso também é uma crença. Você tem o direito de questionar o pensamento de que uma crença liberta mais que outra, contanto que não considere que essa sua crença liberta mais que as outras. É uma pegadinha, mas a magia do caos está cheia delas. O livro Principia Discordia descreve bem as contradições que permeiam pensamentos como esses. Mas na maior parte das vezes os caoístas vivem à vontade com contradições, principalmente se geram uma boa piada.

Os magistas do caos são extremamente pragmáticos e usam o que funciona. Eles se importam com os resultados, embora possa haver debates sobre o que os termos “funcionar” e “resultados” significam, pois eles dependem do objetivo de cada um.

Os caoístas são artistas, mas eles também possuem um espírito investigativo que flerta com a ciência. Eles gostam de realizar testes e anotar resultados. Em geral, eles não estão em busca da verdade, mas de sensações.

Em Liber Kaos, Peter Carroll nos diz:

“A crença é uma ferramenta para atingir qualquer coisa que se considere importante e prazeroso, e a sensação não tem outro propósito além da sensação”.

O objetivo de criar um sistema não seria simplesmente inventar algo belo e inteligente para ser apreciado, mas para ser sentido: “Como eu me sinto dentro desse sistema que criei? Ele me faz sentir bem? Ele me faz sentir mal? Eu prefiro sempre me sentir bem ou percebo que me sentir mal em certos momentos pode gerar amadurecimento? Então devo incluir sensações ruins no meu sistema? Quais outros resultados ele me traz no mundo mental e material?”

Ninguém nasce com uma mente em branco. Todos somos educados dentro dos sistemas vigentes na época e no lugar em que vivemos. Por exemplo, muitos de nós fomos criados para acreditar no secularismo e no materialismo. Por isso é tão difícil para a maior parte de nós acreditar que magia existe e que ela funciona.

Carroll nos diz em Liber Kaos:

“Muito da parafernália e teoria da magia, incluindo essa teoria, existe parcialmente para convencer o magista de que ele ou ela é um magista, e magia é possível num clima cultural que é fortemente antagonista a tais noções”

O velho rebelde se revoltava contra o paradigma judaico-cristão e se tornava um ateísta. E, de fato, existem muitas possibilidades dentro do paradigma ateísta que o paradigma judaico-cristão não possui. Talvez a questão principal seja enxergá-los pelo que são: paradigmas diferentes, com suas vantagens e desvantagens em vez de classificá-los numa hierarquia e vê-los como um melhor do que outro ou como a verdade. A questão é se perguntar: “O paradigma X é melhor para quê?”. Dependendo do que você quer fazer, dos resultados que busca, pode escolher um deles, depois abandoná-los ou alterná-los, como ferramentas.

O novo rebelde descobre que o paradigma do ateísmo pode ter lá suas utilidades, mas também possui suas limitações, como qualquer outro. Talvez ele esteja entediado e ache mais divertido viver num mundo com unicórnios e fadas do que num universo frio e cinzento. E principalmente se ele é jovem, talvez nem esteja pensando numa religião que lhe dê consolo na morte e na dor. Pode ser que ele deseje fazer experimentos como um cientista, ou queira imaginar como um artista, e para isso deseje testar outras realidades e outros mundos possíveis.

Sendo assim, o novo rebelde é aquele que estuda cabala, tarot, religiões indianas, chinesas, ocultismo ocidental, talvez até qualquer coisa da Nova Era e simplesmente acha que acreditar em Deuses e fadas na vida real é mais interessante do que apenas fingir que eles existem jogando videogames e vendo filmes, sempre sonhando com uma aventura imaginária. Ele pode realmente vivê-la e existem muitos paradigmas inteligentes e interessantes que lhe permitem aceitar essa possibilidade.

O ateísta pode argumentar que a pessoa está “fugindo” da realidade em todos esses paradigmas fantásticos, mas não é a arte também tanto uma fuga quanto uma realização? E que realidade é essa, afinal? Não permite diversas interpretações em vez de apenas uma? E mais de uma interpretação pode permitir que em vez de fugir conheçamos melhor o universo em que vivemos, sob diferentes pontos de vista, um complementando o outro e aprendendo com o outro. E paradigmas diferentes permitem que possamos atingir sensações e objetivos materiais diversos na prática. Isso jamais fica somente na imaginação. Ramsey Dukes diz em SSOTBME:

“É inútil perguntar a um magista se Deus, anjos ou demônios ‘realmente existem’. Simplesmente por dizer as palavras você os fez existir. Pergunte de novo se essas entidades abstratas podem produzir qualquer efeito no mundo físico e elas já fizeram: – elas fizeram você fazer perguntas”

O caoísta não está muito preocupado se Deus existe ou não, ou se ele/ela é monoteísta, panteísta ou politeísta. Ele pode ser um ateísta na segunda-feira, um budista na terça e um wiccano na quarta. Assim como teorias científicas, umas podem ser mais úteis que outras para objetivos diferentes, dependendo do paradigma em que foram criadas. Independente de se aceitar ou não que exista uma verdade, ela está aberta à interpretação. É verdade que eu estava usando um vestido vermelho e curto, mas quão vermelho e quão curto para que eu crie meu paradigma no qual nascerão meus comentários? É verdade que eu estou sentindo dor, mas eu fui criado para esconder minha dor e resistir a ela ou para mostrá-la abertamente em público e reclamar dela? Isso interfere na minha percepção objetiva da dor? E por que raios eu deveria envolver espíritos nessa discussão? Dukes explica:

“Senhor Dukes, por que nesse e em outros escritos você insiste em personificar problemas complexos como ‘demônios’ ou ‘espíritos’? Isso não é um retrocesso a superstições do passado? Isso depende se você acredita que o cérebro do homo sapiens foi desenvolvido para lidar com ferramentas ou relacionamentos sociais. Se você acredita que os processos mais complexos com os quais temos que lidar são nossos companheiros humanos, então um maior poder cerebral está disponível quando você os antropomorfiza”

Diz Peter Carroll em Liber Null:

“Ao buscar ideias que parecem bizarras, loucas, extremas, arbitrárias, contraditórias e nonsense, você irá descobrir que as ideias às quais você previamente se agarrava como razoáveis, sensíveis e humanitárias são na verdade tão bizarras, loucas e assim por diante”

“O intelecto é uma espada, e seu uso é para evitar identificações com qualquer fenômeno particular encontrado. As mentes mais poderosas se apoiam no menor número de princípios fixos. A única visão clara é a do topo da montanha de seus egos mortos”

Talvez a noção de que as coisas se encaixem e tenham um sentido (como na cabala e na magia tradicional em geral, fortemente influenciada pelo sistema judaico-cristão e pelo paganismo) pode ser útil, nem que seja como um jogo. Caso adotemos a perspectiva de que vivemos num mundo caótico e que é nossa mente que nos inclina a pensar que as coisas se encaixem (ou que as coisas tenham causa, como questiona Hume) também é possível fazer coisas divertidas com isso.

Mas esses dois são paradigmas. Pode ser que eu descubra uma teoria científica interessante num paradigma em que acho que as coisas se encaixam, e eu posso descobrir outra teoria ótima num paradigma em que elas não se encaixam. Ou, como costuma se dizer: onde havia ordem, encontrou-se caos; e onde havia caos, achou-se ordem.

Existem vantagens em se optar por permanecer um longo tempo num paradigma só (numa religião, num sistema de crença ateísta, etc) e tomá-lo como verdade. Uma dessas vantagens é que sua fé nesse sistema aumenta e você se torna muito bom em trabalhar nele. Quando você salta de um paradigma para outro não será tão habilidoso em cada um deles individualmente, mas você irá se acostumar a vestir diferentes peles e isso também possui lá suas vantagens, como ajudar a impedir que nosso pensamento se cristalize por muito tempo.

Você quer ser um cristal, uma flor ou uma batata? Fique à vontade para montar sua salada.

“Para aquele treinado por ‘Bob’, a Verdade pode ser encontrada numa batata” (O Livro do SubGenius).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-dan%C3%A7a-dos-paradigmas

Brincadeira do Copo: Falar Com os Mortos é Coisa de Criança

Lembro-me de uma noite, uns 15 anos atrás, quando o Clube de Caça do Morte Súbita Inc. depois dos afazeres diários, se reuniu na lanchonete atrás do IML, carinhosamente chamada de necroburguer pelos frequentadores assíduos, para encher a cara de cerveja e coca-cola servida em temperatura ambiente em copos de vidro com gelo até a boca.Naquela noite, durante a reunião “happy-hour” que acontecia noite sim noite não, um pessoal sentado na mesa ao lado da nossa entrou na conversa dizendo:

“Esse papo de loira do banheiro e jogo do copo podem ser besteira, mas assustavam a gente pra caralho quando a gente era pequeno né?”

Na verdade não falávamos nem de loira do banheiro, nem de jogo do copo, mas de algo que provavelmente assustaria pra caralho aqueles adultos da mesa ao lado. A reunião prosseguiu, encerramos o assunto de grimórios e evocações medievais, mas a intromissão da mesa vizinha ficou em minha mente. “É curioso como quando pequenos, a maioria das pessoas se mete com esse ‘pseudo-ocultismo’, sem se importar com o resultado. Parece que o medo serve mais de combustível do que de freio para elas”. Pensando nisto, e anos depois daquele incidente, resolvemos pesquisar as brincadeiras infantis mais sinistras e então ver o que as faz funcionar deixando o sobrenatural de lado. Não que o sobrenatural não exista, mas sim porque se cada vez que alguém evocasse um demônio, de fato um demônio aparecesse, o inferno viveria vazio. O que acontece então nessas brincadeiras que as fazem funcionar, mesmo quando os espíritos estão de férias?

Para muitas crianças, se reunir para assistir filmes de terror, contar histórias de fantasmas e desafiar colegas, depois de se chapar de xarope pra tosse e coca-cola misturada com colírio, para se meter em situações cabreiras é algo como um ritual de passagem. Mas não importa o quão assustadora seja a brincadeira sendo realizada, o que dá medo é perceber como um bando de crianças de 6 ou 7 anos, sem internet ou qualquer outro meio de comunicação semelhante, conheçam tão bem as brincadeiras e rituais. Isso já é um indicativo de que por mais absurdas que sejam essas brincadeiras, elas funcionam, se não funcionassem provavelmente não se difundiriam por tanto tempo. Vejamos uma das favoritas:

O Jogo do Copo

Quando falamos das brincadeiras que tirariam os fabricantes de purgante do mercado, o Jogo do Copo é a campeã no quesito maior cagaço; e aparentemente é a brincadeira assustadora mais velha do livro de brincadeiras assustadoras.

Tecnicamente acontece assim. Um bando de pré-adolescentes sem namorados ou namoradas se reune de noite e decidem falar com espíritos – principal motivo por não terem namorados ou namoradas. Alguém então pega um caderno, e escreve grandes letras de A a Z, números de 0 a 9 e duas palavras, SIM e NÃO. Enquanto isso outra pessoa corre para buscar um copo, de cristal, de preferência, e todo mundo senta em círculos. Apesar da brincadeira variar de lugar para lugar geralmente se rezam alguns Pai-Nosso e algumas Ave-Maria e talvez alguns Credo (creio em Deus Pai). Então todos colocam um dedo sobre o copo, que está de boca para baixo, no centro de um círculo forma pelas letras e números e alguém pergunta:

“Existe um espírito aqui?”

Quando o copo começar a se mexer saberão que sim. A etiqueta paranormal aparentemente diz que deve-se perguntar se o espírito é bom ou mal, e a partir dai seguem-se perguntas que são respondidas pelo copo que é impulsinado pelo espírito e vai em direção às letras formando palavras e datas. Depois que todas as perguntas forem respondidas, certifica-se que o espírito saiu do copo que em seguida é quebrado, sendo jogado o mais longe possível de suas casas.

Agora se de fato esta experiência não é patrocinada por espíritos como é que ela funciona?

Bem prepare-se para uma explicação tão assustadora quanto a a explicação de que espíritos e demônios de fato são chamados por crianças que entoam preces católicas e ficam dentro de copos respondendo verdades secretas.

Na verdade quando você faz o jogo do copo, você abre um canal de comunicação com algo invisível. Você está se comunicando com o subconsciente do seu cérebro.

Quem move o copo de encontro às letras e números são movimentos involuntários de seus músculos. Acredite ou não, esse fenômeno chega a ter um nome científico: Efeito Ideomotor.

Pegando a explicação do que é esse efeito e dando uma lavada e esfregada nela para nos livrar do palavrório sem sentido, terminamos com algo mais ou menos assim: o seu cérebro pode e vai fazer seus músculos se mexerem sem sua permissão porque, na maior parte do tempo seu corpo meio que já funciona em modo de piloto automático de qualquer forma; o problema é que você normalmente não presta atenção nisso. Já calhou de queimar uma luz na sua casa, e mesmo sabendo que aquele cômodo em espacial não tel luz, cada vez que entra nele fica inconscientemente apertando o interruptor na parede? Muito prazer, efeito Ideomotor.

Assim, sempre que o lider do bando faz uma pergunta para o espírito, sua mente já pensa em uma resposta, e seu dedo incoscientemente tenta arrastar o copo para as letras da resposta. Claro que como o jogo é feito com muitos dedos sobre o copo, a sensação de todos é que o copo se move sozinho.

É neste momento que todo mundo começa a dizer: eu não estou fazendo isso, é você? E todos começam a fazer Psiu!, e depois segue-se o silêncio sepulcral como todos tentando adivinhar qual palavra se formará enquanto o espírito parece ganhar força e o copo vai se movendo mais rápido. Claro que conforme as letras começam a fazer sentido, o subconsciente de todos começam a reconhecer a palavra e mais dedos emprestam mais firmeza e rapidez ao “espírito”.

Mas como dizer que é mesmo o subconciente e não um espírito?

A explicação do subconsciente começa a ficar estranha quando no meio da brincadeira começam a surgir nomes completos, datas de nascimento e morte, locais onde o espírito viveu, que são desconhecidos por todos.

Neste caso a Morte Súbita Inc. oferece um dos testes que criamos para determinar se há um espírito naquele copo de requeijão, ou se é apenas alguém empurrando ele de um lado para o outro sem perceber.

TESTE DE COMPROVAÇÃO DE ATIVIDADE PARANORMAL

Assim que realizar o ritual inicial da brincadeira, recortas as letras e números e os dispor em círculo, coloque o copo no centro do círculo, vende as pessoas. Faça com que elas façam suas rezas/orações e então mude as letras e números de lugar sem que elas saibam. Em teoria, caso haja um fantasma lá, ele vai ver a nova disposição das letras, mesmo que os participantes estejam vendados. Se o copo tentar formar palavras buscando as letras onde elas estavam antes de serem mudadas temos um cérebro operando com imagens de back-up.

Se mesmo com os participantes vendados o copo formar nomes e frases com letras embaralhadas, então é hora de você pegar o seu ateismo e preparar para enfiar ele no meio do seu ceticismo.

por Sr. Meias

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/brincadeira-do-copo-falar-com-os-mortos-e-coisa-de-crianca/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/brincadeira-do-copo-falar-com-os-mortos-e-coisa-de-crianca/

Vedanta

Vedanta é a tradição espiritual explicada nos Upanishads e que lida com os aspectos da auto-realização, onde procuramos entender a natureza da Realidade Última, chamada Brahman.

A tradução da palavra Vedanta é “o final de todo conhecimento”. No entanto, uma tradução mais profunda pode ser feita, tornando a palavra “conhecimento interior” (ou do Ser).

A tradição da Vedanta é baseada em leis espirituais imutáveis, comuns a todas as religiões ou tradições espirituais e tem como objetivo a conquista da Consciência Cósmica. É portanto, uma filosofia de cunho Universal ou universalista.

De forma mais didática podemos dizer que a palavra Vedanta é composta por duas outras, a saber:

veda = “conhecimento” + anta = “fim, conclusão”: “o ponto culminante do conhecimento”

veda = “conhecimento” + anta = “essência”, “núcleo”, ou ainda “interior”: “a essência dos Vedas” ou “ o conhecimento interior (esotérico)”.

A Vedanta também é conhecida como Uttara Mimamsa, ou a “última” ou “investigação elevada”.

Há também a filosofia conhecida como P?rva Mimamsa, geralmente chamada apenas de Mimamsa e que lida com explicações de sacrifícios e uso dos mantras na parte conhecida como Samhita dos Vedas e dos Brahmanas. Já a Vedanta lida com os ensinamentos esotéricos dos Aranyakas (“escritos da floresta”) e dos Upanishads, compostos aproximadamente entre 9 A.C. e 8 D.C.

A filosofia Vedanta foi formalizada por volta do 200 A.C. com o surgimento do tratado “Vedanta Sutra”, composto pelo grande Sábio Vyasa, também conhecido como Badarayana.

O texto é conhecido por vários outros nomes como “Brahma Sutra”, “Vyasa Sutra”, “Badarayana Sutra” e “Vedanta Darshana”.

Por causa de sua linguagem esotérica, várias interpretações diferentes surgiram com relação ao texto, dando origem a várias sub-escolas de pensamento, cada uma clamando por ser a interpretação correta do texto original. No entanto, todas as sub-escolas concordam em pontos comuns como, por exemplo, o abandono dos rituais secos em favor da prática da meditação, fundamentada no dharma e em um sentimento amoroso, que traz ao praticante a certeza da bem-aventurança vindoura no final do processo discriminativo.

Todas as sub-escolas derivam seus conhecimentos primariamente dos Upanishads.

O foco principal da filosofia contida nos Upanishads, de que a Realidade Última, chamada Brahman, é absoluta, imutável e sempre a mesma, é o núcleo da Vedanta.

Com o passar do tempo, muitos sábios interpretaram a sua maneira os Upanishads e o Vedanta Sutra, escrito pelo sábio Vyasa.

É importante salientar que essas interpretações eram pertinentes ao tempo e contexto em que os sábios viviam.

Dessas interpretações, podemos ressaltar seis como sendo as mais importantes e dessas seis, três como sendo as mais proeminetes: Advaita Vedanta, Vishishtadvaita and Dvaita.

Podemos dizer que a filosofia possui oito subescolas:

Advaita Vedanta

Vishishtadvaita

Dvaita

Dvait?dvaita

Shuddhadvaita

Achintya Bhed?bheda

Purnadvaita ou Advaita Integral

Vedanta Moderna

As seis primeiras são tradicionais e as duas últimas são mais recentes.

Advaita Vedanta.

Essa interpretação foi proposta pelo sábio Adi Shankara e seu Guru Gaudapada.

De acordo com essa escola de Vedanta, Brahman é a única realidade e o mundo, como ele nos aparece, é ilusório. Essa linha de pensamento deu origem ao conceito de Ajativada ou não-criação.

É pela ação de um poder ilusório de Brahman, chamado Maya, que o mundo surge.

Ela afirma que a causa de todo o sofrimento existente no mundo é o esquecimento, através da ignorância, da Realidade Última, Brahman. Sendo assim, apenas o conhecimento de Brahman pode nos trazer a liberação.

Essa filosofia nos explica que, quando tentamos compreender Brahman através da mente, ele (Brahman) aparece a nós como Ishvara (o Senhor, Deus no sentido de Criador, o Pai), separado da criação e dos indivíduos. No entanto, os proponentes da filosofia nos dizem que, em verdade, não há diferença entre a alma individual (muitas vezes chamada de Atman) e Brahman.

A emancipação ou liberação estaria no conhecimento dessa não-dualidade (advaita). Assim, o caminho final rumo à liberação só poderia ser conquistador através de Jñana ou sabedoria.

Vishishtadvaita

Essa subescola foi proposta pelo sábio Ramanuja e tem como principal ensinamento a idéia de que a alma individual, o Atman é uma parte de Brahman, ou a Alma Cósmica. Assim, mesmo sendo similares, ambas não são idênticas.

Enquanto a Advaita Vedanta nega qualquer tipo de atributo à Brahman, essa escola prega a existência de atributos em relação à Brahman, como por exemplo o conceito de almas individuais e o do mundo fenomênico.

Portanto, para a Vishishtadvaita, Brahman, as almas individuais e a material são coisas distintas.

Enquanto a Advaita Vedanta prega a Jñana Yoga como caminho para a liberação, essa escola propõe o caminho de Bhakti ou devoção a Deus como forma de liberação. Na maioria das vezes (mas não em todas, importante frisar) a devoção é direcionada ao segundo aspecto da trindade hindu, chamada Vishnu, e a seus avatares ou encarnações.

Dvaita

O pensamento Dvaita foi proposto por Madhva e relaciona Deus à Brahman e este a Vishnu, mais precisamente na figura de Krishna, que segundo a tradição, é a oitava encarnação de Vishnu.

Para o pensamento Dvaita, Brahman, todas as almas individuais (jivatman) e a matéria são ambos eternos e ao mesmo tempo entidades separadas.

Um aspecto muito interessante dessa filosofia é a negação da existência de Maya (no sentido de não-existência, ilusão), apesar de o próprio Krishna, no Baghavad Gita, pregar a existência dela.

Essa sub-escola também prega o caminho de Bhakti como sendo a senda para a liberação.

Ao contrário do que vemos na escola Advaita, aqui se sutenta que a diferença está na natureza da substância (composta pelos gunas). Por causa disso, muitos chamam essa escola de Tattvavâda.

Segundo essa sub-escola, existem cinco diferenças, a saber:

Entre Brahman e a alma individual

Enrte cada alma individual

Entre Brahman e a matéria (prakriti)

Entre a alma individual e a matéria

Entre os fenômenos materiais (matéria x matéria)

Outro aspecto importante dessa filosofia é a sua visão sobre o sistema de castas exposto nos Vedas.

Segundo o Dvaita, as castas não são determinadas pelo nascimento e sim pela tendência da alma.

Um brâmane pode nascer na casta dos párias e vice-versa.

Em verdade, o sistema de Varna ou castas é determinado pela natureza da alma, e não pelo nascimento.

Hoje o sistema se encontra deturpado e mantido apenas por questões discriminatórias.

Dvait?dvaita

Escola propostas pelo sábio Nimbarka, que viveu por volta do século 13 D.C.. Ele usou como base os ensinamentos de uma escola anterior chamada Bhed?bheda, que era ensinada pelo sábio Bh?skara.

Essa filosofia prega que a alma individual (jivatman) é, ao mesmo tempo, igual e diferente de Brahman.

Essa escola também vê em Krishna a personificação de Deus.

A Dvait?dvaita vê a alma individual como sendo naturalmente Consciência (jñana-svarupa), sendo apta a conhecer sem a ajuda dos sentidos corporais.

Como métodos para se atingir a liberação, a escola propõe quatro sadhanas ou disciplinas:

Karma- ação. – Quando feito conscientemente e com o espírito adequado, de acordo com seu contexto de vida, traz o conhecimento que conduz à salvação.

Vidya- conhecimento.

Upasana ou dhyana – meditação

Ela é de três tipos: A primeira é a meditação na igualdade entre Brahman e a alma individual (dos seres animados). O Segundo tipo é a meditação em Brahman como sendo o controlador interior de todos os objetos não sencientes. A terceira é a meditação em Brahman como sendo diferente dos seres animados e dos objetos inanimados.

Gurupasatti – Devoção e auto-entrega ao guru (mestre spiritual).

Shuddhadvaita

Shuddhadvaita foi proposta por Vallabha (1479-1531).

É um sistema que enfatiza a prática de Bhakti como o único meio para a libertação.

Vallabha pregava que esse mundo era um “passatempo” (leela) de Krishna e que ele (Krishna) é Sat-Chit-Ananda.

Achintya Bhed?bheda

Essa sub-escola foi proposta por Chaitanya Mahaprabhu (1486-1534).

Sua doutrina também prega devoção a Krishna e se baseia em uma tradição antiguíssima, que foi transmitida através de uma linhagem de gurus, cujo primeiro teria sido o próprio Krishna.

Purnadvaita ou Integral Advaita

Foi proposta por Sri Aurobindo, grande sábio do século XX.

Ele sintetizou todos os ensinamentos das escolas de Vedanta e nos forneceu uma compreensiva integração desses conceitos da filosofia oriental com a ciência moderna.

Vedanta moderna ou Neovedanta

Esse nome é dado a interpretação dada a Advaita Vedanta pelo renomado yogue Swami Vivekananda, discípulo de Sri Ramakrishna Paramahansa.

Sua interpretação nos diz:

Por mais que Brahman seja a Realidade Absoluta, o mundo possui uma realidade relativa. Sendo assim, o mundo não deve ser completamente ignorado.

Condições limitantes como a pobreza deve ser removida; somente assim as pessoas serão capazes de voltar à mente na busca e compreensão de Brahman.

Todas as religiões buscam o mesmo objetivo: A Realidade Absoluta. Logo, discussões sectárias devem ser abandonadas e a tolerância religiosa deve ser praticada – seja entre hindus de diferentes denominações, seja entre cristãos, muçulmanos, judeus ou budistas (dentre outras religiões).

Swami Vivekananda foi o primeiro yogue a vir para o ocidente. No ano de 1893 ele participou do Parlamento Mundial das Religiões, em Chicago, EUA.

Desde então se tornou figura de grande influência tanto no oriente como no ocidente.

Vivekananda nos mostrou que a Vedanta não era algo seco e meramente esotérico, mas sim algo vivo e presente em nosso dia-a-dia.

Em sua interpretação da Advaita Vedanta, aceitava o principio de Bhakti (devoção), recomendando primeiro a meditação em Brahman como sendo possuidor de atributos, seja na figura de um guru ou na personificação de sua deidade pessoal.

Só depois de longa prática e entendimento e que recomendava a meditação em Brahman sem atributos.

Swami Vivekananda ainda apresentou ao ocidente os diferentes caminhos, ou yogas (Jnana, Karma, Bhakti, Raja).

Texto de Dario Djouki

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vedanta

Caixa Enochiana

Frater Iustus (Robson Bélli)

 CONFORME REVELADO EM SONHO, PELO ANJO ARZL

Eu recebi esta caixa em resposta a minha incredulidade a respeito de uma coisa que eu via como uma caixinha de oração, contudo após receber fiz usos diversos desta caixa, pude perceber que a ideia havia sido recebida também por Vladimir G. da Silva, aluno do Frater Goya em 2012, e era na realidade uma manifestação legitima e real dos anjos enochianos, para nosso uso e bem estar dentro do sistema que ao meu ver, ainda esta sendo revelado!

Conforme meu sonho a caixa enochiana deve ser confeccionada da seguinte forma:

  • A caixa precisa ter, no mínimo, 04 lados (ao ser questionado se a caixa poderia ter 07 lados, o anjo respondeu que não.)
  • O lado de dentro da caixa deve ser pintado de dourado.
  • O lado de fora deve ser preto ou dourado (o anjo recomenda que a caixa seja feita de metal, mas, dependendo das condições financeiras, esta, pode ser foleada e que tendo ouro na caixa, mesmo que de baixo quilate, a caixa seria como se feita de cera de abelha [alusão ao Sigillum Dei Aemeth, de mesmo material]).
  • O verso do Sigillum Dei Aemeth deverá ser colocado no fundo externo da caixa.
  • O fundo interno da caixa precisa conter o Sigillum Dei Aemeth
  • Não é necessário mais do que 01 Sigillum Dei Aemeth na caixa.
  • Recite uma oração à sua escolha durante o processo de confecção da caixa. (quanto mais orar, mais poderosa se torna a caixa.)

Modo de usar

• Coloque a caixa finalizada, sobre o Sigillum Dei Aemeth principal sobre o altar (esta estará protegida das influências da terra)
• Faça uma oração à sua escolha, antes de iniciar o procedimento.
• Escreva o pedido, de forma objetiva e completa, sem partes obscuras, em um papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão.
• Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual.
• Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico.
• Recite as demais chamadas até um anjo que seja correspondente ao desejo escrito para aumentar a eficácia na realização.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/caixa-enochiana/

A Linha do Oriente na Umbanda

Texto de Edmundo Pellizari escrito para o Jornal de Umbanda Sagrada.

A Linha do Oriente é parte da he­rança da Umbanda brasileira. Ela é com­posta por inúmeras entidades, classi­ficadas em sete falanges e maiorita­riamente de origem oriental. Apesar dis­­so, muitos espíritos desta Linha po­dem apre­sentar-se como caboclos ou pretos velhos.

O Caboclo Timbirí (ca­bo­clo japo­nês) e Pai Jacó (Jacob do Ori­ente, um preto velho bastante ver­sado na Ca­bala Hebraica), são os casos mais co­nhe­cidos. Hoje em dia, ganha força o cul­to do Caboclo Pena de Pa­vão, enti­dade que trabalha com as for­ças espiri­tuais divinas de origem indiana.

Mas nem todos os espíritos são ori­entais no sentido comum da palavra. Es­ta Linha procurou abri­gar as mais di­ver­sas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora do bra­sileiro (índio, português e afri­cano).

A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradições bu­­­distas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a frequentar a Umbanda e trouxeram se­us ances­trais e costumes mágicos.

Antes destas datas, também era co­mum nesta Linha a presença dos que­ridos espíritos ciganos, que possuem ori­­­gem oriental. Mas tamanha foi a sim­patia do povo umbandista por estas en­­­tidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensi­na­mentos. Hoje a influência do Povo Ci­gano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.

Existem muitas maneiras de classi­ficar esta Linha e este pequeno artigo, não pretende colocar uma ordem na ma­neira dos umbandistas estudarem es­ta vertente de trabalho espiritual. Dei­xo a palavra final para os mais ve­lhos e sábios, desta belíssima e diver­sificada religião. Coloco aqui algumas instruções que colhi com adeptos e mé­diuns afinados com a Linha do Oriente.

Namaste e Salve o Oriente!

CARACTERÍSTICAS DA LINHA DO ORIENTE:

• Lugares preferidos para ofe­rendas: As entidades gostam de co­linas descampadas, praias desertas, jar­dins reservados (mas também rece­bem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos).

• Cores das velas: Rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

• Bebidas: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto.

• Tabaco: Fumo para ca­chimbo ou charuto. Tam­­bém utili­zam ci­gar­ro de cravo.

• Ervas e Flores: Alfa­zema, todas as flores que sejam bran­cas, palmas ama­relas, mon­senhor branco, monse­nhor amarelo.

• Essências: Alfazema, olíbano, ben­joim, mirra, sân­da­lo e tâmara.

• Pedras: Citrino, quart­zo rutilado, topá­zio im­perial (citrino tor­nado ama­relo por aque­ci­men­to) e topá­zio.

• Dia da semana recomen­dado para o culto e ofe­rendas semanais: Quinta-feira.

• Lua recomendada (para oferenda mensal): Se­gundo dia do quarto min­guante ou primeiro dia da Lua Cheia.

• Guias ou colares: Colar com cento e oito contas (108), sendo 54 brancas e 54 amarelas. Enfiar sequencialmente uma branca e uma amarela. Fechar com firma branca. As enti­dades india­nas também utilizam o rosá­rio de sân­dalo ou tulasi de 108 con­tas (japa ma­la). Algumas criam suas pró­prias guias, se­gundo o mis­tério que trabalham.

CLASSIFICAÇÃO DA LINHA DO ORIENTE:

Suas Falanges, Espíritos e Chefes:

01 – Falange dos Indianos:

Espíritos de antigos sacerdotes, mes­tres, yogues e etc. Um de seus mais conhecidos inte­gran­tes é Ramatis. Está sob a chefia de Pai Zartu.

02 – Falange dos Árabes e Turcos:

Espíritos de mouros, guerreiros nôma­des do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc… A maioria é mu­çulmana. Uma Legião está composta de rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam dentro da Umbanda a mis­teriosa Cabala. Está sob a chefia de Pai Jimbaruê.

03 – Falange dos Chineses, Mon­góis e outros Povos do Oriente:

Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curio­sa­men­te, uma Legião está in­te­grada por es­pí­ri­tos de origem esquimó, que tra­balham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia ne­gra. Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 – Falange dos Egípcios:

Espíritos de antigos sacerdotes, sacer­dotisas e magos de origem egípcia antiga. Sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 – Falange dos Maias, Toltecas,Astecas e Incas:

Espíritos de xamãs, chefes e guer­rei­ros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 – Falange dos Europeus:

Não são propriamente do Oriente, mas inte­gram esta Linha que é bas­tante sincrética. Espí­ri­­tos de sábios, ma­gos, mestres e velhos gue­rreiros de origem europeia: romanos, gau­leses, ingleses, es­can­dinavos, etc. Sob a che­fia do Impe­rador Marcus I.

07 – Falange dos Médicos e Sábios:

Os espíritos desta Falange são especiali­zados na arte da cura, que é integrada por médicos e tera­peutas de diversas origens. Sob a chefia de Pai José de Arimateia.

ALGUNS PONTOS CANTADOS E SUA MAGIA:

Aqui reproduzo alguns Pontos Can­tados, mas destaco a sua eficácia mân­trica e não somente invocatória. Ou seja, nesta Linha os Pontos podem ser usados como mantras com fina­lidades específicas, independente de servirem para chamar as entidades pa­ra o trabalho de caridade no Centro ou Terreiro. Neste caso, os Pontos de­vem ser acompanhados das res­pectivas oferendas (veja abaixo).

PONTO DO POVO HINDU:

• para afastar energias negativas diversas.

Oferenda: velas amarelas – 3, 5 ou 7, flores amarelas ou brancas e incenso de flores (rosa, verbena, etc…), coloca­dos dentro de uma estrela de seis pontas, hexagrama, traçada no chão com pemba amarela.

Ory já vem,

Já vem do oriente

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

PONTO DO POVO TURCO:

• para afastar os inimigos pessoais ou da religião umbandista.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7 e charutos fortes, dentro de uma estrela de cinco pontas, pentagrama, traçado no chão com pemba branca. Jamais ofereça bebida alcoólica a este Povo.

Tá fumando tanarim,

Tá tocando maracá.

Meus camaradas, ajudai-me a cantar,

Ai minha gente, flor de orirí

Ai minha gente, flor de orirí.

Em cima da pedra

Meu pai vai passear, orirí.

PONTO DO POVO ESQUIMÓ:

– para afastar os inimigos ocultos e destruir forças maléficas.

Oferenda: velas rosas – 3, 5 ou 7, pedacinhos de peixe defumado em um alguidar, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba rosa.

Salve o Polo Norte,

Onde tudo tudo é gelado,

Salve Povo Esquimó,

Que vem de Aruanda dar o recado.

Salve a Groenlândia,

Salve Povo Esquimó,

Que conhece a lei de Umbanda.

PONTO DO POVO GAULÊS:

• para as lutas e necessidades diárias.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7, cerveja branca ou vinho tinto, tudo dentro de uma cruz traçada no chão com pemba verde.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros gauleses.

Gauleses, Oh gauleses

São Miguel está chamando.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros de Umbanda,

Gauleses, Oh gauleses,

Vamos vencer demanda.

PONTO DO POVO ASTECA:

• para buscar a sabedoria espiritual.

Oferenda: nove velas alaranjadas, milho, fumo picado, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba branca.

Asteca vem, Asteca vai,

Nosso povo é valente,

Tomba, tomba e não cai…

(cantar nove vezes)

PONTO DO POVO CHINÊS:

• para proteção diante de situações muito graves.

Oferendas: sete velas vermelhas (é a cor preferida deste Povo), arroz cozido sem sal, vinho branco, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba vermelha.

Os caminhos estão fechados,

Foi meu povo quem fechou,

Saravá Buda e Confúcio,

Saravá meu Pai Xangô.

Saravá Povo Chinês,

Que trabalha direitinho,

Saravá lei de Quimbanda,

Saravá, eu fecho caminho.

Curioso Ponto Cantado do Caboclo Tim­birí – onde ele afirma sua origem japonesa.

ANTIGO PONTO DE TIMBIRÍ:

Marinheiro, marinheiro,

olha as costas do mar…

É o japonês, é o japonês !

Olha as costas do mar.

Que vem do Oriente!

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-linha-do-oriente-na-umbanda/