A cultura gótica

Alguém não é dito gótico por estar de preto da cabeça aos pés, ter infindável amor pela literatura gótica, “spleen”, regar suas noites em cemitérios ao vinho, ou por ser fanático pelo obnóxio Marilyn Manson; este alguém é gótico porque em seu âmago arde uma fria chama gótica. O goticismo está profundamente ligado à psique humana, às reações, ao modo de filtrar os fatos ao seu redor. Toda produção artística tenebrosa e qualquer outro aspecto ligado ao goticismo é apenas a expressão da visão e do pensamento, manifestação da essência, e não o oposto.

O goticismo não é um estado de “depressão”, “síndrome do pânico” ou qualquer outra doença; alguém que acha que é gótico porque ouve Manson, ou porque é depressivo, ou porque gosta de coisas obscuras, ou suas roupas preferidas são pretas, ou Lorde Byron é seu ídolo ou qualquer fator análogo a esses é um poser. Não devemos, nem podemos, julgar alguém por isso ou por aquilo, mas, sim, acabei de fazê-lo e não há retorno.

O gótico é uma alma corroída, um ser recluso, uma mente brilhante e tenebrosa, não alguém com um rosto amargo que incessantemente atira no esgoto de pobres mentes palavras sobre a morte, lascivas, ou clichês e outras meras “reflexões” superficiais que leu em algum lugar; goticismo é um modo de ver a vida, uma linha de pensamento, é refletir e apurar toda dor e todo riso, é olhar para si mesmo e perguntar-se o porque de cada coisa, é extrair sabedoria de onde as pessoas só extraem lágrimas, extrair das lágrimas força e consciência para não dobrar os joelhos perante toda agonia que a existência os traz e ainda assim resistir diante da consciência da sina universal. Todo pensamento extrato da essência gótica reflete a experiência pessoal de cada indivíduo e não uma generalização, de uma linha em um ponto [quanto aos pensamentos extratos, isso varia de pessoa a pessoa, por isso cada um tem sua própria visão do que é goticismo; porque ele é algo essencial e não imposto].

O gótico, em relação à sociedade, é mais dissimulado do que expressivo, principalmente quando tratamos do sofrimento consciente; o gótico é retraído e isso não quer dizer que ele não fala com ninguém, nunca ri ou sofre de algum tipo de timidez excessiva. O gótico é retraído porque ele esconde sua real natureza, ele é retraído e é tímido, porque não quer que ninguém o conheça, ele é retraído porque ele sabe que as outras pessoas não suportariam seu fardo: o sofrimento consciente, a agonia existencial, o angst – isto é – o conhecimento adquirido nas longas e frias noites regadas às lágrimas, em que todos estavam acamados em aconchegantes leitos e somente ele estava no escuro, calado e sentado na dura e fria pedra, pensando sobre a vida, o amor, a injustiça, o ódio e a morte [pode ser que um dia aquele serelepe ser que você sempre viu acompanhado de raios de sol se revele uma mente extremamente reflexiva, forte, consciente e mórbida]. Não estou falando de ser falso ou mentir, mas existem certas coisas que não devem ser mencionadas, principalmente quando não se está em meio a amigos e iguais.

Se o gótico acredita em Deus, ou Satã, ou Wicca ou Set, Lóki, Zeus? Ou se ele deve ser ateu e adverso a qualquer crença ou religião? Tudo é uma mera questão de consciência. Muitos “góticos” dizem que o gótico deve ser ateu, “se não é ateu não é gótico”, mas eles mesmos se contradizem ao dizer que o gótico é um pensador livre. Que tipo de pensador livre é este que tem seus alicerces manipulados e para ser enxertado num estereótipo deve abandonar seus pensamentos? Que tipo de gótico abandona sua consciência em nome de um estereótipo?! O gótico é uma mente livre, cabe a ele e como ele vê a vida a decisão de servir a Satã, a Deus, Gautama Buda ou qualquer outra nume ou divindade! Esses “góticos” criam inúmeras regras para o goticismo, todas refletem sua experiência pessoal e jamais regra geral; e apenas tolos e posers seguem-nas, pessoas de mente realmente fraca, e de certo modo irracionais. Se não é ateu, não é gótico?! Afirmamos, se segue regrinhas e estereótipos tolos e irracionais não é gótico!

Na realidade, os godos (góticos) foram os povos que mais rapidamente assimilaram o cristianismo a sua cultura; sabe-se que os góticos do século XVIII eram cristãos, por mais que alguns deles fizessem menção à Satã ou a Natureza, e a maior parte dos góticos de hoje em dia veio de lares cristãos, querendo ou não, o cristianismo exerce uma grande influência em sua mentalidade. Para mim, o cristianismo é a religião que mais se liga ao goticismo, sendo o sonho concreto de cada gótico, mas falo disso depois.

Quanto a só vestir preto, ouvir música gótica, e ser depressivo; tudo está ligado ao gosto, estilo e personalidade de cada um. Devemos ressaltar apenas que a cultura é um subproduto da mente, da essência gótica; um gótico real sabe ser prudente no que busca. Em outras palavras, poderíamos ditar a regra: “nada de perder tempo com coisas que não vão desenvolver seu pensamento, sua visão, seus modos, sua cultura”; mas não devemos fazê-lo, pois poderíamos esquecer de nossa essência gótica, convertendo assim o goticismo num mero conjunto de regras tolas e irracionais, apenas a fim de enxertar ou enxotar pessoas de uma “tribo urbana”, formada por mentes medíocres.

Todos os motivos pelos quais alguns góticos só vestem roupas pretas, escutam este ou aquele estilo de música, são depressivos, fumam aquela marca de cigarro, bebem vinho, fazem tatuagens, são bissexuais, são homofóbicos ou jogam rpg, são considerações pessoais e jamais devem ser vistos como regras e etc., em contra partida, se não há um motivo real, considerando o seu agrado como um, não é subproduto da essência e sim regra manipulada, e isso é ser poser…
Muitos góticos carregam horríveis cicatrizes, mas, e é aí que se encontra a ironia, são motivados a continuar a busca por algo, justamente por isso alguns externam seus sentimentos, externam marcos que devem ser memoráveis, marcos que os motivam, ou fazem tudo de modo a fugir da realidade, tudo para esquecer: fazem tatuagens, escrevem poesia, bebem vodka, ou só vestem preto…

Justamente pelos incontáveis e inimagináveis motivos que assombram a consciência de cada um, não podemos tratar ninguém com preconceito. Seja por sua religião, sexualidade, estilo de música favorito, ideologia ou qualquer outra fator. Que tipos de pensadores são os góticos que desprezam o pensamento e a consciência dos outros? Onde está o respeito pela “liberdade” [mesmo que pela liberdade de escolha de ser manipulado] pelos outros? E pela natureza de cada um? Que divirjamos, e toleremos, jamais defendamos, mas respeitemos!

O goticismo pode ser resumido em uma pequena frase: “é a essência reflexiva, consciente, trágica e mórbida que faz do gótico o real gótico” a subcultura gótica é formada pelas produções e expressões de góticos reais, sendo residual.

Quanto ao suicídio, o gótico que suicida, ao meu ver, se revela um fracassado; não foi capaz de resistir diante do negro da vida e sucumbiu ao seu outono. Esta vida jamais deve ser o mais importante, mas desfazer-se dela é desfazer-se de sua natureza gótica; suicidar é destruir a essência gótica.

A Origem do Movimento Gótico

Era o final dos anos Setenta, o cenário era extremo. De um lado encontrava-se a contestação ao sistema de extrema direita, feita pelos punks. Do outro lado uma cultura jovem alienada e psicodélica das discotecas. Neste conturbado período os jovens que procuravam pela arte e a cultura, estavam desfalcados e procurando por um espaço próprio de expressão de suas idéias. Este espaço começou a surgir com o aparecimento do estilo musical “coldwave” (onda fria, em inglês), era um som mais frio, gelado e apropriado para estes jovens que se reuniam em casas abandonadas, cemitérios para discutirem sobre cultura, realizarem saraus literários e apreciarem um bom vinho ou absinto.

O “coldwave” aos poucos começou a atrair músicos de outros estilos, algumas bandas originalmente punks e os chamados ultra-românticos, desse modo formando os primeiros Darks nos primórdios dos anos oitenta. Neste período a coldwave se espalhou pelo mundo, originando bandas como Siouxie and the Banshees, Bauhaus, Joy Division, The Cure, Xmal Deutschland, The Sisters of Mercy e tantos outros.

Na virada dos anos oitenta para noventa, os primeiros darks saíram de cena e abriram espaço para os góticos. Estes chegaram com um visual mais complexo e estiloso, buscando ainda mais por um refinamento musical e assumindo uma atitude de estilo de vida sombrio.

A cultura gótica sempre esteve ligada com a arte. Não importando qual fosse essa, música, poesia, pintura, escultura, e vem manifestando-se ora como um sentimento nostálgico, ora melancólico, ás vezes tenebroso e sempre celebrando um lado sombrio da vida e da arte. Você não se torna gótico, você nasce como um desde o primeiro dia de sua vida, encontrando a arte na escuridão.

Literatura Gótica

Na literatura o termo gótico se refere a uma forma peculiar de romance popular do século XVIII. Romances góticos continuaram a serem escritos no século XIX e reapareceram com maior intensidade no século XX. É também conhecida como a “literatura do pesadelo”.

Esse tipo de literatura emergiu como uma forma de romantismo, mas procurando mostrar o lado mais negro e obscuro do ser. A literatura gótica impõe o sentido do pavor, uma fusão entre o medo, dor e melancolia.

A literatura Gótica faz uma grande distinção entre o bem e o mal. São muito citados nos textos góticos a noite, o pessimismo, a loucura, os sonhos, as sombras, as quedas, o medo, a decomposição, a atração pelo abismo, sem se esquecer da principal a morte e a vida.

Podemos citar diversos autores, não só aqueles obvimente citados entre os autores góticos, como também aqueles mais classificados como romancistas, expressionistas, surrealistas, etc… Anne Rice, H.P Lovecraft, Álvares de Azevedo, Adous Huxley, George Orwell, Edgar Allan Poe, Lord Byron… são apenas alguns nomes da extensa lista de autores do estilo gótico.

Entre as obras mais famosas desse gênero podemos citar: Frankenstein (Mary Shellley),
As Flores do Mal, Drácula (Bram Stoker), A Rainhas dos Condenados e Entrevista com o Vampiro (Anne Rice), entre muitos outras.

No Brasil, a literatura gótica foi conhecida como Segunda Geração do Romantismo, ou Geração do Mal-do-Século. Podemos destacar nela, autores como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela, ambos influenciados por Lord Byron e Musset, chamada também de geração byroniana. Suas principais características, assim como a literatura gótica européia, era o egocentrismo, negativismo, pessimismo, dúvidas, desilusão adolescente e tédio constante. O tema preferido desses autores era a fuga da realidade, uma forma de manifesto e repúdio a sociedade da época e na exaltação da morte, outra forma de repúdio, mas através da liberdade que a morte traz em nos tirar desse mundo.

A Música Gótica

No final dos anos 70 e início dos anos 80, a raiva e a agressividde que incendiavam o movimento punk começam a ceder lugar a uma profunda depressão e um sentimento de insatisfação de um lado e falta de perspectiva do outro.

Na Inglaterra Margareth Tatcher assume o poder, triplica-se o desemprego e aumenta a inflação. Este é o cenário triste da chamada década perdida. Nas paradas musicais domina a pose e o “glamour” do pop inglês e da dance music com seus artistas poseurs e cintilantes.

Entretanto algo estava para acontecer em uma cidadezinha chamada Manchester, onde havia muita gente morando em subúrbios cinzentos recusando-se a enterrar o legado punk, e achando que aquele “pop poseur” tinha muito pouco a ver com a vida real na Inglaterra.

E é na mesma Manchester que surge o porta voz ideal destes angustiados de quarto, na figura de Ian Curtis, um dos primeiros a transformar toda essa melancolia e desilusão em música, através da sua banda Joy Division, que apesar da curta duração devido ao suicídio de Ian, seu vocalista, deixou como legado o rock mais melancólico e desesperado já feito, sendo uma das bandas mais representativas do movimento pós-punk, como ficou conhecido este substilo musical do rock, que apresentava elementos musicais do punk mas com uma dose de melancolia mais acentuada. E é dentro do pós-punk que encontramos as mais representativas bandas do chamado estilo gótico, que no Brasil também foi chamado de “dark”, devido a preferência por roupas pretas de seus adeptos.

É nos anos 80 que a morte será o tema mais recorrente nas canções, sendo igualmente comuns temas como melancolia, desespero, abandono, decepções amorosas e falta de perspectivas. Estes temas se fazem presentes nas músicas de um certo grupo suburbano de Crowley, Sussex, Inglaterra, chamado The Cure, cujo vocalista Robert Smith com seu jeito soluçante de cantar, cabelos desgrenhados e olhos pintados de preto, fez a “alegria” dos cultuadores de deprê em suas canções.

Entretanto a cristalização do gótico enquanto gênero esteve a cargo de um quarteto de Northampton (Inglaterra), que em seu primeiro single fala de um tal Bela Lugosi, famoso vampiro dos anos 30, e cujo vocalista Peter Murphy delirava pesadelos com sua voz soturna sob um baixo pesadão e efeitos macabros de guitarra, falando de temas como morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos. O nome do grupo, Bauhaus era uma referência a escola alemã de arquitetura que na década de 1930 teve suas portas fechadas pelos nazistas devido a ligações com o expressionismo alemão, considerado por Hitler uma “arte degenerada”.

A voz igualmente soturna de Andrew Eldritch foi o selo definitivo do movimento gótico, sendo seu grupo, “The Sister of Mercy” considerado, com toda razão,um dos maiores representantes do gênero, além de possuirem até hoje uma influência marcante em tudo que diga respeito ao estilo. Dois ex-membros do SOM formaram ainda um outro grupo seminal do gótico em 1985, “The Mission”.

Não se pode também esquecer as musas, pra ser mais exata duas musas, madrinhas, divas e rainhas máximas do gótico: Siouxsie Sioux e Anja Howe.

Comecemos por Siouxsie, com seu estilo misto de diva dos anos 20 e de prostituta nos seus belos olhos extremamente maquiados. Siouxsie e seus banshees eram majestades únicas do reinado gótico. Guitarras distorcidas, batida tribal, harmonias fluidas e climas mórbidos se traduziam em pérolas como “A Kiss in the Dreamhouse”, “Kaleidoscope” e “Nocturne”. Siouxsie também foi uma das primeiras cantoras a liderar uma banda “mais pesada”. Nascidos no movimento punk,”Siouxsie & The Banshees” souberam fazer a perfeita transição para o gótico, sendo um dos precursores do estilo.

Quanto a sua majestade loira, Anja Howe, a vocalista da banda underground alemã “X-Mal Deutschland”, pode ser considerada pioneira do estilo gótico na terra de Goethe, com sua voz inconfundível, acompanhada de guitarras e baixo linha serra elétrica. Eram também comuns na banda o uso de recursos eletrônicos, criando sons viajantes que mesclados ao vocal sedutor criavam texturas delirantes num perfeito clímax lírico-depressivo, levando os “mortos vivos” à loucura através de obras primas como “Incubus Succubus”,”Tocsin” e a maravilhosa “Matador”.

Seria ainda uma grande injustiça da minha parte deixar de citar outras bandas igualmente seminais do estilo gothic e do darkwave como Clan of Xymox, Mission, Opera Multi Steel, Poesie Noire, Cult, Switchblade Symphony, Love is Colder than Death…bem são tantas que fica até difícil citar todas, em mais uma prova do quanto o estilo é prolífico.

No finalzinho da segunda metade da década de 1980 porém, o clima começa a tornar-se inóspito para morcegões e afiliados, e o estilo gótico começa a entrar em decadência, significando o fim de muitos grupos que consagraram o gênero, deixando orfãos e famintos de sangue muitos “nosferatus”, e fazendo as noites enevoadas de Londres perder muito de seu charme.

Por Beatrix Algrave

Gothic Metal

Quem disse que o gótico morreu no final da década de 80 estava muito enganado. Aqui está o gothic metal para provar o contrário.

Como uma fênix nascida das cinzas de um estilo praticamente acabado, a música gótica ganhou peso e uma nova roupagem, mas sem deixar de lado a melancolia e obscuridade que caracterizavam o estilo.

Na década de 90, várias bandas começam a fazer um som mais voltado para o lado do peso, mas ao mesmo tempo sem deixar de lado a raiz negra que caracterizava o estilo anos atrás. A melancolia, a depressão, a angústia, o clima mórbido das canções, tudo estava lá, ainda mais completo, contando com elementos da música clássica, tudo isso sem esquecer dos contrastes dos vocais líricos e os guturais.

Aliado a novos fatores agora a música gótica, em sua versão século XXI, vem acompanhada de outros estilos que completam ainda mais a sonoridade de cada banda. Podendo ser misturada ao black metal, ao death metal, ao power metal, a música gótica atual deixou de ser apenas um filho bastardo do movimento punk para ganhar seu próprio espaço dentro da música.

Uma das principais inovações do gothic metal é o famoso metal “Bela e a Fera”, que é uma característica muito comum na maioria das bandas góticas. Representando a ambivalência presente nesse estilo, é o mais perfeito contraste entre os doces e belos vocais líricos e dos nervosos vocais guturais.

After Forever, Within Temptation, Tristania, The Sins of Thy Beloved, Theatre of Tragedy, Sirenia, Epica, etc. são apenas algumas das diversas bandas que possuem os vocais “bela e fera”, claro que cada uma possui diversas outras características que tornam sua sonoridade única.

A banda sueca Therion também possui vozes masculinas e femininas, mas na fase atual da banda, esses vocais dividem-se em soprano e tenores.

A Finlândia é um dos países onde mais nascem bandas com influências góticas, talvez o clima frio seja propício para isso… Sendo a finlandesa Nightwish o mais perfeito exemplo disto. Eles fazem um metal gótico misturado ao power metal, sendo uma das mais influentes do estilo. Mas isso já era de se imaginar, a banda possui o belíssimo vocal lírico de Tarja Turunen, aliado as profundas composições de Tuomas Holopainen e ainda conta com músicos de altíssima qualidade para complementar ainda mais a sonoridade do Nightwish.

Saídos do mesmo território que o Nightwish não poderíamos deixar de lado o love metal das bandas HIM e To/Die/For.
Também não podemos esquecer do For My Pain, do tecladista do nightwish e músicos da extinta Eternal Tears of Sorrow, do Poisonblack de Ville Laihiala ex-sentenced, do próprio Sentenced, dos veteranos do The 69 Eyes, do Entwine, entre muitas outras, afinal as bandas finlandesas nunca param de aparecer…

O Brasil também possui diversas bandas que fazem um som de altíssima qualidade, apenas ainda não caíram nas graças das grandes gravadoras, mas esbanjam competência para isso. Bons exemplos de bandas góticas nacionais podemos ter com a Simphonia Nocturna e a santista Master of Darkness, que além de covers possuem trabalhos próprios e estão apenas esperando ser descobertos para compartilhar seu talento com o resto do mundo.

Portugal já contribuiu com o cenário gótico mundial com a maravilhosa Moonspell, que vem presenteando o mundo com as composições de Fernando Ribeiro desde 1989.

Dos países latinos a Itália também gerou o Lacuna Coil, que agora encanta ao mundo com a belíssima voz de Cristina Scabbia.

Recentemente temos ouvido falar muito de duas bandas, cujos líderes deixaram suas antigas bandas que já tinham conquistado seu lugar na cena gótica, para partirem para novos projetos.

É esse o caso do recém surgido Epica, do ex-After Forever Mark Jansen, com seu som inovador repleto de influências árabes, e a mais perfeita harmonia entre o vocal gutural e o lírico. Possui apenas um álbum full-length lançado, o The Phanton Agony, mas já conquistou inúmeros fãs em todos os cantos do mundo. É o caso também do Sirenia, que surgiu logo depois de Morten Veland deixar o Tristania. Morten sentiu se realizado com a banda, tanto como compositor quanto como músico. Compôs, arranjou e tocou os dois álbuns da banda, que existe deste 2001.

Por Daniele Ferreira
16 de Junho de 2004.

A arquitetura Gótica

A arquitetura gótica, em termos de estética, qualidade, estrutura e acabamento, é considerada uma das mais belas e fascinantes de todo o mundo.

O estilo gótico é identificado como o período das grandes catedrais. De fato, com suas construções começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, emmeados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.

O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.

Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica – Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.

A arquitetura gótica se apoiava nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo. Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas – e precárias – fortalezas. A tensão popular conttribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000. A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba. Alguma coisa precisa acontecer.
Em 1905, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados à vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.

Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades. Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o estilo gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris.

As Catedrais Góticas

A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto, de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja a nave central e as duas naves laterais.

A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de um Deus que vive num plano superior; tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.

A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.

Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja.

As catedrais góticas mais conhecidas são Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

A Pintura Gótica

A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV, quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano celeste.

Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento.

Giotto é um dos maiores e melhores representantes desse estilo, a principal característica do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.

Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

O pintor Jan Van Eyck procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.

Suas maiores obras são: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

A ilustração gótica

Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada, ou então é um privilégio da quase mítica China). O desenvolvimento de tal genero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica, os manuscritos também eram encomendados por particulares, aristocratas e burgueses. É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis.

Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto.

Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

Os vitraios

O efeito milagroso dos vitrais, que foram usados em quantidades cada vez maiores à medida que a nova arquitetura começava a comportar mais janelas, de dimensão cada vez maiores. No entanto, a técnica do vitral já havia sido aperfeiçoada no período românico, e os estilo dos desenhos demorou a mudar, embora a quantidade de vitrais exigida pelas novas catedrais fizesse com que as iluminuras deixassem de ser a forma principal de pintura. Criar uma figura verdadeiramente monumental com as técnicas dos escultores, em si é algo como um milagre: os primitivos métodos medievais de manufatura de vidros não permitiam a produção de grandes vidraças, de modo que essas obras não de pintavam sobre vidro, mas sim “pintura com vidro”, com exceção dos traços em preto ou marrom que delineavam os contornos das figuras. Sendo mais trabalhosa que a técnica dos mosaicistas bizantinos, a dos mestres-vidreiros envolvia a junção, por meio das tiras de vidro, dos fragmentos de formas variadas que acompanhavam os contornos de seus desenhos. Sendo bastante adequado quando ao desenho ornamental abstrato, o vitral tende a resistir a qualquer tentativa de se obter efeitos tridimensionais.

O uso do arcobotante e dos contrafortes tornou possível o emprego de grandes aberturas preenchidas com belíssimos vitrais.

A função dos vitrais não se reduz à de mero complemento decorativo da igreja gótica. O vitral – parede translúcida – adquire caráter estrutural ao contribuir decisivamente para a configuração de um determinado sentido da arquitetura; mais exatamente do espaço interior.
Após 1250, houve um declínio da atividade arquitetônica, o que reduziu as encomendas de vitrais. Nessa época, entretanto, a iluminura adaptara-se ao novo estilo, cujas origens remontavam às obras em pedra e vidro.

Giotto

Giotto di Bondone, 1267-1337. O revolucionário tratamento que dava à forma e o modo que representava realisticamente o espaço “arquitetônico” (de maneira que as dimensões das figuras eram proporcionais às das construções e paisagens circundantes) assinalaram um grande passo adiante na história da pintura. A opinião generalizada é que a pintura gótica chegou a seu ápice com Giotto, o qual veio a ordenar, abarcar e revigorar tão esplendidamente tudo que se fizera antes.Pela primeira vez temos na pintura européia o que o historiador Michael Levey denomina “uma grande personalidade criativa”. No entanto, a verdadeira era das personalidades criativas foi a Renascença, e não sem motivo que os estudiosos desse período começam sempre por Giotto.Um gigante, ele encompassa as duas épocas, sendo homem de seu tempo e, simultaneamente, estando à frente dele.As datas, porém coloca-nos firmemente no período gótico, com sua ambiência de graça espiritual e um deleite primaveril no frescor das cores e na beleza do mundo visível. A realização das artistas góticos foi representar solidez da forma, ao passo que pintores anteriores mostravam um mudo essencialmente linear, carente de volume e pobre de substância (a despeito de seu vigor espiritual).

Para Giotto, o mundo real era a base de tudo. O pintor tinha verdadeira intuição da forma natural, criando uma maravilhosa solidez escultórica e uma humanidade sem afetações, características que mudaram os rumos da arte.

A Capela degli Scrovegni, em Pádua, Itália, está adornada com a maior das obras de Giotto que chegaram até nós, um ciclo de afrescos pintado por volta de 1305 para mostrar cenas da vida da Virgem e da Paixão.Os afrescos dão volta às paredes da capela.

Outros artistas sobressaíram na pintura gótica, sendo eles: Simone Martini (discípulo de Duccio), os irmãos Lorenzetti Pietro e Ambrogio (identificaram com Giotto).

Escultura Gótica

De modo geral a escultura do período gótico estava associada à arquitetura. Nos tímpanos dos portais, nos umbrais ou no interior das grandes igrejas, os trabalhos de escultura enriqueceram artisticamente as construções e documentaram na pedra, os aspectos da vida humana.

Os portais da fachada de Saint-Denis e os admiráveis portais principais da Catedral de Chartres trata-se, provavelmente, dos mais antigos e completos exemplos da escultura gótica. A simetria e a clareza substituíram os movimentos frenéticos e as multidões; as figuras não são mais emaranhadas entre si, mas eretas e independentes, de modo que se visualiza muito melhor o conjunto a grande distância. É particularmente admirável o tratamento dado às ombreiras da porta, onde se alinham os de alinham figuras esguias adossadas a colunas. Em vez de serem tratadas essencialmente como relevos esculpidos na cantaria, ou projetando-se a partir dela, são na verdade estátuas, cada qual com seu próprio eixo; pelo menos em teoria, poderiam ser destacadas das colunas que lhes servem de suporte. As suas cabeças já possuem uma suavidade humana que evidencia a busca por uma maior realismo.

Na Alemanha a arte gótica como a conhecemos até o presente, reflete um desejo de conferir aos temas tradicionais do cristianismo, um apelo emocional cada vez mais intenso, mas destinada a devoções particulares. A escultura gótica italiana, assim como a arquitetura, ocupa um lugar a parte em toda a Europa. Iniciou-se provavelmente no extremo sul, na Apúlia e na Sicília, que tinham preferências que favoreciam ao estilo clássico.

Cinema Gótico

A sétima arte está repleta de obras-primas do gênero terror-suspense, filmes que de uma forma ou de outra expressam e exibem a face obscura e irracional da imaginação humana.

O gênero de cinema gótico nos remete as mais diversas sensações, desde o horror até os mais profundos sentimentos humanos.

Os filmes de terror nasceram praticamente junto com a cinematografia. O primeiro filme do gênero surgiu em 1896 e chamava-se “Escamotage d’Une Dame Chez Robert Houdin”, e em 1912 veio “A conquista do pólo” no qual um expedicionário era devorado pelo abominável homem das neves.

Passando por clássicos como O gabinete do Dr. Caligari de Weine e Nosferatu de Murnau, até o sádico Freddy Krueger nos anos 80, o gênero é um dos mais prolíficos já inventados.

Dentre os muitos filmes do gênero gótico famosos em todo o mundo, podemos citar entre os mais antigos “Frankenstein” e “Nosferatu”, que se transformaram em mitos do cinema gótico através dos anos. Entre os filmes mais atuais, podemos citar “A Lenda do cavaleiro sem cabeça”, “Entrevista com o vampiro”, “A Rainha dos Condenados”, entre muitos outros.

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O Pavimento Mosaico e a Orla Dentada na Maçonaria

Primeiramente, o que é mosaico? Ao contrário do que muitos já registraram, mosaico não tem origem em Moisés. Conforme a etimologia dessa palavra já confirmou, sua origem é a mesma da palavra “museu”. Mosaico é o trabalho feito através da união de diferentes pedras.

Em Loja, diz-se que o Pavimento de Mosaico, constituído de pedras brancas e pretas, simboliza a diversidade do ser humano, mas sempre levado à dualidade das forças: bem e mal, rico e pobre, sábio e ignorante, saudável e doente, virtude e vício, feliz e triste. Muitos autores concordaram sobre isso. Será que essa é a verdadeira interpretação?

Também se diz que o Pavimento Mosaico está presente em nossos templos porque assim era o piso do Templo de Salomão. Será mesmo verdade?

Outra importante questão sobre o Pavimento Mosaico é quanto ao seu formato. Qual é o correto? Aquele pequeno retângulo na área do Altar dos Juramentos, ou todo o piso da Loja?

Para encontrar as respostas corretas para tais questionamentos, deve-se por um momento esquecer dos nossos Rituais atuais e voltar os olhos para a história:

Mosaicos faziam parte da arte e da arquitetura romana. Tem-se no livro João, Capítulo 19, versículo 13, que os julgamentos do governante romano Pilatos ocorriam em um lugar chamado pelo termo grego de “Litóstrotos”, e em hebraico chamado de “Gabatah”. Litóstrotos significa calçado por pedras, e Gabatah significa pavimento. Plínio utilizava o termo Litóstrotos para se referir a um Pavimento Mosaico.

Convencionou-se imaginar que o “Santo dos Santos” do Templo de Salomão, por também ser um local de juízo, possuía um Pavimento Mosaico. Essa teoria não tem fundamentos na Bíblia, onde consta que todo o piso do Templo era de madeira de cedro, mas é baseada em uma breve passagem do Talmud, que permite uma interpretação de que os lugares mais sagrados dos templos tinham o Pavimento Mosaico. As escrituras e tradições também dão notícia de que o Santo dos Santos, mais alto do que o restante do Templo, era delimitado por véus com franjas e borlas (almiazar). Franjas e borlas eram usadas em sinal de respeito e devoção na época. Por borlas, entende-se um adorno pendente. Uma herança dessa tradição ainda está presente, por exemplo, nos populares lenços palestinos.

Até o final da Idade Média, não se sabia quais as cores desses antigos Pavimentos Mosaicos. Porém, no século XVI, o Rei Henrique VIII autorizou a confecção de um bíblia em inglês, surgindo então a chamada “Bíblia de Genebra”, por ter sido feita naquela cidade. Essa versão traduzida trazia como novidade diversas ilustrações. Entre elas, a do Templo de Salomão, que era ilustrado com um Pavimento Mosaico de quadrados intercalados em preto e branco. É evidente que não havia outra forma de ilustrar um pavimento colorido, pois a impressão na época era apenas em preto e branco. Porém, com pouco tempo a visão do Pavimento Mosaico do Templo de Salomão em preto e branco firmou-se como realidade. Dessa forma, quando do surgimento dos templos maçônicos, inspirados no Templo de Salomão, o Pavimento Mosaico em preto e branco foi adotado.

Enfim, as cores não tinham a simbologia da dualidade das forças. As cores eram apenas porque essa era a ideia que se tinha do piso do Templo de Salomão. O próprio Mackey, um dos maiores escritores sobre maçonaria de todos os tempos, confessou isso em sua Enciclopédia Maçônica, declarando que, apesar de equivocada, é adequada a interpretação do Pavimento Mosaico como a dualidade entre o bem e o mal.

Você pode estar se perguntando: “E a Orla Dentada?” Essa é uma questão interessante. Quando do registro dos primeiros rituais em inglês, o que era uma orla (borda, margem) com franjas e borlas (adornos pendentes) nas extremidades… tornou-se simplesmente “indented tessel” que, em tradução livre, significa “orla dentada”. Mas o que seria então uma verdadeira “orla dentada”? Trata-se do que hoje vemos sobre o trono do Venerável Mestre, em que a borda da cobertura do trono possui “dentes” com franjas, sendo comum atualmente serem feitos de gesso.

Como se sabe, os primeiros templos maçônicos eram planos e sua ornamentação precária. Por esse motivo, o retângulo onde se encontra o Altar dos Juramentos, o qual simbolicamente representa o Santo dos Santos, não era elevado, o que impedia de se ter uma Orla Dentada real. Por isso, a Orla Dentada precisava ser desenhada ou pintada no chão, ao redor do Pavimento Mosaico. Com o tempo e a forte presença do triângulo na simbologia maçônica, convencionou-se desenhar os “dentes” da orla em formato de triângulos, e assim surgiu o que atualmente se vê na maioria dos templos maçônicos espalhados pelo mundo.

Nos Ritos que adotam o Pavimento Mosaico como um retângulo central, os maçons não devem pisar no Pavimento, a não ser aquele que irá abrir e fechar o Livro da Lei, assim como ocorria no Santo dos Santos, onde apenas o Sumo Sacerdote podia ingressar e para realizar um fim específico relacionado ao GADU. A circulação então é feita em ângulo reto, tendo como parâmetro o Pavimento Mosaico.

Já no REAA, prevaleceu o entendimento de que todo o piso do Templo de Salomão era um Pavimento Mosaico, baseado nas ilustrações medievais. Por isso, todo o piso nos templos do REAA é em mosaico alvinegro, e a Orla Dentada, que circula todo o pavimento, está representada pela “Corda de 81 nós”, da qual pendem 04 borlas nos 04 cantos do Templo.

Porém, com a perda de tal compreensão e do conhecimento da origem de tais símbolos, além da influência de outros Ritos, é comum encontrar templos do REAA no Brasil que possuem o Pavimento Mosaico restrito ao retângulo central, constituído também de Orla Dentada, ao mesmo tempo em que vemos a Corda de 81 nós sobre as colunas zodiacais, algo totalmente redundante. Onde se vê Orla Dentada não deveria existir Corda de 81 nós, e vice-versa. Dessa forma, não é de se surpreender com as dezenas de significados inventados para cada um desses símbolos:

Rizzardo da Camino chegou a escrever que o Pavimento Mosaico representa a união das doze tribos de Israel, os dentes da Orla Dentada são os planetas que giram no Cosmos, e que a Corda de 81 nós absorve as vibrações negativas e as transforma em positivas. Castellani preferiu escrever que o Pavimento Mosaico representa a mistura de raças, a Orla Dentada é a união dos opostos, e a Corda de 81 nós representa a comunhão de ideias e objetivos de todos os maçons, tendo suas borlas o papel de representar que a Maçonaria é “dinâmica e progressista”. Não somente discordaram um do outro como suas suposições estavam erradas.

Apesar desses dois grandes autores discordarem um do outro em suas teorias, eles têm algo em comum: criatividade.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pavimento-mosaico-e-a-orla-dentada-na-ma%C3%A7onaria

A Compreensão Espagírica dos Remédios

Beat Krummenacher

Excerto de Spagyric Tinctures: tradition, Preparation and Usage

Quase todos os métodos usados ​​hoje para preparar fitoterápicos (remédios vegetais) têm o objetivo comum de isolar, ou pelo menos reforçar, um ingrediente eficaz da planta. A tendência é obter uma caracterização clara e inequívoca de preparações farmacologicamente ativas e puras. Além dessa abordagem (de isolar ingredientes eficazes), há também o uso histórico e bem-sucedido de extratos de toda a planta, que muitas vezes é mais eficaz do que os compostos eficazes isolados. Uma explicação para este fenômeno é que em toda a planta existem substâncias “transmissoras” que permitem uma melhor absorção dos compostos eficazes no trato gastrointestinal. Mas mesmo em casos como esse é assumida uma correlação direta entre a substância química e a eficácia do remédio. Todos os métodos comumente usados ​​para preparar remédios de ervas são muito simples. Na maioria das vezes, a abordagem é preparar um extrato aquoso ou alcoólico de uma planta por maceração, extração ou outros métodos simples. Esses métodos têm o único objetivo de concentrar ou isolar os compostos eficazes que são conhecidos ou suspeitos de existirem. Assim, os métodos contemporâneos podem ser vistos como um resultado direto da compreensão teórica moderna do que constitui um remédio.

Aqui não encontramos diferença na Espagíria. Na Espagíria, também, a compreensão teórica determina os métodos práticos de trabalho. Assim, não se deve descartar prematuramente os métodos espagíricos sem conhecer a teoria espagírica. A falta ou o conhecimento insuficiente da teoria (da Alquimia) levou há algum tempo à conclusão de que a Espagíria é apenas a precursora da química moderna. Assim a espagíria é entendida como legitimamente descartada, porque sua teoria está desatualizada. Mas tal julgamento é prematuro e não faz justiça a a matéria. O fato é que os métodos simples para preparar tinturas de plantas comuns também eram bem conhecidos dos alquimistas. No entanto, eles não pouparam esforços para fazer seus remédios espagíricos. Repetidas vezes eles enfatizaram que o laborioso caminho da espagiria estava levando precisamente a remédios significativamente mais eficazes e mais benéficos do que os métodos dos “químicos”. Tal afirmação de quem conhecia os dois caminhos deveria nos fazer parar e pensar. Infelizmente, não temos estudos modernos que possam dar evidência clínica à afirmação de que as essências espagíricas são mais eficazes. Assim, teremos que primeiro tentar obter uma maior compreensão do lado teórico das preparações espagíricas.

Compreender os processos espagíricos básicos também nos ajuda a distinguir os procedimentos espagíricos verdadeiramente significativos dos “pseudospagíricos”. Mesmo nos círculos alquímicos, muitas vezes encontramos ignorância dos processos alquímicos reais, o que levou à introdução de elementos alienígenas nos procedimentos espagíricos de hoje. O quão importante é lidar seriamente com a Espagíria hoje se reflete no crescente interesse público em métodos alternativos de cura – que também incluem remédios espagíricos. Que o valor real das preparações espagíricas é muito maior do que o registro histórico mostra também é evidente quando consultamos o (Homeopathic Remedy Book), métodos espagíricos foram registrados lá, o que indica sua presença no mercado farmacológico. Para nos aproximarmos de uma compreensão da medicina espagírica, temos que explorar os importantes conceitos alquímicos dos Arcanos, de polaridade, bem como os três princípios alquímicos básicos.

Sobre o Arcano

Arcanum significa literalmente aquilo que é secreto. Seu significado é ilustrado pela seguinte citação de Paracelso: “O que vemos não é o remédio, mas o portador do remédio. Porque os arcanos dos elementos e do homem são invisíveis. O que é visível é o superficial, que não faz parte da essência curativa.” Essa parte invisível de cada substância médica é “toda a virtude da substância em mil vezes melhorada.” O Arcano é aquilo que é não-físico e indestrutível – é a parte eternamente viva da Natureza”. Um remédio, ou mais precisamente o que faz de uma substância um remédio, é aqui chamado de “arcano dos elementos”. Esses poderes de cura devem ser entendidos como princípios puramente abstratos ou espirituais, não materiais. Se entendermos os arcanos como princípios de cura imateriais que não podemos definir por sua substância material, isso não significa necessariamente que eles sejam ineficazes. No entanto, de acordo com o paradigma atualmente dominante, apenas assumimos como real aquilo que podemos perceber com os nossos sentidos e que é mensurável fisicamente. Este paradigma não permite uma avaliação concreta do conceito de arcanos, pois, segundo a tradição, os arcanos não são matéria bruta, mas realidades energéticas sutis. Paracelso muitas vezes chamou esses remédios transmitindo “arcanos” ao paciente e deixa inequivocamente claro que eles devem ser preparados alquimicamente: “Faça arcanos e aponte-os contra as doenças … Este é o caminho para curar e tornar saudável – tudo isso é realizado pela alquimia, sem a qual não poderia acontecer.” Com esta afirmação, ele também trouxe o fato de que os arcanos imateriais podem ser transmitidos. Isso significa que é possível preparar transmissores (os remédios espagíricos), que servem como veículos materiais dos poderes ocultos (arcanos). Esse tipo de pensamento diverge muito do nosso entendimento contemporâneo, que faz uma conexão causal entre o efeito e a substância. No entendimento atual, é a própria substância que realiza a cura, devido a alguma interação físico-química com o organismo. Para Paracelso e os alquimistas, a substância material não produz cura, mas é o veículo para os poderes causadores do efeito (curativo). A substância é apenas a matriz ou forma que serve para encarnar os arcanos.

Sobre as polaridades

Os hermetistas enfatizaram repetidamente que tudo o que existe está sujeito à lei da polaridade. Eles expressaram isso na forma da seguinte afirmação axiomática como parte dos sete princípios herméticos mencionados antes: “Tudo é duplo – tudo tem dois pólos, tudo tem seu par de opostos; semelhante e diferente é o mesmo; opostos são idênticos em natureza, apenas diferentes em grau; os extremos estão conectados; todas as verdades são apenas meias verdades; todas as contradições podem ser reconciliadas”. (Do Caibalion) Em todos os lugares encontramos polaridades: dia e noite, claro e escuro, quente e frio, atração e repulsão em eletricidade estática e magnetismo, grande e pequeno etc.

Mas esses extremos aparentemente opostos são apenas diferentes graus de expressão para uma mesma força básica. Dessa forma, atração e repulsão são resultados do mesmo magnetismo. Assim, atração e repulsão permanecem inalteradas quando nos aproximamos de um ímã com um pedaço de ferro – o poder magnético é o mesmo. Quente ou frio são ambos os aspectos da temperatura. Da mesma forma, dia (claridade) e noite (escuridão) são apenas aspectos da Luz que diferem em intensidade, enquanto grandes ou pequenos são aspectos de Tamanho.

Polo Negativo  ⬅️  Magnetismo ➡️  Polo Positivo

Frio  ⬅️  Temperatura  ➡️ Calor

Noite  ⬅️   Luminosidade  ➡️  Dia

Ilustração: Cada atributo, na verdade tudo o que existe, contém em si uma polaridade. Opostos (polaridades) são aspectos de uma propriedade ou força básica.

Os extremos aparentemente opostos de uma polaridade, assim, provam ser de natureza idêntica em relação à sua propriedade básica. Eles estão apenas ‘diferindo em grau’. Ambos os extremos tornam-se significativos apenas pelo efeito concreto que têm sobre um terceiro princípio. Também é possível defini-los pela existência ou ausência total de um dos princípios. Por exemplo, distinguimos entre luz e escuridão porque nosso olho percebe muita ou pouca luz. Mas na escuridão absoluta não há mais luz presente – o próprio princípio (luz) não aparece mais.

Da mesma forma, a potência médica como uma soma total de atributos curativos se manifesta de acordo com o princípio hermético da polaridade na forma de opostos polares. Um lembrete: Os poderes de cura que causam os efeitos curativos foram chamados de “arcanos” por Paracelsus. A alquimia define assim um remédio como uma preparação que transmite a potência dos arcanos para fins de cura. O oposto polar de curar é adoecer ou envenenar. Aqui também é verdade que o “grau” dos arcanos é experimentado por meio de sua interação com um terceiro princípio, ou seja com o organismo, onde demonstre atuar como agente curativo ou envenenador. A relatividade dessa determinação pode ser vista no fato de que algumas substâncias são curativas ou neutras para um animal, mas tóxicas para o ser humano. Paracelso, portanto, usa o termo “arcano” em um sentido duplo, o que é um fator crucial a ser considerado. Ele entende “arcano” como o remédio com poderes em geral, bem como o efeito que um extremo polar tem no corpo (cura), que ele chamou de remédio. Para evitar a falta de clareza nas páginas seguintes, nos referiremos aos arcanos apenas como os poderes imateriais subjacentes à cura ou envenenamento. O efeito desses poderes no organismo situa-se entre os extremos do remédio ou do veneno.

Veneno  ⬅️   Arcana  ➡️  Remédio

ilustração: “veneno ou remédio” é um par de opostos das forças ocultas de cura chamada arcana.

A diferença entre remédio e veneno em seu efeito sobre o organismo humano é, portanto, apenas uma questão de grau. Definimos o efeito curativo sobre o ser humano como construtivo, potencializador e harmonizador, enquanto o efeito do veneno é destrutivo, diminutivo e desarmônico.

A compreensão moderna vê a causa direta do efeito curativo de um remédio na substancialidade material do agente curativo. De acordo com os pensamentos desenvolvidos acima, a substância consiste em veneno e remédio! É por isso que o efeito depende da dosagem.

Quanto mais substância aplicarmos no paciente, mais intenso será o efeito farmacológico e uma dose alta pode até causar o inverso do efeito curativo desejado: uma overdose pode causar a morte do paciente. Paralelamente ao aumento da dosagem, o efeito curativo cresce, mas é sempre limitado pelo efeito venenoso: as propriedades destrutivas do veneno são potencializadas junto com os efeitos construtivos do remédio, até causar sintomas e defeitos manifestos ao impedir as funções celulares.

O Alquimista vai mais fundo: para ele, a substância é apenas o veículo dos arcanos. Não há nenhuma conexão convincente entre a substância física e seu efeito. Ele vê o efeito corretivo também nas substâncias “químicas” não processadas. No entanto, a conexão entre dosagem e efeito é interpretada de forma diferente em não-químicos, ou seja, preparações espagíricas, tomando uma forma alquímica. O alcance terapêutico é especialmente muito ampliado. Isso é conseguido primeiro dissociando e depois separando os princípios por procedimentos espagíricos: os arcanos são alterados em sua estrutura interna pela dissociação e depois liberados de sua conexão íntima com a substância física pela separação.

A diferença teórica básica entre as duas abordagens se reflete em sua prática: o Químico apenas separa, enquanto o Alquimista dissocia e depois separa. Essa importante diferença teórica e prática das duas abordagens também é encontrada na obra de Paracelso. Todas as citações citadas acima se referiam a Paracelso, o Alquimista. Mas, ao mesmo tempo, Paracelso estava bem ciente da diferença entre alquimia e química. A seguir, uma passagem muito citada de suas obras, quando a questão é retratar Paracelso como o fundador da química moderna: “Todas as snstâncias são venoosas, e nada é sem veneno, apenas a dose determina que uma substância seja não venenosa.”

Esta citação nos mostra que ele conhecia as características típicas da substância puramente química. Mas é também aparentemente uma contradição com a abordagem alquímica. Porque, enquanto o remédio não for preparado espagiricamente, o efeito sempre se mostra ligado à substância. O próprio Paracelso distinguiu precisamente entre as propriedades da matéria-prima não processada e da preparada quimicamente, por um lado, e as propriedades da preparação alquímica, por outro. Enquanto de acordo com Paracelsus na abordagem química a dosagem determina o veneno, isso não é verdade para a abordagem alquímica! A razão dessa diferença está no processo de dissociação dos arcanos, que é o elemento mais importante da Espagírica. Se aplicarmos a estrutura dada acima, podemos elucidar ainda mais essa diferença comumente incompreendida.

Separação Química: Os arcanos entre os extremos do veneno e do remédio são inseparáveis ​​da substância material, a menos que sejam dissociados via procedimento Alquímico. Ao usar extrações simples, também estamos aplicando um processo de separação. Certas substâncias aparecem no extrato, outras ficam no resíduo. Mas os alquimistas afirmam que uma simples extração não dissocia o “puro do impuro” (‘puri ab impuro’); é apenas um processo de separação.

Apenas a Putrefação pode levar à dissociação dos arcanos. Por enquanto, aceitaremos essa alegação como verdadeira e examinaremos as consequências que isso tem sobre os procedimentos químicos. O extrato também contém os arcanos sem alterá-los; na melhor das hipóteses, aumentamos sua concentração se os compostos ativos que carregam os arcanos forem dissolvidos no extrato. Podemos então reduzir a dosagem, mas em princípio não mudamos nada. Dependendo da dosagem, o homem ainda está confinado ao alcance efetivo dos arcanos entre veneno e remédio.

Substância Bruta:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
(separação química)

Remédio Químico:

Veneno  ⬅️        Arcana        ➡️  Remédio
⬇️                            ⬇️
⬇️                            ⬇️
⬇️                            ⬇️  


Veneno  ⬅️Substancias isoladas➡️ Remédio

   Ilustração 5: Nas preparações químicas os arcanos não são alterados estruturalmente. Eles continuam a afetar o homem na polaridade ‘Veneno’ e ‘Remédio’.

Dissociação Espagírica: Em contraste, a Putrefação dos Alquimistas leva a uma mudança na estrutura interna dos arcanos. O Alquimista sabe exaltar (elevar) os Arcanos para que não haja mais efeitos venenosos sobre o homem. Os mesmos arcanos são transmitidos através de um remédio alquímico, mas são alterados na medida em que têm um efeito unicamente harmonizador sobre o organismo humano. Efeitos destrutivos não são mais possíveis. Esse fato pode ser resumido na seguinte frase: O remédio é dissociado do veneno. (Dissociação do ‘Falso’ do ‘Verdadeiro’). E ainda assim a polaridade é preservada! Porque o pólo que anteriormente chamamos de “remédio” é em si mesmo de natureza dual. O remédio mostra um lado nobre e um lado menos nobre. Mas em relação ao homem ambos os pólos têm um efeito curativo, porque através do processo espagírico todas as energias destrutivas (venenos) foram eliminadas. Este é o aspecto invisível da dissociação alquímica (ilustração abaixo). Em um processo paralelo, os arcanos também são separados de sua substância portadora física: é possível isolar, por métodos simples de separação, apenas aquelas substâncias químicas que servem como portadores ótimos dos arcanos em sua forma exaltada. Todos os elementos que obstruem o efeito do remédio são eliminados. A essência espagírica emerge assim também em uma forma externamente purificada. Este é o aspecto visível da dissociação alquímica.

Substância Bruta:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
(separação química)

Dissociação Espagírica:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
❌                      ⬇️
⬇️
⬇️
Menos Nobre  ⬅️Remédio➡️ Mais Nobre

Ilustração: Na preparação espagírica há sempre primeiro uma mudança na estrutura interna dos arcanos. Somente o pólo remédio dos arcanos afeta o homem. Mas a polaridade do poder de cura também tem uma natureza dupla, que é indicada pelo sinal + (para o aspecto nobre) e pelo sinal – (para o aspecto menos nobre).

Uma citação da “Carruagem Triunfante do Antimônio” de Basilius Valentinus ilustra esses pensamentos. Seu texto trata do processamento espagírico do antimônio, que na época era o nome do minério de sulfeto de antimônio (stibnita). Como a base teórica da Espagírica é universal, também podemos consultar um trabalho sobre minerais para fins de ilustração. Veremos que os parágrafos acima correspondem exatamente ao pensamento alquímico em geral.

Basil Valentine tem plena consciência de que o antimônio comum é venenoso e inutilizável como remédio: … “É por isso que ninguém o usa – porque é venenoso.” Mas isso muda à medida que o espagirista processa o antimônio: “Depois da correta e verdadeira preparação do antimônio não há mais nenhum veneno presente, o antimônio deve ser totalmente e completamente modificado pela arte espagírica, para que o veneno possa se transformar em um remédio. Sem tal preparação você não terá uso do antimônio, mas virá a causar danos e problemas.” Ele descreve o processo de dissociar o puro e o impuro, o veneno e o remédio da seguinte forma: “Você deve cuidadosamente dissociar o Antimônio, o bom do ruim, o fixo, do não-fixo e o remédio do veneno, para que assim possa resultar em verdade e honra… Ninguém deve se surpreender que nós dissociemos o puro do impuro, o veneno do remédio… porque isso é provado no trabalho diário da experiência do Proba… Porque o veneno é removido pelo processo de dissociação e a mudança do mal ao bem ocorre.. é assim que o fogo trás a dissociação do veneno e do remédio, do bem e do mal.”

Os Três Princípios Alquímicos

Estabelecemos que os alquimistas entendiam os arcanos como os poderes invisíveis de cura em uma forma material específica. O arcano aparece como uma polaridade entre o veneno e o remédio em relação a um terceiro princípio, o organismo humano. Mas os arcanos são energias invisíveis escondidas na substância, que é apenas seu portador ou matriz. Dissemos também que o processo espagírico é distinto do método químico na medida em que provoca uma mudança na estrutura interna dos arcanos por meio da Putrefação. Foi assim que descrevemos o processo espagírico fundamental de dissociação. Mas isso ainda não é o suficiente para explicar o mecanismo da mudança nos arcanos e na substância. Ainda não está claro o que permite a transmutação de um veneno em um agente curativo.

Para responder a esta questão, temos que olhar mais de perto os arcanos: Os alquimistas afirmam que tudo na natureza consiste em três princípios essenciais, que eles denominaram Sal (sal), Sulfur (enxofre) e Mercurius (mercúrio): “Estes três – mercúrio, enxofre e sal – nunca estão sem o outro; onde você encontra um, há sempre todos os três unidos, e em todo o mundo não há nada que não consista desses três – e destes três é feito tudo o que está no mundo.”

Ilustração: Os três princípios alquímicos e seus símbolos

É claro que os três princípios não são idênticos ao que hoje entendemos como mercúrio, enxofre ou sal químicos. Repetidamente este fato tem levado e leva a mal-entendidos. No entanto, as palavras não foram escolhidas aleatoriamente – as propriedades do sal comum, mercúrio e enxofre correspondem fenomenologicamente às propriedades dos princípios alquímicos abstratos. Curiosamente, os três princípios alquímicos encontram uma representação surpreendente na física. Contemplando a descrição de uma vibração física, cuja forma mais simples é a curva seno ou cosseno, podemos distinguir três parâmetros que descrevem completamente uma curva:

1. A forma da curva, no nosso caso senos ou cossenos. Esta é uma expressão da qualidade, a maneira como algo vibra ou como vibra.

2. A amplitude, que é a medida para a quantidade ou grau de desvio do meio

3. A frequência ou o número de vibrações por unidade de tempo, que é uma medida para o movimento da vibração, sua excitação.

Cada vibração – por mais complicada que seja – pode ser demonstrada como um padrão de interferência único de vibrações harmônicas (análise de Fourier). A forma ou qualidade de uma vibração mais complicada é expressa no espectro de frequências, a quantidade de amplitudes – sendo a amplitude total composta pela soma das amplitudes individuais – e também a própria frequência que define a vibração. Podemos comparar essas formas de definir uma curva com a descrição dos três princípios alquímicos, como os encontramos nos textos alquímicos:

O sal é o princípio de condensação e endurecimento, que permite a coesão da matéria. O sal também pode ser chamado de princípio de fixação ou firmeza. É o componente material ou estático (fixo) em todas as coisas, a corporeidade da substância e da materialização. Depois de submeter uma substância ao fogo, o Sal permanece como a parte indestrutível da substância – sem forma. Assim, podemos caracterizar o Sal também como relacionado à quantidade (amplitude). Em relação ao homem, Sal significa o corpo físico como um todo.

O enxofre é a propriedade característica de uma substância. Ele define a essência, a alma. O enxofre nos mostra com o que estamos lidando – denota forma, cor, forma e outras propriedades características. O enxofre também indica quão bem uma substância queima. Assim, Enxofre refere-se à qualidade de uma substância. No homem, o enxofre significa a alma.

O princípio do movimento está contido em Mercúrio. Mercúrio é também o princípio vivificante, o espírito. Mercúrio é a energia vital, a força motriz, despertando para a vida as qualidades específicas (Enxofre) dentro do corpo (Sal). Movimento é mudança, e mudança está ligada ao tempo. Mercúrio, portanto, relaciona-se com o conceito de frequência. No homem, o mercúrio é a essência da vida ou espírito.

Sal, Enxofre e Mercúrio (corpo, alma e espírito) são, portanto, análogos às propriedades físicas que descrevem exaustivamente uma vibração. Mas, de acordo com a física moderna, tudo o que é material nada mais é do que energia – energia vibratória. Nesse contexto, a afirmação dos alquimistas de que tudo consiste em três princípios básicos é surpreendentemente relevante e significativa.

Sal Sulfur Mercurius
Sal Enxofre Mercurio
Amplitude Forma da Curva Frequência
Quantidade Qualidade Movimento
Ser Físico Gestalt, Essência Energia Vital, Mutabilitade
Corpo Alma Espírito

Ilustração: Algumas analogias para os três princípios alquímicos

Agora podemos entender melhor o significado abstrato dos três princípios. Mas temos que ter em mente que Sal, Enxofre e Mercúrio também podem se manifestar fisicamente. Todo princípio se materializa na forma física de acordo com suas propriedades. Também temos que considerar a polaridade do visível e do invisível. As três manifestações materiais juntas formam o “Corpus”, que percebemos com nossos sentidos; suas potências internas de poder, porém, os tríplices arcanos, permanecem invisíveis É somente através do processo espagírico que o Corpus pode ser destruído e Sal, Enxofre e Mercúrio, tanto em sua forma física quanto em sua forma invisível, podem ser acessados ​​para uso terapêutico.

Paracelso descreve o aspecto material dos três princípios da seguinte forma: “Há três substâncias que dão a cada coisa seu Corpus – três coisas compõem cada coisa física. Os nomes dessas três coisas são Enxofre, Mercúrio e Sal. Quando esses três são unidos em um, então isso é chamado de corpus… Então, em uma forma de qualquer corpus, estão contidas invisivelmente todas as três substâncias… por exemplo, se você pegar um pedaço de lenha na mão, então verá só uma coisa (corpo/corpus) … agora queime-o … o que queima é o enxofre – nada queima além do enxofre; a fumaça indica o Mercúrio – nada sublima além de Mercúrio, e o que você encontra como cinzas é Sal – nada sobra nas cinzas, senão Sal.”

A passagem a seguir explica o significado abstrato dos três princípios: “Sabemos assim que nos três princípios, tudo o que é quebrado ressuscita; uma árvore vazia de seu líquido (mercúrio) secaria, se o enxofre fosse retirado da árvore não teria forma e se o sal fosse retirado, não teria coesão, mas ele se desfaria como um barril sem o anel de ferro … “A manifestação visível e invisível dos três princípios torna-se ainda mais evidente quando as estamos rastreando em uma planta: “cada planta de acordo com sua natureza é composta de três coisas, ou seja, sal, enxofre e mercúrio: esses três se juntam e então formam um corpus, um ser unificado. .. Mas sabemos que forma esses três princípios assumem: um é um líquido e esse é o mercúrio, outro é um óleo e esse é o enxofre e um é alcalino e esse é o sal”.

Especificado quimicamente:

Sal: Os sais minerais solúveis lixiviados da substância vegetal calcinada são chamados de álcalis ou Sal. Este ao mesmo tempo é o princípio da fisicalidade – indestrutível pelo fogo – a quantidade.

Enxofre: As partes voláteis, oleosas e principalmente perfumadas da planta são o enxofre. Mais proeminentemente encontramos este princípio nos óleos essenciais. Essas substâncias que caracterizam cada planta também são uma ilustração adequada do modelo alquímico: o enxofre pode ser entendido como a alma ou essência de uma planta.

Mercúrio: Mercúrio foi definido como energia vital, como o princípio do movimento. É o espírito ainda invisível que só se manifesta após a putrefação (fermentação). Se fermentamos uma planta obtemos seu espírito como álcool etílico e outros produtos altamente voláteis da fermentação. Ainda hoje a palavra “espíritos” é usada para bebidas alcoólicas em referência a essa conexão. (Ilustração 10)! O princípio vivificante do mercúrio não está vinculado a nenhuma espécie de planta. Todas as plantas compartilham o princípio da vida. O ponto de vista alquímico explica assim facilmente que após a fermentação de diferentes espécies vegetais o mesmo espírito aparece na forma física (matriz química) do álcool etílico.

Ilustração: Forma material dos três princípios dentro das plantas (Corpo, Alma e Espírito), (Sais Minerais, Óleos Essenciais e Álcool)

A Estrutura Interna dos Arcanos

Agora podemos entender mais precisamente a estrutura interna dos arcanos: Os arcanos são, por um lado, a potência curativa ou poderes ocultos de cura da planta; por outro lado, estão vinculados à manifestação material da planta. Os arcanos são energias, mostrando-se em forma tríplice. A substância, como portadora dos arcanos, também espelha sua estrutura interna de forma tripla. Esses três princípios, invisíveis e visíveis, são chamados de Sal, Enxofre e Mercúrio. Os arcanos também estão sujeitos à polaridade. Definimos os dois pólos dessa polaridade como veneno e remédio. Podemos agora entender a polaridade do veneno e do remédio como um efeito da tríplice subestrutura dos arcanos. Assim podemos retratar.

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
↕️                       ↕️                        ↕️
Veneno  ⬅️           Sal         ➡️  Remédio
Veneno  ⬅️       Enxofre     ➡️  Remédio
Veneno  ⬅️       Mercúrio     ➡️  Remédio

Ilustração: Em sua estrutura interna, os arcanos mostram uma tripla polarização

Se quisermos liberar apenas o lado do remédio dos arcanos, temos que considerar corretamente sua estrutura interna. Só então podemos escolher o procedimento certo para alcançar uma completa dissociação e separação. Apenas assim podemos prosseguir na compreensão do processo espagírico básico.

O Processo Espagirico

O objetivo do processo espagírico é obter os arcanos – que definimos como energias de cura vibratórias – de tal forma que a preparação espagírica resultante contenha apenas frequências, amplitudes e formas curvas de cura que são benéficas para o organismo tratado. Todas as vibrações desarmônicas de frequência inferior devem ser eliminadas. Como poderes de cura invisíveis, os arcanos não podem ser acessados ​​diretamente, mas apenas indiretamente através da substância transportadora. Assim, é vital eliminar e separar todas as substâncias portadoras de materiais com baixas frequências, formas de curvas desarmônicas ou amplitudes ásperas (grossas). O procedimento mais fácil seria obter os arcanos em um  único passo – e fazê-lo como um todo – na forma de um remédio puro. Mas quando na prática processamos as plantas, percebemos que esse método de uma etapa é impossível. Se extraímos assim, partes essenciais da planta ficam no resíduo e sua quantidade depende do solvente. Se destilamos, obtemos apenas as partes voláteis, e todos os minerais são perdidos nesse processo. Se queimamos a planta, queimamos os óleos e substâncias etéreas típicos junto com os componentes orgânicos e os únicos resíduos são os componentes inorgânicos. Em suma, é impossível obter todos os três princípios ao mesmo tempo. A separação “química” de um princípio leva à destruição ou perda dos outros. Assim, só nos resta uma escolha: primeiro temos que deixar a planta morrer, ou seja, precisamos processá-la de maneira que os três princípios firmemente unidos na planta viva sejam dissociados sem destruição ou perda de nenhum princípio. Este primeiro passo de todos os processos espagíricos os alquimistas chamavam de Putrefatio (putrefação), Digestão, Fermentação etc. Há diferentes nomes para este processo, porque diferentes métodos são aplicados dependendo das substâncias que são a base da dissociação. Somente a putrefação pode dissociar os princípios alquímicos e separar sua polaridade inata de veneno e remédio. Somente a morte da substância possibilita o nascimento da essência pura. Um autor anônimo descreveu esse processo em 1782 da seguinte forma: “A morte é a putrefação, a separação do bem e do mal, do puro do impuro; através disso, o novo corpo e a tintura podem renascer. como uma folha de grama cresce de uma semente, assim também o corpo velho dá à luz o novo corpo através da putrefação.” Kirchweger diz: “Nós, portanto, começamos no portão principal da natureza – na chave e ponto de origem de todo nascimento, destruição e renascimento – sem esta chave não podemos sondar o fundo dos mistérios da Natureza, e esta chave é o ponto focal da arte da dissociação: chama-se putrefação… Portanto, não podemos esperar a verdadeira dissociação sem maceração, digestão ou fermentação … ”

Ilustração: Somente a morte permite o despertar para uma nova vida. Quem sabe isso colherá frutos abundantes (simbolizado pelo trigo na beira do túmulo) e acertará o alvo, ou seja, praticará com sucesso. A putrefação correta é a chave para toda a arte (veja a chave acima do alvo).

Tendo assim desvendado a substância, temos que separar os princípios uns dos outros. Somente após essa dissociação os procedimentos de separação “químicos” fazem algum sentido, pois os princípios dissociados podem agora ser isolados. Agora podemos obter Sal, Enxofre e Mercúrio sem destruir ou perder nenhum dos outros princípios. Para este fim são utilizados os processos de destilação, calcinação, etc. Mas não basta separar Sal, Enxofre e Mercúrio um do outro. Também temos que purificar cada princípio de acordo com sua polaridade inerente. A purificação é conseguida através do uso de um fogo externo. Porque cada substância pode ser purificada sem destruir sua essência no fogo.” No entanto, a temperatura certa deve ser aplicada, dependendo das propriedades específicas da substância. Exemplo: Os compostos de sal ativamente carregados são os únicos componentes que sendo sais amorfos são mortos e alquimicamente inúteis – por isso foram apropriadamente chamados de ‘caput mortuum’ (cabeça da morte). Se usarmos (relativamente falando) temperaturas muito altas na calcinação de uma planta, obtemos os componentes inorgânicos nas cinzas. Só neste ponto podemos dissolver os sais alquimicamente valiosos do ‘caput mortuum’, mas se quiséssemos fazer uma destilação para obter enxofre e mercúrio nas mesmas altas temperaturas, isso levaria à queima dos resíduos no frasco, inutilizando todo o destilado. Se finalmente separamos e purificamos os princípios, eles devem ser trazidos para uma nova unidade. Isso porque somente a conjunção do três princípios constituem os arcanos, que agora aparecem em uma nova e completa forma (Gestalt) como a potência ativa de cura sem a polaridade do veneno. Assim, o processo espagírico básico prossegue em quatro etapas:

1. A Putrefactio (Putrefação) ou fermentação
2. A Separatio (Separação) dos princípios
3. A Purificatio (Purificação) dos princípios
4. A Cohobatio (Coobação ou conjunção) dos princípios ou o casamento químico, produzindo a essência espagírica

Neste processo quaternário está o segredo da obtenção de preparações espagíricas. Agora podemos ver que  tinturas comuns, extrações, decocções etc., só em parte podem fazer uso dos poderes curativos das plantas. Nessas preparações, os três princípios não são completos, nem purificados, nem combinados em suas propriedades curativas. Também o processo de putrefação – tão essencial à dissociação dos três princípios – está ausente nos procedimentos químicos. Portanto, os ‘quimistas’ nunca podem libertar um princípio sem destruir outros ao mesmo tempo. Em contraste, a preparação espagírica “desbloqueia” completamente a planta, de modo que o caminho é aberto para a obtenção da essência espagírica contendo apenas os princípios purificados.

Traduçao: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-compreensao-espagirica-dos-remedios/

O mito da caverna comentado, parte 2

Texto de Platão em “A República”. Os comentários ao final são meus.

continuando da parte 1

Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco – Com toda a certeza.

Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz [5].

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco – Necessariamente.

Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna [6].

Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates – Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia? [7]

Glauco – Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco – Por certo que sim.

Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? [8] E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco – Sem nenhuma dúvida.

Sócrates – Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível [9], não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco – Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la [10].

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)

***
[5] Na metáfora Sócrates discorre sobre o processo de evolução do conhecimento, e como ele necessita ocorrer passo a passo, gradativamente.
[6] Buscar o que sustenta a Criação, ou “porque existe algo e não nada”, é o estágio primordial da evolução do conhecimento – onde ela também pode ser confundida, não sem razão, com uma evolução espiritual. Não importa o que dizem os materialistas atuais, foi buscando a Deus que os grandes cientistas comporam suas equações e os grandes filósofos pautaram sua lógica. Qual Deus buscavam eles, entretanto, é algo próprio de cada um deles…
[7] Lembremos que não se trata de mudar de uma realidade para outra, e sim de retroceder a uma vida de ignorância. Ainda que quisesse, entretanto, já não mais conseguiria. Quem vê a luz uma vez e a compreende, jamais voltará a enxergar sombras.
[8] Aquele que compreende a essência das coisas – que sai da caverna – se torna um ser modificado. O que antes lhe interessava na vida dentro da caverna, não lhe interessa mais… Dessa forma, mesmo seus familiares e amigos mais próximos vão estranhar seu comportamento.

É isso precisamente o que ocorre com todos aqueles que “se iniciam” nos estudos mais profundos em filosofia, religião ou ciência. Um físico não conseguirá mais ignorar o baile de partículas do Cosmos, um budista não conseguirá mais ignorar o que compreende em suas meditações, e um filósofo não conseguirá mais viver sem o eterno exercício dos questionamentos existenciais… E todos esses serão agora “estranhos no ninho”, “excêntricos”, “loucos”, “nerds”, etc.
Isso não quer dizer que todo louco seja sábio. Muitas vezes, é apenas louco mesmo. Eis que os sábios são ainda muito poucos, e esta é a razão do mundo ser como é. Tolstói já dizia: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”.
[9] O “mundo inteligível” não é um céu localizado fisicamente em algum lugar. Nem a “subida da alma” é uma elevação a esse céu mítico. O céu está na consciência de cada um, assim como a ascenção da alma corresponde a ascenção do conhecimento de si mesmo e da essência das coisas. Repito: não é o mundo que muda, somos nós!
[10] Platão nunca afirmou que compreendeu totalmente Sócrates. Eu não afirmo que compreendi totalmente este mito. Da mesma forma, Krishna, Lao Tsé, Buda, Jesus e tantos outros sábios jamais foram compreendidos totalmente, exceto pelos seres de igual estatura espiritual – muito provavelmente não estamos ainda entre eles.

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Crédito da foto: Diana Oliveros

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Filosofia #Mitologia #Platão #Sócrates

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-caverna-comentado-parte-2

23 Perguntas para Robert Anton Wilson

Robert Anton Wilson “é” aquele que não é “é”. Talvez possamos descrevê-lo como um filósofo psicodélico, um trapaceiro pós-moderno, um comediante intelectual, um tornado que atravessa a psique. Ele ganhou destaque como editor da Playboy na década de 1960. Durante esse tempo de magia ele se envolveu com os Discordianos, uma “nova religião disfarçada de uma piada complicada”, ou “uma piada complicada disfarçada de uma nova religião”. Junto com Robert Shea, ele é co-autor do Illuminatus! trilogia de romances, um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do Dr. Leary pela psicologia radical e pelo futurismo. Seu livro Prometheus Rising fundiu o agnosticismo ao modelo ao modelo de 8 circuitos do cérebro de Leary para criar um sistema que ensinou as pessoas a desconstruir sistemas dogmáticos de crenças pessoais. Seus inúmeros outros livros exploraram tópicos como mecânica quântica, universos alternativos, sistemas lógicos não aristotélicos, magia sexual, Wilhelm Reich, James Joyce e Orson Welles. Sua abordagem do modelo agnóstico para a investigação o torna um escritor único, um dos poucos que podem escorregar perfeitamente do pensamento científico racionalista para a especulação metafísica não materialista.

Embora tenha lutado contra a síndrome pós-pólio nos últimos anos, ele continua ativo na propagação de suas várias paixões (N.T RAW morreu em 2007) O filme de 2003 Maybe Logic de Lance Bauscher, Cody McClintock e Robert Dofflemyer, explorou e apresentou conceitos wilsonianos envoltos em cores e ritmos sutis, mas explosivos, um tributo adequado às suas ideias. Este projeto deu origem à Maybe Logic Academy, um instituto de aprendizagem que é
“baseada na filosofia e na perspectiva da lógica do talvez, uma abordagem que enfatiza a falibilidade e a relatividade da percepção e tende a abordar informações e observações com perguntas, probabilidades e múltiplas perspectivas em vez de verdades absolutas.” A New Falcon Publications pretende publicar em breve seu novo livro Email To The Universe (N.T: Publicado em 2005).

A entrevista que segue foi concedida a revista MungBeih entre 2004-2005.

Você tem um novo livro saindo chamado “Tale of the Tribe”. Sobre o que será?

Mudei o título para EMAIL TO THE UNIVERSE. É sobre James Joyce, taoísmo, internet e Aleister Crowley, além da minha loucura de sempre.

Parece que muitos de seus escritos se conectaram com as pessoas e talvez até influenciaram seus pensamentos e atividades. Por causa desse efeito em sua base de fãs, alguns sugeriram que você se tornou uma “figura cult”. Isso parece apropriado, dada sua participação inicial na Sociedade Discordiana e seus muitos escritos sobre os Illuminati (um culto secreto que pode ou não existir), referências a Eris, maçãs douradas, a Lei dos Cincos, o número 23, bem como outras ideias relacionadas. Os memes que você enviou ao mundo vinte, trinta anos atrás continuam a prosperar e florescer. Como você se sente sobre esse legado de ter semeado uma diversidade de memes ecléticos?

É ao mesmo tempo agradável e lisonjeiro, é claro, mas me sentirei muito mais feliz quando a Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico forem semeadas tão amplamente, ou até mais amplamente.

Vamos semeá-los mais amplamente aqui! Você pode explicar aos nossos leitores o que (Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico) são?

A Lógica do Talvez é um rótulo que ficou preso entre minhas ideias pelo cineasta Lance Bauscher. Eu decidi que se encaixa. Eu certamente reconheço sua importância central em meu pensamento – ou em meus esforços vacilantes e desajeitados para pensar em sistemas não-aristotélicos. Isso inclui a lógica de três valores de von Neumann [verdadeiro, falso, talvez], a lógica de quatro valores de Rappoport [verdadeiro, falso, indeterminado, sem sentido], a lógica multivalorada de Korzybski [graus de probabilidade.] e também o paradoxo lógico do Budismo Mahayana [É A, não é A, é A e Não-A, Não é A nem Não-A]. Mas, como um sujeito extraordinariamente estúpido, não posso usar tais sistemas até reduzi-los a termos que uma mente simples como a minha possa lidar, então apenas prego que todos nós pensaríamos e agiríamos com mais sensatez se usássemos o “talvez “com muito mais frequência. Você pode imaginar um mundo com Jerry Falwell gritando “Talvez Jesus seja o filho de Deus e talvez ele odeie os gays tanto quanto eu” – ou os minaretes do Islã ressoando com “Talvez Não exista Deus exceto talvez Alá e talvez Maomé seja seu profeta”?

A lei Snafu (NT: S.N.A.F.U: “Status Nominal: All Fucked Up”) afirma que, quanto maior o seu poder de punir, menos feedback factual você receberá. Se você pode demitir pessoas por dizerem o que você não quer ouvir, você só vai ouvir o que você quer. Esta lei parece se aplicar a todas as engenhocas autoritárias, especialmente governos e corporações. Concretamente, suspeito que Bozo (NT. Robert chamava George Bush de Bozo) saiba menos sobre o mundo do que qualquer caçador de cães em Biloxi (Mississipi).

A lei do Babaca Cósmico (N.T: Cosmic Schmuck) afirma que [1] quanto mais frequentemente você suspeitar que pode estar pensando ou agindo como um Babaca, menos Babaca Cósmico você se tornará, ano após ano, e [2] enquanto você nunca suspeitar que pode pensar ou agir como um Babaca, você permanecerá sendo um Babaca Cósmico por toda a vida.

O E-prime pode revolucionar a língua inglesa?

Espero que sim, mas precisa de ajuda, como mais computadores online e mais maconha. MUITO mais maconha. (N.T: E-prime é a versão revisada da língua inglesa que exclui todas as formas do verbo to be, incluindo todas as conjugações, contrações e formas arcaicas.)

Qual é o propósito da sua Maybe Logic Academy e quem mais está envolvido? E o que diabos está acontecendo lá?

Quero usar a Internet para acelerar a evolução humana substituindo decisões baseadas na fé por decisões baseadas em pesquisa. Os demais têm objetivos semelhantes ou compatíveis. Nossos líderes de classe incluem R.U. Sirius, ciberfilósofo; Patricia Monaghan, pesquisadora da deusa; Alan Clements, monge budista e ativista; Peter Caroll, matemático e inventor da magia do Caos; Douglas Rushkoff, especialista em mídia; e outros se juntarão em breve.

Você escreveu extensivamente (e encontrou novas aplicações para) várias teorias científicas, particularmente no campo da mecânica quântica. No entanto, você manteve uma distância crítica do establishment científico, uma espécie de voz herética e um cético em relação ao ceticismo. Você costuma citar a história do Dr. Wilhelm Reich como um exemplo de autoridade enlouquecida. O governo dos Estados Unidos destruiu grande parte do trabalho controverso do Dr. Reich, e ninguém, especialmente colegas cientistas, deu um passo à frente em protesto ou defesa. A ciência deveria ser sobre inovação, mas poucos cientistas parecem capazes de revisar suas teorias favoritas uma vez que tenham sido aceitas. Acho que é por isso que muitos acharam chocante quando Stephen Hawking recentemente saiu e disse: “Eu estava errado sobre os buracos negros”. Ninguém está acostumado a ver figuras respeitadas revisando ou descartando suas crenças arraigadas. Qual é a importância da heresia, ceticismo e ideação heterodoxa para o avanço da ciência?

Deixe-me fazer uma diferença entre o método científico e a neurologia do cientista individual. O método científico sempre dependeu do feedback [ou flip-flop, como os czaristas chamam]; Portanto, considero-a a forma mais elevada de inteligência de grupo até agora desenvolvida neste planeta atrasado. Já o cientista individual parece ser um animal completamente diferente. Os que conheci parecem tão apaixonados e, portanto, tão egoístas e preconceituosos quanto pintores, bailarinas ou mesmo, Deus salve a classe, escritores. Minha esperança está no próprio sistema de feedback, não em qualquer suposta santidade dos indivíduos no sistema.

Com seu auto-entitulado modelo agnóstico você desconstruiu todos os tipos de sistemas de crenças (BS) em seus livros. Em Prometheus Rising você encorajou as pessoas a entrar conscientemente em tantos túneis de realidade diferentes quanto possível, para examinar suas crenças de múltiplos pontos de vista. A cultura humana está repleta de pessoas zelosamente apegadas a várias ortodoxias e ideologias. O choque de sistemas de crenças fundamentais muitas vezes provou ser destrutivo para a humanidade. O que será necessário para sacudir as pessoas de seus dogmas?

Em uma palavra, Internet. Desde que li Cybernetics: Control and Communication in the Animal and the Machine, de Wiener, em 1948, pensei em “inteligência” como uma função de feedback. Quanto mais feedback, maior a “inteligência” mensurável, e quanto menos feedback, menos “inteligência”. À medida que o computador deu origem à Net e à Web, o feedback aumentou exponencialmente. Como R. U. Sirius escreveu recentemente: “A ascensão da Net e da Web representa uma vitória para a contracultura e a subcultura. A próxima geração, criada na Net como seu principal meio, nem mesmo saberá o que é a realidade consensual.” Em outras palavras, feedback e Lógica do Talvez formam um círculo que gira cada vez mais rápido. Os czaristas temem e odeiam – eles chamam de “flip-flopping” – mas caracteriza todos os sistemas de alta inteligência, eletrônicos ou protoplasmáticos.

Concordo que a internet parece ser um produto de um sistema de feedback tão acelerado. Isso é algo que podemos testemunhar em cada interação online. Mas, tem havido muita conversa após o 11 de setembro de um sinistro espectro totalitário pairando sobre nós, que o Grande Irmão de Orwell está finalmente aqui. Existem conspirologistas que acreditam que a internet, tendo surgido do Pentágono, nunca foi nada mais do que uma trama do Big Brotherista, e que pessoas como RU Sirius, John Perry Barlow e outros filósofos da Era da Informação são tolos (in)conscientemente fornecendo uma fachada libertária para esta vasta conspiração. E se a internet não for nada mais do que o mais recente método czarista de controle e coleta de informações?

Bem, então estamos afundados, não é? Felizmente, não existe nenhuma razão lógica ou factual para acreditar nessa fantasia paranóica, e ela é diretamente contrariada pela matemática difícil de Wiener e Shannon sobre “redundância de controle” em sistemas de feedback. O que Juang Jou disse sobre o universo há 2.400 anos é ainda mais verdadeiro nas 4.285.199.774 URLs de computador online hoje – [21 de agosto de 2004] – “não há governador em lugar nenhum”.

Falando em 11 de setembro e no Pentágono, um dia depois que o avião abriu um buraco na lateral do prédio, imediatamente pensei no livro Illuminatus que você escreveu com Robert Shea. Nele, o Pentágono de cinco lados aprisiona uma besta sobrenatural chamada Yog Sothoth. Se esse ghoul escapasse, a humanidade testemunharia a imanentização escatológica. Esta parece ser a metáfora mais adequada para o atual clima cultural milenar que eu já vi. Então, de certa forma, Yog Sothoth foi eliminado naquele dia?

Não tomemos metáforas muito literalmente. Admito que Bozo tem muito em comum com Yog Sothoth, e que ele até tem as mesmas iniciais de GWB666 em Schrödinger’s Cat, mas considero isso como acertos acidentais. Não me considero um profeta adormecido.

Quão perto estamos da imanentização escatológica?

O escaton foi imanentizado há 5 anos, quando os Supremos cancelaram a eleição e nomearam GWB – a Grande Besta Selvagem – para a Casa Branca.

Você escreveu um artigo convincente após a eleição presidencial de 2000 nos EUA, no qual apontou uma daquelas coisas óbvias que a maioria das pessoas não percebeu: enquanto 50% dos eleitores elegíveis dividem seus votos entre Bush e Gore, os outros 50% conscientemente escolheram votar em Ninguém. (Na verdade, tenho argumentado que, como crianças, prisioneiros, estrangeiros e outras pessoas desprivilegiadas não podiam votar, Bush só conseguiu um mandato de cerca de 14% do povo americano. Chega de “metade do país” apoiando-o, Você também teorizou que um nefasto e neo-autocrático “Governo de Ocupação Czarista” (TSOG) controla o aparelho do Estado. Foda-se o velho debate democrata versus republicano. Diga-me, como você acha que o Ninguém e o TSOG se sairão nas próximas eleições presidenciais?

Presumo que as pessoas mais inteligentes continuarão a votar em Ninguém, e a maioria idiota dividirá seus votos igualmente, dependendo de qual dos dois multimilionários Skull-and-bones tem mais sex appeal. Isso realmente não parece importar: se as pessoas preferem marginalmente o candidato “errado”, a Suprema Corte certamente os “corrige” novamente. O TSOG parece uma doença confortável, como a morte por doença do sono. Após 7000 anos de ‘Authoritaria’.

No patriarcado, a maioria das pessoas aceita o czarismo e, na América aquela constituição incômoda imposta a eles por alguns maçons intelectuais.

Esta declaração lembra a Psicologia de Massa do Fascismo de Reich. Parece que há uma desconfiança pública massiva e generalizada e desgosto na política e no governo, não apenas nos EUA, mas em muitas partes do mundo. Por que os cidadãos são tão leais a sistemas e líderes pelos quais reconhecidamente não têm respeito?

Raymond Chandler, que serviu como tenente de infantaria na Primeira Guerra Mundial, apontou o mesmo paradoxo em menor escala: ao atacar um inimigo, as tropas são estatisticamente mais seguras se espalhadas amplamente, mas todas mostram uma tendência a se agrupar perto do tenente, aumentando assim o risco. Isso parece um programa de vertebrados [mesmo pré-mamífero] programado. Além disso, temos mais de 7.000 anos de condicionamento autoritário documentado por Reich. Parece bastante sombrio, não é? Meu otimismo se baseia no fato de que, historicamente, em situações de emergência, as pessoas muitas vezes sofrem mutações de maneiras imprevisíveis e criativas. Como disse John Adams, a Revolução Americana ocorreu “nas mentes das pessoas nos 15 anos antes do primeiro tiro ser disparado”. Suspeito que uma revolução semelhante esteja ocorrendo nas mentes de pessoas educadas em todo o mundo.

Em todo o cenário pós-eleitoral, tem-se falado muito de uma “América dividida”, com especialistas traçando uma linha dura entre “estados azuis” e “estados vermelhos”. Esta linha é ilusória?

Suspeito que todas as linhas existam apenas em nossas mentes – especialmente linhas políticas. O universo parece mais um caos dançante do que um caderno pautado.

Estamos vivendo na Roma de Phillip K. Dick?

Bem, Phil certamente morava lá. Sinto-me mais como se vivesse na Rússia czarista. Às vezes penso em mim como o último dezembrista – e se isso parece obscuro ou muito esquisito, basta definir seu mecanismo de busca para “dezembristas + Illuminati” e grok em sua plenitude as URLs que aparecem. De qualquer forma, certamente não vivemos em uma democracia constitucional. Tenho quase 99.999999999999999999999999999999% de certeza disso.

Quando estou severamente deprimido, ou severamente chapado, sou capaz de realmente *sentir* a Roma de Dick, não apenas grocá-la como um conceito intelectual. Para mim, este túnel da realidade está cheio de emoção, paranóia, ilusão, sincronicidade, simbologia, metáfora, consciência aumentada. Alguma vez vai além da teoria para você? Você *sente* a Rússia czarista?

Freqüentemente — especialmente quando testo meu desapego budista tentando ouvir “nossos” líderes sem rosnar ou xingar baixinho. Sinto-me como os dezembristas, de forma muito pungente. Mas também identifico muito os fundadores desta República moribunda. Eles sabiam que a Constituição sozinha não poderia conter os desejos de poder de Certos Tipos e avisaram que precisávamos de vigilância eterna – – mas eles só poderiam nos dar a Constituição, não a vigilância. Infelizmente!

Parece, então, que a democracia é uma capa para a autocracia. Foi sempre assim? Ou a história está retrocedendo, traímos coletivamente o Iluminismo?

Primeiro, minha paixão se volta para a democracia CONSTITUCIONAL, não apenas a “democracia” em geral, que temo tanto quanto nossos fundadores. Eu quero LIMITES no governo, claramente definidos e virtualmente “gravados em pedra”. Como John Adams escreveu: “Meu credo é que despotismo ou poder absoluto é o mesmo na maioria de uma assembléia popular, em um conselho aristocrático, em uma junta oligárquica ou em um único imperador – igualmente arbitrário, sangrento e em todos os aspectos diabólico”. Eu concordo totalmente. Sim, acho que perdemos muita luz ultimamente – e por “nós” quero dizer tanto os políticos quanto as massas.

Você teve que lutar pelo seu direito de usar maconha medicinalmente. Como você se tornou ativista?

Desde 1959 eu “ativo” por várias causas, porque tenho esse tipo de temperamento. Eu me envolvi ativamente na causa da maconha medicinal muito antes de meus sintomas pós-pólio tornarem a maconha necessária no meu próprio caso. Agora, preso em uma cadeira de rodas a maior parte do dia, me sinto não apenas ativado, mas superativado. Sustentei uma esposa e quatro filhos a maior parte da minha vida. Tenho 35 livros impressos. NEW SCIENTIST chamou minha trilogia CAT de “o mais científico de todos os romances de ficção científica”. Agora, aos 73 anos, sou tratado como uma criança pelo TSOG – assim como meu médico, um médico totalmente qualificado.  Se consultando algumas organizações baseadas na fé que para citar George Carlin são “incrivelmente cheios de merda.” Se você quiser a visão de organizações baseadas em pesquisa terá que se esforçar.

Você fundou recentemente o Guns & Dope Party para combater os excessos do czarismo. Quais são alguns dos princípios centrais da plataforma do seu partido?

– Armas para quem as quer; sem armas impostas a quem não as quer [Quakers, Amish, pacifistas em geral etc.]
– Drogas para quem as quer; sem drogas impostas a quem não as quer [Cientistas Cristãos, herbalistas, homeopatas etc]
– União Bípede – direitos iguais para avestruzes
– Tributação voluntária: você paga pelos programas governamentais que deseja; você não paga um centavo por nenhum programa que não queira.

Você acha que as Zonas Autônomas Temporárias ou Utopias Piratas têm potencial para serem paraísos livres do TSOG?

Temporariamente. Somente a Internet cria a possibilidade real de uma Zona Autônoma Global. Acho que todos os problemas foram resolvidos e serão resolvidos por [a] mais informações e [b] transmissão de informações mais rápida e onipresente.

O conceito de conspiração tem se destacado em seus escritos por décadas. O que mais te fascina no conceito de teoria da conspiração?

Meu maior interesse permanece, como eu disse, na área de lógica não-aristotélica, e por volta de 1969 Bob Shea e eu tivemos a ideia de escrever um romance engraçado aplicando A Lógica do Talvez à arena da conspiração. O resultado, ILLUMINATUS foi tão longe fora dos túneis de realidade de consenso que levamos cinco anos para publicá-lo, e agora, há 30 anos, continuo recebendo feedback de dois grupos que não conseguem lidar com o conceito de “talvez”, de forma alguma. O primeiro grupo acredita fervorosamente, sem sombra de dúvida, que endossei as ideias mais loucas que discuti e, portanto, me considera um maluco perigoso. O segundo grupo tem uma crença igualmente ardente de que eu trabalho para o departamento de desinformação da CIA e quero fazer todas as teorias da conspiração parecerem igualmente malucas. Já escrevi dezenas de livros sobre outros assuntos, mas essas duas gangues provocam continuamente meu senso de humor chapado, então sempre me rendo à tentação de me divertir um pouco mais com eles…

A Conspiriologia está muito grande nos dias de hoje. Por que você acha que as pessoas são tão atraídas por ideias especulativas?

Como um Baba Cósmico confesso, não afirmo “saber” a resposta para isso – ou qualquer outra coisa – mas tenho certas suspeitas persistentes. Suspeito, por exemplo, que “o establishment” – ou seja, o TSOG e a mídia corporativa – contaram tantas mentiras ultrajantes que ninguém realmente confia mais neles. As armas de destruição em massa no Iraque ainda permanecem escondidas da percepção humana. Depois que essa mentira desmoronou, o TSOG não apareceu apenas cheio de merda; parecia, para citar Carlin novamente, que parece incrivelmente cheio de merda. Então, naturalmente, cresceu um mercado para explicações sobre o que diabos realmente motiva Bozo e sua gangue. Considero meu trabalho como aplicar a mesma crítica mordaz a todos os modelos que tentam insinuar que o modelista realmente sabe mais do que eu e não apenas adivinha, especula e tateia no escuro, como admito que faço.

Você é bem conhecido por seu trabalho explorando teorias especulativas e esotéricas. Em livros como Sex and Drugs e na série Cosmic Trigger, você escreveu sobre experimentação com magia oculta. Refletindo sobre suas inúmeras incursões nesses mundos estranhos onde a Ciência teme pisar, quais são os “segredos” mais interessantes que você descobriu?

O mesmo que descobri simultaneamente no budismo e na física quântica: ou seja, a suposta “muralha” entre “eu” e “o mundo” não existe. Limpar o pensamento e a linguagem dessa divisão fictícia aumenta imensamente a clareza. Ah, sim, e melhora seu senso de humor também!

Vamos encerrar com um pouco de humor. Você pode me contar uma boa piada?

Três caras estão bebendo e discutindo em um bar. “Eu lhe digo que deve ser escrito W-O-O-O-M”, diz o primeiro dogmaticamente.
“E eu ainda digo que W-H-O-O-M soa melhor”, o segundo conta.
“Não, não, não”, diz o terceiro. “É definitivamente W-H-O-M-B-B.”
“Vocês todos entenderam errado”, diz a ginecologista na mesa ao lado. “É W-O-M-B.” (NT: Útero) Eles a encaram friamente. “Senhora”, diz o primeiro, “é óbvio que você nunca ouviu um elefante peidar.”

Bônus: Maybe Logic (documentário completo)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/23-perguntas-para-robert-anton-wilson/

Feliz Thorrablót !!!

Itens:

Hóff (Altar);

Toalha Vermelha (para o Hóff);

Aessirmyndar (Ídolos dos Aesir/Imagens de Thor);

Velas vermelhas;

Flores vermelhas (para decorar);

Hammar (Martelo);

Blótahorn (Chifre);

Blótarkarfa (Cesta de oferendas);

Incenso;

Mjólð (Hidromel);

Ale (Cerveja Vermelha);

Sacrifício (Carne/Alimento ritual) – Lembrando que sacrifício significa “tornar sagrado”, portanto, que a comida e bebida de um blót são consagradas.

Uma vez que muitos de nós enfrentamos dificuldades para “montar” um altar em casa, não existem problemas em suprimir um ou mais elementos, desde que se reserve um tempo a dedicação aos deuses.

Preparação e ritual:

Montagem do altar;

Consagração do local;

Acendimento das velas/fogueira;

Invocação (quando se chama por Thor: Aqui quem tem o od – inspiração – pode fazer um poema para o deus ou apenas dizer o nome e chama-lo pelos seus epítetos, convidando-o a tomar seu assento de honra no blót);

Consagração da bebida e comida com o martelo;

Libação (ergue-se um brinde a força de Thor, a glória dos Aesir, faz-se pedidos para o Poderoso Asathor, etc. Aqui vale lembrar os gigantes que estão em nosso caminho. Eu gostaria de pedir que todos incluíssem em seus pedidos as bênçãos de Thor para o nosso povo, que a cada dia possamos nos tornar mais coesos e fortes);

Agradecimentos (pela presença de Thor e suas bênçãos);

Entrega das oferendas (que podem tanto ser feitas na natureza como podem ser queimadas na fogueira/lareira).

Despedidas.

Essa é apenas uma sugestão de roteiro que pode ser adaptada, simplificada ou incrementada, conforme as possibilidades de cada um, para podermos criar um ele como Poderoso Senhor de Thrudheimr!

Thor blessadur!

#Festividade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/feliz-thorrabl%C3%B3t

As Influências Religiosas em Silent Hill

Os mitos da franquia de jogos Silent Hill contém vários paralelos e temas religiosos.

Cristianismo:

A religião que a maioria das pessoas pensa quando olha para a Ordem. Como o cristianismo, a Ordem chama sua divindade de “Deus”. Ambos os Deuses são divindades salvadoras que se acredita que um dia retornarão à Terra e darão aos crentes (ou a toda a humanidade, dependendo da interpretação de cada um) vida eterna e felicidade.

Outra ideia em que a Ordem acredita é o Inferno. Embora nem todos os cristãos acreditem no inferno, especialmente na era moderna, mas como a Ordem, a maioria dos cristãos por agora acredita no inferno.

O Deus da Ordem também é dito ser uma divindade solar, e dentro do Cristianismo Esotérico, Jesus é uma divindade solar.

Valtiel também é considerado pela Ordem como o mesmo ser que Metatron.

Por fim, o culto do filme Terror em Silent Hill, The Brethren (A Irmandade), parece seguir alguma crença arcaica de fanáticos cristãos sobre a caça às bruxas, embora o roteiro diga que são maniqueístas.

Catolicismo:

A Ordem também tem semelhanças com o catolicismo especificamente. O clero realiza confissões como os católicos. Ambos acreditam no Purgatório.

Alessa também tem semelhanças com Maria. Ambas estavam grávidas de deuses apesar de serem virgens. Ambos os deuses deveriam levar a humanidade à salvação. Acreditava-se que Maria nasceu sem o Pecado Original, e Alessa nasceu com poderes. Finalmente, no terceiro jogo, a Ordem fez de Alessa em “Santa Alessa, Mãe de Deus, Filho de Deus”. As diferenças são óbvias, pois Maria foi abençoada e voluntariamente deu à luz Jesus, enquanto Alessa foi desfigurada e atormentada.

Gnosticismo:

Alguns apontaram temas gnósticos em Silent Hill. A Ordem acredita que este mundo é um Inferno, enquanto o Outro Mundo mais fantástico é um reino agradável, assim como os Gnósticos acreditam que o mundo físico é um mundo inferior. Isso é, no entanto, revertido em que o Outro Mundo é na verdade um reino infernal, enquanto os vislumbres que temos do mundo real são um lugar normal.

Alessa também foi comparada a Sophia. Sophia no Gnosticismo é um ser que dá à luz o Demiurgo, a divindade maligna que criou este mundo físico inferior. Da mesma forma, a Deusa da Ordem é uma divindade criadora e quando realmente a vemos, ela é má. Como Sophia, Alessa também odiava seu “filho” e tentou impedi-lo.

O roteiro do filme também afirma que os membros de A Irmandade são maniqueístas, que é uma seita do gnosticismo.

Wicca e Neopaganismo:

Perto do final de Silent Hill 3, Heather lê parte de um livro sobre Tarô. Ele menciona o “deck de Gardner”. Esta é provavelmente uma referência a Gerald Gardner, um dos fundadores da Wicca.

A divindade principal da Ordem também é uma deusa feminina, que espelha a Wicca e muitas religiões neopagãs, pois dão grande ênfase às divindades femininas.

Religiões Mesoamericanas:

Os criadores afirmaram que a Ordem estava parcialmente fora dos rituais e crenças mesoamericanas. Vemos isso na prática de sacrifício humano da Ordem, especialmente quando Heather derrama sangue no altar encontrado no Hospital Brookhaven do Outro Mundo.

Os nomes de dois deuses importantes nas crenças da Ordem são Xuchilbara e Lobsel Vith. Ambos os nomes vêm da língua maia.

Antiga Religião Celta:

O Outro Mundo é um termo do paganismo celta. No paganismo celta, o Outro Mundo era um lugar mágico onde viviam fadas, deuses e outras criaturas mágicas. Alguns também acreditavam que era a vida após a morte celta. Os celtas acreditavam que o Outro Mundo estava localizado do outro lado do mar ocidental, sob os montes das fadas, ou ao lado do nosso próprio mundo. Na maioria das fontes, acreditava-se que o Outro Mundo era uma terra verde livre de doenças, fome e velhice. No entanto, algumas fontes dizem que às vezes pode ser um lugar escuro e aterrorizante para aqueles que não deveriam estar lá. Também é notado que o Outro Mundo deve ter névoas em suas fronteiras. A série parece fazer referência a isso em Silent Hill 3, quando uma placa no shopping pode ser vista que diz “Tirn Aill”, que é o termo em galês para “mundo das fadas” ou “outro mundo”.

Xintoísmo:

Outra possível influência é a religião xintoísta. No xintoísmo, há uma crença nos “Kami”. “Kami” é muitas vezes mal traduzido como “deus”, mas na verdade é mais complexo do que isso. Kami é realmente considerado algo superior em beleza e poder. Nesse sentido, os seres humanos eram tecnicamente considerados Kami. Kami também poderia ser a “alma” animista de um lugar, pois acreditava-se que muitas árvores, montanhas e nascentes tinham seus próprios Kamis. É possível que o poder de Silent Hill tenha sido influenciado pela crença nos Kamis.

Outro aspecto do Xintoísmo que aparece em Silent Hill é a crença na limpeza e na poluição. Está implícito que o poder de Silent Hill foi manchado pelos eventos que ocorreram lá.

O Book of Lost Memories (Livro das Memórias Perdidas) também afirma que o santuário encontrado em Silent Hill 1 se parece com um santuário xintoísta.

Por último, o Toluca Lake (Lago Toluca) é um tanto importante na série. No folclore japonês, pensava-se que a água era um portal para Yomi, o mundo dos mortos.

Adoração do Diabo:

Alguns apontaram que a Ordem tem semelhanças com a Adoração do Diabo. Ambas as religiões acreditam no Ocultismo e tentam obter poderes Ocultos. Quando o Deus foi expulso de Alessa no primeiro jogo, criou o Incubus (mais tarde identificado como Samael), que se parece com o Baphomet, uma figura associada ao Caminho da Mão Esquerda.

Judaísmo:

O primeiro jogo contém referências cabalísticas na forma de um quebra-cabeça. O terceiro jogo também faz referência à Cabala quando Heather lê sobre o Aglaophotis (um líquido vermelho que é obtido a partir do refinamento de uma erva de mesmo nome. Tem a capacidade de dissipar forças demoníacas e conceder proteção contra tais forças àqueles que usam o item). Além disso, os inimigos da Ordem chamam seu Deus de “Samael”. Samael é um anjo que às vezes é equiparado ao diabo cristão, e também é o anjo da morte.

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Fonte:

Religious Influences On Silent Hill.

https://silenthilltheories.fandom.com/wiki/Religious_Influences_On_Silent_Hill

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/as-influencias-religiosas-em-silent-hill/

Todas as Magias são Magia do Caos

Bate-Papo Mayhem #053 – Com Vinicius de Mello Rosa – Todas as Magias são Magia do Caos

https://projetomayhem.com.br/

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/pOMG6yyYCqk

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral duas vezes por semana, às segundas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados uma vez por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/todas-as-magias-s%C3%A3o-magia-do-caos

A História de Indrāṇī nos Puranas

Indrāṇī é a esposa de Indra (Śacī).

Genealogia:

Descendente de Viṣṇu assim: Viṣṇu-Brahmā-Kaśyapa-Pulomā-Śacī (Indrāṇī). Pulomā foi um asura nascida em Kaśyapa por sua esposa Danu. Indra casou-se com Śacī, a filha de Pulomā, e por isso Śacī se chama Indrāṇī também. Ela se chama Paulomī também por ter sido filha de Pulomā.

Indrāṇī e Śūrapadma:

Uma Asura chamada Śūrapadma uma vez cobiçou Indrāṇī. Ele delegou seus homens para buscar Śacī de uma forma ou de outra para ele. Ao saber disso, Indra, mantendo Indrāṇī com ele, foi e ficou no templo Chīyāli em Koṅkaṇadeśa, e depois Indra foi ao Monte Kailāsa depois de pedir a Śāstā para guardar Indrāṇī. Durante a ausência da Indra, Ajāmukhī, a irmã de Śūrapadma conheceu Indrāṇī e a induziu a ser a esposa de Śūrapadma. Indrāṇī recusou. Finalmente Indra retornou e levou Indrāṇī de volta para Devaloka.

Indrāṇī e Nahuṣa:

Veja em Agastya.

Indrāṇī e Pāñcālī:

O Mahābhārata diz que Pāñcālī foi uma encarnação parcial de Indrāṇī. (Veja em Pāñcālī). Uma parte de Śacī nasceu na família de Drupada como Draupadī, ou seja, Pāñcālī. (Mahābhārata Ādi Parva, Capítulo 67).

(1) Indrāṇī uma vez foi para a assembleia de Brahmā e o adorou. (Mahābhārata Sabhā Parva, Capítulo 11, Verso 42).

(2) Uma vez Satyabhāmā veio a Devaloka com Śrī Kṛṣṇa, e Indrāṇī conduziu-a a Aditi, mãe dos Devas. (Mahābhārata Sabhā Parva, Capítulo 36).

(3) Śacī também esteve presente no nascimento de Subrahmaṇya. (Mahābhārata Śalya Parva, Capítulo 46, Verso 13).

(4) Indrāṇī e Arjuna. (Veja em Arjuna).

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Fonte: https://www.wisdomlib.org/hinduism/compilation/puranic-encyclopaedia/d/doc241628.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-historia-de-indra%e1%b9%87i-nos-puranas/

Lovecraft e o Necronomicon – Luigi Doria

Bate-Papo Mayhem 179 – gravado dia 29/05/2021 (Sabado) Com Luigi Doria – Chtulhu, Lovecraft e o Necronomicon

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lovecraft-e-o-necronomicon-luigi-doria