‘Renascer Anticristão

por Betopataca, publicação permitida pelo autor no portal MSInc.

O propósito principal deste pequenino compêndio aqui desenvolvido é somente de revelar a enorme mentira e farsa sobre o qual se abanca o cristianismo e as religiões abrãamicas (osirianas num linguajar thelêmico).

Tudo demonstrado é calcado em fatos logicamente comprovados e em opiniões pessoais, por tal é do inteiro direito do leitor renegar os factos cientificamente comprovados e minhas opiniões pessoais em seu microcosmo ou dimensão pessoal.Destarte qualquer pessoa tem o direito de viver e acreditar no que quiser,mesmo sendo tal para mim e para os fundamentos da racionalidade e da ciência uma calúnia.

Por fim, não existe frase melhor do que a proferida por Aleister Crowley,pensador e ocultista britânico do início do século, para dar início a este compêndio:”Não existe Lei a não ser a do faze o que tu queres”.

Nota Morte Súbita Inc. Eis a mais completa e definitiva refutação histórica, filosófica e metafísica do cristianismo. Embora sua enfase seja a acusação das falácias cristãs, é sobretudo um livro satânico. E diga-se de passagem, um dos livros mais representativos do satanismo latino-americano. Em primeiro lugar seu autor foi participante ativo da Fraternitas Templi Satanis, ordem satânica que preencheu a lacuna deixada pela Igreja de Lúcifer nos primeiros anos do século XXI.

Em segundo lugar a obra por si só está permeada de uma ideologia afinada ao satanismo moderno de Anton LaVey. Isso fica especialmente claro nos capítulos ‘Vaso Cheio’ e ‘Amor Universal’.

Por fim, a própria natureza do arquétipo satânico é a de adversário, de acusador. E sabemos que todos os praticantes públicos do satanismo moderno são constantamente abirdados por apologistas cristãos. Pois bem, um estudo atento desta obra armará a todos com uma arma com a qual eles não podem se defender; a verdade.

Índice

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/renascer-anticristao/

A Cidade Celeste II

Também é importante advertir que a fundação das cidades, com seus templos e santuários, era um símbolo que expressava a constituição ou consolidação de uma doutrina tradicional, convertendo-se assim a cidade terrestre na própria expressão dos princípios cosmogônicos e metafísicos revelados por tal doutrina, pois esta sempre foi considerada como a emanação direta da Doutrina do céu, que não é outra que a própria Sabedoria Perene, Lei Eterna, ou Sanatana Dharma, contida na Tradição Primitiva, ou o que é o mesmo, no Centro Supremo. Este, embora em um princípio era acessível a todos os homens, tornou-se, por razões de ordem cíclica, oculto e inacessível para a grande maioria, Por isso que seja através da compreensão do sentido profundo e essencial do Ensino como se pode realmente estabelecer a comunicação com tal Centro, quer dizer, quando a “intenção” e a vontade de todo o ser se oriente para o Conhecimento, e se identifique e seja um com ele, promovendo assim uma verdadeira transformação interior casada com a realização de todas as possibilidades contidas no estado humano, à luz de cuja plenitude todas as coisas aparecem reintegradas na Unidade do Si mesmo, o qual está em relação com a frase evangélica: “Procurem e encontrarão, peçam e serão saciados, chamem e se lhes abrirá”. A essa transformação (precedida por numerosas mortes e nascimentos) refere-se a expressão hermética que sintetiza a consumação da Grande Obra: “espiritualizar os corpos e corporificar os espíritos”, ou “espiritualizar a matéria e materializar o espírito”, como se diz nas primeiras páginas deste Programa.

O centro do estado humano está representado precisamente pelo coração, onde, efetivamente, todas as tradições situam a morada simbólica da Cidade celeste, ou Cidade divina (em sânscrito Brahma-pura), que é o Reino dos céus (identificado com a Cristianópolis ou o Templo do Santo Espírito, “que está em todas partes”, do hermetismo Rosa-Cruz), do que se diz que não virá ostensivamente, “Nem poderá dizer-se: hei-lo ali, hei-lo aqui, porque o Reino de Deus está dentro de vós”, Lucas, XVII, 21. É também a Jerusalém Celeste como dissemos, cujo advento supõe a abolição da condição temporária, e portanto a restauração do estado primitivo e do sentido da eternidade ou “presente eterno”. Em conseqüência, poderia então se afirmar que a Cidade celeste é a possibilidade permanente de viver a realidade em si mesmo, sem reflexos duais, como foi, é e será sempre, constituindo o ponto de referência vertical que dá sentido e plenitude à totalidade de nossa existência, que se reconhece no universal, conduzindo-nos da periferia ao centro através do Eixo que comunica a Terra com a Pátria celeste, que é nossa origem e destino final: “Eis aqui o Tabernáculo de Deus entre os homens, e erigirá seu Tabernáculo entre eles, e eles serão seu povo e o mesmo Deus será com eles”, Apocalipse, XXI, 3-4.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-cidade-celeste-ii

A Mansão Winchester – Parte 1

Rev. Obito

Quando era criança meu pai gostava de brincar de quebra-cabeças e fazer contas. Às vezes ele dizia: se você ficar entre 1 e 2 minutos sem respirar você desmaia. 10 minutos sem oxigênio e seu cérebro desliga, sem volta. Então, se eu prender você e te jogar nessa piscina, quanto tempo você tem para se soltar do cadeado e das correntes para conseguir nadar até a superfície e sair vivo da água?

Talvez hoje esse tipo de brincadeira seja questionado, mas aos 11 anos eu conseguia abrir quase todos os cadeados que via. Eu também conseguia resolver um cubo mágico em menos de 2 minutos, para outras crianças isso significava um nerd chato e sem vida ou futuro, para mim significava sobremesa e poder assistir os filmes que começavam depois da meia noite na tv.

Outra coisa que adorava era ler, quadrinhos especialmente. Claro que na época se os garotos mais velhos te pegassem com uma revistinha você virava saco de pancada, hoje elas viram filmes e se você não é #teamstark as pessoas olham com nojo para sua alma.

Assim, lá pelo fim da década de 1980, encontrei em uma banca a nova edição do Monstro do Pântano, escrita por Alan Moore. Aquilo era arte pura, uma obra de suspense sofisticado, era algo que eu precisava ler. A história no caso era sobre dois casais que se embrenhavam no meio do mato e chegavam a uma mansão assombrada.

A mansão, Alan Moore contava, ficava na cidade de São Miguel, na Califórnia, e havia sido construída pela viúva Amy Cambridge, com a fortuna que herdou de seu marido, o dono da companhia de armas de fogo Cambridge. Cambridge construíu a mansão sem plantas ou mapas, dizia que recebia dos fantasmas as instruções de como deveria construir, o que resultou em uma casa que era um labirinto bizarro, salas com treze lareiras, portas que se abriam para abismos ou para paredes de tijolos. Quartos construídos dentro de quartos, cômodos com alguns poucos metros quadrados de área com armários do tamanho de salões.

Lendo os quadrinhos o resumo do que havia acontecido era: o Sr. Cambridge, depois de fazer fortuna vendendo armas de fogo havia morrido e deixado tudo para a esposa. Ela passou a ser assombrada pelos fantasmas das pessoas mortas pelas armas, cowboys, índios, mexicanos, mendigos, suicidas, etc… Os fantasmas foram claros quando ela perguntou o que queriam:

“The sound of the hammers must never stop”

“O som dos martelos não deve nunca parar!”

Então ela contratou marceneiros que começaram a expandir a casa, trabalhando em turnos, 24 horas por dia, 7 dias por semanas, sem parar nunca. BANG! BANG! BANG!

Eventualmente a viuva morreu e só então as obras da casa pararam. Por causa de sua bizarrice arquitetônica a casa foi abandonada e estava caindo aos pedaços, mas cheia de fantasmas. E o som dos martelos havia parado.

Em inglês a coisa fica mais genial porque hammer significa tanto ‘martelo’, a ferramenta, quanto ‘cão’ aquela peça de metal que as pessoas puxavam para trás para engatilhar a arma. O som de um cão batendo também faz BANG, mas um tipo diferente de BANG.

Os casais se embrenham na casa, o horror acontece e não vou dar mais spoilers, ao invés disso você pode baixar aqui a edição original (em inglês) e se divertir.

Bom, como acontecia com quase tudo que lia de Moore aquilo grudou na minha mente. Uma mansão labirinto construída com instruções dadas pelos fantasmas que morreram como resultado da fortuna que era usada para construir a casa. Uma ode à morte e à loucura.

Muito tempo depois em uma conversa sobre lugares assombrados contei da casa para um grupo de amigos, não me lembrava dos detalhes “a mansão da viuva das armas de fogo”. Uma das amigas presentes respondeu arregalando os olhos: você já ouviu falar da Mansão Winchester? Eu não me lembrava do nome exato e concordei, o que eu puxava da memória ela completava com os próprios detalhes. “Uma boa história!” Eu terminei.

– História? Como assim? Ela existe de verdade!

E foi assim que aquele labirinto me puxou de volta para dentro de seus corredores. Voltei para casa depois de um tempo, cacei a revista e a reli, prestando atenção. Vi que claramente era chamada de mansão Cambridge, mas Moore avia deixado duas pistas:

1ª Um diálogo onde uma das personagens diz: Look, really, it’s not a joke. The Cambridge Repeater was a sort of a second-rate copy of the winchester.

Ou

Olhem, é verdade, isso não é uma piada. O rifle Cambridge foi tipo uma imitação barata do Winchester.

2ª Nunca existiu uma marca Cambridge de rifles, mas o escritor e artistas eram ingleses e Cambridge é uma cidade universitária muito popular do Reino Unido que fica a uma boa distância de Winchester.

Eventualmente, depois dos anos 1990 e início no admirável milênio novo a Mansão Winchester se tornou popular de novo. Aparece em uma série de programas de caçadores de fantasmas, desbancados de mitos e gurus psíquicos. Haviam liberdades poéticas entre a mansão de verdade e a dos quadrinhos. Ambas estavam localizadas na Califórnia, a de Moore em São Miguel a real em São José. Todas as bizarrices do quadrinho existiam na casa real, salas com inúmeras lareiras, portas que levavam a lugar nenhum, os corredores labirínticos e claro, a história da assombração.

Durante anos a fascinação que aquela casa exerceu em mim me levou a estudá-la, sua história, suas lendas e principalmente seu propósito. O que levaria alguém a construir uma casa do tamanho de uma vila com detalhes tão bizarros? A resposta simples “loucura e/ou fantasmas” não me satisfazia, a lógica, mesmo que insana, não fazia sentido. Nessa matemática a conta tinha variáveis demais ou de menos.

(Para entender como funciona a matemática aplicada a essas loucuras você pode ler este textinho)

Então não tive outra opção a não ser arregaçar as mangas, vestir as calças, colocar a cueca e ir atrás de resolver esse problema. Este texto é o resultado do constrangimento de sair correndo pelas ruas, bibliotecas e até mesmo outro país com a cueca por cima das calças.

OS FATOS

A Mansão Winchester, ou Winchester Mystery House, se tornou uma atração turística. Ela se encontra no número 525 South,em Winchester Blvd. in San José, Califórnia. A construção é impressionante.

Quando você entra para fazer a tour – paga, é claro – pode pegar uma pequena brochura que traz alguns fatos sobre a casa, o mesmo texto hoje se encontra disponível no site deles <https://winchestermysteryhouse.com/>, no site também é possível fazer um tour virtual – pago, é claro. A brochura nos diz:

É UMA MARAVILHA

A Winchester Mystery House® é uma maravilha arquitetônica e um marco histórico em San José, Califórnia, que já foi a residência pessoal de Sarah Lockwood Pardee Winchester, a viúva de William Wirt Winchester e herdeira de grande parte da fortuna da Winchester® Repeating Arms.

A tragédia se abateu sobre Sarah – sua filha morreu de uma doença infantil e, alguns anos depois, seu marido foi tirado dela por tuberculose.

A MUDANÇA PARA O OESTE

Pouco depois da morte de seu marido, Sarah deixou sua casa em New Haven, CT e mudou-se para o oeste para San José, CA. Lá, ela comprou uma casa de fazenda com oito quartos e começou o que só poderia ser descrito como a mais longa reforma doméstica do mundo, parando apenas quando Sarah faleceu em 5 de setembro de 1922.

ESTES SÃO OS FATOS

De 1886 a 1922, a construção aparentemente nunca cessou, já que a casa da fazenda original de oito quartos se transformou na mansão mais incomum e ampla do mundo, apresentando:

2.230m2 de área construída
10.000 janelas
2.000 portas
160 quartos
52 claraboias
47 escadas e lareiras
17 chaminés
13 banheiros
6 cozinhas

O custo da construção foi de U$5 milhões de dólares em 1923 ou U$71 milhões hoje.

É UM MISTÉRIO

Mas o que restou é realmente um mistério. Mesmo antes de sua morte, rumores de uma “casa misteriosa” sendo construída por uma mulher rica e excêntrica circulavam. Ela foi instruída a construir esta casa por um médium? Ela foi assombrada pelos fantasmas daqueles abatidos pela “Arma que Venceu o Oeste”? A construção realmente nunca parou? O que motivou uma socialite bem-educada a se isolar do resto do mundo e se concentrar quase exclusivamente na construção da mansão mais bonita e bizarra do mundo?

À FRENTE DE SEU TEMPO

Sarah Winchester foi uma mulher independente, energética e corajosa que até hoje vive em lendas. E a mansão que ela construiu é mundialmente conhecida tanto pelas muitas curiosidades e inovações de design (muitas à frente de seu tempo) quanto pelas atividades paranormais relatadas que ocorrem dentro dessas paredes.

Esses mistérios e muito mais já atraíram mais de 12 milhões de visitantes a visitar a Winchester Mystery House® desde que as portas foram abertas em 30 de junho de 1923. Você será capaz de desvendar o mistério?

Isso resume o mistério a cerca da casa – se bem que vendo as fotos, chamar aquilo de casa é como chamar um elefante de piolho. Ele foi criado com base em lendas e mitos gerados pela excentricidade do projeto.

AS LENDAS

Alan Moore resumiu todas as lendas de maneira bem rápida e poética na história do Monstro do Pântano, depois em 2018 a Lions Gate lançou o filme A Maldição da Casa Winchester (você pode ver o trailer aqui) que além de dar uma mão de tinta moderna nas superstições foi filmado na mansão verdadeira! As cenas que mostram os cômodos e corredores são muito mais belos do que as feitas pelas dezenas de programas sobrenaturais [1], vale a pena ser visto nem que seja para se sentir o tamanho da casa.

Seria impossível tentar reunir em um único texto com menos de 10 volumes tudo o que já disseram sobre a mansão, mas em linhas gerais isso é o que popularmente se acredita:

Hoje a mansão é conhecida como a Winchester Mystery House, mas nas décadas em que estava sendo construído ela era simplesmente a casa de Sarah Winchester.

Sarah era a viuva de William Wirt Winchester, herdeiro da Companhia de Armas Winchester.

Ela nasceu em 1840 – aproximadamente – e cresceu em um mundo de privilégios. Ela falava quatro línguas, frequentava as melhores escolas, se casou bem e chegou a ter uma filha, Annie, aparentemente a vida que todos pedem a Deus. O problema é que Deus tem um senso de humor bizarro e sua filha morreu, logo em seguida foi a vez de seu marido.

Com a morte do marido Sarah herdou aproximadamente U$20 milhões de dólares (mais ou menos U$500 milhões hoje em dia), 50% das ações da empresa que lhe rendia uns U$1000 dólares por dia (ou U$26.000 dólares hoje em dia). Credo, que delícia!

Mas além de mais dinheiro do que poderia queimar, Sarah herdou uma tristeza profunda, depressão e tudo mais que acompanhava o luto de uma mulher do fim do século XIX que perde o único pilar de sua vida: a companhia e o controle de um homem!

Assim ela fez a única coisa que uma mulher como ela poderia fazer, se envolveu com o espiritismo. Começou a realizar sessões espíritas se consultava com médiuns (todos homens, é claro) e buscava entre os mortos a resposta para os problemas de sua vida, não é de se admirar que tenha obtido sucesso.

Contratando os serviços do melhor Médium Psíquico que uma fortuna descomunal poderia pagar Sarah chegou a Adam Coons. Adam conseguiu entrar em contato com William (obviamente Sarah não pediu para falar com filha, provavelmente porque ela também havia sido uma mulher do século XIX) e as notícias não eram boas. Sarah estava sendo amaldiçoada por cada ser vivo que já havia sido morto por uma arma Winchester.

Durante o século XIX houve uma corrida nos Estados Unidos para a criação de uma arma foda. Vários concorrentes desenvolviam seus projetos. Na época os rifles e revólveres disparavam uma bala por vez. Muitos ainda precisavam de pais para queimar a pólvora e disparar o projétil. Pensando em formas mais eficientes e rápidas para matar cada vez mais pessoas, H̶i̶t̶l̶e̶r̶ os americanos começaram a desenvolver novas munições que já traziam a pólvora e o projétil numa única peça e armas que disparassem essa munição cada vez mais rápido. E quem conseguisse isso estava com o futuro feito: o oeste americano estava sendo desbravado. Milhares de índios e mexicanos e búfalos malvados teimavam em não sair de lá e em atacar os pobres patriotas que queriam explorar o ouro e as terras que Deus havia lhes dado. Além desses inconvenientes o pais estava promovendo uma guerra civil que já durava meia década. O mercado precisava de armas melhores.

Oliver Winchester, um empresário e político – é claro – entrou em cena em 1866 e começou a produzir suas armas. O Modelo e, eventualmente o modelo 1873 foram campeões de venda, ficaram conhecidos como A Arma que Conquistou o Oeste. Isso tornou Oliver estupidamente rico até o dia de sua morte em dezembro de 1880. Seu filho William herdou a empresa e morreu quatro meses depois. E ai entra Sarah, que pegou o equivalente a uma Apple depois da volta de Steve Jobs.

Assim, na época da morte de William as armas Winchester já estavam matando, ferindo, aleijando e intimidando pessoas há mais de 24 anos, durante a conquista do oeste bravio e durante o final da guerra civil americana. Muita, muita gente mesmo já havia testemunhado a eficiência das armas que deram a Sarah sua fortuna. E todas essas pessoas queriam atormentá-la.

Coons então disse a Sarah que William pedia para que ela saísse sua casa em New Heaven, Connecticut, e fossa para a Califórnia. Então ela deveria usar sua fortuna para construir uma casa para os espíritos das vítimas da Winchester ou seria atormentada por eles a vida toda.

Em 1884 Sarah comprou uma casa de fazenda e o terreno ao redor, contratou carpinteiros e trabalhou para construir sua cidadela de 7 andares de altura. Ela não tinha plantas, planos ou arquitetos, ela ia instruindo os carpinteiros conforme os fantasmas a iam instruindo, assim cômodos eram construídos do lado de fora da casa, fazendo com que a janela de um quarto desse para dentro de outro quarto. Escadas eram erguidas, cada uma com degraus de tamanhos diferentes, e então interrompidas sem motivo, terminando no teto, levando a lugar algum. Portas eram colocadas e o próximo cômodo não era construído, elas davam para o lado de fora alguns andares acima do chão.

Um corredor começava a ser construído e então pediam mudanças no tamanho, e de novo, e de novo, até que se afunilavam e terminavam quando as paredes se encontravam. Cômodos eram ligados por passagens, cômodos prontos eram desmontados e paredes erguidas ali, muitas portas acabam se abrindo para revelar um muro de tijolos.

Mas a arquitetura não era a única excentricidade. Os fantasmas queriam que tudo fosse construído com madeira de sequoias gigantes mas Sarah não gostava da cor da madeira então ela mandou que pintassem todas as paredes – mais de 90.000 litros de tinta foram gastos – SÔÔÔÔ RIKAAAAAAA!

Além dos números já citados ela tinha dois porões, três elevadores, iluminação automática a gás, chuveiros e toda a tecnologia de ponta da época.

Candelabros de ouro e prata pendiam dos tetos, dúzias de painéis de cristal feitos pela Tiffany & Co. – todos desenhados por Sarah atendendo as ordem precisas dos fantasmas – preenchiam portas, janelas e painéis pela casa. Uma delas, colocada em uma das janelas, foi feita com o propósito de projetar um arco-íris no chão quando a luz do dia batesse no painel… claro que isso seria lindo se a janela não tivesse uma parede do outro lado.

Em 1904 um terremoto sacudiu San Jose, mas a Mansão Winchester havia sido erguida sobre uma base flutuante – uma fundação que distribui e equilibra o peso do solo ao redor, nada mal para uma mulher não arquiteta do século XIX – a casa ficou inteira… ou quase. Os três andares superiores sofreram algum s danos e acabaram sendo desmontados, deixando a mansão com os 4 andares que tem hoje (sem contar os porões).

A “sala Principal” era a sala onde Sarah continuava realizando sessões espíritas da meia noite às 2 da madrugada. Era enorme, tinha treze lareiras e uma mesa de carvalho redondo gigante no centro.

O cenário estava bem desenvolvido, preparado para começar a receber histórias.

Sarah nunca admitiu abertamente que estava construindo uma casa para fantasmas de pessoas assassinadas, mas alguns rumores começavam a nascer.

Os trabalhadores falavam das sessões diárias na sala dos espíritos, realizadas com médiuns locais, numa tentativa de atrair espíritos bons. Esses “espíritos bons” eram consultados para que ela se informasse sobre maneiras de melhor agradar aos espíritos para os quais ela estava construindo a casa, eram esses guias que diziam para Sarah fazer tantas adições aparentemente ilógicas ao seu projeto.

Dos 13 banheiros da casa, apenas um funcionava. Era uma tentativa de confundir espíritos que tentassem assombrar os encanamentos. Ela dormia cada noite em um quarto diferente, e usava suas passagens secretas para ir de um cômodo para outro, evitando os corredores principais.

Enquanto ela estava viva as histórias eram criativas, depois que ela morreu elas ficaram insanas. Os trabalhadores simplesmente largaram suas ferramentas, vários pregos ficando para fora das paredes, madeiras serradas pela metade.

Relatos de pessoas que invadiam a casa, tanto para roubá-la quanto para explorá-la e fugiam apavoradas, se tivessem a sorte de conseguir fugir, é claro, se tornaram lugar comum.

Gritos, choros, sons de marteladas (ou tiros) na casa vazia eram ouvidos por quem passasse por perto.

Sarah divide seus bens em seu testamento, menos um: a casa.

Apesar de seu tamanho e conteúdo ninguém queria comprá-la. Era bizarra demais. Sua sobrinha então retirou toda a mobília e a leiloou. Dizem que foram necessárias 6 semanas para esvaziar a casa. Depois de vazia um investidor local comprou a casa pela bagatela de US135.000 dólares. Apenas cinco meses depois da morte de Sarah a casa estava aberta para o público – embora não em sua totalidade. Muitas alas e cômodos permaneceram fechados, nunca ofereceram uma explicação. Com os anos as surpresas continuavam surgindo, de quando em quando um cômodo secreto era descoberto, cheio de surpresas como um órgão hidráulico, um sofá vitoriano, um armário de vestidos, uma máquina de costura e várias pinturas.

Muitos visitantes relatam sentir a presença dos espíritos dos mortos que moram lá e os guias estão cheios de histórias de acontecimentos e acidentes suspeitos. Como Sarah nunca deu entrevistas, nenhum diário jamais foi encontrado e nenhum parente quis comentar nada sobre ela o mistério persiste.

A PESQUISA

A história toda é fabulosa, um prato cheio para qualquer MindFreak, logo é óbvio que eu não teria como resistir a mergulhar de cabeça.

Se você leu os quadrinhos, assistiu ao trailer e leu tudo até aqui tem basicamente tudo o que eu tinha na época. Isso e uma dúvida que eu batizei em homenagem a outra casa incrível: a Dúvida Amityville!

O que é a Dúvida Amityville?

No dia 13 de novembro de 1974 Ronald DeFeo Jr. matou a tiros seis membros de sua família na casa em que viviam no número 112 da Ocean Avenue em Nova Iorque. Em novembro de 1975 ele foi declarado culpado e condenado. Em dezembro de 1975 George e Kathy Lutz compraram e se mudaram para a casa no estilo colonial holandês onde o crime aconteceu. Eles levaram o cachorro e os 3 filhos. 28 dias depois, os Lutz abandonaram a casa dizendo ser vítimas de atividades paranormais no local.

A história virou um livro escrito por Jay Anson que deu início a uma série de filmes sobre o assunto.

Claro que com o sucesso vieram as dúvidas, o livro, os filmes a família e o escritor passaram a ser alvos de críticas e processos dizendo que a história não era real. Até o padre que aparece na história deu depoimentos dizendo que o conteúdo do livro havia sido distorcido.

Em 1977 os Lutz começaram a processar de volta as pessoas e os meios de comunicação que desacreditavam a história. Mas ano a ano parecia que cada parágrafo do livro era desmentido. As marcas de arrombamento nas fechaduras e maçanetas, o quarto vermelho secreto que não parecia ser nada além de uma despensa, pegadas de bode na neve, marcas de fogo na parede ao redor da lareira, a casa sendo construída sobre um terreno onde originalmente os índios enviavam seus doentes mentais para morrerem, etc., etc., etc.

Com o tempo os Lutz se divorciaram, surgiram mais pessoas que afirmaram terem ajudado a criar a história que os Lutz contaram e que viraram o livro e a vida seguiu. Mas George se manteve firme a vida toda. Em um documentário do History Channel do ano 2000 entitulado Amityville: The Haunting and Amityville: Horror or Hoax? Ele afirmou “Acredito que isso permaneceu vivo por 25 anos porque é uma história verdadeira. Não significa que tudo o que já foi dito sobre isso seja verdade. Certamente não é uma farsa. É muito fácil chamar algo de embuste. Eu gostaria que fosse. Não é.”

Mas qualquer pessoa com acesso à internet e com um conhecimento mediano de inglês acha dezenas e dezenas de matérias que mostram que o casa todo foi inventado pelos Lutz, e isso deveria ser o ponto final para o assunto. Deveria… mas uma dúvida permanece, a Dúvida Amityville:

O livro escrito por Anson foi publicado em setembro de 1977. O primeiro filme sobre o caso estreiou em 1979.

Eu fico imaginando: o que levaria uma família e investir uma bela grana em uma casa e um mês depois sairem correndo feito loucos de lá?

Vamos imaginar que eles pensaram: podemos inventar que a casa é assombrada, vamos colocar cemitérios indígenas, um quarto secreto de sacrifícios satânicos (podemos falar que é na despensa) quartos com infestações de moscas, banheiros vazando ectoplasma, fantasmas nos atacando e tentando nos violentar, um demônio que nosso filho mais novo vê com cabeça de porco e acha que é um anjo, uma lareira assombrada por satã, experiências fora do corpo, cachorro agitado e louco, pegadas do diabo na neve, vizinhos que não chegam perto da casa, todo mundo ficando apático, as pessoas me confundindo fisicamente com DeFeo, portas que não se trancam, meio inferno marchando pela casa… ai nós saímos correndo e colhemos os frutos de nossa imaginação!

Mas que frutos seriam esses? Eles só conheceram Anson DEPOIS de sair da casa. Qualquer acordo financeiro de royalties só começariam a chegar de 2 a 4 anos depois deles saírem. Imagine quem iria querer pagar por uma casa onde um assassinato famoso aconteceu e depois foi possuída por Satã? Quem pagaria perto do que os Lutz tinham pago por um lugar maldito?
Como eles iam saber que a história que eles estavam inventando seria um sucesso?

Eles não permaneceram na casa enquanto o livro e filme aconteciam, eles fugiram anos antes. Por que? Se fossem uma casa herdada, ou um presente, talvez a piada fosse boa o suficiente para valer a pena (sem contar o bulling que as crianças sofreriam na escola, na família, etc…) mas eles pagaram pela casa, venderam o que tinham e se mudaram… e menos de um mês depois tinham fugido de lá. Por quê?

A Dúvida Amityville pode ser resumida assim: num caso de maluquice e birutice e enganação, geralmente o picareta não tem muito à perder e muito a ganhar com a história, mas em alguns casos acontece algo que, por mais pilantragem que aconteça depois, não justifica um dos atos da pessoa.

Os Lutz não tinham como saber que iriam encontrar um escritor, que o que ele fosse escrever iria se tornar um sucesso e que o livro viraria um filme. Então porque saíram da casa e a pintaram como o pior investimento do mundo se todo o dinheiro e crédito que tinham estava investido lá?

(Se quiser saber como qual nossa resposta para a Dúvida Amityville, além de um estudo bem minucioso sobre o caso, escreve ai nos comentários. Diabos… se tiver bastante gente curiosa de repente a gente até procura a editora que publicou o livro por aqui e podemos pensar em algum sorteio!)

E o que a Dúvida Amityville tem a ver com a Mansão Winchester?

Da mesma forma que algo não se encaixa na história de Amityville se ela for 100% invenção e pilantragem, algo não se encaixa na história da Mansão Winchester se ela for 100% loucura e paranóia.

Vamos imaginar que ela estivesse fazendo aquilo para chamar a atenção. Que fosse 100% sã e quisesse criar uma Disney paranormal. Então ela fez um trabalho porco. Construiu a casa até morrer, mas não fez nada além disso, deixou algumas pessoas inventarem lendas e depois ela virou uma atração turística.

Se ela queria criar uma atração turística… bem… na época dela ainda não havia uma Las Vegas para servir de exemplo, mas ela também fez um trabalho porco. Não deixou nada no testamento, apenas largou a casa quando morreu.

Se ela fosse louca e estivesse construindo uma casa aleatoriamente projetada por fantasmas do bem que estavam ensinando ela a construir uma armadilha para capturar fantasmas maus… por que tanto capricho em detalhes que passariam batidos? Os painéis de vidro que ela projetava, os lustres feitos de ouro e prata, os adereços da casa. Aquilo não era para fantasmas.

Algo, eu ainda não sabia o que, não se encaixava.

…continua na parte II

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-mansao-winchester/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-mansao-winchester/

7 dicas para reconquistar seu poder de atenção

Tamosauskas

Muitos cientistas modernos defendem que a atenção é algo que pode ser exercitados, entre eles Susan Blackmore, Albert Wojciech Adamkiewicz, Herman Boerhaave, Charles-Édouard Brown-Séquard, Johann Nepomuk Czermakh Wilhelm, Joganna Kintee, Octavio Stevaux, Heinrich Wilhelm Gottfried von Waldeyer-Hartz, Ryuta Kawashima, János Szentágothai, Louis Sokoloff, Samuel Thomas von Sömmerring, Félix Vicq-d’Azyr, Terrence J. Sejnowski e Heinrich Obersteiner.

Se você pulou a lista de nomes acima, por preguiça ou praticidade não se preocupe, você é um ser humano normal. A todo tempo tentamos otimizar nossos recursos cognitivos e isso é ótimo. O problema é que o excesso de atalhos do mundo moderno está causando um dano em nossa espécie. De acordo com testes em massa feitos pela Microsoft em 2015 o tempo médio de atenção do ser humano é hoje de oito segundos, enquanto que o de um peixinho dourado é de nove segundos. Esse valor é ainda menor que o de pesquisas nos anos 90, que ja eram menores do que o de pesquisas anteriores. A conclusão da gigante de tecnologia é que é uma redução do nosso poder de concentração é um dos efeitos da revolução da internet móvel.

O poder de atenção pode ser um diferencial no mundo moderno. Confira abaixo algumas praticas tradicionais e/ou científicas que poderão fazer de você o peixinho mais poderoso do aquário.

1. Use sua rotina para aumentar seu foco

Se você leu até aqui, parabéns! Seu foco não é tão horrível quanto poderia ser. No entanto, o caminho para recuperar o controle de sua atenção é longo. Estudos demonstraram que, para reconstruir o músculo da atenção, é melhor dividir o dia de trabalho em partes administráveis, com intervalos regulares entre elas.

Depois de analisar 5,5 milhões de registros diários de como os funcionários de escritório estão usando seus computadores (com base no que os usuários identificaram como trabalho “produtivo”), a equipe da DeskTime descobriu que os 10 por cento dos trabalhadores produtivos trabalharam em média 52 minutos antes de fazer uma pausa de 17 minutos. Se 52 minutos soa como uma maratona para você tente a Técnica Pomodoro, comece devagar com 20 minutos focados, cinco minutos desligados e vá aumentando.

2. Crie uma lista de “não-fazer”

As distrações estão por toda parte em nosso mundo. Na rua, no trabalho ou em casa. Os pesquisadores descobriram que depois de perder o foco levamos até 25 minutos para recupera-lo. Uma solução fácil é criar uma lista de “não-fazer”: sempre que sentir vontade de verificar o Facebook ou o Twitter ou seguir qualquer outro pensamento aleatório que vier à sua cabeça, escreva-o. O ato de simplesmente transferir esse pensamento da mente para o papel permite que você mantenha o foco na tarefa em questão.

3. Leia livros longos sem pressa

De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center , a leitura de conteúdo online aumentou quase 40%. Mesmo assim, 26% dos americanos não leram um único livro no ano passado. Ler apenas  conteúdos curtos está acabando com nossa capacidade de enfocar e treinar nossas mentes para buscar apenas respostas rápidas, em vez de explorar conceitos complexos. Não leve sua ânsia de produtividade para sua leitura de lazer. Pegue um clássico e experimente.

4. Como nossos pais

Não se engane, o declínio da capacidade de atenção é apenas um problema dos dias modernos. Em 1959, Mouni Sadhu, abismado com a desvantagem dos ocidentais em termos de atenção, escreveu um poderoso livro chamado Concentration com várias práticas para recuperar esse talento perdido. (Os poderes ocultos que essas práticas dizem despertar são um bônus). Cinquenta anos antes, em 1900, Theron Q. Dumont publicou um livro chamado The Power of Concentration também destacou uma série de práticas para desenvolver sua capacidade de atenção. Aqui estão algumas delas :

  • Sente-se quieto em uma cadeira por 15 minutos

  • Concentre-se em abrir e fechar lentamente os punhos por cinco minutos

  • Siga o ponteiro dos segundos de um relógio por cinco minutos

Eles podem parecer um pouco malucos, e desafiadores, mas são uma boa forma de medir a evolução de seu poder de foco.

5. Traga mais atenção ao seu dia

Atenção Plena (Mindfullness) está na moda e por um bom motivo: Pesquisadores da Universidade de Washington mostraram que apenas 10 a 20 minutos de meditação por dia podem ajudar a melhorar seu foco e estender sua capacidade de atenção. Além do mais, você verá melhorias em sua atenção após apenas quatro dias. Existem muitos apps hoje que se propõem a dar a mão os iniciantes e ajudá-los a dar seus primeiros passos.

6. Adicione exercícios físicos à sua rotina de exercícios de atenção

Malhar não é bom apenas para o corpo. Os pesquisadores descobriram que adicionar exercícios físicos à sua rotina ajuda a desenvolver a capacidade do cérebro de ignorar distrações. Em um estudo, os alunos que se envolveram apenas em exercícios físicos moderados antes de fazer um teste que mediu sua capacidade de atenção tiveram um desempenho melhor do que os alunos que não se exercitaram.

7. Pratique a escuta ativa

Se há um lugar em que nossa atenção limitada é incrivelmente perceptível, é quando estamos conversando com outras pessoas. Em vez de deixar a mente divagar enquanto o outro fale, pratique a escuta atenta , não interrompendo, recapitulando o que a outra pessoa disse regularmente e usando palavras de ligação como “OK”, “Entendi” e “Sim” para permanecer envolvido e mostrar que você está ouvindo. Essa prática não apenas fará bem para sua capacidade de atenção, mas também para seus relacionamentos.

* Conheça também o Principia Alchimica, um manual simples e prático dos principais conceitos da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/7-dicas-para-reconquistar-seu-poder-de-atencao/

Agora, sem as rodinhas!

Quando surgiu pela primeira vez na comunidade científica, a ideia de que todo o universo tivesse se originado de uma espécie de “átomo primordial” há bilhões de anos, e que vinha se expandindo desde então, pareceu tão absurda que um famoso astrônomo da época a chamou de Big Bang num programa de rádio da década de 1940.

A intenção de Fred Hoyle, o cientista britânico defensor da teoria do universo estacionário ou eterno, era ridicularizar a teoria do belga Georges Lamaître, aquele quem primeiro propôs a ideia de que o próprio espaço-tempo se encontrava em expansão. O fato de Lamaître, para além de físico e astrônomo, ser também um padre católico, certamente levou Hoyle a supor que ele estava se baseando mais nos dogmas do Gênesis do que em ciência genuína…

Mas hoje sabemos que a hipótese do Big Bang venceu a batalha contra o universo estacionário de Hoyle, e o que determinou a vitória foram os fatos: em 1966, já próximo da morte num leito de hospital, Lamaître foi comunicado que os astrônomos Arno Penzias e Robert Wilson haviam confirmado experimentalmente a existência da chamada radiação cósmica de fundo, uma espécie de “registro fóssil” em micro-ondas da época em que todo o universo era quente e denso, apenas cerca de 380 mil anos após o seu início.

Junto com outras evidências, como a de que as galáxias ainda hoje estão se afastando umas das outras, e a observação de uma imensa abundância de elementos leves no universo, hoje a teoria do Big Bang é de muito longe a hipótese mais aceita na comunidade científica, fazendo parte do chamado “modelo padrão”. Penzias e Wilson ganharam o Prêmio Nobel de Física de 1978 por sua descoberta. Se estivesse vivo, Lamaître certamente teria o seu Nobel garantido.

A ideia de um universo eterno, entretanto, era um conceito muito mais antigo do que o advento da própria astronomia moderna; um paradigma tão cristalizado na mente humana que eventualmente também se tornou quase que um dogma científico, ao ponto de ter tirado o sono até mesmo de Albert Einstein, que relutou o quanto pôde em admitir que o universo de fato se expandia. O célebre físico alemão chegou a dizer que este foi “o pior erro de sua carreira”.

Realmente não é fácil quebrar antigos paradigmas. Demócrito e outros filósofos atomistas da Grécia Antiga, por exemplo, acreditavam que os átomos eram eternos e imutáveis. Pitágoras e seus discípulos consideravam que todo o universo era ordenado por princípios imateriais eternos de harmonia e “verdades matemáticas”. Já Platão foi ainda mais longe, e generalizou a matemática transcendente pitagórica para uma visão mais ampla de Ideias arquetípicas e universais, que incluíam a Forma de cada objeto ou qualidade, como cavalos, seres humanos, cores e bondade. Segundo o grande filósofo grego, a própria realidade era composta por “sombras e reflexos das Formas transcendentais”.

Sempre foi complexo para a mente humana imaginar uma Natureza evolutiva, que não surgiu “pronta e acabada”, com todas as suas leis e variáveis imutáveis. E isso, é óbvio, se reflete também nas ideias científicas.

Ironicamente, o mesmo paradigma de universo estacionário com leis imutáveis gerou um baita problema para a visão ateísta do mundo… De acordo com o Princípio Antrópico, se as leis e constantes cosmológicas fossem ligeiramente diferentes após o Big Bang, não teria sido possível o surgimento de formas de vida baseadas em carbono, como nós aqui neste planetinha. Uma das respostas óbvias para tal enigma é que a própria Criação foi obra de alguma espécie de inteligência superior, ou seja, a ciência se vê forçada a retornar a hipótese de um Criador.

Para contornar esse “incômodo”, muitos cosmólogos preferem pensar que há inúmeros universos além do nosso, cada um deles com leis e constantes específicas. Nesses modelos de “multiverso”, o fato de calharmos de estarmos aqui, conscientes e maravilhados, se explica pela extraordinária sorte de fazermos parte de um dos bilhões e bilhões de universos que propiciou o surgimento da vida como a conhecemos. Segundo esses modelos, não faz o menor sentido reclamarmos de qualquer espécie de azar, pois a nossa sorte em estarmos aqui vivos é tão imensamente grande que equivale a uma chance estatística inferior a sermos atingidos por um raio a cada minuto durante toda a vida (e, nesse caso, também considerando as chances de sobrevivermos a todos eles).

Portanto, se as leis e constantes são imutáveis e tudo estava determinado desde o início dos tempos, tanto faz se calhamos de existir num dos universos que possibilitou a vida baseada em carbono, ou se este universo único foi criado conforme descrito no Gênesis, as chances estatísticas provavelmente se equivalem, e tudo passa a ser uma questão de “gosto pessoal” que defina qual aposta é menos absurda do que a outra.

No fundo, todas as teorias que postulam a existência de um multiverso possuem a crença comum na primazia da matemática sobre a realidade. Mesmo que existam muitos universos além do nosso, o que os sustenta, segundo tais ideias, são fórmulas matemáticas transcendentes, como por exemplo as que formam a espinha dorsal da teoria das cordas ou teoria M. Para resumir: tais teorias nada mais são do que uma espécie de pitagorismo ultrarradical.

Mas temos outra alterativa surpreendente, defendida pelo físico Rupert Sheldrake em seu monumental Ciência sem Dogmas. A opção ao pitagorismo é a evolução das regularidades da Natureza. Tais regularidades seriam mais semelhantes a hábitos adquiridos do que a leis imutáveis que estavam lá desde o início dos tempos, e ficariam mais fortes (ou “constantes”) pelo meio da repetição, da mesma forma que aprendemos a andar de bicicleta. Segundo Sheldrake, há um tipo de memória na Natureza, e o que acontece agora é influenciado direta ou indiretamente pelo que já ocorreu antes.

Hábitos ancestrais foram estabelecidos há bilhões de anos, e estão arraigados de tal forma na Natureza que se parecem mesmo com “leis imutáveis”. Dos fótons, prótons e elétrons surgiram as moléculas, depois as estrelas e as galáxias, então os planetas, os cristais, e ao menos aqui neste planetinha, as plantas e os seres humanos.

Entre as moléculas, por exemplo, a de hidrogênio é provavelmente a mais antiga – ela já existia antes da formação da primeira estrela. As “leis” e “constantes” associadas a esses padrões arcaicos de organização estão tão bem estabelecidas que atualmente já não apresentam nenhuma mudança detectável. Em contrapartida, algumas moléculas são novíssimas, como as centenas de compostos produzidos pela primeira vez por químicos de síntese em nosso próprio século. Nesse caso, os hábitos ainda estão se formando. O mesmo ocorre com novos padrões de comportamento em animais e novas habilidades humanas.

Se eliminarmos a biologia e nos mantivermos exclusivamente na física e na química, ainda assim esta teoria tem uma vantagem gritante se comparada às teorias que postulam um multiverso como forma de explicação ao Princípio Antrópico: ela fala de coisas que podem efetivamente serem observadas e testadas!

Na verdade, sabemos que os químicos que sintetizam novas substâncias muitas vezes têm grandes dificuldades de fazer com que elas se cristalizem. Às vezes leva muitos anos para os cristais surgirem pela primeira vez. Por exemplo, a turanose, um tipo de açúcar, durante décadas foi considerada um líquido, até que, na década de 1920, ocorreu a cristalização. Depois disso, esse açúcar formou cristais em todo o mundo [1].

O xilitol, álcool de açúcar usado como adoçante em gomas de mascar, foi preparado pela primeira vez em 1891 e considerado líquido até 1942, quando surgiram cristais pela primeira vez. O ponto de fusão desses cristais era de 61ºC. Depois de alguns anos surgiu outra forma de cristal, com ponto de fusão de 94ºC e, mais tarde, o primeiro tipo de cristal desapareceu da Natureza [2] (leia novamente este parágrafo se não compreendeu ainda o quão assombroso ele é)…

Nós tendemos a ver o universo sob o nosso ponto de vista, mas ironicamente postulamos que, ao contrário de nós mesmos, ele deveria ser como que um rio congelado, uma espécie de fórmula matemática supersimétrica, superelegante, transcendente e eternamente imutável. Dessa forma, tendemos a ver a Natureza como uma espécie de supercomputador programado desde o início dos tempos para obedecer às mesmas leis e constantes, sem a mísera variação. Entretanto, basta olhar a nossa volta, como uma árvore só pode existir após haver sido broto e, ainda antes, semente. Como os filhotes de passarinho devem ser alimentados por seus pais antes de criarem força nas asas e, eventualmente, se arremessarem aos céus. Como toda a metrópole tem o seu centro histórico e, dentro dele, o seu marco inicial.

Tudo evolui do simples para o complexo, e o grande destino da vida parece mesmo ser se organizar, de alguma forma extraordinária, em consciências capazes de observar o mundo – a Natureza vendo a si mesma, compreendendo a si mesma, se espantando consigo mesma.

E não podemos saber ainda, de fato, se há mesmo um Criador que pensou nisso tudo desde o início. Talvez, quem sabe, ele esteja aprendendo conosco. Talvez ele tenha preferido nos deixar livres para descobrir as coisas, tateando o Cosmos e evoluindo por nossa própria conta.

Como quando nossos pais nos levam ao parque para nos ensinar a andar de bicicleta. No começo, colocam rodinhas para que nos auxiliem a manter o equilíbrio. Talvez, quem sabe, todo o nosso passado mineral, vegetal e animal tenha sido como que um aprendizado com o auxílio das rodinhas…

Mas hoje, hoje despertamos, hoje somos seres conscientes encarando de volta a vastidão cósmica salpicada pelas mesmas fornalhas que fundiram os elementos de nosso corpo, habituadas há bilhões de anos a este caminho ancestral que vai do átomo primordial de Lamaître a um planetinha, quiçá bilhões e bilhões deles, plenos de vida, plenos de crianças a arriscar suas primeiras voltas de bicicleta.

Até o dia em que partiremos deste pequeno parquinho para os mundos e galáxias mais distantes, e quem sabe neste dia não poderemos olhar para o Alto e dizer:

“Olhem para nós! Agora, sem as rodinhas!”

***
[1] Crystals and Crystal Growing, por Allan Holden e Phyllis Singer (1961), pp. 80 e 81.
[2] Ibid., p. 81.

Crédito da imagem: Google Image Search/shutterstock

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#Ciência #Evolução #universo

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9 Maneiras Pagãs de Lidar com a Depressão

Por Terence P Ward

A depressão é uma experiência sufocante e miserável, e os períodos de depressão podem ser debilitantes e alterar a vida. Os sintomas não incluem apenas emoções reprimidas e energia reduzida, mas também nevoeiro cerebral e dores no corpo. Lutar para pensar ou agir pode afetar os planos de vida, desde a educação até a família e a carreira, e as mudanças comportamentais podem resultar em perda de motivação, bem como lutas contra o vício e outros problemas de saúde. A porcentagem de pessoas que sofrem de depressão está aumentando, mas um progresso incrível está sendo feito quando se trata de tratar essa condição complexa. Os pagãos podem fazer bem em complementar tratamentos tradicionais e emergentes, como medicamentos e terapias, abordando o dano espiritual que resulta de períodos de depressão. Esta é uma condição que afeta o corpo, a mente e o espírito, e tratá-la em todos esses três níveis tem o potencial de multiplicar os efeitos apenas da terapia ou da medicação. Aqui estão nove ideias de como proceder.

1.      ORAR. De acordo com Courtney Weber, “Você deve ir ao seu altar todos os dias, mas se estiver em um lugar ruim, vá três vezes ao dia”. Os pagãos podem se sentir desconfortáveis com a oração; a falecida Judy Harrow disse que “parece implorar”. Não precisa ser assim. Se todo o seu relacionamento com um humano é você pedindo favores e presentes, conversar pode parecer implorar depois de um tempo também. Tente simplesmente contar aos deuses sobre o seu dia. Talvez se você também tem o hábito de deixar oferendas, você pode pegá-los com vontade de intervir. Passar tempo com seus deuses deve trazer conforto em qualquer caso.

2.      MEDITAR. Concentrar a atenção em algo como a chama de uma vela, ou parar de pensar completamente, é uma maneira de aquietar a mente consciente. Isso permite que as partes mais profundas do eu tenham algum espaço para se curar, uma pausa da enxurrada de pensamentos recriminadores comuns durante a depressão. Isso às vezes é considerado uma forma de mudança de consciência, mas, na melhor das hipóteses, é um estado alterado que coloca a consciência no banco de trás e permite que outras partes da mente conduzam. Pode ser surpreendentemente difícil meditar no início, principalmente se a mente estiver cheia de pensamentos descontrolados, mas não é impossível. Mesmo começar com apenas um minuto de cada vez estabelece o hábito, mas tente estender isso por um minuto o mais rápido possível. Um objetivo sólido é ter sessões que durem pelo menos vinte minutos cada, mas levem o tempo que for necessário para chegar a esse ponto.

3.      CONECTAR. Procure uma pessoa e converse. O silêncio também é bom, pois fala muito. Há cura que vem simplesmente de estar na companhia de outros de nossa espécie. Nós evoluímos de primatas tribais e nossos espíritos respondem uns aos outros. Podemos sentir que somos completamente estranhos durante um período de depressão, que somos evitados e ostracizados, esquecidos ou ridicularizados. Esses pensamentos introduzidos fazem com que evitar a presença curativa de outros humanos pareça justificado. É importante exercitar o discernimento – as pessoas que o prejudicaram no passado podem prejudicá-lo no futuro – mas o companheirismo é uma parte necessária da experiência humana.

4.      LEMBRAR. Estamos abertos à depressão em parte por causa do trauma sofrido por nossos ancestrais e inadvertidamente transmitidos a nós como nossos hábitos, crenças e capacidade de gerenciar o estresse. Nossos ancestrais também têm interesse em nosso próprio sucesso e nos entendem de uma maneira que ninguém mais poderia. Chame os ancestrais por resiliência quando tudo parecer sombrio e sem esperança.

5.      RIR. A vida é engraçada — todas as partes da vida. Algumas das melhores comédias surgem do sofrimento, porque a centelha do humor é ainda mais brilhante quando brilha na escuridão. O riso sacode nosso corpo, mente e espírito e permite uma redefinição de todos os três. Pense em um momento em que algo engraçado provocou risadas incontroláveis. Lembre-se de como você se sentiu quando se deleitou com o brilho de uma risada profunda e completa. O riso é um presente dos deuses criadores, uma maneira de nos recentralizarmos em nosso eu mais verdadeiro. Dê a si mesmo permissão para receber esta bênção com todo o seu ser quando isso for possível, mas use o discernimento! Há momentos em que é melhor conter aquela gargalhada que brota. Haverá momentos em que parece mais sábio reprimir até mesmo uma gargalhada, mas sempre honre silenciosamente o sentimento e agradeça a quem você considera sagrado por esse presente incrível.

6.      MOVIMENTAR. Nossos corpos são partes de nosso eu pleno e sagrado. Na depressão, é fácil atender ao chamado para desacelerar fisicamente, para se tornar um com a cama ou um dispositivo como um telefone ou televisão. A quietude do corpo é frequentemente refletida por uma fixação em pensamentos negativos. A assistente social Barbara Rachel me ensinou um ditado usado em Alcoólicos Anônimos: “Mova um músculo, mude um pensamento”. Comece simples se for necessário: deixe o controle remoto no suporte da televisão ou o telefone do outro lado da sala. Trabalhe para caminhar pelo seu prédio ou bairro, passar um tempo cuidando do jardim do lado de fora ou arrumando o interior, ou tendo um hobby ativo como andar de bicicleta, passear no shopping ou chamar porcos.

7.      ATERRAR. Um estado de depressão pode incluir a sensação de peso no corpo, mas isso não é o mesmo que estar de castigo. Mais provavelmente, são emoções negativas sugando a energia necessária para mover os membros. Aterrar é permitir que essa carga emocional passe para a terra. Às vezes é mais fácil aterrar com a ajuda de outra pessoa, como uma árvore, uma pedra ou um ser humano. Preste atenção em como se sente quando outra pessoa está ajudando a ancorar você, pois você pode aproveitar essa sensação ao se ancorar.

8.      PURIFICAR. Atos de purificação destinam-se a limpar a desordem espiritual que se acumula ao redor de todos nós, o resultado de viver uma vida humana mortal. O primeiro passo para purificar um espaço é limpá-lo, e o primeiro espaço que deve ser limpo é o próprio corpo. Em períodos de depressão, até mesmo a higiene básica pode parecer um esforço excessivo, mas uma boa esfregação da cabeça aos pés irá, pelo menos temporariamente, elevar o humor e restaurar a energia. Lidar com um espaço doméstico desordenado ou desordenado pode exigir ajuda, dependendo de quão ruim ele se tornou, mas vale a pena: a casa é um reflexo do coração e da mente, e melhorar o ambiente externo afeta o interno por sua vez. O espírito de depressão não encontra valor em um lar limpo e organizado, uma mente livre de desordem, ou um caminho para os deuses livre de pensamentos pessimistas ou pilhas de caixas em frente ao altar.

9.      ENTRAR EM COMUNHÃO. Passe tempo com pessoas que não são humanas. Caminhe entre as árvores, passe tempo com animais de estimação, cuide de plantas de casa, alimente pássaros locais, trabalhe em um jardim. Sinta a areia entre os dedos, a luz do sol no rosto ou a sujeira sob as unhas. Sintonize-se com os espíritos do lugar, sejam eles da terra ou da casa construída sobre ela. Caminhar é uma oportunidade de prestar atenção aos espíritos locais, estejam eles encarnados ou não. Existem até formas de adivinhação ambulante que se pode tentar durante uma minicaminhada; Lembro-me que o autor Tom Cowan me ensinou uma vez uma adivinhação celta ambulante.

A depressão é uma condição que afeta o corpo, a mente e o espírito de quem a experimenta, e tratar o corpo, a mente e o espírito em conjunto produzirá melhores resultados do que evitar um ou outro aspecto. A voz da depressão nos encoraja a evitar comportamentos que também serão os mais eficazes nesse tratamento. A lista acima destina-se a ajudar o espírito e, em menor grau, o corpo. Nenhuma dessas sugestões substitui o tratamento de um profissional de saúde mental, alguém treinado na cura da mente. Pedir ajuda aos nossos deuses ou outros espíritos quando estamos em crise é uma boa ideia, mas na maioria das vezes nossos deuses vão nos ajudar através de um profissional de saúde mental. Os deuses trabalham com as ferramentas que funcionam melhor.

***

Fonte:9 Pagan Ways to Manage Depression, by Terence P Ward.

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/9-maneiras-pagas-de-lidar-com-a-depressao/

O Poder dos Mitos

Joseph Campbell, no livro O poder do Mito, explica que Mitos não são algo pra dar sentido a uma vida vazia, mas sim pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, aquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. Pra isso é preciso captar a mensagem dos símbolos. Leia mitos de outros povos, não os da sua própria religião, porque aí você começará a interpretar sua própria religião não mais em termos de fatos – mas de mensagem. O mito o ajuda a colocar sua mente em contato com essa experiência de estar vivo. Ele lhe diz, através de símbolos, o que a experiência É.

O casamento, por exemplo. É a reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Agora são dois, no mundo, mas o casamento é o reconhecimento da identidade espiritual. É diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico de experiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso duradouro, divorciam-se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é a mitologia do casamento. O ritual, que antes representava uma realidade profunda, hoje virou mera formalidade. E isso é verdade nos rituais coletivos assim como nos rituais pessoais, relativos a casamento e religião. Quantas pessoas, antes do casamento, recebem um adequado preparo espiritual sobre o que o casamento significa? Você pode ficar parado diante do juiz e se casar, em dez minutos. A cerimônia de casamento na Índia dura três dias. O par fica grudado! Isso é primordialmente um exercício espiritual, e a sociedade deveria nos ajudar a tomar consciência disso.

O homem não devia estar a serviço da sociedade, esta sim é que deveria estar a serviço do homem. Quando o homem está a serviço da sociedade, você tem um Estado monstruoso, e é exatamente isso o que ameaça o mundo, neste momento, pois a sociedade não nos fornece rituais pelos quais nos tornamos membros da comunidade. Por isso que as religiões conservadoras, hoje, estão apelando para a religião dos velhos tempos, numa tentativa de parar este trem desgovernado, e vemos bizarrices, como a volta na crença do Criacionismo com uma interpretação ipsi literis da Bíblia. Isso é um erro terrível, pois estamos voltando a algo atrofiado, algo que não serve mais ao desenvolvimento da vida. Os mitos oferecem esses modelos de vida, mas eles têm de ser adaptados ao tempo que estamos vivendo. Acontece que o nosso tempo mudou tão depressa que, o que era aceitável há cinqüenta anos não o é mais, hoje. As virtudes do passado são os vícios de hoje. E muito do que se julgava serem os vícios do passado são as necessidades de hoje. A ordem moral tem de se harmonizar com as necessidades morais da vida real, no tempo, aqui e agora. A religião dos velhos tempos pertence a outra era, outras pessoas, outro sistema de valores humanos, outro universo. Voltando atrás, você abre mão de sua sincronia com a história. Nossos jovens perdem a fé nas religiões que lhes foram ensinadas, e vão para dentro de si, quase sempre com a ajuda de drogas (uma experiência mística mecanicamente induzida). Existe uma grande diferença entre a experiência mística e o colapso psicológico: Aquele que entra em colapso imerge sem estar preparado nas águas onde o místico nada.

As máquinas já fazem parte da nossa mitologia, dos nossos sonhos. O vôo da aeronave, por exemplo, atua na imaginação como libertação da terra. É a mesma coisa que os pássaros simbolizam, de certo modo, assim como a serpente simboliza o aprisionamento à terra. Pessoas usando armas, hoje em dia, atuam no inconsciente da mesma forma que a “Dona Morte” com sua foice atuava no passado. Diferentes instrumentos assumem o papel para o qual os instrumentos antigos já não se prestam.

O computador proporciona uma revelação sobre a mitologia: Você compra um determinado programa e ali está todo um conjunto de sinais que conduzem à realização do seu objetivo. Se você começa tateando com sinais que pertencem a outro sistema de programas, a coisa simplesmente não funciona. É o que acontece na mitologia: ao se defrontar com uma mitologia em que a metáfora para o mistério é o pai, você terá um conjunto de sinais diferentes do que teria se a metáfora para a sabedoria e o mistério do mundo fosse a mãe. E ambas são metáforas perfeitamente adequadas. Nenhuma delas é um fato. São metáforas. É como se o universo fosse meu pai, ou como se o universo fosse minha mãe. Jesus diz: “Ninguém chega ao Pai senão através de mim”. O pai de que ele falava é o pai bíblico. Pode ser que você somente chegue ao pai através de Jesus. Por outro lado, suponha que você escolhesse o caminho da mãe. É simplesmente outro caminho para chegar ao mistério de sua vida. É preciso entender que cada religião é uma espécie de programa com seu conjunto próprio de sinais, que funcionam. Se uma pessoa está realmente empenhada numa religião e realmente construindo sua vida com base nisso, é melhor ficar com o programa que tem. A chave para encontrar a sua própria mitologia é saber a que sociedade você se filia.

Toda mitologia cresceu numa certa sociedade, num campo delimitado. Mas elas precisam evoluir de acordo com as circunstâncias da época. No início, Deus era apenas o mais poderoso entre vários deuses. Era apenas um deus tribal, circunscrito. Então, no século VI, quando os judeus estavam na Babilônia, foi introduzida a noção de um Salvador do mundo, e a divindade bíblica migrou para uma nova dimensão. Quando a noção de mundo se altera, a religião tem que se transformar. Mas o que vemos são as três grandes religiões do Ocidente, judaísmo, cristianismo e islamismo, com três têm nomes diferentes para o mesmo deus bíblico, e incapazes de conviver. Cada uma está fixada na própria metáfora e não se dá conta da sua referencialidade. Nenhuma permite que se abra o círculo ao seu redor. São círculos fechados. Cada grupo diz: “Somos os escolhidos, Deus está conosco”.

A irmandade, hoje, em quase todos os mitos, está confinada a uma comunidade restrita. Nessas comunidades a agressividade é projetada para fora. Por exemplo, os Dez Mandamentos dizem: “Não matarás”. Aí o capítulo seguinte diz: “Vai a Canaã e mata a todos os que encontrar”. É um campo cercado. Os mitos de participação e amor dizem respeito apenas aos do grupo, os de fora são totalmente outros. Esse é o sentido da palavra “gentio” (a pessoa que não é da mesma espécie). E, a menos que você adote minha indumentária, não seremos parentes.

Veja a Irlanda. Um grupo de protestantes foi removido para lá no século XVII, por Cromwell, e nunca se abriu para a maioria católica que ali encontrou. Católicos e protestantes representam dois sistemas sociais totalmente distintos, dois ideais diferentes, cada qual necessitando de seu próprio mito, durante toda a trajetória. Ama teu inimigo. Abre-te. Não julgues. Todas as coisas têm a natureza do Buda. Está ali, no mito. Já está tudo ali.

Existe a história sobre um selvagem nativo, que uma vez disse a um missionário: “Seu deus se mantém fechado numa casa como se fosse velho e decrépito. O nosso está na floresta, nos campos, e nas montanhas quando vem a chuva”. Não parece mais lógico? E ainda assim nos apegamos aos Templos, aos símbolos, aos livros sagrados, como se eles FOSSEM Divinos, e não só uma ponte para o Divino dentro de nós. O budismo coloca isso com clareza:

Entenda que as palavras de Buda são como um barco para cruzar o rio: Uma vez que o propósito tenha sido atingido, devem ser deixadas para trás, se quiser continuar a viagem

(Buda; Sutra do Diamante)

Uma coisa que se revela nos mitos é que, no fundo do abismo, desponta a voz da salvação. O momento crucial é aquele em que a verdadeira mensagem de transformação está prestes a surgir. No momento mais sombrio surge a luz. Este problema pode ser metaforicamente compreendido como a identificação com o Cristo, dentro de você. Esse Cristo em você sobrevive à morte e ressuscita. Ou você pode identificar isso com Shiva: “Eu sou Shiva” – essa é a grande meditação dos iogues, no Himalaia.

Céu e inferno estão dentro de nós, e todos os deuses estão dentro de nós. Este é o grande esforço conscientizador dos Upanixades, na Índia, nove séculos antes de Jesus. Todos os deuses, todos os céus, todos os mundos estão dentro de nós. São sonhos amplificados, e sonhos são manifestações, em forma de imagem, das energias do corpo, em conflito umas com as outras. Este órgão quer isto, aquele quer aquilo. O cérebro é um dos órgãos. Quando sonhamos, pescamos numa espécie de vasto oceano de mitologia que é muito profundo. Você pode ter tudo isso misturado com complexos, coisas desse tipo, mas na verdade, como afirma o dito polinésio, você está “em pé numa baleia, pescando carpas miúdas”. A baleia é a base do nosso ser, e, quando simplesmente nos voltamos para fora, vemos todos esses pequenos problemas, aqui e ali. Mas, quando olhamos para dentro, vemos que somos a fonte deles todos.

Por que os Mitos nos tocam, mesmo sabendo que são histórias inventadas? Porque SENTIMOS que elas, no íntimo, são Verdadeiras. Teria isso relação com os Arquétipos e o Inconsciente?

Nós temos o mesmo corpo, com os mesmos órgãos e energias que o homem de Cro Magnon tinha, trinta mil anos atrás. Viver uma vida humana na cidade de Nova Iorque ou nas cavernas é passar pelos mesmos estágios da infância à maturidade sexual, pela transformação da dependência da infância em responsabilidade, própria do homem ou da mulher, o casamento, depois a decadência física, a perda gradual das capacidades e a morte. Você tem o mesmo corpo, as mesmas experiências corporais, e por isso reage às mesmas imagens.

Por exemplo, uma imagem constante é a do conflito entre a águia e a serpente. A serpente ligada à terra, a águia em vôo espiritual – esse conflito não é algo que todos experimentamos? E então, quando as duas se fundem, temos um esplêndido dragão, a serpente com asas. Em qualquer parte da terra, as pessoas reconhecem essas imagens. Quer eu esteja lendo sobre mitos polinésios, iroqueses ou egípcios, as imagens são as mesmas e falam dos mesmos problemas. Apenas assumem roupagens diferentes quando aparecem em épocas diferentes, como se a mesma velha peça fosse levada de um lugar a outro, e em cada lugar os atores locais vestissem roupas locais. Surge aí a explicação para o Mito de Cristo. Ele é verdadeiro? Não tem nada mais verdadeiro. É inventado? Muito provavelmente. A confusão só se estabelece pra aquele que está preso ao materialismo, ao tempo, ao espaço. Coisas que, sabemos, só existem para nossos corpos, e não para nossa mente.

Texto extraído e adaptado do livro “O poder do Mito”, de Joseph Campbell

#Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-poder-dos-mitos

Conceitos Base da Manifestação

Paulo Jacobina*

Excerto de A Manifestação

Tal como na obra preliminar, aqui se busca uma didática visando a captura do conhecimento por parte do leitor e a sua interiorização, fazendo resgatar a consciência do que se está sendo analisado. Para isso, será necessária a análise inicial de alguns conceitos que são, costumeiramente, utilizados de maneira equivocada pela maioria, e, por isso, acabam contribuindo para a perpetuação de certa confusão acerca dos temas em que são utilizados.

O primeiro conceito que se deve ter em mente é o do ponto. “Ponto” é um objeto que não tem definição, dimensão e forma e, por isso, é impossível mensurá-lo fazendo uso de medidas espaciais, como as de comprimento, largura, altura, área e volume. Apesar de o ponto não possuir medida, ao se unir infinitos pontos em linha, obtêm-se uma reta. Da mesma forma que se unindo infinitos pontos em linha dá-se origem à reta, ao se unir infinitas retas tem-se o plano, que é o conjunto infinitos e ilimitados de reta. Assim como o plano é uma justaposição de retas, ao se realizar uma sobreposição de planos de forma que nenhuma dos planos possuam ponto em comum, mas que estejam tão próximos a ponto de serem confundidos entre si, dá-se origem ao espaço.

Além de servir de base construtiva do espaço, o ponto também é utilizado como mecanismo para se determinar uma posição no próprio espaço por intermédio das dimensões. “Dimensão” nada mais é do que o número de parâmetros utilizados para identificar um ponto no espaço. Assim, ao se falar que um ponto está na terceira dimensão, significa que foram utilizadas apenas três coordenadas para identifica-lo, ignorando-se todas as outras existentes e que também podem ser utilizadas para se auferir a sua localização.

Habitualmente, faz-se uso apenas de três coordenadas, comumente chamadas por comprimento, largura e profundidade. Contudo, existem outras coordenadas, como o tempo, e, ao fazer uso dessas quatro dimensões tem-se origem o que se chama de espaço-tempo.

Como toda coordenada pode ser utilizada para se mensurar alguma coisa, a exemplo da reta com o comprimento e o plano com a largura, o tempo é utilizado para se estabelecer a frequência. Frequência consiste no número de ocorrências por unidade de tempo, assim, quanto maior a frequência de uma ocorrência, mais rápido no tempo se dá esta ocorrência.

Desta forma, o espaço-tempo é a parcela do Universo analisada por intermédio de quatro dimensões, três associadas à localização espacial e uma dimensão referente a localização temporal. Essa interrelação entre as dimensões espaciais e a dimensão temporal, ocasiona uma peculiaridade: o espaço-tempo é composto por uma parte espacial e uma parte temporal, fazendo com que, quanto maior for a presença de uma dessas partes, menor será a da outra.

Essa peculiaridade é a responsável por gerar algumas percepções, como a de que em um ponto extremamente maciço, isto é, repleto com as três dimensões espaciais, há a ocorrência reduzida do tempo, fazendo com que a velocidade[1] percebida no ponto por alguém externo a ele seja pequena.

Outra percepção destacável encontra-se no fato de que, quanto mais precisa for a localização espacial de um ponto, mais imprecisa será a aferição da sua velocidade, uma vez que, para se obter a velocidade, faz-se uso da dimensão temporal. Ao contrário, quanto mais precisa a aferição da velocidade, mais impreciso será para se estabelecer a sua localização espacial. Por exemplo, ao se determinar que a Terra se desloca em uma velocidade orbital média de 29,78km/s, faz-se uso de incertezas tanto quanto a sua posição espacial, quanto a sua posição temporal, pois se se utilizasse uma posição espacial exata, a posição temporal seria zero e o ponto se encontraria fora do espaço-tempo. Da mesma forma, se se utilizasse uma posição temporal exata, a sua posição espacial seria zero, encontrando-se fora do espaço-tempo. Por mais exata que a compreensão do Eu que encarna na Terra possa ter sobre a localização de algo, esta localização não é inteiramente correta, apenas ilusoriamente se manifesta precisa, sendo uma faixa de probabilidade constatada pelo Eu.

As relações analisadas dentro do espaço-tempo compõem o que se chama de ciclo. O ciclo é um período no tempo no qual um fenômeno ocorre, sendo o fenômeno uma sequência de fatos, nem sempre compreendidos pelo Eu que necessita de encarnar na Terra. Por exemplo, existem ciclos “mais simples” de se compreender, como o piscar de olhos; a rotação da Terra; a translação da Terra; e a encarnação. Tal qual existem ciclos “mais complexos”, como o da Manifestação. Entretanto, mesmo nesses ciclos “mais simples” existem fatos que ocorrem de forma desapercebida pelo Eu. Bem como existem ciclos que possuem fatos que a compreensão do Eu aqui encarnado não consegue visualizar como integrantes do fenômeno observado. E todos os fatos que compõem o ciclo são necessários, pois, sem eles, o ciclo não se completa, apenas torna-se mais longo.

Outrossim, os fatos que compõem um ciclo também podem compor outros ciclos, sendo estes integrantes de um ciclo “maior” ou de um outro ciclo. Tomando o piscar de olhos como exemplo de ciclo, é possível se estabelecer que existem dois ciclos “menores” dentro dele, um correspondente ao fenômeno do fechar dos olhos e outro, ao abri-los. O próprio abrir dos olhos, além de integrar o piscar de olhos, também é parte integrante do ciclo de visão. Desta forma, todos os ciclos acabam por se integrar e conectar, compondo o Ciclo da Manifestação.

Outro conceito base que se deve ter em mente é o de campo. “Campo” é o nome dado a uma região de influência de algo ou sobre a qual atua uma determinada força. Sendo a força um agente capaz de modificar o estado no qual algo se encontra, essa modificação causada pela força ocorre em virtude da utilização do deslocamento da energia, que é a capacidade que algo possui de criar movimento, ou, em outras palavras, é a Vitalidade.

À concentração de energia dá-se o nome de “massa”[2] e, à concentração dessa massa em uma região do espaço dá-se o nome de “densidade”[3]. Assim, quanto mais massa existir em uma região espacial, mais densa essa região estará e, ao contrário senso, quanto menor for a massa em uma região, mais sutil ela estará.

Ponto que merece destaque encontra-se no fato de que a massa é a concentração de energia e, sendo a energia a capacidade de criar movimento, quanto mais massa, consequentemente, mais energia e, consequentemente, mais movimento. Contudo, embora um objeto denso possa parecer estático para quem o observa do exterior, em seu interior, há o movimento da própria energia. Porém, como a porção do espaço no qual esta energia se encontra é ínfima, a porção do tempo se eleva, fazendo com que a energia atinja elevadas frequências[4]. Essas frequências podem ser tão elevadas que ilusoriamente façam o objeto parecer estático para um observador externo.

Assim, a elevação da frequência está intimamente associada ao aumento da densidade; ao passo que a diminuição da frequência está correlacionada à diminuição da densidade ou à ocorrência do processo de sutilização. Da mesma forma, um objeto para se adensar necessita de acumular energia, enquanto que, para se sutilizar, necessita liberar energia. Por exemplo, em um objeto esférico no qual o centro é o local de maior densidade e a superfície é o de menor, para um ponto que se encontra no centro deste objeto se deslocar em direção à superfície, ele deve liberar energia no sistema, que será absorvida por outro ponto no sistema que passará a ocupar o seu antigo local, realizando uma troca de posições, na qual um ponto se sutiliza ao passo em que outro se adensa.

Aqui serão mantidos, para fins didáticos, a nomenclatura utilizada na obra preliminar (“A Senda Infinita”) e, portanto, o processo de adensamento ocorre pela ação do Agente Modelador, enquanto, o de sutilização, pelo Eu.

Assim, a manifestação ocorre por um processo de contração no Absoluto, no qual o Tecido Elementar é fragmentado infinitamente pelo Agente Modelador até se obter a Partícula Elementar, que nada mais é do que a mais básica forma manifesta do Absoluto. Essa Partícula Elementar é o ponto no qual a ação desagregadora do Agente Modelador é totalmente anulada pela ação integralizadora do Eu.

Em que pese o fato de o Universo ser criado pela fragmentação até se alcançar a Partícula Elementar, é possível se estabelecer, para fins didáticos, que toda a Manifestação é formada por partículas elementares reunidas em diferentes proporções.

De forma a facilitar a visualização, basta pensar em um átomo de hidrogênio, o mais básico elemento químico conhecido. Ao se unir dois átomos de hidrogênio, obtém-se um átomo de hélio. Acrescentando mais um átomo de hidrogênio, cria-se um de lítio e, assim por diante, criando todos os elementos químicos. Da mesma forma com que se “unindo” átomos de hidrogênio se consegue formar todos os demais elementos químicos, ao se unir partículas elementares, forma-se tudo o que existe e o que não existe.

Como tudo o que existe e o que não existe é composto pela partícula elementar em diversas quantidades, todos os princípios que atuam sobre a partícula elementar também se aplicam àquilo o que é manifesto.

Este fato é importante para se compreender que tudo o que existe e o que não existe está submetido às mesmas regras básicas, pois é composto pela mesma coisa, a Partícula Elementar, em distintas quantidades. É por isso que comumente se diz que “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

É claro que a Manifestação, como é observada pelo Eu que necessita de estar encarnado na Terra, apresenta-se de infinitas formas, sendo cada uma dessas formas composta por uma quantidade de partículas elementares, fazendo com que as regras básicas aplicadas à Partícula Elementar se verifiquem em maior ou menor evidência, de acordo com a proporção de partículas elementares daquela forma.

Outro ponto encontra-se no fato de que uma forma, observada pelo Eu que necessita de estar encarnado na Terra, é composta por infinitas outras formas, a exemplo da forma humana, que é o resultado da aglutinação de infinitas outras formas; ou do triângulo, que é uma das formas obtidas com a união de três segmentos de reta.

Continua em A Imagem do Ciclo de Manifestação 

Notas

[1] V=T/V’, onde “v” é a velocidade; “D” é a distância, a medida espacial; e “T” é o tempo.

[2] E = m.c², onde “E” é a energia; “m” é a massa; e “c²” é a velocidade da luz ao quadrado.

[3] D=M/V’ , onde “D” é a densidade; “m” é a massa; e “v” é o volume.

[4] E = H.F, onde “E” é a energia; “H” é a constante de Planck; e “F” é a frequência.

 


Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalis

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/conceitos-basea-manifestacao-parte-1/

Arcano 4 – Imperador – Heh

Sentado num trono com as pernas cruzadas, um homem coroado é visto de perfil. Em sua mão direita traz um cetro que termina por um globo e pela cruz, enquanto a outra mão segura o cinto. No primeiro plano, à direita, um escudo com a imagem de uma águia parece apoiar-se no chão.

Um colar amarelo prende uma pedra (ou um medalhão) de cor verde. A coroa se prolonga extraordinariamente por detrás da nuca.

O trono, uma cadeira em cujo braço esquerdo se apóia o Imperador, repousa – como a mesa do Arcano I – sobre um terreno aparentemente árido, do qual brota uma solitária planta amarela.

Ao contrário do emblema da Imperatriz, a águia do Arcano IIII olha para a esquerda. O desenho das águias, por outro lado, difere notavelmente num e noutro caso.

A notação IIII, no topo do desenho, que ocorre também nos arcanos VIIII, XIIII e XVIIII não é habitual na numeração romana (que registraria IV, IX, XIV e XIX).

@MDD – A notação IIII vem do Grego arcaico, não do romano.

Essa forma de grafar, porém, faz parte da tradição gráfica do Tarô, tal como aparece na versão de Marselha e na maioria das coleções de cartas antigas.

Significados simbólicos
O poder, o portal, o governo, a iniciação, o tetragrama, o quaternário, a pedra cúbica ou sua base. Proteção paternal.

Firmeza. Afirmação. Consistência. Poder executivo. Influência saturnina-marciana. Concretização, habilidades práticas, ordem, estabilidade, prestígio.

Interpretações usuais na cartomancia
Direito, rigor, certeza, firmeza, realização. Energia perseverante, vontade inquebrantável, execução do que está resolvido. Protetor poderoso.

Mental: Inteligência equilibrada, que não despreza o plano utilitário.

Emocional: Acordo, paz, conciliação dos sentimentos.

Físico: Os bens, o poder passageiro. Contrato firmado, fusão de sociedades, situação do acordo. Saúde equilibrada, mas com tendência à exuberância excessiva.

Sentido negativo: Resultados contrários ao pretendido, ruptura do equilíbrio. Queda. Perda dos bens, da saúde ou do domínio sobre coisas e seres. Oposição tenaz, hostilidade preconcebida. Teimosia, adversário obstinado; assunto contrário aos interesses. Autodestruição, grande risco de ser enganado. Autoritarismo, tirania, absolutismo.

História e iconografia
Alguns estudiosos chamam atenção para um aspecto significativo desta figura: o Imperador tem as pernas cruzadas. Este detalhe corroboraria a tese de inspiração germânica do arcano, visto que no antigo direito alemão esta posição era prescrita ritualmente para os altos magistrados (1220). No entanto, imagens semelhantes e igualmente antigas aparecem nas iconografias francesa e inglesa, representando altos dignitários.

O caráter cerimonial e prestigioso do cruzar as pernas pode ter uma origem mais remota, possivelmente oriental, já que isso não é habitual no panteão greco-romano.

O antigo simbolismo, convertido em liturgia pela codificação alemã, admite também um profundo sentido psicológico: cruzar as pernas e os braços indica concentração volitiva, encerra o protagonista na sua esfera pessoal e, do ponto de vista gestual, afirma claramente o desejo de individuação.

Outros detalhes merecem ser assinalados a propósito do Imperador.

É comum, associar o simbolismo do Tetragrammaton à figura do Imperador. É sabido que o tetragrama traduz ao nome de Deus omitindo-o, ao decompô-lo no nome das letras que o formam: Yod – He – Vau– He.

A leitura do nome das letras (grafadas da direita para a esquerda, em hebraico), dá Jehová, que não é o nome de Deus, mas alusão a ele.

Os cabalistas, como demonstra este exemplo, trabalham também com o pensamento analógico, tal como se vê nos demais estudos tradicionais.

“A idéia é perfeitamente clara” – diz Ouspensky – “se o Nome de Deus está realmente em tudo (se Deus está presente em tudo), então tudo deve ser análogo a tudo mais: a parte menor deverá ser análoga ao Todo, a partícula de pó análoga ao Universo, e todos análogos a Deus”.

Do ponto de vista cabalístico, a relação Tetragrama-Imperador parece muito fecunda, já que, comparada com as três letras anteriores (ou os três arcanos), consideradas respectivamente como o princípio ativo (I), o princípio passivo (II) e o princípio do equilíbrio ou neutralizador (III), a quarta letra ou carta é considerada o resultado e, também, o princípio da energia latente.

Isto se harmoniza perfeitamente com a versão de Wirth sobre o Arcano IIII, segundo a qual ele não é apenas o Príncipe deste mundo, que “reina sobre o concreto, sobre o que está corporificado”, mas é também o paradigma do homem estritamente normal, em posse de suas potencialidades, mas ainda não realizado pela iniciação.

Nesse sentido, representa o quaternário de ordem terrena, de organização da vida sensível, e pode ser relacionado também ao demiurgo dos platônicos, às divindades inferiores em geral (os heróis, antes dos deuses), e a toda tentativa de criação de vida no nível terreno e perecível.

Também se vê nele, enquanto rei que propicia a prosperidade e o crescimento de seu povo, uma correspondência ao mito de Hércules, “portador da maçã, que leva as maçãs de ouro ao jardim das Hespérides”.

Hércules, enquanto herói solar, que resume como nenhum outro as fases do processo iniciático no sentido da liberação individual que, esotericamente, só se pode alcançar através do trabalho e do esforço.

Como Hércules, também o Imperador não transcende a condição humana, embora o princípio indique que poderá levá-la à sua mais alta manifestação.

É considerado, em sua face não trabalhada, como representante do aspecto violento e agressivo do masculino, mas também como dispensador da energia vital e, neste aspecto, como a Natureza abundante, divisível, nutritiva.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-4-imperador-heh

O Pessach

E naquela noite comerão a carne assada ao fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. (…) Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. (…) E este dia vos será por memorial, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; através das vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.
(Êxodo 12:8-14)

A páscoa é uma celebração judaica, onde este povo comemora a fuga da escravidão do Egito liderada por Moisés (retratada no livro “Êxodo” do Velho Testamento). Tornou-se uma celebração também cristã por conta de um pequeno detalhe: Jesus era judeu. SIIIIIIM, Jesus era judeu (embora todas as igrejas tentem ignorar isso), e como tal respeitava suas tradições (nem todas, é verdade). E foi justamente na páscoa, quando Jesus está a mesa com os apóstolos, repartindo o pão ázimo (sem fermento) de acordo com a simbologia judaica, e introduzindo um sentido único para os cristãos: ao repartir o pão e beber o vinho, lembrem-se dele, especialmente do que falava aos discípulos: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” (João 6:32-35). Foi aí também que Jesus disse para Judas: “Judas, amigão, vai fazer aquele negócio que a gente combinou, mas que só vão decobrir daqui a 1.940 anos”.

O significado dessa simbologia é impenetrável para a maioria dos cristãos, porque é puramente espiritual. Mas as pessoas se apegam à letra morta, e sua visão (entendimento) fica limitada. Analisemos, pois, os versículos de João 6:48-63 com tradução simultânea:

“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.

Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer?

Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.

Estas coisas falou Jesus quando ensinava na sinagoga em Cafarnaum. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas, sabendo Jesus em si mesmo que murmuravam disto os seus discípulos, disse-lhes: Isto vos escandaliza? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.”

Outra linda passagem dessa Páscoa é o lava-pés, onde o Mestre Jesus, mais uma vez através de AÇÕES, deixa claro sua doutrina ao fazer um trabalho que era relegado às mulheres ou servos: lavar os pés dos convidados, antes da refeição.

“Ora, depois de lhes ter lavado os pés, tomou o manto, tornou a reclinar-se à mesa e perguntou-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.”
(João 13:12-16)

Ainda assim, os discípulos continuaram orgulhosos, e Jesus mais uma vez lembra a eles da humildade:

“Levantou-se também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. Ao que Jesus lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que sobre eles exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sereis assim; antes o maior entre vós seja como o mais novo; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior, quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, estou entre vós como quem serve.”
(Lucas 22:24-27)

Sim… e durante milênios a doutrina de Jesus foi usada (NÃO SEI COMO!) pra justificar hierarquias políticas eclesiásticas onde o maior, em vez de servir, é servido!

E onde entra o coelhinho e o chocolate, nessa história? Quando a Igreja Romana dominou o ocidente, autoridades do clero iam às feiras livres para ver quem comprava ervas amargas nos dias da Páscoa, para sentenciá-los à morte nas fogueiras do Tribunal do Santo Ofício (a “Santa Inquisição”, a mesma Ordem a que o Papa Benedito XVI pertence), por serem tidos como judeus, por estarem cumprindo a ordem de Deus de celebrar a Páscoa. Isso causou tal pânico ao povo, que quase todos os cristãos deixaram de comemorar de maneira devida, essa tão importante festa cristã.

Vamos ver agora a simbologia por detrás da comemoração da Páscoa, dessa vez do ponto de vista judeu (ou seja, dos criadores da Páscoa), através deste texto do Rabino Henry Sobel:

Em todas as gerações, cada pessoa deve sentir-se como se ela própria tivesse saído do Egito
“Esta frase, que leremos na mesa do Seder nas noites de 12 e 13 de Abril, afirma que devemos considerar Pessach como uma época de libertação pessoal, que cada judeu deve ver nesta comemoração a ocasião de sua própria redenção. Mais ainda, Pessach não é um acontecimento que ocorreu no passado, séculos atrás, mas sim uma força redentora em nossos dias. A implicação é que o êxodo do Egito é uma experiência vivida por todos nós e faz parte da história existencial, individual, de cada judeu.

Meus amigos: o Egito não é apenas um ponto no mapa, um país; é um estado de espírito. O Êxodo não é apenas um evento histórico, mas uma possibilidade sempre atual. O Egito dos tempos bíblicos representa todas as forças que escravizam o homem. E toda vez que o homem consegue se libertar destas forças, ele vivencia um novo Êxodo. Um rabino observou que a palavra hebraica Mitzraim (Egito) vem da mesma raiz que metzonm, literalmente “lugares estreitos”. A essência do Egito é a estreiteza da vida. Tudo que restringe e limita nossa visão constitui um “Egito”. Pessach é a hora de nos libertarmos deste Mitzraim.

Nesta época do ano, quando celebramos nossa liberdade, cada um de nós deve se perguntar: “Qual é o meu Egito particular?”. O que é que constringe e obstrui minha própria vida?. São muitos os Egitos que nos oprimem: Ambição excessiva, inveja, materialismo, o apego ao status quo, para citar apenas alguns. Mais difícil que retirar o judeu do Egito é retirar este Egito de dentro do judeu.

Que Pessach traga para cada um de nós o Êxodo do seu Egito interior. E que possamos alargar e engrandecer nossa vida em serviço à nossa família, à nossa comunidade, ao nosso povo e a nossa fé.

Referência: A verdade sobre a Páscoa;

#cabala

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