ciclos de ontem e hoje

Zzurto

Há séculos atrás, vamos imaginar, que em dado momento de nossas vidas desejássemos alcançar a iluminação, ou mesmo a obter as chaves da mente e do espírito por intermédio dos ensinamentos tão nobres e sagrados de alguns poucos seres “superiores” que provavelmente teríamos ouvido falar nas histórias contadas por nossos familiares mais velhos. Provavelmente ficávamos sentados com toda a atenção do mundo direcionada as palavras destes. Acreditaríamos em tudo e provavelmente nunca mais esqueceríamos a frase: …quando se inicia esta estrada, não há volta!

Se porventura fôssemos dotados de persistência e teimosia, passaríamos os anos colhendo cada vez um pouco mais de informação. Algum viajante contaria sua aventura em alguma outra cidade maravilhosa onde lá: há um sábio! E ficaríamos contando os tostões atrás de criar coragem suficiente para nos lançar na estrada. Apesar do medo de encarar um mundo por intermédio das pernas, onde viagens duravam semanas, ainda assim sonharíamos com o tal povo escolhido em suas escolas cheias de testes e provações.

Por um fator de sincronicidade, provavelmente conseguiríamos em dado momento algum livro, com um pouco mais de informação. Talvez este texto tivesse já corrompido seu real sentido, mas no meio de todas as suas falsas e pretensas direções perceberíamos a fagulha que nos daria um pouco mais de sede. É bem provável que a vida começasse a pesar, pois e quando casarmos? Conseguiremos largar nossa vida e filhos? Sendo assim já cansado de fazer os exercícios propostos pelo parco texto teríamos medo. Medo ao pensar que ao nos lançar na estrada, encontraremos exatamente as mesmas falsas esperanças. Mas como nossos familiares já disseram, não há como voltar.

Vamos imaginar que mesmo após anos o desejo permanecesse e cada vez mais perceberíamos que somos essa busca. Que morreremos desejando isso. E que por mais difícil que seja a vida e as distâncias, nosso espírito nunca descansará enquanto não encontrar o seu objeto de desejo. Em dado momento conseguimos um presente de nossos pais. As únicas pessoas que viram todo santo dia o quanto tais palavras fugazes dos mais velhos germinaram em seu filho. Estes que já não aguentavam mais ver tamanho sofrimento conseguem em dado momento obter valores suficientes para um começo de busca. Eles chegariam já tristes e após algumas prováveis lágrimas conseguiriam dizer adeus e nos dar o maior presente que poderiam, acreditando que provavelmente nunca mais nos veríamos.

E assim olharíamos a estrada pela primeira vez com outros olhos. E as semanas que se estendem adiante já não dariam tanto medo. Talvez as paixões pesassem nesta hora. Mas nesse caso o desejo pelo despertar é muito, muito mais forte. Assim começaria a jornada, se do herói ou não ninguém sabe. Talvez nos percamos no meio da estrada, mas dentro nunca nos perderemos jamais do desejo de alcançar a verdadeira vontade, coisa que possivelmente nem ao menos sabíamos ao certo o que era.

Isso tudo ilustra um segundo nas nossas vidas, hoje. Hoje, ao nos revoltarmos com o que temos facilmente ao clique de um botão, conseguimos outra coisa para nos satisfazer na velocidade da luz. As fibras óticas nos fazem cansar pelos atrasos dos milissegundos. E quando viajamos semanas transladamos continentes inteiros em horas.

O que um livro representava para nós há séculos atrás, hoje não passa de mais uma página lida, somente. Perdemos inevitavelmente o respeito pela informação, mas ao mesmo tempo, pela quantidade desta, somos muito mais capazes de enxergar e avaliar sem o envolvimento sentimentaloide que a graça, de poder ter um livro, proporcionava.

Assim sendo o ímpeto de alguns poucos que permanecem em suas buscas, hoje, não criam mais canções para inspirar outros, mas inspiram assim mesmo seus amigos, familiares, amores por intermédio da rede da qual fazemos parte. Uma rede muito mais palpável do que a mesma rede do qual os Xamãs já falavam milênios atrás, uma rede que impregna o olhar e os sentidos. A natureza, portanto, hoje extremamente virtual, agrega cada vez mais mentes criando a percepção da sapiência orgânica, que sempre existiu. A vida hoje, por intermédio da razão, faculdade mental da qual nossos cérebros foram capazes de brindar-nos, se esbalda no prazer de ver a ‘si mesma’ se transformar. E nossos medos e desejos de outrora hoje estão todos sanados. Hoje voamos e não mais viajamos semanas para alcançar um único lugar. Hoje temos todos os livros do mundo e não mais somente umas folhas perdidas a nos confundir. Hoje conhecemos, mesmo que virtualmente, as inspirações nossas e conseguimos obter palavras não mais só dos livros, mas das fontes, das mentes que jorraram o conhecimento.

Hoje não mais condicionamos estes, a serem mestres, mas muito provavelmente a serem amigos. Hoje não encaramos armadilhas que cortavam nossos corpos ao meio, no máximo a conexão será perdida. Hoje até mesmo nos sentimos íntimos, mesmo quando nunca nos vemos factualmente. Hoje aprendemos que busca é interesse e não necessariamente sair de casa. Mas aprendemos ainda muito mais por meio da experiência alheia, que nos é dada com tanta facilidade por intermédio de um e-mail.

Certo dia recebi uma mensagem de final de ano de um companheiro do Mayhem do qual nunca tinha dado meu número diretamente, aquilo foi surreal e me senti extremamente bem. Já desejei tantas e tantas coisas boas para tantas pessoas que nunca vi na vida. Já até intervi em problemas que nem de longe imaginava saber existir. Já muitas vezes falei sobre mim para pessoas que nunca mais soube algo a respeito.

E este texto que aqui publico vai para Marcelo Del Debbio que hoje completa mais um ciclo de vida. Vai para ele por ser um transformador de tantas realidades quando foi capaz de transformar a sua própria. Por ser um mediador entre o desejo de muitos e a informação de poucos. Fico grato em ser parte deste espaço aqui na rede que em tão pouco tempo já levou milhares de pessoas a alcançar as informações mais pertinentes referentes aos seus desejos e transformar as idas e vindas infrutíferas que tínhamos em algo mais saudável. Ao parabeniza-lo, parabenizo a todos que fazem parte do TDC. Que este movimento nunca se perca, mas se transforme constantemente.

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Jesus e a Neurologia

Uma das recentes descobertas mais importantes da neurologia é a de que nossa consciência, ou processo de consciência, opera com defasagem de cerca de meio segundo em relação ao “tempo real”. Todos nós sabemos que vemos a luz de um relâmpago alguns momentos antes de ouvir o estrondo do trovão, que vêm na seqüencia, apesar de ambos serem ondas de partículas resultantes do mesmo raio – ocorre que as ondas de luz viajam pelo ar com uma velocidade muito superior as ondas sonoras.

No caso do raio, a distância temporal entre o relâmpago e o trovão é bem superior a meio segundo, e nesse caso a consciência “separa” os dois em dois momentos distintos, como de fato o são. Já em outras situações, a consciência consegue “mesclar” som e luz, de modo a que interpretemos a ambos como ocorridos no mesmo momento.

Quando vamos a um concerto de rock, a luz que nos chega aos olhos mostrando nosso guitarrista predileto dedilhando as cordas de sua guitarra viajou muito mais rápido do que o som dos acordes tocados, mas nosso cérebro compensa esse fato iniciando o processamento do som assim que as ondas chegam, enquanto o processamento da luz fica alguns centésimos de segundo em stand by, aguardando o input sonoro para que a consciência nos entregue estes momentos como se fossem simultâneos: o dedilhar da guitarra e o som proveniente dos alto-falantes do show.

Reações emocionais, como o medo, também são desencadeadas antes de forma inconsciente – e depois de cerca de meio segundo, conscientemente. Por isso quando andamos pela rua e “sentimos a presença de alguém atrás de nós”, essa sensação nos chega primeiro de forma inconsciente, como um alerta de perigo: “algo se aproxima!”; Então, frações de segundo depois, quando identificamos do que se trata – por exemplo, virando a cabeça para ver quem se aproxima – temos uma resposta consciente… Não vivemos mais como tribos sedentárias trilhando a natureza selvagem, e felizmente na maior parte do tempo esses alertas provam ser nada mais do que pequenos sustos de nosso sistema inconsciente, sempre de prontidão. Entretanto, também é graças a ele que evitamos alguns assaltos no meio do caminho.

Em suma, estamos equipados com um elegante sistema de percepção. Através dele, não é preciso “ver” o perigo, ou seja, processá-lo visualmente de forma consciente, para que possamos iniciar nossa resposta a ele. Ainda não se sabe ao certo “com que olhos” percebemos a aproximação de alguém, pois muitas vezes nosso tato não é aguçado o suficiente para perceber um pequeno deslocamento de ar em nossa volta, mas fato é que nossas reações inconscientes ao perigo são, e foram, vitais para nossa sobrevivência enquanto homo sapiens.

A cerca de dois mil anos atrás um sábio nos trouxe esse conselho:

Ama teu irmão como tua alma, protege-o como a pupila dos teus olhos [1].

Esta frase de Jesus não é encontrada em nenhum evangelho do Novo Testamento, mas sim no evangelho “apócrifo” de Tomé. A princípio ela não traz nada de novo em relação a frases parecidas dos evangelhos “oficiais” de Constantino – porém, hoje se sabe, através dessas descobertas da neurologia, que ela nos traz um ensinamento “um pouco mais profundo”, para aqueles que têm olhos, e conhecimento, para ver…

A reação de proteger os olhos ante algum objeto arremessado em sua direção é, talvez, a mais instintiva e inconsciente de todas as reações ao perigo eminente. É impossível ficar de olhos abertos quando um objeto é arremessado em nossa direção, e caso tenhamos mãos livres, é igualmente impossível evitar o reflexo instintivo de levá-las ao resto para protegê-lo. Não se trata mais de uma escolha consciente, nosso cérebro nos “força” a nos proteger.

Ainda mais interessante do que isso, entretanto, são os resultados de pesquisas sobre reações inconscientes e conscientes de acordo com o aprendizado de certas atividades. Alguém que está aprendendo a dirigir um carro, por exemplo, precisará de ações conscientes para todas as pequenas atividades e movimentos requeridos: virar a direção, mudar a marcha, verificar o espelho, procurar um retorno na estrada. Já um motorista habilitado, com apenas alguns meses de experiência, fará quase tudo isso de forma inconsciente… Apenas em rotas em que dirige pela primeira vez, desconhecidas, irá procurar pelo retorno na estrada de forma consciente. Já em rotas que trafega todos os dias, até mesmo isso fará no modo “automático” [2].

Reagir no “automático” é também compreendido como reagir de forma natural, sem julgamentos, sem a necessidade de decisões conscientes. Como um animal que age por instinto.

Não é plausível imaginar que conseguiremos aprender a amar tão facilmente como se aprende a dirigir um carro. Porém, é perfeitamente plausível imaginar que o amor, como qualquer outra atividade consciente, também se aprende e se aprimora com a prática. Portanto, não basta desejarmos sermos mais amorosos apenas na teoria, na base da promessa para Deus ou para nós mesmos… Para se amar cada vez mais e melhor, nos basta praticar, nos basta, simplesmente, amar!

Mas, será que um dia conseguiremos seguir a este conselho de Jesus em toda a sua divina plenitude? Amar sem julgar, sem se perguntar o porque? Amar naturalmente, amar de forma instintiva, amar integralmente?

Talvez estejamos ainda muito longe disso, mas ainda nos vale a torcida para que toda a nossa ciência, e toda a nossa compreensão de nós mesmos, ainda hão de nos ajudar a chegar lá – na terra dos que amam incondicionalmente.

***
[1] Verso 25 do Evangelho de Tomé, achado em Nag Hammadi.
[2] Para maiores detalhes sobre esta e outras pesquisas da neurologia moderna, recomendo a leitura do Livro do Cérebro, publicado em 4 edições separadas pela Editora Duetto. Outra dica são os livros de Oliver Sacks, publicados no Brasil pela editora Cia. Das Letras.

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Crédito da imagem: Arjuna Zbycho (Diz a lenda que o Sai Baba materializou esta imagem a partir de uma impressão do Sudário de Turim que um cristão devoto levou até o seu templo. Seria esta a face de Jesus ou de Jacques de Molay? Ironias e sincronicidades…)

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#amor #Ciência #Jesus #neurologia

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Arautos do Caos – Satanismo, Vampirismo, Necromancia e Teologia – Com Damien Vorhees e Igor “Floki”

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/S5L9cIkJW98

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

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O último voo de Saint-Exupéry

O Pequeno Príncipe, um clássico adorado por pessoas grandes e pequeninas, completa 70 anos…

Em Abril de 2014 a exposição The Little Prince – A New York Story, em plena Nova York, trouxe os manuscritos originais de Antoine de Saint-Exupéry, o francês autor da obra. Pouca gente sabe que ele morou em Nova York por dois anos, durante a Segunda Guerra Mundial, e escreveu o livro enquanto residia na América. A primeira edição foi publicada, em 1943, por uma editora americana, e não francesa.

A curadora da exposição, Christine Nelson [1], diz que a ideia para o livro sempre esteve rondando a cabeça de Saint-Exupéry, e prossegue, “Desde que era pequeno, gostava de desenhar, mas nunca foi um desenhista profissional, e nunca havia ilustrado um livro antes. Mas você via frequentemente em seus manuscritos alguns pequenos desenhos nas margens, e muitas vezes o desenho retratava uma pequena pessoa. E chegando perto da publicação de O Pequeno Príncipe, os traços dessa pequena pessoa passaram a tomar a forma do personagem.”

Tais ilustrações também se pareciam muito com o próprio autor. Diz a lenda que foi uma amiga sua de Nova York que o incentivou a transformar o personagem em um livro. A amiga se chamava Elisabeth Reynal, e era casada com o dono da editora (Reynal & Hitchcock) que veio a publicar o livro.

Saint-Exupéry escreveu sua obra mais famosa em vários lugares da metrópole norte americana. Tinha um apartamento ao sul do Central Park, escreveu um pouco ali; tinha uma amante – Silvia Hamilton – na Park Avenue, em Upper East Side, e escreveu muito por lá também; tinha um grande amigo da escola de artes – Bernard Lamat –, que tinha um lindo estúdio de arte, e ele também escreveu parte de sua obra por lá; e, finalmente, também trabalhou em Long Island, numa casa que alugou durante um verão.

O tempo que passou em Nova York, entretanto, foi mesmo breve. Saint-Exupéry era um piloto da força aérea francesa, e havia atuado em missões diversas, principalmente no Marrocos. Aos 43 anos, estava prestes a deixar a América para voltar à África como piloto, e foi exatamente neste período que o livro veio a ser publicado. De fato, foi quase na mesma semana, em Abril de 1943, em que ele voltava a atuar como piloto da aeronáutica francesa, que o livro chegava às livrarias de Nova York.

Quando o avião e seu piloto desapareceram durante uma missão para coletar informações do movimento das tropas alemãs, durante a guerra, o seu livro ainda estava longe de alcançar o sucesso mundial que viria a ter mais tarde. Saint-Exupéry decolou o seu P-38 Lightning de uma base aérea na Córsega, em 31 de Julho de 1944, e nunca mais retornou… Passou a viver na memória e, sobretudo, no imaginário de seus leitores.

Levou mesmo um certo tempo para que a magia de O Pequeno Príncipe conquistasse a legião de admiradores que tem até hoje. Uma coisa importante que temos de lembrar é que quando Saint-Exupéry chegou aos Estados Unidos, no final de 1940, ele já era um escritor best-seller. Já tinha publicado Terra dos Homens e Piloto de Guerra, livros que foram grandes sucessos de venda na América daquela época. Quando O Pequeno Príncipe foi lançado em 1943, até alcançou um relativo sucesso de venda, mas ficou na lista dos mais vendidos por uma única semana, enquanto outros livros do autor chegaram a ficar até 20 semanas nesta mesma lista.

O livro não foi, portanto, um sucesso imediato. Foi construindo esse sucesso ao longo dos anos; o que, com certeza, aumentou após o desaparecimento do autor, e quando finalmente veio a ser publicado na França, sua terra natal, em 1946 [2].

Nelson, tentando explicar o sucesso da obra, nos diz que “O Pequeno Príncipe é um livro decepcionantemente simples a primeira vista. Tem uma história muito simples, ilustrações muito ingênuas e, no entanto, várias camadas de leitura. Ele tem uma mensagem muito simples que todos podem apreciar e compreender – claro que estou falando da mensagem da raposa que diz que o essencial é invisível aos olhos e só pode ser sentido com o coração. Uma criança pode apreciar e entender esta mensagem, assim como qualquer adulto.

A questão é que a cada vez que o pequeno príncipe encontra um personagem adulto em sua viagem pelo universo, ele representa algumas características que nós, humanos, enfrentamos ao longo da vida – a arrogância, a vaidade, o materialismo, e, no caso do homem que bebe demais, a vergonha. Isso tudo são características que adquirimos à medida que vamos crescendo e aprendendo a nos relacionar com as outras pessoas”. São “defeitos”, se formos analisar assim, que precisam ser trabalhados e, se tudo correr bem, domesticados.

Há muito de Saint-Exupéry no seu O Pequeno Príncipe, mas também há muito de Saint-Exupéry no personagem narrador da obra, o piloto. Ele também era piloto e também teve um acidente no deserto, como o narrador da história. O foco do livro e suas ilustrações, no entanto, é no narrador contando a história do pequeno príncipe. Então acompanhamos a sua viagem fantástica pela narrativa e as ilustrações, mas não há uma ilustração sequer do narrador, isto é, do piloto (Saint-Exupéry chegou a esboçar uma, mas não foi incluída na versão final).

Já a raposa é a chave para o segredo do pequeno príncipe. É este personagem quem o ensina o que é mais importante na vida: o essencial é invisível aos olhos. Quando eles se encontram, a raposa quer ser seduzida, quer criar um significado para a sua relação. E, em troca, ela o ensina a ser paciente, saber esperar, curtir o momento, e, finalmente, chegar a ter um vínculo, um vínculo especial, com outro ser que nos cativou, e que também cativamos.

Muita gente não gosta ou despreza esta obra, dizendo que é muito “sentimental”. Nelson ainda nos diz que “certamente este livro não atrai todo mundo, e isto está bom. Eu tenho convivido com este livro há alguns anos – lendo, relendo, e o estudando em todos os detalhes. Tenho o sentimento de que é uma história realmente profunda. Sim, é sentimental. Sim, tem uma mensagem muito simples. Tem uma moral, se preferir, mas acredito que seja uma bela moral. Penso que a história é contada com uma grande sabedoria. As camadas de melancolia e tristeza que estão por baixo são tão profundas, principalmente quando você lembra que a guerra estava ocorrendo, e qual era o sentimento de Saint-Exupéry em relação a ela, que o fato dele ter transformado a sua experiência da guerra, durante um período de tanto desespero no mundo, em uma história tão abundante de esperança, é um enorme triunfo!”

***

Quando partiu da Córsega em seu avião, Saint-Exupéry usava uma pulseira que foi encontrada anos depois do seu desaparecimento. Depois que ele sumiu, em 1944, não ficou claro, por muito tempo, o que exatamente havia acontecido. Mas, em 1998, um pescador na costa de Marselha encontrou em sua rede de pesca uma pulseira de prata, na qual estava inscrito o nome de Saint-Exupéry. Então se descobriu que essa era a pulseira que ele usava quando o avião caiu. Em 2004, os destroços do seu avião também foram achados numa localidade próxima – mas seu corpo jamais foi encontrado…

Em todo caso, quais eram as chances de um objeto tão pequeno ser pescado do mar? Tal achado possibilitou a confirmação do local onde Saint-Exupéry morreu, e também a recuperação dos destroços do seu P-38 Lightning; e foi também mais um incrível elemento a ser adicionado ao mito de Antoine de Saint-Exupéry, o homem que se tornou, ao menos no imaginário de muitos dos seus admiradores, o próprio pequeno príncipe.

Esta obra é, portanto, o seu último voo, um voo eterno pela imaginação das pessoas de todo o mundo – sejam elas grandes ou pequeninas.

Este é o Epílogo da minha tradução da obra mais famosa de Saint-Exupéry, que já se encontra à venda como livro digital na Amazon, com mais de 40 ilustrações de tela inteira, “pelo preço de um café”… Clique na imagem abaixo para acessar a obra à venda no site da Amazon:

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» Ver galeria com todas as imagens do livro

» Ler o capítulo XXI completo, na tradução de Rafael Arrais

***

[1] Os depoimentos de Christine Nelson foram retirados do programa GloboNews Literatura que foi ao ar em Abril de 2014, no canal de TV a cabo GloboNews.

[2] Segundo a Universia Brasil, O Pequeno Príncipe é o segundo livro mais traduzido do mundo (após a Bíblia Sagrada), com mais de 250 traduções. Também já vendeu, em todo mundo, mais de 140 milhões de exemplares.

#eBooks #Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-%C3%BAltimo-voo-de-saint-exup%C3%A9ry

Curso de Tarot e História da Arte no RJ

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Dias 02 e 03 de Março de 2013 teremos o Curso de Tarot e História da Arte no Rio de Janeiro. Não é um curso de tarot no sentido comum da palavra e, pelo que eu sei, é o único deste tipo ministrado no Brasil. No curso de Arcanos Maiores, utilizamos 18 tarots diferentes, do período que vai desde o século XIII até baralhos contemporâneos. Estudamos cada um dos 22 Caminhos da Árvore da Vida e sua correlação simbólica e imagética com cada Arcano do Tarot, para serem utilizados tanto em rituais herméticos como portais de acesso às energias da Árvore da Vida. Observe as 5 figuras acima, do Mago. O que elas têm de semelhante? no que diferem? por quê? O que representam estes objetos? e as cores?

Começamos pelo Visconti-Sforza, do século XIII, que une a simbologia dos Trionfi renascentistas à estrutura da Árvore da Vida. Em seguida, o tradicional Tarot de Marselha (1560), Rider Waite (1909), Golden Dawn (duas versões), Tarot de Papus, Tarot Egípcio e Tarot de Thoth (Crowley). Isto nos dá uma noção muito clara de como os Arcanos se desenvolveram ao longo da história da magia e quais são as principais escolas; suas diferenças e semelhanças.

Também estudamos o Tarot Mitológico, Sephiroth Tarot (cabalístico), Tarot Alquímico, Tarot dos Santos e mais quatro ou cinco tarots modernos que eu vario de curso para curso para exemplificar a visão de outras culturas (celta, africano, dos orixás, etc). Somente com esta visão de conjunto é possível compreender a magnitude do tarot e as maneiras como ele pode ser utilizado em rituais e no seu altar pessoal.

Eu também ensino a fazer a leitura do Tarot tradicional, pelo método da Cruz Celta, mas normalmente quando se chega nessa parte do curso, a maioria dos alunos já percebeu que existem usos bem mais interessantes e poderosos do tarot do que apenas o de fazer leituras.

Arcanos Menores

No curso de Arcanos Menores, eu recomendo que a pessoa tenha feito Kabbalah primeiro e, se possível, Astrologia Hermética, pois os Arcanos Menores são praticamente um curso intermediário destas matérias.

É possível fazê-lo sem ter estes pré-requisitos, mas como CADA Arcano Menor é a representação de uma Sephira de um Elemento (10 esferas x 4 elementos = 40 Arcanos menores) e ao mesmo tempo a combinação de um Planeta em um Signo, a compreensão de todo o conjunto da obra hermética, alquimista e astrológica se faz com os 3 cursos (ex. O “Dois de Bastões” é Hochma na Árvore do Fogo/Marte em Áries e os Arcanos da Corte são as energias intermediárias do Zodíaco: Áries-Touro é o Cavaleiro de Moedas, Escorpião-Sagitário é o Rei de Bastões/Ofiúco, e assim por diante, totalizando 12 Arcanos + as 4 Princesas/Pagens, que são as energias elementais puras).

Como a maioria dos tarots utiliza a representação literal nos menores, eu utilizo cinco decks para o Curso de Arcanos Menores (Marselha, Rider-Waite, Mitológico, Crowley e Sephiroth).

Informações e Reservas: marcelo@daemon.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-tarot-e-hist%C3%B3ria-da-arte-no-rj

A Descoberta do Invisível

» Parte 1 da série “Reflexões sobre o materialismo”

A matéria (do latim: materia) é aquilo que existe, aquilo que forma as coisas e que pode ser observado como tal; é sempre constituída de partículas elementares com massa não-nula (como os átomos, e em escala menor, os prótons, nêutrons e elétrons).

Empédocles foi um filósofo pré-socrático que viveu na atual região da Sicília, entre 490 e 430 a.C.; Também foi médico, legislador e místico. Aproximadamente 2460 anos antes de Darwin e Wallace, já postulava que “os seres evoluíram da água por processos naturais” e que “sobrevive aquele que está mais bem capacitado”. Empédocles viveu em uma era onde os sábios ou filósofos eram ao mesmo tempo religiosos e cientistas.

Por exemplo, ele defendia que o universo era mantido por suas forças fundamentais: o Amor unia os elementos e o Ódio os separava. Esse tipo de nomenclatura pode afugentar os cientistas atuais (bastaria substituir o termo “amor” por “gravidade” para, quem sabe, mudarem de ideia), mas os bem informados saberão que a própria ciência deve muito aos pensadores daquela época. Ao contrário de Pitágoras, Empédocles não achava que a natureza poderia ser desvendada apenas pelo pensamento ou pelo estudo místico dos números. Ele era, portanto, um místico observador…

De fato, um dos primeiros experimentos científicos de que se tem notícia foi realizado por Empédocles com um instrumento de cozinha bastante simples – o ladrão de água. Tratava-se de uma espécie de esfera de latão com perfurações de um lado e um longo cano fino no lado inverso. É usado até os dias de hoje, mas mesmo em sua época já vinha sendo usado há muito tempo. Basta imergir a esfera em qualquer balde com água, segurando-a pelo cano e sem tapa-lo, e depois retirar da água tapando o orifício do cano com o dedão – enquanto mantemos o cano tapado, a água da esfera não sai, mas quando retiramos o dedo do cano, ela vira uma espécie de regador e respinga a água para fora por suas pequenas perfurações.

Ora, muita gente deve ter inserido a esfera na água com o cano tapado, por engano, e percebido que nenhuma água havia sido “roubada” do balde pelo ladrão de água… Para praticamente todos isso não tinha nenhum significado oculto ou profundo, mas nas mãos do cientista isso era de uma significância até mesmo aterradora – se não havia “nada” dentro do ladrão de água, se ele estava sem água alguma, como pôde a água do balde não conseguir adentrá-lo apenas porque pressionamos a ponta do cano com os dedos? A única explicação era que o próprio ar ocupava aquele espaço!

Empédocles havia descoberto o invisível. “O ar” – pensou ele – “deve ser matéria em uma forma tão divinamente dividida que não podia ser vista”. Certamente os antigos já consideravam o ar um dos elementos básicos da criação, e Empédocles partilhava dessa crença. Porém, talvez para eles o ar fosse o elemento visto nas nuvens ou sentido nas ventanias e mesmo nas brisas sutis… Mas certamente ninguém havia concebido que o ar ocupava espaço, que preenchia o aparente vazio entre nós e os móveis de nossa casa, ou a árvore do outro lado da estrada. Empédocles havia provado a existência do ar através da observação da natureza, algo que não poderia ser feito somente com a mente, ou com os números.

Toda a ciência moderna se baseia naquilo que pode ser percebido ou diretamente pelos olhos, como um utensílio de cozinha ou uma árvore, ou através de instrumentos, como ondas de rádio ou galáxias distantes. A ciência moderna não considera aquilo que é percebido apenas pela mente, dentre outras coisas porque normalmente não é uma experiência que pode ser percebida por mais de uma pessoa – ou seja, geralmente não é um experimento replicável. Por isso costuma-se pensar que todo cientista é uma materialista, mas isso faz sentido?

O termo “materialismo” só foi cunhado em torno de 1702 pelo filósofo alemão Leibiniz, mas seu conceito está diretamente relacionado ao atomismo, que nada mais é do que um desenvolvimento das ideias de Empédocles por um filósofo que, apesar de ter vivido na mesma época de Sócrates, está “historicamente agrupado” também entre os pré-socráticos: Demócrito.

Nascido em 460 a.C. na região da Trácia, Demócrito foi um discípulo de Leucipo de Mileto, e depois seu sucessor. É considerado por alguns “o pai da ciência moderna” pelo desenvolvimento do atomismo, mas há quem afirme que ele apenas continuou o trabalho de Leucipo, inspirado pelo pensamento de Empédocles. Em todo caso, nenhuma obra original de Demócrito sobreviveu até a modernidade, o que se sabe sobre ele é, sobretudo, o que outros pensadores de sua época disseram a seu respeito. Dizem que Platão o detestava, por exemplo, e que gostaria que seus livros fossem queimados, mas isso é provavelmente apenas uma anedota que procura demonstrar como o atomismo era, de certa forma, o oposto do idealismo platônico.

Outra anedota talvez seja mais realista, e conta que Demócrito dizia que “o riso torna sábio”, além de retratá-lo como alguém que costumava levar a vida com muito bom humor e gargalhadas ocasionais – “a vida sem festas ocasionais é como uma longa estrada sem estalagens pelo caminho”. Por essas e outras, ficou conhecido na Renascença como “o filósofo que ri”… Mas certamente os partidários do idealismo e particularmente do cristianismo não partilharam de seu bom humor: relegaram sua obra a um ínfimo “rodapé histórico”, uma espécie de filosofia apócrifa.

Mas com o renascimento da ciência, seu pensamento voltou à tona e, apesar de termos apenas pequenas referências de sua obra, sabemos que ele estava fundamentalmente correto quando defendia que “tudo é feito de átomos”. Apenas não pôde vislumbrar o quão profundamente sagrados eram tais átomos.

» Na continuação, como cortar uma maçã sem causar um incidente nuclear…

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Crédito das imagens: [topo] Wikipedia (Democritus, por Hendrick ter Brugghen); [ao longo] Imagem retirada do episódio 7 da série de TV Cosmos, de Carl Sagan (eis o ladrão de água descrito no artigo).

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Ciência #Filosofia #materialismo

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Raul Seixas, Paulo Coelho e a Sociedade Alternativa

O início dos anos setenta é guardado com imenso carinho por aqueles que os viveram intensamente, formando a romântica juventude daquele tumultuado período.

O eternamente pouco populoso meio thelêmico não escaparia (felizmente) do romantismo que tomara conta da assim chamada geração para frente Brasil. Entre tantos que estiveram em contato inicial com o assim chamado Sistema thelêmico de realização espiritual, dois nomes despontam, bem mais pelo futuro que o destino lhes reservaria, do que pelo conhecimento, propriamente dito, da matéria elaborada por Aleister Crowley(1875-1947): os nomes são, Raul Seixas e Paulo Coelho.

Raul Seixas conheceu Paulo Coelho em 1973, através de um artigo publicado na revista “A Pomba”, do próprio Paulo Coelho. A partir deste momento, nascia a tão famosa parceria musical que viria a projetar os dois no cenário nacional.

Paulo Coelho, então em contato com Marcelo Ramos Motta (1931-1987), tomava suas primeiras instruções sobre Crowley e a Lei de Thelema. O fascínio pela filosofia desenvolvida pelo controvertido mago Inglês, não tardou a contagiar o promissor jovem escritor que, logo em seguida, a apresentaria a Raul Seixas. A vida e a obra dos dois foram fortemente marcadas por este período.

Motta, então, escreve para um de seus discípulos (Euclydes Lacerda de Almeida), pedindo para que este se responsabilizasse pelo desenvolvimento de Paulo Coelho, tanto na A.’.A.’. quanto na sua particular versão da O.T.O.. Marcelo Motta também comporia algumas músicas em parceria com Raul Seixas e Paulo Coelho. Entre as mais famosas estão as belas “A Maçã”, “Tente Outra Vez” e “Novo Aeon” (essa ultima em parceria com Cláudio Roberto).

Paulo Coelho, seguindo a orientação de Motta, estabelece contato com a pessoa indicada e esta o aceita como Postulante e Estudante da Lei de Thelema. A significativa troca de correspondência entre Paulo Coelho e seu novo Instrutor durante o período 1973-74 nos dá a certa medida do entusiasmo e dedicação com que Paulo Coelho, desenvolvendo seus estudos, também tomava para si a responsabilidade de divulgação da Obra do controvertido mago Aleister Crowley. Este trecho de uma carta de Paulo Coelho, datada de 26/03/74, nos dá uma idéia de seu entusiasmo, bem como seu envolvimento com a filosofia thelêmica: “… como tomamos [Paulo e Raul] Crowley, principalmente Liber OZ, como base de um estudo social a que nos propomos, gostaria de ouvir e ser constantemente orientado por vocês no sentido de não comprometer nada, falando demais ou falando errado. Informe urgentemente como devemos continuar agindo na divulgação de todos os nossos ideais e nossas idéias.”

Seu treinamento mágico teve início formal em 01/01/1974. Em seguida, Paulo Coelho seria admitido na O.T.O. de Motta, assumindo como Mote Mágico (ou nome mágico) “Frater Staars”. Raul Seixas e Paulo Coelho, inspirados pela Lei de Thelema e pela Obra de Aleister Crowley, também formulariam um movimento que ficou conhecido com A Sociedade Alternativa, cujo hino, a música que leva o mesmo nome, é a própria declaração da Lei de Thelema.

Paulo Coelho, bem mais organizado que Raul Seixas, seguia firme com suas práticas e estudos thelêmicos. No dia 19 de maio de 1974, Paulo Coelho formaliza seu Juramento ao Grau de Probacionista, sendo admitido na A.’.A.’. com o Mote Mágico “Frater Luz Eterna – 313” (e não “Lúcifer”, como erroneamente divulgado por certos autores nacionais). Junto a seu Juramento, envia uma carta em que seus ideais ficam expostos de forma bem clara. Nela, Paulo Coelho diz o seguinte:

“Continuamos a divulgar de todas as formas o Liber OZ, […] A Sociedade Alternativa continua com o sucesso de sua caminhada no sentido de construir as bases sociais para uma verdadeira civilização thelêmica.”

No entanto a eternidade de sua luz na senda thelêmica, bem como sua certeza de propósitos em relação a esta filosofia de vida, não iriam durar muito tempo: ironicamente, esta seria sua última missiva dirigida a seu Instrutor. Cinco dias depois, na sua famosa “noite negra do dia 24”, Paulo Coelho, junto a outros “subversivos”, é preso pela polícia do exército. Sim, ele de fato viu o “diabo” e, muito embora estes não possuíssem rabos pontudos nem chifres e usassem o verde oliva no lugar do vermelho, esse seria – segundo o pouco criterioso modo thelêmico de avaliação – o fim de sua carreira mágica, pelo menos naquilo que diz respeito a Thelema. Na verdade, como um exame mais inteligente demonstraria, este foi o início de sua realização tanto mágica quanto pessoal.

Na época, contudo, provavelmente a forte formação cristã (católica) de Paulo Coelho o tenha feito associar os dois fatos, mostrando-lhe então o quão “errado” ele estava em seguir “os passos da Besta”. Mais isso é apenas mera especulação. Devemos sempre lembrar que todos têm direito de optar pelo que melhor lhes parecer. Alguns anos depois o novo Paulo Coelho se transformaria no mundialmente famoso escritor que todos conhecem. Não há lei além de faze o que tu queres e Paulo Coelho fez o que realmente quis.

Aqueles que conhecem esta parte da história do hoje famoso mago, sabem o quanto esta fase marcou o escritor que se formava. Esses também especulam qual é a verdadeira origem do seu conhecimento que, fragmentado e diluído, habita alguns de seus Best-sellers, além, é claro, do que significaria sua Ordem de RAM (também especulando, é curioso observar que a palavra inglesa RAM é designativa para Áries, Carneiro ou ainda de Bode Montês – nesse caso, o Trunfo XV do Tarot de Crowley).

Raul Seixas, por sua vez – que nunca quis vinculo formal com qualquer organização de cunho thelêmico – seguindo o exemplo de praticamente todos os estudantes de thelema daquela época os quais ainda guardavam uma réstia de bom senso, rompeu definitivamente contato com Motta. Raul Seixas, entretanto, seguiu de modo independente e anárquico, características bem próprias a sua fantástica personalidade, a divulgar a Lei de Thelema e a genialidade de Crowley. E assim, através de seus próprios méritos, ele se consagrou, e mesmo hoje, após sua precoce morte ele continua como uma agradável e inspiradora lembrança, bem vívida na mente daqueles que amam a obra do sempre eterno maluco beleza.

Para muitos esse foi o fim do sonho da Sociedade Alternativa, para outros entretanto, seu verdadeiro início…

Pelo meu querido irmão Carlos Raposo, publicado originalmente no site Artemagicka.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/raul-seixas-paulo-coelho-e-a-sociedade-alternativa

Desenvolvendo um Templo Astral

Olá crianças,

Esta semana tivemos pelo menos 20 pessoas adentrando o segundo atrio do Arcanum Arcanorum e muitos me pediram para dar maiores detalhes sobre como funciona um Templo Astral. O Templo Astral é um dos principais exercícios magísticos de todas as Ordens Iniciáticas, xamânicas, rosacruzes e até mesmo católicas… Por quê? Porque ele é uma construção astral/mental que consegue transformar todo o seu subconsciente em algo consciente e compreensível.

Explico: O Templo Astral de um mago representa sua própria mente, organizada e moldada de uma forma onde os símbolos que ali surgem possam ser interpretados conscientemente pelo nosso cérebro.

De acordo com Yuri Motta, “A construção do Templo Astral é um exercício que é sempre indicado após você dominar a visualização e ter desenvolvido uma boa concentração, fora isso é bom saber dominar um estado de relaxamento, que você pode atingir fazendo respirações controladas ou atingindo o Estado Alpha.

Estando em um local confortável como sua cama ou uma poltrona, você se visualiza em um espaço branco, esse é o papel branco da sua mente, lá você vai construir um o local que vai ser ponto de partida para o seu templo astral inteiro, não existe regra, mas você pode começar com um pequeno quarto e ir colocando as coisas que quiser, por exemplo uma mesa, quadros, plantas e etc. Vai ser o lugar que você faria para ficar uma parte do seu tempo e se não existisse limites na forma que você poderia decorar. Se você é ocultista por exemplo, pode colocar estátuas de deuses, objetos com simbolismo, armas e etc, objetos que só uma pessoa milionária poderia colocar”.

Cada um destes objetos pode e deve ter um simbolismo especial para o mago. Por exemplo, no Xamanismo, somos ensinados a construir nosso “local de meditação” como uma clareira dentro de uma floresta, com uma fogueira no centro e uma grande árvore próxima”. Quando construímos esta cena mental, nosso HOD (a bagagem de formas e conceitos de cada um) molda essa descrição em símbolos que trazem certas correspondências. A primeira coisa que o xamã vai pedir é para você identificar qual tipo de árvore é aquela… e pelo tipo de árvore podemos compreender uma parcela de nossa personalidade; pelo tipo de fogueira, podemos compreender como está nossa Vontade (thelema), pelo estado da mata, nossos limites e assim por diante (existe água próxima? é dia ou noite? há animais? quais? etc…).

O dia em que você está desanimado, sua fogueira está fraca, no dia em que você está se sentindo poderoso, sua fogueira reflete isso (mesmo sem você comandar isso! ela simplesmente muda seguindo o que o seu subconsciente faz da leitura das vibrações e codifica isso em um símbolo que seu consciente pode compreender – no caso, intensidade da fogueira). Ela está espiralada em descontrole? sinal que sua vida espiritual está tumultuada… está pendendo ao ateísmo? ela tende a apagar… você faz as regras quando cria os objetos, e eles reagem à sua vontade de maneira inconsciente…

E cada ponto fixo desta construção fica ancorado em seu subconsciente. Ou seja, se você plantou uma árvore para um relacionamento, por exemplo, quando seu relacionamento vai bem, a árvore estará frondosa e saudável… se estiver ruim, a árvore estará murcha, seca, ou até morta… podem aparecer cupins, ou dar frutos… cabe ao mago estudar simbologia e correspondências para conseguir compreender o que aqueles símbolos significam para ele e, com isso, ampliar sua consciência).

Podem aparecer animais, criaturas, até mesmo monstros em seu templo… objetos podem aparecer quebrados (mesmo que você os conserte cada vez que entrar no Templo, eles teimam em continuar quebrados… isso significa alguma coisa: seu inconsciente lhe mandando uma mensagem através de símbolos!)

E como pode ser esta construção básica? Yuri Motta nos descreve o seguinte:

“Obviamente como o espaço é seu, você pode imaginar imaginar algo completamente diferente como uma praia deserta, ou um castelo nas nuvens.

Por exemplo, uma parte do meu Templo Astral é uma ilha, com uma cabana de madeira bem simples, com uma sala ao lado para meditar, fora dela eu coloquei locais para representarem os 4 elementos, o mar é água, terra uma gruta, vento um penhasco e fogo uma piscina de lava no fundo da terra. Também é possível colocar deuses personificados para conversar ou estátuas desses para oferendar algo, emfim, o limite fica na criatividade”.

Existem diversos motivos para se ter um templo astral, é um lugar onde pode se relaxar a mente e ao mesmo tempo treiná-la, pois a visualização é um exercício também.

Dentro do templo astral, após deixar tudo “firme” chega a parte mais interessante, enquanto você cria e explora esse mundo criado por você, podem aparecer coisas novas com o passar do tempo, muitas vezes símbolos que sua mente cria e você deve desvendar o significado, não podem aparecer apenas objetos, como também seres vivos, como a mente trabalha com símbolos é importante procurar colocar coisas que tenham algum significado para você.

Quanto mais se pratica a construção e criação de um Templo astral, mais se treina visualização e criatividade e maior se torna sua capacidade de moldar pensamentos no Plano Astral. Inclusive, uma das perguntas que mais me fazem é a seguinte: “eu faço parte das ordens X, Y e Z e cada uma tem um Templo astral… devo fazê-los juntos ou separados?” e a resposta é “Junte TUDO. Sua mente deve ser unificada”. Você faz parte da AMORC? tenha um templo da AMORC que possa acessar dentro de seu Templo Astral, e portais que o levem direto ao Colégio Invisível, faz parte da demolay? tenha um Capítulo pronto com todos os paramentos montados; tenha um templo maçônico, um círculo de pedra, as quatro fortalezas elementais do AA, as firmezas de exu, caboclo, preto-velho… tenha seus animais de poder livres para correr na floresta, próximos da cachoeira!

Em níveis mais avançados você pode usar o templo para guardar informações, pode lançar sigilos dentro do templo, realizar rituais. Se conseguir, pode personificar um trauma, medo ou vicio e em uma batalha épica matar esse problema.

O templo pode ser usado para guardar informações, como uma biblioteca, pode ser utilizado para treinar ações, rituais, treinos esportivos e eventos. Atletas olímpicos costumam repassar suas formas mentalmente dezenas de vezes para cada vez que a executam fisicamente, Tesla construía mecanismos em sua mente e os deixava “funcionando” por semanas. Quando ia examiná-los, sabia exatamente quais peças teriam qualquer gasto e que problemas apresentariam… quando crio jogos de tabuleiro, costumo deixar as regras com seres do templo astral jogando e, quando retorno, eles me mostram eventuais defeitos ou modificações a serem feitas… com a mente treinada, as possibilidades são infinitas!

O treinamento em Qlipoth, em NOX passa necessariamente por ter um Templo Astral desenvolvido e as defesas prontas para se trabalhar seus próprios monstros e demônios internos. É necessário ter todas as defesas, armas, armaduras e preparos mentais e astrais para se poder solidificar um demônio interno e dominá-lo… caso contrário, seus defeitos irão dominar você.

É importante esse exercício ser feito com frequência e diariamente para ter bons resultados, você pode fazer também toda noite antes de dormir.

E não se preocupe com o tamanho dele… como costumo brincar: não se paga IPTU no Astral. Facilita bastante desenhar, moldar, construir ou até, se você tiver facilidade com arquitetura, desenhar a planta básica em CAD ou outro Sketch.

Qualquer dúvida que tiverem, aproveitem o espaço dos comentários.

#MagiaPrática #PlanoAstral #TemploAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/desenvolvendo-um-templo-astral

Pra não dizer que não falei da política

Eu não gosto de política. Eu não entendo quase nada de política. Por isso eu quase nada escrevo sobre política. Já me disseram algumas vezes que eu deveria me interessar mais por política, que “a política é essencial na formação do cidadão”. Porém, normalmente entende-se por cidadão aquele membro pertencente a uma determinada nação ou estado, com seus direitos e deveres… O meu problema, portanto, é que antes de ser cidadão eu sou poeta – e poetas são cidadãos do mundo todo, não compreendem como tantos enxergam essas fronteiras invisíveis onde tudo o que há são florestas e aves a voar e, quando muito, um rio a fluir. Eu sou cético quanto a essas alucinações, até hoje ninguém fotografou uma fronteira (fotografaram grades e muros, mas esses a gente passa por cima).

Há pouco tempo, finalmente encontrei um motivo para falar de política, e aqui segue o meu depoimento…

Ocorre que descobri que um dos heróis da resistência contra a ditadura militar que perdurou no país por pouco mais de 20 anos (vocês se lembram não?) foi exatamente um poeta, e sua arma foi a poesia:

Esta música de Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores”, foi entoada como um hino pela liberdade por legiões de jovens e admiradores do ser humano. Como dizia que os soldados eram ensinados “a morrer pela pátria e viver sem razão”, foi censurada, e Vandré foi um dos inúmeros “formadores de opinião” forçado a se exilar fora do Brasil em 1969.

Mesmo após seu retorno ao país, em 1973, Vandré nunca mais foi filmado em um palco nem participou de algum show ou comemoração musical que a relevância de sua obra requeria. Isolou-se como se nunca tivesse existido… Isso foi o suficiente para que surgissem boatos de que ele havia sido torturado física e mentalmente pelos militares, que estava louco ou que sofrera lavagem cerebral… Para muitos radicais da época (e até hoje), Vandré era uma espécie de “Che Guevara brasileiro” – ocorre que ele nunca pegou numa arma, nem tampouco morreu em alguma revolução.

Na verdade, Vandré não foi torturado. Na verdade, Vandré não queria fazer revolução alguma… Um dos motivos de nunca ter retornado a carreira artística de forma pública (pois compõe músicas até hoje) foi exatamente porque se sentiu incomodado com essa fama de “mártir revolucionário”… Vandré não era apenas um “Che Guevara”, era muito mais do que isso – era antes um poeta revolucionário.

Sua música que se tornou hino era muito mais uma poesia sobre a condição humana, e não sobre uma ditadura militar dentre tantas outras na história da América do Sul. Para Vandré, tanto os cidadãos quanto os militares eram todos soldados, alguns armados com fuzis, outros apenas com a razão e a intuição – sempre muito mais poderosos. Porém, todos irmãos, todos fadados à caminhar juntos, de mãos dadas, rumo ao futuro em comum.

O poeta nada tinha contra os militares, muito pelo contrário – era apaixonado por aviação desde criança, e ainda nos dias de hoje é quase sempre visto nas ruas próximas a seu apartamento em São Paulo vestindo uma camisa branca com um símbolo da aeronáutica no peito. Vocês podem não acreditar, e por isso mesmo eu acho interessante verem este outro vídeo, onde ele acompanha um sargento cantar seu hino atemporal, e depois vai até ele para abraçá-lo… Se você chegou até aqui sem compreender que não existe nem nunca existiu uma nação dividida entre militares e cidadãos, é provável que tão cedo não compreenda:

Da mesma forma, a política trata da organização e administração dos interesses comuns de um dado grupo de pessoas. Moisés fez política ao trazer suas tábuas para o povo no deserto. Os gregos fizeram política ao decidir condenar Sócrates a beber cicuta. Gandhi fez política ao livrar todo um país da opressão estrangeira com um aceno de paz e uma grandiosa alma a irradiar-se por milhões e milhões de irmãos… O fim da política é resolver os interesses comuns da melhor forma possível – a questão é que muitas vezes os homens, esses animais políticos, não dispõe da ética e da poesia necessárias para alçarem vôos às regiões mais ensolaradas do reino da liberdade e da fraternidade universal.

Ainda crêem que partidos políticos significam divisões eternas, e que o inimigo está sempre do outro lado… Ora, o inimigo é a própria noção profundamente ignorante de que existe um inimigo. O inimigo é achar que o mundo divide-se entre esquerda e direita, branco e preto, e não nas mais variadas gradações de cores e culturas.

Assim como nas religiões os seres ignorantes digladiam-se em nome de um Deus que só poderia pertencer a todas elas, na política muitas vezes os homens elegem deuses os seus próprios sistemas políticos, e há alguns que se autodenominam avatares desses deuses fajutos. Ora, o único sistema político que predomina e sempre predominou é aquele que atende aos desejos da maioria pensante, ou seja, aquela que foi ensinada a pensar…

Em “1984”, George Orwell retratou um futuro sombrio onde as ditaduras políticas tomaram o controle da maioria dos países, e onde toda liberdade à informação é cerceada. Já Aldous Huxley foi um pouco mais perspicaz, e previu um futuro superficialmente mais ameno, mas no fundo muito pior – um futuro onde seríamos de tal forma atordoados por uma overdose de informações irrelevantes, que não seria sequer necessária à censura, pois os possíveis revolucionários seriam reduzidos à passividade e ao egoísmo. O primeiro temia que o medo nos arruinasse, o segundo previu que o desejo seria nossa maior ruína.

Quando Vandré retornou ao país, percebeu que o povo que cantarolava suas poesias não existia mais… Não porque havia sido exterminado pela ditadura militar, mas simplesmente porque havia sido domado pela cultura massificada e irrelevante que ele já previra desde décadas atrás…

Bem, talvez Vandré seja muito mais revolucionário do que sequer poderíamos imaginar que a idéia de ser revolucionário algum dia poderia significar. Ele não estava interessado em salvar um sistema político, mas um sistema poético. Poetas são conhecidos por tirar as pessoas de suas vidas anestesiadas por breves momentos – mas será que a poesia pode fazer-nos despertar do “Admirável Mundo Novo” de Huxley? Isso somente nós mesmos é quem poderemos responder, no único espaço que jamais pôde ser controlado ou censurado, nem tampouco cercado por muros e grades – na consciência de quem pensa por si mesmo.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

***

Obs: Eu propositalmente iniciei este artigo falando de meu desgosto pela política, mas eu me referia a política dos corruptores e corruptíveis, e não a Política dos poetas, filósofos e grandes líderes como Gandhi. O texto é uma tentativa de analisar essas diferenças entre a política e a Política – embora continue sem pretensão nenhuma de ser um grande conhecedor do assunto.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Música #poesia #política

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pra-n%C3%A3o-dizer-que-n%C3%A3o-falei-da-pol%C3%ADtica

Questionário DeMolay

Para conhecimento dos DeMolays, Maçons e do público ocultista em geral, trago no final do texto um Questionário adotado por alguns Capítulos DeMolay no Brasil. Alguns usam outros questionários e outros nem usam. Este deve ser tomado juntamente com o Exame de Proficiência do Grau Iniciático, para que o DeMolay possa percorrer seu primeiro degrau nos Graus dentro da Ordem. Para os que tiverem interesse em adotar esse Questionário em seu Capítulo só tenho a dizer que muito acrescentará na Jornada Iniciática do Irmão que for interessado.

A Egrégora da Ordem DeMolay possui vínculos com Egrégoras Templárias antiquíssimas, por isso que durante nossas diversas Iniciações e Consagrações temos suas companhias e, em alguns casos, nosso astral é marcado com seus símbolos. Como deve ser dado um passo de cada vez, esse Questionário é fundamental ao Irmão que iniciou e quer percorrer os Graus da Ordem absorvendo tudo que a Ordem tem a oferecer.

A Ordem DeMolay trás em seu corpo a totalidade de 11 Graus a serem percorridos, repartidos entre a Ordem DeMolay e os Nobres Cavaleiros da Ordem Sagrada dos Soldados Companheiros de Jacques DeMolay (ou Ordem da Cavalaria). Dentro da Ordem da Cavalaria existem outras divisões que seguem a estrutura do Rito Escocês Antigo e Aceito, dividindo os graus em Históricos e Filosóficos. Além de existir o Grau de Chevalier que é uma Honraria dada ao DeMolay que se destaca pelo seu trabalho e dedicação por anos a fio.

A estrutura dos Graus é a seguinte:

Ordem DeMolay

Grau Iniciático

Grau DeMolay

Ordem da Cavalaria

Cavaleiro

Série Histórica:

Cavaleiro da Capela

Cavaleiro da Cruz de Salém

Ex-Templário

Tableau

Tríade

Série Filosófica:

Ordem do Ébano

Cavaleiro de Anôn

Cavaleiro da Cadência

No Grau Iniciático é apresentado ao DeMolay os preceitos de Virtude e Boa Conduta através de símbolos para que este possa percorrer sua Jornada Iniciática, se afastando de tudo que é profano. O Casamento Alquímico, a união do Sol com a Lua, ocorre no momento chave da Iniciação, e é o que marca nossa entrada na Egrégora. O Grau DeMolay traz uma nova perspectiva sobre exercer a Virtude, e é Templário por excelência.

Na Ordem da Cavalaria nos reunimos em Conventos ou Priorados, e iniciamos o conflito contra o Mal e o dever de preservar o Bem como Cavaleiros. Entramos em um ambiente mais filosófico e ainda mais intelectual, e o interior do Convento/Priorado chama-se Umbral. E nessa perspectiva cavalgamos o restante dos Graus da Ordem, trazendo sempre a energia e símbolos Templários e Herméticos.

Muitos chegam ao Grau Iniciático, e boa parte alcança ao Grau DeMolay. Alguns são Investidos na Cavalaria e o número vai diminuindo pelos Graus. Alguns se afinam com a Egrégora já no Grau Iniciático, e outros com todos os Graus e Honrarias jamais o fazem.

Aos que tiverem interesse em implementar e conhecer certos assuntos essenciais em seus Capítulos, deixo o Questionário para o Grau Iniciático abaixo. Em breve trarei um Programa de Instruções para ser feito também no Grau Iniciático e DeMolay. Aos que apoiam esse conteúdo, peço que divulguem em seus blogs e lista de emails DeMolay e Maçom.

QUESTIONÁRIO DO GRAU INICIÁTICO

1ª Parte:
História Templária

01 – Quantos eram e como se denominavam os primeiros Templários?

02 – Qual era o objetivo dos Templários?

03 – Quem era o “patrono espiritual” do Templo?

04 – De onde originou o nome “Templário”?

05 – Quem foi o primeiro Grão Mestre da Ordem dos Templários?

06 – Quando e como foi a prisão dos Templários?

07 – Quem foram os 3 responsáveis pela morte de Jacques Demolay e pelo suposto “fim dos Templários”?

08 – Quem foram os outros Templários presos juntos com Jacques Demolay?

09 – Como ficou a situação da Ordem templária após 1314?

2ª Parte:
História DeMolay

01 – Quantos foram os fundadores da Ordem DeMolay e quem foi seu idealizador?

02 – Quem elaborou o ritual?

03 – Descreva sucintamente a história de Louis Gordon Lower.

04 – Quantos e quais são os graus da Ordem DeMolay?

05 – Quantos Brasões já existiram na Ordem Demolay até hoje?

06 – Qual a cidade onde foi instalado o Primeiro Capítulo Demolay do mundo?

07 – Qual a data de Fundação da Ordem Demolay no Brasil?

08 – Quem foi o fundador da Ordem Demolay no Brasil?

09 – Quando foi fundado e instalado o seu Capítulo de origem?

3ª Parte:
Simbolismo

01 – Descreva os vários significados atribuídos ao número 7 através dos tempos.

02 – Por que a lua crescente se situa no centro do Brasão DeMolay?

03 – O que significam as espadas cruzadas?

04 – Qual a importância dos paramentos no ritual?

05 – Qual a postura que deve ser adotada dentro de reunião e por que?

06 – Por que se ajoelha de forma usual?

07 – Por que a reunião é iniciada e terminada com a palavra de emulação?

08 – Por que o 1° Diácono pode cruzar a linha imaginária durante a cerimônia de iniciação?

09 – Qual o significado do malhete?

Nada do que passo aqui é obrigatório e tido como interpretação oficial por algum Supremo ou Capítulo, portanto não vejam como tal.

Leia também:

A História dos Graus de Cavalaria escrito pelo Irmão Matheus de Noronha.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda

Leonardo Cestari Lacerda é Sênior DeMolay do Cap. Imperial de Petrópolis, nº 470, e Maçom da A.’.R.’.L.’.S.’. Amor e Caridade 5ª, nº 0896.

Virtude Cardeal é uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#Demolay #Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/question%C3%A1rio-demolay