‘Corpus Hermeticum

Hermes Trimegistus

Também conhecido por “Coleção Hermética” este livro é atribuído à Hermes Trimegistus, um semi-deus sincrético entre o deus grego Hermes e o deus egípcio Toth.

O livro atravessou a idade média por meio de traduções e influências de alquimistas sírios, arábes e coptas, mas chegou ao seu formato atual graças aos esforços de ocultistas durante a renascença.

O livro que chegou até nossos dias é constituido principalmente de textos gregos escritos nos primeiros séculos da era Cristã. Seu conteúdo forma a base na qual se sustenta as principais cripto-sociedades conhecidas hoje como “Ordens Herméticas”.

ÍNDICE

 

[…] Corpus Hermeticum, como passou a ser chamado teve um impacto gigantesco entre os pensadores renascentistas e são em […]

[…] mesma biblioteca do cristianismo original estejam fragmentos da República de Platão e trechos do Corpus Hermeticum mostrando como o intercambio cultural era algo frequente e comum na […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/corpus-hermeticum/ […]

[…] mesma biblioteca do cristianismo original estejam fragmentos da República de Platão e trechos do Corpus Hermeticum mostrando como o intercambio cultural era algo frequente e comum na […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/corpus-hermeticum/

A roda dos deuses (parte final)

« continuando da parte 1

Nós vinhamos falando do Uno, da Deusa Mãe e do “deus do pai”, e agora prosseguimos nesta roda ancestral…

Entidades divinas

Schiller talvez tenha nos presenteado com a melhor síntese do que seriam, afinal, os deuses de outrora, citando a mitologia grega:

“Naqueles dias do belo acordar das forças espirituais, os sentidos e o espírito não tinham, com rigor, domínios separados. […] Por mais alto que a razão subisse, arrastava sempre consigo, amorosa, a matéria, e por finas e nítidas que fossem as suas distinções, nada ela mutilava. Embora decompusesse a natureza humana para projetá-la, aumentada em suas partes, no maravilhoso círculo dos deuses, não o fazia rasgando-a em pedaços, mas sim compondo-a de maneiras diversas, já que em deus algum faltava a humanidade inteira. Quão outra é a situação entre nós mais novos. […] Eternamente acorrentado a uma pequena partícula do todo, o homem só pode formar-se enquanto partícula.” [1]

Todas as entidades divinas, como os deuses gregos, são mitos associados a aspectos da Natureza; o que certamente incluí a nossa natureza – a natureza humana. É óbvio que não existe, na natureza terrestre pelo menos, um homem que mora acima das nuvens e de vez em quando desce a Grécia para seduzir e copular com belas mulheres desavisadas; mas, por outro lado, a iconografia de Zeus é toda ela um imenso conjunto de símbolos, símbolos estes que existem e sempre existirão, ao menos enquanto existirem mentes com vontade de pensar sobre eles.

Os símbolos nada mais são do que imensas quantidades de informação reduzidas a uma única imagem ou história fantástica ou ícone que funcionam como uma chave mental para o acesso dessas informações e sensações, desde que a pessoa saiba, em seu pensamento, como usar esta chave de uma forma consciente. Você pode perfeitamente substituir a imagem (o símbolo) de Zeus por uma série de palavras (formadas por conjuntos de símbolos – as letras do alfabeto) a formar uma extensa lista: nobreza, inteligência, sabedoria, espiritualidade, sedução, magia, fúria, excitação, ciúmes, vingança, etc. É claro que, dependendo da interpretação de cada pessoa, e de cada tradição folclórica, essa lista pode variar imensamente, mas não absolutamente. Zeus é um conjunto de símbolos, ele serve para que acessemos tais ideias em nosso pensamento, sentimento e intuição, de forma simplificada e cada vez mais potente (o hábito faz o monge).

O grande problema do “uso dos mitos” é quando os entendemos como seres literais (e não metáforas), dispostos a barganhar conosco em troca de “favores espirituais”, “boa sorte”, “boa saúde”, etc. Isso é um problema porque, exatamente, a grande vantagem dos mitos é poder ativar a nossa vontade para que nós mesmos busquemos tais objetivos, que nós mesmos nos tornemos heróis a vivenciar a grande aventura da vida, que nós mesmos nos tornemos, enfim, deuses (“sois deuses, farão tudo o que faço e ainda muito mais” – disse o grande rabi da Galileia [2]).

Ainda em O poder do mito, Joseph Campbell nos ajuda a entender melhor a questão: “Todos os símbolos da mitologia se referem a você. Você renasceu? Você morreu para a sua natureza animal e voltou à vida como uma encarnação humana? Na sua mais profunda identidade, você é Deus. Você é um com o ser transcendental”…

Dizem os Upanixades hindus que “aquele que sabe que também é parte de Deus se torna, em sua Criação, um criador”. É claro que ninguém imagina que possa criar outros universos por aí, apenas pensando sobre eles, nem muito menos que é onipotente neste universo (ou ao menos, ninguém que manteve certa sanidade em sua crença); por outro lado, todo aquele que reconhece a fagulha divina dentro de si, pode potencialmente, como Cristo, tornar-se “um com o Uno”. Neste sentido, todos os mitos, todos os deuses, são apenas “atalhos no caminho”, símbolos que podem nos auxiliar em nossa religação ao Uno.

Para finalizar o assunto, é sempre proveitoso consultarmos a sabedoria de Alan Moore: “Na Cabala há uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto. Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de ideias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, e que quem a emite nem sequer a entende.” [3]

Avatares e heróis

Um avatar (do sânscrito, aval) é “aquele que descende de Deus”. Ora, se formos considerar o que falamos até aqui, isto não será nenhuma novidade – todos nós descendemos de Deus, assim como todas as coisas descendem de Deus. Um avatar, entretanto, geralmente é também um ser mitológico, um herói ancestral dos antigos contos falados nas fogueiras das primeiras tribos, uma prática que se estendeu por todas as civilizações humanas.

Joseph Campbell também nos falou algo interessante sobre essas jornadas heroicas da mitologia antiga: “O reino de Deus está dentro de nós e, não obstante, também está fora de nós; Deus, todavia, não é senão um meio conveniente de despertar a bela adormecida, a alma. A vida é o seu sono; a morte, o despertar [4]. O herói, aquele que desperta a própria alma, não é mais do que o meio conveniente de sua própria dissolução. Deus, aquele que desperta a alma, é, nesse sentido, sua própria morte imediata.

Provavelmente o símbolo mais eloquente possível deste mistério seja o do deus crucificado, o deus oferecido “ele mesmo a si mesmo”. Entendido numa das direções, o sentido é a passagem do herói fenomênico para a supraconsciência: o corpo, com os cinco sentidos, fica pendendo da cruz do conhecimento da vida e da morte. […] Mas é igualmente verdadeiro que Deus desceu voluntariamente e colocou sobre si mesmo a carga de sua agonia fenomênica. Deus assume a vida do homem, que liberta o Deus que se acha em seu interior no ponto médio do cruzamento das hastes da mesma “coincidência de opostos”, a mesma porta do sol pela qual Deus desce e o homem sobe – Deus e o homem se alimentam mutuamente [5].”

Ora, se os xamãs da pré-história dedicaram-se com tanto sacrifício a realizar pinturas nas cavernas mais inacessíveis, eles de fato tinham uma boa razão: as experiências espirituais eram parte central de sua vida, de nossas primeiras tentativas de tatear a Natureza inefável. Seja caçando bisões ou imensos dragões, as jornadas dos heróis de outrora também diziam respeito a nossa própria jornada, a conquista de uma vontade devidamente conectada ao Cosmos, e não mais aos desejos desenfreados dos monstros subconscientes. Sim, pois aqui a mitologia e a psicologia se confundem, e fica muito claro, ao menos para quem tem olhos para ver, que a roda dos deuses tem girado, sobretudo, dentro da mente humana – esta grande desconhecida!

Conforme o Buda meditando ao lado de uma árvore, ou Jesus sendo tentado em pleno deserto, buscando despertar o Cristo que jazia em seu interior: todas essas histórias são símbolos transmitidos pelos sábios ancestrais, e ainda que não tenham transcorrido exatamente da forma como foram contadas, elas vem sendo incansavelmente reencenadas em seu palco mais primordial – a consciência humana. A questão, portanto, não é se os deuses e os avatares existem ou não, mas a experiência que provocam em nós. A experiência mística, religiosa, a reconexão ao sagrado, a vivência do amor: disto, todo verdadeiro religioso sempre teve convicção, e não precisou de experimentos comprovando aquilo tudo de que sabem lá dentro de suas almas.

O sagrado

Conforme o disco de Newton a girar, todos os pensamentos, mitos e histórias sagradas se revelam, em sua essência mais profunda, não como uma gama de deuses separados e rivais, mas como pontos de vista e reflexões de um só Deus, Uno.

Então chegamos ao primeiro paradoxo a ser reconciliado: o Uno não tem, nem nalgum dia teve, nem poderá um dia ter um oposto – pois o nada não existe. Da posse desta reconciliação, desta compreensão que em realidade não pode ser descrita por palavras ou linguagem, alcançaremos à experiência de reconhecer ao sagrado derramado sobre tudo o que há…

E poderemos, quem sabe, compreender que todos os outros opostos também vieram da mesma fonte, e todos os monstros e dragões em realidade nada mais eram do que atores deste teatro da alma. Uma vez compreendidos, reconciliados, também poderão ser nossos amigos – o lobo terá sido adestrado pelo amor.

Há essa ponte entre duas terras:
A terra onde tudo está separado em pequenas caixas, como segredos hermeticamente fechados;
E a terra onde tudo jaz junto, unido, conectado…

O amor é a ponte
O amor é uma fonte
Deus está a aguardar na outra margem
Deus não está a aguardar na outra margem
Deus é uma experiência

(Onde vivem os deuses, raph)

***

[1] Trecho de Cartas sobre a educação estética da humanidade (carta VI).

[2] João 10:34; João 14:12 (Novo Testamento). Compare-se com as frases gravadas nas pequenas tábuas de ouro utilizadas pelos antigos praticantes do orfismo: “Também eu sou da raça dos deuses”.

[3] Trecho de sua entrevista para o documentário The mindscape of Alan Moore.

[4] Este tipo de “morte espiritual” é antes um símbolo do renascimento, do despertar da alma, ainda nesta vida.

[5] Trecho de seu livro, O herói de mil faces.

Crédito das imagens: [topo] Google Image Search (busto de Zeus); [ao longo] Agni Comics (quadrinhos com deuses do hinduísmo)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Cristianismo #hermetismo #Mitologia #JosephCampbell #Budismo #AlanMoore

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-roda-dos-deuses-parte-final

‘Psiconomicon: Ocultismo e H. P. Lovecraft

A Obra literária de Howard Phillips Lovecraft não se tornou um sucesso literário como muitas outras, com seus seguidores e fãs, mas ultrapassou o simples véu da literatura de horror gótica para se tornar um estilo ocultista real e funcional. O Mito de Cthulhu, com seus deuses Antigos e seus nomes Impronunciáveis, é evocado e adorado por praticantes e estudiosos, conhecidos e respeitados das artes mágicas, que fazem uso de seu simbolismo e a sua mitologia, utilizando-os como uma base sólida e um solo fértil para muitos de seus sistemas mágicos.

O objetivo deste livreto é examinar alguns dos indivíduos, ordens e peregrinos mágicos que já se aderiram ao Culto de Cthulhu, e é, antes disso, uma tentativa de expor como cada um deles foi tocado pelas tentaculares forças abissais evocadas e presas no papel pelo escritor nativo de Providência,  Rhode Island, nos primeiros anos do século XX.

Se havia alguma dúvida que uma obra de ficção pode ser usada na prática ocultista, ao final do livro a dúvida será se estamos realmente falando de ficção.

Índice

 

Últimas atualizações

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/psiconomicon-ocultismo-e-h-p-lovecraft/

‘Manual dos Caça Fantasma

As pessoas têm o péssimo hábito de morrer.

Este é um costume tão enraizado na humanidade que antes de inventarmos as igrejas, a ciência e a arte, as pessoas já faleciam aos montes, um hábito que permanece até os dias de hoje. Não demorou muito para aqueles que ainda estavam vivos começassem a questionar o que acontecia com quem deixava este mundo. E assim que começaram a surgir formas de entretenimento sociais como a religião, o teatro, livros e as megaproduções de Hollywood, este assunto foi explorado ao extremo; não é de se espantar que pessoas tenham se especializado nele e o transformado não apenas em uma área de estudo, mas também em uma profissão. Talvez uma das profissões mais antigas da história, já que raramente o xamã local tinha que caçar a própria comida.

A morte e seu principal subproduto, os fantasmas, inflamam a imaginação do ser humano desde que este se entende como tal, e não demorou muito para que ele voltasse seus meios de estudo e sua compreensão para tentar entender aquelas coisas translúcidas que eram capazes de atravessar as paredes. A religião, a filosofia, o ocultismo e finalmente a ciência foram usadas para tentar se compreender e analisar esses eventos que nem os mais cínicos conseguem ignorar por muito tempo. O fenômeno é tão comum que dificilmente alguém não tem uma história pessoal para contar.

Mas como classificar essas atividades chamadas de paranormais, que envolvem a aparição e interação de fantasmas com os vivos? Existem milhares, talvez mesmo milhões, de registros mecânicos e digitais de espíritos dignos de confiança. Alguns deles vêm sendo estudados há décadas sem que tenha surgido uma evidência sequer de fraude. Mas mesmo assim aqueles que se utilizam do método científico e jornalístico não estão mais próximos de explicarem o fenômeno do que o velho xamã preguiçoso.

O filme Os Caça-Fantamas, de 1984, e depois uma série de outros filmes e seriados televisivos, acabaram excitando a curiosidade de muitas pessoas e as incentivou a sair também coletando seus dados e evidências em busca de uma prova de que a existência do ser persiste além da morte física e com o tempo se criou um processo mais ou menos aceito por muitos como a forma correta, ou mais eficaz, de se buscar não apenas espíritos mas também atividades fantasmagóricas e muitos outros tipos de eventos desconhecidos. Mais recentemente, na era do Reality Show seriados como Ghost Hunters tem registrado o procedimentos de profissionais do ramo, levando os casos do fundo do porão para a sala de estar das pessoas.

O que você tem em mãos agora é o resultado do trabalho da Morte Súbita Inc. de se criar um manual prático, baseado na experiência de alguns de seus membros, para que os interessados possam se equipar e sair buscando suas próprias experiências. Este manual contém itens didáticos que tornam possível que a pessoa, mesmo sem nenhuma experiência prévia, possa identificar aquilo com que está lidando, até dicas de como encontrar locais assombrados para pesquisar, como criar um arquivo de casos, equipamentos necessários e um guia prático de como se conduzir uma pesquisa de campo.

Este é um campo de pesquisa e estudos que não possui ainda um currículo necessário, ou seja, qualquer um com uma base boa pode fazer parte dele, a única coisa que servirá para dizer se você é um bom caçador de fantasmas ou não são suas próprias experiências. Por isso se prepare, tome notas e boa sorte.

Agradecimentos

Agradecimentos

Este trabalho é uma homenagem a memória de Octávio Castelani, (Frater Abel 93) falecido em agosto de 2009 e Jaime Garcias, (Frater EctoZ) falecido em abril de 2010, pioneiros do projeto Morte Súbita Inc. no ramo de caçadas fantasmas. Estamos atrás de vocês, camaradas 🙂

Índice

PARTE I – Fantasmagoria teórica:

PARTE II – A Fauna Espectral

PARTE III – Arsenal

PARTE IV – A Rotina da Caça

PARTE V – Administração e Orientações Gerais:

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/101-manual-dos-caca-fantasma/

‘Demonologia sem Cerimônias

Anjos caídos, deuses antigos, formas-pensamento, espíritos desencarnados. Ou quem sabe um mero subterfúgio neurolinguístico? Que diferença faz? O objetivo deste trabalho sobre demonologia não é fornecer explicações metafísicas, mas procedimentos práticos. Então se você é um satanista moderno padrão, não se sinta culpado de continuar lendo. Encare o que vem a seguir como uma hipótese a ser testada.

Seja o que forem os demônios, o fato inegável é que quando nos dedicamos à demonologia podemos trabalhar sem ter conhecimento prévio de uma entidade e no processo experimentar e descobrir coisas que batem exatamente com a experiência de outros demonologistas que já trabalharam com ela. Ou seja, podemos afirmar que existe algo de objetivo nos demônios. Algo que vai além de nossa própria mente. Algo que pode ser usado como uma poderosa ferramenta para a realização do trabalho do feiticeiro.

De fato, desde os primórdios da prática mágica os Demônios tem sido usados. Os métodos para interagir com eles variam com cada civilização e com cada cultura mas a essência desta interação sobrevive a todas elas. Muitos destes métodos são desnecessariamente complexos e carregam toda uma moral religiosa da época em que eram usados, uma moral, especialmente judaico-cristã nos dias atuais, que deveria estar esquecida juntamente com a Idade Média. Por estas e outras razões que ficarão claras adiante, o procedimento que proponho a seguir supera em muito os métodos antigos e mais populares.

 I. A Escolha do Demônio

Devem existir mais demônios sob o céu do que pessoas sobre a terra. Talvez por conter dimensões extras o mundo dos demônios tenha muito mais espaço do que nossa esfera tridimensional para acomodar sua população. Lembre-se que todo deus ignorado é, por assim dizer, um demônio e em uma época onde o monoteísmo é monopólio o inferno tem superlotação. Só entre os devas hindus existem mais de um bilhão entidades. Some a eles todos os outros milhões de seres que foram e são cultuados em todos os continentes em todas as épocas até hoje e você verá que o leque de opções tem realmente proporções abissais. Como escolher? Pensando nisso ao decorrer dos milênios, os demonologistas fizeram catálogos de demônios que julgassem mais úteis, sendo que os mais conhecidos são o Grimorium Verum, o Pseudomonarchia Daemonum e, é claro, as Chaves Menores de Salomão, popularmente conhecido com o Goetia. Nestas e em outras obras são descritos diversos demônios bem como seus poderes e especialidades. É enriquecedor e divertido explorar os diversos seres à disposição e esta é a única forma de você encontrar aqueles seres com os quais terá mais afinidade e que, portanto, trabalharão melhor com você.

Por outro lado estes catálogos são grandes demais, com informações recheadas de preconceitos medievais e apresentam demônios com características repetitivas e muitas vezes redundantes. E pior, por séculos foram utilizados sem nenhum tipo de atualização em relação a nossos avanços tecnológicos, desta forma parece besteira evocar um demônio para encontrar tesouros enterrados, mas a coisa muda de figura se você pode chegar a este  tesouro de maneira virtual mas está tendo problemas com senhas, acessos ou localização remota.

Assim, se você não sabe por onde começar, recomendo escolher um dos sete demônios principais – Satã, Lilith, Belphegor, Lúcifer, Belial, Astaroth e Leviatan. Eles foram eleitos segundo o sistema septenário e são todos seres tradicionalmente evocados entre os chamados praticantes da magia negra desde a antiguidade:

Satã: Emancipação, Rebelião, Auto-domínio, Sucesso, Independência, Confiança, Status. Também assuntos de saúde e vitalidade da carne e do corpo.

Lilith: Fertilidade, mas também abortos. Sexo, tesão, inversão de orientação sexual e questões de beleza e juventude. Também pode fazer alguém se apaixonar por você, ou se matar de amor por você.

Belial: Guerra, casos de vingança, agressão, derrota de inimigos. Instigação de acidentes, tragédias, traumas e ferimentos . Também proteção contra os perigos.

Belphegor: Concentração, sucesso profissional, capacidade de aprendizagem, criatividade, encontrar coisas e pessoas desaparecidas. Sucesso em concursos e entrevistas.

Astaroth: Riqueza, Dinheiro, Prosperidade, abundância, investimentos. Também questões jurídicas e fiscais. Sucesso nos negócios e boas oportunidades. aumentar a clientela. Lúcifer: Sedução, carisma, afetividade, amor, fidelidade e infidelidade, reconciliação e separação, popularidade, auto-estima, amizade. Também questões políticas e interpessoais.

Leviatã: Morte, Assassinato, Doenças, Destruição, Eliminar obstáculos ou dificuldades, esquecimento, falência. Pode causar depressão, psicose e outros distúrbios mentais e afetivos ou longo sofrimento seguido de morte.

II. A Pratica da demonologia

A demonologia é essencialmente um trabalho com informação. Da mesma forma que você pesquisa, busca profissionais ou professores, estuda e pratica algo quando precisa lidar com um assunto novo que não conhece, você faz com demônios. Usando uma comparação tosca eles seriam como diferentes wikipédias sobre determinados assuntos que você acessa quando esbarra em um problema cuja solução parece estar fora do seu conhecimento. A diferença é que ao invés de acessar o site você evoca o demônio. Na verdade existem duas práticas que apesar de diferentes causam certa confusão entre os praticantes. A diferença entre invocação e evocação é que na invocação o corpo e mente do mago recebe a essência e os atributos dos demônios e divindades, você faz um download do demônio para seu sistema nervoso; enquanto que na evocação as entidades agem sempre como inteligências e realidades externas, você os chama para bater um papo. Portanto, na demonologia invocação é o mesmo que possessão. Embora isso ocorra com frequência e os conceitos se misturem este não será o foco dos procedimentos aqui descritos. Não recomendo abrir espaço em sua própria mente para nenhuma inteligência externa caso não esteja pronto para arcar com as consequências depois.

Primeiro Passo

Prepare um altar ao demônio escolhido. Não é necessário nada sofisticado inicialmente, a importância disto é apenas a de de ser um ponto focal para o relacionamento que está para nascer. Se você é um satanista praticante deve ter uma câmara ritual ou um altar montado em algum lugar, use-o. Ele será um ponto de encontro entre você e as forças das trevas no espaço-tempo se quiser entender assim. Você pode ter nele uma imagem do demônio que será evocado, mas não se preocupe se não tiver. Para começar tenha uma vela negra constante, uma vela da cor da entidade (veja adiante) e um recipiente bonito (prato, pote ou taça) para as ofertas. Mais tarde este altar pode ficar  mais sofisticado, mas nem sempre isso é necessário ou mesmo verdadeiro.

A demonologia prática se divide em três passos:

I – O Pacto

II – O Culto

II.I -O Pacto

III – A Despedida

 

 

Na medida do possível faça o pacto no dia indicado na seção ofertório a seguir. Sente-se em um lugar isolado de preferência, mas não obrigatoriamente, escuro e silencioso e se possível de frente ao seu altar. Busque uma postura mental adequada fazendo, por exemplo uma respiração 9x9x9x9 (9 segundos inspirando, 9 segurando o ar, 9 expirando, 9 sem ar). Chame o demônio em voz alta ou em pensamento usando suas próprias palavras até sentir sua presença. Peça exatamente o que quer. Este pedido também deve ser feito com suas próprias palavras e ser o mais exato possível, se quiser uma Ferrari peça uma Ferrari, não ganhar uma promoção ou na loteria para então comprar uma. Por fim, agradeça a presença e faça a primeira oferenda.

Descobri ser interessante combinar um prazo para a realização do pedido. Isso evita que o demônio seja alimentado indefinidamente sem que seja feito progresso real. Um prazo curto é obviamente bom para você mas para o demônio vai significar menos tempo sendo alimentado (detalhes sobre isso a seguir). Um prazo muito longo, por outro lado, pode significar não apenas uma distância da realização dos seus desejos, mas também que o demônio seria alimentado demais ficando, digamos assim, acomodado. Proponha um prazo realista e justo para os dois lados. Caso este prazo não seja cumprido recomendo chamar a entidade novamente e refazer o pedido com alguma alteração do que acredite possa estar complicando o pacto. É difícil que uma terceira vez seja necessária, mas caso isso ocorra talvez seja interessante usar algum sistema de divinação para “negociar” com o demônio e assegurar um pedido e prazo razoável. Quando você ganhar desenvoltura com o processo e intimidade com as entidades o prazo poderá ficar cada vez menor e os pedidos cada vez maiores. Por fim, quando atingir a maestria, poderá pedir coisas para que sejam feitas imediatamente ou o quanto antes assim que o  pacto inicial for fechado. Mas se você está começando agora na pratica demonológica duvido que isso funcione.

Outro ponto interessante de se combinar no pacto é o acompanhamento do progresso. Peça que o demônio te envie sinais de que as coisas estão caminhando. Esse sinais podem ser tanto em visões e sonhos como em notícias que chegam direta ou indiretamente até você cada vez que seu pedido se aproxima da realização.

 II.II – O Culto

Um demônio ignorado desfaz-se no ar. Essa é uma máxima importante tanto em exorcismos quanto na demonologia prática. Assim é necessário alimentar o demônio evocado para que o efeito iniciado com a evocação não se dissipe. Você pode entender isso como um desinteresse da entidade por quem não lhe oferece nada ou como um enfraquecimento natural de um constructo astral que é abandonado, no fundo isso não importa. O que importa é que assim como entre seres humanos não é diferente com os demônios, quem quer rir tem que fazer rir.

A melhor definição de como a magia demoniaca funciona veio de meu irmão em Satã, Inkubus King. Para ele,os demônios funcionam como bexigas que vão sendo enchidas e, quando estouram, aquilo que você pediu se realiza. Essa metáfora é genial porque ilustra um ponto importante que geralmente é esquecido que é a alimentação do demônio. Para pedidos de longo prazo você enche a ‘bexiga’ com muita intensidade e então solta ela no ar para que um dia estoure. Para pedidos mais imediatos você enche a bexiga sem parar, alimentando o demônio todo dia até que estoure.

Por alimentar quero dizer preencher o demônio de significância dando a ele vigor no nosso mundo. Eu me arrisco a dizer que os demônios querem que você prove a si mesmo o quão reais eles reais antes de agirem como tal, mas talvez eles só queriam mesmo nosso culto. Isso pode ser feito de muitas formas diferentes e varia de demônio para demônio mas tem sempre a ver com algum presente ou oferta dado a ele. Entre as possibilidades que citaremos a seguir estão velas, incensos, bebidas e alimentos propriamente ditos. Entretanto, com a prática, você verá que existem outras formas complementares de  alimentação para cada entidade como evocações, afirmações, dança, fluidos sexuais, sangue, dor, entre outros. Além disso os praticantes de vampirismo podem sempre oferecer energia vital sua ou dos demais drenada para este fim. Aos praticantes da magia do caos, basta dizer que qualquer estado de gnosis também pode ser oferecido, respeitando-se é claro, o gosto de cada demônio.

 II.III – A Despedida

Quanto o demônio estiver satisfeito ou, se preferir, completamente carregado de sua energia vital, então seu desejo se torna real. Talvez este seja o conceito mais importante deste artigo então, sob o risco de me repetir vou enfatizar. Tudo é troca. A maior erro dos praticantes inexperientes é achar que os demônios são uma mistura de entidade beneficente com disque-pizza. Eles acendem uma vela, se vestem como se estivessem no século XIII, fazem milhares de piruetas na câmara ritual e no dia seguinte, quando não conseguiram o que queriam, ficam putos e culpam o demônio que não os atendeu. Uma resposta imediata é possível sim, mas apenas depois de investir tempo e energia no domínio do processo. Se você pedir para um amigo um favor urgente, é claro que ele o atenderá com rapidez. Mas peça isso a um estranho e não dê nada em troca, vai ganhar no máximo um olhar de indiferença. Demonologia prática é como um namoro. Demanda tempo e dedicação se você realmente quiser chegar em algum lugar.

Esse namoro não termina nem mesmo depois que seu desejo se concretizou. Depois que seu pedido foi realizado é hora de encerrar apropriadamente sua ligação com o demônio. Isso é muito importante pois te protege de ficar dependente dos demônios eternamente ao mesmo tempo que garante um bom relacionamento para suas futuras necessidades. Outro ponto importante para se ter em mente é que cada demônio tem sua personalidade, sua assinatura energética, sua influência demoníaca, se preferir. Agora faça uma experiência, ou a imagine. O que acontece se você apanhar um prego e ficar passando um ímã perto dele? Depois de alguns instantes o prego passa a atrair metais, ele se torna, por um tempo, um ímã. O mesmo ocorre entre casais, com a convivência um cônjuge começa a adquirir as características do outro, muitos chegam a começar a se parecer fisicamente. Isso acontece em qualquer convívio. Drogas que num primeiro momento servem como recreação, se usadas por muito tempo criam dependência e mudam a personalidade da pessoa.

Animais de estimação, ambientes de trabalho, cores pintadas em  paredes. Isso tudo nos afeta. Agora imagine o que acontece com uma pessoa que está ligada 24 horas por dia a um demônio. Assim, tratar com ele estritamente o necessário e então cortar o vínculo é o melhor que você pode fazer pela sua sanidade e saúde emocional.

A melhor forma de encerrar esse compromisso é chamá-lo novamente e agradecê-lo com suas próprias palavras assim que receber as boas notícias. Alimente-o por mais alguns dias ou faça uma oferenda especial para selar o encerramento do pacto. O que é verdade para humanos é verdade para demônios. Nunca queime uma ponte.

 III – Ofertório

O ofertório a seguir serve de tabela de correspondência para o que pode ser ofertado a cada um dos demônios sugeridos acima. A cor refere-se a cor da vela ou de algum outro item no altar ou na oferta. As Essências podem ser usadas para incenso, como gotas de essência em uma taça de água, perfume ou mesmo em formato de comida ou bebida. O Dia pode significar não apenas o dia do pacto mas também um dia propício para uma oferta especial e para a despedida. Lembre que você não precisa se limitar a estas indicações. Fique atento para os sinais e intuições a este respeito.

Satã

Dia:Domingo

Cor: Dourada

Essência: Canela, louro e alecrim.

Lilith

Dia : Segunda-feira

Vela: Prata

Essência: mirra, jasmim e rosa branca.

Belial

Dia : Terça-feira

Cor: Vermelha

Essência: Pinho, vravo, pinho e absinto

Belphegor

Dia : Quarta-feira

Cor: Laranja

Essência: Benjoim, Lavanda

Astaroth

Dia:Quinta-feira Cor:Azul

Essência:Cedro, Cravo

Lucifer

Dia:Sexta-feira

Cor:Verde

Essência:Almíscar, rosa e verbena, flor de Laranjeira

Leviatã

Dia:Sábado

Cor: Roxo

Incenso:patchulli e cipreste, Violeta

 

IV. Dúvidas Comuns

Como me comunicar com os demônios? A comunicação direta com os demônios é possível, mas não é indicada. Especialmente se você for um iniciante. Se você não tem nenhuma experiência com conjurações evite o diálogo no primeiro momento. Se for realmente necessário iniciar uma conversação (e quase nunca é), os demônios aparecerão para você em sonhos, pois neste estado os olhos da mente estão muito mais abertos. Limite-se apenas ao um protocolo respeitoso de reforço do pacto inicial na hora da alimentação.

Logo de cara, o iniciante pode desistir da idéia neste ponto, afinal quem deseja trabalhar com demônios se não podemos vê-los ou mesmo conversar com eles? E a resposta para isso é simples: Sejam demonologistas sérios! O objetivo deste trabalho é ensinar a trabalhar com demônios, não conseguir provas para satisfazer o ego ou o ego dos amigos do praticante. Demônios existem em planos diferentes do nosso, não tem traquéias e não respiram ar. A voz deles, a não ser que se manifestem em um corpo físico ou de maneira física, a maior parte da comunicação será mental. E é muito fácil confundir seus próprios pensamentos com os deles e isso pode complicar as coisas. Dito isso, se você já se sente confiante o bastante para conversar com o demônio, para aprender mais sobre eles, perguntar coisas ou por sincera curiosidade, comece usando técnicas de divinação como um intermediário. Em seguida passe para técnicas de escrita automática e algaravias. Alie isso à prática do Scrying, explicada a seguir, e com o  tempo conseguirá discernir o dialogo interior com os demônios de seus próprios pensamentos.

 Como enxergar os demônios?

Querer enxergar um demônio é algo como querer dançar um bolo de chocolate. É possivel desde que você mude a receita. A natureza dos demônios não é como a de um quadro onde a luz se reflete e é absorvida pelos olhos. Se quiser enxergar uma entidade não-corporea será necessário usar seus olhos não corpóreos. Na maioria dos casos, como nos sonhos, isso significa fechar seus olhos de carne. Alguns diriam que os demônios só aparecem se realmente quiserem ou se este for um dos pedidos de um pacto no qual concordaram em participar.

Todavia, se você não quer ver os demônios apenas em sonhos ou em visões descontroladas e esporádicas pode tentar a técnica conhecida como Scrying, para forçar seus olhos mentais a abrirem durante a vigília. Para isso, precisará criar um espelho negro.

Para fazer um espelho negro use um porta retrado e pinte um dos lados do vidro com várias camadas de tinta preta. Com Rev Obito aprendi que a ‘Tinta Spray RC280 Metallic Black’ é especialmente boa para espelhos negros porque forma certos reflexos coloridos deformando a luz que se reflete nele. Deixe secar e retorne o vidro para a moldura. Quando quiser treinar sua visão de entidades deixe o espelho na altura dos olhos e concentre-se nele sob a fraca luz de uma vela colocada entre você e o espelho. Esta é uma forma de distrair os olhos físicos e deixar a mente fluir. Não creio em qualquer propriedade sobrenatural do espelho, nem na necessidade de consagrá-lo de qualquer forma, mas sim que é um aparato rústico que funciona como uma máquina Ganzfeld e que fará com que, no estado mental apropriado, sua mente possa formar as imagens na escuridão. Tenha paciência, inicialmente é provável que você veja apenas a sua vista embaçar. Depois de um tempo passará a formar visões aleatórias do seu próprio inconsciente. Se perseverar entretanto, poderá ter visões mais concretas não só do demônio invocado, mas de coisas que ele queira lhe mostrar.

Como me proteger dos demônios evocados? Como se proteger de um convidado? Não o convide em primeiro lugar. É em realidade uma grande hipocrisia evocar um demônio para em seguida prendê-lo dentro de um triângulo e esconder-se dentro de um círculo de proteção. Seria como chamar alguém para jantar e recebê- lo com um revolver em mãos. Isso realmente faz sentido se você trabalha em um paradigma cristão onde os demônios são seus inimigos. Mas a prática da demonologia trabalha com a ideia de somente uma aliança com estas forças e a melhor maneira de obter sucesso.

Não tenha medo do medo. Quem se recusa a ir até o fim em uma prática mágica por medo de cometer algum erro e libertar alguma ‘força maligna’ já esta desde o início cometendo um erro e se abrindo uma porta que não conseguirá fechar sozinho depois. Ao invés disso use o medo ao seu favor. Esse temor que todo praticante sente no começo é natural e não é necessariamente algo ruim. Use o medo ao seu favor como catalizador para uma postura emocional de reverência às entidades que certamente fará bem para todo o processo. O medo pode ser um tipo de gnosis. É verdade que com o tempo você vai se acostumando com a ideia de um relacionamento com os demônios e isso deixa de causar qualquer receio. A essa altura entretanto sua intimidade com eles e sua experiência compensarão as vantagens iniciais do temor perdido. Mas não se preocupe com isso, use o a tensão ao seu favor, a pressa em perder o medo só o intensifica.

Morbitvs Vividvs

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/demonologia-sem-cerimonias/

O Evangelho do Agnóstico

» Parte final da série “Reflexões sobre a evangelização” ver parte 1 | ver parte 2

As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no séc. XVIII por Kant e Hume. O termo, porém, foi cunhado pelo biólogo britânico Thomas Huxley em 1876 – ele definiu o agnóstico como aquele que acredita que a questão da existência de Deus não pode e talvez jamais possa ser resolvida.

“O Cosmos é tudo que existe, que existiu ou existirá” – Assim, com essa frase inesquecível, Carl Sagan inaugura o primeiro episódio da série de 13 documentários intitulada “Cosmos”, veiculados na TV americana em 1980, e depois no restante do mundo. Ao pretender explicar ciência e cosmologia para o público leigo, Sagan acabou criando um épico que abrange também muitas questões existenciais, história, mitologia, religião e espiritualidade em geral.

Em alguma costa rochosa, em alguma praia do globo, Sagan observa as ondas, os pássaros, o vento, e algum tempo depois nos traz outra pérola em sua narrativa: “Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”

Sagan era profundo conhecedor de religiões e mitologia, além de cientista e cético, mas não era nem ateu nem teísta ou deísta, era puramente agnóstico. Seu evangelho era constituído de uma obra de divulgação científica totalmente voltada para tal espanto, tal deslumbramento, tal amor pela natureza e todo o Cosmos a sua volta. Essa era a boa notícia de Carl…

Para muitos teístas, o fato de existirem pessoas que não creem em um Deus pessoal, ou que pelo menos não tem certeza de sua existência, parece causar um certo desconforto. Não é raro perceber, em qualquer pessoa ligada a doutrinas eclesiásticas, uma tendência a classificar ateus, agnósticos, céticos, e às vezes simplesmente todo e qualquer cientista, como “gente sem fé”, perdida, afastada de Deus, e até mesmo imoral.

Mas a verdade é que, a despeito do aparente consenso dos eclesiásticos, a moralidade, o amor, não são exclusividade daqueles que oram todos os dias a Deus, que frequentam missas, que consultam algum manual da Verdade Absoluta frequentemente. Para o religioso superficial, isto que digo não levanta muitas questões – “Ora, mas é exatamente assim: uns são bons, outros maus, crer em Deus não faz de ninguém um santo”. Sim, isso faz sentido, mas a questão é mais profunda…

Se Deus existe – e para teístas e deístas ele certamente existe –, porque ele “permite” que algumas de suas criaturas vivam sem sequer crer nele?

Em outro produto da obra de Sagan, o livro de ficção “Contato”, que também deu origem a um excelente filme homônimo, é descrito um contato com inteligências extra-terrestres de uma forma verossímel e científica. Existe também um conflito entre as crenças de cientistas e religiosos – em dado momento, a protagonista do primeiro contato (no livro são vários contatos ao longo das décadas, no filme há apenas um), uma cientista agnóstica, nos traz uma importante indagação:

“Se Deus quisesse nos mandar uma mensagem e escrituras antigas fossem a única forma que pudesse imaginar, ele poderia ter feito um trabalho melhor. E ele dificilmente teria que se confinar a escrituras. Por que não há um monstruoso crucifixo orbitando a Terra? Por que a superfície da Lua não é coberta com os Dez Mandamentos? Por que Deus deveria ser tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo?”

Ao contrário do que muitos eclesiásticos possam imaginar, esta mensagem não denota um pensamento que diminua de alguma forma a importância da Bíblia, mas antes um pensamento que aumenta enormemente a amplitude do que há de sagrado no mundo – o reino é todo o Cosmos. E não poderia ser de outra forma…

Podemos encontrar neste mundo ateus, agnósticos, teístas e deístas, sim isso tudo é verdade. Mas será muito difícil encontrar algum ser que negue a existência de um sistema que rege todo o universo. Seja a crença nas leis fundamentais da natureza, seja a crença nos desígnios divinos, seja um misto de ambos, todos creem em algum sistema, cuja função pode ainda ser um mistério – mas que há de ser buscado, há de ser resolvido passo a passo, por todos nós, juntos!

Sim, nós realmente somos a forma do Cosmos conhecer a si mesmo. E pouco importa, na prática, se tal Cosmos é um ser pessoal, uma força cósmica ou até mesmo um acaso miraculoso – pois no fim, conforme postularam Kant e Hume, não compreendemos ainda muito bem nenhum deles, não podemos ainda resolver tal questão. Será que poderemos um dia?

Para resolvê-la, talvez não bastem apenas orações e experiências místicas, apenas meditação e autoconhecimento, mas também o estudo meticuloso, prático, objetivo, material, profundamente mundano, da natureza a nossa volta. Há muitos gigantes da história da ciência que, buscando talvez um deus barbudo senhor dos exércitos, acabou esbarrando em verdades muito mais profundas. Talvez buscando um reino confinado a um pequeno pedaço de rocha na periferia da uma de bilhões de galáxias, acabou esbarrando no infinito.

E, se mesmo hoje existem seres que buscam aos mistérios de Deus sem sequer crer nele, que se aventuram pelas entranhas dos átomos e quarks, pelo reino bizarro da mecânica quântica, pelos códigos ocultos do DNA, pelos quasares e sóis distantes, pelas singularidades de seções inimagináveis do espaço-tempo, deixem que busquem, pois de uma coisa teremos sempre a certeza: é impossível estar “fora” de Deus.

Talvez o trabalho deles seja tão importante para o mundo quanto os mandamentos dos evangelhos. O importante é encarar as boas novas não como enigmas solucionados, mas como o início de um caminho, subjetivo e objetivo, interior e exterior, que preenche toda nossa existência.

Amai sim, o próximo, e toda a vida, como a ti mesmo. Mas amai a coletividade da vida, amai os átomos que nos conectam a tudo e a todos em uma teia sem fim, amai ao Cosmos acima de todas as coisas.

***

Crédito das imagens: Divulgação (Cosmos de Carl Sagan).

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Espiritualidade #Deus #CarlSagan #universo #Ciência #Bíblia

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A Chave de Prata – O Ritual do Décimo Nono Portal

Morbitvs Vividvs

“Zin se encontra na Terra dos Sonhos, sob uma ancestral cidade sem nome, habitada por aterradores gigantes que também se lembram da era das Antigas Criaturas, mas não se lembram do Símbolo dos Deuses Mais Antigos…As Portas são uma caminho alternativo para a Terra dos Sonhos, o outro sendo os setecentos degraus para o Portal do Sono Profundo. O número de Portas a serem transpostas não é conhecido, mas você deve permanecer caminhando até que as trevas de Zin se manifestem, o que pode acontecer após se ter atravessado por apenas duas portas, ou se estender à travessia de não menos de oito delas. Sabe-se também que possuindo a chave correta as Portas podem levar o mago para o lugar que desejar na Terra dos Sonhos.”  – O Livro da Chave 

Este é sem dúvida o ritual mais poderoso que já compartilhei. A operação que mostrarei seguir fez parte do processo criativo que culminou em boa parte de todos os meus livros e em porção substancial de meus textos. Ela faz parte de um ensinamento oculto do do círculo interno do Templo de Satã que só agora está sendo aberto.

O objetivo desta operação é permitir ao celebrante adentrar dentro de todos os Aethyrs e de lá extrair visões. Os 30 Aethyres desenham o mapa do universo conhecido na forma de anéis concêntricos. Sendo que o 30º TEX é o mais interno e o 1º LIL é mais externo. Se você precisa de um forte influxo de inspiração e criatividade este é o mais potente caminho a seguir, em especial se busca conhecimentos do chamado Oculto ainda não disponíveis na literatura atual ou de difícil acesso.

Trata-se do mesmo mecanismo usado por John Dee, Aleister Crowley e Michael Aquino. Boa parte do currículo da Golden Dawn foi criado de ensinamentos extraídos de visitas aos Aethyres.  Aleister Crowley também buscou entrar neles e descreveu seus resultados em “A Visão e a Voz”, Liber 418 onde afirma que “O conhecimento dos Éteres é mais profundo do que o das Sephiroth, pois nos Éteres está o conhecimento dos aeons e de Thelema”. Não é segredo que às principais ideias do seu sistema de magia sexual vieram desta operação. Michael Aquino também utilizou um método semelhante na invocação chamada por ele de “Palavras de Set” e daquilo que obteve criou muitos materiais usados tanto na Church of Satan como no Temple of Set. 

Requisitos para o ritual 

Deve se garantir antes de começar vocês terá bastante tempo disponível e não será interrompidos. O ideal é realizar a operação em algum lugar afastado longe das poluições sonoras próprias das cidades.  

Tenha decorado o nome do Aethyrs que se quer chamar bem como o de seus governantes. Os nomes são aqueles encontrados nas tábuas enoquianas, para facilitar eles serão relacionados em um tópico mais a frente. 

O jejum é recomendado para aumentar os resultados das visões. O estado ideal é aquele em que o corpo já parou de reclamar de fome caso contrário a própria fome será uma distração. Se o jejum não for usado uma refeição leve é feita cerca de uma hora antes da operação. refeições pesadas devem ser evitadas de qualquer forma. 

Uma cerimônia noturna é mais indicada pois o estado de leve sonolência é apropriado. a posição rija garantirá que não se caia no sono.  Não deveria ser preciso ressaltar, mas o treinamento adequado de concentração e visualização mental são pré-requisitos.

A Chave de Prata

 

A Chave de Prata não é requisito para a operação mas mostrou-se muito útil como ferramenta de proteção. Criá-la não é difícil. O praticante deve deitar em um lugar confortável e silencioso, podendo acender um incenso se desejar. Após relaxar alguns instantes o corpo se tornará pesado e a mente enxergando as trevas deve tranquilamente dar a forma, tendo antes guardado na memória sua aparência.  

Ele deve então enxergar os raios da Lua sendo refletidos na Chave, gradualmente a tornando Prateada. O procedimento deve ser repetido por alguns dias para que a chave se torne facilmente visualizada com detalhes sempre que se quiser. 

Os Governantes dos Aethyrs 

Não é sábio avançar para Aethyrs mais externo sem passar pelos anteriores sendo que o início óbvio é TEX. Um retiro de um mês dedicado a invocação dos 30 Aethyrs é algo absolutamente transformador. 

  1. LIL

Occodon Pascomb Valgars     

  1. ARN

Doagnis Pacasna Dialioa     

  1. ZOM

Samapha Virooli Andispi     

  1. PAZ

Thotanp Axziarg Pothnir     

  1. LIT

Lazdixi Nocamal Tiarpax     

  1. MAZ

Saxtomp Vavaamp Zirzid     

  1. DEO

Opmacas Genadol Aspiaon     

  1. ZID

Zamfres Todnaon Pristac     

  1. ZIP

Oddiorg Cralpir Doanzin     

  1. ZAX

Lexarph Comanan Tabitom     

  1. ICH

Molpand Usnarda Ponodol     

  1. LOE

Tapamal Gedoons Ambriol     

  1. ZIM

Gecaond Laparin  Docepax     

  1. UTA

Tedoond Vivipos Ooanamb     

  1. OXO

Tahamdo Nociabi   Tastoxo     

  1. LEA

Cucarpt Lauacon Sochial     

  1. TAN

Sigmorf  Avdropt  Tocarzi     

  1. ZEN

Nabaomi  Zafasai Yalpamb     

  1. POP

Torzoxi  Abriond Omagrap     

  1. CHR

Zildron Parziba Totocan     

  1. ASP

Chirzpa Toantom Vixpalg     

  1. LIN

Ozidaia Paraoan Calzirg     

  1. TOR

Ronoomb Onizimp Zaxanin     

  1. NIA

Orcanir  Chialps Soageel     

  1. UTI

Mirzind Obvaors Ranglam     

  1. DES

Pophand Nigrana Bazchim     

  1. ZAA

Saziami Mathula Krpanib     

  1. BAG

Labnixp Poclsni Oxlopar     

  1. RII

Vastrim Odraxti Gmziam     

  1. TEX

Taoagla Gemnimb Advorpt  Doxmael Laxdizi  

O RITUAL 

 1 – O altar satânico é arranjado como de costume com uma cadeira em sua frente e os sete primeiros passos descritos na Bíblia Satânica são seguidos. Os nomes infernais lidos devem ser os nomes dos governadores do Aethry. 

 3 – Leitura em voz alta da  Décima Nona Chave Enoquiana (em português). 

 *O celebrante então deve sentar-se confortavelmente em uma cadeia com as costas retas, os pés firmes no chão e as mãos sobre as coxas.

 4 –  Fazer nove respirações profundas enquanto dá forma em sua mente a uma Chave de Prata..  

 5 – Entoe a Décima Nona Chave Enoquiana (em enoquiano). O celebrante deve permitir que seu senso estético o guie na entoação. É importante é que a terceira palavra da chave LIL, seja substituída pelo nome do Aethyrs que se está abrindo. 

 6 – Em seguida feche os olhos e esvaziar a mente para que possa enxergar às trevas.  

 7 – Com a imagem da chave criada na mente deve ser vista agora uma Porta atrás dela, o desenho da porta não importa, basta que seja grande o bastante para se passar por ela.  A Chave deve ser colocada sobre a porta para que esta se abra e possa ser atravessada. 

 8 – Ao atravessar deixe a mente tão receptiva quanto possível para quaisquer imagens, sons ou ideias e sentimentos que irão surgir. A experiência deverá ser semelhante a um sonho, com a diferença que você estará no controle e acordado. As coisas mais belas, estranhas e horríveis e maravilhosas poderão agora ser encontradas.  

 Caso a visão se enfraqueça, fique confusa demais veja a Chave de Prata aumentar seu brilho para limpar a mente e aumentar seu foco. Crie uma nova porta e entre por ela como fez. Se a situação complicar e você cair nas garras do medo você deve abandonar viagem o mais rápido antes de se encontrar em uma situação de real perigo 

 7 – Para encerrar a viagem você deve uma vez mais apanhar a Chave de Prata e deixar seu brilho se irradiar com cada vez mais intensidade até que nada além de sua luz prateada possa ser visto. Então o brilho deve ir reduzindo sua intensidade e você estará a salvo para retornar à sua próprias esfera. Por fim de olhos abertos entoe mais uma vez os nomes dos governantes. 

 8 –  Ritual do Pentagrama invertido em banimento.

 9 – Se encerra a cerimônia de acordo com o procedimento padrão, tocar o sino e dizendo as palavras  “Assim está feito”. 

 Conselhos práticos 

 A paciência é uma chave no momento da visualização. Para ajudar a mente após atravessar você pode imaginar outras portas sendo abertas, um imenso labirinto ou uma floresta por exemplo criando assim um ambiente para às manifestações. Mas este deve ser o máximo que a imaginação ativa deve criar. 

 Você pode não ver nada nos primeiros dez ou mesmo vinte minutos. Qualquer sentimento de se estar perdendo tempo ou se esforçando de mais pode arruinar a operação. Mantenha a postura relaxada, a mente quieta e aguarde. 

 Em grupos algumas pessoas terão mais facilidade com a prática do que outras. Nestes casos uma delas pode assumir o papel de escriba enquanto a outra descreve as imagens e impressões que surgem em sua mente. Em praticantes solitários não se deve fazer anotações para não se perde o foco, pois interromper as visões é semelhante a interromper sonhos e raramente são recuperados.  

 Nestes casos uma gravação para transcrição futuro é mais adequada. 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-chave-de-prata-o-decimo-nono-portal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-chave-de-prata-o-decimo-nono-portal/

Pequeno manual para a conversão do infiel

» Parte 2 da série “Reflexões sobre a evangelização” ver parte 1

Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa para outra. Isto envolve tipicamente o devotamento sincero a um novo sistema de crença, mas também pode ser concebido de outras maneiras, como a adoção em uma identidade de grupo ou linha espiritual.

Todos os sistemas de crença ou doutrina religiosa se baseiam em espécies de guias, manuais passo a passo para uma vida de religiosidade mais profunda e verdadeira, em suma, uma religação mais eficiente e efetiva. Porém, me parece que podemos dividi-los em dois grandes grupos: aqueles em que o campo de aprendizado se dá única e exclusivamente por vontade e esforço próprios de cada um, sem a possibilidade de atalhos ou barganhas; e aqueles em que existe uma possibilidade de se avançar por meio de bênçãos e milagres, por barganhas diretas com Deus, em troca deste ou daquele benefício divino – um arrebatamento ao Céu, algum milagre ou salvação de última hora, ou simplesmente uma iluminação espiritual.

No segundo grupo se encontram a maior parte das igrejas ou sistemas eclesiásticos. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Ocidente do que no Oriente. Por exemplo, quando determinada doutrina afirma que “só seremos salvos se aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo em nosso coração”, ela opera por forma de barganha: aparentemente, o único caminho será esse, e o mérito da salvação não será exclusivamente nosso, mas muito mais uma forma de “retribuição divina” por nossa fidelidade. Ainda assim, aceitar o Senhor ainda é algo que tem mais lógica do que simplesmente doar quantias enormes de dinheiro a alguma igreja em troca da benção direta desse mesmo Senhor. Afinal, o que diabos Deus fará com seu dinheiro? Afinal, porque somente este ou aquele eclesiástico é responsável pela contabilidade divina?

No primeiro grupo, se encontram a maior parte dos religiosos que não necessariamente tem igreja. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Oriente. Tais fiéis são antes fiéis a Deus, e mesmo que tenham alguma igreja ou grupo de estudos, e um dia os venha a abandonar, não necessariamente abandonará a própria doutrina em si. Estes fazem de suas casas, seus corações, suas mentes, sua única e inabalável catedral – onde sempre poderão orar, onde confessam antes de tudo a si mesmos.

Por exemplo, os dois primeiros versos do Livro do Caminho Perfeito, a obra principal do taoismo, dizem que “o caminho que pode ser seguido não é o Caminho Perfeito”. Superficialmente isto é um tanto paradoxal, é como se fosse apresentado um manual passo a passo para algum Céu em que, logo de início, já fosse afirmado que este manual não poderia ser seguido… No entanto, o que Lao Tsé queria dizer é análogo ao que muitos grandes sábios sempre afirmaram: que o caminho espiritual é próprio de cada um. Ou seja, o discípulo jamais poderá seguir o mesmo caminho do mestre, ele poderá no máximo utilizar seu exemplo de vida como base para construir o seu próprio caminho. Pois assim como não existem seres idênticos na criação, da mesma forma não existem caminhos idênticos para a religação ao Cosmos.

A mim me parece que a abordagem do primeiro grupo tem muito a ensinar ao segundo. Em realidade, existe uma disparidade tão grande e evidente à nível de profundeza espiritual entre tais grupos, que há de se perguntar se o segundo não é, em sua maioria, um grande agrupamento de visões equivocadas da religião mais aprofundada, universal, cósmica…

Há muitas igrejas, por exemplo, que foram edificadas inteiramente sobre textos sagrados aos quais se atribuí uma espécie de “ditado” direto de Deus. Não são como o Livro do Caminho Perfeito, uma mera tentativa de um sábio aconselhar aos outros sobre sua própria experiência de tentar compreender a Deus, mas antes a própria palavra de Nosso Senhor, verdadeiros Guias da Verdade Absoluta [1].

Se é que tais textos sejam mesmo o que os eclesiásticos pretendem que sejam, se é que não tenham sido enormemente adulterados com o passar do tempo, a evolução das sociedades, ou simplesmente por inúmeras traduções e compilações, ainda assim há que se pensar: se temos um nossa frente a Verdade codificada em palavras, em símbolos de escrita, será que isso nos bastará? Será que teremos plenas condições de interpretar corretamente tal Verdade? Acredito que a história das guerras religiosas nos traga uma boa resposta a essas perguntas – afinal, nenhuma guerra, nenhuma matança poderia, jamais, ser santa!

Obviamente que mesmo no Ocidente, que mesmo em tais igrejas com seus Guias Infalíveis, encontram-se os moderados, os da “ala mística”, ou que compreendem a religião, o religare, de forma mais aprofundada. Tenho certeza que esses jamais ergueriam uma espada, obrigando algum pobre coitado a se “converter” a sua doutrina…

Pois como poderia alguém, nalgum dia insano, converter outro alguém ao seu próprio pensamento, a sua própria doutrina, pela força? Pela sedução das palavras? Pelo terror anunciado de um lago de enxofre eterno aguardando todos aqueles que não se salvarem, que não aceitarem Nosso Senhor?

Ora, perguntem aos índios da América, perguntem aos negros da África, se eles nalgum dia se converteram ao Deus desses homens que os trataram como mercadoria, como escravos, como selvagens “sem alma”, mas nunca como irmãos, como seres na mesma caminhada para o Cosmos de onde todos foram catapultados na imensidão infinita. Dizer, da boca para fora, “eu aceito Nosso Senhor”, não significa que tenham aceitado. A liberdade jaz na mente e, assim como o caminho espiritual, é exclusiva de cada um, graças a Deus.

William James, um dos fundadores da psicologia, em seu grandioso tratado “Variedades da experiência religiosa”, postula que a conversão religiosa verdadeira pode aparentemente ocorrer de uma hora para outra, do dia para noite, em algum insight momentâneo, mas que quase que certamente já vinha sendo edificada, lentamente, nos calabouços ocultos do inconsciente. Que nossa questão com Deus é universal, todos temos de seguir este caminho, ainda que alguns o sigam inconscientemente ou o chamem de estudo da natureza – o importante é que, a nossa maneira, estamos todos caminhando à frente, aprimorando nossas potencialidades.

Lao Tsé e outros sábios sempre souberam que jamais poderiam converter alguém – o máximo que poderiam fazer era dar o exemplo, falar sobre sua própria experiência espiritual, sobre os percalços e as consolações do caminho, e esperar pacientemente que cada um, por si só, a seu próprio momento, convertesse a si mesmo.

Que não existe manual para o caminho alheio, apenas para o nosso próprio. O único infiel que tem de ser convertido é aquele que se encontra em nossa própria alma. Somos o juiz e o escravo, o apóstolo e o seguidor, o mestre e o discípulo, de nossa própria causa. Temos de ser fiéis ao nosso próprio ser, ao nosso tanto de fagulha divina que, ainda assim, é e sempre foi a única maneira com que Deus falou conosco – como o vento que sempre nos envolveu, embora não saibamos ao certo por onde ele tem passado.

» A seguir, o evangelho do agnóstico…

***
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.

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#Bíblia #Cristianismo #Deus #Tao

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‘O Livro dos Orixás

 

Nem todo deus é grego, nem toda mitologia é romana.  O conhecimento dos antigos deuses africanos também pode ser a porta de entrada para um antiquíssimo universo de sabedoria ancestral. Sendo parte da matéria prima que compõem a cultura brasileira torna essencial conhecermos a narrativa principal destas divindades.

As culturas Yoruba e Daomeanas são a base de onde nasceu o candomblé e a umbanda em todas as suas atuais ramificações. Nelas os orixás são divindades criados pelo Deus supremo para reger o universo.

Inicialmente em território africano eram centenas os orixás que regiam cada aspecto da vida do homem e da natureza. Contudo apenas alguns deles chegaram até nós com suas histórias e caraterísticas intactas. Cada um destes contudo é extremamente importante e significativo. Cada um  possui um domínio e uma história que o representa. Conheça-os aqui.

O Panteão Yoruba 

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/o-livro-dos-orixas/

7 Passos Para Se Conectar Com As Fadas

Por Emily Carding.

No século XXI, o reino das Fadas é tão popular como sempre; ainda assim, em nossa cultura de gratificação instantânea e plataformas de mídia não moderadas, existem muitos caminhos falsos e armadilhas ilusórias para nos distrair e nos direcionar mal. Como, então, o verdadeiro buscador das Fadas pode ter certeza de que não está seguindo algum metafórico (ou às vezes literal) Fogo-fátuo em um pântano perigoso? Aqui estão os sete passos que você precisa seguir para ter certeza de que está vivendo autenticamente e em sincronia com nossas primas Fadas.

1. Conhecimento:

Leia amplamente e com sabedoria! É claro que os livros não são a única fonte de conhecimento, mas são um bom lugar para começar (e continuar – nunca devemos parar de aprender!), em equilíbrio com os passos mais experienciais a seguir. Encontre recomendações de pessoas que você respeita e familiarize-se com o folclore e a mitologia tradicionais, principalmente irlandeses, escoceses e galeses. Qualquer bom livro sobre as Fadas também deve ter uma boa bibliografia, que você pode explorar para leitura adicional e exploração mais profunda. Quanto mais variada for sua leitura, mais forte será seu discernimento e menos provável será que você seja desviado do verdadeiro caminho para a ilusão. Também é importante perceber que muitos seres feéricos são hostis e/ou imprevisíveis. Quanto mais você souber, mais preparado estará.

2. Expanda sua Consciência:

Pode ser muito fácil ficar preso em nossas cabeças e confundir o pensamento ilusório e a imaginação destreinada com a experiência real. Portanto, um dos passos mais importantes para a verdadeira conexão com as Fadas é expandir sua consciência energética fora de seu próprio corpo e no mundo ao seu redor. Aqui está um exercício que é apresentado tanto no Faery Craft (A Bruxaria das Fadas) quanto no meu novo livro, Seeking Faery (Procurando as Fadas).

“Exercício: Tornando-se a Árvore das Fadas:

Este exercício é projetado para conectá-lo às energias da terra e abrir o centro do seu coração para aumentar a sensibilidade à presença e às comunicações dos seres Fadas. Dependendo de suas capacidades físicas, isso pode ser feito em pé ou sentado, mas em ambos os casos você deve idealmente ter os pés descalços e no chão, em um espaço o mais natural possível, idealmente onde você não será perturbado. Mantendo-se ereto e relaxado, com os pés a uma pequena distância e as mãos ao lado do corpo, faça sete respirações lentas e profundas (pelo nariz, segure por três segundos e expire lentamente pela boca), enquanto permite a tensão e as preocupações de o dia para derreter.

Na próxima respiração, com as palmas das mãos voltadas para baixo, imagine seus pés lentamente se transformando em raízes de árvores e cavando a terra abaixo de você. Sinta a força da terra e a estabilidade e nutrição que as raízes lhe proporcionam. Mantenha isso por sete respirações profundas dentro e fora.

Agora, nas próximas sete respirações, mantendo suas raízes, levante lentamente os braços em forma de “v” e levante as palmas das mãos para o céu. Imagine que seus braços estão se tornando grandes galhos, alcançando a luz do Sol, da Lua e das Estrelas. Mantenha as raízes e os galhos por mais sete respirações profundas.

Mantendo os braços erguidos na posição “v”, agora imagine que suas raízes estão atraindo a luz verde esmeralda da terra em direção ao seu coração. Inspire e desenhe com sete respirações profundas. Agora imagine que seus galhos estão atraindo a luz prateada dos céus para o seu coração. Desenhe-o com sete respirações profundas. A luz verde e prateada se encontra em seu coração e se torna dourada e rodopiante, abrindo seu coração para as energias da Terra e conectando você acima e abaixo.

Para iniciantes, mantenha isso enquanto estiver confortável e, em seguida, libere as energias de volta através de seus galhos e para baixo através de suas raízes, abaixe lentamente os braços e lentamente puxe as raízes de volta para os pés e torne-se seu eu normal novamente. Sete respirações profundas para se recuperar. À medida que você se acostumar com este exercício, poderá descobrir que pode fazer versões mais curtas ou mais longas, conforme desejar.”

3. Oferendas:

Além de expandir sua consciência energeticamente, é possível alcançar e conectar-se de uma maneira mais tangível com ofertas apropriadas. Isso não apenas ajuda a formar uma ponte energética entre os mundos, mas também mostra sua vontade de colaborar e não simplesmente esperar presentes ou orientação sem esforço de sua parte. A escolha da oferta é significativa, assim como a certeza de limpar depois. É uma boa ideia, se possível, encontrar um local ao ar livre para suas oferendas, onde você sinta instintivamente que sua conexão com as Fadas é forte e onde você não será perturbado. Embora este possa ser um local sagrado estabelecido, pode ser mais poderoso encontrar uma conexão pessoal em um caminho menos trilhado. Considere o valor das ofertas que você traz e o impacto no meio ambiente. Se deixar comida de qualquer tipo, certifique-se de verificar se ela está limpa e não simplesmente deixada para apodrecer. Muitas vezes, essas oferendas serão consumidas por animais, o que é absolutamente bom (os seres Fadas às vezes emprestam essas formas físicas para aceitar oferendas) desde que você tenha certeza de que elas não contêm nada tóxico para a vida animal (por exemplo, chocolate).

4. Ética e Honra:

Você pode pensar que são as Fadas que geralmente são invisíveis, mas a verdade é que elas também podem ver através de você! Se houver qualquer engano ou falsidade em seu coração, eles o sentirão e o tratarão de acordo. Como qualquer caminho mágico, é de extrema importância conhecer a si mesmo e estabelecer um forte código de honra e ética que você siga em todos os aspectos de sua vida, não apenas em seu trabalho com as Fadas.

5. Expressão:

Para muitos, inclusive eu, a comunicação com as Fadas vem através da expressão criativa. Esta é uma comunicação direta de coração para coração ou de espírito para espírito, e esses canais devem ser livres e abertos para receber. Quaisquer pensamentos negativos sobre sua própria criatividade precisam ser superados simplesmente criando de qualquer maneira que você se sinta movido, seja arte, dança, poesia. Ninguém irá julgá-lo, a menos que você escolha compartilhar com o mundo, mas sua alma e seus aliados feéricos agradecerão.

6. Imaginação:

Ao trabalhar com seres e forças do Outro Mundo, a imaginação torna-se um sentido extra através do qual podemos perceber as coisas que estão ocultas aos nossos sentidos terrenos. As armadilhas aqui são claras e, portanto, é importante treinar a imaginação por meio de técnicas de visualização, meditação e jornada para que ela se torne um tradutor confiável de energias, em vez de um autoengano fantasioso.

7. Aterramento:

Sempre volte a isso. Após qualquer encontro ou trabalho com as Fadas, certifique-se de se ancorar em seu corpo e no mundo físico ao seu redor. Libere as energias do outro mundo para sua fonte, sinta seus pés na terra, saboreie boa comida e beba água. Regularmente, reserve um tempo para simplesmente estar na Natureza, ver a maravilha que é o mundo em que habitamos, e você não terá necessidade de ilusão – você simplesmente aprenderá a ver a magia em verdades mais profundas enquanto trilha o caminho das Fadas em paz, verdade e aproveite.

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Fonte:

7 Steps to Connect with Faery, by Emily Carding.

https://www.llewellyn.com/journal/article/2993

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/7-passos-para-se-conectar-com-as-fadas/