Chakras, Kundalini e Tantra parte 3 ½

Em primeiro lugar, queria agradecer as visitações e os links que vocês estão colocando para cá em seus blogs. Coloquei um título mais complicado para ver quanto estavam atraídos apenas pelas “pirâmides e atlantes” e quantos estavam dispostos a acompanhar a coluna a sério e me surpreendi. Agradeço também o pessoal que começou a comentar os textos em seus blogs e debater com os amigos os textos que encontram aqui.

Fiquei impressionado por ter visto esta mencionada coluna até em um blog de surfe! Aliás, queria comentar para este leitor que SIM, a sensação que você tem quando sai do mar depois de surfar, de “paz profunda” em relação ao oceano, é a mesma que os fiéis têm após sair de um culto, os monges após meditarem ou as dançarinas após suas grandes apresentações. É o contato com seu Deus Pessoal, o seu “religare” atuando.

Outra coisa: A coluna desta semana está incompleta. Consegui responder uns 60% das perguntas mas o tempo livre no final de semana foi praticamente zero. As pessoas sempre me perguntam como é fazer parte ativamente de várias ordens iniciáticas. Bem… normalmente dá pra conciliar tudo, exceto em Solstícios e Equinócios. E este final de semana foi Beltane.

Ph, L8cant, Zatraz, Zek, Darkshi – De novo a questão das “provas materiais para os espíritos”? hehehe sério… já deve ser a terceira ou quarta semana seguida… qual parte vocês ainda não entenderam do “esta coluna não possui a necessidade de convencer ninguém de nada”? Eu SEI perfeitamente que estou prejudicado em relação a arrumar “provas” de muitas coisas que escrevo aqui, porque a maioria dos fenômenos envolvendo estas N dimensões não pode ser reproduzido ao bel prazer em quaisquer condições e muitas outras coisas eu estou impedido de comentar.

Quer acreditar acredita, não quer, azar o seu…

Sempre que se fala nesse tipo de fenômeno e suas medições, é necessária a colaboração de um grupo no Plano Material com alguém (ou alguma entidade) no Astral/Extrafísico disposto a colaborar. É muito diferente de jogar uma moeda e ver ela cair para testar a gravidade. Para fazer uma mesa flutuar é necessário que haja alguém “do outro lado” para empurrá-la para cima e fazer com que esta força atue no plano material (não é porque a cadeira “flutua” que as leis da física deixaram de valer!!! Alguém EMPURRA a cadeira para cima no astral e faz esta força ser transferida para o Plano Material). Para fazer com que um médium psicografe uma carta, é obrigatório que haja alguém “do outro lado” para se conectar aos seus chakras e escrever a carta e assim por diante.

Vamos fazer uma brincadeira hipotética. Suponha que o Darkshi e o Zek morram hoje. De acordo com as minhas teorias (que não são “minhas”; elas já existem há 10.000 anos… mas enfim… ), você vão permanecer no seu estado astral/mental mantendo a MESMA forma física que possuíam, mas agora em um estado de vibração que os aparelhos da ciência moderna não são capazes de detectar, vagando por ai (vulgo “fantasmas”).

Como vocês mantém suas inteligências questionadoras, imagino que a primeira coisa que vocês vão fazer quando perceberem esta nova realidade é pensar “caraca, o DD estava certo!” e começar a estudar a sua nova condição. Talvez tentar mexer alguma coisa, conversar com alguém (e não vão conseguir, a menos que tenham a sorte de encontrar alguém com mediunidade próximo de vocês), então o que vocês fariam em seguida?

Boa parte do gado quando morre faz o que adoraria fazer quando descobre que são intangíveis e invisíveis… vão aos motéis espionar as pessoas (é… estou falando sério… vocês não tem noção como estes ambientes são podres astralmente). Outros ficam rondando as igrejas, outros ficam rondando os entes queridos, visitando boates, controlando as ex-namoradas, tentando se vingar dos que aprontaram com ele… etc.

Mas vocês são questionadores… cientistas… então provavelmente procurariam uma maneira de passar as experiências que vocês adquiriram para outros cientistas (estou lembrando que, para vocês, esta vai ser a “novidade científica mais importante que vocês já descobriram” ) mas… como fazer isso?

Mais cedo ou mais tarde, vocês vão lembrar das coisas que aquelas pessoas que vocês ridicularizavam falavam e vão ter de se dirigir até algum centro espírita ou rosacruz (se vocês foram até uma Igreja evangélica, é possível que acabem até apanhando dos pastores no desencapetamento… definitivamente não é uma boa idéia).

Em um centro kardecista, vocês conseguirão encontrar algum médium e ele pode até psicografar uma carta de vocês… mas o que vocês escreveriam? Coisas pessoais para não deixar dúvidas que são vocês que estão escrevendo… endereçadas para uma irmã que seja espírita ou alguém que vai “acreditar”, afinal, de nada vai adiantar mandar estas cartas para o Kentaro ou para o Zatraz ou para os céticos S/A, pois eles vão achar que é algum truque dos “espiritualistas picaretas”. Você até pode convencer sua mãe ou sua irmã, mas o resto da humanidade vai continuar achando que elas são loucas de acreditar nessas besteiras.

Eventualmente algum laboratório rosacruz ou kardecista ou teosófico no astral vai achar vocês e convida-los para estudar estes fenômenos junto com outros cientistas desencarnados. E as informações que vocês tiverem (já que, como céticos, vocês se dedicaram MUITO mais aos detalhes da física do que alguém como eu, que sou ocultista, por exemplo) vão ser úteis para os trabalhos deles. Em algum tempo, vocês estarão trabalhando junto com os membros das ordens secretas, só que “do outro lado” hehehe.

Supondo por hipótese que vocês mantenham suas consciências e inteligências após sua morte, eu narrei alguma coisa absurda? Vocês fariam algo diferente do que eu disse acima?

Bom… este médium AQUI psicografou cerca de 15.000 cartas nestas mesmas condições que eu descrevi, com centenas de testes grafológicos atestando a identidade dos espíritos. O Chico Xavier eu não faço idéia de quantas cartas ele já psicografou e o Waldo Vieira e suas equipes também escreveram outra tonelada de cartas nas mesmas condições, só para ficar em 3 exemplos (entre milhares)… E engraçado que MESMO assim eles não possuem credibilidade nos ditos “meios científicos”. Somando tudo podemos passar fácil de 100.000 experimentos documentados que foram IGNORADOS… cem mil experimentos!!!

Parafraseando Richard Dawkin, “Books about reencarnation are believed not because they are holy. They are believed because they present overwhelming quantities of mutually buttressed evidence”. E, assim como Richard Dawkins, “We believe in reencarnation because the evidence supports it, and we would abandon it overnight if new evidence arose to disprove it”.

A pergunta realmente importante que vocês deveriam estar se fazendo é… POR QUE as “otoridades” insistem em tratar estes assuntos como crendices, absurdos, alucinações, charlatanismo e seitas? A resposta chama-se CONTROLE DO GADO… E não pense que são apenas os ocultistas que são ferrados pelas “otoridades”. Se os céticos tivessem um mínimo de poder, você acha mesmo que coisas como “ensinar criacionismo nas escolas” seriam debatidas da maneira como são?

Entendem por que eu não dou a mínima se vocês acreditam no que eu estou escrevendo ou não?

Porque não faz diferença. Mais cedo ou mais tarde, vocês estarão do meu lado.

E o mais divertido é que em nenhum caso eu vou precisar convencer ninguém de nada…

Se vocês tiverem grana, eu recomendo este livro: 700 experimentos em Conscienciologia, de Waldo Vieira, com mais de mil páginas documentando e comentando muitos dos experimentos que eles realizaram ao longo de 40 anos (que totalizam mais de 100.000 páginas de material documentado disponíveis nas bibliotecas do IPPC). Se você está mesmo disposto a se questionar, este livro é muito mais indicado, pela abordagem científica que ele possui. Caso contrário, vai continuar subestimando os ocultistas e cair no mesmo erro babaca de 99,99% dos ateus/céticos que acham que o espiritualismo parou no século XIX com Kardec.

E, para os outros leitores, peço que evitem comentários agressivos contra eles, pois tanto o Zatraz quanto o Zek e o Darkshi têm mantido a educação e defendido de maneira racional e objetiva o ponto de vista deles… se mesmo depois de toda a argumentação, eles não acreditarem em uma vírgula do que eu escrevi, É UM DIREITO DELES e, como eu disse, não faz a menor diferença para mim.

Darkshi – Sobre o auxílio dos ocultistas para a paz e harmonia. É impossível ajudar quem não quer ser ajudado. Um exemplo simples: estes dois exercícios que eu passei abaixo, especialmente o dos chakras. Se eles fossem feitos pelas crianças das escolas públicas e particulares todos os dias, antes das aulas, elas estariam equilibradas física, mental e espiritualmente e os rendimentos acadêmicos (concentração, imaginação, retenção do que foi estudado) aumentariam consideravelmente. Elas também estariam muito menos sujeitas à doenças e stress (o que significa menos faltas, menos gastos com remédios e melhor disposição física para brincar), diminuição da agressividade e uma visão mais harmoniosa do universo ao seu redor. Tudo isso em troca de menos de 10 minutos de meditação (já comprovados por 5.000 anos de uso na China e Índia).

Mas… todos nós sabemos o que aconteceria se alguém propusesse estes exercícios nas escolas, não é mesmo?

Bolívar – Sim, este SITE que você recomendou também é bem legal sobre projeções astrais conscientes.

Cristian – o problema em fornecer mais links da internet é que são muito poucos os confiáveis. A imensa maioria (pra não dizer tudo) que eu pesquiso para esta coluna vem dos livros, não da net. Quando eu coloco um link, é porque já fucei no site e o conteúdo considerei decente, mas na medida do possível, o que der pra colocar de referências eu estou colocando.

Rodrigo, Spyke, Danilo – Maçonaria, Kabbalah… Chegaremos lá. Mais um pouco de paciência.

Kid Heinrich – Oitavas – Você está na oitava que você quer estar. “Subir” nas oitavas depende exclusivamente do seu empenho em autoconhecimento e sua vontade de evoluir moralmente e espiritualmente. Mas claro que isso exige uma boa dose de autocrítica, humildade e vontade de corrigir e melhorar o seu EU interior… esse é o trabalho da Alquimia… lapidar sua pedra bruta até que o chumbo do ego se torne o ouro da essência.

Numlock – As barras são de aço CA50, com meia polegada de diâmetro, usado em armaduras para concretagem de lajes e colunas. Você compra com 12m e manda cortar em 6 barras com 2m de comprimento.

Chitão – Proporção Áurea – chegaremos nisso com os Pitagóricos.

#Chakras #Tantra

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/chakras-kundalini-e-tantra-parte-3

The Dragon Rouge: Kabbalah, Qlipoth e Magia Goética – Com Thomas Karlsson

Bate-Papo Mayhem 150 – Com Thomas Karlsson – The Dragon Rouge: Kabbalah, Qlipoth e Magia Goética

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/7WIodxOJ20k

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/the-dragon-rouge-kabbalah-qlipoth-e-magia-go%C3%A9tica-com-thomas-karlsson

Cave ne Cadas

Escrito por Luiz Marins

Após uma vitoriosa batalha, havia o “Triunfo”. Triunfo era uma das maiores solenidades da antiga Roma e a maior recompensa dada aos generais vitoriosos. Vestido de púrpura com uma coroa de louros na cabeça, sentado num magnífico carro puxado por quatro cavalos brancos e precedido por senadores, rodeado por parentes e amigos, seguido por todo o seu exército e por um grande número de cidadãos, o general vitorioso – o Triunfador – era conduzido em pompa ao Capitólio Romano. Adiante dele iam os despojos dos inimigos vencidos – quadros e objetos de arte das províncias que havia conquistado. Com correntes de ouro e prata iam à frente os reis e os chefes prisioneiros. Atrás, as vítimas que deveriam morrer.

Durante essa cerimônia, para abater o orgulho que um aparato tão deslumbrante pudesse inspirar ao Triunfador, um escravo, colocado atrás dele, no mesmo carro, juntava uma voz discordante às aclamações da multidão e fazia ouvir cantos mofadores e palavras satíricas: “Lembra-te que és homem”, gritava ele ao vitorioso: “Cuidado! Não caias” (Cave ne cadas, em latim).

Aquele escravo, junto ao Triunfador, repetia a ele aquele alerta para que, em meio à embriaguez da glória, o general romano não se esquecesse de sua condição humana. Para que tanta pompa e circunstância não o fizessem pensar ser um “deus” ou alguém dotado de poderes divinos. O escravo repetia incessantemente o Cave ne cadas para que o general romano se lembrasse de que muitas vezes a queda segue, de perto, o Triunfo.

Fico imaginando quantas pessoas e empresas se deixaram tornar arrogantes pelo sucesso de um produto, de um prêmio recebido, de um triunfo qualquer. Fico imaginando quantas pessoas e empresas se deixaram embriagar pela pompa e circunstância de um momento de glória e pouco tempo depois caíram em desgraça, perderam o poder, faliram. Marcas famosas. Impérios indestrutíveis. Fortunas imensas. De repente, tudo acaba sem que o vulgus sequer consiga compreender como a queda ocorreu. Às vezes, rápida demais. Às vezes, logo após o triunfo.

Fico pensando se essas pessoas e empresas tivessem tido alguém a lhes dizer durante o seu Triunfo: “Cuidado! Não Caias” – Cave ne cadas – se elas teriam tido mais cuidado, sido menos arrogantes, menos “cheias de si”, achando-se menos “deuses” e mais humanas. Talvez não tivessem perdido suas vidas, suas empresas, suas marcas. Talvez tivessem tido a sabedoria de ver que justamente na vitória, a humildade é fundamental.

Se você ou sua empresa estão experimentando um grande sucesso ou mesmo um pequeno triunfo, lembre-se de tomar cuidado para não cair. Cave ne cadas é um conselho que vale para todos nós, sempre.
Pense nisso.
Sucesso!

#Fábulas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cave-ne-cadas

A Teurgia

Introdução ao estudo da Kabala mística e prática, e a operatividade de suas Tradições e seus Símbolos, visando a Teurgia, de Robert Ambelain. 

Robert Ambelain nasceu no dia 2 de setembro de 1907, na cidade de Paris. No mundo profano, foi historiador, membro da Academia Nacional de História e da Associação dos Escritores de Língua Francesa.´ Foi iniciado nos Augustos Mistérios da Maçonaria em 26 de março (o Dictionnaire des Franc-Maçons Français, de Michel Gaudart de Soulages e de Hubert Lamant, não diz o ano da iniciação, apenas o dia e o mês), na Loja La Jérusalem des Vallés Égyptiennes, do Rito de Memphis-Misraïm. Em 24 de junho de 1941, Robert Ambelain foi elevado ao Grau de Companheiro e, em seguida, exaltado ao de Mestre. Logo depois, com outros maçons pertencentes à Resistência, funda a Loja Alexandria do Egito e o Capítulo respectivo. Para que pudesse manter a Maçonaria trabalhando durante a Ocupação, Robert Ambelain recebeu todos os graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, até o 33º, todos os graus do Rito Escocês Retificado, incluindo o de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa e o de Professo, todos os graus do Rito de Memphis-Misraïm e todos os graus do Rito Sueco, incluindo o de Cavaleiro do Templo. Robert Ambelain foi, também, Grão-Mestre ad vitam para a França e Grão-Mestre substituto mundial do Rito de Memphis-Misraïm, entre os anos de 1942 e 1944. Em 1962, foi alçado ao Grão-Mestrado mundial do Rito de Memphis-Misraïm. Em 1985, foi promovido a Grão-Mestre Mundial de Honra do Rito de Memphis-Misraïm. Foi agraciado, ainda, com os títulos de Grão-Mestre de Honra do Grande Oriente Misto do Brasil, Grão-Mestre de Honra do antigo Grande Oriente do Chile, Presidente do Supremo Conselho dos Ritos Confederados para a França, Grão-Mestre da França – do Rito Escocês Primitivo e Companheiro ymagier do Tour de France – da Union Compagnonnique dês Devoirs Unis, onde recebeu o nome de Parisien-la-Liberté.

“Uma Força mágica, adormecida pela
Queda, está latente no Homem. Ela pode
ser despertada, pela Graça de DEUS, ou
pela Arte da KABALA…”

[J.R. VAN HELMONT: “Hortus Medicinae – Leyde 1667].

1. Definição

A Teurgia [do grego theos: deus, e ergon: obra], é o aspecto mais elevado, mais puro, e também o mais sábio, disso que o vulgo denomina a Magia. Definir esta, reter a essência e o aspecto mais depurado, é chegar a primeira.

Pois bem, segundo Charles Barlet, “A Magia Cerimonial é uma operação através da qual o Homem busca forçar, pelo próprio jogo das Forças Naturais, as potências Invisíveis de diversas ordens a agirem conforme o que ele requer Delas. A esse efeito, ele as surpreende, as agarra, por assim dizer, projetando [pelo efeito das “correspondências” analógicas que supõe a Unidade da Criação], Forças das quais ele mesmo não é senhor, mas as quais ele pode abrir caminhos extraordinários, no próprio seio da Natureza. Daí esses Pantáculos, essas Substâncias especiais, essas condições rigorosas de Tempo e de Lugar, que é necessário observar sob pena dos mais graves perigos. Pois, se a direção buscada está por pouco que seja errada, o audacioso fica exposto a ação de “potências” junto as quais ele não é mais que um grão de pó…” [Charles Barlet: A Iniciação, n° de janeiro de 1897].

A Magia conforme se viu, não é mais que uma Física Transcendental.

Dessa definição, a Teurgia retém somente a aplicação prática: aquela da lei de “correspondências” analógicas, subentendendo:

1° – A unidade do Mundo, em todos seus componentes;

2° – A identidade analógica do Plano Divino e do Universo material, este sendo criado “a imagem” daquele e permanecendo seu reflexo, inferior e imperfeito;

3° – Uma relação permanente entre ambos, relação decorrente dessa identidade analógica, e podendo ser exprimida, ao mesmo tempo que estabelecida, por uma ciência secundária, chamada de Simbolismo.

Quanto ao “domínio” no qual vão se exercer esses princípios secundários, a Teurgia se separa claramente de Magia.

Esta somente aciona Forças Naturais, terrestres ou cósmicas, se exercendo só no domínio puramente material que é o Universo, e, por consequência, não sendo mesmo Causas Secundárias, no máximo “intermediárias”, de “Causas terciárias” pelo menos. Por consequência a ação da Magia perturbando a intenção das Causas Segundas, estas não fazendo mais do que exprimir a da Causa Primeira, se exercendo por uma de suas “possibilidades”. Daí esse restabelecimento inevitável do equilíbrio rompido, denominado “choque de retorno”, e que se segue a toda realização mágica, a violência desse efeito contrário é proporcional a amplidão e a duração da realização obtida. Pois é uma lei imprescritível, que o Mago deve pagar na dor, as alegrias que sua Arte tiver arrancado às “Imagens Eternas”, saídas do ABSOLUTO, depois orientadas e fixadas pelas Causas segundas.

É completamente diferente o domínio da Teurgia e das faculdades que ela movimenta, fatores puramente metafísicos e jamais cósmicos ou hiperfísicos. Pois é no próprio seio da Arquétipo, nas “possibilidades” que passam – imagens fugidias – na INTELIGÊNCIA PRIMORDIAL, que o Teurgo operará. Definamos pois esse domínio.

O Teurgo crê necessáriamente na existência de um só SER, Único, Eterno, Onipotente, Infinitamente Sábio, Infinitamente bom, Fonte e Conservação de todos os Seres emanados, e de todas as Criaturas passageiras. Esse SER único, ele o designará sob múltiplos Nomes, exprimindo por cada um dos “Raios” de Sua Glória, e que chamaremos aqui simplesmente: DEUS.

Porque DEUS em si é infinito em potências e possibilidades, o Bem e o Mal coexistem e se equilibram eternamente. Mas, porque Ele é também infinitamente Sábio, e é o Bem Absoluto, contemplando desde toda eternidade, em Sua Onisciência, todas as futuras possibilidades, opera entre eles eternamente, e por sua Onisciência, uma Discriminação que é eterna. Essa Discriminação constitui pois, face a face, o Bem e o Mal.

O que DEUS admite, retém, deseja, realiza e conserva, constitui um Universo Ideal, ou Arquetípico. É o “Mundo do Alto”, o Céu. O que Ele refuta, rejeita, reprova, e tende a destruir, constitui o “Mundo de Baixo”, o Inferno. E o Inferno é eterno, como o Mal que exprime, agora o compreendemos.

Como Deus é eterno, e contém em Si todas as “possibilidades” o Mal é eterno e Ele não pode destruí-lo. E como Ele é infinitamente bom, Ele não quer destruí-lo.

Então, como Ele é também o Infinitamente Sábio, Deus o transforma em Bem…

Mas , como o Mal também é eterno, como “princípio”, eterna é essa obra de Redenção dos elementos rejeitados, assim como é eterno o Bem que ele manifesta e realiza.

O Homem, como toda a criatura, leva em si uma centelha divina, sem a qual não poderia existir. Essa centelha, é a VIDA mesma. Esse “Fogo” divino, leva nele todas as possibilidades, assim como FOGO INICIAL de onde ele emana.. As boas como as más.

Pois ele não é mais que um reflexo, e entre o braseiro e a centelha, não há nenhuma diferença de natureza!

Esse “fogo” é pois suscetível de “refletir” o Bem ou de “Refletir” o Mal. Quando o Homem tende a se reaproximar de DEUS, ele sopra e anima em si o “fogo claro”, o fogo divino, o “fogo de alegria”. Quando ele tende a se afastar de DEUS, ele sopra e acende em si o “fogo sombrio”, o fogo infernal, o “fogo da Cólera”. Assim ele gera em si, como DEUS o faz no grande TODO, o Bem ou o Mal, o Céu ou o Inferno. E é em nós que levamos a raiz de nossas dores, e de nossas alegrias.

É a essa Obra de Redenção Universal e comum, que faz do Homem o auxiliar de DEUS, que a Teurgia convida o Adepto.

Talvez ele não venha a fazer milagres aparentes, e talvez ele ignore o Bem que tiver realizado. Mas, nessa própria ignorância, sua obra será cem vezes maior que aquela do mago negro, mesmo se este realizasse espantosos prestígios.

Pois estes últimos não farão mais que exprimir a realidade do Mal arquetípico e com eles colaborar. Dessa realidade, ninguém duvida, e essa colaboração lhe é bem inútil…

A Magia nos demonstra pois que nada se perde, que tudo se reencontra, e retoma seu lugar. “Cada um semeia o que colhe, e colhe o que semeou”, nos dizem as Escrituras.

O mago negro, no fundo, é um ignorante, que joga um jogo de tolo !

Seus desejos ou seus ódios envenenam seus dias, e representam o tempo perdido para o Conhecimento Verdadeiro. Ao entardecer de sua vida, ele poderá refletir. Nem Amor, nem a Fortuna, nem a Juventude, nem a Beleza, estarão mais em seu leito para justificar as Horas mal gastas. Somente lhe restará uma coisa: uma dívida a pagar, nesta ou em outra vida, e que nenhuma criatura no Mundo poderá pagar por ele.

Pois, querendo submeter “Forças” tão potentes quanto desconhecidas, tão misteriosas quanto terríveis, à seus desejos e a suas fantasias passageiras, ele terá talvez se tornado escravo inconsciente, mas jamais seu senhor!… Sem o saber, ele as terá servido…

“Quando mentimos e enganamos, diz Mephistópheles, damos o que nos pertence!…”. Pela voz de Goethe, é a multidão anônima dos Iniciados de todos os tempos que nos adverte!

Aqueles “princípios” que DEUS conserva, porque os deseja, desde toda eternidade, Ele os emana. Eles então se individualizam, depois se manifestam, por sua vez, e conforme sua natureza própria que é o Ideal inicial divino. O conjunto dessas “Emanações” constitui o Plano Divino ou Aziluth. Cada uma delas é um Atributo Metafísico. Há assim a “Justiça”, o “Rigor”, a “Misericórdia”, a “Doçura”, a “Força”, a “Sabedoria”, etc…

Como ele são de essência divina, se concebe que os metafísicos orientais, após os ter designado e dotado de um nome próprio, os tenham acrescido os finais “El” ou “Iah”, que significa “DEUS”, feminino ou masculino. Se obtém então essas denominações convencionais: “Justiça de Deus”, “Rigor de Deus”, etc…

Cada uma dessas Emanações, pois que são elas mesmas parte constituinte da DIVINDADE-UNIDADE , emana por sua vez modalidades secundárias de sua própria essência. E assim a seguir.

Assim se constituem esses seres particulares que chamamos de Anjos, Gênios ou Deuses, seres que as teodicéias agruparam em dez divisões convencionais. São os nove coros angélicos, aos quais se acrescenta aquele das “almas glorificadas”, da Teologia judeo-cristã e da Kabala.

No “Mundo de Baixo”, que DEUS rejeita [os Quliphoth, ou “Escórias”, da Kabala], cada um deles tem sua antítese, um ser absolutamente oposto, emanado por um dos Atributos Contrários, e que DEUS tende a fazer evoluir para Melhor e o Bem.

Há pois a “Injustiça”, a “Fraqueza”, a “Crueldade”, a “Insensibilidade”, e o “Erro”, e também aí se acresce os finais correspondentes, El ou Iah, se obtendo os Nomes Demoníacos: “Injustiça Suprema”, “Fraqueza Suprema”, “Crueldade Suprema”, etc…

Todas as “possibilidades”, rejeitadas “em baixo”, são destinadas a virem a ser “criaturas”, e, emergindo do Abismo pela Graça e o Amor de DEUS, elas constituem então o Mundo da prova e da Necessidade, a “Terra”, em hebreu Aretz, único reflexo superior desse Abismo.

Todos os Seres que não são, desde toda eternidade, os “Deuses Atributos” do ABSOLUTO, nascem no seio do Abismo, conjunto do que a Eterna Sabedoria rejeita eternamente. Da mesma maneira, os seres vindos de Baixo devem finalmente chegar “Ao Alto”, no “Palácio do Rei”, religados a uma das Dez Esferas antes citadas, mas aperfeiçoadas, evoluídas, se tornam por fim tais como DEUS o deseja eternamente, e ricas da totalidade de suas lembranças e de suas experiências passadas.

Todos esses seres se elevando pois outrora através de todas as “formas” possíveis e imagináveis da Vida, nesse vasto caleidoscópio que é a NATUREZA ETERNA; formas sucessivamente visíveis ou invisíveis, minerais ou vegetais, animais ou hominais. Chegadas a esse último estado, encruzilhada onde os espera a Liberdade moral e sua Responsabilidade, eles constituem então esse Mundo de Prova e de Fatalidade que é a “Terra”, precursor dos “Céus” simbólicos.

Em virtude dessa Liberdade e dessa Escolha, e se encontrando no plano de Aretz [“Terra”], submissos à Experiência, consequêntemente ao Sofrimento e a Morte transmutadora, os Homens podem, por sua aceitação ou recusa, sua escolha inteligente ou desarazoável, se elevar ou descer na Escala, escala dos “devires”.

Se notará que a Kabala dá o mesmo valor numeral a palavra Sinai e a palavra Soulam, significando escala [130]. A Guematria nos mostra aí uma das chaves principais da metafísica kabalística. Em efeito, essa “escala” está ligada a lenda do patriarca Jacó, palavra significando “que suplanta”. Para uma alma, subir, é, para uma outra descer. [Ver nos “Mabinoggion”, ou “Contos para o Discípulo”, o ensinamento bárdico a esse respeito, no conto de Peredur ab Ewrach]. E sobre a Roda Eterna, todas as almas passam sucessivamente por todos os estados [Ver a “Revolução da Almas” do rabino Issac Loriah]. Nessa subida sobre a escala , uma alma é o “suplantador” enquanto que uma outra é o degrau…

Pois, tendo chegado uma primeira vez no “Palácio Celeste”, mundo da plenitude, onde ele encontra por fim o conjunto de suas lembranças e de suas faculdades, o Ser pode tornar a descer voluntariamente sobre a “Terra”, em Aretz, e aí se encarnar, seja visando novas experiências e do benefício que daí decorre, seja com a finalidade altruística de ajudar os outros seres a se desprender do Abismo, a sair do Sheol [“Sepultura”]. E isso tantas vezes quantas ele desejar, protegido pelo Esquecimento.

Concebemos o inferno mental que seria a Vida se nos lembrássemos de tudo o que fomos ? Imaginemos o nosso eu imortal animando por exemplo uma aranha ? Nos vermos, como aranha, metida em um buraco infecto, dançando sobre uma teia, receptáculo de todas as sanies ou imundices, e devorando com as mandíbulas os cadáveres de moscas decompostos ? “O Esquecimento das vidas precedentes é um benefício de DEUS…” nos diz a tradição lamaica!

E porque a eternidade e o Infinito Divinos fazem com que o ABSOLUTO permaneça sempre inacessível ao Ser, mesmo tendo chegado ao “Palácio dos Céus”, eternos em duração, infinitos em possibilidades são “experiências” da Criatura, e assim, a Sabedoria e o Amor Divinos a fazem participar de uma eternidade e de um infinito relativos imagens e reflexos da eternidade e do infinito divinos, e por si mesmo, geradoras de um eterno vir a ser.

Mas não devemos confundir os Seres em curso de evolução para o Plano Celeste, e os Atributos do Divino, que são partes constituintes de DEUS.

E é pela onipotência do Verbo, se exprimindo através da prece e as santa Orações, por um caminho que se aproxima, tanto quanto é permitido ao Homem, de suas próprias perfeições, que o Teurgo desperta e põe em ação os Atributos Divinos, e o faz, se elevando até eles…

E é pelo Simbolismo, que lhe permite canalizar e conduzir essa ação, a “situando” no Tempo e no Espaço, que o Teurgo age então indiretamente sobre os Seres do Universo material.

Pois, partindo do princípio iniciático universal que a “parte” vale o “Todo”, e que “o que está em baixo é como o que está no alto”, esse Simbolismo lhe permite então realizar um microcosmo realmente em relação de identidade analógica com o Macrocosmo. Essa teoria se reencontra, degradada, no princípio do Envultamento e aquele do estabelecimento de seu “vulto”.

Pelo Simbolismo, o Teurgo realiza, sobre seu Altar, sobre seus Pantáculos, ou em seus Círculos operatórios, verdadeiros “vultos” do Mundo Celeste, do Universo material, dos seres que aí residem, da Forças que aí estão encerradas.

Mas, ao contrário do praticante da Magia vulgar, realmente ligado as virtudes particulares de seu objetos, de seus ingredientes, aos ritos [tornados fórmulas supersticiosas] de seu Sacramentário, assim como o Físico ou o Químico estão a aquelas de seus aparelhos de laboratório, dos corpos que eles utilizam, a aqueles das fórmulas de seus códex, o Teurgo não tem essa servidão supersticiosa. E ele não utiliza o Simbolismo a não ser como meio de expressão, complemento de seu verbo, este expressão de seu pensamento.

Pois o Simbolismo completa [no domínio das coisas inanimadas] o Gesto do Teurgo, seu Gesto completa sua palavra, sua palavra exprime seu pensamento, e seu pensamento exprime sua Alma. E esse é exatamente o segredo das “Núpcias fecundas do Céu e da Terra”.

Desse modo temos na Trindade Divina e na Trindade Humana :

DEUS UM…………………………..ALMA UNA
Pai………………………………………..Pensamento
Filho……………………………………..Palavra
Espírito Santo…………………………Gesto

Por fim, o Teurgo não pretende submeter, mas obter, o que é muito diferente! Para o Mago, o rito submete inexoravelmente as Forças a quem ele se dirige. Possuir seu “nome”, conhecer os “encantos”, é poder encadear os Invisíveis, afirmam as tradições mágicas universais.

Mas a lógica não admite, à essa pretensão, mais que três hipóteses justificativas:

a) ou as Forças dominadas o são sujeitas porque inferiores em potência ao próprio Mago. E então, nenhum mérito em dominá-las, e nenhum benefício a alcançar. Pois a Ciência oficial, com paciência e tempo, chegará ao mesmo resultado…

b) ou elas se prestam por um momento a esse jogo, aceitando uma servidão momentânea aparentemente, e na espera de uma consequência fatal, que escapa ao homem, mas à que, logicamente deve, seu proveito. Nesse caso o Mago é enganado, a Magia é perigosa, e como tal deve ser combatida…

c) essas Forças são inconscientes, logo sem inteligência e por consequência naturais. Nesse caso , a pretensão do Magista de submeter as “potências” do Além não é mais que uma quimera. Seu ritual, fastidioso, irregular em seus efeitos, imprevisível em suas consequências últimas, deve ser substituído por um estudo científico desses fenômenos, preludiando a sua incorporação no domínio das artes e das ciências profanas. Desde então, não há mais Magia…

Para o Teurgo, nenhuma “explicação” tendente a diminuir seus poderes é temida, pois que ele afasta de primeira todo fator material dotado de qualquer virtude oculta, toda força encerrada ou infundida por ritos em seus auxiliares materiais. Somente, o Simbolismo deve o unir ao Divino, com o elã de sua alma, por veículo. Já de início ele situa o problema: se dirigindo a DEUS pelo canal do Espírito e do Coração, nenhuma defloração do grande arcano deve ser temida, e, o que quer que advenha em suas diversas realizações, o Mistério dessas últimas permanece por inteiro.

O que o Mágico pagará a continuação com dor, o Teurgo completará com alegrias. E assim como dizem as escrituras, o Teurgo acumulará tesouros inalteráveis, enquanto que o Mágico realiza um mau futuro…

Texto retirado de Hermanubis Martinista.

#hermetismo #Maçonaria #Magia #Martinismo #Kabbalah #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-teurgia

O Sangue e Ossos da Bruxaria Tradicional

Com a primeira faísca da forja sagrada – a primeira gnose, palavra da mesma raiz que gnoscere, ou “conhecer”, o homo sapiens tornou-se capaz de maravilhar-se com toda a criação ao seu redor, assim como se tornou capaz de questionar as razões de tudo o que acontecia com ele. Podemos dizer que esta “faísca” caiu em um corpo que sentia medo, fome, frio, sono e o desejo de procriar, como qualquer outro animal. O homem muito provavelmente ainda nos tempos de “bicho” percebeu que um grupo era mais forte que um indivíduo solitário, assim como os lobos e os macacos, e portanto, é muito provável que ele já tivesse uma idéia do que era uma família, um clã ou tribo. A idéia de lar foi desenvolvida pelas mulheres, que também foram as inventoras da agricultura e muito provavelmente da pecuária, o que possibilitou os assentamentos humanos em regiões específicas.

Com o lar, toda a idéia das conexões entre a terra com o mundo invisível chegou à estrutura de culto – que interessantemente possui a mesma raiz etimológica que a palavra “cultivar”. Os primeiros cultos, de acordo com os resquícios mais antigos deixados pelas lendas do continente africano, foram os das divindades responsáveis em favorecer a vida na região em que se vivia e o culto aos ancestrais. Todos podiam remontar sua ancestralidade a uma divindade, o que lhes dava um ideal mítico como modelo para suas vidas. Cada ser humano era uma divindade na terra, em uma jornada humana, e este ainda é o sentido da iniciação em um culto ancestral.

Nos velhos tempos, os mortos eram enterrados em locais no mínimo significativos, naqueles considerados sagrados, e não raro, próximos ou dentro da própria moradia dos vivos, em porões ou sob o fogo que processava os alimentos. Tomando por base as culturas africanas e bascas, onde os mortos eram e muitos ainda são guardados sob o piso dos vivos, o culto aos mortos teria sido criado também pelas mulheres, que ficavam responsáveis em “cultivar” o fogo dos vivos (processando os alimentos) e o fogo dos mortos (mantendo suas memórias vivas). Algumas tradições de Bruxaria (isto é, Bruxaria Tradicional), mantêm este reconhecimento à mulher como um ser que já nasce com seus poderes completos, enquanto o homem nasceria somente com o poder do fogo, necessitando da mulher como a pedra fundamental de um clã, como aquela que doma o fogo. Nos mitos ancestrais da Nigéria, este período de poder matriarcal é relatado, e é possível observar como este período foi marcado pela tirania. O poder espiritual absoluto das mulheres foi tomado pelos homens quando eles astutamente tomaram os ossos dos mortos e dominaram o culto dos ancestrais, trazendo uma era de equilíbrio entre os gêneros, mas não sem algum conflito. O mito nos relata que os homens, ao tomarem os ossos e as vestimentas sagradas irritaram as mulheres profundamente, ao ponto do caos, e a única forma de resolver o conflito foi a de apaziguá-las com presentes, comidas, confortos e canções, gerando uma coexistência pacífica. A sociedade de Iyami, por exemplo, é sem dúvida a mais temida e poderosa, pois convencer estas “mulheres-pássaros” de uma decisão comunitária sempre dependerá do senso de justiça feminina e muito apaziguamento.

Quando a Igreja tomou o poder de enterrar os mortos, ela “tomou os ossos” dos nossos ancestrais, e da mesma forma, tomou para si o culto aos mortos. Nossos mortos não mais eram enterrados em seus locais favoritos ou sagrados para serem lembrados por qualquer um que ali passasse, e assim fomos convencidos que nem suas presenças eram bem vindas perto de nós. Fomos roubados de nossos ancestrais, e a memória foi roubada deles. Nossos cemitérios são meros depósitos de ossos esquecidos, e nossos mortos são enterrados em um piscar de olhos. Já não são mais velados, enaltecidos e relembrados, e eles já não encontram mais seus lugares em nossas vidas e memórias. Roubaram-nos a nossa memória, e se não conhecemos de onde viemos como saberíamos para onde vamos?

Bruxaria e Paganismo

Pessoalmente, eu concordaria com uma “bruxaria” ligada ao paganismo se as correntes ancestrais – que dão contexto mitológico às bruxas – não estivessem rompidas. E é por esta mesma razão que a iniciação nos cultos pagãos ainda se perpetua e se faz necessária: quando entramos em um culto ancestral, recebemos não só os ensinamentos acumulados do culto, mas o vínculo espiritual com os ancestrais deste culto, que é sem dúvida o ponto central de onde toda a sabedoria parte. E é aqui que reside a diferença entre conhecimento e sabedoria, pois esta última só pode ser obtida com experiência e memória. O neopaganismo, por exemplo, tem uma enorme desvantagem neste quesito, desde que tenta reconstituir o vínculo espiritual muito frequentemente sem terem a noção precisa de quem foram estes ancestrais, e muitas vezes tateando através da história e antropologia para reconstituir fatos, e assim, limitando-se ao “conhecimento” enquanto desbrava-se o caminho rumo à “sabedoria”. Eu diria que isto é uma desvantagem, e não uma diminuição de valor, desde que a meta é a mesma.

Em especial por conta das ocorrências da Idade Média – no período que foi nomeado como a “Era das Fogueiras” – muitas pessoas ganharam o direito de clamar para si a herança “bruxa”. Pagãos, judeus, pervertidos, criminosos, alcoviteiras e feiticeiras foram os indiscutíveis bodes expiatórios que queimaram como “bruxos”. No Brasil, especificamente, ondas de novos convertidos ou degradados (ou seja, expulsos de seus países pela Santa Inquisição), mesclaram suas crenças – unidas por uma espantosa similaridade – às dos indígenas e negros escravos, dando origem a híbridos singulares e interessantes. As benzedeiras não devem em nada daquelas que foram julgadas nos tribunais inquisitórios, e apesar do freqüente rigor cristão da maioria delas, elas continuam marginalizadas pelo cristianismo moderno. Para elas, nada mudou. É bom ainda ressaltar que a Inquisição foi um processo de limpeza interna da igreja para livrá-la das heresias. Este processo que saiu fora do controle, e acabou perseguindo muitos que se consideravam “bons cristãos”, mesmo que mantivessem certos costumes remanescentes do paganismo através do velho catolicismo em uma Europa protestante. O próprio termo “auld faith”, ou como se traduziu “Antiga Religião” era uma alusão ao catolicismo anterior ao protestantismo, que considerava o culto aos santos – uma derivação pagã – uma grande heresia. Lutero, por exemplo, apontou a Igreja Católica como a “Sinagoga de Satã” por este motivo entre outros muitos. E isto, aliás, é um dos motivos pelos quais não é absurda a cristandade para uma bruxa, apesar da histeria que isto causa entre os bruxos modernos. É lógico que a própria Igreja Católica possui todo um capítulo negro em sua história, mas nem por isso deve ser descartada, desde que manteve uma herança viva dos antigos cultos – disfarçados e distorcidos ou nem tanto.

O Bruxo e a Tradição

A diferença que se faz de um “bruxo” para um “bruxo tradicional” é que o primeiro pode não estar necessariamente ligado a uma ancestralidade mítica conhecida, e assim, alguns buscam o híbrido “pagão-bruxo” da Wicca exatamente para recompor uma ancestralidade mítica perdida. Outros permanecem manifestando seus dons ancorados nas religiões exotéricas, como o catolicismo, ou dentro do misticismo new age, buscando fortalecer os laços com seus espíritos guias solitariamente. Um “bruxo tradicional” é um ser já consciente de sua ancestralidade mítica (ou ainda, de suas plurais ancestralidades míticas), que podem ser passadas através da família (blood in) ou da adoção como novo parente (blood out).

Não podemos deixar de discutir um outro subgrupo que deve ser apresentado dentro do contexto tradicional da bruxaria, que remonta de sociedades similares à Maçonaria, e que operam como “guildas de ofício”. Uma guilda de ofício é basicamente um grupo que possui uma determinada especialidade. Antigamente, todas as guildas de ofício possuíam não só um caráter social – mas um espiritual, já que possuíam suas próprias mitologias ligadas à profissão. Aqueles cuja profissão era a de ferreiro, por exemplo, prestavam cultos a deidades “ferreiras”, como Hefestos, Tubelo, Ogum, etc. Com o surgimento destas confrarias, grupos que giravam em torno de deuses ctônicos, obscuros e marginalizados pela religião oficial também surgiram. O fato é que estas guildas se formaram através de pessoas que possuíam uma linhagem ancestral em um determinado culto, e que possibilitavam a adoção de novos “parentes” ligados ao ofício.

Bruxaria e o Ofício

Para falarmos do caráter “ofício” da bruxaria, temos necessariamente que trazer à memória o arquétipo primordial do que é uma Bruxa. Aliás, se esta figura sobreviveu aos tempos, é graças à sua imagem arquetípica.

Particularmente, gosto sempre de relembrar as figuras de Circe e Medeia, mas outros “personagens” imortalizados nos contos de fadas, no folclore e nas tradições da terra contam um pouco sobre esta figura assombrosa, magnífica e incompreendida quando colocada dentro esta sociedade destituída da Tradição Perene. Ela reina absoluta no papel da resistência necessária que o herói deve enfrentar para que floresça e se torne imortalizado. Ela é a sábia que perscruta o destino dos homens, que alimenta o fogo dos vivos com seus remédios fervendo no caldeirão, assim como alimenta o fogo dos mortos ao jamais esquecê-los. Como podemos observar nas inquebradas tradições ancestrais da terra, estas mulheres são as nigromantes, curandeiras, feiticeiras e conselheiras… megeras que são donas de seus narizes e que jamais tiveram ou terão rédeas. A única forma de domá-las é através da rendição completa, é o dar-se para ter. Sem esta doação, pode-se até brincar de ser bruxo, e manter a esperança de coerência, mas em última instância, é bom torcer que esta força indomada da natureza, representada por deusas cujos mistérios são relegados a poucos, nunca preste atenção em você.

Originalmente postado em http://www.espelhodecirce.com.br/2011/05/o-sangue-e-ossos-da-bruxaria.html

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-sangue-e-ossos-da-bruxaria-tradicional

Engenheiro que incorpora ‘Dr. Fritz’ é condenado por cirurgia mediúnica

@MDD – Antes de postar a notícia, é claro que não quero acusar os céticos de Má-Fé, já que eles apenas repostaram a notícia tendenciosa do G-1 (e ao contrário do que o termo “ceticismo” indica, nem se deram ao trabalho de pesquisar alguma autoridade dentro do espiritismo, que certamente também condenaria o tal charlatão). Mas é muito claro que o Rubens Faria não é nem nunca foi o verdadeiro Dr. Fritz.

Um dos maiores problemas dos ocultistas é que, além de ter de lidar com fanáticos religiosos, a quantidade de charlatões querendo ganhar dinheiro com mistificação beira a 90%, o que dá ampla margem para os céticos e pseudo-céticos se deliciarem quando estes cretinos fazem algum tipo de absurdos. Por mim, a polícia deveria simplesmente fechar todas as casas de pretensos médiuns que cobrassem por consultas.

Leiam antes:

http://www.richardsimonetti.com.br/pingafogo/exibir/91

E depois a notícia do G1:

O Tribunal de Justiça condenou na quarta-feira (6) o engenheiro Rubens de Faria Júnior, médium que diz incorporar o espírito do Doutor Fritz, médico alemão que teria ajudado inúmeras pessoas durante a 1ª Guerra Mundial, a pagar R$ 25 mil por danos morais ao serralheiro Guilherme Moreira.

Segundo o processo, Guilherme foi vítima de uma cirurgia espiritual malsucedida ocorrida em novembro de 96. Os desembargadores negaram recurso do médium e mantiveram a sentença.

A notícia foi dada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo nesta quinta-feira (7). À decisão cabe recurso.

Segundo o processo da 4ª Câmara Cível do TJ, Guilherme sofria fortes dores nas costas e por isso procurou atendimento no Hospital Geral de Nova Iguaçu. Como as dores não cessaram, o serralheiro se dirigiu então ao local onde Rubens costumava atender a milhares de pessoas.

Lesão permanente na medula, indicou laudo

De acordo com o TJ, o engenheiro pediu que ele levantasse a camisa, passou um líquido gelado na área dolorida e em seguida introduziu um objeto cortante na coluna do serralheiro, que, segundo testemunhas, tratava-se de uma tesoura. Guilherme ficou instantaneamente dormente da cintura para baixo, precisando ser amparado por outros “pacientes”.

Segundo laudo pericial, a coluna de Guilherme foi atingida na altura da 10ª vértebra, o que causou infarto da medula espinhal e tornou-o permanentemente incapaz para o trabalho.

“A culpa do réu resta provada diante dos fatos, laudos, testemunhos e documentos acostados aos autos. Os danos morais experimentados pelo autor são evidentes, na medida em que a dor, a vergonha e a frustração o fizeram constatar os efeitos negativos da incisão feita pela parte ré. Tais sentimentos são caracterizadores de intenso sofrimento de índole psicológica, passíveis de compensação pelo réu”, afirmou o relator do processo, desembargador Sidney Hartung. Pela decisão, além da indenização, Guilherme receberá também 70% do salário mínimo a título de pensão.

O G1 não conseguiu entrar em contato com o engenheiro.

#Fraudes

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A Cidade Invisível: Magia e Folclore Brasileiro – Raphael Draccon

Bate-Papo Mayhem 146 – 06/03/2021 (Sabado) 18h Com Raphael Draccon – A Cidade Invisível: Magia e Folclore Brasileiro

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo

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Oferendas Ancestrais

O bipedalismo, ou seja, a capacidade de se andar apenas com dois membros, e não com quatro, é uma característica desenvolvida por pouquíssimos animais ao longo da evolução das espécies. Como se sabe, um desses animais é o homo sapiens. Segundo a teoria de Darwin-Wallace, o homo sapiens evoluiu a partir de um ancestral comum com o chimpanzé, ou pelo menos esta era a teoria mais aceita até alguns anos atrás. Uma outra teoria acerca da evolução humana postulava que o bipedalismo foi desenvolvido sobretudo quando os humanos arcaicos, ancestrais do homo sapiens, abandonaram as regiões africanas de densas florestas e se aventuraram nas pradarias, onde a capacidade para arrancar frutos e carregar comida e armas de caça seria, talvez, mais importante do que a velocidade e equilibrio conferidas pelo andar em quatro patas, o que seria muito mais útil para se fugir de predadores.

No entanto, descobertas da arqueologia nas últimas décadas tem colocado em xeque tais teorias. Particularmente a descoberta do esqueleto de Ardi (ardipithecus ramidus) encontrado em 1992. O esqueleto demorou três anos para ser escavado pela equipe do Projeto Médio Awash, em Aramis, na Fenda de Afar, Etiópia. Sua reconstrução foi realizada por dezenas de cientistas de todo o mundo, sendo que atualmente a liderança dos estudos está em mãos de Tim White. Ele trabalha com Paleontologia e Arqueologia Paleolítica na África desde 1974, sendo professor de biologia da Universidade da Califórnia em Berkley e codiretor do projeto que atuou na retirada do achado.

Após mais de uma década de análises minuciosas, as conclusões finais dos arqueólogos e cientistas envolvidos foram finalmente publicadas na revista Nature de Outubro de 2009. A datação de Ardi como tendo vivido a 4,4 milhões de anos, e sua combinação única de bipedalidade indiscutível com os dentes molares pequenos, assim como a curiosa semelhança dos pés com os pés de outros símios, capazes de agarrar objetos como as mãos, lança muito mais dúvidas do que certezas no estudo dos cientistas.

Primeiro, fica comprovado que o “elo perdido”, ou a espécie ancestral que o homo sapiens teria em comum com outros símios, teria vivido há muito mais tempo do que antes se imaginava, há pelo menos 7 milhões de anos. Isso levanta a curiosa hipótese de que os chimpanzés evoluíram por muito mais tempo após terem se “dissociado” de nosso galho evolutivo. Nesse sentido, é possível que muitas características dos chimpanzés sejam exclusivas deles, e nunca tenham estado realmente presentes em humanos arcaicos.

Mas a questão mais curiosa é que, além da bipedalidade ter se desenvolvido há muito mais tempo do que antes se imaginava (sabe-se também que ela ocorreu milhares de anos antes do aumento e evolução do cérebro humano), estudos da região onde Ardi foi encontrada comprovaram que, em sua época, há mais de 4 milhões de anos, aquela região da Etiópia era cercada por densas florestas! Isso significa que a ciência precisa arranjar uma nova e arrojada explicação para o motivo dos humanos arcaicos teremos evoluído para a bipedalidade e os caninos menores, ainda milhares de anos antes de desenvolverem a cognição peculiar da mente do homo sapiens.

Uma das hipóteses que mais me agradaram foi a descrita no documentário da Discovery Channel. Segundo essa teoria, o bipedalismo e a redução dos dentes caninos foi acompanhada das primeiras convenções sociais entre os caçadores-coletores. As fêmeas passaram a preferir machos menos agressivos, e passaram também a trocar sexo por comida, além de se comprometerem por mais tempo com a “educação” dos filhos. Isso favoreceu nos machos, e consequentemente em toda a espécie, o bipedalismo: assim poderiam se deslocar por distâncias maiores, e carregar oferendas (pequenos pedaços de comida, sejam frutos ou carne de animais abatidos) por sexo. A redução dos caninos talvez indicasse que os machos não precisavam mais competir agressivamente pelas fêmeas, e que a troca de carinho (sim, talvez pudéssemos usar esta palavra) era mais reconfortante e necessária, então, do que as lutas sangrentas pelo direito de copular com as fêmeas.

Será que isso faz sentido? Será que nossas convenções sociais, nossa organização em famílias de indvíduos, tem uma origem ancestral, bem mais antiga até do que nossa cognição avançada?

Hoje se sabe que o altruísmo é uma forma de evolução da espécie. Grupos de indivíduos capazes de colaborar entre si tem maiores chances de sobrevivência do que indivíduos solitários que caçam sozinhos. Sim, eles tem maior reserva de alimento, mas muito menos proteção contra outros predadores, e contra a própria solidão da vida selvagem… Caso possamos fazer uma associação entre o altruísmo e o que o homem moderno chama de amor, talvez o estudo científico da evolução humana nos traga lições muito mais profundas do que a mera compreensão do mecanismo pelo qual nossos corpos evoluíram. Talvez compreendamos que não foram apenas dentes que deixaram de ser pontiagudos, ou mãos que passaram a ser capazes de produzir ferramentas especializadas, mas antes a evolução social que potencializou nossas chances de sobrevivência, e nos tornou a espécie dominante deste planeta.

Talvez, as oferendas ancestrais de humanos arcaicos em troca de sexo, dando origem aos rudimentos do que hoje chamamos de família, tenha sido o momento-chave que possibilitou toda a evolução seguinte. Afinal, a partir do momento que deixamos de rastejar junto ao solo, buscando comida e sobrevivência, e passamos a andar eretos, e a enxergar as estrelas no céu, e os olhos e a face de nossos semelhantes, possivelmente tenhamos passado a desenvolver o rudimento da consciência de nós mesmos, e do que afinal viemos fazer nesta terra.

***

Crédito da imagem: J.H.Matternes

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Antropologia #Evolução

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Ordem DeMolay cabalística?

Como é possível nosso simples ritual se encaixar no diagrama que contêm os “segredos mais herméticos” da Tradição Ocidental? Da mesma maneira que nosso ritual é simples, a resposta também o é. O Ritual dos Trabalhos Secretos escrito por Frank A. Marshall em 1919 contêm os elementos básicos da Jornada do Herói, tal como decodificado e dissertado amplamente por Joseph Campbell. E da mesma forma, a Árvore da Vida estudada na Cabala Hermética, expressa os detalhes dessa Jornada Mitológica/Psicológica.

Uma coisa leva a outra sem muitos mistérios. E a analogia nos faz perceber a grandeza das entrelinhas dos rituais DeMolay. Basta não ter preconceitos e saber como se interpretar um ritual, como vimos nos textos anteriores. Vamos começar por partes, com a diferença de Cabala Judaica e Hermética.

Cabala Judaica e Hermética

Kabbalah, ou Cabala, é a sabedoria que investiga a natureza Divina.

Cabala Judaica lida com o Torá e as outras centenas de escritos, muitos deles velados a tradição judaica. Textos escritos em hebraico arcaico, e sem traduções possíveis em sua grande maioria. Não se limita ao estudo da Árvore da Vida, mas sim de todos os escritos da tradição judaica e a descoberta dos seus segredos através da Gematria (valor numérico das letras), Notaricon (são palavras cujas letras foram frases) e a Temura (permutação das letras por outras).

A Cabala Hermética abrange toda a tradição ocidental, lidando principalmente com o mais famoso esquema da Árvore da Vida (porém não é o único). A Cabala Hermética também lida com o alfabeto hebraico e com muitos dos conceitos absorvidos da Cabala Judica, mas sua ocupação não são os escritos da Tradição Judaica, e sim no que é relacionado ao Divino dentro do Homem e o caminho que devemos percorrer para alcançar esse Divino e seus métodos, como o Tarô, Astrologia, as Mitologias, e a própria atual psicologia está nesse sistema.

Outros autores já se ocuparam em esclarecer esses temas e sua extensa história, e nosso propósito aqui é somente uma apresentação.

Árvore da Vida

A Árvore da Vida é o símbolo que expressa as etapas da manifestação de Deus, da Sua Unidade até nós, e o caminho que temos que percorrer de volta. Suas esferas são chamadas de Sephiras e têm o número de 10, correspondem a Trinidade de Deus e aos 7 planetas, e seus caminhos são representados pelas 22 letras hebraicas. Toda Tradição Esotérica é se expressa nesse sistema de esferas e caminhos. Vide os textos e imagens sobre Kabbalah do Marcelo para exemplos.

Como disse no texto Conflito entre Religião e Fé DeMolay existe uma igualdade entre microcosmo e o macrocosmo. E a Árvore da Vida é o símbolo que representa todos os arquétipos da mente humana. Ou seja, é o próprio símbolo do homem e da sua mente. Mas para entender cada um desses detalhes é inviável por textos, afinal a Cabala é para ser vivenciada, e não somente especulada. Independente da sua crença, cristã, ateia, satanista ou shivaista, se você não é familiarizado com a Árvore da Vida, pode ter certeza que a estudando, estará estudando a Natureza Divina e como ela se manifesta em você dentro da sua própria crença. Em livros e em rituais encontraremos somente um guia para que alcancemos nossas próprias percepções da Árvore.

Por esse motivo a Árvore da Vida influenciou a antiga Sociedade da Rosa Cruz da Idade Média, passando dessa maneira aos ritos da Maçonaria Especulativa, às diversas Ordens rosacruzes e martinistas atuais. E claro, também a Ordem DeMolay através da sua Mãe.

Um outro dia num post mais específicos vamos contar como a Jornada do Herói, a Iniciação, e a Árvore da Vida e o Ritual DeMolay são unidos. Me cobrem após a conclusão do meu oitavo texto para o blog.

Relação com o DeMolay

Não é novidade para ninguém que já tenha prestado atenção numa Cerimônia de Posse que a Ordem DeMolay é baseada no ciclo solar, que representa a jornada da vida na Terra. Temos uma coisa importante ai: a comparação da jornada do sol com a jornada do homem. As above so below! O macrocosmo refletido no microcosmo. O mais importante princípio hermético, que já discutimos nos outros textos, na Ordem DeMolay. E isso não é tudo, vão revendo os rituais de Iniciação e Investidura de acordo com seus estudos ocultistas para terem certas surpresas. Pois muitas delas não poderemos revelar, daremos somente a chave para quem souber utilizar. E a principal acabou de ser dada.

Não é novidade para ninguém que os egípcios, os gregos e os romanos construíam seus templos para expressar a proporção divina (Número de Ouro). Mesma proporção existente no homem. Da mesma maneira que não é novidade que os Templários criaram suas catedrais também com a mesma proporção divina. Por acaso não é novidade que a rosacruz estuda os princípios divinos no homem e que os rituais visam o despertar espiritual do homem, que é o despertar da nossa Centelha Divina. Da mesma maneira que por acaso acontece na Maçonaria mas como a construção do Templo perfeito dentro de nós. Claro, na Ordem DeMolay não é diferente.

A rosa que floresce na cruz, o lapidar da pedra bruta, e a busca das virtudes que são a base para um homem de bem. Palavras diferentes para o mesmo objetivo: alcançar o Sol.

Oficiais DeMolay e Kabbalah

Não, não temos segredos da Cabala Hermética em nossos rituais. Mas por nossos rituais seguirem o princípio Universal, ele se encaixa na Árvore da Vida. Compare a Sala Capitular com seu esquema. Não é coincidência.

Keter: Unidade de Deus, o princípio, que tudo cria a todo momento, a sephira da qual tudo se manifesta. Oficial: Mester Conselheiro, o líder do Capítulo, aquele que deve tomar a iniciativa e guiar todos os trabalhos.

Hockmah: aonde a energia da Unidade cresce e acelera, criando o caos e as infinitas possibilidades de todos Universos. Oficial: Escrivão, aquele que tudo anota e tudo deve conhecer da administração.

Binah: dá ordem a criação, das infinitas possibilidades sintetiza uma para manifestar. Oficial: Orador, aquele que tem a palavra final nas reuniões, sintetizando todo acontecido da reunião numa lição que todos levarão para casa.

Daat: a esfera “vazia”, que nos separa de Deus (representa os mitos da queda do homem. Observe que aqui acontece a divisão entre Oriente e Ocidente). São os Preceptores que são representantes das virtudes que devemos adquirir para realizar novamente essa conexão.

Chesed: acontece a manifestação, é a esfera doadora de vida, benevolente. Oficial: Hospitaleiro, o responsável pelos projetos filantrópicos do Capítulo.

Geburah: é o rigor e a justiça Divina. Oficial: Tesoureiro, pois sem o seu rigor o Capítulo não tem dinheiro para comprar os materiais básicos e não pode trabalhar.

Tipheret: a harmonia e a beleza da criação, é a manifestação direta da força divina de Keter. Oficial: Porta Estandarte e Mordomos que carregam nossos baluartes, Orador, que faz as invocações e o Mestre de Cerimônias que transmite essas invocações a nós e para fora (observe que ele fica de pé nas orações, por que será?). Observe que aqui é tudo que representa a energia do Altar (e o próprio Altar) com nossos Três Baluartes e Sete Virtudes. Literalmente o coração do Capítulo, o nosso sanctum sanctorum. É também a esfera do Organista, pois ele é responsável pela harmonia vibratória da reunião, pois uma reunião sem harmonia não funciona.

Netzach: a manifestação dos sentimentos e das emoções. Oficial: Segundo Conselheiro, que é o responsável pela ritualística, que deve ser sentida no íntimo e não somente realizada com fórmulas vazias.

Hod: a manifestação da racionalidade. Oficial: Primeiro Conselheiro, que auxilia o Mestre Conselheiro e o Secretário a organizarem o Capítulo administrativamente.

Yesod: o fundamento da criação, a entrada para o “outro mundo”. Oficial: Diáconos, e não vou dizer porquê.

Malkulth: o mundo manifestado. Oficial: Sentinela, que nos protege do mundo profano durante as reuniões.

Não foi meu objetivo me aprofundar em nenhum tema, mas sim apresentar a quem não conhece ou não soube relacionar a Árvore da Vida a Ordem DeMolay. Para quem conhece Cabala sabe que o Sentinela é a manifestação do caminho de Shin para Malkulth, e não somente Malkulth, assim acontece com alguns outros oficiais. Não que eu quis ser incompleto, mas quis ser abrangente, pois são muitos DeMolays e Maçons não familiarizados com a ritualística.

Dúvidas, críticas, idéias, ou sugestões deixem nos comentários.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda

#Demolay #Kabbalah #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-demolay-cabal%C3%ADstica

A Igreja Católica e sua visão da Magia, Mundo Espiritual e Exorcismos – Com Padre Bento

Bate-Papo Mayhem 154 – Com Padre Bento – A Igreja Católica e sua visão da Magia, Mundo Espiritual e Exorcismos

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/Zqgjhmupzlg

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-igreja-cat%C3%B3lica-e-sua-vis%C3%A3o-da-magia-mundo-espiritual-e-exorcismos-com-padre-bento-1