O Caso de Baía do Sul

Foi nas ilhas de Belém, onde as águas do Tocantins e do Amazonas se encontram majestosamente com o o oceano, 1 grau ao sul do Equador, que em 1977 a onda brasileira atingiu o auge.  E foi ali que pela primeira vez se obteve a prova da existência do fenomeno. Mais especificamente, como revelou Daniel Ribeiro Giese, a onda concentrou-se em um período de três meses , entre julho e setembro de 1977, na ilha de Colares e na praia de Baía do Sul, na ilha de Mosqueiro.

Encontramos pescadores que testemunharam a presença dos objetos, e uma médica que tratou das doenças de dúzias de
pessoas atingidas pelas luzes dos chupas. Ela confirmou que um dos pacientes morreu  depois da  experiencia. Diversas
testemunhas  disseram ter visto dois grupos de militares brasileiros filmando os objetos e tentando contato com eles.

A pua verdade: ninguém pode negara onda de 1977. Ela começou em junho, perto do cabo Gurupi, ao norte da cidade de Vizeu, e prosseguiu em duas direções , pela costa. No sentido de São Luiz, a leste, e para Bélem, a oeste, durante os meses de junho  e julho. Atingiu o pico em setembro e outubro.

A razão para a impossibilidade de se negar o fenomeno é muito simples: os OVNIs apareciam todas as noites, vindos do norte. Em alguns casos, surgiam no céu. Em outros, emergiam do oceano. Vi uma foto de um objeto com um halo luminoso branco, saindo da água salobra ao entardecer.

Eles voavam sobre as ilhas a baixa altitude, circulando na área. Desciam, como se quisessem pousar. Faziam loops e aceleravam repentinamente. Pairavam sobre as casas e investigavam o interior com faróis. Saiam de objetos maiores e voltavam para dentro deles. E tudo isso aconteceu com hora marcada, todas as noites, durante três meses.

Era difícil imaginar o pânico na ilha de Colares, segundo uma testemunha ocular que acompanhou a tragédia. Os moradores com condições de ir embora fugiram , inclusive o dentista e os professores escolares, que abandonavam seus empregos. Quem tinha familia no continente mudou. O delegado fugiu.

Os objetos jamais chegavam sozinhos. Nas numerosas fotografias tiradas por jornalistas , apareciam acompanhados por luzes menores. Possuiam formas diversificadas, capazes de deixar maluco um engenheiro aeronáutico. Variavam de tamanho, desde pequenas estrelas até objetos maiores do que dois 737 juntos. Os avantajados eram mais frequentes do que os pequenos. Eles pairavam no céu, aparentemente seguros de que ali, no meio da neblina e dos mangues , na foz do Amazonas, ninguem iria perturba-los. Talvez soubessem que a Força Aérea Brasileira emitira um comunicado confidencial, desviando todo o tráfego aéreo para longe da região.

Não havia nada de enganoso nos objetos . Não se tratava de fenômenos rápidos frequentemente descritos nos livros
norte-americanos, ou manifestações fantásticas descritas por sequestradores , que se tornavam ainda mais incríveis no momento das regressões hipnóticas. Havia uma tecnologia superior em ação sobre Colares , e a única coisa que os observadores podiam fazer era filmar e acompanhar tudo boquiabertos.

A doutora Wllaide Cecim Carvalho de Oliveira, que permaneceu na ilha durante todo o período de duração da onda, concordou em falar comigo. Como diretora do centro de saúde no arquipélago de Marajó ( população 6 mil ) , ela havia sido citada no relatório de Daniel Rebisso Giesse. Ela detalhou as informações anteriores sobre os casos médicos na área.

A pura verdade: a dra. Carvalho trabalhava em Colares há oito meses, quando começou atender pacientes que se queixavam dos ataques de luzes estranhas. Até então ela considerava tais histórias produto de alucinações e bebedeiras. Foi obrigada a rever suas conclusões quando descobriu que os pacientes apresentavam sintomas similares:

  •   Sensação de fraqueza; alguns mal conseguiam  andar
  • Tonturas e dores de cabeça
  • Perda de sensibilidade em locais determinados. Confusão e tremores
  • Palidez
  • Baixa pressão arterial
  • Anemia, com níveis baixos de hemoglobina
  •  ele enegrecida nos pontos atingidos pela luz, com diversos circulos vermelho-arroxeados, quentes e doloridos, com      diametro entre 2, 5 e 2,7 cm
  •  Duas marcas de picadas dentro dos circulos vermelhos, como picadas de mosquito, duras no toque
  • Os pelos nas áreas escurecidas caíam e não cre3sciam novamente, como se os folículos tivessem sido destruidos
  • Náusea ou diarréia

A doutora declarou que na época não tinha acesso a laboratórios sofisticados para realizar exames complementares , mas
conseguiu detectar uma queda dos glóbulos vermelhos em todos os pacientes . Ela colocava as vítimas em observação por quatro ou cinco dias.

Cerca de vinte pacientes , com idades variando entre 18 e 50 anos, grande parte deles ainda jovens, foram tratados. Todos contaram a mesma história : estavam descansando na rede quando a luz veio de cima . Ficaram imobilizados imediatamente, como se houvesse um peso imenso sobre o peito. O facho tinha cerca de 8 centimetros de diametro e era de cor branca. Nunca os perseguia , aparecia de repente e os atingia.

Não conseguiam gritar , por mais que tentassem. Os olhos permaneciam abertos. A luz dava uma sensação de calor, “como uma queimadura de cigarro”, quase intolerável. Depois de alguns minutos a coluna de luz se retraía lentamente e desaparecia .

A luz nunca atingia as vitimas nos braços ou nas mãos , sempre acertava no torso e no pescoço. A descoloração e as marcas apareciam imediatamente. Os pelos do corpo caíam depois. E tudo costumava voltar ao normal depois de sete dias.

Houve várias exceções: em um dos casos uma mulher de 48 anos ficou seriamente ferida . Ela acordou durante a noite e foi fazer croche para passar o tempo, quando a luz repentinamente a atingiu no peito. Quando a luz foi embora, ela procurou os médicos militares, que lhe deram um tranquilizante  (Somalium) e 5 miligramas de Diazepan , o que a fez dormir. Na manhã seguinte foi ao centro de saude para ser tratada , mas nunca se recuperou totalmente, e apresenta os mesmos sintomas até hoje: tonturas e enjôos.

Em outro caso, um homem de 32 anos teve um destino semelhante . E uma mulher  morreu no dia seguinte à exposição, que parece ter agravado uma deficiência cardíaca preexistente.

A pura verdade: quando a série de relatos e problemas de saúde chegou ao centro da cidade, as pessoas entraram em panico. Não dormiam, com medo dos ataques noturnos . Sómente o padre, o prefeito e a médica ficaram para trás, quando as pessoas importantes da comunidade fugiram. Os ônibus partiam lotados de gente que se mudava . Os pescadores recusavam-se a sair para pescar. Em pouco tempo não havia o que comer. A população ficou restrita à comida enlatada e generos trazidos do continente.

As pessoas passavam a noite tomando café para não dormir. Quando viam algo anormal voando, soltavam rojões  e batiam panelas para afugentar o objeto. O governo federal enviou um grupo  de militares , com ordens estritas de observar sem interferir. Uma testemunha  com que conversamos conhecia todos os membros do grupo. Eles montaram uma base na praia e outra na estrada, em local mais alto. Faziam rodízio. Havia biologos, físicos , médicos , químicos  –  um total de quarenta homens, com barracas , gravadores , câmeras e telescópios . Vinham do sul, a patente mais alta era de capitão. Possuiam caminhões, remédios, termometros e medidores de pressão. Eles tratavam as pessoas durante a noite, quando estavam acordados, esperando pelos objetos.

A pura verdade : perguntamos sobre a observação feita  pela própria dra. Carvalho, que  aconteceu às 18 horas , e ela disse que foi a coisa mais linda que viu na vida. Mesmo agora, ao fechar os olhos, ela consegue fazer com que a imagem reapareça .

—    Esqueci de muitas coisas com o passar dos anos    —    declarou    —     , mas nunca esquecerei daquilo!

Era um cilindro grande, brilhante , com uma luz avermelhada no alto e no fundo, brilhando em anéis concêntricos . O objeto voava baixo pela rua , dançando, fazendo círculos majestosos durante o percurso. Não havia portas nem janelas. Sua empregada desmaiou quando viu o objeto, mas a dra. Carvalho a ignorou e seguiu a coisa em estado “quase de extase”, segundo sua descrição , devido à beleza da visão. Ela esperava que pousasse e a levasse embora.
Um grupo de pessoas chegou a cidade, batendo tambores e panelas , soltando fogos. O objeto continuou a danças , cada vez mais alto , e foi embora. Algumas noites depois, um dos objetos aproximou-se e pousou no campo de futebol. Os militares correram para lá, esperando fazer contato, mas a multidão chegou primeiro, batendo tambores, e o objeto decolou.

Quanta ironia. Tentamos a comunicação com seres alienigenas, e não conseguimos estabelecer a comunicação entre nós
mesmos. Os militares e civis não conseguem chegar a um acordo sobre a existencia do fenomeno, os dados não podem ser compartilhados pelos médicos, pesquisadores, países envolvidos.

Todos os dados médicos coletados durante nossa viagem aparentemente são compativeis com a conclusão de que os OVNIs conseguem localizar seres humanos selecionados  com um facho de radiação que contém , entre outros elementos , microndas pulsantes capazes de interferir no sistema nervoso central. Este facho luminoso pode provocar tonturas, dores de cabeça, paralisia , formigamento e alheamento, como descrito por inúmeras testemunhas. Também pode gerar mudanças de comportamento a longo prazo, alterações no sono e mesmo episódios enganosos e alucinações. Toda a fenomenologia dos casos de contato com OVNIs precisa ser revista em função disso.

Onde estão as provas de tudo? O leitor tem o direito de perguntar, como Janine e eu  (Jacques Valeé) fizemos , quando
encontramos as pessoas que passaram por esta experiencia na praia de Baía do Sol. A resposta me deu o que pensar. Não há apenas uma, mas duas séries de fotografias, filmes e gravações feitas no periodo. O grupo militar, agindo abertamente, compilou, ao que consta , um grosso volume de relatório com uma série de medições físicas. O relatório foi enviado para as autoridades superiores de Brasília, onde teria desaparecido em uma gaveta.

O segundo grupo era formado por jornalistas e operadores de câmeras , quase tão bem equipados quanto os militares. Eles conseguiram fotos excelentes, como pode ser visto noa arquivos dos jornais no período. Infelizmente, como foi dito antes, apenas os negativos possuem valor cientifico potencial. E todos os negativos das fotos tiradas pelos grupos de jornalistas saíram do Brasil, adquiridas dos proprietários dos jornais por uma empresa norte-americana desconhecida.

Alguém , nos EUA , possui uma coleção de registros que contém a prova da existencial do fenômeno.

A pura verdade: existe uma razão bem simples para a falta  de interesse acadêmico no fenômeno dos OVNIs. E, como foi visto nesse livro, esta razão não é a falta de provas.

Muito pelo contrário

As provas obtidas até agora pelas principais potencias são tão boas que possuem implicações devastadores para os sistemas militares do futuro. Sendo assim, tomou-se a decisão de manter tudo em segredo, trancado a sete chaves, permitindo o exame apenas a grupos altamente especializados , com acesso restrito, definido. Na minha opinião, o trabalho destes grupos está condenado ao fracasso, como vem acontecendo desde 1953, apesar de todos os recursos destinados a eles e apesar da absurda operação de desinformação que rodeia a questão, para mante-la em segurança.

O fenômeno dos OVNIs não pode ser mantido em um compartimento. Ele é global por natureza , e toca todos os setores do conhecimento humano   —   do folclore à astrofísica, da etnologia às microondas, das partículas à parapsicologia.

A pura verdade: o que aconteceu na Baía do Sol pode acontecer novamente, em qualquer lugar, amanhã mesmo. Detesto saber que estaremos despreparados. Mais uma vez. . .

Jacques Vallé,  Confrontos

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-de-baia-do-sul/

Lúcifer Estrela-da-Manhã

Lúcifer ficou conhecido pelo leitores de quadrinhos em Sandman de Neil Gaiman como senhor do inferno junto de Azazel e Beelzebub, um local de autopunição dos pecadores que já morreram e lar dos seres chamados de demônios , um lugar também conhecido pelos nomes de Hades, Abaddon, Sheol, Avernus, Reflexo Negro do Cêu entre outros nomes.

Nesse capítulo Morpheus foi lá em busca do seu elmo que perdeu durante o período que esteve preso e que agora está em posse do demônio Choronzon.

Depois que Morpheus consegue recuperar o seu elmo, Lúcifer decide não deixar ele ir, ai ocorre o diálogo.

Lúcifer : “Com ou sem o seu elmo , você não tem poder nenhum aqui… que força tem os sonhos no inferno?”

Morfheus : “…que poder teria o inferno se os prisioneiros daqui não fossem capazes de sonhar com o cêu?”

E assim de certo modo Morpheus sai ganhando e vai embora , e Estrela-da-Manhã jura vingança pela humilhação .

Dois anos depois desse acontecido Morpheus precisa voltar ao inferno para resgatar uma antiga amada sua que ele deixou no inferno por milhares de anos , após ela cometer suicídio.

Desta vez o anjo caído está um pouco diferente com asas de demônio , (antes estava com asas de anjo) ao invés da esperada vingança Lúcifer faz algo diferente do esperado , apenas dizendo que esta cansado do inferno depois de 10 bilhões de anos e gostaria de ser livre , e depois de um longo diálogo enquanto fecha as portas do inferno , pede para Morpheus cortar suas asas e dá para ele a chave do inferno.

Algo muito inteligente , quem sabe seria a esperada grande vingança afinal muitos gostariam de serem donos do inferno e poderiam fazer de tudo para serem.

Lúcifer se apresenta como um homem alto , loiro de aparência jovem e é conhecido por vários nomes , Lord Lúcifer , Estrela-da-Manhã , Aquele que traz a luz , O primeiro entre os caídos , Senhor do Inferno, Samael , Anjo das trevas entre outros nomes.

Esse é um diálogo interessante extraído de Sandman :

Porque eles culpam a mim pelos seus defeitos ?

Usam meu nome como se eu passasse o dia inteiro instingando-os a cometerem atos que , de outra forma achariam repulsivos.

“O demônio me forçou a isso.” Nunca forcei ninguém a fazer nada. NUNCA.

Eles falam de mim como se eu andasse comprando almas na feira , sem jamais se perguntassem por quê.

Não preciso de almas.

E como alguém pode comprar uma alma?

Passando alguns anos Lúcifer ganha sua própria revista , assim como ocorreu com Constantine que nasceu coadjuvante em O Monstro do Pântano no inglês Swamp Thing, na época que Alan Moore assumiu a revista.

Em sua revista , depois de tudo ele cria o bar noturno chamada Lux em Los Angeles e fica lá com Mazikeen , uma filha de Lilith fiel a ele desde o inferno.

Lúcifer é considerado um dos seres mais poderosos do universo DC , após Deus e Miguel.

Foi difícil achar um escritor para Lúcifer , quem sabe o nome assustava os escritores , o próprio Neil Gaiman sempre indicou ele para outros escritores mais por anos ninguém pegou o “trampo” e não sei porque Gaiman não fez isso também.

Mas em 2000 Mike Carey resolveu escrever Lúcifer , usando como base Paradise Lost de John Milton e nasceu um grande sucesso.

Em sua revista conhecemos melhor esse anjo , que se mostra extremamente inteligente , informado , cheio de ironia e raramente apelando para força bruta usando sempre perspicácia , neutro e agindo apenas conforme o seu favor, estando além do “bem” e do “mal”.

Entre as centenas de temas que são tratados temos : Deuses , Magia , Runas , Bíblia , Xamanismo , Anjos , Demônios , Mitologia , Lilith , Tarot , Literatura , Filosofia , Mediunidade , Livre Arbítrio entre outros assuntos..

Assim como Sandman , Lúcifer teve 75 edições em 6 anos de 2000 até 2006.

Texto Sobre Neil Gaiman

 Texto Sobre Os Perpétuos de Sandman

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Outros Textos da Coluna de Quadrinhos

#Quadrinhos

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Contos de Fadas e as Crianças

“Nos verdadeiros contos de fada (como os dos Irmãos Grimm) há uma lei impecável: “a recompensa do bem e o castigo do mal”. Esta lei forma a base na alma infantil. Mais tarde, verificamos que surgiu, no íntimo do homem a faculdade de discernir entre o bem e o mal que nos dá uma clareza na consciência e nos ajuda nos momentos de decisão; trata-se de um profecia, solução de problemas, de mantermos no caminho certo da verdade, do bem, da compaixão, do sentimento nobre e muitos tesouros para a vida em comunidade.”

Muitos pais se perguntam se deve ou não contar contos de fadas para a criança. Os preocupa se lhe fará mal tal ou qual passagem horrenda, pois no conto se relatam acontecimentos cruéis que poderiam perturbar a inocência da criança. Muitas vezes pensando assim se decide eliminar tais contos. Em conseqüência, se priva a criança do melhor alimento para a alma, porque nos verdadeiros contos de antigamente estão contidos acontecimentos da alma, que têm suas raízes nas forças construtivas da humanidade. Os antigos sabiam disso e relatavam de forma tradicional os contos aos seus filhos. Dando-lhes vida aos contos de fadas ao relatá-los novamente, avivavam as crianças com a variedade dos acontecimentos narrados, avivando assim ao mesmo tempo suas próprias almas de adultos.

Uma boa narrativa comove ativamente a alma; dá asas aos sentimentos, ativa uma sã vontade e estimula a mente num entre jogos de pensamentos.

Com o conto de fadas bem narrado ativa-se e intensifica-se toda uma série de experiências na criança: passam por sua alma, uma atrás da outra, compaixão, crítica, tensão, alívio, tristeza, alegria, medo, coragem, etc.

Tais emoções não fazem mal à criança se a narrativa se constitui claramente de causa e efeito e prevalecer no final o sentido de justiça tão almejado pela criança que quer ver o mal sendo castigado e o bem recompensado. Fortalecendo assim na criança sua confiança no trunfo da bondade, fortifica-se também sua confiança na vida. Tudo isso estimula também as funções orgânicas e age benignamente. Contribui também a que aprenda a frear sua eventual inquietude e que não se perca nos anos posteriores num sentimentalismo barato por coisas superficiais.

Se conseguimos ainda, respeitando-a guiar sua vontade sem quebrá-la, dispor de forças suficientes para reparar (superar o grave, o sangrento, o cruel dos contos de fada sem impressionar-se mais do que o devido; e essa capacidade será transformada, mais tarde, numa fonte permanente de novas forças. (O Dr. Brun Bettlheim afirma que “os contos de fadas são a chave para ajudar as pessoas a desembaraçar os mistérios da realidade”).

Quanto mais a privamos destes contos de dragões e bruxas, etc, tanto mais fraca resultará sua alma de adulto. Mais tarde, quando as asperezas e as durezas da vida golpearem, lhe faltará o valor e a firmeza de haver aprendido através dos acontecimentos dos contos de fadas; seu comportamento será como um barco sem leme, açoitado pelas ondas da vida. Se os pais e os professores lhes proporcionaram esse “valor e coragem” destacados nos acontecimentos dos contos, se estas qualidades foram semeadas qual semente de força moral em sua alma, manejará o leme de sua sorte (destino) com a mão direita e segura, e estará preparado e armado contra as provas da vida, contra a intriga, o engano e o ódio, contra a sedução e o sofrimento.

Com o passar dos anos, quando ressurgem do fundo da alma as experiências obtidas de escutar com atenção os contos de fadas na nossa infância, as impressões que recebemos nos abrem e apresentam um aspecto bastante diferenciado; entendemos melhor seu conteúdo com a base adquirida na própria experiência; nos servem para dar-nos solidez interior e lucidez na crítica.

Nos verdadeiros contos de fada (como os dos Irmãos Grimm) há uma lei impecável: “a recompensa do bem e o castigo do mal”. Esta lei forma a base na alma infantil. Mais tarde, verificamos que surgiu, no íntimo do homem a faculdade de discernir entre o bem e o mal que nos dá uma clareza na consciência e nos ajuda nos momentos de decisão; trata-se de um profecia, solução de problemas, de mantermos no caminho certo da verdade, do bem, da compaixão, do sentimento nobre e muitos tesouros para a vida em comunidade.

As profundas impressões vividas na infância mantém sua força. Quando o príncipe circundado de luz vence o dragão, quando esse ia devorar a bela princesa, a criança se identifica com essa coragem triunfal que mais tarde, do fundo de seu ser surge e ajuda a trazer luz na escuridão da vida, impulsionada por essa recordação.

Por esta razão não devemos eliminar nenhum dos contos de fadas tradicionais. Gradualmente temos de contar os contos colecionados pelos Irmãos Grimm e Bechstein. Não devemos selecionar nem adaptar, abreviar ou trocar nada por “algo” que nos pareça melhor. Devemos começar com os contos simples e logo mais tarde aos 5 anos mais ou menos até os 6 continuar com alguns mais complicados, cheios de interessantes e emocionantes acontecimentos. São benfeitores, e mais tarde darão frutos como forças protetoras ante as vicissitudes e obstáculos que se apresentam no caminho da criança nos seus anos vindouros.

#Arte #Contos

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O Chapéu na Maçonaria

Por Kennyo Ismail

Qual a origem do chapéu na maçonaria, usado pelo Venerável Mestre nas reuniões de Aprendiz e Companheiro e por todos os Mestres nas reuniões de Mestre Maçom?

Uma das obras de José Castellani declara que herdamos o chapéu preto dos judeus ortodoxos, e que o chapéu em Loja é a “coroa maçônica”, influência da realeza européia, usada pelo Venerável como símbolo de sua posição de liderança.

Afinal de contas, herdamos dos judeus ou dos reis europeus? E os judeus ortodoxos, usam o chapéu preto porque se consideram reis? Não há como misturar uma coisa com a outra, chapéu de judeu com coroa de europeu. Mas Castellani e muitos outros irmãos tentaram.

Se herdamos o chapéu dos judeus ortodoxos, será que não deveríamos adotar também a circuncisão? Ou talvez as tranças nas orelhas e a barba longa?

Na verdade, o uso do chapéu na Maçonaria é praticamente inverso ao uso do chapéu pelos judeus! Os judeus utilizam o chapéu obrigatoriamente durante as orações e cerimônias religiosas, em sinal de temor a Deus. Já o maçom utiliza durante toda a reunião e retira o chapéu exatamente nos momentos de orações, em sinal de respeito! Dessa forma, fica claro que o uso do chapéu pelos maçons não tem nenhuma relação com o uso do chapéu pelos judeus ortodoxos, como pensava Castellani.

Já a teoria do chapéu ser um símbolo da “coroa maçônica”, influenciada pelo símbolo de liderança que distingue o rei dos demais, seria mais plausível, afinal de contas, o Venerável Mestre representa o Rei Salomão, não é mesmo? Porém, porque o Venerável não utilizaria uma verdadeira coroa em Loja? Uma coroa de louros, ou flores, ou de metal? Porque seria um chapéu preto de abas caídas (REAA) ou mesmo uma cartola (Rito de York)? E por que todos os Mestres usariam em reuniões de Mestre, se o representante do rei Salomão é apenas o Venerável?

Na Grécia Antiga o chapéu era símbolo de sabedoria e liberdade. O famoso escritor maçom Oliver comenta sobre o mesmo significado para os romanos, tendo sobrevivido na maçonaria desde as Guildas Romanas. Sua relação com a sabedoria permaneceu na Idade Média, como os chapéus dos magos denunciavam, os quais foram adaptados para cartolas pelos mágicos. O chapéu representa proteção. Se na prática o chapéu protege a cabeça do dono contra o sol, simbolicamente, o chapéu é como um elmo que confirma e protege a sabedoria que se encontra na cabeça do Venerável Mestre. Assim sendo, o chapéu do Venerável Mestre pode realmente ser interpretado como uma coroa representativa de sua autoridade. Porém, uma autoridade com base na Sabedoria, assim como a de Salomão. E é por serem detentores da sabedoria maçônica que todos os Mestres utilizam o chapéu nos ritos originados na França.

O costume do uso de chapéu pelo Venerável Mestre era um costume na maçonaria inglesa até a fusão que originou a Grande Loja Unida da Inglaterra. Após a fusão, os antigos costumes foram “reformulados” para agradar ambas as partes, e a tradição do chapéu simplesmente foi descartada. O único ritual na Inglaterra que mantém o uso do chapéu pelo Venerável Mestre é o Bristol. Mas por uma ironia do destino, essa tradição permaneceu viva nos EUA. E os ritos de origem francesa também mantiveram esse antigo costume, tão presente no Brasil.

#Maçonaria

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Podcast Mayhem – 13 – Os Quatro Elementos da Magia

Neste Podcast, Frater Qos, Soror Tiamat, Marcelo Del Debbio e Rodrigo Grola conversam sobre os Quatro Elementos tradicionais do Hermetismo: Terra, Fogo, Água e Ar. O que são? qual sua origem simbólica? o que representam? quais as classificações dos elementos nas diversas vertentes? Existem variações sobre quais as atribuições de cada elemento na ritualística? aproveitamos o bate papo para falar um pouco sobre as ferramentas magísticas de cada Elemento e sobre o altar pessoal, um dos mais importantes instrumentos de um mago.

Podcast do Projeto Mayhem

E aproveite para escutar os outros 12 episódios também!

Faça parte do Projeto Mayhem!

#MagiaPrática #Podcast

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E não pisquem os olhos!

Dizem que os alquimistas queriam transformar chumbo em ouro. Há um certo mistério nesta transformação: segundo Lavoisier, “na Natureza nada se perde ou se cria, apenas se transforma”; então, poderíamos pensar, como diabos uma substância se torna outra?

Do que, afinal, é feita a Natureza? O que forma a realidade (ou o que conseguimos perceber da realidade)?

Segundo Aristóteles, a realidade nada mais é do que uma relação entre substância e estrutura. Para ele, nada existe que não seja uma combinação entre elas. A substância sem estrutura é o caos (o que, no pensamento grego, equivalia ao “nada” de onde surgiu o mundo); já a estrutura sem substância é mero fantasma do ser… Mas será mesmo?

Normalmente se diz que um espiritualista crê em “espíritos e coisas imateriais”, enquanto que um cientista materialista crê “somente na matéria”. Quando analisamos sob este ponto de vista, fica parecendo que os primeiros creem em coisas etéreas, e que os últimos creem em coisas sólidas. Entranho de pensar: foi exatamente a ciência moderna que minou completamente toda e qualquer ideia de “solidez da matéria”.

Hoje se sabe que num simples aperto de mão, se alguma parte de nossos átomos realmente se chocasse com os átomos de quem cumprimentamos educadamente, teríamos um drástico incidente nuclear do qual certamente não escaparíamos com vida. No fim das contas, somos formados por pequenos pedaços flutuantes de matéria que em realidade estão simplesmente “flutuando por aí”. A única coisa que os mantém juntos é a estrutura determinada pelas leis naturais… Mas, e quanto a substância?

Em 1844, Michael Faraday, observando que a matéria só podia ser reconhecida pelas forças que atuam sobre ela, indagou-se: “Que razão teríamos para supor que ela realmente existe?” [1]

No início do século XX a física descobriu que os próprios átomos, até então verdadeiros “arautos da solidez intrínseca da realidade”, eram, em essência, espaço vazio. Não muito tempo depois a mecânica quântica revelou ante a cientistas extremamente espantados que os constituintes subatômicos – elétrons, prótons e nêutrons, que formam os átomos – se comportavam mais como aglomerados de propriedades abstratas do que como usualmente são vislumbrados por nós leigos: pequeníssimas bolas de bilhar.

A cada nova casca da realidade desvelada pela ciência ficava mais claro que a cebola cósmica era formada por pura estrutura, enquanto que a substância em si foi se tornando cada vez mais teórica e cada vez menos empírica e observável. Segundo a teoria das cordas, a matéria poderia ser formada praticamente por pura geometria – mas uma “geometria” que tampouco pode ser detectada atualmente.

Em seu nível mais fundamental, a ciência descreve os elementos da realidade de um ponto de vista puramente relacional e estrutural, ignorando, em realidade, se existe ou não uma substância no final das contas. Ela pode nos dizer, por exemplo, que um elétron tem certa massa e certa carga, mas tudo o que isto nos informa é que o elétron tem a propensão de sofrer a ação de outras partículas e forças naturais de determinadas maneiras. Ela pode nos dizer que a massa equivale a energia, mas não nos informa efetivamente o que diabos é a energia senão uma quantidade numérica que, calculada da forma correta, se conserva igual através de todos os processos físicos do universo.

Conforme observou o filósofo Bertrand Russell em Análise da matéria (1927), “as entidades que constituem o mundo físico são como peças num jogo de xadrez: o importante é o papel de cada peça num sistema de regras que determinam como ela pode se mover, e não do que é feita tal peça”.

Talvez tenha sido John Wheeler, um físico americano, quem melhor descreveu a essência da realidade: uma cadeia estrutural de pura informação. Para se explicar melhor, ele cunhou a expressão “o it que vem do bit”. Em suas palavras: “Cada it – cada partícula, cada campo de força e até mesmo o próprio continuum espaço-tempo – deriva inteiramente sua função, seu significado, sua própria existência – mesmo que em alguns contextos indiretamente – de respostas induzidas por equipamento a perguntas sim ou não, escolhas binárias, bits. O it que vem do bit simboliza a ideia de que cada item do mundo físico tem no fundo – bem no fundo, na maioria dos casos – uma fonte e uma explicação imateriais; que aquilo que chamamos de realidade vem em última análise da colocação de perguntas sim-não, e do registro de respostas evocadas por equipamento; em resumo, que todas as coisas físicas são informacional-teóricas na origem.” [2]

Mas se as mentes mais racionais e científicas de nossa história recente nos dizem que em sua essência a realidade não passa se um fluxo de estruturas em constante mutação, sem qualquer substância subjacente, onde exatamente se encontra a antiga solidez do materialismo clássico? Onde existe, afinal, alguma substância?

Ora, a despeito de toda a metafísica presente na física moderna, há ainda uma parte do universo em que a sua explicação para a realidade ainda não penetra inteiramente: algo que se situa, ao menos em teoria, bem entre as nossas orelhas…

Para que a realidade pudesse ser explicada somente em termos de informação, seria necessário que nossa consciência e nossa subjetividade também o fossem. Dizem que os cientistas da computação estão muito próximos de criar simulações computacionais de processos mentais complexos, como “sentir dor com uma martelada no dedão” ou “sentir prazer com a vermelhidão e o perfume de uma rosa”. O filósofo John Searle, entretanto, se pergunta “porque alguém na plena possa de suas faculdades racionais suporia que uma simulação de processos mentais em computador de fato tivesse processos mentais?”.

Esta é uma longa discussão, mas o que sabemos atualmente é que a consciência e a subjetividade humanas permanecem absolutamente misteriosas, além do alcance da linguagem e de uma descrição puramente informacional… A consciência não se limita ao mero processamento de informações, a mera computação. Há algo mais, algo que utilizamos principalmente na leitura de poesia ou na contemplação de grandes peças de teatro, obras de arte, shows musicais ou, simplesmente, na observação de um jardim: a interpretação da Natureza.

Se o mundo não pode ser descrito somente por este ponto de vista absolutamente abstrato e metafísico da ciência moderna, há que se buscar onde há exatamente uma substância “palpável” por detrás de tanta teoria.

Ora, se em toda a vasta quantidade de informação do universo tudo o que se encontrou foi estrutura, é possível que a substância esteja, afinal, na própria mente que observa toda essa imensidão estrutural. Neste caso, é possível que toda a realidade – subjetiva e objetiva – seja constituída da mesma substância básica. Parece uma hipótese simples e atraente, além de maluca… Foi exatamente a esta hipótese que Bertrand Russell chegou em sua Análise da matéria. O mesmo disse Arthur Eddington (outro “Sir”) em The Nature of the Physical World (1928): “a substância do mundo é uma substância mental”.

É precisamente neste ponto que grandes cientistas e filósofos da modernidade se alinham novamente com o misticismo antigo, muito antigo, ainda que muitos sequer se deem conta disso.

Há milhares de anos houve um homem (ou talvez um mito, ou quem sabe um deus, o que neste caso não faz tanta diferença), chamado Hermes Trimegisto, que disse que “o Todo é mental”. Não foi a única coisa que disse que casa perfeitamente com a ciência moderna. Segundo ele, “o que está em cima é como o que está embaixo” – querendo dizer que as leis que regem o que está no alto do céu eram as mesmas que regem o que está aqui no solo onde pisamos; e “tudo vibra, nada está parado” – querendo dizer que, a despeito do que nossos sentidos nos dizem a todo momento, não há um só pedaço do seu corpo que esteja realmente parado no mesmo lugar. Quantos chutes e quantos acertos para Hermes, não?

A lição que parece restar disto tudo é que não importa, no final das contas, se queremos descrever a realidade através da filosofia de Aristóteles, da física de partículas aliada a mecânica quântica, ou do hermetismo antigo. O que importa é que estamos tentando descrever o que temos contemplado, espantados, há muitas e muitas eras. Que existe aí alguma substância, seja onde for, e ela não é o Nada, pois não existe o Nada.

Dizem os teístas que Deus criou o mundo à partir do Nada. Mas isto não é possível, nem mesmo para Deus – no fim, uma substância jamais se tornou outra, e Deus sempre foi o mesmo. Nunca houve a possibilidade da existência do Nada, nunca houve “0”, apenas “1”. Flutuações quânticas no vácuo não são o Nada; o tecido espaço-temporal ou o campo de Higgs não são o Nada; mesmo um espaço perfeitamente vazio, exatamente por estar “vazio” e “poder ser preenchido” não é o Nada. Não importa se ainda tateamos em meio a névoa metafísica de um universo puramente informacional onde catalogamos e computamos estrutura, sem jamais chegar a capturar qualquer substância: o fato é que existe Algo, e não Nada.

Seremos capazes de, algum dia, com toda nossa filosofia, ciência e espiritualidade, completar este tortuoso caminho de religação a esta tal substância? Seremos capazes de algum dia abrir os olhos e ver não os fótons de luz que refletem a estrutura da realidade, mas ver efetivamente a substância que faz com que ela exista?

Seja como for, neste dia, neste momento dourado, estejam atentos e não pisquem os olhos… Contemplem a substância que sempre aí esteve, que sempre existiu, estruturada de maneiras inefáveis e infinitas, dando forma a toda a vastidão informacional do Cosmos através de todo espaço e todo tempo… Contemplem com os olhos da alma, seja ela o que for…

E não pisquem os olhos!

***
[1] Esta e outras citações deste artigo foram retiradas de Por que o mundo existe?, de Jim Holt (Ed. Intrínseca).
[2] Citado em O universo inteligente, de James Gardner (Ed. Pensamento). O livro de Wheeler, de onde foi extraída a citação, é intitulado At home in the universe.

Um bit de informação equivale a menor unidade computacional que pode ser medida, ela pode assumir somente dois valores, tais como “0” ou “1”, “verdadeiro” ou “falso”, etc. Não confundir com bytes, que são conjuntos de bits (normalmente, 8 bits).

Crédito da foto: ever-look

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#físicaquântica #Filosofia #hermetismo #consciência #Ciência #física

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Caronte – Auto da Barca do Inferno

Publicado no S&H dia 17/jul/2008

There Chairon stands,
who rules the dreary coast –
A sordid god: down from his hairy chin
A length of beard descends,
uncombed, unclean;
His eyes, like hollow furnaces on fire;
A girdle, foul with grease,
binds his obscene attire

Dando continuidade ao quinto e último Psycopompo (Deus condutor das almas nos textos da Grécia Antiga), falarei brevemente sobre Caronte, o condutor das almas. Para quem pegou o barco andando, os outros quatro deuses que possuem livre trânsito no Reino Subterrâneo de Hades e representam interações do Plano Material com o Astral são: Thanatos, Hecate, Hermes e Morpheus.

Começarei esta matéria com um texto de um colega chamado Fernando Kitzinger, sobre a figura mitológica de Caronte.

Os gregos e romanos da antiguidade acreditavam que essa era uma barca pequena na qual as almas faziam a travessia do Aqueronte, um rio de águas turbilhonantes que delimitava a região infernal. O nome desse rio veio de um dos filhos do Sol e da Terra, que por ter fornecido água aos titãs, inimigos de Zeus (Júpiter), foi por ele transformado em rio infernal. As suas águas negras e salobras corriam sob a terra em grande parte do seu percurso, donde o nome de rio do inferno, que também lhe davam.

Caronte era um barqueiro velho e esquálido, mas forte e vigoroso, que tinha como função atravessar as almas dos mortos para o outro lado do rio. Porém, só transportava as dos que tinham tido seus corpos devidamente sepultados e cobrava pela travessia, daí o costume de se colocar uma moeda na boca dos defuntos. Segundo o mitólogo Thomas Bulfinch, ele “recebia em seu barco pessoas de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto as folhas do outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. Todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, mas o severo barqueiro somente levava aqueles que escolhia, empurrando o restante para trás”.

Segundo a lenda, o barqueiro concordava apenas com o embarque das almas para as quais os vivos haviam celebrado as devidas cerimônias fúnebres, enquanto as demais, cujos corpos não haviam sido convenientemente sepultados, não podiam atravessar o rio, pois estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante cem anos, para cima e para baixo, até que depois de decorrido esse tempo elas finalmente pudessem ser levadas.

A região onde o poeta latino Virgílio (70 -19 a.C.) situa a entrada da caverna que leva às regiões infernais, é um trecho vulcânico perto do vulcão Vesúvio, na Itália, todo cortado de fendas por onde escapam chamas impregnadas de enxofre, enquanto do solo se desprendem vapores e se levantam ruídos misteriosos vindos das entranhas da terra. Por outro lado, o rio Aqueronte, que desaguava no mar Jônio, tinha suas nascentes localizadas no pântano de Aquerusa, charco próximo a uma das aberturas que os antigos acreditavam conduzir aos infernos.

Também chamado Barqueiro dos Mortos ou Barqueiro dos Infernos, Caronte não é mencionado nem por Hesíodo nem por Homero, mas as referências que os mitólogos fazem a seu respeito geralmente o apresentam como um deus idoso, mas imortal, de olhos vivos, o rosto majestoso e severo; sua barba é branca, longa e espessa, e suas vestes são de uma cor sombria, porque manchadas do negro limo dos rios infernais. A representação mais comum que os pintores antigos dele fizeram, é de pé sobre a sua barca, segurando o remo com as duas mãos. Um mortal nela não podia entrar, a não ser que tivesse como salvo-conduto um ramo de acácia de uma árvore fatídica consagrada a Proserpina, divindade que raptada por Plutão, tornou-se rainha das regiões das sombras. A Sibila (profetisa) de Cumas deu um desses ramos a Enéias, herói lendário, quando este quis descer aos infernos para rever seu pai. Pretende-se que Caronte foi punido e exilado durante um ano nas profundezas do Tártaro, por ter dado passagem a Hércules na sua barca, sem que esse herói tivesse o magnífico e precioso ramo em seu poder.

O estudo das sepulturas gregas do século IV a.C. revela a existência de uma crença na vida além túmulo. As pinturas nos vasos mortuários mostram os vivos voltando ao túmulo para enfeitar a lápide com fitas, untá-la de óleo ou então para depositar oferendas como frutas, vasinhos de argila, coroas de louros. Algumas vezes os vivos estão conversando com o morto, enquanto este toca algum instrumento distraidamente. Estes vasos pintados mostram ainda a famosa barca de Caronte, divindade encarregada de transportar para o mundo subterrâneo as almas daqueles que já haviam morrido.

Caronte representa as Viagens Astrais ou Projeção da Consciência, a quinta maneira de interação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.
Projeção da Consciência é a capacidade que todo ser humano tem de projetar a sua consciência para fora do corpo físico. Essa experiência tem recebido diversas nomenclaturas, dependendo da doutrina ou corrente de pensamento que a mencione: Viagem Astral (Esoterismo), Projeção Astral (Teosofia), Experiência Fora do Corpo (Parapsicologia), Desdobramento, Desprendimento Espiritual ou Emancipação da Alma (Espiritismo), Viagem da Alma (Eckancar), Projeção do Corpo Psíquico ou Emocional (Rosacruz), Projeção da Consciência (Projeciologia), etc.
É sabido, desde a mais remota antigüidade, que a “Experiência Fora do corpo ” é um fato, envolvendo técnicas nítidas de cunho científico. Porém, devido ao desconhecimento sobre o assunto, grupos desinformados geraram fantasias sobre os “perigos” que envolveriam o processo, aliás inexistentes.

Desse desconhecimento advieram reservas e idéias errôneas, ficando o assunto restrito à uma minoria com pseudo controle e domínio de suas técnicas e conseqüências. Hoje, a “Projeciologia” insere-se na Parapsicologia como ciência adstrita, digna do maior crédito, contando com pesquisadores de vulto como Wagner Borges, Waldo Vieira, Sylvan Muldoon, Hereward Carington, Robert A. Monroe, entre tantos outros nacionais e internacionais, em vasta bibliografia.

A viagem astral (projeção astral ou projeção da consciência) consiste na exteriorização da consciência para fora do corpo físico ou definindo de outra forma, sair do corpo físico utilizando com veículo da consciência, o perispírito ou Duplo-Etérico.
Durante a noite, todos nós passamos, conscientemente ou não, por esta experiência. Dormir é necessário não somente para restaurar a vitalidade física como também para restaurar a vitalidade do corpo astral. O sono representa a desunião dos corpos astral e físico com a finalidade de “liberar” o duplo ou corpo astral, de modo que ele possa coletar energia e vitalidade de fontes astrais. Todos nós, quando dormimos, deixamos os nossos casulos físicos, e saímos em nossos corpos astrais . Os sinais e sensações desta saída do corpo você talvez já conheça. Uma sensação de entorpecimento, sensação de vibrações pelo corpo, ruídos estranhos que você escuta na hora de dormir, sensação de flutuar ou de aumento corporal. Lembra daquela sensação de queda que te acordou de repente, como se estivesse escorregando na cama? Quem ainda não teve o sonho vívido de voar? Quem de nós alguma vez já não sonhou que via um amigo distante, e logo depois recebia notícias suas, um telefonema ou uma carta do mesmo, que “coincidentemente” se lembrara de nós naquela mesma ocasião?
Será que você mesmo não se lembra daquela experiência aterradora em que se sentiu paralisado e pensou que havia morrido?

Estes são apenas uns poucos exemplos de fenômenos que estão ligados à Viagem Astral. Trata-se de um fenômeno absolutamente natural, que faz parte das capacidades inerentes a todo ser humano. Se você quiser também pode aprender a fazer viagens astrais conscientes.

Viagem Astral e Mitologia
A viagem astral é conhecida desde o início da nossa história. Ela faz parte da mitologia de muitas sociedades primitivas e relatos da mesma podem ser encontrados em todas as formações sociais. Provavelmente devido à perseguição religiosa, manteve-se oculta durante a Idade Média, sendo estudada e pesquisada em sociedades secretas, quadro que se manteve até o século XIX. Foi só em 1905 que, com a divulgação das projeções conscientes de Vincent Newton Turvey, na Inglaterra, pôde a viagem astral vir à público e se tornar matéria de estudos por pesquisadores do mundo inteiro. Mesmo assim ainda permanece muita ilusão à respeito do tema. Há quem pense que a capacidade de sair conscientemente do corpo seja uma capacidade restrita a seres altamente espiritualizados. Felizmente, nos dias atuais, o estudo da projeção astral não mais se restringe à nenhuma religião ou crença. Em qualquer livraria encontramos centenas de títulos dedicados ao tema (infelizmente a maioria lixo), mas a sua discussão pública tem permitido que um número cada vez maior de pessoas desenvolvam suas capacidades anímicas para realizá-la.

Psicossoma ou Duplo-Etérico
O Duplo-Etérico pode ser definido como contraparte extrafísica do corpo físico, ao qual se assemelha e com o qual coincide minuciosamente, parte por parte. É uma réplica exata do corpo físico em toda a sua estrutura. O Duplo-Etérico é constituído de matéria astral, que vibra numa freqüência mais sutil e é infinitamente mais refinada do que a matéria física que constitui o corpo físico. É normalmente invisível e intangível ao olhar e toque físicos. O Duplo-Etérico coincide com o corpo físico durante as horas em que a consciência está totalmente desperta. Mas, no sono, os laços que mantêm os veículos de manifestação unidos se afrouxam e o Duplo-Etérico se destaca do corpo físico. Essa separação é que constitui o fenômeno da projeção astral.
Normalmente, o Duplo-Etérico, quando projetado além do físico, mantém a forma daquele corpo, de modo que o projetor é facilmente reconhecido por aqueles que o conhecem fisicamente. Ele também é denominado de corpo astral, perispírito, duplo astral, corpo fluídico, etc.
O Duplo-Etérico é ligado ao corpo físico por um apêndice energético conhecido como cordão de prata.

Cordão de Prata
O Duplo-Etérico é ligado ao corpo físico por um apêndice energético conhecido como cordão de prata, através do qual é transmitida a energia vital para o corpo físico, abandonado durante a projeção. Em contrapartida, o cordão de prata também conduz energia do corpo físico para o Duplo-Etérico, criando um circuito energético de ida-e-volta. Esse interfluxo energético mantém os dois veículos de manifestação em relação direta, independentemente da distância em que o Duplo-Etérico estiver projetado. Enquanto os dois corpos estão próximos, o cordão é como um cabo grosso. À medida que o Duplo-Etérico se afasta das imediações do corpo físico, o cordão torna-se cada vez mais fino e sutil.
O cordão de prata também tem recebido diversas denominações: cordão astral, cordão fluídico, fio de prata, teia de prata, cordão luminoso, cordão vital, cordão energético, etc.
Um dos medos básicos do iniciante é o de que o cordão energético venha a se partir durante a projeção, acarretando, assim, a morte do corpo físico. Tal medo é infundado, pois isso não acontece. Por mais longe que o projetor estiver, o cordão de prata sempre o trará de volta para dentro do corpo físico. Também é impossível o projetor se perder fora do corpo ou não querer voltar ao físico. Para voltar, basta pensar firmemente no seu corpo físico e o retorno se dará automaticamente. É nesse instante que muitos projetores têm a sensação de queda e acordam assustados no corpo físico. É o famoso “sonhar que está caindo” que todos vocês já devem ter experimentado alguma vez.

O cordão de prata é um feixe de energias, um emaranhado de filamentos energéticos interligados. Quando ocorre a projeção, esses filamentos energéticos, que estavam embutidos em toda a extensão do corpo físico, projetam-se simultaneamente de todas as partes dele e se reúnem, formando o cordão de prata. Os principais filamentos energéticos são aqueles que partem da área da cabeça.

Como acontece
A Projeção pode ser involuntária ou voluntária.
Na projeção involuntária, a pessoa sai do corpo sem querer e não entende como isso aconteceu. Geralmente, a pessoa se deita e adormece normalmente. Quando desperta, descobre que está flutuando fora do corpo físico na proximidade deste ou à distância, em locais conhecidos ou desconhecidos. Em alguns casos, a projeção ocorre antes mesmo da pessoa adormecer. Na maioria das projeções involuntárias, a pessoa projetada observa seu corpo físico deitado na cama e fica assustada, imaginando que está desencarnada. Alguns projetores ficam tão desesperados que mergulham no corpo físico violentamente na ânsia de escapar daquela situação estranha. Outros pensam que estão vivendo um pesadelo e procuram, desesperadamente, acordar seu corpo físico. Entretanto, outras pessoas que se projetam involuntariamente se sentem tão bem nessa situação que nem se questionam sobre que fato é aquele, como ocorreu e porquê. A sensação de liberdade e flutuação é tão boa que nada mais importa para elas. Ao despertar no corpo físico, algumas imaginam que aquela vivência era um sonho bom. Muitos sonhos de vôo e de queda estão relacionados diretamente com a movimentação do Duplo-Etérico durante a projeção.
Existem as projeções voluntárias, nas quais a pessoa tenta sair do corpo pela vontade e consegue. Nesse caso, o projetor comanda o desenvolvimento da experiência e está totalmente consciente fora do corpo; pode observar seu corpo físico com tranqüilidade; viajar à vontade para lugares diferentes no plano físico ou extrafísico; encontrar com outros projetores ou com entidades desencarnadas. Pode voar e atravessar objetos físicos, entrando no corpo físico à hora que desejar.
Na projeção voluntária, a pessoa tem pleno conhecimento do que ocorre e procura desenvolver o processo à sua vontade. Na projeção involuntária, a pessoa não tem conhecimento do que ocorre e, por isso, tem medo da experiência. Esse medo está na razão direta da falta de conhecimento das pessoas sobre o fato em questão.

Sintomas
Ocasionalmente, o projetor pode sentir uma paralisia dos seus veículos de manifestação, principalmente dentro da faixa de atividade do cordão de prata. Essa paralisia é chamada de catalepsia projetiva ou astral. Não deve ser confundida com a catalepsia patológica, que é uma doença rara. Catalepsia projetiva pode ocorrer tanto antes quanto após a projeção.
Geralmente, ela acontece da seguinte maneira: a pessoa desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que uma força invisível lhe tolhe os movimentos. Desesperada, ela tenta gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado.
Alguns criam fantasias subconscientes imaginando que um espírito lhe dominou e tolheu seus movimentos. Essa catalepsia é benigna e pode produzir a projeção se a pessoa ficar calma e pensar em flutuar acima do corpo físico. Ela não apresenta nenhum risco, pelo contrário, é totalmente inofensiva. Portanto, se você se encontrar nessa situação em uma noite qualquer, não tente se mover. Fique calmo e pense firmemente em sair do corpo e flutuar acima dele.
Não tenha medo nem ansiedade e a projeção se realizará. Caso não pretenda se arriscar e deseje recuperar o controle de seu corpo físico, basta tentar com muita calma mover um dedo da mão ou uma pálpebra, que imediatamente, readquirirá o movimento. Além da catalepsia projetiva, podem ocorrer pequenas repercussões físicas no início da projeção, principalmente nos membros. Muitas pessoas, quando estão começando a adormecer, têm a sensação de estar “escorregando ” ou caindo por um buraco e despertam sobressaltadas. Isso ” acontece devido a uma pequena movimentação do Duplo-Etérico no interior do corpo físico.

Estado vibracional
São vibrações intensas que percorrem o Duplo-Etérico e o corpo físico antes da projeção. Algumas vezes, essas vibrações se intensificam e formam anéis energéticos que envolvem os dois corpos. Ocasionalmente, o estado vibracional pode produzir uma espécie de zumbido ou ruído estridente que incomoda o projetor. Na verdade, essas vibrações são causadas pela aceleração das partículas energéticas do Duplo-Etérico, criando assim um circuito fechado de energias. Essas energias são totalmente inofensivas e têm como finalidade a separação dos dois corpos.

Tipos de Projeção
PROJEÇÃO CONSCIENTE – É aquela na qual o projetor sai do corpo e mantém a sua consciência lúcida durante todo o transcurso da experiência extra-corpórea.
PROJEÇÃO SEMICONSCIENTE – É aquela na qual a lucidez da consciência é irregular e o projetor fica sonhando fora do corpo, totalmente iludido pelas idéias oníricas.
PROJEÇÃO INCONSCIENTE – É aquela na qual o projetor sai do corpo totalmente inconsciente. É um sonâmbulo extrafísico. Infelizmente, a maioria dos encarnados está nessa situação. Em toda a projeção, os amparadores estão presentes assistindo e orientando o projetor, mesmo que ele não os perceba. Na maioria das vezes, eles ficam invisíveis e intangíveis ao projetor. A projeção em que o amparador ajuda o projetor a sair do corpo é denominada de Projeção Assistida.
PROJEÇÃO E SONHO – Muitas pessoas confundem projeção com sonho. Outras confundem sonho com projeção. As diferenças entre sonho e projeção são bem óbvias:
* No sonho, a consciência não tem domínio sobre aquilo que está vivenciando. É totalmente dominada pelo onirismo.
* Na projeção, a consciência tem pleno domínio sobre si mesma.
* No sonho, não há coerência.
* Na projeção, a consciência mantém o seu padrão normal de coerência, ou até mais ampliado.
* No sonho, a capacidade mental é reduzida.
* Na projeção, a capacidade mental é ampliada.

Benefícios da Projeção
* O projetor, fora do corpo, observa eventos físicos e extrafísicos, independentemente do concurso dos seus sentidos físicos.
* Nas horas em que o seu corpo físico está adormecido, o projetor observa, trabalha, participa e aprende fora do corpo.
* O projetor constata, através da experiência pessoal, a realidade do mundo espiritual.
* Pode encontrar com espíritos desencarnados, comprovando assim, para si mesmo, “in loco”, a sobrevivência da consciência além da morte.
* Pode substituir a crença pelo conhecimento direto, através da experiência pessoal.
* Pode ter a retrocognição extrafísica, isto é, lembrando de suas vidas anteriores e comprovando, realmente, por si mesmo, a existência da reencarnação.
* Pode prestar assistência extrafísica através de exteriorização de energias fora do corpo, para doentes desencarnados e encarnados.
* Pode fazer a desobsessão extrafísica.
* Pode encontrar com pessoas amadas fora do corpo.
* Pode adquirir conhecimentos, diretamente, com amparadores fora do corpo.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/caronte-auto-da-barca-do-inferno

Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento

O Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento (CECP) é a primeira ordem esotérica estabelecida no Brasil, cujo propósito é estudar as forças ocultas da natureza e do homem e promover o despertar das energias criadoras latentes no pensamento humano. Desde sua fundação, a Entidade adotou como lema os princípios de Harmonia, Amor, Verdade e Justiça. Esses potentes ideais constituem as quatro colunas mestras que sustentam a filosofia de nossa Ordem e objetivam constituir a tônica de suas atividades.

Seguindo as normas traçadas desde a sua fundação, o Círculo Esotérico compõe-se de filiados sem qualquer discriminação de raça, credo, cor ou nacionalidade, os quais acham-se espalhados pelos mais diversos rincões de nosso país e do estrangeiro, e em grande parte agrupados em Centros de Irradiação Mental, ou Tattwas, sediados nas principais cidades do pai, todos se propugnando os mesmos ideais. Os seus associados se reúnem em obediência ao Ritual do Círculo, em sessões exotéricas todas as segundas-feiras e em sessões e em sessões esotéricas todo dia 27 de cada mês.

Da mensagem inicial que o patrono-fundador da Ordem dirigiu a todos os sócios e esoteristas cumpre destacar as seguintes palavras salutares:

“ Sendo o homem alguma coisa mais do que um simples animal que traja roupas, ele não é um joguete da causalidade, mas uma potência; é o criador e o destruidor da casualidade. Por meio de sua energia interior, o homem vencerá a indolência e entrará no Reino da Sabedoria. Então ele sentirá amor por tudo quanto vive e se constituirá num poder inexaurível para o bem de seu próximo. Oferecemos a energia que liberta a mente da ignorância, do preconceito e do erro.Queremos incutir valor para que se busque a verdade de todos os modos; amor pelo socorro mútuo; paz que sempre chega à mente iluminada e ao coração aberto, e a consciência de uma vida imortal”

O Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento:

Antonio Olívio Rodrigues, o idealizador e fundador do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, nasceu em Portugal a 7 de outubro de 1879, de origem humilde veio para o Brasil em 1890, quando tinha apenas 11 anos de idade. Trabalhando em várias profissões humildes com baixos salários, dedicava as poucas horas livres para melhorar seu grau de instrução escolar e também dedicava-se ao estudo do espiritualismo, magnetismo, astronomia, filosofia, etc.

Em 1902, com 23 anos, já havia constituído família. Uma certa noite, descansava após um dia de trabalho quando de súbito aflorou na mente uma luminosa inspirada em seus estudos espirituais. A princípio era apenas uma tímida idéia, mas ela foi crescendo e tornando-se cada vez mais nítida e consciente.

Nesta época as pesquisas psíquicas haviam acendido na França e em meados do século XIX irradiava seus clarões por toda Europa e América. As notáveis conferências pronunciadas pelo grande Vivekananda e por outros luminares no congresso das Religiões realizado em Chicago em 1893, a par das obras ocultistas de H.P.Blavatsky divulgadas desde 1877, foram logo traduzidas para o espanhol, o que as tornou mais acessíveis a A.O.R (Antonio Olívio Rodrigues) e outros estudiosos e pesquisadores.

PATRONOS:

Antonio Olívio Rodrigues, Prentice Mulford, Swami Vivekananda e Eliphas Levi.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/c%C3%ADrculo-esot%C3%A9rico-da-comunh%C3%A3o-do-pensamento

Oferendas nas Encruzilhadas para os Escravos Fugitivos é história para boi dormir.

Por Marcelino Conti.
Antropólogo UFF

Em meios aos ataques de racismo religioso, (as centenas de casos de intolerância somada as centenas de leis municipais equiparando as oferendas como lixo, e a tentativa de criminalizar o sacrifício de animais em rituais das religiões de matriz africana) surge a estória pra boi dormir: a “macumba” surgiu das oferendas deixadas nas encruzilhadas para que os escravos fugitivos pudessem se alimentar para aguentarem a fuga.

Como a estória esta mal contada ela começa dizendo que um “Professor Leandro”, que ninguém sabe o sobrenome, foi quem contou a grande novidade histórica, demonstrando total desconhecimento de coisas básicas das religiões de Matriz Africana.
O Candomblé, umbanda, batuque, tambor de mina, e todas as outras ricas em diversidade, com uma variedade de ritos e denominações locais, combinadas com a tradição africana da qual procedem, que não podem ser generalizadas como “macumba”.

O termo Macumba, originariamente dá nome a uma espécie de árvore africana e também um instrumento musical utilizado em cerimônias de religiões afro-brasileiras. Na primeira metade do século 20, as igrejas cristãs e em especial as neopentecostais numa estratégia de desqualificar essas religiões que consideravam profana, começaram a chama-las genericamente de macumba como uma forma pejorativa.

Dentro desta mesma lógica, os despachos( trabalhos, ebós) na encruzilhada ganharam fama de “macumba” porque são uma das expressões mais visíveis dessas religiões fora dos templos, ilês, terreiros e roças.

As oferendas de acordo com a “estória” contada é profana, nada tem de axé, nada tem de santo, são homens dando comidas pra outros homens. tenta apagar a HISTORIA que esses negros africanos expatriados, oriundos de diversos pontos da África, faziam parte dos de nações, possuíam culturas e língua propria , além, claro, das suas divindades e formas de culto, e que trouxeram as suas crenças, as suas praticas religiosas e as receitas das oferendas, bem como os lugares que estas deveriam ser oferecidas aos orixás.

A natureza sempre foi o local para as oferendas, as matas, florestas, cachoeira, rio, lagoa e praias, os saberes trazidos de África , associava cada um dos orixás a um local, uma cor, um dia da semana e determinados tipos de comida.

As oferendas nos caminhos e nas encruzilhadas, portanto nada tem haver com as fugas de negros, esses lugares representam simbolicamente a passagem entre dois mundos. O ponto de encontro entre o Profano e Sagrado, é um espaço de liminaridade, onde não se é uma coisa e nem outra, é o encontro das partes, o inicio e o fim no mesmo ponto.

Essa estória da carochinha, tem motivos subliminares, destaco um dentre outros, nos fazer acreditar que as oferendas foram criadas por um motivo profano, hoje como não existem mais fugitivos, poderemos trata-las como lixo, criminaliza-las ficará mais fácil.
Continuenos a reverenciar aos nossos ancentrais e a nos ‘religare’ com os nossos orixas.
ASÈ

#Fraudes #Umbanda

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Magia Branca e Magia Negra

Euclydes Lacerda de Almeida – “Coletânea Thelêmica”, Ed. Bhavani

”Magia não produz milagres e nem promete ‘salvação’. A Magia também não funciona para ajuda-lo a conquistar a mulher do próximo, ou fazer chover, ou dar demonstrações circenses, como quebrar copos à distância ou dominar pessoas mentalmente. Nós nada temos a ver com aqueles que querem conquistar a mulher do próximo, ou o marido da próxima. Existem outros meios bem mais eficazes para estas coisas mundanas do que o uso da Sagrada Magia – meios muito mais eficientes e não “ocultos”. Tudo isto, para nós, está classificado como Magia Negra, e da pior espécie, diga-se de passagem….

Como nos informa Crowley: “Todo ato mágico, não direcionado ao Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, é Magia Negra”

A magia é, como toda Ciência e Arte, totalmente avessa à considerações “misticoides”, “religiosas”, “pessoais”, e “teológicas”. Ela nem é demoníaca e, muito menos pode ser vista como intocável pela “impureza humana”. Primeiro porque nós não somos tão impuros como nos querem fazer crer que o somos; segundo, ela é tão demoníaca quanto o é a psicologia, ou a química, ou a medicina. Magia é simplesmente Ciência e Arte através da qual o homem atinge certos níveis de consciência e percepção de Si Mesmo e do Universo em que tem Seu Ser. Ou, como diz Aleister Crowley: “a Ciência e Arte de causar Mudança de acôrdo com a Vontade”. Entender esta frase em toda sua extensão e profundidade é obter a Chave da Magia”

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