Iniciação à Magia Sexual Gay

Os homossexuais são um destes grupos que ainda tem a sorte de serem rejeitados por praticamente todas as religiões organizadas do mundo. Seja você hindu, cristão ou muçulmano, se você for gay os sacerdotes tem sempre um lugar reservado para você. Em geral, este lugar parece muito com o inferno cristão.

Por isse motivo é tão comum que gays e lésbicas desde muito cedo se aventurem nos caminhos espirituais alternativos que o ocultismo oferece. E não foram poucos os grandes bruxos e bruxas homossexuais ou bissexuais, como Austin Spare, Alex Sanders e Phil Hine. O próprio Aleister Crowley, considerado por muitos o maior mago do século XX dedicou muitas e muitas páginas a magia gamaista ( magia sexual apolar).

Em muitas formas de ocultismo, um novo membro geralmente passa por algum tipo de iniciação. Normalmente, estas cerimônias são planejadas em algumas etapas que são realizadas, e certos juramentos que são ditos. Falaremos então sobre este tipo específico de iniciação, que é igualmente – se não mais – poderoso do que qualquer tipo de ritual planejado. Estamos falando dos rituais iniciáticos para um iniciante em magia sexual gay.

Agora, não se trata de saber se você é Gay, Lésbica ou Bisexual, ou se é necessário ser Gay, Lésbica e/ou etc, para praticar estes rituais ou ser iniciado(a) neles. Estas são coisas que a maioria de nós percebe a partir de uma tenra idade e é simplesmente parte de nós ao longo das nossas vidas, para melhor ou para o pior. Também não estamos falando de quando você tem a sua primeira relação sexual, seja ela comum ou mágica. Essa é uma experiência emocionante e por vezes assustadora que é um rito de passagem por seus próprios meios.

Não se trata disso, o que falo é sobre o início da vida mágica/espiritual dos gays para o mundo. Um tipo de visão, uma busca espiritual gay e de como ele pode ser canalizada para certos propósitos: sejam eles bons ou maus, isso depende de você e de seus intentos, isso é magia. Todos nós devemos descobrir a grande potência e o mistério que existe dentro de todos nós como Gays e nossa magia natural, guardada a sete ou mais chaves dentro de nós.

Sair do armário é o primeiro passo para se dar bem e saber manipular as regras que regem os ritos de passagens e os feitiços. Reunir outras pessoas, se envolver com praticantes mais experientes e confiáveis também é uma ótima dica. Sair do armário neste caso têm significado duplo: significa assumir sua sexualidade e assumir sua identidade espiritual/filosófica: seja ela satanista, pagã/wiccan, vampirista, caoista, isto não importa. Para cada uma destas vertentes, temos rituais específicos e formas diferentes de se alcançar a superioridade mágica.

Renegar as religiões tradicionais é complicado, mas é necessário. Sair na rua e caminhar, orgulhando-se de suas posições e de suas idéias e seus ideais é indispensável. Mas surge um problema até mesmo quando se descobre gay e wiccan: Na maiorias das tradições da bruxaria moderna, há uma forte ênfase na polaridade sexual como um modelo para os trabalhos mágicos. Simplesmente, esta é a crença de que a energia é gerada mais fortemente (e talvez única) por um macho e uma fêmea, parceiros neste trabalho, um conceito que foi popularizado pelo movimento Gardneriano e foi transmitido de alguma forma para a grande maioria das tradições de feitiçaria praticadas hoje.

Mesmo nas tradições onde essa polaridade é vista e entendida como algo interno (ou seja, a idéia de que cada um contém um elemento masculino e outro feminino que lutam para equilibrar nossas forças e tendências, independentemente da nossa sexualidade) concluímos que, em última análise, o modelo que temos aprovado e aceitado de paganismo, ainda é um modelo hétero.

Parece haver uma tendência, um movimento paganista que repele o homossexual, levando-se sempre em consideração de que o papel do Deus e da Deusa não podem admitir um papel alternativo nestas tradições mágicas. Não deixa de ser interessante que exatamente por isso, a maioria dos gays praticantes de artes ocultas encontram no Satanismo, seu habitat natural. Isso foi diferente num passado não muito distante, onde a cena gay costumava olhar o satanismo com o mesmo preconceito que um testemunha de Jeová. Mas quando descobrimos que o satanismo ensina que o valor da pessoa humana, não importa qual seja sua natureza sexual é o mais importante, não deve ser surpreendente que o satanismo seja um oásis de redenção espiritual e libertária onde, do lado de fora só há agressão e preconceito.

Os verdadeiros adeptos do caminho da mão esquerda não experimentam qualquer tipo de homofobia, pelo contrário, há um grande respeito pelos segredos mágicos que a magia sexual gay têm para ensinar e para se praticar. A lista de práticas é enorme e não deve ser revelada toda de uma vez, por isso, Morte Súbita Inc. que desde 1996 cola o velcro e dá ré no kibe, inicia uma série de matérias e artigos que tratarão sobre operações mágicas homossexuais que incluem Feitiços, Deuses, Anjos e Demônios Gays, Maldições, Preces, Símbolos e muito mais. Inicialmente e para fechar este artigo, teremos duas invocações comuns a dois caminhos diferentes de magia homossexual, uma satânica e outra alquímica:

Oração a Satã comumente realizada em grottos satanistas gays:

Pai e protetor Satã, eu te invoco das profundezas do meu coração,

Eu te louvo com todas as minhas forças, eu sou devoto a ti por quanto for necessário e sei que serás meu protetor, fiel a mim,

Que me amas como sou assim como amo o que tu és,

Tu me mostras a verdadeira força e o verdadeiro caminho. Tu me mostra o que é o verdadeiro amor e assim me aceitas,

Das profundezas tu veio mostrar-me, o que é a verdadeira luz,

Por isso te chamam: o vindo da luz,

Meu mestre, meu pai e meu amigo, que com grandes dádivas tu me presenteia todos os dias em minha fidelidade a ti,

Hail ao verdadeiro rei!

Lorde Satanás,

As vezes a vida é tão dura e cruel,

E agora quando estamos perdidos em meio ao caminho do amor e do ódio,

Não sabemos que direção tomar, em que horizonte se aventurar,

Te pedimos para que sempre seja nossa guia e nossa proteção,

Te pedimos orientação e louvamos tua benção pois sabemos que tu não nos abandona,

Proteja nos dos infiéis e nos cubra com teu manto de glória, prazer e amor.

Oração ao verdadeiro cálice sagrado:

“Cetro escarlate,

fonte de vida,

Ascensão e queda, pilar da carne,

Excitação da paixão,

A chama do desejo…

Testemunha do triunfo e do prazer.

Esta fome, que só se alimenta por si mesma,

Leva-nos como aqueles procuram a tua religião,

E nós te cultuamos ajoelhados,

Com nossos lábios sedentos…

Nossas bocas e línguas selvagens,

Para receber nossos batismos,

Néctar dos Deuses,

Provamos teu forte aroma,

Para renovar nossos espíritos…

Nossa pele banhada com o sagrado bálsamo,

Nenhum perfume se compara com a tua sagrada intoxicação,

Nossa bocas transformadas em taças que transbordam,

Existe essa beleza,

A semente é derramada em nome da luxúria,

Através de ti, somos todos feitos Deuses,

Através de ti nossos corpos são feitos Santos…”

Sagrado Cálice, venha até nós !

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/iniciacao-a-magia-sexual-gay/

Nada a temer, nada a duvidar

Yorgana era médium firme, experiente, daquelas que parece já ter ido ao inferno e retornado para contar história, sempre com um sorriso, ou um meio sorriso, pela face nem mais tão jovial. Tomé estava ali, apreensivo, para observar e aprender…

Após a oração inicial, as luzes foram apagadas e as pessoas entraram em meditação, tanto na mesa grande quanto nas cadeiras em torno. Tudo o que se ouvia, a princípio, era o barulho dos dois ventiladores velhos e desgastados, que já aliviavam o calor daquele centro espírita há uma boa década ou mais. Tomé ansiava pelo que estava por vir, e logo alguns começaram a gemer e se contorcer e reclamar. Como sempre, Yorgana estava lá para oferecer conforto aqueles que foram convidados, de tão longe, aquele recinto de luz:

“Está tudo bem minha filha, quer me dizer alguma coisa?” – Dirigiu-se, sussurrante, a senhora que meditava na cadeira a sua frente.

De início não houve resposta, e exatamente por isso que alguma coisa parecia estar a ocorrer… Logo, aquela senhora pacata e serena tinha ido embora, alguém irrequieto e angustiado tomou o seu lugar:

“Ai! Ai! O que eu estou fazendo aqui? Que lugar é esse? Tá dolorido… Minha cabeça dói, tem insetos no meu corpo, tira isso, tira eles, me tira daqui!!”

Yorgana trouxe suas mãos para próximo da cabeça da senhora (ou quem quer que estivesse ali agora), e continuou serena, quase carinhosa:

“Calma… Calma! Vamos respirar mais devagar, assim, comigo, vamos…”

E o que se seguiu foi uma verdadeira luta para que a senhora conseguisse passar a respirar mais lentamente, no ritmo que a médium demonstrava, expirando e inspirando profundamente o ar seco do ambiente.

“Vamos, vamos… Assim comigo. Inspira, segura um pouco, expira… Calma que aqui são todos seus amigos…”

“Amigos? Não, eu não tenho amigos… Não aqui, principalmente aqui… Que lugar estranho é esse, por que me trouxeram? Por que, isso não tem nada a ver comigo… Eu não pertenço aqui, ninguém vai me aceitar aqui…”

“Isso já é contigo. Primeiro, você é quem precisa se aceitar… Você está aqui, é verdade, só por um tempo, e pode ficar tranquila que logo logo volta para onde veio… Você foi convidada… É, digamos assim, um certo privilégio, pois nem todos têm a oportunidade de vir a essa casa de cura.”

“Cura? Mas como você vai me curar de toda essa dor? E esses malditos insetos que não me largam! Me ajude então, se gosta de mim…”

“Só se você também abrir uma brecha para gostar de si… Vamos, esqueça o que te deixou nesse estado, há sempre tempo de recomeçar… Vamos, inspire comigo e imagine a cor azul, o ar sendo de um azul tão puro, que entra na sua cabeça e ajuda a limpar, e limpando vai levando a dor embora, e daí você expira essa dor, essa coisa ruim aí dentro, e isso tudo sai de você na cor vermelha… Deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… Deixa entrar, deixa sair… Isso… Isso, tá melhorando não tá?”

“Tá melhorando a dor, sim… Que coisa incrível, há tanto tempo que doía que eu nem sabia mais como era estar assim… Os insetos não picam mais meus braços, minhas pernas…”

“Isso, isso mesmo… Mas continua, continua imaginando as cores, continua inspirando, expirando… Eu poderia te ajudar só aqui, mas não sei quando vai poder voltar, e pode continuar fazendo isso onde quer que esteja, basta lembrar: deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… E se acalma, e se perdoa, e dê uma chance a si mesma de recomeçar.”

“Isso… Isso é maravilhoso! Mas eu não sei se vai funcionar onde eu moro… Lá é tudo tão gelado e úmido, o ar é ruim, o céu é escuro, não tem ar azul por lá…”

“Tem ar azul em tudo quanto é lugar… Vou te contar: o que você acha que é o ar que entra azul e sai com sua dor vermelha?”

“Algum ar que só existe aqui nessa casa de santos… Eu preciso ficar aqui, me deixa, me deixa ficar!!”

O atendimento estava acabando, e Yorgana tinha só alguns segundos:

“O ar azul, é Deus. Ou você imaginou que nalgum dia estranho poderia realmente estar fora Dele? Ele está em todo lugar, mais próximo que o seu pensamento mais querido, porém tão distante quanto a sua culpa mais profunda… Se perdoe, vá em paz, há sempre tempo de recomeçar. Adeus!”

***

Após a cantoria ao final da sessão, Tomé estava ainda enxugando as lágrimas. Ele havia sentido de perto, bem de perto, toda a dor e angústia, todo o caos mental naquela senhora, ou no que quer que a tenha visitado ali. Alguém que sofria imensamente, mas que foi consolada. Alguém que pareceu, depois de muito tempo, enxergar uma vez mais a luz ensolarada da esperança…

Ele tinha de perguntar a Yorgana:

“Nossa, como você atendeu bem, firme! Como você faz para ter as palavras certas nesse momento? Você não fica com medo do que pode aparecer? Você não… Duvida do que está ocorrendo?”

“Eu nunca sei o que virá, e certamente fico apreensiva, e certamente tenho dúvidas acerca do ocorrido… Se foi realmente alguém que apareceu, se era uma memória antiga, algum distúrbio mental, alguma personalidade trancafiada que pôde finalmente vir a tona… Quem vai saber?”

“Mas, na hora você…”

“Na hora, não era eu. Era algo acima de mim, algo que me toma e que me faz ser alguém maior, alguém que tão somente deixa a luz do alto passar, o mais límpida possível… Na hora, não há nada a se temer, nem nada a se duvidar. Na hora, eu apenas amo, e o amor faz o resto. E, Tomé, não há como se temer o amor, não há como se duvidar dele.”

raph’12

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Crédito da imagem: Fraternidade Espírita Monsenhor Horta

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Contos #Espiritismo #Espiritualidade #Mediunidade

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Lovecraft e os 13 Portais do Necronomicon

Por Donald Tyson

Howard Phillips Lovecraft rolaria em seu caixão no histórico Cemitério de Swan Point, em Providence, Rhode Island, se soubesse o que as pessoas em todo o mundo estão fazendo com sua ficção. Milhões de fãs não estão apenas lendo-o para puro prazer, eles estão levando-o a sério!

Isto é algo que a Lovecraft nunca pretendeu. Ele era um materialista convicto e um ateu cuja filosofia de vida pode ser resumida em poucas palavras: a vida é sofrimento sem sentido, e a morte a única libertação. Embora Lovecraft fosse um homem genial para se encontrar e conversar, alguém de quem quase todos os que o conheciam gostavam, sua compreensão do universo e de nosso lugar nele teria levado Nietzsche à depressão suicida.

Quando os fãs lhe escreviam, perguntando se Cthulhu era real, ele lhes dizia que não sabia nada sobre o ocultismo, que não se importava com ele e que não queria ouvir falar sobre isso – que todo esse assunto era um puro disparate.

O que levanta um pouco de mistério. Por que um homem passaria toda sua vida obsessivamente escrevendo sobre o estranho, o horripilante, o esotérico, o bizarro, se ele não tivesse interesse nestes assuntos?

A resposta a este enigma encontra-se nos sonhos e pesadelos de Lovecraft. Sua vida onírica era invulgarmente vívida, e ele tinha a capacidade de lembrar mais dela do que a maioria de nós consegue. Às vezes, ele tomava consciência de si mesmo enquanto ainda sonhava, e descobria que podia direcionar sua atenção para diferentes aspectos do sonho, e até mesmo mover-se de lugar em lugar dentro dele. Hoje conhecemos isso como sonho lúcido, mas o termo não estava em uso quando Lovecraft sonhou com Cthulhu, Nyarlathotep, Yuggoth e o Necronomicon.

Lovecraft sempre ria quando alguém lhe sugeria que seus sonhos eram mais do que trivialidades, mas no fundo de sua mente deve ter havido algumas dúvidas, pois muitas vezes ele escreve em suas cartas que, se não soubesse melhor, juraria que tinha vivido uma cena de uma vida passada. Ele era tão obcecado com o passado e com o velho como era com seus sonhos. Ele acreditava ser um homem nascido fora de sua idade natural – ele se via como um cavalheiro inglês do século 18.

A verdade é que Lovecraft vivia aterrorizado com seus pesadelos. Ele não suportava reconhecer seu poder sobre ele, por isso zombava deles e negava sua importância, mesmo para si próprio. Como uma forma de exorcizar seus sonhos e ganhar controle sobre eles, ele os escreveu na forma de histórias.

Ele se recusou a considerar a possibilidade de que ele pudesse ser uma velha alma deslocada no tempo a partir do século 18 até nossa era moderna. Ele negou isso pela mesma razão que se recusou a considerar que seus sonhos pudessem ter algum significado esotérico – ele precisava desesperadamente que o mundo fosse ordeiro e mundano.

Seu maior pavor era a loucura. Ambos os pais enlouqueceram, primeiro seu pai, e depois sua mãe. Ao longo de sua vida, desde a infância, ele sofreu uma série de colapsos nervosos, alguns maiores e outros menores. Ele estava interiormente certo de que um dia ele mesmo enlouqueceria e precisava que o mundo fosse o mais chato e previsível possível para manter sua sanidade intacta. Foi por esta razão que ele ignorou resolutamente qualquer coisa a ver com o sobrenatural ou paranormal, e recusou-se até mesmo a reconhecer que tais coisas poderiam existir.

Os magistas modernos estão aprendendo a olhar além do materialismo e do ateísmo ostensivos de Lovecraft, a fim de examinar o conteúdo e a qualidade de suas histórias para seu significado esotérico. Quando fazemos isso, descobrimos que o universo mitológico que ele criou não tem semelhança a nenhum outro, e que possui uma coerência interna e uma plausibilidade perturbadoras.

Lovecraft sonhou com um mundo no qual a espécie humana vive na feliz ignorância das muitas raças de criaturas alienígenas, antigas e inimaginavelmente poderosas, que habitaram este globo em eras passadas distantes, e que ainda mantêm uma presença aqui, invisível e insuspeita pela maioria de nós. No mundo do Lovecraft, a magia é a ciência alienígena, uma espécie de potente geometria transdimensional que pode ser acessada por qualquer pessoa com as devidas chaves simbólicas, e os demônios do mundo pagão são seres alienígenas adorados por cultos degenerados que sobrevivem nas terras bárbaras e nos recantos longínquos de nosso planeta.

O único Deus para Lovecraft em seus sonhos era o idiota cego Azathoth, que se senta em seu trono negro no centro do turbilhão do caos do universo, babando ao som de flautas frenéticas. Ele não tem moralidade, nenhuma virtude, nenhum propósito. Ele espera pacientemente que o universo seja engolido no vórtice caótico que é seu reino, para que então ele passe mais uma vez para o nada de onde saiu.

No mito do Lovecraft, a própria Terra é uma espécie de deusa que caiu ou fugiu de algum estado espiritual superior. Os Antigos foram enviados para limpar sua superfície da infestação de vida biológica antes de usar sua ciência mágica para arrancá-la de sua órbita e devolvê-la à sua exaltação anterior através da porta dimensional do Yog-Sothoth, que é o guardião universal por cujas portas todos nós devemos passar quando morremos.

Tudo isso e muito mais é sugerido nas páginas do Necronomicon, um livro de loucura e horror escrito pelo poeta árabe louco do Iêmen, Abdul Alhazred, em seus meses finais de vida, pouco antes de um demônio invisível o ter arrancado do mercado de Damasco e o consumido, pelo menos da visão de olhos mortais. Só um louco poderia escrever um livro tão insano, e lê-lo é enlouquecer. O que é obliquamente referido em suas páginas é que Alhazred aprendeu com as coisas que rastejam e deslizam por cavernas e túneis abaixo do grande deserto da Arábia, a terra dos gênios que sem remorsos odeiam todos os seres humanos.

O livro não existe – pelo menos, não nesta vida. Lovecraft o viu e ouviu seu nome em sonhos, assim como sonhou com Nyarlathotep e Shub-Niggurath, os Abissais e os Antigos, os Mi-go e a Grande Raça de Yith. Os mágicos afirmam que estes seres têm pelo menos tanta realidade quanto os deuses e deusas do Egito e da Grécia, para não falar do pálido Deus dos cristãos. Eles começaram a usar o mito do Lovecraft para trabalhos de magia prática. De fato, quando usado desta forma, ele forma um sistema coerente de imensa potência.

O principal objetivo do livro “The 13 Gatesof Necronomicon” é reunir todo o material de ficção e poesia do Lovecraft que pode ser explorado com utilidade prática por mágicos modernos que trabalham no campo do mito do Necronomicon. É um texto fonte, um compêndio das raças alienígenas, criaturas monstruosas, mundos estranhos e dimensões alternativas, cidades antigas e poderosos feiticeiros e bruxas que habitaram os sonhos do Lovecraft. Os rituais mágicos aos quais Lovecraft fez referência são expostos e explicados. Os livros de magia que ele escreveu, tanto os que são materiais como os que são astrais, estão lá documentados.

Este pode ser o único livro que reúne todas as partes esotéricas do mito do Lovecraft em um só lugar, e os apresenta de uma forma facilmente acessível aos mágicos que trabalham. Este material reunido representa os blocos de construção para os futuros sistemas de magia do mythos.

Aproveitei a oportunidade proporcionada pela publicação deste livro para apresentar também um sistema de treze portões esotéricos, que chamei de portões estelares porque cada um deles está ligado a uma das treze constelações zodiacais atuais. Isso mesmo, existem treze constelações na faixa do zodíaco, não doze. Muitas pessoas não sabem disso, porque todos nós estamos muito familiarizados com os doze signos da astrologia moderna.

Cada porta no céu está ligada a uma porta na cidade do Necronomicon – uma porta que leva a um tópico separado e distinto tratado no mito por Lovecraft. Para fins ocultos, é útil pensar no Necronomicon como uma cidade murada, com muitas ruas estranhas e habitantes curiosos, e com treze entradas principais. Desta forma, cada uma das treze áreas do mito pode ser examinada e controlada individualmente, através de seu próprio portal estelar.

Os treze portões estelares, que podem ser entrados pelo Sol ou pela Lua, são projetados para servir como uma estrutura ritual geral para vidência, encantamentos, viagem astral, invocações e evocações. Eles podem até ser adaptados para uso por aqueles que talvez não tenham vontade de trabalhar a magia do mito do Lovecraft. Quando acoplado ao dispositivo de uma cidade murada de treze portões separados, cada um levando a uma ala diferente da cidade, torna-se uma potente técnica mnemônica de visualização, e uma forma de categorizar e organizar elementos deste sistema oculto.

Tudo isso teria sido um anátema para Lovecraft, que queria, em nome de sua própria sanidade, acreditar que seus sonhos não tinham significado superior e que o universo era um lugar muito seguro e previsível. Mas em seu coração, Lovecraft sabia que esse não era o caso, e nós sabemos que as coisas não são assim. O universo é mais estranho do que até mesmo Lovecraft poderia imaginar, embora ele tenha chegado mais perto do que ninguém na captura da sensação de  estranheza em sua ficção. O que Lovecraft sonhou e negou, os mágicos modernos abraçaram e procuraram manifestar em seus trabalhos rituais. As 13 Portas do Necronomicon foi projetado para ser um livro fonte para eles em sua busca para explorar todo o potencial dos sonhos de Lovecraft.

***

Fonte: TYSON, Donald. Lovecraft and the 13 Gates of the Necronomicon. The Llewellyn’s Journal, 2010. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/2122>. Acesso em 8 de março de 2022.

COPYRIGHT (2010). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/lovecraft-e-os-13-portais-do-necronomicon/

As mais belas Histórias são as de Superação

Por Yoskhaz

Não raro escuto pessoas dizendo que fariam tudo “exatamente igual” se iniciassem novamente a sua trajetória de vida. Se é apenas uma alusão a como aprenderam com os próprios erros e como eles ajudaram a chegar onde estão, entendo. Sim, por vezes, os erros são preciosos mestres que nos oferecem valiosas lições, embora a vida disponibilize outros, como a percepção e o amor, que permitem encurtar tempo e pavimentar a estrada. São as mesmas lições oferecidas pelo erro, porém ministradas de maneira suave, afinal aprende-se por imposição ou gosto. A escolha é sempre nossa. No entanto, na maioria dos casos vejo alguns amigos sustentando verbalmente a repetição da trajetória de vida por vergonha, negação ou orgulho. Pena, pois a não aceitação do próprio caminho trilhado impede de entendermos quem realmente somos, por consequência, não permite ver as transformações que devemos operar em nós, atrasando a viagem evolutiva e, assim, a paz da plenitude que tanto ansiamos.

Revejo a minha história e, grato às duras lições que o erro me ofereceu, percebo que poderia fazer diferente. Pessoas que magoei, voltas em círculos que dei por teimosia, tempo e energia desperdiçados com situações que não tinham nenhuma importância e por aí vai. A lista é enorme. É verdade que aquele era o meu nível de consciência naquele momento e ali eu não conseguia perceber que poderia fazer de outra maneira. Sim, sempre é possível fazer diferente e melhor.

Embora ainda muito longe de onde tenho que chegar, já não sou o mesmo da partida. Mudou o olhar e o viver. Não é assim com todos nós?

E o que eu fiz com o meu passado? Principalmente aqueles capítulos que no íntimo tenho, hoje, a plena consciência de que poderia ter feito de outra maneira? Decidi abraçá-lo e ser agradecido por minha história. Ao invés de ficar paralisado pelo erro, aceitei a responsabilidade, reparei o que foi possível e segui adiante com uma nova postura em relação a tudo e todos. Ninguém precisa se envergonhar, tudo no universo está em eterna evolução e todos somos parte dele.

Reinventar-se todos os dias é uma exigência do Caminho.

Encante-se com a transformação que chega na esteira da sabedoria e com a beleza do amor que te contaminará sempre que tentar o melhor. As mais fantásticas histórias são as de superação.

Imagine um filme em que uma criança nasce em um lar repleto de amor e com todas as condições para uma vida saudável. Desde cedo seus pais, almas evoluídas, lhe ministram sábias lições de amor, tolerância, compaixão, dentro de um bonito código de ética existencial e valores morais nobres. Esta criança, afeita ao bem e a luz, aprende com rapidez e, desde sempre, espalha sementes de alegria por onde passa. Ao entrar na vida adulta abraça a medicina como instrumento para levar a cura e o conforto a toda gente, no esforço de difundir a felicidade e contentamento que existe dentro dela. Sem dúvida, uma belíssima história de vida e, com certeza, eu gostaria de assistir a este filme.

Imaginemos um outro filme onde uma criança nasceu em um ambiente governado pela desarmonia, impaciência, ausência de indicativos morais e condições razoáveis de subsistência. Cresce nas ruas selvagens das grandes cidades na proximidade de um invertido código de ética, valores morais deturpados ou inexistentes, onde o instinto de sobrevivência costuma se sobrepor aos sentimentos mais nobres e sutis. Pequenos furtos, atos de violência que pratica e sofre, sexo irresponsável são páginas comuns da sua adolescência ao lado da fome e, principalmente, da ausência de amor. Aos poucos, a princípio em mínimos atos, percebe que quando age diferente, deixando florescer o melhor de si, um sentimento amoroso por todas as pessoas e coisas cria uma esfera agradavelmente leve a sua volta e parece levantar-lhe do chão. Tem a sensação de que a vida parece reagir na exata medida de suas ações. Sente-se diferente, tudo muda. Aos poucos começa a praticar mais e mais tais atitudes que descobriu adormecidas na gaveta mais alta do seu coração, até a decisão de reinventar-se de vez. A pessoa que era já não cabe mais em si. Embora ela mesma, necessita ser outra. Então, ocorre a transmutação de que falavam os alquimistas medievais e transforma metaforicamente chumbo em ouro. Quando muda o seu jeito de ser, o mundo também se transforma. Aos poucos, pessoas e situações comuns em sua vida deixam de se fazer presente dando lugar a outras. Decide retornar aos bancos escolares, dedica-se com afinco aos estudos, começa a entender que o conhecimento expande o olhar e, após infrutíferas tentativas e inúmeras dificuldades, acaba por conseguir uma vaga em uma faculdade de Direito. Após alguns anos de luta incansável torna-se um juiz misericordioso e exerce a cura em todos aqueles que cruzam o seu caminho, utilizando ferramentas como a verdade e a justiça, na alegria de espalhar a semente da esperança em si e em todos. Outro belo filme que eu adoraria assistir.

Na absurda hipótese de ser possível assistir a apenas um, qual deles você escolheria? Embora sejam duas belíssimas histórias de amor, tanto esta quanto aquela, minha escolha recairia por esta última. As histórias de superação encantam a humanidade desde sempre, pois são a prova de sua evolução. Na verdade, a História do Mundo se conta através das pequenas histórias de pessoas comuns, como a minha e a sua. Os grandes personagens que conhecemos nos livros são apenas reflexos mais visíveis da mudança de um novo nível de consciência já sedimentado no íntimo de todos.

Assim, não existe caminho feio. São as curvas e dificuldades da estrada que desenham a beleza da trajetória de cada um de nós, colorindo a paisagem na medida que mudamos o nosso jeito de ser, reflexo de cada escolha que fazemos. Basta estar disposto a ver com outros olhos e ter a coragem, sabedoria e amor para fazer diferente. Como dizia um anjo que esteve encarnado recentemente entre nós, “é impossível reescrever o passado, mas podemos construir um futuro diferente”.

Abrace a sua história, sem vergonha ou vitimização, aproveite para se conhecer melhor, aceite os erros como lições, abra-se para a mestria do amor adormecido em teu coração, permita que a coragem que reside em sua alma guerreira faça em ti as transmutações essenciais a cada dia e todos os dias. Entender que tudo, absolutamente tudo, pode ser diferente e melhor é o bilhete para a próxima estação.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-mais-belas-hist%C3%B3rias-s%C3%A3o-as-de-supera%C3%A7%C3%A3o

Breve Introdução aos Manuscritos do Mar Morto

Em 1947 na Palestina, nos arredores do vilarejo de Khirbet Qumran, perto do lado ocidental do Mar Morto, foram encontrados por acaso uns antigos manuscritos que revelaram-se uma extraordinária descoberta arqueológica, cujas consequências ainda não estão completamente esclarecidas.

Infelizmente, por mais de 30 anos, os encontrados desta descoberta foram estritamente monopolizados, através de um verdadeiro sequestro, a fim de impedir o acesso ao mundo acadêmico internacional.

Serão preciso muitos anos, apesar do elogiável trabalho de pesquisadores independentes, para limpar nossos conhecimentos do material qumraniano das parcialidades interpretativas que ainda inundam o assunto.

Em 1947 quando o Estado de Israel ainda não tinha nascido, o lado leste do Mar Morto ficava em território jordaniano, e o lado ocidental sob o protetorado inglês.

Naquela época as ruas que levavam à lagoa eram poucas e muito ruins, e a região ao redor a pátria dos Beduínos, os quais mudavam para cá e para lá seus acampamentos e seu gado. Naquela altura, um jovem pastor árabe, Mohammed adh-Dhib, que estava iscando sua cabra, descobriu por acaso uma série de ingressos de grutas no flanco de uma perigosa escarpa, próxima da aldeia de Khibet Qumran.

O beduíno entrou e encontrou no interno muitos jarros abandonados. Voltou novamente com um amigo para recuperar os jarros (podiam ser usados para a água) quando os dois descobriram que nos jarros encontravam-se alguns rolos de pele embrulhados em tecidos consumidos.

A história da descoberta é obscura, não bem esclarecida, até que nunca poderemos saber quantos manuscritos foram originariamente encontrados pelos beduínos, nem se alguém tem ainda alguns manuscritos escondidos.

Em 1954 alguns manuscritos acabaram no cofre do hotel Waldorf Astoria de New York, de onde saíram quando o governo israelita os comprou por 250.000 dólares (ajudado por um rico benfeitor).

Outros manuscritos chegaram no Museu Rockfeller, na parte leste de Jerusalém, na época em mão jordaniana. Nasceram assim duas diferentes comissões independentes: uma chefiada por Yigael Yadin, em Israel, a outra, controlada por Padre de Vaux, um sacerdote católico, na Jordânia. Hoje, os manuscritos são conservados no Museu de Israel, no assim chamado Shrine of the Book (Trono do Livro).

Por causa do péssimo relacionamento entre os dois países, as comissões trabalharam sobre os manuscritos de forma completamente independente, sem possibilidade nenhuma de comunicação, com todos as desvantagens da situação. É claro que o resultado de cada comissão precisava ser confrontado com o da outra, mas isso era impossível.

O problema foi resolvido em 1967 quando, seguida a guerra dos seis dias, a parte leste de Jerusalém passou para as mãos israelitas e tudo o que aí se encontrava se tornou de propriedade do governo de Israel como despojos de guerra, inclusive os rolos de Qumran conservados no Rockfeller Museum. É engraçada e significativa a reação a este acontecimento do Padre de Vaux.

Se conta que, até o material permaneceu em mão jordaniana e que havia sido impedido que os hebreus tivessem acesso aos manuscritos, e que, quando eles passaram sob a autoridade israelita, de Vaux ficou literalmente enfurecido e aterrorizado pela ideia de perder o controle do material qumraniano.

Algum motivo estava pressionado-o a manter o material sob seu controle. Baigent, Leigh e Lincoln narram que de Vaux era um dominicano que tinha sido enviado, em 1929, à École Biblique de Jerusalém onde primeiro foi professor e depois diretor. Era um homem carismático, enérgico, autoritário e carola.

O governo israelita, que em 1967 estava ocupado em assuntos muitos diferentes que os manuscritos do Mar Morto, deixou a de Vaux a responsabilidade de supervisionar o trabalho de análise e lhe deu o encargo de formar e dirigir uma equipe internacional, com o compromisso de publicar o mais rápido possível os resultados das pesquisas.

Claramente, a expressão “equipe internacional” faz pensar numa precisa intenção de criar um grupo amplo, caraterizado pela presença de diferentes componentes que pudessem dar garantia de uma gestão não parcial do trabalho. Mas as coisas não andaram assim.

Os israelitas não foram convidados a fazer parte do grupo, e todos os componentes selecionados eram todos católicos, não laicos, e com uma ideologia com uma forte conotação: Franck Cross, do McCormick Theological Seminary. Chicago; monsenhor Patrick Skehan, diretor do Albright Institute; Padre Jean Starcky, da École Biblique; Padre Maurice Baillet, francês; Padre Josef Milik, polonês; apenas um tal John Allegro não era um personagem tão claramente enquadrado com os outros.

Mas a sua presença não foi tolerada por muito tempo. Logo foi extraditado e substituído por John Strugnell, que oferecia maiores garantias de alinhamento. Em prática se pode dizer que Padre de Vaux, expoente da asa mais tradicionalista e conservadora da igreja romana, criou um restrito grupo de católicos.

Os manuscritos encontrados a Khirbet Qumran abriram a porta de uma longa série de incômodas perguntas sobre os primeiros cristãos.? De fato, nos rolos se encontram elementos que, além de mostrar evidentes ligações com o cristianismo das origens, põem em seria discussão alguns fundamentos da mesma doutrina e da interpretação histórica da figura de Jesus Cristo.

Em 1992, depois de 25 anos de monopólio absoluto da equipe, a situação começou a mudar. Sobretudo pela enorme quantidade de críticas internacionais contra o absurdo de um pequeno grupo de pesquisadores, tratar como propriedade privada materiais arqueológicos daquela extraordinária importância, e muitos daqueles rolos acabaram sendo publicados.

Mas ainda assim fica a suspeita que parte dos documentos continuem ficando desconhecidos à coletividade. Para não falar da profunda influência cultural, que continua a condicionar o endereço interpretativo, causado por esses 25 anos de monopólio.

Serão precisos muitos anos para a situação se ajeitar até o ponto de poder avaliar o material de maneira objetiva baseada sobre posições realmente desinteressadas.. . .

OS MANUSCRITOS DE QUMRAN:

Entre os primeiros documentos publicados dos manuscritos do mar morto, é preciso lembrar o Manual de Disciplina (ou Regra da Comunidade), a Regra da Assembleia, o Documento de Damasco, a Regra da Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas, o Comentário de Habacuque.

Neles aprendemos que o ritual do batizado, o eucarístico e a confissão dos pecados, eram parte integrante e essencial das práticas religiosas, é possível reconhecer muitos elementos que, nos textos evangélicos, são próprios do pensamento cristão: a iminência do reino, a exortação a converter-se nesta mesma prospectiva, a proibição de jurar, os conceitos expressos por Jesus no sermão da montanha, a terminologia usada etc….

Confrontamos, por exemplo, as seguintes palavras dos manuscritos :

“…Pelo sábio para que ele ensine os Filhos da Luz… Numa fonte de Luz está a origem da verdade, e numa fonte de Escuridão a origem da injustiça…”

“…na hora que os Filhos da Luz atacarem o partido dos Filhos das Trevas…” (Regra da Guerra)

com as palavras do Quarto Evangelho:

“…Andai enquanto tendes a Luz, para as Trevas vos não apanhem; pois quem anda nas Trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, credes na Luz, para que sejais Filhos da Luz…” (Jo 12, 35-36)

“…a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica o verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestadas, porque são feitas em Deus…” (Jo 3, 19-21)

“…Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas…” (Jo 12, 46)

Observe-se este trecho, que pertence ao manuscrito qumraniano “Regra da Comunidade”: “Do Deus muito sábio vem tudo o que é e será… dispus para o homem dois espíritos para que caminhe com eles até o tempo estabelecido da sua visita… concedeu um tempo determinado à existência da injustiça: no tempo estabelecido pela visita, ele a exterminará para sempre…”

E vamos a confrontá-lo com estas palavras do Evangelho de Lucas: “…Bendito o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo…” (Lc 1, 68)

“…se tu [Jerusalém] conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas; E te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação…” (Lc 19, 41-44)

Os mesmos tons de ameaça apocalíptica se encontram no manuscrito qumraniano “Rolo da Guerra”:

“…Ouça, Israel! Hoje vós vos aprestais a combater contra vossos inimigos… não temeis e não vos alarmais na frente deles. Pois vosso Deus caminha convosco para combater vossos inimigos e para salvar-vos… Na hora que, no vosso país chegar uma guerra contra o opressor que vos oprime, tocareis as trombetas e vosso Deus lembrará de vós e estareis salvos dos vossos inimigos…”

Que podemos comparar a estas palavras do Evangelho de Lucas:

“…[o Senhor Deus de Israel] nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi seu servo. Como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo; para nos salvar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos aborrecem; para manifestar misericórdia a nossos pais, e lembrar-se do seu santo concerto, e do juramento que jurou a Abraão nosso pai, de conceder-nos que, libertados da mão dos nossos inimigos, o serviríamos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida…” (Lc 1, 68-75)

E ainda, sempre no manuscrito qumraniano “Regra da Guerra”:

“…Alegra-te muito, Sião! [Jerusalém] Exultais vós todos, cidades de Judá! Abre para sempre tuas portas, para fazer entrar em ti a riqueza das nações… Filhas do meu povo, gritais de felicidade, enfeitai de glória… até quando resplandecerá o rei de Israel para reinar pela eternidade…”

Para se confrontar com o episódio evangélico do ingresso messiânico de Jesus a Jerusalém:

“…no dia seguinte, uma grande multidão que viera à festa, ouvindo que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o rei de Israel que vem em nome do Senhor, e achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito: não temas, ó filha de Sião [Jerusalém]; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta…” (Jo 12, 12-15)

Uma importante consideração a fazer é relativa ao nome que a seita qumraniana dava a si mesma e ao lugar onde estava instalada. Logicamente a denominação de Khirbet Qumran é moderna e pertence à língua árabe. Para conhecer como os qumranianos indicavam seu próprio lugar de auto – exílio, podemos utilizar as palavras do Documento de Damasco [imagem a direita]:

“…o poço é a lei, e aqueles que o escavaram são os convertidos de Israel, aquele que saíram da terra de Judá e se exilaram na terra de Damasco…” (Documento de Damasco VI, 4-5)

“…segundo a disposição daqueles que entraram no novo pacto na terra de Damasco…” (Doc. Damasco VI, 19)

“…a estrela é a intérprete da lei que verá a Damasco, como está escrito: uma estrela tem feito muita estrada desde Giacobbe, e um cetro se levanta de Israel…” (Doc. Damasco VI, 18-20)

É importante observar, neste último versículo, a citação de uma profecia messiânica [Num. 24,17], que o Novo Testamento afirma estar referida a Cristo (Mt 2, 1-12 e Ap. 22, 16), também em relação a imagem da “estrela” como astro nascente que anuncia a chegada do Messias. Isso torna ainda maior a ligação do movimento cristão originário com o qumraniano. E ainda:

“…Todos os homens que entraram no novo pacto na terra de Damasco, mas depois se foram, traíram e se afastaram do poço da viva água…” (Doc. Damasco VIII, 21)

Neste versículo também encontra-se uma correspondência com o Novo Testamento. A imagem do poço da viva água corresponde perfeitamente às palavras usadas por Jesus no diálogo com a samaritana, no Evangelho de João. E ainda:

“…o pacto com o qual se comprometeram com o país de Damasco, ou seja, o novo pacto…” (Doc. Damasco XX, 12)

Tudo isso leva a acreditar que expressões como Damasco e a terra de Damasco, eram utilizadas pelos qumranianos para indicar ora a si mesmos e a sua comunidade, ora o lugar ou os lugares dos seus rituais. Muitos estudiosos concordam com esta opinião, inclusive o mesmo Padre de Vaux (L’archeologie et les manuscrits de la Mer Morte, London 1961), além de J. Barthelemy, A. Jaubert, G. Vermes, N. Wieder e outros. Qual o motivo de os qumranianos adotarem esta denominação? Eles trouxeram inspiração num texto bíblico, Amos 5, 26-27, que de fato vem citado no mesmo Documento de Damasco (VII, 14-15), onde se fala da teologia da deportação e do exílio (veja também Jeremias e Ezequiel).

Em prática, Damasco é visto como um lugar de exílio, um lugar onde os homens pio e puros encontram um abrigo em frente a cólera de Deus. Jeremias e Ezequiel falam dos exilados em Damasco como a parte melhor do povo de Israel.

Os qumranianos, que se separaram autoexilando-se no deserto do Mar Morto para protesto contra a corrupção da classe sacerdotal de Jerusalém, explorando a similitude com os versos bíblicos, comparam a si mesmos aos “deportados na terra de Damasco”, e nomearam Damasco o próprio ritual.

Tudo isso tem um papel fundamental na leitura e interpretação do Novo Testamento. O Professor R. Eisenman (California State University), que acredita na identidade, ou pelo menos numa estrita parentela, entre a comunidade de Qumran e o movimento judeu-cristão primitivo, afirma que o famoso trecho dos Atos dos Apóstolos no qual Paulo é enviado a Damasco pelo sumo sacerdote em busca de cristãos para prendê-los, tenha que ser completamente reinterpretada, entendendo com Damasco não a célebre cidade da Síria, mas este sitio de Qumran.

De fato, é importante observar que na Síria, nem Paulo nem o sumo sacerdote de Jerusalém tinham alguma autoridade. A cidade de Damasco pertencia a outra administração e as autoridades de Jerusalém não tinham nenhum direito de efetuar ações de polícia na Síria. Tudo isso mostra claramente a quantidade de questões que podem nascer de uma atenta análise da origem cristã. E de quanto tenha sido manipulada a memória histórica.

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Fonte: http://mucheroni.br.tripod.com/mar_morto

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/breve-introducao-aos-manuscritos-do-mar-morto/

Mapa Astral de Nikola Tesla

Mapa Astral

O Mapa de Tesla é interessante pois temos o horário de seu nascimento, o que nos permite aprofundar um pouco mais em sua interpretação. O mapa possui Sol e Vênus em Câncer; Lua em Virgem-Libra (Rainha de Espadas) e Marte em Libra, na casa 6; Mercúrio e Saturno em Gêmeos-Câncer (Rainha de Copas); Ascendente e Urano em Touro-Gêmeos (Rei de Espadas); Júpiter e Caput Draconis em Áries na casa 12 e Netuno em Peixes. Seu Planeta mais forte é Urano, com 5 Aspectações.

A genialidade e Imaginação construtiva de Tesla, pela teoria da Astrologia, é dada por sua Aspectação entre Urano e Lua. Urano (Hochma) em Touro-Gêmeos mostra alguém com uma incansável busca e acumulação de conhecimento (Rei de Espadas); sua Lua (Yesod) em Virgem-Libra mostra uma pessoa obsessiva-compulsiva extremamente metódica e perfeccionista (as diversas lendas a respeito de tesla dizem que ele era capaz de criar e projetar uma máquina em sua mente e colocá-la para funcionar em sua imaginação, observando os resultados que ela traria antes mesmo de construir um protótipo). O Meio-do-Céu em Capricórnio-Aquário completa esse quadro de inventor-maluco capaz de dominar todo o conhecimento de um campo a ponto de transcendê-lo, criando coisas novas e inesperadas. O conjunto triplo Mercúrio-Lua-Meio-do-Céu em Signos intermediários é uma combinação bem única e extremamente forte no mapa.

Seu Mercúrio (Hod) está em Gêmeos-Câncer, denotando uma capacidade acima da média para criar e fantasiar. Combinando essa capacidade com as características brilhantes de sua lua e urano, esta “imaginação” era potencializada para criações reais, ou seja, alguém com a capacidade de trazer o imaginário para o mundo real.

Completando o quadro único de Tesla, seu Ascendente em Touro-Gêmeos aumentava, com o passar dos anos, esta capacidade de manifestação de seu intelecto. Júpiter em Áries dava a ele o entusiasmo, dinamismo e capacidade de trabalho sem parar que resultou em mais de 700 projetos (e, em aspectação com a Lua, ampliava ainda mais seu transtorno obsessivo-compulsivo). Por final, Vênus e Sol em Câncer explicam seu gosto pela teatralidade. Tesla era largamente conhecido por apresentar suas inovações e demonstrações ao público de uma forma artística, quase como um mágico.

Uma combinação fascinante de um homem extraordinário.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-nikola-tesla

Formação Estelar, Planeta e Transição Planetária

Paulo Jacobina

À medida que o Agente Modelador passa a atuar no Tecido Elementar, ele molda, no Grande Plano Mental, o Princípio Inteligente, partícula elementar de tudo que compõe o Grande Plano Mental e, consequentemente, é responsável por toda a manifestação que ocorre no Grande Plano Físico.

No polo oposto, o Eu atua unindo o Princípio Inteligente, dando origem a novas Formas-Pensamentos e, consequentemente, a novas manifestações no Grande Plano Físico.

Ao unir o Princípio Inteligente, o Eu começa o processo de estruturação de Formas-Pensamento que se manifestam, em determinado estágio, no Grande Plano Físico como nuvens de gases. Com a intensificação da ação unificadora, buscando aglutinar todas as Formas-Pensamento que ali se encontram, alcança-se um novo estágio de Consciência, a formação estelar.

Em situações nas quais a ação unificadora do Eu exerce forte predominância sobre a ação do Agente Modelador, origina-se apenas uma estrela, a qual passará por todos os estágios da sua jornada existencial, estudada no campo do Grande Plano Físico amplamente pela Astronomia, até transmutar-se, juntamente com outras Formas-Pensamento similares, e dar origem à Forma-Pensamento que anima o reino mineral.

Porém, raramente a ação unificadora do Eu prevalece de forma tão grande à ação do Agente Modelador, e, por isso, outros caminhos são trilhados, caminhos por meio dos quais se formam, por exemplo, dois núcleos de consciência[1] (em fenômeno conhecido como estrelas binárias), ou mesmo situações nas quais há um núcleo maior de consciência e diversos núcleos menores, em um fenômeno conhecido como Sistema Planetário.

O Sistema Planetário nada mais é do que um único organismo que se encontra em processo de depuração, com as suas nadi, que se apresentam como as eclípticas e demais forças que mantêm o sistema coeso; com seus chakra, que se manifestam como os “buracos de minhoca” ou “Pontes de Einstein-Rosen” e como as outras formas de expulsão de elementos para fora do sistema, e de atração de elementos oriundos de regiões externas ao sistema.

Entretanto, por ainda não se encontrar totalmente integrado, ocorre que algumas partes desse organismo se percebem como organismos únicos, mas que se encontram em um processo de interdependência com os outros organismos do seu sistema[2]. Dessa forma, tal como a Escada de Jacó, cada parte do Sistema Planetário atua de acordo com a sua função e o degrau no qual se encontra, estando o Planeta principal[3] desse Sistema Planetário servindo de guia para os demais Planetas do Sistema.

Conforme se depuram os estágios de consciência dos elementos que compõem o Sistema Planetário, processos de transformação ocorrem e os elementos começam a se fundir, pela ação do Eu, dando forma a novos organismos, novos estágios no processo de transformação e sutilização estelar.

PLANETA

Planeta é o nome dado a um estado de consciência do Eu na formação estelar. Esse estado possui gradações e pode se manifestar como a Estrela em si, em seus diversos estágios existenciais, ou como o que se chama comumente de planetas, em seus diversos estágios.

Independente do estágio no qual se encontra, a formação do Planeta se dá pela atuação de infinitos fatores, dentre os quais se podem destacar alguns:

O mais importante são as situações vivenciadas diretamente pelo Planeta, tendo em vista que a jornada existencial é do Eu que ali se encontra e, por isso, ele deve vivenciá-las de forma a encontrar a ressonância necessária para se deslocar na Consciência.

Um segundo fator de destaque está associado à relação do Planeta com aqueles Planetas que se encontram em degraus superiores e inferiores ao seu.

E por fim, a relação do Planeta com Eus que se encontram em outros estágios de Consciência e que, em virtude destes estágios, necessitam passar por experiências que são proporcionadas pelo Planeta no estágio no qual ele se encontra, manifestando-se nos diversos Corpos Existenciais do Planeta. Da mesma forma com que o Planeta auxilia na jornada desse Eu que ali encarna, este auxilia na jornada do Eu que se manifesta como Planeta, contribuindo para a transformação dos seus Corpos Existenciais[4].

Além desse grupo de Eus, também existe aquele que se encontra em outro estágio de Consciência, no qual, pela utilização do Amor, passa a atuar de forma a organizar e manter a coesão na manifestação de grupos de Eus, no que se chama comumente de Psiquismo Diretor.

Assim como ocorre no Eu que se encontra encarnado como homem, o Planeta também possui Corpos Existenciais[5], sendo criado em seu aspecto mais sutil, passando-se a brutalizar-se pela ação do Agente Modelador e, posteriormente, sutilizando-se novamente[6] até integrar-se com o restante do Sistema Planetário, em um processo denominado de Transição Planetária.

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

Tal qual ocorre com a Existência, o Planeta também tem os seus períodos de sístoles e diástoles que provocam a diminuição e o aumento do fluxo de Vitalidade que recebe pelos chakra e são distribuídos pelas nadi.

A Vitalidade inicia o seu fluxo em um período que recebe o nome de Satya Yuga[7]. À medida que o fluxo de Vitalidade diminui, um novo período se inicia, chamado de Treta Yuga[8]. Continuando a diminuir, dá-se origem a terceiro período, o Dwapara Yuga[9]. E, com a constante diminuição do fluxo, um quarto período se inicia, o Kali Yuga[10], um período no qual a Vitalidade quase não alcança o Planeta.

Atingindo o seu ponto de menor fluxo de Vitalidade no final do Kali Yuga, tem-se início a diástole, fazendo com que o Planeta percorra, agora em sentindo inverso, o Kali Yuga, o Dwapara Yuga, o Treta Yuga e o Satya Yuga, quando, ao final deste último período, alcançará o ponto de maior fluxo de Vitalidade[11] e dará início a uma nova sístole. A esse sucessivo processo de sístoles e diástoles[12] do Planeta dá-se o nome de Transição Planetária[13].

Estes fluxos e refluxos de Vitalidade são os responsáveis por permitir que o Planeta experimente a ilusória transitoriedade do seu estado e se depure, percorrendo a trilha do seu Dharma, naquilo que ele é, o Absoluto manifesto.

O ciclo se inicia no maior estágio do fluxo de Vitalidade, pois, além do fato de o movimento se iniciar no seio do Absoluto, é o momento no qual o Eu tem de captar a Vitalidade que será “colocada à prova” nos períodos posteriores, nos quais o fluxo é menor, de forma a fazer com que o Eu compreenda pelo Planeta por intermédio dos seus chakra e das suas nadi. Durante o período de sístole, uma quantidade maior de Vitalidade deixa o Planeta em comparação com a quantidade de Vitalidade que chega; enquanto no período diástole, uma quantidade maior de Vitalidade chega ao Planeta em comparação com a quantidade que sai.

Essa Vitalidade que transita pelo Planeta se manifesta na forma de Eus que se encontram em estágios de maior ou menor sutilização, e que ainda necessitam de experimentar as situações proporcionadas pelo Planeta no qual irão encarnar.

Assim, durante o Satya Yuga, a aquilo que foi captado[14].

A Vitalidade se deslococorre uma intensa chegada de Eus mais sutilizados, e no polo oposto, durante o Kali Yuga, há menor chegada de Eus mais sutilizados.

O fluxo de Vitalidade chega e deixa o Planeta via Sistema Planetário, tendo em vista que o Planeta é parte integrante de um organismo maior, assim como o próprio Sistema Planetário também o é, bem como tudo o que existe e o que não existe também faz parte de um organismo maior, o Absoluto[15].

[1] Aos estágios da Consciência nos quais o Eu se percebe como esses núcleos de consciência, dão-se o nome de Planeta.

[2] De forma similar ao que acontece com o homem, que, muitas das vezes, se vê como um ser único, mas dentro de um processo de interdependência dos outros homens, sem se dar conta de que ele faz parte de um organismo maior, a Humanidade.

[3] No caso do sistema solar, ao planeta principal desse sistema dá-se o nome de Sol. O Dharma de todo sistema planetário, seja ele qual for, é tornar-se uma única estrela e, por fim, formar o princípio inteligente que se manifesta no reino mineral.

[4] Um exemplo básico dessa contribuição encontra-se no estudo das egrégoras.

[5] “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

[6] “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.

[7] Também chamada de Sat Yuga ou Krta Yuga ou Krita Yuga ou Era de Ouro.

[8] Também chamado de Trétha Yuga ou Era de Prata.

[9] Também chamado de Dvapara Yuga ou Era de Bronze.

[10] Também chamado de Era de Ferro.

[11] Sabendo que “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”, também é possível se verificar este ciclo de sístole e diástole em outras escalas existenciais, como a apresentada com o passar das estações do ano, as etapas do dia, a Roda de Samsara ou ciclo das encarnações etc.

[12] “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.

[13] A Transição Planetária é o conjunto de ciclos de sístoles e diástoles da Vitalidade no Planeta, permitindo a sua transformação de maneira a seguir o seu Dharma e, como “o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”, também é possível se verificar esse conjunto de ciclos em outras escalas existenciais, como a apresentada no reinício do movimento de translação do Planeta.

[14] De forma similar ao que ocorre no processo de se criar uma escultura com argila. Primeiro se utiliza uma porção de argila, que é moldada e o excesso é retirado, deixando apenas a base do que se visa construir. Depois, uma nova porção de argila é acrescentada, moldada e o excesso é retirado, para construir a estrutura da escultura. Esse ciclo de acrescentar argila, moldar e retirar o excesso se repete até o objeto ser finalizado.

[15] Pois “enquanto Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo”.


~ Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalista.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/formacao-estelar-planeta-e-transicao-planetaria/

As falácias sobre a magia goética

“O Homem é capaz de ser e usar qualquer coisa que percebe; porque tudo que ele percebe é, de certo modo, uma parte de seu ser. Ele pode, desta forma, subjugar todo o Universo do qual ele é ciente a sua Vontade Individual.”

“Ele poderá atrair para si mesmo, qualquer força do Universo, tornando-se um receptáculo adequado para isto, estabelecendo a conexão adequada às condições para que a natureza desta força faça fluir através dele.” – O que é Magick?, Aleister Crowley

A popularização da goécia trouxe consigo uma grande remessa de mestres – como tudo em ocultismo, a vontade de poder se torna base sustentável de muitas pessoas. De adolescentes que evocavam seus espíritos as escondidas no banheiro a psicopatas que acreditam que estavam em contato direto com espíritos e usavam isso para seu charlatanismo interpessoal, a década de 2000 trouxe consigo muito mais desinformação do que realmente algo prodigioso.

Eu tenho medo, então você não faz

Qualquer um que tenha se deparado na busca de goétia encontrou diversos avisos – desde os mais kardecistas, “você vai atrair obsessores”, passando para os umbandistas “você vai se encher de egum”, ou os mais cristãos “os espíritos vão se vingar de você”. A verdade é que o medo é o pior inimigo e costuma ser contagioso. Os pretensos mestres e ocultistas poderosos que circulam pela internet pouco sabem ou simplesmente não querem que você saiba. Ou podem ser ainda mais egoístas e desejar ambos ao mesmo tempo.

Quando se obtém sucesso do mais ínfimo ao esplendor, a primeira reação é óbvia –  desde o cético “foi pura coincidência” ao melindroso “você vai ver a hora que ele te cobrar”, a pequenez humana não costuma admitir para si a possibilidade de sucesso do outro, ainda mais quando se sente superior aquele outro. “Os meus anos de estudo” costuma ser um escudo eficaz para a covardia.

Eles vão atormentar a sua vida

Devemos ter em mente que magia não encobre burrice. Simplesmente desculpar as suas falhas com “o espírito X está me atormentando” ou “só aconteceu merda comigo depois de evocar Y”, é uma forma simples de desviar da própria culpa. A generalização sempre foi sintoma da estupidez e livrar-se disso deveria ser sua primeira meta como magista.

Um espírito ganha muito mais com você trabalhando a favor dele do que você tentando banir ele. Logo seria contraprodutivo ele “ferrar a sua vida”, simplesmente porque você o evocou – e absurdamente ignorante pensar assim. Qualquer um que realmente já tenha trabalhado com espíritos goéticos, sabe que os mesmos possuem uma inteligência e um conhecimento peculiar. Para os mesmos, é muito mais inteligente produzir toneladas de seguidores do que atormentar qualquer indigente que o evocou por acaso e/ou curiosidade. O próprio anônimo pode ser o canal para trazer mais pessoas para eles.

A ideia comum do ocultismo atual de que os espíritos goéticos estão prontos para atormentar justifica a inutilidade dos próprios ocultistas. Os mesmos são neutros. Assim como anjos causam dor e agonia (vide a bíblia cristã, apocalipse), os demônios podem ter efeitos benéficos. Isso não significa que são “bonzinhos”, significa que foram evocados para esse fim. Nas palavras de Crowley, “toda força no Universo é capaz de ser transformada em qualquer tipo de força pelo uso dos meios adequados. Há deste forma uma inesgotável fonte de qualquer tipo de força que precisemos.”

Interessante relatar também que Crowley e seu discípulo evocaram o espírito Buer para curar seu ex mentor, Allan Bennett. Ele relata isso em Magick – Book 4, sua obra prima em magia. Assim como Bartzabel, um “demônio” do planeta marte, foi evocado por Crowley para que assegura-se o estabelecimento da Lei de Thelema na terra.

Antes de finalizar o calculo dando crédito total ao espírito que está trabalhando por qualquer evento contrario, pense na sua parcela de culpa (isso é se o calculo todo não for culpa sua) e lembre-se de uma máxima: magia não te impede de fazer más escolhas, tampouco te assegura de conserta-las.

 

Eles querem a sua alma

Essas são as primeiras desculpas plausíveis para interromper alguém. Porém antes de dar credibilidade total a isso, pense um pouco: espíritos precisam se alimentar. De uma simples vela acesa passando por sangue animal e/ou humano, o alimento mantém vivo o espírito. Muitas vezes, o alimento pode ser o próprio operador, que ganha características daquele espírito enquanto o mesmo se mantém  sobre ele.

Mas isso não é um fato exclusivo de goécia.

É natural que um operador que entre em contato com Hermes, comece a se comunicar mais com outras pessoas, por mais introvertido que ele seja. Isso se opera porque a energia de Hermes induz ele a isso – e conforme ele se comunica, Hermes se alimenta do mesmo. O mesmo acontece com qualquer espírito/energia, que induzindo uma sensação/sentimento/característica em quem o evoca, acaba por se alimentar disso que está no operador. No Opus Lutentianum,  Crowley relata os efeitos que Zeus teve em sua personalidade/vida conforme foi o evocando. A “possessão” e a durabilidade da mesma permaneceu enquanto Crowley manteve o contato com o espírito.

Isso se defini como evocação – evocar para fora – e invocação – chamar para dentro de si. Porém, na pratica os termos se tornam muito mais superficiais. É fato que toda e qualquer evocação vai ter efeitos na sua psique como se fosse uma invocação. E isso não significa ser algo necessariamente ruim.

Enquanto espíritos como Marte podem acentuar sua coragem, outros como Astaroth e Vassago podem potencializar sua intuição e outros dons psíquicos. Não porque você pede isso a ele, mas sim por ser um efeito colateral de se lidar com aquele espírito. Asmodeus acentua tanto sua libido como sua raiva, assim como Belial faz com a sua ganancia. Porém, psicologicamente você se torna igual as pessoas com quem tem mais contato. É natural do ser humano absorver aquela energia e desenvolver características iguais pelo momento. Quantas pessoas já andaram com você e depois que parou de falar com elas, você notou que elas mudaram? E quantas vezes outras pessoas notaram o mesmo em você?

Um pouco de auto controle e um bom auto conhecimento, é suficiente para driblar quaisquer efeitos que um espírito pode ter sobre você. Entenda que evocar um espírito de discórdia, como Haures ou Andras, instiga seu instinto bélico. Mas isso não é desculpa alguma para agir feito um idiota, assim como desculpar sua tara porque está trabalhando com qualquer espírito de luxuria.

Antes de procurar magia, procure o bom senso.

por King

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-falacias-sobre-a-magia-goetica/

Lon Milo DuQuette fala sobre Goétia

Lon Milo DuQuette, célebre ocultista, emérito escritor é um dos principais membros da Ordo Templi Orientis e da Igreja Gnóstica Católica nos Estados Unidos. Recentemente teve uma de suas obras publicada em português pela Editora Madras, trata-se do “A Magia de Aleister Crowley, Um Manual dos Rituais de Thelema”. Lon escreveu muitos livros importantes e reconhecidos, entre eles estão: “Angels, Demons & Gods of the New Millennium”, “Enochian Vision Magick” e “The Key to Solomon’s Key: Secrets of Magic and Masonry”. Junto com Christopher Hyatt publicou os excelentes “Aleister Crowley’s Illustrated Goetia: Sexual Evocation” e “Enochian World of Aleister Crowley: Enochian Sex Magick”.

Aos sessenta anos de idade, Lon está em plena atividade: além de suas inclinações literárias, DuQuette dá palestras, cursos, seminários e workshops por todo o mundo e produz séries de DVD’s como o box “The Great Work – Iniciation Into the Mysteries”.

Mesmo com uma agenda bastante atarefada e com mais de mil e-mails para responder, Lon nos concedeu uma breve entrevista para falar sobre Goetia. Com a Palavra, Lon Milo DuQuette…

1. Cada Magista possui motivações próprias para praticar a Goetia. Em sua opinião, em quais ocasiões o Magista deveria utilizar a Goetia?

DuQuette – Em minha opinião, a natureza do trabalho Goético é tal que o Magista deve ter uma estaca emocional muito forte no sucesso da evocação.

Para mim, a evocação Goética funciona melhor quando já exauri todos os outros meios para resolver um problema, ou seja, quando não tenho outra escolha.

O problema deve ser de caráter pessoal. Eu aprendi que é desastroso tentar fazer uma evocação Goética para outra pessoa ou junto com outra pessoa.

2. É possível estabelecer uma relação entre a Goetia e o conceito de Sombra de Jung? Como?

DuQuette – Eu não conheço muito sobre Jung, então prefiro não dizer.

3. Goetia é significado de baixa magia para você? Porque há tantos escritores e ocultistas que a condenam?

DuQuette – Quando você evoca um Espírito Goético, você evoca uma espécie de aventura, uma experiência incomum. Essas “aventuras” raramente são agradáveis, na maioria das vezes a experiência é completamente desagradável.

Em todo caso, a evocação terá idealmente o caráter de construir a experiência que o fortalecerá e o transformará no tipo de pessoa que fará com que a sua vontade aconteça. Frequentemente essas experiências podem ser consideradas “baixas e sujas”.

Algumas pessoas consideram Goetia como baixa magia porque na maioria das vezes esse caminho é muito áspero, árduo.

Em minha mente isso poderia ser considerado “baixo” somente porque você está lidando com forças cegas sobre as quais você jamais teve controle antes da evocação.

Isso pode parecer “baixa magia” para pessoas que pensam que Magick é só com anjinhos fofinhos.

4. Em sua opinião, qual é a importância da Goetia para a espiritualidade do Magista?

DuQuette – Pode ser vitalmente importante. Isso depende somente do Magista. Ignorar “o que está abaixo” não é uma boa idéia.

5. O que podemos aprender com essas práticas?

DuQuette – Você pode aprender muito sobre você mesmo nas operações Goéticas.

As pessoas costumam dizer que a Goetia traz o pior daquilo que está no Mago.

Eu lhes falo: Sim! É exatamente isso que deve acontecer!

Trazer o pior de você para que você possa se confrontar com isso… Conquistar isso…

Redirecionar esse poder aterrador para que ele trabalhe por você e não contra você.

6. Qual é a origem dos Espíritos da Goetia? Astaroth, por exemplo, ele possui alguma relação com a Deusa Astarte dos fenícios ou o espírito da Goetia chamado Astaroth é um ser absolutamente independente? Poderia explicar?

DuQuette – É óbvio que muitos dos 72 Espíritos listados na Goetia são corrupções de deidades pagãs. Mas de fato eu não vejo estes como sendo muito mais do que nomes ligados a arquétipos mais genéricos.

7. Conheço praticantes que não executam banimentos após as operações de Goetia. Essa prática é nociva? Os banimentos são recomendados?

DuQuette – Eu faço banimentos antes e após evocações Goéticas. Isso faz parte de minha rotina operacional. Outros Magistas podem se sentir mais confortáveis sem os banimentos. É uma questão que deve ser resolvida por eles.

8. Um espírito da Goetia pode se manifestar através da voz de um ser humano numa operação mágicka? Algo semelhante a uma “possessão” ou estado de transe? Em quais circunstâncias isso seria possível?

DuQuette – Eu acredito que sim, é claro. Eu não me preocupo como isso pode ser possível. Acima de tudo, isso é Magick…

9. Muito se fala sobre os modos de operação da goetia. Quais técnicas poderiam ser recomendadas?

DuQuette – Eu só posso falar sobre o melhor método para mim. Minha técnica é “bem baixa”. Uso uma corda fina de seda negra para fazer o círculo e um triângulo. Não uso as conjurações clássicas, prefiro fazer minhas próprias invocações e conjurações.

10. Tendo evocado o espírito o que garante que ele irá cumprir a vontade do Magista?

DuQuette – O Espírito faz aquilo que é falado ou não faz. Se ele não faz então deve-se evoca-lo novamente e ter uma conversa mais forte com ele. Se após várias tentativas o espírito não resolver cooperar, deve-se considerar a hipótese de conjurá-lo novamente para sua total aniquilação. Eu só tive que fazer isso uma vez.

11. Quais conselhos você daria aos estudantes e Magistas sobre Goetia?

DuQuette – Não mudem de idéia sobre aquilo que querem no meio de uma conjuração.

A tentação para que isso ocorra vem do Espírito que está sendo evocado. Isso foi feito contra você sua vida inteira.

fonte: http://www.mortesubita.org

#Goécia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lon-milo-duquette-fala-sobre-go%C3%A9tia

O Livro Enochiano dos Amuletos e Talismãs

Pesquisa, tradução e adaptação feita
POR ROBSON BÉLLI
abril de 2022

Sumario

Origem deste material
Teoria dos Amuletos e Talismãs
Correspondências.
Geometria Talismanica da Golden Dawn.
Gematria Enochiana.
Magnetizando um Talismã.
Teoria dos quadrados mágicos.
Usos dos quadrados mágicos.
Ritual para magnetizar os talismãs.
O que fazer?
Perguntas para este material
Bibliografia.

Origem deste material

Este material tem origem no livro “The Enochian workbook” e no livro “Advanced Enochian Magic” dos autores Gerald & Betty schueller, obra recomendadíssima para aqueles que desejam entender mais sobre o assunto aqui apresentado, foram usadas inúmeras outras referencias tanto pelos autores quanto por mim (Robson Bélli) para a composição deste material.

Este material se refere a pratica da magia neo-enochiana, não sendo usado em outras vertentes, quaisquer outras duvidas pergunte no grupo, estamos sempre prontos em melhor aconselhar o grupo em suas praticas.
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Teoria dos Amuletos e Talismãs

Talismãs e amuletos são dispositivos bem conhecidos que são usados ​​por praticantes de magia há milhares de anos. Amuletos e talismãs geralmente têm o mesmo design; a principal diferença entre os dois dispositivos é como eles devem ser usados.

Amuletos são geralmente usados ​​no corpo como uma forma de proteção mágica – para afastar forças indesejadas ou entidades hostis. Eles podem ser feitos e usados ​​no corpo sem ser previamente magnetizados. O material de que são feitos influencia você diretamente. Um amuleto deve durar muito tempo, um cristal, um orgonite.

Os talismãs geralmente não são usados ​​no corpo e são construídos e carregados com força mágica para um propósito específico. Um talismã pode ser usado uma vez – então geralmente é cuidadosamente destruído ou recarregado (assim como uma bateria deve ser recarregada periodicamente).

Na Magia Enochiana, amuletos e talismãs são usados ​​como uma expressão física de sua Vontade Mágica. Eles são usados ​​para lembrá-lo do poder de sua Vontade Mágica. Além disso, outros que o virem também serão movidos consciente ou inconscientemente para realizar a sua vontade ou intento.

Correspondências

A construção de um amuleto ou talismã depende de sua função e como será usado. Seu propósito geralmente determina o material do qual é feito, as inscrições que são colocadas nele e o tipo de força ou poder que é invocado nele. Vários metais, cores, pedras preciosas e os dias da semana têm correspondências mágicas com os corpos sutis e planetas. Essas correspondências, mostradas na Tabela a seguir, devem ser consideradas ao projetar/desenhar um amuleto ou talismã.

Correspondências do Talismã

Corpo Planeta Metal Cor Dia Pedra
1 Físico Sol Ouro Amarelo Domingo Topázio, Jade amarelo
2 Etéreo Marte Ferro Vermelho terça-feira Rubi, Hematita
3 Astral Lua Prata Violeta segunda-feira Quartzo, pedra da lua
4 Mental Saturno Chumbo Preto Sábado Onix, Turmalina
5 Causal Vênus Cobre Verde sexta-feira Jade, esmeralda
6 Espiritual Mercúrio (não usar) Laranja quarta-feira Cornalina, Berilo
7 Divino Júpiter Estanho Azul quinta-feira Ametista, Lapis-Lazuli

Outras correspondências

Símbolo Incenso Animal
1 Cruz, candelabro, mandala Olibano, arruda, louro Leão, águia. Ecaravelho, veado
2 Espada, lança, açoite, escudo Café, alho, lavanda, cravo Lobo, Javali, Carneiro
3 Arco e flecha, taça, meia lua Jasmin, Canfora, Acacia Serpente, sapo, peixe
4 Foice, Cranio, Cruz Tau Mirra, Almiscar, Salsa Morcego, Coruja, Corvo
5 Rosa, Pomba, cruz ansata Rosa, Sandalo, Baunilha Pomba, Pavão, Borboleta
6 Caduceu, Livro, Pluma Benjoin, Estoraque, Alecrim Íbis, Macaco, Cão
7 Sino, Flor de liz, Quadrado Hortelã, Olibano, Eucalipto Bufalo, Alce, Elefante

Todas as correspondências aqui descritas foram conferidas no 777 e no livro Kabbalah Hermetica do Marcelo Del Debbio

Geometria Talismanica da Golden Dawn

Na Golden Dawn temos formas geométricas especificas para cada talismã e isso pode ser encontrado no livro “Self Initiation in the Golden Dawn Tradition” do Chic Cicero e Sandra Tabatha Cicero, na realidade a Golden Dawn oferece modelos de talismãs prontos para cada planeta especifico, a seguir algumas informações que podem ajudar você a compor seus proprios talismãs:

Planeta Arestas Nome da forma geométrica
Sol 6 Hexágono
Lua 9 Eneogono
Marte 5 Pentágono
Mercúrio 8 Octogono
Júpiter 4 Quadrado
Venus 7 Heptagono
Saturno 3 Triangulo

Gematria Enochiana

Os dados de origem a partir dos quais as tabelas de gematria foram calculadas são tão preciso quanto várias revisões rápidas poderiam fornecer, mas é não é garantido que seja preciso além da expectativa razoável, e sem dúvida contém pelo menos um erro. Alerta Mago!

VALORES DE GEMATRIA DOS CARACTERES ENOQUIANOS

GOLDEN DAWN CROWLEY ULISSES MASSAD
A 1 6 1
B 2 5 2
C 20 300 10
D 4 4 4
E 5 7 8
F 6 300 9
G 3 9 3
H 8 1 5
I 10 60 10
J 0 0 10
K 0 0 10
L 30 40 11
M 40 90 12
N 50 50 13
O 70 30 15
P 80 8 16
Q 90 40 17
R 100 100 20
S 200 10 14
T 300 400 22
U 0 0 6
V 400 70 6
W 0 0 6
X 60 400 21
Y 0 0 10
Z 7 1 7

Para maiores relações entre cabala, arvore da vida e magia enochiana, recomendo a leitura atenta ao Liber Arphe de Ulisses Massad, As demais gematrias podem ser encontradas através de estudos no Liber 777 e The Golden Dawn de Israel Regardie.

Magnetizando um Talismã

Os talismãs devem ser recarregados periodicamente. Os passos necessários para construir e carregar um talismã enoquiano são os seguintes:

1. No dia indicado na Tabela de correspondencias, faça um talismã em forma de pantáculo de preferencia com o metal mostrado na mesma tabela. Se os metais não estiverem disponíveis, use um substituto, como madeira ou papel pintado na cor apropriada, conforme indicado na Tabela. Esta cor serve como a cor de fundo do talismã e não da tinta.

2. No mesmo dia, inscreva o talismã com os números e símbolos apropriados. Por exemplo, se invocar uma divindade, use o número de gematria do nome do deus e sigilo, se conhecido.

3. No dia apropriado (veja a Tabela de correspondencias), realize um ritual de invocação para carregar o talismã (um ritual típico para este propósito é dado mais adiante).

4. Após carregar o talismã com a força adequada, enrole-o em linho branco ou seda e guarde-o cuidadosamente em sua própria caixa para ajudar a manter a carga até que seja usado.

5. Use o talismã quando e onde for necessário para obter o resultado desejado.

Geralmente isso feito é durante um ritual apropriado onde o talismã é usado para enfatizar o propósito desejado e garantir um resultado favorável.

Exemplo:

Vejamos um exemplo, mas lembre-se de que não existem regras rígidas e rápidas. Use os símbolos/sinais disponíveis neste e em outros livros e coloque-os juntos de uma maneira que seja do seu agrado. Uma regra da Golden Dawn era “Na construção de um talismã, o simbolismo deve ser exato e em harmonia com as forças universais”.

Exemplo:

A Figura acima mostra um talismã que pode ser usado para obter riqueza, fertilidade, abundância e prosperidade geral. Ele emprega o poder mágico de ALHKTGA, o quarto Sênior da Terra. Este talismã é projetado com um heptágono de sete lados que tem uma letra do nome do Sênior em cada espaço. Deve ser feito de cobre e pintado de verde (o metal e a cor de Vênus porque este Sênior está associado a Vênus.

O centro do talismã contém um pentagrama verde com o número 338 no centro. O verde esmeralda é a cor especial do ALHKTGA. O pentagrama simboliza o número 5. (O valor da gematria do nome deste Sênior é 338 que se reduz a 5 por adição teosófica. Ou seja, você adiciona os três números que compõem o valor da gematria, 338, (3+3+8=14) e, em seguida, some os números que compõem o resultado, 14, (1+4=5), para obter um valor de 5.

Os principais símbolos deste Sênior também estão incluídos: uma rosa vermelha e um amuleto vermelho de cinco faces. O vermelho é usado porque é o complemento do verde, a cor de ALHKTGA. Ao lado da parte superior da estrela está o signo mágico do elemento Terra (elemento deste Sênior); e abaixo do pentagrama temos o símbolo de vênus.

Teoria dos quadrados mágicos

 

Um antigo texto egípcio diz: “A vida de uma pessoa é investida em seu nome”. Esse antigo ensinamento expressa a ideia de que os nomes têm poder no sentido de que, se você souber o verdadeiro nome de algo, terá um grau de controle sobre ele. Nomes e palavras sempre foram considerados importantes na magia.

A Magia Enoquiana usa nomes e palavras enoquianas. Algumas palavras podem ser colocadas juntas de uma maneira especial para formar um quadrado. Estes são chamados de Quadrados Mágicos.

As tabelas abaixo mostram dois típicos Quadrados Mágicos Enochianos.

 

N E M O
E M O A
M O A D
O A D O

NEMO. Este quadrado soma 516, o número para MIKA-SOESA que significa “o poderoso salvador interior”.

Também 516 = 129×4 onde 129 é o número para MOZ que significa “alegria”. Além disso, 516 = 12×43 onde 43 é o número para BALT-ZA que significa “na justiça”. AIK BKR reduz 516 e 129 para 12 que reduz a 3, “o filho ou soma de um” (o pai supremo) e “dois” (a mãe suprema). Esta é a praça de NEMO, o Magister Templi ou Mestre do Templo.

 

B A B A L O N
A D A N O D O
B A H A N O Q
A N A N A E L
L O N A S M I
O D O R M N A
N O Q L I A D

BABALON. Este quadrado soma um total de 1183, o número de KA-KAKOM-ZORGE que significa “fazer o amor florescer”. Também 1183=169×7, onde 169 é o número para RIT que significa “misericórdia” e PIR, “brilhante”. AIQ BKR reduz 1183 para 4, o número para definição através da memória.

BABALON é a corrente feminina encontrada nos Aethyrs, ADNA-ODO implica abrir-se ao conceito de obediência; BAHA [L]-NOQ [01 é “o clamor de um servo fiel”; ANANAEL significa “a sabedoria secreta”; LONSA-MI sugere o poder ou energia que está latente em todos; ODO-EMNA pode significar “abrir-se a partir de agora” e NOQ[01-L-IAlD pode significar “o servo supremo (ou ministro) de Deus”.

Uma interpretação deste Quadrado Mágico é:

Ó BABALON

Reverências a você.

Receba-me,

Seu servo fiel

Quem proclama sua Sabedoria Secreta.

Você é o poder que reside em todos.

Receba-me,

Por agora e para sempre.

Usos dos quadrados mágicos

O uso de tais quadrados é variável. Por exemplo, muitos, se não todos, os Quadrados Mágicos podem ser transformados em talismãs, devidamente carregados, e então usados ​​em rituais mágicos. De acordo com o livro da  magia de Abramelin, simplesmente ter tal quadrado em sua pessoa e tocá-lo, enquanto faz um desejo correspondente, ajudará a tornar esse desejo realidade.

Muitos magos, especialmente aqueles que praticam Magia Enochiana, os usam para meditação. Cada letra representa uma ideia mágica especial, conforme mostrado na Tabela abaixo.

Letra ZODIACO/ELEMENTO Tarô
A Touro Hierofante
B Aries Estrela
C, K Fogo Julgamento
D Espirito Emperatris
E Virgem Eremita
F Cauda Mago
G Cancer Carruagem
H Ar Louco
I, J, Y Sagitario Temperança
L Cancer Carroagem
M Aquario Imperador
N Escorpiao Morte
O Libra Justiça
P Leão Força
Q Agua Pendurado
R Peixes Lua
S Gêmeos Amantes
T Leão Força
Caput Draconis Alta sacerdotiza
U, V, W Capricornio Diabo
X Terra Universo
Z Leão Força
Caput draconis Alta sacerdotiza

Quadrados de letras podem fornecer a base para meditações poderosas simplesmente concentrando-se nos significados das letras e sua disposição dentro dos quadrados.

Os três exemplos a seguir são fornecidos.

Exemplos

Exemplo 1. O quadrado LAMA.

L A M A
A A I T
M I A O
A T O L

Este quadrado contém as palavras enoquianas, LAMA-AAI-T-MI-AOA-TOL, que podem ser traduzidas como “o caminho que está dentro de você leva ao poder que está dentro de todos”, ou “o caminho em você é o poder em todo.” Este quadrado contém a ideia de que todos nós temos uma fonte interna de poder que podemos usar para superar quase todos os problemas que podem surgir se soubéssemos como. O valor da gematria de todas as 16 letras é 430 e isso se reduz a 7 (4+3+0=7), o número para integridade e completude. Este quadrado deve ser usado sempre que nos sentimos indignos ou mal sucedidos para aumentar nossa auto-estima e otimismo.

Exemplo 2. O quadrado PAHS.

P A S H S
A B R A M
S R O R N
H A R G A
S M N A D

Este quadrado contém as palavras enoquianas, PASHS-ABRAM-S-ROR-NHARG-A-SMNAD, que significam “As crianças são providas pelo Sol. Posso conceber uma assim”, ou “As crianças são preparadas pelo Sol. Que eu semear outro.” Este quadrado contém a ideia de que as crianças são um presente da divindade criativa porque o Sol foi ensinado pelos antigos a ser a mais alta divindade criativa em nosso sistema solar. O valor da gematria de todas as 25 letras é 802 que a adição teosófica reduz a 1 (8+0+2=10, 1+0=1). O número 1 é o número para a mônada, unidade e para masculino e feminino conjugados. Tomado em conjunto, este quadrado deve ser usado para garantir a fertilidade ao tentar produzir um filho.

Exemplo 3. O quadrado ZORGE.

Z O R G E
O I L
R I T Z
G A
E L Z A P

Este quadrado representa um tipo popular de quadrado, um quadrado incompleto, pois nem todas as posições contêm letras. O quadrado contém três palavras enoquianas: ZORGE, que significa amor; RIT, significando misericórdia; e ELZAP, significando o caminho. Sugere que a maneira correta de viver é com misericórdia e amor. As 19 letras enoquianas têm um valor total de gematria de 489 que reduz para 3 (4+8+9=21 e 2+1=3), o número de palavras usadas. O número 3 indica inteligência e manifestação. Sugere que a maneira inteligente de viver neste mundo é expressar amor e misericórdia. Este quadrado deve ser usado por qualquer pessoa que queira ver mais amor e misericórdia em suas vidas.

Ritual para magnetizar os talismãs

Talismãs

Ritual para Carregar o Talismã

PASSO 1.

Faça um círculo mágico. Coloque uma mesa ou altar no centro. Coloque o Talismã de no altar. Entre no círculo.

PASSO 2.

Conduza o Ritual de Invocação do Pentagrama e depois o Ritual de Invocação do Hexagrama para invocar as forças necessárias da Torre de Vigia.

PASSO 3.

Vire a face para a respectiva Torre de Vigia (direção).

PASSO 4.

Entre no seu Corpo de Luz (conforme ensinado no Livro do Mochileiro dos éteres).

PASSO 5.

Trace o Hexagrama de Invocação de (do planeta da entidade).

PASSO 6.

Vibre os nomes:

(nome divino de 12 letras da torre adequada)

(nome do rei da torre adequada)

(nome do sênior da torre adequada)

PASSO 7.

Assuma o caráter e a forma divina da entidade enochiana que vai atuar no talismã. Deixe seu Corpo de Luz assumir a aparência deste anjo.

PASSO 8.

Recite uma invocação:

Ó (nome do anjo), (titulo) da atalia do (elemento), Venha a mim e me ajude.

Ajude-me a eliminar tudo o que se opõe ao meu progresso.

Conceda-me sua grande dádiva de (campo de atuação da entidade).

Ajude-me em minha Vontade Mágica E dilacere meus inimigos.

PASSO 9.

Assuma o caráter do anjo (veja-se como se fosse o mesmo).

PASSO 10.

Agindo como se fosse o anjo, estenda sua mão direita sobre o Talismã e veja uma névoa das cores do sigilo da atalaia correspondente. Deixe sua mão e entre no Talismã carregando-o com seus poderes e habilidades.

PASSO 11.

Retorne a sua própria forma. Retorne ao seu corpo físico.

PASSO 12.

Trace o Hexagrama de Banimento de (do planeta da entidade).

PASSO 13.

Conduza o Ritual de Banimento do Pentagrama e depois o Ritual de Banimento do Hexagrama para banir as forças da Torre de Vigia.

O que fazer?

  1. Faça seu próprio Talismã de um anjo a sua escolha e necessidade de acordo com as regras dadas na Lição.
  2. Faça um talismã do quadrado LAMA ou de qualquer outro a sua escolha e necessidade.

Perguntas para este material

  1. Qual é a diferença entre um talismã e um amuleto?
  2. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​como talismãs mágicos.
  3. Verdadeiro ou Falso: A construção de um amuleto ou talismã depende do seu uso.
  4. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​para meditação.

 

Bibliografia

Self Initiation of the Golden Dawn Tradition. By Chic Cicero and Sandra Tabatha Cicero, Llewellyn.

Kabbalah Hermetica. By Marcelo Del Debbio, Daemon editor.

Liber Arphe, By Ulisses Massad, V0.15 2015

Liber 777, Aleister Crowley, Weiser Books

The Golden Dawn. Ed by Israel Regardie, Llewellyn.

The Sacred Magic of Abramelin the Mage. Trans, by S.L. Macgregor Mathers, Dover.

The Magus. Francis Barrett, Citadel.

The Book of the Goetia of Solomon the King. Ed. by Aleister Crowley, Magical Childe.

Amulets and Superstitions. E.A. Wallis Budge, Dover.

Egyptian Magic, E.A. Wallis Budge, Citadel.

The Complete Book of Spells, Ceremonies & Magic. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Secret Lore of Magic. Idries Shah, Citadel.

The Book of Ceremonial Magic, a Complete Grimoire. A.E. Waite, Citadel.

The Legend ofAleister Crowley. RR. Stephensen and Israel Regardie, Llewellyn.

The Eye in the Triangle. Israel Regardie, Llewellyn.

A Pictorial History ofMagic and the Supernatural. Maurice Bessy, Spring Books.

The Complete Book ofAmulets & Talismans. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Book of Ceremonial Magic: A Complete Grimoire. A. E. Waite. Citadel.

Techniques of High Magic; A Manual of Self-Initiation. Francis King and Stephen Skinner, Doubleday.

Applied Magic. Dion Fortune, Weiser.

The Swordand the Serpent. Denning & Phillips, Llewellyn.

The New Magus. Donald Tyson, Llewellyn.

The Golden Dawn. Ed. by Israel Regardie, Llewellyn.

The Key ofSolomon the King. S. Liddell MacGregor Mathers, Weiser.

The Secret Rituals ofthe O.T.O. Ed. by Francis King, Weiser.

The Book of the Goetia of Solmon the King. Trans, by Aleister Crowley, Magickal Childe.

Buckland’s Complete Book of Witchcraft. Raymond Buckland, Llewellyn.

A Witches Bible Compleat. Janet and Stewart Farrar, Magical Childe.

Planetary Magick. Denning and Phillips, Llewellyn.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

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