Zhuangzi – O Irreverente

Por Gilberto Antônio Silva

O Taoísmo é uma das filosofias que mais marcou o pensamento chinês em todos os tempos. Mas quando se fala sobre essa filosofia, normalmente pensamos em Laozi (Lao-Tzu) e sua obra, o Tao Te Ching, ou então no I Ching, a obra clássica do taoísmo. Poucos se lembram desta figura irreverente e extrovertida, que com seu humor levou a filosofia do Tao a imperadores e intelectuais: Zhuangzi (Chuang-Tsé).

O Homem e a Obra

Pouco se sabe sobre a vida deste grande sábio. As únicas referências históricas são as notas do grande historiador chinês Sima Qian (145-85 a.C.) em sua obra Shiji (Registros do Historiador). Segundo nos chega do distante passado chinês, Zhuangzi nasceu com o nome de Zhuang Zhou, em Meng, e viveu por volta do século IV a.C. tendo sido funcionário público por algum tempo.

Os escritos atribuídos a ele somam 33 capítulos, dos quais apenas os 7 primeiros podem ser endossados com relativa segurança, segundo consenso geral entre os estudiosos. Os demais parecem ter sido acrescentados ao corpo da obra principal séculos depois, embora possuam em muitas passagens os mesmos traços característicos do grande sábio.

Sua escrita se revela em traços cômicos e críticas irônicas, às vezes cruéis, de seus opositores, particularmente os confucionistas. Apegados aos rituais e às regras de moral de Confúcio, eles batiam de frente com a liberdade e a não-ação (Wuwei) pregadas pelo taoísmo defendido por Chuang-Tsé. Suas histórias, às vezes verdadeiras piadas, são partes muito queridas e apreciadas da literatura chinesa, principalmente por intelectuais, visto que muitas vezes sua obra se reveste de uma sutileza ímpar.

Mas vamos dar a palavra ao sábio chinês e deixar que você mesmo julgue.

A Cauda da Tartaruga

Zhuangzi estava pescando certa tarde em um lago. Eis que chegam dois altos dignatários do Imperador e se dirigem a ele, cheios de formalidade:

– Grandíssimo senhor, sois Mestre Zhuangzi?

Zhuangzi olhou desconfiado para eles e respondeu simplesmente:

– Sou Zhuang.

– Ah, finalmente o encontramos. O Imperador solicita ao senhor que aceite ser seu Ministro de Estado, com todas as honras e privilégios do cargo, devido à sua grande sabedoria.

Zhuangzi pensou um momento e respondeu:

– Num santuário imperial existe a carapaça de uma tartaruga sagrada que viveu mil anos. Ela está no altar principal e é reverenciada e admirada por todos. Mas diga-me: essa tartaruga preferia ter sua carapaça morta honrada e admirada ou preferia arrastar sua cauda na lama?

– Ora, ela com certeza iria preferir arrastar sua cauda na lama!

– Muito bem, ide então. Vou continuar arrastando minha cauda na lama – disse ele, voltando à sua pescaria.

O Sonho

Zhuangzi estava muito preocupado, sentado em uma pedra. Um amigo seu perguntou qual o problema.

– Esta noite sonhei que era uma borboleta. Batia minhas asas e voava de flor em flor, feliz e contente. Era uma sensação muito vívida e a liberdade, maravilhosa. Repentinamente acordei de meu sonho e voltei a ser Zhuang.

– Ora, e o que tem isso de extraordinário? Todos, às vezes, sonhamos dessa forma.

– Sim, mas quem sou eu? Serei Zhuang que sonhou ser uma borboleta ou serei uma borboleta que está sonhando ser Zhuang neste momento?

A Resposta de Laozi

Um homem chamado Nanjung Chu procurou Laozi na esperança de encontrar respostas às suas preocupações. Ao se aproximar, Laozi falou:

– Por que me procurou com toda essa multidão de gente?

Ele se virou para trás para ver que multidão havia, mas nada viu.
[Essa história é muito interessante por ser a ancestral do conto Zen da xícara vazia, que todo mundo conhece. A multidão a que se refere Laozi é o conjunto de conceitos, velhas idéias, certo e errado, vida e morte, preconceitos e outros que carregamos aonde vamos. Ao buscar novas idéias, devemos nos afastar desta “multidão” que nos segue aonde quer que vamos.]

O Vinho e o Tao

Laozi estava sentado em uma taberna, saboreando seu vinho quando passou Confúcio e o viu pela janela. Entrando cautelosamente, procurou o sábio e o repreendeu:

– Você prega a sabedoria do Tao e está aqui tomando o vinho da embriaguez? Não tem vergonha? O que dirão as pessoas ao verem você aqui?

Laozi olhou para ele e encheu o copo.

– Onde mora o Tao?

Confúcio nem piscou.

– Ora, o Tao está em todo lugar.

– Então o Tao está nesta mesa, neste banco, neste copo e neste vinho, não? Então não existe problema nenhum: estou me embriagando de Tao.

Confúcio não respondeu e saiu. Chegando junto a seus discípulos, estes lhe perguntaram por que estava tão transtornado e ele lhes respondeu:

– Hoje vi um dragão.
[Quer dizer, uma pessoa de grande sabedoria. Esta história ilustra a maneira como Zhuangzi falava dos confucionistas e como a liberdade taoísta se chocava com as regras morais do confucionismo]

Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo e Jornalista. Como Taoísta, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia-religião chinesa. Site: www.taoismo.org

#Tao

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Thanos e a Mão de Santa Teresa

Em 4 de Outubro de 1582 Santa Teresa morre em Alba de Tormes e é sepultada. Nove meses depois, o túmulo é aberto, o corpo está incorrupto, e partes são retiradas e levadas como relíquias, entre elas esta Sagrada Mão. A mão é levada para Ávila. De Ávila a Mão é enviada para Lisboa, para o novo Convento de Santo Alberto, do ramo das Descalças. Por causa das Guerras da Restauração, as freiras fogem do Convento, e vão para São Miguel de Alfama, levando a Mão. Regressam passados 24 dias. Em 1755 o Convento ficou bastante danificado, por causa do terramoto, e as Descalças foram para São Sebastião da Pedreira e levaram a Mão. Regressaram no fim das obras, e com elas a Sagrada Relíquia. Em 1834 são extintas em Portugal todas as Ordens Religiosas. Às monjas é permitido ficarem nos Conventos até à morte da última freira. A 8 de Abril de 1880 morre a última Carmelita de Santo Alberto (as pupilas foram dispersas por casas de caridade). O Convento foi inventariado e saqueado, e a Sagrada Mão foi entregue ao Patriarca de Lisboa. A pedido do Patriarca, em 1889 chega a Lisboa, um pequeno grupo de carmelitas, vindo de Espanha, e a Mão é-lhes entregue um ano depois. Em 1910, com a instauração da República, as 18 professas são expulsas de Portugal e de forma a salvar a Mão, a prioresa esconde-a no hábito, e as monjas vão para Espanha. Dispersas por vários Conventos espanhóis, as monjas portuguesas ansiavam por ficar todas juntas, num mesmo convento, e que com elas ficasse a Sagrada Mão. Assim, em 1924, as religiosas portuguesas ficaram todas juntas no Convento de Ronda, em Málaga. Com a Guerra Civil em Espanha, a Mão é confiscada, e Franco exige que a Mão lhe seja entregue. A partir desse momento, nunca mais o ditador se separou da Sagrada Mão, e tinha-se sempre na banquinha de cabeceira. Só depois da sua morte é que a família devolveu a Mão ao Convento de Ronda, onde ainda hoje está, alvo de tanta devoção, esta Mão, que tal como a sua Dona, nunca sossegou…

– Texto de Alex Manoel

Qualquer semelhança com uma outra luva famosa da Marvel é mera coincidência… ou não?

#Arte

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Wuwei – A Água e a Pedra

Por Gilberto Antônio Silva

O conceito de não-ação (wuwei) é um dos conceitos taoistas mais mal compreendidos no Ocidente. Muitos pesquisadores acreditaram tratar-se de um fatalismo e de uma “filosofia da indolência”, onde aceitar o que acontece de forma passiva e esperar as coisas acontecerem são os fundamentos. Nada mais longe da verdade.

O Tao é uma constante não-ação

Que nada deixa por realizar

Tao Te Ching, Capítulo 37

Wuwei simboliza a aceitação do fluxo de acontecimentos e a atenção a cada pequena chance de alterar a direção deste fluxo. Todos sabemos que as circunstâncias nos conduzem em determinada direção, mas que dentro deste direcionamento sempre podemos fazer pequenas alterações e correções de rota.

Lutar contra a correnteza, se rebelar contra a direção em que nossa vida se volta, costuma trazer problemas. Os chineses antigos afirmavam que compreender o fluxo das coisas e se adaptar a ele é o primeiro passo para obter seu controle. Estando consciente da direção em que se segue, podemos prever o rumo possível dos acontecimentos e efetuar medidas que nos levem a uma situação melhor.

Saber aceitar e aprender a conduzir são as sementes da sabedoria da não-ação.

A noção de Wuwei juntamente com o conceito de Yin/Yang formam as bases sobre as quais se assenta a filosofia do Taoísmo aplicada à vida. “Wu” pode ser traduzido como “nada” ou “ausência”. “Wei”, segundo Alan Watts, um dos maiores estudiosos da filosofia oriental, também pode significar ser, fazer, praticar, criar, embora no contexto taoísta signifique interferência ou coerção. Portanto, Wuwei significa “não-interferência”. Algumas pessoas que traduzem esse termo apenas por não-ação acabam gerando alguns mal-entendidos.

Esse conceito é muito antigo e faz parte dos ensinamentos taoistas desde longa data. O historiador Sima Qian (145-86 a.C.) escreveu no Shi Ji (Arquivos de História), no século I a.C., que o Taoismo já enfatizava o Wuwei e que “é mais difícil de entender do que de praticar o que prega”. Realmente, a não-ação é mais fácil de exercer do que de ensinar.

Os taoistas adoram usar como exemplo de sua filosofia a água. Ela transmite como ninguém a noção de flexibilidade e de força. Pode-se matar a sede com ela; mover um gerador ou um monjolo (espécie de moinho muito usado no interior de São Paulo); cortar uma chapa de aço maciça e furar pedras duríssimas. Não se pode confundir flexibilidade com fraqueza. Bem, a água sempre escoa de um lugar mais alto para um mais baixo, impelida pela força de gravidade. Ao encontrar um obstáculo, a água o desgasta, dissolve ou o leva consigo. Na impossibilidade de seguir essas opções, a água se desvia e segue o seu curso normal.

Também o homem segue o seu curso, movido por uma força que ele não pode controlar: o TEMPO. O tempo passa, os dias viram anos e todos as pessoas sentem esse fluxo, quer estejam num eremitério do Himalaia, quer estejam num carro em Nova York. Nesse constante fluir os seres humanos se defrontam com inúmeros obstáculos: doenças, pressões no trabalho, promissórias vencidas, filhos turrões, falta de liberdade. Esses obstáculos como todos os outros são encarados como uma verdadeira guerra, causando depressão, estafa, enxaquecas, doenças cardiovasculares e sabe-se lá o que mais.

Não pensem que isso é novidade. Desde que o homem existe, ele enfrenta muitos obstáculos e os taoistas descobriram um meio de vencê-los como a água o faz: Wu Wei.

A coisa mais macia da Terra vence a mais dura.

O que não existe penetra até mesmo no que não tem frestas.

Nisso se reconhece o valor da não-ação.

O ensino sem palavras, o valor da não-ação,

são raros os que o conseguem na Terra.”

Tao Te Ching, Capítulo 43

Wuwei é a não-interferência com o fluxo da vida. O tempo se escoa e com ele enfrentamos diversos obstáculos. A grande maioria deles se desfaz sozinha com o passar do tempo (embora nos preocupemos um bocado antes disso). Quantas vezes nos preocupamos com assuntos além do nosso alcance ou que a preocupação ocupa o lugar de uma consideração séria que poderia resolver a questão. Quanto gasto inútil de energia e quanto estresse gerado. A atitude dos taoistas é de deixar as preocupações inúteis de lado e resolver o problema de modo organizado ou, então, esperar que a solução se dê por si mesma.

Assim também o Sábio permanece na ação sem agir,

ensina sem nada dizer.

Tao Te Ching , Capítulo 2

Zhuangzi contou a estória de um bêbado que caiu de uma carroça em movimento sem sofrer um arranhão, onde outra pessoa teria morrido. Ele não sofreu nada porque não estava consciente de si, nem parou para pensar no que poderia acontecer com a queda. Da mesma forma, quanto mais se pensa num problema, pior ele fica. Como exemplo de aplicação, podemos citar as artes marciais do Tai Chi Chuan e do Aikido. Embora não oponham força à agressão, conseguem dominar qualquer adversário sem necessidade de machucá-lo. Isso só pode ser obtido através da aplicação do Wuwei. Essas artes taoistas não tomam a iniciativa do ataque, mas esperam pelos movimentos do adversário e deixam que eles os guiem para a melhor forma de defesa. No clássico taoísta “Texto Sobre o Tai Chi Chuan” de Wang Zongyue, consta a seguinte passagem: “Se este (o adversário) se move rapidamente, responde-se com rapidez; se ele se move lentamente, deve-se imitá-lo”. Da mesma forma, se ele avançar, recuamos e vice-versa. Atitude igual deve ser mantida na vida cotidiana. Para se realizar um projeto, deve-se esperar a situação oportuna, ou estaremos fadados a falhar.

Essa atitude de espera por uma época propícia é exaustivamente abordada pelo I Ching, o Livro das Mutações como na passagem a seguir: “Em seu dia próprio, você verá que lhe darão crédito. Supremo sucesso, propiciado pela perseverança (na conduta atual)” — Hexagrama 49, Revolução.

Aguardar a época propícia para alguma realização ou esperar que o problema se resolva por si mesmo não é fácil, pois sempre queremos ter o controle absoluto de tudo. Mas estamos em um barco à mercê da correnteza e será menos trabalhoso se evitarmos remar contra ela. Ao se defrontar com uma época ruim, pense que os ciclos Yin e Yang sempre se alternam e para cada hora de trevas existe uma hora de luz radiante.

Quem estima a Vida não age nem faz planos.

Tao Te Ching, Capítulo 38

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao

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Kabbalah Hermética

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Começa hoje o Projeto do Livro de Kabbalah Hermética! Durante os próximos 60 dias, acompanhando todos os 49 dias do Sefirat ha Omer, faremos a campanha de divulgação deste que será o maior projeto de Kabbalah Hermética já feito em língua portuguesa.

Todos que apoiarem o Projeto nas próximas 48 horas receberão de presente (além das Metas que alcançarmos) um cupom de desconto de 50% para qualquer compra nos meus cursos do EADeptus (o que é uma excelente notícia, pois o Curso de Qlipoth, a Árvore da Morte, começa agora dia 18/04).

A Kabbalah Hermética é baseada na Cabalá judaica, adaptada para a Alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Rosacruz, Maçonaria, Golden Dawn e praticamente todas as Ordens Herméticas a partir do século XIX.

Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística. Em suas quase 700 páginas ricamente ilustradas, o livro aborda as diferenças entre a Cabalá Judaica e Kabbalah Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre os Elementos da Alquimia, Planetas, Números, as Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod, Malkuth e também Daath) e todas as nuances dentro de cada uma das Esferas (A Árvore da Vida dentro de cada uma das Sephiroth); os 22 Caminhos (e suas diversas correlações dentro da Geometria Sagrada), além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, Arcanos do Tarot, runas, principais obras de arte e símbolos associados a cada um dos Caminhos.

Este livro é resultado de mais de 15 anos de pesquisas dentro do Hermetismo e Esoterismo Ocidental. O autor, Marcelo Del Debbio, é um dos mais conceituados nomes no hermetismo brasileiro. Mestre Maçom, é Arquiteto com especializações em Semiótica e História da Arte. Tomou contato com a alquimia, o hermetismo e a Cabalá judaica ao aprofundar os estudos na Arte Renascentista e se apaixonou pela grandiosidade do simbolismo contido nessa estrutura intelectual.

Todos os grandes mestres da humanidade beberam nas fontes da Árvore da Vida. Leonardo DaVinci, Rafael Sanzio, Michelangelo, Giovanni Bellini, Jan van Eyck, Caravaggio, Vasari, Albrecht Dürer, Ticiano, Boticelli, Hieronymus Bosch e inúmeros outros tiveram suas lições vindas dos cabalistas recém convertidos ao cristianismo e deixaram para sempre as marcas destes ensinamentos escondidas em suas pinturas.

Autores de grandes sagas, como George Lucas, Tolkien e J.K.Rowling seguiram passo a passo a “Jornada do Herói”, descrita por Joseph Campbell diretamente da Jornada na Árvore da Vida, explorando cada um dos estados de consciência da humanidade.

Entendendo a Kabbalah Hermética, você conhecerá a origem dos deuses, demônios, heróis, monstros, histórias e mitos de todas as religiões; conhecerá as bases de todas as Ordens Iniciáticas e religiões; os segredos da Geometria Sagrada, do Tarot e da Astrologia.

COMO APOIAR ESTE PROJETO

Na página da Kabbalah Hermética, existem diversas maneiras de se apoiar este projeto:

KABBALAH HERMÉTICA – R$ 250 – Receba na sua casa o Livro e mais todas as metas que conseguirmos conquistar no Projeto.

PATRONO – R$ 300 – Mais do que apenas ter o livro, faça parte dele! Com este apoio, receba em casa o Livro autografado e seu nome nos agradecimentos!

DOIS LIVROS – R$ 500 – Um para você e outro para uma pessoa querida. Receba 2x as metas conquistadas, os dois livros autografados e os 2 nomes nos agradecimentos.

LOJA PATROCINADORA – R$ 1.100 – Se você faz parte de um grupo de estudos, uma Loja Maçônica, um Capítulo Demolay; templo Rosacruz… se tem um site, blog, podcast, loja, banda, HQ, Projeto, artesanato esotérico ou qualquer atividade ligada ao Hermetismo, este Apoio foi feito para você. Receba 5 Livros, 5x as metas atingidas, autógrafos, nomes nos agradecimentos, o Brasão de sua Loja/Capítulo/Projeto na área de Patronos, além de uma pequena descrição sobre o seu grupo.

Estes são os Apoios básicos do projeto, mas você pode adicionar outros Livros com seu Apoio, bastando acrescentar os valores deles nos apoios:

☯ Enciclopédia de Mitologia – R$ 100,00

☯ H.K.T. (Hermetic Kabbalah Tarot 1) – R$ 150,00

☯ H.K.T. 2 (Hermetic Kabbalah Tarot 2) – R$ 75,00

☯ As Aventuras de Lilith – R$ 45,00

☯ As Aventuras de Ísis – R$ 45,00

☯ As Aventuras de Hércules – R$ 45,00

☯ Posters “Arvore da Vida” e “Lamen” – R$ 30,00

METAS

Se conseguirmos os valores estipulados, conseguiremos imprimir e enviar os livros para todos os apoiadores, mas conforme as Metas vão sendo batidas, todos os apoiadores ganham presentes da Editora. Quanto mais gente apoiar, mais presentes todo mundo ganha!

☯ R$ 50k – Projeto Financiado

☯ R$ 60k – Marcador de Página TERRA

☯ R$ 65k – Marcador de Página AR

☯ R$ 70k – Marcador de Página ÁGUA

☯ R$ 75k – Marcador de Página FOGO

☯ R$ 90k – Poster “Rosacruz Hermética”

☯ R$ 100k – Gravaremos um Curso de Mitologia Grega no EADeptus que será gratuito para os apoiadores deste Projeto.

☯ R$ 110k – Marcador de Página MALKUTH

☯ R$ 120k – Marcador de Página YESOD

☯ R$ 130k – Marcador de Página HOD

☯ R$ 140k – Marcador de Página NETZACH

☯ R$ 140k – Marcador de Página TIFERET + Poster “Escada de Jacob”

☯ R$ 150k – Livro dos Salmos Liturgia Mágica – Sepher Shimmush Tehillim”

e mais…

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/kabbalah-herm%C3%A9tica

Dan Brown e o Símbolo Perdido

Publicado no S&H dia 18/9/09,

To Live in the World without becoming
Aware of the meaning of the World is
Like wandering in a Great Library
Without touching the books
– The Secret Teachings of all Ages

Esta semana está sendo mega hiper corrida, mas só para não deixar passar batido, li hoje o novo livro do Dan Brown, “The Lost Symbol” (tradução “O Símbolo Perdido”) e gostei bastante. Será com certeza leitura obrigatória para os fãs desta coluna.
O livro trata basicamente de algumas lendas maçônicas muito interessantes a respeito de Washington e dos “Pais Fundadores” dos Estados Unidos. No terceiro livro da série, Robert Langdon usa seus conhecimentos sobre simbologia para ajudar o maçom Peter Solomon e sua irmã Katherine a enfrentar o misterioso assassino tatuado Mal´akh.
Não darei nenhum spoiler, apenas comentarei sobre algumas das várias lendas maçônicas que Dan Brown coloca neste livro. Aliás, a pesquisa foi sensacional. Resta aguardar o mimimi dos pseudo-céticos e crentes, como sempre.

A colocação da Pedra Angular do Capitólio
Uma das histórias verídicas a respeito da fundação de Washington foi a de que todos os prédios públicos da capital tiveram a sua pedra angular (ou Pedra de Fundação) colocadas precisamente seguindo datas e horários calculados pelo estudo da Astrologia Hermética. Através de cuidadoso estudo dos mapas astrais, estabeleceram-se as janelas mais propícias para a fundação de cada edifício.

Por exemplo, o Capitólio, marco zero da fundação da cidade, foi iniciado precisamente no dia 18 de Setembro de 1793, entre 11h15 e 12h30. Por quê desta data?

Analisando o Mapa Astral, temos Sol, Mercúrio e a Caput Draconis no signo de Virgem e Vênus, Marte e Urano em Leão, uma combinação ideal para um local onde seria exigido trabalho duro e ao mesmo tempo a liderança do País. Saturno em touro para reforçar a responsabilidade nos gastos e Júpiter em escorpião, para facilitar as relações diplomáticas. De curiosidade, fucei em várias datas e combinações em 1793 e não encontrei nenhuma que considerasse mais propícia do que esta. Os “Founding Fathers” estão de parabéns!
Como já coloquei diversas vezes no meu blog, a escolha de datas astrológicas especiais para a realização de eventos e consagrações importantes pode afetar, e muito, o resultado destes eventos.

The Apotheosis of Washington e Constantino Brumidi
Constantino Brumidi, nascido em 1805, foi um artista italiano, membro da maçonaria e responsável por muitos dos mais importantes afrescos do Capitólio, incluindo sua obra mais notável, a Apoteose de Washington, no qual retrata a Ascenção de George Washington aos céus. Este afresco é dividido em seis partes, nas quais mistura elementos da mitologia grega com personalidades americanas:

– Guerra: personificada na deusa grega Colúmbia, fica logo abaixo da figura de Washington, representada em posição de combate e vestindo os símbolos maçônicos da capa, espada, o capacete e o escudo (os fãs de quadrinhos vão notar que o escudo original do Capitão América é uma homenagem ao design DESTE escudo), combatendo as figuras representativas da vilania. Auxiliando Colúmbia está a Águia Careca carregando flechas e relâmpagos, como seria representada na bandeira americana.
– Ciência: personificada na deusa Minerva, que está auxiliando Benjamin Franklin, Samuel Morse e Robert Fulton a montar um gerador elétrico. À esquerda, o uso do esquadro e o compasso.
– Marinha: personificada pelo deus Netuno, empunhando um tridente e montado em sua carruagem de conchas, e Vênus, auxiliando os americanos a instalar o primeiro cabo telegráfico submarino. Ninguém vai duvidar do quanto Poseidon ajuda a Marinha americana, certo?
– Comércio: personificado pelo deus Mercúrio, com suas sandálias aladas e o caduceu, entregando um saco de ouro para Robert Morris (um dos financiadores da Revolução Americana).
– Mecânica: representado pelo deus Vulcano, que auxilia os americanos a preparar um canhão e um Ironclad (um tipo de barco de guerra). Ao fundo, o maçom Charles Thomas, construtor responsável pelas estruturas metálicas na construção do Capitólio.
– Agricultura: representada pela deusa Ceres, com um feixe de trigo e uma cornucópia, símbolos conhecidos no ocultismo, sentada em uma colheitadeira McCormick. Também podemos ver a deusa Flora ao fundo, colhendo flores…

George Washington representando Zeus
Esta é uma estátua muito famosa, esculpida por Horacio Geenough em 1840, representando Washington desnudo, na posição tradicional de Zeus. Muitos religiosos toscos acusaram os maçons de terem feito a estátua na mesma posição do Baphomet. A verdade é que o Baphomet é que TAMBÉM foi desenhado inspirado na posição tradicional de Zeus.
De qualquer forma, depois de inúmeros protestos, em 1908 a estátua acabou sendo movida para o Museu Smithsorian e, em 1964, para o Museu de História e Tecnologia, onde está até hoje.
Claro que manter uma estátua de Washington na posição clássica de ZEUS no meio do Capitólio em um país dominado pelos seguidores de Jesus não faz sentido. Seria quase tão absurdo quanto, por exemplo, se a imagem que todos veneram na Basílica de Aparecida não fosse a de Nossa Senhora, como todos acreditam, mas de Maria Madalena.

A Palavra “MASON” escrita na nota de um dólar.
A imagem fala por si mesma. Se você pegar uma caneta e desenhar o Símbolo de Salomão em uma nota de um dólar, as pontas da estrela formarão a palavra “Mason” (maçom) e a parte de cima fará o topo da Pirâmide. Eu já ouvi da boca de um cético bem famoso que “isso é muito provavelmente apenas uma coincidência”. Então tá, né?

.’.

Melencolie, de Albrecht Durer
Uma das imagens que representa o temperamento Melancólico, carregado de simbolismo alquímico. Para o livro, o que importa é o Kamea de Júpiter, que Durer coloca no canto superior direito da imagem.

Um Kamea é um quadrado mágico dividido em NxN casas, onde N é o número associado na Kabbalah com cada um dos planetas. Assim sendo, Saturno possui um Kamea de 3×3 (tipo um Sudoku), Júpiter um Kamea de 4×4, Marte um kamea de 5×5, Sol 6×6, Vênus 7×7, Mercúrio 8×8 e Lua 9×9.
Cada Kamea é preenchido com números de 1 até o valor máximo do Kamea (9, 16, 25, 36, 49, 64 ou 81) onde a soma de todos os números em cada linha ou coluna sempre é igual. Em um dos meus posts antigos eu expliquei a ligação do Kamea do Sol com o famigerado 666.
A curiosidade é que Durer organizou o Kamea de Júpiter para que os números 15 e 14 ficassem na parte inferior-central do quadrado, formando o ano em que ele fez a ilustração (1514).

O Livro traz muitas outras referências bacanas sobre a cidade de Washington, sobre Benjamin Franklin, sobre os rituais maçônicos (mas não espere nenhum segredo revelado) e especialmente sobre o ídolo e patrono dos cientistas, sir Alquimista Mestre Maçom e Rosacruz Isaac Newton… e muita coisa que eu já disse aqui nas Colunas, devendo impressionar a maioria dos leitores, mas nem tanto os leitores do Teoria da Conspiração.

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Textos relacionados no blog Teoria da Conspiração e n Wikipedia de Ocultismo.
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Outros textos interessantes:
– Walt Disney Demolay
– Carta Aberta dos Ateus ao Presidente
– O que são Sigilos Pessoais?
– IURD obrigada a indenizar terreiro
– Como lavar dinheiro em Igrejas Evangélicas
– Teoria das Supercordas
– As pesquisas de Michel Gauquelin
– Iniciação ao Hermetismo

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dan-brown-e-o-s%C3%ADmbolo-perdido

20 de Agosto, Dia do Maçom

Maçonaria

No dia 20 de agosto comemora-se o Dia do Maçom. Para os obreiros da arte real, trata-se de um dia muito importante, visto reforçar o comprometimento daquele que jurou respeito à Lei ao próximo e, sobretudo, ao Grande Arquiteto do Universo, criador de todas as obras. O verdadeiro maçom não defende sua causa, mas a causa de todos aqueles que visam a incansável construção do edifício social mais justo e perfeito.

Defende a justiça contra a tirania. Jamais mergulha suas mãos nas águas lodosas da corrupção. Clama, constantemente, pela prevalência do espírito sobre a matéria. Ser Maçom é ser amante da virtude, da sabedoria, da justiça e da humanidade. Ser Maçom é ser amigo dos pobres e desgraçados, dos que sofrem, dos que choram, dos que têm fome e sede de justiça; é propor como única norma de conduta o bem de todos e o seu progresso e engrandecimento. Ser Maçom é querer a harmonia das famílias, a concórdia dos povos, a paz do gênero humano. Ser Maçom é derramar por todas as partes os esplendores divinos da instrução; a educar a inteligência para o bem, conceber os mais belos ideais do direito, da moralidade e do amor; e praticá-los. Ser Maçom é levar à prática aquele formosíssimo preceito de todos os lugares e de todos os séculos, que diz, com infinita ternura aos seres humanos, indistintamente, do alto de uma cruz e com os braços abertos ao mundo: “Amai-vos uns aos outros, formai uma única família, sede todos irmãos”!

Ser Maçom é olvidar as ofensas que se nos fazem, ser bom, até mesmo para com nossos adversários e inimigos, não odiar a ninguém, praticar a virtude constantemente, pagar o mal com o bem. Ser Maçom é amar a luz e aborrecer as trevas; ser amigo da ciência e combater a ignorância, render culto à razão e à sabedoria. Ser Maçom é praticar a tolerância, exercer a caridade, sem distinção de raças, crenças ou opiniões, lutar contra a hipocrisia e o fanatismo. Ser Maçom é realizar, enfim, o sonho áureo da fraternidade universal entre os homens.

Portanto, meus amados irmãos Maçons, a história da Maçonaria Universal tem “O HOMEM COMO FONTE INESGOTÁVEL DE SABEDORIA, IMBUÍDO DA VONTADE FÉRREA DE ATINGIR OS SEUS OBJETIVOS, MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA”. E nem é preciso lembrar (ou relembrar) que dezenas — ou quiçá milhares — de irmãos nossos tiveram as suas vidas ceifadas lutando por uma causa nobre, isto é, a de difundir, de propagar, no Universo, os fundamentos da nossa notável instituição Maçônica, que se assentam nos princípios de: liberdade, fraternidade e igualdade.

Diante de tudo isso, rendo-me, de joelhos, a tantos quantos foram e têm sido os irmãos que participaram e ainda participam, direta ou indiretamente, da história da Maçonaria universal, ao tempo em reconheço sua efetiva luta, sacrifício, dissabor, incompreensão, censura dos governos déspotas e de falsos pregadores, além de outros setores retrógrados de hoje. O verdadeiro maçom tem a MAÇONARIA UNIVERSAL como instituição séria, respeitada, admirada e consagrada como uma sociedade secreta, na qual se pratica o bem sem olhar a quem; forja-se masmorras ao vício; nutre-se o ideal de melhor servir à humanidade; pratica-se filantropia na última acepção da palavra; dignifica-se o homem; inspira-se confiança aos obreiros; levanta-se templos à virtude; reúne-se em nome da democracia, da liberdade, da fraternidade e da igualdade entre todos os povos; exalta-se o nome do Grande Arquiteto do Universo – G.A.D.U., como inspiração divina e como proteção de nossos trabalhos; leva-se à compreensão de todos os homens livres e conscientes a certeza plena de que é possível se viver sem os princípios da Maçonaria, nunca sem praticar nenhum ato maçônico.

Concluo, afirmando, peremptóriamente, que ser Maçom é um estado de espírito; é viver em paz com sua consciência; é, essencialmente, praticar o bem à humanidade. Que sejamos bons e verdadeiros Maçons!

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/20-de-agosto-dia-do-ma%C3%A7om

O ritual nosso de cada dia

— Pode um homem deixar de ser máquina ?

— Ah ! aí está toda a questão, disse G.. Se tivesse feito mais freqüentemente semelhantes perguntas, talvez nossas conversas tivessem podido levar-nos a alguma parte. Sim, é possível deixar de ser máquina, mas, para isto, é necessário, antes de tudo, conhecer a máquina. Uma máquina, uma máquina real, não se conhece a si mesma e não pode conhecer-se. Quando uma máquina se conhece, desde esse instante deixou de ser máquina; pelo menos não é mais a mesma máquina que antes. Já começa a ser responsável por suas ações.

– Fragmentos de um ensinamento desconhecido, P.D. Ouspensky.

O que diferencia um homem de uma máquina ? O homem tem Vontade, consciência, a máquina no entanto trabalha de acordo com as pressões externas. Em maior ou menor grau somos máquinas. Variando de uma coisa para a outra de acordo com a quantidade de ações desenvolvidas pela consciência ou por pura pressão externa.

Para exemplificar; em nossa úlitma coluna estudamos a manifestação de emoções negativas, uma característica eminentemente mecânica e discutimos algumas formas de evitá-las, uma atitude eminentemente humana.

Caso tenha praticado o exercício proposto você deve ter notado o quanto muitas vezes só nos damos conta da manifestação no meio dela, ou depois de terminada a expressão. Isso ocorre porque é muito dificil no começo do trabalho sobre si mesmo, agir. Na maior parte do tempo estamos reagindo, funcionando como máquinas, de acordo com as pressões externas.

Se você viu o “gráfico da verdadeira vontade” e teve um leve mal estar por estar longe do extase(ou de todas as esferas), não se desespere, é possível transformar muita coisa com gestos simples. Você poderá inclusive se valer da sua mecanicidade para de alguma forma auxiliá-lo. A chave para essa transformação são os rituais, ou melhor; a ritualização do seu dia a dia.

Como máquinas é dificil esperar de nós uma enorme transformação repentina, de fato, esse tipo de transformação pode ser até perigosa. O importante não é a velocidade mas sim a direção da mudança, portanto essa prática pode lhe ajudar a executar pequenas mudanças no seu cotidiano, que com a persistência desencadearão grandes transformações.

Nossa vida é cheia de rituais criados ou impostos pela sociedade como um todo e nem nos damos conta deles, alguns benéficos outros nem tanto. Escovar os dentes após as refeições, cumprimentar com um aperto de mãos ou um beijo. Já contou quantas vezes duas pessoas se cumprimentam com perguntas ? Olá Tudo bem ? e o outro responde: como vai ? Nossa forma de trabalhar também envolve uma série de rituais conscientes e incoscientes, checar e-mails logo pela manhã, ficar de mau humor ao ser avisado de uma reunião. Os exemplos são infinitos, e servem para ilustrar a quantidade infinita de padrões de comportamento repetidos que não nos damos conta e que guiam nossa existência.

Ao ritualizar sua ações diárias você estabelece uma disciplina que independe de certa forma da vontade, ou do seu humor. Você não deixa de ser máquina da noite para o dia, mas passa a estabelecer rituais que foram criados por você, indiretamente suas ações são direcionadas pela consciência. É uma forma de colocar sua própria mecanicidade a serviço da expansão de consciência.

É claro que TODO ato de vontade é superior a um ato mecânico, seja fruto das pressões externas ou um ritual feito por você, mas existe ai uma hierarquia entre os atos e com certeza um ritual feito por você SEMPRE será melhor que um ritual fruto de pressões externas.

O progresso natural dessa prática é que os rituais comecem como algo mecânico e se passem a se desenvolver e evoluir até serem sempre feitos com consciência. Começam com um por dia e depois vão se acumulando, não como fardo, e sim como uma experiência prazerosa de crescimento. Dessa forma seu dia terá vários “focos de luz” da consciência que vão ficando cada vez mais fortes até que tudo se torne simbólico e ritualistico. Não há nada mais sagrado do que isso, viver a vida em toda a sua glória e esplendor, sem negar nada, vivendo uma vida espiritual encarnados, se valendo em cada ato de todos os corpos e de todo nosso potencial.

A repetição vai dando poder para esse ato, o que é muito importante lembrar quando pensamos que existem rituais virtuosos e viciosos, a medida em que persiste-se na prática cada ritual ganha vida por si só e vai se tornando uma fonte de poder pessoal.

A úlitma e talvez mais importante característica de ritualizar um comportamento é que todo ato consciente coloca você em conexão com o mesmo nível de consicência, desde o nível mais insignificante até a fusão total. Pra entender melhor, fumar coloca você em contato com a egrégora do cigarro se você fuma só um pouco, vai sentir muito pouco esse contato, se fuma muito ele será constante, mesmo quando não estiver fumando, rezar (de coração, claro) coloca você em contato com a egrégora da religião, rezar muito (muito(muito(muito))) te coloca em contato com o divino, até quando não estiver rezando.

Os atos de consciêcia vão despertar em você o que Gurdjeff chama de centros de gravidade. Imagine que assim como os corpos celestes, nós tambem somos atraídos e atraímos, só que no nosso caso atráimos conforme nossa faixa de vibração. Estudar magia, praticar rituais e observar a si mesmo vai fazer com que você se conecte com um centro de gravidade espiritual e voltado para a evolução, atos inconscientes vão fazer você ser tragado para os centros de inconsciência. Daí dizer que quando o discípulo está pronto o mestre aparece, quando a influência lhe chama você pode responder ou não. O homem sofre a influência de infindáveis centros de gravidade, analogamente poderiam ser egrégoras, e deve escolher com qual tipo de egrégora quer se conectar, e tendo feito sua escolha AGIR para que isso aconteça.

Ritualizar o dia a dia é uma chave poderosa de aplicar mudanças reais no seu estado de consciência. De forma básica e rápida o que você vai fazer é o seguinte: estabelecer uma prática que deve ser executada em determinado horário ou em determinada circunstância. Parece simples e amplo demais certo ? É para ser, porque as aplicações são infinitas, eu darei alguns exemplos que nem de longe demonstrarão a extensão de aplicação dessa prática. Veja que eles variam de coisas simples e rotineiras até complexas e raras, use e abuse de sua imaginação.

Sei que a maioria de vocês executa alguma forma de ritual e isso é otimo, encorajo vocês a experimentar ritualizar outras partes de seu dia.

– Ao passar por uma porta, imaginar que ela é uma porta para uma dimensão superior, um estágio maior de consciência.

– Ao subir uma escada imaginar que se está subindo a escada de Jacó, o caminho dos anjos e acessando realidades divinas. Quando descê-las imagine que está penetrando em seu próprio inconsciente, de forma segura (firme no corrimão), aprendendo mais sobre si mesmo.

-Rezar antes de dormir, ao acordar.

-Energizar a comida, visualizando ela carregada de energia, ou uma energia específica. Vale para água também. Quando você for um mestre: para cada respiração.

– Banhar-se com agua e lavar “todos” os corpos, imaginando que aquele momento é de purificação absoluta, imaginar a “sujeira” deixando seu corpo fisico, emocional, mental e espiritual.

– 30 minutos de trabalho, 1 minuto de meditação.

– Ao perceber que uma discussão é inevitável, esvazie-se, imagine que você está murchando por dentro, é o ego desinflando e sendo desarmado, dessa forma você entra na discussão menos propenso a “ganhar” e mais propenso a resolver. Passa a agir ao invés de reagir.

– Projetar símbolos planetários, alquímicos, astrológicos o tempo todo e em todo mundo, buscando sempre uma resolução harmoniosa para qualquer situação.

– Visualizar seu SAG (pra quem não conhece ele, uma luz branca está ótimo) te acompanhando antes de começar qualquer tarefa)

– Incorporar sua personalidade mágica antes de escrever na internet, no e-mail ou em qualquer lugar.

– Dedicar ao menos 3 minutos por dia para não fazer nada, a idéia desse ritual é desconectar-se completamente ainda que por pouquissimo tempo das egrégoras do mundo cão, em especial a egrégora que diz que você tem que produzir, consumir e trabalhar ou não é ninguém. 3 minutos inteiramente dedicados a ser quem você é independente do que o mundo é.

– Por último e esse é dedicado a todos os irmãos que sentiram uma leve depressão ao ver o gráfico da verdadeira vontade e se ver tão longe do extase. Tudo o que você faz está direcionado a verdadeira vontade, em maior ou menor grau, você pode não enxergar agora mas quando chegar la vai olhar pra tras e perceber que esse período ou fase foi essencial para chegar onde você está. Por isso mesmo no seu trabalho chato ou aturando malices universais o ritual que você deve fazer é dizer para si mesmo, isso faz parte do meu caminho, portanto vou fazer da melhor forma possível e tirar todo o aprendizado, traga isso para sua consciência. Lendo o blog, praticando aprendendo, se desenvolvendo e se conhecendo, é claro que você está no caminho. Você está dentro de um carro dirigindo a noite e só consegue enxergar onde os faróis iluminam, mas não se preocupe, a estrada está lá.

O irmão Leonardo Lacerda, nos trouxe com muita propriedade uma definição para o ritual:

um ritual existe para por um símbolo em ação. O ritual traz os princípios do mundo das ideias para nosso íntimo. Por isso que os rituais devem ser seguido a risca e sempre repetido da mesma maneira. O praticamente deve sentir o que faz, e não somente repetir e repetir. Um ritual quando devidamente praticado causa mudanças psicológicas no participante, vale a pena ler na coluna Virtude Cardeal.

Chay !

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ritual-nosso-de-cada-dia

Abaixo a Inteligência!

Gilberto Antônio Silva

O Taoismo é uma filosofia pouco conhecida no Brasil. Mas, além disso, o pouco que se conhece ainda está cheio de imprecisões e mal-entendidos. É muito difícil encontrarmos algum material que fale sobre o Taoismo como ele realmente é. Parece que temos em nosso país algum tipo de má vontade para com os antigos chineses, que impede as pessoas de executarem a mais ínfima pesquisa antes de sair falando de nossa filosofia como se fossem grandes especialistas.

Mas esse tipo de coisa não vem de hoje. Um dos assuntos preferidos pelos “especialistas” fictícios é o Wuwei, a não-ação. Ela já foi chamada de tudo e interpretada de todas as formas, exceto dentro das ideias taoistas propriamente ditas. Outra grande aberração intelectual é a própria ideia de “inteligência”, muito presente no Tao Te Ching. É dela que vou me ocupar neste artigo.
Existem algumas passagens do Tao Te Ching que falam sobre a inteligência, quase sempre de maneira pouco convidativa, ou assim nos parece à primeira vista. Veja alguns trechos:

CAPÍTULO 18
Quando se perde o Grande Caminho
Surgem a bondade e a justiça
Quando aparece a inteligência
Surge a grande hipocrisia
Quando os seis parentes não estão em paz
Surgem o amor filial e o amor paternal
Quando há desordem e confusão no reino
Surge o patriota

CAPÍTULO 19
Anule o sagrado e abandone a inteligência
E o povo cem vezes se beneficiará
Anule a bondade e abandone a justiça
E o povo retornará ao amor filial e ao amor paternal
Anule a engenhosidade e abandone o interesse
E não haverá mais ladrões nem roubos
Se estas três frases ditas não são o suficiente
Então faça existir aquilo em que se possa confiar
Encontrando e abraçando a simplicidade
Reduzindo o egoísmo e diminuindo os desejos

Com base nisso, os especialistas ocidentais já tiraram várias conclusões sobre o Taoismo, especialmente de que ele não gosta de estudo, é contra a educação e prega que se abandonem as cidades e vá todo mundo viver na floresta. Acredite, isso foi devidamente difundido como uma análise correta do Taoismo dentro do círculo filosófico ocidental.
Segundo o Manual de Filosofia, obra didática escolar muito popular em meados do século XX, de Theobaldo M. Santos,

“Lao-Tsé admitia a existência de uma Razão suprema, causa de todos os seres e norma de ação moral, e pregava a supremacia do bem comum e a defesa da paz e da tranqüilidade geral, para o que julgava indispensável abolir a instrução, fonte de desejos e inquietações.”

Se não fosse trágico, seria muito engraçado. Essa visão expressa nessa obra não é coisa incomum, já vi essas mesmas ideias de várias formas diferentes, em livros do começo do século XX até poucos anos atrás. Porque o erro persiste. Na verdade, o Taoismo, pelo contrário, é grande incentivador do estudo. Os três pilares da vida taoista são o Tao (o Caminho), o Shi (os Mestres) e o Jing (os livros).

Mas por que o Taoismo fala assim da inteligência? Antes de tudo é preciso conceituar a “inteligência” de que nos fala Laozi. Para o Taoismo, a inteligência é o equivalente à artimanha, à engenhosidade, à malícia. Ao fazer algo esperando receber outro algo em troca ou tentar conduzir as pessoas de modo a ter um ganho individual, usamos nossa “inteligência”. Isso, claro, é ilusório, posto que está ligado ao apego às coisas humanas, fruto da perda da Unicidade. Essa “inteligência” é fruto do mundo dualista, do universo manifestado e não do Tao, por isso deve ser evitado. Ela nos conduz para longe do Caminho.

Nos exemplos mostrados, o Capítulo 18 diz “Quando aparece a inteligência, surge a grande hipocrisia”. Isso significa que sempre que se usa de artimanhas e malícia, nosso verdadeiro objetivo está sendo ocultado, daí o surgimento da hipocrisia. Nossas ações não são sinceras, mas se destinam a determinados objetivos ocultos.

Já o Capítulo 19 é ainda mais incisivo ao dizer que “Anule o sagrado e abandone a inteligência e o povo cem vezes se beneficiará”. Aqui novamente se faz referência ao mundo dual, o universo manifestado que não é senão um pálido reflexo do Tao. “Anular o sagrado” significa deixar de enxergar o sagrado apenas nas coisas ditas “sagradas”, como templos, igrejas, livros, relíquias, e notar que o sagrado está em todas as coisas. Tudo está imerso no sagrado, pois tudo faz parte do Tao. “Abandonar a inteligência” tem o mesmo sentido que examinamos anteriormente, de eliminar a maquinação e a malícia em prol da sinceridade. Por fim, “o povo cem vezes se beneficiará” é um recado não apenas aos governantes, mas a todos nós, que somos o povo. Agir com sinceridade e enxergando o sagrado em tudo, e principalmente em todos, é o caminho certo para uma sociedade mais harmoniosa.

O oposto a essa inteligência é chamado de “não-intenção”, da qual Mestre Wu Jhy Cherng nos fala repetidamente em seus comentários sobre o Tao Te Ching. Quando falamos em não-ação (Wuwei) não falamos sobre a imobilidade, o não fazer nada, mas em agir segundo os movimentos naturais, seguir a natureza. A não-intenção é fundamental para que essas atitudes estejam dentro do Wuwei. Fazer algo simplesmente porque deve ser feito, sem prestar atenção ou exprimir desejos quanto aos frutos de seu resultado, está em completa concordância com a não-ação.
Se uma senhora anda na rua cheia de pacotes e um cai, você automaticamente se abaixa, pega o pacote e o devolve a ela. É um movimento natural. Não fez isso porque espera uma recompensa dela, porque vai ganhar méritos no Céu, porque Deus mandou ou qualquer outro motivo. Agiu porque era o que devia ser feito naquele momento.
A não-intenção é a essência interior da ética taoista na qual não existem regras de conduta explícitas, mas onde o praticante deve unicamente seguir o Tao, seguir a natureza e fazer o que deve ser feito. Sem maquinações, sem planos mirabolantes e sem esperar recompensas ou favorecimentos. Sem usar sua “inteligência”.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/abaixo-a-intelig%C3%AAncia