Aklo, a “linguagem” dos Grandes Antigos de H.P.Lovecraft

Dicionários são sempre divertidos, mas nem sempre reconfortantes
– M.F.K. Fisher

É inegável que um dos maiores charmes presentes não apenas nas histórias de Lovecraft mas também de seus “afilhados”, são os fragmentos de rituais escritos em línguas alienígenas ou inumanas.

O trecho mais famoso está presente em seu conto O Chamado de Cthulhu – Call of Cthulhu – escrito em 1926 e publicado dois anos depois. No conto a história se desenrola em torno do que se identifica como o Culto a Cthulhu e suas práticas ao redor do globo desde eras imemoriais até os dias de hoje. Durante uma batida policial em um pântano encontram quase 100 membros do culto em um frênesi, cercado por corpos talhados com marcas estranhas e no centros das antenções uma estatueta, todos eles entoando a frase:

ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn

Eventualmente Lovecraft a traduz, dando como significado “Em sua casa em R’lyeh, Cthulhu morto espera sonhando”.

Essa língua inteligível nunca foi propriamente batizada, mas em outras três obras Lovecraft menciona um nome, criado por um de seus escritores favoritos, Arthur Machen. Em 1899 Machen escreveu As Pessoas Brancas – The White People – um conto curto de horror fantástico que mostra como uma conversa entre dois homens sobre a natureza do mal leva um deles a revelar um temido Caderno Verde, que tem em sua posse. O caderno contém os escritos de uma jovem que, de forma ingênua e provocante, descreve suas memórias de quando era ainda mais nova, além de conversas que teve com sua ama, que a inicia em um mundo secreto repleto de folclore e magia ritual. Em seu caderno a jovem faz alusões cripticas a ninfas, Dôls, voolas, cerimônias brancas, verdes e vermelhas, caracteres Aklo, às línguas Xu e Chian, jogos Mao e a um jogo chamado Cidade de Tróia.

Aklo nunca passou disso em suas primeiras evocações, Machen apenas cita “caracteres Aklo” uma vez em todo o conto, mas isso serviu para incendiar a imaginação de Lovecraft que o menciona em três contos seus, O Horror de Dunwich, escrito em 1928, O Diário de Alonzo Typer, escrito em parceria com  William Lumley em outubro de 1935 e O Assombro das Trevas, escrito em novembro de 1935.

Machen não faz nenhuma menção nem tentativa alguma de sequer explicar o que são caracteres Aklo, ou como, onde ou por quem são usados. Já Lovecraft, em o Horror de Dunwich, o menciona duas vezes em uma única passagem encontrada no diário de uma das personagens:

“Hoje aprendi o Aklo para o Sabaoth, mas não gostei, podendo ser respondido das colinas, mas não do ar.”

e

“Imagino como irei parecer quando a terra for limpa e não houverem mais nela seres terrenos. Aquele que veio com o Aklo Sabaoth disse que eu posso ser transfigurado já que muito do exterior deve ser trabalhado.”

Neste trabalho Lovecraft une Aklo ao termo Sabaoth. Sabaoth é o termo judaico para “Hoste” ou “Exército”, e é usado exclusivamente com o nome do Senhor, para designar Deus como sendo o Senhor das Hostes ou Senhor dos Exércitos. Lovecraft teve acesso a livros de Eliphas Levi, como o Dogma e Ritual da Alta magia onde o termo Sabaoth aparece em dois capítulos, O “Sabbat” dos Feiticeiros”, que foi usado por Lovecraft em seu romance O Caso de Charles Dexter Ward e “O Setenário dos Talismãs”. Em ambos os textos o nome Sabaoth aparece precedido de um dos títulos de Deus: Adonai Sabaoth e Elohim Sabaoth respectivamente. Em ambos os casos o nome parece ser usado para rituais de necromancia ou a confecção de amuletos que necessitam de rituais que envolvem sangue. Algo perfeito para Lovecraft, mas que no texto, como ele o colocou, parece ficar deslocado. Uma hipótese é que tenha usado a palavra Sabaoht no lugar da palavra Sabbath, o termo utilizado para designar, popularmente, a conferência das feiticeiras, assunto tratado à exaustão e com todos os detalhes góticos no capítulo do livro de Levi. Assim ter aprendido as runas para o Sabbath e aquele que veio do Sabbath talvez fizessem mais sentido. Mas isso é indiferente no momento.

No segundo conto que escreveu com Lumley, O Diário de Alonzo Typer, Lovecraft menciona o Aklo três vezes, dando um pouco mais de forma à idéia do que poderia ser:

“Eu acredito que possa ter se aliado a poderes que não desta terra – poderes no espaço além do tempo e além do universo. Ele se eleva como um colosso, se levarmos em consideração o que dizem os textos Aklo.”

seguido por

“Mais tarde eu subi ao sótão, onde encontrei vários baús repletos de livros estranhos – muitos de aspecto completamente alienígena, tanto em sua escrita quanto em sua forma. Um continha variações da fórmula Aklo que eu nem sabia existir.”

e finalmente

“Eu acredito que mais de uma presença possui tal tamanho e eu sei agora que o terceiro ritual Aklo – que achei no livro do sótão ontem – tornaria tal ser sólido e visível.”

Neste texto Lovecraft espande o conceito de Aklo de meros caracteres ou língua para uma cultura, os Textos Aklo, fórmulas e rituais Aklo. A idéia de que um ritual Aklo deveria ser usado para tornar um ser imaterial em uma presença sólida e visível é compatível com a idéia usada no Horror de Dunwich, onde Wilbor deseja manifestar em nosso mundo uma dessas criaturas usando as fórmulas do Necronomicon. Assim o Aklo que ele aprende pode ser uma parte fundamental do processo de evocação. Nos Diários de Alonzo Typer existe a menção a uma série de rituais e escritos Aklo. Isso poderia indicar uma forma não apenas de linguagem, mas de “escola mágica”, assim como a cabala tem sua cultura e caracteres, o Bon Po também, etc. Aklo poderia ser uma cultura que transcende apenas um alfabeto e uma linguagem.

No Assombro nas Trevas Lovecraft faz apenas uma menção ao Aklo, mas desta vez mais ampla.

“Foi em junho que o diário de Blake falou de sua vitória sobre o criptograma. O texto estava escrito, ele descobriu, na sombria linguagem Aklo, usada por certos cultos de maligna antigüidade e que ele aprendera de maneira hesitante através de pesquisas anteriores. O diário é estranhamente reticente sobre o que Blake decifrou, mas ele estava claramente impressionado e desconcertado por seus resultados. Haviam referências a um Assombro das Trevas que podia ser desperto ao se contemplar nas profundezas do Trapezoedro Brilhante e conjecturas insanas sobre os golfos negros do caos de onde ele era invocado.”

Tanto o texto de Machen quanto os de Lovecraft dão a idéia clara que o Aklo se deriva de uma cultura incrivelmente antiga e muito avançada nas artes obscuras. Capazes de evocar criaturas de outras dimensões, materializá-las em nosso mundo e conhecida por poucas pessoas nos dias de hoje. Uma cultura que possuia uma língua proibida e poderosa e possivelmente não humana.

Em vários textos Lovecraft faz uso de sua língua para dar clímax a alguma passagem específica, como no Caso de Charles Dexter Ward onde a fórmula “Y’AI ‘NG’NGAH, YOG-SOTHOTH H’EE-L’GEB FAI THRODOG UAAAH” é usada. Ou os gritos de “IA SHUB-NIGGURATH” que ecoam em diversos de seus contos.

Lovecraft não apenas nunca batizou explicitamente esta língua como também nunca ligou suas diversas menções em diferentes contos com uma única fonte. Geralmente aponta que uma das personagens encontrou as evocações em livros malditos como o Necronomicon ou o De Vermis Mysteriis, cada um desses livros tendo sido escrito por diferentes pessoas em diferentes épocas, mas, implicitamente, lidando com as mesmas criaturas do panteão Lovecraftiano, conhecido como Mito de Cthulhu.

Mais do que mera linguagem

Assim podemos assumir que essa linguagem poderia de fato ter origem extra-terrestre e ser ensinada a magos, feiticeiros, sacerdotes e ocultistas que entraram em contato com os Antigos. Mas seria correto dizer que esta língua/cultura alienígena seria o Aklo? E por que não? Machen nunca se foi além de sua única menção aos “caracteres Aklo” e Lovecraft escreve que o Aklo é usado “por certos cultos de maligna antigüidade” trazendo informações sobre os horrores que se escondem além do tempo e do espaço. Os próprios nomes das divindades parecem se derivar do Aklo, ou ao menos parecem ter chegado à terra nessa língua: Cthulhu, Shub-Niggurath, Shoggots, Cthugua, Tsatogua, etc. Além de outros nomes como a cidade de R’lyeh construída por Cthulhu, o planalto de Leng ou mesmo a misteriosa Sarnath, além disso existem menções a fórmulas e rituais como a fórmula de Dho-Hna; se somarmos a isso a menção de Lovecraft ao aspecto “completamente alienígena, tanto em sua escrita quanto em sua forma” podemos associar não apenas os rituais mas a origem dos Antigos e seus costumes ao Aklo. Talvez os Antigos sejam o Aklo assim como nós somos humanos.

Um ponto importantíssimo do idioma Aklo é que, ao contrário de qualquer outro idioma conhecido, ele não foi concebido para ser pronunciado por humanos, ou por criaturas presas na forma humana. Ele não foi nem mesmo concebido para ser pronunciado com o uso da garganta e língua humana, de modo que devemos ter ciência de que um homo sapiens falando Aklo é como a Gorila Koko falando a linguagem de sinais. Sempre uma mera aproximação limitada por nossa anatomia, neurologia e nossa consciência. É um idioma que deve ser falando principalmente com a mente, e não com as cordas vocais.

Essa idéia foi desenvolvida de forma magistral por Alan Moore no conto curto O Pátio – The Courtyard -, publicado na antologia Sabedoria Estrelar: Um Tributo a H. P. Lovecraft -The Starry Wisdom: A Tribute to H. P. Lovecraft. Em sua visão Aklo não é apenas uma língua alienígena, mas uma chave para se abrir as portas da percepção da mente humana. De acordo com Moore apenas ouvir, ler ou pronunciar o Aklo não causa nenhum efeito à mente, mas se “absorvida” por um cérebro em um estado alternado de consciência os resultados podem ser devastadores. No conto o agende federal Sax ingere DMT-7, para que pudesse “receber” o Aklo. A escolha de Moore é curiosa e muito acertada, já que a DMT, ou dimetiltriptamina é uma substância psicodélica encontrada não apenas em vários gêneros de plantas como a Acacia, Mimosa, Anadenanthera, Chrysanthemum, Psychotria, Desmanthus, etc. – famosa em celebrações religiosas como o culto do Santo Daime, da ayahuasca e da Jurema – como também é sintetizada no cérebro pelo próprio corpo humano. Não se sabe até hoje de forma concreta qual a função do DMT em nosso organismo, nem que órgão o produz – frequentemente se especula que a responsável é a glândula pineal. De acordo com Moore, assim que o DMT produz seu efeito no cérebro, cada “dose”, ou palavra em Aklo destrava na mente a compreensão física para seu próprio significado. Enquanto Lovecraft trabalhava apenas com a tradução do significado de cada palavra:

ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn = Em sua casa em R’lyeh, Cthulhu morto espera sonhando

Moore trabalha com a compreensão de cada significado, especificamente de três palavras:

WZA-Y’EI

Conhece a Tudo. É uma palavra para o espaço conceitual negativo que rodeia um conceito positivo. As classes de coisas maiores do que o pensamento, sendo tudo o que o pensamento exclui.

DHO-HNA

Uma força que define. Algo que dá significado ao seu receptáculo como uma mão dentro de uma luva, ou vento nos moinhos de vento. Um visitante ou um intruso que cruzam um umbral, lhe dando significado.

YR NHHNGR

Não há uma definição em palavras, pensamentos esquecidos se juntam em flashes que cegam, e fusões impensáveis ocorrem. Surge uma visão de tudo o que existe além de nosso universo, não apenas físico, mas mental.

Se uma língua é um sistema formado por regras e valores presentes na mente dos falantes de uma comunidade linguística, podemos evocar Korzybski que afirmou que todos nós somos limitados por nosso sistema nervoso e nossa linguagem. Assim Moore pode ter encontrado a fórmula para se reprogramar o cérebro e a consciência com os valores presentes em uma cultura alienígena pré-humana, o DMT serviria para preparar o sistema nervoso para receber não apenas uma palavra mas todos os valores presentes nela, desta forma a pessoa aprenderia um dialeto novo não pela repetição ou pelos inúmeros atos de fala com que tem contato, mas de forma viral, já que para compreender o significado de uma palavra a pessoa entraria em contato com todas as palavras usadas para descrevê-la, e cada palavra, por si só, tem o próprio significado. Moore afirma que Aklo é a Síntaxe de Ur, o vocabulário primogênito que recebeu sua forma de ordens pré-conscientes vindas da quente incoerência de estrelas. Ela é composta de cores perdidas e intensidades esquecidas e isso faria com que, uma vez absorvida pelo cérebo, desimpedisse a mente de suas limitações ou, como escreveu Blake: “Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. Isso também faria com que a pessoa pudesse enlouquecer, já que os valores que temos podem ser completamente diferentes daqueles que inundarão nossa mente, e isso é uma constante nos textos de Lovecraft, onde a personagem, quando se defronta com o conhecimento alienígena/antigo enlouquece, traz para si uma antiga maldição, morre ou as três coisas – não necessariamente nesta ordem.

 

Escrevendo Aklo

Como Lovecraft e sua turma não desenvolveram o Aklo além de citações breves e enigmáticas, coube a seus fãs modernos e contemporâneos desenvolver a língua. Inclusive muitos a rebatizaram de R’lyehan, Cthuvian e até Tsath-yo, além de Lovecraftiano e outros nomes mais estúpidos. Tanto R’lyehan quanto Cthuvian associam a língua diretamente a Cthulhu e a cidade que lhe serve de prisão, R’lyeh. O problema com esses nomes, é que além de ridículos tranformam a linguagem em um dialeto, lhe roubando a universalidade que seus criadores lhe atribuiram originalmente, é como chamar a língua falada no Brasil de Santista, Paulista ou Carioca só porque uma celebridade de alguma dessas cidades caiu na graça dos estrangeiros. Assim vamos nos ater a seu nome original.

Um primeiro obstáculo que encontramos quando começamos a estudar o Aklo é que ele foi desenvolvido por pessoas que falavam o inglês e que não tentaram desenvolver a complexidade da língua. Assim “Cthulhu fhtagn” é traduzido pra o inglês “Cthulhu Dreaming” ou Cthulhu Sonhando. “ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn” é traduzido para o inglês “In his house at R’lyeh dead Cthulhu waits dreaming” – Em sua casa em R’lyeh, Cthulhu morto espera sonhando. As únicas três palavras que podem ser traduzidas corretamente por comparação são dois nomes, Cthulhu e R’Lyeh e Fhtagn que significaria sonhando. Qualquer tradução palavra por palavra do texto cai no achismo, ainda mais que podemos ver que R’lyeh e Cthulhu são invertidos na tradução. Não há indicações do que “ph’nglui”, “mglw’nafh” e “wgah’nagl” signifiquem respectivamente, e ainda se pararmos para pensar que existem três palavras/termos/conceitos em Aklo que devem ser transliterados nas palavras/termos restantes, “em sua casa”, “morto” e “espera/aguarda”, não sabemos como a gramática funciona – por exemplo, em Latim, o que determina o significado de uma palavra não é sua ordem na frase, mas a terminação de cada palavra, assim ‘Caim matou Abel’ pode ser escrito, em latim, tanto ‘Caim matou Abel’ quanto ‘Abel matou Cain’ ou ainda ‘matou Abel Caim’ que saberíamos não apenas o significado da sentença mas quem faz o papel de assassino e quem foi a vítima. Poderíamos afirmar que Aklo seria semelhante ao latim ou teria uma estrutura mais rígida como o português ou inglês moderno? Não podemos afirmar nada.

Mesmo assim, compilando frases e termos em Aklo usado não apenas na ficção Lovecraftiana mas no material que surgiu posteriormente, podemos chegar a algumas conclusões:

– Aparentemente o Aklo não faz distinções entre pronomes, verbos, adjetivos e outras figuras de linguagem.

– Pronomes podem não aparecer.

– Verbos possuem apenas dois tempos: presente e não presente. A mente dos Antigos não pode ser explicada linearmente, e o nosso conceito de tempo – presente, passado e futuro – se mostra extremamente limítrofe e primitivo.

– Não existem preposições soltas, elas estão geralmente implícitas.

– As palavras se combinam facilmente com prefixos e sufixos que explicam se está sendo descrito um lugar, entidade ou dimensão, ou se algo está acontecendo agora ou não agora.

– Prefixos e sufixos são ligados, geralmente através de apóstrofe.

– Termos novos formados por duas ou mais palavras são ligados por hífem.

– O plural geralmente é indicado pela repetição da última letra.

– Não existe definição de gênero, que é uma limitação característica do tipo de existência física deste planeta, ao invés disso existe uma ligação entre energia e forma, tudo relacionado a energia é tido como masculino, tudo relacionado ao que dá forma é feminino, por isso a distinção entre Pai – principio energético – e Mãe – o ser que dá a forma à vida.

– Não existe diferenciação de localização espacial e localização temporal.

Além da forma, a direção da escrita também é vista como elemento diferenciador do sistemas Aklo. Semelhante ao grego antigo, o Aklo é escrito em linhas com direção alternada: uma linha da direita para a esquerda e a linha seguinte da esquerda para a direita, invertendo a direção das letras; a terceira linha equivalia à primeira e a quarta à segunda e assim sucessivamente. Esse método é chamado de boustrophedon, uma palavra grega que significa “da maneira como o boi ara o campo”. Em livros recentes é compreensível que a escrita seja feita da esquerda para a direita como se tornou comum no ocidente.

 

Caracteres Aklo

Não existe um alfabeto Aklo “oficial” apontado por Machen, Lovecraft ou outro escritor, o que existem são trabalhos feitos por fãs que tentam representar o que consideram ser o alfabeto. O problema com a maioria é que se revelam rebuscados demais para serem práticos. Ou runas trabalhadas demais, ou simbolos carregados de um barroquismo que interferem em sua escrita.

O Aklo sempre foi mostrado de duas formas: ou a transliteração fonética das palavras, como Fhtagn, ou descrição de arabescos e hieroglifos hediondos, antigos e não relacionados com nenhuma civilização. É sabido que a forma de escrita mais antiga que se tem conhecimento hoje era essencialmente formada por ideogramas. O desenho de um pão representava o próprio pão. Duas pernas poderiam representar tanto andar quanto ficar de pé. Com o tempo as simbolos se tornaram abstratos, deixando de representar conceitos para indicar sons. A letra M do nosso alfabeto evoluiu de um hieróglifo egípcio que representava ondas na água e o som que essas ondas faziam, a palavra egípcia água contem apenas uma consoante: M, assim a figura M não representava apenas a idéia de água mas o som que faziam.

Quando a escrita necessitou se tornar “portátil”, os ideogramas foram substituídos por caracteres que pudessem ser desenhados com rapidez pelas ferramentas de mão no meio em que seriam carregados. As ferramentas eram um instrumento pontiagudo e forma triangular e o “papel” da época eram tábuas de argila. O que determinou a evolução da escrita então foi o instrumento usado para escrever, logo que o triangular foi substituído por outro em forma de cunha, surgiu a escrita cuneiforme aproximadamente no século XXIX a.C.

Assim é lógico que qualquer tipo de escrita primitiva feita por humanos teria que seguir uma linha cuneiforme, ou sem formas que exigissem muita complexidade. Isso explicaria também a aparência alienígena atribuída aos textos encontrados nos tomos antigos.

Em 1934, seis anos após a publicação do conto O Chamado de Cthulhu, H.P. Lovecraft enviou uma carta a R.H. Barlow com uma ilustração de próprio punho da escultura de Cthulhu sentado em um bloco com inscrições ao redor.

As inscrições com certeza seriam, na estatueta descrita, Aklo. Lovecraft tentou no desenho incorporar sua versão do Aklo ou simplesmente fez rabiscos sem sentido apenas para mostrar o conceito da estatueta? Alguns dos rabiscos de Lovecraft lembram alguns caracteres do alfabeto fenício.

Outros simplesmente parecem rabiscos mesmo. Mas como os fenícios evoluiram dos sumérios, e uma das cidades estados mais conhecidas da Suméria era Ur talvez não seja um chute tão extremo dizer que Aklo poderia ser representado por caracteres que tenham sido usados pelos fenícios. Curiosamente em uma das edições mais populares do Necronomicon, a de Simon, todo panteão Lovecraftiano é associado com as divindades sumérias, mas essa associação nunca foi feita de forma explícita ou implícita pelos escritores do Mito.

Outra curiosidade a respeito do Necronomicon é que outra de suas edições, conhecida como O Necronomicon de Wilson-Hay-Turner-Langford, graças a seus autores, Colin Wilson, George Hay, Robert Turner e David Langford, oferece um alfabeto de Nug-Soth para ser usado em rituais e sigilos. Nug-Soth é personagem do conto “A Sombra fora do Tempo” de Lovecraft, um mago dos conquistadores negros que viveu no século XVII d.C – DEPOIS DE CRISTO – e que por causa de uma tranferência de mentes com um dos membros da Grande Raça dos Yith ficou aprisionado no ano 150,000,000 a.C. – ANTES DE CRISTO.

Nunca foi afirmado que esse alfabeto fosse Aklo, e basta uma olhada para ver que, apesar dele ter uma funcionalidade prática para a antiguidade, lhe falta a aura alienígena e o aspecto sombrio tão presentes nos textos lovecraftianos. E assim voltamos ao alfabeto fenício. Em 1518 um alfabeto de origem desconhecida foi publicado na obra Polygraphia de Johannes Trithemius. O alfabeto foi atribuido a Honório de Tebas, uma figura cuja existência beira a lenda. Ninguém sabe quem foi Honório, já afirmaram que na verdade era o Papa Honório, e assim sua figura foi associada não apenas com um Papa mas dois: Honorius I e Honorius III. Ele é o autor de um dos maiores livros de magia negra medieval existentes, conhecido como Liber Juratus ou O Livro Jurado de Honório. Curiosamente esse alfabeto não foi encontrado em nenhum dos dois livros atribuídos a Honório que sobreviveram a Inquisição. O alfabeto Tebano, como ficou conhecido, não apresenta semelhança com os alfabetos da época em que foi publicado, seus caracteres não se assemelham a letras latinas, hebraicas, árabes ou de nenhum tipo, mas tem certa semelhança a um alfabeto mais antigo, o fenício. O Alfabeto Tebano, também conhecido como Alfabeto das Bruxas, por causa do seu uso difundido em grupos de feiticeiras ou mesmo por praticantes solitárias, tem as características oníricas e estranhas evocadas por Lovecraft e se assemelham a alguns de seus “rabiscos” na base da estátua. Se levarmos em conta sua presença em livros de magia negra medievais, sua origem desconhecida, sem uso místico, podemos ver que serve perfeitamente como um bom candidato a canal para o Aklo ser transmitido.

Assim como no Latim não existe diferença entre a pronuncia do I e do J ou do U e do V – ou o W moderno – sendo o mesmo caracter usado para indicar os diferentes sons. Não existem também diferenciação entre maiúsculas ou minúsculas, como no caso do hebraico. Assim as diferentes “letras” representam os sons pronunciados pelo mago. Também não existem apóstrofes, hífens ou qualquer pontuação além de uma indicação de fim de sentença, o que indica que o texto não era separado em frases ou parágrafos, sento escrito em bloco com o sinalizador de fim de sentença.

Isso sim é algo que esperamos encontrar garatujado no Necronomicon.

Os apóstrofes, hífens, etc. que surgem na transliteração são indicativos apenas da sonoridade da palavra, de sua pronúncia, não existem no texto Aklo original.

Baixe aqui o Alfabeto Tebano

Pronunciando Aklo

Apesar de deixar sempre claro que os nomes e palavras Aklo não poderiam ser pronunciados por gargantas humanas, existe uma aproximação fonética.

Por exemplo, apesar de Lovecraft ter sugerido diferentes pronúncias para o nome Cthulhu, a mais aceita é a que oferece em Selected Letter V: o “u” é similar a urubu, e a primeira sílaba não sendo muito diferente de “Klul”, então o primeiro “h” representa o som gutural do “u”. Isso seria, de acordo com Lovecraft, o mais próximo que as cordas vocais humanas chegariam de pronunciar uma língua alienígena.

Mas a pronúncia nos contos é muito próxima da fonética das letras. No Caso de Charles Dexter Ward a fórmula:

Y’ai ‘ng’ngah, Yog-Sothoth

é pronunciada no inglês antigo:

Aye, engengah, Yogge-Sothotha

ou, “abrasileirando”:

Iai, ingeingá, Iogui-Sototi

ou ainda:

Yi nash Yog Sothoth

ou, “abrasileirando”:

I-í náchi Ióg Sossóss

Além disso esbarramos em outro problema levantado pelo próprio Lovecraft quando desejamos aprender a pronunciar corretamente as palavras. Em O Chamado de Cthulhu ele escreve:

“[…] de um ponto indeterminado das profundezas veio uma voz que não era uma voz; uma sensação caótica que apenas uma suposição poderia traduzir como som, mas que ele tentou traduzir com um entulho de letras quase impronunciável, ‘Cthulhu fhtagn’.”

“[…] uma voz ou inteligência subterrânea gritando monotonamente em enigmáticos impactos sensoriais indescritíveis a não ser como sons inarticulados […]”

“[…] o modo de discurso [dos Grandes Antigos] era a transmissão de pensamentos.”

E no Horror de Dunwich:

“É quase errôneo chamá-los de ‘sons’, uma vez que muito do seu medonho, e grave timbre falava diretamente com lugares sombrios de consciência e do terror, muito mais sutis do que o ouvido; mesmo assim é necessário que o façamos, uma vez que sua forma era indiscutivelmente, todavia de forma vaga, a de ‘palavras’ semi-articuladas.”

Assim fica claro que qualquer transliteração de Aklo se torna apenas uma aproximação fonética da forma pronunciada da palavra, pronunciada por uma mente alienígena; forma esta que inclui imagens, sensações, emoções, impressões e qualquer outra forma de informação que o limitado cérebro humano possa processar. É um idioma que deve ser falando principalmente com a mente, e não com as cordas vocais. Faça um exercício, tente traduzir a sua última trepada em uma única palavra, escreva em um papel e depois leia a palavra e veja se ela está à altura do ato. Isso torna a proposta de Moore muito mais interessante, talvez com o uso de alguma droga, como o DTM, o aprendizado do Aklo nos leve mais próximo de seu real significado do que meramente de sua pronuncia. Já que nossa mente filtra apenas o que podemos processar e compreender podemos afirmar que o que sabemos desta língua é muito limitado se comparado com o que um Antigo pode compreender e tentar nos passar.

 

Glossário Aklo – Humano

-agl = (sufixo) lugar

aag = local/realidade dos espíritos / essência sem o corpo

ah = ação genérica, e.g. saudar, comer, fazer

‘ai = falar / chamar / glorificar

athg = firmar (contrato) / concordar

ath = nativa / nascida de

azoth = caos

azathoth = caos + nascer/ser criado

 

‘bthnk = corpo / essência

bug = ir

 

c- = (prefixo) nós / nosso

ch’ = cruzar / viajar / atravessar

chtenff = irmandade / sociedade

 

ebumna = poço

eeh = respostas

ehye = coesão / integridade

ep = não agora / então / mas

ep hai = como consequência neste momento

 

f’- = (prefixo) eles / deles

‘fhalma = mãe

fhayak = enviar / oferecer / lugar

fhhui = considerar / preparar

fhtagn = estado de não consiência do momento (contempla sem conseguir sair da contemplação) o espaço entre dois momentos a experiência mais próaxima é “dormir” ou não estar desperto.

fm’latgh = queimar

ftaghu = pele / o espaço externo que limita uma forma / os ângulos que contém uma forma

 

geb = aqui / agora / esta área

gha = vida

ghft = aquilo que revela formas / luz?

gnaiih = pai/criador

gof’n = criança/criação

gof’nn = crianças/criações

goka = garantir/garantia/assegurar

gotha = desejo/desejar

grah = o mesmo que gha

grah’n = desgarrado/larva (possivelmente grah + nnn)

 

h’- = (prefixo) aquilo/daquilo

hafh’drn = sacerdote / aquele que evoca/chama (possivelmente ai/ah + f’ + ron)

hai = agora

hlirgh = aquele que trilha o caminho próprio / que cria a própria escolha

hri = seguidor

hrii = seguidores

hupadgh = nascido de / pertencente a

 

ilyaa = esperar / aguardar

 

k’yarnak = compartilhar / trocar

kadishtu = compreender (Kadath = não compreendida?)

kn’a = indagar / aprender / absorver

 

l’geb = não aqui mas ao lado / próximo

lg = informação sem forma / “pensamento”

li’hee = “ser oprimido sensorialmente por” o sentimento mais próximo para expressar essa palavra é “sofrendo de”

ll = em / ao lado

lloig = mente / psiquê

lw = consciência livre do corpo/da restrição

lw’nafh = ensino por sonhos / influência por sonhos / doutrina por sonhos (lw + nafh?)

 

mg = (conjunção) ainda que

mnahn’ = sem valor

 

‘nagl = local / espaço de influência

n’ = negação do atributo / não

n’gha = não existência / não consciência / morte (n’ + gha)

n’ghft = ausência de sentidos / escuridão (n’ + ghft)

na’ = (prefixo) (contração de nafl-)

nafl- = (prefixo) não, aplicado ao agora

ng- = (prefixo) (conjunção) e / por consequência / uma ação que depende de uma ação não tomada

nglui = limite

niggur = negro

nilgh’ri = qualquer coisa / todas as coisas

nnn- = (prefixo) observar / proteger

nnn-l = tomar conta / proteger / acompanhar

nnn-lagl = aquele que espreita / aquele que observa de “não aqui”

nog = vir/estar agora

nw = cabeça / lugar / indivíduo

-nyth = (sufixo) servo / extensão da vontade de

 

-og = (sufixo) ênfase

ogg = poder perceber / estar cônscio

ooboshu = carregar / levar para / visitar

-or = (sufixo) força de / aspecto de

orr’e = essência / informação que compõe / ser sem forma ou fronteiras

-oth = (sufixo) nativo de / nascido de

 

ph’ = (prefixo) sobre / além

phlegeth = onde a informação existe / também o local onde duas mentes se encontram (ph’+ lg ?)

 

r’luh = secreto / segredo / escondido / ofuscado (R’lyeh = cidade oculta?)

r’luh-eeh = sem coerção / conhecimento secreto/proibido (R’lyeh = cidade do conhecimento secreto/proibido?)

ron = aquilo que define a vontade / “religião”

 

s’uhn = aliança

sgn’wahl = espaço que existe para mais de um / espaço compartilhado

sh = um aspecto da realidade / reino

shagg = onde sonhos existem (sh + agg ?)

shogg = onde a ausência de sentidos/escuridão existe (sh + ogg ?)

shub = sh + ub ? lugar fértil / o aspecto da fertilidade?

shub-niggurath = shub + niggur + ath = a manifestação negra (cor) viva da fertilidade

shugg = reino da Terra / dimensão onde a Terra é real

soth = forma que dá origem

sothoth = soth + oth ? aquele que nasceu da forma que dá origem

shtunggli = transmitir / contato

sll’ha = convidar / oferecer

stell’bsna = pedir / rezar por

syha’h = todo tempo / ausência de tempo (neste momento) / eternidade

 

tharanak = juramento / exorcismo / trazer a um preço (sacrifício?)

thflthkh’ngha = preparar (para) receber (a) essência/consciência/vida (daquele) que serve/que é extensão de sua vontade

throd = tremer

 

uaaah = conclusão do ritual

ub = fértil

Ugaga = Cria a vida em nosso planeta / é responsável pela vida em nosso planeta (ugg+gha ?)

ugg = Terra / nosso plano de existência

uh’e = muitos / multidão

uln = chamar / evocar / tornar real

 

vra = entrar / se tornar um com

vulgtlagln = pedir/desejar

vulgtm = pedido/desejo

 

wgah’n = ocupar / habitar / controlar

wgah’nagl = casa (de) (ocupar/controlar + local/espaço de influência)

wgn = aguardar no local que habita

wk’hmr = transferir a / impregnar com

 

y’hah = “que se realize”

y- = (prefixo) eu / meu

ya = eu

-yar = (sufixo) tempo de / momento

yog = era / tempo

yog-sothoth = yog+soth+oth = aquele que nasceu da forma que dá origem ao tempo

 

zhro – anular desejo/feitiço

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/aklo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/aklo/

A Estrela Negra do Caos: Lafcursiax

© Linda Falorio 1995.

Cambaleando no fio da navalha de descontrole entre o Esquecimento e a Felicidade, trazemos a vida de volta ao equilíbrio deixando ir, permitindo o Caos criativo.

Quando a Estrela Negra do Caos, o Décimo Segundo Planeta, se aproxima do nosso mundo, em sua órbita de 3.600 anos do Sol, a Terra é bombardeada com radiação eletromagnética desestabilizadora, causando grandes convulsões geofísicas – terremotos, erupções vulcânicas, condições climáticas esquisitas. , tempestades monstruosas, maremotos e inundações cataclísmicas. Os antigos sumérios falavam da existência deste planeta de catástrofes cíclicas, que chamavam de Nibiru. Embora pensado por muito tempo como puramente mítico, a existência objetiva deste planeta enigmático foi confirmada em 1983 por um avistamento do satélite IRAS (San Francisco Chronicle, 27 de dezembro de 1983). Arqueólogos modernos que levantam a hipótese de que este planeta pode ter desempenhado um papel na extinção em massa de espécies que ocorreu no período cretáceo, cerca de cem milhões de anos atrás, o nomearam “Nêmesis”, em homenagem à deusa grega da vingança divina e retribuição.

Corpos em órbita elíptica, como Nibiru e os vários cometas, são grandes forças “sementes” da galáxia, trazendo para o nosso sistema solar dos confins do espaço profundo, elementos alienígenas e metais desconhecidos, sequências orgânicas de moléculas e protofios de DNA — vírus — que permanecem frios e adormecidos nas temperaturas de zero absoluto do espaço enquanto viajam silenciosamente de estrela a estrela distante, em busca de hospedeiros viáveis ​​e uma atmosfera para florescer. Assim, a descoberta de novos cometas e o advento de seu retorno cíclico, bem como o evento cosmicamente maior do retorno do planeta, Nibiru, desperta a excitação arquetípica de uma “Segunda Vinda” e prenuncia a possibilidade de mudança radical. Esses eventos levantam esperança e medo, na psique humana, da possibilidade de forças transcósmicas assumirem um papel deliberado nos assuntos humanos. Vemos isso na crescente evidência de abduções de Óvnis e na sombra lançada ao longo da história pelo conceito cristão do Milênio e, enquanto aguardamos a fase final da sequência da “Convergência Harmônica” maia, programada para ocorrer no ano de 2012 CE.

O planeta Nibiru, porque tende a criar desequilíbrio quando sua órbita cruza nosso sistema solar e seu caminho se aproxima de nosso mundo enquanto viaja de Plutão para dentro em direção ao Sol, está associado ao signo de Libra, o signo dos Balanças, e , significativamente, o sinal do “outro”, ou seja, nossos irmãos extraterrestres. Sabe-se que os deuses, os personagens divinos das culturas e religiões do mundo, como os do panteão sumério, Ishtar, Anu, Enki, Marduk, o Maia Quetzalcoatl, os deuses dos egípcios, Ra, Osíris, Hórus, Ísis, Set, os deuses gregos, Cronos, Zeus, Atena, Afrodite, o Cuchulhain celta, o Dagon do filisteu, Shaitan dos antigos Yezidi e Yahweh da Tribo de Judá, Buda, Cristo, os deuses e deusas hindus, Šiva, Kali, Padmasambhava, essas divindades iradas dos Bön Pó e do Tibete, para citar apenas alguns – todos tiveram interações milagrosas com a humanidade, concedendo dons de cultura, consciência social, códigos morais, lei, arte, artesanato, agricultura e, em alguns casos, exigindo adoração em troca. Uma vez que tais iluminações entregues pelos deuses parecem coincidir com o ciclo do periélio de Nibiru, momento em que está mais próximo do Sol e que se repete a cada 3.600 anos, não será que estes eram, na verdade, visitantes extraterrestres que periodicamente retornavam para guiar e instruir a humanidade, e parecer a seus visitantes como deuses – todos os antigos nibiruanos – e verdadeiros portadores de cultura para o nosso mundo? Ou será que são apenas expressões míticas de uma antiga memória do Primeiro Contato?

O retorno mais recente de Nibiru ao nosso sistema solar ocorreu por volta de 100 AEC. e provavelmente influenciou fontes gnósticas. O símbolo sumério de Nibiru era a estrela de oito pontas, o mesmo símbolo da Estrela de Belém, a Estrela de Cristo. O Cristo histórico foi na verdade um antigo visitante extraterrestre do planeta Nibiru, aqui para mostrar à humanidade o erro de nossos caminhos? O símbolo gnóstico para Cristo é 888 – o número universal – que em leituras digitais contém todos os números possíveis de 000 a 999 dentro de si.

O retorno de Nibiru ao nosso sistema solar em 3600 a.C. foi cuidadosamente registrado em antigas fontes sumérias, e foi interpretado de forma interessante por Zacharia Sitchin em sua série Crônicas da Terra.

Atualmente, (até cerca de 2150 d.C.), o ciclo de Nibiru está 400 anos após seu afélio, movendo-se em direção ao nosso sistema solar a partir de seu ponto mais distante do Sol em sua longa órbita elíptica, similarmente posicionado como quando o Centauro grego, Quíron, curador e professor, viveu na Terra cerca de 3600 anos atrás. Este ponto do ciclo de Nibiru trouxe uma evolução na consciência humana, resultando na mudança do Matriarcado para o Patriarcado, e na usurpação e declínio das religiões da Deusa. Por volta de 1500 a.C., a antiga ilha de Calliste, conhecida nos tempos gregos posteriores como Thera, e hoje chamada de Santorini, explodiu em uma enorme erupção vulcânica, desencadeando um maremoto que os oceanógrafos modernos pensavam ter chegado a 300 pés de altura, e que varreu as costas da Grécia, Ásia Menor e Egito. Este maremoto provocou a destruição de Creta e causou a ascensão do Mar Vermelho, que afogou aqueles que perseguiam os hebreus durante o êxodo do Egito, e foi similarmente a fonte do dilúvio que o grego Deucalião, filho de Prometeu, sobreviveu. com sua esposa Pirra, e depois disso eles começaram a renovar a raça humana.

A deusa grega, Themis, que pode ter sido uma nibiruana, teve uma mão no repovoamento da terra após o dilúvio de Deucalião. “Themis”, que significa “ordem”, era um dos Titãs, ou Deuses Anciões, e foi ela quem “ordenou” o ano em treze meses lunares de 28 dias cada, perfazendo um total de 364 dias, com um dia adicionado. o ano. A frase “um ano e um dia” não significa 366 dias como comumente se supõe, mas se refere ao ano lunar de Themis de 364 dias, com um dia “sobrando”. Foi a grande deusa como Themis que decretou a Ilha da Iluminação, que era a “Ilha de Amber”, a ilha oriental de Samotrácia, como um lugar sagrado onde nenhuma reverência seria prestada a qualquer divindade além da Grande Deusa Tríplice. As filhas de Themis, as Horai, exemplificam as qualidades que os librianos, governados por Nibiru, buscam: Eunomia, “ordem legal”; Dike, “apenas retribuição”; e, Eirene, “paz”.

Foi de Têmis que Zeus derivou sua autoridade judicial, e foi Ela quem convocou as assembleias dos Olimpianos nas quais ela se sentou ao lado de Zeus como a personificação da “Justiça Divina”, que é o poder oracular da própria Terra. Esse poder oracular, residente no inconsciente coletivo, recebeu voz nos tempos antigos através do Oráculo de Delfos, um presente para a própria Themis da Mãe Terra. Para Libra, signo de justiça, era originalmente parte da constelação de Escorpião conhecida como Chelae, “As Garras do Escorpião”. Sua imagem foi retratada no zodíaco babalônico como as garras do Escorpião, uma criatura escura e primitiva das profundezas ctônicas e do inconsciente coletivo, segurando a Lâmpada da Iluminação: é fora da conexão com a vida instintiva profunda que vem a sabedoria transcendente.

Libra, signo de relacionamento e contato social, símbolo do desejo humano de se conectar com “não eu”, com “o Outro”, é um signo duplo, regido por Inanna/Ishtar, Deusa do Amor e Deusa da Guerra. Os nascidos com este asterismo fortemente marcado são puxados para criar harmonia e equilíbrio na esfera humana. Os librianos buscam justiça no reino humano, buscam uma paz que deriva de uma ordem social justa e equitativa e leis derivadas da sabedoria. No entanto, normalmente, os librianos não são avessos a lutar para alcançar seus objetivos. Girando em torno de um fulcro central, seu objetivo final é o Caminho do Meio Budista. No entanto, na tentativa de criar equilíbrio, de ver todas as possibilidades inerentes a uma determinada situação, em um esforço para ser justo e justo em seus pronunciamentos, o temperamento libriano às vezes é vítima de uma aparente indecisão. Mais frequentemente, porém, aqueles com sintonização interna com os poderes do Equilíbrio serão encontrados indo de um extremo ao outro em um esforço para criar equilíbrio no aparente caos de seus atos.

O vidente cego, Tirésias, tipifica essas qualidades de equilíbrio e justiça, bem como as de dualidade e ambivalência. Embora nascido homem, o grego, Tirésias, transformou-se em mulher, passando sete anos como uma prostituta célebre. Essa circunstância o qualificou para julgar a questão que Zeus lhe fez, sobre quem tirava mais prazer do ato sexual, homem ou mulher. Tirésias, ao responder que a mulher sentia mais prazer, ficou cego por Hera, a ciumenta deusa-esposa de Zeus, por responder com tanta sinceridade, mas sem tato.

A mais antiga imagem do Tarô associada a Libra é a carta chamada “Justiça”, que mostra a deusa Themis segurando a balança da Justiça na mão esquerda, enquanto a espada de dois gumes da Verdade está na direita. As escalas que Themis segura são as escalas do Karma, indicando que as ações uma vez tomadas não podem ser desfeitas. Devemos colher a colheita formada por ações realizadas no passado, pois formamos nosso destino futuro por ações realizadas agora. E Libra rege as Balanças, as balanças sobre as quais o coração humano é pesado nos Salões dos Mortos quando a alma se aproxima da vida após a morte egípcia em Amenta. A pena equilibrada contra a qual o coração é pesado na balança do julgamento é um símbolo da Deusa Maat. Nas paredes funerárias egípcias, o monstro Amemait, “o devorador”, parte leão, parte hipopótamo e parte crocodilo, é visto agachado nas proximidades, esperando para comer os corações daqueles julgados entre os condenados.

Conhecida nos ensinamentos esotéricos como “Filha dos Senhores da Verdade”, “A Regente do Equilíbrio”, esta carta está associada ao signo de Libra e ao Equinócio Atumnal, quando, no ciclo minguante do ano, surgem Luz e Trevas. num equilíbrio precário e momentâneo, que então rapidamente se transforma no escurecimento da luz, à medida que as noites inevitavelmente se alongam. O tarô de Thoth retrata “Justiça” como uma dançarina na ponta dos pés, usando a Serpente Uraeus do “Senhor da Vida e da Morte” na testa e coroada com as plumas de Maat, a deusa egípcia da Verdade e da Perfeição. A espada da Verdade varre a emoção nublada, trazendo clareza de mente e, finalmente, Iluminação. A espada da Sabedoria corta o Mistério, para que, vendo e aceitando o passado, nos libertemos dele. A ação que sai do entendimento traz significado e valor para nossas vidas. Ao encontrar nosso centro, nossas vidas entram em equilíbrio; quando tudo entra em equilíbrio, somos finalmente livres. Mascarado e misterioso, este dançarino, girando constantemente, dança a dança da ilusão da manifestação, é a dança de Maya, a dança colorida da própria vida, em que todas as possibilidades são apreciadas, em que todas as coisas são harmonia e beleza, e todas as manifestações são Verdade. Nirvana é igual a Samsara nesta dança da vida. Tudo é ilusão, não importa quão assustador ou atraente possa parecer, onde cada experiência deve ser absorvida, transmutada, ajustada, sublimada e, finalmente, nascida, em sua próxima manifestação.

“Justiça”, “Ajuste”, Atu VIII, do tarô diurno, encontra seu lado Sombra no Túnel de Lafcursiax, onde Themis vira o rosto para nós como Nêmesis, “devida promulgação”. Nascida do sangue de Urano, ela é conhecida como “Vingança Divina” e como Adrasteia, “a Inescapável”, que é a Anciã oracular do Outono. Com Ela não há graça, não há culpa, não há oração profilática para aplacar o destino que nós mesmos criamos. Nem Nêmesis nem Aidos tinham seu lar entre os deuses, pois “somente quando os homens se tornarem completamente perversos eles deixarão a terra e partirão para a companhia dos imortais”, seus belos rostos velados em roupas brancas. (EH)

No túnel de Lafcursiax, Inanna/Ishtar encontra seu duplo sombrio Ereshkigal. Maat, deusa da perfeição, é também A Deusa das Trevas, Maut, o Abutre voraz, um pássaro tabu, sagrado para Osíris, que se diz ser fertilizado pelo vento e importante para os áugures etruscos. No Tibete atual, os mortos ainda são deixados aos abutres; e em Bombaim, os parsis expõem seus cadáveres no alto das “torres do silêncio”, deixando-os à mercê dos clãs dos abutres. Em A Dádiva da Águia, Carlos Castanheda fala do “poder que rege o destino de todos os seres vivos”, que ele chama de “a Águia . . . [que] . . . está devorando a consciência de todas as criaturas que, vivas na terra um momento antes e agora mortas, flutuaram até o bico da águia, como um enxame incessante de vaga-lumes, para encontrar seu dono, suas razões de ter tido vida. A Águia desembaraça essas minúsculas chamas, as deita planas, como um curtidor estica um couro, e depois as consome; pois a consciência é o alimento da Águia. A Águia, esse poder que governa os destinos de todas as coisas vivas, reflete igualmente e ao mesmo tempo todas essas coisas vivas.”

Aqui, no túnel de Lafcursiax, a deusa abutre, Maut, brinca com sua aranha de estimação, alimentando-a com fitas de carne, arrancadas das almas dos vivos. Que Ela vem fazendo isso desde eras passadas é atestado pelo crânio descartado de Australopithecus africanus, tendo uma idade geológica de cerca de 3 milhões de anos. Centelhas de vidas humanas são o combustível de sua existência, cujas origens se perderam nas brumas do tempo, quando os Filhos de Deus, os Nephilim andaram na Terra, quando o Povo das Estrelas veio de Nibiru, planeta de Equilíbrio e Desequilíbrio.

A aranha é o emblema sombrio dos mistérios tifonianos, do antigo culto da serpente de Obeah e da corrente ofidiana, é o emblema da deusa Maat em seu ciclo de retorno. A louca simetria da teia de aranha atravessa o abismo do meio-termo no qual, de outra forma, poderíamos cair para trás; cruzando do ser para o não-ser, do universo conhecido para o Aeon de Maat sempre espiralando em direção a nós de um futuro desconhecido. Pendurada de cabeça para baixo, a Rainha Aranha do Espaço gira Sua teia, criando 256 janelas para outras dimensões, torres de transmissão no vazio, pulsando energias extraterrestres que servem para corroer e depois transformar a consciência humana: é a terrível voz de Hastur, rodopiando sombriamente. pela vastidão do universo.

Em seu livro “Chiron: Rainbow Bridge Between the Inner & Outer Planets (Quíron: Ponte do Arco-íris Entre os Planetas Internos e Externos)”, Barbara Clow fala da explosão cataclísmica de uma memória interna daquele ano de 1500 a.C., revivendo a memória interna da destruição anterior da Atlântida, e isso é responsável pelo medo cego de desastre global atual em nossa cultura hoje. A Deusa foi culpada pelo cataclismo, pois cabia à religião da Deusa guardar a fertilidade e o equilíbrio planetário. Se não entendermos o ciclo do Décimo Segundo Planeta que rege o equilíbrio de nosso planeta no sistema solar, desta vez o patriarcado será culpado pela destruição que está sobre nós.

Este ponto do ciclo de Nibiru, até cerca de 2150 d.C., é o principal ponto de equilíbrio/desequilíbrio, onde podemos finalmente equilibrar Marte/Vênus, anima/animus, masculino/feminino, como fez o vidente cego Tirésias. “A energia eletromagnética está aumentando na atmosfera, como evidenciado pela reenergização de círculos de pedras megalíticas e complexos de templos de pirâmides em todo o mundo, apenas porque este ponto do ciclo de Nibiru é um ponto de desequilíbrio. “… Estamos à beira de uma fase de sincronização totalmente nova e estelar.” Sempre que isso acontece, temos a chance de ‘saltar o ciclo’ e passar para outro lugar na espiral da evolução da consciência. Nibiru causa desequilíbrios climáticos e libera forças profundas da Terra, mas também libera Eros…” “Esta força é plutoniana quando reprimido, como Prometeu no Mundo Inferior, porque toda repressão se torna plutoniana. Mas sua força é idealmente o poder da serpente uraniana, se cada um de nós a deixar subir na espinha como energia kundalini.

O Retorno iminente desta vez é marcado pelo ressurgimento do Feminino, uma reedição do equilíbrio-desequilíbrio masculino-feminino: “Take Back The Night! (Tome a Noite de Volta!)” É esta Deusa que retorna de nosso passado arcaico, seu rosto um prenúncio de nossos eus futuros distantes, distorcidos no tempo em um presente caótico: Inanna/Ishtar, Deusa do Amor, Deusa Guerreira que corrige todo desequilíbrio com uma espada rápida impiedosa.

Nesta carta: “Vida desequilibrada”; somos lembrados da necessidade de permanecer em harmonia com os ciclos naturais. Somos lembrados de que devemos aceitar as limitações de nossa existência física. Assim, os sintomas da necessidade de trabalhar esse túnel são a adesão rígida a noções abstratas de lei patriarcal linear; crença na paz sem justiça; crença no Direito Divino, nas hierarquias, no lugar de direito da Mulher, na Virtude do status quo; crença em um deus misericordioso; medo do conhecimento, da liberdade, da alegria e da vida, de se divertir “muito”. Qualquer bloqueio dessas manifestações da kundalini elevada resulta em vertigem literal. A fórmula para lidar com esse vasto influxo de energias eletromagnéticas e biônicas é a do “não-equilíbrio”, o afrouxamento, o abandono da necessidade diurna de equilíbrio linear e controle consciente que está na raiz da náusea e da vertigem; relaxante, permitindo uma espiral ascendente natural de energia.

Os poderes deste túnel estão operando no fio da navalha do descontrole; de temer não corrigir o desequilíbrio; não temendo o poder da fúria justa. Aqui está a alegria da vida e o amor apaixonado, cambaleando à beira do perigo do desequilíbrio entre o esquecimento e a bem-aventurança; êxtase e caos criativo: símbolo de oito braços do planeta Nibiru.

***

Fonte:Dark Star of Chaos: Lafcursiax, by Linda Falorio.

© AnandaZone 1998 – 2019

All articles and art © Linda Falorio unless otherwise noted.

anandazone@anandazone.nu

 

Linda Falorio / Fred Fowler, Pittsburgh, PA 15224 USA.

 

***

 

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-estrela-negra-do-caos-lafcursiax/

As Novas Regras da Guerra

Resenha do livro de Sean McFate, 2019

Alguns dos princípios da guerra são antigos, outros são novos, mas os princípios descritos no livro “The New Rules of War: Victory in the Age of Durable Disorder” de Sean McFate busca traçar os princípios que moldarão permanentemente a guerra agora e no futuro. Quem os seguir, argumenta Sean McFate, irá prevalecer. Se os Estados Democraticos não o fizer, terroristas, estados totalitários e organizações internacionais o farão e dominarão o mundo.

A guerra é atemporal. Algumas coisas mudam – armas, táticas, tecnologia, liderança, objetivos – mas nosso desejo de ir para a batalha não. Estamos vivendo na era da Desordem Durável – um período de agitação criado por vários fatores: ascensão da China, ressurgimento da Rússia, recuo dos Estados Unidos, terrorismo global, impérios  internacionais, narcotráfico, mudanças climáticas, diminuição dos recursos naturais e sangrentas guerras civis. Esta turbulência devastadora deu origem a questões difíceis. Qual é o futuro da guerra? Como podemos sobreviver?

Atrofia Estratégica

A guerra é uma das constantes da humanidade. Não importa o quão iluminados nos tornemos, muito provavelmente ainda usaremos uma boa porção do nosso tempo matando uns aos outros. Como tal, é inevitável que a geração mais jovem de hoje experimente a guerra. A única questão é quando. No futuro, alguns conflitos serão regionais, enquanto outros afetarão a todos nós. Alguns serão pequenos, outros serão grandes. Todos serão horríveis.

O século XXI está amadurecendo em um mundo atolado em caos perpétuo, sem como contê-lo. O que foi tentado até agora falhou, tornando o conflito o motivo do nosso tempo. As pessoas intuitivamente sabem disso, mas aqui estão alguns fatos interessantes.

O número de conflitos armados dobrou desde a Segunda Guerra Mundial, e pesquisas mostram que os americanos estavam substancialmente mais seguros nos anos da Guerra Fria do que estão hoje. De aproximadamente 194 países no mundo, quase metade está passando por algum tipo de guerra. As frases “resolução pacífica” e “solução política” tornaram-se piadas. Estudos revelam que 50% dos acordos de paz falham em cinco anos e que as guerras não terminam mais a menos que um lado seja destruído. Em vez disso, os conflitos modernos ardem em perpetuidade sem um vencedor ou perdedor claro.

Os mercenários retornarão, não lançando AK-47, mas voando com drones e leiloando equipes de forças de operações especiais pelo maior lance. Alguns podem assumir países, governando como reis. Privatizar a guerra muda a guerra de maneira profunda, um fato incompreensível para os estrategistas tradicionais. Também distorce as relações internacionais. Quando os super-ricos podem alugar militares, eles se tornam um novo tipo de superpotência, capaz de desafiar os estados e sua ordem baseada em regras. Grandes companhias petrolíferas terão exércitos privados, assim como bilionários aleatórios. Na verdade, isso já está acontecendo. Os traficantes de drogas possuem forças privadas e dominam países, transformando-os em “narco-estados” semelhantes a zumbis.

As armas mais eficazes não dispararão balas, e elementos não cinéticos como informação, refugiados, ideologia e tempo serão transformados em armas. Grandes forças armadas e supertecnologia se mostrarão ineptas. As armas nucleares serão vistas como grandes bombas, e uma guerra nuclear limitada se tornará aceitável para alguns. Por que presumimos que o tabu nuclear durará para sempre?

Outros já estão lutando neste novo ambiente e vencendo. Rússia, China, Irã, organizações terroristas e cartéis de drogas exploram a desordem duradoura para a vitória, acelerada pela atrofia estratégica do Ocidente. Esses inimigos têm significativamente menos recursos do que o Ocidente, mas são mais eficazes na guerra.

Por que erramos na guerra?

Alice no País das Maravilhas é um guia magnífico para entender a atrofia estratégica. Parafraseando um ensinamento: se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho o levará até lá.

A Ordem Westphaliana está morrendo. Hoje os estados estão recuando em todos os lugares, um sinal claro de desordem. Da enfraquecida União Européia ao furioso Oriente Médio, os estados estão se desintegrando em regimes ou estão falhando manifestamente. Eles estão sendo substituídos por outras coisas, como redes, califados, narco-estados, reinos de senhores da guerra, corporatocracias e terrenos baldios. A Síria e o Iraque podem nunca mais ser estados viáveis, pelo menos não no sentido tradicional. O Índice de Estados Frágeis, um ranking anual de 178 países que mede a fraqueza do Estado usando métodos de ciências sociais, alertou em 2017 que 70% dos países do mundo eram “frágeis”. Esta tendência continua a piorar.

Algumas pessoas entram em pânico com esse caos crescente, pensando que é um presságio do colapso da ordem mundial, mas não temam. É natural. Essa mudança é uma redefinição para um antigo normal. A maior parte da história é feita de desordem. Os últimos quatro séculos de uma ordem baseada em regras governada por estados estáveis é uma anomalia. Mesmo assim, dificilmente viveu-se sem derramar sangue; A Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial foram os conflitos mais devastadores da história, a julgar pela contagem de corpos e pela destruição urbana. Agora estamos voltando ao status quo ante da desordem e ao que veio antes de 1648. O mundo não entrará em colapso na anarquia, mas arderá em conflito perpétuo, como tem acontecido por milênios. Ficaremos bem, se soubermos lidar com nós mesmos. O primeiro passo é perceber que ninguém mais luta convencionalmente.

Guerra e paz coexistem, conflitos hibernam e voltam  queimar. De vez em quando eles explodem. Essa tendência já está surgindo, como evidenciado pelo número crescente de situações “nem guerra, nem paz” e “guerras perene” em todo o mundo. Isso é desordem durável. Guerras prolongadas são a norma na história: a Guerra dos Cem Anos, a Guerra dos Trinta Anos, a Guerra do Peloponeso, as Cruzadas, as Guerras Romano-Germânicas, o período dos Reinos Combatentes da China, as guerras árabe-bizantinas, as guerras sunitas-xiitas, e quase todo o resto. Mesmo a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais são mais bem vistas como uma única guerra que durou trinta anos. Guerra e paz sempre foi ilusão. A verdadeira paz pode realmente existir?

Ao considerar o Iraque ou o Afeganistão, eles assumem erroneamente que a legitimidade é exatamente como no Ocidente. Isso é imbecil. Em uma democracia, a legitimidade é conferida pelo consentimento do povo em ser governado – daí a importância das eleições. As pessoas devem sua obediência ao governo em troca de serviços sociais como segurança, justiça, educação e saúde. Se a população estiver insatisfeita, pode demitir o governo e eleger novos líderes. Os cientistas políticos chamam essa dinâmica de “contrato social” entre governante e governado.

A sombra é mais poderosa que a espada

A guerra está acontecendo no subsolo e será travada nas sombras complicadas. Uma mente astuta é superior a uma mente marcial. Subversão será tudo nas guerras futuras. Quem se importa com quantas armas nucleares você tem se não sabe para onde apontá-las? A subversão torna a força contundente secundária, como demonstra a estratégia das Três Guerras da China. Os russos chamam sua versão de maskirovka, ou “máscara”, e faz parte de sua cultura estratégica desde o século XIV. O que começou como uma astuciosa decepção militar é agora o modo de guerra russo.

A lógica estratégica de Maskirovka é convincente. Ele fabrica uma névoa de guerra e vence transformando o inimigo em um fantoche. Essas artes das trevas são as verdadeiras armas de destruição em massa, não armas nucleares. Por exemplo, medidas ativas russas podem corromper bancos de dados de inteligência, análises e conclusões. Por que invadir um país quando você pode enganar o Ocidente (ou outra pessoa) para fazer isso por você? Esta é a guerra das sombras.

Sun Tzu aconselha a “abordagem indireta” da guerra, uma ideia estratégica adotada brevemente pelo Ocidente após a calamidade da Primeira Guerra Mundial, mas depois abandonada. Tudo se resume a isso: não lute contra seus inimigos – supere-os. Bem feita, essa abordagem manipula o inimigo para criar vulnerabilidades que você pode explorar. Ao contrário de Clausewitz, Sun Tzu pensa que a força é o caminho do tolo para a guerra, e a vitória no campo de batalha é a marca de um general inepto. O zênite da habilidade é enganar seu inimigo para que ele perca antes mesmo que ele venha para a batalha. “A suprema arte da guerra”, diz ele, “é subjugar o inimigo sem lutar”. A inteligência vence o músculo.

A lição aqui não é que as guerras sombrias não funcionam – elas funcionam – mas que segredos e democracia não são compatíveis. Isso significa que as democracias estarão em desvantagem em uma era de guerra nas sombras, um fato que Putin já explora. A democracia prospera à luz da informação e da transparência. As guerras sombrias favorecem a escuridão da autocracia. Infelizmente, algumas democracias podem ser tentadas a sacrificar seus valores em nome da vitória, um fenômeno tão antigo quanto a própria democracia. O antigo historiador grego Tucídides viu Atenas se tornar cada vez mais despótica enquanto lutava contra sua rival Esparta, um regime autoritário, durante a Guerra do Peloponeso. No final da guerra, Atenas não era diferente de Esparta e perdeu de qualquer maneira.

Guerra futura

A proliferação de ameaças sistêmicas, como a desordem duradoura, abalará a segurança global no século XXI, conforme evidenciado pelo aumento do número de conflitos armados em nossa vida. Os tradicionalistas que veem a guerra puramente como um choque militar de vontades estarão condenados, não importa o tamanho de suas forças armadas, porque não compreendem a natureza política da guerra, enquanto seus inimigos o fazem. Há muitas maneiras de vencer, e nem todas exigem grandes forças armadas.

A guerra está se tornando clandestina, e o Ocidente deve seguir desenvolvendo sua própria versão de guerra das sombras. As forças de operações especiais devem ser expandidas, pois podem lutar nessas condições, e o restante das forças armadas também precisa se tornar mais “especial”. O Ocidente se não quiser sucumbir deve fazer um trabalho melhor em alavancar forças de procuração e mercenários.

No futuro, a vitória será conquistada e perdida no espaço da informação, não no campo de batalha físico. É um absurdo que o Ocidente tenha perdido a superioridade da informação na guerra moderna, mesmo com os montes de talentos em Hollywood, na Madison Avenue e em Londres. O escrúpulo do Ocidente em usar a subversão estratégica só ajuda seus inimigos. Sun Tzu e os Trinta e Seis Estratagemas para a Guerra são um bom lugar para começarmos a superar esse escrúpulo. Deixe um artista de guerra tirar isso daí. O Ocidente pode vencer se lutar com as Novas Regras da Guerra. Só assim estaremos seguros.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/as-novas-regras-da-guerra/

Batendo na porta do céu: Rituais Básicos de Feitiçaria Taoísta

MIN TZU, excerto de CHINESE TAOIST SORCERY

Para realizar um ritual de feitiçaria, o mago monta um altar em sua casa, em uma sala usada exclusivamente para esse fim. A cerimônia pode então ser aberta e encerrada adequadamente em plena conformidade com os princípios religiosos taoístas. Durante a realização de um ritual, as portas e janelas são mantidas fechadas e as janelas cobertas com cortinas azuis ou vermelhas. Também é tomado cuidado para que as pessoas não entrem ou saiam com frequência da sala; caso contrário, as divindades convocadas poderiam partir e ou mesmo se irritar.

O próprio altar, também chamado de mesa de sacrifício, é quadrado e representa de forma simbólica a terra. Ele é colocado no centro da sala ou contra a parede norte e coberto com um pano amarelo. Quando
o mago fica na frente do altar, ele também estará virado para o norte. Duas velas vermelhas são colocadas na parte superior da mesa, uma em cada canto. As curvas e a luz das velas representam o Céu e juntando a  mesa e o oficiante, eles formam uma trindade simbólica que se funde com aquela formada pelas forças Chi, Yin e Yang. Este é o símbolo chave necessário para entrar no mundo metafísico.

O mago pode colocar no em cima do altar qualquer ícone de sua preferência. Outros objetos colocados sobre a mesa incluem: uma espada de madeira ou faca de tamanho médio usada para expulsar fantasmas malignos, um pequeno incensário, uma xícara contendo uma pequena quantidade de arroz cru, uma tigela pequena cheia de água e outra de vinho, uma grande cinzeiro em que o dinheiro espiritual é queimado e uma tigela cheia de frutas frescas. O feiticeiro está ciente de que até que ele acenda as velas e queime o dinheiro espiritual, as portas do mundo espiritual permanecerão fechadas e os deuses não poderão ouvir suas súplicas ou aceitar suas oferendas.

Quando o oficiante abre a cerimônia, ele se torna parte do triângulo taoísta de poder formado pelo Homem, Terra e Céu. Neste triângulo, ele representa a humanidade de pé ou ajoelhado na terra e eleva suas oferendas ao céu. Desta forma, ele atrai divindades benevolentes para o seu lado, aquelas mais inclinadas a oferecer assistência bondosa às pessoas que as chamam. O tipo e a cor das roupas que ele veste são menos importantes do que a atitude que ele demonstra em relação ao Céu durante o ritual. No entanto, ele evita usar roupas brancas, cor ligada ao luto. O uso de uma touca pequena e redonda é opcional.

Uma vez no meio de um ritual, sua eficácia geralmente depende do nome da divindade invocada pelo mago. Se ele não invocar um deus em particular, a identidade dos espíritos que respondem às suas invocações será desconhecida para ele.

ABERTURA DA CERIMÔNIA

No dia em que faz seu ritual, o oficiante primeiro seleciona a hora correta para abrir a cerimônia. O momento ideal é durante o dia, quando a influência do sol é mais forte na Terra. Rituais realizados à noite, quando a terra está sob a influência da lua, apelam para entidades malignas.

Para iniciar a cerimônia, o oficiante lava as mãos e veste roupas limpas. Ele despeja água fresca e vinho nas xícaras sobre a mesa e coloca frutas frescas na tigela. As portas e janelas do recinto são fechadas ou cobertas para evitar que estranhos interrompam a cerimônia e perturbem a aura pacífica do ritual. Ele então se aproxima da mesa e acende as velas. Ele escreve a palavra “Tao” em tinta vermelha em uma folha de papel branco e a coloca entre as velas.

Tao

Ele junta as palmas das mãos à sua frente em posição de oração e respeitosamente se curva três vezes em direção ao altar.
Neste exato momento, a cerimônia é considerada aberta. Uma ponte metafísica foi construída entre este mundo e o além. O oficiante usa a ponte para unir-se aos bons espíritos, ou para separá-lo dos maus.
Para permanecer no controle total dos poderes sobrenaturais sob seu comando, o oficiante se concentra totalmente no ritual. Nenhum outro pensamento passa por sua mente durante o restante da cerimônia – nenhum pensamento sobre sua família, seu trabalho, sua agenda para o dia ou qualquer outra coisa. Sua mente está absolutamente focada em
Céu acima e terra abaixo.

Em seguida, o oficiante dedica o ritual a um deus específico através da petição escrita. Este é um aspecto importante da feitiçaria porque uma vez que ele tenha entrado no mundo espiritual, ele não receberá ajuda de seus habitantes se apenas vagar sem rumo. Esta situação é semelhante a entrar em uma nova cidade neste mundo. Uma pessoa não pode esperar receber ajuda em nenhum lugar, a menos que conheça alguém que resida lá. Com isso em mente, o oficiante dirige sua cerimônia a um deus amigo que estará disposto a ouvir suas súplicas e receber suas orações. Isso o ajuda a centrar seus pensamentos naquela divindade em particular.

Uma divindade importante no panteão chinês cujo nome é frequentemente usado é “Kuan Ti (ou Guan Yu)”. Se ele for escolhido, o feiticeiro escreve seu nome em um pedaço de papel amarelo separado ou escreve com tinta vermelha em papel branco, e também coloca esse papel entre as velas.

關羽 – Guan Yu

É importante que o feiticeiro entenda uma coisa sobre divindades: como acontece com as pessoas, quando um deus é invocado inesperadamente, ele pode não estar em casa. No entanto, outros deuses menores já são designados como seus ajudantes e geralmente assumem a responsabilidade de prestar ajuda a quem o invoca Só assim uma única divindade pode cuidar de todas as invocações que lhe venham de todas as partes do mundo. Ele não precisa responder a todas elas sozinho.

Depois que o ritual foi endereçado ao deus apropriado, o feiticeiro escreve uma petição. Uma petição é uma carta escrita em um pedaço de papel amarelo, na qual o feiticeiro expressa todos os desejos que deseja que sejam atendidos. Há petições para purificar um lugar ou pessoa, para ajudar os espíritos dos ancestrais do oficiante, para pedir saúde e amor, e até para pedir sucesso financeiro aos deuses. Não há limites para o que uma pessoa pode pedir, exceto aqueles ditados por sua própria consciência. Ele pode escrever sobre qualquer coisa que o perturbe, seguro de que receberá uma resposta rápida e positiva do deus.

Depois de descrever seus desejos por escrito, o mago usa tinta vermelha para escrever o nome do deus que ele escolher (ou seja, o Deus da Riqueza, o Deus da Saúde, etc..), em letras grandes sobre toda a petição. Na parte inferior da petição, ele escreve seu próprio nome, data de nascimento e assinatura.

Se nenhuma solução para seus problemas surgir em breve isso pode significar que o deus específico que ele invocou não é capaz de responder às orações naquele momento. Se isso acontecer, o oficiante reza para outras divindades até que uma finalmente responda aos seus apelos e seu caso chegue a uma conclusão favorável.

Depois de escrever a petição, o oficiante prepara uma oferta em dinheiro para os espíritos. Além das oferendas de água, vinho e frutas, esta é a oferenda mais importante que ele fará porque o mundo do além é estruturado de forma muito parecida com este mundo e os espíritos que ajudam os deuses também precisam de dinheiro. Esses espíritos são os fantasmas de pessoas mortas, então eles devem comprar sua passagem de um nível para um mais alto do pós-vida. Se seus parentes não lhes dão dinheiro, sua melhor esperança é recebê-lo regularmente ajudando deuses conhecidos a responder às orações de suplicantes que também queimam dinheiro espiritual. Por esta razão, os chineses dizem que “Até os deuses amam o dinheiro”.

Os deuses permitem que certos espíritos usem o dinheiro queimado que vem deste mundo. A fumaça desse dinheiro queimado cruza a fronteira entre os dois mundos e pode ser  recebida e usada pelos ajudantes fantasmagóricos que aparecem na sala do altar para ouvir as orações da pessoa.

Para garantir que os espíritos malignos não se apressem para pegar o dinheiro destinado aos espíritos bondosos, o oficiante escreve o nome do deus a quem ele está sacrificando no dinheiro espiritual para ser queimado. Uma nota pequena como um dólar, ou seu equivalente, é suficiente como oferta. Em países onde é ilegal queimar moeda nacional (Como no Brasil), o dinheiro fantasma é usado.

Para reduzir as despesas, alguns feiticeiros preferem oferecer dinheiro fantasma aos espíritos, mesmo que seja legal queimar dinheiro real. Mas os espíritos não podem ser enganados. Se eles receberem dinheiro de mentira sem necessidade, eles concederão favores de mentira também. Afinal, se dinheiro real deve ser trocado por bens e serviços neste mundo, os feiticeiros não podem esperar que seja diferente no outro.

Para fazer a oferenda em dinheiro, o oficiante fura uma nota com a espada ou faca de madeira, acende-a com a chama da vela à sua direita e a segura sobre o cinzeiro até que esteja totalmente queimada. Só então o deus invocado, ou os espíritos que o representam, entrarão na sala para recolher as oferendas e ouvir a petição do oficiante.

Inevitavelmente, alguns espíritos malignos também conseguirão entrar na sala neste momento, mas por enquanto o feiticeiro não deve se preocupar com eles, veremos isso a seguir. Ele continua a cerimônia queimando a petição sobre o cinzeiro. Neste momento, o oficiante tornou-se um com a eternidade, aquecendo-se em uma luz invisível, irradiada por um verdadeiro deus que se torna como um sol no altar. Tudo o que resta é que o ritual seja devidamente encerrado, ou finalizado.

ENCERRAMENTO DA CERIMÔNIA

Durante o encerramento da cerimônia, a sala do altar deve ser limpa de quaisquer espíritos malignos que tenham entrado durante o ritual. Essas entidades devem ser enviadas de volta para onde vieram para que não escapem para o mundo exterior e incomodem outras pessoas.
Para conseguir um final perfeito para sua cerimônia, o oficiante escreve uma última petição pedindo a todos os espíritos ao redor do altar, bons e maus, que retornem imediatamente aos seus lugares de origem porque a cerimônia está prestes a ser encerrada.

A água e o vinho no altar já foram abençoados pelo grande poder do ritual; portanto, o oficiante borrifa algumas gotas de cada uma sobre as petições. Ele então perfura as petições com a ponta da espada de madeira, acende-as com a vela do lado esquerdo do altar e as segura sobre o cinzeiro até que estejam completamente queimadas.

Depois de se curvar três vezes em direção ao altar, o oficiante apaga as chamas de ambas as velas e descarta a água e o vinho nas taças. As portas e pontes que conectam este mundo com o futuro estão agora totalmente fechadas e o ambiente protegido. A cerimônia está oficialmente encerrada.

Ao se preparar para um novo ritual, o oficiante pode reutilizar as velas, frutas, grãos e flores de cerimônias anteriores, mas o vinho, a água e o dinheiro espiritual devem ser novos a cada vez. Idealmente, cada cerimônia é feita para atender uma necessidade do oficiante.

Uso do rito para Culto aos Ancestrais

O desejo consciente de realizar rituais pelos mortos coloca o homem bem acima dos animais e o permite encontrar  paz no mundo além. Os mortos ainda gostam das coisas terrenas de que desfrutavam enquanto estavam vivos e, embora não precisem de itens como comida ou roupas no sentido que as pessoas vivas precisam, ainda podem usá-las à sua maneira. Por exemplo, mesmo que não tenham mais bocas ou corpos, eles ainda sentem fome e sede e, embora só possam absorver o cheiro da comida e bebida que lhes é oferecida em rituais, isso é suficiente para satisfazer seus desejos.

Os bons filhos nunca permitem que seus pais falecidos fiquem famintos ou desamparados e assim ofereçam comida aos seus antepassados. Orações e flores são boas oferendas, mas não são suficientes.

É fato que a boa sorte das pessoas pode ser consolidada se elas fizerem oferendas aos seus parentes falecidos e receberem em troca sua ajuda sobrenatural. Tais demonstrações de piedade filial também ajudam a diminuir o número de fantasmas famintos que vagam pela terra.
Como o taoísmo é a religião mais antiga praticada no mundo e existe há pelo menos cinco mil anos, pode-se dizer que os chineses sabem uma ou duas coisas sobre assuntos religiosos profundos. Se eles acreditam no culto aos ancestrais é útil, deve haver algo ai. Seria tolice descartar essa crença como simples superstição.

O ritual realizado para adorar os ancestrais requer o mais simples dos altares. Para fazer o altar, o oficiante coloca uma pequena mesa sob uma foto de seus pais falecidos ou sob uma tabuinha ou papel com seus nomes, e a cobre com um pano vermelho. O altar pode ser instalado em qualquer parte da casa, incluindo a sala de estar, e uma vez instalado, pode ser deixado no mesmo local permanentemente. Um par de castiçais ou um incensário é colocado sobre a mesa.

Quando uma pessoa deseja fazer uma oferenda a seus parentes falecidos, ela traz comida recém-preparada para o altar e a coloca sobre a mesa entre as velas, acende uma vela ou incenso e curva-se três vezes em direção às imagens enquanto oferece mentalmente a eles e deixa a comida no altar por alguns minutos para que os espíritos possam apreciá-la, depois disso leva a comida a mesa de jantar para ser consumida pela família. Até os céticos desse método perceberão que a comida perderá um pouco do sabor porque foi absorvido.

Por mais simples que seja esse ritual, ele garante alegria e bênçãos para o oficiante e sua família se praticado continuamente. Se as oferendas são feitas dessa forma, nenhuma outra cerimônia é necessária.
Se o oficiante também deseja escrever petições para seus ancestrais, uma cerimônia formal é aberta. Nesta cerimônia, ele oferece comida e dinheiro espiritual para seus ancestrais, então queima uma carta na qual ele fala sobre problemas particulares e pede que eles o ajudem a resolver Essa prática traz paz tanto para os espíritos quanto para seus descendentes vivos.

É preferível que o filho mais velho conduza a cerimônia de culto aos antepassados, mas quando uma pessoa ou casal morre sem filhos, qualquer parente pode assumir esse dever. Há também outras alternativas, como quando um aluno cultua seu professor se este morrer sem filhos. Em outros casos, as pessoas adoram os espíritos daqueles a quem são gratos mesmo que não sejam parentes, como quando um indivíduo é adorado por admiradores. É o caso de Confúcio, que ainda é homenageado milhares de anos após sua morte.
De qualquer forma, o que importa é a devoção que o oficiante demonstra pelo falecido em seus rituais, independente do tipo de relacionamento que mantinham.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/bate-a-porta-do-ceu-rituais-basicos-taoistas/

A Compreensão Espagírica dos Remédios

Beat Krummenacher

Excerto de Spagyric Tinctures: tradition, Preparation and Usage

Quase todos os métodos usados ​​hoje para preparar fitoterápicos (remédios vegetais) têm o objetivo comum de isolar, ou pelo menos reforçar, um ingrediente eficaz da planta. A tendência é obter uma caracterização clara e inequívoca de preparações farmacologicamente ativas e puras. Além dessa abordagem (de isolar ingredientes eficazes), há também o uso histórico e bem-sucedido de extratos de toda a planta, que muitas vezes é mais eficaz do que os compostos eficazes isolados. Uma explicação para este fenômeno é que em toda a planta existem substâncias “transmissoras” que permitem uma melhor absorção dos compostos eficazes no trato gastrointestinal. Mas mesmo em casos como esse é assumida uma correlação direta entre a substância química e a eficácia do remédio. Todos os métodos comumente usados ​​para preparar remédios de ervas são muito simples. Na maioria das vezes, a abordagem é preparar um extrato aquoso ou alcoólico de uma planta por maceração, extração ou outros métodos simples. Esses métodos têm o único objetivo de concentrar ou isolar os compostos eficazes que são conhecidos ou suspeitos de existirem. Assim, os métodos contemporâneos podem ser vistos como um resultado direto da compreensão teórica moderna do que constitui um remédio.

Aqui não encontramos diferença na Espagíria. Na Espagíria, também, a compreensão teórica determina os métodos práticos de trabalho. Assim, não se deve descartar prematuramente os métodos espagíricos sem conhecer a teoria espagírica. A falta ou o conhecimento insuficiente da teoria (da Alquimia) levou há algum tempo à conclusão de que a Espagíria é apenas a precursora da química moderna. Assim a espagíria é entendida como legitimamente descartada, porque sua teoria está desatualizada. Mas tal julgamento é prematuro e não faz justiça a a matéria. O fato é que os métodos simples para preparar tinturas de plantas comuns também eram bem conhecidos dos alquimistas. No entanto, eles não pouparam esforços para fazer seus remédios espagíricos. Repetidas vezes eles enfatizaram que o laborioso caminho da espagiria estava levando precisamente a remédios significativamente mais eficazes e mais benéficos do que os métodos dos “químicos”. Tal afirmação de quem conhecia os dois caminhos deveria nos fazer parar e pensar. Infelizmente, não temos estudos modernos que possam dar evidência clínica à afirmação de que as essências espagíricas são mais eficazes. Assim, teremos que primeiro tentar obter uma maior compreensão do lado teórico das preparações espagíricas.

Compreender os processos espagíricos básicos também nos ajuda a distinguir os procedimentos espagíricos verdadeiramente significativos dos “pseudospagíricos”. Mesmo nos círculos alquímicos, muitas vezes encontramos ignorância dos processos alquímicos reais, o que levou à introdução de elementos alienígenas nos procedimentos espagíricos de hoje. O quão importante é lidar seriamente com a Espagíria hoje se reflete no crescente interesse público em métodos alternativos de cura – que também incluem remédios espagíricos. Que o valor real das preparações espagíricas é muito maior do que o registro histórico mostra também é evidente quando consultamos o (Homeopathic Remedy Book), métodos espagíricos foram registrados lá, o que indica sua presença no mercado farmacológico. Para nos aproximarmos de uma compreensão da medicina espagírica, temos que explorar os importantes conceitos alquímicos dos Arcanos, de polaridade, bem como os três princípios alquímicos básicos.

Sobre o Arcano

Arcanum significa literalmente aquilo que é secreto. Seu significado é ilustrado pela seguinte citação de Paracelso: “O que vemos não é o remédio, mas o portador do remédio. Porque os arcanos dos elementos e do homem são invisíveis. O que é visível é o superficial, que não faz parte da essência curativa.” Essa parte invisível de cada substância médica é “toda a virtude da substância em mil vezes melhorada.” O Arcano é aquilo que é não-físico e indestrutível – é a parte eternamente viva da Natureza”. Um remédio, ou mais precisamente o que faz de uma substância um remédio, é aqui chamado de “arcano dos elementos”. Esses poderes de cura devem ser entendidos como princípios puramente abstratos ou espirituais, não materiais. Se entendermos os arcanos como princípios de cura imateriais que não podemos definir por sua substância material, isso não significa necessariamente que eles sejam ineficazes. No entanto, de acordo com o paradigma atualmente dominante, apenas assumimos como real aquilo que podemos perceber com os nossos sentidos e que é mensurável fisicamente. Este paradigma não permite uma avaliação concreta do conceito de arcanos, pois, segundo a tradição, os arcanos não são matéria bruta, mas realidades energéticas sutis. Paracelso muitas vezes chamou esses remédios transmitindo “arcanos” ao paciente e deixa inequivocamente claro que eles devem ser preparados alquimicamente: “Faça arcanos e aponte-os contra as doenças … Este é o caminho para curar e tornar saudável – tudo isso é realizado pela alquimia, sem a qual não poderia acontecer.” Com esta afirmação, ele também trouxe o fato de que os arcanos imateriais podem ser transmitidos. Isso significa que é possível preparar transmissores (os remédios espagíricos), que servem como veículos materiais dos poderes ocultos (arcanos). Esse tipo de pensamento diverge muito do nosso entendimento contemporâneo, que faz uma conexão causal entre o efeito e a substância. No entendimento atual, é a própria substância que realiza a cura, devido a alguma interação físico-química com o organismo. Para Paracelso e os alquimistas, a substância material não produz cura, mas é o veículo para os poderes causadores do efeito (curativo). A substância é apenas a matriz ou forma que serve para encarnar os arcanos.

Sobre as polaridades

Os hermetistas enfatizaram repetidamente que tudo o que existe está sujeito à lei da polaridade. Eles expressaram isso na forma da seguinte afirmação axiomática como parte dos sete princípios herméticos mencionados antes: “Tudo é duplo – tudo tem dois pólos, tudo tem seu par de opostos; semelhante e diferente é o mesmo; opostos são idênticos em natureza, apenas diferentes em grau; os extremos estão conectados; todas as verdades são apenas meias verdades; todas as contradições podem ser reconciliadas”. (Do Caibalion) Em todos os lugares encontramos polaridades: dia e noite, claro e escuro, quente e frio, atração e repulsão em eletricidade estática e magnetismo, grande e pequeno etc.

Mas esses extremos aparentemente opostos são apenas diferentes graus de expressão para uma mesma força básica. Dessa forma, atração e repulsão são resultados do mesmo magnetismo. Assim, atração e repulsão permanecem inalteradas quando nos aproximamos de um ímã com um pedaço de ferro – o poder magnético é o mesmo. Quente ou frio são ambos os aspectos da temperatura. Da mesma forma, dia (claridade) e noite (escuridão) são apenas aspectos da Luz que diferem em intensidade, enquanto grandes ou pequenos são aspectos de Tamanho.

Polo Negativo  ⬅️  Magnetismo ➡️  Polo Positivo

Frio  ⬅️  Temperatura  ➡️ Calor

Noite  ⬅️   Luminosidade  ➡️  Dia

Ilustração: Cada atributo, na verdade tudo o que existe, contém em si uma polaridade. Opostos (polaridades) são aspectos de uma propriedade ou força básica.

Os extremos aparentemente opostos de uma polaridade, assim, provam ser de natureza idêntica em relação à sua propriedade básica. Eles estão apenas ‘diferindo em grau’. Ambos os extremos tornam-se significativos apenas pelo efeito concreto que têm sobre um terceiro princípio. Também é possível defini-los pela existência ou ausência total de um dos princípios. Por exemplo, distinguimos entre luz e escuridão porque nosso olho percebe muita ou pouca luz. Mas na escuridão absoluta não há mais luz presente – o próprio princípio (luz) não aparece mais.

Da mesma forma, a potência médica como uma soma total de atributos curativos se manifesta de acordo com o princípio hermético da polaridade na forma de opostos polares. Um lembrete: Os poderes de cura que causam os efeitos curativos foram chamados de “arcanos” por Paracelsus. A alquimia define assim um remédio como uma preparação que transmite a potência dos arcanos para fins de cura. O oposto polar de curar é adoecer ou envenenar. Aqui também é verdade que o “grau” dos arcanos é experimentado por meio de sua interação com um terceiro princípio, ou seja com o organismo, onde demonstre atuar como agente curativo ou envenenador. A relatividade dessa determinação pode ser vista no fato de que algumas substâncias são curativas ou neutras para um animal, mas tóxicas para o ser humano. Paracelso, portanto, usa o termo “arcano” em um sentido duplo, o que é um fator crucial a ser considerado. Ele entende “arcano” como o remédio com poderes em geral, bem como o efeito que um extremo polar tem no corpo (cura), que ele chamou de remédio. Para evitar a falta de clareza nas páginas seguintes, nos referiremos aos arcanos apenas como os poderes imateriais subjacentes à cura ou envenenamento. O efeito desses poderes no organismo situa-se entre os extremos do remédio ou do veneno.

Veneno  ⬅️   Arcana  ➡️  Remédio

ilustração: “veneno ou remédio” é um par de opostos das forças ocultas de cura chamada arcana.

A diferença entre remédio e veneno em seu efeito sobre o organismo humano é, portanto, apenas uma questão de grau. Definimos o efeito curativo sobre o ser humano como construtivo, potencializador e harmonizador, enquanto o efeito do veneno é destrutivo, diminutivo e desarmônico.

A compreensão moderna vê a causa direta do efeito curativo de um remédio na substancialidade material do agente curativo. De acordo com os pensamentos desenvolvidos acima, a substância consiste em veneno e remédio! É por isso que o efeito depende da dosagem.

Quanto mais substância aplicarmos no paciente, mais intenso será o efeito farmacológico e uma dose alta pode até causar o inverso do efeito curativo desejado: uma overdose pode causar a morte do paciente. Paralelamente ao aumento da dosagem, o efeito curativo cresce, mas é sempre limitado pelo efeito venenoso: as propriedades destrutivas do veneno são potencializadas junto com os efeitos construtivos do remédio, até causar sintomas e defeitos manifestos ao impedir as funções celulares.

O Alquimista vai mais fundo: para ele, a substância é apenas o veículo dos arcanos. Não há nenhuma conexão convincente entre a substância física e seu efeito. Ele vê o efeito corretivo também nas substâncias “químicas” não processadas. No entanto, a conexão entre dosagem e efeito é interpretada de forma diferente em não-químicos, ou seja, preparações espagíricas, tomando uma forma alquímica. O alcance terapêutico é especialmente muito ampliado. Isso é conseguido primeiro dissociando e depois separando os princípios por procedimentos espagíricos: os arcanos são alterados em sua estrutura interna pela dissociação e depois liberados de sua conexão íntima com a substância física pela separação.

A diferença teórica básica entre as duas abordagens se reflete em sua prática: o Químico apenas separa, enquanto o Alquimista dissocia e depois separa. Essa importante diferença teórica e prática das duas abordagens também é encontrada na obra de Paracelso. Todas as citações citadas acima se referiam a Paracelso, o Alquimista. Mas, ao mesmo tempo, Paracelso estava bem ciente da diferença entre alquimia e química. A seguir, uma passagem muito citada de suas obras, quando a questão é retratar Paracelso como o fundador da química moderna: “Todas as snstâncias são venoosas, e nada é sem veneno, apenas a dose determina que uma substância seja não venenosa.”

Esta citação nos mostra que ele conhecia as características típicas da substância puramente química. Mas é também aparentemente uma contradição com a abordagem alquímica. Porque, enquanto o remédio não for preparado espagiricamente, o efeito sempre se mostra ligado à substância. O próprio Paracelso distinguiu precisamente entre as propriedades da matéria-prima não processada e da preparada quimicamente, por um lado, e as propriedades da preparação alquímica, por outro. Enquanto de acordo com Paracelsus na abordagem química a dosagem determina o veneno, isso não é verdade para a abordagem alquímica! A razão dessa diferença está no processo de dissociação dos arcanos, que é o elemento mais importante da Espagírica. Se aplicarmos a estrutura dada acima, podemos elucidar ainda mais essa diferença comumente incompreendida.

Separação Química: Os arcanos entre os extremos do veneno e do remédio são inseparáveis ​​da substância material, a menos que sejam dissociados via procedimento Alquímico. Ao usar extrações simples, também estamos aplicando um processo de separação. Certas substâncias aparecem no extrato, outras ficam no resíduo. Mas os alquimistas afirmam que uma simples extração não dissocia o “puro do impuro” (‘puri ab impuro’); é apenas um processo de separação.

Apenas a Putrefação pode levar à dissociação dos arcanos. Por enquanto, aceitaremos essa alegação como verdadeira e examinaremos as consequências que isso tem sobre os procedimentos químicos. O extrato também contém os arcanos sem alterá-los; na melhor das hipóteses, aumentamos sua concentração se os compostos ativos que carregam os arcanos forem dissolvidos no extrato. Podemos então reduzir a dosagem, mas em princípio não mudamos nada. Dependendo da dosagem, o homem ainda está confinado ao alcance efetivo dos arcanos entre veneno e remédio.

Substância Bruta:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
(separação química)

Remédio Químico:

Veneno  ⬅️        Arcana        ➡️  Remédio
⬇️                            ⬇️
⬇️                            ⬇️
⬇️                            ⬇️  


Veneno  ⬅️Substancias isoladas➡️ Remédio

   Ilustração 5: Nas preparações químicas os arcanos não são alterados estruturalmente. Eles continuam a afetar o homem na polaridade ‘Veneno’ e ‘Remédio’.

Dissociação Espagírica: Em contraste, a Putrefação dos Alquimistas leva a uma mudança na estrutura interna dos arcanos. O Alquimista sabe exaltar (elevar) os Arcanos para que não haja mais efeitos venenosos sobre o homem. Os mesmos arcanos são transmitidos através de um remédio alquímico, mas são alterados na medida em que têm um efeito unicamente harmonizador sobre o organismo humano. Efeitos destrutivos não são mais possíveis. Esse fato pode ser resumido na seguinte frase: O remédio é dissociado do veneno. (Dissociação do ‘Falso’ do ‘Verdadeiro’). E ainda assim a polaridade é preservada! Porque o pólo que anteriormente chamamos de “remédio” é em si mesmo de natureza dual. O remédio mostra um lado nobre e um lado menos nobre. Mas em relação ao homem ambos os pólos têm um efeito curativo, porque através do processo espagírico todas as energias destrutivas (venenos) foram eliminadas. Este é o aspecto invisível da dissociação alquímica (ilustração abaixo). Em um processo paralelo, os arcanos também são separados de sua substância portadora física: é possível isolar, por métodos simples de separação, apenas aquelas substâncias químicas que servem como portadores ótimos dos arcanos em sua forma exaltada. Todos os elementos que obstruem o efeito do remédio são eliminados. A essência espagírica emerge assim também em uma forma externamente purificada. Este é o aspecto visível da dissociação alquímica.

Substância Bruta:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
(separação química)

Dissociação Espagírica:

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
❌                      ⬇️
⬇️
⬇️
Menos Nobre  ⬅️Remédio➡️ Mais Nobre

Ilustração: Na preparação espagírica há sempre primeiro uma mudança na estrutura interna dos arcanos. Somente o pólo remédio dos arcanos afeta o homem. Mas a polaridade do poder de cura também tem uma natureza dupla, que é indicada pelo sinal + (para o aspecto nobre) e pelo sinal – (para o aspecto menos nobre).

Uma citação da “Carruagem Triunfante do Antimônio” de Basilius Valentinus ilustra esses pensamentos. Seu texto trata do processamento espagírico do antimônio, que na época era o nome do minério de sulfeto de antimônio (stibnita). Como a base teórica da Espagírica é universal, também podemos consultar um trabalho sobre minerais para fins de ilustração. Veremos que os parágrafos acima correspondem exatamente ao pensamento alquímico em geral.

Basil Valentine tem plena consciência de que o antimônio comum é venenoso e inutilizável como remédio: … “É por isso que ninguém o usa – porque é venenoso.” Mas isso muda à medida que o espagirista processa o antimônio: “Depois da correta e verdadeira preparação do antimônio não há mais nenhum veneno presente, o antimônio deve ser totalmente e completamente modificado pela arte espagírica, para que o veneno possa se transformar em um remédio. Sem tal preparação você não terá uso do antimônio, mas virá a causar danos e problemas.” Ele descreve o processo de dissociar o puro e o impuro, o veneno e o remédio da seguinte forma: “Você deve cuidadosamente dissociar o Antimônio, o bom do ruim, o fixo, do não-fixo e o remédio do veneno, para que assim possa resultar em verdade e honra… Ninguém deve se surpreender que nós dissociemos o puro do impuro, o veneno do remédio… porque isso é provado no trabalho diário da experiência do Proba… Porque o veneno é removido pelo processo de dissociação e a mudança do mal ao bem ocorre.. é assim que o fogo trás a dissociação do veneno e do remédio, do bem e do mal.”

Os Três Princípios Alquímicos

Estabelecemos que os alquimistas entendiam os arcanos como os poderes invisíveis de cura em uma forma material específica. O arcano aparece como uma polaridade entre o veneno e o remédio em relação a um terceiro princípio, o organismo humano. Mas os arcanos são energias invisíveis escondidas na substância, que é apenas seu portador ou matriz. Dissemos também que o processo espagírico é distinto do método químico na medida em que provoca uma mudança na estrutura interna dos arcanos por meio da Putrefação. Foi assim que descrevemos o processo espagírico fundamental de dissociação. Mas isso ainda não é o suficiente para explicar o mecanismo da mudança nos arcanos e na substância. Ainda não está claro o que permite a transmutação de um veneno em um agente curativo.

Para responder a esta questão, temos que olhar mais de perto os arcanos: Os alquimistas afirmam que tudo na natureza consiste em três princípios essenciais, que eles denominaram Sal (sal), Sulfur (enxofre) e Mercurius (mercúrio): “Estes três – mercúrio, enxofre e sal – nunca estão sem o outro; onde você encontra um, há sempre todos os três unidos, e em todo o mundo não há nada que não consista desses três – e destes três é feito tudo o que está no mundo.”

Ilustração: Os três princípios alquímicos e seus símbolos

É claro que os três princípios não são idênticos ao que hoje entendemos como mercúrio, enxofre ou sal químicos. Repetidamente este fato tem levado e leva a mal-entendidos. No entanto, as palavras não foram escolhidas aleatoriamente – as propriedades do sal comum, mercúrio e enxofre correspondem fenomenologicamente às propriedades dos princípios alquímicos abstratos. Curiosamente, os três princípios alquímicos encontram uma representação surpreendente na física. Contemplando a descrição de uma vibração física, cuja forma mais simples é a curva seno ou cosseno, podemos distinguir três parâmetros que descrevem completamente uma curva:

1. A forma da curva, no nosso caso senos ou cossenos. Esta é uma expressão da qualidade, a maneira como algo vibra ou como vibra.

2. A amplitude, que é a medida para a quantidade ou grau de desvio do meio

3. A frequência ou o número de vibrações por unidade de tempo, que é uma medida para o movimento da vibração, sua excitação.

Cada vibração – por mais complicada que seja – pode ser demonstrada como um padrão de interferência único de vibrações harmônicas (análise de Fourier). A forma ou qualidade de uma vibração mais complicada é expressa no espectro de frequências, a quantidade de amplitudes – sendo a amplitude total composta pela soma das amplitudes individuais – e também a própria frequência que define a vibração. Podemos comparar essas formas de definir uma curva com a descrição dos três princípios alquímicos, como os encontramos nos textos alquímicos:

O sal é o princípio de condensação e endurecimento, que permite a coesão da matéria. O sal também pode ser chamado de princípio de fixação ou firmeza. É o componente material ou estático (fixo) em todas as coisas, a corporeidade da substância e da materialização. Depois de submeter uma substância ao fogo, o Sal permanece como a parte indestrutível da substância – sem forma. Assim, podemos caracterizar o Sal também como relacionado à quantidade (amplitude). Em relação ao homem, Sal significa o corpo físico como um todo.

O enxofre é a propriedade característica de uma substância. Ele define a essência, a alma. O enxofre nos mostra com o que estamos lidando – denota forma, cor, forma e outras propriedades características. O enxofre também indica quão bem uma substância queima. Assim, Enxofre refere-se à qualidade de uma substância. No homem, o enxofre significa a alma.

O princípio do movimento está contido em Mercúrio. Mercúrio é também o princípio vivificante, o espírito. Mercúrio é a energia vital, a força motriz, despertando para a vida as qualidades específicas (Enxofre) dentro do corpo (Sal). Movimento é mudança, e mudança está ligada ao tempo. Mercúrio, portanto, relaciona-se com o conceito de frequência. No homem, o mercúrio é a essência da vida ou espírito.

Sal, Enxofre e Mercúrio (corpo, alma e espírito) são, portanto, análogos às propriedades físicas que descrevem exaustivamente uma vibração. Mas, de acordo com a física moderna, tudo o que é material nada mais é do que energia – energia vibratória. Nesse contexto, a afirmação dos alquimistas de que tudo consiste em três princípios básicos é surpreendentemente relevante e significativa.

Sal Sulfur Mercurius
Sal Enxofre Mercurio
Amplitude Forma da Curva Frequência
Quantidade Qualidade Movimento
Ser Físico Gestalt, Essência Energia Vital, Mutabilitade
Corpo Alma Espírito

Ilustração: Algumas analogias para os três princípios alquímicos

Agora podemos entender melhor o significado abstrato dos três princípios. Mas temos que ter em mente que Sal, Enxofre e Mercúrio também podem se manifestar fisicamente. Todo princípio se materializa na forma física de acordo com suas propriedades. Também temos que considerar a polaridade do visível e do invisível. As três manifestações materiais juntas formam o “Corpus”, que percebemos com nossos sentidos; suas potências internas de poder, porém, os tríplices arcanos, permanecem invisíveis É somente através do processo espagírico que o Corpus pode ser destruído e Sal, Enxofre e Mercúrio, tanto em sua forma física quanto em sua forma invisível, podem ser acessados ​​para uso terapêutico.

Paracelso descreve o aspecto material dos três princípios da seguinte forma: “Há três substâncias que dão a cada coisa seu Corpus – três coisas compõem cada coisa física. Os nomes dessas três coisas são Enxofre, Mercúrio e Sal. Quando esses três são unidos em um, então isso é chamado de corpus… Então, em uma forma de qualquer corpus, estão contidas invisivelmente todas as três substâncias… por exemplo, se você pegar um pedaço de lenha na mão, então verá só uma coisa (corpo/corpus) … agora queime-o … o que queima é o enxofre – nada queima além do enxofre; a fumaça indica o Mercúrio – nada sublima além de Mercúrio, e o que você encontra como cinzas é Sal – nada sobra nas cinzas, senão Sal.”

A passagem a seguir explica o significado abstrato dos três princípios: “Sabemos assim que nos três princípios, tudo o que é quebrado ressuscita; uma árvore vazia de seu líquido (mercúrio) secaria, se o enxofre fosse retirado da árvore não teria forma e se o sal fosse retirado, não teria coesão, mas ele se desfaria como um barril sem o anel de ferro … “A manifestação visível e invisível dos três princípios torna-se ainda mais evidente quando as estamos rastreando em uma planta: “cada planta de acordo com sua natureza é composta de três coisas, ou seja, sal, enxofre e mercúrio: esses três se juntam e então formam um corpus, um ser unificado. .. Mas sabemos que forma esses três princípios assumem: um é um líquido e esse é o mercúrio, outro é um óleo e esse é o enxofre e um é alcalino e esse é o sal”.

Especificado quimicamente:

Sal: Os sais minerais solúveis lixiviados da substância vegetal calcinada são chamados de álcalis ou Sal. Este ao mesmo tempo é o princípio da fisicalidade – indestrutível pelo fogo – a quantidade.

Enxofre: As partes voláteis, oleosas e principalmente perfumadas da planta são o enxofre. Mais proeminentemente encontramos este princípio nos óleos essenciais. Essas substâncias que caracterizam cada planta também são uma ilustração adequada do modelo alquímico: o enxofre pode ser entendido como a alma ou essência de uma planta.

Mercúrio: Mercúrio foi definido como energia vital, como o princípio do movimento. É o espírito ainda invisível que só se manifesta após a putrefação (fermentação). Se fermentamos uma planta obtemos seu espírito como álcool etílico e outros produtos altamente voláteis da fermentação. Ainda hoje a palavra “espíritos” é usada para bebidas alcoólicas em referência a essa conexão. (Ilustração 10)! O princípio vivificante do mercúrio não está vinculado a nenhuma espécie de planta. Todas as plantas compartilham o princípio da vida. O ponto de vista alquímico explica assim facilmente que após a fermentação de diferentes espécies vegetais o mesmo espírito aparece na forma física (matriz química) do álcool etílico.

Ilustração: Forma material dos três princípios dentro das plantas (Corpo, Alma e Espírito), (Sais Minerais, Óleos Essenciais e Álcool)

A Estrutura Interna dos Arcanos

Agora podemos entender mais precisamente a estrutura interna dos arcanos: Os arcanos são, por um lado, a potência curativa ou poderes ocultos de cura da planta; por outro lado, estão vinculados à manifestação material da planta. Os arcanos são energias, mostrando-se em forma tríplice. A substância, como portadora dos arcanos, também espelha sua estrutura interna de forma tripla. Esses três princípios, invisíveis e visíveis, são chamados de Sal, Enxofre e Mercúrio. Os arcanos também estão sujeitos à polaridade. Definimos os dois pólos dessa polaridade como veneno e remédio. Podemos agora entender a polaridade do veneno e do remédio como um efeito da tríplice subestrutura dos arcanos. Assim podemos retratar.

Veneno  ⬅️       Arcana      ➡️  Remédio
↕️                       ↕️                        ↕️
Veneno  ⬅️           Sal         ➡️  Remédio
Veneno  ⬅️       Enxofre     ➡️  Remédio
Veneno  ⬅️       Mercúrio     ➡️  Remédio

Ilustração: Em sua estrutura interna, os arcanos mostram uma tripla polarização

Se quisermos liberar apenas o lado do remédio dos arcanos, temos que considerar corretamente sua estrutura interna. Só então podemos escolher o procedimento certo para alcançar uma completa dissociação e separação. Apenas assim podemos prosseguir na compreensão do processo espagírico básico.

O Processo Espagirico

O objetivo do processo espagírico é obter os arcanos – que definimos como energias de cura vibratórias – de tal forma que a preparação espagírica resultante contenha apenas frequências, amplitudes e formas curvas de cura que são benéficas para o organismo tratado. Todas as vibrações desarmônicas de frequência inferior devem ser eliminadas. Como poderes de cura invisíveis, os arcanos não podem ser acessados ​​diretamente, mas apenas indiretamente através da substância transportadora. Assim, é vital eliminar e separar todas as substâncias portadoras de materiais com baixas frequências, formas de curvas desarmônicas ou amplitudes ásperas (grossas). O procedimento mais fácil seria obter os arcanos em um  único passo – e fazê-lo como um todo – na forma de um remédio puro. Mas quando na prática processamos as plantas, percebemos que esse método de uma etapa é impossível. Se extraímos assim, partes essenciais da planta ficam no resíduo e sua quantidade depende do solvente. Se destilamos, obtemos apenas as partes voláteis, e todos os minerais são perdidos nesse processo. Se queimamos a planta, queimamos os óleos e substâncias etéreas típicos junto com os componentes orgânicos e os únicos resíduos são os componentes inorgânicos. Em suma, é impossível obter todos os três princípios ao mesmo tempo. A separação “química” de um princípio leva à destruição ou perda dos outros. Assim, só nos resta uma escolha: primeiro temos que deixar a planta morrer, ou seja, precisamos processá-la de maneira que os três princípios firmemente unidos na planta viva sejam dissociados sem destruição ou perda de nenhum princípio. Este primeiro passo de todos os processos espagíricos os alquimistas chamavam de Putrefatio (putrefação), Digestão, Fermentação etc. Há diferentes nomes para este processo, porque diferentes métodos são aplicados dependendo das substâncias que são a base da dissociação. Somente a putrefação pode dissociar os princípios alquímicos e separar sua polaridade inata de veneno e remédio. Somente a morte da substância possibilita o nascimento da essência pura. Um autor anônimo descreveu esse processo em 1782 da seguinte forma: “A morte é a putrefação, a separação do bem e do mal, do puro do impuro; através disso, o novo corpo e a tintura podem renascer. como uma folha de grama cresce de uma semente, assim também o corpo velho dá à luz o novo corpo através da putrefação.” Kirchweger diz: “Nós, portanto, começamos no portão principal da natureza – na chave e ponto de origem de todo nascimento, destruição e renascimento – sem esta chave não podemos sondar o fundo dos mistérios da Natureza, e esta chave é o ponto focal da arte da dissociação: chama-se putrefação… Portanto, não podemos esperar a verdadeira dissociação sem maceração, digestão ou fermentação … ”

Ilustração: Somente a morte permite o despertar para uma nova vida. Quem sabe isso colherá frutos abundantes (simbolizado pelo trigo na beira do túmulo) e acertará o alvo, ou seja, praticará com sucesso. A putrefação correta é a chave para toda a arte (veja a chave acima do alvo).

Tendo assim desvendado a substância, temos que separar os princípios uns dos outros. Somente após essa dissociação os procedimentos de separação “químicos” fazem algum sentido, pois os princípios dissociados podem agora ser isolados. Agora podemos obter Sal, Enxofre e Mercúrio sem destruir ou perder nenhum dos outros princípios. Para este fim são utilizados os processos de destilação, calcinação, etc. Mas não basta separar Sal, Enxofre e Mercúrio um do outro. Também temos que purificar cada princípio de acordo com sua polaridade inerente. A purificação é conseguida através do uso de um fogo externo. Porque cada substância pode ser purificada sem destruir sua essência no fogo.” No entanto, a temperatura certa deve ser aplicada, dependendo das propriedades específicas da substância. Exemplo: Os compostos de sal ativamente carregados são os únicos componentes que sendo sais amorfos são mortos e alquimicamente inúteis – por isso foram apropriadamente chamados de ‘caput mortuum’ (cabeça da morte). Se usarmos (relativamente falando) temperaturas muito altas na calcinação de uma planta, obtemos os componentes inorgânicos nas cinzas. Só neste ponto podemos dissolver os sais alquimicamente valiosos do ‘caput mortuum’, mas se quiséssemos fazer uma destilação para obter enxofre e mercúrio nas mesmas altas temperaturas, isso levaria à queima dos resíduos no frasco, inutilizando todo o destilado. Se finalmente separamos e purificamos os princípios, eles devem ser trazidos para uma nova unidade. Isso porque somente a conjunção do três princípios constituem os arcanos, que agora aparecem em uma nova e completa forma (Gestalt) como a potência ativa de cura sem a polaridade do veneno. Assim, o processo espagírico básico prossegue em quatro etapas:

1. A Putrefactio (Putrefação) ou fermentação
2. A Separatio (Separação) dos princípios
3. A Purificatio (Purificação) dos princípios
4. A Cohobatio (Coobação ou conjunção) dos princípios ou o casamento químico, produzindo a essência espagírica

Neste processo quaternário está o segredo da obtenção de preparações espagíricas. Agora podemos ver que  tinturas comuns, extrações, decocções etc., só em parte podem fazer uso dos poderes curativos das plantas. Nessas preparações, os três princípios não são completos, nem purificados, nem combinados em suas propriedades curativas. Também o processo de putrefação – tão essencial à dissociação dos três princípios – está ausente nos procedimentos químicos. Portanto, os ‘quimistas’ nunca podem libertar um princípio sem destruir outros ao mesmo tempo. Em contraste, a preparação espagírica “desbloqueia” completamente a planta, de modo que o caminho é aberto para a obtenção da essência espagírica contendo apenas os princípios purificados.

Traduçao: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-compreensao-espagirica-dos-remedios/

23 Perguntas para Robert Anton Wilson

Robert Anton Wilson “é” aquele que não é “é”. Talvez possamos descrevê-lo como um filósofo psicodélico, um trapaceiro pós-moderno, um comediante intelectual, um tornado que atravessa a psique. Ele ganhou destaque como editor da Playboy na década de 1960. Durante esse tempo de magia ele se envolveu com os Discordianos, uma “nova religião disfarçada de uma piada complicada”, ou “uma piada complicada disfarçada de uma nova religião”. Junto com Robert Shea, ele é co-autor do Illuminatus! trilogia de romances, um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do Dr. Leary pela psicologia radical e pelo futurismo. Seu livro Prometheus Rising fundiu o agnosticismo ao modelo ao modelo de 8 circuitos do cérebro de Leary para criar um sistema que ensinou as pessoas a desconstruir sistemas dogmáticos de crenças pessoais. Seus inúmeros outros livros exploraram tópicos como mecânica quântica, universos alternativos, sistemas lógicos não aristotélicos, magia sexual, Wilhelm Reich, James Joyce e Orson Welles. Sua abordagem do modelo agnóstico para a investigação o torna um escritor único, um dos poucos que podem escorregar perfeitamente do pensamento científico racionalista para a especulação metafísica não materialista.

Embora tenha lutado contra a síndrome pós-pólio nos últimos anos, ele continua ativo na propagação de suas várias paixões (N.T RAW morreu em 2007) O filme de 2003 Maybe Logic de Lance Bauscher, Cody McClintock e Robert Dofflemyer, explorou e apresentou conceitos wilsonianos envoltos em cores e ritmos sutis, mas explosivos, um tributo adequado às suas ideias. Este projeto deu origem à Maybe Logic Academy, um instituto de aprendizagem que é
“baseada na filosofia e na perspectiva da lógica do talvez, uma abordagem que enfatiza a falibilidade e a relatividade da percepção e tende a abordar informações e observações com perguntas, probabilidades e múltiplas perspectivas em vez de verdades absolutas.” A New Falcon Publications pretende publicar em breve seu novo livro Email To The Universe (N.T: Publicado em 2005).

A entrevista que segue foi concedida a revista MungBeih entre 2004-2005.

Você tem um novo livro saindo chamado “Tale of the Tribe”. Sobre o que será?

Mudei o título para EMAIL TO THE UNIVERSE. É sobre James Joyce, taoísmo, internet e Aleister Crowley, além da minha loucura de sempre.

Parece que muitos de seus escritos se conectaram com as pessoas e talvez até influenciaram seus pensamentos e atividades. Por causa desse efeito em sua base de fãs, alguns sugeriram que você se tornou uma “figura cult”. Isso parece apropriado, dada sua participação inicial na Sociedade Discordiana e seus muitos escritos sobre os Illuminati (um culto secreto que pode ou não existir), referências a Eris, maçãs douradas, a Lei dos Cincos, o número 23, bem como outras ideias relacionadas. Os memes que você enviou ao mundo vinte, trinta anos atrás continuam a prosperar e florescer. Como você se sente sobre esse legado de ter semeado uma diversidade de memes ecléticos?

É ao mesmo tempo agradável e lisonjeiro, é claro, mas me sentirei muito mais feliz quando a Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico forem semeadas tão amplamente, ou até mais amplamente.

Vamos semeá-los mais amplamente aqui! Você pode explicar aos nossos leitores o que (Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico) são?

A Lógica do Talvez é um rótulo que ficou preso entre minhas ideias pelo cineasta Lance Bauscher. Eu decidi que se encaixa. Eu certamente reconheço sua importância central em meu pensamento – ou em meus esforços vacilantes e desajeitados para pensar em sistemas não-aristotélicos. Isso inclui a lógica de três valores de von Neumann [verdadeiro, falso, talvez], a lógica de quatro valores de Rappoport [verdadeiro, falso, indeterminado, sem sentido], a lógica multivalorada de Korzybski [graus de probabilidade.] e também o paradoxo lógico do Budismo Mahayana [É A, não é A, é A e Não-A, Não é A nem Não-A]. Mas, como um sujeito extraordinariamente estúpido, não posso usar tais sistemas até reduzi-los a termos que uma mente simples como a minha possa lidar, então apenas prego que todos nós pensaríamos e agiríamos com mais sensatez se usássemos o “talvez “com muito mais frequência. Você pode imaginar um mundo com Jerry Falwell gritando “Talvez Jesus seja o filho de Deus e talvez ele odeie os gays tanto quanto eu” – ou os minaretes do Islã ressoando com “Talvez Não exista Deus exceto talvez Alá e talvez Maomé seja seu profeta”?

A lei Snafu (NT: S.N.A.F.U: “Status Nominal: All Fucked Up”) afirma que, quanto maior o seu poder de punir, menos feedback factual você receberá. Se você pode demitir pessoas por dizerem o que você não quer ouvir, você só vai ouvir o que você quer. Esta lei parece se aplicar a todas as engenhocas autoritárias, especialmente governos e corporações. Concretamente, suspeito que Bozo (NT. Robert chamava George Bush de Bozo) saiba menos sobre o mundo do que qualquer caçador de cães em Biloxi (Mississipi).

A lei do Babaca Cósmico (N.T: Cosmic Schmuck) afirma que [1] quanto mais frequentemente você suspeitar que pode estar pensando ou agindo como um Babaca, menos Babaca Cósmico você se tornará, ano após ano, e [2] enquanto você nunca suspeitar que pode pensar ou agir como um Babaca, você permanecerá sendo um Babaca Cósmico por toda a vida.

O E-prime pode revolucionar a língua inglesa?

Espero que sim, mas precisa de ajuda, como mais computadores online e mais maconha. MUITO mais maconha. (N.T: E-prime é a versão revisada da língua inglesa que exclui todas as formas do verbo to be, incluindo todas as conjugações, contrações e formas arcaicas.)

Qual é o propósito da sua Maybe Logic Academy e quem mais está envolvido? E o que diabos está acontecendo lá?

Quero usar a Internet para acelerar a evolução humana substituindo decisões baseadas na fé por decisões baseadas em pesquisa. Os demais têm objetivos semelhantes ou compatíveis. Nossos líderes de classe incluem R.U. Sirius, ciberfilósofo; Patricia Monaghan, pesquisadora da deusa; Alan Clements, monge budista e ativista; Peter Caroll, matemático e inventor da magia do Caos; Douglas Rushkoff, especialista em mídia; e outros se juntarão em breve.

Você escreveu extensivamente (e encontrou novas aplicações para) várias teorias científicas, particularmente no campo da mecânica quântica. No entanto, você manteve uma distância crítica do establishment científico, uma espécie de voz herética e um cético em relação ao ceticismo. Você costuma citar a história do Dr. Wilhelm Reich como um exemplo de autoridade enlouquecida. O governo dos Estados Unidos destruiu grande parte do trabalho controverso do Dr. Reich, e ninguém, especialmente colegas cientistas, deu um passo à frente em protesto ou defesa. A ciência deveria ser sobre inovação, mas poucos cientistas parecem capazes de revisar suas teorias favoritas uma vez que tenham sido aceitas. Acho que é por isso que muitos acharam chocante quando Stephen Hawking recentemente saiu e disse: “Eu estava errado sobre os buracos negros”. Ninguém está acostumado a ver figuras respeitadas revisando ou descartando suas crenças arraigadas. Qual é a importância da heresia, ceticismo e ideação heterodoxa para o avanço da ciência?

Deixe-me fazer uma diferença entre o método científico e a neurologia do cientista individual. O método científico sempre dependeu do feedback [ou flip-flop, como os czaristas chamam]; Portanto, considero-a a forma mais elevada de inteligência de grupo até agora desenvolvida neste planeta atrasado. Já o cientista individual parece ser um animal completamente diferente. Os que conheci parecem tão apaixonados e, portanto, tão egoístas e preconceituosos quanto pintores, bailarinas ou mesmo, Deus salve a classe, escritores. Minha esperança está no próprio sistema de feedback, não em qualquer suposta santidade dos indivíduos no sistema.

Com seu auto-entitulado modelo agnóstico você desconstruiu todos os tipos de sistemas de crenças (BS) em seus livros. Em Prometheus Rising você encorajou as pessoas a entrar conscientemente em tantos túneis de realidade diferentes quanto possível, para examinar suas crenças de múltiplos pontos de vista. A cultura humana está repleta de pessoas zelosamente apegadas a várias ortodoxias e ideologias. O choque de sistemas de crenças fundamentais muitas vezes provou ser destrutivo para a humanidade. O que será necessário para sacudir as pessoas de seus dogmas?

Em uma palavra, Internet. Desde que li Cybernetics: Control and Communication in the Animal and the Machine, de Wiener, em 1948, pensei em “inteligência” como uma função de feedback. Quanto mais feedback, maior a “inteligência” mensurável, e quanto menos feedback, menos “inteligência”. À medida que o computador deu origem à Net e à Web, o feedback aumentou exponencialmente. Como R. U. Sirius escreveu recentemente: “A ascensão da Net e da Web representa uma vitória para a contracultura e a subcultura. A próxima geração, criada na Net como seu principal meio, nem mesmo saberá o que é a realidade consensual.” Em outras palavras, feedback e Lógica do Talvez formam um círculo que gira cada vez mais rápido. Os czaristas temem e odeiam – eles chamam de “flip-flopping” – mas caracteriza todos os sistemas de alta inteligência, eletrônicos ou protoplasmáticos.

Concordo que a internet parece ser um produto de um sistema de feedback tão acelerado. Isso é algo que podemos testemunhar em cada interação online. Mas, tem havido muita conversa após o 11 de setembro de um sinistro espectro totalitário pairando sobre nós, que o Grande Irmão de Orwell está finalmente aqui. Existem conspirologistas que acreditam que a internet, tendo surgido do Pentágono, nunca foi nada mais do que uma trama do Big Brotherista, e que pessoas como RU Sirius, John Perry Barlow e outros filósofos da Era da Informação são tolos (in)conscientemente fornecendo uma fachada libertária para esta vasta conspiração. E se a internet não for nada mais do que o mais recente método czarista de controle e coleta de informações?

Bem, então estamos afundados, não é? Felizmente, não existe nenhuma razão lógica ou factual para acreditar nessa fantasia paranóica, e ela é diretamente contrariada pela matemática difícil de Wiener e Shannon sobre “redundância de controle” em sistemas de feedback. O que Juang Jou disse sobre o universo há 2.400 anos é ainda mais verdadeiro nas 4.285.199.774 URLs de computador online hoje – [21 de agosto de 2004] – “não há governador em lugar nenhum”.

Falando em 11 de setembro e no Pentágono, um dia depois que o avião abriu um buraco na lateral do prédio, imediatamente pensei no livro Illuminatus que você escreveu com Robert Shea. Nele, o Pentágono de cinco lados aprisiona uma besta sobrenatural chamada Yog Sothoth. Se esse ghoul escapasse, a humanidade testemunharia a imanentização escatológica. Esta parece ser a metáfora mais adequada para o atual clima cultural milenar que eu já vi. Então, de certa forma, Yog Sothoth foi eliminado naquele dia?

Não tomemos metáforas muito literalmente. Admito que Bozo tem muito em comum com Yog Sothoth, e que ele até tem as mesmas iniciais de GWB666 em Schrödinger’s Cat, mas considero isso como acertos acidentais. Não me considero um profeta adormecido.

Quão perto estamos da imanentização escatológica?

O escaton foi imanentizado há 5 anos, quando os Supremos cancelaram a eleição e nomearam GWB – a Grande Besta Selvagem – para a Casa Branca.

Você escreveu um artigo convincente após a eleição presidencial de 2000 nos EUA, no qual apontou uma daquelas coisas óbvias que a maioria das pessoas não percebeu: enquanto 50% dos eleitores elegíveis dividem seus votos entre Bush e Gore, os outros 50% conscientemente escolheram votar em Ninguém. (Na verdade, tenho argumentado que, como crianças, prisioneiros, estrangeiros e outras pessoas desprivilegiadas não podiam votar, Bush só conseguiu um mandato de cerca de 14% do povo americano. Chega de “metade do país” apoiando-o, Você também teorizou que um nefasto e neo-autocrático “Governo de Ocupação Czarista” (TSOG) controla o aparelho do Estado. Foda-se o velho debate democrata versus republicano. Diga-me, como você acha que o Ninguém e o TSOG se sairão nas próximas eleições presidenciais?

Presumo que as pessoas mais inteligentes continuarão a votar em Ninguém, e a maioria idiota dividirá seus votos igualmente, dependendo de qual dos dois multimilionários Skull-and-bones tem mais sex appeal. Isso realmente não parece importar: se as pessoas preferem marginalmente o candidato “errado”, a Suprema Corte certamente os “corrige” novamente. O TSOG parece uma doença confortável, como a morte por doença do sono. Após 7000 anos de ‘Authoritaria’.

No patriarcado, a maioria das pessoas aceita o czarismo e, na América aquela constituição incômoda imposta a eles por alguns maçons intelectuais.

Esta declaração lembra a Psicologia de Massa do Fascismo de Reich. Parece que há uma desconfiança pública massiva e generalizada e desgosto na política e no governo, não apenas nos EUA, mas em muitas partes do mundo. Por que os cidadãos são tão leais a sistemas e líderes pelos quais reconhecidamente não têm respeito?

Raymond Chandler, que serviu como tenente de infantaria na Primeira Guerra Mundial, apontou o mesmo paradoxo em menor escala: ao atacar um inimigo, as tropas são estatisticamente mais seguras se espalhadas amplamente, mas todas mostram uma tendência a se agrupar perto do tenente, aumentando assim o risco. Isso parece um programa de vertebrados [mesmo pré-mamífero] programado. Além disso, temos mais de 7.000 anos de condicionamento autoritário documentado por Reich. Parece bastante sombrio, não é? Meu otimismo se baseia no fato de que, historicamente, em situações de emergência, as pessoas muitas vezes sofrem mutações de maneiras imprevisíveis e criativas. Como disse John Adams, a Revolução Americana ocorreu “nas mentes das pessoas nos 15 anos antes do primeiro tiro ser disparado”. Suspeito que uma revolução semelhante esteja ocorrendo nas mentes de pessoas educadas em todo o mundo.

Em todo o cenário pós-eleitoral, tem-se falado muito de uma “América dividida”, com especialistas traçando uma linha dura entre “estados azuis” e “estados vermelhos”. Esta linha é ilusória?

Suspeito que todas as linhas existam apenas em nossas mentes – especialmente linhas políticas. O universo parece mais um caos dançante do que um caderno pautado.

Estamos vivendo na Roma de Phillip K. Dick?

Bem, Phil certamente morava lá. Sinto-me mais como se vivesse na Rússia czarista. Às vezes penso em mim como o último dezembrista – e se isso parece obscuro ou muito esquisito, basta definir seu mecanismo de busca para “dezembristas + Illuminati” e grok em sua plenitude as URLs que aparecem. De qualquer forma, certamente não vivemos em uma democracia constitucional. Tenho quase 99.999999999999999999999999999999% de certeza disso.

Quando estou severamente deprimido, ou severamente chapado, sou capaz de realmente *sentir* a Roma de Dick, não apenas grocá-la como um conceito intelectual. Para mim, este túnel da realidade está cheio de emoção, paranóia, ilusão, sincronicidade, simbologia, metáfora, consciência aumentada. Alguma vez vai além da teoria para você? Você *sente* a Rússia czarista?

Freqüentemente — especialmente quando testo meu desapego budista tentando ouvir “nossos” líderes sem rosnar ou xingar baixinho. Sinto-me como os dezembristas, de forma muito pungente. Mas também identifico muito os fundadores desta República moribunda. Eles sabiam que a Constituição sozinha não poderia conter os desejos de poder de Certos Tipos e avisaram que precisávamos de vigilância eterna – – mas eles só poderiam nos dar a Constituição, não a vigilância. Infelizmente!

Parece, então, que a democracia é uma capa para a autocracia. Foi sempre assim? Ou a história está retrocedendo, traímos coletivamente o Iluminismo?

Primeiro, minha paixão se volta para a democracia CONSTITUCIONAL, não apenas a “democracia” em geral, que temo tanto quanto nossos fundadores. Eu quero LIMITES no governo, claramente definidos e virtualmente “gravados em pedra”. Como John Adams escreveu: “Meu credo é que despotismo ou poder absoluto é o mesmo na maioria de uma assembléia popular, em um conselho aristocrático, em uma junta oligárquica ou em um único imperador – igualmente arbitrário, sangrento e em todos os aspectos diabólico”. Eu concordo totalmente. Sim, acho que perdemos muita luz ultimamente – e por “nós” quero dizer tanto os políticos quanto as massas.

Você teve que lutar pelo seu direito de usar maconha medicinalmente. Como você se tornou ativista?

Desde 1959 eu “ativo” por várias causas, porque tenho esse tipo de temperamento. Eu me envolvi ativamente na causa da maconha medicinal muito antes de meus sintomas pós-pólio tornarem a maconha necessária no meu próprio caso. Agora, preso em uma cadeira de rodas a maior parte do dia, me sinto não apenas ativado, mas superativado. Sustentei uma esposa e quatro filhos a maior parte da minha vida. Tenho 35 livros impressos. NEW SCIENTIST chamou minha trilogia CAT de “o mais científico de todos os romances de ficção científica”. Agora, aos 73 anos, sou tratado como uma criança pelo TSOG – assim como meu médico, um médico totalmente qualificado.  Se consultando algumas organizações baseadas na fé que para citar George Carlin são “incrivelmente cheios de merda.” Se você quiser a visão de organizações baseadas em pesquisa terá que se esforçar.

Você fundou recentemente o Guns & Dope Party para combater os excessos do czarismo. Quais são alguns dos princípios centrais da plataforma do seu partido?

– Armas para quem as quer; sem armas impostas a quem não as quer [Quakers, Amish, pacifistas em geral etc.]
– Drogas para quem as quer; sem drogas impostas a quem não as quer [Cientistas Cristãos, herbalistas, homeopatas etc]
– União Bípede – direitos iguais para avestruzes
– Tributação voluntária: você paga pelos programas governamentais que deseja; você não paga um centavo por nenhum programa que não queira.

Você acha que as Zonas Autônomas Temporárias ou Utopias Piratas têm potencial para serem paraísos livres do TSOG?

Temporariamente. Somente a Internet cria a possibilidade real de uma Zona Autônoma Global. Acho que todos os problemas foram resolvidos e serão resolvidos por [a] mais informações e [b] transmissão de informações mais rápida e onipresente.

O conceito de conspiração tem se destacado em seus escritos por décadas. O que mais te fascina no conceito de teoria da conspiração?

Meu maior interesse permanece, como eu disse, na área de lógica não-aristotélica, e por volta de 1969 Bob Shea e eu tivemos a ideia de escrever um romance engraçado aplicando A Lógica do Talvez à arena da conspiração. O resultado, ILLUMINATUS foi tão longe fora dos túneis de realidade de consenso que levamos cinco anos para publicá-lo, e agora, há 30 anos, continuo recebendo feedback de dois grupos que não conseguem lidar com o conceito de “talvez”, de forma alguma. O primeiro grupo acredita fervorosamente, sem sombra de dúvida, que endossei as ideias mais loucas que discuti e, portanto, me considera um maluco perigoso. O segundo grupo tem uma crença igualmente ardente de que eu trabalho para o departamento de desinformação da CIA e quero fazer todas as teorias da conspiração parecerem igualmente malucas. Já escrevi dezenas de livros sobre outros assuntos, mas essas duas gangues provocam continuamente meu senso de humor chapado, então sempre me rendo à tentação de me divertir um pouco mais com eles…

A Conspiriologia está muito grande nos dias de hoje. Por que você acha que as pessoas são tão atraídas por ideias especulativas?

Como um Baba Cósmico confesso, não afirmo “saber” a resposta para isso – ou qualquer outra coisa – mas tenho certas suspeitas persistentes. Suspeito, por exemplo, que “o establishment” – ou seja, o TSOG e a mídia corporativa – contaram tantas mentiras ultrajantes que ninguém realmente confia mais neles. As armas de destruição em massa no Iraque ainda permanecem escondidas da percepção humana. Depois que essa mentira desmoronou, o TSOG não apareceu apenas cheio de merda; parecia, para citar Carlin novamente, que parece incrivelmente cheio de merda. Então, naturalmente, cresceu um mercado para explicações sobre o que diabos realmente motiva Bozo e sua gangue. Considero meu trabalho como aplicar a mesma crítica mordaz a todos os modelos que tentam insinuar que o modelista realmente sabe mais do que eu e não apenas adivinha, especula e tateia no escuro, como admito que faço.

Você é bem conhecido por seu trabalho explorando teorias especulativas e esotéricas. Em livros como Sex and Drugs e na série Cosmic Trigger, você escreveu sobre experimentação com magia oculta. Refletindo sobre suas inúmeras incursões nesses mundos estranhos onde a Ciência teme pisar, quais são os “segredos” mais interessantes que você descobriu?

O mesmo que descobri simultaneamente no budismo e na física quântica: ou seja, a suposta “muralha” entre “eu” e “o mundo” não existe. Limpar o pensamento e a linguagem dessa divisão fictícia aumenta imensamente a clareza. Ah, sim, e melhora seu senso de humor também!

Vamos encerrar com um pouco de humor. Você pode me contar uma boa piada?

Três caras estão bebendo e discutindo em um bar. “Eu lhe digo que deve ser escrito W-O-O-O-M”, diz o primeiro dogmaticamente.
“E eu ainda digo que W-H-O-O-M soa melhor”, o segundo conta.
“Não, não, não”, diz o terceiro. “É definitivamente W-H-O-M-B-B.”
“Vocês todos entenderam errado”, diz a ginecologista na mesa ao lado. “É W-O-M-B.” (NT: Útero) Eles a encaram friamente. “Senhora”, diz o primeiro, “é óbvio que você nunca ouviu um elefante peidar.”

Bônus: Maybe Logic (documentário completo)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/23-perguntas-para-robert-anton-wilson/

A Lenda dos Tatus Brancos

Shirlei Massapust

Mutantes existem. Todos nós somos mutantes. Assumindo que a vida humana começou no continente africano, deduzimos que os negros que lá vivem estão mais próximos da configuração original do código genético do Homo sapiens, embora nunca hajam parado de evoluir. Sempre, ao mudar de ambiente, os membros de nossa espécie sofrem adaptações. Para sobreviver em cenários climáticos mais frios, caucasianos perderam melanina e ganharam gordura. Nos olhos dos orientais a inserção do músculo reto superior é mais baixa na pele palpebral provocando diferenciação ou ausência, em 50% dos casos, da prega supra tarsal. Pessoas da tribo Huaorani desenvolveram pés planos com dedos mais curtos, em número de seis em cada membro, o que os tornam melhores para escalar árvores. Povos andinos sofreram mutação no gene AS3MT possibilitando que o organismo metabolize arsênio. Os povos Bajaus sofreram uma mutação no gene PDE10A e outra no gene BDKRB2, que resultou em mais hemácias oxigenadas e melhor reflexo de mergulho. Por este motivo eles conseguem permanecer submersos por até treze minutos em profundidades de até sessenta metros.

Sempre que dois ou mais grupos humanos se reencontram, após uma separação por tempo e espaço consideráveis, as pessoas ficam curiosas diante das diferenças étnicas e culturais desenvolvidas cá e acolá. No continente europeu os viajantes do mundo antigo costumavam exagerar e até fantasiar as características de povos vivendo nos rincões mais distantes de sua terra. Alguns acreditavam em blêmias (pessoas sem cabeça, com olhos, nariz e boca no busto) e temiam pigmeus (termo pejorativo utilizado para vários grupos étnicos cuja altura média é invulgarmente baixa, cerca de 1,50 cm).

Os portugueses transmitiram aos brasileiros o gosto por bestiários e crônicas de viagens extraordinárias, de modo que o poeta Bernardo Guimarães (1825-1884) acabou inspirado a descrever uma tribo hostil e exótica no conto O pão de Ouro (1879). As adaptações dos membros da tribo Tatu Branco são: Baixa estatura, brancura excessiva, cegueira diurna, visão noturna e unhas curvas como as dos animais carnívoros.

Todos os numerosíssimos integrantes são ágeis e robustos, apesar de “quase anões[1]”. Eles fazem caça humana e comem crus àqueles que capturam em seu território, porém não praticam endocanibalismo. Ou seja, não comem os mortos de sua própria tribo e etnia mesmo que estejam famintos e que haja muitos corpos disponíveis.

Seus bens culturais se resumem à linguagem exclusiva de seu grupo étnico, pois não pintam grafismos corporais, não produzem artesanato e desconhecem até o fogo. Suas ferramentas são paus que quebram pelo mato e pedras que encontram pelo chão. Seus lares são cavernas escavadas com as unhas. Eles conseguiram criar um grande e complexo sistema espeleológico artificial numa região do Estado de Goiás.

Em O pão de Ouro o autor romanceia histórias pitorescas sobre as expedições dos bandeirantes paulistas trilhando em busca de riquezas no interior do Brasil desde o século XVII até o meado do XVIII. Tudo termina quando Gaspar Nunes, o último chefe de expedição, encontra uma nativo-americana que lhe informa sobre a proximidade dos jardins de Tupã onde “o cascalho dos rios é de diamantes, e os rochedos das montanhas são de ouro, e o que há de mais extraordinário ainda, é um grande penedo todo inteiro do mais puro ouro, que existe encima de uma serra”.[2]

Nenhum intruso jamais sobreviveu ao pernoite nesta localidade porque a região é dominada pela temida tribo Tatu Branco. É a personagem indígena quem os define:

Uma casta de gente terrível, que vive debaixo da terra como o tatú durante o dia, e só de noite sai do buraco. São brancos, brancos como o leite d’estes meus peitos, e numerosos como as formigas, e ai de quem lhes cai nas garras; não deixam ficar nem os ossos. Tupã não quer que ninguém pise nos seus jardins, e pôs lá essa raça maldita para vigiá-lo.[3]

Hélio Lopes e Alfredo Bosi interpretam essa “raça de índios pigmeus”, como um dos “obstáculos alimentados pela imaginação” que dificultaram o desbravamento do sertão.[4] Sem atribuir autoria ao poeta, Afonso Arinos de Mello Franco (1905-1990), apresentou, em sua coletânea de palestras Lendas e tradições Brasileiras (1917), o resumo da “lenda bandeirante” rememorada a partir dum impresso lido na infância.

Imortal que ocupou a cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras, Afonso Arinos foi um dos fundadores do partido União Democrática Nacional (UDN) em 1945 e deputado federal a partir de 1947. É de sua autoria a Lei no 1.3901, aprovada pelo Congresso Nacional em 03/07/1951, pioneira na tipificação da discriminação racial como contravenção penal no Brasil. Este homem exerceu diversas atividades ao longo da vida, dentre elas as de crítico literário, historiador, memorialista, biógrafo e jurista, sendo que a preocupação em se apoiar em vasta documentação caracterizou sua produção bibliográfica. Luís da Câmara Cascudo confiou na boa-fé de tão respeitável autor e reproduziu a sua versão da lenda da tribo Tatu Branco nos livros Antologia do folclore brasileiro (1944) e Lendas brasileiras (1945). A jornalista Maria Rosa Moreira Lima também reescreveu a palestra, apresentando-a na qualidade de “lenda paulista”, publicada no Diário de São Paulo, edição do dia 09/08/1975.

Verificamos poucas, porém significativas, diferenças entre O pão de Ouro e a lenda de Afonso Arinos. O cenário esvaziado de suas riquezas maravilhosas foi transferido de Goiás para uma região agreste de Minas Gerais, “conhecida pela grande quantidade de furnas e cavernas temerosas”.[5] Quem adverte os bandeirantes sobre o desaparecimento de pessoas já não é uma jovem e elegante personagem de sexo feminino, de etnia indígena, falante dum idioma do tronco linguístico tupi, mas sim um “caboclo velho da escolta” conhecedor das tradições do sertão.

Na descrição de Bernardo Guimarães, os tatus brancos são apenas canibais que fazem caça noturna e dizimam todos os aventureiros: “A carne humana parece que era para eles finíssima iguaria por isso mesmo que raras vezes podiam obtê-la”[6].

Na lenda de Afonso Arinos os cavernícolas são definidos como “índios vampiros” com poderes quase mágicos, pois “enxergavam como as corujas” e farejavam a carne humana tão bem quanto os melhores cães de caça. [7]  (Sim, eles tinham sentidos aguçados na versão anterior, mas não conforme tal mesura). Na variante posterior de Miranda Santos, compilada no livro didático Lendas e mitos do Brasil (1955), editado pela prestigiosa Companhia Nacional[8], estes ainda são “índios vampiros, que moravam em cavernas daquela região, e que só saíam à noite para atacar os viajantes”. Enfim, o conhecimento da área já não pertence a índia ou caboclo, mas a “um velho sertanejo”.[9]

Em todas as variantes da narrativa a única forma de escapar da horda esfaimada é caindo nas graças duma fêmea que faz de Gaspar Nunes o seu brinquedo sexual, ao invés de permitir que ele seja canibalizado tal como os demais prisioneiros. Quando a mulher sem nome chega no banquete, enxota seus iguais como a um bando de urubus.

sentou-se depois outra vez junto de Gaspar, tocou-lhe o corpo com as mãos, encostou as faces em suas faces, os lábios em seus lábios, e pousou seu peito sobre o dele. Gaspar reconheceu, que era uma mulher, e sentiu um horror e um asco irresistível. Essa mulher, que assim o afagava, tinha as mãos e a boca besuntadas do sangue de seu camarada a pouco devorado, e seu hálito tresandava um cheiro infecto e nauseabundo de sangueira. Gaspar sentiu as entranhas se lhe revolverem em ânsias cruéis. Se ele se visse com o pescoço enleado entre as roscas de uma serpente, que com a farpada língua lhe lambesse as faces e os lábios, não sentiria tanto horror e repugnância, como ao ver-se enlaçado nos braços de tão repulsiva criatura.[10]

No conto de Bernardo Guimarães a mulher que toma Gaspar para si percebe o nojo do bandeirante, não se apresenta mais babada de sangue e lhe oferece frutas ao invés de carne humana. Ainda assim é irremediavelmente asquerosa. Coabitar com ela na murrinha duma toca mal arejada pareceu-lhe um destino pior do que a morte.

Quando o sol dardejou seus primeiros raios, Gaspar (…) contemplou pela primeira vez à luz do dia aquele corpo, que não era mal feito, porém de alvura tão excessiva, que fazia repugnância; os cabelos eram finos, corredios e de um louro quase branco; o rosto era irregular, mas não inteiramente destituído de graça; porém as unhas curvas e compridas, e os dentes aguçados, que se viam por entre os lábios entreabertos, davam-lhe um ar feroz e repulsivo. Gaspar depois de ter lançado um último olhar de comiseração sobre aquela infeliz selvagem, pôs-se a fugir a bom andar para longe daqueles sítios fatais.[11]

A índia vampira da lenda de Afonso Arinos não entra em combustão espontânea quando exposta à luz solar, mas ainda encontra dificuldade de locomoção. Ela é uma princesa! Algumas imperfeições anatômicas desapareceram. Seus cabelos ganharam volume. Mesmo assim, durante a fuga, Gaspar só olha momentaneamente para traz para se certificar que sua perseguidora não o alcançará.

Era pequenina e branca; cabelos longos, de um louro embaçado, caíam-lhe abundantes sobre as costas. Quanto mais clareava o dia, maior parecia a angústia da princesinha dos “tatus brancos” que tapava com as mãos os olhos gázeos, bracejava e gemia, incapaz de caminhar, às tontas, como inteiramente cega. O bandeirante olhou uma última vez para a triste selvagem, e fugiu da terra maldita.[12]

Na variante de Theobaldo Miranda Santos – à época considerada adequada para leitura por alunos da terceira série primaria e crianças com mais de oito anos, – Gaspar parece tão pouco preocupado com o cárcere privado quanto a personagem protagonista do conto de fadas francês A Bela e a Fera; porque eles amam suas feras.

A madrugada encontrou fora da caverna a salvadora do bandeirante. (…) Era branca e loura. E linda como um anjo. O bandeirante ficou com pena de abandonar a princesinha. Mas não teve outro remédio.[13]

Confesso que essa monstra me causa mais embrolhos agora que é nobre, bela e virtuosa do que quando ela oferecia o braço do cadáver do colega para o cativo comer. O próximo passo para a desconstrução do antagonismo índio nesta lenda equivocada seria reconstruir elementos de terror como horror ou contágio sobrenatural de um mal europeu pelo nativo-americano. Assim surgiu a variante do imponente romance gráfico Papa-Capim – Noite Branca (2016), a 11ª edição do selo Graphic MSP, com roteiro de Marcela Godoy e desenho de Renato Guedes, publicada pela Panini.

Os extras do álbum informam que Marcela Godoy realizou “uma rica pesquisa” antes de criar vilões inspirados na lenda da tribo Tatu Branco.[14] Neste roteiro o leitor é apresentado à Noite Branca, tribo de índios possessos com poderes de desdobramento no universo onírico, onde geram pesadelos. Todo indivíduo integrado à Noite Branca se transforma num horrendo monstro albino capaz de resistir a qualquer ferimento, exceto à perfuração do coração por flechas de madeira. Somente o religar de seu Eu com a natureza, da qual se afastou, pode lhe devolver a humanidade. O fundador da Noite Branca seria um pajé imortalizado pelo consumo do coração de um vampiro europeu.

A fonte de Marcela Godoy é Câmara Cascudo que, conforme exposto, compilou um texto de Afonso Arinos. Este último certamente resumiu Bernardo Guimarães, sendo que antes imperava o silêncio… Que a verdade seja dita: Poderíamos passar um pente fino em todos os trabalhos arqueológicos e antropológicos realizados no centro-oeste e sudeste do Brasil sem localizar quaisquer menções no folclore nativo-americano a uma tribo denominada Abati Tatu, ou mesmo a um mero xingamento peē tatu.

Profissionais ocupados com pesquisa de campo fazem chacota do tema; a exemplo da ironia de Gilmar Pinheiro ao comentar o achado duma estatueta de tatu (Dasypodidae) quando buscavam por vestígios de ocupação humana em cavernas mineiras: “A análise das fontes primárias dos séculos XVI e XVII, aliada aos recentes dados que vêm sendo levantados pelo PASF, deixa uma certeza incontestável: é mais fácil crer na existência dos Tatus Brancos de Câmara Cascudo, que nos temíveis Cataguá de Diogo de Vasconcellos e seus discípulos”.[15]

Apesar de tudo, talvez não seja inútil rememorar a proposta de um personagem de Bernardo Guimarães, em O pão de Ouro, que planejou, mas não executou, um modo de vencer a tribo Tatu Branco: “O melhor é ajuntar bastante lenha na boca de cada furna, e deitar fogo; assim os sufocaremos e os mataremos todos, como se matam as formigas cabeçudas lá em nossa terra”.[16] É assim que vários povos nativo-americanos caçam morcegos. E foi assim que heróis do folclore Apinajé e Kayapó-Xikrin derrotaram a tribo dos homens-morcego kupẽ nhêp, caçadora de homens, que abduzia todos que pernoitavam nos arredores de sua caverna, numa área misteriosa no Alto Tocantins.

Faça download gratuito das fontes primárias:

GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879. URL: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/3079

ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 23-27. URL: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=145784

Notas:

[1] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 280.

[2] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 260.

[3] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 261.

[4] LOPES, Hélio & BOSI, Alfredo. Letras de Minas e outros ensaios. São Paulo, EdUSP, 1997, p 23.

[5] ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 23.

[6] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 281.

[7] ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 23-24.

[8] A Companhia Editora Nacional é uma editora brasileira que foi fundada por Monteiro Lobato em 1925 e, em 1980, passou a fazer parte do Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas.

[9] SANTOS, Theobaldo Miranda. Lendas e mitos do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1955, p 86.

[10] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 287-288.

[11] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 261.

[12] ARINOS, Affonso. Lendas e Tradições Brasileiras. São Paulo, Typographia Levi, 1917, p 26.

[13] SANTOS, Theobaldo Miranda. Lendas e mitos do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1955, p 87.

[14] GODOY, Marcela e GUEDES, Renato. Papa-Capim – Noite Branca. São Paulo, Panini, abril de 2016, p 76.

[15] JÚNIOR, Gilmar Pinheiro. Arqueologia Regional da Província Cárstica do Alto São Francisco: um estudo das tradições ceramistas Uma e Sapucaí. (Dissertação de Mestrado). Belo Horizonte, MAE-USP, Março de 2006, p 20-21.

[16] GUIMARÃES, Bernardo. A Ilha Maldita. O pão de ouro. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1879, p 276.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-lenda-dos-tatus-brancos/

A História Suprimida do Planeta Terra

Parte 1 – Introdução

Eu me chamo  “Morning Sky” ( Estrela da Manhã).  Cresci ouvindo as histórias que meu avô contava sobre um Ser do Espaço que ele ajudou a resgatar. Meu avô era um dos seis jovens Nativos Americanos que testemunharam o acidente com uma espaçonave em 1947, pouco depois do agora famoso incidente de Roswell.

Quando eles chegaram ao local, acharam um dos seres ainda vivo. Eles o tomaram consigo para seu acampamento, esconderam-no e cuidaram dele para que se restabelecesse. Chamaram-no “Ancião Estelar” (“Star Elder”), por respeito; mas com o passar do tempo ele revelou seu nome. Chamava-se Bek’Ti. Revelou a eles a história da Raça Humana e do Planeta Terra.

No final dos anos 60, quando eu comecei a faculdade, me entretia com a possibilidade de que estas histórias pudessem não ser verdadeiras. Assim, envolvi-me em Estudos Religiosos, um programa de estudos independente que poderia me permitir ter a oportunidade de pesquisar antigos arquivos para provar ou negar as muitas histórias do Ancião Estelar.

Submeti ao meu Professor de Estudos Religiosos uma tese que era uma síntese dos meus três anos de pesquisa. Chamava-se “Terra, a História Oculta do Planeta Terra”. Em poucos dias ele o rotulou como “um trabalho de blasfêmia e ultraje!”. Isto quase me fez ser expulso da escola.

Não tendo tido sucesso no campo acadêmico, decidi contactar organizações e pesquisadores sobre UFO então existentes. A resposta geral foi rotular o trabalho como “um material mitológico e de lendas dos Nativos Americanos, não adequado para estudos sérios de fenômenos científicos”.

A rejeição total fez com que eu ficasse muito irritado. Por aproximadamente trinta anos eu me recusei até mesmo a pegar um livro sobre UFO ou Fenômenos da Nova Era. Eu religiosamente me recusava a ler ou ouvir o que havia lá fora.

As circunstâncias mudaram. Meu avô se foi, mas não sem antes me arrancar a promessa de tentar contar a história mais uma vez.

A História da Humanidade e da Terra, como revelada por Bek’Ti é tanto excitante quando apavorante. A Criação do Homem e seu lugar na galáxia é tornado claro, mas no processo tanto a nobreza quanto o orgulho do Homem ficam feridos. O fenômeno da abdução e seres cinzentos observadores são partes integrais da história da Raça Humana, e explicadas contra o que é dito dos propósitos dos Seres das Estrelas para a Raça Humana.

As fontes das religiões dos Homens e as origens de figuras legendárias como Zeus, Osíris, Ísis, o Minotauro e um número de outros seres “mitológicos” são explicados e também colocados no referencial da História da Terra.

Parte 2 – A História da Criação do Homem

Em nossa galáxia existem bilhões de Seres das Estrelas. As raças humanóides são a regra, não a exceção. Estas raças descendem de muitas formas de vida: répteis, insetos, dinossauros, pássaros e outras formas de vida que a humanidade nem consegue começar a imaginar.

Uma das mais antigas Raças das Estrelas neste setor do Universo é a reptiliana Ari-An, a qual descende dos ancestrais dinossauros no sistema de estrelas de Órion. Governados por rainhas, criaram o mais poderoso império da galáxia. Os guerreiros Ari-An eram inigualáveis em ferocidade e bravura, e o Império Ari-An insuperável em poder e tamanho.

Milhões de anos de incontáveis batalhas tinham permitido a esse Império desenvolver estratégias avançadas de guerra. Entre estas, os Ari-An praticavam “condicionamento” ou “reprogramação” para controlar populações conquistadas e fazer delas propriedades em vez de responsabilidades. Os inimigos tornavam-se servos obedientes do trono das rainhas reptilianas. Desta forma os Ari-Ans eliminavam a resistência.

Uma evolução inesperada de outra raça no Sistema Estelar de Sírius tornou-se uma ameaça ao Império Ari-An. Mesmo não tão antiga ou evoluída como a dos reptilianos, os guerreiros do Império Kanus, uma raça canina (similar aos lobos) preencheram suas  falhas com sua ferocidade. Mesmo o mais disciplinado dos guerreiros Ari-An temia estes cruéis e bárbaros guerreiros Sirianos, que paravam para devorar a carne de seus inimigos no campo de batalha.

Um rápido avanço dos guerreiros Sirianos ameaçou a existência do Império Ari-An. Como resultado as rainhas procuraram os reis de Sírius para oferecer uma aliança. Um tratado foi acordado, de acordo com o qual ficou delineado quais setores da Galáxia deveriam ser regidos por cada império, e por algum tempo, os guerreiros de ambos os impérios lutaram lado a lado.

Com o nascimento de um novo sistema o Rei de Sírius foi rápido em reclamá-lo. Assim que os sirianos começaram a explorar seus recursos, este novo sistema tornou-se um posto avançado tanto para o Império Ari-An como para o Império Siriano, e o poder e a riqueza de ambos continuou a crescer. Mas eventualmente a guerra começou novamente, dessa vez entre Reis Sirianos rivais. No final, as forças Ari-An se juntaram ao Rei An. Mundos inteiros mantidos pela oposição foram totalmente destruídos, incluindo suas luas e colônias.

Muito mais tarde, o Rei An mandou seu filho, o Príncipe Ea e sua filha, a Princesa Nin-Hur-Sag (ambos cientistas geneticistas) para reconstruir o mundo destruído de Eridu, e mais uma vez explorar os recursos necessários e valiosos achados lá. Eles restauraram com sucesso a atmosfera; colocaram vida nos mares; recriaram plantas, árvores e flores; e hibridizaram diferentes tipos de seres. O planeta Eridu (Terra) renasceu.

Novas criaturas foram produzidas para habitar o planeta. Uma destas criaturas, Apa-Mus, era um híbrido macaco-besta cujo único propósito era o de servir e ser escravo nos campos e minas. Mas este animal era diferente dos outros, Ele podia entender ordens e podia se comunicar. A Princesa Nin-Hur-Sag tinha construído geneticamente o macaco-besta híbrido usando seu próprio DNA.  A inteligência das bestas aumentou e começaram a se multiplicar rapidamente e a ensinar sua própria prole.

Quando outra espécie de trabalhadores criados geneticamente, os intraterrenos Sheti Lizards (Lagartos), revoltaram-se e tomaram o poder, os governantes dos Seres da Estrelas debandaram do planeta. Com a oposição fora do caminho, os Sheti usaram controle da mente e técnicas de programação que aprenderam de seus mestres para alterar as memórias dos descendentes remanescentes dos Seres das Estrelas. O conhecimento da raça humana sobre Seres das Estrelas foi substituído por mitos e lendas.

A dominância Sheti foi e continua a ser desafiada por muitas outras raças das estrelas tentando reconquistar o controle da Terra – e da raça Humana – para seus próprios propósitos. A luta pelo poder continua.

Parte 3 – Tentativas de Golpe – Passado, Presente e Futuro

A raça reptiliana Ari-An tem feito várias tentativas para derrubar o atual poder na Terra. No começo do século 20, o movimento global Ariano quase teve sucesso na conquista de um mundo “dócil”. Se, como o autor sugere, eles estão continuando com seus esforços, novos movimentos irão aparecer nos grupos de supremacia. Répteis aparecerão em todos os setores da mídia como seres amigáveis ou heróicos, lutando em favor do homem. Super-heróis reptilianos se tornarão modelos para crianças.

Levantes religiosos têm vindo à cena através da História da Terra pelos sirianos. A Inquisição, as Guerras Papais, os numerosos “Messias” e “visões milagrosas” têm sido fabricados para trazer a raça humana de volta à sua influência. Se eles também estão tentando assumir o controle da Terra, como o autor sugere, então um retorno ao fundamentalismo também ocorrerá, assim como um aparecimento crescente de anjos e ocorrências milagrosas.

Padrões mostram esforços contínuos para direcionar o povo do Planeta Terra e também para predizer eventos vindouros: A Raça Humana será logo rodeada com imagens de asteróides e de cometas ardentes caindo. Porcos negros serão vistos em todas as partes do mundo, assim como figuras angelicais e milagres. Dinossauros irão tornar-se os heróis das crianças e a violência será a base de suas brincadeiras. Aparecerão novas doenças transmitidas através do ar, imunes aos tratamentos existentes. A NASA tornar-se-á fraca e impotente ou terminará.

Uma guerra galáctica de conquista acontece violentamente sobre nossas cabeças. A Terra – e o Homem – são o prêmio.

Círculos nas Plantações – Comunicações Visuais

Em uma tentativa de se comunicar com os descendentes dos Seres das Estrelas – especialmente aqueles que são capazes de se lembrar das “pistas” – sinais visuais estão sendo enviados na forma de círculos em plantações. Sinais para os descendentes de Sírius usualmente têm uma forte semelhança com os antigos glifos egípcios, designes em formato de bola de futebol, formas de círculos com cruzes ou círculos com um ponto no centro. Podem também aparecer como fórmulas matemáticas.

Os círculos dos Ari-Ans frequentemente têm forma de cobra, ou a criaturas semelhantes a insetos. Qualquer que seja a forma, estes círculos nas plantações são sinais para os descendentes que eles não foram esquecidos.

Como um sinal de que uma nave estelar foi mandada para o sistema solar e para a Terra, imagens de enormes naves planetárias e tripulações compostas de heróis “salvadores” da humanidade estarão em toda parte. Para neutralizar esta imagem de “bons” corpos celestiais, imagens de asteróides caindo e cometas em colisão serão usadas como justificativa de se possuir mísseis anti-asteróides apontados para o céu com propósitos defensivos.


Parte 4  – Formas de Controle

Enquanto isso, para manter o controle da raça humana, os Sheti introduziram novos dispositivos para continuar a nos bomtardear com uma cobertura eletrônica controladora e entorpecente. Muitos destes instrumentos eletrônicos são portados pessoalmente: aparelhos de CD e fitas com fones de ouvido, equipamentos de realidade virtual, pagers, jogos eletrônicos, celulares, bips, etc., são usuais atualmente.

Drogas de todos os tipos, legais e ilegais (incluindo álcool, tabaco e narcóticos) são parte do programa de controle para manter a raça humana dócil.

Modificação comportamental para prevenir que sejamos motivados a lutar por nós mesmos irá requerer que a nenhum homem seja dado o status de herói. Aqueles que não se defendem, mas suportam grandes sofrimentos, serão os novos “heróis” e modelos: vítimas, mártires, prisioneiros de guerra torturados e pessoas que morrem a serviço de seus países.

O controle populacional aumentará e apenas os selecionados serão autorizados a continuar. Desaparecimentos e abducções aumentarão, especialmente de mulheres e crianças novas. Novas doenças trazidas pelo ar aparecerão. A obesidade aumentará, a disfunção sexual aumentará nos homens, e os ciclos menstruais na mulheres cairão de 28 para 25 dias.

Para manter o controle da raça humana e nos manter desamparados na Terra, a NASA será eliminada ou fortemente restringida em seu trabalho. Qualquer evidência de vida extraterrestre será estritamente suprimida e negada.

A Esperança da Humanidade: Sangue real

As linhas de batalha foram delimitadas para uma vindoura guerra galáctica de dominação do planeta Terra. Enquanto a raça humana buscar salvação “lá fora”, ela estará pavimentando o caminho para os seres que estão competindo para se tornarem seus Senhores. Mas a raça humana tem uma outra opção.

Embora nascida de bestas e criada para servir, a raça humana foi criada por cientistas geneticistas, o Príncipe EA e a Princesa Nin-Hur-Sag, usando seu próprio DNA e seu próprio sangue real. A linha real de Sangue Siriano confere à humanidade o direito de reivindicar a Terra como sua. Esta é a História que tem sido suprimida, a verdade que foi mantida escondida.

Enquanto a raça humana aceitar Senhores e Deuses, nós estaremos aceitando uma existência da servidão. Quando nós finalmente lembrarmos que nosso próprio reino foi tomado, quando finalmente olharmos para nós mesmos como nosso próprio Mestre ou Deus, então e só então estaremos livres de extraterrestres.

O autor pede ao leitor para investigar por si mesmo as informações apresentadas aqui. Não aceite nenhuma, desafie todas elas. Decida por si mesmo se as palavras de Bek’Ti são verdadeiras. Você é seu próprio deus, você é o mestre de seu destino – se você puder lembrar A Verdade.

Esta versão de “Terra Papers: Hidden History of Planet Earth”, de Robert Morning Sky, foi condensada especialmente para Percepções, por Betty Bland, que mora e trabalha em Seattle. Ela é a diretora executiva da Light House Promotions, e está envolvida na produção anual da “Ocean Shores Convergente Psychic Fair on Memorial Weekend”, em Ocean Shores, Washington.

Traduzido  por:

Mariana – mariana@umanovaera.com e

Izabel da Costa – isabel@umanovaera.com

Condensado do trabalho de Robert Morning Sky: “Documentos da Terra: A História Secreta do Planeta Terra”

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-historia-suprimida-do-planeta-terra/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-historia-suprimida-do-planeta-terra/

Metraton

Todos os povos, desde a mais remota Antigüidade, conservaram a realidade do mito como um componente essencial de sua concepção do mundo, de sua Cosmogonia e Teogonia. Por muito longe que nos remontemos na história das civilizações tradicionais, sempre encontramos nelas uma rica profusão de relatos e lendas relacionados com seres míticos, que servem de comunicação entre a Terra e o Céu, entre o de baixo e o de cima. A tradição cabalística também conserva um grande número de gestas míticas vinculadas com o descenso à Terra das energias celestes, angélicas ou espirituais. Assim, na Cabala se acha com freqüência o nome de Metatron, que se identifica com o arcanjo Miguel, também chamado o “Príncipe das Milícias Celestes”.

A Cabala considera o Metatron como o princípio ativo e espiritual de Kether, a Unidade, que com as tropas divinas sob seu comando (as sefiroth de construção cósmica) empreendem a luta contra as potências do mal e das trevas (que constituem seu próprio reflexo escuro e invertido, as “cascas”, “escórias” ou keliphoth) dissipando a dúvida e a ignorância no coração do homem, fecundando-o, simultaneamente a essa mesma ação, com a influência espiritual que transmitem. Em algumas representações da iconografia cristã e Hermética pode se ver este combate mítico nas figuras do arcanjo Miguel e das hostes angélicas, lutando contra os demônios e Satã, o “príncipe deste mundo”, segundo a conhecida expressão evangélica.

Com o mesmo significado, mas a nível humano, encontramos o cavaleiro São Jorge combatendo o Dragão terrestre, símbolo das paixões inferiores e do “caos”. Precisamente, a lança ou espada (símbolos do eixo) de São Jorge atravessando o corpo do monstro, sugere a “penetração” das idéias celestes, verticais e ordenadoras, em dito “caos”. Esta variante do mito é análoga à luta que o homem acomete na busca do Conhecimento, o que lhe dá a possibilidade de viver um processo mítico idêntico ao dessas mesmas energias cósmicas e telúricas, celestes e infernais, em permanente luta e conciliação.

Relacionado em certo modo com as origens da Tradição Hermética, e intimamente vinculado com o que vimos dizendo, encontra-se o mito dos “anjos caídos”, que igualmente é relatado no Gênesis bíblico. Considerado desde o ponto de vista da Ciência esotérica –que tende a resolver os opostos e, portanto, exclui, por insuficientes, o simplesmente moral e sentimental, bem como as leituras demasiado literais das coisas, que estão incluídas no ponto de vista simplesmente religioso e exotérico– a “queda dos anjos” representa, ante tudo, um símbolo do descenso das influências espirituais no seio da própria vida e da natureza humana.

Certos anjos caíram acesos pelo amor que professavam às filhas dos homens às quais, diz-se, “encontraram formosas e belas”. De seu casamento, nasceram seres semidivinos (os antepassados míticos), que revelaram aos homens as ciências e as artes teúrgicas, mágicas e naturais, ou seja, todas aquelas disciplinas que, como já sabemos, integram os textos sagrados dos “Hermética” e do “Corpus Hermeticum”.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/metraton