Como viver onze dias em vinte e quatro horas

Já faz quase um ano que tenho datado todas as minhas cartas com meu próprio calendário multicultural. Obviamente, eu sei que uma cronologia multicultural parece algo muito Politicamente Correta, mas não deixe que isto te apavore. O fato é que eu concordo com o culto PC sobre muitas coisas. Na verdade, eu só discordo deles pelo fato de não gostar de sua intolerância, de suas táticas fascistas, de sua introdução da lavagem cerebral maoísta em nossa Academia, de sua absoluta falta de senso de humor ou senso comum mediano. Fora isto, eu quase aprovo as idéias PC.

Para ser sincero, eu comecei a usar um calendário único e não-Ocidental por volta de 1969-71, enquanto escrevia “Illuminatus!” com Bob Shea. Eu me dei conta que o calendário Gregoriano, o sistema padrão do ocidente, data tudo a partir do alegado nascimento de um super-herói de quadrinhos que eu considerava fictício. Ele supostamente tinha uma mãe virgem, um pai que era um pombo, e curava os cegos jogando sujeira em seus olhos. Você pode entender o porquê de minhas dúvidas.

Mas datar tudo a la Papa Gregório não apenas nos condiciona subliminarmente à mitologia do Vaticano, mas também divide artificialmente a história escrita em sua metade, criando uma certa visão torta sobre como as coisas atualmente andaram desde os tempos do neolítico.

Por exemplo: no calendário Gregoriano, a primeira dinastia Egípcia iniciou-se em cerca de 3400 “A.C.”, a fundação de Roma foi em 509 “A.C.” e a indicação do grande javali Pigasus para a presidência dos EUA se deu em 1968 “D.C.”. Tentar escapar da armadilha papista usando A.E.C ( antes da era comum/cristã) e E.C. (era comum/cristã) não ajuda muito. Nós continuamos trancados na realidade-túnel romana.

Efeitos colateriais ainda piores do calendário Gregoriano surgem quando você tenta imaginar o período de tempo abarcado nas datas que acabamos de mencionar. Isto requerer pensamento profundo, boa imaginação histórica e ainda, para aqueles tão perto da senilidade quanto eu, possivelmente rascunhos em papel. No calendário Illuminati, entretanto, estes eventos encontram seu lugar em uma única linha de tempo: a primeira dinastia egípcia inicia por volta de 600 A.L., a fundação de Roma acontece em 3491 A.L. e a apoteose de Pigasus se dá em 5968 A.L. (A.L., como na Maçonaria, significa Anno Lumina — ano de luz). Adicione mais algumas datas (Hassan-i-Sabbah se iluminou em 5092 A.L., os índios americanos descobriram Colombo em 5492 A.L., a Declaração de Independência dos EUA foi assinada em 5776 A.L., Noble Dew Ali nasceu em 1886 A.L.) e a História começa a fazer sentido como uma única seqüência organizada, e não quebrada na metade.

A cronologia Illuminati (ano um A.L., ou 4000 A.C. Gregoriano) começa com o nascimento de Hung Mung, o antigo Caoísta (pré-Taoísta), filósofo chinês que respondia à qualquer pergunta gritando “Eu não sei! Eu não sei!” o mais alto que podia. Assim, o sistema começa com uma data por volta da aurora da civilização e da escrita, e nos permite ver toda a história como uma sequência única, não interrompida por uma mudança brusca feita para comemorar o deus de um único culto esdrúxulo.

Como eu disse, me dei conta de tudo isso, incluindo as cinco estações do ano Illuminati, por volta de 5969/5971 A.L. – exatamente quando “os anos sessenta” morriam sob os cassetetes e gases lacrimogêneos da contra-revolução de Nixon. Foi apenas em 5992 A.L, após descobrir Noble Drew Ali e o Templo da Ciência Moura, que me dei conta que qualquer calendário, mesmo minha adorada cronologia Illuminati, impõe uma ordem única sobre um sistema complexo, tendo assim implicações reducionistas e quase totalitárias, ao menos subliminarmente. Assim, mudei para um sistema multicultural que, ouso pensar, adequadamente representa o que o historiador Crane Brinton chamou da crescente multanimidade (em oposição à unanimidade) atual da Espaçonave Terra.

Por exemplo, em meu calendário multicultural a data na qual comecei a escrever este artigo mostra-se da seguinte forma:

  • Poundiano – 19 de Ártemis de 72 p.s.U.
  • Thelêmico – 19 de Setembro, Anno XC
  • ‘Patafísico – 12 de Absolu de 122 E.P.
  • Revolucionário Francês – Le Travail de 202
  • Islâmico – 12 Rabi-2 de 1373 D.H.
  • Gregoriano – 19 de Setembro de 1994 E.C.
  • Erisiano – 43 de Burocracia de 3178 y.C.
  • Chinês – 15o. dia do 8o. mês do Ano do Cachorro 4692
  • Maia – 6 de Bambu de 5106
  • Hebreu – 14 Tishiri de 5755 A. M.
  • Illuminati – 43 de Beamtenherrschaft de 5994 A.L.

 

Algumas lições rápidas e valiosas saltam imediatamente desta cronologia.

Primeira: o tão falado “Milênio” só parece próximo em alguns calendários, e está distante, por exemplo, 245 anos no Hebreu, 798 anos no ‘Patafísico, etc.

Segunda: quando eu chamo este sistema de meu, não tenho o objetivo de me vangloriar, mas para indicar limitações e realidades pessoais: muitas alternativas podem existir, de acordo com as preferências do usuário. Você pode deixar de lado o Chinês e o Maia, se quiser, e adicionar o Tibetano e o Asteca, etc. Pessoalmente, eu adoraria incluir os sistemas Wiccan e Druídico, se alguém pudesse encontrá-los ou inventá-los.

Algumas explicações adicionais:

O calendário Poundiano, criado por Ezra Pound, tenta definir a era pós-cristã e data tudo a partir de 31 de outubro de 1921 (gregoriano) – a data em que Joyce escreveu as últimas palavras do “Ulisses” (Pound também completou 36 anos nesta data. Você não pode esperar que um egomaníaco, mesmo um tão generoso quanto o velho Ez, deixe-se inteiramente de fora da datação da Nova Era). O termo “p.s.U” significa “post scriptum Ulysses”. O primeiro de dia de novembro de 1921, por conseguinte, tornou-se 1 de Hefaístos do ano 1 p.s.U. O ano possui 6 meses masculinos para os deuses solares fálicos (Hefaístos, Zeus, Saturno, Hermes, Marte, Fobos – em gregoriano: Novembro, Dezembro, Janeiro, Fevereiro, março e Abril) e 6 meses femininos para as deusas lunares (Kupris, Juno, Atena, Héstia, Ártemis, Deméter – em gregoriano: Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro e Outubro).

Neste sistema, nós já progredimos 72 anos na era pós-cristã e entraremos em breve no septuagésimo terceiro.

Para aqueles que têm outras idéias sobre quando iniciou a era pós-Cristã, o calendário Thelêmico data tudo a partir do 1904 gregoriano, quando Aleister Crowley recebeu (ou concebeu) o “Livro da Lei”. Isto faz este ano ser 90, que os thelemitas escrevem em estilo latino – Anno XC. Por algum motivo, Crowley não renomeou os meses, então eu mantenho os nomes gregorianos neste caso.

Como um multiculturalista, eu não tenho favoritos. De certo modo, nós já evoluímos 72 anos além do culto de Cristo, e em outro sentido já evoluímos 90 anos. Como disse Sri Syadasti, “Todos os sistemas são verdadeiros em algum sentido, falsos em algum sentido, verdadeiros e falsos em algum sentido, verdadeiros e sem sentido em algum sentido, falsos e sem sentido em algum sentido, e verdadeiros e falsos e sem sentido em algum sentido”. Um ensinamento secreto Illuminati afirma que se você repetir isto 666 vezes, atingirá a Iluminação Total, em algum sentido.

Para aqueles que concordam que entramos na Era ‘Patafísica, incluí seu calendário, iniciando no nascimento de Alfred Jarry em 8 de setembro de 1873 (ele divide o aniversário com a Virgem Maria nos mitos católicos e com Molly Bloom nos mitos joyceanos; ‘patafísicamente, esta “coincidência” deve significar algo). Assim, cada ano ‘Patafísico começa no aniversário de Jarry, renomeado para 1 de Absolu, e segue adiante através de 13 meses com 29 dias cada (Absolu, Maha, As, Sable, Decervelage, Gueles, Pedale, Clinamen, Palotin, Merdre, Gidouille, Tatane e Phalle). Já que cada semana tem sete dias e cada mês quatro semanas, e 7×4=28, temos um dia extra para cada mês. Nós chamamos estes meses de “imaginários”, por analogia com os números imaginários. Cada mês começa em um domingo, o que simplifica o sistema e assegura que o dia 13 sempre cairá em uma sexta-feira.

À medida em que crescem visões e abduções por OVNIs, ocorrências de poltergeists e encontros com o Chupacabras, muitos podem considerar o calendário ‘Patafísico o mais plausível de todos. Como afirmou Jarry, todas as outras ciências lidam com generalizações, mas a ‘Patafísica lida apenas com o excepcional.

O calendário revolucionário francês data tudo a partir do 1792 gregoriano, e como eu escrevo isto em meio às cinco Sansculotides, ou dias de festa (Les Vertus, Le Genie, Le Travail, L’Opinion e Les Recompenses), não se usa o nome do mês. Daqui a três dias (22 de setembro) começa o mês de Vendemaire, seguido por Brumaire, Frimaire, Nivose, Pluvose, Ventose, Germinal, Floreal, Prairial, Messidor, Thermidor e Fructidor.

O calendário Islâmico começa com a fuga do profeta (hégira), no ano de 4622 A.L. (622 gregoriano). D.H. significa depois da hégira, a abreviatura usual utilizada por Muçulmanos; assim, este ano se torna 1373 D.H.. Você pode procurar os meses em qualquer enciclopédia. Eu não pretendo fazer todo o trabalho por você, e, se eu fizesse, este artigo sairia maior do que desejam os editores.

Você já conhece o calendário Gregoriano, batucado em nossas cabeças por nossas escolas alegadamente “seculares”, e utilizado por todos que detêm poder em nossa sociedade – bancos, corporações, até mesmo os governos. Meu sistema tenta quebrar o condicionamento/hipnose criado por esta uniformidade artificial.

O calendário Erisiano, que devemos à sublime genialidade de Malaclipse O Mais Jovem, data os eventos a partir de 2816 A.L.(1184 AEC, gregoriano), o ano da Esnobada Original. Se você não sabe o que foi a Esnobada Original, vá ler o “Principia Discordia”, onde você encontrará a Esnobada, juntamente com a Maçã de Ouro, a Guerra de Tróia e tudo o mais no universo, explicado de uma vez por todas. Cada ano tem cinco estações, representando os cinco graus de SNAFU impostos sobre nós pela Esnobada Original – Caos, Discórdia, Confusão, Burocracia e Relações Internacionais. Isto nos dá 73 dias para cada estações, o que equivale a um dia Chokmah na Cabala. Aqui o Sábio e Sutil encontrará um profundo segredo oculto, se puder Saber, Ousar, Querer e Calar.

A cada quarto ano, obviamente, damos de cara com aquele maldito dia extra que também deixa os Gregorianos perplexos. Nós, os Erisianos, o chamamos de Dia de São Tibb, já que todos concordam que São Tibb nunca existiu.

O calendário chinês faz mais sentido do que qualquer um dos outros, mas eu o acho complicado demais para explicar. Você procura, tá bom? Enquanto isso, fique feliz em saber que vivemos agora no ano 4692, e você não tem que se preocupar sobre qualquer maldito Milênio pelos próximos 308 anos.

Eu acho o calendário Maia ainda mais perturbador, mas o mantenho em minhas cartas porque gosto dos nomes dos dias: Crocodilo, Noite, Serpente, Veado, Jade, Macaco, Bambu, Águia, Pensamento, Tempestade, Vento, Rede, Morte, Coelho, Cachorro, Dente, Jaguar, Cera, Faca e Caçador. Me faz lembrar de minha última viagem de ácido. Este ano conta como 5106 para este ciclo, mas numerosos ciclos rolam sem parar e não necessariamente terminam no 2012 gregoriano, não importa o que você tenha escutado; isto deve apenas marcar a abertura de outro mega-ciclo.

Pesquise por si mesmo sobre o sistema Hebreu. Você realmente acha que pode aprender alguma coisa importante sem esforço pessoal?

Os anos Illuminati você já conhece. As cinco estações têm os nomes Verwirrung, Zweitracht, Unordnung, Beamtennherrschaft e Realpolitik, cada uma com 73 dias. Como os Gregorianos e os Erisianos, também temos um dia extra pendurado a cada quatro anos. Nós o chamamos de Heiligefliegendekindersheissetag, e nele acontecem rituais que matam a pau os do dia de São Tibb.

A beleza deste sistema multicultural, para mim, reside em sua completa falta de fidelidade a qualquer realidade pessoal, o que condiciona os usuários a pensar em termos de realidades comparativas. Assim, para a maioria de nós, 25 de dezembro significa o dia do Cristo, e mesmo os ateus sentem-se engolfados pela Grade de Realidade do culto romano. Em meu sistema de calendário múltiplo, por outro lado, a mesma data aparece de várias formas – como 25 de Zeus de 72 p.s.U, ou 25 de Dezembro do Anno XC, ou como 25 de Sable de 122 E.P., ou como 5 de Nivose de 203, ou como 22 de Rajab de 1373 D.H., ou como 67 de Relações Internacionais de 3178 y.C., ou como o 22o. dia do 11o. mês de 4592, ou como 11 de Cachorro de 5106, ou como 23 de Teves de 5755 A.M., ou como 67 de Realpolitik de 5994 A.L.. Você tem uma vasta gama de escolhas sobre o que celebrar. Por que não celebrar todos de uma só vez? Só não vá dirigir depois.

Eu gostaria de agradecer a Hakim Bey, James Koehnline, Gregory Hill e John ver der Does pela ajuda com partes deste multicalendário. Se alguém encontram algum erro, por favor, me avise imediatamente.

Obviamente, minha motivação básica para tentar popularizar este sistema reside na esperança de que algumas pessoas o utilizem e fiquem curadas de perguntar “Mas qual é a data verdadeira?”. Elas então podem começar a ver a falácia de todas as perguntas deste tipo, e alcançarão grande parte dos objetivo da Semântica Geral, do Erisianismo, do Desconstrucionismo e do Budismo. Alguns podem até vir a compreender o porquê de “é” não aparecer em ponto algum deste artigo.

por Robert Anton Wilson, Traduzido por k-Ouranos 333

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/como-viver-onze-dias-em-vinte-e-quatro-horas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/como-viver-onze-dias-em-vinte-e-quatro-horas/

Campos Morfogenéticos

Havia um arquipélago no Pacífico povoado apenas por macacos. Eles se alimentavam de batatas, que tiravam da terra. Um dia, não se sabe porque, um desses macacos lavou a batata antes de comer, o que melhorou o sabor do alimento. Os outros o observaram, intrigados, e aos poucos começaram a imitá-lo. Quando o centésimo macaco lavou a sua batata, todos os macacos das outras ilhas começaram a lavar suas batatas antes de comer. E entre as ilhas não havia nenhuma comunicação aparente.

Essa história (fictícia) exemplifica uma teoria criada pelo fisiologista inglês Rupert Sheldrake, denominada teoria dos campos morfogenéticos. Segundo o cientista, os campos mórfogenéticos são estruturas invisíveis que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material. Todo átomo, molécula, célula ou organismo que existe gera um campo organizador invisível e ainda não detectável por qualquer instrumento, que afeta todas as unidades desse tipo. Assim, sempre que um membro de uma espécie aprende um comportamento, e esse comportamento é repetido vezes suficiente, o tal campo (molde) é modificado e a modificação afeta a espécie por inteiro, mesmo que não haja formas convencionais de contato entre seus membros. Isso explica porque, no exemplo, todos os macacos do arquipélago de repente começaram a lavar suas raízes, sem que houvesse comunicação entre as ilhas.

Mas outros exemplos na natureza – desta vez verdadeiros – ilustram bem uma organização invisível no comportamento dos animais. Pegue um gato, por exemplo. Separe-o do convívio com outros gatos poucos dias após o nascimento (algo infelizmente comum) e crie-o isolado. Ele vai ter todas as características comportamentais de um gato, as brincadeiras, inclusive o cacoete de só fazer as necessidades na areia (se tiver areia no lugar, claro). Quem ensinou isso? Milhares de anos de evolução, dirão os Darwinistas. Deus, dirão os Criacionistas. Mas nem um nem outro explica a questão: Quem ensinou isso ao maldito gato que foi criado fora do convívio dos outros de sua maldita raça milenar?!

Ainda mais extraordinários são os pássaros jardineiros, cujo ninho é uma obra de arte, feito de palhas e ramos, e que não se esquecem, para encantar mais a fêmea, de enfeitar com o que se denomina “jóias”, sejam ervas ou flores, ou pedrinhas todas iguais, para atapetar o chão. Quem ensinou isso? Foi um Deus caprichoso, que estava numa fase mais artistica e deu esse dom pra esse pássaro e não para os outros? Ou foram seus genes, tão caprichosos quanto? Será que, baseado tão-somente na sobrevivência e possibilidades de acasalamento, não seria mais inteligente pra natureza espalhar essa técnica pra todos os pássaros e outros animais?

A ciência dá um valor muito alto aos genes. É uma verdadeira panacéia: se não sabemos explicar algo, simplesmente “culpamos” os genes. Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado? A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos, e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). Tal formação do embrião acontece com precisão tanto aqui quanto na China, tanto no frio como no calor, tanto na poluição e radiação de NY, quanto nos bucólicos campos da Escócia…

A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macro-moléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto. “A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético”, afirma Sheldrake. “Dados os genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente.”

A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada pelos campos morfogenéticos, uma estrutura espaço-temporal que direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes, um papel semelhante ao da planta de um edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância entre os campos.

Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo. Tal organismo parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas. Sheldrake já realizou várias pesquisas para provar que o corpo possui um campo mórfico e, quando se perde uma parte desse corpo, o campo permanece. Um exemplo é uma das experiências que fez: Uma pessoa que não tem parte do braço age como se estivesse empurrando o membro fantasma através de uma tela fina. Do outro lado da tela, uma outra pessoa tenta tocar o braço fantasma. De acordo com Sheldrake, as duas pessoas envolvidas na experiência são capazes de sentir o toque. É uma prova (subjetiva) de que alguma coisa do braço ainda existe concretamente, e não apenas no cérebro da pessoa que o perdeu.

Depois de muitos anos de estudo e pesquisa chegou-se à conclusão de que a chave desse mistério estaria numa espécie de memória: uma memória coletiva e inconsciente que faz com que formas e hábitos sejam transmitidos de geração para geração. O campo morfogenético seria uma região de influência que atua dentro e em torno de todo organismo vivo. Algo parecido com o campo eletromagnético que existe em volta dos imãs. Para o cientista, cada grupo de animais, plantas, pássaros etc, está cercado por uma espécie de campo invisível que contém uma memória, e que cada animal usa a memória de todos os outros animais da sua espécie. Esses campos são o meio pelo qual os hábitos de cada espécie se formam, se mantém e se repetem. No exemplo dos macacos, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.

O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de ressonância mórfica. Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva.

Os seres humanos também têm uma memória comum. É o que Jung chamou de inconsciente coletivo. A respeito disso, Sheldrake lança uma luz sobre a questão da existência de vidas passadas: Ele diz que, às vezes, as pessoas podem entrar em sintonia com as memórias de uma outra pessoa que existiu no passado. Isso que não significa que elas foram realmente aquela pessoa, mas que se teve acesso à memória dela. Talvez por isso existam por aí tantas reencarnações de Napoleão e Cleópatra…

Então, o campo morfogenético é algo que está dentro de nós, e fora de nós. Nos envolve e nos define, está presente em nossos pensamentos, e nossas atitudes. Pode estar por trás do Id; Pode ser a Força. O inconsciente coletivo; O Shaktipat; Em essência, o Tao; Ou mesmo Brahma! O Reino dos céus!

Os campos morfogenéticos também são responsáveis por aquela sensação que a maioria das pessoas tem quando sente que está sendo observada. Sheldrake explica:
“Entrevistei alguns detetives particulares, pessoal da vigilância na polícia, pelotões antiterrorismo da Irlanda do Norte e outras pessoas cujo negócio é olhar outras pessoas. A maior parte destes observadores profissionais está muito consciente desse fenômeno, e alguns daqueles que operam sistemas de segurança em shoppings, edifícios, aeroportos e hospitais também estão muito conscientes desse efeito. Em uma das principais lojas de departamento de Londres, os detetives da loja disseram que podiam olhar as pessoas na loja através de uma TV, e quando viam alguém roubando, um gatuno, muitas vezes perceberam que, se olhassem para essa pessoa muito intensamente, pela tela da TV, a pessoa começava a olhar a seu redor procurando as câmeras escondidas e depois devolvia o que tinha tirado e saía da loja. Um segurança em um hospital disse que onde isso dava mais certo era com uma câmera oculta que cobria uma área onde as pessoas iam fumar, embora não fosse permitido fumar no hospital, mas quando ele observava os fumantes através da televisão de circuito fechado eles imediatamente começavam a parecer constrangidos e apagavam seus cigarros e saíam dali. Portanto, há muitas experiências práticas. No SAS britânico, que são as forças especiais usadas para tomar de assalto terroristas em embaixadas e lugares semelhantes, parte do treinamento ensina que, se você está se aproximando cuidadosamente de uma pessoa por trás, para esfaqueá-la nas costas, você não deve olhar fixamente para as costas dela, porque é quase certo que, se o fizer, ela vai se virar. E a primeira lição que um detetive particular aprende sobre seguir alguém é que você não olha para quem está seguindo, porque se olhar, ele vai se virar e seu disfarce terá sido descoberto”.

Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade:
“Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.”

Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como “uma importante pesquisa científica”, a Nature o considerava “o melhor candidato à fogueira em muitos anos”.

Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórfogenéticos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo “eu preciso telefonar”, eles retrucavam com um “telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfogenética”. Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida.

A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. “Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam”, informa Sheldrake.

Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas “soluções”. Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua “resposta” foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1. Numa universidade inglesa, alguns pesquisadores conseguiram provar que as palavras cruzadas dos jornais são muito mais fáceis de resolver quando feitas no dia seguinte à publicação original.

Esse fenômeno é muito comum entre os químicos. Quando um deles tenta cristalizar um novo composto leva muito tempo para conseguir um bom resultado. Mas a partir desse momento em outros lugares do mundo muitos outros químicos conseguem cristalizar o mesmo composto num tempo muito mais curto.

Isso explicaria o porquê da geração dos anos 80 ter tido facilidade de programar o videocassete, e a geração de 90 dominar o computador e o celular?

Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. “Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado”, conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York, dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud (ver artigo “Nas fronteiras da consciência”, em Globo Ciência nº 32).

Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia. “A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal”, afirmou Sheldrake a Galileu. “Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina, pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas”.

Abaixo, os melhores momentos da palestra de Rupert Sheldrake, intitulada “A mente ampliada” (que pode ser lida integralmente aqui):

EXPERIMENTO DO CACHORRO

Deixe-me dar um exemplo do tipo de histórias que temos em nosso banco de dados, sobre um cachorro que sabe quando seu dono está chegando em casa. Essa é de uma pessoa no Havaí: “Meu cachorro Debby sempre fica esperando na porta uma meia hora antes de meu pai chegar em casa do trabalho. Como meu pai estava no exército, ele tinha um horário de trabalho muito irregular. Não fazia diferença se meu pai ligava antes, e uma época eu achei que o cachorro reagia à chamada telefónica, mas isso obviamente não era o caso, porque às vezes meu pai dizia que estava vindo para casa mais cedo, mas tinha que ficar até mais tarde. Às vezes ele nem telefonava. O cachorro nunca se enganava, portanto eu eliminei a teoria do telefone. Minha mãe foi a primeira pessoa que notou esse comportamento. Ela estava sempre preparando o jantar quando o cachorro ia para a porta. Se o cachorro não fosse até a porta, nós sabíamos que papai ia chegar mais tarde. Se ele chegasse tarde, o cachorro mesmo assim o esperava, mas só quando ele já estivesse no caminho de casa”.

Temos agora em nosso banco de dados cerca de 580 relatos de cachorros que fazem isso, e cerca de 300 relatos de gatos que fazem isso, com esse tipo de qualidades. O cético de carteirinha irá dizer “bem, é apenas uma rotina”, mas na maioria dos casos não é uma rotina (se fosse as pessoas nem notariam). O próximo argumento do cético de carteirinha é “bom, o que deve acontecer é que as pessoas da casa sabem quando o dono está vindo e com isso seu estado emocional muda, e o animal capta essa mudança através de deixas sutis”. Bem, é claro que isso é possível se as pessoas realmente prevêem que alguém está vindo para casa, seu estado emocional pode mudar, elas podem ficar excitadas ou talvez deprimidas e o animal pode captar essa mudança emocional e reagir a ela. Mas, em muitos dos casos, as pessoas na casa não sabem quando a outra está vindo para casa, é o animal que lhes diz, e não elas que dizem ao animal.

Quando eu estava discutindo esse assunto com Nicholas Humphrey, meu amigo cético disse: “bem, tudo isso ainda não elimina a possibilidade de que eles ouvem o barulho do motor do carro, um motor de carro familiar a 30, 40 quilômetros de distância”, e eu disse: “isso é obviamente impossível”. E ele: “pelo contrário, apenas demonstra como a audição dos cachorros é aguçada”. Foi essa discussão que levou à ideia de fazer um experimento. Eu disse: “OK, e se eles vierem para casa de táxi, ou no carro de um amigo, ou de trem, ou de bicicleta da estação em uma bicicleta emprestada, para que não haja sons familiares?” E ele disse: “nesse caso, o cachorro não reagiria”, e desde a publicação deste livro eu já descobri muitos cachorros, gatos e outros animais que fazem isso.

Telefonamos para pessoas escolhidas aleatoriamente usando técnicas padronizadas de amostragem e perguntamos se elas tinham animais. Dos donos de animais, havia mais donos de cachorros do que de gatos na maior parte das localidades. Perguntávamos: então “seu animal parece saber previamente quando um membro da família está vindo para casa?” Aproximadamente 50% dos donos de cachorro em todas as localidades disseram que sim – em Los Angeles foram mais de 60% – e podemos ver através desses resultados que os gatos em todas as localidades fazem isso menos que os cachorros.

Nos primeiros experimentos que foram feitos, pedíamos às pessoas que anotassem em um caderno o comportamento do cachorro, mas os céticos disseram: “bem, assim você tem uma tendência subjetiva”. Portanto, agora nós fazemos uma fita de vídeo de todos os experimentos. Temos uma câmera de vídeo em tripé, apontando para o lugar onde o cachorro ou o gato esperam pela pessoa que vem para casa. Há um controle de tempo na câmera e ela fica funcionando por horas. Então, temos horas de filme que irão mostrar se o cachorro ou o gato vão até a janela, e por quanto tempo ficam lá, um registro objetivo e perfeito. O que vou lhes mostrar é um vídeo de um desses experimentos que foi feito com um cachorro com que trabalhei principalmente na Inglaterra. O cachorro chama-se JT e o nome de sua dona é Pam. Quando Pam sai, ela deixa JT com seus pais, que vivem no apartamento ao lado do dela. Eles observaram há muitos anos que JT sempre ia para a janela quando Pam estava a caminho de casa, ou quase sempre. Esse experimento foi filmado profissionalmente pela televisão estatal austríaca, e foi filmado com duas câmeras, para que pudéssemos ver o cachorro e a pessoa que estava na rua ao mesmo tempo. E foi combinado que eles escolhessem as horas de sua vinda para casa de maneira aleatória, que nem ela mesma soubesse previamente, que ninguém soubesse previamente; e ela viria para casa de táxi, para eliminar a possibilidade de sons de carros familiares. Esse, portanto, é um experimento que foi realizado dentro dessas condições.

Na vida real, Pam não vem para casa em horas escolhidas aleatoriamente, e que ela própria desconheça previamente. Quando está no trabalho, ou quando sai para fazer compras ou visitar amigos, ela vem para casa em vários momentos diferentes, e nós monitoramos regularmente as horas em que ela volta, mais de 200 experimentos foram monitorados, temos dezenas deles em vídeo. O cachorro nem sempre reage, cerca de 85% das vezes JT realmente espera por ela quando ela está vindo para casa, cerca de 15% ele não o faz. Analisamos as ocasiões em que ele não faz, a maioria das vezes ocorreu quando a cadela do apartamento vizinho estava no cio. Isso mostra que JT pode se distrair. Isso também ocorreu algumas vezes quando havia visitas na casa ou outro cachorro, e algumas vezes sem nenhum motivo. De qualquer forma, JT normalmente reage quando Pam decide que vai para casa. No filme vê-se que ele não começa a reagir quando ela entra no táxi, e sim quando ela estava pronta para ir para casa. Na vida real ele não reage quando ela entra no carro para ir para casa, e sim quando ela começa a se despedir dos amigos e pensando “bem, vou-me embora”. Ele parece captar essa intenção dela. É bem verdade que JT vai até a janela ocasionalmente quando Pam não está a caminho de casa, normalmente porque vai latir para um gato que passa na rua ou está olhando alguma coisa que está acontecendo do lado de fora. Nesses gráficos incluímos todos esses casos, embora fique claro no vídeo que ele não está esperando, mas como os céticos dizem que, se você usar evidência seletiva isso demonstra que você inventou a coisa toda, não fizemos nenhuma seleção aqui. Às vezes há uns trechos barulhentos, quando ele vai até a janela de qualquer maneira, mas podemos ver que isso é a média de 12 ocasiões diferentes quando ela estava fora por mais de 3 horas. O tempo que ele está esperando na janela é maior quando ela está no caminho de casa do que quando ela não está. Vemos um pequeno aumento antes de ela ir para casa que, a meu ver, tem relação com esse efeito antecipatório.

JT está obviamente esperando por ela principalmente quando ela está no caminho de casa. O que é claro nesses gráficos é que JT não vai para a janela com mais frequência quanto mais tempo ela estiver fora. Ele obviamente está muito mais na janela aqui, quando ela está no caminho de volta, do que nos períodos correspondentes aqui. Esses efeitos têm uma enorme significância estatística. Vários tipos de análise mostram significâncias que vão mais além da escala de meu computador. Esses efeitos são do tipo p é menor que .00001.

Esses resultados foram amplamente publicados na Grã-Bretanha, nos jornais, e – é claro – foram criticados pelos céticos, que estão sempre prontos para dizer que nada semelhante poderia ocorrer. Um dos céticos mais ativos na Grã-Bretanha, cujo nome é Richard Wiseman, disse que eu não tinha usado procedimentos adequados, não os tinha registrado de forma adequada, etc. Eu fiz também muitos experimentos com horas de retorno aleatórias. Pam tem umpager em seu bolso que eu ativei por telefone de Londres e ela vem para casa em momentos verdadeiramente aleatórios, usando um desses pagers da telecom. De qualquer forma, ele criticou os detalhes, então eu disse: “Tudo bem, por que você mesmo não faz o experimento? Eu organizo tudo para que você possa fazê-lo com o mesmo cachorro. Emprestamos uma câmera de vídeo, Pam irá onde você quiser, o seu ajudante ficará observando-a”. Na verdade, então, o próprio Wiseman filmou o cachorro e ficou no apartamento dos pais da Pam, enquanto seu ajudante ia com a Pam para pubs, ou outros lugares, até que em um momento determinado aleatoriamente fosse decidido que eles voltariam para casa. Eles checavam o tempo todo para garantir que não haveria chamadas telefônicas secretas, nenhum meio de comunicação invisível, nenhuma fraude ou trapaça.

Wiseman é um mágico, e ele é um desses céticos que está sempre afirmando que tudo pode ser feito por trapaça ou ilusionismo. Bem, ele mesmo esteve lá, e eles estavam se protegendo de tudo, e ele realizou três experimentos com Pam na casa de seus pais, e esses foram os resultados dos três experimentos que ele fez, usando todos seus controles rigorosíssimos, seu próprio procedimento aleatório, e outras coisas mais (os resultados são exatamente iguais aos outros; o público ri). Portanto, esses resultados são sólidos, mesmo com um cético, que ao fazer o experimento na verdade não quer que ele dê certo. Atualmente realizo uma série de experimentos em Santa Cruz, Califórnia, com um tipo de periquito italiano que mostra o mesmo tipo de reação: eles guincham quando o dono está vindo para casa, e obtemos quase o mesmo tipo de gráficos, mostrando que os guinchos vão aumentando de intensidade quando o dono está a caminho de casa em horas aleatórias.

Um cão e um ser humano, quando formam uma união entre eles, são parte de um grupo social. Os cães são animais intensamente sociais, eles descendem dos lobos que têm uma vida social intensa. Portanto, eu acho que o que ocorre quando uma pessoa sai de casa, é que ela ainda continua conectada pelo campo mórfico da família, do qual o cão é parte. O campo mórfico se estica, por assim dizer, mas eles ainda estão ligados por esse campo mórfico, e é devido a essa conexão contínua invisível que a informação pode viajar, as intenções da pessoa podem afetar o cachorro em casa.

Portanto, eu interpreto tudo isso em termos de campos mórfícos. É claro, outras pessoas podem querer interpretá-lo em termos de outras coisas, e pode ser que isso esteja relacionado com a não-localidade quântica, ninguém sabe. Existem na física quântica, fenômenos não-locais misteriosos, sistemas que foram conectados como parte do mesmo sistema, e quando são separados retêm essa conexão não-local e não separável à distância. Bem, uma pessoa e um cachorro, que estiveram conectados por terem vivido juntos como companheiros, quando se separam podem ter uma conexão não-local semelhante. Mas ninguém sabe se essa não-localidade quântica se estende aos fenômenos macroscópicos ou não.

MEMÓRIA COLETIVA

Acho que esses campos têm uma espécie de memória, essa é minha ideia de ressonância mórfíca, o que significa que cada tipo de campo mórfico tem uma memória de sistemas passados semelhantes, por meio de um processo de ressonância através do espaço e do tempo. Os campos são locais, estão dentro e ao redor do sistema que eles organizam, mas sistemas semelhantes têm uma influência não-local através do espaço e do tempo, oriunda da ressonância mórfíca, que dá uma memória coletiva para cada espécie. Não tenho tempo de explicar os detalhes da teoria da ressonância mórfíca, a não ser para dizer que cada espécie neste planeta teria uma memória coletiva. Todos os ratos extrairiam memórias da memória coletiva de ratos anteriores. Se ratos aprenderem um novo truque no laboratório, outros ratos em outros locais deveriam ser capazes de aprender o mesmo truque mais rapidamente. Haja evidência, que eu discuti em meus livros, de que isso realmente ocorre.

No reino humano, se as pessoas aprendem uma nova habilidade, como windsurf, ou andar de skate, ou programação de computador, o fato de que muitas pessoas já aprenderam a mesma coisa deveria fazer com que fosse mais fácil para os outros aprenderem. Bem, essa é uma teoria que, claramente, é muito polêmica, e eu a descrevi em detalhe em meus livros A new science of life e A presença do passado. Já houve um número considerável de testes experimentais, e quando um número grande de pessoas está envolvida, eles dão resultados positivos; com uma amostra pequena (20, 30 pessoas) aprendendo algo novo, os resultados são às vezes positivos e às vezes não significativos. Esses efeitos são relativamente pequenos e difíceis de detectar no contexto de variações individuais. Mas há certos tipos de evidência que surgiram espontaneamente, que são relevantes aqui, e um deles está relacionado com testes de QI. Como vocês sabem, os testes padrão de QI vêm sendo ministrados por muitos anos para medir a inteligência e esses mesmos testes são aplicados ano após ano. Foram feitos estudos para examinar a contagem de testes de QI no decorrer do tempo; quando examinamos o desempenho absoluto nesses testes – e aqui estamos falando de testes feitos por milhões de pessoas – os testes mostram um efeito muito interessante que foi descoberto pela primeira vez por James Flynn, e portanto é chamado de Efeito Flynn: há um aumento misterioso e inesperado nas porcentagens do QI com o correr do tempo. Aqui temos um gráfico mostrando resultados de testes de QI, tirado de um número recente da revista Scientific American. As porcentagens aumentaram uns três por cento a cada década, não só nos Estados Unidos, mas também na Inglaterra, na Alemanha e na França. Por que o QI é uma questão polêmica na psicologia, tem havido muita discussão sobre a razão pela qual isso aconteceu: melhor nutrição, escolas melhores, mais experiência com os testes, e assim por diante. Mas nenhuma dessas teorias foi capaz de explicar mais do que uma fração desse efeito. O próprio Flynn, após 10 anos pensando sobre isso, e testando todas essas explicações, chegou à conclusão que o efeito é desconcertante, não há explicação para ele na ciência convencional. No entanto, é apenas o tipo de efeito que seria de se esperar com a ressonância mórfíca. Não é porque as pessoas estão realmente ficando mais inteligentes, mas o que está acontecendo é que elas simplesmente estão mais eficientes quando fazem os testes de QI, e eu acho que isso ocorre porque milhões de pessoas já fizeram os mesmos testes.

CRISTAIS

Se você fizer um novo cristal que nunca existiu antes, não poderia existir um campo mórfico para esse cristal. Essa teoria se aplica também a moléculas. Se você a cristalizar repetidamente, o campo mórfico ficará mais forte, e ficaria mais fácil para a substância se cristalizar. Na verdade isso é um fato bem conhecido dos químicos, que os novos compostos se cristalizam com mais facilidade com o passar do tempo nos vários laboratórios. A explicação desses químicos é que isso ocorre porque fragmentos dos cristais anteriores são levados de um laboratório para o outro, nas barbas de químicos migrantes, ou que foram transportados da atmosfera como partículas invisíveis de poeira. Mas eu estou sugerindo que isso poderia ser um efeito da ressonância mórfica e essa é uma das áreas em que ela pode ser testada. Na química existem também outras áreas onde ela pode ser testada.

O UNIVERSO E OS ANJOS

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfogenético específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Se, através da teoria de Gaya, estamos passando a enxergar a Terra como um organismo vivo, então será que a Terra pensa? Será que ela poderia ser consciente? E o Sol? Todas as religiões tradicionais tratam o Sol como sendo consciente. É um deus (Hélios), na religião grega. Mitra, na Pérsia. Surya, na Índia, onde seus devotos o saúdam pela manhã, através de um exercício de yoga chamado Surya namaskar. Portanto, estas são tradições que existem em todas as partes, mas, é claro, para nós, com uma estrutura científica, o Sol é apenas uma grande explosão nuclear do tipo que ocorre o tempo todo emitindo radiação.

O Sol, sabemos hoje em dia, tem uma série incrível de mutações de ressonância elétrica e magnética ocorrendo em seu interior: ciclos de onze anos, explosões de manchas solares, dinâmica caótica, freqüências ressonantes. Atualmente sistemas estão monitorando, com um detalhamento anteriormente considerado impossível, essas incríveis mudanças eletromagnéticas – minuciosas e complexas – que estão ocorrendo no Sol. Bem, se padrões elétricos complexos são uma interface suficiente para a consciência e o cérebro humano, por que é que o Sol não poderia tê-los também? Por que o Sol não poderia pensar? E se o Sol é consciente, por que não as estrelas? E se as estrelas são conscientes, por que não as galáxias? Essas últimas teriam uma consciência de um tipo muito mais inclusivo do que a das estrelas que elas contêm. E se galáxias, por que não os grupos de galaxias? Então teríamos uma idéia de níveis hierárquicos de consciência por todo o universo. É claro, na tradição ocidental, como em todas as tradições, temos uma idéia exatamente desse tipo. A idéia das hierarquias dos anjos na Idade Média não era a de seres com asas – isso era apenas uma maneira bastante ingênua de representá-los. Eles eram compreendidos tradicionalmente como níveis de consciência além do humano. Havia nove níveis, dos quais três ou mais eram relacionados com as estrelas e com a organização de corpos celestiais. Eles eram as inteligências das estrelas e dos planetas, os três níveis intermediários dos anjos. Portanto, já existe a tradição no ocidente sobre uma consciência super-humana.

#espiritualismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/campos-morfogen%C3%A9ticos

A Biblioteca de Nag Hammadi

Biblioteca de Nag Hammadi é uma coleção de textos gnósticos do cristianismo primitivo que permaneceu desconhecida da humanidade até sua descoberta em 1945 em um região do Egito próxima a cidade de Nague Hamadi. Sua importância histórica para a compreensão do cristianismo primitivo não pode ser enfatizada o bastante, uma vez que se trata de pergaminhos que permaneceram intocados e portanto seguros de qualquer manipulação política religiosa ou social.

Após ser descoberta por Mohammed Ali Samman, um camponês local, o processo de tradução se prolongou até 1970 quando então o mundo conheceu a coleção de Nag Hammadi, uma biblioteca composta por treze livros protegidos artesanalmente por capas de couro (chamados “Códices”) contendo em seu conjunto cinquenta e dois livros, entre eles evangelhos, epístolas e apocalipses que ficaram de fora da Bíblia. É muito curioso que na mesma biblioteca do cristianismo original estejam fragmentos da República de Platão e trechos do Corpus Hermeticum mostrando como o intercambio cultural era algo frequente e comum na antiguidade.

E agora, pela primeira vez, reunidos em um só lugar de forma online e na íntegra, MorteSubita.net trás a tradução completa de todos os manuscritos para a língua portuguesa. Livros que sobreviveram passagem dos tempos e a perseguição da ortodoxia. Um cristianismo antes de qualquer concílio ou reforma.

Códice I
NHC I, 1 — Oração do Apóstolo Paulo
NHC I, 2 — Apócrifo de Tiago 
NHC I, 3 — O Evangelho da Verdade
NHC I, 4 — Tratado sobre a ressurreição
NHC I, 5 — Tratado tripartite 

Códice II
NHC II, 1 — Apócrifo de João a versão longa
NHC II, 2 — Evangelho de Tomé
NHC II, 3 — Evangelho de Felipe
NHC II, 4 — Hipóstase dos Arcontes
NHC II, 5 — Sobre a origem do mundo
NHC II, 6 — Exegese da alma
NHC II, 7 — Livro de Tomé o Adversário

Códice III
NHC III, 1 — Apócrifo de João a versão curta 
NHC III, 2 — O Evangelho dos Egípcios 
NHC III, 3 — Eugnostos, o abençoado
NHC III, 4 — Sofia de Jesus Cristo
NHC III, 5 — Diálogo do Slvador

Códice IV (repetições)
NHC IV, 1 — Apócrifo de João a versão curta 
NHC IV, 2 — O Evangelho dos Egípcios 

Códice V
NHC V, 1 — Eugnostos, o abençoado
NHC V, 2 — Apocalipse Copta de Paulo
NHC V, 3 — Primeiro Apocalipse de Tiago
NHC V, 4 — Segundo Apocalipse de Tiago
NHC V, 5 — Apocalipse de Adão

Códice VI
NHC VI, 1 — Os Atos de Pedro e dos Doze Apóstolos
NHC VI, 2 — O Trovão: a Mente Perfeita
NHC VI, 3 — Discurso Autorizado
NHC VI, 4 — O Conceito do Nosso Grande Poder
NHC VI, 5 — Fragmento de Platão
NHC VI, 6 —  Discurso sobre a Ogdóade e a Enéade 
NHC VI, 7 — A Oração de Ação de Graças
NHC VI, 8 — Fragmento de Asclépio 

Códice VII
NHC VII, 1 — Paráfrase de Sem
NHC VII, 2 — Segundo tratado do grande Sete 
NHC VII, 3 — A Revelação de Pedro
NHC VII, 4 — Ensinamentos de Silvano
NHC VII, 5 — As três estelas de Sete 

Códice VIII
NHC VIII, 1 — Zostrianos 
NHC VIII, 2 — A Epístola de Pedro a Filipe

Códice IX
NHC IX, 1 — Melquisedeque
NHC IX, 2 — O Pensamento de Norea
NHC IX, 3 — Testemunho da Verdade

Códice X
NHC X, 1 — Marsanes 

Códice XI
NHC XI, 1 — A Interpretação do conhecimento
NHC XI, 2 — Exposição Valentiana
NHC XI, 3 — Alógenes 
NHC XI, 4 — Hipsifrone

Códice XII
NHC XII, 1 — Sentenças de Sexto
NHC XII, 2 — Evangelho da Verdade

Códice XIII
NHC XIII, 1 — Protenoia trimórfica
NHC XIII, 2 — Sobre a Origem do Mundo
NHC XIII, 3 — Evangelho de Maria Madalena

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/biblioteca-de-nag-hammadi/

(Não) Fique longe desses 13 livros!

Atenção! Os livros abaixo devem ser evitados por todos aqueles que quiserem ficar longe das artes negras:

1) Rumo aos portais da Magia (F.BUTTERSACK)

2) Dicionário dos conhecimentos ocultos (H.MIERS)

3) Magos, Poderes e Mistérios (W.MOUFANG)

4) Demonomania dos feiticeiros (JEAN BODIN)

5) Quarta dimensão e ocultismo (F.ZOELLNER)

6) A Incredulidade e Descrença nos Sortilégios (PIERRE DELANCRE)

7) A Deusa Cruel e seu Bobo (E.D’ESTIANI)

8) Filhos e Filhas do Diabo (A.STARANOV)

9) Governantes Invisíveis (S.HUTIN)

10) Culto a Satã e a Missa Negra (G.ZACHARIAS)

11) Aparições de Espíritos e Preságios (A.JAFFÉ)

12) Ensinamentos Secretos dos Livros dos Mortos do Tibete (D.LAUF)

13) Animal e Homem, Divindade e Demônio (K.SALZLE)

Mas sendo um leitor do Morte Súbita inc este certamente não é o seu caso. Então se você possuir traduções em português de boa qualidade dos livros acima citados entre em contato com a gente . Estamos interessados em publicá-los no portal mediante renumeração caso já estejam em domínio público. Além deles incluimos

  • Grimório Verum
  • Grande Grimorio
  • Livro Vermelho de Apin
  • Suk’Nazbot

Grande Queima de Livros de Magia

 

Famoso e um dos mais influentes líderes pentecostais nos Estados Unidos, Pat Robertson é conhecido pelo fundamentalismo religioso extremo com que conduz seu rebanho e o ódio que reserva a judeus e católicos americanos; mesmo algumas denominações pentecostais são chamadas de ninhos de anti-cristo pelo pregador.

Recentemente ele recomendou uma lista de livros raros e malditos relacionados a magia negra, demonologia e estudos do ocultismo, pedindo aos seus fiéis que os encontrassem: fosse em prateleiras de livrarias ou mesmo sites de leilões, que os adquirissem e os levassem para um templo no estado de Nebraska para que ele pudesse queimá-los. Talvez Robertson não saiba que todos os títulos por ele mencionados e muitos outros livros de magia raros, podem ser encontrados as pencas para download na Internet.

Mas “estranhamente”, um site com a lista de livros que Robertson sugeriu apareceu completa e com mais alguns outros títulos profanos e tão perigosos quanto a lista original. Com preços majorados em até 1000 por cento de seu valor original; era possível adquirí-los neste site, divulgado em um portal evangélico americano ligado a Robertson.

Obviamente como cordeirinhos, a leva de mais de seis mil livros ( todas cópias mal feitas e mal traduzidas ) foi comprado pelos fiéis e levaram para o pastor queimar, numa festa para jovens evangélicos, que mais parecia um tribunal da inquisição na Idade Média.

Mais tarde, uma rádio canadense voltada ao público católico na região de Alberta, descobriu que a gráfica que produziu as cópias é de propriedade de um líder do Clube 700 no Canadá. Além da picaretagem comercial visando seu próprio lucro e a fé alheia, o grupo desrespeitou leis autorais de vários livros da lista, que têm editoras americanas como donas dos direitos autorais.

Agora sabemos com quem certas seitas evangélicas brasileiras aprendem as suas vigarices. Menos mal. Será?

Paulie Hollefeld

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/nao-fique-longe-desses-13-livros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/nao-fique-longe-desses-13-livros/

Al-Ghazali

Abu Hamid al-Ghazali, também conhecido como Al-Ghazzali ou Algazel (1058-1111) foi um dos mais famosos intelectuais muçulmanos da Idade Média, ele escreveu importantes obras sobre misticismo islâmico, teologia e filosofia que tiveram um efeito duradouro no pensamento religioso muçulmano medieval.

Al-Ghazali nasceu na cidade de Tus, no Irã, onde recebeu seus primeiros estudos antes de se mudar para Nishapur, um importante centro iraniano de aprendizado sunita nos séculos XI e XII.

Entre seus professores mais famosos em Nishapur estava al-Juwayni (m. 1085), um renomado estudioso da teologia Ashari e da jurisprudência islâmica (Fiqh).

Al-Ghazali permaneceu em Nishapur até a morte de al-Juwayni.

Depois, ele se juntou ao círculo de estudiosos patronizados por Nizam al-Mulk (m. 1092), o poderoso vizir turco seljúcida do Império Abássida.

Al-Ghazali logo se tornou um dos principais estudiosos de Bagdá, e em 1091, foi um dos primeiros professores nomeados para integrar o corpo docente da nova Faculdade de Nizamiyya (madrasa), onde ensinou a lei Shafii.

Há informações de que algumas de suas palestras atraíram até 300 alunos, um número invulgarmente grande para uma escola medieval.

O sucesso público de Al-Ghazali como acadêmico e professor o levou a questionar seus motivos e a sinceridade de sua fé, de modo que em 1095, ele se viu incapaz de falar ou de continuar com seu trabalho.

Esta crise espiritual levou-o a renunciar ao cargo, deixando sua família e partindo em um período sabático de 11 anos na Síria.

Durante este tempo, suas explorações se concentraram nos caminhos e ensinamentos do Sufismo.

Em sua autobiografia espiritual, Al-Ghazali escreveu sobre o que ele descobriu durante este longo retiro:

De todas as várias escolas de religião no Islã, “eu sabia com certeza que os Sufis são exclusivamente aqueles que seguem o caminho para o Deus Altíssimo, seu modo de vida é o melhor de todos, seu caminho o mais direto, e sua ética a mais pura” (Al-Ghazali, 56).

Ele voltou a ensinar brevemente na madrasa de Nishapur e fundou um hospício sufi (khanqah) em sua cidade natal, Tus, onde passou seus últimos dias.

Al-Ghazali adquiriu um profundo conhecimento de muitas áreas do pensamento religioso islâmico e abordou seus assuntos de forma sistemática.

Os estudiosos o identificaram como autor de cerca de 60 livros.

Seu livro mais famoso é O Renascer das Ciências Religiosas (ca. 1097), uma obra abrangente que busca casar a prática islâmica com as verdades teológicas e místicas.

Escrito durante seu longo retiro, o livro está organizado em quatro partes:

1) os Cinco pilares do Islã e seu significado espiritual;

2) como conduzir moralmente os assuntos diários – tais como práticas alimentares, casamento, trabalho, viagens e ouvir música – de modo a aproximar-se de Deus;

3) como disciplinar o eu para eliminar as fraquezas humanas tais como desejo, calúnia, inveja e ganância que levam à condenação; e

4) como purificar a alma humana e buscar o caminho para Deus e a salvação.

A última parte também inclui descrições vívidas da morte e do pós-vida, o destino final de todos os humanos.

Dois outros livros bem conhecidos, A Incoerência dos Filósofos (ca. 1095) e O Libertador do Erro (ca. 1108), mostram o saber-fazer de Al-Ghazali – tanto das tradições teológicas e filosóficas de seu tempo como dos diferentes pontos de vista dos estudiosos e dos homens de religião.

Nessas obras, ele procurou demonstrar logicamente o que ele pensava serem as falácias e os erros dos filósofos e teólogos dos Ismaili, isto é, dos xiitas ismaelitas.

Defendendo a escola de teologia ashari à qual ele pertencia, ele sustentou que as verdades religiosas pertencentes a Deus, à criação e à alma não poderiam ser adequadamente sondadas pela mente racional, a não ser pela revelação.

Na opinião de Al-Ghazali, os argumentos de filósofos muçulmanos como Al- Farabi (m. 950) e Ibn Sina, Avicena (m. 1037) contra a existência de almas individuais e a crença em uma ressurreição corporal estavam em conflito com as verdades do Alcorão, assim como sua posição sobre a eternidade do mundo.

A principal crítica de Al-Ghazali aos Xiitas Ismaelitas, que representavam uma séria ameaça à hegemonia sunita durante os séculos XI e XII, era a de que eles davam demasiada autoridade aos seus Imãs.

Os crentes só tinham que reconhecer a existência de Deus e aderir à Umma (a Comunidade Islâmica) de Muhammad para conduzir suas vidas.

Além disso, Al-Ghazali advertiu contra permitir que os plebeus se engajassem em especulações teológicas ou filosóficas, pois isso prejudicaria suas chances de salvação.

Ele também criticou as reivindicações exageradas dos místicos sufistas, que falavam do conhecimento divino e da completa aniquilação do eu em Deus.

Somente Deus pode se conhecer plenamente, escreveu ele, e a aniquilação, se alcançada, é apenas temporária.

As contribuições de Al-Ghazali para a história do pensamento e do misticismo islâmico ainda hoje estão sendo debatidas.

Muitos reconhecem que seus escritos ajudaram a dar um novo significado às práticas muçulmanas, unindo-as aos valores e entendimentos sufistas.

O uso de argumentação lógica em seus escritos teológicos estabeleceu um padrão a ser seguido pelos teólogos muçulmanos posteriores.

As críticas ousadas de Al-Ghazali aos filósofos muçulmanos ecoaram em todo o mundo intelectual muçulmano e obrigaram Ibn Rushd (m. 1198), o filósofo e jurista andaluz, a escrever uma réplica intitulada A Incoerência da Incoerência.

No lado negativo, Al-Ghazali pode ter contribuído para o declínio da reflexão filosófica islâmica pela força de seus argumentos baseados teologicamente contra muitos dos seus principais princípios.

Leitura adicional:

– Massimo Campanini, “Al-Ghazzali.” In History of Islamic Philosophy, edited by Seyyed Hossein Nasr and Oliver Leaman, 258–274 (London: Routledge, 1996);

– Abu Hamid al-Ghazali, Al-Ghazali’s Path to Sufism: His Deliverance from Error, al-Munqidh min al-dalal. Translated by R. J. McCarthy (Louisville, Ky.: Fons Vitae, 2000);

– W. Montgomery Watt, The Faith and Practice of al-Ghazali (London: George Allen & Unwin, 1953).

***

Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-ghazali/

A Magia Maior e a Magia Menor no Satanismo

Magia Maior e Magia Menor (conhecida também como Alta e Baixa Magia ou coletivamente Magia Satânica), dentro do Satanismo LaVeyano, designa tipos de crenças com o termo maior magia aplicada à prática ritual significada como catarse psicodramática para focar as emoções para um propósito específico e magia menor aplicado à prática de manipulação por meio de psicologia aplicada e glamour (ou “astúcia e malícia”) para dobrar um indivíduo ou situação à sua vontade.

TEORIA E DEFINIÇÃO:

 “A magia branca é supostamente utilizada apenas para propósitos bons ou altruístas, e a magia negra, nos dizem, é usada apenas por razões egoístas ou “más”. O satanismo não traça tal linha divisória. Magia é magia, seja usada para ajudar ou atrapalhar. O satanista, sendo o mago, deve ter a habilidade de decidir o que é justo, e então aplicar os poderes da magia para atingir seus objetivos.” – Anton LaVey.

Delineado na Bíblia Satânica, LaVey definiu a magia como “a mudança em situações ou eventos de acordo com a vontade de alguém, que, usando métodos normalmente aceitos, seria imutável”. Esta definição incorpora dois tipos amplamente distintos de magia: maior e menor. De acordo com LaVey, um dos objetivos da magia ritual é “isolar a suprarrenal dissipada e outras energias emocionalmente induzidas, e convertê-la em uma força dinamicamente transmissível”. LaVey definiu magia menor como “astúcia e astúcia obtidas através de vários dispositivos e situações inventadas, que quando utilizadas, podem criar mudanças de acordo com a vontade de alguém”. Dentro deste sistema de magia, os termos feiticeiro e bruxa são mais comumente usados ​​e para se referir a praticantes masculinos e femininos, respectivamente.

LaVey defendia a visão de que havia uma realidade objetiva para a magia, e que ela dependia de forças naturais que ainda não haviam sido descobertas pela ciência. Em vez de caracterizá-los como sobrenaturais, LaVey expressou a visão de que eles faziam parte do mundo natural. Ele acreditava que o uso bem-sucedido da magia envolvia o mago manipular essas forças naturais usando a força de sua própria força de vontade. LaVey também escreveu sobre “o fator de equilíbrio”, insistindo que quaisquer objetivos mágicos deveriam ser realistas. LaVey recusou qualquer divisão entre magia negra e magia branca, atribuindo essa dicotomia puramente à “hipocrisia presunçosa e autoengano” daqueles que se autodenominavam “magos brancos”. Tal neutralidade se correlaciona com a visão filosófica de LaVey de um universo impessoal e, portanto, amoral.

LaVey explica suas razões para escrever A Bíblia Satânica em um pequeno prefácio. Ele fala com ceticismo sobre os volumes escritos por outros autores sobre o assunto da magia, descartando-os como “nada mais do que fraude hipócrita” e “volumes de desinformação e falsas profecias”. Ele reclama que outros autores não fazem mais do que confundir o assunto. Ele zomba daqueles que gastam grandes quantias de dinheiro em tentativas de seguir rituais e aprender sobre a magia compartilhada em outros livros de ocultismo. Ele também observa que muitos dos escritos existentes sobre magia e ideologia satânicas foram criados por autores do “caminho da mão direita”. Ele diz que a Bíblia Satânica contém verdade e fantasia, e declara: “O que você vê pode nem sempre agradar a você, mas você verá!” Muitas das ideias de LaVey sobre magia e ritual são descritas na Bíblia Satânica. LaVey explica que alguns dos rituais são simplesmente psicologia aplicada ou ciência, mas que alguns contêm partes sem base científica. Os Rituais Satânicos, publicado por LaVey em 1972, descreve os rituais com mais precisão. O terceiro livro da Bíblia Satânica descreve rituais e magia. De acordo com Joshua Gunn, estes são adaptados de livros de magia ritual, como Magick de Crowley: Teoria Elementar, mais conhecido como o Liber ABA.

A MAGIA MENOR

 “O significado antiquado de ‘glamour’ é bruxaria. O trunfo mais importante para a bruxa moderna é sua capacidade de ser sedutora, de utilizar o glamour. A palavra ‘fascinação’ tem uma origem similarmente oculta. Fascinação era o termo aplicado ao mau-olhado. Fixar o olhar de uma pessoa, em outras palavras, fascinar, era amaldiçoá-la com o mau-olhado. Portanto, se uma mulher tinha a capacidade de fascinar os homens, ela era considerada uma bruxa.” – Anton LaVey.

A Magia Menor, também conhecida como magia “cotidiana” ou “situacional”, é a prática de manipulação por meio da psicologia aplicada. LaVey escreveu que um conceito-chave na magia menor é o “comando para olhar”, que pode ser realizado utilizando elementos de “sexo, sentimento e admiração”, além da utilização de aparência, linguagem corporal, aromas, cores, padrões , e odor. LaVey escreveu que os termos “fascínio” e “glamour” têm origens no mundo da magia “coercitiva”. A palavra “fascinação” vem da palavra latina “fascinare”, que significa “lançar um feitiço sobre”. Este sistema encoraja uma forma de dramatização manipulativa, em que o praticante pode alterar vários elementos de sua aparência física para ajudá-lo a seduzir ou “enfeitiçar” um objeto de desejo.

LaVey desenvolveu “O Relógio Sintetizador”, cujo objetivo é dividir os humanos em grupos distintos de pessoas com base principalmente na forma do corpo e nos traços de personalidade. O sintetizador é modelado como um relógio, e baseado em conceitos de somatótipos. O relógio destina-se a ajudar uma bruxa a se identificar, posteriormente auxiliando na utilização da “atração de opostos” para “encantar” o objeto de desejo da bruxa, assumindo o papel oposto. Diz-se que a aplicação bem-sucedida da magia menor é construída sobre a compreensão de seu lugar no relógio. Ao encontrar sua posição no relógio, você é encorajado a adaptá-la como achar melhor e aperfeiçoar seu tipo harmonizando seu elemento para melhor sucesso. LaVey explica que, para controlar uma pessoa, é preciso primeiro atrair sua atenção. Ele dá três qualidades que podem ser empregadas para esse propósito: apelo sexual, sentimento (fofura ou inocência) e admiração. Ele também defende o uso de odor.

Dyrendal se referiu às técnicas de LaVey como “Erving Goffman conhece William Mortensen”. Extraindo insights da psicologia, biologia e sociologia, Petersen observou que a magia menor combina ocultismo e “ciências rejeitadas de análise corporal e temperamentos”.

  • No MorteSubita.net há uma seção dedicada a Baixa Magia com diversas informações a respeito.

A MAGIA MAIOR:

Da esquerda para a direita: Karla LaVey, Diane Hegarty e Anton LaVey ritualizando na Casa Negra, a sede original da Igreja de Satã.

A Magia Maior é um ritual realizado para concentrar a energia emocional de uma pessoa para um propósito específico. Esses ritos são baseados em três grandes temas psicoemotivos, incluindo compaixão (amor), destruição (ódio) e sexo (luxúria). Esses rituais são frequentemente considerados atos mágicos, com o satanismo de LaVey incentivando a prática da magia para ajudar os fins egoístas. Muito do ritual satânico é projetado para um indivíduo realizar sozinho; isso ocorre porque a concentração é vista como a chave para a realização de atos mágicos. O ritual é referido como uma “câmara de descompressão intelectual”, onde o ceticismo e a descrença são voluntariamente suspensos, permitindo assim que os magos expressem plenamente suas necessidades mentais e emocionais, não retendo nada em relação aos seus sentimentos e desejos mais profundos. LaVey listou os componentes-chave para um ritual bem-sucedido como: desejo, tempo, imaginação, direção e “O Fator de Equilíbrio” (consciência das próprias limitações). Os rituais LaVeyanos às vezes incluem blasfêmias anticristãs, que se destinam a ter um efeito libertador sobre os participantes. Em alguns dos rituais, uma mulher nua serve de altar; nestes casos, fica explícito que o próprio corpo da mulher se torna o altar, em vez de tê-la simplesmente deitada sobre um altar existente. Não há lugar para orgias sexuais no ritual LaVeyano. Nem animais nem sacrifícios humanos acontecem. As crianças são proibidas de participar desses rituais, com a única exceção sendo o Batismo Satânico, que é especificamente projetado para envolver bebês.

Detalhes para os vários rituais satânicos são explicados no Livro de Belial, e listas de objetos necessários (como roupas, altares e o símbolo de Baphomet) são fornecidas. LaVey descreveu uma série de rituais em seu livro, Os Rituais Satânicos; estas são “performances dramáticas” com instruções específicas sobre a roupa a ser usada, a música a ser usada e as ações a serem tomadas. Esta atenção aos detalhes na concepção dos rituais foi intencional, com sua pompa e teatralidade pretendendo envolver os sentidos e os sentidos estéticos dos participantes em vários níveis e aumentar a força de vontade dos participantes para fins mágicos. LaVey prescreveu que os participantes do sexo masculino devem usar túnicas pretas, enquanto as mulheres mais velhas devem usar preto, e outras mulheres devem se vestir de forma atraente para estimular os sentimentos sexuais entre muitos dos homens. Todos os participantes são instruídos a usar amuletos do pentagrama virado para cima ou da imagem de Baphomet. De acordo com as instruções de LaVey, no altar deve ser colocada uma imagem de Baphomet. Isso deve ser acompanhado por várias velas, todas, exceto uma, devem ser pretas. A única exceção é uma vela branca, usada em magia destrutiva, que é mantida à direita do altar. Também deve ser incluído um sino que é tocado nove vezes no início e no final da cerimônia, um cálice feito de tudo menos ouro, e que contém uma bebida alcoólica simbolizando o “Elixir da Vida”, uma espada que representa a agressão, uma falo modelo usado como aspersório, gongo e pergaminho no qual os pedidos a Satã devem ser escritos antes de serem queimados. Embora o álcool fosse consumido nos ritos da Igreja, a embriaguez era desaprovada e o consumo de drogas ilícitas era proibido.

O livro final da Bíblia Satânica enfatiza a importância da palavra falada e emoção para a magia eficaz. Uma “Invocação a Satã” bem como três invocações para os três tipos de ritual são dadas. A “Invocação a Satã” ordena que as forças das trevas concedam poder ao invocador e lista os nomes Infernais para uso na invocação. A “Invocação empregada para a conjuração da luxúria” é usada para atrair a atenção de outro. As versões masculina e feminina da invocação são fornecidas. A “Invocação empregada para a conjuração da destruição” comanda as forças das trevas para destruir o sujeito da invocação. A “Invocação empregada para a conjuração da compaixão” solicita proteção, saúde, força e a destruição de qualquer coisa que aflija o sujeito da invocação. O resto do Livro de Leviatã é composto pelas Chaves Enoquianas, que LaVey adaptou do trabalho original de Dee. Elas são dados em enoquiano e também traduzidas para o inglês. LaVey fornece uma breve introdução que credita Dee e explica um pouco da história por trás das Chaves Enoquianas e da linguagem. Ele sustenta que as traduções fornecidas são um “desenvernizamento” das traduções realizadas pela Ordem Hermética da Golden Dawn (Aurora Dourada) em 1800, mas outros acusam LaVey de simplesmente mudar as referências ao cristianismo com as de Satã.

Ao projetar esses rituais, LaVey baseou-se em uma variedade de fontes mais antigas, com o estudioso do satanismo Per Faxneld observando que LaVey “montou rituais de uma miscelânea de fontes históricas, literárias e esotéricas”. LaVey brincou abertamente com o uso da literatura e da cultura popular em outros rituais e cerimônias, apelando assim ao artifício, pompa e carisma. Por exemplo, ele publicou um esboço de um ritual que ele chamou de “Chamado a Cthulhu”, que se baseava nas histórias do deus alienígena Cthulhu, de autoria do escritor de terror americano H. P. Lovecraft. Neste rito, programado para acontecer à noite em um local isolado perto de um turbulento corpo de água, um celebrante assume o papel de Cthulhu e aparece diante dos satanistas reunidos, assinando um pacto entre eles na linguagem da ficção de Lovecraft “Old Ones (Os Antigos)”.

  • O Morte Súbita inc tem uma seção inteiramente dedicada a Baixa Magia

RITUAIS E RITOS CERIMONIAIS:

No Livro de Belial, ele discute três tipos de rituais: rituais de luxúria que trabalham para atrair outra pessoa, rituais de destruição para destruir outra pessoa e rituais de compaixão para melhorar a saúde, inteligência e sucesso. Rituais de luxúria são projetados para atrair o parceiro romântico ou sexual desejado e podem envolver a masturbação, com o orgasmo como objetivo. Rituais de destruição são projetados para prejudicar os outros e envolvem a aniquilação simbólica de um inimigo através do uso de sacrifício humano “vicário”, muitas vezes envolvendo uma efígie personalizada representando a vítima pretendida que é então submetida a fogo ritual, esmagamento ou outra representação de obliteração . Os rituais de compaixão são projetados com a intenção de ajudar as pessoas (incluindo a si mesmo), para evocar um sentimento de tristeza ou tristeza, e o choro é fortemente encorajado.

Nos Rituais Satânicos, LaVey faz uma distinção entre o ritual e a cerimônia, afirmando que os rituais “… são direcionados para um fim específico que o performer deseja”, e que as cerimônias são “… evento, aspecto da vida, personagem admirado, ou declaração de fé (…) um ritual serve para atingir, enquanto uma cerimônia serve para sustentar”. LaVey enfatizou que em sua tradição, os ritos satânicos vinham em duas formas, nenhuma das quais eram atos de adoração; em sua terminologia, os “rituais” tinham a intenção de provocar mudanças, enquanto as “cerimônias” celebravam uma ocasião particular.

Um batismo satânico é uma cerimônia para uma criança que se destina a ser um reconhecimento simbólico da criança como tendo nascido satanista e só deve ser realizada para menores de quatro anos, pois LaVey afirmou que além dessa idade, a criança já começou a ser influenciado por ideias “alienígenas”. Os batismos de adultos servem como uma declaração de “fé”, onde “falsidades, hipocrisia e vergonha do passado” são simbolicamente rejeitadas. Em 1967, LaVey realizou o primeiro batismo satânico registrado publicamente na história para sua filha mais nova, Zeena, que ganhou publicidade mundial e foi originalmente gravado no LP, The Satanic Mass (A Missa Satânica). Os Batismos Satânicos foram escritos por LaVey e publicados em Os Rituais Satânicos.

Em fevereiro de 1967, LaVey oficiou o primeiro casamento satânico, o casamento muito divulgado de Judith Case e o jornalista John Raymond. O primeiro funeral satânico foi para o mecânico-reparador naval dos EUA, de terceira classe e membro da Igreja de Satã, Edward Olsen. Foi realizado por LaVey a pedido da esposa de Olsen, completo com uma guarda de honra com capacete cromado. Ambas as cerimônias foram escritas por LaVey, mas nunca foram publicadas oficialmente até 2007, quando As Escrituras Satânicas lançou ao público uma versão adaptada delas pelo atual Sumo Sacerdote da Igreja, Peter H. Gilmore.

Junto com as cerimônias de casamento e funeral, As Escrituras Satânicas de Gilmore também publicou um rito menor de dedicação de objetos cerimoniais, que satiriza os rituais de ‘limpeza’ de outras religiões, e o Ragnarök Rite (Rito do Ragnarök), um ritual escrito por Gilmore na década de 1980 inspirado no o antigo mito nórdico do Ragnarök pretendia expurgar seus participantes da angústia e do ódio despertados após serem vítimas do fanatismo religioso.

A MISSA NEGRA:

LaVey também desenvolveu sua própria Missa Negra, que foi concebida como uma forma de descondicionamento para libertar o participante de quaisquer inibições que desenvolvessem ao viver na sociedade cristã. Ele observou que ao compor o rito da Missa Negra, ele se baseou no trabalho de Charles Baudelaire e Joris-Karl Huysmans.

SIMBOLISMO:

Os Quatro Príncipes Coroados do Inferno:

LaVey utilizou o simbolismo dos Quatro Príncipes Herdeiros do Inferno na Bíblia Satânica, com cada capítulo do livro sendo nomeado após cada Príncipe. O Livro de Satã: A Diatribe Infernal, O Livro de Lúcifer: A Iluminação, O Livro de Belial: Domínio da Terra, e O Livro do Leviatã: O Mar Furioso. Esta associação foi inspirada na hierarquia demoníaca do Livro da Magia Sagrada de Abra-Melin, o Mago.

  • Satã (hebraico) “O Senhor do Inferno”:

O adversário, representando a oposição, o elemento fogo, a direção do sul e o Sigilo de Baphomet durante o ritual.

  • Lúcifer (romano) “A Estrela da Manhã”:

O portador da luz, representando orgulho e iluminação, o elemento ar, a direção do leste e velas durante o ritual.

  • Belial (hebraico) “O Sem Mestre”:

A baixeza da terra, independência e autossuficiência, o elemento terra, a direção do norte e a espada durante o ritual.

  • Leviatã (hebraico) “A Serpente do Abismo”:

O grande dragão, representando o segredo primordial, o elemento água, a direção do oeste e o cálice durante o ritual.

Frases:

Hail Satan (Salve Satã)” uma saudação comum e termo ritual na Igreja de Satã, tanto em sua forma inglesa, Hail Satan, bem como na versão original em latim, Ave Satanas. Quando Ave Satanas é usado, muitas vezes é precedido pelo termo Rege Satanas (“Satã Reina”). (Rege Satanas pode ser ouvido no vídeo de um casamento amplamente divulgado da Igreja de Satã realizado por LaVey em 1º de fevereiro de 1967.) A combinação “Rege Satanas, Ave Satanas, Hail Satan!” é encontrado como uma saudação na correspondência inicial da Igreja de Satã, bem como em sua gravação de 1968, The Satanic Mass (A Missa Satânica) e, finalmente, em seu livro de 1969, A Bíblia Satânica. A frase é usada em algumas versões da Missa Negra, onde muitas vezes acompanha a frase Shemhamforash e é dita no final de cada oração. Este rito foi realizado pela Igreja de Satã aparecendo no documentário Satanis em 1969.

***

Principais fontes:

Aquino, Michael (2002). The Church of Satan.

Barton, Blanche (1992). The Secret Life of a Satanist: The Authorized Biography of Anton Lavey. Feral House. p. 86. ISBN 978-0-922915-12-5.

Gilmore, Peter H. (2007). The Satanic Scriptures. Baltimore (MD): Scapegoat Publishing. pp. 131–182.

Gunn, Joshua (2005). “Prime-time Satanism: rumor-panic and the work of iconic topoi”. Visual Communication. 4 (1): 93–120. doi:10.1177/1470357205048939. S2CID 144737058.

LaVey, Anton (1969). The Satanic Bible. Avon.

LaVey, Anton, The Satanic Mass, LP (Murgenstrumm Records, 1968)

Melech, Aubrey (1985). La Messe Noire (PDF). London: Sui Anubis. p. 52. ISBN 0-947762-03-5.

Mortensen, William; Dunham, George (2014). The Command to Look: A Master Photographer’s Method for Controlling the Human Gaze. p. 203.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-magia-maior-e-a-magia-menor-no-satanismo/

As cem escolas filosóficas da China

Tamosauskas

Entre os séculos V e III a.c a Grécia vivia a era de ouro da filosofia em um contexto de ascensão da democracia. A China também iniciou sua história filosófica na mesma época, mas em um contexto bem diferente: um cenário pós-apocalíptico. A poderosa dinastia Chang havia colapsado e com ela, a paz do povo, a unidade do reino e todas as suas instituições. Iniciou-se então o chamado Período dos Estados Combatentes.

Antes desta época as grandes famílias importantes eram como departamentos públicos e os ministérios do reino hereditários. Cada clã desenvolveu durante séculos um conhecimento especializado, que foi mantido em segredo das demais. Mas com o fim da dinastia Chang não havia mais reino para sustentar esse povo e estes mesmos ensinamentos passaram a ser transmitidos por meio do ensino privado. Por esta razão em chinês a palavra 家 (Jiā) significa tanto família como escola.

Foi o inicio da história documentada da filosofia chinesa. Uma época tão rica culturalmente que recebeu o nome de “A era das cem escolas filosóficas”. Felizmente para fins de sanidade estas cem escolas são agrupadas hoje em dez escolas principais:

  • Yin-Yang Jiā: “Escola do Yin-Yang”, formada por ex-astrólogos reais. Ensinavam astronomia, astrologia e uma visão de mundo na qual as combinações entre o princípio feminino yin e masculino yan produzem todos os fenômenos do universo. O famoso I-Ching, embora pelos séculos tenha recebido influencias de outras escolas é um importante reservatório cultural desta tradição.
  • Nong Jiā: “Escola dos Camponeses”, formada por ex-ministros da agricultura. Defendiam uma vida simples e comunitária. Implementaram pequenas comunidades autossuficientes com uma economia baseada no trabalho em conjunto e uma política baseada nas decisões de consenso.
  • Ju Jiā: “Escola dos Eruditos”, formada por ex-ministros da Educação. Conhecida no ocidente como Confucionismo focava na força do exemplo e no ensino das artes liberais. Sem dúvida Confúcio é o nome mais importante desta tradição.
  • Mo Jiā: “Escola de Mo”, formada por ex-cavaleiros. Os soldados da corte se tornaram mercenários de defesa.  Apesar do conhecimento tático eram os mantenedores da ordem e assim pregavam uma filosofia de amor universal, reciprocidade e dignidade entre todos os seres humanos independente de status ou clã. Seu grande nome foi Mo Tse, que dá nome a tradição.
  • Ming Jiā: “Escola dos Nomes”, formada por ex-ministros de Cerimônias. Este ministros resolviam disputas legais no reino, eram como advogados e deram origem a uma escola interessada nas diferenças e relações entre os “nomes” e às “coisas em si”. Eram mestres da lógica, debate e oratória.
  • Tao-te Jiā: “Escola do Caminho e da Virtude”, formada por ex-historiadores reais. Ensinavam a metafísica e política baseada no Não-Ser (Tao) e no indivíduo como naturalmente dotado de virtude (Te). Conhecido no ocidente como taoismo seu nome mais forte foi o de Lao Tse. Seu principal livro o Tao Te King .
  • Fa Jiā: “Escola Legalista”, formada por ex-ministros da Justiça. Defendiam que um bom governo é aquele baseado em um rígido código de leis e em sua aplicação sumária. Eram grandes rivais do confucionismo e do taoismo pois não acreditavam na eficácia da moralidade. Seu principal nome foi Han Fei.
  • Zong-Heng Jiā: “Escola da Diplomacia”, formada por ex-embaixadores. Ensinavam táticas políticas de governo, negociação, suborno, lobismo e estratégia sem dar qualquer importância aos assuntos metafísicos ou morais. Seus nomes mais significativos foram Su Qin e Zhang Yi.
  • Bīng Jiā: “Escola da Guerra”, formada por ex-generais. Estudiosos das artes bélicas e filosofia militar. A Guerra é entendida como a arte mais importante e seus princípios como possíveis de ser extrapolados para qualquer campo da vida. Seu principal nome Sun Tzu ficou particularmente famoso no ocidente com a publicação de ‘A Arte da Guerra’.
  • Za Jiā: “Escola Eclética” formada por ex-conselheiros. Foi uma tradição tardia que ensinava um pensamento eclético e pragmático. Buscou unir e harmonizar o que considerava conhecimentos úteis das várias escolas existentes.

Dinastia Chin: A vitória dos Legalistas

Toda esta diversidade chegou ao fim quando a Dinastia Chin venceu os demais estados combatentes e reunificou a China. Além de emprestar o nome para este território até hoje, os Chin unificaram o idioma, a moeda, os pesos e as medidas do Império. Padronizaram também o pensamento e a escola legalista de Fa Jiā tornou-se a filosofia oficial do Império.

Mas isso foi feito a um custo muito grande. Em pouco tempo a disciplina na aplicação das leis e o rigor na vigilância do povo deu lugar a intolerância contra todas as outras formas de pensamento. Quase todas as outras escolas de filosofia foram caçadas e algumas despareceram para sempre. O ensino privado foi proibido, manuscritos queimados e professores executados. Só eram aceitas publicações de obras legalistas Fa Jiā e de cunho técnico como os de medicina, adivinhação e agricultura.

Dinastia Han: A vingança dos Nerds

Felizmente esta tirania não resistiu a pressão popular. Apenas 15 anos depois a dinastia Chin foi derrubada. Em seu lugar a Dinastia Han instituiu o confucionismo, de maior aceitação popular, muito mas tolerante e principalmente, capaz de justificar a ascensão social de um novo imperador vindo do povo.

A proibição do ensino privado foi revogada. Mais do que isso, o aprendizado foi encorajado pela instituição do concurso público. Para passar era necessária maestria no seu campo de atuação e conhecimento dos famosos Cinco Clássicos. Isso deu uma razão para todo mundo estudar e uma abertura nunca vista para mais pessoas participarem da vida pública.

O confucionismo ganhou então uma força que duraria muitas gerações. Mas este não foi o fim da história do pensamento chinês, era apenas o começo. Se você quiser saber mais detalhes sobre cada uma dessas primeiras escolas filosóficas, ou se quiser saber como o confucionismo se desenvolveu a partir da Dinastia Han ou como a China reagiu a chegada do budismo e da filosofia ocidental até chegar no materialismo histórico de Mao, convido a conhecer meu livro “Filosofia Chinesa: Pensadores Chineses de todos os tempos.“. Nesta obra estas e muitas outras tradições e pensadores são estudadas.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/as-cem-escolas-filosoficas-da-china/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/as-cem-escolas-filosoficas-da-china/

A biologia na alquimia: correlações para uma educação alquímica

Marcelo Ribeiro dos Santos[1]

Carlos Eduardo Albuquerque Miranda[2]

Marcus Alexandre Finzi Corat[3]

I. INTRODUÇÃO

Alquimia. Permanece a grande dúvida fomentada por milênios de ocultamento proposital. Com que intenção? Pura burla? Piada milenar atravessando o tempo com comediantes pontuais extremamente meticulosos? A mentira para obter poder? Deter conhecimentos fictícios sobre a imortalidade e a riqueza infinita para melhor ascender sobre seus contemporâneos? Pouco provável. Alquimistas sempre foram renegados, vivendo à margem da sociedade, mesmo quando favorecidos por algum mecenato ambicioso. Alquimistas, ao que se sabe, tiveram vidas sacrificadas até que conseguissem a Pedra. Mesmo após a coroação de sua obra, não obtinham proveito próprio e viviam humildemente, como parecem sugerir os escritos sobre a vida de Nicolas Flamel. Mas obtinham realmente a Pedra? A Pedra dos Filósofos. A Pedra Filosofal, no caminho para a qual deviam realizar obrigatoriamente o Xir, El Ixir, o Elixir da Longa Vida. Fábulas?

Mas ao invés de especularmos sobre e de antemão descartarmos o conhecimento alquímico, talvez seja proveitoso deitar um olhar mais sereno e ordenado, fugindo dos extremos metafísicos dos realistas, que enxergam a alquimia como precursora da química, ou dos idealistas de verve Junguiana, que a consideram como simbolismo arquetípico de um processo interno de depuração e individuação psíquica. Não vamos aqui discorrer sobre estes dois caminhos já vastamente percorridos, mas sim propor uma análise baseada nos conceitos de Henri Bergson, filósofo Francês do final do século XIX que, apesar de reconhecido em seu tempo com um prêmio Nobel, tem sido sistematicamente relegado ao esquecimento pela Ciência contemporânea.

Utilizaremos aqui uma ferramenta conceitual já testada em outras investigações por nós efetuadas, a qual denominamos “Acordeom de Bergson” (Fig.1). Este apelido visa descrever as qualidades de expansão e contração da memória e as ressonâncias virtuais no objeto, descritas pelo esquema, que representa o que Bergson chama de “memória reflexiva”; aquela que utilizamos quando estamos atentos a um objeto desejando extrair dele, através de um circuito expansivo com nossa memória objetiva (A,B,C,D), as camadas virtuais presentes na memória intuitiva que nos permitam uma apreciação cada vez mais complexa voltada para a ação sobre o próprio objeto (O, B’,C’,D’). A profundidade de visão assim obtida nos permitirá uma versatilidade cada vez maior em nossas ações, ou esboços de ações, passíveis de serem executadas sobre o objeto percebido (BERGSON, 1991).

Figura 1 – o “Acordeom de Bergson”

 

Temos em vista que o objeto de nossa análise não é a Alquimia em si, tão diáfana e impalpável, mas sim os textos e imagens alquímicas que chegaram até nós. São com estes textos e imagens que desejamos fazer circuito, começando com um olhar de criança, que enxerga diferenças e semelhanças óbvias, para gradualmente expandirmos os níveis de complexidade de nossa memória à medida que se desvendam as camadas virtuais dadas nos próprios textos e imagens. Esperamos assim conseguir uma compreensão prática e útil do conhecimento alquímico, saindo da esfera da pura teorização estéril.

 

II. ALQUIMIA

A imediata associação que o pensamento comum nos traz sobre a Alquimia é o seu papel como precursora da química, para a qual contribuiu com diversos achados e técnicas. Esta contribuição pode de fato ter acontecido, porém quando nos deparamos com a materialidade dos textos e imagens que chegaram até nossos dias, nada vemos que nos remeta à química, exceto talvez a construção de misturas e reações entre elementos com o intuito de uma transformação ou produto final diferenciado, assim como, o nome de algumas substâncias principais tais como os Sais, o Enxofre e o Mercúrio. Estas três substâncias são recorrentes, porém também recorrente é a afirmação de que não correspondem às substâncias químicas reativas e vulgares que recebem estes nomes, mas sim, a estados ou “fases” separadas de uma mesma matéria inicial. Temos, portanto, o direito de desfocarmos nossos pensamentos da opinião comum materialista e caminharmos num sentido de análise filosófica metafísica nos levando não mais para o campo da química, mas agora, para as sinergias da alquimia para com as práticas biológicas de cultivo celular. Para delimitar nosso campo de análise, poderíamos começar por determinar o que a alquimia não é:

A atitude e o método do alquimista devem, portanto, ser totalmente distintos daqueles adotados pelo químico. A Alquimia não buscava tão-somente lidar com metais e suas inter-relações, nem mesmo tratar com as matérias das quais se interessava a química, mais ainda, não investigava assuntos que a química tornou de sua alçada. Não encontraremos em trabalhos alquímicos nenhum intento de estabelecer ou concluir catálogo ou tabela de substâncias conhecidas, nem mesmo o cuidado de estabelecer suas propriedades, nem mesmo a intenção de mostrar como uma classe de corpos passa a outra (FLAMEL, 1973).

Mas o que seria então a alquimia? Libertando-nos de preconceitos, podemos lançar mão de nossa ferramenta metodológica para desdobrarmos as camadas virtuais presentes em nosso objeto, atingindo níveis cada vez mais profundos de sua realidade. Ao aplicarmos nossa “memória reflexiva” em seus níveis mais primários, aqueles que detectam apenas diferenças e semelhanças entre objetos percebidos, podemos separar nosso material alquímico em dois grandes grupos: os textos e as imagens.

Vamos nos ater inicialmente aos textos: detectamos textos que se parecem com enredos teatrais, tendo como personagens as substâncias e processos alquímicos, com enredos descritivos e diálogos, os quais dramatizam o que parece ser a descrição de um processo e um protocolo de ação (ex: Zózimo de Panóplis, Maria a Profetiza, CALID apud ZALBIDEA et al., 1980)

Existem também textos semelhantes a receitas, ou protocolos experimentais, com descrições impessoais pormenorizadas dos passos a seguir (BACON apud ZALBIDEA et al., 1980). Outros textos são vinculados a imagens e funcionam como explicação detalhada e descrição destas (ex: Nicolau Flamel, BASÍLIO VALENTIM apud ZALBIDEA et al., 1980). Em todos os casos temos a impressão de estarmos diante de instruções genéricas sobre a consecução de um mesmo processo.

As imagens, quando analisadas em separado, nos apresentam a princípio uma profusão delirante de personagens míticos ou quiméricos, além de objetos e equipamentos os mais variados. Temos símbolos astrológicos em abundância e menções bíblicas. Mas quando abstraímos esta multidão pictórica e nos atemos à composição e ao ordenamento das figuras, vemos claramente os sinais inconfundíveis da Arte da Memória. Poderíamos dizer, modernamente, que há arquitetura gráfica, que distingue um arranjo qualquer de um arranjo que faz parte de um programa de educação visão-memória, historicamente agenciada e que tonar-se recorrente na cultural visual, moderna e contemporâneo (ALMEIDA, 1999; MIRANDA, 2001).

A Arte da Memória clássica e medieval trabalhava basicamente com imagens agentes imaginárias colocadas em construções e “nichos” de memória, que deveriam ser seriados e numerados, permitindo ao operador percorre-los a seu bel prazer, extraindo das figuras impactantes as lembranças de que necessitava (YATES, 2013). Um exemplo bastante explícito deste uso das imagens como arquitetura mental visando a rememoração do processo alquímico encontra-se no Arco pintado por encomenda de Nicolas Flamel e sua esposa Perrenelle na Igreja do Cemitério dos Inocentes, em Paris.

Figura 2 -Arco pintado por Nicolas Flamel no Cemitério dos Inocentes (FLAMEL, 1973)

Em outra linha de figuração alquímica temos o famoso “Mutus Liber” ou “Livro Mudo” (Sulat, 1667), que consiste de uma sequência de imagens com apenas algumas curtas frases de texto. O objetivo explícito desse livro é fornecer ao leitor instruções sobre o processo alquímico somente de modo figurativo, de tal maneira que leitores, em qualquer língua, possam compreender o processo.

O fato é que, quer levemos em conta os textos, as imagens ou ambos, sempre nos deparamos com uma espécie de “receita”, ou melhor, receitas diversas para a consecução de um mesmo processo. Temos alguns elementos básicos recorrentes na alquimia, que podem, no entanto, sofrer acréscimos ou variar em sua ordem de manipulação, aproximadamente da mesma maneira com que, para fazermos pão, precisamos ao menos de farinha, água e calor, porém com os inúmeros acréscimos de ingredientes e diferenças de receita, teremos pães de formatos e sabores variados, porém sempre reconhecíveis como pão.

Temos assim uma instância básica de memória reflexiva que, ao fazer circuito com os textos e imagens alquímicos, recria-os enquanto receitas ou protocolos variados para a obtenção dos mesmos fins: o Elixir da Longa Vida e a Pedra Filosofal, um visando à extensão da vida e a outra à transmutação de metais inferiores em ouro. As imagens relacionadas a estes protocolos compõem um processo educativo que se harmoniza, em alguns casos, com os preceitos da Arte da Memória clássica e medieval, em outros, com a imagética figurativa e didática mais próxima à de Comenius (MIRANDA, 2011). Mas teriam estas receitas tão variadas uma consistência funcional? Para determinar isso teríamos que continuar a utilizar nossa memória de diferenciação, porém agora a aplicando ao conteúdo dos textos e imagens e não mais à sua apresentação genérica. Daqui para frente, pretendemos discorrer sobre a nossa interpretação dos relatos e imagens encontrados nos textos alquímicos rumo à obtenção do elixir da vida e contextualizando-os à prática da cultura de células na biologia dos dias atuais, trazendo-a como fruto de uma memória ressonante. Vamos analisar, na sequência, os 5 conteúdos reconhecíveis como sendo recorrentes ou básicos do processo alquímico: o Fogo Alquímico, a Matéria Alquímica, os Elementos Alquímicos, os Procedimentos Alquímicos, o Elixir de Longa Vida e a Pedra Filosofal.

O Forno Alquímico

Esqueçam a imagem de fornos fumegantes cheios de metal incandescente. O forno principal descrito pelos alquimistas mal pode ser chamado de forno, pois seria mais bem definido como uma estufa. O mesmo tipo de forno é representado tanto nas figuras de Flamel (Fig.2, canto esquerdo e arco central) como minuciosamente desenhado no “Mutus Liber”, conforme demonstra a figura abaixo, que representa um desses “fornos” com uma detalhada visão interna de seu funcionamento.

Figura 3 – Forno Alquímico (ROOB, 1996)

Podemos ver que a fonte de calor é uma simples lamparina colocada na parte mais baixa da estrutura. Isto condiz com as inúmeras recomendações dos alquimistas reiterando que não se deve usar fogo de madeira e que a temperatura deve ser constante e relativamente baixa.

Se esse fogo não é medido na proporção que lhe é própria, diz Calid; se ele é ateado com a espada, diz Pitágoras, se inflamas teu vaso, diz Morienus, e fa-lo sentir o ardor do fogo, ele te trará um revés… Além disso, deves sustenta-los perpetuamente neste calor temperado, isto é, noite e dia… (FLAMEL, 1973)

Podemos ver também um cone sobre a lamparina, sob a estrutura oval onde está o frasco ou “ovo alquímico”, geralmente descrito como sendo de vidro ou cerâmica vitrificada. Este cone pode ser um repositório de matéria vegetal (palha) úmida sobre a qual deveria ficar o “ovo alquímico” (o frasco de vidro contendo a matéria), conforme atestam as diversas menções e figuras alquímicas de galinhas chocando em um ninho de palha. Note-se que o fogo não tem contato direto com a câmara oval acima, servindo apenas para manter aquecido o cone, favorecendo a fermentação da palha que irradia um calor brando e uniforme na câmara oval, exalando também gás carbônico. As duas chaminés laterais distribuem o ar quente pelos lados da estrutura além de levar para o exterior qualquer tipo de fumaça, que não atinge assim a câmara oval, a qual apresenta também uma chaminé para saída do ar quente.

Temos, portanto, o desenho detalhado de uma engenhosa estufa artesanal visando manter uma temperatura tépida constante, umidade e alto teor de gás carbônico em sua câmara principal, devido à lenta fermentação da palha úmida favorecida pelo calor da lamparina que aquece o cone. Este não é o único tipo de forno que aparece nos desenhos alquímicos, mas é claramente o principal deles.

A Matéria Inicial (Matéria-Prima)

O que constitui a Matéria-Prima da Obra? Aqui tocamos no grande arcano dos alquimistas, que se recusam a se referir diretamente a este segredo inviolável, usando sempre linguagem figurativa quando falavam sobre ele. Será mesmo? “Chamaram-lhe semente, que quando se transforma se torna em sangue e logo se coalha e se converte numa espécie de carne composta;…(CALID in ZALBIDEA et al., 1980)”.

Portanto, apesar dos protestos veementes de Flamel que diz não se tratar de sangue – “que é maldoso e vil” -, podemos estar bastante certos de que se trata aqui de matéria biológica relacionada ao sangue, provavelmente de origem humana, o que justificaria plenamente o grande segredo zelosamente mantido, visto que a Idade Média absolutamente não olhava com bons olhos a profanação cirúrgica do corpo humano, ainda que de cadáveres, considerando esta atividade correlata com a bruxaria. Certamente os alquimistas já tinham problemas suficientes…

Os Elementos Alquímicos

Todos os textos são unânimes em afirmar que a Obra é feita a partir da separação e recombinação de elementos extraídos de uma mesma matéria: “O nosso magistério vem primeiramente de uma raiz, que logo se expande e reparte em várias coisas e depois torna-se numa só coisa (CALID apud ZALBIDEA et al., 1980)”.

Perante este fato, fica claro que os três elementos básicos sempre recorrentes na linguagem alquímica, o Mercúrio, o Enxofre (ou Latão) e os Sais, são nada mais que designações de estados ou frações da matéria básica. Os próprios alquimistas repetem incessantemente que não se trata dos elementos químicos vulgares conhecidos com estes nomes.

Filósofos escondem altas lembranças
Que não se dirigem a crianças;
Quando citamos metais vulgares,
Só por figuras disciplinares:
Pois eles sabem que esses metais
São todos mortos (disso falar não mais)
Que jamais retomarão
Substância e vida, antes repousarão[…] (FLAMEL, 1973).

O Mercúrio é descrito como sendo translúcido e branco como a lua, além de líquido e volátil. O Enxofre, algumas vezes designado como Latão, é amarelo alaranjado como o sol e de natureza oleosa ou gelatinosa, através de sua calcinação obtém-se os Sais ou cinzas de natureza seca e em forma de pó. A separação e mistura repetida dessas substâncias oriundas da mesma Matéria viva tem o intuito de potencializar a vitalidade desta, até a consecução do Elixir, considerado a primeira etapa da Obra.

Os Procedimentos Alquímicos

Elaboramos uma listagem comentada dos procedimentos básicos descritos nos textos alquímicos:

Decantação: deposição da parte sólida de um composto por ação da gravidade.

Calcinação: secagem dos elementos através do calor.

Dissolução: solubilização de elementos coagulados.

Separação: separação de elementos por filtragem ou decantação.

Conjunção: reunião de elementos.

Putrefação: coagulação de uma camada negra sobre o Mercúrio, ou meio líquido.

Coagulação: solidificação da matéria líquida.

Umidificação: Saturação das matérias secas com líquido.

Sublimação: extração por destilação ou volatilização.

Exaltação: aumento do poder ou vitalidade do Elixir ou da Pedra Filosofal.

Multiplicação: aumento vegetativo na quantidade do Elixir ou da Pedra Filosofal.

Projeção: transmutação de metais.

O Elixir da Longa Vida e a Pedra Filosofal

A consecução da Obra é a obtenção de um objeto descrito como sendo de textura macia e coloração vermelha, que pode ser usado como panaceia universal, prolongando indefinidamente a vida, ou pode ser utilizado para transmutar metais inferiores em ouro e prata, caso em que é chamado de Pedra Filosofal. No caso da transmutação em metais devia-se deixar este fermento vermelho ou purpúreo incubado durante certo tempo com pó de ouro, após o que adquiriria a propriedade de transmutar chumbo ou mercúrio metálico no mais nobre dos metais. Obtendo assim a imortalidade relativa e a riqueza infinita, o alquimista dá o devido valor à vida, desprezando a mesquinhez e utilizando as bênçãos recebidas para anonimamente auxiliar e curar ao próximo. Percebe-se assim a consistência material e espiritual deste sistema extremamente detalhado de obtenção da felicidade humana.

Não temos de maneira alguma a pretensão de haver esgotado nesta breve resenha toda a riqueza de materiais e procedimentos descritos pelos inúmeros textos e imagens remanescentes, no entanto, o delineamento que fizemos nos fornece uma visão orgânica e genérica do fenômeno que estamos analisando. Poderíamos resumir esta visão genérica como: um conjunto de textos e imagens que esboçam uma receita ou protocolo que é efetuado em estufas, com calor brando e constante, a partir de uma matéria inicial relacionada com o sangue a qual é separada em seus componentes líquido e sólido, os quais são recombinados de diversas maneiras para que se obtenha uma matéria final extremamente vitalizada e capaz de curar e rejuvenescer pessoas e transmutar metais. Tendo assim um bom esboço de nosso objeto, podemos agora expandir nossa memória reflexiva buscando sistemas semelhantes ao que esboçamos. Assim, imediatamente nos ocorre a semelhança surpreendente com um sistema de textos e imagens atuais que conhecemos bem: os protocolos de cultivo de células tronco de medula-óssea.

De acordo com nossa metodologia, podemos agora compor estes dois sistemas em um circuito ressonante, pois verificamos que o cultivo de células-tronco de medula óssea possui todas as características que esboçamos em nosso resumo, visto que é um processo realizado em estufas a partir de um tecido semelhante a sangue espesso, que se encontra no interior dos ossos: a medula óssea. Atualmente utilizam-se meios de cultura comerciais especialmente formulados, porém o “soro” ou plasma sanguíneo; a fração líquida e translúcida do sangue; poderia perfeitamente ser usado como um meio de cultivo natural, desde que previamente preparado para isso através de processos semelhantes àqueles descritos na alquimia.

A utilização de frações purificadas de células mononucleares[1] de medula óssea já demonstrou sua eficácia terapêutica em diversos trabalhos científicos, havendo indícios de rejuvenescimento em animais experimentais (SANTOS, 2010), além da cura de paralisias por sequelas neuronais até então incuráveis (BRITO et al., 2010). Para aqueles que pesquisam nesta área, fica claro que a utilização desta terapêutica só não se generaliza devido às idiossincrasias socioeconômicas de nossa era.

Quanto à transmutação dos metais, sabemos que a utilização de culturas de bactérias e fungos unicelulares para a aceleração da transmutação de metais – por exemplo, o Manganês (Mg) em Ferro (Fe) (VYSOTSKII; KORNILOVA, 2011) – já é uma tecnologia incorporada à ciência das fusões a frio, uma das promessas tecnológicas para a geração de energia limpa. Será então assim tão absurdo pensar que as células-tronco poderiam, mediante certos protocolos de cultivo que desconhecemos, transmutar metais inferiores em ouro?

Mas será que poderíamos realmente conectar o processo alquímico com um protocolo de extração e purificação de células-tronco de medula óssea? Para ilustrar nossa hipótese, faremos uma narração do “Mutus Liber” ou “Livro Mudo” que se compõe de uma série de imagens sem texto as quais intencionam descrever figurativamente o processo alquímico. Nossa narração deverá formular um protocolo de extração artesanal, purificação e cultivo de células-tronco de medula óssea que terá que se adequar consistentemente às imagens alquímicas descritas. Vamos ao nosso experimento.

 

III. O “LIVRO MUDO” FALA

O “Mutus Liber” nos apresenta uma sequência de imagens que fogem bastante à regra da maior parte das imagens alquímicas. Enquanto estas se enquadram nitidamente nos cânones da Arte da Memória clássica e medieval (ver Fig.2) com suas imagens agentes exóticas e surpreendentes que visam despertar correlações mnemônicas, o “Mutus Liber” nos parece mais próximo das pretensões pedagógicas de um sistema contemporâneo a ele, elaborado por Jean Amos Comenius também em meados do século XVII para a educação escolar. Comenius, apesar de nitidamente influenciado pela Arte da Memória medieval, utiliza as figuras como suportes realistas de comentários didáticos. No entanto estas figuras são compostas de maneira a serem independentes do comentário (MIRANDA, 2011).

O “Mutus Liber” nos coloca perante um conjunto de equipamentos e uma sequência ordenada de atos realizados por um casal de personagens que cumprem uma determinada tarefa. O simbolismo aparece também, porém com uma função totalmente secundária e quase “hieroglífica”, ou nominativa, em relação ao conjunto das imagens, que se preocupam mais em figurar minuciosamente um protocolo de ação.

Realizaremos comentários didáticos, ao modo de Comenius, visando complementar as figuras para testar nossa hipótese de que a alquimia, conforme descrita pelos textos e imagens que conhecemos, pode funcionar como uma educação do cultivo artesanal de células-tronco. Para contextualizar nossos comentários, deveremos ter em mente que todo o processo deveria ser feito sem o auxílio da tecnologia que temos hoje, tais como microscópios, estufas elétricas com termostato e meios de cultura comerciais previamente formulados, portanto, teremos que nos orientar, como aparentemente faziam os alquimistas, pela coloração e formato das culturas de células. Além disso, deveremos ter uma etapa de síntese artesanal de um meio de cultivo realisticamente eficiente. Obviamente, utilizaremos nossos conhecimentos e linguagem atuais sobre cultivo de células, de modo a podermos perfazer o circuito que desejamos entre imagem e memória reflexiva.

Outra dimensão que deve ser levada em consideração é a atitude emocional e religiosa dos operadores, que aparentemente tinham uma preocupação com o momento astrológico das atividades e consideravam a oração continua como parte do processo: “Ora lege lege lege relege labora et invenies”[1]. No entanto, não nos ateremos aos fatores afetivo-religiosos em nosso protocolo, buscando apenas coerência técnica entre um protocolo de cultivo viável e as imagens do “Mutus Liber” (ROOB A., 1996)[2].

Deixaremos de fora a capa e a primeira prancha, que não parecem estar envolvidas com a descrição técnica. Destacamos em seu significado apenas o despertar para uma visão mais ampla da realidade. Começaremos nosso protocolo, portanto, a partir da prancha 2:

Prancha 2

Prancha 3

Prancha 2-) acima, temos a matéria inicial representada sob a forma de duas crianças e um homem adulto no interior do balão de vidro ou “ovo alquímico”. Veremos adiante que essa representação figura concretamente as fontes iniciais da obra, que provém de corpos humanos. Abaixo vemos um homem e uma mulher, ele em posição de oração e ela como que testando a temperatura que sai pela chaminé do forno que é na verdade uma estufa, sobre a qual já comentamos. Podemos pensar que a maior sensibilidade tátil e a excelente discriminação de cores das mulheres podem ser fatores indispensáveis na falta de termômetros e microscópios, sendo uma recomendação tradicional que a obra seja efetuada por um casal. Veremos que a mulher está com uma roupa diferente a cada imagem sucessiva e que é ela quem realiza as manipulações, ficando o homem mais como um auxiliar braçal. Esta troca de roupas pode nos sugerir a higiene perfeita, tanto do corpo dos operadores quanto dos objetos utilizados, necessária para o cultivo celular, sem a qual teríamos necessariamente contaminações na cultura. Esta necessidade de higiene e de uma matéria inicial limpa e saudável é destacada no início da Obra por diversos alquimistas.

Tal como o médico que purga as entranhas e limpa as sujeiras por meio dos medicamentos, do mesmo modo os nossos corpos devem ser purgados e limpos de todas as impurezas a fim de que, na nossa geração, o que é perfeito possa produzir operações perfeitas[…] (BASÍLIO VALENTIN apud ZALBIDEA et al., 1980)

 

Prancha 4

 Prancha 5

Nas pranchas com vários quadros (4, 5 e 6), estes serão nomeados como a,b,c,d,e,f. A leitura será feita de cima para baixo e da esquerda para a direita, conforme a escrita ocidental.

Prancha 4-) A formulação do meio de cultura ou Mercúrio dos Filósofos: a) A água de orvalho é despejada no jarro de destilação. b) A água de orvalho é destilada desprezando-se a parte inicial, a “cabeça do corvo”, que conterá uma mancha enegrecida com as substâncias voláteis diluídas no orvalho. Apenas a parte secundária deverá ser destilada e aproveitada. c) O sangue coletado dos operadores é aquecido até que se volatilize toda a parte líquida (Mercúrio volátil) restando apenas a parte sólida calcinada, seca sem queimar (Enxofre sólido). A seguir, repõe-se o líquido com a água de orvalho destilada, obtendo-se um meio de cultura esterilizado pelo calor e com todos os nutrientes necessários, porém sem células vivas: o Mercúrio Filosofal. Este meio de cultura é colocado em uma garrafa de cultivo juntamente com quatro pedaços da “Matéria Inicial”, cuja origem nos é mostrada no quadro seguinte. d) Aqui é mostrada claramente a origem da “Matéria Inicial” dos alquimistas. Trata-se das quatro extremidades do fêmur (epífises) de uma criança recém-morta, colocadas em uma garrafa por um homem de aspecto selvagem com o crescente do Islã no peito (ossos de crianças pagãs?). As extremidades do fêmur de bebês ou de fetos abortados seriam fontes abundantes de medula óssea e, portanto, das chamadas células-tronco pluripotentes, aquelas que ainda são totalmente indiferenciadas. Estas células seriam extremamente vigorosas, ainda possuindo longos telômeros[4] devido à sua juventude, e muito adequadas à terapia celular visando rejuvenescimento e regeneração. Se ao leitor essa correlação entre a figura e a utilização de ossos de bebês parece forçada, então talvez uma figura mais explícita o convença.  Trata-se de uma ilustração do tratado alquímico “Aurora Consurgens”, do século XIV.

Figura 4 – mulher parindo. “Aurora Consurgens” (ROOB, 1996, p.80)

Vemos na figura 4 a representação nua e crua de uma mulher (uma freira?) que acaba de parir ou abortar, oferecendo seu bebê ou feto em uma pequena trouxa para o signo de Leão, cujo astro, o Sol, é símbolo do ouro alquímico. Temos, porém, a mais explícita das declarações em um compêndio anônimo de textos medievais alquímicos publicado no século XVII:

Considero o grão metálico como a medula dos ossos…Nos ossos há também medulas de diferentes espécies, a melhor está no tubo dos ossos, e a outra, menos perfeita, está nas suas extremidades…esta porém está a caminho da perfeição da melhor medula; pois este osso esponjoso é coberto por uma cartilagem, e essa cartilagem é acompanhada de glândulas mucilaginosas, nas quais se coze e prepara a sinóvia, que, sob certos aspectos pode ser vista como uma matéria prima das cartilagens e da medula (anônimo, 2006).

Admirável rebuscamento e meticulosidade na descrição da medula óssea da diáfise dos ossos, contendo células medulares prontas, diferenciadas (“…e a outra, menos perfeita, com células-tronco indiferenciadas, está em suas extremidades…esta porém está a caminho da perfeição da melhor medula;…”) em uma época em que o estudo da anatomia em cadáveres era crime que levava à fogueira!

Nicolas Flamel também é bastante explícito quanto à origem da Obra:

Foram estas as coisas que me obrigaram a pôr essas figuras dessa maneira e num lugar como um cemitério, já que se alguém obtiver o bem inestimável da conquista de este rico velo, que pense como eu, que não se deve manter enterrado o talento de Deus comprando terras e propriedades, que são as vaidades deste mundo, mas que deve socorrer os seus irmãos, recordando-se de que este conhecimento foi adquirido com base nos ossos dos mortos… (FLAMEL apud ZALBIDEA et al., 1980)[5]

Olhando-se a questão deste ângulo, compreende-se o grande interesse de Flamel por um cemitério de crianças e suas doações generosas ao Cemitério dos Inocentes adquirem uma conotação não tão inocente. e) Em uma estufa de gás carbônico artesanal, realiza-se o cultivo da medula óssea de cada uma das cabeças de fêmur, pois há lugar na estufa para quatro frascos de cultivo. Inicialmente deve-se remover toda a medula por meios mecânicos, utilizando-se qualquer instrumento pontiagudo esterilizado no fogo, e colocar o tecido semelhante a sangue espesso em solução no meio nutriente previamente preparado com o precipitado de sangue, plasma e a água destilada. Guardam-se os ossos já limpos de medula para sua utilização em fase posterior (Prancha 5, quadro f). O meio de cultura deve ser trocado constantemente e após algum tempo as células terão formado duas populações: uma, aderente, no fundo do frasco; as chamadas células estromais ou fibroblastóides; e outra população de células não aderentes, as células precursoras de células sanguíneas, ou hematopoiéticas. Quando as células aderentes atingirem confluência, ou seja, quando cobrirem todo o fundo do frasco, é o momento de coletá-las e fazer o repique em baixa densidade, para obter as unidades formadoras de colônias fibroblastóides (CFU-F), que são identificadas como colônias circulares de células no fundo do frasco de cultivo (Kern et al., 2006).

Prancha 5-) a) Um passo interessante se delineia aqui, pois trata-se da preparação de um meio de cultura feito com as células sobrenadantes do cultivo acima descrito. Primeiramente despeja-se o líquido sobrenadante dos quatro frascos de cultivo em outro frasco, repondo-se o meio nutriente novo para as células aderentes. b) Coloca-se o meio retirado com as células em suspensão no destilador. c) O meio é destilado em alta temperatura até aparecer um coágulo de células. d) Após a esterilização e coagulação, repõe-se a fase líquida coletada no destilador e separa-se o meio esterilizado, fase líquida e sólida reunidas, em outro frasco. e) Este meio é entregue ao personagem solar, significando que só será utilizado na segunda parte da Obra: a transmutação biológica de metais em ouro. f) As quatro cabeças de fêmur limpas que haviam sido separadas anteriormente, serão fervidas em água para retirada do colágeno, que será utilizado como substrato na próxima fase.

Prancha 6

Prancha 7

Prancha 6-) a) Verte-se o colágeno dissolvido com as epífises em uma bandeja. Este colágeno formará um substrato macio no fundo do frasco de cultivo, favorecendo a quiescência (não diferenciação) das células tronco (WINER et al., 2009). b) O meio de cultura novo contendo colágeno é filtrado em lã; esterilizada por fervura; sobre um funil, para retirar eventuais fragmentos de osso. c) O meio é esterilizado em alta temperatura. d) O meio de cultivo esterilizado contendo substrato de adesão (colágeno gel) é cuidadosamente colocado em um frasco de cultivo em que são também colocadas as colônias de células aderentes (CFU-F) do cultivo anterior. e) Este frasco de cultivo, contendo as células aderentes dos quatro frascos do cultivo anterior, deverá ter seu meio de cultura periodicamente trocado, realizando-se a lavagem das células que estarão aderidas no substrato de colágeno até que se perceba uma população de células fibroblastóides sobreposta por uma colônia de células-tronco que iniciam o processo de osteogênese, ou diferenciação em células ósseas, indicando a presença de células-tronco pluripotentes na cultura (a criança clara com a mão na boca do adulto vermelho) que deverão com o tempo atingir confluência na camada superior (branqueamento, o adulto e a criança brancos após serem lavados com meio de cultura). Também periodicamente deverá ser feito o repique das células quando estas atingem confluência, o que é figurado como a espada cortante na mão do homem, voltada para o frasco de cultivo. O repique consiste na fragmentação da cultura em novos frascos contendo meio com colágeno, evitando-se a superpopulação e o início da diferenciação “in vitro” das células-tronco.

Prancha 7-) Acima, vê-se aqui a ampola de vidro contendo as células prontas para uso, provavelmente diluídas em solução fisiológica salina, simbolizadas pelo deus Mercúrio. As dez serpentes do caduceu de Mercúrio podem ser lidas como dez doses de células derivadas do processo descrito, utilizando-se as quatro extremidades do fêmur de uma criança. Abaixo, o balão de vidro fechado contendo as células-tronco é mantido na estufa padrão, com calor constante e atmosfera saturada de gás carbônico, devendo o casal de operadores vigiar constantemente a uniformidade, a adequação da temperatura e a vitalidade da cultura, que deverá ser descartada se apresentar sinais de deterioração.

Terminamos aqui a primeira etapa da Obra: a confecção do Elixir da Longa Vida. As mesmas células serão utilizadas na segunda etapa.

É importante esclarecer que este esboço de protocolo tem apenas o detalhamento necessário para que o discurso do cultivo contemporâneo de células se componha harmoniosamente com as imagens. Um protocolo real deverá ter uma miríade de ajustes e detalhes que só poderiam ser determinados com a prática, não sendo nosso objetivo aqui estabelecer se este esboço que propusemos poderia ou não obter sucesso em um cultivo real.

A Transmutação Alquímica dos Metais

A comunidade acadêmica relutou muito em reconhecer a validade dos experimentos de C. L. Kervran e George Ohsawa, que foram os primeiros cientistas a demonstrar experimentalmente que sistemas vivos realizavam rotineiramente, como parte de suas funções fisiológicas, a transmutação de elementos (KERVRAN, 2011). Seus experimentos foram repetidos e, apesar de alguns deles terem sido descartados em face de novos fatos científicos que os invalidavam, outros demonstraram resultados consistentes, tais como os experimentos envolvendo a criação de Cálcio (Ca) por plantas a partir da transmutação do Potássio (K) (KERVRAN, 1982). Porém, Kervran e os cientistas que seguiram sua linha de trabalho trabalhavam com medidas em organismos multicelulares, plantas ou animais, e não com cultivo celular. O impulso neste sentido veio dos experimentos de fusão a frio, fenômeno que envolve a transmutação de elementos em níveis baixos de radioatividade e calor. Este campo de estudos foi ofuscado pelo campo do conhecimento de fusões de altíssima radiação, concretizado nos estudos que redundaram na bomba atômica. O campo muito mais pacífico das fusões a frio ficou durante muito tempo restrito a pequenos grupos de pesquisa com poucas verbas e equipamentos e, no entanto, passos importantes foram dados nos sentido de aperfeiçoar esta tecnologia para a produção limpa de energia (NAGEL, 2011).

Um ramo de estudos das fusões a frio envolve as transmutações biológicas efetivadas por culturas de micro-organismos unicelulares tais como leveduras e bactérias, as quais tem a capacidade de potencializar tremendamente a transmutação de metais pesados em elementos mais leves, sendo muito úteis na inativação de resíduos radioativos. Um experimento bastante impressionante neste sentido é o que demonstra rigorosamente a transmutação de Manganês em Ferro por uma cultura mista de bactérias (VYSOTSKII; KORNILOVA, 2011). Visto que tanto bactérias, que são procariontes (sem núcleo organizado), quanto as leveduras, organismos eucariontes (com núcleo organizado), podem realizar a transmutação nuclear de metais, não vemos razão para pensar que poderia ser diferente com células animais cultivadas. Porém, o experimento simplesmente não foi feito e, portanto, tentar seguir aqui o “Mutus Liber” seria puro exercício de imaginação, ao contrário do primeiro protocolo que apresentamos, embasado em conhecimentos práticos e reais.

 

IV. CONCLUSÃO

Estaríamos forçando a realidade se disséssemos que todas as imagens e textos alquímicos encaixam-se na hipótese aventada neste trabalho. Existe toda uma linha de entendimento sobre a alquimia, a partir do séc. XVII, que trabalha com as chamadas “quintessências” de elementos minerais vegetais e animais. Esta corrente inicia-se com Paracelso e acaba por resultar nos trabalhos que criaram a homeopatia e os florais, já no séc. XIX. Os textos clássicos mais antigos, porém, encaixam-se quase que invariavelmente na abordagem que descrevemos. Ainda assim, não estamos preocupados se desvendamos neste trabalho a verdade histórica. Em realidade, a verdade histórica nos interessa muito pouco, visto que ela não poderá nunca ser absolutamente comprovada. O passado permanece em nossa memória e é nela que devemos procurar os recursos para esclarecer nossas ações presentes. Interessa-nos, portanto, não a verdade, mas sim a conectividade fecunda que um conhecimento histórico pode estabelecer com nossas escolhas.

Na medida em que podemos formar circuitos criativos e funcionais com os objetos que o passado distante nos legou, isso nos basta. O circuito aqui experimentado demonstra-se harmonioso e plausível: assim como o cultivo celular pode esclarecer e dar coerência às imagens e textos alquímicos, estes podem atuar como uma didática do cultivo celular artesanal, sugerindo técnicas e procedimentos que ainda não foram experimentados pela ciência atual, deflagrando um ciclo virtuoso que só pode trazer avanços para o saber científico.

Dentre as possíveis ramificações futuras deste trabalho poderíamos destacar: os experimentos com meios de cultura artesanais feitos a partir de plasma e sangue, a construção de estufas de cultivo de células que dispensem o uso de energia elétrica e a elaboração de protocolos práticos de cultivo passíveis de serem executados com mínima infraestrutura. A experimentação com transmutação de elementos em cultivo de células tronco é também uma vertente muito interessante ainda inexplorada pela ciência oficial. É necessário enfatizar que, a abordagem interdisciplinar que utilizamos, demonstra ser um instrumento poderoso para estabelecer correlações fecundas entre assuntos aparentemente distantes, possibilitando sua aplicação em outras esferas de conhecimento além das que aqui abordamos.

 

Bibliografia

ALMEIDA, M. J. Cinema, Arte da Cidade. Pro-Posições (Unicamp), Campinas-SP, v. 10, n.1, p. 158-162, 1999.

ANÔNIMO. O Grande Tratado da Alquimia. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

BERGSON, H. Matter and Memory. 8ª ed. Nova York: Zone Books, 1991.

BRITO, H. ET AL. Tratamento de sequelas neurológicas em cães, causadas por infecção pelo vírus da cinomose, através do transplante alogênico de células mononucleares de medula óssea. Medvep, Curitiba, v. 8, n. 24, p. 26-29, 2010.

FLAMEL, N. O Livro das Figuras Hieroglíficas. São Paulo: Ed. Três, 1973.

KERN, S. ET AL. Comparative Analysis of Mesenchymal Stem Cells from Bone Marrow, Umbilical Cord Blood, or Adipose Tissue. Stemcells, USA, 24, p. 1294–1301, 2006.

KERVRAN, L. Biological Transmutations and Modern Physics. 1ª ed. Paris: Maloine S.A. Publisher, 1982.

KERVRAN, L. Biological Transmutations. 2ª ed. California: G.O.M Foundation, 2011.

MIRANDA, C. E. A. Uma educação do olho: as imagens na sociedade urbana, industrial e de mercado. Cad. CEDES [online]. v. 21, n. 54, p. 28-40, 2001.

MIRANDA, C. E. A. Orbis Pictus, Jean Amos Comenius. Pro-Posições, Campinas, 22, v. 3, n. 66, p. 197-205, 2011.

NAGEL, D. J. Hot and Cold Fusion for Energy Generation. Journal of Condensed Matter Nuclear Science, São Francisco (USA), 4, p. 1–16, 2011.

ROOB, A. Das Hermetische Museum, Alchemie & Mystik. 1ª ed. Koln: Taschen, 1996.

SANTOS, M. R. Injeção de Células Mononucleares de Medula-óssea em Camundongos Idosos. Dissertação (Mestrado em Fisiopatologia Médica) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010.

YATES, F. A Arte da Memória. 2ª ed. Campinas: Editora Unicamp, 2013.

VYSOTSKII, V. I.; KORNILOVA, A. A. Low-energy Nuclear Reactions and Transmutation of Stable and Radioactive Isotopes in Growing Biological Systems. Journal of Condensed Matter Nuclear Science, San Francisco (USA), 4, p. 146–160, 2011.

WINER, J. P.; et al. Bone Marrow-Derived Human Mesenchymal Stem Cells Become Quiescent on Soft Substrates but Remain Responsive to Chemical or Mechanical Stimuli. Tissue Engineering, Pensylvannia (USA), v. 15, n. 1, p. 147-154, 2009.

ZALBIDEA, V.; et al. Selecção de textos: Alquimia e Ocultismo. 1ª ed. Lisboa: Edições 70, 1980.

 

Recebido em: 15/10/2018

Aceito em: 15/11/2018


[1] Biólogo, Mestre em Fisiopatologia Médica e Doutor em Educação. Laboratório OLHO – FE/Unicamp E-mail: jorgeodragao@yahoo.com.

[2] Graduado em Educação, Mestre em Educação e Doutor em Educação. Laboratório OLHO – FE/Unicamp E-mail: ceamiranda@gmail.com.

[3] Biólogo, Doutor em Clínica Médica. CEMIB/Unicamp  E-mail: marcus@cemib.unicamp.br.

[4] Conjunto de células precursoras semi-diferenciadas e células-tronco indiferenciadas.

[5] “Ora, lê, lê, lê, relê, trabalha e encontrarás”. Frase final do “Mutus Liber” (Roob A, 1996).

[6] As Pranchas de 2 a 7 são da versão do “Mutus Liber” contida no Hermetische Museum (Roob, 1996, pp.380-384).

[7] No Hemisfério Norte.

[8] Os telômeros podem ser definidos como uma proteção física contra mutações nas extremidades do DNA cromossômico. A diminuição gradativa dos telômeros é característica do envelhecimento.

[9] Flamel se refere às figuras alquímicas pintadas no arco da Igreja dos Inocentes, doado por ele.

Fonte:
ClimaCom – Inter/Transdisciplinaridade, ANO 05 – N13 – ISSN 2359-470

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-biologia-na-alquimia-correlacoes-para-uma-educacao-alquimica/

A Gênese Vampírica e o Mito de Caim e Abel

Uma questão que sempre levantou acirrados debates nos círculos estudiosos é a de como a gênese vampírica se vincula ao mito de Caim e Abel. São vários os relatos míticos que tencionam descrever a autêntica origem da linhagem vampírica. Entre muitas culturas, a judaico-cristã também possui algumas versões, mas nenhuma delas está disponível nos textos canônicos. O mesmo processo que filtrou, eliminou e adulterou os documentos produzidos nos meios pré-cristão e cristão primitivo, de tal modo a autorizar os dogmas e doutrinas da ortodoxia católica, também purgou qualquer menção explícita aos vampiros nas narrativas bíblicas. Muito embora a intenção e o empenho da igreja católica fosse o de destruir todos os livros que, de alguma forma, contradissessem a sua compilação diretamente “inspirada” pelo espírito santo, alguns lograram sobreviver e hoje são conhecidos como apócrifos ou escritos proibidos. É num raro e reduzido grupo destes que encontramos os únicos relatos remanescentes sobre vampiros dentro da cultura bíblica. Recentemente a pretensa antiguidade de um livro deste grupo foi negada; estudos históricos e análise de estilo dataram o surgimento do original por volta do século XI. Neste manuscrito, Caim é posto propositalmente como o antepassado mais remoto da linhagem. O intuito disfarçado na elaboração deste livro é compor mais um elemento para a cortina de fumaça que encobre as intenções filosóficas originais das passagens bíblicas. Sendo assim, não merece uma consideração maior.

Meu interesse se volta mais para uma certa versão gnóstica do Livro do Gênese. Esse texto, em sua transcrição copta, foi preservado por uma seita gnóstica cristã minoritária chamada “astanfitas”, pertencente ao mesmo braço herético responsável pelos “ofitas” e “caimitas”. Devido ao número extremamente reduzido de seguidores, esta seita pôde passar incógnita até proximamente o século IX, quanto foi cruel e sigilosamente exterminada nos alvores da inquisição. Antes de assumir suas feições gnósticas, ela fazia parte das dissidências judaicas do período pré-cristão. Surgiu como uma resposta heterodoxa à outra seita cismática que marcou essa época com seu fundamentalismo austero: os essênios. Estes se referiam aos astanfitas como os inimigos da verdade, um título que eles não rejeitavam de todo; já que, revelando notável concordância com os filósofos céticos, pregavam que a certeza é um engano, a dúvida é fundamental; a mente sem ilusão não tem certeza, a inteligência honesta duvida. Mais tarde, resumiriam: “Toda gnose possível é dúvida rigorosa”. A princípio parece um total niilismo e um profundo pessimismo; mas; para eles; uma conduta moral somente poderia ser construída sobre a dúvida alcançada a duras penas. O homem moralmente apto é aquele que pode se responsabilizar por seus atos e um ato é responsável desde que tenha sido executado por livre opção. Contudo, não há o que decidir se a certeza já nos é dada pela verdade. E optar pelo errado não é uma atitude livre, é apenas uma louca inconseqüência. Logo, é legítima somente a decisão que for pautada numa dúvida muito bem estabelecida, pois apenas ela nos provê de opções, a verdade elimina todas. Assim, chegam a um certo humanismo moral, onde desprezam a verdade revelada que tira do homem a responsabilidade por seus atos. A verdade, diziam os astanfitas, produz apenas dois tipos de homens; os imbecis irresponsáveis e os loucos inconseqüentes.

Depois do desaparecimento dos astanfitas, demorou quatro séculos para que surgisse indícios da sobrevivência de algo dos seus manuscritos. Então, na península ibérica, começou a circular, entre os cabalistas, exemplares de textos nitidamente astanfitas vertidos para o árabe. Inafortunamente, nenhuma dessas obras escapou completa do fogo da inquisição, tudo o que nos restou foram poucos fragmentos dispersos, insuficientes para dar idéia geral sobre o que tratava o texto integral do qual provinham. Comentários, inserções e indicações nos tratados de alquimia e cabala do período, quando não são sucintos em demasia, são herméticos em excesso ou propositalmente evasivos.

Após esse breve aparecimento, só no século XX o interesse na gnose astanfita veio a se reacender através de novos e sensacionais achados. Sintomaticamente, duas das mais importantes coletâneas de textos gnósticos vieram à luz em datas quase concomitantes na década de quarenta. Em dezembro de 1945, foram encontrados, num complexo de cavernas no alto Egito, os famosos “manuscritos de Nag Hammadi” que, após superarem mais de trinta anos entraves de todo tipo, puderam contar uma estória diferente do início do cristianismo.

Em março de 1946, foi a vez dos menos conhecidos “manuscritos astanfitas de Hagia Sophia”. Tendo um percurso tão mirabolante e mais antigo que o da primeira descoberta, sua estória começa quando um colecionador, em 1935, doou à igreja de Hagia Sophia, recém transformada em museu, um maço de pergaminhos aos quais não se deu muita importância, pois se tratava na maior parte de homilias e sermões de padres ortodoxos que oficiavam na basílica entre os séculos XIII e XV. Durante mais de dez anos ficaram preteridos no depósito, quando finalmente foi feito um exaustivo trabalho de recuperação, em que as folhas grudadas pelo mofo e umidade foram separadas cuidadosamente uma a uma. Entremeado aos textos eclesiais, encontrou-se um códice em copta com datação mais remota que o restante do material. Era uma legítima compilação astanfita feita provavelmente no quinto ou sexto século.

Quando soube do achado, o colecionador confessou ter adquirido o maço, junto com diversos outros artefatos egípcios, de um ladrão de túmulos no Cairo, pouco antes da primeira guerra. Este lhe contou que os papéis lhe foram passado numa transação arriscada feita com um receptador de Istambul, mas que, antes dele, estiveram em posse de um padre da igreja ortodoxa que, por sua vez, os haviam recebido em confiança de um operário que trabalhou na recuperação de Hagia Sophia após o terremoto de 1894. O vício em ópio, além de outros prazeres mais caros, levou o sacerdote a negociar os documentos com o comerciante desonesto em troca de algum dinheiro que lhe suprisse, pelo menos por uns dias, suas necessidades mais prementes.

Ao que parece, vários dos manuscritos ficaram por muito tempo resguardados da sanha dos inquisidores em recônditos obscuros dentro da sólida construção de Hagia Sophia, sob a custódia de alguns padres simpatizantes ou simplesmente tolerantes da heresia astanfita. Também há rumores de que o faziam em respeito aos projetistas do edifício: o matemático Anthemius de Tralles e o arquiteto Isidorus de Miletus; estes sim – sustentam certas fontes – eram astanfitas praticantes, fato que mantiveram em segredo durante toda vida por razões óbvias. Sobre isso nada podemos afirmar. Seja como for, o encargo foi passado dentro de um círculo restrito de padres, geração a geração. Até que a tomada de Constantinopla pelos turcos no século XV obrigou os padres a esconder, apressadamente, seus livros e documentos em recintos selados, para que não ficassem ao alcance dos pagãos e fossem destruídos. No meio dessas pilhas de papéis ordinários, os manuscritos astanfitas foram inseridos sorrateiramente sem que os outros padres incumbidos da tarefa suspeitassem. A esperança era que logo os invasores seriam expulsos e os documentos novamente recuperados. Tais expectativas não se cumpriram e a basílica não só permaneceu em domínio turco como foi feita mesquita imperial pelo conquistador, o Sultão Mehmet. E assim foram esquecidos por mais de cinco séculos; quando, então, um terremoto abriu uma das câmaras secretas expondo seu conteúdo. A abertura foi descoberta primeiramente por um dos operários que vieram trabalhar na restauração da igreja. Visando obter algum lucro no comércio ilegal de antiguidades, ele extraviou uns poucos pacotes de escritos, enquanto pode manter oculta a passagem para a cela. Quando, no canteiro de obra, começaram a desconfiar de seus estranhos pacotes, supondo que logo seria despedido, lacrou de vez a passagem, pensando poder voltar assim que a situação fosse esquecida. Nesse meio tempo, deixou seu espólio sob guarda de um padre que era seu conhecido para não levantar suspeitas. Seu azar foi que o tal padre não tinha uma vida tão devota e estava sempre desesperado em busca de dinheiro para sustentá-la. Logo, não demorou muito para cair na tentação e vender todos os pacotes no mercado negro de itens antigos. Ele não poderia imaginar o quanto antigos eram os documentos e que valiam bem mais que as garrafas de absinto e a noite de satisfação carnal. Contudo, não tardou para que todos os seus problemas fossem definitivamente resolvidos; o operário, ao saber que mais nada restava, apunhalou o padre e fugiu. A sorte do fugitivo não melhorou, o padre tinha irmãos menos tementes a deus, que o emboscaram e mataram alguns dias depois.

Depois do relato feito pelo colecionador, começou-se as buscas pela cela secreta e ela foi encontrada. Passou-se, então, ao tedioso trabalho de recuperação e, no seu decorrer, outros textos astanfitas foram surgindo paulatinamente. Entre eles, algumas preciosidades como um evangelho desconhecido e que nem mesmo estava presente na biblioteca de Nag Hammadi. Enigmaticamente, em sua primeira linha lê-se: “Estes são os relatos feitos por Lásarus, o primeiro vivo, sobre Jesus, o segundo vivo”. Outros são conhecidos por Nag Hammadi ou outras fontes, mas designam autores diferentes. É o caso de certos livros, cuja autoria sempre foi dada a João, que aparecem atribuídos a Lásarus, o primeiro vivo. Esse Lásarus evangelista, discípulo e depois mestre de Jesus confunde os pesquisadores imensamente. Nos evangelhos canônicos, ele é apenas o rapaz ressuscitado, irmão de Marta e Maria. Talvez “primeiro vivo” derive do fato de ter precedido Jesus na ressurreição do corpo. O seu evangelho astanfita diz explicitamente isso, mas também revela que a ressurreição foi apenas aparente; já que, efetivamente, eles jamais chegaram a morrer. Nos seus termos:

“A ressurreição só é possível enquanto ainda não sobreveio a morte física. O fruto da arvore da vida é para ser comido pela carne e quem assim o saborear ressuscita e passa a ser um ‘vivo’ como Jesus e, antes dele, Lásarus”.

Tudo isso é muito interessante, todavia estamos nos desviando de nosso tema. Haverá outras ocasiões propícias para retomarmos a esse assunto instigante. No momento, devemos nos ater a uma obra magnífica e sem precedentes revelada entre os manuscritos de Hagia Sophia. Nunca houve qualquer citação sobre ela, tudo que lhe dissesse respeito foi sumariamente destruído. Parece que até mesmo os monges de Nag Hammadi a rejeitaram ou a desconheciam. Nem os detratores da heresia gnóstica que existiram dentro da patrística – normalmente os responsáveis por sobreviver alguma memória dos textos que atacavam e, por paradoxal que pareça, sem eles a existência de certas concepções não ortodoxas seriam completamente varridas da História – ousaram mencioná-la uma vez que fosse. Era como jamais tivesse sido escrita até as descobertas de Hagia Sophia. Talvez os padres da igreja tenham pensado que era mais sensato e prudente omitir comentários e não chamar atenção sobre ela, deixá-la obscura e restrita como estava, não deviam salientar qualquer aspecto de seu conteúdo, até tachá-la de apostasia imperdoável seria conceder-lhe uma importância perigosa. Neste caso, julgaram que o melhor era calar e proceder, sem aviso e demora, uma devassa permanente para busca e apreensão de todas as cópias que surgissem, as quais seriam lançadas ao fogo de imediato. Felizmente, os astanfitas eram poucos e astutos, não se revelavam com facilidade e suas condutas não os denunciavam. Além de tudo, eram muito estimados, pois se destacavam em diversas das artes e ciências da época, inclusive assumiam posto de responsabilidade dentro do império e, mais tarde, na própria igreja. Graças a essas providenciais peculiaridades, um pergaminho contendo uma inspirada versão alternativa do gênese bíblico chegou aos nossos tempos.

Os historiadores catalogaram esse códice com o título de “O Livro de Astanfeus”, já que Astanfeus, um dos sete anjos da criação, é o protagonista da trama narrada no manuscrito. A sua epopéia inicia-se precisamente no trecho bíblico encontrado em gênesis 3:22 nas bíblias atuais e relata sua contenda com Iaodabaoth, outro anjo da criação; metáfora para o conflito eterno entre liberdade e tirania. O sentimento filantrópico nutrido por Astanfeus o levará a defender o homem contra os desmandos megalômanos de Iaodabaoth. Sua interferência se faz, a princípio, através de Eva, pois só ela lhe podia ouvir, isto porque a sensibilidade de Adão foi totalmente embotada pelo domínio que Iaodabaoth exerce sobre a aparência. Astanfeus passa, então, a incentivá-la para que compartilhe com seu parceiro o fruto interdito do conhecimento do bem e do mal, assegurando-lhe que não iriam morrer como sentenciou o anjo que lhes dizia ser um deus único. E, além disso, seus olhos se abririam, o que os tornaria iguais aos anjos. Sua investida surtiu efeito e o fruto foi consumido, o que desagradou profundamente Iaodabaoth, fazendo-o exigir a expulsão do casal humano do éden, para evitar que também usufruíssem da árvore da vida. Todavia, sua moção não foi acatada pelos outros seis anjos da criação; os elohim, o próprio Astanfeus sendo um deles. Enfurecido, Iaodabaoth se volta contra os humanos, persuadindo-os de que nada havia mudado; continuavam a ser as mesmas criaturas indefesas de antes, só que agora estavam eternamente marcadas pelo pecado da desobediência e da soberba de desejarem ser deuses, tornando mister que sofressem uma severa punição: o exílio.

Prefigurando uma notável ingenuidade, eles aceitam as manobras ladinas do anjo contrariado em seu amor próprio. É voluntariamente que se submetem e se humilham a um poder que já não possuía controle sobre seus destinos. E por que fizeram isso? Qual a razão de tal disparate? O texto delata uma cumplicidade tácita entre os dois lados dessa relação de poder. Evidencia que os pais da humanidade não foram enganados, nem poderiam ser; o fruto do conhecimento havia lhes concedido clareza de espírito suficiente para flagrar qualquer tentativa de logro. O que choca é concluir com o autor que eles deliberadamente se deixaram enganar. E isso não é a mesma coisa, está muito longe de ser. Inadvertidamente, usa-se um conceito pelo outro sem considerar a inversão que ocorre entre agente e paciente do dolo. O logrado aqui, no fim das contas, é Iaodabaoth que tomou como sincera a crença depositada em suas palavras.

A que leva e qual a motivação desse estranho jogo de interesse? Depois que conheceram o bem e o mal, Adão e Eva se encontram numa situação semelhante a que passaram antes de comer o fruto. Na ocasião, nada havia que lhes desse certeza de qual dos dois anjos estava certo e, sendo honestos consigo mesmos, esse ponto ainda permanecia incerto; já que Iaodabaoth sentenciou que morreriam, mas não disse quando. Mesmo assim, tomaram uma decisão e declinaram em favor de Astanfeus. Comido o pomo da discórdia, descobriram que o esclarecimento não lhes trouxe a verdade, nem resolveu inteiramente o certo do errado; o que fez foi refinar, de modo extraordinário, a dúvida; paradoxalmente tornando-a algo líquido e certo. O bem e o mal se confundem, se mesclam, permutam incessantemente, variam de acordo com as circunstâncias, são recíprocos de uma mesma inteireza, um consubstancia o outro, entre eles há uma mútua afirmação e uma alternância cíclica de feições. Nessa dança interminável, as alternativas estarão sempre sendo geradas, as escolhas irão se sucedendo a cada passo. O primeiro casal humano percebeu, aturdido, que não lhe seria exigido apenas mais uma decisão; encadeadas a esta viriam várias, uma após outra até o fim da vida que pudessem ter. Vislumbraram uma existência repleta de livres opções e responsabilidade por cada ato. Se a primeira decisão não havia sido fácil, imagine enfrentar isso a todo momento e para sempre. Diante de Eva, Adão pondera:

– De que nos adiantou ter os olhos abertos, enxergamos em detalhes e minúcias o que antes era plano e compacto, abandonamos uma imagem simples e imediata de tudo que era exterior a nós por uma complexa compreensão que não delimita fronteira entre o dentro e o fora. Agora, podemos antecipar que nosso futuro não está previsto, são muitas as possibilidades e nenhuma garantia é possível; o dia seguinte se tornou uma bela esperança. Essa liberdade exasperante que devemos exercer cotidianamente nos será cobrada com mais e mais necessidades. Quanto mais se amplia a potência de nossos atos, mais aumenta nossa responsabilidade pelas conseqüências. A partir do fruto, se não assumirmos e suportarmos esse peso, não nos consideraremos dignos, nem razoáveis. Perdemos totalmente a capacidade de acreditar no quer que seja, sempre conseguiremos ver outras alternativas e, então, fazer mais uma escolha será inevitável, como a responsabilidade dela decorrente. Nunca escaparemos desse destino repleto de opções angustiantes, sempre seremos levados a tomar decisões cruciais e dolorosas. E tudo isso, toda essa demanda valerá a pena? Qual recompensa receberemos pelo extremo esforço? Também sobre isso nada é certo. Nosso discernimento recém adquirido não sustenta um só sentimento de segurança.

– Talvez, Eva, fosse melhor para nós devolver esse dom ingrato. Voltar a fechar os olhos como antes e esquecer tudo que vimos. Apaguemos de vez essa clareza de espírito. Se nos recusarmos a usá-la, ela deve desaparecer com o tempo. Com isso, a jogaremos no olvido junto com todo o resto. Façamos, Eva, com que nossa segunda decisão seja a última. Na primeira, eu te segui e demos ouvidos à serpente; eis que este é o momento de tu me seguires e ficarmos ao lado do Senhor Nosso Deus. A dádiva do fruto que nos trouxe infortúnio também nos mostra a alternativa para escaparmos dele. Argúcia e inteligência não nos convêm, nada mais que sofridos dilemas advirão deles. Como criaturas estúpidas, poderemos voltar a crer em Deus e ficaremos despreocupados em Seu regaço, livres de qualquer responsabilidade.

Eva se deixa convencer e capitula diante de Iaodabaoth para acompanhar Adão no desterro. Aceitam de bom grado o injustificado sentimento de culpa que o demiurgo lançou sobre eles. E obedecem cabisbaixos a ordem para que abandonem o éden e se confinem numa distante caverna nas terras ocidentais.

Nesta escura caverna, Eva gesta e dá luz a Caim (aquele que possui a si mesmo) e Luluva, as metades máscula e feminil do primeiro filho do homem, cuja fecundação se deu no meio do éden em pleno efeito do fruto do conhecimento. Já Abel (vaidade) e Aclia foram fecundados na clausura e no alheamento. Assim, no tempo das origens, o humano nascia, na aparência, com suas partes masculina e feminina separadas em irmãos gêmeos, destinados a se religarem no enlace sexual e recompor o hermafrodita primordial. Entretanto, isso jamais esteve nos planos de Iaodabaoth, pois a imagem humana dividida em dois sexos foi propositalmente concebida por ele, um premeditado arranjo para tornar o homem mais vulnerável ao seu aliciamento. Então, para impedir que a reunião se consumasse, convence Adão e Eva de que os casais deveriam ser prometidos trocados.

Caim e luluva crescem inconformados com a situação injusta a que seus pais estavam sujeitos. Chegaram cedo à convicção de que não precisavam, nem deveriam, adorar Iaodabaoth como deus único. Logo perceberam que era uma entidade insidiosa e com um hipertrofiado conceito de si mesmo, apenas preocupada em alimentar uma vaidade insana. Contrariando Adão e Eva, recusaram-se a louvá-lo, repudiaram seus caprichos, não aceitaram a condição de servos tementes, pois sabiam que ele dependia da anuência de suas vítimas para tocá-las. Mesmo com as imprecações ouvidas de seus genitores, viviam fora da caverna em peremptória e intencional ignorância às determinações do deus de seus pais. Mas não só deles, também seus irmãos Abel e Aclia se converteram em fiéis seguidores e condenavam o modo de vida que adotaram, que consistia em explorar as extensões dos campos ao redor, coletando vegetais e frutas, aprendendo os mecanismos da natureza. Despertaram suas mentes para o céu e o passar do tempo. Descobriram padrões e correlações, intuíram leis benéficas no crescimento dos vegetais, aprenderam técnicas de sobrevivência com os animais. E tudo isso os levou às artes e às ciências. Enquanto seus irmãos enveredaram por outros caminhos; confinaram os animais fora de seus habitats, cevando-os para abate, impondo-lhes ritmos de vida artificiais.

Os fragmentos em árabe deste texto que foram preservados apresentam pequenas discordâncias, em relação ao pergaminho astanfita, quanto à descrição de como foi efetuada a oferenda de Caim e Luluva. No códice, nem mesmo há oferenda, eles se recusam terminantemente em prestar qualquer homenagem àquele deus que tanto desprezavam. Nas versões em árabe até encetam a oblação, cedendo às suplicas dos pais, contudo o desfecho dado vai se modificando nitidamente em cada fragmento. Em exemplares mais tardios, a oferta é mínima, suficiente para não ofender um certo senso de desperdício que não conseguiram negligenciar; enquanto nos de datação mais remota, foram mais radicais e, desistindo na última hora, retiram tudo, ignorando peremptoriamente os apelos e admoestações dos pais e dos irmãos.

Não importa o quanto essa atitude foi minimizada nas versões árabes, a ira despertada em Iaodabaoth é irretocável. Não podendo atingi-los diretamente, nutre a vaidade de Abel e fomenta nele uma crescente desconfiança contra o irmão. E conduz a intriga num estilo que em muito antecipa o Iago no Othelo de Shakespeare:

– Abel, tu bem sabes que te amo tanto quanto a teus pais, que tuas oferendas me são agradáveis e as recebo com júbilo. Tu mereces toda minha deferência, mas teu irmão é o oposto de ti, rejeitou a verdade que te dei de bom grado e enfrenta a dúvida e a incerteza a cada dia. Ele não ouve as súplicas de teus pais e me odeia por puro orgulho, nada fiz contra ele para justificar essa má vontade e não retribuo o mesmo sentimento. Nunca neguei a ele o justo poder que permito a ti que exerças sobre a natureza, através dos animais que criei para te servir e aplacar tua fome. Mas não, por birra, ele prefere se sujeitar aos caprichos da natureza para se alimentar de vegetais ao invés de reinar sobre ela. Fiz-te forte e robusto por meio do que comes, enquanto ele ficou fraco e frágil devido ao seu alimento pobre; não é como um homem deveria ser; o vigor sanguíneo de teu rosto não se compara à tez pálida de teu irmão. A jovial beleza que possuis contrasta com a sobriedade pedante desse primogênito arredio. Talvez eu espere demais de quem é fruto do pecado de teus pais, que foi gerado na desobediência de minhas leis. Muito diferente és tu; filho do amor puro e casto, vieste à luz graças ao enlace que perante mim foi consagrado e comprometido. Bem-aventurado, então, foi teu nascimento e eu o abençoei e permaneci ao teu lado todos os dias de tua vida e jamais te abandonarei. Porém, teu irmão sempre se afastou de minha presença, seduzido por palavras evocativas e sibilinas repudiou minha guarda e proteção. Mesmo se impondo por arrogância, não pode esconder que seu desejo mais profundo é, na verdade, usufruir a intimidade que compartilhamos. Todo o desdém é dissimulado; apesar das recusas enfáticas, ambiciona secretamente todas as dádivas que te concedi. E assim, porque me importo com tua segurança, alerto-te para que te acauteles contra teu irmão. Porque me amas, logo Caim passará a te odiar como odeia a mim. Ele, agora, está enfurecido e rebelou-se totalmente contra meus desígnios. Aviso-te para que saibas: ele inveja-te mais do que nunca depois que te favoreci; reluta em aceitar minha decisão de fazer tua prometida a mais bela das irmãs. A obsessão por Luluva o está consumindo e há intenções hostis em seus gestos. És o predileto de teu Deus e não quero que sofras pelos atos de teu irmão, portanto previna-se contra a violência que ele poderá perpetrar. Tu conheces a morte, a tens provocado com tuas próprias mãos. O que ainda não te dei a conhecer é que não só os animais morrem; no exílio, também o homem morre. Ciente disto, tu perceberás que, em certos momentos, devemos nos antecipar ao mal para que ele não prevaleça.

Bem, o que se seguiu a isso é fácil prever. Abel, temendo a morte nas mãos de Caim, se antecipa e tenta matar o irmão usando seu instrumento de trabalho, ao que ele se defende por puro instinto de sobrevivência e ambos vão ao solo. Não conseguindo conter a fúria do irmão e no afã de o fazer parar, Caim reage reflexamente e desfere um golpe na cabeça de Abel com o que, no momento, estava mais ao alcance de sua mão; uma pedra. Abel tomba para o lado, mortalmente ferido, agoniza e morre. Caim se levanta atônito diante de uma visão que não pôde conciliar; olha o corpo inerte e sanguinolento e não reconhece, nele, seu irmão. Ele havia desencadeado um processo que, de um instante para outro, transformou algo vivo numa massa bruta e sem identidade. Sentia que era uma situação muito grave e, talvez, irreparável. Mas, transtornado, não queria pensar que fosse assim, freneticamente buscava em sua imaginação meios que pudesse reverter os fatos. A lembrança mais reconfortante que lhe ocorreu foi das sementes germinando do solo. Coisas inertes postas sob a terra úmida brotavam para a vida. O mesmo poderia suceder se, literalmente, plantasse aquilo que fora seu irmão. Com esse pensamento, cavou desarvoradamente o solo e na cova acomodou o cadáver, cobrindo-o com a terra solta. Contudo, não se tranqüilizou, sabia: algumas sementes não germinam. Apesar da dúvida, decidiu que nada mais poderia fazer senão esperar. Foi quando ouviu a voz que vem em silêncio lhe inquirir:

– Caim, onde está Abel, teu irmão?
– E logo tu, que deverias saber, me perguntas?

Lógico que sabia; Iaodabaoth perguntava apenas por intimidação. E, ainda a pouco, estivera com os Elohim pedindo para que intercedessem por Abel; primeiro, que lhe restituíssem a vida e segundo, que punissem severamente Caim por seu crime inominável. Ao primeiro disseram: “Há limites a todo poder: a vida é como a água que derrama do vaso partido no solo seco; é possível restaurar o vaso, mas a mesma água não poderá ser reposta”. Ao segundo deliberam que qualquer pena seria injusta: “Posto que nem Caim, nem Abel podem ser responsabilizados pelos seus atos; pois ambos foram privados de opção: A Caim, o ímpeto de sobreviver tirou todas e a Abel, tu não deixaste nenhuma”.

Porém, de nada disso tinha conhecimento Caim e prosseguiu afrontando o demiurgo em seu total estado de transtorno:

– Por certo, não és tu o guardião de meu irmão? Não era teu o compromisso de o proteger de todo mal? Pois, não o protegeste contra mim e agora jaz sob o solo que piso. Minha esperança é que a terra que dá vida ao trigo o faça renascer. Então, por que não mostras o quanto és poderoso e lhe devolves a vida que tirei?

Caim só tentava mais uma solução desesperada para seu drama pessoal, todavia Iaodabaoth encarou aquilo como um desafio; fora profundamente atingido em seu orgulho, não poderia deixar que uma criatura tão inferior o desacatasse assim. Movido pela arrogância e o despeito, Iaodabaoth comete a mais hedionda das ofensas à vida; desrespeita a morte e macula a inocência de um cadáver ao tocá-lo para reanimar seus membros. Tal intenção desnaturaliza sua existência e o torna um elemento estranho para a terra que o acolhe. E, então, num espasmo, ela expele o corpo de Abel de volta a superfície. Perplexo, Caim tem novamente o irmão morto diante de si. Intrigado levanta os olhos e interroga seu interlocutor divino:

– O que estás fazendo, queres brincar com a minha inquietação?
– Não, apenas estou respondendo ao teu desafio e pondo a prova tua descrença.
– Mas ele não se move, ainda o sinto morto. Nada fizeste senão desfazer meu trabalho. Oh, deixa-nos em paz e volta para tuas alturas.

Caim voltou a enterrar Abel na mesma cova e, de novo, o solo fértil recusou-se a recebê-lo em seu seio. Por três vezes Caim tentou devolver o irmão ao úmido útero da terra; ela, entretanto, em todas as tentativas o lançou fora. Na terceira, toda a criação é violada; os olhos de Abel se abrem e o irmão vivo fica mortificado. Nada mudou, é a mesma massa bruta despersonalizada, algo tão apavorante quanto uma pedra que abrisse, de repente, olhos que nunca tivera. O coração de Caim gela quando o irmão, que ainda sente morto, lhe pede, numa voz sumida, para levantá-lo dali, afastá-lo da terra calcinante que queima dolorosamente suas costas. Caim atende e ao erguê-lo percebe que a pele dele está cheia de ulcerações. De pé, Abel começa a se recompor, lança um olhar desvairado para o irmão e diz em tom de contrito lamento: “Tenho fome, muita fome, tanta fome que não penso em mais nada senão em satisfazê-la”. Dito isso, sai, sem aviso, correndo a esmo entre os arbustos até avistar uma presa; num rompante, salta sobre ela e a captura. Com uma expressão de extasiado deleite, mostra o desafortunado animal ao irmão, aperta-o sofregamente entre as mãos e crava os dentes em seu pescoço; em vão ele se contorce e guincha, mas seu sangue jorra e é sorvido avidamente pela boca crispada. Terminado, a carcaça totalmente exaurida de seus fluídos é largada ao chão como um bagaço de fruta chupada. Ato contínuo, o corpo revivo de Abel entra num frenesi convulsionado e, quando cessa, vasculha freneticamente ao redor, ansiando por mais. Assim, se põe a cata de novas vítimas e afasta-se rapidamente do irmão. Caim, terrificado, não tem coragem de ir atrás dele e o deixa à sua sorte. Já presenciara vários predadores em caça, porém nada visto era comparável ao que acabara de assistir, algo excessivamente doentio passara a habitar o corpo de Abel.

Sem alternativa, outra vez volta-se para a voz desincorporada e indaga sobre o que era aquilo:

– O que fizeste ao meu irmão? Não foi vida que lhe reenviaste, mas apenas movimento ao corpo. Ele é um morto que aparenta estar vivo. Algo medonho e abominável criado por mero capricho.

– Como ousas julgar minhas ações. Os meus motivos estão muito além do teu entendimento. Antes de eu criar a vida de aparência, tu criaste a morte de fato. Somos cúmplices nesse horror que se espalhará pela terra. A descendência de Abel proliferará entre os homens, enquanto a tua será apartada da humanidade, proscrita do convívio de seus próprios semelhantes, rechaçada onde quer que vá.
– Como tua maldição poderá se cumprir? Como conseguirão distinguir minha descendência das demais?
– Há uma marca indelével em ti que passarás, inapelavelmente, para todos de tua linhagem.
– Eu não tenho marca alguma e não deixarei que me marques como Abel marcava seus animais!
– Não preciso marcar a ti. Será na humanidade que infundirei a minha marca, um selo que não poderás, nem desejarás, simular. Deste modo, tu e tua descendência é que estarão marcados, justo por não possuírem marca alguma.

Iaodabaoth, imprudentemente, havia reconstituído o vaso: mas um vazamento permaneceu e toda a água nele posta não seria contida por muito tempo. O demiurgo deu a luz a um ser desviante, vazio de vida. Partejou um aborto da natureza que sobreviverá absorvendo a vida de outros. O que é bem diferente dos seres naturais que consomem a matéria para alimentar a vida que lhes é própria.

Bem, é isso. Já me estendi demais nesta resenha. É o que basta para apresentar a gênese mística dos vampiros dentro de uma perspectiva de origem judaica, como havia proposto. E se você achar tudo isso surpreendente demais, lembre-se que a história é escrita pelos vencedores. Quanto aos que insistem na prosaica pergunta: “Então, está é a verdade?”; responderei como faziam os astanfitas: “Não, apenas faz mais sentido!”.

X Runner

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-genese-vampirica-e-o-mito-de-caim-e-abel/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-genese-vampirica-e-o-mito-de-caim-e-abel/

A Conexão Reptiliana

Se você é novo ao meu trabalho, a informação mais bizarra que você vai encontrar neste site é a relativa à conexão reptiliana.

Eu compreendo isso. É algo totalmente diferente da nossa versão condicionada da realidade. Mas, esse é exatamente o ponto principal. Se você quer manter algo secreto das pessoas, dê a elas uma versão de realidade e possibilidade que seja tão distante do que realmente está acontecendo, que, até mesmo se a verdade vier à luz, ela parecerá absurda e extrema demais para a maioria das pessoas acreditar.

De fato, se você fizer o seu trabalho bem o bastante, as pessoas irão rir da verdade, chamá-la de insanidade, e ridicularizar qualquer um que a promova.

Para verdadeiramente entender como toda a informação neste site ajusta-se em um todo coerente, você realmente precisa ler meu livro, O Maior Segredo. Mas, para aqueles que ainda não leram, aqui está algum pano de fundo básico. Contudo, por favor lembre-se de que no livro há uma enorme quantidade de informação para apoiar o que eu estou a ponto de dizer.

Quando eu alcancei o ponto, alguns anos atrás, onde eu tinha reunido e entendido a estrutura pela qual poucas pessoas controlam a direção do mundo (veja E a Verdade o Libertará), estava claro que esta rede de sociedades e grupos secretos que manipulam a política global, os negócios, os bancos, as forças armadas, mídia, e assim por diante, não poderia ter sido criada dentro de poucos anos ou décadas. Ela tinha que voltar um tempo muito longo.

Assim eu comecei a rastrear suas origens no que nós chamamos de história. Eu fiz isto com o conhecimento de que, por alguma razão, descendência e genética eram vitalmente importantes a esses manipuladores, os Illuminati ou Iluminados – iluminados no conhecimento que o público nunca vê.

Eu segui confortavelmente a pista ao tempo das Cruzadas no Oriente Médio, aos 12º e 13º séculos, aquele “amável” período, e, a partir daí, voltei ainda mais longe: ao mundo antigo e pré-história.

Lá, por todo o planeta, você encontra as lendas e contos antigos de “deuses” de outro mundo que cruzaram com a humanidade para criar uma rede de descendentes híbridos. O Velho Testamento, por exemplo, fala sobre os “Filhos de Deus” que cruzaram com as filhas dos homens para criar a raça híbrida, chamada de Nefilim. Antes que fosse traduzido para o inglês, aquela passagem, dizia “os filhos dos deuses”, plural. Mas os contos da Bíblia são apenas alguns dos muitos que descrevem o mesmo tema.

As Tábuas de barro sumérias, achadas no local que nós chamamos agora de Iraque, na metade do século 19, conta uma história semelhante. É estimado que elas foram enterradas ao redor de 2,000 AC, mas as histórias que elas contam voltam muito antes disso. As Tábuas falam de uma raça de “deuses” de outro mundo que trouxe conhecimento avançado para o planeta e cruzou com humanos para criar uma descendência de híbridos. Esses “deuses” são chamados nas Tábuas, os “Anunnaki” que aparentemente traduz como “aqueles que do céu para a Terra vieram.”

Os contos antigos nos falam que estes descendentes híbridos, resultantes da fusão dos genes de humanos selecionados com os dos “deuses”, foram postos nas posições de comandar o poder real, especialmente no antigo Oriente Médio e Próximo Oriente, em culturas avançadas como a Suméria, Babilônia e Egito. Mas isto também aconteceu em outros lugares, como você descobrirá se pesquisar, por exemplo, nas informações surpreendentes fornecidas neste site pelo shaman zulu africano, Credo Mutwa, e nos incríveis Credo vídeos, Agenda Reptiliana, partes um e dois. Ele conta a mesma história vinda da tradição negra africana que eu tenho descoberto em outros lugares do mundo.

Os contos sobre a “raça serpente” em culturas antigas são simplesmente intermináveis para onde quer que você olhe, e o simbolismo serpente-reptiliano em relação aos Anunnaki e outras versões destes “deuses” são igualmente difundidos. Nós vemos isto na Bíblia, por exemplo, com a serpente no “Jardim do Éden” – uma história que claramente vem dos contos Sumérios, assim como a história de Moisés nos juncos, uma história contada sobre um rei Sumério muito antes da Bíblia. É por isso que eu achei tão surpreendente quando Zecharia Sitchin, o melhor e mais conhecido tradutor das Tábuas Sumérias, me disse que não havia nenhuma evidência de uma raça serpente no mundo antigo. Claro que há. Ele também me aconselhou fortemente em relação à raça serpente… “não vá lá”. Porque? Quando a evidência, antiga e moderna, é tão enorme?

Destes descendentes híbridos veio “o direito divino dos reis”, a crença de que somente aqueles de “sangue azul” têm o direito de governar dado por Deus. Na verdade esse direito não é “divino”. É o direito de governar dado pelos “deuses” reptilianos por via de sua genética híbrida.

Estes híbridos se tornaram depois as famílias reais e aristocráticas da Europa e, graças ao “Grande” Império britânico e aos outros impérios europeus, eles foram exportados para as Américas, África, Austrália, Nova Zelândia, e diretamente para o Distante Oriente onde eles conectaram-se com outros híbridos reptilianos, como aqueles, mais obviamente, na China onde o simbolismo do dragão é a base da cultura deles.

Estas linhagens híbridas reptilianas-humanas se tornaram os governantes políticos e econômicos daquelas terras ocupadas pelos impérios europeus e elas continuam governando esses países ainda hoje. Os Estados Unidos da América tem sido o lar de centenas de milhões de pessoas desde 1776. E o que é mais surpreendente é que essas pessoas vieram de uma incrivelmente diversa mistura genética. E contudo, espere por isto, os 42 homens que se tornaram Presidentes dos Estados Unidos são todos relacionados!!! Trinta e três deles sozinhos estão relacionados à Carlos Magno, um dos monarcas mais famosos do que nós chamamos agora de França. Acontece que ele é uma figura principal na história e na expansão dessas linhagens híbridas para a Inglaterra, a França, a Alemanha, e para outros lugares.

Os Rothschilds, os Rockefellers, a família real britânica, e as famílias que controlam a política e a economia do EUA e do resto do mundo vêm desta MESMA linhagem. É por isso que as assim chamadas famílias do Estabelecimento Oriental dos Estados Unidos cruzam entre si tão obsessivamente quanto as Famílias reais e “nobres” européias sempre fizeram. Assim como outras famílias similares ao redor do mundo. Elas não fazem isso por serem snobes, mas para manterem, da melhor forma que puderem, uma estrutura genética: a combinação do DNA réptil-mamífero, a qual permite que eles mudem de forma.

Você também verá referências neste site para “mudança de forma”, o fenômeno no qual testemunhas informam terem visto pessoas (freqüentemente aquelas em posições de poder), transformar-se diante dos seus olhos, de uma forma humana para uma réptil e então retornar à forma humana. Você achará muito sobre isto em O Maior Segredo. E Credo Mutwa confirma exatamente a mesma experiência na África negra. Uma vez mais, antigos e modernos contos apóiam uns aos outros. Os deuses antigos dos Vales Indus, os Nagas, eram ditos terem sido capazes de assumir ou a forma humana ou a réptil.

O presidente anterior dos EUA, George Bush, incidentemente, é mencionado mais do que qualquer outra pessoa em minhas experiências em relação à mudança de forma. é por isso que o filho dele está sendo conduzido para a eleição presidencial de 2000. Na America presidentes não são eleitos por votos,  eles são selecionados por seu sangue.

Al Gore, o seu oponente “Democrático” no Estado de um único partido, também é desta linhagem genética. Olhe quase em qualquer lugar no mundo para uma posição significativa de poder e você achará o mesmo.

O simbolismo reptiliano que você vê ao seu redor em gárgulas, em brasões, em propaganda, e assim por diante, é tudo parte disto.

Estes “deuses” não poderiam assumir o controle do planeta abertamente porque não há bastante deles, assim eles estão fazendo isto secretamente, disfarçando-se de humanos. Filmes como Eles Vivem, A Chegada (o primeiro, não a seqüência), e a série de televisão americana, V, conta a história do que REALMENTE está acontecendo. Se você é novo a tudo isto, eu sugiro que você pense em assistir estes filmes para acordar pra realidade o mais depressa possível.

Os pesquisadores de conspirações e da Nova Ordem Mundial também têm seus próprios sistemas de crença políticos e religiosos para defender e enquanto eles descobrem um nível da conspiração, a maioria rejeita e até mesmo ridiculariza o que eu estou dizendo sobre a conexão reptiliana. Tudo bem, mas a menos que eles entendam este quadro maior eles nunca irão, em minha visão, entender o que está verdadeiramente acontecendo ao nosso redor.

Como disse Ghandi: “Mesmo se você está em uma minoria de um, a verdade ainda é a verdade.”

E como resultado das ondas que O Maior Segredo têm causado, e as novas informações, experiências, e contos que o livro e este website têm atraído do mundo inteiro, há uma compreensão crescente de que esta aparentemente bizarra e louca história é de fato verdade. Que o mundo realmente pode ser controlado por linhagens genéticas reptilianas que se escondem por atrás de uma forma aparentemente humana. E é este entendimento que reúne todas as informações aparentemente desconexas neste site em um grande e conectado todo.

Aqui estão alguns exemplos:

RELIGIÃO

Se você deseja controlar uma grande quantidade de pessoas, você tem que desconectá-las do verdadeiro conhecimento de quem elas são e do próprio potencial infinito delas para manifestar o seu próprio destino e controlar suas próprias vidas. Você tem que convencê-las de que elas são insignificantes e impotentes assim elas viverão as suas vidas de acordo com isso.

É por isso que a religião tem sido uma das armas mais efetivas da Illuminati e das linhagens genéticas reptilianas. Ela enche as pessoas de medo de um Deus vingativo e diz que a menos que eles acreditem que a “verdade” de tudo pode ser achado dentro um livro ou sistema de crença, eles irão para inferno ou então experimentarão outras conseqüências extremamente desagradáveis.

Religiões diferentes também têm sido veículos maravilhosos para dividir e conquistar as pessoas através de conflitos inter-religiosos arrogantes. Os reptilianos criaram as religiões por isso e os jogadores-chave dentro delas nem mesmo acreditam na tolice que eles papagueiam para os seus seguidores. Eles apenas querem que a população acredite nisto, assim ela será fácil de controlar. É por isso que você descobre que tantos famosos evangelistas “Cristãos”, por exemplo, são de fato Satanistas. O “Cristianismo” deles é só uma cortina de fumaça.

MEDICINA E MÍDIA

A supressão do verdadeiro conhecimento de curar e a dominação de drogas e cirurgias na “medicina” assegura que o corpo físico humano opere muito longe do seu potencial máximo. Esta é a razão para a descarada falta de representação e supressão das chamadas formas “alternativas” de curar que surgiram milhares de anos antes da moderna “medicina”.

Suplementos alimentares, fast food (comida rápida), flúor nos suprimentos de água, os venenos que nós colocamos na terra e conseqüentemente comemos em nossa comida e bebemos em nossa água, estão suprimindo não só nossa saúde física e vibração, mas, crucialmente, nossas funções cerebrais e intelecto. Uma população completamente acordada e mentalmente afiada é a última coisa de que você precisa se você quer controlá-la. Assim as linhagens genéticas reptilianas também dão muita ênfase em controlar a “educação” e a mídia. Isso permite que eles nos alimentem com uma dieta constante de lixo desmiolado, como game shows, enquanto a mídia de “notícias” nos conta o que os controladores querem que nós pensemos. A maioria dos jornalistas são tão desmiolados, e com uma enorme falta de compreensão do que eles fazem parte, que eles, como a maioria da população, ajudam a avançar uma agenda que eles nem mesmo sabem que existe.

CONTROLE DA MENTE

O controle mental está obviamente muito relacionado a religião, que é, para mim, a melhor forma de controle mental em massa já inventado. Assim como propaganda e televisão. Mas o controle de mente vai muito mais fundo do que isso. Os projetos de controle da mente dos Illuminati-reptilianos têm produzido literalmente milhões de robôs mente-controlados que são programados para levar a cabo a Agenda da Illuminati.

Há muitas formas eletrônicas através das quais isto é feito hoje, mas um dos métodos-chave é o controle da mente baseado no trauma. Onde pessoas são traumatizadas por abuso sexual, violência, são forçadas a testemunhar e tomar parte em rituais de sacrifício humano e outros incontáveis horrores. Tais experiências ativam o mecanismo da mente que bloqueia recordações de trauma extremo.

Um exemplo disto, o qual muitas pessoas experimentaram, é quando elas não podem recordar de um grave acidente de carro. Elas podem se lembrar de antes e depois do acidente, mas não do impacto. A mente põe uma barreira amnésica ao redor da memória assim nós não temos que continuar revivendo o acidente. Isso é uma boa coisa, mas a Illuminati tem desenvolvido métodos de usar esta técnica para traumatizar uma mente seguidamente até que ela se fragmente em várias barreiras amnésicas desconectadas. Eles então programam esses diferentes fragmentos da mente (altares como eles os chamam) com tarefas diferentes. As tarefas são pré-programadas para serem ativadas com um “gatilho”, que pode ser uma palavra, uma cor, um som, ou o que quer que seja. Uma vez que o gatilho é determinado, o programa se fecha e a pessoa fará tudo o que ela foi programada pra fazer.

Essa tarefa pode ser ter sexo com um político famoso, a qual elas não se lembrarão; assassinar alguém como John Lennon; enlouquecer com uma arma em uma escola, o que conduz para políticas de controle de armas, etc. Os campos de concentração da Alemanha Nazista sobre a supervisão do “Anjo da Morte”, Josef Mengele, foram uns dos principais centros para tais experimentos. Mengele foi levado para os Estados Unidos e América do Sul depois da guerra pela Illuminati com o nome de Doutor Green ou Greenbaum para continuar o seu horroroso “trabalho”. Isso resultou no notório projeto de controle mental, MK Ultra. O Centro de armas navais China Lake no deserto da Califórnia foi uma das suas primeiras bases de operação.

O tempo mais efetivo para começar este processo de criação de robôs humanos é antes da idade de cinco ou seis anos. Conseqüentemente você tem as colossais redes de abuso de crianças e o ritual Satânico de abuso de crianças expostos neste site e em meus livros.

O ABUSO E O RITUAL SATÂNICO DE ABUSO DE CRIANÇAS, E CERIMÔNIAS DE SACRIFÍCIO HUMANO EM GERAL

Estarrecedor como isso pode parecer, tudo isso acima é maciçamente difundido no mundo inteiro. Está acontecendo dentro de sua comunidade agora, não importa onde você esteja. Eu, e outros, temos revelado isto durante anos e agora, como você verá neste site, a escala disto, e as pessoas famosas envolvidas, estão finalmente vindo à luz.

Em parte, estes rituais e redes de abuso são para traumatizar pessoas, especialmente as crianças, mas é muito mais do que apenas isso. Siga as linhagens genéticas Illuminati-reptilianas do mundo antigo até agora e você verá que elas SEMPRE tomaram parte em cerimônias de sacrifício humano e SEMPRE beberam sangue. Os sacrifícios para os “deuses” nos contos antigos, eram literalmente sacrifícios para os reptilianos e suas linhagens genéticas híbridas. A história do Drácula, o bebedor de sangue, é simbólica desses “vampiros” reptilianos. Um dos locais deste grupo reptiliano parece ser o sistema estelar conhecido como Draco (dragão), e “draconiano” certamente resume a Illuminati.

Para sustentar a sua forma humana, essas entidades precisam beber sangue humano (mamífero), e acessar a energia que ele contém para manterem seus códigos genéticos em sua expressão “humana”. Se eles não fazem isso, eles manifestam os códigos reptilianos deles e, dessa forma, todos nós veríamos o que eles realmente se parecem. “Oh meu Deus, Sr. Presidente, você sempre toma seu café da manhã dentro do quarto?”

Do que eu entendi através de informações de pessoas que já trabalharam pra essa “gente” (ex-insiders), o sangue (energia) de bebês e de crianças pequenas é o mais efetivo para isso, como também é o sangue de pessoas loiras e de olhos azuis. Conseqüentemente essas são as pessoas predominantemente usadas em sacrifício e, ao que parece, também as pessoas de cabelo vermelho.

É por isso que pessoas como George Bush, Henry Kissinger, e uma corrente de outros “grandes nomes” da Illuminati estão expostos em meus livros e neste site como reptilianos que mudam de forma e que tomam parte em sacrifícios humanos e bebem sangue. Os dois acontecem juntos. Parece haver também uma ênfase muito significativa entre os Illuminati-reptilianos e os seus aliados com pedofilia, que é excessiva neste planeta.

Eu também gostaria de enfatizar antes de eu terminar aqui, que eu estou expondo certos GRUPOS reptilianos por trás da Illuminati, não a corrente genética reptiliana em geral. Há muitos de origem reptiliana que estão aqui para ajudar a humanidade a se livrar desta escravidão mental e emocional. De fato, todos nós temos um corpo com muitos genes répteis, inclusive parte do cérebro chamado de complexo-R, o cérebro réptil.

Eu confio que este breve resumo o ajudará a ver a relevância de todos os artigos e informações que você achará neste site. No fim, todas essas aparentemente desconexas “conspirações” são parte de UMA conspiração projetada para introduzir UMA agenda: O controle reptiliano do Planeta Terra e de toda a sua população.

Exposição do plano de controle reptiliano do Planeta Terra por David Icke

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conexao-reptiliana/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conexao-reptiliana/