Mapa Astral de Dion Fortune

Dion Fortune, pseudônimo de Violet Mary Firth Evans (1890 — 1946), psicóloga e ocultista britânica.

Violet nasceu em Bryn-y-Bia (Llandudno, Gales), e cresceu no seio de uma família onde se praticava, rigorosamente, a Ciência Cristã. Por volta de 1910, após sofrer uma crise nervosa, interessou-se pelo Ocultismo. Em 1919, ela foi iniciada no Templo “Alpha e Ômega”, da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), onde adotou o nome-mágico de “Dion Fortune”, inspirado no lema de sua família: “Deo , non fortuna “(Deus, não o destino). Ao mesmo tempo, estudou Psicologia e Psicanálise na Universidade de Londres, onde se formou, passando a trabalhar como psicoterapeuta na Clínica Médico-Psicológica de Brunswick Square.

Com Sol, Vênus e Mercúrio em Sagitário; Lua em Libra; Caput Draconis, Plutão e Netuno em Gêmeos e Marte e Júpiter em Aquário (com um Saturno em Virgem para equilibrar), sendo o Sol seu planeta mais forte, com nada menos do que 8 Aspectações fortes, temos um Mapa bastante adequado para uma ocultista e muito voltado para o pensamento, a mente e o estudo/filosofia da magia.

Praticamente todos os Planetas deste Mapa estão ligados ao elemento AR ou aos aspectos Mutáveis dos Signos (que envolvem a mente).

A estrutura do Mapa sugere alguém que organiza e compila coisas estranhas; com dedicação tanto no campo da busca incessante por conhecimentos profundos e espirituais (Netuno e Plutão em Gêmeos) quanto na facilidade e seu dispêndio de energia em assuntos diferentes ou fora do padrão (Marte e Júpiter em Aquário – sorte nossa que ela escolheu a Magia como assunto exótico para se dedicar!) embasados por uma disciplina metódica e perfeccionista. Isso é percebido em sua obra mais valiosa: “A Cabala Mística”, bem como no livro “Autodefesa Psíquica” ambos recomendados por este que vos escreve.

#Astrologia #Biografias

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O Mapa Astral do Neil Gaiman

mapa-neil-gaiman

10 de Novembro é a data de aniversário de um dos maiores escritores do planeta. Quando ele esteve em SP pela segunda vez, eu perguntei o horário de nascimento dele, o que torna possível fazer o Mapa Completo, com todos os dados… Para meus alunos de Astrologia Hermética, o Mapa para vocês brincarem; para quem ainda não entende, abaixo vai uma descrição completa das principais Aspectações do Mapa.

Sol em Escorpião na Casa 6: Uma pessoa intensa, com sentimentos muito intensos, apaixonada pelo que é misterioso e o que está escondido. Alguém que deseja saber o que se passa na cabeça das pessoas, que tentará aprender o máximo que puder sobre a natureza humana; a casa 6 indica alguém perfeccionista, que prefere trabalhar quieto no seu canto sem grandes alardes.

Sol em Conjunção a Netuno: Extremamente sensível; pode gostar de criar mundos de fantasia em sua mente, onde é capaz de fazer o que quiser nele. Se desenvolver talentos para escrever, pode se tornar um bom escritor.

Sol em Conjunção a Mercúrio: Tem uma grande necessidade de expressar suas opiniões, facilidade para escrever ou talento para colocar no papel aquilo que pensa.

Sol em Quadratura com o Meio do Céu: Indica tendência para se tornar conhecido na profissão que escolher.

Sol em Quadratura com Urano: Indica tendência a se rebelar contra figuras de autoridade. Provavelmente gosta de despertar esperança e incentivar as pessoas.

Lua em Leão na casa 3: Seus sentimentos influenciam suas decisões de tal maneira que às vezes é quase impossível ser muito objetivo, a menos que ele faça um esforço maior que a maioria das pessoas para isso. Por outro lado, têm facilidade para expressar sentimentos em palavras (casa 3).

Lua em quadratura com netuno: Características de sonhador, alguém que pode eventualmente preferir viver em lugares imaginários do que reais.

Lua em Quadratura com Mercúrio: A intuição e a mente racional estão tão interligadas que sua argumentação geralmente é feita com base em sentimentos, não em lógica.

Ascendente entre Gêmeos e Câncer: A partir dos 30 anos, desenvolverá cada vez mais facilidade para trabalhar com textos, palavras e narrativas, sejam eles descritivos (gêmeos) ou fábulas (câncer).

Mercúrio em Escorpião entre a 5a e 6a casa: Mente muito perspicaz, que deseja chegar sempre ao fundo de qualquer questão. Vai gostar de se expressar e, provavelmente quando ficar mais velho vai gostar muito de escrever. Possui uma mente ordenada e gosta de pesquisar os mínimos detalhes em tudo o que faz.

Mercúrio em Conjunção a Netuno: Indica uma imaginação muito rica, facilidade para descrever fatos em palavras. Indica também uma pessoa muito sensível em relação aos sentimentos dos que estão ao seu redor, mesmo que não diga uma palavra a respeito.

Mercúrio em Trígono com Marte: Uma pessoa que vai gastar energia para colocar o que está pensando para fora. Vai gostar de palestras e debates, onde possa trocar idéias. Indica uma energia mental acima da média.

Mercúrio em sextil com Plutão: Tendência a levar tudo muito a sério, especialmente nos estudos e projetos. Não vai ficar satisfeito até que consiga organizar os projetos nos mínimos detalhes.

Mercúrio em sextil com Saturno: Tendência a ser muito metódico com qualquer coisa que envolva descrições ou palavras. Pode ser capaz de elaborar planos que todos ao seu redor consigam compreender com facilidade. Facilidade para organizar projetos.

Vênus em Sagitário na Casa 6: Indica boa saúde e disposição acima da média. Também indica alguém que procura sempre ver o lado positivo da vida, e enxergar o que as pessoas têm de melhor. Vênus na Casa 6 indica a possibilidade de escolher uma carreira que envolva artes, criação ou aconselhar pessoas.

Vênus em conjunção a Júpiter: Indica uma pessoa amável, generosa e fiel. provavelmente possui muitos amigos e é o tipo de pessoa que vai inspirar quem estiver por perto.

Marte em Câncer na casa 2: Uma pessoa que vai batalhar muito por qualquer coisa que desejar; que tem a tendência a colocar as emoções em tudo o que faz.

Marte em Trígono com Netuno: Indica tendências idealistas, que fará esforços para mudar o mundo.

Júpiter em capricórnio na Casa 7: Uma pessoa que trabalha melhor em pequenos grupos, e que ao mesmo tempo gosta de estar próximo de pessoas que possam lhe ensinar coisas novas o tempo todo.

Saturno em Capricórnio entre as casas 7 e 8: Saturno em capricórnio indica um profundo senso de responsabilidade, disciplina e ordem. Com o tanto de aspectações indicando imaginação, sensibilidade e mente voltada para o emocional/fantasia, provavelmente por conta desta aspectação fortíssima que o Neil está escrevendo livros e contos maravilhosos ao invés de estar internado em um sanatório conversando com amigos imaginários.

E para os céticos e pseudo-céticos de plantão, que sempre alegam “Leitura fria” quando os Mapas Astrais acertam demais, eu aviso que os textos deste post (com exceção do último comentário) foram apenas traduzidos de textos escritos por Robert Hand em 1982.

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Mapa Astral de Raul Seixas

Normalmente eu posto os mapas na data de aniversário, mas dessa vez acabei perdendo o prazo. O aniversário do Raulzito não dava pra deixar passar, então com um pequeno atraso, segue a análise do Mapa do maluco beleza.

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor, compositor, produtor e músico brasileiro, é considerado por muitos o maior representante do rock brasileiro.

Seu gosto musical foi se moldando: primeiro, no rádio, acompanha o sucesso de Luiz Gonzaga (que era maçom), e nas viagens, onde acompanha o pai, ouve os matutos desfiarem repentes – e esta “raiz” nordestina nunca o abandonara. Porém, logo Raul Seixas conheceu um estilo que influenciou muito sua vida: o Rock’n Roll. Raul teve contato com o Rock através do consulado norte-americano, que ficava próximo de sua casa. A partir daí, foram muitas horas diárias na loja “Cantinho da Música”, ouvindo discos de rock e várias sessões nos cinemas, onde passou a apreciar as performances de Elvis Presley, de quem torna-se fã. Tão fã que chega a fundar o “Elvis Presley Fã-Clube de Salvador”. Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60.

Juntamente com alguns amigos de Salvador, monta um conjunto, “Os Relâmpagos do Rock”, a primeira banda de Salvador a utilizar instrumentos elétricos. Mais tarde, a banda muda de nome, passa a se chamar “The Panters”, e por último “Raulzito e os Panteras”. Fazem shows pelo estado em bailes e festinhas e até mesmo para um público de duas mil pessoas no Festival da Juventude. Mas o sucesso da banda não ultrapassava o eixo baiano, fato que aborrecia Raul. A decepção com o mundo artístico foi reforçada pelo namoro com a americana Edith Wisner. A pedidos do pai da garota – que era pastor protestante – Raul abandona a carreira musical.

Paulo Coelho, então em contato com Marcelo Ramos Motta, tomava suas primeiras instruções sobre Aleister Crowley e a Lei de Thelema. O fascínio pela filosofia desenvolvida pelo controvertido mago Inglês, não tardou a contagiar o promissor jovem escritor que, logo em seguida, a apresentaria a Raul Seixas. A vida e a obra dos dois foram fortemente marcadas por este período.

Motta, então, escreve para um de seus discípulos, pedindo para que este se responsabilizasse pelo desenvolvimento de Paulo Coelho, tanto na AA quanto na sua particular versão da OTO. Marcelo Motta também comporia algumas músicas em parceria com Raul Seixas e Paulo Coelho. Entre as mais famosas estão as belas “A Maçã”, “Tente Outra Vez” e “Novo Aeon”.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é “Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei”. Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos. No entanto, o seu LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso com a música “Gita”, que a Ditadura achou melhor trazer os dois de volta ao Brasil para não levantar suspeitas sobre seus desaparecimentos.

A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas.

Na manhã do dia 21 de agosto de 1989, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama pela sua empregada Dalva, por volta das oito horas da manhã, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante.

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O Mapa de Raul Seixas possui Sol, Mercúrio, Saturno e Caput Draconis em Câncer na Casa 12, com uma lua bem posicionada em Aquário (alguém tinha alguma dúvida disso?) e ascendente em Leão (o perfil facilitador dos artistas que não têm medo de se expor aos outros (atores, compositores, cantores). Suas aspectações mais fortes, no entanto, estão no Planeta Vênus (em Touro) com Mercúrio (Câncer). Liz Greene escreve sobre esse sextil: “O aspecto sextil é favorável e estimula sua capacidade de aprender com a experiência. Você é uma pessoa muito versátil e combina bom senso com bom gosto e capacidade para transmitir informações de maneira agradável. O sucesso chegará quando trabalhar com qualquer tipo de comunicação. Você pode superar-se nas artes ou na oratória.”.

O Mapa mostra uma pessoa com facilidade para as artes, com seu íntimo totalmente dedicado à liberdade. A quadratura de 1,34 graus de sua Lua com Marte (em Touro) garante que, apesar de “maluco beleza”, Raul tinha os pés no chão e sabia muito bem cada passo que dava. Sua Verdadeira Vontade estava direcionada também para as artes, em levar ao mundo uma mensagem voltada para a igualdade. Netuno, a espiritualidade, em Libra, formando um trigono com a Lua em Aquário de Raul representa muito bem os preceitos da “Sociedade alternativa” que levavam em conta o “Faz o que tu queres há de ser o todo da Lei” onde cada pessoa enxerga e respeita as liberdades das outras.

Muito bacana este mapa. Mais um exemplo do que pode ser conseguido quando a pessoa desenvolve a missão para qual veio neste planeta.

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Mapa Astral de Israel Regardie

Francis Israel Regudy, mais conhecido como Israel Regardie (nasceu em 17 de novembro de 1907 em Londres, Inglaterra; faleceu em 10 de março de 1985 em Sedona, Arizona) foi um dos mais significativos ocultistas do século XX e um renovador da literatura oculta, especialmente no que concerne à Hermetic Order of the Golden Dawn.

Regardie emigrou para os Estados Unidos aos 14 anos de idade, e estudou arte em Washington, DC; e Filadélfia, PA. Com um tutor hebreu ele obteve o conhecimento linguístico que provaria ser inestimável em seus posteriores estudos de Kabbalah Hermética.

Com fácil acesso à biblioteca do Congresso, ele lia muito, e tornou-se interessado por teosofia, filosofia hindu e yoga; também juntou-se aos rosa-cruzes nesta época. Após ler a Parte I do Magick (O Livro Quatro) pelo ocultista Aleister Crowley, iniciou uma correspondência que o levaria a voltar para a Inglaterra, aos 21 anos, a convite de Crowley, para tornar-se seu secretário em 1928. Os dois dividiram companhia até 1932.

Em 1934, entrou para a Stella Matutina, uma organização “sucessora” da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Quando o grupo se dissolveu, Regardie adquiriu documentos da Ordem e compilou o livro “A Golden Dawn”, que lhe deu a inimizade de outros membros antigos e a reputação de ser um quebrador de juramentos por causa da informação revelada. No entanto, o livro transformou o trabalho da Ordem em um inteiro ramo da Tradição Ocultista Ocidental.

Conforme Regardie observou em seu A Garden of Pomegranates, “…é essencial que o sistema completo devesse ser publicamente exposto de tal forma que ele não pudesse ser perdido pela humanidade. Pois ele é a herança de todo homem e toda mulher – seu direito de nascência espiritual”. As diversas organizações ocultas clamando descendência da Golden Dawn original e os sistemas de magia praticados por eles devem a continuidade de sua existência e a sua popularidade ao trabalho de Regardie.

Em 1937, aos 30 anos, Regardie voltou para os EUA, entrando para o Chiropractic College em New York. Além disso, estudou psicanálise com o Dr. E. Clegg and Dr. J. L. Bendit, e psicoterapia com o Dr. Nandor Fodor. Abriu um escritório de quiropraxia e ensinou psiquiatria – Freudiana, Reichiana e Jungiana – aposentando-se em 1981 aos 74, quando então mudou-se para Sedona, AZ.

Ele faleceu de um ataque cardíaco na presença de amigos próximos durante um jantar em um restaurante em Sedona, Arizona, em 10 de Março de 1985, aos 77 anos de idade.

Mapa Astral

O Mapa de Regardie possui Sol e Mercúrio em Escorpião na Casa 8; Lua em Áries na Casa 1; Ascendente e Saturno em Peixes; Vênus em Sagitário; Marte em Aquário e Júpiter em Leão na casa 6.

Sol e Mercúrio em Escorpião indicam uma pessoa de pensamentos profundos, que não se contenta apenas em examinar uma situação, mas em estudá-la com a maior profundidade e seriedade possível; é o chamado “Mercúrio dos céticos”, muito encontrado em psiquiatras e psicanalistas (Regardie foi psicanalista).

O Ascendente em Peixes levou seus estudos e sua curiosidade e pesquisa para o campo espiritual (e Saturno apenas ampliou esta seriedade e responsabilidade com estes estudos, especialmente na área de ritualística); Mercúrio (seu Planeta mais forte, com 8 Aspectações)na Casa 8 também indica facilidade para a Magia e Marte em aquário deve ter auxiliado sua inclinação para assuntos considerados tabus ou muito fora da academia (magia, por exemplo).

Sua Lua em Áries mostra uma pessoa com ímpeto e liderança, o que também deve ter ajudado em sua busca pelo desconhecido e pelo oculto.

Júpiter em Leão na casa do trabalho o auxiliou a empreender grandes projetos; o Trígono com a Lua em áries facilitou os aspectos de liderança dentro deste projeto (Golden Dawn)

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John Dee: Anjo para Uns, Demônio para Outros

Por Dave Evans.

As tensões religiosas dentro da heresia cristã de John Dee.

Dee viveu em meio a mudanças religiosas e científicas extremas, e esteve na vanguarda do movimento que empurrou os limites da ciência e da magia. Isto foi feito com a grande dificuldade de não ser pego pela lei, o que ele provou dentro da própria Corte Real. Feiticeiros, astrólogos, bruxas e profetas estavam todos em perigo de serem processados naquela época. John Dee foi sem dúvida um deles, e mais; ele viveu mais de 80 anos, viu cinco monarcas e experimentou três mudanças de religião estatal.

Esta sobrevivência pode se dever particularmente ao fato de que as elites eram mais seguras do que as bruxas da aldeia pobre. Dee nasceu em uma pequena família na Corte, e teve uma excelente educação, o que ajudou a protegê-lo; embora outros ocultistas de nota tenham tido menos sorte: John Lambe, por exemplo, foi apedrejado até a morte por uma multidão enfurecida.

Entretanto, Dee teve a distinção de alienar as autoridades protestantes e católicas durante sua vida, e é provável que tenha sobrevivido, pelo menos na Inglaterra, por causa dos serviços especiais que prestou à Coroa, inclusive sendo espião no continente.

Para Dee, tudo era uma busca pelo conhecimento, e ele era em grande parte responsável pela qualidade da ciência na Inglaterra, tão pouco estudo parece ter sido feito fora de seu próprio círculo. Ele usou a magia como um meio simples de se esforçar para conseguir:

“Um conhecimento mais profundo de todas as ciências, passadas, presentes ou futuras”.

E sua concepção de iluminação viu a ciência e a magia como uma só. Isto foi difícil de racionalizar, e Dee tem sido criticado por historiadores modernos por sua inconsistência, “pensamento eclético e flutuante”. Isto dificilmente parece ser inevitável em toda uma carreira em pelo menos sete disciplinas diferentes praticadas ao longo de cerca de 60 anos, um período de incalculável mudança intelectual.

Dee obteve seus diplomas em Cambridge e em Leuven, onde foi aluno do geógrafo Mercator. Esta relação duradoura permitiu a realização de exploradores britânicos como Raleigh e Frobisher. Dee também recebeu Ordens Sacras na Igreja da Inglaterra, apesar de suas raízes católicas. Ele viajou e estudou muito em sua juventude e aos 23 anos já era famoso na Europa como filósofo, recebendo inúmeras ofertas de monarcas estrangeiros. Ele os recusou, no entanto, permanecendo leal à Inglaterra e retornou em 1550 para aconselhar o governo sobre navegação, cargo que ocupou por 30 anos, auxiliado por seu primo, William Aubrey.

Durante o reinado de Eduardo VI, ele já ocupava um alto cargo na corte como matemático. Quando Maria chegou ao trono, foi-lhe pedido pela curiosa Isabel que elaborasse um horóscopo para ela e sua irmã, a rainha Maria. Isto era uma traição potencial, pois aplicar meios mágicos para prever eventos como a morte de um governante poderia ser politicamente muito perigoso; previsões mágicas poderiam levar a eventos induzidos magicamente. Ele foi, portanto, preso por três meses; depois foi absolvido depois de se defender.

Foi um caminho teológico desconfortável que Dee teve que tomar. Ele escreveu a Maria em 1556, alegando que os escritos e monumentos antigos fossem preservados; mas ele teve que escrever sua carta de tal forma que não podia ser visto como promovendo a sobrevivência dos escritos heréticos protestantes.

Apesar de criado como católico, as crenças de Dee poderiam hoje ser chamadas de Cientificismo Cristão, mas com uma grande parte reservada à magia cerimonial. Pode não haver conflito entre ser um cristão devoto e conversar com anjos; na verdade, talvez seja por isso que se possa conversar com anjos, porque a crença neles é tão forte. Entretanto, o cristianismo puro parece errado quando meios mágicos não cristãos são usados para chamar anjos, especialmente em uma época em que não havia como distinguir os anjos dos demônios.

Dee era bibliófilo e antiquário, ampliando sua casa várias vezes para acomodar uma coleção sempre em expansão (e para abrigar vários estudantes de ciência e magia) e tinha a maior biblioteca da Inglaterra com cerca de 4000 livros. Foram estas que foram confiscadas de bruxas suspeitas. Tais livros, os ‘livros de círculos’, podem ter sido livros de geometria, mas veja a Heptarchia (a referência on-line é dada no final deste artigo) e especialmente a página 32, para mais exemplos ocultos; e considere que o policial médio pode se concentrar em imagens enquanto as investiga.

Em todos os casos, matemática, astrologia e bruxaria estavam fortemente associadas a temas mágicos, e a ciência era fumaça e espelhos.

Numa inversão de atitude, sob a rainha Elizabeth, Dee foi designada para selecionar a data mais favorável para a coroação, via precisamente a mesma astrologia para o monarca pelo qual ele havia sido anteriormente encarcerado. Imagine seu constrangimento. Tal mudança abrupta de atitude, de certa forma, sublinha a forma como a sociedade define os criminosos.

Elizabeth também empregou Dee para combater a bruxaria usada contra ela, e ele tinha editos especiais de Elizabeth que o protegiam de :

“Quem em seu reino deveria procurar, em razão de seus valiosos estudos e exercícios filosóficos, derrubá-lo injustamente”.

Isto deve ter sido necessário porque, apesar de uma reputação muito alta na corte, muitos nobres e alguns da população o viam como um feiticeiro perigoso. Isto desenha paralelos com o teatro contemporâneo e o mágico de Marlowe no Doutor Fausto, a quem o Imperador promete que “o que quer que você faça, não será prejudicado ou abusado de forma alguma”. A proteção seria igualmente vital na espionagem; onde Dee seria frequentemente incapaz de explicar um comportamento suspeito por medo de exposição. Infelizmente não posso discutir aqui as possíveis ligações com Marlowe, que também era um espião.

Dee viajou muito e na sua ausência Elizabeth foi uma forte defensora; como seus livros publicados no continente muitas vezes chegavam à Inglaterra antes dele, a fim de reter os clérigos e acadêmicos que não os entendiam.

Inusitado para a época, Dee escreveu principalmente em inglês, alcançando assim mais da classe educada do que o latim teria feito.

Além de seus trabalhos científicos, Dee continuou suas experiências ocultas, usando bolas de cristal, mas achando-as difíceis de usar. Ele empregava um médium de Lancashire, Edward Kelly. Kelly já foi condenada por fraude, perdendo um ouvido por tal crime.

Durante as sessões psíquicas, Kelly se comunicou com inúmeros anjos que lhe deram profecias e ditaram uma nova linguagem que Dee chamou de ‘Enoquiano’. Tem sido sugerido que Kelly fez o próprio Enoquiano, mas um homem jovem e semialfabetizado nunca teria sido capaz de construir uma linguagem coerente e consistente que não tivesse nenhuma conexão com as línguas existentes. É mais provável que tenha sido a Dee polimática que o fez.

Em 1583 havia rumores de que eles estavam fazendo ouro por alquimia. Isto gerou grande interesse entre a realeza europeia e um nobre polonês, Laski, os convidou para trabalhar em sua casa. Dee e Kelly deixaram a Inglaterra e realizaram experiências alquímicas e mediúnicas caras que colocaram as finanças de Laski em risco. Apesar das profecias políticas angélicas, que previam a realeza de Laski, ele decidiu enviá-las e seus custos ao Imperador Rudolph II, que estava fascinado pela alquimia.

Rudolph ficou muito impressionado, porém, sua alquimia logo levou a queixas de bruxaria e heresia, com o Papa exigindo sua prisão. Rudolph permitiu que eles escapassem. Dee e Kelly tornaram-se então astrólogos independentes, viajando pela Europa, trabalhando para o Rei da Polônia e a nobreza bávara, enquanto espionavam os interesses espanhóis.

As sessões mediúnicas continuaram, mas Kelly, que de repente ficou muito agitada, estava convencida de que o cristal não estava mostrando anjos, mas demônios. Kelly tentou sair, mas foi forçado por Dee a ficar e explicar. Kelly confessou então, relutantemente, que os anjos tinham ordenado que compartilhassem suas esposas, sexualmente.

Eles estavam tão envolvidos no trabalho angélico e, como sua saúde financeira dependia em grande parte das comunicações angélicas para os patrões ricos, eles trocaram esposas. Isto, apesar das próprias mulheres, a grande diferença de idade entre os quatro indivíduos e a imoralidade da situação. Isso seria psicologicamente muito difícil para os cristãos devotos contemporâneos, então o que dizer disso no século XVI

O “ménage à quatre” não durou muito tempo. Dee retornou à Inglaterra em 1589. Kelly continuou como ocultista itinerante. Ele foi preso em várias ocasiões por várias atividades ocultistas e fraudulentas e morreu por ferimentos recebidos durante uma tentativa de fuga em 1595.

Quando ele voltou para casa, quase falido após seis anos de viagem, Dee encontrou sua casa saqueada e muitas de suas obras destruídas ou roubadas. A ausência do tribunal também havia reduzido sua popularidade. Tendo estado a favor da Rainha, ela agora estava fora de contato e lhe deu um posto de ensino longe de Londres, um insulto a um acadêmico como Dee. Para sobreviver, ele teve que vender seus livros restantes e continuou suas experiências ocultas até sua morte em 1608.

Meu primeiro artigo, Heptarchia (referências on-line no final do artigo) é uma fascinante mistura de magia cerimonial e panteísmo com uma tentativa de cristianização. Não foi publicado durante a vida de Dee, mas foi usado como material didático em cópias manuscritas, e como tal pode muito bem ter caído nas mãos das autoridades. Ao longo do texto há referências ao poder de Deus, orações a Deus, etc., que podem ser lidas como cristãs, mas há muitas passagens, apenas uma delas seria suficiente para acusar Dee de bruxaria, heresia ou traição:

“Pois somos deuses”. Criaturas que governaram, que governam e que governarão sobre você”, Heptarchia página 1.

Uma pluralidade de deuses eternos não é uma singularidade cristã, e como tal é uma heresia grave.

“Estes (anjos) estarão sujeitos a você”, Heptarchia página 3.

Dee recebe poder sobre os anjos – uma blasfêmia, pois somente Deus deveria ser capaz de fazer isso. Da mesma forma:

“…o Príncipe Geral, Governador ou Anjo que é o Principal neste mundo”, Heptarchia página 7.

Este não é o Deus cristão, e pode ser o Diabo. Se eles não são anjos, então podem ser demônios ou espíritos familiares, ter relações sexuais com eles é um crime.

“Através delas você fará maravilhas”, Heptarchia página 3.

“A alteração da Corrupção da Natureza, em Perfeição”, Heptarchia página 28, “obras maravilhosas”, Heptarchia página 29.

Estes são milagres, que só Deus pode fazer, e na doutrina protestante eles simplesmente não existem mais.

“Eles são reis caídos e iníquos, cujo poder foi quebrado por Mim, assim farás”, Heptarchia página 3.

Dee tem o poder de realizar mudanças políticas; material imensamente perigoso para escrever sobre. Embora ele tenha sido avisado:

“Grande cuidado deve haver para aquele que se intromete nos assuntos dos príncipes”, Heptarchia página 4.

E ele é informado mais adiante:

“Você está entrando em novos mundos, novas pessoas, novos reis e novos conhecimentos de um novo governo”, Heptarchia página 30.

Dinamite política e traição.

“… espíritos… que guardam a terra e seus tesouros”, Heptarchia página 22.

Magia para descobrir um tesouro enterrado foi um crime e parece que Dee adivinhou ou procurou adivinhar a localização de um tesouro enterrado por vários meios.

“Seu poder está sobre as águas”, Heptarchia página 30.

Isto se refere ao controle mágico da terra. Uma tempestade repentina que destruiu a Armada tem todas as marcas do sobrenatural, e Dee usou tanto suas habilidades de espionagem, navegação e ocultismo contra os navios espanhóis. Sua capacidade de alterar o tempo seria perigosa para Dee em sua vida posterior, quando James tornou-se rei, pois as bruxas de Bernwick foram executadas em 1591 por levantar uma tempestade contra os navios de James.

O principal anjo na Heptarchia (e outros manuscritos da Dee) é Uriel. Na Tempestade de Shakespeare, o anjo chefe é Ariel. A cena de abertura envolve uma tempestade mágica que leva um navio até a ilha de Prospero e ele também tem uma biblioteca fantástica. Há muitos outros paralelos entre Próspero e Dee, que Shakespeare pode ter encontrado já que Dee fez vários efeitos especiais para o Globe Theater. A Tempestade foi realizado três anos após a morte de Dee.

Como vimos, na Europa a Dee poderia entrar em todas as escolas de prestígio como um colega intelectual. Na Inglaterra ele era considerado com medo e desconfiança. No entanto, foi talvez apenas com a sua morte e os retratos simpáticos subsequentes, juntamente com a liberalização religiosa e uma compreensão crescente do valor de seu trabalho em matemática, navegação, filosofia e ciência em geral, que a sociedade inglesa naquela época foi capaz de aceitá-lo como algo mais do que um objeto de superstição, e sua imagem foi reabilitada.

Notas:

NB/ meu título: ‘Anjos para uns, demônios para outros’ é uma frase emprestada de uma ficção de terror, ‘The Hellbound Heart’ de Clive Barker, que é o roteiro do filme ‘Hellraiser’, onde esta frase é uma das partes centrais do diálogo.

Há pelo menos quatro biografias de Dee em papel, nenhuma delas é verdadeiramente abrangente.

Referências on-line: John Dee, De Heptarchia Mystica, (Diuinis, ipsius Creationis, stabilis legibus) Collectaneorum 1582. (On-Line) Peterson. J.H. (ed) versão, 1997, British Library Ms. Sloane 3191. <http://www.esotericarchives.com/dee/hm.htm>.

E seu Mysteriorum Libri Quinque ou, Five Books of Mystical Exercises de John Dee.

Uma Revelação Angélica da Magia Cabalística e outros Mistérios Ocultistas e Divinos revelados ao Doutor John Dee e Edward Kelly, 1581 – 1583. <http://www.esotericarchives.com/dee/sl3188.htm>.

Um site muito útil: The John Dee Society. <http://www.johndee.org/>

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EVANS, Daves. John Dee : Ange pour certains démon pour d’autres.
Traduction française par Spartakus FreeMann, Zénith de Libertalia, février 2004 e.v. EzoOccult, 2004, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/42/anges-pour-certains-demons-pour-d-autres/>. Acesso em 15 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-anjo-para-uns-demonio-para-outros/

Mapa Astral de Agatha Christie

Agatha Christie foi uma das primeiras escritoras que eu li na vida, talvez só antecedida por Monteiro Lobato e Conan Doyle. Seus livros me serviram como inspiração para gostar do gênero de suspense e investigação, por isso, a homenagem do TdC a esta escritora sensacional.

Dame Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica, autora de mais de oitenta livros. Seus livros são dos mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, com mais de 4 bilhões de cópias vendidas em diversas línguas.

O Mapa de Agatha Christie mostra uma facilidade enorme para escrever e organizar idéias (mas isso não é novidade nenhuma, ne? depois de mais de sessenta mapas postados, vocês mesmos já estão começando a observar as “coincidências” dos planetas/signos e profissões).

Com Sol e Saturno em Virgem; Ascendente em Virgem-Leão; Lua em Libra-Virgem; Mercúrio em Libra, Vênus em Escorpião; Marte em Sagitário; Júpiter em Aquário-Capricórnio e Caput Draconis, Netuno e Plutão em conjunção forte em Gêmeos.

O Planeta mais forte do mapa é Saturno em Virgem, com 4 Aspectações. Os aspectos virginianos de organização e método de Agatha Christie podem ser vistos em seus oitenta textos, pela maneira como organiza a narrativa e o desenrolar das histórias, seguindo sempre um mesmo padrão. As energias librianas mostram uma facilidade em se colocar no lugar do outro e de contar histórias pelo ponto de vista de outras pessoas.

Esta combinação de energias de Virgem e Libra é conhecida no hermetismo como “Dama de Espadas” por sua junção de elementos de frieza e cálculo virginianas com o senso de equilíbrio e justiça de libra; às vezes consideram uma energia muito frígida e direta (o arquétipo de “Lucrécia Bórgia” é muito usado para exemplificar isso).

Júpiter em Aquário-Capricórnio representa um potencial e uma facilidade enorme para trabalhar com regras quebrando as regras. Esta “criatividade regrada” também é um ponto que se pode observar em muitos dos livros dela, com reviravoltas e assassinos improváveis aparecendo no último instante de uma maneira surpreendente.

Uma combinação muito bem aproveitada em seus romances.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-agatha-christie

A Kabbalah

Os centros e correntes de energia que conformam este diagrama estão em relação com os números e as letras sagradas, a Astrologia, a Alquimia (ou Arte das transmutações), as lâminas do jogo do Tarô, a simbólica da música e da geometria, manifestações todas da construção harmônica da mansão interna. Este modelo é, pois, um mandala, um jogo de símbolos, um intermediário sintético entre nós e o desconhecido, através de uma série de espíritos, ou deidades, que se articulam balizando um caminho mágico evolutivo, que todos os povos do mundo conheceram, que constituía o fundamento de sua cultura, e ao que guardavam como seu mais apreciado segredo. Estamos nos referindo aos Mistérios da Iniciação.

#hermetismo #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-kabbalah

Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo

As Oito Cores da Magia

Peter J. Carroll, Liber Kaos

Nosso aparato perceptivo e conceitual cria uma divisão quádrupla da matéria em uma tautologia de espaço, tempo, massa e energia. Da mesma forma, nossos impulsos instintivos criam uma divisão óctupla da magia. As oito formas de magia são convenientemente denotadas por cores com significado emocional e podem ser atribuídas aos sete “planetas” clássicos [Amarelo/Sol, Púrpura/Lua, Laranja/Mercúrio, Verde/Vênus, Vermelho/Marte, Azul/Júpiter e Preto/Saturno], mais Urano para a cor Octarina. No entanto, na causa de expandir os parâmetros do que pode ser tentado com cada uma dessas formas de magia, tal atribuição será aqui evitada. As oito formas de magia serão consideradas cada uma por sua vez.

Magia Octarina

Seguindo as hipóteses de Pratchett , oitava cor do espectro que é a percepção pessoal do magista da “cor da magia” pode ser chamada de octarina. Para mim, ela é uma tonalidade particular do rosa-púrpura elétrico. Minhas visões mais significativas têm ocorrido, todas nesta cor, e visualizo-a para colorir muitos de meus encantamentos e sigilos mais importantes no Astral. Antes que eu navegasse num barco feito à mão pelo Mar da Arábia, fui induzido por um feiticeiro indiano a aceitar uma imensa estrela de rubi, de valor incalculável. Ela era de um matiz, exatamente, octarino. Durante o mais violento tufão que jamais experimentei, encontrei-me agarrado aos gurupés, gritando minhas conjurações para Thor e Poseidon ao mesmo tempo que enormes ondas atiravam-se contra o barco e luminosos raios octarinos quebravam no mar por toda a volta. Olhando para o passado, parece um milagre que eu e minha tripulação tenhamos sobrevivido. Mantenho a pedra octarina comigo, incerto se ela me foi passada como uma maldição, uma bênção, um teste ou todas estas coisas reunidas.

Outros magos percebem a octarina de diferentes modos. Minha percepção pessoal da octarina provavelmente reflete minhas formas mais eficientes de gnoses: o sexo (púrpura) e a raiva (vermelho). Cada um deve buscar uma cor da magia (octarina) para si. O poder octarino é o nosso impulso instintivo para a magia. Impulso este que, ao permitirmos aflorar, cria o ‘eu-mágico’, ou personalidade na psique, e uma afinidade com várias formas de deus mágicas. O ‘eu-mágico’ varia entre os magos, porém possui as características gerais de antinomianismo e desvio (desencaminho) com uma predileção pela manipulação e pelo bizarro. O antinomianismo do “eu-mágico” surge, até certo grau, pela alienação geral da cultura vigente provocada pela magia. Assim, o “eu-mágico” tende a se interessar por tudo aquilo que não existe, ou que não deveria existir segundo o senso comum.. Para o “eu-mágico” nada é antinatural, uma declaração com ilimitados significados. O desvio do “eu-mágico” é uma conseqüência natural da “destreza da mente”, técnica requerida para manipular aquilo que não pode ser visto. As formas de deus do poder octarino são aquelas que correspondem mais estreitamente às características do “eu-mágico” e são, normalmente, as formas de possessão mais importantes para o mago que busca inspiração de natureza puramente mágica. Baphomet, Pan, Odin, Loki, Tiamat, Ptah, Eris, Hekate, Babalon, Lilith e Ishtar são exemplos de formas de deus que podem ser usadas para este propósito. Como alternativa, o mago pode desejar formular uma forma de deus em uma base unicamente idiossincrática onde, para tal, o planeta Urano e o simbolismo da serpente provaram ser pontos de partida muito úteis.

O mago pode invocar tais formas de deus para a iluminação de vários aspectos do “eu-mágico” e para inúmeros trabalhos de magia pura, preferivelmente à aplicada. A categoria de magia pura inclui atividades como: o desenvolvimento de teorias e filosofias mágicas, o desenvolvimento de programas de treinamento mágico, o planejamento de sistemas simbólicos para uso na adivinhação, o desenvolvimento de encantamentos e a criação de linguagens mágicas com objetivos similares. É valido assinalar aqui que as linguagens da Magia Caótica são, normalmente, escritas em V-primo, antes da transliteração para a forma bárbara mágica. V-primo, ou Vernacular primo, é simplesmente a sua língua nativa na qual são omitidos todos os usos de quaisquer tempos do verbo ser, de acordo com a metafísica quântica. Toda a falta de sentido do transcedentalismo desaparece muito naturalmente uma vez adotada esta tática. Não há ser, tudo é fazer.

Invoca-se o poder octarino para inspirar o “eu-mágico” e para alargar o arcano fundamental do mago. O arcano fundamental do mago consiste nos símbolos pessoais básicos com os quais você interpreta e influencia magicamente a realidade (tudo o que pode acontecer na percepção). Estes símbolos podem ser teorias ou kabbalas, obsessões, armas mágicas, astrais ou físicas, ou de fato, qualquer coisa que diga respeito à prática da magia de forma geral – qualquer coisa que não seja destinada, especificamente, para algum dos outros poderes da magia aplicada. Os símbolos desta última formam o arcano secundário de magia.

Da situação privilegiada que é a gnoses octarina, o “eu-mágico” é capaz de compreender os eus dos outros sete poderes e a sua inter-relação dentro de um organismo global. Portanto, o poder octarino traz alguma habilidade em psiquiatria, cuja função é o ajustamento da relação entre os eus em um organismo. A diferença básica entre um mago e um indivíduo comum é que neste último o poder octarino já é vestígio ou ainda incipiente. O repouso normal ou o modo indiferente de uma pessoa comum corresponde a uma leve expressão do poder amarelo. Este poder é considerado como sendo a personalidade normal ou o ego. O “eu-mágico” entretanto, é totalmente consciente de que este poder amarelo é somente uma das oito principais ferramentas que o organismo possui. Assim, num certo sentido, a personalidade normal do mago é uma ferramenta do “eu-mágico” ( e vice-versa ). Este entendimento dá a ele alguma vantagem sobre as pessoas comuns. Entretanto, o “eu-mágico” em desenvolvimento logo perceberá que não é superior, em si mesmo, aos outros eus pois há muitas coisas que estes podem fazer que ele não pode. O desenvolvimento do poder octarino através da filosofia e prática da magia, tende a prover o mago de um segundo centro principal entre os eus. Este segundo centro irá complementar o ego do poder amarelo. O despertar do poder octarino é, algumas vezes, conhecido como “ser mordido pela serpente”. Aqueles que passam por isto se reconhecem mutuamente tão instantaneamente quanto, por exemplo, dois sobreviventes de um bote salva-vidas.

Talvez um dos maiores artifícios da “destreza da mente” seja permitir que o “eu-mágico” e o ego dancem juntos dentro da psique sem conflitos excessivos. O mago que é incapaz de fingir ser uma pessoa comum ou que é incapaz de agir de forma independente de seu próprio ego, não é mago totalmente.

Por outro lado, o crescimento do octarino ou oitavo poder do eu, a descoberta do tipo de mago que a pessoa quer ser e a identificação ou síntese de uma forma-deus para representar este ideal, tendem a criar algo como um ser mutante que avançou na direção de um paradigma do qual muito poucos estão cientes. Não é fácil voltar atrás uma vez iniciada a viagem, embora alguns tenham tentado abortá-la com narcóticos, inclusive misticismo. É uma peregrinação para um destino desconhecido onde a pessoa desperta com êxito de um pesadelo para entrar em outro. Alguns deles parecem muito interessantes em determinados momentos. Há mundos dentre nós; os abismos são somente as iniciações entre eles.

A evocação de um servidor octarino pode criar uma inestimável ferramenta para aqueles que estão engajados em pesquisa mágica. As principais funções de tais entidades são, normalmente, ajudar na descoberta de informações úteis e contatos. Não podemos ignorar aqui os resultados negativos. Por exemplo: o completo fracasso de um servidor bem preparado em recuperar informações a respeito do hipotético Big-Bang cósmico foi um fator que contribuiu no desenvolvimento da teoria Fiat Nox.

Magia Negra 

Os programas de morte construídos dentro de nossa estrutura emocional e comportamental, ambas genéticas e hereditárias, são o preço que pagamos pela capacidade de reprodução sexuada, a única que permite mudanças evolutivas. Somente são imortais aqueles organismos que se reproduzem assexuadamente, reproduzindo inúmeras cópias idênticas de suas próprias formas, extremamente simples. Duas conjurações com o poder negro são de particular interesse para o mago: lançamento de encantos de destruição e o ato de se evitar uma morte prematura.

Os assim chamados ritos “Chod” são um ensaio ritual da morte, onde o “eu-morte” é invocado para manifestar seu conhecimento e sabedoria. Tradicionalmente concebido como uma figura de um esqueleto vestido em uma túnica negra e armado com uma foice, o “eu-morte” é responsável pelos mistérios do envelhecimento, senilidade, morbidez, necrose, entropia e decadência. Ele também possui um senso de humor pervertido e que denota enfado em relação ao mundo.

Cercado por todos os símbolos e parafernália da morte, o mago invoca o “eu-morte” em um rito “Chod” para um dos dois propósitos mencionados anteriormente. Primeiramente a experiência do “eu-morte” e a gnoses negra trazem o conhecimento do que se sente no momento que se começa a morrer. Isto prepara o mago para resistir às manifestações de uma morte prematura real, por conhecimento do inimigo. Um demônio é somente um deus agindo fora de sua vez ( fora do momento certo ). No curso de vários ritos “Chod” o mago pode, convenientemente, experimentar praticar o banimento, em estilo xamânico, de entidades e símbolos visualizados e invocados que são associados a várias doenças. Portanto, o “eu-morte” tem algumas utilidades em diagnose médica e adivinhação.

Em segundo lugar, o “eu-morte” pode ser invocado como uma condição privilegiada para lançar encantos de destruição. Neste caso, a invocação toma a mesma forma geral, porém a conjuração é normalmente chamada de Rito de Entropia. Deve-se sempre procurar alguma alternativa possível para o exercício da magia destrutiva, pois ser forçado a uma posição de ter que usá-la é uma demonstração de fraqueza. Em cada caso, o mago deve estabelecer um mecanismo no subconsciente pelo qual o alvo possa ir à ruína e, então, projetá-lo com a ajuda de um sigilo ou, talvez, de um servidor invocado. Magia Entrópica funciona mandando ao alvo informações que estimulam o comportamento auto-destrutivo. Magia Entrópica difere da magia de combate da gnoses vermelha em muitos aspectos importantes. Magia Entrópica é sempre realizada com completa discrição, na fúria fria da gnoses saturnina negra. O objetivo é um golpe cruel e cirúrgico sobre o qual o alvo não tem nenhum aviso. O mago não está interessado em uma luta mas, sim, numa morte rápida e eficiente. A grande vantagem de tais ataques é que, raramente, eles são percebidos como tais pelos alvos. Desta forma, o alvo, sem saber o que está acontecendo, terá pouca chance de se queixar pelos desastres que lhe sucederão. Uma desvantagem, entretanto é que é muito difícil apresentar orçamentos a clientes por efeitos que aparentam ser devidos a causas naturais.

Formas de deus do poder negro são Legião; se a forma de um simples esqueleto de manto com uma foice não simboliza adequadamente o “eu-morte”, então formas como Charon, Thanatos, Saturno, Chronos, a bruxa Hécate, irmã negra Atropos, Anúbis, Yama e Kali podem servir.

Raramente são estabelecidos servidores do poder negro para uso geral a longo prazo. Isto ocorre, em parte, porque seu uso é apropriado para ser esporádico e, por outro lado, porque eles podem ser perigosos para o seu possuidor. Assim, a tendência é que eles sejam feitos e enviados para um trabalho específico.

Magia Azul

Não se deve medir riquezas em termos de propriedades mas, sim, em termos de controle sobre pessoas e materiais. Portanto, em última instância, deve-se medi-la em termos de sua própria experiência. Dinheiro é um conceito abstrato usado para quantificar atividade econômica. Portanto, riqueza é uma medida de quão bem você controla suas experiências com o dinheiro. Assumindo que experiências variadas, excitantes, incomuns e estimulantes são preferíveis àquelas que são estúpidas e monótonas e que elas tendem a ser caras, o principal problema para muitas pessoas é encontrar uma forma altamente eficiente de entrada de dinheiro que possua as qualidades agradáveis acima.

O objetivo da magia da riqueza é estabelecer um grande movimento de dinheiro que permita experiências agradáveis em ambos os estágios: de entrada e de saída. Isto requer aquilo que é conhecido como “consciência do dinheiro”.

O dinheiro adquiriu todas as características de um ser espiritual; ele é invisível e intangível. Moedas, notas e números eletrônicos não são dinheiro. Eles são somente representações ou talismãs de algo que os economistas não podem definir de forma coerente. Além disso, embora seja ele próprio intangível e invisível, pode criar efeitos poderosos na nossa realidade.

O dinheiro tem suas próprias preferências e personalidade. Ele evita aqueles que o blasfemam e flui em direção àqueles que o tratam da maneira que ele gosta. Num ambiente apropriado, ele irá, até mesmo, reproduzir-se. a natureza do espírito do dinheiro é movimento; o dinheiro gosta de se mover. Se ele for armazenado e não usado, lentamente morrerá. Assim, o dinheiro prefere manifestar-se como uma propriedade mutável a se manifestar como uma propriedade inexplorada, inutilizada. Excedentes de capital para prazer imediato devem ser reinvestidos como uma evocação adicional, porém aqueles que possuem realmente a “consciência do dinheiro” descobrem que até mesmo seus prazeres fazem dinheiro para si. A “consciência do dinheiro” paga para divertir-se. Aqueles que possuem esta consciência são generosos naturalmente. Ofereça a eles um investimento interessante e eles lhe oferecerão fortunas. Apenas não peça migalhas. A obtenção da “consciência do dinheiro” e a invocação do “eu-riqueza” consiste na aquisição de um conhecimento completo sobre as preferências do espírito do dinheiro e na exploração completa dos desejos pessoais. Quando ambos os fatores forem compreendidos, uma verdadeira riqueza manifestar-se-á sem esforço.

Tais invocações devem ser realizadas com cuidado. A gnosis azul da riqueza e do desejo cria demônios tão facilmente quanto cria deuses. Muitos seminários contemporâneos sobre sucesso e treinamento de verdade concentram-se em criar um desejo histérico por dinheiro associado a um igualmente hipertrofiado desejo pelos meros símbolos de riqueza ao invés do desejo pelas experiências que o jogadores realmente querem. Trabalhar como um maníaco possuído o dia inteiro pelo questionável prazer de beber a si próprio, num estado quase que de esquecimento , numa champanhe de vindima todas as noites, é ter perdido completamente o ponto e ter entrado na condição de anti-riqueza.

Por outro lado, a maioria das pessoas que são pobres em sociedades relativamente livres onde outros são ricos deve a sua pobreza ou à falta de entendimento de como o dinheiro se comporta ou a sentimentos negativos que tendem a repeli-lo. Não são necessários grandes níveis de inteligência ou de capital para se tornar rico. A popularidade dos contos sobre a miséria e o infortúnio do rico é o testemunho do mito ridículo vigente entre os pobres de que o rico é infeliz. Antes de começar a trabalhar com a magia azul, é essencial examinar com seriedade todos os sentimentos e pensamentos negativos sobre dinheiro e tratar de exorcisá-los. Muitas das pessoas pobres que ganham loterias ( e somente o pobre entra regularmente nelas ) orientam suas vidas de tal forma a não terem mais nada poucos anos depois. É como se alguma força subconsciente, de alguma forma, se livrasse de algo que eles sentem que, na verdade, não merecem ou não querem.

As pessoas tendem a ter o grau de riqueza que profundamente acreditam que devem ter. Magia azul é a modificação desta crença através da determinação de crenças alternativas. Rituais de magia azul devem envolver necessariamente exorcismos de atitudes negativas em relação à riqueza, explorações divinatórias sobre quais são os seus desejos mais profundos e invocações do “eu-riqueza” e do espírito do dinheiro durante os quais o nível subconsciente de riqueza é ajustado pela expressão ritual de um novo valor. Durante esses rituais também são feitas afirmações sobre novos projetos para o investimento dos recursos e dos esforços. Podem ser recitados hinos e encantamentos ao dinheiro. Cheques de somas surpreendentes podem ser escritos para você mesmo e pode-se proclamar e visualizar os desejos. Várias formas de deus tradicionais com um aspecto próspero tais como Júpiter, Zeus, o mítico Midas e Croesus podem expressar o “eu-riqueza”.

Raramente são usados encantamentos simples para dinheiro na magia azul moderna. Hoje em dia a tendência é lançar encantamentos desenvolvidos para aumentar o valor dos esquemas projetados para fazer dinheiro. Se você falhou em providenciar um mecanismo através do qual o dinheiro possa se manifestar, nada ocorrerá ou o encantamento irá encarnar-se por meios estranhos como, por exemplo, a herança devida a morte prematura de um parente muito amado. Nunca se tenta a magia azul séria em formas tradicionais de jogo. O jogo tradicional é uma maneira cara de comprar experiências o qual não tem nada a ver com aumentar riqueza. Magia azul é uma matéria de investimentos cuidadosamente calculados. Qualquer um que não seja um idiota deve ser capaz de imaginar um investimento que ofereça maiores vantagens que as formas tradicionais de jogo.

Magia Vermelha

Tão logo a humanidade desenvolveu a sociedade e a tecnologia de armas para derrotar seus principais predadores e competidores naturais, parece ter aplicado um feroz mecanismo de seleção para si mesma na forma de combates sanguinários. Muitas das qualidades que consideramos como marcas de nosso sucesso evolutivo, tais como os polegares em oposição e a conseqüente habilidade de manipulação de ferramentas, nossa capacidade de comunicação por sons, nossa postura ereta e nossa capacidade de dar e receber comandos e disciplina foram quase certamente selecionados para manter milênios de conflitos armados organizados entre grupos humanos. Nossa moralidade reflete nossa história sangrenta pois enquanto é tabu atacar membros de nossa própria tribo, ainda é dever atacar estrangeiros. O único debate é sobre quem constitui nossa própria tribo. Quando o entusiasmo pela guerra é limitado, inventamos esportes e jogos nos quais expressamos nossa agressividade. Por todo o caráter e terminologia do esporte fica claro que o esporte é somente uma guerra com regras extras.

Entretanto, não se deve supor que a guerra seja completamente desapercebida de regras. As guerras são realizadas para aumentar a nossa posição de barganha; na guerra, o grupo inimigo é uma riqueza sobre a qual desejamos ganhar alguma medida de controle. As guerras são realizadas para intimidar os adversários, não para exterminá-los. Genocídio não é guerra.

A estrutura e conduta da guerra refletem o programa de “luta ou fuga” construído em nosso sistema nervoso simpático. Na batalha, o objetivo é intimidar o inimigo para fora do modo de luta e para dentro do modo de fuga. Assim, assumindo que há suficiente paridade de foças para fazer a luta parecer vantajosa para ambas as partes, o estado de ânimo é o fator decisivo em virtualmente todos os encontros competitivos, esportivos ou militares entre seres humanos.

A magia vermelha tem dois aspectos: o primeiro é a invocação de vitalidade, agressão e estado de ânimo para nos manter em qualquer conflito da vida; o segundo é a realização de um combate mágico real. Existe uma variedade de formas de deus onde o “eu-guerra” pode ser expressado, embora formas híbridas ou puramente idiossincráticas funcionem tão bem quanto as anteriores. Ares, Ishtar, Ogoum, Thor, Marte, Mithras e Horus, em particular, são usados freqüentemente. Não devemos negligenciar o simbolismo contemporâneo. Armas de fogo e explosivos são tão bem vindas para a gnose vermelha quanto espadas e lanças. Tambores são indispensáveis. Sigilos desenhados por líquidos inflamáveis ou, ainda, círculos flamejantes completos nos quais se fazem invocações devem ser considerados.

O combate mágico é normalmente praticado abertamente com o adversário sendo publicamente ameaçado e amaldiçoado ou quando ele acha o recipiente de um talismã, encantamento ou runa com um aspecto desagradável. Os objetivos são a intimidação e o controle do adversário que deve se tornar tão paranóico quanto possível e informado da origem do ataque. Por outro lado, a magia de combate toma as mesmas formas gerais das usadas em magia entrópica, com os sigilos e os servidores controlando informações auto-destrutivas para o alvo, agora, contudo, com intenções sub-letais.

Entretanto, a habilidade real da magia vermelha é ser capaz de apresentar tão irresistível glamour de vitalidade pessoal, estado de ânimo e potencial de agressão que o exercício da magia de combate não seja nunca necessária.

Magia Amarela

Muitos dos textos existentes sobre o que se chama tradicionalmente de “magia solar” contradizem-se mutuamente ou sofrem de confusões internas. Os comentários astrológicos a respeito dos supostos poderes do sol estão entre os mais idiotas e sem sentido que a disciplina pode produzir. Isto ocorre porque o poder amarelo possui quatro formas distintas, porém relacionadas, dentro da psique. Esta divisão quádrupla tem induzido a imensos problemas em psicologia, onde várias escolas de pensamento escolhem enfatizar um aspecto em particular e ignorar aqueles aos quais as outras escolas tem se dedicado. Os quatro aspectos podem ser caracterizados como se segue. Primeiro, o ego – ou auto-imagem: que é, simplesmente, o modelo que a mente tem da personalidade em geral. Desta definição excluem-se muitos dos padrões de comportamento extremados dos quais os eus são capazes. Segundo, o carisma que é o grau de autoconfiança que a pessoa projeta para as outras. Terceiro, algo para o qual não há uma palavra específica em inglês ou português: talvez possa ser chamado de criatividade da risada. Quarto, a ânsia de afirmação e domínio. Todas essas coisas são manifestações do mesmo poder amarelo, embora suas ênfases relativas variem enormemente entre os indivíduos.

O sucesso em muitas sociedades humanas normalmente resulta de uma hábil expressão do poder amarelo. A força do poder amarelo em um indivíduo parece manter uma relação direta com os níveis do hormônio sexual testosterona em ambos os sexos, embora sua expressão dependa da psicologia pessoal. Existe uma influência mútua complexa entre os níveis de testosterona, auto-imagem, criatividade, status quo e necessidades sexuais, mesmo que não estejam manifestos. Em termos esotéricos, a Lua é o poder secreto por trás do Sol, como muitas magas percebem instintivamente e muitos magos descobrem mais cedo ou mais tarde. O ego se forma gradualmente através dos acidentes da infância e da adolescência e, na ausência de poderosas experiências posteriores, permanece razoavelmente constante, mesmo que contenha elementos totalmente inadaptáveis. Qualquer tipo de invocação poderia fazer diferença para o ego, porém um trabalho direto com ele pode fazer muito mais. Estão envolvidos muitos truques neste processo. O próprio reconhecimento do ego implica que a mudança é possível. Somente aqueles que percebem que tem uma personalidade ao invés de consistirem de uma personalidade podem mudá-la. Para muitas pessoas, a preparação de um inventário detalhado de suas próprias personalidades é uma atividade muito difícil e transtornante. Porém, uma vez realizada, é normalmente muito fácil decidir que mudanças são desejáveis. Mudanças no ego, na auto-imagem ou na personalidade através da magia são classificadas como trabalhos de iluminação e são, principalmente, realizadas por encantamentos retroativos e invocações. Encantamento retroativo, neste caso, consiste em rescrever a nossa história pessoal. Como nossa história define amplamente o nosso futuro, podemos mudar o nosso futuro redefinindo nosso passado. Todas as pessoas possuem certa capacidade para reinterpretar as coisas que deram errado no passado sob uma luz mais favorável, porém muitas falham em perseguir o processo até o final. Nós não podemos eliminar as memórias limitantes e incapacitantes, porém, por um esforço de visualização e imaginação, podemos escrever em paralelo memórias edificantes e capacitantes do que também poderia ter acontecido. Isso irá neutralizar as originais. Nós podemos também, quando possível, modificar alguma evidência física remanescente que favoreça a memória limitante.

As invocações para modificar o ego são encantamentos e personificações rituais das novas qualidades desejadas. Deve-se dar atenção às modificações planejadas no vestuário, tons de fala, gestos, maneirismos e na postura do corpo que irão melhor corresponder ao novo ego. Um artifício muito usado em magia amarela é praticar a manifestação de uma personalidade alternativa através de um gatilho mnemônico simples tal como a transferência de um dedo para outro.

Várias formas de deus são utilizadas para criar manifestações novas e fortes do ego e para experimentos com as outras três qualidades do poder amarelo. São exemplos: Rá, Helios, Mithras, Apolo e Baldur.

Carisma, a projeção de uma aura de autoconfiança, é baseado num truque simples. Após um curto espaço de tempo não há diferença nenhuma entre simulada e a verdadeira autoconfiança. Qualquer um que deseje remediar a falta de confiança e carisma e que esteja em dúvida sobre como começar a aparentar estas qualidades, poderá descobrir que um ou dois dias gastos aparentando um zero absoluto de autoconfiança irão revelar rapidamente: a eficácia da simulação e os pensamentos, palavras, gestos e posturas específicos requeridos para projetar qualquer simulação.

Parece que não se pode dizer nada a respeito da risada e da criatividade. Porém, o humor depende de uma súbita formação de uma nova conexão entre conceitos desconexos. Nós rimos da nossa própria criatividade em formar esta conexão. Exatamente a mesma forma de exaltação surge de outras formas de atividade criativa e, se o insight vem repentinamente, a risada é o resultado. Se não somos capazes de rir quando vemos uma peça realmente brilhante de matemática, então não somos capazes de entender isto. Também é necessário um certo grau de auto-estima e autoconfiança positivas para rir de algo criativamente divertido. As pessoas de baixa auto-estima tendem unicamente a rir do humor destrutivo e da desgraça dos outros; isso se rirem.

A risada é, freqüentemente, um fator importante nas invocações das formas de deus do poder amarelo. A solenidade não é um pré-requisito para o ritual. A risada é também uma tática comum para atrair a atenção da consciência para longe dos sigilos ou outras conjurações mágicas, uma vez terminados os trabalhos com eles. O forçar deliberado de uma risada histérica pode parecer um caminho absurdo para encerrar um encantamento ou uma invocação, porém isto tem se mostrado extraordinariamente eficiente na prática. Isto pode ser considerado como uma “destreza da mente” artificial que evita a deliberação consciente.

A “ordem da bicada” dentro de vários grupos de animais sociais é, normalmente, imediatamente evidente para nós e para os próprios animais. Dentro de nossa própria sociedade, tais hierarquias de domínio são igualmente comuns em todos os grupos sociais, embora possamos ir a extremos para disfarçar isto de nós mesmos. A situação humana ainda é mais complicada pela nossa tendência de pertencer a muitos grupos sociais, nos quais podemos ter diferentes níveis de status social, e o status social é, freqüentemente, parcialmente dependente de outras habilidades especializadas , diferentes da força bruta. Entretanto, assumindo que uma pessoa possa parecer competente na habilidade especializada que o grupo social requer, a posição pessoal no grupo depende quase inteiramente do grau de afirmação e domínio que a pessoa exibe. Estes são exibidos basicamente através do comportamento não-verbal que todos entendem intuitivamente ou subconscientemente, mas que muitos não entendem racionalmente. Como conseqüência, eles não podem manipulá-lo deliberadamente. O comportamento de domínio típico envolve o falar alto e lentamente, usando muito o contato visual, interromper a fala dos outros enquanto resiste à interrupção feita por estes, manter uma postura ereta de ameaça disfarçada, a invasão do espaço pessoal dos outros enquanto resiste à invasão de seu próprio espaço e colocar-se estrategicamente em algum lugar no foco de atenção. Em culturas onde o toque é freqüente, o dominador sempre o inicia ou, intencionalmente, o recusa. Em ambos os casos, ele domina o contato.

O comportamento submisso é, logicamente, o reverso de tudo acima e aparece muito espontaneamente em resposta ao domínio bem sucedido de outros. Há uma interação em mão dupla entre o comportamento de domínio e os níveis de hormônios. Se o nível muda, por razões médicas, então o comportamento tende a mudar; porém, mais importante do ponto de vista mágico, é que uma mudança deliberada do comportamento irá modificar os níveis de hormônio. “Finja isto até que você o faça”. Não há nada particularmente oculto com a maneira que algumas pessoas são capazes de controlar outras. Nós simplesmente não notamos como isto é feito porque quase todos os sinais comportamentais envolvidos são trocados subconscientemente. Os sinais de domínio tendem a não funcionar se os seus recebedores os percebem conscientemente. Deste modo, em muitas situações, eles devem ser liberados discretamente e com um aumento gradual na intensidade. Uma das poucas situações em que estes sinais são enviados deliberadamente é nas hierarquias militares, porém isto só é possível por causa da imensa capacidade de coerção física direta que tais sistemas exibem. Quebre as regras formais de comunicação não-verbal com um oficial e terá um sargento para inculcar-lhe alguma submissão por meios diretos. Eventualmente as regras formais são absorvidas e funcionam automaticamente, criando obediência suficiente para permitir o auto-sacrifício e a matança em massa. O poder amarelo é a raiz de muito do melhor e do pior que nós somos capazes.

Magia Verde

Há uma considerável superposição no que há de escrito nos livros populares de magia no que diz respeito aos assuntos do amor venusiano e a magia sexual lunar. Conseqüentemente, neste texto evitou-se ao máximo uma nomenclatura planetária. Embora a magia do amor seja realizada freqüentemente com objetivos sexuais, este capítulo irá se limitar às artes de fazer as pessoas amigáveis, fiéis e afetuosas para conosco.

Talvez sejam os amigos a nossa maior propriedade. Meu caderno de endereços é, facilmente, minha mais valiosa posse. Como com a atração erótica, primeiro é necessário gostarmos de nós próprios antes que os outros possam fazê-lo. Esta habilidade pode ser aumentada por invocações apropriadas do poder verde. Muitas pessoas acham fácil fazer vir à tona uma amizade de pessoas de quem eles gostam; porém, fazer amigáveis, pessoas que não estavam dispostas a isto, e pessoas a quem não estamos dispostos a dar nossa amizade, é uma habilidade valiosa. Uma amizade não correspondida é uma inabilidade somente da pessoa que a oferece.

As invocações do poder verde devem começar com o amor próprio, uma tentativa de ver o lado maravilhoso de todos os eus dos quais nós consistimos e, então, proceder a uma afirmação ritual da beleza e amabilidade de todas as coisas e pessoas. Formas de deus disponíveis para o “eu-amor” incluem Vênus, Afrodite e o mítico Narciso cujo mito reflete somente um certo preconceito machista contra este tipo de invocação.

De dentro da gnoses verde, os feitiços para fazer as pessoas amigáveis podem ser enviados por simples encantamentos ou pelo uso de entidades criadas com este objetivo. Entretanto, é nos encontros face-a-face que as habilidades de empatia estimuladas pela invocação trabalham de forma mais eficiente. Fora os artifícios óbvios de mostrar interesse em tudo o que o alvo tem a dizer, afirmar e simpatizar com a maior parte, há um outro fator crítico chamado “combinação de comportamento” que normalmente ocorre subconscientemente. Este fator consiste, basicamente, em tentar imitar o comportamento não-verbal do alvo, com a exceção das posturas que sejam claramente hostis. Sente-se ou fique de pé em idêntica posição corporal, faça os mesmos movimentos, use o mesmo grau de contato visual e fale com intervalos similares. Quando com comportamento de domínio, tais sinais só funcionam se não forem percebidos conscientemente por quem os está recebendo. Não se mexa imediatamente para igualar os movimentos e posturas do alvo. É essencial sondar e equiparar o comportamento verbal e comunicar com o mesmo nível de inteligência, status social e senso de humor que o alvo.

Antes de me tornar rico, eu praticava estas habilidades enquanto pegava carona. Logo, até mesmo pessoas que encontrei desfiguradas e cadavéricas estavam me pagando o lanche e me transportando para longe de seus próprios caminhos. A empatia irá levá-lo a qualquer lugar.

Magia Laranja

Charlatanismo, trapaça, viver de suas próprias habilidades e o pensar rápido são a essência do poder laranja. Estas qualidades mercuriais eram tradicionalmente associadas às formas de deus que atuavam como protetores dos médicos, magos, jogadores e ladrões. Entretanto, agora, desde o momento que os médicos descobriram que os antibióticos e as cirurgias higiênicas realmente funcionam, a medicina está parcialmente dissociada do charlatanismo. Todavia, por volta de oitenta por cento dos medicamentos ainda são basicamente placebos. Por isso o caduceu de mercúrio ainda é o emblema desta profissão. Da mesma forma, a profissão da magia tornou-se menos dependente do charlatanismo através da descoberta da natureza quântica-probabilística dos encantamentos e adivinhações e o total abandono da alquimia e astrologia clássica. No momento, a magia pura é melhor descrita como uma expressão do poder octarino, tendo um caráter uraniano. Porém, o charlatanismo ainda tem seu lugar na magia, assim como na medicina. Não nos esqueçamos que todos os truques de conjuração foram parte, em algum momento, do repertório xamânico de “aquecimento”. Nesta prática, alguma coisa perdida ou destruída é miraculosamente restaurada pelo mago com o intuito de colocar a audiência no estado de ânimo apropriado, antes do verdadeiro negócio de cura placebo começar. Em sua forma clássica, o mago coloca um coelho numa cartola antes de tirá-lo na frente da platéia.

Devemos acrescentar à lista das profissões fortemente influenciadas pelo poder laranja: o vendedor, o vigarista, o corretor e, ainda, todas as profissões com uma alta taxa de ataques cardíacos. A força motriz da gnoses laranja é o medo, basicamente. Porém, um tipo de medo que não inibe aquele que o tem, mas que gera uma velocidade nervosa extraordinária que produz movimentos e respostas rápidas em situações em que se está encurralado.

A apoteose do “eu-inteligência” é a habilidade de entrar naquele estado de sobremarcha mental, onde a resposta rápida está sempre pronta para chegar. Paradoxalmente, para desenvolver esta habilidade é suficiente não pensar sobre o pensar, mas, sim, permitir que a ansiedade paralise parcialmente os processos inibitórios dos pensamentos, de forma que o subconsciente possa liberar uma resposta rápida e inteligente sem a deliberação consciente.

As invocações do poder laranja são melhor realizadas em velocidade frenética, louca; sua gnoses pode ser aprofundada pela performance de tarefas que exijam a mente, tais como: fazer, de cabeça, o somatório de várias listas de números ou abrir envelopes que contenham difíceis questões e respondê-las instantaneamente. Deve-se insistir nessas atividades até penetrar na experiência de pensar sem deliberação. Várias formas de deus podem ser usadas para dar forma ao “eu-inteligência”: Hermes, Loki, o Coiote trapaceiro e o Mercúrio romano.

A magia laranja é normalmente restrita a invocações designadas para aumentar o “pensamento rápido” em atividades seculares, tais como: jogo, crime e objetivos intelectuais. A hipótese do Fiat Nox, por exemplo, veio para junto de mim numa semana após eu ter realizado uma eficiente invocação mercurial utilizando as técnicas acima. Na minha experiência, os encantamentos e as evocações realizadas depois de uma invocação da gnoses laranja raramente dão tanto resultado quanto a própria invocação. Talvez devêssemos falar algo a respeito do crime e do jogo em benefício daqueles que podem não estar entendendo o que pode ser feito com a magia laranja no suporte de tais atividades. É ridiculamente fácil roubar se o fizermos metodicamente. Porém, a maioria dos ladrões são pegos após um certo tempo. Isto ocorre porque eles se tornam afeitos à ansiedade que experimentam como excitação. Desta forma, começam a correr riscos para aumentar essa excitação. É óbvio que o ladrão noviço, que rouba algo em estado de extrema ansiedade e numa situação de risco zero, não será pego. O mesmo ocorre com o profissional cuidadoso. Entretanto, há muito poucos profissionais cuidadosos pois há muitos caminhos mais fáceis de ganhar dinheiro para pessoas com esta espécie de habilidade. A maioria dos ladrões sempre arranja uma forma de se incriminar. Isto ocorre porque, uma vez decaída a ansiedade do roubo, resta a ansiedade da punição. Aqueles que possuem a “inteligência rápida” e frieza exterior suficiente para fazer um roubo bem sucedido poderão ter mais resultado no ramo das vendas.

Existem três tipos de jogadores permanentes, dois dos quais são perdedores. Existem aqueles afeitos à sua própria arrogância que somente precisam provar que podem vencer a sorte ou as vantagens fixadas pelos organizadores do jogo. Há também aqueles afeitos à ansiedade de perder. Mesmo que ganhem, irão, logo em seguida, perder tudo novamente. Há, então, os vencedores. Não se pode dizer que estes últimos sejam, exatamente, jogadores porque ou estão organizando as disputas e apostas, possuem informações internas ou estão trapaceando. Esta é a verdadeira magia laranja. O pôquer não é um jogo de sorte se for jogado habilmente. Um jogo hábil inclui o não jogar contra pessoas de competência igual ou superior ou, ainda, pessoas em posse de uma Smith & Wesson contra seus quatro ases. Muitas formas convencionais de jogo são montadas de forma que qualquer coisa fará pouca diferença, excetuando as mais extremas formas de poder psíquico. Eu jamais perderia tempo com disputas onde minhas chances tenham sido reduzidas de cem para um para apenas seis para um. Entretanto, certos resultados obtidos usando-se presciência oculta em corridas de cavalo têm mostrado um potencial encorajador.

Magia Púrpura

A maior parte dos cultos que atravessaram a história tem uma característica em comum: eles foram conduzidos por homens carismáticos capazes de persuadir mulheres a dispensar livremente favores sexuais a outros homens. Quando começamos a observar, este fato torna-se claro em muitos cultos antigos, seitas monoteístas cismáticas e grupos esotéricos modernos. Muitos, se não a maioria, dos adeptos do passado e do presente foram, ou são, cafetões. O mecanismo é muito simples: pague a mulher com a moeda da espiritualidade para servir aos homens; estes, por sua vez, irão devolver-lhe o pagamento com adulação e a aceitação de seus ensinamentos será, para eles, um efeito colateral. A adulação dos homens irá aumentar seu carisma com as mulheres, criando um laço de realimentação muito positivo. Este processo pode ser um agradável “ganha-pão” até a velhice ou poderá sofrer um ataque da polícia. Outro perigo óbvio é que a mulher e, eventualmente, o homem pode sentir que as constantes mudanças de parceiros irão contra seus interesses emocionais e de reprodução a longo prazo. A circulação de pessoas em tais cultos pode ser muito grande, de forma que jovens adultos constantemente estejam substituindo aqueles que estão se aproximando da meia idade.

Poucas são as religiões ou cultos que não possuem um ensinamento religioso pois qualquer ensinamento provê um poderoso nível de controle. A maioria das mais estabilizadas e duradouras religiões estimulam a supressão do chamado sexo livre. Isso também traz muitos dividendos. A posição das mulheres se torna mais segura e os homens sabem quem são seus filhos. É natural que o adultério e a prostituição floresçam em tais condições porque algumas pessoas querem sempre um pouco mais que uma vida monogâmica pode oferecer. Assim, é muito correto afirmar que os bordéis são construídos com os tijolos da religião: indiretamente com as religiões convencionais, diretamente com muitos cultos.

Tudo o que foi dito nos faz perguntar porque é que as pessoas têm tal necessidade de querer que os outros lhes digam o que fazer com a sua sexualidade. Porque as pessoas têm que procurar justificativas esotéricas e metafísicas para aquilo que elas querem fazer? Porque é tão fácil “vender água para o rio”?

A resposta, ao que parece, é que a sexualidade humana possui uma constituição de insatisfação de origem evolutiva. Nosso comportamento sexual é parcialmente controlado pela genética. Os genes mais aptos a sobreviver e prosperar são aqueles que, nas fêmeas, encorajam a permanente captura do macho mais poderoso disponível e a ligação ocasional (clandestina) com algum macho mais poderoso que possa estar temporariamente disponível. Ao mesmo tempo, nos machos, os genes mais aptos a prosperar são aqueles que encorajam a impregnação do maior número de fêmeas que eles possam sustentar, além, talvez, de impregnar sorrateiramente outras poucas que sejam sustentadas por outros homens. É interessante notar que somente nas fêmeas humanas o cio está oculto. Em todos os outros mamíferos, o período fértil é muito óbvio. Parece que houve esta evolução para permitir, paradoxalmente, o adultério e o aumento das ligações sexuais nos momentos em que o ato não tem nenhuma utilidade reprodutiva. A base econômica de uma determinada sociedade irá exercer certa pressão em favor de um tipo particular de sexualidade, pressão esta que será codificada na forma de moralidade que irá, inevitavelmente, entrar em conflito com as pressões biológicas. Esta confusão reina pois nada é satisfatório continuamente. O celibato é insatisfatório, masturbação é insatisfatória, monogamia é insatisfatória, adultério é insatisfatório, poligamia e poliandria são insatisfatórios e, provavelmente, a homossexualidade também é insatisfatória se a alegre troca frenética de parceiros nesta disciplina for algo que continue.

Nada no espectro das possibilidades sexuais provê um solução a longo prazo, porém este é o preço que pagamos por ocupar o pináculo da evolução dos mamíferos. Muito de nossa arte, cultura, política e tecnologia surgem, precisamente, de nossas ânsias, medos, desejos e insatisfações sexuais. Uma sociedade sexualmente em paz iria, com certeza, oferecer um espetáculo insípido. É, normalmente, se não sempre, o caso da criatividade e realização pessoais serem diretamente proporcionais às suas inquietações sexuais. Esta é, realmente, uma das maiores técnicas da magia sexual, apesar de não ser reconhecida como tal. Inspire-se com o máximo de inquietações e confusões sexuais se você realmente quer descobrir o que você é capaz em outros campos. Uma vida sexual tempestuosa não é um efeito colateral de ser um grande artista, por exemplo. Porém, é a arte que é um efeito colateral de uma vida sexual tempestuosa. Uma religião fanática não cria as supressões do celibato. São as tensões do celibato que criam uma religião fanática. A homossexualidade não é um efeito colateral das vidas nos quartéis entre as tropas de choque de elite suicidas. A homossexualidade cria as tropas de choque de elite suicidas primeiro.

A Musa, a origem hipotética da inspiração, normalmente desenhada em termos sexuais, é a Musa somente quando seu relacionamento com ela é instável. Quaisquer pronunciamentos morais a respeito do comportamento sexual foram dados, sem dúvida, milhões de vezes antes e seria indecoroso para um caoísta reenfatizar algum deles. Porém uma coisa parece relativamente certa. Qualquer forma de sexualidade invoca eventualmente toda a gama de êxtase, auto-rejeição, medo, prazer, tédio, raiva, amor, ciúmes, despeito, auto-piedade, exaltação e confusão. São essas coisas que nos fazem humanos e, ocasionalmente, super-humanos. Tentar transcendê-las é fazer-se menos que humano, não mais. Intensidade de experiência é a chave para estar realmente vivo e, tendo escolha, eu preferiria ter estas experiências através do amor do que através da guerra.

Uma vida sexual insípida cria uma pessoa insípida. Poucas pessoas conseguiram obter grandiosidade em qualquer campo sem a propulsão que uma vida sexual-emocional turbulenta provê. Este é o maior segredo da magia sexual. Os dois segredos menores envolvem a função do orgasmo como gnoses e a projeção de um glamour sexual. Qualquer coisa que seja mantida na mente consciente durante o orgasmo tende a alcançar a subconsciência. Anomalias sexuais podem prontamente ser implantadas ou retiradas por este método. No orgasmo pode-se dar poder aos sigilos de encantamento ou de evocação. Isto pode ser feito, por exemplo, através da visualização pura ou através da contemplação do sigilo fixado na testa do parceiro. Entretanto, este tipo de trabalho é freqüentemente mais conveniente se realizado de forma auto-erótica. Embora a gnoses oferecida pelo orgasmo possa, em teoria, ser usada em suporte de qualquer objetivo mágico, normalmente é desaconselhável usá-lo para as magias entrópica e de combate. Nenhum encantamento é totalmente isolado no subconsciente e qualquer “escape” que ocorra pode implantar associações muito prejudiciais com a sexualidade.

Durante o orgasmo pode ser lançada uma invocação, sendo que esta operação será mais eficiente se cada parceiro assumir uma forma-deus. Os momentos seguintes ao orgasmo são muito úteis para visões de busca adivinatória. Atividades sexuais prolongadas podem, também, conduzir a estágios de transe úteis em adivinhação visual e oracular ou estados oraculares de possessão em invocação.

A projeção de um glamour sexual, com o objetivo de atrair os outros, depende de muito mais que a simples aparência física. Algumas das pessoas mais bonitas, no sentido convencional, carecem totalmente disso, enquanto que algumas das mais comuns desfrutam seus benefícios ao limite.

Para ser atraente para outra pessoa, você deve oferecer alguma coisa que seja a reflexão de alguma parte dela mesma. Se a oferta se torna recíproca, isso poderá conduzir a um senso de complementação que é mais prontamente celebrada pela intimidade física. Em muitas culturas, é convencionado para o macho exibir uma vigor público exterior e para a fêmea exibir uma personalidade mais tenra, ainda que nos encontros sexuais cada um irá procurar revelar seus fatores ocultos. O macho irá procurar mostrar que ele pode ser tão compassivo e vulnerável quanto poderoso, enquanto que a fêmea procurará mostrar uma força interna por trás dos signos e sinais de receptividade passiva. Personalidades incompletas, tais como aquelas que são profundamente machistas ou que consistem do oposto polar disso, não são nunca atraentes sexualmente a ninguém, exceto no sentido mais transitório.

Assim, os filósofos do amor têm identificado uma certa androginia em ambos os sexos como um importante componente da atração. Alguns têm usado de licença poética para expressar o belo ideal de o homem ter uma alma fêmea e a mulher uma alma masculina. Isso reflete o chavão que para ser atraente para os outros, você deve, primeiro, ser atraente para você mesmo. Algumas horas gastas praticando o ser atraente em frente a um espelho é um exercício valioso. Se você não consegue ficar nenhum pouco excitado com você mesmo, não espere que ninguém fique.

A técnica do “olhar da Lua” é freqüentemente eficiente. Você fecha os olhos rapidamente. Visualiza momentaneamente um crescente lunar de prata por trás de seus olhos, com os chifres da lua se projetando de cada lado de sua cabeça, atrás de seus olhos. Então, olhe nos olhos de um amante potencial enquanto visualiza uma radiação prata sendo emitida de seus olhos para os dele, ou dela. Esta manobra também tem o efeito de dilatar as pupilas e, normalmente, causa um sorriso involuntário. Ambos são sinais sexuais universais, sendo que o primeiro atua subconscientemente. Não se deve lançar encantamentos para parceiros específicos. É preferível conjurar para parceiros adequados em geral, para você ou para outros. Seu subconsciente possui uma apreciação muito mais penetrante de quem realmente é adequado.

A magia sexual é tradicionalmente associada com as cores púrpura (da paixão) e prata (da Lua). Entretanto, a eficiência das roupas pretas tanto como sinal sexual quanto anti-sexual, dependendo do estilo e corte, mostra que o preto é, num certo sentido, a cor secreta do sexo, refletindo o relacionamento biológico e psicológico entre o sexo e a morte.

Ritos de Natureza Mista

O poder amarelo combina bem, na invocação, com qualquer uma das outras forças, exceto a negra. Tais trabalhos têm o efeito de atrair a força aliada ao poder amarelo mais completamente para o reino da auto-imagem. Invocações negro-amarelas são realizadas convencionalmente em duas metades como experiências de morte e renascimento, em que o mago procura recriar vigorosamente sua auto-imagem após seu ritual de sacrifício. Invocações e encantamentos de natureza mista verde-púrpura funcionam bem, apesar de estas forças serem melhor utilizadas de forma isolada. Ainda assim, ritos púrpura-negros possuem efeitos incomuns e não são necessariamente perigosos para aquele que os realiza se construídos de forma cuidadosa.

Traduzido por Lucifer 149

[…] ou fortunas modestas e necessárias ou para grandes e inesperados ganhos. A magia do dinheiro, ( ou Magia Azul como colocaria Peter Carroll) é tão antiga quanto as maldições e os feitiçosd e amor, e muitas […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/as-oito-cores-da-magia/

Geomancia, Runas e LOST

Postado originalmente no S&H,

10 Partiu, pois, Jacob de Berseba, e foi a Harä;
11 E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pós por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
12 E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
13 E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaac; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
Genesis 28:10-13

Aproveitando o final da quinta temporada de LOST e seu enigmático personagem Jacob, o Teoria da Conspiração decidiu fazer um post especial sobre Oráculos. Para começarmos o texto, nada mais justo que explicarmos o simbolismo contido na Escada de Jacob e as bases para quase todas as Ordens Esotéricas Antigas (incluindo o próprio templo no qual o enigmático Jacob reside). A partir da estrutura do Templo, temos as bases dos primeiros Oráculos.

Jacob
A Bíblia nos relata que Jacob (ou Jacó, para os brasileiros), em sua viagem para Harã, precisou repousar e utilizou-se de uma pedra como travesseiro. Em seus sonhos, ele viu uma escada que avançava da Terra até o Reino dos Céus, e que os Anjos subiam e desciam através dela, levando e trazendo as mensagens até Deus.
Como sabemos que toda a Gênesis é simbólica e ocultista, cujos textos são alegorias para textos herméticos e iniciáticos relacionados com a Kabbalah, precisamos primeiro entender quem foi Jacó e qual sua importância para as principais religiões mundiais.
Jacó é neto de Abraão, filho de Isaac e irmão de Esaú. Jacó teve doze filhos e uma filha de suas duas mulheres, Léia e Raquel, e de suas duas concubinas, Bila e Zilpa. Ele foi o antepassado das doze tribos de Israel. Seus filhos são Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim e sua filha era Diná. As doze tribos de Israel tem relação direta com os Doze Signos do Zodíaco, mas isso é assunto para outra coluna.

A Escada de Jacó
A Escada de Jacob é uma alegoria para a estrutura completa da Árvore da Vida, entrelaçada em seus quatro mundos (Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah), formando uma complexa estrutura que se assemelha aos degraus de uma escada em espiral.
Os 72 anjos da Kabbalah, ou “Emanações do Nome de Deus” são os anjos que aparecem simbolicamente no sonho de Jacob, trazendo as perguntas e respostas dos magistas que utilizam-se deste sistema oracular. A Escada também simboliza a subida iniciática do Mundo Material até O Mundo Primordial.
Esta pedra usada por Jacob é tão importante esotericamente que até os dias de hoje, NENHUM soberano é coroado na Inglaterra se não estiver sentado sobre ela. A chamada “Stone of Scone” (atualmente localizada na abadia de Westminster) é usada desde tempos imemoriais, tendo registros anteriores ao século VIII de seu uso na coroação dos reis britânicos. Como eu já havia falado em outro Post, ela faz referência à pedra na qual a espada do Rei Arthur está cravada e serviu como um dos exemplos para os textos originais da lenda do rei (além, claro, do seu simbolismo tradicional como Malkuth e o ponto de partida para a Iniciação à Escada de Jacó).
A Escada passa pelos quatro mundos: o Mundo Material (representado pelo elemento Terra, pelo naipe de ouros e pela távola redonda), o Mundo Mental (representado pelo elemento ar, pelo naipe de Espadas e por excalibur), o Mundo Emocional (representado pelo elemento água, pelo naipe de copas e pelo Santo Graal) e finalmente pelo Mundo Espiritual (representado pelo elemento fogo, pelo naipe de paus e pelo Cajado de Merlin).

O Templo de Hermes-Toth
A partir da escada de Jacob, podemos estruturar os templos antigos segundo a própria Árvore da Vida. Como já discutimos em posts anteriores, a Construção dos Templos (e posteriormente das catedrais, igrejas templárias e finalmente templos maçônicos) reflete a Árvore da Vida.

A Geomancia
Suas origens remontam à África, embora tenham MUITAS semelhanças com o I-Ching chinês. O próprio Jesus Cristo (Yeshua) é retratado em diversos Apócrifos como tendo “escrito nas areias” antes de responder aos questionamentos de alguns homens que o procuravam. Como Essênio, é muito claro que ele era também um Mestre de Geomancia.
Não vou explicar os detalhes de como a Geomancia funciona. Quem quiser ler a respeito eu fiz um post específico sobre Geomancia no meu blog. Basicamente, consiste em se riscar traços na areia em um estado alterado de consciência e depois decodificar a mensagem recebida.
A Geomancia tradicional funciona com base na estrutura simbólica da Árvore de Jacob, ou seja, utiliza-se quatro níveis qu,e através da meditação, resultam em símbolos que podem ser codificados como “zeros” ou “uns”. A partir destas combinações temos desde (1-1-1-1 – Via) até (2-2-2-2 – Populus), cada um associado aos sete planetas tradicionais (mercúrio, vênus, marte, júpiter, saturno, lua e sol) e o dragão (cauda e cabeça) que representa a própria escada de Jacob. Cada planeta aparece em seu aspeco solar (yang) ou lunar (yin), totalizando 16 combinações possíveis.
Como a seqüência divinatória completa envolve também os quatro mundos (espiritual, emocional, mental e físico), temos um total de 16 x 4 = 64 combinações (curiosamente e “coincidentemente” o mesmo resultado dos trigramas do I-ching…). Mesma coisa, nomes diferentes…

Urim e Tumim
De acordo com a visão judaica, o Urim e Tumim remonta ao Sumo Sacerdote de Israel. A placa peitoral que utilizava era dobrada ao meio, formando um bolso onde ficava um pergaminho contendo o nome de Deus. Este nome fazia com que certas letras gravadas sobre as pedras preciosas acendessem de acordo com as questões perguntadas. Aquele que desejava uma resposta (apenas questões de relevância dentro da comunidade israelita poderiam ser perguntadas) ia ao sumo sacerdote . Este virava-se para a arca da aliança, e o inquiridor de pé atrás do Sumo-Sacerdote fazia a pergunta em voz baixa. O sumo sacerdote, olhando para as letras que se acendiam, era inspirado para decifrar a resposta de Deus. Estes utensílios foram utilizados até a destruição do Primeiro Templo, quando pararam de funcionar.
Geralmente os cristãos crêem que Urim e Tumim fossem duas pedras colocadas no peitoral do Sumo Sacerdote de Israel, contendo em uma face resposta positiva e em outro resposta negativa. Fazendo-se a pergunta, jogavam-se as pedras, e de acordo com os lados que caissem era confirmado uma resposta negativa, positiva ou sem resultados.
Alguns personagens bíblicos e, posteriormente, diversos rabinos, utilizavam-se de duas pedras, uma branca e uma negra, que ficavam em um saco especialmente preparado, para fazer as vezes de oráculo. Podemos encontrar diversas referências bíblicas a respeito deste antigo método oracular (Exodo 28:30, Levítico 8:8, Números 27:21, Deuteronômio 33:8, Samuel 28:6, Esdras 2:63 e Neemias 7:65).

As pedras brancas e negras faziam também o papel dos traços na areia, e por sua praticidade, começaram a ser usadas também como um auxílio à Geomancia. Ao invés de riscar os traços na areia, o consulente pegava em um saco pedras brancas ou negras e fazia as combinações necessárias (de maneira semelhante às moedas do I-ching).
Com a associação das letras e números do alfabeto hebraico (também chamada Gematria), os Pitagóricos e alguns Oráculos utilizavam ossos esculpidos para representar estas letras (que por sua vez também representavam planetas, signos e elementos, e todas as gazilhões de informação que cada elemento desses simboliza).

Os Dados e os Dominós
Muita gente se pergunta qual seria o elo de ligação entre o Urim e Tumim, as Runas e o Tarot. A resposta, por mais prosaica que pode parecer, sempre remete aos inocentes e singelos jogos (e nunca vamos nos esquecer dos vícios dos Jogos de Azar… “seres humanos, profanando tudo o que encontram pela frente desde 4.000 AC”). Dados como oráculos e utilizados como jogos de azar são registrados desde o Mahabharata até os Salmos (salmo 22:18, “repartem entre si minhas vestes, e sobre minha túnica lançam sortes”). Para substituir as duas pedras de Urim e Tumim, eram arremessados dois dados, numerados de 1 a 6. O número de combinações possíveis é de 21 (1-1, 1-2, 1-3, 1-4, 1-5, 1-6, 2-2, 2-3, 2-4, 2-5, 2-6 e assim por diante) totaliza 21 (com algumas jogadas com maiores possibilidades do que outras, os chamados “duplos”, entre eles o famigerado “Snake eyes”, equivalente ao arcano do Diabo).
Os dominós nada mais são do que estas 21 jogadas de dados colocadas lado a lado. Posteriormente, alguns jogos de dominó passaram a contar também com uma das casas vazias, para simular o lançamento de apenas um dado, elevando o total de possibilidades para 28.
Tudo o que restou desta transição nos baralhos modernos foi justamente as figuras da corte, que aparecem “divididas” ao meio, tal qual as peças de dominó.

As Runas
Das 16 pedras originais, os nórdicos desenvolveram a estrutura que ficou conhecida como “Elder Futhark”. As primeiras referências que temos do uso de runas datam de 150 DC. Composta de 24 letras, parcialmente adaptadas do alfabeto grego e do romano. Todo mundo pensa que runas eram exclusividades nórdicas, mas pouca gente sabe que existiam também jogos de runas baseadas no alfabeto Etrusco, composto de 20 símbolos. As runas, chamadas não por acaso de “folhas de Yggdrasil”, foram os segredos passados para Odin durante os nove dias que ficou espetado pela própria lança na “Árvore dos Mundos” (nove dias, nove esferas descontando Malkuth…)
Cada uma das 24 runas representa um Caminho dentro da Árvore da Vida, mais duas runas que representam Yesod e Malkuth. Além disso, cada conjunto de runas possui sua própria mitologia envolvendo diversos deuses nórdicos.
Os celtas tinham sua própria versão das runas, apesar de utilizarem-nas apenas por um curto período de tempo, quando os vikings invadiram a Irlanda, que usavam também para confeccionar talismãs. O problema é que as runas celtas eram tradicionalmente esculpidas em galhos cortados de macieiras, o que fez com que pouquíssimos exemplares ficassem preservados nos museus. Os nórdicos entalhavam suas runas em pedras, o que fez com que exemplares intactos chegassem até os dias de hoje.
A Magia prática rúnica se assemelha muito à magia ritualística cabalista, sendo (na minha opinião) mais simples para um magista iniciante de trabalhar.

Geomancia, Gematria e Tarock
No Egito, especialmente Alexandria, estava o berço dos Illuminati e os maiores avanços esotéricos e científicos. Quando os Mamelucos tomaram o controle daquela região (vamos ver isso mais em detalhes quando eu chegar nas Cruzadas), eles tomaram muitos dos conhecimentos dos Sufis (os místicos islâmicos), especialmente seus conhecimentos de Astrologia e Oráculos (que já vinham sendo desenvolvidos desde o século XI, com al-Ghazali). Este conhecimento passou posteriormente para os Templários, Cátaros e Rosacruzes.
Da combinação da Gematria (as 22 letras e números do alfabeto hebraico) somados ao conceito dos 4 Mundos (que eram representados simbolicamente pelos 4 elementos, como já vimos anteriormente) e as dez esferas, temos as primeiras impressões de um oráculo que era chamado de “Tarock Mamluk”. Os protótipos dos primeiros conjuntos de Tarot.
O primeiro registro a respeito de um deck de tarot consta de 1376, em Bern, na Suíça (justamente os católicos banindo qualquer tipo de “adivinhações” da cidade). Os decks mais antigos que se tem exemplares são os Visconti-Sforza (produzido por volta de 1450-1490 e já com os tradicionais 78 Arcanos, embora nenhum museu do mundo tenha mais do que trinta deles em sua coleção), da família de ocultistas italianos que foram patronos de ninguém menos que o Grão Mestre Leonardo daVinci (1452-1519); o tarot de Visconti de Modrone (produzido por volta de 1466) e o Brera-Brambilla, confeccionado por Francesco Sforza em 1463 (Francesco Sforza foi mencionado no “Príncipe”, de Maquiavel e serviu como modelo para uma das mais famosas estátuas do Leonardo DaVinci).

O Tarot de Marselha
Ao contrário da crença popular, o “Tarot de Marselha” não faz parte da primeira leva de tarots que apareceram no ocidente nos séculos XIV e XV. Seu nome origina-se no capítulo XI do livro “O Tarot dos Boêmios” em 1889, escrito por ninguém menos que o dr. Gerard Encausse (Papus) e baseado nos tarots de Noblet (1650) e Dodal (1701). Uma das características principais deste tarot é conter a Papisa Joana no lugar da Sacerdotisa.
E do século XVIII até o dia de hoje, milhares de tipos diferentes de tarot foram criados. Uns bons, a imensa maioria cópia ou plágio dos tradicionais e um monte de porcaria… mas isso é assunto para uma coluna só de tarot, e voltarei a abordar este tema quando chegarmos à Arthur Waite, Aleister Crowley e a Golden Dawn.

#Geomancia #Runas

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