Fantasmas na Tradição Hindu: Butha, Preta e Pisaca

A tradição doutrinária indiana distingue 10 categorias de seres malévolos, três delas de origem humana. Estas, são descontentes, errantes que habitam uma dimensão intermediária entre o céu e o inferno, ocupadas em fazer o mal e aborrecer os mortais através da produção de fenômenos como a possessão e as inspirações para ações nefastas. Estas três categorias são: os Butha, os Preta e os Pisacha [Pisaca]. Porém, o termo Butha, que pertence ao sânscrito, idioma da antiga Índia, é popularmente aplicado aos três tipos. Serve para designar seres que viveram e não vivem mais como seres humanos deste mundo. Em um sentido específico, aplica-se a fantasmas, simulacros, relíquias do homem morto, impureza astral.  São sombras, pálidos habitantes do plano astral, cópia do homem que foi um dia. A crença nos Bhutas se entende ao Tibet, à China e outros países do Oriente, como a Indonésia, no contexto do Budismo.

Os Butha são almas daqueles que morreram de morte violenta [como se vê, uma crença de todas as culturas]; dos loucos; dos que eram afligidos pela dor ou pela avidez em todas as suas formas, fosse avareza, luxúria ou gula. A diferença precisa entre as três classes determina que os Pretas são fantasmas de crianças ou de pessoas que nasceram deformadas, com imperfeições físicas, mostruosidades que, no passado, eram atribuídas à negligência no proceder a certas cerimônias destinadas a propiciar a boa formação dos membros do feto [WALHOUSE]. [No Bardo-Thödol, Livro dos Mortos Tibetano, os Pretas são caracterizados como seres profundamente tristes]. Os Pisacas, aproximam-se mais dos vampiros, por sua capacidade de extrair energia vital e, geralmente, são de natureza feminina.

A distinção entre um butha e rupa [a alma animal do ser humano] é muito tênue: Bhuta é o corpo fantasmagórico, rupa é o alento vital que anima bhuta. Os bhutas são “cadáveres astrais” remanescentes homem depois da morte física e, entre os hindus, o contato com tais criaturas, essas “cascas”, produz, inevitavelmente, resultados maléficos. Apesar de pertencentes ao astral, os buthas são magneticamente atraídos para os ambientes da Terra com os quais se identificam por conta dos hábitos cultivados em vida.

Normalmente, os Bhutas, depois da morte do indivíduo, transcendem a realidade terrena e vão para mundo sublunar, Kama-Loka, onde se desintegram lentamente [o espírito puro, dissociado de seus atributos terrestres vai para a dimensão ontológica, plano de Ser, chamada Devakan]. Quando permanecem entre os vivos, os Bhutas tornam-se assombrações de cemitérios, que se escondem nas árvores, animam cadáveres, iludem e destroem seres humanos.

É melhor para alguém entrar no corpo de um tigre, de um cachorro do que tornar-se um bhuta…” — disse o velho hindu… Todo animal possui seu próprio corpo e o direito de fazer uso honesto dele enquanto que os bhutas são amaldiçoados, dakoita — bandidos, ladrões. Estão sempre espreitando, ansiando uma oportunidade de usar o que não lhes pertence. É um estado horrível, um horror indescritível, um verdadeiro inferno“. [BLAVATSKY]

Em algumas culturas regionais, como no Hindustão*, os Buthas recebem reverência como entidades tutelares e as famílias mantêm em casa representações do fantasma: uma pedra sem forma definida. Diariamente, depositam diante dele [a] oferendas, como roupas e arroz, para aplacar alguma possível irritação e requerer sua proteção contra maquinações de Buthas dos vizinhos.

No Deccan, platô localizado na Índia central, os fantasmas são chamados Vîrikas e, mais ao sul, Paisâchi. Nestes locais, os santuários para oferendas são feitos com pilhas de pedras no topo das quais há um cavidade onde é colocada a pedra representativa do fantasma. Se os presentes forem esquecidos, os espíritos visitarão o “negligente” provocando tormentos e infortúnios ou aparecendo durante a noite para reclamar o que lhes é devido.

Dr. Buchanan relata um caso de aparição de Paisâchi: em viagem a Mysore [sul da Índia] seu cozinheiro ficou doente e morreu. Os pertences do morto foram reunidos para serem entregue à esposa e filhos. Porém, o mordomo, chefe dos criados, havia se apoderado de um par de chinelos e tinha a consciência pesada. O cozinheiro, transformado em Paisâchi, começou a atormentá-lo aparecendo à noite, com um turbante negro, exigindo reparação. Noite após noite o fantasma visitava o mordomo, tomando a forma de um cão, rondando o local onde havia morrido, mudando de forma, agigantando-se até assumir o aspecto do cozinheiro. O mordomo não teve mais ânimo de conservar os chinelos e devolvendo-os, recuperou a paz [RADCLIFFE, 1954].

* Hindustão ou Indostão: O subcontinente indiano é a região peninsular do Sul da Ásia onde se situam os estados da Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Por razões culturais e tectônicas, a ilha do Sri Lanka e as Maldivas podem também considerar-se como pertencentes ao Subcontinente. Esta região do sul da Ásia foi historicamente conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje apenas utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente. [WIKIPEDIA]

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-na-tradicao-hindu-butha-preta-e-pisaca/

A FRA e o Sol Central

A palavra “Sol” aqui não significa necessariamente a estrela que a Terra gira. Nestes termos, falamos em “Corpo de Consciência”. O corpo humano abriga uma consciência, que alguns designam como Eu. O planeta Terra tem uma massa maior do que um corpo humano, então a Terra abriga uma consciência maior do que um corpo humano, Gaia. Por sua vez, nossa estrela, no centro do nosso sistema solar, é ainda mais pesada e abriga uma consciência ainda maior, Logos Solar. O próximo nível de massividade é o “Sol Central”, na qual diversas tradições esotéricas falam que emana uma consciência maior ainda.

Escreve Helena Blavatsky que: “No oceano sem limites brilha o Sol Central, Espiritual e Invisível. O universo é seu corpo, espírito e alma; e TODAS AS COISAS são criadas de acordo com este modelo ideal”. Essa escada de consciência é também chamada de “Logos”. Heráclito estabeleceu o termo Logos como significando a fonte e a ordem fundamental do universo.

Tal “corpo de consciência” é referido como um Logos ou um Sol. A palavra “Sol” não deve, portanto, ser tomada literalmente. O Logos pode ser uma estrela, um buraco negro, uma constelação, ou qualquer outra coisa. Apesar de causar estranheza inicialmente, lembramos que nas Ciências Ocultas, escreve Papus, o emprego da analogia é o método característico do ocultismo. Essas correspondências unem todos os elementos do universo, assim o que está em cima é como o que está embaixo.

O Sol físico é definido por Blavatsky em sua obra “Ísis Sem Véu” como um símbolo vivo de uma fonte espiritual. Ideia que provem de um conceito pitagórico do Sol Central, na qual o nosso sol físico é apenas reflexo. Esse Sol espiritual é identificado com vários nomes, sendo a causa de diversas manifestações. Rudolf Steiner identificava que as radiações do Sol Oculto não provem de nenhum astro, mas da emanação de seres elevadíssimos, os Elohim ou Exusiai. A Sociedade de Thule também utilizou desse conceito, chamando de Sol Negro ou SS (Schwarze Sonne). Na maçonaria, o Grande Arquiteto do Universo é a outra referência ao ordenador oculto. Blavatsky é a principal fonte, ela lista algumas referências do Sol Central em outras culturas:

“o Caos dos antigos; o sagrado fogo de zoroastrino, ou o Âtas-Behrâm dos pârsîs; o fogo de Hermes; o fogo de Elmes dos antigos alemães; o relâmpago de Cibele; a tocha ardente de Apolo; a chama sobre o altar de Pan; o fogo inextinguível do templo de Acrópolis, e de Vesta; a chama ígnea do elmo de Plutão; as chispas brilhantes sobre os capacetes dos Dióscuros. Sobre a cabeça de Górgona, o elmo de Palas, e o caduceu de Mercúrio; o Ptah egípcio, ou Râ; o ZeusKataibates (o que desce); as línguas de fogo pentecostais; a sarça ardente de Moisés; a coluna de fogo do Êxodo, e a “lâmpada ardente” de Abraão; o fogo eterno do “poço sem fundo”; os vapores do oráculo de Delfos; a luz sideral dos Rosacruzes; o ÂKÂSA dos adeptos hindus; a luz astral de Éliphas Lévi; a aura nervosa e o fluido dos magnetizadores; o od de Raichenbach; o globo ígneo, ou o gato-meteoro de Babenet; o Psicode e a força extênica de Thury; a força psíquica de Sergeant E. W. e do St. Crookes; o magnetismo atmosférico de alguns naturalistas; galvanismo; e finalmente, eletricidade (…).”

Na FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) o Mestre Huiracocha também faz referência a uma fonte espiritual, que está por detrás do Sol: (…) “Cristo é a Luz do Sol. Não a física, mas apenas a espiritual, que está por detrás dela”. O Mestre Huiracocha identifica nosso Sol como um mediador, um caminho para o Sol Central. Ele explica que essa manifestação da luz é uma substância ou partícula emanada pelo Sol. Na qual o Sacerdote Gnóstico pode invocar o nome do Cristo e fazer que essa substância cristônica penetre no ritual da Eucaristia. A luz é uma substância ou matéria que provém do Sol e penetra em todas as coisas. Ele escreve em “Igreja Gnóstica” que:

“O Sol, por sua vez, depende de outro Sol Central. Ele por si mesmo, não é mais que um mediador que nos cria, nos faz evoluir constantemente e nos redime pela ação imperativa do Crestos Solar. Este Crestos, não é Maya, não é ilusão, nem sequer um símbolo. É algo de prático, real e evidente e tal como o Logos, tem a sua ressonância, o seu ritmo e o seu tom. Platão disse, que o Logos soa, e afirmou que o Sol tem o seu ritmo. Deste modo, o Crestos Cósmico, tem positividade efetiva e é uma substância, uma força, uma consciência atuante. A Matéria é, por essa ação, Luz materializada”.

Vemos nisso, como as emanações do Sol Central podem implicar perturbações no éter de nosso planeta. Influenciando a vida na Terra.

Kenneth Grant, no seu livro “O Renascer da Magia”, diz que de acordo com a tradição hermética nosso sol é apenas um reflexo do Sol maior: Sothis ou Sírius. O sol do nosso sistema solar, portanto, tem uma relação de filho (Hórus) com essa estrela. Relação que vem desde o Egito Antigo. Kenneth Grant interpreta à luz da Lei da Thelema que “a Estrela reside no poder mágico da essência geradora feminina, pois Canicula (Constelação do Cão Maior) é Sothis, que também é a alma de Ísis”.

Robert Temple em seu livro “O Mistério de Sírius” demonstra que os egípcios relacionavam Sírius com Ísis. Essa correspondência é largamente comprovada por diversos estudos. Na publicação da Royal Astronomical Society, o estudioso Chapman-Rietschi em seu artigo, “The Colour of Sirius in Ancient Times”, escreve que os primeiros egípcios relacionam o nascimento heliacal de Sopdet (Sírius) com o nascimento de Ísis. O nascer helíaco de Sopdet foi observado no Egito com a finalidade de estabelecer o calendário lunar.

Na Thelema, ao adorar ritualisticamente Nuit, seria também uma adoração a estrela Sírius. Remetendo ao simbolismo do Aeon de Ísis, na qual antecede aos Aeon de Osíris. Sírius se levanta quando o Sol se deita no ocaso. O poder por trás do Sol, conclui Kenneth Grant, é Sírius.

Concluímos, então, que o Mestre Huiracocha ao aceitar a Lei da Thelema na FRA estabeleceu uma ponte mágica entre esses dois Aeons: na Missa Gnóstica, invocando o Logos Solar; e nos rituais rosa-cruzes, o Sol Oculto de Sírius, o revelador de Nuit. Um aspecto Solar e outro Estelar: Sol e Sírius; Masculino e Feminino. Unindo as dualidades da nossa vida.

#FRA #rosacrucianismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-fra-e-o-sol-central

Entendendo as Três Trilogias Tifonianas

O Nono Arco (The Ninth Arch), que inclui o Livro da Aranha (Book of the Spider – OKBISh), é o volume final de uma série de Trilogias que traçam o surgimento em tempos históricos de um antigo corpo de doutrina oculta conhecido como a Tradição Tifoniana. A fim de compreender plenamente seu propósito e conteúdo, o Nono Arco deve ser escaneado contra o pano de fundo maior sobre a qual é pintado. Tal abordagem facilitará a compreensão dos Oráculos de OKBISh e seus comentários.

Como uma ajuda adicional para focalizar características salientes da Tradição, a narrativa Against the Light, ‘Contra a Luz’ (Starfire Publishing, 1997) do autor deve servir como uma “nota de rodapé” útil e explicativa para as circunstâncias existentes na época em que o OKBISh foi “recebido”. Os Oráculos foram comunicados audivelmente, e ocasionalmente visualmente, a vários membros da New Isis Lodge, a Loja Nu-Ísis (1955-62) e em certos estágios do ritual mágico. A Corrente que gerou o material começou, esporadicamente, já em 1939, com o movimento inicial de uma transmissão que se desenvolveu ao longo dos anos no texto conhecido como Wisdom of S’lba, A Sabedoria de S’lba, (ver Outer Gateways, Portais Externos, Skoob Books Publishing, 1994). Em 1945, Wisdom of S’lba, – então em sua fase nascente – foi reconhecida por Aleister Crowley como uma comunicação autêntica. A partir dessa época, a Inteligência Informante passou a completar o Wisdom, e passou a produzir a série maciça de Oráculos apresentada em O Nono Arco. O modo de recepção foi descrito na Introdução. O método de documentação confirma além do sofisma a validade da cabala em série, como usada anteriormente nas análises de Wisdom. O padrão ricamente complexo de correspondências mágicas, em ambos os casos, provou ser de valor inigualável na determinação do contato genuíno com forças ocultas possuídas de Conhecimento e Presciência a respeito de eventos terrestres importantes. Que o padrão reflete o contato direto com uma Gnose Tifoniana indefinidamente antiga e sempre nova, é demonstrado pela aplicação de uma exegese cabalística incansável e rigorosa, como registrado nos comentários.

Para os leitores interessados em relações significativas entre os conceitos Numérico (físico) e Mágico-Místico (metafísico), O Nono Arco contém uma exaustiva enciclopédia da Tradição Tifoniana. Mas, além das considerações sobre gematria, os Oráculos de OKBISh esboçam Eventos que provavelmente passarão pelo planeta Terra dentro da vida de muitos leitores do livro; e – para indivíduos que são capazes de interpretar os Oráculos em termos relativos a seu próprio universo mágico – eles emitem avisos sobre os perigos que estão à frente daqueles despreparados para invocar o Sinal de Proteção contra a onda vindoura das Forças Exteriores dispostas a assumir o controle do planeta. Agora, na virada de um milênio, parece apropriado liberar este Conhecimento.

O lançamento de “O Nono Arco” foi realizado na noite de 21 de dezembro de 2002 na sala de eventos do The Plough Inn, Museum Street, Londres. O lançamento começou às 18h, e pouco depois foi servido um buffet de recepção. Michael Staley explicou que Kenneth não pôde comparecer ao lançamento, e assim, na ausência do tocador de órgão, as pessoas teriam que se contentar com o macaco naquela noite. Cópias da edição padrão de “O Nono Arco”, assinado por Kenneth e Steffi Grant especialmente para o lançamento, estavam à venda.

Às 19h15, Michael deu a primeira de duas palestras, uma breve visão geral do trabalho de Kenneth Grant antes de “O Nono Arco”. A palestra incluiu trechos de vários livros de Grant, e estes foram lidos por Caroline Wise.

O texto desta palestra, que foi bem recebido, está a seguir:

As Trilogias Tifonianas

por Michael Staley

As Trilogias Tifonianas consistem em nove volumes, distribuídos em trinta anos, desde o primeiro livro, O Renascer da Magia, em 1972, até o último livro, O Nono Arco, publicado agora em 2002. Embora cada volume seja completo em si mesmo, tomados em série, eles representam um corpo de trabalho em desenvolvimento.

Antes de considerar esta série com mais detalhes, precisamos saber algo de suas origens. Os anos formativos de Grant são os anos da New Isis Lodge, o grupo mágico que ele fundou no início dos anos 50, cujo corpo principal de trabalho durou de 1955 a 1962, e que se dissolveu alguns anos depois. Quando jovem, Grant se interessou apaixonadamente pelo ocultismo, e leu amplamente obras de mitologia, religião comparada, misticismo e magia. No decorrer de seus estudos, ele encontrou o trabalho de, entre outros, Aleister Crowley e Austin Osman Spare, e foi atraído por ambos. Em 1944 ele iniciou uma correspondência com Aleister Crowley, e viveu com Crowley por um curto período em 1945 como seu “chela” ou discípulo, cantando para seu jantar e atuando como secretário. Durante este tempo, Grant recebeu instruções orais de Crowley. Ele também recebeu o retrato de Lam de Crowley, ao qual ele se sentiu atraído ao vê-lo pela primeira vez no portfólio de Crowley, e que Crowley finalmente lhe deu em agradecimento pela ajuda durante uma noite particularmente ruim para sua saúde. Em 1991, Grant publicou um livro de memórias de sua associação com Crowley, intitulado Remembering Aleister Crowley (Relembrando Aleister Crowley). Trata-se de um livro de memórias afetuoso, mas que não se coíbe de retratar uma relação que às vezes era difícil. Crowley era velho, doente e frágil, e muitas vezes não era muito generoso. No entanto, Grant aprendeu muito com Crowley. Há uma tradição de “darshan”, de receber iniciação de estar na presença do guru; que assim como uma imagem diz mais do que qualquer quantidade de palavras, há uma compreensão e uma percepção que é passada de adepto para adepto que não tem preço.

Um pouco depois da morte de Crowley em 1947, Grant finalmente conheceu Austin Osman Spare. Este foi um relacionamento mais longo, que durou até a morte de Spare em 1956. E também, a julgar pelo relato publicado por Kenneth e Steffi em seu Zos Speaks! (Zos Fala!) em 1998, bem como pelo anterior Images & Oracles of Austin Osman Spare (Imagens e Oráculos de Austin Osman Spare), publicado em 1975, foi uma relação mais profunda, talvez menos formal. É minha impressão, como leitor da obra de Grant, que Spare teve o maior impacto sobre ele. O trabalho de Spare é certamente mais fugidio que o de Crowley, mas está de alguma forma mais próximo da fonte da consciência na imaginação cósmica. Um relato da relação entre os Grant e Spare é dado em Zos Speaks! Foi em grande parte devido aos apelos dos Grant que Spare reconstruiu muito do Alfabeto do Desejo e outros aspectos de seu sistema que ele havia esquecido em grande parte ao longo dos anos, e se comprometeu muito mais com o papel.

Durante o início dos anos 50, um círculo de ocultistas se agrupou em torno de Grant que formou o núcleo de um grupo de trabalho, a Loja Nu-Ísis. Vários dos membros haviam sido membros da O.T.O. sob Crowley – Kenneth e Steffi, e é claro; um peleiro e alquimista, David Curwen; e uma mulher a quem Grant se refere por seu nome mágico Clanda. O próprio Spare nunca foi membro da Loja Nu-Ísis, preferindo trabalhar sozinho. Ele apoiou os Grant em seus esforços, e projetou vários cenários para a Loja. Os Grants descreveram a Loja Nu-Ísis como uma célula dependente da O.T.O., e ela tinha uma estrutura de grau e um programa de trabalho que devia muito mais à Astrum Argenteum de Crowley do que à O.T.O. como era na época de Crowley. A relação com Curwen também foi fundamental para Grant obter uma cópia de um comentário de um adepto Kaula sobre um texto tântrico, o Anandalahari. Isto deu importantes insights sobre a magia sexual tântrica, aproximando a magia sexual de uma direção muito diferente da de Crowley. A abordagem de Crowley à magia sexual é basicamente solar-fálica, para não dizer que é falo-cêntrica. Ou seja, há grande ênfase na importância das energias sexuais masculinas, mas muito pouco nas energias femininas. Muitas vezes, a parceira feminina é apenas uma taça na qual o mago masculino derrama seu fogo de estrela. O texto Kaula abordou o assunto de uma perspectiva diferente, acentuando o papel dos kalas e como eles variam ao longo do ciclo menstrual.

Os Grants emitiram um Manifesto da Loja Nu-Isis em seu lançamento em 1955, no qual falavam da descoberta de um planeta além de Plutão, a Ísis transplutoniana, e o que ela poderia significar para a evolução da consciência neste planeta. Deixando de lado a questão de existir ou não um planeta neste sistema solar além de Plutão, é certamente óbvio que os Grant não estavam falando sobre a descoberta de um planeta físico. Tal descoberta teria sido mais relevante para uma revista astronômica. Se tivermos em mente que a primeira sephira, Plutão (Pluto), é atribuída a Plutão, então um planeta transplutoniano, seria o “Um Além de Dez”, o Grande Exterior. Grant o expressou assim alguns anos depois, em Aleister Crowley e o Deus Oculto:

“No Livro da Lei, a deusa Nuit exclama: “Meu número é onze, como todos os números deles que são de nós”, o que é uma alusão direta à A.’. A.’., a Astrum Argentum ou Ordem da Estrela de Prata, e seu sistema de Graus. Nuit é o Grande Exterior, representada fisicamente como “Espaço Infinito e as Estrelas Infinitas dali” – ou seja, Ísis. Nuit e Ísis são assim identificadas no Livro da Lei. Ísis é o espaço terrestre, iluminado pelas estrelas. Nuit é o espaço exterior, ou espaço infinito, a escuridão imortal que é a fonte oculta da Luz; Ela também é, em um sentido místico, o Espaço Interno e o Grande Interior.”

Ao longo dos anos de 1959 a 1963, os Grants produziram uma série de monografias, as Carfax Monographs (Monografias Carfax), cada uma sobre um tema diferente. Anos mais tarde, em 1989, estas foram publicadas em um único volume, como Hidden Lore (O Conhecimento Oculto).

Grant não publicou muito sobre os rituais mágicos da Loja Nu-Ísis até agora, mas uma série de anedotas resultantes do trabalho, o que Grant chama de “magicollages”, estão espalhadas por muitos dos nove volumes das Trilogias Tifonianas, principalmente em Hecate’s Fountain (A Fonte de Hécate), publicada há dez anos, em 1992. Há também vislumbres de Trabalhos da Loja na ficção de Grant.

O trabalho subsequente de Grant surge a partir do trabalho feito na Loja Nu-Ísis. Estes anos foram, portanto, extremamente formativos para ele. Antes da Loja Nu-Ísis ele teve um aprendizado extremamente amplo e profundo, assim como sua associação com Crowley e Spare. Entretanto, todas estas influências foram sintetizadas através do trabalho mágico da Loja Nu-Ísis. São as experiências obtidas através destes trabalhos, a iniciação, a percepção, que dão poder ao trabalho subsequente de Grant. É o poço sem o qual o trabalho de Grant teria secado. Sem ele, ele teria se tornado apenas mais um imitador do trabalho de outros – e Deus sabe que já temos o suficiente deles.

A Primeira Trilogia

Um artigo foi publicado por Grant no ‘International Times’ no final dos anos 60, sobre Crowley, no qual ele afirma ter escrito um estudo sobre o trabalho de Crowley e outros, chamado Aleister Crowley e o Deus Oculto. Posteriormente, ele o apresentou aos editores londrinos Frederick Muller, que expressaram seu interesse, mas sugeriram que, devido ao seu tamanho, ele deveria ser dividido em dois volumes. O primeiro volume foi publicado em 1972 como O Renascer da Magia.

O Renascer da Magia é um estudo e uma análise de uma variedade de tradições ocultas que sobreviveram durante muitos milhares de anos, e que agora estão revivendo em novas formas e novos vigor. Em particular a gênese e o desenvolvimento do Culto Draconiano através das Dinastias egípcias são traçados, e contra este cenário mais antigo são examinadas as manifestações mais modernas tais como Blavatsky, Crowley, a Golden Dawn (A Aurora Dourada), Dion Fortune e Austin Osman Spare. É demonstrado que embora sejam manifestações recentes, elas estão enraizadas na corrente mágica muito mais antiga que alimentou e sustentou todos os eflorescentes subsequentes. Incluído como uma placa no livro está uma reprodução do desenho de Lam de Crowley, a primeira vez que foi publicado desde sua publicação original no Blue Equinox (O Equinócio Azul) em 1919.

Isto foi sucedido em 1973 pelo segundo volume, Aleister Crowley e o Deus Oculto. Este é um estudo mais especificamente sobre o sistema de magia sexual de Crowley, amplificado por uma consideração do comentário Kaula referido acima. Há também um capítulo sobre “Nu-Isis and the Radiance Beyond Spare” (Nu-Ísis e a Radiância Além de Spare), no qual Grant se refere à  Loja Nu-Ísis e seu programa de trabalho.

Cults of the Shadow (Os Cultos da Sombra) foi publicado em 1975, e explorou aspectos obscuros do ocultismo que são frequentemente vistos negativamente como “magia negra”, o “caminho da mão esquerda”, etc. De particular destaque é um capítulo sobre o trabalho de Frater Achad e o Aeon de Maat, no qual Grant tem uma visão um tanto céptica das reivindicações de Frater Achad sobre o alvorecer do Aeon de Maat. Posteriormente, Grant veio a mudar sua visão. O livro também continha um par de capítulos sobre a obra de Michael Bertiaux (expoente do Voudon Gnóstico).

A Segunda Trilogia

A segunda Trilogia inicia com Nightside of Eden (O Lado Noturno do Éden), publicado em 1977. Esta é essencialmente uma exploração dos Túneis de Set, que se encontram sob os caminhos da Árvore da Vida. Esta obra foi baseada inicialmente em um breve e obscuro trabalho de Crowley, o Liber 231, publicado pela primeira vez em no Equinox. Este livro consiste em sigilos dos gênios das 22 escamas da Serpente, e os sigilos das 22 células das Qliphoth, e alguns oráculos obscuros. Esta obra evidentemente fascinou Grant, e a exploração destas células das Qliphoth forma a espinha dorsal da obra da Loja Nu-Ísis. Grant tem sido criticado em alguns setores por trabalhar com o que alguns consideram como os aspectos maléficos e avessos da magia. Entretanto, os aspectos mais obscuros da experiência são tão necessários para entender como os aspectos mais claros; é necessário entender ambos.

Em 1980 Grant publicou Outside the Circles of Time (Fora dos Círculos do Tempo), uma obra que cobre uma área extremamente ampla e expõe, para citar a sinopse da capa: “uma rede mais complexa do que jamais foi imaginada: uma rede não muito diferente da visão escura de H.P. Lovecraft das forças sinistras que se escondem na borda do universo”. O livro é mais famoso, talvez, por mostrar a obra de Sóror Andahadna (que mais tarde se tornou Nema, autora de A Magia de Maat), uma Sacerdotisa contemporânea de Maat cuja obra tinha paralelos com a obra de Frater Achad muitas décadas antes. Muitos Thelemitas têm problemas com o Aeon de Maat. No que lhes diz respeito, cada Aeon dura 2.000 anos; estamos no início do Aeon de Hórus, portanto, Maat ainda está longe. Eles farão eco da famosa réplica de Crowley ao jovem Grant: “Maat pode esperar!”. Entretanto, a seguinte passagem de Outside the Circles of Time coloca o assunto sob uma luz muito mais interessante:

“Mitos e lendas são do passado, mas Maat não deve ser pensada em termos de eras passadas ou futuras. Maat está presente agora para aqueles que, conhecendo os ‘alinhamentos sagrados’ e o ‘Portal da Intermediária’, experimentam a Palavra sempre vindo, sempre emanando, da Boca, nas formas sempre novas e sempre presentes que estão sendo geradas continuamente a partir do Atu ou Casa de Maat, o Ma-atu … “

Mas o livro é sobre muito mais. É uma tecelagem potente de uma série de fios aparentemente diversos em uma única, ampla e poderosa corrente. Embora os livros de Grant sejam todos diferentes de seus predecessores, Outside the Circles of Time parecia anunciar um salto para uma dimensão diferente.

Outside the Circles of Time foi o último livro publicado pela (Editora) Muller, e houve uma pausa de 12 anos até 1992, quando a Editora Skoob publicou a Hecate’s Fountain. Grant tinha originalmente concebido isto como um relato dos rituais da Loja Nu-Ísis. No entanto, como muitas vezes acontece, o trabalho tomou um impulso próprio e lançou uma flor bem diferente. O livro ainda era tecido em torno do trabalho da Loja. Entretanto, esta obra é ilustrada como relatos anedóticos de trabalhos específicos, ilustrando em particular o que Grant denomina de “tantra tangencial”, onde um trabalho mágico tem efeitos colaterais curiosos e às vezes alarmantes em desacordo com seu aparente propósito. Grant traça essas anomalias para uma interface catalítica que ele chama de “Zona Malva”, existente entre os domínios do sono sonhador e do sono sem sonhos. Na Zona Malva, há movimentos, verticilos e turbilhões que dão origem a tênues espectros, sonhos, e imagens que entram na consciência e são revestidas pela imaginação.

A Terceira Trilogia

A terceira Trilogia abre com Outer Gateways (Portais Exteriores), publicado pela Skoob em 1994. Este livro continua e amplia alguns dos temas de Hecate’s Fountain. Ele contém um longo relato das vertentes aparentemente contraditórias do Livro da Lei, explora a obra de Crowley em relação à Sunyavada, e tem algumas coisas notáveis a dizer sobre a gematria criativa. No entanto, o seu núcleo é sem dúvida Wisdom of S’lba e os vários capítulos de análise que se seguem. S’lba é uma bela, altamente carregada e rica transmissão recebida durante muitos anos por Kenneth Grant desde o final dos anos 30, a maior parte dela recebida durante os anos da Loja Nu-Ísis.

Há uma grande quantidade de mal-entendidos sobre a natureza das transmissões. Não se trata de simplesmente tirar ditados de uma entidade desencarnada. O contato com o que é chamado de planos internos é muito mais complexo e mais sutil do que isso. Tomemos por exemplo a seguinte nota introdutória de Grant:

“A série de versos intitulados coletivamente a Wisdom of S’lba … não foram escritos em nenhum momento ou lugar em particular, embora o estado de consciência em que foram recebidos fosse invariavelmente o mesmo. O processo foi iniciado já no ano de 1939, quando a Visão de Aossic se manifestou pela primeira vez da maneira descrita em Outside the Circles of Time (capítulo 8). A visão se desenvolveu esporadicamente durante todo o tempo da associação de Aossic com Aleister Crowley e Austin Osman Spare. Mas o aspecto dinâmico do Trabalho, ou seja, a integração da Visão em um todo coerente, ocorreu durante o período de existência da Loja Nu-Ísis.”

O próximo volume, Beyond the Mauve Zone (Além da Zona Malva), estava prestes a ir para a imprensa quando os editores de Grant, a Skoob Publishing, decidiram que não iriam publicar mais nada dele. Nenhuma razão para isto jamais foi dada. O resultado foi que mais alguns anos se passaram até sua eventual publicação, pela Starfire Publishing, em 1999. Beyond the Mauve Zone é, como seu nome sugere, uma consideração mais profunda daquela região entre o sono sem sonhos e o sonho que fecunda a imaginação, e em particular uma consideração de vários métodos de acesso à Zona Malva. Há três capítulos sobre o Ritual Kaula da Serpente de Fogo, dando muito mais material do comentário Kaula iniciado, obtido de David Curwen. Há também uma análise prolongada da Liber Pennae Praenumbra recebida por Sóror Andahadna (A futura Nema), e um relato do trabalho do sérvio Zivorad Mihajlovic Slavinski.

Olhando para estes primeiros oito volumes das Trilogias Tifonianas, podemos ver o quanto o trabalho de Grant mudou, e ainda assim se reintegrou com sua fonte. Por maiores e mais profundos que sejam os volumes anteriores, eles dão poucos indícios da gloriosa floração que é a terceira e última Trilogia. E é o último volume, O Nono Arco, para o qual nossa atenção se volta em seguida.

No entanto, para encerrar esta parte da palestra, há uma passagem de Outside the Circles of Time que sempre achei inspiradora. Ela expressa um conceito que é a essência de grande parte do trabalho de Grant, e o faz de uma forma excepcionalmente bela e intensamente comovente. São os dois parágrafos finais da Introdução a esse livro extraordinário:

“Um último ponto é aqui relevante, e eu o declaro sem desculpas. Não é meu propósito tentar provar nada; meu objetivo é construir um espelho mágico capaz de expressar algumas das imagens menos elusivas vistas como sombras de um futuro Aeon. Isto eu faço por meio de sugestão, evocação e por aqueles conceitos oblíquos e “intermediários” que Austin Spare definiu como “Neither-Neither (Nem-Nem)”. Quando isto é compreendido, a mente do leitor torna-se receptiva ao influxo de certos conceitos que podem, se recebidos sem distorções, fertilizar as dimensões desconhecidas de sua consciência. Para atingir este objetivo, uma nova forma de comunicação deve ser desenvolvida; a própria linguagem deve renascer, reviver e dar uma nova direção e um novo impulso. A imagem verdadeiramente criativa nasce da imaginação criativa, e este é – em última análise – um processo irracional que transcende a compreensão da lógica humana.”

 “É bem conhecido que cientistas e matemáticos desenvolveram uma linguagem críptica, uma linguagem tão esquiva, tão fugitiva e, no entanto, tão essencialmente cósmica que forma um modo de comunicação quase cabalístico, muitas vezes mal interpretada por seus próprios iniciados! Nossa posição não é tão desesperada, pois estamos lidando principalmente com o complexo corpo-mente em sua relação com o universo, e o corpo-aspecto está profundamente enraizado no solo do sentimento. Nossa mente pode não compreender, mas nas camadas mais profundas do subconsciente onde a humanidade compartilha um leito comum, há um reconhecimento instantâneo. Da mesma forma, um mago concebe sua cerimônia em harmonia com as forças que ele deseja invocar, portanto, um autor deve prestar considerável atenção à criação de uma atmosfera adequada para suas operações. As palavras são seus instrumentos mágicos, e suas vibrações não devem produzir um ruído meramente arbitrário, mas uma elaborada sinfonia de reverberações tonais que provocam uma série de ecos cada vez mais profundos na consciência de seus leitores. Não se pode enfatizar ou superestimar a importância desta forma sutil de alquimia, pois é nas nuances, e não necessariamente nos significados racionais das palavras e números empregados, que reside o mago. Além disso, é muito frequentemente na sugestão de certas palavras não utilizadas, ainda indicadas ou empregadas por outras palavras sem relação direta com elas, que se produzem as definições mais precisas. O edifício de uma construção real pode às vezes ser criado apenas por uma arquitetura de ausência, onde o edifício real é ao mesmo tempo revelado e escondido por uma estrutura alienígena assombrada por probabilidades. Estas são legiões, e é a faculdade criativa do leitor – desperto e ativo – que pode povoar a casa com almas. Portanto, este livro pode significar muitas coisas para muitos leitores, e diferentes coisas para todos; mas para nenhum pode significar nada, pois a casa é construída de tal maneira que nenhum eco pode ser perdido.”

…continua em Vislumbres do Novo Arco

 

Fonte: Glimpses Through the Ninth Arch.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/entendendo-as-tres-trilogias-tifonianas/

Bibliografia sobre vampiros

Clássicos da literatura:

 

• Cid Vale Ferreira (org.). – Voivode, Estudos sobre o Vampirismo, da mitologias às sub-culturas urbanas. Ed. Via Lettera. 2002.
• Gomes Leal. O Estrangeiro Vampiro – Carta a el-rei D. Carlos I. Empresa Literaria Lisbonense Libanio & Cunha, 1897. [Romance reproduzido sem a longa introdução em “Voivode”].
• J. Sheridan Le Fanu. O Vampiro de Karnstein. Edições GRD. (Reeditado em “O Vampiro de Karnstein e Outras Histórias”, Círculo do Livro. Também: Sheridan Le Fanu. Carmilla. Tradução de Cascais Franco. Europa-América.)
• Bram Stoker. Drácula. Tradução de Theobaldo de Souza. L&PM editores. Pág. 295-30. [Essa é a melhor tradução “não esgotada” do mercado].
• Bram Stoker. O Monstro Branco. Global Ground. (Com introdução de Tony faivre).
• Vários autores. Histórias de Vampiros. Coleção Livro B n º 21. Estampa.
• Vários autores. Histórias de Vampiros. Hemus. (Não é o mesmo livro, apesar de ter o mesmo nome).
• Vários autores. Vampiros. Relatos cortos. Seleção de Victoria Robins. (Em espanhol)
• Conan Doyle. O Vampiro de Sussex. Ediouro.

História:

• Raymond T. McNally & Radu Florescu. Drácula: Mito ou Realidade? Livraria José Olympio Editora.
• Raymond T. McNally & Radu Florescu. Em Busca de Drácula e Outros Vampiros. Mercuryo.
• Valentine Penrose. A Condessa Sanguinária. Paz e Terra.

Antropologia:

• Gordon Melton. O Livro dos Vampiros – a Enciclopédia dos Mortos Vivos. Makron Books.
• Richard Francis Burton. Vikram e o Vampiro. Círculo do Livro. (Stoker conheceu o tradutor desse livro… Excelente curiosidade sobre vampirismo indiano…)
• Anônimo. Contos do Vampiro. Martins Fontes. (Versão de Somadeva de “Vikram e o Vampiro”)
• Nathan Wachtel. Deuses e Vampiros. Edusp. (Excelente estudo antropológico)

Ocultismo:

• Robert Amberlain. O Vampirismo. Bertrand. (Para leitores avançados)
• Migel Angel Nieto (ed.). Profecias, Lendas e Personagens Malditos. Coleção As Ciências Proibidas. Vol. 16. Edições Século Futuro.
• Colin Wilson. O Oculto. Francisco Alves.
• H. P. Blavatsky & Mario Roso de Luna. Paginas Ocultistas y Cuentos Macabros. Editorial Eyras. (Em espanhol).
• Helena Petrovna Blavatsk. Isis sem Véu. Ed. Pensamento. Livro II. Capítulo XII (principalmente as págs. 141 a 149). [Para ver mais um caso relevante à Teosofia consulte Dr. Franz Hartmann. An Authenticated Vampire Story. Reeditado por Leslie Shepard em The Dracula Book of Great Vampire Stories. JOVE]
• Aleister Crowley. De Arte Mágica. Madras. [Ou leia minha tradução revisada do capítulo em “Vampirismo Rosacruz”]
• Dion Fortune. Autodefesa Psíquica. Pensamento.
• Kenneth Grant. Renascer da Magia. Madras.
• Konstantinos. Vampiros, a Verdade Oculta. Editorial Estampa. (Tendencioso mas interessante… A parte sobre vampirismo de cemitério está coberta de erros)

Religião:

• Caio Fábio. Nephilim. Razão Cultural. [Romance evangélico… Fala de vampirismo…]
• J. Herculano Pires. Vampirismo. Paidéa. (Livro espírita)
• XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da Luz. Ditado pelo Espírito André Luiz. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991. 347 p. (Série André Luiz, 4)

Romances:

• Todos das Crônicas Vampiriescas de Anne Rice.
• Whitley Strieber. Fome de Viver. Nova Cultural.
• F. Paul Wilson. O Fortim. Record. (Acreditem… Esse romance consegue meter medo…)
• Colin Wilson. Vampiros do Espaço. Francisco Alves. (Apesar de ser um romance, desenvolve a tese apresentada em “O Oculto”)
• Roderick Anscombe. A Vida Secreta de Laszlo, Conde Drácula. Editora Beste Seller.
• Martin Cruz Smith. Terrores da Noite. Círculo do Livro. (romance sobre Morcegos vampiros e deuses indígenas da morte)
• Stephen King. A Hora do Vampiro. Nova Cultural. [Romance… Muito bom]
• Carlos Queiros Teles. “A Marca da Serpente” em Sete Faces do Terror. Editora Moderna. (Conto)
• Antonio Carlos de Mello. A Metáfora de Drácula. Livraria José Olympio Editora. (Conto)
• Flávia Muniz. Os Noturnos. Editora Moderna. (Romance baseado no filme Garotos Perdidos)
• Tono Collins. Um Vampiro em Nova York. Nova Cultural. (romance. Quem gosta de Anne Rice vai adorar este aqui)

Variados:

• José Luiz Aidar & Márcia Maciel. O Que é Vampiro? Brasiliense.
• Ivan Cardoso & R. F. Lucchetti. Ivampirismo. O Cinema em Pânico. (Sobre cinema brasileiro).
• Jaques Bergier. O Livro do Inexplicável. Tradução de Francisco de Sousa. Hemus. [Ver ‘Quarta Parte: Fenômenos Fortianos’. Págs. 204 a 208]

Shirlei Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-sobre-vampiros/

Os Templários e o Baphomet

Baphomet (do grego), o andrógeno bode-cabra de Mendes. Segundo os cabalistas ocidentais, especialmente os franceses, os Templários foram acusados por adorar Baphomet. Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem do Templo, com todos os seus irmãos, morreram por causa disso. Porém, esotérica e filosoficamente falando, tal palavra nunca significou “bode” nem qualquer outra coisa tão objetiva como um ídolo. O termo em questão quer dizer, segundo Von Hammer, “batismo” ou iniciação na sabedoria, das palavras gregas Baph e Metis, significando “Batismo de Sabedoria”, e da relação de Baphometus com Pã.

Von Hammer deve estar certo, Baphomet era um símbolo hermético-cabalístico, mas a história, tal como foi inventada pelo clero, é falsa. Pã é o deus grego da Natureza, do qual deriva a palavra Panteísmo; o deus dos pastores, caçadores, lavradores e habitantes das campinas.

Segundo Homero, é filho de Hermes e Dríope; seu nome significa “Todo”. Foi inventor da chamada flauta do deus Pã, e uma ninfa que ouvisse o som desse instrumento não resistia ao fascínio do grande Pã, apesar de sua figura grotesca. Pã tem certa relação com o bode de Mendes, no que este representa, como um talismã de grande potência oculta, a força criadora da Natureza.

Toda a filosofia hermética se baseia nos segredos ocultos da Natureza e, assim como Baphomet, era inegavelmente um talismã cabalístico. O nome de Pã era de grande virtude mágica naquilo que Eliphas Levi chamava de “Conjuração dos Elementais”. Outra teoria nos leva a uma composição do nome de três deuses: “Baph”, que seria ligado ao deus Baal; “Pho”, que derivaria do deus Moloc; e “Met”, advindo de um deus dos egípcios, Set. Para conhecê-los, sugiro a leitura do livro Maçonaria – Escola de Mistérios – Seus Símbolos e Tradições, de Wagner Veneziani Costa, lançamento da Madras Editora.

A palavra “Baphomet” em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos cabalistas judeus), obtem-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que se soletra Sophia, palavra grega para Sabedoria.

O símbolo do Baphomet é fálico, haja vista que em uma de suas representações há a presença literal do falo, devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva). O Baphomet de Levi possui mamas de mulher, e o pênis é metaforicamente representado por um caduceu (símbolo de Mercúrio, usado hoje na Medicina). Esse tipo de simbologia sexual aparece com freqüência na alquimia (o coito do rei e da rainha), com a qual o ocultismo tem relação. O Sol e a Lua ou, até mesmo, o Sol e Vênus, a Estrela matutina e vespertina, Phosforus, Lúcifer, o Portador da Luz…

Pode ser interpretado em seu aspecto metafísico, no qual pode representar o espírito divino que “ligou o céu e a terra”, tema recorrente na literatura esotérica. Isso pode ser visto no Baphomet de Eliphas Levi, que aponta com um braço para cima e com o outro para baixo (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia). No ocultismo, isso representaria o conceito que diz: “Assim é em cima, como é embaixo”.

Antes, porém, quero apresentar um personagem muito importante: Eliphas Levi Zahed é tradução hebraica de Alphonse Louis Constant, abade francês, nascido no dia 8 de fevereiro de 1810 em Paris. O maior ocultista do século XIX, como muitos o consideram, era filho do modesto sapateiro Jean Joseph Constant e da dona de casa Jeanne-Agnès Beaupurt. Tinha uma irmã, Paulina-Louise, quatro anos mais velha que ele. Apesar de mostrar desde menino aptidão para o desenho, seus pais o encaminharam para o ensino religioso.

Foi assim que, aos 10 anos de idade, ingressou na comunidade do presbitério da Igreja de Saint-Louis em L´lle, onde aprendeu o catecismo sob a direção do abade Hubault, que selecionava os garotos mais inteligentes que demonstravam alguma inclinação para a carreira eclesiástica. Desse modo, Eliphas foi encaminhado por ele ao seminário de Saint-Nicolas du Chardonnet, para concluir seus estudos preparatórios. A vida familiar cessou para ele a partir desse momento. No seminário, teve a oportunidade de se aprofundar nos estudos lingüísticos e, aos 18 anos, já era capaz de ler a bíblia em seu texto original.

Após 15 anos de estudos, Eliphas Levi deixou o grande seminário para ingressar no mundo; tinha então 26 anos de idade. Sua mãe, ao saber disso, suicidou-se. Abalado e sem nenhuma experiência do mundo, teve muitas dificuldades para encontrar um emprego. Essa barreira aumentava ainda mais pelo boato que correu, segundo o qual ele teria sido expulso do seminário. Após ter percorrido o interior da França, trabalhando em um circo, Eliphas encontrou em Paris alguns trabalhos como pintor e jornalista. Fundou, com seu amigo Henri-Alphonse Esquirros, uma revista intitulada As Belas Mulheres de Paris, na qual se aplicava como desenhista e pintor, e Esquirros atuava como redator.

Eliphas Levi passou por vários empregos, sempre perseguido pelo clero que via nele um apóstata. Foi então que escreveu sua Bíblia da liberdade, desejando dividir com seus irmãos as alegrias de suas descobertas (1841). Essa publicação lhe custou oito meses de prisão e 300 francos de multa! Foi acusado de profanar o santuário da religião, de atentar contra as bases da sociedade, de propagar o ódio e a insubordinação.

Ao sair da prisão, realizou pequenos trabalhos, principalmente pintura de quadros e murais de igrejas, e fez colaborações jornalísticas. Apesar dos contratempos materiais, não deixou jamais de aperfeiçoar seus conhecimentos e enriquecer sua erudição. Foi após Emanuel Swedenborg que encontrou os grandes magos da Idade Média, os quais o lançaram definitivamente no Adeptado: Guillaume Postel, Raymond Lulle, Henry Corneille Agrippa. Assim, em 1845, aos 35 anos de idade, escreveu sua primeira obra ocultista, intitulada O Livro das Lágrimas ou o Cristo Consolador.

Em 1855, fundou a Revista Filosófica e Religiosa (cujos artigos principais se encontram em seu livro A Chave dos Grandes Mistérios. Nesse mesmo ano, publicou seu Dogma e Ritual da Alta Magia e o poema Calígula, identificando no personagem o imperador Napoleão III. Por causa disso, foi preso imediatamente. No fundo da prisão escreveu uma réplica, o Anti-Calígula, retratando-se. Foi então posto em liberdade.

No dia 31 de maio de 1875, faleceu Eliphas Levi. Aqueles que o acompanharam até o último momento testemunharam sua grande coragem e resignação. No momento de expirar, estava bastante calmo. Sua vida tinha sido plena de realizações espirituais. Havia cumprido a missão de iniciado e de iniciador.

“Toda intenção que não se manifesta por atos é uma intenção vã,

e a palavra que a exprime é uma palavra ociosa. É a ação que prova a vida, e é também a ação que prova e demonstra a vontade.

Por isso está escrito nos livros simbólicos e sagrados que os homens serão julgados, não conforme seus pensamentos e suas idéias, mas segundo suas obras.

Para ser é preciso fazer…”

A ilustração mais famosa de Eliphas Levi sobre Baphomet, que muitos conhecem, seja de cartas de Tarot, como o demônio, seja como símbolo ocultista, é esta: “Figura panteística e mágica do absoluto. O facho colocado entre os dois chifres representa a inteligência equilibrante do ternário; a cabeça de bode, cabeça sintética, que reúne alguns caracteres do cão, do touro e do burro, representa a responsabilidade só da matéria e a expiação, nos corpos, dos pecados corporais. As mãos são humanas, para mostrar a santidade do trabalho; fazem o sinal do esoterismo em cima e em baixo, para recomendar o mistério aos iniciados e mostram dois crescentes lunares, um branco que está em cima, o outro preto que está em baixo, para explicar as relações do bem e do mal, da misericórdia e da justiça. A parte baixa do corpo está coberta, imagem dos mistérios da geração universal, expressa somente pelo símbolo do caduceu. O ventre do bode é escamado e deve ser colorido em verde; o semicírculo que está em cima deve ser azul; as pernas, que sobem até o peito, devem ser de diversas cores. O bode tem peito de mulher e, assim, só traz da humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, isto é, os sinais redentores. Na sua fronte e em baixo do facho, vemos o signo do microcosmo ou pentagrama de ponta para cima, símbolo da inteligência humana que, colocado assim, embaixo do facho, faz da chama deste uma imagem da revelação divina”.

Esse panteu deve ter por assento um cubo e, para estrado, uma bola e um escabelo triangular. É uma boa representação; no entanto, peca historicamente e não deve ser tomado como “verdadeiro” Baphomet, pois essa figura é muito parecida com a curiosa representação do Diabo, esculpida alguns anos antes da sua “tese”, em 1842, no pórtico da igreja de Saint-Merri, em Paris.

Em relação aos Templários, encontramos uma gárgula que poderia ter servido de inspiração a Levi na comendoria de Saint Bris le Vineux que pertencia à Ordem.

Spectrum nos dá alguns esclarecimentos: “…Em meio às diversas polêmicas que compõem o tema do satanismo, alguns pontos não ficam totalmente esclarecidos. Por exemplo, a representação de uma cabra com corpo humano encontrada nos cultos do satanismo religioso é denominada Baphomet, que já era conhecida desde os tempos pré-cristãos. Portanto, não possui nenhuma relação com o demônio conhecido no cristianismo. Para os satanistas, Baphomet é uma energia da natureza que os motiva a conseguir nossos objetivos. Nesse caso, a cabra com corpo humano e asas simboliza força, fertilidade e liberdade, características muito valorizadas pelos povos pagãos.

O pentagrama é um símbolo encontrado originalmente nas culturas pré-cristãs com diversos significados. No caso do satanismo religioso, é utilizado com duas pontas voltadas para cima, representando a face de Baphomet.

A origem da cruz invertida nos remete a São Pedro, que não se julgava digno de morrer como Jesus e pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. Esse símbolo é encontrado na Basílica do Vaticano, no trono ocupado pelo Papa. Porém, a cruz invertida também foi adotada por grupos que se intitulam satanistas ou anticristãos”.

Na época dos celtas, o homem reconhecia o espírito animador dos seres vivos. Ele era geralmente descrito como o Deus Cornudo, um homem com chifres. Era uma força sem moralidade, que não podia ser aplacada e com ela não se podia barganhar. Era simbolizada como o Deus Cornudo porque conferia certos poderes sobre os animais, e um homem com chifres porque representava algo extra que o homem poderia conquistar. Os chifres duplos simbolizavam a natureza bipolar da força que era tanto boa quanto má, luz e escuridão, beleza e terror, positivo e negativo. Ainda mais, a imagem do Deus Cornudo dava uma impressão da espantosa e temível natureza desse tipo de poder.

Blavatsky relaciona Baphomet a Azazel, o bode expiatório do deserto, de acordo com a Bíblia Cristã, cujo sentido original – segundo a célebre ocultista russa – foi deploravelmente deturpado pelos tradutores das Sagradas Escrituras. Ela ainda explica que Azazel vem da união das palavras Azaz e El, cujo significado assume a forma de um interessante “Deus da Vitória”. Não obstante a essa definição, Blavatsky vai além em seus preceitos, quando equipara Baphomet – O Bode Andrógino de Mendes – ao puro Akasha, a Primeira Matéria da Obra Magna.

O Akasha é o princípio original, o espaço cósmico, o éter dos antigos, o quinto elemento cósmico. Ele é o substrato espiritual do Prakriti diferenciado. Segundo a Teosofia, ele está relacionado a uma força chamada Kundalini. Eliphas Levi o chamou de Luz Astral. Na Filosofia Hindu é um lugar, o elemento éter. Também significa ar, atmosfera, luz. Designa o espaço sutil onde estão armazenados todos os conhecimentos e feitos humanos, desde os primórdios. É a memória da humanidade. Corresponde ao Inconsciente Coletivo de Carl Jung.

O deus Pã, antiqüíssima divindade pelágica especial para Arcádia, é o guarda dos rebanhos que ele tem por missão fazer multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres e pernas de bode. Pã é filho de Mercúrio. Era muito natural que o mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de forma animal. Parece, contudo, que o nascimento de Pã provocou certa emoção em sua mãe, ela ficou assustadíssima com tão esquisita formação. As más línguas diziam que, quando Mercúrio apresentou o filho aos demais deuses, todo o Olimpo desatou a rir. Mas como é provável que haja nisso um pouco de exagero, convém restabelecer os fatos na sua verdade, e eis o que diz o hino homérico sobre a estranha aventura: “Mercúrio chegou a Arcádia, que era fecunda em rebanhos; ali se estende o campo sagrado de Cilene. Nesses páramos, ele, deus poderoso, guardou as alvas orelhas de um simples mortal, pois concebera o mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa, filha de Dríops. Realizou-se então o doce enlace matrimonial. Por fim, a jovem ninfa deu à luz o filho de Mercúrio, menino esquisito, de pés de bode e testa armada de dois chifres. Ao vê-lo, a nutriz abandona-o e foge. Espantam-na aquele olhar terrível e aquela barba tão espessa. Mas o benévolo Mercúrio, recebendo-o imediatamente, colocou-o no colo, cheio de júbilos. Chega assim à morada dos imortais ocultando o filho, cuidadosamente, na pele aveludada de uma lebre. Depois, apresenta-lhes o menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo Baco, e dão-lhe o nome de Pã, visto que para todos foi considerado um objeto de diversão”.

Conta-se que as ninfas zombavam incessantemente do pobre Pã em virtude do seu rosto repulsivo, e o infeliz deus, ao que se diz, tomou a resolução de nunca amar. Mas Cupido é cruel, e afirma uma tradição que Pã, desejando um dia lutar corpo a corpo com ele, foi vencido e abatido diante das ninfas que se riam.

O deus Pã, entidade silvestre extremamente lúbrica (por isso é metade homem, metade bode), assedia a deusa Afrodite, personificação do amor carnal, com um sorriso maroto; Eros, que personifica o impulso amoroso, empurra com ar brincalhão e malicioso os chifres de Pã, ocultando-os. Eros era considerado filho de Afrodite e de Ares, deus da guerra. Sua forma também me faz lembrar de outro deus, um deus Egípcio, AMON, que muitas vezes é representado também como um bode, com chifres grandes. Amon era o deus do oculto, do escuro… da noite… do invisível…

No século XX, o controvertido ocultista inglês Aleister Crowley desenvolveu um culto e uma religião que têm como um de seus principais fundamentos exatamente o referido ídolo templário, segundo sua própria e peculiar concepção de Baphomet. O entendimento de Crowley por certo lançará mais matérias à reflexão sobre este discutível tema, bem como ajudará a avaliar o modo polêmico de abordagem desse mistério, modo este que é típico de uma crescente vertente de ocultistas contemporâneos.

Ao longo das obras de Crowley, são fartas as referências a Baphomet, chamado por ele de “Mistério dos Mistérios”, no cânone central de sua religião, composto na forma de um missal denominado Liber XV – A Missa Gnóstica. Tal era sua identificação com Baphomet, que esse nome foi adotado como um de seus mais importantes pseudônimos, ou motes mágicos.

O assunto é tão relevante que nos Rituais de Iniciação da Ordo Templi Orientis, uma das Ordens lideradas por Crowley, praticamente todas as consagrações são feitas em nome de Baphomet, não importando se os consagrados estejam conscientes ou não a respeito do sentido de tal ato e muito menos de suas implicações futuras. Tamanha é a proeminência do conceito implícito ao termo que no VI Grau da referida Ordem, a título de ilustração, numa clara referência a suas supostas raízes orientais, a palavra Baphomet é declarada como aquela que comporta os Oito Pilares (as oito letras que formam a palavra) que sustentam o Céu dos Céus, a Abóbada do Templo Sagrado dos Mistérios, no qual está o Trono do Rei Salomão.

Ainda em sua Missa Gnóstica, Crowley identifica Baphomet com um símbolo chamado “Leão-Serpente”, que, assim como Baphomet, é a representação do andrógino ou hermafrodita. Mais especificamente, ele é um composto que possui em si mesmo o equilíbrio das forças masculinas e femininas transmu-tadas num só elemento.

O Leão-Serpente, na verdade, é uma forma cifrada de mencionar a concepção humana, a união dos princípios masculinos (Leão) com os femininos (Serpente), ou do espermatozóide com o óvulo, formando o zigoto. Há, seguindo com os preceitos de Crowley, diversos modos de mencionar essa dualidade: Sol e Lua, Fogo e Água, Ponto e Círculo, Baqueta e Taça, Sacerdote e Sacerdotisa, Pênis e Vagina, além de várias outras duplas de eternos polares. E eu tomo a liberdade de acrescentar A Espada e o Graal.

Originalmente, o símbolo representado pelo Leão-Serpente consta em alguns dos mais antigos documentos gnósticos, os quais remontam ao começo do século II d.C. Apresentado sob a forma de uma figura arcôntica com cabeça de leão e corpo de serpente, o Leontocéfalo era a própria imagem do Demiurgo do Mundo, sendo a versão gnóstica para o Jeová mosaico. Crowley, ao se utilizar desse mesmo simbolismo, pretendia resgatar os cultos de um cristianismo hoje considerado primitivo.

Crowley e seus adeptos, entretanto, não se detêm apenas em demonstrar o Mistério de uma forma puramente alegórica. A “Luz da Gnose”, como é chamada, é celebrada de modo literal. Assim, o ponto máximo da encenação de seu missal consiste na celebração do Supremo Mistério, ou seja, durante a realização das Missas Gnósticas ocorre a comunhão, por parte de todos os partícipes da cerimônia, das hóstias, também chamadas de hóstias dos céus, ou bolos de luz, preparadas com sêmen e fluido menstrual. De acordo com Crowley, Baphomet, sob o nome Leão-Serpente, surge desse composto, da matéria primeva, oriunda da grande obra, ou seja, do ato sexual entre Sacerdote e Sacerdotisa.

Por meio dos poderes mágicos dos operantes do rito da grande obra, a matéria primeva é transmutada em “Elixir”, ou “Amrita”. A grande obra, contudo, por meio das propriedades mágicas da fórmula de Baphomet, ainda teria a capacidade de transmutar os operantes do rito e não apenas as substâncias que o compõem. Baphomet, assim como concebido por Crowley, é então o Elixir ou tintura da sabedoria, o veículo da Luz da Gnose, a qual compõe o Mistério Místico Maior, também chamado segredo central de sua Ordo Templi Orientis.

Crowley considerava Baphomet como o supremo Mistério Mágico dos Templários, segredo este que estaria concentrado nos graus superiores de sua Ordem. Da mesma forma, ele clamava que esse era o mesmo mistério oculto nos graus superiores da Maçonaria. Será que ele se enganou? Ou conhecia um outro rito na Maçonaria?

Por Frater WLUX 11

Bibliografia:

BANZHAF, Hajo e THELER, Brigitte. O Tarô de Crowley – Palavras-Chave. São Paulo: Madras Editora, 2006.

BORGES, Jorge Luis. O Livro dos Seres Imaginários. Rio de Janeiro: Editora Globo, sd.

CARROLL, Peter James, texto traduzido por Pássaro da Noite.

CROWLEY, Aleister. O Livro de Thelema. São Paulo: Madras Editora, 2000.

KING, Francis. Sexuality, Magic & Pervesion, p. 98. Los Angeles: Feral House, 2002.

–. The Secrets Rituals of the O.T.O., p. 164. Nova York: Samuel Weiser, 1973.

LEVI, Eliphas. Dogma e Ritual de Alta Magia. São Paulo: Madras Editora, 2004.

–. A Chave dos Grandes Mistérios. São Paulo: Madras Editora, 2005.

RAPOSO, Carlos. In: “Baphomet”, Revista Sexto Sentido.

STANLEY, Michael (coordenação). Emanuel Swedenborg. São Paulo: Madras Editora, 2006.

#Maçonaria #Ocultismo #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-templ%C3%A1rios-e-o-baphomet

A.·.A.·. Astrum Argentum – A Ordem da Estrela de Prata

” Na A.·. A.·. cego não guia cego.”

Tal afirmação reflete por completo o eixo do sistema de instrução da Ordem. O pupilo é avaliado por uma série de deveres explícitos no documento Liber 185, por outros propostos pelo instrutor e por si mesmo, onde o seu sucesso será a base para a instrução de seus futuros discípulos. Todos os documentos da Ordem estão disponíveis neste site ou distribuídos na internet, pois a A.·. A.·. apresenta-se sem mistérios aberta a qualquer análise e estudo, onde não apenas a literatura é a responsável pelo conhecimento, mas também a tradição oral.

A estrutura da Ordem é composta de 10 graus, todos equivalentes a uma sephirah da Árvore da Vida. Existe ainda o Estudante da A.·. A.·. que apenas é apresentado ao sistema da Fraternidade, não possuindo nenhum vínculo com a mesma.

Os fundadores desenvolveram o método denominado Iluminismo Científico , publicado no The Equinox, como oficial da A.·. A.·. que deverá ser inteiramente estudado, apesar da liberdade de escolha daquele que melhor agradar o candidato dentro dos limites da Fraternidade.

O candidato deve saber que, ao aceitar o ingresso como Probacionista, entrará em uma esfera de eventos e testes próprios do sistema, onde será constantemente medido pela Ordem em vários aspectos. Deverá manter um diário de suas práticas e pensamentos que servirá como avaliação do progresso.

Segundo Crowley: ” Um juramento mágico, é a mais irresistível das forças morais. Ele é uma afirmação da verdadeira vontade; sendo o elo entre a consciência humana e a consciência divina da natureza do ser. Um juramento mágico, que não expressa a verdadeira vontade, desperta forças de oposição, enfraquecendo o homem de acordo com seriedade do compromisso “.

Cada pessoa é uma estrela, e como tal necessita de um método próprio de instrução que deverá ser percebida pelo instrutor. A sua sensibilidade às fraquezas do pupilo será de suma importância na condução do processo, uma vez que o Homem só evolui superando seus medos e fraquezas, caso contrário, estaríamos criando apenas teóricos.

Quantidade de conhecimento não reflete evolução, assim como práticas sem base teórica é desperdício de tempo, daí a necessidade de um instrutor. A avaliação é feita pelos cumprimentos dos deveres propostos e pela sensibilidade do seu guia pois, apenas alguém que está no seu grau, ou além, pode reconhecer aquele em que você está.

Um dos mitos que cercam a Ordem é de que um membro conhece apenas o seu instrutor e futuramente seus instruídos.

Isso não é verdade.

Alguns rituais de passagem de grau são feitos em grupo, assim como existem certos cargos que visam a organização estrutural implicando em conhecimento dos nomes do membros da mesma ascendência.

O objetivo desta regra é evitar que membros do mesmo grau trabalhem -no juntos, o que é proibido, pois a A.·. A.·. é uma ordem de trabalho individual.

Um indivíduo somente pode ser expulso da A.·. A.·.em uma ocasião: se usar a Ordem para ganhos financeiros pessoais. Aqui cabe um comentário: não é proibida a aquisição de dinheiro, uma vez que fundos são necessários para a manutenção de qualquer serviço (templos, cópias de Libri, robes, impressões etc). Não é cobrado mensalidade, cabendo ao membro responsável definir o método de obtenção de fundos.

Outra proibição diz respeito a instrução: ninguém está autorizado a indicar quaisquer métodos para realizar a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Esse é um método extremamente pessoal que o iniciado deverá descobrir por suas próprias virtudes, ainda que auxiliado pelo instrutor.

Se for da Vontade do indivíduo, que proclame a sua saída ao seu instrutor porém, após o grau de Zelator, o iniciado só tem dois pontos onde chegar: a Cidade das Pirâmides ou as solitárias torres do Abismo.

Estrutura

De caráter puramente espiritual, a A.·. A.·. é dividida em três principais ordens a saber:

– A Golden Dawn (não a antiga) – que compreende os graus de Neófito ao grau de Dominus Liminus ( ou não).

– A R.·.C.·. – que compreende os graus de Adeptus Minor a Adeptus Exemptus

– A S.·.S.·. (ou Silver Star ou Collegium Summum) – a manifestação acima do abismo, que compreende os graus de Magister Templi a Ipsíssimus, é a mesma para todas as Fraternidades Brancas e onde, tradicionalmente, estão os Chefes Secretos da Ordem.

O mais atento irá reparar que a divisão das ordens se dá pela relação das Três Trindades da Árvore da Vida, com exceção de Malkuth incorporada na Primeira Ordem. Porém, uma relação de separação ainda é implícita, pois no pilar do meio, a passagem entre cada sephirah é feita por três véus que separam as trindades: o Véu de Nephesh, o Véu de Parroketh e o Véu do Abismo.

O significado Estrela de Prata possui várias vertentes, dentre as quais as mais importantes são:

– Segundo Crowley, a Aurora Dourada precede a Estrela de Prata ao amanhecer que significa a nova transmutação da Grande Fraternidade Branca ( uma vez que a primeira Golden Dawn foi uma das manifestações dela no nosso plano. A Grande Fratrenidade Branca tem como objetivo a evolução espiritual da humanidade e manifestou-se anteriormente através de vários estudiosos, dentre eles John Dee, Eliphas Levi , Gerard Encausse ou Papus, Mme. Blavatsky em confronto com os Irmãos Negros, representados por todos aqueles que mantém o homem em estado de servidão material e inferiorização pelo desconhecimento de suas capacidades e poderes internos).

– De acordo com uma nota de Crowley em Gematria Grega, o verdadeiro nome da Ordem está em grego e não em latim, Aster Argos. Na verdade significa Estrela Brilhante ( não ” de Prata” ), aparentemente ele enganou-se grafando erradamente a palavra, porém se somarmos suas letras, obteremos o valor o 983, o mesmo da palavra GNOSIS.

– A Estrela de Prata, segundo Kenneth Grant ,discípulo direto de Crowley ainda em atividade, significa a Estrela Sírius que é visível em todas as partes da Terra, o Sol de que o nosso Sol é reflexo, e de grande importância na cultura egípcia.

Sobre a graduação da A.·. A.·.., os símbolos referen-se a conceitos da Árvore da Vida, como por exemplo:

– o grau de Neófito é escrito 1º = 10º ( na verdade um zero no primeiro número e um quadrado no segundo), um método numérico para dizer que ” Kether está em Malkuth ” e o de Zelator, 2º = 9º onde 2 refere-se a Sephirah de Chokmah, a ” Mudança ” enquanto 9 refere-se a Yesod, a Sephirah lunar, enquanto 5º = 6º refere-se a ” Deus est Homo ”

Desde a morte dos fundadores ( Aleister Crowley em 1947 e George Cecil Jones em 1953 ) , a Ordem ficou sem uma liderança universal. Crowley apontou como seu herdeiro, dentre seus vários discípulos, Karl Germer ( Frater Saturnus 8º = 3°) que ao seu tempo teve como herdeiro o brasileiro Marcelo Motta ( Frater Adjuvo ), responsável pela vinda da A.·. A.·. ao nosso país. George Cecil Jones, retirou-se do seu trabalho mágico, aparentemente, não especificando sucessor oficial.

Sem uma liderança oficial, a Ordem organiza-se nas ascendências dos discípulos diretos de seus fundadores. O membro sênior da ascendência então torna-se o responsável pela mesma, sendo devidamente atualizado do progresso de seus discípulos e discípulos dos discípulos e assim sucessivamente.

Os cargos oficiais da ordem são quatro a saber:

– Cancellarius – significa “chanceler”. Sua função é semelhante a do secretário. Possui equivalência ao deus Thoth, como escriba e responsável pela comunicação e circulação interna de materiais. Corresponde ao grau de Adeptus Minor.

– Imperator – significa ” diretor , comandante” . Sua função é a de gerência ou administração da Ordem . Corresponde ao deus Horus – Apophis e ao grau de Adeptus Major.

– Præmonstrator – do latim monstrare ” mostrar, exibir, ensinar”. Seu dever corresponde a preservação da forma e estrutura da Fraternidade e promulgação dos ensinamentos sob o aval da Ordem da S.·.S.·. e ao grau de Adeptus Exemptus.

– Præmonstrator -Geral – acima de todos os anteriores está esse cargo. Ao menos o responsável deve possuir o grau de Adeptus Exemptus. Só é conhecido a utilização deste cargo uma vez por Crowley, na autorização da emissão de um documento (Book Four , Parte I). Na ocasião assinou como N.·. ( Nemo, um nome genérico para aquele que assume o grau de Magister Templi).

Existem menções de outros cargos, como o de Grão- Neófito, Orador e Tesoureiro, porém os quatro acima são os mais importantes. Se for necessário, a regra de equivalência de grau a determinado cargo pode ser relaxada, com aconteceu com J.F.C. Fuller, que no grau de Probacionista ( Frater Per Ardua), foi dado o cargo de Cancellarius e um grau honorário de Adeptus Minor ( Frater Non Sine Fulmine ).

Se houver necessidade, os cargos poderão ser preenchidos pelos membros da ascendência.

História

A Astrum Argentum foi fundada em 1907 por George Cecil Jones e Aleister Crowley em cima da estrutura de umas das mais influentes ordens mágicas dos Séculos XIX e XX, a Golden Dawn (The Hermetic Order of Goldem Dawn).

Ambos foram membros da primeira Golden Dawn , e após desavenças internas, decidiram fundar uma versão própria da Grande Fraternidade Branca sobre a Terra.

Após uma (re)celebração do velho ritual do Adeptus Minor em 27 de Julho de 1906, ambos foram envolvidos em uma experiência mística que ultrapassou os resultados esperados. Dois dias mais tarde, discutiram a criação de uma nova ordem e Jones queria a autorização de uma alta autoridade. Celebraram o Ritual do Equinócio de Outono e continuaram a desenvolver a base do novo sistema.

Entre Setembro e Dezembro de 1906, coisas extraordinárias aconteceram: Sabe-se apenas o que Crowley estava fazendo, pelos escritos de seu diário, porém não sabemos o que Jones estava fazendo, apenas o resultado. Em Dezembro ambos prepararam a admissão à Ordem da S.·.S.·., através do grau de Magister Templi. Crowley disse , em seu diário em 7 de Dezembro , que Jones o escreveu do “Samadhi – dhattu”. No dia 10, Jones visitou Crowley e disse: ” O.M. (Crowley) é 8°=3° “.

Os dois passaram o natal juntos e posteriormente um validou a entrada do outro na Terceira Ordem. No dia 8 de Abril de 1907, Crowley escreve a Jones para aprovar a Lição de História da A.·. A.·. (Liber 61 vel causae).

Eles receberam a autorização que Jones queria.

Em 1911 devido a publicidade que Crowley fazia de si mesmo e da publicação de materiais no orgão divulgador oficial da A.·. A.·., The Equinox, a ordem passou a ser atacada pelos jornais, descrita como satânica, pervertida… as coisas de sempre. Isso culminou num processo de G.C.Jones contra o tablóide The Looking Glass, que insinuava uma possível relação homossexual sua com Crowley ( assumidamente bissexual na Inglaterra vitoriana, um escândalo). A audiência foi tendenciosa, principalmente quando uma das testemunhas de defesa do jornal era nada mais nada menos do que S.L.Mathers, ex instrutor e amigo de Crowley. Querendo vingança contar Crowley sobre um desentendimento de ambos, Mathers ajudou a quebrar a relação de Jones com ele.

No final, Jones e outro membro de alto grau da Ordem, J.F.C. Fuller, romperam com Crowley. Ao invés de enfraquecer a A.·. A.·., o evento a promoveu, garantindo a sua existência até hoje, mesmo que sob uma nova forma.

 

A.·.A.·. no Brasil

A A.·. A.·. iniciou no Brasil, como instutuição organizada, com Marcelo Ramos Motta ( Frater Adjuvo ), porém, há registro de um Probacionista no nosso país em 1913, H.E. Inman, discípulo de Frater A.H.A., Frank Bennet.

A primeira publicação da A.·. A.·. em nosso país, foi por Frater Aleph, ” Chamando os Filhos do Sol ” em 1962, na cidade do Rio de Janeiro

Site: https://www.astrumargentum.org.br/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-%c2%b7-a-%c2%b7-astrum-argentum-a-ordem-da-estrela-de-prata/

A Gnose de Schopenhauer

A xilogravura de Flammarion retrata um homem olhando fora do espaço-tempo:

O que está fora do Eu se encontra além do espaço e do tempo.

por Chrystian Revelles Gatti, do Lectorium Rosicrucianum

Meio século antes da Sociedade Teosófica de Blavatsky e Olcott, foi o filósofo alemão Arthur Schopenhauer quem ergueu a ponte entre a sabedoria do ocidente e a tradição oriental. Influenciado por Platão, Kant e pelo Misticismo Cristão, ele considerou a descoberta das literaturas sânscritas como a maior dádiva do século e anunciou que a filosofia e sabedoria dos Upanishads renovariam a fé ocidental. Para interpretarmos corretamente a Metafísica Schopenhauriana, será necessário situar sua obra no espaço e no tempo, em sua localização histórica e geográfica – compreender quais foram suas influências, seu contexto, e o paradigma do Pensamento Ocidental do XVIII, especialmente a situação da Filosofia Alemã da época.

A FILOSOFIA OCIDENTAL – EMPIRISTAS E RACIONALISTAS

Foi entre Platão e Aristóteles que se manifestou a primeira dialética do pensamento ocidental após a morte de Sócrates. Platão, inclinado à matemática, encarava o mundo material dos sentidos físicos como composto de manifestações imperfeitas, individuais e transitórias, e confiava no conhecimento obtido por meio da Razão, que lhe parecia a única ferramenta humana capaz de apreender as formas perfeitas da Geometria, as verdades eternas da Matemática e as ideias transcendentes de Justiça, Beleza e Virtude. Aristóteles, por sua vez inclinado às ciências naturais, era prático e queria entender o funcionamento das coisas, e, para isso, se dedicava à observação e categorização dos fenômenos naturais, apreensíveis pelos sentidos. Apesar de discípulo direto de Platão, Aristóteles divergia da tendência mística e abstrata da Metafísica Platônica, preferindo confiar nas imperfeitas faculdades sensoriais humanas para construir conhecimento objetivo, empírico, descobrindo os padrões tais como se manifestam no mundo físico, ao invés de voltar-se para a contemplação mental dos arquétipos eternos como faziam os platônicos, que herdaram tais crenças e práticas dos pitagóricos e cujo legado espiritual foi mantido pelos neoplatônicos que, por sua vez, influenciaram todo o misticismo pagão, gnóstico, judaico-cristão e islâmico.

A divergência essencial entre Platão e Aristóteles, isto é, na confiança na Razão ou nos Sentidos, é a raiz do debate dualista entre racionalistas e empiristas, entre os filósofos da lógica e os filósofos da experiência, e se perpetuou dentro do Pensamento Ocidental até ser transcendido por Immanuel Kant no Século XVIII, que daí em diante passa a ser considerado por muitos – inclusive pelo próprio Schopenhauer – como o filósofo mais importante de toda a História, atrás apenas dos próprios fundadores da Filosofia Ocidental – Sócrates, Platão e Aristóteles.

IMMANUEL KANT – O PONTO DE PARTIDA

O debate entre empiristas, como Locke, e racionalistas, como Descartes, foi transcendido por Immanuel Kant, que escreveu Crítica da Razão Pura (uma das obras mais influentes da história da filosofia). Enquanto eles defendiam a primazia da sensibilidade ou do entendimento, Kant declarou que a experiência necessariamente envolve ambos os elementos, não sendo possível a experiência de um objeto em si (fora de nossa mente), mas apenas a percepção possibilitada por nossa própria estrutura mental. Só podemos conceber a existência de um objeto, e situá-lo no espaço e no tempo, na medida em que ele se apresenta à nossa consciência. Disso decorre que as coisas “em si”, enquanto exteriores à mente, não só não podem ser conhecidas como também podem não ter nada a ver com espaço, tempo, ou qualquer outra categoria inerente à nossa estrutura mental. O que está fora do Eu não está apenas fora de você no espaço, mas também fora do espaço, do tempo, da mente e de todos os conceitos a priori por meio dos quais experimentamos o mundo. Opondo-se ao realismo – postura de que a realidade é independente da mente – a teoria de Kant, o idealismo, postula que o espírito tem papel ativo na construção do conhecimento. Por isso, é dito que ele uniu racionalismo e empirismo e que a História da Filosofia pode ser dividida em antes e depois de Kant.

IDEALISMO TRANSCENDENTAL – A METAFÍSICA

Schopenhauer desenvolve seu sistema de pensamento a partir de Kant, não sem dar um passo ousado além da metafísica kantiana, pois afirma ser possível rasgar o véu das aparências. Se a sua versão do mundo é limitada pelas observações e experiências permitidas pela sua consciência, então os limites do seu estado de consciência traçam o limite de sua própria realidade – o estado de consciência determina o estado de vida. O mundo de conceitos e objetos experimentados pela consciência do Eu não passa de uma representação que nós mesmos fazemos da realidade, um véu ilusório – o véu de Maya. Se pudermos reconhecer que nossa separação dO Todo é uma ilusão, fruto de uma Consciência Separada, e não uma realidade fundamental, deixaremos de ver os fenômenos como inumeráveis e separados, e reconheceremos todos os seres e todas as coisas como interdependentes e interligados em uma manifestação Una que Schopenhauer denomina de Vontade Universal. Como o homem é, ao mesmo tempo, parte do mundo e experimentador do mundo, fenômeno e mente, então ele pode experimentar a realidade, a natureza última das coisas. É pela destruição de suas ilusões e no silêncio da contemplação que o homem pode experimentar o Incognoscível em si, essa Unidade que é sua própria Natureza Original, encoberta pela ilusão da Multiplicidade projetada pela Consciência-Eu.

A TRADIÇÃO ORIENTAL

A Magnum Opus (grande obra) de Arthur Schopenhauer é seu livro “O Mundo como Vontade e Representação”, uma das obras mais importantes do século XIX, fortemente influenciada pelos conceitos orientais do Hinduísmo, Budismo e Taoísmo como “Maya” (ilusão), “YinYang” (dualidade), “Dukkha” (sofrimento), “Karuna” (compaixão) e “Nirvana” (iluminação). Amigo pessoal de Goethe, foi por meio deste que Schopenhauer frequentou círculos intelectuais pioneiros e esteve em contato direto com os primeiros tradutores e divulgadores da filosofia oriental na Europa. Arthur Schopenhauer leu a tradução latina dos antigos textos Hindus que o escritor francês Anquetil du Perron traduziu diretamente da versão persa do Príncipe Dara Shikoh entitulada Sirre-Akbar (“O Grande Segredo”). Após interpretar o Bhagavad Gita, Schopenhauer considerou estes textos a mais elevada leitura do mundo, portadora de conceitos sobrehumanos.

A OBRA DE SCHOPENHAUER

A Teologia da época soava como uma série de perplexidades organizadas de um reino puramente conceitual e abstrato, sem conexão alguma com o mundo e com a vida, enquanto a sabedoria universal preservada pelo oriente era, pelo contrário, uma filosofia Do Mundo e Da Vida, cujo objetivo não era enrodilhar o homem em uma teia de abstrações emaranhadas mas, ao invés disso, conduzir o homem para a saída deste labirinto, dissipando as ilusões e projeções do Ego e visando a libertação do sofrimento da vida e do mundo. Entre os paralelos especiais que sua filosofia guarda com os ensinamentos de Gautama está a ideia da Ignorância e do Desejo como origem de todo o sofrimento. A Ignorância Fundamental consiste em tomar as Representações (os conceitos, os objetos, os fenômenos) como Realidade e ver a si mesmo como separado do resto. Consequentemente, o ignorante interpreta a existência como uma luta incessante, uma guerra de todos contra todos. Para Schopenhauer, esta é a origem do egoísmo inato dos indivíduos que, incapazes de conceber a unidade dos seres e compreender que cada indivíduo é apenas a expressão de uma universalidade que o transcende e engloba, é impelido a lutar contra os outros e contra o mundo, sem saber que, com isso, volta-se contra si mesmo. É da piedade pela infelicidade e pelo sofrimento inerente à condição humana que desabrocha a rosa da compaixão impessoal, a compreensão de que todas as vozes são, essencialmente, a voz do Uno, da Vida.

MISTICISMO CRISTÃO

Jakob Böhme foi um místico cristão alemão que tratou intensamente do Problema do Mal e da Natureza da Divindade, e deixou um legado que posteriormente inspirou diversas manifestações culturais e artísticas no Ocidente, como a Teosofia, a Maçonaria, o Rosacrucianismo, o Martinismo, os quadros e poemas de William Blake, a psicologia de Jung, e especialmente o Idealismo Alemão de Baader, Schelling, Schopenhauer e Hegel – este último chega ao ponto de declará-lo “o primeiro filósofo alemão”. Böhme teve uma experiência mística da visão da Unidade do Cosmos, e escrevia para si mesmo no intuito de reter as impressões que chegavam diretamente à sua consciência. Para ele, Deus era a Onipresença Eterna situada além do Espaço e do Tempo e, para alcançá-la, o homem haveria de transpassar seus próprios portões do inferno, já que “a vontade e a imaginação do homem perverteram-se de seu estado original. O homem se rodeou pelo mundo de sua própria vontade e imaginação” e, com isso, perdeu Deus de vista. Louis-Claude de Saint-Martin, filósofo francês que dedicou a vida a traduzir, interpretar e divulgar a obra de Böhme, diz que “A verdade não pede mais que fazer aliança com o homem; mas quer que seja somente com o homem e sem nenhuma mistura com tudo o que não seja fixo e eterno como ela. Ela quer que esse homem se lave e se regenere perpetuamente e por inteiro na piscina do fogo e na sede da unidade”, ou seja, o homem não pode apreender o Infinito por meio dos sentidos, dos desejos ou da razão egoísta, mas por meio de “uma condição na qual a vontade do homem, despindo-se de tudo o que é terrestre, torna-se divina e absorvida na autoconsciência”. É dessa forma que, de acordo com Bohme, o homem e o Deus Incognoscível “se fundem em uma só força”. Eles “se despertam mutuamente e se conhecem entre si. Neste conhecimento consiste o verdadeiro entendimento, que segundo o caráter da eterna sabedoria, é imensurável e abismal, sendo do Um que é o Todo. Uma vontade única, iluminada pela luz divina, pode brotar deste manancial e manter a infinidade. Desta contemplação escreve esta pena.”. O psiquiatra Richard Maurice Bucke escreveu em 1901 o “Estudo da Evolução da Mente Humana” e, explorando o conceito de “consciência cósmica”, cita Jakob Böhme, entre outros, como exemplos da manifestação de uma forma superior de consciência.

A IDEIA DE INCONSCIENTE

Quando agimos e pensamos no cotidiano, acreditamos estarmos no controle de nossas ideias, ações e pensamentos, mas existe algo que nos move. A Filosofia de Schopenhauer dá um nome para esta força primária que nos influencia muito mais do que qualquer lógica, moral ou razão – a Vontade. De acordo com Schopenhauer “a Vontade é um cego robusto que carrega um aleijado que enxerga”, e nossa consciência objetiva é o aleijado. Por isso, Schopenhauer é um dos precursores da ideia de Inconsciente. É a partir da ideia de Schopenhauer sobre a “Vontade” que Eduard von Hartmann escreve Filosofia do Inconsciente em 1869, influenciando toda a psicologia posterior e especialmente os trabalhos de Freud e Jung.

Sobre a conexão entre vontade individual (microcósmica) e vontade em si (macrocósmica), Schopenhauer supõe que há:

“além da conexão externa entre as aparições, fundamentada pelo nexumphysicum, ainda uma outra, que atravessaria a essência em si de todas as coisas como uma espécie de conexão subterrânea, graças à qual seria possível, partindo de um ponto da aparição, agir imediatamente sobre todos os outros por meio de um nexum metaphysicum; que, portanto, deveria ser possível agir sobre as coisas a partir de dentro, ao invés do agir comum a partir de fora, um agir da aparição sobre a aparição graças à essência em si, a qual é uma e a mesma em todas as aparições; que, assim como agimos causalmente como natura naturata, nós poderíamos também ser capazes de uma ação como natura naturans, fazendo valer momentaneamente o microcosmo como macrocosmo; que as divisórias que separam os indivíduos, por mais firmes que sejam, poderiam permitir ocasionalmente uma comunicação como que por detrás dos bastidores, ou como um jogo secreto sob a mesa”.

(SCHOPENHAUER – ANIMAL MAGNETISM AND MAGIC)

PARA SABER MAIS, LEIA:

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação [Contraponto Editora] por Chrystian Revelles Gatti, do Lectorium Rosicrucianum.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação [Contraponto Editora] MANTOVANI, Harley Juliano. Heráclito e Schopenhauer. [Universidade Federal de Goiás] REDYSON, Deyve. Schopenhauer e o pensamento oriental. [Universidade Federal da Paraíba] SILVA, Luan Corrêa da. Schopenhauer e a magia. [Universidade Federal de Santa Catarina] videoaulas:

CURSO LIVRE DE HUMANIDADES. Arthur Schopenhauer – Crítico de kant, por Cacciola [https://www.youtube.com/watch?v=rdf0pRgsJuo] JOAO LUIZ MUZINATTI. Schopenhauer: só a arte nos livra da dor [https://www.youtube.com/watch?

v=WhGW6ULBZDQ]

SE LIGA NESSA HISTÓRIA. Schopenhauer | O Mundo Como Vontade e Representação [https://www.youtube.com/watch?v=65KrAfNUeWA] THE SCHOOL OF LIFE. PHILOSOPHY – Schopenhauer [https://www.youtube.com/watch?v=q0zmfNx7OM4]

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-gnose-de-schopenhauer

A Luz que não é

Por Kenneth Grant, Nightside of Eden, Capítulo III.

SEGUNDO A sabedoria oculta a Consciência Cósmica se manifesta na humanidade como sensibilidade que se concentra em um centro individualizado de consciência e divide-se em sujeito e objeto. O sujeito se identifica com o princípio consciente como ego, e o objeto é o seu mecanismo de consciência. Esta identificação de consciência com ego é ilusória e portanto o Princípio de Consciência é velado. [68] O ego se imagina como sendo uma entidade distinta dos objetos que ele sente e, ao invés de pura sensação, audição, visão, gustação, conhecimento, existe a falsa suposição que ‘eu sinto’, ‘eu ouço’, ‘eu vejo’, ‘eu experimento’, ‘eu conheço’. É assim que o mundo fenomenal (o mundo das aparências) é representado para nós como Malkuth. O processo inteiro, de Kether a Malkuth, é o de coberturas sucessivas acompanhado de uma perda crescente de consciência do Princípio de Consciência, sendo o pleno propósito da encarnação a ‘redenção’ e reintegração do Princípio perdido.

Budistas e Advaitas consideram estes véus como totalmente ilusórios, ao passo que outros os consideram como modificações do Princípio original. Sob quaisquer pontos de vista em que estes sejam considerados o problema continua inalterado: como resolver o perpétuo jogo de esconde esconde [69] que Kether joga através dos véus primários de sujeito e objeto (Chokmah e Binah), sendo o nexo deste localizado em Daäth. A causa do mistério, glamour, ou ignorância como os Budistas o chamam, é a identificação inicial e mal entendida do Self com seus objetos. Isto é causado principalmente pelo fato que, como os Qabalistas reivindicam, “Kether está em Malkuth e Malkuth está em Kether, porém de uma maneira diferente’. A presença de Kether em Malkuth [70] cria uma ilusão de realidade em todos os objetos. Este glamour engendra sensibilidade a qual desnorteia e submerge o Self em ilusão. Srí Ramakrishna compôs e cantou muitos hinos de transcendente beleza à sua ‘Maya encantadora do mundo’ ou jogo mágico de glamour e ilusão gerada nos sentidos da humanidade que confunde o irreal com o Real.

Kether é o foco da Consciência Cósmica, e a sua primeira manifestação é Luz [71]. O Ain, que é sua fonte, não é Escuridão mas a Ausência de Luz, e portanto a verdadeira essência da Luz. Kether é o ponto infinitesimal no espaço-tempo no qual a Ausência de Luz se torna sua Presença ao virar o Vazio (Ain) no avesso (de dentro para fora). Kether, e a Árvore da Vida resultante, podem portanto ser concebidos como o interior do Vazio [se] manifestando em Espaço, que é o mênstruo da Luz.

No microcosmo esta Luz se manifesta como a luz da consciência que ilumina a forma. Ela é a luz pela qual, e na qual, um pensamento pode ser visualizado na escuridão da mente; como os sonhos aparecem na escuridão do sono. Na esfera celestial, a consciência se manifesta como luz física, o sol. No reino mineral ela se manifesta como ouro. Biológicamente considerada ela é o falo que perpetua a semente de luz (consciência) no reino animal. Estas luzes são Uma Luz (Kether) e elas provém de uma infinita ausência de luz (Ain). Ao se derramar através de Kether ela é dividida em três raios que formam os três ramos supernos da Árvore. Estes possuem três pylons (portais_?): Chokmah, Daäth, e Binah, assim concentrando 16 kalas [72] que, com seu reflexo no mundo da anti-matéria (o Ain) constituem os 32 Caminhos ou Kalas da Árvore da Vida.

Escuridão é ausência de luz, uma ausência que torna possível a presença de tudo que parece ser. Não-ser, cujo símbolo é a escuridão, é a fonte do Ser, e entre estes dois terminais existe uma solution de continuité (solução de continuidade) representada pelo Abismo que separa o mundo numênico de Kether, com seus terminais gêmeos, [73] do mundo fenomenal de Malkuth. O ponto exato de discontinuité (descontinuidade) é marcado pelo Pylon de Daäth no meio do Abismo. Daäth é conhecimento do mundo fenomenal refletida para baixo através dos Túneis de Set na parte posterior da Árvore. Este conhecimento, ou Daäth, é a morte do Self. Ele representa o estágio primário no qual as mortalhas são tecidas em volta da múmia que entra em Amenta no Deserto de Set. Ele aparece na frente da Árvore como a semelhança aparentemente viva do ego com o qual ele se identifica em sua descida gradual para dentro da matéria (Malkuth). Seu despertar para a consciência mundana é em realidade um sono e uma morte dos quais o Princípio de Consciência original pode ser salvo apenas atravessando os Caminhos de Amenta em reverso. Esta jornada para trás através dos Túneis de Set começa no Tuat, a passagem preliminar ou 32o Caminho que conduz de volta de Malkuth (consciência mundana) até as esferas astrais de Yesod.

As tradições orientais tem tipificado esta descida de Consciência nos termos dos três estados de consciência sushupti (sono), svapna (sonho), e jagrat (vigília), e sua reintegração em um quarto estado – turiya – que não é realmente um estado definitivamente, mas o substrato dos outros três e o único elemento real naqueles três. Turiya se iguala com Kether (Consciência Indiferenciada), Sushupti se iguala com Daäth, Svapna com Yesod, e Jagrat com Malkuth. Este esquema se iguala à doutrina cabalista: O estado de sono profundo e sem sonhos (sushupti) é um estado no qual a mente não está consciente do universo objetivo ou fenomenal. Ele é vazio no sentido em que está isento de pensamento (imagens), e escuro no sentido em que dentro deste a luz está ausente. Sushupti funde-se em Svapna, o estado de objetividade subjetiva, ou sonho, porque Kether cria no vazio de Sushupti uma tensão que se manifesta como vibração. Esta tensão é refletida no mundo dos sonhos (Yesod) como sensibilidade latente nas zonas de poder micro cósmicas (chakras) nos quais ela assume formas elementais de éter, fogo, ar, água, e terra. Em outras palavras, esta vibração se manifesta como os seis sentidos que, por sua vez, são projetados como fenômenos objetivos no estado de vigília (jagrat; Malkuth). Desta maneira um estado ou mundo de consciência funde-se em outro. Similarmente, um estado ou nível de Consciência Cósmica se desenvolve e evolui em outro até que o Princípio de Consciência original seja objetivado com densidade crescente. Desta maneira o mundo do ‘nome e forma’ parece ao ego (o pseudo sujeito) como ‘realidade’, enquanto que no fato real a Realidade se retira enquanto o Princípio de Consciência retrocede e retorna ao ponto de sua ausência original.

Daäth como [sendo] o ego é a sombra-shakti ou poder ocultador de Kether no momento ultra rápido (como o raio) de sua bifurcação em Chokmah (sujeito) e Binah (objeto). O ego é uma sombra, mas ele é a sombra da realidade. É impossível expressar este conceito na linguagem da dualidade. Realidade é Não-Ser, e o ego é o reflexo ou reverso da Realidade nas águas do Abismo; mas a imagem não está apenas revertida, ela está também invertida. [74] Nos termos da Tradição Draconiana o ego é a miragem que aparece no Deserto de Set.

A exaltação do ego em Daäth e sua reivindicação em ser a Coroa [75] é a blasfêmia contra a divindade, e aqueles que estabeleceram este falso ídolo tem sido chamados de Irmãos Negros (Black Brothers). Por este ato eles banem a si mesmos para o Deserto de Set pela duração de um aeon; ou, se profundamente comprometidos com a hierarquia inversa, eles podem manter esta soberania de sombra durante ‘um aeon e um aeon e um aeon’, um kalpa inteiro ou Grande Ciclo de Tempo. O falso rei dura até que o kalpa seja eliminado por um Mahapralaya. [76] Contudo, tais Irmãos Negros não devem ser confundidos com os Irmãos Negros cujo ídolo não é o ego mas um certo Chefe secreto de uma hierarquia verdadeiramente inversa que resume todos os 777 [77] caminhos na parte posterior da Árvore. Eliphas Lévi indicou esta hierarquia em termos de ‘magia negra’ e do Chefe Bafomético iluminado com o enxofre do inferno e adorado pelos Templários. Outra Adepta que teve um breve vislumbre desta Hierarquia Negativa foi H.P.Blavatsky, embora sua imensa luta para retirar através do véu algum fragmento(?) de seus negros mistérios resultou apenas na confusão volumosa de suas duas obras monumentais. [78] Talvez a Ísis que ela buscou desvelar não fosse a Ísis da natureza manifesta na matéria, mas a Nova Ísis do Não Natural, da antimatéria, com seus vazios do ser e buracos negros no espaço. Antes de explorar os Túneis de Set temos que estabelecer o fato de que os mistérios do Não Ser, embora não interpretados nos tempos antigos no modo pelo qual nós os interpretamos hoje, foram não obstante considerados como possuindo um significado que era tanto vital como ameaçador. Isso é o mais surpreendente uma vez que é apenas dentro dos cinqüenta anos passados ou mais que estes assuntos obscuros tem sido iluminados através de descobertas surpreendentes nos campos da física nuclear e sub-nuclear e psicologia, nenhuma das quais tendo sido demonstrada cientificamente quando a doutrina cabalística estava sendo evoluída.

Ainda assim outro adepto dos tempos recentes, Salvador Dali, sugeriu através das ausências negras que surgem abruptamente em algumas de suas pinturas a doutrina do não-ser, do negativo,do numênico que é a Realidade subjazendo a existência fenomenal. [79]

Embora haja uma solução de continuidade entre os dois mundos – representados pelas partes anterior e posterior da Árvore – existe nada mais do que uma copula, e ela reside em uma função peculiar da sexualidade. Ela não é uma ponte em qualquer sentido positivo, e portanto ela não pode ser descrita, contudo ela pode ser pressagiada através da analogia de um raio brilhando entre eletrodos invisíveis de eletricidade positiva e negativa. As dimensões interiores do não-ser podem ser iluminadas pelo brilho ofuscante liberado pela energia sexual descarregada em conexão com certas técnicas de magia(k) Tifoniana na qual a energia pré- conceitual é capturada pelos mais tênues tentáculos da consciência assim que ela vaza através do véu do vazio a partir do olho transplutônico (Ain) além de Kether.

O Livro de Dzyan, O Livro da Lei, e os Livros Sagrados Thelêmicos, todos os quais tem sido disponibilizados durante o século passado, contém fórmulas mágicas que tem sido utilizada desde tempos imemoriais, mas não existe ainda nenhum comentário adequado à qualquer um deles, pois ambos Blavatsky e Crowley – avançados como eles indubitavelmente eram – estavam limitados por uma atitude basicamente de velho aeon perante o Vazio. Crowley, talvez em virtude de uma identificação consciente com a Corrente Draconiana (através dos mistérios do número 666), tinha compreendido intuitivamente a possibilidade de um anti-Cristo e um anti-Espírito embora ele não pudesse, ao que parece, confrontar a idéia de anti-Logos! Isto é evidenciado pelo horror com que ele se referiu ao Aeon que não possui nenhuma Palavra, um aeon ainda por vir ao qual ele atribui a letra Zain. [80] Apenas um Adepto, que eu saiba, estava atento ao fato de que Crowley não pronunciou uma Palavra, porque, sendo identificado com a Besta ele era incapaz de formulá-la [81]. Mas a reversão à falta de fala e incapacidade bestial de pronunciar uma palavra não explica a falha de Crowley que estava enraizada em sua inabilidade de sondar a dimensão atemporal onde a verdadeira anti-palavra (anti-cristo) verdadeiramente se obteve. [82]

Um exame sobre a versão de Dion Fortune sobre a Doutrina Cósmica revela uma relutância similar, ou talvez uma inabilidade genuína em perceber interiormente (insee_?) a questão a qual é a de que a Magia(k) da Luz (LVX) não se relaciona nem com magia branca nem com magia negra mas com uma corrente oculta que, como Austin Spare corretamente assumiu, vibra nos espaços intermediários [entre os espaços]; nos interstícios, por assim dizer, da ausência de espaço espiritual que existe em um vazio necessariamente atemporal por detrás, ou em algum lugar fora, da Árvore.

Se Daäth, cujo número é onze, [83] for contada junto com as quatro sephiroth remanescentes do Pilar do Meio, [84] o número 37 será obtido. Este é um número primo significando a plena manifestação da corrente mágica simbolizada por Set ou Shaitan. [85]

Aquilo que era conhecido pelos Cabalistas como a Árvore da Morte era de fato o outro lado da Árvore da Vida, e as qliphoth eram forças ‘demoníacas’, os anti-poderes ocultados nos túneis de Set que formavam a rede interior e reflexo reverso dos Caminhos.

O célebre Cabalista Isaac Luria (1534-1572) compôs as seguintes linhas as quais Gershom Scholem [86] descreve como um ‘exorcismo dos “cães insolentes”, os poderes do outro lado’:

Os cães insolentes devem ficar do lado de fora e não podem entrar, Eu chamo o ‘Antigo dos Dias’ à noite até que eles sejam dispersados, Até que sua vontade destrua as ‘conchas’. Ele os lança de volta para dentro de seus abismos, eles devem se esconder profundamente em suas cavernas. [87]

Os cães insolentes são, em um sentido muito especial, ‘os cães da Razão’ (i.e. de Daäth) mencionados em AL, capítulo 2, verso 27. A atribuição do cão aos reinos infernais deriva do Egito onde o chacal ou raposa do deserto é o típico habitante do Abismo, sendo ambos estes animais totens de Set. O simbolismo ilumina o capítulo 2, verso 19: ‘Deve um Deus viver em um cão? Não! mas os mais elevados são de nós . . .’ Cão, que é a palavra Deus ao contrário, indica o Pylon de Daäth através do qual o cão da razão entra no Abismo e ‘perece’. Um deus não deve ‘viver em um cão’, mas os ‘mais elevados são de nós’. O mais elevado é a altura representada pela oitava cabeça da Serpente que habita no Abismo. Os ‘mais elevados são de nós’ implica que existem outros três: a tríada superna ou mais elevada da Árvore, consistindo de Kether, Chokmah e Binah. Junto com o oitavo (ou mais elevado) estes três formam onze. A deusa Nuit (que é Não) proclama no capítulo 1, verso 60: ‘Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós’. Estas palavras fornecem a chave para o mistério do Oito e do Três, ou o Um e o Três, [88] pois a Serpente é Uma embora ela tenha oito cabeças. [89] Onze é o número da magia(k), ou ‘energia tendendo à mudança’, e é no pylon de Daäth que esta morte ou modificação mágica ocorre. Daäth é o único ponto na Árvore que dá acesso ao mundo de Nuit (Não). A palavra ‘nós’, em ambos os versos, é cabalisticamente igual a 66 que é o ‘Número Místico das Qliphoth e da Grande Obra’. [90] Então aqui há uma chave para o real significado das Qliphoth que tem iludido cabalistas e ocultistas do mesmo modo, pois poucos tem sondado a função das qliphoth com relação à Grande Obra. Entretanto quando se percebe que o ‘mundo das conchas’ é formado pelo lado reverso da Árvore é possível compreender porque ele tem sido considerado como inteiramente maligno.

As qliphoth não são apenas as conchas dos ‘mortos’ mas, de forma mais importante elas são as anti-forças por trás da Árvore e o substrato negativo que subjaz toda vida positiva. Como no caso do Livro dos Mortos egípcio, cujo título significa seu oposto preciso, [91] assim também a Árvore da Morte judaica é a fonte numênica da existência fenomenal. É a última que é falsa pois o mundo fenomenal é o mundo das aparências, como seu nome implica. A fonte numênica por si É, porque ela NÃO é. Uma vez que esta verdade seja compreendida torna-se evidente que os antigos mitos sobre o mal, com sua demoníaca e terrificante parafernália de morte, inferno, e o Demônio, são sombras distorcidas do Grande Vazio (o Ain) que persistentemente assombra a mente humana. Estes mistérios são explicados em termos cabalísticos pelo número 66 que é a soma da série de números de um a onze. 66 é o número da palavra LVL que significa ‘torcer’ ou ‘circundar’(o outro lado da Árvore). Como já foi notado, a humanidade está ‘reservada a fazer um giro ao redor das costas da Árvore’ durante o Aeon de Zain. Este é o Aeon que não possuirá nenhuma Palavra porque este é o Aeon do anti-logos que será vivido no reino do cão, o que é um modo simbólico de denotar as costas da Árvore. Além do mais, Zain está conectado com o simbolismo ‘gêmeo’ de Gemini, e uma espada denotou a mulher, ou o que parte em dois (?), como mostrado na oitava chave do Taro. Esta chave também contém a fórmula do Amor através da polarização, pois no Aeon de Zain a humanidade terá transcendido as ilusões de tempo e espaço, tendo compreendido a base numênica da consciência fenomenal.

Segundo a tradição oculta o homem alcançará a iniciação final pelo Fogo antes do fechamento ou retirada final do presente Mahakalpa. [92] Sessenta e seis é também o número de DNHBH, o nome de uma Cidade de Edom que é a sombra da Cidade das Pirâmides (Binah, ) no Deserto de Set (). Seu pylon, Daäth, é o santuário daquele Chefe Secreto (o Oitavo) que os Templários adoravam sob a imagem de Baphomet, o Deus do Nome Óctuplo, Octinomos. Crowley assumiu a forma-deus de Baphomet como ‘Chefe’ da O.T.O. [93] Oito mais três (a Tríada Superna) constitui o Sagrado Onze: o número daqueles ‘que são de nós’. ‘Nós’ (66) é também o número de ALHIK que é interpretado em Deuteronômio, iv, 24, como ‘O Senhor teu Deus (é um fogo que consome)’. Pode ser demonstrado que este fogo é a Serpente de Fogo ou Corrente Ofidiana. 66 é o número de Gilgal (GLGL) ‘uma roda’ ou ‘espiral’ e é instrutivo notar que a tradição hindu dos chakras, ou rodas de força, confirma a interpretação egípcio-caldaica dos mistérios de Daäth.

Se um diagrama da Árvore da Vida for superposto de ponta cabeça sobre uma forma correta desta, vários fatos significativos virão à tona. Tiphareth permanece central, o pivô ao redor do qual nós giramos a Árvore invertida; mas ao invés do Fogo Branco do Sol nós agora temos o Fogo Negro de sua anti-imagem; e Kether se tornou Malkuth como se para ilustrar, literalmente, o texto ‘Kether está em Malkuth e Malkuth está em Kether, mas de uma maneira diferente’. Esta ‘maneira diferente’ se refere à um modo mágico associado com a fórmula do cão que, segundo meu conhecimento, foi indicada apenas em um exemplo – a saber: no Liber Trigrammaton. [94] Este livro é descrito por Crowley como um informe sobre o processo cósmico correspondente às stanzas de Dzyan em outro sistema’. [95] Finalmente, porém mais significativamente, Yesod agora cobre Daäth. Yesod é o assento das forças sexuais e do aspecto mais denso das energias eletromagnéticas da Serpente de Fogo. Ele é a morada de Shakti e o local ou centro especial de culto dos devotos de Shaitan (Set) entre os Yezidis. [96] Daäth potencializada por Yesod se torna portanto a Palavra energizada, o linga ao invés da língua, pois Daäth se equaciona com o Visuddha Chakra, como Yesod se equaciona com o Muladhara. [97] A ligação entre linguagem, [98] representada pela Palavra (Visuddha Chakra) e o linga, representado pelo Muladhara, é óbvia porque o Logos é a forma assumida pelo linga quando ele pronuncia sua Palavra suprema. [99]

A característica peculiar de Daäth sózinha é que as condições de iniciação obtidas nesta esfera requerem a total desintegração da Palavra. Em outras palavras: O Muladhara encontra seu anti-estado em Daäth, e a Palavra permanece não pronunciada. Isto em si mesmo inicia o Aeon de Zayin, que é um aeon subjetivo que começa se e quando um Adepto salta os vazios por trás da Árvore. Esta é a Grande Obra implicada pela fórmula de viparita como tipificada pelo reverso da Árvore.

Notas:

68 Isso é descrito no Liber LXV (verso 56, capítulo IV) como o ‘Erro do Início’. Esta é a falha essencial notada pelos Árabes, a ‘Queda’ original.

69 No Hinduísmo, este Jogo é descrito como um ‘Lila’ que tem sido traduzido como ‘esporte divino’, ‘máscara’ ou a eterna Dança de Shiva e Shakti. Esta ilusão básica mais tarde fez surgir o conceito de ‘pecado original’ que foi pervertido pelos cristãos se tornando uma doutrina de importância moral.

70 i.e. Consciência ou Sujeito em todos os objetos.

71 A LVX ou Luz da Gnose.

72 O número de Chokmah é 2; o de Daäth, 11; e Binah é 3; 16 kalas no total.

73 Chokmah (sujeito) e Binah (objeto).

74 Vide o Grande Símbolo de Salomão; figura 1 em Magia Transcendental de Eliphas Lévi.

75 Um título de Kether.

76 Literalmente, Grande Dissolução. O retrocesso para dentro do Vazio [por parte] do Universo após sua manifestação na matéria. Um Mahapralaya ocorre após cada sete fases de existência manifesta. Vide Aleister Crowley e o Deus Oculto, capítulo 4.

77 O número total de Caminhos e Sephiroth da Árvore da Vida.

78 Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta. Estas obras estão repletas com alusões à mistérios que são iluminados pela Tradição Draconiana e são explicadas no presente volume.

79 Vide em particular a pintura entitulada ‘Acomodação dos Desejos’, reproduzida em A Vida Secreta de Salvador Dali, e em outros lugares.

80 Vide capítulo anterior.

81 O adepto em questão era Charles Stansfeld Jones (1886-1950), conhecido como Frater Achad. Vide Cultos da Sombra, capítulo 8.

82 Frater Achad, com sua fórmula de reversão e negação, parece ter chegado mais próximo do verdadeiro significado de AL do que o próprio Crowley, pois os comentários de Crowley revelam uma abordagem consistentemente positiva e consequentemente fenomenal ao seu significado.

83 Daäth é 11 e 20, e portanto 31, AL, a Palavra Chave do Aeon de Hórus. 84 10 + 9 + 6 + 11 + 1 = 37.

85 Três, o número de Set ou Saturno, multiplicado por 37 resulta em 111 que é o número de Samael (Satã), Pan, e Baphomet.

86 A Kabbalah e seu Simbolismo (Routledge, 1965).

87 Velho dos Dias’, usualmente traduzido como ‘Antigo dos Dias’, é um título de Kether. As ‘Conchas’ são as qliphoth.

88 Existe um mistério maior aqui que concerne a letra de fogo – Shin. De acordo com o Sefer há-Temunah esta letra em sua forma completa possui quatro, não três, línguas. Scholem observa (ibid, pagina 81) ‘Em nosso aeon esta letra não é manifestada e portanto não ocorre em nosso Torah’. Também, ‘Todo aspecto negativo está conectado com esta letra ausente’. Shin, é a tripla língua de fogo, e a letra de Set ou Shaitan, também de Chozzar o deus da Magia(k) Atlante, e de Choronzon, a Besta do Abismo.

89 Hadit diz no capítulo 2, verso 30: ‘Eu sou oito, e um em oito’.

90 Liber D. (Vide O Equinócio, volume I, No.8).

91 i.e. O Livro dos Sempre Imortais.

92 Fogo = a chama de 3 línguas representada pela letra Shin. Segundo Crowley (Diário Mágico, p.144) ‘Shin é o Fogo de Pralaya, o “Juízo Final” ‘.

93 Ordo Templi Orientis, A Ordem do Templo do Oriente, da qual Crowley foi em uma ocasião o Grão Mestre.

94 Vide Os Comentários Mágicos e Filosóficos sobre o Livro da Lei. (Ed.Symonds and Grant; 93 Publishing, Montreal, 1974).

95 A referência é ao sistema exposto por H.P.Blavatsky.

96 Vide a Trilogia Tifoniana (Grant/Muller, 1972-75) para um informe completo sobre esta zona de poder.

97 As regiões da garganta e dos genitais respectivamente.

98 Mais corretamente, langage, no sentido de uma língua sagrada.

99 i.e. no momento do orgasmo.

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Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-luz-que-nao-e/

Annie Wood Besant

1847-1935

Nasceu em primeiro de outubro de 1847, em Londres. Filha de um médico irlandês, ficou órfã aos 5 anos. Muito religiosa, casou-se com o pastor Frank Besant, do qual separou-se em 1873, aos 26 anos, após crise interior. A partir deste momento, rompeu com a Igreja Anglicana publicamente.

Tornando-se livre pensadora, tornou-se líder de inúmeras atividades.Formou-se em Ciências Biológicas, no ramo da Botânica.Demolia em praça pública, os mitos que deformavam a compreensão do ABSOLUTO. Foi escritora de centenas de livros e conferencista renomada. Emotiva, seus dotes intelectuais notáveis fizeram dela a maior oradora de sua época e uma das mais famosas militantes femininas.

Trabalho Político

Defensora dos direitos dos trabalhadores, reformadora política, lutou contra a escravidão da mulher indiana e inglesa. Participou de ações na Co-Maçonaria e fundou inúmeras escolas e universidades na Índia.Editou revistas, foi julgada e presa na Inglaterra, por divulgar panfletos e editar um livro sobre controle da natalidade. Fundou a Liga da Lei e da Liberdade na Inglaterra, através da qual, conseguiu vencer uma greve londrina. Lutou pela libertação da Índia, foi socialista e fez muito pelas crianças e moças sem lar. Sempre encontrou tempo para trabalhar em algum setor construtivo como instrutora e educadora.

Encontro com a teosofia

Trabalhando para um jornal, recebeu a incumbência de comentar a Doutrina Secreta, a qual havia sido escrita por Helena Blavatsky. Lendo, foi tocada pela grandeza da obra. Sua conversão do ateísmo a Teosofia foi escandalosa para a época, pois rompeu com o grupo ateísta de que fazia parte. Ao entrar em contato com Blavatsky teve um encontro comovente, um reconhecimento creditado a outras vidas. Daí surgiu a grande ocultista e mística que foi Annie Besant, que escreveu tantos livros sobre Teosofia. Trabalhou com Blavatsky por dois anos, tornando-se sua discípula. Sucedeu-lhe como diretora da Escola Esotérica após sua morte.

Correspondia-se com Gandhi, ao qual passava conhecimentos teosóficos, que o tocavam muito, e notícias. Mudou-se para a Índia, onde presidiu a Sociedade Teosófica Internacional após a morte de Henry S. Olcott, de 1907 até a sua morte, em setembro de 1935. Tinha então, 86 anos de idade. Há uma avenida em Bombaim e outra em Madras, em sua homenagem, pelas lutas que empreendeu também na Índia. Propagou sua causa por todos os lugares, a qual se resumia na busca da Perfeita União entre Matéria e Espírito, corpo e alma, a busca do encontro do homem consigo mesmo e da plenitude humana.

Conheceu Krishnamurti ainda criança e foi sua tutora, orientadora espiritual e intelectual. Ela lançou-o ao mundo. Na índia, fundou escolas, o escotismo e a primeira Universidade, a qual lhe concedeu o título de Doutora. Segundo comentários de Gandhy,” toda celebração é digna desta translúcida, delicada e grande mulher”

Bibliografia de Annie Besant:

  • Brahmavidya – Sabedoria Divina
  • Dharma
  • Karma
  • O Enigma da Vida
  • O Homem e Seus Corpos
  • Reencarnação
  • Sugestões para o Estudo do Bhagavad-Gita
  • Um Estudo Sobre o Karma
  • A vida do Homem em Três Mundos
  • Formas de Pensamento
  • Ocultismo, Semi-ocultismo e Pseudo-ocultismo
  • Vegetarianismo e Ocultismo
  • A Doutrina do Coração
  • A Vida Espiritual
  • Os Ideais da Teosofia
  • Os Sete Princípios do Homem
  • Sabedoria Antiga
  • Os Avatares
  • Morte… e Depois?
  • Os Mestres
  • Do Recinto Externo ao Santuário Interno
  • Um Estudo Sobre a Consciência
  • A Sabedoria dos Upanixades
  • O Homem – Donde e Como Veio, e Para Onde Vai?
  • O Poder do Pensamento
  • Introdução ao Ioga
  • O Cristianismo Esotérico
  • A teoria do inanimado

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/annie-wood-besant/

Bases metafísicas da Magia Sexual

Fonte: Renascer da Magia, de Kenneth Grant

Existe um talismã de aplicação universal. No reino elemental ele é representado por pyramis, o fogo; em termos geométricos, pela pirâmide ou triângulo; e em termos biológicos, pelo falo. Como o sol irradia vida e luz através do sistema solar, assim também o falo irradia vida e luz sobre a terra e , similarmente, subordina; se a um poder maior do que ele mesmo. Pois assim como o sol é um reflexo de sírius, assim também o falo é o veículo da vontade do mago.

No não iniciado, o poder fálico opera independente mente de seu possuidor e , freqüentemente, em desarmonia com o mesmo. Ele funciona caprichosamente, sem relação como indivíduo. O poder fálico possui o indivíduo e não vice-versa.

No caso do iniciado, entretanto, a posição é inversa. A O.T.O. possui o conhecimento secreto da retificação e os meios de liberação do cativeiro do instinto degenerado. Ela instrui o operador no uso apropriado do fogo elemental, a correta construção da pirâmide, o empunhar bem-sucedido da baqueta mágica.

O controle do fogo elemental envolve a inibição dos resultados físicos habituais quando da união sexual. A libido não é “aterrada”, mas direcionada pela vontade para encarnar numa forma especialmente preparada para sua recepção.

Liber Agapé, o enquirídio do Soberano Santuário da Gnose da O.T.O., demonstra como a magia sexual está baseada na assunção de que nenhuma causa pode ser impedida de um efeito. Se o efeito natural for anulado , a descarga de energia não é perdida, e ela forma uma imagem sutil ou astral da idéia dominante na mente quando do clímax do coito. Habitualmente esta idéia é um pensamento de luxúria, e por causa disso uma tendência ou hábito se fixa na mente, que consequentemente se torna cada vez mais difícil de controlar. Esta tendência deve ser, portanto, destruída.

A exaltação mental gerada por um orgasmo magicamente controlado forma um portal de passagem reluzente semelhante a uma lente por onde flui o vívido imaginário astral da mente subconsciente. Imagens específicas são evocadas e “fixadas”; elas se tornam instantânea e vivamente vivas. Como a presença luminosa delas é obsessiva, salvaguardas mágicas são essenciais para compensar uma real obsessão. Esta imagens são elos dinâmicos com os centros mais profundos da consciência e atuam como chaves para experiência ou revelações que formam o objetivo da Operação. Encarnar tais experiências é o objetivo da magia sexual. É necessário, portanto , formular a vontade com grande cuidado e com estrita economia de meios. Não deve haver nada na mente no momento do orgasmo exceto a imagem da “criança” que se pretende dar a luz.

Condenações contra a masturbação, o onanismo, o coito interrompido, a karezza e outros métodos aparentemente estéreis de utilização da energia sexual baseiam-se logicamente no reconhecimento (ainda que este reconhecimento possa ser conscientemente irreconhecido) da natureza sacramental do ato procriativo.

Conclusões errôneas obtidas pela apreensão incompleta dos fatores envolvidos levaram, no passado, à admoestações do tipo “fogo e enxofre”, dirigidas contra os “abusos” que , neste tempo, acreditava-se levarem a degeneração do sistema nervoso, à cegueira, à paralisia e a insanidade.

Na verdade, nada da energia é perdida, embora ela não consiga encontrar um campo de operação na matriz que a natureza promoveu a ela.

Ela produz, ao invés de uma prole física, fantasmas compostos de matéria tênue. Através da prática deliberada e persistente de tais “abusos”, entidades qlifóticas são engendradas; elas vampirizam a mente e se alimentam de fluidos nervosos.

Crowley menciona que: “Os antigos rabinos judeus sabiam disso e ensinaram que, antes que VA fosse dada a Adão, o demônio Lilite foi concebido pêlos respingos de seus sonhos de modo que as raças híbridas de sátiros, elos e outros parecidos começaram a povoar aqueles lugares secretos da terra que não são sensíveis aos órgãos do Homem Comum”.

Muitas dissertações longas e tediosas sobre a possibilidade de uma “feiticeira” dando à luz a prole, após a união com o diabo na forma de um incubo, deveriam ser entendidas no sentido de que filhos nascem de tais uniões, embora não sejam filhos físicos.

Qualquer descarga de energia, de qualquer natureza, tem um efeito em todos os planos. Se os resultados em um plano são impedidos – como aconteceria no caso do íncubo – eles aparecem, então em outro [plano].

De acordo com antigas autoridades em Feitiçaria, íncubos e súcubos eram personificações do próprio diabo. O diabo é sinônimo do espírito criativo do homem. Crowley vai mais longe ao declarar que “o sátiro é a verdadeira natureza de cada homem e cada mulher”. O íncubo ou súcubo é a exteriorização, ou extrusão, do sátiro em cada indivíduo. Ele representa a vontade subliminar; Ele representa a Vontade subliminar; na verdade, [ele representa] o Ser Anão ou Sagrado Anjo Guardião.

Ele é o princípio no homem que é imortal e inextricavelmente ele possui estreita ligação com a sexualidade que , por sua vez, é a chave para sua natureza e os meios de sua encarnação.

No antigo Egito, tumba e útero eram termos intercambiáveis. O útero levava ao nascimento no mundo material, a tumba, no mundo espiritual.

As idéias de ressurreição e re-ereção era m também intercambiáveis. O falo ereto, ou erguendo-se, simbolizava a ressurreição para a nova vida no mundo espiritual; ele significava também a habilidade de viver e de trazer a vida novamente; dizia-se que ele “morria” no ato de transmitir o princípio vital, a sua Palavra, a sua Verdade.

Numa lenda egípcia da criação, gravada no papiro de Nesi Amsu, o deus do sol Atum é descrito como tendo pressionado seu membro com sua mão e realizado seu desejo, produzindo assim seus dois filhos Shu e Tefnut.

Estas crianças representam os princípios místicos do fogo e da água, calor e umidade, necessários para materializar o espectro; a matriz [representa] o útero úmido – ou “súcubo” – através do qual a energia é transmitida aos planos sutis.

O Deus Kefra também está gravado no mesmo papiro como tendo tido uma união com sua mão e tendo abraçado sua sombra num “abraço de amor”. A sombra é o súcubo.

Na tradição rabínica, seu nome é Lílite; ela foi a primeira mulher de Adão e foi criada da substância de sua imaginação. Em um manuscrito da Aurora Dourada [Ordem Goldem Dawn] intitulado “A Mercará”, ela é descrita como “uma mulher bonita por fora mas por dentro, corrupta e putrefata”.

Eva e Lílite não são duas criaturas diferentes, mais dois aspectos de uma única entidade. O aspecto brilhante, solar, criativo, angélico foi chamado Eva (uma forma da divindade criadora IHVH – Iavé [YOD – HEH – VAV – HEH];o aspecto lunar, corrupto, demoníaco foi chamado Lílite.

Ela estrangulava almas com seu abraço ou com o enlace de um único fio de cabelo. Ela era chamada de mulher-serpente por causa de sua conexão com a corrente lunar da periodicidade, simbolizada por sua capacidade de assassinar “crianças” tão logo eram concebidas; mais tarde ela se tornou a deusa da Feitiçaria, a magia da noite (ou seja, da escuridão: magia negra), em oposição à magia do dia (ou seja, magia solar ou branca).

Estes aspectos gêmeos do Sagrado Anjo Guardião – o bom e o mau dáimon – parecem fascinantes e terríveis por vezes, do mesmo modo que a deusa káli aparece aos seus devotos como a gentil Durga ou a terrível Bhavani.

Consideradas misticamente, eles são duas entidades subjetivas, aspectos da consciência que podem ser vitalizados por métodos mágicos apropriados. Eles são companheiros vagos e esfumaçados que respondem às mais tênues evocações do sistema nervoso.

Num sentido espiritual, eles podem ser considerados como guias da alma pelas trilhas luminosas e obscuras de Amenti.

A evocação do companheiro obscuro para fins pessoais é citada por J. Marques-Rivière (“Ioga Tântrica”): “Eu fui capas de conhecer pessoalmente o apetite sexual anormal e absolutamente depravado destes falsos iogis.

O método usado é chamado de Praioga, através do qual é possivel visualizar e animar certas entidades femininas que são chamadas de Súcubos. “Arthur Avalon também se refere a um processo análogo de magia negra sexual em “O poder da serpente”:

“Aqueles que praticam a magia do tipo mencionado, trabalham apenas com o centro mais baixo, recorrem à Praioga, que conduz à Mayika Siddhi, por meio da qual é efetuado o relacionamento com espíritos feminos e similares.”

Crowley dá um método de gerar tais companheiros que envolve o uso do Sistema Enoquiano de Dee (John) e Kelley. Tais elementais, ou espíritos familiares, devem, diz ele, ser tratados com gentileza e firmeza. [nota digitador: em outro texto, diz que deve ser tratado como se trata um cão fiel ].

Os melhores tipos de “espírito” são os espíritos das Tábuas Elementais de Dee e Kelley divisaram para a conjuração de servidores mágicos. Estes servidores são “fiéis e perfeitos em sua natureza, afeiçoando-se a raça humana. E se não são tão poderosos quanto , são menos perigosos que os Espíritos Planetários.” Crowley os conjurou através das Chaves ou Chamados de Enoque (Ver o Equinox , Vol. I. nos 7 e 8). Depois dos chamados, ele realizava um ato de magia sexual como descrito no papiro Nesi Amsu, deixando o sêmen cair sobre as pirâmides de letras, formando os nomes dos espíritos que ele estava conjurando e sendo preservado dentro delas.

Em 1945, o então chefe de uma loja da O.T.O. , na Califórnia, realizou com sucesso uma operação similar, mas com resultados desastrosos para ele mesmo (ver o capítulo 9).

Grande parte da magia de Crowley era realizada no plano astral e normalmente envolvia alguma forma de intercurso sexual:

“a única operação “física” realmente fácil que o corpo de luz pode realizar é o Congressus Subtilis. As emanações do “corpo de desejo” do ser material que se está visitando são, se a visita for agradável, que espontaneamente se ganha substância no enlace. Há muitos casos registrados de crianças que nasceram como o resultado de tais uniões.”

Estas “crianças” eram elementais ou companheiros. Se “crianças”, eles atuam como servidores, como o familiar de uma feiticeira; se companheiros, atuam como elos através dos quais ele era capas de se comunicar com habitantes dos reinos astrais consoantes com a natureza do súcubo. Desta forma, Crowley ganhou acesso direto a regiões escondidas dos ocultistas, utilizando as velhas técnicas

cerimoniais de evocação. Isto também possibilitou, em muitos casos, que ele dispensasse um médium entre ele próprio e as entidades contatadas, pois pela união sexual com uma entidade não terrestre, ele era capaz de entrar no fluxo de contatos não-humanos sobre os quais Dion Fortune faz menção freqüentemente.

O “corpo de luz” é assim chamado porque era sabido desde antigamente que o homem ressucitava, não em seu corpo físico (como acreditam os cristãos), mas num veículo mais tênue e etéreo que se erguia da escuridão da morte, o abismo, assim como as estrelas que se erguem resplandecentes acima do horizonte.

O corpo astral ou fantasma era o tipo mais antigo de ressurreição porque – de acordo com a doutrina egípcia – quando a múmia se transformava no submundo de Amenti, quando então ela se espiritualizava ou “obtinha uma alma entre as estrelas do céu”, ou indivíduo se erguia de novo no horizonte como a constelação de Órion – a estrela de Hórus – o Sahu, ou corpo glorificado ressurrecto eternamente nos campos de Sekhet Aarhu (espaço da eternidade).

Órion representava o Hórus reerguido (o defunto glorificado) há pelo menos 6 mil anos, quando a Estrela (corpo astral) erguia-se da morte escura no Oeste, o submundo de Amenti (Ver O livro dos Mortos, Capítulo LXXXIX, etc.).

O corpo estelar ou astral é também chamado de Corpo de Desejo, porque ele é o veículo da sensibilidade no organismo humano. Este corpo foi atribuído ao mais antigo deus estelar, Set, que era também um deus do fogo. A Hórus, seu irmão gêmeo, foi atribuído o corpo espiritual representado pelo Sol. A ligação entre deuses estelares – ou do fogo – e o sol é a corrente lunar tipificada por Tot, Senhor da Magia e Escriba dos deuses. Tot é sagrado para o jovem deus Khonsu, de quem Crowley, como um mago, afirmava ser um avatar, identificando-se assim como um elo entre a Besta (Set, Senhor as estrelas) e o Anjo(Hórus, Senhor do Sol).

Como o sexo é a mola mestra do corpo astral, foi através de seu uso que Crowley cumpria grande parte de sua magia nos planos sutis.

“Nenhuma causa pode ser impedida de seu efeito, e se o efeito for impedido de se manifestar em um plano, ele o fará em um outro. E em sua manifestação secundária que o perigo espreita o praticante não iniciado, porque nesta fase ele gera uma imagem corrompida da Vontade. Para evitar isto, a Vontade deve ser tão firme como uma chama num local sem vento. O menor tremor e a imagem oscila. Eis porque a prática intensa da concentração mental é essencial. A mente e a vontade devem estar unidas e funcionar unicentradamente. Quando a imagem é distorcida, ela produz uma cria alienígena e parasítica que sobrevive da energia vital da pessoa que a trouxe à existência. Com cada novo ato sexual a criatura ganha poder; ela se torna um vampiro, obsediando o indivíduo e levando-o a ações de crueldade ou luxúria das quais normalmente ele seria incapaz. Éliphas Lévi descreve bem a situação:

“Quando alguém cria fantasmas para si próprio, ele coloca vampiros no mundo e deve nutrir estes filhos de pesadelos voluntários com o seu sangue, sua vida, sua inteligência e sua razão, sem jamais satisfazê-los.” (A Chave dos Mistérios, tradução de Crowley).

Se corretamente utilizada, entretanto, não há limite para o que se pode conseguir através do controle mágico da corrente sexual. Crowley escreveu: “Eu não sabia, até junho de 1912, da tremenda importância do conhecimento detido pela O.T.O. e, mesmo quando soube, não me dei conta dele.”

Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu, Crowley suspeitou que o fim da civilização era iminente. Ele baseou suas suspeitas no texto do terceiro capítulo de O Livro da Lei. É interessante ver o que ele escreveu a Frater Achad (Charles Stansfeld Jones, de Vancouver). Achad estava para se tomar a prova viva de que O Livro da Lei havia sido comunicado a Crowley por uma Inteligência preter-humana, demonstrando assim que a consciência pode se manifestar, e realmente se manifesta, independentemente do homem (isto é, da estrutura cerebral e nervosa do homem):

“Em vista do iminente colapso (isto é, da ordem atual do mundo), não seria essencial selecionar um número de homens adequadamente treinados e confiar-lhes os segredos dos quais dispomos? Meu conhecimento da técnica aumentou grandemente desde que escrevi meu Comentário ao Nono Grau.

A suprema importância deste assunto jaz nas considerações seguintes. As descobertas da Ciência no século passado ou no atual têm sido semelhantes a este respeito, [ou seja] que todos estão afastados da Virtude.

Elas podem ser igualmente utilizadas por homens vulgares, freqüentemente por homens meramente brutais, sob o controle de mestres vis e ignóbeis. O resultado é o que vemos.

Mas através da O.T.O. nós possuímos uma forma de energia mais forte e mais sutil do que qualquer outra já conhecida; e sua virtude é que ela não pode ser empregada com sucesso por homens ignorantes das leis espirituais e não treinados pelos métodos espirituais. O ser mais maligno da humanidade é capaz de se concentrar, o que é um fato essencial no sucesso.

Mas, apesar de devermos fazer tudo o que pudermos para guardar o segredo das mentes incapazes, não podemos negar que ele já seja amplamente conhecido, pelo menos de formas grosseiras e errôneas. Devemos confiar no fato natural de que a técnica da Virtude deve necessariamente prevalecer.

Ainda que aconteça o pior, eu acho que seria melhor que o mundo fosse regido por Lojas Negras e Brancas do que, como agora, seu governo não passasse de mera confusão. Por conta disto eu não vou me eximir da responsabilidade de usar este grande Segredo para determinar a direção na qual a esfarrapada árvore da civilização deva cair. É prioritário em tais questões que eu solicite a Sabedoria dos Irmãos Anciãos.

Dada a aprovação Deles, deveríamos encontrar pouca dificuldade em selecionar e treinar número suficiente de homens para estudar, desenvolver e aplicar esta energia.”

O Comentário sobre Líber Ágape (mencionado na carta acima) refere-se ao conhecimento secreto sobre o qual o Soberano Santuário da Gnose, IXº O.T.O. está constituído. O que Crowley não explicou no Comentário foi o papel representado pela shakti, ou a parceira feminina, selecionada para ajudar no ritual.

Vinte anos de pesquisa independente com a fórmula do IXº me convenceram de que Crowley não estava plenamente ciente da parte representada pelos kalas místicos, ou vibrações vaginais, emanados das shaktis utilizadas no rito.

A natureza dos kalas forma uma parte altamente técnica da doutrina tântrica. E evidente pelos seus diários, cartas e ensaios que Crowley estava ciente da importância da parceira durante os ritos sexuais. Ele diz, por exemplo:

“Eu estou convencido que uma importante consideração é aquela da parceira, e isto … está além do controle da consciência. Ao realizar trabalhos cerimoniais comuns em tempos passados, eu costumava achar que algumas pessoas pareciam ter a faculdade de conseguir que as coisas acontecessem no plano material, e isto instantaneamente.

Normalmente, elas não podiam fazer nada por si próprias; elas não eram nem mesmo clarividentes, mas comigo a dirigi-las, os fenômenos começavam a ocorrer de imediato.”

Discutindo a adequabilidade da parceira numa carta datada de 1938, ele diz: “Eu não acho que os tipos finos (de mulheres) sejam muito bons; as grosseiras são as melhores. Pessoas cujos instintos procriadores são naturalmente excessivos, mas que se volveram por uma ou outra circunstância para canais de voluptuosidade e extrema libido; por libido eu pretendo usar a palavra realmente em seu sentido mais amplo — uma intensa e instintiva luxúria por objetos variados.”

E em certas instruções referentes à Operação do IXº, ele escreve: “A escolha de uma assistente parece ser tão importante que talvez isto deva ser deixado ao capricho; isto é, à atração subconsciente.”

Uma pista quanto ao tipo qualificado de assistente para o papel de Mulher Escarlate é fornecida em O Livro da Lei, capítulo dois:

“Magníficas bestas de mulheres com longos membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelo flamejante à sua volta…”

Estes epítetos não são meros dispositivos literários. Eles são cifras dissimulando características definidas pelas quais o iniciado é capaz de reconhecer a atitude mágica em certos tipos de mulheres. Os floreados elogios do charme feminino encontrados em muitos tantras similarmente dissimulam as precisas características requeridas para uma operação mágica bem-sucedida.

Em termos tântricos, a Mulher Escarlate é Suvasini; literalmente “a mulher que emana um cheiro adocicado” do Círculo Místico (chacra) que é formado para o propósito de obter oráculos e tantras. Tantras são coleções de instruções em magia, comunicadas por inteligências para-terrestres de modo muito semelhante àquele em que O Livro da Lei foi comunicado a Crowley.

Nos tempos antigos, as sumo-sacerdotisas de Dodona, Delfos e Elêusis cumpriam funções oraculares similares; elas se tomavam o sagrado Uterus, o Emissor”‘, da Palavra.

A falta de informações precisas no que se refere às funções da parceira feminina e a descoberta por não-iniciados, após a morte de Crowley, de referências em seus Diários Mágicos a determinadas mulheres, algumas das quais preenchiam, e outras não, os requisitos necessários ao ofício de Mulher Escarlate, levaram a uma má interpretação generalizada de suas atividades e de seus motivos.

O Chacra Místico, ou Círculo Mágico dos Tantras, é uma forma simbólica e extemalizada dos centros sutis do corpo humano. A ioga está repleta de descrições destes chacras, sete dos quais são de grande importância. Eles foram descritos detalhadamente em numerosos livros de ioga e anatomia oculta, e ocultistas como Dion Fortune chamaram a atenção para suas correspondências no sistema endócrino. Vendo o assunto por este ângulo, muitos fatos interessantes emergem, alguns dos quais são descritos no Capítulo 4.

Os alquimistas preocupavam-se com o organismo vivo, e suas peculiares potencialidades, não menos do que os tântricos, sua contraparte oriental. Além disso, foi provado por experiências científicas que os chacras emanam um poder sutil. Em 1939, Wilhelm Reich descobriu uma energia radiante em bíons derivados da areia. Mais tarde, eles foram encontrados no solo, na atmosfera, na radiação solar e no organismo vivo.

Em Aspectos do Ocultismo, Fortune menciona as. vibrações detectadas na areia. Ela atribui a estranha influência do Egito à “eletricidade gerada pelas areias sempre em movimento do grande deserto do Saara, que, assim, muda o índice normal de vibrações, cujo resultado é uma expansão da consciência”. Descobriu-se que o chacra Ajna, comumente chamado de terceiro olho, consiste de partículas de uma substância muito fina semelhante à areia, ou a cristais num aparelho de rádio receptor.

A afinidade entre as secreções das glândulas endócrinas e as vibrações irradiando dos chacras sutis explorada pelos iogues forma a base da magia sexual que utiliza estas vibrações de um modo ainda desconhecido para a ciência. Todos os assim chamados cultos fálicos possuíam originalmente o verdadeiro conhecimento destas questões, antes que ele fosse perdido ou pervertido pelo uso impróprio. O que resta da sabedoria antiga é o vestígio somente de ritos corrompidos e fálicos; são estes, e não as verdadeiras doutrinas, que são hoje o alvo dos peritos que se auto-denominam “sofisticados” e “experts iluminados”, cuja sabedoria mundana é, de fato, nada comparável àquela dos antigos.

A Tradição Mágica, a qual incluía o sexo como um meio de consecução espiritual, existia muito antes dos tempos dinásticos do antigo Egito, e existem antigas referências a ela nos escritos sagrados da Índia e da China.

No Egito, esta tradição era conhecida como o Culto Draconiano ou Tifoniano. Ela foi a primeira forma sistematizada dos antigos mistérios africanos.

As doutrinas que os Egípcios elaboraram num culto altamente especializado floresceram mais tarde nos tantras da Índia, Mongólia, China e Tibete. “O quão paradoxal possa parecer”, escreve Crowley, “os Tântricos são na realidade os mais avançados entre os Hindus. A essência dos cultos tântricos é que pela realização de certos ritos de Magia, não apenas se escapa do desastre, mas obtêm-se bênçãos positivas.

O tântrico não é obcecado pela vontade de morrer. É difícil, não há dúvida, conseguir algum divertimento na existência, mas ainda assim não é impossível.

Em outras palavras, ele nega implicitamente a proposição fundamental de que a existência é sofrimento e formula o postulado essencial … que meios existem pelos quais o sofrimento universal (aparente na verdade a toda observação comum) pode ser desmascarado, assim como quando nos ritos iniciatórios de Ísis, nos antigos dias de Khem (Egito), um Neófito aproximando sua boca, sob compulsão, das espichadas nádegas do Bode de Mendes, via-se acariciado pelos lábios castos de uma sacerdotisa virgem desta Deusa, em cuja base do relicário estava escrito que Nenhum Homem levantou o Seu véu.”

Crowley sabia que o ponto crucial do ritual tântrico jaz em sua conexão com o êxtase magicamente induzido do orgasmo sexual. Orgasmo, no sentido reichiano de um fulminante paroxismo envolvendo o organismo inteiro, está algumas vezes em contradição com o conceito tântrico de (a) orgasmo total, ou (b) uma total ausência de orgasmo; ambas as interpretações foram lidas em textos tântricos.

Em ambos os casos, o orgasmo é comumente visto como fenômeno psicofísico. Mas isto é incorreto. Reich enfatizou a distinção entre ejaculação e orgasmo, um sendo físico e o outro, estritamente falando, metafísico.

Ejaculação sem orgasmo é uma ocorrência comum e, como Reich apontou, o orgasmo total é um fenômeno muito menos frequente. Ele é indubitavelmente bem menos frequente do que ele supunha. A concepção tântrica do orgasmo em seu sentido diretamente sexual (pois ele tem outros [sentidos]) é de uma natureza mais compreensível; ele pode, de fato, ser descrito como parassexual. Ele envolve a shakti Kundalini, da qual o aspecto sexual é sua forma mais material. A produção real do sêmen é o produto final, se não o produto-dejeto, que sobrou de uma corrente de consciência imprópria e incompletamente absorvida.

A Corrente da Consciência é dupla: mágica e mística. A primeira opera nos chacras mais baixos, a última, nos mais altos. Aquilo que é ejaculado como sêmen é a energia não absorvida (prana ou ojas), e ele sempre contribui para a criação de formas materiais, alojadas num útero ou não. Caso contrário, o transbordamento (como na masturbação, sodomia, felação, etc.) é tomado pelo astral e por entidades qlifóticas e transformado em organismos já existentes nos planos sutis.

Paracelso refere-se aos homúnculos (criaturas geradas artificialmente) feitas de esperma independentemente do organismo feminino e às larvas astrais e monstros parasíticos construídos da substância de imaginações voluptuosas.

O orgasmo pode ocorrer em qualquer dos seis principais centros do corpo ou em todos simultaneamente, em cujo caso um sétimo é trazido à existência como o supremo evento-ato. Ele é representado como existindo, ou vindo a existir, na coroa da cabeça. Este é o Sahasrarachacra, o lótus de mil pétalas que se diz estar situado na região da sutura craniana. No momento da morte de um Adepto, ou no princípio de um transe profundo, a consciência deixa o corpo por este centro.

Ela assim o faz acompanhada de uma indescritível felicidade. A felicidade é a verdadeira natureza da Consciência, que se manifesta como Luz.

Ela é o orgasmo ultima do qual todas as manifestações menores são senão sombras, pois este orgasmo é o Grande Ir, o andarilho sendo a designação especial dos deuses mais elevados, tanto na tradição do Egito quanto na da Índia. A cruz anca — ou a tira de sandália — é o seu símbolo, a semente secreta, o andarilho de vida em vida, o andarilho que transcende a morte completamente.

A tira de sandália, o símbolo do andar e, portanto, do orgasmo, é o glifo de Vênus, a deusa do amor; ela é o instrumento, no sentido sexual, da transcendência ultimal da consciência individual.

O orgasmo nos vários centros é o florescer de poderes específicos ocultos na anatomia sutil do corpo do homem. Os poderes (siddhis) pertencentes a cada lótus são descritos em qualquer manual de yoga. Quando a Serpente de Poder descarrega-se como sêmen, os resultados são físicos, em oposição aos [resultados] metafísicos.

Em O Livro da Lei, que pode ser descrito como um tantra moderno, o movimento deste Poder para baixo e para fora é descrito como resultando em peçonha, isto é, veneno (Hl.) em oposição ao néctar (^):

“Eu sou a secreta Serpente enroscada prestes a pular: em meu enroscar está o prazer. Se Eu ergo minha cabeça, Eu e minha Nuit somos um. Se Eu abaixo minha cabeça, e germino veneno, então é a raptura da terra, e Eu e a terra somos um.”

Seja qual for a meta do homem concebida por Reich e outros, para os tântricos a meta é atingida por uma reversão do processo que leva à substanciação do Poder gerado durante o orgasmo.

No Budismo Tântrico, por exemplo, ao bodicita (luz da consciência30) não é permitido formular-se como sêmen; o processo é inteiramente místico, e quando mulheres participam do ritual, elas são utilizadas para estimular a Kundalini, para despertá-la do sono no centro mais baixo, antes dela começar sua ascensão.

O notório Círculo Aula dos Vamacarins (tântricos do Caminho da Mão Esquerda), em algumas de suas divisões, utiliza a fêmea para propósitos similares, mas ela permanece virgem.

Criou-se alguma confusão devido à natureza curiosamente ambivalente do simbolismo adotado pelos iniciados orientais. Existem, sem dúvida, algumas divisões tântricas que de fato expressam a Corrente-Consciência como sêmen e, então, reabsorvem-no no sistema por um método no qual o pênis é usado como um sifão. Isto é perigoso, a menos que o praticante seja um adepto.

Crowley evitava, de certo modo, os perigos ao absorver a substância oralmente durante suas operações mágicas.

Para ser efetivamente utilizada desse modo, a Corrente-Consciência deve ser carregada pela Vontade do operador no momento de sua transformação em sêmen. É a fusão total dos princípios ativo e passivo numa explosão deslumbrante de êxtase que constitui a transubstanciação dos elementos grosseiros do Rito Sagrado nos sacramentos glorificados do verdadeiro casamento místico.

A palavra orgasmo implica um rito, ou operação, sagrado além também de seu significado indicatório do paroxismo e expansão emocionais. Os gnósticos chamavam este rito de Missa do Espírito Santo e as essências masculino-feminina — expressas em suas formas grosseiras — eram simbolizadas pelo pão e pelo vinho. A Missa Gnóstica é portanto um eidolon do êxtase, ou orgasmo, metafísico que está velado sob o símbolo do Espírito Santo, do qual a pomba (o pássaro de Vênus) é o veículo especial. A pomba é também um símbolo do Jardim do Éden (o Campo do intercurso de energias ódicas), tipificado e tomado real pela mulher. Jardim é um dos significados da conhecida palavra para a vulva (conforme Kent, “o jardim do sul”). Mas uma mulher não está necessariamente presente no ritual tântrico, não mais do que ela precisa estar presente quando ocorre o orgasmo sexual.

O sonho molhado é um exemplo disto. Há um despertar no momento crítico, exatamente quando a Corrente-Consciência começa a fluir para fora do corpo sob a forma de secreção. A Consciência fluindo para fora é a mente, ou mais precisamente, a mente em movimento, ou seja, o pensamento. Quando isto ocorre, o sonho (o estado subjetivo de criação de imagens) passa para o estado desperto (o estado objetivo de criação de imagens). E nessa junção que o adormecido desperta, e, por um rápido momento, fica convencido de que estava coabitando com uma mulher real. Um súcubo foi gerado, uma objetivação — pela luz da consciência dentro da mente — do desejo da mente, porque a mente sempre assume a forma de seu objetivo. A experiência é tão vívida quanto como se fosse real. Para o sonhador, a atividade do sonho é tão real quanto é a vida diária para a pessoa inteiramente acordada.

Quando a corrente é revertida, a Consciência assume a sua própria forma, que é em realidade Não-Forma, pois ela é vazia, isto é, além da forma. O vazio é o Atma do Hinduísmo que é igualado ao verdadeiro princípio imortal, o Verdadeiro Ser. No estado de vazio, a felicidade pura é experienciada, como no sono profundo e sem sonhos.

Não há nenhum conhecedor ali, nenhum objeto a ser conhecido, nenhum homem ou mulher, nenhum sujeito ou objeto. Conseqüentemente, a Consciência assume sua própria natureza que é auto-resplandescente. Quando esse estado é alcançado cognitivamente (não se pode dizer “conscientemente”, pois não há jamais um tempo em que a consciência não exista), então o sono profundo se toma não um esquecimento, mas imediata consciência de si, que é o Conhecimento Puro cuja natureza é a Felicidade.

Por este meio, o tântrico procura liberar-se da escravidão da matéria, da dualidade do universo fenomênico e numênico. Ele é um orgasmo da Consciência, um florescimento da Consciência além de toda dualidade.

Edward Carpenter (O Cimo de Adão para Elephanta, 1892) notou, a propósito de certas doutrinas hindus, que elas contêm “um vislumbre da profunda verdade subjacente de que o universo inteiro conspira no ato sexual e que o orgasmo em si é um flash da consciência universal…”

Isto é verdade, mas não é toda a verdade. A Corrente-Consciência é vista por clarividentes como um filete de brilho no interior do canal central (espinha) do corpo humano. Ela pode ser vista como uma trêmula teia de ramos cintilantes interpenetrando o corpo astral, o Corpo de Luz. A identificação da Consciência com a Luz é antiga e universal. A frase bíblica declara: “A luz do corpo é o olho; se, portanto, tiveres um único olho, teu corpo inteiro estará cheio de luz.”

O Olho é o símbolo do Vidente; ele é a consciência que ilumina objetos e toma a visão possível. Ele é também um símbolo da yoni, a fonte das imagens. Como tal, ele é idêntico à própria Consciência, sem a qual imagens ou formas não podem existir. A passagem bíblica refere-se à prática de reter a luz (Consciência) em seu estado imaculado ou pré-conceptual, impedindo seu fluxo ao exterior e a fabricação de imagens no mundo material.

No momento do orgasmo uma luz brilhante parece explodir interiormente. E difícil dizer precisamente aonde isto ocorre; diz-se que [a explosão] pode ser localizada, pelo observador alerta, em um ou outro dos centros sutis ao longo do canal espinhal. Dion Fortune chamou a atenção para o fato de que estes centros aproximam-se de regiões específicas do sistema endócrino e estão conectadas à produção de secreções endócrinas. Não se deve supor que os chacras respondam à investigação física, assim como a mente não pode ser descoberta por cirurgia cerebral. Os chacras existem como realidades em dimensões extra-físicas, e eles são tão reais em seu próprio plano quanto os sonhos o são no seu.

A polaridade sexual no seu sentido mais profundo e tântrico é uma forma natural de união (ioga) usada por Adeptos, Ocidentais e Orientais, para a consecução do Objetivo último. Paracelso, Lévi, Blavatsky, Hartmann, Fortune e outros pontilharam seus escritos com pistas, mas coube a Crowley falar plenamente, desenvolver o relato mais completo e mais sistemático deste caminho ambíguo.

A ignorância geral, os mal-entendidos e as interpretações malévolas de seus escritos fizeram o melhor que podiam para obscurecer seu propósito, mas agora, mais de vinte anos depois de sua morte, a situação afinal mostra sinais de mudança.

Nos tempos mais antigos, o fogo do processo criador era identificado com a Besta (conforme Bast, a deusa egípcia da luxúria e do calor sexual), simbolizada pelo hipopótamo, o crocodilo, a leoa, o gato, o porco ou a vaca. Quando este simbolismo foi interpretado antropo-morficamente, como mais tarde o foi, o próprio órgão gerador era escolhido para representar o processo criador inteiro. Com o decorrer do tempo, a besta transformou-se na forma humana31, mas a kteis, o órgão simbólico da mudança, ou transformação, permaneceu o mesmo.

Nos hieróglifos ela representava O Grande Poder Mágico32 que concentrava (simbólica e verdadeiramente) o poder da besta de recriar e transformar a si própria, de projetar sua imagem no futuro como se por magia e de continuar fazendo assim, para sempre. Uma santidade especial era então atribuída à genitália feminina, o portal da vida perpétua.

Num período bem mais tardio, os egípcios ocultaram a identidade humana de seus deuses sob máscaras de animais que representavam os tipos de energia que se desejava invocar e controlar. A acuidade visual do falcão, por exemplo, e sua habilidade de subir aos céus e de aproximar-se do sol fez com que ele se tomasse um glifo solar de deuses tais como Hórus e Rá.

Os sacerdotes assumiam a máscara ou a forma-deus de um falcão em operações envolvendo clarividência, descoberta de tesouros ocultos e assim por diante. A Cobra, com sua velocidade, sua sutileza e habilidade para trocar sua pele já usada, tomou-se o modelo de rejuvenescimento e mudança, e, portanto, de magia.

Assim também ocorreu com a Lua em uma fase de seu simbolismo. A Cobra era, originariamente, um glifo da fêmea devido a seus poderes de renovação periódica; ela unifica o dualismo do poder fálico, primeiramente em seu aspecto feminino e mutante (como a energia lunar) e, em segundo lugar, em seu aspecto criativo como energia solar tipificada pela súbita ereção e a fulminantemente e rápida ejaculação do veneno. O conceito finalmente mesclou-se com a Serpente de Poder, a Kundalini dos Tantras.

A antiga fórmula conhecida como Assunção de Forma-Deus foi revivida na Aurora Dourada e foi continuada na O.T.O, sob símbolos fálicos.

Esta fórmula evoca as shaktis (poderes) latentes nos elementos, nas bestas ou nos “deuses” que representavam aspectos da mente subconsciente do homem incorporados em formas simbólicas.

A transição do mortal para imortal é conseguida por um ato de vontade criativa, e a arma mágica (Baqueta ou Falo) é a erétil chama impetuosa comum na besta e no homem. O deus Mentu33 ou Min era a forma itifálica de Hórus; de Min é derivada a palavra Man (Homem).

Mentu tomou-se Mendes, o nome do antigo nomo egípcio consagrado à Cabra ou Bode, o Baphomet dos Templários retratado com o falo exaltado. O poder primai era também simbolizado pela Serpente Ureus que coroava os deuses egípcios ou pelos chifres que sobressaíam da fronte do Grande Deus Pã, o Todo-Criador dos gregos. É a Kundalini erguendo-se, idêntica à cadeia de símbolos de Set-Pã-Baphomet-Mendes-Fênix.

Nos primeiros estágios da carreira mágica de Crowley, o uso involuntário de magia sexual, mais as repetidas assunções de formas-deuses do antigo Egito — especialmente aquela de Hórus-Falcão —, resultaram no rapport com Aiwaz em 1904. Onze anos mais tarde (1915), ele reconheceu a si próprio como sendo A Besta 666, um Magus da A.’. A.’. e Senhor do Éon de Hórus, cuja Palavra é Abrahadabra e que oculta a fórmula de Shaitan e da magia sexual-34

Qualquer que seja a natureza específica desta “besta” (falcão, leão-serpente, dragão, fênix, etc.), isto implica na identificação com uma entidade não humana. Crowley identifica a si próprio com a Besta 666 porque este número é uma máscara de Hadit ou Set (Shaitan), representado celestialmente pela Estrela-Cão, e na terra, pelo falo.

O número do Sol é 6 (simbolizado pelo Selo de Salomão); o número da Estrela de Set é 6, como no Hexagrama Unicursal que é o Hexagrama de Invocação da Besta; o número do Filho (“criança”) é também 6 (Vau ^) — portanto, 666. Similarmente, a Mulher Escarlate, Babalon — o lar do Falo — representada astronomicamente por Nuit (Draco) e Suas “estrelas”, é, sobre a terra, a Vésica ou Kteis, e seu número é 7, que é o número de Vênus, seu representante planetário.

Originalmente, entretanto, o número 7 é derivado de sua identidade com as sete estrelas da Grande Ursa, ou Dragão do Espaço, cujo nome era Sephek ou Sevekh (Sete). “Hesitar entre o seis e o sete” é uma expressão baseada nesta vasta e antiga tradição oculta, derivada de um tempo em que a confusão reinava devido à mudança dos meios de cálculo Estelar (7) para o Solar (6). O assunto é muito complexo para ser tratado aqui.

O leitor deve consultar os capítulos de Gerald Massey sobre o “Tempo” em A Gênese Natural, Volume II, Seção XII. Os primeiros cálculos de tempo centravam-se na revolução da Serpente (Draco ou Nuit) em torno da Estrela-Cão (Hadit).

Sept ou Set, a Estrela de Sótis, é na realidade o nome do Número Sete, o número de Sevekh ou Vênus que, numa época mais tardia era a representante planetária dos conceitos estelares originais. Portanto, a Estrela de sete raios de Babalon ë um glifo do Espírito de Sótis; ela é a Estrela de Ísis-Sótis — a Mãe e a “Criança”. A Besta ou Dragão do Apocalipse tinha sete cabeças (as sete principais estrelas da Ursa Maior), e o manifestador destas Luzes ou Espíritos não era nem o sol nem a lua, mas “a Luz que ilumina a Cidade”.

Mas há uma outra interpretação do 6 e do 7, mais mágica ainda, que está oculta na união deles (13). Este número, além de sua implicação lunar é também 31 ao contrário e indica que a chave para a fórmula da Magia especialmente característica da Besta e da Mulher deve ser buscada no XIº O.T.O.

As “Estrelas”, magicamente falando, representam a consciência astral concentrada nas essências sutis (kalas, unidades de tempo) que foram descritas nos tantras secretos da Índia como vibrações vaginais. Em O Livro da Lei, Aiwaz revela sua identidade e concentra a fórmula de Shaitan nestas palavras misteriosas:

“Vê! Isto é revelado por Aiwass o ministro de Hoor-Paar-Kraat. O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs. Adore então o Khabs, e contemple minha (ou seja, de Nuit) luz derramada sobre vós!”

Khabs é uma palavra egípcia que significa “Estrela”, e o khu é a essência ou poder mágico feminino. A Estrela (isto é, Sótis, a Estrela de Shaitan) reside no poder mágico da essência geradora da fêmea, pois a Estrela-Cão é Sótis, que também é chamada a Alma de ísis. Pela adoração (isto é, utilizando deliberadamente ou ritualmente) desta “Estrela”, a Luz de Shaitan também é invocada. Estes versos compreendem a fórmula inteira da magia sexual e o seu modo de utilização.

Também, de acordo com o antigo saber mágico, a fórmula da encarnação de um deus era aquela da besta unida à mulher. Nos comentários sobre A Visão e a Voz, Crowley observa que “todas as mitologias contém o mistério da mulher e da besta como o coração do culto. Notadamente, certas tribos do Terai até os dias de hoje enviam suas mulheres anualmente para a selva, e todos os meio-macacos que daí resultam são adorados em seus templos.”

O ato sexual (nestes casos) pode ser elevado do nível de um ato animal pela influência humanizadora da Mãe, a qual, transmutando o fogo animal, produz uma criança que transcende ambas as qualidades bestiais e humanas de seus pais.

No Bhag-i-Muattar (1910) Crowley diz que “a Esfinge é a deificação do bestial e, portanto, um Hieróglifo apto da Grande Obra”.

A Besta, como a corporificação do Logos (que é Thelema, Vontade), encarna simbólica e verdadeiramente a Palavra deste cada vez que um ato sacramental de união sexual ocorre; ou seja, cada vez que o amor é feito sob vontade. Este é o sacramento que os Cristãos abominam como a suprema blasfêmia contra o Espírito Santo porque eles não podem admitir a operação da fórmula da besta unida à mulher como a condição necessária para a produção da divindade!

Esta fórmula remonta à antigüidade e, interpretada em seu próprio plano, é a sublime alegoria alquímica.

A tradição da tribo do Terai (vide acima) corresponde às lendas de Leda e o Cisne, Pasife e o Touro, Europa e a Serpente, Maria e a Pomba, e numerosas lendas cognatas. Em A Operação de Paris (1914), Crowley declara: “Esta é a grande idéia dos magistas em todos os tempos: obter um Messias por alguma adaptação do processo sexual.

Na Assíria, eles tentaram o incesto; também no Egito, os egípcios tentaram com irmãos e irmãs; os assírios, com mães e filhos.

Os fenícios tentaram com seus pais e filhas; os gregos e sírios, com as maiores bestialidades. Esta Idéia veio da Índia. Os judeus procuravam fazer isso por métodos de invocação, também por pae-dicatio feminarum.

Os maometanos tentaram com o homossexualismo; os filósofos medievais tentaram produzir homúnculos fazendo experimentos químicos com sêmen.

Mas a Idéia raiz é de que qualquer forma de procriação além da normal é a mais apta para produzir resultados de caráter mágico. Ou o pai da criança deveria ser um símbolo do sol ou a mãe deveria ser um símbolo da lua.”

No mesmo texto, Crowley menciona a adoração do touro Ápis num certo labirinto em Creta. Esta adoração é derivada do Egito. O touro era branco.

Na Festa do Equinócio da Primavera, doze virgens eram sacrificadas a ele, sendo doze o número simbólico das casas através das quais o sol passa durante o seu ciclo anual. Em cada caso, o touro usava as virgens conforme a lenda de Pasife. A cerimônia era realizada com a intenção de obter um Minotauro, uma encarnação do sol, um messias.

Uma variação deste sacrifício envolvia a imolação do touro. A virgem era colocada na carcaça quente e era violada pelo Sumo-sacerdote. Ela finalmente se sufocava no sangue do touro durante o orgasmo.

A fórmula da Besta unida à mulher está relacionada à undécima Chave do Tarô. Esta Chave intitula-se A Luxúria; ela mostra a Mulher Escarlate, Babalon, montando com as pernas abertas a besta de sete cabeças conforme descrito no Apocalipse. A letra sagrada Teth35, que significa uma serpente, é atribuída a esta Chave; seu número é Nove.

A Luxúria é especialmente importante no Culto de Thelema, e está relacionada à Vigésima Chave que exibe a Estela da Revelação36. A Estela é um talismã de grande poder no sistema de Crowley. Ela mostra a deusa Nuit arqueada sobre o Fogo fálico-solar de S? (Shin), o Espírito, a letra de Abrasax ou Abrahadabra, a Palavra do Éon do qual Aiwass é a atual expressão. Shin é também a letra de Shaitan ou Set, o Fogo do Desejo (Hadit) no Coração da Matéria (Nuit). A combinação dessas duas Chaves (Vinte e Onze) une, portanto, Shin e Teth. Na cabala Greco-Cóptica elas são fundidas em uma única letra que iguala-se a Kether, a Primeira Emanação da Luz Mágica.

Babalon e a Besta unidos, como na undécima Chave, realizam ao reverso a fórmula da vigésima Chave, que foi intitulada de O Juízo Final no baralho tradicional do Tarô. Agora, entretanto, tendo sido revisada de acordo com os ensinamentos do Novo Éon, a chave foi renomeada como O Éon.

Um Éon, conforme explicado anteriormente, designa não apenas um ciclo de tempo mas é também o nome que os gnósticos deram à sua Divindade Suprema, Abrasax, da qual Abrahadabra (a Palavra do atual Éon) é uma forma especial.

Na Chave intitulada Luxúria (Chave XI), Babalon é mostrada elevando o Graal; na Chave intitulada O Éon (Chave XX), o Graal — sob a forma do corpo arqueado de Nuit — está invertido, regando assim a terra com sua luz

35. Teth, Set ou Tot são termos sinônimos e todos associados ao Lúcifer Hermético, ou Luz de Hermes.

36. Outra prova cabalística do Sistema emerge aqui. O número da Estela é dado em u Livro da Lei como 718. 718 é duas vezes 359, o número de Shaitan. Isto identifica o Duplo Poder de Aiwaz (Ra-Hoor-Khuit e Hoor-Paar-Kraat) com o Éon — que é o nome da Chave que exibe a Estela estelar. A fusão dessas duas imagens formula o Divino Hexagrama:

o fogo fálico (A) ou triângulo ascendente intrelaçando-se com a Água do Espaço representada pela yoni de Nuit, Noite, Nox ou Nada apontando para baixo (V).

Mas a estrela de seis raios assim formada é sêxtupla apenas aparentemente, pois a semente secreta (Hadit) está oculta em seu centro, tornando-a na verdade o selo de sete raios de Babalon — a deusa das Estrelas, o Dragão de Luz no Coração de Nuit. Esta semente secreta, chamada hindu nos Tantras, é o Ponto potencialmente criador oculto dentro do Chacra Místico.

Os rituais da Ordem Rosa-Cruz (a Segunda Ordem da Aurora Dourada) estão amplamente impregnados com traços do Culto Sabeano ou Estelar Draconiano. Isto é particularmente evidente no simbolismo do Piso e do Teto da Cripta dos Adeptos.

Crowley usou a estrela sétupla como base para o Selo que ele formulou para a Grande Fraternidade Branca. O maior emblema da Estrela de Prata é, assim, o selo sétuplo sobre a Yoni da Deusa das Estrelas. Nas yonis, ou triângulos, aparecem as sete letras do Nome B.A.B.A.L.O.N.

No centro, uma Vésica é mostrada bloqueada ou barrada, indicando a presença da semente secreta; o ponto tomou-se a linha, o diâmetro tomou-se a circunferência. Esta semente é o “eremita”, a oculta, mascarada, anônima essência masculina no processo de gerar sua imagem como o filho-sol na deusa Mãe. Este é portanto o Selo de Set que abre o útero de sua mãe, assim como a estrela Sótis abre o Círculo do Ano. Sua luz infinita interrompe a Noite dela e faz com que ela apareça como a Escuridão infinita.

O simbolismo origina-se da fase mitológica da evolução humana, uma fase que data de muito antes dos sistemas patriarcais das sociedades mais tardias, tanto sociológica quanto religiosamente consideradas.

Ele se origina daquele período do tempo quando o papel do homem na procriação era ainda insuspeitado. O simbolismo, portanto, reflete um estágio na consciência humana quando os mecanismos da regeneração eram conduzidos por sacerdotes sob a máscara da besta, ensaiando assim o drama primitivo da fecundação, quando a Grande Deusa tinha a imagem de uma forma animal, acima de tudo. Nuit, arqueada sobre a terra, traduzia este simbolismo numa imagem antropomórfica.

A assunção ritualística de formas-deuses, conforme ensinada e praticada na Aurora Dourada tem, entretanto, um significado mais profundo do que o encenação de fases sociológicas primitivas do comportamento humano, e a assunção de Crowley da máscara da Besta não era um mero gesto de identificação com os processos primitivos.

Ele assumiu o papel com o intento mágico de afirmar sua identidade não apenas com os atavismos pré-civilizados, mas com aqueles poderes transcendentais que, quando adequadamente controlados e dirigidos, ele era capaz de encarnar à vontade. Isto forma as bases de sua magia.

John W. Parsons, chefe da Loja californiana da O.T.O., (de 1944 até sua morte prematura em 1952), resume esta magia:

“Para ir fundo, você precisa rejeitar cada fenômeno, cada iluminação, cada êxtase, indo sempre mais fundo, até que você alcance os últimos avatares dos símbolos que são também os arquétipos raciais.

Neste sacrifício aos deuses abissais está a apoteose que os transmuta na beleza e no poder que é a sua eternidade, e a redenção da humanidade.

Neurose e iniciação são a mesma coisa, exceto que a neurose pára logo após a apoteose e as forças tremendas que moldam a vida são enquistadas — colocadas em curto-circuito e tomadas venenosas. A Psicanálise transforma os símbolos do falso ego e os exterioriza em falsos símbolos sociais; ela é uma confusão entre conformidade e cura em termos de comportamento de grupo.

Mas a iniciação deve prosseguir até que a barreira seja ultrapassada, até que os bastiões nebulosos dos Trawenfells infantis se mudem em rochas e penhascos da eternidade; o jardim de Klingsor transforme-se na Cidade de Deus.”

Não importa, no fim, se a nova dimensão, o fator de redenção, o “Salvador” seja uma besta ou um deus, contanto que a fórmula da Matéria seja transcendida ou, mais precisamente, contanto que o Espírito (Shin) e a Matéria (Teth) sejam compreendidas como Um.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/bases-metafisicas-da-magia-sexual/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/bases-metafisicas-da-magia-sexual/