Os Cavaleiros Templários – parte 1

Publicado no S&H em 1/9/09

Retornando à nossa História das Ordens Iniciáticas, chegamos ao começo do século XII. Herdeiro da desintegração do Império Romano, o Ocidente Europeu do início da Idade Média era pouco mais que uma colcha de retalhos com populações rurais e tribos bárbaras. A instabilidade política e o definhar da vida urbana golpearam duramente a vida cultural do continente. A Igreja Católica, como única instituição que não se desintegrou juntamente com o extinto império, mantinha o que restava de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Com o tempo a sociedade foi se estabilizando e, em certos aspectos, no século IX o retrocesso causado pelas migrações bárbaras já estava revertido, mas nessa época os pequenos agricultores ainda eram impelidos a se proteger dos inimigos junto aos castelos. Esse cenário começa a mudar mais fortemente com a contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras no século X, época em que o sistema feudal começa a ser definido. O período de relativa tranqüilidade que se segue coincide com um período de condições climáticas mais amenas. A partir do ano 1000, o Feudalismo entra em ascensão.

Os Templários e a Primeira Cruzada
Depois que Maomé morreu (632), as vagas de exércitos árabes lançaram-se com um novo fervor à conquista dos seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas que passaram décadas a guerrear-se. Estes últimos, depois de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos, mais graças à extensão do seu império do que à resistência: o último Xá morre em Cabul em 655. Os bizantinos resistem menos: cedem uma parte da Síria, a Palestina, o Egito e o norte de África, mas sobrevivem e mantêm a sua capital, Constantinopla.
Num novo impulso, os exércitos conquistadores muçulmanos lançam-se então para a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália e França, as ilhas mediterrânicas. Tornado um império tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano sofre de um gigantismo e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que guardavam na memória a época de conquista: bizantinos, francos e reinos neo-godos.
No século X, esse desagregar acentua-se em parte devido à influência de grupos de mercenários convertidos ao islã e que tentam criar reinos próprios. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do atual estado da Turquia; nem com os Mamelucos, que só vão surgir em 1250; os Seljucidas seguiam o califa Seljucida), procuraram impedir esse processo e conseguem unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra contra os cristãos, chutam a bunda das forças bizantinas em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro da Anatólia e finalmente tomam Jerusalém em 1078.

O Império Bizantino, depois de um período de expansão nos séculos X e XI está completamente ferrado e em sérias dificuldades: vê-se a braços com revoltas de nômades no norte da fronteira, e com a perda dos territórios da península Itálica, conquistados pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato resultou em uma diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aleixo I Comneno decide pedir auxílio militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça seljúcida.
E adivinha quem eles mandaram?

Errou. Ao invés de mandarem cavaleiros bem preparados, em 1095, no concílio de Clermont, o papa mané Urbano II exorta a multidão de esfomeados malucos religiosos a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob o domínio cristão, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de “penitência”. A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, tendo consigo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de “cruzados”). Assim começavam as cruzadas. A idéia basicamente era “Vão lá e matem todo mundo, e Deus perdoará os seus pecados”.
Treinamento? Equipamento? Blá…

A Cruzada dos Pobres
A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças.
Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres, os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando todo tipo de desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros. Ainda no caminho, seus seguidores tinham criado diversos tumultos, massacrando comunidades judaicas em cidades como Trier e Colônia, na atual Alemanha.
Chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa “Cruzada” massacrou judeus pelo caminho, matou, pilhou e destruiu tudo, como hordas assassinas de personagens de RPG. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla. Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas… Mas a turba começou a saquear a cidade.

O imperador bizantino, desejando afastar esse “bando de personagens low level de world of warcraft” (ok, ele não os chamava assim, mas vocês entenderam a idéia) de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos, que tinham um level muito maior e melhores equipamentos… Noobs.
Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.

Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de badernar e saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva.
Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Nicéia, cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita maluco continuou o ataque a Nicéia, tomou uma fortaleza da região e comemorou bebendo todas, sem saber que estava caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.
Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram como galinhas amarelas.
O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir…

Os Cavaleiros e o Templo
No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos muçulmanos a glória dos atos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Eram os Gouvains do Cristianismo, que se constituiam fiadores da fé, disputando as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam. Reinava em Jerusalém Balduíno II que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros assinalavam as ruínas de um grande Templo. Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo.

Hugo de Payens (1070-1136), um fidalgo francês da região de Champagne, foi o primeiro mestre da Ordem dos Templários. Ele era originalmente um vassalo do conde Hugues de Champagne. Conde Hugues de Champagne visitou Jerusalém uma vez com Hugo de Payens, que ficou por lá depois de o conde voltar para a França. Hugo de Payens organizou um grupo de nove cavaleiros para proteger os peregrinos que se dirigiam para a terra santa no seguimento das iniciativas propostas pelo Papa Urbano II.
De Payens aproximou-se do rei Balduíno II com oito cavaleiros, dos quais dois eram irmãos e todos eram parentes de Hugo de Payens, alguns de sangue e outros de casamento, para formar a primeira das ordens dos Templários.
Os outros cavaleiros eram: Godofredo de Saint-Omer, Archambaud de Saint-Aingnan, Payen de Montdidier, Geofroy Bissot, e dois homens registrados apenas com os nomes de Rossal ou possivelmente Rolando e Gondamer. O nono cavaleiro permanece desconhecido, apesar de se especular que ele era o Conde Hugh de Champagne.

O símbolo destes Templários era esta imagem ao lado: dois Cavaleiros “tão pobres que precisavam dividir um cavalo”… você escutou esta balela na escola, certo? Vamos aos fatos: FIDALGO Hugo de Payens; Godofredo de Saint Omer, nobre da Família de Saint Omer, cujos VASSALOS foram alguns dos primeiros cavaleiros recrutados; Payen de Montdidier, da casa nobre flamenca Montdidier; o CONDE Geofroy Bissot, da família Bissot, entre outros… tantos nobres reunidos e não tinham dinheiro sequer para comprar um cavalo para cada um? Fala sério…
O que o Símbolo dos Templários realmente representa é que eles eram guerreiros espirituais. Os dois corpos no cavalo representam a união do guerreiro físico com o guerreiro espiritual que eles ali representavam. Mas a idéia de falar que eles eram pobres não era ruim…
Outro ponto bizarro é dizer que a função dos Templários era “defender as rotas de Peregrinos dos Muçulmanos”… ora, o que nove cavaleiros de meia-idade poderiam fazer contra as hordas de muçulmanos que estavam tomando conta da região? O que estes nove cavaleiros fizeram foi escavar sob os estábulos do Templo durante nove anos (de 1109 a 1118), até que finalmente encontraram o que estavam procurando…

As ruínas do Templo
Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as veneradas ruínas, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Kabbalah. E entraram. Uma extensa galeria conduziu-os até uma porta chapeada de ouro por detrás da qual deveria estar o maior Segredo da Humanidade.

Sobre a porta, uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-SE DO MUNDO DOS VIVOS.

Hugh de Payens escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD. Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão.

A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica da Kabbalah. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Yetzira propõe ao entendimento humano. As chaves expostas sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dão aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa, encantadora. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas.

Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já tinha uma concepção acerca da idéia de Deus que não era muito católica. A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência à inicial que, no centro do Triângulo, simbolizava a unidade perfeita: YOD.

Continua…

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-cavaleiros-templ%C3%A1rios-parte-1

Análise por um mestre do Templo

Do Liber 49, por Jack Parsons.

ANÁLISE POR UM MESTRE DO TEMPLO

dos Nodos Críticos na Experiência de seu veículo material

“Considerarei todos os fenômenos como o acordo particular de Deus com minha alma”.

I. Nascimento

2 de outubro de 1914, Los Angeles, em, ascendendo no meio do céu, numa conjunção favorável, no afélio. Escolhi esta constelação para que você pudesse ter um senso inato de equilíbrio e justiça última, natureza responsiva e atraente, um ambiente abundante e senso de realeza e generosidade, força, coragem e poder combinados com astúcia e inteligência. Saturno foi vinculado para que você pudesse facilmente formular uma vontade inferior que o satisfizesse e o esmagasse com seu espetacular sucesso.

Seu pai se separou de sua mãe para que você pudesse crescer com um ódio à autoridade e um espírito de revolução necessário à minha obra. O complexo de Édipo era necessário para formular o amor à bruxaria que o levaria à magia, com a influência de seu avô ativo para evitar uma identificação demasiado completa com sua mãe.

II. Infância

Seu isolamento como criança desenvolveu os antecedentes necessários de literatura e erudição; e as experiências infelizes com outras crianças o desprezo necessário para a multidão e para os costumes do grupo. Você notará que estes fatores desenvolveram o ódio necessário ao cristianismo (sem implantar um sentimento de culpa cristã) em uma idade extremamente precoce.

III. Adolescência

O início da adolescência continuou o desenvolvimento das combinações necessárias. O despertar do interesse pela química e pela ciência preparou o contrapeso para o próximo despertar mágico, os meios de obter prestígio e subsistência no período formativo, e o método científico necessário para a minha manifestação. O fiasco mágico aos 16 anos de idade foi necessário para mantê-lo longe da magia até que você amadurecesse o suficiente.

IV. Jovens

A perda da fortuna familiar desenvolveu seu senso de autossuficiência em um período crítico, o contato com a realidade neste momento era essencial. Seu casamento precoce com Helen serviu para romper seus laços familiares e efetuar uma transferência para ela, longe de um perigoso apego a sua mãe. A experiência em Halifax e no Cal Tech serviu para fortalecer sua autoconfiança, seu método científico e seus poderes materiais. A influência de Tom Rose neste período, como a de Ed. Forman na adolescência, foi essencial para o desenvolvimento do centro masculino.

V. Juventude Tardia

A casa em Terrace Drive, Music, Lynn, Curtis e Gloria, e a crescente inquietação foram, naturalmente, todos os preparativos para a reunião com A e O.T.O. A repulsa e atração alternada que você sentiu no primeiro ano após o encontro com a Fra. 132 foram causadas por uma resistência subconsciente contra as provações que se avizinhavam. Se você tivesse tido essas experiências antes, sem tal resistência, você teria ficado irremediavelmente desequilibrado. Betty serviu para efetuar uma transferência de Helen em um período crítico. Se isso não tivesse ocorrido, seu componente homossexual reprimido poderia ter causado uma séria desordem.

Sua paixão por Betty também lhe deu a força mágica necessária na época, e o ato de adultério tingido de incesto, serviu como sua confirmação mágica na Lei de Thelema.

Nesta época a O.T.O. era uma excelente escola de treinamento para adeptos, mas dificilmente uma Ordem apropriada para a manifestação de Thelema. Portanto, apesar de seu lema, você não foi capaz de formular sua vontade. A experiência com a O.T.O. e Aerijet foi necessária para dissipar seu romantismo, sua autoengano e sua confiança nos outros. Betty foi um elo no processo destinado a afastar você do agora desnecessário complexo de Édipo, a supervalorização da mulher e do amor romântico. Como isto era inconsciente, o próximo passo era trazê-lo à consciência, e ali destruí-lo.

VI. Maturidade precoce

A experiência final com Hubbard e Betty, e a O.T.O. foi necessária para superar sua falsa e infantil dependência dos outros, embora isso só tenha sido parcialmente realizado na época. A invocação de Babalon serviu para exteriorizar o complexo de Édipo; ao mesmo tempo, por causa das forças envolvidas, produziu efeitos mágicos extraordinários. No entanto, esta operação é realizada e encerrada – você não deve ter mais nada a ver com ela – nem mesmo pensar nela, até que Sua manifestação seja revelada, e provada sem sombra de dúvida. Mesmo assim, você deve ser cauteloso – embora eu espere tomar o comando completo antes disso.

Candy apareceu em resposta ao seu chamado, a fim de desmamá-lo da amamentação. Ela demonstrou a natureza da mulher para você em termos tão inequívocos que você não deveria ter mais espaço para ilusões sobre o assunto.

A suspensão e a inquisição foi minha oportunidade – um dos elos finais da cadeia. Neste momento, você foi habilitado a pré-parar sua tese, formular sua vontade e fazer o Juramento do Abismo, tornando assim possível (embora apenas parcialmente) manifestar-se. A saída da Candy prepara para a etapa final de sua preparação inicial.

VII. Conclusões

Os numerosos rituais que você realizou resultaram em um corpo de luz bem desenvolvido. As provações expurgaram a maior parte da bagagem emocional e mental – seus únicos perigos reais são, e sempre foram, sentimentalismo, fraqueza e procrastinação.

É interessante notar que a primeira arma que você formulou foi a Lâmpada do Espírito, na invocação ao Pã (embora a Espada tenha sido prefigurada). Em seguida, a Espada no ritual de Hórus, como era apropriado ao seu desenvolvimento intelectual naquela época.

Em seguida, a Taça do vinho de sua vida emocional – o disco de sua falha material. A Espada ainda está por ser manifestada.

Você notará que foi impossível formular verdadeiramente sua vontade com qualquer uma dessas armas – naturalmente – isso só é possível com a varinha. Por outro lado, se você o tivesse feito anteriormente, teria sido desequilibrado pela falta de preparação iniciada. É um procedimento correto e natural; a Verdadeira Vontade não pode ser verdadeiramente formulada até que você seja iniciado em todos os outros planos, e é bom que não faça nenhuma pretensão de fazê-lo. Até esse ponto, tudo o que você pode conhecer da verdadeira vontade é a aspiração ao próximo passo – a experiência posterior. Essa é a glória da Lei de Thelema–FAÇA!

As tensões físicas e emocionais que você sente no momento são resultado da atração do Abismo – sua poesia atual é indicativa. Naturalmente, você não encontra poder em nenhum feitiço, nenhum conforto em nenhum ritual, nenhuma esperança em nenhuma ação. Você é cortado por seu próprio juramento. Nem eu nem qualquer outra pessoa posso ajudá-los neste momento. Há apenas masculinidade, apenas vontade, apenas o vetor de suas próprias tendências, desenvolvido através dos eras do passado. Não digo quanto tempo o Estado vai durar, ou qual será o resultado.

No entanto, posso formular algumas regras que podem servir para orientá-lo.

VIII. Instruções

A. Obras da Vara… da Vontade só neste estado. Nenhuma outra arma deve ser usada, nenhum outro ritual a não ser o hino ao Sem Nome no Hino da Missa.

B. Você deve ser meticuloso em todas as observações relativas à Vontade, mesmo as mais mesquinhas. Cumprir todas as obrigações e promessas, não assumir nada que você não possa cumprir, ser pontual no cumprimento de cada responsabilidade.

C. Seja puro em seus hábitos pessoais e domésticos, demonstre autorrespeito a si mesmo.

D. Não se envolva indevidamente com nenhuma pessoa e pratique toda sua sabedoria arduamente conquistada em suas relações com as mulheres.

E. Coloque seus assuntos pessoais em ordem nos negócios. Mantenha suas contas atualizadas e seus documentos bem arquivados.

F. Termine sua poesia para publicação. Termine a síntese do Tarô e comece a trabalhar na preparação das aulas de instrução em sala de aula de seu livro.

G. Não preste atenção a nenhum fenômeno, e continue de forma sóbria e responsável em todas as circunstâncias.

Não é mágico! Para você, nada é mais mágico. Só assim a maldição de Saturno pode ser superada. Vejo que você odeia desta maneira. Mas é um momento definitivo – foi você que fez o juramento. A escolha sou eu ou Choronzon.

Eu aguardo você na Cidade das Pirâmides.

Belarion

8 = 3


Fonte:

PARSONS, Jack. Analysis by a Master of the Temple. Sacred-Texts, 2017. Disponível em: <https://www.sacred-texts.com/oto/lib49.htm>. Acesso em 11 de março de 2022.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/analise-por-um-mestre-do-templo/

A Lei

Dentro deste mundo de cristãos que nós vivemos nada nos afeta mais do que a lei do fraco , a lei do deus dos fracos. Quando será que estas pessoas vão aprender que deus não vingará nada nem ninguém , a justiça deve ser feita aqui na terra e não em um lugar que nem se tem provas de existência Se alguma pessoa o prejudica essa pessoa e condenada a uma vida de prisão, seus impostos vão o sustentar, o alimentar e o vestir para o resto da sua vida. Se as leis pudessem ser escritas por mim eu deixaria que a família da vítima fosse o juiz e ela sim poderia decidir qual seria e como seria aplicado o castigo . Eu digo que se alguma pessoa é condenado por um crime , essa pessoa deveria perder todos os seus direitos legais e deveria ser castigada com seu próprio remédio. Se a lei continuar protegendo o elemento criminal ,a única coisa que ira conseguir e o aumento de mais e mais crimes ,.Porque é que alguém que matou três pessoas deveram ser presos essa pessoa não merece a vida, os direitos humanos, foram feitos para humanos, e esse tipo de elemento não deveria mais ser tratado como tal.

Quando vamos aprender que a lei de ” talião ” é a única lei real e justa , um estuprador deveria ser estuprado, um ladrão deveria ter todos os seus bens confiscados, é assim que deve ser. Estes simpatizantes do cristianismo deveriam sentir como e perder alguém da família, pelas mãos de um marginal. Se alguém me pergunta o que eu penso da lei que eu responderia somente com três palavras :

” Execute os Bastardos “

Por Frederick Nagash

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-lei/

Aceitação da Sombra e Felicidade Pessoal

O caráter antagônico da Natureza é descrito pela literatura, pela psicologia e pela filosofia.

 

Foi Heráclito quem primeiro descreveu a função reguladora dos contrários, mostrando que, em algum momento, as coisas correm em direção ao seu contrário.

 

Foi seguindo os caminhos da Natureza que Jung descreveu este mesmo jogo antagônico na psique humana.

 

Demonstrou a inclinação natural da psique de convergir na direção a um Centro – para o Si-mesmo.

 

Jung chama a atenção para o perigo de haver identificação com um dos pólos, o que resultaria em doença psíquica. A unilateralidade romperia a tensão necessária para manter o equilíbrio e a saúde psíquica.

 

O oposto da atitude consciente é a sombra, que, ao ser reprimida, faz pressão para se manifestar. Daí a necessidade de se procurar conectar a força oposta da

consciência.

 

Como acredita Jung, “é no oposto que se acende a chama da vida”.

 

Jung alerta que o confronto com os opostos, e a sua integração, é fundamental para o processo de individuação, para se alcançar a Totalidade, para que o homem

se torne um ser, não perfeito, mas mais feliz.

 

Totalidade inclui reconhecer e aceitar em si, as qualidades que estão em oposição “ao ideal do ego”, as qualidades opostas aos valores culturais e

morais.

 

A integração dos opostos é um processo que começa pelo reconhecimento da sombra, ou seja, da parte da personalidade que contém os aspectos primitivos,

reprimidos, inadequados aos padrões estéticos e morais de uma cultura.

 

Tomar consciência da sua sombra é condição “sine qua non” para o indivíduo começar o caminho rumo ao auto-conhecimento, rumo à consciência.

 

O homem que não conhece sua face sombria, é um homem que só conhece uma face de “sua moeda”, é um ser unilateral, falsamente iludido sobre sua natureza humana,

e, por isso, presa fácil do mal, adepto do recurso de projetar no outro, no mundo, as qualidades que não reconhece em si.

 

Do ponto de vista conceitual, é Freud quem faz a análise mais profunda da divisão entre o lado luz e o lado sombra da psique humana. Mas é Jung quem dá à

sombra uma abordagem mais ampliada.

 

A cisão entre o lado luz – o Bem – e o lado sombra – o Mal – é evidente e absoluta na tradição judaico cristã.

 

Originalmente, a tradição cristã reconhecia os opostos que o homem traz em si, conforme as palavras de São Paulo: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não

quero”.

 

Essas palavras, revestidas de conhecimento de psicologia humana, revelam que São Paulo sabia que possuía a sombra, e o fato de ter esse conhecimento é que o

mantinha íntegro.

 

Segundo Jung, Criador e criatura deveriam ser uma toalidade, mas devido à cisão perpetuada pelo Cristianismo, surgiu o mundo de luz e o mundo de trevas.

 

O Taoísmo afirma que tudo é criado pela integração dos opostos ( yin-yang ) que representam a luz e a sombra, o positivo e o negativo, o bem e o mal.

 

Estes pares de opostos são pares complementares da Natureza que nunca podem ser separados. São princípios do Universo e toda a Criação está sujeita a este

contraponto.

 

A sombra não é basicamente má. Há grande energia e potencial na porção reprimida. Esta energia precisa ser conectada e amalgamada à personalidade, e

não unilateralizada. Porque, tanto para o bem como para o mal, não se deve sucumbir a nenhum dos opostos.

 

A noção de bem e mal é relativa e fruto de julgamento de valor, portanto subjetiva e passível de contaminação da sombra pessoal.

 

Sendo assim, o ponto de referência não está nos polos, mas sim, no meio, no equilíbrio.

 

Se um dia a paz for alcançada, seus promotores não estarão entre as pessoas “que se fizeram santas”, mas entre as pessoas que aceitaram sua natureza pecadora com humildade.

 

A busca da santidade é nefasta também, porque, ao se identificar unilateralmente com sua parte boa, o indivíduo joga-a contra a sua parte oposta.

 

Sendo um arquétipo, a sombra tem conteúdos afetivos poderosos, com capacidade de autonomia, obsessão e possessividade que lhe dão capacidade de ascendência sobre a estrutura do ego.

 

A sombra representa o arquétipo do bode expiatório, do ‘outro”, sobre o qual é lançada toda a culpa, toda a maldade do indivíduo que ele não reconhece como

sua.

 

Através do recurso do bode expiatório, o homem nega sua sombra. O bode expiatório presta um serviço ao seu acusador, na medida em que ele carrega para

esse, o fardo de sua sombra feia, inadequada ao “padrão de beleza” que o ego idealiza.

 

A sombra reprimida e relegada ao inconsciente, torna-se um potencial de energia, energia essa que vem a tona sob a forma de projeção.

 

Na projeção a relação com o mundo externo é uma relação revestida de ilusão.

 

O meio ambiente ganha a configuração que a sombra lhe dá: a maldade, a feiúra que o homem não admite como sua, é lançada no ambiente, no outro.

 

A metade bonita, perfeita, ele abraça como sua, o que resulta num ser dividido, de ego inflado, pretensamente bom.

 

Um dos prejuízos que a projeção traz é que a pessoa reage ao ódio e violência “que-lhe mandam” com mais ódio e violência e o círculo vicioso se forma. A

projeção faz surgir, literalmente, no outro e no ambiente, as situações que o indivíduo projeta.

 

O perdão aos outros é um modo de dizer que já nos aceitamos integralmente, com nossa sombra. O perdão é a própria aceitação da vida como ela é.

 

Auto perdão, a indulgencia é o sacudir da poeira, é a renovação da auto estima e da alegria de viver, é o caminho da integridade e da felicidade.

Angela M. Monnerat

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/aceitacao-da-sombra-e-felicidade-pessoal/

A Mulher, o Divino e a Criação

Desde tempos imemoriais que os nossos antepassados nos deixaram imagens (sagradas?) das formas femininas. Na arte e nos artefactos do Paleolítico e Neolítico que representam os mais primitivos impulsos da génese do mito humano, estas imagens indicam uma profunda tomada de consciência do elemento criador do ser feminino. Aquando do aparecimento dos mitos de criação em inúmeras civilizações, o princípio feminino aparece como criador do mundo e do homem.

Até meados do século XX o interesse pelo papel desempenhado pelas deusas nas mitologias era ligeiro já que o interesse de pesquisa estava orientado para os deuses. Mas, nos meados dos anos 70 há uma mudança de atitude parcialmente inspirada pelo desabrochar dos movimentos feministas. A tomada de consciência do papel desempenhado pela mulher na sociedade expande-se durante esta época e começa a integrar tradições espirituais do Ocidente e do Oriente. A luta pela igualdade do homem e da mulher expandiu-se para além do social, político e económico para entrar na esfera do sagrado. Inúmeros livros e artigos vão revolucionar o modo como as pessoas viam as raízes da sua herança espiritual. Não podemos, no entanto, deixar de mencionar um autor que já no século passado tinha chamado a atenção para a existência de um período da história da humanidade em que os valores morais, jurídicos e políticos eram estruturados em torno da Mulher e da Mãe. Trata-se de J. J. Bachofen. A sua obra intitulada o Matriarcado não foi bem acolhida na época. María del Mar Llinares García [1] diz-nos que “ só quando F. Engels lhe presta atenção ao considerar que confirmava a sua teoria do carácter histórico da família é que a obra se revaloriza e consolida com o desenvolvimento da antropologia e da arqueologia pré-histórica desde os fins do século XIX “. Hoje é uma das obras fundamentais para o estudo do tema; no entanto, alguns especialistas do mito, como J.- P. Vernant e M. Detienne, não o consideram como um dos estudiosos do mito durante o século XIX. É mencionado, no entanto, por J. de Vries mas sem que este valorize a sua obra. Actualmente as obras que mais impacto causaram no grande público na defesa da existência de um princípio de matriarcado, são The Goddesses and Gods of Old Europe, Myths and Cult Images, 6500- 3500 B C de Marija Gimbutas [2] e as publicações de James Mellaart sobre as suas escavações na Anatólia, nomeadamente em Çatal Hüyük e Hacilar. As justificações científicas destes arqueólogos sobre a existência de um culto à Deusa-Mãe na Anatólia e que se teria estendido até à Europa Antiga são bastante convincentes. Quando o livro de Riane Eisler, O Cálice e a Espada [3] surgiu, a sua obra fundamental sobre o tema do matriarcado, para além de outras que já tinha escrito, foi saudada por todos os defensores da existência de um matriarcado na Velha Europa . Os testemunhos da arqueologia, linguística e mitologia indicavam que em muitas culturas da Europa antiga o primeiro impulso das sociedades na esfera do religioso, para além dos sepultamentos, era uma profunda veneração pela Terra, que era Mãe, pois tal como da mulher nasciam os filhos, assim dela Terra brotava vida. Será talvez essa a explicação para o aparecimento no período do Paleolítico e Neolítico de numerosas estatuetas femininas formadas inicialmente a partir de argila e cinza e depois já cozidas no forno, e, estatuetas esculpidas a partir do osso, chifre e marfim ou mesmo na própria rocha. Existe uma grande polémica sobre a intenção original que esteve por detrás destas imagens. Desde serem consideradas como mulheres reais, cânones de beleza ou objectos pornográficos ou eróticos até terem sido usadas para ilustrar o processo do nascimento às mães da época. No entanto, a opinião mais generalizada identifica-as como símbolos da fertilidade. De notar que são representadas sem acompanhante masculino o que pode indicar que os seres humanos da época estavam convencidos de que os homens não tomavam parte na reprodução. Assim, qualquer nascimento seria um exemplo de partenogénese, o que vai dar origem ao culto da Deusa-Mãe. Culto esse que teria englobado a zona circundante do mar Egeu, os Balcãs, a região oriental da Europa Central, o Mediterrâneo Central e a Europa do Ocidente.

Na generalidade da comunidade científica considera-se que as Vénus do paleolítico foram feitas por homens num acto de veneração pelas mulheres enquanto fonte da vida. No entanto, é de assinalar uma opinião diferente: Le Roy Mc Dermott, professor de Arte na Universidade Estadual do Missouri nos Estados Unidos, sugeriu que as distorções características desta figuras (ventres inchados, seios e nádegas volumosas, pernas curtas e pés pequenos) eram devidas ao facto de terem sido esculpidas por mulheres grávidas que representavam o seu próprio corpo. A visão que uma mulher grávida tem do seu corpo, num mundo sem espelhos, assemelha-se porventura a estas estatuetas. Talvez que um dos melhores exemplos seja a Vénus de Lespugne. Se assim tiver acontecido podemos deduzir que a maior parte das esculturas femininas do Paleolítico, e não só, foi feita por mulheres. A aceitação desta teoria vem introduzir um dado novo nas capacidades da mulher da época: também foi artífice.

Estas estatuetas mostram uma consistência de forma e de tema: descrevem a capacidade corpórea da mulher para dar à luz, amamentar, perder sangue e curar-se a ela própria todas as luas. Das muitas estatuetas desta época queremos destacar pela sua carga iconográfica a Vénus de Laussel. Esta estatueta, como muitas outras, apresenta-se com seios pendentes, barriga e triângulo púbico bem marcados. A particularidade que queremos destacar é que esta estatueta segura numa mão um crescente lunar com a forma de um chifre de bisão manchado com ocre vermelho. No chifre foram esculpidos treze entalhes, o que poderá significar que a concepção tem lugar no 14º dia após o período da lua da mulher. Um atributo lunar onde quer que apareça tem sempre o mesmo significado, qualquer que seja o número de sínteses religiosas que tenham colaborado na constituição dessas formas: é o prestígio da fertilidade, da criação periódica, da vida inesgotável. Os chifres de bovídeo que caracterizam as grandes divindades da fecundidade são um emblema da Deusa-Mãe. Onde quer que apareçam nas culturas neolíticas, quer na iconografia quer nos ídolos de forma bovina, eles marcam a presença da deusa da fertilidade. O chifre não é mais do que a imagem da Lua Nova. A lua é fonte de toda a fertilidade e dirige ao mesmo tempo o ciclo menstrual. Através da observação dos seus próprios ciclos e do crescimento sazonal das plantas é natural que as mulheres tivessem sido as primeiras a observar as periodicidades da natureza, e o registo destes ritmos internos e externos poderiam ter servido para formar as mais primitivas raízes da ciência e da religião. Com este conhecimento crescente da vida veio uma relação igualmente intensa com a morte. O homem de Neanderthal e o de Cro-Magnon enterravam os seus mortos cerimonialmente e usavam ocre vermelho para adornar os mortos. O ocre vermelho é representativo das qualidades de afirmação de vida do sangue. As pessoas perdem sangue só enquanto são vivas. Mas as mulheres perdem sangue menstrual e durante o parto. Não há talvez outro período no qual a mulher mostre estar mais ligada ao feminino sagrado do que no acto do parto. É apesar de tudo o processo do nascimento e da morte que sustenta a crença na Deusa-Mãe, já que o nascimento sempre contém a semente da morte. O vermelho do sangue do nascimento é a primeira cor que cada um de nós vê quando presenciamos um parto. O sangue é sagrado e o ocre vermelho simula a energia vital da vida e da renovação. É possível que os primitivos humanos ao cobrir o defunto com ocre vermelho pensassem que o morto pudesse ressurgir numa outra vida.

Para além do simbolismo do sangue a mulher é como vimos intensamente influenciada pela Lua. Enquanto o Sol permanece igual a si próprio, a Lua em contrapartida é um astro que cresce, decresce e desaparece, um astro cuja vida está submetida à lei universal do devir, do nascimento e da morte. Mas esta “morte” é seguida de um renascimento: a Lua Nova. O desaparecimento da Lua na obscuridade nunca é definitivo. Este eterno retorno às suas formas iniciais faz com que a Lua seja por excelência o astro dos ritmos da vida. Tal como a Lua a mulher segue o mesmo ritmo.

Um outro símbolo ligado à mulher e à fertilidade é a serpente. A serpente tem significados múltiplos; de entre eles o mais importante é o da sua regeneração. Como atributo da Grande Deusa a serpente conserva o seu carácter lunar – o da regeneração cíclica. Animal telúrico e ctónico, feminino por excelência, é uma hierofania do sagrado. Sob a forma de Ouroboros, a serpente que morde a cauda, simboliza um ciclo de evolução fechado sobre si próprio. Este símbolo abrange as ideias de continuidade, de autofecundação e em consequência, de eterno retorno. Mas a forma circular da imagem dá lugar a outra interpretação: a união do mundo ctónico figurado pela serpente e do mundo celeste figurado pelo círculo, significa a união de dois princípios opostos – a terra e o céu, a noite e o dia. Todas as grandes deusas da natureza que se revêem no Cristianismo sob a forma de Maria têm, como dissemos, a serpente como atributo. Mas se há figura da Deusa-Mãe que mais se possa aproximar a Maria é Ísis, que embora sendo “ Senhora do Ocidente “ ( o que significa Senhora no mundo dos mortos, onde assiste a Osíris ) é também uma deusa solar que ilumina as Duas Terras com os seus raios, enviando a luz a todos os homens. Ísis sustenta sobre a fronte a cobra real, uraeus de ouro puro, símbolo de soberania, de conhecimento, de vida e de Juventude Divina.

A árvore é outro dos símbolos que está ligado à mulher na iconografia e mitologias arcaicas porque a árvore é fonte inesgotável de fertilidade, dá frutos e regenera-se periodicamente. A epifania de uma divindade numa árvore é corrente e podemos assinalá-la nas civilizações hindu, mesopotâmica, egípcia e egeia. Na iconografia egípcia, por exemplo, encontrámos o motivo da Árvore da Vida de onde saem os braços divinos carregados de dons e despejando com um vaso a água da vida. Na parede do túmulo de Tutmósis III em Tebas vemos o faraó a receber a seiva da árvore directamente de um ramo. Inúmeros exemplos poderiam ser dados, comprovativos de que as árvores foram desde há muito sagradas para a Deusa e são uma epifania dela própria.

A água é um outro símbolo da vida, um dos mais importantes. Segundo Mircea Eliade “ Na cosmogonia , no mito, no ritual, na iconografia, as águas desempenham a mesma função, qualquer que seja a estrutura dos conjuntos culturais nos quais se encontram: elas precedem qualquer forma e suportam qualquer criação “ [4]. Justifica-se plenamente a ideia do autor se nos debruçarmos sobre a cosmogonia egípcia. A criação do mundo, por quem e como foi criado era matéria de constante interesse para os Egípcios. Os mais antigos textos religiosos conhecidos reflectem uma amálgama de cosmogonias locais elaboradas provavelmente nos tempos pré-históricos mas que se vão diferenciar nos tempos históricos. Todas, no entanto, estão de acordo ao afirmar que o mundo não é obra de um demiurgo atemporal. Segundo os Egípcios no princípio era o Caos e o Demiurgo encontrava-se diluído no Caos onde jazia inerte, como que privado de existência.Todos os sistemas religiosos concebem o Caos como um Oceano primordial que contém todos os gérmens e todas as possibilidades da Criação. Esta água é o Nun o “ pai dos deuses “. O Demiurgo aparece mais tarde na superfície das águas e adopta aspectos diferentes em cada sistema cosmogónico. A importância das águas primordiais era tão grande para os Egípcios que todos os templos possuíam lagos sagrados que simbolizavam as águas primordiais, origem de toda a Criação (…).

O desaparecimento do culto da Deusa na Europa foi ocasionado segundo os defensores do princípio do matriarcado pela vaga de indo-europeus,os Kurgan, que se estenderam por vagas sucessivas desde as estepes asiáticas e destruíram as pacíficas civilizações da Europa Antiga e as assimilaram. Portadores de armas, domesticadores do cavalo, exaltavam os deuses guerreiros e heróicos. Os seus deuses principais eram uranianos: o deus da tempestade ( cujos emblemas eram o raio e o trovão,o machado, a maça e o arco ) e o deus solar, o deus do sol que empunhava a adaga e a espada e em algumas ocasiões apresentava-se com um carro. Gerda Lerner [5] relaciona a subordinação das mulheres e a degradação da Deusa com as mudanças políticas ocorridas no III milénio quando uma sociedade baseada nos vínculos do parentesco deu lugar ao estado arcaico. Como resultado desta transformação sociopolítica, a figura da Deusa foi suplantada por um panteão de deuses e deusas. Lerner chama também a atenção para uma alteração do simbolismo. A simbologia para aludir às potências da criação passou da “ vulva da Deusa à semente do Varão “ [6]. Por outro lado, a árvore da vida símbolo da capacidade criativa da natureza foi suplantada pela árvore do conhecimento.

Sem pretender fazer uma análise sóciopsicológica das populações do Paleolítico e do Mesolítico, idades que precedem a organização da vida sedentária, podem graças à arqueologia e ao estudo dos mitos fundamentais retirar-se hipóteses a propósito desta mudança de tendência. É praticamente tido como certo que os primeiros humanos ignoravam o papel exacto do homem na procriação. Os homens mantinham uma atitude ambígua face às mulheres, aparentemente mais fracas do que eles mas capazes de dar misteriosamente a vida. Daí um profundo respeito para não dizer veneração e ao mesmo tempo uma espécie de terror perante os poderes incompreensíveis, senão mágicos ou divinos. É infinitamente provável que a humanidade primitiva tenha considerado a divindade, qualquer que ela fosse, como de natureza feminina. Tudo mudou quando o homem compreendeu a sua participação no acto sexual como condição necessária à procriação. Isto deve ter-se passado nas épocas da sedentarização quando as técnicas rudimentares da agricultura se sucederam à recolecção e à caça de animais selvagens. É preciso ter em conta no entanto, que esta alteração não se efectuou rapidamente porque os costumes ancestrais são tenazes e não se modificam senão lentamente na mentalidade colectiva. Com a domesticação dos animais e o desenvolvimento dos rebanhos, a função do homem no processo de criação tornou-se mais evidente e compreendeu-se melhor. Em consequência desta situação encontramos a Deusa-Mãe acompanhada de um ser masculino, um filho ou um irmão que a acompanha nos ritos da fertilidade e com os quais se une. Nos mitos e ritos trata-se de um deus jovem que há-de morrer para logo renascer. No entanto, é a Grande Deusa quem cria a vida e governa a morte, mas agora reconhece-se muito melhor a participação masculina na procriação. As núpcias sagradas ( hierogamias ) e outros ritos similares festejados durante o quarto e terceiro milénios expressavam estas crenças. Até que a deusa se tivesse unido ao jovem deus e houvesse tido lugar a morte e o renascimento deste, não podia recomeçar o ciclo anual das estações. A sexualidade da Deusa é sagrada.

A grande mudança seguinte aparece simultaneamente com o nascimento dos estados arcaicos sob reis poderosos. Nos começos do terceiro milénio a figura da Deusa-Mãe é deposta da sua liderança no panteão divino. Cede lugar a um deus masculino. No panteão Sumério a deusa da terra Ki e o deus do céu An presidem aos outros deuses. Da sua união nascerá o deus do ar Enlil. Por volta de 2400 os principais deuses sumérios aparecem enumerados da seguinte forma: An (ceú), Enlil (ar), Ninhursag ( rainha das montanhas ), Enki ( senhor da terra ). A deusa da terra Ki está agora afastada e em textos mais tardios aparece mencionada em último lugar depois de Enki. Nammu, a Deusa-Mãe dos Sumérios que deu nascimento ao céu e à terra e foi criadora da humanidade desaparece do panteão. Na Mesopotâmia assistimos à mesma situação. O Enuma Elis conta-nos que a deusa primordial é Tiamat, o mar. Às vezes tranquila às vezes caprichosa. É a natureza primordial indiferenciada que possui nela toda a força e o poder do que é selvagem. Tem por esposo Apsu, o deus das águas doces sobre as quais repousa o mundo. De ambos nascerão os deuses que compõem o panteão mesopotâmico. O Enuma Elis narra toda a história da luta entre os deuses da primeira geração com os da geração seguinte que culmina com a destruição de Tiamat por Marduk ( filho de Damkina, senhora da terra e de Enki/ Ea ) um deus de uma nova geração que representa a vida, a civilização e o progresso, enquanto que os deuses primitivos são conotados com o caos, a natureza desorganizada, a força bruta sem inteligência. É acompanhando talvez a par e passo a evolução da importância dos deuses sumérios, acádicos e a formação final do panteão mesopotâmico que verificámos como a deusa primordial foi perdendo lentamente a sua importância até desaparecer do panteão. É o caso da Nammu suméria de que se perdeu a memória, da Tiamat mesopotâmica que foi transformada num monstro, numa serpente que é necessário abater porque representa as forças do caos, tal como é preciso que seja abatido o Yam ugarítco que será derrotado por Baal, outro deus das novas gerações que se transformou em deus principal, deus da tempestade e do trovão, deus fertilizador dador de vida. Não esqueçamos também Leviatã, a serpente, que Javé tenta destruir como lemos em Isaías 27,1 “ Naquele dia o Senhor ferirá com a sua espada pesada temperada e forte a Leviatã, a serpente tortuosa e matará o monstro do mar “

A Deusa é, já no período histórico, personificada com o mal que é preciso destruir. O episódio do pecado original no Génesis pode, como sabemos, revestir-se de vários significados. A serpente do Génesis é a representação da tentação, do mal. Eva cometeu a falta sob a influência da serpente. Mas a serpente é um símbolo da Deusa assim como a arvore se identifica com a deusa. André Smet [7] diz-nos que Eva transgride a proibição patriarcal que é representada por Javé: “ O pecado original da Bíblia pode ser considerado como o primeiro acto desta longa luta de Deus Pai contra a Deusa-Mãe. Esta primeira queda, que será seguida de muitas outras, será como todas as outras severamente punida pelo Deus Pai. A inimizade é lançada entre a serpente e a mulher o que significa que a mulher não terá mais o direito de honrar a deusa e de lhe obedecer mas antes deverá lutar contra ela “. Javé pune também a mulher precisamente naquilo que fazia a sua glória: a gravidez e a maternidade, quando lhe diz “ Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez, os teus filhos hão-de nascer entre dores “ . E em seguida “ procurarás com paixão a quem serás sujeita, o teu marido “. Em vez de suscitar o desejo dos homens, símbolo do culto sexual rendido à Deusa, a mulher é a eles subjugada. E por fim Javé ordena “ maldita seja a terra por tua causa “ [8].

Há quem veja nesta atitude uma mudança radical na história das mentalidades. É uma outra civilização que começa onde a predominância será do homem, enquanto que até aqui pertenceu primeiro à mulher, em seguida foi partilhada por ambos e agora o poder cabe exclusivamente ao homem. Mas a atitude de Adão não deixa de ser curiosa ao pôr o nome de Eva à sua mulher porque ela iria ser a Mãe de todos os homens. Significará esta uma maneira oculta de homenagear a Deusa -Mãe através de Eva?

Não temos documentos relativos à passagem da religião da Deusa da Europa antiga para a religião grega. No entanto, alguns investigadores vêem na trilogia de Ésquilo, Oresteia uma recordação da época em que a sexualidade feminina era objecto de veneração: Orestes é julgado pela acusação de matricídio. Defendiam-no Apolo e os outros deuses celestes gregos. Contra eles pronunciavam-se as Fúrias ou Erínias, antigas deusas relacionadas com a terra. Orestes tinha matado a mãe por esta ter assassinado o seu pai, Agamémnon, pelo facto de este ter sacrificado a filha com o objectivo de assegurar a vitória na batalha. As fúrias discutem com Apolo, mas este baseia-se em considerações nas quais a mãe não é a verdadeira progenitora do filho, porque é a semente do pai a portadora da energia geradora de vida, a que produz nova vida ao ser colocado no seio da mãe. A força geradora está na sexualidade masculina, não na feminina, segundo Apolo.

A teoria dos filósofos pré-socráticos Empédocles, Anaxágoras e Demócrito afirmava a existência das sementes masculina e feminina, mas as suas ideias foram repelidas por Aristóteles. Aristóteles tentou dar uma base científica acerca da potencialidade da sexualidade masculina e da possibilidade das funções sexuais femininas em dois tratados: Espécie dos animais e As partes dos animais. Em síntese diz-nos que “ Masculino é o que possui a capacidade de condensar, tornar mais denso, fazer que tome forma e descarregar o sémen, que possui o princípio da forma. Feminino é o que recebe o sémen, mas é incapaz de fazer que tome forma ou de descarregá-lo (…) . O sémen contém em si mesmo o princípio da actividade e da organização efectiva para a organização do embrião. Posto que o sémen masculino era portador da capacidade de gerar, procriar, o ovo feminino não podia ter esse mesmo poder “. A ideologia grega acerca da sexualidade em termos de princípio activo e passivo terminou por impor-se até ao século XVIII.

Mas Hesíodo na Teogonia dizia: “ Primeiro de tudo foi o Caos, depois a Terra, de amplo seio, sólida e eterna morada de todos os seres, e Eros o mais formoso dos deuses imortais ( …). Do Caos nascem as Trevas e a Noite negra, e da Noite nascem a Luz e o Dia , filhos seus concebidos depois da sua união amorosa com as Trevas. A Terra criou primeiro o Céu estrelado, tão grande como ela, para a envolver por todos os lados. Depois criou as altas montanhas, moradas agradáveis dos deuses, e deu também o ser às águas estéreis, o mar com as suas altas ondas, tudo isto sem paixão amorosa “ . Já no mito platónico da criação, a passividade feminina é um facto: “ A mãe e receptáculo de todas as coisas criadas e visíveis e de algum modo sensíveis não há-de ser chamada terra ou ar ou fogo ou água ou qualquer dos seus compostos, senão que é um ser invisível e informe que recebe todas as coisas e de algum modo misterioso participa do inteligível e é absolutamente incompreensível.” Podemos referir que quanto mais se caminha à frente no tempo mais se desvanece a importância da mulher.

Ao atravessarmos toda a história da Europa e do Próximo Oriente Antigo desde a Idade do Bronze até aos nossos dias verificámos que a mulher perdeu muito da dignidade que possuiu. O Cristianismo tentou suavizar a imagem da mulher com o culto de Maria. No entanto, o inconsciente colectivo da comunidade cristã via em Maria, Mãe de Deus, a Mãe Universal, a Mãe de todos nós. Não podemos deixar de referir que foi devido à grande pressão popular desde os primeiros séculos do Cristianismo que a Igreja proclamou Maria, no Concílio de Éfeso em 431, Theotokos. Mas só em 1854 foi proclamado o Dogma da Imaculada Conceição, após séculos de divergências no seio da Igreja principalmente entre franciscanos e dominicanos. Finalmente Pio XII, em 1950, proclamou o Dogma da Assunção.

O modelo mítico de Maria, Mãe de um deus encarnado que morreu pela salvação da humanidade e ressuscitou ao terceiro dia perpassa por inúmeras Deusas-Mãe da Antiguidade. Mas, Maria não é a Grande Deusa das religiões que precederam o Cristianismo, a Grande Deusa dadora da vida e da morte, a deusa da terra, a deusa das forças telúricas. A Virgem Maria é a Deusa dos Céus que sendo Virgem deu à luz o filho de Deus. Tiepolo entre 1767-69 pintou a Imaculada Conceição. Inspirando-se em Apocalipse 12,1 representou-a rodeada de querubins, de pé sobre o Quarto Crescente da Lua, pisando uma serpente dragão que tem na boca um fruto. A serpente é trespassada na cauda por um lírio símbolo da pureza de Maria. Por cima da sua cabeça paira uma pomba, símbolo do Espírito Santo que lhe concedeu o dom da concepção. Esta iconografia é totalmente reveladora da distinção entre a Deusa- Mãe da Terra e da Deusa -Mãe dos Céus.

De tudo o que foi dito concluímos que a Criação seja do mundo ou do homem está intrínseca e profundamente ligada ao princípio feminino e à mulher. A investigação científica diz-nos que a origem da vida na terra surgiu nas águas primordiais. A Ciência hoje, com todo o seu avanço científico e tecnológico quer na fertilização in uitro quer no processo de clonagem não conseguiu substituto do suporte feminino. Nós continuamos a nascer de uma mulher. E, até Deus, para se tornar humano precisou de um corpo de Mulher.

[1] Introdução à publicação em língua castelhana por María del Mar Llinares García, da obra de J.J. Bachofen, El Matriarcado , Ediciones Akal, 2ª edición, Madrid, 1992, p. 6.

[2] GIMBUTAS, M. The Goddesses and Gods of Old Europe, Myths and Cult Images , 6500- 3500 B. C. Thames and Hudson Ltd, London, 1996.

[3] EISLER, R. O Cálice e a Espada, Colecção Diversos Universos, Via Optima, Porto, 1998.

[4] ELIADE, M. Tratado da História das Religiões, Edições ASA, Porto, 1992, p.244.

[5] LERNER, G. The Creation of Patriarchy, Oxford University Press, Inc., New York, 1986.

[6] Idem, p. 146.

[7] SEMET, A. La grande Deésse n´est pas mort, Paris 1983, p.81.

[8] Gn 3, 14-18.

Ana Maria Mendes Moreira

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-mulher-o-divino-e-a-criacao/

Bispados errantes: nem todos os caminhos levam a Roma

por Stephan A. Hoeller
(Gnosis: A Journal of Western Inner Traditions, Vol. 12, 1989)

O BISPADO é tão antigo quanto o próprio cristianismo. Já na década de 90 d.C., São Clemente de Roma, em uma carta dirigida à comunidade feudal de Corinto, lembrava seus companheiros cristãos que os apóstolos haviam nomeado e ungido os bispos como seus sucessores válidos, e que seria contra a vontade de Deus para o povo substituí-los. No início da cristandade, homens (e, ao que parece, mulheres) chamados episkopoi receberam autoridade de seus predecessores pela imposição de mãos para exercer a plenitude do poder espiritual concedido por Jesus a seus apóstolos. Os bispos então delegavam funções especiais, como ensinar, perdoar pecados, curar e aconselhar os ministros que atuavam como seus auxiliares. O ofício de bispo é, portanto, mais antigo do que o de sacerdote, diácono ou outras ordens eclesiásticas menores, todas estabelecidas no segundo século DC, consideravelmente mais tarde do que a ordem apostólica do bispado.

Os apóstolos e seus sucessores funcionavam de duas maneiras: alguns estavam permanentemente ligados a uma determinada cidade e área geográfica onde cuidavam do bem-estar espiritual de uma comunidade de cristãos, enquanto outros, inspirados pelas palavras de seu fundador, mandando-os ensinar todos os povos e nações, viajaram para terras distantes espalhando a mensagem de sua fé. Esses líderes vagaram longe do berço do cristianismo no Oriente Médio, penetrando até mesmo em países remotos como a Índia, como fez o apóstolo Tomé. Estes apóstolos de Jesus, como Tomé, Bartolomeu e André, que não permaneceram em residências fixas cuidando de uma comunidade estabelecida, podem assim ser considerados os primeiros bispos viajantes ou “errantes”.

Mais tarde, outras categorias de bispos errantes entraram em cena. O imperador Constantino estabeleceu o cristianismo como a religião estatal de seu reino e passou a impor uma unidade artificial nas comunidades cristãs. Antes dessa época, havia uma forte orientação pluralista de tais comunidades e de seus líderes. Reconhecendo uma devoção comum a Cristo e seus ensinamentos, eles diferiam amplamente em doutrina e prática. Com Constantino as condições mudaram; a “ortodoxia” foi declarada como obrigatória para todos. Aqueles que não se conformavam eram obrigados a deixar a comunidade e muitas vezes seus locais de residência. Tornaram-se andarilhos. Gnósticos, arianos, nestorianos, monofisitas e outros líderes cristãos não conformistas tornaram-se bispos errantes. Uma nova tendência foi criada. Aqueles que concordaram com imperador e bispo eram autorizados a permanecer no cargo e desfrutar do apoio do estado, enquanto aqueles que discordaram eram convidados a partir e se tornaram andarilhos. No entanto, esses andarilhos não iam sem seguidores, pois clérigos e congregantes dissidentes e parentes se reuniam onde quer que fossem, muitas vezes impelindo as autoridades ortodoxas a atos de perseguição. O resto da história é familiar e triste para todos.

Desde os primeiros tempos, a transmissão da autoridade apostólica existiu fora da corrente principal das igrejas de Roma, Constantinopla, Antioquia e outras. Muitas dessas transmissões foram condenadas por seus “irmãos mais velhos” como heréticas. Curiosamente, a validade de suas ordens apostólicas foi sempre reconhecida por seus críticos. Devido a uma tradição primitiva, articulada mas não inventada por Santo Agostinho, a ortodoxia e validade da sucessão apostólica não eram consideradas a mesma coisa. Mesmo os bispos considerados hereges, podem exercer seu ofício como administradores dos sacramentos de maneira válida. Esta doutrina (conhecida como a doutrina agostiniana das ordens) é mantida até hoje pela Igreja Católica Romana. Desde que os “errantes” mantivessem as mesmas intenções ao ordenar seus sucessores que as tradicionalmente mantidas pela cristandade sacramental ao longo dos tempos, eles poderiam transmitir seus poderes sagrados e administrar os sacramentos de uma maneira que os papas reconheceriam como válidas. Esse é o caráter e o status dos chamados bispos errantes tal como existem hoje.

O Episcopado Errante Moderno

Bispos errantes existiram ao longo da história. Na Idade Média, os bispos locais frequentemente reclamavam com o papa sobre os prelados itinerantes que se deslocavam pelo campo desempenhando funções reservadas aos bispos, como confirmar jovens e ordenar padres e diáconos. Nos tempos modernos, após a Reforma, tais atividades às vezes se tornaram as responsáveis por fazer grandes comunidades se afastarem da Igreja de Roma. Uma desses casos célebres envolveu o bispo francês Varlet, que, viajando pela Holanda, começou a ministrar a um grupo isolado dentro da minoria católica que permanecia naquela terra calvinista. O bispo Varlet foi finalmente persuadido a conceder o episcopado ao líder desse grupo de católicos holandeses e, em 1724, nasceu a Antiga Igreja Católica Holandesa. Esta comunidade fiel e devota manteve sua identidade como uma igreja católica separada de Roma, mas ainda assim foi relutantemente reconhecida como um corpo católico válido pelo papa, e ainda mantém esse status até hoje. Nos registros do último concílio da Igreja Católica Romana (conhecido como Vaticano II), a pequena Igreja Católica Antiga da Holanda está listada no topo da lista de observadores, muito à frente de grandes corpos protestantes como as igrejas anglicanas ou presbiterianas. , devido a esta sua validade inquestionável.

Consagração do Bispo J.I. Wedgwood (segundo da esquerda), fevereiro de 1916, Londres.

Outro lugar onde abundavam os bispos errantes era o antigo território missionário cristão do sul da Índia, onde, segundo a tradição local, o maior e mais vigoroso de todos os bispos errantes, o apóstolo Tomé, jaz em um túmulo não muito longe da cidade de Madras. Os cristãos de São Tomás, originalmente brâmanes da costa do Malabar, continuaram por séculos como uma série de comunidades ferozmente independentes, sempre afirmando seus direitos contra papas e patriarcas que reivindicavam jurisdição sobre eles. E assim aconteceu que os obstinados velhos católicos holandeses e os facciosos cristãos do sul da Índia tornaram-se os progenitores não premeditados de bispos independentes ou errantes, que agora são contados aos milhares e estão espalhados por todos os continentes do globo. Os iniciadores dessa proliferação sem precedentes foram dois padres, um inglês e outro franco-americano, que, no final do século XIX e início do século XX, receberam a consagração das mãos de representantes dos bispos católicos holandeses e do sul da Índia.

Eles foram Arnold Harris Matthew (1852-1919) e Joseph René Vilatte (1854-1929) respectivamente. Mateus tornou-se o principal prelado da Antiga Igreja Católica na Grã-Bretanha, enquanto Vilatte trouxe o fluxo da sucessão originalmente  igreja síria do sul da Índia para os Estados Unidos. Não vinculados às regras e restrições tradicionais em relação às consagrações de outros bispos, esses dois prelados autônomos passaram a impor suas mãos ungidas sobre um bom número de homens em ambos os lados do Atlântico, e assim iniciaram uma nova era na história da peregrinação.

A Entrada na Conexão Oculta

Em 1913, o líder envelhecido e rabugento do ramo inglês bastante malsucedido do antigo catolicismo holandês, Matthew, recebeu um visitante. O homem de trinta anos, bonito, culto e entusiasmado que bateu à porta do bispo Matthew era James Wedgwood, descendente da famosa família da porcelana inglesa Wedgwood. Ele era um teosofista, um ávido seguidor do sistema espiritual neognóstico divulgado desde 1875 pela nobre e prolífica escritora russa H.P. Blavatsky. Outros teosofistas (e muitos de seus homólogos da Nova Era de hoje), Wedgwood valorizavam as tradições espirituais ao contrário do Ocidente, como a magia cerimonial, a maçonaria esotérica e o mistério e a magia sagrada dos sacramentos cristãos. Wedgwood juntou-se ao pequeno movimento católico antigo na Inglaterra e, depois de algum tempo e vicissitudes, tornou-se bispo em 1916. Muitos de seus colegas teosofistas também se sentiram atraídos pela majestosa beleza e misticismo da missa e dos outros sacramentos administrados por Wedgwood e seus associados. Entre estes estava o “grande velho” leonino da Sociedade Teosófica, o notável professor, escritor e clarividente, Charles Webster Leadbeater. Logo Wedgwood e Leadbeater se estabeleceram na Austrália para um período prolongado de planejamento e trabalho. O resultado foi um novo corpo eclesiástico possuindo sua liturgia, filosofia e costumes distintos. Ela veio a ser chamada de Igreja Católica Liberal, e com ela nasceu um novo misticismo oculto que teria influência e consequências muito superiores à força numérica da nova igreja ou mesmo de sua aliada mais antiga, a Sociedade Teosófica.

Bispo James Ingall Wedgwood.

Dizer que poderia haver um catolicismo oculto não é tão absurdo quanto alguns podem pensar. A história está repleta de prelados, padres e freiras da Igreja Católica que eram ocultistas dedicados e habilidosos. Cabala, hermetismo, astrologia e magia foram todos patrocinados por numerosos papas e defendidos por clérigos. (Dependendo das pessoas envolvidas, bem como do período histórico, os praticantes dessas mesmas disciplinas também foram às vezes queimados na fogueira pela Inquisição); apesar de seu conflito frequente, estes grupos pertencem um ao outro e dependem um do outro de muitas maneiras. O maior afastamento do catolicismo de seu gêmeo esotérico sombrio ocorreu após o Iluminismo, quando considerações racionalistas fizeram incursões na Igreja. Ainda hoje, pode-se descobrir que pessoas de interesses gnósticos-herméticos têm mais em comum com os católicos tradicionalistas do que com os católicos modernistas do Vaticano II ou com os protestantes. Sem articular esses pensamentos conscientemente, os católicos teosóficos do tipo de Wedgwood e Leadbeater parecem ter intuído essas relações e compatibilidades arquetípicas entre o catolicismo e ocultismo básico. Com essas intuições, eles podem ter se tornado pioneiros de uma abordagem ao cristianismo sacramental que tem uma implicações significativas para o futuro da religião ocidental.

Uma nova visão mágica do poder sacramental

O campeão-em-chefe do catolicismo oculto foi, sem dúvida, C.W. Leadbeater. Um ex-padre anglicano que deixou a igreja, a família e o país para seguir Madame Blavatsky na Índia e no mundo da teosofia no final do século XIX, ele permaneceu uma figura misteriosa e convincente até sua morte no final da década de 1930. Totalmente dedicado aos ensinamentos da teosofia, Leadbeater estava, no entanto, ciente de que a magia dos sacramentos cristãos ainda era muito necessária para a humanidade contemporânea. Já em abril de 1917, ele escreveu em The Theosophist:

“Quando o grande Instrutor do Mundo esteve pela última vez na terra, Ele fez um arranjo especial com o que podemos entender como um compartimento de um reservatório de poder espiritual disponível para o uso da nova religião que ele fundou, e que seus oficiais deveriam ser autorizados, pelo uso de certas cerimônias, palavras e sinais de poder, para aproveitá-lo para o benefício espiritual de seu povo.”

Bispo Charles W. Leadbeater

O bispo Leadbeater sentiu que, por meio de suas faculdades extra-sensoriais, ele era capaz de descrever com alguma precisão o mecanismo pelo qual os sacramentos eram capazes de funcionar efetivamente. Em obras como The Science of the Sacraments, The Inner Side of Christian Festivals, e seu recente e postumamente publicado “The Christian Gnosis”, ele deixou um legado impressionante em que demonstrou para a satisfação de muitos que a Missa e outros sacramentos da fé apostólica cristã é capaz de auxiliar o bem-estar espiritual e o crescimento transformador das pessoas em nossa época, bem como no passado. A pequena, mas disciplinada igreja que Leadbeater e Wedgwood fundaram ainda existe nos cinco continentes, em países como Holanda, Austrália e Nova Zelândia, e possui numerosos edifícios impressionantes com grandes congregações. Um sério golpe foi dado à Igreja Católica Liberal, no entanto, na década de 1930, quando Jiddu Krishnamurti, que foi anunciado pelos principais teosofistas como o veículo do Mestre do Mundo (Cristo), abandonou a causa de seu messianismo e criticou todos os ritos e cerimônias com particular veemência.

Leadbeater e seu novo tipo de catolicismo oculto atuaram como influências seminais para muitos dos bispos errantes que o seguiram e que frequentemente funcionavam fora do corpo eclesiástico formal fundado pelos bispos teosóficos. Um desses clérigos foi Lowell Paul Wadle, principal representante nos Estados Unidos das sucessões trazidas a este continente pelo errante francês Vilatte. O bispo Wadle era um teosofista e um conferencista popular em círculos de espiritualidade alternativa, particularmente na Califórnia. Um homem encantador e gentil, sua influência sobre o catolicismo oculto talvez tenha ficado atrás apenas de Leadbeater. Mantendo-se em sua igreja primorosamente decorada de St Francis em Laguna Beach, Califórnia, ele era um homem a quem clérigos e leigos de muitas denominações procuravam por conselho e companhia.

Não é exagero dizer que a visão ocultista e teosófica introduzida no culto sacramental da igreja por esses pioneiros teve implicações de maior alcance e exerceu uma influência maior que é discernível superficialmente. Numerosas pessoas criativas ficaram profundamente impressionadas com a possibilidade de uma separação efetiva dos sacramentos do peso do dogma e da moralização ultrapassada com a qual as igrejas dominantes inevitavelmente tenderam a combiná-los. Uma pessoa podia agora participar dos benefícios da graça sacramental sem ser forçada a sistemas de crença e comando que pudessem ser contrários às suas convicções mais profundas. Mais de meio século antes, tendências teológicas liberais e permissivas fizeram incursões nos principais bastiões da cristandade sacramental; uma abertura foi assim criada para a liberdade, criatividade e, mais importante, para tipos não convencionais de pensamento mágico-místico dentro da graça e beleza majestosa do cerimonial consagrado pelo tempo na Igreja.

Bispos gnósticos entram na briga

O país ostensivamente católico romano da França abrigou hereges, cismáticos e bispos errantes por vários séculos. Os gnósticos de Lyon aborreceram tanto o padre da Igreja Irineu que ele dedicou volumes de diatribes para combatê-los. Grupos gnósticos de vários tipos existiram nas províncias francesas ao longo da história, sendo o mais conhecido e mais numeroso a igreja cátara no século XIII. É interessante notar que toda vez que o domínio da Igreja de Roma enfraqueceu sobre o governo da França, corpos religiosos gnósticos emergiram de seus esconderijos, geralmente apenas para serem suprimidos logo depois por outro governo clerical. Assim, na época da Revolução Francesa, a Ordem dos Templários, outrora suprimida, foi reorganizada em linhas vagamente gnósticas de seu grão-mestre, o ex-sacerdote católico romano e esoterista Bernard Fabré-Palaprat, que no início de 1800 foi consagrado Patriarca da Igreja Joanita de Cristãos Primitivos aliados à Ordem dos Templários. Essa consagração estabeleceu um padrão para muitas criações subsequentes de bispos errantes franceses de persuasão gnóstica e afins, pois o prelado consagrante, Monsenhor Mauviel, era um chamado bispo constitucional, isto é, membro de uma hierarquia de bispos católicos franceses validamente consagrados pelo governo revolucionário em oposição ao papado. Gnósticos, Templários, Cátaros e outros grupos secretos geralmente possuíam suas próprias sucessões esotéricas, mas, a partir de então, acharam útil receber a consagração das mãos de prelados católicos válidos, mas irregulares, que não eram difíceis de encontrar na esteira da guerra, da revolução e sua confusão eclesiástica.

No final do século XIX e início do século XX, pelo menos uma grande igreja gnóstica pública, a Eglise Gnostique Universalle, estava moderadamente ativa na França, liderada por esoteristas ilustres como Jules Doinel, Jean Bricaud e, eventualmente, o líder da ordem Martinista revivida, conhecido como Papus (Dr. G. Encausse). O renascimento de um movimento público católico gnóstico (ou gnóstico católico) foi assim realizado.

Como no caso do catolicismo ocultista teosófico, aqui surge a pergunta: por que pessoas ocultistas ou gnósticas devem aspirar ao ofício de bispo no sentido católico, e por que devem praticar os sacramentos da Igreja Católica Romana? A resposta não é difícil. Movimentos gnósticos de vários tipos que sobreviveram secretamente na Europa eram originalmente parte da Igreja Católica Romana. Embora diferissem de seu parente maior e fossem frequentemente perseguidos por ela, ainda a consideravam o modelo de vida eclesiástica. Eles podem considerar o conteúdo de sua religião completamente em desacordo com os ensinamentos de Roma, mas a forma de sua adoração ainda é aquela que a cristandade antiga e universal sempre praticou. O tipo de pluralismo religioso inovador que se desenvolveu na América do Norte era desconhecido para eles, e com toda a probabilidade teriam sido repelidos por ele se o conhecessem. Um gnóstico, embora herege, ainda era membro da Santa Igreja Católica e Apostólica, e tinha o direito e a obrigação de praticar os sete sacramentos históricos da maneira tradicional.

O gnosticismo francês estabeleceu assim sua própria vida eclesiástica, seguindo o exemplo da prática católica romana. O movimento nunca faltou em vicissitudes. Ainda em 22 de março de 1944, o chefe do principal corpo religioso gnóstico na França, Monsenhor Constant Chevillon (Tau Harmonius), foi cruelmente executado depois que o governo colaboracionista de Vichy suprimiu a Igreja Gnóstica. Ainda assim, o movimento se espalhou para a Alemanha, Espanha, Portugal, América Latina e países de língua francesa como o Haiti e assim permaneceram até anos após a Segunda Guerra Mundial.

A tradição gnóstica, que originalmente tinha sua casa na França, veio a se estabelecer na Inglaterra e depois nos Estados Unidos, inicialmente como resultado dos esforços de um bispo de ascendência francesa que foi criado na Austrália. Nascido Ronald Powell, ele assumiu o nome de Richard Jean Chretien Duc de Palatine. Um homem erudito e carismático, de Palatine (que recebeu suas sucessões do conhecido prelado independente britânico Hugh de Wilmott-Newman) que pode ser considerado o pioneiro do gnosticismo sacramental na Inglaterra e nos Estados Unidos. Sua tradição sobrevive principalmente na Ecclesia Gnostica, sediada em Los Angeles e chefiada pelo atual escritor, que foi consagrado em 1967 pelo bispo de Palatine. Outras igrejas gnósticas de orientação muito semelhante surgiram nos últimos anos em números crescentes. Hoje, existem descendentes vigorosos e estáveis ​​do movimento gnóstico francês funcionando em Nova York, Chicago (liderado pelo Monsenhor Robert Conikis) e Barbados (liderado por Tau Thomas). A primeira mulher bispa na tradição gnóstica nos tempos modernos é Dom Rosamonde Miller, que fundou a Ecclesia Gnostica Mysteriorum em Palo Alto, Califórnia.

Rumo a uma nova gnose cristã

Os nomes e movimentos mencionados acima não esgotam o número de bispos errantes e os movimentos que eles fundaram. A mais populosa e estável dessas organizações é a Igreja Independente das Filipinas, cujas origens remontam à separação das Filipinas da Espanha; e a Igreja Católica Brasileira, fundada décadas atrás por um descontente bispo católico romano brasileiro. Ambas mantêm teorias vagamente definidas de caráter ortodoxo, embora existam interações positivas ocasionais entre elas e os corpos gnósticos ocultos. Existe um potencial para uma grande igreja católica cismática na China continental, onde uma Igreja Católica Romana não papal passou a existir sob as ordens de Mao Tse-tung. Este movimento com bispos validamente consagrados ainda funciona, e curiosamente conduz seus serviços sem nenhuma das mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II.

Só o tempo dirá qual será o papel dos bispos errantes dentro das estruturas em desenvolvimento da cristandade sacramental. Desde o Concílio Vaticano II na década de 1960, confusão e dissensão aberta apareceram até mesmo dentro do monólito católico romano. As “reformas” litúrgicas combinadas com frouxidão e pura trivialidade mudaram tanto a natureza dos cultos da Igreja Católica Romana em muitos países que muitos dos bispos errantes podem reivindicar uma maior autenticidade tradicional hoje do que seus homólogos e muito mais ricos e poderosos, os católicos romanos. Além disso, enquanto as mulheres ainda travam uma batalha aparentemente sem esperança pelo sacerdócio com Roma, muitos dos bispos errantes podem alegar com justiça não apenas ter concedido ordens sagradas às mulheres, mas também ter defendido um certo feminismo espiritual já a um tempo considerável. O patriarca gnóstico, Tau Synesius, assim escreveu a um congresso religioso em 1908:

“Há entre nossos princípios um para o qual chamarei atenção especial: o princípio da salvação feminina. A obra do Pai foi cumprida, a do Filho também. Resta a do Espírito, que é o único capaz de realizar a salvação final da humanidade na terra e, assim, preparar o caminho para a reconstituição do Espírito. Ora, o Espírito, o Paráclito, corresponde ao divino de  natureza feminina, e nossos ensinamentos afirmam explicitamente que esta é a única faceta da divindade que é verdadeiramente acessível à nossa mente. Qual será de fato a natureza desse novo e não muito distante Messias?”

A aparente promessa que reside nos bispos errantes é obscurecida e às vezes negada pelas excentricidades pessoais e caráter desagradável de um grande número desses bispos. Como a consagração ao episcopado é muitas vezes obtida com tanta facilidade na subcultura dos errantes, pessoas venais, instáveis ​​e lamentavelmente mal educadas abundam nas fileiras do episcopado “independente”. Um grande número desses bispos são simplesmente pessoas que não se gostaria de convidar para jantar. O “fator desprezível” é muito óbvio e onipresente, e esse fator provavelmente continuará sendo o maior obstáculo para o trabalho positivo que os bispos errantes poderiam realizar nesta época.

A indignidade de muitos não deve nos cegar para o potencial que reside nos poucos. A massa de bispos errantes assemelha-se muito a uma espécie de prima matéria alquímica de onde ainda pode emergir uma verdadeira pedra dos filósofos. O cristianismo começou como uma heresia judaica de má reputação, tendo como fundador um criminoso executado. Cismas e heresias cristãs que hoje são tidas em descrédito também podem levar a grandes e transformadores desenvolvimentos espirituais. As pedras angulares do futuro são frequentemente feitas de pedras antes rejeitadas pelos construtores. O estranho e paradoxal fenômeno dos bispos errantes pode revelar-se como um ingrediente vital na alquimia histórico-espiritual da era vindoura. Alguns de nós esperam que esse seja o caso, enquanto outros zombam ou se afastam de tais preocupações. A última palavra, porém, pertence a Poderes que transcendem tanto os defensores quanto os críticos. E a palavra deles, podemos ter certeza, será final e direta.

Fonte:http://gnosis.org/wandering_bishops.htm

Tradução: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/bispos-errantes-nem-todos-os-caminhos-levam-a-roma/

As diversas hierarquias angelicais desde a idade mé

No Cristianismo os anjos foram estudados de acordo com diversos sistemas de classificação em coros ou hierarquias angélicas.

As classificações propostas na Idade Média são as seguintes:

* São Clemente, em Constituições Apostólicas, século I:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Éons, 4. Hostes, 5. Potestades, 6. Autoridades, 7. Principados, 8. Tronos, 9. Arcanjos, 10. Anjos, 11. Dominações.

* Santo Ambrósio, em Apologia do Profeta David, século IV:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Dominações, 4. Tronos, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Anjos, 9. Arcanjos.

* São Jerônimo, século IV:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Dominações, 5. Tronos, 6. Arcanjos, 7. Anjos.

* Pseudo-Dionísio, o Areopagita, em De Coelesti Hierarchia, c. século V:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* São Gregório Magno, em Homilia, século VI:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* Santo Isidro de Sevilha, em Etymologiae, século VII:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Principados, 5. Virtudes, 6. Dominações, 7. Tronos, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* João de Damasco, em De Fide Orthodoxa, século VIII:

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Potestades, 6. Autoridades (Virtudes), 7. Governantes (Principados), 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* São Tomás de Aquino, em Summa Theologica, (1225-1274):

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

* Dante Alighieri, na Divina Comédia (1308-1321):

1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Arcanjos, 8. Principados, 9. Anjos.

De todas estas ordenações a mais corrente, derivada do Pseudo-Dionísio e de Tomás de Aquino, divide os anjos em nove coros, agrupados em três trìades:

– Primeira Tríade: composta pelos anjos mais próximos de Deus, que desempenham suas funções diante do Pai –» composta por: Serafins, Querubins, Tronos.

– Segunda Tríade: composta pelos Príncipes da Corte celestial, que operam junto aos governos gerais do universo. –» Composta por: Dominações, Virtudes, Potestades.

– Terceira Tríade: composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados dos caminhos das nações e dos homens e estão mais intimamente ligados ao mundo material. –» Composta por: Principados, Arcanjos e Anjos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-diversas-hierarquias-angelicais-desde-a-idade-me/

Atrás do trio elétrico também vai quem já morreu

“Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu…”. – Caetano Veloso
“Atrás do trio elétrico também vai quem já “morreu”…”


Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval.

Quem vê as festas e desfiles pelo país, emoldurados a fantasias e folias que o Carnaval proporciona, talvez não faça ideia do que acontece no astral espacial equivalente.

O ser humano passa poucas e boas durante o ano todo e sente-se no direito de extravasar seus sofrimentos e revezes em alguns dias de prazer exacerbado, regado a muito álcool e luxúria desenfreada.

Por conta desse comportamento as energias mais densas tomam conta da esfera terrestre neste período do ano, o qual é uma tradição milenar cuja a data é calculada através da lunação a partir do Natal de Cristo. Há registros destas festividades pagãs desde os gregos e egípcios.

Há 10 séculos a igreja católica decidiu instituir 40 dias de retiro, visto que, apesar de o cristianismo haver se tornado a religião oficial do império romano, muitos ainda mantinham-se fiéis aos seus cultos ancestrais. Entendendo que não havia como conter esse comportamento e visando equilibrar esses opostos, a igreja decide permitir o “Carnen Levare” (adeus à carne), uma forma de compensação pagã controlada, cuja celebração permanece até hoje adaptando-se, claro, a cada cultura pelo mundo.

Há um tempo recente, muitas casas de Umbanda fechavam, assim como as igrejas cobrem seus santos com um pano roxo, em sinal de respeito e retiro. No entanto, com seu amadurecimento ao longo dos dias, a liturgia da Umbanda entendeu que devia permanecer seus trabalhos, no sentido de continuar operando em benefício dos mais necessitados.

Hoje, os Umbandistas realizam a SEGURANÇA DE CARNAVAL. Baseada em rituais de firmeza energética com seus Espíritos Guardiões (Exus e Pambogiras), os Umbandistas estreitam seus laços espirituais com os Guardiões da Lei, os quais são os que mais trabalham efetivamente durante os dias momescos, defendendo das nocividades astrais aqueles que são equilibrados e justos, assim como combatendo os espíritos trevosos que aproveitam-se da psicosfera negativa.

Os Exus e Pombagiras tem atividades redobradas durante o Carnaval, pois recebem ordens expressas de seus superiores com o objetivo de combater os vampiros e obsessores de toda a sorte, os quais se alimentam das energias vitais dos desencarnados que mergulham nos excessos das orgias, das drogas e da violência indiscriminada.

Por isso, de nada adianta realizar Seguranças de Carnaval, simpatias, velas, orações etc se você não busca se divertir nas ruas e nos bailes com comedimento e equilíbrio, pois, assim, nossos amigos Guardiões Exus não poderão nos livrar dos ataques vampirescos dos milhões de kiumbas (espíritos sombrios), impactando males até irreversíveis na esfera material para os encarnados.

Portanto, quando chegar a festa profana, fuja das drogas, álcool e fumo em excessos; Evite o sexo desmedido e com muitos parceiros diferentes – o sexo é uma troca de energia muito forte e muito sagrada, portanto, escolha bem sua companhia; nada de fazer suas guias de fantasia, evite usar máscaras e, se possível, mantenha seus chakras cobertos (chapéu, camiseta etc).

Além de comparecer à sessão de Segurança de Carnaval de sua Casa Espiritual, mantenha sua vela de Anjo de Guarda acesa, tome banhos de ervas nas vésperas, defume sua casa e o mais importante: mantenha seu pensamento em sintonia com seu Espírito Guardião, com os Orixás e com Jesus, pedindo sempre muito equilíbrio, serenidade e proteção.

Guardem a fé, irmãos!

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/atras-do-trio-eletrico-tambem-vai-quem-ja-morreu/

O Karma e suas Leis

1- Uma senhora está grávida de gêmeos univitelinos ou idênticos. Nascem dois meninos. Estes têm a mesma genética e são criados da mesma forma, no mesmo lar, estudam nas mesmas escolas e tem um ambiente psicológico emocional idêntico com a mesma educação de caráter. Um vai bem nos estudos e o outro tem uma terrível dificuldade de aprender. O primeiro é honesto, de bom caráter e íntegro e o segundo é malandro e desonesto. O honesto tem uma vida curta, pois morre de câncer aos 20 anos e o segundo vive 90 anos e enriqueceu ilicitamente.

2- Duas crianças nascem na mesma hora e dia. Os pais da primeira são ricos, inteligentes e cultos e seu recém-nascido é saudável. Os pais da segunda criança são paupérrimos, analfabetos e doentes e seu filho nasceu todo deformado.

Qual a lógica destes acontecimentos? Deus é injusto? A natureza tem falhas? Sorte, azar e destino existem? Será que não tem ninguém governando o Universo? Posso levar uma vida inteira de crimes e bastará um arrependimento no último suspiro para que eu seja salvo? O que seria de nós com apenas uma oportunidade de existência diante do erro? Não somos infalíveis! Que “Pai” não daria uma segunda chance a seus filhos? Ninguém que não aceite a reencarnação ainda não conseguiu responder com lógica e coerência estas questões até hoje.

Infelizmente houve uma deturpação desse termo (karma) no ocidente e a cultura popular o adotou como castigo, fatalismo imutável, trazendo também a palavra dharma como mérito. Quando na verdade no Oriente utiliza-se o termo dharma com o sentido de agir segundo as leis da natureza e adharma com o significado de contrariar estas mesmas leis.

O conceito hindu a esse respeito é bem distinto do ocidental muito embora, hoje em dia também tenha se deturpado. Influenciado pelo cristianismo, rico em noção de culpa e pecado, o karma para os ocidentais tem uma configuração de algo forçosamente ruim, que se deve pagar com sofrimento. Mas em suas raízes, bom ou mau karma, advém unicamente de ação e seus respectivos efeitos. O termo karma começou a adquirir popularidade no mundo ocidental no final do século XIX através da Doutrina Espírita e a Teosofia.

Karma é um termo sânscrito que significa atividade, ação, e representa a lei de causalidade ou lei de ajuste

A lógica nos leva a crer que todo acontecimento, como efeito, provém de causas anteriores que por sua vez vão produzir efeitos futuros numa reação em cadeia. Mas karma também é a lei que rege o mundo do pensamento, do sentimento, emoções e energia. Karma é a lei que rege os fenômenos da vida, como também a lei que determina, governa e administra, não só veículo físico do homem, como também outros veículos que perfazem o Universo Consciencial (o corpo energético, o corpo emocional e o corpo mental e outros que nem sonhamos em conhecer).

Karma é o resultado do que cada um planta por seus pensamentos, sentimentos, energias e ações e demonstra que somos totalmente responsáveis por cada ato mínimo que seja.

Mais importante, no entanto, é entender que, se contribuímos com os fatos que nos acontecem através do livre-arbítrio, podemos mudar nossa “sorte”. Acelerando ou atrasando os processos da vida e até impedindo que coisas boas ou ruins aconteçam.

Estamos mergulhados num emaranhado de processos de energia entre ações e reações bem ponderadas. Estamos colhendo frutos de semeaduras do passado enquanto semeamos a colheita do futuro. Estamos sofrendo reações de nossas ações do passado enquanto criamos novas ações que por sua vez se converterão em reações no futuro.

Todo gesto, ato, evento tem seu lado positivo e negativo. Quase todo evento que causamos gera uma quantidade de Karma negativo e de Karma positivo, às vezes as mais simples ações. Só enxergamos e percebemos o que nos atinge, pois “nossa dor sempre dói mais que a dor dos outros” e percebemos mais a dor que o prazer.

O karma é a lei que regulamenta e motiva a evolução das espécies, o relacionamento e a troca entre as espécies e entre as espécies e seu meio ambiente. O Karma é o Sistema Nervoso do Universo Multidimensional e é o responsável pelas reações diante dos estímulos dos que nele habitam. Se tratarmos mal o meio ambiente colheremos os frutos que serão secas, enchentes, temporais, etc. Se poluirmos um rio como esperar um pescado sadio?

A parte mais delicada do processo kármico é entre nós mesmos. Temos vários karmas negativos com diversas consciências (almas) e nesta vida viemos dentre todos, saldar o karma mais urgente, outros karmas ficarão para depois. Façamos bom proveito.

O conhecimento dos processos espirituais, conscienciais, bioenergéticos e projetivos é muito importante para se trabalhar o karma pessoal. O esclarecimento gera conhecimento que gera responsabilidade. A responsabilidade gera mudança e gera auto-análise. Quem não produz auto-análise jamais dinamizará o processo de quitação de seu karma. Karma se quita com trabalho e não com sofrimento. O sofrimento é gerado pela consciência pesada que não confia em si e tem medo de responsabilidade optando por quitar o karma sofrendo (autopunição) atrapalhando a si próprio em seu caminho evolutivo, pois quanto maior a autopunição, mais difícil é render um bom trabalho para quitação do próprio karma. A quitação do karma pessoal é aprendizado e compensação consciencial.

O caminho é assumir o karma, aceitar, agradecer e trabalhar o máximo possível para compensá-lo. A responsabilidade de assumir o karma gera o arrependimento e este gera mudança imediata de atitude interna e externa, sincera e gera energias conscienciais renovadoras. Estas energias geram freqüências mais elevadas, sadias e positivas, dinamizando o trabalho e a vontade de quitar o karma com disposição e coragem.

Nada nem ninguém ou somente orações ou mentalizações ou meditações vão “queimar” seu karma, conforme li e ouvi de alguns espiritualistas menos informados, mais místicos e menos práticos. Karma não se queima, é um conceito errado, karma se quita com trabalho produtivo de assistência a outros seres humanos. Este é um planeta de provas e expiações, estamos imersos num planeta de karma coletivo muito grande e se começássemos a nos perdoar e nos ajudar dinamizaria o processo planetário e a paz mundial.

Karma não é vingança de Deus. Deus não é vingativo, não pune nem perdoa. Deus na verdade é impessoal e não tem piedade e nem ódio. Ele criou as leis e elas nos regem. As leis são automáticas. Não espere plantar espinhos e colher morangos, não espere semear trevas e colher luz. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. A semeadura é o livre arbítrio da consciência e a colheita são as conseqüências kármicas adquiridas.

Para cada ação existe uma reação igual e contrária. Para mudar o karma é necessário reforma íntima gerando energias conscienciais de freqüências mais elevadas, pois a partir do arrependimento abrem-se novas perspectivas, possibilidades e oportunidades e a primeira destas aberturas é a ajuda espiritual de seus amigos invisíveis (ou não) dos seres espirituais ou seres da quinta dimensão.

#Espiritismo #Espiritualidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-karma-e-suas-leis

Corpos incorruptíveis

santo

Em numerosos casos de vampirismo, a abertura do túmulo revela um cadáver em perfeito estado de conservação «pele fina e flexível, corpo sem alteração».

Este prodígio do após morte não é uma vaga superstição dominada pelo medo aos vampiros. Um corpo enterrado desde há séculos não é mais que um magma informe de pó de terra e de ossos. É a lei da decomposição do corpo do mortal. Uma das grandes leis da natureza: Todas as coisas perecem, voltam à terra, tornando-se pó e cinzas. No entanto, em certos casos o corpo aparece intacto ou quase. Os cientistas explicam este fenômeno como sendo causado pela composição do terreno onde está enterrado o cadáver, as variações de temperatura do sub solo, a ausência de insetos ou de roedores que provocam uma proteção natural, impedindo o seu apodrecimento. Simples hipóteses científicas quando se conhecem outros fenômenos que acontecem na incorruptibilidade de certos cadáveres: um perfume agradável do corpo, suor de sangue, humores do cadáver, luminosidades na parte superior da sepultura, como aconteceu quando Charbel morreu, com a idade de 78 anos, no seu eremitério do Líbano.

Tanto milagre que a natureza química do terreno não pôde explicar! Há toda uma lógica que não pertence a este mundo.

Os santos e santas do cristianismo apresentam muitas vezes um bom estado de conservação quando passaram séculos sobre o dia da sua inumação. Uma vez mais, os não mortos, os nosferatu do vampirismo passam por cima dos milagres do mundo cristão. Os cultos demoníacos imitaram sempre a magia e os prodígios da religião, como por exemplo na missa negra que não é senão uma inversão da missa cristã, um derrubar da liturgia, das orações do culto.

O não morto, intacto no seu túmulo, aparece pois nas superstições como uma espécie de Santo diabólico que, também ele, apresenta os mesmos sintomas de imortalidade, incorruptibilidade, suor de sangue umedecendo todo o corpo, fenômenos luminosos à volta do túmulo.

Mais que por pura imitação, eles, os adeptos do vampirismo foram mais longe e para dar forma aos seus não mortos e sugadores de sangue ter-se-iam servido mesmo dos milagres do mundo cristão.

Para as pessoas ingênuas, os casos de incorruptibilidade não serão exclusivos dos santos, pois que também os adeptos do diabo podem ser alvo de tal milagre, uma vez que Deus não existe sem a ameaça dos infernos que tantas vezes os padres focam e a que chamam «condenação eterna».

Também a religião tem o seu inferno, os seus demônios, os seus padres malditos. Basta que aconteça uma maldição e logo das entranhas da Terra se libertarão espíritos malignos cujas forças em muito ultrapassarão as dos homens. Apareciam assim os vampiros tão reais quanto os santos do paraíso…

Em cada família havia lugar para Deus na Igreja da aldeia, e um outro para o demônio por entre os túmulos do velho cemitério. O Bem e o Mal nunca deixaram de partilhar a alma humana, como a luz e as trevas, o excelente e o vil, o amor e o ódio. O vampirismo nasceu desta oposição.

Terá sido preciso a existência de grandes ascetas do deserto, e figuras espirituais como S. João da Cruz ou Simeão o novo teólogo, para entender que a humildade em Deus salva-nos e Deus é um Deus de Luz, que enche o universo, destrói a morte e o seu cortejo de demônios e não deixa lugar à obscuridade.

O medo fixa-se sempre no espírito do homem, e raros são os que fizeram esta experiência estática da luz. O medo, quando anoitece, tranca as portas. Ele força que se recitem salmos, pedindo auxílio. O coração contraído não deixa entrar a luz e o medo cria então as suas obsessões, os seus fantasmas.

Santos e condenados

Imediatamente após a morte de S. Francisco Xavier, a 2 de Dezembro de 1552, meteram o seu corpo num caixão cheio de cal viva para que, o mais rapidamente possível, a sua carne fosse consumida e se pudesse assim levar os seus ossos para Goa.

A 17 de Fevereiro de 1553, as autoridades religiosas indianas abriram o caixão com a convicção de aí encontrarem tão somente os restos do Santo. Mas eis que ao retirar a cal que lhe cobria o rosto, este apresentava o aspecto rosado, tendo a frescura de alguém apenas adormecido. O corpo estava completamente intacto, sem qualquer sinal de decomposição.

Para confirmação do estado em que se encontrava o cadáver, foi-lhe retirado um pequeno pedaço de carne acima do joelho, começando imediatamente a sangrar. Transportado por mar, foi enterrado em Malaca, a 22 de Março de 1553.

Mas o miraculoso fenômeno não ficou por aqui e, como que causado por uma força misteriosa, alguns meses depois mantinha o mesmo estado da incorruptibilidade. Transportado para Goa, foi sepultado na igreja de S. Paulo. Em 1612, quando se lhe amputou um dos braços para ser enviado para Roma, o sangue correu vermelho e fluido!

Nos Evangelhos, assim como no Antigo Testamento, o sangue é portador do espírito de Deus. No jardim das Oliveiras, na Noite Divina, Jesus suou sangue como se o Espírito sangrasse e sofresse.

Durante a ceia que precede a hora em que se entregaria, Ele tomou o cálice e dando graças o abençoou e deu aos seus discípulos dizendo: «Tomai e bebei todos, este é o meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança…»

Na cruz, sangue e água escorreram do lado que fora trespassado pela lança do centurião. E a terra foi inundada pelo seu Espírito.

O caso dos corpos incorruptíveis de santos evoca a presença misteriosa do Espírito sob a forma de suor de sangue jamais coagulado, sempre fluido dentro e fora do corpo. Ele umedece o cadáver, transfigura-o, ilumina-o, conserva-o intacto. Vários fenômenos inexplicáveis envolvem muitas vezes o milagre: aparecimento de luz à volta do túmulo, exalações perfumadas, curas de doentes. O cadáver de um santo resplandece, vibra, envia moléculas de luz. Ele cria como que uma zona sagrada onde, tudo pode acontecer.

Em 1582, Santa Teresa d’ Ávila morre na sua cela do convento de Alba de Tormes. O rosto de Santa Teresa de Jesus, segundo afirmou a duquesa d’Alba, ficou após a morte lindo e resplandecente, dir-se-ia como Sol brilhando. Metido num caixão cheio de cal e tijolos, foi o corpo transportado ao cemitério. Mas no dia seguinte à sua morte, do túmulo de Santa Teresa de Jesus emanava um perfume de tal forma intenso e delicioso que os monges teriam tido a sensação de estarem de novo na presença da sua Madre.

Abriu-se o túmulo a 4 de Julho de 1583. A tampa do caixão estava partida, meia apodrecida e cheia de bolor. Era forte o cheiro a bafio e as vestes encontravam-se putrefatas. O santo corpo, também ele, tinha bolor, mas mantinha a frescura como se tivesse sido enterrado na véspera.

As monjas despiram-na quase totalmente, para a vestirem de novo. Segundo afirmaram, um maravilhoso odor se espalhou pelo convento.

Em Novembro de 1585, três anos passados sobre a sua morte, os médicos de A vila examinaram o corpo, tendo chegado à conclusão de que apenas um milagre, e não uma causa natural, teria permitido que um corpo fechado três anos (sem estar embalsamado) se mantivesse intacto, continuando a exalar o mesmo perfume de sempre.

 

 

Jean Paul Bourre

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/corpos-incorruptiveis/