Os Mamelucos e as Últimas Cruzadas

Publicado originalmente no Sedentário dia 3/3/2010.

Retornando às duas últimas cruzadas para finalizar esta que foi uma das fases mais sangrentas das batalhas pelo Oriente Médio durante os séculos XI e XII. Se você chegou agora, eu recomendo que leia antes os artigos sobre a Primeira Cruzada, sobre a Segunda e Terceira, sobre a Quarta Cruzada e os Cátaros, sobre a Quinta, Sexta e Sétima Cruzada pelo ponto de vista Templário.

Antes de prosseguirmos, será necessário explicar algumas coisas sobre os chamados “Mamelucos” que viviam no norte da África e o estrago que fizeram nas tropas cristãs estacionadas no Oriente Médio.

Os malucos Mamelucos

Os mamelucos eram escravos que originalmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano para os seus exércitos, e que em algumas situações também detiveram o poder no Egito.

Os primeiros mamelucos serviram os califas em Bagdad no século IX. Os Abássidas (os descendentes de Abbas, tio do profeta Maomé) recrutaram-nos das famílias não muçulmanas capturadas em áreas que incluem a atual Turquia, Europa de Leste e o Cáucaso.

O uso de não muçulmanos justifica-se sobretudo porque os governantes islâmicos, muitas vezes lidando com conflitos tribais e debatendo-se com as intrigas para manter o poder, muitas vezes precisavam depender de tropas sem ligação com as estruturas (familiares e culturais) de poder estabelecidas. Também podemos justificar esta escolha em parte pelo argumento de que o Islã proibia que muçulmanos combatessem entre si (o que, naturalmente, era bullshit teórica religiosa, dado que na, verdade, eles viviam se matando).

Como mencionei acima, o principal motivo desta opção era político. Os guerreiros locais eram frequentemente mais fiéis aos sheiks tribais, às suas famílias ou nobres, do que ao sultão ou califa.

Se algum comandante militar local conspirasse contra o governante, era praticamente impossível lidar com ele sem causar intranquilidade entre a nobreza (que estava ligada a esse comandante por laços familiares ou culturais). As vantagens das tropas-escravas é que eles eram estrangeiros, possuiam o estatuto mais baixo possível na sociedade, não podiam conspirar contra o governante sem correrem o risco de ser punidos.

Após serem convertidos ao Islão, os mamelucos eram treinados como soldados de cavalaria. Apesar de não serem mais escravos de um ponto de vista técnico, após esse treino eles eram obrigados a servir ao sultão. Eram mantidos pelo Sultão como uma força autônoma sob o seu comando direto, para serem usados no caso de atritos entre tribos locais. Muitos mamelucos ascenderam a posições de influência no império desta maneira. Esse estatuto permaneceu não-hereditário no início e as suas crianças eram impedidas de seguir os seus pais. Com o tempo, porém, tornaram-se uma casta militar poderosa.

A Oitava Cruzada

Em 1265, os egípcios da dinastia mameluca tomaram Cesaréia, Haifa e Arsuf; em 1266, ocuparam a Galiléia e parte da Armênia e, em 1268, conquistaram a Antioquia. O Oriente Médio vivia uma época de anarquia total entre as ordens religiosas que deveriam defendê-lo, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos.

O rei francês Luís IX (São Luís), retomou, então, o espírito das cruzadas, e lançou novo empreendimento armado, a Oitava Cruzada , em 1270, embora sem grande percussão na Europa. Os objetivos eram agora diferentes dos projetos anteriores: geograficamente, o teatro de operações não era mais o Mediterrâneo, mas a Túnisia, e o propósito, mais que militar, era a conversão do emir da mesma cidade norte-africana (Túnis).

Luís IX partiu inicialmente para o Egito, que estava sendo devastado pelo sultão Bibars, que apesar do nome, era muito macho. Dirigiu-se depois para Túnis, na esperança de converter o emir da cidade e o sultão ao Cristianismo. O sultão Maomé (pelamordosdeuses, não confundam com “O” Maomé… fazem 600 anos que o original morreu) recebeu-o de armas nas mãos. A expedição de São Luís redundou como quase todas as outras expedições, numa tragédia. Não chegaram sequer a ter oportunidade de combater: mal desembarcaram as forças francesas em Túnis, logo foram acometidas por uma peste que assolava a região, ceifando inúmeras vidas entre os cristãos, nomeadamente São Luís e um dos seus filhos. O outro filho do rei, Filipe, o Audaz, ainda em 1270, firmou um tratado de paz com o sultão e voltou à Europa. Chegou a Paris em maio de 1271 e foi coroado rei, em Reims, em agosto do mesmo ano.

A Nona Cruzada

A Nona Cruzada é, muitas vezes, considerada como parte da Oitava Cruzada, de tão picareta que foi. Alguns meses depois da Oitava Cruzada, o príncipe Eduardo da Inglaterra, depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até Acre, embora sem resultados.

Em 1268, Bibas, sultão mameluco de Egito, reduziu o Reino de Jerusalém, outrora o mais importante dos estados cruzados, a uma pequena faixa de terra entre Sidão e Acre. A paz era mantida pelos esforços do rei Eduardo I, apoiado pelo Papa Nicolau IV.

Em 1271 e inícios de 1272, Eduardo conseguiu combater Bibars, após firmar alianças com alguns de seus adversários. Em 1272, estabeleceu contatos para firmar uma trégua, mas Bibars tentou assassiná-lo, enviando homens que fingiam buscar o batismo como cristãos. Eduardo, então, começou preparativos para atacar Jerusalém, quando chegaram notícias da morte de seu pai, Henrique III. Eduardo, como herdeiro ao trono e que de trouxa não tinha nada, decidiu retornar à Inglaterra e assinou um tratado de paz com Bibars terminando a Nona Cruzada.

Os Templários

No último post, paramos no 13o Grão Mestre, Phillipe de Plesis, que faleceu em 1208 e foi substituído por Guillaume de Chartres. Guillaume passou a maior parte de seu mandato na Espanha, em batalhas contra os mouros na Espanha, onde a Ordem adquiriu muitos territórios e um poder gigantesco. Guillaume faleceu em 1218, vítima da peste (Tifo) e foi substituído por Pedro de Montaigu.

Há uma curiosidade a respeito de Pedro. Como um dos principais Mestres Templários do período, Pedro foi eleito por unanimidade em 1218 e tomou parte nas batalhas da Quinta Cruzada. Seu irmão de sangue, Guerin de Montaigu, foi o Grão Mestre dos Hospitalários durante este período, o que explica este ser o período histórico onde as duas ordens mais cooperaram entre si, formando poderosas alianças que permitiram vitórias sobre os exércitos muçulmanos que não poderiam ter sido produzidas de outra maneira. As alianças entre as duas Ordens duraram até a morte de Pedro, em 1230.
Armand de Perigord foi o Grão Mestre Templário de 1230 até 1244, quando os cristãos enfrentaram para valer os Mamelucos pela primeira vez. O sultão de Damasco pediu a ajuda dos Templários, Hospitalários e Teutônicos (junto com suas próprias forças) para enfrentar a horda de mamelucos na Batalha de La Forbie (Outubro de 1244) onde levaram uma surra tão feia que resultou em mais de 30.000 cavaleiros mortos; entre eles, o próprio Armand.

Richard de Bures foi um Grão Mestre que serviu ao Templo de 1244 a 1247. Em alguns registros seu nome nem aparece. O que aconteceu é que pensava-se que Armand estivesse morto, mas depois descobriu-se que ele havia sido feito prisioneiro e estava de posse dos muçulmanos, onde ficou até 1247, quando foi dado oficialmente como morto. Muitos consideram Richard como um Grão mestre, enquanto outros historiadores dizem que ele foi apenas um marechal que cobriu a posição enquanto Armand estava capturado. De qualquer maneira, Guillaume de Sonnac assume o Grão Mestrado em 1247, no início dos massacres mamelucos.

A Campanha de Sonnac foi extremamente violenta. Os Cristãos haviam perdido Tiberias, Monte Tabor, Belvoir e Ascalon para os Mamelucos e as ordens do rei para estas campanhas eram para resolvê-las com violência, não diplomacia. As principais batalhas das quais participou foram a de Al Mansurah e a de Fariskur, em abril de 1250, onde acabou perecendo.
Renaul de Vichiers foi o décimo nono Grão Mestre Templário. Ficou no comando até 1256, quando faleceu em combate e foi substituído por Thomas Berard. Berard escreveu para o rei Henrique III descrevendo a situação miserável da Terra Sagrada. O poder dos mamelucos estava tão grande que foi necessário um acordo entre os Grãos Mestres Templários, Hospitalários e Teutônicos para conseguir resistir, e nem isso foi suficiente: os mamelucos dominaram a fortaleza de Safed em 1266, depois Beaufort, Antióquia, Gaston, La Roche e finalmente, em fevereiro de 1271, Chastel Blanc. Mais tarde, os Templários tiveram de retroceder para Tortosa e, em Junho, Monfort, a última fortificação cristã na Terra Santa foi tomada pelos mamelucos.
Guillaume de Beujeau foi o vigésimo primeiro Grão Mestre e participou de quase todas as derradeiras batalhas. Foi morto em 1291, durante o Cerco ao Acre e Thibauld Gaudin foi eleito o novo grão mestre. ao mesmo tempo, Jacques de Molay foi eleito Marechal de Campo. Gaudin tentou reagrupar os exércitos templários sobreviventes ao mesmo tempo em que tentava organizar as hordas de fugitivos que haviam chegado no Chipre. Aparentemente, a tarefa de reorganizar todo o exército cristão foi demais para ele e Gaudin faleceu em 1292, deixando para Jacques de Molay a tarefa de reconstruir toda a Ordem na Terra Santa à partir das ruínas.

Mas o pior ainda estaria por vir…

No próximo post, Jacques de Molay e o Fim dos Templários.

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Simbolismo Vegetal II

Dos três reinos da natureza, o vegetal é quiçá o que está mais diretamente unido ao fluir dos ritmos e ciclos do Cosmo, refletidos na renovação periódica e anual das plantas, na regeneração da potência fértil e fecunda de sua seiva, propiciando desta maneira a alimentação e o sustento necessário a homens e animais. Mas o realmente importante é que esta relação está na própria base de muitos mitos e ritos agrários, cuja estrutura simbólica reproduz as leis universais de correspondência e analogia (ou seja, de harmonia) entre a ordem terrestre e a celeste, ou entre a ordem visível e a invisível, não sendo, em suma, o mundo vegetal, ou melhor ainda a natureza em seu conjunto, senão um símbolo vivo e sempre presente do sobrenatural e do transcendente. Por isso mesmo, a germinação, desenvolvimento, florescimento e doação dos frutos das plantas não deixa de ser um fato assombroso e verdadeiramente mágico e misterioso para quem vive imerso no sagrado, como era o caso dos habitantes das sociedades tradicionais, que viam nisso a ação combinada de forças telúricas e cósmicas personificadas nas deidades lunares e solares, terrestres (e infra-terrestres) umas e celestes as outras, recebendo a planta o influxo das energias passivas e ativas, femininas e masculinas do Cosmo através dos nutrientes substanciais da terra e da água, a vivificação do ar, e o calor e a luz procedentes do fogo solar. Daqui deriva a dupla natureza do vegetal, “asúrica” por sua vertente subterrânea e “dévica” por sua parte aérea e vertical (axial), termos estes pertencentes à tradição indiana, e que designam respectivamente às energias telúricas e celestes conciliadas no ato mesmo da criação da planta. Isto cobra um relevo especial nas chamadas “plantas sagradas”, utilizadas nos ritos de iniciação aos mistérios, e cuja ingestão (bebida ou comida) põe ao ser em comunicação com seus estados inferiores e superiores, realizando a “viagem” pelos diferentes planos de manifestação, descendo e ascendendo pelo Eixo do Mundo.

Essas plantas seriam, pois, um suporte ou veículo de Conhecimento, e em muitas ocasiões a própria planta, ou seu fruto, considera-se como o objetivo a conseguir para aceder a dito Conhecimento, por isso a expressão “licor de imortalidade” ou “fruto de imortalidade” que recebem determinadas substâncias vegetais, como por exemplo o vinho ou ambrósia nas culturas greco-romana, hebraica, cristã e islâmica, semelhante ao soma ou amrita indiano, idêntico por sua vez ao haoma dos antigos iranianos, do que se diz que só podia recolher-se na “montanha sagrada” Alborj, equivalente ao Eixo do Mundo. Igualmente na Alquimia vegetal se fala do “elixir de longa vida”, que se corresponde com a “pedra filosofal” na Alquimia mineral, sendo o elixir a essência própria da planta, como o vinho é a essência da videira, outra figura do Eixo do Mundo. Neste sentido, recordaremos que o vinho simboliza precisamente a doutrina esotérica e metafísica, ou seja o Conhecimento, e seguramente a isto alude a expressão o “espírito do vinho”, ou aqua vitae (água da vida), ou “bebidas espirituosas”, que ainda se conserva na linguagem popular de diversos lugares, ainda que seu sentido profundo já passe totalmente despercebido na maioria dos casos.

Também há que se mencionar o trigo (equivalente ao milho nas tradições pré-colombianas, ou ao arroz entre as extremo-orientais), e em conseqüência ao pão, que junto ao vinho constituem as duas espécies eucarísticas do Cristianismo, ou seja do corpo e do sangue, ou a substância e a essência reunidas no Verbo ou Homem Universal, arquétipo do iniciado, o que é comparado precisamente a uma planta, tal e como indica a palavra “neófito”, que tanto significa “novo nascido” como “nova planta”. Este é, desta forma, comparado a uma semente ou germe que tem de “morrer” no interior da terra para renascer ao mundo de cima e da luz, que é sua verdadeira origem pois, ao contrário do vegetal, o homem tem suas “raízes” no Céu, tal e qual nos relata Platão no Timeu quando diz que “o homem é uma planta celeste, o que significa que é como uma árvore invertida, cujas raízes tendem para o céu, e os ramos para baixo, para a terra”.

#hermetismo

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Há somente uma Substância

» Parte final da série “Reflexões sobre o materialismo” ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Substância – Princípio do ser, que é permanente, em oposição aos acidentes que mudam; A essência de algo; Qualquer espécie de matéria.

Um dos dogmas principais do cristianismo afirma que Jesus Cristo ressuscitou após três dias. O Novo Testamento nos conta que Maria Madalena foi o primeiro discípulo a ver Jesus ressuscitado. Conta também que tanto ela quanto outros discípulos a princípio se assustaram com sua aparição e somente após alguns momentos o reconheceram. Após algum tempo a notícia já se espalhava, mas um dos seguidores de Jesus, Tomé, não parecia crer nela – ele afirmou “que precisava ver para crer”.

A Bíblia diz que Jesus apareceu para Tomé e ainda permitiu que ele tocasse suas chagas… Carl Sagan admirava o ceticismo de Tomé, segundo ele este tipo de experiência – de ver, e tocar, para crer – deveria ser incentivada entre todos os religiosos. Já para os cristãos, Tomé sofria de falta de fé, e não havia nenhum mérito em seu ceticismo. Jesus chega a afirmar que “felizes são aqueles que creram sem ver” – de acordo com o Novo Testamento, é claro.

Ao contrário do que muitos céticos imaginam, há muitos religiosos que são extremamente materialistas. E não estou falando do materialismo no sentido do apego a bens materiais ou consumismo (este é um assunto para outro artigo), mas da necessidade básica que muitos deles têm de reafirmar a ressurreição da carne de Jesus, e jamais apenas de seu espírito.

Há muitos deles que tem verdadeiro asco de coisas fluidas e “imateriais”. Para eles, espíritos nada mais são que assombrações e/ou alucinações causadas por loucuras ou pela influência do próprio Diabo (e eles costumeiramente confundem as duas coisas). Poderíamos questionar o porque de apenas o Diabo ter tantos “poderes” de afetar diretamente nossa realidade, enquanto Deus “gastou” todos os seus milagres nos milênios anteriores – mas isso também seria assunto para outro artigo.

O que eu acho irônico é essa crença dogmática em corpos incorruptíveis, em seres que só podem retornar a vida ou se comunicar com aqueles ainda vivos na posse de um novo corpo, como num grande passe de mágica… Não pela crença em si, mas pelo fato de a grande maioria dos que creem nisso ignoram o fato de que a matéria é em todo caso intangível e invisível. Ora, Tomé não tocou nas chagas de Jesus e nem o viu a sua frente, ele apenas – supondo que o relato é real – sentiu a pressão dos elétrons se repelindo mutuamente (de sua mão e do corpo de Jesus) e percebeu os quantas de luz refletidos por seu corpo.

Tivessem eles conhecimento dos avanços da ciência moderna, se questionariam se existe assim tanta diferença entre um corpo e um espírito, ou por assim dizer entre um espírito encarnado em um corpo, e outro desencarnado. Sim, pois se eles já creem em tantas coisas jamais detectadas, o que custaria crer em seres não imateriais, mas compostos por matéria ainda desconhecida, conforme postulou Bahram Elahi?

Os espíritas, por exemplo, também são materialistas, apenas não compartilham dos mesmos dogmas de alguns cristãos. Vejamos a pergunta #82 do Livro dos Espíritos de Allan Kardec: “É certo dizer que os espíritos são imateriais?” – Para surpresa de muitos, os próprios espíritos que ditavam as respostas para as jovens médiuns que auxiliavam o cientista francês trouxeram a seguinte resposta: “Imaterial não é o termo apropriado; incorpóreo, seria mais exato; pois deves compreender que, sendo uma criação, o espírito deve ser alguma coisa. É uma matéria quintessenciada, para a qual não dispondes de analogias, e tão eterizada que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.” Ora, hoje em dia talvez fosse possível fazer analogias mais próximas – “Matéria Escura” seria uma delas.

Entretanto, sé é muito custoso para os céticos e materialistas anti-subjetivos acreditarem que consciências possam existir longe de cérebros feitos da matéria que já conhecemos, que isso não seja uma barreira intransponível entre nós, espiritualistas, e eles…

Carl Sagan resume muito bem a questão em seu livro “O mundo assombrado pelos demônios” – para alguns “a bíblia do ceticismo”:

“Espírito” vem da palavra latina que significa “respirar”. O que respiramos é o ar, que é certamente matéria, por mais fina que seja. Apesar do uso em contrário, não há na palavra “espiritual” nenhuma inferência necessária de que estamos falando de algo que não seja matéria (inclusive aquela de que é feito o cérebro), ou de algo que esteja fora do domínio da ciência. De vez em quando, sinto-me livre para empregar a palavra. A ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade. Quando reconhecemos nosso lugar na imensidão de anos-luz e no transcorrer das eras, quando compreendemos a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, então o sentimento sublime, misto de júbilo e humildade, é certamente espiritual. Como também são espirituais as nossas emoções diante da grande arte, música ou literatura, ou de atos de coragem altruísta exemplar como os de Mahatma Gandhi ou Martin Luther King. A noção de que a ciência e a espiritualidade são de alguma maneira mutuamente exclusivas presta um desserviço a ambas.

Existam espíritos ou não, o primeiro espírito que precisamos conhecer é o nosso próprio, ainda que não passe de um efeito de nosso processo de consciência. Os primeiros cientistas na Grécia antiga, na Sicília e na ilha de Samos, já buscavam a Substância que dava origem e todas as outras – o fogo, a terra, o ar, a água? Tanto faz se estavam equivocados; Assim como Demócrito equivocou-se em sua abordagem dos átomos mas estava fundamentalmente correto em suas analogias, eles da mesma forma estavam… Todos chegaram a resultados errôneos, mas acertaram profundamente em sua busca.

Inspirado por tais sábios de outrora, o grande Benedito Espinosa chegou à conclusão definitiva em sua “Ética”: “uma substância não pode criar a si mesma” – Sim, tudo, tudo o que há, há de advir de uma única Substância, incriada, eterna, a que se opõe ao nada…

E ainda que tudo o que exista sejam “átomos e vazio” e que nossas vidas não passem de um breve lampejar de vela em noite de ventania, há espiritualidade suficiente na ideia de que estamos sim todos conectados, todos feitos das mesmas substâncias, filhos de fusões nucleares em sóis catapultados em uma imensidão que nem mesmo a luz pode dizer onde acaba.

Nós somos os filhos do horizonte, e nosso único e derradeiro pecado é ignorar tal necessidade de vislumbrar nossa essência uma vez mais – não como Tomé a apalpar as chagas do messias, mas como aqueles que perceberam tanto o mundo material quanto o espiritual, e não souberam dizer ao certo qual é o mais bonito.

Disse Jesus: se vocês disserem qual a vossa origem, dizei-lhes: viemos da Luz, de onde a Luz se originou dela mesma. Ela permaneceu e revelou-se a si mesma em sua imagem. Se vos disserem quem sois vós, dizei-lhes: somos seus filhos e somos eleitos do Pai Vivo. Se vos perguntarem qual é o sinal do vosso Pai em vós, respondei-lhes: é o movimento e o repouso. (O Evangelho de Tomé [o Dídimo] – v.50)

***

Crédito das imagens: [topo] Aidan McHae Thomson; [ao longo] Holger Spiering/Westend61/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#CarlSagan #Filosofia #materialismo #Espiritismo #Espinosa

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Deus no Taoismo

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Uma das perguntas que soam bastante freqüentes quando eu falo sobre Taoismo é o clássico “os taoistas acreditam em Deus?”. Isso é bastante natural vindo de um ocidental, nascido e criado em uma tradição judaico-cristã, mas pode ser bastante difícil de responder do ponto de vista oriental.

Se você pensar em termos de um Deus antropomorfizado, que possui sensações e sentimentos humanos, vigia a humanidade de barba branca e tem “favoritos” entre as pessoas, a resposta é “não”. Se você imaginar Deus como um princípio ordenador, sem forma mas dotado de consciência e que permeia todo o universo, a resposta é “sim”.

Muitos traduzem “Tao” simplesmente por “Deus”, mas é um erro de metafísica já que são coisas diferentes. O Tao é um conceito muito complexo, que extrapola a mera racionalidade humana.

Aí o leitor atento pergunta: “mas Deus não é um só?”. Sim, claro, mas mudam as formas como os povos O compreendem. No Oriente a concepção de Deus como pregada nas religiões reveladas (Cristianismo, Judaísmo e Islamismo) é algo desconhecido. Quando os missionários cristãos pregaram na China tiveram uma dificuldade imensa pois os chineses não conseguiam entender a idéia de um Deus Único, Criador e Onipotente. Então usaram o termo “shen” para traduzir “Deus”, por significar algo parecido. Mesmo assim não tiveram muito sucesso, pois esse conceito continua obscuro para os chineses. Os missionários, então, se concentraram na figura de Jesus, pois um homem sábio que vagava pela terra acompanhado de discípulos e ensinando a todos é coisa bem comum na história chinesa. Confúcio mesmo fez muito disso.

Shen é um termo em chinês muito difícil de ser traduzido, pois pode significar “alma”, “espírito” ou “divindade”. A religião primitiva da China, que não tem fundador nem origem conhecida, passou a ser chamada de Shendao (“Caminho do Shen”) a partir da Dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) para se diferenciar do Taoismo e, principalmente, do Budismo (Fodao). Curioso que em japonês o termo “Shendao” se pronuncia “Shinto”, a religião tradicional japonesa. Shen, de modo isolado, se pronuncia Kami em japonês. Como pode perceber, tudo está conectado.

Enquanto crescia como religião organizada, o Taoismo foi incorporando muitos desses rituais e crenças do Shendao, que eram bastante populares. Isso tornou o Taoismo muito próximo da população, favorecendo que sua profunda filosofia pudesse ser divulgada até as camadas mais simples. O grau de fusão entre a filosofia taoista e as práticas tradicionais se tornou tão grande que hoje é difícil separá-los.

Para o Taoismo, o universo com todo o seu tamanho imenso e infinita complexidade gera uma consciência. Assim como nossos neurônios somados formam uma mente consciente, a miríade de objetos no universo também forma uma consciência. Essa consciência organiza e mantém tudo funcionando. Quando se reza, é para essa consciência que nos voltamos. Quando dizemos que buscamos o Tao, é dessa consciência que nos aproximamos em primeiro lugar. Estamos imersos nele e ao mesmo tempo somos parte dele.

Essa consciência é identificada na religião taoista com o Rei de Jade ou Imperador de Jade. Ele tem esse nome em razão do jade ser considerado um símbolo da pureza absoluta. É o administrador do Universo, o guardião do Tao. É a mais alta divindade do panteão taoista. Então, quando se faz uma oferenda ou se acende um incenso ao Rei de Jade, na verdade invocamos a Consciência Universal. A religião taoista possui quase sempre duas leituras, a mais simples e popular e a mais sofisticada e filosófica.

É interessante que na Medicina Chinesa haja uma grande preocupação em manter o espírito sereno e tranqüilo. É a principal causa da saúde ou da doença. Espírito, nesse caso, é chamado de “shen”. Como o ideograma é o mesmo do Shen universal, trata-se do mesmo princípio. Desse modo temos uma centelha da Consciência Universal dentro de nós, ancorado no Coração (Xin).

Para o Taoismo, Deus não apenas existe como habita em nosso peito.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao

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Seria Thelema a Religião do Novo Æon?

Por Jonatas Lacerda

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Seria Thelema a Religião do Novo Æon? Esta é uma questão extremamente complexa e sua resposta, por mais que seja realmente muito simples não pode ser dada sem ir um pouco além.

A resposta é não, Thelema não é a Religião do Novo Æon, assim como Thelema também não é uma filosofia, um sistema místico, mágico ou ainda um sistema político. Thelema é puramente a palavra de Lei que foi proferida pelo Magus do Æon (Aleister Crowley) e ela não pode ser qualquer outra coisa senão a palavra que rege as questões da Lei.

Muito do que é coberto pelo assunto utiliza citações de textos do próprio Crowley para validar ou invalidar a tese de que Thelema é uma Religião. A questão básica neste aspecto é que a cronologia das citações não é respeitada e com isso nada pode ser realmente validado, já que Crowley evoluiu juntamente com sua descoberta e sua maior tarefa foi tentar interpretar o significado todo desse novo processo que foi iniciado em 1904 e.v..

Declarar Thelema como algo específico (e não como algo aplicável) é simplesmente, limitar o campo de atuação retraindo sua abrangência e dificultando a expansão da ideia de forma global.

Um Æon é um espaço de tempo e esse espaço de tempo é regido por alguns conceitos em particular. Thelema (Vontade) pode ser colocada, para simplificar como um desses conceitos. O ponto é que existem diversos fatores que coexistem independentemente das eras e o que difere esses fatores (de uma era para outra), é a fórmula de aplicação e é aí que mora o segredo, não há como esperar mudanças extremas, já que o próprio processo evolutivo é vivenciado paulatinamente. Sim! não acrediteis em mudanças; vós sereis como sois e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Não existe ninguém que deverá ser rebaixado ou elevado: tudo é sempre como foi. – AL II:58.

A Lei de Thelema provê fórmulas consistentes e funcionais que podem ser aplicadas em todos os campos que conhecemos desde a vida pessoal, ao trabalho, à política, à religião, ao misticismo, à magia; enfim, sendo a palavra de Lei, ela rege a Lei de todos os campos conhecidos pela mente humana e sua aplicabilidade é tão extensa que seria impossível citar tudo em um texto tão curto. A palavra de Lei não é o fim e sim o meio para se alcançar novos horizontes e com a análise correta, tudo o que conhecemos pode passar pela fórmula dessa palavra de Lei e pela Lei em si, tornando-se assim, Thelêmico.

Falando explicitamente sobre religião, o que podemos perceber é que ainda há muito preconceito dentro dos próprios meios Thelêmicos. E esse preconceito talvez seja um pouco prematuro, já que na verdade nós devemos nos opor às religiões que castram e escravizam seus adeptos e não ao conceito como um todo. A religião em si, não é danosa quando vista a partir do ponto de vista da Lei da Vontade. “O MUNDO PRECISA DE RELIGIÃO. Religião deve representar a Verdade e, celebrá-la. Essa verdade é de duas ordens: a primeira, relativa à Natureza externa do Homem; a segunda, relativa à natureza interna do Homem. Existem religiões, especialmente o Cristianismo, que são baseadas na primitiva ignorância dos fatos, particularmente de natureza externa. Celebrações devem ser conforme o costume e a natureza do povo. O Cristianismo destruiu as alegres festividades, caracterizadas pela música, dança, festas e o ato de fazer amor, e apenas manteve a melancolia.” – Editorial do The Equinox, vol. III nº I (The Blue Equinox). A maior questão é que, é possível sim explorar a religião de forma que ela ainda dê bons frutos aos seus adeptos, não deixando de ser um processo Místico, onde rituais são utilizados de forma a conectar o indivíduo com Deus. Perceba que essa conexão não é com um ente celestial todo poderoso, mas sim com o Deus interno, a própria divindade de cada ser, que pode ser encontrada de diversas formas, por diversos meios.

Um ponto importante a frisar é que ao aplicar as fórmulas da Lei de Thelema no contexto “religioso” todos os processos que são conflitantes devem ser eliminados, de forma que o adepto consiga vivenciar o processo sem ferir a sua natureza. Vêde! os rituais do tempo antigo são negros. Que os maus sejam atirados longe; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá corretamente. – AL II:5.

Religião do latim religare, significa se religar com o divino e este é o ponto mais sensível e que causa mais repulsa entre aqueles que são de nós, já que em teoria não haveria ao que se religar, já que não existe deus senão o homem. Porém, o processo não funciona bem assim, na verdade nossa Grande Obra é o trabalho de se religar com a nossa própria divindade, isto é, com o nosso Santo Anjo Guardião e depois disso trabalhar no processo da nossa Verdadeira Vontade, onde o ponto de vista é alterado e a cada passo se olha mais pela humanidade, se religando assim ao corpo dos corpos, o todo. Com isso, percebemos a sutileza do mote da A? A?: o método da Ciência; o objetivo da Religião.

O mais importante neste Novo Æon de Hórus é perceber o nível de liberdade que alcançamos: quem quer ficar preso à era passada, que fique; quem quer seguir nesta luz, que siga; todos nós temos o direito de acreditar ou não em qualquer divindade ou força, já que o poder criador infinito e supremo está em cada um de nós. Não existe mais diferença entre o profano, o santo ou o santíssimo, todo homem e toda mulher é uma estrela, integrados ao corpo celestial de forma única e infinita.

O mais importante é sempre trabalhar para não restringir os campos de atuação da Lei de Thelema e do Novo Æon, já que a resultante dessa restrição é a regressão no processo de emancipação da mente humana que foi iniciado em 1904 e.v.. A aplicabilidade das fórmulas encontradas em Liber Legis é extensa e abrangente e essa premissa, todos nós temos que manter sempre em mente.

Por fim, é importante ressaltar as palavras de Mestre Therion (Aleister Crowley) no Magick Without Tears: “Chame isso de uma nova religião, então, se isso tanto agrada a vossa Graciosa Majestade; mas confesso que não vejo o que você ganhará ao fazer isso, e sinto-me obrigado a acrescentar que você pode facilmente causar um grande mal-entendido, e causar um tipo estúpido de injúria em particular.”.[1] Amor é a lei, amor sob vontade.

Publicado originalmente em Thelema.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/seria-thelema-a-religi%C3%A3o-do-novo-%C3%A6on

Bruxas e Heróis – Semideuses ou Humanos Ordinários Vivendo Vidas Extraordinárias?

Por Katy de Mattos Frisvold

Em nossa sociedade ocidental, o conceito de semideuses pode ser melhor compreendido observando a natureza dual dos heróis gregos e o tema do nascimento, que se repete em vários mitos. Aqui descobrimos que sempre um dos pais do herói é um Deus ou uma Deusa dando à criança qualidades e habilidades que são tanto humanas quanto divinas – o que permite o cruzamento e a mediação entre mundos mesmo após a morte.

Em outras tradições pagãs [não confundir com o neopaganismo contemporâneo] onde esta fusão dos dois mundos, humano e divino, estava viva, encontramos que a ideia de iniciação refletia esta possibilidade onde o neófito ou peregrino era considerado “renascido” como “filho” de, ou protegido por sua divindade tutelar. Encontramos exemplos de tal significado nos rituais de iniciação: Júlio Gaio César foi consagrado a Vênus e Alexandre, o Grande a Amon. César foi, com todos os direitos conferidos pelos sacerdotes de Vênus, concebido como um semideus – um ser de dois mundos que caminha na terra, ao contrário de um humano comum. A ideia de santos guardiães encontrada no cristianismo poderia ser rastreada até a prática; mesmo tu, a Igreja castraste as qualidades mais libertinas das divindades, em favor da castidade.

Quando um semideus se torna um herói – e aqui devo ressaltar que nem todos esses heróis seguem um modelo marcial de abnegação – um outro tema é abordado. Eles deixam poucos descendentes e, portanto, raramente um herdeiro – na verdade, com bastante frequência o herói nem sequer é dado um funeral adequado. Os ‘Encantados’ (literalmente, encantados, pessoas extraordinárias que desaparecem repentinamente na floresta ou enquanto executam atos heroicos) e os heróis, dada sua extraordinária vida e falta de um funeral adequado, os fariam parte da classe de espíritos conhecidos como ‘mortos inquietos’. Além disso, esses mortos inquietos serão então, por sua constituição espiritual, encontrados em áreas onde as fronteiras entre os mundos se encontram e, portanto, estão ao alcance da mão para receber petições de seres humanos através da arte da necromancia.

De maneira semelhante, a crença das Bruxas é que através do sangue e do vinculum (vínculo) feito através da iniciação, encontramos a ideia completa resultando no nascimento mítico das marcadas, as bruxas (que são conhecidas como a raça dos dragões; os filhos de Semjaza (ou Samyaza) e a posteridade de Caim são exemplos disso). Ela, a bruxa, segue um padrão semelhante, marcado por seu papel crucial na criação, de formas que afirmam o tema do herói. Pode ser a bruxa da floresta, a mãe, ou a parteira, como pode ser visto no mito de Herácles (Hércules) [1] e sua relação com sua atormentadora e deusa tutelar, Hera. E como tal, como o herói é o que ele é em virtude do nascimento, a bruxa que conhece seus ancestrais também saberá que não há limites para o que ela pode alcançar em sua extraordinária vida. O herói por acidente e a bruxa, inconsciente, nascem ambos pelas mãos capazes do trapaceiro Hermes, e se você se afasta de uma vida extraordinária ou se levanta para o desafio, sempre dependerá de quão dispostos estão a quebrar velhos paradigmas.

Nota:

[1] Herácles significa literalmente, a “Glória de Hera”.

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Fonte: http://www.starrycave.com/2011/10/witches-heroes-demi-gods-or-ordinary.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/bruxas-e-herois-semideuses-ou-humanos-ordinarios-vivendo-vidas-extraordinarias/

Cristozofrenia: Perca a Cabeça. Ponha a de Cristo no Lugar

Imagine que você percebe que quer ir ao banheiro. Na verdade você não apenas quer, você precisa MUITO ir ao banheiro. No meio do seu sufoco você entra em um bar, o primeiro que aparece, e pergunta onde fica a porcelana. O atendente, percebendo que você não vai consumir nada, mas de bom humor aponta para uma portinha nos fundos. O que você faz?

A) Agradece, entra correndo, atravessa a porta e lá dentro se alivia.

B) Agradece, entra correndo, senta na frente da porta e fica lá no chão sentado esperando o tempo passar.

Antes de responder leia novamente as duas opções com calma porque em um primeiro momento ambas parecem ser exatamente a mesma coisa. Não são.

Jesus veio para a terra, ele conheceu gente, ensinou, fez milagres, falou de Deus, do reino dos Céus, prometeu o paraíso para um ladrão, morreu, voltou, andou por ai mais um pouco. Mais do que esperança, ele trouxe uma promessa para um mundo que estava atolado na merda. É como se ele dissesse: “Gente, isso aqui deveria ser simples e fácil! Até as pombas sabem viver bem, e vocês complicam tudo!” (Mateus 6:26) e outras coisas do gênero. Ele ensinou que tanto os cobradores quanto as dividas devem ser perdoados. Disse para não ter as pessoas como inimigos, mas para abraçar aqueles que lhe perseguem, e se no processo tomar uma bolacha, oferecer ainda a outra face. Mas ele também  amaldiçoava árvores (Marcos 11:13), chicoteava camelôs (João 2:13-16) e rasgava dinheiro (Lucas 20:25).

O motivo que levava Jesus a fazer e dizer essas coisas era simples. Jesus era completamente maluco. Louco, pinel, lélé da cuca, e não apenas isso, mas tinha uma loucura contagiante e queria todo mundo a ser loucos como ele. Se você está se sentindo ofendido com essa afirmacão ótimo, continue lendo, mas se quiser ir ao banheiro se segure mais um pouco, não pense nas águas do Jordão fluindo.

Para a razão do mundo, todo cristão é louco, e Jesus é o rei do hospício. Ele não joga pelas regras da natureza, mas trapaceia elas o tempo todo. Ele perverte a Lei da Selva e ensina leões a conviverem com cordeiros. Ele perverte a Lei do Forte e ensina que ser grande é ser pequeno (Mateus 18:1-4) e servir é governar (Mateus 23:11). Em Coríntios lemos que a loucura de de Deus é mais sábia do que a sabedoria dos homens, e Jesus nos mostra o caminho exato para chegarmos lá, ele nos diz: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)

E aqui entra a resposta para a pergunta que fizemos acima. Se você precisa de alívio sente no trono. Se você se sentar na porta, tudo o que vai conseguir é dor de barriga, uma bexiga descolada e uma sujeira das grandes. Se Jesus diz eu sou o CAMINHO, a VERDADE, a VIDA e que ninguém, NINGUÉM vai ao Pai se não for através dele, por que então as pessoas criam igrejas e templos e ficam só repetindo o que ele disse e contemplando sua imagem ao invés de seguir o caminho, a verdade e a vida que ele nos mostrou?  Por que as pessoas ficam adorando a porta, mas não o lugar ao qual ela leva?

Cristo estava cercado de macacos, sempre esteve, sempre estará. Na verdade ele gostava tanto de nosso polegar opositor que fez a si mesmo como um macaco e viveu entre macacos e foi morto por macacos que o pregaram em uma árvore, bem ao estilo símeo. Ele sentiu e experimentou a vida macaca em toda sua plenitude. Ele sentiu fome (Lucas 4:2), sentiu sono (Lucas 8:23), cansaço (João 4:6) e tristeza (Mateus 26:37). A Bíblia não diz, mas provavelmente ele sentiu tesão, dor de barriga e provavelmente coçou o saco de vez em quando também – aquela região era quente pra dedéu e a roupa devia ficar colando o tempo todo.

E ele sabia o que é ser um macaco como eu e você, por isso tentou ser específico e simples ao extremo. Ele sabia que iria apontar para a lua e, ao invés de olhar para a lua, seus seguidores ficariam olhando para o seu dedo. Jesus então fez um sermão simples e direto onde explicou tudo o que fariam de errado em nome dele.

Sobre os templos evangélicos e igrejas barulhentas que seriam criadas, ele disse:

“E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens.” (Mateus 6:5)

Sobre procurar se vestir bem ele disse:

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida,[…] quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?”

Sobre o povo que perturba os outros nas praças ou visitando todo domingo para empurrar sua versão da bíblia goela abaixo:

“E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” (Mateus 10:14)

Sobre as pessoas que ainda pedissem dinheiro para qualquer projeto ligado à divulgação da palavra:

“de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8)

E ainda sobre os futuros pastores, apóstolos, profetas e religiosos, padres e bispos ele disse:

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:22-23)

Jesus, falando pausadamente e sem palavras difíceis, simplesmente disse para que todo mundo apenas vivesse a própria vida (João 10.10), não incomodasse aos outros(João 8:7), não julgasse (Mateus 7:1), não se julgasse melhor (Mateus 18:1-4) e não usasse Deus como forma de ganhar o dinheiro do cafezinho (Mateus 10:7-10). E hoje vimos no que deu. Não porque todos os macacos, como eu e você, sejamos gananciosos e oportunistas, somos simplesmente burros e limitados. Mas a intenção de Jesus era nos libertar. Jesus sempre soube que onde não há ordem não há opressão. Ele veio não para trazer uma nova ordem, mas para acabar com qualquer tipo de ordem existente (Mateus 10:18-22 e 10:34), não nos trazer a sabedoria, mas nos inflamar com a loucura de Deus, assim como ele era inflamado.

E agora, você se levantará para usar a privada, ou continuará sentado na frente da porta do banheiro atrapalhando as outras pessoas que querem usar as instalações que nos foram prometidas? Jesus não é apenas o atendente que apontou para a porta do banheiro. Jesus é o banheiro.

I. Perdendo Nossa Cabeça

Não Alimente Dogmas, Eles São Prejudiciais

Jesus é nossa autoestrada para o paraíso. É o caminho reto e rápido para o reino dos céus. Mas quando os macacos viram aquela estrada tão bem pavimentada construíram pedágios por toda ela e exigiam alguns cachos de banana de qualquer um que tentasse usá-la. Estes pedágios são cobrados pelas instituições religiosas (Não confunda com a Igreja: a comunhão universal de todos os santos). Estas instituições, seja católica, ortodoxa, protestante, ou seja lá qual for a denominação que criem para se rotular, se auto-intitularam relações públicas de Cristo na terra, os porta vozes do porta voz de Deus,e convenhamos, todos tem feito um péssimo trabalho. Pense nas críticas que ouviu contra a religião, ou nas críticas que você mesmo tem em relação à religião, e pare para refletir se o que é ruim é a religião ou a religião institucionalizada. Quem é contra o sexo? A religião ou a religião institucionalizada? Quem é contra a liberdade? A religião ou a religião institucionalizada? Quem quer regularizar a diversão? A religião ou a religião institucionalizada? Quem quer o seu dinheiro? A sua submissão? O seu arrependimento?

Cristo transformava água em vinho, e não o contrário. Cristo mandava cada um cuidar da própria vida e não ficar tentando tomar conta da vida dos outros. Cristo fazia demônios entrarem em porcos, e não achava ruim quando alguma mulher passava óleo nos pés dele e espalhava usando os cabelos. Assim a primeira coisa que você tem que tirar da cabeça são os dogmas.

Mas Jesus sabia que os macacos adoram dogmas tanto quanto gostam de banana e de se esfregar uns nos outros. Toda sociedade constituida têm ou inventa seus próprios dogmas. Somos viciados em certezas. Ao ponto de que se não tivermos certeza de nada vamos inventar algumas nas quais acreditar, é o famoso “até que se prove o contrário…”. Estes dogmas tem sido usados para manter estruturas de poder por toda a história registrada e por aquela documentada através da tradição oral. Jesus sabia disso e assim nos deu um dogma no qual acreditar. Não um dogma qualquer, mas um dogma que é um “anti-dogma” capaz de nos salvar dos demais. O “Grande dogma” para acabar com todos os outros dogmas para sempre. A saber: Jesus morreu para pagar por seus erros. Quais erros? Todos eles. Não importa o quão devassa ou podre seja a sua vida, você está salvo, perdoado e livre dos pecados. Jesus foi humilhado, jogado de um lado par ao outro, torturado, humilhado de novo e finalmente pregado em uma cruz pra garantir isso. Você quer ter certeza de alguma coisa? Tenha certeza que você é livre.

Livre de tudo o que tentam empurrar para você como sendo aquilo que Deus quer. Procure na Bíblia uma condenação a se apaixonar, seja por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo que você, a assistir televisão, a praticar sexo antes do casamento. Cristo disse: “ame ao próximo como eu vos amei”, e foi um amor que o levou a ser torturado e morto. Amor não é algo sutil e que pode ser escondido, Jesus nos amava tanto que suava sangue, ama a todos da mesma forma intensa e insana. Esse amor às vezes contagia os cristãos e os leva a querer fazer algo em retorno. Nada pode pagar um amor superdotado como o de Jesus, mas podemos ao menos declarar nossa gratidão. Isso tem sido feito desde aquela época em Jerusalém através do batismo.

Um balde de água fria.

O sentido original do batismo era a compreensão desta lavagem que Deus proporcionou a humanidade. Se você não foi batizado ainda, peça para um amigo cristão (qualquer cristão) derramar um pouco de água na sua cabeça e declarar que você está redimido em nome de Jesus. O ritual externo não é tão importante quanto o sentido interno que este ato tiver para você. O lance aqui é se livrar de toda culpa que nos impede de sermos como Cristo foi e de nos aproximarmos de Deus como ele se aproximou. E a culpa não é como piolho que sai da sua cabeça ao ser lavada, ela existe dentro da sua cabeça e para tirar ela você precisa perder a cabeça e colocar a cabeça de Cristo no lugar. Lembre-se que já fomos todos lavados do pecado com a morte dele na cruz, assim o batismo não tem nada a ver com pecado, é simplesmente uma forma de você aceitar que não tem mais culpas.

É impossivel amar Jesus na mesma medida que ele nos ama. O batismo é só uma forma tosca de expressar isso publicamente. É como aqueles cartões mal feitos do dia das mães, são tão baratos que com o dinheiro deles não conseguiríamos nem pagar o lanche do recreio quando mais tudo o que as mães fizeram e fazem por nós. Mas elas gostam de recebê-los mesmo assim.

Abra Sua Mente

Jesus nunca criou grupos de exclusão. Ele não dizia: apenas curem os justos! Ele dizia que Deus faz chover sobre os justos e os injustos! Ele não falava para julgarmos quem era justo ou injusto, ele falava para não julgarmos e ponto final. Jesus abraçava leprosos, curava gente à distância sem nem querer saber quem eram e o que faziam e ainda falava pra pessoas que putas também eram gente.

Ele pregava para pessoas de outras religiões, batia-papo com os guardas do Império que oprimia seu povo e não baixava a cabeça para o que os sacerdotes diziam que era certo. Você sabe o que é um Samaritano? Hoje “samaritano” é sinônimo de boa gente, boa pessoa. Na época de Jesus um samaritano era alguém para ser ignorado e desprezado. Mas Jesus conversava e ensinava eles. Ele amou tanto os samararitanos que mudou o sentido da palavra! Faça como ele, experimente culturas diferentes. Coexista com todos. Se Deus criou tudo, ele criou os budistas, os israelitas, os mulçumanos, os ateus e mesmo as stripers. Quando vemos um jardim com flores de várias cores damos glória a Deus, mas quando vemos um jardim com pessoas de várias cores amaldiçoamos as flores! Siga o exemplo de Cristo, conviva com todas culturas e veja como Deus é grandioso em sua diversidade, e como através de Sua diversidade conseguimos vê-Lo de forma mais completa.

Just say Wow!

Da mesma forma Jesus chamava sacerdotes de ateus hipócritas, pessoas que lucram com a fé eram açoitadas. Ele não engolia cargos criados pelos homens, ele adorava a liberdade criada por Deus. Faça o mesmo. Extravase toda a sua frustração com a maneira bizarra que as pessoas andam pregando a fé do amor, lembre-se “amar ao próximo e perdoar seus inimigos” não significa ser um idiota.

Era considerado pecado se trabalhar no Sábado. Jesus trabalhou. Era errado questionar as autoridades religiosas. Jesus questionou. Era considerado impureza andar entre doentes. Jesus andou. Ele sabia quebrar as regras do livro. Tente fazer o mesmo. Pegue sua Bíblia e a queime. Acha que vai ser castigado? Atrairá a fúria de Deus para você? Jesus não andava com a Torah debaixo do braço. Ele nunca disse que o homem deve se alimentar da palavra impressa no papel encadernado em couro, mas das palavras que saem da boca de Deus, e as palavras que saem da boca de Deus falam direto ao coração de cada um, não apenas aos olhos dos alfabetizados. Queime ou jogue fora sua Bíblia e veja como se sente. Lembre-se: Moisés pode ter trazido a Lei escrita em pedra, mas Jesus escrevia na areia (joão 8:8). Você acha que Pedro, Paulo ou qualquer outro apóstolo tinha uma Bíblia nas suas pastinhas? De forma nenhuma, eles nem tinham pastinhas. Jesus foi específico ao dizer que “Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.” (Lucas 9:3). Se na hora de se livrar do seu livro você se sentir estranho, não se preocupe, são as amarras se partindo, você pode achar que queimar a bíblia ou jogá-la fora é loucura, e espere só para ver, isso não chega perto das loucuras que você ainda vai cometer, quando terminar você estará caminhando sobre as águas de alegria. Uma bíblia de papel pode ser queimada, mas não a palavra no coração. Pois é ela que queima tudo o que toca.

Seja Herege e abrace a Heresia

Heresia é por definição “qualquer doutrina contrária àquela aceita como oficial”. Para entender melhor vamos dar um exemplo mais claro. Onde Cristo nasceu e viveu, o Judaismo era a doutrina oficial, entregue por Deus para os homens diretamente via Moisés. Assim, ir contra a religião que havia sido entregue aos homens era heresia. Se ao invés de apedrejar uma mulher adúltera você condenasse aqueles que queriam levar a cabo a Lei de Deus, você era um herege. Se você desrespeitasse um dia que era reservado apenas a orações, você é herege. Se você falasse, “pare de acreditar em Deus por causa dos milagres d’Ele, acredite em Deus porque você está de barriga cheia”, é um herege.

Jesus fez tudo isso, e muito mais. Ele chegou a um ponto de parar de tentar fazer os sacerdotes seguirem a lógica dele a passou apenas a dar respostas rápidas e malacas, apenas para se tocarem de como eram idiotas. No fim Jesus rasgou o véu do Templo mais sagrado. Como Jesus, pare de respeitar a fé alheia, e respeite aquilo que Deus fala em seu coração. Respeito é algo que deve ser conquistado, não dado de graça só porque alguém te diz que ele ou ela é a sua ligação com Deus. Se a pessoa que disser isso não for o próprio Cristo, então você não deve nada a ela, nem à obra que ela ergueu.

Quando falarem que por exemplo Homossexualismo é pecado, lembre às pessoas que Jesus teve dois pais. Quando falarem que sexo antes do casamento é errado diga que quem disse isso foi Paulo de Tarso e ele deixou claro que essa era a opinião dele, não de Deus. Quando falarem que você precisa ir orar na igreja porque está se desviando, diga que Cristo desprezava quem vai pra igreja orar, que depois você faz isso como ele fazia, no seu quarto, sem ficar se exibindo para os outros. (Mateus 6:5-15)

Higienize-se

Da mesma forma que você já se livrou da sua Bíblia, pare de ir ao seu culto ou à sua igreja. Evite também ir a comícios políticos ou a “encontros de estudo” organizados pelos líderes religiosos. Um pouco de isolamento pode fazer muito bem de vez em quando. Considere que mesmo Jesus ficou quarenta dias isolado no deserto para poder esclarecer as ideias antes de começar seu ministério.

A religião institucionalizada são responsáveis por grande parte da merda que a liberdade de hoje se tornou, mas não é a única. Se você não sabe tomar conta de si mesmo, aprenda. Não espere que os outros façam isso por você. Se não sabe pensar sozinho é melhor não pensar nada, com certeza sofrerá menos prejuízo do que se sair pedindo para os outros pensarem por você.  Marque um encontro com Cristo e passe um tempo em silêncio com ele. Se preciso jogue seus livros doutrinários fora ou os distribua  para os mendigos se aquecerem Melhor ainda passe uma noite com os mendigos, longe das influências do mundo que te cercam e te controlam. Lembre-se que faculdades e escolas devemo um objetivo, caso esteja estudando apenas por um diploma desista e compre um supositório. Pare de repetir o que vem sendo dito há séculos e milênios e comece a dizer coisas novas, era o que Jesus fazia.

Abrace o inimigo

Quando Jesus estava jejuando no deserto e o diabo apareceu, o que ele fez? Saiu correndo? Ficou gritando TE EXPULSO EM NOME DE DEUS? Ele ficou gritando: MENTIRAAAAAAAAAAAAAAAAA! pra tudo o que o diabo dizia? Não. Ele saiu para passear com ele e ouvir o que ele tinha a dizer.

Ele vencia as tentações em vez de fingir que elas não existiam. Se você acredita que o cirstianismo é a única maneira de se ter acesso à Palavra de Deus, lembre-se do que disse Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.” ele não disse: Na casa de meu Pai há um único e enorme cômodo homogênio!

Se a verdade absoluta fosse tão importante, teríamos algumas partes da Bíblia falando dela. E temos! Mas vejamos qual é a a bordagem do Cordeiro de Deus:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32. Ou seja, se a sua verdade está te escravizando, tornando você menor e mais fechado, então não é a Verdade da qual ele falava. A Verdade de Cristo era era ele mesmo (João  6:47, 8:58, 10:7, 17:17). Ele é aquele grande dogma que falamos acima e que realmente liberta.

Toda a crença forte em algo possui um crença oposta, que é tão forte e verdadeira. Isso é o resultado do dualismo em que nossa mente existe. E isso não acontece apenas com religião. Fale de socialismo a um capitalista, fale de gnose a um agnóstico. Fale de fé com um pseudo ateu. Se toda força cria uma força oposta de igual intensidade, então a sua crença, seja religiosa, política, sexual, ou do tipo que for, vai ser falha. No momento que você começa a enxergar Deus naquilo que se opõe à sua crença, vai descobrir a besteira que é achar que tudo tem um oposto. Homossexualismo é errado? Os mulçumanos deturpam a palavra? Stephen Hakiwns quer desviar todos os filhos do caminho de Deus? Aquela menina é vagabunda e invejosa?

Temos a tendência de dividir as pessoas entre amigos e inimigos. Em cada momento da história arranjamos uma boa desculpa: Romanos versus Bárbaros; Padres versus Bruxas; Templários versus Mouros. Jesus ensinou que isso é uma grande bobagem. Na época dele todo mundo já “amava seus amigos e odiava seus inimigos.” (Mateus 5:43-44). Mas ele ensinou que devemos fazer o bem até aos que nos odeiam e perseguem.

Pense no seguinte: se Deus nos ama, por que permite o sofrimento no mundo? Se sua crença é idiota e falha pode argumentar que o sofrimento serve para nos fazer crescer, ou que o sofrimento será recompensado de forma a não nos incomodar mais no paraíso, ou mesmo que Deus como todo bom pai que dá o livre arbítrio aos filhos não gosta de vê-los sofrer, mas também não impede que eles exerçam o livre arbítrio, apenas os consola no final das contas.

Se livre de uma mente lógica e dualista. Por que Deus permite que exista o sofrimento? Quem disse que existe o sofrimento. Se levar um choque cada vez que você coloca o dedo na tomada te incomoda e causa dor, pare de por o dedo na tomada e falar que a culpa é do eletricista ou que ele não existe, pois se existisse teria feito uma tomada que solta algodão doce e não correntes de elétrons.

Conheça Suas Necessidades

Deus criou seu corpo como criou. Foi ele que decidiu que o anus ficaria na altura do pênis e que nossos braços seriam suficientemente compridos para tocar em nossa genitália. Quando ele criou o primeiro casal ele NUNCA disse: isso pode fazer, aquilo não. A boca não foi criada para isso. POR MIM, EVA, ESSA POSIÇÃO ME OFENDE, PARE COM ISSO E NÃO FAÇA NUNCA MAIS! Ele fez as pessoas e as deixou para crescer e multiplicar, não deixou o guia moral de como exatamente crescer e se multiplicar.

Deus vê tudo, presente passado e futuro. Como vimos com José no egito, com Daniel, Ezequiel e João e todos os profetas, Deus dava dicas do futuro,  se Ele achasse inseminação artificial algo pavoroso teria dito: não deitarás tua semente num copinho para ser aproveitada posteriormente. Se achasse que sexo anal era errado teria feito o ânus quadrado e com dentes ou deixaria bem claro nas escrituras, sem que os teólogos tivessem que distorcer tanto a palavra, para achar alguma menção que pudesse ser usada para se passar essa mensagem. Se achasse que rock seria ofensivo a Ele mesmo, teria criado um universo onde guitarras elétricas não poderiam ser concebidas, como no nosso universo é impossível ser concebido um bispo Edir Macedo com um corpo de Gisele Bunchen com três pernas tortas. Se nudez fosse algo feio Deus não perguntaria para Adão e Eva: por que estão escondendo esses peitinhos? Ele teria criado eles e dado um guarda roupas na sequência.

Tudo o que o seu corpo precisa, ele precisa porque foi criado assim. Seu apetite, sua fome, seu desejo, suas aspirações, seu ódio, seu descontentamento. Jesus viveu de forma plena, pregando o respeito, mas nunca a submissão, e nem por isso foi um degenerado ou um pervertido, ele sabia do que gostava e fazia isso sem peso na consciência.

Saiba o que você precisa e corra atrás, e se não tiver como obter busque alternativas para satisfazer e canalizar essas emoções e desejos e apetites, não de reprimi-los ainda mais.

Não Sinta Medo

A culpa é como um parasita alienígena ao corpo. Isso é tão verdade que sempre que você faz algo que geralmente gera a culpa e tenta ignorá-la, sofre uma onda de medo como mecanismo de defesa para impedir que você vá longe demais sem se entregar. Mais do que isso, é como um virus que se espalha contaminando as pessoas. E a coisa piora: as pessoas não culpam apenas a si mesmas, mas fazem questão de culparem umas as outras. Damos uma topada do dedo e se houver alguém próximo o bastante de nós, sentimos vontade de culpa-la por isso. “Olha o que você me fez fazer!”. É o nosso mantra natural.

Tente queimar sua Bíblia e diga que não sente o frio no estômago. Mande o pastor ir catar coquinho e tente se virar para sair sem a sensação de que um sapato voador está rumando para sua nuca. Se você não se culpar, sem dúvida alguém fará isso por você.

Se a culpa é como uma doença, Jesus é a cura. Viver como Jesus é dar a cara a tapa, receber o tapa e oferecer a outra face para um tapa ainda maior e não baixar a cabeça nunca. Se deixar a sanidade dos homens para trás é dificil, encarar uma vida como a de Cristo para chegar a Deus é mais difícil ainda, mas até ai, se isso fosse fácil não precisaríamos de Cristo aqui na terra para servir de exemplo. Sempre que o medo começar a se manisfestar lembre-se das palavras do maluco beleza por excelência: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.”(Mateus 5:10-12)

Tenha em mente que o cominho para a glória e a iluminação da Loucura de Cristo não é um caminho fácil ou confortável. Você não pode ser louco e são e racional ao mesmo tempo. Judas ouviu os sacerdotes, tentou deixar a loucura para trás porque se incomodava com ela. Ele era muito racional. Achava que a libertação dos judeus só seria conseguida por uma oposição direta contra os romanos. Ele aceitou o dinheiro, para financiar sua lógica, teve uma crise, largou o dinheiro e então acabou se matando. Não tem preço, conforto, razão que possam com a insanidade daquele que acalmava tempestades quando queria atravessar o lago.

Parte II: Colocando a cabeça de Cristo no lugar

Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Cada ser humano tem o potencial de Deus dentro de si, a fagulha divina, por assim dizer. Cristo relembrou as palavras do salmista (Salmos 82:6) e disse “Não está escrito na vossa lei: ‘Eu disse: Sois deuses?’” (João 10:34). Ele nos mostrou como transformar esse potencial em uma chama sem controle que não responde a ninguém senão ao Altíssimo. Colocar a cabeça de Cristo no lugar da sua é justamente aprender como atingir essa iluminação, como fazer essa chama que existe dentro de você se tornar uma estrela dançarina, como uma vontade de potência a se materializar.

Existem duas maneiras de enlouquecermos: uma lenta e gradual e a outra repentina. A maneira lente a gradual é aquela em que você descobre que se Deus criou tudo, está em tudo: da galáxia mais radiante ao macaco mais ignorante. No processo de perder a sua cabeça você segue este caminho gradual. A outra forma é simplesmente se iluminar de uma hora para outra.

Pense no seguinte:

A) Pode Deus criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele possa erquê-la?

B) Se Deus sabe tudo o que você vai fazer, então existe mesmo o livre arbítrio ou todos os seus passos já foram dados?

C) Se Deus é bom por que prendi minha língua na máquina de escrever?

Cristo vivia em ligação direta com Deus – que é a maneira que Deus gostaria que cada um de nós vivêssemos – portanto ele saberia responder a essas três questões ao mesmo tempo que dividiria dois Big Macs para todo o acampamento do Movimento dos Sem Terra, e sem desviar os olhos do que estava fazendo.

A única maneira de você tentar compreender as respostas para essas questões é deixando a lógica dos macacos para trás e colocando a cabeça de Cristo no lugar da sua. Enlouqueça. Veja a Verdade – ao invés de tentar compreendê-la. E a Verdade o Libertará.

Até agora vimos como perder nossa cabeça. Se livre de suas certezas, medite/ore mais, em silêncio e sem a companhia de ninguém. Aprenda a ouvir o silêncio. Dê valor para uma mente vazia, não para um cabeça oca. Aprenda a enxergar a estrela que mostraria o local do nascimento do Cristo, como os sábios do oriente fizeram, e verá que ela paira sobre a sua cabeça.

Você pode fazer isso deixando o Espírito Santo agir sobre você. Quando os apóstolos foram visitados pelo Espírito Santo após a a crucificação e começaram a falar em várias línguas desconhecidas as pessoas acharam que eles estavam bêbados (Atos 2:13). Um irmão, durante um encontro freak ponderando sobre a primeira questão disse:

“Pensei: carregar pedra é característico de quem é incapaz, tipo escravos, operários e diretores de multinacionais. Quem tem que carregar pedra é porque não pode mudar ela de lugar sem ter que carregá-la. Então a pergunta real é: ‘Deus pode limitar a si mesmo para fazer o que um macaco faz?’ E a resposta é sim. O cristianismo conta que ele fez exatamente isso.  Deus se fez macaco para mostrar que os macacos podem ser campeões. Deus se fez fraco, incapaz de carregar uma cruz (Mateus 27:32) e nem por isso deixou de ser Deus, que podia erguer o universo com a pedra e a cruz que estava em cima dessa pedra junto com ele. Então ele SIM, pode criar uma pedra que não pode carregar. E logo depois pode SIM carregá-la.”

Isso faz sentido para você? Não deveria, isso não tem sentido, tem loucura.

Hoje o twitter se tornou uma febre mundial. Trancreva seus pensamentos e experiências em até 140 caracteres. Essa idéia pode ser fantástica, mas está defasada em pelo menos 3 séculos. Os mestres zen perceberam que é impossível tentar compreender algo que você ainda não compreende usando a sua mente naquele momento. Se fosse possível você já teria compreendido e não precisaria perguntar para o mestre. Ou seja usar uma lógica que você compreenda não serve de ponte para te levar ao que julga incompreensível. Uma vez perguntaram a um mestre zen o que era Buda, ele respondeu: “cinco libras de linho”! Você consegue compreender essa resposta? Jesus conseguiria, rindo da piada e respondendo outra ainda melhor, e ambos ririam juntos.

Esses atalhos para a iluminação são os koans zens, frases ou respostas curtas para perguntas, que aparentemente tão sem sentido e que só podem à iluminação caso a pessoa medite cobre ele até desligar sua razão tosca e expandir sua mente para além dos limites do comum – ou a chatice da sua vida de volta, sem custos adicionais. É como o gosto de uma lingua que se autosaboreia. Pense em duas mãos batendo palmas. Agora pense no som que faz apenas uma mão batendo palma.

Durante o seu processo de buscar a loucura você pode praticar um exercício rápido para dar um curto circuito no seu sistema lógico e se aproximar da Cristozofrenia em flashes. Imagine que você caminha em um lugar desconhecido em uma noite escura de tempestade. De repente, um relâmpago rasga o céu, iluminando tudo por um segundo, permitindo que naquele segundo você se localize e saiba em que direção seguir antes da escuridão engolfar a tudo novamente e você continue seguindo pelo caminho até a próxima iluminação repentina. Mather Luther King Jr. esse freak dos anos sessenta disse certa vez: “Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo.”. Na cultura do movimento freak estes relâmpagos ganharam o nome de ‘Freakoans’. Prazer em conhecê-lo.

Jesus usava parábolas para tentar fazer os macacos de Jerusalém entenderem suas mensagens. Vá para uma missa e vai ver que até hoje a mensagem não foi entendida. C.S Lewis, um dos freaks mais bizarros do século XX uma vez disse: “O que não é eterno está fora de moda”. Concordando com isso, o movimento Jesus Freak, tentando atualizar essa forma de levar as pessoas à iluminação insana, deixou as parábolas de lado, por serem muito longas e às vezes chatas e depois de um tempo quem as está ouvindo nem se lembra mais da pergunta que fez, e as substituiu por Freakoans.

Outro irmão freak diante da segunda questão teve como resposta: “Da mesma forma que o que você come hoje influencia no que cagou ontem!”

Refletindo sobre o assunto ele escreveu:

“Se Deus é onipresente então não existe para Ele distinção entre presente, passado e futuro, apenas existe o Ser. Assim, ele saber o que você vai fazer amanhã afeta o seu livre arbítrio tanto quando aquilo que ele sabe que você fez ONTEM! Assim a onipresença de Deus não afeta o livre arbítrio de maneira nenhuma”

Faz sentido? É bom que não.

Frekoans são ferramentas que tem como único objetivo desligar o macaco que existe em você, desligar a lógica, o raciocínio, o senso comum – e tudo o mais que foi criado com o único objetivo de te fazer criar uma solução pra pegar uma banana dentro de uma fogueira sem se queimar – e te conectar diretamente, fisiologicamente e neurologicamente a Deus.

Sobre a terceira pergunta uma irmã que não bate bem da cabeça respondeu:

“Acreditar em Deus é acreditar no caráter de Deus. Se você está na pior, se está gravemente doente, sem um puto no bolso, isso não é por acaso. Você acha que quando um deficiente mental morre a alma dele continua deficiente mental? É claro que não. E talvez todos nós sejamos doentes mentais e só enxergaremos com clareza depois que formos para o outro lado. Até lá não podemos dizer com certeza o que é bom e o que é mal para nós. Qualquer reclamação com Deus é um ato ridículo de arrogância, é como dizer que sua mãe é pior do que Hitler porque ela te obriga a comer brócolis. Talvez sua vida seja muito melhor com a língua presa na máquina de escrever, já que tudo o que você fez a sua vida toda, seus pais fizeram a vida deles toda e os pais de seus pais fizeram a vida deles toda, resultaram no ponto presente em que você se encontra com a língua presa”

Nada coerente.

Para exemplificar ainda mais, vamos simular agora os Freakoans em ação. Veja uma conversa sem Freakoan, com um macaco de um lado e um macaco de outro:

Macaco1: Se Deus existe, por que ele não cura amputados?

Macaco2: Mas ele cura amputados, estrelas do mar e lagartixas regeneram partes amputadas.

M1: Não estou falando de animais, mas de pessoas que oram para ele pedindo para que o membro cresça novamente.

M2: Mas por que apenas as pessoas que oram deveriam ter os membros curados e regenerados? E as que rezam?

M1: Você sabe do que estou falando. Se Deus existe, ele deveria curar amputados.

M2: Mas se uma pessoa pára de ter uma vida saudável apenas porque perdeu um braço ou uma perna, ela não precisa de Deus, precisa de um psicanalista. A vida deveria ser mais do que apenas um braço ou uma perna.

M1: Isso não vem ao caso. Se Deus regenerasse uma perna, todos saberiam que ele existe, e a dúvida terminaria.

M2: Jesus e os apóstolos ressuscitavam pessoas, isso é curar a morte, na época que aconteceu ninguém levou a sério, hoje chamam isso de conto de fadas, porque acha que se Ele curasse amputados hoje, amanhã as pessoas seriam diferentes?

M1: Então por que Deus simplesmente não aparece, ou faz algo que tire a dúvida de todos? Ele não é Todo-Poderoso?

… conversa vai ao infinito e ninguém sairá com uma resposta, ninguém crescerá mentalmente, filosoficamente ou espiritualmente e não haverá satisfação na conversa.

Veja agora uma conversa com Freakoan, com um macaco de um lado e um macaco de outro:

Conversa 1

Macaco1: Se Deus existe, por que ele não cura amputados?

Macaco2: O sol do meio-dia não faz sombra!

M1: ???

M1: Viu? Dá respostas idiotas porque não consegue responder esse absurdo!

M2 segue sua vida, M1 segue sua vida, a conversa tem fim e os dois ganharam com isso.

Conversa 2

Macaco1: Se Deus existe, por que ele não cura amputados?

Macaco2: O sol do meio-dia não faz sombra!

M1: ???

M1: !!!

M1: ?!

Cristozofrênico: HAHAHAHAHAHAHAHAHA, MAS É CLARO! COMO NINGUÉM PENSOU NISSO ANTES? HAHAHAHAHAHAHA

A conversa tem fim e os dois ganharam com isso.

Agora que você já pegou a idéia, segue uma lista de questões comuns entre as pessoas e Freakoans com a resposta para elas. Medite de verdade sobre eles e veja o que acende dentro de sua cabeça:

1ª Se Deus é imutável, porque ele precisou “mudar as regras” enviando-se Jesus na Terra?

Freakoan: Falar com clareza não é problema da língua.

2ª Por que um Deus todo-poderoso teve que se tornar carne para poder se sacrificar em seu próprio nome, de modo a livrar sua criação de sua própria ira? Será que Deus, em sua sabedoria infinita, não teria uma solução menos primitiva?

Freakoan: Muitas vezes, para um computador voltar a funcionar, basta desligá-lo e religá-lo.

3ª Se tudo é “parte do plano de Deus”, como dizem os crentes, então Deus planejou todas as desgraças, todas as catástrofes e todos os nossos pecados e não precisamos sentir culpa por nada nem fazer nada para corrigir as coisas?

Freakoan: Se você devolver este livro após a data de devolução, será multado. Se você não devolver este livro após a data de devolução, será multado.

4ª Por que os teístas dizem que eu preciso vasculhar todos os lugares do universo e não achá-lo para dizer que Deus não existe, se eu só precisaria não encontrá-lo em apenas um lugar, visto que é onipresente?

Freakoan: Por que não?

5ª Cristãos dizem que se um bebê morrer, ele vai para o céu. Por quê então são tão contrários ao aborto, se isso privaria todas as crianças de irem para o Inferno?

Freakoan: A morte só mora onde reina a sombra do coração humano.

6ª Como Deus pode ter emoções (ciúme, raiva, tristeza, amor) se ele é onipotente, onisciente e onipresente? Emoções são uma reação, mas como Deus pode reagir a algo que ele já sabia que iria acontecer e até planejou?

Freakoan: Qual o som do silêncio?

7ª Por que Deus permite que uma criança nasça se ele já sabe que ela vai para o inferno? Onde está seu amor infinito?

Freakoan: Dizer que não existem cristãos não é o mesmo que dizer que não existe cristianismo.

8ª Por que a Bíblia não fala nada sobre dinossauros?

Freakoan: No jardim, uma margarida.

9ª Por Quê Deus Não Cura Os Amputados?

Freakoan: O sol do meio-dia não faz sombra!

10ª Por quê há tanta gente no nosso mundo Morrendo De Fome?

Freakoan: Nenhum caminho leva a lugar nenhum.

11ª Por que Deus ordena a morte de tantas pessoas inocentes na Bíblia?

Freakoan: As palmeiras existem dentro ou fora de sua mente?

12ª Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Freakoan: Sua pergunta já traz, em si, a resposta.

13ª Por que nenhum dos milagres de jesus na bíblia deixou alguma evidência?

Freakoan: Pedras que rolam não criam limo.

14ª Como explicamos o fato de Jesus nunca ter aparecido de fato para você ?

Freakoan: Cem palavras não valem mais do que uma única imagem, mas após ver o professor, aquela olhada nunca valerá mais do que cem palavras. Seu nariz erguido, ia alto. Mas ele era cego, afinal de contas.

15ª Por que os cristãos se divorciam na mesma proporção daqueles que não são cristãos?

Freakoan: Por que a Igreja é contra astrologia se Jesus era de capricórnio?

16ª Se Deus é onipotente e todo-poderoso, por que levou seis dias para criar tudo? Não poderia ter feito tudo simplesmente aparecer de uma vez?

Freakoan: Se nada existe, de onde veio esta questão?

17ª Como Noé consegui colocar os milhões e milhões de espécies que existem no planeta, aos pares, dentro de uma arca?

Freakoan: E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará.

18ª Se Noé colocou todos os animais dentro da arca por 40 dias e 40 noites, como é que os pinguins conseguiram ir do monte Ararate até o pólo do planeta, e como os Kolalas saíram de lá para chegar à Austrália sem eucaliptos para irem se alimentando no caminho?

Freakoan: Os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos.

19ª Deus que ser adorado e seguidos por todos, e quem se recusar será queimado no inferno eternamente. Isso não define Deus como um tirano megalomaníaco?

Freakoan: Qual era a tua natureza original, antes dos teus pais terem nascido?

20ª Se no princípio havia apenas Deus e Ele criou tudo o que há, porque Ele criaria anjos com a propensão de desafiá-Lo?

Freakoan: O caminho passa por fora da cerca.

21ª Se Deus criou tudo, por que Ele criou AIDS, ebola, antrax, a peste negra, etc? Isso é parte do plano de Deus?

Freakoan: Todo dia é um bom dia.

22ª Por que Deus responde as preces de um trabalhador de classe média, consegue ajudá-lo a conseguir um emprego e a dar um bom estudo para sua família, mas se recusa a responder as preces das pessoas que sofrem por doença, de fome e que vivem abaixo do nível da miséria?

Freakoan: Um cipreste no jardim.

23ª Se o Cristianismo é a única religião verdadeira, então por que encontramos praticantes de outras religiões se sentindo plenos e satisfeitos com suas próprias crenças?

Freakoan: O homem observa a flor, a flor sorri.

24ª Se Deus existe porque as pessoas fazem sofrer umas as outras?

Freakoan – Por que vocês fazem isso?

Criando Freakoans

Jesus Freak é um movimento individual, não acredita em igrejas ou templos, como era na época em que Jesus saiu pregando sua loucura e contagiando as pessoas com seu amor. Não espere encontrar um templo com um Freak que irá responder as suas perguntas, essa pessoas deve ser você mesmo, ou você mesma. Assim vejamos agora alguns exemplos de como você pode criar o seu Freakoan caso surjam novas dúvidas.

Exemplo 1: Ore a Deus pedindo entendimento. Em seguida lei a a Bíblia. Medite sobre a resposta que teve.

Exemplo 2: Sempre que a dúvida surgir, pergunte para a primeira pessoa da rua com quem cruzar aquilo que complica sua cabeça. Tome como freakoan a primeira coisa que ela responder, agradeça e dê um real para ela dizendo: Jesus paga um pau pra você! Medite sobre a resposta que teve.

Exemplo 3: Pegue revistas, livros ou a sua própria Bíblia antes de queimá-la e recorte aleatoriamente frases, palavras ou imagens. Quando tiver uns 50 ou 60 recortes, coloque em um saco ou numa caixa. Sempre que surgir uma dúvida relaxe, esvazie a mente e diga: “encara essa agora Jesus!”, e tire um papel do saco/caixa. Medite sobre a resposta.

Exemplo 4: Apenas medite sobre a resposta.

 

Por fim, um último aviso. De forma alguma deixe estes Freakoans se tornarem respostas decoradas a questões que você não entende. Uma mesma questão pode ser respondida por 300 Freakoans diferentes, lembre-se, eles não devem ter lógica. Tão pouco faça com que seja apenas uma forma de fugir das perguntas. Algumas perguntas são elas mesmas freakoans, por exemplo: “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? ” Marcos 3:33. Aprenda a deixar o Espírito Santo falar por você, e não busque sentido. Você acha que depois de 40 dias meditando sem comer debaixo de uma árvore Jesus ancontrou alguma resposta que fizesse sentido? E mesmo assim ele deixou o Diabo puto, resmungando coisas sem sentido, para trás. Ore por isso. Nós estaremos no outro galho, da grande árvore da vida, comendo uma banana, orando por você.


Sentindo-se freak? Conheça Jesus Freak: o Guia de Campo para o Pecador Pós-Moderno


 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/cristozofrenia-perca-a-cabeca-ponha-a-de-cristo-no-lugar/

Anjos de acima, demônios de abaixo

» Parte 4 da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Estudos místicos trazem consigo, assim como a música ou poesia – embora em grau muito mais elevado –, uma estranha euforia, como se nos levassem para mais perto de uma poderosa fonte de Ser, como se estivéssemos finalmente na iminência de desvendar o segredo que todos buscamos. (William James em Variedades da experiência religiosa)

O termo misticismo é uma das palavras mais mal empregadas na linguagem popular. O filósofo americano William James, um dos fundadores da psicologia, observou que ele se tornou abusivo, geralmente sendo aplicado a “qualquer opinião que tomemos como vaga, exagerada e sentimental, e sem base nos fatos ou na lógica”. Em Mysticism, a escritora britânica Evelyn Underhill nos trouxe uma explicação mais profunda acerca do termo [1]:

“O misticismo […] não é uma opinião: não é uma filosofia. Nada tem em comum com a busca de conhecimento oculto. Por um lado, tampouco é apenas o poder de contemplar a Eternidade: por outro, não se deve identificá-lo com qualquer tipo de esquisitice religiosa. É o nome desse processo orgânico que envolve a perfeita consumação do Amor a Deus: a realização aqui e agora da herança imortal do homem. Ou, se preferirem – pois significa a mesmíssima coisa –, a arte de estabelecer nossa relação consciente com o Absoluto.”

Podemos, talvez, dizer que os transes mediúnicos, em seus diferentes graus, fazem parte do misticismo conforme delineado por Underhill. Pode parecer estranho que o contato com outros seres seja algo análogo ao contato com Deus – mas, no fundo, um dia talvez você também compreenda: o Reino de Deus já preenche a tudo desde sempre, e ao nos dedicarmos ao contato, a amizade, a compaixão, ao amor, com outros seres, vivos ou “mortos”, estamos aos poucos nos aproximando cada vez mais de Deus, mesmo que não o compreendamos muito bem.

Ainda assim, é preciso analisar cuidadosamente os pensamentos e sentimentos que nos assaltam a mente durante tais experiências, ou mesmo fora delas. Pois é preciso nos assegurar que estamos nos dedicando a mediunidade por uma boa razão, e não por uma razão egoísta – que ao contrário de nos aproximar do Absoluto, nos afasta. O maior perigo para um médium é algo que costumeiramente nos passa de forma desapercebida, de modo que mesmo os médiuns com décadas de atividade podem estar ainda afundados nesse problema sem que o percebam. Na falta de um nome melhor, eu o chamo de “complexo de santo”…

Você pode achar que isso só ocorre com os médiuns “ignorantes”, mas mesmo Divaldo Pereira Franco, um dos grandes expoentes do espiritismo no Brasil, admitiu que no início de sua mediunidade queria “se sacrificar pela causa”, até mesmo com a própria vida… Esse tipo de pensamento é muito próprio do meio religioso, particularmente no cristianismo e islamismo – parece haver um “céu assegurado” para os mártires, os profetas, os santos, e para ser um santo todo sacrifício seria válido!

Mas a questão é que, infelizmente, muitos recaem no “complexo de santo” não por um sentimento genuíno de entrega aos desígnios da espiritualidade, mas simplesmente por um motivo bem mais mundano e egoísta: ora, da mesma forma que um aspirante a ator quer ser um grande astro de Hollywood, um aspirante a espiritualista quer ser um grande santo. Desnecessário dizer: é o talento e a ardorosa dedicação que constrói um grande artista e, da mesma forma, é a disciplina e a lenta e constante afloração do amor que constrói um santo. De modo que um santo jamais se considera um santo – são os outros que o chamam assim. Pense nisso: quanto antes perceber que os espíritos de cima querem amor, e não sacrifício, tanto melhor…

Além deste conselho primordial aos que se iniciam na mediunidade, acredito que alguns outros sejam também importantes, embora secundários:

Não se vira médium ativo da noite para o dia

Apesar de já ter tocado neste assunto ao longo da série de artigos, é algo importante de ser lembrado: se você é um médium iniciante, principalmente se for ainda ignorante da parte teórica de sua doutrina espiritualista (seja espiritismo, umbanda sagrada ou outras) e/ou se sua mediunidade lhe causa desequilíbrio e desconforto emocional (nos mais variados graus) [2], jamais aceite convites de dirigentes ou coordenadores de casas espiritualistas para “começar a trabalhar na semana seguinte” (ou em qualquer período de tempo muito curto).

Rejeite respeitosamente a oferta, e não se sinta desafiado se lhe disserem que “precisa começar a trabalhar logo, pois seu mentor espiritual assim o quer”, ou ainda que “precisa começar a trabalhar, do contrário coisas ruins se sucederão na sua vida”, etc. Na verdade, se insistirem muito, seria melhor você procurar alguma outra casa espiritualista… O ideal é que procure primeiro as aulas teóricas, caso existam, ou pelo menos informações acerca de alguns livros que poderia ir lendo em casa enquanto frequenta a casa espiritualista (notadamente, os de Kardec, que em todo caso você já pode ler por conta própria desde hoje).

Mas, independente da parte teórica, que nem sempre é a essencial, é preciso que desenvolva sua mediunidade de forma gradual. Ou seja: em reuniões frequentadas apenas por médiuns experientes e “discípulos”, de modo que algum “mestre” possa lhe auxiliar no afloramento gradual de sua mediunidade. Assim, quem sabe após uns 6 a 12 meses, você já possa efetivamente começar a atender o público como um médium da casa. E, quem sabe, após uns 10 a 15 anos, você descubra coisas dentro de você mesmo, e no Cosmos ao redor, que jamais teria imaginado conhecer um dia…

Não se vira um médium comprando manuais de conhecimento oculto

Apesar de acreditar que a maioria das casas espiritualistas seja idônea, não podemos ignorar que existem “espertalhões” por aí, principalmente no meio religioso. Fuja de qualquer casa que procure lhe vender “manuais de conhecimento oculto” (do tipo que não se encontra em livrarias comuns) e/ou cobre quantias fora do normal por suas aulas teóricas… Na verdade, a imensa maioria das casas espiritualistas sequer cobrará alguma coisa. Algumas podem lhe pedir uma contribuição mensal de, quem sabe, até uns 20 reais, para cobrir despesas com manutenção e contas de água e luz. Outras podem lhe pedir que compareça a almoços beneficentes ou a palestras pagas de tempos em tempos – mas desconfie de quaisquer valores exorbitantes, dízimos (valores percentuais baseados em sua renda mensal) ou pedidos extraordinários de doações materiais (como doar uma TV LED, ou qualquer coisa relativamente cara).

Dito isso, se você por acaso goza de boa situação financeira e sente a vontade genuína de ajudar materialmente a casa espiritualista que frequenta, sinta-se a vontade (doações de ar condicionado, por exemplo, seriam muito bem-vindas na maioria das casas).

Faça caridade

Alguns médiuns podem, pelas mais variadas razões, se abster de desenvolver sua mediunidade, e não há nenhum problema específico nisso (nem nenhuma futura “punição” de Deus ou de algum mentor espiritual). No entanto, a caridade é algo que todos, sem exceção, podem e deveriam pensar seriamente em fazer.

A grande maioria das casas espiritualistas tem atividades semanais, quinzenais ou mensais de caridade. Seja visitar um hospital, um asilo, uma creche, uma instituição de doentes mentais, etc. Embora não necessariamente a caridade seja “a única salvação” – embora muitos espíritas a entendam dessa forma –, ela é sem dúvida muito, muito importante para o afloramento da empatia e, por consequência, de nossas potencialidades no amor. E são essas potencialidades, mais do que quaisquer outras, o grande objetivo, o grande sentido de estarmos retornando a Terra por tantas vezes, aprendendo a amar: uma vida de cada vez.

A visita a instituições de doentes mentais pode ser particularmente reveladora para os que ainda têm dúvidas do alcance efetivo da própria mediunidade. Afinidades quase que instantâneas poderão surgir, e talvez um dia compreendam toda a beleza que há nisso tudo.

Esteja preparado para a descida…

No atendimento aos “mortos”, mesmo durante as sessões de desenvolvimento mediúnico, e particularmente nas que envolvem médiuns de incorporação total [3], desde o início ficará muito claro que a intensidade da dor e da angústia trazidos pelos espíritos em desequilíbrio é alguns graus de magnitude superior a toda a dor e angústia que você algum dia pensou existir na Terra. As dores da alma não se comparam as dores do corpo físico, sobretudo quando o espírito passa para o outro lado do véu ignorante, sem fazer ideia do sistema de reencarnação e, muitas vezes, crendo piamente que suas dores serão eternas…

Não acho necessário entrar em detalhes, até porque palavras são apenas cascas de sentimento, e seriam incapazes de lhe transmitir o tipo de dor de que estou falando. Mas, esteja preparado para a descida ao pântano negro e pegajoso de desejos desenfreados e escuridão da alma – ou, em outras palavras, esteja preparado para descer ao inferno.

Dependendo da casa espiritualista e do tipo de trabalho espiritual realizado nela, pode ser que esse tipo de coisa jamais ocorra, ou ocorra raramente – por outro lado, principalmente nas casas mais engajadas na real caridade espiritual, esse tipo de coisa é até mesmo trivial, de modo que, infelizmente, somos obrigados com o tempo a aceitar que os seres fazem suas escolhas, e arcam com as consequências… Simples assim.

Para os seres aturdidos com seus pensamentos obsessivos, complexos de culpa e lembranças contínuas de seus atos pregressos de ignorância do bem, toda e qualquer luz que chega do alto é, quase sempre, muito bem vinda – ainda que eles muitas vezes não aceitem tal luz de início, se não os julgarmos, se tivermos a devida compaixão que efetivamente merecem (a compaixão que Deus têm nos ensinado), com o tempo aceitarão beber de nossa água, e quem sabe, poderão mesmo ter uma nova chance ainda antes do previsto.
Para os demônios de baixo, nós seremos os anjos de cima. E, ainda que isso seja obviamente um absurdo – pois sabemos que de anjos não temos nada (ou deveríamos saber) –, de certa forma, nos pântanos lodosos das dores antigas, nós de alguma forma somos mesmo anjos. Nessas ocasiões divinas, é importante lembrar que um dia, nalguma vida, estivemos em situação muito semelhante, ou até pior, a situação daqueles seres que naquele momento nos imploram ajuda… Então talvez percebamos que é o inferno, e não o céu, o local de trabalho de todos os anjos do Cosmos.

» A seguir, concluindo a série: a reforma íntima…

***
[1] Este livro será o próximo lançamento digital da Editora Alta Cultura, uma tradução de meu amigo Alfredo Carvalho. O título traduzido, como era de se esperar, será Misticismo.
[2] A mediunidade é uma potencialidade sagrada, e não deve jamais ser compreendida como um “fardo”. Existe a mediunidade e o desequilíbrio mental, e embora eles possam andar juntos, particularmente nos médiuns iniciantes, não devem ser compreendidos como “a mesma coisa”, nem mesmo como “coisas que não existem em separado”.
[3] A incorporação total é uma forma de mediunidade ativa que, ironicamente, pode envolver a passividade total do próprio médium. Muitos sequer se lembram do que ocorreu enquanto estavam “desligados de si”, ou seja, enquanto outros espíritos ocupavam suas mentes e boa parte das funções motoras de seus corpos. Mas o ideal seria tentar manter a consciência, ou semiconsciência, de tudo o que ocorre durante a incorporação.

Há muitas casas espiritualistas mais “ortodoxas” (principalmente as casas espíritas) que não irão aceitar incorporações de seus médiuns – apesar de às vezes elas ocorrerem de maneira “forçada”, ou sem que os próprios coordenadores percebam (em médiuns particularmente hábeis)… Se você tem algum receio de participar de sessões onde há incorporação (ainda que você mesmo não seja, de forma alguma, “obrigado” a incorporar), a melhor coisa é procurar uma casa espiritualista onde não exista esta prática. Ou seja, usualmente o trabalho envolverá apenas orações, música, passes magnéticos e, por vezes, psicografia ou psicopictografia.

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Crédito da imagem: Jari Schroderus

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Espiritismo #Mediunidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/anjos-de-acima-dem%C3%B4nios-de-abaixo

A nova era satânica e a sua estupidez

Aspectos estúpidos-sociais em comum nessa Era

O florescimento do satanismo nos últimos anos trouxe consigo uma leva enorme de desinformação. Não é estranho percebermos que os satanistas atuais buscam cada vez mais serem “diferentes” da massa e mostrar o quão “fortes” são. De aí em diante uma série de mantras são religiosamente ditos pelos satanistas atuais, tais quais:

“Satã é um símbolo, não adoro ele”
“Lúcifer é o ‘portador da luz’, nada tem a ver com o mal”
“Demônios da goecia são partes do inconsciente”
“Satanismo é uma filosofia de vida”

Ou o mais comum, “sempre fui assim, me descobri no satanismo”.

Tais argumentos amplamente usados na década de 90 no brasil, somente mostra que os mesmos não tem capacidade criativa para gerar novos porquês de seguirem uma religião-filosofia, ou somente assumirem o que são. O satanismo mostrava um aspecto progressista desde a época de Crowley – Crowley escrevia textos referentes a liberdade e poder da mulher. LaVey por sua vez defendia travestis (vide The Devil Speaks) e toda forma de expressão sexual. Uma das grandes prescrições de Crowley foi a liberdade e que hoje, muitos intitulados satanistas não entendem a mesma. Eles querem destruir o cristianismo mas ainda querem o conservadorismo.  Querem ser uma “elite” por seu “conhecimento oculto”, adquirido em grande parte por sites como a Morte Súbita Inc. e outros blogs, autores e anônimos buscando atenção, mas tem medo da pratica.

A vontade de ser obscuro, criando perfis em redes sociais recheados de Baphomet, sigilos de goecia e nomes de demônios – alguns ainda colocam “frater X”, “soror Y” – reflete ainda uma necessidade de atenção desmedida, tentando ser o mais “trevoso” possível, talvez em busca de aceitação em “grupos” aonde os “satanistas mestres” ensinam. A burrice então, contaminando como um vírus, se espalha e mantem cativos pessoas que repetem “hail Lúcifer” e que limitam seu conhecimento ao que a vida traz – o contrario feito pelo seu próprio ídolo, que não espera o conhecimento vir, mas vai atras. O conhecimento sendo um dos aspectos mais importantes para definir um real satanista, deve ser amplo suficiente para cobrir diversas áreas. O satanismo é uma religião que luta profundamente contra a ignorância, e a repetição incessante do mesmo assunto, da mesma forma, sob mesmo angulo, é um contra senso praticado por diversos “satânicos”.

É interessante notar que tudo isso é um contra senso ao próprio Satanismo. LaVey era um exemplo de classe e discrição. Mesmo sendo teatral, trazendo publico para sua Igreja, ele incentivava a pratica de baixa magia, ou magia psicológica. A Baixa Magia era formalmente uma magia feita para atingir o psicológico das pessoas e então faze-las realizar suas vontades. Interessante notar que a baixa magia é uma pratica essencial no satanismo, sendo a discrição sua principal ferramenta.

É claro que seria ignorante de minha parte concluir que todos os praticantes modernos agem dessa forma. Mas para meu pesar a famigerada “elite” satânica é mais uma massa de manobra tão ignorante quanto os evangélicos. E também tem seus pastores.  As vezes me questiono também sobre a possibilidade de pastores satânicos conseguirem enriquecer nas costas dessa massa – e sinceramente, me inclino a acreditar nisso como uma possibilidade perigosamente real.

A magia satânica do Facebook

Como citado acima a magia satânica enfraqueceu a ponto de se tornar apenas simpatias. Sim, eu disse simpatias.

Há receitas tão toscas de “magia satânica” que pouco diferem de revistas wiccas. Os praticantes atuais parecem que limitam sua magia a sigilos, punhetas (intitulado magia sexual), e desculpas para os costumeiros fracassos da sua magicka. A magia satânica está tão estranha que misturam aspectos de umbanda no satanismo. Ou a famosa “qu/k/imbanda”.

Uma pratica real de mão esquerda, a quimbanda é perigosa e um potencial real. Porém seus praticantes atuais misturam tudo que podem e formam uma especia de “caosbanda” aonde o que vier é lucro. De exu Baal, exu Satã, e não me espantaria se encontrasse um “exu Cthulhu” aparecendo pelas vias. Isso me assusta por duas vias:

a) um desrespeito a tradição de quimbanda, as próprias entidades e também ao satanismo, aonde destrói ambas tradições.
b) uma via crescente de charlatões que pregam isso por redes sociais.

Qualquer praticante de magia pode misturar suas praticas e criar novas. É absolutamente comum, sempre foi feito. Porém precisa-se respeitar a tradição quando for ensinada e passar o conteúdo de forma mais pura possível. Quando se mistura praticas, você acaba descartando umas em prol a outras, e isso para você é bom. Mas para ensinar o próximo, a honestidade nos traz uma opção de respeito a tradição e aos espíritos da mesma. Ter bom senso para separar o que é tradição do que é invenção pessoal, é o passo mais digno para honrar uma linhagem magicka.

O charlatanismo cresce a cada dia. Eles misturam tudo que podem, criam videos para mostrar quão fortes, grandes e poderosos são seus templos. Criam orações, terços invertidos, imagens gigantes de bafomé/belzebu prometem mundos quando não conseguem arcar com as próprias vidas.

Satanismo requer responsabilidade para responsáveis.

Na pratica isso significa que nenhum satanista vai querer mostrar quão forte e poderoso é para o mundo, porque ele é consciente de que não é tudo isso, por mais que almeje. Por maior que seja seus resultados magickos, todo satanista tem problemas como qualquer outra pessoa, o que difere é a forma de se resolver esses problemas. O satanismo tem uma atitude empreendedora, aonde não dá espaço para o lamento. A verdadeira magia satânica, a alquimia negra, é feita quando se transforma sua forma de pensar. Se você conseguiu matar um inimigo, transar com alguma garota, conseguir um imóvel, você não é todo poderoso – você somente utilizou bem a sua magia.

E se você for um imbecil, pouco importa os seus resultados. Magia nunca salvou ninguém da própria estupidez.

por King

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-nova-era-satanica-e-a-sua-estupidez/

O Fim do Tempo

» Parte final da série “Reflexões sobre o tempo” ver parte 1 | ver parte 2

Igne Natura Renovatur Integra (INRI) – Pelo Fogo a Natureza se Renova Inteiramente.

De tempos em tempos acontece, e nem precisa ser uma “data cheia”, como o ano 1.000 ou o 2.000 (esquecem-se de que o milênio novo se iniciou em 1.001 e 2.001, respectivamente), a última data “prevista” foi 21/05/2011, precisamente às 18h do horário local de cada país do mundo… Segundo o pastor protestante Harold Camping, os bons seriam arrebatados aos céus de acordo com seu respectivo fuso-horário: na Nova Zelândia teriam a oportunidade de se aventurar aos céus mais cedo, na ilha de Samoa seriam alguns dos últimos, já que o governo ainda não efetuou a troca de fuso-horário [1].

E para quem os portões do céu não se abrissem, restaria o inferno na Terra até 21/10/2011, data em que um deus colérico poria fim não somente ao planeta, mas a toda criação – o fim do Cosmos, o fim de todo o espaço-tempo!

Não é a primeira vez que Camping foi ridicularizado por uma previsão errada do fim do mundo. Ele chegou a escrever um livro sobre como o arrebatamento ocorreria em 1994, e já estava errado desde aquela época. Interessante como eles parecem não se importar… O ocultista (e ultimamente, especialista em desmistificar lendas do fim dos tempos, como a baseada no calendário maia) Marcelo Del Debbio costuma dizer que não tem coisa mais inútil do que se prever o fim do mundo – se o sujeito errar, será ridicularizado; se acertar, não restará ninguém para lhe dar atenção (há não ser aqueles poucos que conseguirem se encontrar no céu, supondo que quem previu não tenha cometido o pecado da falsidade em previsões anteriores).

Saibam que a previsão de Camping nem de longe soa tão absurda quanto a que Charles Russell realizou para 1914, e sobre a qual as Testemunhas de Jeová depositaram toda sua fé… O absurdo não é por ter se equivocado, mas porque existem Testemunhas que creem que o mundo acabou em 1914. O que vivenciamos hoje é uma espécie de sonho, uma ilusão que nos impede de perceber que o mundo já acabou. Sim, não faz sentido, mas e daí?

Um dia recebi em minha caixa de correio uma carta de uma Testemunha me convidando para visitar uma de suas igrejas. A carta era muito amável, mas o que realmente me surpreendeu é que foi escrita a mão! Fiquei imaginando quantas cartas aquela senhora escreveria toda semana, de próprio punho, provavelmente para serem descartadas antes mesmo de terem sido lidas… Os religiosos gostam de se sacrificar por suas causas, e que maior sacrifício, que maior evento divino, cósmico, que o próprio fim dos tempos?

Quando, em 1722, o explorador holandês Jakob Roggeveen alcançou, num domingo de Páscoa, aquela distinta ilha isolada do resto do mundo por muitos quilômetros de oceano, encontrou apenas alguns nativos miseráveis, com barcos de pesca precários, numa terra árida… Mas viu também os gigantes de pedra, os moais de formas humanas, que chegavam a ter até 10m e em torno de 270 toneladas. Como aquele povo miserável conseguira erguer tamanhas maravilhas?

Os moais da ilha da Páscoa nada mais eram que a testemunha de um pequeno fim do mundo local… Se hoje o cenário da ilha é desolador, fósseis encontrados na lava vulcânica de Terevaka, um deus vulcão, revelam que a ilha chegou a abrigar a maior espécie de palmeira do mundo e uma floresta tropical com mais de 21 espécies de grandes árvores. Essa foi a grande fonte de matéria prima da civilização dos Rapanui em seu apogeu.

Nessa época, entre 1400 e 1600, a sociedade se dividia em 12 clãs. Eles compartilhavam pacificamente os recursos naturais da ilha. A competição se resumia à fabricação dos moais, a partir das rochas vulcânicas. Eles representavam membros mortos das elites dos clãs. Ao longo da história da ilha, o tamanho dos moais foi aumentando, o que sugere um acirramento na competição ente os clãs ou um maior apelo aos deuses. As árvores da ilha precisavam ser derrubadas para a construção de trenós, trilhos e alavancas para a construção dos moais (além, é claro, para as canoas de pesca e residências). Infelizmente, para os Rapanui, a natureza tinha um limite…

O desmatamento desenfreado teve impactos profundos na ilha. As poucas aves marinhas que não foram extintas pela caça predatória dos Rapanui ou dos ratos, migraram. Erosões no solo dificultavam o plantio. Em 1500, já não haviam mais árvores para a construção de canoas, e então a pesca de peixes grandes desapareceu. Por volta de 1680, explodiram guerras civis, e os clãs começaram a derrubar as estátuas dos rivais (Roggeveen já encontrou a maior parte delas no chão). Nobres e sacerdotes das elites já não conseguiam justificar seus status junto aos deuses, e foram eliminados por uma milícia que assumiu o poder na ilha.

Os novos donos da ilha adotaram um deus menor do antigo panteão e começaram a desenhar homens-pássaros e genitais femininos nos antigos moais, representando a nova divindade. Faminta, a sociedade se degradou até o canibalismo – muitos foram morar em cavernas. Em 1700, 70% da população de Páscoa havia desaparecido. No lugar dos imensos moais, escultores agora faziam pequenas estátuas (os moais kavakava) que mostram pessoas famintas, com o rosto fundo e as costelas à mostra.

Após a chegada de Roggeveen, vieram às epidemias de doenças europeias, os sequestros de insulares para trabalhar como escravos no Peru, e em 1864, com a vinda dos missionários católicos, o que restava da tradição oral dos antigos Rapanui foi perdido. Em 1872, restavam 111 habitantes de um povo que um dia, estimasse, contou 15 mil pessoas. Os moais, restaurados, são a testemunha petrificada do fim do tempo de um povo – na maior parte, causado por ele mesmo [2].

Teriam os sacerdotes Rapanui previsto um fim do mundo? Nesse caso, teriam eles acreditado que o fim da ilha da Páscoa significava o fim de toda a criação? Teria sido a construção de moais cada vez maiores uma tentativa desesperada de barganhar com os deuses em troca de alguma espécie de salvação, de arrebatamento dos “puros” aos céus?

O tempo e o espaço da ilha da Páscoa soa assustadoramente como um espaço-tempo contido, uma bolha temporal, de nossa civilização como um todo… Em nossa ignorância, em nossas desavenças, cremos que deuses virão para salvar somente um pequeno grupo, uma pequena elite, “preparada” para a salvação. Para estes, estranhamente, o fim dos tempos não é uma coisa ruim. O fim de toda a vida no Cosmos se justificaria se, em troca dessa catástrofe, alguns poucos se encontrassem com algum deus estranho nos céus, para fazer “não se sabe o que”.

A história dos Rapanui, entretanto, nos traz lições de como tudo poderia ter sido diferente… Prosperaram por séculos dividindo de forma harmônica os recursos da natureza ao seu alcance. Foi o desejo de competição, de parecer “mais especial” perante aos deuses, que fez com que se arriscassem a ir além dos limites de seu ecossistema, apenas para erguer estátuas de pedra. Erguidas não para os deuses, mas para eles próprios, para que o clã ao lado se sentisse inferiorizado.

E o que tem sido a história de nosso tempo, e de nossas igrejas, senão um reflexo do tempo de Páscoa em maior escala? Senão uma tentativa desesperada para fazer os infiéis, os escolhidos dos “outros deuses”, se sentirem inferiorizados perante as conquistas e a “verdade” de suas próprias igrejas?

Houvessem eles lido nas entrelinhas da natureza, houvessem eles se apercebido que vivemos numa pequena ilha cercada de infinito por todos os lados, saberiam que todo o tempo do mundo se resume ao momento em que o ser se encara, face a face com Deus, com o Cosmos, com a substância que permeia todo o tecido do espaço-tempo… Esse momento é eterno, e se faz na consciência, no paradoxo da mente que sabe de cada momento de sua ascensão, mas ainda assim os encena com maestria, passo a passo, rumo ao que quer que seja que os gigantes de pedra estão a observar – mas não houve tempo para nos contar.

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria, tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de deitar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz (Eclesiastes 3:1-5).

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[1] O artigo foi escrito antes desta mudança, em 2011 (ver parte 1 desta série).

[2] Ver o artigo “As testemunhas de pedra”, de Pedro Pracchia, na edição especial da Superinteressante sobre “O fim do mundo” (Maio/2011).

Obs: Me enviaram, pelos comentários, uma reportagem recente da Scientific American que traz uma nova visão acerca das causas do colapso ecológico dos rapanui. Veja aqui o artigo. O fato de possivelmente não terem sido responsáveis diretos pelo colapso de sua própria ilha não invalida a questão religiosa e existencial envolvida em sua relação com “o fim do mundo”. Há também que se considerar que a colonização europeia também foi importante na extinção de sua cultura. Vejam meu adendo sobre o assunto.

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#Cristianismo #ecologia #Religiões #Tempo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-fim-do-tempo