O Sagrado Feminino

Durante os milênios da supremacia patriarcal, refletida nos valores espirituais, culturais, sociais, comportamentais e amparada pela hierarquia divina masculina, foi negada e reprimida qualquer manifestação da energia feminina, divina e humana. Resultou assim em uma cultura exclusiva e destrutiva, centrada na violência, conquista e dominação, com o conseqüente desequilíbrio global atual. Os homens – como gênero – não foram os únicos responsáveis pelas agressões e atitudes extremistas a eles atribuídas; a causa pode ser atribuída à maneira pela qual a identidade masculina foi criada e reforçada pelos modelos e comportamentos de “heróis” e “super-homens”. Fundamentados em seus direitos “divinos”, outorgados inicialmente por deuses guerreiros e depois reiterados pela interpretação tendenciosa dos preceitos bíblicos, os homens foram inspirados, instigados e recompensados para desconsiderar e deturpar as milenares tradições matrifocais e os cultos geocêntricos. Em lugar de valores de paz, prosperidade e parceria igualitária, foram instaurados princípios e sistemas de conquista, exploração e dominação da Terra, das mulheres, crianças e de outros homens.

Pela sistemática inferiorização e perseguição da mulher, o patriarcado procurava apagar e denegrir os cultos da Grande Mãe, interditando os seus rituais, “demonizando” e distorcendo seus símbolos e valores. A relação igualitária homem-mulher foi renegada, a mulher declarada um ser inferior, desprovido de alma, amaldiçoado por Deus, responsável pelos males do mundo e por isso destinada a sofrer e a ser dominada pelo homem. Os princípios masculino e feminino – antes pólos complementares da mesma unidade – foram separados e colocados em ângulos opostos e antagônicos. Enalteceu-se o Pai, negou-se a Mãe e usou-se o nome de Deus para justificar e promover o código patriarcal, a subjugação e exploração da Terra e das mulheres. A tradição, os cultos e a simbologia da Deusa foram relegados ao ostracismo e paulatinamente caíram no esquecimento. Patriarcado e cristianismo se uniram na construção de uma sociedade hierárquica e desigual, baseada em princípios, valores, normas, dogmas religiosos, estruturas sociais e culturais masculinas.

As últimas décadas do século passado proporcionaram uma gradativa mudança de paradigmas nas relações e nos conceitos relativos ao masculino e feminino. No entanto, para que este avanço teórico se concretize em ações e modificações comportamentais e espirituais, é imprescindível reconhecer a união harmoniosa e complementar das polaridades e procurar novos símbolos e rituais para o seu fortalecimento e equilíbrio. Com o surgimento progressivo de uma dimensão feminina da Divindade na atual consciência coletiva, está sendo fortalecido o retorno à Deusa e a revalorização do Sagrado Feminino.

Somos nós que estamos voltando à Deusa, pois Ela sempre esteve ao nosso lado, apenas oculta na bruma do esquecimento e velada pela nossa falta de compreensão e conexão com seu eterno amor e poder.

A principal diferença entre o Pai patriarcal, celeste e a Mãe cósmica e telúrica universal é a condição transcendente e longínqua do Criador e a essência imanente e eternamente presente da Criadora, em todas as manifestações da Natureza.

A redenção do Sagrado Feminino diz respeito tanto à mulher quanto ao homem. Ao esperar respostas e soluções vindas do Céu, esquecemos de olhar para baixo e ao redor, ignorando as necessidades da nossa Mãe Terra e de todos os nossos irmãos de criação. Para que os valores femininos possam ser compreendidos e vividos, são necessárias profundas mudanças em todas as áreas: social, política, cultural, econômica, familiar e espiritual. Uma nova consciência do Sagrado Feminino surgirá tão somente quando for resgatada a conexão espiritual com a Mãe Terra, percebida e honrada a Teia Cósmica à qual todos nós pertencemos e assumida a responsabilidade de zelar pelo seu equilíbrio e preservação.

O reconhecimento do Sagrado Feminino deve ser uma busca de todos, porém cabe às mulheres uma responsabilidade maior, devido à sua ancestral e profunda conexão com os arquétipos, atributos, faces, ciclos e energias da Grande Mãe.

Uma grande contribuição na transformação da mentalidade do passado e na expansão atual da consciência coletiva são os encontros de homens e mulheres em círculos e vivências comunitárias, para despertar e alinhar mentes, corações e espíritos em ações que visem a cura e a transmutação das feridas da psique, infligidas pelo patriarcado. Apaziguar a si mesmo, harmonizar seus relacionamentos, vencer o separatismo, reconhecer e honrar a interdependência de todos os seres, evitar qualquer forma de violência, dominação, competição ou discriminação são desafios do ser humano contemporâneo, no nível pessoal, coletivo e global. Incentivando a parceria entre os gêneros e a interação dos planos energéticos (celeste, telúrico, ctônico) criam-se condições que favorecem a expansão da consciência individual e contribuem para a evolução planetária.

#SagradoFeminino

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-sagrado-feminino

Histórias de Fantasmas Europeus

 

Na Europa pré-cristã, entre os pagãos, os fantasmas já assombravam as populações bárbaras e tal como em todo o mundo eram, em geral, considerados como desordens da natureza, um desvio das almas que permaneciam no mundo dos vivos quando deveriam estar em seu próprio universo e, na terra, eram responsáveis por toda espécie de males. Tal como em outras nações, os rituais mais primitivos consistiam sacrifícios e cerimônias que buscavam aplacar os rancores e as mágoas das almas penadas. O cristianismo trouxe a associação dos fantasmas com o diabo e logo foram incluídos entre os fenômenos infernais.

No século X [anos 900], a Igreja já tinha se encarregado de definir que os espíritos bons iam para o céu ou para o purgatório enquanto os maus, naturalmente, deveriam estar no inferno. O fenômeno da possessão não era atribuído somente aos servos de Satanás, íncubos e súcubos mas, também, como a tentativa de um fantasma de voltar à vida apropriando-se do corpo de outrem. Na mente do povo, consolidou-se a idéia de que o mundo sobrenatural era dominado pelos espíritos dos santos católicos e pelos espíritos errantes, os fantasmas, tanto quanto pelos anjos e demônios.

O fato de alguém se tornar um fantasma depunha contra sua vida e sua morte não raro suscitando comentários desabonadores sobre o morto ou sobre membros de sua família posto que a condição fantasmagórica devia ter uma causa que somente poderia se enquadrar em circunstâncias específicas. Exceto pelo puro inconformismo do defunto, que poderia ter morrido de repente, ainda apegado aos seus amores e outros afetos, o fantasma deveria ter sofrido vida e/ou morte “ruins”: teria sido profundamente infeliz, guardava mágoas de pessoas próximas, fora assassinado ou suicidara-se. No ambiente puritano do cristianismo medieval essas suspeitas constituíam mancha vergonhosa na reputação dos envolvidos.

No Reino Unido, as crenças e o interesse por fantasmas são tradições cultivadas desde épocas remotas mas no século XIX [anos 1800] o interesse nos fenômenos dos desencarnados se intensificou, com a popularização do fenômeno das mesas girantes e advento espiritismo kardecista, consolidando-se em prestigiadas instituições dedicadas ao assunto como o Ghost Club of Great Britain, fundado em 1862 e que existe até hoje promovendo suas reuniões no The Victory Services Club, centro de Londres.

Entre seus membros, figuram personalidades como Charles Dickens, W.B. Yeats [poeta], Sir William Crookes [químico e físico], A.A. Watts, famoso medium, além de outros acadêmicos e homens da Igreja, como o Reverendo Staiton Moses. Um dado curioso, mas muito natural em uma instituição dessa natureza, é que os membros falecidos continuam sendo considerados membros ativos. Um dos casos de maior repercussão investigados pelo Club foi o da Borley Rectory [Paróquia de Borley], considerada “a casa mais assombrada da Inglaterra” [veja no tópico Europa]. O site do Ghost Club [www.ghostclub.org.uk] mostra que o grupo se encontra em plena atividade e segue investigando casos de fantasmas e assombrações bem atuais, utilizando equipamentos para o registro de imagens, sons e mudanças ambientais.

Em 1882, surgiu a SPR ─ Society For Psychichal Research [Sociedade de Pesquisa Psíquica – www.spr.ac.uk], um grupo de estudiosos notáveis que firmaram o propósito de investigar, com bases científicas, fenômenos como o mesmerismo [hipnose], parapsicologia e espiritualismo. A Sociedade atraiu cientistas não somente no Reino Unido: rapidamente encontrou simpatizantes e afiliados norte-americanos, como o psicólogo William James, que presidiu a Sociedade entre 1894 e 1895. O filósofo francês Henri Bergson também foi presidente da instituição, em 1913. Entre 1963 e 1965, a presidência estava com Donald James West, psiquiatra e criminologista, que voltou a ocupar o posto nas décadas de 1980 e 1990.

Alguns Fantasmas Europeus famosos

A Dama Branca: ou Dama de Branco, é uma assombração de um antigo castelo da Boêmia [República Tcheca, próxima à Alemanha] que pertenceu ao clã dos Rosenberg-Neahaus. De tempos em tempos, ela aparece em outros castelos de famílias amigas, como os Bradenburg, mas também já foi vista em Berlim. Muito alta, veste-se de branco e usa um véu de viúva adornado com fitas através do qual pode-se distinguir uma luz tênue. Ela desliza através dos corredores e aposentos daqueles castelos e lugares onde morreram membros de sua família. Dizem que é o espírito de Perchta Von Rosenberg, nascida em data incerta, entre 1420 e 1430. Foi casada com John Von Lichtensteis, barão rico e libertino. A Dama Branca teve, assim, uma vida infeliz, socorrendo-se com os parentes. Morreu em profundo desgosto, sucumbindo às indescritíveis afrontas que teve de suportar. Em dezembro de 1628, em uma de suas aparições, em Berlim, ouviram-na exclamar: “Veni, judica vivos et mortus: judicium mihi adhus superest!” ─ Venham! Julguem os vivos e os mortos; meu destino ainda não está decidido! [RADCLIFF, 1854].

A Dama Marrom de Raynham Hall [Inglaterra]: A Dama Marrom, The Brown Lady é, além de famosa, o fantasma cuja foto é a mais divulgada na história da fotografia de almas do outro mundo. Ninguém conhece sua identidade; sabe-se, apenas, que está relacionada a Raynham Hall. Sua primeira aparição data de 1835. Foi vista duas vezes por um cavalheiro que visitava a casa, Coronel Loftus cujo relato descreve-a usando um vestido de cetim marrom tendo somente cavidades negras no lugar dos olhos. Em outra ocasião, apareceu para o Capitão Frederick Marryat que, intencionalmente, resolveu dormir no “quarto assombrado” mas encontrou o fantasma no alto da escada onde, percebeu uma fraca luminosidade. Sua descrição, semelhante à de Loftus, acrescenta que na ocasião a Dama tinha na mão uma lanterna [antigo lampião]. Marryat, que tinha uma pistola à mão, disparou na direção da figura mas as balas atravessaram seu diáfano “corpo”. Em 1926, dois garotos também viram a Dama. Em 1932, a célebre fotografia foi obtida por Indre Shira e pelo Capitão Provand que trabalhavam em reportagem sobre o assunto para a revista Country Life. [FAMOUS MONSTROS]

A Mulher de Luto [Klage-weib]: é um tipo de fantasma internacional no se refere a sua conduta. A expressão Klage-weib é alemã, significando “Mulher que se lamenta” e refere-se a uma mulher grande; uma aparição alemã. Quando se aproxima uma tempestade e a lua brilha debilmente, sua sombra gigantesca pode ser vista em roupas esvoaçantes e funéreas, os olhos cavernosos e o olhar congelante. Ela estende seu longo braço e chora sobre as casas marcadas pela morte que se aproxima. Mas a “Mulher de Luto” também existe South Gloucestershire, [PARANORMAL DATABASE] Inglaterra, assombrando o cemitério de Charfield. Na versão inglesa, ela cobre o rosto com as mãos, demonstrando sua tristeza. Teria sido a mãe de duas crianças mortas em um acidente de trem ocorrido em 1929 que fez mais oito vítimas cujos restos mortais não permitiram identificação e, por isso, foram enterradas em uma cova coletiva. Em Tyrol [região entre a Itália e a Áustria], também existe uma mulher de branco cujo vulto pode ser visto nas janelas das casas prenunciando que, ali, alguém vai morrer.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/historias-de-fantasmas-europeus/

A pergunta de Aristóteles

Tudo começou com uma curta pergunta, algumas palavras em uma frase de simples entendimento, apenas alguns bits de informação; Mas a resposta – ou as inúmeras tentativas de resposta – se estendeu por centenas de posts ao longo dos anos.

E estávamos todos na crista da modernidade, em um fórum sobre física quântica e suas possíveis relações com a espiritualidade, hospedado em algum servidor na Califórnia, num site de redes sociais criado nas horas vagas por um engenheiro turco do Google.

O modo como nos comunicamos e trocamos informações pode ter mudado bastante desde que Aristóteles fez essa mesma pergunta a séculos atrás, mas nossa inquietação perante ela continua praticamente a mesma – afinal, como exatamente o espírito se une ao corpo?

Em um ambiente freqüentado por físicos e simpatizantes da ciência em geral, obviamente primeiro era preciso definir o que diabos era o espírito. Para os céticos de negação, de opinião cristalizada, era fácil zombar de quem aparentemente acreditava em coisas imateriais, não detectadas, fantasmas e assombrações… Outros, porém, de olhos mais atentos, ficaram um tanto curiosos quando alguns de nós falavam em materialidade do espírito, em partículas fluidas, não detectáveis pela luz (como os outros 96% da matéria e energia do universo), a compor corpos dentro de corpos, corpos vestindo corpos, como nós mesmos vestimos alguma roupa.

Mas ainda era necessário compreender de que forma este espírito se manifestava no mundo que conhecemos, que é afinal de contas o mundo que estamos agora, onde fomos colocados, onde bem ou mal precisamos estudar e amar como todos os outros mundos deste Cosmos infinito. Daí a física quântica parecia a princípio deslocada…

Está certo, Feynman já havia dito que ninguém havia entendido nada de física quântica, mas certamente os físicos entendiam pouco mais do que os leigos. E ainda que Hameroff e Penrose tenham um dia postulado que nosso aparente livre-arbítrio na verdade deriva de reações descritas pela mecânica quântica em minúsculos tubos constituídos de proteínas dentro de nosso cérebro, isso não era suficiente para associar a física quântica ao espírito – até mesmo porque esta teoria não dispunha de muita credibilidade no meio acadêmico, a despeito de prestígio de seus criadores.

A ciência moderna envolveu-se neste monumental paradoxo: primeiro, no campo da neurologia, foi obrigada a postular a existência da consciência, para somente então tratar de reduzi-la ao mero tilintar de neurônios no cérebro, a um fruto de reações químicas já estabelecidas, a suprema ilusão de todos os seres – que crêem que possuem efetivamente a capacidade de escolha.

Mas a neurologia não resolveu o problema difícil da consciência, não faz sequer idéia do porque tomamos decisões morais ou imorais, altruístas ou egoístas, enfim, do porque diabos um bombeiro arrisca sua vida para salvar a vida alheia em ambientes inóspitos como um prédio em chamas… Da mesma forma, não é capaz de criar máquinas que interpretem informações, que falem sobre a “vermelhidão” do vermelho, que expliquem por meio de algoritmos porque gostaram mais de uma poesia do que da outra, que determinem o exato valor com que aquela menina ama seu cachorrinho…

Máquinas jamais serão consciências. Nós não somos máquinas, e mesmo que fossemos, ainda estaríamos muito distantes da engenharia reversa – de sermos capazes de construir a nós mesmos.

Então, algo nos escapa, a natureza não nos deixa relaxar. Se fomos criados por um Deus desconhecido ou pelo acaso, pouco importa, porque não compreendemos muito bem nem um nem outro. Se a consciência é mera ilusão e se tudo é definido por uma dança neuronal aleatória, então somos obrigados a seguir tal dança, e uns crêem e outros não, e uns matam e outros não, e uns amam e outros não, simplesmente pelos desígnios da deusa Fortuna.

Mas, se existe a consciência, se existe a alma, se existe o espírito, temos que nos re-conectar a nossa essência, ao nosso inconsciente oculto, para que possamos viver esta vida do aqui e agora, mundana, de maneira mais rica, mais profunda, mais poética, mais espiritual.

Se ainda temos alguma escolha, ainda que vivamos num reino estranho onde partículas ora são onda, ora são pontos, e tem apenas uma probabilidade de estar aqui e acolá, escolhamos compreender o incompreensível, mergulhar no mar revolto da natureza – revolto, mas convidativo.

Sejamos espiritualistas, físicos, ocultistas, céticos, filósofos, ou ainda tudo isso ao mesmo tempo, esta é uma pergunta que não podemos nos dar ao luxo de ignorar.

Rafael Arrais, 13/02/2011

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Este foi o prefácio que escrevi para o livro “A pergunta de Aristóteles”, do meu amigo Abenides Afonso de Faria, e que foi lançado recentemente pela Editora Baraúna.

O livro é uma grandiosa compilação de uma das mais longevas e interessantes discussões online de que já participei. Abenides foi também o iniciador do tópico “A pergunta de Aristóteles“, que vem sendo discutido na comunidade Física Quântica – A Revolução, do Orkut, desde 25/05/07 (e hoje conta com mais de 15 mil respostas, e contando, apesar do Orkut não ser mais o mesmo de anos atrás).

Eu fico muito feliz de poder dizer que sou um dos “personagens principais” da discussão (apesar de só aparecer inicialmente lá pela página 60); E, se lerem o livro todo, verão que muito do que foi debatido lá serviu de base para inúmeras reflexões que foram posteriormente desenvolvidas em maior profundidade no meu blog (Textos para Reflexão).

Pode parecer estranho eu estar usando minha coluna no TdC para divulgar um livro, mas podem ter certeza que não tenho nenhum interesse comercial nisso, o livro realmente não é meu, sou tão somente um “personagem” dele… Mas acredito que seja uma leitura interessante para a maioria do público do TdC, que afinal de contas está representado pelos “personagens” presentes no livro – cada um com sua crença, ou descrença. Temos físicos ocultistas (sim eles existem, e eu conheço um!), físicos céticos, seguidores da logosofia, espíritas e espiritualistas em geral, curiosos, leigos, filósofos, etc.

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A pergunta de Aristóteles

O pensamento central do livro é a coleta de informações sobre o que pensa um grupo de pessoas que se propõe a trocar idéias sobre a polêmica aproximação entre a ciência oficial e a espiritualidade. Nos diálogos aparecem opiniões das mais variadas correntes do pensamento representadas por pessoas dos mais variados tipos psicológicos. Até aí nenhuma novidade, mas o que mais impressiona é que a troca de informações vai sendo conduzida de tal forma que se estabelece o respeito e a liberdade entre os membros da comunidade, não sem antes passar por algumas rusgas que se resolvem no decorrer dos diálogos. Observa-se também que a intenção de fazer proselitismo de uma corrente ou outra não tem lugar, pois a essência de um diálogo de alto nível intelectual não admite dogmatismo ou fanatismo.

A pergunta de Aristóteles: Como o espírito se une ao corpo? É o pano de fundo e o combustível para os debates que se traçaram entre o espiritismo, teosofia, ocultismo, ceticismo, logosofia, e até palpites desprovidos de qualquer racionalidade, mas que dão uma pitada de humor. As respostas foram apresentadas de acordo com o que até o momento pensam os representantes de cada corrente. Nenhum dos membros sustentou a imposição de suas opiniões e surgem várias respostas: o espírito se une ao corpo através da glândula pineal, do perispírito, da faculdade de sonhar, do cordão de prata, etc. Inclusive aqueles que se declararam contra qualquer idéia de dualidade. Porém, como o objetivo não é doutrinar, a resposta ficará a cargo do leitor que certamente meditará sobre o assunto. Fica no ar o vazio que surge da necessidade de se desenvolver uma mente mais capaz.

» Comprar o livro no site da Editora Baraúna

» Leia o eBook neste site

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

#físicaquântica #Ceticismo #espiritualismo #Religião #Ciência

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-pergunta-de-arist%C3%B3teles

Monstros Internos

Eles povoam a nossa imaginação. Ocultam-se sob nossas camas. Rastejam nos obscuros recessos de nosso inconsciente primitivo. Não há fuga, não há refúgio. A coisa vai pega você. A Besta, o aniquilador, o Lusus Natura. O que é? Por que tememos?

Qual é o seu nome?

Sempre tivemos nossos demônios. Há muito inflamam a imaginação romântica de sacerdotes e poetas. Houve um tempo em que os denominamos Trolls; depois foram chamados de Diabos, e então vieram as Bruxas, misturando poções maléficas em seus caldeirões. Ainda mais tarde, dizia-se que o Monstro era o Lobo Mau, o Bicho Papão, o Godzilla do terror da guerra fria. Por fim, alguns chamaram-no de intolerância e boçalidade. Durante algum tempo tentaram convencer-nos de que monstros não existem, que tudo no universo tinha, ou logo viria a ter, uma explicação racional.

Mas agora sabemos a verdade. Reatamos nossas relações coma Besta. Aprendemos seu verdadeiro nome.

Agora compreendemos a dimensão da eternidade, sua infinitude inimaginável, sua estrutura caótica e insignificância de nossa própria existência.
Agora admitimos a magnitude dos problemas que enfrentamos e a nossa aparente incapacidade de gerar mudanças na escala necessária para salvar-nos.

Tivemos um lampejo da realidade e enxergamos a verdade por trás do véu. Fechamos o círculo e redescrobimos o Demônio. Recuperamos nossa herança ancestral. Achamos aquilo a que concedemos tantos nomes – a fonte de nosso terror mortal.

Descobrimos o inimigos… e somos nós.

Somos caçadores, perseguindo eternamente a verdade inquietante de nossa condição humana, buscando em nosso íntimo por aquilo que é sujo, incerto, impuro – pelo que não tem nome. Ao olharmos os monstros que criamos, adquirimos um discernimento um pouco mais amplo de nossa “metade negra”. Esses demônios expressam o que somos nos níveis mais profundos e inacessíveis do inconsciente. Desde tempos remotos, eles nos têm proporcionado uma conexão com nosso eu animal, a satisfação de uma necessidade emocional primitiva, e a promessa de uma injustiça implacável.

O vampiro é o demônio quintessencial, nada mais sendo que um reflexo de nós mesmos. Os vampiros alimentam-se como nos alimentamos, matando, e, causando morte, podem sentir o mesmo terror, a mesma culpa, o mesmo anseio por fuga. Estão aprisionados no mesmo ciclo de necessidade, fartura e alívio. Como nós, buscam redenção, pureza e paz. O vampiro é a expressão poética de nossos temores recônditos, sombra de nossas necessidades primordiais.

Tal o herói da lenda, que desse ao poço do Purgatório para enfrentar o algoz, derrotar as fraquezas pessoais e finalmente ser purificado, retornando para casa com a dádiva do fogo, também nós precisamos descer às profundezas de nossas almas e renascer com os segredos conquistados. Essa é a verdadeira jornada de Prometeu, o significado do mito. Apenas embarcando nessa jornada podemos descobrir nossos eus verdadeiros e ver nossos reflexos no espelho.

O fascínio desta promessa de conexão espiritual é praticamente irresistível. Mas trata-se de uma aventura por demais perturbadora. É preciso manter-se vigilante e caminhar com cautela – toda jornada reserva seus perigos. Não olhe a própria alma, a menos que esteja preparado para enfrentar o que descobrir.

E neste momento, lembre-se:

Monstros não existem…”

Retirado do livro Vampiro: A máscara,

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/monstros-internos/

Enoque

(Texto original em inglês extraído da The Encyclopedia of Jewish Myth, Magic and Mysticism, de Rabbi Geoffrey Dennis)

Enoque, do hebraico “Chanokh”, é um dos ancestrais primordiais da humanidade.

Ele foi, significativamente, o sétimo nas primeiras dez gerações de humanos listados em Gênesis.

De acordo com as Escrituras, Enoque era o mais Justo dos antediluvianos e “foi com Deus … e ele não foi, porque Deus o levou”.

A partir dessas informações mínimas, muito é extrapolado.

Enoque aparece como uma figura importante em uma série de obras apócrifas (I Enoque; Jubileus; Livro dos Gigantes).

A ele é atribuída a criação da escrita, da astrologia e do recebimento do calendário solar oelos Anjos, calendário esse que era tão precioso para os sacerdotes que coletaram os Manuscritos do Mar Morto.

Para aqueles sacerdotes, ele era o protótipo de todos os escribas, sábios e sacerdotes (I Enoque 12, 14, 80–82, 106–7; Jubileus 4).

Ele também era um oniromante, isto é, um adivinhador de sonhos (Livro dos Gigantes).

Em alguns lugares, seu papel é tão exaltado que ele funciona como o principal canal do conhecimento divino para os mortais.

Algumas tradições judaicas sustentavam que Enoque ascendeu corporalmente ao céu, onde foi transubstanciado no príncipe angelical Metatron (III Enoque), embora haja pelo menos uma tradição que rejeita essa afirmação (Targum Onkelos de Gênesis 5:24; Gênesis Rabbah 5:24).

Junto com a mudança de nome, seu corpo material é consumido e substituído por um corpo de fogo supremo.

Ele é conhecido por vários títulos e nomes angelicais, incluindo Sar ha-Panim, o Príncipe do Rosto Divino e/ou Bar Enosh, “Filho do Homem”.

Os textos hebraicos sobre Enoque e sua translação angelical incluem Sefer Hechalot, Hechalot Rabbati e Sefer Chanoch.

Os Livros de Enoque

Existem vários livros em grego, hebraico e aramaico associados ao nome de Enoque, como III Enoque, o Livro dos Gigantes e Sefer ha-Razim de Chanoch.

Vários outros livros foram preservados apenas em traduções (eslavo e etíope).

Existem muitas variações entre os textos, e alguns se contradizem, mas o conjunto de elementos que se sobrepõem em diferentes versões é a história do papel terreno de Enoque antes do Dilúvio, sua ascensão ao céu, sua experiência de revelações apocalípticas lá, seu envolvimento nos assuntos dos anjos (caídos), e sua translação em anjo.

Abordaremos agora acerca dos livros existentes que são atribuídos a Enoque:

O Primeiro Livro de Enoque, também conhecido como I Enoque:

Este livro existe apenas em duas traduções variantes, grega e etíope.

O original hebraico não existe mais, embora tenhamos encontrado fragmentos hebraicos/aramaicos entre os Manuscritos do Mar Morto.

A tradução etíope é um apocalipse dividido em cinco livros: o Livro dos Vigilantes, o Livro das Similitudes, o Livro do Curso dos Luminares Celestiais, o Livro dos Sonhos e a Epístola de Enoque.

O livro de I Enoque Inclui a lenda dos anjo caídos, visões de sonhos, visões do julgamento final e outras parafernálias e refugos literários

A versão grega de I Enoque compartilha alguns textos e tem apenas um terço do tamanho da versão etíope.

O Segundo Livro de Enoque, também conhecido como II Enoque:

II Enoque é uma obra pseudoepigráfica judaica, provavelmente escrita no Egito, do século I EC.

Apenas manuscritos eslavos antigos (em duas versões) sobreviveram até hoje.

Este livro bastante enigmático também é um apocalipse, revelando o funcionamento do céu, do inferno e do fim do mundo.

O livro é um dos primeiros a expor os sete céus e a dar uma descrição detalhada dos prazeres do Paraíso (e o primeiro a associar a vida após a morte celestial ao Éden) para os mortos justos.

O Terceiro Livro de Enoque, também conhecido como III Enoque:

III Enoque também é conhecido como Sefer ha-Hechalot, Sefer Chanoch ou “o Enoque Hebraico”, este livro descreve o processo de ascensão mística.

Ao contrário dos primeiros livros de Enoque, que refletem mais puramente uma espiritualidade sacerdotal, esta obra também está claramente enraizada no judaísmo rabínico.

Um Sábio Sacerdote talmúdico, Rabi Ishmael ben Elisha ha-Kohen, é a figura central, e o trabalho é provavelmente um produto dos místicos merkavá.

III Enoque foi agrupado com os outros livros enoqueanos anteriores principalmente porque Rabi Ismael encontra Enoque no céu, em sua forma angélica de Metatron.

Este texto narra a ascensão mística de Rabi Ismael aos sete céus e seus encontros lá com seres angélicos.

Ele detalha os passos da angelificação e transubstanciação de Enoque.

Inclui uma descrição do guf ha-briyot, o Tesouro das Almas e a transmigração das almas.

O Quarto Livro de Enoque, também conhecido como IV Enoque:

IV Enoque é uma obra aramaica fragmentária encontrada entre os Manuscritos do Mar Morto, que inclui muitas partes de outros livros enoquianos e pode de fato ser a versão mais antiga dessas obras que temos agora.

O Livro dos Gigantes também pode pertencer à biblioteca Enoqueana.

Traduzido e adaptado do inglês para o português por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/enoque/

Como entrar em contato com seu Sagrado Anjo Guardião

Por: Fr.Goya(Anderson Rosa)

Esse pequeno ensaio é fruto de diversas explicações dadas em listas e tentarei monta-lo em tópicos, para que sirva de referência ao estudante que busca maiores informações sobre o Conhecimento e a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião.

A questão do Anjo na verdade é controvertida por que muitos que passam a sua versão ou definição de anjo sequer sabem o que estão falando. Vide Mônica Buonfiglio e toda a fileira de Angelólogos, que rezam sabe deus pra quem, já que os nomes usados por essa turma estão na maioria das vezes está errado. Basta verificar os nomes dos anjos em hebraico e sua gematria pra cair pra trás, com a quantidade absurda de erros que vem sendo perpetuados por uma gang de incompententes.

Quanto aos supostamente mais sérios ocultistas (onde estão eles??), que fazem comparações com a psique humana, selfs, egos, id’s (seria uma abreviação de idiota’s??), também esses estão errados, por que se observarmos pela qabalah (fazemos isso pela praticidade do sistema), veremos que a comparação com o self ou qualquer semelhante seu também é complicada, por que:

1) O SAG encontra-se em Tiphareth, além do véu de Paroketh;

2) Até onde me recordo, o ser humano consegue conceber mentalmente apenas Netzachabaixo do Véu de Paroketh.

Por aí podemos deduzir que toda a concepção dada pela psicologia se encerra às bordas do Véu. E isso numa pessoa altamente desenvolvida, o que não é o caso de 95% da humanidade (sendo generoso) que está ai apenas pra continuar a espécie. Logo, o SAG está além da psique.

Seria o SAG uma entidade espiritual?

 NÃO! Principalmente se adotamos a definição de espírito à luz do espiritismo direta ou indiretamente. Então o que seria? Sou tentado a dizer que seria mais apropriado e neutro defini-lo como uma energia externa ao Adepto. Porque externo? Por que o anjo vem até você, e não a partir de você.

Essa energia é a mesma que forma tudo no Universo e cuja única diferença entre seres é a vibração a que ela está usando para se manifestar. De resto é tudo a mesma coisa…

O problema maior ao se falar em Anjos ou coisas assim é que da minha parte, não tenho conhecimento de ninguém fora 1 ou 2 pessoas que tenha feito o ritual de Abramelin como recomendado, ou até mesmo o Sameck (duvido que até mesmo Crowley tenha seguido inteiramente esse ritual).

Portanto, para falar de Anjo é preciso propriedade, como se deve ter em qualquer tema a ser discutido. Falar é fácil. Fazer nem um pouco fácil. E digo mais: quem precisa discutir natureza de Anjo ou de Magia, por exemplo, é por que nunca fez nada que preste. Por que se fizesse teria suas questões devidamente resolvidas no tempo e forma corretos.

Magia não explica nada. Quem busca a magia pra encontrar uma resposta, sairá cheio de dúvidas. Magia é prática. Usando seu exemplo, pra que ficar perguntando a origem das coisas se elas funcionam? Essa explicação deve ser dada pelas Ciências, que tem mais tempo pra responder essas coisas…

Mas magia não é Ciência? Não. Talvez consciência…

Citando R.A. Gilbert e Crowley, deixo alguns pontos de reflexão:

A esses pigmeus do ocultismo, fariam melhor se calassem e meditassem…” – Gilbert

Agora uma maldição sobre Porque e sua família. Seja Porque amaldiçoado para sempre! Se a Vontade pára e grita Por que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz“. – Crowley, Liber Al II, 28- 30

O Guia Espiritual e o SAG são a mesma coisa?

Na verdade, o SAG não é a mesma coisa que o Guia Espiritual. São energias distintas. O SAG, em teoria, estaria acima do conceito religião. Tanto é, que no texto original, Abramelin adverte que não importa a religião do indivíduo, desde este não a tenha abandonado ou trocado por outra, principalmente se convertido em outra religião.

Outro item que permite que avaliemos o Guia e o SAG, é que até onde sei, várias pessoas podem tem o mesmo Guia. Em alguns casos porém, há um tipo de Guia individual, que é um espírito em evolução, e ambos (o Guia e seu orientando) evoluem juntos. No entanto, segundo o Sistema de Abramelin, cada pessoa possui um único Anjo Guardião exclusivo, que não possui outra função a não ser aguardar seus serviços serem solicitados.

É possível dominar o inconsciente?

Avaliando o SAG a partir de Tiphareth, estamos então vendo sob o prisma da qabalah.

Logo, pelo que é ensinado pelos rabinos, não estamos falando definitivamente de qabalah hermética, e sim pela Qabalah Judaica, o mundo que concebemos como humano, ou que percebemos enquanto humanos, por mais evoluídos que possamos ser psicologicamente falando, acaba em netzach.

Ou seja, mesmo um ser humano que tenha atingido o self, que já é um super-humano do ponto de vista psicológico, ele ainda está em netzach.

Se o anjo é encontrado (mas pode ser visto em malkut) em Tiphareth, é por que a pessoa ultrapassou o self. Portanto, não adianta a psicologia argumentar em favor de algo que ela mesma ainda não compreende que é: o que está além do self?

Mas para vermos a complexidade do tema, ele cria confusão justamente por que para o ser humano comum, o limite ainda é o ego. Antes fosse o self. Logo, tudo que eu concebo enquanto ser humano padrão, tem que obrigatoriamente estar dentro do EU. Afinal, não se concebe nada além do umbigo.

A minha recomendação é: Ao invés de se falar de Abramelin, que se faça. Tem muita gente falando sobre o tema que sequer alguma vez leu o livro completo, quem dirá fazer. E ainda teve uma figura que em outra lista, teve a cara-de-pau de dizer que fez, usando dados que passei (sobre a minha realização do Ritual de Abramelin) noutra

ocasião, como local e data em que supostamente teria feito o ritual, e aos 19 anos, sendo que a idade mínima requerida é 25 anos. Isso é que é magista de m… (desculpe o desabafo, mas é pra você ver como as coisas são).

Aproveitando isso, devo dizer que se alguém aqui da lista pretende fazer esse ou qualquer outro ritual, envio as seguintes dicas:

* No caso do Abramelin, só faça se tiver um tutor que já tenha feito;

* Mantenha um diário decente. Se você não consegue sequer anotar suas práticas num caderno, que merda de magista é você e o que quer com magia ritual??

* Conheça intimamente o ritual, sabendo quase de cor e tendo providenciado tudo que precisa com antecedência;

* Siga estritamente as recomendações do autor do ritual, não invente, e principalmente, NUNCA SUBSTITUA NADA. Se pede Galanga, faça com Galanga, não com gengibre. Isso é coisa de magista safado.

* Se acha que não tem competência pra terminar, nem comece.

E principalmente:

SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES. SE VOCÊ ACHA QUE É BOM O SUFICIENTE

PRA PODER MUDAR ESSE OU QUALQUER OUTRO RITUAL, FAÇA DA SUA CABEÇA E

NÃO INCOMODE NINGUÉM SE FIZER BESTEIRA.

A coisa é simples no fundo. O ser humano é que é complicado e cara-de-pau.

 Errando Sozinho e Errando Orientado

Depois da última mensagem que enviei sobre o tema Abramelin, muitas pessoas me escreveram em off, para saberem por que trato do assunto de forma tão radical, em especial com relação a ter um tutor, uma vez que o próprio ritual é conhecido como uma forma de auto-iniciação.

Primeiro de tudo. Porque o radicalismo? Acredito que se você deseja algum resultado efetivo na vida e nas suas práticas, você deve jogar conforme as regras. Muitos misticóides se dizem cientistas do esoterismo, mas somente emporcalham os dois nomes: místico e cientista.

O de místico, porque não tem a visão necessária para enxergar as entrelinhas, nem tampouco o desprendimento que faz o buscador. Não é um sonhador, e sim um fugitivo de si mesmo. Esse tipo de pessoa, se envolve com misticismo não por que gosta, mas porque quer fugir do mundo, tentando achar algo que seja tão esquisito quanto ele e que agüente seus problemas de relacionamento com o mundo.

Faz pior ainda com o de cientista, porque não tem método, não tem disciplina e ainda pior, não tem conhecimento.

Esse tipo de pessoas, buscam na auto-iniciação a justificativa pra sua fuga de autoridade, de estrutura e para mentir ainda mais a si mesmo sobre seus fracassos. Logo, considerar qualquer método de auto-iniciação, seja Abramelin, Sameck, Pyramidos, ou monografias da AMORC, só ajuda a fazer mais loucos. Aqui cabe bem a expressão: Jogar pérolas aos porcos.

Um indivíduo dessa natureza (a do porco) recebe uma pérola, esmigalha a pérola com os pés e ainda se volta contra aquele que o alimenta, por estar habituado com lavagem. Logo, não vê utilidade para as pérolas.

 

É necessário um Tutor?

Quando se faz um ritual, em especial os de longa duração, é muito comum surgirem dúvidas, e principalmente, a pessoa ser bombardeada com inúmeras informações sobre si mesma e o mundo. Cada ritual tem sua estrutura, e portanto, exige do estudante muito cuidado com aquilo que faz, pois os resultados podem ser graves.

No ritual de Abramelin, que é o nosso tema, é muito comum a ocorrência de visões, de uma certa esquizofrenia por parte do estudante. Por que isso acontece? Por que o objetivo de toda iniciação é despertar certas condições no indivíduo, e estas exigem

para ocorrer, uma reorganização da nossa estrutura mental. Israel Regardie comenta bastante sobre esse tema no Z3., de sua obra The Golden Dawn.

No Abramelin, um dos objetivos principais é enaltecer a essência divina do indivíduo e as qualidades de sua crença, qualquer que seja ela. Mas no Sameck por exemplo, um dos objetivos do ritual, é um rompimento com o sistema de crenças do indivíduo até então. Isso é totalmente oposto ao sistema de Abramelin, como descrito acima.

Logo, em cada um dos casos, podem ocorrer as seguintes coisas:

ABRAMELIN: O indivíduo pode apresentar sintomas de um fanático religioso. Volta-se completamente para a religião e para a divindade, chegando até mesmo a um complexo de messias.

SAMECK: O estudante começa a perceber uma total ruptura com seu sistema de crenças vigente, e daí podem ocorrer basicamente duas coisas – Ou ele fortalece sua crença, ou pode virar um completo agnóstico.

Por isso, a presença de um tutor é fundamental, uma vez que essas mudanças podem mudar profundamente nosso ser, e a forma como vemos e nos comportamos no mundo. Caso a pessoa insista em fazer o ritual desamparada, ela corre o risco de ir parar numa casa de Saúde Mental.

E como as mudanças são bastante sutis, a pessoa que está imersa no processo, muitas vezes não identifica o que lhe ocorre, mas como no caso de um dependente químico, todos ao seu redor percebem a mudança.

Menos o dependente.

E uma vez que se tenha um tutor, é fundamental uma relação de respeito e dedicação na relação tutor/discípulo. Como há a ocorrência de mudanças na personalidade, podem ocorrer também momentos de certa paranóia, onde o discípulo se acha perseguido e manipulado pelo tutor. Tudo isso é previsto nesse tipo de ritual. E portanto, a única esperança para o estudante, é que ele seja orientado da melhor forma possível. E para isso, precisa de um tutor habilitado para tal.

Quando ele se arrisca sozinho, fica muito complicado ajudar, pois não há como saber o estágio do problema que o estudante vivencia.

Oportunamente iremos oferecer maiores instruções sobre como funciona o ritual em si, o que está envolvido ali e como se encontra o SAG efetivamente.

Atenciosamente,

Em L.L.L.L.,

Fr. Goya

ANKh, USA, SEMB

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-entrar-em-contato-com-seu-sagrado-anjo-guardiao/

O Real Sentido da Meditação

Texto do meu irmão e amigo Dario Djouki, sobre meditação:

A meditação, como conhecemos no ocidente, tem um significado completamente diferente de sua real origem, no oriente, mais especificamente na Índia. Várias práticas espirituais, ao chegaram até o ocidente, foram deturpadas ou mesmo adequadas ao estilo de vida das pessoas, mais voltado ao plano material do que o espiritual, ao dinheiro do que a elevação do ser e a busca de Deus dentro de cada um de nós.

As religiões ocidentais fizeram isto com as pessoas. Através de seus dogmas, sistemas verticalizados de comando, imposições sociais, introduziram na sociedade os conceitos de bem e mal, certo e errado, mantendo-as dentro de seus domínios, pois obviamente é muito mais fácil de se controlar alguém!

Com o próprio advento da espiritualidade “fast-food” com suas soluções práticas de vida e consumismo desenfreado, todos os conceitos orientais foram banalizados, e o resgate dos mesmos como caminhos de evolução do ser humano é muito importante para as pessoas que realmente querem ter uma vida melhor, tanto física como espiritual. Isto tudo pode e deve ser agregado às práticas espirituais ocidentais, sem o menor problema, pois todas as fontes levam à Deus.

Meditação

Por Swami Ritajananda

A palavra meditação não tem na Índia o mesmo significado que no Ocidente. Os hindus usam uma palavra equivalente, pois não existe outra que se aproxime mais dessa idéia. A palavra mais usada por eles é Dhyana, ou Nidihyasana, ou ainda Upasana.

Normalmente, durante a meditação, objetivamos pensar apenas em um Ideal espiritual ou uma idéia próxima deste ideal. Na Dhyana, o pensamento não se ocupa de modo algum com um tema, mas dirige-se intensamente para o Ideal espiritual.

Na Índia, o objetivo buscado é o de se obter uma experiência espiritual que transcenda a mente. Se não se admitisse a possibilidade de atingir um estado mais elevado que o nível da mente, a meditação hindu não teria nenhum significado. Para os hindus, a meditação é suscetível de levar um contato direto com o Supremo.

Por que é necessário meditar? Para buscar o Supremo. Aqueles que meditam desejam encontrar o Supremo. Sabem que a melhor coisa que existe em suas vidas é alcança-lo. É a meta suprema da existência. Na Índia é a salvação. Precisamos dizer também que a meditação deve tornar-se uma concentração intensa, tão fina e aguda quanto possível. Trata-se, portanto de uma intuição penetrante.

Há, por um lado, a intensidade da concentração e , por outro, uma compreensão bem aguçada, bem afinada, dentro da meditação profunda. Ficamos então completamente separados da vida comum.

Normalmente esta prática é difícil, pelo menos no início, porque nossa mente está habituada a afundar-se numa imensa variedade de pensamentos e sentimentos. A isto se acrescenta a lembrança de nossas impressões passadas, ou então aquilo que está próximo, o imediato, tornando a concentração muito difícil. Poucas pessoas consentem em desprender-se de todas as suas atividades mentais para se tornarem capazes de absorver-se em seu Ideal Espiritual.

Existe um meio eficaz para se conseguir purificar a mente de todos os diferentes tipos de pensamentos. Este meio é a introspecção e a análise de si mesmo. Praticando bastante a introspecção, analisando-se a si próprio em seu interior, consegue eliminar todas as más tendências da atividade mental. Mas isto é difícil no começo, porque não somos capazes de julgar-nos imparcialmente e dificilmente aceitamos reconhecer nossos defeitos.

Muitas vezes as pessoas não se dão conta da dificuldade que há em descobrir seus defeitos, porque sua própria mente, em geral, mascara as más tendências. Então, sem compreender que elas próprias estão velando a visão das coisas, não sabem que estão vendo incorretamente e agindo mal. Não sabem que sua apreciação de sua própria atitude mental não é nem clara, nem exata. Por esta mesma razão, tais pessoas não compreendem a crítica de seus defeitos, se lhes acontece ouvi-la, pois julgam-se feridas em seu amor-próprio. Portanto, é muito difícil.

(…) O objetivo supremo da meditação é atingir a Consciência Pura,absolutamente pura, a Luz sem nenhuma nuvem. Mas, antes disto, há diferentes níveis.

(…) A consciência pura é o estado de Samadhi. Se pudermos chegar a este estado, seremos realmente mestres. A mente ficará completamente controlada, descobriremos muitas coisas muito mais nitidamente do que antes. A compreensão habitual é a do mundo, daquilo que vemos. Não é o real. Não é a verdade. O que tomamos por verdadeiro é o produto de nosso pensamento, a criação da mente. Com a mudança da mente, o mundo muda, tudo muda. Nesse momento, pode-se dizer que vocês captaram a meta suprema de suas vidas. Compreendem quem são, compreendem onde estão. Vocês se transformam.

Como verificamos nas palavras do Swami Ritajananda, meditação não é apenas fechar os olhos, ficar em silêncio, praticando respiração. Meditação é algo muito mais profundo, é a busca da consciência suprema, da conexão com Deus, através de práticas, seja entoando mantras, observando imagens, ou outra forma que seja melhor adequada ao praticante. Quando você medita, você se conecta, descobre seu verdadeiro ser.

Meditar não é manter a mente vazia, mas sim preenchida de silêncio. É o equilíbrio absoluto, é a paz interior definitiva, criando uma mente centrada, em paz consigo mesma.

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-real-sentido-da-medita%C3%A7%C3%A3o

Como começar um diário mágicko

Por: Donald Michael Kraig

Gostaria de começar dizendo que todas as histórias e os “contos de fadas” sobre os poderes dos feiticeiros, as bruxas e os magos estão corretos, ainda que, desgraçadamente, somemente em parte. De fato, é possível creiar sortilégios para ganhar dinheiro, amor, sabedoria, satisfação e muitas coisas mais.

Devem compreender, apesar de tudo, que contrariamente ao que ocorre na magis dos contos de fadas e dos filmes, a maior parte da magia real não temtem efeito de forma instantânea. Por exemplo, se você realiza um ritual para conseguir dinheiro, este dinheiro poderia demorar uma semana ou duas para chegar e, quando chegar, seria por meios naturais. Porém, se o ritual foi realizado da forma adequada, o dinheiro “aparecerá”.

Ninguém pode outorgar-lhe poderes mágicos. Você mesmo deve ganhá-los. Há somente um modo de consegui-lo: Pratique, pratique, pratique!

Ademais, deverá anotar todas suas pŕáticas, experiências, pensamentos e sonhos; o deverá fazer em dois registros separados, ou diários.

Registro dos Sonhos

Deveria começar agora mesmo, hoje mesmo, a escrever um diário de seus sonhos. Quando sonhamos (e todo mundo sonha), pode ocorrer uma das seguintes quatro circunstâncias seguintes:

1. Trabalho astral: Ao realizaro trabalho astral, são aprendidas lições acerca do desenvolvimento espiritual, mágico e psíquico simutaneamente à prática dessas lições. Isso acontece no chamado “plano astral”. Em lições posteriore aprenderá mais coisas sobre a interpretação mágica e cabalística do plano astral.

2. Mensagens psicológicas: Muitas vezes o subconsciente necessita comunicar ao consciente, porém o consciente nega-se a escutá-lo! Em alguns sonhos o subconsciente envia uma mensagem, em símbolos, ao consciente. Este é uma das bases da psicanálise freudiana.

3. Brincar: Ao descansar, a mente pode vagar sem rumo ou sentido e enviar ao consciente qualquer tipo de imagem bela ou estranha.

4. Uma combinação de todas as anteriores.

Se nunca manteve um diário de sonhos, descubrirá que se trata de algo muito fácil.

Simplesmente tome um bloco de papel e um lápis ou uma caneta e os deixe próximos à cama. Enquanto desperta pela manhã, escreva tudo quanto recorde. Se não recorda nada, deverá escrever no diário “Não consigo recordar meus sonhos” e isso será suficiente. No princípio talvez somente lembrará um pequeno fragmento, talvez
somente um fato ou um sentimento. Ao cabo de um mês de prática regular terá dificuldades para conseguir que as entradas do diário caibam em uma página.

Ademais, procure um caderno em branco ou um fichario com papel em branco para transferir as breves notas que tenha tomado junto à cama. Ao menos que sua escrita seja muito legível, escreva com letras de forma no novo livro o que havia anotado no bloco de papel. Isto pode levar mais tempo, porém no futuro será muito mais fácil de ler. Assegure-se de por a data em cada entrada.

No parágrafo anterior você observou que eu falei em ler o diário no futuro. Essa atitude de revisão é muito importante. Não tente, neste ponto, analisar cada sonho. O mais provável é que não seja capaz nesse momento de decidir a qual dos quatro tipos mencionados anteriormente corresponde seu sonho. Em lugar disso, busque as
imagens repetidas ou as transformações que tenha observado em seus sonhos recorrentes. Por favor, fuja de todos esses ridículos manuais sobre o “significado dos sonhos”!

Vou oferecer-lhe um exemplo da importância que pode ter esse diário para você. Uma de minhas alunas tinha frequentemente sonhos nos quais era perseguida por soldades, corria e se escondia. Tinha sonhos desse tipo várias vezes ao mês e despertava molhada em suor frio, aterrorizada. Para ela, esse sonho era uma versão de algo que
havia acontecido realmente quando era pequena. Depois de praticar alguns dos rituais de proteção que aparecem nas presentes lições seus sonhos, segundo me contou, começaram a mudar. Já não se escondia nem era quase descoberta ou violentada, mas conseguia escapar. Havia desaparecido nela um antigo bloqueio mental que se manifestava como medo aos homens e ao sexo. A relação com seu noivo melhorou muito, já que se sentia mais segura. Isso estava representado pela mudança que
experimentou seu sonho recorrente. De forma parecida, você poderia ver as mudanças positivas em su vida ao ser capaz de observar as alterações que sofrem
seus sonhos ao longo do tempo.

Como registrar os rituais

Mais adiante, nesta mesma lição, encontrará rituais para serem realizados pelo menos uma vez ao dia. Enquanto esteja aprendendo-os, não deveria tardarmais de meia hora em levá-los a cabo, e muito menos tempo uma vez que os tenha memorizado. Em outro caderno, deveria cultivar um diário dos rituais. Na próxima página lhe oferecemos uma sugestão de formato para seu diário; poderia ser-lhe útil fazer cópias desta página e guarda-las em uma pasta, de modo que cada dia poderia simplesmente preencher uma delas.

Data:
Dia da semana:
Hora:

Fase da lua:
Condições meteorológicas
Emoções:
Condição física:

Execução (o que foi feito):
Resultados (o que foi conseguido):

Todos os dados que aparecem são importantes e deveriam incluir todos os aspectos em cada uma das entradas. No futuro, poderá descobrir que condições lhe proporcionam mais êxito ao praticar magia. Algumas pessoas tem mais sucesso quando estão contestes e a noite é quente; outras obtém melhores resultados quando estão deprimidas e o tempo é chuvoso. Conjuntamente, seu diário de sonhos e seu diário dos rituais constituem um texto mágico secreto e pessoal que somente podem ser realmente úteis para você.

Por fase da lua quero dizer se ela está cheia, minguante ou crescente. Esta informação pode ser localizada em qualquer calendário local ou astrológico. Por condições meteorológicas me refiro a se o tempo está chuvoso, nublado, abafado, morno, quente, frio, etc. Por emoções, se está alegre, triste, deprimido, etc. Por execução, seo o reitual foi bem executado, conscientemente, descuidadamente, etc. Por resultados me refiro a como se sente e o que experimentou. Também é possível que você deseje tecer comentários a esse respeito em uma data posterior; neste caso deverá indicar a data do comentário referido.

Devo dizer uma coisa mais sobre os rituais: Não se pode realizar o ritual sete vezes um mesmo dia e se esquecer dele o resto da semana! Pode realizá-los com uma maior frequência que a diária, porém deve fazê-los no mínimo uma vez ao dia.

Traduzido do espanhol por Infinitum

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-comecar-a-usar-o-diario-magicko/

Ge Hong

gehong

Por Gilberto Antônio Silva

Vida

Muito do que se sabe de sua vida provém de uma autobiografia na qual revela descender de uma longa linhagem de intelectuais e pessoas ligadas à corte imperial por ao menos dez gerações. Seu pai, Ge Ti, era um intelectual que ascendeu a altos postos, incluindo governador de província. Na infância Ge Hong não gostava de brincar como as outras crianças, nem se interessava por estudos mais sérios. Apenas depois da morte do pai, quando contava 12 anos, começou a se interessar pelos clássicos confucionistas. A partir dos 14 anos começou a ampliar suas leituras e a compor poesia e textos curtos, sob a tutela de Zheng Yin, um intelectual com mais de 80 anos que dominava os clássicos, a música e artes divinatórias e alquimia. Ele também recebeu de seu tutor três escrituras da tradição taoista da Suprema Pureza (Taiqing), uma importante ramificação taoista do norte da China e pouco conhecida no local onde morava, além de conhecimentos-chave transmitidos por via oral. Esses conhecimentos mais profundos e fechados foram passados a Ge Hong principalmente pelo fato de seu tutor manter estreitas relações com sua família, tendo sido discípulo de seu tio-avô, Ge Xuan.

Aos 20 anos começou a carreira pública pelo serviço militar, tendo estado em combate algumas vezes contra rebeldes. Vencidos os rebeldes ele deu baixa no serviço de forma honrosa e foi à capital, Luoyang, em busca de livros raros. Por volta de 306, prestou serviços para Ji Han, então Inspetor Regional de Guangzhou e autor de obras sobre medicamentos e fármacos. O serviço durou pouco pois Ji Han foi morto quando ia assumir novo posto.

Desempregado, Ge Hong viveu oito anos como recluso no Monte Luofu, voltando para sua província natal em 314. A temporada em Luofu foi muito proveitosa, pois travou amizade com Bao Jing, um alto funcionário governamental e estudioso de artes esotéricas que lhe ensinou medicina e artes alquímicas, tendo casado sua filha com Ge Hong. Também nesse período Ge Hong escreveu profusamente e, embora muito desse trabalho tenha se perdido, foi a época em que escreveu Baopuzi e o Shenxian zhuan, duas de suas principais obras.

De volta à sua terra natal foi conselheiro do Primeiro-ministro Sima Rui até 316. Depois de revoltas internas, Sima Rui se autoproclamou Imperador Yuan, iniciando a Dinastia Jin do Leste (317-420). Ge Hong serviu em vários postos administrativos até 331, quando aos 49 anos pediu para ser designado para Julou, atual Vietnã. Lá ele esperava encontrar materiais e substâncias para seus experimentos alquímicos. Começou a mudança com toda a sua família mas foi impedido por um governador que não desejava que saísse do território do império Jin. Ge Hong acabou por se instalar novamente no Monte Luofu, dando por encerrada sua vida administrativa. A partir desse instante, por volta de 339, ele se dedicou integralmente aos estudos, pesquisas alquímicas e escritos. Em 343 Ge Hong morre no Monte Luofu. Posteriormente a região ficou conhecida pela influência taoista e diversas escolas importantes como a tradição Quanzhen estabeleceram sua sede naquele local.

Obra

Uma de suas obras mais importantes é Shenxian Zhuan (“Biografias dos Imortais Divinos”), com forte orientação taoista. Junto com seu Yin Yi Zhuan (“Biografias de Reclusos”), representam as mais importantes obras biográficas de mestres e reclusos taoistas, usadas como fonte histórica até hoje.

Mas o que é considerado sua obra principal é o Baopuzi (“O Mestre que Abraça a Simplicidade”), escrito em 70 capítulos divididos em “Capítulos Internos” (Nei Pian) versando sobre filosofia, alquimia e transcendência e “Capítulos Externos” (Wai Pian), versando sobre crítica literária e social. Os capítulos internos são mais esotéricos e tratam de imortalidade, transcendência, alquimia, elixir, meditação, daoyin (qigong) e demonologia. Os capítulos externos são exotéricos e lidam com coisas do cotidiano como literatura, a Escola Legalista, política e sociedade, tendo um viés mais confucionista. Embora sejam publicados geralmente juntos, muitos consideram as duas partes como independentes e estudiosos tendem a considerar como Baopuzi apenas os capítulos internos. Ge Hong relaciona o Tao como o Mistério e o livro insiste na necessidade de se ter um Mestre adequado (“Mestre Iluminado”, em suas palavras) para se progredir rumo à imortalidade. Nele Laozi é colocado como o fundador do Taoismo.

Seu livro de medicina mais conhecido é o Zhouhou Beijifang (“Manual de Prescrições para Emergências”), que norteou a pesquisa da Dra. Tu. Foi a primeira obra na história a documentar a varíola (posteriormente os chineses criaram uma vacina) e o tifo, além de disenteria, malária e cólera, desenvolvendo métodos de prevenção e cuidados especiais incluindo a quarentena para os infectados.

Outras obras de medicina são Zhou hou jiu zu Fang (“Precrições para Resgatar Moribundos depois da Leitura do Pulso”), Yu han fang (“Prescrições da Caixa de Jade”), Jin gui (Receitas do Armário Dourado).

Legado

Acredita-se que sua obra tenha influenciado de maneira consistente a Tradição Taoista Lingbao (Tesouro Luminoso), que pregava que o adepto não tinha apenas que cultivar a si mesmo de modo a alcançar a imortalidade (o Tao), mas deveria ajudar as outras pessoas a obtê-lo também. Essa tradição afirmava que suas escrituras foram concebidas por Ge Xuan, sobrinho-neto de Ge Hong, e compiladas por Ge Chaofu (outro membro da família de Ge Hong) durante o período entre 397–402. Essa escola fez uma síntese das principais correntes taoistas de seu tempo, incorporando elementos das tradições Zhengyi e Shangqing, além do Budismo. Causou grande impacto na formalização dos rituais taoistas, enfatizando a prática litúrgica especialmente nos Ritos de Purificação (zhai) e nos Ritos de Oferenda (jiao), também conhecidos como Rituais de Renovação Cósmica. Os rituais taoistas seriam formas de se harmonizar o mundo humano com o invisível. O Taoismo Lingbao acabou por ser totalmente absorvido pelas tradições Zhengyi e Quanzhen, desaparecendo como linhagem autônoma mas deixando uma forte influência nestas escolas.

Ge Hong fez importante aproximação entre Taoismo, Confucionismo e Legalismo. Ensinou que os conhecimentos do mundo e os transcendentais são ambos importantes para o aperfeiçoamento humano até atingir a imortalidade.

Seus trabalhos médicos são, ainda hoje, matéria de estudo nas universidades chinesas.

*** Artigo publicado na primeira edição da revista Daojia, a primeira revista brasileira sobre Taoismo e suas técnicas. Baixe gratuitamente seu exemplar em nosso site: www.laoshan.com.br

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ge-hong

As Faces de Babalon

 uma Compilação das Vozes de Mulheres

Copyright© 1992-2012 Black Moon Publishing

Você terá a visão e também ouvirá minha voz. Eu falarei com você mesma que eu não esteja presa ao tempo ou às restrições do homem.

Vou embalá-lo em meus braços e você também beberá do meu leite e será meu bebê. E eu segurarei a tua mão e tu caminharás comigo como uma criancinha.

E tu tocarás uma flauta silenciosa e cantarás uma canção sem palavras, um hino para mim do nada.

 E cada beijo será uma vida inteira e cada carícia uma eternidade e cada suspiro a vida de uma estrela!

 Não escolha o lírio branco, pois eu lhe darei tudo pela dissolução e assim você se expandirá e se separará como poeira estelar soprada pelo universo e nos tornaremos sem face você e eu, então deixaremos de ser o você e o eu e nos tornaremos um e nada ao mesmo tempo, e cada momento cessará porque não há tempo!

Nossas lágrimas se misturarão ao nosso riso, que fluirá além dos limites da eternidade, pois a alegria da dissolução é dar tudo e se tornar nada!

Nossa respiração será o começo e o fim de todas as palavras e de todo o universo!

Tenho muitas filhas que são conhecidas como eu sou. Vou mostrá-las a você.

Extraído de “Babalon Speaks (Babalon Fala)” e “The Book of the Holy Lady of the 3-Fold Name (O Livro da Senhora Santa do Nome Tríplice)” canalizado por D. Koons; disponível nos Arquivos.

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PREFÁCIO:

Babalon é, e sempre foi, uma Mulher de Poder. Seja vista no passado através dos olhos mal guiados de Osiris da Consorte, ou encarnado na presente na liberdade auto-realizada das poderosas, elas existiram e existem agora. Elas fazem seu Trabalho silenciosamente, trazendo Mudanças por Vontade, às vezes diretamente, às vezes indiretamente.

Este livro é uma colaboração escrita pelas vozes de Babalon, as mulheres de poder encarnadas. No passado, aqueles que falavam eram muitas vezes os cônjuges dessas mulheres; as próprias mulheres ficavam em silêncio. E assim Ela era vista pelos olhos de uma Era, uma era de opressão e impotência. Vista principalmente através do sexo, ela era observada apenas desse ponto de vista, que era apenas uma de suas muitas Faces.

Para Linda Falario uma essência de Babalon é a guerreira. Para Soror Chen, uma Babalon autoinvocada pode levar as mulheres a “um mundo que reflete os dons do gênio feminino”. Para Mishlen Linden, Babalon é a Sacerdotisa, a Mulher de Poder. A Babalon de Raven Graywalker é a Prostituta Sagrada. A Babalon de Nema oferece um contraste nítido com as visões dos outros artigos.

A realidade que é Babalon é tudo isso e muito mais. Nestes ensaios, falamos de Babalons passadas (artigo de Chen, Nema) e Babalons atuais (de Linda, Raven e Mishlen). Seu futuro é um mistério; que esse Mistério venha nos tocar na plenitude do Tempo.

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CONTEÚDO:

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/as-faces-de-babalon/