A Clássica Paternidade: Venom

Prélude: Um bocado de História

Trata-se dalgo salutar e corriqueiro principiar qualquer estudo a partir das  causas daquilo o qual se falará. Portanto, arranja-se natural começar-se a  série de escritos e apreciações musicais entorno do que, hoje, convencionou-se nomear Black Metal a partir de sua teórica origem.

Contudo, a tarefa  genealógica não se assoma tão fácil quanto um pressado entusiasta ou leviano interessado no gênero imaginam. Fora do Senso Comum histórico e “enciclopédico” do gênero existe uma infinidade de leituras e perspectivas possíveis,cada uma delas pavoneando-se saber a insofismável verdade do primum movens [primeiro motor;causa primeira] do estilo. Cada uma destas posturas  detém suas próprias justificativas, atináveis provas e pungentes argumentos para estipularem aqui ou acolá o ponto primeiro de surgimento do “Metal Negro”. Dessarte,desvela-se cousa natural que, nessa breve e introdutória apresentação histórica, atenha-se a expor as prncipais “linhas-de-pensamento” neste sentido para que a posteriori o leitor seja compelido a extrair suas próprias conclusões e posturas face o exposto.

Abaixo, partir-se-á à exposição da cogitação majoritária nesse campo musical-historiográfico: Aquela que posta a banda inglesa “Venom” como o autêntico e genuíno progenitor do Black Metal.

Aula 1: A Clássica “Paternidade”:“ Venom

No final da década de 1970 uma cousa far-se-ia certa de inferir quando se tratava da, então infante, cena  Heavy Metal: O Diabo  era  um fortíssimo e presente elemento estético, porém como figura ambígua. Vide,por exemplo, os seguintes versos retirados  da canção Black Sabbath lançada em  lp pelos homônimos e incontestáveis criadores do Heavy Metal:

“Big black shape with eyes of fire
Telling people their desire
Satan’s sitting there,he’s smiling
Watch those flames get higher and higher
Oh no,no,please God help me!

“Enorme e negra forma com olhos de fogo
Às pessoas dizendo seus desejos
Acolá Satã se senta,sorrindo
Vede aquelas chamas ardendo mais e mais
Óh!não,não,por favor Deus,me ajude!”
(tradução nossa)

Aqui, claramente, o que está em jogo é uma perspectiva de Satã como um mero e inevitável “Senhor de Todo-Pecado e Malevolência”, sempre corporalmente desviando  à Humanidade de sua “senda natural” a qual no fundo está direcionada a Deus. Decerto, pode-se argumentar que a sombria tessitura musical, vocais desesperados de Ozzy Osbourne (vocalista da banda, então) e aparente inexorabilidade do Mal nas letras levar-nos-iam a conceber que o grupo faz-se pessimista e, larga medida, articulado a uma perspectiva diabólica da imanência. Porém, mesmo que se aceite esta ótica a qual tende a instilar os primeiros álbuns setentistas do “Black Sabbath” com tais tonalidades de pessimismo e “gnosticismo” naquilo que visualizam de assombrado na Existência,de forma indubitável Satã ainda é encarado na disposição mosaica e repugnante que o Cristianismo construiu-lhe ao longo dos séculos, principalmente, durante à Idade Média .

Capturado por este cenário do nascente Heavy Metal e atração estética pelo satanismo imagético, a tríade inglesa composta pelo baixista/vocalista “Cronos” (Conrad Thomas Lant), guitarrista “Mantas”(Jeffrey Dunn) e o baterista “Abaddon” (Anthony Bray) fazem seu primeiro lançamento oficial com o nome de “Venom” (anteriormente, a banda chamava-se “Guillotine”): “Welcome to Hell”.

Apesar de toda filiação  Heavy Metal e seu apreço comum pelos primeiros conjuntos do gênero,o “Venom” radicalizou e inverteu alguns paradigmas na época vigentes dentro do gênero. Uma das principais inversões estéticas, acontece justamente na relação lírica com o satanismo. A própria graça de seu debut, “Welcome to Hell”(1981), já dá o tom desta a citada inversão. O inferno, a dimensão de abrigo de Satã e sua corte pecaminosa, apresenta-se dando às boas-vindas, a saudar o Homem que defronte deste desvela-se. Tal saudação, entretanto, não se constitui algo de jocoso ou apto a carregar um afeto pessimista. O inferno saúda seus orgulhosos  Sons of Satan [Filhos de Satã], aqueles que, como se infere na música homônima a qual abre o álbum,desejam Satã como força positiva e apaziguadora da desesperação espiritual :

“Put away all your virtues,
Stop your climbing the walls,
Just sign your name on the paper,
We’ll have ourselves a ball.

“Livra-te de todas tuas virtudes,
Cessa tua desesperada inquietação,
Apenas assina teu nome no papel,
Uma culminância dar-nos-emos.”
(tradução nossa)

Como mesmo desvelam os versos  excertados,“vender sua alma” [sign your name on the paper] representa o fim da angústia  metafísica[stop your climbing the walls], purgar-se das sufocantes “virtudes” cristãs [put away all your virtues] e celebrar o si-próprio [we’ll have ourselves a ball]. Logo, enredar-se nas ditas forças das trevas,na ótica do “Venom”,traduz-se num festejo e aceitação de si, daquilo que lhe constitui em oposição ao ascetismo e sofrimento espiritual inventado do Cristianismo. Destarte, a aproximação com os impulsos estéticos ditos macabros da Existência, como no caso do “Black Sabbath”, descortina-se igualmente inalienável e tergivesado duma aguda imanência, todavia o modo de manifestação destes arranja-se distinto. O satânico não é mais motivo de uma reação, um sofrimento daquele que é mero paciente, surdina-se em ação secundária, re-age à Vida sinistra. Ora, potencializa-se no Homem a chance de agir,pôr-se agente duma atitude primária e afirmativa numa vivência diabólica. Esta sorte de pendor existencial satânico-afirmativo, o qual se perpetuaria por todos os lançamentos do trio em sua fase clássica (1981-1986), significou um novo fitar sobre Satã e temas correlatos dentro do Heavy Metal. Músicas como a dita “Sons of Satan”, “Leave me in Hell”, “In League with Satan”, “At War with Satan” e tantas outras desta época de maior furor criativo do “Venom” viriam a moldar a postura lírica de grã parte da vindoura cena blackster com sua afetividade de afirmação em Satã e no que lhe é próprio.

Importante elemento outro trazido à baila pelo “Venom”, quiçá pela prima vez  no cenário metálico,arranja-se o uso de pseudônimos infernais e pagãos para os componentes de uma banda.

  • Jeffrey Dunn assume o epíteto de “Mantas” – Grafia incorreta da divindade etrusca “Mantus”,a qual se punha consorte de Mania e regente do Submundo na Eneida do romano poeta Virgílio.
  • Anthony Bray se auto-nomeia “Abaddon” – Segundo o 9:1-11 do Apocalipse  de João,comporta-se o rei dos gafanhotos e o anjo do Poço Sem-Fundo. Portanto,comumente associado na demonologia como um “demônio destrutor”.
  • Por fim, Conrad Thomas Lant é  “Cronos” – Ortografia  equivocada para o titã e tirano heleno “Cronus”, personificação dos efeitos devastadores do Tempo.

Com tais macabros nomes infernais e pagãos, o trio logra toda sua vida artística gerando,desta maneira, uma sensação de apartamento dessa face às suas vidas prosaicas, como se dalgum modo suas produções artísticas representassem um outro nível de experimentação vital, um “duplo-infernal”. Em uma analítica mais perfunctória, os pseudônimos servem também ao modo de apresentação e amostração imediata do que se trata a proposta estética e “ideológica” da horda.

Este “auto-batismo demoníaco” exerce,dentro da historiografia ulterior do Black Metal, um fascínio porventura maior do que Dunn, Bray ou Lant imaginaram ao se declararem demônios e deidades sombrias. Bandas, hoje coletivamente tidas como  blacksters, perpetuaram esta prática do “Venom” tornando-a um lugar-comum e apanágio  do gênero conforme seus componentes passaram a assumir graças sinistras e infernais para si, como, por exemplo, ícones como “Euronymous” do “Mayhem” e “Fenriz” do “Darkthrone”.

A contribuição por certo mais propalada, inquestionável e penetrante do “Venom” à formação do Black Metal, parece ter vindo de modo nominal. Em seu segundo álbum,“Black Metal”(1982),a banda marca de modo irresilível a historiografia do Heavy Metal dando ao nascente gênero mais satânico da música pesada uma graça,classificação que se perpetuaria até os dias de hoje.

Instrumental e liricamente o conjunto manteve neste álbum as mesmas bases e adjetivos do seu primeiro e anterior lp, mas, desta feita, a música crua, afirmativo-demoníaca  e, como diz a letra de  Black Metal, “contra todos os modismos” [against the odds]  musicais ganha, pela prima vez, uma definição  que, com o tempo, torna-se um novo conceito para grupos ainda mais extremos musicalmente falando.

À parte dos citados e fortes pontos de influência na gênese do  Black Metal,verdade seja dita,“Venom” teve pouco mais a ver, principalmente nosquesitos músico-instrumental e vocal, com o nascente gênero. Seu som assemelhava-se mais a um Motörhead mais sujo ou a uma mais violenta abordagem do NWOBHM [New Wave of British Heavy Metal], e, como atesta o apreço de bandas, então jovens, como  “Metallica” e “Slayer” pelo “Venom”, seu tom punha-se mais no  recém-surgido Thrash Metal do que  naquilo depois entendido como  Black Metal. As  decerto espetaculares e vanguardistas inovações executivas de “Cronos” com o baixo-elétrico ao dispor o instrumento mais como uma guitarra do que um mero baixo de quatro cordas propriamente dito,por exemplo, exerceu parco impacto no desvelar primal do  Black Metal. Desconstruções executivo-instrumentais como as causadas por Lant, tiveram muito mais penetração no novo tratamento dispendido ao mesmo instrumento em grupos Thrash, os quais, com mais técnica e racionalidade, souberam lapidar a idéia original de  desterritorializar o baixoelétrico para pô-lo num novo destaque e encerro.

No entanto, não se tratou do vocal pouco distorcido e monstruoso de “Cronos”, o cabelo louro picotado de “Mantas” ou o instrumental mais thrasher do “Venom” que causou sua derrocada. O duro e irrecuperável golpe sofrido pelo conjunto na segunda metade da década de 1980, adveio com uma série de litígios internos durante a composição de seu quarto álbum, “Possessed”(1985), e subseqüente  dissolvição da “satânica trindade original” posposta a turnê de promoção do lp. A partir disto, o “Venom” tornou-se uma banda tão-só contingente e não mais a “infernal máquina” necessária como se postou de 1981 a 1986. Num espaço muito curto de tempo, o  “Venom” pôs-se um grupo insosso e  incapaz de manter uma sólida formação por muito Delta-Tempo. A própria reunião da formação original para uma série de espetáculos, dos quais um deles foi registrado em áudio e vídeo no pack “Second Coming” (1996) e um álbum de estudio, “Cast in Stone”(1997), provou-se um procedimento contrafeito, efêmero e tomado pelo  comercialismo que pairava entre antigas bandas de Metal com seus hipotéticos “regressos” de formações originais ou ditas “clássicas” na segunda metade da década de 1990 e início do século XXI. O “Venom” provou-se uma, espetacularmente valiosa, relíquia no fantástico “Museu do  Heavy Metal”, inalienável participante ativo na confecção daquilo hoje entendido por Black Metal e,acima de tudo,uma triste história de efemeridade estético-criativa.

Lição de Casa

Apreciar a discografia recomendada antes da próxima aula.  Deixe nos comentários desta página suas percepções sobre estas obras:

1981 – “Welcome to Hell.” – O álbum foi relançado em 2002 pela Castle Music/Sanctuary com onze incríveis  bonus tracks da fase áurea da banda.Entre elas,fabulosas versões demo e alternativas de suas músicas,bem como B’sides raros.

 

1982 – “Black Metal.” – O álbum foi relançado em 2009 pela Sanctuary com onze extraordinárias bonus tracks da fase áurea da banda. Entre elas,fabulosas versões alternativas de suas músicas, bem como B’sides raros.Para tornar ainda mais atrativo tal lançamento,um considerável número de cópias vinha com um  dvd como bônus contendo um impressionante  show da banda em 1984 (“The 7th Date of Hell – Live at Hammersmith Odeon” ) e três promo videos de entonces.


1984 – “At War With Satan.”  – O álbum foi relançado em 2002 pela Castle Music/Sanctuary com oito estupendas bonus tracks da fase áurea da banda.Entre elas,fabulosas versões alternativas de suas músicas,bem como B’sides raros.

 

1985 – “Possessed.” – O álbum foi relançado em 2002 pela Castle Music/Sanctuary com seis estupendas  bonus tracks da fase áurea da banda.Entre elas,fabulosas versões ao vivo e alternativas de suas músicas,bem como B’sides raros.

1986 – “Eine Kleine Nachtmusik.” – Gravado ao vivo em dois espetáculos distintos da turnê do “Possessed” (1985-1986) com a formação original.

Autor:R.C.Zarco – Escola de Black Metal

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-classica-paternidade-venom/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-classica-paternidade-venom/

A Cabala Fonética

Por Patrick Riviere
Trecho de “Ciência e Alquimia Mística”

Quão “herméticos” nos parecem, de fato, os escritos e alegorias relativos à alquimia. A linguagem é muitas vezes muito obscura e as interpretações sibilinas. É um imbróglio de enxofre, sal, mercúrio, óleo, creme de espírito, alma, caput mortem, etc., num emaranhado de fórmulas mais ou menos abstratas e nomes originais: cabeça de corvo, sangue do leão verde, pombas de Diana, etc…

No entanto, quando esses textos emanam realmente dos autores citados acima e de alguns outros que omitimos mencionar, neles estão contidos um grande rigor e precisão, estejamos convencidos disso, mas o véu envolve a realidade que raramente se expressa sem ela, daí os qualificadores “invejosos” e “caridosos” atribuídos respectivamente a autores sibilinos e autores sinceros que às vezes dobram a regra do segredo tradicional para guiar verdadeiramente quem o merece.

Isso nos leva a olhar agora para as várias chaves simbólicas que permitem a compreensão correta dos tratados alquímicos e evocar em particular a “cabala fonética”.

Acima de tudo, isso nunca deve ser confundido com a Cabala hebraica à qual, além disso, só poderia ser vagamente relacionado pelos diferentes ramos da Cabala ontológica. A cabala fonética não está ligada a uma única língua, por mais erudita que seja, mas às línguas de uso comum na Idade Média. É a linguagem hermética usada pelos mestres nos pátios das catedrais, uma linguagem secreta reservada à verdadeira elite de todos os tempos, a dos conhecedores e não dos possuidores. Foi esta mesma linguagem que foi perpetuada pelos trovadores e pelos menestréis, que, indo de castelo em castelo, transmitiam as verdades a quem as pudesse compreender. É a linguagem dos pássaros ou da ciência alegre ou mesmo do conhecimento alegre. A palavra cabala é uma deformação do grego, que significa: “falar ou falar uma língua bárbara”. É uma verdadeira linguagem iniciática, a linguagem do “Argot”, por mais paradoxal que possa parecer, pois, originalmente, não tinha nada de vulgar, mas expressava em toda a sua veracidade as realidades mais transcendentes. Argot não tem nenhum tipo de parentesco com uma arte pseudo, “gótica”, mas a própria palavra vem de Argos, terra de predileção dos Argonautas chamados à conquista do Tosão de Ouro, ambos cobiçados na mitologia grega.

A tradição popular medieval tão impregnada desta linguagem dos pássaros deixou-nos muitos testemunhos, como as tabernas com o sinal de O grande seguido de um K com uma linha reta, onde se podia ler: “Au grand cabaret” ou as hospedarias com o brasão representando um leão dourado significando logicamente: “au lit on dort” (na cama dormimos). Há muitos exemplos como estes que, se necessário, autenticariam a existência desta linguagem iniciática. Além dos rebuses tão sutis quanto consistentes, os anagramas eram frequentemente usados ​​pelos mestres, como:VITRYOL: (l’or y vit) “o ouro mora lá”; – Jacob Sulat, autor de Mutus Liber sob o pseudônimo de Altus.

O Adepto Fulcanelli dedicou um capítulo inteiro de suas Moradas Filosóficas à Cabala Hermética sobre a qual escreveu:

“Dessa forma, eles conseguiram esconder do vulgo os princípios de sua ciência, envolvendo-os em uma capa cabalística. Isso é uma coisa indiscutível e bem conhecida. Mas o que geralmente se ignora é que o idioma do qual os autores tomaram emprestado seus é o grego arcaico, a língua materna segundo a pluralidade dos discípulos de Hermes. Conseqüentemente, todos os termos escolhidos em nossa língua para definir certos segredos tendo seus equivalentes ortográficos ou fonéticos gregos, basta conhecê-los bem para descobrir imediatamente a exata significado, restabelecido, daqueles. O francês, em substância, é verdadeiramente helênico, seu significado foi modificado ao longo dos séculos, à medida que se afastou de sua fonte e diante da transformação radical que o Renascimento o fez sofrer, decadência escondida sob a palavra reforma.”

O mestre não teve medo de escrever mais:

“Afirmamos em voz alta, sem negar a introdução de elementos latinos em nosso idioma, desde a conquista romana, que nossa língua é o grego, que somos helenos ou, mais exatamente, pelasgos.”

Para todos os efeitos, os defensores desta tese contrários ao neolatinismo não foram os menos importantes, como Huis, J. Lefebvre, Louis de Fourcaud, Granier de Cassagnac, Abbé Espagnolle, etc. Assim, o nome de Eyrénée Philatèthe significa “pacifique de la Vérité” (amigo pacífico da Verdade). O nome de Basil Valentine é uma combinação de grego e latim, porque Basil representa o rei, enquanto Valens significa poder e saúde. Fulcanelli escreve ainda:

“Os raros autores que falaram da linguagem dos pássaros atribuem-lhe o primeiro lugar na origem das línguas. Sua antiguidade remonta a Adão, que a teria usado para impor, segundo a ordem de Deus, os nomes adequados , próprio para definir as características dos seres e coisas criadas.”

É de facto este “idioma fonético baseado unicamente na assonância” que foi usado pelos iniciados entre os quais podemos contar alguns escritores, e não menos, como François Rabelais e La Vie très horrifique, que deve ser lido, do grande Gargântua; Hercule Savinien de Cyrano de Bergerac estava entre os que escreveram seus Estados e Impérios do Sol e da Lua, assim como Jonathan Swift em suas Viagens de Gulliver.

De acordo com o Adepto Fulcanelli, o latim caballus e o grego Kaballès significam Cavalo de carga, mas nossa cabala realmente suporta o peso considerável, a soma do conhecimento antigo e cavalaria ou cavalaria medieval; pesada bagagem de verdades esotéricas transmitidas por ela através dos tempos. Era a linguagem secreta dos cabaleiros ou cavaleiros. Todos os iniciados e intelectuais da Antiguidade sabiam disso. Ambos os lados, para acessar a plenitude do conhecimento, montaram metaforicamente o cavalo, veículo espiritual cuja imagem típica é o Pégaso alado dos poetas helênicos. Só ele tornou mais fácil para os eleitos alcançar regiões desconhecidas; ofereceu-lhes a possibilidade de ver e compreender tudo através do espaço e do tempo, éter e luz… Conhecer a cabala é falar a língua de Pégaso, a língua do cavalo que Swift indica expressamente em uma de suas viagens alegóricas efetivas valor e poder esotérico.

Pode-se também traçar outro exemplo atestando a cabala fonética na obra emanada de um autor anônimo que certamente descobriu a Pedra Filosofal. Este é o Songe Verd onde se trata de um certo Hagacestaur (Guhr-Alcaest), o alcaest de Mercúrio, bem como o poderoso Séganisségéde (gênio dos Sábios), Ellugate (cola espalhada), Linemalore (mentira normal), Tripsarecopserm (corpo, alma, espírito), etc.. Segue-se naturalmente de tudo isso que um estudo muito cuidadoso e muito consciencioso dos textos alquímicos é necessário para sua compreensão, o “espírito” devendo ser seguido à custa da “letra” falaciosa e muitas vezes sem sentido.

Ficaríamos tentados a acrescentar esta última peça escolhida, retirada da obra de um novíssimo Adepto desta vez, de nome Pyrazel, que nos dá o fruto dessas reflexões cabalísticas, em Le Grand Œuvre à tire-d wing, de o clérigo adepto Pyrazel (publicado pelo autor, Paris, 2000; uma obra quase impossível de encontrar nas livrarias, pois a tiragem era tão limitada).

Já é, no mínimo, curioso notar que este título singular aparece em versos octossilábicos que terminam com o som “L”, de acordo com a lei enunciada por Grasset d’Orcet, em seu Prefácio a Le Songe de Poliphile, e que designa assim a intenção do seu autor de se exprimir em grimório, isto é, de forma velada, que resta por descodificar.

Pyrazel centra-se aqui no estranho Don Miguel de Manara que esteve na origem das famosas pinturas do pintor Valdès Léal (incluindo Finis Gloriae Mundi que fascinou Fulcanelli), que adornam a capela de Santa-Caridad, em Sevilha:

“Quem era realmente o Hidalgo andaluz, perfilado por trás da personalidade do pecador arrependido de Don Miguel Manara, conhecido como Don Juan e a quem Milosz dedicou um poema? ​​Se o personagem de Don Juan de Molière, Mozart, Alexandre Dumas e Prosper Mérimée, etc., parece estar ligada à personalidade de Tirso de Molina, a quem geralmente é atribuída a paternidade do mito do “mulher sevilhano”, Don Miguel Manara também encarna perfeitamente o protótipo e a controvérsia permanece até hoje. É verdade que a fama de D. Miguel Manara estava longe de ser superestimada, segundo a confissão também do generoso doador do Hospital de Sainte-Chatiré, de Sevilha (cf. seu Discurso da verdade, 1670). Arrependido após a morte de sua esposa, chegou a ser o Irmão Maior (1’Hermano Mayor) da Congregação. Mas muito poucas pessoas realmente sabiam quem ele era, embora a Cabala Solar forneça a resposta, como veremos. Prosper Mérimée entrega a chave indiretamente (em As Almas do Purgatório), substituindo o nome de Manara (sobre Don Juan) pelo de Marana. Foi de propósito? Em todo caso, Grasset d’Orcet também o invocaria sob esse nome. Observe de passagem que “marana” na língua hispânica indica uma intriga, uma confusão! Já é um primeiro passo, mas o erudito arqueólogo criptólogo nos faz cruzar alegremente o segundo quando revela a filiação de Don Juan de Marana à corporação de Maranes, comparável aos famosos Gouliards, portanto, detentores dos “grimórios” cabalísticos. Seguindo o Preceitos destes, o nome “Marana” indicaria – a mãe nua, ou seja, a Natureza a céu aberto! Que programa ambicioso, de fato, para essa cooperação de herméticos “operacionais”. Se também sabemos que os Maranás convenceram os guelfos e que Marana está perto de Ma Reina (minha Rainha), basta aprender que maraino, em grego, significa “apodrecer”, para entender que é aí que está o “segredo” de mentiras de grimório. Não é de fato uma cena macabra de putrefação avançada que se assiste ao contemplar a famosa pintura de Juan de Valdès Léal onde, ao lado dos esqueletos e do bispo emaciado, jaz o corpo podre de Don Miguel Manara (mestre do túmulo), vestido por ocasião do manto dos cavaleiros da Ordem de Calatrava! A legenda, em forma de filactério, entrega o título da pintura: “Finis Gloriae Mundi”, título da última obra de Fulcanelli e que, como suspeitavam René Alleau e Eugène Canseliet, referia-se à Maçonaria hermeticamente!”

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-cabala-fonetica/

Daath e a Travessia do Abismo

Em Malkuth comeca o trabalho do despertar da centelha e elevação da mesma atraves dos Sephiroth.

Malkuth pode ser comparada ao mito de Persefone (ou Proserpina entre os romanos), onde a historia do mito narra a violação de Persefone por Hades obrigando-a a seu exílio sob a Terra, assim como também o mito dos gnósticos sobre a queda de Sophia.

Segundo Israel Regardie existem dois métodos básicos de consecução espiritual baseados no uso direto da Arvore da Vida: Um eh a meditação e o outro eh o Ritual. O objetivo de seguir esses dois processos, eh atingir o Coração da Arvore, o centro cristico nele mesmo – Tipheret, onde terah a visao e conversação do Sagrado Anjo Guardião. Os dois métodos acima referidos na verdade sao um. Assim trabalhando ele transcende o que ele pensa ser, ascendendo pelos sephiroth.

Esta subida realiza-se pela coluna do meio ou pilar do meio, isto eh, a coluna central da arvore formada por Malkuth, Yesod, Tiphareth, Daath, Kether.

No sistema oriental isto equivale ao canal Shushuma, por onde eleva-se Kundalini. O Sushuma eh o mais importante dos Nadis e consiste no eixo ou canal central que se situa ao longo da coluna, por onde circula energia neutra. Ele eh conhecido como o sustentador do universo e o “caminho da salvacao”.

Na tradicao Greco-Romana, o caduceu de Thot eh o simbolo do segredo, tanto quanto a Serpente de Bronze erguida por Moises no Egito.

Segundo Israel Regardie, esse metodo de elevacao da Kundalini, ou de conscientizacao da Essencia, se dah atraves da conciliacao das energies opostas na Arvore, essa conciliacao se efetua no pilar central, ou pilar do meio/equilibrio, e eh nesse equilibrio onde nasce o Filho em Tiphereth, ou seja, o dialogo com o Sagrado Anjo, o Self. Essa eh a meta e o objetivo de todo praticante de magia ou de todos aqueles que se dedicam ao auto-conhecimento, pois eh o proprio Anjo quem prepara o adepto para a proxima etapa, a travessia do abismo de Daath.

Daath eh uma sephira oculta, invisivel, que se encontra entre Tiphereth e Kether. Daath representa o abismo que separa a nossa percepcao dual da percepcao una. Acima do abismo de Daath nao ha dualidade, abaixo do abismo tudo eh dual.

Em Daath se encontra toda a hipertrofia de toda a ilusão do Universo e de todas as esferas abaixo dele que vao de Chesed a Malkuth. Eh Visudh Chakra, o Chakra do pescoço, que segundo os Hindus, eh onde sao gerados os pensamentos. Para os Budistas aqui eh onde habita Mara, o senhor da ilusão, ou Chorozon, o monturo de lixo do Universo de cuja travessia nasce o Magister Templi, segundo Crowley. Daath eh considerada uma “esfera que nao eh esfera”, pois sua funcao eh o desviar da atencao da verdade inexprimivel atraves do pensamento. Eh o deserto de Apep, o inimigo de Osiris que precisa ser derrotado por este ultimo para sua ressurreicao. Para os gregos era Hades, o deus do mundo ctônico, para os romanos era Plutão, o Senhor dos infernos. Aqui também estao os demônios da Goetia, os Qliphot, e os 50 nomes de Marduk.

Eh como se houvesse uma dobra na Criacao que criasse a divisao da realidade na ilusao do espaco e do tempo atraves daquilo que foi gerado em Binah, portanto Daath paira sobre o abismo na fronteira entre os mundos da criacao e da formacao.

Abaixo do abismo eh o plano da existência finita e condicionada. O abismo eh uma regiao de tensão permanente entre o Macrocosmo e o Microcosmo, sendo a sede das forcas dissolventes que o profano conhece como demônios. Isso eh referente na bíblia segundo o qual Cristo (o iniciado em Tipheret) deve primeiro “descer aos infernos” Qliphoticos antes de proceder aos ceus das Supernas.

Segundo Crowley, no Abismo todas as coisas existem, realmente, pelo menos em posse, porém não possuem nenhum significado possível; pois elas carecem do substrato da realidade espiritual. Elas são aparências sem Lei. Elas são, pois Ilusões Insanas. Choronzon é o Habitante do Abismo; ele é lá a obstrução final. Se ele for enfrentado com a preparação própria, então ele estará lá para destruir o ego, o que permitirá ao adepto mover-se para além do Abismo. Se não estiver preparado, então o desafortunado viajante será completamente disperso em aniquilação. “O nome do Habitante do Abismo é Choronzon, porém ele não é realmente um indivíduo.”

Para Jung a sombra tem um componente pessoal, formado pelos aspectos da psique individual que sao rejeitados e recalcados pelo ego, mas alem disso, o nucleo da sombra eh uma estrutura arquetipica que atrai esse material e o organiza segundo uma configuracao transpessoal, porque Daath eh a fronteira entre o eu pessoal, imerso no espaco tempo e o plano arquetipico da realidade. Eh a energia aprisionada na sombra que depois de assimilada e integrada pela consciencia, permite que a consciencia se libere do ego e vah em direcao ao nucleo da estrutura arquetipica da sombra, que corresponde ao Demiurgo dos gnosticos ou Choronzon. Essa estrutura arquetipica da sombra equivale a sombra coletica, ou sombra da Anima Mundi. Chorozon equivale ao sistema de aprisionamento que rege a sociedade, cultura e o coletivo, e que eh o nucleo arquetipico que organiza a formacao da sombra bem como do ego. Ele eh como os filtros que estao nos chacras limitando a percepcao da realidade da vida, essa estrutura que tambem eh condicionamento tambem eh equivalente ao Carma individual e coletivo.

Quando da descida da substancia que emana de Binah, para os mundos formativos atraves das sephiroth abaixo do abismo, estes perdem a conexao com a energia espiritual, como que se a cada revestimento de materia, sua forma original fosse diminuida, isso se chama Kenosis, onde o arquetipo diminiu a sua potencia, ateh ficar adormecido na forma da kundalini no corpo humano. Esses mesmos sephiroth isolados se tornam como cascas vazias da essencia espiritual, se tornam como os arcontes do Mito de Sofia. O despertar na base do corpo e a consequente subida eh como quebrar o estado de sistase ou amarras de cada chakra ou sephirah, recuperar a sua potencialidade original e assim a consciencia vai se desvencilhando da irrealidade do ego e do mundo como eh percebido. Na travessia do abismo de Daath, eh onde a consciencia transcende totalmente o ego e o nucleo arquetipico que gera e dah forma a sociedade e cultura como um todo, se unindo a sua Contra-parte Espiritual de acima do abismo, recuperando e preenchendo o Ser de sua plenitude/potencia original. A consciencia se une ao Self e recupera a substancia espiritual, transformando os arcontes em Eons.

Daath tambem eh “Conhecimento”, ou seja, a pura Gnose, e desta forma os demonios sao transformados em Deuses, recuperando a plenitude do Ser.

A Travessia do Abismo de Daath

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/daath-e-a-travessia-do-abismo

‘Principia Discordia

Onde é explicado absolutamente tudo que vale a pena sobre absolutamente qualquer coisa

O Principia Discordia é a mais recente das escrituras sagradas. Depois do misticismo do I-Ching, da complexidade metafísica dos Vedas, das orientações socio-higiênicas do Torá, da lei de amor do Evangelho e da rigidez disciplinar do Alcorão, Principia Discordia abre as portas da religiosidade pós-moderna para a humanidade.  Este livro supera e transcende todas as revelações anteriores.

Vindo ao mundo pelas mãos de Malaclypse o Mais Jovem e Lord Omar Khayyam Ravenhurst esta obra rapidamente caiu no gosto dos caoistas, hereges e sábios iluminados de plantão pela sabedoria sobre-humana que brilha de suas páginas.

O livro foi publicado originalmente em 1965 [(19-65)/2 =23!] com o subtítulo de “Quão Perdido estava o Ocidente.” e posteriormente alterado para “Como eu encontrei a Deusa e o que fiz com ela quando a achei.”. Principia Discordia descreve os atratores estranhos básicos do discordianismo e a realidade de êxtase da Deusa Éris.

Este é o último livro que você vai precisar ler na vida.

Faça aqui o download de Principia Discordia (pdf)

 

Bônus: Cartão de Papa Discordiano

 

Crianças do absurdo! Vós que descobristes o brilho da a[uto]poteose e o sublime caos do auto-amor. Todos vós que são humanos e não alfaces, eis os segredos de como desfilar tal qual respla[i]ndecente estrela exibindo seu cartão a todos. Aqueles que tem ouvidos que ouçam:

Basta que façam o download do arquivo para vossa máquina, a Deusa, com sua magia caprichosa, criará onde antes nada havia, uma cópia deste arquivo. Então abra o seu programa processador de textos, ou seu programa gráfico favorito. Importe no documento ou abra o arquivo, imprima e ei-lo! Basta recortar nas marcas, quanto mais grosso o papel mais abuso seu cartão aguentará!

[…] ridículo, o humor está presente na corrente da magia do caos desde os seus primeiros anos. Já no Principia Discordia, ‘Malaclipse, O Jovem’ diz com todas as letras: “Às vezes eu levo o humor […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/principia-discordia/ […]

[…] um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/principia-discordia/

Alquimia e Harry Potter, parte I

Arianrhod.

Este artigo traçará a história antiga da alquimia, suas metas e objetivos, e explicará os sete estágios da transformação alquímica. Mais tarde, discutirei os livros um de cada vez, discutindo as imagens alquímicas e o simbolismo em cada um no que se refere aos Sete Estágios e ao enredo. Finalmente, tentarei fazer algumas previsões sobre o próximo livro com base nos princípios da alquimia e nos elementos necessários para que Harry termine sua jornada para a iluminação e imortalidade espiritual.

  1. Uma (Muito) Breve Introdução à Alquimia:

A alquimia é uma prática protocientífica inicial que combina elementos de química, física, astrologia, arte, semiótica, metalurgia, medicina, misticismo e religião. Dois objetivos entrelaçados procurados por muitos alquimistas eram a pedra filosofal, uma substância mítica que possibilitaria a transmutação de metais comuns em ouro; e a panaceia universal, um remédio que curaria todas as doenças e prolongaria a vida indefinidamente. A alquimia pode ser considerada como a precursora da moderna ciência da química anterior à formulação do método científico.

A palavra alquimia vem do árabe al-kimiya ou al-khimiya e da palavra grega khumeia, que significa “juntar”, “derramar”, “soldar”, “ligar”, etc. (de khumatos, aquilo que é derramado fora, um lingote”). Outra etimologia liga a palavra com “Al Kemi”, que significa “a arte egípcia”, já que os antigos egípcios chamavam sua terra de “Kemi” e eram amplamente considerados como poderosos magos em todo o mundo antigo.

Essa é a definição padrão dos livros didáticos de alquimia como ciência, que é encontrada literalmente em vários sites de alquimia. Como veremos, porém, os próprios alquimistas eram tudo menos malucos, pagãos e ocultistas. A alquimia era muito mais do que uma protociência infantil baseada em princípios quase científicos e impregnada de alegoria e metáfora, embora certamente tivesse muito disso.

Ninguém sabe realmente a idade da alquimia. De acordo com o alchemylab.com, há algumas evidências de que o advento da alquimia antecede a Revolução Agrícola, que ocorreu há cerca de 8.000 anos. Algumas fontes conectam alquimia com xamanismo e metalurgia; certamente era conhecido na Suméria, Egito e Babilônia e mais tarde na Grécia, misturando-se cada vez mais com metalurgia e adivinhação até o advento do cristianismo, quando se tornou uma filosofia de pleno direito por direito próprio. Muitos dos alquimistas medievais eram devotos cristãos ou muçulmanos e começavam todos os dias com orações e devoções.

A alquimia como filosofia (assim como o Tarô, a Cabala, a astrologia e todos os estudos ocultistas) deve sua existência a um único documento chamado A Tábua de Esmeralda, também conhecida como a Mesa Smaragdine, Os Segredos de Hermes ou a Tabula smaragdina de Hermes Trismegisto. É um texto curto e enigmático que pretende revelar o segredo da substância primordial e suas transmutações. Até o século XX, suas primeiras fontes conhecidas eram manuscritos latinos medievais, mas a fonte documentada mais antiga para o texto é o Kitab Sirr al-Asrar, um livro de conselhos para governantes de autoria de Abd al-Qadir al-Jilani por volta de 800 d.C. Esta obra foi traduzida para o latim como Secretum Secretorum (O Segredo dos Segredos) por Johannes “Hispalensis” ou Hispaniensis (João de Sevilha) por volta de 1140 d.C. e por Filipe de Trípoli por volta de 1243 d.C. 1

A palavra-chave aqui é “documentado”. As origens da Tábua de Esmeralda podem remontar a vários milhares de anos; foi traduzido para o grego por estudiosos alexandrinos e, na verdade, foi exibido no Egito em 330 a.C. Por volta do ano 400 d.C., teria sido enterrado em algum lugar no planalto de Gizé para protegê-lo de fanáticos religiosos que estavam queimando bibliotecas ao redor do mundo naquela época. Muitos acreditam que a tabuleta ainda está escondida lá, escondida sob um hipogeu sob as patas traseiras da Esfinge. Segundo a lenda, o deus egípcio Thoth construiu um Salão de Registros ali, armazenando todos os registros da humanidade antes do dilúvio universal.

Para esclarecer um ponto: Hermes Trismegisto não deve ser confundido com o deus grego Hermes. Enquanto o nome Hermes Trismegisto significa “Hermes Três Vezes Grande”, o nome é realmente uma combinação do deus grego e Thoth, o deus egípcio do conhecimento, sabedoria e escrita. Aliás, os gregos, e os romanos depois deles, se recusaram a identificar Thoth com Hermes ou Mercúrio, e Cícero notou vários indivíduos conhecidos como Hermes. Hermes e Thoth, no entanto, compartilhavam muitos traços semelhantes. Ambos são deuses da escrita, comunicação e magia, e ambos eram considerados psicopompos, ou deuses que agiam como guias para as almas na vida após a morte.

No século XIV, o alquimista Ortolano escreveu O Segredo de Hermes, que influenciou o desenvolvimento subsequente da alquimia. Muitos manuscritos desta cópia da Tábua de Esmeralda e o comentário de Ortolano sobrevivem, datando pelo menos desde o século XV. A Tábua também foi encontrada anexada a manuscritos do Kitab Ustuqus al-Uss al-Thani (O Segundo Livro dos Elementos da Fundação) atribuído a Jabir ibn Hayyan ou Geber, e o Kitab Sirr al-Khaliqa wa San`at al-Tabi `a (O Livro do Segredo da Criação e da Arte da Natureza), datado entre 650 e 830 d.C.

Desde o início do texto vem o lema dos alquimistas: Como em cima, assim embaixo. É uma metáfora para recriar o céu na terra através dos segredos dos antigos, que certamente sabiam muito melhor do que nós como fazê-lo. Da Tábua de Esmeralda:

Verdade! Certeza! Aquilo em que não há dúvida!

O que está em cima é do que está em baixo, e o que está em baixo é do que está em cima, operando os milagres de um.

Como todas as coisas eram de um.

Seu pai é o Sol e sua mãe a Lua.

A Terra o carregou em seu ventre, e o Vento o alimentou em seu ventre,

como Terra que se tornará Fogo.

Alimente a Terra com o que é sutil, com o maior poder.

Ele sobe da terra ao céu e se torna governante sobre o que está em cima e o que está em baixo.

E já expliquei o significado de tudo isso em dois desses meus livros.

  1. As Metas e os Objetivos da Alquimia: Harry Potter e Tom Riddle (Lord Voldemort):

Os alquimistas medievais perseguiram três objetivos:

1· A transmutação de metais básicos em ouro;

2· A imortalidade da alma e do espírito;

3· A criação de vida artificial.

Enquanto muitos alquimistas passaram décadas tentando transformar metais básicos em ouro por meio de uma substância vaga chamada Pedra Filosofal, outros, como William Lilly e Nicolau Flamel, buscaram a iluminação espiritual da alma. Embora esses objetivos possam parecer incompatíveis ou mesmo mutuamente exclusivos, é importante lembrar que a alquimia era tanto uma filosofia quanto uma ciência experimental, e a transmutação dos metais permitiu aos alquimistas tentar provar que o Acima poderia ser recriado no Abaixo; em suma, recriar o céu na terra e na alma. Vemos o genuíno espírito científico nas palavras de um dos alquimistas: “Quisera Deus… que todos os homens se tornassem adeptos de nossa Arte – pois então o ouro, o grande ídolo da humanidade, perderia seu valor, e deveríamos valorizá-lo apenas por seu ensino científico.” 2 Infelizmente, porém, poucos alquimistas chegaram a esse ideal; e para a maioria deles, a alquimia significava apenas a possibilidade de fazer ouro barato e ganhar uma riqueza incalculável.

O terceiro objetivo da alquimia “a criação da vida a partir do nada” pertencia quase inteiramente aos alquimistas islâmicos. Isso entrará em jogo mais tarde, quando discutirmos o Cálice de Fogo. Os alquimistas islâmicos, especialmente Jabir ibn Hayyan ou Geber, experimentaram os princípios dos elementos na esperança de produzir takwin, a criação artificial da vida, incluindo a vida humana, em laboratório. Até onde sabemos, Geber não teve sucesso, mas Mary Shelley tocou nesse tema em seu romance Frankenstein, assim como muitos outros autores da época. Eles chamaram suas criações de homunculus, ou o “pequeno homem”, e parece que o grande alquimista e médico medieval Paracelso cunhou o termo depois que ele supostamente criou um homem falso que tinha apenas cerca de 30 centímetros de altura. O conceito é semelhante ao golem judeu, que era a criação de vida a partir de objetos inanimados, e os homúnculos geralmente faziam o trabalho atribuído aos golens.

A alquimia contém um elemento profundamente místico, e quem tentar estudá-la com um ponto de vista moderno ou puramente científico não a compreenderá nem a apreciará. Os alquimistas sempre falaram de sua arte como um Dom Divino, cujos segredos não poderiam ser aprendidos em nenhum livro, e só poderiam ser alcançados por longos anos de estudo e devoção. A iluminação, quando e se veio, ocorreu de uma só vez e sem aviso prévio. Mais de um alquimista ficou maravilhado com a simplicidade da resposta e quanto tempo eles levaram para compreendê-la. A atitude mental correta com Deus foi o primeiro passo crucial para alcançar a Grande Obra (magnum opus), porque a alquimia é uma transformação tripla: física, espiritual e psicológica.

De acordo com The Hermetic House (A Casa Hermética): “Do ponto de vista ascético… o desenvolvimento da alma só é plenamente possível com a mortificação do corpo; e todo o verdadeiro misticismo ensina que se alcançarmos o objetivo mais elevado possível para o homem – união com o Divino – deve haver um abandono de nossas próprias vontades individuais, um rebaixamento da alma diante do Espírito. E assim os alquimistas ensinaram que para a realização da magnum opus no plano físico, devemos despojar os metais de suas propriedades exteriores para desenvolver a essência interior, como diz Helvetius:

“… As essências dos metais estão escondidas em seus corpos exteriores, como o núcleo está escondido na noz. Todo corpo terrestre, seja animal, vegetal ou mineral, é a habitação e morada terrestre daquele espírito celestial, ou influência, que é seu princípio de vida ou crescimento. O segredo da Alquimia é a destruição do corpo, que permite ao Artista obter e utilizar para seus próprios propósitos, a alma viva.” Essa morte da natureza externa das coisas materiais deveria ser provocada pelos processos de putrefação e decadência; daí a razão pela qual tais processos figuram tão amplamente nas receitas alquímicas para a preparação do “Magistério Divino”. 3

O buscador deve entrar em seus estudos com um coração puro. Aqueles que não o fizerem “usar a alquimia para obter poder ou ganho financeiro” nunca alcançarão a perfeição espiritual e a imortalidade. Suspeito que foi isso que aconteceu com Tom Riddle. Em sua busca por conhecimento sobre as Horcruxes e em seus experimentos para se tornar imortal, seu coração e seus motivos não eram puros. Ele usou seu ganho para mutilar sua alma, um ato que ia contra as leis da natureza e de Deus. E ele pagou por isso: No capítulo “O Pedido de Lord Voldemort”, vemos o resultado de sua loucura. Sua boa aparência se foi “ainda não como uma cobra, mas apenas uma sombra do que eles eram uma vez. O exterior espelha o interior. Uma alma mutilada e difamada não pode ser encerrada em um belo pacote:

“Em primeiro lugar, que todo químico e estudante devoto e temente a Deus e estudante desta Arte considere que este arcano deve ser considerado, não apenas como uma arte verdadeiramente grande, mas como uma arte santíssima (vendo que ele tipifica e obscurece a mais alta bem celestial). Portanto, se alguém deseja alcançar este grande e indizível Mistério, deve lembrar-se de que ele não é obtido pelo poder do homem, mas pela graça de Deus, e que não nossa vontade ou desejo, mas apenas o misericórdia do Altíssimo, pode concedê-la a nós.

“Por esta razão, você deve primeiro limpar seu coração, levantá-lo somente a Ele, e pedir-Lhe este dom em oração verdadeira, fervorosa e indubitável. Só Ele pode dar e outorgar.” 4

Thomas Norton em seu Orindall of Alchemy coloca isso muito bem quando diz:

“… Uma graça e dom singular do Todo-Poderoso

Que nunca foi encontrado, como testemunha podemos,

Nem esta ciência jamais foi ensinada ao homem…

TAMBÉM NENHUM HOMEM DEVE ESSA CIÊNCIA ENSINAR

Pois é tão maravilhoso e tão isolado

Que deve ser ensinado de boca em boca,

Também ele deve (se ele nunca for tão relutante),

Receba-o com um juramento mais sagrado,

Que, ao recusarmos grande dignidade e fama,

Então ele deve necessariamente recusar o mesmo…

Para que por dúvida de tanto orgulho e riqueza

Ele deve tomar cuidado com o que esta ciência ensina

Nenhum homem, portanto, pode alcançar este presente

Mas ele tem virtudes excelentes.” 5

Tom Riddle também buscou o conhecimento dos alquimistas; ele também buscou a imortalidade da alma e do espírito para permanecer aqui na terra. A diferença entre Riddle e Harry, no entanto, são suas motivações para buscar o conhecimento para começar. Tom queria poder e ganho enquanto Harry não. Um excelente exemplo disso é um dos capítulos finais do primeiro livro “O Espelho de Ojesed”. Dumbledore, ele próprio um alquimista, estava bem ciente do princípio do amor e da iluminação, e escondeu a Pedra em um lugar onde apenas os puros de coração poderiam obtê-la. O professor Quirrell podia se ver com a Pedra Filosofal, mas não conseguia pegá-la. Por quê? Porque ele queria isso para ganho material e poder” para devolver seu mestre à força. Harry, por outro lado, queria que a Pedra a mantivesse segura; de forma alguma ele pretendia usá-lo para si mesmo. É por isso que ele conseguiu pegar a Pedra do Espelho.

Este é o caminho no qual Harry se encontra – o caminho para a iluminação. Somente buscando aquela parte de si mesmo “sua bondade e amor” ele encontrará os meios para destruir Voldemort de uma vez por todas. Ele deve se tornar a personificação física da Pedra Filosofal, alcançando a perfeição espiritual e a imortalidade, antes de finalmente se libertar do vínculo entre ele e Tom Riddle.

III. A Pedra Filosofal e o Elixir da Vida:

Mencionado pela primeira vez por Zósimo, o Tebano, no século III a.C., o conceito da Pedra Filosofal é verdadeiramente antigo. É conhecida por muitos nomes em muitas civilizações, mas o conceito ainda é o mesmo: a Pedra Filosofal é um meio pelo qual os humanos podem alcançar a perfeição espiritual e a imortalidade. Representa a força por trás da vida e o poder universal de ligação entre a mente e o corpo.

Uma das manifestações mais antigas da Pedra é tão antiga quanto a própria civilização. A água da vida suméria, agora conhecida como álcool ou aqua vitae, também era chamada de “água viva”, ou a “água com espíritos” e era usada na alquimia como agente de destilação. Foi mencionado na Epopeia de Gilgamesh e apresentada com destaque no mito do renascimento da deusa Inanna depois que sua irmã Eriskegal, a esposa do deus da morte, a assassinou no submundo.

A Pedra Benben da lenda egípcia também era chamada de “a pedra que caiu do céu” (lapsit ex caelis). Era o símbolo do sol, de forma piramidal, e residia no Templo do Sol em Heliópolis, o centro da religião e da astronomia no antigo Egito. Dizia-se que a Pedra Benben tinha os segredos da vida inscritos nela. A tradução latina da Pedra Filosofal/Elixir da Vida é ex lapis elixir, que é estranhamente semelhante ao nome que Wolfram von Esenbach dá ao Santo Graal em seu romance arturiano Parzival (lapsit exillis). Na verdade, Wolfram se esforça para descrever o Graal como uma pedra, e sua escolha de palavras não parece coincidência. O termo lapsit exillis também pode ser traduzido como lapsit ex caelis: a “pedra que caiu do céu”, o que implica que tanto a Pedra quanto o Graal podem ser rastreados pelo menos até o antigo Egito, embora provavelmente seja muito mais antigo do que isso.

Algumas das outras manifestações da Pedra incluem:

1· Lia Fáil, Irlanda/A Pedra do Destino, Escócia

2· Caldeirão da Imortalidade de Keridwen, Irlanda

3· A Pedra de Jacó, Bíblica

4· Caldeirão do Renascimento de Bran, País de Gales

5· O Santo Graal, Europeu.

6· A Kaa’ba, no Islã.

A Pedra era vista como uma substância mágica que poderia aperfeiçoar imediatamente qualquer substância ou situação. A Pedra Filosofal tem sido associada a muitos outros exemplos e fenômenos místicos e religiosos, incluindo o Sal do Mundo, o Corpo Astral, o Elixir e até mesmo Jesus Cristo. O Elixir dos alquimistas tem essencialmente a mesma capacidade de aperfeiçoar qualquer substância. Como a panaceia universal, o Elixir cura doenças e restaura a juventude.

Se a criação da Pedra Filosofal foi difícil, a criação do Elixir da Vida foi quase impossível. O Elixir da Vida deve conter os quatro elementos (fogo, terra, ar e água) mais os três princípios do animal, vegetal e prima materia (tan). Para trabalhar com esses ingredientes, muitos achavam que era necessário usar fígados de crocodilo, esqueletos humanos, raízes de mandrágora e vesículas biliares de antílopes, além de outros ingredientes bizarros.

Acredita-se que a prima materia ou tan seja o mineral cinábrio, ou sulfeto de mercúrio, também conhecido como Sangue de Dragão. Aprendemos em A Pedra Filosofal que Alvo Dumbledore era o parceiro de Nicolau Flamel, que possuía “a única Pedra Filosofal conhecida”. Como veremos, Flamel foi um dos melhores alunos de alquimia, e que Dumbledore era seu parceiro certamente não é por acaso da parte de Rowling. Dumbledore estava então familiarizado com o conhecimento dos alquimistas, suas metas e objetivos, e a atitude necessária para ter sucesso em sua busca. Rowling credita a Dumbledore a descoberta dos doze usos do Sangue de Dragão, que é um ingrediente crucial na construção da Pedra Filosofal. Muito usado pelos antigos como uma droga de longevidade, o cinábrio é extraído desde os tempos antigos e é altamente tóxico devido ao seu teor de mercúrio.

Sangue de Dragão também é o nome de uma planta, Dracaena draco, que é nativa das Ilhas Canárias, e outra planta, D. cinnabari, que é encontrada apenas na ilha de Socotra, na costa sul da Arábia. Acreditava-se que a resina seca dessas plantas tinha propriedades mágicas devido à sua cor vermelha brilhante. O Sangue de Dragão agora é usado em uma variedade de aplicações industriais” como verniz e em fotogravura, entre outros. Ainda é usado na Índia para fins cerimoniais. Embora tenha muito mais de doze usos, nenhum deles é limpador de forno!

O cinábrio, também chamado de vermelhão, combinava as duas substâncias importantes na alquimia: mercúrio e enxofre. Segundo Paracelso:

“A NATUREZA gera um mineral nas entranhas da terra. Existem dois tipos dele, que são encontrados em muitos distritos da Europa. figura do mundo maior, e está na parte oriental da esfera do Sol. A outra, na Estrela do Sul, está agora em sua primeira eflorescência. As entranhas da terra a empurram através de sua superfície. em sua primeira coagulação, e nele se escondem todas as flores e cores dos minerais. Muito se escreveu sobre isso pelos filósofos, pois é de natureza fria e úmida, e concorda com o elemento água.

No que diz respeito ao seu conhecimento e experimentação, todos os filósofos antes de mim, embora tenham mirado nele com seus mísseis, foram muito longe do alvo. Eles acreditavam que o Mercúrio e o Enxofre eram a mãe de todos os metais, nunca sequer sonhando em fazer menção a um terceiro; e, no entanto, quando a água é separada dela pela arte espagírica, a verdade é claramente revelada, embora fosse desconhecida para Galeno ou Avicena. Mas se, por causa de nossos excelentes médicos, tivéssemos que descrever apenas o nome, a composição; a dissolução e coagulação, como no início do mundo a Natureza procede com todas as coisas em crescimento, um ano inteiro dificilmente me bastaria, e para explicar essas coisas, nem mesmo as peles de numerosas vacas seriam adequadas.

Agora, afirmo que neste mineral se encontram três princípios, que são o Mercúrio, o Enxofre e a Água Mineral que serviu para coagular naturalmente. A ciência espagírica é capaz de extrair este último de seu próprio suco quando não está totalmente amadurecido, no meio do outono, como uma pera de uma árvore. A árvore contém potencialmente a pera. Se os astros celestiais e a natureza concordam, a árvore, antes de tudo, dá brotos no mês de março; em seguida, brota os botões e, quando estes se abrem, a flor aparece, e assim sucessivamente, até que no outono a pera amadurece. Assim é com os minerais. Estes nascem, da mesma maneira, nas entranhas da terra. Que os Alquimistas que estão procurando o Tesouro dos Tesouros observem isso cuidadosamente. Eu lhes mostrarei o caminho, seu começo, seu meio e seu fim. No tratado a seguir descreverei a Água adequada, o Enxofre adequado e o Bálsamo adequado. Por meio desses três, a resolução e a composição são coaguladas em uma…” 6

Como sabemos, a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida eram os principais objetivos dos alquimistas. A Pedra Filosofal era a substância que poderia transformar chumbo barato em ouro e criar uma panaceia universal que tornaria os humanos imortais – o Elixir da Vida. A Grande Obra, ou Magnum Opus, refere-se à busca por esta pedra. Além disso, a fabricação da Pedra Filosofal era entendida como conferir um tipo de iniciação ao aluno, e essa iniciação é a culminação adequada da Grande Obra. A Pedra Filosofal é um símbolo para a jornada para a iluminação, quebrando e recombinando elementos dentro de nós (solve et coagula).

Embora houvesse tradicionalmente sete etapas para a conclusão da Pedra Filosofal, outros autores colocam o número mais alto. De acordo com o Pergaminho Ripley, havia 12 etapas envolvidas na fabricação da Pedra Filosofal. Basílio Valentino escreveu As Doze Chaves. A diferença nos sistemas é que o sistema tradicional de sete etapas remonta a Tábua de Esmeralda, enquanto o sistema de 12 etapas lida mais com arquétipos astrológicos.

Ripley escreveu sobre os quatro elementos conhecidos: fogo, terra, ar e água:

Você deve fazer Água da Terra, e Terra do Ar, e Ar do Fogo, e Fogo da Terra.” 7

De acordo com a Wikipédia, os alquimistas acreditavam que todos os quatro elementos eram interdependentes uns dos outros e que qualquer processo produziria os quatro elementos. Essa ideia remonta aos filósofos, especificamente Empédocles de Agrigento (440 a.C.), que consideravam que havia quatro elementos – terra, água, ar e fogo. Aristóteles acrescentou o chamado Quinto Elemento, “o éter”. (alt: aether) Esses elementos eram considerados, não como diferentes tipos de matéria, mas como diferentes formas de uma única matéria original, pela qual manifestavam diferentes propriedades. Pensava-se que isso se devia às quatro propriedades primárias de secura, umidade, calor e frio, com cada elemento tendo duas dessas propriedades: fogo era equiparado a quente e seco, quente e úmido ao ar, úmido e frio à água, e seco e frio para a terra. Assim, corpos úmidos e frios (a maioria dos líquidos) foram chamados de “águas”. Além disso, como esses elementos não eram considerados diferentes tipos de matéria, os alquimistas pensavam que a transmutação era possível. Na verdade, é possível, mas foi preciso o desenvolvimento da fissão nuclear para tornar realidade os sonhos dos alquimistas.

De acordo com Rowling, as quatro Casas de Hogwarts são usadas para representar esses quatro elementos. Grifinória é Fogo, Corvinal é Ar, Lufa Lufa é Terra e Sonserina é Água. Mas e o Quinto Elemento de Aristóteles, o éter? É aqui que entra Harry. O éter, ou quintessência, está sozinho acima dos outros elementos. É puro e incorruptível, a presença essencial de algo ou alguém. A quintessência combina o Acima e o Abaixo, o mental e o material. Pode ser pensado como a encarnação etérea da força vital que encontramos em sonhos e estados alterados de consciência. Segundo os gregos, o éter era o fogo celestial na visão grega, a pura essência em que os deuses viviam e respiravam, e os gregos o comparavam ao calor radiante do sol, que podia se mover no espaço vazio; isso levou Aristóteles a afirmar que “a natureza abomina o vácuo”. 8

Os elementos clássicos são frequentemente usados juntos tematicamente na fantasia moderna, ficção científica, cinema e televisão. Normalmente, um mago, mago ou alguém capaz de usar magia tem a habilidade de influenciar um dos elementos, ou pode usar os elementos para afetar o mundo ao seu redor. O quinto elemento ou quintessência está incorporado no herói, que geralmente é o epítome do amor, e do amor puro. Exemplos deste tema incluem Capitão Planeta, onde o Capitão Planeta é invocado combinando o poder de cinco anéis que representam cada um dos quatro elementos clássicos, bem como um anel que representa o “Coração”; A série The Sword of Truth (A Espada da Verdade) de Terry Goodkind e o programa de televisão infantil Avatar, onde quatro nações representando os quatro elementos estão em guerra. Os “magos” de cada nação têm a capacidade de controlar o elemento para o qual sua nação é nomeada. O Avatar, Ang, uma criança pequena, é o único que pode controlar todos os quatro elementos e trazer as nações de volta à harmonia. Ainda outro exemplo é o longa-metragem O Quinto Elemento, onde o personagem principal (interpretado por Bruce Willis) deve usar os quatro elementos para alimentar uma arma para a defesa da Terra, juntamente com o amor, o “quinto elemento”. Exemplos mais recentes incluem dois filmes populares do ano passado: Os Incríveis e O Quarteto Fantástico (que originalmente era uma história em quadrinhos).

Harry está em busca da quintessência dentro de si mesmo. Ele é aquele que pode unir as quatro casas como uma. Ele sozinho contém todas as quatro características dentro de si mesmo. A busca da quintessência é a busca da Pedra Filosofal, seu despertar e imortalidade espiritual.

Em O Enigma do Príncipe, até encontramos Harry lendo um livro sobre a quintessência:

“Harry não respondeu, mas fingiu estar absorto no livro que eles deveriam ter lido antes de Feitiços na manhã seguinte, Quintessence: A Quest (A Quintessencia: Uma Busca). (US Deluxe HBP, p. 304).

  1. As Ferramentas da Alquimia e Harry Potter:

Os alquimistas acreditavam que a fórmula universal contida na Tábua de Esmeralda era a base para uma filosofia espiritual introduzida pela primeira vez no antigo Egito na remota antiguidade” algumas fontes dizem mais de 10.000 anos atrás. Esta fórmula consiste em sete operações consecutivas realizadas sobre a “matéria” – seja de natureza física, psicológica ou espiritual.

Basílio Valentim, em seu Azoth dos Filósofos, descreve o significado completo da Coisa Única, que é tanto a Caótica Matéria no início da Obra quanto a Pedra aperfeiçoada em sua conclusão. A palavra “Azoth” é da Tábua de Esmeralda; o “A” e o “Z” na palavra relacionada ao alfa e ômega gregos, que significa simplesmente o começo e o fim de todas as coisas. 9

No desenho acima, tirado de Os Sete Estágios da Transformação Alquímica, uma salamandra envolta em chamas e um pássaro em pé estão tocando as asas de um caduceu. Abaixo da salamandra está a inscrição Anima (Alma); abaixo do pássaro está a inscrição Spiritus (Espírito). Corpus significa Corpo. De acordo com o Alchemy Electronic Dictionary (O Dicionário Eletrônico da Alquimia), a alma é “a presença passiva em todos nós que sobrevive por toda a eternidade e, portanto, é parte da substância original (Primeira Matéria) do universo. Em última análise, é a Única Coisa do universo. A alma foi considerada além dos quatro elementos materiais e, portanto, conceituada como um quinto elemento (ou Quintessência). O espírito é “a presença ativa em todos nós que luta pela perfeição. O espírito busca manifestação material para expressão. Em última análise, é a Mente Única do universo”. Em outras palavras, a alma é aquilo com que nascemos; é o espírito e as escolhas que fazemos na vida que nos moldam em quem somos, um ponto que Rowling enfatiza repetidamente nos romances.

Spiritus, Anima e Corpus formam um grande triângulo invertido que fica atrás do emblema central. De acordo com McLean, juntos eles simbolizam as três forças celestes arquetípicas que os alquimistas chamavam de Enxofre, Mercúrio e Sal. Na filosofia da alquimia, não são produtos químicos, mas nossos sentimentos, pensamentos e corpo.

Antes de discutirmos os livros e como Rowling habilmente tece os fios da alquimia através deles, é necessário dar algumas breves definições e descrições das substâncias básicas usadas na alquimia. Havia sete metais conhecidos pelos alquimistas: ouro, prata, mercúrio, chumbo, cobre, estanho e ferro (ver figura 1). Cada um teve um papel específico na formação da Pedra Filosofal; no entanto, como veremos, os alquimistas nem sempre foram claros sobre os nomes das substâncias, muitas vezes expressando-os em metáfora e simbolismo. Além disso, antes do século XIX não havia um sistema de nomenclatura universal para os elementos químicos. O que um alquimista chamava de enxofre outro poderia chamar de mercúrio e vice-versa; isso torna a interpretação de seus textos extremamente difícil.

METAL/PLANETA REGENTE:

Ouro – Sol

Prata – Lua

Mercúrio – Mercúrio

Cobre – Vênus

Estanho – Júpiter

Ferro – Marte

Chumbo – Saturno

Figura 1: Os Sete Metais da Alquimia e seus planetas regentes.

Além dos sete metais, havia também outros elementos e compostos em uso: vitríolo, antimônio (o lobo cinzento ou estribita), salitre (nitrato de potássio), uma combinação de ácido sulfúrico e ácido nítrico (chamado aqua regis), ácido nítrico (aqua fortae), água, sal amoníaco (cloreto de amônio), alúmen (sulfato de alumínio e potássio) e sal, entre outros.

É importante lembrar que os elementos que possuíam as mesmas propriedades foram classificados sob o mesmo nome; por exemplo, os compostos mais combustíveis com os quais os alquimistas trabalharam receberam o nome de “enxofre”, embora claramente não sejam todos enxofre elementar. Mercúrio era bem conhecido por sua capacidade de se unir e era famoso por seu brilho e maleabilidade. Mas os alquimistas rotularam muitas substâncias como “mercúrio” – aquelas que eram macias, brilhantes e fáceis de trabalhar, o que inclui a maioria dos metais – e às vezes é difícil determinar exatamente do que eles estão falando. Mais uma vez, os próprios alquimistas nunca são claros sobre a qual “enxofre” ou “mercúrio” eles estavam se referindo, o que só agrava o problema da tradução.

As três substâncias mais importantes na alquimia eram mercúrio, enxofre e sal. Os alquimistas acreditavam que todos os metais eram compostos de mercúrio e enxofre, em diferentes proporções e graus de pureza. O mercúrio também era conhecido como mercúrio ou sangue de unicórnio e era usado para fazer óxido de mercúrio vermelho aquecendo-o em uma solução de ácido nítrico. Um espesso vapor vermelho pairava sobre a solução e cristais vermelhos brilhantes precipitavam no fundo. Isso convenceu os alquimistas de que o mercúrio transcendia os estados líquido e sólido e, consequentemente, tanto o céu quanto a terra, a vida e a morte. Mercúrio foi a causa da “perfeição” nos metais e deu ao ouro seu brilho. Um alquimista desconhecido, citando Arnold de Villanova, escreve: “O mercúrio é a forma elementar de todas as coisas fusíveis; pois todas as coisas fusíveis, quando derretidas, se transformam nela, e se mistura com elas porque é da mesma substância que elas. Tais corpos diferem do mercúrio em sua composição apenas na medida em que está ou não livre da matéria estranha do enxofre impuro”. 10 O “mercúrio filosófico”, presente na busca do buscador pela iluminação, era absolutamente necessário para a conclusão da Magnum Opus. Na alquimia, uma serpente ou cobra geralmente representa mercúrio.

Os alquimistas acreditavam que um excesso de enxofre nos metais causava impurezas. Ao eliminar o excesso de enxofre por meio de um processo de purificação, eles ficariam com mercúrio puro ou mercúrio. Geber chamou o enxofre de “a gordura da terra, por decocção temperada na mina da terra engrossada, até ser endurecida e seca”. 11 Ele considerava o excesso de enxofre como causa de imperfeição nos metais, e escreve que uma das causas da corrupção dos metais pelo fogo “é a inclusão de um enxofre ardente na profundidade de sua substância, diminuindo-os por Inflamação, e exterminando também em Fumo, com Consumo extremo, tudo o que Argentvive (a “prata viva”) neles é de boa Fixação.” 12 Ele assumiu, além disso, que os metais continham dois tipos de enxofre: enxofre incombustível e enxofre combustível, sendo o segundo aparentemente considerado uma impureza.13 Um alquimista posterior diz que o enxofre é “mais facilmente reconhecido pelo espírito vital nos animais, a cor nos metais, o odor nas plantas.” 14 Para piorar a situação, o termo enxofre também foi dado a qualquer substância de cores vivas.

De acordo com The Hermetic House: Alchemy Ancient and Modern (A Casa Hermética: Alquimia Antiga e Moderna), essa “teoria do enxofre-mercúrio dos metais foi defendida por alquimistas famosos como Roger Bacon, Arnaldo de Villanova e Raimundo Lúlio”. 15 O sal, por outro lado, foi uma adição tardia à alquimia. O sal foi o início e o fim da Grande Obra, e esse conceito que será extremamente importante em nossa análise dos livros. Assim como o mercúrio e o enxofre, os alquimistas não se referiam ao sal de mesa aqui. Qualquer substância que fosse resistente ao fogo era chamada de “sal”. Isaac da Holanda e Basílio Valentim tentaram explicar as diferenças nos metais pela quantidade de mercúrio, enxofre e sal que continham. Por exemplo, o cobre, que é brilhantemente colorido, contém um excesso de enxofre, enquanto o ferro, que é duro, contém um excesso de sal. Paracelso e outros aprovaram entusiasticamente a adição de sal à lista de substâncias alquímicas, embora o sal permanecesse menos importante que o mercúrio ou o enxofre.

O vitríolo é outra substância que encontraremos no decorrer de nossa análise. É o líquido mais importante na alquimia, sem exceção, servindo como catalisador para todas as reações subsequentes. Foi destilado a partir de uma substância oleosa e verde (sulfato de cobre) que se formou naturalmente a partir do desgaste do cascalho com enxofre. Este Vitríolo Verde é simbolizado pelo Leão Verde em desenhos alquímicos. Depois de recolhido, foi aquecido e decomposto em compostos de ferro e ácido sulfúrico. O ácido foi então separado por destilação. A primeira destilação produziu um líquido marrom que cheirava a ovos podres (enxofre), mas a destilação posterior produziu um óleo amarelo quase inodoro chamado simplesmente vitríolo. O nome também foi usado para vários sais de sulfato, como sulfato de cobre (vitríolo azul, ou raramente vitríolo romano), sulfato de zinco (vitríolo branco), sulfato de ferro (II) (vitríolo verde), sulfato de ferro (III) (vitríolo de Marte), ou sulfato de cobalto (vitríolo vermelho). O vitríolo dissolve facilmente o tecido humano e é severamente corrosivo para a maioria dos metais, embora não tenha efeito sobre o ouro. A importância do Vitríolo nos romances não pode ser subestimada; sem ela, Harry não pode passar pelos estágios de transformação para a iluminação, mesmo quando as coisas parecem irreprimivelmente sombrias.

O ácido sulfúrico reage com a maioria dos metais para produzir gás hidrogênio e um sulfato metálico. Essas reações fazem com que o ácido ferva e pode explodir. A única maneira de combater um incêndio de ácido sulfúrico é com espuma ou outros agentes de terra seca para evitar que ferva. Uma vez que ferve, libera gases ácidos que podem matar.

Em Harry Potter, essas quatro substâncias são simbolizadas pelos seguintes caracteres, e estes serão discutidos em maiores detalhes: Mercúrio=Dumbledore, Enxofre=Hagrid, Sal=Sirius e Vitriol=Snape. Os outros personagens também têm seus lugares. Três casais representam a união de enxofre e mercúrio ou o Grande Casamento: Tiago e Lílian; Ron e Hermione (o “casal briguento”); e Bill e Fleur. Além disso, o nome completo de Ginny, Ginevra, significa “espuma branca”. Como mencionado nos parágrafos sobre vitríolo, a única coisa que pode combater um incêndio de ácido sulfúrico é a espuma.

  1. Os Sete Estágios da Transformação Alquímica:

Segundo fontes tradicionais, havia sete estágios de alquimia, cujo produto final era a Pedra Filosofal. Os primeiros quatro passos ocorrem no Abaixo, no reino da matéria. Os últimos três passos acontecem no Alto, no reino da mente e da imaginação criativa. Embora cada livro represente um estágio na transformação, os ciclos de alquimia também estão presentes em cada livro, começando com Harry na casa dos Dursley (o Estágio Negro) e terminando com a importante conversa de Dumbledore e a viagem de trem para casa (o Estágio Vermelho).

Cada estágio está relacionado a uma cor, substância alquímica e metal, e cada um tem um lugar específico na criação da Pedra. De acordo com outras fontes, como George Ripley e Basílio Valentino, havia Doze Chaves ou Portões. Para os propósitos desta discussão, no entanto, vamos nos limitar aos sete estágios tradicionais e analisá-los como eles se relacionam com o mundo de Harry Potter. (veja a figura 2) As primeiras cinco fases juntas são chamadas do Estágio Negro ou melanose; o Estágio Branco é destilação ou leucose e o Estágio Vermelho é coagulação ou iose. A iose também é conhecida como fase roxa, porque o material fica roxo durante o processo de coagulação.

Ano 1: A Pedra Filosofal:

No universo de Rowling, a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida desempenharam o papel principal no primeiro livro. Lord Voldemort, arrancado de seu corpo onze anos antes, precisa que a Pedra permaneça viva até que possa construir um novo corpo, reduzindo-se a se alimentar de sangue de unicórnio, uma caricatura tão horrível que a partir de então levará uma meia-vida amaldiçoada. Hogwarts se torna um lugar de intriga e perigo para Harry e seus amigos enquanto eles tentam desvendar o mistério do roubo no Banco de Gringotes e evitar que a Pedra caia em mãos erradas. Eventualmente, Harry consegue, no processo descobrindo dentro de si suas próprias habilidades e o segredo do sacrifício de sua mãe por ele. Voldemort não recebe a Pedra e é forçado a fugir para a Albânia, não melhor do que quando voltou para a Grã-Bretanha.

Este é o início da jornada de Harry. Ele começa como uma massa confusa, sozinho sob os cuidados de parentes abusivos, e então leva o choque de sua vida quando Hagrid lhe diz que é um bruxo. A partir daí, ele precisa quebrar (dissolver) tudo o que aprendeu e começar a construir novamente (coagular). Ele aprende no processo que não é apenas um mago; ele é O Menino Que Sobreviveu. Para que ele fique completamente livre de Voldemort, ele deve dissolver o vínculo entre eles, um processo que levará mais seis livros para ser concluído.

Conhecemos Harry pela primeira vez no Capítulo 2, abusado por seus parentes trouxas e confinado em seu armário embaixo da escada. A impressão que temos é a de um menino que está sozinho no mundo, sem um amigo e sem esperança de que sua situação mude. E então, de repente, todo o seu mundo muda. Ele descobre que é um bruxo. O agente dessa mudança profunda é Rúbeo Hagrid, que passará a desempenhar um papel crucial na série. O nome Rúbeo significa “vermelho”, e logo descobrimos que Hagrid tem uma queda por criaturas perigosas. Ele é atencioso e carinhoso, algo que não esperaríamos em um homem tão grande; que ele seja retratado como tal por Rowling não é por acaso, como veremos nos livros posteriores.

De acordo com Adam McLean em seu The Seven Stages of Transformation (Os Sete Estágios da Transformação), este primeiro estágio da Grande Obra, chamado calcinação, é a quebra da massa confusa (massa confusa) pelo fogo. É representado pelo ácido sulfúrico, um potente corrosivo que corrói a pele e reage com todos os metais, exceto o ouro. Os alquimistas criaram o ácido sulfúrico a partir do vitríolo, o agente altamente corrosivo discutido anteriormente. A massa confusa caótica tem que passar por um longo processo no qual é repetidamente dissolvida e coagulada (solve et coagula) e daí surge a prima materia, que é a matéria-prima para a fabricação do ouro. O psicólogo Carl Jung estava muito ocupado com os aspectos arquetípicos da alquimia e ficou impressionado com as semelhanças entre o opus magnum e o processo psicanalítico. Na psicanálise de Jung, a massa confusa do subconsciente é o instrumento primordial para alcançar um estado de equilíbrio e completude mental. A própria calcinação representava a quebra do ego e os apegos às posses materiais. Através deste processo o Buscador torna-se introspectivo e começa a avaliar a sua vida.

A massa confusa é descrita como uma cobra segurando sua cauda – o Ouroboros. A cobra era frequentemente usada como um símbolo para a dualidade – seu corpo alongado separando as polaridades da cabeça e da cauda. Às vezes, a figura de um dragão alado era usada aqui no lugar da cobra, para fechar o círculo com o dragão no início do trabalho. Quando a cobra ou dragão agarrou sua cauda, uniu as polaridades em um círculo, um símbolo para os alquimistas para alcançar a solidez entre as energias dualistas das forças da alma. A criação da Pedra Filosofal foi a formação de uma base interna sólida sobre a qual os filósofos alquímicos puderam construir suas personalidades e experimentar toda a potencialidade de serem humanos.16

Isso é o que Harry começa a experimentar desde o momento em que pisa no Expresso de Hogwarts. Ele está entrando em um mundo totalmente novo; um de magia e admiração, que o obriga a avaliar quem ele é e a que propósito serve. A plataforma 9 3/4 representa sua iniciação neste mundo de maravilhas, cruzando as fronteiras entre os reinos mundano e superior. Ele conhece Ron e Hermione, que imediatamente não gostam um do outro. Juntos, eles representam o Casal Brigante; rei e rainha, mercúrio e enxofre, ouro e prata, cujo Grande Casamento no final da Grande Obra permitirá que Harry alcance todo o seu potencial. Discutiremos isso mais adiante.

O nome de Hermione encontra suas raízes no deus grego Hermes, mas ainda mais importante em Hermes Trismegisto, o autor da Tábua de Esmeralda, da qual derivam todos os estudos de alquimia e ocultismo. Também é significativo que São Tiago (Potter) seja o santo padroeiro da alquimia, e o símbolo do Estágio Branco da transformação seja o lírio.

Neste ponto, encontramos dois dos personagens mais importantes de todo o livro: Alvo Dumbledore e Nicolau Flamel. As Cartas de Sapo de Chocolate de Ron são uma verdadeira fonte de informação para nós na primeira leitura do livro. Descobrimos que Dumbledore e Flamel eram parceiros; além disso, afirma-se inequivocamente que eles eram alquimistas. Dumbledore é creditado com a descoberta dos doze usos do Sangue de Dragão, que como vimos não é uma fantástica virada da imaginação de Rowling. Dumbledore repetidamente mostra-se bem familiarizado com os princípios alquímicos ao longo do livro e de fato ao longo da série.

Por outro lado, Nicolau Flamel é a pessoa mais importante em Harry Potter a nunca ser lembrada em um Cartão de Sapo de Chocolate. A razão para isso não está clara; o fato de ele ainda estar vivo não pode ser o motivo, já que Dumbledore está vivo e tem seu próprio cartão. Em todo caso, a vida de Flamel foi bastante real”sua casa em Paris, construída em 1407, ainda está de pé, na rue de Montmorency, 51, onde foi transformada em restaurante. Suas façanhas, no entanto, são lendárias entre os estudantes de esoterismo e ocultismo.

Este é o fim da Parte I. A Parte II discute a vida de Flamel, seu infame manuscrito e aborda a questão: Flamel realmente encontrou a Pedra Filosofal? Também traço o simbolismo alquímico na Câmara Secreta através do Enigma do Príncipe e além, fazendo algumas previsões para o destino dos personagens e o final da série.

Referências:

1. The Internet Sacred Text Archive. “History of the Tablet.” The Emerald Tablet of Hermes. 2005. The Internet Sacred Text Archive. 10 March 2006. http://www.sacred-texts.com/alc/emerald.htm

2. Waite, A. E. “’EIRENÆUS PHILALETHES’: An Open Entrance to the Closed Palace of the King.” The Hermetic Museum. vol. ii. London. 1893. p. 178

3. Redgrove, H. Stanley. Alchemy: Ancient and Modern. London: William Rider & Son, LTD, 1922. http://www.geocities.com/andymak252/AlchemyAncientModern.htm

4. Geber; Richard Russel. “Of the Sum of Perfection.” The Works of Geber. London : Printed for William Cooper,1678. pp. 69 – 70

5. Norton, Thomas. The Ordinal of Alchemy. London ; New York : Published for the Early English Text Society by the Oxford University Press, 1975.

6. Mileusnic, Dusan Djordjevic. Paracelsus: The Treasure of Treasures for the Alchemists. London: J.H. Oxon, 1659. The Alchemy Web Site. McLean, Adam. 1996. levity.com. 10 March 2006. http://www.levity.com/alchemy/paracel1.html

7. McLean, Adam. The Ripley Scrowle. 1450-1500. The Alchemy Web Bookshop. 10 March 2006. http://www.alchemywebsite.com/bookshop/ripley_scroll.html

8. Wikipedia. “Classic Elements.” Wikipedia Encyclopedia. 2005-06. Wikmedia. 18 Feb. 2006. http://en.wikipedia.org/wiki/Classical_elements

9. De Giorgio,Dr. Laura. “The Seven Stages of Transformation.” Alchemy. 2001-2005. Deep Trance Now. 10 March 2006. http://www.deeptrancenow.com/exc3_7operations.htm

10. Waite, A. E. “The Golden Tract concerning the Stone of the Philosophers” The Hermetic Museum vol. i. London. 1893. p. 17.

11. Geber; Richard Russel. “Of the Sum of Perfection.” The Works of Geber. London : Printed for William Cooper,1678. pp. 69 – 70

12. Ibid, p 156.

13. Ibid, p 160.

14. Waite, A. E. The Hermetic Museum. The New Chemical Light, Part II. Concerning Sulphur. vol. ii. London. 1893. p. 151

15. Redgrove, H. Stanley. Alchemy: Ancient and Modern. London: William Rider & Son, LTD, 1922. http://www.geocities.com/andymak252/AlchemyAncientModern.htm

16. De Giorgio,Dr. Laura. “First Stage – Calcination.” The Seven Stages of Transformation. 2001-2005. Deep Trance Now. 10 March 2006. http://www.deeptrancenow.com/exc3_calcination.htm

Original: http://www.the-leaky-cauldron.org/features/essays/issue1/alchemypart1/

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/alquimia-e-harry-potter-parte-i/

Hermes Trismegistus

“O que está em cima é como o que está embaixo.

E o que está embaixo é como o que está em cima”

O que é magia? Esta é uma questão que, mesmo em círculos esotéricos, levanta muita discussão. Vários autores e filósofos em todas as épocas teceram variadas interpretações a respeito do assunto. Entretanto, os elementos-chave de todas as definições existentes parecem concordar em apenas um ponto: Magia (ou Magick) envolve o uso da mente humana para causar uma alteração: Mudança no mundo, mudança do próprio indivíduo, mudança para com os outros. Aleister Crowley definiu mágica como “a Arte ou Ciência de causar uma mudança. Para que esta ocorra em conformidade com a Vontade”. Doreen Valiente define magia como “a ciência do controle das forças secretas da natureza”. Scott Cunningham chama a magia de “o movimento de energias naturais para criar uma mudança necessária”. Mas é Margot Adler que tem a definição que considero ser a mais interessante de todas. Ela diz:

“Magia é uma palavra conveniente para toda uma coleção de técnicas, todas as quais envolvem o uso da mente. Neste caso, veremos que todas estas técnicas envolvem a mobilização da confiança, vontade e emoção, direcionadas a partir do reconhecimento da necessidade, do uso das faculdades da imaginação, principalmente através da habilidade de visualizar, a fim de entender como outros seres funcionam na natureza para que possamos usar este conhecimento de forma a atingir os fins necessitados”.

Magia, portanto, é um instrumento da mente e, como tal é mental por natureza. Magia é um meio através do qual a vontade (Thelema), a emoção (Emotionem) e a imaginação (Imaginatio) criam uma mudança verdadeira no mundo físico. Como, porém, pode um instrumento mental e não físico criar uma alteração no mundo físico e corpóreo? A resposta está na Verdade de que o universo em si mesmo é Mental por natureza e que a mente é a chave para abrir os poderes do Cosmo.

“Substância” pode ser definida como aquilo que está por dentro de todas as manifestações exteriores. Atrás de toda aparência exterior neste mundo e em todos os outros mundos, deve existir uma realidade substancial. Um imenso Panteão de deuses e deusas mostra-nos como o homem tentar dar nome a esta realidade substancial.

Como John Barnes afirmou certa vez, “O Todo é a Realidade Substancial que está escondida em todas as manifestações de vida. O Todo é a Grande Avó -Avô que criou a si mesmo, que sempre existiu e que irá existir para sempre”

Uma das chaves para entender como o Universo funciona nos foi dada por Hermes-Toth, também conhecido como Hermes Trismegistus. Algumas pessoas o consideram um deus, outras um grande iniciado, e algumas ainda acreditam que este nome represente uma das primeiras Ordens Iniciáticas do Antigo Egito e Grécia, cujos trabalhos de seus Iniciados perduram até os dias de hoje, através da ciência conhecida como Hermetismo. A seguir, falarei um pouco sobre quem foi esta figura e o que ele nos deixou de legado.

Toth

Toth (ou Thoth) é considerada uma das divindades mais importantes do Egito. Também chamado de “O escriba dos Deuses”, ele é geralmente descrito como tendo a cabeça de um Íbis.

Sua contraparte feminina era Maat, deusa da Justiça, e seu principal templo ficava em Khemennu (que os gregos chamavam de Hermopolis e os árabes de Eshmunen). Mas Toth também tinha templos iniciáticos em Abydos, Hesert, Urit, Per-Ab, Rekhui, Ta-ur, Sep, Hat, Pselket, Tamsis, Antcha-Mutet, Bah, Amen-heri-ab e Ta-kens. Nestes templos, seus discípulos aprendiam as bases do que chamamos de “Livro de Toth”, ou como é conhecido pelos profanos, o Tarot. As 78 lâminas, também chamada “Espelho da Alma”, são capazes de reproduzir simbolicamente todos os fluxos de energia que permeiam uma situação (as pessoas acreditam que o Tarot serve para “prever o futuro” mas isto não é verdade. Seu uso principal é para autoconhecimento). Falarei mais sobre Tarot em posts futuros.

Ele era considerado o coração e a língua de Rá, assim como a vontade de Rá traduzida para a fala (o Verbo). Dentro do Panteão Egípcio, ele possuía diversas funções muito importantes (entre elas, ensinar a escrita, magia, ciência, astrologia e ajudar no julgamento dos mortos).

Toth também é responsável pelo governo dos Planetas e das estações. È chamado de “Senhor das palavras Sagradas” pois foi ele quem inventou os hieroglifos e os números. Por ter sido o primeiro magista, Toth possuía mais poder até mesmo do que Osíris ou Rá.

Em algumas representações, podemos vê-lo com a crescente lunar sobre sua cabeça e sua figura carregando uma palheta e cinzel. Toth possuía duas esposas, Seshat e Nehmauit. Seu festival principal acontecia no décimo nono dia do mês de Toth, alguns poucos dias após a lua cheia do começo do ano.

Toth é considerado deus da Magia, escrita, invenções, profecia, música, tarot, conhecimento, ciências, medidas, matemática, fala, oráculos, julgamento, desenhos, arquitetura, gramática, teologia, hinos, aprendizado, livros, registros Akashicos, paz e orações.

Hermes

Hermes também é tido como uma das mais importantes divindades gregas do Panteão Olímpico. Considerado o mais jovem dos deuses, ele é o protetor de todos os viajantes e ladrões, é o mensageiro dos deuses, responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais (qualquer semelhança com Prometeu ou Lúcifer NÃO é mera coincidência); Hermes é o deus da eloqüência, ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia (que era chamada de Hermeneus pelos gregos) e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra Hermenêutica). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha permissão para descer ao Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.

Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas, o caduceu (que curiosamente representa a Kundalini, duas serpentes enroscadas em um cajado) e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira Lira).

Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes era considerado o patrono dos atletas. Finalmente, era tido como o inventor do Fogo (em alguns textos anteriores a Prometeu) e considerado um deus pregador de peças, que adorava aprontar com seus irmãos (isto desde seu nascimento, quando a primeira coisa que fez quando aprendeu a andar foi roubar os bois de Apolo e esconde-los). Hermes era patrono dos alquimistas, magos e filósofos.

Mercúrio

Para os romanos, Mercúrio surgiu da fusão do deus Turms (Etrusco) com as características de Hermes grego, em aproximadamente 400 AC. Mercúrio tornou-se assim o deus do comércio (em muitos países o símbolo do Caduceu é usado para indicar administração e não medicina), das estradas e das relações de diplomacia. Mercúrio não era tão popular entre os romanos como Hermes era entre os gregos, sendo considerado um deus menor dentro do Panteão romano.

Mercúrio era patrono do comércio, transportes, sucesso, magia, viagens, apostas, atletas, eloqüência, mercadores e mensageiros.

Hermes Trimegistus

Hermes Trismegistus é a tradução em latim e significa “Hermes, o três vezes grande”.

Trata-se do nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Toth ou Tehuti, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas.

Toth simbolizava a lógica organizada do universo. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como “duas vezes grande”, era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado com Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Toth.

Como “escriba e mensageiro dos deuses”, no Egito Helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos “herméticos”, contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia – o Corpus Hermeticum – cujo propósito seria a deificação da humanidade através do conhecimento de Deus. É pouco provável que todos esses livros tenham sido escritos por uma única pessoa, mas representam o saber acumulada pelos egípcios ao longo do tempo, atribuído ao grande deus da sabedoria.

Segundo Clemente de Alexandria, eram 42 livros subdivididos em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes; o segundo, dos rituais do templo; o terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura; o quarto, de astronomia e astrologia, matemática e arquitetura; o quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis; o sexto era um texto médico.

Também é creditado a Hermes Trismegistus, “O Livro dos Mortos” ou “O Livro da Saída da Luz” e o mais famoso texto alquímico – a “Tábua de Esmeralda”.

Os Escritos Herméticos

Os escritos Herméticos são uma coleção de 18 obras Gregas. Estes escritos contêm os aspectos teórico e filosófico do Hermetismo em seu aspecto teosófico. O período bizantino é marcado por uma outra coleção de obras herméticas, que também são relacionadas ao Hermes Trismegistus e contêm uma tradição hermética popular a qual é composta essencialmente por escritos relacionados a astrologia, magia e Alquimia. Esta versão popular encontra sustentação ou base nos diálogos Hermeticos, apesar dele se distanciar da magia.

A prática da magia entretanto não está distante das praticas realizadas no antigo Egito, a qual em uma última análise é a fonte de todos os diálogos herméticos, pois o Hermetismo lá floresceu e, portanto estabelece uma conexão entre as duas tradições Hermeticas: filosófica e magia.

Os ensinos de Hermes-Toth chegaram à atualidade baseados em escassos documentos que constituem o “Kabalion“, “A Tábua da Esmeralda“, “Pistis Sophia“, “Corpus Hermeticum“, e alguns outros papiros. Naturalmente que o acervo de ensinamentos de Toth estão contidos em muitos outros documentos que foram preservados e mantidos sob a guarda de Ordens Iniciáticas. Tratam-se de documentos originais e cópias que foram preservados do incêndio da Biblioteca de Alexandria. Entre os documentos preservados existem aqueles que deram base ao desenvolvimento da Alquimia.

As sete Leis Herméticas

As sete principais leis herméticas se baseiam nos princípios incluídos no livro Kabalion que reúne os ensinamentos básicos da Lei que rege todas as coisas manifestadas. A palavra Kabalion, na língua hebraica significa tradição ou preceito manifestado por um ente de cima. Esta palavra tem a mesma raiz da palavra Kabbalah, que em hebraico, significa recepção. De acordo com Hermes Trismegistus:

Lei do Mentalismo

O universo é mental ou Mente. Isso significa que todo universo fenomenal é simplesmente uma criação mental do TODO… Que o universo tem sua existência na Mente do TODO.

Uma outra maneira de dizer isso é: “tudo existe na mente do Deus e da Deusa que nos ‘pensa’ para que possamos existir. Toda a criação principiou como uma idéia da mente divina que continuaria a viver, a mover-se e a ter seu ser na divina consciência.”

“O Universo e toda a matéria são consciência do processo de evolução.”

Minha opinião é que toda a matéria são como os neurônios de uma grande mente, o universo consciente, que “pensa”.

Todo o conhecimento flui e reflui de nossa mente, já que estamos ligados a uma mente divina que contem todo o conhecimento.

É claro que não estamos conscientes de “todo o conhecimento” em qualquer momento dado, por que seria uma tarefa exorbitante manuseá-lo e processa-lo e ficaríamos loucos no processo.

Os cinco sentidos do cérebro humano atuam tanto como filtros como fontes de informação. Eles bloqueiam uma considerável soma de informação caso contrário seriamos esmagados por informações que nos bombardeiam minuto a minuto como sons, cheiros e até idéias, não seriamos capazes de nos concentrarmos nas tarefas especificas em mãos. Mas sob condições corretas de consciência podemos moderar, ou até desligar o processo de filtração, com a consciência alterada, o conhecimento universal (Registros Akáshicos) torna-se acessível.

Lei da Correspondência

“Aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo.”

Essa lei é importante porque nos lembra que vivemos em mais que um mundo.

Vivemos nas coordenadas do espaço físico, mas também vivemos em um mundo sem espaço e nem tempo.

A perspectiva da Terra normalmente nos impede de enxergar outros domínios acima e abaixo de nós. A nossa atenção está tão concentrada no microcosmo que não nos percebemos o imenso macrocosmo à nossa volta. O principio de correspondência diz-nos que o que é verdadeiro no macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa.

Portanto podemos aprender as grandes verdades do cosmo observando como elas se manifestam em nossas próprias vidas.

Por isso estudamos o universo: para aprender mais sobre nós mesmos.

Na menor partícula existe toda a informação do Universo.

A Lei da Correspondência, em conjunto com a Lei da Causa e Efeito, é a explicação para o funcionamento perfeito do Tarot e da Astrologia, bem como de todos os outros oráculos.

Lei da Vibração

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”

No universo todo movimento é vibratório. O todo se manifesta por esse princípio. Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento.

Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento.

A Lei da Vibração rege toda a comunicação entre espíritos e matéria, bem como a conjuração de elementais, devas, exús, orixás, anjos enochianos e qualquer outro tipo de serviçal astral. Também rege os princípios de atração e repulsão entre indivíduos, a harmonia e as egrégoras.

Lei da Polaridade

“Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”

A polaridade revela a dualidade, os opostos representando a chave de poder no sistema hermético. Mais do que isso, os opostos são apenas extremos da mesma coisa. Tudo se torna idêntico em natureza. O pólo positivo + e o negativo – da corrente elétrica são uma mera convenção.

O claro e o escuro também são manifestações da luz. A escala musical do som, o duro versus o flexível, o doce versus o amargo. Amor e o ódio são simplesmente manifestações de uma mesma coisa, diferentes graus de um sentimento.

Lei do Ritmo

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”

Pode se dizer que o princípio é manifestado pela criação e pela destruição. É o ritmo da ascensão e da queda, da conversão da energia cinética para potencial e da potencial para cinética. Os opostos se movem em círculos.

É a expansão até chegar o ponto máximo, e depois que atingir sua maior força, se torna massa inerte, recomeçando novamente um novo ciclo, dessa vez no sentido inverso. A lei do ritmo assegura que cada ciclo busque sua complementação.

Lei do Gênero

“O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero se manifesta em todos os planos da criação”

Os princípios de atração e repulsão não existem por si só, mas somente um dependendo do outro. Tudo tem um componente masculino e um feminino independente do gênero físico. É semelhante ao principio com o principio animas animus que Carl Jung e seus seguidores popularizaram, ou seja que cada pessoa contém aspectos masculinos e femininos, independente do seu gênero físico, nenhum ser humano é 100% homem ou mulher, e isso é até astrologicamente explicado, uma vez que todos somos influenciados por todos os signos (uns mais, outros menos), e metade do zodíaco é feminino, enquanto que a outra metade é obviamente masculina (Esse é mais um argumento que suporta a igualdade entre Deus/Hochma e Deusa/Binah dentro das Esferas da Kabbalah).

Em todas as coisas existe uma energia receptiva feminina e uma energia projetiva masculina, a que os chineses chamavam de Yin e Yang.

Lei de Causa e Efeito

“Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei”

Nada acontece por acaso, pois não existe o acaso, já que acaso é simplesmente um termo dado a um fenômeno existente e do qual não conhecemos e a origem, ou seja, não reconhecemos nele a Lei à qual se aplica.

Esse princípio é um dos mais polêmicos, pois também implica no fato de sermos responsáveis por todos os nossos atos e é muito mais cômodo deixar os acontecimentos ao “acaso” ou ao “divino”. Também é conhecido como Lei do Karma.

Hermes/Toth na Kabbalah

A Árvore da Vida representa um mapa dos estados de consciência humanos. Vamos falar mais detalhadamente sobre isso em posts futuros, mas vou fazer a referência agora e vocês podem retornar e ler novamente este texto mais tarde, ok?

Em razão de sua eloqüência e inteligência privilegiada, Mercúrio está associado na Kabbalah à oitava esfera (sephira), chamada Hod (explendor). Hod representa a razão pura, a lógica, a matemática, o ceticismo e os desertos dos códigos rígidos e cartesianos, em contraste com Netzach (Vênus) que representa a Emoção Pura.

Hod está associado ao Planeta Mercúrio, ao metal mercúrio, ao incenso de sândalo, Mastic e Storax, à cânfora, lavanda, lírios, marjoran e mirtila e ao caduceu. Seu elemento é o Ar.

Hod influencia os Caminhos Shin (31), a Inteligência Perpétua, conectando a Razão ao Plano Material, servindo de filtro entre as idéias que permeiam o mundo material e o que pode ser aproveitada delas (este é literalmente o caminho do despertar dos céticos), Resh (30), o Sol, que conecta a Razão ao Plano Astral, perfazendo a segunda trilha que um mago deve percorrer na consciência, usando a razão de maneira questionadora no Plano Astral, Peh (27), a Torre, o caminho turbulento que conecta a esfera da Razão Pura à esfera da Emoção Pura. Imaginar este estado de consciência é como colocar um fanático cético com um fanático religioso para discutir. Mais cedo ou mais tarde, a estrutura vai rachar ao meio. Da conexão entre Hod e Tiferet (Sol) há o Caminho 26, Ayin, o Diabo, o caminho da iluminação através da razão ou através do Caminho da Esquerda, como vocês já devem ter ouvido falar por aí. O famoso “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei” e finalmente, o caminho 23, Mem, que liga a Razão às planícies de provação de Marte/Geburah, simbolizando a estagnação do Enforcado.

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A História de Buda nos Puranas

Buda foi o fundador do Budismo. Alguns o consideram como uma encarnação de Viṣṇu. Em dias de batalha, os devas foram derrotados pelos asuras e os deuses se aproximaram de Viṣṇu com sua queixa. Mahāviṣṇu encarnou como o filho de Śuddhodana com o nome de Gautamabuddha (Siddhārtha). Então ele foi aos asuras e os fez rejeitar os Vedas e as suas leis. Todas os Daityas (Asuras) se tornaram budistas. Há uma história no Agnipurāṇa, Capítulo 16, que assim foi o propósito de Buda converter cada asura ao budismo e mandá-lo para o inferno.

A história dada acima está de acordo com os Purāṇas. A seguir estão os fatos obtidos pelas investigações históricas.

Gautama Buda nasceu em B.C. 560, em Kapilavastu, perto do Himālayas. Seu pai era Śuddhodana. Ele nasceu na família do Śākyas. A palavra ‘Śākya’ é outra forma da palavra Kṣatriya. O verdadeiro nome de Buda era Siddhārtha. Śuddhodana criou seu filho de tal forma que ele não deveria ser submetido a nenhum tipo de dor mental ou preocupação. Assim, ele manteve Buda distante do mundo exterior. Assim, ele passou sua infância em conforto e prazer. Uma vez por acaso, ele viu um homem doente, um homem velho e um cadáver. A visão o fez pensativo. Ele começou a pensar em uma maneira de remover a tristeza e a dor do mundo e de trazer paz e conforto.

A mudança que apareceu no filho preocupou o pai. Assim, aos dezesseis anos de idade, ele fez com que Siddhārtha se casasse com Yaśodharā. Um filho nasceu para eles. Mas a mente de Siddhārtha estava inquieta, angustiada e agitada. Um dia, Siddhārtha descartou tudo e saiu do palácio sozinho.

Siddhārtha vagueou de lugar em lugar aprendendo com vários professores. Mas ele não encontrou a paz. Uma vez, num dia de lua cheia, enquanto estava sentado em meditação sob uma figueira-de-bengala, ele recebeu “Bodha”. (percepção ou convicção). A partir daquele dia, ele começou a ser conhecido pelo nome de ‘Buda’. Depois disso ele veio a Kāśi, e contou a seus discípulos como conseguiu Bodha ou convicção. O número de seus seguidores aumentava a cada dia. Assim surgiu o budismo. Buda disse que a razão da dor e do sofrimento no mundo era o desejo e que o sofrimento só poderia ser exterminado controlando e superando todo desejo. Para alcançar a felicidade eterna, deve-se ser verdadeiro e justo em pensamento, ação e palavra e que “Não Matar” era o fundamento da retidão. O budismo se espalhou por toda parte em Bhārata.

Gautama Buda morreu com a idade de oitenta anos.

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Fonte: https://www.wisdomlib.org/hinduism/compilation/puranic-encyclopaedia/d/doc241488.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-historia-de-buda-nos-puranas/

Amor de Deus

É muito comum aos que começam a estudar os mistérios da vida se deparar com um dilema: Se devemos buscar a perfeição, por que Deus nos criou imperfeitos? Só pra sacanear? Uma resposta propagada pela Igreja é que existimos para que possamos admirar a Deus. Afinal, deve ser muito chato ficar na eternidade sem ter ninguém pra bajulá-lo. Ora, isso é coisa de humanos! Deus É AMOR. Foi por amor que fomos criados, não sei exatamente por quem nem sei quando, mas sentir que Deus é isso é uma conseqüência natural ao usarmos nossa partícula Divina, que nada mais é que a nossa capacidade de amar.

Muitos a usam erroneamente, confundindo amor com ciúmes, e outros buscam alguém que seja igual (a famosa cara-metade, ou alma gêmea). Isso são reflexos do próprio eu, que não admite a diversidade, a diferença. É o Narcisismo, que é a paixão pelo próprio reflexo.

Poderia comparar o amor a alguém que planta uma mudinha de árvore. Ele cuida dela nos primeiros anos com carinho, rega, dá sustentação aos primeiros galhos, mas sabe que provavelmente não vai estar vivo para vê-la dar frutos. E não se importa. Ele sonha com ela grande, independente e frondosa; ele quer o melhor pra ela.

Assim é o amor de Deus, que nos fez “imperfeitos” para que possamos escolher o caminho que julguemos ser o melhor para nós. Afinal, de que adianta produzir “Deuses em série”, infinitamente inteligentes e conseqüentemente iguais? (sim, pois não existiria nem divergência de opinião!)

É assim que procuro propagar o amor que Deus me deu. Cultivar não o que eu ache certo, mas alimentar a pessoa amada de informações para que ela, com seu discernimento, possa julgar o que seja certo. É, além disso, alimentar a dúvida a cada momento para que a pessoa amada tire suas próprias conclusões, ande com as próprias pernas, goste de suas próprias músicas… É como o plantador, que põe um gravetinho do lado da raiz da árvore, ainda fina, para que ela possa se sustentar na vertical. E com que alegria que ele o retira!

Ainda assim, esta é uma arte que precisa ser muito aperfeiçoada, pois certas plantas são muito, muito delicadas, e requerem um acompanhamento maior…

#cabala

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A História dos Vampiros

Conhecidos também como vampiros, nosferatu, entre outros, eles são incrivelmente inesplicaveis e maravilhosas criaturas. O conceito específico dos mortos retornando para atacar e se alimentar do sangue dos vivos encontrou sua maior expressão na Europa cristã. No séc. XII, O historiador inglês William de Newburgh relatou diversos casos de mortos retornando para aterrorizar, atacar e matar durante a noite. Identificou-se esse tipo de espírito maligno com o termo latino sanguisuga. Na maioria dos casos sobre os quais escreveu, a única solução permanente era desenterrar e queimar o corpo do assaltante acusado. Do séc XVI ao séc XVIII ocorreu vários relatos na Europa oriental. Várias palavras foram usadas para designar estas criaturas, tais como, vukodlak (extraída da palavra que designa lobisomem) ou outros termos usados na Sérvia, vampir (de origem questionavel) e palavras relacionadas (como a palavra russa upyr), também se disseminaram. Em fins do séc XIX, o romance Dracula, de Bran Stoker, iniciou a era da ficção que continua até hoje. Dracula criou o vampiro vilão definitivo, utilizando elementos de Polidori e Le Fanu para produzir um pano de fundo gótico para história de um predador aristocrático profano saído do túmulo, que hipnotiza, corrompe e se alimenta das lindas jovens que mata. Stoker revelou todo o impácto das conotações psicossexuais envolvidas entre o relacionamento vampiro e vítima, mostrando uma notável semelhança entre a ânsia de sangue dos mortos-vivos e a sensualidade reprimida dos simples mortais. Um elo psiquico ainda mais profundo está indicado quando uma vítima do sexo feminino é forçada a beber o sangue de Drácula como parte de sua transformação em vampira.

O que é?

O que é um vampiro? Você deve estar se perguntando. A definição comum, nos dicionários, serve como referência para a investigação: vampiro é um cadaver reavivado que levanta do túmulo para sugar o sangue dos vivos e assim reter a aparência da vida. Esta descrição certamente se adapta a Drácula, o vampiro mais famoso, mas é apenas um ponto de partida e rapidamente se prova inadequada quando nos aproximamos do reinado do folclore vampírico. De modo algum todos os vampiros se encaixam nesta descrição. Nem todos os vampiros são corpos ressuscitados, alguns são espíritos desencarnados, como os lamiai da Grécia, também são os humanos normais com hábitos incomuns (como beber sangue) ou um poder extraordinário (como a possibilidade de “drenar” as pessoas emocionalmente). Os animais vampiros, do tradicional morcego aos deliciosos personagens infantis como Bunnicula e Conde Duckula, não estão de nenhuma forma ausentes na literatura. Portanto, vampiros existem de várias formas, mesmo sendo a maioria de cadáveres que ressuscitam. Como o conhecido por todos, uma das características dos vampiros é a que eles tem que sugar sangue de pessoas ou animasi pra sobreviver, mas alguns vampiros não sugam sangue, na verdade só drenam a força vital de suas vítimas. A pessoa atacada por um vampiro tradicional sofre pela perda de sangue, o que causa fadiga, perda da cor no rosto, apatia, motivação esvaziada e fraqueza. Várias doenças que envolvem a perda do sangue também tem os mesmos sintomas.

Vampiro

Abordando um vampiro. Uma vez decidido que o termo vampiro cobre uma grande variedade de criaturas, surge um segundo problema. De um modo geral, os vampiros em si estão indisponíveis pra exame. Com algumas pequenas exceções, o assunto deste volume não é sobre vampiros em si, e sim sobre a crença humana neles. Assim sendo, alguma metodologia se fez necessária para levar em consideração a crença humana em entidades que objetivamente não existem. O problema não é novo e a vasta literatua sobre vampiros nos favorece de duas maneiras. A primeira oferece explicações de um contexto social, isto é, a existencia dos vampiros dá às pessoas uma explicação de eventos de ooutra forma inexplicaveis (que no Ocidente moderno tentamos explicar com termos científicos) . A segunda abordagem é psicológica e explica o vampiro como existindo no cenário psíquico íntimo do indivíduo. As duas abordagens não necessáriamente se excluem. De acordo com a distribuição mundial dos vampiros, podemos afirmar que eles tem seu próprio lugar em cada cultura, um exemplo é que na América Central existe os camazots, é muito parecido com o vampiro da Europa oriental, mas, nas culturas são encontrados em situações diferentes, os camazots tinham e ainda tem estátuas suas na América Central, enquanto nenhum Europeu iria pensar em fazer estátuas para vampiros. Mas eles também tinham suas semelhanças, como o lamai, era um ser que surgiu em respostas de uma série de problemas relativos ao parto, ele caçava bebês ou crianças pequenas, de modo que seria quase o mesmo de suyar e da Lilith.

Drácula

Drácula, com certeza é o vampiro mais conhecido, mas, por que? Sua pergunta será respondida neste texto. Ele na verdade nasceu em Schassburg na Transilvânia no séc XV, para ser mais preciso foi em 1428, assumiu o posto de príncipe da Valaquia (ou Wallachia, como preferir) em 1436. Este homem era um guerreiro da igreja católica, e sua família fez um juramento a ela de combater os turcos, ele seria um herói da igreja se não fosse por ele ter executado e empalado muitos de sua religião. Por seus atos, ele era também conhecido como Vlad, O empalador. Só na noite de 24 de agosto de 1460, Vlad, O empalador, matou 20 mil pessoas, entre as quais incluiam, mulheres, velhos e crianças. Seus atos eram totalmente brutais, antes de matar sua vítima, ele a torturava enfiando uma estaca no corpo da vítima a ponto de não matar, só causar dor, amarrava os menbros em cavalos, e puxava, sem matar ainda, por fim, como golpe de misericórdia, ele enfiava uma lança no abdome do alvo, levantava-o e deixava fincado no campo de batálha. Teve um tempo de sua vida, que, Drácula ficou aprisionado pelos turcos como modo de que Vlad Dracul (seu pai), não os traísse. Durante este tempo como prisioneiro Drácula aprendeu a lingua turca, aperfeiçoou suas tecnicas de tortura e estratégias de combate, até os guardas que cuidavam de sua “estadia”com os turcos, tinham medo do pequeno Drácula, pois conheciam o que o garoto poderia fazer com seus conhecimentos. Depois que seu pai morreu decaptado em 1447, Drácula viveu com inúmeros tutores e em inúmeros lugares, aprendeu muitas linguas e todas as formas e estratégias militares dos turcos e dos católicos, conhecia todos os pontos fracos de ambos os lados. Era sempre levado por seus tutores aos campos de batalha nos tempos de guerra, assim começou seu gosto por sangue, morte e torturas. Ainda com raiva dos turcos por terem executado seu pai, queria vingança, mas a matança não parou só com os turcos, ele queria mais, assim começou a matar católicos, e foi considerado pela igreja como um monstro, após matar suas vítimas bebia seu sangue, chegou até a fazer um comentário ironico uma certa vez dizendo “eu estou enjoando do cheiro de sangue coagulado”. O castelo de Drácula, era na época, praticamente ivulnerável a ataques, diziam que neste castelo existia uma passagem secreta que passava por baixo da montanha, que ele usava para fugir quando uma investida contra seu castelo era bem sucedida, mas esta passagem nunca foi encontrada. Existe uma suposição de que Bram Stoker estudou profundamente a vida de Vlad Tepes antes de escrever seu livro, pois muitas informações estão incrivelmente exatas, como a localização de seu castelo. Depois de uma vida inteira de matança, tanto de turcos como de católicos, Vlad Tepes foi assassinado em 1476.

Relatos

Relatos de seres “vampíricos” já foram apresentados diversas vezes. Uma certa vez foi sobre Johannes Cuntius que, na noite de sua morte um gato entrou em seu quarto e arranhou seu rosto. Após o enterro, o vigoa da cidade começou a relatar ruídos estranhos vindos da casa de Cuntius todas as noites. Outras histórias estraordinárias foram relatadas de outras residências. Uma empregada, por exemplo, relatou ter ouvido alguem cavalgando em volta da casa e depois para o dentro do edifício, abalando-o violentamente. Em outras noites, Cuntius apareceu e teve encontros violentos com antigos conhecidos, amigos e membros da família. Entrou no quarto e exigiu dividir a cama com a mulher. Como outras aparições (pessoas que voltam após a morte ou depois de longa ausência), Cuntius tinha uma presença física e uma força extraordinária. Numa ocasião, relata-se que arrancou dois postes firmemente enterrados no solo. Todavia, em outras ocasiões ele aparentemente operava de forma não-cormoral – como um fantasma- e desaparecia subtamente quando era acesa uma vela em sua presença. Dizia-se que Cuntius cheirava mau e tinha extremo mau alito. Relata-se que uma vez transformou leite em sangue. Sugava as vacas até que ficassem sem sangue, numa tentativa de chamar a atenção, não somente de sua esposa mas como também de diversas mulheres de sua cidade. Uma pessoa a qual tocou disse que sua mão era fria como o gelo. Diversos buracos dando para o local de seu caixão apareceram ao lado do túmulo. Os buracos foram preenchidos, mas reapareceram na noite seguinte. Os moradores da cidade, incapases de encontrar uma solução para essas ocorrências, resolveram finalmente verificar o cemitério, cavaram diversos túmulos. Todos os corpos estavam em adiantado seu estado de decomposição, menos o de Cuntius. Embora já estivesse enterrado a seis meses, seu corpo ainda estava macio e flexivel. Puseram um bastão na mão do morto e ele o agarrou. Cortaram o corpo e o sangue espirrou. Foi convocada uma audiência judicial formal, sendo pronunciado um julgamento contra o cadáver. Foram dadas ordens para que o corpo fosse queimado. Como este demorou a queimar, o corpo foi cortado em pedacinhos, o executor relatou que o sangue estava fresco e puro. Após a cremação, a figura de Cuntius nunca mais foi vista.

Lilith

Lilith, uma das figuras mais famosas do folclore hebreu, originou-se de um espírito malígno tempestuoso e mais tarde se tornou identificada com a noite. Fazia parte de um grupo de espíritos malígnos demoníacos dos americanos que incluíam Lillu, Ardat Lili, e Irdu Lili. Apareceu no Gilgamesh Epic babilônico (aproximadamente 2000 a.C) como uma prostituta vampira que era incapás de procriar e cujos seios estavam secos. Foi retratada como uma linda jovem com pés de coruja (indicativos de sua vida notívaga). No Gilgamesh Epic, Lilith foge de casa perto do rio Eufrates e se estabeleceu no deserto. Nesse sentido, mereceu um lugar na bíblia hebráica )velho testamento critão). Isaías, ao sdescrever a vingança de Deus, durante a qual a Terra foi transformada num deserto, proclamou isso como sinal da desolação: “Lilith repousará lá e encontrará seu local de descanso” (Isaías 34:14). Lilith reapareceu no Talmude , onde uma história mais interessante é contada, onde ela é como a mulher do bíblico Adão. Tiveram um desentendimento sobre quem ficaria na posição dominante durante as relações sexuais. Quando Adão insistiu em ficar por cima, Lilith usou seus conhecimentos magicos para voar até o Mar Vermelho, o lar dos espíritos malígnos. Conseguiu muitos amantes e teve muitos filhos, chamados lilin. Lá encontrou-se com três anjos enviados por Deus – Senoy, Sansenoy e Semangelof – com os quais fez um trato. Alegou ter poderres vampíricos sobre os bebês, mas concordou ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos. Uma vez mais atraída a Adão, Lilith retornou para assombrá-lo. Depois que ele e Eva (sua segunda mulher) foram explusos do jardim de Éden, Lilith e suas asseclas, todas na forma incubus/succubus, os atacaram, fazendo assim com que Adão procriasse muitos espíritos malígnos e Eva mais ainda. Dessa lenda, Lilith veio a ser considerada na tradição hebraica muito mais uma succubus do que uma vampira.

Kali

Kali, uma das mais importantes divindades da mitologia na Índia, era conhecida, entre outras características, pela sua sede de sangue. Kali apareceu pela primeira vez nos escritos indianos por volta do Séc VI em invocações pedindo ajuda nas guerras. Nestes primeiros textos foi descrita como tendo presas, usando uma guirlanda de cadáveres e morando no local de cremações, diverss séculos mais tarde no Bhagavat-purana, ela e seus seguidores, os dakinis, avançaram sobre um bando de ladrões, decapitaram-nos, embeberam-se em seu sangue e divertiram-se num jogo de atirar as cabeças de um lado para o outro. Outros escritos registram que seus templos deveriam ser construídos longe das vilas e perto dos locais de cremação. Kali fez sua aparição mais famosa no Devi-mahatmya, onde se juntou à deusa Durga para lutar contra o espírito demoníaco Raktabija, que tinha a habilidade de se reproduzir com cada gota de sangue derramado; assim, ao lutar contra ele, Durga se viu suberpujada pelos clones de Raktabija. Kali resgatou Durga ao vampirizar Raktabija e ao comer suas duplicatas. Kali foi vista por alguns como o aspécto irado de Durga. Kali também apareceu como consorte do deus Siva. Eganjaram-se numa dança feroz. Pictoricamente, Kali geralmente era vista sobre o corpo de Siva numa posição dominante enquanto se enganjavam em relações sexuais. Kali tinha um relacionamento ambíguo com o mundo. Por um lado, destruía espíritos malígnos e estabelecia ordem, por outro, servia como representante das forças que ameaçavam a ordem social e a estabilidade por sua embriagues de sangue.

Por Keld

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-dos-vampiros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-dos-vampiros/

Dia do Médico

Coronis, filha do lápita Flégias e irmã de Íxion, foi amada por Apolo e esperava um filho dele. Antes de dar à luz, no entanto, teve uma aventura com Ísquis, um simples mortal. Apolo encolerizou-se ao saber da traição e pediu à irmã, Ártemis, que matasse a amante infiel com uma flecha. Apiedou-se, no entanto, da criança, e retirou-a do ventre da mãe antes que as chamas da pira funerária a consumissem. O menino, Asclépio, foi então levado ao centauro Quíron para ser educado.

Asclépio aprendeu rapidamente a medicina e tornou-se capaz de curar praticamente todas as doenças e traumas. Depois de algum tempo começou a ressuscitar os mortos, e aí Hades foi se queixar a Zeus, pois seu reino estava ficando vazio. Para que a ordem natural das coisas não fosse conturbada, Zeus fulminou Asclépio com um raio, mas em reconhecimento de seus méritos recebeu-o entre as divindades.

Com o tempo, Asclépio tornou-se popular e passou a ser cultuado em muitos lugares como deus da Medicina e muitos de seus templos estavam associados à cura de doenças. destes, o mais importante com certeza foi o Centro de Epidauro no Peloponeso.

#Festividade #Mitologia

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