O Necronomicon e a Antiga Magia Árabe

Os relatos de HPL do Necronomicon fornecem um número de paralelos dramáticos com mitos árabes verdadeiros e técnicas mágicas (Magick). Estes paralelos são muito específicos e detalhados para serem considerados um caso de coincidência. Muito do material nesta seção NÃO estava disponível em livros publicados em inglês antes de 1930. Isso parece significar que ou a informação foi dada à Lovecraft por alguém iniciado em tradições mágicas árabes ou Lovecraft tinha uma fonte escrita de informação sobre mitos e magia árabes não publicamente disponível. A segunda opção é um tanto plausível já que Lovecraft era um bibliófilo extraordinariamente erudito que amava mitologia árabe quando jovem.

Lovecraft quase que certamente tinha um livro não publicado, provavelmente raro, sobre mitos e magia árabes. Esta é a explicação mais econômica de como informações TÃO OBSCURAS sobre magia árabe podem ter aparecido em suas histórias. Lovecraft provavelmente possuiu um livro muito parecido com o Al Azif (Necronomicon) em conteúdo se não no título. Para algumas pessoas isto pode soar uma declaração difícil de se aceitar sem provas. Eu sou este tipo de pessoa. O motivo de eu estar fazendo esta declaração é porque eu sinto que é bem comprovada. Eu espero que você tenha esse sentimento quando terminar de ler este texto. Eu vou agora detalhar algumas destas raras informações, referidas acima, que conectam os relatos de HPL do Necronomicon e seus mitos com tradições místicas árabes reais.

HPL escreveu que o Necronomicon foi escrito por Abdul Alhazred, que era chamado de “Poeta Louco”. Alhazred visitou a cidade perdida “Irem dos Pilares” (o centro ou o culto de Cthulhu) e lá encontrou muitas coisas estranhas e mágicas. Lovecraft localizou Irem em Rub al Khali. Quando velho, Alhazred registrou o que ele lembrava em seu livro de poesia “Al Azif” (depois renomeado como Necronomicon).

Irem é muito importante para a magia árabe. “Irem Zhat al Imad” (Irem dos Pilares) é o nome da cidade em árabe. É popularmente acreditado pelos árabes que Irem foi construída pelo Jinn sob a direção de Shaddad, Senhor da tribo de Ad. A tribo de Ad, de acordo com a lenda, foi uma raça aproximadamente equivalente aos “Nefilins” (gigantes) hebraicos. Em uma versão deste mito Shaddad e o Jinn construíram Irem antes da época de Adão. Os Muqarribun (magos árabes) tem crenças importantes a respeito de Irem e seu significado. Os Muqarribun, cujas tradições pré-datam o Islamismo, acreditam que Irem é um local em outro nível de realidade, em vez de um lugar físico como Nova York ou Tóquio. (Porquê Irem é tão importante para os Muqarribun e como eles a usam será melhor explicado logo). Os pilares em “Irem dos Pilares” têm um significado secreto. Entre os místicos árabes, “pilar” é um nome-código para “ancião” ou “antigo”. Deste modo “Irem dos Pilares” é na verdade “Irem dos Antigos” (é digno de nota que vários estudiosos de Lovecraft erroneamente afirmam que HPL criou Irem, assim como dizem que ele criou o Necronomicon, como parte de sua ficção).

Nas lendas árabes, Irem está localizado em Rub al Khali assim como HPL disse que estaria. Para os Muqarribun, o Rub al Khali tem um significado “secreto” (incidentemente a arte de codificar e decodificar significados “secretos” na escrita árabe mística ou mágica é chamada de Tawil). Rub al Khali se traduz como “Quarteirão VAZIO”. Neste caso “Vazio” se refere à VAZIO como em AIN nas tradições cabalísticas. Rub al Khali é a porta “secreta” para o Vazio nas tradições mágicas árabes. É o exato equivalente árabe para DAATH na Cabala. Para os Muqarribun, o Rub al Khali é o portal (Daath) secreto para o Vazio (Ain) no qual se encontra a “cidade dos Antigos”. Isto é incrivelmente próximo de Lovecraft, que fez muitas referencias a um portal de conexão com os “Antigos”. Mais, Lovecraft, afirma que os Antigos vieram do Exterior (outra dimensão de realidade) e os ligou ao “vazio infinito”. Ao fazer essas afirmações a respeito dos “Antigos” e conectá-los ao Irem e ao Rub al Khali penetrou na justa essência de uma quase desconhecida (porém importante) área da antiga magia árabe. O que faz disso ainda mais interessante é que não há forma de saber sobre o significado “secreto” de Irem, a não ser que você faça alguma pesquisa séria sobre tradições místicas e mágicas árabes.

Desta forma Lovecraft ou fez uma das suposições mais sortudas da história ou de fato fez alguma pesquisa sobre os aspectos mais profundos das tradições mágicas dos Muqarribun (pelo que eu saiba não havia nenhum livro publicamente disponível com esta informação na época de Lovecraft). O “Rub al Khali” (não o deserto físico, mas o equivalente árabe de Daath) foi penetrado em um estado alterado de consciência pelos Muqarribun. Irem representa aquela parte do “Quarteirão Vazio” que age como uma conexão para O Vazio. É desse lugar (Irem) que a comunhão com o Vazio e no que ele habita acontece. Os “monstros da morte” e espíritos protetores que Lovecraft menciona são os Jinns (veja abaixo). O Muqarribun pode interagir com essas entidades quando ele está no “Rub al Khali” ou “Irem”. Quando o Muqarribun passa através de Irem para o Vazio ele alcança a Aniquilação (fana). Aniquilação é a suprema realização nos misticismos Sufi e Muqarribun. Durante a Aniquilação, o ser inteiro do mago é devorado e absorvido para dentro do Vazio. O “eu” ou a “alma” (nafs i ammara) é totalmente e completamente destruída no processo. Essa é provavelmente a fonte de histórias à respeito de demônios comedores de alma (associados à Irem) nas lendas árabes. Isso deve ser comparado à Lovecraft em “Through the Gates of the Silver Key” no qual Irem é um tipo de portal para o Exterior. Uma comparação próxima desta história com as idéias dos Muqarribun, discutidas acima, mostrará novamente que HPL tinha um conhecimento de magia árabe não disponível publicamente. Agora vamos considerar o título designado à Alhazred. HPL escreveu que o título de Alhazred era “Poeta Louco”. “Louco” é normalmente escrito como “majnun” em árabe. Majnun significa “louco” atualmente. Entretanto, no século oitavo (época de Alhazred) significava “Possuído por Jinn”. Ser chamado de Louco ou Possuído por Demônios era altamente ofensivo para um muçulmano ortodoxo. Os Sufis e os Muqarribun consideravam “Majnun” um título lisonjeiro. Eles até chegavam a ponto de chamar certos heróis Sufi de “Majnun”.

Os Jinns eram criaturas poderosas dos mitos árabes. Os Jinns, de acordo com a lenda, desceu do paraíso (o céu) antes do tempo de Adão. Portanto, eles existiram antes da humanidade e conseqüentemente são chamados de “Pré-adamitas”. “Pagãos gentios” veneravam estes incrivelmente poderosos seres. Os Jinns podem “gerar filhos com a humanidade”. Os Jinns são comumente invisíveis aos homens normais. Eles aparentemente querem grande influência na Terra. Muita da magia praticada concerne os Jinns (feitiços para se proteger deles, ou feitiços para chamá-los). Os Jinns são deste modo virtualmente idênticos aos Antigos de Lovecraft. Vamos analisar o título “Poeta Louco” um pouco mais. Os Jinns inspiram poetas nos mitos árabes populares. Por isso que Maomé foi tão veemente em negar que ele era um poeta. Ele queria sua revelação fosse compreendida como vinda de “Deus” e não dos Jinns. Então o título “Poeta Louco” indica que Alhazred fez “Contato” com os Jinns (Os Antigos).

Isso também sugere que seus escritos foram diretamente inspirados por eles. Isso é inteiramente consistente com o que Lovecraft escreveu sobre Alhazred. Qualquer um que não está familiarizado com magia e misticismo árabes não poderia saber o significado de “O Poeta Louco” em árabe. Isso de novo parece indicar que Lovecraft provavelmente teve uma fonte de informações raras sobre magia árabe. Lovecraft escreveu que o Necronomicon de Alhazred era um livro de poesia originalmente intitulado “Al Azif”. Isto também mostra uma conexão profunda com magia e misticismo árabes que não seriam aparentes à alguém não familiarizado com estes assuntos. Al Azif traduzido é “o livro dos uivos dos Jinns”. Este título é notavelmente consistente com o significado de “Poeta Louco” em árabe (Aquele Possuído pelos Jinn e Cujas Escritas São Inspiradas Pelos Jinns). É também importante que o Al Azif foi dito ser escrito em verso poético. O Necronomicon (Al Azif) dizia a respeito de assuntos religio-mágicos e místicos. Quase todos o livros em árabe sobre religião ou misticismo foram escritos como poemas. Isso inclui trabalhos ortodoxos (como o Alcorão) assim como escritos Sufistas e Muqarribun. O nome Cthulhu provê um paralelo importante e fascinante com a prática mágica árabe. Cthulhu é muito parecido com a palavra árabe Khadhulu (também soletrada “al quadhulu”). Khadhulu (al qhadhulu) é traduzido como “Desertor” ou “Abandonador”. Muitos Sufis e Muqarribun fazem uso deste termo (Abandonador). Em escritos Sufistas e Muqarribun, abandonador refere ao poder que estimula as práticas de Tajrid “separação externa” e Tafrid “solidão interior”. Tajrid e Tafrid são formas de “yoga” mental, usados em sistemas árabes de magia, para ajudar o mago a livrá-lo (abandonar) da programação imposta por sua cultura. Nos textos Muqarribun, Khadhulu é o poder que faz as práticas do Tafrid e Tajrid possíveis para o mago. Apesar de eu estar familiarizado com o uso de “abandonador” nos escritos árabes místicos e mágicos, eu não sabia que (até dois anos atrás) que Khadhulu aparece no Alcorão. Eu devo o conhecimento de que Khadhullu aparece no Alcorão à William Hamblin. No Alcorão, cápitulo 25 verso 29 (“Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!”), está escrito. “Humanidade, Shaitan é Khadhulu”. Este verso tem duas interpretações ortodoxas.

A primeira é que Shaitan vai abandonar os homens. A outra interpretação ortodoxa é que Shaitan causa os homens à abandonarem o “caminho correto do Islão” e aos “bons” costumes de seus ancestrais. O muçulmano ortodoxo veria esquecer a cultura Islâmica como algo pecaminoso e afrontoso. Entretanto, os Muqarribun e os Sufis, como já discutido, sentem que abandonar sua cultura é vital para o crescimento espiritual. A identificação de Shaitan da tradição Islâmica é muito importante. No tempo em que Maomé escrevia, Shaitan era chamado de “a Velha Serpente (dragão)” e o “Senhor das Profundezas”. A Velha Serpente ou Velho Dragão é, de acordo com especialistas como E.A. Budge e S.N. Kramer, Leviatã. Leviatã é Lotan. Lotan é ligado até Tietan. Tietan, como nos é falado pelas autoridades em mitologia do Antigo Oriente, é uma forma tardia de Tiamat. De acordo com especialistas o Dragão das Profundezas chamado Shaitan é o mesmo Dragão das Profundezas chamado Tiamat. Estudiosos especializados em mitologia do Antigo Oriente já declararam isso dessa vez e novamente. Porque isso é importante? Sua importância jaz no fato de que HPL descreveu Cthulhu como uma criatura draconiana e que está dormindo nas profundezas (oceano). Leviatã/Tiamat é também falado estar dormindo ou hibernando. A identificação de Shaitan, o Senhor Dragão das Profundezas, com Khadhulu no Alcorão é deste modo um paralelo muito fascinante com Lovecraft. A conexão de o “Abandonador” com o Dragão é um tanto fortalecido por uma linha do “Book of Anihilation”, um texto em árabe sobre magia. Esta linha traduz “o dragão é um abandonador pois ele abandona tudo que é sagrado. O dragão vai para lá e para cá sem pausa.” Enquanto esta linha é obviamente simbólica (provavelmente se refere à prática do Tafrid) ela de fato serve para estabelecer uma conexão entre o mito do Dragão do Antigo Oriente e Khadhulu na magia árabe. O antigo dragão das profundezas (Tiamat) tem origens que chegam até à Suméria. Suméria foi a mais antiga civilização que se saiba ter existido.

Se Khadhulu do misticismo árabe é sinônimo do Dragão da mitologia (cuja evidência sugere que possa ter sido) então Khadhulu foi venerado por um longo tempo. O numerosos paralelos entre Cthulhu e Khadhulu dos Muqarribun são fortes o bastante para sugerir que Lovecraft expandiu-se nos mitos árabes para criar sua divindade Cthulhu. Existem outras informações interessantes relacionadas ao Dragão das Profundezas (que se originou na Suméria) e Khadhulu. Esta informação possivelmente é uma simples coincidência. Por outro lado, pode não ser coincidência; simplesmente não há como confirmar ainda. É sobre um dos títulos do Dragão, nomeado Senhor das Profundezas. O título Senhor das Profundezas traduzido para o sumério é “Kutulu”. Kutu significa “Submundo” ou “Profundezas” e Lu é sumério para “Senhor” ou “Pessoa de Importância”. Vamos considerar isto por um momento: o Kutulu sumério é bem similar ao Khadhulu em árabe. Khadulu é associado com o Dragão em textos mágicos árabes.

Khadhulu também é identificado com o Antigo Dragão (Shaitan) no Alcorão. Um dos títulos deste Dragão (Senhor das Profundezas) é Kutulu em sumério. A palavra Kutu (“profundezas” ou “abismo”) é conectada com o dragão da mitologia suméria. De fato, o governante das Profundezas (kutu) na Suméria era o Antigo Dragão Mumu-Tiamat. Existe, como deve parecer, um bocado de conexão aqui e talvez isso indique que Kutulu e Khadhulu estejam na mesma categoria. Eu fiquei ciente pela primeira vez da similaridade “Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!” de Cthulhu e “Kutulu” lendo uma publicação de L.K. Barnes. Eu estava um pouco cético no começo, mas não descartei a informação. Em vez disso, eu pesquisei até eu conseguir confirmar todas as informações acima, relacionadas á palavra Kutulu. O fato de que a informação acima sobre Kutulu é exata e bastante sugestiva não PROVA nada. Isso, entretanto, por via de regra APÓIA a idéia que Kutulu /Khadhulu fez parte das tradições mágicas do Antigo Oriente por um longo tempo. A única coisa que poderia ser aceita como prova seria a descoberta, em um texto sumério, de uma menção direta do nome ou palavra Kutulu no contexto discutido. Até onde eu saiba, isso ainda não aconteceu. Até que aconteça (se acontecer) a equivalência Kutulu/Khadhulu terá que permanecer como tentativa.

Vamos examinar melhor o material sobre magia árabe.

Eu acredito isso leva a uma conclusão. Lovecraft tinha acesso à material raro sobre magia e mitos árabes. Ignorando a possível equivalência coincidente de Kutulu e Khadhulu, ainda existem evidências esmagadoras que sustentam essa proposta. Lovecraft empregou Irem de uma maneira que forma paralelos com o modo como os Muqarribun a empregavam antes desta informação estar geralmente disponível. O Rub al Khali (Roba al Khalye) é de verdadeira importância para os Muqarribun. Os Jinns são as exatas parelhas dos “Antigos”. A descrição de Lovecraft de Alhazred é BEM consistente com o significado árabe de “Poeta Louco” mesmo isso sendo geralmente desconhecido nos anos 1930. O Al Azif (o uivado dos Jinns) é obviamente relacionado ao título de Alhazred: “Aquele que é Possuído pelos Jinns e Cujos Escritos São Inspirados Pelos Jinns”. Al Azif sendo um livro de poesia é consistente com o fato de que quase todo escrito árabe místico ou profético eram poesias. A associação de Khadhulu com o adormecido Dragão das Profundezas é MUITO próxima do Cthulhu e Lovecraft que se deita Sonhando nas Profundezas (oceano). Até aonde eu sei, não havia nada disponível (impresso) sobre Khadhulu em inglês nos anos 1930. Tudo isso parece indicar que Lovecraft tinha uma fonte de informação sobre magia e mitos árabes não comumente acessível.

Parece que HPL se expandiu nesse material, dessa fonte, em sua ficção. Por favor, note que isso de jeito algum diminui sua considerável criatividade. As histórias de HPL são ótimas não por causa de poucos elementos isolados mas por causa do modo como Lovecraft pode juntar pedaços individuais em um só. Em adição do material acima, existem numerosas outras instâncias em que Lovecraft apropria-se das mitologias Árabe e do Antigo Oriente. Lovecraft provavelmente se expandiu sobre mitos Árabes e orientais quando criou seus Profundos e Dagon. Mitos árabes mencionam misteriosos homens-peixe vindos do mar de Karkar. Estes homens-peixe são provavelmente derivados dos mitos relacionados com o real deus do Antigo Oriente, Dagon. Dagon é a divindade filistina que se apresenta como um gigante homem-peixe. Dagon é a versão posterior do Oannes babilônio. Oannes (Dagon) era o dirigente de um grupo de homens-peixe divinos. O zoótipo do homem-peixe ainda tem um grande papel em alguns sistemas mágicos. Claramente Dagon e os Profundos são expansões diretas das mitologias Árabe e orientais que eram familiares à Lovecraft.

O Ghoul é outro óbvio exemplo de mitologia árabe inserida na ficção de Lovecraft. O Ghoul é derivado do Ghul árabe. O Ghul é uma criatura humanóide com traços faciais monstruosos. Habitam lugares desertos e desolados como cemitérios. Os Ghuls que habitam cemitérios se banqueteiam de cadáveres do local. Isso obviamente é a fonte dos Ghouls de Lovecraft. Até este dia o Ghoul comedor de cadáveres tem um papel dinstinto em práticas mágicas dos Árabes e outros.

A Cabra Negra dos Bosques com Mil Jovens pode ser traçada até o antigo Egito e Suméria. Enquanto tanto Egito como Suméria tiveram cultos à bodes, provavelmente a versão egípcia foi a mais influente. A então chamada Cabra de Mendes era uma encarnação “negra” de Asar. O culto era baseado na fertilidade. Aspectos destes cultos caprinos foram absorvidos por sistemas mágicos árabes. Por exemplo, a tribo Aniz era designada como a Cabra Anz. (Anz e Aniz são cognatos). Os Aniz eram chamados de Cabra porque seu fundador praticava magia baseada na fertilidade. O Símbolo deste culto é uma tocha entre dois chifres de Cabra. Este símbolo se torno importante para tradições mágicas ocidentais.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/o-necronomicon-e-a-antiga-magia-arabe/

9 Verdades e 1 Mentira sobre Seitas

Aquele sorriso amigável, aquela promessa de uma vida melhor, o sonho de, enfim, estar em paz com o Deus Todo Poderoso… Essa ânsia humana em ser feliz faz com que procuremos respostas, e nessa busca, nos submetamos às mais diversas situações, sem nos darmos conta em que “furada” nos enfiamos. De grupos evangélicos a pseudo-feministas, de justiceiros sociais a neonazistas bolsomitos, todos estes grupos seguem a cartilha das Qlipoth; as cascas da Árvore da Morte.

Abaixo, algumas dicas. Daí, você responde: você está envolvido em uma seita?

Descubra quais afirmações são verdadeiras e qual é a falsa!

CONTROLE DE PENSAMENTO – Não é permitido ler material ou falar com pessoas que tenham ideias contrárias às do grupo. Em alguns casos, a vítima é geograficamente isolada da família e dos amigos. Podem atacar membros do grupo que falem com pessoas que tenham idéias diferentes ao grupo e nunca escutam opiniões divergentes.

HIERARQUIA RÍGIDA – São criados modos uniformizados de agir e pensar, desenvolvidos para parecer espontâneos. A vítima é convencida da autoridade absoluta e do caráter especial- às vezes, sobrenatural – do líder empoderado. São criados modelos de pensamento no qual todos os membros do grupo devem copiar.

MUNDO DIVIDIDO – O mundo é dividido entre “bons”(o grupo) e “maus”(todo o resto). Não existe meio-termo. É preciso se policiar e ser policiado para agir de acordo com o padrão de comportamento “ideal”. É preciso engolir todo o “pacote”. Não é possível concordar com algumas partes e discordar de outras. Ou você aceita tudo, ou faz parte do “lado mau”.

DELAÇÃO PREMIADA – Qualquer atitude errada, ainda que cometida em pensamento, deve ser reportada ao líder. Também se deve delatar os erros alheios. Isso acaba com o senso de privacidade e fortalece o líder empoderado . Deve-se criar maneiras de expor e atacar qualquer pessoa que pense de maneira diferente.

OCUPAÇÃO – O grupo tenta interferir e ocupar todo e qualquer espaço disponível, mesmo fora de sua alçada. Atacar e destruir qualquer tipo de pensamento diferente é a regra em todas as instâncias.

VERDADE VERDADEIRA – O grupo explica o mundo com regras próprias, vistas como cientificamente verdadeiras e inquestionáveis. A vítima acredita que sua doutrina é a única que oferece respostas válidas para tudo e todos e não aceita nada que não venha de seus líderes. Mesmo quando os líderes são presos ou desmascarados, continuam pregando que a culpa é da “mídia do mau” e dos “inimigos” do grupo e que os líderes são inquestionáveis em sua lacração.

CÓDIGO SECRETO – O grupo cria termos próprios para se referir à realidade, muitas vezes incompreensíveis e sem sentido para as pessoas de fora. Uma linguagem muito específica ajuda a controlar os pensamentos e as ideias dos escravos do grupo.

MEU MUNDO E NADA MAIS – O grupo passa a ser a coisa mais importante – se bobear, a única, na vida da pessoa. Nenhum compromisso, plano ou sonho fora daquele ambiente é justificável. A vítima se sente presa, pois não pode imaginar uma vida completa e feliz fora do grupo. Isso pode ser usado por políticos e militares para justificar execuções ou por grupos menores para justificar linchamentos virtuais sem provas ou acusações mentirosas e boatos. Tudo é válido contra os “inimigos”.

INCOERÊNCIA – Muitos dos líderes do grupo fazem o oposto do que pregam. Se pregam a paz, atacam viciosamente quem se opõe a eles, se pregam castidade, geralmente são pegos em condutas inapropriadas, se dizem lutar contra o racismo, são pegos cometendo atrocidades contra pessoas de raças diferentes, tudo justificado pelos dogmas da seita

A TERRA É PLANA – e o homem nunca pisou na lua, que também é plana.

Adaptado de um texto que saiu publicado na Superinteressante (março/2009)

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/9-verdades-e-1-mentira-sobre-seitas

Ensinamento Autorizado

(Ensinamento Adequado)

[…] no céu […] dentro dele […] qualquer um aparecer […] os céus escondidos […] aparecerem, e antes dos aeons invisíveis e inefáveis aparecerem. Destes, a alma invisível de honradez surgiu, sendo um membro companheiro, e um corpo companheiro, e um espírito companheiro. Esteja ela descendo, ou no Pleroma, ela não está separada deles, mas eles a veem e ela olha para eles no mundo invisível.

Secretamente o noivo dela mandou vir. Ele apresentou para a boca dela para fazê-la comer como alimento, e ele aplicou a palavra nos olhos dela como um remédio para fazê-la ver com a mente dela, e perceber o parente dela, e aprender sobre a raiz dela, para que ela possa se agarrar ao ramo dela, do qual ela veio no princípio, para que ela possa receber o que é dela e renunciar a matéria.

[…] ele [habitou…] tendo […] filhos. Os filhos […] verdadeiramente, aqueles que vieram da semente dele, chamam os filhos da mulher de “nossos irmãos”. Deste mesmo modo, quando a alma espiritual foi lançada dentro do corpo, ele se tornou um irmão da lascívia e do ódio e da inveja, e uma alma material. Então, portanto, o corpo veio da lascívia, e lascívia veio da substância material. Por esta razão a alma se tornou um irmão deles.

E por hora eles são estranhos, sem poder de herdar do Pai, mas eles herdarão apenas da mãe deles. Então, quando quer que a alma deseje herdar junto com os estranhos – pois as posses dos estranhos são paixões orgulhosas, os prazeres da vida, invejas detestáveis, coisas vangloriosas, coisas absurdas, acusações […] por ela […] prostituição, ele a exclui e coloca ela dentro de um bordel. Pois […] devassidão para ela. Ela deixou a modéstia para trás. Pois a morte e a vida são colocadas diante de cada um. Quaisquer desses que eles desejarem, portanto, eles escolherão para si mesmos.

Aquela então irá cair em bebedeira de muito vinho em devassidão. Pois vinho é o depravador. Por isso ela não se lembra dos irmãos dela e do pai dela, pois prazer e proveitos doces iludem ela.

Tendo deixado a sabedoria para trás, ela caiu em bestialidade. Pois uma pessoa insensata existe em bestialidade, desconhecendo o que é correto dizer e o que é correto não dizer. Mas, por outro lado, o filho gentil herda do pai dele com prazer, enquanto o pai dele se alegra por ele, porque ele recebe honra a respeito dele de todos, ao que ele olha de novo por um meio de duplicar as coisas que ele recebeu. Pois os estranhos […].

[…] para misturar com o […]. Pois se um intento de sensualidade entra em um homem virgem, ele já se tornou contaminado. E a voracidade deles é incompatível com a prudência. Pois se o joio se mistura com o trigo, não é o joio que fica contaminado, mas o trigo. Pois já que eles estão misturados um com o outro, ninguém comprará o trigo dele, porque está contaminado. Mas eles irão levá-lo na conversa, “Dê-nos este joio!”, vendo que o trigo está misturado com ele, até que eles consigam e joguem junto com todo o outro joio, e o trigo se misture com todos os outros materiais. Mas uma semente pura é mantida em armazéns que são seguros. Sobre todas estas coisas, portanto, nós conversamos.

E antes de qualquer coisa surgir, era o Pai somente quem existia, antes dos reinos que estão nos céus aparecerem, ou os reinos que estão na terra, ou poder supremo, ou autoridade, ou os poderes. […] aparecer […] e […] E nada surgiu sem o desejo dele.

Ele, então, o Pai, desejando revelar sua abundância e sua glória, realizou esta grande competição neste mundo, desejando fazer os competidores aparecerem, e fazer todos aqueles que contendem deixarem para trás as coisas que surgiram, e desprezarem-nas com uma sabedoria imponente e incompreensível, e fugirem para Aquele Que Existe.

E (quanto) àqueles que disputam conosco, sendo adversários que disputam contra nós, nós seremos vitoriosos sobre a ignorância deles através da nossa sabedoria, já que nós já conhecemos O Inescrutável de quem nós viemos. Nós não temos nada neste mundo, a fim de que a autoridade do universo que surgiu não nos detenha nos domínios que estão nos céus, aqueles nos quais a morte universal existe, rodeada pelo individual […] mundano. Nós também nos tornamos envergonhados dos seres do mundo, embora nós não nos interessamos por eles quando eles nos maldizem. E nós ignoramos eles quando eles nos xingam. Quando eles jogam vergonha na nossa face, nós olhamos para eles e não falamos.

Porque eles trabalham nos assuntos deles, mas nós prosseguimos com fome e com sede, ansiando pela nossa morada, o lugar que a nossa conduta e a nossa consciência almeja, não nos prendendo às coisas que surgiram, mas nos afastando delas. Nossos corações estão determinados nas coisas que (realmente) existem, embora estejamos doentes (e) fracos (e) em dor. Mas há uma grande força escondida dentro de nós.

Nossa alma está de fato doente porque ela habita numa casa de pobreza, enquanto a matéria golpeia a vista dela, desejando cegá-la. Por esta razão ela procura a palavra e a aplica nos olhos dela como um remédio (abrindo) eles, livrando-se completamente […] pensamento de um […] cegueira em […] posteriormente, quando aquele está novamente na ignorância, ele é completamente escurecido e é material. Deste modo a alma […] uma palavra a cada hora, para aplicá-la nos olhos dela como um remédio para que ela possa enxergar, e a luz dela possa calar as forças hostis que lutam com ela, e ela possa cegá-las com a luz dela, e cercá-las na presença dela, e fazê-las cair em insônia, e ela possa agir bravamente com a força e com o cetro dela.

Enquanto os inimigos dela em desonra olham para ela, ela corre para cima adentro da sua casa de fortuna – aquela na qual a mente dela está – e dentro do seu armazém que é seguro, já que nada dentre as coisas que surgiram capturou ela, tampouco ela recebeu um estranho dentro da casa dela. Pois muitos são os que nasceram na casa dela que lutam contra ela de dia e de noite, não tendo descanso de dia nem de noite, pois a lascívia deles os oprime.

Por esta razão, então, nós não dormimos, nem nos esquecemos das redes que estão estendidas e escondidas, esperando sorrateiramente por nós para capturar-nos. Pois se nós somos capturados por uma única rede, ela irá nos sugar para baixo adentro de sua boca, enquanto a água transborda sobre nós, batendo em nossa face. E nós seremos levados para baixo, dentro da rede varredoura, e nós não seremos capazes de emergir dela, porque as águas estão altas sobre nós, fluindo de cima para baixo, submergindo nosso coração dentro da lama imunda. E nós não seremos capazes de escapar deles. Pois devoradores de homens irão nos capturar e nos engolir, se alegrando como um pescador jogando um anzol dentro da água. Pois ele lança muitos tipos de comida dentro da água porque cada um dos peixes tem o seu próprio alimento. Ele sente o cheiro e segue o odor. Mas quando ele come, o anzol escondido dentro da comida fisga ele e puxa ele para cima com força para fora das águas profundas. Nenhum homem é capaz, portanto, de pegar esse peixe dentro das águas profundas, exceto pela armadilha que o pescador faz. Pelo artifício da comida ele trouxe o peixe para cima no anzol.

Deste mesmo modo nós existimos neste mundo, como peixes. O adversário nos espia, esperando sorrateiramente por nós como um pescador, desejando capturar-nos, se alegrando que ele possa nos engolir. Pois ele coloca muitas comidas diante dos nossos olhos, (coisas) que pertencem a este mundo. Ele deseja fazer com que nós queiramos uma delas e provemos só um pouco, para que ele possa nos capturar com seu veneno escondido e levar-nos para fora da liberdade e para dentro da escravidão. Pois quando quer que ele nos pegue com uma única comida, é de fato necessário que desejemos o resto. Finalmente, então, tais coisas se tornam a comida da morte.

Agora estas são as comidas com as quais o demônio tenta nos emboscar. Primeiro ele injeta uma dor no seu coração até que você tenha angústia por uma coisa pequena desta vida, e ele te captura com os venenos dele. E em seguida ele injeta o desejo por uma túnica, para que você se vanglorie dentro dela, e amor por dinheiro, orgulho, vaidade, inveja que rivaliza outra inveja, beleza do corpo, fraudulência. As maiores de todas elas são ignorância e despreocupação.

Agora todas estas coisas o adversário prepara graciosamente e espalha diante do corpo, desejando fazer a mente da alma incliná-la para uma delas e oprimi-la, como um anzol, atraindo ela pela força para a ignorância, enganando ela até que ela conceba o mal, e gere fruto da matéria, e conduza a si mesma na impureza, procurando muitos desejos, cobiça, enquanto prazeres carnais a atraem para a ignorância.

Mas a alma – ela que provou destas coisas – percebeu que as paixões doces são transitórias. Ela aprendeu sobre o mal; ela abandonou eles e entrou numa nova conduta. Subsequentemente ela despreza esta vida, porque é transitória. E ela procura pelas comidas que lhe trarão para a vida eterna, e deixa para trás de si aquelas comidas enganosas. E ela aprende sobre a luz dela, ao que ela vai se despindo deste mundo, enquanto a vestimenta verdadeira dela veste-a por dentro, (e) a roupa nupcial dela é colocada sobre ela em beleza da mente, não em orgulho da carne. E ela aprende sobre a profundidade dela e corre para dentro de seu envoltório, enquanto o pastor dela espera na porta. Em recompensa por toda a vergonha e escárnio, então, que ela recebeu neste mundo, ela recebe dez mil vezes em graça e glória.

Ela devolveu o corpo para aqueles que o haviam dado para ela, e eles se envergonharam, enquanto os negociantes de corpos sentaram e choraram porque eles não foram capazes de fazer qualquer negócio com aquele corpo, nem eles encontraram qualquer outro produto exceto ele. Eles aturaram grandes trabalhos até terem formado o corpo e sua alma, desejando derrubar a alma invisível. Eles ficaram, portanto, envergonhados do trabalho deles; eles sofreram a perda daquele pelo qual eles aturaram trabalhos. Eles não perceberam que ela tem um corpo espiritual invisível, achando, “Nós somos o pastor dela que a alimenta.” Mas eles não perceberam que ela conhece outro caminho, que está escondido deles. Este o pastor verdadeiro dela ensinou a ela em sabedoria.

Mas estes – aqueles que são ignorantes – não buscam a Deus. Nem eles investigam sobre a morada deles, que existe em descanso, mas eles perambulam em bestialidade. Eles são mais perversos do que os pagãos, porque, em primeiro lugar, eles não investigam sobre Deus, pois a dureza do coração deles os atrai para baixo para fazerem suas crueldades. Além disso, se eles encontram outra pessoa que pergunta sobre sua salvação, a dureza do coração deles começa a trabalhar sobre aquela pessoa. E se ele não para de perguntar, eles matam ele pela crueldade deles, achando que eles fizeram uma coisa boa para si mesmos.

De fato, eles são filhos do demônio! Pois até mesmo os pagãos fazem caridade, e eles sabem que o Deus que está acima dos céus existe, o Pai do Todo, elevado acima dos ídolos deles, os quais eles veneram. Mas eles não ouviram a palavra, que eles deveriam investigar sobre os caminhos dele. Deste modo o homem insensato ouve o chamado, mas ele é ignorante a respeito do lugar ao qual ele foi chamado. E ele não perguntou durante a pregação, “Onde é o templo no qual eu devo ir e cultuar a minha esperança?”

Por causa de sua insensatez, então, ele é pior que um pagão, pois os pagãos sabem o caminho para ir até o templo de pedra deles, que irá perecer, e eles cultuam o ídolo deles, enquanto os corações deles estão determinados nele por causa da esperança deles. Mas para este homem insensato a palavra foi pregada, ensinando a ele, “Busque e investigue sobre os caminhos que você deve ir, já que não há nada tão bom quanto isto.” O resultado é que a substância da dureza do coração dá um golpe na mente dele, junto com a força da ignorância e o demônio do erro. Eles não permitem que a mente dele se eleve, porque ele estava se fatigando na busca para que ele pudesse aprender sobre sua esperança.

Mas a alma racional que também se fatigou buscando – ela aprendeu sobre Deus. Ela trabalhou investigando, suportando aflições no corpo, desgastando o pé dela atrás de evangelizadores, aprendendo sobre O Inescrutável. Ela encontrou sua ascensão. Ela veio a repousar naquele que está em repouso. Ela se reclinou na câmara nupcial. Ela comeu do banquete pelo qual ela tinha fome. Ela compartilhou do alimento imortal. Ela encontrou o que ela procurava. Ela recebeu descanso dos trabalhos dela, visto que a luz que brilha adiante sobre ela não diminui. A isto pertence a glória e o poder e a revelação para todo o sempre. Amém.

Ensinamento Autorizado.

***

Fonte:

Ensinamento Autorizado. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2018. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200220130216/http://misteriosantigos.50webs.com/ensinamento-autorizado.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/ensinamento-autorizado/

Os Espíritos e Os Espelhos

Espelhos sempre foram fonte de mistério e magia, no imaginário popular foram sempre alvo de encantamento, primeiramente por reconhecimento, encanta-se ao reconhecimento, encanta ao trazer a tona o desejo de ser e de estar. Em “A Branca de Neve” a Madrasta usa um espelho como ferramenta de comunicação entre mundos, um espírito é seu aliado e oráculo; em versões mais recentes como “Espelho, espelho meu” o oráculo é o próprio reflexo, de maneira mais verdadeira e autentica.

O plano astral assim como o próprio inconsciente está ligado intimamente com o símbolo da água e da lua, ambas ligadas entre si, pelo fluxo e refluxo das marés, com isto o próprio espelho sintetiza as características mágicas e físicas dos elementos a ele relacionados. Seu brilho prateado os conecta com a lua, espelho do sol, e seu reflexo o liga a água, o primeiro espelho dos humanos.

Para se trabalhar com espelhos e e magia eu preciso ter um espelho consagrado e especial para este fim? Sim e não… Tudo é ferramenta mágica na mão daquele que sabe usar, ou seja, todo espelho pode ser utilizado com fins mágicos, mas magicamente falando, tudo carrega em si impregnações de ações passadas, por isso uma limpeza física e energética se faz necessária antes de seu uso, principalmente quando o objetivo é acessar o mundo dos espíritos.

Sem mais delongas, partindo para a parte prática, neste texto vou colocar um pouco da minha prática e experiência com espelhos e o contato com os espíritos e planos espirituais, os fins são os mais diversos: conselhos, favores, contato, ajuda, investigação e etc. Eu costumo usar um espelho negro, por estar afinado com a lenda de criação Feri “A Grande Deusa Estrela ao olhar seu reflexo no espelho negro do Universo, fez amor consigo mesma e deu origem a tudo e a todos…” (Resumidamente), e onde consigo um espelho negro? Bem, pegue um porta retrato de vidro, tire a foto e coloque um pano negro atrás do vidro, pronto! Seu espelho negro está pronto. Caso não tenha porta-retratos em casa, use uma tigela de vidro com água e um pano preto em baixo, apague as luzes, deixe o ambiente somente a luz de velas e Voilá! Seu espelho negro está pronto!

Bem, antes de mais nada, criar um clima é sempre muito necessário para acessar nosso self jovem. Acenda velas, incensos, apague as luzes, coloque um som ambiente legal, tenha em mente que vamos adentrar planos onde nem sem existem seres amigáveis então tenha consigo um amuleto de proteção, trace o círculo e abra os portais entre-mundos. Eu gosto de trabalhar com Hécate neste processo, normalmente na lua nova, Ela por ser uma Deusa do entre-mundos e por estar ligadas a chaves, estradas e a orientação, acaba sendo uma Deusa de proteção, já que seu nome e encantos eram amplamente usados em exorcismos. Crie um encanto simples, altere seu estado de consciência e deixe que seu inconsciente aflore, ele é a ponte entre o real e o surreal. Isto acaba sendo percebido por sinais sutis: sono, frio, lembrança de sonhos… mas não deixe sua mente vagar, a mente sem controle é como uma carruagem sem cavalheiro, deixa-se ser conduzida por qualquer um que tiver um pouco de experiência, e numa destas um destes espíritos podem conduzir seu transe para um local nem um pouco agradável e fazer coisas que sua mãe não iria gostar, rs.

Antes de mais nada tenha um propósito, a curiosidade matou o gato e você não quer ser a bola da vez, quer? Com um objetivo em mente, explore e questione, investigue. Reconheça os sinais de seu corpo e uma vez o portal aberto, certifique-se de fechá-lo ao terminar, você não quer nenhum espírito com livre acesso ao seu quarto ou casa. Você pode convidar um espirito a ser seu familiar no espelho, te ajudar com feitiços e viagens, mas eles sempre querem algo em troca e seus acordos são sempre nas entrelinhas. Caso decida utilizar-se deste meio, certifique-se de selar seu espelho e de reservá-lo para esta prática somente.

Alguns símbolos desenhados na parte de trás do espelho ajudam a prática a se tornar mais focada: Triângulo, olho, espirais. Óleo de sândalo, mirra e almíscar também aguçam os sentidos, água de arruda é ótimo para abrir os sentidos.

O lance com espelhos é especial, uma vez que você abre sua consciência para o trabalho com eles todo espelho acaba se tornando uma porta, um olhar para outro mundo. Olhe fixamente para eles ou coloque um espelho no chão e circule por sua volta, mude o foco, explore, aos poucos não existirão barreiras que você não poderá adentrar se tiver um espelho por perto.

Por Pythio

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/os-espiritos-e-os-espelhos/

Autoconhecer é Autodestruir

“A melhor maneira de alcançar o autoconhecimento não é pela contemplação, mas pela ação.” – Goethe

Adentrar no universo do autoconhecimento parece ser algo fácil. “Basta comprar uns livros de auto-ajuda, acender alguns incensos, meditar por algumas horas por dia e está tudo certo” dizem alguns… Ledo engano, digo eu. Mergulhar no âmago de si mesmo é um processo árduo, e sou capaz de afirmar que em 99,99% das vezes é uma tarefa dolorosa, desanimadora, deprimente e, em muitos casos, dura pouquíssimo tempo.

Espera aí, você vem falando todo esse tempo sobre autoconhecimento e agora joga esse balde de água fria?

Muito pelo contrário! O que acontece é que muito se fala de autoconhecimento como se fosse uma coisa fácil de se fazer. Como se revirando o baú interior você só encontrasse boas lembranças, qualidades e oportunidades quando, na maioria das vezes, o que se encontra é justamente aquilo que você insiste em esconder: seus defeitos, pontos fracos, negativismos…

É claro que não é só isso. Autoconhecer-se é também saber quais são suas habilidades, especialidades e apender como utiliza-las a seu benefício. Conhecer as ferramentas que você possui e aprender a utilizá-las a seu favor. Mas essa é a parte ”fácil”, o complicado é retirar os esqueletos do armário e coloca-los para dançar.

Hmmm… Entendi. Então você quer dizer que é muito mais do que ler o mapa astral?

De longe! Astrologia é uma das ferramentas existentes para isso, pois escancara muito daquilo que acontece sem você perceber, mas o desafio é saber interpretar o mapa com isenção e de forma correta, sem se perder nos arquétipos e suas oitavas, e não assumir como seu um comportamento que pode ou não ser tendência no seu mapa.

Buscar o autoconhecimento apenas fora de si mesmo é um erro crasso. Acreditar que uma pessoa além de você mesmo pode lhe dar as respostas que você precisa é pura ilusão. É claro que a visão que os outros possuem de você pode lhe ajudar a refletir em como você se apresenta para o mundo, mas reconhecer sua essência e aprender a dosá-la, em sua grande maioria, é um processo solitário, que exige dedicação, resistência e perseverança, pois a estrada é longa e sinuosa.

O que costumamos ver daqueles que dizem trilhar este caminho é uma exaltação de suas virtudes, escondendo de si mesmo todos os vícios e distorções do seu caminho. Na luz tudo é mais claro e de fácil visualização, muito diferente da escuridão, onde os monstros interiores se escondem e nem todos são fáceis de encontrar. A facilidade de uma leitura superficial ao invés de um mergulho na lama põe muito a perder nesse processo de busca interior… Não é a toa que a preguiça é o primeiro dos 7 “Pecados Capitais”.

Não exagere no otimismo e na superficialidade. Não caia na ilusão de que “o inferno são os outros”, e você é um incompreendido trilhando um caminho de iluminação. Também não busques mestres além do que seus próprios erros e acertos. Não espere que os outros evidenciam seus pontos negativos, pois geralmente o que eles veem são a sua casca, aquilo que você mostra para eles, e quem gosta de mostrar uma casa mal arrumada?

Também não seja pessimista. Utilize suas virtudes a seu favor já na hora de chafurdar na lama e domar seus medos e vícios. Já que elas são mais evidentes, aproveite-as como isca para pescar os tubarões.

Não há segredo senão a busca pelo equilíbrio.

“Busco-me e não me encontro. Pertenço a horas crisântemos, nítidas em alongamentos de jarros. Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.” – Fernando Pessoa

Namastê!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autoconhecer-%C3%A9-autodestruir

Dogmas e Rituais da Kaballah – Conjuração e Evocação de uma Entidade

Por Aluizio Fontenelle, Exu, Capítulo XX, 2ed.

Todo o ritual que se pratica nas sessões chamadas espíritas, nada mais representam do que evocações e conjurações de espíritos ou de entidades espirituais.

A evocação de um espírito é feita, partindo do principio que regem os trabalhos nessas práticas, no qual se procura fazer uma concentração, com a finalidade de entrar no pensamento dominante desse espírito. Daí tiramos a conclusão de que, se o nosso pensamento for elevado moralmente mais alto ou no mesmo nível, esse espírito evocado estará conosco e nos servirá.

No caso contrário, se o nosso pensamento for maléfico, e nos colocamos abaixo do seu nível, ele então nos arrastará no seu círculo e aí então nós é que passaremos a servi-lo.

Já a conjuração a um espírito, é o ato de se opor a um espírito isolado, ou vários espíritos, a resistência de uma corrente ou cadeia, ou ainda: a concentração de forças idênticas de pensamentos, como ato de fé comum. Daí a conclusão que se tira de uma sessão espírita quando a corrente possui o mesmo entusiasmo e a mesma força, a conjuração ou também chamada força mental, é totalmente eficaz.

Deve o cristianismo de antanho, toda a supremacia com que faziam calar-se os oráculos, à inspiração e a força que lhes davam a fé, que nada mais é do que uma conjuração de ideias dirigidas ao Deus que haviam concebido e adorado.

Pode-se estar sozinho para a evocação de um espírito, porém, para conjurá-lo, necessário se torna que se fale em torno de um círculo ou de uma associação tal como no caso das sessões espíritas; pois, é preciso que essa corrente seja coesa, e que durante o período dessa concentração ninguém se retire, para evitar que se perca a força e o poder cessa conjuração.

Por outro lado, as falanges espirituais que num determinado “centro”, “terreiro”, “tenda”, etc., que estejam trabalhando para una finalidade qualquer, em contato com os seres vivos, incorporados ou não, firmam eles próprios essa conjuração, através dos seus pontos riscados, para evitar a intromissão de forças estranhas que possam vir a perturbar o perfeito equilíbrio das irradiações espirituais.

Tanto nos pontos cantados como nos pontos riscados, a Magia está presente, e por isso, os praticantes da Kaballah nos rituais da alta magia, têm por base como Dogma Mágico o triângulo de Salomão, representando o “ternário”, símbolo necessariamente observado em todas as evocações.

Nos casos de Magia Negra, as evocações são feitas por instituições e pedidos aos gênios do mal, e aí, os pontos riscados são na maioria das vezes representados pelos símbolos característicos das entidades do mal, sendo o principal, o conhecido nas Leis Kabalísticas com o nome de “TRIDENTE DE PARACELSO”, que é um pentáculo que exprime o resumo do ternário na unidade completando o que na alta magia se conhece como o “QUARTENÁRIO SAGRADO”.

***

Fonte:

FONTENELLE, Aluizio. Exu. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Gráfica Editora Aurora, Ltda, 1954.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/dogmas-e-rituais-da-kaballah-conjuracao-e-evocacao-de-uma-entidade/

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei

O dicionário Webster classifica religião como “o serviço e veneração a Deus ou ao sobrenatural; um conjunto de leis ou um sistema institucionalizado de atitudes religiosas, crenças e práticas; a causa, princípio ou sistema de crenças efetuada com ardor e fé”. Ele também coloca a palavra Ritual como sendo “uma forma estabelecida de cerimônia; um ato ou ação cerimonial; qualquer ato formal ou costumeiro realizado de maneira seqüencial”.

Porém, nenhum dicionário vai conseguir dar a vocês a verdadeira definição de Magia. Magia é um processo deliberado no qual eventos do desejo do Mago acontecem sem nenhuma explicação visível ou racional. Os católicos/evangélicos chamam estes eventos de Milagres quando são produzidos por eles e de “coisas do demônio” quando são produzidos por outras pessoas. As religiões ortodoxas acabaram presas em uma armadilha que elas mesmas criaram a respeito dos rituais e da magia. Embora a Igreja Católica (e as Evangélicas por extensão, com seus óleos sagrados, águas do rio Jordão e círculos de 318 pastores) use e abuse de rituais de magia baixa em seus cultos, o mero comentário que seus fiéis estejam usando rituais de magia pode te arrumar confusão.

Então… como os magos definem magia? Um Ritual de Magia é apenas e tão somente a canalização de energias de outros planos de existência, através de pensamentos, gestos, ações e vocalizações específicas, em uma forma manifestada no Plano Físico. O nome que se dá a isso é Weaving (tecer), de onde se originam as palavras Witch (bruxa) e Wiccan (bruxo). Não confundir com a baboseira new age que se difundiu no Brasil e que chamam de “wicca” por aí. Estou falando de coisas sérias.

A idéia por trás da magia é contatar diversas Egrégoras (chamadas de Deuses ou Deusas) que existem em uma dimensão não material. Os magos trabalham deliberadamente estas energias porque as Egrégoras adicionam um poder enorme ao Mago para a manifestação de sua vontade (Thelema, em grego).

O primeiro propósito de um ritual é criar uma mudança, e é muito difícil realizá-las apenas com a combinação dos arquétipos e de nossa vontade solitária. Para isto, precisamos da assistência destas “piscinas de energia” que chamamos de Divindades.

Tudo o que é usado durante a ritualística é um símbolo para uma energia que existe em outro plano. O que define se o contato irá funcionar ou não depende do conhecimento que o Mago possui destas representações simbólicas usadas no Plano Material. O estudo e meditação a respeito da simbologia envolvida nas ritualísticas é vital para o treinamento de um mago dentro do ocultismo.

Para conseguir trazer estas energias das Egrégoras para o Plano Físico, os magos precisam preparar um circuito de comunicação adequado, de maneira a permitir o fluxo destas energias. Isto é feito através da ritualística, do uso de símbolos, da visualização e da meditação.

Para manter este poder fluindo em direção a um objetivo, é necessário criar um Círculo de Proteção ao redor da oficina de trabalho. Este circuito providencia uma área energética neutra que não permitirá que a energia trabalhada escoa ou se dissipe. Este círculo pode ser imaginário, traçado, riscado ou até mesmo representado por cordas (como a famosa “corda de 81 nós” usadas nas irmandades de pedreiros livres na Idade Média).

O círculo de proteção também pode ser usado para limpar um ambiente, para afastar energias negativas ou entidades astrais indesejadas.

Para direcionar este controle e poder, o mago utiliza-se de certas ferramentas de operação, para auxiliar simbolicamente seu subconsciente a guiar os trabalhos no plano mental e espiritual. É por esta razão que a maioria das escolas herméticas utiliza-se dos mesmos instrumentos, como taças, moedas, espadas, adagas, incensos, caldeirões, ervas e velas. O uso de robes e roupas consagradas especialmente para estas cerimônias também é necessário para influenciar e preparar a canalização das energias destas egrégoras.

Para contatar corretamente cada egrégora, o Mago necessita da maior quantidade possível de símbolos para identificar e representar corretamente a divindade, poder ou arquétipo que deseja. Apenas despertando sua mente subconsciente o Mago conseguirá algum resultado prático em seus experimentos. E como o subconsciente conversa apenas através de símbolos, somente símbolos podem atrair sua atenção e fazer com que funcionem adequadamente.

Podemos fazer uma analogia destas egrégoras como sendo cofres protegendo vastas somas de recursos, cujas portas só podem ser abertas pela chave correta. Rezas, orações, práticas mágicas e venerações “carregam” estes cofres e rituais específicos “abrem” estes cofres. Cada desenho, imagem, vela, cor, incenso, plantas, pedras, símbolo, gestos, movimentos e vocalização adicionam “dentes” para esta chave, como um verdadeiro chaveiro astral (qualquer semelhança com o Keymaker do filme Matrix NÃO é mera coincidência). De posse da simbologia correta do ritual e da realização precisa de cada passo da ritualística, o Mago é capaz “girar a chave”, contatar a egrégora e acessar estes recursos.

Ao final do ritual, estes deuses ou formas arquetipais são liberados para que possam manifestar o desejo para qual foram chamados durante o ritual e também permite que o Mago volte a funcionar no mundo normal. Manter os canais de conexão com os poderes ativos após o ritual ter sido completado tornaria impossível para uma pessoa viver uma vida normal.

Os magos enxergam o universo como um organismo infinito no qual a humanidade o moldou à sua imagem. Tudo dentro do universo, incluindo o próprio universo, é chamado de Deus (Keter). Por causa desta interação e interpenetração de energias, os iniciados podem estender sua vontade e influenciar o universo à sua volta.

Para conseguir fazer isto, o iniciado precisa encontrar seu próprio Deus interior (chamado pelos orientais de atmã e pelos ocidentais de EU SOU, ou seja, o seu verdadeiro EU). Este é o verdadeiro significado da “Grande Obra” para a qual nós, alquimistas, nos dedicamos. Tornar-se um mestre da Grande Obra pode demorar uma vida inteira, ou algumas vidas.

A magia ritualística abre as portas para sua mente criativa e para o seu subconsciente. Para conseguir realizar apropriadamente os rituais de magia, o magista precisa desligar o seu lado esquerdo do cérebro (chamado mente objetiva ou consciente, que lida com o que os limitados céticos chamam de realidade) e trabalhar com o lado direito (ou criativo) do cérebro. Isto pode ser conseguido através de meditação, visualização e outras práticas religiosas ou ocultistas para despertar.

O lado esquerdo do cérebro normalmente nos domina. Ele está conectado com a mente objetiva e lida apenas com o mundo material denso (chamado de Malkuth pelos cabalistas). É o lado do cérebro que lida com lógica, matemática e outras funções similares e também o lado do cérebro responsável pela culpa e por criticar tudo o que fazemos ou pretendemos fazer. Na Kabbalah chamamos este estado de consciência de Hod.

O lado criativo do cérebro pertence ao que chamam de “imaginação”. É artístico, visualizador, criativo e capaz de inventar e criar apenas através de uma fagulha de pensamento. Com o desequilíbrio entre as energias da Razão e da Emoção, o indivíduo pode pender tanto para o lado “cético-ateu” quanto para o lado “fanático religioso”. Os verdadeiros ocultistas são aqueles que dominam ambas as partes de sua consciência.

Uma das primeiras coisas que alguém que pretende enveredar por este caminho precisa fazer é aprender a eliminar qualquer sensação de falha, insatisfação ou crença materialista no chamado “mundo real”. Esta é a esfera do gado e dos rebanhos.

Diariamente, todos nós somos bombardeados com estas mensagens negativas na forma de “essas coisas não existem”, “imaginação é faz-de-conta”, “só acredito no que posso tocar”, “magia é coisa de filme”” e outras baboseiras, condicionando o gado desde pequeno a se comportar desta maneira. Esta é a razão pela qual amigos e companheiros devem ser escolhidos cuidadosamente, não importa a idade que você tenha. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Idéias a respeito de limitações ou falhas devem ser mantidas no nível mínimo e, se possível, eliminadas completamente. Para isto, existem certas técnicas de meditação que ensinarei nas colunas futuras.

Desligando o lado esquerdo

Durante um ritual, o lado esquerdo do cérebro é enganado para sua falsa sensação de domínio pelos cantos, gestos, ferramentas, velas e movimentações. Ele acredita que nada ilógico está acontecendo ou envolvido e se torna tão envolvido no processo que esquece de “fiscalizar” o lado direito. Ao mesmo tempo, as ferramentas se tornam os símbolos nas quais nosso lado direito trabalhará.

Existem diversas maneiras de se treinar para “desligar” a mente objetiva durante uma prática mágica. Os mais simples são a meditação, contemplação, rezas e mantras, mas também podemos usar a dança, exercícios físicos até a beira da exaustão, atividades sexuais e orgasmos, rodopios, daydreaming, drogas alucinógenas ou até mesmo bebedeira até o estado de semi-inconsciência. O exercício da Vela que eu passei em uma das primeiras matérias é um ótimo exercício para treinar este desligamento da mente objetiva.

Emoções

O lado esquerdo do cérebro não gosta de emoções (repare que a maioria dos fanáticos céticos parecem robozinhos, ao passo que os fanáticos religiosos parecem alucinados), pois emoção não é lógica. Mas as emoções são de vital importância na realização dos rituais. A menos que você esteja REALMENTE envolvido de maneira emocional e queira atingir os resultados, eu recomendo que você feche este browser e vá procurar uma página com mulheres peladas, porque não vai atingir nenhum resultado prático na magia. Emoções descontroladas também não possuem lugar na verdadeira magia, mas emoções controladas são VITAIS para a realização correta de rituais. O segredo é soltar estas emoções ao final da cerimônia (eu falarei sobre isso mais para a frente).

O primeiro passo para realizar magias é acreditar que você pode fazer as coisas mudarem e acontecerem. A maioria do gado do planeta está tão tolhido de imaginação e visualização que não é capaz nem de dar este primeiro passo, pois acreditam que “estas coisas não existem”. Enquanto você não conseguir quebrar a programação que as otoridades colocaram em você desde criança, as manifestações demorarão muito tempo para acontecer.

É o paradoxo do “eu não acredito que aconteça, então não acontece”.

Para começar a fazer as mudanças que você precisa, é necessário matar hábitos negativos. Falarei sobre a Estrela Setenária e os Sete defeitos capitais da alquimia (ou “sete pecados” da Igreja) mais para a frente. Conforme você for mudando seus hábitos, descobrirá que você gostará mais de você mesmo e os resultados mágicos começarão a fluir.

Esta é a origem dos famosos “livros de auto-ajuda” que nada mais são do que a aplicação destes princípios místicos travestidos de explicações científicas. O livro “O segredo” nada mais é do que uma compilação de ensinamentos iniciáticos desde o Antigo Egito. Ele não funciona para a maioria dos profanos simplesmente porque o gado não possui a disciplina mental, a imaginação e a vontade (Thelema) para executar o que deve ser executado.

O Bem e o Mal

Algumas Escolas iniciáticas, religiões judaico-cristãs e filosofias de botequim irão te dizer que realizar magias para você mesmo é egoísta e “magia negra”. Esqueça estas besteiras… se você não é capaz de operar e manifestar para você mesmo, você nunca conseguirá manifestar nada para os outros.

Não existe “magia branca” ou “magia negra”. O que existe é a INTENÇÃO. A magia é uma ferramenta, como um martelo. Você pode usá-lo para construir uma casa ou para abrir a cabeça de um inocente a pancadas. Quando Aleister Crowley disse “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”, ele disse isso para iniciados que já tinham total noção do que deviam ou não fazer dentro da Grande Arte, não para um zé mané iniciante. Cansei de ver misticóides do orkut interpretando esta frase como sendo “vou fazer o que minhas paixões de gado me dizem para fazer”, usando as palavras do grande Crowley para justificar suas imbecilidades.

O Karma é uma Lei Imutável. Assim como a Lei da Gravidade, a Lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.

Por esta razão, é essencial pensar nisso quando se fala em magia. Normalmente, utilizar este tipo de conhecimento para causar o mal gratuito não vale o preço kármico a se pagar depois. Simples assim.

Willpower, baby

A força de vontade humana é uma força real e muito poderosa. Ela é possível de ser disciplinada e produzir o que a uma primeira vista parecem resultados sobrenaturais. A força de vontade é direcionada pela imaginação, que é o domínio do lado direito do cérebro. O universo não é aleatório. “Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Ele é constituído de padrões e conexões, como um fractal multidimensional de ações. Através das correspondências, do conhecimento dos padrões e da força de vontade, você será capaz de utilizar as forças arquetipais para seus próprios propósitos, sejam eles bons ou malignos.

Os deuses, demônios, devas, elementais, anjos enochianos, djinns, exús, emanações divinas, qlipoths e entidades astrais são amorais. O poder simplesmente está lá. COMO você vai utilizá-lo é que se torna responsabilidade dos magos. Tanto a magia branca quanto a magia negra trazem resultados, mas no final das contas, todos teremos de nos acertar com a Balança de Anúbis e os preços devem ser pagos. Infelizmente, a maioria das pessoas tem esta idéia errada de que Karma significa “punição” ou “recompensa”. Isto vem de um sincretismo com as religiões judaico-cristãs. Karma significa apenas que cada ação traz uma reação de igual força. E que as pessoas são responsáveis por aquilo que fazem.

A simbologia dos deuses per se são apenas estímulos para serem usados pela humanidade como catalisadores para uma elevação da consciência e a melhoria do ambiente ao redor do mago. Os rituais, em seu senso mais puro, lidam com transformações no mundo. O conhecimento destas ações é o motivo pela qual as Ordens (a maioria delas) trabalha em ações globais além das ações locais. E esta também é a razão pela qual as otoridades tanto temem e perseguem os magos, bruxos e membros de ordens secretas. Eles não querem que o status quo se modifique, pois perderiam todo o poder e o controle sobre o rebanho que possuem.

Carl Jung disse que experiências espirituais são diferentes de experiências pessoais, sendo que a segunda estaria em um nível mais elevado. Isto acontece porque normalmente nem todos em um grupo possuem a concentração ou a dedicação necessária para elevar todo o grupo ao mesmo patamar de consciência (uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos). ESTA é a razão pela qual as ordens secretas (especialmente as invisíveis, já que as discretas já estão sendo contaminadas faz um tempo pelo gado de avental) escolhem com tanto cuidado seus membros.

Muita gente choraminga a respeito do porque as Ordens Iniciáticas serem tão fechadas, e do porquê este conhecimento ficar preso nas mãos de poucas pessoas, mas a verdade é que pessoas perturbadas ou cujo grau de consciência não esteja no mesmo nível do grupo acabarão agindo como sifões de energia ou criarão caos suficiente para estragar a egrégora das oficinas.

Meditação

O conceito de participar de um ritual ou entrar em um templo sagrado (seja ele um círculo de pedra, uma pirâmide ou uma igreja católica) é o de atingir um estado de consciência conhecido na Índia como “a outra mente”. Durante um ritual, todos os participantes são ao mesmo tempo atores e platéia, ativando áreas da mente que não são usadas durante o dia-a-dia. Através deste jogo, conseguimos libertar nossas mentes e espíritos destes grilhões e alcançar que está além.

93, 93/93

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/faze-o-que-tu-queres-h%C3%A1-de-ser-o-todo-da-lei

Sobre a Magia do Caos

Faz bastante tempo que não escrevo aqui, então resolvi dar um alô, mesmo que eu não tenha nenhuma notícia. O objetivo do post de hoje é dizer: “Magia do Caos é muito foda e aqui vão algumas das razões e faltas de razões disso; obrigada, de nada”. Tentemos fazer isso de uma maneira breve e pouco dolorosa para os miolos. Não quero meter no meio coisas como filosofia, teologia, cálculos ou qualquer coisa tirada da cartola do demônio da epistemologia.

Há aquele negócio chamado magia tradicional, que costuma ser qualquer coisa entre astrologia, cabala e tarot. Muitas outras coisas podem ser “magia clássica”, como diferentes sistemas de magia dos grimórios famosos, alguns dos quais muito me encantam. E vem a velha questão: “Por que dividir magia em ortodoxa e heterodoxa, esquerda e direita, branca e negra, cor-de-rosa e cor de capim?” Só para sistematizar, meu filho. Algumas sistematizações são mais úteis que outras. Certos agrupamentos já estão bem ultrapassados como “pessoas boas e pessoas ruins”, mas cada um com suas preferências de linguagem (contanto que se compreenda que termos adquirem diferentes conotações através dos tempos).

Eu não concordo completamente com a divisão de magia velha e magia nova, ou qualquer coisa parecida. Eu só uso esses termos quando não encontro outros melhores. A linguagem está cheia de termos inapropriados e se quisermos uma comunicação realmente eficiente vamos todos meditar e conversar nos outros planos sem usar palavras, já que, como dizia Wittgenstein “a filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento da nossa inteligência por meio da linguagem” (bosta, eu disse que não ia citar filósofos!!)

Então agora que estamos entendidos que eu só uso o termo “magia tradicional” e outros termos ainda piores por falta de termos melhores, vamos seguir em frente.

Vantagens da magia tradicional: confiança/fé na eficácia do sistema devido à sua antiguidade e tradição. Se já foi usado com sucesso no passado, e por tanta gente, por que falharia no presente? A egrégora provavelmente só se tornou mais forte. Esse argumento é bom e compreensível. Eu concordo com ele. Contudo, a proibição de não modificar algumas fórmulas clássicas, embora por um lado preserve as minúcias que as tornam fortes, pode torná-las não tão adequadas aos tempos atuais.

Desvantagens da magia tradicional: alguns sistemas são meio ultrapassados e monótonos (leia-se, velhos e chatos). O enfoque está em preservar a tradição e não em adaptá-los para torná-los divertidos e atraentes. Se parar para pensar, qual é a graça de assistir a uma missa católica tradicional, além de presenciar o poder da tradição? Por isso tantos jovens são atraídos para o espiritismo ou igrejas evangélicas. São adaptações que condizem mais com a onda new age de “eu tenho uma espiritualidade, mas quero segui-la do meu jeito”. Essa postura, é claro, tem seus lados positivos e negativos. Para seguir algo do seu jeito é bom estudar. Por isso os caoístas estudam tanto e fazem tantos experimentos: para realmente entender como a coisa toda funciona. Ou desvendar/inventar novos meios de fazê-la funcionar.

Um caoísta deve estudar magia tradicional? É bom ter algumas noções. Muitos caoístas apoiam seus trabalhos em sistemas tradicionais. Caso ele resolva apoiar em qualquer outra área (física, geologia, videogames ou o que valha) é esta área que deve ser explorada com cuidado e adaptada à magia.

Vantagens do caoísmo: uma magia pessoal e sob medida, como uma roupa sob encomenda. Uma magia divertida, que te dá prazer de fazer e de vivenciar. Em suma, é magia da nossa época. Por isso nós nos identificamos com as propostas. Claro, algumas pessoas se identificam com elementos de outras épocas. Isso também não impede de praticar magia do caos. O magista pode adaptar esses elementos com outras coisas que lhe agrade. Além disso, a minha parte preferida do caoísmo não é somente misturar sistemas, mas criar seus sistemas. Você não somente repete o que já foi dito (“como um papagaio”, diria Frater Xon), mas também contribui criando algo original.

Desvantagens do caoísmo: apenas leia as vantagens da magia tradicional e inverta. Muita gente não se adapta à magia do caos porque, lá no fundo de sua mente, ainda há um teimoso cujo cérebro foi moldado pelo “certo” e “errado” da sociedade, pelo que é real e imaginário, pelo que é permitido ou proibido. Em suma, algumas pessoas “não se adaptam à ideia de que adaptações são possíveis”. “Só posso realizar essa magia no horário de Saturno” ou “vermelho é melhor para uma magia de amor do que azul” ou qualquer outro dogma que a magia tradicional te fez acreditar. Isso significa que todas as regras da magia ortodoxa são mentiras? Não! Elas funcionam muito bem. Pode haver alguma verdade nelas quando utilizadas da forma correta, mas isso não significa que a magia é algo fixo, uma rocha inquebrantável, que nunca possa ser modificada sem autorização de Deuses (se acha mesmo, vá lá chamar o tal Deus, tome um chá com ele e altere as regras, diabos!). Então eu diria que provavelmente as desvantagens do caoísmo estão na nossa própria cabeça.

A Magia do Caos poderia ser um sistema totalmente divertido e eficiente se ao menos nós permitíssemos a nós mesmos toda essa liberdade e prazer. Alguns são muito rigorosos consigo mesmos. Há quem considere que existe magia verdadeira e falsa, a baixa e a alta magia. E, convenhamos: pode ser que exista. O ponto é que não faz diferença se essas coisas existem ou não. O nosso objetivo é trabalhar com esses conceitos e aplicá-los não para nos trazer angústia, mas momentos especiais. O foco não é alterar a realidade em si (que pode ser real ou uma Matrix, não sabemos e pouco importa), mas nossa percepção da realidade. O copo está pela metade (partindo do pressuposto de que o copo existe), mas você escolhe se ele está meio cheio ou meio vazio.

O objetivo da magia não é necessariamente absoluto. Cada um tem seus objetivos com magia. Quem tem paixão por história e mitologia, por exemplo, não resistirá a pesquisar a magia tradicional e experimentá-la. Isso também pode ser fantástico. Mas a magia ortodoxa e a heterodoxa não são totalmente contraditórias. Podem coexistir.

Muitos dizem que o objetivo da magia, espiritualidade ou religião é a evolução espiritual, que temos que ajudar os outros (ou, no caso do budismo Theravada, libertar-se tanto do bom karma quanto do ruim), amar, servir a sociedade e às pessoas próximas e que através disso iremos atingir um grau superior ao que nos encontramos agora.

Novamente, pode haver alguma verdade nessas palavras. Mas muito provavelmente essa não é toda a verdade, até porque, como dissemos antes, palavras são inapropriadas para expressar. Sempre haverá erros na comunicação que podem levar a desentendimentos. Sendo assim, podemos considerar que, sim, amar e ajudar é algo muito nobre, mas há outras coisas relacionadas que talvez o termo “evolução espiritual” não capte com precisão.

São João da Cruz, em seu livro “Noite Escura da Alma” descreve os “dez degraus da escada” e diz que aqueles que chegam ao último degrau serão “semelhantes a Deus”. Ele até mesmo diz que será “Deus por participação”, um termo também encontrado na Suma Teológica de Tomás de Aquino (e eu disse que não ia falar de teologia). Nesse momento quase temos um encontro entre RHP e LHP…

Mas a ideia de uma escada ainda me parece por demais metafórica. Isto é, sei lá, vai que tem mesmo uma escada! Mas não acho que para subir tal escada se deva colocar necessariamente um pé na frente do outro somente de um jeito correto, como robôs. Cada um tem características diferentes e sobe a escada do seu jeito, alguns mais rapidamente, outros tropeçando, mas cada um vai tricotando seu emaranhado de linhas até que forma seu cachecol personalizado! (eu falei tanto em tricotar no meu último livro, Sociedade do Sacrifício, que até fiquei com vontade de voltar a tricotar. Minha avó me ensinou a tricotar quando eu era criança e lembro que era uma das coisas mais relaxantes).

Magia do Caos é sobre isso: não é um ataque à magia tradicional. Ela usa a magia ortodoxa como aliada. Pega o que serve, tira o que não serve, mas não somente com base numa preferência sem reflexões e numa análise superficial. Muitos testes são realizados até que se descubra a melhor forma de fazer as coisas (a melhor forma para si, pois pode variar para cada praticante).

Que cada aranha construa sua própria teia. Não é à toa que o número 8 é celebrado no caoísmo. E mesmo que seja à toa, não nos importamos tanto assim. Há tantos números (reais, imaginários…) e tantas possibilidades que vale mais a pena viver experimentando um pouco de tudo em vez de continuar fechado na caixinha de sempre.

Existem muitas formas de viver. Não somente a forma que nos foi ensinada. E se as outras formas das quais ouvimos falar tampouco funcionam para nós, talvez seja melhor inventar uma outra: uma magia somente sua, sem cabimento: porque não “cabe” nesse universo ou nos outros; somente no universo que você criou.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sobre-a-magia-do-caos

Giordano Bruno

Filipe Bruno nasceu em Nola, Itália, em 1548. O nome com que ficou conhecido, Giordano, lhe foi dado quando, ainda muito jovem, ingressou no convento de São Domingos, onde foi ordenado sacerdote, em 1572.

Mente inquieta e muito independente, Bruno teve sérios problemas com seus superiores ainda quando estudante no convento. Sabemos que já em 1567 um processo foi instaurado contra ele, por insurbordinação, mas Bruno já granjeara admiração por seus dotes intelectuais, o que possibilitou a suspensão do processo. Era tão séria a largueza de visão de Bruno quanto aos defeitos do pensamento intelectual de sua época, que em 1576 teve de fugir de Nápoles para Roma devido à peseguições de toda espécie e, depois, para a Suíça, onde freqüentou ambientes calvinistas, que logo abandonaria julgando o pensamento teológico dos protestantes tão restrito quanto o dos católicos.

A partir de 1579, Bruno passa a viver na França, onde atraiu as simpatias de Henrique III. Em meados da década seguinte, Bruno vai para a Inglaterra. Mas logo ele entra em atrito com os docentes de Oxford. Vai, então, depois de um curto período de retorno à França, para a Alemanha luterana. Após um período de vivência no meio dos seguidores de Lutero (de onde seria expulso posteriormente), Bruno parte para Frankfurt, onde publica sua trilogia de poemas latinos. Recebe um conviente (que lhe seria fatal) para ensinar a arte da memória ao nobre (na verdade, um interesseiro ) veneziano João Mocenigno. Assim, selando seu destino, Bruno parte para a Itália em 1591. No mesmo ano, Mocenigno (que esperava aprender as artes da magia com Bruno) denuncia o mestre ao Santo Ofício.

No ano seguinte, começa o dramático processo contra Bruno, que se conclui com sua retratação. Em 1593, é transferido para Roma, onde é submetido a novo processo. Depois de extenuantes e desumanas tentativas de convencê-lo a retratar-se de algumas de suas teses mais básicas e revolucionárias pelo método inquisitorial, Bruno é, por fim, condenado à morte na fogueira, em 16 fevereiro de 1600.

Giordano Bruno morreu sem renegar seus pontos de vista filosófico-religiosos. Sua morte acabou por causar um forte impacto pela liberdade de pensamento em toda a Europa culta. Como diz A. Guzzo: “Assim, morto, ele se apresenta pedindo que sua filosofia viva. E, desse modo, seu pedido foi atendido: o seu julgamento se reabriu, a consciência italiana recorreu do processo e, antes de mais nada, acabou por incriminar aqueles qua o haviam matado”.

A Filosofia de Bruno

A característica básica da filosofia de Giordano Bruno é a sua volta aos princípios do neoplatonismo de Plotino, e ao hemetismo da Europa pré-crstã, notadamente nos trabalhos que conhecemos como “O Corpus Hermeticum”.

Nos primeiros séculos da era imperal romana durante o desenvolvimento do movimento cristão, veio à tona uma surpreendente literatura de caráter filosófico-religioso, cujo traço de união era, segundo seus autores, as revelações trazidas po Thot, o deus escriba dos egípcios, que os gregos identificaram com Hermes Trismegisto, de onde o nome de literatura hermética. Parece que o Thot egípcio foi, realmente, uma figura religiosa histórica real que o tempo se incubiu de envolver nos véus da lenda. Seja como for, temos conhecimento desses escritos filosófico-religiosos que remontam à tradição inicada pelo movimento de Thot-Hermes, e que nos chegaram, em parte. O suporte doutrinário dessa literatura, segundo Reale e Antiseri (1990), é uma forma de metafísica inspirada em fontes do medioplatonismo, do neopitagorismo, da tradição de Apolônio de Tiana, e do nascente neoplatonismo. A iluminação pessoal, com a conseguinte salvação da alma, segunda esta doutrina, depende do grau de conhecimento (gnosi) e maturidade a que chega o homem em sua luta por compreender o porquê da existência terrena, que é a ante-sala do mundo supra-sensível, além do plano físico. Em virtude da profundidade destes escritos, alguns pais da Igreja (Tertuliano, Lactâncio e outros), consideraram Hermes Trismegsito um tipo de profeta pagão anterior e preparador dos ensinos de Cristo, embora esta história tenha sido abafada pelo fanatismo católico posterior da Idade Média. Resgatando parte desta tradição, Bruno se coloca na trilha dos magos-filósofos que ressurgiram na renascença, que, embora procurando manter-se dentro dos limites da ortodoxia cristã, leva-o às últimas consequências. O pensamento de Bruno é gnóstico em essência, profundamente mesclado ao pensamento hermético e neoplatônico que o sustenta. Ele conduz a magia renascentista às suas fontes pré-cristãs e as demonstra serem tão válidas e ricas quanto a cristã, tendo, inclusive, o mérito de se enriquecerem mutamente. É necessário aceitar o diferente, segundo Bruno, com suas riquezes e pontos de vista complementares ao modo de ver do mundo cristão. Bruno, tal como antes fizera Plotino, considerava a religiosidade pré-Cristã uma forma de exercício para uma vivência plena, mística e direta com o Uno. Isso foi fatal para Bruno, que surgiu uma época de extrema intolerância relgiosa ( e que – sejamos honestos – ainda perdura de forma sutil e ainda mais cruel na Igreja Católica, como no exemplo da condenação da Teologia da Libertação e de seus formuladores, como Leonardo Boff, e no falso discurso ecumênico que esconde interesses políticos, em que é cegamente seguida por sua filha pródiga: o universo das igrejas e seitas evangélicas), e que buscava no hermetismo um refúgio à cegueira fanática da inquisição. E Bruno vem à tona pregando um reconhecimento da herança pagã antiga e da liberdade de pensamento filosófico-relgioso, o que, por si, era uma ameaça e uma atitude por demais revolucionárias para serem suportadas pelo poder de Roma.

O pensamento de Bruno era holista, naturalista e espiritualista. Dentre suas idéias especulativas, destacamos a percepção de uma sabedoria que se exprime na ordem natural, onde todas as coisas, quer tenhamos idéia ou não, estão interligadas e se interrelacionam de maneira mais ou menos sutil (holismo); a pluralidade dos mundos habitados, sendo a Terra apenas mais um de vários planetas que giram em volta de outros sistemas, etc. Por tudo isso, por essa ousadia em pensar, Bruno – que estava séculos adiante de seu tempo – pagou um alto preço. Mas sua coragem serviu de estopim e incentivo ao progresso científico e filosófico posterior.

por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/giordano-bruno/

Antes que se apague a chama

Eu queria lhes apresentar um amigo…

Foi um dos maiores educadores que já se viu e, no entanto, diz-se que seu primeiro trabalho foi de auxiliar da mãe, Phaenarete, que era parteira. Ainda assim, ao observar um parto complicado da mãe, já demonstrou a extensão de seu pensamento: “Minha mãe não irá criar o bebê, apenas auxiliá-lo a nascer, e tentar diminuir a dor do parto. Porém, se ela não realizar o parto, talvez ambos, a mulher e seu filho, morram… Eu também serei um parteiro, um parteiro do conhecimento que jaz na alma das pessoas, mas, por ignorância dele, elas não se dedicam devidamente ao seu nascimento. Eu os ajudarei fazer nascer sua sabedoria.”

Este era Sócrates, o maior dos filósofos, a luz perene de Atenas. Ele que serviu sua cidade-estado como quem serve a um ideal maior do que ele próprio, uma paideia, uma cultura universal condensada e absorvida pela cultura de um só povo, uns 70 mil que, não obstante, influenciaram a linguagem e as ideias de todo o Ocidente. E, servindo a tal pátria, lutou em diversas guerras como soldado, felizmente escapando ileso de todas elas. Ao fim da carreira de soldado, poderia haver se aposentado da vida, mas foi aí, pelo contrário, que sua vida de sábio e educador começou.

Tendo consultado o oráculo em Delfos e recebido a inquietante resposta de que era “o homem mais sábio de toda Grécia”, prontamente dedicou-se a abordar outros homens ditos sábios, na esperança de provar que o oráculo estava errado. Como, para sua surpresa, descobriu que todos aqueles que se julgavam sábios, em realidade não o eram, passou a perseguir a sabedoria – que ele mesmo julgava não possuir – noutro mundo.

Sócrates buscou aos jovens, e os jovens buscaram a Sócrates, como as abelhas buscam as flores, e as flores as abelhas. Sabiam, de alguma forma oculta, que necessitavam uns dos outros: os jovens precisavam de um parteiro para que sua própria sabedoria florescesse, e o filósofo, em seu papel de parteiro do conhecimento, necessitava do contato direto com o fogo das almas recém-chegadas ao mundo, antes que sua chama houvesse sido apagada pelos hábitos moribundos da estagnação dos homens ignorantes.

Precisamente por isso, mais do que por ter professado servir a um Deus desconhecido, foi Sócrates acusado e sentenciado a morte por seu próprio povo: corromper aos jovens. Ora, mas não poderia ter sido diferente – aqueles que haviam se acostumado com o musgo e o breu das cavernas, jamais poderiam suportar aqueles jovens falando sobre uma luz, uma divina luz, a irradiar sob os campos da superfície das mentes libertas do claustro.

Sócrates demarcou a alternância do entendimento da justiça, da ética e da política como elementos de um conjunto de regras de convívio social, para a era da justiça, da ética e da política a serem realizadas primeiramente na própria alma, a juíza de si própria, num conflito perene para que deixasse de ser escrava de seus próprios instintos inferiores, de sua ignorância, e se reacendesse em chamas, no fogo que veio do Alto, e do qual ainda poderiam se lembrar – como ideias inatas de um Grande Bem.

Não é culpa do velho atarracado com seus olhos de touro que a Igreja tenha, muitos séculos depois, se apropriado deste conceito e determinado que ele seria deste ou daquele jeito: um Céu Eterno, contrapondo um Inferno Eterno. O Céu de Sócrates era, antes de tudo, o Céu da liberdade, da amizade, da fraternidade, do amor ao saber. Não poderia jamais ser delimitado por dogmas ou manuais de como seria exatamente tal região, até mesmo porque, para o filósofo, tal Céu estava por ser erigido em alguma época futura, onde todos os jovens houvessem feito o parto de sua própria sabedoria, sua própria potencialidade, com a ajuda do grande parteiro, ou de outros que viriam após ele… O Deus de Sócrates estava no futuro, mas sua chama atingia o passado.

Ao ser condenado por ingestão de cicuta, seus amigos mais próximos lhe imploraram que fugisse da cidade para viver no exílio. Sócrates, porém, os fez tentar compreender: não havia cidade para onde fugir, Atenas era sua paideia, e sua paideia era todo o mundo. Havia ali permanecido desde o nascimento, e por 70 longos anos, não somente porque pensava estar no centro físico do mundo conhecido, mas principalmente porque acreditava ser ali o centro espiritual de todo o horizonte. Foi em Atenas, e com ideias, que Sócrates lutou toda sua guerra… Fugir, naquele momento, seria o mesmo que debandar de uma batalha enquanto soldado, somente por medo de perecer em combate. Sócrates não tinha medo da morte, mas antes da desonra, algo que poderia fazer com que todo o seu pensamento, e tantos e tantos partos, houvessem sido em vão.

Mas, ainda mais do que isso, Sócrates sabia de um outro mundo, aquele mundo onde a chama que observara na memória dos jovens ardia em puro esplendor e essência. Por boa parte da vida procurou fazer com que os jovens enxergassem tal mundo antes que a chama se apagasse por completo… Agora, era a sua vez de chegar, uma vez mais, ao mundo das essências. Se estaria em melhor posição que aqueles que permaneceriam no mundo das sombras, deixou que cada um decidisse por si só.

“Levou a taça aos lábios e com toda a naturalidade, sem vacilar um nada, bebeu até à última gota.

Até esse momento, quase todos tínhamos conseguido reter as lágrimas; porém quando o vimos beber, e que havia bebido tudo, ninguém mais aguentou. Eu também não me contive: chorei à lágrima viva. Cobrindo a cabeça, lastimei o meu infortúnio; sim, não era por desgraça que eu chorava, mas a minha própria sorte, por ver de que espécie de amigo me veria privado. Critão levantou-se antes de mim, por não poder reter as lágrimas. Apolodoro, que desde o começo não havia parado de chorar, pôs se a urrar, comovendo seu pranto e lamentações até o íntimo todos os presentes, com exceção do próprio Sócrates.

– Que é isso, gente incompreensível? Perguntou. Mandei sair às mulheres, para evitar esses exageros. Sempre soube que só se deve morrer com palavras de bom agouro. Acalmai-vos! Sede homens!

Ouvindo-o falar dessa maneira, sentimo-nos envergonhados e paramos de chorar. E ele, sem deixar de andar, ao sentir as pernas pesadas, deitou-se de costas, como recomendara o homem [que lhe deu] o veneno. Este, a intervalos, apalpava-lhe os pés e as pernas. Depois, apertando com mais força os pés, perguntou se sentia alguma coisa. Respondeu que não. De seguida, sem deixar de comprimir-lhe a perna, do artelho para cima, mostrou-nos que começava a ficar frio e a enrijecer. Apalpando-o mais uma vez, declarou-nos que no momento em que aquilo chegasse ao coração, ele partiria. Já se lhe tinha esfriado quase todo o baixo-ventre, quando, descobrindo o rosto – pois o havia tapado antes – disse, e foram suas últimas palavras:

– Critão (exclamou ele), devemos um galo a Asclépio. Não te esqueças de saldar essa dívida!

“Assim farei!”, respondeu Critão. Vê se queres dizer mais alguma coisa. A essa pergunta, já não respondeu. Decorrido mais algum tempo, deu um estremeção. O homem o descobriu; tinha o olhar parado. Percebendo isso, Critão fechou-lhe os olhos e a boca.

Tal foi o fim do nosso amigo, Equécrates, do homem, podemos afirmá-lo, que entre todos os que nos foi dado conhecer, era o melhor e também o mais sábio e mais justo.” (Fédon – Platão)

Feliz foi Sócrates, o filósofo que viveu entre amigos, e não entre discípulos.

***

Crédito da imagem: Sven Hagolani/Corbis

#Educação #Filosofia #Platão #Sócrates

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/antes-que-se-apague-a-chama