A Rede Wiccaniana

A Rede wiccaniana respeita.
Perfeito amor, confiança perfeita
Viva e deixe viver,
Dá o justo para assim receber.

Três vezes o círculo traça
E assim o mal afasta.
E para firmar bem o encanto,
Entoa em verso ou em canto.
Olhos brandos, toque leve,
Fala pouco, muito ouve.
Pelo horário a crescente se levanta
E a Runa das Bruxas canta,
Pelo anti-horário e minguante vigia
E entoa a Runa Sombria.

Quando está nova a lua da Mãe
Beija duas vezes Sua mão.
Quando a lua ao topo chegar,
Teu coração se deixará levar.

Para o poderoso vento norte,
Tranca as portas e boa sorte.
Do sul o vento benfazejo
Do amor te traz um beijo.
Quando vem do oeste o vento,
Vêm os espíritos sem alento.
E quando do leste ele soprar,
Novidades para comemorar.

Nove madeiras no caldeirão
Queima com pressa e lentidão.
Mas a árvore anciã venera.
Se queimares, o mal te espera.

Quando a Roda começa a girar
É hora do fogo de Beltaine queimar.
Em Yule, acende tua tora,
O Deus de Chifres reina agora.
A flor, a erva, a fruta boa,
É a Deusa que te abençoa.

Para onde a água correr
Joga uma pedra para tudo ver.
Se precisas de algo com razão,
À cobiça alheia não dá atenção.
E a companhia do tolo, melhor evitar
Ou arriscas a ele te igualar.

Encontra feliz e feliz despede,
Um bom momento não se mede.
Da Lei Tríplice lembra também,
Três vezes o mal, três vezes o bem.

Quando quer que o mal desponte,
Usa a estrela azul na fronte.
Cultiva com amor a sinceridade
Para receber igual verdade,

Ou um resumo, se assim preferes:
Se nenhum mal causar, faz o que tu queres.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-rede-wiccaniana/

Magia Adimensional

“Coincidência nunca faz com que o peso de papel fique pairando no ar a sete centímetros do tampo de sua mesa”
LöN Plo

 

Lovecraftiando As Regras do Ocultismo Moderno.

 

Índice

Livro 1: Para a Esquerda e Para a Direita, Para Sempre e Para Trás

Capítulo 1: Equilíbrio e Harmonia

Capítulo 2: Sanidade

Capítulo 3: Magia e poder

 

Livro 2: All You Need Is Love(craft)

Capítulo 1: O Nome Impronunciável do Jogo

Capítulo 2: Tomos da Insanidade

Capítulo 3: Elementos da Magia

Capítulo 4: Conclusões?!

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Livro 1: Para a Esquerda e Para a Direita, Para Sempre e Para Trás

 

Capítulo 1: Equilíbrio e Harmonia

 

OS ANCIÃOS lançaram as bases para os trabalhos de magia com a criação e batismo das divindades, semi divindades e outras entidades místicas, conhecidas. Com a associação dos nomes teve início o agrupamento de diferentes tipos mágicos e a descrição detalhada se tornou o véu do mistério do anonimato, favorecendo o dualismo e o moralismo da personificação.

 

ESTRUTURA não é sinônimo de Ordem. Estrutras extremas não resultam em equilíbrio nem em harmonia – como podemos ver de maneira clara em sistemas de governo rigorosos como a Alemanha Nazista, a Cuba Castrista e outros “governos” sul americanos e orientais.

 

O adversário da ESTRUTURA é o CAOS.

 

CAOS, diferente do que vem sendo difundido na mente das pobres almas que vagam por este planeta, NÃO é o oposto de ORDEM.

 

Enquanto todas as coisas tem em sua essência uma medida tanto de Caos quanto de Ordem, a linguagem – nossa ferramenta de comunicação – é atraída muito mais para a esfera da Ordem do que para a do Caos, assim qualquer representação da mera idéia do Caos através da linguagem ou do uso dos padrões que formam a imaginação da raça humana é falha. Imagens individuais são estruturadas. Seria um erro imaginar que podemos nos utilizar da Ordem para representar sua contraparte. De fato, o mais próximo que podemos chegar de descrever o Caos é nos utilizando de palavras que descrevam sua sombra que existe dentro da Ordem, a Estrutura.

 

DESORDEM não é sinônimo de Caos.

 

Casos extremos de DESORDEM indicam uma falata de equilíbrio e harmonia. Isso fica claro em processos naturais que foram manipulados pelos tentáculos do poder.

 

O nêmesis da desordem é a ORDEM.

 

Nós temos uma idéia da sombra da Ordem que existe dentro do Caos, e esta idéia é representada em nossa linguagem estruturada através de uma de nossas palavras: desordem. Enquanto ela não passa de um reflexo da sombra real da Ordem, serve como exemplo para expor os padrões fundamentais que dão tanto à Ordem quanto ao Caos suas identidades dentro de uma cultura intelectual atraída pela Ordem.

 

Sem a força desestabilizadora do Caos, nós nos estagnaríamos intelectualmente, psicologicamente em todos os aspectos da vida. Nossa imaginação, a habilidade de criar novos padrões de imagens com os blocos básicos daquilo que é compreendido, não existiria sem a instabilidade temporária que os artistas e magos aprendem a controlar.

 

A disciplina da Ordem EQUILIBRA a flexibilidade do Caos, trazendo a HARMONIA da Manifestação Unificadora.

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Capítulo 2: Sanidade

 

SANIDADE é a harmonia de um indivíduo com o Cosmos.

 

Tanto Ordem quanto Caos devem ser aceitos para se atingir o equilíbrio psíquico necessário para o crescimento. Os Anciãos compreendiam as armadilhas das palavras e dos nomes. Eles conseguiram enxergar as marés intelectuais de estrutura desequilibrada e seus produtos estagnados de conhecimento e moralidade.

 

Os Anciãos criaram a Magia Cthulhiana para se assegurarem do equilíbrio da sanidade através da preservação das Sementes do Caos.

 

Os SERVOS DE CTHULHU aguardam até que a estrutura atinja um ponto além dos limites da tolerância cósmica e então agem para promover a causa da desordem. Eles ensinam as limitações da Senda da Mão Direita e a irresponsabilidade da Senda da Mão Esquerda.

 

Mesmo assim, a maior parte dos Magos que adquiriram o conhecimento sobre os aspectos negativos de um desequilíbrio da Ordem não compreendem o erro de uma estrutura levada ao extremo. Eles simplesmente substituem o Caos pela Ordem e mantém estritamente as mesmas abordagens à Magia usadas pelos Magos Brancos que seguem a senda da mão Direita, em seu forma igualmente desequilibrada.

 

Aqueles que adoram os SÁBIOS DA ORDEM não são nem um pouco mais sãos do que aqueles que adoram os DEMÔNIOS DO CAOS.

 

A função de Cthulhu não é ser um objeto de adoração, mas uma ferramenta, uma inspiração, uma força iniciática, trazendo equilíbrio entre a flexibilidade do Caos e a estabilidade da Ordem.

 

A SENDA ADIMENSIONAL (S.A.) é o Caminho dos Anciãos.

 

Cthulhu garante a instabilidade necessária para combater os métodos fleumáticos e imperturbáveis da Ordem “estruturada”. Cthulhu não é o foco equilibrado, mas uma força de equilíbrio do cosmos. Assim é possível se atingir o equilíbrio através de uma exposição a Cthulhu ao invés da simples devoção aos princípios ou a promoção do Caos acima e além da Ordem.

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Capítulo 3: Magia e poder

 

A maior SEDUÇÃO da Magia é a promessa de PODER, e a fuga da subordinação, da ineficácia e da total falta de controle.

 

O auto-engrandecimento tem uma raiz simples e básica: a insegurança pessoal.

 

A Magia permite que a pessoa se torne a CAUSA que cria mudanças no mundo. Tanto a Magia Branca – Senda da Mão Direita – quanto a Magia Negra – Senda da Mão Esquerda – se focam nos resultados como sendo a justificativa para seu uso. A primeira tem como objetivo a realização dos desejos do conjurador e de outros, enquanto a segunda tem como objetivo a realização dos desejos do conjurador, geralmente em detrimento de e apesar dos desejos dos outros.

 

MAGIA BRANCA é a manifestação da Ordem através do mago.

 

Cura e a coordenação de energias grupais são as principais atividades do Mago Branco. Ele busca promover a harmonia através da estrutura, um médoto baseado na Ordem, expulsando as forças do Caos de tudo que o cerca.

 

O problema com a Magia Branca é que ela busca o desequilíbrio da Ordem SOBRE o Caos, uma situação compreendida pelos Anciãos como de grande opressão e miséria.

 

A manifestação direta do Caos através do mago é a MAGIA NEGRA.

 

Como já foi mencionado, assim como os Brancos, magos Negros buscam promover a harmonia através da estrutura.

 

Contudo o mago Negro deseja usar a estrutura como um instrumento para manifestar o Caos e possivelmente dominar outros seres.

 

As atividades do mago Negro se focam na manifestação direta de energias caóticas, incluindo os pórpios Servos de Cthulhu. O mago Negro não percebe a impossibilidade de manter a estrutura como médoto de controle quando a Ordem é subjugada pelo Caos. A estrutura simplesmente se dissolve, juntamente com a harmonia que o mago busca. O problema, então, com a Magia Negra, é que ela busca o desequilíbrio do Caos sobre a Ordem, uma situação compreendida pelos Anciãos como de grande impotência e miséria.

 

 

 

 

Livro 2: All You Need Is Love(craft)

 

Capítulo 1: O Nome Impronunciável do Jogo

 

LOVECRAFT compreendeu os perigos da Magia Negra e os objetivos dos Servos de Cthulhu também. Desta forma escrevia como se todos os magos fossem de certa forma Negros e os asseclas das Ordens religiosas de alguma forma melhores ou moralmente superiores aos que servem ao Caos.

 

O embate teve início, mas ele foi lançado como um onde o BEM luta contra o MAL e a ORDEM combate o CAOS. Como resultado, isso apenas entrincheirou ainda mais o desequilíbrio dentro da Magia Branca da Ordem, aumentando exponencialmente a rejeição completa de Cthulhu, sem que percebessem o valor de seu ser.

 

Os Anciãos deixaram a BUSCA PELO EQUILÍBRIO conosco, e nos deixaram sinais, como placas de sinalização, na forma de Cthulhu e dos Sentinelas.

 

O jogo de Cthulhu então pode ser exatamente como Lovecraft nos descreveu, mas raramente ele descreveu a perspectiva equilibrada do mago – um com a disciplina para manter controle sobre a sanidade quando os encontrava. A Ordem era tida como superior e isso constantemente minava toda a Operação. Para atingirmos nosso propósito devemos rever essa tendência para que o objetivo se torne claro e A SENDA ADIMENSIONAL então revelará seu verdadeiro valor.

 

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Capítulo 2: Tomos da Insanidade

 

PERGAMINHOS E FEITIÇOS derivados tanto da ORDEM quando do CAOS que são lidos e compreendidos colocam em perigo a sanidade de uma pessoa.

Assim tomos como O Necronomicon, que descreve a Magia Negra e acreditasse ser derivado de criaturas do Caos são tão perigosos quanto tomos de Magia Positiva, que descrevem a Magia Branca Estruturada, aparentemente derivados dos Sentinelas. Um catálogo de grimórios se torna importante se o mago deseja manter um equilíbrio constante em si.

 

Ao que tudo indica, no momento presente a maioria absoluta dos LIVROS PERIGOSOS do Caos desapareceram. Embora ainda existam cultos em diversas partes do globo terrestre que sem dúvida ainda promovem a adoração e buscam estabelecer Contato. Trabalhos clássicos de literatura da Ordem deveriam ser inclusos neste catálogo, Oriente e Ocidente, contando que se qualifiquem como base para promover as causas da Ordem de uma forma extrema – como exemplo “O Livro dos Rituais”, por Kung Fu Tzu, “O Livro Vermelho”, por Mao Tse Tung e talvez os livros de Aristóteles, Orígenes e Marx.

 

Porquanto a natureza da prática Mágica sempre envolve o risco da sanidade, a Magia Negra é muito mais perigosa, graças ao seu foco inerente na AQUISIÇÃO DE PODER, negligenciando toda e qualquer consequência. Já, a Magia Branca, embora também focada em se obter poder, não compartilha a flagrante falta de compaixão e, portanto, oferece apenas metade do risco. Caso não seja assim, o jogo de Cthulhu parece proceder como nós esperamos.

 

Já que a Magia Negra irá, em algum ponto, trabalhar com a destruição, é sensato supor que será ela justamente empregada de maneira efetiva contra os Servos de Cthulhu, já que esta forma é a que se mostrou mais eficaz em atingir o sucesso no passado (assim como em forçar o mago a ir além dos limites da própria sanidade o atirando em um estado mental deformado e caótico permanente).

 

Todos os feitiços que envolvem UM PRATICANTE como fonte desta CAUSA, ou como algo fundamental para o trabalho, representam uma provação para a sanidade deste praticante, não importando se Brancos ou Negros, independente do objetivo. A Magia que inclui em si o foco no desenvolvimento em um aumento da consciência ou uma cura grupal apresentam um perigo muito menor para a sanidade.

Existe apenas uma Magia que promove a sanidade: A MAGIA DA SENDA ADIMENSIONAL (S.A.)!

Magia S.A. é característica do Caminho, harmoniosa com o Estar Superior. Se o mago é capaz de desenvolver sua própria intuição, ou sentido-Tao, o progresso pode ser realizado, mas é um progresso extremamente complexo. A idéia de que alguém pode evoluir linearmente dentro da S.A. é falsa. A pessoa se torna, a pessoa não evolui. A pessoa entra em sintonia, a pessoa não se forja. A pessoa permite, a pessoa não faz. O Tao mantém o tecido da realidade coeso e torna possível a manifestação coordenada. Aqueles de grande harmonia podem ocasionalmente receber um “insight”, inspiração para agir ou uma breve compreensão do Drama Cósmico, o Grande Trabalho, do Tao.

 

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Capítulo 3: Elementos da Magia

 

Sendo doutrinadas na Ordem desde sua concepção, a maioria das pessoas são ensinadas que a magia é forjada na estrura do dogma e da superstição. As variáveis são padronizadas e generalizadas para que o aprendizado se torne mais fácil. Dado o estudo e/ou a instrução, aquele que busca pode determinar que estrutura pode ser descartada e onde variações podem ocorrer (em termos de alcance, intensidade, duração, etc.).

 

Existem 4 CATEGORIAS DE FEITIÇOS, organizadas por origem e alvos dos efeitos do feitiço.

 

1- Apenas o Mago

2- O Mago e energia/objetos

3- O Mago e outras pessoas

4- O Mago e seres alienígenas

 

1- Apenas o Mago:

1.1. Cura (física e psíquica)

1.2. Alteração de forma/aparência (uso de feitiços, disfarces)

1.3. Extender/alterar sensações (precognição, clarividência)

 

2- O Mago e energia/objetos

2.1. Produção (infusões, pós, pergaminhos, etc.)

2.2. Proteção (barreiras, reflexões)

2.3. Aperfeiçoamento de objetos (trancar portas, endurecer o solo)

2.4. Alterar o momentum (telecinese, teleporte pessoal, viagens dimensionais)

 

3- O Mago e outras pessoas

3.1. Cura ou Ataque (física, psíquica)

3.2. Comunicação (telepatia)

3.3. Cooperação (gestalt, teleporte grupal)

 

4- O Mago e seres alienígenas

4.1. Contato

4.2. Chamado

4.3. Convocação

4.4. Restrição/Amarração

4.5. Sigilo Mais Antigo (selar, lacrar)

4.6. Portal

Obs. Curar outras pessoas é o últimos dos feitiços exclusivamente Brancos. De Ataque ao Portal a Magia Negra se torna possível.

 

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Capítulo 4: Conclusões?!

A maioria dos feitiços colocam em risco a sanidade do mago, já que exigem um único foco e o domínio de quantidades absurdas de poder. Magia realmente poderosa é rara nos dias de hoje e, como já foi notado, o uso da Magia Negra oferece muitos riscos. Os feitiços usados tanto pelos magos Brancos quanto Negros são os segundos mais perigosos, seguidos por aqueles usados apenas pelos Magos Brancos (tais como curas grupais ALTRUÍSTICAS).

 

O Microcosmo do Mago corresponde diretamente ao Macrocosmo do CONTINUUM UNIVERSAL. Conforme o Caos e a Ordem se equilibram, um potencial maior é atingido, maximizando a eficiência e a flexibilidade em um grande jogo de prazer pessoal e cósmico. Desta forma, o Jogo Inominável é um ritual simbólico, uma tentativa de nos desequilibrar enquanto oscilamos entre os extremos. A maioria dos Magos aceita apenas uma das facções da maré, contribuindo para o desequilíbrio geral, mas quando o objetivo é o equilíbrio ao invés da supremacia da Ordem, esse erro se tornará claro.

 

A Magia, analizada sob este contexto, é uma ferramenta necessária utilizada para retardar a mudança rápida da Ordem para o Caos para a Ordem… Embora possa causar interrupções temporárias da sanidade, ela acaba compensando a longo prazo quando usada contra um poder que certamente irá CORROSIVAMENTE NOS DISSOLVER.

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Este material foi proibido por Deus.

 

Por LöN Fucking Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/magia-adimensional/

Carta de Barnabé

CAPÍTULO 1:

Saudação:

Filhos e filhas, eu vos saúdo na paz, em nome do Senhor que nos amou.

A fé dos destinatários Grandes e ricos são os decretos de Deus a vosso respeito. Acima de tudo, eu me alegro imensamente pelos vossos espíritos felizes e gloriosos, pois dele recebestes a semente plantada em vós mesmos, a graça do dom espiritual. Por isso, eu me alegro mais na esperança de me salvar, porque verdadeiramente vejo em vós que o Espírito da fonte abundante do Senhor foi derramado sobre vós. Em vosso caso, foi isso que me chamou a atenção ao vê-los, o que eu tanto desejava.

Intenções do autor:

Estou convencido e intimamente persuadido disso, porque conversei muito convosco. O Senhor caminhou comigo no caminho da justiça e eu também me sinto impulsionado a amar-vos mais do que à minha própria vida, pois a fé e o amor que habitam em vós são grandes e fundados sobre a esperança da vida dele. Pensei que, se eu me preocupasse em participar-vos aquilo que recebi, eu teria recompensa por ter servido a espíritos como os vossos. Esforcei-me então para vos enviar estas poucas linhas, para que, além de vossa fé, tenhais também o conhecimento perfeito. Os ensinamentos do Senhor são três: a esperança da vida, começo e fim da nossa fé; a justiça, começo e fim do julgamento; o amor, testemunho pleno da alegria e contentamento das obras realizadas na justiça. Com efeito, por meio dos profetas, o Senhor nos fez conhecer o passado e o presente, e nos fez saborear antecipadamente o futuro. Vendo que uma e outra coisa se realizam conforme ele falou, devemos progredir no seu temor, de maneira mais rica e mais elevada. Quanto a mim, não é como mestre, mas como um de vós, que vos preparei umas poucas coisas. Através delas, vocês se alegrarão nas circunstâncias presentes.

CAPÍTULO 2:

O culto que Deus quer:

Introdução:

Como os dias são maus e é aquele que exerce o poder, devemos, para o nosso próprio bem, procurar as decisões do Senhor. Os auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de luta são a paciência e o autocontrole. Se essas virtudes permanecem puras diante do Senhor, a sabedoria, a inteligência, a ciência e o conhecimento virão regozijar-se com elas.

Os sacrifícios:

De fato, foi-nos mostrado, mediante todos os profetas, que Deus não tem necessidade de sacrifícios, nem de holocaustos, e nem de ofertas. Em certa ocasião, ele diz: “Que me importa a multidão de vossos sacrifícios?” diz o Senhor. “Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de cordeiros não sangue de touros e de bodes, e nem que venhais vos apresentar diante de mim. Quem pediu essas coisas de vossas mãos? Não continueis a pisar em meu átrio. Se ofereceis flor de farinha, é em vão; vosso incenso para mim é abominação. Não suporto vossas neomênias e vossos sábados.” Ele rejeitou essas coisas, para que a lei nova de nosso Senhor Jesus Cristo, que é sem o jugo da necessidade, não precise de oferta preparada por homens. Ele ainda lhes disse: “Por acaso, ordenei a vossos pais, ao saírem do Egito, que me oferecessem holocaustos? Pelo contrário, eis o que lhes ordenei: Que nenhum de vós guarde em seu coração rancor contra o próximo e que não ame o juramento falso.” Devemos, portanto, compreender, pois não somos sem inteligência, o desígnio de nosso Pai em sua bondade, pois ele se dirige a nós, desejando que procuremos o modo de nos aproximar dele, sem nos extraviar, como aqueles homens. Eis, portanto, o que ele nos diz: “O sacrifício para Deus é um coração contrito; o perfume de suave odor para o Senhor é o coração que glorifica o seu Criador.” Irmãos, devemos, portanto, cuidar de nossa salvação, para que o maligno não introduza em nós o erro, e nos atire, como pedra de funda, para longe da nossa vida.

CAPÍTULO 3:

O jejum:

A respeito disso, falou-lhes ainda, “Com que finalidade jejuais para mim”, diz o Senhor, “como se ouve hoje aos gritos a vossa voz? Não é esse jejum que escolhi”, diz o Senhor, “não o homem que humilha a si mesmo. Nem quando dobrais vosso pescoço como um círculo, nem quando vos cobris de pano de saco e cinza, não chameis isso de jejum agradável.” Para nós, porém, ele diz: “Eis o jejum que eu escolhi”, diz o Senhor: “Desata todas as amarras da injustiça; desfaz as cordas dos contratos iníquos; envia os oprimidos em liberdade; rasga toda escritura injusta; reparte teu pão com os famintos; se vês alguém nu, veste-o; conduz para a tua casa os desabrigados; se vês algum pobre, não o desprezes; não te afastes dos membros de tua família. Então tua luz romperá pela manhã, tuas vestes rapidamente resplandecerão, a justiça irá à tua frente e a glória de Deus te envolverá. Então outra vez gritarás, e Deus te ouvirá. Ao falar, ele te dirá: Eis-me aqui! Isso, se renunciares a tecer amarras, a levantar a mão, a murmurar, e se deres de coração o teu pão ao faminto e tiveres compaixão da pessoa necessitada.” Por isso, irmãos, o paciente (Deus), prevendo que o povo, que ele preparou através do seu Amado, acreditaria com simplicidade, nos antecipou todas essas coisas, para que nós, como prosélitos, não nos arrebentássemos contra a lei deles.

CAPÍTULO 4:

Vigilância:

Exortação geral:

É preciso, portanto, que examinemos com grande atenção a situação presente, para procurar o que nos pode salvar. Fujamos, pois, radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se apoderem de nós. Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no mundo futuro. Não demos à nossa alma a liberdade, de modo que ela não tenha poder de correr com os maus e pecadores, a fim de que não nos tornemos semelhantes a eles.

Iminência do fim:

O máximo do escândalo se aproxima, conforme está escrito, como diz Enoque. Com efeito, é por isso que o Senhor abreviou os tempos e os dias, a fim de que seu Amado chegue mais depressa à herança. Assim diz o profeta: “Dez reis reinarão sobre a terra e, depois disso, surgirá um pequeno rei que humilhará três reis de uma só vez.” Sobre isso, Daniel diz algo semelhante: “Vi a quarta besta, maligna, forte e mais terrível do que todas as bestas do mar. Dela brotaram dez chifres, e desses saiu um pequeno chifre, como broto. Este, de uma só vez, humilhou três dos chifres grandes.” Deveis, portanto, compreender.

A Aliança tem exigências:

Além disso, peço-vos insistentemente, eu que sou um e vós e vos amo a todos e a cada um em particular mais do que a mim mesmo: tomai cuidado para não ficardes como certas pessoas, que acumulam pecados, dizendo que a Aliança está garantida para nós. Claro que era é nossa. Eles (os judeus) a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido. De fato, a Escritura diz: “Moisés jejuou na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, e depois recebeu do Senhor a Aliança, as tábuas de pedra escritas pelo dedo da mão do Senhor”. Eles, porém, a perderam, por se terem voltado para os ídolos. Com efeito, assim disse o Senhor: “Moisés, Moisés, desce depressa, pois teu povo pecou, aqueles que fizeste sair da terra do Egito”. Moisés compreendeu, e jogou as duas tábuas de suas mãos. A Aliança deles foi rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela esperança da fé que nele temos. Querendo escrever muitas coisas, não como mestre, mas como convém a quem ama, não deixando perder nada do que possuímos, apliquei-me a escrever, como vosso humilde servidor. Estejamos atentos nestes últimos dias! Nada adiantará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora, neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos, como convém a filhos de Deus. A fim de que as Trevas não se infiltrem em nós e às escondidas, fujamos de toda vaidade e odiemos completamente as obras do mau caminho. Não vos isoleis, dobrando-vos sobre vós mesmos, como se já estivésseis justificados, mas reuni-vos, para procurar juntos o vosso bem comum. De fato, a Escritura diz: “Ai daqueles que se crêem inteligentes e que são sábios diante de si mesmos!” Tornemo-nos espirituais, tornemo-nos um templo perfeito para Deus. Quanto nos for possível, apliquemo-nos ao temor de Deus e combatamos para observar seus mandamentos, a fim de nos alegrarmos em suas disposições. O Senhor julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal. Tomemos cuidado para não ficarmos tranqüilos como chamados, adormecendo sobre nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nós e nos afaste do reino do Senhor. Meus irmãos, compreendei ainda o seguinte: quando vedes que, depois de tantos sinais e prodígios acontecidos em Israel, assim mesmo eles foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não sejamos encontrados “muitos chamados, mas poucos escolhidos.”

CAPÍTULO 5:

Sofrimento do Senhor:

O Senhor sofreu para purificar-nos de nossos pecados
O Senhor suportou entregar sua própria carne à destruição, para que fôssemos purificados pelo perdão dos pecados, isto é, pela aspersão feita com seu sangue. A respeito dele, a Escritura diz o seguinte sobre Israel e sobre nós: “Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e maltratado por causa de nossos pecados, e nós fomos curados por sua chaga. Foi conduzido como ovelha ao matadouro e, como cordeiro, ficou mudo diante do tosquiador.”

Responsabilidade do homem:

Precisamos, portanto, multiplicar nossos agradecimentos ao Senhor, porque ele nos fez conhecer as coisas passadas, tornou-nos sábios no presente e não estamos sem inteligência para as coisas futuras. A Escritura diz: “Não se estendem injustamente as redes para os pássaros”. Isso quer dizer que, com razão, se perderá o homem que, tendo conhecimento do caminho da justiça, toma entretanto o caminho das trevas.

O Senhor sofreu para cumprir a promessa:

Ainda o seguinte, meus irmãos: “Se o Senhor suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a quem Deus disse desde a criação do mundo: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’, como pode ele suportar sofrer pela mão dos homens? Aprendei. Os profetas, que tinham a graça dele, profetizaram a seu respeito. E ele afim de destruir a morte e mostrar a ressurreição dos mortos, teve que se encarnar e sofrer, afim de cumprir a promessa feita aos pais e preparar para si o povo novo e demonstrar, durante sua estada na terra, que era ele mesmo que julgaria, depois de ter realizado a ressurreição.

O Senhor sofreu na carne para que os pecadores pudessem vê-lo
Por fim, embora ele tivesse ensinado a Israel e realizado tão grandes prodígios e sinais, eles não foram levados por sua pregação a amá-lo acima de tudo. Porém, quando ele escolheu seus próprios apóstolos, que iriam anunciar o seu Evangelho, homens cujo pecado ultrapassava a medida, foi para mostrar que ele não tinha vindo chamar os justos, e sim os pecadores. Então ele manifestou que era Filho de Deus. Com efeito, se não se tivesse encarnado, como os homens poderiam ter sido salvos ao vê-lo, uma vez que eles não podem levantar os olhos para olhar de frente os raios do sol, que todavia um dia deixará de existir e que é tão-somente obra de suas mãos?

O Senhor sofreu para levar ao máximo o pecado de Israel:

Se o Filho de Deus se encarnou, foi para levar ao máximo os pecados daqueles que tinham perseguido mortalmente os profetas dele. E por isso que ele suportou. De fato, Deus diz que é deles que vem a ferida de sua carne: “Quando ferirem o seu pastor, então as ovelhas do rebanho perecerão”. Foi ele, porém, que quis sofrer desse modo. Com efeito, era preciso que ele sofresse sobre o madeiro, pois o profeta diz a seu respeito: “Poupa à minha vida à espada”. E “transpassa com cravo a minha carne, porque uma assembléia de malfeitores se levantou contra mim”. E diz ainda: “Eis que ofereci minhas costas aos açoites e minha face para as bofetadas. Contudo, mantive o meu rosto como pedra dura”.

CAPÍTULO 6:

Vitória pascal:

O que diz ele, quando cumpriu o mandamento? “Quem é que me julga? Coloque-se diante de mim. Ou quem quer ser declarado justo diante de mim? Que se aproxime do servo do Senhor. Ai de vós! Porque todos vós envelhecereis como veste e a traça vos roerá”. E o profeta continua, uma vez que ele foi colocado como sólida pedra para esmagar: “Eis que colocarei nos alicerces de Sião uma pedra de grande valor, escolhida, angular e preciosa”. O que diz em seguida? “Aquele que nela crer, viverá para sempre”. Será que a nossa esperança está numa pedra? De modo nenhum. Mas foi o Senhor que tornou forte a sua carne. Com efeito, ele diz: “Ele me tornou como pedra dura”. O profeta continua: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a cabeça de ângulo”. E diz ainda: “Este é o dia grande e maravilhoso que o Senhor fez”.

A paixão:

Eu, humilde servo do amor, vos escrevo com simplicidade, para que compreendais. O que diz ainda o profeta? “Uma assembléia de malfeitores me rodeou. Eles me cercaram como abelhas ao favo”. E “sobre minhas vestes tiraram sortes”. E como era na sua carne que ele devia revelar-se e sofrer, sua paixão foi revelada de antemão. De fato, o profeta diz a respeito de Israel: “Ai da vida deles! Pois conceberam um desejo mau contra si mesmos, dizendo: Amarremos o justo, porque ele nos incomoda”.

Nova criação:

Que lhes diz Moisés, outro profeta? “Eis o que diz o Senhor Deus: Entrai na terra boa, que o Senhor prometeu a Abraão, Isaque e Jacó. Tomai posse dessa terra, onde correm leite e mel.” O que diz a sabedoria? Aprendei: “Ponde vossa esperança em Jesus, que deve revelar-se a vós na carne”. Com efeito, o homem é terra que sofre, pois é da terra que Adão foi plasmado. Que significa: “Na terra boa, terra onde correm leite e mel”? Bendito seja nosso Senhor, irmãos, pois ele pôs em nós a sabedoria e o entendimento de seus segredos. Pois o profeta diz: “Quem poderá compreender uma parábola do Senhor, a não ser o sábio que conhece e ama o seu Senhor?” Depois de nos ter renovado com o perdão dos pecados, ele fez de nós um novo ser, de modo que tenhamos alma de criança, como se ele nos tivesse plasmado novamente. De fato, a Escritura fala a nosso respeito, quando ele diz ao Filho: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar”. E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: “Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra”. Foi isso que ele disse ao Filho. Vou agora te mostrar como ele fala de nós. Ele realizou segunda criação nos últimos tempos. O Senhor diz: “Eis que faço as últimas coisas como as primeiras.” Nesse sentido, assim falou o profeta: “Entrai na terra onde correm leite e mel, e dominai-a”. Eis-nos, portanto, criados de novo, conforme o que ele diz ainda por outro profeta: “Eis”, diz o Senhor, “que arrancarei deles” – isto é, daqueles que o Espírito do Senhor via de antemão – “os corações de pedra, e implantarei neles corações de carne”. De fato, é na carne que ele devia manifestar-se e habitar em nós. Com efeito, meus irmãos, nossos corações assim habitados formam um templo santo para o Senhor. E o Senhor diz ainda: “Como me apresentarei diante do Senhor e serei glorificado”? Ele diz: “Celebrar-te-ei na assembléia de meus irmãos e cantarei teus louvores em meio à assembléia dos santos”. Portanto, somos nós que ele fez entrar na terra boa. E o que significam o “leite” e o “mel”? E porque a criança é nutrida primeiro com o mel e depois com o leite. Igualmente nós, alimentados pela fé na promessa e na palavra, vivemos dominando a terra. Ora, ele tinha dito antes: “Que eles cresçam, se multipliquem e dominem os peixes”. E quem pode hoje dominar as feras, ou os peixes, ou os pássaros do céu? Devemos compreender que dominar implica poder, a fim de que aquele que ordena possa dominar. Se hoje não é assim, ele nos disse o tempo: Quando formos perfeitos para sermos herdeiros da aliança do Senhor.

CAPÍTULO 7:

Jejum e o bode expiatório:

Compreendei, portanto, filhos da alegria, que o bom Senhor nos revelou tudo de antemão, para que saibamos a quem constantemente celebrar com ação de graças. Se o Filho de Deus, que é Senhor e julgará os vivos e os mortos, sofreu para nos dar a vida por meio de seus ferimentos, acreditamos que o Filho de Deus não podia sofrer, a não ser por causa de nós. Além disso, já crucificado, deram-lhe a beber vinagre e fel. Escutai como os sacerdotes do templo se expressaram sobre isso. O mandamento escrito dizia: “Quem não jejuar no dia do jejum, será condenado à morte”. O Senhor deu esse mandamento, porque também ele devia oferecer a si próprio pelos nossos pecados, como receptáculo do Espírito, em sacrifício, a fim de que fosse cumprida a prefiguração manifestada em Isaque, oferecido sobre o altar. O que diz ele por meio do profeta? “Que comam, durante o jejum, do bode oferecido por todos os pecados”. Notai bem: “E que todos os sacerdotes, e somente eles, comam as vísceras não lavadas com vinagre”. Por que isso? “Porque vós me fareis beber fel com vinagre, a mim que ofereci minha carne pelos pecados do meu novo povo. Somente vós comereis, enquanto o povo jejuará e se flagelará com pano de saco e cinza”. Isso era para mostrar que ele deveria sofrer na mão deles. Como ele ordenou? Prestai atenção: “Tomai dois bodes bonitos e iguais, e oferecei-os em sacrifício. Que o sacerdote tome o primeiro como holocausto pelos pecados.” E o que farão com o outro? Ele diz: “O outro é maldito.” Notai como a figura de Jesus é manifestada. “Cuspi todos nele, transpassai-o, coroai sua cabeça com lã escarlate e, desse modo, seja expulso para o deserto”. Feito isso, aquele que leva o bode o conduz ao deserto, tira-lhe a lã e a coloca sobre um arbusto chamado sarça, cujos frutos costumamos comer quando nos encontramos no campo. Somente os frutos da sarça são doces. O que significa isso? Prestai atenção: “O primeiro bode sobre o altar, o outro é maldito”. Justamente o maldito é que é coroado. É que eles o verão, naquele dia, trazendo sobre sua carne o manto escarlate, e dirão: “Não é este que outrora crucificamos, depois de o ter desprezado, transpassado e cuspido? Na verdade, era este que então se dizia Filho de Deus”. Qual a sua semelhança com aquele? São bodes “semelhantes”, “belos”, iguais, para que quando o virem então vir, fiquem espantados com a semelhança do bode. Eis, portanto, a figura de Jesus que devia sofrer. E por que se coloca a lã no meio dos espinhos? É uma figura de Jesus proposta para a Igreja: porque os espinhos são terríveis, aquele que quer pegar a lã escarlate deve sofrer muito, e deve apossar-se dela através da dor. Ele diz: “Dessa forma, aqueles que desejam ver-me e alcançar o meu Reino devem passar por tribulações e sofrimentos, para se apossar de mim”.

CAPÍTULO 8:

Sacrifício da novilha:

E que figura pensais que representa o mandamento dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira – de novo aqui a imagem da cruz e a lã escarlate – e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens! Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaque e Jacó, que são grandes diante de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos, durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz do Senhor.

CAPÍTULO 9:

A verdadeira circuncisão:

Circuncisão do ouvido:

De fato, é dos ouvidos que ele fala ainda, quando diz que circuncidou nossos ouvidos e nossos corações. O Senhor diz por meio do profeta: “Obedeceram-me com os ouvidos.” E diz ainda: “Os que estão longe escutarão com o ouvido e conhecerão o que eu fiz”. E mais: “Circuncidai vossos ouvidos, diz o Senhor.” E diz também: “Escuta, Israel, eis o que diz o Senhor teu Deus: Quem deseja viver para sempre? Que ele escute com o ouvido a voz do meu servo”. E diz ainda: “Escuta, ó céu; dá ouvidos, ó terra, pois o Senhor falou isso como testemunho”. E diz mais: “Escutai a palavra do Senhor, príncipes deste povo”. E diz ainda: “Filhos, escutai a voz que grita no deserto”. Ele, portanto, circuncidou nossos ouvidos, para que escutemos a palavra e creiamos.

Circuncisão do coração:

Contudo, a circuncisão, na qual eles depositavam confiança, foi rejeitada. De fato, ele dissera que a circuncisão não devia ser da carne, mas eles transgrediram, porque um anjo mau os enganou. Todavia, ele lhes diz: “Assim fala o Senhor vosso Deus” – é aí que encontro o mandamento – “Não semeeis entre os espinhos, mas circuncidai-vos para o vosso Senhor”. E o que diz ele? “Circuncidai a maldade do vosso coração”. E diz ainda: “Eis, diz o Senhor, que todas as nações têm o prepúcio incircunciso, mas este povo tem o coração incircunciso”.

Circuncisão de Abraão:

Vós, porém, direis: “O povo recebeu a circuncisão como selo”. Contudo, todos os sírios, os árabes e todos os sacerdotes dos ídolos também têm a circuncisão. Pertencem também eles à sua aliança? Até os egípcios praticam a circuncisão! Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas coisas: Abraão, praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento das três letras. Com efeito, ele diz: “E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens”. Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos.

CAPÍTULO 10:

Significado espiritual das prescrições alimentares:

Primeira formulação:

Moisés disse: “Não comereis porco, nem águia, nem gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas”. Porque ele tinha em mente três ensinamentos. Por fim, ele diz a eles no Deuteronômio: “Exporei a esse povo as minhas decisões”. A proibição de comer não é, portanto, mandamento de Deus, pois Moisés falava simbolicamente. Eis o significado do que ele diz sobre o “porco”. Não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos; isto é, que quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor; mas na necessidade reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, ele não conhece seu dono; mas quando está com fome, ele grunhe e, uma vez tendo comido, volta a se calar. Ele diz: “Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o milhafre, nem o corvo.” Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente, procurando a ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros flagelos por sua crueldade. Ele continua: “Não comerás moréia, nem polvo, nem molusco.” Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo.

Segunda formulação:

Também “não comerás a lebre.” Por que razão? Isso quer dizer: não serás pederasta, nem imitarás aqueles que são assim. Porque a lebre, a cada ano, multiplica seu ânus. Ela tem tantos orifícios quanto o número de seus anos. Também “não comerás a hiena”. Isso quer dizer: não serás nem adúltero, nem homossexual, e não te assemelharás àqueles que são assim. Por que razão? Porque esse animal muda de sexo todos os anos e torna se ora macho, ora fêmea. Ele odiou também “a doninha”. Muito bem! Não serás como aqueles que cometem, como se diz, iniqüidade com a boca por depravação, nem te ligarás a esses depravados que cometem iniqüidade com sua boca. De fato, esse mal se concebe pela boca. Moisés, tendo recebido tríplice ensinamento sobre os alimentos, usou linguagem simbólica. Eles, porém, o entenderam sobre os alimentos materiais, por causa do desejo carnal.

Davi confirma o ensinamento:

Davi recebeu o conhecimento desse mesmo ensinamento tríplice. Ele fala de forma semelhante: “Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios”, como os peixes que se movem nas trevas para o fundo; “e que não pára no caminho dos pecadores”, como aqueles que aparentam temer ao Senhor, mas pecam como o porco; “e que não se assentou na cátedra da pestilência”, como as aves que se postam para a rapina. Aí tendes perfeitamente o que se refere à comida.

Conclusão:

Moisés, porém, disse: “Comei de todo animal que tem o casco fendido e que rumina.” O que ele quer dizer? Que (tal animal), quando recebe a comida, conhece aquele que o alimenta, e quando repousa, parece que se alegra com ele. Disse-o bem, considerando o mandamento. Que quer ele dizer? Vinculai-vos àqueles que temem o Senhor, que meditam no coração sobre o sentido exato da palavra que receberam, que ensinam e observam as decisões do Senhor, que sabem que a meditação é alegre exercício e que ruminam a palavra do Senhor. O que significa o “casco fendido”? É que o justo caminha neste mundo e espera o mundo santo. Vede como Moisés legislou bem! Mas, para eles, como é possível compreenderem ou entenderem essas coisas? Nós, tendo compreendido exatamente os mandamentos, os exprimimos como o Senhor desejou. Por isso, ele circuncidou nossos ouvi dos e nossos corações, para compreendermos essas coisas.

CAPÍTULO 11:

Profecias do Batismo e da Cruz:

A água:

Pesquisemos se o Senhor teve intenção de falar antecipadamente sobre a água e sobre a cruz. Quanto à água, está escrito que Israel não teria recebido o batismo que leva à remissão dos pecados, mas que eles próprios teriam constituído um. Com efeito, diz o profeta: “Pasma, ó céu, e que a terra trema ainda mais! Pois este povo cometeu mal duplo: eles me abandonaram, a mim que sou a fonte viva da água, e cavaram para si mesmos uma cisterna de morte. Por acaso, o Sinai, minha montanha santa, é rocha deserta? Vós sereis como os passarinhos que voam, quando se lhes tira o ninho”. E o profeta diz ainda: “Eu marcharei à tua frente, aplainarei as montanhas, quebrarei as portas de bronze, despedaçarei as trancas de ferro, e te darei tesouros secretos, escondidos, invisíveis, a fim de que saibam que eu sou o Senhor Deus. Tu habitarás numa caverna alta de rocha sólida, onde a água não falta nunca. Vereis o rei em sua glória e vossa alma meditará no temor do Senhor”.

A água e o madeiro:

Ele diz ainda por meio de outro profeta: “Quem assim age, será como a árvore plantada junto à corrente d’água, e que dá seu fruto no tempo certo. Sua folhagem não cairá; e tudo o que ele fizer terá sucesso. Não são assim os ímpios, não são assim. Eles são, antes, como a poeira que o vento espalha na face da terra. E por isso que os ímpios não se levantarão no julgamento, nem os pecadores no conselho dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá”. Notai que ele designa ao mesmo tempo a água e a cruz. Com efeito, ele quer dizer: “Felizes aqueles que, tendo lançado sua esperança na cruz, desceram para a água. Pois ele diz que o salário vem “no tempo certo”. Então, diz ele, eu retribuirei. Mas para hoje, ele diz: “Sua folhagem não cairá”. Isso significa que toda palavra de fé e amor que sair da vossa boca será para muitos causa de conversão e de esperança. E outro profeta diz ainda: “E a terra de Jacó era celebrada mais do que qualquer outra terra”. Isso quer dizer que ele glorifica o vaso do seu Espírito. O que diz ele a seguir? “Havia um rio que corria, vindo da direita, e árvores esplêndidas hauriam dele seu crescimento. Qualquer pessoa que delas comer, viverá eternamente”. Isso significa que descemos para a água carregados de pecados e poluição, mas subimos dela para dar frutos em nosso coração, tendo no Espírito o temor e a esperança em Jesus. “Quem comer deles viverá eternamente”, quer dizer: quem escutar, quando tais palavras são ditas, e crer nelas, viverá eternamente.

CAPÍTULO 12:

O madeiro:

Da mesma forma, é sobre a cruz que ele fala por meio de outro profeta: “Quando tais coisas se cumprirão? Diz o Senhor: Quando um madeiro for estendido no chão e depois novamente levantado, e quando o sangue gotejar do madeiro.” Eis que se fala de novo da cruz e daquele que seria crucificado. Ele ainda fala a Moisés, quando Israel é atacado pelos povos estrangeiros, para lembrar-lhes, nesse combate, que era pelos pecados deles que estavam sendo entregues à morte. Falando ao coração de Moisés, o Espírito lhe fez representar a figura da cruz e de quem sofreria, pois, diz ele, se não esperarem nele, serão eternamente atacados. Então Moisés amontoou as armas no meio do combate e, de pé, no lugar mais alto de todos, estendeu os braços, e assim Israel venceu novamente. Em seguida, cada vez. que os abaixava, os israelitas sucumbiam outra vez. Por quê? Para que soubessem que não podiam ser salvos, se não confiassem nele. Por meio de outro profeta, ele diz ainda: “O dia inteiro estendi meus braços para um povo desobediente e que se opõe ao meu justo caminho”. Outra vez ainda, no momento em que Israel sucumbia, Moisés fez prefiguração de Jesus, mostrando que ele devia sofrer, e justamente aquele que acreditavam estar morto na cruz, haveria de dar a vida. De fato, o Senhor fez com que todo tipo de serpentes os mordessem, e eles morriam, embora a serpente tenha sido para Eva o instrumento da desobediência. Ele queria assim convencê-los de que era por causa da desobediência deles que seriam entregues à tortura da morte. Finalmente, o próprio Moisés tinha ordenado: “Não tereis, como vosso deus, nenhuma imagem fundida ou esculpida.” Mas ele próprio fez uma serpente de bronze, colocou-a diante de todos, e convocou o povo. Quando se reuniram naquele lugar, suplicaram a Moisés que intercedesse pela cura deles. Moisés porém, lhes respondeu: “Quando alguém de vós for mordido, venha até à serpente fixada ao madeiro e creia com confiança. Crendo que essa serpente, embora morta, possa dar a vida, no mesmo instante será salvo”. Assim fizeram eles. Eis aqui de novo a glória de Jesus, porque tudo está nele e tudo é para ele.

Jesus, Filho de Deus:

Que diz ainda Moisés a respeito do profeta Josué, filho de Num, dando-lhe esse nome, somente para que todo o povo ouvisse que o Pai revela todas as coisas em torno de seu Filho Jesus? Enviando-o para explorar o país, depois de lhe ter dado esse nome, Moisés disse a Josué, filho de Num: “Toma em tuas mãos um livro e escreve o que diz o Senhor: Nos últimos dias, o Filho de Deus arrancará pelas raízes a casa de Amaleque”. Mais uma vez, eis que Jesus, manifestado em prefiguração carnal, não filho de homem, mas Filho de Deus. Porque diriam que o Cristo é filho de Davi, o próprio Davi, temendo e prevendo o erro dos pecadores, profetiza: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como estrado para teus pés”. Isaías também diz: “O Senhor disse ao Cristo, meu Senhor: Eu o tomei pela mão direita, para que as nações lhe obedeçam, e eu romperei a força dos reis”. Vede como Davi o chama Senhor, e não filho!

CAPÍTULO 13:

A Aliança:

Qual povo é o herdeiro?:

Vejamos agora qual é o povo que recebe a herança. Se este, ou se o primeiro. E a Aliança, é para nós, ou para aqueles? Escutai, então, o que diz a Escritura a respeito do povo: “Isaque rezava pela sua mulher Rebeca, que era estéril, e ela concebeu”. Depois: “Rebeca saiu para consultar o Senhor, e o Senhor lhe disse: Há duas nações em teu seio e dois povos em tuas entranhas. Um povo dominará o outro, e o mais velho servirá ao mais jovem”. Deveis compreender quem é Isaque e quem é Rebeca, e a quem se referia ao mostrar que este povo é maior do que aquele. Em outra profecia, Jacó se dirige mais claramente ainda a seu filho José, dizendo: “Eis que o Senhor não me privou de tua presença. Traze-me teus filhos, para que eu os abençoe”. Ele levou Efraim e Manasses, querendo que Manassés, o mais velho, recebesse a bênção. José o conduziu para a mão direita de seu pai Jacó. No entanto, Jacó viu em espírito a prefiguração do povo futuro. E o que disse ele? “E Jacó cruzou as mãos, e colocou a direita sobre a cabeça de Efraim, o segundo e o mais novo, e o abençoou. Então José disse a Jacó: ‘Desvia tua mão direita e coloca-a sobre a cabeça de Manassés, pois ele é o meu filho primogênito’. Então Jacó disse a José: ‘Eu sei, meu filho, eu sei. O mais velho servirá ao mais jovem, e é este que será abençoado’”. Vede a quem ele se referia ao decidir que este povo seria o primeiro e o herdeiro da Aliança. Se isso ainda nos é lembrado no caso de Abraão, então nosso conhecimento torna-se completo. O que é que ele diz então a Abraão, pelo fato de que somente ele tinha acreditado, e foi estabelecido na justiça? “Abraão, eis que eu te estabeleci como pai de nações que, embora incircuncisas, acreditam em Deus”.

CAPÍTULO 14:

A quem Deus dá sua Aliança?:

Muito bem. Porém vejamos: Pesquisemos, para ver se ele deu ao povo a Aliança que prometera – juramento a seus antepassados. Certamente ele a deu, mas eles não foram dignos de recebê-la, por causa de seus pecados. De fato, o profeta diz: “Moisés jejuou quarenta dias e quarenta noites no monte Sinai, para receber a Aliança do Senhor com o povo. E Moisés recebeu do Senhor as duas tábuas escritas em espírito pelo dedo da mão do Senhor. Moisés as tomou, e começou a descer, para levá-las ao povo. Então disse a Moisés o Senhor: ‘Moisés, Moisés, apressa-te a descer, pois teu povo, que fizeste sair da terra do Egito, pecou’. Moisés compreendeu que eles ainda tinham feito para si imagens de metal fundido. Então ele atirou de suas mãos as tábuas, e as tábuas da Aliança do Senhor se quebraram”. Moisés, portanto, a recebeu, mas eles não foram dignos dela. Aprendei como nós a recebemos. Moisés a recebeu como servo, mas o próprio Senhor, depois de sofrer por nós, no-la entregou como povo da herança. Ele apareceu, para que aqueles levassem ao máximo a medida dos pecados e nós recebêssemos a Aliança mediante o Senhor Jesus, o herdeiro. Jesus foi preparado por ocasião de sua manifestação, para libertar das trevas nossos corações já consumidos pela morte e entregues aos desvios da iniqüidade, e para estabelecer conosco uma Aliança com a palavra. De fato, está escrito que o Pai lhe ordenou libertar-nos das trevas, a fim de preparar para si um povo santo. Diz, portanto, o profeta: “Eu, o Senhor teu Deus, te chamei na justiça, e te tomarei pela mão e te fortificarei. Eu te coloquei como Aliança de um povo, como luz das nações, para abrir os olhos dos cegos, para libertar das cadeias os prisioneiros e da prisão aqueles que estão nas trevas”. Sabei, portanto, de onde fomos libertos! O profeta diz ainda: “Eis que eu te coloquei como luz das nações, a fim de que sirvas para a salvação, até os confins da terra. Assim diz o Senhor, o Deus que te libertou”. E o profeta diz ainda: “O Espírito do Senhor está sobre mim e, por isso, me ungiu para anunciar aos pobres o evangelho da graça. Ele me enviou para curar os corações quebrantados, para proclamar aos prisioneiros a liberdade e aos cegos a vista, para anunciar o ano favorável do Senhor e o dia da retribuição, para consolar todos os que choram.”

CAPÍTULO 15:

O Sábado de Deus:

Ainda, sobre o sábado, está escrito no Decálogo que Deus o entregou pessoalmente a Moisés sobre o monte Sinai: “Santificai o sábado do Senhor com mãos puras e coração puro”. Em outro lugar, ele diz: “Se meus filhos guardarem o sábado, então estenderei sobre eles a minha misericórdia”. Ele menciona o sábado no princípio da criação: “Em seis dias, Deus fez as obras de suas mãos e as terminou no sétimo dia, e nele descansou e o santificou”. Prestai atenção, filhos, sobre o que significa: “terminou no sétimo dia”. Isso significa que o Senhor consumará o universo em seis mil anos, pois um dia para ele significa mil anos. Ele próprio o atesta, dizendo: “Eis que um dia do Senhor será como mil anos.” Portanto, filhos, em “seis dias”, que são seis mil anos, o universo será consumado. “E ele descansou no sétimo dia”. Isso quer dizer que seu Filho, quando vier para pôr fim ao tempo do Iníquo, para julgar os ímpios e mudar o sol, a lua e as estrelas, então ele, de fato, repousará no sétimo dia. Por fim, ele diz: “Tu o santificarás com mãos puras e coração puro”. Contudo, se alguém atualmente pudesse santificar, de coração puro, esse dia que Deus santificou, então nós nos teríamos enganado completamente. Porém, se este agora não é o caso, ele o santificará verdadeiramente no repouso, quando nós formos capazes disso, isto é, quando tivermos sido justificados e tivermos recebido o objeto da promessa, quando não houver mais iniqüidade, e o Senhor tiver renovado tudo. Então, poderemos santificá-lo, tendo sido primeiro nós mesmos santificados. Ele finalmente lhes disse: “Não suporto vossas neomênias e vossos sábados”. Vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.

CAPÍTULO 16:

O Templo:

No que se refere ao templo, eu vos direi ainda como esses infelizes extraviados puseram sua esperança num edifício, como se fosse a casa de Deus, e não no Deus deles, que os criou. Com efeito, quase como os pagãos, eles o consagraram no templo. Mas, como fala o Senhor, abolindo-o? Aprendei: “Quem mediu o céu com o palmo e a terra com a mão? Não fui eu? diz o Senhor: O céu é o meu trono e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa construireis para mim, ou qual será o lugar do meu repouso”? Vede como era vã a esperança deles. Por fim, ele diz ainda: “Eis! aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão.” E o que está acontecendo. De fato, por causa da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos. E agora, os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão. Ele tinha igualmente revelado que a cidade, o templo e o povo de Israel seriam entregues. Com efeito, a Escritura diz: “Acontecerá no fim dos dias que o Senhor entregará à destruição as ovelhas do pasto, o aprisco e a sua torre”. E aconteceu conforme o Senhor tinha dito. Indaguemos se existe um templo de Deus. Sim, existe onde ele mesmo diz que o há de construir e aperfeiçoar. De fato, está escrito: “Quando a semana estiver terminada, será construído um templo de Deus, com esplendor, sobre o nome do Senhor”. Acho pois que existe um templo. E como ele “será construído sobre o nome do Senhor”? Aprendei: antes que acreditássemos em Deus, nossos corações eram uma habitação corruptível e frágil, exatamente como um templo construído por mão humana. Com efeito, estava cheio de idolatria e era casa de demônios pois todas as nossas ações se opunham a Deus. Contudo, “ele será construído sobre o nome do Senhor”. Estai atentos, para que o templo do Senhor seja construído “com esplendor”. De que modo? Aprendei: recebendo o perdão dos pecados e pondo nossa esperança no Nome, nós nos tornamos novos, recriados desde o princípio. É por isso que Deus habita verdadeiramente em nós, tornando-nos sua morada. Como? Pela sua palavra de fé, pelo chamado da sua promessa, pela sabedoria das suas leis, pelos mandamentos da doutrina, e ele próprio profetizando em nós, habitando em nós, abrindo para nós a porta do templo, que é a nossa boca, e dando-nos o arrependimento, ele nos introduz no templo incorruptível. De fato, quem deseja ser salvo não olha para o homem, mas para aquele que habita nele e fala por meio dele, maravilhado “Neomênias” é o primeiro dia do mês (lunar), a “lua nova” ou “neomênia”, era uma festa celebrada tanto entre os israelitas como entre os cananeus (cf. Lv 23,24; 1Sm 20,5.24; Is 13; Am 8,5). Como o sábado, a lua nova (neoménia) interrompia as transações comerciais de não ter ouvido as palavras daquele que fala através de uma boca humana, nem de ter desejado ouvi-las. Esse é o templo espiritual construído pelo Senhor.

CAPÍTULO 17:

Conclusão:

Eu vos expliquei essas coisas com a maior simplicidade possível, e espero não ter deixado nada de lado. Com efeito, se vos escrevesse sobre o presente ou o futuro, não compreenderíeis, pois isso permanece em parábolas.

PARTE MORAL:

CAPÍTULO 18:

Os Dois Caminhos:

Introdução:

Sobre esse assunto, chega. Passemos para outro tipo de conhecimento e ensinamento. Existem dois caminhos de ensinamento e autoridade: o da luz e o das trevas. A diferença entre os dois é grande. De fato, sobre um estão postados os anjos de Deus, portadores da luz; e sobre o outro, os anjos de satanás. Um é Senhor de eternidade em eternidade, o outro é príncipe do presente tempo da iniqüidade.

CAPÍTULO 19:

O caminho da luz:

Este é o caminho da luz: se alguém quer andar no caminho e chegar ao lugar determinado, que se esforce em suas obras. Eis, portanto, o conhecimento que nos foi dado para andar nesse caminho.

Ama aquele que te criou. Teme aquele que te formou. Glorifica aquele que te resgatou da morte. Sê simples de coração e rico de espírito. Não te ligues àqueles que andam no caminho da morte. Odeia tudo o que não é agradável a Deus. Odeia toda hipocrisia.

Não abandones os mandamentos do Senhor. Não te engrandeças a ti mesmo, mas sê humilde em todas as circunstâncias. Não te arrogues glória. Não planejes o mal contra o teu próximo. Não te entregues à insolência.

Não pratiques a prostituição, nem o adultério, nem a pederastia. Não divulgues a palavra de Deus entre pessoas impuras. Não faças diferença entre as pessoas, ao corrigir alguém por sua falta. Sê manso, tranquilo, respeitando as palavras que ouviste. Não sejas vingativo para com teu irmão.

Não fiques hesitando sobre o que vai ou não acontecer. Não tomes em vão o nome do Senhor. Ama o teu próximo mais do que a ti mesmo. Não mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido. Não te descuides de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes instrução desde a infância no temor do Senhor.

Não cobices os bens do teu próximo. Não sejas avarento, não te juntes de coração com os grandes, mas conversa com os justos e pobres. Aceita como boas as coisas que te acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus.

Não sejas dúplice no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha mortal. Sê submisso a teus senhores, com respeito e reverência, como à imagem de Deus. Não dês ordens com rudeza ao teu servo ou à tua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus, que está acima de uns e de outros; com efeito, ele não vem chamar a pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.

Compartilha tudo com o teu próximo, e não digas que são coisas tuas. Se estais unidos nas coisas incorruptíveis, tanto mais nas coisas corruptíveis. Não sejas loquaz, porque a boca é armadilha mortal. O quanto podes, sê puro com a tua alma.

Não sejas como os que estendem a mão na hora de receber, e a retiram na hora de dar. Ama, como a pupila do teu olho, todo aquele que te anuncia a palavra de Deus.

Lembra-te noite e dia, do dia do julgamento. A cada dia, procura a companhia dos santos. Empenha-te com a pregação, exortando e preocupando-te em salvar uma alma pela palavra, ou então em trabalhar com tuas mãos, para resgatar teus pecados.

Não hesites em dar, nem dês reclamando, pois sabes quem é o verdadeiro remunerador da tua recompensa. Guarda o que recebeste, sem nada acrescentar ou tirar. Odeia totalmente o mal. Julga de modo justo.

Não provoques divisão. Pelo contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Confessa os teus pecados. Não te apresentes em má consciência para a oração.

CAPÍTULO 20:

O caminho das trevas:

O caminho das trevas é tortuoso e cheio de maldições. De fato, em sua totalidade, ele é o caminho da morte eterna nos tormentos. Nele se encontram as coisas que arruínam a alma dos homens: idolatria, insolência, altivez do poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, homicídio, rapina, orgulho, transgressão, fraude, maldade, arrogância, feitiçaria, magia, avareza e ausência do temor de Deus. (São) os que perseguem os bons, odeiam a verdade, amam a mentira, ignoram a recompensa da justiça, não se ligam ao bem nem ao julgamento justo, não cuidam da viúva e do órfão, não vigiam para o temor de Deus, mas para o mal, afastam-se da mansidão e da paciência, amam as vaidades, correm atrás da recompensa, não têm misericórdia para com o pobre, recusam ajudar o oprimido, difamam facilmente, ignoram o seu Criador, matam crianças, corrompem a imagem de Deus, não se compadecem do necessitado, não se importam com os atribulados, defendem os ricos, são juízes injustos com os pobres, e, por fim, são pecadores consumados.

CAPÍTULO 21:

Conclusão:

É bom, portanto, aprender as sentenças do Senhor, que estão escritas, e a elas conformar o comportamento. Com efeito, aquele que as pratica será glorificado no Reino de Deus, mas aquele que escolher o outro (Caminho) perecerá com suas obras. Por isso, existe ressurreição, e por isso existe retribuição. A vós, que sois superiores, peço que aceitem um conselho da minha benevolência: Tendes no meio de vós pessoas para com as quais praticar o bem. Não deixem de o fazer. Está próximo o dia, no qual todas as coisas perecerão com o Maligno. Está próximo o Senhor, justo com a sua retribuição. Peço-vos ainda: sede bons legisladores para vós mesmos, permanecei fiéis conselheiros para vós mesmos, afastai de vós toda hipocrisia. O Deus, que reina sobre o mundo inteiro, vos dê sabedoria, inteligência, ciência, conhecimento de suas decisões, e perseverança. Deixai-vos instruir por Deus, procurando o que o Senhor quer de vós, e praticai-o, para que vos encontreis no dia do julgamento. Se vos recordais do bem, lembrai-vos de mim ao meditar sobre essas coisas. Desse modo, meu desejo e minha vigilância levarão a realizar algum bem. Peço-vos com insistência, como uma graça: enquanto o belo vaso ainda está convosco, não negligencieis nada das vossas coisas, mas buscai-as constantemente e cumpri todos os mandamentos, pois eles são dignos. Eis por que me esforcei em vos escrever, segundo minhas possibilidades. Eu vos saúdo, filhos do amor e da paz. Que o Senhor da glória e de toda graça esteja com vosso espírito.

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Fonte: http://agnusdei.50webs.com/barnabe1.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/carta-de-barnabe/

Asmoday

O trigésimo segundo espírito é Asmoday[1] , ou Asmodai. É um grande, forte e poderoso rei. Aparece com três cabeças, eventualmente a primeira é a de um Búfalo, a segunda como um homem, e a terceira de um bode; ele possui também a cauda de uma serpente, e de sua boca jorram flamas de fogo. Seus pés são como de um ganso. Ele senta-se sobre um dragão infernal, e trás uma bandeira em sua mão. É o preferido de AMAYMON, e acima dele não existe nenhum outro.

Quando for convocá-lo deve-se proceder com muito cuidado, pois AMAYMON tentará iludi-lo. Asmoday concede o anel das Virtudes e ensina as artes aritméticas, astronomia, geometria e todos os ofícios manuais. Responde corretamente o que lhe seja requisitado. Torna também o magista invisível e revela os lugares onde existem tesouros ocultos os quais ele guarda.

Como AMAYMON ele governa 72 legiões de espíritos inferiores. Este é seu selo, que deve ser usado para a evocação:

Notas

1- AShMah-Devah ou Asmoday, ou Asmodeus foi o “Arquiteto”, segundo a Qaballah, do famoso templo de Shlomo, ou Salomão. Esta lenda nos afirma que ASMODEUS foi aprisionado em correntes mágicas por Shlomo e impelido, talvez ameaçado por este sábio a revelar um segredo desconhecido até então; a existência e fonte de um mineral que permitia riscar a madeira como o diamante risca o vidro. É por isso que está escrito que no Templo de Shlomo não foi usado nenhum metal como pregos, serras etc e ele teria sido feito unicamente através de um engenhoso jogo de peças encaixadas e firmadas umas nas outras.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/asmoday/

O Ato Principal na Magia

Texto original de IAO131
Tradução Mago Implacável

A Vontade é o movimento dinâmico do Ser, e este Ser tem “não tens direito senão fazer a tua vontade”.(AL I: 42). A maioria de nós vive em um estado de escuridão: ignoramos quem realmente somos e não estamos em contato com a nossa Vontade. Golpeados por pensamentos, emoções e circunstâncias, podemos ser como um barco à deriva, sem um rumo no mar. Na verdade, somos todos assim até certo ponto, em alguns momento mais do que em outros, mas, indubitavelmente todos nós estivemos “vagando na escuridão”, como é dito na cerimônia de iniciação de Neófito da Golden Dawn.

Embora nem todos os indivíduos sejam chamados ao Caminho de empenho a fazer a sua Vontade, há aqueles de nós – provavelmente incluindo você se você está tendo tempo para ler isto – que percebe que há algo mais na vida do que simplesmente ser uma vítima das circunstâncias, de simplesmente comer, trabalhar, dormir, e depois morrer. Há um propósito maior à espera, uma maneira mais plena de viver: existe a possibilidade da Luz.

Magia é a Ciência e Arte de causar Mudanças em conformidade com Vontade. Isto significa que Magia é essencialmente a ciência e a arte da Vida. Aqueles de nós que são chamados ao Caminho nos engajamos com alguma forma de Magia, a fim de tentar encontrar a Luz da Vontade, seja por meio da meditação, ritual, ou qualquer outra coisa. Ninguém iria se envolver em nenhuma forma de Magia se não acreditasse na possibilidade de melhorar a si mesmo e sua vida; o próprio ato implica um desejo consciente de mudar. Como percebemos a possibilidade da Luz e não queremos viver na escuridão, a forma mais básica de Magia envolve alterar a nossa forma de agir no mundo, tentando tornar-se mais consciente e intencional na maneira como nos relacionamos com as circunstâncias. Ou seja, nós não queremos apenas tropeçar pelo mundo através da escuridão; queremos a luz e a liberdade da intenção consciente. Isso envolve, de uma forma ou de outra, a disciplina de não reagir às coisas de formas típicas, condicionadas e habituais. Nós – por exemplo – tentamos comer melhor, pensar de maneiras diferentes e originais, não nos deixar levar pelas emoções arbitrárias e não seguir todos os caprichos e desejos que nos atravessam. Fazemos essas coisas quando nos lembramos de fazê-las, e nós falhamos quando nos esquecemos de nós mesmos e do nosso Caminho.

Este é, então, o ato primário da Magia: lembrar. Se você não se lembra de fazer alguma coisa, você não irá fazê-lo, independentemente de você ter a força e a habilidade para realizá-la ou não. Por exemplo, se você está tentando não insultar as pessoas por raiva, há duas possibilidades: ou você vai esquecer e, com raiva, insultar alguém novamente ou você vai se sentir irritado e vai se lembrar do seu Caminho. Só aí a possibilidade de mudança se abre para você. Sua disciplina permite a possibilidade de escolha: sem se lembrar, você simplesmente reage da forma habitual. Lembrar é a possibilidade da liberdade, e o esquecimento é se resignar à escravidão.

A coisa mais importante a se lembrar é de quem você realmente é. Então, quem é você realmente? Você não é o material físico do seu corpo, os pensamentos que passam por sua mente, as emoções que se acumulam ou seus desejos. Você não é sua personalidade ou sua carreira ou seus bens. Na linguagem do Hermetismo, não se é os quatro Elementos: você é Espírito. Você é a própria Luz da consciência, o “Khabs” ou estrela, e todo os aspectos da experiência são apenas “a dança do Véu da Vida sobre a Face do Espírito” (Liber XV). Na verdade, você é para além da consciência. A consciência é simplesmente o veículo da expressão daquilo que você realmente é: Ilimitado. Chame-o de infinito, Deus, Dharmakaya, o Absoluto, True Self (Eu Verdadeiro), Atman, a Verdade ou qualquer outra coisa que você gosta, mas isso é, em última análise, o que somos. Isto é o que todo místico, iogue e Buda que já viveu tentou expressar e também é isso o que Thelema expressa.

De certo modo, O Livro da Lei é um texto que diz para você lembrar de quem você realmente é. Crowley escreveu: “Há muitas injunções éticas de um caráter revolucionário no Livro, mas elas são todas casos particulares do preceito geral, que é o absoluto despertar de sua Cabeça-Deus(*) e para agir com a nobreza que brota deste conhecimento. Praticamente todos os vícios nascem da falha em de fazer isso” (Confissões).

Bem, o que O Livro da Lei tem a dizer sobre o lembrar? Há duas instâncias da palavra “lembrar” e ambas dizem essencialmente a mesma coisa: Lembre-se que você é Hadit. No segundo capítulo, onde Hadit é o orador, é dito : “Mas lembra-te, ó escolhido, de ser Eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de olhar pelos homens, de dizer a eles esta palavra feliz.” (AL II: 76). Lembre-se de ser Eu, de ser Hadit. Você é a vontade de vida inesgotável, procriativa, a expressão de Energia através de Possibilidades, o “amor de Nu”. A partir desta perspectiva (de) Hadit, toda experiência é um sacramento, um cumprimento da união de Hadit com uma das infinitas possibilidades de Nuit. Onde estão suas pequenas brigas, seus ressentimentos e seus medos quando você se lembra de que é Hadit? “Tu falhaste? Tu lamentas? Existe medo no teu coração? Onde Eu estou estes não estão.” (AL II: 46-47).

Ainda no segundo capítulo, o livro diz, “Lembrai todos vós que a existência é puro prazer; que todas as tristezas são nada mais que sombras; elas passam e pronto; mas existe aquilo que permanece”. (AL II: 9). Se você se lembrar de que é Hadit, você vai saber naturalmente que a existência é pura alegria: se você for Tudo(Todo), então cada Evento é o cumprimento da sua Vontade, cada Experiência é uma nova nota na música de sua arrebatadora canção de amor para Nuit . Na medida em que nos identificamos com aquelas coisas que passam e terminam, caímos novamente na escuridão, nos tornarmos sombras e a tristeza será, naturalmente, a nossa sina. Crowley escreveu: ” Pois em cada Homem sua Luz Íntima é o coração de sua Estrela. Isto é, Hadit; e o Trabalho dele é o de Identificar-se com esta Luz “(Liber Aleph).

Este é o ato principal da Magia, o alicerce sobre o qual todos os outros atos devem basear-se: Lembre-se.

Link original: https://iao131.com/2014/03/27/the-primary-act-of-magick/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ato-principal-na-magia

O Manuscrito de Mathers

O manuscrito Mathers, como a Steganographie e o manuscrito Voynich, está em código. Mas tem o bom gosto de estar em código de dupla transposição relativamente simples, o que permitiu us decifração rapidamente. Vi muitas folhas dessa decifração que me pareceu correta. Essa decifração mostra a aventura oculta mais extraordinária de nossa época, a da Ordem Golden Dawn.

Mostra, também, a redação de um conjunto de documentos mágicos, logo malditos, que, pelo que sei, nunca foi publicado, mas que já provocou muitas catástrofes.

Comecemos do início.

Um clérigo inglês, Rev. A. F. A. Woodford, passeava em Londres, ao longo da Farrington Street. Entrou na loja de um vendedor de livros de ocasião e aí encontrou manuscritos cifrados e uma carta em alemão. Isto se passou em 1880. O Rev. Woodford começou lendo a carta em alemão. Essa carta dizia que aquele que decifrasse o manuscrito podia comunicar-se com a sociedade secreta alemã Sapiens Donabitur Astris (S. D. A.), através de uma mulher, Anna Sprengel. Outras informações lhe seriam, então, comunicadas se ele fosse digno delas.

O Rev. Woodford, maçon e Rosa-Cruz, falou de sua descoberta a dois de seus amigos, o Dr. Woodman e o Dr. Winn Westcott, todos os dois eruditos eminentes e, além do mais, cabalistas. Ocupavam postos elevados na maçonaria. O Dr. Winn Westcott era “coroner”, posto jurídico muito conhecido dos leitores de romances policiais ingleses. Um “coroner” desempenha ao mesmo tempo o cargo de médico legista e de juiz de instrução. Em caso de morte suspeita, reunia um júri que pronunciava um veredicto, podendo, eventualmente, haver intervenção da justiça e da polícia. Um desses seus veredictos foi célebre no século XIX; o júri concluíra que um desconhecido encontrado morto num parque londrino havia sido assassinado “por pessoas ou coisas desconhecidas”. Seria bom poder afirmar que foi o Dr. Westcott quem redigiu esse veredicto, e de forma verdadeiramente estranha. Não podemos, no entanto, provar, isso, mas veremos, mais tarde, que o Dr. Westcott perdeu seu posto em circunstâncias singulares.

Em todo caso, Woodman e Westcott ouviram falar da Sapiens Donabitur Astris. Trata-se de uma sociedade secreta alemã composta sobretudo de alquimistas. Essa sociedade, graças aos medicamentos de alquimia, salvou a vida de Goethe que os médicos comuns haviam desistido de curar.

O fato é perfeitamente conhecido e a Universidade de Oxford publicou um livro: “Goethe, o Alquimista”. A SDA parece existir ainda em nossos dias; estava ligada aos “círculos cósmicos” organizados por Stephan George, que combateram Hitler. O Conde von Stauffenberg, organizador do atentado de 20 de julho de 1944, fazia parte desses círculos cósmicos. O último representante conhecido da SDA foi o Barão Alexander von Bernus, morto recentemente.

Westcott e Woodman decifraram facilmente o manuscrito e escreveram à Anna Sprengel. Receberam instruções para prosseguir nos trabalhos. Foram auxiliados por um outro maçon, um personagem indeterminado, de nome Samuel Liddell Mathers, casado com a irmã de Henri Bérgson. Era um homem de cultura espantosa, mas de idéias muito vagas. Redigiu o conjunto inédito dos “rituais Mathers”. Tais rituais se compõem de extratos do documento alemão original, de outros documentos de posse de Mathers, e mensagens recebidas pela Srª Mathers, pela clarividência. O conjunto foi submetido à SDA na Alemanha que autorizou o pequeno grupo inglês a fundar uma sociedade oculta exterior, isto é, aberta. A sociedade chamou-se Order of the Golden Dawn in the Outher: Ordem da Aurora Dourada no Exterior. Em 1º de março de 1888, essa autorização foi dada a Woodman, Mac Gregor Mathers e ao Dr. Westcott. Samuel Liddell Mathers acrescenta ao seu nome o título de Conde de mac Gregor, e anuncia que é a reencarnação de uma boa meia dúzia de nobres e de magos escoceses.

Em 1889, o nascimento dessa sociedade foi anunciado oficialmente. É interessante notar que foi a única vez no século XIX, assim como no século XX, que uma autoridade esotérica qualificada, a SDA, dá uma autorização para fundar uma sociedade exterior. Tal autorização nunca foi dada novamente, e não aconselho ninguém a lançar uma sociedade desse gênero sem autorização: isto seria atrair os mais sérios inimigos.

Após a morte, ao que tudo indica natural, do Dr. Woodman, a Ordem foi dirigida por Westcott e Mathers. Em 1897, Wescott teve a infelicidade de esquecer, dentro de um táxi, documentos internos sobre a Ordem. Tais documentos acabaram na polícia que não achou recomendável um “coroner” se ocupara de tais atividades, pois poderia ficar tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição, para operações de necromancia. Westcott demitiu-se da Ordem, achando isto preferível.

A sociedade começou a se desenvolver e atraiu homens de inteligência e cultura indiscutíveis. Citemos Yeats, que deveria obter o prêmio Nobel de Literatura, Arthur Machen, Algernon Blackwood, Sax Rohmer, o historiador A. E. Waite, a célebre atriz Florence Farr e outros. Os melhores espíritos da época, na Inglaterra, faziam parte da Golden Dawn. O centro ficava em Londres. Seu chefe, o Imperador, era W. B. Yeats.

Havia outros centros na província inglesa, e em Paris, onde Mathers passa a residir, de preferência.

A ordem tem dois níveis:

– O primeiro, dividido em nove degraus, onde se ensina;

– O segundo, sem degraus nem graus, onde se pesquisa.

O ensinamento diz respeito à linguagem enoquiana de John Dee, cuja tradução é dada desde o primeiro grau do primeiro nível. Infelizmente, tais traduções foram destruídas ou escondidas. Não resta senão textos em enoquiano, particularmente um texto que permite ficar invisível: “Ol sonuf vaorsag goho iad balt, lonsh calz vonpho. Sobra Z-ol ror I ta nazps”. Isto não se parece com nenhuma língua conhecida. Parece que se recita corretamente tal ritual, é-se envolto por uma elipsóide de invisibilidade a uma distância média de 45 centímetros do corpo. Não vejo objeção.

O ensinamento era em língua enoquiana; sobre alquimia, e sobretudo sobre a dominação de si mesmo.

Desde o segundo degrau do primeiro nível, o candidato era tratado de maneira a eliminar todos os seus males mentais e todas as suas fraquezas. Conhecem-se cinqüenta tratamentos desse tipo que parecem ter bons efeitos.

Durante cinco ou seis anos, a Ordem deu satisfações a todo mundo, e todos que dela participavam dizem que mentalmente ficaram enriquecidos. Depois Mathers se pôs a fazer das suas. Em 29 de outubro de 1896, publicou um manifesto afirmando que existia um terceiro nível na Ordem. O terceiro nível era, segundo ele, constituído de seres sobre-humanos, dos quais dizia:

“Creio, no que me concerne, que eles são humanos e que vivem nesta terra. Mas possuem espantosos poderes sobre-humanos. Quando os encontro em lugares freqüentados, nada em suas aparências ou vestimentas os separa do homem comum, salvo a sensação de saúde transcendente e de vigor físico.

Em outros termos, a aparência física que deve dar, segundo a tradição, a posse do elixir da longa vida. Ao contrário, quando os encontro em lugares inacessíveis ao exterior, trajam roupas simbólicas e as insígnias de suas ordens.”

Evidentemente, pode-se pensar diversamente quanto ao conteúdo desse manifesto, e perceber a loucura de Mathers, mas é preciso pensar que ele talvez não estivesse mentindo. Tudo o que se pode dizer é que seria muito melhor que ele se calasse. De um lado, foi a partir daí sujeito a uma perseguição que o conduziu à morte em 1917. De outro lado, seu manifesto atraiu pessoas pouco recomendáveis à sociedade, como o célebre Aleister Crowley.

Personagem sinistro e sem dúvida megalomaníaco, em todo caso, delirante, Crowley apareceu um belo dia de 1900 na Loja de Londres. Trazia uma máscara negra e um costume escocês. Declarou ser enviado de Mathers, designado para dirigir a Loja de Londres. A reação foi violenta. Yeats, Imperador da Loja, depôs Mathers e expulsou Crowley. A. E. Waite pôs em dúvida a existência do terceiro nível e de superiores desconhecidos.

Em 1903, Waite e um certo número de amigos demitiram-se e constituíram uma outra ordem chamada igualmente Golden Dawn. Essa ordem se manteve até 1915, depois desapareceu. O restante dos membros da Golden Dawn continuaram até 1915, depois Yeats, Arthur Manchen e Winn Westcott se demitiram.

A ordem continuou bem ou mal sob a direção de um tal Dr. Felkin, depois caiu no esquecimento e se extinguiu. Assim terminou o que Yeats chamara de “a primeira revolta da alma contra o intelecto, mas não a última”. Parece que Mathers retirou o conjunto de rituais que permitiram reproduzir certos fenômenos. Todas as tentativas para publicá-los foram interrompidas, pois os manuscritos pegavam fogo ou ele mesmo caía doente. Morreu em 1917 completamente alquebrado. Alguns dizem que Crowley foi seu principal perseguidor, mas Crowley pareceu, com efeito, ser apenas um megalomaníaco bem pouco perigoso.

Se o conjunto de rituais de Mathers desapareceu, um certo número de rituais ou de trabalhos feitos pela Golden Dawn foi publicado. Notadamente, em quatro volumes, nos Estados Unidos, pelo Dr. Israel Regardie, e no início do ano de 1971, “The Golden Dawn its inner teachings” de R. G. Torrens BA (editor Neville Spearman, Londres).

Esse último livro tem a dupla vantagem de ser escrito de maneira racional e de dar, ao fim de cada capítulo – e ele tem quarenta e oito – uma biblioteca breve e precisa.

Por outro lado, possui-se muitos testemunhos sobre a Golden Dawn.

É possível chegar à uma conclusão. O que choca, desde logo, é um notável nível de inteligência e cultura da maioria de seus participantes. A Golden Dawn contava não somente com grandes escritores, mas também com físicos, matemáticos, peritos militares, médicos. O que é certo é que todos os que passaram pela experiência da Golden Dawn de lá saíram enriquecidos. Todos insistiram sobre o embelezamento de suas vidas, nova plenitude, senso e beleza que a Golden Dawn lhes deu.

Gustav Meyrinck escreveu: “Sabemos que existe um despertar do eu imortal.”

Parece certo que a Golden Dawn sabia provocar esse despertar, e que ela realizara esse sonho eterno dos alquimistas, dos gnósticos, dos cabalistas e dos Rosa-Cruzes, para citar apenas algumas direções de procura: a transmutação do próprio homem.

Qualquer que seja o ceticismo que se possa manifestar a respeito da magia – e meu ceticismo pessoal é bastante considerável – não resta dúvida de que a Golden Dawn chegou a uma experiência mágica melhor do que qualquer outra na história da humanidade, de nosso conhecimento. Não somente logrou conseguí-la, mas ainda foi capaz de ensiná-la.

Durante milênios o homem sonhou um estado de consciência mais desperto que seu próprio despertar. A Golden Dawn chegou a isso. O que parece não tão certo, mas pelo menos provável, foi que a Golden Dawn chegou a traduzir o alfabeto enoquiano de John Dee, e que seus dirigentes leram a obra de John Dee, a de Trithème e, talvez, o manuscrito Voynich, se é que possuíam uma cópia. Isto não é de todo impossível, pois John Dee fez muitas.

Isto admitido, a questão evidente é saber-se porque um tal acúmulo de conhecimentos e de poder não chegou a constituir uma verdadeira central de energia, uma cidadela fulgurante que teria dominado o século XX. É certo que a Golden Dawn suscitou hostilidades, mas é certo também que ela se decompôs internamente antes de sua destruição externa.

Quis-se atirar a responsabilidade dessa destruição sobre Aleister Crowley. Que este pretenso mágico era um louco varrido, é indiscutível. Além de sua loucura, que era constituída por um tipo clássico de delírio sexual, Crowley tinha o dom extraordinário de meter-se em histórias incríveis. Durante a Primeira Guerra Mundial, colocou-se ao lado da Alemanha, denunciando, violentamente, a Inglaterra. Alguns pretendem que foi ele quem, através de informações fornecidas aos serviços secretos alemães, permitiu que um submarino colhesse o transatlântico Lusitânia, cujo torpedeamento fez com que os Estados Unidos entrassem na guerra. Crowley teve um certo número de inimigo nos Estados Unidos e partiu para Sicília, onde criou uma abadia em Cefalu (atualmente, tal lugar é uma vila do clube Mediterrâneo).

Um incidente deplorável aconteceu na abadia de Crowley. Um poeta oxfordiano, chamado Raul Loveday, bebeu, durante uma cerimônia de missa negra, o sangue de um gato, e morreu instantaneamente, o que não estava previsto. Sua viúva fez um escândalo, e sob pressão da imprensa Crowley foi expulso da Sicília em 1923.

Em seguida, viveu na Inglaterra onde tentou processar a imprensa por difamação. Os juízes decidiram que Crowley era o personagem mais detestável, que jamais haviam encontrado antes, e recusaram conceder-lhe um centavo sequer de perdas e danos morais. Caiu, em seguida, numa miséria profunda, para morrer numa pensão de família, em Hastings, em 1947. a impressão que se depreende de sua vida e obra, é a de um infeliz que poderia perfeitamente receber cuidados, e não a de um personagem perigoso. Crowley não era, aliás, o único escroque nas mãos dos quais Mathers caiu.

Por volta de 1900, foi vítima de uma dupla chamada Horos, que se dizia representante de Superiores desconhecidos, e que foi condenada, no ano seguinte, como escroques, simplesmente. A Golden Dawn foi, então, bastante mencionada na imprensa, e isto deve ter provocado certas demissões.

A imprensa ocupou-se, igualmente, da Golden Dawn em 1910, quando Mathers tentou impedir a saída do jornal de Crowley, Equinox, que publicava, sem autorização, rituais da Golden Dawn. Um tribunal inglês decidiu sobre o caso e o número do jornal apareceu.

O que, evidentemente, não melhorou o prestígio de Mathers; numerosos foram os que observaram que se Mathers realmente tinha poderes, poderia exterminar Crowley, ou que se Crowley os tivesse, poderia exterminar Mathers. Conhecem-se, aliás, muitos exemplos modernos de duelos de feiticeiros que não dão, geralmente, bons resultados. É certo que a ingenuidade de Mathers o prejudicou, mas não parece ser essa a causa principal do declínio da Golden Dawn.

Segundo o que pude recolher, a partir de fontes pessoais, o exercício de um certo número de poderes, e notadamente da clarividência, tornou-se uma verdadeira droga para os membros da Ordem, e desde 1905 toda espécie de pesquisa havia cessado. Parece-me que é nisto que devemos buscar a causa do mau êxito dessa aventura que poderia ter sido mais extraordinária ainda do que foi.

As diversas sociedades secundárias fundadas por dissidentes, sem autorização, como a Stella Matutina, fundada pelo Dr. Felkin, a Sociedade da Luz Interior, fundada pelo escritor Dion Fortune, pseudônimo de Mme. Violette Firth, não parecem ter prosperado.

Essa última sociedade ainda existe ainda, e Mme. Firth escreveu novelas e romances muito interessantes.

Para ser mais completo, é necessário dizer que a Golden Dawn tinha elementos cristãos em seus seio, pertencentes à Igreja Católica anglicana, notadamente o grande escritor Charles Williams, autor de “A guerra do Graal”, e o místico Evelyn Underhill.

Certos documentos da Golden Dawn dizem respeito ao esoterismo cristão e são considerados, por especialistas no campo, como extremamente sérios.

Restam, de outro lado, as obras místicas ou traduções de Mathers: A Kabala (1889), Salomão, o Rei (1889), A Magia Sagrada de Abramelin (1898). Este último livro é tradução de um manuscrito que Mathers encontrou na Biblioteca do Arsenal, verdadeira mina de documentos estranhos. Um texto bastante completo foi editado recentemente em Paris, por volta de 1962.

Temos à nossa disposição uma quantidade de elementos muito interessantes, mas o que nos falta é o ritual completo de Mathers. Esse ritual devia ser o cômputo dos livros malditos, resumindo a maior parte desses livros e abrindo as portas a todos os fatos extraordinários. Que Mathers realizou, dessa forma, uma espécie de consciência superior que ele interpretou como um contato com Superiores desconhecidos não me parece absurdo. Que tenha havido perseguição a Mathers, também não é tão espantoso.

Entretanto, toda essa história se passa em nossa época, e Mathers dispunha da fotografia. Não é impossível que tenha tirado um bom número de fotos e que elas não tenham sido todas destruídas. Em 1967, pensou-se ter achado os rituais do Mathers. Naquele ano, uma colina às margens do Canal da Mancha deslizou, minada pelas águas, e objetos provindo da Golden Dawn, que aí haviam sido enterrados, foram tragados pelo mar. Infelizmente, o exame desses objetos provou que se tratava de instrumentos de trabalho e textos de lições, assim como notas tomadas ao curso de exposições. Nenhum documento vinha de Mathers.

Discutiram-se muito as influências que se exerceram nas redações de diversos cursos da Golden Dawn. Notamos, já, influências cristãs. Encontra-se, também, e sem dúvida introduzidas por Yeats, idéias de Blake. Encontra-se grande número de referências à Kabala, que provém visivelmente dos estudos de Mathers.

O que não se encontra é a tradução da língua enoquiana em linguagem corrente e sua aplicação às experiências. O termo enoquiano, ele próprio, é curioso. Os diversos Livros de Enoch são relativamente recentes e contam as viagens miraculosas do profeta Enoch a outros planetas, e mesmo a outros universos. Encontram-se edições que datam de 1883 e 1896.

A linguagem enoquiana de John Dee é uma outra história. Dee conhecia a lenda de Enoch, levado a outros planetas por uma criatura luminosa, e deu o nome de linguagem enoquiana à linguagem da criatura luminosa que lhe apareceu. Mas não existe o Livro de Enoch contemporâneo à Bíblia, como certos ingênuos crêem. Não há razões sérias para se crer que os dois livros de Enoch datem dos gnósticos. Mesmo em estado de manuscrito, não aparece antes do século XVIII.

Algumas testemunhas sobreviventes da Golden Dawn contam, com relação à linguagem enoquiana, coisas muito curiosas que não se é obrigado a crer. Falam, por exemplo, de um jogo, As Peças de Xadrez Enoquianas, um jogo semelhante ao xadrez, mas onde as peças assemelhavam-se aos deuses egípcios. Jogava-se com um adversário invisível, as peças colocadas numa metade do tabuleiro especial, movimentando-se sozinhas.

Mesmo que se descrevesse tal experiência como um tipo de escrita automática ou de telecinesia, ela tem uma certa beleza poética. Tudo nos faz lamentar ainda mais a desaparição dos rituais Mathers.

Tudo o que se pode esperar é que a desaparição não seja definitiva. Se Mathers tomou suas precauções, deve ter dissimulado em Londres ou em Paris jogos de fotografias que, um dia, reaparecerão. A menos que a misteriosa sociedade alemã SDA não se manifeste.

Alexandre Von Bernus, na Alquimia e Medicina, parece indicar que essa sociedade não está morta. Tal era, igualmente, a opinião de meu falecido amigo Henri Hunwald, que era o homem da Europa que conhecia melhor esse tipo de problema. Talvez um dia, uma nova autorização para fundar uma sociedade exterior seja dada.

por Jacques Bergier

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-manuscrito-de-mathers/

Monstro do Lago Ness

O lago Ness (Loch Ness) é um lago de água doce localizado nas Highlands da Escócia, de forma estreita e alongada com cerca de 37 quilómetros de comprimento. O lago ocupa uma área de cerca de 56,4 km² e tem uma profundidade máxima de 226 metros. A superfície do lago de encontra a 15,8 metros acima do nível do mar e a visibilidade da água é extremamente reduzida devido ao teor de turfa dos solos circundantes, que é trazida para o lago através das redes de drenagem. A turfa é um material de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado em camadas, geralmente em regiões pantanosas e também sobre montanhas (turfa de altitude). É formada principalmente por Sphagnum (esfagno, grupo de musgos) e Hypnum, mas também de juncos, árvores, etc. Sob condições geológicas adequadas, transformam-se em carvão, através de emanações de metano vindo das profundezas e da preservação em ambiente anóxico. É utilizada como combustível para aquecimento doméstico. Pensa-se que o lago Ness tenha sido modelado pelas geleiras da última era glacial, aproximadamente 20.000 anos atrás.

O lago Ness se conecta ao sul com o rio Oich e através de uma sessão do canal Caledônio com o lago Oich. A extremidade norte se liga ao estreito Bona que se abre no lago Dochfour, que desagua no rio Ness e uma sessão do canal para a cidade de Inverness. Ele faz parte de uma série de lagos e rios interconectados da Escócia e é o segundo maior lago escocês em superfície, perdendo apenas para o lago Lomond, mas graças a sua profundidade é o maior em volume de água. Sua profundidade só não é maior do que a do lago Morar, o lago Ness contém mais água fresca do que todos os lagos da Inglaterra e Wales combinados e é o maior corpo de água da Grande Falha de Glen que vai de Inverness, ao norte, até Fort William, no sul. Este tipo de lago, conhecido como loch, é caracterizado por grandes profundidades e morfologia alongada de acordo com a direcção da falha que os modela.

As águas do Loch Ness são bastante frias, devido principalmente à sua latitude e à sua profundidade, apesar disso, o lago nunca se congela. Por causa de seu grande volume de água, mesmo quando as temperaturas caem a baixo de zero graus, abaixo de 30 metros da superfície a temperatura da água se mantém a 6 graus estáveis, e isso causa com que muita névoa se forme na superfície do lago. O seu litoral é bastante pitoresco, com castelos como o de Eilean Donan, onde foi filmada a cena inicial do filme Highlander, ou ruínas de castelos, como o de Urquhart, em Drumnadrochit.

As principais espécies que vivem no lago são enguias (Anguilla anguilla), lúcio europeu (Esox lucius), esgana gata (Gasterosteus aculeatus), lampréia de riacho (Lampetra planeri), salmão (Salmo salar), trutas (Salmo trutta), peixes como o Salvelinus alpinus e o Phoxinus phoxinus, e, a partir de maio de 1933, nessie (Nessiteras rhombopteryx), uma criatura que muitos acreditam poder ser um plessiossáuro, uma enguia gigante e já foi chamado inclusive de foca de pescoço grande.

O termo “monstro” foi usado publiamente no dia 2 de maio de 1933, por Alex Campbell, um reporter do Inverness Courier. No dia 4 de agosto do mesmo ano, o Courier trouxe uma matéria falando de um homem chamado George Spicer, que em companhia de sua esposa, algumas semanas antes, estiveram “O mais perto de um dragão ou animal pre-histórico que eu já estive em toda a minha vida”, o animal estava atravessando a estrada, indo em direção ao lago, carregando “um animal” na boca. O animal passou a metros de distância do carro dirigido pelo casal.

Um mês depois, o jornal recebe uma carta de um estudante de veterinária relatando um encontro semelhante enquanto dirigia de noite. Em pouco tempo essas histórias alcançaram a imprensa nacional e internacional e todos começaram a falar de um “peixe monstro”, “serpente marinha”ou “dragão” que parecia habitar o lago Ness. No dia 6 de dezembro, de 1933, é publicada a primeira foto do Monstro do Lago Ness, como ficou popularmente conhecido. O fotógrafo se chamava Hugh Gray, e graças à sua foto o monstro recebeu o reconhecimento oficial do Secretário de Estado da Escócia, que enviou ordem para a polícia local evitar ataques à criatura.

Outras cartas começaram a surgir no Courier, a maioria enviadas por pessoas que não se identificavam, com relatos sobre encontros em terra ou avistamentos aquáticos com o animal, esses relatos descreviam encontros do próprio escritor ou de algum conhecido ou membro da família. Em 1934 o interesse do mundo pelo monstro atingiu proporções nunca imaginadas, graças ao que ficou conhecido na história como a Fotografia do Cirurgião (Surgeon’s Photograph).

Agora diferente do que muitos imaginam, os registros de aparição do Monstro do Lago Ness não são tão recentes, datando da década de 1930, existem muitos relatos na região que possuem mais de 1500 anos de idade que falam sobre uma criatura gigantesca vivendo, se alimentando e se escondendo nas águas do lago.

Muitos moradores que vivem ao redor do lado tem o costume antigo já, de contar para suas crianças histórias para assustá-las e evitar que chegassem perto das águas escuras do lago. Essas histórias, que fazem parte do folclore da angústia infantil da região, falam de uma fera assustadora que vivia no lago e quando ficava faminta saia de seu lar aquático e em terra assumiria a forma de um lindo cavalo, que esperaria até que um viajante desavisado o montasse, e então partia em disparada para o lago onde devoraria o cavaleiro. Apesar de uma história dessas de fato conseguir assustar crianças, nunca impediu que os moradores pescassem salmões e trutas no lago. O que mostra mais uma preocupação em assustar as crianças do que um medo enraizado no lago por parte da população.

O primeiro registro de avistamento da criatura data de 565 e.C.. O livro A Vida de São Columba, escrito por Adamnan foi escrito no século VII, e descreve como em 565, Columba salvou a vida de um picto que estava sendo atacado por um monstro dentro do lago.

Um dia, viajando perto do rio Ness, Columba encontrou um grupo de moradores locais enterrando um conhecido que havia entrado no rio para apanhar um bote que havia se soltado das cordas que o prendiam à margem e foi atacado pela fera. Vendo aquilo, Columba falou para que um dos presentes entrasse no rio e fosse buscar a pequena embarcação, e assim que entrou na água, o monstro surgiu do lago com um grande rugido e o atacou, então:

“…(Columba) ergueu sua mão sagrada enquanto todos que o cercavam, pagãos e desconhecidos, estavam petrificados pelo terror, e, invocando o nome de Deus, desenhou o símbolo da salvação, um cruz, no ar, e comandou o monstro feroz dizendo: “Tu não se aproximarás, nem tocará o homem; se afaste a toda velocidade”. Ouvindo a voz do santo o monstro se encheu de temor e, mesmo estando a alguns metros apenas de Lugne, se afastou mais rápido do que se estivesse sendo arrastado com cordas.”

São Columba (7 de Dezembro de 521 a 9 de Junho de 597) também conhecido como Columba de Iona, ou, em Gaélico, Colm Cille ou Columcille (“pomba da Igreja”), foi a grande figura missionária da Escócia que reintroduziu o Cristianismo entre os Pictos medievais. Existem muitas histórias de encontros entre ele e outras entidades, naturais ou sobrenaturais, que acabam servindo de ferramenta para mostrar sua fé no poder de Deus ou ainda conseguir converter os povos pagãos que assistiam suas proezas.

Esses e outros detalhes, como o ataque tendo acontecido no rio Ness e não no lago, depõe contra o relato como podendo de fato ser uma prova da existência do monstro num período tão afastado da história. Um fato que lembra a lenda do monstro que se transforma em cavalo é o do monstro nunca ter ataca ninguém, o que talvez explique porque os adultos ainda que assustando as crianças continuem a pescar na região, possivelmente sabendo da docilidade da criatura.

Em 1650 surge outro relato. Nesta época o exército inglês estava tentando ganhar maior controle sobre os clãs escoceses, e para conseguir isso um enorme navio foi construído em Inverness e então levado para o lago. O objetivo deles era usar o navio para transportar suprimentos e homens pelo lago antes que qualquer desentendimento com eles tomasse proporções de uma batalha. A bordo do navio estava um escritor chamado Richard Franck, membro do Exército do Lorde Protetor da Inglaterra (Oliver Cromwell). Ele escreveu a respeito do lago e de suas conhecidas ilhas flutuantes, sobre como eram formadas de emaranhados de vegetação, se movendo pelo lago, mas que graças à turfa que se encontra na água, muito pouca vegetação cresce em suas margens e a luz do sol pode penetrar apenas alguns centímetros além da superfície.

Em 1871 surgem relato de um homem chamado Mackenzie, que disse ter visto algo que se movia lentamente sob as águas e então mudava de direção à toda velocidade, esses avistamentos ocorreram em mais de um ponto do lago.

E voltamos a abril de 1933, com o Sr. e Sra. Mackay dirigindo pelas margens do lago, vindo de Inverness para sua casa em Drumnadrochit. Apesar da existência de inúmeros outros relatos que datam desde a época de São Columba, foi a experiência do casal que trouxe a criatura para o interesse de pesquisadores e caçadores de monstros. Em determinado momento da viagem, o carro do casal foi bloqueado por um “animal extraordinário” que atravessou a estrada bem na frente do veículo. Eles o descreveram como um animal grande, um corpo de um metro de altura e oito metros de comprimento, e um pescoço comprido e mais fino, um pouco mais grosso do que a tromba de um elefante e com o comprimento de três a três metros e meio, o pescoço possuía inúmeras ondulações. Eles não foram capazes de enxergar os membros do animal por causa de uma vala na estrada que ocultava a parte inferior de seu corpo. O animal atravessava a estrada em direção ao lago, a uns vinte metros de distância, deixando apenas um rastro por onde passava.

Em agosto de 1933 um motociclista chamado Arthur Grant disse que quase colidiu com a criatura quando se aproximava de Abriach, na margem oriental do lago, às 01:00 da manhã, numa noite iluminada pela lua. Grant viu uma pequena cabeça ligada ao enorme pescoço, a criatura o viu e voltou correndo para dentro do lago, Grant a seguiu, mas quando chegou na margem viu apenas ondas na água.

Ainda em 1933 uma jovem criada chamada Margaret Munro, observou a criatura por aproximadamente 20 minutos. Eram 6:30 da manhã do dia 5 de Junho, quando ela a viu na margem, a uma distância de aproximadamente 180 metros. Ela descreveu o animal como tendo uma pele parecida com a de um elefante, um longo pescoço com uma pequena cabeça e duas patas frontais curtas como nadadeiras. A criatura, depois de um tempo, retornou para dentro da água.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em maio de 1943, CB Farrel, da Tropa de Observação Real avistou a criatura a uma distância de 230 metros, ele a descreveu como uma criatura esguia, de olhos grandes, com um corpo que chegava a 9 metros de comprimento e um pescoço de um metro e meio, que estava fora da água.

Finalmente em dezembro de 1954 surge o primeiro registro em sonar da criatura, feito pelo pesqueiro Rival III. A tripulação do navio observaram leituras no sonar de um objeto grande que acompanhou a embarcação a uma profundidade de 146 metros. Eles a mantiveram no sonar por uma distância de 800 metros antes de perderem e voltarem a estabelecer contato.

O registro mais conhecido de Nessie, como foi apelidada na década de 1950 pelas pessoas da região (da gaulês Niseag), é a Fotografia do Cirurgião, que era considerada a maior evidência de sua existência. O que chamou atenção na foto era a presença do “pescoço e cabeça” do animal, enquanto todas as outras fotos eram apenas de distúrbios na superfície do lago ou apenas lombadas surgindo apra fora da água. Em 1994 essa fotografia foi declarada uma fraude.

A foto havia sido tirada, supostamente, por Robert Kenneth Wilson, um ginecologista londrino, e foi publicada no Daily Mail no dia 21 de abril de 1934. A foto geralmente é cortada, para centralizar o monstro e fazê-lo parecer maior. Na foto original, inteira, mostra a outra margem do lago e o monstro, aparentando ser bem menor nadando no centro. As ondulações formadas possuem o padrão circular de ondas pequenas, e não grandes como seria de se esperar caso a foto fosse tirada de perto. Análises na foto sem cortes, levantaram ainda mais dúvidas. Um ano antes da fraude ser descoberta, os produtores do documentário Loch Ness Discovered, do Discovery Channel, analizaram a imagem original e encontraram um objeto branco em todas as cópias da foto, o que mostrava que ele deveria estar no negativo original. “[o objeto] parece ser a causa das ondas na água, é como se o objeto estivesse sendo rebocado por algo. Mas analises complementares da foto mostram que os estudos científicos não podem descartar que tenha sido causado por uma falha no negativo”. Mais análizes da foto, revelaram que o objeto não teria mais do que 90 centímetros.

Em 1979 muitos afirmavam que a foto era de um elefante, com a tromba saindo da água. Outros céticos discutiam que a foto provavelmente mostrava um pássaro mergulhando, mas depois que Christian Spurling confessou que a foto não passava de um submarino de brinquedo com uma cabeça esculpida colada na ponta.

Christian confessou que essa foto foi feita como vingança ao jornal que havia ridicularizado publicamente seu sogro, Marmaduke Wetherel, o Daily Mail. Marmaduke contou com a ajuda de Chris Spurting (um escultor), seu filho, Ian Marmaduke, que comprou o material para criar a falsa Nessie, e Maurice Chambers, um agente de seguros, que ligaria para o cirurgião Robert Kenneth Wilson e pediria apra que ele oferecesse as fotos para o Daily Mail. Uma das questões que aqueles que ainda defendem que a foto é real é o fato de nunca terem desmentido a farsa na época do jornal para desmoralizá-lo.

Alastair Boyd, um dos pesquisadores que descobriu a farsa afirma que o Monstro do Lago Ness é real, e que o fato da foto não ser legítima não tira a validade de todos os relatos de testemunhas, nem as outras evidências de Nessie.

Em 1960, Tim Dinsdale filmou uma lombada atravessando a água do lago e fazendo um grande rastro atrás de si, como um barco. O JARIC (O Centro Nacional De Estudos de Imagens, parte do Grupo Da Inteligência de Coleta, da Inteligência de Defesa do Reino Unido) declarou que o objeto era “provavelmente animado”. Outros céticos diziam que a probabilidade da “lombada” ser um bote, não podia ser descartada, que que era possível enxergar a figura de um homem nesse bote podia ser vista quando o contraste da imagem era aumentado.

Em 1993 o documentário Loch Ness Discovered melhorou a definição do filme e um dos experts em computadores que trabalho no filme, notou uma sombra no negativo que não era muito obvia no filme revelado. Ao melhorar a qualidade e sobrepor os frames, ele descobriu o que parecia ser a parte traseira, as nadadeiras traseiras e uma ou duas lombadas a mais de um corpo semelhante a um plessiossauro. Ele disse que “Antes de ver o filme, eu achava que o Monstro do Lago Ness era só um monte de historias furadas. Depois de trabalhar com o filme, eu não tenho mais certeza”.

Dia 26 de maio de 2007, Gordon Holmes, capturou em vídeo o que ele disse ser: “uma coisa negra, de 14 metros de comprimento, se movendo rapidamente dentro da água”. Adrian Shine, um biólogo marinho do centro Loch Ness 2000, em Drumnadrochit, assistiu ao video e o analisou. Shine disse que o vídeo está entre os melhores que ele jamais viu. Dia 29 de maio de 2007 a BBC escocesa transmitiu o video, um dia antes a emissora STV levou ao ar o programa News’ North Tonight onde mostrava o video junto com uma entrevista com Holmes. No mesmo programa Adrian Shine também foi entrevistado, mas disse que o video poderia estar mostrando uma foca ou mesmo um pássaro aquático.

A credibilidade de Holmes foi posta em dúvida por um artigo no site Cryptomundo, que declara que ele tem um histórico de registrar encontros com criaturas criptozoólogas e que vende um livro e um dvd editados por ele mesmo que dizem provar que a existência de fadas é real.

Apesar da dificuldades de provas substanciais da existência de Nessie, durante todas essas décadas a possibilidade da existência de um animal desconhecido em um local como o lago Ness atraiu muitos pesquisadores e caçadores para a região.

Depois de ler o livro escrito por Goud, Sir Edward Moutain decidiu financiar uma operação para conseguir provas da existência do monstro em 1934. Ele equipou 20 homens com binóculos e câmeras e os posicionou ao redor do lago. Por cinco semanas os homens iniciavam a observação às 9 da manhã e aguardava coletando informações até as dezoito horas. Neste período foram tiradas 21 fotografias, mas nenhuma foi considerada conclusiva. O capitão James Fraser foi contratado como supervisor do grupo, e permaneceu no lago após o fim da empreitada, conseguindo gravar um filme que se perdeu com o tempo no dia 15 de setembro. Quando foi analisado por zoólogos e professores de história natural o veredito foi de que o objeto filmado era uma foca, possivelmente uma foca cinzenta.

Em 1962 foi fundada no Reino Unido o Bureau de Investigação do Fenômeno de Loch Ness (Loch Ness Phenomena Investigation Bureau – LNPIB), com o intuito de estudar o lago Ness e identificar a criatura conhecida como o Monstro do Lago Ness ou conseguir apontar que fenômenos causavam tantos relatos de avistamentos. Algum tempo depois mudarma o nome para Bureau de Investigação de Loch Ness, e foi fechada em 1972. De acordo com os registros do grupo, em 1969 eles contavam com 1030 membros, muitos voluntários que se dedicavam a viajar até o lago e de pontos de observação privilegiado esperar para registrar Nessie.

Em 1968, o professor D.G. Tucker, um dos docentes do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica da Universidade de Birmingham, Inglaterra, se voluntariou como especialista em sonar e no Lago Ness. O gesto foi parte de um esforço conjunto com a LNPIB que envolveu a colaboração entre voluntários amadores e profissionais em vários campos de atividade. Tucker escolheu o lago Ness como local de teste para um protótipo de um sonar transdutor com um alcance de 800 metros. O aparelho foi fixado debaixo da água em Temple Pier, na baia Urquhart e foi apontado para a margem oposta do lago, criando uma rede acústica que detectaria qualquer coisa que atravessasse o lago por aquele ponto. Durante o teste, que durou duas semanas, captaram inúmeros animais que mediam até 6 metros ascendendo do fundo do lago ou mergulhando para ele. As análises dos mergulhos descartaram a possibilidade de animais que precisassem respirar, porque os alvos nunca chegavam na superfície. Um breve press release por parte da LNPIB, com base no resultado da experiência dizia: “A resposta para a questão sobre a existência de fenômenos estranhos no lago Ness, Escócia, e, caso existam, qual a sua possível natureza, está um passo mais próxima de ser respondida, graças ao resultado das experiências com sonar, realizadas em 1968, pelo professor D. Gordon Tucker e seu time de cientistas… O professor Tucker disse que seu sonar, fixado na margem do lago, registrou objetos grandes, alcançando velocidades de até 19 km/h. Ele concluiu que os objetos são claramente animais e descartou a possibilidade de serem peixes comuns. Ele declarou:’O grande grau de ascensão e queda mostram que a chance de serem peixes é muito pequena, e os biólogos que consultamos não conseguiram dizer que tipo de peixe poderia ser. É uma tentação supor que eles possam ser os fabulosos monstros do lago Ness, agora observados pela primeira vez em suas atividades sub aquáticas.’”

 

Em 1969 Andrew Carrol, pesquisador de campo para o Aquário de Nova Iorque, Estados Unidos, propôs uma nova operação com sonar no lago. O projeto foi fundado pela fundação Griffis, essa foi talvez a melhor operação da LNPIB envolvendo submersíveis com arpões de biópsia. Em outubro fizeram uma varredura do lago que encontrou um eco animado muito forte que durou aproximadamente 3 minutos. A identidade do contato permanece um mistério, análises posteriores determinaram que o eco recebido, vindo de uma região ao norte de Foyers, era duas vezes maior do que a de uma baleia piloto, que o animal que o emitiu deveria ter pelo menos 6 metros de comprimento.

As primeiras buscas submarinas no lago produziram poucos resultados elusivos. Com o patrocínio da World Book Encyclopedia, o piloto Dan Taylor levou o Viperfish para o lago no dia 1 de junho de 1969. Seus mergulhadores tiveram muitos problemas técnicos e não conseguiram nenhuma informação nova. O Deep Star III, construído pela General Dynamics e um submergível de dois homens, construído pela Westinghouse se programaram para navegar no lago, mas nunca foram lançados. Foi somento quendo o Piscies chegou ao lago que a LNPIB conseguiu novas informações. Propriedade da Vickers, Ltd., o submergível foi alugado para a produção de um filme de Sherlock Holmes. O filme incluia um monstro falso que durante as filmagens se soltou do submarino e foi parar no fundo do lago, a Vickers resolveu então tranformar a perda em ganho, captalizando a perde e a febre do monstro, permitindo que o sub realizasse uma pequena exploração. Durante uma dessas excursões, o Piscies captou em seu sonar um objeto grande a uma distância de 60 metros, a 15 metros de distância do fundo do lago. Lentamente o piloto se aproximou da fonte do sinal, mas o eco se moveu rapidamente e saindo do alcance do sonar, desapareceu.

Durante aquela que ficou conhecida como “A Grande Expedição” de 1970, Roy Mackal, um biólogo que lecionou por 20 anos na Universidade de Chicago, desenvolveu um sistema de hidrofones (microfones que gravariam debaixo da água) e os usou em intervalos em várias locações do lago. No início de agosto o hidrofone foi submerso na baia Urquhart e colocado a uma profundidade de 215 metros. Dois hidrofones foram colocados a 90 e 180 metros. Depois de duas noites de gravação a fita (selada dentro de um tambor de aço juntamente com os outros componentes sensíveis do sistema) foi retirada e tocada diante de um grupo excitado da LNPIB. Silvos como o de pássaros foram gravados e a intensidade desses silvos sugeriam que eles foram produzidos em uma profundidade ainda maior do que a onde o equipamento se localizava.

Em outubro, pancadas e cliques foram gravados por outro hidrofone na baia Urquhart, indicando uma ecolocação. Esses sons foram seguidos de um movimento e turbulência, que sugeria o movimento da cauda de um animal aquático grande. As batidas, cliques e turbulência foram creditados a um animal que utilizava o próprio sonar para localizar sua presa através do som do eco e então se movendo para apanhá-la. Os sons paravam por completo sempre que uma embarcação passava pela superfície do lago perto do hidrofone, e depois reiniciavam quando a embracação atingia uma distância segura.

 

Em experimentos prévios, foi notado que a intensidade dessas “chamadas” eram maiores em profundidades maiores do que 30 metros. Os membros da LNPIB decidiram então se comunicar com o que quer que fosse que as estivesse produzindo. Tocaram então as gravações e usaram os hidrofones para registrar os resultados, que foram inúmeros. Em algumas ocasiões os padrões e intensidades das respostas variavam, mas outras vezes não havia nenhuma diferença entre gravação e resposta. Mackal notou que não haviam similaridades entre as gravações e as centenas de sons conhecidos produzidos por animais aquáticos. “Mais especificamente”, ele disse “as autoridades competentes afirmam que nenhuma das espécies aquáticas conhecidas no lago Ness possuem anatomia para serem capazes de produzir tais sons.”.

No início da década de 1970, um grupo de pessoas lideradas por Robert H. Rines, conseguiu algumas fotos sub aquáticas. Duas eram imagens vagas, mostravam talvez nadadeiras (apesar de muitos terem afirmado que a imagem mostrava bolhas de ar ou peixes). A suposta nadadeira foi então fotografada em diferentes posições, e as fotos indicaram movimentos. Com base nessas fotografias, o naturalista britânico Peter Scott anunciou em 1975 que o nome científico do monstro seria a partir de então Nessiteras rhombopteryx (a forma grega para O Monstro de Ness com barbatanas em forma de diamante). Scott disse que o objetivo dele era permitir que Nessie fosse adicionada no registro britânico de espécies oficialmente protegidas. Mas Nicholas Fairbairn, um político escoces, notou que o nome também era um anagrama para “Monster Hoax by Sir Peter S.” (Fraude Monstruosa por Sir Peter S.)

As fotos sub aquáticas foram conseguidas após minuciosos exames das profundezas do lago, com o auxílio de sonares em busca de atividades incomuns encontradas. Uma câmera submarina com uma potente lanterna (necessária para conseguir se enxergar na escuridão das águas) foi utilizada para se conseguirem tirar as fotos abaixo da superfície. Muitas das fotografias, apesar da opacidade da água, conseguiram capturar um animal que de fato se parecia com um plessiossauro, em diferentes posições e sob diferentes focos de luz. Uma das fotografias parecia mostrar uma cabeça, pescoço e parte superior do torso de um animal semelhante a um plessiossauro. Uma fotografia rara, que quase não foi divulgada, mostrava dois corpos semelhantes a plessiossauros. Outra foto mostrava uma cabeça semelhante à de um gárgola medieval com chifres, imagem muito semelhante aos inúmeros relatos de avistamentos do monstro. (muitos hoje acreditem que essa última foto mostra na verdade um toco de tronco de árvore)

Alguns closes do que aparenta ser a nadadeira em forma de diamante (losango) da criatura foram tirados de diferentes ângulos com a criatura se movendo, mas a fotografia da nadadeira recebeu muitos retoques. A foto original existe no Museu das Fraudes, onde Charlie Wyckoff afirmou que alguém retocou a imagem original para destacar a nadadeira, e que a foto original, sem o tratamento mostra uma nadadeira muito menor. Ninguém hoje, tem certeza de como a foto original recebeu esse tratamento.

Em 2001, a Academia Robert Rine de Ciência Aplicada (Robert Rines’ Academy of Applied Science – AAS), fez a exibição de uma grande onda em forma de V atravessando a superfície da água em um dia calmo. A AAS também filmou um objeto no fundo do lago que se parecia com uma carcassa que continha conchas de animais marinho e um fungo dificilmente encontrado em lagos de água doce, de acordo com a AAS isso mostra que o lago de alguma forma é conectado com o oceano e que essa conexão talvez seja a rota de entrada e saída do lago usada por Nessie.

 

Em 1993, a Discovery Communications deu início a uma pesquisa sobre a ecologia do lago. O estudo não foi focado exclusivamente no monstro, mas nos nematodes (inclusive com a descoberta de uma nova espécie) e peixes do lago. Esperando encontrar uma pequena população de peixes no lago os pesquisadores se assustaram ao retirar da água vinte peixes com apenas uma tentativa, o que aumentou em 9 vezes a estimativa da quantidade de peixes.

 

Usando um sonar a equipe encontrou um tipo de distúrbio sub aquático (chamado de seiche), causado por energia potencial, isso ocorre por causa do desequilíbrio entre as camadas de água quente e fria do lago. No dia seguinte, quando revisavam as impressões do evento registrado, eles encontraram o que pareciam ser três contatos no sonar, cada um seguido de um poderoso distúrbio. Esses acontecimentos foram mostrados no programa chamado Loch Ness Discovered, juntamente com a foto do cirurgião e os vídeos melhorados de Dinsdale, a foto do cirurgião e a foto da nadadeira de Rines.

Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/monstro-do-lago-ness/

Hecate – Druidas, Oráculos e Allan Kardec

Publicada no S&H dia 20/jun/2008,

“Três deveres de um druida:
– curar a si mesmo;
– curar a comunidade;
– curar a Terra.
Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida”.
(Tríades da Ilha da Bretanha)

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana passada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hecate, a deusa tríplice, representação da mediunidade.

Hecate
Hecate (ou Hécate) é uma divindade grega, filha dos titãs Perses e Astéria. A origem de seu nome se deve à palavra egípcia Hekat que significaria “Todo o poder”.
Em sua versão original, Hecate está associada a Ártemis (irmã gêmea de Apolo, o Sol, representando a luz da lua cheia) e a Perséfone (filha de Zeus e Demeter, personificação do sagrado feminino e das faculdades associadas à sensualidade feminina). Juntas, as três simbolizavam as 4 fases da Lua. Enquanto Ártemis representava a lua cheia e o fulgor feminino (girl power), Perséfone, em suas duas caracterizações (a doce Coré e a sombria Perséfone) representava respectivamente as fases Crescente e Minguante da lua e, finalmente, Hecate representava a Lua Nova, ou sombria.

Ok… pausa para explicar a lenda de Perséfone:
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré (correspondente à deusa romana Proserpina e Cora). Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades (Demeter representa Malkuth, o Plano Material, Hades representa Yesod, o Plano Astral, Perséfone a feminilidade relacionada com a intuição feminina, que transita entre estas duas esferas) que a pediu em casamento.
Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o Mundo Subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos. Deméter, junto com Hermes, foi buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo fontes posteriores, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como, entretanto, Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã, a mesma fruta que coincidentemente era cultivada nos jardins do Templo de Salomão) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo: ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica ao mesmo tempo o ciclo anual das colheitas e as duas representações da lua e seus aspectos na magia cerimonial.

Voltando a Hecate:
Hecate é venerada como “a mais próxima de nós”, pois se acreditava que, nas noites de lua nova, ela aparecia com sua horrível matilha de cachorros fantasmas diante dos viajantes que por ali cruzavam. Ela enviava aos humanos os terrores noturnos e aparições de fantasmas espectros. Também era considerada a deusa da magia e da noite, mas em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Era associada a Ártemis, mas havia a diferença de que Ártemis representava a luz lunar e o esplendor da noite. Também era associada à deusa Perséfone, a rainha dos infernos, lugar onde Hécate vivia.
Dada a relação entre os feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da Antiga Grécia lhe faziam oferendas com cachorros e cordeiros negros no final de cada lua nova. Era representada com três corpos e três cabeças, ou um corpo e três cabeças. Levava sobre a testa o crescente lunar (tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e com serpentes enroladas em seu pescoço. Como já estudamos em matérias anteriores, Tochas simbolizam o FOGO, sinal da sabedoria divina, e cobras representam o despertar da Kundalini, o fogo sagrado dentro de cada um.

Deusas Tríplices
Com a associação clara entre o feminino e a Lua, existiam muitas deusas tríplices, que carregavam consigo certas atribuições e que agiam como se fossem uma única entidade. Entre elas podemos destacar as Moiras, as Erínias e as Parcas, assim como as Norms (nórdicas), Bridghit (três deusas com o mesmo nome) e Morrigan (que com suas irmãs Badb e Macha faziam as vezes das Fúrias celtas).
Dos cultos egípcios e gregos, a representação do Sagrado Feminino na forma de “deusas tríplices” espalhou-se pela Europa. Os celtas possuíam a representação da mulher associada a três deusas chamadas Bridgith (Ou Brigid, ou Brígida, ou posteriormente Santa Brígida na Igreja Católica).
A Deusa Tríplice representa os mesmos aspectos gregos do feminino: donzela, mãe e anciã. Bridgit era filha de Dagda (e, portanto, meia irmã de Cermait, Aengus, Midir e Bodb Derg – um dia no futuro eu falo sobre eles… é uma história muito interessante) e suas sacerdotisas estavam associadas à chama sagrada, da mesma maneira que as Virgens Vestais gregas e egípcias. Suas 19 sacerdotisas permaneciam no Templo de Kildare, cercadas por um fosso natural que nenhum homem poderia cruzar. O Templo de Kildare foi uma das principais fontes usadas na criação da lenda de Avalon. Morrigan, por sua vez, foi a deusa utilizada como base para a criação de Morgana, meia irmã do mítico Rei Arthur (falaremos sobre isso mais para a frente).

As deusas e as Incorporações
Retornando no tempo até os cultos de Astarte, era extremamente comum (para não dizer mandatório) que a principal sacerdotisa de cada culto, em determinado momento do ritual, incorporasse a Deusa. Quando digo “incorporar”, quero dizer EXATAMENTE da maneira como vemos diariamente em centros espíritas, Kardecistas e templos de Umbanda/Candomblé.
A sacerdotisa possuía todos os atributos e características necessárias (além de um treinamento espiritual, emocional e mental) para deixar seu corpo limpo e preparado; entrava em transe ritualístico profundo e utilizava sua condição de médium para incorporar a deusa, que conversava com seus seguidores dando-lhes informações e conselhos.
Isto faz nossa segunda ligação com os Psycopompos e seus profundos significados esotéricos: Hecate representa esta conexão entre os médiuns e o Plano Astral.

Os druidas
Druidas (e druidesas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. A palavra Druida significa “Aquele que tem conhecimento do Carvalho”.
O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores. Está intimamente ligado ao título de “Aquele que trabalha com a madeira” vindo dos tempos do Rei Salomão e da Arca e, para quem não caiu a ficha ainda, o mesmo título de “Mestre Carpinteiro” dos antigos Essênios. A ritualística druida é muito parecida com o cristianismo primitivo da doutrina Cátara.

É importante dissociar as palavras “Druida” de “Celta” porque muita gente faz confusão. Celta é o nome do povo, enquanto Druida é o nome dado a uma casta de sacerdotes especiais que viviam entre os celtas e agiam como conselheiros destes. É a mesma relação entre “judeus” e “rabinos”.

Origens da Távola Redonda e o Elemento Terra.

Druidas e Mediunidade
A conexão entre Druidas e Mediunidade vem do Xamanismo (que é uma das origens de toda a magia celta) e das incorporações dos xamãs com os Espíritos dos Antigos (ou Espíritos Ancestrais). Da mesma maneira que os xamãs incorporam os espíritos ancestrais, os grandes sacerdotes druidas não apenas incorporavam os Deuses em seus rituais, mas também estudavam estas interações entre o Plano Material e o Plano Espiritual.

Com o advento da Igreja católica, estas práticas ficaram cada vez mais secretas e mais restritas, sob pena de fogueira; e muitos dos conhecimentos ocultistas da antiguidade tiveram de se refugiar nas Ordens Secretas, especialmente sob a proteção Templária e Rosacruz. O Sagrado feminino, a intuição e a mediunidade foram esmagados e permaneceram em dormência até o Renascimento. Neste período (que falaremos em detalhes na seqüência “Queima Ele, Jesus”), qualquer manifestação de mediunidade era vista como “coisa do demônio” e passível de fogueiras e exorcismos. Existem diversos casos na literatura medieval que retratam casos de mediunidade como sendo tratados como “possessão demoníaca” e afins. O mundo permanecia (passado?) em uma Idade das Trevas.

Dos druidas aos maçons
Nascia em Lyon a 3 de Outubro de 1804 Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor, pedagogo e escritor francês que se notabilizou como o codificador do chamado “Espiritismo”, denominado “Doutrina Espírita”.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.
Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.
Era membro de diversas ordens, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema “Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?”.
existe uma grande suspeita que Leon Denizard tenha feito parte da Maçonaria, pertencente à Grande Loja da França. Se não foi iniciado, passou sua vida inteira cercado por amigos membros desta sublime ordem. Deve ter conhecido as teorias básicas de Astrologia (pelo contato e estudo com Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos franceses de todos os tempos, fundador em 1887 da Sociedade Astronômica da França). Camille Flamarion era tão seu amigo que fez o discurso durante o enterro de Kardec. Para os espíritas que acompanham a coluna terem uma idéia da importância de Flamarion para o espiritismo, procurem nos textos da Gênese, uma das obras básicas do Kardecismo, o texto “Uranografia Geral – Estudo do Espaço e Tempo”, pelo médium CF. CF são as iniciais de Camille Flamarion.

Cético e estudioso, Léon teve contato com os estudos a respeito das “mesas girantes” em 1855, paralelamente a cientistas e ocultistas como Sir William Crookes (membro do Royal College of Chemistry, pai da Espectrologia), Alfred Russel Wallace (um dos precursores da teoria da evolução das espécies), John Willian Strutt (prêmio Nobel da física de 1904), Michael Faraday (físico, que apesar de não ser ocultista também estudou estes fenômenos), Oliver Lodge (membro da Royal Society, inventor do telégrafo sem fio), entre muitos outros. Interessante notar que as pessoas que estudavam seriamente estes fenômenos eram cientistas importantíssimos, ganhadores do Nobel de Física e outros pesquisadores voltados para áreas da física e da química.

Os tipos de mediunidade:
Como o irmão Denizard já teve todo o trabalho de compilar e codificar os tipos de mediunidade de uma forma majestosa, o tio Marcelo fará apenas a referência aos seus textos.
Começamos os estudos através da Manifestação dos Espíritos sobre a Matéria, através da vontade (Thelema) dos seres espirituais, combinados com a energia plasmada do médium, rompem a barreira entre os campos vibracionais e permitem manifestações no Plano Material. A partir disto, surgem as famosas “mesas girantes” que são uma manifestação grosseira desta força, suficiente apenas para erguer as mesas no ar e fazê-las girar. A partir das manifestações grosseiras (que também são a origem de barulhos em casas ditas “mal assombradas” e outros fenômenos), surgem os estudos a respeito de Manifestações Inteligentes (ou seja, pancadas rítmicas, respondendo a perguntas como “sim” ou “não”, barulhos indicando princípios rudimentares de comunicação entre Planos e assim por diante). Neste sentido, ele também estudou a criação de ruídos, movimentos e suspensões e aumento e diminuição do peso dos corpos.
Na segunda etapa, estudaram as manifestações físicas espontâneas, ou seja, a criação de ruídos mais específicos, arremessos de objetos e fenômenos de transporte, bem como as manifestações visuais, aparições e aparições dos espíritos de pessoas vivas. Estudaram também os lugares assombrados, linguagem dos sinais, tiptologia alfabética, escrita direta e pneumatofonia.
Na área da psicografia, estudaram a psicografia indireta, através de cestas e pranchetas, e a psicografia direta, através dos médiuns.
O capítulo XIV do seu “Livro dos Médiuns” trata especificamente sobre as mediunidades, listando as 72 mediunidades diferentes, entre elas os médiuns de efeitos físicos, elétricos, sensitivos, audientes, falantes, videntes, sonambúlicos, curadores, pneumatógrafos, etc. Entre os médiuns escreventes temos os médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados e de pressentimento e assim por diante. Recomendo que vocês leiam os dois livros básicos (Livro dos Espíritos e Livro dos Médiuns).
Léon adotou o pseudônimo de Allan Kardec, uma de suas encarnações passadas como druida, e é considerado o fundador do Espiritismo, uma das filosofias que eu considero mais sérias.

Termino a matéria citando o professor Waldo Vieira e um livro fantástico chamado 700 Experimentos de Conscienciologia (1994) onde, com o auxílio de laboratórios, foram feitas diversas experiências dentro do método científico para comprovar e estudar os fenômenos parapsicológicos. Hoje o IIPC é um dos institutos mais sérios no estudo destes fenômenos de forma científica e laica.

No Brasil, o espiritismo acabou adotando um pouco do viés religioso e cristão ao invés de sua proposição original científica. Infelizmente o sincretismo religioso, os misticóides da dita “Nova Era”, os charlatões e as chamas violetas da vida transformaram a palavra “espiritismo” em uma mixórdia tão grande que os espíritas originais precisam se denominar “Kardecistas” para evitar confusões, tamanha a quantidade de loucuras que inventaram por ai.

Enquanto isso, neste curral chamado Brasil, os coletores de dízimos fazem a festa com suas charlatanices de desencapetamento, exorcismos da madrugada, óleos de Jerusalém, água do Rio Jordão e afins, deixando a ciência e o ocultismo sério como pequenos oásis neste imenso mar de créu.

Perdidos no meio de assuntos religiosos e esotéricos que não têm nenhuma idéia a respeito, as Igrejas caça-níqueis seguem por ai Vandalizando Templos de Umbanda e de outras religiões “Em nome de Jesus”.

Como este assunto é muito extenso, queria que vocês postassem suas dúvidas na parte de comentários, como fizemos semana passada. Estava olhando com calma as perguntas novamente… acho que nunca fui tão sabatinado em toda a minha vida. E as dúvidas estavam de alto nível !!! Parabéns para o pessoal e queria agradecer aos colegas que ajudaram nas respostas

MacBeth!

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hecate-druidas-or%C3%A1culos-e-allan-kardec

Energia OD

Certo dia impliquei. Estava cansado de como as coisas pareciam não estar funcionando devidamente. Em minha mente visualizei que iria aonde quer que fosse mas entraria em contato com meus “guias” ou seja lá qual nome se dá a eles. Iria entrar no ambiente e com o médium ou a mãe de santo, que incorporasse tais entidades, falaria: “Vamos ser sinceros! Temos um problema. Ao que tudo indica não existe uma relação muito positiva entre nós. Precisamos deixar as coisas limpas para que tal relação deixe de ser um problema e seja de fato útil para as duas partes.”. Estava então decidido. Aquela seria uma conversa esclarecedora.

Um dia se passou e encontrei uma pessoa que eu sabia ser frequentadora de um centro de umbanda aqui da cidade. Perguntei os dias que a mãe de santo trabalhava atendendo e ele me disse que procurasse somente não ir na segunda-feira. Ficou então agora mais do que decidido, tinha data marcada para a realização de minha visualização. Voltei ao trabalho, não pensei mais nisso. Nos dois dias seguintes nada fiz pra tornar isso realidade. No entanto não precisei. Praticamente um dia e meio depois tive um sonho, este sonho:

Estava num lugar escuro e eu me via em terceira pessoa. Havia um turbilhão de energia azulada passando ao meu lado. Dentro deste turbilhão dava para ver objetos, pessoas, coisas, pensamentos, ideias, tudo passando freneticamente acompanhando o transladar da massa energética ao meu lado. Foi quando uma voz, não sei bem d’aonde surge falando: “Isso é energia OD!” Eu olhava para o turbilhão ao meu lado e tentava visualizar as letras ‘O’, ‘D’ juntas, fazendo um círculo torto. Era quando eu dizia: “Você quer dizer energia ódica?!”.

Acordei! Era uma manhã como outra qualquer. Meu corpo recobrava os sentidos e em instantes me veio à mente o desenho do O, D juntos como no sonho. Forcei um pouco e até cheguei a pensar que se referia a um amigo meu que escreve seu nome com tais letras, mas quando consegui recordar do nome ódico a coisa toda mudou de perspectiva. Fiquei intrigado. O que deveria ser energia ódica? Existe isso? Levantei de imediato e corri para ligar o notebook. Depois de três, quatro, cinco pesquisas encontrei o que buscava em quatro sites em alemão e um em inglês. Para ser mais rápido traduzi mecanicamente o site em inglês já que o em alemão ficava incompreensível e me lancei a ler. Após algum tempo de leitura tive a percepção da resposta mais produtiva de toda minha vida. Foi a primeira vez que não havia dúvida alguma. Eu tinha sido respondido diretamente, sobre algo que me fez refletir muito em minha vida inteira. Em tal momento tudo ficou claro pra mim, e todas minhas incursões acerca do espiritual e o mundo físico, sobre a energia como um todo tornara-se devidamente palpável. Para ser bem simplificado contarei o importante agora:

Seu pai era um bibliotecário do Tribunal e por intermédio disso tinha acesso a livros infindáveis. Chegou a ler sobre Mesmer e tornou-se por assim dizer um defensor do mesmo, alegando que Mesmer não utilizava de sugestões em seus experimentos. Ou pelo menos que isso não era o fator real dos fenômenos. Havia algo, só que não existia aparelhos para definir esse algo, em que Mesmer se apoiou para desenvolver sua bateria, objeto ao que me pareceu ser o mais famoso. Reichenbach mergulhou de cabeça no estudo do sonambulismo, medos noturnos, câimbras (no texto aparece como tétano muscular). Tudo isso era inevitavelmente mal visto por todos e existiam rituais de exorcismo dos mais variados para sanar o que não se sanava. A igreja em nome de Deus até já tinha queimado na fogueira algumas famílias alegando ser obra do demônio. As pessoas se escondiam quando viam que algum membro da família apresentavam os sintomas e viviam no silêncio e enclausurados temendo o pior.

O barão Reichenbach, pra ser sucinto, reuniu todas as informações possíveis sobre a maioria dos casos que obtivera algum dado. Fez uma pesquisa extensa ao que é informado no site. Reuniu o máximo de informações possíveis acerca de todos os casos pela Europa. Enquanto isso reunia o único fator que poderia na época demonstrar algo de fato em relação aos fenômenos. Ele procurou pessoas sensitivas e sensíveis o suficiente para que pudesse determinar quando e porque tais fenômenos ocorriam. Esse fator fez com que seus estudos perdessem o crédito jogando-o no esquecimento. Esses sensitivos foram escolhidos por intermédio de testes variados que determinavam que eles não estavam simplesmente mentindo sobre. Tais testes e o próprio processo do estudo dos casos levou a separar estes sensitivos entre os maiores e os menores, determinando exatamente quem era quem nesse meio.

Existiam nesses casos fatores em comum: não havia distinção de gênero, apesar da ciência da época colocar o gênero feminino como o mais susceptível à histerias e coisas do tipo. Não havia uma idade específica para o ocorrer do fenômeno, crianças as vezes só precisavam aprender a andar para que já se apresentasse o problema, o que retirou do caso o fator emocional e situações traumáticas como a razão de tais fenômenos. Ao longo do processo percebeu que não havia uma razão geográfica para tal, e nem a eletricidade ou o magnetismo causavam tais reações nos indivíduos, apesar de ter percebido que bastões de imã causavam algum tipo de reações nos sensitivos, o mesmo magnetismo geográfico nada fazia. Havia o fator de que em períodos de lua cheia o fenômeno tinha o seu pico de expressão. Levando muitos sonâmbulos a andarem em busca da lua, por beiradas dos prédios ou pelo meio das vilas com os braços levantados, bem ao clichê que já imaginamos quando pensamos nisso. Por fim o barão fez literalmente uma análise geral e por fim percebeu que, retirando todos os fatores duvidosos, a lua era de algum modo a vilã da história.

Isso levou ele a fazer experimentos com os sensitivos em quartos totalmente escuros. Cada qual ficava um tempo em silêncio e em um dado momento a luz da lua era incindida na face ou em outra parte do corpo causando reações variadas. Havia algo ali e ele estava começando a ter uma dimensão do caso. Foi quando brilhantemente teve a ideia de por intermédio de prismas incindir os espectros específicos sobre os indivíduos sensitivos. Cada cor começou a demonstrar efeitos específicos em tais indivíduos, que variavam de convulsões à dores e enjoos. Isso levou o mesmo a testar a luz do sol e por conseguinte perceber características distintas em cada caso. Cada sensitivo demonstrava (sem saber bem o que lhe ocorria) os mesmos efeitos para cada espectro da luz que incidia em seu corpo. Foi assim que o barão teve a ideia de saber até que ponto essa energia era a luz ou algo além. Por intermédio de metais e minérios todo o tipo de experimentos foram feitos para determinar se a energia em questão se propagava melhor dependendo do ambiente em que se encontrava. Ele assim determinou exatamente quais metais e minérios se carregavam com tal energia com mais facilidade e conseguiu até mesmo determinar a velocidade de expansão da energia, algo em torno de 1,5 m/s se não me engano. Algo relativamente lento. A energia parecia se movimentar por acúmulo e em determinados casos demorava para esvair-se. Assim ele nomeou tal energia de od, energia ódica que ao meu ver é a mesma coisa do chi, ki, prana, energia plástica e por ai vai.

Ao longo de todo esse processo e dessa leitura eu tive meu momento de iluminação. Tive uma experiencia clara de como poderemos ter sim contato com nosso mundo espiritual, sem os modismos típicos ou falácias coloridas das práticas que considero new age. Tal acontecimento me demonstrou que por mais difícil que seja tal relação com esse espiritual, basta que sejamos sinceros conosco e atentos. Nada de absurdo fiz, a não ser desejar tal conversa veementemente, visualizando claramente toda a cena. Acabei mandando meu pedido às forças que me circundam sem me esforçar muito. E estes não demoraram em me responder, com algo que eu mesmo nem ao menos tinha pedido diretamente. Eles sabiam o que eu sabia ter dúvidas, e não precisei dizer uma palavra sequer para ser auxiliado devidamente.

Em nenhum momento ler sobre esta energia me fez aprender algo que eu já não soubesse. Tudo que li e estudei trabalha com tal energia, ou com tal compreensão do universo. O que aprendi com isso é que não há na vida uma ação sem seu resultado. E se o indivíduo se permitir ser verdadeiro nada será impossível.

Meu caso fora simples. Não romantizei em momento algum o acontecido. Fora exatamente como coloquei aqui. Trabalhar com tal universo espiritual requer que sejamos muito verdadeiros e sensatos. Não surtei com o caso, não alegrei-me mais do que o necessário. Era o que eu queria e assim foi. Obtive mais de uma resposta com uma única ação. A primeira era que eles estão sim atentos ao que me ocorre. A segunda é que tenho uma carga de conhecimento que basta trazer à superfície que obterei as respostas que preciso. Terceiro que minhas incursões filosóficas e práticas sobre energias e realidade estão sim caminhando para um canto real. Quarto que precisamos da simplicidade nos nossos atos. Cinco que a vida não deixa um ponto sem nó em momento algum.

Como falei, não aprendi nada que já não soubesse em relação à energias. Mas tal site me abriu um novo horizonte. Às vezes desejamos respostas claras e imediatas. E quando não recebemos achamos que fizemos algo errado ou que na verdade isso tudo é uma bobagem. O que tenho a dizer sobre isso é que o diálogo é construído mutualmente. E que as palavras por eles usadas não seguem nossas razões técnicas sobre isso.

Quando falo sobre espiritualidade necessariamente não coloco isso como algo estritamente fora de nós ou dentro de nós. Essa dimensão não é importante nesse caso. O que importa mesmo ao se pensar nisso é que há uma força e ponto. Se soubermos como ativar tal energia em nós ou ao nosso redor poderemos sim causar mudanças na nossa realidade por intermédio da nossa vontade. Mas precisamos antes de mais nada viver tal energia se quisermos ter domínio sobre ela. Não adianta perseguir isso tudo se não temos relação direta com as forças do nosso mundo. Essa energia, seja chamada de od ou de prana, está ai em relação constante conosco. Claro que sabemos bem que trabalhar com ela ou em favor dela às vezes nem é tão necessário para que algo ocorra. Visto que, ao que tudo indica, respiramos tal força sem nem ao menos nos darmos conta disso. Não importa se acredita ou não que uma árvore no meio da floresta faça som ou não… ela fará som sim, independentemente. Essa crença de que precisamos acreditar pra que tudo isso funcione é mais do que errônea… é estúpida. Pensar dessa forma é iludir-se, mas querer ser um mago e não abarcar o universo prático é tolice. É preciso elevar a varinha e determinar os pontos de apoio para que as operações tenham efeito. Mas acima de tudo é necessário não ter dúvidas alguma. Se porventura você quer fazer algo e nem ao menos sente as energias e duvida copiosamente por nunca ter tido um contato direto e claro, comece hoje mesmo a desenvolver tais percepções. É necessário tirar do plano da fantasia e trazer para o plano real se quiser ter um resultado factual da ação de sua vontade sob as forças. Energia não é algo que funcione por sugestão, apesar de algumas vezes a sugestão levar o indivíduo a fazer mover as energias. Ela tem uma lógica natural que precisamos respeitar e perceber. Não serão os livros que irão ensinar realmente. Será a prática concreta. É necessário sair do quarto e brandir sua espada sob o auspício lunar. É necessário sentar e meditar. É necessário duvidar das suas práticas para reconhecer o que de fato é real, palpável. É necessário criar e adaptar o conhecimento ao nosso universo particular se quiser fazer diferença. Eu não me utilizei de maneirismos tolos e medinhos medíocres ou formas cheias de bondade estúpida para fazer algo simples. Conversar. Eu usei de minhas próprias palavras, atuei com meu jeito particular e obtive resposta. Não precisei de termos pomposos ou de uma túnica ungida, eu até ri um pouco da cena que visualizei, ri por achar que ele riria quando me ouvisse falando daquele jeito. Provavelmente eu ri quando ele de fato riu ao perceber toda a minha construção pra dizer que queria um resultado real na nossa relação. Para dizer que estava cansado de achar que eles não estavam nem ai para com minha vida. Ledo engano.

Esse texto vai em nome destes que me circundam, sejam estes seres humanos desencarnados, sejam estes forças da natureza, sejam estes criaturas densas ou puras, sejam estes intelectos condensados, sejam estes reflexos da egrégora que me circunda, sejam estes meus próprios servidores, sejam estes animais que me acompanham, sejam estes pura e simplesmente eu mesmo replicado nos planos sutis… não importa. Importa que sei bem agora que se importam com o que penso e falo. E que o único empecilho fora eu mesmo o tempo inteiro.

Djaysel Pessôa

S.O.Q.C.

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leia também:

Od energy – Barão Reichenbach

Dr. Carl (Karl) Ludwig Freiherr von Reichenbach

Zzurto

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#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/energia-od

O Panteão Taoista

   por Guilherme Korte

O Taoismo teve início no século II baseado nas religiões indígenas, e sua ideologia deriva de antigas tradições, incluindo Huang-Lao, uma tradição cultural batizada depois de Hunag Di, O Imperador Amarelo, e Lao Tzu, e seguida por seus fiéis durante a dinastia Han do oeste (206 a.C. – 24 d.C.).

Durante as dinastias Tang (618 – 907) e Song (960-1279), devido ao apoio de seus imperadores, o Taoismo entrou em um período de pleno desenvolvimento e se converteu em uma importante religião na China, somente menor que o Budismo. Lao Tzu, o fundador da escola de Taoismo, no começo da dinastia Qin, é venerado como seu fundador, e a idéia do Caminho (Dao ou Tao), que se preconiza no livro “Tao te Ching”, é a base da religião. Crendo que o Caminho é a origem do universo e criador de todos os seres vivos. Os taoistas adoram toda a vida no universo e todas as coisas criadas pela natureza. Também crêem que o homem pode alcançar a imortalidade e converter-se em um ser celeste (“xian”) mediante a prática da austeridade.

No século 12, o Taoismo dividiu-se em duas seitas: O taoismo Chuan-chen e o Taoismo Cheng-I. Os seguidores do Taoismo Chuan-chen abandonam suas famílias e vivem em templos. Tornam-se vegetarianos e praticam a austeridade tendo em vista a imortalidade. Outros, seguidores do Taoismo Cheng-I, viveram perto de suas famílias e não deixaram de comer carne e como ideal, ajudavam outras pessoas a conseguir fortuna e evitar seus males.

De acordo com o Taoismo, os deuses atuam como administradores e controlam cada coisa no Universo. Entre muitos deuses venerados pelos taoistas, estão o Deus de Origem Primitiva, o Deus da Pedra Sagrada, e o Deus do Caminho da Energia (Lao Tzu)

Muitos dos templos taoistas foram construídos em montanhas donde, segundo a tradição, nasceram os seres celestiais ou se transformaram em imortais, os antigos taoistas que haviam praticado a austeridade física, mental e espiritual.

Os Três Puros

Dentre os imortais se destacam Fu Xing, Lu Xing e Shou Xing, os 3 deuses que representam respectivamente a prosperidade, sucesso e longevidade.

Fu Xing: O deus da felicidade, da sorte e das oportunidades. Acredita-se que tenha sido um personagem histórico do século VI chamado Yang Chang, que foi deificado em Daoxian, na província de Hunan, da qual era governador. Após sua morte, por ser muito bem quisto pela população, erigiu-se um templo em sua homenagem. Sua figura aparece muitas vezes nas portas, para trazer a felicidade e a sorte. Apresenta-se em geral com um chapéu de abas largas e portando um pergaminho enrolado. Muitas vezes aparece carregando uma ou mais crianças, símbolo de felicidade na China Antiga.

Lu Xing: Conhecido como o deus da prosperidade, que traz a felicidade na forma de aumentos salariais ou promoções. O personagem histórico ligado a ele é um estudioso do século II a.C. chamado Shi Fen. Ele era um alto funcionário imperial e predileto do próprio imperador, o que colocou sua família em um alto nível social e financeiro. Aparece geralmente vestido com trajes nobres e pode carregar um lingote de ouro.

Shou Xing: Também chamado de Nanji Laoren (“Velho Homem do Polo Sul”). Muito reverenciado como o deus da longevidade. Em geral carrega um pêssego, pois a palavra “pêssego” em chinês tem o mesmo som de “longevidade” – “shou”. É retratado muitas vezes acompanhado de uma garça ou tartaruga, símbolos de longevidade. Traz um cajado feito de madeira de pessegueiro (o fruto da imortalidade) e uma cabaça, que está cheia com o elixir da imortalidade. Muitas vezes é denominado como “Shou Xi”, onde “xi” significa “felicidade” e passa a representar a “longevidade feliz”. É o símbolo de nosso site principal, Longevidade.

Os Oito Imortais

Os Oito Imortais são outro grupo destes lendários xian. Estes são frequentemente chamados por invocações taistas em busca de proteção ou para destruição do mal. A maioria deles teria nascido na dinastia Tang ou Song e além de serem reverenciados pelos taoístas também são um elemento popular na cultura secular chinesa. Dizem que vivem em um grupo de cinco ilhas no Mar de Bohai, que inclui o Monte Penglai. Os Oito Imortais são:

  • He Xiangu (He Xiangu), geralmente vista como a única mulher do grupo, muitas vezes retratada segurando uma flor de lótus.
  • Cao Guojiu (赵国ujiu), relacionado a um imperador da dinastia Song antes de se tornar um imortal.
  • Li Tieguai (李馬國), considerado mentalmente ébrio e associado à medicina e aliviando o sofrimento dos doentes e necessitados, identificado por sua muleta de ferro e garrafa de cabaça.
  • Lan Caihe, um imortal de gênero ambíguo considerado o patrono dos floristas e dos jardineiros.
  • Lü Dongbin, um estudioso e poeta considerado o líder dos Oito Imortais.
  • Han Xiangzi, um flautista e patrono das artes e inspirações.
  • Zhang Guolao, um fangshi associado à velhice, sabedoria e longevidade.
  • Zhongli Quan, associado à morte e ao poder de criar prata e ouro e portanto a prosperidade muitas vezes representado segurando um leque.

Em resumo o panteão taoista é composto por seres humanos que se tornaram imortais seguindo o Tao. Existem muitos outros, como o famoso Kuan Ti (ou Guan Yu), cujas façanhas e qualidades morais foram celebradas no Romance dos Três Reinos.

Taoismo Hoje

Atualmente existem mais de 1600 templos taoistas aonde vivem 25 mil sacerdotes. A Organização Taoista da China, estabelecida em 1957, em Beijing, é uma organização nacional, com Ming Zhiting como presidente. Para levar adiante e divulgar a cultura taoista, a associação publicou dezenas de obras clássicas taoistas e compilou mais de 30 livros sobre o Taoismo e uma série de livro sobre a cultura taoista. Publicam ainda uma revista bimestral, “O Taoismo da China”, distribuída no interior e enviada ao exterior. A Academia Chinesa de Taoismo, fundada em 1990, oferece cursos aos jovens interessados sobre as investigações e estudos taoistas. Milhares de estudantes graduaram na academia desde seu estabelecimento. Os taoistas chineses sempre mantêm estreitos contatos com os taoistas em todas as partes do mundo. A Associação Taoista da China, também é membro da União de Proteção Religiosa e Ambiental.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/o-panteao-taoista/