As Quatro Dimensões da Experiência

O Dragão fala: Visualize um cubo de três dimensões. O  nome da dimensão vertical é “concordância”, a Dimensão do “controle” é a profundidade e a dimensão da “consciência” é a largura. Ouça aqui como eu vou revelar os segredos da estrutura do universo e colocar em suas mãos um Mapa dos três mundos.

A dimensão da Concordância –  Tudo é Crença

A Concordância, a dimensão vertical, é feita através da percepção do que mentes conscientes acreditam ser real, e isto se torna real em experiência. A experiência inclui todas as  experiências.  A mentira do primeiro mundo é dividir uma experiência mental de uma experiência física e condenam completamente uma experiência emocional como um limbo entre o real e a fantasia.Toda experiência é real. A função da concordância é decidir como se percebe o que existe! Se você ver e ouvir um gato ronronando em uma cadeira e outras dez  pessoas  presentes no mesmo lugar não verem nenhum gato, mas apenas uma cadeira vazia, falta a concordância.Osdez outros chamariam  a  sua experiência real de uma “alucinação”. Se todos os presentes podem ver e ouvir o gato, então sua experiência do gato tem  concordância e é  considerado “real” pelos outros.

Abandone agora esse preconceito dogmático dos tolos cegos do mundo da escravidão!

Concordância é o que determina o que os ignorantes chamam de real. Mais uma vez. Eu digo toda experiência é real. O que é, é!

Se você fotografar a cadeira, o gato deveria aparecer na fotografia se houvesse concordância  suficiente, mas poderia não aparecer lá caso estivesse sem a concordância. A percepção da tapeçaria de experiência é determinada pela Concordância. Mas, espere! Considere a situação em que alguns dos presentes viram o gato, enquanto outros
não! O que acontece na presença de um acordo parcial?

A resposta a esta questão  é achada por qualquer análise cuidadosa do mundo atual. Sua cultura masoquista tem trabalhado diligentemente para ignorar os aspectos do mundo que se enquadra em parcial  Concordância. Essas exceções, essas legiões de “anomalias” e “impossibilidades” registradas diariamente e em toda a sua história, quebram a ilusão de uma “realidade” fixa qualquer.

Sua “ciência”, baseada nas sombras de uma Realidade-Sonho, ignora a enxurrada de fatos que demonstrem a verdade das minhas palavras. Ainda mesmo dentro dos salões do mausoléu de  sua ciência, encontramos alguns que, percebendo a verdade, avançam para declarar o erro de  seus modos. Poucos na verdade, são aqueles que vão abandonar os seus olhos vendados e  declarar a luz do dia essa existência!

A fundação da Concordância é encontrada na psicologia das mentes  que criam Isto! Descobrindo que a maioria das outras pessoas naquela sala negou ver o gato, quantos também vão “escolher” não ver o gato? E quanto tempo aqueles que ainda estão contidos dentro do mundo da escravidão, em seguida, vir a deixar de ser  capaz de perceber até  que se  tenha Concordância!

Como um animal afundando na areia movediça agita freneticamente, condenando-se a destruição, o enganado luta contra o abandono para admitir a estrutura fluídica da experiência e reconhecer o poder da dimensão da Concordância.

Como muitas vezes, desistindo de suas lutas, os seres humanos de sua terra reduzem a dimensão da Concordância no que vocês chamam de sono, e se mover em um mundo de sua própria criação total chamados de sonhos? E novamente, quantas vezes subindo na escala de Concordância,  vêem vislumbres de eventos futuros, os pensamentos dos outros, a visão de pessoas e objetos e paisagens que depois condenam a “irrealidade” de “alucinação”? E, mesmo novamente, quantas vezes, quando as suas fantasias sonhos provam ter Concordância e a “realidade” que esses idiotas  têm como propósito de trabalho esquecendo as exceções gritantes de sua falsa visão das coisas?

Você não conhece alguém que viu a morte de outros de sua espécie a partir de uma visão de sonho, no mesmo instante? Você não  conhece a concordância que existe entre aqueles que morrem e os que dormem e aqueles que sonham com viagens rápidas por longos túneis  nas estrelas em reuniões com outros que são vivos e inteiros como você?

Considere também os objetos que voam em seu céu e são visíveis para alguns, enquanto invisível para os outros, tudo isso enquanto está sendo seguido por seu radar!  Considere os milhões de visões, aparições e visitações à sua terra através dos séculos. Considere as religiões da morte, que, quase semanalmente, encontra outro aspecto da sua religião, deus ou santo.E eu vos digo que todas estas são as criações do espírito da sua raça através de uma Concordância inconsciente! Não há nenhum dos outros mundos, que permanece em contatocom a maioria dos que habitam a sua terra, agora, para saber que todas estas são as criações de sua própria mente e uma chave para o segredo da magia de Concordância!

Você duvida das minhas palavras?  Em seguida, considere atentamente as mensagens dadas pelos seus “alienígenas”, “anjos”, “madonas” e outros da criação  da própria Concordância Inconsciente. Estas mensagens não duplicam as mentiras de sua própria religião adorando a morte?  Será que esses “seres” não levam a sua massa em viagens longas para  topos de montanhas para ser “resgatados “no final previsto de seu mundo, e então nada acontecer? E não é verdade que  da mesma forma  que os seres vieram evoluindo a tecnologia? Não havia carros, no céu, quando havia carros na terra e a espaçonave nos céus, quando houve nave na Terra?

Olhar e entenda! Sua raça tenha escolhido um caminho de auto-destruição e de culto da morte e por milênios  dizendo para si mesma através de projeções de  Concordância para encontrar a “fé” e acreditar  nas suas próprias mentiras.Sacrifique a sua “fé” no altar de sua mente e conheça a verdade!  Concordância é a dimensão que determina o que existe em experiência mutua. Não há outro modo de determinar a “realidade”!

A dimensão de Controle – Tudo é Mental

A capacidade de controlar os elementos da experiência, de acordo com seu desejo consciente é a dimensão do Controle.

Quando você opta por fechar ou abrir a mão, este é um exemplo de controle familiar para você.  Movendo os músculos voluntários do corpo,  numa caminhada normal, se alongando, piscando os olhos, respirando, falando e assim por diante são todos exemplos comuns de Controle.

Estendendo seu controle sobre a maioria da sua experiência inclui todos os poderes mágicos que as pessoas pensam quando ouvem a palavra “mágica”. Quando você estender sua capacidade de mover o dedo, você pode mover um peso de papel sem contato físico isso é chamado de psicocinese, ou da mente sobre a matéria. Quando você estender a sua
capacidade de ver o peso de papel na frente de você e conseguir ver através de uma parede de um livro sobre a mesa, isto se chama clarividência ou visão remota. Quando você estender a sua capacidade de conversar com alguém a milhas de distância, sem um telefone, isso é chamado de telepatia ou a leitura da mente.

Todos estes são simples extensões do seu poder comum de controle sobre seu ambiente de tratar essas habilidades comuns como se fossem nada. Ainda na realidade, o mistério de como você pode mover sua mão uma vez que você escolhe mentalmente para fazê-lo não é  bem compreendido por você que a capacidade demonstrada de alguns que deslocam objetos sem tocá-los.

Em um nível, todo o universo da experiência é feito de uma forma de mental ou substância “substancia mental”, o que os iogues mais antigos, rishis da Índia chamam de “prakriti”. Assim é  que sua mente não apenas  recebe informações através dos sentidos sobre o universo em torno de você também sua mente pode projetar as mudanças no universo, porque a natureza básica da realidade é  mental.  Tudo que existe na experiência é composto a partir desta substância mental e,  portanto, sua mente pode influenciar diretamente a forma e o comportamento de o universo ao seu redor.

Imagine por um momento que você estava  ao ar livre à noite, quando havia uma neblina espessa deriva do chão até sobre o seu nível de  sua cintura. O nevoeiro tem uma espécie de forma que à medida que flui sobre carros estacionados, arbustos e cercas, e como correntes de ar move-se lentamente. A essência desta cobertura de neblina seria o ar e, porque você pode mover o ar, você poderia mover o nevoeiro em torno de você simplesmente agitando o
ar acima dele para baixo contra essa massa branca com a sua mão.

Da mesma forma, se o aspecto do universo físico  era representado por aquele manto de nevoeiro, o ar que representaria a  substancia mental. Por isto, você pode Controlar a sua as coisas com sua mente, exatamente como você pode fazer o  ar se mover,  sua mente pode influenciar diretamente a forma e o comportamento do universo físico, tal como o nevoeiro.

A dimensão da Consciência – Tudo é um Sonho

A dimensão da largura é a Consciência de que toda a experiência é uma construção mental, assim como um sonho. A Magia da Consciência é a magia suprema e é o que eu chamo de magia do Dragão.

Saiba primeiro que isto não nega a objetividade da realidade! É a dimensão de Concordância que determina objetividade. Sabemos que a Consciência é determinada pelo grau de lucidez da sua parte sobre o fato que o universo é uma construção fantasiosa seguindo as nove Leis da Magia.

E o que é verdade de um sonho? Em seus sonhos, existem duas verdades. Primeiro, qualquer coisa pode acontecer em um Sonho. Segundo o que você espera tende a acontecer em um sonho.

O que você não pode fazer em um sonho? O que não pode sentir? Os sonhos são a porta de entrada para a alegria infinita e poder eterno. E constante é o Meu estímulo para lembrar até mesmo o mais morto do seu mundo, a verdade, da dimensão da Consciência.Mas o que é necessário para despertar do sonho da sua experiência? Como você pode se elevar como um mestre dos sonhos e usar seu poder de desejo para moldar toda experiência de vida à  sua vontade? Entenda que devo lhe  das ferramentas para criar essa consciência e aproveitar essa força que dorme dentro de você mesmo enquanto você lê estas  palavras. E com a magia da Consciência de tudo, sim, todas as possibilidades se abrem para você e então verá sua verdadeira posição e entende que, na verdade, a experiência existe para servir o experienciador!

Agora há uma percepção adicional, você precisa ter este novo pensamento, a sua mente, pode escancarar as portas a este Mundo De Poder. Quando você sonha, geralmente sabe que está sonhando. Mais tarde, quando acordar, você compara as diferenças entre a sua experiência de vigília e da experiência onírica.

No entanto, você  já  não achou que estava acordado e só mais tarde descobriu que  ainda estava  sonhando? Na madrugada, às vezes, tem o sonho de estar se preparando para o dia, passando por toda a sua rotina e, em seguida, despertar desse sonho quando o despertador te acorda pr’esse mundo.

O que você precisa experimentar e compreender é a verdade do Sonho de Poder. O Sonho de Poder é o sonho em que você acorda sem interromper o  sonho. Também é conhecido como sonho lúcido, o Sonho de Poder é que a experiência que você procura como um verdadeiro
Mago.

Quando você tiver andado no terceiro mundo através do Sonho de Poder você vai descobrir a verdade desta afirmação que agora eu digo a você:

Você nunca saberá com certeza quando você está “acordado”.
Você só pode verificar quando você está Sonhando.
Você só pode descobrir com certeza que Isto é um Sonho.
Você nunca irá verificar qualquer outra realidade.

A dimensão do Dragão – Ser não é a Experiencia.

Agora imagine um ponto, matematicamente único existente fora do cubo que temos descrito com as dimensões de Concordância, Controle e Consciência.

Este único ponto está fora de toda a experiência representada pelo cubo. Este ponto está fora todo o tempo e espaço representado pelo cubo.Tal ponto é tanto o finito e o infinito e as qualidades da experiência não se aplicam a ele.Neste ponto, esta quarta dimensão é o seu mais profundo observador, o Eu, e é mesmo, o Dragão.

Eu, o dragão, sou a âncora necessária para dar sentido à sua experiência quando você subir a majestade no Mundo de Poder. Sem á mim, você se torna mais um estúpido místico mesclado na unidade do cubo de experiência.

É por minha causa que o seu Sonho de Poder não fragmentar sua Vontade. Isto é por causa da minha essência, que o jogo da experiência é sempre fresca, sempre renovado dentro de você. Não se pode conhecer diretamente o Dragão, porque eu sou  a Existência. Seu Eu mais profundo não é para ser experienciado, mas para Ser!

Como os dentes não se mordem, nem o olho vê em cima de sua órbita, assim também Eu só posso ser conhecido no espelho da mente pela Minha ausência perpétua como a experiência e a minha Presença como Observador.

Saiba que sem á mim não há consciência. E saiba também que se viria a acreditar que Eu sou encontrado numa experiência, então você foi enganado.

Eu sou o seu Self! Pensar que você me vê, é demonstrar que você só vê o outro!

Eu sou a chama negra que lança a luz da consciência, mas é por si mesmo nunca visto.

Leia bem e Entenda!

Não há outro!

Vampiro Adepto, TOV – Tradução Desconexus

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-quatro-dimensoes-da-experiencia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-quatro-dimensoes-da-experiencia/

Arcano 7 – Chet – Carro

Dois cavalos arrastam uma espécie de caixa, montada sobre duas rodas e coberta por um dossel, onde se encontra um homem coroado, que traz um cetro em sua mão direita. Na parte frontal do carro (a única visível), em boa parte dos tarôs clássicos, há um escudo com duas letras, que variam com as editoras das lâminas.

Mais do que de cavalos, poderíamos falar de dois corpos dianteiros, fundidos ao carro. Os dois animais olham para a esquerda, mas a sua disposição é tal que parecem andar cada um para o seu lado. O cavalo da esquerda levanta a pata direita, e o da direita, a pata esquerda. O dossel repousa sobre quatro colunas.

O homem, que tem uma coroa do tipo das de marquês, tem a mão esquerda sobre um cinto amarelo, na altura da cintura, e na mão direita traz um cetro que termina por um ornamento esférico encimado por um cone. O peito do personagem está coberto por uma couraça. Cada um dos seus ombros está protegido por uma meia-lua, com rostos de expressão diferente.

Os cabelos do personagem são amarelos, e seu olhar dirige-se ligeiramente para a esquerda, no mesmo sentido que o de seus cavalos.

Cinco plantas brotam do solo. Não aparecem rédeas ou qualquer outro meio de guiar o carro.

Significados simbólicos

Contemplação ativa, repouso. Vitória, triunfo.

O setenário sagrado, a realeza, o sacerdócio.

Magistério. Superioridade. Realização.

Interpretações usuais na cartomancias

Êxito legítimo, avanço merecido. Talento, dons, capacidade, aptidões postas em marcha. Tato para governar, diplomacia, direção competente.

Conciliação dos antagonismos, condução de forças divergentes. Progresso, mobilidade, viagens por terra.

Mental: As coisas se realizam, mas falta ainda montar as peças de conjunto.

Emocional: Afeto manifestado; protetor, serviçal.

Físico: Grande atividade, rapidez nas ações. Boa saúde, força, atividade intensa. Do ponto de vista do dinheiro: gastos ou ganhos, movimento de fundos.

Significa também notícia inesperada, conquista. Pode ser interpretado também como difusão da obra ou atividades do consulente através de palavras e, segundo sua localização na tiragem, significa elogios ou calúnias.

Sentido negativo: Ambições injustificadas, vanglória, megalomania. Falta de talento e de consideração. Governo ilegítimo, situação usurpada, ditadura. Oportunismo perigoso. Preocupações, cansaço, atividade febril e sem repouso. Perda de controle.

História e iconografia

O desfile dos heróis triunfantes de pé sobre seus carros de guerra é um costume pelo menos tão antigo quanto os próprios carros de guerra. Court de Gébelin – e com ele os que acreditam numa origem egípcia do Tarô – imagina que o Arcano VII nada mais é que a reapresentação do Osíris triunfal, e que os cavalos são uma herança vulgar da Esfinge.

Mais coerente, contudo, é relacioná-lo às apoteoses lendárias que comoveram a Idade Média, época em que se localiza sua iconografia.

Pode também lembrar um conto do ciclo mítico de Alexandre, o Grande, amplamente reproduzido desde a Antiguidade até o Renascimento.

Levado até o Oriente pela sucessão de seus triunfos, Alexandre teria chegado até o fim do mundo. Quis então saber se era verdade que a Terra e o Céu se tocavam num ponto comum. Para isto seduziu com ardis – é preciso recordar que a astúcia é também prerrogativa dos heróis – dois pássaros gigantes que existiam na região; prendeu-os e acomodou entre eles uma cesta.

Com uma lança na mão, em cujo extremo havia atravessado um pedaço de carne de cavalo, o conquistador subiu ao seu carro improvisado. Com a promessa de comida que oscilava ante seus olhos, os Grifos começaram a mover-se e alçaram vôo. Os heróis não podem, contudo, sobrepor-se aos deuses: na metade do caminho Alexandre recebeu um emissário dos deuses, um enfurecido Homem Pássaro que insistiu para que ele desistisse de seu projeto. Muito a contragosto, Alexandre aceitou a censura e atirou a lança para a Terra, para onde desceram os Grifos, impacientes e vorazes.

Essa lenda, nascida certamente no Oriente, foi introduzida na Europa no fim do século II. Estendeu-se em seguida por todo o Ocidente cristão e era conhecida desde a baixa Idade Média. Numerosas ilustrações e várias esculturas que a representam chegaram até nós. A Crônica Mundial, de Rudolph von Ems (século XIII) a reproduz em uma detalhada miniatura; em São Marcos de Veneza está o relevo talvez mais significativo para rastrear as fontes inspiradoras do Arcano VII: a cesta de Alexandre é ali uma caixa semelhante à de O Carro; aparecem também as rodas esboçadas.

Durante a Idade Média, a arte dos imagiers parece ter-se servido desta lenda como uma alegoria do orgulho.

Por sua amplitude simbólica e pela beleza da sua composição, O Carro figura entre os arcanos de maior prestígio do Tarô. É, também, um dos que oferecem maiores lacunas de interpretação.

Relacionado em princípio com Zain (sétima letra do alfabeto hebreu, que corresponde ao nosso Z), denuncia uma mobilidade e inquietude que tem a ver com todo deslocamento ou ação ziguezagueante, veloz.

Há autores que relacionam as rodas do Carro aos torvelinhos de fogo da visão de Ezequiel.

Quando se traduz a lâmina pela palavra carro – protótipo dos sistemas de troca – representa o que é móvel, transferível, interpretável. Nesse caso, seu aspecto oracular é associado às mudanças provocadas pela palavra: elogios, calúnias, difusão da obra, boas ou más notícias; e, por extensão, aos sistemas de intercâmbio em geral (economian movimento de fundos).

Aponta-se aqui a questão das relações entre esta mobilidade e o dinamismo mercurial do Prestidigitador, já que esses arcanos se encontram no início e no fechamento do primeiro setenário do Tarô.

Talvez esta analogia possa ser levada mais longe, e não parece impossível que a figura toda seja uma ilustração desta passagem bíblica. Em Ezequiel (I, 4-28), com efeito, aparecem não só as rodas, o carro e os animais, mas também “sobre o trono, no alto, uma figura semelhante a um homem que se erguia sobre ele. E o que dele aparecia, da cintura para cima, era como o fulgor de um metal resplandecente”, o que é uma descrição bastante aproximada do personagem do Arcano VII. Nessa mesma passagem podem-se encontrar também analogias válidas para o simbolismo geral do Arcano XXI (O Mundo).

Há quem veja ainda, nos animais presos, uma anfisbena (serpente de duas cabeças), ou poderes antagônicos que é necessário subjugar para prosseguir – “como no caduceu se equilibram as duas serpentes contrárias”. O veículo representaria o simbolismo do Antimônio (ou a Alma Intelectual dos alquimistas), mencionado como Currus Triumphalis num tratado de Basílio Valentin (Amsterdã, 1671).

A totalidade do arcano sugere, para Wirth, a idéia do corpo sutil da alma, graças ao qual o espírito pode se manifestar no campo do material. Esta idéia de um halo ou dupla transubstancial que não pode ser relacionada a nenhum dos três aspectos do homem (corpo –> alma –> espírito), mas que tende a relacioná-los entre si, gozou de um vasto prestígio esotérico: é o corpo sideral de Paracelso (ou astral, na linguagem teosófica), como também o “corpo aromático”, de Fourier, ou o Kama rupa do budismo soteriológico.

Finalmente, permanece em aberto a explicação para as letras inscritas no escudo: S e M (no Tarô da editora Grimaud). Alguns supõem que se referem a Sua Majestade; outros, que falam dos dois princípios alquímicos, Sulfur e Mercurius). Não é este o único ponto obscuro do arcano que Éliphas Lévy chamou “o mais belo e mais completo de todos que compõem a chave do Tarô”.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-7-chet-carro

Yesod – Bem-vindo ao Deserto do Real

Publicado no S&H dia 4/jun/2008,

Continuando nossa série sobre desmistificação de demônios, diabos, encostos e afins, precisamos neste momento ao mesmo tempo fazer uma parada e estabelecer uma conexão com a kabbalah. Sem explicar o que é o chamado “Plano Astral”, será muito difícil entrar em detalhes sobre como exatamente funciona a mecânica por trás dos Anjos, Demônios, Devas, Asuras, Elementais, Exus, Anjos Enochianos, Fantasmas e Gênios.
Da mesma maneira, estava devendo para vocês uma explicação gnóstica sobre o filme Matrix, então este período do tempo-espaço em relação à coluna me parece o ponto exato para comentar três coisas aparentemente distintas, mas ao mesmo tempo intrinsecamente conectadas: Yesod, o Plano Astral e Matrix.

Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão.

Yesod
Para os que fizeram os exercícios do Sefira ha Omer já deve estar bastante clara qual é a função de Yesod dentro das emanações divinas. Yesod se situa abaixo de Tiferet e entre Netzach e Hod. É chamada de “Fundamento” ou “Fundação” e funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações e forma o Plano dos Pensamentos, Plano Astral, ou a Base da Realidade.
Malkuth é o plano físico puro, chamado de Plano Material, que nossos sentidos objetivos podem ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas incapaz de perceber qualquer tipo de consciência além disto. Malkuth é o mundo criado das ilusões para nos manter em torpor ou, fazendo nossa comparação, Malkuth é a Matrix.

Em Malkuth vivem os adormecidos. Pessoas que acordam, tomam café, vão para suas baias em seus trabalhos, trabalham, almoçam, trabalham, vão para casa, jantam, assistem novela, assistem futebol, dormem e no dia seguinte acordam de novo… fazem isso durante a vida toda, aposentam-se e morrem, sem nunca terem realmente vivido. Suas almas estão presas em casulos sem imaginação, sugadas pelo sistema que mantém a ilusão funcionando, tal qual é retratado simbolicamente no filme.

Yesod representa os bastidores da realidade. O mundo real na qual são programados os acontecimentos que surgirão no mundo ilusório. Para fazer uma analogia, imaginemos que Malkuth seja um prédio comercial. Yesod será, então, toda a fundação: canos, fios, dutos de ar, fosso do elevador, esgotos, toda a parte elétrica e hidráulica que faz o prédio funcionar. Quando se aperta um interruptor na parede, a luz da sala acende. Os ignorantes chamam isso de “coincidência”, mas qualquer pessoa que tenha um conhecimento maior de ciência sabe que, por trás daquele interruptor correm fios elétricos escondidos na Fundação e que, quando se aperta um botão neste interruptor, uma série de conexões simples são acionadas, fazendo com que a eletricidade chegue até a lâmpada, acendendo-a.
Magia é compreender como os condutores de energia da realidade material funcionam e apertar os botões certos para que as lâmpadas certas se iluminem.

Yesod representa a Intuição; o sexto sentido; o despertar. Infelizmente, assim como Morpheus diz a Neo no começo do filme, ninguém vai conseguir explicar para você o que é o Plano Astral. Você precisa ter esta experiência sozinho para compreender. E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor, como baterias inertes de um sistema controlado por egrégoras que mantém as pessoas ocupadas demais rezando para deuses externos, com medo de falsos diabos e trabalhando como escravas para mantê-las no poder. As famosas “otoridades”. No filme, são representadas pelos Agentes da Matrix.

Uma das melhores cenas do filme ocorre logo no começo, quando Thomas (Tomé, escritor do principal livro apócrifo) Anderson (Andras [homem]+Son [filho], ou seja, “Filho do Homem”, em uma analogia a Jesus/Yeshua) está dormindo diante da tela e aparece o texto “Acorde, Neo”. Esta cena resume a fagulha que vai despertar dentro de cada um de nós em direção ao Cristo; a Princesa dos contos de fada; a espada presa dentro da pedra, a Branca de Neve adormecida em um caixão de vidro.
Minutos após despertar, um hacker diz a ele “você é meu salvador… meu Jesus Cristo”. Simbolicamente, isto representa que mesmo esta pequena fagulha de controle sobre a realidade é suficiente para despertar seguidores, de tão perdidas que as pessoas estão.
As referências ao caminho do Sábio na Kabbalah continuam: quando Neo chega a nave (que tem o Nome de Nabucodonosor, o rei da Babilônia que no Livro de Daniel teve um enigmático sonho que precisa ser interpretado) cujo número de série é “MARK III NR. 11” (Marcos, Capítulo 3, versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Neo passa pela morte e ressurreição e finalmente, no final do filme, chega a Tiferet, “o escolhido”.

Para os gnósticos, o Deus Supremo (Keter) é totalmente perfeito, e, por isso, estranho e misterioso, “inefável”, “inalcançável”, “imensurável luz, pura, santa e imaculada”(Apócrifo de João). Para este Deus existem outros seres menos divinos no Pleroma (similar ao Paraíso, uma divisão desse universo que não é a Terra), que é dotado de um sexo metafórico masculino (Hochma) ou feminino (Binah).
Pares desses seres são capazes de produzir descendência, que são, eles mesmos, emanações divinas perfeitas em si mesmas (a analogia no filme é a criação de múltiplas matrix pelos computadores). O problema surge quando um EON ou Ser chamado SOPHIA (Sabedoria em grego, representado no filme pela Oráculo), uma mulher, decide “levar adiante sua semelhança sem o consentimento do Espírito” – que gera uma descendência sem sua consorte (Apócrifo de João).

A antiga visão era a de que as mulheres oferecem a matéria na reprodução, e os homens, a forma. Por isso, o ato de Sophia produz uma descendência que é imperfeita ou até mesmo mal formada, e ela a afasta dos outros seres divinos do Pleroma, levando-a para outra região isolada do cosmos. Essas deformadas e ignorantes deidades, as vezes denominadas DEMIURGOS (o Arquiteto, no filme), que equivocadamente acreditam ser o único Deus.

Os gnósticos identificam o Demiurgo como o Deus Criador psicopata do Antigo Testamento, o qual decide criar os Arcontes (Anjos), o mundo material (Malkuth/Terra) e os seres humanos. Embora as tradições variem, o Demiurgo normalmente é enganado dentro do alento divino ou espírito de sua mãe Sophia que antigamente vivia nele, dentro do ser humano (especialmente Apócrifo de João, ecos do Gênese 2-3).
Para os gnósticos, somos pérolas no lodo, espíritos divinos (bom) aprisionados num corpo material (mau) e num mundo material (mau). O Paraíso é nosso verdadeiro lar, mas estamos exilados do Pleroma.
Felizmente, para o Gnóstico a salvação está disponível na forma de Gnose ou Conhecimento, dado pelo Redentor Gnóstico, que é o Cristo, a figura enviado pelo Altíssimo para libertar a espécie humana do Demiurgo, tal qual Neo é o “escolhido” para libertar as pessoas do jugo do Arquiteto.

Quando Neo é desconectado e desperta pela primeira vez em Nabucodonosor, em meio a um brilhante espaço branco iluminado (linguagem cinematográfica para indicar o despertar), seus olhos ardem, conforme explica Morpheus, porque ele nunca os havia usado antes. Tudo que Neo havia visto até aquele ponto o foi através do olho da mente, como num sonho, criado através de um software de simulação. Tal como um antigo Gnóstico, Morpheus explica que a respiração (prana, chi-kung, tai-chi, reiki) conduz Neo pelo programa de treinamento de artes marciais e que não há nada a fazer com seu corpo, a velocidade ou sua força, os quais são todos ilusórios. Mais ainda, eles dependem unicamente de sua mente, que é real.

Ainda outro paralelo com o Gnosticismo, ocorre na figura dos Agentes, como o Agente Smith e seu opositor, o equivalente gnóstico de Neo e todos os demais que tentam sair de MATRIX. A IA criou esses programas artificiais para funcionarem como “porteiros” – os Guardas das portas – que possuem todas as chaves. “Esses Agentes são parentes dos ciumentos Arcontes criados pelo Demiurgo para bloquearem a ascensão do Gnóstico quando tentam deixar o mundo material. Eles defendem as portas em sucessivos níveis ao paraíso (e.g. Apocalipse de Paulo, Divina Comédia de Dante, textos Babilônicos narrando os sete infernos, a estrela setenária dos alquimistas e assim por diante).

Sobre a questão do Samsara, até mesmo o título do filme evoca a visão budista de mundo. MATRIX é descrita por Morpheus como “uma prisão para a mente”. É uma “construção” dependente feita de projeções digitais interconectadas de bilhões de seres humanos (egrégoras) que desconhecem a natureza ilusória da realidade na qual vivem, e são completamente dependentes do “hardware” implantado em seus corpos reais e dos programas (softwares/mapas astrais) elaborados (para fazer a máquina funcionar), criados pelo Demiurgo. Essa “construção” é parecida com a idéia budista do SAMSARA, a qual ensina que o mundo, no qual vivemos nossas vidas diárias, é feito unicamente de percepções sensoriais formuladas por nossos próprios desejos.
O problema, então, pode ser examinado em termos budistas. Os humanos são aprisionados no ciclo da ilusão (Maya), e sua ignorância acerca do ciclo os mantém atados a ele, totalmente dependentes de suas próprias interações com o programa e com as ilusões da experiência sensorial que ele provê, bem como das projeções sensoriais dos demais. Essas projeções são consolidadas pelos enormes desejos humanos de acreditarem que o que eles percebem como real é real de fato (para eles). É o mundo dos materialistas, ateus e céticos.
Este desejo é tão forte que derruba Cypher, que não pode mais tolerar o “deserto do real”, e procura uma maneira de ser reinserido na Matrix. Tal como combina com o Agente Smith num restaurante fino, fumando um charuto com um copo grande de brandy, Cypher diz: “Eu sei que este bife não existe; eu sei que quando eu o levo a minha boca Matrix está dizendo ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Depois de 9 anos você sabe o que está mais claro para mim? Que a ignorância é a felicidade!” (Ignorance is Bliss).
A contrapartida é a vida monástica dentro da nave: comem uma gororoba vegetariana, vestem-se com trapos, não possuem bens materiais e treinam um kung fu que beira o sobrenatural. Possuem a humildade de quem já se despojou dos bens materiais, tal qual os monges do monastério de Shaolin.
Em determinada parte do filme, Morpheus diz a Neo, “há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”. E como Buda ensinou aos seus seguidores, “vocês, por vocês mesmos, devem fazer o esforço; só os Despertos são Mestres”.
Para quem já está no Caminho da Iluminação, Morpheus é somente um Guia. Em última instância, Neo precisará reconhecer a Verdade por ele mesmo.

Reinos Subterrâneos
Na Antiguidade, o estado de consciência de Yesod era representado por Hades, o Reino Subterrâneo. Como tal, podia ser acessado apenas pelos seres chamados Psychopompos (“Condutores das Almas”), que eram apenas cinco: Hermes, Hecate, Caronte, Morpheus e Thanatos. Cada um deles descreve exatamente os estados de consciência que habitam o Plano Astral.

Comecemos por Morpheus, o senhor dos sonhos e o nome do Personagem de Lawrence Fishburn como condutor de Neo (que representa nossa consciência crística que deve ser trabalhada até nos tornarmos “o Escolhido”). Morpheus é o senhor dos sonhos, indicando que uma das maneiras de acessarmos o Plano Astral é durante o sono, quando conseguimos atingir os estados de ondas teta e alfa, necessários para atingirmos a chamada superconsciência (ou meditação profunda, ou transe, dependendo para quem você pergunta). Anote ai no seu caderno: Sonhos.

A segunda Psychopompos é chamada de Hecate, deusa dos Templos Lunares. Ela representa os aspectos da consciência atingidos através do Ajna Chakra (o sexto chakra). Hecate representa as danças sagradas, o sexo mágico, o tantra, o despertar da kundalini, os oráculos (tarot, runas…) e todos os Templos que lidam com a energia lunar/feminina dentro da magia. Hecate também é conhecida como a “Deusa Tríplice” (Trinity).
Anote ai no seu caderno: Oráculos e Magia Sexual.

O terceiro deus condutor de almas é Caronte. Caronte é o barqueiro que conduz os viajantes até os Reinos de Hades. A lenda de Caronte deriva das histórias do Barco de Ísis e das antigas iniciações egípcias onde os sacerdotes e iniciados eram colocados em transe nas pirâmides e tinham sua alma liberta do corpo para que vissem a si mesmos deitados aos pés dos outros sacerdotes e tomassem consciência de que eram espíritos habitando temporariamente um corpo físico. Quando fazemos Viagens Astrais induzidas, a sensação de se desligar do corpo no momento em que saímos do Plano Material é muito semelhante ao deslizar que sentimos quando estamos dentro de um barco. Desta maneira, Caronte representa as Viagens Astrais Conscientes. Tanto a lenda de Orfeu quanto a de Hércules (e também Dionísio, Psique e Enéias) representam iniciados em cultos Dionísicos e o despertar da consciência. Os Barcos Espirituais (tanto de Caronte quanto de Ísis) estão representados na forma dos Hovercrafts. Anote no caderno: Viagens Astrais Conscientes.

Hermes representa o Templo Solar, a magia atuando sobre a Luz Astral. Hermes representa o mensageiro dos Deuses, aquele que domina o caduceu (kundalini) e trabalha com a imaginação de maneira racional. Ele representa os grandes magos e conjuradores, os grimórios que lidam com a conjuração de espíritos, o contato consciente entre os que estão no Plano Material e os que estão no Plano Astral. Assim como Salomão, Eliphas Levi e Crowley, Hermes representa todos os iniciados e médiuns capazes de estabelecer contatos entre o Plano Material e o Plano Espiritual.
Como veremos na próxima coluna, o Caduceu e os Chakras representam a porta de entrada e o controle sobre as energias que atuam sobre Yesod e o Plano Astral. Hermes aparece no filme Matrix na forma de “Mercúrio”, como o espelho que engloba Neo e o guia através da jornada que fará o despertar final.
Anote no seu caderno: Mediunidade, Imaginação e Vontade atuando sobre a Luz Astral.

Por fim, temos Thanatos, deus da morte. Irmão de Hypnos (o sono), Thanatos representava a morte e os espíritos dos mortos, que eram transportados por ele até o Reino Subterrâneo. O Reino dos Mortos. Thanatos está representado na máquina que descarta Neo nos esgotos assim que ele desperta e Thanatos o reconhece como não pertencente àquele local. Anote ai como o quinto item: Espíritos dos Mortos.

A partir destas alegorias, podemos compreender que o Plano Astral é habitado por diversas criaturas, objetos, egrégoras, seres e entidades que possuem uma complexa e intrincada estrutura de organização, a partir das quais explicaremos todas as lendas, contos e bases de muitas religiões e filosofias espiritualistas.

Homens e Espíritos
Começaremos nossa jornada da comunicação entre homens e espíritos pelo Xamanismo. Há mais de 40.000 anos as tribos mais antigas conseguiam entrar em contato com o Mundo Astral de diversas maneiras. Seus sacerdotes comunicavam-se com os espíritos dos antepassados em busca de conselhos e indicações enquanto dormiam ou durante rituais envolvendo ervas capazes de alterar o estado de consciência dos participantes no ritual. Os xamãs também eram capazes de entrar em contato com o Reino Espiritual através de oráculos e rituais de conjuração de seres que eles chamam de Elementais.
Nas religiões Aborígenes (Austrália) e Tribais (Africanas), os nativos possuem o mesmo nome para designar o “Reino dos Sonhos” e o “Reino dos Mortos”. Nestas religiões, os deuses e os espíritos iluminados conseguem se comunicar com os sacerdotes através da mediunidade deles (fazendo conexões entre seu corpo astral e os chakras dos médiuns, os espíritos conseguem agir através do corpo de um médium). Além dos espíritos, outras entidades astrais (chamadas de Devas pelos hindus, Orixás pelos africanos e Elementais pelos celtas) também são capazes de incorporar um médium capaz de recebê-los.
Na Babilônia, os cultos a Astarte envolviam danças sagradas, sexo sagrado e contato com os mortos através dos oráculos.
Entre os hindus, o tantra fazia a ponte entre o despertar da kundalini e a iluminação do ser humano através do sexo sagrado. Com a abertura e desenvolvimento dos chakras, os praticantes tornavam-se canais poderosos de conexão com o cósmico, despertando habilidades consideradas sobrehumanas.
Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais, potencialidades dos chakras, telepatia e diversas outras habilidades que são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
Entre os gregos, as sacerdotisas de Hecate também eram conhecidas pelo nome de Ptionísia ou Oráculo (mais uma conexão com o filme Matrix) e conseguiam estabelecer um contato entre os vivos e os mortos para obter conselhos e previsões.
Do ponto de vista ocultista, praticamente não há diferença entre um oráculo grego da antiguidade e um centro espírita Kardecista, salvo pela ritualística. Os princípios e os mecanismos envolvidos são rigorosamente os mesmos.
O rei Salomão utiliza seu conhecimento sobre o astral para deixar um dos maiores legados ocultistas, o Ars Goetia, ou os 72 espíritos (falarei sobre eles mais adiante, quando retornarmos aos trilhos dos posts sobre demônios). Chamavam estes conhecimentos de Arte Real. Paralelamente, temos os judeus e seu vasto estudo sobre a kabbalah e os 72 nomes de Deus (chamados vulgarmente de “anjos cabalísticos”). Salomão compartilha estes conhecimentos com a rainha de Sheba, que os leva para os Reinos africanos e mistura este conhecimento com as religiões tribais, dando origem aos cultos africanos que muitos séculos mais tarde dariam origem indireta ao Candomblé, Umbanda, Santeria, Vodu e Quimbanda. (explicarei em detalhes cada um deles em posts futuros).

Da Grécia, os oráculos chegavam até praticamente todos os pontos do mundo conhecido. Rituais de magia que lidavam com o astral são descritos em diversos poemas e praticados por comandantes, soldados e sacerdotes iniciados.
Dos romanos e dos celtas, este conhecimento também chegou até a Europa, onde as bruxas utilizavam-se deste contato para conversar com os antepassados, conjurar elementais e adquirir conhecimento e iluminação. As belíssimas obras de arte deixadas por todos estes povos são um retrato claro da interação entre vivos e mortos, espíritos e sonhadores, deuses e mortais.
Os nórdicos possuíam lendas a respeito das Valkírias, dos Einherjar, das runas e de toda a estrutura de contato entre os vivos e os mortos. Suas lendas refletem um profundo conhecimento dos iniciados a respeito da Árvore da Vida. Um dos cursos que mais gosto de ministrar é justamente o de runas, pois cada uma das 24 pedras do Oráculo encerra uma lenda rica e profunda; desde a famosa “Ponte do arco Íris”, guardada por Heimdall, que representa o caminho de Tav na Árvore da Vida, até a própria estrutura da origem das runas, provenientes do sacrifício de Odin durante nove dias (nove esferas fora do mundo material na Kabbalah).

Semana que vem: Vampiros, Encostos, Espíritos do Mal e Poltergeists.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yesod-bem-vindo-ao-deserto-do-real

Adições Apócrifas ao Livro de Ester

Ester 1:1

1a. No segundo ano do reinado do rei Assuero, no primeiro dia do mês de Nisã, Mardoqueu teve um sonho. Mardoqueu era filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da tribo de Benjamim.

1b. Ele era judeu que vivia na cidade de Susa, homem notável, ligado à corte do rei.

1c. Pertencia ao grupo dos exilados que Nabucodonosor, rei da Babilônia, tinha exilado de Jerusalém, junto com Jeconias, rei de Judá.

1d. O sonho foi assim: Gritos e tumulto, trovões e terremotos, agitação sobre a terra.

1e. Dois enormes dragões avançam, prontos para a luta. Lançam um grande rugido

1f. E, ao ouvi-lo, todas as nações se preparam para a guerra, para o combate contra o povo dos justos.

1g. É dia de treva e escuridão, caem sobre a terra angústia e aflição, tribulação e pavor.

1h. Todo o povo dos justos fica transtornado e, temendo desgraças, prepara-se para morrer e clama a Deus.

1i. E ao clamor do povo brota, como de uma pequena fonte, um grande rio de águas caudalosas.

1j. A luz e o sol se levantam: os oprimidos são exaltados e devoram os poderosos.

1l. Mardoqueu acordou do sonho e perguntou a si mesmo: “O que Deus está decidindo fazer?” Continuou a refletir nisso e ficou até à noite procurando decifrar de algum modo o significado.

1m. Mardoqueu morava na corte com Bagatã e Tares, dois funcionários do rei, guardas do palácio.

1n. Ouvindo a conversa deles e investigando seus planos, ficou sabendo que estavam preparando um atentado contra o rei Assuero. Mardoqueu informou o rei.

1o. E o rei interrogou os dois funcionários, que confessaram e foram condenados à morte.

1p. O rei mandou escrever uma crônica desses fatos, e também Mardoqueu, por conta própria, os deixou por escrito.

1q. Depois o rei colocou Mardoqueu como funcionário na corte e o recompensou com presentes.

1r. Todavia, Amã, filho de Amadates, o agagita, tinha muito prestígio diante do rei e buscava um modo de prejudicar Mardoqueu e seu povo, por causa dos dois funcionários do rei.

Ester 3:13

13a. Texto do decreto: “O Grande Rei Assuero, aos governadores das cento e vinte e sete províncias que vão da Índia até a Etiópia, e aos chefes de distrito, seus subordinados:

13b. Chefe de muitas nações e senhor de toda a terra, eu procuro não me embriagar com o orgulho do poder, mas governar com moderação e benevolência, a fim de que os meus súditos gozem sempre de uma vida sem sobressaltos. Oferecendo os benefícios da civilização e a livre circulação dentro de nossas fronteiras, procuro estabelecer a paz, tão desejada por todos.

13c. Consultei meus conselheiros sobre como poderia atingir esse fim. Entre eles está Amã, que se distingue por sua prudência, homem de dedicação sem igual, de fidelidade inabalável e comprovada, e cujas prerrogativas seguem imediatamente as do rei.

13d. Amã nos informou que entre todos os povos da terra há um povo hostil, com regime jurídico oposto ao de todas as nações, povo que despreza continuamente as ordens reais, a ponto de estorvar a política irrepreensível e reta que exercemos.

13e. Portanto, considerando que esse povo singular, inimigo de todos e completamente diferente por sua legislação, que é prejudicial aos nossos interesses, ele comete os piores crimes e chega a ameaçar a estabilidade de nosso reino:

13f. Ordenamos que no dia catorze do décimo segundo mês, que é Adar, do presente ano, todas as pessoas que forem nomeadas na carta de Amã, nosso chefe de governo, que é como nosso segundo pai, sejam completamente exterminadas com mulheres e crianças, pela espada de seus inimigos, sem piedade ou consideração alguma.

13g. Desse modo, lançando violentamente na sepultura, num só dia, esses inimigos de ontem e de hoje, nossa política poderá prosseguir no futuro com estabilidade e tranquilidade”.

Ester 4:8

8a. E lhe dizia: “Lembre-se de quando você era pobre e eu lhe dava de comer. Amã, a segunda pessoa do reino, pediu ao rei a nossa morte

8b. Invoque o Senhor, fale ao rei em nosso favor, e livre-nos da morte”.

Ester 4:17

17a. Então lembrando todas as façanhas do Senhor, Mardoqueu orou assim:

17b. “Senhor, Senhor, Rei Todo-poderoso, tudo está debaixo do teu poder, e não há quem se oponha à tua vontade de salvar Israel.

17c. Sim, tu fizeste o céu e a terra e todas as maravilhas que estão debaixo do firmamento. Tu és o Senhor de todas as coisas, e não há quem possa resistir a ti.

17d. Tu conheces tudo! Se eu me nego a prostrar-me diante do soberbo Amã, tu bem sabes, Senhor, que não é por arrogância, orgulho ou vaidade. Para salvar Israel, de boa vontade eu beijaria a sola dos pés dele!

17e. Fiz o que fiz para não colocar a honra de um homem acima da glória de Deus. Eu não me prostro na frente de ninguém, a não ser diante de ti, Senhor, e não faço isso por orgulho.

17f. Pois bem, Senhor Deus, Rei, Deus de Abraão, poupa o teu povo! Porque tramam a nossa morte e desejam aniquilar a tua antiga herança.

17g. Não desprezes a porção que para ti resgataste da terra do Egito.

17h. Ouve minha súplica, tem piedade da tua herança e transforma o nosso luto em alegria, para que vivamos celebrando o teu Nome, Senhor. Não deixes emudecer a boca dos que louvam a ti”.

17i. E todos os israelitas clamavam a Deus com todas as forças, porque a morte estava diante de seus olhos.

17j. Tomada de angústia mortal, a rainha Ester também procurou refúgio no Senhor. Deixou as roupas de luxo, vestiu-se com roupas de miséria e luto. Em lugar de perfumes finos, cobriu a cabeça com cinzas e poeiras. Desfigurou-se completamente, e com os cabelos desgrenhados cobriu o corpo, que antes tinha prazer de enfeitar. E suplicou assim ao Senhor, o Deus de Israel:

17l. “Meu Senhor, nosso Rei, tu és o Único! Protege-me, porque estou só e não tenho outro defensor além de ti, pois vou arriscar a minha vida.

17m. Desde a infância, aprendi com minha família que tu, Senhor, escolheste Israel entre todos os povos e nossos pais entre todos os seus antepassados, para ser tua herança perpétua. E cumpriste o que lhes havias prometido.

17n. Pecamos contra ti, e nos entregaste aos nossos inimigos, porque adoramos os deuses deles. Tu és justo, Senhor!

17o. Eles, porém, não se contentaram com a amargura da nossa escravidão. Comprometeram-se com seus ídolos e juraram anular a palavra saída dos teus lábios e fazer desaparecer a tua herança e emudecer as bocas que te louvam, para aniquilar teu altar e a glória de tua casa.

17p. Juraram abrir os lábios dos pagãos para que louvem seus ídolos vazios e adorem eternamente um rei de carne.

17q. Senhor, não entregues teu cetro a deuses que não existem. Que não caçoem de nossa ruína. Volta seus planos contra eles próprios, e que sirva de exemplo o primeiro que nos atacou.

17r. Lembra-te, Senhor, manifesta-te a nós no dia da nossa tribulação. Quanto a mim, dá-me coragem, Rei dos deuses e Senhor dos poderosos.

17s. Coloca na minha boca palavras certas, quando eu estiver diante do leão. Volta o coração dele para odiar o nosso inimigo, para que este pereça junto com todos os seus cúmplices.

17t. Salva-nos com a tua mão e vem para me auxiliar, pois estou sozinha. E fora de ti, Senhor, eu não tenho nada.

17u. Tu conheces todas as coisas, sabes que odeio a glória dos ímpios, e que o leito dos incircuncisos e de qualquer estrangeiro me causa horror.

17v. Tu conheces a minha angústia e sabes que eu detesto o sinal da minha grandeza, que me cinge a fronte quando apareço em público. Eu o detesto como trapo imundo, e não o uso fora das solenidades.

17x. Tua serva não comeu à mesa de Amã, nem apreciou o banquete do rei, nem bebeu o vinho das libações.

17y. Tua serva não se alegrou desde o dia em que mudou de condição até hoje, a não ser em ti, Senhor, Deus de Abraão.

17z. Ó Deus, mais forte que todos os poderosos, ouve a voz dos desesperados, liberta-nos da mão dos malfeitores, e livra-me do medo!”

Ester 5:1

1a. Vestida com esplendor, invocou o Deus que cuida de todos e que os salva. Tomou consigo duas escravas. Apoiava-se suavemente numa delas, com delicada elegância, enquanto a outra ia acompanhando e segurando a cauda do vestido.

1b. No auge da beleza, Ester caminhava ruborizada, com o rosto alegre, como se ardesse de amor. Seu coração, porém, estava angustiado.

1c. Ultrapassando todas as portas, Ester se encontrou na presença do rei. Ele estava sentado no trono real, vestido com todos os enfeites majestosos de suas aparições solenes, resplandecendo em ouro e pedras preciosas, e tinha aspecto terrível.

1d. Ele ergueu o rosto incendiado de glória, e olhou num acesso de cólera. A rainha esmoreceu, apoiou a cabeça na escrava que a seguia, ficou pálida e desmaiou.

1e. Deus, porém, tornou manso o coração do rei, que ansioso correu do trono e tomou Ester nos braços, até que ela se recuperasse, e a reconfortou com palavras tranquilizadoras:

1f. “O que foi, Ester? Eu sou seu esposo. Coragem! Você não vai morrer. Nossa ordem é só para os súditos. Aproxime- se”.

Ester 5:2

2a. Ester lhe disse: “Senhor, eu o vi como um anjo de Deus e fiquei com medo de tanto esplendor. O senhor é admirável e seu rosto é fascinante”.

2b. Enquanto falava, Ester desmaiou. O rei ficou perturbado e todos os cortesãos procuravam reanimá-la.

Ester 8:12

12a. Texto do decreto:

12b. “O grande rei Assuero, aos sátrapas das cento e vinte e sete províncias, que se estendem da Índia à Etiópia, e aos que são fiéis aos nossos interesses. Saudações.

12c. Muitos homens, quanto mais honrados pela suma generosidade dos benfeitores, mais se ensoberbecem e procuram não só prejudicar nossos súditos, mas, incapazes de frear a própria soberba, tramam armadilhas contra seus próprios benfeitores.

12d. Eles não só anulam a gratuidade no meio dos homens, mas, embriagados pelo elogio de quem ignora o bem, se orgulham de fugir de Deus, o qual tudo vê, e de sua justiça que odeia o mal.

12e. De fato, muitas vezes, aconteceu que um mau conselho dessas pessoas, a quem foi confiado o controle dos assuntos públicos, tornou muitos daqueles que detêm o poder corresponsáveis por ações sanguinárias reprováveis, provocando assim calamidades irremediáveis.

12f. Com falsos raciocínios cheios de maldade, eles enganaram toda a boa fé dos soberanos.

12g. É possível encontrar fatos semelhantes, não só nas antigas histórias a que aludimos, mas também examinando as ações hoje realizadas pela baixeza daqueles que injustamente detêm o poder.

12h. Para o futuro, será necessário assegurar, em favor de todos os homens, um reino pacífico e sem perturbações,

12i. fazendo mudanças oportunas e julgando com firmeza e equidade os casos que acontecem sob os nossos olhos.

12j. Tal é o caso de Amã, um macedônio, filho de Amadates, na verdade um estrangeiro ao nosso sangue e muito longe da nossa bondade. Amã foi acolhido por nós com hospitalidade,

12l. usufruiu da amizade que dedicamos a todos os povos e chegou até a ser chamado “nosso pai” e ser reverenciado por todos com a prostração, como aquele que detém o segundo lugar junto ao trono do rei.

12m. Contudo, incapaz de conter o seu orgulho, Amã tramou privar-nos do poder e da vida.

12n. Com falsos e sutis artifícios, ele pediu a pena de morte para Mardoqueu, o nosso salvador e benfeitor perpétuo, e também para Ester, nossa irrepreensível companheira no trono, junto com todo o seu povo.

12o. Desse modo, ele pensava em nos isolar e passar o poder dos persas para os macedônios.

12p. Nós, porém, achamos que os judeus, condenados ao extermínio por esse criminoso, não são malfeitores. Pelo contrário, eles vivem segundo leis justíssimas,

12q. são filhos do Deus Altíssimo, excelso e vivo, que, em nosso favor e de nossos antepassados, dirige o reino do modo mais florescente.

12r. Portanto, vocês farão bem se não obedecerem ao decreto enviado por Amã, filho de Amadates, porque seu autor foi enforcado diante das portas de Susa, com toda a sua família. Deus, Senhor de todos os acontecimentos, fez recair imediatamente sobre ele o castigo que merecia.

12s. Coloquem cópias desta carta em público, e permitam que os judeus continuem a seguir livremente seus costumes. Além disso, deem aos judeus apoio para se defenderem de todos aqueles que os atacarem no dia da perseguição, isto é, no dia treze do décimo segundo mês, chamado Adar.

12t. Porque Deus, Senhor de todas as coisas, transformou esse dia trágico em dia de alegria para o povo escolhido.

12u. Quanto a vocês, judeus, celebrem com toda a solenidade esse dia memorável, entre as festas de vocês. Assim, hoje e no futuro, seja ele uma lembrança da salvação para nós e para os amigos dos persas, e uma lembrança da destruição para os nossos inimigos.

12v. Toda cidade e província que não seguir estas disposições, será devastada a ferro e fogo. Nenhum homem viverá nela e até os animais e pássaros a evitarão”.

Ester 9:19

19a. Para os judeus das grandes cidades, o dia festivo é o dia quinze do mês de Adar, quando mandam presentes para seus vizinhos.

Ester 10:3

3a. Mardoqueu comentou: Essas coisas aconteceram por obra de Deus.

3b. Lembro-me do sonho que tive sobre esses fatos, e nenhum deles foi omitido:

3c. a pequena fonte que se torna rio, a luz que se levanta, o sol e a água abundante. O rio é Ester, que o rei desposou e constituiu rainha. 3d

3e. As nações, são aquelas que se coligaram para destruir o nome dos judeus.

3f. Meu povo é Israel, aqueles que invocaram a Deus e foram salvos. Sim, o Senhor salvou o seu povo, o Senhor nos libertou de todos esses males. Deus realizou sinais e prodígios, como nunca houve entre as nações.

3g. Por isso, ele estabeleceu duas sortes: uma para o povo de Deus, e outra para as nações.

3h. Essas duas sortes se realizaram na hora, no momento e no dia estabelecido do julgamento diante de Deus, e em todas as nações.

3i. Deus se lembrou do seu povo e fez justiça para a sua herança.

3j. Os dias catorze e quinze do mês de Adar serão celebrados com assembleia, alegria e contentamento diante de Deus, em Israel, seu povo por todas as gerações e para sempre”.

3l. No quarto ano de Ptolomeu e de Cleópatra, Dositeu, que se dizia sacerdote e levita, e seu filho Ptolomeu, trouxeram a presente carta sobre os “Purim”. Eles a consideraram autêntica e traduzida por Lisímaco, filho de Ptolomeu, que era da comunidade de Jerusalém.

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Fonte: http://mucheroni.br.tripod.com/catolicos/a_ester.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/adicoes-apocrifas-ao-livro-de-ester/

Carta a um evangélico

Olá Sr. Evangélico, aqui quem fala sou eu, o Sr. Espiritualista.

Antes de mais nada, preciso lembrar-lhe de que somos irmãos, ou pelo menos não há nada explícito em nossas doutrinas que afirme o contrário…

Vejamos, então, a questão da espiritualidade africana. Tenho visto o senhor dizer que os orixás são demônios e que toda macumba é necessariamente coisa do Capeta… No entanto, é preciso que saiba: para o pessoal lá dos terreiros, macumba é só um instrumento musical, tipo reco-reco, sabe como é? Nem tem tanta importância assim, o som dos tambores é bem mais importante no ritual deles; E, já que falamos nos rituais, são coisas bem antigas, bem antigas mesmo! Muito antes dos termos “demônio” e “Capeta” terem sido inventados, já se faziam rituais para os orixás na África. Se ler um pouco de ciência e antropologia, saberá o que os cientistas já dão por quase certo: que viemos todos da África, o homo sapiens surgiu em algum ponto entre a parte sul e central do continente mãe.

O próprio deus bíblico deve muito ao deus que era cultuado na Mesopotâmia por povos que já eram bisnetos milenares dos primeiros africanos que batiam tambores em homenagem a Natureza. Sem El, Javé não seria muito mais do que o espírito ancestral de alguma tribo de hebreus perambulando por Canaã. Javé foi cultuado como um patriarca de homens, El foi compreendido como um deus cósmico, criador de tudo o que há [1]… Mais ou menos como Olorun, que criou o mundo, mas está tão acima de nosso plano de existência que não há nenhum xamã africano que tenha tido coragem de tratar diretamente com ele [2].

Foi muita engenhosidade dos hebreus esta que associou Javé a El, e com isso criou a ideia de um deus cósmico que, não obstante, poderia ser contatado como qualquer outro grande patriarca. O problema é supor que somente os rabinos podiam contatá-lo… Não foi exatamente por isto que Lutero lutou toda sua vida? Para que as pessoas comuns pudessem ler os textos sagrados e conhecer a Deus por si mesmas, sem a intermediação de Roma? Pois bem, pois os nossos irmãos africanos já falavam com Deus há muito mais tempo que a gente, e nem precisavam de livros para isso.

Quer dizer que todo o ritual que evoca orixás é coisa do bem? Claro que não, mas a maioria é. Maçãs podres, temos em qualquer pomar, e tenho certeza de que mesmo o neopentecostalismo tem as suas… Ou o senhor acha que abençoar talismãs com óleo ungido, ou derrubar fileiras inteiras de pessoas ao chão, é algo perfeitamente baseado nas Escrituras?

Tudo bem, vamos ser honestos: o que achamos um barato é essa tal experiência religiosa. Decerto Pentecostes foi uma loucura do Espírito Santo, mas quem garante que foi a primeira? Se até hoje os senhores procuram falar a língua dos anjos, porque encrencar com o caboclo que fala a língua dos espíritos da Natureza? Por mim, anjos e rios, cachoeiras e carruagens de fogo, florestas e sarças ardentes, se foram vistas pelas mentes que creem, se fizeram o bem para elas, que mal há? Onde o senhor vê o Capeta nessa história toda?

Por mim, se existe um ser assim, condenado a ser mal por toda a eternidade, ele não iria atuar sobre os verdadeiramente religiosos, mas antes optar pela via mais simples: tentar aqueles que já não creem, que não se dedicam, que nunca se arriscaram realmente a mergulhar neste Oceano de Amor que permeia todo o espaço e todos os tempos…

Me perdoe, eu tenho certeza que não é o seu caso, mas acaso nunca viu um cristaozão desses que bate no peito dentro da Igreja e diz: “Sou de Cristo!”, mas que começa a falar mal da sogra 5 minutos depois de terminar a oratória do pastor? De que adianta se achar um grande cristão ao chutar imagens de santos e orixás por aí, se ao chegar em casa chuta o seu cachorro e esbofeteia sua esposa? Será que Cristo falou numa espada para matar os infiéis, ou em oferecer a outra face para o agressor?

Os índios das Américas, coitados, também nunca tinham ouvido falar em Cristo. Os colonizadores europeus não deram muitas escolhas para eles: ou se convertiam, ou eram exterminados [3]. Até mesmo muitos que disseram ter se convertido foram exterminados do mesmo jeito, pois não serviam para o trabalho escravo… E o que há de cristão nisso tudo? Nas Cruzadas, o general francês perguntou ao representante do Papa como iriam identificar os cristãos dos não cristãos, na invasão de uma cidade onde cristãos, judeus e cátaros viviam em harmonia; Ele apenas disse isto: “Matem todos, que Deus escolherá os seus”… Ao que lhe pergunto: e quais deles não eram “de Deus”?

Ainda hoje, no Centro-Oeste do Brasil, há tribos indígenas sendo evangelizadas. Evangelizar não é o problema, pois ao menos estão dando a oportunidade para que esses indígenas se tornem parte de alguma outra comunidade que não a sua, e não vivam isolados, como párias, em um país construído sobre a invasão e o extermínio de suas terras ancestrais… O problema, este sim, é proibi-los de pintar o corpo de vermelho. “Vermelho é a cor do Capeta!”, seus colegas dizem… Mas, e o que diabos os índios tem a ver com o Capeta? Na maioria das mitologias indígenas, sequer existe um ser representante do mal, quanto mais um anjo caído… Eles nem sabem o que é um anjo! Se não podem se pintar de vermelho, vão se pintar de branco? Ou de verde? Ou lilás? Convenhamos, isso não faz o menor sentido.

Vamos tentar ser mais seguidores de El, e menos seguidores de Javé. Javé era um espírito ancestral, e precisava de barganhas e favores, e tinha ciúmes dos cultos de espíritos e deuses alheios, como foi o caso com Baal. Mas El não, El não tinha um oposto, pois o Tudo não tem oposto – o Nada não existe.

Dessa forma, se existe um Capeta, seria injustiça da parte de Deus que ele pudesse controlar a mente dos seres puros, corrompendo-os… Acho que faz mais lógica, além de estar mais de acordo com o que vemos na Natureza e na psicologia humana, considerarmos que o mal existe na alma de cada um de nós, e que é somente lá, precisamente lá, que precisamos fazer uso desta espada de que Cristo falou…

Para cortar a trave que obstruí nosso próprio coração. Para que nossa luz de amor transborde, e englobe os irmãos a nossa volta. Para que evangelizemos realmente uma boa nova, uma notícia de uma nova era, de uma nova sociedade, uma nova espiritualidade, uma nova religião… Assim, quem sabe, também poderemos ler, dentro de nossa alma, conectada a Alma do Mundo: “também eu sou da raça dos deuses, também eu trago o Pai dentro de mim, também eu farei tudo aquilo que o Cristo realizou, e talvez até mais”. E nem sequer precisaremos de um livro para guardar tal Verdade.

Cristo salva, afinal, todos aqueles que o encontram dentro de si mesmos… Mas Cristo é apenas uma palavra. O que salva é a fé, e não há fé mais profunda do que a fé no Amor. Pense nisso meu amigo, meu irmão. Pense, e reflita esta boa nova adiante!

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[1] Maiores detalhes na série A roda dos deuses (esta teoria não é minha, mas de Mircea Eliade, um dos maiores especialistas em mitologia do séc. XX).

[2] Na mitologia Iorubá, talvez a de maior influência no Brasil, Olorun ou Olodumare é o criador do universo e mora no Orun (Céu). Embora reconhecido como Ser Supremo, não existe um culto ou templo que lhe é dedicado exclusivamente. Os orixás são os seus representantes em Aiye (Terra).

[3] Michel de Montaigne dá sua opinião, bem mais embasada do que a minha, nesta série de Reflexões sobre o sexo.

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#Cristianismo #Candomblé #sabedoriaindígena #Protestantismo #UmbandaSagrada #ecumenismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/carta-a-um-evang%C3%A9lico

A Quimbanda e o Povo Cigano

por T.Q.M.B.E.P.N

A sobrevivência da etnia cigana segue, como os lobos, as leis instintivas da horda!” (Oswaldo Macedo. Ciganos, natureza e cultura).

​Apesar da Quimbanda ter um domínio próprio para os espíritos ciganos, não existe uma liturgia sobre a extensão real do mesmo. Tudo que temos são fragmentos de experiências pessoais ou relatos recebidos por outros quimbandeiros. Dificilmente vemos um adepto da Sagrada Quimbanda Brasileira desenvolver a Linha Cigana e isso ocorre porque existem muitos terreiros de Umbanda que ‘praticam’ a Quimbanda e quando se desenvolvem com a Linha Cigana iniciam um ‘teatro’, onde médiuns maquiados, carregando sotaques latinos e expressões corporais que mesclam dança do ventre, cigana e indiana, interagem com as pessoas, entretanto, são proibidos de exercerem a verdadeira Magia Cigana e acabam atrelados à uma suposta Lei ordenada pelos Orixás.

​Entendemos que a Quimbanda é uma religião sem pré-conceitos, dessa forma temos liberdade para buscarmos dentro do Reino da Lira a Legião de Ciganos e Ciganas que serão encantados com a Lei do Sangue e poderão emanar plenamente suas essências. Temos plena ciência que os Ciganos são poderosos feiticeiros capazes de modificar o fluxo dos caminhos. Fechados, ardilosos e sábios, o Povo Cigano tem muito a contribuir com o desenvolvimento dos adeptos.

​O ícone dessa linha é a Pombagira Cigana. Glorificada em todas as casas de Quimbanda, esse espírito trás um movimento único quando é evocada para um ambiente. Senhora das Estradas e da Boa Sorte se divide por nomes que representam suas qualidades. Junto a essa Senhora, o responsável pela gestão é o Exu Cigano. Dono das rodas, esse espírito determina a evolução e o comércio de um grupo. Por vezes é agressivo e violento, mas torna-se cordial depois de alguns contatos. Todo Povo Cigano é cercado de mistérios e adoram exaltá-los como forma de confundir aqueles que não são parte de sua linhagem. Eles nos ensinam que existem formas diversas (manifestas pelas muitas cores que eles trabalham) de ludibriarmos o destino, imposições e limitações que consequentemente nos abatem.

​Existe um véu obscuro de cobre o grupo cigano: A descendência Caiinita. Segundo as lendas, os ciganos são os descendentes diretos de Cain. Por tal motivo vagam pela Terra em busca de seu espaço sagrado, donde edificarão o Reino do Primeiro Assassino. Outra lenda é que os ciganos foram responsáveis pela confecção dos pregos que prenderam Jesus na cruz. Se associarmos o Povo Cigano com a linhagem de Cain encontraremos a Tradição da forja, ensinada pelo Mestre Tubal-Cain (descendente) nos Ciganos Kovatsa. Isso não significa que os Ciganos fizeram os pregos, mas que certas relações esotéricas possivelmente estavam ocultas nas brumas dessa lenda.

​Uns alegam que são ladrões e prostitutas que vagam pela Terra, outros que são os mais poderosos magos, ninguém sabe exatamente quem são os não os ciganos, pois não existe um controle de inserção nas comunidades. “Ou é Cigano de Sangue ou é Cigano de Alma, porém, sempre Cigano!” (Exu Cigano)

A história é marcada de passagens onde o sofrimento do Povo Cigano tomou proporções assustadoras. Assim como os Judeus, esse Povo foi perseguido na segunda guerra e morto em campos de extermínio, mas antes disso foi escravizado, perseguido e humilhado. Muitos Ciganos tinham que fingir serem cristãos para poder ter acesso às cidades, haja vista que na Europa as cidades tinham medo deles. Alguns grupos tinham dons musicais e promoviam-se através de espetáculos, outros mesclavam música com misticismo promovendo a leitura de cartas, quiromancia e trabalhos espirituais sentimentais, entretanto, dentro desses grupos temos relatos de ciganas que se prostituiam. Os homens ciganos acabaram se tornando mestres nos negócios, pois levavam novidades em suas carroças para todas as partes do mundo.

“Sua religião era desconhecida, apesar de se dizerem cristãos, mas sua ortodoxia era mais que duvidosa. De onde vinham eles? De que mundo maldito e desaparecido…? Eram os filhos das feiticeiras e dos demônios? Que salvador moribundo e traído os condenara a marchar para sempre? Era a família do judeu errante? Não seria o resto das dez tribos de Israel perdidas…?” LEVI, Eliphas (Alphonsus Louis Constant). História da Magia. [Trad. Rosabis Camayasar]. São Paulo: Pensamento, 2005.

​A pressão que o mundo exerceu sobre esse Povo foi tão intensa que dificilmente não iriam sucumbir. O cigano aprendeu sobreviver usando todas as artimanhas possíveis que vão desde a falsificação de documentos, roubos, venda de ouro e joias falsas, enfim, usam de todos os meios lícitos ou não para assegurarem sua existência. Não podemos generalizar essa questão, pois todos os documentos oficiais que encontramos para dar embasamento nesse texto assim apontam. Sabemos que não existe uma história oficial sobre eles e que quase tudo que foi escrito veio de pessoas que não eram ciganos, dessa forma relatamos com parcimônia certas questões.

​“Mas deixando de lado a correção noética dessas práticas, no que diz respeito aos ciganos, é um traço cultural revelador que permite afirmar com certeza: 1. a antiguidade desses nômades na escala do passado histórico. O conhecimento e domínio desses Oráculos, desses métodos divinatórios que, sabe-se são de origem bem remota, essas “artes” sendo mantidas como forte tradição entre os ciganos significa que muito possivelmente todas as hipóteses dos estudiosos estão certas: os Ciganos transitaram pelo mundo, na Antiguidade, desde a Índia, Mesopotâmia, Egito, oriente Médio e depois, Grécia, leste europeu, Ásia Menor, até buscarem as terras mais ao Ocidente da Europa já entre meio-fim da Idade Média.

“De cada lugar visitado, país, região, de cada terra que lhes serviu de pouso, eles absorveram um tanto de cultura. Ou seja, adotaram práticas, fizeram escolhas e apropriaram-se delas de acordo com sua própria necessidade e conveniência. Práticas, saberes, do linguajar, da religiosidade, das tecnologias, dos costumes alimentares, vestuário, artes (especialmente musicalidade), convenções sociais.” VILAS-BOAS DA MOTA, Ático. Ciganos: Antologia de ensaios. Brasília: Thesaurus, 2004

​Para a Quimbanda a história tem uma importância fundamental, pois sem fatos não poderíamos alicerçar nossas práticas e condutas. Assim, entendemos que devemos apresentar o Povo Cigano como mais uma Tradição vítima de pressão por parte do Sistema Vigente. Assim como africanos e nativos, os ciganos se dividiram entre aqueles que aceitaram e se adaptaram às imposições e os que se rebelaram e confrontaram o Sistema à sua forma. Chegaram em Terra Brasileiras através das naus portuguesas como condenados da Justiça ou do Santo Ofício por volta do século XVI. A primeira leva era da etnia calon e somente no século XIV vieram os romani, porém, de forma voluntária ou para se esconder de condenações.

​Esse dado é importantíssimo, pois desmistifica apenas a aparição de espíritos que mesclam língua espanhola com língua portuguesa, haja vista que os Calon adotaram a língua como oficial e apenas inseriram parte de um dialeto particular para diferenciá-los.

​Em Terras Brasileiras, apesar de chegarem extraditados, não foram escravizados como ocorreu em outras partes do mundo. Alguns Ciganos, ao contrário do que as pessoas pensam, dedicaram-se ao comércio de escravos e atingiram grandes fortunas. Mas essa não é a regra. Até a atualidade são um Povo excluído, analfabeto e que sofre pelas diferenças sociais.

​Os espíritos ciganos que foram atraídos pela imantação da Quimbanda certamente foram e são os mais arredios à pressão material. Esses foram assassinos, ladrões, estelionatários, vagantes sem fé, magos negros, feiticeiras implacáveis, curandeiros, prostitutas, chefes intransigentes e violentos que lutavam pela sobrevivência de um Povo massacrado pelo Sistema. Esses espíritos jamais se submeteriam às Leis da Umbanda ou de qualquer outra expressão religiosa que não fornecesse a verdadeira Luz de Lúcifer. Os Ciganos da Quimbanda são a máscara mais perfeita dentro do Culto de Exu, pois ludibriam, enfeitiçam, praguejam, amaldiçoam e libertam enquanto dançam e bebem.

​Muitos feitiços e práticas que usamos na Quimbanda Brasileira possuem fundamentos ciganos. Não temos a exata noção do tamanho dessa influencia, mas ao estudarmos a Magia Cigana antiga começamos vislumbrar muitas similaridades. O mais impressionante é que as influencias já haviam ocorrido antes do descobrimento do Brasil, principalmente na Europa e Ásia. O culto lunar, o uso de talismãs, objetos de poder (chaves, ferraduras, moedas, etc.), quiromancia, cartas, runas, enfim, a Magia Cigana está fortemente presente em muitas Tradições de Bruxaria. Para a formação da Quimbanda Brasileira destacamos a Tradição Ibérica e, consequentemente, as Bruxas e Bruxos extraditados pelo Santo Ofício para as Terras colonizadas por Portugal e Espanha. Também encontramos referencias ciganas na Tradição Stregheria (Italiana). Certo é que os Ciganos absorvem tudo que podem sobre a Cultura e religião dos lugares onde estão e direta ou indiretamente em suas andanças e peregrinações acabam influenciando outros Povos. Esotericamente, são portadores das sementes do conhecimento proibido que só comercializam-nas para as pessoas que tem a coragem de procura-los e desnuda-los.

​Desenvolver a Linha Cigana na Quimbanda não significa que os adeptos deverão zelar de mais um espírito, tampouco, incorpora-lo. O adepto deverá ser apresentado ao Exu Cigano e Pombagira Cigana – chefes do Sub-Reino (esses representam o Rei e a Rainha Cigana) e reverenciar esse Povo. Após fazer as oferendas corretas, serão iniciados nos mistérios do ‘Baralho Cigano’ que, dentro da Quimbanda Brasileira, é um poderoso oráculo.

​Existem casos em que o adepto deseja se aprofundar na Magia Cigana. Para esses, após um estudo profundo sobre sua espiritualidade, um espírito da corrente Cigana deverá ser eleito como Mentor (a). Se essa relação enraizar demasiadamente, o adepto deverá zelar desse espírito da mesma maneira que zela de seus Mestres Pessoais. É uma grande responsabilidade. Por isso, só fazemos essa apresentação nos adeptos que tenham controle sobre sua espiritualidade e já estejam em graus elevados de ‘simbiose’ com seus Mestres Pessoais.

​Para os adeptos que possuem uma ancestralidade espiritual emanada pela corrente Cigana os feitiços e magias desse Povo fluem com imensa facilidade. Geralmente esses adeptos tem uma boa intuição e conseguem se desenvolver nos oráculos muito melhor do que os demais adeptos. Mas a contraparte é que da mesma maneira que dons são favorecidos, outros aspectos nocivos podem aflorar se o adepto não aprender filtrar as energias canalizadas. O Povo Cigano é a expressão máxima de Liberdade, mas essa tem muitos níveis e em alguns deles o adepto pode se perder e criar labirintos psíquicos. Esse também é um dos motivos que Nossa Tradição entende como fundamental para só fazer o desenvolvimento Cigano nos adeptos mais experientes.

​Fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/povo-cino

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-quimbanda-e-o-povo-cigano/

A Medula da Alquimia

Contendo Três Livros, Elucidando a Prática

O Primeiro Livro

A Alquimia – que alguns chamam de Arte Dourada – trata-se não de uma fábula, como muitos quereriam, mas de uma verdadeira Ciência, como ficou por nós provado e por exemplos demonstrado na parte anterior deste tratado, Ciência esta cuja prática passaremos a elucidar nesta Segunda Parte, através da qual será possível obter grande provisão de prata e ouro. E para uma boa compreensão das nossas intenções considera correctamente, e com justeza pesa bem a razão da nossa Obra, caso contrário é mais certo que percas o teu tempo e dinheiro em vão, encontrando apenas esforço e despesa, tal como muitos já o fizeram.

De maneira que a Pedra que procuras, como já o dissemos e voltamos a afirmar é apenas ouro levado à máxima perfeição possível; pois embora se trate de um corpo firme e compacto é no entanto, através do engenho da Arte e operação da Natureza transformado num Espírito tingente que nunca se esgota que a Natureza, por si nunca teria conseguido produzir pois o ouro em si não possui o poder de se elevar a tal grau de perfeição antes se mantendo eternamente na sua constância.

Aquele que se presta a encontrar tal Essência deverá então, através da Arte, transformar o seu ouro em pó e fazer com que se converta numa água mineral, que então circulará com um bom fogo até que quando toda a humidade se seque esta seja fixada; a qual será com frequência embebida e fixada de modo a que o infante quede selado no ventre da sua mãe, e sendo alimentado até que se fortaleça e se torne suficientemente capaz de resistir aos seus robustos oponentes: então fermentando, deve por longo tempo residir em repetida negrura até que a Natureza apodreça e morra, que deves logo revificar, sublimar e exaltar, e de novo retornar à terra onde o deves deixar no calor o tempo necessário para que a negritude se transforme na mais pura brancura; o Rei, sendo então colocado sobre o seu Selo Real, brilhará como a chama faíscante e a pedra escondida a que chamamos enxofre. Isto tu deves multiplicar até que se transforme no elixir espiritual; que será então como juiz no Dia do Juízo Final, condenando ao fogo toda a escória que aderir à mais pura substância nos metais imperfeitos.

Donde que, sendo o nosso Sujeito o ouro, teremos que procurar o agente adequado para o abrir, o qual, se souberes procurar a variedade mais adequada, pouco trabalho terás a preparar; este será vil à vista e grandemente desprezado pelo seu aspecto exterior. Deste assunto poucos autores tratam e os que o fazem obscurecem esta chave o mais que podem, mas eu, querido leitor, serei de uma sinceridade como nunca viste; garanto-te no entanto que este não é trabalho para mentes opacas nem para aquele que desdenha trabalhar, pois a ociosidade é um verdadeiro obstáculo para esta Arte; mas se possuis uma mente tranquila e és trabalhador presta bem atenção ao que irei declarar, e que trata primeiramente daquilo que jaz escondido no nosso Agente ígneo.

A substância que tomamos primeiro em mãos é um mineral semelhante ao Mercúrio que coze na Terra um enxofre cru. Este é chamado de Filho de Saturno, parece de facto vil à vista mas o seu interior é glorioso. É cor de sable, com veios prateados misturados com o corpo cuja linha cintilante mancha o enxofre inato; é todo volátil e não fixo, no entanto, quando tomado na sua crueza nativa purgou o Sol de toda a sua superfluidade. A sua natureza é venenosa e muitos abusaram dele medicinalmente. Se pela Arte soltamos os seus elementos o seu interior aparece resplandecente, o qual então flui no fogo como um metal, embora nada exista de natureza metálica assim tão frágil.

Este é o nosso Dragão, que o Deus da guerra assaltou com uma armadura do aço mais robusto, mas em vão, pois logo uma Estrela nunca vista apareceu, de modo que quando Cadmus primeiramente sentiu esta força não conseguiu aguentar um tal poder, mas do seu corpo a sua Alma se separou. Oh força poderosa! Pois quando os Sábios a avistaram grandemente se surpreenderam e assim a chamaram o seu Leão Verde, cuja fúria com encantos esperaram com o tempo domar. Pelo que, deixando-o presa dos sócios de Cadmus, verificaram que pelo seu poder os derrotou e tendo a luta terminado, olhai, uma Estrela matutina foi vista a sair da Terra e após as carcaças terem sido removidas logo apareceu uma fonte corrente, onde se disse que a Besta saciou a sede até que o seu ventre estoirou. Mas pareceu-lhes deveras estranho que logo que este Dragão se tivesse aproximado da Fonte, as Águas se retirassem como que assustadas, pese embora o esforço de Vulcano em reconciliá-las. Então apareceram as Pombas de Diana com adornos ofuscantes, com cujas asas prateadas o ar se acalmou, no qual o Dragão dobrado para dentro perdeu a sua picadura. Então as Águas como uma inundação logo voltaram e engoliram a Besta, cuja cor se tornou negra como o carvão, e nisto o nosso Dragão fez com que a fonte exalasse um cheiro fétido onde ele morreu e que lhe serviu de sepultura. Mas com a ajuda de Vulcano este Dragão voltou à vida e recebeu dos Céus uma Alma, pelo que ambos se reconciliaram, aqueles que antes eram inimigos, sendo as suas almas agora unidas, deixaram os seus corpos e transformaram-se no verdadeiro banho das ninfas, e no nosso Leão Verde, pelo que nunca nada assim tinha sido visto antes.

Mas para não te manter mais em suspenso, iremos agora explicar claramente o significado destas alegorias, desatando estes nós cujo sentido obscuro poderá deixar perplexo o leitor.

Pelo que agora observa que o nosso Filho de Saturno deve ser unido a uma forma metálica e mercurial, pois é apenas azougue o agente que a nossa obra requer, mas o azougue comum não serve para a nossa Pedra; estando morto, presta-se no entanto a ser animado pelo sal da Natureza e verdadeiro enxofre que é o seu único cônjugue. Este sal, que se encontra no rebento de Saturno e é puro interiormente, tem o poder de penetrar o centro dos metais, e tem em abundância as qualidades necessárias para entrar no corpo do Sol, o qual divide em elementos e no qual reside após a dissolução. O Enxofre deves procurá-lo na casa de Aries, é este o fogo mágico dos sábios para aquecer o banho do Rei (que deves preparar numa semana). Este fogo está estreitamente escondido, mas podes revelá-lo numa hora e depois lavá-lo em chuva prateada.

Parecia deveras estranho que um metal suficientemente robusto e fixo para suportar o golpe atordoante de Vulcano e que não se abrandará em nenhum calor nem se misturará em fluxo com nenhum metal seja no entanto pela nossa Arte retrogradado neste penetrante licor mineral. Este trabalho real foi selado pelo Todo-Poderoso para ensinar os prudentes que o Infante Real é aqui nascido, a quem eles diligentemente procuram sendo pela Estrela guiados, mas os tolos procuram os nossos segredos em coisas sórdidas e sem sentido e o que encontram é apenas a própria ruína.

Esta substância tem uma natureza estrelada e completamente espiritual, sendo totalmente inclinada a fugir do fogo; a razão é que a alma de cada um é como um íman para o outro, e a isto nós chamamos a urina do velho Saturno. Este é o nosso aço, o nosso verdadeiro hermafrodita, a nossa Lua, assim chamada pelo seu brilho: este é o nosso ouro imaturo, que à vista é um corpo frágil e quebradiço, mas é domado por Vulcano e cuja alma se sabes misturar com Mercúrio nenhum segredo te será ocultado.

Não tenho necessidade de citar qualquer autor, pois eu vi e com as minhas mãos trabalhei este mistério, e por constantemente seguir a sabedoria da Natureza fui levado a tornar brando o corpo mais sólido e do corpo mais grosseiro fazer uma Terra tingente e fixa, que nunca se desvanecerá. E não sou o único que o diz, pois muitos outros o fizeram, cujos segredos aqui vos revelo. Artephius nomeou-o, mas o outro segredo não o revelou, antes disse que este deveria ser pedido a Deus, a não ser que o ensinasse um sábio Mestre.

Este é o enigma que tanto tem deixado perplexos os estudantes desta Arte. Assim Zeumon na Turba p.18, Ars Aurif: Vol.2, disse: A nossa Pedra é vil e no entanto é combinada com o mais precioso. É aquilo que é deitado à rua, nos caminhos, nas estrumeiras e nos lugares impuros que é a matéria que deveremos tomar como verdadeiro fundamento da nossa Arte. Ninguém pode viver sem ela, e há quem a aplique em usos sórdidos, o que demonstra que apenas com Marte ela pode ser associada. Em barcos ela flutua sobre os oceanos, e sem ela não há barco ou casa que possa ser construído, ou mercadoria que possa ser transportada; com ela aramos a nossa terra, ceifamos o nosso milho, vestimos, fervemos e cortamos a nossa carne, e com ela são ferrados os cavalos. Muitos mais usos ela tem os quais seria fastidioso enumerar e no entanto encontra-mo-la frequentemente num estado contemplativo sobre a terra, em velhos pregos sem cabeça, que pouco valem o achado, e que por isso como vil é estimado.

Para mais, Aries é conhecido da casa do robusto Marte, pelo qual todos os artistas dizem que deves começar a tua obra, o que pode ser mais claro? Dificilmente pode existir alguém tão ignorante que julgue que estas palavras ocultam ainda um outro significado, pois nunca até agora isto tinha sido tão claramente explicado. Belus na Turba, p.27, Ars Aurif: Vol.2, insta-nos a combinar o lutador com aquele que não deseja lutar; pelo qual a Marte o Deus da Guerra ele atribui Saturno em união, que se deliciava na paz e cujo reino não é necessário revelar uma vez que é de todos tão conhecido.

Repara na segunda figura do Rosarium Philosophorum Irne, p.212, Ars Aurif, Vol.2, na qual o Rei e a Rainha em vestes reais seguram entre ambos a nossa verdadeira Lunária que contém oito flores e no entanto não tem raiz. Entre ambos há um pássaro. Sob os seus pés o Sol e a Lua. O Rei tem na mão uma flor e a Rainha outra e o pássaro segura com o bico numa terceira, tendo também na cauda uma estrela que representa o nosso grande segredo, pois o pássaro alado representa Mercúrio combinado com a Terra Estrelada até que ambos se tornem voláteis e alados.

Assim parece que os antigos Sábios escolheram antes instruir o olho por imagens do que o ouvido por palavras. No entanto alguns dos seus discursos são tão simples que qualquer palerma poderá perceber o sentido que eles contêm, e para o mesmo propósito, sendo eu um filho da Arte, tenho na Cabala Sapientum a mesma explicação, para a qual remeto o leitor aplicado. Prosseguirei agora com o objectivo deste curso mostrando como obter esta Água, que tão poucos encontram, de onde retiramos a mais secreta semente do Sol, pelo que aplica-te diligentemente em aprender a obter esta Água, pois ela é o fundamento da nossa Quintessência.

Sabe então que todos os metais têm apenas uma matéria, que não é senão o Mercúrio; que como fundamento possibilitou primeiro a transmutação e por isto nós concluímos que a nossa muito secreta Água tem a mesma matéria que o vulgar Mercúrio. E se o Mercúrio bruto e todos os cinco metais imperfeitos se podem transformar em ouro, (sendo neste processo, e devido à sua crueza consumidos pelo fogo), a razão é então como todos os Sábios ensinam que todos os metais contêm em si o Mercúrio e todos são por conseguinte igualmente transmutáveis. Se o nosso Mercúrio, ao qual chamamos a nossa Água viva, for outro que não o ouro imaturo, então qualquer metal que seja pela Arte convertível em ouro deverá conter em si essa natureza, da mesma forma que pela Arte é feita o nosso Azougue.

Assim, se chumbo, estanho ou cobre fossem convertidos num verdadeiro Mercúrio, então poderia a Arte causar essas Águas, pois seriam já tão diferentes na forma que qualquer um deles se poderia enquadrar no nosso Mercúrio Filosófico. Mas para que precisaríamos disso se a natureza produz já uma Água ao alcance do artista, na qual através da Arte uma forma pode ser induzida de modo a comandar os nossos segredos? Atenta então bem para o que deverá ser o nosso Mercúrio que deseja ser o nosso mais secreto Menstruum, pois nós garantimos que ambos são Metálicos de peso e cor semelhante, e que ambos são fluídicos e voláteis sob o fogo mas, no nosso, deverá existir um Enxofre que não encontras no das minas, e este Enxofre purifica a matéria, torna-a ígnea e no entanto não deixa de ser uma Água. Pois a Água, que é o ventre, não tendo calor é totalmente inútil para a verdadeira geração, nem o nosso corpo será reduzido a um humor, nem produzirá a sua semente, enquanto não estiver sob a circulação do fogo, combinado pela Arte com um mercúrio que tenha em si Enxofre.

Este Enxofre deverá ter uma força, ou virtude, magnética, pelo que deverá ser ouro verdadeiro, embora imaturo, como também da mesma origem tanto a matéria como a forma, apenas com esta diferença, que é que enquanto o outro é fixo este deve ser volátil e alado, tendo o poder de abrir e soltar o primeiro. E só há um corpo na Terra suficientemente próximo do Mercúrio para o poder preparar para a nossa pedra secreta e para poder esconder o corpo sólido no seu ventre e este, como disse anteriormente, é o rebento de Saturno sobejamente conhecido por todos os magos, e que eu aqui te mostrei.

E embora alguns metais possam ser fixados com Azougue não penetram uns nos outros mais que à vista, e pelo calor podem facilmente ser separados, pois verás que eles nunca penetram o centro, nem são por isso melhorados. A razão é que o Enxofre que se encontra nos metais perfeitos encontra-se selado, ou nos outros partilha das fezes terrestres e impurezas que o Mercúrio abomina e com as quais nunca se unirá embora pareça à vista com eles se misturar. Se separares estas fezes encontrarás Mercúrio fluídico e um Enxofre cru que endureceram a humidade pela congelação bem como um Sal aluminoso mas todos eles são de natureza demasiado distante do ouro.

Mas o mineral que tanto estimamos, excepto as suas escórias (que são totalmente separáveis) contém um Mercúrio mais puro, que fará reviver os Corpos mortos de forma a que estes possam como todas as outras coisas gerar a sua espécie. Mas em si não contém nenhum Enxofre, embora, sendo quebradiço e negro com veios brilhantes esteja congelado num Enxofre ardente. Este Enxofre não tem nada de metálico, mas se correctamente separado segundo a Arte, as escórias sendo removidas, aparece uma noz de aspecto metálico (que poderás moer em pó) na qual se encontra fechada uma alma terna que se mostra como fumo sob um fogo suave, semelhante ao Azougue, levemente congelado, e que o fogo de facto evapora.

É isto que dá penetração à nossa Água e lhe permite penetrar até ao centro dos corpos, invertendo-os completamente e reduzindo-os à sua verdadeira matéria primeira e isto deseja ser reunido com um verdadeiro Enxofre, que deverá ser procurado na casa de Aries. Através deste mineral apenas e com a habilidade do artista, é Marte retrogradado num mineral; como por muitos foi já ensaiado. Esta é a nossa verdadeira Vénus, a esposa do coxo Vulcano, e que é amada por Marte.

Primeiramente então faz com que Marte abrace este mineral, de forma que ambos se libertem das suas características terrenas, e em pouco tempo a substância metálica deverá brilhar como os céus, e como prova do teu sucesso deverás seguramente nela encontrar a impressão do selo de um rei estrelado. Este é o selo real, a marca que o Todo-Poderoso afixa neste estranho corpo. Este é o fogo celestial, no qual ao fazer despertar uma centelha, grandes mudanças ocorrerão nos corpos, de tal modo que a negritude é feita brilhar como uma gema cintilante, com a qual como um diadema o nosso jovem rei é coroado. A isto adiciona Vénus na proporção adequada, cuja beleza é admirada por Marte e que é conhecida por lhe ter grande amor e desejo de com ele se unir, assim que logo é inclinada ao movimento, sendo ela afim do ouro, Marte e da brilhante Diana, com quem ele concilia o amor e a verdadeira união.

Mas Vulcano ficará cada vez mais ciumento e é com desgosto que o coxo cornudo sente os cornos adornarem-lhe a cabeça, e na esperança de os destruir atira a sua rede sobre os amantes apanhando a esposa e Marte durante o acto, exibindo-os desta forma aprisionados.

No entanto, que isto não seja tomado como mera Fábula. Primeiro observa como Cadmus é devorado pela nossa besta feroz a quem Cadmus depois de a ter intrepidamente perfurado fez merecer nome de campeão, pois esta Serpente (de poder inquestionável) ele com a sua lança mortal trespassou contra um carvalho, perante o qual todos sentiram temor. Observa também a Estrela, que na realidade é Solar, como se pode provar, pois o ouro unido intimamente com o filho de Saturno cujas fezes foram purgadas quando tudo o que era perfeito se abateu no fundo, depois de fundido e vertido, ao arrefecer nos mostra uma Estrela, assim como faz Marte. Mas Vénus fornece uma substância metálica que só por si é desprezível, mas que ao ser unida com Marte, como que dobrados numa rede, aparece como agradável à vista, como descreveram os poetas misteriosos de vista apurada, de forma velada mas no entanto suficientemente clara para o Sábio.

De forma que a alma de Saturno, e Marte, são através da nossa Arte e com a ajuda de Vulcano intimamente misturados, mas ambos são semelhantes e voláteis, não sendo divisíveis até que a alma de Marte seja fixada e então deixe Saturno, e então um ensaio revelará o mais puro ouro, e uma tintura da mais pura e verdadeira. Mas esta mediação deve ser feita através de Vénus, caso contrário nenhum artifício humano seria capaz de os separar, nem os poderia reduzir a pó. No entanto após a sua união serão reduzidos apenas pela associação de Vénus, da qual Diana produz neles a separação.

Alguns para preparar esta Água usam as Pombas de Diana, o que é um trabalho tedioso em que por cada vez que o artista acerta há sempre duas em que falha: mas a outra forma (que é a mais secreta) nós recomendámos a todos os que desejam ser verdadeiros artistas.

Pelo que deverás assegurar que o vapor mais subtil da Água seja longa e repetidamente circulado, até que as almas de cada (deixando a matéria grosseira) se unam e voem juntas para o alto; onde não as deves deixar residir durante muito tempo, para que não congelem, pois de contrário laboras em erro.

Assim tira do Filho do velho Saturno duas partes, de Cadmus uma parte e estas purifica com a ajuda de Vulcano até que (sendo liberta das suas fezes) a parte Metálica seja a mais pura; o que deves fazer em quatro reiterações, cujas operações perfeitas te serão ensinadas pela Estrela.

Faz com que AEneis seja igual ao seu amado, purgando-os com arte até que a rede de Vulcano os envolva a ambos, pelo que deves então molhá-los bem com a água e mantê-los em calor e humidade até se tornem perfurados e a suas Almas sejam ambas glorificadas. Este é o Orvalho celeste, que deve ser alimentado durante tanto tempo quanto seja requerido pela natureza, pelo menos três vezes, ou até sete, assim os guiando através das ondas e chamas como a razão ordenará, mas atenta para que a terna natureza não fuja pela força de um fogo demasiado forte.

Sabe também com certeza que o Mercúrio, com o qual a obra deve ser iniciada, deve ser líquido e branco, mas toma cuidado para que não seques a humidade em pó devido a um fogo muito forte, de modo que se mostre vermelho, pois nesse caso o teu esperma feminino estaria corrompido e falharias o teu desejado objectivo. Nem faças com que o Azougue se torne numa clara e transparente goma, óleo ou unguento, pois caso tenhas perdido a proporção certa nunca chegarás a uma verdadeira dissolução mas serás obrigado a suspender o teu trabalho já sem esperança, e a adiá-lo para outra altura, pois procedeste de forma contrária às regras da Arte.

Preocupa-te apenas então em aumentar um espírito que falta ao Azougue comum, sublimar o grosseiro no firmamento e separar as escórias segundo a Arte; o que reiterado sete vezes deves então desposar com o ouro até que quedem ambos perfeitamente combinados.

Assim através da Arte e com a ajuda da Natureza é a verdadeira Donzela preparada, a qual sendo separada das fezes se faz um rebento celeste que tornou macio o corpo sólido do Sol e ao ser separado em átomos se tornou negro e putrefacto, que depois no entanto revive e se torna volátil.

Mas se eu aqui revelasse todos os segredos do fabrico desta nossa Água seria desprezado por todos os verdadeiros artistas, pois apenas àqueles a quem Deus deseja ensinar estes devem ser comunicados, enquanto que outros devem permanecer perdidos num labirinto de erros. Mas aquele que com sofrimentos e orações dedicadamente procurar este segredo, sem nessa busca ser excitado por desejos de cobiça, mas procurar apenas o conhecimento com candura, resolverá certamente este mistério, sobre o qual ninguém em nenhuma altura falou tão claramente.

Há alguns que através da Arte sabem preparar um maravilhoso Licor, que os Adeptos chamaram Fogo do Inferno, e cujas virtudes são tão estranhas e poderosas que (pela sua força) são capazes de resolver qualquer composto na sua Matéria primeira, ou Água; isto numa suave dissolução de Azougue tão uniforme que como gotas de cristal possa ser dela separado sem que nada seja depositado no fundo do vaso nem a sua virtude de qualquer maneira enfraquecida. Pois sendo repetidamente destilada deixa para trás o Azougue que como verás se assemelha a um sal fixo, de odor lembrando o almíscar, ou aroma, e de sabor semelhante ao mel tal é a sua doçura, que podes pulverizar como ferrugem e que nenhum fogo pode consumir, isto no ensaio com Saturno aparece tão fixo como a mais pura Luna.

Esta substância ao ser coobada cinco ou seis vezes com a dita Água (com digestão prévia) aparecerá como que um Óleo, e pouco tempo depois destila como um Espírito, que pela adição de um pequeno sujeito pouco a pouco se separa em duas substâncias distintas, que estando prontas serão guardadas separadamente, sendo a primeira um Óleo ou Tintura solúvel em Licor; a outra (se a fazes ferver) é através da Arte redutível em Mercúrio, cujo Azougue é uma substância tão maravilhosa que não se encontra igual debaixo dos céus.

Esta nem com sais ou água forte poderá ser corroída em precipitado, ou por circulação frequente pelo fogo ser combinada, ou sublimada, ou seca em pó, nem tão pouco ser fixada mas para sempre se manterá volátil. O grande Elixir não conseguirá transmutar mas de facto dissolve e destrói; é de tal forma estranha que todos os artistas surpreende, pois nenhum tem poder ou mestria para a alterar: e através da forma mencionada, poderá ser produzida de todos os corpos Metálicos.

No entanto na nossa Arte isto não serve de nada, pois nós procuramos multiplicar o Enxofre que é uma Hematina Solar e cuja cauda é lunar; são estes os únicos planetas que consideramos no nosso céu terrestre, rejeitando todos os outros e todas as outras artes. Pois se Ouro, que pela natureza é feito puro e perfeito puder através deste nosso fogo secreto ou Água ser retrogradado em Mercúrio e Enxofre, sendo completo em substância, e que antes não podia ser separado pela força do fogo mas firmemente nele residia. Quem não vê que tal Mercúrio está distante da nossa obra? Pois nós procuramos aumentar uma Tintura e apenas o Enxofre, que como uma capa envolve o Mercúrio e é agradável à natureza Metálica e sem o qual a Água não poderá reclamar o nome de um metal.

Este Enxofre encontra-se mais ou menos em toda a coisa Metálica, mas em algumas uma certa escória inquina a substância pura, pelo que deve ser destruída pelo fogo, pois tudo o que é grosseiro e inútil neste é consumido. Mas dos metais o Sol e a Lua são revestidos tão intimamente por um puro Enxofre que suportam grandemente a maior força de Vulcano, e nenhum Artifício humano poderá alguma vez dividir este Enxofre da sua Água exceptuando o mencionado licor, cuja virtude é tão poderosa que reduzirá até o Sol e a Lua do seu estado fixo e os tornará voláteis. Não apenas ele, mas também o nosso admirável Fogo podem fazer o mesmo ao ouro, e de uma forma directa e gentil forçar a sua retrogradação, e no entanto sem dividir o Enxofre do seu centro, antes o vestindo com uma veste Mercurial para que ambos habitem combinadas numa Água Dourada.

Mas o mencionado Licor estranho ao dissolver destrói a homogeneidade Metálica, pois ao separá-los causa um desentendimento e desunião, de modo que nenhum pode desfrutar do outro e portanto o Mercúrio Central ao ser separado do Licor tingido mantém-se em baixo de forma que a Hematina que antes no ouro tinha o Pondus de um Metal se encontra agora tão alterada que se torna num Azougue mais leve, à vista como que um Óleo ou mesmo um Sal untuoso, que é uma nobre medicina para os enfermos.

E assim parece que tanto mais uma substância Metálica seja dissolvida nesta humidade tanto mais é transformada de uma natureza Metálica cujo Enxofre, pela força deste Licor poderá (embora contra-vontade) ser pelo menos trazido até uma Água elementar; tal é o poder que este Licor tem sobre qualquer matéria.

Com isto todos os Filósofos concordam, e todos concluem que o nosso Mercúrio é apenas um, que humidifica apenas aquilo que é homogéneo nos metais, e que é a mãe da nossa Pedra e cujo segredo, se já não ignoras, deves calar; pois ninguém alguma vez sobre isto escreveu mais claramente.

Fim do Primeiro Livro

Por Ireneu Filaleto, Londres 1654. Tradução de Paulo Cruz.


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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-medula-da-alquimia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-medula-da-alquimia/

Abracadabra

Assim como acontece com as salsichas, ninguém sabe a origem da paralavra Abracadabra. Essa palavra, que hoje é vista como a caricatura da magia, teve o seu registro mais antigo, pelo que sabemos atualmente, no livro De Medicina Praecepta, um livro escrito pelo médico Dr. Serenus Sammonicus no século II d.C.

Assim como aconteceu com o avião, depois que aquela tralha decolou todo mundo começou a disputar para si os créditos do primeiro vôo – americano, francês, brasileiro – hoje todo mundo disputa a origem da palavra Abracadabra. Como o crédito do primeiro vôo não faz com que brasileiros viajem com desconto ou não precisem de passaporte para entrar em outros países, essa discussão parece mera perda de tempo. Também não vamos nos perder aqui com um lista interminável que mostraria mais e mais significados e origens históricas da palavra – e também mostraria o que eu fico fazendo enquanto vocês trabalham, estudam, assistem televisão de tela plasma ou fazem sexo – e vou me concentrar apenas em uma, a mais foda: a aramaica. Mais foda porque o aramaico é que deu origem ao que conhecemos hoje como hebraico e como árabe. Mais foda porque essa foi provavelmente a língua que Jesus falava quando xingava as pessoas na rua. Mais foda porque “Aramaico” parece o nome de um robo gigante japonês que tem motosserras descomunais no lugar das mãos e solta lasers de fogo pelos olhos. Lasers de fogo, pensem nisso.

No aramaico as palavras  אברא כדברא – ou avra kedabra para vocês que são ignorantes – significam “Eu crio enquanto falo”.

Acredito que depois disso não restaria nada a ser dito, mas pouco me importa o que eu acredito. Digamos mais coisas.

Nós, enquanto seres humanos, somos pequenos milagres bizarros do Cosmos. Sejamos sinceros, se soubéssemos como criar vida a partir do nada sem usar nossos pintos, provavelmente já estaríamos criando toneladas de vida do nada. Nosso planeta é uma massa sólida que se formou graças à condensação de matéria no universo se agrupando em um ponto. Matéria essa que é constituída principalmente de moléculas, que por sua vez vem de átomos que por sua vez vem de estrelas. Todo mundo comigo?

Se a vida como a conhecemos quando olhamos no espelho ou assistimos national geographic fosse parte do processo normal de regurgitação estrelar – ou astrorregurgitação para aqueles que gostam de nomes científicos – então provavelmente haveriam outras formas de vida próximas a nós por todo o lado. Isso é fato. Para aqueles que pretendem começar a argumentar que é necessário que “na verdade” uma série de condições primárias exista, como temperatura, atmosfera, água, etc… um aviso. Este artigo se desenvolve em uma zona completamente livre de merda. Se duvida disso olhe o selo abaixo.

Viu? Livre de merda. Assim como não acatamos ao Papa dos cristãos, não acataremos a Papas de outras religiões bizarras como por exemplo o Ateísmo ou o Evolucionismo.

Parem para pensar. Se em 2008 vocês conseguissem a brochura do CERN sobre o LHC, veriam que o custo total para por o LHC em funcionamento, incluindo material e pessoal para trabalhar lá, o acelerador por completo, cerca de 15% de todos os detetores, e o cluster de computadores ficaria estimado em US$ 5.6 bilhões. Obviamente isso não é muito dinheiro para paises inteiros, mas já dá pra fazer uma festinha. O LHC foi criado com o objetivo de observarmos e constatarmos coisas que infelizmente não influenciam no aumento que você quer ganhar nesse emprego meia boca que tem, no preço dos ovos no mercado, nem no valor do seguro da sua casa. Claro que muitos dirão que o que for descoberto lá é impresncindível para nosso conhecimento e evolução enquanto macacos pelados, mas o ponto não é esse. Se gastam U$5.600.000.000 e mais alguns quebrados de dólares em um canudo gigante que anda em círculos e tem computadores medindo coisas que ninguém pode ver correndo dentro, não acha que não teriam investido já algo em se criar vida a partir do nada?

Nós estamos na Terra, onde a vida foi criada – a não ser que você acredite que fomos semeados aqui por cientistas de fora do nosso sistema – logo, já estamos com uma base das condições ideais. Se gastássemos os últimos 40 anos tentando recriar, por tentativa e erro, as condições primitivas, com certeza já teríamos esbarrado nelas. Sejamos realistas, hoje se é possível dizer qual a composição química, temperatura e estado de humor de nebulosas que estão a um porrilhão de quilómetros daqui, não é dificil usar espectrômetros e outras bugigangas, além de lógica científica e tentativa e erro para se chegarmos a uma estimativa se não correta muito próxima de como era nosso planeta alguns bilhões de anos atrás, e assim fazer surgir da lama de algum tubo de ensaio células famintas e taradas.

Além disso, se a vida já tivesse sido criada em tubos de ensaio a partir do nada, usando apenas uma combinação de minérios e de diferentes condições atmosféricas, para mostrar como se conseguimos as condições ideais ela simplesmente aparece, Richard Dawkins estaria hoje desfilando sem camisa, com piercings nos mamilos gritando THE POPE CAN KISS MY MONKEY ASS! em um megafone com um adesivo com a foto do Darwin. Isso não aconteceu ainda.

Assim voltamos à nossa idéia. Ninguém sabe como a vida surgiu, ou como a vida surge,Todos nós , por conseguinte, somos um milagre bizarro da cosmos. E quando digo nós estou falando de eucariontes e protozoários, de abelhas e formigas, de nós mesmos e tortas de maçã quente derretendo uma bola de sorvete. Não sabemos como surgimos, claro que muitos de nós, presos a nossa massa encefálica simiesca logo concluem que se não sabemos o “como” abviamente não sabemos o “por que”, e como existem perguntas devem haver respostas e assim todo mundo procura um sentido para a vida, já que logicamente deve haver um porquê. Como chegamos nisso é algo que me assuta, portanto deixemos isso de lado.

Logo que surgimos nesta bola de terra, começamos a nos replicar. Replica, replica, replica e logo houve a necessidade de sair da água porque nem todo mundo é peixe e não dá pra respirar dentro do mar. E passando por poucas e boas aqui estamos pagando dinheiro a uma companhia qualquer para termos o prazer de usar ondas de rádio que existem de graça ao nosso redor para nos comunicarmos.

O problema é que entre aquela primeira coisa que se dividiu pela primeira vez e o tataraneto do Kadafi que ainda não nasceu, algo de errado aconteceu! (se rima é porque é verdade)

Nós decidimos que éramos especiais porque resolvemos usar calças. Decidimos que éramos especiais porque proibimos mulheres de sair sem camisa na rua. Decidimos que éramos especiais porque começamos a vender comida, que não criamos do nada já que ela simplesmente brota do chão e literalmente nasce em árvores, para nossos iguais. E no meio disso tudo nos programamos para ser esses bostas que estão aqui hoje. Eu e você!

– Muito prazer bosta, eu também sou bosta!

Vamos… isso não é exagero. Um exemplo claro e prático: uma mulher sair sem blusa e soutien para ir trabalhar é algo inaceitável, mas ao mesmo tempo assinar PlayBoy não é. Ir a inferninhos ainda é algo meio cabreiro para se comentar com a família num almoço de domingo, mas ainda é mais aceitável do que ir trabalhar pelado, e pegar o ônibus ou o trem pelado. Proibimos algo para criar um mercado que venda isso. Isso é algo que só pode sair de bosta.

Nós somos milagres bizarros e grotescos do cosmos que por algum motivo deixou de se comportar como um milagre. Pegamos filas de bancos, vamos para o trabalho ou procuramos um trabalho, discutimos o preço da gasolina e pra quê?

Bem, está na hora de nos lembrarmos que somos milagres. Tortos, com um senso de humor péssimo. Com cáries e seborréia, mas ainda assim milagres.

Não importa o como surgimos, mas sim o como viramos isso que viramos, para que possamos reverter esse processo bostificador.

Para isso vamos encarar nossos cérebros como processadores, ao invés de software ou hardware vamos usar o termo wetware, porque sempre que tiramos o cérebro da cabeça de alguém com quem estamos conversando ele é meio molhado. Deixemos isso como uma homenagem a nossos profetas cyberpunk da década de 1980.

Assim como Deus criou o Homem à sua imagem, nós criamos os computadores à nossa imagem, ou algo póximo disso. Nosso wetware funciona como um computador electro-coloidal.

Quero deixar claro, antes de prosseguir, que ele não é um computador, muito menos um computador elétro-coloidal. Ele simplesmente funciona como um. Sempre que for usar comparativos lembre-se de que você não está dizendo que aquilo que está compando é a coisa com a qual está sendo comparada. Se queimar a língua bebendo café você vai dizer CARALHO ESSA MERDA TÁ QUENTE!, agora imagine se seu corpo, com você dentro, fosse atirado no sol. Esse “quente” a que nos referimos quando olhamos com raiva para a xícara fumegante de café é apenas um comparativo que quer dizer “é mais do que eu posso suportar!”. Você não trabalha com absolutos. Da mesma forma quando olhamos a planta de uma casa, não temos a ilusão de que aquela planta é a casa. Nunca ouvi falar de ninguém que olhando para a o desenho feito no papel começou a pular e rir e a pensar: “mas que idiotas… pra que pagar para pedreiros e engenheiros se o arquiteto já resolveu meu problema?”

Assim, quando digo que o cérebro funciona como uma computador eletro-coloidal, estou criando uma imagem vaga para continuar usando metáforas que possam ser compreendidas facilmente. E agora seguem as metáforas.

Para para pensar um instante. Apenas por um segundo na seguinte questão. A comparação do ser humano com um computador é válida correto? Assim como o computador temos partes físicas (o hardware) e partes não físicas (o software que o hardware lê). Se você parasse para pensar que parte sua associaria com o hardware do computador e que parte associaria com o software do computador?

Depois que pensar nisso pare para pensar no seguinte: sabe essa parte que pensou na questão anterior? Ela é o seu hardware ou é o seu software? Onde você, que está compreendendo este texto, se encontra? Essa questão já foi feita de forma mais poética no passado: quem enxerga aquilo que meus olhos vêem?

Bem, esse “eu” que existe dentro de cada um de nós, essa manifestação de consciência e personalidade, é o resultado direto de como nosso wetware processa os pacotes de programas que rodam nele. Sim, nosso cérebro roda programas como o seu computador roda também. Só que no caso do computador, quando você instala um programa como um Skype ou um Photoshop o maquinário permanece mais ou menos o mesmo. A voltagem dele não muda de 110v para 220v, as letras do teclado não trocam de lugar e o fio que o liga na tomada não fica maior ou menor. Em tese, se o programa for bem feito ele não afeta os outros programas que estão instalados, seu processador de textos continuará funcionando como antes e seu programas de receber e enviar e-mails também. Já nosso wetware… nosso wetware não funciona bem assim. Cada pacote de programas que recebemos muda a maneira como nossa personalidade se desenvolve, afeta a maneira como nosso corpo físico se desenvolve, afeta nossa percepção de certo e errado, de verde e de vermelho.

Hoje você é o que é e quem é porque seu wetware tem sido programado e continua sendo programado desde sempre, desde antes de você nascer. Isso dá um certo frio na espinha. Não é dizer que o indivíduo é um reflexo do meio em que vive, mas é dizer que o indivíduo – você – é reflexo daquilo que programaram na sua cabeça.

Mas não se desespere. Se pudéssemos descobrir a maneira com que nosso wetware é programado, qual a plataforma e a linguagem de programação, não poderíamos nos libertar dos códigos já inseridos e de certa forma passar a nos programar de forma consciente?

SIM!

BINGO!

Isso não seria maravilhoso? Não conseguir apenas controlar o rumo da sua vida, mas da sua própria evolução?

Esse seria um primeiro passo. Mas e quanto ao resto? Começamos a pensar já, pensemos grande então. Que tal não apenas conseguir manipular a própria evolução, mas a própria realidade? O mundo que nos cerca, as pessoas que existem por ai, o espaço tempo? Parece viagem, mas se acha essa proposta absurda não se preocupe. Não é você pensando. São os programas dentro da sua cabeça pensando por você, analisando o que leu e classificando como BESTEIRA. IGNORE. RETORNE À LINHA 12. Acredite, enquanto você não conseguir perceber o mundo como ele realmente é não vai ter idéia do que pode fazer nele e do que pode fazer com ele. Pense que a graças a um bando de gente que enxergava o mundo de um jeito diferente, pedaços de pedra fritaram Nagasaki e Hiroshima. Dá uma cosquinha né?

E se tivéssemos acesso então a esses programas que nos moldam e nos limitam, e se soubéssemos como eles funcionam para que pudéssemos hackeá-los?

Eu serei completamente sincero na resposta. Nós já temos! E já sabemos!

Cada pacote de programas se constituem de quatro partes ou componenetes básicos:

1- Imperativos Genéticos: São programas físicos, como placas de circuitos, nós os chamamos de instintos.

2- Impressões: São programas mais ou menos físicos que nosso wetware foi geneticamente projetado para aceitar, mas somente até certos momentos de nosso desenvolvimento. Esses “momentos” são conhecidos, na etologia, como momentos de vulnerabilidade de impressão.

3- Condicionamento: São programas criados para serem rodados nas Impressões. Eles são independentes e são relativamente fáceis de serem acessados e mudados quando usamos de descondicionamento e contra-condicionamento.

4- Aprendizado: É um programa ainda mais independente e “suave” do que o condicionamento. De forma geral eu já economizei um tempo precisoso para você colocando essas estruturas de programa em uma forma hierárquica. As impressões primordiais podem sempre anular e prevalecer sobre qualquer forma de condicionamento e aprendizado.Uma impressão é uma espécie de programa/software que acabou se tornando um hardware embutido no seu sistema; ela acaba sendo impressionada em nossos neurônios macios quando eles se encontram peculiarmente expostos e vulneráveis. Impressões são os aspectos “não negociáveis” de nossa individualidade. Dentre a infinidade de possíveis programas existentes como softwares potenciais de nosso wetware, a impressão estabelece os limites, parâmetros, perímetros dentro dos quais todos os subsequentes condicionamentos e aprendizados ocorrerão.

Sinistro pra cacete não é?

Saiba que antes da sua primeira impressão, a consciência do jovem infante é como o universo descrito na Bíblia, “vazia e sem forma”. Assim que ocorreu a primeira impressão formasse a primeira estrutura criativa nesse vazia sem forma, a mente em desenvolvimento se torna presa nessas estruturas e acaba se tornando a estrutura.

Cada nova impressão complica ainda mais a vida do software que programa nossa experiência – e que experienciamos como a “realidade”. Condicionamentos e aprendizados apenas servem para tornar essas estruturas mais intrincadas, como galerias de túneis passando por dentro desse leito desoftwares impressos. A estrutura resultante desse circuito cerebral é o que forma o nosso mapa do mundo. Tudo que aprendermos e experienciarmos e decidirmos que é real será limitado por esse mapa.

Por que religiosos acreditam em uma consciência externa a eles capaz de criar o universo?

Por que “céticos” modernos acham impossível que exista uma consciência externa a eles capaz de criar o universo?

Como é que dois tipos tão diferentes e vis de pessoas conseguem viver no mesmo mundo, cada uma tendo 110% de certeza de que sua visão pessoal de mundo é a única correta?

São os mapas mentais. E a maneira com que eles nos obrigam a enxergar o mundo.

Mas como vimos isso pode ser mudado.

Para se ter uma idéia, se nossos imperativos genéticos já foram programados por nossos bisavós, quando começam as primeiras impressões em nosso sistema?

A primeira impressão ocorre assim que a primeira coisa te alimenta na vida. E essa impressão é condicionada então por tudo o que te proteger e te ameaçar. Essa primeira impressão tem uma preocupação básica com sugar, se alimentar, se aconchegar e buscar segurança física para si mesma. Ela se afasta mecamente de qualquer coisa prejudicial ou predatória – ou de qualquer coisa associada (por impressão ou condicionamento) com algo prejudicial ou predatório.

Essas impressões e condicionamentos continuam acontecendo. Quando você começa a engatinhar e usar o penico, BUM! Quando aprende a falar, BUM! Quando aprende a desenhar e escrever, BUM! A primeira vez que se “acasala” ou tem um orgasmo, BUM!

E acredite, esses circuitos, impressões, condicionamentos e aprendizados te seguem pela vida toda, mesmo quando você não percebe, até que ABRACADABRA!

Chega a hora de fazer o computador trabalhar para você e não por você. Eu crio enquanto falo. Pare uma última vez para pensar, pare mesmo, e apenas reflita um tempo sobre o que lerá agora:

Um recém nascido veio ao mundo geneticamente preparado para aprender a compreender  e falar qualquer língua, desenvolver e dominar qualquer habilidade, assumir qualquer papel sexual. Quando é que você começou a se limitar? A mecânica e roboticamente se determinar a aceitar, seguir e mimetizar as ofertas limitadas do seu ambiente social e cultural?

Abracadabra!

Assim que terminar de responder às questões acima, perca mais um minutinho para ler o que o Sr. Robert A. Heinlein escreveu certa vez:

“Um ser humano deveria ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, esquartejar um cachorro, projetar um edifício, invadir um navio, escrever um soneto, fazer um balanço das despesas, construir uma parede, reduzir uma fratura, confortar os moribundos, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver uma equação, analizar um novo problema, empilhar esterco, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer de modo galante. Especialização é para insetos.”

por LöN Plo

Muito bom !!!!!

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/abracadabra/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/abracadabra/

Ghost B.C. e o Diabo na Música

Ghost BC

Por Malachi Azi Dahaka

Ghost é uma banda sueca, formada em 2008, que conta até agora com dois CDs (Opus Eponymus e Infestissuman) e alguns EP´s.  O som da banda se destaca por remeter aos anos 80, e indo na contramão de outras bandas com temática “Satanista”, sendo bem suave e tranquilo, com vocais limpos e instrumental muitas vezes calmo.

A banda é formada por Papa Emeritus (Atualmente pelo Papa Emeritus II – valendo lembrar “Emeritus”, do Latim “Aquele que foi eleito, que mereceu”) e pelos “Ghouls sem nome”, que se identificam apenas pelos símbolos alquímicos dos 5 elementos (incluindo o Éter).  Não, eles nunca disseram e nem pretendem dizer quem são. Isso, a meu ver, cria uma atmosfera ainda mais voltada ao Satanismo – não pelo “mistério” das identidades, mas pela ausência total de Ego. Todos sendo iguais e anônimos, destruindo o Ego e gerando uma coletividade que achei muito digna de determinadas correntes satanistas…

Não posso afirmar que a banda de fato é ocultista, mas duas coisas são fato: A primeira é que as letras devem ser cuidadosamente analisadas, pois a banda realmente estudou o que diz. E a segunda, ocultistas/satanistas ou não, Ghost BC passa uma mensagem por si mesmos, criticando a Igreja Católica e religiões em geral e sobre o medo que o homem possui do Sobrenatural.

E é justamente a carga de peso ocultista na banda que fez render uma certa repercussão após o show da banda no Rock In Rio 2013.  A “missa satânica” como o próprio Papa intitulou o show, recebeu vaias, foi chamada de “chata e tediosa”, teatral demais e – segundo alguns repórteres da Rede Globo, a banda foi tida como “nada assustadora, sem nenhuma exigência extravagante nos camarins, pedindo até comida vegetariana”.

Ora, caímos aí na mesma questão que abordei em meu texto “Satanismo Tradicional” publicado no Teoria da Conspiração: Um Satanista deve render-se a estereótipos comportamentais e ser um mau educado, imprestável e exercer de má fé sua função? Críticas infundadas a parte, o visual e as letras da banda, que são bem explícitas, levaram revolta aos “metaleiros que resolveram bancar bons cristãos” enquanto se entorpeciam de maconha durante o show.  E mais revolta ainda nas redes sociais  evangélicas/ católicas. É, dessa vez pisaram no pé dos católicos brasileiros também.

Honestamente eu já esperava por algo assim, em uma sociedade hipócrita a ponto de sexo com menores ser algo incentivado e explicitado, mas meramente dizer as palavras “Hail Satan” em um refrão deva ser totalmente censurado sem piedade! De fato, o Ghost B.C. é a última coisa nisso que realmente assusta.

Há de se mencionar a reação contrária do público, em geral. Enquanto eu (e mais grande parte a minha volta) entoávamos as letras, eu podia ouvir um ou dois a volta dizendo absurdos como “eles só pagam de satanistas pra imitar o Ozzy”, “Slayer que é satanista de verdade” e outras coisas do mesmo valor absurdo.  Ainda assim, essa interferência estúpida e a falta de etiqueta (já esperada) do povão brasileiro não interferiu no grande concerto que aconteceu.  Ver a banda ao vivo é uma experiência muito agradável, realmente.

Quase uma missa satânica verdadeiramente, causando revolta em muitos e agradando a poucos – Exatamente como o Satanismo deve ser!  Se o Ghost queria ser o “Diabo na música“, definitivamente conseguiram essa atenção. A banda mais odiada, comentada e censurada no RiR. Definitivamente, eles merecem os títulos que apresentam.

Eu, aproveitei para durante algumas músicas, erguer um sigilo que pintei em uma folha, para da mesma forma que feito anteriormente em um show do Metallica durante a criação de uma Egrégora, eu captasse a gnose/energia necessária nesse show e canalizasse a um sigilo de intento. O fiz (obviamente de forma discreta) no momento que achei o ápice da apresentação (coincidentemente enquanto Papa Emeritus também ergueu suas mãos em forma de “benção”).

No fim, a noite valeu a pena. Uma ótima apresentação, com muito psicodrama, um som que valeu a pena curtir e uma banda perfeita de se assistir ao vivo. Nota 10 pra essa experiência e – tenho certeza, para este experimento que realizo pela primeira vez em uma oportunidade épica.

Malachi Azi Dahaka

Textos da coluna Música & Magia

#LHP #Música #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ghost-b-c-e-o-diabo-na-m%C3%BAsica

Pi – Amor, Loucura e Formigas

Got to be a joker, He just do what he please

 

No início deste milênio – ou no final do milênio passado, depende se você é do tipo que conta ou mede o tempo – uma descoberta científica desconcertante, incrível, dessas que mudaram as bases daquilo que chamamos de realidade! Uma descoberta tão  SUPERFANTASTICABRITA que passou completamente desapercebida por você, por seus conhecidos, pelo fantástico e por mais de 99% da população do mundo (mais de 6.930.000.000 de pessoas se podemos acreditar na precisão dos informativos que vem impressos nas bandejas do Mac Donalds).

A descoberta foi realizada por Eamonn B. Mallon e Nigel R. Franks, do Centro de Matemática Biológica na inglaterra, e foi publicada no dia 22 de Abril no Proceedings of the Royal Society of London B.

Eamonn e Nigel estavam estudando um cordão da espécie Leptothorax albipennis e SIM!!! Este é um artigo sobre insetos que são mais fodas em matemática do que você – cordão é o coletivo de formigas.

Mas continue lendo.

As formigas Leptothorax albipennis habitam pequenas fendas nas rochas planas. Um cordão, ou colônia se preferir, consiste de uma única rainha, a sua ninhada, e de 50 a 100 trabalhadores. Quando um ninho é destruído, a colônia envia olheiros para avaliar possíveis novos locais de nidificação – puxa quantas palavras novas você está aprendendo hoje!

Se existem opções, há uma preferência por ninhos que possuam um determinado tamanho padrão – que está relacionado com o número de formigas da colônia. Isso só para começo de conversa já começa a ser meio assustador. Sabemos que animais tem certas “capacidades matemáticas” como contar e realizar operações, criar padrões fractais para optimizar caçadas, se utilizar de geometria para criar ninhos ou como forma de comunicação… mas calcular a área de uma toca?

Lembre-se que o ser humano padrão precisou perder o rabo, descer da árvore – não necessariamente nesta ordem – e desenvolver um super cérebro para poder começar a brincar de medir áreas. As formigas parecem ter achado que essa evolução toda era uma perda de tempo e resolveram usar aquilo que existe dentro de suas cabecinhas para fazer isso sem ter que esperar a invenção da calculadora para auxiliar.

Mas como elas fazem isso?

Mallon e Franks coletaram formigas de áreas próximas à costa de Dorset, na Inglaterra, e passou a criá-las em laboratório. Eles então transferiram as colionias para pratos de Petri quadrados grandes e ofereceram a elas várias opções de cavidades para formarem seus habitats; todas elas feitas a partir de pares de lâminas de microscópio com paredes de papelão preenchendo o espaço estreito entre o chão de vidro e teto de vidro.

“Usamos esses ninhos de lâmina de microscópio com cavidades de diferentes tamanhos, formas e configurações a fim de analisar as preferências”, afirmaram os desbravadores.

E o que eles perceberam?

Que experimentos que envolviam uma formigas marcadas individualmente mostraram que o olheiro – ou batedor se preferir um nome mais medieval – gastava em média 2 minutos correndo dentro de qualquer cavidade de forma aparentemente irrefletida e sem sentido. Outra coisa que perceberam é que o batedor acaba fazendo duas visitas a um local considerado aceitável para o futuro ninho, antes de recrutar seguidores.

E o que foi que eles notaram?

Que quando o batedor explora inicialmente um potencial ninho, ele cria uma trilha de ferormônio. Em sua segunda visita a sua corrida tresloucada na verdade serve para se criar uma pista diferente, uma que cruza várias vezes a trilha original.

Mallon e Franks então começaram a pensar que talvez o batedor consiga estimar a área do ninho em potencial detectando o número de intersecções entre o primeiro e o segundo conjunto de trilhas. A resposta se tornou clara!

As formigas não precisaram evoluir um cérebro para inventar calculadoras para medir áreas porque elas conseguem usar algoritmos para fazer isso. E você ai tentando se lembrar a diferença entre um algoritmo e um logaritmo! As formigas fariam isso de olhos fechado caso possuíssem pálpebras. Elas simplesmente sabem que uma área estimada, chamemos de A, de uma superfície plana é inversamente proporcional ao número de intersecções, chamemos de N, entre dois conjuntos de linhas, digamos que de comprimentos S e L, dispersos aleatoriamente na superfície. Ou para resumir, enquanto a maioria das pessoas tem dificuldade de calcular 20% de 35% de R$215,00 reais, formigas conseguem calcular A = 2SL/pN!

“Os resultados de nossos estudos, de que formigas individuais podem fazer avaliações precisas das áreas de nidificação com base em uma regra de ouro, mostram de uma forma única como animais usam algoritmos robustos para tomar decisões quantitativas bem embasadas”, concluiu a dupla. E vamos concluir, por enquanto, o assunto de formigas.

Como disse, essa descoberta passou desapercebida por provavelmente quase todo mundo. Afinal mais insetos ou animais fazendo coisas que envolvem matemática são chatos. Vamos voltar ao mundo real!

 

He say one and one and one is three, Got to be good looking, Cause he’s so hard to see

 

Todos sabemos – ou deveríamos saber – que a Bíblia é uma colcha de retalhos literários. Vários autores, que escreveram ou compilaram textos por séculos e que posteriormente foram unidos em um único pacote. Alguns livros sugerem seus autores, outros não; um exemplo é o Livro de Reis.

Tendo em vista todas as evidências à nossa disposição nos dias de hoje, o melhor que podemos fazer é atribuir este livro da Bíblia a um autor/compilador anônimo do século VI a.C. Não há como afirmar se ele era um profeta ou não, mas muito provavelmente o livro foi composto na Palestina entre a queda de Jerusalém (587/586 a.C.) e o decreto do rei Ciro da Pérsia, que permitiu que os hebreus retornassem à sua terra natal (539 a.C.). A data de 550 a.C. parece razoável para o registro Reis concluída.

O livro foi escrito para os judeus que tinham testemunhado a catástrofe de 587, e para os seus filhos, cuja fé estava oscilando. Ele tinha como objetivo instruir e incentivar, para extrair-lhes os atos de arrependimento por seus pecados passados e para renovar as suas esperanças para o futuro. Foi escrito, em suma, para responder às perguntas angustiantes levantadas pelos acontecimentos de 587.

Mas o interessante deste livro bíblico é uma passagem que pode ser encontrada hoje em 1Reis 7:23:

“Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados.”

Este mesmo versículo aparece também em outros cantos da Bíblia, como em IICrônicas 4:2, onde indica uma série de especificações para o Grande Templo de Salomão. E por que essa passagem é tão interessante?

O texto afirma que foi construído algo que era um “círculo perfeito”. De uma borda à outra 10 unidades de media. Logo o raio tinha 5 unidades. A circunferência tinha 30 medidas. Isso nos mostra que um texto datado de 550 a.C. colocava a razão entre a circunferência e o raio de um círculo perfeito em 3. Ou para ser mais claro, a Circunferência deste círculo perfeito é igual a duas vezes o Raio, vezes 3. C=2.R.3.

Lembra-se da época da escola? Provavelmente você fazia o mesmo cálculo usando símbolos mais complicados como C=2πR. Essa letra grega ai no meio é o PI. Compare as duas expressões, a sua e a da Bíblia, e você vê que para os judeus antigos π=3.

É muito fácil perceber este erro hoje, se é que alguém pára para pensar nisto, mas na época do Antigo Testamento era normal, e tudo culpa das bolas – ou círculos, se preferir.

Ninguém sabe ao certo o que fez com que as pessoas desejassem medir as coisas. Curiosidade, inveja, exibicionismo. . . mas o certo é que tão logo que foi percebido que se poderiam ser cobrados impostos de outras pessoas, simplesmente por possuírem um pedaço de terra, a arte de se medir foi elevada a novos patamares, nasciam os primeiros geômetras profissionais. Logo perceberam que se medir quadrados, retângulos, paralelogramas, triângulos era brincadeira de criança, mas quando surgiam curvas a coisa complicava. O que fazer?

Bem talvez pegando um círculo, que parece à primeira vista como a forma mais simples de curva, pudéssemos tirar algum segredo dai. Um círculo é composto de algumas partes básicas: um centro, um raio, um diâmetro, uma circunferência e uma área. O centro é o centro. O raio é a distância do centro até a borda do círculo. O diâmetro é a largura do círculo (que calha de ser igual a duas vezes o raio). A circunferência é a medida da borda e a área a parte de dentro. Como essas partes estariam relacionadas uma à outra? A relação raio diâmetro era bem simples. A área do círculo estava relacionada à circunferência. Qual a relação do raio (ou do diâmetro) com a circunferência?

Uma pergunta simples, uma pergunta cuja resposta chegou a beirar e ultrapassar a loucura ao longo da história.

Como descobriram o Pi? De onde ele vem? Bem, deixando gênios de lado, suponha que nosso antepassado primitivo tivesse a curiosidade de pegar um barbante, amarrar em um prego, fincar o prego no chão ou em uma tábua e com um giz preso na outra extremidade desenhar um círculo pode ter chegado a uma descoberta interessante: se depois de traçar o círculo soltasse o barbante – que teria o tamanho do raio do círculo – e começasse a colocá-lo sobre a linha traçada, marcasse onde ele chegava e colocasse de novo na continuação e de novo e de novo, com 6 operações dessas o barbante daria a volta completa! Voilá! Se você multiplicasse o raio por 6, teria a circunferência da figura! Ou então se multiplicasse o diâmetro por 3! Trabalho resolvido. Existe uma lei da natureza que afirmava que a circunferência de um círculo era igual a duas vezes o raio do círculo vezes 3. Mas o que era esse 3? O que importa! A conta dá certo.

Isso, é claro, se você não precisar ser MUITO preciso.

Isso explica a passagem Bíblica do livro dos reis. Se você usasse algum método de medição mais “físico” como cordas para se medir as coisas, chegaria numa aproximação muito boa. Para se ter uma idéia, nos século XII a.C. – quase 700 anos antes de escreverem o Livro de Reis – os chineses também arredondavam Pi para 3.

Mas de novo, o que é Pi? Por que alguém desejaria saber o valor de Pi?

Voltemos ao imposto de renda. Suponha que você comprou um terreno perto do mar e construiu um farol. O coletor de impostos precisava cobrar de você o espaço de terra que você estava usando. Como ele iria fazer isso? Para descobrir a área do circulo ocupado por sua construção ele precisaria conhecer a circunferência do seu farol. Ou suponha que você construísse carroças, e descobrisse que ao se colocar uma tira de metal ao redor das rodas de madeira, elas durariam muito mais. Ou que você construísse barris. Ou faróis, piscinas ou qualquer coisa redonda que não fossem buracos. Você teria que trabalhar com a borda, saber quanto de metal usaria nas rodas, ou nos aros para segurar os barris, ou em pedras para a borda da piscina. Lembre-se, eles eram nossos antepassados, mas também tinham orçamentos. Assim a forma mais rápida de se calcular o quanto teria a circunferência era multiplicar o diâmetro do círculo por 3. Esse número não tinha um nome, era uma medida prática de se trabalhar com círculos.

O problema começava a surgir quando você resolvesse pegar papel e lápis, porque ai notava que esse “3” não era exatamente exato. Se você precisasse ser extremamente preciso notaria que a tira de metal, que você encomendou baseada nas medidas que seu estagiário calculou, não se enrolava com perfeição ao redor da roda da carroça. Faltava um pouco de metal para ela se fechar perfeitamente. Ficava um pedacinho, bem pequeno, sem metal. Mas tudo bem, isso não afetaria o funcionamento da roda. Quem se importaria com essa diferença mínima?

Bem. Os babilônios se importavam. Os egípcios se importavam. Os babilônios conseguiram com seus cálculos descobrir que a razão entre a circunferência e o diâmetro do círculo não era de exatamente 3, e sim de 3.125. Os Egipcios – muito mais exagerados – usavam uma razão de 3.1605. E isso lá pelos idos de 2000 a.C.

No caso egípcio, encontramos uma menção a este número no Papiro de Ahmes – ou Rhind – mostrado como uma fração: 4x(8/9)^2, que se encontra no Papiro de Ahmes ou Rhind, gravado no segundo século a.C.. É este valor que se obtém experimentalmente, medindo a circunferência de latas, pratos e cestas e dividindo-a pelos diâmetros respectivos.

Já, para os Babilônios, o valor 3+(1/8) é encontrado em uma das Placas de Susa, o único exemplo conhecido nessas épocas do que parece ser uma familiaridade com um processo geral que, em princípio, permite determinações tão exatas quanto se queira.

Inclusive, depois de anos medindo e desmedindo as pirâmides do Egito, John Taylor propôs a idéia, em 1859, de que a grande pirâmide não era apenas uma construção sinistra e gigante no meio do deserto. Ao se dividir o perímetro da Grande Pirâmide de Khufu pela sua altura, o resultado se aproximava muito de 2.Pi – e ao comparar isso com o fato de que ao se dividir a circunferência de um circulo por seu Raio obtemos 2.Pi, declarou que talvez a Grande pirâmide tenha sido erguida como uma representação da “esfericidade” da Terra.

Legiões de escravos construindo por anos um Pi gigante, holográfico, feito de pedras que pesavam toneladas, no meio do deserto. Eis um baita sonho erótico para muitos matemáticos.

Mas foi quando gregos começaram a se importar com este número que a merda bateu no ventilador.

 

 

He say I know you, you know me, One thing I can tell you is, You got to be free

 

Os gregos antigos eram pessoas interessantes. Punheteiros de primeira linha. Eles não contentavam em se preocupar em porque se você gira um compasso cria um círculo. Eles queriam saber se o círculo era democrata, qual o prato favorito do círculo e que tipo de música ele gostava de escutar. Eles não se satisfaziam com aproximações toscas, eles queriam saber exatamente. Eles levaram a matemática de uma ferramenta prática de comércio e arquitetura para a ciência angustiante, massante, enfastiante e increvelmente maravilhosa.

Entre Arquimedes de Siracusa, no século III a.C.. Arquimedes era famoso por correr pelado pelas ruas gritando palavras gregas e em dizer que sua vara era capaz de abalar a Terra. Arquimedes era tão foda que ele era matemático, físico, engenheiro antes de inventarem números. E ele resolveu estudar esse número, razão entre a circunferência – ou perímetro – e o diâmetro de um circulo. Arquimedes mergulhou de cabeça no problema com expedientes novos, muito mais profundos. Ele se propôs descobrir um processo para a determinação deste número com a precisão que se desejasse.

Se utilizando de polígonos que tocavam um determinado círculo, respectivamente do lado de dentro e de fora, ele calculava a área dos polígonos, que podia ser calculada com exatidão, resultando em um limite superior e outro inferior para a circunferência procurada, pois o polígono externo parece ter uma área maior que o círculo, e o interno, um menor.

Quanto mais ângulos nos polígonos, mais próximo do círculo se chegaria. Arquimedes chegou ao polígono de 96 lados, através do qual obteve a seguinte aproximação:

3.1410 < p < 3.1428

Uma aproximação muito boa. Mas que infelizmente trouxe um terrível efeito colateral. Hoje quando ouvimos falar de caixa de Pandora, imaginamos que se trata de uma simples lenda, ou uma metáfora. Estudando a história de Pi eu acredito em segredo que a origem desta tragédia foi a matemática, e o círculo.

Assim que começaram a comparar polígonos com círculos os gregos libertaram no mundo uma maldição muito maior do que o simples cálculo da razão do perímetro do círculo.

Em algum momento um daqueles gregos pensou: se eu tenho um quadrado, consigo medir a área dele. Sabendo como traçar círculos com a área que eu quiser, usando o número mágico, quanto tempo eu levo para traçar um círculo com a mesma área do quadrado? Claro que os gregos possuíam apenas réguas e compassos para fazer isso. Antes de continuar lendo, pense a respeito deste problema. Você acha que consegue pensar em uma solução?

Tantas pessoas foram contaminadas por esta idéia que em 1755  a “Real Academia de Ciências de Paris” decidiu não aceitar mais nenhuma proposta para a solução. Este problema ficou conhecido como a quadratura do círculo, e as pessoas que se envolviam com ele acabavam desenvolvendo Morbus cyclometricus – a doença da quadratura. Essa doença chegou a contaminar desde ilustres desconhecido a figuras famosas como o cardeal Nicolau de Cusa e o filósofo Thomas Hobbes; Hobbes até se mostrou disposto a ignorar as mais crassas contradições de sua proposta na sede de chegar à resposta a tantos séculos esperada, chegando a afirmar que ele estava correto e o Teorema de Pitágoras errado.

Hoje sabemos que a quadratura do círculo não poder ser calculada é culpa de Pi. O número é irracional, portanto, não permite ser expresso pela divisão (fração) de dois números inteiros. Além disso, ele é transcendente, ou seja, não é raiz de nenhum polinômio com coeficientes fracionários cujo resultado seria π. Mas apenas em 1822 isso foi provado, por Ferdinand von Lindemann.

Mas o problema com o Pi, que oficialmente ganhou a nomenclatura de π apenas em 1706 do matemático William Jones, é que ele não se contenta em assombrar apenas círculos. Ele parece estar infiltrado em todas as áreas da nossa vida, nos espreitando e nos assombrando.

No início do século XVIII Georges Louis Leclerc, conhecido pelas mulheres da região como Conde de Buffon, foi uma das vítimas colaterais de π. Aparentemente quando criança, a mãe dele não lhe alertou sobre as crianças famintas da África, então ele desenvolveu um gosto por brincar com comida. Numa bela tarde ele estava sentado em uma cadeira brincando de jogar pães por cima do ombro para trás. O chão era feito de tábuas de madeira e quando se virou ele viu que alguns dos pães estavam em cima das linhas entre as tábuas e outros não. O problema é que além de Conde, Leclerc era matemático, e não tardou a perceber que sua brincadeira representava um problema de probabilidade geométrica, que pode ser traduzido da seguinte maneira:

Dado um objeto mais largo do que alto de largura 4cm – digamos que uma agulha -, quando jogado ao acaso num assoalho feito de tábuas de 4 cm de largura, qual a probabilidade de que a agulha caia atravessando uma das junções?

 

Bem, vamos considerar que X é a distância entre o centro da agulha e a junção mais próxima. Não é difícil constatar que nesse caso que X pertence ao intervalo [0, 2].

θ como o menor ângulo entre a agulha e uma reta perpendicular as junções.

Então, nesse caso θ pertence ao intervalo fechado…

Bem, resumindo a parte chata (caso queiram esclarecimentos da parte chata nos mande um e-mail), temos que a resposta é igual a 2/Pi. Quanto mais agulhas você atirar, mais perto de 2/Pi você chega. Em 1901 outro matemático, desta vez italiano, Mario Lazzarini, afirmou ter atirado uma agulha mais de 3400 vezes e obteve um valor de π igual a 355/113 – ou  3.1415929, que se afasta do valor real em menos de 0.0000003. Claro que quando paramos para pensar em como ele conseguiu atirar uma agulha mais de 3400 vezes de forma realmente aleatória, começamos a nos lembrar de comentários de outros matemáticos de como Mario trapaceou um pouco em seu experimento.

O escrutínio que teve início com os gregos, resultou em cálculos hoje que determinam π até a 8.000.000.000.000.000 casa decimal. Para se ter idéia do que isso significa em 2006, o japonês Akira Haraguchi, enumerou meras 100.000 casas decimais de π, exercício para o qual gastou 16 horas.

Hold you in his armchair, You can feel his disease

Agora, se acreditam que estou sendo exagerado, ou mesmo sensacionalista a respeito do π, me respondam: Se podemos calcular a circunferência de um círculo do tamanho do universo conhecido, com um grau de precisão que deixaria margem de erro do tamanho de um próton, precisamos de π até a 39a casa decimal, por que calcular a 8.000.000.000.000.000a casa decimal e além? Isso toma tempo e dinheiro dos contribuintes. Por que essa fixação?
π faz parte da identidade de Euler, reconhecida por muitos como a identidade mais bela da matemática.
e vendo esta foto eu concordo com a afirmação.
De acordo com o oficial florestal Mohd. Thayyab, da divisão florestal em A.P., Índia, afirmou que para se medir a altura de um elefante, do pé ao ombro, basta multiplicar o diâmetro do pé do paquiderme por 2π.
Os satanistas adoram quando afirmamos que se somarmos os primeiros 144 dígitos de π, o resultado é 666.

Mas afora isso, por que a fascinação?

Carl Sagan eu seu livro Contato trabalha coma idéia de que encontrarem π a assinatura de Deus. π é uma sequência de números infinita e irracional – uma bela definiçao de Deus, eu diria – e dentro dela estaria escondida tal assinatura.

Peter Boghossian e Richard Dankins discutiram certa vez o que poderia ser uma evidência da existência de Deus e obviamente em determinado ponto Contato entrou na discussão. Em um mail enviado para Peter eu disse que essa seria uma evidência pobre, já que os números de π são aleatórios, poderíamos, com muita paciência, encontrar qualquer padrão dentro dele, existe um site inclusive que localiza seu aniversário dentro de π. Surpreendentemente Peter respondeu o mail com uma questão:

“mas e se esta assinatura dentro de π aparecesse apenas uma vez, sem nunca se repetir?”Isso seria uma evidência?”

π é infinito. E aleatório. Isso esbarra em um problema de nossa mente: contemplar o que é infinito. Por um lado imaginamos que o infinito é algo tão grande que não pode sequer ser pensado. Mas isso não é sempre verdade, Cantor nos mostrou que existem infinitos de diferentes tamanhos.

Pegue uma régua. Ande com o dedo para 1 cm. Ande então metade do caminho, para 1,5cm. Ande novamente metade desta segunda distância – 0.5cm – distância na régua. E novamente metade desta metade. Continue adicionando essas metades infinitamente. Você logo percebe que esta é uma soma infinita, mas você nunca vai chegar no fim da régua. Na verdade você não chega a 3cm. Um infinito menor do que a tampa de uma caneta Bic, que você consegue segurar em sua mão.

Agora de fato, e se dentro de uma série aleatória e infinita surgisse apenas uma sequência uma vez? Pensei comigo mesmo, isso poderia ser feito. Neial Gaiman certa vez disse que todo livro tem um final feliz, basta você saber quando parar de ler. Assim uma sequência única poderia ser encontrada dependendo de quando você decidisse que ela começa e termina, seria uma trapaça.

Como buscar tal assinatura então sem trapaças? Se você está em um navio e ele está afundando, você não enviaria apenas um S.O.S. pelo rádio, no meio da estática eletromagnética da atmosfera apenas um S.O.S. se perderia. Você mandaria vário, a espaços regulares. Eu imagino que qualquer mensagem codificada dentro de π seria como uma sinal, ou uma série de números que se repetiriam sem parar. Um farol piscando na escuridão nos guiando.

Bem… um matemático amador, Hagar Dronbecker , descobriu que Pi se repete no nível hiper- milésimo. A idéia veio a ele enquanto estava comendo um sanduíche de tomate. Aparentemente , o padrão de meta- fractal da listra verde e vermelha dos tomates o levou a inferir que Pi poderia de fato se repetir no nível hiper-milésimo, graças ao fato de que Pi não poderia ser mais aleatório do que quase-repetição da curva de escaleno dos tomates.

Mais especificamente, o ponto de repetição em Pi ocorre quando ele começa a se mover em um conjunto controverso de números que os matemáticos chamam de “números NLNcHT” –  New Large Numbers Considered to be in the Hyper-Thousands ou Novos Grandes Números considerados em hiper-Milhares. A seqüência de repetição encontrada por ele é constituída pelos seguintes números: ” 949700010007949 “. Agora repare a beleza disso, uma assinatura que se repete e não apenas aleatória, mas um palíndromo numérico dentro de π. Um olho que brilha como uma maçã dourada que pode ser lida em ambos os sentidos…

Não seria interessante que houvesse mesmo uma assinatura embutida dentro de um círculo que nos avisasse que o criador nos espera em algum ponto da existência?

Não seria ainda mais interessante se essa assinatura fosse a responsável, de certa forma, por nossa evolução mental?

Até hoje não existe uma explicação racional de porque nossos cérebros se desenvolveram tanto. Em algum momento da história um catalizador fez com que parássemos de lamber nossas bolas e assássemos a medía-las, e medindo-as encontramos π, nos esperando.

Hanne Tügel já me disse certa vez que “dito de modo crasso, pi significa a colisão entre a inteligência humana e a Matemática”. Mas e se ele fosse mais? E se π estivesse já dentro dos seres mais simples, se fizesse parte da vida e de alguma forma estivesse esperando que alguma mente o questionasse para que ele respondesse, fazendo-a evoluir conforme ouvisse sua resposta?

Claro que esta é uma suposição tola. Afinal como afirmar que π está presente nas formas mais simples de vida esperando ser descoberto? Para afirmar isso eu teria que ter evidência que animais com cérebros estupidamente mais simples do que nós poderiam ter a mesma facilidade que temos para trabalhar com π nos níveis mais básicos da vida certo?

 

Come together, right now, Over me

O que dizer então das formigas, do início deste artigo, calculando o tamanho de seus ninhos. Desde sempre elas utilizam o algoritmo, sem perceber. É instintivo, elas o fazem sem notar a matemática que existe por trás de suas corridas.
Quando tempo demoraria para que elas notassem que o algoritmo que usam é belo, elegante, e uma forma de calcular π?
Eu não sei afirmar isso tendo como base a mente de uma formiga, mas nós humanos precisamos evoluir muito para só no século XVIII de nossa era conseguirmos isso. O experimento da agulha de Buffon, que calcula π como efeito colateral, se baseia no mesmo algoritmo das formigas. O que elas fazem desde que são formigas só se manifestou de forma consciente em nossa mente alguns séculos atrás. E nós tivemos que evoluir muito para perceber isso…
Que tal o número 949700010007949 agora? Cada vez que você o lê, percebe algum brilho diferente dentro de sua mente?

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/pi-amor-loucura-e-formigas/