(Não) Fique longe desses 13 livros!

Atenção! Os livros abaixo devem ser evitados por todos aqueles que quiserem ficar longe das artes negras:

1) Rumo aos portais da Magia (F.BUTTERSACK)

2) Dicionário dos conhecimentos ocultos (H.MIERS)

3) Magos, Poderes e Mistérios (W.MOUFANG)

4) Demonomania dos feiticeiros (JEAN BODIN)

5) Quarta dimensão e ocultismo (F.ZOELLNER)

6) A Incredulidade e Descrença nos Sortilégios (PIERRE DELANCRE)

7) A Deusa Cruel e seu Bobo (E.D’ESTIANI)

8) Filhos e Filhas do Diabo (A.STARANOV)

9) Governantes Invisíveis (S.HUTIN)

10) Culto a Satã e a Missa Negra (G.ZACHARIAS)

11) Aparições de Espíritos e Preságios (A.JAFFÉ)

12) Ensinamentos Secretos dos Livros dos Mortos do Tibete (D.LAUF)

13) Animal e Homem, Divindade e Demônio (K.SALZLE)

Mas sendo um leitor do Morte Súbita inc este certamente não é o seu caso. Então se você possuir traduções em português de boa qualidade dos livros acima citados entre em contato com a gente . Estamos interessados em publicá-los no portal mediante renumeração caso já estejam em domínio público. Além deles incluimos

  • Grimório Verum
  • Grande Grimorio
  • Livro Vermelho de Apin
  • Suk’Nazbot

Grande Queima de Livros de Magia

 

Famoso e um dos mais influentes líderes pentecostais nos Estados Unidos, Pat Robertson é conhecido pelo fundamentalismo religioso extremo com que conduz seu rebanho e o ódio que reserva a judeus e católicos americanos; mesmo algumas denominações pentecostais são chamadas de ninhos de anti-cristo pelo pregador.

Recentemente ele recomendou uma lista de livros raros e malditos relacionados a magia negra, demonologia e estudos do ocultismo, pedindo aos seus fiéis que os encontrassem: fosse em prateleiras de livrarias ou mesmo sites de leilões, que os adquirissem e os levassem para um templo no estado de Nebraska para que ele pudesse queimá-los. Talvez Robertson não saiba que todos os títulos por ele mencionados e muitos outros livros de magia raros, podem ser encontrados as pencas para download na Internet.

Mas “estranhamente”, um site com a lista de livros que Robertson sugeriu apareceu completa e com mais alguns outros títulos profanos e tão perigosos quanto a lista original. Com preços majorados em até 1000 por cento de seu valor original; era possível adquirí-los neste site, divulgado em um portal evangélico americano ligado a Robertson.

Obviamente como cordeirinhos, a leva de mais de seis mil livros ( todas cópias mal feitas e mal traduzidas ) foi comprado pelos fiéis e levaram para o pastor queimar, numa festa para jovens evangélicos, que mais parecia um tribunal da inquisição na Idade Média.

Mais tarde, uma rádio canadense voltada ao público católico na região de Alberta, descobriu que a gráfica que produziu as cópias é de propriedade de um líder do Clube 700 no Canadá. Além da picaretagem comercial visando seu próprio lucro e a fé alheia, o grupo desrespeitou leis autorais de vários livros da lista, que têm editoras americanas como donas dos direitos autorais.

Agora sabemos com quem certas seitas evangélicas brasileiras aprendem as suas vigarices. Menos mal. Será?

Paulie Hollefeld

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/nao-fique-longe-desses-13-livros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/nao-fique-longe-desses-13-livros/

A Falange dos Médicos do Astral

Por Edmundo Pelizzari.

Vamos estudar um pouco, uma Falange bem conhecida dentro da Umbanda, relacionada com a Linha do Oriente e normalmente colocada na sétima hierarquia da mesma: a Falange dos Médicos ou Curadores.

Comandada pelo sábio José de Arimateia (Yosef Ha-Aramataiym em hebraico), um discípulo oculto do Mestre Jesus, ela agrupa inúmeros terapeutas do corpo e da alma.

Tradições ocultas nos contam que José, um rico membro do tribunal rabínico de Jerusalém, depois de conseguir um lugar para Jesus ser sepultado, viajou para o Ocidente trazendo o Santo Graal.

Ele teria aportado nas costas britânicas com alguns discí­pulos, salvando o objeto mais precioso do Cristianismo. José de Arimateia, ao chegar onde hoje é a Inglaterra no ano de 36 D.C., encontrou lá os poderosos sacerdotes druidas e fez uma especial troca de ensinamentos e segredos esotéricos.

Desde então, uma misteriosa escola nasceu e continuou pelos séculos. A Umbanda brasileira, legítima herdeira do esoterismo cristão, também trabalha espiritualmente com esta herança.

A Linha do Oriente, que contém a Falange de José e a Falange dos Europeus demonstra esta riqueza admirável.

A Falange dos Médicos do Astral é uma egrégora composta de centenas de trabalhadores espirituais. Na maioria das vezes, eles foram em suas últimas vidas, médicos, curandeiros, raizeiros, benzedores e rezadores. Este exército de caridade é classificado em sete agrupamentos ou Legiões (alguns as chamam de Povos).

I – LEGIÃO DOS DOUTORES OU MÉDICOS:

Composta por doutores da medicina ocidental convencional ou ho­meopatas : Dr. André Luiz, Dr. Rodolfo de Almeida, Dr. João Correia, Dr. José Gregório Hernandéz, entre outros.

II – LEGIÃO DOS MÉDICOS ORIENTAIS:

Terapeutas orientais, especialistas em fitoterapia, acupuntura, massagem e nas principais disciplinas médicas tradicionais da Ásia: Ramatis, Mestre Agastyar, Babaji.

III – LEGIÃO DOS CURANDEIROS:

Curandeiros e Xamãs nativos das Américas, África e Oceania : caboclos e pretos velhos, feiticeiros tradicionais, alguns exus – como o Exu Curador, Seu Maramael.

IV – LEGIÃO DOS REZADORES:

Rezadores, benzedores e os praticantes da medicina religiosa ou espiritual. Aqui encontramos todo os que curavam pela imposição das mãos, fé e oração : Pai João Maria de Agostinho, Pai João de Camargo, Vó Nhá Chica, Mestre Philippe de Lyon, Abade Júlio.

V – LEGIÃO DOS RAÍZEIROS

Praticantes da medicina folclórica e mágica regional. São os mestres juremeiros brasileiros, os ervateiros ou chamarreiros das Américas e todos os especialistas na flora, fauna e minerais curativos: Dom Nicanor Ochoa, Mestre Inácio, Mestre Carlos de Oli­veira, Mestre Rei Heron.

VI – LEGIÃO DOS CABALISTAS E ALQUIMISTAS:

Espíritos dos velhos cabalistas e alquimistas, conhecedores dos segredos das plantas e cristais :

Pai Isaac da Fonseca (primeiro cabalista brasileiro), Nicolau Flamel, Paracelsus, Pai Jacó.

VII – LEGIÃO DOS SANTOS CURADORES:

Santos católicos celebrados como médicos, curandeiros ou especialistas na cura de alguma doença : Santa Luzia – olhos, Santa Ágata – seios, São Lazaro – doenças de pele, São Bento – envenenamentos.

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-falange-dos-medicos-do-astral/

Al-Ghazali

Abu Hamid al-Ghazali, também conhecido como Al-Ghazzali ou Algazel (1058-1111) foi um dos mais famosos intelectuais muçulmanos da Idade Média, ele escreveu importantes obras sobre misticismo islâmico, teologia e filosofia que tiveram um efeito duradouro no pensamento religioso muçulmano medieval.

Al-Ghazali nasceu na cidade de Tus, no Irã, onde recebeu seus primeiros estudos antes de se mudar para Nishapur, um importante centro iraniano de aprendizado sunita nos séculos XI e XII.

Entre seus professores mais famosos em Nishapur estava al-Juwayni (m. 1085), um renomado estudioso da teologia Ashari e da jurisprudência islâmica (Fiqh).

Al-Ghazali permaneceu em Nishapur até a morte de al-Juwayni.

Depois, ele se juntou ao círculo de estudiosos patronizados por Nizam al-Mulk (m. 1092), o poderoso vizir turco seljúcida do Império Abássida.

Al-Ghazali logo se tornou um dos principais estudiosos de Bagdá, e em 1091, foi um dos primeiros professores nomeados para integrar o corpo docente da nova Faculdade de Nizamiyya (madrasa), onde ensinou a lei Shafii.

Há informações de que algumas de suas palestras atraíram até 300 alunos, um número invulgarmente grande para uma escola medieval.

O sucesso público de Al-Ghazali como acadêmico e professor o levou a questionar seus motivos e a sinceridade de sua fé, de modo que em 1095, ele se viu incapaz de falar ou de continuar com seu trabalho.

Esta crise espiritual levou-o a renunciar ao cargo, deixando sua família e partindo em um período sabático de 11 anos na Síria.

Durante este tempo, suas explorações se concentraram nos caminhos e ensinamentos do Sufismo.

Em sua autobiografia espiritual, Al-Ghazali escreveu sobre o que ele descobriu durante este longo retiro:

De todas as várias escolas de religião no Islã, “eu sabia com certeza que os Sufis são exclusivamente aqueles que seguem o caminho para o Deus Altíssimo, seu modo de vida é o melhor de todos, seu caminho o mais direto, e sua ética a mais pura” (Al-Ghazali, 56).

Ele voltou a ensinar brevemente na madrasa de Nishapur e fundou um hospício sufi (khanqah) em sua cidade natal, Tus, onde passou seus últimos dias.

Al-Ghazali adquiriu um profundo conhecimento de muitas áreas do pensamento religioso islâmico e abordou seus assuntos de forma sistemática.

Os estudiosos o identificaram como autor de cerca de 60 livros.

Seu livro mais famoso é O Renascer das Ciências Religiosas (ca. 1097), uma obra abrangente que busca casar a prática islâmica com as verdades teológicas e místicas.

Escrito durante seu longo retiro, o livro está organizado em quatro partes:

1) os Cinco pilares do Islã e seu significado espiritual;

2) como conduzir moralmente os assuntos diários – tais como práticas alimentares, casamento, trabalho, viagens e ouvir música – de modo a aproximar-se de Deus;

3) como disciplinar o eu para eliminar as fraquezas humanas tais como desejo, calúnia, inveja e ganância que levam à condenação; e

4) como purificar a alma humana e buscar o caminho para Deus e a salvação.

A última parte também inclui descrições vívidas da morte e do pós-vida, o destino final de todos os humanos.

Dois outros livros bem conhecidos, A Incoerência dos Filósofos (ca. 1095) e O Libertador do Erro (ca. 1108), mostram o saber-fazer de Al-Ghazali – tanto das tradições teológicas e filosóficas de seu tempo como dos diferentes pontos de vista dos estudiosos e dos homens de religião.

Nessas obras, ele procurou demonstrar logicamente o que ele pensava serem as falácias e os erros dos filósofos e teólogos dos Ismaili, isto é, dos xiitas ismaelitas.

Defendendo a escola de teologia ashari à qual ele pertencia, ele sustentou que as verdades religiosas pertencentes a Deus, à criação e à alma não poderiam ser adequadamente sondadas pela mente racional, a não ser pela revelação.

Na opinião de Al-Ghazali, os argumentos de filósofos muçulmanos como Al- Farabi (m. 950) e Ibn Sina, Avicena (m. 1037) contra a existência de almas individuais e a crença em uma ressurreição corporal estavam em conflito com as verdades do Alcorão, assim como sua posição sobre a eternidade do mundo.

A principal crítica de Al-Ghazali aos Xiitas Ismaelitas, que representavam uma séria ameaça à hegemonia sunita durante os séculos XI e XII, era a de que eles davam demasiada autoridade aos seus Imãs.

Os crentes só tinham que reconhecer a existência de Deus e aderir à Umma (a Comunidade Islâmica) de Muhammad para conduzir suas vidas.

Além disso, Al-Ghazali advertiu contra permitir que os plebeus se engajassem em especulações teológicas ou filosóficas, pois isso prejudicaria suas chances de salvação.

Ele também criticou as reivindicações exageradas dos místicos sufistas, que falavam do conhecimento divino e da completa aniquilação do eu em Deus.

Somente Deus pode se conhecer plenamente, escreveu ele, e a aniquilação, se alcançada, é apenas temporária.

As contribuições de Al-Ghazali para a história do pensamento e do misticismo islâmico ainda hoje estão sendo debatidas.

Muitos reconhecem que seus escritos ajudaram a dar um novo significado às práticas muçulmanas, unindo-as aos valores e entendimentos sufistas.

O uso de argumentação lógica em seus escritos teológicos estabeleceu um padrão a ser seguido pelos teólogos muçulmanos posteriores.

As críticas ousadas de Al-Ghazali aos filósofos muçulmanos ecoaram em todo o mundo intelectual muçulmano e obrigaram Ibn Rushd (m. 1198), o filósofo e jurista andaluz, a escrever uma réplica intitulada A Incoerência da Incoerência.

No lado negativo, Al-Ghazali pode ter contribuído para o declínio da reflexão filosófica islâmica pela força de seus argumentos baseados teologicamente contra muitos dos seus principais princípios.

Leitura adicional:

– Massimo Campanini, “Al-Ghazzali.” In History of Islamic Philosophy, edited by Seyyed Hossein Nasr and Oliver Leaman, 258–274 (London: Routledge, 1996);

– Abu Hamid al-Ghazali, Al-Ghazali’s Path to Sufism: His Deliverance from Error, al-Munqidh min al-dalal. Translated by R. J. McCarthy (Louisville, Ky.: Fons Vitae, 2000);

– W. Montgomery Watt, The Faith and Practice of al-Ghazali (London: George Allen & Unwin, 1953).

***

Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-ghazali/

A Magia Maior e a Magia Menor no Satanismo

Magia Maior e Magia Menor (conhecida também como Alta e Baixa Magia ou coletivamente Magia Satânica), dentro do Satanismo LaVeyano, designa tipos de crenças com o termo maior magia aplicada à prática ritual significada como catarse psicodramática para focar as emoções para um propósito específico e magia menor aplicado à prática de manipulação por meio de psicologia aplicada e glamour (ou “astúcia e malícia”) para dobrar um indivíduo ou situação à sua vontade.

TEORIA E DEFINIÇÃO:

 “A magia branca é supostamente utilizada apenas para propósitos bons ou altruístas, e a magia negra, nos dizem, é usada apenas por razões egoístas ou “más”. O satanismo não traça tal linha divisória. Magia é magia, seja usada para ajudar ou atrapalhar. O satanista, sendo o mago, deve ter a habilidade de decidir o que é justo, e então aplicar os poderes da magia para atingir seus objetivos.” – Anton LaVey.

Delineado na Bíblia Satânica, LaVey definiu a magia como “a mudança em situações ou eventos de acordo com a vontade de alguém, que, usando métodos normalmente aceitos, seria imutável”. Esta definição incorpora dois tipos amplamente distintos de magia: maior e menor. De acordo com LaVey, um dos objetivos da magia ritual é “isolar a suprarrenal dissipada e outras energias emocionalmente induzidas, e convertê-la em uma força dinamicamente transmissível”. LaVey definiu magia menor como “astúcia e astúcia obtidas através de vários dispositivos e situações inventadas, que quando utilizadas, podem criar mudanças de acordo com a vontade de alguém”. Dentro deste sistema de magia, os termos feiticeiro e bruxa são mais comumente usados ​​e para se referir a praticantes masculinos e femininos, respectivamente.

LaVey defendia a visão de que havia uma realidade objetiva para a magia, e que ela dependia de forças naturais que ainda não haviam sido descobertas pela ciência. Em vez de caracterizá-los como sobrenaturais, LaVey expressou a visão de que eles faziam parte do mundo natural. Ele acreditava que o uso bem-sucedido da magia envolvia o mago manipular essas forças naturais usando a força de sua própria força de vontade. LaVey também escreveu sobre “o fator de equilíbrio”, insistindo que quaisquer objetivos mágicos deveriam ser realistas. LaVey recusou qualquer divisão entre magia negra e magia branca, atribuindo essa dicotomia puramente à “hipocrisia presunçosa e autoengano” daqueles que se autodenominavam “magos brancos”. Tal neutralidade se correlaciona com a visão filosófica de LaVey de um universo impessoal e, portanto, amoral.

LaVey explica suas razões para escrever A Bíblia Satânica em um pequeno prefácio. Ele fala com ceticismo sobre os volumes escritos por outros autores sobre o assunto da magia, descartando-os como “nada mais do que fraude hipócrita” e “volumes de desinformação e falsas profecias”. Ele reclama que outros autores não fazem mais do que confundir o assunto. Ele zomba daqueles que gastam grandes quantias de dinheiro em tentativas de seguir rituais e aprender sobre a magia compartilhada em outros livros de ocultismo. Ele também observa que muitos dos escritos existentes sobre magia e ideologia satânicas foram criados por autores do “caminho da mão direita”. Ele diz que a Bíblia Satânica contém verdade e fantasia, e declara: “O que você vê pode nem sempre agradar a você, mas você verá!” Muitas das ideias de LaVey sobre magia e ritual são descritas na Bíblia Satânica. LaVey explica que alguns dos rituais são simplesmente psicologia aplicada ou ciência, mas que alguns contêm partes sem base científica. Os Rituais Satânicos, publicado por LaVey em 1972, descreve os rituais com mais precisão. O terceiro livro da Bíblia Satânica descreve rituais e magia. De acordo com Joshua Gunn, estes são adaptados de livros de magia ritual, como Magick de Crowley: Teoria Elementar, mais conhecido como o Liber ABA.

A MAGIA MENOR

 “O significado antiquado de ‘glamour’ é bruxaria. O trunfo mais importante para a bruxa moderna é sua capacidade de ser sedutora, de utilizar o glamour. A palavra ‘fascinação’ tem uma origem similarmente oculta. Fascinação era o termo aplicado ao mau-olhado. Fixar o olhar de uma pessoa, em outras palavras, fascinar, era amaldiçoá-la com o mau-olhado. Portanto, se uma mulher tinha a capacidade de fascinar os homens, ela era considerada uma bruxa.” – Anton LaVey.

A Magia Menor, também conhecida como magia “cotidiana” ou “situacional”, é a prática de manipulação por meio da psicologia aplicada. LaVey escreveu que um conceito-chave na magia menor é o “comando para olhar”, que pode ser realizado utilizando elementos de “sexo, sentimento e admiração”, além da utilização de aparência, linguagem corporal, aromas, cores, padrões , e odor. LaVey escreveu que os termos “fascínio” e “glamour” têm origens no mundo da magia “coercitiva”. A palavra “fascinação” vem da palavra latina “fascinare”, que significa “lançar um feitiço sobre”. Este sistema encoraja uma forma de dramatização manipulativa, em que o praticante pode alterar vários elementos de sua aparência física para ajudá-lo a seduzir ou “enfeitiçar” um objeto de desejo.

LaVey desenvolveu “O Relógio Sintetizador”, cujo objetivo é dividir os humanos em grupos distintos de pessoas com base principalmente na forma do corpo e nos traços de personalidade. O sintetizador é modelado como um relógio, e baseado em conceitos de somatótipos. O relógio destina-se a ajudar uma bruxa a se identificar, posteriormente auxiliando na utilização da “atração de opostos” para “encantar” o objeto de desejo da bruxa, assumindo o papel oposto. Diz-se que a aplicação bem-sucedida da magia menor é construída sobre a compreensão de seu lugar no relógio. Ao encontrar sua posição no relógio, você é encorajado a adaptá-la como achar melhor e aperfeiçoar seu tipo harmonizando seu elemento para melhor sucesso. LaVey explica que, para controlar uma pessoa, é preciso primeiro atrair sua atenção. Ele dá três qualidades que podem ser empregadas para esse propósito: apelo sexual, sentimento (fofura ou inocência) e admiração. Ele também defende o uso de odor.

Dyrendal se referiu às técnicas de LaVey como “Erving Goffman conhece William Mortensen”. Extraindo insights da psicologia, biologia e sociologia, Petersen observou que a magia menor combina ocultismo e “ciências rejeitadas de análise corporal e temperamentos”.

  • No MorteSubita.net há uma seção dedicada a Baixa Magia com diversas informações a respeito.

A MAGIA MAIOR:

Da esquerda para a direita: Karla LaVey, Diane Hegarty e Anton LaVey ritualizando na Casa Negra, a sede original da Igreja de Satã.

A Magia Maior é um ritual realizado para concentrar a energia emocional de uma pessoa para um propósito específico. Esses ritos são baseados em três grandes temas psicoemotivos, incluindo compaixão (amor), destruição (ódio) e sexo (luxúria). Esses rituais são frequentemente considerados atos mágicos, com o satanismo de LaVey incentivando a prática da magia para ajudar os fins egoístas. Muito do ritual satânico é projetado para um indivíduo realizar sozinho; isso ocorre porque a concentração é vista como a chave para a realização de atos mágicos. O ritual é referido como uma “câmara de descompressão intelectual”, onde o ceticismo e a descrença são voluntariamente suspensos, permitindo assim que os magos expressem plenamente suas necessidades mentais e emocionais, não retendo nada em relação aos seus sentimentos e desejos mais profundos. LaVey listou os componentes-chave para um ritual bem-sucedido como: desejo, tempo, imaginação, direção e “O Fator de Equilíbrio” (consciência das próprias limitações). Os rituais LaVeyanos às vezes incluem blasfêmias anticristãs, que se destinam a ter um efeito libertador sobre os participantes. Em alguns dos rituais, uma mulher nua serve de altar; nestes casos, fica explícito que o próprio corpo da mulher se torna o altar, em vez de tê-la simplesmente deitada sobre um altar existente. Não há lugar para orgias sexuais no ritual LaVeyano. Nem animais nem sacrifícios humanos acontecem. As crianças são proibidas de participar desses rituais, com a única exceção sendo o Batismo Satânico, que é especificamente projetado para envolver bebês.

Detalhes para os vários rituais satânicos são explicados no Livro de Belial, e listas de objetos necessários (como roupas, altares e o símbolo de Baphomet) são fornecidas. LaVey descreveu uma série de rituais em seu livro, Os Rituais Satânicos; estas são “performances dramáticas” com instruções específicas sobre a roupa a ser usada, a música a ser usada e as ações a serem tomadas. Esta atenção aos detalhes na concepção dos rituais foi intencional, com sua pompa e teatralidade pretendendo envolver os sentidos e os sentidos estéticos dos participantes em vários níveis e aumentar a força de vontade dos participantes para fins mágicos. LaVey prescreveu que os participantes do sexo masculino devem usar túnicas pretas, enquanto as mulheres mais velhas devem usar preto, e outras mulheres devem se vestir de forma atraente para estimular os sentimentos sexuais entre muitos dos homens. Todos os participantes são instruídos a usar amuletos do pentagrama virado para cima ou da imagem de Baphomet. De acordo com as instruções de LaVey, no altar deve ser colocada uma imagem de Baphomet. Isso deve ser acompanhado por várias velas, todas, exceto uma, devem ser pretas. A única exceção é uma vela branca, usada em magia destrutiva, que é mantida à direita do altar. Também deve ser incluído um sino que é tocado nove vezes no início e no final da cerimônia, um cálice feito de tudo menos ouro, e que contém uma bebida alcoólica simbolizando o “Elixir da Vida”, uma espada que representa a agressão, uma falo modelo usado como aspersório, gongo e pergaminho no qual os pedidos a Satã devem ser escritos antes de serem queimados. Embora o álcool fosse consumido nos ritos da Igreja, a embriaguez era desaprovada e o consumo de drogas ilícitas era proibido.

O livro final da Bíblia Satânica enfatiza a importância da palavra falada e emoção para a magia eficaz. Uma “Invocação a Satã” bem como três invocações para os três tipos de ritual são dadas. A “Invocação a Satã” ordena que as forças das trevas concedam poder ao invocador e lista os nomes Infernais para uso na invocação. A “Invocação empregada para a conjuração da luxúria” é usada para atrair a atenção de outro. As versões masculina e feminina da invocação são fornecidas. A “Invocação empregada para a conjuração da destruição” comanda as forças das trevas para destruir o sujeito da invocação. A “Invocação empregada para a conjuração da compaixão” solicita proteção, saúde, força e a destruição de qualquer coisa que aflija o sujeito da invocação. O resto do Livro de Leviatã é composto pelas Chaves Enoquianas, que LaVey adaptou do trabalho original de Dee. Elas são dados em enoquiano e também traduzidas para o inglês. LaVey fornece uma breve introdução que credita Dee e explica um pouco da história por trás das Chaves Enoquianas e da linguagem. Ele sustenta que as traduções fornecidas são um “desenvernizamento” das traduções realizadas pela Ordem Hermética da Golden Dawn (Aurora Dourada) em 1800, mas outros acusam LaVey de simplesmente mudar as referências ao cristianismo com as de Satã.

Ao projetar esses rituais, LaVey baseou-se em uma variedade de fontes mais antigas, com o estudioso do satanismo Per Faxneld observando que LaVey “montou rituais de uma miscelânea de fontes históricas, literárias e esotéricas”. LaVey brincou abertamente com o uso da literatura e da cultura popular em outros rituais e cerimônias, apelando assim ao artifício, pompa e carisma. Por exemplo, ele publicou um esboço de um ritual que ele chamou de “Chamado a Cthulhu”, que se baseava nas histórias do deus alienígena Cthulhu, de autoria do escritor de terror americano H. P. Lovecraft. Neste rito, programado para acontecer à noite em um local isolado perto de um turbulento corpo de água, um celebrante assume o papel de Cthulhu e aparece diante dos satanistas reunidos, assinando um pacto entre eles na linguagem da ficção de Lovecraft “Old Ones (Os Antigos)”.

  • O Morte Súbita inc tem uma seção inteiramente dedicada a Baixa Magia

RITUAIS E RITOS CERIMONIAIS:

No Livro de Belial, ele discute três tipos de rituais: rituais de luxúria que trabalham para atrair outra pessoa, rituais de destruição para destruir outra pessoa e rituais de compaixão para melhorar a saúde, inteligência e sucesso. Rituais de luxúria são projetados para atrair o parceiro romântico ou sexual desejado e podem envolver a masturbação, com o orgasmo como objetivo. Rituais de destruição são projetados para prejudicar os outros e envolvem a aniquilação simbólica de um inimigo através do uso de sacrifício humano “vicário”, muitas vezes envolvendo uma efígie personalizada representando a vítima pretendida que é então submetida a fogo ritual, esmagamento ou outra representação de obliteração . Os rituais de compaixão são projetados com a intenção de ajudar as pessoas (incluindo a si mesmo), para evocar um sentimento de tristeza ou tristeza, e o choro é fortemente encorajado.

Nos Rituais Satânicos, LaVey faz uma distinção entre o ritual e a cerimônia, afirmando que os rituais “… são direcionados para um fim específico que o performer deseja”, e que as cerimônias são “… evento, aspecto da vida, personagem admirado, ou declaração de fé (…) um ritual serve para atingir, enquanto uma cerimônia serve para sustentar”. LaVey enfatizou que em sua tradição, os ritos satânicos vinham em duas formas, nenhuma das quais eram atos de adoração; em sua terminologia, os “rituais” tinham a intenção de provocar mudanças, enquanto as “cerimônias” celebravam uma ocasião particular.

Um batismo satânico é uma cerimônia para uma criança que se destina a ser um reconhecimento simbólico da criança como tendo nascido satanista e só deve ser realizada para menores de quatro anos, pois LaVey afirmou que além dessa idade, a criança já começou a ser influenciado por ideias “alienígenas”. Os batismos de adultos servem como uma declaração de “fé”, onde “falsidades, hipocrisia e vergonha do passado” são simbolicamente rejeitadas. Em 1967, LaVey realizou o primeiro batismo satânico registrado publicamente na história para sua filha mais nova, Zeena, que ganhou publicidade mundial e foi originalmente gravado no LP, The Satanic Mass (A Missa Satânica). Os Batismos Satânicos foram escritos por LaVey e publicados em Os Rituais Satânicos.

Em fevereiro de 1967, LaVey oficiou o primeiro casamento satânico, o casamento muito divulgado de Judith Case e o jornalista John Raymond. O primeiro funeral satânico foi para o mecânico-reparador naval dos EUA, de terceira classe e membro da Igreja de Satã, Edward Olsen. Foi realizado por LaVey a pedido da esposa de Olsen, completo com uma guarda de honra com capacete cromado. Ambas as cerimônias foram escritas por LaVey, mas nunca foram publicadas oficialmente até 2007, quando As Escrituras Satânicas lançou ao público uma versão adaptada delas pelo atual Sumo Sacerdote da Igreja, Peter H. Gilmore.

Junto com as cerimônias de casamento e funeral, As Escrituras Satânicas de Gilmore também publicou um rito menor de dedicação de objetos cerimoniais, que satiriza os rituais de ‘limpeza’ de outras religiões, e o Ragnarök Rite (Rito do Ragnarök), um ritual escrito por Gilmore na década de 1980 inspirado no o antigo mito nórdico do Ragnarök pretendia expurgar seus participantes da angústia e do ódio despertados após serem vítimas do fanatismo religioso.

A MISSA NEGRA:

LaVey também desenvolveu sua própria Missa Negra, que foi concebida como uma forma de descondicionamento para libertar o participante de quaisquer inibições que desenvolvessem ao viver na sociedade cristã. Ele observou que ao compor o rito da Missa Negra, ele se baseou no trabalho de Charles Baudelaire e Joris-Karl Huysmans.

SIMBOLISMO:

Os Quatro Príncipes Coroados do Inferno:

LaVey utilizou o simbolismo dos Quatro Príncipes Herdeiros do Inferno na Bíblia Satânica, com cada capítulo do livro sendo nomeado após cada Príncipe. O Livro de Satã: A Diatribe Infernal, O Livro de Lúcifer: A Iluminação, O Livro de Belial: Domínio da Terra, e O Livro do Leviatã: O Mar Furioso. Esta associação foi inspirada na hierarquia demoníaca do Livro da Magia Sagrada de Abra-Melin, o Mago.

  • Satã (hebraico) “O Senhor do Inferno”:

O adversário, representando a oposição, o elemento fogo, a direção do sul e o Sigilo de Baphomet durante o ritual.

  • Lúcifer (romano) “A Estrela da Manhã”:

O portador da luz, representando orgulho e iluminação, o elemento ar, a direção do leste e velas durante o ritual.

  • Belial (hebraico) “O Sem Mestre”:

A baixeza da terra, independência e autossuficiência, o elemento terra, a direção do norte e a espada durante o ritual.

  • Leviatã (hebraico) “A Serpente do Abismo”:

O grande dragão, representando o segredo primordial, o elemento água, a direção do oeste e o cálice durante o ritual.

Frases:

Hail Satan (Salve Satã)” uma saudação comum e termo ritual na Igreja de Satã, tanto em sua forma inglesa, Hail Satan, bem como na versão original em latim, Ave Satanas. Quando Ave Satanas é usado, muitas vezes é precedido pelo termo Rege Satanas (“Satã Reina”). (Rege Satanas pode ser ouvido no vídeo de um casamento amplamente divulgado da Igreja de Satã realizado por LaVey em 1º de fevereiro de 1967.) A combinação “Rege Satanas, Ave Satanas, Hail Satan!” é encontrado como uma saudação na correspondência inicial da Igreja de Satã, bem como em sua gravação de 1968, The Satanic Mass (A Missa Satânica) e, finalmente, em seu livro de 1969, A Bíblia Satânica. A frase é usada em algumas versões da Missa Negra, onde muitas vezes acompanha a frase Shemhamforash e é dita no final de cada oração. Este rito foi realizado pela Igreja de Satã aparecendo no documentário Satanis em 1969.

***

Principais fontes:

Aquino, Michael (2002). The Church of Satan.

Barton, Blanche (1992). The Secret Life of a Satanist: The Authorized Biography of Anton Lavey. Feral House. p. 86. ISBN 978-0-922915-12-5.

Gilmore, Peter H. (2007). The Satanic Scriptures. Baltimore (MD): Scapegoat Publishing. pp. 131–182.

Gunn, Joshua (2005). “Prime-time Satanism: rumor-panic and the work of iconic topoi”. Visual Communication. 4 (1): 93–120. doi:10.1177/1470357205048939. S2CID 144737058.

LaVey, Anton (1969). The Satanic Bible. Avon.

LaVey, Anton, The Satanic Mass, LP (Murgenstrumm Records, 1968)

Melech, Aubrey (1985). La Messe Noire (PDF). London: Sui Anubis. p. 52. ISBN 0-947762-03-5.

Mortensen, William; Dunham, George (2014). The Command to Look: A Master Photographer’s Method for Controlling the Human Gaze. p. 203.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-magia-maior-e-a-magia-menor-no-satanismo/

14 sabedorias de Joseph Campbell

por André Camargo

Joseph Campbell é o cara que criou aquela história da ‘Jornada do Herói’. É também o cara daquele documentário incrível, ‘O Poder do Mito’. Já ouviu falar?

Eu gosto muito. 🙂

Sabe aquela pilha de livros que você morre de vontade de ler, mas nunca dá tempo? Essa pilha só cresce, né?

Imagina que o cara tava lá, contrariado com as exigências arbitrárias do doutorado, e resolveu largar a coisa toda. Aí, alugou um casebre no meio do mato e passou ali, sozinho, os cinco anos seguintes.

Fazendo o quê?

Lendo.

9 horas por dia, todos os dias.

Segundo ele, o período de estudo e recolhimento foi a base de toda sua vida futura, assim como do conjunto de seu pensamento.

O cara leu todos os livros que ele queria, do jeito que ele queria, no tempo dele.

Uau.

Essa é uma passagem emblemática na biografia do cara. Como você verá, o pensamento de Joseph Campbell é um monumento à coragem de viver a vida nos próprios termos.
[Sugestão de Consumo] Vá com calma. Leia cada citação pelo menos duas vezes, antes de seguir em frente.

__________

(1) “A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.”
Deixar-se guiar pelo próprio coração — e não por planos. Abrir mão do desejo de controle. Destemor e confiança. Abertura. Permitir que o que é vivo em nós se manifeste e nos direcione.

(2) “Qualquer que seja seu destino, o que quer que aconteça, diga: “Isso é o que eu preciso”. Pode parecer devastador, mas olhe para aquilo como uma oportunidade, um desafio. Se você trouxer amor para aquele momento — não desencorajamento — perceberá que existe força naquilo.”
Essa é a filosofia do Amor Fati, de Nietzsche. A Força que vem da aceitação incondicional; render-se incondicionalmente à Vida. Requer uma alta dose de desapego. E, de acordo com a sabedoria oriental, premia com a maior das liberdades.

(3) “Você é o herói (ou heroína) da própria história.”
Na real, acho que a maior parte das pessoas, hoje, vive como coadjuvante da própria história. O que é muito triste e não tem nada de heroico. O desafio é sair da periferia da vida, da posição de vítima das circunstâncias, e tomar a vida nas próprias mãos. O que te faz herói ou heroína é tornar-se a um tempo autor/a e protagonista da própria história.

(4) “A caverna em que você teme penetrar guarda o tesouro que você busca.”
A noite escura da alma, que, dizem, precede o despertar de uma nova consciência. Na linguagem da Jornada do Herói, passamos pela Provação Suprema, o encontro com a Sombra, antes de podermos encontrar o Elixir que cura todas as dores.

(5) “Não acredito que as pessoas estejam buscando pelo sentido da vida, tanto quanto pela experiência de se sentirem vivas.”
O sentido da vida, para ele, não é um tipo de enigma a ser solucionado; o sentido da vida é estar vivo. Estar plenamente vivo dá sentido à existência.

(6) “Siga o que enche seu coração de alegria e o universo abrirá portas onde antes só existiam muros.”
Follow your Bliss. Essa frase é considerada a quintessência do pensamento de Campbell. E bliss é uma palavra danada. Ninguém consegue traduzir direito. Então, eu optei por uma expressão: ‘bliss’ = ‘o que enche seu coração de alegria’. A origem do termo, segundo Campbell, é o sânscrito: ‘ananda’. Que significa êxtase, beatitude ou felicidade suprema.

(7) “O maior privilégio da vida é ser quem você é.”
Sócrates ecoa o Oráculo de Delfos: “Conhece a ti mesmo”. Já ouviu isso? Para os gregos antigos, cumprimos nosso destino humano ao amadurecer as sementes de realização que se manifestam por meio de nossos dons e talentos únicos. Nietzsche reformula: “Torna-te quem tu és”.

(8) “A vida não tem sentido. Cada um de nós tem sentido e nós o atribuímos à vida. É bobagem fazer a pergunta quando você é a resposta.”
Essa é matadora! A vida tem o sentido que a gente dá. Nós mesmos somos a resposta para a questão do sentido da vida… Basta se encarar no espelho.

(9) “A vida é como chegar atrasado ao cinema, ter de sacar o que tava rolando sem perturbar todo mundo com um monte de perguntas, e aí ser inesperadamente chamado de volta antes de descobrir como o filme acaba.”
Adoro essa imagem! Uma metáfora da condição humana simplesmente… cinematográfica.

(10) “O objetivo da vida é sintonizar a batida do seu coração com a batida do universo, sintonizar sua natureza com a Natureza.”
Isso é muito lindo. Como o coração do bebê, que bate no mesmo ritmo que o coração da mãe. Assim é. Assim é.

(11) “Se você de fato segue o que enche seu coração de alegria, você se coloca em um tipo de caminho que sempre esteve lá, à sua espera, e a vida que você deveria estar vivendo é a vida que você está vivendo.”
Como uma semente caída no asfalto. Pode ficar um bom tempo ali, congelada. Se, no entanto, alguma força externa a conduz até um punhado de terra fértil, ela naturalmente se reconecta com a verdade de seu Ser, seu potencial de realização. Ela desabrocha, cresce, floresce, frutifica. Pois aquele solo sempre esteve lá, à sua espera, e a nova vida que ela passa a viver é de fato a vida que ela deveria estar vivendo.

(12) “De repente, você é atirado/a na situação de estar vivo. E a vida é dor, e a vida é sofrimento, e a vida é horror, mas — meu Deus — você está vivo, e isso é espetacular.”
Para Joseph Campbell (assim como na maior parte das filosofias orientais), faz mais sentido substituir a ânsia por saber, essa busca ansiosa por respostas, pela experiência de deslumbramento, de arrebatamento, de assombro e deleite diante do mistério.

(13) “O mundo sem espírito é uma terra devastada. As pessoas têm a ideia de salvar o mundo mudando as coisas de lugar, mudando as regras, e quem está em cima e assim por diante. Não, não! Qualquer mundo é um mundo válido se está vivo. A coisa a fazer é trazer vida a ele, e a única forma de fazer isso é encontrar em si mesmo onde a vida está e tornar-se vivo você mesmo/a.”
A aridez de viver apartado de si! Lembro bem. Sempre me pergunto: como colocar meus dons e talentos, minha pulsação, para fortalecer o que serve à vida —  em qualquer situação?

(14) “Não podemos curar o mundo de seus pesares, mas podemos escolher viver com alegria.”
Um antídoto para a onipotência. Acho que a única maneira de, verdadeiramente, salvar o mundo é salvar a nós mesmos primeiro. Um ser humano plenamente realizado é a mais profunda inspiração para cada um de nós.

#Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/14-sabedorias-de-joseph-campbell

A biologia na alquimia: correlações para uma educação alquímica

Marcelo Ribeiro dos Santos[1]

Carlos Eduardo Albuquerque Miranda[2]

Marcus Alexandre Finzi Corat[3]

I. INTRODUÇÃO

Alquimia. Permanece a grande dúvida fomentada por milênios de ocultamento proposital. Com que intenção? Pura burla? Piada milenar atravessando o tempo com comediantes pontuais extremamente meticulosos? A mentira para obter poder? Deter conhecimentos fictícios sobre a imortalidade e a riqueza infinita para melhor ascender sobre seus contemporâneos? Pouco provável. Alquimistas sempre foram renegados, vivendo à margem da sociedade, mesmo quando favorecidos por algum mecenato ambicioso. Alquimistas, ao que se sabe, tiveram vidas sacrificadas até que conseguissem a Pedra. Mesmo após a coroação de sua obra, não obtinham proveito próprio e viviam humildemente, como parecem sugerir os escritos sobre a vida de Nicolas Flamel. Mas obtinham realmente a Pedra? A Pedra dos Filósofos. A Pedra Filosofal, no caminho para a qual deviam realizar obrigatoriamente o Xir, El Ixir, o Elixir da Longa Vida. Fábulas?

Mas ao invés de especularmos sobre e de antemão descartarmos o conhecimento alquímico, talvez seja proveitoso deitar um olhar mais sereno e ordenado, fugindo dos extremos metafísicos dos realistas, que enxergam a alquimia como precursora da química, ou dos idealistas de verve Junguiana, que a consideram como simbolismo arquetípico de um processo interno de depuração e individuação psíquica. Não vamos aqui discorrer sobre estes dois caminhos já vastamente percorridos, mas sim propor uma análise baseada nos conceitos de Henri Bergson, filósofo Francês do final do século XIX que, apesar de reconhecido em seu tempo com um prêmio Nobel, tem sido sistematicamente relegado ao esquecimento pela Ciência contemporânea.

Utilizaremos aqui uma ferramenta conceitual já testada em outras investigações por nós efetuadas, a qual denominamos “Acordeom de Bergson” (Fig.1). Este apelido visa descrever as qualidades de expansão e contração da memória e as ressonâncias virtuais no objeto, descritas pelo esquema, que representa o que Bergson chama de “memória reflexiva”; aquela que utilizamos quando estamos atentos a um objeto desejando extrair dele, através de um circuito expansivo com nossa memória objetiva (A,B,C,D), as camadas virtuais presentes na memória intuitiva que nos permitam uma apreciação cada vez mais complexa voltada para a ação sobre o próprio objeto (O, B’,C’,D’). A profundidade de visão assim obtida nos permitirá uma versatilidade cada vez maior em nossas ações, ou esboços de ações, passíveis de serem executadas sobre o objeto percebido (BERGSON, 1991).

Figura 1 – o “Acordeom de Bergson”

 

Temos em vista que o objeto de nossa análise não é a Alquimia em si, tão diáfana e impalpável, mas sim os textos e imagens alquímicas que chegaram até nós. São com estes textos e imagens que desejamos fazer circuito, começando com um olhar de criança, que enxerga diferenças e semelhanças óbvias, para gradualmente expandirmos os níveis de complexidade de nossa memória à medida que se desvendam as camadas virtuais dadas nos próprios textos e imagens. Esperamos assim conseguir uma compreensão prática e útil do conhecimento alquímico, saindo da esfera da pura teorização estéril.

 

II. ALQUIMIA

A imediata associação que o pensamento comum nos traz sobre a Alquimia é o seu papel como precursora da química, para a qual contribuiu com diversos achados e técnicas. Esta contribuição pode de fato ter acontecido, porém quando nos deparamos com a materialidade dos textos e imagens que chegaram até nossos dias, nada vemos que nos remeta à química, exceto talvez a construção de misturas e reações entre elementos com o intuito de uma transformação ou produto final diferenciado, assim como, o nome de algumas substâncias principais tais como os Sais, o Enxofre e o Mercúrio. Estas três substâncias são recorrentes, porém também recorrente é a afirmação de que não correspondem às substâncias químicas reativas e vulgares que recebem estes nomes, mas sim, a estados ou “fases” separadas de uma mesma matéria inicial. Temos, portanto, o direito de desfocarmos nossos pensamentos da opinião comum materialista e caminharmos num sentido de análise filosófica metafísica nos levando não mais para o campo da química, mas agora, para as sinergias da alquimia para com as práticas biológicas de cultivo celular. Para delimitar nosso campo de análise, poderíamos começar por determinar o que a alquimia não é:

A atitude e o método do alquimista devem, portanto, ser totalmente distintos daqueles adotados pelo químico. A Alquimia não buscava tão-somente lidar com metais e suas inter-relações, nem mesmo tratar com as matérias das quais se interessava a química, mais ainda, não investigava assuntos que a química tornou de sua alçada. Não encontraremos em trabalhos alquímicos nenhum intento de estabelecer ou concluir catálogo ou tabela de substâncias conhecidas, nem mesmo o cuidado de estabelecer suas propriedades, nem mesmo a intenção de mostrar como uma classe de corpos passa a outra (FLAMEL, 1973).

Mas o que seria então a alquimia? Libertando-nos de preconceitos, podemos lançar mão de nossa ferramenta metodológica para desdobrarmos as camadas virtuais presentes em nosso objeto, atingindo níveis cada vez mais profundos de sua realidade. Ao aplicarmos nossa “memória reflexiva” em seus níveis mais primários, aqueles que detectam apenas diferenças e semelhanças entre objetos percebidos, podemos separar nosso material alquímico em dois grandes grupos: os textos e as imagens.

Vamos nos ater inicialmente aos textos: detectamos textos que se parecem com enredos teatrais, tendo como personagens as substâncias e processos alquímicos, com enredos descritivos e diálogos, os quais dramatizam o que parece ser a descrição de um processo e um protocolo de ação (ex: Zózimo de Panóplis, Maria a Profetiza, CALID apud ZALBIDEA et al., 1980)

Existem também textos semelhantes a receitas, ou protocolos experimentais, com descrições impessoais pormenorizadas dos passos a seguir (BACON apud ZALBIDEA et al., 1980). Outros textos são vinculados a imagens e funcionam como explicação detalhada e descrição destas (ex: Nicolau Flamel, BASÍLIO VALENTIM apud ZALBIDEA et al., 1980). Em todos os casos temos a impressão de estarmos diante de instruções genéricas sobre a consecução de um mesmo processo.

As imagens, quando analisadas em separado, nos apresentam a princípio uma profusão delirante de personagens míticos ou quiméricos, além de objetos e equipamentos os mais variados. Temos símbolos astrológicos em abundância e menções bíblicas. Mas quando abstraímos esta multidão pictórica e nos atemos à composição e ao ordenamento das figuras, vemos claramente os sinais inconfundíveis da Arte da Memória. Poderíamos dizer, modernamente, que há arquitetura gráfica, que distingue um arranjo qualquer de um arranjo que faz parte de um programa de educação visão-memória, historicamente agenciada e que tonar-se recorrente na cultural visual, moderna e contemporâneo (ALMEIDA, 1999; MIRANDA, 2001).

A Arte da Memória clássica e medieval trabalhava basicamente com imagens agentes imaginárias colocadas em construções e “nichos” de memória, que deveriam ser seriados e numerados, permitindo ao operador percorre-los a seu bel prazer, extraindo das figuras impactantes as lembranças de que necessitava (YATES, 2013). Um exemplo bastante explícito deste uso das imagens como arquitetura mental visando a rememoração do processo alquímico encontra-se no Arco pintado por encomenda de Nicolas Flamel e sua esposa Perrenelle na Igreja do Cemitério dos Inocentes, em Paris.

Figura 2 -Arco pintado por Nicolas Flamel no Cemitério dos Inocentes (FLAMEL, 1973)

Em outra linha de figuração alquímica temos o famoso “Mutus Liber” ou “Livro Mudo” (Sulat, 1667), que consiste de uma sequência de imagens com apenas algumas curtas frases de texto. O objetivo explícito desse livro é fornecer ao leitor instruções sobre o processo alquímico somente de modo figurativo, de tal maneira que leitores, em qualquer língua, possam compreender o processo.

O fato é que, quer levemos em conta os textos, as imagens ou ambos, sempre nos deparamos com uma espécie de “receita”, ou melhor, receitas diversas para a consecução de um mesmo processo. Temos alguns elementos básicos recorrentes na alquimia, que podem, no entanto, sofrer acréscimos ou variar em sua ordem de manipulação, aproximadamente da mesma maneira com que, para fazermos pão, precisamos ao menos de farinha, água e calor, porém com os inúmeros acréscimos de ingredientes e diferenças de receita, teremos pães de formatos e sabores variados, porém sempre reconhecíveis como pão.

Temos assim uma instância básica de memória reflexiva que, ao fazer circuito com os textos e imagens alquímicos, recria-os enquanto receitas ou protocolos variados para a obtenção dos mesmos fins: o Elixir da Longa Vida e a Pedra Filosofal, um visando à extensão da vida e a outra à transmutação de metais inferiores em ouro. As imagens relacionadas a estes protocolos compõem um processo educativo que se harmoniza, em alguns casos, com os preceitos da Arte da Memória clássica e medieval, em outros, com a imagética figurativa e didática mais próxima à de Comenius (MIRANDA, 2011). Mas teriam estas receitas tão variadas uma consistência funcional? Para determinar isso teríamos que continuar a utilizar nossa memória de diferenciação, porém agora a aplicando ao conteúdo dos textos e imagens e não mais à sua apresentação genérica. Daqui para frente, pretendemos discorrer sobre a nossa interpretação dos relatos e imagens encontrados nos textos alquímicos rumo à obtenção do elixir da vida e contextualizando-os à prática da cultura de células na biologia dos dias atuais, trazendo-a como fruto de uma memória ressonante. Vamos analisar, na sequência, os 5 conteúdos reconhecíveis como sendo recorrentes ou básicos do processo alquímico: o Fogo Alquímico, a Matéria Alquímica, os Elementos Alquímicos, os Procedimentos Alquímicos, o Elixir de Longa Vida e a Pedra Filosofal.

O Forno Alquímico

Esqueçam a imagem de fornos fumegantes cheios de metal incandescente. O forno principal descrito pelos alquimistas mal pode ser chamado de forno, pois seria mais bem definido como uma estufa. O mesmo tipo de forno é representado tanto nas figuras de Flamel (Fig.2, canto esquerdo e arco central) como minuciosamente desenhado no “Mutus Liber”, conforme demonstra a figura abaixo, que representa um desses “fornos” com uma detalhada visão interna de seu funcionamento.

Figura 3 – Forno Alquímico (ROOB, 1996)

Podemos ver que a fonte de calor é uma simples lamparina colocada na parte mais baixa da estrutura. Isto condiz com as inúmeras recomendações dos alquimistas reiterando que não se deve usar fogo de madeira e que a temperatura deve ser constante e relativamente baixa.

Se esse fogo não é medido na proporção que lhe é própria, diz Calid; se ele é ateado com a espada, diz Pitágoras, se inflamas teu vaso, diz Morienus, e fa-lo sentir o ardor do fogo, ele te trará um revés… Além disso, deves sustenta-los perpetuamente neste calor temperado, isto é, noite e dia… (FLAMEL, 1973)

Podemos ver também um cone sobre a lamparina, sob a estrutura oval onde está o frasco ou “ovo alquímico”, geralmente descrito como sendo de vidro ou cerâmica vitrificada. Este cone pode ser um repositório de matéria vegetal (palha) úmida sobre a qual deveria ficar o “ovo alquímico” (o frasco de vidro contendo a matéria), conforme atestam as diversas menções e figuras alquímicas de galinhas chocando em um ninho de palha. Note-se que o fogo não tem contato direto com a câmara oval acima, servindo apenas para manter aquecido o cone, favorecendo a fermentação da palha que irradia um calor brando e uniforme na câmara oval, exalando também gás carbônico. As duas chaminés laterais distribuem o ar quente pelos lados da estrutura além de levar para o exterior qualquer tipo de fumaça, que não atinge assim a câmara oval, a qual apresenta também uma chaminé para saída do ar quente.

Temos, portanto, o desenho detalhado de uma engenhosa estufa artesanal visando manter uma temperatura tépida constante, umidade e alto teor de gás carbônico em sua câmara principal, devido à lenta fermentação da palha úmida favorecida pelo calor da lamparina que aquece o cone. Este não é o único tipo de forno que aparece nos desenhos alquímicos, mas é claramente o principal deles.

A Matéria Inicial (Matéria-Prima)

O que constitui a Matéria-Prima da Obra? Aqui tocamos no grande arcano dos alquimistas, que se recusam a se referir diretamente a este segredo inviolável, usando sempre linguagem figurativa quando falavam sobre ele. Será mesmo? “Chamaram-lhe semente, que quando se transforma se torna em sangue e logo se coalha e se converte numa espécie de carne composta;…(CALID in ZALBIDEA et al., 1980)”.

Portanto, apesar dos protestos veementes de Flamel que diz não se tratar de sangue – “que é maldoso e vil” -, podemos estar bastante certos de que se trata aqui de matéria biológica relacionada ao sangue, provavelmente de origem humana, o que justificaria plenamente o grande segredo zelosamente mantido, visto que a Idade Média absolutamente não olhava com bons olhos a profanação cirúrgica do corpo humano, ainda que de cadáveres, considerando esta atividade correlata com a bruxaria. Certamente os alquimistas já tinham problemas suficientes…

Os Elementos Alquímicos

Todos os textos são unânimes em afirmar que a Obra é feita a partir da separação e recombinação de elementos extraídos de uma mesma matéria: “O nosso magistério vem primeiramente de uma raiz, que logo se expande e reparte em várias coisas e depois torna-se numa só coisa (CALID apud ZALBIDEA et al., 1980)”.

Perante este fato, fica claro que os três elementos básicos sempre recorrentes na linguagem alquímica, o Mercúrio, o Enxofre (ou Latão) e os Sais, são nada mais que designações de estados ou frações da matéria básica. Os próprios alquimistas repetem incessantemente que não se trata dos elementos químicos vulgares conhecidos com estes nomes.

Filósofos escondem altas lembranças
Que não se dirigem a crianças;
Quando citamos metais vulgares,
Só por figuras disciplinares:
Pois eles sabem que esses metais
São todos mortos (disso falar não mais)
Que jamais retomarão
Substância e vida, antes repousarão[…] (FLAMEL, 1973).

O Mercúrio é descrito como sendo translúcido e branco como a lua, além de líquido e volátil. O Enxofre, algumas vezes designado como Latão, é amarelo alaranjado como o sol e de natureza oleosa ou gelatinosa, através de sua calcinação obtém-se os Sais ou cinzas de natureza seca e em forma de pó. A separação e mistura repetida dessas substâncias oriundas da mesma Matéria viva tem o intuito de potencializar a vitalidade desta, até a consecução do Elixir, considerado a primeira etapa da Obra.

Os Procedimentos Alquímicos

Elaboramos uma listagem comentada dos procedimentos básicos descritos nos textos alquímicos:

Decantação: deposição da parte sólida de um composto por ação da gravidade.

Calcinação: secagem dos elementos através do calor.

Dissolução: solubilização de elementos coagulados.

Separação: separação de elementos por filtragem ou decantação.

Conjunção: reunião de elementos.

Putrefação: coagulação de uma camada negra sobre o Mercúrio, ou meio líquido.

Coagulação: solidificação da matéria líquida.

Umidificação: Saturação das matérias secas com líquido.

Sublimação: extração por destilação ou volatilização.

Exaltação: aumento do poder ou vitalidade do Elixir ou da Pedra Filosofal.

Multiplicação: aumento vegetativo na quantidade do Elixir ou da Pedra Filosofal.

Projeção: transmutação de metais.

O Elixir da Longa Vida e a Pedra Filosofal

A consecução da Obra é a obtenção de um objeto descrito como sendo de textura macia e coloração vermelha, que pode ser usado como panaceia universal, prolongando indefinidamente a vida, ou pode ser utilizado para transmutar metais inferiores em ouro e prata, caso em que é chamado de Pedra Filosofal. No caso da transmutação em metais devia-se deixar este fermento vermelho ou purpúreo incubado durante certo tempo com pó de ouro, após o que adquiriria a propriedade de transmutar chumbo ou mercúrio metálico no mais nobre dos metais. Obtendo assim a imortalidade relativa e a riqueza infinita, o alquimista dá o devido valor à vida, desprezando a mesquinhez e utilizando as bênçãos recebidas para anonimamente auxiliar e curar ao próximo. Percebe-se assim a consistência material e espiritual deste sistema extremamente detalhado de obtenção da felicidade humana.

Não temos de maneira alguma a pretensão de haver esgotado nesta breve resenha toda a riqueza de materiais e procedimentos descritos pelos inúmeros textos e imagens remanescentes, no entanto, o delineamento que fizemos nos fornece uma visão orgânica e genérica do fenômeno que estamos analisando. Poderíamos resumir esta visão genérica como: um conjunto de textos e imagens que esboçam uma receita ou protocolo que é efetuado em estufas, com calor brando e constante, a partir de uma matéria inicial relacionada com o sangue a qual é separada em seus componentes líquido e sólido, os quais são recombinados de diversas maneiras para que se obtenha uma matéria final extremamente vitalizada e capaz de curar e rejuvenescer pessoas e transmutar metais. Tendo assim um bom esboço de nosso objeto, podemos agora expandir nossa memória reflexiva buscando sistemas semelhantes ao que esboçamos. Assim, imediatamente nos ocorre a semelhança surpreendente com um sistema de textos e imagens atuais que conhecemos bem: os protocolos de cultivo de células tronco de medula-óssea.

De acordo com nossa metodologia, podemos agora compor estes dois sistemas em um circuito ressonante, pois verificamos que o cultivo de células-tronco de medula óssea possui todas as características que esboçamos em nosso resumo, visto que é um processo realizado em estufas a partir de um tecido semelhante a sangue espesso, que se encontra no interior dos ossos: a medula óssea. Atualmente utilizam-se meios de cultura comerciais especialmente formulados, porém o “soro” ou plasma sanguíneo; a fração líquida e translúcida do sangue; poderia perfeitamente ser usado como um meio de cultivo natural, desde que previamente preparado para isso através de processos semelhantes àqueles descritos na alquimia.

A utilização de frações purificadas de células mononucleares[1] de medula óssea já demonstrou sua eficácia terapêutica em diversos trabalhos científicos, havendo indícios de rejuvenescimento em animais experimentais (SANTOS, 2010), além da cura de paralisias por sequelas neuronais até então incuráveis (BRITO et al., 2010). Para aqueles que pesquisam nesta área, fica claro que a utilização desta terapêutica só não se generaliza devido às idiossincrasias socioeconômicas de nossa era.

Quanto à transmutação dos metais, sabemos que a utilização de culturas de bactérias e fungos unicelulares para a aceleração da transmutação de metais – por exemplo, o Manganês (Mg) em Ferro (Fe) (VYSOTSKII; KORNILOVA, 2011) – já é uma tecnologia incorporada à ciência das fusões a frio, uma das promessas tecnológicas para a geração de energia limpa. Será então assim tão absurdo pensar que as células-tronco poderiam, mediante certos protocolos de cultivo que desconhecemos, transmutar metais inferiores em ouro?

Mas será que poderíamos realmente conectar o processo alquímico com um protocolo de extração e purificação de células-tronco de medula óssea? Para ilustrar nossa hipótese, faremos uma narração do “Mutus Liber” ou “Livro Mudo” que se compõe de uma série de imagens sem texto as quais intencionam descrever figurativamente o processo alquímico. Nossa narração deverá formular um protocolo de extração artesanal, purificação e cultivo de células-tronco de medula óssea que terá que se adequar consistentemente às imagens alquímicas descritas. Vamos ao nosso experimento.

 

III. O “LIVRO MUDO” FALA

O “Mutus Liber” nos apresenta uma sequência de imagens que fogem bastante à regra da maior parte das imagens alquímicas. Enquanto estas se enquadram nitidamente nos cânones da Arte da Memória clássica e medieval (ver Fig.2) com suas imagens agentes exóticas e surpreendentes que visam despertar correlações mnemônicas, o “Mutus Liber” nos parece mais próximo das pretensões pedagógicas de um sistema contemporâneo a ele, elaborado por Jean Amos Comenius também em meados do século XVII para a educação escolar. Comenius, apesar de nitidamente influenciado pela Arte da Memória medieval, utiliza as figuras como suportes realistas de comentários didáticos. No entanto estas figuras são compostas de maneira a serem independentes do comentário (MIRANDA, 2011).

O “Mutus Liber” nos coloca perante um conjunto de equipamentos e uma sequência ordenada de atos realizados por um casal de personagens que cumprem uma determinada tarefa. O simbolismo aparece também, porém com uma função totalmente secundária e quase “hieroglífica”, ou nominativa, em relação ao conjunto das imagens, que se preocupam mais em figurar minuciosamente um protocolo de ação.

Realizaremos comentários didáticos, ao modo de Comenius, visando complementar as figuras para testar nossa hipótese de que a alquimia, conforme descrita pelos textos e imagens que conhecemos, pode funcionar como uma educação do cultivo artesanal de células-tronco. Para contextualizar nossos comentários, deveremos ter em mente que todo o processo deveria ser feito sem o auxílio da tecnologia que temos hoje, tais como microscópios, estufas elétricas com termostato e meios de cultura comerciais previamente formulados, portanto, teremos que nos orientar, como aparentemente faziam os alquimistas, pela coloração e formato das culturas de células. Além disso, deveremos ter uma etapa de síntese artesanal de um meio de cultivo realisticamente eficiente. Obviamente, utilizaremos nossos conhecimentos e linguagem atuais sobre cultivo de células, de modo a podermos perfazer o circuito que desejamos entre imagem e memória reflexiva.

Outra dimensão que deve ser levada em consideração é a atitude emocional e religiosa dos operadores, que aparentemente tinham uma preocupação com o momento astrológico das atividades e consideravam a oração continua como parte do processo: “Ora lege lege lege relege labora et invenies”[1]. No entanto, não nos ateremos aos fatores afetivo-religiosos em nosso protocolo, buscando apenas coerência técnica entre um protocolo de cultivo viável e as imagens do “Mutus Liber” (ROOB A., 1996)[2].

Deixaremos de fora a capa e a primeira prancha, que não parecem estar envolvidas com a descrição técnica. Destacamos em seu significado apenas o despertar para uma visão mais ampla da realidade. Começaremos nosso protocolo, portanto, a partir da prancha 2:

Prancha 2

Prancha 3

Prancha 2-) acima, temos a matéria inicial representada sob a forma de duas crianças e um homem adulto no interior do balão de vidro ou “ovo alquímico”. Veremos adiante que essa representação figura concretamente as fontes iniciais da obra, que provém de corpos humanos. Abaixo vemos um homem e uma mulher, ele em posição de oração e ela como que testando a temperatura que sai pela chaminé do forno que é na verdade uma estufa, sobre a qual já comentamos. Podemos pensar que a maior sensibilidade tátil e a excelente discriminação de cores das mulheres podem ser fatores indispensáveis na falta de termômetros e microscópios, sendo uma recomendação tradicional que a obra seja efetuada por um casal. Veremos que a mulher está com uma roupa diferente a cada imagem sucessiva e que é ela quem realiza as manipulações, ficando o homem mais como um auxiliar braçal. Esta troca de roupas pode nos sugerir a higiene perfeita, tanto do corpo dos operadores quanto dos objetos utilizados, necessária para o cultivo celular, sem a qual teríamos necessariamente contaminações na cultura. Esta necessidade de higiene e de uma matéria inicial limpa e saudável é destacada no início da Obra por diversos alquimistas.

Tal como o médico que purga as entranhas e limpa as sujeiras por meio dos medicamentos, do mesmo modo os nossos corpos devem ser purgados e limpos de todas as impurezas a fim de que, na nossa geração, o que é perfeito possa produzir operações perfeitas[…] (BASÍLIO VALENTIN apud ZALBIDEA et al., 1980)

 

Prancha 4

 Prancha 5

Nas pranchas com vários quadros (4, 5 e 6), estes serão nomeados como a,b,c,d,e,f. A leitura será feita de cima para baixo e da esquerda para a direita, conforme a escrita ocidental.

Prancha 4-) A formulação do meio de cultura ou Mercúrio dos Filósofos: a) A água de orvalho é despejada no jarro de destilação. b) A água de orvalho é destilada desprezando-se a parte inicial, a “cabeça do corvo”, que conterá uma mancha enegrecida com as substâncias voláteis diluídas no orvalho. Apenas a parte secundária deverá ser destilada e aproveitada. c) O sangue coletado dos operadores é aquecido até que se volatilize toda a parte líquida (Mercúrio volátil) restando apenas a parte sólida calcinada, seca sem queimar (Enxofre sólido). A seguir, repõe-se o líquido com a água de orvalho destilada, obtendo-se um meio de cultura esterilizado pelo calor e com todos os nutrientes necessários, porém sem células vivas: o Mercúrio Filosofal. Este meio de cultura é colocado em uma garrafa de cultivo juntamente com quatro pedaços da “Matéria Inicial”, cuja origem nos é mostrada no quadro seguinte. d) Aqui é mostrada claramente a origem da “Matéria Inicial” dos alquimistas. Trata-se das quatro extremidades do fêmur (epífises) de uma criança recém-morta, colocadas em uma garrafa por um homem de aspecto selvagem com o crescente do Islã no peito (ossos de crianças pagãs?). As extremidades do fêmur de bebês ou de fetos abortados seriam fontes abundantes de medula óssea e, portanto, das chamadas células-tronco pluripotentes, aquelas que ainda são totalmente indiferenciadas. Estas células seriam extremamente vigorosas, ainda possuindo longos telômeros[4] devido à sua juventude, e muito adequadas à terapia celular visando rejuvenescimento e regeneração. Se ao leitor essa correlação entre a figura e a utilização de ossos de bebês parece forçada, então talvez uma figura mais explícita o convença.  Trata-se de uma ilustração do tratado alquímico “Aurora Consurgens”, do século XIV.

Figura 4 – mulher parindo. “Aurora Consurgens” (ROOB, 1996, p.80)

Vemos na figura 4 a representação nua e crua de uma mulher (uma freira?) que acaba de parir ou abortar, oferecendo seu bebê ou feto em uma pequena trouxa para o signo de Leão, cujo astro, o Sol, é símbolo do ouro alquímico. Temos, porém, a mais explícita das declarações em um compêndio anônimo de textos medievais alquímicos publicado no século XVII:

Considero o grão metálico como a medula dos ossos…Nos ossos há também medulas de diferentes espécies, a melhor está no tubo dos ossos, e a outra, menos perfeita, está nas suas extremidades…esta porém está a caminho da perfeição da melhor medula; pois este osso esponjoso é coberto por uma cartilagem, e essa cartilagem é acompanhada de glândulas mucilaginosas, nas quais se coze e prepara a sinóvia, que, sob certos aspectos pode ser vista como uma matéria prima das cartilagens e da medula (anônimo, 2006).

Admirável rebuscamento e meticulosidade na descrição da medula óssea da diáfise dos ossos, contendo células medulares prontas, diferenciadas (“…e a outra, menos perfeita, com células-tronco indiferenciadas, está em suas extremidades…esta porém está a caminho da perfeição da melhor medula;…”) em uma época em que o estudo da anatomia em cadáveres era crime que levava à fogueira!

Nicolas Flamel também é bastante explícito quanto à origem da Obra:

Foram estas as coisas que me obrigaram a pôr essas figuras dessa maneira e num lugar como um cemitério, já que se alguém obtiver o bem inestimável da conquista de este rico velo, que pense como eu, que não se deve manter enterrado o talento de Deus comprando terras e propriedades, que são as vaidades deste mundo, mas que deve socorrer os seus irmãos, recordando-se de que este conhecimento foi adquirido com base nos ossos dos mortos… (FLAMEL apud ZALBIDEA et al., 1980)[5]

Olhando-se a questão deste ângulo, compreende-se o grande interesse de Flamel por um cemitério de crianças e suas doações generosas ao Cemitério dos Inocentes adquirem uma conotação não tão inocente. e) Em uma estufa de gás carbônico artesanal, realiza-se o cultivo da medula óssea de cada uma das cabeças de fêmur, pois há lugar na estufa para quatro frascos de cultivo. Inicialmente deve-se remover toda a medula por meios mecânicos, utilizando-se qualquer instrumento pontiagudo esterilizado no fogo, e colocar o tecido semelhante a sangue espesso em solução no meio nutriente previamente preparado com o precipitado de sangue, plasma e a água destilada. Guardam-se os ossos já limpos de medula para sua utilização em fase posterior (Prancha 5, quadro f). O meio de cultura deve ser trocado constantemente e após algum tempo as células terão formado duas populações: uma, aderente, no fundo do frasco; as chamadas células estromais ou fibroblastóides; e outra população de células não aderentes, as células precursoras de células sanguíneas, ou hematopoiéticas. Quando as células aderentes atingirem confluência, ou seja, quando cobrirem todo o fundo do frasco, é o momento de coletá-las e fazer o repique em baixa densidade, para obter as unidades formadoras de colônias fibroblastóides (CFU-F), que são identificadas como colônias circulares de células no fundo do frasco de cultivo (Kern et al., 2006).

Prancha 5-) a) Um passo interessante se delineia aqui, pois trata-se da preparação de um meio de cultura feito com as células sobrenadantes do cultivo acima descrito. Primeiramente despeja-se o líquido sobrenadante dos quatro frascos de cultivo em outro frasco, repondo-se o meio nutriente novo para as células aderentes. b) Coloca-se o meio retirado com as células em suspensão no destilador. c) O meio é destilado em alta temperatura até aparecer um coágulo de células. d) Após a esterilização e coagulação, repõe-se a fase líquida coletada no destilador e separa-se o meio esterilizado, fase líquida e sólida reunidas, em outro frasco. e) Este meio é entregue ao personagem solar, significando que só será utilizado na segunda parte da Obra: a transmutação biológica de metais em ouro. f) As quatro cabeças de fêmur limpas que haviam sido separadas anteriormente, serão fervidas em água para retirada do colágeno, que será utilizado como substrato na próxima fase.

Prancha 6

Prancha 7

Prancha 6-) a) Verte-se o colágeno dissolvido com as epífises em uma bandeja. Este colágeno formará um substrato macio no fundo do frasco de cultivo, favorecendo a quiescência (não diferenciação) das células tronco (WINER et al., 2009). b) O meio de cultura novo contendo colágeno é filtrado em lã; esterilizada por fervura; sobre um funil, para retirar eventuais fragmentos de osso. c) O meio é esterilizado em alta temperatura. d) O meio de cultivo esterilizado contendo substrato de adesão (colágeno gel) é cuidadosamente colocado em um frasco de cultivo em que são também colocadas as colônias de células aderentes (CFU-F) do cultivo anterior. e) Este frasco de cultivo, contendo as células aderentes dos quatro frascos do cultivo anterior, deverá ter seu meio de cultura periodicamente trocado, realizando-se a lavagem das células que estarão aderidas no substrato de colágeno até que se perceba uma população de células fibroblastóides sobreposta por uma colônia de células-tronco que iniciam o processo de osteogênese, ou diferenciação em células ósseas, indicando a presença de células-tronco pluripotentes na cultura (a criança clara com a mão na boca do adulto vermelho) que deverão com o tempo atingir confluência na camada superior (branqueamento, o adulto e a criança brancos após serem lavados com meio de cultura). Também periodicamente deverá ser feito o repique das células quando estas atingem confluência, o que é figurado como a espada cortante na mão do homem, voltada para o frasco de cultivo. O repique consiste na fragmentação da cultura em novos frascos contendo meio com colágeno, evitando-se a superpopulação e o início da diferenciação “in vitro” das células-tronco.

Prancha 7-) Acima, vê-se aqui a ampola de vidro contendo as células prontas para uso, provavelmente diluídas em solução fisiológica salina, simbolizadas pelo deus Mercúrio. As dez serpentes do caduceu de Mercúrio podem ser lidas como dez doses de células derivadas do processo descrito, utilizando-se as quatro extremidades do fêmur de uma criança. Abaixo, o balão de vidro fechado contendo as células-tronco é mantido na estufa padrão, com calor constante e atmosfera saturada de gás carbônico, devendo o casal de operadores vigiar constantemente a uniformidade, a adequação da temperatura e a vitalidade da cultura, que deverá ser descartada se apresentar sinais de deterioração.

Terminamos aqui a primeira etapa da Obra: a confecção do Elixir da Longa Vida. As mesmas células serão utilizadas na segunda etapa.

É importante esclarecer que este esboço de protocolo tem apenas o detalhamento necessário para que o discurso do cultivo contemporâneo de células se componha harmoniosamente com as imagens. Um protocolo real deverá ter uma miríade de ajustes e detalhes que só poderiam ser determinados com a prática, não sendo nosso objetivo aqui estabelecer se este esboço que propusemos poderia ou não obter sucesso em um cultivo real.

A Transmutação Alquímica dos Metais

A comunidade acadêmica relutou muito em reconhecer a validade dos experimentos de C. L. Kervran e George Ohsawa, que foram os primeiros cientistas a demonstrar experimentalmente que sistemas vivos realizavam rotineiramente, como parte de suas funções fisiológicas, a transmutação de elementos (KERVRAN, 2011). Seus experimentos foram repetidos e, apesar de alguns deles terem sido descartados em face de novos fatos científicos que os invalidavam, outros demonstraram resultados consistentes, tais como os experimentos envolvendo a criação de Cálcio (Ca) por plantas a partir da transmutação do Potássio (K) (KERVRAN, 1982). Porém, Kervran e os cientistas que seguiram sua linha de trabalho trabalhavam com medidas em organismos multicelulares, plantas ou animais, e não com cultivo celular. O impulso neste sentido veio dos experimentos de fusão a frio, fenômeno que envolve a transmutação de elementos em níveis baixos de radioatividade e calor. Este campo de estudos foi ofuscado pelo campo do conhecimento de fusões de altíssima radiação, concretizado nos estudos que redundaram na bomba atômica. O campo muito mais pacífico das fusões a frio ficou durante muito tempo restrito a pequenos grupos de pesquisa com poucas verbas e equipamentos e, no entanto, passos importantes foram dados nos sentido de aperfeiçoar esta tecnologia para a produção limpa de energia (NAGEL, 2011).

Um ramo de estudos das fusões a frio envolve as transmutações biológicas efetivadas por culturas de micro-organismos unicelulares tais como leveduras e bactérias, as quais tem a capacidade de potencializar tremendamente a transmutação de metais pesados em elementos mais leves, sendo muito úteis na inativação de resíduos radioativos. Um experimento bastante impressionante neste sentido é o que demonstra rigorosamente a transmutação de Manganês em Ferro por uma cultura mista de bactérias (VYSOTSKII; KORNILOVA, 2011). Visto que tanto bactérias, que são procariontes (sem núcleo organizado), quanto as leveduras, organismos eucariontes (com núcleo organizado), podem realizar a transmutação nuclear de metais, não vemos razão para pensar que poderia ser diferente com células animais cultivadas. Porém, o experimento simplesmente não foi feito e, portanto, tentar seguir aqui o “Mutus Liber” seria puro exercício de imaginação, ao contrário do primeiro protocolo que apresentamos, embasado em conhecimentos práticos e reais.

 

IV. CONCLUSÃO

Estaríamos forçando a realidade se disséssemos que todas as imagens e textos alquímicos encaixam-se na hipótese aventada neste trabalho. Existe toda uma linha de entendimento sobre a alquimia, a partir do séc. XVII, que trabalha com as chamadas “quintessências” de elementos minerais vegetais e animais. Esta corrente inicia-se com Paracelso e acaba por resultar nos trabalhos que criaram a homeopatia e os florais, já no séc. XIX. Os textos clássicos mais antigos, porém, encaixam-se quase que invariavelmente na abordagem que descrevemos. Ainda assim, não estamos preocupados se desvendamos neste trabalho a verdade histórica. Em realidade, a verdade histórica nos interessa muito pouco, visto que ela não poderá nunca ser absolutamente comprovada. O passado permanece em nossa memória e é nela que devemos procurar os recursos para esclarecer nossas ações presentes. Interessa-nos, portanto, não a verdade, mas sim a conectividade fecunda que um conhecimento histórico pode estabelecer com nossas escolhas.

Na medida em que podemos formar circuitos criativos e funcionais com os objetos que o passado distante nos legou, isso nos basta. O circuito aqui experimentado demonstra-se harmonioso e plausível: assim como o cultivo celular pode esclarecer e dar coerência às imagens e textos alquímicos, estes podem atuar como uma didática do cultivo celular artesanal, sugerindo técnicas e procedimentos que ainda não foram experimentados pela ciência atual, deflagrando um ciclo virtuoso que só pode trazer avanços para o saber científico.

Dentre as possíveis ramificações futuras deste trabalho poderíamos destacar: os experimentos com meios de cultura artesanais feitos a partir de plasma e sangue, a construção de estufas de cultivo de células que dispensem o uso de energia elétrica e a elaboração de protocolos práticos de cultivo passíveis de serem executados com mínima infraestrutura. A experimentação com transmutação de elementos em cultivo de células tronco é também uma vertente muito interessante ainda inexplorada pela ciência oficial. É necessário enfatizar que, a abordagem interdisciplinar que utilizamos, demonstra ser um instrumento poderoso para estabelecer correlações fecundas entre assuntos aparentemente distantes, possibilitando sua aplicação em outras esferas de conhecimento além das que aqui abordamos.

 

Bibliografia

ALMEIDA, M. J. Cinema, Arte da Cidade. Pro-Posições (Unicamp), Campinas-SP, v. 10, n.1, p. 158-162, 1999.

ANÔNIMO. O Grande Tratado da Alquimia. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

BERGSON, H. Matter and Memory. 8ª ed. Nova York: Zone Books, 1991.

BRITO, H. ET AL. Tratamento de sequelas neurológicas em cães, causadas por infecção pelo vírus da cinomose, através do transplante alogênico de células mononucleares de medula óssea. Medvep, Curitiba, v. 8, n. 24, p. 26-29, 2010.

FLAMEL, N. O Livro das Figuras Hieroglíficas. São Paulo: Ed. Três, 1973.

KERN, S. ET AL. Comparative Analysis of Mesenchymal Stem Cells from Bone Marrow, Umbilical Cord Blood, or Adipose Tissue. Stemcells, USA, 24, p. 1294–1301, 2006.

KERVRAN, L. Biological Transmutations and Modern Physics. 1ª ed. Paris: Maloine S.A. Publisher, 1982.

KERVRAN, L. Biological Transmutations. 2ª ed. California: G.O.M Foundation, 2011.

MIRANDA, C. E. A. Uma educação do olho: as imagens na sociedade urbana, industrial e de mercado. Cad. CEDES [online]. v. 21, n. 54, p. 28-40, 2001.

MIRANDA, C. E. A. Orbis Pictus, Jean Amos Comenius. Pro-Posições, Campinas, 22, v. 3, n. 66, p. 197-205, 2011.

NAGEL, D. J. Hot and Cold Fusion for Energy Generation. Journal of Condensed Matter Nuclear Science, São Francisco (USA), 4, p. 1–16, 2011.

ROOB, A. Das Hermetische Museum, Alchemie & Mystik. 1ª ed. Koln: Taschen, 1996.

SANTOS, M. R. Injeção de Células Mononucleares de Medula-óssea em Camundongos Idosos. Dissertação (Mestrado em Fisiopatologia Médica) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010.

YATES, F. A Arte da Memória. 2ª ed. Campinas: Editora Unicamp, 2013.

VYSOTSKII, V. I.; KORNILOVA, A. A. Low-energy Nuclear Reactions and Transmutation of Stable and Radioactive Isotopes in Growing Biological Systems. Journal of Condensed Matter Nuclear Science, San Francisco (USA), 4, p. 146–160, 2011.

WINER, J. P.; et al. Bone Marrow-Derived Human Mesenchymal Stem Cells Become Quiescent on Soft Substrates but Remain Responsive to Chemical or Mechanical Stimuli. Tissue Engineering, Pensylvannia (USA), v. 15, n. 1, p. 147-154, 2009.

ZALBIDEA, V.; et al. Selecção de textos: Alquimia e Ocultismo. 1ª ed. Lisboa: Edições 70, 1980.

 

Recebido em: 15/10/2018

Aceito em: 15/11/2018


[1] Biólogo, Mestre em Fisiopatologia Médica e Doutor em Educação. Laboratório OLHO – FE/Unicamp E-mail: jorgeodragao@yahoo.com.

[2] Graduado em Educação, Mestre em Educação e Doutor em Educação. Laboratório OLHO – FE/Unicamp E-mail: ceamiranda@gmail.com.

[3] Biólogo, Doutor em Clínica Médica. CEMIB/Unicamp  E-mail: marcus@cemib.unicamp.br.

[4] Conjunto de células precursoras semi-diferenciadas e células-tronco indiferenciadas.

[5] “Ora, lê, lê, lê, relê, trabalha e encontrarás”. Frase final do “Mutus Liber” (Roob A, 1996).

[6] As Pranchas de 2 a 7 são da versão do “Mutus Liber” contida no Hermetische Museum (Roob, 1996, pp.380-384).

[7] No Hemisfério Norte.

[8] Os telômeros podem ser definidos como uma proteção física contra mutações nas extremidades do DNA cromossômico. A diminuição gradativa dos telômeros é característica do envelhecimento.

[9] Flamel se refere às figuras alquímicas pintadas no arco da Igreja dos Inocentes, doado por ele.

Fonte:
ClimaCom – Inter/Transdisciplinaridade, ANO 05 – N13 – ISSN 2359-470

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-biologia-na-alquimia-correlacoes-para-uma-educacao-alquimica/

A Sabedoria Espiritual de Harry Potter?

Por Christopher Penczak.

Com o sétimo e último livro de Harry Potter, Harry Potter e as Relíquias da Morte de J.K. Rowling, sendo lançada em breve, está crescendo muito interesse na mídia e no público sobre magia, bruxaria e feitiçaria. Sendo um bruxo publicamente e um autor, muitas vezes me perguntam quão “real” é o mundo de Harry Potter. As crianças vão para um internato mágico, voam pelo ar e enfrentam todos os tipos de criaturas sobrenaturais. Quão real você acha que é? Mas o que eles realmente querem dizer é: quão real, quão precisa, é a magia apresentada na série Harry Potter?

Embora eu esteja feliz em saber que a popularidade da série Harry Potter está fazendo as pessoas lerem e fazendo as pessoas se interessarem por magia, lamento informar que a magia de Harry Potter não é muito real. Sim, eu sei que é um filme, e a magia do cinema, mesmo a mais respeitosa magia do cinema, tem que ter um pouco de força extra. As pessoas querem ver relâmpagos e bolas de fogo voando das pontas dos dedos, mesmo que eu não conheça nenhuma bruxa ou bruxo vivo que possa fisicamente realizar tais atos. É parte da emoção do filme, e nossos épicos de espada e bruxaria devem ser capazes de competir com lasers, sabres de luz e outros efeitos especiais espetaculares.

Também sei que parte da tradição está correta (até certo ponto), pelo menos no sentido histórico. Em Harry Potter e a Câmara Secreta, quando a turma de Hogwarts estava transplantando a mandrágora, eles ensinaram corretamente que o grito da mandrágora é perigoso, grita quando é desenraizado, e que precauções especiais são necessárias. No livro, eles usavam protetores de ouvido para abafar o som. Na Europa Medieval, eles supostamente amarravam um cachorro na raiz e colocavam a carne fora do alcance do cachorro, para que quando ele puxasse para pegar a carne, ele arrancasse a mandrágora, recebesse seu grito mortal e fosse morto. A mandrágora então se tornaria inofensiva e estaria disponível para ser usada como um poderoso amuleto. Embora, que eu saiba, nenhuma variedade de mandrágoras literalmente grite quando é desenraizada, tais rituais são um conhecimento remanescente de como apaziguar o espírito da planta, com quem você deve fazer parceria para fazer sua magia.

Trabalhar com os espíritos e a espiritualidade da magia é o que realmente falta no trabalho de J.K. Rowling. Em um esforço para tornar a magia excitante e mais palatável para o leitor moderno (que assume que a magia não tem nada a ver com religião ou espiritualidade), as ricas tradições espirituais históricas da magia são esquecidas e todo um corpo de conhecimento que poderia ser extraído para aprofundar o mundo de Harry Potter é deixado de lado.

Ironicamente, grupos cristãos conservadores nos Estados Unidos acusaram os livros de Harry Potter e J.K Rowling de promover bruxaria em crianças. Como uma bruxa, eu teria que discordar. Enquanto os filmes podem estimular o interesse em bruxaria e magia, a magia retratada neste mundo não é nada parecida com a minha. Se você entrar na Wicca, Magia Cerimonial, ou qualquer forma de magia moderna pensando que você será o Diretor Dumbledore ou a Professora McGonagall (com seus usos explícitos de magia), você ficará realmente desapontado. Para alguns, eles verão o que está faltando em Harry Potter e presente em nossas tradições, e olharão para o espírito da magia.

Embora a magia seja uma ciência para muitos de nós, porque existem padrões e teorias repetidos, também é uma tradição espiritual. Uma das primeiras definições que aprendi de bruxaria é que é “ciência, arte e religião”. Muitas tradições de magia, incluindo as tradições de magia cerimonial mais intelectuais e educadas, enfatizam o lado espiritual da magia, se não o lado abertamente religioso. Para muitos de nós, os talentos mágicos são considerados presentes dos deuses, e talentos específicos indicam aqueles abençoados por deuses específicos. Ao falar com um leigo sobre magia e feitiços, os feitiços são frequentemente descritos como uma forma de oração, petição ou súplica às forças divinas que governam uma área específica da vida. Se o feitiço for bem sucedido, a oração foi respondida. Outros vêem isso como uma parceria espiritual com essas forças, não necessariamente uma súplica. Em ambos os casos, trata de forças divinas sobrenaturais e imanentes com as quais o mago se comunica para criar mudanças.

O mundo de Harry Potter perpetua o que chamo de abordagem química da magia. Se você simplesmente fizer a coisa certa – as palavras e a pronúncia certas, o gesto certo, os ingredientes e o tempo exatos, obterá o mesmo resultado. Os magos sabem que você pode pronunciar palavras incorretamente e ainda ter ótimos resultados se tiver energia e vontade suficientes por trás de sua magia, e você pode pronunciá-las tecnicamente corretamente e ainda assim falhar. Magia é uma arte assim como uma ciência e algo que desafia a reprodução.

Muitas tradições de magia também colocam um código moral na magia. Na Wicca, temos a Rede Wicca: “E não prejudique ninguém, faça o que quiser”. Acreditamos que o que você faz, bom, mau ou não, retorna a você três vezes. Não é um julgamento ou código moral do universo, mas um mecanismo do universo, como a gravidade. Mas os resultados disso nos ajudam a criar uma experiência mágica mais agradável. Outras tradições têm tradições semelhantes de carma e colhendo o que você planta. Muitos magos seguem uma das numerosas variações da Regra de Ouro, popularizada pelo Cristianismo, para “[fazer] aos outros o que você teria feito a você”. Embora a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts tenha muitas regras, o mesmo conceito de ética e moralidade mágica não é mantido fortemente. Os personagens estão sempre se esforçando para fazer o que é bom e certo pela virtude de serem heróis, mas a moralidade não é realmente ensinada como parte de uma tradição espiritual mágica, levando alguns dos alunos (como Draco Malfoy e seus companheiros) a serem menos moral do que os personagens principais. Nem todo mundo pode ser um herói, e esses personagens fornecem um contraponto interessante aos heróis da história.

Enquanto, no livro, Hogwarts é uma escola de magia, bruxaria (witchcraft) e feitiçaria (wizardry), os nomes geralmente são usados ​​para denotar praticantes femininos e masculinos de magia. As meninas são bruxas (witches) e os meninos são bruxos (wizards). No mundo moderno, os homens adotarão o nome de bruxa tão prontamente quanto as mulheres, não de bruxo (wizard) e certamente não de bruxo warlock (já que bruxo warlock é geralmente considerado um termo depreciativo pelos bruxos modernos). As mulheres geralmente não usam o termo maga, mas podem ser magas cerimoniais. Elas podem ser magas, feiticeiras e encantadoras se esses termos os atraírem. A bruxaria moderna tem um forte traço feminista, enfatizando a igualdade (se não a superioridade) das mulheres, e um lugar de destaque para o feminino divino como Deusa e mãe de Deus, bem como posições de liderança para as mulheres. Embora existam professoras e personagens femininas, particularmente a muito inteligente e capaz Hermione Granger, o mundo de Harry Potter não tem a mesma sabedoria feminina divina que o mundo da bruxaria moderna aspira.

Alguns dos aspectos do mundo de Harry que estão de acordo com a magia moderna incluem a ideia dos trouxas. Um trouxa é uma pessoa não-mágica, e na verdade se refere a alguém como sendo de um sangue diferente, enquanto muitas das famílias mágicas tentam permanecer puro-sangue. Tais idéias também são encontradas nas tradições de bruxaria do velho mundo, com o conceito de “sangue bruxo”. Algumas bruxas acreditam que são descendentes das raças mais antigas de seres, incluindo os deuses celtas, o povo das fadas/elfos, ou a raça dos anjos caídos conhecidos como os Vigilantes. A magia foi transmitida nas tradições familiares porque também estava no sangue. As bruxas modernas chamaram não bruxas de cowans, inicialmente um termo que se refere a um pedreiro sem licença, aquele que não foi iniciado na guilda. As bruxas tradicionais britânicas, particularmente aquelas que seguem uma tradição estrita de bruxaria gardneriana ou alexandrina, considerarão todos aqueles não iniciados em uma tradição adequada como cowans. Eu pessoalmente odeio ambos os termos, trouxa e cowan, pois eles implicam que algumas pessoas não são mágicas. Penso que somos todos magos, e que aqueles que chamamos de cowans ou trouxas simplesmente ainda não aprenderam ou não são chamados a reconhecê-lo. Eles ainda são seres divinos e mágicos do jeito que são. Os termos vêm da nossa necessidade de nos sentirmos especiais e superiores aos outros. Essa ideia está em Harry Potter e na magia moderna, infelizmente.

Nos livros, Hogwarts enfatiza o estudo e a disciplina como uma parte importante do treinamento mágico, e devo concordar. Eu acredito que enquanto certas pessoas são talentosas em magia, talvez sendo do sangue de bruxa, qualquer um pode aprender a fazer magia se eles se dedicarem a isso. É preciso educação, treinamento e prática, mas a magia é uma habilidade como qualquer outra, e pode ser desenvolvida com o tempo. Você pode não ser um bruxo ou bruxa de classe mundial, mas pode usar feitiços simples e meditação para melhorar sua vida consideravelmente.

Por fim, o mundo de J.K. Rowling não tem nenhuma ideia tola de que a magia só pode ser usada por pessoas boas, ou para bons propósitos. Magia é uma energia, ou talvez uma maneira de manipular a energia, as forças invisíveis do universo. As pessoas usam para o bem. As pessoas usam para o mal. As pessoas usam para conseguir o que querem. As pessoas usam para ajudar os outros. Existe um espectro de usos para a magia e todos eles, independentemente de suas intenções, têm consequências. Magia nos ensina a assumir responsabilidade, a enfrentar as consequências de todas as nossas ações.

Quando as pessoas me perguntam sobre a realidade da série Harry Potter, depois de falar sobre alguns desses pontos, sugiro que tomem Harry Potter pelo que é: uma história. Apreciá-lo. Toda a série é divertida e provavelmente se tornará um clássico. Cada livro fica um pouco mais profundo e sério, crescendo à medida que a criança cresce lendo-os. E eles são muito divertidos para os adultos também, incluindo bruxas, feiticeiros, magos e pagãos. Mas não confunda um livro ou filme com as profundas tradições espirituais de bruxaria e magia.

Enquanto O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia, ambos clássicos recentemente transformados em filmes, têm associações cristãs devido à fé de seus autores, ninguém os confunde com manuais de como praticar o cristianismo. Enquanto J. K. Rowling está escrevendo sobre bruxaria, ela não está escrevendo da perspectiva de uma bruxa moderna, então não espere que seja um livro de prática preciso. Se você está procurando por ficção que ensine magia, sugiro a leitura da obra de Dion Fortune, como seu livro A Sacerdotisa do Mar, quando terminar a série Harry Potter. Ela é divertida e esclarecedora, e abre um verdadeiro caminho para os mistérios da magia.

***

Sobre o autor:

Christopher Penczak é um bruxo, professor, escritor e praticante de cura. Ele é o fundador do mundialmente famoso Temple of Witchcraft (Templo da Bruxaria) e do Temple Mystery School (Escola de Mistério do Templo), e é o criador dos livros e CDs de áudio mais vendidos do Temple of Witchcraft. Christopher é um ministro ordenado, servindo as comunidades pagãs e metafísicas de New Hampshire e Massachusetts por meio de rituais públicos, conselhos particulares e ensino. Ele também viaja extensivamente e ensina em todos os Estados Unidos. Christopher mora em New Hampshire.

http://www.christopherpenczak.com

***

Fonte:

The Spiritual Wisdom of Harry Potter?, by Christopher Penczak.

COPYRIGHT (2007) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/a-sabedoria-espiritual-de-harry-potter/

A Grandeza do Viṣṇu Purāṇa

Capítulo VIII do Livro VI do Viṣṇu Purāṇa.

Conclusão do diálogo entre Parāśara e Maitreya. Recapitulação do conteúdo do Viṣṇu Purāṇa: mérito de ouvi-lo: como foi transmitido. Louvores a Viṣṇu. Concluindo a oração.

Tenho agora explicado a vós, Maitreya, o terceiro tipo de dissolução do mundo, ou seja, a libertação e a resolução em espírito eterno[1]. Relacionei a vós a criação primária e secundária, as famílias dos patriarcas, os períodos dos Manvantaras e as histórias genealógicas (dos reis). Repeti a vocês, em suma, que estavam desejosos de ouvir, o imperecível Vaiṣṇava Purāṇa, que é destrutivo de todos os pecados, o mais excelente de todos os escritos sagrados, e os meios para alcançar o grande fim do homem. Se há mais alguma coisa que você deseja ouvir, proponha sua pergunta, e eu a responderei.

Maitreya disse:-

Santo mestre, você realmente me contou tudo o que eu desejava saber, e eu o escutei com piedosa atenção. Não tenho mais nada a perguntar. As dúvidas inseparáveis da mente do homem foram todas resolvidas por você, e através de suas instruções conheço a origem, a duração e o fim de todas as coisas; com Viṣṇu em sua quádrupla forma coletiva[2]; suas três energias[3]; e com os três modos de apreender o objeto de contemplação[4]. De tudo isso adquiri um conhecimento através de seu favor, e nada mais é digno de ser conhecido, quando se compreende que o Viṣṇu e este mundo não são mutuamente distintos. Grande Muni, obtive por sua bondade tudo o que desejava, a dissipação de minhas dúvidas, já que o senhor me instruiu nos deveres das diversas tribos, e em outras obrigações; a natureza da vida ativa, e a descontinuidade da ação; e a derivação de tudo o que existe das obras. Não há mais nada, venerável Brahman, que eu tenha que perguntar a você; e me perdoe se suas respostas às minhas perguntas lhe impuseram algum cansaço. Perdoe-me o incômodo que lhe dei, através dessa qualidade amável do virtuoso – que não faz distinção entre um discípulo e uma criança.

Parāśara disse:-

Relacionei a vocês este Purāṇa, que é igual aos Vedas em santidade, e por ouvir que todas as faltas e pecados, quaisquer que sejam, são expiados. Nisto foram descritas a vocês a criação primária e secundária, as famílias dos patriarcas, os Manvantaras, as dinastias reais; os deuses, Daityas, Gandharvas, serpentes, Rākṣasas, Yakṣas, Vidyādharas, Siddhas e ninfas celestiais; Munis dotados de sabedoria espiritual, e praticantes de devoção; as distinções das quatro castas, e as ações das mais eminentes entre os homens; lugares santos na terra, rios e oceanos sagrados, montanhas sagradas, e lendas dos verdadeiramente sábios; os deveres das diferentes tribos, e as observâncias ordenadas pelos Vedas. Ouvindo isto, todos os pecados são imediatamente apagados. Nisso também foi revelado o glorioso Hari, a causa da criação, preservação e destruição do mundo; a alma de todas as coisas, e ele mesmo todas as coisas: pela repetição de cujo nome o homem é sem dúvida liberado de todos os pecados, que voam como lobos assustados por um leão. A repetição de seu nome com fé devota é o melhor removedor de todos os pecados, destruindo-os enquanto o fogo purifica o metal da escória. A mancha da era Kali, que assegura aos homens punições afiadas no inferno, é imediatamente apagada por uma única invocação de Hari. Aquele que é tudo isso, o ovo inteiro de Brahmā, com Hiraṇyagarbha, Indra, Rudra, os Ādityas, os Aswins, os ventos, os Kinnaras, os Vasus, o Sādhyas, Viśvadevas, os deuses celestiais, as serpentes Yakṣas, Rākṣasas, os Siddhas, Daityas, Gandharvas, Dānavas, ninfas, as estrelas, asterismos, planetas, os sete Ṛṣis, os regentes e superintendentes dos bairros, homens, brâmanes e os demais, animais domesticados e selvagens, insetos, aves, fantasmas e duendes, árvores, montanhas, bosques, rios, oceanos, as legiões subterrâneas, as divisões da terra e todos os objetos perceptíveis – aquele que é tudo, que conhece todas as coisas, que é a forma de todas as coisas, estando sem forma a si mesmo, e de quem tudo o que é, desde o monte Meru até um átomo, tudo consiste – ele, o glorioso Viṣṇu, o destruidor de todos os pecados – está descrito neste Purāṇa. Ouvindo este Purāṇa se obtém uma recompensa igual àquela que é derivada da realização de um sacrifício Aśvamedha, ou do jejum nos lugares santos Prayāga, Puṣkara, Kurukṣetra, ou Arbuda. Ouvindo este Purāṇa, mas uma vez é tão eficaz quanto a oferta de oblações em um fogo perpétuo por um ano. O homem que com paixões bem governadas toma banho em Mathurā no décimo segundo dia do mês Jyeṣṭha[5], e contempla (a imagem de) Hari, obtém uma grande recompensa; também aquele que com a mente fixada em Keśava recita atentamente este Purāṇa. O homem que se banha nas águas do Yamunā no décimo segundo almoço da quinzena de luz do mês em que a lua está na mansão Jyeṣṭhā, e que jejua e adora Achyuta na cidade de Mathurā, recebe a recompensa de um ininterrupto Aśvamedha. Contemplando o grau de prosperidade desfrutado por outros de eminência, através dos méritos de seus descendentes, os antepassados paternos de um homem, seus pais e seus pais, exclamamam, “Quem de nossos descendentes, tendo tomado banho no Yamunā e jejuado, adorará Govinda em Mathurā, na quinzena de luz de Jyeṣṭha, garantirá para nós exaltação eminente; pois seremos elevados pelos méritos de nossa posteridade”! Um homem de boa extração apresentará bolos obsequiosos a seus afortunados antepassados no Yamunā, tendo venerado Janārddana, na quinzena luz de Jyeṣṭha. Mas o mesmo grau de mérito que um homem colhe frente adorando Janārddana naquela época com um coração dedicado, e de tomar banho no Yamunā, e efetuando a libertação de seus progenitores oferecendo-lhes em tal ocasião bolos obsequiais, ele deriva também de ouvir com igual devoção uma seção deste Purāṇa. Este Purāṇa é o melhor de todos os conservantes para aqueles que têm medo da existência mundana, um certo alívio do sofrimento dos homens, e a remoção de todas as imperfeições.

Este Purāṇa, originalmente composto pelo Ṛṣi (Nārāyaṇa), foi comunicado por Brahmā a Ribhu; ele o relacionou com Priyavrata, por quem foi transmitido a Bhāguri. Bhāguri o recitou ao Tamasitra[6], e ele ao Dadīca, que o entregou ao Sāraswata. Do último Bhrigu o recebeu, que o transmitiu a Purukutsa, e ele o ensinou a Narmadā. A deusa a entregou a Dhritarāṣṭra, o rei Nāga, e a Purāṇa da mesma raça, por quem ela foi repetida a seu monarca Vāsuki. Vāsuki a comunicou a Vatsa, e ele a Āswatara, de quem ela prosseguiu sucessivamente para Kambala e Elapatra. Quando o Muni Vedaśiras desceu para Pātāla, ele lá recebeu todo o Purāṇa destes Nāgas, e o comunicou ao Pramati. Pramati o consignou ao sábio Jātukarṇa, e ele o ensinou a muitas outras pessoas santas. Através da bênção de Vaśiṣṭha, veio ao meu conhecimento, e eu agora, Maitreya, fielmente o transmiti a você. Você o ensinará, no final da era Kali, a Śamīka[7]. Quem ouvir este grande mistério, que remove a contaminação do Kali, será libertado de todos os seus pecados. Aquele que ouve isto todos os dias se absolve de suas obrigações diárias para com os ancestrais, os deuses e os homens. O grande e raramente alcançável mérito que um homem adquire pelo dom de uma vaca marrom, ele deriva de ouvir dez capítulos deste Purāṇa[8]. Aquele que ouve todo o Purāṇa, contemplando em sua mente Achyuta, que é tudo, e de quem tudo é feito; que é a permanência do mundo inteiro, o receptáculo do espírito; que é o conhecimento, e o que deve ser conhecido; que não tem começo nem fim, e o benfeitor dos deuses – obtém certamente a recompensa que assiste à celebração ininterrupta do rito Aśvamedha. Aquele que lê e mantém com fé este Purāṇa, em cujo início, meio e fim é descrito o glorioso Achyuta, o senhor do universo em cada etapa, o mestre de tudo o que é estacionário ou móvel, composto de conhecimento espiritual, adquire a pureza que não existe em nenhum mundo, o estado eterno de perfeição, que é Hari. O homem que fixa sua mente em Viṣṇu não vai para o inferno: aquele que medita nele considera o gozo celestial apenas como um impedimento: e aquele cuja mente e alma são penetradas por ele pensa pouco no mundo de Brahmā; pois quando presente na mente daqueles cujos intelectos estão livres do solo, ele lhes confere a liberdade eterna. Que maravilha, portanto, é que os pecados de quem repete o nome de Achyuta devam ser apagados? Não deveria ser ouvido falar de Hari, a quem aqueles dedicados a atos adoram com sacrifícios continuamente como o deus do sacrifício; a quem aqueles dedicados à meditação contemplam como primário e secundário, composto de espírito; obtendo a quem o homem não nasce, nem se alimenta, nem está sujeito à morte; quem é tudo o que é, e isso não é (ou ambos causa e efeito); quem, como os progenitores, recebe as libações feitas a eles; quem, como os deuses, aceita as oferendas que lhes são dirigidas; o ser glorioso que não tem princípio nem fim; cujo nome é Svāhā e Swadhā[9]; quem é a morada de todo o poder espiritual; em quem os limites das coisas finitas não podem ser medidos[10]; e quem, quando entra no ouvido, destrói todo o pecado?

Eu o adoro, aquele primeiro dos deuses, Puruṣottama, que é sem fim e sem começo, sem crescimento, sem decadência, sem morte; que é substância que não sabe mudar. Adoro aquele espírito sempre inesgotável; que assumiu qualidades sensatas; que, embora um, tornou-se muitos; que, embora puro, tornou-se como que impuro, ao aparecer em muitas e variadas formas; que é dotado de sabedoria divina, e é o autor da preservação de todas as criaturas. Eu o adoro, que é a única essência e objeto conjunto tanto da sabedoria meditativa quanto da virtude ativa; que é vigilante em proporcionar prazeres humanos; que é um com as três qualidades; que, sem passar por mudanças, é a causa da evolução do mundo; que existe de sua própria essência, sempre isenta de decadência. Eu o adoro constantemente, que tem direito ao céu, ar, fogo, água, terra e éter; que é o doador de todos os objetos que dão gratificação aos sentidos; que beneficia a humanidade com os instrumentos da fruição; que é perceptível, que é subtil, que é imperceptível. Que aquele Hari não nascido, eterno, cuja forma é múltipla, e cuja essência é composta de natureza e espírito, conceda a toda a humanidade aquele estado abençoado que não conhece nem o nascimento nem a decadência!

NOTAS DE RODAPÉ E REFERÊNCIAS:

[1]:

O termo é Brahmāṇi laya, que significa, “um derretimento”, “uma dissolução” ou “fusão”, a partir da raiz, “liquefazer”, “derreter”, “dissolver”.

[2]:

Ou com Viṣṇu, nas quatro modificações descritas na primeira seção, espírito, matéria, forma e tempo: ver p. 9.

[3]:

Ou com Śakti, notado no último capítulo, p. 655.

[4]:

Ou com Bhāvanās, também descrito na seção anterior, p. 654.

[5]:

Este mês também é chamado Jyeṣṭhamūla, que o comentarista explica significar, o mês, cuja raiz ou causa (Mūla) de ser assim chamado é a lua estar cheia na constelação Jyeṣṭhā: mas pode ser assim chamado, talvez, pelo asterismo lunar Mūlā, que está ao lado de Jyeṣṭhā, que também está dentro da passagem da lua pelo mesmo mês.

[6]:

Este nome também é lido Tambamitra. Uma cópia tem Tava-mitrāya, ‘para teu amigo’, como se fosse um epíteto de Dadhīca; mas a construção do verso requer um nome próprio. ‘Bhāguri deu-o a Tambamitra, e ele a Dadhīci’.

[7]:

Uma série diferente de narradores foi especificada no primeiro livro, p. 9.

[8]:

Esta parece ser uma interpolação injudiciosa; não está em todas as cópias.

[9]:

As palavras ou orações empregadas na apresentação de oblações com fogo.

[10]:

O texto tem, ####. Māna comumente significa ‘orgulho’, mas aqui parece mais apropriadamente interpretado por sua importação radical, ‘medir’ as medidas que são para a determinação de coisas mensuráveis não são aplicáveis a Viṣṇu.

***

Fonte: https://www.wisdomlib.org/hinduism/book/vishnu-purana-wilson/d/doc116069.html

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-grandeza-do-vi%e1%b9%a3%e1%b9%87u-pura%e1%b9%87a/

A Gênese Vampírica e o Mito de Caim e Abel

Uma questão que sempre levantou acirrados debates nos círculos estudiosos é a de como a gênese vampírica se vincula ao mito de Caim e Abel. São vários os relatos míticos que tencionam descrever a autêntica origem da linhagem vampírica. Entre muitas culturas, a judaico-cristã também possui algumas versões, mas nenhuma delas está disponível nos textos canônicos. O mesmo processo que filtrou, eliminou e adulterou os documentos produzidos nos meios pré-cristão e cristão primitivo, de tal modo a autorizar os dogmas e doutrinas da ortodoxia católica, também purgou qualquer menção explícita aos vampiros nas narrativas bíblicas. Muito embora a intenção e o empenho da igreja católica fosse o de destruir todos os livros que, de alguma forma, contradissessem a sua compilação diretamente “inspirada” pelo espírito santo, alguns lograram sobreviver e hoje são conhecidos como apócrifos ou escritos proibidos. É num raro e reduzido grupo destes que encontramos os únicos relatos remanescentes sobre vampiros dentro da cultura bíblica. Recentemente a pretensa antiguidade de um livro deste grupo foi negada; estudos históricos e análise de estilo dataram o surgimento do original por volta do século XI. Neste manuscrito, Caim é posto propositalmente como o antepassado mais remoto da linhagem. O intuito disfarçado na elaboração deste livro é compor mais um elemento para a cortina de fumaça que encobre as intenções filosóficas originais das passagens bíblicas. Sendo assim, não merece uma consideração maior.

Meu interesse se volta mais para uma certa versão gnóstica do Livro do Gênese. Esse texto, em sua transcrição copta, foi preservado por uma seita gnóstica cristã minoritária chamada “astanfitas”, pertencente ao mesmo braço herético responsável pelos “ofitas” e “caimitas”. Devido ao número extremamente reduzido de seguidores, esta seita pôde passar incógnita até proximamente o século IX, quanto foi cruel e sigilosamente exterminada nos alvores da inquisição. Antes de assumir suas feições gnósticas, ela fazia parte das dissidências judaicas do período pré-cristão. Surgiu como uma resposta heterodoxa à outra seita cismática que marcou essa época com seu fundamentalismo austero: os essênios. Estes se referiam aos astanfitas como os inimigos da verdade, um título que eles não rejeitavam de todo; já que, revelando notável concordância com os filósofos céticos, pregavam que a certeza é um engano, a dúvida é fundamental; a mente sem ilusão não tem certeza, a inteligência honesta duvida. Mais tarde, resumiriam: “Toda gnose possível é dúvida rigorosa”. A princípio parece um total niilismo e um profundo pessimismo; mas; para eles; uma conduta moral somente poderia ser construída sobre a dúvida alcançada a duras penas. O homem moralmente apto é aquele que pode se responsabilizar por seus atos e um ato é responsável desde que tenha sido executado por livre opção. Contudo, não há o que decidir se a certeza já nos é dada pela verdade. E optar pelo errado não é uma atitude livre, é apenas uma louca inconseqüência. Logo, é legítima somente a decisão que for pautada numa dúvida muito bem estabelecida, pois apenas ela nos provê de opções, a verdade elimina todas. Assim, chegam a um certo humanismo moral, onde desprezam a verdade revelada que tira do homem a responsabilidade por seus atos. A verdade, diziam os astanfitas, produz apenas dois tipos de homens; os imbecis irresponsáveis e os loucos inconseqüentes.

Depois do desaparecimento dos astanfitas, demorou quatro séculos para que surgisse indícios da sobrevivência de algo dos seus manuscritos. Então, na península ibérica, começou a circular, entre os cabalistas, exemplares de textos nitidamente astanfitas vertidos para o árabe. Inafortunamente, nenhuma dessas obras escapou completa do fogo da inquisição, tudo o que nos restou foram poucos fragmentos dispersos, insuficientes para dar idéia geral sobre o que tratava o texto integral do qual provinham. Comentários, inserções e indicações nos tratados de alquimia e cabala do período, quando não são sucintos em demasia, são herméticos em excesso ou propositalmente evasivos.

Após esse breve aparecimento, só no século XX o interesse na gnose astanfita veio a se reacender através de novos e sensacionais achados. Sintomaticamente, duas das mais importantes coletâneas de textos gnósticos vieram à luz em datas quase concomitantes na década de quarenta. Em dezembro de 1945, foram encontrados, num complexo de cavernas no alto Egito, os famosos “manuscritos de Nag Hammadi” que, após superarem mais de trinta anos entraves de todo tipo, puderam contar uma estória diferente do início do cristianismo.

Em março de 1946, foi a vez dos menos conhecidos “manuscritos astanfitas de Hagia Sophia”. Tendo um percurso tão mirabolante e mais antigo que o da primeira descoberta, sua estória começa quando um colecionador, em 1935, doou à igreja de Hagia Sophia, recém transformada em museu, um maço de pergaminhos aos quais não se deu muita importância, pois se tratava na maior parte de homilias e sermões de padres ortodoxos que oficiavam na basílica entre os séculos XIII e XV. Durante mais de dez anos ficaram preteridos no depósito, quando finalmente foi feito um exaustivo trabalho de recuperação, em que as folhas grudadas pelo mofo e umidade foram separadas cuidadosamente uma a uma. Entremeado aos textos eclesiais, encontrou-se um códice em copta com datação mais remota que o restante do material. Era uma legítima compilação astanfita feita provavelmente no quinto ou sexto século.

Quando soube do achado, o colecionador confessou ter adquirido o maço, junto com diversos outros artefatos egípcios, de um ladrão de túmulos no Cairo, pouco antes da primeira guerra. Este lhe contou que os papéis lhe foram passado numa transação arriscada feita com um receptador de Istambul, mas que, antes dele, estiveram em posse de um padre da igreja ortodoxa que, por sua vez, os haviam recebido em confiança de um operário que trabalhou na recuperação de Hagia Sophia após o terremoto de 1894. O vício em ópio, além de outros prazeres mais caros, levou o sacerdote a negociar os documentos com o comerciante desonesto em troca de algum dinheiro que lhe suprisse, pelo menos por uns dias, suas necessidades mais prementes.

Ao que parece, vários dos manuscritos ficaram por muito tempo resguardados da sanha dos inquisidores em recônditos obscuros dentro da sólida construção de Hagia Sophia, sob a custódia de alguns padres simpatizantes ou simplesmente tolerantes da heresia astanfita. Também há rumores de que o faziam em respeito aos projetistas do edifício: o matemático Anthemius de Tralles e o arquiteto Isidorus de Miletus; estes sim – sustentam certas fontes – eram astanfitas praticantes, fato que mantiveram em segredo durante toda vida por razões óbvias. Sobre isso nada podemos afirmar. Seja como for, o encargo foi passado dentro de um círculo restrito de padres, geração a geração. Até que a tomada de Constantinopla pelos turcos no século XV obrigou os padres a esconder, apressadamente, seus livros e documentos em recintos selados, para que não ficassem ao alcance dos pagãos e fossem destruídos. No meio dessas pilhas de papéis ordinários, os manuscritos astanfitas foram inseridos sorrateiramente sem que os outros padres incumbidos da tarefa suspeitassem. A esperança era que logo os invasores seriam expulsos e os documentos novamente recuperados. Tais expectativas não se cumpriram e a basílica não só permaneceu em domínio turco como foi feita mesquita imperial pelo conquistador, o Sultão Mehmet. E assim foram esquecidos por mais de cinco séculos; quando, então, um terremoto abriu uma das câmaras secretas expondo seu conteúdo. A abertura foi descoberta primeiramente por um dos operários que vieram trabalhar na restauração da igreja. Visando obter algum lucro no comércio ilegal de antiguidades, ele extraviou uns poucos pacotes de escritos, enquanto pode manter oculta a passagem para a cela. Quando, no canteiro de obra, começaram a desconfiar de seus estranhos pacotes, supondo que logo seria despedido, lacrou de vez a passagem, pensando poder voltar assim que a situação fosse esquecida. Nesse meio tempo, deixou seu espólio sob guarda de um padre que era seu conhecido para não levantar suspeitas. Seu azar foi que o tal padre não tinha uma vida tão devota e estava sempre desesperado em busca de dinheiro para sustentá-la. Logo, não demorou muito para cair na tentação e vender todos os pacotes no mercado negro de itens antigos. Ele não poderia imaginar o quanto antigos eram os documentos e que valiam bem mais que as garrafas de absinto e a noite de satisfação carnal. Contudo, não tardou para que todos os seus problemas fossem definitivamente resolvidos; o operário, ao saber que mais nada restava, apunhalou o padre e fugiu. A sorte do fugitivo não melhorou, o padre tinha irmãos menos tementes a deus, que o emboscaram e mataram alguns dias depois.

Depois do relato feito pelo colecionador, começou-se as buscas pela cela secreta e ela foi encontrada. Passou-se, então, ao tedioso trabalho de recuperação e, no seu decorrer, outros textos astanfitas foram surgindo paulatinamente. Entre eles, algumas preciosidades como um evangelho desconhecido e que nem mesmo estava presente na biblioteca de Nag Hammadi. Enigmaticamente, em sua primeira linha lê-se: “Estes são os relatos feitos por Lásarus, o primeiro vivo, sobre Jesus, o segundo vivo”. Outros são conhecidos por Nag Hammadi ou outras fontes, mas designam autores diferentes. É o caso de certos livros, cuja autoria sempre foi dada a João, que aparecem atribuídos a Lásarus, o primeiro vivo. Esse Lásarus evangelista, discípulo e depois mestre de Jesus confunde os pesquisadores imensamente. Nos evangelhos canônicos, ele é apenas o rapaz ressuscitado, irmão de Marta e Maria. Talvez “primeiro vivo” derive do fato de ter precedido Jesus na ressurreição do corpo. O seu evangelho astanfita diz explicitamente isso, mas também revela que a ressurreição foi apenas aparente; já que, efetivamente, eles jamais chegaram a morrer. Nos seus termos:

“A ressurreição só é possível enquanto ainda não sobreveio a morte física. O fruto da arvore da vida é para ser comido pela carne e quem assim o saborear ressuscita e passa a ser um ‘vivo’ como Jesus e, antes dele, Lásarus”.

Tudo isso é muito interessante, todavia estamos nos desviando de nosso tema. Haverá outras ocasiões propícias para retomarmos a esse assunto instigante. No momento, devemos nos ater a uma obra magnífica e sem precedentes revelada entre os manuscritos de Hagia Sophia. Nunca houve qualquer citação sobre ela, tudo que lhe dissesse respeito foi sumariamente destruído. Parece que até mesmo os monges de Nag Hammadi a rejeitaram ou a desconheciam. Nem os detratores da heresia gnóstica que existiram dentro da patrística – normalmente os responsáveis por sobreviver alguma memória dos textos que atacavam e, por paradoxal que pareça, sem eles a existência de certas concepções não ortodoxas seriam completamente varridas da História – ousaram mencioná-la uma vez que fosse. Era como jamais tivesse sido escrita até as descobertas de Hagia Sophia. Talvez os padres da igreja tenham pensado que era mais sensato e prudente omitir comentários e não chamar atenção sobre ela, deixá-la obscura e restrita como estava, não deviam salientar qualquer aspecto de seu conteúdo, até tachá-la de apostasia imperdoável seria conceder-lhe uma importância perigosa. Neste caso, julgaram que o melhor era calar e proceder, sem aviso e demora, uma devassa permanente para busca e apreensão de todas as cópias que surgissem, as quais seriam lançadas ao fogo de imediato. Felizmente, os astanfitas eram poucos e astutos, não se revelavam com facilidade e suas condutas não os denunciavam. Além de tudo, eram muito estimados, pois se destacavam em diversas das artes e ciências da época, inclusive assumiam posto de responsabilidade dentro do império e, mais tarde, na própria igreja. Graças a essas providenciais peculiaridades, um pergaminho contendo uma inspirada versão alternativa do gênese bíblico chegou aos nossos tempos.

Os historiadores catalogaram esse códice com o título de “O Livro de Astanfeus”, já que Astanfeus, um dos sete anjos da criação, é o protagonista da trama narrada no manuscrito. A sua epopéia inicia-se precisamente no trecho bíblico encontrado em gênesis 3:22 nas bíblias atuais e relata sua contenda com Iaodabaoth, outro anjo da criação; metáfora para o conflito eterno entre liberdade e tirania. O sentimento filantrópico nutrido por Astanfeus o levará a defender o homem contra os desmandos megalômanos de Iaodabaoth. Sua interferência se faz, a princípio, através de Eva, pois só ela lhe podia ouvir, isto porque a sensibilidade de Adão foi totalmente embotada pelo domínio que Iaodabaoth exerce sobre a aparência. Astanfeus passa, então, a incentivá-la para que compartilhe com seu parceiro o fruto interdito do conhecimento do bem e do mal, assegurando-lhe que não iriam morrer como sentenciou o anjo que lhes dizia ser um deus único. E, além disso, seus olhos se abririam, o que os tornaria iguais aos anjos. Sua investida surtiu efeito e o fruto foi consumido, o que desagradou profundamente Iaodabaoth, fazendo-o exigir a expulsão do casal humano do éden, para evitar que também usufruíssem da árvore da vida. Todavia, sua moção não foi acatada pelos outros seis anjos da criação; os elohim, o próprio Astanfeus sendo um deles. Enfurecido, Iaodabaoth se volta contra os humanos, persuadindo-os de que nada havia mudado; continuavam a ser as mesmas criaturas indefesas de antes, só que agora estavam eternamente marcadas pelo pecado da desobediência e da soberba de desejarem ser deuses, tornando mister que sofressem uma severa punição: o exílio.

Prefigurando uma notável ingenuidade, eles aceitam as manobras ladinas do anjo contrariado em seu amor próprio. É voluntariamente que se submetem e se humilham a um poder que já não possuía controle sobre seus destinos. E por que fizeram isso? Qual a razão de tal disparate? O texto delata uma cumplicidade tácita entre os dois lados dessa relação de poder. Evidencia que os pais da humanidade não foram enganados, nem poderiam ser; o fruto do conhecimento havia lhes concedido clareza de espírito suficiente para flagrar qualquer tentativa de logro. O que choca é concluir com o autor que eles deliberadamente se deixaram enganar. E isso não é a mesma coisa, está muito longe de ser. Inadvertidamente, usa-se um conceito pelo outro sem considerar a inversão que ocorre entre agente e paciente do dolo. O logrado aqui, no fim das contas, é Iaodabaoth que tomou como sincera a crença depositada em suas palavras.

A que leva e qual a motivação desse estranho jogo de interesse? Depois que conheceram o bem e o mal, Adão e Eva se encontram numa situação semelhante a que passaram antes de comer o fruto. Na ocasião, nada havia que lhes desse certeza de qual dos dois anjos estava certo e, sendo honestos consigo mesmos, esse ponto ainda permanecia incerto; já que Iaodabaoth sentenciou que morreriam, mas não disse quando. Mesmo assim, tomaram uma decisão e declinaram em favor de Astanfeus. Comido o pomo da discórdia, descobriram que o esclarecimento não lhes trouxe a verdade, nem resolveu inteiramente o certo do errado; o que fez foi refinar, de modo extraordinário, a dúvida; paradoxalmente tornando-a algo líquido e certo. O bem e o mal se confundem, se mesclam, permutam incessantemente, variam de acordo com as circunstâncias, são recíprocos de uma mesma inteireza, um consubstancia o outro, entre eles há uma mútua afirmação e uma alternância cíclica de feições. Nessa dança interminável, as alternativas estarão sempre sendo geradas, as escolhas irão se sucedendo a cada passo. O primeiro casal humano percebeu, aturdido, que não lhe seria exigido apenas mais uma decisão; encadeadas a esta viriam várias, uma após outra até o fim da vida que pudessem ter. Vislumbraram uma existência repleta de livres opções e responsabilidade por cada ato. Se a primeira decisão não havia sido fácil, imagine enfrentar isso a todo momento e para sempre. Diante de Eva, Adão pondera:

– De que nos adiantou ter os olhos abertos, enxergamos em detalhes e minúcias o que antes era plano e compacto, abandonamos uma imagem simples e imediata de tudo que era exterior a nós por uma complexa compreensão que não delimita fronteira entre o dentro e o fora. Agora, podemos antecipar que nosso futuro não está previsto, são muitas as possibilidades e nenhuma garantia é possível; o dia seguinte se tornou uma bela esperança. Essa liberdade exasperante que devemos exercer cotidianamente nos será cobrada com mais e mais necessidades. Quanto mais se amplia a potência de nossos atos, mais aumenta nossa responsabilidade pelas conseqüências. A partir do fruto, se não assumirmos e suportarmos esse peso, não nos consideraremos dignos, nem razoáveis. Perdemos totalmente a capacidade de acreditar no quer que seja, sempre conseguiremos ver outras alternativas e, então, fazer mais uma escolha será inevitável, como a responsabilidade dela decorrente. Nunca escaparemos desse destino repleto de opções angustiantes, sempre seremos levados a tomar decisões cruciais e dolorosas. E tudo isso, toda essa demanda valerá a pena? Qual recompensa receberemos pelo extremo esforço? Também sobre isso nada é certo. Nosso discernimento recém adquirido não sustenta um só sentimento de segurança.

– Talvez, Eva, fosse melhor para nós devolver esse dom ingrato. Voltar a fechar os olhos como antes e esquecer tudo que vimos. Apaguemos de vez essa clareza de espírito. Se nos recusarmos a usá-la, ela deve desaparecer com o tempo. Com isso, a jogaremos no olvido junto com todo o resto. Façamos, Eva, com que nossa segunda decisão seja a última. Na primeira, eu te segui e demos ouvidos à serpente; eis que este é o momento de tu me seguires e ficarmos ao lado do Senhor Nosso Deus. A dádiva do fruto que nos trouxe infortúnio também nos mostra a alternativa para escaparmos dele. Argúcia e inteligência não nos convêm, nada mais que sofridos dilemas advirão deles. Como criaturas estúpidas, poderemos voltar a crer em Deus e ficaremos despreocupados em Seu regaço, livres de qualquer responsabilidade.

Eva se deixa convencer e capitula diante de Iaodabaoth para acompanhar Adão no desterro. Aceitam de bom grado o injustificado sentimento de culpa que o demiurgo lançou sobre eles. E obedecem cabisbaixos a ordem para que abandonem o éden e se confinem numa distante caverna nas terras ocidentais.

Nesta escura caverna, Eva gesta e dá luz a Caim (aquele que possui a si mesmo) e Luluva, as metades máscula e feminil do primeiro filho do homem, cuja fecundação se deu no meio do éden em pleno efeito do fruto do conhecimento. Já Abel (vaidade) e Aclia foram fecundados na clausura e no alheamento. Assim, no tempo das origens, o humano nascia, na aparência, com suas partes masculina e feminina separadas em irmãos gêmeos, destinados a se religarem no enlace sexual e recompor o hermafrodita primordial. Entretanto, isso jamais esteve nos planos de Iaodabaoth, pois a imagem humana dividida em dois sexos foi propositalmente concebida por ele, um premeditado arranjo para tornar o homem mais vulnerável ao seu aliciamento. Então, para impedir que a reunião se consumasse, convence Adão e Eva de que os casais deveriam ser prometidos trocados.

Caim e luluva crescem inconformados com a situação injusta a que seus pais estavam sujeitos. Chegaram cedo à convicção de que não precisavam, nem deveriam, adorar Iaodabaoth como deus único. Logo perceberam que era uma entidade insidiosa e com um hipertrofiado conceito de si mesmo, apenas preocupada em alimentar uma vaidade insana. Contrariando Adão e Eva, recusaram-se a louvá-lo, repudiaram seus caprichos, não aceitaram a condição de servos tementes, pois sabiam que ele dependia da anuência de suas vítimas para tocá-las. Mesmo com as imprecações ouvidas de seus genitores, viviam fora da caverna em peremptória e intencional ignorância às determinações do deus de seus pais. Mas não só deles, também seus irmãos Abel e Aclia se converteram em fiéis seguidores e condenavam o modo de vida que adotaram, que consistia em explorar as extensões dos campos ao redor, coletando vegetais e frutas, aprendendo os mecanismos da natureza. Despertaram suas mentes para o céu e o passar do tempo. Descobriram padrões e correlações, intuíram leis benéficas no crescimento dos vegetais, aprenderam técnicas de sobrevivência com os animais. E tudo isso os levou às artes e às ciências. Enquanto seus irmãos enveredaram por outros caminhos; confinaram os animais fora de seus habitats, cevando-os para abate, impondo-lhes ritmos de vida artificiais.

Os fragmentos em árabe deste texto que foram preservados apresentam pequenas discordâncias, em relação ao pergaminho astanfita, quanto à descrição de como foi efetuada a oferenda de Caim e Luluva. No códice, nem mesmo há oferenda, eles se recusam terminantemente em prestar qualquer homenagem àquele deus que tanto desprezavam. Nas versões em árabe até encetam a oblação, cedendo às suplicas dos pais, contudo o desfecho dado vai se modificando nitidamente em cada fragmento. Em exemplares mais tardios, a oferta é mínima, suficiente para não ofender um certo senso de desperdício que não conseguiram negligenciar; enquanto nos de datação mais remota, foram mais radicais e, desistindo na última hora, retiram tudo, ignorando peremptoriamente os apelos e admoestações dos pais e dos irmãos.

Não importa o quanto essa atitude foi minimizada nas versões árabes, a ira despertada em Iaodabaoth é irretocável. Não podendo atingi-los diretamente, nutre a vaidade de Abel e fomenta nele uma crescente desconfiança contra o irmão. E conduz a intriga num estilo que em muito antecipa o Iago no Othelo de Shakespeare:

– Abel, tu bem sabes que te amo tanto quanto a teus pais, que tuas oferendas me são agradáveis e as recebo com júbilo. Tu mereces toda minha deferência, mas teu irmão é o oposto de ti, rejeitou a verdade que te dei de bom grado e enfrenta a dúvida e a incerteza a cada dia. Ele não ouve as súplicas de teus pais e me odeia por puro orgulho, nada fiz contra ele para justificar essa má vontade e não retribuo o mesmo sentimento. Nunca neguei a ele o justo poder que permito a ti que exerças sobre a natureza, através dos animais que criei para te servir e aplacar tua fome. Mas não, por birra, ele prefere se sujeitar aos caprichos da natureza para se alimentar de vegetais ao invés de reinar sobre ela. Fiz-te forte e robusto por meio do que comes, enquanto ele ficou fraco e frágil devido ao seu alimento pobre; não é como um homem deveria ser; o vigor sanguíneo de teu rosto não se compara à tez pálida de teu irmão. A jovial beleza que possuis contrasta com a sobriedade pedante desse primogênito arredio. Talvez eu espere demais de quem é fruto do pecado de teus pais, que foi gerado na desobediência de minhas leis. Muito diferente és tu; filho do amor puro e casto, vieste à luz graças ao enlace que perante mim foi consagrado e comprometido. Bem-aventurado, então, foi teu nascimento e eu o abençoei e permaneci ao teu lado todos os dias de tua vida e jamais te abandonarei. Porém, teu irmão sempre se afastou de minha presença, seduzido por palavras evocativas e sibilinas repudiou minha guarda e proteção. Mesmo se impondo por arrogância, não pode esconder que seu desejo mais profundo é, na verdade, usufruir a intimidade que compartilhamos. Todo o desdém é dissimulado; apesar das recusas enfáticas, ambiciona secretamente todas as dádivas que te concedi. E assim, porque me importo com tua segurança, alerto-te para que te acauteles contra teu irmão. Porque me amas, logo Caim passará a te odiar como odeia a mim. Ele, agora, está enfurecido e rebelou-se totalmente contra meus desígnios. Aviso-te para que saibas: ele inveja-te mais do que nunca depois que te favoreci; reluta em aceitar minha decisão de fazer tua prometida a mais bela das irmãs. A obsessão por Luluva o está consumindo e há intenções hostis em seus gestos. És o predileto de teu Deus e não quero que sofras pelos atos de teu irmão, portanto previna-se contra a violência que ele poderá perpetrar. Tu conheces a morte, a tens provocado com tuas próprias mãos. O que ainda não te dei a conhecer é que não só os animais morrem; no exílio, também o homem morre. Ciente disto, tu perceberás que, em certos momentos, devemos nos antecipar ao mal para que ele não prevaleça.

Bem, o que se seguiu a isso é fácil prever. Abel, temendo a morte nas mãos de Caim, se antecipa e tenta matar o irmão usando seu instrumento de trabalho, ao que ele se defende por puro instinto de sobrevivência e ambos vão ao solo. Não conseguindo conter a fúria do irmão e no afã de o fazer parar, Caim reage reflexamente e desfere um golpe na cabeça de Abel com o que, no momento, estava mais ao alcance de sua mão; uma pedra. Abel tomba para o lado, mortalmente ferido, agoniza e morre. Caim se levanta atônito diante de uma visão que não pôde conciliar; olha o corpo inerte e sanguinolento e não reconhece, nele, seu irmão. Ele havia desencadeado um processo que, de um instante para outro, transformou algo vivo numa massa bruta e sem identidade. Sentia que era uma situação muito grave e, talvez, irreparável. Mas, transtornado, não queria pensar que fosse assim, freneticamente buscava em sua imaginação meios que pudesse reverter os fatos. A lembrança mais reconfortante que lhe ocorreu foi das sementes germinando do solo. Coisas inertes postas sob a terra úmida brotavam para a vida. O mesmo poderia suceder se, literalmente, plantasse aquilo que fora seu irmão. Com esse pensamento, cavou desarvoradamente o solo e na cova acomodou o cadáver, cobrindo-o com a terra solta. Contudo, não se tranqüilizou, sabia: algumas sementes não germinam. Apesar da dúvida, decidiu que nada mais poderia fazer senão esperar. Foi quando ouviu a voz que vem em silêncio lhe inquirir:

– Caim, onde está Abel, teu irmão?
– E logo tu, que deverias saber, me perguntas?

Lógico que sabia; Iaodabaoth perguntava apenas por intimidação. E, ainda a pouco, estivera com os Elohim pedindo para que intercedessem por Abel; primeiro, que lhe restituíssem a vida e segundo, que punissem severamente Caim por seu crime inominável. Ao primeiro disseram: “Há limites a todo poder: a vida é como a água que derrama do vaso partido no solo seco; é possível restaurar o vaso, mas a mesma água não poderá ser reposta”. Ao segundo deliberam que qualquer pena seria injusta: “Posto que nem Caim, nem Abel podem ser responsabilizados pelos seus atos; pois ambos foram privados de opção: A Caim, o ímpeto de sobreviver tirou todas e a Abel, tu não deixaste nenhuma”.

Porém, de nada disso tinha conhecimento Caim e prosseguiu afrontando o demiurgo em seu total estado de transtorno:

– Por certo, não és tu o guardião de meu irmão? Não era teu o compromisso de o proteger de todo mal? Pois, não o protegeste contra mim e agora jaz sob o solo que piso. Minha esperança é que a terra que dá vida ao trigo o faça renascer. Então, por que não mostras o quanto és poderoso e lhe devolves a vida que tirei?

Caim só tentava mais uma solução desesperada para seu drama pessoal, todavia Iaodabaoth encarou aquilo como um desafio; fora profundamente atingido em seu orgulho, não poderia deixar que uma criatura tão inferior o desacatasse assim. Movido pela arrogância e o despeito, Iaodabaoth comete a mais hedionda das ofensas à vida; desrespeita a morte e macula a inocência de um cadáver ao tocá-lo para reanimar seus membros. Tal intenção desnaturaliza sua existência e o torna um elemento estranho para a terra que o acolhe. E, então, num espasmo, ela expele o corpo de Abel de volta a superfície. Perplexo, Caim tem novamente o irmão morto diante de si. Intrigado levanta os olhos e interroga seu interlocutor divino:

– O que estás fazendo, queres brincar com a minha inquietação?
– Não, apenas estou respondendo ao teu desafio e pondo a prova tua descrença.
– Mas ele não se move, ainda o sinto morto. Nada fizeste senão desfazer meu trabalho. Oh, deixa-nos em paz e volta para tuas alturas.

Caim voltou a enterrar Abel na mesma cova e, de novo, o solo fértil recusou-se a recebê-lo em seu seio. Por três vezes Caim tentou devolver o irmão ao úmido útero da terra; ela, entretanto, em todas as tentativas o lançou fora. Na terceira, toda a criação é violada; os olhos de Abel se abrem e o irmão vivo fica mortificado. Nada mudou, é a mesma massa bruta despersonalizada, algo tão apavorante quanto uma pedra que abrisse, de repente, olhos que nunca tivera. O coração de Caim gela quando o irmão, que ainda sente morto, lhe pede, numa voz sumida, para levantá-lo dali, afastá-lo da terra calcinante que queima dolorosamente suas costas. Caim atende e ao erguê-lo percebe que a pele dele está cheia de ulcerações. De pé, Abel começa a se recompor, lança um olhar desvairado para o irmão e diz em tom de contrito lamento: “Tenho fome, muita fome, tanta fome que não penso em mais nada senão em satisfazê-la”. Dito isso, sai, sem aviso, correndo a esmo entre os arbustos até avistar uma presa; num rompante, salta sobre ela e a captura. Com uma expressão de extasiado deleite, mostra o desafortunado animal ao irmão, aperta-o sofregamente entre as mãos e crava os dentes em seu pescoço; em vão ele se contorce e guincha, mas seu sangue jorra e é sorvido avidamente pela boca crispada. Terminado, a carcaça totalmente exaurida de seus fluídos é largada ao chão como um bagaço de fruta chupada. Ato contínuo, o corpo revivo de Abel entra num frenesi convulsionado e, quando cessa, vasculha freneticamente ao redor, ansiando por mais. Assim, se põe a cata de novas vítimas e afasta-se rapidamente do irmão. Caim, terrificado, não tem coragem de ir atrás dele e o deixa à sua sorte. Já presenciara vários predadores em caça, porém nada visto era comparável ao que acabara de assistir, algo excessivamente doentio passara a habitar o corpo de Abel.

Sem alternativa, outra vez volta-se para a voz desincorporada e indaga sobre o que era aquilo:

– O que fizeste ao meu irmão? Não foi vida que lhe reenviaste, mas apenas movimento ao corpo. Ele é um morto que aparenta estar vivo. Algo medonho e abominável criado por mero capricho.

– Como ousas julgar minhas ações. Os meus motivos estão muito além do teu entendimento. Antes de eu criar a vida de aparência, tu criaste a morte de fato. Somos cúmplices nesse horror que se espalhará pela terra. A descendência de Abel proliferará entre os homens, enquanto a tua será apartada da humanidade, proscrita do convívio de seus próprios semelhantes, rechaçada onde quer que vá.
– Como tua maldição poderá se cumprir? Como conseguirão distinguir minha descendência das demais?
– Há uma marca indelével em ti que passarás, inapelavelmente, para todos de tua linhagem.
– Eu não tenho marca alguma e não deixarei que me marques como Abel marcava seus animais!
– Não preciso marcar a ti. Será na humanidade que infundirei a minha marca, um selo que não poderás, nem desejarás, simular. Deste modo, tu e tua descendência é que estarão marcados, justo por não possuírem marca alguma.

Iaodabaoth, imprudentemente, havia reconstituído o vaso: mas um vazamento permaneceu e toda a água nele posta não seria contida por muito tempo. O demiurgo deu a luz a um ser desviante, vazio de vida. Partejou um aborto da natureza que sobreviverá absorvendo a vida de outros. O que é bem diferente dos seres naturais que consomem a matéria para alimentar a vida que lhes é própria.

Bem, é isso. Já me estendi demais nesta resenha. É o que basta para apresentar a gênese mística dos vampiros dentro de uma perspectiva de origem judaica, como havia proposto. E se você achar tudo isso surpreendente demais, lembre-se que a história é escrita pelos vencedores. Quanto aos que insistem na prosaica pergunta: “Então, está é a verdade?”; responderei como faziam os astanfitas: “Não, apenas faz mais sentido!”.

X Runner

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-genese-vampirica-e-o-mito-de-caim-e-abel/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-genese-vampirica-e-o-mito-de-caim-e-abel/

A Conexão Reptiliana

Se você é novo ao meu trabalho, a informação mais bizarra que você vai encontrar neste site é a relativa à conexão reptiliana.

Eu compreendo isso. É algo totalmente diferente da nossa versão condicionada da realidade. Mas, esse é exatamente o ponto principal. Se você quer manter algo secreto das pessoas, dê a elas uma versão de realidade e possibilidade que seja tão distante do que realmente está acontecendo, que, até mesmo se a verdade vier à luz, ela parecerá absurda e extrema demais para a maioria das pessoas acreditar.

De fato, se você fizer o seu trabalho bem o bastante, as pessoas irão rir da verdade, chamá-la de insanidade, e ridicularizar qualquer um que a promova.

Para verdadeiramente entender como toda a informação neste site ajusta-se em um todo coerente, você realmente precisa ler meu livro, O Maior Segredo. Mas, para aqueles que ainda não leram, aqui está algum pano de fundo básico. Contudo, por favor lembre-se de que no livro há uma enorme quantidade de informação para apoiar o que eu estou a ponto de dizer.

Quando eu alcancei o ponto, alguns anos atrás, onde eu tinha reunido e entendido a estrutura pela qual poucas pessoas controlam a direção do mundo (veja E a Verdade o Libertará), estava claro que esta rede de sociedades e grupos secretos que manipulam a política global, os negócios, os bancos, as forças armadas, mídia, e assim por diante, não poderia ter sido criada dentro de poucos anos ou décadas. Ela tinha que voltar um tempo muito longo.

Assim eu comecei a rastrear suas origens no que nós chamamos de história. Eu fiz isto com o conhecimento de que, por alguma razão, descendência e genética eram vitalmente importantes a esses manipuladores, os Illuminati ou Iluminados – iluminados no conhecimento que o público nunca vê.

Eu segui confortavelmente a pista ao tempo das Cruzadas no Oriente Médio, aos 12º e 13º séculos, aquele “amável” período, e, a partir daí, voltei ainda mais longe: ao mundo antigo e pré-história.

Lá, por todo o planeta, você encontra as lendas e contos antigos de “deuses” de outro mundo que cruzaram com a humanidade para criar uma rede de descendentes híbridos. O Velho Testamento, por exemplo, fala sobre os “Filhos de Deus” que cruzaram com as filhas dos homens para criar a raça híbrida, chamada de Nefilim. Antes que fosse traduzido para o inglês, aquela passagem, dizia “os filhos dos deuses”, plural. Mas os contos da Bíblia são apenas alguns dos muitos que descrevem o mesmo tema.

As Tábuas de barro sumérias, achadas no local que nós chamamos agora de Iraque, na metade do século 19, conta uma história semelhante. É estimado que elas foram enterradas ao redor de 2,000 AC, mas as histórias que elas contam voltam muito antes disso. As Tábuas falam de uma raça de “deuses” de outro mundo que trouxe conhecimento avançado para o planeta e cruzou com humanos para criar uma descendência de híbridos. Esses “deuses” são chamados nas Tábuas, os “Anunnaki” que aparentemente traduz como “aqueles que do céu para a Terra vieram.”

Os contos antigos nos falam que estes descendentes híbridos, resultantes da fusão dos genes de humanos selecionados com os dos “deuses”, foram postos nas posições de comandar o poder real, especialmente no antigo Oriente Médio e Próximo Oriente, em culturas avançadas como a Suméria, Babilônia e Egito. Mas isto também aconteceu em outros lugares, como você descobrirá se pesquisar, por exemplo, nas informações surpreendentes fornecidas neste site pelo shaman zulu africano, Credo Mutwa, e nos incríveis Credo vídeos, Agenda Reptiliana, partes um e dois. Ele conta a mesma história vinda da tradição negra africana que eu tenho descoberto em outros lugares do mundo.

Os contos sobre a “raça serpente” em culturas antigas são simplesmente intermináveis para onde quer que você olhe, e o simbolismo serpente-reptiliano em relação aos Anunnaki e outras versões destes “deuses” são igualmente difundidos. Nós vemos isto na Bíblia, por exemplo, com a serpente no “Jardim do Éden” – uma história que claramente vem dos contos Sumérios, assim como a história de Moisés nos juncos, uma história contada sobre um rei Sumério muito antes da Bíblia. É por isso que eu achei tão surpreendente quando Zecharia Sitchin, o melhor e mais conhecido tradutor das Tábuas Sumérias, me disse que não havia nenhuma evidência de uma raça serpente no mundo antigo. Claro que há. Ele também me aconselhou fortemente em relação à raça serpente… “não vá lá”. Porque? Quando a evidência, antiga e moderna, é tão enorme?

Destes descendentes híbridos veio “o direito divino dos reis”, a crença de que somente aqueles de “sangue azul” têm o direito de governar dado por Deus. Na verdade esse direito não é “divino”. É o direito de governar dado pelos “deuses” reptilianos por via de sua genética híbrida.

Estes híbridos se tornaram depois as famílias reais e aristocráticas da Europa e, graças ao “Grande” Império britânico e aos outros impérios europeus, eles foram exportados para as Américas, África, Austrália, Nova Zelândia, e diretamente para o Distante Oriente onde eles conectaram-se com outros híbridos reptilianos, como aqueles, mais obviamente, na China onde o simbolismo do dragão é a base da cultura deles.

Estas linhagens híbridas reptilianas-humanas se tornaram os governantes políticos e econômicos daquelas terras ocupadas pelos impérios europeus e elas continuam governando esses países ainda hoje. Os Estados Unidos da América tem sido o lar de centenas de milhões de pessoas desde 1776. E o que é mais surpreendente é que essas pessoas vieram de uma incrivelmente diversa mistura genética. E contudo, espere por isto, os 42 homens que se tornaram Presidentes dos Estados Unidos são todos relacionados!!! Trinta e três deles sozinhos estão relacionados à Carlos Magno, um dos monarcas mais famosos do que nós chamamos agora de França. Acontece que ele é uma figura principal na história e na expansão dessas linhagens híbridas para a Inglaterra, a França, a Alemanha, e para outros lugares.

Os Rothschilds, os Rockefellers, a família real britânica, e as famílias que controlam a política e a economia do EUA e do resto do mundo vêm desta MESMA linhagem. É por isso que as assim chamadas famílias do Estabelecimento Oriental dos Estados Unidos cruzam entre si tão obsessivamente quanto as Famílias reais e “nobres” européias sempre fizeram. Assim como outras famílias similares ao redor do mundo. Elas não fazem isso por serem snobes, mas para manterem, da melhor forma que puderem, uma estrutura genética: a combinação do DNA réptil-mamífero, a qual permite que eles mudem de forma.

Você também verá referências neste site para “mudança de forma”, o fenômeno no qual testemunhas informam terem visto pessoas (freqüentemente aquelas em posições de poder), transformar-se diante dos seus olhos, de uma forma humana para uma réptil e então retornar à forma humana. Você achará muito sobre isto em O Maior Segredo. E Credo Mutwa confirma exatamente a mesma experiência na África negra. Uma vez mais, antigos e modernos contos apóiam uns aos outros. Os deuses antigos dos Vales Indus, os Nagas, eram ditos terem sido capazes de assumir ou a forma humana ou a réptil.

O presidente anterior dos EUA, George Bush, incidentemente, é mencionado mais do que qualquer outra pessoa em minhas experiências em relação à mudança de forma. é por isso que o filho dele está sendo conduzido para a eleição presidencial de 2000. Na America presidentes não são eleitos por votos,  eles são selecionados por seu sangue.

Al Gore, o seu oponente “Democrático” no Estado de um único partido, também é desta linhagem genética. Olhe quase em qualquer lugar no mundo para uma posição significativa de poder e você achará o mesmo.

O simbolismo reptiliano que você vê ao seu redor em gárgulas, em brasões, em propaganda, e assim por diante, é tudo parte disto.

Estes “deuses” não poderiam assumir o controle do planeta abertamente porque não há bastante deles, assim eles estão fazendo isto secretamente, disfarçando-se de humanos. Filmes como Eles Vivem, A Chegada (o primeiro, não a seqüência), e a série de televisão americana, V, conta a história do que REALMENTE está acontecendo. Se você é novo a tudo isto, eu sugiro que você pense em assistir estes filmes para acordar pra realidade o mais depressa possível.

Os pesquisadores de conspirações e da Nova Ordem Mundial também têm seus próprios sistemas de crença políticos e religiosos para defender e enquanto eles descobrem um nível da conspiração, a maioria rejeita e até mesmo ridiculariza o que eu estou dizendo sobre a conexão reptiliana. Tudo bem, mas a menos que eles entendam este quadro maior eles nunca irão, em minha visão, entender o que está verdadeiramente acontecendo ao nosso redor.

Como disse Ghandi: “Mesmo se você está em uma minoria de um, a verdade ainda é a verdade.”

E como resultado das ondas que O Maior Segredo têm causado, e as novas informações, experiências, e contos que o livro e este website têm atraído do mundo inteiro, há uma compreensão crescente de que esta aparentemente bizarra e louca história é de fato verdade. Que o mundo realmente pode ser controlado por linhagens genéticas reptilianas que se escondem por atrás de uma forma aparentemente humana. E é este entendimento que reúne todas as informações aparentemente desconexas neste site em um grande e conectado todo.

Aqui estão alguns exemplos:

RELIGIÃO

Se você deseja controlar uma grande quantidade de pessoas, você tem que desconectá-las do verdadeiro conhecimento de quem elas são e do próprio potencial infinito delas para manifestar o seu próprio destino e controlar suas próprias vidas. Você tem que convencê-las de que elas são insignificantes e impotentes assim elas viverão as suas vidas de acordo com isso.

É por isso que a religião tem sido uma das armas mais efetivas da Illuminati e das linhagens genéticas reptilianas. Ela enche as pessoas de medo de um Deus vingativo e diz que a menos que eles acreditem que a “verdade” de tudo pode ser achado dentro um livro ou sistema de crença, eles irão para inferno ou então experimentarão outras conseqüências extremamente desagradáveis.

Religiões diferentes também têm sido veículos maravilhosos para dividir e conquistar as pessoas através de conflitos inter-religiosos arrogantes. Os reptilianos criaram as religiões por isso e os jogadores-chave dentro delas nem mesmo acreditam na tolice que eles papagueiam para os seus seguidores. Eles apenas querem que a população acredite nisto, assim ela será fácil de controlar. É por isso que você descobre que tantos famosos evangelistas “Cristãos”, por exemplo, são de fato Satanistas. O “Cristianismo” deles é só uma cortina de fumaça.

MEDICINA E MÍDIA

A supressão do verdadeiro conhecimento de curar e a dominação de drogas e cirurgias na “medicina” assegura que o corpo físico humano opere muito longe do seu potencial máximo. Esta é a razão para a descarada falta de representação e supressão das chamadas formas “alternativas” de curar que surgiram milhares de anos antes da moderna “medicina”.

Suplementos alimentares, fast food (comida rápida), flúor nos suprimentos de água, os venenos que nós colocamos na terra e conseqüentemente comemos em nossa comida e bebemos em nossa água, estão suprimindo não só nossa saúde física e vibração, mas, crucialmente, nossas funções cerebrais e intelecto. Uma população completamente acordada e mentalmente afiada é a última coisa de que você precisa se você quer controlá-la. Assim as linhagens genéticas reptilianas também dão muita ênfase em controlar a “educação” e a mídia. Isso permite que eles nos alimentem com uma dieta constante de lixo desmiolado, como game shows, enquanto a mídia de “notícias” nos conta o que os controladores querem que nós pensemos. A maioria dos jornalistas são tão desmiolados, e com uma enorme falta de compreensão do que eles fazem parte, que eles, como a maioria da população, ajudam a avançar uma agenda que eles nem mesmo sabem que existe.

CONTROLE DA MENTE

O controle mental está obviamente muito relacionado a religião, que é, para mim, a melhor forma de controle mental em massa já inventado. Assim como propaganda e televisão. Mas o controle de mente vai muito mais fundo do que isso. Os projetos de controle da mente dos Illuminati-reptilianos têm produzido literalmente milhões de robôs mente-controlados que são programados para levar a cabo a Agenda da Illuminati.

Há muitas formas eletrônicas através das quais isto é feito hoje, mas um dos métodos-chave é o controle da mente baseado no trauma. Onde pessoas são traumatizadas por abuso sexual, violência, são forçadas a testemunhar e tomar parte em rituais de sacrifício humano e outros incontáveis horrores. Tais experiências ativam o mecanismo da mente que bloqueia recordações de trauma extremo.

Um exemplo disto, o qual muitas pessoas experimentaram, é quando elas não podem recordar de um grave acidente de carro. Elas podem se lembrar de antes e depois do acidente, mas não do impacto. A mente põe uma barreira amnésica ao redor da memória assim nós não temos que continuar revivendo o acidente. Isso é uma boa coisa, mas a Illuminati tem desenvolvido métodos de usar esta técnica para traumatizar uma mente seguidamente até que ela se fragmente em várias barreiras amnésicas desconectadas. Eles então programam esses diferentes fragmentos da mente (altares como eles os chamam) com tarefas diferentes. As tarefas são pré-programadas para serem ativadas com um “gatilho”, que pode ser uma palavra, uma cor, um som, ou o que quer que seja. Uma vez que o gatilho é determinado, o programa se fecha e a pessoa fará tudo o que ela foi programada pra fazer.

Essa tarefa pode ser ter sexo com um político famoso, a qual elas não se lembrarão; assassinar alguém como John Lennon; enlouquecer com uma arma em uma escola, o que conduz para políticas de controle de armas, etc. Os campos de concentração da Alemanha Nazista sobre a supervisão do “Anjo da Morte”, Josef Mengele, foram uns dos principais centros para tais experimentos. Mengele foi levado para os Estados Unidos e América do Sul depois da guerra pela Illuminati com o nome de Doutor Green ou Greenbaum para continuar o seu horroroso “trabalho”. Isso resultou no notório projeto de controle mental, MK Ultra. O Centro de armas navais China Lake no deserto da Califórnia foi uma das suas primeiras bases de operação.

O tempo mais efetivo para começar este processo de criação de robôs humanos é antes da idade de cinco ou seis anos. Conseqüentemente você tem as colossais redes de abuso de crianças e o ritual Satânico de abuso de crianças expostos neste site e em meus livros.

O ABUSO E O RITUAL SATÂNICO DE ABUSO DE CRIANÇAS, E CERIMÔNIAS DE SACRIFÍCIO HUMANO EM GERAL

Estarrecedor como isso pode parecer, tudo isso acima é maciçamente difundido no mundo inteiro. Está acontecendo dentro de sua comunidade agora, não importa onde você esteja. Eu, e outros, temos revelado isto durante anos e agora, como você verá neste site, a escala disto, e as pessoas famosas envolvidas, estão finalmente vindo à luz.

Em parte, estes rituais e redes de abuso são para traumatizar pessoas, especialmente as crianças, mas é muito mais do que apenas isso. Siga as linhagens genéticas Illuminati-reptilianas do mundo antigo até agora e você verá que elas SEMPRE tomaram parte em cerimônias de sacrifício humano e SEMPRE beberam sangue. Os sacrifícios para os “deuses” nos contos antigos, eram literalmente sacrifícios para os reptilianos e suas linhagens genéticas híbridas. A história do Drácula, o bebedor de sangue, é simbólica desses “vampiros” reptilianos. Um dos locais deste grupo reptiliano parece ser o sistema estelar conhecido como Draco (dragão), e “draconiano” certamente resume a Illuminati.

Para sustentar a sua forma humana, essas entidades precisam beber sangue humano (mamífero), e acessar a energia que ele contém para manterem seus códigos genéticos em sua expressão “humana”. Se eles não fazem isso, eles manifestam os códigos reptilianos deles e, dessa forma, todos nós veríamos o que eles realmente se parecem. “Oh meu Deus, Sr. Presidente, você sempre toma seu café da manhã dentro do quarto?”

Do que eu entendi através de informações de pessoas que já trabalharam pra essa “gente” (ex-insiders), o sangue (energia) de bebês e de crianças pequenas é o mais efetivo para isso, como também é o sangue de pessoas loiras e de olhos azuis. Conseqüentemente essas são as pessoas predominantemente usadas em sacrifício e, ao que parece, também as pessoas de cabelo vermelho.

É por isso que pessoas como George Bush, Henry Kissinger, e uma corrente de outros “grandes nomes” da Illuminati estão expostos em meus livros e neste site como reptilianos que mudam de forma e que tomam parte em sacrifícios humanos e bebem sangue. Os dois acontecem juntos. Parece haver também uma ênfase muito significativa entre os Illuminati-reptilianos e os seus aliados com pedofilia, que é excessiva neste planeta.

Eu também gostaria de enfatizar antes de eu terminar aqui, que eu estou expondo certos GRUPOS reptilianos por trás da Illuminati, não a corrente genética reptiliana em geral. Há muitos de origem reptiliana que estão aqui para ajudar a humanidade a se livrar desta escravidão mental e emocional. De fato, todos nós temos um corpo com muitos genes répteis, inclusive parte do cérebro chamado de complexo-R, o cérebro réptil.

Eu confio que este breve resumo o ajudará a ver a relevância de todos os artigos e informações que você achará neste site. No fim, todas essas aparentemente desconexas “conspirações” são parte de UMA conspiração projetada para introduzir UMA agenda: O controle reptiliano do Planeta Terra e de toda a sua população.

Exposição do plano de controle reptiliano do Planeta Terra por David Icke

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conexao-reptiliana/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conexao-reptiliana/