As roupas de Galvah e o sistema ‘156’

Amodali
3 de maio de 2016

Este é o terceiro e último de uma série de artigos que resume o material apresentado em palestras públicas desde 2013 e discute um ensaio relacionado que foi publicado como parte da antologia da Three Hands Press, ‘A Rose Veiled in Black’. As palestras no Reino Unido e nos EUA introduziram alguns dos conceitos fundamentais do Sistema ‘156’, uma prática que vem sendo desenvolvida desde a década de 1980. Esclarecimentos adicionais sobre o núcleo ‘Enochiano/Angélico’ interno do sistema e a anatomia oculta do ‘Corpo de Babalon’ foram apresentados na Antologia THP no início deste ano. O sistema ‘156’ representa uma abordagem um tanto controversa da magia de Babalon, desafiando e oferecendo interpretações alternativas para muitas das definições estruturais e epistêmicas estabelecidas da corrente. De evidente importância dentro deste novo modelo é uma rigorosa re-teorização e expressão do corpo feminino vivido em relação às práticas de magia sexual e a integração coesa dos espíritos enoquianos femininos no sistema. Os espíritos femininos do sistema Angélico/Enochiano documentados nos diários de John Dee são de profunda importância para a compreensão das raízes da corrente 156. Mas, que eu saiba, houve muito pouca investigação mágica dessas inteligências até agora. Este artigo fornece alguns antecedentes sobre o desenvolvimento da prática que serão descritos em detalhes na próxima publicação. ‘As Marcas de Teth’.

O SISTEMA ‘156’

“…Mas este mistério ultrapassa o discurso. A mente cambaleia e o intelecto é ferido frente a ideia de Mulher, e a mãe escura de quem ela é a sombra brilhante.” – A Estrela de Babalon. J.Parsons

O sistema ‘156’ começou a tomar forma na segunda metade da década de 1980 em conjunto com uma prática que teve uma trajetória muito singular, bastante em desacordo com as percepções ainda predominantes de Babalon que definem o papel da Mulher Escarlate como uma ‘musa mágica ‘ e equivalente thelêmico do tântrico ‘kama mudra’, ou seja, incorporando uma função ‘lunar’ predominantemente passiva em relação ao princípio masculino, solar-fálico, das fórmulas de polaridade heterossexual. A tradição tifoniana de Grant atribuía uma atuação muito maior às mulheres, embora dentro da dinâmica ritual de suas fórmulas, a esfera de influência feminina ainda fosse percebida como emanada de uma consciência predominantemente lunar por meio de seu foco no sistema tântrico dos ‘Kalas’. No entanto, minhas experiências me levaram a entender que a corrente era muito mais complexa do que retratada no material de referência padrão da época e que Babalon representava um arcano mágico altamente sofisticado que produz formas muito específicas de gnose mágica sexual.

A corrente 156 ocupa um território muito inexplorado, preocupando-se principalmente com as práticas femininas incorporadas e a manifestação de novas fórmulas de sexualidade evolutiva. Durante os primeiros anos, experimentei alguns encontros incrivelmente desafiadores e voláteis com Babalon e muitas vezes fui deixada à deriva, submersa em estados altamente dramáticos e turbulentos de transe e obsessão. A intensidade de tais experiências pode levar alguém aos limites da sanidade, mas na época havia pouco em termos de orientação além da presença da própria Babalon. Babalon deixou claro que eu estava sozinha e que eu tinha que aprender a lidar com suas energias através de trabalhos solitários com ela, por meio de uma forma eroticamente sobrecarregada de transe e comunhão corporal. Ao longo dos anos, descobri que, quando me desviei de seu mandato, as consequências foram dramáticas e muitas vezes terríveis.

Depois de décadas de trabalho, agora entendo por que havia parâmetros tão rígidos em torno da prática. O processo de cultivo interior e diálogo com Babalon não é uma restrição à atividade sexual, ao contrário, tem haver com a forma como a pessoa orienta e canaliza as energias dentro do 156. No entanto, como o processo em si está inicialmente preocupado em criar um corpo mágico totalmente ativado e a reconstrução radical da anatomia sutil de uma pessoa, fica claro que engajar-se em trabalhos ortodoxos de polaridade heterossexual pode sabotar completamente esse processo e negar o desenvolvimento das fórmulas femininas adeptas da corrente 156. Era, portanto, de primordial importância que o corpo mágico fosse primeiro cristalizado para permitir que se agisse com plena ação dentro da corrente. Havia pouca referência a ser encontrada que apoiasse minhas aspirações a uma prática focada exclusivamente em Babalon como uma inteligência mágica por direito próprio, e então comecei uma jornada muito longa e solitária, na qual comecei a escavar a anatomia oculta de seus mistérios e como alguém pode se envolver com eles dentro de uma prática progressiva. Devo deixar claro que não sou contra os ritos heterossexuais, muito pelo contrário, mas sinto que essas fórmulas sexuais precisam ser reformadas e alinhadas totalmente com o 156.

O processo tem sido longo e desafiador, pois é preciso romper muitas camadas de ofuscação, muitas das quais desconhecemos até tentar penetrar e avaliar a dinâmica mais sutil e mágica da corrente. O conceito de uma sexualidade mágica feminina preeminente, iniciática, foi sabotado com sucesso em todos os níveis, particularmente no Ocidente, por muitas barreiras metafísicas, filosóficas e teológicas complexas, tabu sexual e a supressão aberta dos direitos das mulheres de liberdade e autonomia. A falta de um sistema coeso tem sido um problema espinhoso que impediu o progresso da magia de Babalon, mas a dificuldade em articular uma prática viável não é surpreendente e está em proporção direta ao peso esmagador da história que se opõe à sua formulação. A palavra “sistema” é um termo bastante desapaixonado e insubstancial que é completamente inadequado para transmitir as práticas de incorporação incendiárias de 156, mas eu a uso por algumas razões bem consideradas. As praticas 156 são baseadas na negociação de estados de posse direta que parecem desafiar qualquer tipo de ‘organização’ e, como já descrito, a presença de Babalon quando experimentada no corpo é totalmente esmagadora e desafiadora em todos os níveis e não pode ser sustentada por nenhum período. de tempo sem o risco de esgotamento psíquico-físico completo. Avisos semelhantes são dados aos praticantes de outras técnicas que trabalham com as chamadas energias da “serpente de fogo”, como kundalini yoga, mas as praticantes enfrentam alguns desafios muito particulares na canalização das energias de Babalon.

Exclusivo para a dinâmica do 156 é o desenvolvimento de algumas fórmulas de “aterramento” muito específicas que funcionam em conjunto com um processo de cultivo interno de TETH. (ver livro Marks of Teth). É um processo de transformação muito demorado e complexo no qual é preciso reconfigurar completamente seu estado energético e físico para permitir que se torne um recipiente que possa resistir ao ataque do turbilhão erótico-cinético de Babalon. No entanto, é possível articular os parâmetros de sua magia e definir o território é essencial para qualquer manifestação em curso. Para comunicar isso de algum jeito, alguma forma de sistematização é necessária. A magia do 156 desafia o textualismo de muitos sistemas mágicos ortodoxos e desafia qualquer forma de hierarquia convencional. No entanto, por definição, qualquer forma de prática deve ter uma curva de aprendizado e objetivos claros, no sistema 156 isso é definido por uma sizígia (termo gnóstico que designa a união de opostos) gradual com o ‘Corpo de Babalon’ através de uma série de estágios reconhecíveis, uma gnose mágica sexual complexa que gradualmente desperta a plena ativação da corrente com o corpo/psique.

Tudo isso sugere que Babalon é potencialmente uma força incrivelmente perigosa, destrutiva e primitiva, mas interpretações simplistas da energia predominantemente venusiana que Babalon representa só servem para adicionar preconceitos e interpretações errôneas inúteis. Quando se considera que grande parte das energias psíquicas/espirituais/sexuais e físicas de metade da população dos planetas foi suprimida por milênios, então não é irracional esperar que sem a válvula de segurança de uma prática coerente alguém possa ser explodido em pedacinhos quando tentando liberar algumas das dimensões mágicas mais fortemente policiadas e suprimidas dessa força deslocada. Indiscutivelmente, é a repressão da corrente sexual feminina que é a fonte de muita violência que assola o planeta e Babalon é o antídoto para o cisma que nos divide, em vez de representar uma expressão de energia feminina destrutiva. Sua força é percebida como perigosa porque a magia que canaliza sua energia não foi totalmente compreendida.

Babalon instila medo naqueles que ainda estão investidos na velha ordem, ela não tem lugar para a misoginia, ignorância e crueldade que manteve o tecido de grande parte da sociedade humana no lugar por milhares de anos. Ela exige uma manifestação completamente nova da força criativa humana que eleva o sexo ao seu mais alto potencial mágico. Este é o desafio final e nisso ela realmente exige “cada gota de sangue” dos devotos que agora estão surgindo, que suportarão a força de Teth sem mancha de ambiguidade ou malevolência. Babalon tem que ser uma deusa do ‘tudo ou nada’ porque ela é a parteira de uma fase completamente nova da consciência e sexualidade humana na qual não pode haver concessões, simplesmente não temos tempo para vacilações sem entusiasmo. É um caminho fervoroso de transformação completa, do qual não há como voltar atrás uma vez iniciado. A visão de amor que Babalon oferece à humanidade é profundamente profunda, abrangente e completamente alheia à realidade global atual, mas manifestar o 156 é absolutamente vital para que a humanidade sobreviva à atual queda livre na catástrofe. Este deve ser um esforço sustentado e incessante que só pode vir através da presença de praticantes que possam lidar com sua energia e atuar como fontes poderosas de seu Pneuma transformador.

Um fator extremamente importante na articulação de um sistema coerente e autêntico é a desconstrução da relação do corpo vivido com as práticas de magia sexual e uma investigação e teorização rigorosas da anatomia sutil feminina. É fundamental descobrir muitas formas sutis de viés estrutural que distorceram a corrente feminina e muitos anos de minha prática foram dedicados a essa área de pesquisa. Tem sido um processo intenso de desconstrução mágico-física e engenharia etérica em que a pessoa literalmente se “reconecta” para receber a corrente 156 criando uma arquitetura sutil inteiramente nova para habitação. A prática não apenas repara alguns dos grandes danos que foram causados ​​ao corpo e psique femininos, mas abre novos canais que estão alinhados com as novas fórmulas progressivas do aeon de 156. Através de muitos anos de trabalho intensivo, muito progresso foi feito e Babalon revelou um sistema de conhecimento que, como sugere a citação de abertura, do ‘discurso passado’. Ao longo de muitos anos, Babalon revelou um mysterium erótico que é progressivo, autopoiético, principalmente pré-textual, cinético e corpóreo por natureza. O uso do termo “Pré-textual” para descrever o sistema de conhecimento de Babalon não deve no entanto ser confundido com um eufemismo para qualquer tipo de capricho não estruturado de forma intuitiva. As práticas têm uma dinâmica estrutural interna altamente sofisticada que exige décadas de rigorosa disciplina para serem refinadas e são incrivelmente desafiadoras, exigindo muitos anos de treinamento.

“À medida que as emanações de Teth se desdobram, uma gama de tremores e vibrações incendiárias e orgásticas são ativadas no corpo da sacerdotisa. O frenesi mágico da corrente Babalon é distinguido por uma turbulenta corrente de kinesis sexual. Esse complexo espectro cinético cria significantes dentro da prática que a distinguem de outras formas de fenômenos ‘kundalini’; e é a fonte do que se torna uma tecnologia sexual complexa trazida sob a vontade mágica da sacerdotisa… Assim se aprende a lutar com uma linguagem vibracional e mágica fora do frenesi dionisíaco, sem ser consumido por isso”. Amodali falando na Galeria de Outubro. 2013.

Amodali.1998. ‘Hagazussa’ Sessions. Foto de Robert Cook.

Por muitos anos, parecia completamente contra-intuitivo escrever sobre o sistema em desenvolvimento, pois seu núcleo interno não pode ser comunicado verbalmente. Assim, a partir de 1990, criei projetos que comunicassem aspectos do sistema usando performance ritual. Eu senti que este era o meio mais preciso para articular a corrente, além do foco mais direto dos trabalhos mágicos pessoais. O projeto Mother Destruction foi lançado em 1990 com o lançamento do álbum ‘Seething’. O título refere-se ao erótico-cinético, energia no centro do sistema 156. Desenhei um sigilo para o projeto que apareceu na capa do álbum que ilustra o espectro cinético setenário que anima a magia de Babalon e o corpo da sacerdotisa (ilustração abaixo). O primeiro álbum apresentava práticas mágicas que usavam correspondências rúnicas em alinhamento com as emanações ofídias e bioeróticas de 156 e fundiam as duas correntes com experimentos usando técnicas de seidr (xamanismo escandinavo) e transe156. Esses elementos foram expandidos em rituais dentro do espaço da performance.

À medida que o sistema amadureceu, comecei a reunir o material, mas após uma série de experiências extremamente desafiadoras que mudaram radicalmente minhas circunstâncias de vida e minha perspectiva sobre o próprio trabalho, decidi a partir de 2010 me concentrar principalmente na escrita. Parecia oportuno apresentar o corpo do trabalho, ou o corpo ‘156’, embora em uma forma textual mais convencional, para contribuir para as discussões em andamento e o desenvolvimento da corrente dentro da comunidade mais ampla. A primeira palestra pública ocorreu em Londres 2013 na qual discuti alguns dos aspectos-chave do meu trabalho e sistema, delineando uma perspectiva pessoal da corrente, através da qual Babalon é entendida como possuidora de uma anatomia oculta específica e fenomenologia mágica em relação ao corpo feminino. Como afirmado anteriormente, esta é uma área de assunto vasta, em grande parte inexplorada, que até agora escapou de uma investigação aprofundada e, portanto, para introduzir o território, comecei com uma avaliação e interpretação pessoal do que Grant chamou de ‘Partículas Veladoras’, ou seja, fatores que obscureceram o corpo feminino e as práticas dentro da corrente Babalon e então descrevi como minha prática evoluiu.

Dissecando o ‘Corpo de Babalon’. Conferência do Livro Esotérico. 2014. Foto cortesia de Nathan Alexander.

O esquema simplificado que foi usado para ilustrar a anatomia oculta de Babalon’ é mostrado acima. As sete serpentes de Babalon gravadas com as ‘Marcas de Teth’, representando o espectro cinético-sexual de seus corpos, podem ser vistas como emanando do corpo da sacerdotisa que é encasulado pelas ‘vestimentas etéricas’ habitadas por uma egrégora de divindades venusianas. . Assim, esclarecendo Babalon como representando um sistema de conhecimento mágico complexo, em vez de um simples arquétipo. Descrevi essa configuração do corpo mágico como ‘autopoiética’ ou ‘autocriada’, um termo simples, mas que tem implicações fundamentais para as novas fórmulas mágicas do aeon que exigem uma reformulação radical da agência feminina e do corpo vivido em relação à prática mágica de 156 e ao cultivo de práticas solo para mulheres. Também foram exploradas as grandes contribuições da filosofia feminista para a formulação de conceitos de agência feminina e espaços fenomenológicos, citando a interpretação de Luce Irigaray e Julia Kristeva do conceito de platônico ‘Chora’ de espaço.

AS VESTIMENTAS DE GALVAH

‘A verdadeira sabedoria é sempre pintada com uma roupa de mulher’.
O espírito Galvah em conversa com Dee e Kelley

Durante as palestras, foi apresentada a relevância do Universo Enoquiano e suas fórmulas para a anatomia oculta feminina de Babalon. Especificamente, citando uma citação de ‘A Visão e a Voz’ que descreve a exploração de Crowley no 7º aethyr ‘DEO’ e sua visão do pavão universal. O sétimo aethyr enoquiano de DEO com suas correspondências venusianas é de grande importância dentro do sistema 156. Crowley encontrou a famosa “mulher vestida de sol” em sua esfera e a invocação de Parsons de DEO dentro de seus “trabalhos de Babalon” produziu o Liber 49 – O Livro de Babalon. Crowley descreve que durante sua tentativa de entrar no DEO, uma voz proclamou que “a chave para este portão é o equilíbrio do sete e do quatro”. Como será explicado em ‘As Marcas de Teth, e novamente mostrado na foto acima, esta fórmula é certamente a chave para a ‘arquitetura sutil de Babalon’. A forma ardente e incandescente de Galvah, que Kelley foi incapaz de olhar diretamente durante suas sessões de Previdência Angélica com Dee, pareceria congruente com a entidade radiante que Crowley encontra em DEO, que “transmite a palavra ao entendimento”. Durante suas conversas com Dee e Kelley, Galvah fala da conclusão do conhecimento e de uma sabedoria universal que surgirá durante o fim dos tempos, ela também liga firmemente a sabedoria ao corpo feminino. Assim, novamente ligando os temas do apocalipse, sabedoria, redenção e manifestação com uma figura feminina que é apresentada como “a mulher vestida de sol” no Livro do Apocalipse e revelada em profundidade nas dimensões venusianas do universo enoquiano. Como será expandido no M.O.T., as “vestes” da sabedoria descritas por Galvah não são de forma alguma metafóricas e constituem parte integrante da anatomia sutil do sistema de conhecimento.

Alguns dos arcanos internos e componentes técnicos do corpo mágico de Babalon e uma introdução ao sistema 156 foram apresentados no início deste ano como parte de ‘The Rose Veiled in Black’, uma antologia da Three Hands Press. A Antologia apresenta uma coleção de Ensaios sobre Babalon por uma lista de praticantes e acadêmicos altamente respeitados, homens e mulheres, que fornecem um discurso altamente matizado e informativo sobre a natureza de Babalon, trabalhos rituais ambiciosos, análise aprofundada de documentos importantes como ‘The Visão e a Voz’ e material biográfico instigante e comentários sobre figuras importantes da Corrente. Minha contribuição introduz uma abordagem pessoal da magia de Babalon que reconhece os espíritos femininos enoquianos como aspectos importantes do sistema 156. O universo enoquiano de Dee e Kelley é reafirmado dentro do sistema como chave para a reformulação radical da anatomia oculta feminina em relação a Babalon e um conjunto inteiramente único de práticas que envolve o trabalho direto com uma egrégora ‘Venusiana’ feminina que inclui correntes primordiais de Ísis/Ofídias e inteligências enoquianas femininas, particularmente Galvah. As práticas recriam de forma corporificada as fórmulas altamente misteriosas e ressonantes que se encontram no universo enoquiano e na própria corrente.

“Tu reconhecerás pelo sinal. Babalon nasce. É um novo nascimento, todas as coisas são mudadas – os sinais, os símbolos, o tudo.” (‘3º ritual. O Trabalho Babalon)

Na citação do trabalho de Parsons/Hubbard acima, Babalon anuncia a reforma radical que acompanhará sua ascensão. O ‘novo nascimento’ virá da enorme mudança de consciência criada por uma autêntica reificação da força erótica feminina que resultará em uma transformação global da sexualidade humana. O ensaio na Antologia Three Hands Press apresenta as fórmulas autopoiéticas que são derivadas do nome e substância da própria Babalon, mostradas no quadrado mágico abaixo. A mesa representa uma prática mágica que transforma o corpo da sacerdotisa e resulta na produção do ‘Elixir 49’. Esta é uma substância que incorpora uma nova formulação aeon do Pneuma feminino além do sistema ‘Kala’ como defendido por Grant e as tradições tifonianas, alinhando o corpo sutil feminino com o universo enoquiano.

“A sizígia de carne e pneuma, gerada pela sacerdotisa através da invocação de Babalon e dos espíritos enoquianos femininos, cria a matriz a partir da qual o complexo campo fenomenológico da magia de Babalon é gerado.” Amodali, Antologia ‘Introductory Theoria on Progressive Formulas of the Babalon Priesteshood’ – A ROSE VEILED IN BLACK’.

É através de Galvah/I AM, Madimi e a filha da fortaleza no universo enoquiano que podemos alcançar a fonte da sabedoria sexual universal da deusa primordial, manifestada nas fórmulas de Babalon. Na prática, descobriu-se que se pode descobrir através das inteligências femininas angélicas, um sistema de conhecimento de natureza totalmente erótica que permeia o universo enoquiano que forma um substrato energético dentro do sistema angélico. Essa sabedoria não textual é obviamente incrivelmente sutil e difícil de descrever. Das palavras da filha da fortaleza e Galvah, entendemos que essa sabedoria está incorporada nas roupas, ou seja, na carne da mulher. As ‘Vestuários de Galvah’ mostradas ao redor do corpo da sacerdotisa na fig. 3. representam um vasto mysterium dentro da anatomia oculta de 156. A conclusão lógica deste movimento é a manifestação real da corrente de 156 e isso significaria, como Parsons previu, que Babalon finalmente se manifestará em carne.

Para pesquisa mais profunda:

  • ‘Introductory Theoria on Progressive Formulas of the Babalon Priestesshood . Amodali.
  • A Rose Veiled in Black – Anthology. Three Hands Press.
  • The Marks of Teth. Amodali. Three Hands Press. Forthcoming.
  • The Five Books of Mystery. John Dee. Joseph Peterson.
  • A True and Faithful Relation. Dr. John Dee/M.Causobon.
  • The Vision and the Voice. Aleister. Crowley.
  • The Babalon Working. Liber 49. – Jack Parsons.
  • ‘The Seething’ Album and extensive back catalogue of Mother Destruction.]

Tradução: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/as-roupas-de-galvah-e-o-sistema-156/

Magia Sexual

A Magia Sexual, conhecida no Oriente como Tantra, é a prática ritualística desenvolvida através das energias canalizadas do corpo físico, da mente e do espírito humano. O ato de criar outras vidas através de relações sexuais e instituir uma força, ou um vínculo energético entre as pessoas envolvidas, é visto como místico e sagrado.

Como outras modalidades de Magia, a Magia Sexual também é um recurso usado como fonte do poder que fortalece as cerimônias ritualísticas e para obter o auto-conhecimento através da exploração do próprio corpo, psique e alma. A Magia Sexual é uma das faces mais importantes da Magia moderna.

Utilizada tanto nas escolas ocidentais como nas orientais, sua origem nos remete às práticas das crenças pré-cristãs, sendo que os primeiros registros datam de 3000 a.C.. A Antiga Religião da Europa baseava-se em ritos de fertilidade para assegurar a proliferação de animais, plantas e humanos. O conceito pagão da atividade sexual era saudável e natural. Era a mais poderosa energia que os humanos podiam experimentar através dos próprios sentidos, com a manifestação afetiva de um indivíduo ou simplesmente a ação de compartilhar prazer e desejo carnal com outra pessoa. Assim, mulheres consagradas serviam aos deuses em templos, o homossexualismo e o heterossexualismo eram apenas definições das preferências sexuais, etc.

Existem dois canais de energia no corpo humano que estão associados ao sistema nervoso central e à medula espinhal, conhecidos no Ocidente como Lunar e Solar ou Feminina e Masculina (receptiva/negativa e ativa/positiva). Geralmente, entre os não-praticantes da Magia Sexual, apenas uma das correntes de energia está aberta e fluindo. Entre as mulheres, apenas a corrente lunar flui desimpedida. Entre os homens, apenas o canal solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. Em todas as situações, este fato causa um desequilíbrio e influencia negativamente várias esferas da vida humana.

Portanto, segundo este raciocínio, o estado sexual natural é a bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina. Desse modo, o sexo é meramente uma circunstância física. O fluxo harmonioso das correntes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu.

Um dos maiores divulgadores da Magia Sexual contemporânea ocidental é Aleister Crowley, através da doutrina do Thelema. Posteriormente, diversas escolas iniciáticas a adotaram e adaptaram de acordo com a própria filosofia. Porém, os princípios básicos permanecem inalterados. Na Índia, ainda é uma das práticas mais utilizadas no hinduísmo.

Apesar de (teoricamente) compor vários sistemas mágicos, atualmente, a maioria das tradições não incorpora a Magia Sexual em suas atividades. Isto se deve a opção pessoal dos praticantes (inibição e preocupações com as doenças sexualmente transmissíveis) e a pressão social de uma cultura judaico-cristã, onde o sexo é visto como algo pecaminoso e polêmico. Deste modo, nos ritos sexuais modernos, são usadas representações simbólicas dos antigos elementos da fertilidade, sejam objetos que representem os genitais ou apenas uma dança ou encenação erótica.

Sagrado Feminino
Nas antigas crenças pagãs, os pólos femininos da criação eram reverenciados como sagrados e a mulher era vista como o principal canal gerador de vida. A Deusa era a divindade principal, responsável pela criação de todas as formas viventes. Dessa forma, os ritos que envolviam Magia Sexual, utilizavam-se de mulheres e do sangue menstrual como elementos principais do Altar Cerimonial.

O altar sagrado é formado por uma mulher que se deita de costas, nua, com as pernas dobradas e afastadas (de forma que os calcanhares toquem as nádegas). Um cálice é colocado diretamente sobre seu umbigo, ligando-o ao cordão umbilical etéreo da Deusa, a qual é invocada em seu corpo. Derrama-se o vinho sobre o cálice. O Sumo Sacerdote pinga três gotas de vinho, uma no clitóris e uma em cada mamilo, traçando uma linha imaginária que forma um triângulo no corpo feminino, tendo o útero como centro. Segue-se um beijo em cada ponto, enquanto a invocação é recitada.

Fluidos Mágicos
Os fluidos produzidos no corpo humano de forma natural ou através da estimulação sexual, também são utilizados nas cerimônias herdadas dos povos antigos que envolvem a Magia Sexual, e são empregados para um determinado objetivo.

O vinho ritual continha três gotas do sangue menstrual da Suma Sacerdotisa do clã, que unia magicamente os celebrantes nesta vida e nas próximas encarnações. Os caçadores e guerreiros eram ungidos com pinturas ritualísticas que continham sangue menstrual. Acreditava-se que ao unir o sangue de duas pessoas, criava-se um vínculo entre ambas. Ungir os mortos com o sangue era uma forma de assegurar o retorno à vida. O sêmen era considerado energia canalizada que vitaliza o praticante que o recebe. Ainda, o estímulo dos mamilos faz com que a glândula pituitária secrete um hormônio que ativa as contrações uterinas. Isso ativa o fluxo de certos fluidos através do canal vaginal.

Criança Mágica
A criança mágica é um termo utilizado na Magia Sexual ocidental para designar uma imagem no momento do orgasmo. Neste caso, a energia sexual não é liberada como no ato sexual tradicional, mas inibida por períodos prolongados e canalizada através da mente para que se manifeste numa forma de pensamento mágico, formando uma imagem astral durante o orgasmo.

Para esta atividade, é necessário que o praticante tenha desenvolvido a arte da concentra-ção/visualização e um controle firme sobre a própria força de vontade pessoal, de forma que no momento do orgasmo, não haja nada mais na mente que a imagem que deseja ver criada. Se estiver incompleta ou difusa, é possível que interferências negativas se manifestem e passem a consumir a energia sexual do praticante. Este conceito é uma das bases na crença dos Sucubus.

Pancha Makara
A corrente oriental da Magia Sexual, chamada Tantra, é dividida em cinco categorias de aplicações distintas conhecidas como Cinco M ou Pancha Makara, que em sua maioria, são canalizados no campo físico (Caminho da Mão Esquerda) e outro simbólico (Caminho da Mão Direita). O Pancha Makara recebe interpretações diferenciadas nas cerimônias praticadas nas correntes do Ocidente, ou em algumas situações, são adaptadas ou omitidas.

Madya Sadhana
A palavra Madya significa Licor e este princípio está relacionado à aplicação do Caminho da Mão Direita com uso adequado de estimulantes que ativam o sétimo chakra, Sahastrara, considerado o último nível de evolução da consciência humana e responsável pela integração dos outros chakras.

Mamsa Sadhana
O termo Mamsa pode ser traduzido como carne e significar que este princípio está associado ao uso ritualístico de carne. Também pode ser compreendido como fala (do verbo falar) e ser interpretado como uma invocação ou um mantra. Em quaisquer dos casos, está associado ao Caminho da Mão Esquerda (Físico).

Matsya Sadhana
Matsya significa peixe. Este princípio é usado tanto no aspecto físico como no simbólico. É visto como um fluxo psíquico que corre através dos canais da espinha dorsal, ou minoritariamente, como o consumo ritual de peixe num banquete ou Eucaristia.

Mudra Sadhana
Este é o mais conhecido fora dos círculos tântricos e é utilizado de maneira similar nos Caminhos Esquerdo/Direito. Representa o uso de posições específicas do corpo (especialmente da mão) para simbolizar ou encarnar certas forças, além de efetuar mudanças na consciência.

Maithuna Sadhana
A palavra Maithuna refere-se a união sexual. Este princípio, que atua tanto no aspecto físico como simbólico, está relacionado primitivamente com a atividade sexual. Porém, pode ser interpretado também como a atividade simbólica.

Por Spectrum

#MagiaPrática #Tantra

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-sexual

Último dia para apoiar o Financiamento Coletivo da História da Magia Ocidental !

O projeto

Dos mesmos editores de Kabbalah Hermética, da Enciclopédia de Mitologia, dos Livros Sagrados de Thelema, do Tarot Hermético, do Equinox e dos Livros Essenciais da Cabalá.

Apoie Já! https://www.catarse.me/historiadamagia

Reunimos neste projeto livros essenciais em várias áreas do Hermetismo, Thelema e Filosofia para definir a Magia no século XX e XXI. Este nosso vigésimo quinto projeto traz os livros que editaremos no segundo semestre de 2022, com previsão de entrega para Novembro. A grande vantagem de participar de um Financiamento Coletivo é que pretendemos publicar grimórios extras que serão entregues como presentes para os apoiadores conforme as metas estipuladas forem sendo batidas, como fizemos nos últimos dez projetos.

A HISTÓRIA DA MAGIA
A compreensão histórica da Tradição Esotérica Ocidental é o ponto de partida fundamental para todos aqueles que pretendem estudá-la e praticá-la, bem como a rota que deve nortear a nossa caminhada no seio da Tradição. Se não sabemos de onde viemos e onde se encontra cada um dos pensadores e movimentos que constituem o arcabouço do Esoterismo Ocidental, iremos correr o risco de, à moda New Age, colocar todos esses pensadores e movimentos em um único plano e compará-los como que se fizessem parte de um mesmo momento e, deste modo, incorrendo em erros primários. Um destes erros é olhar o passado como se ele fosse glorioso e o presente como um estado decadente; no outro extremo, faltar alinhamento, consonância ou correspondência com o momento histórico que iremos nos debruçar também é problemático. Compreendendo as raízes do movimento no qual decidimos trilhar a Senda da Iniciação, podemos segui-lo com mais segurança, consciência e mesmo como continuadores e perpetuadores da Tradição, nos tornarmos células vivas dela, acrescentando os nossos passos. Com tal objetivo, a obra História do Esoterismo Ocidental foi construída como uma introdução e roteiro a esse assunto tão importante ao Esoterismo Ocidental, mas, infelizmente, negligenciado. Originalmente concebida para ser um curso para os postulantes à Iniciação no seio da Irmandade dos Filósofos Desconhecidos, essa obra tomou proporções maiores e entendeu-se que ela precisaria ser disponibilizada para o benefício de todos os buscadores.

TREINAMENTO MÁGICO
Ao contrário do pensamento cada vez mais difundo na contemporaneidade, temos insistido de maneira muito categórica em que a Ordem Martinista, uma expressão da Escola Francesa da Tradição Esotérica Ocidental, é completa em si mesma. Com isso, queremos dizer que um buscador realmente implicado em sua busca encontrará tudo o que é necessário para seu crescimento espiritual dentro da Ordem Martinista. A respeito da obra que o leitor tem em mãos, ela nasceu no transcurso da pandemia de 2020. Nesse período, os conventículos martinistas das diferentes Heptadas espalhadas pelo Brasil foram suspensos e, ao contrário do que se poderia imaginar, tal situação proporcionou uma grande aproximação entre todos membros desses diversos corpos martinistas. Sob essa particular circunstância, atravessada pelo isolamento social e pela sensação de vulnerabilidade que proporcionaram uma busca mais intensa e urgente pelo aprofundamento no conhecimento e no desenvolvimento espiritual, o Treinamento Mágico que ora publicamos foi aplicado em âmbito nacional, entre estudantes de diferentes vocações e estágios no treinamento tradicional. Evidentemente, um treinamento como o que é aqui proposto exige do praticante disciplina e constância. Dentre os disciplinados que mantiveram a constância no Treinamento, destacou-se a compreensão de que um dos grandes méritos dele foi o de propor algo realmente possível de ser introduzido e realizado no cotidiano independentemente da agenda de cada qual, pois implica no máximo 15 minutos diários. Estamos enormemente satisfeitos por saber que, por meio desta publicação, muitos buscadores terão acesso ao nosso Treinamento Mágico e que poderão comprovar, por eles mesmos, a eficácia e a grandeza do que aqui é proposto. Por fim, frisamos que o nosso Treinamento Mágico não traz práticas restritas a iniciados martinistas, nem tampouco se limita ao “espírito” da Escola Francesa da Tradição Esotérica Ocidental.

THEOSOPHIA PERENNIS
Nestes artigos, ensaios e exposições, o autor Daniel Placido guiará o leitor por um passeio através de assuntos como mito, imaginário, Santo Graal, sufismo, gnosticismo, neoplatonismo, teosofia, prisca theologia, Vedanta, filosofia da natureza, esoterologia, antroposofia, Nova Era, acompanhados por expoentes ocidentais e orientais clássicos da sabedoria perene como Fílon, Plotino, Shankara, Sohravardî, Ibn ‘Arabî, Marsílio Ficino, Jacob Boehme, Emanuel Swedenborg, William Blake, Ramana Maharshi, sem falar de pensadores mais contemporâneos como N. Berdiaev, Henry Corbin, M. Eliade, F. G. Bazán, entre outros.

Subjacente à diversidade de temas e autores, existe a concepção de Theosophia Perennis (Teosofia Perene): uma sabedoria divina pertinente às diferentes tradições filosófico-esotéricas do Ocidente e do Oriente, sem negar a pluralidade e dissonância dentro dela, como uma árvore cheia de galhos e ramificações.

GNOSTICISMO THELÊMICO
Poucas palavras foram tão combatidas e incompreendidas através dos séculos do que Gnose e Gnosticismo. Sua história é longa e remonta aos primeiros anos da Era Comum, ou da Era Cristã, quando as mensagens ainda eram transmitidas majoritariamente de forma oral, através dos viajantes e comerciantes que circulavam pelo Império Romano, em uma época em que sequer o Cristianismo, como nós o conhecemos hoje existia, ele ainda engatinhava para tomar forma nos séculos seguintes, através de tratados e concílios.

No século XX o gnosticismo (ou neo gnosticismo) se aproximou de Thelema, uma lei ou filosofia que ganhava as luzes do mundo graças ao trabalho daquele que seria considerado o “O homem mais ímpio do mundo”, Aleister Crowley. A espiritualidade, porém, não para, e tanto o Gnosticismo quanto Thelema continuaram a caminhar e a se desenvolver, dentro daquilo que hoje, no século XXI, reconhecimentos como Gnosticismo Thelemico.

AUTO-INICIAÇÃO NA MAGIA ENOCHIANA
A magia enochiana é, sem duvida, um dos sistemas mágicos mais cobiçados pelos praticantes de magia cerimonial desde a Ordem Hermetica da Aurora Dourada, sendo considerada por muitos como um dos sistemas mágicos mais poderosos do mundo, rivalizando com os mais populares sistemas de magia Salomônica.

APROXIMANDO-SE DE BABALON
Aproximando-se de Babalon apresenta uma série de ensaios explorando a Deusa Babalon, o Divino Feminino, a Madona Negra e o circuito sempre revolvente do Sexo e da Morte, que se encontra no centro dos Mistérios.
Uma visão geral e uma introdução à Deusa Babalon que toma um caminho diferente daquele de Crowley e seus seguidores, Aproximando-se da Babalon se baseia nos insights de Thelema, Magia Cerimonial, Teoria Crítica, Teologia da Libertação e dos Decadentes para tecer sua poética magico-teológica.

Centralizando o corpo e a experiência corporal, a autora rejeita os misticismos patriarcais que buscam fugir do corpo e do mundo e se deslizar na pura luz branca do tédio racionalista celestial. Inspirador, erótico e profundamente poético, o texto atinge dimensões extasiantes ao oferecer uma visão caleidoscópica de magia, sexualidade, espiritualidade, ritual e do corpo no tempo do apocalipse.

A FADA DO DENTE
Dente é uma palavra que, entre outras coisas, é tradução para o português da letra hebraica שׂ (Shin). Nos tarôs tradicionais, essa letra é relacionada ao Arcano do Louco, mas no Tarô de Thoth é ligada ao arcano do Aeon, uma das mais belas lâminas pintadas por Lady Frieda Harris e um dos maiores rompimentos deste para com as cartas de tarô criadas anteriormente. E aqui temos uma chave interessante, porque o Louco e o Aeon seriam uma forma apropriada para o tarô descrever o livro que você está prestes a ler.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/%C3%BAltimo-dia-para-apoiar-o-financiamento-coletivo-da-hist%C3%B3ria-da-magia-ocidental

Como a religião mata Deus

“A pergunta diante de tudo e de todas as coisas, ‘Você quer isto mais uma vez e incontáveis vezes?’”
– Nietzsche

“Em geral, chamamos de destino as asneiras que cometemos.“
– Schopenhauer

E somos todos crianças do Iluminismo, netos, bisnetos e tataranetos do Século das Luzes, um nome que deixa claro que a idade das trevas, da ignorância – a Idade Média – não apenas ficou para trás mas foi Iluminada, deixando de existir. E com ela toda a ignorância e superstição, a mitologia que se contrapunha a razão foram, ou começaram a ser, erradicadas.

A filosofia de fins do século XIX pareceu pregar o último prego no caixão do cristianismo na figura do – tão propriamente apelidado – Martelo de Bigodes, que deu sentença última ao cristianismo escrevendo em seu O Anticristo que “O Evangelho morreu na cruz”.

A biologia não ficou para trás neste apedrejamento digno da Bíblia, afirmou que o homem não havia sido criado mas sim evoluído, como todos os outros animais. Em Dawkins Darwin encontrou a pedra sobre a qual sua igreja foi edificada, o papa transviado do ateísmo.

Cada nova década trazia evidências observadas em microscópios eletrônicos e confirmadas por cálculos matemáticos que os mitos primitivos de nossos antepassados não passavam de coisas vãs, tentativas simplórias de pessoas rústicas para explicar o desconhecido mundo que as continha. E hoje religião, especialmente a cristã e a islâmica, se tornam sinônimos de crenças desesperadas de se acreditar no inacreditável, no invisível e no impossível com o objetivo de fazer o crente se sentir, ao menos, importante – já que um ser onipotente se preocupa em lhe ouvir as preces (e quiçá realizá-las).

Mas qualquer pessoa que deixe este novo orgulho cientifista, tão grande e amargo quanto o orgulho religioso, logo percebe que o Iluminismo não foi o remédio contra a doença da beatitude e sim o resultado inevitável dela.

Por anos a Igreja não apenas coletou e guardou o conhecimento como o distribuiu de maneira cada vez mais eficiente pela europa. Todos os astros do Iluminismo foram educados pela igreja e todo ícone pop da época era devoto – mesmo que tentemos fingir não se passar de um teatro para não atrair a fúria romana. A ciência e filosofia, assim como a matemática e a música existem hoje por causa da igreja e do catolicismo e seus cismas.

E para aqueles que acreditam que caminhamos a um futuro onde a ciência prove que Deus não existe, nos livrando de um onipresente e severo Juiz que a cada ato nosso está atento, pensem novamente. Esta época que vivemos não é a primeira – e provavelmente nem será a última – a tentar sepultar um ou vários Deuses. Como pragas eles sempre voltam a nos atormentar.

Toda a cultura ocidental que existe hoje nasceu na Grécia antiga, e então – como um vírus – chegou a Roma e então se espalhou pela europa como uma praga.

Na Grécia antiga o mito não era visto como uma mera representação, uma fábula ou parábola. Mitos tinham o peso da lei, da moral e dos costumes. Os gregos caminhavam lentamente para fora de sua pré-história e esse mitos eram passados de geração a geração, de povoado a povoado de forma oral graças a poetas ou bardos.

Quando o mito era reduzido a uma obra de arte (uma canção ou poesia, por exemplo) ocorre uma cristalização: o que antes vivia em variantes começa a se tornar um cânon, sua diversidade e seus nuances começam a se transmutar em uma versão oficial aceita por todos. Claro que esse cânon não surgia apenas da mente do poeta, a variante apresentada por um vate de prestígio impunha-se à consciência pública e se tornava, com o devido tempo, o mito canônico que atravessava e educava gerações.

E desta forma poetas e artistas recolhiam várias crenças espalhadas por ilhas e continentes e as compilavam, destilavam e usavam de sua arte e engenho para criar algo mais próximo do real – sempre inspirado por musas que lhe faziam cantar a Verdade.

Mas essas não foram as únicas alterações que essas verdades coletivas sofreram, por mais que poetas e artistas reduzissem e recriassem os mitos de acordo com as novas exigências estéticas e artísticas, eles as aceitavam e as mantinham.

O pensamento racional, ao contrário do que muitos pensam, não é um modismo atual e contemporâneo. Na época pré-Socrática muitos pensadores tentaram encarar com visão crítica os mitos e por consequência os desmitizar e dessacralizar em nome do lógos – a razão.

Mircea Eliade afirmou que: “Em nenhuma outra parte vemos, como na Grécia, o mito inspirar e guiar não só a poesia épica, a tragédia e a comédia, mas também as artes plásticas; por outro lado, a cultura grega foi a única a submeter o mito a uma longa e penetrante análise, da qual ele saiu radicalmente ‘desmitizado’. A ascensão do racionalismo jônico coincide com uma crítica cada vez mais corrosiva da mitologia ‘clássica’, tal qual é expressa nas obras de Homero e Hesíodo. Se em todas as línguas européias o vocábulo ‘mito’ denota uma ‘ficção’, é porque os gregos o proclamaram há vinte e cinco séculos”.

O que primeiro despertou a atenção dos pensadores Jônicos não foi a essência do mito em si, mas as atitudes e a moral dos Deuses. Xenófanes (576-480 a.C.) já dizia que um Deus verdadeiro jamais poderia ser concebido como injusto, vingativo, adúltero e ciumento.

“No dizer de Homero e de Hesíodo os deuses fazem tudo quanto os homens considerariam vergonhoso: adultério, roubo, trapaças mútuas” (Frgs. B11, B12). Repele a concepção de que os deuses tenham tido um princípio e se assemelhem aos homens: “Mas os mortais acreditam que os deuses nasceram, que usam indumentária e que, como eles, têm uma linguagem e um corpo” (Frg. B14). O antropomorfismo, iniciado com Homero e aperfeiçoado por Hesíodo, é violentamente censurado: “Se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos e pudessem, com suas mãos, pintar e produzir as obras que os homens realizam, os cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, os bois semelhantes a bois e a eles atribuiriam os corpos que eles próprios têm” (Frg. B15).

E isso não era afirmar que Xenófanes fosse algum tipo de primeiro ateu, seus pensamentos eram muito mais sérios – e sacros:

“Há um deus acima de todos os deuses e homens: nem sua forma nem seu pensamento se assemelham aos dos mortais” (Frg. B23).

As críticas dos nacionalistas cresciam e se tornavam mais poderosas e Demócrito (520-440a.C.) acertou no caixão dos Mitos um prego talvez mais poderoso que o de Nietzsche mais de dois mil anos depois. O filósofo de Abdera afirma que tudo o que existe é a manifestação do choque entre partículas indivisíveis: os átomos.

“Por necessidade da natureza, os átomos movem-se no vácuo infinito com movimento retilíneo de cima para baixo e com desigual velocidade. Daí entrechoques atômicos e formação de imensos vórtices ou turbilhões de que se originam os mundos”

Assim tudo o que existia, fosse o objeto mais concreto – como uma rocha – ou o mais sútil – o ar, a alma, os deuses – está inevitavelmente sujeito à Lei da Morte.

E quanta gente não acha que a ciência de hoje é que foi a responsável pelo funeral dos deuses.

Demócrito pôs em xeque não a moralidade ou a humanização dos deuses, mas algo mais fundamental: por um lado afirmava que os deuses vulgares e a mitologia nasceram da fantasia popular e por outro, embora não descartando a existência de deuses reais, “Superiores”, os sujeitava à Lei funesta: “Deus verdadeiro e natureza imortal não existem”. Era a imortalidade que ele matava.

Na esteira de Demócrito outros vieram.

Píndaro (521-441a.C.) – um dos maiores e mais religiosos poetas de Helade – começou a filtrar o mito. Para ele todas as variantes de um mitologema tem como origem um único mito verdadeiro, todo o resto são devaneios estéticos criação de poetas.

“O mundo está repleto de maravilhas e, não raro, as afirmativas dos mortais vão além da verdade; mitos, ornamentados de hábeis ficções, nos iludem. .. As Graças, a quem os mortais devem tudo quanto os seduz, tributam-lhes honras e, as mais das vezes, fazem-nos crer no incrível!” … “O homem não deve atribuir aos deuses a não ser belas ações. Este é o caminho mais seguro”.

Os deuses deveriam apenas nos mostrar o correto, e para isso o maior dos líricos da Grécia truncou, moldou, cortou, e alterou mitos para que se tornassem espelhos de suas exigências morais.

E não foi o único grande nome a fazer isso. Esquilo (525-456 a.C.) destilou do mito apenas seus aspectos sadio. Junito Brandão de Souza, em seu Teatro Grego, Origem e Evolução, afirma “O dever do poeta, diz Ésquilo a respeito do mito de Fedra, é ocultar o vício, não propagá-lo e trazê-lo à cena. Com efeito, se para as crianças o educador modelo é o professor, para os jovens o são os poetas. Temos o dever imperioso de dizer somente coisas honestas”.

Eurípides (480-406 a.C.) foi outro gigante que trilhou pela senda de Xenófanes.

Outro ponto interessante que serviu como ir minguando o poder dos antigos deuses foi a politização! Veja, Atenas, a acrópole, se tornou o centro do mundo que era a Grécia e logo os mitos, quase todos, passam a sofrer de uma deslocação fazendo com que acabassem passando, em um momento ou outro, pela cidade. As peregrinações dos heróis os levam a Atenas, o desejo de defender a hegemonia política ateniense faz com que seus poetas começam a tomar certas liberdades criativas com certos mitos, incluindo neles genealogias duvidosas, dando à cidadela importantes fatos históricos que deformavam a cronologia de acontecimentos míticos ao mesmo tempo que denegriam heróis e feitos das cidades vizinhas e concorrentes. Admeto da Tessália, Édipo de Tebas, Adrasto de Sicione, Orestes de Argos… a lista dos que desfilaram pelas ruas atenienses é enorme.

O século V a.C. viu o desabrochar de ilustres discípulos da crítica racionalista. Tucidides (460-395 a.C.) – ao contrário de Heródoto (480-425 a.C.) – o pai dos historiadores – expulsa os deuses de sua História da Guerra do Peloponeso, foi ele o responsável por transformar o adjetivo mythôdes, que tem por significado aquilo que é “semelhante ao mito”, em sinônimo de “fabuloso”.

Assim os sofistas, tomando partido das condições políticas e sociais, abalaram os nervos da pólis, tirando vantagem da senda aberta a golpes de machete pela ceticismo, varrendo todo o conceito de mito da mente de seus jovens discípulos.

E assim ao chegarmos ao século IV a.C. os deuses e deusas do passado não passam a ser compreendidos como alegorias ou tentativas de explicar o processo de apoteose de homens ilustres. Eles não eram mais verdadeiros mas sim suposições com significações ocultas. Outrora deuses passam a ser meros fenômenos naturais e suas leis e histórias mera poesia e entretenimento.

Mas os deuses não permanecem mortos novamente, com o império romano voltaram, e novamente foram enterrados pelo ceticismo até que o império ruísse e um novo Deus surgisse, tão real e palpável quanto as catedrais que erigiam em sua homenagem.

O que muitos não percebem ao chegar a este ponto é que não era a razão científica que atirava pedras nas divindades, rotulando-as de superstições, era homens de religião que tentavam se aproximar de uma Divindade insondável que tentavam se livrar das alegorias humanas, criadas por humanos para tentar compreendê-los. Ao questionar que Deus não podia ser onipotente e onipresente, não levantavam dúvidas a respeito de sua existência, mas o despiam de conceitos humanos, tentando enxergar mais longe além do véu.

Não pense agora que nossa ciência e inteligência hodiernas serão o fim daquilo que tão orgulhosamente consideramos ser apenas mitos, estórias e metáforas. Ela apenas se apoia de forma capenga e não criativa em questionamentos filosóficos que os papagaios que os repetem sequer compreendem. Estamos, enquanto sociedade iluminada, apenas usando o conhecimento que recebemos dos sacerdotes e crentes de uma divindade para solapar seu Deus. Tal qual Cronos fez com seu pai Urano e Zeus fez com seu pai Cronos. Da mesma maneira que incontáveis “homens da razão” fizeram antes de nós com a mesma convicção que os mais notórios biólogos que a mídia nos trazem tem.

E encerro apenas com o lembrete quase profético que o poeta John Donne escreveu, inspirado talvez pelas mesmas musas que inspiraram Hesíodo e Homero, em 1609 e que talvez a muitos fãs de Howard Phillips Lovecraft pareça familiar:

“Após curto sono, acorda eterno o que jaz,
E a morte já não é; morte, tu morrerás.”

 

 

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/como-a-religiao-mata-deus/

Ritos Maçônicos no Brasil

Rito de origem francesa, foi substituído na França pelo Rito Moderno EM 1785, mas continuou sendo praticado no Brasil, onde foi o primeiro Rito a ser adotado.

O Rito Adonhiramita é considerado irregular por boa parte da comunidade maçônica internacional pelo fato de modificar a Lenda do Grau 03, o que fere um dos principais Landmarks maçônicos (3º Landmark de Mackey, por exemplo) que considera a lenda do Grau 03 imutável.

Se não fosse pelo fato do Rito ter sido descontinuado na França, quando da adoção do Rito Moderno, o Adonhiramita seria o mais antigo ainda em prática no mundo. Porém, ele se viu encerrado em 1.773, e só foi reativado, já no Brasil, em 16/01/1838, sofrendo então grande influência do Rito Moderno, e trabalhando apenas nos Graus Simbólicos. Os Graus Superiores desse Rito só entraram oficialmente em atividade em 02/06/1973, quando da fundação de seu Supremo Conselho, aqui no Brasil, único no mundo.

O Rito Adonhiramita somente é praticado no Brasil e, mais recentemente, por algumas poucas Lojas em Portugal.
RITO BRASILEIRO

Sonho antigo do Grande Oriente do Brasil, o Rito Brasileiro somente tornou-se realidade em 1914, pelas mãos do então Grão-Mestre do GOB, Lauro Sodré. Sobreviveu até meados de 1940, quando entrou em desuso. Somente em 13/03/1968, no auge da Ditadura Militar e de sua propaganda nacionalista, o Rito foi reativado e permanece ativo até hoje.

Considerado uma cópia abrasileirada do Rito Escocês, ele também trabalha com sistema de 33 graus, sendo os 03 simbólicos e 30 graus superiores, além de também adotar a cor púrpura do REAA.

O Rito Brasileiro só é praticado no Brasil.

RITUAL DE EMULAÇÃO & SISTEMA INGLÊS MODERNO

O Ritual de Emulação só trabalha nos 03 graus simbólicos. O Emulação é um dos vários rituais praticados por Lojas da GLUI, sendo o mais popular deles. Há outros como: Bristol, Stability, Oxford, Taylor’s, Humber, Logic, West End. Todos são similares entre si, visto que a GLUI apenas determina que se observem os antigos costumes por ela adotados.

 O GOB adotou o Emulação para reforçar seu tratado de amizade e mútuo reconhecimento com a GLUI. Porém, quando da tradução para o português, o Ritual ficou erroneamente conhecido como “de York”.

Podemos chamar de “Sistema Inglês Moderno” os corpos ingleses de aperfeiçoamento, que possuem origens diferentes e trabalham de forma totalmente independente dos Rituais Simbólicos lá praticados. Entre eles, podemos citar: Mestre de Marca e Santo Arco Real, Nauta, Templários e Malta.

RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

O Rito Escocês Antigo e Aceito é o mais praticado no Brasil e na maioria dos países da América Latina nos graus simbólicos, e é o Rito mais praticado no mundo nos Graus Superiores. Apesar de muitos autores e Irmãos declararem que o Rito teve origem na França, isso é algo discutível. O Rito foi realmente consolidado na França, mas sua origem pode se dizer escocesa, visto que teve origem quando Carlos I, rei da Inglaterra e de origem escocesa, exilou-se com sua família e famílias nobres mais próximas (também de origem escocesa) na França. Desse nicho originou-se na França o Rito de Heredom, composto de 25 graus. Mas apenas nos EUA o Rito passou a ter 33 graus e a ser chamado de Rito Escocês Antigo e Aceito.

Digamos então que é um rito criado nos EUA sobre uma base francesa com raízes escocesas.

Os 33 graus do Rito Escocês são concedidos em Loja Simbólica, Loja de Perfeição, Capítulo Rosa Cruz, Conselho Kadosh e Consistório.

A data-marca do REAA é 31/05/1801: fundação do 1º Supremo.

RITO FRANCÊS OU MODERNO

Apesar de declarar ter sido criado em 09/03/1773, o que o tornaria o Rito mais antigo ainda praticado no mundo, o Rito Moderno foi totalmente reformulado e reescrito, e somente tomou a forma com que é praticado atualmente quando da chamada “Reformulação”, ocorrida em 1877, quando se suprimiu a crença em um Grande Arquiteto do Universo e na Imortalidade da Alma de toda simbologia, filosofia e frases do Rito. O nome foi mantido, mas a Reformulação praticamente criou um novo Rito, diferente do seu original. Essa atitude em relação ao GADU, ao Livro da Lei e à Imortalidade da Alma promovida na ritualística e leis do Grande Oriente de França foi interpretada pela GLUI como um desrespeito aos antigos Landmarks, ocasionando no rompimento das relações entre a GLUI e o GOdF, rompimento este que dura até os dias de hoje.
RITO SCHRODER

O Rito Schroder é um rito de origem alemã e surgiu no Brasil através da colonização alemã no sul do país. O Rito surgiu na Alemanha para substituir o Rito da “Estrita Observância” que possuía forte influência da cavalaria templária, distanciando-se assim do simbolismo da maçonaria operativa, o que, com o tempo, gerou grande descontentamento dos líderes e estudiosos maçônicos.

Foi então que o Irmão Schroder começou a escrever o Rito que acabou ficando conhecido pelo seu nome. O novo Rito foi aprovado por unanimidade na assembléia dos Veneráveis Mestres de Hamburgo no dia 29/06/1801, sendo, portanto, apenas poucos dias mais velho do que o REAA.

O Rito trabalha apenas nos três graus simbólicos, e busca se desvencilhar de influências de outras doutrinas, filosofias, ordens e símbolos que não sejam oriundos da Maçonaria Operativa.

RITO DE YORK

O Rito de York é algumas vezes chamado de Rito Americano, ou mesmo de Rito Inglês Antigo. Além dos 03 graus simbólicos, ele possui mais 10 Graus, divididos nos organismos: Capítulo do Real Arco (Mestre de Marca, Past Master, Mui Excelente Mestre e Maçom do Real Arco); Conselho Críptico (Mestre Real, Mestre Escolhido e Super Excelente Mestre); Comandaria Templária (Ordem da Cruz Vermelha, Ordem da Cruz de Malta, Ordem dos Cavaleiros Templários).

O Rito de York é o rito mais antigo praticado no mundo, tendo como data-marca 24/10/1797.Também é o Rito com mais membros praticantes no mundo: mais de 60% dos maçons no mundo adotam o “Monitor de Webb”, como são conhecidos os graus simbólicos do Rito de York, em homenagem ao seu autor. Já suas Comandarias Templárias são tidas como os únicos Corpos Maçônicos fardados da atualidade.

Alguns irmãos brasileiros confundem o Rito de York com o Sistema Inglês Moderno, o qual possui alguns graus similares. Porém, o Sistema Inglês é bastante diferente, não possuindo um formato de escada como ocorre no Rito de York, Escocês e vários outros ritos.

#Maçonaria

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Dez Conselhos de Magia Prática

Esclareço logo que: Não tenho a intenção de ensinar a ninguém como viver a própria vida. A única intenção é compartilhar lições importantes sobre compreensão de si e da vida no sentido amplo, e espero que isso venha a servir como uma fonte de inspiração para você.

Acredito honestamente que uma das melhores coisas da vida é saber que sempre podemos nos desenvolver mais e adquirir maior consciência de nós mesmos e assim expandir nossa realidade e percepção. Podemos ser melhores, mas felizes e mais sábios a hora que desejarmos. É apenas questão de escolha.

Cada uma das lições possui um valor único. Os conceitos aqui compartilhados são anotações pessoais, trabalhos de grandes pensadores e consultores de desenvolvimento pessoal e motivação.

“A vida é uma conseqüência das escolhas que fazemos diariamente. A combinação dessas escolhas é que define nossa realidade e influencia nosso modo de lidar com nós mesmos e com o resto do mundo.” – Ulisses Freitas

1• Aprenda a ter consciência daquilo que é importante em sua vida e o que não é. Não desperdice seu precioso tempo e energia em coisas que não irão te levar a lugar nenhum. (Não falo de Hobbies, e sim de coisas que não possuem direcionamento). Procure entender o poder de escolha que você tem em sua vida e saiba decidir quais portas abrir e quais fechar e, assim, quando tomar um caminho errado, será humilde o suficiente para assumir seu erro e refazer as coisas com cabeça erguida.

2• Não projete sua força ou fraqueza nos outros. Elabore uma lista de todas as pessoas que você admira e as características que você admira nelas. Elabore outra lista com as pessoas que você odeia e coloque nessa lista as características que você menospreza nessas pessoas. Após isso, observe as características que você admira e também as que você menospreza e perceberá que estará olhando num espelho. As características que você deprecia são aquelas que você menos gosta em si, as que você teve/tem. As características que você admira são as que você não está permitindo desenvolver em você. Não projete isso nas outras pessoas, torne-se responsável por isso.

3• Você nem sempre irá conseguir aquilo que quer. Como Mick Jagger disse: “Você nem sempre consegue o que quer, mas se tentar, algumas vezes você encontra o que você precisa.” Olhe ao seu redor e aprenda a valorizar tudo que tem em sua vida, aprecie as coisas que você tem agora, sim você pode não ter tudo, mas algumas pessoas não tem nada.

4• Não rebaixe alguém para outra pessoa. Um Homem honrado não tem um comportamento infantil como esse. Se você tem problema com alguém, tome coragem e fale.

5• Sorria, mesmo quando tudo for tristeza. David Deida diz: “A man should lie with a hurting heart rather than a closed one”. Normalmente abraçamos o prazer e nos fechamos para a dor. Isso é um erro, pois “quando a casa cair” e só restar uma dor profunda, abrace-a inteiramente, mantenha o peito aberto. Encare diretamente seu sofrimento, sem medo, sem esperança. Aquele que se fecha para seu sofrimento próprio trava-se também para a alegria, para o êxtase, para o amor e, principalmente, para a dor e sofrimento de sua(s) parceira(s).

6• Valorize seus amigos da mesma forma que eles te valorizam, lute por aqueles que lutarem por ti, reconheça-os e defenda-os quando necessário, mas para aqueles que não fazem o mesmo por você, afaste-se, pois esses não são seus amigos e alguns nem sabem o que é amizade verdadeira.

7• Orgulhe-se de quem você é e de onde veio, pois ninguém é melhor que você e nunca será, pois cada um tem seu valor. Como homem, amigo, irmão, filho, pai e etc, você é e sempre será insubstituível.

8• Jamais compare sua vida ou seu nível de sucesso com outras pessoas, pois você não tem idéia do que eles têm feito e eles não sabem o bem que você faz e o mal que você evita fazer, compare sua vida e sucesso apenas com seu passado, tudo aquilo que já fez e deixou de fazer para chegar onde está hoje.

9• Mostre quem você realmente é sendo honesto com si mesmo e com aqueles que te cercam, não tenha medo de dizer aquilo que DEVE ser dito, aquilo que pensa e aquilo que os outros pensam, mas ninguém tem coragem de falar, mas saiba expressar-se de modo justo, seja em relacionamentos familiares, relacionamentos amorosos ou amizades, isso é realmente manifestar seu caráter, e acredite as pessoas gostam e irão respeitá-lo ainda mais por isso.

10• Descubra seu propósito de vida e continue nele. Nesse tempo onde a tecnologia reina e com explosão demográfica, opções, possibilidades e escolha são milagres e ao mesmo uma agonia. Estamos vivendo em uma época em que as escolhas são simplesmente infinitas, vários objetivos, metas, influencias externas o tempo todo e isso costuma causar uma confusão mental enorme em nós, pois diante de tantas possibilidades não conseguimos fazer uma escolha e permanecer nela, muitas vezes pensamos: “Nossa! O fulano está fazendo isso, talvez eu devesse seguir esse caminho também…” E mudamos totalmente nosso rumo, por diversas vezes acabamos por nos perder. “O homem que caça dois coelhos não pega nenhum.” – Confúcio.

#Arte

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Maldição contra Razão

Psicologia do Liber Al: pt4 -Maldição Contra a razão

Sendo a Vontade algo além do descanso, propósito, apego aos resultados e moralidade, ele também transcende a razão e a mente em geral, em um sentido importante. No funcionamento normal da vida cotidiana, a mente e a razão muitas vezes desempenham partes integradas: Thelema não nega a utilidade da mente e da razão, mas procura colocá-la no lugar certo. No Ocidente, a razão ocupou uma posição central em filosofia, pelo menos desde Sócrates. A razão foi pensada para ser a única maneira de verificar a verdade, e às vezes a razão muitas vezes era equiparada a Deus .¹ O primeiro grande crítica do domínio da razão na mente ocidental veio de Kant quando ele publicou sua Crítica da Razão Pura e demonstrou seus vários limites. Este tipo de crítica do domínio da razão sobre as ações de uma pessoa possui eco no Liber AL vel Legis. Essencialmente, o domínio e o controle da mente, especialmente a razão,, sobre a Vontade do indivíduo, são questionados. Liber AL vel Legis diz,

“Há um grande perigo em mim; pois quem não entende estas runas cometerá um grande erro. Ele cairá no abismo chamado Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.Agora uma maldição sobre Porque e sua família! Possa Porque ser amaldiçoado para sempre! Se a Vontade para e clama Por que, invocando Porque, então a Vontade para & nada faz.Se o Poder pergunta por que, então o Poder é fraqueza. Também a razão é uma mentira; pois há um fator infinito & desconhecido; & todas as suas palavras são meandros.. “²

Mais uma vez, devemos enfatizar que Thelema não está negando a necessidade prática da razão, mas tenta delinear os limites da razão para o funcionamento mais eficaz da vontade. Sobre este, Crowley escreve: “Não devemos supor por um instante que o Livro da Lei se opõe à razão. Pelo contrário, sua própria reivindicação de autoridade recai sobre a razão, e nada mais. Despreza as artes do orador. Isso o torna um autocrata da mente. Mas esse mesmo fato enfatiza que a mente deve atender aos seus próprios negócios. Não deve transgredir seus limites. Deve ser uma máquina perfeita, um aparelho para representar o universo com precisão e imparcialidade ao seu mestre. O Eu, a Vontade e a Apreensão, devem estar completamente além disso. “³

Primeiro, “Porquê (nt do td:Because)”, “Razão” e “Por que”(nt do trad:why), são atacados sob a forma de uma maldição pelo falante do Livro. Se alguém perguntar “por que” significa ou que quer algo ou se é por causa de algo, isso aflige a Vontade e “enfraquece o poder”. Foi visto em um segmento anterior deste ensaio que, se a Vontade for considerado “perfeita em todos os ângulos” deve continuar indo ou trabalhando sem consideração ao propósito. Desta forma, a Vontade será “amenizada”. Crowley escreve: “Não há “razão” por que uma Estrela deve continuar em sua órbita. Deixe ela rasgar! “4 e também,” É ridículo perguntar a um cachorro porque ele late. Deve-se cumprir a verdadeira Natureza, é preciso fazer a Vontade. Se indagar é destruir a confiança e, assim, criar uma inibição “.5 Essas considerações de propósito são entendidas agora para causar a” vontade de parar e não fazer nada “, essencialmente tornando-a impotente. Portanto, a própria natureza de nossas ações não é decidida por razões conscientes, mas deve ser decidida pela Vontade. “A razão é uma mentira” por causa de um “fator infinito e desconhecido”, que Crowley afirma claramente “é a vontade subconsciente” .6 O subconsciente, naturalmente, não pode ser completamente compreendido pela mente consciente, a esfera da razão, portanto, para a razão as “palavras” são manipulaveis. “Nunca pode delinear a verdadeira Vontade em palavras por causa da Vontade subconsciente, um fator que é, por definição,” desconhecido “ou abaixo do nível consciente de percepção. Portanto, a Vontade certamente não pode ser limitada com o “força de vontade” ou “volitivo”, pois a vontade deve abranger o aspecto subconsciente de si mesmo, bem como o consciente.

Crowley afirma essa doutrina quando escreve: “Toda vez que os atos conscientes interferem com o Subconsciente … É a voz do Homem, e não de um Deus”. Qualquer homem que “ouve a razão” deixa de ser revolucionário “. 7 Aqui, Crowley faz o subconsciente análogo à” voz de … um Deus “, pois as profundezas dos conteúdos inconscientes contêm potências latentes que parecem deuses quando despertadas e assimilado. Crowley explica a posição de Liber AL sobre a razão sucintamente:

“Nós agora chegamos a um desafio que é, de certa forma, ainda mais ousado do que qualquer outro feito. Antes, o sentido moral dos homens estava indignado. Ele agora se volta para atacar a própria Razão. Ele parece o motivo como uma máquina sem alma. Sua função adequada é expressar a Vontade em termos de pensamento consciente, sendo a vontade do eu mais íntimo se expressar causando algum Evento “.

Este é o resumo do ponto de vista de Liber AL Vel Legis sobre o uso correto da razão. Aqui vemos que essa razão é “uma máquina sem alma” na medida em que o eu ou a alma real não está na Razão, mas a Vontade apenas utiliza razão e mente em geral como uma máquina para expressão. Essencialmente, a função adequada da razão é expressar a Vontade em termos de pensamento consciente, mas não ditar suas ações, pois isso faria com que a Vontade “pare e não faça nada”. A idéia por trás disso é que o motivo não pode compreender e executar completamente exigências da Vontade porque “Isto (como tal) não é consciente. Só podemos tomar consciência disso e, assim, aproveitar e aprender com o evento, fazendo uma imagem dele. Razão é a máquina cuja função é fazer o que ela faz. Quando a razão usurpa as funções mais elevadas da mente, quando presume-se que ditar à Vontade o que seus desejos deveriam ser, ela destruiria toda a estrutura da estrela. O Eu deve definir a Vontade em movimento, isto é, a Vontade só deve levar suas ordens de dentro e acima “.9 Jung ecoa esse sentimento exato quando diz:” O intelecto realmente machuca a alma quando se atreve a possuir pra si a herança do espírito. Não é de modo algum adequado fazer isso, pois o espírito é algo mais elevado do que o intelecto, uma vez que abraça o último e também inclui os sentimentos “.10 O Eu que Jung equipara com “espírito” nesta citação inclui conteúdos conscientes e inconscientes e portanto, suas ações não devem ser delineadas pelo motivo, uma construção de apenas o aspecto consciente de seu ser.

O uso excessivo da razão causou uma divisão na psique do homem moderno, destacando-a da esfera subconsciente da psique. Carl Jung define distúrbios nervosos como “consistindo principalmente em uma alienação de seus instintos, uma separação da consciência de certos fatos básicos da psique”. Essa extensão excessiva dos limites do motivo em nossa sociedade ocidental causou “uma divisão de consciência “dos fatos básicos do subconsciente. Jung continua: “As opiniões racionais são inesperadamente próximas de sintomas neuróticos. Como estes, eles consistem em um pensamento distorcido, que toma o lugar do pensamento psicologicamente correto. O último tipo de pensamento sempre mantém sua conexão com o coração, com as profundezas da psique, a raiz axial “.11 Aqui ele identifica “pensamento psicologicamente correto” como esse “tipo de pensamento [que] sempre mantém sua conexão … com as profundezas da psique, a raiz axial”. “Este “pensamento psicologicamente correto” é exatamente a mesma noção que está implícita nas maldições de Liber AL contra o intelecto e a razão. O pensamento que leva suas diretrizes da Vontade é “psicologicamente correto”, enquanto a razão delimitada por si mesma fará com que a Vontade “caia no poço chamado” Porque “e se torne impotente.

Ao comentar sobre uma das obras de Jung, Stephan Hoeller escreve: “Pensar, a função da razão, tem muitos usos louváveis e não pode ser eliminado, mas também constrói barreiras entre a personalidade e sua matriz inconsciente. Para alcançar o autoconhecimento transformador necessário, é preciso manter a função de pensamento subordinada à inspiração que vem do Self “.12 Mais uma vez, a mesma doutrina é exposta. “A inspiração procedente do Eu”, que contém tanto o consciente quanto o inconsciente, é a Vontade do indivíduo e, portanto, para isso, a função de pensamento deve permanecer subserviente. Se não o fizer, ele irá “construir barreiras entre a personalidade [autoconsciente] e sua matriz inconsciente”, para isso seria criar um conflito na Vontade e “perecerá com os cães da Razão”.

“Se o Sol e a Lua alguma vez duvidassem, eles sairiam imediatamente”.

-William Blake

Link texto original:https://iao131.com/2013/02/27/psychology-of-liber-al-pt-4-curse-against-reason/

Tradução:Mago implacavel

Revisão: (não) Maga patalógica

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/maldi%C3%A7%C3%A3o-contra-raz%C3%A3o

Caos: O Segredo do Universo

Será que Consciência, Magia e Caos não são a mesma coisa? A consciência faz com que as coisas aconteçam espontaneamente sem uma causa anterior. Geralmente, isto acontece no cérebro, onde aquela parte da consciência que chamamos de “Vontade” agita o sistema nervoso para fazer com que certos pensamentos e ações aconteçam. Ocasionalmente, a consciência é capaz de fazer com que coisas aconteçam espontaneamente fora do corpo quando ela está fazendo magia. Qualquer ato de vontade é magia. De modo análogo, qualquer ato de percepção consciente também é magia; uma ocorrência em matéria nervosa é espontaneamente percebida pela consciência. Algumas vezes esta percepção pode acontecer diretamente sem o uso dos sentidos, como na clarividência.

A magia não pode ser confinada à consciência. Todos os eventos, inclusive a origem do universo, acontecem basicamente por magia. Isto quer dizer que eles acontecem espontaneamente sem uma causa anterior. A matéria nos dá a impressão de ser regida por leis físicas, mas estas são apenas aproximações estatísticas. Não é possível dar uma explicação final de como coisa alguma acontece em termos de causa e efeito. Em algum ponto, sempre chegaremos à conclusão de que tal evento “simplesmente aconteceu espontaneamente”, seja ele a explosão inicial do universo (a teoria do Big-Bang) ou qualquer outra coisa. Isto parece levar-nos a um universo completamente aleatório e desordenado, mas não é assim. Jogue um dado e você poderá obter qualquer resultado de um a seis; jogue-o seis milhões de vezes e você obterá quase exatamente um milhão de seis. Não existe razão alguma para representarmos as leis do universo pela estrutura do dado; elas também são fenômenos que simplesmente aconteceram de modo espontâneo e poderão deixar de ser assim um dia se a espontaneidade produzir algo diferente.

Entretanto, fica muito difícil imaginar os eventos acontecendo espontaneamente sem uma causa anterior mesmo que isto ocorra toda vez que alguém exerce sua vontade. Por esta razão, pareceu preferível chamar a essência deste fenômeno de Caos, posto que a parte de nosso ser que entende as coisas é constituída de matéria que, predominantemente, obedece à forma estatística da causalidade. De fato, todo o nosso pensamento racional está estruturado na hipótese de que uma coisa causa outra. Assim, nosso pensamento é incapaz de apreciar a natureza da consciência ou do universo como um todo pois estes são espontâneos, mágicos e caóticos por natureza. Entretanto, seria injustificado deduzir que o universo é consciente e pode pensar da mesma maneira que nós: o universo é os pensamentos do Caos, se preferirmos. Podemos compreender os seus pensamentos, mas não o Caos do qual eles se originam. De modo análogo, podemos estar acostumados a usar nossa consciência e exercer a nossa vontade, mas jamais compreenderemos o que estas são exatamente.

Todos os maiores ramos da filosofia tentam responder a pergunta específica sobre a existência. A ciência pergunta “como” e descobre cadeias de causalidade. A religião pergunta “por quê” e acaba inventando respostas teológicas. A arte pergunta “qual” e chega aos princípios da estética. A pergunta que a magia tenta responder é “o que” e, assim, ela é um exame da natureza do ser. Se formos diretamente ao âmago da questão e perguntarmos à magia qual é a natureza da consciência, do universo e de tudo o mais, obteremos a resposta de que são fenômenos espontâneos, mágicos e caóticos. A força que inicia e move o universo é a mesma força que está no centro da consciência, e ela é arbitrária e aleatória, criando e destruindo sem qualquer outro objetivo além de divertir-se. Não há nada moralista ou espiritual sobre Caos e Kia. Vivemos num universo onde nada é verdadeiro, embora alguma informação possa ser útil para finalidades específicas. Somos nós, individualmente, que devemos decidir aquilo que desejamos considerar como bom, mau, significativo ou divertido. O universo se diverte constantemente e convida-nos a fazer o mesmo. Se houvesse uma razão de ser para a vida, o universo seria muito menos divertido. Tudo o que podemos fazer é segui-lo placidamente ou lutar uma batalha heróica e inútil contra ele. Assim, somos livres para alcançar toda a liberdade disponível e fazer o que sonharmos com ela.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/caos-o-segredo-do-universo/

Entrevista com um Hare Krishna (Ramananda Das)

Apresente-se por favor para nosso público.

Sou Ramananda Das (Felipe D´Aviz), iniciado na tradição Gaudiya Vaishnava de bhakti-yoga. Participei de diversos grupos espiritualistas, incluindo grupos esotéricos e mágickos. Hoje em dia me dedico mais a prática e divulgação da bhakti-yoga, tal como foi me passada por meus mestres espirituais.

Como você conheceu inicialmente o movimento Hare Krishna?

Recebi uma certa vez um livrinho chamado “A Fórmula da Paz” que continha conversas de Srila Prabhupada (que trouxe o movimento Hare Krishna para o ocidente) com George Harrison (que chegou a doar uma mansão ao movimento), John Lennon e Yoko Ono. Depois disso encontrei na biblioteca da minha cidade (Santos-SP) um exemplar do “Bhagavad Gita como ele é” traduzido e comentado por Srila Prabhupada. Fiquei encantado com o sânscrito e a profundidade da filosofia védica.

Uma certa vez passando pela rua, encontrei os devotos cantando e dançando, distribuindo “simplesmente maravilhosa” (um doce de leite em pó) de manga. Meu amigo perguntou se tinha que pagar e eles responderam que não. Depois daquela bolinha, nunca mais minha vida seria a mesma! Manga sempre foi minha fruta predileta e Krishna soube usar o artificio perfeito para me atrair até Ele. Depois disso fiquei querendo conhecer o templo Hare Krishna. Quem sabe assim poderia adquirir mais dessas bolinhas?

Então um amigo Straight Edge que gostava dos Hare Krishna e eu combinamos de ir ao templo. Ele não apareceu, mas eu comecei a frequentar toda semana. Se não me engano isso tudo foi em 2000, logo após o grupo Shelter (grupo de Krishnacore) ter feito um show em Santos ao qual eu fui, sem conhecer ainda os devotos de Krishna, alguns dos quais estavam lá.

 

Como e porque você se decidiu participar deste movimento? 

Tudo se encaminhou para tal. Devido a uma doença de pele, a dermatologista pediu que eu evitasse comer carne. Parei de comer carne logo após comer o primeiro prato de prasada (alimento oferecido a Krishna) no templo.  Minhas práticas em Thelema me indicavam “Inflama-te em oração!”, o estudo do Gita e a prática de Bhakti (Liber Astarte vel Berylli). Isso junto ao que relatei na pergunta anterior, fez com que quisesse me aprofundar no assunto.

Existe alguma forma de oficialização da entrada no movimento, como é o batismo entre os cristãos?

Sim, isso se chama harinama (primeira iniciação). Quando você encontra um guru fidedigno, pede-se dele as bençãos para o cantar do maha-mantra Hare Krishna nas contas de tulasi (japa). Ele também dará um nome de servo (Das) ou serva (Dasi) de Krishna ou Radharani e um colar de tulasi (kanti), uma planta que aumenta a devoção por Krishna. Para receber essa iniciação existe alguns pré-requisitos que podem variar de acordo com o guru. Em geral deve-se tornar completamente vegetariano, não consumindo nenhuma tipo de carne (peixe é carne!) e ovos. Dessa forma é pedido que se dedique ao cantar do maha-mantra Hare Krishna na japa diariamente e vá progredindo em sua prática.

No que sua rotina mudou desde então?

Desde então tenho me dedicado diariamente a prática do cantar do maha-mantra na japa, cuidar das deidades de Krishna (imagens para adoração no altar), divulgar essa filosofia, entre outros. Tenho procurado aceitar tudo que é favorável nesse caminho e rejeitar tudo que é desfavorável, ainda que como uma alma condicionada eu tenha diversos apegos materiais.

O “Hinduísmo” é uma invenção do ocidente?

Pode-se dizer que é uma construção teórica deformada do que seria o Sanatana-Dharma, ou principio espiritual eterno da cultura védica. A palavra “Hinduísmo” não é proveniente do sânscrito e vêem do persa “Hindu”, uma outra maneira de designar o rio Sindhu, um rio ao noroeste da Índia e que agora pertence ao Paquistão. A palavra “Hindu” foi utilizado primeiramente para designar o povo que vivia as margens desse rio Sindhu e que seguiam as tradições que ficaram sendo conhecidas como Hinduísmo. No movimento Hare Krishna não usamos esse termo para nos designar enquanto seguidores do Sanatana-Dharma.

Qual a diferença entre o movimento Hare Krishna e as muitas escolas e praticas religiosas indianas?

Dentro do Sanatana-Dharma existem uma enorme variedade de processos para pessoas de naturezas diversas como havia dito anteriormente. No entanto, no movimento Hare Krishna (também conhecido como Gaudiya Vaishnavismo) procuramos seguir apenas a essência da cultura védica, tal como exposta no Srimad Bhagavatam, Bhagavad Gita e outras escrituras de bhakti. Essas escrituras foram comentadas por uma sucessão discipular que revelam os conteúdos confidenciais das escrituras e as práticas a serem realizadas para a auto-realização. O movimento Hare Krishna é um dos ramos do Vaishnavismo. No Vaishnavismo adora-se Krishna, Vishnu ou alguma de suas encarnações como a verdade suprema. No ramo Gaudiya Vaishnava adoramos ao Casal Divino Radha e Krishna, e vemos a Chaitanya Mahaprabhu como a encarnação de Krishna experimentando o amor que Radha sente por Ele.

O Movimento Hare Krishna é monoteísta ou politeísta?

Difícil encaixar em somente um desses conceitos. Pode-se dizer monoteísta pois acreditamos que existe apenas uma Suprema Personalidade de Deus – Krishna, mas que se manifesta em diversas expansões. Krishna engaja ainda diversos semideuses que regem esse mundo material, mas no movimento não adoramos esses semideuses, como é o caso de muitos que se dizem “Hindus”.

Os Hare Krishna devem se vestir como indianos? Quais as exigências e restrições feitas aos adeptos?

As vestes deverão ser utilizadas em ocasiões especificas como a adoração no altar, entre outras. Fora isso, o uso ou não das vestes indianas fica a critério da pessoa. É pedido que as pessoas sigam 4 princípios regulativos que são: 1) não comer carne, nem peixe e ovos, buscando comer somente prasada (alimentos oferecidos), 2) não jogar jogos de azar, 3) não se intoxicar (incluindo álcool, café, chá preto etc), 4) não realizar sexo ilícito (sexo deve ser apenas para procriação).

Os Hare Krishnas acreditam no céu e no inferno? Eles são diferentes dos da visão judaico-cristã?

Sim, tudo isso é descrito de maneira detalhada nas escrituras védicas, em especial no Srimad Bhagavatam. Seria necessário um estudo mais detalhado para comparar a visão judaico-cristã, o que não tenho capacidade para discorrer sobre no momento.

No que os ensinamentos dos vedas difere do espiritismo kardecista?

O kardecismo ao contrário da visão védica, não acredita que a alma possa voltar a encarnar em um corpo de um animal. Já as escrituras védicas afirmam que você obtêm um corpo adequado ao nível de consciência que se tem na hora de abandonar o corpo. O espiritismo é todo baseado na revelação dada por espíritos, que de acordo com a visão védica estão sujeitos as imperfeições das almas condicionadas. Já as escrituras védicas foram reveladas por Vyasadeva, a encarnação literária de Krishna que veio transmitir o conhecimento de maneira pura e que nos é passada através da sucessão discipular. O kardecismo descreve apenas os planos sutis que também são materiais, enquanto as escrituras védicas descrevem tanto os diversos planos materiais quanto espirituais. Essas e outras comparações poderão ser encontradas em: Espiritismo e Consciência de Krishna

Não te incomoda o sistema ser aberto a qualquer um que queira um almoço grátis?

Claro que não! Dessa forma muitos se atraem e acabam virando devotos. Talvez as pessoas tenham dificuldade em aceitar um ou outro aspecto da filosofia, mas rejeitar um delicioso prato de prasada, preparado com todo amor e devoção, ainda estou para conhecer. Analisando sob outro aspecto, simplesmente por honrar essa prasada de Krishna, a pessoa já está praticando serviço devocional e dessa maneira ela irá estar se graduando para realizar outros tipos de serviço ao Casal Divino Radha-Krishna.

Qual a importância de ter um guru? Como identificar um confiável?

Para a maioria dos empreendimentos que vamos realizar, geralmente buscamos as instruções de alguém com maior experiencia no assunto para ser nosso professor. De tal forma, no caminho espiritual isso não é diferente. O que acontece é que nossa visão está obscurecida pelo véu de maya (ilusão) e o guru, sendo uma alma auto-realizada, não sofre desse mal, podendo abrir nossos olhos com o archote do conhecimento espiritual. As escrituras indicam quem é um guru confiável/fidedigno. Ele tem que ter realizado a conclusão das escrituras, ser hábil em convencer os outros dessas conclusões e ser completamente livre de apegos materiais.

Quem é o seu guru? Fale um pouco sobre ele

É um grande prazer essa oportunidade para falar sobre meu guru Srila Narayana Goswami Maharaj, cujo aparecimento (aniversário) se comemora hoje. Srila Narayana Goswami Maharaj nasceu em uma família de brahmanas vaishnavas em Tiwaripur, no estado de Bihar, Índia. Na sua família, adora-se Sita-Rama e portanto desde pequeno gurudeva apegou-se as histórias do Ramayana de Tulsi Das e o kirtan (cantar) de Sita-Rama. Mais tarde conheceu os devotos da linha Gaudiya Vaishnava (Hare Krishna) e largou tudo para se dedicar completamente a essa prática e seus ensinamentos. Mais tarde a pedido de Srila Prabhupada veio ao ocidente ajudar os devotos que desconheciam a profundidade do sidhanta (conclusões filosóficas) a restabelecer o sentido original da missão iniciada por Sri Chaitanya Mahaprabhu. Em virtude disso deu a volta mais de 30 vezes ao mundo espalhando esse conhecimento, vindo 3 vezes ao Brasil, sendo que seu ultimo aniversário em vida foi comemorado aqui em 2010. Srila Gurudeva é um grande cirurgião que remove a impurezas do coração e coloca a semente do amor espontâneo a Sri Chaitanya Mahaprabhu e o Casal Divino Radha-Krishna. Sua mensagem é muito importante pois revela os segredos mais confidenciais de bhakti de uma maneira acessível ao mundo inteiro.

Outras informações mais detalhadas poderão ser consultadas em um dos blogs que construí para sua missão (IPBYS) no Brasil: http://ipbysbrasil.blogspot.com.br/p/srila-narayana-gosvami-maharaj.html

O que é o movimento Krishna West? Qual sua opinião sobre ele?

O movimento Krishna West é um movimento dentro da ISKCON que visa ocidentalizar a divulgação do movimento Hare Krishna. Vejo com bons olhos qualquer inovação que facilite o acesso das pessoas a consciência de Krishna e o cantar do maha-mantra. Mesmo não sendo mais um membro ativo da ISKCON, participei de algumas discussões nesse sentido e tenho a opinião que as pessoas deveriam ter liberdade de escolher o tipo de apresentação que lhe atraem mais, seguindo sua inspiração. De qualquer forma, os praticantes devem se aprofundar na filosofia de nossa tradição e passar a essência da mensagem de Sri Chaitanya Mahaprabhu sem alteração.

Vocês aceitam a existência de vida em outros planetas?

Sim, a literatura védica descreve que existe vida nos diversos planetas do mundo material e do mundo espiritual. No livro “Fácil viajem a outros planetas” Srila Prabhupada descreve que yogis viajam a esses diversos planetas. No entanto, o bhakta (devoto) está interessado somente em viajar ao planeta de Krishna e lá residir servindo Radha-Krishna eternamente. O processo para tal também é descrito nesse livro.

São a favor ou contra a pena de morte?

Esse é um tema muito polemico que exige uma análise cuidadosa. Com base no Código de Manu, Srila Prabhupada afirma sim que é possível aplicar a pena de morte em caso de homicídio. No entanto, devemos levar em consideração também a misericórdia aos criminosos que se arrependem sinceramente dos crimes cometidos. Afim de levar uma luz aos encarcerados nas penitenciárias (tal como estamos encarcerados no mundo material) devotos tem programas de distribuição de livros nas penitenciárias e se correspondem com os presos. Essa é misericórdia dos devotos que pode levar a uma transformação de consciência dos presos e uma possível mudança de vida.

E o aborto, condenam?

Toda forma de vida é sagrada e pode somente ser retirada em casos de auto-defesa, por kshatriyas (guerreiros) em guerra (Arjuna no Gita por exemplo) ou como no caso da pena de morte. O aborto é uma grande irresponsabilidade de pessoas que não conseguem enxergar essa sacralidade e na maioria das vezes surge como medida emergencial de pessoas que quiseram desfrutar do gozo dos sentidos mas não querem assumir a responsabilidade de gerar uma criança. Srila Prabhupada costumava dizer que o grande mal da civilização é a prole indesejada e como solução para tal indicava que as crianças fossem geradas dentro do ritual védico de procriação.

Segundo os ensinamentos, qual a influência dos desencarnados em nossas vidas? Estes são vistos como espíritos, demônios ou o que?

Existem espíritos de desencarnados e existem demônios, uma coisa não te a ver com a outra.  Os espíritos podem atuar de diversas maneiras a influenciarem os seres humanos, sendo que algumas vezes tentam prejudicar alguma pessoa. Para isso, o cantar em voz alta do maha-mantra, a presença da planta tulasi e a leitura das escrituras são eficazes para remover esses espíritos que queiram nos prejudicar.

Haribol!

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/entrevista-com-um-hare-krishna-ramananda-das/

A pergunta de Aristóteles

Tudo começou com uma curta pergunta, algumas palavras em uma frase de simples entendimento, apenas alguns bits de informação; Mas a resposta – ou as inúmeras tentativas de resposta – se estendeu por centenas de posts ao longo dos anos.

E estávamos todos na crista da modernidade, em um fórum sobre física quântica e suas possíveis relações com a espiritualidade, hospedado em algum servidor na Califórnia, num site de redes sociais criado nas horas vagas por um engenheiro turco do Google.

O modo como nos comunicamos e trocamos informações pode ter mudado bastante desde que Aristóteles fez essa mesma pergunta a séculos atrás, mas nossa inquietação perante ela continua praticamente a mesma – afinal, como exatamente o espírito se une ao corpo?

Em um ambiente freqüentado por físicos e simpatizantes da ciência em geral, obviamente primeiro era preciso definir o que diabos era o espírito. Para os céticos de negação, de opinião cristalizada, era fácil zombar de quem aparentemente acreditava em coisas imateriais, não detectadas, fantasmas e assombrações… Outros, porém, de olhos mais atentos, ficaram um tanto curiosos quando alguns de nós falavam em materialidade do espírito, em partículas fluidas, não detectáveis pela luz (como os outros 96% da matéria e energia do universo), a compor corpos dentro de corpos, corpos vestindo corpos, como nós mesmos vestimos alguma roupa.

Mas ainda era necessário compreender de que forma este espírito se manifestava no mundo que conhecemos, que é afinal de contas o mundo que estamos agora, onde fomos colocados, onde bem ou mal precisamos estudar e amar como todos os outros mundos deste Cosmos infinito. Daí a física quântica parecia a princípio deslocada…

Está certo, Feynman já havia dito que ninguém havia entendido nada de física quântica, mas certamente os físicos entendiam pouco mais do que os leigos. E ainda que Hameroff e Penrose tenham um dia postulado que nosso aparente livre-arbítrio na verdade deriva de reações descritas pela mecânica quântica em minúsculos tubos constituídos de proteínas dentro de nosso cérebro, isso não era suficiente para associar a física quântica ao espírito – até mesmo porque esta teoria não dispunha de muita credibilidade no meio acadêmico, a despeito de prestígio de seus criadores.

A ciência moderna envolveu-se neste monumental paradoxo: primeiro, no campo da neurologia, foi obrigada a postular a existência da consciência, para somente então tratar de reduzi-la ao mero tilintar de neurônios no cérebro, a um fruto de reações químicas já estabelecidas, a suprema ilusão de todos os seres – que crêem que possuem efetivamente a capacidade de escolha.

Mas a neurologia não resolveu o problema difícil da consciência, não faz sequer idéia do porque tomamos decisões morais ou imorais, altruístas ou egoístas, enfim, do porque diabos um bombeiro arrisca sua vida para salvar a vida alheia em ambientes inóspitos como um prédio em chamas… Da mesma forma, não é capaz de criar máquinas que interpretem informações, que falem sobre a “vermelhidão” do vermelho, que expliquem por meio de algoritmos porque gostaram mais de uma poesia do que da outra, que determinem o exato valor com que aquela menina ama seu cachorrinho…

Máquinas jamais serão consciências. Nós não somos máquinas, e mesmo que fossemos, ainda estaríamos muito distantes da engenharia reversa – de sermos capazes de construir a nós mesmos.

Então, algo nos escapa, a natureza não nos deixa relaxar. Se fomos criados por um Deus desconhecido ou pelo acaso, pouco importa, porque não compreendemos muito bem nem um nem outro. Se a consciência é mera ilusão e se tudo é definido por uma dança neuronal aleatória, então somos obrigados a seguir tal dança, e uns crêem e outros não, e uns matam e outros não, e uns amam e outros não, simplesmente pelos desígnios da deusa Fortuna.

Mas, se existe a consciência, se existe a alma, se existe o espírito, temos que nos re-conectar a nossa essência, ao nosso inconsciente oculto, para que possamos viver esta vida do aqui e agora, mundana, de maneira mais rica, mais profunda, mais poética, mais espiritual.

Se ainda temos alguma escolha, ainda que vivamos num reino estranho onde partículas ora são onda, ora são pontos, e tem apenas uma probabilidade de estar aqui e acolá, escolhamos compreender o incompreensível, mergulhar no mar revolto da natureza – revolto, mas convidativo.

Sejamos espiritualistas, físicos, ocultistas, céticos, filósofos, ou ainda tudo isso ao mesmo tempo, esta é uma pergunta que não podemos nos dar ao luxo de ignorar.

Rafael Arrais, 13/02/2011

***

Este foi o prefácio que escrevi para o livro “A pergunta de Aristóteles”, do meu amigo Abenides Afonso de Faria, e que foi lançado recentemente pela Editora Baraúna.

O livro é uma grandiosa compilação de uma das mais longevas e interessantes discussões online de que já participei. Abenides foi também o iniciador do tópico “A pergunta de Aristóteles“, que vem sendo discutido na comunidade Física Quântica – A Revolução, do Orkut, desde 25/05/07 (e hoje conta com mais de 15 mil respostas, e contando, apesar do Orkut não ser mais o mesmo de anos atrás).

Eu fico muito feliz de poder dizer que sou um dos “personagens principais” da discussão (apesar de só aparecer inicialmente lá pela página 60); E, se lerem o livro todo, verão que muito do que foi debatido lá serviu de base para inúmeras reflexões que foram posteriormente desenvolvidas em maior profundidade no meu blog (Textos para Reflexão).

Pode parecer estranho eu estar usando minha coluna no TdC para divulgar um livro, mas podem ter certeza que não tenho nenhum interesse comercial nisso, o livro realmente não é meu, sou tão somente um “personagem” dele… Mas acredito que seja uma leitura interessante para a maioria do público do TdC, que afinal de contas está representado pelos “personagens” presentes no livro – cada um com sua crença, ou descrença. Temos físicos ocultistas (sim eles existem, e eu conheço um!), físicos céticos, seguidores da logosofia, espíritas e espiritualistas em geral, curiosos, leigos, filósofos, etc.

***

A pergunta de Aristóteles

O pensamento central do livro é a coleta de informações sobre o que pensa um grupo de pessoas que se propõe a trocar idéias sobre a polêmica aproximação entre a ciência oficial e a espiritualidade. Nos diálogos aparecem opiniões das mais variadas correntes do pensamento representadas por pessoas dos mais variados tipos psicológicos. Até aí nenhuma novidade, mas o que mais impressiona é que a troca de informações vai sendo conduzida de tal forma que se estabelece o respeito e a liberdade entre os membros da comunidade, não sem antes passar por algumas rusgas que se resolvem no decorrer dos diálogos. Observa-se também que a intenção de fazer proselitismo de uma corrente ou outra não tem lugar, pois a essência de um diálogo de alto nível intelectual não admite dogmatismo ou fanatismo.

A pergunta de Aristóteles: Como o espírito se une ao corpo? É o pano de fundo e o combustível para os debates que se traçaram entre o espiritismo, teosofia, ocultismo, ceticismo, logosofia, e até palpites desprovidos de qualquer racionalidade, mas que dão uma pitada de humor. As respostas foram apresentadas de acordo com o que até o momento pensam os representantes de cada corrente. Nenhum dos membros sustentou a imposição de suas opiniões e surgem várias respostas: o espírito se une ao corpo através da glândula pineal, do perispírito, da faculdade de sonhar, do cordão de prata, etc. Inclusive aqueles que se declararam contra qualquer idéia de dualidade. Porém, como o objetivo não é doutrinar, a resposta ficará a cargo do leitor que certamente meditará sobre o assunto. Fica no ar o vazio que surge da necessidade de se desenvolver uma mente mais capaz.

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O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#físicaquântica #Ceticismo #espiritualismo #Religião #Ciência

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-pergunta-de-arist%C3%B3teles