Thanos e a Mão de Santa Teresa

Em 4 de Outubro de 1582 Santa Teresa morre em Alba de Tormes e é sepultada. Nove meses depois, o túmulo é aberto, o corpo está incorrupto, e partes são retiradas e levadas como relíquias, entre elas esta Sagrada Mão. A mão é levada para Ávila. De Ávila a Mão é enviada para Lisboa, para o novo Convento de Santo Alberto, do ramo das Descalças. Por causa das Guerras da Restauração, as freiras fogem do Convento, e vão para São Miguel de Alfama, levando a Mão. Regressam passados 24 dias. Em 1755 o Convento ficou bastante danificado, por causa do terramoto, e as Descalças foram para São Sebastião da Pedreira e levaram a Mão. Regressaram no fim das obras, e com elas a Sagrada Relíquia. Em 1834 são extintas em Portugal todas as Ordens Religiosas. Às monjas é permitido ficarem nos Conventos até à morte da última freira. A 8 de Abril de 1880 morre a última Carmelita de Santo Alberto (as pupilas foram dispersas por casas de caridade). O Convento foi inventariado e saqueado, e a Sagrada Mão foi entregue ao Patriarca de Lisboa. A pedido do Patriarca, em 1889 chega a Lisboa, um pequeno grupo de carmelitas, vindo de Espanha, e a Mão é-lhes entregue um ano depois. Em 1910, com a instauração da República, as 18 professas são expulsas de Portugal e de forma a salvar a Mão, a prioresa esconde-a no hábito, e as monjas vão para Espanha. Dispersas por vários Conventos espanhóis, as monjas portuguesas ansiavam por ficar todas juntas, num mesmo convento, e que com elas ficasse a Sagrada Mão. Assim, em 1924, as religiosas portuguesas ficaram todas juntas no Convento de Ronda, em Málaga. Com a Guerra Civil em Espanha, a Mão é confiscada, e Franco exige que a Mão lhe seja entregue. A partir desse momento, nunca mais o ditador se separou da Sagrada Mão, e tinha-se sempre na banquinha de cabeceira. Só depois da sua morte é que a família devolveu a Mão ao Convento de Ronda, onde ainda hoje está, alvo de tanta devoção, esta Mão, que tal como a sua Dona, nunca sossegou…

– Texto de Alex Manoel

Qualquer semelhança com uma outra luva famosa da Marvel é mera coincidência… ou não?

#Arte

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Palestras e Cafés Filosóficos – Fev-Abr 2014

É com grande prazer que anuncio o retorno às atividades da Arcanum Arcanorum em 2014. Em conjunto com a S.O.L. (Sociedade dos Ocultistas Livres), da Loja Teosófica São Paulo, do Templo AyaSofia e do Arcanum Arcanorum, gostaria de convidar os leitores do Blog para as palestras públicas que acontecerão às terças Feiras, 20h, no Templo AyaSofia (r. Alferes Magalhães, 347 – prox. ao Metrô Santana). Os eventos são gratuitos e pedimos apenas que levem doces, salgados ou refrigerantes para um ágape fraterno após as palestras.

25/02 – “Umbanda Sagrada”, palestrante: Alfonso Odriozola

11/03 – “O que é Teosofia”, palestrante: Carlos Brasilio Conte

18/03 – “Práticas Magísticas no Judaísmo”, palestrante: Átila Fayão

25/03 – “Anjos no Esoterismo”: palestrante: Frater Zugon Villar

01/04 – “Como fazer um incensamento” palestrante Rose D´Moraes

08/04 – “As Polaridades do Ocultismo” palestrante Sérgio Pacca

15/04 – “A Kabbalah e a Capela Sistina” palestrante Rosa Maria Bastos

CURSO DE UMBANDA SAGRADA

E também aproveito para anunciar o Curso de Teologia da Umbanda Sagrada, que será ministrado pelo ir.’. Alfonso Odriozola e vários professores convidados. O curso tem duração de aproximadamente 9 meses e as aulas serão às segundas feiras, 20h, no Templo AyaSofia. Investimento: R$ 50,00 ao mês.

#Arcanum

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Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; Mateus 21. 1-17

Ao se aproximar de Jerusalém, Jesus enviou dois discípulos, solicitando-os a trazer um casal de jumentinhos. Esotericamente, esses dois discípulos de Cristo representam faculdades que foram desenvolvidas pelo aspirante e que são instrumentos adequados para levantar o fogo espinhal de Netuno da base da coluna, trazendo-o até o plexo solar, onde o Cristo Interno o utiliza para ascender ao longo da coluna até a cabeça, representada por Jerusalém. Os jumentinhos simbolizam a força criadora, dual em sua natureza, podendo ser usada para fins de natureza animal e também para o desenvolvimento espiritual. Na cabeça, conforme nos descreve o CONCEITO ROSACRUZ DO COSMO, essa força fará vibrar a glândula pineal e o corpo pituitário. Quando isso acontece, a consciência superior se rejubila, pois é um momento de grande júbilo para o neófito, já que desse passo resultam as clarividências. No texto bíblico, esse júbilo é representado pela multidão que estende suas vestes no caminho e corta ramos de árvores espalhando-os pela entrada. A seguir, cantam hosanas ao Filho de Davi.

O texto bíblico diz, a seguir, que Jesus entra no Templo, expulsando todos os que ali vendiam e compravam, derrubando também as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Jerusalém simboliza a abóbada craniana, a cúpula do Templo e também a consciência superior. Ela é certamente influenciada quando a Força de Cristo chega até ela, suportada pela força de natureza animal simbolizada pelos jumentinhos. A expulsão dos cambistas e dos vendedores de pombas significa a expulsão dos atributos da natureza inferior que formam a consciência material do aspirante. Os cambistas são aqueles que se tornam subservientes à natureza material do ser e os vendedores de pombas são aqueles que sacrificam sua pureza para ganhos materiais.

O corpo é verdadeiramente o Templo do Espírito, uma casa de orações e não um covil de salteadores, como disse Jesus. Isso porque nossas vidas diárias devem ser uma oração constante, enquanto realizamos nossas boas obras. As muitas qualidades e faculdades que desenvolvemos com uma visão materialista “roubam” o tempo que deveria ser dedicado às atividades que redundassem em proveito espiritual. As crianças que clamavam no Templo são as novas faculdades que nasceram da influência das forças despertadas do Cristo interno. Elas manifestam-se em alegria e júbilo. Os sacerdotes e os escribas que criticam a manifestação das crianças são as religiões formais e puramente mentais que são insensíveis e não entendem as demonstrações do espírito.

Jesus dirige-se então para Betânia, onde pernoitou. Betânia significa Casa das Tâmaras, significado esse associado à frutificação em boas obras, pois os textos bíblicos costumam se referis à foma e ao alimento no sentido espiritual. No estado de consciência que foi atingido com a ascenção do Cristo Interno, segue-se uma fome de alimentos espirituais ou a produção de obras de conteúdo espiritual.

Bibliografia:

-Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo

– John P. Scott, The Four Gospels Esoterically Interpreted.

Retirado do Ecos da Fraternidade Rosacruz intitulado “Mensagem esotérica de Páscoa”.

Sérvio Túlio

Que a Força esteja com vocês.

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Eliphas Levi

Eliphas Levi Zahed é tradução hebraica de Alphonse Louis Constant, abade francês, nascido no dia 8 de fevereiro de 1810 em Paris. O maior ocultista do século XIX, como muitos o consideram, era filho de um modesto sapateiro, Jean Joseph Constant e de Jeanne-Agnès Beaupurt, de afazeres domésticos. Possuía uma irmã, Paulina-Louise, quatro anos mais velha do que ele. Apesar de mostrar desde menino aptidão para o desenho, seus pais encaminharam-no para o ensinamento religioso.

Foi assim que aos dez anos de idade ingressou na comunidade do presbitério da Igreja de Saint-Louis em L´lle, onde aprendeu o catecismo sob a direção do abade Hubault selecionava os garotos mais inteligentes, que demonstravam alguma inclinação para a carreira eclesiástica. Desse modo, Eliphas foi encaminhado por ele ao seminário de Saint-Nicolas du Chardonnet, para concluir seus estudos preparatórios(1). A vida familiar cessou para ele a partir desse momento. No seminário, teve a oportunidade de aprofundar-se nos estudos lingüisticos e aos dezoito anos já era capaz de ler a bíblia em seu texto original.

Em 1830, foi transferido para o seminário de Issy para cursar Filosofia. Dois anos mais tarde, ingressou em Saint-Sulpice para estudar Teologia. Foi em Issy que escreveu seu primeiro drama bíblico, intitulado Nemrod; no grande seminário de Saint-Sulpice criou seus primeiros poemas religiosos, dotados de uma grande beleza.

Após seu curso de Teologia, Eliphas ingressou nas ordens maiores, sendo ordenado sub-diácono e encarregado de ministrar o catecismo para meninas. “Esse ministério, diz Eliphas, tão poético e tão suave, foi para mim muito agradável; parecia-me que eu era um anjo de Deus, enviado a essas crianças para iniciá-las na sabedoria e na virtude; as palavras tornavam-se abundantes para elas em meus lábios, pois meu coração estava repleto e tinha necessidade de expandir-se(2)”.

Nosso jovem Alphonse são tardou a sentir o despertar em seu interior da força de sua juventude asceticamente reprimida desde a adolescência. Um dia, quando estava ensinando o catecismo às meninas, alguém chamou-o à sacristia. Era uma senhora, com uma jovem pálida e tímida, que pediu a Eliphas que a preparasse para a primeira comunhão. Outros padres tinham recusado por ser ela pobre e a filha doente e tímida. Eliphas não só aceitou a tarefa, como prometeu tratá-la como filha. A menina, que se chamava Adele Allenbach, de uma beleza pura e cândida, pareceu a Eliphas ser a imagem da própria Virgem Maria. Essa beleza juvenil correspondeu para ele a uma “iniciação a vida”, pois amou-a ternamente como se fosse uma deusa.

Eliphas Levi foi ordenado diácono em 19 de dezembro de 1835; em maio de l836 teria sido ordenado sacerdote se não tivesse confessado a seu superior o amor que devotava à jovem. Suas convicções religiosas receberam um choque tão grande, que Eliphas sentiu-se jogado fora da carreira eclesiástica.

Após 15 anos de estudos, Eliphas deixou o grande seminário para ingressar no mundo, tinha então vinte e seis anos de idade. Sua mãe, ao saber disso, suicidou-se. Abalado, sem experiência do mundo, teve muitas dificuldades para encontrar um emprego. Essa dificuldade aumentava ainda mais pelo boato que correu, segundo o qual teria sido expulso do seminário. Após ter percorrido o interior da França, trabalhando em um circo, Eliphas encontrou em Paris alguns trabalhos como pintor e jornalista. Fundou, com seu amigo Henri-Alphonse Esquirros(3), uma revista denominada “As Belas Mulheres de Paris”, na qual aplicava-se como desenhista e pintor e Esquirros como redator.

Mas, apesar desse pequeno parêntese em sua vida, Eliphas não tinha perdido sua inclinação para a vida religiosa. Despedindo-se de Esquirros, partiu em 1839 para o convento de Solesmes, dirigido por um abade rebelde. Eliphas aí encontrou uma biblioteca com mais de 20.000 volumes, iniciando-se na leitura dos antigos Padres da Igreja, dos Gnósticos e de alguns livros ocultistas, principalmente os da Senhora Guyon: “A vida e os escritos dessa mulher sublime, diz-nos Eliphas, abriram-me as portas de inúmeros mistérios que ainda não tinha podido penetrar; a doutrina do puro amor e da obediência passiva de Deus desgostaram-me inteiramente da idéia do inferno e do livre arbítrio; vi Deus como o ser único, no qual deveria absorver-se toda personalidade humana. Vi desvanecer o fantasma do mal e bradei: um crime não pode ser punido eternamente; o mal seria Deus se fosse infinito!”(4).

Eliphas vislumbrou, através do Spiridion e de outros escritos dessa autora, o reino futuro do Espírito Santo, o trabalho do homem de amanhã. O Cântico dos Cânticos lhe foi revelado; compreendeu por que em teologia a esposa tinha preferência em relação a mãe. Ficou imensamente feliz ao compreender que todos os homens poderiam ser salvos.

Partiu de Solesmes sem dinheiro, sem roupas, mas com uma profunda paz no coração. Não acreditava mais no inferno!(5).

Eliphas Levi passou, então, de emprego em emprego, sempre perseguido pelo clero que via nele um apóstata. Foi então que escreveu sua Bíblia da liberdade, desejando dividir com seus irmãos as alegrias de suas descobertas (1841). Essa publicação custou-lhe oito meses de prisão e 300 francos de multa! Foi acusado de profanar o santuário da religião, de atentar contra as bases da sociedade, de propagar o ódio e a insubordinação.

Foi mais ou menos por essa época que conheceu os escritos de Swedenborg. Segundo Eliphas, tais escritos não contêm toda a verdade, mas conduzem o neófito com segurança na senda.

Saindo da prisão, realizava pequenos trabalhos, principalmente pintura de quadros e murais de igrejas e colaborações jornalísticas. Apesar dos contratempos materiais, não deixou jamais de aperfeiçoar seus conhecimentos e enriquecer sua erudição. Foi após Swedenborg que encontrou os grandes magos da Idade Média, que o lançaram definitivamente no Adeptado: Guillaume Postel, Raymond Lulle, Henry Corneille Agrippa. Assim em 1845, aos trinta e cinco anos de idade, escreveu sua primeira obra ocultista, intitulada O livro das Lágrimas ou o Cristo Consolador.

Em 13 de julho de 1846 casou-se com Marie Noémi Cadiot, matrimônio que durou sete anos. Esse casamento foi para ele um suplício. Instigado pela mulher, lançou-se a escrever panfletos políticos, resultando-lhe um segundo período de cárcere. Em 3 de fevereiro de 1847, foi condenado a um ano de prisão e ao pagamento de mil francos de multa, acusado de levar o povo ao ódio e ao desprezo do governo imperial. Sua mulher, grávida, percorreu os mistérios a fim de obter a redução da pena imposta a seu marido, o que conseguiu após seis meses.

Em 1847, sua esposa deu à luz uma menina, que faleceu em 1854, para desespero de seu pai, que a adorava. Era uma criança muito doente e esteve várias vezes à morte. “Um dia, diz o Mestre, trouxeram-me essa pobre criança agonizante, porque não ouso dizer morta, por uma estúpida mulher que Noemi, incapaz de ser mãe, tinha admitido como ama-de-leite. A criança estava fria; o coração e o pulso não batiam mais. Noemi, que não soube cuidar dela como devia, estava furiosa, dizendo que mataria o filho da ama-de-leite (que mulher eu tinha, grande Deus!). Para apaziguá-la, jurei-lhe que a menina não estava morta. Transportei o pobre corpo para a cama e coloquei-o sobre meu peito; assoprei ao mesmo tempo em sua boca e em suas narinas; senti que ela começava a se destorcer. Peguei em seguida um pouco de água morna e bradei: Maria! Si quid est in baptismate catholico regenerationis et vitae, vive christiana! Ego enim te baptizo en nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Meu amigo, não vos conto um sonho: a criança abriu imediatamente seus grandes olhos azuis espantados e sorriu… Levantei-me precipitadamente com um grande grito de alegria e conduzi-a aos braços de sua mãe, que não podia acreditar no que estava vendo”. (6)

A Vontade, a Fé, o poder do Verbo Humano, juntos, operam as maravilhas da Natureza que os profanos denominam milagre…

Em l848, Eliphas Levi fundou um clube político, denominado Clube da Montanha, com fins eleitorais, no qual era presidente; Noemi Constant era a Secretária e Esquirros um dos vice-presidentes. Para sorte dos ocultistas, somente Esquirros foi eleito Deputado para a Assembléia Nacional (1849). Em 1851, Esquirros partiu para o exílio, na Inglaterra, onde escreveu uma série de obras, sendo uma delas de cunho ocultista, apesar de seu título (O Evangelho do Povo). Entre os discípulos de Esquirros contava-se Henri Delaage, Iniciador de Papus, em 1882 na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, entidade que provém de Louis Claude de Saint-Martin. Foi a partir desse episódio que Eliphas Levi abandonou integralmente sua obra social, para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo.

“Na Bíblia da Liberdade, explica-nos Eliphas, saudamos o gênio da revolução, do progresso e do futuro. Na festa de Deus, Assunção da Mulher e Emancipação da Mulher procuramos explicar nossa religião materna. Na Última Encarnação demonstramos o papel do Cristo sobre a terra e saudamos o gênio do Evangelho, marchando à frente do progresso. Agora, nossa obra social está concluída; não pedimos por ela, indulgência nem severidade. Escrevemos o que ditou nossa inteligência e nosso coração”(6).

Sabemos a origem dos estudos ocultistas de Eliphas Levi, mas permanece obscura sua origem iniciática. Sabemos de suas relações de amizade com Hoene Wronski e com Edward Bulwer Lytton. O polonês Wronski, falecido no dia 9 de Agosto de 1853, em Paris, deixou setenta manuscritos catalogados por sua esposa, à Eliphas Levi e outros, os quais foram doados à Biblioteca Nacional de Paris.

Em 1854, um ano após a morte de Wronski, Eliphas viajou à Londres, onde se encontrou com inúmeros ocultistas ingleses, que lhe pediram revelações e prodígios. Longe de querer iniciá-los na magia cerimonial, isolou-se no estudo da Alta Cabala.

Havia um, contudo, Adepto de primeira linha, que se tornou grande amigo de Eliphas Levi: Bulwer Lytton, autor de Zanoni, Os Últimos Dias de Pompéia, A Raça Futura, etc. Os dois Mestres teriam trocado informações iniciáticas dos mais altos interesses para as sociedades ocultistas, das quais certamente eram os chefes. Haveriam inclusive, realizado trabalhos espirituais entre 20 e 26 de julho de 1854, em Londres. As anotações relacionadas com esses eventos foram parar nas mãos de Papus, sendo publicadas, em parte, em um dos números da Revista L´Initiation. Registram três visões, de São João, de Jesus e de Apolônio de Tiana, os quais lhes teriam revelado os mistérios dos Sete Selos do Apocalipse; alguns enigmas do futuro, que desejavam saber; detalhes da Magia Celeste (revelados pelo livro do Rabino Inaz que lhes indicaram onde encontrar), as chaves dos milagres, bem como o sagrado dever de honrar a Coroa, uma vez conquistada.

Retornando a Paris, instalou-se no atelier do pintor e discípulo Desbarrolles, uma vez que estava separado de sua esposa Noemi (fato ocorrido antes de partir para Londres). Desenrolou-se nova etapa em sua vida. Foi a fase do Adeptado. Em 1855 fundou a Revista Filosófica e Religiosa (cujos artigos principais encontram-se em seu livro A Chave dos Grandes Mistérios). Nesse mesmo ano publicou seu Dogma e Ritual da Alta Magia e o poema Calígula, identificado no personagem, o imperador Napoleão III. Foi preso imediatamente. No fundo da prisão escreveu uma réplica, o Anti-Calígula, retratando-se. Foi posto em liberdade.

Em 1859 veio à luz sua História da Magia, formando com A Chave e o Dogma a Trilogia ocultista tida como bíblia por seus discípulos, entre os quais, nessa época, figuravam Desbarrolles, Delaage e Rozier. Os dois últimos vieram a transmitir a Papus e aos demais ocultistas do fim do século XIX o precioso depósito da Tradição, proveniente de Martinez de Pasqually, Willermoz, Saint-Martin e vivificada por Eliphas Levi.

O círculo de amigos de Eliphas Levi era constituído por uma elite de homens de Desejo, que se reuniam na casa de Charles Fauvety. Constavam-se entre os discípulos parisienses, além dos mencionados acima, Louis Lucas (autor de Química Nova), Louis Ménard (tradutor de Hermes Trismegistro), o conde Alexandre Branicki, Littré, Considérant, Reclus, Leroux, Caubet, Eugène Nus, Constantin de Branicki. O Conde Alexandre de Branicki, polonês, amigo pessoal de Bulwer Lytton, era tido como o principal discípulo de Eliphas Levi, “o mais avançado em Cabala”(8).

Mas nem todos os discípulos do Mestre habitavam em Paris, como era o caso do Barão Nicolas-Joseph Spedalieri, nascido em 1812, na Sicília. Iniciado desde os vinte anos na Sociedade dos Martinistas de Nápoles, era leitor assíduo de Louis Claude de Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido. Aos trinta anos, fixou residência na França (Marselha). Em 1861, entrou em contato com o autor do Dogma e Ritual de Alta Magia, tornando-se seu discípulo. A correspondência entre Eliphas e Spedalieri, iniciada em 24 de Outubro de 1861, prolongou-se até 14 de Fevereiro de 1874.

Apesar de cultivar relações de amizade com pessoas ricas, que freqüentava, Eliphas levava uma vida bastante simples. Suas regras eram: “uma grande calma de espírito, um asseio com o corpo, uma temperatura sempre igual, de preferência um pouco mais fria do que quente, uma habitação arejada e bem seca, onde nada lembre as necessidades grosseiras da vida, refeições regulares e proporcionais ao apetite, que deverá ficar satisfeito e não excitado. Uma alimentação simples e substanciosa; deixar o trabalho antes do cansaço; fazer um exercício moderado e regulado; jamais aquecer-se ou excitar-se à noite, para que a maior calma preceda o sono. Com uma vida regulada assim, pode-se prevenir todas as doenças, que se apresentam sempre sob a forma de indisposições, fáceis de combater com remédios simples e brandos… uma xícara de vinho quente para o enfraquecimento e o resfriado, alguns copos de hidromel! como purgativo, infusão de borragem(9) e leite para a gripe, muita paciência e alegria farão o resto”(10).

Em agosto de 1862 editou seu livro Fábulas e Símbolos, considerado por ele mesmo como o mais profundo que escreveu. Ao elaborar essa obra, conta-nos Eliphas, o Espírito projetou-se em sua alma, de sorte que via todo o conteúdo do livro na Luz, antes de ser escrito. Toda a obra foi feita de um só fôlego, sem qualquer rasura. As idéias brotavam espontaneamente e coisas simples e belas emergiam da Luz, admirando o próprio autor. “Que a Vontade de Deus seja feita! Exclamou Eliphas. Estou maravilhado e espantado pelas grandes obras que Ele me faz executar. Se soubésseis como meu mérito é pequeno… Sou um verdadeiro cadáver que o Espírito Santo anima”.(11)

Suas obras causavam impacto no mundo ocultista da França e do exterior. Recebia visitas de toda espécie: curiosos, ocultistas, estudantes sinceros, aprendizes de feiticeiro … “Um dia, diz Eliphas, entre três e quatro horas da tarde, ouvi alguém bater a minha porta. Eram sete batidas secas, assim espaçadas: 00-0-00-00. Abri a porta e um rapaz muito bem vestido e de boa apresentação entrou lentamente, rindo, com um ar um pouco sarcástico, dizendo-me em um tom familiar: “meu caro Senhor Constant, estou encantado por encontrá-lo em casa”. Tendo dito isso, passou para meu escritório como se estivesse em sua própria casa e sentou-se em minha poltrona.

“Mas Senhor, disse-lhe, não vos conheço”! Ele soltou uma gargalhada: “Sei perfeitamente disso: é a primeira vez que me vedes, pelo menos sob esta forma. Mas eu vos conheço muito bem! Conheço toda vossa vida passada, presente e futura. Ela está regulada pela lei inexorável dos números. Sois o homem do Pentagrama e os anos terminados pelo número cinco sempre vos foram fatais. Olhai para traz e julgai: em 1815 vossa vida moral começou, pois vossas recordações não vão além, em 1825 ingressastes no seminário e entrastes na liberdade de consciência; em 1845 publicastes A Mãe de Deus, vosso primeiro ensaio de síntese religiosa, e rompestes com o clero; em 1855 vós vos tornastes livre, abandonado que fostes por uma mulher que vos absorvia e vos submetia ao binário. Notais que se houvésseis continuado juntos, ela vos teria anulado completamente ou teríeis perdido a razão. Partistes em seguida para a Inglaterra; ora, o que é a Inglaterra? Ela é o Iod da Europa atual; fostes temperar-vos no princípio viril e ativo. Lá vistes Apolônio, triste, barbeado e atormentado como estáveis naquele período. Mas esse Apolônio, que vistes era vós mesmo; ele saiu de vós, entrou em vós e em vós permanece”.

“Vós o revereis neste ano de 1865, mais bonito, radioso e triunfante. O fim natural de vossa vida está marcado (salvo acidente) para o ano de 1875(12); mas se não morrerdes neste ano, vivereis até 1885. Apolônio, quando o vistes, temia as pontas das espadas; vós as temeis como ele, pois neste momento, me tomais por um louco. Como um dia alguém quis assassinar-vos(13), perguntais inquietamente se não vou terminar minha extravagante alocução com um gesto semelhante (aqui começou a rir). Sim, sou louco, acrescentou, retomando seu ar sério, mas não sou a loucura morta, sou a loucura viva; ora, a loucura viva é o inverso da sabedoria de Deus. Sabeis vós o que é Deus? Deus sois vós, pois Satã é Deus visto ao contrário.

“Existem atualmente dois grandes escritores, continuou o estranho visitante, que são úteis à Ciência, Mirville e Eliphas Levi. A todo tempo são necessárias duas colunas; vós sois Jakin, ele é Boaz. Sabeis bem que nenhuma força se produz sem resistência, nenhuma luz sem sombra, nenhuma afirmação sem negação”. Calou-se por alguns instantes e eu lhe perguntei:

– Sois Espírita? Respondeu-me gravemente:

“Os espíritas são escorpiões que inoculam um veneno cadavérico sob as pedras tumulares. Atraem os mortos, mas não os ressuscitam. Em breve a terra estará coberta de cadáveres que andam. Estamos em uma época de morte. Louis-Philippe era um Mercúrio sem asas na fronte; ele as tinha nos pés e foi-se. Napoleão III é um Júpiter sem estrela; após ele virá o Saturno coxo e o rei dos padres. O Senhor Conde de Chambord… “O visitante refletiu um instante, olhou-me fixamente e disse de repente:

“Por que não quereis ser papa”? Dessa vez fui eu quem soltou uma gargalhada. Respondi-lhe:

– Porque não quero ser despropositado. “Ah! disse-me ele, ainda tendes um véu para rasgar e não conheceis vossa força toda-poderosa, acrescentou, retratando-se. Nós dois já criamos e destruímos muitos mundos e vós não ousais aspirar a governar um. Esperai, então, a derrota, o esmagamento dos tímidos, a cruz desse pobre homem que se chamava Jesus Cristo”.

“Mas, finalmente, quem sois vós?”, perguntei-lhe, então, levantando-me.

“Vós negastes minha existência, respondeu-me ele; chamo-me Deus. Os imbecis denominam-me Satã. Para o vulgo chamo-me Juliano Capella. Meu envelope humano tem vinte e um anos; ele nasceu em Bordéus; tem pais italianos”.

“Enquanto esse rapaz falava, eu sentia um peso extraordinário na cabeça; parecia-me que minha testa iria explodir. Observava meu interlocutor com surpresa. Seu rosto lembrava os retratos de Lord Byron, com menos correções nos traços; possuía as mãos muito brancas e carregadas de anéis, o olhar seguro e crepitante de sarcasmos, a boca vermelha, os dentes regulares”. (14)

O curioso visitante partiu e jamais os biógrafos de Eliphas Levi encontraram qualquer traço dele. O ano de 1865, como ele tinha predito, foi triunfal para Eliphas, pois a publicação de sua Ciência dos Espíritos trouxe-lhe enorme reputação entre os ocultistas de seu tempo.

No dia 31 de maio de 1875 faleceu Eliphas Levi. Aqueles que o acompanharam até o último momento testemunharam sua grande coragem e resignação. No momento de expirar, estava bastante calmo. Sua vida tinha sido plena de realizações espirituais. Havia cumprido a missão de iniciado e de iniciador. Acima de seu leito, estava fixado um crucifixo, que olhava seguidamente nos últimos momentos. Disse antes de expirar: “Ele prometeu o Consolador, o Espírito. Agora espero o Espírito, o Espírito Santo”. O Mestre faleceu logo em seguida.

Dedicando praticamente todo seu tempo à pesquisa da verdade e ao apostolado perante seus discípulos, Eliphas Levi levou uma vida bastante humilde. Os bens materiais que possuía não passavam de muitos livros e algumas obras de arte, como prova seu testamento, redigido em uma quarta-feira, no dia 26 de maio de 1875, cinco dias antes de sua morte:

“Em nome da Justiça e da Verdade, este é meu testamento:

Lego ao Conde Georges de Mniszech meus manuscritos, livros e instrumentos de ciência, particularmente uma dupla esfera metálica portanto um resumo de todas as ciências.(15)

Desejo que ninguém toque em meus; manuscritos, a não ser o Conde de Mniszech, a condessa sua esposa, o Conde Branicki e a senhora Gustaf Gebhard, que reside na rua Koenigstrasse, 64, em Esberfeld.

Meu amigo Edouard Pascal, que se ocupou de mim com o maior devotamento, escolherá dentre meus livros não científicos e entre meus objetos de arte e de curiosidade o que lhe interessar.

Lego à minha irmã Pauline Bousselet, que sou forçado a deserdar, por causa de meu cunhado, todos os meus quadros e objetos de devoção.

Desejo, ademais, que todas minhas vestes e roupas em geral sejam legadas às irmãs de caridade da rua Saint-Jacques.

O que resta de móveis, curiosidades, tapeçarias, vasos, pratos de cobre, etc., será vendido e o resultado dividido entre as pessoas que se ocuparem de mim até os últimos momentos; não me refiro a mercenários, mas a amigos”.

O Conde de Mniszech faleceu em 1885. Os manuscritos de Eliphas Levi foram vendidos e dispersos; mas graças a Stanislas de Guaita foram reencontrados. Cabe salientar que a Condessa de Mniszech era prima da Condessa Keller, esposa de Saint-Yves d´Alveydre, o Mestre intelectual de Papus, fato que certamente facilitou a recuperação dos preciosos manuscritos.

Edouard Pascal ficou também com a espada mágica de Eliphas Levi e com a famosa caderneta de anotações referentes aos trabalhos mágicos de Londres. Em 1894 esses objetos caíram nas mãos de Papus, graças a intercessão de amigos que conheciam a viúva de Pascal.

O Filho de Eliphas Levi que só viu o pai no dia de sua morte, acompanhou-o até a sua última morada.(16) M.A.C. foi visto em 1914 por Chacornac, que ficou admirado com sua extrema semelhança com Eliphas Levi. Era um velho de estatura média, de cabelos brancos e que exalava bondade. Mostrou-lhe sua biblioteca, com quase todas as obras de seu pai, cuidadosamente encadernadas. Presenteou-o com um busto de Eliphas e com um de seus manuscritos, denominado O livro de Hermes. Compunha-se de 294 folhas, com 47 figuras no texto e com 78 lâminas do Tarot, em anexo, desenhadas pelo próprio autor. Em 1919, Chacornac encontrou-se com o neto de Eliphas Levi, filho de M.A.C.

M.A.C. legou em 1914, a amigos de Papus, manuscritos inéditos de Eliphas, e objetos pessoais do Mestre. A Tradição Ocultista continuou através dos discípulos póstumos de Eliphas Levi Zahed. A vida continua depois da vida; o sol parte e vem a noite; mas ele não deixa de renascer no dia seguinte, para aquecer e iluminar todos os recantos da Natureza.

Notas

1-) Eliphas Levi tinha 15 anos de idade. Cf. CONSTANT, A.L. Livre des Larmes ou le Christ Consolateur. Paris, Paulier, 1845, p.214.

2-) Cf. CHARCONAC, P. Eliphas Levi, Rénovateur de I´Occultisme em France. Paris, Charconac Freres, 1926, p.17.

3-) Nasceu em Paris em 1814; foi autor de Magicien (1834), Charlotte Corday (1840), Evangile du Peuple(1840); exilado na Inglaterra em 1851, retornou à França em 1869, após a queda do império. Foi nomeado administrador da região de Bouches-du-Rhone, onde tomou medidas enérgicas do ponto de vista econômico e administrativo. Suspendeu o jornal La Gazette du Midi e dissolveu a congregação dos Jesuítas de Marselha; esses atos foram desfeitos pela administração superior, o que culminou com sua demissão. Foi reeleito deputado para a Assembléia Nacional em 1871. O papel que desempenhou como político à partir desta data, foi sem expressão.

4-) CONSTANT,A.L. L´Assomption de la Femme ou le livre de L´Amour. Paris, Le Gallois, 1841, p. XIX.

5-) CONSTANT, A. L. Op. Cit., p. XXI.

6-) Carta de Eliphas Levi ao Barão Spedalieri, Correspondência, t. IX. Essa correspondência entre os dois ocultistas comporta mais de mil cartas. A presente tradução engloba apenas o tomo I (Citado por CHACORNAC, p. op. cit., p. 108).

7-) CONSTANT,A.L. Le Testament de la Liberté. Paris, Frey,1848, p. 218-9.

😎 ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.

9-) Planta de Largas flores azuis, que crescem em regiões temperadas. Suas infusões são sudoríferas, diuréticas e depurativas.

10-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.

11-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.
12-) Todas essas observações estão admiravelmente corretas.

13-) Em 1862, com efeito, um alucinado procurou Eliphas Levi durante dezoito meses, para assassiná-lo. Um dia ele apareceu com um punhal em uma mão e um exemplar do Dogma e Ritual da Alta Magia em outra. O mestre encarou-o com brandura. Falou-lhe com docilidade e ele foi embora tremendo.

14-) ELIPHAS LEVI, Correspondência, vol. V, citado por CHACORNAC, p. op. cit. p. 242 a 244.

15-) Trata-se do famoso Prognóstico de Wronski, aparelho reencontrado por Eliphas Levi em um antiquário de Paris.

16-) M.A.C. era filho de Eliphas Levi e de Eugene C.. Em 1867, Eliphas quis ocupar-se de seu filho, mas não se entendeu com Eugene. Até sua morte não mais avistou Eugene e o filho. Este, informado por um amigo, conseguiu rever o pai sobre seu leito de morte. Cf. CHARCONAC,P.ELIPHAS LEVI, op.cit.p.192.

Original foi retirado do site da Sociedade das Ciências Antigas.

1810 – 1875

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/eliphas-levi/

Palestras e Cafés Filosóficos – Abr 2014

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Em conjunto com a S.O.L. (Sociedade dos Ocultistas Livres), da Loja Teosófica São Paulo, do Templo AyaSofia e do Arcanum Arcanorum, gostaria de convidar os leitores do Blog para as palestras públicas que acontecerão às terças Feiras, 20h, no Templo AyaSofia (r. Alferes Magalhães, 347 – prox. ao Metrô Santana). Os eventos são gratuitos e pedimos apenas que levem doces, salgados ou refrigerantes para um ágape fraterno após as palestras.

22/04 – “Gurdjieff e O Quarto Caminho” por Frater Alef

29/04 – “Caput Draconis e Cauda Draconis no Mapa Astral” por Elizabeth Nakata

#Arcanum

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/palestras-e-caf%C3%A9s-filos%C3%B3ficos-abr-2014

O Legado do Medo

Medo. Sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.

Quem de nós nunca sentiu algum medo em sua vida? Medo de escuro, da solidão, de lugares fechados, do novo, do oculto, de perder alguém que se ama, de não ser amado, de sentir dor, etc.

O medo não é definido por classe social, crença filosófica ou espiritual, não é definido por raça nem faixa etária, o medo é algo que move a humanidade dos tempos antigos a modernidade, dos mais novos aos mais velhos, o medo nos deixa desconfortáveis, leva a depressão e nos faz desistir e esquecer de grandes planos.

A própria cultura ou formação religiosa nos incute o medo. A crença do pecado original que a Humanidade carregaria até hoje, resulta no temor(medo) de Deus e das possíveis represálias que pode sofrer, ainda dentro da crença Cristã, esse medo do pecado original nos leva ao medo do amanhã, pois quando alguem morre, terá três alternativas, Céu, Inferno ou Purgatório.

Creio eu que todos nós temos nossos erros e nossos pequenos(alguns nem tão pequenos assim)deslizes na vida, o que nos restaria o Inferno ou o Purgatório, onde teremos que suportar mais e mais sofrimentos, que nos leva a temer por eles.

Saindo do conceito religioso e indo para um conceito social, o medo nos acompanha desde criança, onde mal se entendia o que era uma inflação, mas sempre ouvia os pais comentando sobre a alta da inflação, ou a alta taxa de juros e o crescimento do desemprego, não precisamos entender os números e o real significado dessas palavras, basta observar e sentir o tom de voz de preocupação e a reação corporal/energética que os pais tinha ao falar sobre o tema, isso toda criança é capaz de sentir, basta apenas uma pequena experiência como essa em nossa infância e já aderimos o legado do medo que acaba sendo repassado a nós inconcientemente.

Crescemos sendo bombardeado por todos os lados com algo que nos limita, e que nos deixe temerosos, temos medo da vida, ou seja, do que a vida nos oferece em termos de conjuntura e possibilidades. Na verdade, o medo é de fracassarmos no resgate de erros pretéritos ou da experimentação, por novas provas que poderiam, ambas (provas e expiações), nos garantir o ingresso em melhores condições sociais e espirituais futuras.

O medo nos leva a um estado misantrópico pois temos medo dos outros, de que eles nos possam causar mal, em qualquer dos ambientes em que nos inserimos: o colega de trabalho ou estudo, o vizinho, o conhecido, o amigo, o parente, etc. Todos, ou quase, nos representam ameaças vivas aquilo que projetamos ou desejamos para nós.

E o que devemos fazer?

Bom, devemos buscar novos horizontes, acreditar em nossa força e potencial, vencendo nossos medos indo sempre em frente. Muitos vão dizer que não é fácil porem necessário eu já prefiro dizer a você que é fácil e mais que necessário.

O x da questão está no domínio de nossa mente, se você não tem controle do que você pensa, então não há como dominar nem suas vontades, quanto mais seus medos. Parafraseando Sidartha Gautama, “nós somos hoje, o resultado de nossos pensamentos de ontem.” Se você planeja uma mudança em sua vida e sempre que for pensar nela, criar situações mentais em que o medo está sempre presente, meu amigo, você está fadado ao fracasso.

Faça algo para controlar sua mente, não importa qual seja a filosofia a crença ou a prática, apenas faça e busque o controle de suas emoções, de seus medos, anseios, e tente se tornar uma pessoa melhor, quando o medo nos domina, nosso lado primitivo é evidenciado o que nos torna pessoas mais grosseiras, mais amargas e menos racional.

Então domine seus sentimentos, ansiedades e seus medos, torne-se uma pessoa desprovida de sentimentos amargos e faça a mudança do Mundo a sua volta, pois o Mundo muda na mudança da mente.

Frater Aurum

Paz Profunda

#medo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-legado-do-medo

Wuwei – A Água e a Pedra

Por Gilberto Antônio Silva

O conceito de não-ação (wuwei) é um dos conceitos taoistas mais mal compreendidos no Ocidente. Muitos pesquisadores acreditaram tratar-se de um fatalismo e de uma “filosofia da indolência”, onde aceitar o que acontece de forma passiva e esperar as coisas acontecerem são os fundamentos. Nada mais longe da verdade.

O Tao é uma constante não-ação

Que nada deixa por realizar

Tao Te Ching, Capítulo 37

Wuwei simboliza a aceitação do fluxo de acontecimentos e a atenção a cada pequena chance de alterar a direção deste fluxo. Todos sabemos que as circunstâncias nos conduzem em determinada direção, mas que dentro deste direcionamento sempre podemos fazer pequenas alterações e correções de rota.

Lutar contra a correnteza, se rebelar contra a direção em que nossa vida se volta, costuma trazer problemas. Os chineses antigos afirmavam que compreender o fluxo das coisas e se adaptar a ele é o primeiro passo para obter seu controle. Estando consciente da direção em que se segue, podemos prever o rumo possível dos acontecimentos e efetuar medidas que nos levem a uma situação melhor.

Saber aceitar e aprender a conduzir são as sementes da sabedoria da não-ação.

A noção de Wuwei juntamente com o conceito de Yin/Yang formam as bases sobre as quais se assenta a filosofia do Taoísmo aplicada à vida. “Wu” pode ser traduzido como “nada” ou “ausência”. “Wei”, segundo Alan Watts, um dos maiores estudiosos da filosofia oriental, também pode significar ser, fazer, praticar, criar, embora no contexto taoísta signifique interferência ou coerção. Portanto, Wuwei significa “não-interferência”. Algumas pessoas que traduzem esse termo apenas por não-ação acabam gerando alguns mal-entendidos.

Esse conceito é muito antigo e faz parte dos ensinamentos taoistas desde longa data. O historiador Sima Qian (145-86 a.C.) escreveu no Shi Ji (Arquivos de História), no século I a.C., que o Taoismo já enfatizava o Wuwei e que “é mais difícil de entender do que de praticar o que prega”. Realmente, a não-ação é mais fácil de exercer do que de ensinar.

Os taoistas adoram usar como exemplo de sua filosofia a água. Ela transmite como ninguém a noção de flexibilidade e de força. Pode-se matar a sede com ela; mover um gerador ou um monjolo (espécie de moinho muito usado no interior de São Paulo); cortar uma chapa de aço maciça e furar pedras duríssimas. Não se pode confundir flexibilidade com fraqueza. Bem, a água sempre escoa de um lugar mais alto para um mais baixo, impelida pela força de gravidade. Ao encontrar um obstáculo, a água o desgasta, dissolve ou o leva consigo. Na impossibilidade de seguir essas opções, a água se desvia e segue o seu curso normal.

Também o homem segue o seu curso, movido por uma força que ele não pode controlar: o TEMPO. O tempo passa, os dias viram anos e todos as pessoas sentem esse fluxo, quer estejam num eremitério do Himalaia, quer estejam num carro em Nova York. Nesse constante fluir os seres humanos se defrontam com inúmeros obstáculos: doenças, pressões no trabalho, promissórias vencidas, filhos turrões, falta de liberdade. Esses obstáculos como todos os outros são encarados como uma verdadeira guerra, causando depressão, estafa, enxaquecas, doenças cardiovasculares e sabe-se lá o que mais.

Não pensem que isso é novidade. Desde que o homem existe, ele enfrenta muitos obstáculos e os taoistas descobriram um meio de vencê-los como a água o faz: Wu Wei.

A coisa mais macia da Terra vence a mais dura.

O que não existe penetra até mesmo no que não tem frestas.

Nisso se reconhece o valor da não-ação.

O ensino sem palavras, o valor da não-ação,

são raros os que o conseguem na Terra.”

Tao Te Ching, Capítulo 43

Wuwei é a não-interferência com o fluxo da vida. O tempo se escoa e com ele enfrentamos diversos obstáculos. A grande maioria deles se desfaz sozinha com o passar do tempo (embora nos preocupemos um bocado antes disso). Quantas vezes nos preocupamos com assuntos além do nosso alcance ou que a preocupação ocupa o lugar de uma consideração séria que poderia resolver a questão. Quanto gasto inútil de energia e quanto estresse gerado. A atitude dos taoistas é de deixar as preocupações inúteis de lado e resolver o problema de modo organizado ou, então, esperar que a solução se dê por si mesma.

Assim também o Sábio permanece na ação sem agir,

ensina sem nada dizer.

Tao Te Ching , Capítulo 2

Zhuangzi contou a estória de um bêbado que caiu de uma carroça em movimento sem sofrer um arranhão, onde outra pessoa teria morrido. Ele não sofreu nada porque não estava consciente de si, nem parou para pensar no que poderia acontecer com a queda. Da mesma forma, quanto mais se pensa num problema, pior ele fica. Como exemplo de aplicação, podemos citar as artes marciais do Tai Chi Chuan e do Aikido. Embora não oponham força à agressão, conseguem dominar qualquer adversário sem necessidade de machucá-lo. Isso só pode ser obtido através da aplicação do Wuwei. Essas artes taoistas não tomam a iniciativa do ataque, mas esperam pelos movimentos do adversário e deixam que eles os guiem para a melhor forma de defesa. No clássico taoísta “Texto Sobre o Tai Chi Chuan” de Wang Zongyue, consta a seguinte passagem: “Se este (o adversário) se move rapidamente, responde-se com rapidez; se ele se move lentamente, deve-se imitá-lo”. Da mesma forma, se ele avançar, recuamos e vice-versa. Atitude igual deve ser mantida na vida cotidiana. Para se realizar um projeto, deve-se esperar a situação oportuna, ou estaremos fadados a falhar.

Essa atitude de espera por uma época propícia é exaustivamente abordada pelo I Ching, o Livro das Mutações como na passagem a seguir: “Em seu dia próprio, você verá que lhe darão crédito. Supremo sucesso, propiciado pela perseverança (na conduta atual)” — Hexagrama 49, Revolução.

Aguardar a época propícia para alguma realização ou esperar que o problema se resolva por si mesmo não é fácil, pois sempre queremos ter o controle absoluto de tudo. Mas estamos em um barco à mercê da correnteza e será menos trabalhoso se evitarmos remar contra ela. Ao se defrontar com uma época ruim, pense que os ciclos Yin e Yang sempre se alternam e para cada hora de trevas existe uma hora de luz radiante.

Quem estima a Vida não age nem faz planos.

Tao Te Ching, Capítulo 38

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/wuwei-a-%C3%A1gua-e-a-pedra

O caso Happy Camp

Raramente é possível , encontrar um episódio isolado, genuinamente, onde todas as facetas do fenômeno OVNI se concentrem. Happy Camp constitui um verdadeiro laboratório do problema estudado, além de ter oferecido a oportunidade para uma experiência direta, embora breve , do fenômeno. Ele também mostra um caso raro de sequestro múltiplo.

Happy Camp é uma pequena cidade madeireira na fronteira setentrional da Califórnia, a cerca de 60 quilometros do Estado de Oregon. Uma única estrada , seguindo de leste para oeste, atravessa a cidade, a 100 quilometros da via expressa que liga os dois Estados. A cidade tem um bar e um café . Localiza-se em um cenário magnifico, com regatos que descem da montanha, florestas de pinheiros e sequóias e canions profundos. As serrarias servem como principal ocupação profissional. A maior parte das testemunhas de OVNIs trabalham direta ou indiretamente para as serrarias. Existem muitos indios na área . Vale destacar , também, que o principal meio de transporte é a caminhonete com tração nas quatros rodas . Os moradores locais comunicam-se através de rádios faixa cidadão, e geralmente carregam rifles nos veículos.

Soube do caso no final de 1975, através de quatro independentes, inclusive um representante regional da Mutual UFO Network (Rede Mútua de OVNI — MUFON ) , que visitou o local . Posteriormente artigos razoavelmente factuais surgiram nos jornais de San Francisco . Contudo, os pesquisadores suspeitavam que algumas testemunhas não revelaram a história toda. Na metade de 1978, quando o interesse pelos eventos diminuiu e Happy Camp voltou a rotina da vida, carreguei meu Cheyenne com equipamentos e viajei até o local , o que demorou um dia inteiro. Tres investigadores tarimbados — Paul Cerny , Tom Gates e Mark Uriate — seguiram comigo. repassamos os fatos divulgados a respeito do caso.

No dia 25 de outubro de 1975 , dosi eletricistas da serraria , Stan Gayer , na época com 19 anos , e Steve Harris , então com 26 anos , estavam em uma caminhonete , na área de Shivar Saddle m testando seus rádios faixa cidadão , quando viram dois objetos em forma de estrela, excepcionalemte brilhantes. Um dos objetos moveu-se subitamente para a parte superior da montanha , oscilando como se “lutasse conta o vento”. Depois desceu , caindo como “uma ponta de charuto acesa ” . Seu brilho era avermelhado . Eles seguiram adiante e em seguida viram um objeto grande, vermelho, brilhando no solo , na encosta do monte Cade.

Dois dias eles retornaram ao local, com um terceiro homem, oficial mecânico , que se considera um “cético interessado” no assunto. Eles estavam equipado com um detetor de metais e uma lanterna . Conhecedores da montanha, exploraram a área , encontrando uma pilha de material estranho , parecido com mica, no local do primeiro pouso, e continuaram a procurar outros sinais . A mica , ao ser analisada, não passava do tipo comum , usado em antigos fogões a lenha.

Eles não esperavam encontrar um par de olhos prateados no meio do mato, nem ouvir um som de sirene . Iluminaram o local com a laterna , mas não conseguiram ver absolutamente nada , apenas escuridão , onde deveria haver moitas e arbustos. Neste momento, eles consideraram que seria mais prudente voltar para a caminhonete e retornar à cidade , onde contaram a história para um estudanete de 17 anos e para Helen White , que se transformou na protagonista principal dos eventos subsequentes.

Na época das visões, Helen White estava com 62 anos . Ela morava em Happy Camp desde 1949, tendo trabalhado durante dezenove anos na serraria . Um reporter a descreveu bem dizendo que “usava óculos, tinha olhos meigos e uma mecha de cabelos grisalhos que lhe davam um ar de vovó , o que realmente era “.

Este grupo de cinco pessoas tão diferentes resolveu ir novamente resolveu ir novamente até as montanhas. Ao chegar no local onde os olhos haviam sido avistados , Steve Harris ficou um tanto nervoso . Por frustração, ou em uma tentativa de impressionar os outros , ele começou a disparar a esmo, contra as moitas , sem dúvida um modo pouco convencional de se investigar um fenomeno desconhecido. Embora eu não aprove este método, sou forçado a admitir que era uma maneira eficiente de assustar qualquer pessoa que estivesse fazendo uma brincadeira, protegida pelas moitas de uva-ursina.

Ao invés de gozadores ou fraudadores , as cinco testemunhas viram duas silhuetas , usando capacetes como a de soldadores circundadas por uma luz peculiar. O som de sirene foi ouvido novamente. Helen White , que portava sua camara , foi incapaz de tirar uma foto .

As criaturas aproximaram-se parando a uns 15 metros do grupo . As pessoas sentiram um calor estranho no ar. Steve recorda-se de ter tossido , como se o ar estivesse pesado demais para se respirar.

— Era como uma sauna , ou um banho turco, onde o ar fica quente , só que muito pior — disse

Helen White comparou s sensação a um aperto no peito . Steve pensou que estavam sendo atingidos por gás. O grupo fugiu em pânico, perseguidos durante a descida da montanha por um objeto vermelho luminoso. O evento principal ocorreu cinco dias depois , a 2 de novembro de 1975, com os mesmos protagonistas ( Steve, Stan e Helen ) , e duas outras pessoas que passavam de carro por uma estradinha de terra no canion, no sopé do monte Cade. Eles ainda estavam tentando encontrar uma explicação para o que viram , e exploravam a área de maneira mais ou menos sistemática.

No canion , entretanto, passaram por um trecho coberto de neblina densa, que os forçou a recuar , e todos se confundem com relação aos eventos subsequentes. Eles se lembram de que pedras imensas caíram do alto do canion, dos lados da caminonete. Eles se recordam de que as portas foram abertas, e um ser estranho surgiu, dizendo a Steve , que empunhavam a arma:

— Não vai precisar disso.

Eles acreditam ter visto um objeto pairando no ar. Helen lembra , inclusive , de ter sido conduzida para uma sala , mas não tem certeza da sequencia temporal dos acontecimentos . Um dos ocupantes manteve um dialogo com ela, no decorrer do qual descreveu um objeto transparente , dizendo que era de ouro. Helen respondeu que conhecia o aspecto do ouro , e certamente não era transparente. O ser respondeu apenas : “Existem coisas como um ouro através do qual se pode ver. Está em sua Bíblia”.

Steve acredita que esteve em um aparelho com uma janela transparente no topo, através da qual pode ver a montanha China. A lembrança seguinte , a nivel consciente , foi de que se encontravam na caminhonete , descendo a montanha , cantando uma antiga canção religiosa. Eles entoavam , todos juntos , o hino Há Poder no Sangue do Cordeiro.

Depois deste incidente principal , diversas testemunhas tiveram visões na área, até a época de nossa visita. Tais incidentes incluem outros episódios com neblina esquisita contendo um humanóide, sons agudos tão penetrantes que incomodaram as testemunhas e diversos tipos de objetos esféricos ou oblongos sobrevoando a cidade , por vezes perseguidos tenazmente por um jato da Força Aérea americana.

No dia 8 de fevereiro de 1976 , dois dos meus amigos pesquisadores encontravam-se em Happy Camp, entrevistando testemunhas , quando ouviram uma pessoa , na faixa do cidadão , relatando a presença de uma luza alaranjada sobre Slater Butte. Eles viram a luz sobre a montnha , descendo e subindo duas vezes . O objeto era brilhante , laranja-escuro , e seu fulgor lembrava o de “um fogo na floresta , atrás do morro”.

No outono de 1977 duas pessoas , na Estrada de Benjamin Creek, viram um pinheiro Douglas ser partido em dois, enquanto uma força desconhecida puxava a perua deles, em marcha a ré, por mais de 15 metros. Os ultimos 25 metros da imensa arvore foram atirados a 20 metros de distancia , e uma esfera branca brilhante sobrevoava a área. Uma das testemunhas , profundamente abalada com o incidente , recusava-se a voltar ao local.

Meus amigos e eu chegamos a Happy Camp numa sextafeira, dia 23 de junho de 1978, e nos hospedamos em um hotel apropriadamente batizado de Rustic Inn. Embora eu ( Jacques Vallée ) esteja familiarizado com as estradinhas da Califórnia , do deserto de Mojave a Yolla Bolly, até a costa de Mendocino, devo admitir a imensa beleza da região do rio Klamath , que combina precipicios rochosos com matas baixas e florestas magnificas , tirando o folego de qualquer um.

Jantamos no unico restaurante da cidade , o Lois Café . Diversas testemunhas locais aproximaram-se de nossa mesa e se apresentaram . Conhecemos Lorraine, que em companhia da filha vira um aparelho em forma de disco no dia 6 de setembro de 1977.

— Estava todo iluminado — disse Lorraine.

Pat, uma senhora com seus 40 anos, muito animada , sentou-se e disse que estava intrigada com uma série de eventos tipo “poltergeist”, ocorrido na época das visões. Certa noite ela escutou passos pesados no forro da casa. Em outra , viu um imenso pássaro voando, iluminado pela luz da rua. No dia 17 de julho de 1977 , ela avistou uma esfera luminosa perto da cama , e na manhã seguinte descobriu que todas as portas da casa encontravam-se escancaradas.

Durante os dois dias seguintes inspecionamos toda a area , inclusive o pinheiro Douglas na estrada de Benjamin Creek . Os lenhadores não perderam tempo, retirando a parte aproveitável da madeira. A parte superior da arvore, contudo, ainda continuava na ravina , do outro lado da estrada. A noite estava calma, no momento do incidente, sem tempestades ou nuvens de trovoada.

Também visitamos o local do sequestro , seguindo pela estradinha que leva ao canion Realente , há um penhasco ingreme do lado oeste , as pedras poderiam ter caído na estrada e na área vizinha. Mark encontrou no local filamentos prateados de um material resistente, semelhante a cabelo, parecido com as fibras encontradas em Colusa. Fibras identicas também estavam presentes no local de um terceiro caso de contato imediato em Happy Camp . Apesar de nossas esperanças de haver encontrado um elemento comum a diversos casos envolvendo entidades, o exame posterior feito em microscópio , por um laboratório da policia técnica , mostrou que o material não era anormal.

O objeto em forma de disco , avistado por Helen, Stan e Steve, havia pairado sobre as moitas , perto de uma curva fechada da estrada. Neste local , como em diversos outros que visitamos, notamos um toque violento , emdesacordo com a beleza plácida da floresta. Encontramos cartuchos detonados nagrama, e muitas placas da estrada estavam cheias de furos de tiros, algumas praticamente ilegíveis. Só nos restava meditar sobre as fustrações e a necessidade de se demonstrar poder sobre a natureza que provocavam tais violencias. Talvez isso fosse exarcebado pela magnificencia da paisagem, pelos penhascos e grotas profundas, pelo céu imenso. O ser humano pode facilmente se sentir encurralado, insignificante. Caso esta interpretação seja correta, ela é relevante para a analise do terror e do fascínio provocados pela visão dos OVNIs , e com os confrontos com seres altos , que não se intimidaram com o rifle de grosso calibre de Steve. Também vale notar que as montanhas vizinhas abrigam , segundo relatos, uma estranha criatura parecida com um macaco ou com o Sascuatch canadense. Há ainda lendas locais sobre o Puduwan, um ser estranho com poderes paranormais.

As testemunhas entrevistadas em profundidade confessaram que ocorreram muitos incidentes que não foram relatados. A primeira visão na área havia sido relatada por um policial, Dick McIntyre , que posteriormente desmentiu e negou sua história. A maioria das testemunhas preferiu se calar , soubemos, depois da publicação de um artigo de página inteira sobre Happy Camp no San Francisco Chronicle. Vários policiais rodoviários foram seguidos por estranhas luzes na região, mas não comunicaram oficialmente o fato.

Entre os casos não revelados está a visão do filho de Lorraine: um objeto grande , brilhante , de cor azulada como aço , com uma luz vermelha. Objetos menores voavam em torno dele, de um modo que lembrava as visões de “charuto de nuvem” descritas por Aimé Michel . Tivemos um encontro com Helen White, e a oportunidade de conversar com ela longamente, enquanto assistíamos ao jogo de beisebol amador do qual seu neto participava. Ela fornecu detalhes dos incidentes, confirmando e explicando diversos aspectos das observações . Ela insistiu, na entrevista , que no momento do sequestro “tudo acontecia em camara lenta”.

Outros aspectos do episódio me intrigavam, pois não pareciam fazer muito sentido . Durante o sequestro ela conversou com um homem vestido com uma capa longa, flutuante. Estavam no meio de uma avalanche de pedras.

— Cuidado com as pedras ! — Ela alertou o ser.

— Não se preocupe, pedras não podem me ferir — foi a resposta.

Ao subir para o objeto, ela sentiu que uma luz a banhava. Queria levar algo , como prova, e recebeu permissão para tanto. Mais tarde os seres a proibiram de levar qualquer coisa, ela reclamou, frustada:

— Voces mentiram para mim.

O ponto mais enigmático da experiencia foi o tamanho do objeto. Como no caso da Sra. Victor , o aparelho para onde Helen White foi conduzida era maior do lado de dentro do que de fora. Embora os engenheiros aeronáuticos possam zombar de uma constatação tão bizarra, os leitores topologistas podem ficar tão intrigados quanto eu pelas possiveis interpretações que se descortinam. Se existirem mais de quatro dimensões , como muitos físicos teóricos atualmente suspeitam , cabe especular : uma hipernave, capaz de inversão topológica em nosso espaço-tempo contínuo pode muito bem ser maior por dentro do que por fora.

Naquela noite transferimos para nossa caminhonete os equipamentos trazidos de São Francisco por Tom Gates e Paul Cerny e seguimos para o local da visão , parando primeiro em Saddle, indo depois para o ponto mais alto na trilha , antes de fazer o retorno.

Era 23h15 quando o avistamos. Tratava-se apenas de uma luz brilhante, branca , com reflexos vermelhos, e a visão não durou mais do que dez segundos. A luz estava bem na nossa frente, vários quilometros além do vale, na encosta do monte China, um local onde nenhum veículo conseguiria chegar. Infelizmente a visão foi curta demais para permitir que parassemos e mostassemos o telescópio de Tom. A luz permanece como um detalhe imprevisto em nossa investigação.

Os eventos de Happy Camp incluem sequestro, neblina sufocante, pássaros imensos , pequenosa seres com capacetes , perseguições realizadas por jatos, “poltergeists” , anomalias gravitacionais e arvores derrubadas. Partindo de uma cidade isolada , que nem sequer tem um cinema, esta concentração de casos é notavel. Mas não estaria completa sem o episódio do Homem de Preto. Assim sendo, fiquei quase aliviado ao saber que no inicio de 1976 um estranho, que jamais estivera na cidade , entrou no Lois Café . Helen e Pat encontravam-se lá, jantando calmamente em mesas diferentes.

Todas as conversas cessaram quando o sujeito entrou. Ele pediu um filé, mas não sabia usar garfo e faca, e acabou saindo sem pagar , o que o tornou inesquecivel para a população local. Pat declarou que ele tinha pele pálida e olhos “orientais” . Usava uma espécie de camisa estranha , e não possuia casaco, embora estivessem no meio do inverno americano. Sorria constantemente para as pessoas , de um modo forçado , esquisito. Entre as atitudes peculiares que tomou durante seu jantar extraordinário , inclue-se uma corajosa tentativa de beber um pote de gelatina.

Extraido do livro “Confrontos” de Jacques Vallée – Editora Best Seller

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-happy-camp/

Maçonaria no Mundo: Israel

A partir de Junho, teremos novas colunas aqui no Blog. Para falar sobre curiosidades e desmentir invencionices que circulam na internet sobre a Maçonaria, convidei ao Irmão Kennyo Ismail, pesquisador muito mais competente do que eu e autor do blog No Esquadro, para escrever textos e tirar dúvidas sobre a maçonaria para o TdC.

A Grande Loja do Estado de Israel foi instalada em 20/10/1953, em Jerusalém. Porém, sua sede fica em Tel Aviv. A 1ª Loja na região foi a Loja Rei Salomão n°293, filiada à Grande Loja do Canadá, e teve sua primeira reunião realizada nas chamadas pedreiras do Rei Salomão no dia 07/05/1873. Cinco anos antes havia ocorrido uma reunião no mesmo local, porém sem existir uma Loja regularmente constituída. Posteriormente a isso, houve outras Lojas na região, filiadas a extinta Grande Loja da Palestina.

O atual Grão-Mestre da Grande Loja do Estado de Israel é o Irmão Nadim Mansour, cidadão de origem árabe. Sua presença como Grão-Mestre demonstra que não somente a paz, mas também a Fraternidade pode reinar entre árabes e judeus, como bem ocorre naquela Grande Loja.

A Grande Loja do Estado de Israel possui 55 Lojas Simbólicas ativas, as quais em sua maioria trabalham no Rito de York (Monitor de Webb, americano). As Lojas se reúnem nas línguas: hebraico, romeno, francês, espanhol, turco, inglês, russo, alemão e árabe.

A prova maior do compromisso dessa Grande Loja com os princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” pode ser vista no Selo da mesma: a Cruz, a Lua Quarto-crescente e a Estrela de Davi estão juntas, simbolizando o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo. Da mesma forma, a Bíblia, o Alcorão e a Torah estão no Altar das Lojas, comprovando que todos os Irmãos, independente da fé professada, estão imbuídos do objetivo de trabalhar pela felicidade da humanidade.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-no-mundo-israel

A Estrela Flamígera

#Maçonaria

Por Kennyo Ismail

Infelizmente, até os mais respeitáveis escritores maçons deixaram com que suas formações cristãs influenciassem sobre este tema, pecando em sua interpretação. Nas instruções originais de Thomas Webb, amplamente divulgadas nas Grandes Lojas Americanas, a Estrela Flamígera é símbolo da estrela que guiou os sábios até o local de nascimento de Jesus. Por sorte, essa interpretação foi retirada quando da revisão das instruções, em 1843, na Convenção de Baltimore. Albert Pike, não satisfeito, praticamente copiou essa interpretação de Webb em seu famoso livro “Moral & Dogma”, em 1871. Importante ressaltar que são afirmações sem qualquer embasamento histórico.

Alguns autores brasileiros conseguiram ir mais além no mundo da imaginação. Na teoria desses, multiplicada por trabalhos apresentados nas Lojas, a Estrela Flamígera foi inventada por Pitágoras e nomeada por Agrippa, sendo usada pela primeira vez em um ritual de 1737 na França.

Essa teoria seria ótima, se não houvesse vários pentagramas de origem mesopotâmica, babilônica, egípcia, registrados em pedra e datados de, pelo menos, 3.000 a.C, ou seja, mais de dois milênios antes de Pitágoras nascer.

Outro fato que pesa contra essa teoria é o fato de Albert Mackey ter registrado em uma de suas principais obras possuir um monitor de trabalhos maçônicos datado de 1735 que consta a Estrela Flamígera como ornamento da Loja, o que contradiz o pioneirismo francês.

Outro ponto importante é que uma coisa é uma estrela e outra coisa é uma Estrela Flamígera. Deve-se tomar o devido cuidado de não se relacionar todas as estrelas do mundo e seus significados com a Estrela Flamígera. Afinal de contas, não importa o significado que a estrela tem para os índios da tribo dos tapajós ou para os esquimós. Estamos tratando aqui de Maçonaria.

Mas então o que seria a Estrela Flamígera? Há uma explicação mais razoável do que simplesmente “chutar” que se trata da Estrela de Belém?

Eis uma teoria FUNDAMENTADA da origem da Estrela Flamígera na Maçonaria:

Os povos antigos tinham a crença de que os deuses habitavam as estrelas. Essa crença esteve presente no judaísmo, como denuncia o livro “Amós” (5:26), onde consta a crença ao deus Moloch, um deus que possuía uma estrela como símbolo. Os judeus adotaram tal crença por influência dos egípcios, que adoravam Sírius como um de seus mais importantes deuses. Sírius é a estrela mais brilhante do céu, também conhecida como “estrela-cão” por ser a principal estrela da constelação “Cão Maior”. Os egípcios construíram vários templos em dedicação a Sírius e há indícios de que Sírius serviu de base para o calendário egípcio.

Essa influência egípcia fica clara no livro “Atos” (7:43), que cita o tabernáculo de Moloch e “a estrela do vosso deus Renfan”. Renfan era um dos nomes pelos quais os egípcios chamavam Sirius. O Antigo Testamento contém várias outras passagens que citam o deus Moloch.

Pois bem, nos livros de “Reis I” e “Reis II”, ninguém menos do que o Rei Salomão edifica um altar em homenagem a Moloch, o qual, como sabemos, tinha como símbolo uma estrela, por ser a estrela mais brilhante do céu. Os livros relatam que Salomão agiu por influência feminina. Já não mais forte como antes, velho, encontrava-se dividido entre sua sabedoria e a beleza de suas mulheres e concubinas. Enfim, Salomão misturou assuntos da matéria com assuntos do espírito.

Essa questão de dualidade entre matéria e espírito está diretamente ligada à maçonaria simbólica, em que o material prevalece no grau de Aprendiz, mede forças com o espiritual no Grau de Companheiro, e então o espiritual prevalece no grau de Mestre.

Considerando o papel do Rei Salomão para a Maçonaria e essa dualidade enfrentada por Salomão e culminando na sua reverência a Sírius, a estrela mais brilhante do céu (daí o termo “flamígera”), é fácil compreender o importante papel e simbolismo que a Estrela Flamígera ocupa no grau de Companheiro Maçom. Não haveria melhor maneira de simbolizar tal dualidade aos Companheiros do que através do exemplo do próprio Rei Salomão, identificada no Templo por Sírius, a Estrela Flamígera.

A Estrela Flamígera representa as forças e os perigos que podem desvirtuar até o homem mais sábio de todos os sábios do caminho da retidão que leva à Verdade.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-estrela-flam%C3%ADgera