Simbolismo Vegetal II

Dos três reinos da natureza, o vegetal é quiçá o que está mais diretamente unido ao fluir dos ritmos e ciclos do Cosmo, refletidos na renovação periódica e anual das plantas, na regeneração da potência fértil e fecunda de sua seiva, propiciando desta maneira a alimentação e o sustento necessário a homens e animais. Mas o realmente importante é que esta relação está na própria base de muitos mitos e ritos agrários, cuja estrutura simbólica reproduz as leis universais de correspondência e analogia (ou seja, de harmonia) entre a ordem terrestre e a celeste, ou entre a ordem visível e a invisível, não sendo, em suma, o mundo vegetal, ou melhor ainda a natureza em seu conjunto, senão um símbolo vivo e sempre presente do sobrenatural e do transcendente. Por isso mesmo, a germinação, desenvolvimento, florescimento e doação dos frutos das plantas não deixa de ser um fato assombroso e verdadeiramente mágico e misterioso para quem vive imerso no sagrado, como era o caso dos habitantes das sociedades tradicionais, que viam nisso a ação combinada de forças telúricas e cósmicas personificadas nas deidades lunares e solares, terrestres (e infra-terrestres) umas e celestes as outras, recebendo a planta o influxo das energias passivas e ativas, femininas e masculinas do Cosmo através dos nutrientes substanciais da terra e da água, a vivificação do ar, e o calor e a luz procedentes do fogo solar. Daqui deriva a dupla natureza do vegetal, “asúrica” por sua vertente subterrânea e “dévica” por sua parte aérea e vertical (axial), termos estes pertencentes à tradição indiana, e que designam respectivamente às energias telúricas e celestes conciliadas no ato mesmo da criação da planta. Isto cobra um relevo especial nas chamadas “plantas sagradas”, utilizadas nos ritos de iniciação aos mistérios, e cuja ingestão (bebida ou comida) põe ao ser em comunicação com seus estados inferiores e superiores, realizando a “viagem” pelos diferentes planos de manifestação, descendo e ascendendo pelo Eixo do Mundo.

Essas plantas seriam, pois, um suporte ou veículo de Conhecimento, e em muitas ocasiões a própria planta, ou seu fruto, considera-se como o objetivo a conseguir para aceder a dito Conhecimento, por isso a expressão “licor de imortalidade” ou “fruto de imortalidade” que recebem determinadas substâncias vegetais, como por exemplo o vinho ou ambrósia nas culturas greco-romana, hebraica, cristã e islâmica, semelhante ao soma ou amrita indiano, idêntico por sua vez ao haoma dos antigos iranianos, do que se diz que só podia recolher-se na “montanha sagrada” Alborj, equivalente ao Eixo do Mundo. Igualmente na Alquimia vegetal se fala do “elixir de longa vida”, que se corresponde com a “pedra filosofal” na Alquimia mineral, sendo o elixir a essência própria da planta, como o vinho é a essência da videira, outra figura do Eixo do Mundo. Neste sentido, recordaremos que o vinho simboliza precisamente a doutrina esotérica e metafísica, ou seja o Conhecimento, e seguramente a isto alude a expressão o “espírito do vinho”, ou aqua vitae (água da vida), ou “bebidas espirituosas”, que ainda se conserva na linguagem popular de diversos lugares, ainda que seu sentido profundo já passe totalmente despercebido na maioria dos casos.

Também há que se mencionar o trigo (equivalente ao milho nas tradições pré-colombianas, ou ao arroz entre as extremo-orientais), e em conseqüência ao pão, que junto ao vinho constituem as duas espécies eucarísticas do Cristianismo, ou seja do corpo e do sangue, ou a substância e a essência reunidas no Verbo ou Homem Universal, arquétipo do iniciado, o que é comparado precisamente a uma planta, tal e como indica a palavra “neófito”, que tanto significa “novo nascido” como “nova planta”. Este é, desta forma, comparado a uma semente ou germe que tem de “morrer” no interior da terra para renascer ao mundo de cima e da luz, que é sua verdadeira origem pois, ao contrário do vegetal, o homem tem suas “raízes” no Céu, tal e qual nos relata Platão no Timeu quando diz que “o homem é uma planta celeste, o que significa que é como uma árvore invertida, cujas raízes tendem para o céu, e os ramos para baixo, para a terra”.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/simbolismo-vegetal-ii

Por quê Kether e Malkuth estão sobrepostos?

Olá Crianças,
Muitos de vocês já viram os desenhos tradicionais das Árvores da Vida conectadas, onde o Kether da Árvore de Baixo se conecta com um Malkuth de uma Árvore acima e assim por diante, mas você já parou para pensar o que isso significa? A explicação que encontramos nos livros tradicionais é a de que 10=1+0= 1 e, portanto, 10=1, mas isso é apenas uma simplificação do que representa esta “junção” de Árvores e de como esta união das infinitas Árvores da Vida forma o que chamamos de Sexta Dimensão.

Em diversas mitologias, os estudiosos compararam o tecido da realidade a um tecido de pano, que pode ser costurado, fiado e cortado por entidades como as Moiras, Parcas, Erínias e outras… não por coincidência todas representações de Daath, o CONHECIMENTO. Hoje vamos compreender o que isto realmente significa na prática.

Se já entendemos que cada pessoa é uma Árvore da Vida Completa, que envolve todos os atos de sua vida e todas as suas realizações, e que pode ser enxergada tanto VERTICALMENTE como a Jornada do Herói Pessoal no qual começamos como profanos em Malkuth e nos iniciamos nos estudos herméticos em Yesod, desenvolvemos nossa razão e emoção em Hod e Netzach até encontrarmos nossa Verdadeira Vontade em Tiferet; realizamos nossa Grande Obra até nos tornarmos Magos, a “Casa de Deus”, Beit, no qual realizamos em terra a vontade dos céus… mas também podemos enxergar o Caminho da Pomba, no qual temos uma idéia em Kether, escolhemos qual das infinitas maneiras de retratar esta idéia faremos em Hochma e Binah; estudaremos todo o Planejamento e orçamento e recursos desta idéia em Chesed e Geburah até termos a IDÉIA PERFEITA em Tiferet. a partir disto, realizamos o melhor racional e emocionalmente em Netzach/Hod até gestarmos o produto em Yesod e o apresentarmos como matéria em Malkuth…

Este último parágrafo deve ter dado um nó em quem ainda não foi meu aluno ou está aguardando ansiosamente o Livro de Kabbalah Hermética, mas garanto que assim que você conseguir compreender o quebra-cabeça que estas duas Árvores representam, você enxergará o Universo com novos olhos!

Retornando ao raciocínio e utilizando este texto de internet como exemplo: Eu, Marcelo Del Debbio, depois de 40 anos acumulando todo tipo de vivência únicas e pessoais, formei toda uma Árvore da Vida completa que pode ser chamada de “Marcelo Del Debbio”. TODO este entendimento de como enxergo o mundo está em BINAH, no MEU BINAH, que representa a “cerca” que limita todo o meu entendimento do universo, que é algo único (por exemplo, eu não sei absolutamente NADA a respeito de parto de elefantes, motor de carro de fórmula 1, escalação de times de futebol, enredo de novelas ou perfuração de poços de petróleo no Ártico…) são coisas que existem em HOCHMA, na Totalidade, mas que apenas fragmentos mínimos dessa Sabedoria chegam até dentro da minha cerca (eu sei que a gestação de elefantes possui semelhanças a humana e de outros mamíferos, como aprendi na escola; eu sei que motores de carros de F-1 funcionam por explosão e o princípio básico, mas não sei consertar um radiador furado… sei que são 11 jogadores e os reservas e cada time usa um uniforme diferente no futebol, e que existem campeonatos… já vi imagens de perfuradores de petróleo e por ai vai…) temos VISLUMBRES de Hochma dentro de nossa “cerca” de Binah.

Dentro desta minha seleção de Entendimentos da Realidade, eu decidi escrever um texto no blog a respeito de Kabbalah. Planejei em Chesed e medi quanto isso ia me tomar em tempo e trabalho em Geburah e cheguei a idéia de como este texto ficaria perfeito (Tiferet). Sentei agora de tarde na frente do laptop e digitei todas estas palavras que você está lendo, gestando este texto em Yesod e finalmente, quando terminei de apertar a tecla [Publicar], este Texto está em MALKUTH…. chamamos este processo de “Árvore Horizontal”, porque apesar de ser uma árvore COMPLETA, eu, com mais de 20 anos como escritor, já produzi centenas e centenas de textos no blog. CADA Texto no Blog obedeceu EXATAMENTE este diagrama dentro da minha Árvore Pessoal.

Continuando o raciocínio, podemos entender que eu, Marcelo Del Debbio, escritor cuja Verdadeira Vontade é escrever sobre Kabbalah, possuo dentro da minha Árvore milhares e milhares e milhares de pequenas Árvores… algumas boas, algumas uma porcaria, algumas excelentes, algumas qliphoticas… mas cada trabalho gerado cria sua própria Árvore e tem seu próprio MALKUTH.

Agora vamos olhar para você, leitor ou leitora que está com os olhos neste parágrafo agora. Você é sua própria Árvore da Vida, resultado das suas vivências únicas e pessoais, que possui sua própria “cerca” no seu próprio BINAH de limitações (talvez você seja um veterinário e saiba fazer um parto de um elefante, ou seja um mecânico e saiba desmontar e montar um motor de F-1 ou talvez saiba a escalação completa de todos os times do campeonato paulista!). Sua cerca de realidade é obviamente MUITO diferente da minha. Quanto maior nossas cercas, maior as áreas que conseguiremos nos fazer entender. Quando você lê estas palavras, todo o conhecimento que passei neste texto se torna SABEDORIA (Hochma) onde o meu Malkuth (este texto) encontra o seu Kether (seu cérebro) e você tenta interpretar este texto.

Ai temos o ABISMO.

Eu acredito que só uns 10% dos leitores nesta altura do campeonato consigam entender realmente tudo o que escrevi acima. Mas não tem problema, este texto é realmente mais complexo do que os que eu normalmente coloco por aqui. Entender este texto requer o conhecimento do que seja cada Esfera e do que elas representam. Se você acabou de começar a estudar kabbalah, palavras como “Geburah” ou “Tiferet” soam alienígenas e incompreensíveis. Tendo o Aleph-Beit (alfabeto) correto, você conseguirá fazer a passagem da Sabedoria de Hochma para o ENTENDIMENTO do seu Binah pessoal… tudo o que você não conhecer ficará para trás no Abismo de Daath.

Isto posto, podemos concordar que se você imprimir este texto e mostrar para 100 pessoas na rua, cerca de 99 não terão a menor idéia do que você está mostrando para elas; algumas nem entenderão a gramática ou o que o texto quer dizer. Uma fração minúscula atravessará a “cerca” do Binah destas pessoas… por outro lado, se você levar este texto a uma sinagoga, 100% dos rabinos vão entender (mas vão falar para você que esse negócio de “kabbalah hermética” não existe, que só eles que sabem a verdade). Se você levar este mesmo texto para um grupo de estudos de kabbalah no facebook, uma quantidade bem maior de gente terá as chaves para entender o que está escrito aqui, e assim por diante… de um fazendeiro no interior de Minas Gerais ao Aleister Crowley, CADA pessoa diferente do planeta que ler este texto entenderá uma porcentagem diferente dele, de uma maneira diferente.

Então temos uma conexão infinita de Árvores da Vida! Meu texto (este MESMO texto que todos vocês estão lendo!) será interpretado milhares de vezes e passará por milhares de filtros até o final do dia… Meu Malkuth se tornará a fagulha de Kether que entrará na Árvore de milhares de pessoas em Hochma (inclusive você, que está lendo isso agora) e, ao mesmo tempo, só no decorrer deste dia, você entrará em contato com centenas de Malkuths de centenas de pessoas diferentes (filmes, livros, músicas… tudo isso é o Malkuth da produção de diversos profissionais que estão em suas jornadas por suas próprias Árvores também). Este entrelaçamento é chamado de Wyrd, ou o “Tecido”. E assim conseguimos entender a razão pela qual é DAATH que traz a representação das Nornes que lidam com esta dimensão.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/por-qu%C3%AA-kether-e-malkuth-est%C3%A3o-sobrepostos

A Divulgação da Thelema na Internet

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Algumas pessoas têm ojeriza à promulgação de Thelema na Internet, especialmente em mídias sociais como o Facebook. O argumento básico é que a esse tipo de promulgação “emburrece” a Lei por usar citações simples ou imagens.

Eu entendo a preocupação e concordo até certo ponto. Seria melhor se as pessoas lessem os textos de Crowley ao invés de simplesmente clicar no botão “Curtir” numa imagem do Facebook. Este é um argumento válido, entretanto – dentro do contexto da Internet – há muitas razões pelas quais ele acaba se perdendo.

Primeiramente, algumas citações relevantes do próprio Crowley sobre a promulgação:

• Crowley escreveu para frater Achad em junho de 1916: “Observe: a questão antes dos encontros é essa: Como iremos colocar em prática a Lei de Thelema. Nós já temos a Lei; eu não acho que precisemos de mais conhecimento, mas precisamos desesperadamente do poder de administrá-lo. Eu acho que estou fazendo papel de bobo, pensando, falando e escrevendo. O que eu preciso é eficiência na promulgação”

• Crowley também escreveu em 28 de agosto de 1936: “uma coisa eu digo: que eu não espero que algo venha das especulações qabalísticas. Eu acho que elas podem até mesmo ser extremamente maliciosas em tempos como o presente. Nosso único foco deveria ser usar a Lei para reconstruir o mundo a partir do caos no qual já estamos parcialmente imersos. Aquela fórmula é simples e não requer treinamento especializado. O trabalho requer a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que nunca ouviram falar da Qabalah; e elas têm de ser abordadas numa linguagem que elas possam entender.”

• Crowley também escreveu para Grady McMurty (Hymanaeus Alpha) em agosto de 1945: “É necessário expandir o escopo da apresentação da Lei de Thelema para que pessoas de todos os tipos sejam capazes de apreciar a parte específica que elas conseguem entender. Desta maneira, os processos de pensamento da maioria [das pessoas] será de tal forma direto que, a todos aqueles que entendem a Lei, será dada a oportunidade de fazê-lo enquanto fornecem guia para aqueles cuja compreensão está incompleta”.

Sabazius X° também escreveu em Ágape X:4, “Se, por um lado, não temos o dever de “converter” [pessoas], por outro, temos, sim, o dever de disseminar a Lei o mais amplamente possível em toda a sociedade humana, e não apenas dentro de específicas sub-culturas, classes e grupos sociais.”

A partir dessas citações, é possível perceber que Crowley estava interessado em diversas coisas concernentes à promulgação da Lei:

• Crowley queria mais poder e eficiência na divulgação da Lei.

• Crowley queria a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que não necessariamente conhecessem coisas específicas como a Qabalah.

• Crowley queria que a Lei fosse apresentada de forma que qualquer tipo de pessoa pudesse apreciar as partes da Lei que conseguisse entender.

Portanto, uma boa promulgação requer (1) um meio poderoso (ou mídia diversificada) de divulgação da Lei, (2) a capacidade de atingir milhares de pessoas, e (3) uma apresentação simples e direta.

Eu pessoalmente acredito que a Internet seja um meio perfeito que preenche os 3 requisitos para uma boa promulgação. O Facebook, em particular, é a mídia que, atualmente, permite que muitas pessoas não só vejam pedaços e partes da Lei por meio de citações e imagens, como também permite que indivíduos compartilhem estes posts facilmente, gerando mais promulgação. Por exemplo, a imagem que está no cabeçalho deste artigo foi visto por mais de 10,000 pessoas numa simples postagem. Exemplo, esta postagem (1) usou uma mídia poderosa como o Facebook que (2) alcançou mais de 10,000 pessoas e (3) foi uma citação que a maioria das pessoas, mesmo sem nenhum conhecimento prévio de Thelema e ou de assuntos mais técnicos como Magick ou Qabalah, puderam apreciar.

O alcance potencial do Facebook é realmente impressionante. Para dar um exemplo, a página “Aleister Crowley” tem um alcance semanal médio de 45,000 pessoas. Isso significa que, em qualquer semana, um post (seja texto, link, vídeo ou imagem) é visto no Feed de Notícias de 45,000 usuários. Qual outra forma de promulgação consegue alcançar 45,000 pessoas toda semana? Continuando com este exemplo, toda vez que alguém curte, comenta ou compartilha o post da página Aleister Crowley, ele poderá ser visto por qualquer um que esteja na lista de amigos de quem realizou qualquer uma destas ações. Quantos são os amigos de pessoas “fãs” desta página do Facebook? Mais de 24 milhões. Estes amigos podem curtir, comentar ou compartilhar, de forma que o número de possíveis visualizadores é, na verdade, maior que 24 milhões. Esta é apenas uma página (fora tantas outras e perfis pessoais) e os números deveriam, na minha opinião, falar por si mesmos. Não está escrito no Livro da Lei que “Sucesso é sua prova”? É possível que este seja, de fato, o maior e mais difundido esforço de promulgação que a Thelema já viu em toda a sua história.

O que estes esforços fazem que é um benefício para a finalidade de promulgar a Lei?

• Milhares de pessoas verão o conteúdo, seja um link para um texto completo, uma citação ou qualquer outra possibilidade, que de outra forma não teriam acesso ou possibilidade de reflexão.

• Milhares de pessoas que nunca ouviram falar sobre Thelema ou Aleister Crowley têm a oportunidade de ver uma pequena parcela do que é a Lei.

• A milhares de pessoas (que não o fariam de outra forma) é dada a oportunidade de promulgar a Lei por si próprio ao difundir o conteúdo.

• Todos podem escolher seguir essas páginas do Facebook, e eles podem decidir comentar e compartilhar. Isto é, de certa forma, o pináculo da promulgação, em oposição ao proselitismo. Ninguém está sendo forçado a fazer, ler ou escutar coisa alguma.

Serviria isto como substituto para as leituras basilares, engajamento na comunidade local, prática de Yoga e Magick, e integração geral da Lei em suas vidas? Claro que não. Mas também não o é qualquer outra forma de alcance, incluindo os melhores e mais bem articulados livros. Tão provável quanto alguém ler um livro inteiro sobre Magick e nunca realizar um ritual é alguém compartilhar uma citação no Facebook e realmente não integrá-la em sua vida.

Nós não temos o poder de forçar a Thelema a alguém; é o Trabalho de cada um estudar, entender, e integrar [isso] em suas vidas e nenhuma carga de trabalho feita por outrém jamais substituirá isso. Nunca substituiu e nunca irá. Estes esforços de promulgação na Internet simplesmente dão mais e mais oportunidades para as pessoas espalharem a Lei para “pessoas de todos os tipos” como Crowley desejava. E é, de certa forma, até mais poderoso do que um livro pois é gratuito, eficiente, permite às pessoas perpetuar ideias com o mínimo de esforço e pode atingir muitos indivíduos que de outra forma jamais teriam escutado sobre Crowley ou sobre a Lei de Liberdade. E também, – ainda que possa chocar ou insultar alguns Thelemitas – nem todo mundo é um intelectual que tem tempo para ler livros e artigos longos e obtusos. Seja por falta de instrução, interesse ou tendência, existem diversas pessoas – na verdade, eu diria que a maioria das pessoas – que não são bibliófilos cabeçudos como eu (e muitos outros Thelemitas contemporâneos). “A lei é para todos” e isso não significa só para bibliófilos cabeçudos.

Algumas pessoas se preocupam com a possibilidade de esses esforços de promulgação terem gerado mais iniciados na OTO local ou mesmo mais Thelemitas. No núcleo disto reside uma preocupação a respeito de quantas pessoas estão realmente integrando essas ideias e colocando-as em prática. Como eu disse há pouco: é a Grande Obra de cada um estudar, entender e integrar [a Lei¿] em sua vida e nenhuma carga de trabalho de outrem substituirá isso. Mais importante, não há qualquer forma de saberemos com certeza absoluta. À parte de não perguntarmos sistematicamente a cada novo rosto que aparece em um evento o que especificamente o fez aparecer lá, há também o fato de que muitas pessoas não têm certeza, não lembram ou não querem dizer (talvez parcialmente pela possibilidade de ser defrontado com beatice!). Não há maneira de saber como esses esforços de promulgação afetam os membros já existentes de organizações como a OTO. Eu, pessoalmente, acho que se alguma postagem do Facebook fez alguém pensar um pouco sobre Thelema naquele dia, mesmo que seja apenas por alguns momentos, já é um avanço se comparado ao não pensar sobre isso de forma alguma. Talvez eles nunca tenham encontrado essa ligação ou uma citação específica antes. E mais: além de organizações como a OTO, não há maneira alguma de determinar como isso afeta Thelemitas (e não-Thelemitas) que não estão associados a qualquer organização em particular.

Em suma, como já mencionei, não há maneira alguma de saber com certeza absoluta. O que sabemos de fato é a incrível extensão em que esses esforços de promulgação pela Internet atingem as pessoas de alguma forma ou de outra, tanto Thelemitas quanto não-Thelemitas. É um fato concreto que “dezenas de milhares de pessoas” (assim como Crowley queria) estão vendo este conteúdo quando, de outra forma, não o fariam. O Livro da Lei diz “e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema”. De verdade, deveríamos nos preocupar com a possibilidade de outras pessoas estarem ou não verdadeiramente engajando-se com o material de alguma forma? Não estaríamos possibilitando às pessoas uma “chance de permanecer neste êxtase ou não” e, independentemente de eles fazerem algo a respeito disso ou não, “não é problema”? Não seria a insistência que determina aos indivíduos que façam uma coisa específica ou que ajam de uma maneira específica uma violação fundamental do “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”?

O Livro da Lei diz: “O sucesso é tua prova; não argumentes, não convertas; não fale demasiado!”. Vamos fazer um pequeno exercício de pensamento: considere a diferença entre (a) um indivíduo que, por exemplo, cria uma imagem com uma citação sobre a Lei e a espalha no Facebook versus (b) um indivíduo que critica esse esforço. A pessoa A está criando uma oportunidade ou chance de alguém ouvir sobre a Lei, pensar sobre a Lei, e compartilhar a Lei, sem qualquer tentativa de converter ninguém (“Sucesso é tua prova”). A Pessoa B é, antes de tudo, reativa – eles estão definindo o princípio causal de suas ações fora de si ao re-agir ao invés de agir. A Pessoa B está argumentando no lugar de espalhar a Lei (“não argumentes”), está tentando obrigar e impor seu estilo de vida como “um verdadeiro Thelemita” sobre os outros (“não convertas”), e estão gastando tempo e energia punindo o outro (“não fale demasiado”) ao invés de criar seu próprio material que seria, obviamente, tão melhor. Se 10.000 pessoas veem algo sobre Thelema por que uma imagem foi postada, quantas pessoas estão realmente sendo alcançadas através da crítica desta mesma imagem?

Enquanto a crítica construtiva é sempre benéfica para aperfeiçoar a eficiência de uma abordagem, há uma série de críticas que são simplesmente emocionais e reativas (isto é, não construtivas). Parece haver algumas pessoas que, conscientemente ou não, querem manter a Thelema como uma camarilha de clausura, elitista e restrita a uma minúscula “panelinha”. Essa é a prerrogativa deles – Faça o que tu queres, é claro – mas acredito que eu, juntamente com dezenas de milhares de outras pessoas, estamos, juntos, fazendo muito trabalho substancial para espalhar a Lei de Thelema para o resto do mundo, de acordo com a atitude do Profeta (como visto nas citações acima). “A Lei é para todos” afinal, e eu digo: se realmente acreditamos que Thelema é a Lei da Liberdade – a Chave para a nossa evolução como indivíduos e como uma espécie – nós devemos dar a tantas pessoas quanto for possível a “chance de permanecer neste êxtase ou não “.

Amor é a lei

Amor sob vontade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-divulga%C3%A7%C3%A3o-da-thelema-na-internet

Há somente uma Substância

» Parte final da série “Reflexões sobre o materialismo” ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Substância – Princípio do ser, que é permanente, em oposição aos acidentes que mudam; A essência de algo; Qualquer espécie de matéria.

Um dos dogmas principais do cristianismo afirma que Jesus Cristo ressuscitou após três dias. O Novo Testamento nos conta que Maria Madalena foi o primeiro discípulo a ver Jesus ressuscitado. Conta também que tanto ela quanto outros discípulos a princípio se assustaram com sua aparição e somente após alguns momentos o reconheceram. Após algum tempo a notícia já se espalhava, mas um dos seguidores de Jesus, Tomé, não parecia crer nela – ele afirmou “que precisava ver para crer”.

A Bíblia diz que Jesus apareceu para Tomé e ainda permitiu que ele tocasse suas chagas… Carl Sagan admirava o ceticismo de Tomé, segundo ele este tipo de experiência – de ver, e tocar, para crer – deveria ser incentivada entre todos os religiosos. Já para os cristãos, Tomé sofria de falta de fé, e não havia nenhum mérito em seu ceticismo. Jesus chega a afirmar que “felizes são aqueles que creram sem ver” – de acordo com o Novo Testamento, é claro.

Ao contrário do que muitos céticos imaginam, há muitos religiosos que são extremamente materialistas. E não estou falando do materialismo no sentido do apego a bens materiais ou consumismo (este é um assunto para outro artigo), mas da necessidade básica que muitos deles têm de reafirmar a ressurreição da carne de Jesus, e jamais apenas de seu espírito.

Há muitos deles que tem verdadeiro asco de coisas fluidas e “imateriais”. Para eles, espíritos nada mais são que assombrações e/ou alucinações causadas por loucuras ou pela influência do próprio Diabo (e eles costumeiramente confundem as duas coisas). Poderíamos questionar o porque de apenas o Diabo ter tantos “poderes” de afetar diretamente nossa realidade, enquanto Deus “gastou” todos os seus milagres nos milênios anteriores – mas isso também seria assunto para outro artigo.

O que eu acho irônico é essa crença dogmática em corpos incorruptíveis, em seres que só podem retornar a vida ou se comunicar com aqueles ainda vivos na posse de um novo corpo, como num grande passe de mágica… Não pela crença em si, mas pelo fato de a grande maioria dos que creem nisso ignoram o fato de que a matéria é em todo caso intangível e invisível. Ora, Tomé não tocou nas chagas de Jesus e nem o viu a sua frente, ele apenas – supondo que o relato é real – sentiu a pressão dos elétrons se repelindo mutuamente (de sua mão e do corpo de Jesus) e percebeu os quantas de luz refletidos por seu corpo.

Tivessem eles conhecimento dos avanços da ciência moderna, se questionariam se existe assim tanta diferença entre um corpo e um espírito, ou por assim dizer entre um espírito encarnado em um corpo, e outro desencarnado. Sim, pois se eles já creem em tantas coisas jamais detectadas, o que custaria crer em seres não imateriais, mas compostos por matéria ainda desconhecida, conforme postulou Bahram Elahi?

Os espíritas, por exemplo, também são materialistas, apenas não compartilham dos mesmos dogmas de alguns cristãos. Vejamos a pergunta #82 do Livro dos Espíritos de Allan Kardec: “É certo dizer que os espíritos são imateriais?” – Para surpresa de muitos, os próprios espíritos que ditavam as respostas para as jovens médiuns que auxiliavam o cientista francês trouxeram a seguinte resposta: “Imaterial não é o termo apropriado; incorpóreo, seria mais exato; pois deves compreender que, sendo uma criação, o espírito deve ser alguma coisa. É uma matéria quintessenciada, para a qual não dispondes de analogias, e tão eterizada que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.” Ora, hoje em dia talvez fosse possível fazer analogias mais próximas – “Matéria Escura” seria uma delas.

Entretanto, sé é muito custoso para os céticos e materialistas anti-subjetivos acreditarem que consciências possam existir longe de cérebros feitos da matéria que já conhecemos, que isso não seja uma barreira intransponível entre nós, espiritualistas, e eles…

Carl Sagan resume muito bem a questão em seu livro “O mundo assombrado pelos demônios” – para alguns “a bíblia do ceticismo”:

“Espírito” vem da palavra latina que significa “respirar”. O que respiramos é o ar, que é certamente matéria, por mais fina que seja. Apesar do uso em contrário, não há na palavra “espiritual” nenhuma inferência necessária de que estamos falando de algo que não seja matéria (inclusive aquela de que é feito o cérebro), ou de algo que esteja fora do domínio da ciência. De vez em quando, sinto-me livre para empregar a palavra. A ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade. Quando reconhecemos nosso lugar na imensidão de anos-luz e no transcorrer das eras, quando compreendemos a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, então o sentimento sublime, misto de júbilo e humildade, é certamente espiritual. Como também são espirituais as nossas emoções diante da grande arte, música ou literatura, ou de atos de coragem altruísta exemplar como os de Mahatma Gandhi ou Martin Luther King. A noção de que a ciência e a espiritualidade são de alguma maneira mutuamente exclusivas presta um desserviço a ambas.

Existam espíritos ou não, o primeiro espírito que precisamos conhecer é o nosso próprio, ainda que não passe de um efeito de nosso processo de consciência. Os primeiros cientistas na Grécia antiga, na Sicília e na ilha de Samos, já buscavam a Substância que dava origem e todas as outras – o fogo, a terra, o ar, a água? Tanto faz se estavam equivocados; Assim como Demócrito equivocou-se em sua abordagem dos átomos mas estava fundamentalmente correto em suas analogias, eles da mesma forma estavam… Todos chegaram a resultados errôneos, mas acertaram profundamente em sua busca.

Inspirado por tais sábios de outrora, o grande Benedito Espinosa chegou à conclusão definitiva em sua “Ética”: “uma substância não pode criar a si mesma” – Sim, tudo, tudo o que há, há de advir de uma única Substância, incriada, eterna, a que se opõe ao nada…

E ainda que tudo o que exista sejam “átomos e vazio” e que nossas vidas não passem de um breve lampejar de vela em noite de ventania, há espiritualidade suficiente na ideia de que estamos sim todos conectados, todos feitos das mesmas substâncias, filhos de fusões nucleares em sóis catapultados em uma imensidão que nem mesmo a luz pode dizer onde acaba.

Nós somos os filhos do horizonte, e nosso único e derradeiro pecado é ignorar tal necessidade de vislumbrar nossa essência uma vez mais – não como Tomé a apalpar as chagas do messias, mas como aqueles que perceberam tanto o mundo material quanto o espiritual, e não souberam dizer ao certo qual é o mais bonito.

Disse Jesus: se vocês disserem qual a vossa origem, dizei-lhes: viemos da Luz, de onde a Luz se originou dela mesma. Ela permaneceu e revelou-se a si mesma em sua imagem. Se vos disserem quem sois vós, dizei-lhes: somos seus filhos e somos eleitos do Pai Vivo. Se vos perguntarem qual é o sinal do vosso Pai em vós, respondei-lhes: é o movimento e o repouso. (O Evangelho de Tomé [o Dídimo] – v.50)

***

Crédito das imagens: [topo] Aidan McHae Thomson; [ao longo] Holger Spiering/Westend61/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#CarlSagan #Filosofia #materialismo #Espiritismo #Espinosa

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Caos Cognitivo

Tese:

1. A atividade cerebral pode ser modelada como uma topologia fractal interligando forças aleatórias e determinadas.
2. A consciência pode ser apresentada como um conjunto de atratores estranhos (padrões de caos) em torno dos quais se organiza uma atividade neuronal específica. Esses atratores n-dimensionais são produzidos com teoremas derivados de uma síntese do trabalho de Mandelbrot e Cantor.
3. Ao obter uma compreensão intuitiva e técnica completa das formas reais dos atratores (embora sejam, em última análise, indeterminadas), pode-se enfrentar o caos como um sonhador lúcido aprende a conter e dirigir o processo do sono REM.
4. Os benefícios de vincular os processos cibernéticos com a conscientização dessa maneira incluem:

  • Exploração das capacidades não utilizadas do cérebro
  • Controle consciente de processos autônomos
  • Reparo de tecido dirigido pela mente em nível celular/genético
  • Controle sobre a maioria das doenças e o processo de envelhecimento
  • Conhecimento do campo morfogenético
  • Percepção direta das propriedades heisenbergianas da matéria

Primeira etapa

  • Compreensão intelectual dos teoremas.
  • Trabalho espiritual destinado a refinar a faculdade da atenção.
  • Construção de uma âncora de aterramento firme da consciência corporal.

Segundo estágio

Estudos nas áreas relevantes de várias ciências:

  • Biologia evolutiva e genética
  • Fisiologia do cérebro
  • Mecânica quântica
  • Programação de computadores

Terceiro Estágio

Neste ponto, nos preparamos para trabalhar com o dispositivo

  • Uma câmara de privação sensorial modificada na qual a atenção pode ser focada em um terminal de computador e tela.
  • Eletrodos colados em várias partes do corpo para fornecer dados fisiológicos que são inseridos no computador.
  • Um capacete peculiar com uma máquina cerebral de quarta geração altamente sofisticada, que pode estimular células cerebrais globalmente ou localmente e em várias combinações, direcionando assim não apenas “ondas cerebrais”, mas também funções mentais-físicas altamente específicas.
  • O capacete também é conectado ao computador e fornece feedback de várias maneiras programadas.
  • Uma série de exercícios em que os teoremas são usados ​​para gerar animações gráficas dos “atratores estranhos” que mapeiam vários estados de consciência, estabelecendo ciclos de feedback entre essa “iconografia” e os próprios estados reais, que por sua vez são gerados através do capacete simultaneamente com sua representação na tela.
  • O uso “alquímico” de drogas ativas da mente, incluindo novos derivados de vasopressina, beta-endorfinas e alucinógenos (geralmente em dosagens “limiares”). Algumas dessas tinturas são simplesmente para fornecer estados de relaxamento ativo e atenção focada, outras estão especificamente ligadas aos requisitos da pesquisa do “Caos Cognitivo”.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/caos-cognitivo/

Um Médium Notável (parte 2)

« continuando da parte 1 (artigo sobre Chico Xavier)

Que nos sobra então após tantas suposições? Nada mais do que suposições. Se é verdade que alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, se é verdade que “não é possível experimentar com espíritos conforme se faz com uma pilha voltaica” – conforme disse Kardec –, e finalmente, se é verdade que a existência do espírito ainda requer comprovação experimental, então da mesma forma os céticos tem de correr atrás de comprovações para suas alegações. Recorrer à opinião de sobrinhos alcoólatras (que depois se ratificou das acusações ao tio), de supostos ex-coordenadores das reuniões de Chico em Uberaba, de “pesquisadores” que tem a idéia fixa de provar que Chico era uma fraude – nada disso será suficiente. De nada adianta encarar um fenômeno com um pré-julgamento em mente (“Todo médium é um fraude!”; “Espiritismo é coisa do demônio!”; “Espíritos existem e Chico é um santo!”), não sobrará espaço algum para qualquer análise objetiva – apenas para sua opinião subjetiva, que em todo caso já estava definida a priori.

Felizmente temos pesquisas sérias e aprofundadas sobre o fenômeno (leia-se: fato, e não mera teoria ou opinião) da produção literária de Chico:

O site Obras Psicografadas possui vasta análise cética de inúmeras obras espíritas, neste site existe uma análise de que certas obras de Chico podem ter plagiado textos pré-existentes. Na verdade, esse tipo de análise cai dentro do âmbito da hipótese da criptomnésia, já que dificilmente Chico iria se dar ao trabalho de inserir conscientemente certos trechos de outras obras, quando em realidade a vasta quantidade de sua produção literária fala por si só… De onde haveria “plagiado” todas as descrições minuciosas dos livros ditados por Emmanuel e André Luis? Que houvesse, sem querer, “plagiado” alguns trechos, é até verossímil… Que essa explicação se estendesse para toda sua obra, absolutamente não.

Já a própria FEB (Federação Espírita Brasileira) pesquisou citações históricas presentes em livros de Chico. Gilberto Trivelato, coordenador do estudo, parece estar se certificando da autenticidade da obra de Chico: “Alguns relatos são tão detalhados que Chico não os faria nem com a ajuda das melhores bibliotecas… Um deles diz que a Catedral de Notre-Dame, em Paris, tinha escadas. Hoje ela não tem. Mas se você pesquisar a fundo, descobre que no século 19 tinha, por causa de enchentes”.

Pesquisa a fundo: isso dá trabalho… Muitos preferem as generalizações e julgamentos apressados. Muitos se indignam com a possibilidade de um médium do interior de Minas ser, talvez, o maior brasileiro que já existiu. Um homem cuja obra obviamente ainda não pôde ser totalmente compreendida, mas cujo carisma arrastou multidões.

Merece a obra de Chico receber aprovação e credibilidade imediata pelos espíritas e simpatizantes? Obviamente que não, senão não seríamos muito diferentes dos pseudo-céticos… Uma coisa são as obras ditadas por Emmanuel e André Luis, outra são obras ditadas supostamente pela mãe de Chico (com todo respeito) com supostas descrições dos “seres alados de Marte” ou versões ufanistas da história do Brasil, considerado o “coração do mundo” por Humberto de Campos. E mesmo entre os espíritas de longa data há calorosas discussões acerca do relato das migrações entre planetas de “A Caminho da Luz” (embora o Gênesis de Kardec também afirme isso) – será que houve mesmo a migração de Capela?

Mas acima de tudo, há que se considerar que espíritos não são infalíveis, e falam somente sobre o que sabem: nada mais, nada menos. Considerar que Chico tenha sido ludibriado por espíritos zombeteiros, que afirmavam serem pessoas que em realidade não eram, talvez seja mais difícil de crer considerando a proteção quase permanente de Emmanuel. Mas e quanto ao próprio Emmanuel? Apesar de iluminado pela convivência no plano espiritual, não deixava de ser um ex-padre católico, no mínimo um espírito com enormes tendências ao lado religioso da doutrina – ao contrário de André Luis, que era um entusiasta da ciência.

Quanta coisa a ser levada em consideração… Quantos debates passados e vindouros… Quantas histórias contadas, e por contar, nos deixou esse médium notável! E quanto a Chico, será que o “capim de Deus” estaria hoje preocupado com seu legado?

“A doutrina é de paz… Emmanuel tem me ensinado a não perder tempo discutindo. Tudo passa… As pessoas pensam o que querem a meu respeito – pensam e falam. Estou apenas tentando cumprir com o meu dever de médium.” – respondeu-nos o médium ainda vivo [1].

Todo esse frenesi em torno de Chico, uns atacando-o como um demônio, outros o idolatrando como um santo, tudo isso também passa. Chico não é nem nunca foi o mito que as pessoas fizeram dele. “Não pretendo ser líder de nada” – afirmava. Chico foi a pessoa humilde do interior de Minas, o doce caipira com uma eterna doçura no olhar – mesmo por detrás dos óculos, todos que o conheceram sentiram-na –, aquele que agia naturalmente no amor, e continuará agindo.

Não se exponham a discussões inúteis com “céticos” e/ou “evangélicos” de opinião cristalizada… Deixem que julguem conforme acharem melhor, que enquanto não comprovarem nada, a obra de Chico e o seu exemplo moral continuarão falando por si próprios. Deixem os caminhos da doutrina em movimento, que o espiritismo não foi feito para se dogmatizar em um “kardecismo” ou uma “idolatria a Chico”. Deixem Chico em paz em suas planícies mineiras do outro lado do véu. Ou não, tanto faz – ele cumpriu sua missão.

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[1] Trecho de depoimento ao Jornal O Ideal – Nº 56 – Janeiro de 2000.

***

Artigo relacionado: Chico Xavier: charlatão?

Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#ChicoXavier #Espiritismo #Mediunidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-m%C3%A9dium-not%C3%A1vel-parte-2

A vida secreta das plantas

Desde os tempos mais remotos que, em todas as culturas os homens adquiriram profundos conhecimentos sobre a vida das plantas, sempre em relação com uma concepção universal de vida, conhecimento que se integrava nas grandes ciências da Alquimia, Astrologia, Medicina, etc.

As fontes principais deste saber foram as Escolas de Mistérios e a comunicação directa dos Médico-Magos com os elfos, silfos, fadas, duendes e demais espíritos elementais que convivem com as plantas, os quais intruiram o homem. Tão grandes conhecimentos foram-se perdendo gradualmente com o correr dos milénios, com brilhantes renascimentos na Grécia, Roma e entre os celtas, até às últimas luzes impulsionadas pelos povos incas e aztecas.

Passado o desastre da queda do Império Romano, e após séculos de obscurantismo, um novo hálito da Tradição desperta a Europa e a partir de Itália surge o Renascimento; génios da talha de Da Vinci, Paracelso ou Giordano Bruno, entre outros, permitiram que o Ocidente redescobrisse aquelas antigas Ciências, ainda que isso só fosse possível de maneira muito fragmentária.

O materialismo desenvolvido a partir do século XVII foi obstruindo cada vez mais esses contactos e, enquanto se edificava uma pseudociência mecanicista e dogmática, perdeu-se lentamente a capacidade de percepcionar o lado subtil da Natureza e os seus habitantes; alcançaram-se concepções muito precisas do mundo material em contraste com uma ignorância quase absoluta do invisível, verdadeiro agente dos fenómenos físicos e químicos.

No século XX, em que o materialismo entronizou a sua miopia, foram definitivamente cortados esses já tão frágeis vínculos. Chegou-se a considerar a vida como uma mera dinâmica de fenómenos ordenados, mas sem nenhuma transcendência. Os seres foram vistos como coisas que possuiam um mecanismo vital, e em consequência disso afirmou-se que nas plantas existia um tal fenómeno e que, por isso estavam vivas.

No meio desta obscuridade surgiu a figura singular de Helena Blavatsky que, apesar da incompreensão e da intolerância reinantes, manteve vigente num selecto grupo de mentes lúcidas a concepção da Vida-Una. Assim chegámos ao século XX, onde uma série de descobertas dera à Ciência oficial a possibilidade de considerar fenómenos que se afastavam de sua própria óptica materialista; e sem por isso abandonar as suas alienações, começa a estudar com maior humildade e menos preconceitos determinados fenómenos considerados noutros tempos pouco sérios. O cientista do século XIX foi intransigente, manifestando orgulhosamente o seu pretenso saber; o do século XX, pelo contrário, menciona os seus achados com muita cautela. E o facto é que na segunda metade do nosso século experiências inquestionáveis obrigaram-no à mais extrema prudência, face à probabilidade da vida ser uma realidade para além do estritamente material.

Estamos quiçá, assistindo à aceitação de algo que os esoteristas de todos os tempos afirmaram: que as plantas e tudo quanto existe têm tanta vida como nós e o Universo na sua totalidade.

Paracelso

Não podemos, nesta breve resenha dedicada à vida oculta das plantas, deixar de mencionar a grande figura de Paracelso.

Nos inícios do Renascimento, ao lado de outras grandes personagens, surge o génio maravilhoso de um grande alquimista e médico ilustre chamado Aureolus Philipo Teofrastos Bombast de Hohenheim.

Nasceu em Einsiedeln, Suiça, em 10 de Novembro de 1943; desde muito jovem o seu pais ensinou-lhe que a Medicina se encontra na Natureza, e só aí é que os homens deviam buscá-la. Dado que tinha um físico muito frágil, o seu pai levava-o a viajar constantemente, convencido de que a mudança de ares o fortificaria. Nessas viagens aprendeu a conhecer as plantas que tinham propriedades curativas ou tóxicas, seu pai também o iniciou nos conhecimentos de Medicina, Cirurgia, Alquimia, Teologia e Latim. Ainda muito jovem conheceu em Levanthal o bispo beneditino Eberhard Baungartner, tido como um dos mais notáveis alquimistas do seu tempo, recebendo os seus ensinamentos com grande avidez. No entanto, o seu maior anseio era poder curar os enfermos, orientando sempre a sua formação para esse fim.

Mais tarde viajou para Basileia, onde aprendeu ainda mais sobre Astrologia e outras Ciências afins. Porém os ensinamentos da Universidade conservavam o espírito medieval pleno de conhecimentos anquilosados; assim, decide procurar um verdadeiro Mestre embarcando para Wurzburg ao encontro do abade beneditino Tritemius, autêntico Adepto, que o instruiu na verdadeira Ciência. Dada a sua vocação, orientou tudo o que aprendeu para a cura das doenças, valendo-se principalmente das propriedades das plantas, assim como de comunicações com os espíritos elementais da Natureza, como ele próprio refere. Deu a conhecer, mais tarde, através de publicações, alguns ensinamentos de carácter ocultista, aplicados sempre à Medicina que tanto amou. Destaca entre os seus ensinamentos o que se refere à inter-relação das plantas com as múltiplas manifestações dos seres vivos no Cosmos, e que definiu como “Signatura”.

O seu amplo espírito levou-o a utilizar diversas vertentes no campo das terapêuticas, tais como a Fitoterapia, a Homeopatia e medicamentos de origem mineral. Chegou a desenvolver uma verdadeira Medicina mágica, aproximando-se de uma certa forma dos Mestres-Magos da Antiguidade.

É a ele, pois, que devemos a pequena chave deste conhecimento oculto, que oferecemos ao leitor através do presente artigo.

As plantas, o Homem e o Cosmos

Em 1966, Backster, famoso técnico na detecção de mentiras através de um galvanómetro, teve o impulso de conectar os seus eléctrodos às folhas duma dracena, acompanhando a reacção desta face à água vertida sobre as suas raízes. Qual não foi o seu espanto ao ver que o galvanómetro produzia um gráfico com linhas extremamente acidentadas: seria possível que a planta fosse capaz de exteriorizar emoções?

A maneira mais eficiente de provocar num ser humano uma reacção suficientemente forte para que o galvanómetro salte é ameaçar pôr em perigo o seu bem-estar. Foi precisamente isto que Backster decidiu fazer à planta: introduzir uma folha de dracena na sua chávena de café quente; o galvanómetro não registou nada. Reflectiu um momento e ocorreu-lhe uma ameaça maior: queimar a folha a que tinha aplicado os eléctrodos. No próprio momento em que pensou nisso o gráfico descreveu uma prolongada linha ascendente. Backster não se tinha movido na direcção da planta nem do gravador. Seria possível que a dracena estivesse lendo o seu pensamento?

Saiu da sala e voltou em seguida com alguns fósforos, observando então que o gráfico registava outro traço brusco para cima, sem dúvida causado pela sua determinação em levar à prática a ameaça que tinha pensado. Dispôs-se a queimar a folha. Desta vez o gráfico assinalou uma reacção mais baixa. Quando, efectivamente, começou a fazer os movimentos de tentar queimar as folhas, não houve reacção alguma. A planta parecia capaz de saber distinguir entre uma tentativa verdadeira e outra simulada.

Backster também comprovou que quando as plantas se viam irremediavelmente ameaçadas, recorriam ao “desmaio”. Assim, a sua planta não reagia a nenhum estímulo sempre que se encontrava na presença de um fisiólogo, cujo trabalho requeria destruir plantas a fim de obter o seu extrato seco.

Para averiguar se as plantas possuiam uma certa forma de memória deu-se início a um plano segundo o qual Backster iria tentar identificar o assassino secreto de uma planta. Seis estudantes, com os olhos vendados, tiraram à sorte um papelinho dobrado de um saco, havendo num deles instruções para arrancar e destruir completamente uma das suas plantas existentes numa sala contígua. O “assassino” tinha que cometer o crime em segredo, com a outra planta por única testemunha. Conectando a planta sobrevivente com um polígrafo e fazendo com que os alunos desfilassem um a um diante dela, Backster conseguiu identificar o culpado, pois só na presença de um deles é que a planta descreveu no polígrafo uma curva frenética de movimentos; a seguir, o estudante confirmou ter sido ele o “assassino”.

Numa outra série de observações, Backster notou que parecia criar-se uma espécie de vínculo de afinidade entre uma planta e o seu tratador, qualquer que fosse a distância que os separasse. Chegou a esta apreciação mediante cronómetros e anotando todas as suas actividades durante o dia, comprovando logo que a curva descrita pelo polígrafo coincidia com as diferentes emoções vividas pela planta ao longo da jornada.

Vogel, cientista inspirado nas experiências de Backster, dispôs três folhas na cabeceira da sua cama e todas as manhãs durante um minuto, exortava amorosamente duas delas a viver, ignorando deliberadamente a outra. Passado uma semana, esta última estava murcha, enquanto que as outras mostravam-se viçosas. Um dia convidou um psicólogo a ir a sua casa; a planta da sala, que tinha um polígrafo conectado, teve uma reacção instantânea e intensa, ficando de repente como morta. Quando Vogel perguntou ao psicólogo em que é que tinha pensado, este respondeu-lhe que tinha comparado mentalmente o filolendro de Vogel com um que tinha em casa, e pensou quão inferior era o de Vogel ao seu. De uma forma evidente, a planta de Vogel mostrou-se tão cruelmente ferida “nos seus sentimentos” que se recusou a reagir durante o resto do dia; com efeito, esteve quase duas semanas sombria e mal-humorada. A partir daí Vogel não teve dúvidas de que as plantas podiam ter aversão aos pensamentos dos seres humanos.

Isto não foi apenas comprovado com seres humanos; Backster pôde demonstrar a um grupo de estudantes da Universidade de Yale que os movimentos de uma aranha na sala em que uma planta estava conectada com o seu equipamento podiam originar importantes alterações no gráfico produzido por esta como, por exemplo, imediatamente antes da aranha escapar a uma tentativa humana de limitar os seus movimentos.

“Parecia – comentava Backster – que a planta captava cada uma das decisões da aranha em fugir, causando uma reacção na folha”.

Numa outra ocasião Backster cortou-se num dedo e untou-o com iodo; a planta que estava a ser observada por meio do polígrafo reagiu imediatamente à morte, segundo parece, de algumas células do dedo.

“A faculdade de sentir – assegura Backster – não parece acabar no nível celular. Pode-se estender ao molecular, ao atómico e até ao subatómico. Concluindo, todas as classes de seres que foram consideradas, convencionalmente, inanimadas, necessitam de uma nova avaliação”.

As plantas e a música

Dorothy Retallack, organista e soprano profissional que tinha dado concertos no Beacon Club de Denver, começou a realizar uma experiência biológica de laboratório com plantas. Juntamente com a amiga formaram dois grupos diferentes de plantas, entre as quais havia filolendros, milho, rabanetes, gerânios, etc. Em seguida, frente a um dos grupos, fizeram soar segundo a segundo as notas musicais “Si” e “Ré”, tocadas a piano e gravadas numa fita magnética; aqueles sons aborrecidos e monótonos, após três semanas de experimentação, fizeram com que todas as plantas começassem a murchar, e algumas delas, inclusivé, afastaram-se da fonte do som, como se fossem desviadas por uma forte ventania. O grupo de plantas que se tinha desenvolvido em paz floresceu.

Também realizou uma experiência de oito semanas com cabaças de Verão, transmitindo para o seu interior música de duas estações de rádio de Denver: uma delas “rock”, e a outra, música clássica. As cucurbitáceas não foram de modo algum indiferentes a estes dois estilos musicais: as expostas às peças de Haydn, Beethoven, Brahms, Schubert e de outros autores europeus dos séculos XVIII e XIX, orientaram-se na direcção do aparelho de rádio, e uma delas enroscou-se amorosamente em torno do transistor. As outras cabaças desenvolveram-se de forma a evitar a música “rock”, e até tentaram trepar pelas paredes resvaladiças da sua caixa de cristal. Em princípios de 1969, a senhora Retallack organizou uma série de ensaios semelhantes com milho, cabaças, petúnias, calêndulas, etc., tendo obtido o mesmo resultado. A música “rock” fazia que, de início, algumas plantas crescessem anormalmente altas e com folhas excessivamente pequenas, ou que ficassem paralisadas; ao cabo de quinze dias, todas as calêndulas tinham morrido, enquanto que outras idênticas, às quais chegavam os compassos de música clássica, floresciam a dois metros dali. Ocorreu algo ainda mais interessante: durante a primeira semana, as plantas expostas à música “rock”consumiam muito mais água do que as expostas à música clássica, embora tirassem menor proveito, já que ao examinar as suas raízes estas estavam esquálidas e só tinham uma polegada de longitude, ao passo que as do outro grupo eram grossas, espessas e quatro vezes mais compridas. Vemos, pois, que um determinado tipo de música exerce influências benéficas no crescimento e desenvolvimento das plantas, graças à sensibilidade que estas possuem, enquanto que outros ritmos produzem efeitos negativos, impedindo o seu desenvolvimento ou provocando enfermidades e, inclusivé, a morte.

Uma vez mais corroboramos a íntima vinculação das plantas com o meio ambiente.

Os Chamanes

O Médico-Mago da Antiguidade, que acumulava uma enorme Sabedoria ao longo dos tempos e dos ciclos históricos, tem na actualidade um modesto mas não menos enigmático herdeiro, o “chamane”.

Os chamanes, os “medicine man” dos povos marginais de todo o mundo, não são supersticiosos ignorantes que pretendem conjurar forças estranhas que desconhecem ou temem; bem pelo contrário; são, no seu meio, personagens de uma reputada capacidade e inteligência, e que reúnem condições de liderança face aos seus semelhantes.

Para alguém se tornar chamane de um povo é fundamental ter uma particular disposição ou abertura para com o mundo natural, o que lhe permite comunicar activamente com a Natureza, com o Espírito das montanhas, dos vales, dos bosques, dos animais e das plantas.

Um aspecto essencial destes singelos médico-magos é, pois, a possibilidade de entrarem em comunicação com os elementais das plantas, estabelecendo com eles uma espécie de diálogo que lhes permite encontrar o tipo de substâncias vegetais que podem utilizar para tratar determinadas maleitas dos seus povos; segundo as suas próprias referências, este diálogo é levado a cabo através das técnicas do êxtase. Segundo os investigadores, há milhares de anos atrás os estados místicos alcançavam-se por vontade própria, ao passo que actualmente os chamanes perderam muito do seu poder e necessitam de utilizar plantas alucinogéneas para realizarem o seu labor; não obstante, é preciso reconhecer neles um passado de alguma forma vigente, um conhecimento intuitivo da vida secreta das plantas, e hoje a Ciência actual voltou o seu olhar para eles em busca de tratamentos mais naturais. No entanto, esta Ciência não chega a compreender que o que necessita de aplicar não é uma maior acumulação de conhecimentos e de técnicas, mas uma concepção radicalmente diferente do Universo. Entretanto, próximo de nós estão estes seres singelos que preservam da soberba e ignorância do nosso século conhecimentos fabulosos.

Peter Tompkins e Christopher Bird

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-vida-secreta-das-plantas/

Necronomicon: o Livro e Seu Autor

O Kitab Al-Azif, livro que em sua versão grega, receberia o nome de Necronomicon — provavelmente a obra mais temida (e desejada) de toda a história do ocultismo — foi escrito em cerca de 730 d.C., na cidade de Damasco (Síria), por um árabe que, segundo tradutores e comentaristas ocidentais, teria se chamado “Abdul al-Hazred”. Na verdade nenhum árabe jamais possuiu esse nome; a palavra “Abdul” não é um nome próprio, mas um título: significa “servo (Abd) de (ul)”. Assim um nome como Abdulah, por exemplo, significa “servo de Deus”. “Abdul”, apenas não faz sentido algum.

Já “Hazred” soa como uma corruptela latina do termo nominal árabe azrad, derivado do verbo zarada — que significa estrangular ou devorar. Assim o nome correto do autor do Kitab Al-Azif seria Abd al-Azrad, ou “o servo do grande devorador”.

Azrad foi um poeta, astrólogo e filósofo, mago e cientista nascido em cerca de 700 d.C. na cidade de Saana, no Iêmen. Antes de escrever a obra que imortalizaria seu nome, ele passou vários anos entre as ruínas da Babilônia, as catacumbas de Mênfis e o grande deserto da Arábia. O autor morreu em 738, em Damasco.

De acordo com o biógrafo Ibn Kallikan, Abd al-Azrad foi devorado, em plena luz do dia, por um demônio invisível. O Azif circulou secretamente em rolos de pergaminho por quase dois séculos.

Em 950, o filósofo bizantino Theodorus Philetas (lê-se Filetas) traduziu a obra para o grego, rebatizando-a como Necronomicon. O manuscrito de Philetas foi copiado várias vezes e muitos exemplares passaram a circular no Império Romano do Oriente até que, em 1050, o Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário condenou a obra. Várias cópias foram confiscadas e queimadas; seus proprietários, mortos sob tortura.

Em 1228, Olaus Wormius, o Velho, traduziu a versão grega de Philetas para o latim, mantendo o título Necronomicon — a essa altura, o original árabe já era dado como perdido. Em 1232, o Papa Gregório IX incluiu o livro de Wormius (e o de Philetas) no Index Expurgatorium.

O Necronomicon de Wormius viu sua primeira edição produzida com tipos móveis em 1454. O incunábulo alemão, impresso em caracteres góticos, não traz data, local ou nome do impressor.

No início do século XVI — com certeza antes de 1510 —, uma versão do livro de Philetas foi impressa na Itália.

A primeira edição “censurada” do Necronomicon — sem as passagens mais terrificantes e os feitiços mais perigosos — foi elaborada em 1580 pelo Dr. John Dee, mago e médico particular da Rainha Elizabeth I da Inglaterra.

Aparentemente, Dee, ao elaborar o texto em inglês, trabalhou com base num manuscrito grego.

No século XVII, o texto em latim foi reimpresso na Espanha dos Habsburgos. Descontando-se a baixa qualidade tipográfica, o livro é tão fiel ao original quanto a primeira edição feita na Alemanha.

Exemplares Conhecidos:

Atualmente existem apenas cinco exemplares do Necronomicon no mundo — ou, ao menos, apenas cinco exemplares de conhecimento público. Várias outras cópias podem estar preservadas em bibliotecas particulares. Os exemplares que chegam ao mercado são rapidamente adquiridos por colecionadores de livros raros (ou por interessados no conteúdo místico do livro) e o preço já atinge as raias do inestimável.

As cinco únicas cópias conhecidas são todas do texto latino de Wormius. Quatro pertencem à segunda edição espanhola e apenas uma à edição alemã original. Nenhum deles é manuscrito e, devido aos poderes atribuídos ao livro (e ao grande número de seitas fanáticas que buscam apossar-se dele ou destruí-lo), nenhuma instituição permite acesso irrestrito à obra. Os exemplares pertencem aos acervos da Bibliothèque Nationale de Paris, à Biblioteca da Universidade Miskatonic, em Arkham, à Biblioteca Widener, em Harvard, e à Biblioteca da Universidade de Buenos Aires (que recebeu o livro graças ao testamento do escritor Jorge Luís Borges). O único exemplar restante da edição alemã está na Biblioteca do Museu Britânico em Londres.

O colecionador abastado de livros raros não terá muitas dificuldades em levantar no mercado uma cópia do manuscrito de John Dee ou do manuscrito de Sussex (uma segunda edição inglesa, inferior à de Dee).

Kitab al-Azif:

Oficialmente, todas as cópias do manuscrito árabe original foram destruídas. No entanto, o Professor Phileus Sadowsky, filólogo e professor de literatura árabe da Universidade de Sófia, Bulgária, afirma ter consultado um livro medieval árabe, intitulado Kitab al-Azif, na Magyar Tudomanyos Akademia Orientalisztikai Kozlemenyei, da Hungria, em meados da década de 1980.

Segundo Sadowsky, o livro mede 21 x 16 centímetros e está escrito em um pergaminho já bastante apodrecido e semi-devorado por vermes. Há marcas de queimadura na extremidade direita do volume, como se alguém o houvesse arremessado ao fogo e se arrependido logo em seguida. O livro estaria escrito em letra tremida e, segundo o Professor, não se trata do trabalho de um calígrafo ou escriba profissional. O pergaminho e o estilo dos caracteres arábicos faz presumir que a obra tenha sido copiada na Síria ou no Irã, durante o século VIII.

Infelizmente tanto o governo da Hungria quanto as autoridades da Magyar Akademia negam veementemente a existência do Kitab al-Azif. Eruditos e bibliotecários ocidentais enviados à Europa Oriental após a queda dos regimes comunistas do Leste Europeu não encontraram qualquer traço do livro ou de registros a respeito de sua existência. De qualquer forma, a reputação do Professor Sadowsky é bastante sólida e parece impossível escapar a esse impasse.

O Nome:

O título grego, “necronomicon”, significa “coisas pertinentes aos costumes, leis e hábitos dos mortos”. O título original, Kitab al-Azif, pode ser traduzido como “Livro dos uivos dos demônios do deserto” ou mais poeticamente como “Livro Daquele que se aproxima”.

Poderes:

Dentre os poderes do Necronomicon, documentados por estudiosos como H.P. Lovecraft ou Henry Armitage, encontra-se um cântico capaz de trazer o demônio Yog-Sothoth a este mundo; informações sobre o pó de Ibn Ghazi, cujos poderes alucinógenos encontram-se além de qualquer descrição; e instruções para a elaboração do Signo Voorish. Há, no entanto, centenas de outros encantamentos e relatos cifrados no livro. Pois o Necronomicon não é um livro que se lê diretamente — ele precisa ser decifrado, intuído, e aqueles que o lêem, após todo o esforço e sanidade dispensados na tarefa, emergem radicalmente transformados.

That is not dead which can eternal lie,
And with strange aeons even death may die.
— Abdul Alhazred: Al Azif

Todos os meus contos partem da fundamental premissa de que as leis, interesses e emoções humanas não possuem nenhuma validade ou significância na grande imensidão do universo.
— H.P. Lovecraft

Por Carlos Orsi Martinho

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/necronomicon-o-livro-e-seu-autor/

Cronologia da Formação Bíblica

Ao contrário do que possam pensar num primeiro momento a Bíblia não desceu dos céus carregada por anjos. Ela é fruto do trabalho e centenas, senão milhares de pessoas que a escreveram, definiram, copiaram, traduziram, editaram, formataram e distribuiram até chegar nos formatos que hoje conhecemos. Confira essa evoluçao século a século.

SÉCULO 10 A.C

Tradições orais javistas e eloistas.

Surgem os primeiros escritos.

SÉCULO 9 A.C

Com a monarquia de Israel, o Rei Davi estabelece primeiro canon judaico (Genesis e Exodus) unificando as tradições do sul e do norte

SÉCULO 4 A.C

Esdras reestrutura o judaismo e forma a versão final da Torah e dos Profetas

SÉCULO 3 A.C

Os judeus de Alexandria produzem a Septuaginta, uma coleção de manuscritos contendo a tradução grega do que hoje conhecemos como a Bíblia Ortodoxa contento todo o antigo testamento usado pelos católicos mais sete livros.

Traduções em aramaico da Septuaginta se espalham pela Judéia, na Samária e  Galiléia

SÉCULO 1

Os autores do novo testamento terminam de ser escritos.

Samaritanos consideram apenas o Pentateuco como sagrado

Sabemos pelos manuscritos do mar morto que os judeus essenios liam Isaias e o Apocalipse de Lamech

O Sinédrio de Jamnia define que o canon: o manuscrito deve ter sido escrito na Palestina, em Hebraico, anterior a Esdras e de acordo com a doutrina dos fariseus. Estes critérios eliminam o que hoje conhecemos como deuterocanonicos mas também Ester, Daniel e Cântico dos Cânticos

O historiador judeu Flávio Josefo descreve em Contra Apião descreve o canone dos fariseus

SÉCULO 2

Marcião, gnóstico, defende que os cristãos deveriam usar apenas o Evangelho de Lucas e as cartas de Paulo. Como reação Irineu, bispo de Lião (Lucas+Paulo) estabelece pela primeira vez os 4 evangelhos.

Concílio de Nicéia provavelmente canoniza os 4 evangelhos e as cartas paulinas

O fragmento de Muratori fala de quatro evangelhos e cita os de Lucas e João, os Atos, e as cartas de João e Paulo (com exceção de Hebreus). Também cita Sabedoria de Salomão e Apocalipse de Pedro.

SÉCULO 3

Explosão de novos manuscritos apócrifos.

SÉCULO 4

A carta de Atanásio, bispo de Alexandria, define os livros do novo testamento como hoje conhecemos. Seus critérios são que deveriam ser escritos por apostolos (considerando Paulo um apóstolo) e serem tradicionalmente usado pelas igrejas. Fica de fora a Antilegomena.

Concílio de Hipona promulga a lista dos livros da Bíblia Católica.

Não temos nessa época ainda um livro, nem mesmo livros separados, mas a chamada Vetus Latina, uma coleção de pergaminhos com cópias feitas de cópias dos textos históricos.

SÉCULO 5

O Midrash Rabbah define o Cânone Judaico como composto de 24 livros que se agrupam em 3 conjuntos: A Lei , Profetas e Escritos.

Jerônimo organiza e traduz os manuscritos da vetus Latina e cria Vulgata, a primeira bíblia como um livro só. Na época o latim era bem difundido, e quem sabia ler, sabia ler latim. Essa tradução é feita direto do hebraico, grego e aramaico e inaugura a traição de separar o Antigo e o Novo Testamento. Ao perceber a diferença entre o canonê alexandrino do palestino ele opta por separar sete de seus livros no final do antigo testamento sob o título de apócrifos. Jeronimo é também o primeiro a chamar esta coleção de bíblioteca divina, mais tarde biblia.

SÉCULO 6

A Escola de Massorá define o Texto Massorético: coleção de livros considerados sagrados para o judaísmo moderno, bem como sua forma correta de leitura.

SÉCULO7

As passagens do Alcorão corroboram a bíblia como livro sagrado.

SÉCULO 9

Cirilo inventa o alfabeto cirillico para poder escrever o novo testamento para os povos eslavos.

SÉCULO10

Os quatro evangelhos são traduzidos na Saxônia

SÉCULO 12

Papa Inocêncio III proibe traduções não autorizadas da bíblia.

SÉCULO 13

1250 – Bible moralisée, primeira bíblia com ilustrações

1280 – Biblia alfonsina traduz a Vulgata é traduzida de forma autorizada para o espanhol.

1297 – A Bible historiale em francês é a primeira Bíblia de Estudos (com comentários e cronologia)

SÉCULO 14

1360 – Vulgata é traduzida de forma autorizada para o Checo

1377 – Vulgata é traduzida de forma autorizada para o francês, Bible de Charles V

1382 – John Wycliffe traduz a Vulgata para o inglês. Acusada heretica pelo bispo de Londres passa a circular ilegalmente.

SÉCULO 15

1455 – Gutemberg faz a primeira impressão da Vulgata e acaba a era dos copistas.

1466 – Bíblia de Mentelin primeira da Vulgata no vernaculo alemão

1471 – Bibbia del Malermi traduz a da Vulgata para o italiano

SÉCULO 16

1516 – Erasmo de Roterdão compila o Textus Receptus, uma compilação do novo testamento baseada em mais de 5000 manuscritos bizantinos que seria a base para quase todas as traduções protestantes seguintes.

1522 – Lutero faz sua tradução direto hebraico e grego para o alemão. Inicialmente coloca os apocrifos (junto com Ester) em um apêncide no AT e as cartas de João e o apocalipse em um apêndice do NT.

1522 – Bíblia de Tyndale, traduz o novo testamento para o inglês. Apesar de ter a obra condenada tornou-se a primeira impressão em massa dos evangelhos.

1540 – O Concílio de Trento estabelece a Vulgata Clementina. Unificando todas as variações existentes da Vulgata.

1570 – Após a Morte de Lutero os luteranos removem os apêndices do AT e retornam os livros do NT

1576 – Devido a Inquisição um grupo de teólogos protestantes se refugiam na Suiça onde produzem a Biblia de Genebra, uma revisão do novo testamento de Tyndale e uma nova tradução dos escritos hebraicos. É a primeira bíblia com separação por versículos, introduções por capítulos, referências cruzadas, mapas e tabelas.

SÉCULO 17

1611 – Para combater a popularidade a Bíblia de Genebra, repleta de comentários calvinistas, Rei James, anglicano. encomenda a produção de uma nova tradução para o inglês e para isso mobiliza uma comissão de 54 estudiosos.

1666 – King James Bible  passa a remover os apocrifos de suas edições

SÉCULO 19

1804 –  É fundada a ‘Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira’ com a missão de  tornar a Bíblia acessível a todos os povos. Traduções se intensificam.

1866 – Bíblia francesa é a primeira a ser vertida ao braille

1898 – Eberhard Nestle publica o ‘Novum Testamentum Graece’  utiizando o método da crítica textual e os Textos Minoritários anteriores ao Textus Receptus. Por seu rigor científico passa a ser o texto base de muitas traduções mais recentes da Bíblia.

1899 – Fundado os Gideões internacionais dedicados a distribuição de Bíblias, nos prisões, hotéis, motéis, escolas, hospitais, repartições públicas, militares, aeronaves e navios.

SÉCULO 20

1945 – A Sociedade Bíblica Internacional tornasse a Sociedade Bíblica Unida presente agora em 200 paises e territórios e dedicada a tradução, edição e distribuição da Bíblia e sempre que preciso alfabetização.

1946 – É fundada a “Sociedades Bíblias Unidas” pela união de 146 Sociedades Bíblicas ao redor do mundo Tradução, edição, distribuição e alfabetização.

1950 – King James Bible vira primera biblia em audio na voz de Alexander Scourby

1969 – Apolo 14 leva a bíblia a lua em microfilme.

1970 – A Traduction œcuménique de la Bible é a primeira tradução ecumenica. Comissão interdisciplinares de mais de 100 especialistas,, incluindo judeus, católicos, protestantes e ortodoxos.

1975 – Após o Concílio Vaticano II revisa a tradução da Vulgata Clementina e publica a Nova Vulgata como a Bíblia oficial da Igreja Católica

1993 – Biblegateway.com é o primeiro site a colocar a Bíblia na internet com ferramenta de busca e diversas traduções sincronisadas e ligações de hipertexto.

SÉCULO 21

2008 – Lançado o YouVersion, aplicativo que permite consulta de varias traduções, incluindo versões em audio, com recursos de notas compartilhadas e estudos em rede.

2009 – Al Jazeera expõe o Bagram Bible Program ao público

2025 – Previsão da Wycliffe Global Alliance para ter projetos de tradução da Bíblia para todos os idiomas falados atualmente.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/cronologia-da-formacao-biblica/