As Conexões das Árvores da Vida

Olá Crianças,

Muitos de vocês já viram os desenhos tradicionais das Árvores da Vida conectadas, onde o Kether da Árvore de Baixo se conecta com um Malkuth de uma Árvore acima e assim por diante, mas você já parou para pensar o que isso significa? A explicação que encontramos nos livros tradicionais é a de que 10=1+0= 1 e, portanto, 10=1, mas isso é apenas uma simplificação do que representa esta “junção” de Árvores e de como esta união das infinitas Árvores da Vida forma o que chamamos de Sexta Dimensão.

Em diversas mitologias, os estudiosos compararam o tecido da realidade a um tecido de pano, que pode ser costurado, fiado e cortado por entidades como as Moiras, Parcas, Erínias e outras… não por coincidência todas representações de Daath, o CONHECIMENTO. Hoje vamos compreender o que isto realmente significa na prática.

Se já entendemos que cada pessoa é uma Árvore da Vida Completa, que envolve todos os atos de sua vida e todas as suas realizações, e que pode ser enxergada tanto VERTICALMENTE como a Jornada do Herói Pessoal no qual começamos como profanos em Malkuth e nos iniciamos nos estudos herméticos em Yesod, desenvolvemos nossa razão e emoção em Hod e Netzach até encontrarmos nossa Verdadeira Vontade em Tiferet; realizamos nossa Grande Obra até nos tornarmos Magos, a “Casa de Deus”, Beit, no qual realizamos em terra a vontade dos céus… mas também podemos enxergar o Caminho da Pomba, no qual temos uma idéia em Kether, escolhemos qual das infinitas maneiras de retratar esta idéia faremos em Hochma e Binah; estudaremos todo o Planejamento e orçamento e recursos desta idéia em Chesed e Geburah até termos a IDÉIA PERFEITA em Tiferet. a partir disto, realizamos o melhor racional e emocionalmente em Netzach/Hod até gestarmos o produto em Yesod e o apresentarmos como matéria em Malkuth…

Este último parágrafo deve ter dado um nó em quem ainda não foi meu aluno ou está aguardando ansiosamente o Livro de Kabbalah Hermética, mas garanto que assim que você conseguir compreender o quebra-cabeça que estas duas Árvores representam, você enxergará o Universo com novos olhos!

Retornando ao raciocínio e utilizando este texto de internet como exemplo: Eu, Marcelo Del Debbio, depois de 40 anos acumulando todo tipo de vivência únicas e pessoais, formei toda uma Árvore da Vida completa que pode ser chamada de “Marcelo Del Debbio”. TODO este entendimento de como enxergo o mundo está em BINAH, no MEU BINAH, que representa a “cerca” que limita todo o meu entendimento do universo, que é algo único (por exemplo, eu não sei absolutamente NADA a respeito de parto de elefantes, motor de carro de fórmula 1, escalação de times de futebol, enredo de novelas ou perfuração de poços de petróleo no Ártico…) são coisas que existem em HOCHMA, na Totalidade, mas que apenas fragmentos mínimos dessa Sabedoria chegam até dentro da minha cerca (eu sei que a gestação de elefantes possui semelhanças a humana e de outros mamíferos, como aprendi na escola; eu sei que motores de carros de F-1 funcionam por explosão e o princípio básico, mas não sei consertar um radiador furado… sei que são 11 jogadores e os reservas e cada time usa um uniforme diferente no futebol, e que existem campeonatos… já vi imagens de perfuradores de petróleo e por ai vai…) temos VISLUMBRES de Hochma dentro de nossa “cerca” de Binah.

Dentro desta minha seleção de Entendimentos da Realidade, eu decidi escrever um texto no blog a respeito de Kabbalah. Planejei em Chesed e medi quanto isso ia me tomar em tempo e trabalho em Geburah e cheguei a idéia de como este texto ficaria perfeito (Tiferet). Sentei agora de tarde na frente do laptop e digitei todas estas palavras que você está lendo, gestando este texto em Yesod e finalmente, quando terminei de apertar a tecla [Publicar], este Texto está em MALKUTH…. chamamos este processo de “Árvore Horizontal”, porque apesar de ser uma árvore COMPLETA, eu, com mais de 20 anos como escritor, já produzi centenas e centenas de textos no blog. CADA Texto no Blog obedeceu EXATAMENTE este diagrama dentro da minha Árvore Pessoal.

Continuando o raciocínio, podemos entender que eu, Marcelo Del Debbio, escritor cuja Verdadeira Vontade é escrever sobre Kabbalah, possuo dentro da minha Árvore milhares e milhares e milhares de pequenas Árvores… algumas boas, algumas uma porcaria, algumas excelentes, algumas qliphoticas… mas cada trabalho gerado cria sua própria Árvore e tem seu próprio MALKUTH.

Agora vamos olhar para você, leitor ou leitora que está com os olhos neste parágrafo agora. Você é sua própria Árvore da Vida, resultado das suas vivências únicas e pessoais, que possui sua própria “cerca” no seu próprio BINAH de limitações (talvez você seja um veterinário e saiba fazer um parto de um elefante, ou seja um mecânico e saiba desmontar e montar um motor de F-1 ou talvez saiba a escalação completa de todos os times do campeonato paulista!). Sua cerca de realidade é obviamente MUITO diferente da minha. Quanto maior nossas cercas, maior as áreas que conseguiremos nos fazer entender. Quando você lê estas palavras, todo o conhecimento que passei neste texto se torna SABEDORIA (Hochma) onde o meu Malkuth (este texto) encontra o seu Kether (seu cérebro) e você tenta interpretar este texto.

Ai temos o ABISMO.

Eu acredito que só uns 10% dos leitores nesta altura do campeonato consigam entender realmente tudo o que escrevi acima. Mas não tem problema, este texto é realmente mais complexo do que os que eu normalmente coloco por aqui. Entender este texto requer o conhecimento do que seja cada Esfera e do que elas representam. Se você acabou de começar a estudar kabbalah, palavras como “Geburah” ou “Tiferet” soam alienígenas e incompreensíveis. Tendo o Aleph-Beit (alfabeto) correto, você conseguirá fazer a passagem da Sabedoria de Hochma para o ENTENDIMENTO do seu Binah pessoal… tudo o que você não conhecer ficará para trás no Abismo de Daath.

Isto posto, podemos concordar que se você imprimir este texto e mostrar para 100 pessoas na rua, cerca de 99 não terão a menor idéia do que você está mostrando para elas; algumas nem entenderão a gramática ou o que o texto quer dizer. Uma fração minúscula atravessará a “cerca” do Binah destas pessoas… por outro lado, se você levar este texto a uma sinagoga, 100% dos rabinos vão entender (mas vão falar para você que esse negócio de “kabbalah hermética” não existe, que só eles que sabem a verdade). Se você levar este mesmo texto para um grupo de estudos de kabbalah no facebook, uma quantidade bem maior de gente terá as chaves para entender o que está escrito aqui, e assim por diante… de um fazendeiro no interior de Minas Gerais ao Aleister Crowley, CADA pessoa diferente do planeta que ler este texto entenderá uma porcentagem diferente dele, de uma maneira diferente.

Então temos uma conexão infinita de Árvores da Vida! Meu texto (este MESMO texto que todos vocês estão lendo!) será interpretado milhares de vezes e passará por milhares de filtros até o final do dia… Meu Malkuth se tornará a fagulha de Kether que entrará na Árvore de milhares de pessoas em Hochma (inclusive você, que está lendo isso agora) e, ao mesmo tempo, só no decorrer deste dia, você entrará em contato com centenas de Malkuths de centenas de pessoas diferentes (filmes, livros, músicas… tudo isso é o Malkuth da produção de diversos profissionais que estão em suas jornadas por suas próprias Árvores também). Este entrelaçamento é chamado de Wyrd, ou o “Tecido”. E assim conseguimos entender a razão pela qual é DAATH que traz a representação das Nornes que lidam com esta dimensão.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-conex%C3%B5es-das-%C3%A1rvores-da-vida

Babalon: a Mulher Escarlate e Seu Mistério

Por Spartakus FreeMann

“BABALON é nossa Mãe, mas quem é ela? Ela é simplesmente tudo. O que você está vendo, o que está bebendo, o que está vestindo, a maneira como o cabelo cheira, a maneira como o barulho do lado de fora atinge a janela, o cachorro etc. Tudo isso é Babalon, toda a realidade material. Ela é a Mãe Divina, a portadora da Luz e das Trevas e a Ela somos subjugados por sua autoridade majestosa.”
– Tau Nahash, A Emanação Babalon

A partir do sistema de Magick de Crowley, ela é retratada como a Mulher Escarlate, a Grande Mãe e Mãe das Abominações. Sua forma divina é a da prostituta sagrada e seu principal símbolo é o Cálice do Graal. Seu consorte é o Caos, o ‘Pai da Vida’, a forma masculina do Princípio Criativo. Babalon é frequentemente descrita como uma mulher carregando uma espada e cavalgando a Besta com a qual Aleister Crowley se identificou pessoalmente. Em um sentido mais geral, Babalon representa a mulher liberada e a expressão do impulso sexual.

Tabela de conteúdo:

1. Etimologia e referências Bíblicas
2. Babalon, a Porta de entrada para a Cidade das Pirâmides
3. A Grande Prostituta
4.  O papel da Mulher Escarlate
5. A Grande Mãe
6. A Mulher Escarlate e o Livro da Lei
7. Babalon nos outros escritos de Crowley
8. Jack Parsons e o Liber 49
9. Ecclesia Babalon e literatura adicional

Etimologia e referências bíblicas

Em primeiro lugar, a forma divina de Babalon parece derivar de uma passagem no Apocalipse, uma fonte de grande inspiração para a cosmologia de Crowley. No Apocalipse, encontramos esta passagem:

“3 E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres. 4 E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição. 5 E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra. 6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.”

Apocalipse 17:3-6 (tradução de Sower).

O nome Babalon pode ser derivado de várias fontes. Primeiro, há uma óbvia semelhança com a Babilônia. Babilônia era uma grande cidade na Mesopotâmia, a fonte da cultura suméria. A divindade Ishtar tem uma semelhança bastante assombrosa com a Babilônia de Crowley. A própria Babilônia é uma cidade frequentemente citada na Bíblia, geralmente como uma imagem do paraíso caída na ruína, um aviso contra a maldição da decadência:

“1 E, depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. 2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível! 3 Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.
4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas. 5 Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela.” Apocalipse 18:1-5 (tradução Sower).

Outra possibilidade deriva da palavra Enoquiana BABALOND, que é traduzida como “meretriz”. Esta é provavelmente a explicação mais provável desde que a “Visão e Voz” foi obtida por Crowley através de viagens astrais seguindo o sistema de magia Enoquiana.

Crowley provavelmente escolheu a grafia Babalon por seu significado Cabalístico. Ao substituir a letra ‘y’ da Babilônia por um ‘a’, a palavra ‘AL’ aparece no centro da palavra. Tudo se decompõe então da seguinte forma: Bab-al-on. Bab é a palavra árabe para “porta”; “AL” é a Chave da Legislação da Liberdade, e também o nome cabalístico para Deus; “ON” é o nome da cidade egípcia que os gregos chamaram de Heliópolis, a Cidade das Pirâmides. Por gematria, Babalon, באבאלען, é igual a 156, que é o número de quadrados em cada tablete dos elementos do sistema Enoquiano de Dee e Kelly. Estas placas são identificadas com a Cidade das Pirâmides, sendo cada quadrado a base de uma pirâmide.

Babalon, a Porta da Cidade das Pirâmides

No sistema Magick, o adepto chega à etapa final quando deve atravessar o Abismo, aquele lugar selvagem do nada e da dissolução. Choronzon (veja nosso estudo sobre Choronzon) reside neste lugar e seu papel é encurralar o viajante neste mundo de ilusões. Entretanto, Babalon está apenas do outro lado acenando para o adepto. Se o adepto se entrega a Ela – o símbolo deste ato é o derramamento do sangue do adepto em seu Graal – ele então se imbui dela para renascer como mestre e santo que reside na Cidade das Pirâmides. Este processo é lindamente descrito no 15º Aethyr da Visão e da Voz.

O conceito contido na imagem de Babalon é o de um ideal místico, a busca de tornar-se um com o todo. Este processo exige necessariamente a recusa de negar qualquer coisa, de se tornar perfeitamente passivo para o mundo, de permitir que todas as experiências ocorram, de se entregar em uma enxurrada de sensações. Através disto, o místico entra em contato direto com a vida, formulando assim o vinho Graal, sendo o entendimento destilado que é derivado da experiência bruta. Este processo tem sua analogia no trabalho da Senhora da Noite.

Babalon é descrita em vários textos de Thelema, mas seu aspecto mais edificante está na “Visão e Voz” na passagem que explica a função do Cálice:

“Que ele olhe dentro da taça cujo sangue está misturado, pois o vinho da taça é o sangue dos santos. Glória a Mulher Escarlate, Babalon a Mãe das Abominações a qual cavalga a Besta, pois ela derramou o sangue deles em cada um dos cantos da terra e veja! Ela o misturou na taça de sua prostituição.

Com o hálito de seus beijos ela o fermentou e ele se tornou o vinho do Sacramento, o vinho do Sabbath; e da Santa Assembleia ela o verteu para seus adoradores que se embriagaram e assim, face a face, contemplaram meu Pai. Deste modo tornaram-se dignos de compartilhar do Mistério desse cálice sagrado, pois o sangue é a vida.”

(Esse vinho é tal que sua virtude irradia através da taça e cambaleio sob a sua intoxicação. E cada pensamento é ceifado por ele. Ele continua sozinho e seu nome é Compaixão. Por “Compaixão” entendo o sacramento do sofrimento compartilhado pelos verdadeiros adoradores  do Altíssimo. É um êxtase no qual não existe traço de dor. A sua passividade (=paixão) é como a rendição do eu ao amado.)”

A Visão e a Voz, 12th Aethyr, Aleister Crowley.

A grafia de seu nome como ‘Babalon’ só foi revelada na visão do 10º Aethyr, onde este nome é usado para banir as forças de Choronzon. A descoberta da forma do Nome representa a bem sucedida travessia do Abismo por Crowley e a entrada na Esfera de Binah que é atribuída a Babalon.

A Cidade das Pirâmides é o lar místico dos adeptos que atravessaram com sucesso o Grande Abismo, aqueles que derramaram seu sangue no Graal de Babalon. Eles destruíram seu ego, de modo que agora são apenas grãos de poeira. Eles se tornaram crianças dentro de Babalon e lá eles têm o sagrado nome: Nemo. No sistema A∴A∴, eles são chamados de “Mestres do Templo”.

A Grande Prostituta

Babalon leva este título porque não recusa ninguém e ainda exige um grande preço – o sangue do adepto e sua identidade de ego como um ser terreno. Este aspecto de Babalon é descrito com mais detalhes pelo 12º Aethyr:

“Esse é o Mistério de Babilônia, a Mãe das abominações, e esse é o Mistério dos seus adultérios, pois ela se entregou a tudo que vive e assim tornou-se parte desse mistério. E por ter feito a si mesma uma serva de cada um, tornou-se senhora de tudo. Tu não podes compreender sua glória.”

“Bela és tu, Ó Babalon, e desejável, pois tu te entregaste a tudo que vive e tua fraqueza sobrepujou tua força. Pois essa união tu “compreendeste”. Por isso tu és chamada Compreensão, Ó Babilônia, Senhora da Noite!”

O papel da Mulher Escarlate

Embora Crowley escrevesse frequentemente que a Babalon e a Mulher Escarlate são uma só pessoa, também há momentos em que a Mulher Escarlate é vista como uma manifestação representativa ou física do princípio feminino universal. Em uma nota no Liber Reguli, Crowley menciona que dos “Deuses do Éon”, a Mulher Escarlate e a Besta são “os emissários terrestres desses Deuses”. Ele então escreve em seus Comentários:

“É necessário dizer que a Besta parece ser um indivíduo definido; ao perceptivo, o homem Aleister Crowley”. Mas a Mulher Escarlate é um oficial substituível quando surge a necessidade. Assim, até a presente data deste escrito, Anno XVI, Sun in Sagittarius, houve muitos detentores deste título.”

A Grande Mãe

Dentro da Missa Gnóstica, Babalon é mencionada no Credo Gnóstico:

“E eu creio em uma Terra, a Mãe de todos nós, e um Ventre onde todos somos gerados e para onde todos deveremos retornar, Mistério dos Mistérios, de Seu Nome BABALON”.

Babalon é identificada com Binah na Árvore da Vida, a esfera que representa a Grande Mãe e as deusas-mães Ísis, Bhavani e Muat. Além disso, ela representa todas as mães físicas.

Babalon no capítulo 49 do Livro das Mentiras:

“AS FLORES DE WARATAH

Sete são os véus da dançarina do harém d’ELE.

Sete são os nomes, e sete são as lâmpadas ao lado da cama Dela.

Sete eunucos A guardam com espadas desembainhadas; Nenhum
Homem aproxima-se Dela.

Em seu copo de vinho estão as sete torrentes de sangue dos Sete
Espíritos de Deus.

Sete são as cabeças d’A BESTA na qual Ela Cavalga.

A cabeça de um Anjo: a cabeça de um Santo; a cabeça de um Poeta:
a cabeça de Uma Mulher Adúltera: a cabeça de um Homem Valoroso; a
cabeça de um Sátiro; e a cabeça de um Leão-Serpente.

Sete letras tem Seu mais sagrado nome, que é:

BABALON 7 7, 77, 77, 7

Este é o Selo sobre o Anel que está no Indicador d’ELE: e este é o
Selo sobre as Tumbas daqueles a quem Ela assassinou.

Aqui está sabedoria. Que aquele que tem Compreensão conte o
Número de Nossa Senhora; pois que ele é o Número de uma Mulher; e Seu Número é Cento e Cinquenta e Seis.”

Sobre este capítulo, Crowley faz o seguinte comentário:

“49 é o quadrado de 7.

7 é o número passivo e feminino.

O capítulo pode ser lido em conexão com o capítulo 31, pois ELE
(N. Trad.: IT, no original em inglês) reaparece.

O título, a Waratah, é uma voluptuosa flor de cor escarlate, comum
na Austrália, o que conecta este capítulo com os de número 28 e 29; no entanto, isso é apenas uma alusão, pois o assunto do capítulo é NOSSA SENHORA BABALON, a qual é concebida como a contraparte feminina d’ELE.

Isso não confirma muito a teogonia comum ou ortodoxa do capítulo 11; mas deve ser explicado pela natureza ditirâmbica deste capítulo.

No parágrafo 3, NENHUM HOMEM é, claramente, NEMO, o Mestre do Templo. “Liber 418” explicará a maioria das alusões neste capítulo.

Nos parágrafos 5 e 6, o autor identifica-se claramente com a BESTA referida no livro, no Apocalipse e em LIBER LEGIS. No parágrafo 6, a palavra “anjo” talvez se refira à sua missão, e a palavra “leão-serpente” ao sigilo de seu decano ascendente. (Teth = Cobra = espermatozoide e Leo no Zodíaco, o qual tem, como Teth, forma de serpente. θ escrevia-se originalmente {Sol} = Lingam-Yoni e Sol.)

O parágrafo 7 explica a dificuldade teológica referida acima. Há
apenas um único símbolo, mas este símbolo tem muitos nomes: destes nomes BABALON é o mais sagrado. Este é nome ao qual se refere em “Liber Legis” 1, 22.

Repare que a figura de BABALON, ou seu sigilo, é um selo sobre
um anel, e este anel está no dedo d’ELE.

Isto identifica ainda mais o símbolo consigo próprio. Repare que este selo, a não ser pela ausência de margem, é o selo oficial da A.·.A.·.

Compare com o Capítulo 3. Diz-se também ser este o selo sobre as tumbas daqueles que foram por ela assassinados, que são os Mestres do Templo. Conectando com o número 49, ver “Liber 418”, 22o Aethyr; bem como as fontes usuais.”

Livro de Mentiras – Aleister Crowley – Tradução de Philippe Pissier.

A Mulher Escarlate e o Livro da Lei

Capítulo I:

“15. Agora vós sabereis que o sacerdote e apóstolo escolhido do espaço infinito é o príncipe-sacerdote a Besta; e na sua mulher chamada a Mulher Escarlate todo o poder é concedido. Eles deverão reunir minhas crianças em sua congregação: eles deverão trazer a glória das estrelas para os corações dos homens.

16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas é para ele a chama alada secreta, e para ela a luz estelar arqueada.”

Capítulo III:

“43. Que a Mulher Escarlate tome cuidado! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar o meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então a minha vingança será conhecida. Eu matarei a sua criança: Eu trarei desarmonia ao seu coração; Eu a banirei dentre os homens; como uma rameira encolhida e desprezada ela se arrastará por entre ruas sombrias e úmidas, e morrerá de frio e de fome.

44. Porém que ela se levante em orgulho! Que ela me siga no meu caminho! Que ela trabalhe a obra de perversidade! Que ela mate o seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta de joias, e ricos vestidos, e que ela seja desprovida de vergonha perante todos os homens!

45. Então Eu a erguerei aos pináculos do poder: então Eu gerarei dela uma criança mais forte do que todos os reis da terra. Eu a satisfarei com prazer: com a minha força ela verá e descobrirá na adoração de Nu: ela alcançará Hadit.”

Babalon nos outros escritos de Crowley

“Nas horas escuras da terra, quando a superstição cristã caiu tão mal sobre os povos da Europa, quando nossa Ordem Santa foi espalhada e a santidade de seus preceitos violados, alguns guardaram a Verdade em seus corações, &, amantes da Luz, eles carregavam a Lâmpada da Virtude sob o manto do sigilo. & estes, em certas estações do ano, foram à noite por caminhos abertos ou escondidos para as charnecas e montanhas, & lá dançaram juntos, & por jantares estranhos e vários feitiços, eles O chamaram, a quem o inimigo na ignorância chamou de Satanás, & que foi na verdade o Grande Deus Pan ou Baco, ou mesmo Bafômetro que os Templários adoraram em segredo, & como os Ilustres Cavaleiros do VI, da Ordem Sagrada Kadosh, aprenderam a adorar todas as Companheiras do Santo Graal, ou Babalon a Bela, ou mesmo o Zeus Apolo dos Gregos.

E cada um, quando introduzido neste santuário, foi feito um companheiro do encarnado pela Consumação do rito do Matrimônio. Considere isto.”

De Nuptiis Secretis, V DO BANHO DOS ADEPS, Aleister Crowley.

Nos emblemas da O.T.O., Babalon está associado ao ovo: “O Ovo é posto pela ‘Águia Branca’ (mulher) e é-lhe atribuído o número 156; é, portanto, a manifestação de Babalon. O Veículo do Ovo é o Fluido Vaginal; portanto, não é o Ovum. Mas é antes o poder de magia da mulher. Ele é fertilizado pelo Esperma, que é congênito à natureza do Ovo. O homem também deve estar em sintonia com a mulher, um elo mágico deve ser desenvolvido entre eles.”

Cada ato de sofrimento, cada ato de sacrifício, cada ato de vida que flui através do homem como a corrente de sangue que rega cada parte do ser, torna-se um fardo para o Adepto. Ele então derrama tudo no copo de BABALON, a Mulher Escarlate, o que ele adquiriu e o que ele se tornou. Em seu Liber Cheth vel Vallum Abiegni, lemos:

“Você derramará seu sangue, que é sua vida, no cálice dourado da fornicação”. Você deve mesclar sua vida com a vida universal. Você não deve guardar uma gota dela. Então seu cérebro ficará mudo e seu coração deixará de bater, e toda a vida se afastará de você..”

Jack Parsons e o Liber 49

Este livro contém a experiência mágica de invocar um Ser Elemental, a Deusa Babalon, e os seus resultados, como interpretado por Jack Parsons, Frater 210, da Ordo Templi Orientis.

Eis o que Parsons escreveu sobre isso em março de 1946 e.v.: “Esta força [a de Hórus] é totalmente cega, dependente dos homens e mulheres em quem se manifesta e a quem guia. É óbvio que esta orientação tende para uma catástrofe. Esta tendência se deve principalmente à nossa falta de compreensão de nossa própria natureza. O desejo reprimido, os medos, o ódio resultante do engano do amor tomaram uma direção homicida e suicida. Este impasse é quebrado pela encarnação de outra força, chamada Babalon. A natureza desta força está relacionada ao amor, compreensão e liberdade dionisíaca e é o contrapeso necessário para a manifestação de Hórus.”

“Deve-se lembrar que toda atividade humana, depois que as funções vitais são cumpridas, surge da necessidade de amar ou da necessidade de ser amado. É verdade, portanto, que na compreensão de todo poder é concedido. Uma compreensão do princípio da bipolaridade deve deixar isso suficientemente claro”.

Para Kazim: “Abyssus abyssum invocat”.

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Ecclesia babalon e Literatura Adicional

A Ecclesia Babalon  (Instagram) é uma organização religiosa internacional independente fundada em 2018 nos Estados Unidos, e atualmente com sede no Brasil e presença em diversos estados. Unindo a tradição gnóstica, o esoterismo sacramental, ocultismo e magia sob a Lei de Thelema, a Ecclesia Babalon é herdeira do sacerdócio gnóstico apostólico das Ordens Esotéricas Gnósticas Sacramentais.

A Ecclesia Babalon se orienta pelo Código Iluminista Livre e defende que:

1. O crescimento espiritual é incompatível com o autoritarismo.
2. A iluminação requer uma abordagem experimental não dogmática.
3. Uma sociedade livre deve buscar estar constantemente atualizada.
4. Somos facilitadores. Nós fazemos o trabalho, não extraímos juramentos ou obrigações, nem exigimos crenças dogmáticas.

Literatura Adicional:
O Credo Gnóstico
O Chamado de Babalon
O Livro da Lei
O Livro de Babalon
Os Escritos de Jack Parsons
Babalon e Therion
A Redenção Feminina
Beijando o Céu: canalizando Babalon

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Fonte:

FREEMANN, Spartakus. Babalon, Sources: Thelemapedia. Traduction & adaptation par Spartakus FreeMann, décembre 2007 e.v., Nadir de Libertalia. Extrait de « Notes pour la compréhension du futur antérieur » de Spartakus FreeMann ☉ in 22° ♐ : ☽ in 18° ♒ : Anno IVxv a.n. EzoOccult, 2007, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/4341/babalon/>. Acesso em 7 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/babalon-a-mulher-escarlate-e-seu-misterio/

A Verdadeira História do Papai Noel

A figura e a característica de portador de presentes do Papai Noel, mundialmente conhecido por diferentes nomes [veja lista adiante] foi, portanto, forjada com elementos lendários de diferentes culturas. No caso específico do folclore cristão, foi incluído o personagem de Santa Klaus ou São Nicolau, nascido na segunda metade do século III, morto em 6 de dezembro de 342. Ele foi bispo de Mira [na Turquia]. É o santo padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega, patrono dos guardas noturnos na Armênia e dos coroinhas na cidade de Bari, na Itália.

Dia a lenda que um homem muito pobre vivia amargurado porque não tinha dinheiro os dotes nupciais de suas três filhas, destinadas, assim, a ficar “solteironas”. O então bispo Nicolau, tomando conhecimento do caso, secretamente, depositou bolsas recheadas de moedas de ouro nas meias das moças que observara, postas a secar diante da lareira. A história se espalhou; todos falavam sobre o misterioso benfeitor que  salvara as moças do “encalhamento”. Diziam que ele tinha entrado na casa descendo a chaminé. Nicolau aproveitou a idéia e passou a beneficia, anonimamente, outras pessoas carentes, especialmente crianças.
Ao longo dos séculos, associando elementos daquelas várias cultura em torno das festividades de fim de ano, a imagem do Papai Noel globalizado foi se definindo até alcançar a configuração que tem hoje: idoso obeso e barbudo vestido com casaco, calças e gorro vermelhos, debruados com pelugem branca e calçando botas altas. Em 1866, a concepção do artista alemão Thomas Nast, criada para a revista Harper’s Weeklys caiu no gosto popular contemplando a imagem atual: um duende na terceira idade, norte-europeu que engordou e cresceu demais.

Observemos que segundo os padrões estéticos e sanitários “politicamente corretos” da pós-modernidade o excesso de tecido adiposo, gordura, banha mesmo! do velhinho poderá ser banido como característica do design posto que a obesidade, atualmente, é considerada doença ou sinal de preguiça, desleixo pessoal. Aliás, nem sempre ele foi representado com excesso de peso. O Papai Noel rechonchudo pode estar com os dias contados tal como aconteceu no carnaval baiano de 2008, quando os poderes públicos rejeitaram a tradição-mau exemplo dos gordos e escolheram um rei Momo magro, o Sr. Clarindo Conceição. Sim, tudo muda, a cultura é uma força viva. Meditemos.

O Papai Noel globalizado tem endereço certo: mora na Lapônia, cidade de Rovaniemi – Finlândia, onde mantém seu escritório e a suposta oficina. Ele tem uma equipe de anões ajudantes, recebe pedidos pelo correio: Santa Claus – FIN-96930 Arctic Circle – Rovaniemi – Finlândia e tem um site na internet: . Viaja em um trenó puxado por nove renas mágicas: a rena guia, cujo nariz vermelho brilha como uma lâmpada na escuridão, Rudolph [Rodolfo], Dasher [Corredora], Dancer [Dançarina], Prancer [Empinadora], Vixen [Raposa], Comet [Cometa] Cupid [Cupido], Donner [Trovão] e Blitzen [Relâmpago]. Estas renas foram acrescentadas ao mito do Papai Noel no século XIX.
Outro elemento mágico da lenda, diz que o personagem, à semelhança de um vampiro [!?] pode entrar em qualquer residência, ainda que esta  não tenha chaminé: ele se transubstancia em fumaça e pode passar por qualquer fresta ou buraco de fechadura [com saco e tudo!]Mas os presentes do velho Noel não são para todos: somente aqueles que, durante o ano, foram “bons meninos e meninas” ganham. E não adianta tentar mentir ou abafar o caso sobre sua má conduta. O Papai Noel tem um telescópio e espiões encantados espalhados em todo lugar. [Esse Papai Noel devia trabalhar na polícia!]

Nome do Papai Noel em várias línguas

Alemanha: Nikolaus (ou Weihnachtsmann – literalmente, “homem do Natal”)
Brasil: Papai Noel [Noel significa Natividade/Natal em francês]
Chile: Viejito Pascuero
Costa Rica: Colacho
Cuba e Republica Dominicana: Santa Claus, pronunciado como Santi Clo
Dinamarca: Julemanden
El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicaragua y México: Santa Claus (no México se pronuncia Santaclós)
Espanha, Argentina, Colômbia, Paraguai , Peru e Uruguai: Papá Noel
Estados Unidos: Santa Claus
Finlândia: Joulupukki
França: Père Noël
Hungria: Télapó
Inglaterra: Father Christmas
Itália: Babbo Natale
Islandia: Jólasveinn
Macedónio: Dedo Mraz
Noruega: Julenissen (literalmente “Duende da Natividade”)
Países Baixos: Kerstman (literalmente, “homem do Natal”) ou Sinterklaas
Panamá: Santa Claus.
Portugal: Pai Natal
Porto Rico: Santa Claus (pronunciado como Santa Clo’)
República Dominicana: Santa Claus (pronunciado como Santa Clo ou, às vezes, Santi Clo)
Romênia: Moş Crăciun
Rússia: Ded Moroz [Avô do Frio, ou do Inverno]
Suécia: Jultomte
Venezuela: San Nicolás o Santa Claus (pronunciado como “Santa clos”)
Costa Rica: Colacho

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-verdadeira-historia-do-papai-noel/

Necronomicon: da origem até nossos dias

O Necronomicon (literalmente: “Livro de Nomes Mortos”) foi escrito em Damasco, por volta de 730 d.C., sendo sua autoria atribuída a Abdul Alhazred. Ao contrário do que se pensa vulgarmente, não se trata de um grimoire (ou grimório), livro mágico de encantos, mas de um livro de histórias. Escrito em sete volumes no original, chegou à cerca de 900 páginas na edição latina, e seu conteúdo dizia respeito à coisas antigas, supostas civilizações anteriores à raça humana, numa narrativa obscura e quase ilegível.

Abdul Alhazred nasceu em Sanaa, no Iêmen, tendo feito várias viagens em busca de conhecimento, dominando vários idiomas, vagou da Alexandria ao Pundjab, na Índia, e passou muitos anos no deserto despovoado ao sul da Arábia. Embora conhecido como árabe louco, nada há que comprove sua insanidade, muito embora sua prosa não fosse de modo algum coerente. Alhazred era um excelente tradutor, dedicando-se a explorar os segredos do passado, mas também era um poeta, o que lhe permitia certas extravagâncias na hora de escrever, além do caráter dispersivo. Talvez isso explique a alinearidade do Necronomicon.

Alhazred era familiarizado com os trabalhos do filósofo grego Proclos (410-485 d.C.), sendo considerado, como ele, um neo-platônico. Seu conhecimento, como o de seu mestre, inclui matemática, filosofia, astronomia, além de ciências metafísicas baseadas na cultura pré-cristã de egípcios e caldeus. Durante seus estudos, costumava acender um incenso feito da mistura de diversas ervas, entre elas o ópio e o haxixe. As emanações desse incenso, segundo diziam, ajudavam a “clarear” o passado. É interessante notar que a palavra árabe para loucura (majnum) tem um significado mais antigo de “djinn possuído”. Djilms eram os demônios ou gênios árabes, e Al Azif, outra denominação para o livro de Alhazred, queria dizer justamente “uivo dos demônios noturnos”.

Como Determinar o Limite Entre a Loucura e a Sabedoria?

Semelhanças entre o Ragnarok, mito escandinavo do Apocalipse, e passagens do Al Azif sugerem um vínculo entre ambos. Assim como os djinns árabes e os anjos hebraicos, os deuses escandinavos seriam versões dos deuses antigos. Ambas as mitologias falam de mundos sendo criados e destruídos, os gigantes de fogo de Muspelhein equivalem aos anjos e arcanjos bíblicos, ou aos gênios árabes, e o próprio Surtur, demônio de fogo do Ragnarok, poderia ser uma corruptela para Surturiel, ou Uriel, o anjo vingador que, como Surtur, empunha uma espada de fogo no Juízo Final. Da mesma forma, Surtur destrói o mundo no Ragnrok, quando os deuses retornam para a batalha final. Embora vistas por alguns com reservas, essas ligações tornam-se mais fortes após recentes pesquisas que apontam o caminho pelo qual o Necronomicon teria chegado à Escandinávia. A cidade de Harran, no norte da Mesopotâmia, foi conquistada pelos árabes entre 633 d.c. e 643 d.c. apesar de convertidos ao islã, os harranitas mantiveram suas práticas pagãs, adorando a Lua e os sete planetas então conhecidos. Tidoa como neo-platônicos, escolheram, por imposição, da religião dominante, a figura de Hermes Trimegisto para representa-los como profeta. Um grupo de harranitas mudou-se para Bágdá, onde mantiveram uma comunidade distinta denominada sabinos. Alhazred menciona os sabinos. Era uma comunidade instruída, que dominava o grego e tinha grande conhecimento de literatura, filosofia, lógica, astronomia, matemática, medicina, além de ciências secretas relativas às culturas árabe e grega. Os sabinos mantiveram sua semi-independência até o século XI, quando provavelmente foram aniquilados pelas forças ortodoxas islâmicas, pois não se ouve mais falar deles à partir do ano 1000. No entanto, por volta de 1041, o historiador Miguel Psellus conseguiu salvar uma grande quantidade de documentos pertencentes aos sabinos, recebendo-os em Bizâncio, onde vivia. Quem levou esses documentos de Bagdá para Bizâncio permanece um mistério, mas é certo que o fez tentando preservar uma parte da cultura dos sabinos da intolerância religiosa da época. Psellus, que além de historiador era um estudioso de filosofia e ocultismo, juntou o material recebido num volume denominado “Corpore Hermeticum”. Mas haviam outros documentos, inclusive uma cópia do Al Azif, que ele prontamente traduziu para o grego.

Por essa época, era costume os imperadores bizantinos empregarem guarda-costas vikings, chamados “varanger”. A imagem que se tem dos vikings como bárbaros semi-selvagens não corresponde à realidade, eram grandes navegadores que, já no ano mil, tinham dado inicio a uma rota comercial que atravessaria milhares de quilômetros, passando pela Inglaterra, Groenlândia, América do Norte e a costa atlântica inteira da Europa, seguindo pela Rússia até Bizâncio. Falavam grego fluentemente e sua infantaria estava entre as melhores do mundo.

Entre 1030 a 1040, servia em Bizâncio como varanger um viking chamado Harald. Segundo o costume, sempre que o imperador morria, o varanger tinha permissão para saquear o palácio. Harald servia à imperatriz. Zoe, que cultivava o hábito de estrangular os maridos na banheira. Graças a ela, Harald chegou a tomar Varie em três saques, acumulando grande riqueza. Harald servia em Bizâncio ao lado de dois companheiros, Haldor Snorrason e Ulf Ospaksson. Haldor, filho de Snorri, o Padre, era reservado e taciturno. Ulf, seu oposto, era astuto e desembaraçado, tendo casado com a cunhada de Harald e tornado-se um grande 1íder norueguês. Gostava de discutir poesia grega e participava das intrigas palacianas. Entre suas companhias intelectuais preferidas estava Miguel Psellus, de quem Ulf acompanhou o trabalho de tradução do Al Azif, chegando a discutir o seu conteúdo como historiador bizantino. Segundo consta, foi durante a confusão de uma pilhagem que Ulf apoderou-se de vários manuscritos de Psellus, traduzidos para o grego. Ulf e Haldor retornaram à Noruega com Harald e, mais tarde, Haldor seguiu sozinho para a Islândia, levando consigo a narrativa do Al Azif. Seu descendente, Snorri Sturluaaon (1179-1241), a figura mais famosa da literatura islandesa, preservou essa narrativa em sua “Edda Prosista”, a fonte original para o conhecimento da mitologia escandinava. Sabe-se que Sturlusson possuía muito material disponível para suas pesquisas 1ítero-históricas e entre esse materia1certamente estava o Al Azif, que se misturou ao mito tradicional do Ragnarok.

Felizmente, Psellus ainda pôde salvar uma versão do Al Azif original, caso contrário, o Necronomicon teria sido perdido para sempre. Ao que se sabe, não existe mais nem um manuscrito em árabe do Necronomicon, o xá da antiga Pérsia (atual Irã) levou à cabo uma busca na Índia, no Egito e na biblioteca da cidade santa de Mecca, mas nada encontrou. No entanto, uma tradução latina foi feita em 1487 por um padre dominicano chamado Olaus Wormius, alemão de nascença, que era secretário do inquisidor-mor da Espanha, Miguel Tomás de Torquemada, e é provável que tenha obtido o manuscrito durante a perseguição aos mouros. O Necronomicon deve ter exercido grande fascínio sobre Wormius, para levá-1o a arriscar-se em traduzí-lo numa época e lugar tão perigosos. E1e enviou uma cópia do livro a João Tritêmius, abade de Spanhein, acompanhada de uma carta onde se lia uma versão blasfema de certas passagens do Livro de Gênese. Sua ousadia custou-lhe caro. Wormius foi acusado de heresia e queimado numa fogueira, juntamente com todas as cópias de sua tradução. Mas, segundo especulações, ao menos uma cópia teria sido conservada, estando guardada na biblioteca do Vaticano.

Seja como for, traduções de Wormius devem ter escapado da Inquisição, pois quase cem anos depois, em 1586, o livro de Alhazred reapareceria na Europa. O Dr. John Dee, famoso mago inglês, e seu assistente Edward Kelley, estavam em Praga, na corte do imperador Rodolfo II, traçando projetos para a produção de ouro alquímico, e Kelley comprou uma cópia da tradução latina de um alquimista e cabalista chamado Jacó Eliezer, também conhecido como, “rabino negro”, que tinha fugido da Itália após ser acusado de práticas de necromancia. Naquela época, Praga havia se tornado um ímã para mágicos, alquimistas e charlatões de todo tipo, não havia lugar melhor para uma cópia do Necronomicon reaparecer.

John Dee (1527-1608), erudito e mago elisabetano, pensava estar em contato com anjos e “outras criaturas espirituais”, por mediação de Edward Kelley. Em 1555, já fora acusado, na Inglaterra, de assassinar meninos ou de deixá-los cegos por meio de mágica. É certo que Kelley tinha grande influência sobre as práticas tenebrosas de Dee, os anjos com os quais dizia comunicar-se, e que talvez só existissem em sua cabeça, ensinaram a Dee um idioma até então desconhecido, o enoquiano, além de outras artes mágicas. Se tais contatos, no entanto, foram feitos através do Necronomicon, é coisa que se desconhece. O fato é que a doutrina dos anjos de Dee abalou a moral da época, pois pregava entre outras coisas, o hedonismo desenfreado. Em 1583, uma multidão enfurecida saqueou a casa de Dee e incendiou sua biblioteca. Após tentar invocar um poderoso espírito que, segundo o vidente, lhes traria grande sabedoria, Dee e Kelley se separaram, talvez pelo fracasso da tentativa. Em 1586, Dee anuncia sua intenção de traduzir o Necronomicon para o inglês, à partir da tradução de Wormius. Essa versão, no entanto nunca foi impressa, passando para a coleção de Elias Ashmole (1617-1692), estudioso que transcreveu os diários espirituais de Dee, e finalmente para a biblioteca de Bodleian, em Oxford.

Por cerca de duzentos e cinquenta anos, os ensinamentos e escritos de Dee permaneceram esquecidos. Nesse meio tempo, partes do Necronomicon foram traduzidas para o hebreu, provavelmente em 1664, circulando em forma de manuscritos e acompanhados de um extenso comentário feito por Nathan de Gaza. Nathan, que na época contava apenas 21 anos, era um precoce e brilhante estudante da Torah e Talumud. Influenciado pelas doutrinas messiânicas judaicas vigentes na época, ele proclamou como o messias esperado a Sabbatai Tzavi, um maníaco depressivo que oscilava entre estados de transcendência quando se dizia que seu rosto parecia reluzir, e profunda frustração, com acessos de fúria e crueldade. Tais estados de ânimo eram tidos como o meio pelo qual Sabbatai se comunicava com outros planos de existência, como um Cristo descendo aos infernos, ou Orfeu, numa tradição mais antiga. A versão hebraica do Al Azif era intitulada Sepher há’sha’are ha-Da’ath, ou o “Livro do Portal do Conhecimento”. Tratava-se de um comentário em dois capítulos do livro de Alhazred. A palavra para conhecimento, Da’ath, foi traduzida para o grego na Bíblia como gnosis, e na Cabala tem o significado peculiar de “não-existência”, sendo representada às vezes como um buraco ou portão para o abismo da consciência. Seu aspecto dual parece indicar uma ligação entre o mundo material, com sua ilusão de matéria física e ego, e o mundo invisível, obscuro, do conhecimento, mas que seria a fonte da verdadeira sabedoria, para aqueles que pudessem suportá-la. Isso parece levar ao Astaroth alquímico e à máxima da magia, que afirma que o que está em cima (no céu) é como o que está em baixo (na terra). A ligação entre os dois mundos exigiria conhecimento do Abismo, abolição do ego e negação da identidade. De dentro do Abismo, uma infinidade de portões se abre. É o caos informe, contendo as sementes da identidade.

O propósito de Nathan de Gaza parece ter sido ligar o Necronomicon à tradição judaica da Cabala, que fala de mundos antigos primordiais e do resgate da essência sublime de cada ser humano, separada desses mundos ou submergida no caos. Ao lado disso, criou seu movimento messiânico, apoiado em Sabbatai Tzevi, o qual criou cisões e conflitos na comunidade judaica, conflitos que persistiram por pelo menos um século. Há quem afirme que uma cópia do Sha’are ha-Da’ath ainda existe, em uma biblioteca privada, mas sobre isso não há qualquer evidência concreta.

O ressurgimento do Necronomicon é constantemente atribuído ao escritor Howard Phillip Lovecraft, que fez do livro a base de sua obra literária. Mas não se explica como Lovecraft teve acesso ao livro de Alhazred. O caminho mais lógico para esse ressurgimento parece indicar o mago britânico Aleister Crowley (1875-1947). Crowley tinha fama de charlatão, proxeneta, toxicômano, promíscuo insaciável e bissexual, além de traidor da pátria e satanista. Tendo se iniciado na Ordem do Amanhecer Dourado em 1898, Crowley aprendeu práticas ocultas no Ceilão, na Índia e na China. Mais tarde, ele criaria sua própria ordem, um sistema mágico e uma nova religião, da qual ele seria o próprio messias. Ao que tudo indica, essa religião denominada “Lei de Thelema” se baseava nos conhecimentos do “Livro da Lei”, poema em prosa dividido em três capítulos aparentemente ilógico, que segundo ele, lhe havia sido ditado em 1904 por um espírito chamado Aiwass.

Sabe-se que Crowley pesquisou os documentos do Dr. John Dee em Bodleian. Ele próprio se dizia uma reencarnação de Edward Kelley, o que explica em parte, seu interesse. Apesar de não mencionar a fonte de seus trabalhos, é evidente que muitas passagens do Livro da Lei foram plagiadas da tradução de Dee do Necronomicon. Crowley já era conhecido por plagiar seu mestre, Allan Bennett (1872-1923), que o iniciou no Amanhecer Dourado, mas há quem sustente que tais semelhanças foram assimiladas inconscientemente seja como for, em 1918 Crowley viria a conhecer uma modista chamada Sônia Greene. Aos 35 anos, judia, divorciada, com uma filha e envolvida numa obscura ordem mística, Sônia parecia ter a qualidade mais importante para Crowley naquele momento: dinheiro. Eles passaram a se ver durante alguns meses, de maneira irregular.

Em 1921, Sônia Greene conheceu H.P. Lovecraft. No mesmo ano, Lovecraft publicou o seu primeiro romance “A Cidade Sem Nome”, onde menciona Abdul Alhazred. Em 1922, no conto “O Cão de Caça”, ele faz a primeira menção ao Necronomicon. Em 1924, ele e Sônia Greene se casam. Nós só podemos especular sobre o que Crowley contou para Sônia Greene, e não sabemos o que ela contou a Lovecraft, mas é fácil imaginar uma situação onde ambos estão conversando sobre uma nova história que ele pretende escrever e Sônia comenta algumas idéias baseadas no que Crowley havia lhe contado, sem nem mesmo mencionar a fonte. Seria o bastante para fazer reluzir a imaginação de Lovecraft. Basta comparar um trecho de “O Chamado de Cthulhu” (1926) com partes do Livro da Lei, para notar a semelhança.

«Aquele culto nunca morreria… Cthulhu se ergueria de sua tumba e retomaria seu tempo sobre a Terra, e seria fácil reconhecer esse tempo, pois os homens seriam livres e selvagens, como os “antigos”, e além do bem e do mal, sem lei ou moralidade, com todos gritando e matando e rejubilando-se em alegria. Então os “antigos” lhes ensinariam novos modos de gritar e matar e rejubilar-se, e toda a Terra arderia num holocausto de êxtase e liberdade» (O Chamado de Cthulhu).

«Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei… Todo homem e toda mulher é uma estrela… Todo homem tem direito de viver como quiser, segundo a sua própria lei… Todo homem tem o direito de matar quem se opuser aos seus direitos… A lei do forte, essa é a nossa lei e alegria do mundo … Os escravos servirão»(Lei Thelemita).

Não há nem uma evidência que Lovecraft tenha visto o Necronomicon, ou até mesmo soube que o livro existiu. Embora o Necronomicon que ele desenvolveu em sua obra esteja bem próximo do original, seus detalhes são pura invenção. Não há nem um Yog-Sothoth ou Azathoth ou Nyarlathotep no original, por exemplo. Mas há um Aiwass…

O Que é o Necronomicon:

O Necronomicon de Alhazred trata de especulações antediluvianas, sendo sua fonte provável o Gênese bíblico e o Livro de Enoch, além de mitologia antiga. Segundo Alhazred, muitas espécies além do gênero humano tinham habitado a Terra, vindas de outras esferas e do além. Alhazred compartilhou da visão de neoplatoniatas que acreditavam serem as estrelas semelhantes ao nosso Sol, cada qual com seus próprios planetas e formas de vida, mas elaborou essa visão introduzindo elementos metafísicos e uma hierarquia cósmica de evolução espiritual. Aos seres das estrelas, ele denominou “antigos”. Eram sobre-humanos e podiam ser invocados, desencadeando poderes terríveis sobre a Terra.

Alhazred não inventou a história do Necronomicon. Ele elaborou antigas tradições, inclusive o Apocalipse de São João, apenas invertendo o final (a Besta triunfa, e seu número é 666). A idéia de que os “antigos” acasalaram com os humanos, buscando passar seus conhecimentos para o nosso plano de existência e gerando uma raça de aberrações, casa com a tradição judaica dos nephilins (os gigantes de Gênese 6.2-6.5). A palavra árabe para “antigo” deriva do verbo hebreu para “cair” (os anjos caídos). Mas o Gênese é só um fragmento de uma tradição maior, que se completa, em parte, no Livro de Enoch. De acordo com esta fonte, um grupo de anjos guardiões enviados para observar a Terra viu as filhas dos homens e as desejou. Duzentos desses guardiões formaram um pacto, saltando dos ares e tomando as mulheres humanas como suas esposas, gerando uma raça de gigantes que logo se pôs a pecar contra a natureza, caçando aves, répteis e peixes e todas as bestas da Terra, comendo a carne e bebendo o sangue uns dos outros. Os anjos caídos lhes ensinaram como fazer jóias, armas de guerra, cosméticos, encantos, astrologia e outros segredos. O dilúvio seria a consequência das relações entre os anjos e os humanos.

«E não vi nem um céu por cima, nem a terra firme por baixo, mas um lugar caótico e horrível. E vi sete estrelas caírem dos céus, como grandes montanhas de fogo. Então eu disse: “Que pecado cometeram, e em que conta foram lançados?” Então disse Uriel, um dos anjos santos que estavam comigo, e o principal dentre eles: “Estes são os números de estrelas do céu que transgrediram a ordem do Senhor, e ficarão acorrentados aqui por dez mil anos, até que seus pecados sejam consumados”».(Livro de Enoch).

Na tradição árabe, os jinns ou djinns seriam uma raça de seres sobre-humanos que existiram antes da criação do homem. Foram criados do fogo. Algumas tradições os fazem sub-humanos, mas invariavelmente lhes são atribuídos poderes mágicos ilimitados. Os djinns sobrevivem até os nossos dias como os gênios das mil e uma noites, e no Corão eles surgem como duendes e fadas, sem as qualidades sinistras dos primeiros tempos. Ao tempo de Alhazred, os djinns seriam auxiliares na busca de conhecimento proibido, poder e riquezas.

No mito escandinavo, hoje bastante associado à história do Necronomicon, os deuses da Terra (aesires) e o gênero humano (vanas) existiam contra um fundo de poderes mais velhos e hostis, representados por gigantes de gelo e fogo que moravam ao norte e ao sul do Grande Girnnunga (o Abismo) e também por Loki (fogo) e sua descendência monstruosa. No Ragnarok, o crepúsculo dos deuses, esses seres se ergueriam mais uma vez num combate mortal. Por último, Siurtur e ou gigantes de fogo de Muspelheim completariam a destruição do mundo.

Essa é essencialmente a profecia de Alhazred sobre o retorno dos “antigos”. É também a profecia de Aleister Crowley sobre o Àeón de Hórus. Os gigantes de fogo de Muspelheim não diferem dos djinns, que por sua vez se ligam aos anjos hebraicos. Como Surtur, Uriel carrega uma espada de fogo, e sua sombra tanto pode levar à destruição quanto a um renascimento. Assim, tanto os anjos e seus nephilins hebraicos quanto os “antigos” de Alhazred poderiam ser as duas faces de uma mesma moeda.

Como os Antigos São Invocados

É inegável que o sistema enochiano de Dee e Kelley estava diretamente inspirado em partes do Necronomicon, onde há técnicas de Alhazred para a invocação dos “antigos”. Embora o Necronomicon fosse basicamente um livro de histórias, haviam algums detalhes práticos e fórmulas que funcionavam quase como um guia passo a passo para o iniciado entrar em contato com os seres sobre-humanos. Dee e Kelley tiveram que preencher muitas lacunas, sendo a 1inguagem enochiana um híbrido que reúne, basicamente, um alfabeto de 21 letras, dezenove “chaves” (invocações) em linguagem enochiana, mais de l00 quadros mágicos compostos de até 240l caracteres além de grande quantidade de conhecimento oculto. É improvável que esse material lhes tivesse sido realmente passado pelo arcanjo Uriel. Bulwer Lytton, que estudou a tradução de Dee para o Necronomicon, afirma que ela foi transcrita diretamente do livro original, e se eram ensinamentos de Uriel, o mais provável é que ele os tenha passado a Alhazred.

A ligação entre a linguagem enochiana e o Livro de Enoch parece óbvia. Como o livro de Enoch só foi redescoberto no século XVII, Dee só teria acesso à fragmentos do mesmo citados em outros manuscritos, como o Necronomicon de Alhazred, o que mais uma vez reafirma sua provável fonte de origem. Não há nenhuma dúvida que Alhazred teve acesso ao livro de Enoch, que só desapareceria no século IX d.C., sendo até então relativamente conhecido. Outra pista para essa ligação pode ser a chave dos trinta Aethyrs, a décima nona das invocações enochianas. Crowley chamava-a de “a maldição original da criação”. É como se o próprio Deus a enunciasse, pondo fim à raça humana, à todas as criaturas e ao mundo que ele próprio criara. Isso é idêntico ao Gênese 6.6, onde se lê: “E arrependeu-se o Senhor de ter posto o homem sobre a Terra, e o lamentou do fundo de seu coração”. Esse trecho segue-se à descrição dos pecados dos nephilins, que resulta na destruição do mundo pelo dilúvio. Crowley, um profundo conhecedor da Bíblia, reconheceu nisso a chave dos trinta Aethyrs, estabelecendo uma ligação. Em resumo, a chave (ou portão) para explorar os trinta Aethyrs é uma invocação no idioma enochiano, que segundo Dee seria o idioma dos anjos, e esta invocação seria a maldição que lançou os nephilins (ou “antigos”) no Abismo. Isto se liga à práticas antigas de magia negra e satanismo: qualquer meio usado pelo mago no passado para subordinar uma entidade pode ser usado também como um método de controle. Tal fórmula existe em todo grimoire medieval, em alguns casos de forma bastante explícita. A entrada no trigésimo Aethyr começa com uma maldição divina porque esse é um dos meios de afirmar controle sobre as entidades que se invoca: o nephilin, o anjo caído, o grande “antigo”. Isso demonstra, além de qualquer dúvida, que o sistema enochiano de Dee e Kelley era idêntico, na prática e em cadência, ao sistema que Alhazred descreveu no Necronomicon.

Crowley sabia disso. Uma das partes mais importantes de seu trabalho mágico (registrou-o em “A Visão e a Voz”) era sua tentativa de penetrar nos trinta Aethyrs enochianos. Para isso, ele percorreu o deserto ao norte da África, em companhia do poeta Winner Neuberg. Ele já havia tentado fazê-lo no México, mas teve dificuldade ao chegar ao 28º Aethyr, e decidiu reproduzir a experiência de Alhazred o mais proximamente possível. Afinal, Alhazred levou a cabo seus estudos mais significativos enquanto vagava pela região de Khali, uma área deserta e hostil ao sul da Arábia. O isolamento o ajudou a entrar em contato com os Aethyrs. Para um plagiador como Crowley, a imitação é o primeiro passo para a admiração, não é surpresa essa tentativa, além do que ele também pretendia repetir os feitos de Robert Burton, explorador, aventureiro, escritor, lingüista e adepto de práticas obscuras de magia sexual. Se obteve sucesso ou não, é desconhecido pois jamais admitiu suas intenções quanto à viagem, atribuindo tudo ao acaso.

Onde o Necronomicon Pode Ser Encontrado:

Em nenhum lugar, com certeza, seria a resposta mais simples, e novamente somos forçados a suspeitar que a mão de Crowley pode estar metida nisto. Em 1912 ele conheceu Theodor Réuss, o 1íder da Ordo Templi Orientis alemã (O.T.O.) e trabalhou dentro daquela ordem por dez anos, até ser nomeado sucessor do próprio Réuss. Assim temos Crowley como líder de uma loja maçônica alemã. Entre 1933-1938, desapareceram algumas cópias conhecidas do Necronomicon. Não é segredo que Adolf Hitler e pessoas do alto escalão de eu governo tinham interesse em ocultismo, e provavelmente apoderaram-se dessas cópias. A tradução de Dee desapareceu de Bodleiam, roubada em 1934. O Museu Britânico também sofreu vários saques, sendo a edição de Wormius retirada de catálogo e levada para um depósito subterrâneo, em Gales, junto com as jóias da Coroa, onde permaneceu de 1939 a 1945. Outras bibliotecas simplesmente perderam cópias desse manuscrito e hoje não há nenhuma que apresente em catálogo uma cópia, seja em latim, grego ou inglês, do Necronomicon. O paradeiro atual do Al Azif original, ou de suas primeiras cópias, é desconhecido. Há muitas fraudes modernas, mas são facilmente desmascaradas por uma total falta de imaginação e inteligência, qualidades que Alhazred possuía em abundância. Mas há boatos de um esconderijo dos tempos da 2º Guerra, que estaria localizado em Osterhorn, uma área montanhosa próxima à Salzburgo, onde haveria uma cópia do manuscrito original, escrita pelos nazistas e feita com a pele e o sangue de prisioneiros de campos de concentração.

Qual o motivo para o fascínio em torno do Neconomicon? Afinal, é apenas um livro, talvez esperemos muito dele e ele não possa mais do que despejar um grão de mistério no abismo de nossos anseios pelo desconhecido. Mas é um mistério ao qual as pessoas aspiram, o mistério da criação, o mistério do bem e do mal, o mistério da vida e da morte, o mistério das coisas que se foram. Nós sabemos que o Universo é imenso, além de qualquer limite da nossa imaginação, mas o que há lá fora? E o que há dentro de cada um de nós? Seria o Universo um espelho para nós mesmos? Seriam os “antigos” apenas uma parte mais profunda de nosso subconsciente, o ego definitivo, o mais autêntico “eu sou”, que no entanto participa da natureza divina?

Sábios e loucos de outrora já se fizeram essas perguntas, e não temeram tecer suas próprias respostas, seus mitos, imaginar enfim. A maioria das pessoas, porém, prefere criar respostas seguras, onde todos falam a mesma língua, cultivam os mesmos hábitos, respeitam a diversidade,cada qual em sua classe. O Necronomicon, porém, desafia nossas certezas, pois não nos transmite qualquer segurança acerca do Universo e da existência. Nele, somos o que somos, menos que grãos de pó frente à imensidão do Cosmo e muitas coisas estranhas, selvagens e ameaçadoras estão lá fora, esperando pelo nosso chamado. Basta olhar em qualquer tratado de Astronomia ou Astrofísica, basta ler os jornais. Isso é para poucos, mas você sabe que é verdade.

Método Utilizado Por Nostradamus Para Ver o Futuro:

Recolha-se à noite em um quarto fechado, em meditação, sozinho, sentando-se diante de uma bacia posta sobre um tripé e cheia de água. Acenda uma vela sob a bacia, entre as pernas do tripé, e segure um bastão mágico com a mão direita, agitando-o sobre a chama do modo como se sabe, enquanto toca a água com a mão esquerda e borrifa os pés e a orla de seu manto. Logo ouvir-se-á uma voz poderosa, que causa medo e tremor. Então, esplendor divino; o Deus senta ao seu lado.

Incenso de Alhazred:

– Olibanum, storax, dictamnus, ópio e haxixe.

À partir de que momento uma pessoa deixa de ser o que ela própria e todos os demais acreditam que seja? Digamos que eu tenha que amputar um braço. Posso dizer: eu mesmo e meu braço. Se fossem as duas pernas, ainda poderia falar da mesma maneira: eu mesmo e minhas duas pernas. Ou os dois braços. Se me tirarem o estômago, o fígado, os rins, admitindo-se que tal coisa seja possível, ainda poderia dizer: eu mesmo e meus órgãos. Mas se cortassem a minha cabeça, ainda poderia falar da mesma maneira? O que diria então? Eu mesmo e meu corpo ou eu mesmo e minha cabeça? Com que direito a cabeça, que nem mesmo é um membro, como um braço ou uma perna, pode reivindicar o título de “eu mesmo”? Porque contém o cérebro? Mas existem larvas, vermes e muitas outras coisas que não possuem cérebro. O que se pode dizer a respeito de tais criaturas? Será que existem cérebros em algum outro lugar, para dizerem “eu mesmo e meus vermes”?

Por Daniel Low

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/necronomicon-da-origem-ate-nossos-dias/

Cristozofrenia: Perca a Cabeça. Ponha a de Cristo no Lugar

Imagine que você percebe que quer ir ao banheiro. Na verdade você não apenas quer, você precisa MUITO ir ao banheiro. No meio do seu sufoco você entra em um bar, o primeiro que aparece, e pergunta onde fica a porcelana. O atendente, percebendo que você não vai consumir nada, mas de bom humor aponta para uma portinha nos fundos. O que você faz?

A) Agradece, entra correndo, atravessa a porta e lá dentro se alivia.

B) Agradece, entra correndo, senta na frente da porta e fica lá no chão sentado esperando o tempo passar.

Antes de responder leia novamente as duas opções com calma porque em um primeiro momento ambas parecem ser exatamente a mesma coisa. Não são.

Jesus veio para a terra, ele conheceu gente, ensinou, fez milagres, falou de Deus, do reino dos Céus, prometeu o paraíso para um ladrão, morreu, voltou, andou por ai mais um pouco. Mais do que esperança, ele trouxe uma promessa para um mundo que estava atolado na merda. É como se ele dissesse: “Gente, isso aqui deveria ser simples e fácil! Até as pombas sabem viver bem, e vocês complicam tudo!” (Mateus 6:26) e outras coisas do gênero. Ele ensinou que tanto os cobradores quanto as dividas devem ser perdoados. Disse para não ter as pessoas como inimigos, mas para abraçar aqueles que lhe perseguem, e se no processo tomar uma bolacha, oferecer ainda a outra face. Mas ele também  amaldiçoava árvores (Marcos 11:13), chicoteava camelôs (João 2:13-16) e rasgava dinheiro (Lucas 20:25).

O motivo que levava Jesus a fazer e dizer essas coisas era simples. Jesus era completamente maluco. Louco, pinel, lélé da cuca, e não apenas isso, mas tinha uma loucura contagiante e queria todo mundo a ser loucos como ele. Se você está se sentindo ofendido com essa afirmacão ótimo, continue lendo, mas se quiser ir ao banheiro se segure mais um pouco, não pense nas águas do Jordão fluindo.

Para a razão do mundo, todo cristão é louco, e Jesus é o rei do hospício. Ele não joga pelas regras da natureza, mas trapaceia elas o tempo todo. Ele perverte a Lei da Selva e ensina leões a conviverem com cordeiros. Ele perverte a Lei do Forte e ensina que ser grande é ser pequeno (Mateus 18:1-4) e servir é governar (Mateus 23:11). Em Coríntios lemos que a loucura de de Deus é mais sábia do que a sabedoria dos homens, e Jesus nos mostra o caminho exato para chegarmos lá, ele nos diz: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)

E aqui entra a resposta para a pergunta que fizemos acima. Se você precisa de alívio sente no trono. Se você se sentar na porta, tudo o que vai conseguir é dor de barriga, uma bexiga descolada e uma sujeira das grandes. Se Jesus diz eu sou o CAMINHO, a VERDADE, a VIDA e que ninguém, NINGUÉM vai ao Pai se não for através dele, por que então as pessoas criam igrejas e templos e ficam só repetindo o que ele disse e contemplando sua imagem ao invés de seguir o caminho, a verdade e a vida que ele nos mostrou?  Por que as pessoas ficam adorando a porta, mas não o lugar ao qual ela leva?

Cristo estava cercado de macacos, sempre esteve, sempre estará. Na verdade ele gostava tanto de nosso polegar opositor que fez a si mesmo como um macaco e viveu entre macacos e foi morto por macacos que o pregaram em uma árvore, bem ao estilo símeo. Ele sentiu e experimentou a vida macaca em toda sua plenitude. Ele sentiu fome (Lucas 4:2), sentiu sono (Lucas 8:23), cansaço (João 4:6) e tristeza (Mateus 26:37). A Bíblia não diz, mas provavelmente ele sentiu tesão, dor de barriga e provavelmente coçou o saco de vez em quando também – aquela região era quente pra dedéu e a roupa devia ficar colando o tempo todo.

E ele sabia o que é ser um macaco como eu e você, por isso tentou ser específico e simples ao extremo. Ele sabia que iria apontar para a lua e, ao invés de olhar para a lua, seus seguidores ficariam olhando para o seu dedo. Jesus então fez um sermão simples e direto onde explicou tudo o que fariam de errado em nome dele.

Sobre os templos evangélicos e igrejas barulhentas que seriam criadas, ele disse:

“E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens.” (Mateus 6:5)

Sobre procurar se vestir bem ele disse:

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida,[…] quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?”

Sobre o povo que perturba os outros nas praças ou visitando todo domingo para empurrar sua versão da bíblia goela abaixo:

“E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” (Mateus 10:14)

Sobre as pessoas que ainda pedissem dinheiro para qualquer projeto ligado à divulgação da palavra:

“de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8)

E ainda sobre os futuros pastores, apóstolos, profetas e religiosos, padres e bispos ele disse:

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:22-23)

Jesus, falando pausadamente e sem palavras difíceis, simplesmente disse para que todo mundo apenas vivesse a própria vida (João 10.10), não incomodasse aos outros(João 8:7), não julgasse (Mateus 7:1), não se julgasse melhor (Mateus 18:1-4) e não usasse Deus como forma de ganhar o dinheiro do cafezinho (Mateus 10:7-10). E hoje vimos no que deu. Não porque todos os macacos, como eu e você, sejamos gananciosos e oportunistas, somos simplesmente burros e limitados. Mas a intenção de Jesus era nos libertar. Jesus sempre soube que onde não há ordem não há opressão. Ele veio não para trazer uma nova ordem, mas para acabar com qualquer tipo de ordem existente (Mateus 10:18-22 e 10:34), não nos trazer a sabedoria, mas nos inflamar com a loucura de Deus, assim como ele era inflamado.

E agora, você se levantará para usar a privada, ou continuará sentado na frente da porta do banheiro atrapalhando as outras pessoas que querem usar as instalações que nos foram prometidas? Jesus não é apenas o atendente que apontou para a porta do banheiro. Jesus é o banheiro.

I. Perdendo Nossa Cabeça

Não Alimente Dogmas, Eles São Prejudiciais

Jesus é nossa autoestrada para o paraíso. É o caminho reto e rápido para o reino dos céus. Mas quando os macacos viram aquela estrada tão bem pavimentada construíram pedágios por toda ela e exigiam alguns cachos de banana de qualquer um que tentasse usá-la. Estes pedágios são cobrados pelas instituições religiosas (Não confunda com a Igreja: a comunhão universal de todos os santos). Estas instituições, seja católica, ortodoxa, protestante, ou seja lá qual for a denominação que criem para se rotular, se auto-intitularam relações públicas de Cristo na terra, os porta vozes do porta voz de Deus,e convenhamos, todos tem feito um péssimo trabalho. Pense nas críticas que ouviu contra a religião, ou nas críticas que você mesmo tem em relação à religião, e pare para refletir se o que é ruim é a religião ou a religião institucionalizada. Quem é contra o sexo? A religião ou a religião institucionalizada? Quem é contra a liberdade? A religião ou a religião institucionalizada? Quem quer regularizar a diversão? A religião ou a religião institucionalizada? Quem quer o seu dinheiro? A sua submissão? O seu arrependimento?

Cristo transformava água em vinho, e não o contrário. Cristo mandava cada um cuidar da própria vida e não ficar tentando tomar conta da vida dos outros. Cristo fazia demônios entrarem em porcos, e não achava ruim quando alguma mulher passava óleo nos pés dele e espalhava usando os cabelos. Assim a primeira coisa que você tem que tirar da cabeça são os dogmas.

Mas Jesus sabia que os macacos adoram dogmas tanto quanto gostam de banana e de se esfregar uns nos outros. Toda sociedade constituida têm ou inventa seus próprios dogmas. Somos viciados em certezas. Ao ponto de que se não tivermos certeza de nada vamos inventar algumas nas quais acreditar, é o famoso “até que se prove o contrário…”. Estes dogmas tem sido usados para manter estruturas de poder por toda a história registrada e por aquela documentada através da tradição oral. Jesus sabia disso e assim nos deu um dogma no qual acreditar. Não um dogma qualquer, mas um dogma que é um “anti-dogma” capaz de nos salvar dos demais. O “Grande dogma” para acabar com todos os outros dogmas para sempre. A saber: Jesus morreu para pagar por seus erros. Quais erros? Todos eles. Não importa o quão devassa ou podre seja a sua vida, você está salvo, perdoado e livre dos pecados. Jesus foi humilhado, jogado de um lado par ao outro, torturado, humilhado de novo e finalmente pregado em uma cruz pra garantir isso. Você quer ter certeza de alguma coisa? Tenha certeza que você é livre.

Livre de tudo o que tentam empurrar para você como sendo aquilo que Deus quer. Procure na Bíblia uma condenação a se apaixonar, seja por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo que você, a assistir televisão, a praticar sexo antes do casamento. Cristo disse: “ame ao próximo como eu vos amei”, e foi um amor que o levou a ser torturado e morto. Amor não é algo sutil e que pode ser escondido, Jesus nos amava tanto que suava sangue, ama a todos da mesma forma intensa e insana. Esse amor às vezes contagia os cristãos e os leva a querer fazer algo em retorno. Nada pode pagar um amor superdotado como o de Jesus, mas podemos ao menos declarar nossa gratidão. Isso tem sido feito desde aquela época em Jerusalém através do batismo.

Um balde de água fria.

O sentido original do batismo era a compreensão desta lavagem que Deus proporcionou a humanidade. Se você não foi batizado ainda, peça para um amigo cristão (qualquer cristão) derramar um pouco de água na sua cabeça e declarar que você está redimido em nome de Jesus. O ritual externo não é tão importante quanto o sentido interno que este ato tiver para você. O lance aqui é se livrar de toda culpa que nos impede de sermos como Cristo foi e de nos aproximarmos de Deus como ele se aproximou. E a culpa não é como piolho que sai da sua cabeça ao ser lavada, ela existe dentro da sua cabeça e para tirar ela você precisa perder a cabeça e colocar a cabeça de Cristo no lugar. Lembre-se que já fomos todos lavados do pecado com a morte dele na cruz, assim o batismo não tem nada a ver com pecado, é simplesmente uma forma de você aceitar que não tem mais culpas.

É impossivel amar Jesus na mesma medida que ele nos ama. O batismo é só uma forma tosca de expressar isso publicamente. É como aqueles cartões mal feitos do dia das mães, são tão baratos que com o dinheiro deles não conseguiríamos nem pagar o lanche do recreio quando mais tudo o que as mães fizeram e fazem por nós. Mas elas gostam de recebê-los mesmo assim.

Abra Sua Mente

Jesus nunca criou grupos de exclusão. Ele não dizia: apenas curem os justos! Ele dizia que Deus faz chover sobre os justos e os injustos! Ele não falava para julgarmos quem era justo ou injusto, ele falava para não julgarmos e ponto final. Jesus abraçava leprosos, curava gente à distância sem nem querer saber quem eram e o que faziam e ainda falava pra pessoas que putas também eram gente.

Ele pregava para pessoas de outras religiões, batia-papo com os guardas do Império que oprimia seu povo e não baixava a cabeça para o que os sacerdotes diziam que era certo. Você sabe o que é um Samaritano? Hoje “samaritano” é sinônimo de boa gente, boa pessoa. Na época de Jesus um samaritano era alguém para ser ignorado e desprezado. Mas Jesus conversava e ensinava eles. Ele amou tanto os samararitanos que mudou o sentido da palavra! Faça como ele, experimente culturas diferentes. Coexista com todos. Se Deus criou tudo, ele criou os budistas, os israelitas, os mulçumanos, os ateus e mesmo as stripers. Quando vemos um jardim com flores de várias cores damos glória a Deus, mas quando vemos um jardim com pessoas de várias cores amaldiçoamos as flores! Siga o exemplo de Cristo, conviva com todas culturas e veja como Deus é grandioso em sua diversidade, e como através de Sua diversidade conseguimos vê-Lo de forma mais completa.

Just say Wow!

Da mesma forma Jesus chamava sacerdotes de ateus hipócritas, pessoas que lucram com a fé eram açoitadas. Ele não engolia cargos criados pelos homens, ele adorava a liberdade criada por Deus. Faça o mesmo. Extravase toda a sua frustração com a maneira bizarra que as pessoas andam pregando a fé do amor, lembre-se “amar ao próximo e perdoar seus inimigos” não significa ser um idiota.

Era considerado pecado se trabalhar no Sábado. Jesus trabalhou. Era errado questionar as autoridades religiosas. Jesus questionou. Era considerado impureza andar entre doentes. Jesus andou. Ele sabia quebrar as regras do livro. Tente fazer o mesmo. Pegue sua Bíblia e a queime. Acha que vai ser castigado? Atrairá a fúria de Deus para você? Jesus não andava com a Torah debaixo do braço. Ele nunca disse que o homem deve se alimentar da palavra impressa no papel encadernado em couro, mas das palavras que saem da boca de Deus, e as palavras que saem da boca de Deus falam direto ao coração de cada um, não apenas aos olhos dos alfabetizados. Queime ou jogue fora sua Bíblia e veja como se sente. Lembre-se: Moisés pode ter trazido a Lei escrita em pedra, mas Jesus escrevia na areia (joão 8:8). Você acha que Pedro, Paulo ou qualquer outro apóstolo tinha uma Bíblia nas suas pastinhas? De forma nenhuma, eles nem tinham pastinhas. Jesus foi específico ao dizer que “Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.” (Lucas 9:3). Se na hora de se livrar do seu livro você se sentir estranho, não se preocupe, são as amarras se partindo, você pode achar que queimar a bíblia ou jogá-la fora é loucura, e espere só para ver, isso não chega perto das loucuras que você ainda vai cometer, quando terminar você estará caminhando sobre as águas de alegria. Uma bíblia de papel pode ser queimada, mas não a palavra no coração. Pois é ela que queima tudo o que toca.

Seja Herege e abrace a Heresia

Heresia é por definição “qualquer doutrina contrária àquela aceita como oficial”. Para entender melhor vamos dar um exemplo mais claro. Onde Cristo nasceu e viveu, o Judaismo era a doutrina oficial, entregue por Deus para os homens diretamente via Moisés. Assim, ir contra a religião que havia sido entregue aos homens era heresia. Se ao invés de apedrejar uma mulher adúltera você condenasse aqueles que queriam levar a cabo a Lei de Deus, você era um herege. Se você desrespeitasse um dia que era reservado apenas a orações, você é herege. Se você falasse, “pare de acreditar em Deus por causa dos milagres d’Ele, acredite em Deus porque você está de barriga cheia”, é um herege.

Jesus fez tudo isso, e muito mais. Ele chegou a um ponto de parar de tentar fazer os sacerdotes seguirem a lógica dele a passou apenas a dar respostas rápidas e malacas, apenas para se tocarem de como eram idiotas. No fim Jesus rasgou o véu do Templo mais sagrado. Como Jesus, pare de respeitar a fé alheia, e respeite aquilo que Deus fala em seu coração. Respeito é algo que deve ser conquistado, não dado de graça só porque alguém te diz que ele ou ela é a sua ligação com Deus. Se a pessoa que disser isso não for o próprio Cristo, então você não deve nada a ela, nem à obra que ela ergueu.

Quando falarem que por exemplo Homossexualismo é pecado, lembre às pessoas que Jesus teve dois pais. Quando falarem que sexo antes do casamento é errado diga que quem disse isso foi Paulo de Tarso e ele deixou claro que essa era a opinião dele, não de Deus. Quando falarem que você precisa ir orar na igreja porque está se desviando, diga que Cristo desprezava quem vai pra igreja orar, que depois você faz isso como ele fazia, no seu quarto, sem ficar se exibindo para os outros. (Mateus 6:5-15)

Higienize-se

Da mesma forma que você já se livrou da sua Bíblia, pare de ir ao seu culto ou à sua igreja. Evite também ir a comícios políticos ou a “encontros de estudo” organizados pelos líderes religiosos. Um pouco de isolamento pode fazer muito bem de vez em quando. Considere que mesmo Jesus ficou quarenta dias isolado no deserto para poder esclarecer as ideias antes de começar seu ministério.

A religião institucionalizada são responsáveis por grande parte da merda que a liberdade de hoje se tornou, mas não é a única. Se você não sabe tomar conta de si mesmo, aprenda. Não espere que os outros façam isso por você. Se não sabe pensar sozinho é melhor não pensar nada, com certeza sofrerá menos prejuízo do que se sair pedindo para os outros pensarem por você.  Marque um encontro com Cristo e passe um tempo em silêncio com ele. Se preciso jogue seus livros doutrinários fora ou os distribua  para os mendigos se aquecerem Melhor ainda passe uma noite com os mendigos, longe das influências do mundo que te cercam e te controlam. Lembre-se que faculdades e escolas devemo um objetivo, caso esteja estudando apenas por um diploma desista e compre um supositório. Pare de repetir o que vem sendo dito há séculos e milênios e comece a dizer coisas novas, era o que Jesus fazia.

Abrace o inimigo

Quando Jesus estava jejuando no deserto e o diabo apareceu, o que ele fez? Saiu correndo? Ficou gritando TE EXPULSO EM NOME DE DEUS? Ele ficou gritando: MENTIRAAAAAAAAAAAAAAAAA! pra tudo o que o diabo dizia? Não. Ele saiu para passear com ele e ouvir o que ele tinha a dizer.

Ele vencia as tentações em vez de fingir que elas não existiam. Se você acredita que o cirstianismo é a única maneira de se ter acesso à Palavra de Deus, lembre-se do que disse Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.” ele não disse: Na casa de meu Pai há um único e enorme cômodo homogênio!

Se a verdade absoluta fosse tão importante, teríamos algumas partes da Bíblia falando dela. E temos! Mas vejamos qual é a a bordagem do Cordeiro de Deus:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32. Ou seja, se a sua verdade está te escravizando, tornando você menor e mais fechado, então não é a Verdade da qual ele falava. A Verdade de Cristo era era ele mesmo (João  6:47, 8:58, 10:7, 17:17). Ele é aquele grande dogma que falamos acima e que realmente liberta.

Toda a crença forte em algo possui um crença oposta, que é tão forte e verdadeira. Isso é o resultado do dualismo em que nossa mente existe. E isso não acontece apenas com religião. Fale de socialismo a um capitalista, fale de gnose a um agnóstico. Fale de fé com um pseudo ateu. Se toda força cria uma força oposta de igual intensidade, então a sua crença, seja religiosa, política, sexual, ou do tipo que for, vai ser falha. No momento que você começa a enxergar Deus naquilo que se opõe à sua crença, vai descobrir a besteira que é achar que tudo tem um oposto. Homossexualismo é errado? Os mulçumanos deturpam a palavra? Stephen Hakiwns quer desviar todos os filhos do caminho de Deus? Aquela menina é vagabunda e invejosa?

Temos a tendência de dividir as pessoas entre amigos e inimigos. Em cada momento da história arranjamos uma boa desculpa: Romanos versus Bárbaros; Padres versus Bruxas; Templários versus Mouros. Jesus ensinou que isso é uma grande bobagem. Na época dele todo mundo já “amava seus amigos e odiava seus inimigos.” (Mateus 5:43-44). Mas ele ensinou que devemos fazer o bem até aos que nos odeiam e perseguem.

Pense no seguinte: se Deus nos ama, por que permite o sofrimento no mundo? Se sua crença é idiota e falha pode argumentar que o sofrimento serve para nos fazer crescer, ou que o sofrimento será recompensado de forma a não nos incomodar mais no paraíso, ou mesmo que Deus como todo bom pai que dá o livre arbítrio aos filhos não gosta de vê-los sofrer, mas também não impede que eles exerçam o livre arbítrio, apenas os consola no final das contas.

Se livre de uma mente lógica e dualista. Por que Deus permite que exista o sofrimento? Quem disse que existe o sofrimento. Se levar um choque cada vez que você coloca o dedo na tomada te incomoda e causa dor, pare de por o dedo na tomada e falar que a culpa é do eletricista ou que ele não existe, pois se existisse teria feito uma tomada que solta algodão doce e não correntes de elétrons.

Conheça Suas Necessidades

Deus criou seu corpo como criou. Foi ele que decidiu que o anus ficaria na altura do pênis e que nossos braços seriam suficientemente compridos para tocar em nossa genitália. Quando ele criou o primeiro casal ele NUNCA disse: isso pode fazer, aquilo não. A boca não foi criada para isso. POR MIM, EVA, ESSA POSIÇÃO ME OFENDE, PARE COM ISSO E NÃO FAÇA NUNCA MAIS! Ele fez as pessoas e as deixou para crescer e multiplicar, não deixou o guia moral de como exatamente crescer e se multiplicar.

Deus vê tudo, presente passado e futuro. Como vimos com José no egito, com Daniel, Ezequiel e João e todos os profetas, Deus dava dicas do futuro,  se Ele achasse inseminação artificial algo pavoroso teria dito: não deitarás tua semente num copinho para ser aproveitada posteriormente. Se achasse que sexo anal era errado teria feito o ânus quadrado e com dentes ou deixaria bem claro nas escrituras, sem que os teólogos tivessem que distorcer tanto a palavra, para achar alguma menção que pudesse ser usada para se passar essa mensagem. Se achasse que rock seria ofensivo a Ele mesmo, teria criado um universo onde guitarras elétricas não poderiam ser concebidas, como no nosso universo é impossível ser concebido um bispo Edir Macedo com um corpo de Gisele Bunchen com três pernas tortas. Se nudez fosse algo feio Deus não perguntaria para Adão e Eva: por que estão escondendo esses peitinhos? Ele teria criado eles e dado um guarda roupas na sequência.

Tudo o que o seu corpo precisa, ele precisa porque foi criado assim. Seu apetite, sua fome, seu desejo, suas aspirações, seu ódio, seu descontentamento. Jesus viveu de forma plena, pregando o respeito, mas nunca a submissão, e nem por isso foi um degenerado ou um pervertido, ele sabia do que gostava e fazia isso sem peso na consciência.

Saiba o que você precisa e corra atrás, e se não tiver como obter busque alternativas para satisfazer e canalizar essas emoções e desejos e apetites, não de reprimi-los ainda mais.

Não Sinta Medo

A culpa é como um parasita alienígena ao corpo. Isso é tão verdade que sempre que você faz algo que geralmente gera a culpa e tenta ignorá-la, sofre uma onda de medo como mecanismo de defesa para impedir que você vá longe demais sem se entregar. Mais do que isso, é como um virus que se espalha contaminando as pessoas. E a coisa piora: as pessoas não culpam apenas a si mesmas, mas fazem questão de culparem umas as outras. Damos uma topada do dedo e se houver alguém próximo o bastante de nós, sentimos vontade de culpa-la por isso. “Olha o que você me fez fazer!”. É o nosso mantra natural.

Tente queimar sua Bíblia e diga que não sente o frio no estômago. Mande o pastor ir catar coquinho e tente se virar para sair sem a sensação de que um sapato voador está rumando para sua nuca. Se você não se culpar, sem dúvida alguém fará isso por você.

Se a culpa é como uma doença, Jesus é a cura. Viver como Jesus é dar a cara a tapa, receber o tapa e oferecer a outra face para um tapa ainda maior e não baixar a cabeça nunca. Se deixar a sanidade dos homens para trás é dificil, encarar uma vida como a de Cristo para chegar a Deus é mais difícil ainda, mas até ai, se isso fosse fácil não precisaríamos de Cristo aqui na terra para servir de exemplo. Sempre que o medo começar a se manisfestar lembre-se das palavras do maluco beleza por excelência: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.”(Mateus 5:10-12)

Tenha em mente que o cominho para a glória e a iluminação da Loucura de Cristo não é um caminho fácil ou confortável. Você não pode ser louco e são e racional ao mesmo tempo. Judas ouviu os sacerdotes, tentou deixar a loucura para trás porque se incomodava com ela. Ele era muito racional. Achava que a libertação dos judeus só seria conseguida por uma oposição direta contra os romanos. Ele aceitou o dinheiro, para financiar sua lógica, teve uma crise, largou o dinheiro e então acabou se matando. Não tem preço, conforto, razão que possam com a insanidade daquele que acalmava tempestades quando queria atravessar o lago.

Parte II: Colocando a cabeça de Cristo no lugar

Deus nos fez à sua imagem e semelhança. Cada ser humano tem o potencial de Deus dentro de si, a fagulha divina, por assim dizer. Cristo relembrou as palavras do salmista (Salmos 82:6) e disse “Não está escrito na vossa lei: ‘Eu disse: Sois deuses?’” (João 10:34). Ele nos mostrou como transformar esse potencial em uma chama sem controle que não responde a ninguém senão ao Altíssimo. Colocar a cabeça de Cristo no lugar da sua é justamente aprender como atingir essa iluminação, como fazer essa chama que existe dentro de você se tornar uma estrela dançarina, como uma vontade de potência a se materializar.

Existem duas maneiras de enlouquecermos: uma lenta e gradual e a outra repentina. A maneira lente a gradual é aquela em que você descobre que se Deus criou tudo, está em tudo: da galáxia mais radiante ao macaco mais ignorante. No processo de perder a sua cabeça você segue este caminho gradual. A outra forma é simplesmente se iluminar de uma hora para outra.

Pense no seguinte:

A) Pode Deus criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele possa erquê-la?

B) Se Deus sabe tudo o que você vai fazer, então existe mesmo o livre arbítrio ou todos os seus passos já foram dados?

C) Se Deus é bom por que prendi minha língua na máquina de escrever?

Cristo vivia em ligação direta com Deus – que é a maneira que Deus gostaria que cada um de nós vivêssemos – portanto ele saberia responder a essas três questões ao mesmo tempo que dividiria dois Big Macs para todo o acampamento do Movimento dos Sem Terra, e sem desviar os olhos do que estava fazendo.

A única maneira de você tentar compreender as respostas para essas questões é deixando a lógica dos macacos para trás e colocando a cabeça de Cristo no lugar da sua. Enlouqueça. Veja a Verdade – ao invés de tentar compreendê-la. E a Verdade o Libertará.

Até agora vimos como perder nossa cabeça. Se livre de suas certezas, medite/ore mais, em silêncio e sem a companhia de ninguém. Aprenda a ouvir o silêncio. Dê valor para uma mente vazia, não para um cabeça oca. Aprenda a enxergar a estrela que mostraria o local do nascimento do Cristo, como os sábios do oriente fizeram, e verá que ela paira sobre a sua cabeça.

Você pode fazer isso deixando o Espírito Santo agir sobre você. Quando os apóstolos foram visitados pelo Espírito Santo após a a crucificação e começaram a falar em várias línguas desconhecidas as pessoas acharam que eles estavam bêbados (Atos 2:13). Um irmão, durante um encontro freak ponderando sobre a primeira questão disse:

“Pensei: carregar pedra é característico de quem é incapaz, tipo escravos, operários e diretores de multinacionais. Quem tem que carregar pedra é porque não pode mudar ela de lugar sem ter que carregá-la. Então a pergunta real é: ‘Deus pode limitar a si mesmo para fazer o que um macaco faz?’ E a resposta é sim. O cristianismo conta que ele fez exatamente isso.  Deus se fez macaco para mostrar que os macacos podem ser campeões. Deus se fez fraco, incapaz de carregar uma cruz (Mateus 27:32) e nem por isso deixou de ser Deus, que podia erguer o universo com a pedra e a cruz que estava em cima dessa pedra junto com ele. Então ele SIM, pode criar uma pedra que não pode carregar. E logo depois pode SIM carregá-la.”

Isso faz sentido para você? Não deveria, isso não tem sentido, tem loucura.

Hoje o twitter se tornou uma febre mundial. Trancreva seus pensamentos e experiências em até 140 caracteres. Essa idéia pode ser fantástica, mas está defasada em pelo menos 3 séculos. Os mestres zen perceberam que é impossível tentar compreender algo que você ainda não compreende usando a sua mente naquele momento. Se fosse possível você já teria compreendido e não precisaria perguntar para o mestre. Ou seja usar uma lógica que você compreenda não serve de ponte para te levar ao que julga incompreensível. Uma vez perguntaram a um mestre zen o que era Buda, ele respondeu: “cinco libras de linho”! Você consegue compreender essa resposta? Jesus conseguiria, rindo da piada e respondendo outra ainda melhor, e ambos ririam juntos.

Esses atalhos para a iluminação são os koans zens, frases ou respostas curtas para perguntas, que aparentemente tão sem sentido e que só podem à iluminação caso a pessoa medite cobre ele até desligar sua razão tosca e expandir sua mente para além dos limites do comum – ou a chatice da sua vida de volta, sem custos adicionais. É como o gosto de uma lingua que se autosaboreia. Pense em duas mãos batendo palmas. Agora pense no som que faz apenas uma mão batendo palma.

Durante o seu processo de buscar a loucura você pode praticar um exercício rápido para dar um curto circuito no seu sistema lógico e se aproximar da Cristozofrenia em flashes. Imagine que você caminha em um lugar desconhecido em uma noite escura de tempestade. De repente, um relâmpago rasga o céu, iluminando tudo por um segundo, permitindo que naquele segundo você se localize e saiba em que direção seguir antes da escuridão engolfar a tudo novamente e você continue seguindo pelo caminho até a próxima iluminação repentina. Mather Luther King Jr. esse freak dos anos sessenta disse certa vez: “Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo.”. Na cultura do movimento freak estes relâmpagos ganharam o nome de ‘Freakoans’. Prazer em conhecê-lo.

Jesus usava parábolas para tentar fazer os macacos de Jerusalém entenderem suas mensagens. Vá para uma missa e vai ver que até hoje a mensagem não foi entendida. C.S Lewis, um dos freaks mais bizarros do século XX uma vez disse: “O que não é eterno está fora de moda”. Concordando com isso, o movimento Jesus Freak, tentando atualizar essa forma de levar as pessoas à iluminação insana, deixou as parábolas de lado, por serem muito longas e às vezes chatas e depois de um tempo quem as está ouvindo nem se lembra mais da pergunta que fez, e as substituiu por Freakoans.

Outro irmão freak diante da segunda questão teve como resposta: “Da mesma forma que o que você come hoje influencia no que cagou ontem!”

Refletindo sobre o assunto ele escreveu:

“Se Deus é onipresente então não existe para Ele distinção entre presente, passado e futuro, apenas existe o Ser. Assim, ele saber o que você vai fazer amanhã afeta o seu livre arbítrio tanto quando aquilo que ele sabe que você fez ONTEM! Assim a onipresença de Deus não afeta o livre arbítrio de maneira nenhuma”

Faz sentido? É bom que não.

Frekoans são ferramentas que tem como único objetivo desligar o macaco que existe em você, desligar a lógica, o raciocínio, o senso comum – e tudo o mais que foi criado com o único objetivo de te fazer criar uma solução pra pegar uma banana dentro de uma fogueira sem se queimar – e te conectar diretamente, fisiologicamente e neurologicamente a Deus.

Sobre a terceira pergunta uma irmã que não bate bem da cabeça respondeu:

“Acreditar em Deus é acreditar no caráter de Deus. Se você está na pior, se está gravemente doente, sem um puto no bolso, isso não é por acaso. Você acha que quando um deficiente mental morre a alma dele continua deficiente mental? É claro que não. E talvez todos nós sejamos doentes mentais e só enxergaremos com clareza depois que formos para o outro lado. Até lá não podemos dizer com certeza o que é bom e o que é mal para nós. Qualquer reclamação com Deus é um ato ridículo de arrogância, é como dizer que sua mãe é pior do que Hitler porque ela te obriga a comer brócolis. Talvez sua vida seja muito melhor com a língua presa na máquina de escrever, já que tudo o que você fez a sua vida toda, seus pais fizeram a vida deles toda e os pais de seus pais fizeram a vida deles toda, resultaram no ponto presente em que você se encontra com a língua presa”

Nada coerente.

Para exemplificar ainda mais, vamos simular agora os Freakoans em ação. Veja uma conversa sem Freakoan, com um macaco de um lado e um macaco de outro:

Macaco1: Se Deus existe, por que ele não cura amputados?

Macaco2: Mas ele cura amputados, estrelas do mar e lagartixas regeneram partes amputadas.

M1: Não estou falando de animais, mas de pessoas que oram para ele pedindo para que o membro cresça novamente.

M2: Mas por que apenas as pessoas que oram deveriam ter os membros curados e regenerados? E as que rezam?

M1: Você sabe do que estou falando. Se Deus existe, ele deveria curar amputados.

M2: Mas se uma pessoa pára de ter uma vida saudável apenas porque perdeu um braço ou uma perna, ela não precisa de Deus, precisa de um psicanalista. A vida deveria ser mais do que apenas um braço ou uma perna.

M1: Isso não vem ao caso. Se Deus regenerasse uma perna, todos saberiam que ele existe, e a dúvida terminaria.

M2: Jesus e os apóstolos ressuscitavam pessoas, isso é curar a morte, na época que aconteceu ninguém levou a sério, hoje chamam isso de conto de fadas, porque acha que se Ele curasse amputados hoje, amanhã as pessoas seriam diferentes?

M1: Então por que Deus simplesmente não aparece, ou faz algo que tire a dúvida de todos? Ele não é Todo-Poderoso?

… conversa vai ao infinito e ninguém sairá com uma resposta, ninguém crescerá mentalmente, filosoficamente ou espiritualmente e não haverá satisfação na conversa.

Veja agora uma conversa com Freakoan, com um macaco de um lado e um macaco de outro:

Conversa 1

Macaco1: Se Deus existe, por que ele não cura amputados?

Macaco2: O sol do meio-dia não faz sombra!

M1: ???

M1: Viu? Dá respostas idiotas porque não consegue responder esse absurdo!

M2 segue sua vida, M1 segue sua vida, a conversa tem fim e os dois ganharam com isso.

Conversa 2

Macaco1: Se Deus existe, por que ele não cura amputados?

Macaco2: O sol do meio-dia não faz sombra!

M1: ???

M1: !!!

M1: ?!

Cristozofrênico: HAHAHAHAHAHAHAHAHA, MAS É CLARO! COMO NINGUÉM PENSOU NISSO ANTES? HAHAHAHAHAHAHA

A conversa tem fim e os dois ganharam com isso.

Agora que você já pegou a idéia, segue uma lista de questões comuns entre as pessoas e Freakoans com a resposta para elas. Medite de verdade sobre eles e veja o que acende dentro de sua cabeça:

1ª Se Deus é imutável, porque ele precisou “mudar as regras” enviando-se Jesus na Terra?

Freakoan: Falar com clareza não é problema da língua.

2ª Por que um Deus todo-poderoso teve que se tornar carne para poder se sacrificar em seu próprio nome, de modo a livrar sua criação de sua própria ira? Será que Deus, em sua sabedoria infinita, não teria uma solução menos primitiva?

Freakoan: Muitas vezes, para um computador voltar a funcionar, basta desligá-lo e religá-lo.

3ª Se tudo é “parte do plano de Deus”, como dizem os crentes, então Deus planejou todas as desgraças, todas as catástrofes e todos os nossos pecados e não precisamos sentir culpa por nada nem fazer nada para corrigir as coisas?

Freakoan: Se você devolver este livro após a data de devolução, será multado. Se você não devolver este livro após a data de devolução, será multado.

4ª Por que os teístas dizem que eu preciso vasculhar todos os lugares do universo e não achá-lo para dizer que Deus não existe, se eu só precisaria não encontrá-lo em apenas um lugar, visto que é onipresente?

Freakoan: Por que não?

5ª Cristãos dizem que se um bebê morrer, ele vai para o céu. Por quê então são tão contrários ao aborto, se isso privaria todas as crianças de irem para o Inferno?

Freakoan: A morte só mora onde reina a sombra do coração humano.

6ª Como Deus pode ter emoções (ciúme, raiva, tristeza, amor) se ele é onipotente, onisciente e onipresente? Emoções são uma reação, mas como Deus pode reagir a algo que ele já sabia que iria acontecer e até planejou?

Freakoan: Qual o som do silêncio?

7ª Por que Deus permite que uma criança nasça se ele já sabe que ela vai para o inferno? Onde está seu amor infinito?

Freakoan: Dizer que não existem cristãos não é o mesmo que dizer que não existe cristianismo.

8ª Por que a Bíblia não fala nada sobre dinossauros?

Freakoan: No jardim, uma margarida.

9ª Por Quê Deus Não Cura Os Amputados?

Freakoan: O sol do meio-dia não faz sombra!

10ª Por quê há tanta gente no nosso mundo Morrendo De Fome?

Freakoan: Nenhum caminho leva a lugar nenhum.

11ª Por que Deus ordena a morte de tantas pessoas inocentes na Bíblia?

Freakoan: As palmeiras existem dentro ou fora de sua mente?

12ª Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Freakoan: Sua pergunta já traz, em si, a resposta.

13ª Por que nenhum dos milagres de jesus na bíblia deixou alguma evidência?

Freakoan: Pedras que rolam não criam limo.

14ª Como explicamos o fato de Jesus nunca ter aparecido de fato para você ?

Freakoan: Cem palavras não valem mais do que uma única imagem, mas após ver o professor, aquela olhada nunca valerá mais do que cem palavras. Seu nariz erguido, ia alto. Mas ele era cego, afinal de contas.

15ª Por que os cristãos se divorciam na mesma proporção daqueles que não são cristãos?

Freakoan: Por que a Igreja é contra astrologia se Jesus era de capricórnio?

16ª Se Deus é onipotente e todo-poderoso, por que levou seis dias para criar tudo? Não poderia ter feito tudo simplesmente aparecer de uma vez?

Freakoan: Se nada existe, de onde veio esta questão?

17ª Como Noé consegui colocar os milhões e milhões de espécies que existem no planeta, aos pares, dentro de uma arca?

Freakoan: E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará.

18ª Se Noé colocou todos os animais dentro da arca por 40 dias e 40 noites, como é que os pinguins conseguiram ir do monte Ararate até o pólo do planeta, e como os Kolalas saíram de lá para chegar à Austrália sem eucaliptos para irem se alimentando no caminho?

Freakoan: Os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos.

19ª Deus que ser adorado e seguidos por todos, e quem se recusar será queimado no inferno eternamente. Isso não define Deus como um tirano megalomaníaco?

Freakoan: Qual era a tua natureza original, antes dos teus pais terem nascido?

20ª Se no princípio havia apenas Deus e Ele criou tudo o que há, porque Ele criaria anjos com a propensão de desafiá-Lo?

Freakoan: O caminho passa por fora da cerca.

21ª Se Deus criou tudo, por que Ele criou AIDS, ebola, antrax, a peste negra, etc? Isso é parte do plano de Deus?

Freakoan: Todo dia é um bom dia.

22ª Por que Deus responde as preces de um trabalhador de classe média, consegue ajudá-lo a conseguir um emprego e a dar um bom estudo para sua família, mas se recusa a responder as preces das pessoas que sofrem por doença, de fome e que vivem abaixo do nível da miséria?

Freakoan: Um cipreste no jardim.

23ª Se o Cristianismo é a única religião verdadeira, então por que encontramos praticantes de outras religiões se sentindo plenos e satisfeitos com suas próprias crenças?

Freakoan: O homem observa a flor, a flor sorri.

24ª Se Deus existe porque as pessoas fazem sofrer umas as outras?

Freakoan – Por que vocês fazem isso?

Criando Freakoans

Jesus Freak é um movimento individual, não acredita em igrejas ou templos, como era na época em que Jesus saiu pregando sua loucura e contagiando as pessoas com seu amor. Não espere encontrar um templo com um Freak que irá responder as suas perguntas, essa pessoas deve ser você mesmo, ou você mesma. Assim vejamos agora alguns exemplos de como você pode criar o seu Freakoan caso surjam novas dúvidas.

Exemplo 1: Ore a Deus pedindo entendimento. Em seguida lei a a Bíblia. Medite sobre a resposta que teve.

Exemplo 2: Sempre que a dúvida surgir, pergunte para a primeira pessoa da rua com quem cruzar aquilo que complica sua cabeça. Tome como freakoan a primeira coisa que ela responder, agradeça e dê um real para ela dizendo: Jesus paga um pau pra você! Medite sobre a resposta que teve.

Exemplo 3: Pegue revistas, livros ou a sua própria Bíblia antes de queimá-la e recorte aleatoriamente frases, palavras ou imagens. Quando tiver uns 50 ou 60 recortes, coloque em um saco ou numa caixa. Sempre que surgir uma dúvida relaxe, esvazie a mente e diga: “encara essa agora Jesus!”, e tire um papel do saco/caixa. Medite sobre a resposta.

Exemplo 4: Apenas medite sobre a resposta.

 

Por fim, um último aviso. De forma alguma deixe estes Freakoans se tornarem respostas decoradas a questões que você não entende. Uma mesma questão pode ser respondida por 300 Freakoans diferentes, lembre-se, eles não devem ter lógica. Tão pouco faça com que seja apenas uma forma de fugir das perguntas. Algumas perguntas são elas mesmas freakoans, por exemplo: “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? ” Marcos 3:33. Aprenda a deixar o Espírito Santo falar por você, e não busque sentido. Você acha que depois de 40 dias meditando sem comer debaixo de uma árvore Jesus ancontrou alguma resposta que fizesse sentido? E mesmo assim ele deixou o Diabo puto, resmungando coisas sem sentido, para trás. Ore por isso. Nós estaremos no outro galho, da grande árvore da vida, comendo uma banana, orando por você.


Sentindo-se freak? Conheça Jesus Freak: o Guia de Campo para o Pecador Pós-Moderno


 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/cristozofrenia-perca-a-cabeca-ponha-a-de-cristo-no-lugar/

Defumação e Incensos

Ninguém sabe quando a humanidade começou a usar as plantas aromáticas. Estamos razoavelmente seguros de que os sentidos do homem antigo eram bem mais aguçados, e o sentido do olfato foi crucial para sua sobrevivência. Há evidência do período Neolítico de que ervas aromáticas eram usadas em culinária e medicina, e que ervas e flores eram enterradas com os mortos. A fumaça ou fumigação foram provavelmente um dos usos mais antigos das plantas, como parte de oferendas rituais aos deuses. Era provavelmente notado que a fumaça de várias plantas aromáticas tinha, entre outros, efeitos alucinógenos, estimulantes e calmantes. Gradualmente, um conjunto de conhecimentos sobre as plantas foi acumulado e passado a centenas de gerações de xamãs.

As plantas aromáticas têm sido honradas de um modo especial desde os tempos antigos. Eram utilizadas em rituais religiosos e mágicos, assim como nas artes curativas. Estas três práticas eram fundamentais para a existência humana (ainda hoje continuam sendo).

A antiga civilização egípcia era devotada em direcionar os sentidos em direção ao Divino. O uso das fragrâncias era muito restrito. Inicialmente, sacerdotes e sacerdotisas eram as únicas pessoas que tinham acesso a estas preciosas substâncias. As fragrâncias dos óleos eram usadas em perfumes, na medicina e para uso estético, e ainda, para a consagração nos rituais, queimados como incenso. Sobre as paredes das tumbas dos templos antigos perdidos no deserto, podemos ver com freqüência uma fumaça que sai de um pote, ou um incensário horizontal muito parecido com os atuais. Quando o Egito se fez um país forte, seus governantes importaram de terras distantes incenso, sândalo, mirra e canela. Esses tesouros aromáticos eram exigidos como tributo aos povos conquistados e se trocavam inclusive por ouro. Os faraós se orgulhavam em oferecer às deusas e aos deuses enormes quantidades de madeiras aromáticas, gomas, resinas e perfumes de plantas, queimando milhares de caixas desses materiais preciosos. Muitos chegaram a gravar em pedras semelhantes façanhas.

Os materiais das plantas aromáticas eram entregues como tributos ao estado, e doados a templos especiais, onde se conservavam sobre altares como oferendas aos deuses e deusas. Todas as manhãs as estátuas eram untadas pelos sacerdotes com óleos aromáticos. Se queimava muito incenso nas cerimônias do templo, durante a coroação dos faraós e rituais religiosos. Se queimavam também em enterros, para neutralizar odores e afugentar maus espíritos.

Sem dúvida o incenso egípcio mais famoso foi o Kyphi. O Kyphi se queimava durante as cerimônias religiosas para dormir, aliviar ansiedade e iluminar os sonhos, e acreditava-se inclusive que pudesse reavivar a sexualidade dos mortos.

Sumérios e Babilônios

É difícil separar as práticas destas culturas distintas já que os Sumérios tiveram uma grande influência dos babilônios, e transcreveram muita da literatura dos seus antepassados para o idioma sumério. Sem engano sabemos que ambos os povos usavam o incenso. Os Sumérios ofereciam bagas de junípero como incenso à deusa Inanna. Mais tarde os babilônios continuaram um ritual queimando esse suave aroma nos altares de Ishtar.

Tudo indica que o junípero foi o incenso mais utilizado, eram usadas outras plantas também. Madeira de cedro, pinho, cipreste, mirto, cálamo e outras, eram oferecidas às divindades. O incenso de mirra, que não se conhecia na época dos Sumérios foi utilizados posteriormente pelos babilônios. Heródoto assegura que na Babilônia queimaram uma tonelada de incenso. Daquela época nos tem chegado numerosos rituais mágicos. O Baru era um sacerdote babilônio esperto na arte da adivinhação. Acendia-se incenso de madeira de cedro e acreditava-se que a direção que a fumaça levantava determinaria o futuro, se a fumaça movia-se para a direita o êxito era a resposta, se movia-se para a esquerda a resposta era o fracasso.

Hindus e Budistas

A Aromaterapia tem sido uma parte essencial do ritual religioso Hindu desde o tempo dos Vedas, cuja idade pode ser estimada em 5.000 a.C. O incenso favorece um estado meditativo, por isso ele também foi incorporado pelos budistas, que são naturalmente avessos a rituais externos. É usado na iniciação de Lamas e Monges, e é oferecido aos bons espíritos nos cultos diários.

Gregos e romanos

Estes povos acreditavam que as plantas aromáticas procediam dos deuses e deusas. Queimavam o incenso como obrigação e para proteção das casas. Em Roma usava-se nas ruas e em especial na adoração do Imperador. O povo chegou a consumir tantos materiais aromáticos que no ano de 565 foi decretada uma lei que proibia utilizar essências aromáticas pelas pessoas, com temor de não se ter suficiente incenso para queimar nos altares das divindades.

Nativos americanos

Os nativos americanos vivem em harmonia com a terra, reverenciam-na como geradora de vida. Desde muito eles conhecem as propriedades de cura das plantas de poder, usadas em tendas de suor, dança do tambor etc. Queima-se sálvia branca, cedro, pinho e resinas para limpeza de objetos de poder e rituais de adoração. É usada para a saúde e o bem-estar da tribo. Na América do sul resina aromática de copal é oferecida ainda hoje pelos descendentes Maias e Astecas para suas divindades ancestrais.

Judeus

De acordo com o Zohar, oferecer incenso é a parte mais preciosa do serviço do Templo para os olhos de Deus. A honra de conduzir este serviço é permitida somente uma única vez na vida. Diz-se que quem teve o privilégio de oferecer o incenso está recompensado pela sorte com riqueza e prosperidade para sempre, neste mundo e no seguinte.

Católicos

Como esquecer a historia maravilhosa dos três Reis Magos, que presentearam com o Líbano e Mirra o Mestre Jesus, quando ele nasceu? Essas resinas aromáticas são presentes mágicos, são incensos de alta importância e fragrância. Em varias igrejas católicas, misturas de incensos contendo resinas de Líbano e Mirra são queimados durante os rituais.

A fumaça aromática

Hoje percebe-se um aumento do interesse pelos incensos naturais de antigamente, e isso se deve ao fato que querermos que nossa casa seja um lugar mais aconchegante, convidativo e mais agradável. Infelizmente incensos comerciais raramente contém resinas ou óleos essenciais, e são feitos com essências sintéticas, carvão e derivados de petróleo que, na verdade, não trazem grandes beneficios. Prefira os feitos com sândalo (sandalwood) ou serragem (sawdust powder).

Várias pessoas associam incensos com rituais religiosos ou espiritualidade; realmente varias religiões usam fumaça aromática em seus rituais e suas cerimônias. A fumaça que sai do incenso é usada para santificar, purificar ou abençoar, e acredita-se que a fumaça é o mensageiro para o reino dos céus. Nossos ancestrais faziam uso de incensos em suas casas porque pensavam que podiam protegê-los das pragas e doenças. Essa teoria possui alguma verdade: incensos feitos de ervas, incluindo tomilho e capim limão, há muito são usados por suas propriedades anti-sépticas e curativas. Estas e outras ervas eram queimadas em quartos de doentes, em hospitais, antes da descoberta dos antibióticos. Quando queimamos incensos naturais, moléculas de óleos essenciais são soltas no ar. Então elas acham seu próprio caminho, pelo sistema olfativo ou pelos poros da pele, e atuam no cérebro, onde se processam efeitos químicos que podem mudar seu ânimo, evocar boas memórias e lembranças. Essa fumaça aromática pode relaxar, estimular e aumentar nossa energia, nos levando para um momento de paz e tranquilidade.

Umbanda

A defumação é essencial para qualquer trabalho num terreiro de Umbanda, bem como nos ambientes domésticos. Este ritual é praticado com o objetivo de purificar o ambiente (terreiro/residência), bem como o corpo do mediúm e a assistência (pessoas que irão participar da gira), retirando as energias negativas e preparando o local para que a gira possa ocorrer em harmonia.

Pode-se aproveitar o know-how pego pela Umbanda para fazer uma limpeza em sua própria casa. Para fazer uma defumação correta só precisa de carvão em brasa, dentro de um turíbulo (incensório pequeno, geralmente feito de barro). Jogue as ervas secas dentro (ou na parte de cima, dependendo do modelo de incensório) e vá defumando toda a casa: Se for para limpeza espiritual, defume sempre de dentro para fora, se for para atrair bons fluidos e dinheiro, defume de fora para dentro. Os resíduos da defumação podem ser jogados no rio, no lixo, no terreno baldio, em qualquer lugar bem longe da casa, na encruzilhada, etc. (isto vai variar com a bula da defumação). Várias pessoas também aconselham a seguir a posição da lua. Ex: Para quebrar feitiços e limpeza em geral, fazer na lua minguante. Na lua nova, crescente ou cheia, fazer a defumação para prosperidade, amor, etc.

Existem dois tipo de defumação:

DEFUMAÇÃO DE DESCARREGO- Serve para afastar seres do baixo astral, e dissipar larvas astrais que impregnam qualquer ambiente, tornando-o carregado e ocasionando perturbações nas pessoas que neles se encontram. Ervas utilizadas:

ALECRIM DO CAMPO: Defesa dos males, tira inveja e olho gordo, protege de magias.
ARRUDA: Descarrego e defesa dos males, proteção e remove o efeito de feitiços.
BELADONA: Limpeza de ambientes
BENJOIM RESINA e CANELA: Limpa o ambiente e destrói larvas astrais.
CARDO SANTO: Defesa, quebra olho gordo
CIPÓ CABOCLO: Elimina todas as larvas astrais do ambiente
FOLHA DE BAMBU: Afasta vampiros astrais
GUINÉ: Atua como um poderoso escudo mágico contra malefícios.
INCENSO: Tanto a erva como a resina (pedra) são bons para limpeza em geral.
MIRRA: Descarrego forte, afasta maus espíritos
PALHA DE ALHO: Afasta más vibrações

Modo de usar: Varra a casa ou local a ser defumado, acenda uma vela para seu anjo de guarda, depois acenda um braseiro e coloque dentro do mesmo três tipos diferentes de ervas. Defume de dentro para fora, mantendo o pensamento firme de que está limpando sua casa, sua família e seu corpo.

DEFUMAÇÃO LUSTRAL- Além de afastar alguns remanescendes astrais que por ventura tenham se mantido após a defumação de descarrego, esta defumação atrai para o ambiente correntes positivas das entidades, que se encarregarão de abrir seus caminhos. Ervas usadas:

ABRE CAMINHO: Abre o caminho atraindo bons fluidos dando força e liderança.
ALFAZEMA: Atrativo feminino, deixa o lar mais suave, limpa, purifica e traz o entendimento
ANIS ESTRELADO: Atrativo. Chama dinheiro
COLÔNIA: Atrai fluidos benéficos
CRAVO DA ÍNDIA: Atrativo e chama dinheiro e dá força á defumação.
EUCALIPTO: Atrai a corrente de Oxossi
LEVANTE: Abre os caminhos do ambiente
LOURO: Abre caminho, chama dinheiro, prosperidade e dá energia ao ambiente
MADRESSILVA: Desenvolve a intuição e a criatividade, favorece também a prosperidade.
MANJERICÃO: Chama dinheiro
ROSA BRANCA: Paz e harmonia
SÂNDALO: Atrativo do sexo oposto e também ajuda a conectar com a essência Divina

Modo de usar: Esta defumação deve ser feita da porta da rua para dentro do ambiente.

Na limpeza, evite escolher ervas com funções diferentes, por exemplo: Levante, Louro e cardo santo, pois duas estão abrindo o caminho, e a terceira (cardo santo) é para limpeza. Isso pode não combinar, por isso primeiro defume a casa fazendo somente a limpeza, de dentro para fora, depois use as ervas para atrair coisas boas (de fora para dentro).

Quando for fazer defumação de café e açúcar, não faça com os 2 juntos; Primeiro defume de dentro para fora com café, jogue as brasas e os resíduos bem longe, depois defume de fora para dentro com açúcar.

Quando for usar Incenso, Mirra e Benjoim, pode-se usar uma quarta erva para limpeza.

Muitas pessoas não podem defumar a casa porque o marido, mulher ou vizinhos não gostam de defumação. Então, para uma defumação mais simples e funcional, faça-a com incensos, seguindo a orientação abaixo:

PARA LIMPEZA DE AMBIENTE COM INCENSOS

Encha um copo virgem (de vidro) de arroz cru, coloque 8 varetas de incenso, podendo ser de Arruda, Alecrim, Cânfora, Eucalipto, Madressilva ou Pimenta, passe este copo na casa inteira (começando de dentro para fora da porta de entrada) e quando chegar na porta de entrada, deixe-os queimando, no término, jogue todos os resíduos (arroz e o pó do incenso) na água corrente, e o copo guarde para a próxima defumação.

Tabela de incensos:

Limpeza: Olibano, elemi,copal,cravo da índia, junipero, louro cedro, lavanda alecrim, salvia branca, sangue de dragão, sweetgrass.
Coragem: Elemi, sangue de dragão, balsamo do peru, olibano, palusanto, louro, lavanda, cedro, pinho, junipero, salvia branca, tomilho.
Criatividade: Anis estrelado, copal, cravo da índia, mastic, elemi, breuzinho, olibano, capim limão, junipero.
Relaxar: Lavanda, sândalo, vetiver, sandarac, nardo.
Meditação & oração: Sândalo, mirra, olibano, mastic, copal, nardo, Ladano, sangue de dragão, damar, aloes madeira.
Sono: Sândalo, nardo, galbano, mirra, salvia branca, lavanda.
Sonhos: Aloés madeira, mastic, louro, lavanda.
Amor: Sândalo, aloés copal, bejoin, mirra, vetiver, cássia, nardo, rosa patchuli.

#Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/defuma%C3%A7%C3%A3o-e-incensos

3 Chimpanzés

Incrustados no meio da África vivem os animais que mais se assemelham aos seres humanos em termos genéticos. Compartilhamos aproximadamente 98 a 99% de seu DNA, e ainda assim somos muito distintos, principalmente devido as formidáveis capacidades do órgão que trazemos dentro da cabeça. Mas, será que somos tão diferentes assim?

Os chimpanzés se separaram do tronco evolutivo de nosso misterioso ancestral comum por volta de 4 a 7 milhões de anos atrás, talvez até mais. São animais que costumam andar pelo solo, embora ainda usando as mãos como apoio, e se alimentam, sobretudo, de frutas, folhas, sementes e pequenos animais que cruzam seu caminho.

Durante os dias, nas planícies africanas, podem ser vistos nos galhos das árvores, aproveitando a sombra e mordiscando frutas… Como nós, são animais sociais, que vivem em grupos de apenas uns 5 até mais de 100 indivíduos. Aparentemente possuem culturas diferentes, dependendo da região em que habitam, e são capazes de ensinar técnicas rudimentares de uma geração a outra: uso de gravetos para extração de cupins de um cupinzeiro; uso e fabricação de pedras específicas, usadas como ferramenta para quebrarem sementes e frutos; e até mesmo ferramentas adaptadas para caça de pequenos mamíferos, algo bem mais raro.

Olhar os chimpanzés pode às vezes parecer uma experiência que transcende nossa espécie e nosso tempo: de certa forma, olhamos para aquilo que fomos, ou algo muito próximo, há milhões de anos atrás. Por exemplo, às fêmeas chimpanzés possuem hábitos mais solitários, passando a maior parte do tempo sozinhas. Nesses grupos, os machos dominantes exercem seu poder através de pura agressividade, sobre as fêmeas e os outros machos mais jovens ou fracos. Nesse sentido, a vida sexual dos chimpanzés não difere tanto assim da de outros primatas, como os gorilas, e nesse ponto o ser humano parece se distinguir totalmente: afinal, fazemos sexo não apenas para procriação, mas também e, principalmente, por prazer, e por amor…

Os estudiosos perceberam apenas em 1928 que os bonobos formavam uma família diferente dentro da espécie dos chimpanzés, com um comportamento muito peculiar, em que o sexo está em primeiro lugar, funcionando como substituto da agressividade. O bonobo é um dos raros animais para quem não existe relação direta entre sexo e reprodução. Ou seja, como os humanos, eles fazem mais amor do que filhos. Ao contrário da maioria dos primatas, a sociedade dos bonobos é dominada pelas fêmeas e não pelos machos.

Estudiosos como o antropólogo Richard Wrangham – autor de Demoniac males [1] – especulam que isso ocorreu pelo fato de, entre os bonobos, os vínculos mais duráveis se estabelecem entre as fêmeas, que passam grande parte do tempo em atividades sociais ou em brincadeiras sexuais. Wrangham acredita que essa organização social é resultado do tipo de alimentação desses macacos, que se adaptaram a comer frutos e pequenos animais, como os chimpanzés, além de folhas e raízes, como os gorilas. A facilidade de obter alimentos desestimulou o desenvolvimento da agressividade dos machos, mas incentivou as alianças entre as fêmeas. Essas alianças acabam resultando em mais poder para quem as estabelece.

Mas a “sociedade matriarcal dos bonobos” só se torna efetivamente possível porque, ao contrário da maioria das fêmeas de outras espécies, que só são receptivas ao sexo no período fértil, às fêmeas bonobos são atrativas e ativas sexualmente durante quase todo o tempo. Além de intensa atividade sexual com seus parceiros, em que tomam a iniciativa, elas simulam relações com outras fêmeas – é justamente através do sexo que estabelecem as alianças entre si. Os machos também participam dessa espécie de homossexualismo light. As atividades eróticas dos bonobos compreendem ainda sexo oral, masturbação mútua e beijos de língua.

Um dos “inconvenientes” da sociedade dos bonobos é que incestos e pedofilia são relativamente comuns… Isso parece ter sido motivo suficiente para muitos ditos cristãos demonizarem a espécie inteira, como se outras espécies também não praticassem incesto e pedofilia (e coisas muito piores). Na verdade, o problema com os bonobos é que eles fazem sexo, muito sexo, e nisso lembram a nós mesmos. Como sabemos, por muitos séculos, principalmente na Idade Média, o sexo foi considerado sujo, condenado e sentenciado as trevas… Mesmos nos dias atuais, em que o ímpeto sexual humano parece explodir de forma descontrolada, como rio há muito tempo represado, que finalmente rompe a represa, ainda há muita gente “conservadora e religiosa”, que abomina a visão de uma sociedade humana se parecendo com uma sociedade de bonobos.

Mas, será que temos lembrado mais os bonobos ou os chimpanzés? É preciso lembrar que para os bonobos o sexo é um elemento central de redução da agressividade nas relações entre os indivíduos. Embora já tenham sido registrados casos até mesmo de canibalismo entre os bonobos, estes são raríssimos – os bonobos, quando comparados aos chimpanzés, seriam uma sociedade de gandhis e madres teresas, ao menos no quesito agressividade. Nós, humanos, entretanto, temos sido ainda mais agressivos que os chimpanzés, com nossa própria espécie, com as outras, e com o meio ambiente como um todo.

Alguns nos chamam de “terceiro chimpanzé” [2], mas é óbvio que, ao mesmo tempo em que estamos conectados a todas as outras espécies na árvore da vida, temos uma diferença imensa de todas elas: a consciência humana, única em sua racionalidade e espiritualidade. Os chimpanzés fazem parte dos poucos animais que conseguem se reconhecer no espelho, e sob muitos aspectos parecem mesmo conosco, mas foi exatamente a nossa imensa inteligência que possibilitou que, dentre outras coisas, destruíssemos seu habitat natural até que entrassem na lista de espécies ameaçadas de extinção, da qual dificilmente sairão um dia… Não, nós não temos sido primatas promíscuos, que fazem sexo a torto e a direito, nós temos sido algo muito pior do que isso: primatas dominantes sedentos por territórios e recursos naturais, que não expulsam os outros primatas de seus territórios natais com grunhidos e intimidação, mas com fogo, pólvora, bombas e estranhas doutrinas religiosas.

O sexo humano pode sim se desencaminhar para a promiscuidade total, a pedofilia e outras bizarrices, mas ainda assim, na “escala de escuridão” em que os ditos cristãos o colocaram, ainda está muito, muito mais próximo da luz do que a agressividade, a intolerância e o fanatismo. Não foram os bonobos quem enviaram bombas atômicas para cidades de nações rendidas, ou adolescentes com bombas na cintura para se explodirem em mercados e praças públicas, não foram nem mesmo os chimpanzés – foram nós, os humanos.

Porém, ainda assim é tarde para ser pessimista: enquanto este mundo tem girado em torno de uma pedra ardente, de alguma forma as consciências dos homo sapiens tem despertado, uma a uma, e se dado conta de que estamos aqui não para sobreviver e domesticar a Natureza, mas, pelo contrário: para viver, e exaltar esta mesma força da vida que nos deu os chimpanzés e os bonobos, e todos os outros seres desta Terra, não através de um decreto divino, mas através de um mecanismo divino que tem evoluído ao longo das eras nas formas mais belas e surpreendentes; e do qual é o sexo, não a agressividade, o grande motor.

***
[1] Apenas um título infeliz (“Machos demoníacos”) para um livro onde ele e o jornalista Dale Peterson discutem as semelhanças e diferenças entre chimpanzés, bonobos e seres humanos.
[2] Numa alusão aos outros dois chimpanzés: o chimapanzé-comum (Pan troglodytes) e o bonobo (Pan paniscus).

***

» Veja também: 3 chimpanzés: um complemento

Crédito da foto: Fiona Rogers/Corbis (nem queira saber…)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#biologia #Evolução #sexo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/3-chimpanz%C3%A9s

Paradoxo do nosso tempo

Por Jeff Dickson

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.

Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar,mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir maiscópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros

acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas “mágicas”. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar ‘delete’.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer “eu te amo” à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame… Ame muito.

Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro. O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas AMAR tudo que você tem!

Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

#Filosofia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/paradoxo-do-nosso-tempo

Os pomos de ouro do Jardim das Hespérides

Hesperides

“Agora como alma consciente é responsável pela sua própria sabedoria…”

Os pomos de ouro do jardim das Hespérides: A descoberta dos talentos e potenciais

Hércules teve que superar vários percalços para obter os frutos de ouro de uma árvore maravilhosa, que representam a força fecunda e criadora dos homens, protegidos por um dragão imortal. Assim como Hércules teve que ir aos extremos do mundo para descobrir esses frutos, nós também precisamos fazer uma viagem a nosso mundo interior para descobrir nossos talentos e potenciais, que são os pomos de ouro.

– Os Doze Trabalhos de Hércules e a iniciação

– O Leão da Neméia

– A Hidra de Lerna

– A Corça Cerínia

– O Javali de Erimanto

– Os Estábulos de Augias

– As Aves de Estinfalo

– O Touro de Creta

– As Éguas de Diomedes

– O cinturão de Hipólita

– O Gado de Gerião

Mitologia

Num longínquo país crescia a árvore sagrada, a árvore da sabedoria, que produzia as maçãs de ouro de Hespérides. Esse frutos eram desejados por todos os filhos dos homens que se reconheciam igualmente como filhos de Deus. Havia duas coisas que Hércules sabia sobre a árvore sagrada: que ela era carinhosamente cuidada por três belas donzelas e que um dragão de cem cabeças protegia as donzelas e a árvore.

Hércules pôs-se a caminho, cheio de confiança, seguro de si, de sua sabedoria e de sua força. Seguiu em direcção ao norte e percorreu a terra à procura da árvore sagrada, mas não a encontrou. Perguntava a todos os homens que encontrava, mas nenhum pode guiá-lo no caminho; nenhum conhecia o lugar.

O tempo passava e ele ainda procurava, vagando de um lado para o outro, frequentemente retornando sobre os próprios passos. Triste e desencorajado, ainda assim procurava por toda a parte. Não encontrando a árvore sagrada no caminho do norte, Hércules partiu para o sul e, no lugar da escuridão, continuou na sua busca. Sonhou com um rápido sucesso, mas Anteu, a serpente, atravessou-lhe o caminho e lutou com ele, vencendo-o a cada investida. “Ela guarda a árvore”, disse Hércules, “isto me disseram, portanto a árvore deve estar por perto. Preciso derrubar sua guarda e assim, destruindo-a, vencê-la e arrancar os frutos.”

Contudo, lutando com todas as forças, ele não as vencia. “Onde está o meu erro?” dizia Hércules. “Por que Anteu pode vencer-me? Mesmo quando criança destruí uma serpente em meu berço. Com as minhas próprias mãos a estrangulei. Porque fracasso agora?”

Lutando novamente com todo o seu poder, ele agarrou a serpente em suas mãos e levantou-a no ar, longe do chão. E conseguiu realizar seu intento. Feliz, confiante, seguro de si e com nova coragem, Hércules continuou em sua busca. Agora se voltou para o ocidente, e tomando essa direcção, encontrou o fracasso. Atirou-se ao grande teste sem pensar e por muito tempo o fracasso atrasou seus passos.

Lá ele encontrou Busiris, o grande arqui-enganador, filho das águas e parente de Poseidon. Seu trabalho é trazer a ilusão aos filhos dos homens através de palavras de aparente sabedoria. Ele afirma conhecer a verdade e rapidamente eles acreditam. Ele diz belas palavras: “Eu sou o mestre. A mim é dado o conhecimento da verdade, aceita o meu modo de vida. Só eu sei, ninguém mais. Minha verdade é correta. Qualquer outra verdade é errónea e falsa. Fica comigo e salva-te.” E Hércules obedeceu: e a cada dia enfraquecia em seu anterior caminho, a sua vontade estava minada. Ele amava Busiris e aceitava tudo o que ele dizia, tornando-se cada vez mais fraco, até que chegou o dia que o seu amado mestre o amarrou a um altar e lá o manteve um ano inteiro.

Repentinamente, um dia, quando lutava por se libertar, e lentamente começava a perceber quem Busiris realmente era, palavras que ouvira há muito tempo vieram-lhe à mente: “A verdade está dentro de ti mesmo. . No teu interior há um poder mais elevado, força e sabedoria. Volta-te para o teu interior e evoca a força que existe, o poder que é a herança de todos os homens que são filhos de Deus.”

Com a força que é a força de todos os filhos de Deus, ele rompeu as amarras, agarrou o falso mestre e prendeu-o no altar em seu lugar.

Não disse uma palavra, apenas deixou-o lá para que aprendesse. Mais contido, embora cheio de indagações Hércules percorreu longas distâncias sem rumo certo, prosseguindo em sua busca.

Aprendera muito durante o ano que passara preso ao altar e agora percorria o Caminho com maior sabedoria. Por todos os caminhos a busca prosseguiu; de norte a sul e de leste a oeste foi procurada a árvore, mas não encontrada. Até que um dia, esgotado pelo medo e pela longa viagem, ele ouviu, de um peregrino que passava no caminho, rumores de que, perto de uma montanha distante a árvore seria encontrada, a primeira afirmação verdadeira que lhe fora feita até então.

Assim, ele retrocedeu sobre seus passos em direção às altas montanhas do leste, e num certo dia, brilhante e ensolarado, ele viu o objeto da sua busca e então apressou o passo. “Agora tocarei a árvore sagrada”, gritou alegre, “montarei o dragão que a guarda; e verei as belas renomadas virgens, e colherei as maçãs.”

Mas novamente foi detido por um sentimento de profunda tristeza. À sua frente estava Atlas, cambaleante sob o peso do mundo às suas costas. Sua face estava vincada pelo sofrimento; seus membros vergados pela dor; seus olhos cerrados em agonia; ele não pedia auxílio; ele não viu Hércules; apenas lá estava, curvado pela dor, pelo peso do mundo. Trémulo, Hércules observava e avaliava o quanto havia de peso e de dor. E esqueceu sua busca.

A árvore sagrada e as maçãs desapareceram de sua mente; ele só pensava em como ajudar o gigante rapidamente. Correu para ele e animadamente retirou a carga dos ombros de seu irmão, passou-a para suas próprias costas, aguentando ele mesmo a carga dos mundos.

Cerrou os olhos, enrijecendo os músculos sob o esforço e então eis que a carga se desprendeu e lá estava ele livre, como Atlas.

Diante dele, as mãos estendidas num gesto de amor, o gigante ofereceu a Hércules as maçãs de ouro. Era o fim da busca. As virgens trouxeram mais maçãs de ouro e também as depositaram em suas mãos e Aegle, a bela virgem que é a glória do sol poente, disse-lhe:

“O Caminho que traz a nós é sempre marcado pelo serviço. Atos de amor são sinalizações do Caminho.”

Então Eritéia, a guardiã do portão que todos devem atravessar antes de se apresentarem diante do Criador, deu-lhe uma maçã na qual estava inscrita em luz a palavra de ouro: SERVIÇO.

“Lembra-te disto” disse ela “jamais te esqueças.” Por ultimo veio Héspero, a maravilha da estrela vespertina, que com clareza e amor disse: “Vai e serve, e a partir de hoje e para sempre, palmilha o caminho de todos os servidores do mundo.”

“Então eu devolvo estas maçãs para aqueles que virão”, disse Hércules, e retomou ao lugar de onde viera. Então ele ouviu a voz de seu Mestre, que lhe falava pela primeira vez desde que iniciara o Caminho: “Não houve retardamento. A regra que acelera todo o sucesso na senda escolhida é Aprender a servir”.

Simbologia

Em Peixes/Virgem, Hércules termina um grande ciclo de realizações que marcam a sua Este trabalho, no signo de Gêmeos e Sagitário, é relacionado com o trabalho ativo do aspirante no plano físico à proporção que ele chega a uma compreensão de si mesmo.

Antes que este trabalho ativo se torne possível, deve haver um ciclo de pensamento interior e anseio místico; a aspiração à visão é um processo subjetivo desenvolvido, talvez por longo tempo, antes que o homem, no plano físico, comece o trabalho de unificação da alma e corpo. Este é o tema deste trabalho. É neste plano físico de realização, e no trabalho de obter as maçãs de ouro da sabedoria, que a prova real da sinceridade do aspirante tem lugar.

Um anseio de ser bom, um profundo desejo de averiguar os fatos da vida espiritual, esforços para auto-disciplina, oração e meditação, precedem quase que inevitavelmente, este real e tenaz esforço. O visionário (Sagitário) precisa tornar-se um homem de ação; o desejo tem que ser trazido para o mundo da concretização, e é nisto que consiste a prova de Gêmeos.

O plano físico é o lugar onde se obtém a experiência e onde as causas, que foram iniciadas no mundo do esforço mental, têm que se manifestar e alcançar objetividade. É também o lugar onde o mecanismo de contato se desenvolve, onde, pouco a pouco, os cinco sentidos abrem ao ser humano, novos campos de percepção e lhe oferecem novas esferas de conquistas e realização. É o lugar, portanto, onde conhecimento é obtido, e onde esse conhecimento tem que ser transmutado em sabedoria.

Conhecimento é a busca do sentido, enquanto que sabedoria é o onisciente e sintético conhecimento da alma. Contudo, sem compreensão na aplicação do conhecimento, nós perecemos; pois compreensão é a aplicação do conhecimento sob a luz da sabedoria aos problemas da vida e à conquista da meta.

Neste trabalho, Hércules defronta-se com a tremenda tarefa de aproximar os dois pólos do seu ser e de coordenar, ou unificar, alma e corpo, de modo que a dualidade de lugar à unidade e os pares de oposto se mesclem. É através das virgens que o serviço altruísta é cumprido, pois foi este mesmo que o conduziu até elas, pois elas representavam o seu alinhamento na tridimensionalidade.

Agora como alma consciente é responsável pela sua própria sabedoria…

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-pomos-de-ouro-do-jardim-das-hesp%C3%A9rides

Cinco Anciões Sábios no Caminho do Destino

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

Todo mundo está buscando algo bom para si mesmo e na busca do bem a busca por propósito, significado e missão muitas vezes surge como questões importantes no caminho para a autodescoberta. Mas o que usamos como medida para descobrir nosso propósito?

Ifá afirma que todos nós somos impressos com uma assinatura energética que descreve nossos traços de personalidade e como devemos nos conduzir na vida para atrair boa sorte. Essa assinatura energética é uma marca grosseira e quase primitiva que nos dá uma base para crescimento e expansão, porque essa assinatura energética, o odu, é na verdade uma força cósmica primordial que fornece um modelo bruto para nosso ser e jornada na vida. O mapa que devemos fazer nós mesmos e sempre haverá muitas escolhas que serão boas, pois haverá muitas escolhas que são ruins em referência a atrair boa sorte. O remédio de um homem pode ser o veneno de outro, e as escolhas feitas para harmonizar uma determinada energia são muitas vezes mais abstratas por natureza do que confinadas e predestinadas a um conjunto muito limitado de comportamentos que levam aos resultados desejados. Por exemplo, se Ifá lhe revela que essa assinatura energética primordial é de uma pessoa criativa, isso não limita a criatividade às artes plásticas. Isso significa que essa pessoa trará algo criativo para seus empreendimentos, não significa necessariamente que você será um pintor renomado – mas pode ser. Ifá, em vez disso, concentra-se na construção de um bom caráter, o que significa possuir uma mentalidade que é fácil, gentil, calma, alegre e tranquila. Bom caráter ou iwa pele é o que acontece quando suas escolhas levam à paz de espírito em vez de drama divertido, confusão e disfunção que lentamente forjam iwa buruku ou caráter perverso. De fato, Ifá afirma repetidamente que, se nos concentrarmos em construir um bom caráter, estaremos em tal estado de espírito que faremos as escolhas que forem melhores para nós, que acumularão nossa boa sorte e trarão significado e propósito à nossa vida. Construir um bom caráter é um empreendimento para toda a vida, pois esse estado de espírito específico é feito pelo sucesso e pelo erro, pelos erros e decisões tolas. Errar é quase humano e, portanto, é através do acúmulo de experiência que nos tornamos sábios se nos permitimos tirar as lições das boas e más escolhas que estamos fazendo em nossa vida.

No odu Ikafun Orunmila revela aos dezesseis anciãos que queriam vir à terra para serem prósperos e ter vida longa 16 conselhos que eles deveriam observar se quisessem atrair as bênçãos que pediram. Orunmila foi para a terra com os dezesseis anciãos e as consequências dessa chegada que o odu Ikafun revela foram as seguintes:

WON DELE AYE TAN

OHUN TI WON NI KIWON MON SE NIWON DAWOLE

WON WA BERE SI KU

OWA KU ORUNMILA NIKAN PARA PA IKILO MO

GANHOU WA NI ORUNMILA NI O NPA GANHOU

NJE ATI DAGBA MI ODOWO MI

ATI DAGBA RE ODOWO RE

Quando eles chegaram na Terra

Eles desobedeceram todos os conselhos dados

Orunmila foi o único que restou deles porque seguiu o sábio conselho

Ele foi acusado de matar os dezesseis anciãos

Orunmila disse: Você vive eternamente por sua própria mão

Como você vive perfeitamente por sua própria mão

O que é interessante na conclusão deste poema não é apenas que nenhuma das dezesseis forças sábias que vieram com Orunmila encontrou algum conselho que valesse a pena ser observado, mas como Orunmila enfatiza a responsabilidade pessoal e como cada um faz ou quebra nossa própria boa sorte por nossa própria mão, nossas próprias escolhas. Mas que tipo de conselho Orunmila deu a esses sábios anciões que eram tão difíceis de seguir? Vejamos cinco desses dezesseis conselhos.

EKETA…WON NI KIWON MAFI ODIDE PE OODE

3. Eles não devem chamar um papagaio de perdiz

Este conselho fala sobre não enganar as pessoas, pois fala sobre mentir e sobre a importância de evitar criar confusão ao dizer que algo é o que não é. O conselho não fala se isso é feito de boa ou má fé, simplesmente afirma que esse é um comportamento que o desviará de experimentar plenitude e alegria nesta jornada humana. Portanto, o conselho é que, em vez de fingir saber algo que você não sabe, admita a falta de conhecimento e evite enganar as pessoas para parecer maior, mais agradável, sábio ou mais poderoso do que você realmente é.

EKERIN…WON NI KIWON MAFI EWE IROKO PE EWE ORIRO

4. Eles não devem dizer que as folhas de iroko (teca africana) são folhas de oriro (jacinto d’água).

Este conselho fala sobre a importância de evitar o engano. E também como Iroko é uma árvore muito importante e mágica em Ifá, essa camada adicional de enganar as pessoas para aceitar as manifestações inferiores como sendo tão boas quanto as superiores ou simplesmente confundir os planos dizendo que Iroko é basicamente o mesmo que Oriro. Este conselho também é uma advertência contra os atalhos ou devido à possibilidade de ganho, preguiça, falta de autoestima, problemas de controle, seja o que for. Novamente, Ifá simplesmente diz, não faça isso se você quiser prosperar no mundo e, seguindo o conselho anterior, é sobre ser autêntico e honesto consigo mesmo.

EKARUN…WON NI KIWON MAFI AIWE BAWON DE ODO

5. Não vá ao rio se não souber nadar.

Este conselho significa simplesmente que você não deve afirmar que sabe o que não sabe. Eventualmente, o charlatão ou o desorientador ou o enganador descobrirá as correntes ocultas que levam essa pessoa para o grande Abismo líquido de retorno, pois essa pessoa não tem pernas ou ombros para se apoiar. Então, basicamente, o conselho é sobre não mentir, especialmente quando se trata de usar mentiras para aumentar uma posição falsa que lhe dá o fascínio de ser maior e mais sábio do que você realmente é.

EKEJE…WON NI KIWON MAGBA ONA EBURU WOLE AKALA

7. Eles não devem entrar na casa de Akala enganosamente.

A casa de Akala refere-se a um ancião sábio, alguém que se esforça para andar a pé e ser menos hipócrita do que nós humanos geralmente somos. Essas pessoas muitas vezes emitem uma sensação de poder real uma presença de ser que pode tentar muitos jornaleiros a tirar vantagem de alguém para seu próprio ganho, em outras palavras, usar as pessoas como uma ferramenta para sua própria ganância e desejos egoístas, o que Orunmila entende estar na raiz de alguém traiçoeiro.

EKARUNDINLOGUN…WON NI KIWON MA SORO IMULE LEYIN

15. Eles os aconselharam a não ficar atrás e discutir segredos.

Este conselho é claro e simples sobre como evitar fofocas e falar com a boca pesada. Fala da importância de guardar segredos no sentido de agora jogar pérolas aos porcos, pois também respeita juramentos e palavra. Em particular, este conselho é sobre não falar sobre alguém que não está presente, especialmente se são questões negativas que são apresentadas de forma improdutiva e denegridora e bode expiatório. Em vez disso, Orunmila aconselha a falar aberta e claramente no mesmo ambiente e se o que você tem a dizer sobre outra pessoa não é algo que você tem coragem de dizer à pessoa em questão, talvez não mereça a luz do dia? Talvez seja tudo sobre você e não o outro?

Em nosso caminho na vida, em nossas comunidades, se queremos encontrar sentido, descobrir propósito e obter um autoconhecimento mais profundo, esses conselhos podem ser um ótimo lugar para começar, porque se formos uma força positiva no mundo, também atrairemos situações , energias, pessoas e oportunidades que aumentarão essas conexões e nós, entre nossos erros e fracassos, começaremos a entrar em contato com nossa própria essência de uma forma que seja verdadeiramente bela.

Awo Ifasotito Agbefayelele

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Fonte:Five Wise Elders on the Path of Destiny, by Nicholaj de Mattos Frisvold.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/cinco-ancioes-sabios-no-caminho-do-destino/