O Relógio Sintetizador de Personalidade de LaVey

Anton Szandor LaVey

Excertos de “The Satanic Witch”

Para analisar ou avaliar adequadamente um indivíduo que você planeja enfeitiçar, é imprescindível que você entenda certas regras. Para fins de feitiçaria, deve-se entender que cada pessoa tem duas personalidades – aquela que mostra para todos e aquela que ele carrega dentro de si. Na verdade, essas duas personalidades podem ser divididas em três camadas – a camada externa é a “capa do livro” pela qual os outros costumam “contar a história” e a camada interna que no entanto, que é tristemente negligenciada – mas está sempre lá e sempre aparente. A razão pela qual não é prontamente notada é a mesma razão do porque ignoramos as árvores quando olhamos para a floresta. A terceira personalidade representa o núcleo interno, a “reversão ao tipo”, e é um reflexo direto da caracterização que é mostrada na superfície, ou primeira camada.

Vamos, portanto, considerar a primeira e a terceira camadas como iguais, com uma grande camada de preenchimento entre elas que compõe a segunda. Esta segunda camada é o “outro lado” de nossa natureza, a mulher dentro do homem, o alter-ego, a “sombra” de nossa natureza, etc. É também a parte da personalidade que você deve aprender a reconhecer em cada pessoa que você planeja enfeitiçar. A Figura 1 mostra o que pode ser comparado, por exemplo, em um homem baixo e gordo.

Como você pode ver no diagrama, a camada número dois assume a forma de uma mulher alta, esbelta e de quadris finos. Se nosso homem baixo e gordo tivesse um melhor amigo, seria outro homem alto e esbelto com uma personalidade totalmente diferente da sua. Coloque uma peruca e um vestido no amigo alto e magrelo e você terá uma boa dica de como será a esposa ou namorada do homem gordo.

Você já notou como o melhor amigo de um homem sempre será seu oposto na aparência? A mulher que você sempre teve como melhor amiga foi sempre oposta a sua própria aparência, não foi? Se você é extremamente bonita, seu melhor amiga sempre foi aquela que você se viu tentando convencer os outros a aceitarem como bonita, mesmo que eles não pudessem fazê-lo. Se você for um tipo ativo, atrairá pessoas quietas. Se você for quieta, gravitará em direção aos tipos energéticos. Em suma, a razão pela qual os opostos se atraem é porque precisamos desses opostos para nos tornarmos inteiros.

Por mais que precisemos desse oposto de nós mesmos, sempre haverá uma vitória sobre nossa camada interior 2 conta as camadas 1 e 3 de nossa personalidade.

Esse grande desequilíbrio, que chamarei de “Eu Majoritário”, é aquela personalidade que  sempre ocorrerá quando o jogo estiver valendo. É a “reversão ao tipo”, aparência, personalidade e impressão geral que apresentamos aos outros à primeira vista. Para resumir, AO TRATAR COM HOMENS E MULHERES COMO REGRA GERAL VOCÊ PODE JULGAR UM LIVRO PELA CAPA.

Na prática da feitiçaria e sedução, no entanto, você deve apelar para a necessidade do outro de expressar e exercitar a segunda camada de sua personalidade. Este é o lado de sua natureza que raramente é satisfeito e, portanto, sempre faminto. Uma velha frase, uma vez popular nos círculos do submundo é: “Trate uma vagabunda como uma dama, e uma dama como uma vagabunda”. Tudo isso é muito bom e pode ser considerado uma simplificação profunda do que venho dizendo, mas é só metade da fórmula, como descobriram muitos gigolôs indigentes e reformadores altruístas.

A razão pela qual esse vulgarismo é apenas uma meia verdade é porque, em última análise, no final a dama vai recuperar seu decoro e se tornar tolamente indignada, e a puta será descoberta em um dos quartos do andar de cima – com seu o vestido Dior levantado em seus quadris, um convidado em cima dela, e mais dois esperando do lado de fora da porta.

Uma variante completa do clichê anterior para as bruxas satânicas lembrarem é: “Trate um mendigo como um príncipe, e um príncipe como um mendigo – um garotinho como um grande homem, e um grande homem como um garotinho – um professor como um lutador de boxe, e um lutador de boxe como um professor; mas nunca deixe o vagabundo esquecer que ele é um vagabundo – o príncipe que é um príncipe – o garotinho, que é um garotinho, etc.

Quando iniciar um encantamento, sempre se aproxime de sua presa com seu eu demoníaco em mente. Isso significa que você pode tanto abordá-lo como um “estranho”, que o tratará da maneira que seu Eu Minoritário deseja, como também você pode ser este Eu Minoritário, em uma forma feminina!

Voltando à nossa fórmula anterior, em vez de tratar o vagabundo como um príncipe e se preocupar em manter seu ego no nível adequado para controle, deixe seu Eu Majoritário como está e você aparecerá como uma princesa. Se o seu alvo é um empreendedor de sucesso, um importante financista, ou um grande editor de jornal – você deve surgir como uma doméstica, uma balconista, uma dançarina. Se ele é um Casper Milquetoast (N.T Personagem de quadrinhos de fala mansa que sempre acaba apanhando) com um trabalho modesto, apareça como uma mulher de negócios eficiente e dê a impressão de que tudo gira em torno de você no escritório. Se o seu alvo é um acadêmico altamente intelectual, apresente-se como uma potranca bastante atrevida e chamativa com mais coração do que cérebro. Se ele for um verdadeiro playboy com terno italiano de seda e um livro de endereços gordo, surja como um bibliotecária de cidade pequena curiosa, mas ingênua. Pegou a ideia? Esse Eu Minoritário, que você deve representar, não se limita aos tipos de personalidade, mas é facilmente observável no próprio físico e nos movimentos de sua presa.

Para ser uma bruxa de sucesso, é preciso aprender a reconhecer essas coisas, mas primeiro você deve conhecer a si mesma.

Para que você possa conhecer a si mesma e aos outros, devemos estabelecer um guia. Eu criei um sistema de análise de caráter, utilizando as melhores ideias de muitas fontes. Pesquisadores como Sheldon e Kretschmer ajudaram muito por suas classificações de tipos de corpo e personalidade. Sheldon definiu o físico humano em três categorias básicas: Ectomorfo, ou magro, cerebral e reto para cima e para baixo; Mesomorfo, ou em forma de cunha, prático e de ombros largos; e Endomorfo, ou rechonchudo, social e de quadril largo. A partir dessas classificações básicas, Sheldon definiu literalmente centenas de subclassificações, todas variantes dos três tipos. Kretschmer usou a mesma tipagem fundamental, exceto que os chamou de “Leptosômico”, “Atlético” e “Picnico”.

O método que usei por conveniência ao longo deste livro (N.T The Satanic Witch) chamo de “Sintetizador de Personalidade LaVey”. Ao estudar as áreas quase ilimitadas do comportamento humano e das correspondências, cheguei a certas capsulizações da personalidade humana. Além dos pesquisadores mencionados anteriormente, observei a maioria dos meus “sujeitos de pesquisa” em seu habitat natural. Minhas coletas foram obtidas, não como psicólogo ou sociólogo credenciado, mas como advogado do diabo, que passou a maior parte de sua vida profissional em salas de concerto, bares, trabalho policial, carnavais, treinamento de animais selvagens, com fotografia, hipnose clínica , caça de fantasmas, shows burlescos, parques de diversões, estúdios de arte, reuniões de avivamento e avançando a causa do satanismo e simplesmente olhando!

Conduzi o que os sociólogos podem chamar de “projeto de pesquisa sem financiamento”. Muito do que sintetizei em minhas buscas às vezes excessivamente dispersas, para muitos leitores, parecerá totalmente louco, ridículo e ultrajante. Muito se baseia na avaliação científica de outros. Talvez ainda sejam condenados por não terem “nenhuma base científica conhecida ou credenciada”. Processe-me. Tudo o que sei é que funciona. E se funcionar, estou certo. Se algumas das  teorias “malucas” que você ler funcionarem para você, você está à frente do jogo. Eu as apresento apenas pelo que descobri que podem fazer quando aplicados.

O Sintetizador de Personalidade de LaVey

Cada tipo humano tem seus traços de personalidade correspondentes e, como você pode ver, ocupa uma posição no círculo que pode aproximar os números do relógio. Para simplificar as coisas, usaremos este sistema de numeração de relógio quando nos referirmos aos tipos que discutiremos ao longo deste livro. Portanto, se for feita menção a um “tipo duas horas”, você saberá que a pessoa está a meio caminho entre um tipo mesomorfo e um tipo ectomorfo. Não estou aderindo completamente ao sistema de tipagem de Kretschmer e Sheldon, porque isso eliminaria muitas das oportunidades de longo alcance para uma análise rápida e fácil que este método permitirá.

Antes de prosseguirmos, a regra mais importante no uso desse método de análise deve ser declarada: o elemento demoníaco de todas as pessoas se manifesta na escolha de um parceiro. DEPOIS DE ENCONTRAR A PESSOA QUE DESEJA ENFEITIÇAR NO RELÓGIO, VOCÊ DEVE FAZER O MÁXIMO PARA RETRATAR A PESSOA DIRETAMENTE OPOSTA AO SEU ALVO

Você pode testar a autenticidade do gráfico simplesmente observando a escolha de um parceiro das pessoas que conhece . Onde quer que as pessoas encontrem um relacionamento difícil entre duas pessoas – especialmente de sexos opostos – você notará que elas estão próximas demais ou na mesma posição no relógio, e não opostas. As classificações que podem ser definidas são limitadas apenas pela miopia da bruxa. Usando este sistema, pode-se dizer mais sobre uma determinada pessoa do que com qualquer outro método já inventado.

As doze horas representam a contraparte masculina pura das seis horas femininas. Visto que esses tipos podem ser comparados a Adão e Eva, o sátiro e a ninfa, etc., (N.T: Anima e Animus) muito poucos indivíduos se encontrarão exatamente nessas marcas. Como se verá, não julgaremos tanto por três classificações básicas, mas por aproximações aos quatro quartos do círculo: doze, três, seis e nove.
Ao empregar essa síntese, descobrir-se-á que quanto mais ela for usada, mais elementos estritamente relacionados da personalidade serão vistos correndo concomitantemente com cada tipo no relógio.

Esses quatro pontos têm afinidades de personalidade com os elementos fogo, água, ar e terra, e suas cores: vermelho, azul, verde e amarelo. A forma do relógio tem sido usada de forma eficaz em muitas áreas onde a gradação é exigida de natureza contínua. Como a roda de cores, que empregaremos em conjunto com ela, o relógio permite gradações sutis, mas facilmente reconhecíveis.

Tipos Masculinos e Femininos

Se você nasceu mulher e está no extremo superior do relógio, isso indica que você é dominante em sua natureza e seu “Núcleo” assume a forma de um homem em vez de uma pessoa feminina. Aqui é onde nos deparamos com um problema se permitirmos que ele exista. A mesma situação, ao contrário, ocorre em homens que caem na metade inferior extrema do relógio. Digamos que a metade superior representa o Core masculino “ideal”, enquanto a metade inferior representa o Core “ideal” em uma mulher. Assim, as três camadas de personalidade em uma mulher ao meio-dia se pareceriam com seguinte figura:

Para simplificar, podemos dizer que a mulher das doze horas procurará (ou melhor, será procurada por) um homem das seis, e invariavelmente acabará com um, quer ela o queira ou não. O fato de ela ainda estar carregando um corpo de mulher exige uma busca ainda maior por um homem que seja mais forte do que ela, para que ela possa realmente “sentir-se como uma mulher”. Naturalmente, este é um pedido muito grande a ser feito, pois ela já está ocupando uma posição de doze horas no relógio.

Se uma mulher do meio-dia, acostumada a homens passivos bajulando-a, escolhe um homem extremamente dominante – um que é ainda mais dominante do que ela -, ela não pode esperar que tal homem se apaixone por ela, apesar de sua necessidades temporais para tal homem, porque para que essa mesma passividade temporal fosse satisfeita, o homem dominante, por natureza, a rejeitaria! Então, a garota do meio-dia geme e lamenta que o homem mais dominante do que ela não está correspondendo ao seu amor furioso! Ela é muitas vezes estúpida demais para perceber que a própria rejeição dele indica seu domínio sobre ela, sem o qual, não poderia haver atração por ele em primeiro lugar. Assim, ela não seria mais dependente de seu homem mais forte, mas estaria no controle da situação – como é seu padrão habitual ao lidar com seus pretendentes ofegantes. Se, no entanto, ela puder se afastar temporariamente de seus desejos cegos e perceber que suas necessidades de “sofrer” correm concomitantemente com a rejeição que ela experimenta de seu objeto de amor “brutal” e “insensível” – então, e só então, ela se tornará auto-realizada.

O paralelo a esta situação é o homem das seis horas (figura acima), que secretamente deseja uma mulher em quem possa mandar. Quando ele finalmente encontra tal pet, ela é tão totalmente parecida com ele em personalidade e tipo físico que ele não consegue se entusiasmar com ela, mas continua ansiando pelo domínio sobre uma “garota dos seus sonhos”, que, como você pode suspeitar, é de um tipo totalmente despreparado para ver quaisquer qualidades dominantes em tal homem! Pelo contrário, sua “garota dos sonhos” sempre será a mulher mais dominante que o mantém escravizado – não um tipo idêntico a ele, mas ainda mais subserviente! Então ele se vê amarrado e escravizado, como sempre, pelo tipo de mulher que ele lamenta não poder mandar. Mal sabe esse homem ignorante que é seu próprio padrão deixar-se dominar por uma mulher, e quando essa mulher deixar de dominá-lo, ele automaticamente se desviará para uma nova amante do chicote que possa fazê-lo!

Aqui discutimos dois tipos de seres humanos, que, geralmente desconhecendo sua verdadeira natureza, passam a vida reclamando de seu amor não correspondido – invariavelmente para ninguém menos que indivíduos que se tornam os objetos às vezes desdenhosos de seus desejos. Infelizmente, se seus latidos forem longos e altos o suficiente, e seus objetos de amor são bons o suficiente, mesmo que dominantes por natureza, um fenômeno muito curioso se desenvolve. O objeto de amor dominante, ao tentar “manter a paz” e desviar de graves traumas por parte de seu pretendente, torna-se literalmente vampirizado pela pessoa “mais fraca”! Assim, torna-se uma situação em que o mestre se encontra rapidamente se tornando o escravo – mas sem os benefícios de tal arranjo, já que o “escravo” recém-desenvolvido não baseou sua escolha de um “mestre” em qualquer natureza sexual ou atrações psicológicas!

Temperamento

Voltando ao relógio do sintetizador quando começamos à uma hora, encontramos a pessoa que é dominante por natureza, didática e com uma mente inquiridora, tornando-se ainda mais mental à medida que as duas horas se aproximam. Com dois, no entanto, algumas das afabilidades sociais diminuem, e no momento em que três são alcançados, encontramos uma inclinação para a arrogância e o cinismo. Essas pessoas são as menos agradáveis ​​quando se trata de aceitar qualquer coisa pelo valor aparente e e raramente são “sociaveis”. Como são pensadores, e não praticantes, há poucos absolutos em suas vidas. Conseqüentemente, esses tipos de três e quatro horas são os mais místicos e abstratos em seus pensamentos. Se seu elemento demoníaco puder se expressar, no entanto, através de um veículo não humano, como poesia, música, arte – grandes obras podem ser realizadas com mais frequência do que qualquer outra, e o típico “cabeça de ovo” é um puro quatro o ‘ relógio.

Os tipos de cinco horas são menos abstratos e mais práticos e têm a qualidade de poder ficar com as coisas desde que as coisas não fiquem muito difíceis. Por esta razão, eles são admiravelmente adequados para funções de escritório e trabalho clerical. Firmes e confiáveis, eles têm a flexibilidade necessária para continuar dia após dia.

Ainda mais consistente é a pessoa das seis horas. Na verdade, ele é o mais consistente no relógio. A devoção à causa e ao dever é a marca registrada do tipo das seis horas, e ele se orgulha muito de sua prontidão. Esses são os homens que ficam tanto tempo no emprego que tudo na empresa depende de sua presença. Estas são as mulheres que ficam com maridos que outras mulheres no relógio descartariam. Se um homem das seis horas se afasta de sua esposa, você pode ter certeza de que a responsável é outra mulher – invariavelmente uma do topo do relógio.  As pessoas das sete horas retêm muito das qualidades das seis, mas com mais inclinação social, e quando chega às oito, a ênfase está no fazer em vez de pensar.

Os tipos das oito e nove horas têm pouca utilidade para debates minuciosos e provavelmente farão um comentário bem-humorado sempre que as coisas ficarem muito sérias. Os oitos e noves mais agradáveis ​​e socialmente simpáticos cedem algumas dessas qualidades ao tipo dez horas, mas ainda têm o monopólio. No momento em que é alcançado, o temperamento assertivo da metade superior do relógio é trazido à tona. A necessidade de dominar se apresenta, e a afabilidade é muitas vezes sacrificada. O tipo dez horas não entende os “cabeças de ovo”, mas ironicamente seu melhor amigo é provavelmente um quatro horas ligeiramente pálido, cuja introspecção é “esquecida” pelas dez horas. Da mesma forma, sua esposa é provavelmente uma garota de quatro horas esbelta não muito doméstica, que pensa por ele.

Onze horas são os “He-Men” estereotipados cujas naturezas autoritárias só são superadas pelas doze horas, que deve ser o chefe em tudo o que faz, constantemente ou pelo menos periodicamente. Assim, os cargos de autoridade são preenchidos por doze horas que, por necessidade de serem notados, são sempre os pioneiros em qualquer nova empreitada. O que quer que eles comecem, cabe aos bons homens das seis horas manter funcionando.

Tradução Morbitvs Vividvs

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/o-relogio-sintetizador-de-personalidade-de-lavey/

A Máquina Humana

A Máquina Humana não tem liberdade de movimentos, funciona unicamente por múltiplas e variadas influencias e choques exteriores. Pode-se levar esta máquina da alegria a tristeza em segundos, com uma palavra bela, toca-se o orgulho e esta sorri satisfeita, ao ouvir uma palavra que desagrada, como se tivéssemos pressionado um botão vem a tristeza, o desânimo.

Uma Máquina é formada por sistemas, onde cada parte cumpre com uma função especifica, os quais todos estão interligados.

Possuímos Cinco Centros na Máquina Humana, são estes:

O Intelectual que se encontra no cérebro;

O 2º sendo o centro Motor, localizado na parte superior da espinha dorsal;

O 3º conhecido como Emocional que se localiza no plexo solar;

O 4º chamado Instintivo, encontrado na parte inferior da espinha dorsal;

Oo 5º é o centro Sexual, localizado nos órgãos sexuais.

O Centro Intelectual tem como função processar os pensamentos e raciocínios e tem como dualidades opostas a Afirmação e Negação, Tese e a Antítese, Sim e Não. É desgastado por leituras prolongadas, excesso de pensamentos e ociosidade. É equilibrado pela Meditação, leitura de algo útil, que se possa praticar.

O Centro Motor tem como função coordenar os movimentos, as ações físicas, tem como dualidade o Movimento e Repouso. É desgastado pelo excesso de movimentos, a inércia, bem como por hábitos nocivos e mecânicos. É equilibrado quando fazemos caminhadas, relaxamento, natação e exercícios equilibrados. Vemos que muitas pessoas utilizam o centro motor de forma exagerada, fazendo em alguns casos que deixe de funcionar, da mesma forma o sedentarismo que atrofia músculos e causa uma série de danos ao organismo.

O Centro Emocional tem como função processar os sentimentos e emoções, tem como dualidade a Alegria e a Tristeza. É desgastado por emoções negativas, conflitos, sentimentalismos, músicas desarmônicas. É equilibrado com músicas harmônicas, inspiração, paisagens naturais, correta respiração. Vemos casos de pessoas que de tanto receber fortes estímulos a nível emocional, deixam de sentir emoções, e cada vez precisam de aventuras mais perigosas, alguns chegando a expor sua vida em busca de algo que lhe de alguma sensação, eis a morte do centro emocional.

O Centro Instintivo coordena as funções de assimilação, digestão, circulação e outros no organismo, tem como dualidade sensações de Prazer ou Dor, agradáveis e desagradáveis que estão relacionadas com os cinco sentidos: ver, ouvir, tocar, cheirar, degustar. É desgastado pelo excesso de toda índole, desequilibro alimentar e do sono, descontrole dos impulsos instintivos. É equilibrado com alimentação balanceada, bom descanso, exercícios equilibrados e outros.

O Centro Sexual tem como função a criação e a regeneração, tendo como dualidade a Atração e a Repulsão. É desgastado pelo desequilíbrio dos centros anteriores, abuso sexual, má utilização das energias criadoras. É equilibrado pelo equilíbrio dos demais centros, exercícios respiratórios e sábio manejo das energias sexuais. Bem vemos que uma pessoa que tem preocupações a nível intelectual, problemas a nível emocional, cansaço no centro motor, alguma doença que influa no próprio instinto, ou abusos no centro sexual, não conseguem utilizar o centro sexual, demonstrando que o mal uso dos centros influencia diretamente na parte sexual. Os outros centros chegam a roubar energia do centro sexual quando a deles se esgota, mas por ser uma energia de voltagem muito diferente, vem a causar dano a estes centros.

Um centro não deve ser utilizado por mais de duas horas seguidas, pois vem um desgaste e este deixa de atuar de forma adequada. Bem vemos uma pessoa que de tanto pensar e raciocinar sobre um problema não consegue resolve-lo, e uma pessoa que chega, não estando anteriormente utilizando este centro, resolve o problema com tamanha facilidade. Quando um centro está cansado, devemos utilizar os outros centros. Por exemplo, se uma pessoa está emocionalmente abalada, pode utilizar os centros motor e instintivo, fazendo uma caminhada forçada. Caso o problema for o cansaço do centro Pensante, pode utilizar os centros emocional e motor, ouvindo uma música ou quem sabe caminhando e admirando uma paisagem.

Centro

Função

Localização

Pensamentos e Raciocínios

Cérebro

Afirmação / Negação

Motor

Movimentos e Hábitos

Alto da cabeça (nuca)

Movimento / RepousoEmocionalEmoções e Sentimentos

Plexo solar

Alegria/TristezaInstintivo

Orgânicas e Vegetativas

Cóccix

Prazer / DorSexualCriação e Regeneração

Aparelho sexual

Atração / Repulsão

Comumente nossos agregados psicológicos manejam esta máquina humana, fazendo com que a mesma sofra uma série de desgastes que fazem com que o homem venha a ter menos tempo de vida, já que uma vez esgotado totalmente o capital vital que possui determinado centro, este deixa de atuar. Por exemplo, existem pessoas que perdem o movimento, relacionando-se ao uso extremo deste centro; quantos loucos abundam nos manicômios, fruto do uso indevido do centro pensante.

É urgente que deixemos de ser Máquinas e nos convertamos em Homens Verdadeiros.

#Gnose

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-m%C3%A1quina-humana

A pequena chave da alquimia

Tratado conhecido também pelo nome de Chave Universal no qual se falará claramente indicado tudo que é necessário para fazer a Grande Obra Alquímica.

O presente tratado, Clavícula seu Apertorium, foi traduzido do Theatrum Chemicum por Albert Poisson. A tradução para português é de Rubellus Petrinus.

Prefácio

Raimundo Lúlio, filósofo e alquimista catalão, nasceu em Palma de Maiorca no ano de 1235, sendo filho de uma família muito rica. Os seus contemporâneos chamavam-lhe o iluminado. Escreveu mais de duas centenas e meia de livros. Até à idade de trinta e um anos levou uma vida turbulenta e, por causa de uma paixão violenta e infeliz, mudou radicalmente de vida; voltou a Palma, em 1266, para levar uma vida ascética e virtuosa depois de repartir os bens entre os seus filhos.

Viajou muito, em 1277 esteve em Montpelier onde escreveu vários livros e, em 1286, esteve em Roma. Daí foi para Paris, onde também escreveu várias obras, prosseguindo os seus estudos de alquimia e tendo aí conhecido um alquimista famoso, Mestre Arnaldo Vila-nova. No ano de 1291, já com trinta e seis anos, dirigiu-se a Tunis para pregar mas estabeleceu controversas com o muçulmanos. Por isso, o sultão mandou-o prender. Fugiu da prisão e embarcou para Nápoles, onde viveu vários anos dando conferências. Voltou a Roma para falar com o papa Celestino V. Desde 1299 pregou aos judeus de Maiorca, Chipre, Síria e Arménia. Regressou a Itália e a França, por onde viajou de 1302 a 1305, falando sempre em público e escrevendo. Passou à Inglaterra, alojando-se no hospital de Santa Catalina, onde escreveu uma obra de alquimia. É muito conhecida a transmutação que fez para o rei Eduardo III, de mercúrio e estanho em ouro, com que o monarca fez cunhar moedas chamadas raimundinas ou rosas nobres.

Em 1307 voltou a pregar aos mouros e visitou Hipona, Argel e Bughiah, onde pregou na praça pública. O povo enfurecido quis matá-lo. Salvou-o o mufti, mas esteve preso durante seis meses, findos os quais o embarcaram para Itália. À chegada, o barco naufragou, mas ele salvou-se. Não obstante isto, voltou a África, desembarcando outra vez em Bughiah para pregar no deserto durante dez meses. Cansado de esconder-se, em 30 de Junho de 1315, saiu para pregar na praça pública mas o povo apedrejou-o fora de portas. O seu corpo ainda com vida, foi recolhido por uns genoveses que o levaram para o seu navio. Morreu à vista de Palma. Sepultaram-no nessa cidade, na igreja de São Francisco, onde ainda hoje se pode visitar o seu túmulo.

A Clavícula é a obra alquímica mais importante de Raimundo Lúlio. Tal como outros grandes alquimistas do passado, como Alberto o Grande no Composto dos Compostos, Basílio Valentim no Último Testamento e Nicolau Flamel no Breviário, o Mestre escreveu esta obra também em linguagem clara, o que não era e ainda não é usual fazer-se.

Não obstante, esta linguagem só poderia ser entendida pelos alquimistas seus contemporâneos ou pelos sábios e estudiosos, dentre os quais haveria, também, alguns nobres. À plebe, por falta de instrução, estavam vedados esses conhecimentos.

Apesar de todos os nossos conhecimentos actuais, a compreensão desta obra, mesmo em linguagem clara, continua, como outrora, vedada à maioria das pessoas, mesmo àquelas que possuam formação académica superior, inclusivamente em química.

Para a poder compreender, é absolutamente necessário conhecer a terminologia espagírica daquela época, isto é, os nomes comuns das matérias, dos vasos e utensílios e o modus operandi.

É por aqui que terão de começar aqueles que estiverem interessados em tentar fazer a obra alquímica de Raimundo Lúlio.

Por fim, não queremos terminar este prefácio sem dar alguns conselhos úteis aos filhos da Arte: todas as matérias referidas nesta obra alquímica, que, no nosso entender, nos parece verdadeira, deverão ser canónicas, quer dizer, ser tanto quanto possível de origem natural e tratadas como manda a Arte.

O vitríolo deverá ser extraído das águas dos pequenos lagos artificiais provenientes das águas pluviais infiltradas nas minas a céu aberto de pirite e de calcopirite; o cinábrio, proveniente do sulfureto natural de mercúrio bem como o respectivo azougue comum; o salitre de origem animal ou revivificado; o sal comum, tal como foi extraído das salinas marinhas; o tártaro, retirado directamente dos tonéis de vinho e tratado segundo a Arte e, por fim, o espírito de vinagre destilado a partir do vinagre forte de vinho.

Rubellus Petrinus.

A Clavícula

Chamamos Clavícula a esta obra porque sem ela é impossível compreender os outros nossos livros, cujo conjunto abrange a Arte inteira, uma vez que as nossas palavras são obscuras para os ignorantes.

Escrevemos numerosos tratados, muito extensos, mas divididos e obscuros, como se pode ver pelo Testamento, onde falo dos princípios da natureza e de tudo o que se relaciona com a arte, mas o texto foi submetido ao martelo da Filosofia. O mesmo sucede com o meu livro Do Mercúrio dos Filósofos, no segundo capítulo: da fecundidade dos minérios físicos e, igualmente, com o meu livro Da Quinta-essência do ouro e da prata, o mesmo, enfim, com todas as minhas outras obras onde a arte é tratada de um modo completo, salvo que sempre ocultei o segredo principal.

Ora bem, sem esse segredo, ninguém pode entrar nas minas dos filósofos e fazer algo de útil. Por isso, com a ajuda e permissão do Altíssimo, que se aprazeu em revelar-me a Grande Obra, falarei aqui da Arte sem ficção. Mas cuidai-vos de revelar este segredo aos maus; não o comuniqueis senão aos vossos amigos íntimos, ainda que não deveis revelá-lo a ninguém, porque é um dom de Deus, que com ele presenteia a quem lhe parecer bom. Aquele que o possua terá um tesouro eterno.

Aprendei pois, a purificar o perfeito pelo imperfeito. O Sol é o pai de todos os metais, a Lua é a sua mãe, ainda que a Lua receba a sua luz do Sol. Destes dois planetas depende todo o Magistério.

Segundo Avincena, os metais não podem ser transmutados senão depois de terem sido reconduzidos à sua matéria primeira, o que é certo. De modo que necessitarás reduzir primeiramente os metais a Mercúrio; mas não falo aqui do mercúrio corrente, volátil, falo do Mercúrio fixo, porque o mercúrio vulgar é volátil, pleno de frigidez fleumática, é indispensável que seja reduzido pelo Mercúrio fixo, mais quente, mais seco, dotado de qualidades contrárias às do mercúrio vulgar.

Por isso, vos aconselho, oh meus amigos!, que não trabalheis com o Sol e a Lua, senão depois de tê-los reduzido à sua matéria primeira, O Enxofre e o Mercúrio dos filósofos.

Oh, meus filhos! aprendei a servir-vos desta matéria venerável, porque vos advirto, debaixo da fé do juramento, se não extraís o Mercúrio destes metais, trabalhareis como cegos na obscuridade e na dúvida. Por isso, oh filhos meus!, vos conjuro a que sigais até à luz com os olhos abertos e não tombeis como cegos da perdição.

CAPÍTULO I

Diferenças do Mercúrio Vulgar e do Mercúrio Físico

Nós dizemos: o mercúrio vulgar não pode ser o Mercúrio dos Filósofos, por qualquer artifício com que tenha sido preparado, porque o mercúrio vulgar não pode suportar o fogo, senão com ajuda de um Mercúrio diferente dele, corporal, que seja quente, seco e mais digerido. Por isso, digo que o nosso Mercúrio físico é de uma natureza mais quente e fixa do que o mercúrio vulgar. O nosso Mercúrio corporal converte-se em fluido que não molha as mãos; quando se junta ao mercúrio vulgar, unem-se e penetram-se tão bem com ajuda de um laço de amor, que é impossível separar um do outro, como sucede com a água misturada com a água. Tal é a lei da Natureza. O nosso Mercúrio penetra o mercúrio vulgar e mescla-se com ele, dessecando a sua humidade fleumática, tirando-lhe a sua frigidez, o qual se torna negro como carvão e, finalmente o faz cair em pó.

Fixa bem que o mercúrio vulgar não pode ser empregado no lugar do nosso Mercúrio físico, o qual possui o calor natural no grau devido; por isso mesmo, o nosso Mercúrio comunica a sua própria natureza ao mercúrio vulgar.

Além disso, o nosso Mercúrio, depois da sua transmutação, transforma os metais em metal puro, quer dizer, em Sol ou Lua, como o demonstramos na segunda parte da nossa Prática. Mas faz algo mais notável ainda, transforma o mercúrio vulgar em medicina, capaz de transmutar os metais imperfeitos em perfeitos.

Transforma o mercúrio vulgar em verdadeiro Sol e verdadeira Lua, melhores do que os que saem da mina. Fixai-vos, também, em que o nosso Mercúrio físico pode transmutar cem marcos e mais, até ao infinito, tudo o que se possua de mercúrio ordinário, a menos que este falte.

Também desejo que saibas outra coisa; o Mercúrio não se combina facilmente e nunca perfeitamente com os outros corpos, se estes não forem previamente levados à sua espécie natural. Por isso, quando desejares unir o Mercúrio ao Sol ou à Lua vulgar, necessitarás, antes de tudo, de reduzir esses metais à sua espécie natural, que é o mercúrio ordinário, isto com a ajuda do laço de amor natural; então o Macho une-se à Fêmea.

Assim, o nosso Mercúrio é activo, quente e seco, enquanto que o mercúrio vulgar é frio, húmido e passivo como a fêmea que permanece na casa num calor moderado até à obumbração. Então, esses dois mercúrios ficam negros como o carvão; aí está o segredo da verdadeira dissolução. Depois, unem-se entre si, de tal modo que é quase impossível separá-los. Apresentam-se, então, sob a forma de um pó muito branco e engendram filhos machos e fêmeas, pelo verdadeiro laço do amor. Esses filhos machos e fêmeas multiplicam-se até ao infinito, segundo a sua espécie, porque de uma onça desse pó, pó de projecção, elixir vermelho, farás Sois em número infinito e transmutarás em Lua toda a espécie de metal saído da mina.

CAPÍTULO II

Extracção do Mercúrio do Corpo Perfeito

Toma uma onça de cal de Lua copelada, calcinai-a segundo o modo descrito no final desta obra sobre o Magistério. Esta cal será em seguida reduzida a pó fino sobre uma placa de pórfiro. Embeberás este pó duas, três, quatro vezes ao dia com bom óleo de tártaro preparado do modo descrito no final desta obra; depois, farás secar ao Sol. Continuarás, assim, até que a dita cal tenha absorvido quatro ou cinco partes de óleo, tomando por unidade a quantidade de cal; pulverizarás o pó sobre o pórfiro como te disse, depois de tê-lo dessecado, porque assim se reduz mais facilmente a pó. Quando tenha sido bem porfirizada introduz-se num matrás de colo comprido.

Juntareis o nosso mênstruo fétido feito com duas partes de vitríolo rubificado e uma parte de salitre; de antemão, tereis destilado este mênstruo sete vezes e tê-lo-eis rectificado bem, separando-o das suas impurezas terrosas de tal modo que, finalmente, o dito mênstruo seja completamente essencial.

Então, lutar-se-á perfeitamente o matrás e pôr-se-á no fogo de cinzas com alguns carvões, até que se veja ferver a matéria e dissolver-se. Finalmente, destilar-se-á sobre cinzas, até que todo o mênstruo tenha passado e aguardar-se-á que a matéria arrefeça.

Quando o vaso estiver completamente frio, abrir-se-á, colocando-se a matéria noutro vaso, bem limpo, provido do seu capitel perfeitamente lutado. Colocar-se-á tudo sobre cinzas num forno. Quando o luto do vaso estiver seco, aquecer-se-á, primeiro, suavemente, até que toda a água da matéria sobre a qual se tenha operado tenha passado ao recipiente.

Depois, aumentar-se-á o fogo para dessecar completamente a matéria e exaltar os espíritos fétidos que passarão para o capitel e daí para o recipiente. Quando virdes chegar a operação a este ponto, deixareis arrefecer o vaso diminuindo pouco a pouco o fogo. Já arrefecido o matrás, retirareis dele a matéria que reduzireis a pó subtil, no pórfiro. Colocareis o pó impalpável assim obtido numa vasilha de barro bem cosido e cuidadosamente vidrada. Depois, vertereis em cima água corrente fervendo, removendo com um pau bem limpo até que a mistura seja espessa como mostarda.

Removei com uma varinha, até que vejais aparecer alguns glóbulos de mercúrio na matéria; rapidamente haverá bastante quantidade dele, segundo o que empregaste de corpo perfeito, quer dizer, de Lua. Quando tiverdes uma grande quantidade, deitai-lhe de tempos a tempos água fervendo, removendo até que toda a matéria se reduza a um corpo semelhante ao mercúrio vulgar. Tirar-se-ão as impurezas terrosas com água fria, secar-se-á sobre um lenço e passar-se-á através de uma pele de camurça. Então, vereis coisas admiráveis.

CAPÍTULO III

Da Multiplicação do Nosso Mercúrio

Em nome do Senhor. Amen.

Toma três gros de Lua pura em Lâminas ténues; fazei um amálgama com quatro gros de mercúrio vulgar bem lavado. Quando o amálgama estiver feito, colocai-o num pequeno matrás que tenha um colo de pé e meio de comprido.

Tomai, em seguida o nosso Mercúrio extraído antes do corpo lunar e colocai-o sobre o amálgama feito com o corpo perfeito e o mercúrio vulgar; lutai o vaso com o melhor luto que seja possível e fazei secar. Feito isto, agitai fortemente o matrás para mesclar bem o amálgama e o mercúrio. Depois, colocai o vaso onde se encontra a matéria num pequeno forno sobre um fogo de alguns carvões; o calor do forno não deve ser superior ao do Sol, quando se encontra no signo do Leão. Um calor mais forte destruiria a vossa matéria; continuai, assim, esse grau de fogo, até que a matéria se ponha negra como o carvão e espessa como papa.

Mantende a mesma temperatura até ao momento em que a matéria tome uma cor cinzento escuro; quando aparecer o cinzento, aumentar-se-á o fogo um grau, que será duas vezes mais forte; manter-se-á assim, até que a matéria comece a branquear e se ponha de uma brancura esplendorosa. Aumentar-se-á o fogo mais um grau e manter-se-á neste terceiro grau até que a matéria seja mais branca que a neve e fique reduzida a pó mais branco e mais puro que a cinza.

Tereis, então a Cal viva dos Filósofos e o seu minério sulfuroso que os filósofos ocultaram tão bem.

CAPÍTULO IV

Propriedade da Cal dos Filósofos

Esta cal converte uma quantidade infinita de mercúrio vulgar em pó muito branco, que pode ser reduzido a prata verdadeira quando se une a qualquer outro corpo, como a Lua.

CAPÍTULO V

Multiplicação da Cal dos Filósofos

Toma o vaso com a matéria, junta-lhe duas onças de mercúrio vulgar bem lavado e seco; luta cuidadosamente e põe de novo o recipiente onde estava anteriormente. Regula e governa o fogo segundo os graus um, dois e três, como antes se explicou, até que tudo fique reduzido a um pó muito branco; poderás, assim, aumentar a tua Cal até ao infinito.

CAPÍTULO VI

Redução da Cal Viva a Verdadeira Lua

Tendo preparado, assim, uma grande quantidade da nossa Cal viva ou minério, toma um cadinho novo sem a tampa; mete-lhe uma onça de Lua pura e, quando estiver fundida, junta-lhe quatro onças do teu pó aglomerado em pílulas. As pequenas bolas pesarão, cada uma, um quarto de onça. Deitar-se-ão uma a uma sobre a Lua em fusão, continuando um fogo violento, até que todas as pílulas estejam fundidas; aumentar-se-á mais o fogo, para que tudo se mescle perfeitamente; verter-se-ão, por fim numa lingoteira.

Terás, assim cinco onças de prata mais pura que a natural; poderás multiplicar o teu minério físico segundo o teu desejo.

CAPÍTULO VII

Da Nossa Grande Obra ao Branco e ao Vermelho

Reduzi a Mercúrio, como se disse anteriormente, a vossa Cal viva extraída da Lua. Esse é o nosso Mercúrio secreto. Tomai quatro onças da nossa cal extraí o Mercúrio da Lua, como fizestes antes. Recolhereis, pelo menos, três onças de Mercúrio que poreis num pequeno matrás de colo comprido, como se indicou.

Fazei, depois, um amálgama de uma onça de verdadeiro Sol com três onças de mercúrio vulgar e colocai-a sobre o Mercúrio da Lua. Agitai fortemente para mesclar bem. Lutai o recipiente com cuidado e colocai-o num forno, regulando o fogo no primeiro, segundo e terceiro graus.

No primeiro grau, a matéria tornar-se-á negra como o carvão; então, diz-se que há eclipse do Sol e da Lua. É uma verdadeira conjunção que produz um filho, o Enxofre, cheio de sangue temperado.

Após esta primeira operação, prossegue-se com o fogo do segundo degrau, até que a matéria fique cinzenta. Depois, passa-se ao terceiro grau, até ao momento em que a matéria apareça perfeitamente branca. Aumenta-se, então, o fogo até que a matéria se volva vermelha como o cinábrio e fique reduzida a cinzas vermelhas. Poderás reduzir esta Cal a Sol muito puro, realizando as mesmas operações que foram feitas para a Lua.

CAPÍTULO VIII

Da Maneira de Transformar a Referida Pedra Numa Medicina que Transmuta Toda a Espécie de Metal em Verdadeiro Sol e Verdadeira Lua e, Sobretudo, o Mercúrio Vulgar em Metais Mas Puro que o que Sai das Minas

Depois da sua primeira resolução a nossa Pedra multiplica cem partes de matéria preparada e, depois da segunda, mil. Multiplicar-se-á dissolvendo, coagulando, sublimando e fixando a nossa matéria, que desse modo pode acrescentar-se indefinidamente em quantidade e em qualidade.

Tomai um pouco do nosso minério branco, dissolvei-o no nosso mênstruo fétido, que é chamado vinagre branco no nosso Testamento, no capítulo em que dizemos: «Toma um pouco de bom vinho bem seco, põe ali a Lua, quer dizer, a Água verde e C, seja o salitre…» Mas não nos dispersemos; tomai quatro onças da nossa Cal viva e dissolvei-as no nosso mênstruo; vê-la-eis converter-se em água verde. Em separado, em treze onças do mesmo mênstruo fétido dissolvereis quatro onças do mercúrio vulgar bem lavado e, quando estiver terminada a dissolução, mesclareis as duas dissoluções; deitai-as num vaso hermeticamente selado, fazei digerir em estrume de cavalo trinta dias, depois destilai em banho-maria, até que não passe nada. Voltai a destilar com fogo de carvão, a fim de extrair o óleo. A matéria que restará será negra. Tomai esta e destilai durante horas sobre cinzas, num pequeno forno. Quando o vaso estiver frio, abri-o e deitai-lhe a água que antes foi destilada a banho-maria. Lavai bem a matéria com essa água. Destilai, depois, o mênstruo em banho-maria; recolhei toda a água que passar, juntai-a ao óleo e destilai sobre cinzas, como se disse. Repeti essa operação até ao momento em que a matéria fique no fundo do matrás, negra como o carvão.

Filho da ciência, então terás a Cabeça do corvo que os Filósofos tanto procuraram, sem a qual não pode existir o magistério. Por isso, oh meu filho!, lembra-te da divina Ceia de Nosso Senhor Jesus Cristo que morreu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia à luz na terra eterna. Aprende, oh meu filho que nada pode viver sem que antes tenha morrido. Toma, portanto, o teu corpo negro, calcina-o no mesmo vaso durante três dias e deixa-o arrefecer depois.

Abre-o e encontrarás uma terra esponjosa e morta que conservarás até que seja necessário unir o corpo à alma. Tomarás a água que foi destilada em banho-maria e a destilarás várias vezes seguidas, até que seja bem purificada e reduzida a uma matéria cristalina.

Embebe, então, o teu corpo, que é a terra negra, com a sua própria água, humedecendo-a pouco a pouco e aquecendo tudo, até que o corpo fique branco e resplandecente. A água, que vivifica e clarifica, penetrou o corpo. Tendo lutado o vaso, aquecerás violentamente durante doze horas, como se quisesses sublimar o mercúrio vulgar. Arrefecido o vaso, abri-lo-ás e encontrarás a tua matéria sublimada branca; é a nossa Terra Selada, é o nosso corpo sublimado elevado a uma alta dignidade, é o nosso Enxofre, nosso Mercúrio, nosso Arsénico, com o qual aquecerás o nosso Ouro; é o nosso fermento, a nossa cal viva, que engendra em si o Filho do fogo que é o Amor dos filósofos.

CAPÍTULO IX

Multiplicação do Enxofre Supra- Citado

Coloca esta matéria num forte matrás e deita-lhe em cima um amálgama feito com Cal viva da primeira operação, aquela que reduzimos a prata. Este amálgama faz-se com três partes de mercúrio vulgar e uma parte da nossa Cal; mesclareis e aquecereis sobre cinzas. Vereis a matéria agitar-se; aumentareis, então o fogo e, em quatro horas, a matéria ficará sulfurosa e muito branca. Logo que ela tenha sido fixada, coagulará e fixará o Mercúrio; uma onça de matéria converterá cem onças de mercúrio em verdadeira medicina; em seguida, actuará sobre mil onças, e assim sucessivamente.

CAPÍTULO X

Fixação do Enxofre Multiplicado

Tomar-se-á o enxofre Multiplicado, colocar-se-á num matrás e deitar-se-á em cima o óleo que se apartou aquando da separação dos elementos.

Deitar-se-á óleo, até que o enxofre fique mole. Depois, fundir-se-á sobre cinzas, aquecendo ao segundo e terceiro graus, até à brancura, inclusivamente. Então, abrir-se-á o vaso e encontrar-se-á uma placa cristalina e branca. Para a ensaiar, colocar um fragmento sobre uma placa quente e se ela escorrer sem produzir fumo, está bem. Então, projecta uma parte sobre mil de mercúrio e este será completamente transmutado em Prata. Mas se a medicina for infusível e não escorrer, coloca-a num cadinho e verte por cima óleo gota a gota, até que a medicina escorra como cera. Então será perfeita e transmutará mil partes de mercúrio e mais, até ao infinito.

CAPÍTULO XI

Redução da Medicina Branca em Elixir Vermelho

Em nome do Senhor, toma quatro onças da lâmina mencionada, dissolve-a na Água da Pedra que conservaste. Quando a dissolução estiver concluída, põe a fermentar em banho-maria durante nove dias. Então, toma duas partes, em peso, da nossa Cal vermelha e junta-as no vaso, a fermentar de novo durante nove dias. Em seguida, destilarás em banho-maria num alambique, depois sobre cinzas, regulando o fogo no primeiro grau, até ao momento em que a matéria fique negra. Esta é a nossa segunda dissolução e o nosso eclipse do Sol com a Lua, o signo da verdadeira dissolução e da conjunção do macho com a fêmea.

Aumenta o fogo até ao segundo grau, de maneira que a matéria fique amarela. Em seguida, aumentar-se-á o fogo ao quarto grau, até que a matéria funda como a cera e tenha cor de jacinto. É então, uma matéria nobre e uma medicina real que cura prontamente as doenças e transmuta toda a espécie de metal em ouro puro, melhor que o ouro natural.

Agora, damos graças ao Salvador que, na glória dos céus, reina um e três, na eternidade.

CAPÍTULO XII

Resumo do Magistério

Demonstrámos que tudo o que encerra este trabalho é verdadeiro, porque vimos com os nossos próprios olhos, operámos nós mesmo e tocámos com as nossas próprias mãos. Vamos, agora, sem alegorias e brevemente resumir a nossa Obra.

Tomámos, pois, a Pedra que dissemos, sublimámo-la com a ajuda da natureza e da arte e a reduzimos em Mercúrio. A este Mercúrio juntar-se-á o Corpo branco que é de uma natureza semelhante e cozer-se-á até que se tenha preparado o verdadeiro minério.

Este minério multiplicar-se-á à nossa vontade. A matéria será de novo reduzida a Mercúrio que dissolvereis no nosso Mênstruo até que a Pedra fique volátil e separada de todos os elementos. Enfim, purificar-se-á perfeitamente o corpo e a alma. Um calor natural e temperado permitirá, em seguida, obter a conjugação do corpo e da alma. A pedra converter-se-á em minério; continuar-se-á o fogo, até que a matéria fique branca, denominando-la Enxofre e Mercúrio dos filósofos; é então que, pela violência do fogo, o fixo se faz volátil como o volátil será despojado dos seus princípios grosseiros e sublimado mais branco que a neve. Rejeitar-se-á o que resta no fundo do vaso, porque não serve para nada. Tomai, agora, o nosso Enxofre, que é o óleo do qual já falei e multiplicai-o num alambique, até que seja reduzido a pó mais branco que a neve. Fixar-se-ão os pós, multiplicados pela natureza da arte, com a Água, até que ensaiados ao fogo, se fundam sem fumo, como a cera.

É necessário, então, juntar a água da primeira solução; estando tudo dissolvido, juntar-se-á qualquer coisa de amarelo, que é o ouro, unir-se-á e destilar-se-á todo o espírito.

Finalmente, aquecer-se-á nos primeiro, segundo, terceiro e quarto graus até que o calor faça aparecer a verdadeira cor de jacinto e que a matéria fixa se torne fusível. Projectarás esta matéria sobre mil partes de mercúrio vulgar e será transmutado em ouro fino.

CAPÍTULO XIII

Calcinação da Lua para a Obra

Tomai uma onça de Lua fina copelada e três onças de mercúrio. Amalgamai, aquecendo primeiramente a prata em lamelas num cadinho e juntando-lhe em seguida o mercúrio; revolvei tudo com uma vareta continuando a aquecer bem. Este amálgama colocar-se-á, em seguida, no vinagre com sal; moer-se-á tudo com um pilão num almofariz de madeira, lavando e retirando as impurezas. Cessar-se-á quando o amálgama for perfeito. Depois, lavar-se-á com água comum quente e limpa e passar-se-á através de um pano bem limpo.

O que fica no pano, sendo a parte mais essencial do corpo, mesclar-se-á com três partes de sal, moendo bem e lavando. Calcinar-se-á, enfim, durante doze horas. Recomeçar-se-á a moer com sal, e isto por três vezes, renovando cada vez o sal.

Então, pulverizar-se-á a matéria de maneira a obter um pó impalpável; lavar-se-á com água quente até que todo o sabor salgado tenha desaparecido. Enfim, passar-se-á através de um filtro de algodão, dissecar-se-á e ter-se-á a Cal branca. Colocar-se-á de reserva, a fim de se servir logo que seja necessário, para que a humidade não a altere.

CAPÍTULO XIV

Procedimento Para Preparar o Óleo de Tártaro

Tomai bom tártaro, cuja fractura seja brilhante, calcinai-o num forno de revérvero durante dez horas; em seguida, colocai-o sobre uma pedra-mármore, depois de o ter pulverizado e deixai-o num lugar húmido; converte-se num líquido oleoso. Logo que esteja completamente liquefeito, passai-o através de um filtro de algodão. Conservai-o cuidadosamente, servir-vos-á para embeber a vossa cal.

CAPÍTULO XV

Mênstruo Fétido Para Reduzir a Nossa Cal Viva em Mercúrio, Depois de Tê-la Dissolvido, Logo que Ela Tenha Sido Imbebida com Óleo de Tártaro

Tomai duas libras de vitríolo, uma libra de salitre e três onças de cinábrio. Rubifica-se o vitríolo, pulveriza-se, depois junta-se-lhe o salitre e o cinábrio, moem-se todas estas matérias juntas e põe-se num aparelho destilatório, bem lutado.

Destilar-se-á, primeiramente a fogo lento, o que é necessário, como sabem aqueles que já fizeram esta operação. A água destilará abandonando as suas impurezas que ficarão no fundo da cucúrbita; tereis, assim, um excelente mênstruo.

CAPÍTULO XVI

Outro Mênstruo Fétido para Servir de Dissolvente à Pedra

Tomai três libras de vitríolo romano rubificado, uma libra de salitre, três onças de cinábrio; moei todas estas matérias juntas, sobre mármore, Depois, colocai-as num grande e sólido matrás, juntai-lhe Espírito de vinho e colocai-as durante quinze dias no estrume de cavalo. Em seguida, destilar-se-á docemente, para que toda a água passe para o recipiente. Depois, aumentar-se-á o fogo, até que o capitel seja levado ao branco, deixar-se-á arrefecer, em seguida. Retirar-se-á o vaso receptor que se cerrará perfeitamente com cera e guardar-se-á.

Observai que este mênstruo deve ser rectificado sete vezes, rejeitando, de cada vez, o resíduo. Só depois disto será bom para a obra.

GLOSSÁRIO

Medidas de peso

Escruplo – Antiga medida de peso correspondente a 1,296g.

Grão – Medida de peso correspondente a 0,0648g.

Gros – Antiga medida de peso equivalente a 3,55g.

Libra – Unidade de massa equivalente a 453,59 (Inglaterra).

Lots – Antiga medida de peso alemã equivalente a 14,17g.

Marco – Antiga medida de peso para o ouro e para a prata, correspondente a 16,6g.

Onça – Medida de peso equivalente a 28,349g.

Por Raimundo Lúlio


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Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-pequena-chave-da-alquimia/

Augoeides

A mais importante invocação do mago é a de seu Gênio, Demônio, Vontade Verdadeira ou Augoeides. Esta operação é tradicionalmente conhecida como a obtenção do conhecimento e diálogo com o Sagrado Anjo Guardião. É as vezes, conhecida como o Magnum Opus ou Grande Obra.

O Augoeides pode ser definidos como o mais perfeito veículo do Kia no plano da dualidade. Como um avatar de Kia na Terra, os Augoides representam a verdadeira vontade, a razão de seu ser, do mago, seu propósito de existência. A descoberta de uma verdadeira vontade ou natureza real pode ser difícil e repleta de perigo uma vez que uma falsa identificação leva à obsessão e à loucura.

A operação de obtenção do conhecimento e diálogo são normalmente longos. O mago estará empreendendo uma progressiva metamorfose, um completo exame de toda sua existência. A vida é menos que um acidente sem sentido, ela aparece. Kia tem encarnado nestas particulares condições de dualidade para alguns propósitos. A inércia de existências prévias leva Kia para dentro de novas formas de manifestação. Cada encarnação representa uma tarefa ou um problema a ser resolvido no caminho para alguma grande forma de complementação.

A chave deste quebra-cabeças está nos fenômenos do plano da dualidade no qual nos encontramos. Nós estamos conforme fomos apanhados em um labirinto. A única coisa à fazer é mover e manter uma atenção próxima do caminho das paredes à volta. Em um , universo completamente caótico como este, não existem acidentes. Cada coisa é individualmente importante, mesmo um grão de areia que é movido numa praia distante poderá estar alterando a história. Uma pessoa fazendo sua verdadeira vontade é assistida por um momento no universo, e parece possuída de espantosa sorte. Ao começar a grande obra de obter o conhecimento e o diálogo , o mago consagra “interpretar cada manifestação da existência como uma direta mensagem do Caos infinito para sua própria personalidade”. Fazer isto é entrar, no ponto de vista mágico do mundo em sua totalidade. Ele toma completa responsabilidade por sua presente encarnação e deve-se considerar cada experiência, coisa ou pedaço de informação que assalta-o de qualquer fonte como um reflexo de caminho que ele está conduzindo sua existência. A idéia de coisas acontecerem para alguém, pode ou não estarem relacionadas com o modo destas em agirem em relação à ilusão criada por nossa consciência comum. Mantendo um olho próximo às paredes do labirinto, as condições de sua existência, o mago, então pode, começar sua invocação. O gênio não é somado em si mesmo, mas sim em um despojamento de sucesso para manifestar seu deus interior.

Diretamente no despertar, preferivelmente, no amanhecer, o iniciado vai para o lugar de invocação . Figurando para ele mesmo seu nascimento a cada dia, trazendo com isto a mudança do grande renascimento, primeiro ele bane o templo de sua mente pelo ritual ou por algum transe mágico. Então, ele descobre algum sinal ou símbolo ou sigilo que representa par ele seu Sagrado Anjo Guardião. Este símbolo o mago terá que mudar durante o grande trabalho, quando a inspiração começar a movê-lo. A seguir, ele invoca uma imagem do Anjo no seu olho mental. este pode ser considerado como uma duplicata luminosa de sua própria forma em pé de frente ou atrás dele ou, simplesmente, como uma bola de luz brilhante, acima de sua cabeça. Então, ele formula suas aspirações na maneira que mais desejar, mortificando a si mesmo numa prece ou auto-exaltação em alta proclamação como necessário. A melhor forma desta invocação é falar espontaneamente do coração, e se duvidando, primeiramente, confirmará a si mesmo com o tempo. Ele é dirigido a estabelecer um grupo de idéias e imagens que correspondem a natureza de seu gênio e, ao mesmo tempo, revela, inspiração desta fonte. Quando o mago começa a manifestar mais de sua verdadeira vontade, o Augoeides revelará imagens, nomes e princípios espirituais pelo qual ele po ser desenhado em grande manifestação.

Tendo se comunicado com a forma invocada , o mago deveria desenhar ela dentro de si e ir adiante para o nível desejado. O ritual pode ser concluído com uma aspiração para a sabedoria do silêncio por uma breve concentração no sigilo do Augoeides, mas nunca pelo banimento. Periodicamente, formas mais elaboradas de rituais , usando mais poderosas formas de gnose podem ser empregadas. No final de cada dia, deveria existir uma contabilidade e nova resolução feita. Embora cada dia seja um catálogo de falha, não deveria haver nenhum senso de pecado ou culpa. Magia á a ascensão do lado espiritual em um balanço perfeito do poder do Infinito e tais sentimentos são sintomáticos de não balanceamento.

Se qualquer fragmento não necessário ou não balanceado do ego torna-se com o gênio por engano, então, por infortúnio a guarda. A força de vida que flui diretamente de dentro desses complexos e incham os monstros grotescos, é conhecido como o demônio Choronzon. Alguns magos, tentando ir demasiadamente rápido com esta invocação têm falhado em banir este demônio, tornando-se espetacularmente insanos como resultado.

Por Peter Carrol, Tradução por Lucifer 149

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/augoeides/

Discos Voadores, Propulsão e Relatividade

Resolva o problema de propulsão dos OVNIs e terá aberto ao homem todo o universo. Aqui está uma teoria que pode explicá-la.

Nos últimos anos temos sido visitados por um grande número de aeronaves estrangeiras. Na realidade, provavelmente estas visitas têm estado ocorrendo por um longo tempo, talvez pelo que chamamos de períodos de tempo geológicos. Entretanto, em 1947 ou um pouco antes, o número destas visitas se elevou muito. Desde 1947 um grande número de pessoas, em todo o mundo, tem visto os famosos discos voadores, ou objetos voadores não identificados (OVNIs) .

Durante os últimos anos os observadores têm notado a realização por parte destas naves de manobras acrobáticas de natureza assombrosa.

Aparentemente, a maioria dos discos não depende de qualquer sistema de propulsão familiar aos nossos conhecimentos científicos ou, pelo menos, aos conhecimentos científicos de até recentemente. Somente muito poucos têm sido observados com hélices e alguns com motores de reação ou de jato puro e muitos não dispõem nem mesmo destes. Na verdade, o disco voador típico flutua sobre a terra, sem meios visíveis de apoio, e então acelera a velocidades indescritíveis para alguma outra parte do globo.

A falta de qualquer sistema de propulsão conhecido capaz de tais efeitos tem levado muitas pessoas a imaginar que os donos dos discos voadores foram capazes de dominar a física gravitacional. O sistema de propulsão usado deve, de alguma maneira, aplicar o que é popularmente conhecido como antigravidade. Há dificilmente qualquer maneira, pelo menos tanto quanto os leigos e os especialistas possam ver, em que a sua capacidade de permanecer acima da terra, sem jatos nem hélices, nem dispositivos extensos de sustentação, possa ser explicada.

Entretanto, um enigma adicional, ainda que estritamente relacionado, é o da movimentação típica do disco. Pois tanto a gravidade quanto a inércia parecem ter sido conquistadas também. Muitas narrativas — algumas aparentemente autênticas falam de OVNIs aparecendo subitamente nos céus, vindos não se sabe de onde, e depois desaparecendo no que parece um instante. A menos que algum truque ótico esteja envolvido, os discos devem ser capazes de acelerações verdadeiramente extraordinárias. Relato típico sobre disco, como aparece nos jornais locais através do mundo, é do objeto visto cruzando a velocidade de umas poucas centenas de quilômetros por hora e então, subitamente, desaparecer a uma velocidade que parece ser de milhares de quilômetros por hora.

Além destas acelerações lineares extraordinárias, os discos parecem superar a inércia de outras maneiras. Parecem fazer ângulos retos perfeitos a velocidades elevadíssimas, sem resultados desastrosos à sua estrutura ou à sua tripulação — se é que esta existe. Pelo menos dois de meus amigos me disseram terem visto discos voadores que se moviam no céu a altíssima velocidade fazerem curvas em ângulo reto, instantaneamente.

Ainda um outro truque — eles aparecem capazes de se movimentar através da atmosfera a velocidades e em níveis de densidade do ar claramente incompatíveis com qualquer tecnologia do conhecimento público. Quando um objeto se move através do ar, a fricção das moléculas em atrito com a sua superfície faz com que o material se aqueça. Nos nossos interceptores a jato muito rápidos, são necessários sistemas de esfriamento. Sabemos todos como os meteoros penetrando na atmosfera e o nariz dos cones dos mísseis que reentram na atmosfera terrestre se aquecem a tal ponto que, em muitos casos, se desintegram ou se queimam completamente. Todavia, movimentando-se a velocidades comparáveis e em atmosfera mais densa, os OVNIs não parecem mostrar tais efeitos. Na verdade, aparece freqüentemente alguma luminosidade em volta deles — especialmente à noite — e ocasionalmente aparecem rastros de fumaça, mas a máquina propriamente dita parece sobreviver. Para os especialistas em mísseis isto é muito curioso.

Em todas estas manobras fica em jogo o nosso entendimento das inflexíveis leis da inércia, que governam o nosso mundo. Newton foi o primeiro a formulá-las claramente no seu princípio duplo de que um objeto em repouso tende a permanecer em repouso a menos que uma força lhe seja aplicada, e se uma força lhe é aplicada o objeto tende a se movimentar na direção da força aplicada e proporcionalmente a ela. Estas leis da inércia de Newton são ainda a base de muitos dos pontos de vista científicos do mundo. Entretanto, de acordo com estas leis combinadas às das forças de atração molecular da matéria, que são igualmente fixas na natureza — ou pelo menos assim o pensamos — torna-se muito difícil explicar o comportamento dos discos.

Quando os discos voadores aceleram da velocidade zero a muitos milhares de quilômetros por hora, em uns poucos segundos, por que será que sua maquinaria interna não fica toda quebrada e todos os membros de sua tripulação achatados?

Qualquer um que tenha feito uma curva a uma velocidade demasiado elevada sabe da tendência persistente do seu veículo em continuar na direção original em que vinha, contrariando a resistência dos pneus e do mecanismo de direção.

Da mesma maneira, quando um disco voador faz uma curva repentina, viajando a muitos milhares de quilômetros por hora, por que as moléculas ou cristais da sua estrutura metálica não se partem — devido à grande tensão imposta pelas leis da inércia?

E, finalmente, quando os discos disparam através da atmosfera, por que as moléculas desta se atritando contra o disco não fazem com que o aquecimento da fricção queime eventualmente o objeto?

São estes desempenhos notáveis que têm levado muitas pessoas a acreditar que os discos não são reais. Objetos materiais não podem se comportar desta maneira! Os discos devem ser luzes que se movimentam, ilusões de ótica, miragens, padrões de difração devidas às lentes formadas na atmosfera, ou, ainda para outros, fantasmas ou espíritos.

O Chefe do Serviço Secreto da Força Aérea advertiu vivamente, depois das grandes visões observadas no Aeroporto de Washington, há alguns anos, que a Força Aérea não tinha qualquer coisa com energia infinita e sem massa. Qualquer pessoa que conheça física não-relativística acredita que seria impossível para qualquer massa ponderável se comportar como os OVNIs o fazem. Todavia, a discussão desta dificuldade parece muito real, na verdade.

Pois os discos existem! Eles têm sido fotografados! Aparecem nas imagens do radar! De perto parecem muito com naves feitas de metal ou de material transparente como o plexiglas. Pondo de lado os seus truques fora do comum, parecem ter todas as características de objetos de material denso, que foram projetados, fabricados, manufaturados ou seja lá o que for.

Se os discos são veículos sólidos e reais devemos proceder a uma revisão de nossas idéias sobre a natureza, a um ou dois respeitos. Ou devemos concluir que o nosso conhecimento das leis que mantém unidos os átomos e moléculas é incompleto ou devemos revolucionar nossos conceitos sobre a inércia.

Caso ambas as alternativas estejam além do alcance da ciência moderna, não haverá razão para preferir uma em lugar da outra.

Entretanto, há de fato uma maneira perfeitamente boa de explicar os discos dentro da teoria física moderna. Para fazê-lo, todavia, devemos passar às alturas abstratas da física, em particular à Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein. Entretanto, antes de ficarmos demasiado assustados, deixem-nos dizer que a Teoria Geral não é tão complexa e intrincada como algumas pessoas pensam. Sua fama de difícil vem do fato de que, para percebê-la, é necessário apreciar sob um novo conceito a maneira em que sentimos o mundo.

O conceito da inércia, de Newton, nos diz que um objeto permanece em repouso a menos que alguma força lhe seja aplicada e, quando isto ocorre o objeto se desloca de acordo com esta força. Newton tinha idéias algo confusas do porquê da existência da inércia. Num determinado ponto, no seu Principia, ela é quase parte inerente da matéria. Noutro ponto, as forças centrífugas ou inerciais vêm de alguma coisa chamada espaço absoluto. A persistência da matéria no seu estado, de acordo com Newton, vem de sua relação a um mundo absoluto de espaço, mais definitivo do que qualquer sistema material que possamos conceber.

Esta noção de Newton jamais foi satisfatória e, no final do século XIX, o filósofo e físico austríaco, Ernest Mach, dedicou suas críticas a ela. Mach, a quem todos conhecem pelos seus números Mach em aerodinâmica, foi também um precursor do Círculo de Viena, que desenvolveu o positivismo lógico. Para ele, qualquer coisa além da nossa capacidade de observação — como o espaço absoluto — era irreal. Daí ter ele proposto que a inércia fosse uma referência a toda a matéria do universo. Por toda a matéria do universo ele quis significar todas as estrelas fixas, ou nos dias de hoje, todas as galáxias, pois sabemos que o cosmos é constituído de um vasto número de estrelas reunidas num vasto número de galáxias. Para Mach, um objeto sujeito às leis da inércia o era em relação a todas as estrelas, ou, como diríamos hoje, a todas as nebulosas.

Entretanto, o princípio de Mach, como Einstein o chamou, apresentava uma dificuldade. Não fornecia qualquer ligação física entre as estrelas e o sistema inercial. Mach apenas substituiu o universo pelo espaço absoluto de Newton, como um sistema de coordenadas no qual os objetos existiam e se movimentavam. Ele não nos proporcionou qualquer esclarecimento adicional que nos mostrasse o que é a inércia, ou por que funciona do modo que o faz.

Talvez devêssemos dizer que ele adiantou muito pouco para nós, mas muito para Albert Einstein. Em 1916, Einstein propôs a Teoria  Geral  da Relatividade. Na realidade era uma teoria da gravitação universal e da inércia.  Einstein reduziu as duas forças à mesma coisa e expressou isto no seu famoso Princípio da Equivalência:   forças gravitacional e inercial são indistinguíveis e iguais.

Sua ilustração deste princípio é um homem num elevador, nas profundezas do espaço. O homem está afastado de qualquer objeto grande. Se o elevador se movimentar uniformemente em qualquer velocidade constante, desde as muito pequenas até as muito grandes, o homem parecerá quase sem peso. Não sentirá qualquer peso ou força de gravidade. Entretanto, se o elevador se acelerar, se for puxado por um cabo cósmico, no sentido da altura do homem, a uma velocidade que vá se acelerando, começará a sentir como se a gravidade estivesse agindo sobre ele. Quando for alcançada uma certa velocidade, equivalente nas medidas terrestres, a 9,75 metros por segundo, o homem imaginará que está de volta na Terra e que está submetido às forças da gravidade exatamente como  estava antes de deixar a Terra. Realmente, como é natural, não o está. Sua impressão errônea é meramente o resultado da inércia e da aceleração do elevador. Não há gravitação, ou deveríamos dizer mais corretamente, não há objeto grande na sua vizinhança. Assim, Einstein ilustrou o fato de que a inércia e a gravidade têm exatamente os mesmos efeitos sobre o observador e não podem ser distinguíveis na base de observações locais.

Ele foi mais além. Buscou explicar a gravidade e a inércia nos mesmos termos físicos. Enquanto o peso dos objetos sobre um grande corpo celestial como a Terra é causado pela atração gravitacional da última, o comportamento inercial do objeto é explicado pela atração gravitacional de toda a matéria, em todos os lugares.

Para usar uma analogia simples, o cachimbo sobre a mesa a minha frente permanece onde está principalmente porque todas as estrelas e nebulosas do cosmos o estão puxando, e o puxam em todas as direções imagináveis. É como se milhões e milhões de pequenos arames estivessem ligados ao cachimbo simetricamente, a toda a sua volta, e o estivessem puxando igualmente, ao mesmo tempo, em cada direção. Da mesma maneira, se atiro meu lápis através da sala ele segue numa linha reta (a parte da gravidade da Terra) porque está sendo puxado em ângulos retos a direção do seu vôo pela totalidade da matéria do universo, de todas as estrelas ou nebulosas. Assim, a inércia do mundo familiar é realmente gravitação, mas não a gravitação de cada partícula do universo; é o efeito da soma do empuxo, puxada, ou campo, dependendo de como se considere o mecanismo, todavia ilusório da gravitação.

Mas, se perguntará, como nos ajudará isto a explicar como os discos voam?

Se os donos dos discos tiverem sido capazes de inventar um meio revolucionário de antigravidade, como por exemplo uma rede eletromagnética que colocassem em torno de suas naves, isto quereria dizer que, da mesma maneira como a gravidade da terra é dominada, a inércia gravitacional de todo o resto do universo também o será. Se a gravitação, ou ultrapartículas, ou campos que respondem pela gravitação da Terra forem barrados, o efeito gravitacional do resto do universo será também evitado. Assim, os discos, com a sua rede antigravitacional, serão capazes de voar sobre a Terra e de ignorar também as leis da inércia. Eles estarão literalmente flutuando  dentro  de um pequeno envelope,  onde nem a gravidade nem a inércia terão qualquer influência. Se as criaturas que constituírem e tripulam os discos dominaram a gravidade, terão,  de acordo com Einstein, sobrepujado também a inércia.

A chave para as coisas bem estranhas que acabo de dizer é pensar como um átomo, ou uma molécula, ou um grupo delas que constituem um objeto, se comportará se a influência inercial não puder alcançá-lo. O cachimbo sobre a minha mesa voará através do quarto, agora, ao mais leve toque do meu dedo. Da mesma maneira, se agora atirar meu lápis através da sala, a brisa mais leve o levará em ângulo reto em direção ao outro lado. Em outras palavras, podemos presumir que os átomos e a matéria se tornarão quase totalmente independentes do seu ambiente, numa área livre  da inércia.  Podem  se movimentar em uma direção tão facilmente quanto em outra. Não têm tendência a permanecer numa predeterminada e rígida posição que a inércia normalmente conservaria; podem voar em qualquer direção a que as impedir a força mais leve.

Penso que isto explica como os discos podem acelerar de zero a milhares de quilômetros por hora e se desacelerarem na mesma razão, como podem empreender as dramáticas manobras relatadas. Uma vez que uma força, de qualquer tipo, os impulsione numa direção diferente da de sua linha de deslocamento, não há tendência para que os seus átomos e moléculas continuem se movimentando na direção primitiva. Assim, não há tensões sobre as estruturas das naves e as forças de atração molecular do seu material não são rompidas.

Também os seus ocupantes, se podem viver em tal mundo sem inércia, não são achatados de nenhuma maneira e nem mesmo perturbados pelos giros da superestrutura que lhes fica à volta. Presumivelmente, podem sentar lendo um livro sem tomar conhecimento de que seu aparelho estava realmente fazendo as acrobacias mais notáveis.

O conceito da rede antiinercial e antigravitacional pode também explicar por que os discos não se queimam quando atravessam a atmosfera a altíssimas velocidades. Considere a molécula ou átomo de um gás como batendo com força contra outros átomos na atmosfera, sujeito às leis de inércia, como qualquer coisa é, mas não ocasionando muito dano ou perturbação em virtude de sua pequena massa; um disco passa velozmente e a molécula passa para dentro da rede antigravitacional. Subitamente esta pequena molécula de ar fica completamente livre! Ela já não tem energia cinética; pode bater em qualquer coisa sem causar a mais leve fricção. Em outras palavras, ela entra na rede como um projétil mas bate no disco como uma pluma.

Entretanto, quando o disco continua velozmente, esta molécula de ar sai atrás da rede num estado muito agitado. Está de novo num mundo inercial e começa a bater fortemente em outras moléculas também muito agitadas. Seus pequeninos e diminutos impulsos são aumentados como resultado da fricção que não era antes possível e isto causa uma libertação de energia — a luminosidade vista à volta dos discos, especialmente à noite.

Chegados a este ponto talvez devêssemos proceder a uma revisão do que foi dito e do que não o foi.

Num sentido explicamos como os discos voam, mas não como é gerada a rede antigravitacional e antiinercial. Algumas vezes os discos voadores sob observação durante o dia, através de vidros polaróides, bem como algumas de suas fotografias, exibem um tipo de halo ou coroa a sua volta. Naturalmente, isto bem pode ser um indício físico da rede ou tela. Entretanto, o modo pelo qual é produzido é ainda um mistério, pelo menos para este escritor. É quase certo que, de alguma maneira, o campo envolve eletricidade e magnetismo, pois os efeitos de ambos têm sido notados em conexão com os discos voadores. Ê também provável que a energia nuclear seja usada na geração do processo porque aumentos nos níveis de radioatividade têm acompanhado os vôos dos OVNIs. Todavia, nada sabemos a respeito do mecanismo exato que produz a rede. As pesquisas nesta área são altamente sigilosas. A potência terrestre que primeiro desenvolver esta tecnologia terá uma vantagem militar imensa. Tornará não somente os aviões mas também os mísseis balísticos obsoletos.

Consideremos o que o domínio pelo homem da gravidade e da inércia pode significar para sua vida na Terra e seu progresso no espaço — se outras raças permitirem que faça algum. Em primeiro lugar, aqui embaixo na Terra, o controle da gravidade e da inércia pode bem transformar muito do nosso sistema econômico.

Podemos pensar imediatamente em aviões livres da gravidade com a vantagem adicional de serem capazes de controlar a inércia, que governa (e embaraça) tanto as nossas vidas.

Se a inércia puder ser controlada, uma criança de cinco anos de idade poderá embalar um elefante sobre seus joelhos; o trabalho do mundo poderá ser feito com quantidades diminutas de energia — dependendo, naturalmente, de quanto seja necessário para produzir a tela ou rede antigravitacional e inercial.

Poderemos ser capazes de mover montanhas com apenas a quantidade de energia necessária para iluminar uma casa. Todo o fenômeno da fricção pode ficar dentro da nossa capacidade de manipulá-lo; composições de estrada de ferro serão capazes de deslizar pelos trilhos, cobertas com uma rede antiinercial, movidos por motores com somente uma fração de cavalo.

A idéia de vôos livres da inércia abre possibilidades interessantes para as viagens pelo espaço. Com vôos livres da inércia, o espaço já não será uma barreira para viagens dentro do sistema solar!

Alguns astrônomos e físicos, chamando a atenção para as enormes quantidades de energia necessárias para acelerar até mesmo uma carga útil diminuta a velocidades próximas à da luz, de modo a fazer a viagem até as estrelas mais próximas dentro de um período razoável de tempo, têm mantido o ponto de vista de que a única comunicação que a humanidade jamais poderá ter com a vida inteligente, em qualquer outro lugar, é pelo rádio.

As distâncias entre as estrelas são medidas em anos-luz e somente um limitado número de estrelas está dentro da equivalência de 90 anos-luz. Assim, a necessidade de se aproximar da velocidade ótica em viagens interestelares torna-se óbvia. Todavia, mesmo ao aproximar-se dela, sob as velhas leis da inércia, é um assunto difícil, que alguns cientistas acreditam ser impossível.

O Dr. Frank Drake ilustra o problema calculando que para levar a Enciclopédia Britânica ao nosso vizinho estelar mais próximo seria necessário um foguete tão grande que o seu jato de arrancada queimaria todo o Estado da Flórida.

Outros cientistas, naturalmente, acreditam que as viagens interestelares sejam possíveis, mesmo sob as limitações de um mundo inercial. O grande físico alemão, Professor Singer, uma vez propôs um veículo interestelar capaz de varrer os átomos de hidrogênio do espaço, recolhendo-os numa rede gigantesca e convertendo-os em combustível durante a viagem.

Entretanto, se formos capazes de desenvolver uma rede antigravitacional e antiinercial poderemos nos aproximar da velocidade ótica com a necessidade de muito pouca energia.

Pode também significar que espécies mais elevadas, que há muito descobriram esta técnica, têm viajado entre as estrelas com regularidade. Por sua vez, isto aumentaria a verossimilhança de que o nosso sistema solar seja visitado por raças de outras estrelas.

por Raymond Bernard

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/discos-voadores-propulsao-e-relatividade/

Area 51

No coração da Area 51, que ocupa 10.000 km2, se localiza o lago Groom, onde dizem que se fazem testes com naves alienígenas. O único lugar de onde se pode avistar o lago, é na auto-estrada 375, apelidada de «Extraterrestrial Highway» em março de 1996.

É uma área que possui estradas, riachos, montanhas, edifícios e uma pista de 9,5 km, mas oficialmente não existe. É como se qualquer atividade humana tivesse parada em uma área equivalente à Suíça.   O acesso a esta área é completamente proibido. Os cartazes advertem: “O uso de armas letais é autorizado”. Seu espaço aéreo é o mais inviolável dos EUA. Trata-se do Polígono de Tiro e de Testes Nucleares de Nellis, conhecido como Área 51.A Área 51 foi fundada em 1954 para ser uma base secreta onde a Lockheed Aircraf Corporation pudesse desenvolver aviões de espionagem para a CIA.   A Área 51 continua sendo a sede de alguns dos projetos mais revolucionários dos EUA. Foi nesta área que o bombardeiro “stealth” Northrop B-2 foi testado, assim como uma série de outros aviões nada convencionais. A sua existência foi mantida em sigilo absoluto pelas Forças Aéreas dos EUA (USAF) até 1994, já que se tratava da mais avançada tecnologia militar. A questão levantada por alguns pesquisadores é que nem a tecnologia nem as técnicas utilizadas são norte-americanas, e sim, alienígenas.Desde o estabelecimento da Área 5l, várias pessoas declararam ter visto objetos estranhos sobrevoando seu espaço aéreo, mas as autoridades negaram os fatos.   Contudo, um de seus próprios homens, Robert Lazar, que trabalhou 5 meses na Base a partir de dezembro de 1988, declarou que no espaço aéreo da Área 51, além de circularem OVNIs, a USAF também utilizava tecnologia alienígena ativamente.”

Testemunhas afirmam freqüentemente a presença de objetos sobrevoando o céu com movimentos nada convencionais, existem também boatos a respeito de que os supostos extraterrestres de Roswell estariam aprisionados neste local. Mas o que colocou uma maior desconfiança a respeito desta área foram as afirmações do físico Robert Lazar.

Segundo Lazar, o governo dos E.U.A estava estudando cerca de nove discos voadores e tentando adaptar sua tecnologia através de engenharia reversa num local secreto conhecido como S-4, que se situa no coração da Área 51. Explicou que fazia parte de uma equipe de 22 engenheiros contratados em 1988 para estudarem o sistema de propulsão das naves. Afirmou ainda que tais sistemas trabalhavam com antigravidade e que seus propulsores não deveriam ter um diâmetro maior do que o de uma bola de beisebol. O cientista teve acesso a vários documentos que concretizaram suas suspeitas, neles havia fotos de autópsias de seres com aspectos anormais, o que o levou a crer que aquelas aeronaves não eram de origem terrena.

Segundo moradores, ao anoitecer começa uma atividade estranha na qual podem ser observados estranhos objetos sobrevoando a base secreta, e foi em um desses dias, mais precisamente em 28 de Fevereiro de 1990 que o observador Billy Goodman fotografou um OVNI sobrevoando o céu de Nevada. Há também uma filmagem feita por Norio Hayakawa, de uma emissora de TV japonesa, nela se pode ver nitidamente uma luz resplandecente que se deslocava pelo céu não muito distante da Área 51.

No dia 14 de Abril de 1997, a Emissora de TV FOX Paramount jogou para o ar um documentário chamado “A entrevista com o alienígena”. Sua divulgação se deu graças ao contrabando de suposto material secreto feito por um ex-agente de segurança da Área 51. Tal agente teria vendido este material a uma companhia de produções de vídeo situada na Califórnia, dizendo fazer parte do quadro de uma das várias instituições que operam dentro da Área 51.

As imagens mostram uma criatura em uma sala muito escura sendo estudada por cientistas, que após alguns instantes começa a se agitar (semelhantemente a uma convulsão), então supostos médicos aparecem para lhe acudir.

As imagens são duvidosas, o suposto ex-agente não se identificou, informações adicionais sobre a obtenção da fita não ficaram claras, o que pode nos levar a crer que esta poderia ser uma fraude. Com tantos relatos e contradições o que podemos afirmar é que algo de estranho e extremamente secreto acontece dentro do recinto denominado por Área 51, sejam armamentos e aviões de altíssima tecnologia ou até experiências com OVNI’s. Um fato é certo, qualquer cidadão que se aproximar da base pela “Extraterrestrial Highway”, e com muita cautela organizar vigílias constantes, terá a oportunidade de observar luzes muito estranhas sobrevoando a base.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/area-51/

Fins do Mundo, o Guia Definitivo

Ligia Cabús

O mundo já acabou! Em maio de 2008! Isto para os seguidores da seita cristã Verdadeira Igreja Ortodoxa, liderada pelo russo Peter Kuanersov. O mundo vai acabar! Em 2012, segundo uma antiga profecia maia. O mundo já devia ter acabado! para os profetas apocalípticos medievais. O mundo já acabou! Muitas vezes, antes e depois do Dilúvio bíblico, e ainda vai acabar outras tantas vezes, afirmam as doutrinas esotéricas, como a Doutrina Secreta dos teósofos, por exemplo.

“Os continentes perecem pelo fogo e pela água, alternadamente: ora por terremotos e erupções vulcânicas, ora por submersão e em virtude de um grande deslocamento das águas. Os nossos continente deverão perecer pela primeira espécie de cataclismos. Os constantes terremotos podem ser um sinal.”  – BLAVASTKY, A Doutrina Secreta, p 345

Ao longo da História, as expectativas do fim do mundo é uma constante. A razão desta idéia fixa certamente reside no fato de que a transitoriedade de tudo o que existe na Natureza física é uma evidência que há muito se impõe na consciência dos homens. Seja pela finitude inevitável de suas próprias vidas, seja pelos testemunhos ancestrais de grandes catástrofes que exterminaram tantos povos, impérios, civilizações.

Confira aqui sua versão favorita:

Para Saber Mais/Bibliografia:

Alguns dos Grandes Sinais do Quiyamah. In ISLAM.ORG ─ acessado em 276/02/2008.
Asteroid Apophis, spirit of evil and destruction, approaches Earth. PRAVDA ON-LINE, 11/01/2007 acessado em 27/02/2008. [Trad. Ligia Cabús].
ARMOND, Edgar. Os Exilados da Capela, capítulo XXII ─ A Passagem do Milênio. São Paulo: aliança, 2006.
As profecias sobre o futuro de Edgar Cayce. In ÁREA 51 Website: publicado em 08/01/2007 ─ acessado em 25/022008
AS SETE PROFECIAS MAIAS. In ANJO DE LUZ Website ─ acessado em 25/02/2008
BASQUERA, Renzo. Os Grandes Profetas. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
BERGIER, Jacques e PAUWELS, Louis. O Despertar dos Mágicos: Introdução ao Realismo Fantástico, capítulo VI. [Trad. Gina de Freitas]. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1967. BIBLICAL CHRONOLOGY. Acessado em 23/02/2008
BLAVATSKY. H. P.. A Doutrina Secreta, vol IV ─ O Simbolismo Arcaico das Religiões do Mundo e da Ciência. [Trad. Raymundo Mendes Sobral]. São Paulo: Ed Pensamento, 2003.
__________________ A Doutrina Secreta, vol III Antropogênese. {trad. Raymundo Mendes Sobral]. São Paulo: Pensamento, 2001.
CHAISSON, Eric. A Aurora Cósmica. [Trad. José Guilherme Linke]. Estrelas: Forja dos Elementos, p 90. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1984.
Crença no dia do Quiyamah. In ISLAM.ORG ─ acessado em 26/02/2008.
FERRER, Débora L. A Profecia Maia: Uma Transformação do Sol. Revista Planeta on-line ─ acessado em 25/02/2008.
EPOPÉIA DE GILGAMESH: A Busca da Imortalidade. [Trad. Norberto de Paula Lima]. São Paulo: Hemus.
HERCÓBOLUS, EL PLANETA FRIO.In Biblioteca Pleyades ─ acessado em 25/02/2008
NIBIRU, O DÉCIMO PLANETA. [trad. e pesquisa: Ligia Cabús] ─ acessado em 25/02/2008
http://www.misteriosantigos.com/codbiblia.htm. In Mistérios Antigos ─ acessado em 28/02/2008
Rússia: Seita Espera o Fim do Mundo ─ por Ligia Cabús | Mahajah!ck, IN Rastablog acessado em 23/02/2008
REZENDE FILHO, Cyro de Barros. A Redescoberta do Paraíso Terrestre: o milenarismo messiânico medieval. Departamento de Ciências Sociais e Letras Universidade de Taubaté, 2005. Documento on-line: acessado em 23/02/2008.
ROSS, Allen. http://www.bibliotecapleyades.net/esp_leyenda_hopi11.htm. [Trad. espanhol: Adela Kaufmann] In Blibioteca Pleyades ─  acessado em 28/02/2007.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/fins-do-mundo-o-guia-definitivo/

Breve ensaio sobre Hermetismo e Política

“Iniciado discutindo política ignorando as Leis Herméticas da Polaridade e da Correspondência? O Sagrado Anjo Guardião esta vendo essa zoeira….” – Frater Alef

O iniciado está separado do mundo pelo fato de ter sido acordado para a ilusão que chamamos de realidade. O maior desafio nesta jornada é que a energia movimentada durante seu processo iniciático não se esvaeça, fazendo com que ele caia no sono novamente.

Nada é mais poderoso para incitar o sono no buscador do que o senso de identificação. Desprovido de um profundo conhecimento de si mesmo e da conexão com aquilo que tem de mais sagrado dentro de si, o iniciado se perde no mundo das formas identificando-se com ideias, pessoas, sentimentos e partidos políticos.

Uma vez identificado, o iniciado não é mais aquele que morreu e renasceu dentro de um ritual e sim a ideia, o sentimento, a justificativa…

Na política, as coisas são ainda piores pois além das emoções pessoais, somos arrastados por milhões de outras almas com a mesma força, movidas em direção diametralmente oposta a outro mar de almas, num violento conflito de ódio, ressentimento e raiva, o amigo vira petralha, coxinha, reaça, burro. Dá pra imaginar a quantas anda o plano astral ? Você esta colaborando com esta “corrupção” mental ?

O hermetismo propões o estudo de leis que ditam o funcionamento do Universo, apresento um breve estudo sobre duas delas, fica a lição de casa de ponderar sobre as demais.

O princípio da correspondência nos ensina que o que esta dentro é como o que esta fora, portanto, todos tem um coxinha e um petralha dentro de si. Este ódio declarado de um lado ao outro é a expressão da incoerência entre os múltiplos “eus” que compõe o ser, ao invés de combatidos, deveriam sem compreendidos e integrados. Os motivos que levam você a votar em x, são os mesmos motivos que levam o y a voltar em z. E daqui nos parece que não ninguém esta competindo pra ver quem é o mais honesto e sim quem é o menor pior.

O princípio da polaridade nos ensina que os extremos se tocam, e que o discurso de ambos os lados é o mesmo discurso saindo de bocas diferentes. Aqui o ser falha na busca da síntese criativa e amorosa que une os opostos em uma dimensão superior. A incapacidade de realizar síntese se transforma num desejo inconsciente de eliminar o que é diferente, quanto maior o antagonismo maior o nível de inconsciência.

A energia gasta debatendo somente os problemas e falhas do outro, é energia que não está sendo gasta no desenvolvimento de uma solução nem nas suas próprias qualidades.

Dentro da bolha de sabão do Samsara o homem vê tudo através do próprio reflexo, especialmente tudo aquilo que lhe parece contrário.

-Chay

#hermetismo #política

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/breve-ensaio-sobre-hermetismo-e-pol%C3%ADtica

A Sincronicidade

NOTA: Os números em colchetes referem-se à numeração original dos parágrafos e serve como referência para citação bibliográfica[1].

[959] Talvez fosse indicado começar minha exposição, definindo o conceito do qual ela trata. Mas eu gostaria mais de seguir o caminho inverso e dar-vos primeiramente uma breve descrição dos fatos que devem ser entendidos sob a noção de sincronicidade. Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos. Casual é a ocorrência estatística — isto é, provável — de acontecimentos como a “duplicação de casos”, p. ex., conhecida nos hospitais. Grupos desta espécie podem ser constituídos de qualquer número de membros sem sair do âmbito da probabilidade e do racionalmente possível. Assim, pode ocorrer que alguém casualmente tenha a sua atenção despertada pelo número do bilhete do metro ou do trem. Chegando à casa, ele recebe um telefonema e a pessoa do outro lado da linha diz um número igual ao do bilhete. À noite ele compra um bilhete de entrada para o teatro, contendo esse mesmo número. Os três acontecimentos formam um grupo casual que, embora não seja freqüente, contudo não excede os limites da probabilidade. Eu gostaria de vos falar do seguinte grupo casual, tomado de minha experiência pessoal e constituído de não menos de seis termos:

[960] Na manhã do dia Iº de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do “Peixe de Abril” (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, mais ou menos de um pé de comprimento [cerca de 30 cm], sobre a amurada do Lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali.

[961] Quando as coincidências se acumulam desta forma, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna. Por certas razões que mencionei em outra parte e que não quero discutir aqui, admito que se trata de um grupo casual. Mas também devo reconhecer que é mais improvável do que, p. ex., uma mera duplicação.

[962] No caso do bilhete do metro, acima mencionado, eu disse que o observador percebeu “casualmente” o número e o gravou na memória, o que, ordinariamente, ele jamais fazia. Isto nos forneceu os elementos para concluir que se trata de uma série de acasos, mas ignoro o que o levou a fixar a sua atenção nos números. Parece-me que um fator de incerteza entra no julgamento de uma série desta natureza e reclama certa atenção. Observei coisa semelhante em outros casos, sem, contudo, ser capaz de tirar as conclusões que mereçam fé. Entretanto, às vezes é difícil evitar a impressão de que há uma espécie de precognição de acontecimentos futuros. Este sentimento se torna irresistível nos casos em que, como acontece mais ou menos freqüentemente, temos a impressão de encontrar-nos com um velho conhecido, mas para nosso desapontamento logo verificamos que se trata de um estranho. Então vamos até a esquina próxima e topamos com o próprio em pessoa. Casos desta natureza acontecem de todas as formas possíveis e com bastante freqüência, mas geralmente bem depressa nos esquecemos deles, passados os primeiros momentos de espanto.

[963] Ora, quanto mais se acumulam os detalhes previstos de um acontecimento, tanto mais clara é a impressão de que há uma precognição e por isto tanto mais improvável se torna o acaso. Lembro-me da história de um amigo estudante ao qual o pai prometera uma viagem à Espanha, se passasse satisfatoriamente nos exames finais. Este meu amigo sonhou então que estava andando em uma cidade espanhola. A rua conduzia a uma praça onde havia uma catedral gótica. Assim que chegou lá, dobrou a esquina, à direita, entrando noutra rua. Aí ele encontrou uma carruagem elegante, puxada por dois cavalos baios. Nesse momento ele despertou. Contou-nos ele o sonho enquanto estávamos sentados em torno de uma mesa de bar. Pouco depois, tendo sido bem sucedido nos exames, viajou à Espanha e aí, em uma das ruas, reconheceu a cidade de seu sonho. Encontrou a praça e viu a igreja, que correspondia exatamente à imagem que vira no sonho. Primeiramente, ele queria ir diretamente à igreja, mas se lembrou de que, no sonho, ele dobrava a esquina, à direita, entrando noutra rua. Estava curioso por verificar se seu sonho seria confirmado outra vez. Mal tinha dobrado a esquina, quando viu, na realidade, a carruagem com os dois cavalos baios.

[964] O sentimento do déjà-vu [sensação do já visto] se baseia, como tive oportunidade de verificar em numerosos casos, em uma precognição do sonho, mas vimos que esta precognição ocorre também no estado de vigília. Nestes casos, o puro acaso se torna extremamente improvável, porque a coincidência é conhecida de antemão. Deste modo, ela perde seu caráter casual não só psicológica e subjetivamente, mas também objetivamente, porque a acumulação dos detalhes coincidentes aumenta desmedidamente a improbabilidade (Dariex e Flammarion calcularam as probabilidades de 1:4 milhões a 1:800 milhões para mortes corretamente previstas). Por isto, em tais casos seria inadequado falar de “acasos”. Do contrário, trata-se de coincidências significativas. Comumente os casos deste gênero são explicados pela precognição, isto é, pelo conhecimento prévio. Também se fala de clarividência, de telepatia, etc, sem, contudo, saber-se explicar em que consistem estas faculdades ou que meio de transmissão elas empregam para tornar acontecimentos distantes no espaço e no tempo acessíveis à nossa percepção. Todas estas idéias são meros nomina [nomes]; não são conceitos científicos que possam ser considerados como afirmações de princípio. Até hoje ninguém conseguiu construir uma ponte causal entre os elementos constitutivos de uma coincidência significativa.

[965] Coube a J. B. Rhine o grande mérito de haver estabelecido bases confiáveis para o trabalho no vasto campo destes fenômenos, com seus experimentos sobre a ESP (extra-sensory-perception). Ele usou um baralho de 25 cartas, divididas em 5 grupos de 5, cada um dos quais com um desenho próprio (estrela, retângulo, círculo, cruz, duas linhas onduladas). A experiência era efetuada da seguinte maneira: em cada série de experimentos retiravam-se aleatoriamente as cartas do baralho, 800 vezes seguidas, mas de modo que o sujeito (ou pessoa testada) não pudesse ver as cartas que iam sendo retiradas. Sua tarefa era adivinhar o desenho de cada uma das cartas retiradas. A probabilidade de acerto é de 1:5. O resultado médio obtido com um número muito grande de cartas foi de 6,5 acertos. A probabilidade de um desvio casual de 1,5 é só de 1:250.000. Alguns indivíduos alcançaram o dobro ou mais de acertos. Uma vez, todas as 25 cartas foram adivinhadas corretamente em nova série, o que dá uma probabilidade de 1:289.023.223.876.953.125. A distância espacial entre o experimentador e a pessoa testada foi aumentada de uns poucos metros até 4.000 léguas, sem afetar o resultado.

[966] Uma segunda forma de experimentação consistia no seguinte: mandava-se o sujeito adivinhar previamente a carta que iria ser retirada no futuro próximo ou distante. A distância no tempo foi aumentada de alguns minutos até duas semanas. O resultado desta experiência apresentou uma probabilidade de 1:400.000.

[967] Numa terceira forma de experimentação o sujeito deveria procurar influenciar a movimentação de dados lançados por um mecanismo, escolhendo um determinado número. Os resultados deste experimento, dito psicocinético (PK, de psychokinesisj, foram tanto mais positivos, quanto maior era o número de dados que se usavam de cada vez.

[968] O experimento espacial mostra com bastante certeza que a psique pode eliminar o fator espaço até certo ponto. A experimentação com o tempo nos mostra que o fator tempo (pelo menos na dimensão do futuro) pode ser relativizado psiquicamente. A experimentação com os dados nos indica que os corpos em movimento podem ser influenciados também psiquicamente, como se pode prever a partir da relatividade psíquica do espaço e do tempo.

[969] O postulado da energia é inaplicável no experimento de Rhine. Isto exclui a idéia de transmissão de força. Também não se aplica a lei da causalidade, circunstância esta que eu indicara há trinta anos atrás. Com efeito, é impossível imaginar como um acontecimento futuro seja capaz de influir num outro acontecimento já no presente. Como atualmente é impossível qualquer explicação causal, forçoso é admitir, a título provisório, que houve acasos improváveis ou coincidências significativas de natureza acausal.

[970] Uma das condições deste resultado notável que é preciso levar em conta é o fato descoberto por Rhine: as primeiras séries de experiência apresentam sempre resultados melhores do que as posteriores. A diminuição dos números de acerto está ligada às disposições do sujeito da experimentação. As disposições iniciais de um sujeito crente e otimista ocasionam bons resultados. O ceticismo e a resistência produzem o contrário, isto é, criam disposições desfavoráveis no sujeito. Como o ponto de vista energético é praticamente inaplicável nestes experimentos, a única importância do fator afetivo reside no fato de ele ser uma das condições com base nas quais o fenômeno pode, mas não deve acontecer. Contudo, de acordo com os resultados obtidos por Rhine, podemos esperar 6,5 acertos em vez de apenas 5. Todavia, é impossível prever quando haverá acerto. Se isto fosse possível, estaríamos diante de uma lei, o que contraria totalmente a natureza do fenômeno, que tem as características de um acaso improvável cuja freqüência é mais ou menos provável e geralmente depende de algum estado afetivo.

[971] Esta observação, que foi sempre confirmada, nos mostra que o fator psíquico que modifica ou elimina os princípios da explicação física do mundo está ligado à afetividade do sujeito da experimentação. Embora a fenomenologia do experimento da ESP e da PK possam enriquecer-se notavelmente com outras experiências do tipo apresentado esquematicamente acima, contudo uma pesquisa mais profunda das bases teria necessariamente de se ocupar com a natureza da afetividade. Por isto, eu concentrei minha atenção sobre certas observações e experiências que, posso muito bem dizê-lo, se impuseram com freqüência no decurso de minha já longa atividade de médico. Elas se referem a coincidências significativas espontâneas de alto grau de improbabilidade e que conseqüentemente parecem inacreditáveis. Por isto, eu gostaria de vos descrever um caso desta natureza, para dar um exemplo que é característico de toda uma categoria de fenómenos. Pouco importa se vos recusais a acreditar em um único caso ou se tendes uma explicação qualquer para ele. Eu poderia também apresentar-vos uma série de histórias como esta que, em princípio, não são mais estranhas ou menos dignas de crédito do que os resultados irrefutáveis de Rhine, e não demoraríeis a ver que cada caso exige uma explicação própria. Mas a explicação causal, cientificamente possível, fracassa por causa da relativização psíquica do espaço e do tempo, que são duas condições absolutamente indispensáveis para que haja conexão entre a causa e o efeito.

[972] O exemplo que vos proponho é o de uma jovem paciente que se mostrava inacessível, psicologicamente falando, apesar das tentativas de parte a parte neste sentido. A dificuldade residia no fato de ela pretender saber sempre melhor as coisas do que os outros. Sua excelente formação lhe fornecia uma arma adequada para isto, a saber, um racionalismo cartesiano aguçadíssimo, acompanhado de uma concepção geometricamente impecável da realidade. Após algumas tentativas de atenuar o seu racionalismo com um pensamento mais humano, tive de me limitar à esperança de que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que fosse capaz de despedaçar a retorta intelectual em que ela se encerrara. Assim, certo dia eu estava sentado diante dela, de costas para a janela, a fim de escutar a sua torrente de eloqüência. Na noite anterior ela havia tido um sonho impressionante no qual alguém lhe dava um escaravelho de ouro (uma jóia preciosa) de presente. Enquanto ela me contava o sonho, eu ouvi que alguma coisa batia de leve na janela, por trás de mim. Voltei-me e vi que se tratava de um inseto alado de certo tamanho, que se chocou com a vidraça, pelo lado de fora, evidentemente com a intenção de entrar no aposento escuro. Isto me pareceu estranho. Abri imediatamente a janela e apanhei o animalzinho em pleno vôo, no ar. Era um escarabeídeo, da espécie da Cetonia aurata, o besouro-rosa comum, cuja cor verde-dourada torna-o muito semelhante a um escaravelho de ouro. Estendi-lhe o besouro, dizendo-lhe: “Está aqui o seu escaravelho”. Este acontecimento abriu a brecha desejada no seu racionalismo, e com isto rompeu-se o gelo de sua resistência intelectual. O tratamento pôde então ser conduzido com êxito.

[973] Esta história destina-se apenas a servir de paradigma para os casos inumeráveis de coincidência significativa observados não somente por mim, mas por muitos outros e registrados parcialmente em grandes coleções. Elas incluem tudo o que figura sob os nomes de clarividência, telepatia, etc, desde a visão, significativamente atestada, do grande incêndio de Estocolmo, tida por Swedenborg, até os relatos mais recentes do marechal-do-ar Sir Victor Goddard a respeito do sonho de um oficial desconhecido, que previra o desastre subseqüente do avião de Goddard.

[974] Todos os fenômenos a que me referi podem ser agrupados em três categorias:

1. Coincidência de um estado psíquico do observador com um acontecimento objetivo externo e simultâneo, que corresponde ao estado ou conteúdo psíquico (p. ex., o escaravelho), onde não há nenhuma evidência de uma conexão causal entre o estado psíquico e o acontecimento externo e onde, considerando-se a relativização psíquica do espaço e do tempo, acima constatada, tal conexão é simplesmente inconcebível.

2. Coincidência de um estado psíquico com um acontecimento exterior correspondente (mais ou menos simultâneo), que tem lugar fora do campo de percepção do observador, ou seja, especialmente distante, e só se pode verificar posteriormente (como p. ex. o incêndio de Estocolmo).

3. Coincidência de um estado psíquico com um acontecimento futuro, portanto, distante no tempo e ainda não presente, e que só pode ser verificado também posteriormente.

[975] Nos casos dois e três, os acontecimentos coincidentes ainda não estão presentes no campo de percepção do observador, mas foram antecipados no tempo, na medida em que só podem ser verificados posteriormente. Por este motivo, digo que semelhantes acontecimentos são sincronísticos, o que não deve ser confundido com “sincrônicos”.

[976] Esta visão de conjunto deste vasto campo de observação seria incompleta, se não considerássemos aqui também os chamados métodos mânticos. O manticismo tem a pretensão, senão de produzir realmente acontecimentos sincronísticos, pelo menos de fazê-los servir a seus objetivos. Um exemplo bem ilustrativo neste sentido é o método oracular do I Ging que o Dr. Helmut Wilhelm descreveu detalhadamente neste encontro. O I Ging pressupõe que há uma correspondência sincronística entre o estado psíquico do interrogador e o hexagrama que responde. O hexagrama é formado, seja pela divisão puramente aleatória de 49 varinhas de milefólio, seja pelo lançamento igualmente aleatório de três moedas. O resultado deste método é incontestavelmente muito interessante, mas, até onde posso ver, não proporciona um instrumento adequado para uma determinação objetiva dos fatos, isto é, para avaliação estatística, porque o estado psíquico em questão é demasiadamente indeterminado e indefinível. O mesmo se pode dizer do experimento geomântico, que se baseia sobre princípios similares.

[977] Estamos numa situação um pouco mais favorável quando nos voltamos para o método astrológico, que pressupõe uma “coincidência significativa” de aspectos e posições planetárias com o caráter e o estado psíquico ocasional do interrogador. Ã luz das pesquisas astrofísicas recentes, a correspondência astrológica provavelmente não é um caso de sincronicidade mas, em sua maior parte, uma relação causal. Como o prof. KnolI demonstrou neste encontro, a irradiação dos prótons solares é de tal modo influenciada pelas conjunções, oposições e aspectos quartis dos aspectos que se pode prever o aparecimento de tempestades magnéticas com grande margem de probabilidade. Podem-se estabelecer relações entre a curva das perturbações magnéticas da terra e a taxa de mortalidade — relações que fortalecem a influência desfavorável Â, Ã e Å [aspectos quartis] e as influências favoráveis de dois aspectos trígonos e sextis. Assim é provável que se trate aqui de uma relação causal, isto é, de uma lei natural que exclua ou limite a sincronicidade. Ao mesmo tempo, porém, a qualificação zodiacal das casas, que desempenha um papel no horóscopo, cria uma complicação, dado que o Zodíaco astrológico coincide com o do calendário, mas não com as constelações do Zodíaco real ou astronômico. Estas constelações deslocaram-se consideravelmente de sua posição inicial em cerca de um mês platônico quase completo, em conseqüência da precessão dos equinócios desde a época do 0º  [ponto zero de Áries] (em começos de nossa era). Por isto, quem nascer hoje, em Aries, de acordo com o calendário astronômico, na realidade nasceu em Pisces. Seu nascimento teve lugar simplesmente em uma época que hoje (há cerca de 2.000 anos) se chama “Áries”. A Astrologia pressupõe que este tempo possui uma qualidade determinante. É possível que esta qualidade esteja ligada, como as perturbações magnéticas da Terra, às grandes flutuações sazonais às quais se acham sujeitas as irradiações dos prótons solares. Isto não exclui a possibilidade de as posições zodiacais representarem um fator causal.

[978] Embora a interpretação psicológica dos horóscopos seja uma matéria ainda muito incerta, contudo, atualmente há a perspectiva de uma possível explicação causal, em conformidade, portanto, com a lei natural. Por conseguinte, não há mais justificativa para descrever a Astrologia como um método mântico. Ela está em vias de se tornar uma ciência. Como, porém, ainda existem grandes áreas de incerteza, de há muito resolvi realizar um teste, para ver de que modo uma tradição astrológica se comportaria diante de uma investigação estatística. Para isto, foi preciso escolher um fato bem definido e indiscutível. Minha escolha recaiu no casamento. Desde a antiguidade a crença tradicional a respeito do casamento é que este é favorecido por uma conjunção entre o Sol e a Lua no horóscopo dos casais, isto é,  com uma órbita de 8º em um dos parceiros, e em  com  no outro parceiro. Uma segunda tradição, igualmente antiga, considera   também como uma característica do casamento. De importância são as conjunções dos ascendentes com os grandes luminares.

[979] Juntamente com minha colaboradora, a Dra. L. Frey-Rohn, primeiramente procedi à coleta de 180 casamentos, ou 360 horóscopos individuais, e comparamos os 50 aspectos astrológicos mais importantes neles contidos e que poderiam caracterizar um casamento, isto é, as  Â (conjunções) e  (oposições) entre  (Sol),  (Lua),  (Marte),  (Vênus), asc. e desc. O resultado obtido foi um máximo de 10% em   . Como me informou o Prof. Markus Fierz, que gentilmente se deu ao trabalho de calcular a probabilidade de meu resultado, meu número tem a probabilidade de cerca de 1:10.000. A opinião de vários físicos matemáticos consultados a respeito do significado deste número, é dividida: alguns acham-na considerável, outros acham-na questionável. Nosso número parece duvidoso, na medida em que a quantidade de 360 horóscopos é realmente muito pequena, do ponto de vista da Estatística.

[980] Enquanto analisávamos estatisticamente os aspectos dos 180 casamentos, esta nossa coleção se ampliava com novos horóscopos, e quando havíamos reunido mais 220 casamentos, esse novo “pacote” foi submetido a uma investigação em separado. Como da primeira vez, agora também o material era avaliado justamente da maneira como chegava. Não era selecionado segundo um determinado ponto de vista, e foi colhido nas mais diversas fontes. A avaliação do segundo “pacote” produziu um máximo de 10,9% para   . A probabilidade deste número é também aproximadamente de 1:10.000.

[981] Por fim, foram acrescentados mais 83 casamentos, a seguir estudados também separadamente. O resultado foi de um máximo de 9,6% para   ascendente. A probabilidade deste número é aproximadamente de 1:3.000.

[982] Um fato que logo nos chama atenção é que as conjunções são todas conjunções lunares, o que está de acordo com as expectativas astrológicas. Mas estranho é que aquilo que logo se destaca aqui são as três posições fundamentais do horóscopo, a saber:  (Sol),  (Lua) e o ascendente. A probabilidade de uma coincidência de    com    é de 1:100 milhões. A coincidência das três conjunções lunares com  (Sol),  (Lua) e o ascendente tem uma probabilidade de 1:3×10; em outros termos: a improbabilidade de um mero acaso para esta coincidência é tão grande, que nos vemos forçados a considerar a existência de um fator responsável por ela.  Como os três “pacotes” eram muito pequenos, as probabilidades respectivas de 1:10.000 e 1:3.000 dificilmente terão alguma importância teórica. Sua coincidência, porém, é tão improvável, que se torna impossível não admitir a presença de uma necessidade que produziu este resultado.

[963] Não se pode responsabilizar a possibilidade de uma conexão cientificamente válida entre os dados astrológicos e a irradiação dos prótons por este fato, pois as probabilidades individuais de 1:10.000 e 1:3.000 são demasiado grandes, para que se possa considerar nosso resultado, com um certo grau de certeza, como meramente casual. Além disto, os máximos tendem a se nivelar, quando aumenta o número de casamentos com a adição de novos pacotes. Seriam precisas centenas de milhares de horóscopos de casamentos para se determinar uma possível regularidade estatística de acontecimentos tais como as conjunções do Sol, da Lua e dos ascendentes, e, mesmo neste caso, o resultado seria ainda questionável. Entretanto, o fato de que aconteça algo de tão improvável quanto a coincidência das três conjunções clássicas só pode ser explicado ou como o resultado de uma fraude, intencional ou não, ou mais precisamente como uma coincidência significativa, isto é, como sincronicidade.

[964] Embora mais acima eu tenha sido levado a fazer reparos quanto ao caráter mântico da Astrologia, contudo, agora sou obrigado a reconhecer que ela tem este caráter, tendo em vista os resultados a que chegou meu experimento astrológico. O arranjo aleatório dos horóscopos matrimoniais colocados seguidamente uns sobre os outros na ordem que nos chegavam das diversas fontes, bem como a maneira igualmente aleatória com que foram divididos em três pacotes desiguais, correspondia às expectativas otimistas do pesquisador e produziram um quadro geral melhor do que se poderia desejar, do ponto de vista da hipótese astrológica. O êxito do experimento está inteiramente de acordo com os resultados da ESP de Rhine, que foram favoravelmente influenciados pelas expectativas, pela esperança e pela fé. Mas não havia uma expectativa definida com referência a qualquer resultado. A escolha de nossos 50 aspectos já é uma prova disto. Depois do resultado do primeiro pacote havia certa esperança de que a    se confirmasse. Mas esta expectativa frustrou-se. Na segunda vez, formamos um pacote maior com os horóscopos acrescentados antes, a fim de aumentar a certeza. Mas o resultado foi a    . Com o terceiro pacote havia apenas leve esperança de que a    se confirmasse, o que também, mais uma vez, não ocorreu.

[985] O que aconteceu aqui foi reconhecidamente uma curiosidade, aparentemente uma coincidência significativa singular. Se alguém se impressionasse com esta coincidência, poderíamos chamá-lo de pequeno milagre. Hoje, porém, temos de considerar a noção de milagre sob uma ótica diferente daquela a que estávamos habituado. Com efeito, os experimentos de Rhine nos mostraram, nesse meio tempo, que o espaço e o tempo, e conseqüentemente também a causalidade, são fatores que se podem eliminar e, portanto, os fenómenos acausais ou os chamados milagres, parecem possíveis. Todos os fenómenos naturais desta espécie são combinações singulares extremamente curiosas dos acasos, unidas entre si pelo sentido comum de suas partes o resultando em um todo inconfundível. Embora as coincidências significativas sejam infinitamente diversificadas quanto à sua fenomenologia, contudo, como fenómenos acausais, elas constituem um elemento que faz parte da imagem científica do mundo. A causalidade é a maneira pela qual concebemos a ligação entre dois acontecimentos sucessivos. A sincronicídade designa o paralelismo de espaço e de significado dos acontecimentos psíquicos e psicofísicos, que nosso conhecimento científico até hoje não foi capaz de reduzir a um princípio comum. O termo em si nada explica; expressa apenas a presença de coincidências significativas, que, em si, são acontecimentos casuais, mas tão improváveis, que temos de admitir que se baseiam em algum princípio ou em alguma propriedade do objeto empírico. Em princípio, é impossível descobrir uma conexão causal recíproca entre os acontecimentos paralelos, e é justamente isto que lhes confere o seu caráter casual. A única ligação reconhecível e demonstrável entre eles é o significado comum (ou uma equivalência). A antiga teoria da correspondência se baseava na experiência de tais conexões — teoria esta que atingiu o seu ponto culminante e também o seu fim temporário na idéia da harmonia preestabelecida de Leibniz, e foi a seguir substituída pela doutrina da causalidade. A sincronicidade é uma diferenciação moderna dos conceitos obsoletos de correspondência, simpatia e harmonia. Ela se baseia, não em pressupostos filosóficos, mas na experiência concreta e na experimentação.

[986] Os fenômenos sincronísticos são a prova da presença simultânea de equivalências significativas em processos heterogêneos sem ligação causal; em outros termos, eles provam que um conteúdo percebido pelo observador pode ser representado, ao mesmo tempo, por um acontecimento exterior, sem nenhuma conexão causal. Daí se conclui: ou que a psique não pode ser localizada espacialmente, ou que o espaço-é psiquicamente relativo. O mesmo vale para a determinação temporal da psique ou a relatividade do tempo. Não é preciso enfatizar que a constelação deste fato tem conseqüências de longo alcance.

[987] Infelizmente, no curto espaço de uma conferência não me é possível tratar do vasto problema da sincronicidade, senão de maneira um tanto corrida. Para aqueles dentre vós que desejam se informar mais detalhadamente sobre esta questão, comunico-vos que, muito em breve, aparecerá uma obra minha mais extensa, sob o título de Sincronicidade como Princípio de Conexões Acausais. Será publicada juntamente com a obra do Prof. W. Pauli, num volume denominado Naturerklärung und Psyche.

 

Notas:

[1] Publicado pela primeira vez no Eranos-Jahrbuch XX (1951). Tratava-se originariamente de uma conferência que o autor pronunciou perante o Círculo Eranos de 1951, em Ascona na Suíça.

[2] O material aqui recolhido provém de diversas fontes. Trata-se de horóscopos de pessoas casadas. Não se fez nenhuma seleção. Utilizamos indiscriminadamente todos os horóscopos de que pudemos lançar mão.

Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 2000, 10ª edição, volume VIII/3 das Obras Completas.

Carl Gustav Jung

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-sincronicidade/

A Magia Astrológica de Ozark

Por Brandon Weston.

As tradições de magia popular e cura na região da Montanha Ozark são muitas vezes enganosamente simples. Pessoas de fora muitas vezes comentaram sobre a natureza “simplista” ou “primitiva” dos habitantes das colinas de Ozark, levando a muitos estereótipos injustificados nos últimos dois séculos. Nada poderia estar mais longe da verdade, no entanto. Externamente, sim, muitas de nossas tradições estão escondidas por trás de rituais simples, alguns dos quais não envolvem nenhum componente vocal ou somático. E depois há, é claro, o amor dos montanheses de reaproveitar objetos domésticos para magia e cura. Essa tradição já foi derivada de um senso de necessidade, mas eu pessoalmente a relaciono com a astúcia inata dos curandeiros e praticantes mágicos de Ozark, que muitas vezes diziam “saber coisas”, o que significa que eles estavam cientes da informação de que as pessoas comuns da comunidade não eram. Uma dessas áreas é a auspiciosidade, ou como um de meus professores descreveu, o fluxo de magia mais básico, natural e inato que está em todas as coisas visíveis e invisíveis.

Indo com o Fluxo:

Muito da magia popular de Ozark e das práticas de cura podem ser derivadas de uma crença fundamental comum no fluxo inato da magia através de todas as coisas na natureza. Este fluxo foi descrito para mim por um dos meus professores como um rio. A maneira mais fácil de descer um rio é flutuar e deixar a corrente levá-lo para onde ela quer que você vá. Esse fluxo está se conectando à magia inata dentro de si mesmo, bem como à magia inata no mundo ao nosso redor. Estamos todos flutuando no mesmo rio e não estamos separados da natureza como muitos querem que acreditemos. Seguir o fluxo significa trabalhar dentro dos ciclos e cursos da natureza, e não contra eles. A expressão mais simples disso é utilizar o tempo auspicioso ao formular remédios e rituais.

Os Ozarkers costumam ser obsessivos quando se trata de tempo mágico ou auspicioso. Isso é especialmente verdadeiro nos casos em que o tempo pode significar sobrevivência, como nas práticas agrícolas e nos rituais de cura. Ainda hoje, muitos agricultores da região “plantam com os signos”, o que significa que escolhem dias específicos com base nas fases da lua e nos ciclos lunares do zodíaco que são considerados os melhores para plantar, fertilizar e colher diferentes culturas. Plantar com o fluxo da magia inata da natureza garante o melhor resultado possível, ou a melhor chance que você tem de sucesso.

O tempo auspicioso chegou até mesmo a ambientes fechados, onde os montanheses calculavam os “melhores dias” para muitas atividades domésticas diferentes, incluindo quando cortar as unhas, cortar o cabelo, pintar o cabelo, fazer bebês, planejar ter um bebê, casar e pegar certos peixes, só para citar alguns. Muitas famílias calcularam esses dias por conta própria, enquanto outras usaram um método mais simples e consultaram o Farmer’s Almanac (Almanaque dos Fazendeiros), que ainda hoje imprime uma longa lista desses “melhores dias”.

Formulando Remédios com o Tempo Auspicioso:

Como tradição, o cálculo desses “melhores dias” também encontrou seu caminho nas práticas mágicas e de cura de Ozark, especificamente no diagnóstico de doenças físicas e mágicas. Na maioria dos casos, mas especialmente com abordagens mais “tradicionais” para a cura de Ozark, localizar uma doença ou azaração / feitiço dentro do corpo era uma parte crucial do processo geral de cura. Essa busca foi predominantemente baseada na observância de sintomas físicos combinados com práticas de adivinhação. Uma vez localizada a posição da doença ou do hexágono (ou onde está “sentado”, como costumam dizer os curandeiros de Ozark), é atribuído um signo do zodíaco baseado no Homem dos Signos ou Homem do Zodíaco, também encontrado no almanaque. Esta é uma prática que pode ser rastreada desde a Europa Medieval e talvez até antes. É a ideia de que cada parte do corpo humano, da cabeça aos pés, está associada a um signo específico do zodíaco. Acredita-se que onde uma doença se instala no corpo é onde ela é mais forte e mais “enraizada”, para usar outro termo popular de Ozark. Por exemplo, uma febre geralmente está localizada na cabeça, regida por Áries, mas feitiços e “doenças errantes” são muitas vezes mais difíceis de encontrar. É aqui que os métodos de adivinhação para diagnóstico geralmente entram na mistura.

A teoria de cura de Ozark procura sempre “contrariar” doenças e feitiços, ou seja, invocar o signo do zodíaco que é oposto ao que é atribuído à doença com base em onde está sentado e/ou enraizado. Então, voltando ao nosso exemplo anterior, uma febre está associada à cabeça, Áries, e o momento auspicioso para a cura mais eficaz seria em um dia com a lua do zodíaco em Libra. Em linhas semelhantes, os opostos elementares também seriam invocados. Assim, Áries está associado ao elemento Fogo, portanto, um remédio simples pode incluir compostos de ervas “resfriantes” e métodos rituais podem incorporar o elemento Água (por exemplo, lavar em água em movimento), bem como o elemento Ar, correspondente ao zodíaco oposto a Libra. (por exemplo, um banho de fumaça.)

Além dos signos lunares do zodíaco, que são mais comumente encontrados usando um almanaque, curandeiros de montanha e praticantes de magia também incorporaram fases da lua e correspondências planetárias para os dias da semana em suas formulações. Levando tudo isso em consideração, um procedimento ou ritual de remédio pode parecer exteriormente muito simples, como lavar uma pessoa em água em movimento ou até mesmo recitar silenciosamente um feitiço ou oração verbal sobre ela. Mas você pode ver como, por baixo disso, o curador geralmente faz muitos cálculos complicados para encontrar o momento mais auspicioso, bem como o método para curar ou fazer alguma mágica individualmente. Infelizmente, essas práticas internas são as mais suscetíveis a serem perdidas, pois nem sempre são ensinadas ou transmitidas imediatamente, mas exigem que um aluno pratique formulações com seu professor. Tenho certeza de que há muitas nuances nesses métodos, desenvolvidos ao longo de séculos de prática, que agora desapareceram para sempre.

Fases da Lua:

De um modo geral, os Ozarkers são “pessoas da lua”, como um fazendeiro me disse, o que significa que tradicionalmente os Ozarkers geralmente orientam tanto suas práticas cotidianas quanto as tradições de cura e mágica com os ciclos da lua. Trabalhar dentro das fases da lua costuma ser a maneira mais fácil de “seguir o fluxo” da natureza, porque esses ciclos podem ser observados mais ou menos a olho nu. Normalmente, porém, como em todas as áreas de magia celestial em Ozarks, os montanheses preferem usar seu almanaque confiável para precisão.

No nível mais básico, acredita-se que o crescimento e o encolhimento da luz da lua estejam ligados às “marés” dentro do fluxo da magia através da natureza. Este rio mágico incha além de seus limites quando a lua está cheia e encolhe com a lua nova. Isso não quer dizer que atos mágicos não possam ser realizados durante a lua nova – longe disso. Existem muitos rituais que utilizam especificamente o poder da lua neste momento para alcançar seu objetivo. A lua nova é um momento de banimento, especificamente entidades espirituais, incluindo fantasmas e espíritos da terra, as Pessoas Pequenas (fadas de Ozark) e toda uma série de outros seres. Este também é um momento para trabalhar contra os inimigos ou quebrar o poder que alguém pode ter sobre outra pessoa. Parte da razão por trás dessa associação é que essas entidades e fontes de poder energeticamente carregadas podem ser enfraquecidas ao conectá-las à lua nova, como no simples feitiço verbal: “A lua está escura e morta / E meu inimigo está deitado na cama ; / Na cama e esquecendo de mim, / Então deixe-os ficar, / Então deixe-os estar.”

O objetivo da lua cheia é então aproveitar a abundância de poder que agora está correndo por tudo na natureza. Por esse motivo, rituais associados a fortes curas, boa sorte, prosperidade e até visões e sonhos são realizados durante a lua cheia. Acredita-se que as entidades de outro mundo sejam fortes durante a lua cheia, portanto, tome cuidado ao trabalhar contra essas forças durante esse período. Melhor se proteger invocando o poder desta luz e esperar até que a lua escureça novamente.

Os ciclos intermediários também são aproveitados em rituais e remédios, particularmente aqueles que precisam de mais tempo para crescer ou se dissolver. Amuletos e outros objetos mágicos são tradicionalmente “nascidos” na lua nova e depois deixados para “crescer” ou carregar durante a lua crescente. Qualquer coisa que precise ser aprimorada ou cultivada pode ser feita durante esse período. Em frente está a lua minguante, que está associada a diminuir, dissolver e até apodrecer. Doenças e feitiços geralmente são curados durante a lua minguante, de modo que, à medida que a luz da lua desaparece, o alvo de seus feitiços também desaparece.

Signos Lunares do Zodíaco:

Esses sinais são mais difíceis de calcular e geralmente são retirados de um guia como o almanaque. É importante ser capaz de “pegar” esses pequenos incrementos de tempo antes que eles passem, e eu conheci muitos curandeiros Ozark e praticantes de magia que destacam dias específicos em seus almanaques que estão associados a tipos específicos de trabalho para que eles não não sinto falta deles. Por exemplo, Câncer está associado a ritos de limpeza e cura, especificamente aqueles que usam água. Os dias de lua de câncer são vistos como perfeitos para todos os tipos de cura e limpeza, especialmente se esses dias forem durante a lua minguante. Portanto, é extremamente importante que os curandeiros tradicionais sejam capazes de capturar esses dias e utilizar o poder inato que está presente antes que ele desapareça.

Outros sinais que são comumente marcados no calendário incluem:

  • Áries: Novos projetos; empreendimentos; comprando; coragem; força; retribuição
  • Touro: Lar e lar; estabilidade; segurança; relacionamentos de cura; trabalho familiar; prosperidade; conforto; limpeza e cura; aterramento
  • Libra: Trabalho de casamento; contratos; parcerias; assuntos legais; relacionamentos
  • Escorpião: Autodefesa; proteção; banimento; exorcismo; necromancia; retribuição
  • Capricórnio: Banimento; empreendimentos de carreira; autoridade; disciplina; limites; separação
  • Peixes: Sonhos; transe; visões; adivinhação; desenvolvimento pessoal; ilusões (criando e dissipando)

Em muitos casos, um curador não terá tempo para esperar até que a auspiciosidade seja perfeita para seu trabalho. Em situações em que a doença ou o feitiço não podem esperar para serem removidos, um praticante pode trabalhar com o que tem e esperar o melhor. Outros podem “despertar” as estrelas e a lua, um processo que busca essencialmente trazer auspiciosidade que pode não estar naturalmente presente. Em um caso que observei, um curandeiro usou um conjunto de feitiços verbais muito específicos para despertar o poder de uma certa constelação do zodíaco, Touro neste caso, porque isso era o que era necessário para o ritual em questão, mas a lua não era vai estar em Touro por mais uma semana. Ao despertar as estrelas invocando-as como entidades ou espíritos guias, essa curandeira foi capaz de utilizar seu poder sempre que precisasse, sem ter que esperar os dias específicos para rolar.

Isso obviamente vai contra a abordagem “vá com o fluxo” da magia. Também me ensinaram que você pode ir contra a corrente se precisar, mas que precisa construir um barco. Construir um barco significa trabalhar com ferramentas, orações, feitiços verbais e até mesmo com parcerias sobrenaturais, que podem adicionar seu próprio poder ou combustível aos seus feitiços.

Signos Planetários e Dias da Semana:

As correspondências planetárias são usadas de duas maneiras. O primeiro método é utilizar o planeta associado ao signo do zodíaco específico que é encontrado como parte do processo de diagnóstico. Por exemplo, uma febre está associada a Áries, cujo planeta é Marte. Podemos então utilizar o oposto planetário, Vênus (Libra), como parte de nossa formulação de remédio.

O segundo método utiliza correspondências planetárias associadas aos dias da semana. Isso produz um nível adicional de tempo mágico que pode ser adicionado a remédios específicos. Por exemplo, ao se opor à influência de Áries sobre a febre, invocamos Libra (Vênus), o que significa que nosso dia mais auspicioso para combater essa doença pode ser quando a lua está minguando (poder diminuindo), em uma sexta-feira (Vênus) quando o signo lunar do zodíaco está em Libra (opõe-se a Áries.)

Utilizar os dias da semana, juntamente com as fases da lua, são provavelmente os tempos mágicos mais fáceis de formular. É provável que um curandeiro ou praticante de magia seja capaz de realizar um procedimento ritual em uma sexta-feira, quando a lua está minguando. Adicionar os signos da lua do zodíaco adiciona outra camada de energias mágicas ao processo, mas sua necessidade depende do próprio praticante. Há muitos que ficam felizes em fazer seus clientes esperarem semanas, até meses, para que o momento perfeito chegue, sabendo que, esperando, o ritual tem mais chance de sucesso.

Exemplos de Formulações:

 

Febres ou Hexes (Azarações, Feitiços) Localizados na Cabeça

Fase da Lua: Minguante

Dia da Semana: Sexta-feira

Correspondência Planetária: Vênus

Signo lunar do zodíaco: Libra

Elemento: Ar/Água

Exemplo de Ritual: Banhos de limpeza em um rio (água) ou banhos de fumaça (ar)

Proteção Pessoal:

Fase da Lua: Crescente/Cheia

Dia da Semana: Terça-feira (Áries e Escorpião); Domingo (Leão)

Correspondência Planetária: Marte (Áries e Escorpião); Sol (Leão)

Signo Lunar do Zodíaco: Áries, Leão, Escorpião

Elemento: Fogo/Água

Exemplo de Ritual: Ritual de três anéis de fogo (fogo); lavando em água benta todos os dias como um escudo (água)

Proteção da Família e/ou do Lar:

Fase da Lua: Crescente/Cheia

Dia da Semana: Sexta-feira (Touro); Segunda-feira (Câncer)

Correspondência Planetária: Lua (Câncer); Vênus (Touro)

Signo Lunar do Zodíaco: Touro, Câncer

Elemento: Terra/Água

Exemplo de Ritual: Talismãs usando material vegetal como greenbriar (espinheiro) ou espinhos (terra); estacas mágicas fincadas no chão ao redor da casa para criar uma “cerca” (terra); aspersão da casa com água benta (água)

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Operando Maravilhas com uma Corda Comum

Por Brandon Weston.

Pode parecer estranho a princípio, mas os curadores e praticantes de magia de Ozark têm feito milagres com cordas domésticas comuns há séculos e, de fato, esses métodos, ritos e feitiços têm uma linhagem ainda mais antiga. Uma área fascinante para se observar dentro dessa tradição complexa é o reaproveitamento de objetos domésticos para magia e cura. Essa prática deriva de um senso de necessidade, onde os montanheses tinham que usar o que podiam colher ou cultivar na terra ou o que podiam reaproveitar em suas próprias cabanas. Além disso, era preciso prescindir, pois o armazém geral ou a farmácia local costumavam estar a uma distância de vários dias de viagem em mulas (se você tivesse sorte) das comunidades montanhosas.

Entre os muitos itens que foram tradicionalmente reaproveitados para rituais mágicos e de cura, barbantes, barbantes e fios comuns renderam talvez o conjunto mais diversificado de práticas. É isso que vamos ver aqui nesta pequena amostra dos feitiços tradicionais de Ozark.

Aproximar Seu Verdadeiro Amor:

Ingredientes: Corda, branca ou vermelha, 2-3 pés (aproximadamente 0,6 a 1 metro).

Feitiço: Neste ritual simples, leve seu pedaço de barbante cortado, antes do amanhecer, para um campo onde há caules de flores de verbasco (Verbascum thapsus) crescendo. Encontre dois que estejam próximos, mas no máximo 30 centímetros de distância. De frente para o sol nascente no leste, repita este encanto enquanto segura seu comprimento de corda em direção ao sol: “No nascer do sol, então deixe o verdadeiro amor do meu coração subir ao meu encontro. Traga (ele/ela/eles) para perto de mim! Traga (ele/ela/eles) tão perto quanto estes talos que eu amarro.”

Em seguida, enrole o barbante ao redor dos dois talos de verbasco, puxe-os o mais próximo possível e amarre com três nós. Dizem que seu verdadeiro amor se tornará conhecido na próxima lua cheia, ou então você sonhará com a identidade deles nesse período.

Receber Bênçãos em Nós:

Ingredientes: Corda, branca, 2 pés (aproximadamente 0,6 metro).

Feitiço: Os nós são tradicionalmente soprados para cura e feitiços nos Ozarks. Neste feitiço, pegue o seu comprimento de barbante e comece pela extremidade esquerda, comece a formar um único nó, mas não o feche completamente. Muitos curandeiros repetem um feitiço verbal através do nó, mas em um ritual simples, tudo o que você precisa fazer é visualizar as bênçãos que deseja transmitir a si mesmo ou a alguém para quem está trabalhando e depois soprar o anel aberto feito pelo nó. Enquanto sopra, puxe o nó fechado, pegando assim a bênção. Continue esses nós por três, sete ou doze vezes, em seguida, enrole-o em volta do seu pulso direito (ou de outra pessoa). Use sua corda até que ela caia naturalmente e depois queime.

Amarrar Doenças a uma Árvore:

Ingredientes: barbante, branco, 3 vezes a altura da pessoa.

Feitiço: Comece medindo sua corda. Tradicionalmente, isso é feito segurando uma ponta de uma corda (ainda no carretel) na altura da cabeça (sua ou da pessoa para quem você está trabalhando). Em seguida, abaixe a corda até o chão para obter a altura total. Repita isso mais duas vezes para obter um comprimento de corda três vezes sua altura total. Corte do carretel. Agora, esse ritual é mais fácil com um parceiro, mas pode ser feito sozinho. Vá para a floresta e encontre uma árvore forte e viva. Isso é importante porque você não quer usar uma árvore morta. O carvalho é uma boa árvore para todos os fins, mas tradicionalmente o mamão (Asimina triloba), o sassafrás (Sassafras albidum) e até o sicômoro (Platanus occidentalis) têm sido usados. Fique de costas para a árvore. Peça ao seu parceiro que enrole o barbante em volta do seu peito e do tronco da árvore três vezes. Então, repita este feitiço três vezes, ou se você estiver fazendo isso para outra pessoa, peça que repitam: “O que eu nomeio aqui, eu deixo aqui. *** vá embora seu demônio imundo e seja afundado no chão tão fundo quanto essas raízes crescem!” (Onde você vê o *** nomeie sua doença ou simplesmente diga “doença” ou “hex (azaração, feitiço)” ou o que quer que você esteja querendo se livrar.) o tronco da árvore. Em seguida, puxe o laço da corda contra a árvore e sele com três nós. Deixe esta corda para trás e volte para casa.

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Sobre o autor:

Brandon Weston (Fayetteville, AR) é um curador, escritor e folclorista que possui e opera o Ozark Healing Traditions, um coletivo online de artigos, palestras e workshops com foco na região da Montanha Ozark. Como um curandeiro praticante, seu trabalho com clientes inclui tudo, desde limpezas espirituais até bênçãos da casa. Ele vem de uma longa linhagem de habitantes das colinas de Ozark e também é um herbalista popular, médico de ervas (yarb doctor) e médico de poder (power doctor). Ele é autor dos livros Ozark Folk Magic (A Magia Popular de Ozark) e o novo Ozark Mountain Spell Book (Livro de Feitiços da Montanha Ozark).

http://www.OzarkHealing.com

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Fontes:

Ozark Astrological Magic, by Brandon Weston.

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Wonderworking with Ordinary String, by Brandon Weston.

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-magia-astrologica-de-ozark/