O Problema da Felicidade Humana

Texto de Huberto Rohden

Os maiores médicos e psiquiatras do mundo concedem e confessam que o grosso da humanidade hodierna é neurótica, frustrada ou esquizofrênica. O Dr. Victor Frankl, diretor da Policlínica Neurológica da Universidade de Viena, em diversos livros traz estatísticas pavorosas sobre essa calamidade do homem civilizado dos nossos dias. E dá também o diagnostico do mal: a falta de uma consciência de unidade. O homem moderno, hipertrofiado na sua diversidade (ego) e atrofiado na sua unidade (Eu), é a consequência dessa descosmificação do homem, que não podia deixar de acabar num caos, em que a dispersividade derrotou a centralidade.

Frustrar é a palavra latina para despedaçar, fragmentar, desintegrar. O homem frustrado sente-se realmente como que desintegrado interiormente, o que produz nele um senso de profunda infelicidade. Em última análise, toda felicidade provém de uma consciência de coesão e integridade. O homem é infeliz porque perdeu a consciência da sua inteireza e unidade; pode ser uma personalidade, uma persona (máscara), mas deixou de ser uma individualidade, um ser indiviso em si mesmo. Unidade, integridade, felicidade, são sinônimos.

Muitos frustrados acabam em esquizofrenia. A palavra esquizofrênico quer dizer, em grego, mente partida. O homem mentalmente fragmentado é um homem desunido, descosmificado. Onde não há realização existencial há necessariamente uma frustração existencial, que é o motivo da infelicidade de milhares de homens.

O homem que deixou de ser cosmo pela unidade acaba, cedo ou tarde, num caos pela desunião consigo mesmo. As leis que regem o Universo sideral regem também o Universo Hominal. Os Mestres da vida, além de fazerem o diagnóstico da enfermidade, indicam também a sua cura. Victor Frankl cura os seus doentes frustrados com logoterapia, mostrando-lhes o caminho para restabelecer a sua integridade existencial, despertando-lhes a consciência do seu Lógos interno, o seu Eu, a sua alma. E os que conseguem fazer gravitar os planetas dos seus egos em torno do sol do seu Eu, restabelecem a harmonia e felicidade da sua existência.

Krishna, na Bhagavad Gita, afirma que o ego é o pior inimigo do Eu, mas que o Eu é o maior amigo do ego. O próprio Einstein, à luz da sua matemática metafísica, mostra que do caminho dos fatos (ego) não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores (Eu).

Que é tudo isto senão Filosofia Univérsica, expressa de outra forma? O homem, para ter harmonia e felicidade, deve ter um centro de gravitação fixo e

imutável, deve afirmar a soberania da sua substância divina sobre todas as tiranias das circunstâncias humanas – deve ser Universificado.

Nada disto, porém, é possível, se o homem passar as 24 horas do dia na zona da dispersividade centrífuga do ego, e não der uma hora sequer à

concentração centrípeta do Eu. As leis cósmicas são inexoráveis e imutáveis, tanto no mundo sideral como no mundo hominal. Obedecer a essas leis da natureza humana é harmonia e felicidade – desobedecer-lhes é caos e infelicidade.

Não somos advogados da passividade contemplativa de certos orientais – mas defensores da harmonia e do equilíbrio entre atividade e passividade, entre introversão e extroversão, entre concentração e expansão, entre implosão e explosão, que são o característico de todos os setores da natureza. Enquanto o homem não se “naturalizar” ou cosmificar, será sempre frustrado e infeliz. Uma hora, ou meia hora, de profunda cosmo-meditação pode dar ao homem o devido equilíbrio para o resto do dia.

Não recomendamos a meditação em forma de pensamentos analíticos, que é ineficiente, mas recomendamos a profunda sintonização com a alma do

Universo, o esvaziamento de toda a ego-consciência, para que a plenitude cosmo-consciência possa plenificar com as águas vivas da fonte divina a

vacuidade dos canais humanos. Enquanto a ego-plenitude (egocentrismo, egolatria) funciona, a teo-plenitude não pode funcionar. É lei cósmica: plenitude só enche vacuidade, ou na linguagem dos livros sacros, “Deus resiste aos soberbos (ego-plenos), mas dá da sua graça aos humildes (ego-vácuos)”.

Durante a cosmo-meditação deve o homem esvaziar-se de todos os conteúdos do seu ego-humano – sentimentos, pensamentos e desejos – mantendo, porém, plenamente vígil a sua consciência espiritual; deve manter 100% de teo-consciência (Eu) e reduzir a ego-consciência a 0%.

O fim da Filosofia Univérsica é, pois, estabelecer no homem a mesma harmonia que existe no Universo, com a diferença de que no homem esta harmonia é voluntária e livre, enquanto no cosmo ela é automática. Esta harmonia livremente estabelecida pode dar ao homem uma felicidade consciente infinitamente maior do que toda a harmonia, beleza e felicidade do Universo extra-hominal.

O esforço inicial dessa harmonização vale a pena pela subsequente felicidade da vida humana. No princípio necessita o principiante de períodos determinados, em lugar certo para essa integração; mais tarde pode ele manter a concentração interior no meio de todas as dispersões exteriores, pode unir a sua implosão mística com todas as explosões dinâmicas; pode viver simultaneamente no Deus do mundo e nos mundos de Deus.

Huberto Rohden foi um dos precursores do espiritualismo universalista, trabalhou como professor, conferencista e escritor onde publicou mais de 65 obras sobre ciência, filosofia e religião. Foi tradutor da Bhagavad Gita, Tao Te Ching, O Evangelho de Tomé, O Novo Testamento, dentre outros. Propôs a Filosofia Univérsica como um meio de conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-problema-da-felicidade-humana

Festival de Wesak – Lua Cheia de Touro

O festival de Wesak – Também conhecido como o Festival da Iluminação é o Festival de Buda, o intermediário entre o Centro Espiritual mais elevado, Shambala, e a hierarquia. Buda personifica a expressão da Sabedoria de Deus, da Luz, é Indicador do Propósito Divino. É o grande Festival do Oriente e um dos mais importantes festivais da Lua Cheia. Este Festival ocorre quando o Sol está no signo de Touro. Wesak é uma festa da libertação do despertar e da transfiguração, a jornada de volta ao lar. Promove uma ponte entre a humanidade e espiritualidade, e o equilíbrio entre o Eu Inferior e Superior.

A Lua na Astrologia significa o inconsciente, o porão, como também, nossa ligação com o passado e emoções, quer sejam boas ou ruins. É através do signo lunar que descobrimos como reagimos frente às circunstâncias da vida, emocionalmente. Quando o grande luminar, o Sol, ilumina plenamente a Lua, é um indicativo de um alinhamento livre entre nosso Planeta – o Sol – e o “Centro Solar” a fonte de energia de toda nossa terra, e neste momento podemos iluminar as sombras.

Nesta fase de Plenilúnio podemos fazer uma aproximação mais definida com Deus e o Amor, Poder e Sabedoria, centralizados em nosso coração, representados pela chama trina que fica em evidência quando meditamos. É positivo que em toda Lua Cheia, pudéssemos nos alinhar com as forças cósmicas superiores através de nossos Mestres e anjos, como também da hierarquia da grande Fraternidade Branca, a fim de entrarmos em contato com a essência deste evento mensal.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/festival-de-wesak-lua-cheia-de-touro

Falsos Necronomicons

“… o Necronomicon, um texto mágico ultra-secreto publicado em edições encadernadas.”

-William S. Burroughs

Necronomicon é um livro tão controverso que o debate de sua existência deve primeiro ser substituido pelo debate de se ao menos alguma das suas várias versões é ou não real. Virtualmente todo magista do caos acaba escrevendo o seu próprio tomo, mas estas são as principais versões que podem ser encontradas hoje pelo pesquisador sério.

O Necronomicon De Camp – Scithers

O biógrafo de Lovecraft e escritor de ficção científica L. Sprague De Camp narra um conto de intrigas sobre como ele conseguiu contrabandear esse livro, entitulado Al Azif do Iraque conseguindo escapar de vários perigos. Um estudioso que tentou traduzí-lo, ele continua nos contando, terminou espalhado por todas as paredes do seu estúdio. Na verdade o livro publicado pela Owlswick Press consiste meramente de oito páginas contendo textos sírios escritos de desconexa repetidos várias e várias vezes, com os caracteres próximos à margem alterados para ajudar a mascarar a repetição. Como isso obviamente não pode ser levado a sério seria injusto considerar este livro como sendo uma fraude ao invés de uma brincadeira.

O próprio De Camp, em um comentário sobre sua introdução, disse:

“Eu espero que vocês se divirtam com essa introdução – mas eu também sei que vocês não vão levá-la a sério. Eu posso um dia desejar voltar ao Iraque e espero que essa minha brincadeira não crie complicações para a minha visita.”

O Necronomicon de Wilson-Hay-Turner-Langford

Pouco esforço foi necessário para se descobrir que esta versão do Necronomicon era falsa, já que o próprio Colin Wilson adimitiu isso em seu artigo “The Necronomicon, the Origin os a Spoof” (Necronomicon, a origem de um logro), que apareceu em Crypt of Cthulhu e foi republicada em Black Forbidden Things: Cryptical Secrets from the Crypt of Cthulhu, editada por Robert Price. As afirmações de Wilson não podem ser totalmente levadas a sério, pois ele mesmo escreve:

“De fato, qualquer um com a menor noção de latim irá instantaneamente reconhecer o livro como sendo uma fraude, ele recebe o subtítulo de O Livro dos Nomes Mortos (Aqui no Brasil saiu publicado como “Necronomicon, O Livro dos Mortos”, n.t.), quando a palavra Necronomicon significa realmente o livro das leis dos mortos.”

De fato, qualquer um com a menor noção de latim irá instantaneamente reconhecer que o título está escrito em grego.

Wilson descreve como George Hay se aproximou dele com a idéia de que ele escrevesse um aintrodução para uma sátira do necronomicon contendo histórias sobe o livro maldito. Os contos, de acordo com Wilson, eram realmente amedrontadores, todos contando histórias sobre estudiosos que acabam se encontrando com o tomo infernal, estupidamente invocam poderes maiores do que eles poderiam controlar e acabam espalhados pelas paredes. Wilson, então, propôs que eles poderiam tentar criar uma sátira que realmente pudesse passar como sendo o Necronomicon de fato. A idéia foi parcialmente inspirada por um conto escrito por David Langford, no qual uma série de análises feitas por computador provam a existência do Necronomicon, com os mesmos resultados desagradáveis. Na versão final do volume Langford chegou a contribuir com uma parte na qual ele clama que uma análise de computador decifrou o manuscrito Liber Logaeth de Jonh Dee, mostrando que ele não outro senão. RObert Turner, um praticante de magicka cerimonial contribuiu com outra sessão supostamente a tradução do Liber Logaeth. Em sua maior parte o livro é uma coletânea de material de ocultismo, com receitas mágickas típicas se utilizando de alguns nomes existente no Mito de Cthulhu. O próprio Wilson contribuiu para a introdução que nos apresenta uma colcha de retalhos de fatos e fantasia, declarando que o pai de Lovecraft pertencia à Maçonaria Egípcia (uma afirmação completamente sem fundamentos) e que através dela teria aprendido todo o tipo de segredos ocultos, os quais ele mais tarde revelou em sua loucura (real). Existe também uma carta escrita por um ‘Dr. Hinterstoisser’, que foi realmente escrita por Dominic Purcell.

A versão americana também incluia dois ensaios supostamente escritos antes da descoberta da chave para decifrar o manuscrito, e se alguma coisa vale a pena nesta versão do Necronomicon são esses ensaios. Eles são: “Dreams of Dead Names: The Scholarship of Sleep” por Christopher Frayling, que por sinal inclue uma pesquisa detalhada de como Lovecraft inventou Abdul Alhazred e o Necronomicon, e “Lovecraft and Landscape”, por Angela Carter.

No Brasil este livro foi publicado pela editora Anubis, esses ensaios foram deixados de fora e em seu lugar existe um estudo introdutório sobre os grimórios através dos tempos e algumas partes do Grimório do Papa Honório III. Excertos da obra estão disponíveis no portal para consulta.

Além disso existe pouco mais a ser dito a respeito do livro. A introdução de Wilson é interessante para aqueles com um background no assunto que saberiam separar o que é fato do que é invensão. Alguns acham que as informações sobe criptografia contidas na parte escrita por Langford interessante, existem livros inteiros sobre o assunto disponíveis que seriam uma fonte melhor de informação. O material apresentado como sendo de fato o Necronomicon não tem nenhum valor estético. Por exemplo o uso quase constante, mas inconsistente, do uso de ‘ye’ ao invés de ‘the’, na versão em inglês (na versão brasileira é possível ver isso nas imagens, cujos textos ficaram no original com algumas legendas, n.t.), seria aceitável o uso do autêntico ye arcaico. Se ele tem ou não valor para mágicos praticantes eu deixo para eles descobrirem por si mesmos.

O uso do Mito de Cthulhu também é suspeito. O verso místico conhecido de todos aparece várias vezes escrito errado como: “That which is not dead which can eternal lie…” Outras inconsistências com os conceitos de Lovecraft também aparecem: Shub-Niggurath aparece como uma deidade masculina, quando Lovecraft a descreve claramente como sendo feminina. Os Antigos estão relacionados com os quatro elementos, usando um esquema empresatado dos contos de Agust Derleth que não apenas nunca apareceu em um trabalho de Lovecraft como também não tem nenhuma consistência com ele. O trabalho também nos apresenta os dois grupos antagônicos dos Antigos e dos Deuses Mais Antigos, outra inovação de Derleth no mito Lovecraftiano assim como seus contos da guerra entre os Antigos e os Deuses Mais Antigos inpirada por seus princípios cristãos. A verdade simples e pura é que a maioria do material nesta versão do Necronomicon foi inspirada não pelos contos de Lovecraft e sim pelos de Derleth que são bem diferentes, quando não surgem apenas as receitas mágicas.

Algum tempo depois surgiu um suposto Texto de R’lyeh, compilado pelo mesmo grupo, que supostamente seria mais uma parte do manuscrito por eles apresentado anteriormente. É interessante notar que Lovecraft nunca usou o nome R’lyeh Text, que na verdade foi inventado por August Deleth após a morte de Lovecraft e que não tem semelhança nenhuma com o Necronomicon anteriormente apresentado por eles. (Supostamente ele se encontra na língua nativa de Cthulhu e possivelmente foi trazido com ele das estrelas). Em sua maior parte o livro simplesmente é o mais do mesmo, nele está incluso um interessante ensaio “Awake in the Witch-House: On the Trail os the ‘real’ Brown Jenkin”, escrito por Patricia Shore, texto esse que inclui a famigerada e falsa citação da “Magia Negra”. Achamos que no ano de 1992 os conhecimentos de alguém sobre esse assunto deveriam ser muito melhores.

O Necronomicon de Simon

Como este é o Necronomicon que se qualifica como uma fraude completa ao invés de simplesmente uma brincadeira ou um jogo entre amigos, ele vai receber uma olhada mais cautelosa do que os outros. Existem uma série de problemas com este volume, todos indo contra a sua proposta de ser o texto real do Necronomicon.

As afirmações a respeito do suposto manuscrito não convencem. O editor afirma que o original não pode ser entregue a público para qualquer tipo de confirmação ou exame. Mas estudiosos não permitiriam que se utilizassem o manuscrito original de um livro como este; eles trabalhariam a partir de cópias fotográficas dele, cópias estas que com certeza iriam apoiar a autenticidade do livro. De qualquer forma a história contada a respeito da descoberta do manuscrito é muito parecida com um conto ruim de Cthulhu para se acreditar. Além disso eles afirmam que o manuscrito é em grego quando Lovecraft deixa bem claro que a versão grega do texto se perdeu há séculos. Simon diz que uma das partes de seu suposto texto o TEXTO URILLIA “pode ser o texto de R’lyeh do qual Lovecraft falava”. Lovecraft, entretanto, nunca se referiu a um Texto de R’lyeh, que foi inventado por August Derleth após a morte de Lovecraft, e este texto é bem diferente do proposto por Derleth.

É evidente que a maior parte do trabalho é composto de adaptações de textos mágicos e religiosos existentes da Mesopotâmia reais, com alguns nomes inventados por Lovecraft espalhados aqui e ali quando não se conseguiram traduzir o texto original. Simon também joga no caldeirão materiais Sumérios, Assírios, Babilônios e outros sem discriminar o que é o quê, de uma maneira historicamente impossível de acontecer. As partes supostamente representando as línguas orignais usadas em várias encantamentos são aparentemente grunhidos sem sentido.

Simon gostaria que enxergássemos grandes semelhanças entre seu material mesopotâmico, o trabalho de Aleister Crowley e o Mito de Lovecraft, mas não nos aferece nenhuma correspondência entre eles. O pouco que ele tenta defender não convence. Ele gostaria que nós, por exemplo, víssemos grande similaridades entre o nome Cthulhu e a palavra grega stélé (como aparece no trabalho de Crowley Stélé of Revealing), se utilizarmos caracteres gregos para escrevê-la ela lembra um pouco CTH^H. As outras comparações em sua curta lista são comparações entre elementos comuns de magick e figuras de ficção científica ou coisas ainda mais esquisitas. Novamente ele quer que notemos a semelhança entre Shub-Niggurath e o Pan de Crowley (um elemento comum de Magick combinado com um elemento de ficção científica), onde ele se esquece que Shub-Niggurath é fêmea. (Uma combinação que poderia funcionar melhor seria usar Yog-Sothoth se nos baseássemos no nas bases apresentadas para o conto “The Dunwich Horror” por Arthur Machen em seu livro “The Great God Pan”). De novo ele quer que reparemos na semelhança entre a exclamação Lovecraftiana IA! e o IO! de Crowley e a deidade IAO e a deidade suméria IA, que Simon diz ser uma variante do deus EA (apesar disso em seu necronomicon a exclamação usada é a de lovecraft).

Simon também gostaria que nós pudéssemos notar a correspondência entre o Mito de Lovecraft e a mitologia mesopotâmica. Ele nos diz:

“Lovecraft nos mostrava algo semelhante à mitologia cristã e seu combate entre forças opostas entre Luz e Trevas, entre Deus e Satã, no Mito de Cthulhu.”

E novamente:

“Basicamente existem dois grupos de deuses no mito: Os Deuses Mais Antigos, sobre os quais pouco nos é revelado além do fato deles serem uma raça estrelar que ocasionalmente vem até a Terra para salvar a humanidade, e que corresponderiam à ‘Luz’ no cristianismo; e os Antigos, sobre os quais muito é dito, às vezes em muitoas detalhes, que correspondem às ‘forças das trevas’. Esses últimos são Deuses Cruéis que não desejam outra coisa que não o mal para a raça dos Homens e que constantemente tentar voltar para o nosso mundo se utilizando de um portal ou uma porta que liga a dimensão deles à nossa.”

O conhecimento moderno sobre a obra de Lovecraft nos mostra que esta descrição não bate com o trabalho dele (Lovecraft), no qual não existem Deuses mais Antigos nem um conflito cósmico entre o bem e o mal. O termo “Os Mais Antigos” (The Ancient Ones) só é usado em uma história, e nela é explicado de forma clara que eles são moralmente indiferentes à existência do Homem e não que sejam ‘malvados’. De fato esta é uma descrição precisa do Mito de Derleth ou invés do de Lovecraft, isso se levarmos em consideração que atribuir conseitos de bondade e maldade às deidades mesopotâmicas “Os Deuses mais Antigos” e “Os Antigos” é a maior tentativa de sincretisar os dois sistemas, e aparentemente essa tentativa foi feita em vão.

Em se tratando das deidades de forma individual Simon não se sai melhor. Cthulhu surge como sendo KUTULU, um nome que nunca apareceu entes desta publicação. Simon deriva este nome de KUTU, a cidade Kutha, e LU, que significaria homem. O problema é que a forma suméria correta seria LU-KUTU se se fossem fazer uma composição das palavras. De qualquer forma o nome Cthulhu tem origem alienígena e por isso não faz sentido querer procurar sua origem em alguma cultura humana.

Simon deriva Azathoth do nome composto AZAG-THOTH, onde AZAG é um demônio sumério e THOTH é o nome cópitcoda deidade egípcia Tehuti. O porquê dele ter criado essa composição permanece um mistério, assim como o fato dela nunca ter surgido em lugar nenhum antes da sua publicação neste livro.

As outras comparações de deidades são ainda mais fracas: Shub-NIggurath aparece como ISHNIGGARAB, Yog-Sothoth aparece como IAK SAKKAK.

Mesmo quando Simon cita um nome Lovecraftiano sem querer nos dar um nome correspondente ele sempre o soletra de forma diferente transformando Yog-Sothoth em Yog Sothot, Azathoth como Azatot, “o árabe louco” como “O Árabe Louco”, shoggoth como shuggoth, etc…

Pelo menos uma das deidades de grande importância do universo Lovecraftiano não aparece neste trabalho, Nyarlathotep não tem nenhuma correspondência no livro de Simon, assim como outras criações menores de Lovecraft que se seria esperado aparecerem no livro como Yig, Nug e Yeb, Ghatanothoa ou Rhan-Tegoth, em seus lugares sáo citadas inúmeras deidades sumérias que nunca surgiram ou tiveram suas correspondências no trabalho de Lovecraft, entre elas: MARDUK, TIAMAT, PAZUZU, ENKI, NANNA e INANNA (ISHTAR). Também é importante notar que as várias raças alienígenas inventadas por Lovecraft não são citadas em ponto algum do livro equanto várias criaturas sobrenaturais da mesopotâmia são, e com bastante frequência.

Outra afirmação questionável de Simon é a seguinte:

“O Mito de Lovecraft lida com o que são conhecidas como deidades chthônicas [sic], ou seja, deuses e deusas do submundo muito semelhantes ao Leviatã do Antigo Testamento. A pronúncia correta de chthônica é ‘katônica’, o que explica a famosa universidade de Miskatonic e o conhecido rio de Miskatonik que ele usa em várias de suas histórias, isso sem mencionar a deidade chefe [sic] de seu panteão, Cthulhu, um monstro marinho que se encontra “não morto, mas sonhando” nas profundezas do mundo; um Ancião supostamente inimigo da raça humana e da Raça inteligente.”

Existem uma série de problemas com esta afirmação:

  •  A pronúncia correta de Chthônica é ‘tó-nik’, o ch é mudo (em português Chthonic é traduzido como atônico ou atoniano, n.t.).
  •  Monstros marítimos não são considerados chthônicos.
  • O nome de Cthulhu se deriva de uma língua alienígena predatando a raça humanapor eras, ele não pode derivar da palavra chthonic, apesar de existir a possibilidade de Lovecraft ter sido influenciado por essa palavra ao criar o nome. De qualquer forma essa afirmação é conflitante com a proposta do próprio Simon de que o nome seria uma derivação da palavra KUTU+LU, usada em todo o Necronomicon.
  • Cthulhu não é a deidade chefe do suposto panteão de Lovecraft, mas é importante por causa de sua atuação no mito.
  • Cthulhu não é um ‘monstro marinho’ e sim uma criatura extraterrestre ou extradimensional inconsciente e aprisionada no fundo do oceano.
  • Cthulhu nunca foi referido como sendo um ‘Ancião’, apesar de ser associado com um grupo conhecido como os Antigos.
  • Cthulhu não é exatamente um inimigo da raça humana, ela simplesmente está no seu caminho. Isto é o mesmo que dizer que um humano é inimigo dos cupins porque ele exterminou aqueles que infestavam sua casa.
  • Não se sabe o que exatamente ele quis dizer com a ‘Raça inteligente’, essa raça nunca apareceu em conto nenhum de Lovecraft.

Muitos leitores parecem achar que a sessão do livro intitulada como “O testemunho do Árabe Louco” se encaixa muito bem na ficção de Lovecraft. Muitos dizem que o livro funciona maravilhosamente em práticas mágickas, sem importar se o livro é uma fraude ou não, mas isso é bem consistente com as teorias de Magick modernas.

Além da edição brochura barata, o Necronomicon de Simon foi lançado em uma cara edição encadernada com couro com uma tiragem de 666 cópias, seguida por outra tiragem de 3.333 cópias.

Existe também um Livro de Feitiços do Necronomicon de Simon (originalmente entitulado The Necronomicon Report), que não passa de um livro dedicado aos feitiços que aparecem no capítulo “O Livro dos Cinquenta Nomes”. Outro volume entitulado The Gates of Necronomicon (Os Portões do Necronomicon) foi anunciado como lançamento futuro pela editora, mas aparentemente o projeto nunca foi levado a diante. A editora americana Avon Books recentemente relançou o livro Os Feitiços do Necronomicon.

Existem vários rumores sobre a real identidade de “Simon”. Um deles diz que ele seria na verdade Herman Slater, o proprietário da livraria Magickal Childe em Nova Iorque, que por sinal recebe algumas menções no livro. Outro desses rumores afirma que ele era um mago precisando de dinheiro e que subsequentemente fez fama no rama da Magia Caótica. Outros rumores mais improváveis dizem que os reais responsáveis pelo Necronomicon de Simon poderiam ter sido um dos seguintes: L. Sprague De Camp, Colin Wilson, L. Ron Hubbard, Robert Anton Wilson, Timothy Leary ou Sandy Pearlman (o escritor das letras inspiradas por Lovecraft da banda Blue Öyster Cult).

O Necronomicon de Gregorius

Publicado na Alemanha em alemão entitulado como Das Necronomicon: Nach den Aufzeichnungen von Gregor A. Gregorius (O Necronomicon: Da Trancrição de Gregor A. Gregorius). Esta é simplesmente uma tradução do Necronomicon de Simon. O volume inclui também uma versão alemã de um autêntico grimório medieval entitulado Goetia ou Lesser Keys of King Solomon.

O Necronomicon de Quine

A suposta tradução do Necronomicon feita por Antonius Quine parecer ser tão falsa que ela sequer existe.

Entretanto se você tiver alguma informação a respeito não se sinta acanhado: atendimento@mortesubita.org

O Necronomicon de Ripel

Publicado por Frank G. Ripel, cabeça da Ordo Rosae Mysticae (Ordem da Rosa Mística), na Itália, 1987-1988, como parte da Trilogia Sabaean. Ela inclui um livro chamado Sauthenerom, de origens egipcias e um texto do Necronomicon, que supostamente teria 4000 anos de idade e que teria sido plagiarizado por Abdul Alhazred.

O Necronomicon de Perez-Vigo

Recentemente publicado na Espanha, esta versão publicada por Fernando Perez-Vigo inclui um Tarô Necronômico juntamente com um texto derivado dos necronomicons de Ripel e de Wilson-Hay-Turner-Langford.

O Necronomicon de Lin Carter

“Se o Necronomicon realmente existisse ele seria uma pequena encadernação com um prefácio escrito por Lin Carter.”
T.E.D. Klein

Lin Carter escreveu vários contos curtos que supostamente seriam capítulos da tradução do Necronomicon feitas por John Dee. Elas relatam várias aventuras de Abdul Alhazred. Obviamente e explicitamente declaradas como sendo fictícias, esta versão está inclusa aqui simplesmente para deixar este trabalho o mais completo possível.

A versão de Lin Carter está inclusa em um volume disponibilizado pela Chaosium, editada por Robert M. Price e entitulado The Necronomicon: Selected Stories and Essays Concerning the Blasphemous Tome os the Mad Arab, contendo uma série de trabalhos interessantes.

O Necronomicon de H.R. Giger

O surrealista suiço H.R. Giger usou o título Necronomicon para uma compilação de sua arte necroerótica. Obviamente este trabalho não clama ser o Necronomicon autêntico, mas foi incluído aqui não somente para tornar a pesquisa o mais completa possível como também como forma de elogiar seu fantástico trabalho. Giger também produziu uma sequência a seu trabalho entitulado Necronomicon II.

The Necronomicon Project

Este é um trabalho em conjunto para criar um Necronomicon falso na internet. Não existe nenhuma tentativa de se provar que os resultados deste trabalho sejam o real Necronomicon. Confira aqui o resultado.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/falsos-necronomicons/

Apócrifo de Tiago

Tiago escreve para os eleitos: paz esteja com vocês de Paz, amor de Amor, graça de Graça, sabedoria de Sabedoria, vida de Vida Santa!

Já que você pediu que eu te enviasse um livro secreto que foi revelado a Pedro e eu pelo Senhor, e como eu não poderia te recusar nem falar contigo pessoalmente; eu traduzi ele para o alfabeto Hebraico e te enviei, e apenas a ti. Como você é um ministro da salvação dos santos, empenhe-se intensamente e tenha cuidado para não recitar este texto para muitos – visto que o Senhor não quis revelar estas coisas para todos nós, os doze discípulos dele. Mas abençoados serão aqueles que se salvarão através da fé neste discurso.

Dez meses atrás eu te mandei outro livro secreto, sobre o que o Salvador havia me ensinado. Portanto, considere aquele como revelado a mim, Tiago; mas este… [fragmentos intraduzíveis]

Os doze discípulos estavam todos sentados juntos recordando o que o Salvador disse para cada um deles, fosse em segredo ou abertamente, e colocando em livros. Eu estava transcrevendo aquilo que estava nos meus livros – Veja, o Salvador apareceu de novo, após ter nos deixado, enquanto nós o aguardávamos. E quinhentos e cinquenta dias depois dele ter se erguido dos mortais, nós dissemos a ele, “Você partiu e se separou de nós?” Jesus disse, “Não, mas eu irei para o lugar de onde eu vim. Se vocês desejam vir comigo, venham!”

Eles todos responderam e disseram, “Se você nos convidar, nós vamos.”

Ele disse, “Realmente eu digo a vocês, ninguém jamais irá entrar no reino eterno pelo meu convite, mas (somente) porque vocês mesmos estão repletos. Deixem Tiago e Pedro para mim, para que eu os preencha.” E tendo chamado estes dois, ele os puxou de lado e pediu aos restantes que se ocupassem com aquilo o que eles estavam fazendo.

O Salvador disse, “Vocês são afortunados …

(7 linhas perdidas)

Vocês, então, não desejam ser preenchidos? E o coração de vocês está embriagado; vocês, então, não desejam estar sóbrios? Portanto, estejam envergonhados! Daqui por diante, acordando ou dormindo, lembrem-se que vocês viram o Filho do Homem, e falaram com ele em pessoa, e ouviram ele em pessoa. Ai daqueles que viram o Filho do Homem; abençoados serão os irmãos que não viram o homem, e que não andaram com ele, e que não falaram com ele, e que não ouviram nada da boca dele; a vocês pertence a vida! Saibam, então, que ele os curou quando vocês estavam doentes, para que vocês possam reinar. Ai daqueles que encontraram alívio para a doença deles, pois eles recairão em doença. Abençoados são aqueles que não estiveram doentes, e encontraram alívio antes de caírem doentes; a vocês pertence o reino de Deus. Portanto, eu digo, ‘Estejam repletos, e não deixem nenhum espaço vazio dentro de vocês, para que ninguém que se opuser a vocês seja capaz de ofendê-los.”

Então Pedro respondeu, “Veja, três vezes você nos disse, ‘Estejam repletos’; mas nós estamos repletos.”

O Salvador respondeu e disse, “Por isso mesmo eu disse a vocês, ‘Estejam repletos,’ para que vocês não estejam em carência. Aqueles que estão em carência, entretanto, não serão salvos. Pois é bom estar repleto, e ruim estar em carência. Contudo, a princípio é bom que vocês estejam em carência e ruim que estejam repletos, porque aquele que acha que está repleto, está em carência, e aquele que está inadvertidamente em carência não se torna repleto como aquele que entendia que estava em carência se torna repleto, mas aquele que foi preenchido alcança a perfeição devida. Portanto, vocês devem estar em carência enquanto é possível preenchê-los, e estar repletos enquanto é possível para vocês estar em carência, para que vocês sejam capazes de se preencher ainda mais. Estejam repletos do Espírito, mas estejam sedentos de razão, pois a razão enobrece a alma; sendo assim, ela deve ser sempre almejada pela alma.”

Mas eu respondi e disse a ele, “Senhor, nós podemos obedecê-lo se você desejar, pois nós abandonamos nossos pais e nossas mães e nossas aldeias, e seguimos a ti. Conceda-nos, portanto, não sermos tentados pelo demônio, o perverso.”

O Senhor respondeu e disse, “Qual é o seu mérito se você fizer a vontade do Pai enquanto te é concedido como um presente dele não ser tentado por Beliel? Mas se você é oprimido por Beliel, e perseguido, e você faz a vontade do Pai, eu digo que ele irá amá-lo, e torná-lo igual a mim, e reconhecer que você se tornou querido na presciência dele por sua própria escolha. Então você não irá parar de amar a carne e de temer os sofrimentos? Ou você não sabe que você ainda terá de ser abusado e acusado injustamente; e ainda terá de ser trancado numa prisão, e condenado ilegitimamente, e crucificado sem razão, e enterrado como eu, pelo maligno? Você ousa poupar a carne, você quem, para o Espírito, é uma muralha circundante? Se você considerar quanto tempo o mundo existiu antes de ti, e quanto tempo ele existirá depois de ti, você descobrirá que a sua vida é apenas um dia, e seus sofrimentos uma única hora. Porque o bem não irá permanecer no mundo. Despreze a morte, portanto, e anseie pela vida eterna! Lembre-se da minha vitória sobre a cruz da morte e você viverá!”

Mas eu respondi e disse para ele, “Senhor, não mencione para nós a cruz e morte, pois elas estão longe de ti.”

O Senhor respondeu e disse, “Verdadeiramente, eu te digo, ninguém será salvo a menos que eles também carreguem a minha cruz. Mas aqueles que suportaram a minha cruz, a eles pertence o reino de Deus. Portanto, tornem-se procuradores da morte, como mortais buscando a imortalidade, pois aquilo o que procurarem com diligência será desvelado.

E o que poderia ser mais importante do que isso? Quanto a vocês, quando examinarem a morte, ela os ensinará eleição. Realmente, eu digo a vocês, nenhum daqueles que temem a morte será salvo; porque o reino pertence àqueles que se dispõem à morte. Tornem-se melhores do que eu; sejam como a criança do Espírito Sagrado!”

Então eu perguntei a ele, “Senhor, como nós seremos capazes de profetizar para aqueles que solicitam que profetizemos a eles? Pois há muitos que nos pedem, e nos procuram para ouvir um oráculo de nós.”

O Senhor respondeu e disse, “Vocês não sabem que a cabeça da profecia foi cortada fora com João?”

Mas eu disse, “É possível remover a cabeça da profecia?”

O Senhor disse para mim, “Quando você entender o que significa “cabeça”, e que profecia é emitida da cabeça, (então) entenda o significado de ‘A cabeça dela foi removida.’ Antes eu falava com vocês em parábolas, e vocês não entendiam; agora eu falo com vocês abertamente, e vocês (ainda) não percebem. De fato, eram vocês que me serviam como personagens em minhas parábolas.”

“Falarei claramente e de forma compreensível: apresse-se para ser salvo sem precisar ser impelido! De preferência, esteja ansioso por iniciativa própria, e, se possível, chegue até antes de mim; pois assim o Pai irá amá-lo.”

“Deteste a hipocrisia e reprove os pensamentos impuros; porque esses pensamentos te tornarão hipócrita; e os hipócritas estão longe da verdade.”

“Não permita que a sabedoria do reino eterno se extinga, pois ela é como o broto que germinou quando os frutos dos cachos de uma grande palmeira caíram ao redor dela. Ele cresceu, floresceu, e com o tempo a matriz secou. Igual é o caso dos frutos desta raiz singular. Quando eles foram colhidos, muitos os partilharam, visto que sua qualidade era excelente. Então, quem puder dar prosseguimento à produção das plantas a partir de agora herdará o reino.”

“Já que eu fui glorificado desta maneira, por que vocês me impedem na minha ânsia de ir? Pois após a missão, vocês me obrigaram a ficar com vocês mais dezoito meses em função das parábolas. Foi o suficiente para alguns ouvir o ensinamento e compreender ‘Os Pastores’ e ‘A Semente’ e ‘A Construção’ e ‘As Dez Virgens’ e ‘O Salário do Trabalhador’ e ‘As Duas Dracmas e a Mulher.’”

“Sejam rigorosos quanto à palavra! Pois a respeito da palavra, a primeira parte dela é fé; a segunda, amor; a terceira, proclamação; pois destes vêm a vida. Porque a palavra é como um grão de trigo; quando alguém o semeou, ele teve fé nele; e quando ele havia brotado, ele o amou, porque ele havia visto muitos grãos em lugar de um. E quando ele havia proclamado, ele foi salvo, porque ele zelou pelo alimento imortal, e novamente surgiram outros para semear. Deste mesmo modo vocês também podem receber o reino eterno; a menos que vocês aprendam com quem possui sabedoria vocês não conseguirão alcançá-lo.”

“Portanto, eu digo a vocês, estejam sóbrios; não se poluam com as coisas deste mundo! E muitas vezes eu disse a todos vocês juntos, e também a ti somente, Tiago, eu disse, ‘Seja perfeito!’ E eu te comandei a me seguir, e eu te ensinei o que dizer frente aos arcontes. Observe que eu desci, proclamei a palavra, passei por tribulação e recebi a minha coroa após vencer os regentes do universo. Pois eu desci e vivi com vocês por um tempo, para que em troca vocês possam subir e viver comigo para sempre. E, ao encontrar quase todas as casas do mundo destelhadas, eu habitei nas casas que puderam me receber enquanto eu estive aqui embaixo.”

“Por essa razão, confiem em mim, meus irmãos; entendam o que a Grande Luz é. O Pai não tem necessidade de mim, – porque um pai não precisa de um filho, mas é o filho quem precisa do pai – e é para Ele que eu vou. Pois o Pai do Filho não tem necessidade de vocês.”

“Ouçam atentamente a palavra, compreendam a sabedoria, amem a vida santa, e ninguém que persegui-los e oprimi-los terá alguma importância, exceto vocês mesmos.”

Aos detentores do conhecimento e manipuladores da informação:
“Ó seus desgraçados; Ó seus infelizes; Ó seus fingidores da verdade; Ó seus falsificadores da sabedoria; Ó seus pecadores contra o Espírito! Vocês ainda suportam ouvir, quando cabia a vocês falarem em primeiro lugar? Vocês ainda conseguem dormir, quando cabia a vocês ficarem acordados em primeiro lugar, para que o reino eterno possa recebê-los? Saibam que é mais fácil uma pessoa santa se corromper, ou um iluminado cair na escuridão do que vocês serem salvos, ou até mesmo eles não serem salvos.

Eu escutava as lamentações e o choro dos humildes, enquanto vocês diziam ‘Nós estamos muito à frente deles’. Mas fiquem cientes que vocês é que estão de fora do benefício do Pai. Portanto, chorem, lamentem, se arrependam e comecem a proclamar a verdade, pois eu vim reprovar todos que habitam na escuridão.

Verdadeiramente, eu digo a vocês, tivesse eu sido enviado apenas para os que me ouvem, para ensinar só a eles, eu nunca teria descido para a terra. Portanto, estejam envergonhados por suas ações.”

“Vejam, eu irei deixá-los e ir embora, e não desejo permanecer com vocês por mais tempo, assim como vocês mesmos também não desejam. Agora, sigam-me depressa. É por isso que eu digo, ‘Em consideração a vocês eu desci.’ Vocês são os amados; vocês são aqueles que serão a causa de vida em muitos. Invoquem o Pai, implorem a Deus frequentemente, e ele será generoso com vocês. Abençoado é aquele que o reverencia como fazem os anjos eternos, e que o glorifica junto aos santos; a vocês pertence a vida. Alegrem-se e estejam felizes, como filhos de Deus. Cumpram a vontade dele para que vocês sejam salvos. Aceitem a minha repreensão e se corrijam. Eu intercedo em seu favor com o Pai, e ele os perdoará bastante.”

E quando nós ouvimos estas palavras, nós ficamos contentes, pois nós estávamos aborrecidos pelo que mencionamos antes. Mas quando ele viu nós nos alegrando, ele disse, “Ai daqueles que necessitam de um defensor! Ai daqueles que necessitam da graça! Abençoados serão aqueles que se manifestaram e obtiveram graça para si mesmos.”

“Assemelhem-se aos sentinelas, como eles atuam na vigilância de suas cidades? Por que vocês desanimam e entregam a sua cidade ao invés de defendê-la? Por que você desprotege a sua cidade 1, propositalmente, deixando-a propícia para aqueles que querem invadi-la? Ó seus réprobos e fugitivos, ai de vocês, pois vocês serão pegos! Ou vocês talvez acham que o Pai é um amante da humanidade, ou que ele é conquistado sem orações, ou que ele concede remissão a um em nome de outro, ou que ele atende a qualquer um que pede? Porque ele conhece os desejos que a carne pecaminosa busca. Eles não derivam da alma? Sem a alma que as autoridades conferem à humanidade, o corpo é incapaz de pecar, porque está morto; e sem o Espírito que Deus confere aos seus eleitos a alma não pode ser salva, porque está morta. Mas quando a alma é prudente e rejeita o mal através do poder do Espírito, então a pessoa escapa do pecado. Pois é o Espírito que purifica a alma, e o corpo que a corrompe; consequentemente, a alma insensata destrói a si própria. Realmente, eu digo a vocês, as autoridades celestiais não perdoarão os pecados da alma de forma alguma, nem a culpa da carne; porque nenhum daqueles que adoraram vestir a carne imunda será salvo. Vocês acham que muitos deste mundo conseguiram se tornar perfeitos? Bem-aventurado será o quarto humano que conseguir essa façanha!”

Quando ouvimos estas palavras, nós ficamos angustiados. Mas quando ele viu que nós estávamos perturbados, ele disse, “Por causa disso eu digo isto a vocês, para que vocês possam conhecer a si próprios. Pois o reino eterno é como um grão de centeio que brotou num campo. Quando ele amadureceu ele dispersou suas sementes e preencheu o campo com brotos para mais um ano. Vocês também, corram para colher um broto de vida para si mesmos, para que vocês possam ser preenchidos com o reino!”

“E enquanto eu estiver com vocês, deem atenção a mim, e me obedeçam; mas quando eu os deixar, lembrem-se de mim. E se lembrem de mim porque quando eu estava com vocês, vocês não me conheciam. Abençoados serão aqueles que me conheceram; ai daqueles que ouviram e não acreditaram! Abençoados serão aqueles que não viram, e mesmo assim acreditaram!”

“E mais uma vez eu os ajudo, pois eu revelo que estou construindo uma casa valiosa para vocês se abrigarem, e ela será capaz de resistir ao lado da casa do seu vizinho quando a dele ameaçar desabar.
Verdadeiramente, eu digo a vocês, ai daqueles em função dos quais eu fui enviado para baixo para este lugar; abençoados serão aqueles que sobem para o Pai! Mais uma vez eu os repreendo: vocês que são mundanos, tornem-se como aqueles que são espirituais, para que vocês possam estar com os seres espirituais.”

“Não permitam que o poder do Espírito enfraqueça em vocês, nem sejam arrogantes por causa da luz que os ilumina, mas sejam para os outros como eu sou para vocês. Em função de vocês eu me coloquei sob a maldição, para que vocês sejam salvos.”

Mas Pedro respondeu a estas palavras e disse, “Às vezes você nos incentiva para o reino eterno, e então novamente nos recusa, Senhor; às vezes você nos estimula e atrai para a fé, e nos promete vida, e então novamente nos expulsa do reino eterno.”

Mas o Senhor respondeu e disse para nós, “Eu lhes dei esperança muitas vezes; além do mais, eu me revelei para você, Tiago, e vocês (todos) não me conheceram. Agora, eu os vejo se alegrando muitas vezes, e quando vocês se enchem de felicidade pela promessa de vida, vocês ainda ficam tristes, e se aborrecem quando são instruídos sobre o reino?
Mas todos aqueles que tiverem fé, sabedoria e santidade, podem receber a vida eterna. Portanto, que os perfeitos desdenhem a rejeição quando a ouvirem, mas quando ouvirem a promessa da imortalidade, que se alegrem ainda mais! Realmente, eu digo a vocês, aquele que se tornar perfeito e receber o Espírito de Vida jamais será recusado, e não deixará o reino mesmo se o Pai desejar bani-lo.”

“Estas são as coisas que eu quero dizer por enquanto; agora eu deverei subir para o lugar de onde eu vim. Mas vocês, quando eu estava ansioso para ir, me impediram, e ao invés de me acompanharem, vocês me importunaram. Mas atentem para a glória que me espera, e, tendo aberto o coração de vocês, ouçam os hinos que me aguardam acima dos céus; porque hoje eu devo tomar o meu lugar na mão direita do Pai. Esta é a minha última declaração a vocês, e eu devo os deixar, pois uma carruagem do Espírito me erguerá para o alto, e deste momento em diante, eu irei me despir deste corpo perecível, para que eu possa me vestir de Luz. Mas prestem atenção; abençoados são aqueles que proclamaram o Filho antes da descida dele, para que quando eu viesse, eu possa subir novamente. Triplamente abençoados são aqueles que foram proclamados pelo Filho antes deles surgirem, para que vocês possam ter um quinhão entre eles.”

Tendo dito estas palavras, ele partiu. Mas nós dobramos nossos joelhos, eu e Pedro, e agradecemos, e mandamos nossos corações para cima aos céus. Nós ouvimos com nossos ouvidos, e vimos com nossos olhos, o barulho de guerras, e um soar de trombeta, e um grande tumulto.

E quando nós havíamos ultrapassado os céus dos regentes, nós mandamos nossas mentes ainda mais acima, e vimos com nossos olhos e ouvimos com nossos ouvidos hinos, e bênçãos angelicais, e júbilo angelical. E majestades imortais cantavam louvor, e nós, também, nos alegramos.

Após isto, nós desejamos mandar nosso Espírito para cima para a Majestade, e após subir, não nos foi permitido ver ou ouvir qualquer coisa, porque os outros discípulos nos chamaram e perguntaram, “O que vocês ouviram do Mestre?” e “O que ele disse a vocês?” e “Para onde ele foi?”

Mas nós respondemos a eles, “Ele subiu e nos deu uma confirmação, e prometeu vida para todos nós, e nos revelou crianças que virão depois de nós, e ordenou que nós as amássemos, pois nós seríamos salvos em função delas.”

E quando eles ouviram isto, eles de fato acreditaram na revelação, mas ficaram descontentes por aqueles que irão nascer. E assim, não desejando magoá-los, eu enviei cada um para um lugar diferente. Mas eu mesmo subi para Jerusalém, orando para que eu possa obter um quinhão entre os amados, que se manifestarão.

E eu rezo para que a iniciativa possa vir de ti também, pois assim eu serei digno de salvação, já que eles serão iluminados através de mim, pela minha obra – e através da obra de outros melhores do que eu, porque eu não quero pensar que a minha obra seja a maior. Empenhe-se seriamente, então, para tornar-se como eles, e reze para que você possa obter uma parte entre eles. Porque, como eu havia dito, o Salvador nos revelou tudo em função deles. Nós também, de fato, almejamos uma parte com aqueles para os quais a proclamação foi feita – aqueles a quem o Senhor chamou de filhos dele.

Apócrifo de Tiago.

1. No texto Ensinamento de Silvano, cidade é uma metáfora para ‘alma’.

***

Fonte:

Apócrifo de Tiago. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2010. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200225001531/http://misteriosantigos.50webs.com/apocrifo-de-tiago.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocrifo-de-tiago/

Ordálias

Recebi um comentário interessante, que achei que daria um bom post:

Gostaria de fazer uma pergunta totalmente fora das que li :
Se um homem casado com mulher, que mantem relações homosexuais, escondidas, tivesse interesse no ocultismo ou até mesmo se aprofundar ou vir a faser algum compromisso com alguma ordem, ocorreria em ordálias, por sua situação de não estar respeitando sua vida matrimonial, ou as ordálias funcionam também se houver autoacusação.? Espero resposta.

@MDD – então… acho que a resposta honesta é: sim, ele corre o risco de ser descoberto, por “coincidência”, “azar”, “descuido” ou chame do que quiser.
Se a pessoa está nessas ordens picaretas, brincando de ser “místico”, como a maioria delas hj em dia nessas porcarias que abundam na internet, não há problema… pode ser que consiga manter o segredo pela vida toda…

MAS se estiver em uma Ordem Séria, ou mesmo estudando solitariamente (pelo método do Franz Bardon, por exemplo) e começar a busca pelo Sagrado Anjo Guardiao, ai será despido das falsidades e terá de se encarar como realmente é. Você não tem como mentir pra si mesmo. E ai entram as Ordálias.

Não há problema em você ser homossexual, ou bissexual, ou heterossexual… o próprio Crowley era bissexual e atingiu o estágio de Tiferet . Alguns dos médiuns mais powers que eu conheço são homossexuais… mas eles são o que eles são. Não precisam ficar mentindo nem dando desculpas para ninguém.

Sendo assim, para se tornar realmente um Iniciado, a pessoa que está fazendo este pedido ao Cósmico está pedindo para ser libertado das mentiras e hipocrisias que está envolvido e, se não os faz sozinho, recebe uma “ajuda” do Astral.
Por bem ou por mal.
Recomendo ler também o texto sobre Ordálias que postei algum tempo atrás.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ord%C3%A1lias

Livro Enochiano do Mochileiro dos Éteres

TRADUZIDO E ADAPTADO

POR ROBSON BÉLLI

março de 2022

Sumário

Origem deste material

Este material tem origem no livro “The Enochian workbook” dos autores Gerald & Betty schueller, obra recomendadíssima para aqueles que desejam entender mais sobre o assunto aqui apresentado, foram usadas inúmeras outras referencias tanto pelos autores quanto por mim (Robson Bélli) para a composição deste material.

Este material se refere a pratica da magia neo-enochiana, não sendo usado em outras vertentes, quaisquer outras duvidas pergunte no grupo, estamos sempre prontos em melhor aconselhar o grupo em suas praticas.

*produzido para o grupo enochiano do site  Enoquiano.com.br (Instagram)

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Os 30 Aethyrs

Junto com as Torres de Vigia, existe uma série de 30 regiões sutis no Universo Mágico entre nossa Terra física e as regiões espirituais mais elevadas da divindade. Estes são chamados de Aethyrs ou Aires. O mais baixo é o 30º, chamado TEX. O mais alto é o primeiro, chamado LIL.

Os Aethyrs e seus Governadores

Numero Nome Significado Governadores
30 TEX Aethyr em quatro partes TAOAGLA, GEMNIMB

ADUORPT, DOZIAAL

29 RII Céu VASTRIM, ODRAXTI, GMOTZIAM
28 BAG Duvida TABNIXP, FOKLSNI, OXLOPAR
27 ZAA Solidão SAZIAMI, MATHVLA, KORPANIB
26 DES Aceitação POPHAND, NIGRANA, BAZHIIM
25 VTI Mudança MIRZIND, OBVAORS, RANGLAM
24 NIA Viagem ORAKAMIR, KHIASALPS, SOAGEEL
23 TOR Trabalho RONOAMB, ONIZIMP, ZAXANIN
22 LIN Vazio OZIDAIA, KALZIRG, LAZDIXR, PARAOAN
21 ASP Reação KHLIRZPA, TOANTOM, VIXPALG
20 KHR Roda ZILDRON, PARZIBA, TOTOKAN
19 POP Divisão TORZOXI, ABRAIOND, OMAGRAP
18 ZEN Sacrifício NABAOMI, ZAFASAI, VALPAMB
17 TAN Sacrifício SIGMORF, AYDROPT, TOKARZI
16 LEA Equilíbrio KUKUARPT, LAUAKON, SOKHIAL
15 OXO Self TAHAMDO, NOKIABI, TASTOXO
14 VTA Dança TEDOAND, VIVIPOS, VOANAMB
13 ZIM GEKAOND, LAPARIN, DOKEPAX
12 LOE Gloria TAPAMAL, GEDOONS, AMBRIOL
11 IKH Tensão MOLPAND, VSNARDA, PONODOL
10 ZAX Abismo LEXARPH, KOMANAN, TABITOM
09 ZIP Sem ego ODDIORG, KRALPIR, DOANZIN
08 ZID Deus interior ZAMFRES, TODNAON, PRISTAK
07 DEO Amor OPMAKAS, GENADOL, ASPIAON
06 MAZ Aparências SAXTOMP, VAUAAMP, ZIRZIRD
05 LIT Ímpio LAXDIXI, NOKAMAL, TIARPAX
04 PAZ Manifestação THOTANF, AXZIARG, POTHNIR
03 ZOM auto-conhecimento SAMAPHA, VIRLOLI, ANADISPI
02 ARN Preenchimento DOAGNIS, PAKASNA, DIAIVOIA
01 LIL O primeiro Aethyr OKKODON, PASKOMB, VALGARS

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O Corpo de Luz

Você tem um corpo que é feito de luz, não de carne. Você pode sair do corpo de carne e depois retornar a ele. Como mago, você deve aprender a fazer isso à vontade. Assim como o corpo de carne vive no mundo físico, o Corpo de Luz vive no Universo Mágico. Assim como o corpo de carne tem sentidos para agir e reagir no mundo físico, o Corpo de Luz tem sentidos para agir e reagir no Universo Mágico. O Corpo de Luz é invisível aos olhos físicos, mas pode ser visto com a visão interior (tela mental). É em forma de ovo e permeia o corpo de carne que se projeta em todas as direções.

A doutrina do Corpo de Luz é muito antiga. Era bem conhecido, por exemplo, no antigo Egito. É um termo geral para o corpo sutil que na verdade é composto de um corpo divino, um corpo espiritual, um corpo causal, um corpo mental, um corpo astral e um corpo etérico. A Tabela  mostra as principais partes do Corpo de Luz da pessoa usadas na Magia Enoquiana com a Magia Egípcia e a Teosofia moderna para comparação.

O Corpo de Luz

Enochiano Egípcio Teosofia
Eterico Khaibit Linga-sarira
Astral Ka Kama
Mental Ba Mana inferior
Causal Sahu Mana superior
Espiritual Khu Buddhi
Divino Khabs Atma

Como entrar no corpo de luz? Na forma Deus, como desenvolver e fortalecer seu corpo de luz? Ritual do pilar do meio.

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Como Assumir as Formas de Deus

Seu Corpo de Luz é plástico e pode assumir qualquer forma de acordo com sua vontade.

Isso permite que um mago ou iogue assuma a forma de qualquer deus ou deusa enquanto viaja no Universo Mágico.

Você deve selecionar uma entidade enoquiana apropriada e assumir sua forma ao entrar em seu Corpo de Luz. Então seu Corpo de Luz naturalmente reterá esta forma durante toda a operação.

A fim de ajudar na construção de uma forma deus apropriada para os Anjos Maiores e Menores das Torres de Vigia, cada letra em seu nome tem as correspondências mostradas na Tabela.

Letras enochianas

Correspondências Telesmáticas

A                     Macho             espiritual, asas

B                     Macho             ativo

C, K                Macho             grande, forte

D                     Femea             Bonito, atrativo

E                     Femea             feroz, bravo

F                      Macho             pesado, desajeitado

G                     Femea             bonito, diferente

H                     Femea             indefinido

I, J, Y             Femea             delicado

L                     Femea             gracioso

M                    Femea             reflexivo, sonhador

N                     Macho             negro, determinado

O                     Macho             mecanico

P                      Femea             feroz, resoluto, forte

Q                     Femea             introspectivo, inteligente

R                     Macho             pesado

S                      Macho             orgulhoso, dominante

T                     Macho             feroz, ativo

U, V, W          Macho             escuro

X                     Macho             expressivo, magro

Z                     Macho             magro, inteligente

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Objetivos de aprendizado

Este material contém quatro lições sobre como vivenciar as Torres de Vigia e os Aethyrs. Duas técnicas mágicas são apresentadas. A primeira é como olhar o cristal (como praticar videncia); a segunda é viajar na Visão do Espírito ou viagem astral. Você deve começar com a contemplação do cristal, que é fácil e sem perigo. Instruções detalhadas são dadas para que você possa entrar nas Torres de Vigia e Aethyrs, descritos pela Magia Enoquiana, e ver essas regiões sutis e seus habitantes por si mesmo. Ao concluir a leitura, você deverá ser capaz de:

  • Como olhar o cristal
  • Viajar na Visão do Espírito
  • Procure ou visite as Torres de Vigia
  • Esquadrinhar ou visitar os Aethyrs

Como olhar o Cristal

A palavra skrying significa “vidência”. Quando você olha para uma bola de cristal ou QUALQUER OUTRA SUPERFICIE REFLEXIVA, você está tentando ver alguma coisa. Tradicionalmente, a skrying tem sido usada para adivinhação – para ver o futuro. A bola de cristal tornou-se estereotipada como uma ferramenta do cigano ou cartomante. No entanto, Dee e Kelly usaram a técnica para examinar as Torres de Vigia e Aethyrs da Magia Enochiana com grande sucesso.

Existem muitas formas de skrying. Por exemplo, a Hidromancia está mergulhando na água; leconomia é skrying em óleo que é derramado na água; catoptromancia é espiar em um espelho, e assim por diante.

A pedra de demonstração de Dee, que ele chamava de “pedra angelical”, era do tamanho de um ovo.

Antes de começar a praticar skrying, você deve comprar seu próprio cristal de quartzo. Um cristal de quartzo claro ou rosa também pode funcionar bem. Idealmente, você deve experimentar vários tipos até encontrar um que funcione melhor para você.

Não há regras rígidas para olhar cristal. Pode ser segurado em suas mãos, ou colocado em um suporte à sua frente, ou simplesmente colocado em uma mesa, desde que não role.

Ao adicionar detalhes ao processo de skrying, deve fazer isso com cuidado. Por exemplo, William Lilly tinha um cristal em um suporte de prata com os nomes dos anjos gravados nele. No entanto, você não quer adicionar tantos detalhes que se tornem uma distração. Por exemplo, você pode queimar velas, ou usar uma mesa redonda com uma cobertura apropriada, ou queimar incenso. Você pode querer realizar um ritual de purificação apropriado de antemão para ajudá-lo a focar sua mente no objetivo desejado. Todos esses detalhes podem ser úteis, mas não deixe que eles o distraiam.

Qualquer que seja sua preparação e equipamento, a operação real é muito simples – apenas olhe para o cristal e observe o que você vê lá, se é que vê alguma coisa. Isso parece bastante fácil, mas você pode não ver nada, ou pode ver as coisas erradas. A ilusão e o engano abundam nos planos astral e mental e é por isso que as atalaias de sinalização são tão necessárias. Enquanto olha para o cristal, concentre-se nos simbolos conhecidos de onde você quer ver/ir. Isso ajudará a direcionar sua mente para o lugar certo.

A maioria dos observadores de cristal bem-sucedidos relatam que seus cristais aparecem primeiro nublados ou enevoados. Então eles detectam movimento – como nuvens sendo sopradas pelo vento. À medida que a névoa recua, uma visão aparece. Essas visões podem variar de um sentimento abstrato a uma imagem clara.

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Viagem na visão do Espírito

A técnica mágica conhecida como “viagem na visão espiritual” é mais avançada do que a simples clarividência ou visão psíquica. Depois de dominar como olhar o cristal, você deve estar pronto para avançar para a viagem na visão espiritual.

Basicamente, a diferença é esta: ao contemplar o cristal, seu Corpo de Luz permanece dentro de seu corpo físico. Ao fazer viagem na visão espiritual, sua consciência deixa o corpo físico e entra em seu Corpo de Luz, que então vai para o local desejado. Viajar na Visão Espiritual é idêntico à viagem astral. O processo é como adormecer, exceto que você permanece consciente e retorna ao seu corpo físico com a memória completa de suas experiências.

Como vimos, a Magia Enoquiana ensina que um mundo invisível nos cerca. Não podemos ver este mundo com nossos olhos físicos, mas podemos vê-lo mais ou menos claramente com nossa visão astral ou visão interior (tela mental).

Somos mais do que apenas um corpo físico. Cada um de nós tem sete corpos ou “bainhas”. O sétimo, o mais grosseiro, é o nosso corpo físico. Dentro do corpo físico existe um corpo etéreo que contém o prana do Yoga e o chi da acupuntura. Isso é chamado de corpo etérico. Dentro do corpo etérico, há outro menos denso. Este é o corpo astral, o corpo de nossos sentimentos e emoções. Dentro do corpo astral há outro menos denso. Este é o corpo mental, o corpo dos nossos pensamentos. Dentro do corpo mental está o corpo causal que está dentro do corpo espiritual que, por sua vez, está dentro do nosso corpo divino.

A Tabela adiante mostra todos os sete corpos. Cada corpo é composto de elementos de um plano diferente, e cada corpo funciona com um conjunto completo de sentidos nesse plano.

Assim, o corpo astral tem sentidos astrais que funcionam no plano astral. O corpo mental tem sentidos psíquicos que funcionam no plano mental, e assim por diante.

Observe que o corpo e os nomes dos planos ocultos padrão são idênticos.

Observe que apenas cinco planos enoquianos são dados. O plano físico não tem equivalente enoquiano especial simplesmente porque é nosso mundo físico normal. O plano mais alto, correspondente ao Divino, também não é mencionado na Magia Enoquiana. Este plano era considerado alto demais para falar em palavras e geralmente era mantido em segredo.

Os corpos e planos

Corpo do Plano Cósmico

Corpo Ocultismo Enochiano
Físico Físico
Etérico Etérico Torre da terra
Astral Astral Torre da agua
Mental Mental Torre do ar
Causal Causal Torre do fogo
Espiritual Espiritual Tablete da união
Divino Divino

A Tabela anterior nos fornece a base teórica para a vidência na Magia Enochiana.

O objetivo é experimentar, em algum grau, os mundos das Torres de Vigia.

A Magia Enochiana também ensina que existem 30 estados especiais, nestes planos internos, chamados Aethyrs ou Aires. Conforme mostrado na Tabela do inicio deste material, estes variam desde o mais baixo e mais denso, chamado TEX, até o mais alto e mais espiritual, chamado LIL. O mago enoquiano aprende a praticar videncia nos Quadrados das Torres de Vigia e nos Aethyrs.

A principal razão para fazer isso é aprender em primeira mão a verdade sobre você e seu universo.

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Skrying visitando as Torres de Vigia

As quatro Torres de Vigia e 30 Aethyrs da Magia Enochiana são planos e subplanos dentro do Universo Mágico. São regiões do espaço interior. Eles podem ser visitados por você em seu Corpo de Luz. Para entrar nas Torres de Vigia, você pode praticar videncia usando um cristal ou viajar com seu Corpo de Luz. Em geral, skrying é mais fácil e seguro e, portanto, é o procedimento recomendado para iniciantes.

O seguinte é um esboço de como um mago enoquiano entraria nas Torres de Vigia:

PASSO 1.

Recite a Chamada ou Chamadas apropriadas.

PASSO 2.

Vibre os Nomes de Poder apropriados.

PASSO 3.

Olhe para uma superfície reflexiva ou bola de cristal ou entre em seu Corpo de Luz da seguinte forma:

  1. Corpo etérico para a Torre de Vigia da Terra
  2. Corpo astral para Torre de Vigia da Água
  3. Corpo mental para A Sentinela do Ar
  4. Corpo causal para A Sentinela de Fogo
  5. Corpo espiritual para Tabela da união

PASSO 4.

Faça o Sinal do abrir o Véu para entrar em um Quadrado.

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Comentários.

Entre nas Torres de Vigia em ordem serial. Sempre entre primeiro na Terra, depois na Água, depois no Ar, depois no Fogo e só então na Tábela da União. A Chamada correta a ser usada para as Torres de Vigia depende da atalaia que está sendo visitada.

Use os Chamados para a divindade da atalaia a ser visitada. Depois que o sucesso for obtido e você tiver adquirido prática suficiente nas Torres de Vigia, você descobrirá que apenas pensar no Chamado terá o mesmo efeito que recitá-lo.

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Ritual de Vigilância do Quadrado “O” de “OPNA” na Terra da Terra

Agora vamos juntar todas as diferentes técnicas mágicas que aprendemos e realizar um ritual que nos permitirá praticar a “viagem” (viagem na visão mental) o subquadrante Terra da Terra na Torre de Vigia da Terra. Visitaremos a atalaia Menor O da OPNA.

Você pode encontrar este Quadrado na Figura a seguir: Comece no canto inferior esquerdo da Torre de Vigia, conforme mostrado na Figura a seguir, e conte quatro fileiras para cima, contando a fileira de baixo como a primeira.

O mesmo Quadrado, desenhado como uma pirâmide truncada, pode ser encontrado no subquadrante. Terra da Terra. Como mostrado, a pirâmide truncada tem quatro lados, três de Terra e um de Fogo.

PASSO 1.

Comece desenhando um círculo mágico para trabalhar (não consagre ainda). Coloque um altar (uma mesa com uma cobertura apropriada serve) no centro. Coloque um cristal ou superfície reflexiva (taça de agua, espelho, etc…) em um pano preto no altar. Além disso, coloque duas velas (de preferencia) pretas no altar atrás do cristal. Faça uma pirâmide truncada (veja o final do material, temos um modelo lá), para o Quadrado O, e coloque-a atrás do cristal e entre as duas velas.

PASSO 2.

Consagre o círculo conduzindo o Ritual de Invocação do Pentagrama. Ao conduzir o ritual de invocação, use a mão para traçar os pentagramas.

PASSO 3.

Recite a Chamada apropriada. Você vai praticar videncia no subquadrante Terra da Terra. De acordo com as regras das chamadas, você só precisa recitar a Quinta Chamada.

PASSO 4.

Vibre os Nomes de Poder apropriados, conforme aprendido no “Livro das entidades enochianas”.

Vibre cada um dos seguintes nomes na ordem mostrada:

IKZHIKAL

LAIDROM

AKZINOR

LZINOPO

ALHKTGA

AHMLLKV

LIIANSA

ABALPT

ARBIZ

NRONK

RONK

PASSO 5.

Faça o Sinal do abrir o Véu (mostrado anteriormente). Olhe para o seu cristal e imediatamente após a experiência registre o que você vê ou ouve.

PASSO 6.

Se você tiver sucesso neste ponto, deverá ver algo como um vulcão ou chamas ardentes saindo do chão. Agora vamos olhar para alguns dos sinais para esta região. A divindade egípcia é Hórus, o deus do crescimento e da manifestação física com cabeça de falcão. A esfinge será uma vaca com pernas e cauda de leão. O Arcanjo é TOPNA que é muito semelhante a Hórus.

TOPNA veste um manto laranja. Ele é muito forte e terrível de se olhar. Ele carrega uma flecha e a usa para apontar para as chamas de seus processos alquímicos.

O anjo aqui é OPNA. Ele também usa um manto laranja. Tanto o TOPNA quanto o OPNA se movem rapidamente, com pequenas asas nos pés. O Demônio neste Quadrado é TOP. As forças primárias que atuam nesta região são criativas, tendo a ver com a manifestação física da vida. Mas, enquanto um vulcão é, em última análise, criativo ao fazer mais terra, a curto prazo é altamente destrutivo e perigoso. As forças astrológicas de Câncer operam nesta Quadratura, mas são opostas ou complementadas pelas forças da morte, que também estão aqui (sugeridas pelo elemento Fogo, mas também pela letra N (ver Tabela das letras das correspondências telesmaticas) nos nomes dos Anjos.

PASSO 7.

Encerre realizando o Ritual de Banimento do Pentagrama. Verifique seus resultados em relação às atalaias conhecidas.

Planilha de exemplo para Skrying visitando as Torres de Vigia

Primeira entrada:

Encontro: Data:
Tempo: Lugar:
Torre de Vigia visitada:
Praça da Torre de Vigia pretendida:
Atalaia de sinalização conhecida:
Método (Marque um):
A Espionagem através de cristal
B Visitando via Corpo de Luz
Resultados:  

 

 

 

 

 

Comentários:  

 

 

 

 

 

 

 

Segunda entrada:

Encontro: Data:
Tempo: Lugar:
Torre de Vigia visitada:
Praça da Torre de Vigia pretendida:
Atalaia de sinalização conhecida:
Método (Marque um):
A Espionagem através de cristal
B Visitando via Corpo de Luz
Resultados:  

 

 

 

 

 

Comentários:  

 

 

 

 

 

 

 

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Skrying visitando os Aethyrs

O seguinte é um esboço de como um mago enoquiano entraria nos Aethyrs:

PASSO 1. Recite a Chamada apropriada.

PASSO 2. Invoque os Governadores apropriados.

PASSO 3. Entre em seu Corpo de Luz para uma visita ou olhe para uma pedra de cristal para observação.

PASSO 4. Concentre-se nas Atalaia de sinalização conhecidas.

PASSO 5. Faça o Sinal do abrir do Véu para entrar no Aethyr.

Comentario.

Entre nos Aethyrs em ordem serial. Sempre insira TEX primeiro, depois RII e assim por diante.

Entrando no TEX

  1. Fique de frente para o oeste — a Torre de Vigia da Água contém os quatro governadores do TEX.
  1. Recite o Chamado para TEX: “Os Céus que estão no Trigésimo Aethyr, TEX, são poderosos nessas regiões do universo…”.
  1. Vibre os dois nomes a seguir:

MPH-ARSL-GAIOL

RAAGIOSL

  1. Vibre o nome TAOAGLA e trace seu sigilo no ar diante de você. Visualize o sigilo na cor azul, a cor da Torre de Vigia da Água. Este Governador é bondoso e justo.
  1. Vibre o nome GEMNIMB e trace seu sigilo no ar diante de você (conforme a figura adiante). O sigilo deve ser azul, a cor da Torre de Vigia da Água. Este Governador é muito crítico, mas seus julgamentos são muitas vezes temporários e podem ser alterados.
  1. Vibre o nome ADUORPT e trace seu sigilo no ar diante de você. O sigilo deve ser azul, a cor da Torre de Vigia da Água. Este Governador tem uma natureza feminina e passiva como a lua.

Figura dos sigilos dos quatro Governadores do TEX

  1. Vibre o nome DOZIAAL e trace seu sigilo no ar diante de você (veja a Figura acima). O sigilo deve ser azul, a cor da Torre de Vigia da Água. Este Governador é muito emotivo e pode conceder prazer ou dor, alegria ou tristeza.
  1. Concentre-se no TEX, região dividida em quatro partes:

TAOAGLA governa o Ocidente.

A ADUORPT governa o Sul.

DOZIAAL governa o Oriente.

GEMNIMB governa o Norte.

  1. Observando seu cristal ou entre em seu Corpo de Luz. Tente se ver no Aethyr. Se necessário, Se você ainda tiver problemas, faça o Sinal de Rasgar o Véu como indicado.

Resumo

A palavra skrying significa “videncia”. Quando você observa uma bola de cristal ou superfície reflexiva, você está tentando ver alguma coisa. Tradicionalmente, a skrying tem sido usada para adivinhação.

Existem muitas formas de skrying. A hidromancia é feita com espelhos de água;

leconomia é skrying em óleo que é derramado na água; catoptromancia é com um espelho, e assim por diante.

Não há regras rígidas para essa observação do cristal. Pode ser segurado em suas mãos, ou colocado em um suporte à sua frente, ou simplesmente colocado em uma mesa, desde que não role.

Adicionar detalhes ao processo de skrying pode ser útil no foco, mas deve ser adicionado com cuidado.

A ilusão e o engano abundam nos planos astral e mental e é por isso que as atalaias de sinalização são tão necessárias.

A técnica mágica conhecida como “viagem na visão espiritual” é mais avançada do que a simples clarividência ou visão psíquica. Ao observar o cristal, seu Corpo de Luz permanece dentro de seu corpo físico. Ao fazer viagem na visão espiritual, sua consciência deixa o corpo físico e entra em seu Corpo de Luz, que então vai para o local desejado.

Viagem na Visão Espiritual é idêntico à viagem astral. O processo é como adormecer, exceto que você permanece consciente (acordado) e retorna ao seu corpo físico com a memória completa de suas experiências.

Um mundo invisível nos cerca que só podemos ver com nossa visão astral ou visão interior.

Cada um de nós tem sete corpos ou “revestimentos”: o corpo físico, o corpo etérico, o corpo astral, o corpo mental, o corpo causal, o corpo espiritual e o corpo divino. Cada corpo é composto de elementos de um plano diferente, e cada corpo funciona com um conjunto completo de sentidos nesse plano. O corpo astral tem sentidos astrais que funcionam no plano astral. O corpo mental tem sentidos psíquicos que funcionam no plano mental, e assim por diante.

Enquanto as escolas ocultistas tradicionais listam sete planos e corpos, a magia enoquiana lista apenas cinco. O plano físico não tem equivalente enoquiano especial simplesmente porque é nosso mundo físico normal. O plano mais alto, correspondente ao Divino, também não é mencionado porque era considerado muito elevado para falar em palavras e geralmente era mantido em segredo.

O objetivo da skrying é experimentar os mundos dos Aethyrs da Torre de Vigia.

A principal razão para fazer isso é aprender em primeira mão a verdade sobre você e seu universo.

As quatro Torres de Vigia e 30 Aethyrs da Magia Enochiana são planos e subplanos dentro do Universo Mágico. São regiões do espaço interior. Eles podem ser visitados no Corpo de Luz. Para entrar nas Torres de Vigia, você pode praticar videncia usando um cristal ou visitar em seu Corpo de Luz. Em geral, skrying é mais fácil e seguro e, portanto, é o procedimento recomendado para iniciantes.

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O que fazer agora

  1. Tente entrar em um dos Quadrados Menores da Terra usando um cristal de quartzo. Registre seus resultados na ficha.
  1. Tente viajar na visão espiritual para um dos Quadrados Menores da Terra da Terra.

Registre seus resultados na ficha. Compare os resultados da visão espiritual com a contemplação do cristal.

  • Usando uma das duas técnicas mágicas que você aprendeu neste material (ou seja, vidência de cristal ou entrar em seu Corpo de Luz), visite o primeiro Aethyr TEX e registre seus resultados.

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Teste de conhecimento

  1. Múltipla escolha: A palavra “skrying” significa
  2. sabedoria.
  3. visão.
  4. cálculo.
  5. vôo.
  1. Verdadeiro ou Falso: Hidromancia é a técnica de skrying na água.
  1. Verdadeiro ou Falso: O cristal usado por John Dee era do tamanho de um ovo.
  1. Por que as atalaias de sinalização são necessários ao viagem as Torres de Vigia e os Aethyrs.
  1. Qual é a diferença entre olhar cristal e viajar na Visão do Espírito?
  1. Qual corpo sutil corresponde à Torre de Vigia do Ar.? A Sentinela de Fogo.?
  1. Verdadeiro ou Falso: Você pode observar as Torres de Vigia e Aethyrs olhando para uma tigela de água.
  1. Verdadeiro ou Falso: Entrar em seu Corpo de Luz e viajar em sua Visão Espiritual é tão fácil quanto observar o cristal.
  1. Verdadeiro ou Falso: Ao entrar em um Aethyr, você não precisa recitar uma Chamada.
  1. Verdadeiro ou Falso: Ao entrar em um Aethyr, você não precisa se dirigir aos Governadores.
  1. Quantos Governadores estão no TEX.? Quais são os nomes deles.?
  1. Qual é o primeiro Aethyr que todo aluno deve entrar primeiro:
  • Qual é a primeira Sentinela que todo estudante deve tentar entrar primeiro?

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Adendo

PARA VIAJAR PELOS “ARES” (da Clavícula de Salomão de Iroe o Mago)

 

– ATHA, MILECK, NIGHELIONA, ASSERMALOCH, BASSAMOIN, EYES, SARA MAMACHIN, BAAREL, EMOD, EGUEN, SERNOS. A vós espíritos invisíveis e intangíveis que percorreis o firmamento sem cessar os invoco nesta hora solene para que me presteis vossas poderosas asas para que eu possa ir com a velocidade do vento a… [nome do lugar].

RITUAL DO PILAR DO MEIO (adaptado do Círculo Iniciático de Hermes e de Donald Michael Kraig)

  1. Preparação.

Volte-se para o leste e faça um exercício de relaxamento.

Realize o Ritual Menor do Pentagrama banindo.

Imagine-se em um templo. Visualize o Pilar Negro da Severidade à esquerda, o Pilar Branco da Misericórdia à direita e você ao centro no Pilar do Equilíbrio.

  1. Pilar do Meio.

Eleve sua atenção até Kether. Imagine uma esfera de luz que brilha intensamente acima de sua cabeça sem tocá-la.

Contemple esta luz por alguns instantes. Sinta a energia que emana desta esfera enquanto vibra:

– Eheieh.

Desta esfera a luz se projeta para baixo até formar uma segunda esfera de luz na região da nuca. A luz de Kether flui para Daath. Sinta sua energia enquanto vibra:

– IHVH Elohim.

A luz se projeta desta esfera para formar uma terceira esfera de luz na região do coração. A luz de Daath flui para Tiphereth.

Sinta sua energia enquanto vibra:

– IHVH Eloah Ve Daat.

A luz projeta-se desta esfera para formar a próxima esfera de luz na região dos órgãos sexuais. A luz de Tiphereth flui para Iesod. Sinta a energia desta esfera enquanto vibra:

– Shadai El Chai.

A luz projeta-se desta esfera para formar uma nova esfera de luz nos pés. A luz de Iesod flui para Malchut. Visualize esta esfera de luz e sinta sua energia enquanto vibra:

– Adonai Ha Aretz.

Visualize o Pilar do Meio formado por suas esferas de luz alinhadas ao longo de seu corpo.

  1. Circulação do Corpo de Luz.

Volte sua atenção para Kether, a esfera acima da cabeça, e visualize-a absorvendo energia do Ain Soph Aur, da Luz Ilimitada, e transmitindo esta energia para as outras esferas. A cada expiração sinta a energia descer da esfera do topo da cabeça até a esfera dos pés pelo lado esquerdo do corpo. Ao inspirar sinta a energia subir da esfera dos pés até a esfera do topo da cabeça passando pelo lado direito do corpo. Repita este exercício por várias vezes. Visualize, então, a energia descer pela frente do corpo enquanto o ar é exalado e subir pelas costas enquanto o ar é inspirado. Repita exte exercício por várias vezes. Visualize este processo e sinta este processo de forma profunda e real.

Visualize as esferas de luz em seu corpo que formam o Pilar do Meio. Leve sua atenção à esfera dos pés e, ao inspirar, sinta e visualize a energia desta esfera subir pelo corpo como uma corrente de energia espiralada até o topo da cabeça. Ao exalar sinta e visualize esta energia sendo derramada por todo o seu corpo retornando à esfera de luz situada nos pés. Repita este exercício várias vezes.

GRANDE TABELA E OS SIGILOS

ATALAIA DO AR

ATALAIA DO FOGO

ATALAIA DA TERRA

ATALAIA DA AGUA

ATALAIA DA TABELA DA UNIÃO (CRUZ CENTRAL)

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Bibliografia

  1. Enochian workbook, The, Gerald & Betty Schueler, Llewellyn.
  2. Enciclopédia de Cristal, Gem e Metal Magic de Cunningham. Scott Cunningham, Llewellyn.
  3. Segredos da adivinhação cigana. Raymond Buckland, Llewellyn,
  4. Cristal Iluminismo. Catarina Raphaell, Aurora.
  5. Consciência Cristal. Catherine Bowman, Llewellyn.
  6. Crystal Power., Michael G. Smith, Llewellyn.
  7. Projeção Astral, Magia e Alquimia. Ed por Francis King, Weiser.
  8. De Vigiar e Viajar na Visão do Espírito. Papel da Aurora Dourada encontrado em Golden Dawn de Regardie, Vol 4, Llewellyn.
  9. As Confissões de Aleister Crowley. John Symonds e Kenneth Grant, Bantam.
  10. O Guia Prático de Llewellyn para: Projeção Astral. Denning & Phillips, Llewellyn.
  11. Autodefesa Psíquica e Bem-Estar. Denning & Phillips, Llewellyn.
  12. O Guia Interno de Llewellyn para Estados Mágicos de Consciência. Denning & Phillips, Llewellyn.
  13. O Guia Prático de Llewellyn: O Desenvolvimento de Poderes Psíquicos. Denning & Phillips, Llewellyn.
  14. The Golden Dawn. Vol 10, Israel Regardie, Llewellyn.
  15. The Vision and the Voice. Aleister Crowley.
  16. LiberLXKXIX vel Chanokh. Aleister Crowley.
  17. The Enochian Evocation of Dr. John Dee. Ed. & Trans by Geoffrey James,Heptangle.
  18. Enochian Magic: A Practical Manual. & B. Schueler, Llewellyn.
  19. An Advanced Guide to Enochian MagicG. Schueler, Llewellyn.
  20. Enochian Physics. G. Schueler, Llewellyn.
  21. Enochian Yoga. G. & B. Schueler, Llewellyn.
  22. Enochian Tarot. G. & B. Schueler, Llewellyn.
  23. Golden Dawn Enochian Magic. Pat Zalewski, Llewellyn.
  24. Mysteria Magica. Denning & Phillips, Llewellyn.
  25. The Enochian Tarot Card Deck. G. & B. Schueler & Sallie Ann Glassman, Llewellyn
  26. A True and Faithful Relation of What Passed For Many Years Between Dr.
  27. John Dee and Some Spirits. Meric Casaubon, Askin.
  28. The Complete Enochian Dictionary. Donald C. Laycock, Askin.
  29. Astral Projection, Magic, andAlchemy. S. L. MacGregor Mathers and others, Ed. by Francis King, Destiny Books.

Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/guia-enochiano-do-mochileiro-dos-eteres/

As origens do culto de Cosme e Damião

Júlio Cesar Tavares Dias
juliocesartdias@hotmail.com

“Aqui queremos lembrar
Dois Dois a biografia
Pouco vamos encontrar
Porque pouco se escrevia
O que pude pesquisar
Só resolvi publicar
Porque muitos me pediam”
– Frei Urbano de Souza (1991, p. 7)

Nós compartilhamos o sentimento de Frei Urbano de Souza expresso nos seus versos de cordel que vêm à epígrafe deste artigo. No Brasil existe a prática de distribuir balas e doces como pagamento de promessas aos Santos Cosme e Damião, padroeiros das crianças. Em 2010, quando resolvemos escrever sobre este tema (Dias, 2010), frisávamos que o modo de distribuir o doce de Cosme e Damião vem sofrendo mudanças devido à recusa dos evangélicos em receber o doce. Mas, além do fato de que Cosme e Damião foram sincretizados no Brasil com os Ibeji e que os evangélicos rejeitavam o doce justamente por conta desse sincretismo, praticamente nada sabíamos sobre essa devoção e suas origens. Pesquisar as origens do culto desses santos é encarado por nós, então, como um desafio.

Celeno de Figueiredo (1953, p. 5), na introdução de sua obra, afirma que escrever sobre os santos gêmeos é um desejo da mocidade, não realizado há mais tempo, “em virtude da inegável escassez de literatura”. Acreditamos que, ainda hoje, embora passadas décadas desde o seu trabalho, há escassa biografia sobre esse tema em relação à força que essa devoção continua demonstrando no Brasil.

O culto aos santos

Como sabemos, nos inícios do cristianismo, o termo “santo” (que significa separado) era usado de forma geral para se referir aos cristãos. Para se verificar isso basta dar uma olhada rápida nas saudações das epístolas (BÍBLIA, 1993, 1 Coríntios 1: 2 e Efésios 1: 1, e. g.). Com o tempo, esse termo passou a designar as pessoas na comunidade cristã dignas de admiração por alguma virtude ou feito particular. O problema, como coloca Bárbara Lucas (1969, p. 417), ocorre porque “com o tempo, grande número de lendas […] começou a envolver alguns dos santos”, como resultado disso, “a Igreja decidiu que no futuro só se deveriam aceitar como santas as pessoas que fossem formalmente declaradas como tais pelo Papa. Dá-se a isso o nome de Canonização”. O processo visa constatar se o candidato possui uma “virtude verdadeiramente heroica” (Lucas, 1969, p. 418).

As honrarias católicas dos santos e o próprio processo de canonização, a nosso ver, devem-se muito a heroização que os romanos faziam de seus entes falecidos: “tais crenças eram largamente tributárias aos usos tradicionais por meio dos quais os pagãos honravam seus defuntos e especialmente aquêles que criam promovidos à heroização” (Danieloo; Marrou, 1966, p. 320, sic).

O culto dos mártires

Luiz Mott (1994, p. 4) propõe uma tipologia dos santos adorados no Brasil Colonial: “Mártires, Clérigos e Religiosos, Santas Mulheres, concluindo com uma relação dos que tiveram a má sorte de serem considerados Falsos Santos”. A devoção a Cosme e Damião se enquadra no culto aos mártires, pois “chama-se mártir quem derrama seu sangue pela causa de Cristo” (Martins, 1954, p. 5). Claro que não só no cristianismo existem mártires, o mártir cristão seria caracterizado por uma atitude especial ao enfrentar o martírio. Mondoni (2001, p. 56) procede à caracterização do mártir cristão:

[…] não procurava o perigo, mas quanto possível o evitava, […] enfrenta a morte não como cortejo triunfal, mas numa via solitária e em pleno abandono […]; sua fortaleza aparecia não do desejo do sofrimento, mas da serenidade com que ia ao encontro do fim inevitável.

Para o estudo da vida dos mártires, podemos contar com os seguintes documentos: Acta, Passio, Gesta (narrações posteriores às perseguições com justaposição de elementos históricos e lendários) (Mondoni, 2001, p. 56). São critérios para historicidade de um mártir: testemunho direto (Acta, Passio3), inscrição tumular com o qualificativo ‘mártir’, traços seguros de um antigo culto (basílica, cemiterial), menção nos antigos martirológios (Mondoni, 2001, p. 56-57).

Martirológio era, basicamente, “um fichário ou catálogo daqueles que com, com sangue, abonaram o testemunho de sua fé em Cristo. Os antigos martirológios constituíam uma espécie de calendário litúrgico” (Martins, 1954, p. 5). O Martirológio Romano consiste da junção dos vários martirológios regionais, sendo considerado definitivo o texto de Barônio, que depois foi muitas vezes revisto, corrigido e ampliado, tendo sido atualizado pela última vez em 1922, por ordem de Bento XV. Ele é um dos livros litúrgicos oficias da igreja, os quais são, a saber: Missal, Breviário, Ritual Pontifical, Cerimonial e Martirológio.

Claro que no Martirológio Romano “Alguns dados são passíveis de revisão histórica […]. A Santa Igreja desde muito procura escoimá-lo de erros e inexatidões históricas” (Martins, 1954, p. 6). Aliás, “A Igreja é a primeira a querer a verdade histórica. Mas convenhamos. Corrigir não é arrasar, sem mais nem menos, textos venerandos” (Martins, 1954, p. 7).

Foxe4 (2005, p. 13) lembra que ao fundar sua igreja Cristo deixou claro que haveria perseguição, mas que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Assim deve-se ler a história dos mártires como “proveito do leitor e da edificação da fé cristã” (Foxe, 2005, p. 14). Para esse autor:

As causas de tanta perseguição aos Cristãos por parte dos imperadores romanos foram principalmente estas: o medo e o ódio. Primeiro o medo, porque os imperadores e o senado, por ignorância cega, […] temiam e desconfiavam que ele (Cristo) pudesse subverter o seu império. Por isso buscaram todos os meios possíveis […] para extirpar totalmente o nome e a memória dos cristãos. Em segundo lugar, o ódio em parte porque este mundo […] sempre odiou e tratou com maldade o povo de Deus […] Em parte, porque os cristãos, tendo uma natureza e uma religião contrária às dos imperadores […] desprezavam os seus falsos deuses […] e muitas vezes detiveram o poder de Satanás que agia nos seus líderes […]. Por isso, Satanás […] instigou os príncipes romanos e os idólatras cegos a nutrir contra eles um ódio e despeito cada vez maiores (Foxe, 2005, p. 25)

O mais seguro documento acerca de um mártir são as atas: “Para nosso objeto é importante notar uma formalidade que não faltava em nenhum processo: as atas”5 (Bueno, 2003, p. 136, tradução livre). Convém-nos aqui esclarecer, portanto, de que se constitui esse documento:

“As atas dos mártires não são outra coisa que a transcrição exata, ou pouco menor, dos processos verbais redigidos pelos pagãos e conservados nos arquivos oficiais, transcrição que os cristãos recuperavam por diversos meios, por exemplo, a compra a os agentes do tribunal”6 (Bueno, 2003, p. 136, tradução livre).

Essas atas eram obtidas pelas comunidades cristãs através da compra. Mas uma ata, claro, como tudo que é valioso, “era objeto de engano e falsificação”7 (Bueno, 2003, p. 137, tradução livre).

Para Danieloo e Marrou (1966, p. 320), “não resta dúvida que já se conhecia [o culto aos mártires] […] desde o final do segundo século, e de alguma forma se oficializara na Igreja Cristã”, mas sublinham que no quarto século “O fato mais considerável é o desenvolvimento realmente exuberante do culto dos mártires”, desenvolvimento motivado pelo fim das grandes perseguições e pela paz constantiniana.

O arquétipo dos gêmeos

Divindades duplas, gêmeas ou não, aparecem na cultura e na literatura de muitos povos da Antiguidade: Castor e Polux entre os gregos, Osíris e Seth no Egito, Rômulo e Remo em Roma, Vishnu e Lakshmi, na Índia (cf. Araújo, 2010, p. 1); “estes seres costumam ser divindades benfeitoras” (Cirlot, 1984, p. 274). Aliás, “todos os heróis gêmeos da cultura indo-européia são benéficos” (Chevalier, 1997, p. 466). No Candomblé também existe o orixá Ibeji, “representado pelos gêmeos na África, sendo estes sagrados” (Cacciatore, 1988, p. 141), com quem Cosme e Damião foram sincretizados. Ibeji8 significa gêmeos, sendo o orixá Ibeji, o único permanentemente duplo.

Então, Cosme e Damião seriam mais uma manifestação do arquétipo dos gêmeos, presente “na maioria de tradições primitivas e de mitologias relativas às altas culturas” (Cirlot, 1984, p. 273), o que haveria permitido seu sincretismo com os Ibeji. Isso nos levaria a pensar o sincretismo, como fez Pedro Iwashita (1991), a partir de conceitos jungianos. Mais exatamente a partir da psicologia dos arquétipos. Isso significa que foi possível o sincretismo entre os santos e orixás, por serem equivalentes “para a experiência humana, no seu sentido profundo e existencial” (Iwashita, 1991, p. 247). Assim, perguntar pelas origens do culto de Cosme e Damião não significaria apenas estabelecer e fixar uma data, mas verificar a força desse arquétipo.

Para Cirlot (1984, p. 274), “O sentido simbólico mais geral dos gêmeos é que um significa a porção eterna do homem […], a alma; e o outro a porção mortal”. Isso faz muito sentido em relação a Cosme e Damião, pois se, como médicos, buscavam a cura do corpo, essas curas objetivavam a conversão, ou seja, a cura também da alma.

Essa recorrência da figura dos gêmeos em várias lendas e mitologias teria origem em personagens históricos que foram depois mitologizados? Acreditamos que possa ter tido origem em diversos personagens históricos em diversas culturas. Entendemos que a pergunta pela motivação dessa recorrência possa ser respondida não na perspectiva histórica, mas na esfera existencial. “Todas as culturas e mitologias testemunham um interesse particular pelo fenômeno dos gêmeos” (Chevalier, 1997, p. 465). O nascimento de gêmeos envolvia um mistério que causava espanto nos povos antigos.

A Vida de Cosme e Damião

Cosme e Damião são santos católicos que foram médicos9 e, por isso, são tidos como protetores das crianças. Eles teriam exercido a medicina sem nunca cobrar nada, por isso são chamados de “anargiros”, ou seja, que não são comprados por dinheiro. Conforme Figueiredo (1953, p. 7), teriam conhecido o cristianismo através de sua mãe Teódota, que os criou na fé cristã. Nos livros litúrgicos ocidentais10 sua festa foi fixada a 27 de setembro11. Uma reforma litúrgica no ano de 1969 moveu sua comemoração para o dia 26 de setembro, contudo o povo mantém a devoção no dia 27. O padre Michelino Roberto explica que “pelo calendário oficial da igreja, a festa é celebrada no dia 26. Mas o povo prefere 27, data da inauguração da basílica que o papa Félix IV mandou erguer para os dois em Roma, no ano 500” (Roberto, 2000). Na fala do padre Josevaldo, pároco da Igreja de Cosme e Damião na Liberdade, Salvador (BA), parece haver a necessidade de frisar a diferença das datas para combater o sincretismo com as religiões afro:

No candomblé, explica o padre, o dia de homenagear as crianças ou seja a falange de Ibejí é dia 27, enquanto que na igreja católica o dia de Cosme e Damião é 26. Mas, no imaginário popular ficou marcado mesmo o dia 27, explicou o padre. (Sodré, 2012).

São santos do século III cuja data de nascimento é incerta, como, aliás, vários outros aspectos de suas vidas. “Devemos, pois, contentar-nos com as poucas noticias que a seu respeito se extrahiram de varios autores de reconhecida probidade”, como lemos na obra Vidas de S. Cosme e Damião e S. Cesário, Médicos da Federação das Congregações Marianas de São Paulo (1935, p. 3, sic), na qual temos essa descrição de como eles procediam para ocorrer a cura: “começavam por fervorosa oração. Informando-se da natureza do mal, faziam sobre o enfermo o signal da cruz, e com isto, em geral, sem necessidade de remédios, […] o paciente via-se restituído a saúde” (Federação de…, 1935, p. 4, sic) . Essa obra, de cunho devocional, tem, na verdade, por pressuposto, que “As enfermidades do corpo vêm por castigo das desordens da alma”, assim, “Aplaque-se a ira de um Deus ofendido e recobrará saúde o enfermo” (Federação…, 1935, p. 6), e, assim, seu intento é o incentivo à prática da confissão.

Seus atos caridosos que eram motivo de conversões ao cristianismo “não passaram despercebidos aos inimigos da fé cristã” (Basacchi, 2003, p. 7). Denunciados pelo procônsul Lísias, acusados de serem “inimigos dos deuses”, foram mortos por ordem do imperador Diocleciano por não se curvarem diante dos deuses pagãos. Uma tradição diz que foram alvejados por dardos, mas miraculosamente os dardos se desviaram deles, por isso depois foram decapitados12. “O Passio descreve-os como sendo queimados, apedrejados, serrados, e finalmente decapitados13, mas isto é pura lenda14” (Cosmas…, 1967, p. 361, tradução livre). Outra tradição conta que eles foram atirados de sobre um despenhadeiro. “Seus restos mortais, segundo consta, encontram- se em Ciro na Síria, repousando numa basílica a eles consagrada. Da Síria o seu culto alcançou Roma e dali se espalhou por toda a Igreja do Ocidente” (Cosme…, 2013, s/p). Depois, no século VI, uma parte das Relíquias foi levada a Roma e está na igreja que adotou seus nomes. “Outra parte foi guardada no altar-mor da igreja de São Miguel, em Munique, na Baviera” (Encyclopedia…, 1997, p. 449).

Embora muitas lendas tenham sido agregadas a história de seu martírio, podemos acreditar que tenham realmente sofrido muitas torturas15, conforme afirma Foxe (2005, p. 26):

Os tiranos […] não se contentavam apenas com a morte […]. Tudo o que a crueldade da invenção do homem pudesse conceber para castigar o corpo humano era posto em prática contra os cristãos […] os seus corpos eram amontoados e junto a eles deixavam cães para guardá-los a fim de que ninguém pudesse vir dar-lhes sepultura.

Mas a ênfase dada nos relatos da igreja sobre a intensidade do sofrimento por que eles passaram mostra a clara intenção de impressionar os fiéis. No Martirológio Romano (Vaticano, 1954, p. 222), sobre o dia 27 de setembro, lê-se sobre eles:

Em Egéia, o natalício dos santos irmãos mártires Cosme e Damião, que, com o auxílio de Deus, aturaram muitos tormentos, grilhões, cárceres, águas, fogueiras, cruzes, pedras, e flechas, antes de serem degolados na perseguição de Diocleciano. Conta-se que, com eles, padeceram três irmãos seus: Ântimo, Leôncio e Euprébio.

Conforme Danieloo e Marrou (1966, p. 400, 401), “Nos anos que seguem ao Concílio de Éfeso16, desenvolve-se o culto, até então estritamente local dos Santos Cosme e Damião”. Assim, o desenvolvimento dessa devoção segue o grande crescimento do culto aos mártires, ocorrido com o fim das grandes perseguições.

Conforme a historiadora Ignez Aquiar o culto aos irmãos foi introduzido no catolicismo pelo papa São Félix que mandou trazer os corpos dos santos para Roma, colocando-os no cemitério da igreja de Santa Cecília, dando início à veneração dos santos na Itália e por toda a Europa. A fé dos devotos nos santos gêmeos era tanta, que apareceu uma relíquia curadora – o óleo de São Cosme e Damião, cuja distribuição nas igrejas católicas predominou até 1780. Como ritual para curar-se, […] o doente ia à igreja, expunha a parte afetada diante da imagem junto ao altar dos santos, uma rezadeira esfregava o óleo no local doente, rezando: Per intencessionem beati Cosmi, liberetabomni malo. Amém, destaca a pesquisadora. (Aquiar apud Pernambuco…, 2011, s/p).

O óleo também serviria para dar filhos a mulheres estéreis (Basacchi, 2003, p.8

O culto na Europa e a Basílica de Cosme e Damião em Roma

Ainda que seja difícil precisar uma data de início do culto, “Sabemos que o culto aos dois irmãos é muito antigo, pois no século V já existiam escritos sobre eles” (Basacchi, 2003, p. 8). Conforme o Dicionário Patrístico (Di Berardino, 2002, p. 347), “Teodoreto de Ciro (458 d. C.) é o primeiro a falar do culto dos santos ‘anárgiros’, culto prestado na cidade sede de seu episcopado”, conforme ele menciona em uma carta, havia, em 434, um local dedicado aos santos em Ciro, no norte da Síria (Harrold, 2007, 28). Harrold (2007, p. 26, tradução livre) considera que:

Sem nenhuma prova histórica dos verdadeiros santos denominados Cosme e Damião, as origens do culto são impossíveis de identificar com absoluta certeza, mas um quadro pode ser construído da evidência proveniente pelas notações litúrgicas, documentos históricos e os primeiros lugares de adoração e as coleções associadas de milagres. Além disso, o rápido alastramento do culto popular obscureceu suas origens17.

A primeira data disponível aos hagiógrafos é, portanto, uma omissão (Harrold, 2007, p. 27). Mas sabe-se que “os santos doutores eram certamente conhecidos bem o bastante no início do século quinto para um santuário ter sido construído em honra deles18” (Harrold, 2007, p. 28, tradução livre). A autora segue citando várias construções feitas aos gêmeos e, então, levanta uma hipótese:

[…] dentre estas primeiras dedicações é possível levantar a hipótese de um ponto geográfico inicial para o culto […] há alguma evidência apoiando a crença na existência da tumba dos dois na região de Ciro, no norte da Síria de uma data antiga”19 (Harrold, 2007, p. 30, tradução livre).

Daí, a “adoção dos santos em muitos lugares seguiu rapidamente. Por exemplo, por meados do século V, ao mínimo duas igrejas dedicadas aos SS. Cosme e Damião tinham sido erguidas em Constantinopla20” (Harrold, 2007, p. 28, tradução livre).

Porém, como se sabe, há uma basílica que o “papa Félix IV mandou construir em honra deles no Foro Romano […]. Da Síria o seu culto alcançou Roma e dali se espalhou por toda a Igreja do Ocidente”, sendo que com a “meta mais de turistas que de devotos, pelo esplêndido mosaico que lhe decora a abside” (Cosme…, 2013, s/p). Assim, a Basílica de SS. Cosme e Damião em Roma21 é importante para o estudo do desenvolvimento e expansão da devoção. Teodorico, o Grande, rei dos Ostrogodos e a sua filha Amalasunta, doou ao papa Félix IV, em 527 d. C., a biblioteca do Templo da Paz (Bibliotheca Pacis) e também uma parte do Templo de Rómulo. Félix IV uniu os dois edifícios e criou a basílica dedicada aos dois santos gregos Cosme e Damião, um contraste ao culto pagão a Castor e Pólux, outrora adorados num templo situado no Fórum Romano (Basilica…, s/d)22. A fundação da igreja está descrita no LiberPontificalis:

“Aqui ele erigiu a basílica dos Santos Cosme e Damião no lugar chamado Via Sacra, perto do templo da cidade de Roma”(apud Harrold, 2007, 34, tradução livre)23.

Como coloca Harrold (2007, p. 34, 35), não se sabe as razões exatas porque essa igreja foi construída nessa área, mas podem-se levantar algumas especulações. Aliás, a área em que foi construída a Basílica não era populosa. No começo do quinto século mostrava-se interesse pelos santos orientais (uma igreja à Santa Anastácia é dedicada também nessa época). Acreditamos que é bom o argumento de que a igreja intencionava competir e combater cultos pagãos de cura que ocorriam na mesma área. “A locação da igreja, no lado oposto do fórum para os centros devocionais dedicados a Dioscuri e Asclépio, pode ter intentado providenciar uma alternativa cristã a  estes lugares” 24 (Harrold, 2007, p. 35, tradução livre).

O culto de Cosme e Damião em Portugal

Augusto da Silva Carvalho, em 1928, escreveu O Culto de Cosme e Damião em Portugal e no Brasil – História das Sociedades Médicas Portuguesas. Segundo ele, a devoção a esses santos em Portugal está muito  ligada ao  fato das confrarias se constituírem naquele país principalmente reunindo pessoas de uma mesma profissão em volta de um santo protetor. A escolha pelos médicos dos santos Cosme e Damião como patronos entre tantos outros santos médicos (Carvalho faz uma longa lista) deve-se ao fato de que eles, além de terem sido médicos, foram santos. Por isso, para Carvalho, acompanhar essa devoção em Portugal termina por desembocar em falar da história das sociedades médicas.

Conforme Carvalho (1928, p. 3), “Nos séc. XII e XIII o culto dos dois santos espalhou-se pela Europa Central e Ocidental”. Como padroeiros dos médicos, nota-se que o prestígio da medicina e dos santos estão relacionados. Carvalho (1928, p. 7) nota que “Na Itália o culto dos dois irmãos foi muito extenso”, extensão relacionada “a alta consideração que na Itália tinham pelos médicos”. Assim, a manutenção do culto dos santos e crescimento por obra de confrarias não é algo peculiar ao país lusitano.

Por serem padroeiros dos médicos, um dos materiais para pesquisa dessa devoção em Portugal é um tanto inusitado: os livros de medicina. “Nos livros de medicina publicados em Portugal encontram-se muitas referências aos patronos dos médicos e algumas vezes até esses livros lhes foram dedicados” (Carvalho, 1928, p. 17). Contudo, estudar em Portugal esse culto a partir da devoção às relíquias não é tão promissor porque Portugal é “muito pobre em relíquias dos dois santos” (Carvalho, 1928, p. 15).

Conforme Carvalho (1928, p. 9), “Em Portugal o culto dos dois santos data dos primeiros tempos da monarquia, ou melhor, começou antes da constituição do nosso reino”. Vestígios disso são quadros, monumentos e documentos, incluindo testamentos onde o falecido deixava alguma imagem de santos para um herdeiro. Devoção realmente muito antiga, já em 568, numa freguesia de Azar ou Azere, “no actual concelho dos Arcos de Val houve um mosteiro de frades bentos dedicado a Cosme e Damião” (Carvalho, 1928, p. 21, sic). Em Portugal também “Foi uso em tempos dar a gémeos os nomes dos dois santos” (Carvalho, 1928, p. 17), uso que continua no Brasil. Parece mesmo que os pais portugueses destinavam os filhos à medicina desde o berço dando-lhes o nome desses santos, e “Algumas vezes os médicos e cirurgiões escolhiam para seus filhos os mesmos nomes” (Carvalho, 1928, p. 18), demonstrando não só sua devoção aos santos, mas o desejo de que os filhos seguissem na mesma devoção. Assim, uma família de médicos seria também uma família de devotos.

No entanto, a veneração dos patronos dos médicos não é encontrada somente nos grandes centros, onde haveria concentração tanto de médicos como dos cursos de medicina, mas também “nas mais humildes aldeias, em tôscas e pobres capelas, onde os oragos são representados por ingénuas imagens, em que os sapateiros de província consubstanciaram as lendas e tradições do povo humilde daqueles lugarejos” (Carvalho, 1928, p. 20, sic). Assim, outros profissionais responsáveis pela popularidade dos santos são os sapateiros, que se não têm o mesmo prestígio que os médicos estão mais próximos do povo das aldeias do que aqueles.

Carvalho segue em seu livro listando várias localidades, pequenas aldeias, com nomes dos gêmeos ou nomes derivados dos deles (Cosmode, por exemplo), assim, ele nos mostra que a toponomia e a antroponomia são estudos importantes para acompanhar a expansão da devoção, o que serve certamente também para o caso brasileiro. Aliás, “No Brasil ha várias localidades com o nome dos dois mártires” e “Nos nomes de homens tambêm se encontra vestígio do culto dos mesmos santos” (Carvalho, 1928, p. 54, sic).

A origem do culto de Cosme e Damião em Igarassu e no Brasil

Como sabemos o catolicismo brasileiro é santorial, a ponto de que em “certas casas mais devotas, podemos encontrar folhetos de cordel, quadros ou até imagens reproduzindo a figura de alguns destes santos mais populares” (Mott 1994, p. 3). E catolicismo santeiro brasileiro tem suas origens na religiosidade ibérica, pois “Portugal e Espanha costumavam disputar entre si para saber qual dos reinos ostentava o maior número de santos e beatos reconhecidos” (Mott, 1994, p. 4). Assim, é um tanto natural que a devoção aos santos gêmeos, trazida pelos portugueses, tenha se fixado e se expandido em solo brasileiro.

A Matriz dos Santos Cosme e Damião de Igarassu25, Pernambuco, de 1535, “considerada uma das principais relíquias da arte colonial brasileira” (Basacchi, 2003, p. 9), é a igreja mais antiga26 do Brasil ainda em atividade.

No dia 27 de setembro de 1530, dia dos Santos Cosme e Damião, com a expulsão dos índios, pelos portugueses, das terras margeantes ao Rio Igarassu, inicia-se o processo de ocupação de Pernambuco. A Construção da Vila de Igarassu é, assim, a marca original da cultura portuguesa nesta região do país. (Programa…, 1979, p. 15).

As despesas para sua edificação correram por conta do Capitão Afonso Gonçalves, que, em carta ao rei de Portugal, datada de 10 de maio de 1548, diz textualmente: “Senhor eu quisera os dízimos desta igreja para os gastar nela e em coisas necessárias para o culto divino e ornamentos, pois sou fundador dela e a fiz à minha custa própria” (Pereira da Costa, 1983, p. 248, 249).

A capela primitiva, provavelmente em taipa, ruiu por volta de 1590/94, segundo informação contida no livro “Primeira Visitação do Santo Ofício: Denunciações e Confissões de Pernambuco”. No mesmo sítio e obedecendo a um alvará real datado de 11 de novembro de 1595, foi construída entre 1595/97, uma nova capela, desta vez de pedra e cal. Hoje, após processo de restauração iniciado em 1958, a igreja recuperou suas características primitivas (Prefeitura de Igarassu, 2010, p. 9).

O professor C. Smith, titular da Cadeira de História da Arte na Universidade da Pensilvânia, nos informa: “A igreja paroquial dos Santos Cosme e Damião, fundada em 1535, foi ampliada no século XVIII por ter sido considerada como a mais antiga do Brasil e o dinheiro usado proveio dos cofres reais” (Biblioteca…, 2011, p. 14). Nos Anais Pernambucanos lemos acerca da conquista dessa terra e acerca dessa igreja:

Dêste porto dos marcos, escreve Jaboatão, saiu Duarte Coelho, e deixando esse braço do rio que cerca a ilha de Itamaracá pelo poente e buscando outra vez o mesmo rio para o sul pouco mais de uma légua, navegando por êle acima duas ao mesmo poente ou meio dia, deram fundo e saltaram em terra, não sem grande oposição do gentio, que no alto, à margem daquele porto tinha uma mui forte e abastada aldeia, que depois de larga resistência, combates e pelejas, foram vencidos e afugentados os seus habitadores. Foi a última vitória a vinte e sete de setembro, dia dos gloriosos mártires Santos Cosme e Damião, e a sua memória consagraram logo aquêle lugar, levantando nêle igreja sua e dando princípio a uma povoação, que depois passou a vila com os nomes dos santos mártires, e foi a primeira da capitania de Pernambuco. […] Aquela igreja, com a invocação dos referidos santos, já estava construída em 1548, como se vê de uma carta de Afonso Sanches, seu fundador, dirigida ao rei a 10 de maio daquele ano, e teve depois a categoria de matriz com a criação da paróquia de Igarassu, em época porém desconhecida; mas como se vê da Informação da Província do Brasil, do Padre José de Anchieta, escrita em 1585, já então estava ereta e canônicamente provida […].(Pereira da Costa, 1983, p. 170-176, sic).

Num dos painéis27 da igreja28 retratando a vitória sobre os índios caetés lê-se:

Vencidos os índios pelos Portuguezes em o dia dos Santos Cosme e Damião, em reconhecimento de tão grande benefício, no mesmo lugar da vitória, que he este de Iguaraçú, fundarão logo este templo, o primeiro que houve em Pernambuco, e o consagrarão aos gloriosos Santos, d’onde forão sempre continuas suas victorias e maravilhas, e debaixo da proteção dos mesmos Santos fundarão esta villa, que também foi a primeira que houve (Igreja…, 1729, s/p, sic).

Augusto da Silva Carvalho (1928), porém, no seu O Culto de S. Cosme e S. Damião em Portugal e no Brasil, não faz nenhuma referência a essa igreja, o que é uma grande falha em sua pesquisa, que a respeito do culto desses santos em Portugal é tão rica de detalhes. Uma das riquezas da obra de Carvalho, no entanto, sobre essa devoção no Brasil, é recuperar a memória da existência de confrarias dedicadas aos gêmeos. Conforme ele, as confrarias “constituíram-se e mantiveram-se durante muito tempo com a designação do santo patrono de cada profissão” (Carvalho, 1928, p. 1).

A escolha dos santos gêmeos para serem os patronos dos médicos no meio de tantos santos que também se dedicaram a medicina (entre os quais S. Lucas, evangelista) explica- se por serem eles mártires. Por extensão, se tornaram santos de todos profissionais da área da saúde. Interessante terem sido tomados também como padroeiros dos sapateiros. Jaime Sodré, em vídeo a TVE Bahia, explica que isso se deve a eles, como médicos, terem feito botas de funções ortopédicas (na azulejaria portuguesa do interior da capela do Convento de Santo Antônio em Igarassu, há a figura deles cuidando da perna de um homem usando desse artifício). Acreditamos que também se deva a associação feita entre Cosme e Damião e Crispim e Crispiniano29, mártires também do século III, patronos dos sapateiros devido a um trocadilho feito entre seus nomes e a palavra grega para sapatos (Di Berardino, 2002, p. 358).

Diferente de Portugal, no Brasil não perecia ter havido confrarias dedicadas a Cosme e Damião, já que o autor não encontrara memória30 delas na população que investigara; “no entanto existem documentos que provam sua existência” (Carvalho, 1928, p. 56). Trata-se dos documentos do Santo Ofício referentes a Manuel Mendes Morforte e Francisco de Siqueira Machado. O primeiro veio à baía em 1698, e lá se tornou irmão da Confraria de S. Cosme e S. Damião e mandou dourar o retábulo da capela desses santos. O segundo, cristão novo, natural do Rio de Janeiro, para provar sua crença na religião católica, lembra, durante o interrogatório, que quando no Rio de Janeiro estava quase extinta a irmandade dos gêmeos, ele que se esforçou para que ela se restabelecesse (Carvalho, 1928, p. 56,57). Em entrevista, o professor Jorge Barreto, diretor do Museu Histórico de Igarassu, afirmou-nos haver nas dependências do Museu, onde funciona o Departamento de Pesquisa Histórica, uma prestação de contas, datada de 1854, da Irmandade de São Cosme e Damião, já dando sinais de falência. Segundo ele, a Irmandade não alcançou a República31.

No Rio de Janeiro32 pareceria “haver uma devoção por estes santos na Igreja de Gonçalo Garcia e S. Jorge, sita na Praça da República. Mas noutros estados a devoção é mais viva e sobretudo na população portuguesa é conservada como grande amor” (Carvalho, 1928, p. 57). É na Bahia, contudo, onde a devoção é mais intensa, onde “não ha casa de gente do povo que não tenha as imagens dos santos, muito tóscas e ingénuas” (Carvalho, 1928, p. 58, sic). Em Salvador, a devoção aparece ligada ao candomblé, onde se distribui o caruru, iguaria feita de quiabo e camarão. Como explica o professor Jaime Sodré (apud Caruru…, 2012), por serem vistos como meninos nas religiões afro, Cosme e Damião têm uma ligação muito especial com os orixás, pois “não tem orixá que não vá ouvir o canto de um menino”. Na zona rural da Bahia, como mostra o documentário Bahia Singular e Plural (Cosme…, 2012), é comum a prática do “Lindro Amor”, quando homens e mulheres saem33 de casa em casa cantando, usando chapéus enfeitados com folhas de seda, e duas crianças à frente levando uma caixa enfeitada contendo a imagem dos santos e flores, para arrecadar donativos (dinheiro, mantimentos, velas…) para fazer a festa.

Como frisamos, a devoção foi trazida ao Brasil de Portugal, onde em muitas de suas localidades “os santos eram invocados para proteger os que faziam longas viagens”, como a devoção aqui chegou “pelos que os tinham como patronos dos navegantes […] o seu culto se radicou sobretudo na beira-mar” (Carvalho, 1928, p. 58). Devoção trazida pelos portugueses e que se espalhou pelo litoral, depois se interiorizou com o garimpo. Os negros eram a grande “máquina” produtiva do garimpo, e, reduzidos a “coisa”, tinham que – como forma de resistência cultural – “sincretizar seus orixás com os santos católicos que lhe foram impostos” (Araújo, 2010, p. 2). Sincretismo esse que perdurou até os dias de hoje, fazendo parte da religiosidade popular do povo brasileiro.

Conclusão

Como no início deste texto, gostaríamos de novamente lembrar a literatura de cordel do Frei Urbano de Souza (1991, p. 23):

É religiosidade
De roupagem popular
Espiritualidade
Com certeza aí está
Toda a criatividade
De nossa modernidade
Muito tem a escutar

O que achamos importante destacar, ao chegar agora ao final desse texto, é que a devoção a Cosme e Damião, tão antiga, como mostramos, no Brasil ainda permanece viva, principalmente na religiosidade popular.

Notas:

Notas:

1 Texto referente a uma comunicação apresentada na 2ª Semana de Ciência da Religião da UFJF realizada entre os dias 16 e 19 de setembro de 2013.

2 Doutorando em Ciência da Religião pela UFJF. Bolsista CNPq

3 Interessante que Acta e Passio sejam atribuídos como os “verdadeiros” nomes de Cosme e Damião.

4 Foxe escreve de dentro do seio protestante, assim, é claro que ele assume o pensamento de o protestantismo é o verdadeiro herdeiro da fé dos mártires, por isso, ele inclui no seu “livro dos mártires” nomes como os de William Tyndale, John Wyclif e John Huss.

5“Para nuestro objeto es importante notar uma formalidade que no faltaba em ningún processo: las actas”.

6 “Las actas de los mártires no son otra cosa que la transcripcion exacta, o poco menor, de los procesos verbales redactados por los paganos y conservados em los archivos oficiales, transcripción que los cristianos reprocuraban por diversos médios, por ejemplo, la compra a los agentes del tribunal”

7“era objeto de trampa e falsificación”

8 Conforme Cacciatore (1988, p. 141) o termo advém do iorubá: “ìbi” – parto; “èji” – dois. A Enciclopédia Barsa (Encyclopedia…, 1997, p. 449) informa que “No Rio Grande do Sul, os Ibejis são denominados Beifes”.

9 Conforme Figueiredo (1953, p. 8), eles se dedicaram a curar não apenas os homens, mas também os animais.

10 Estes são “O Liberorationum visigodo, dos inícios do séc. VIII, o sacramentário Leonino, o Gregoriano de Pádua, o Calendário de Nápoles” (Di Berardino, 2002, p. 347).

11 Já “O sinaxário de Constantinopla contém a 1º de julho três pares de santos homônimos”, ao passo que numa paixão grega sua data aparece como 25 de novembro (Di Berardino, 2002, p. 347).

12 Na imaginação do poeta Frei Urbano de Souza (1991, p. 18), eles morreram abraçados: “Eles então se abraçam/ No auge da santidade/ A Deus do céu adoraram/ Em espírito e em verdade”. Lembrando a clássica distinção aristotélica entre poesia e história, como poeta, ele tem o direito de cantar o que poderia ter sido, diferente do historiador, que tem o dever de contar o que foi.

13 Um dos milagres dos santos doutores teria sido que após serem decapitados, a cabeça deles voltou a se encaixar sobre o pescoço. Esse milagre seria para gente “não perder a cabeça”, ou seja, não perder o juízo.

14 “The Passio describes them as being burnt, stoned, sawed, and finally decapitated, but it is pure legend”

15 Harrold (2007, p. 26) propõe dividir o estudo sobre esses santos entre a tradição latina e bizantina, conforme Harrold (2007, p. 28), no Ocidente desenvolveram-se menos lendas do que na tradição do Oriente.

16 O Primeiro Concílio de Éfeso foi realizado em 431 na Igreja de Maria em Éfeso, na Ásia Menor. Foi convocado pelo imperador Teodósio II e debateu sobre os ensinamentos cristológicos e mariológicos.

17“With no historical proof of actual saints named Cosmas and Damian, the beginnings of the cult are impossible to identify with absolute certainty, but a picture can be built up from the evidence provided by liturgical notices, historical documents and the earliest locations of worship and associated collections of miracles. The rapid spread of the popular cult further obscured its origins”.

18 “doctor saints were certainly known well enough by the early fifth century for a sanctuary to have been built in their honour”

19 “From amongst these early dedications it is possible to hypothesize a geographic starting point for the cult (…) there is quite a bit of evidence supporting the belief in the existence of the tomb of the saints in the region of Cyrrhus in northern Syria from an early date”.

20“The adoption of the saints in many places quickly followed. For example by the mid fifth century at least two churches dedicated to SS. CosmasandDamianhadbeenbuilt in Constantinople.”

21                       Há                       várias                       imagens                          disponíveis         em:

<http://www.franciscanfriarstor.com/archive/theorder/Basilica/index.htm>. Acesso em 21 nov. 2014.

22 As pinturas e o texto desta página da internet são a reprodução permitida do livro The Basilica of Santi Cosma e Damiano e é propriedade da FranciscanFriars.

23″Hic fecit basilicam sanctorum Cosmae et Damiani in urbe Roma, in loco qui appellatur II Via Sacra, iuxta templum urbis Romae.”

24“The location of the church, on the opposite side of the forum to devotional centres dedicated to the Dioscuri and Asklepios, could have been intended to provide a Christian alternative to these places”

25 “A localidade que recebeu o nome de Igarassu, corruptela de Ygara-açu, barco grande, navio, canoa grande, originário dos índios, vem do fato, como escreve Teodoro Sampaio, de ser o porto, desde os primeiros anos da colônia, visitado por barcos que o atingiam com o percurso da maré” (Silva; Alheiros, 1986, p. 10).

26 Silva (2011) haverá de negar essa afirmação advogando em favor da Igreja de Nossa Senhora do Monte em Olinda.

25 “A localidade que recebeu o nome de Igarassu, corruptela de Ygara-açu, barco grande, navio, canoa grande, originário dos índios, vem do fato, como escreve Teodoro Sampaio, de ser o porto, desde os primeiros anos da colônia, visitado por barcos que o atingiam com o percurso da maré” (Silva; Alheiros, 1986, p. 10).

26 Silva (2011) haverá de negar essa afirmação advogando em favor da Igreja de Nossa Senhora do Monte em Olinda.

27 São quatro painéis, todos de 1729: o primeiro retrata vitória sobre os índios caetés, marco da fundação da cidade; o segundo, a construção da Igreja; o terceiro, a invasão e saque de Igarassu pelos holandeses, (ocorrida em 1632, os holandeses ao terem tentado saquear as telhas do telhado da Igreja de Cosme e Damião, teriam sido surpreendidos pela aparição dos santos numa nuvem e, pelo esplendor dos santos, caíram cegos); o quarto painel retrata a peste de febre amarela de 1685 (Igarassu, diferente das cidades suas vizinhas, esteve ilesa a esta peste, o painel retrata várias cidades sendo invadidas pela morte – retratada como tradicionalmente com um esqueleto com uma foice, enquanto em Igarassu os santos, postos nas fronteiras, barram a entrada da morte na cidade. Esses painéis foram transferidos para o Museu Pinacoteca de Igarassu, que funciona no Convento de Santo Antônio, em 1969, para fins de melhor preservação.

28 Não é acessível a todos viajar para Igarassu para conhecer essa igreja, mas é possível “visitar” seu interior         virtualmente   através    de              um                        vídeo                       disponível       em:

<http://www.youtube.com/watch?v=8szLsX1HV2M>. Acesso em 21 nov. 2014.

29 Na Bahia, Crispim e Crispiniano também foram sincretizados com os Ibêjis, por isso, no dia 25 de outubro, dia desses santos, ocorre comemorações como as feitas a Cosme e Damião, porém, com menor intensidade.

30 Seria o caso de perguntarmos quais forças operaram ou contribuíram para que operasse esse esquecimento. Quais razões e circunstâncias motivaram o apagamento das reminiscências?

31 Não pude ter acesso a esse documento porque quando estive em Igarassu (19/09/2013 – 28/09/2013) para minha pesquisa de campo, o acesso ao Departamento de Pesquisa Histórica estava suspenso devido às festividades dos santos. As visitas ao museu aumentam nessa época.

32 No Rio de Janeiro, como o policiamento é feito por duplas de soldados, essas duplas ganharam do povo a alcunha de “Cosme e Damião”, gesto que foi recebido com simpatia pelos policiais, assim “os santos gêmeos tornaram-se também patronos da Polícia Civil da Guanabara” (Basacchi, 2003, p. 9).

33 Já que São Cosme e Damião são vistos como crianças, é natural que eles gostem de passear. Uma das músicas de tradição do “Lindro Amor” chama a dona da casa: “Ô minha senhora/ abra essa porta/ porque São Cosme é tradição/ é coisa nossa”. Como a caixa é levada ao interior da residência ninguém fica sabendo o valor exato que a pessoa depositou, o que evita constrangimento.

Referências

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Vibração

 “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.”

O som é uma forma de energia causada por vibração; combinando com o ritmo, resulta em música. As vibrações passam para a atmosfera sob a forma de propagação ondulatória quando então o ouvido humano torna-se capaz de captá-las, resta o cérebro para fazer a interpretação para dar sentido.
O número de vibrações na unidade de tempo chama-se freqüência. As unidades de medida de freqüência sonora são representadas pelo Hertz. Por sua vez, notas musicais são vibrações sonoras comunicadas através do ar e as freqüências de todas as notas de uma escala musical ficam definidas quando se fixa a freqüência de uma delas. Os músicos de hoje fixam a freqüência da nota La com 440Hz, mas sabemos que em outras épocas não havia esse padrão.

Há muitos outros mistérios a serem compreendidos nesta passagem, no entanto, quando estudamos física, mais especificamente sobre o movimento ondulatório, descobrimos que o som ritmado, como a marcha dos soldados, pode determinar uma sobrecarga vibratória por ressonância suficientemente forte para acarretar o desmoronamento de uma ponte. 

Dentre muitos outros exemplos que poderiam ser citados há o caso de um edifício na França onde funciona o Instituto de Pesquisas Físicas de Ultra-sons que começou a apresentar rachaduras, embora ninguém escutasse som algum, foi confirmado que o problema tinha como causa as vibrações sonoras em nível de ultra-sons. 

#Arte

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A FRA e o Sol Central

A palavra “Sol” aqui não significa necessariamente a estrela que a Terra gira. Nestes termos, falamos em “Corpo de Consciência”. O corpo humano abriga uma consciência, que alguns designam como Eu. O planeta Terra tem uma massa maior do que um corpo humano, então a Terra abriga uma consciência maior do que um corpo humano, Gaia. Por sua vez, nossa estrela, no centro do nosso sistema solar, é ainda mais pesada e abriga uma consciência ainda maior, Logos Solar. O próximo nível de massividade é o “Sol Central”, na qual diversas tradições esotéricas falam que emana uma consciência maior ainda.

Escreve Helena Blavatsky que: “No oceano sem limites brilha o Sol Central, Espiritual e Invisível. O universo é seu corpo, espírito e alma; e TODAS AS COISAS são criadas de acordo com este modelo ideal”. Essa escada de consciência é também chamada de “Logos”. Heráclito estabeleceu o termo Logos como significando a fonte e a ordem fundamental do universo.

Tal “corpo de consciência” é referido como um Logos ou um Sol. A palavra “Sol” não deve, portanto, ser tomada literalmente. O Logos pode ser uma estrela, um buraco negro, uma constelação, ou qualquer outra coisa. Apesar de causar estranheza inicialmente, lembramos que nas Ciências Ocultas, escreve Papus, o emprego da analogia é o método característico do ocultismo. Essas correspondências unem todos os elementos do universo, assim o que está em cima é como o que está embaixo.

O Sol físico é definido por Blavatsky em sua obra “Ísis Sem Véu” como um símbolo vivo de uma fonte espiritual. Ideia que provem de um conceito pitagórico do Sol Central, na qual o nosso sol físico é apenas reflexo. Esse Sol espiritual é identificado com vários nomes, sendo a causa de diversas manifestações. Rudolf Steiner identificava que as radiações do Sol Oculto não provem de nenhum astro, mas da emanação de seres elevadíssimos, os Elohim ou Exusiai. A Sociedade de Thule também utilizou desse conceito, chamando de Sol Negro ou SS (Schwarze Sonne). Na maçonaria, o Grande Arquiteto do Universo é a outra referência ao ordenador oculto. Blavatsky é a principal fonte, ela lista algumas referências do Sol Central em outras culturas:

“o Caos dos antigos; o sagrado fogo de zoroastrino, ou o Âtas-Behrâm dos pârsîs; o fogo de Hermes; o fogo de Elmes dos antigos alemães; o relâmpago de Cibele; a tocha ardente de Apolo; a chama sobre o altar de Pan; o fogo inextinguível do templo de Acrópolis, e de Vesta; a chama ígnea do elmo de Plutão; as chispas brilhantes sobre os capacetes dos Dióscuros. Sobre a cabeça de Górgona, o elmo de Palas, e o caduceu de Mercúrio; o Ptah egípcio, ou Râ; o ZeusKataibates (o que desce); as línguas de fogo pentecostais; a sarça ardente de Moisés; a coluna de fogo do Êxodo, e a “lâmpada ardente” de Abraão; o fogo eterno do “poço sem fundo”; os vapores do oráculo de Delfos; a luz sideral dos Rosacruzes; o ÂKÂSA dos adeptos hindus; a luz astral de Éliphas Lévi; a aura nervosa e o fluido dos magnetizadores; o od de Raichenbach; o globo ígneo, ou o gato-meteoro de Babenet; o Psicode e a força extênica de Thury; a força psíquica de Sergeant E. W. e do St. Crookes; o magnetismo atmosférico de alguns naturalistas; galvanismo; e finalmente, eletricidade (…).”

Na FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) o Mestre Huiracocha também faz referência a uma fonte espiritual, que está por detrás do Sol: (…) “Cristo é a Luz do Sol. Não a física, mas apenas a espiritual, que está por detrás dela”. O Mestre Huiracocha identifica nosso Sol como um mediador, um caminho para o Sol Central. Ele explica que essa manifestação da luz é uma substância ou partícula emanada pelo Sol. Na qual o Sacerdote Gnóstico pode invocar o nome do Cristo e fazer que essa substância cristônica penetre no ritual da Eucaristia. A luz é uma substância ou matéria que provém do Sol e penetra em todas as coisas. Ele escreve em “Igreja Gnóstica” que:

“O Sol, por sua vez, depende de outro Sol Central. Ele por si mesmo, não é mais que um mediador que nos cria, nos faz evoluir constantemente e nos redime pela ação imperativa do Crestos Solar. Este Crestos, não é Maya, não é ilusão, nem sequer um símbolo. É algo de prático, real e evidente e tal como o Logos, tem a sua ressonância, o seu ritmo e o seu tom. Platão disse, que o Logos soa, e afirmou que o Sol tem o seu ritmo. Deste modo, o Crestos Cósmico, tem positividade efetiva e é uma substância, uma força, uma consciência atuante. A Matéria é, por essa ação, Luz materializada”.

Vemos nisso, como as emanações do Sol Central podem implicar perturbações no éter de nosso planeta. Influenciando a vida na Terra.

Kenneth Grant, no seu livro “O Renascer da Magia”, diz que de acordo com a tradição hermética nosso sol é apenas um reflexo do Sol maior: Sothis ou Sírius. O sol do nosso sistema solar, portanto, tem uma relação de filho (Hórus) com essa estrela. Relação que vem desde o Egito Antigo. Kenneth Grant interpreta à luz da Lei da Thelema que “a Estrela reside no poder mágico da essência geradora feminina, pois Canicula (Constelação do Cão Maior) é Sothis, que também é a alma de Ísis”.

Robert Temple em seu livro “O Mistério de Sírius” demonstra que os egípcios relacionavam Sírius com Ísis. Essa correspondência é largamente comprovada por diversos estudos. Na publicação da Royal Astronomical Society, o estudioso Chapman-Rietschi em seu artigo, “The Colour of Sirius in Ancient Times”, escreve que os primeiros egípcios relacionam o nascimento heliacal de Sopdet (Sírius) com o nascimento de Ísis. O nascer helíaco de Sopdet foi observado no Egito com a finalidade de estabelecer o calendário lunar.

Na Thelema, ao adorar ritualisticamente Nuit, seria também uma adoração a estrela Sírius. Remetendo ao simbolismo do Aeon de Ísis, na qual antecede aos Aeon de Osíris. Sírius se levanta quando o Sol se deita no ocaso. O poder por trás do Sol, conclui Kenneth Grant, é Sírius.

Concluímos, então, que o Mestre Huiracocha ao aceitar a Lei da Thelema na FRA estabeleceu uma ponte mágica entre esses dois Aeons: na Missa Gnóstica, invocando o Logos Solar; e nos rituais rosa-cruzes, o Sol Oculto de Sírius, o revelador de Nuit. Um aspecto Solar e outro Estelar: Sol e Sírius; Masculino e Feminino. Unindo as dualidades da nossa vida.

#FRA #rosacrucianismo #Rosacruz

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Línguas são seres vivos?

A Língua de Darwin – A seleção natural aplicada às línguas naturais

O que é, de fato, a vida? O que é que caracteriza um ser vivo e o diferencia da matéria inanimada?

Para os biólogos, a vida é caracterizada por alguns fatores: metabolismo, homeostase, capacidade de crescer e responder a estímulos, a capacidade de se reproduzir e, finalmente, a capacidade de se adaptar ao meio em que está inserida, por meio da seleção natural.

Podemos dizer que a vida é a transformação constante de uma estrutura básica e estável.

Há muito se discute se às línguas naturais pode ser conferido o título de “vivas”. De um lado, temos os que defendem as semelhanças entre elas e os seres vivos, e, de outro, temos aqueles que afirmam serem as línguas apenas mais um fenômeno social.

Apesar de a semelhança entre línguas e entidades vivas parecer evidente, é necessária uma breve comparação entre essas duas existências.

O metabolismo pode ser definido como o conjunto de reações químicas que ocorre nos organismos vivos para sustentar sua vida; a homeostase é a propriedade que mantém um sistema regulado e estável internamente; o crescimento é a capacidade de se desenvolver e se transformar em algo maior e/ou mais complexo; a resposta a estímulos é a capacidade de responder a alterações no ambiente externo ou interno, e a capacidade de reprodução é a possibilidade de gerar descendentes; por fim, a adaptação é o processo por meio do qual, com o correr do tempo, a vida se torna mais bem “configurada” ao ambiente em que está inserida, aumentando assim as chances de sobrevivência.

As línguas naturais têm, se não todas, pelo menos a maioria das características que atribuímos à vida.

Notaremos que o metabolismo das línguas se constitui na língua falada. Esta é a realização da língua, isto é, sem ela não existe nada que seja observável ou passível de estudo no campo da linguística. Sem a fala não há uma língua de facto, não há “vida” na língua: apenas um sistema estático, “inorgânico”.

A homeostase da língua se caracteriza pela estrutura lingüística subjacente: sua gramática. Não é possível conceber a existência de uma língua agramatical. Sentenças ditas agramaticais, ou seja, que não estejam de acordo com a gramática da língua por fugirem do “equilíbrio linguístico” que garante a ordem do sistema, não encontram sustentação e simplesmente desaparecem, sem sequer terem sido pronunciadas.

Que as línguas crescem, ou seja, que se tornam maiores e mais complexas com o passar do tempo, é inquestionável. Basta que observemos a quantidade de neologismos surgidos quase diariamente em qualquer língua existente.

No que se refere à resposta a estímulos, talvez a língua seja o melhor exemplo para estudo, uma vez que mudamos nossa forma de expressão a todo momento: conforme os estímulos são alterados (mudanças de situação, interlocutores, o tom de um texto etc.), a língua também se altera, tendo uma espécie de sensibilidade, própria de seres vivos.

Outro ponto inquestionável é a capacidade de reprodução das línguas naturais. O português é uma das muitas línguas-filhas do latim, bem como o italiano, o francês, o espanhol, o romeno, o catalão e outras 42 línguas. A família do indo-europeu, da qual as línguas itálicas fazem parte, consiste em quase 450 línguas diferentes.

Associada à capacidade de reprodução, encontramos a capacidade de adaptação das línguas naturais. Uma vez separadas do ramo principal e isoladas geograficamente de sua língua-mãe, as variantes linguísticas se tornarão maiores e mais maduras até constituírem línguas próprias e distintas, como ocorreu com o português e o francês, por exemplo, após a queda do Império Romano e o consequente enfraquecimento do latim.

Dessa forma, as línguas merecem, sim, o título de “vivas”, ainda que, evidentemente, com reservas.

Como Darwin nos ensina em seu “A origem das espécies”, os seres vivos estão sujeitos a transformações em si próprios e no ambiente em que vivem. Não fosse assim, jamais teríamos a maravilhosa diversidade ao nosso redor, com criaturas perfeitamente adaptadas a certos ambientes e funções, como a famosa Xanthopan morgani, a “mariposa que Darwin previu”.

Darwin descobriu um mecanismo natural que preserva as características úteis à sobrevivência de um indivíduo e descarta as prejudiciais. Esse mecanismo – a seleção natural – é tão poderoso e universal que pode ser aplicado a praticamente qualquer sistema complexo.

A língua de Darwin é afiada e poderosa, já que descreve o funcionamento da Natureza com precisão espantosa. É a língua da variação e da adaptação, da vida e da maravilha que nos cerca neste mundo.

Realmente, “há grandeza nessa forma de ver a vida”.

*Paulo Manes é pesquisador-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPT) na área de estudos linguísticos.

Maria Flávia Figueiredo é doutora em lingüística pela Unesp.

Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/a_lingua_de_darwin.html

@MDD – Línguas são seres vivos; apenas vivem no Plano Mental, e não no Material. A Linguagem vai sendo construída na Esfera de HOD e, sem ela, tudo o que está acima na Árvore da Vida pode apenas ser SENTIDO; Daí a analogia de se qualificar Hermes, Toth e Exú como “Intermediários entre os Deuses e os Homens”… porque sem a linguagem, não se compreende os atributos dos Deuses. Daí a dificuldade em se catalogar a Magia, Astrologia e os Símbolos usados em Ordens Iniciáticas no Modelo Científico vigente.

#Egrégoras

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