Resultados da Hospitalaria – Setembro 2009

Ao todo, em Setembro, foram 23 mapas e 12 sigilos.

Entidades auxiliadas este mês:

– Associação Lar Missionários do Amor

Praia da Bandeira, 475 – Ilha -Tel.: 3366-3828 Rj-RJ

– Núcleo Espírita Investigadores da Luz – NEIL

Rua Boa Esperança, 91/93 Recife – PE – Brasil (81) 30830973
http://www.investigadoresdaluz.blogspot.com

– Instituto de Prevenção à Desnutrição e à Excepcionalidade

– Asilo Vivência Feliz, em SP (fraldas geriátricas)
http://www.vivenciafeliz.org.br/index.htm

– Instituição “Asas Brancas”
http://www.asasbrancas.com.br

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-setembro-2009

Cantando Hare Krishna em Pureza – As Dez Ofensas

Por Sua Santidade Acyutananda Svami.

[Sua Santidade Acyutananda Svami é um dos primeiros estudantes americanos iniciados na consciência de Krishna por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Quando Srila Prabhupada inicia um novo devoto, ele pede ao devoto que cante o mantra Hare Krishna e, enquanto canta, evite dez ofensas. Em uma recente cerimônia de iniciação para novos discípulos em Vrindavana, Índia, Srila Prabhupada pediu a Acyutananda Svami para instruir os novos iniciados sobre essas dez ofensas. A pedido de Srila Prabhupada, as observações de Acyutananda Svami são reproduzidas aqui.]

 

O nome de Sri Krishna, conforme encontrado no maha-mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare – é uma vibração sonora transcendental. Rupa Gosvami diz: nama cintamanih Krishnas caitanya-rasa-vigrahah/purnah suddho nitya-mukto ‘bhinnatvan nama-naminoh. Krishna e Seu nome não são diferentes. O próprio Krishna é transcendental, assim como a forma de Krishna, o nome de Krishna e a parafernália de Krishna, assim como o próprio Krishna. Eles são todos feitos de energia transcendental.

 

Conforme declarado no Bhagavad-gita, janma karma ca me divyam: o nascimento e as atividades de Krishna são eternos e transcendentais. Quando uma pessoa comum nasce devido ao karma, as leis da ação e reação materiais, seu corpo está todo enrugado e coberto de sangue e muco. Mas Krishna nasce sorrindo. Em Mathura Ele nasce segurando um búzio, disco, maça e lótus e decorado com uma coroa, joias, uma linda guirlanda e todos os Seus ornamentos transcendentais. Nenhum de nós nasceu assim aqui; todos nós nascemos por causa do karma. Mas não Krishna. E simplesmente por saber que o nascimento e as atividades de Krishna são divinos, a pessoa também se torna divina. Então não é necessário nascer de novo no mundo material.

 

A natureza espiritual tem forma (caitanya-rasa-vigraha); não é sem forma. A natureza de Krishna tem forma, mas essa forma é divina, transcendental, cintamani. Cintamani também implica consciência (cinta significa “consciência” ou “substância divina”). E a forma de Krishna não é diferente de Seu nome. Um som transcendental, no entanto, não pode ser proferido por lábios materiais. Um som transcendental deve ser proferido pelos sentidos transcendentais. A forma transcendental de Krishna só pode ser vista por olhos transcendentais, e o nome transcendental de Krishna só pode ser falado com lábios transcendentais. Portanto, temos que purificar nossos sentidos, purificar nossos olhos, purificar nossa língua, purificar nossos lábios, purificar nossas mãos – tudo deve ser purificado. Então podemos entender Krishna.

 

Isso é natural, porque o espírito é adhoksaja; não pode ser percebido pelos sentidos materiais. Os cientistas querem ver tudo com seus olhos mundanos, mas muitas coisas não podem ser vistas dessa maneira. Para ver minúsculos micróbios ou planetas distantes, você precisa melhorar sua visão com um microscópio ou telescópio. Então, para ver o espírito, você também tem que purificar sua visão, torná-la mais fina. Premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena: você tem que passar a pomada do amor em seus olhos. Iogues comuns e especuladores mentais não podem ver Krishna. Somente devotos, ou bhaktas, podem vê-Lo (bhaktya mam abhijanati; bhaktya tv ananyaya sakyah).

 

Há dez ofensas (nama-aparadhas) a serem evitadas enquanto se canta o mantra Hare Krishna. Estes são dados em The Nectar of Devotion, e também no Padma Purana. Somente os devotos podem ver Krishna em Sua forma pessoal, porque são eles que evitam essas dez ofensas. Quando cantamos Hare Krishna, devemos, portanto, ter muito cuidado para evitar essas ofensas.

 

Alguém está cantando Hare Krishna de forma ofensiva ou sem ofensas? Você pode não saber. Suponha que eu lhe mostrasse duas pílulas brancas — uma de arsênico e outra de aspirina. Você pode não saber qual é qual. Você teria que ir a uma autoridade – um médico, por exemplo – que poderia lhe dar a coisa certa. Você não iria a um charlatão; ele pode te dar o arsênico. Afinal, é uma pílula branca e você não sabe a diferença. Portanto, você tem que ir a um médico genuíno. Da mesma forma, devemos ouvir o canto de Hare Krishna apenas de devotos que estão evitando essas dez ofensas. Caso contrário, o canto será como leite tocado pelos lábios de uma serpente. O leite é muito puro e saudável, mas o leite tocado pelos lábios de uma serpente se transformará em veneno. Podemos ver um bom sadhu, ou uma pessoa santa, cantando Hare Krishna, mas se ele não estiver evitando essas ofensas, ouvi-lo é perigoso.

 

A primeira ofensa é sadhu-ninda: blasfemar devotos que dedicaram suas vidas a propagar o santo nome do Senhor. Os devotos que entregam suas vidas ao Senhor e que se engajam plenamente na pregação devem ser imaculados em seu caráter. Ainda assim, o Bhagavad-gita diz que se alguém se engaja totalmente na pregação da consciência de Krishna e no canto do santo nome, ele deve ser considerado santo mesmo que por acaso cometa alguma atividade abominável. Não devemos magnificar as faltas de um devoto. A lua está brilhando, espalhando sua luz doce e fria, e embora a lua também tenha algumas manchas pretas, a luz da lua brilha tão forte que não devemos considerá-las. Da mesma forma, mesmo que um pregador acidentalmente cometa um erro grave, isso deve ser desculpado. Krishna diz, ksipram bhavati dharmatma: muito rapidamente ele será purificado. Temporariamente pode haver alguma mancha em seu caráter, mas muito em breve ela será lavada pela potência de cantar o santo nome. Então ele será puro, como o céu claro. Se havia uma nuvem sobre um pedaço do céu alguns momentos atrás, mas agora o céu está claro, qual é a diferença entre esse céu e o céu que nunca foi coberto? Não há diferença; ambos são puros.

 

Se falarmos mal dos devotos, as pessoas perderão a fé em suas palavras. Tal perda de confiança apenas impede o progresso espiritual da humanidade. As abelhas procuram mel, enquanto as moscas procuram feridas abertas. Algumas pessoas são como moscas. Se eles veem a menor falha, eles a ampliam desproporcionalmente. Mas não devemos ser como moscas; devemos ser como abelhas zumbindo e ver todas as boas qualidades de um devoto. Se houver qualidades ruins, elas logo serão eliminadas. Nunca devemos falar mal ou fofocar sobre devotos que entregaram suas vidas ao santo nome.

 

A segunda ofensa é considerar semideuses, como o Senhor Shiva ou o Senhor Brahma, iguais ou independentes do nome do Senhor Vishnu, ou Krishna. No mundo material existem muitos seres vivos superpoderosos que controlam o funcionamento da natureza. Eles são chamados de semideuses. Assim como alguns seres humanos são mais poderosos que outros, os semideuses são ainda mais poderosos que qualquer ser humano. Mas a Suprema Personalidade de Deus é Sri Krishna. Ele é completo e pleno porque tem opulências plenas – toda riqueza, toda força, toda fama, toda beleza, todo conhecimento e toda renúncia. Nenhuma outra personalidade, nenhuma outra divindade ou semideus tem essas qualidades em sua totalidade. Krishna é, portanto, purna-avatara. Purna significa que Ele é completo – completamente completo. Todos os semideuses, como Shiva, Candra e Indra, são aspectos parciais deste purna. Por exemplo, a lua esta noite é amavasya, a lua escura. A lua está lá, mas você não pode ver nenhuma luz. Então amanhã haverá uma luz tênue vindo da lua. A lua inteira está lá, mas você pode ver apenas aspectos parciais dela, até que a lua cheia apareça. Da mesma forma, Krishna tem muitas formas, mas o Senhor manifesta Sua plena potência apenas como Sri Krishna, Syamasundara, com dois braços segurando a flauta (venum kvanantam aravinda-dalayataksam). Ele é a Personalidade de Deus original e completa.

 

Há muitas pessoas que adoram muitas divindades, até mesmo Krishna, mas não acreditam que Krishna seja supremo. Eles pensam que, embora Deus não tenha forma ou nome, alguma porção de Deus deslizou para maya e assumiu a forma de Krishna, Shiva, Durga ou outros semideuses. “Vou adorar esta divindade e me concentrar em sua forma”, pensa tal adorador, “e então um dia a forma se dissolverá e eu me dissolverei, e me tornarei tão bom quanto ele. Eu me tornarei igual a Krishna” Isso é uma ofensa. Isso não é bhakti, mas prostituição. É o que chamei de vesya-vada, a filosofia de uma prostituta. Qual é a proposta de uma prostituta? Uma prostituta não ama ninguém. Qualquer homem na rua é tão bom quanto qualquer outro. Mas a prostituta pensa: “Se esse homem me der alguma coisa, vou fingir que o amo. Se eu conseguir alguma coisa desse homem – ou de qualquer homem, não importa quem – então vou fingir que o amo.” Da mesma forma, as pessoas pensam: “Oh, qualquer deus, é tudo a mesma coisa. Se eu conseguir algo, então vale a pena fingir bhakti. Eu vou adorar no templo”. Mas isso não é bhakti – isso é trapaça. Você não está adorando o que pensa ser o Supremo. Você acha que o Supremo não tem forma. Então por que você está realizando arcana, sadhana, puja e outros tipos de adoração?

 

Os semideuses são apenas partes parciais de uma parte de Krishna. Eles estão muito longe da Suprema Verdade Absoluta. A Verdade Absoluta não tem nada a ver com a matéria. Portanto, mesmo o Senhor Shiva, que é quase tão bom quanto Krishna, não é o Supremo porque sua atividade diz respeito apenas à destruição material. O Senhor Krishna é comparado ao leite, e o Senhor Siva é comparado ao iogurte. Iogurte é leite, mas se você comer iogurte a reação no estômago é fria, e se você beber leite a reação no estômago é quente – exatamente o oposto. Então, se você adorar o Senhor Shiva, ou qualquer semideus, a reação será material, mas se você adorar Krishna, a reação será o desenvolvimento espiritual eterno. Portanto, não devemos igualar os nomes de Shiva, Durga, Candra e outros semideuses com o nome de Krishna. O nome de Krishna tem plena potência espiritual.

 

Os devotos na linha discipular do Senhor Caitanya entendem que todos os nomes dos semideuses vêm do nome de Krishna. Tomemos Indra como exemplo. “Indra” significa “rei”. Krishna é paramesvara, o rei supremo, então realmente o nome “Indra” pertence a Krishna. Krishna é Indra. E o semideus Indra, que é o rei dos planetas celestiais, recebeu o nome de Krishna. Outro semideus: Shiva. “Siva” significa auspicioso. Krishna é mangalo mangalanam: nada é mais auspicioso do que Krishna. Portanto, Krishna é Śiva, e o Śiva, que é a divindade da destruição, recebeu o nome Dele. Meu nome é Acyutananda. Eu não sou acyuta. Acyuta significa Krishna. Eu sou o servo de Acyuta. Dasa significa “servo”. Assim, tenho o nome de Krishna como Seu servo, dasa. Da mesma forma, todos os semideuses são Krishna dasa. Indra significa Krishna dasa. Shiva significa Krishna dasa. Candra significa Krishna dasa. Todos são Krishna dasa. Ekala isvara Krishna ara saba bhrtya: o único desfrutador supremo, a personalidade suprema, é Krishna; todos os outros são Seus servos. Portanto, devemos nos concentrar no nome de Krishna.

 

A terceira ofensa é desobedecer às ordens do guru, ou mestre espiritual. O guru é a única conexão que temos entre nós e Deus. Se uma formiga rasteja em seu corpo, a formiga não pode nem entender que você é um ser humano e que ela está andando em um homem. Ele pensa que está andando em uma floresta de árvores. Nem você pode explicar, “Sr. Ant, você está andando em cima de mim. Você não tem o poder de se explicar para ele, e ele não tem o poder de entender onde está. Vocês dois estão indefesos. Mas ainda mais distantes estão a entidade viva (jiva) e Krishna. Somos minúsculos; o jiva é um décimo de milésimo do tamanho da ponta de um fio de cabelo. E Krishna é tão grande que dos poros de Maha-Visnu, que é apenas um aspecto parcial de Krishna, inúmeros universos estão surgindo, como partículas de poeira entrando por uma janela.

 

Devemos perceber nossa posição como pequenos seres vivos e não tentar imitar a Deus. O universo em que vivemos tem muitas galáxias diferentes e um número infinito de planetas, e todos eles estão encerrados em uma bolha que veio de um poro de Maha-Visnu. Milhões e milhões de universos semelhantes a bolhas estão vindo de cada poro de Maha-Visnu, e estamos vivendo em um desses universos. Nosso universo tem milhões de planetas, e um pequeno planeta é a Terra. Nesse planeta terra há tanta água e terra, e a terra, que é apenas cerca de um terço do planeta, está dividida em tantos países, com tantos estados em cada um. Um país insignificante entre todos esses países é a Índia, que é dividida em vinte e um estados. Um estado é Bengala, e em Bengala existem muitas cidades. Uma cidade é Calcutá, que é dividida em muitas áreas – Ballygunge, Tallygunge, Burra Bazaar e assim por diante. Um lugar ali é a Rua Camac, e na Rua Camac há uma casa na qual muitos devotos estão morando, e um desses devotos está pensando: “Eu sou Deus”. Você é tão pequeno, tão insignificante! A única conexão que você, como um ser insignificante, tem com o Ser Supremo Significativo é o guru.

 

O guru, o mestre espiritual, é o meio transparente entre o Deus infinito e a alma finita. O Infinito pode dar-se a conhecer ao finito. Ele não é fraco. Não podemos nos explicar a uma formiga, mas Krishna pode se explicar a uma jiva. Portanto, ofender ou desobedecer à ordem do representante de Krishna, o guru, é suicídio.

 

Se alguém tem guru-sraddha, fé no guru, se é noite, mas o guru diz que é dia, você verá o sol brilhando. Além de nossa percepção sensorial material, devemos aceitar a ordem do guru fidedigno. Nossos sentidos são falíveis, limitados, imperfeitos, mas as palavras do guru fidedigno são puras e perfeitas. Guru-mukha-padma-vakya, cittete kariya aikya, ara na kariha mane asa: nosso único desejo é ouvir e compreender as ordens do mestre espiritual. Desobedecer às ordens do mestre espiritual impedirá qualquer progresso na vida espiritual. Yasya prasadad bhagavat-prasado yasyaprasadan na gatih kuto ‘pi: se Krishna está satisfeito com você, mas o guru está descontente, não há esperança; e se o guru está satisfeito e Krishna está descontente, você não tem nada com que se preocupar.

 

Estamos pregando a escravidão, a escravidão divina. Cada país do mundo tem um esquema de prazer – comunismo, socialismo, democracia ou qualquer outra coisa – mas todos eles estão tentando ter prazer independente do Senhor Supremo. Estamos pregando que a escravidão é muito mais feliz do que uma falsa sensação de independência. O que o guru diz, nós fazemos. Mas ele é perfeito. Ser escravo da perfeição — isso é vida extática.

 

Quarta ofensa: blasfemar a literatura védica ou literatura de acordo com a versão védica. As literaturas védicas estão em harmonia com as palavras do mestre espiritual, pois o mestre espiritual não dirá nada que não seja confirmado nas escrituras. Portanto, as palavras das escrituras e do mestre espiritual são nossas diretrizes.

 

As escrituras védicas são faladas pelo próprio Deus, e por aqueles que têm perfeito entendimento. Ao contrário das filosofias inventadas pela inteligência humana imperfeita, as escrituras védicas foram escritas pela inteligência perfeita, por devotos, por grandes sábios que sacrificaram suas vidas, não por líderes que viviam no luxo e queriam escrever alguma constituição ou propor alguma política para promover seu senso. gratificação. Esses líderes vivem no luxo às custas de todos os outros. Tanto quanto podem, eles tentam blefar as pessoas com conversas altruístas, mas seu verdadeiro objetivo é viver no luxo às suas custas. Você passa fome e eles vivem no luxo, não importa o que eles pregam. Os grandes sábios que viram a Suprema Verdade Absoluta sacrificaram suas vidas pelo Supremo; eles viviam em tantas dificuldades — para nós — porque eram nossos benquerentes. Os devotos são todos oceanos de misericórdia que vêm para nos salvar.

 

vancha-kalpa-tarubhyas ca

krpa-sindhubhya eva ca

patitanam pavanebhyo

vaisnavebhyo namo namah

 

“Ofereço minhas respeitosas reverências a todos os devotos conscientes de Krishna do Senhor. Eles são como árvores de desejo que podem satisfazer os desejos de todos, e estão cheios de compaixão pelas almas condicionadas caídas.”

 

Os grandes sábios e devotos não vêm para trapacear; eles vêm para nos dar as literaturas védicas. Portanto, essas escrituras são cientificamente puras. Encontramos muitas evidências científicas para apoiar as declarações dos Vedas. Por exemplo, os Vedas declaram que o esterco de vaca é tão puro que você pode até colocá-lo no templo, e agora a ciência está descobrindo que, de fato, o esterco de vaca tem muitas qualidades anti-sépticas. Mas por milhares de anos sabíamos que o esterco de vaca é puro; não tivemos que fazer pesquisa científica. Então, por que não aceitar a literatura védica como ela é, pura e perfeita, sem duvidar dela?

 

Algumas pessoas interpretam as palavras nas escrituras védicas, assumindo que todas são alegóricas ou simbólicas. Mas tais interpretações não podem influenciar os devotos que têm servido na Índia, pois vimos os lugares onde as encarnações de Krishna estiveram. Se alguém insistir obstinadamente que os passatempos de Krishna são todos mitologia, posso levá-lo pela orelha a Hastinapura e ao forte Indraprastha onde os Pandavas viviam, depois puxá-lo pela outra orelha para Kurukshetra, a 160 quilômetros de lá, onde Krishna falou o Bhagavad-gita. , então pelo nariz para Vrindavana, onde Krishna realizou Seus passatempos, e mergulhou sua cabeça grossa no sagrado Rio Yamuna. Esses lugares foram feitos apenas para justificar alguns poemas? Certamente não. Aqui em Vrindavana e Mayapur desenvolvemos fé, a semente de bhakti, quando vemos os lugares onde o Senhor Krishna e o Senhor Caitanya Mahaprabhu tiveram Seus passatempos.

 

Quinta ofensa: considerar imaginárias as glórias de cantar o mantra Hare Krishna. É dito na literatura védica que cantando uma vez o santo nome de Krishna a pessoa pode erradicar mais pecados do que ela pode cometer em todos os quatorze mundos. Portanto, não devemos duvidar disso. Não devemos considerar isso um exagero. Mas essa afirmação é uma grande pílula para engolir. Portanto, embora possamos dizer que cantar Hare Krishna é um processo fácil para a perfeição espiritual, as pessoas duvidarão que seja verdade. Se eu ficasse na rua e dissesse “diamantes, diamantes grátis”, ninguém acreditaria em mim. Mas aqui as escrituras estão dizendo mais do que isso. Ceto-darpana-marjanam bhava-maha-davagni-nirvapanam: você pode obter a liberação completa de todos os pecados apenas cantando Hare Krishna uma vez. As pessoas duvidarão que isso seja verdade. Ter plena fé no santo nome não é fácil; ainda devemos. Nunca devemos pensar que as escrituras védicas estão apenas blefando, tentando nos convencer a cantar, exagerando a potência do canto. Não, devemos ter fé completa.

 

Sexta ofensa: interpretar o canto do santo nome do Senhor. Algumas pessoas gostam de distorcer as declarações dos Vedas ou o significado do santo nome de Krishna. Por exemplo, cantamos os nomes Hare Krishna. Hari significa ladrão, hari significa leão e hari também significa cobra. Então, Hare Krishna significa serpente Krishna, ladrão Krishna, leão Krishna? Não. Harir om tat sat: Hari é a Suprema Verdade Absoluta. Isso significa que um ladrão é a Suprema Verdade Absoluta? Devemos construir um templo para um ladrão? Devemos construir um templo para uma cobra?

 

Com um dicionário você pode interpretar, dobrar e torcer palavras ilimitadamente. Por exemplo, posso falar do presidente Kennedy. Mas “ken” pode significar “posição mental” e “redemoinho” significa uma piscina em redemoinho, então um malabarista de palavras pode dizer que Kennedy era alguém cuja mente estava confusa e que se tornou o presidente. Pode-se torcer palavras como bate-papo de muitas maneiras. “O professor”, disse o menino, “é um tolo”. O professor disse que o menino é um tolo. Se mudarmos a pontuação, toda a frase terá um significado completamente diferente. Da mesma forma, algumas pessoas tentam distorcer os significados falsos e completamente enganosos dos Vedas, mas nós não queremos isso.

 

Não queremos uma interpretação distorcida. Queremos a verdade, como ela é. Srila Prabhupada está dando o Bhagavad-gita como ele é. Não se deve tentar distorcer algum outro significado. Não devemos ser como o homem tolo cuja esposa lhe disse para comprar um pouco de ghee, manteiga clarificada. Ele saiu para comprar ghee, mas quando foi até o homem que vendia ghee, aquele homem disse: “Meu ghee é tão bom, é como óleo”. Então o homem disse: “Oh, óleo. O óleo deve ser melhor que o ghee.” Então ele foi até o homem que vendia óleo. Mas o homem do petróleo disse: “Meu óleo é tão claro, é tão claro quanto a água”. Então o sujeito pensou que a água devia ser melhor que o óleo. Então, em vez de ghee, ele comprou um pouco de água. Passo a passo, ele chegou a algo inútil. Você não pode fritar nada na água, mas ele achava que água é melhor que ghee. Dessa forma, um especulador mental pode torcer e transformar tudo. Krishna significa preto, preto significa escuro, escuro é desconhecido, Então Krishna significa desconhecido. É um tipo muito perigoso de filosofia. Portanto, não podemos interpretar os significados dessas palavras; antes, devemos aceitá-los de acordo com a compreensão dos acharyas, os devotos puros na linha discipular.

 

Sétima ofensa: cometer atividades pecaminosas com a força de cantar o santo nome do Senhor. Cantar o santo nome nos livra de tantos pecados, mas não devemos pensar: “Vou cometer atividades pecaminosas e depois cantar para me tornar puro. Então eu cometerei mais pecados e então cantarei novamente.” Isso é um absurdo. Isso é trapaça. Você não pode enganar Krishna, nem pode enganar o santo nome. O santo nome é Krishna. Portanto, Krishna saberá o que você está fazendo. Em algumas religiões é uma política que no sábado a pessoa possa confessar todos os seus pecados e assim tornar-se pura para que no domingo ela possa entrar na igreja. Então, a partir de segunda-feira, ele pode retomar sua tolice pecaminosa. Mas se alguém confessou que seus pecados são errados, por que deveria cometê-los novamente? Ele será perdoado uma ou duas vezes, se os cometer sem saber, mas na terceira ou quarta vez terá que sofrer. Ninguém pode continuar usando o Senhor para justificar seu pecado. Isso é um absurdo. Tentar usar a força do santo nome para justificar suas más propensões é considerado a pior ofensa.

 

Oitava ofensa: considerar o canto de Hare Krishna uma das atividades ritualísticas auspiciosas oferecidas nos Vedas para ganhos fruitivos (karma-kanda). Estamos cantando Hare Krishna para obter Krishna-prema, amor a Krishna – não por causa da religiosidade (dharma), desenvolvimento econômico (artha), satisfação dos sentidos (kama) ou mesmo liberação (moksa). Quando alguém está imbuído de amor por Krishna, a liberação parece totalmente miserável porque na liberação impessoal não há amor. Krishna se manifesta em Suas moradas espirituais, como Goloka e Vaikuntha, e Ele aparece no mundo material como um avatara, ou encarnação. Na forma do avatara Varaha, Krishna foi para a região mais escura do inferno para resgatar o planeta Terra. Portanto, Krishna aparece para Seus devotos no inferno, na terra, no céu e em Goloka Vrndavana, mas no Absoluto impessoal, o brahmajyoti, Krishna não se manifesta. Portanto, kaivalyam narakayate; a liberação impessoal (kaivalya-mukti) é pior que o inferno para um devoto.

 

Não estamos cantando Hare Krishna para nenhum ganho pessoal. No dhanam na janam na sundarim kavitam va jagad-isa kamaye: não queremos dinheiro, não queremos seguidores, não queremos mulheres bonitas, nem queremos popularidade, educação ou uma posição importante. Mama janmani janmanisvare bhavatad bhaktir ahaituki tvayi: queremos devoção sem causa, bhakti, aos pés de Krishna. Nada mais. Portanto, estamos cantando Hare Krishna – apenas para isso.

 

Nona ofensa: instruir uma pessoa infiel sobre as glórias de cantar o santo nome. Qualquer pessoa pode participar do canto do santo nome, mas não devemos dar instruções ou iniciações mais profundas a quem é infiel. Essa falta de fé pode ser devido à sua ignorância e, portanto, podemos dar-lhe conhecimento e purificá-lo. Mas antes que ele seja purificado, se ele decidiu ser avesso a Krishna (bahir-mukha, vimukha), quanto mais o instruirmos sobre Krishna, mais ele odiará Krishna. Então estaremos fazendo com que essa pessoa cometa mais ofensas, e isso é uma ofensa da nossa parte. Portanto, não se deve dar instruções mais profundas sobre cantar o santo nome para alguém que não tem fé; antes, devemos primeiro desenvolver sua fé dando-lhe conhecimento.

 

As pessoas não têm fé em Krishna apenas porque são ignorantes. Eles não foram expostos ao conhecimento real de Krishna, mas absorveram apenas noções falsas. Por exemplo, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, a força aérea japonesa pegou meninos de treze ou quatorze anos e os ensinou a pilotar aviões. Eles não os ensinaram como pousar os aviões, mas apenas como decolar e voar. Eles disseram a esses garotos inocentes que, pelo bem de seu país, eles poderiam bater o avião em um barco inimigo e eles sairiam vivos. Eles não disseram a eles que explosivos haviam sido carregados no avião e que eles seriam mortos. Os pilotos receberam apenas uma pequena quantidade de combustível, para que não pudessem voltar se ficassem com medo. Finalmente, seus comandantes os acusaram de algumas noções falsas sobre amor à pátria e amor por seus antepassados ​​e os enviaram em sua missão. Eles eram simplesmente um esquadrão suicida. Tudo o que tinham era conhecimento parcial, combustível parcial e educação parcial, e assim, carregados de alguns sentimentos falsos, foram iludidos a cometer suicídio. Da mesma forma, a educação moderna está nos dando apenas educação parcial, para que trabalhemos como cães.

 

Segundo a crença popular, o povo indiano não tem capacidade para trabalhar. Este é um equívoco. Já vi pessoas extremamente idosas andando 13 ou 15 quilômetros ao redor da Colina Govardhana sob o sol quente. Eles escalam as sete colinas até o templo de Tirupati, tomam banhos frios no mês de Magh (janeiro) ou caminham até Badarikasrama. Eles estão tão dispostos a realizar essas atividades para a realização espiritual, então por que não estão ansiosos para trabalhar em uma fábrica? Porque eles sabem que não estão obtendo benefícios espirituais trabalhando em uma fábrica. Eles querem benefício espiritual, porque as pessoas na Índia são basicamente religiosas. Eles sabem que mukti (libertação) não pode ser alcançada trabalhando em uma fábrica, mas o governo está tentando propor a filosofia de que trabalho é adoração. Os líderes do governo sabem que as pessoas são basicamente religiosas, então estão dizendo: “Se você trabalhar duro na fábrica quente, obterá mukti”. Eles estão tentando destruir um falso significado do Bhagavad-gita – trabalhe duro e esqueça qualquer outra coisa. Sem religião, sem templo, apenas trabalho na fábrica. Eles estão tentando impor essa filosofia ao público para fazer com que as pessoas trabalhem na fábrica e pensem que o trabalho fabril ou o trabalho duro é uma atividade auspiciosa e piedosa.

 

Mas não funciona. Entre em qualquer prédio de escritórios e você encontrará todos sentados fumando, tentando fazer o mínimo de trabalho possível. Mas se você for a Jagannatha Puri, verá um enorme templo construído há milhares de anos. Como as pessoas conseguiram a energia para construir tal templo? Eles sabiam: “Estou fazendo isso por Jagannatha, por Krishna”. Isso trouxe o melhor deles. Se as pessoas souberem que estão trabalhando para algum ministro trapaceiro, também serão trapaceiros. Eles farão a menor quantidade de trabalho possível. No entanto, se trabalham para Deus, sabem que Ele vê tudo o que fazem e que, ao agradá-lo, podem vê-lo e viver com ele. Isso é uma inspiração. Mas os líderes modernos não gostam disso. Eles querem que as pessoas trabalhem para eles, não para Krishna. Eles têm inveja de Krishna. Eles pensam: “Oh, se você trabalha para mim, isso é adoração”. Isso é falso. Estamos aceitando o mahatma-panthah, o caminho dos acaryas anteriores, os grandes mestres espirituais. A sociedade moderna sabe mais do que os grandes acharyas?

 

A última ofensa é não ter fé completa no canto do santo nome e manter o apego material mesmo depois de entender tantas instruções sobre este assunto. Krishna declara no Bhagavad-gita, rasa-varjam raso ‘py asya param drstva nivartate: “Aquele que está apegado ao prazer sensual se liberta desse apego quando experimenta um gosto mais elevado.” Nós, devotos na Índia, aparentemente estamos vivendo vidas muito difíceis. Embora sejamos americanos, estamos dormindo no chão, comendo apenas uma ou duas refeições por dia, vivendo neste país quente e nos vestindo e vivendo humildemente. Então as pessoas podem pensar que estamos sofrendo, mas na verdade não estamos – somos felizes. Estamos felizes porque temos o santo nome, porque estamos tendo um sabor mais elevado. Mas se depois de ter esse sabor mais alto quisermos novamente o sabor mais baixo, isso é um grande erro. Uma pessoa nessa posição é chamada de vantasi. Vantasi significa aquele que come seu próprio vômito. Quando alguém rejeita seus apegos baixos, isso é comparado ao vômito. No entanto, depois de ter obtido um sabor mais elevado, ceder novamente a um sabor mais baixo é tão bom quanto comer vômito. Portanto, manter apego material depois de ouvir as glórias do santo nome do Senhor é uma ofensa.

 

Se evitarmos essas dez ofensas ao santo nome do Senhor, certamente progrediremos, pela graça do mestre espiritual, Senhor Caitanya e Senhor Sri Krishna. O resultado será, ceto-darpana-marjanam; nossa consciência será purificada. Isso é uma necessidade. Como podemos ter paz ou fazer algum progresso quando nossa consciência está turva e agitada?

 

Houve uma reunião entre alguns líderes do Oriente Médio preocupados em fazer a paz em Israel. Eles haviam se reunido em uma sala e estavam prestes a se sentar em mesas diferentes. A Jordânia foi atribuída a uma mesa, a Síria a outra, o Irã a outra e Israel a outra. Os israelenses, no entanto, não quiseram ocupar seus assentos designados. Eles queriam se sentar em uma mesa do outro lado da sala. Mas os sírios disseram: “Não, queremos esta mesa”. Então, seguiu-se uma discussão furiosa, na qual os membros da conversa de paz ameaçaram encerrar as negociações e ir à guerra. Como suas mentes estavam agitadas, eles não conseguiam fazer as pazes nem mesmo em uma sala de três metros. Portanto, a primeira necessidade na sociedade é a pureza da consciência.

 

Com consciência impura interior, como podemos externamente ter paz ou pureza? Primeiro devemos nos tornar puros internamente. Por exemplo, aqui na Índia os comerciantes agora adulteram o ghee (manteiga clarificada) misturando muitas coisas impuras para economizar dinheiro. Por quê? Porque eles não acreditam mais em Deus. Se acreditassem em Deus, pensariam: “Este ghee pode ser oferecido em um templo em algum lugar. Torná-lo impuro seria uma grande ofensa”. Mas porque eles não são conscientes de Deus, eles pensam: “Quem se importa? Ninguém vai me ver. O governo não vai saber.” Mas embora se possa escapar da visão do governo, não se pode escapar da visão de Deus. O Senhor Supremo vê tudo. No entanto, se eliminarmos a ideia de Deus como saksi, a testemunha, então o inferno prevalecerá. Portanto, devemos purificar a consciência. Bhava-maha-davagni-nirvapanam: quando nossa consciência é purificada, automaticamente o fogo de nossa existência material será extinto.

 

O canto de Hare Krishna dissemina o conhecimento transcendental no coração como a luz da lua (sreyah-kairava-candrika-vitaranam vidya-vadhu-jivanam) e aumenta nosso êxtase a cada momento (anandambudhi-vardhanam). No êxtase material, o prazer diminui gradualmente. Se você tem prazer em comer um pedaço de doce, em pouco tempo precisará de dois pedaços para obter o mesmo prazer. Então você vai precisar de três, depois de cinco, e logo você não vai querer mais olhar para doces. Isso é prazer material; ele diminui. Mas em consciência de Krishna, anandambudhi-vardhanam pratipadam purnamrta svadanam: a cada passo você terá um sabor mais completo do néctar. Sarvatma-snapanam param vijayate sri-Krishna-sankirtanam: todos podem se purificar cantando este maha-mantra Hare Krishna. Atma significa o corpo, a mente, a inteligência, o esforço, a alma e Krishna. Caitanya Mahaprabhu deu todos esses significados diferentes para a palavra atma quando explicou o verso atmarama do Srimad-Bhagavatam. Portanto, ceto-darpana-marjanam . . . sarvatma-snapanam. quando cantamos Hare Krishna, todos os atmas se purificam – a mente, a inteligência, a alma. Ao cantar Hare Krishna, todas as entidades vivas podem se tornar felizes. E Krishna também fica feliz quando cantamos.

 

Podemos oferecer uma flor a Krishna (patram puspam phalam toyam), mas o nome de Krishna é o próprio Krishna (abhinnatvan nama-naminoh). Assim, cantando os santos nomes do Senhor Krishna, estamos dando a Ele a melhor oferenda. No Srimad-Bhagavatam afirma-se, yajnaih sankirtana-prayair yajanti hi sumedhasah: aqueles que são inteligentes nesta Era de Briga adorarão o Senhor Supremo por nama-sankirtana-yajna, o sacrifício de cantar o santo nome do Senhor. Yajna (sacrifício) deve ser realizado, pois sem yajna, mesmo a prosperidade material é impossível. Nesta Era de Kali, o sacrifício recomendado é sankirtana-yajna, e aqueles que são inteligentes realizarão este canto dos santos nomes do Senhor e, portanto, seguirão os ensinamentos do Senhor Caitanya Mahaprabhu.

 

Caitanya Mahaprabhu é nosso objetivo, nosso objeto de meditação e adoração. Ele é o próprio Krishna com uma tez dourada, cercado por Seus associados. O Senhor Caitanya, no entanto, não carrega armas, o Senhor Ramacandra carrega um arco e flecha, Parasurama tem Seu machado, Krishna tem Seu disco e Vishnu carrega uma concha, disco, maça e lótus. Mas Caitanya Mahaprabhu está de mãos vazias. Suas únicas armas são Seus associados, como o Senhor Nityananda e Haridasa, porque Sua arma é o amor. Em vez de matar os demônios e libertá-los, Ele os transformou em devotos e os conquistou pelo amor. O Senhor Nityananda costumava ir de casa em casa, bater em suas portas e implorar às pessoas que por favor cantem Hare Krishna. Ele abria a porta, caía prostrado no chão e rolava no chão, implorando para que cantassem o santo nome do Senhor. Como você pode negar Seu pedido? A Suprema Personalidade de Deus está aos seus pés, implorando por você rolando na poeira de sua casa. Você O negará? Você pode recusar? Nenhuma pessoa inteligente pode rejeitá-Lo. Portanto, cante Hare Krishna e evite essas ofensas. Essa é a perfeição da vida humana.

 

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Fonte:

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses, by His Holiness Acyutananda Svami.

 

Back To Godhead Vol 68, August 1974.

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses.

 

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/cantando-hare-krishna-em-pureza-as-dez-ofensas/

Rosacruz, Maçonaria e Martinismo

Texto de G. O. Mebes, datado de 1911.

Não queremos impor a ninguém a crença de que tenha existido, efetivamente, uma Fraternidade fundada por Christian Rosenkreuz (1378 – 1484) e composta de um pequeno conjunto de místicos castos; queremos, apenas, afirmar o fato do aparecimento no astral de uma forma apresentando, nitidamente, os ideais e caminhos de aperfeiçoamento dos quais, bem mais tarde, tratou a famosa obra “FAMA FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS”. Nela, esses ideais foram registrados em forma de um código; mas o despertar da Egrégora aconteceu numa época bem anterior.

Estudemos como se apresenta para nós a Egrégora da Rosa-Cruz inicial, segundo a obra acima citada e também conforme o “CONFESSIO FIDEI R+C”. É claramente visível que essa poderosa Egrégora atraiu a si os fluidos de três importantes e amplos fluxos da Verdade: o Gnosticismo, a Cabala e o Hermetismo da Escola Alquímica.

O “Ponto Superior acima do Iod” deste novo aspecto da Egrégora Templária foi constituído pelo ideal do trabalho teúrgico, visando a vinda do “Reino de Elias Artista” e por uma fé inabalável de que este Reino virá no futuro.

O que quer dizer isso? Quem é “Elias Artista”?; de onde surgiu “Elias” e por que “Artista”?

Na Bíblia, Elias e Enoch são símbolos de algo que é levado vivo ao céu. No entanto, o caminho direto para o Empíreo da metafísica está aberto somente aos fluxos da Verdade Absoluta. Os Arcanos Menores do Livro de Enoch fazem parte de tais fluxos. Elias, por sua vez, é como uma imagem mais concreta de Enoch, está mais próximo de nós. Portanto, “Elias” e não “Enoch”.

Como é este Elias? Por quais caminhos pode ele nos levar aos Arcanos Menores, à Reintegração Rosacruciana? Seria este o caminho dos Bem-aventurados, caminho dos corações humildes e plenos de amor, das mentes simples e sem malícia, mas possuidoras de uma fé infinita?

Não. A Egrégora não era para eles. Era para os que haviam experimentado o refinado sabor do conhecimento e já não podiam a ele renunciar, O “Elias Rosacruciano” conduz seus seguidores aos Arcanos Menores pelo caminho difícil do estudo minucioso e profundo dos Arcanos Maiores, uma analise engenhosa, constituindo verdadeira arte; dai o nome “Artista”.

O poderoso “Iod” com o qual a Egrégora modelava seus adeptos expressou-se pelo símbolo imortal da Rosa+Cruz. Seja qual for a moldura que acompanhe este símbolo, sejam quais forem os acréscimos, sua parte central e essencial permanece sempre a mesma.

A Cruz, símbolo da auto-renúncia, do altruísmo ilimitado, submissão total às Leis Superiores, é um dos seus polos. A Rosa perfumada de Hermes, símbolo da ciência e do aperfeiçoamento nos três planos, envolve a Cruz.

Os vinculados ao símbolo da Rosa+Cruz, podem carregar a Cruz mas não poderão remover dele a Rosa. Mesmo se os espinhos do conhecimento os fizerem sofrer, não renunciarão à atração de seu perfume. A Rosa é o segundo polo do Binário .

A tarefa do Rosacrucianismo é neutralizar este binário com sua própria personalidade, harmonizar em si mesmo a Ciência e a auto renuncia, fazê-las servir a um mesmo ideal . Um Rosacriciano deve assemelhar-se ao terceiro símbolo que consta do pantáculo da Rosacruz, o Pelicano, cujas asas permanecem abertas e que sacrifica-se por seus filhotes, alimenta-os com seu próprio corpo, seu sangue e sua carne.

No emblema, os filhotes do Pelicano são de cores diferentes. Nos emblemas primitivos havia apenas três filhotes, simbolizando as três Causas Primordiais; nos emblemas posteriores há sete, simbolizando as sete Causas Secundárias, sendo cada um dos filhotes de uma cor planetária diferente. Isso indica que o sacrifício deve ser feito conforme a ciência das cores, ou seja, cada um dos filhotes necessita um tratamento especifico.

Esse “lod’ apresenta um tema a ser meditado por parte de cada um dos verdadeiros Rosacrucianos.

O “Primeiro He” do Rosacrucianismo inicial era constituído por um grupo de naturezas raras e excepcionais, capazes de unir o misticismo à mais elevada intelectualidade.

O “Shin” do esquema Rosacruciano revestiu-se de uma certa auto-apreciação, em consequência natural de se considerarem instrumentos escolhidos. Havia tão poucas pessoas, capazes de satisfazer a essas exigências, que a convicção da superioridade introduziu-se por si mesma. Ela acentuou-se ainda mais, devido as severas regras da ética Rosacruciana, que os eleitos introduziram em seu viver.

O culto, o elemento “Vau”, expressava-se pela meditação sobre os símbolos, especialmente sobre o grande pantáculo da Rosa + Cruz e, em parte, pelas cerimônias místicas durante as reuniões periódicas dos Rosacrucianos.

O “Segundo He”, a “política” da Escola, constituiu-se numa atividade que, de acordo com suas convicções, os Rosacrucianos consideravam indispensável ao progresso da Humanidade. Devido a necessidade da prudência, tanto essa atividade quanto as pessoas dos membros da Corrente, eram envolvidas num estrito anonimato. Nesse “Segundo He”, podia-se perceber facilmente a reação, ainda não dissolvida no astral puro, do violento ressentimento dos Templários contra a Igreja Romana, ressentimento que chegou a criar os elementos formais do Protestantismo.

O Rosacrucianismo inicial, como já sublinhamos, não podia, naturalmente, contar com muitos adeptos, pois exigia deles características que, em geral, se excluem mutuamente.

Mais tarde, no século XVI, da Escola inicial gradualmente aquilo que poderia ser chamado de Rosacrucianismo secundário. Se o primeiro era acessível somente a poucos, o segundo podia ser seguido por todos os homens conscientes. Se o primeiro exigia quase fanaticamente que seus seguidores adotassem regras rígidas de auto-aperfeiçoamento, o segundo era caracterizado por uma tolerância maior em todos os campos da mente e do coração.

O ponto acima do Iod é o próprio elemento “Iod” permaneceram os mesmos. Visivelmente, mudou o “Primeiro He”. O ambiente dos séculos XVI, XVII e, parcialmente, do XVIII, fecundado pelos ideais Rosacrucianos, era o dos Enciclopedistas no melhor e mais amplo sentido dessa palavra. Do adepto da nova Rosa+Cruz exigia-se uma multiplicidade de facetas intelectuais, capacidade de especulação científica, amplitude do horizonte mental e dedicação aos ideais. Na Corrente Rosacruciana entravam tanto as naturezas altamente místicas como fervorosos panteístas ou pessoas de mentalidade pratica. Todavia, tornamos a repetir, eram aceitas unicamente pessoas notáveis por sua inteligência e erudição, pessoas possuindo uma vontade desenvolvida e concepções claras a respeito do trabalho a desenvolver para a elevação da humanidade.

(A publicação do elemento Shin não foi autorizada pelo Mestre).

O elemento “Vau”, em linhas gerais, permaneceu idêntico ao da Rosacruz inicial. Segundo os vários ramos da Escola, apareceram pequenas diferenças no ritual de recepção dos novos membros, nos rituais dos graus ou nas cerimônias, durante as reuniões dos conselhos superiores. No elemento Vau devem ser também incluídos os métodos de transformação astral e de treinamento da personalidade, acrescentados à prática básica de meditação. A introdução desses métodos era devida, em grande parte, à influência de várias escolas orientais.

O ‘segundo He” ou a “política da Escola”, expressou-se pela orientação de exercer sua influência na sociedade contemporânea. No começo, essa influência tinha um caráter puramente ético, mais tarde, fortemente realizador. Os ramos e sub ramos do Rosacrucianismo Secundário possuíam seus programas políticos particulares. Estes mudavam, naturalmente com o passar do tempo, visando sempre as reformas políticas e religiosas mais necessárias. Não obstante, a Egrégora Templária, portadora do impressionante clichê da destruição do plano Físico da Corrente de Jacques DeMolay, vibrava na direção da prudência cada vez que o Rosacrucianismo se preparava para dar um passo decisivo no mundo externo, causando a escolha do modo de ação mais seguro. Em consequência de uma destas vibrações foi criada a Ordem Maçônica.

O astral muito sutil do Rosacrucianismo, apropriado ao ensino, não possuía qualidades necessárias para lidar com problemas práticos e adaptar-se aos condicionamentos e brutalidade dos homens. Podia ficar prejudicado em sua base. A fim de evitá-lo, ao redor da Rosa e da Cruz, foi criado um invólucro mais material, melhor adaptado a contatos e trabalhos externos: a MAÇONARIA.

A Maçonaria, isto é, a Maçonaria legítima do Rito Escocês, com interpretação ético-hermética do simbolismo tradicional, tornou-se a guardiã de “sua alma”, a Rosa+Cruz. Ela implantava, tanto no seu próprio ambiente, como no mundo externo, o respeito para com os símbolos tradicionais e para com seus intérpretes, os Rosacrucianos. Os Maçons espalhavam ao redor de si a convicção de que o exemplo irrepreensível de suas vidas e seu alto nível moral tinham suas bases nos ensinamentos iniciáticos.

A Maçonaria realizava as reformas decididas pelos Rosacrucianos, protegendo-os, com suas próprias pessoas, contra a possível hostilidade e as perseguições humanas no plano físico.

Os fundadores da Maçonaria, entre os quais ocupa um lugar proeminente ELIAS ASHMOLE (1817-1692), com muita habilidade adaptaram para seu uso o sistema dos graus dos Maçons Livres, fazendo dele a base de seus próprios três primeiros graus, os “simbólicos”, da Iniciação Maçônica. Este trabalho se iniciou em 1646 e em 1717 existia já um sistema dos Capítulos da Maçonaria Escocesa, plenamente organizado.

Assim, a Maçonaria tornou-se um instrumento indispensável no trabalho do Iluminismo Rosacruciano, cuja “política” (o “Segundo He”) recebeu o nome de “Maçônica”, nome que guardou até agora. Os efeitos da política Rosacruciana, alcançados pelos Maçons no mundo externo, receberam o nome de “tiros de canhão”. Entre outros, como “tiros de canhão”, foram consideradas as reformas religiosas de Lutero e de Calvino, assim como a libertação dos Estados Unidos da América do Norte da dependência britânica (Lafayette e seus oficiais Maçons). Os Rosacrucianos se utilizavam dos Maçons, tanto mais que entre eles escolhiam os que mereciam ser iniciados no Iluminismo Cristão.

Contudo, cada medalha tem seu reverso. Enquanto a Maçonaria foi uma organização submetida ao Rosacrucianismo, enquanto praticava o princípio da Sucessão Hierárquica por transmissão, ela cumpria sua tarefa e não havia problemas.

Infelizmente, diversos ramos bastante fortes resolveram introduzir o método de eleger seus dirigentes, rejeitando assim o princípio hierárquico tradicional. Em decorrência, o trabalho maçônico começou a mudar seu caráter e, de evolutivo, passou a ser quase revolucionário. Um momento importante neste novo rumo foi a dissidência de Lacorne e seus seguidores (em 1773) que, numa cisão, separaram-se da Maçonaria legítima e fundaram uma nova associação que passou a ser conhecida sob o nome de “Grande Oriente da França”.

Com isto concluiremos o nosso breve esboço relativo à Maçonaria e passaremos ao fim do século XVII, para analisar uma das correntes, ainda existente, do antigo Iluminismo Cristão.

Ao redor do ano de 1760, o famoso Martinez de Pasqually fundou uma fraternidade de “Seletos Servidores do Sagrado”, os “ELUS COHENS”, com nove graus hierárquicos. Os três graus superiores eram Rosacrucianos.

A Escola de Martinez era mágico-teúrgica, com forte predominância de métodos puramente mágicos. Após a morte de Martinez, seus dois discípulos preferidos, Willermoz e Louis Claude de Saint Martin, alteraram o caráter dessa Corrente.

Willermoz lhe deu um colorido maçônico e Claude de Saint Martin, um escritor conhecido sob o pseudônimo “Filosofo Descolhecido” encaminhou a Corrente para o lado místico-teúrgico. Contrariamente a Willermoz, ele favorecia uma Iniciação liberal e não as regras das Lojas Maçônicas. A influência de Saint Martin predominou e criou uma Corrente chamada “Martinismo”.

A Egrégora do Martinismo que possuía sua Maçonaria, seu círculo externo “encarnou” solidamente em todos os países da Europa. Ela era constituída, aproximadamente, do seguinte modo:

O ponto acima do Iod, correspondia à harmonização ética, do ser humano. O “Iod” baseava-se na filosofia espiritualista das obras de St. Martin, que variava, um pouco, segundo diversas épocas da vida do escritor.

O “Primeiro He” era constituído por um grupo de pessoas muito puras e desinteressadas, possuindo aspirações místicas mais ou menos pronunciadas, pessoas prontas a qualquer trabalho filantrópico

O elemento Shin era inexistente, provavelmente em virtude do caráter do “Primeiro He”. Os idealistas puros que aspiravam a harmonia interna, não necessitam de um ímã para atrair adeptos.

O elemento ”Vau” se limitava a um ritual muito simples, a oração e a cerimônia de Iniciação notável pela sua simplicidade. É verdade que alguns maçons, entre os Martinistas davam mais importância ao ritual e este em certas Lojas, tornou-se até imponente por sua magnificência; todavia nós frisamos agora o Martinismo puro, independente de qualquer acréscimo maçônico. No Martinismo todo valor era dado a meditação, à formação interna do “Homem de Aspiração” e não ao ambiente mágico, como foi o caso do Martinezismo ou do Willemozismo .

O “Segundo He” do Martinismo consistia do trabalho filantrópico de seus membros, ajudar aos necessitados e sofredores, evitando toda manifestação espetacular, na recusa de qualquer compromisso ético ao deparar-se com as influências externas e, em uma modéstia, simplicidade e presteza no adaptar-se a quaisquer condições externas de vida. Essas qualidades impressionavam fortemente todas as elites sociais contemporâneas.

Embora a Iniciação Martinista na época do Primeiro Império e, posteriormente, até a oitava década do século XIX, se transmitisse por um liame multo tênue, o Martinismo contava em suas fileiras pessoas de ato valor, como Chaptal, Delage, Constant e outros.

Aproximadamente, na oitava década , o bem conhecido Stanislas de Guaita, querendo recriar uma corrente mais esotérica, fundou a “Ordem Cabalística da Rosa+Cruz”, obedecendo o esquema seguinte:

O “Ponto acima do Iod” consistia numa conciliação da ciência acadêmica oficial com os ensinamentos esotéricos acessíveis, objetivando criar um trabalho frutífero, em conjunto, dos representantes dos dois aspectos do conhecimento.

O “Iod” resumia-se em uma síntese de todos o conhecimentos, acessíveis tanto pela pesquisa científica, quanto pelo estudo da Tradição.

O “Primeiro He” era de novo o ambiente dos Enciclopedistas, mas infelizmente, Enciclopedistas fracassados. Em nossa época, as pessoas capazes progridem rapidamente dentro de sua profissão ou especialização e, muitas vezes, falta-lhes o tempo para se desenvolver em outros sentidos, enquanto os que fracassaram em sua direção particular, procuram geralmente um derivativo no Enciclopedismo, que lhes forneça uma compensação. Para um observador superficial, tais pessoas podem aparentar possuir uma inteligência de muitas facetas, assemelhando-se, através disso, às pessoas realmente excepcionais como o foram os membros do Rosacrucianismo inicial.

O elemento “Shin” da nova Egrégora era a perspectiva, atraente para os fracassados, de receber, devido ao prestígio da Rosacruz, a mesma consideração que os reconhecidos luminares da ciência oficial.

O elemento “Vau” era o trabalho de reeditar, traduzir e comentar as obras clássicas relativas ao ocultismo, que naquela época tornaram-se raridades bibliográficas, de preços quase inacessíveis, mesmo às pessoas bem situadas materialmente. Neste campo, os Rosacrucianos de Paris fizeram um trabalho muito útil e mereceram uma profunda gratidão dos que reverenciam os grandes monumentos deixados pela Tradição.

O pior elemento do sistema revelou-se o “Segundo He”, manifestado como uma política oportunista, a fim de atrair o mundo universitário. As teses tradicionais, na sua explanação, eram alteradas para fazê-las concordar com as últimas obras científicas, perdendo assim o seu valor. O empenho de certos Rosacrucianos em obter a aprovação dos representantes da ciência oficial, prejudicava naturalmente o prestigio da Escola. Por outro lado, as tentativas de uma parte de seus membros, para atenuar as teses Rosacrucianas, a fim de não contrariarem demais a Igreja Romana, levaram a uma cisão dentro da própria Escola (o afastamento de Peladan). Em geral, ainda no tempo de Guaita, a situação tornou- se precária. Foi feita, por isso, uma tentativa de aproximação com a Maçonaria, o que, deturpando as finalidades da Ordem, precipitou sua queda. Ela existe ainda.

Paralelamente com a fundação da Ordem Cabalística da Rosa Cruz, S. de Guaita procurou dar uma nova e grande amplitude à Corrente Martinista. O “Neo-Martinismo” de Guaita, tornou-se bem diverso da corrente inicial, toda via, o Neo-Martinismo adotou o ritual Martinista da Iniciação ao grau de S:::I::: ( Superior Incógnito – NT) e neste ritual baseou seu simbololismo.

Os ideais de Saint Martin e a formação interna do Homem de Aspiração não podiam satisfazer o enérgico Guaita, atraído demais para os resultados visíveis. Ele não admitia nenhuma interrupção voluntária da atividade externa, mesmo quando necessária para magnetizar o ambiente. Nas obras de Guaita encontram-se mesmo, muitas vezes palavras irônicas a respeito de tais interrupções.

Para que a quase renascida Egrégora de Martinez de Pasqually pudesse trazer à nova Ordem da Rosa+Cruz adeptos escolhidos entre os mais capazes S:::I::: do novo Martinismo foi preciso introduzir no esquema do mesmo uma grande tolerância no campo dogmático.

O ponto acima do Iod permaneceu, como antes, a harmonização ética interna.

A escolha do elemento “Iod” foi deixada ao livre arbítrio de cada membro da Corrente Neo-Martinista. Naturalmente, as obras de Saint Martin conservavam o seu papel de linha mestra.

O elemento “He”, como consequência da livre escolha do elemento “Iod”, veio a ser constituído por círculos de diversas tonalidades e valores. Aí podiam ser encontrados os cansados da busca religiosa, os decepcionados com a ciência oficial, os que não conseguiram ingressar na Maçonaria e procuravam algo equivalente, os impressionados pelo uso dos emblemas místicos, os que se deleitavam em debates versando temas do ocultismo durante as reuniões, os simplesmente curiosos, sempre prontos a ingressar nas organizações “misteriosas”. Havia também aqueles que chegaram à conclusão de que era preferível tornar-se membro de qualquer corrente a permanecer sem nenhuma proteção egregórica.

Como a Ordem da Rosa+Cruz recebia e recebe até agora somente os que passaram pelos três primeiros graus do novo Martinismo, entre os últimos podiam ser sempre encontradas algumas pessoas adequadas a se tornarem instrutores na corrente Martinista e orientar o desenvolvimento de seus membros. Foi isso que sustentou e vivificou o Martinismo que cresceu consideravelmente depois de Guaita, e conta agora com um grande número de adeptos. Atualmente, seu Conselho Superior está chefiado pelo Dr. Gerard Encausse, escritor e propagador do ocultismo, mais conhecido sob o pseudônimo “Papus”  (lembrando que este artigo foi escrito por G. O. Mebes em 1911 – NT).

Devido a diversidade das tendências e dos níveis evolutivos de seus membros, o “Shin” da nova Corrente Martinista foi formado por vários elementos. A uns atraia o ritual; a outros a solidariedade existente entre os membros da Corrente. A uns, a possibilidade de desenvolvimento interno; a outros, a pureza da transmissão do poder, etc.

O elemento “Vau” além das cerimônias místicas, a unirem os Martinistas, consistia em meditação obrigatória acerca de temas determinados e, facilitando essas meditações, palestras dos instrutores abordando assuntos iniciáticos.

O “Segundo He” consistia numa política, bastante passiva, de aguardar o progresso ético da sociedade, colaborando neste sentido com o exemplo de uma vida em acordo com sua consciência. Muitos círculos Martinistas acrescentavam, a esse modo de viver, um elemento mais ativo, filantrópico ou algum outro. Todavia, estas atividades particulares não de vem ser levadas em consideração numa análise dos princípios Egregóricos.

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#Maçonaria #Martinismo #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/rosacruz-ma%C3%A7onaria-e-martinismo

As Linhas de Vampirismo no Mundo Moderno

Este Texto tem o propósito de desmitificar e deixar claro as linhas de pensamento, de varias ordens vampíricas atuais.Não aludindo ou subjugando qualquer uma porém classificando-as de acordo com suas próprias crenças, de um ponto de vista cético.
Apesar de ser Thelemita, procuro manter uma visão imparcial das ordens supracitadas, levando em conta que, algumas são mais fáceis de engolir que outras.

 

Tudo se iniciou com Aleister Crowley afiando seus dentes e mordendo pulsos de bailarinas, com teu infame Beijo da Serpente. Dali em diante um novo movimento iria surgir, e restituir o Vampirismo. Após obras claras de alusão ao Vampirismo, como o De Arte Magica e o Liber Stellae Rubrae, aonde Crowley afirma no ritual;

 “48. Eu sou Apep, Ó tu Sacrificado. Tu te sacrificarás sobre o meu altar: Eu beberei teu sangue. 

   49. Pois Eu sou um poderoso vampiro, e minhas crianças sorverão o vinho da terra, que é sangue. 

   50. Tu reabastecerás tuas veias pelo cálice do céu”

O Nono Grau da OTO aludia ainda que discretamente a pratica de vampirismo, como um método para substituir o ‘Entusiasmo Energizado’ do Crowley.

Isso tudo, alguns boas décadas atrás.Michael Aquino sai da Church Of Satan e resolve fundar seu Templo. O Templo de Set, nos EUA, foi a primeira organização vampírica vindo a publico no fim dos anos 60.No inicio dos anos 70, surge a House Sahjaza que traz o vampirismo de volta, com direito a ankhs, fangs e rituais pagãos. Dela em diante surgiu uma série de ‘Houses’ vampíricas nos EUA, cada uma incorporando a pratica do vampirismo a sua forma, até que uma, em especifico, resolveu vir a público nos anos 90;

A Temple of The Vampire, como é conhecida em publico, ou a Hekal Tiamat, alegava ser tão velha quanto o tempo, e permanecer escondida nos véus dele. Ela veio a publico nos anos 90, junto com a Michelle Bellanger e sua House Kheperu, que trazia agora um novo conceito, os otherkins. A ToV como ficou conhecida veio aparecer com a Bíblia do Vampiro, e dentre sua coleção de textos num livro particularmente pequeno, ela trazia uma nova forma de ver o vampirismo. Ele era muito mais que drenar e ‘des-drenar’, ou brincar com esferas de energia. Haviam espíritos, Deuses Vampiros, que haviam atingido a imortalidade através dessa pratica; eles buscavam maestria dentro da projeção astral e domínio sobre o que chamavam de 9 leis da Magia.

As 9 Leis da Magia, segundo a TOV, era uma forma de trabalhar encima da realidade. Eles vinham com um conceito inovador na época, que hoje em dia está sendo discutido pela física quântica – o conceito de que, a Realidade Física, é um Sonho. As 9 leis da Magia era uma forma de alterar a realidade diretamente; os vampiros da TOV, não buscavam apenas magia para amor, dinheiro ou destruição; não havias rituais exceto a comunhão, não acendiam velas, nem usavam psicodrama;

-Eles tratavam objetos físicos como pessoas, e esses objetos respondiam suas ordens,

-Eles tratavam situações e coisas intangíveis como gente, e o ‘transito’, a ‘chuva’, o ‘sinal de internet’ respondia suas ordens

-Eles acreditavam que não existia espaço nem tempo para a mente deles, e por isso, poderiam falar com uma pessoa a distancia; dar ordens ao subconsciente dela para responder, ou enviar pensamentos e sentimentos

-Eles percebiam que tudo que existe, é feito de força vital, de Sangue. E que se eles reunissem no seu corpo muito sangue, eles poderiam canalizar aquilo para um desejo. Pouco importaria a natureza daquele desejo, visto que a força vital é manipulada a bel prazer. Ela é leite e veneno.

-Eles usavam o subconsciente das pessoas ao seu redor para realizar desejos; eles implantavam suas vontades na cabeça das pessoas, para que as pessoas criassem uma egregora sobre aquilo que desejavam.

-E acima de tudo, eles tratavam a realidade física como se fosse um sonho. E segundo eles, ela respondia da mesma forma.

A força da TOV logo se alastrou pelo mundo, suas 5 bíblias ficaram conhecidas e podem ser pegas em qualquer lugar da internet. Elas são Segredos Abertos, como diz a linhagem. Abertos porque quase ninguém as entenderá, ou irá praticar. Elas permanecerão indignas de crença e logo, de uso pela maioria. Isso era tudo que a ordem precisava; de uma maioria para servir de alimento a uma minoria. Era isso que ensinava a tradição da Hekal Tiamat. Alimentar-se do Contingente Humano.

Junto com a TOV, a Michelle Bellanger veio a publico com a House Kheperu – uma ordem com forte influencia egípcia, que crê, na existência de pessoas que são ‘Otherkins’. O conceito Otherkin logo se espalhou e vários outros tipos de otherkin vieram a publico. Mas o que é Otherkin ? Otherkin seriam pessoas que nascem com almas não humanas. Eles creem que são vampiros, fadas, dragões, anjos, anjos caídos, demônios… em corpos humanos. E que num dado momento de sua vida, eles ‘despertam’.  Pode ser um conceito até bizarro, mas tem gente que crê nisso. E a Bellanger acreditava que era do tipo, vampiro, ‘vampiro psíquico’, e que num dado momento em sua vida, ela ‘acordou’ para a sua ‘verdadeira essência’. Um grupo vampírico aqui no Brasil, chamado Comunidade Awake, acredita nisso, e na existência de Otherkins.

Os Otherkins logo começaram a falar sobre quem é ‘vampiro de verdade’ e ‘vampiro de mentira’. Quem tinha a essência e quem não tinha. Uma discussão bizarra que, por vezes ainda se propaga em algumas comunidades vampíricas, junto com pessoas que se denominam ‘sanguíneas’. Sim, eles não sugam energia vital. Eles bebem sangue mesmo. É incrível ver como a imaginação humana consegue chegar a pontos bizarros, de dizer que precisa de pelo menos uma colher de sangue humano por semana, do contrario não conseguiria viver. Esses Otherkins Vampiros Sanguíneos, mantinham sua dieta de ‘doadores’, pessoas que gentilmente ofereciam seu sangue á esses otherkins.

Em Portugal, logo após a TOV, sai uma nova ‘bíblia’ e uma nova ordem. A Aset Ka; seguindo a mesma linha de pensamento da Kheperu com o Kemetismo, a Hopuse of Aset Ka, segue a linha otherkin, ainda que mesclando com o livro dos mortos egípcio e algumas passagens do livro da lei. Eles acreditavam fielmente em reencarnação, trabalhando com o paganismo egípcio com vampirismo, seu chefe e escritor da sua Bíblia era Louis Marques.

Junto com esse conceito se espalhou a manipulação energética, as psyballs, escudos e tudo mais que a manipulação de energia trazia consigo. A Kheperu, trazia uma perspectiva nova sobre a força psíquica do ser humano.A Michelle Bellanger, por fora de suas crenças pessoais, desenvolvia um trabalho maravilhoso com o desenvolvimento do poder psíquico humano.

Unindo Lovecraft, ToV e rituais com Deuses Negros, nasceu a Tempel of Azagthot. Uma ordem que seguia a mesma linha de raciocínio da TOV, crendo na evolução do ser humano como algo principal. O Ser humano tinha um potencial de se Tornar Vampiro. A ToA, desenvolveu uma série de rituais, pelo seu líder, o Emperor Norduk, e foi uma das primeiras ordens ‘satânico-vampíricas’, ao qual a Black Order Of Dragon, do Michael W. Ford viria satisfazer o publico então. Essas ordens, descendendo da TOV e dos ensinamentos dela, claramente plagiaram. Mas tudo pelo seu dinheiro, bom leitor. Tudo pelo dinheiro.

Até que vem adiante, a Ordo Strigoi Vii, feita pelo Father Sebaastian. Sim, Father, não Frater. Seb, como ele é gentilmente chamado incorporou tudo dentro da sua nova ordem; misturou a vontade de se fantasiar em vampiro, com bruxaria, com os ensinamentos da TOV, e criou um novo mundo, com novas nomenclaturas; era um muno dele, aonde ele ganharia o planeta, divulgando esse mundo. Através de festas promovidas por ele, seu carisma incomparável, ele acabou conquistando adeptos pelo mundo, pessoas que tinham duas vertentes; os fashionistas, pessoas que gostavam de viver no estilo ‘vampírico’ e os vampiros reais, pessoas que realmente se afundavam nos mistérios do vampirismo da OSV. O Seb não discriminava nada nem ninguém. Todos eram bem vindos e aceitos, sejam vampiros ou não, ele criou seu mundo, um mundo de festas imensas com a temática vampírica.

Algumas ordens começaram a usar o termo ‘vampyro’ para diferenciar entre um praticante e a lenda do vampiro. É uma forma de diferenciar, particularmente das houses americanas e da Ordo Strigoi Vii. Alguns indo mais adiante, começaram a usar o termo ‘Wamphyro’ para mostrar seus magos negros. Cada um com sua forma de diferenciar, ganhar uma personalidade, uma busca por identidade própria que poderia ser resolvida com a nomenclatura.

Hoje em dia, estão a dispor, ainda que sem muito conteúdo para oferecer, um cardapio variado de Houses Vampiricas. Grande parte, além, de plagiar descaradamente as maiores, fantasiam demais o tema, fazendo assim, o buscador ‘perder o tesão’ devido a tanta fantasia envolvido no tema. Lembrando que, a maior parte das pessoas envolvidas com vampirismo, estão ligadas ao fashionismo, a arte, do que a pratica em si. Apenas gostam da literatura, musica e todo tipo de arte relacionado ao lado vampiresco.

Longe da propaganda, mas ainda sim realizando-a, deixo claro que para aqueles que buscam vampirismo real, sem todas aquelas fantasias da maior parte das ordens, recomendo que seja lido material de ordens como Temple of The Vampire (a principal e mais ‘pé no chão’), da Tempel of Azagthot, Black Order of Dragon e Strigoi Vii (a mais ‘artística’). Deixando claro que quando ler, verá que todas essas ordens derivaram do material da TOV, e criaram suas próprias linhas.

Para aqueles que seu pecado for a Thelema, ordens do Kenneth Grant, desenvolveram esse trabalho do Crowley com Vampirismo. Deixo claro que o tema, ‘Qliphot’ será absurdamente enquadrado nessa linha de raciocínio.

Já os que acreditam que não pertencem a raça humana, e que nasceram vampiros, ordens como a House of Kheperu, House of Quinotaur, Sanguinarium,  Comunidade Awake, irão agradar seu paladar.

 

Eu particularmente ligado a Thelema, finalizo esse texto com uma máxima do Liber Al, “Todo número é infinito; não há diferença”, alertando que, cada um deve retirar da senda, aquilo que mais agrada, descartando tudo aquilo que não for bom aos olhos; todas elas, por mais psicodélicas que possam ser suas crenças, podem acrescentar e tem um potencial imenso em si. O maior tesouro, é o buscador, não a ordem. É o buscador que tem o poder infinito, não há ordem. A ordem é um instrumento pra evolução pessoal, não um fim em si. Alguns praticantes mesclam suas próprias crenças pessoais em uma crença coletiva, de alguma ordem. Outros remodelam a seu bel prazer. Já mais avançados fundem crenças totalmente discordantes, num termo só.

O Mundo é regido pelo CHAOS, o nosso pai, criador da Vida. Não tente adulterar o casamento dele com a Nossa Senhora Babilônia, criando regras e restrições. É somente quando eles se unem por Vontade e Amor, que seu coito gera todas as Abominações da Terra.

 

Desconexus

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-linhas-de-vampirismo-no-mundo-moderno/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-linhas-de-vampirismo-no-mundo-moderno/

Caso Mantell

Guarda Nacional de Kentucky, EUA revelou, em 08 de janeiro de 1948, que um piloto de Louisville foi morto na explosão de seu avião quando estava envolvido em uma caçada a ”discos voadores”.

O Capitão Thomas Mantell Jr., de 25 anos, retornava de um vôo de treinamento com outros 3 caças P-51 Mustang, quando recebeu instruções de rádio para investigar um OVNI. Uma das aeronaves teve de pousar, devido à falta de combustível. As outras duas o acompanharam até 7000 metros de altitude, mas retornaram à base devido a problemas de falta de oxigênio. Quando se aproximava do objeto, Mantell informou, por rádio, que o OVNI parecia metálico, de grande porte e que desenvolvia velocidade de 180mph (aproximadamente 350 Km/h). Minutos depois, o avião de Mantell começou a fazer círculos no ar e mergulhou para o chão, caindo perto de Franklin, Kentucky. O OVNI desapareceu meia hora depois.

Objeto Voador Não Identificado

O objeto parecia um cone branco com uma parte vermelha por cima. De acordo com um colega de Mantell, Cel. Guy Hix, o objeto “parecia um guarda-chuva. Tinha aproximadamente o tamanho de 1/4 da lua cheia e ficou parado no ar por mais ou menos uma hora e meia”.

,b>Conclusões sobre o caso

A primeira explicação da USAF (United States Air Force) foi de que o objeto era Vênus. Logo depois, o projeto Blue Book, afirmava que o OVNI nada mais era que um balão lançado pela Marinha.

A viúva de Mantell, Margaret, não teve autorização para ver os destroços do avião. Informaram-lhe apenas que o material recolhido estava sob investigações e que seu marido morreu por anoxia (falta de oxigênio) antes da queda.

Os mistérios

– Mantell esteve entre os primeiros quee voaram para a península de Cherbourg no Dia D e foi condecorado com a Cruz Aérea de Distinção por heroismo durante a Segunda Guerra Mundial. Um piloto excelente e conhecedor de suas limitações, para ir tão alto e ser pego por uma falta de oxigênio.

– A máscara de oxigênio de Mantell NÃO foi achada entre os destroços do avião.

– Existem “boatos” de que o corpo do piiloto teria sido achado a 6 metros do avião e que o cockpit não apresentaria sinais de sangue.

– Quanto à possibilidade de o objeto ser um balão, jamais voaria à velocidade relatada, além do que, um capitão da USAF, não iria se confundir e perseguir tão obstinadamente um BALÃO!!!

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/caso-mantell/

Grandes Iniciados – Apolônio de Tiana

Apolônio praticamente é um desconhecido da maioria das pessoas, mesmo daquelas que têm uma boa formação religiosa. Aparentemente parece estranho que uma figura tão relevante não seja citado nos livros que versam sobre religião, somente aparecendo o seu nome em documentos secretos e em alguns poucos livros de ocultismo.

Quem foi e que é Apolônio? – Apolônio é uma misteriosa figura que apareceu neste ciclo de civilização no início da era cristã (no século I). Os documentos que falam Dele geralmente nunca mencionam a palavra nasceu e sim apareceu, isto porque Ele, quando esteve diretamente na terra, manifestava natureza divina. Entre os atributos desta natureza Ele apenas tinha um corpo aparente, se apresentava na terra com corpo etéreo, tal como o de Jesus.

Em muitos pontos, a vida de Apolônio se assemelha à de Jesus. Até mesmo a Sua vinda a terra foi anunciada pelo Espírito Santo. Alguns documentos antigos afirmam que Ele, certo dia, surgiu na terra sem ascendentes, mas também há documentos que dizem ser Ele filho de uma Virgem. O sobrenome Tiana é mesmo nome da cidade onde ele primeiro se apresentou na terra, que ficava na Capadócia.

Dotado de uma palavra fácil, eletrizante e convincente, logo depois se transformou num tribuno, ao mesmo tempo em que sua fama se popularizava, caminhando pelo resto do mundo dando um exemplo justo, bom e perfeito. Foi um espontâneo defensor dos injustiçados, capaz de praticar os mais arrojados e difíceis atos de bravura. Sua firmeza e energia de propósitos, mesmo diante do perigo, causavam a todos uma coragem estóica. “Ele fora um Deus em forma de Homem!”.

Apolônio viajou muito no tempo em que esteve na Terra, desde o Egito até a Mongólia, sempre sendo iniciado nas Ordens na qual Ele encontrava, não que precisava ser iniciado pois Ele já é Um Iniciado, mas sim como O próprio disse para um sacerdote quando pediu para ser iniciado: “Bem sabes porque não queres iniciar-me. Se o dizes, revelá-lo-ei: o meu crime é justamente conhecer bem melhor do que tu o rito da iniciação. Vim pedir-te por um ato de modéstia, submissão e simplicidade, a fim de que passasses por mais sábio do que Eu. Apenas isto!”.

Logo depois que saiu da sua cidade natal Ele ficou conhecido como um neo-pitagórico. Em Nínive, na Babilônia, encontrou Damis, seu inseparável e fiel discípulo. De lá ambos foram para a terra dos encantos, a Índia, e, percorreram a Mongólia e o Tibet, até que atingiram as colinas do Himalaia. Lá Apolônio deixou Damis e partiu só para um mosteiro onde Ele tornou-se o “Senhor portador dos oito poderes da Yoga”, que era o mais alto Grau dos mosteiros daquela época, neste momento, dizem, uma áurea de Luz Lhe emergiu a cabeça de modo permanente. Depois voltou e se encontrou com Damis e voltaram para a Grécia, onde começou a fase mais intensa de curar doentes, desde do corpo a alma, paralíticos, cegos e até ressuscitar mortos, como aconteceu com uma moça em Roma.

Uma das missões de Apolônio foi a de ensinar aos seguidores de Jesus o como manipular as leis da natureza. Alguns documentos dizem, e é verdade, que Apolônio fez milagres idênticos àqueles feitos por Jesus. O poder dele era tamanho que aonde chegava as guerras eram interrompidas e os exércitos enterravam as suas armas. Também pregava e para ouvi-Lo vinham pessoas de lugares distantes.

Apolônio, por sua vez, ensinou como usar as leis da natureza, explicou o como eram feitos os milagres Dele e de Jesus, preparou os primeiros cristãos para disporem dos meios de curas e de todos os outros que Jesus utilizou. Mostrou o poder das cores, mostrou que tudo na natureza é vibração, fez ver que existe uma polaridade (Já constante dos Princípios Herméticos) em tudo quanto há, que as coisas podem ser manipuladas pela luz, pelo som e coisas assim. Ensinou o valor das cores, portanto como usa-las nos templos para obtenção de estados especiais de consciência. Ensinou como usar a música, que tipo de música é adequado nas diferentes situações, e restabelecer os meios utilizados pelas ciências herméticas. Ensinou simbolismo, ensinou a linguagem simbólica por meio da qual uma pessoa pode entrar em sintonia com planos superiores, com mundos hiperfísicos. Ensinou como se processam as transmutações na natureza e como conseguir isso, como intervir no astral visando certos resultados. Disse do como captar o poder inerente a cada coisa, a cada cor, a cada forma. Ensinou o poder dos cristais e dos aromas e o como usa-los nos diferentes níveis. Assim estabeleceu formas de ampliação da consciência permitindo que as pessoas possam ter acesso a níveis superiores de consciência independentemente da interferência de forças espúrias. E também trouxe ensinamentos de morais o que atingia em cheio a maioria dos governantes dos locais onde Ele passou. Tendo o poder da profecia, Ele também profetizou alguns acontecimentos que logo ocorreram.

Sendo assim a conjura1, tentáculo do “poder” das trevas, praticamente arrasou o trabalho de Apolônio. Perseguiu inexoravelmente a pessoa e também toda a obra maravilhosa estabelecida por Ele.

Apolônio sofreu perseguições terríveis culminando com varias condenações, como uma vez em que Ele foi preso e a julgamento e falou para Damis e Demetrio esperarem-No em tal dia e tal hora na praia e quando chegou o dia e a hora marcada Ele simplesmente apareceu na praia ao lado dos dois, e outra vez foi a de ser estraçalhado por uma matilha de cães ferozes, quando ia ser atacado pelos cães Ele simplesmente sumiu diante da vista de toda uma multidão. Tamanho fenômeno contribuiu ainda mais para fazer crescer o mito sobre a pessoa de Apolônio.

Depois da Sua partida, foi escrito um livro com Sua história e com grande parte dos Seus ensinamentos, apresentado em forma de um evangelho com oito capítulos. Os ensinamentos e o poder do evangelho de Apolônio era muito superior àqueles dos quatro evangelistas da época de Jesus, nele havia coisas que faziam tremer aqueles elementos da conjura que estavam se infiltração no cristianismo de então.

Após a condenação e desaparecimento a conjura ficara livre da presença direta de Apolônio, mas a Seu prestígio tornou-se logo lendário. Assim a conjura que já havia experimentado com relativo sucesso o método do despistamento no seio do cristianismo primitivo, logo passou a usa-lo entre os seguidores de Apolônio que, em sua quase totalidade, eram cristãos. No cristianismo primitivo a conjura se infiltrar e procurou destruir os autênticos ensinamentos de Jesus assumindo a direção das instituições em geral. No caso de Apolônio ela que já tinha muita influência dentro das comunidades cristãs com alguma facilidade pode usar com sucesso o método da falsificação. Assim sendo inundou o mundo de então com grande número de copias falsas dos ensinamentos de Apolônio. Isto funcionou eficazmente que até hoje só um “expert” em ocultismo é capaz de distinguir o que não é e o que é autêntico. Assim em séculos futuros Ele foi quase total e oficialmente esquecido e o Seu nome colocado na galeria dos mitos. Em todas as bibliotecas membros da conjura colocam obras falsas como sendo de Apolônio que mais tarde geraram suspeitas pelas incoerências nelas contidas.

A incredulidade a respeito daquele Mestre em parte se deve àquele trabalho de despistamento e em parte à magnitude de tudo aquilo que Ele realizou e que o qualificou como uma figura lendária. Assim sendo quase tudo o que existe escrito sobre Apolônio, e sobre ensinamentos a Ele atribuídos, em grande número são falsos. Alguns documentos autênticos existem e são zelosamente guardados por algumas sociedades iniciáticas, e reservados aos iniciados nos Mistérios Maiores.

Por outro lado à influência de Apolônio foi de tamanha magnitude que o Cristianismo primitivo incorporou uma grande parcela dos ensinamentos que têm sido usados em aplicações práticas. Assim sendo, a maior parte do ritual e do simbolismo da Igreja Católica tem como ponto de origem Apolônio. Muitas pessoas indagam: De onde surgiram os símbolos e os vastos rituais incorporados à Igreja Católica se Jesus jamais publicamente usou qualquer um deles? Há quem diga que eles foram incorporados de práticas pagãs, mas isso só é verdade se, como tal for também incluída a doutrina de Apolônio que deu origem à quase totalidade dos ritos e símbolos do Catolicismo.

É de causar admiração que, mesmo havendo estado e até hoje atuantes no seio da igreja, os membros da conjura hajam deixado ficar os ritos e símbolos estabelecidos por Apolônio, desde que eles se constituíam poderosos meios de persuasão, de coesão e conseqüente manutenção da unidade religiosa. Eis duas explicações possíveis: Uma, que a conjura desconhecia todo o potencial do simbolismo e ritualística orientada por Apolônio assim não vendo neles mais que encenações, portanto algo sem perigo algum.

Na verdade os próprios membros da conjura haviam apagado o conhecimento até mesmo para a maior parte daqueles que faziam parte do seu ciclo interno, conseqüentemente o potencial dos símbolos era algo desconhecido para eles. Segundo, julgando que afastado Apolônio os elementos mágicos incorporados aos ritos e símbolos serviria também aos seus intentos, pois manteria a coesão daquela estrutura que, de uma certa forma, ela já dominava.

Podemos dizer que ambas as afirmativas são verdadeiras, em parte a conjura desconhecendo o potencial ritualístico e simbólico deixou que eles continuassem presentes no cristianismo e, em parte ela sentiu que tudo aquilo era importante para a estruturação da religião num bloco coeso por ela administrado.

Em muitos momentos a conjura deturpou o ritual e o simbolismo, tirou coisas benéficas e as substituiu por coisas maléficas, entre os quais o uso do vinho, portanto do álcool, no ritual da missa.

Não é somente o ritual católico que se originou dos ensinamentos de Apolônio, praticamente a quase totalidade dos símbolos da magia, do hermetismo, do ocultismo, da gnosis e de muitas outras formas do o ocultismo em parte tem como origem Salomão, mas a quase totalidade deles provêm de Apolônio.

Publicamente pouco de autenticidade nas publicações que foram feitas sobre os ensinamentos atribuídos a Apolônio. Do Seu evangelho existe uma pequena parte que já foi publicado, o mais apenas algumas poucas doutrinas iniciáticas possuem e mesmo assim somente tem acesso a eles iniciados de grau elevado. O que chega às mãos dos profanos praticamente são aquelas obras preparadas especialmente pela conjura, obras apócrifas, portanto, sem quaisquer significados positivos. A um não iniciado é possível a aquisição de apenas um trabalho autêntico intitulado Nuctemeron, mas até mesmo dele existem também algumas edições falsas. O título do livro significa: “O Dia de Deus que Resplandece nas Trevas” (O Deus que está “aprisionado” em cada pessoa ainda envolvida em trevas. Isso equivale ao desabrochar da Centelha Cósmica em cada um, ao desenvolvimento da consciência clara do Mestre de Cada Um).

Na obra Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio são distribuídos como em um relógio em 12 horas, ou degraus, e a cada hora corresponde uma instrução especial. Os ensinamentos daquela obra são apresentados em linguagem um tanto velada. São ensinamentos de altíssimo nível.

Por: Frater José Laércio do Egito e João Paulo Nunes do Egito.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/grandes-iniciados-apol%C3%B4nio-de-tiana

A Origem do Conflito Igreja X Maçonaria

Conflito que opõe a Igreja Católica e o governo brasileiro entre 1870 e 1875. É causado pelo choque entre a hierarquia católica e a maçonaria, muito influente no Império. Esta sociedade secreta, ligada a idéias e movimentos políticos liberais na Inglaterra e na França, chega ao Brasil no final do século XVIII. Durante o processo da independência e no decorrer do Império aumenta seu prestígio social e sua presença na estrutura de poder. As maiores figuras do regime, com raras exceções, pertencem aos seus quadros. No dia-a-dia do governo e nas decisões administrativas como nomeação de funcionários ou destinação de recursos orçamentários , a maçonaria é um canal de influência e de mediação, paralelo e por vezes superior aos partidos políticos. Essa atuação da maçonaria colide com a atuação da Igreja Católica, também muito influente no período imperial. Em 1871, o Vaticano impõe regras rígidas de doutrina e de culto e condena as sociedades secretas. Os bispos brasileiros, acatando as novas diretrizes, determinam a expulsão dos maçons das irmandades católicas e passam a exigir mais disciplina moral e canônica do clero.

O conflito Se a maçonaria tem poder político, a Igreja tem autoridade e presença religiosa, fortalecidas pela condição privilegiada do catolicismo como religião oficial do império. O conflito começa em 1872, quando o padre Almeida Martins é suspenso de suas funções no Rio de Janeiro por causa de um discurso em uma loja maçônica. A reação da maçonaria, condenando a decisão, espalha-se pelo país. Mas, logo em seguida, os bispos de Olinda e de Belém do Pará, dom Vital e dom Macedo Costa, tomam atitudes semelhantes, mandando fechar as irmandades que ainda aceitavam membros maçons. Os bispos são então processados pela justiça, convocados ao Rio de Janeiro e condenados a quatro anos de prisão. Depois da suspensão das punições eclesiásticas aplicadas aos maçons, a pena dos bispos é reduzida e eles são anistiados. Esse conflito abala as relações entre o império e a Igreja e contribui para enfraquecer ainda mais a monarquia. A partir da proclamação da República, em 1889, passa a vigorar a separação entre Igreja e Estado, que deixa de ter uma religião oficial.

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Podcast Mayhem – 04 – Artes Marciais e Hermetismo

Neste episódio, Frater Qos, Rodrigo Grola e Marcelo Del Debbio conversam sobre Artes Marciais e Hermetismo. Como o treinamento do corpo influencia o treinamento das técnicas mágickas; como melhorar sua concentração e foco; respiração, chi kung e Asanas: como as técnicas marciais e de yoga são utilizadas no treinamento da Golden Dawn e muito mais!

Podcast do Projeto Mayhem

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#Podcast

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Chuvas Diferentes

Soube que Enlil enfureceu-se contra mim, não ouso mais andar por sua terra, nem viver em sua cidade; irei ao Golfo para habitar com Ea, meu senhor. Mas sobre vós ele choverá em abundancia, peixes raros e ariscas aves silvestres, uma rica colheita da maré. Ao anoitecer, o cavaleiro da tempestade vos trará trigo na forma de torrentes. (Epopéia de Gilgamesh, séc. VII a.C.).

 

Um milagre muito natural

 

O inventor do dito popular “nem que chova canivete” era um homem prevenido porque a julgar pelo testemunho dos registros mais insólitos provindo dos quatro cantos do planeta nunca se sabe o que poderia cair em sua horta. Muitos atestam a precipitação de pedras, sementes, peixes, anfíbios, mamíferos, alienígenas, sangue, etc. Certa vez o depósito ligado ao banheiro de um avião superlotou e abriu durante o vôo, projetando tremenda chuva de excremento humano. Em maio de 2000 caíram duas “bolas de ferro” incandescentes na Cidade do Cabo, na África do Sul. A imprensa correu feliz para fotografar os artefatos manufaturados caídos do céu, mas perdeu o interesse ao descobrir que se tratava de lixo espacial, obediente à antiga máxima segundo a qual tudo que sobe tem que descer (EXTRA, 02/05/2000). Na década de 90 vi um coqueiro localizado em local elevado fazer chover uma pesada penca de cocos que rolaram atrás de pedestres apavorados até o fim da ladeira. Contudo, muitas vezes não sabemos ou não queremos ver de onde veio a ‘chuva’. A Bíblia menciona a queda matinal de alimento durante 40 anos sobre o povo judeu no deserto (Êxodo 16:35). Flávio Josefo (Ant., III, t. 5), entre outros, tratam da continuidade do fenômeno. Em 1483 uma testemunha ocular escreveu sobre estas “chuvas” ao decano de Maguncia Breitenbach, ao descrever sua peregrinação ao Sinai:

 

Em todos os vales que rodeiam o monte Sinai se encontra até em nossos dias o chamado “pão caído do céu” que os monges e os árabes coletam, conservam e vendem aos pelegrinos e estrangeiros que passam por aquele país… O referido pão cai pela montanha, ao amanhecer, como rocio ou orvalho, em gotas sobre a erva, pedras ou ramos das árvores. É doce como o mel, e adere aos dentes quando se mastiga. Dele adquirimos algumas porções.[1]

 

De acordo com o Códice Cremona (1558), o maná bíblico era obtido da secreção de Coccidae (protozoários, esporozoários, parasitas da planta Tamarix mannifera). Em verdade o maná produzido na natureza ainda “chove” em determinadas épocas do ano e é vendido como produto comercial, com o nome de manit. Porém, nenhum judeu ou cristão neste mundo deixará de considerar a narrativa bíblica como milagre. O jardineiro Roland Moody e sua esposa alegaram que, junto com a neve, caíram pelo menos vinte e cinco precipitações de sementes de agrião “cobertas de geléia”, mostarda, ervilha, milho e feijão em sua casa, num subúrbio de Southampton, a partir do dia 12 de fevereiro de 1979. O relato foi endossado pelos vizinhos Sr. e Sr.ª Gale, Sr. e Sr.ª Stockley e filhos residentes. Além de ter sido atingida de forma reincidente e persistente a Sr.ª Stockley alega, inclusive, que no ano anterior também caíram sementes de mostarda e agrião no jardim de sua casa. Ela telefonou para a polícia, que não conseguiu descobrir coisa alguma que pudesse provocar a chuva de sementes. Finalmente, os vizinhos decidiram juntá-las e planta-las. “Colhi quatro baldes cheios de mostarda e agrião”, diz a Sr.ª Moody. “O feijão cresceu, a ervilha cresceu, tudo cresceu”.[2] O Sr. e a Sr.ª Stockley guardaram parte da safra celestial no freezer para provar que tudo isso aconteceu. Imagino que essas mudas divinas devam ter vendido maravilhosamente bem; porém, estranhamente, as sementes só caíram sobre as três casas na rua, e nem uma única sequer na pista em frente.

Não havia árvores na rua e não era época de avelãs durante a experiência sofrida pelo Sr. Alfred Wilson Osborne em 13 de março de 1977, mas “ainda assim”, lembra o Sr. Osborne, as que choveram ao seu redor “eram muito frescas, doces e gostosas”. Ele e sua esposa estavam voltando da igreja para sua casa em Bristol quando testemunharam o que ele considera “a coisa mais espantosa do mundo”. Ambos passavam pela vitrine de uma loja de automóveis quando choveu de 350 a 450 avelãs de um céu “praticamente limpo e azul, com uma única nuvem passando”. Elas “zuniam quando caíam sobre os carros”. Três minutos depois um amigo dos Osborne recebeu um “banho” de avelãs ao passar pelo mesmo local.[3] Nenhum deles suspeitou de alguma criança ou inimigo oculto sob o telhado da loja de automóveis. Segundo o Symons Monthly Meteorological Magazine, em Dublin, no ano 1867, caiu uma chuva de avelãs fossilizadas com tal força que “mesmo a polícia, protegida por chapéus especialmente reforçados, foi obrigada a abrigar-se da fuzilaria aérea!”.[4]

 

Presentes do furacão

 

Há casos em que a chuva não escolhe alvos privilegiados. Na novela Fera Ferida o alquimista Raimundo Flamel (Edson Celulari) faz chover ouro em pó sobre sua cidade e na música It’s Raining Men, do grupo The Weather Girs, toda mulher solteira pode ir às ruas escolher seu homem perfeito em meio à intempérie humana. Mas em matéria de não-ficção nem sempre o que cai do céu é valorado de forma positiva. Há relatos de chuvas de rãs e sapos, anfíbios estigmatizados pela famosa “praga das rãs” (Êxodo 8:1-5) lançada contra o Egito (cuja deusa-rã Heqt foi incapaz de impedir).[5] Por exemplo, em O Livro dos Danados, Charles Fort reuniu numerosos relatos de chuvas diferentes como o caso do Sr. Stoker que dirigia pelo Newark Valley quando “caiu uma tempestade e, com ela, vieram as rãs. Depois foram cavalos, apoiados em suas patas traseiras”. Em suas Histórias, o filósofo grego Heraclides Lembus, nascido em 170 a.C., registrou este terrível incômodo:

 

Na Peônia e na Dardânia, houve chuvas de rãs, e seu número era tão grande que elas encheram as casas e as ruas. Nos primeiros dias, as pessoas as matavam, fechavam as casas e faziam o que podiam. Mas depois nada mais havia a tentar para por fim àquilo; as vasilhas se enchiam de rãs, que eram encontradas cozidas ou assadas juntamente com os alimentos. Além disso, não se podia usar a água nem pisar no chão, coberto como estava desses bichos. Repugnados com o mau cheiro das rãs mortas, os habitantes fugiram desses lugares.[6]

 

Há muitos casos registrados ao longo da história em que cardumes, anfíbios e animais que vivem próximos à água caem com a chuva. Geralmente as pessoas se assustam com o presente dos céus, mas houve um caso em que os peixes caídos foram aproveitados e transformados em curry. A Crônica de Maravilhas e Espetáculos (1557) ilustrou uma chuva de peixes em Sojonia, ocorrida no ano 989, e uma de rãs ou sapos em 1355. Outras fontes nem sempre confiáveis informam que no século IV choveu peixes durante três dias no distrito grego de Quersoneso. “Caíram tantos peixes que bloquearam as ruas, impedindo de abrir as portas”. Em maio de 2000 as aberrações do passado transportaram-se ao presente e a agência Reuters noticiou a inaudita precipitação na Etiópia: “A rara chuva fez com que milhões de peixes despencassem do céu, alguns mortos e outros ainda se debatendo, criando pânico entre os agricultores mais religiosos”. Dessa vez, Saloto Sodoro, especialista em peixes na região, atribuiu o fenômeno às fortes tempestades formadas no oceano Índico que ‘sugaram’ os peixes antes de derrubá-los sobre os incautos fazendeiros.

 

Chuva de sangue

 

Na onda de debates ecológicos que varreu a segunda metade do século XX a chuva ácida fabricada pela poluição ganhou muitas vezes um lugar de destaque. Na ficção Doug Moench imaginou este processo em fase crítica, mudando inclusive a cor e a composição da chuva que cai sobre Gothan City. Na mini-série em quadrinhos Chuva Rubra (Red Rain, 1992), Batman enfrenta Drácula debaixo de uma virulenta tempestade vermelha.

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Drácula observa a chuva vermelha em Gothan City. (Arte de Kelley Jones, Malcolm Jones III e Lês Dorscheid; Chuva Rubra, 1992).

Não sei se os quadrinhos foram inspirados na pesquisa do jornalista Charles Fort (1874-1932), mas parece que nos dias 12 e 13 de novembro de 1903 o sul da Inglaterra tornou-se inabitável devido à colossal chuva vermelha. No dia 19 chuva análoga cobriu todas as Canárias, o que levou Fort a concluir que “em 1903 passamos através dos restos de um mundo pulverizado”.[7] Três análises publicadas em revistas científicas sobre diferentes amostras resultaram em, respectivamente, 9,08%, 23,49% e 36% de água e matéria orgânica. Até 27 de fevereiro esta precipitação prosseguia na Bélgica, Holanda, Alemanha e Áustria, sendo que em alguns casos quase toda a matéria era orgânica. Um navio informou acerca de uma precipitação no Oceano Atlântico, a meio caminho entre Southampton e Barbados. Segundo os dados compilados por Fort, calcula-se que tenham sido precipitadas dez milhões de toneladas de matéria na Inglaterra. Também caiu na Suíça (Symons’ Met. Mag. Março de 1903), na Rússia (Bull. Com. Geolog., 22-48) e uma grande quantidade de matéria não apenas havia caído vários meses antes na Austrália, mas continuava caindo naquele mesmo período (Victorian Naturalist, junho de 1903) – em enormes quantidades – lodo vermelho – cinqüenta toneladas por milha quadrada (1 milha = 250 hectares). “O que isso está fazendo conosco? De um jeito ou de outro, diretamente ou não, certamente está mudando o que bebemos”.[8]

 

Segunda praga: Transformação da água em sangue

 

No livro do Êxodo, a segunda praga exorta que “haja sangue em toda a terra do Egito, até nas árvores e nas pedras” (Êxodo 7:19). Chuvas vermelhas foram ocorrentes na Idade Média, quando foram chamadas “chuvas de sangue”.[9] Jerome Clark compilou um caso raro ocorrido no século XX, registrado nos jornais de 30 de agosto de 1968 em São Paulo, Brasil, que fala de uma chuva de carne e sangue em duas pequenas cidades entre Paulo e Rio de Janeiro. Diz a declaração de uma autoridade:

 

Os pedaços de carne foram encontrados a distâncias de meio metro uns dos outros, com comprimentos que variam entre 5 e 20 cm. A carne era de textura esponjosa e de cor violeta e veio acompanhada de gotas de sangue. O céu na ocasião estava limpíssimo. Não havia aviões, antes, durante ou depois do evento, e tampouco pássaros no céu.[10]

 

A Popular Science News (35-104) informou que, segundo o prof. Luigi Palazzo, chefe do Serviço Meteorológico Italiano, caiu alguma coisa do céu que tinha cor de sangue fresco em Messignadi na Calábria, no dia 15 de maio de 1890. A substância foi examinada pelos microscopistas dos laboratórios do Ministério da Saúde em Roma e concluiu-se que era sangue. Como o teste de DNA ainda não existia cogitou-se que “a explicação mais provável deste terrível fenômeno é que pássaros migratórios (codornas ou andorinhas) foram atingidos por uma tromba de ar e despedaçados”.[11] Charles Fort discorda desta teoria porque 1) não há nenhuma prova de que havia uma tromba de ar naquele momento, 2) tal substância seria atomizada num vento violento 3) não foi visto nenhum pássaro caindo do céu e 4) não se chegou a ver nem uma pena de pássaro. Segundo Fort, mais tarde, no mesmo lugar, o sangue choveu novamente do céu, fato que prova não ser produto de uma tromba de ar que “ainda que seja estacionária segundo o próprio eixo, descarrega-se tangencialmente”.[12] Suas pesquisas e notas contendo muitos relatos insólitos como este podem ser lidos em seus quatro livros publicados entre 1919 e 1932: The Book of the Damed, New Lands, Lo! e Wild Talents. Outras curiosidades da mesma espécie podem ser encontradas em O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke, de Simon Welfare e John Fairley, bem como na Enciclopédia do Inexplicável de Jerome Clark. (Todos altamente recomendáveis desde que o leitor tenha um mínimo de bom senso).

 

 


[1] KELLER, Werner. Y La Biblia Tenía Razón. Trd. José M.A Caballero Cuesta. Barcelona, Omega, 1956, p 132.

[2] WELFARE, Simon e FAIRLEY, John. O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke. Trd. Ruy Jungman. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1982, p 35.

[3] WELFARE, Simon e FAIRLEY, John. Op Cit., p 35.

[4] WELFARE, Simon e FAIRLEY, John. Op Cit., p 36.

[5]O HOMEM EM BUSCA DE DEUS. São Paulo, Sociedade Torre de Vigia, 1990, p 62.

[6] WELFARE, Simon e FAIRLEY, John. Op Cit., p 37.

[7] FORT, Charles. O Livro dos Danados. Trd. Edson Bini, Marcio Pugliesi. São Paulo, Hemus, 1978, p 35.

[8] MOENCH, Doug et all. Chuva Rubra. Vol 1. Trd. Carlos A. L. Salum. São Paulo, Abril Jovem, 1992, p 44.

[9] FORT, Charles. Op Cit., p 39.

[10] CLARK, Jerome. Enciclopédia do Inexplicável. Trd. José Eduardo Ribeiro Moretzsohn. São Paulo, Makron, 1997, p 90.

[11] FORT, Charles. Op Cit., p 294-295.

[12] FORT, Charles. Op Cit., p 292.

Shirlei Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/chuvas-diferentes/

Para a Destruição e Além…

1- O maior inimigo se esconderá no último lugar em que você procurar.

2- A única maneira de se tornar mais esperto é jogando contra um oponente mais esperto.

3- A primeira regra de qualquer negócio: proteja seu investimento.

4- Não existe uma maneira de se evitar a guerra, ela pode apenas ser adiada dando vantagem a seu inimigo.

5- O único inimigo real que já existiu é aquele que é eterno.

d’O Grande Livro das Regras

 

… e tem aquela do físico que não gostava de colocar açúcar no café. Uma vez perguntaram o por quê disso e ele respondeu que não gostava de mexer o café para não aumentar a entropia do universo. Todo mundo ri. Rufam os tambores. As luzes se apagam e a piada termina. Mas a entropia continua, para sempre.

A entropia é em si um fenômeno curioso. Ela tem uma importância gigantesca a curto, médio e longo prazo, afetando de forma direta a sobrevivência humana no platena, mas não é divulgada e nem conhecida pelo grande público.

Este termo foi usado a primeira vez em 1850 por Rudolf Julius Emmanuel Clausius. Sim ele era físico; sim, provavelmente ele entederia a piada do café e não, com certeza ele não riria dela. A palavra nasceu da união de dois termos gregos “en” – em, sobre, perto de – e “tropêe” – mudança, o voltar-se, alternativa, troca, evolução. Para entendermos para quê o conceito de entropia foi criado vamos dar um rápido mergulho na piscina da física.

A termodinâmica é o ramo da Física que estuda o movimento da energia e como a energia cria movimento. Na prática o que houve é que quando descobriram que podiam usar o fogo para ferver água, e esse vapor de água para movimentar coisas como locomotivas surgiu a necessidade de se aumentar a eficiência dessas máquina a vapor. Assim que começaram a se estudar como a energia do calor se movimentava perceberam que ela respondia a certos padrões e obedeciam certas leis. Por exemplo: toda energia é constante, ela não aparece ou desaparece do nada, apenas se move de um lado para outro e pode ser transformada em outras formas de energia ou em trabalho. O truque então era descobrir como criar um sistema onde energia virasse trabalho e pudesse de quebra gerar energia de novo que pudesse realizar o mesmo trabalho. Imagine criarem uma engenhoca movida a corda, como um relógio. Quando damos corda um prato gira, como uma vitrola, e essa prato faz o dispositivo que dá corda girar. Você não precisaria nunca mais dar corda na engenhoca, ela funcionaria para sempre. Todos estavam empolgados com isso, mas ai tropeçaram na segunda lei da termodinâmica que dizia que “é ímpossível uma transformação cujo resultado final seja transformar em trabalho todo o calor extraído de uma fonte”, ou seja em todo processo existe um desvio de energia que não pode ser recuperada. O universo tem uma quantidade de energia limitada. Essa energia pode ser transformada em outros tipos de energia. Essa transformação é uma via de mão única. Você pode colocar lenha em uma caldeira de locomotiva, tacar fogo nela, gerar vapor que faz a locomotiva andar, mas não pode empurrar uma locomotiva para trás para que o movimento crie vapor e apague o fogo te devolvendo um pedaço de madeira intocado do outro lado.

Esse processo de mudança, essa entropia, tem uma tendência natural de chegar ao seu valor máximo, independente do que façamos com a energia.

Embora em um primeiro instante isso possa parecer um papo que deve deixar os físicos eretos e molhadinhos, o que ele tem a ver com o dia a dia dos seres humanos normais – os não físicos?

Vejamos… energia não se cria nem desaparece, mas se converte, essa conversão não pode ser revertida. Se energia total do universo é constante e a entropia total está em contínuo aumento nós estamos em um universo que se degrada contínua e eternamente.

Vale lembrar que algo que está constantemente em mudança é algo que não tem uma forma definida, não possui uma ordem duradoura. Entropia também é chamada de desordem e caos. E agora, qual a sensação de estar amarrado em um trem desgovernado rumo ao caos total? Seria bem mais divertido se isso se aplicasse apenas a máquinas a vapor.

Recentemente, foi publicado na Europa a tradução atualizada do clássico Enthropy de Jeremy Rifkin, que apresenta a tendência universal de todos os sistemas – incluídos os econômicos, sociais e ambientais – a passar de uma situação de ordem à crescente desordem. Aparentemente as leis da termodinâmica não explicam apenas sistemas onde existe calor em movimento, mas praticamente qualquer sistema, e a conclusão de que o caos se aproxima é a única certeza que podemos ter.

Mas se esse fim da energia e essa degradação são fatos comprovados, por que perdemos tempo com obras de ficção como aquecimento global ou reforma agrária ao invés de focar no que interessa? É simples, nós nos educamos a não enxergar isso.

Conseguimos, depois de séculos, criar para nós mesmos uma visão mecanicista do mundo, onde o progresso é inevitável, querendo ou não. Traçamos uma linha que passa por Descartes, Galileu, Bacon, Newton, Locke e Adam Smith, Einstein, Steve Jobs e termina em nós. Olhamos para trás e temos a impressão que estamos evoluindo e logo todos seremos super-pessoas, mais inteligentes, mais magras, mais felizes, só que isso não é real. A lei da entropia mina a idéia da história como progresso. A lei da entropia destrói a idéia de que a ciência e a tecnologia criam um mundo mais ordenado. Nós nos concentramos apenas no que ordenamos e desconsideramos a desordem que essa ordenação causa. Isso é como fazer uma faxina em casa, ensacar o lixo e deixar os sacos dentro da sala. Quantas faxinas você consegue fazer antes de sua própria casa virar um lixão? Bom, sempre podemos jogar o lixo para fora. Mas e quando nossa casa é nosso planeta? Onde fica o fora? Achar que somos uma espécie em evolução te coloca na lista das pessoas que sofrem da síndrome do avestruz.

E a coisa fica mais interessante pelo fato dessas leis da termodinâmica serem uma lei fundamental, e não é preciso que você seja um Einsten para entender o que Einsten disse:

“Uma teoria é tanto mais emocionante quanto mais simples são suas premissas, mais diversas as categorias de fenômenos a que se refere, mais vasto seu campo de aplicabilidade. Esta é a razão pela qual a Termodinâmca clássica sempre me causou profunda impressão: é a única teoria física de conteúdo universal da qual estou convencido que, no campo de aplicação de seus conteúdos basilares, nunca será superada”

Por causa dessa universalidade as pessoas tentam atenuá-la de duas maneiras: apelando para a estatística (não há certeza de algo, apenas uma probabilidade de que ocorra), ou apenas reconhecendo um significado prático para longos ciclos, previstos para períodos cósmicos de tempo (para que me preocupar com o lixo agora se o ponto crítico só vai chegar em alguns milhares de anos?). Veja, se formos lidar com estatísticas, a chance de um sistema ir contra a entropia é a mesma chance evocada pela famosa imagem de milhares de macacos datilografando em máquinas de escrever e,  ao longo de milhares de anos, um deles por acaso escrever Dom Quixote. Quanto aos ciclos cósmicos, sim eles são reais, tão reais quanto os nossos ciclos, que evidentemente, por serem de dimensões humanas e não cósmicas, ocorrem em períodos de tempo muito mais curtos, ao invés de milênios são décadas. O fato indubitável é que a entropia nos afeta radicalmente.

 

E já que entramos no assunto de tempo, quanto tempo nos restaria até a destruição total?

A visão do ser humano encara o tempo como um progressivo “vir a ser”, e essa visão não poderia estar mais longe da realidade. A entropia é uma inversão do tempo. Imagine um copo cheio de xarope de groselha onde adicionamos lentamente água. A tendência é que o xarope se concentre no fundo do copo e perto da borda ele esteja extremamente diluido, quase transparente. Com a entropia temos um processo parecido, ela cria uma inversão do tempo, ou seja, esse aspecto do tempo pelo qual quanto mais se regride no tempo, mais “intenso” é o tempo. E quanto mais se progride mais “diluído” é o tempo. Na realidade não vivemos em um vir a ser e sim um  deixar-de-ser sem aniquilar-se regressivo, como no caso da faxina em casa vamos acumulando um “entulho de ser”. Físicos como Bernhard e Karl Philbert, já deixaram claro que não só o espaço é função do tempo, mas o próprio tempo é função do tempo. Não podemos pensar num tempo uniforme e linear e separado das coisas, mas num tempo entrópico, que se degrada com o tempo, tendendo assintoticamente ao fim do próprio tempo; ou, como se poderia dizer satiricamente: “o tempo vai morrer com o tempo”. Mesmo que a Bíblia não tenha sido inspirada por Deus, João não errou ao afirmar que “Não haverá mais tempo”, quando escreveu o versículo 6 do capítulo 10 em Apocalipse.

A entropia também explica a aceleração dos ciclos de energia ao longo dos tempos cósmicos, geológicos, biológicos e, mais recentemente, históricos. Sabe quando você pensa que “meu Deus, já estamos no meio/fim do ano, o tempo parece estar correndo cada vez mais rápido”? Isso não é apenas uma sensação e os ciclos históricos mostram de forma clara esse fato. Vejamos o caso da atual crise de energia.

Crises de energia não são um mal apenas do nossos dias. Durante a Idade Média o principal combustível era a lenha. O “ciclo da madeira” começou a entrar em crise no século X e atingiu seu ápice no século XV após mais de um milênio de exploração. Isso deu origem ao ciclo do carvão, afinal as pessoas precisavam de algo para queimar – para aquecer as casas no inverno, cozinhar a comida e fazer suas máquinas a vapor funcionarem. O ciclo do carvão durou 4 séculos, bem mais curto do que o ciclo da madeira. De ciclo em ciclo chegamos no ciclo do petróleo que durará aproximadamente 100 anos – o esgotamento do petróleo está previsto para a primeira metade deste século. E quando o petróleo acabar? Já usamos a madeira, o carvão, o petróleo. Surgirá algo novo para queimarmos?

Diante disso nos vemos em uma encruzilhada trágica. Conhecendo a lei da entropia podemos tomar duas atitudes:

– Nos basearmos em suas consequências e mudar completamente os hábitos de nossa civilização, tentando salvar o que ainda pode ser salvo, criando um processo urgente de desglobalização, seguido pela descentralização necessária da energia;

ou

– Partir para uma super-globalização, estupidamente uniformizadora, que nos lançaria em um ciclo ainda mais complexo, que resultaria em um enriquecimento provisório – infernalmente complexo – para então apresentar uma duração ainda mais curta e, resumindo, esgotaria ainda mais as matérias e recursos do planeta e necessitaríamos de um novo ciclo de forma ainda mais desesperada, e ele seria por sua vez ainda mais curto, cada novo ciclo esgotando de forma mais rápida os recursos do qual se alimenta.

Um paralelo a isto é a entropia orgânica presente em nossa vida e evidenciada pelo envelhecimento. É através do envelhecimento que vivenciamos a morte cada vez mais próxima, o despencar do tempo, e não podemos evitá-la, apenas tornar seu ritmo mais lento.

Quando olhamos para trás, várias “crises” que surgiram se tornam claras: a crescente degradação da terra e sua relação com crises de energia, com o surgimento de epidemias como a vaca louca, a febre aftosa, o aumento de uso de agrotóxicos e todas as outras disfunções de uma agropecuária plantada e nutrida pelo petróleo. Criamos um ciclo vicioso onde a crescente demanda de energia torna sua obtenção sempre mais complicada, custosa e danosa.

Não podemos evitar isso, mas poderíamos tornar o processo mais lento medindo nossa produtividade não pela maior quantidade de bens econômicos produzida num determinado período de tempo, mas sim pela maior quantidade produzida com o menor gasto energético possível de forma que se crie menos lixo. Seria necessário se criar uma ordem que resultasse em menos desordem. Isso infelizmente se mostra uma utopia, mesmo diante dos fatos as áreas desertificadas do planeta crescem, a produção de lixo também. É a entropia em sua melhor forma.

E sinceramente o que você acha mais provável: mudarmos o hábito de toda a população do planeta ou esgotar (também no sentido de tornar esgoto) de vez os recursos planetários para manter os vícios de nossa sociedade de consumo? Leve em conta que toda visão alarmente de um fim eminente de nossa espécie é tratada como um surto paranóico. Mas até então, lembrando-nos do diálogo entre Woody Allen e seu chefe interpretado por Dan Aykroid no filme o Escorpião de Jade:

Chris: Você sabe, existe uma palavra para descrever as pessoas que acham que todo mundo está conspirando contra elas.

C.W.: Eu sei, “perceptivas”.

Mas espere um momento. Leis universais não tratam de como coisas reagem e evoluem no tempo? Como uma lei pode ter apenas um carater destruidor? E se ela é uma lei explicitamente destruidora, por que, durante a história nunca a trataram dessa forma?

Bem, todo mundo, enquanto está vivo e com saúde, mesmo sabendo que um dia morrerá, não sente a morte, assim essa idéia de entropia é algo abstrato demais para ser levado a sério. Mesmo assim ela foi inúmeras vezes captadas por diversas pessoas que a trataram de forma séria. Do “Tempus edax rerum”, – o tempo que consome as coisas – de Ovídio ao “Pela mesma palavra os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo” que encontramos em II Pedro 3:7 percebemos uma visão clara desde os tempos antigos de que este seria um destino do qual não escaparíamos; isso mostra uma compreensão rara e acurada de indivíduos que percebiam uma visão de mundo popular já apontando para o consumismo, tendo seu progresso desmedido como um imperativo ético, criando mais “lixo” do que podemos nos livrar e nos colocando em num beco sem saída. Quantas pessoas hoje em dia abraçariam a visão de um São Francisco de Assis, por exemplo, onde a pobreza não leva à tristeza de perder coisas, mas à alegria de livrar-se de coisas? Muito poucas se é que alguma, já que criamos um sistema que não confere nenhum significado espiritual à pobreza e, portanto, para a própria existência, e torna o supérfulo mais essencial que o essencial. Se o nosso existir se ligou de maneira tão simbiótica ao consumir – e não apenas celulares ou bolsas, mas o consumir a moradia, o alimento não necessário, um veículo maior e melhor, etc. – então de fato a não-disponibilidade de energia esvazia completamente a nossa existência. Como pode ser percebido, por natureza, nós não tentamos evitar a entropia, mas estamos nadando a braçadas largas em sua direção, e tentamos a todo custo evitar percebê-la ou lhe dar atenção quando a notamos.

A nova forma popular de tentar não dar atenção à entropia é a esperança disfarçada de certeza de que estamos prestes a descobrir uma nova e inesperada fonte de energia que reverterá este quadro, e de fato essa fonte salvadora é alvo de inúmeras especulações, infelizmente todas elas no âmbito da ficção científica. São propostas irreais de todo tipo de “soluções”, inclusive a reversão do tempo – outro desejo delirante de negar a realidade entrópica.

Consideremos o fato de que a energia atômica traz algumas complicações sérias – lembre-se de Chernobyl – e entrópicas – a fissão nuclear é algo inviável o que cria como alternativa a fusão nuclear a frio, que é uma maneira elegante de se dizer: criarmos uma máquina de motu perpetuo, a nossa engenhoca que dá corda em si mesma. A única energia disponível não explorada ainda é a solar, mas infelizmente não dispomos de tecnologia adequada: gastaríamos muito mais energia do que a que seria gerada em grande escala, teríamos um o remédio que mata o doente. Ponto para a entropia novamente.

Existem outras propostas como estações de energia eólica ou usinas geotérmicas, mas sejamos realistas: teria havido não uma, mas DUAS guerras ao golfo pérsico nos últimos 20 anos caso de fato houvesse uma alternativa ao petróleo em mãos ou prestes a ser viabilizada? Teorias da conspiração de que a indústria já disponibiliza de tais tecnologias mas pretende espremer as carteiras da população enquanto puderem é apenas outra peneneira usada para se tapar o sol. Tentar driblar a entropia é como se sentar e tentar dispersar o estouro de manada de touros bravos apenas com o pensamento. Se pararmos para levar a sério os princípios da entropia, ninguém deveria – em sã consciência – insistir nessa linha. Infelizmente o mundo não consegue ser tão racional, nem aparenta possuir uma consciência sã.

E o pior é que a entropia não existe apenas no âmbito ambiental do planeta, não diz respeito apenas à ecologia e a recursos naturais. Você já teve que varar a noite se preparando para uma prova e algumas horas após o exame se descobre incapaz de se lembrar de 1/3, sendo otimista, do que estudou? Esse material esquecido não “desaparece do seu cérebro”, ele permanece como lixo cognoscitivo não eliminado. Pesquisas nos Estados Unidos constataram que nossa tecnologia moderna, especialmente nossa parafernália de informática, está criando uma legião de alunos que não apenas não conseguem aprender como desenvolvem uma aversão ao estudo. Outro efeito do nosso desenvolvimento tecnológico é um aumento de doenças mentais em nossa sociedade por parte das pessoas sintonizadas – nosso novo modelo não é mais o animal e sim a coisa. Kant já havia ponderado que quando precisamos pensar seriamente em algo a mera leitura de um jornal se torna um obstáculo. Como encaixar isso na era dos 300 canais a cabo, da internet, de coberturas de competições esportivas simultâneas, noticiários locais, regionais, nacionais e internacionais, tudo isso ocorrendo em paralelo a um bombardeio incessante de propagandas. Goethe resumiu bem nossa era nas palavras do diabo: “Eu sei tudo, mas não sou onisciente”. Sei de tudo, não entendo nada. Em um mundo sem possibilidade de síntese, não há como não perceber a entropia na educação.

Além disso vivemos em um mundo que defende a aniquilação da intuição em favor de um raciocínio exagerado. Especulamos sem intuição, e isto é o equivalente a operar sem energia: temos então a entropia no conhecimento também. Em um mundo que cada dia mais defende a superioridade da pluralidade sobre a unidade vivemos o paradoxo de nunca termos vivido em uma cultura global tão homogênea.

 

Mas e se pudéssemos de fato rever nossos valores de forma a evitar ao máximo a entropia?

Em primeiro lugar deve estar claro que isso seria como iniciar um tratamento estético. Teríamos que mudar habitos e nos submer a tratamentos para o resto da vida, e isso não nos rejuvenesceria, apenas faria com que nosso envelhecimento se tornasse mais lento, mesmo assim não afastaria a morte. Chegaríamos aos 70 anos com aparência de 50 ou 60, mas isso não nos converteria os 10 ou 20 anos que nossa aparência ganhou em anos de vida. Não chegaríamos aos 110 ou 120 anos.

Em segundo lugar devemos ter em mente que precisaríamos de um planejamento extremo: em primeiro lugar deveríamos retornar a um ritmo natural que não conhecemos mais. Deveríamos voltar ao campo, cidades não deveriam comportar mais do que cem mil habitantes e deveríamos nos planejar para atingir uma população mundial máxima de um bilhão de habitantes. O problema é que para isso teríamos que, nos dias de hoje, nos livrar de quase 86% da população mundial e fazer isso não é apenas complicado, é criminoso. A alternativa a isso seria se criar leis de controle de natalidade, mas quanto tempo levaria para que a população começasse a decrescer para um nível sustentável? Nos depararíamos com uma versão assustadoramente real do paradoxo de Zeno: Aquiles, o herói grego, e a tartaruga decidem apostar uma corrida. Como a velocidade de Aquiles é maior que a da tartaruga, esta recebe uma vantagem, começando corrida um trecho na frente da linha de largada de Aquiles. Aquiles nunca sobrepassa à tartaruga, pois quando ele chegar à posição inicial ‘A’ da tartaruga, esta encontra-se mais a frente, numa outra posição ‘B’. Quando Aquiles chegar a B, a tartaruga não está mais lá, pois avançou para uma nova posição ‘C’, e assim sucessivamente, ad infinitum.

Em termos matemáticos, seria dizer que o limite, com o espaço entre a tartaruga e Aquiles tendendo a 0, do espaço de Aquiles, é a tartaruga. Ou seja, ele virtualmente alcança a tartaruga, mas nessa linha de raciocínio, não importa quanto tempo se passe, Aquiles nunca alcançará a tartaruga nem, portanto, poderá ultrapassá-la. Apesar deste paradoxo possuir incoerências: obviamente aquiles alcançará a tartaruga na prática, nossa tentativa de reduzir a população sem extermínios pode se espelhar nele. Digamos que através do controla consciente de natalidade em 300 anos consigamos reduzir a população mundial de 7 para 1 bilhão. Digamos que como foi calculado tenhamos apenas mais 40 anos de petróleo disponível para abastecer nossa indústria, nossa agricultura e nossos carros levando-se em conta a população atual. Será que a redução gradual esticará a vida útil do petróleo tempo o suficiente para que daqui a 300 anos ainda o estejam usando com parcimônia? A resposta é não. Outro ponto é: hoje a China, curiosamente é a nação melhor preparada para o colapso energético que ela mesma ajuda a acelerar. A China foi o único império da História baseado na agricultura, sem nunca ter perdido tal base, seu conselho por anos às nações do terceiro mundo a uma “volta ao campo”, a própria China pós-revolução cultural procurou a modernização evitando o êxodo do campo. Mas hoje, na realidade de nosso país, como poderá uma São Paulo, por exemplo, com seus 17,8 milhões de habitantes, sobreviver sem área rural própria? Para que campo haveriam os paulistas de retornar? E esse mal se tornou mundial não há como prever quais países terão melhores condições de sobrevivência à entropia: o caos será globalizado.

Como afirmou Heidegger: “A filosofia bem como o pensamento e a ação do homem não vão conseguir provocar uma mudança na atual situação do mundo. Nós temos apenas esta possibilidade, através do pensamento e da poesia, de nos preparar para a chegada do deus ou então para a ausência de deus, o fim, que nós na ausência de Deus iremos viver”.

LöN Plo

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/para-a-destruicao-e-alem/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/para-a-destruicao-e-alem/