Lovecraft: O Jogo de Bar

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Tendo sido um abstêmio, Howard Phillips Lovecraft, está provavelmente se debatendo no caixão; mas não pudemos evitar. O jogo é bastante simples e pode ser jogado por qualquer entusiasta dos mitos de cthulhu que aprecie encher a cara de forma ciclópica, ancestral e medonhamente imemorial.

Basicamente tudo o que você precisa é um livro de Lovecraft e quantidades hediondas de bebida. Você pode jogar sozinho ou com alguns amigos, neste caso apenas um dos presentes deve fazer a leitura. Escolha um dos muitos contos curtos de Lovecraft, para começar sugerimos “Dagon” se desejar um jogo rápido e “Nas Montanhas da Loucura” para quem quiser pegar mais pesado. O jogo segue com as regras abaixo enumeradas e termina quando você ou demais participantes atingirem o desejável estado alcóolico de [in]consciência.

Um dos pontos fortes do jogo é que quem quer que esteja lendo, deve também beber. O vocabulário desafiador de Lovecraft aumentará gradualmente a dificuldade e graça do jogo.

As Regras

1 – Beba um gole a cada vez que Lovecraft:

  • Usar mais de um adjetivo na mesma frase: ex: Moldado pela morte cerebral de um pesadelo híbrido, não poderia tal vaporoso terror ser em toda sua desprezível e requintada verdade, o gritante inominável?
  • Usar uma descrição propositalmente vaga: ex: terror indizível, impronunciável, etc.
  • Referir-se a algum local misterioso: ex: Sarnath, Kadath, etc… “À Procura De Kadath” vai te colocar debaixo da mesa fácil fácil.
  • Referir-se a uma entidade pelo nome próprio. (Dica, Cthulhu e Nyarlathotep são nomes próprios, mas Mi-Go e shoggoth não são; são tipos de entidades.)
  • Fizer qualquer declaração racistam sexista, facista ou politicamente incorreta. Esta regra faz de ‘Horror em Red Hook’ um desafio dificil de superar. Não perca tempo debatendo o que é ou não racista ou sexista… quando em dúvida, beba.
  • Colocar um personagem dentro de um templo ou igreja
  • Mencionar um livro ‘proibido’ na história. Isso inclui o De Vermis Mysteris, o Unaussprechlichen Kulten, e, é claro, O Necronomicon, entre outros.

2 – Beba dois goles sempre que alguma desta palavras aparecer (incluindo suas variações):

  • Sobrenatural
  • Ciclópico
  • Balbuciar
  • Escamoso

3 – Vire o copo sempre que uma destas situações ocorrer:

  • Aparecerem pinguins albinos subterraneos gigantes na história, ou qualuqer animal albino. (“Nas Montanhas da Loucura”)
  • O protagonista perceber que não pode piscar. (“A Sombra sobre Innsmouth”)
  • Canibalismo (“Ratos nas Paredes” e “A Estampa da Cada Maldita”)
  • A história se repetir de forma resumida. (“Re-animator”, que foi lançada originalmente em partes e precisava lembrar o leitor o que já tinha acontecido.)
  • Gatos gordos aparecerem após algum ser humano sumir. (“Os Gatos de Ulthar”)
  • Algum personagem percebe que foi catapultado milhares de ano para o futuro ou passado. (as crônicas de Randolph Carter)

 

Bônus de Encerramento

Depois de terminar uma história, confira se alguém na mesa ainda consegue citar o parágrafo inicial de “O Chamado de Cthulhu” sem consultar o livro. Cada vez que alguém citar uma frase corretamente, os demais devem beber um copo. Cada vez que errar a frase é a pessoa que bebe. Para referência, esta é a citação, embora idealmente ninguém deverá ser capaz de recitar nada de memória a esta altura do jogo:

“A coisa mais misericordiosa no mundo, eu acho, é a inabilidade da mente humana em correlacionar todos seus conteúdos. Nós vivemos em uma plácida ilha de ignorância no meio de um oceano negro infinito, e não era para que pudéssemos navegar para longe. As ciências, cada um esticando a corda em sua própria direção, têm nos causado pouco mal até agora; mas algum dia esse mosaico de conhecimento dissociado nos legará um terrível panorama da realidade e de nossa amedrontadora posição neste lugar, tão terrível, que ou bem nós ficaremos loucos diante da revelação ou fugiremos covardemente da luz mortal para a paz e a segurança de uma nova Idade Negra”.

Caso ninguém conseguir acertar nenhuma parte da citação. O próximo e ultimo passo é verificar quem consegue repetir os famosos versos do Necronomicon: “Não está morto o que pode eterno jazer, e em era estranhas até a morte pode morrer.” Cada vez que alguém acertar, todos os demais bebem mais um copo. Termina quanto ninguém conseguir falar ou ler mais.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/lovecraft-o-jogo-de-bar/

Orobas

Orobas é tido pela Ars Goetia como um grande Príncipe, cuja imagem bestial às vezes lembra a de um cavalo com corpo, membros superiores e mãos humanas. O mais interessante, no entanto, é que uma das principais virtudes que lhes são imputadas é a capacidade ímpar de dar respostas verdadeiras e precisas sobre o passado, o presente e até mesmo sobre o futuro. Exatamente por isso, ele é um dos demônios prediletos daqueles ocultistas que, inadvertidamente, como o honrado doutor Weyer do século XVI, creem nas maravilhosas artes mágicas e divinatórias.

Justamente por este nome estreiou em Janeiro deste ano o blog Orobas, de um grande irmão chamado Carlos Raposo, um dos maiores conhecedores da história da OTO no Brasil. Recomendo que visitem e adicionem aos seus favoritos!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/orobas

Monstro da Lagoa Negra

Em 1954, alguns arqueólogos em expedição na Amazônia encontraram no rio Amazonas um animal que nunca foi classificado. Um ser de olhos completamente negros, bípede aquático com guelras e escamas. Quatro anos depois, em 1958, um morador da Califórnia, passando de carro pelo rio Santa Ana foi atacado por uma criatura semelhante, com “a cabeça redonda de um espantalho”, olhos negros brilhantes e escamas que deixou grandes arranhões no pára-brisas. Ele acelerou, atingiu-o e passou por cima do ser. A primeira história é de um filme de ficção científica da Universal, “ O Monstro da Lagoa Negra” The Creature from the Black Lagon “. A segunda é uma história real.

Casos Fictícios

A temática do Monstro aquático bípede humanoide ganhou diversas vezes as telas do cinema, sendo inclusive o primeiro filme em 3d da história e recebendo duas continuações “Revenge of the Creature” de 1955 e “The Creature Walks Among Us” de 1956. Confira o trailer do primeiro filme abaixo. Com o sucesso da trilogia a criatura tornou-se popular e apareceu em diversas outras produções ganhando o status de monstro clássico do horror ao lado de Drácula e Frankenstein.

Casos Reais

O relato real é testemunhado por Charles Wetzel, numa noite de inverno na cidade de Riverside. Na noite seguinte, outro motorista disse que um monstro do mesmo tipo que o primeiro saiu do mato e pulou em cima do seu carro. E este é apenas um dos relatos de bípetes répteis que os estudantes de criptozoologia possuem, que embora raros não parecem possuir limites nacionais ou cronológicos.

De modo geral as aparições destes “Monstros da Lagoa Negra”  são rápidas. A idéia que se faz dessas criaturas porém remonta no mínimo a 1878, quando o teatro metropolitano de Louisville exibiu um ser chamado Wild Man of the Woods (O Homem das Selvas) e descreveu-o como sendo coberto com escamas de peixe  e 1’95m de altura. Podemos presumir hoje que este monstro fosse um homem alto e maquiado dedicado a tomar dinheiro dos crédulos.  Contudo, os relatos não pararam mesmo mais de um século depois. Os moradores ao norte de Louisville continuaram informando ter avistado outros “lagartos gigantes bípedes”.

No verão de 1972, no Lago Thetis, Colúmbia Britânica, houve dois relatos de aparições de uma criatura cor de prata que emergiu da água, no primeiro caso em 19 de agosto para expulsar dois rapazes da praia, um dos quais sofreu lacerações na mão causada por seis pontas afiadas em cima da cabeça do bicho. No segundo incidente uma testemunha disse que a criatura “tinha a forma do corpo comum, como a de um ser humano, mas o rosto era monstruoso, todo escamado. Tinha na cabeça uma ponta afiada e orelhas muito grandes.

Dez anos depois em 1986 à uma hora da madrugada dois policiais de Loveland encontraram algo parecido: “um bípede com cara de sapo e pele com textura de couro”. Viram-no pular a cerca de proteção e descer um barranco que ia dar no rio Little Miami. Umas duas semanas depois, um dos policiais viu-o de novo, primeiro deitado na estrada, depois levantando-se e pulando a cerca de proteção. Outro fazendeiro local também informou ter visto a criatura.

Um ponto importante é que diferente das visões de antropoides anômalos, espíritos, e discos voadores os relatos dos Monstros da Lagoa negra estão se tornando progressivamente mais raros com o passar dos anos. De fato, não houve nenhum caso relatado depois dos anos 2000. Isso pode indicar que uma criatura que o homem jamais reconheceu como vivente esta agora na lista dos animais extintos. Ainda hoje muitos animais não foram catalogados, mas é uma grande tragédia seres serem varridos do planeta sem que soubéssemos qualquer coisa de concreta sobre eles.

Descrição tipológica

Existiram casos o bastante destes “homens-peixes” para traçarmos um perfil mínimo deles:

  • São bípedes humanóides escamados
  • São mais fortes e rápidos que um ser humano normal.
  • Aparecem sempre próximos a grandes corpos de água.
  • Saem da água somente a noite.
  • Possuem inteligência de um animal.
  • Comportamento agressivo e territorialista.

O criptozóologo Rouin, Jeff, descreve a biologia destes ser como um anfíbio, capaz de respirar dentro e fora d’água possuindo pulmões que são ativados suas brânquias são incapacitadas. É vulnerável como qualquer animal a agressões físicas e demonstra inclsuive vulnerabilidade a rotenona e outros compostos químicos usados como pesticida. Possui uma força bem superior à humana e inteligência inferior semelhante a de uma criança em idade pre-escolar. Suas mãos são grandes e com garras, além das membranas entre os dedos. A pele do Monstro é bastante resistente além de um fator de cura que lhe permite se recuperar de ferimentos que aparentemente seriam fatais para qualquer homem, mesmo os causados por tiros. O Monstro demonstra sofrer de uma fotofobia, adquirida pela permanência em aguas escuras do seu habitat.

Dito isto, resta apenas afirmar que estes casos não devem ser confundidos com os chamados Reptilianos, muito mais raros e de inteligência muito superior. Talvez haja uma relação entre os dois tipos de relatos, talvez não, são entretanto inegavelmente diferentes.

Texto Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/monstro-da-lagoa-negra/

As Origens de Lilith

 

Lilith (em hebraico: לִילִית, romanizado: Līlīṯ) é uma figura feminina na mitologia mesopotâmica e judaica, alternativamente a primeira esposa de Adão e supostamente a demônio primordial. Lilith é citada como tendo sido “banida” do Jardim do Éden por não obedecer e obedecer a Adão. Ela é mencionada no hebraico bíblico no Livro de Isaías, e na Antiguidade Tardia na mitologia mandeana e nas fontes da mitologia judaica a partir de 500 EC. Lilith aparece em historiolas (encantamentos que incorporam uma pequena história mítica) em vários conceitos e localidades que dão descrições parciais dela. Ela é mencionada no Talmude Babilônico (Eruvin 100b, Niddah 24b, Shabat 151b, Baba Bathra 73ª), no Livro de Adão e Eva como a primeira esposa de Adão, e no Zohar, Levítico 19a como “uma mulher ardente e quente que primeiro coabitou com o homem”.

O nome Lilith deriva de lilû, lilîtu e (w)ardat lilî. A palavra acadiana lilu está relacionada à palavra hebraica lilith em Isaías 34:14, que é considerada um pássaro noturno por alguns estudiosos modernos, como Judit M. Blair. Na antiga religião da Mesopotâmia, encontrada em textos cuneiformes da Suméria, Assíria e Babilônia, Lilith significa um espírito ou demônio.

A Lilith bíblica inspirou a autora e a primeira teóloga feminista judia Judith Plaskow a escrever, ‘The Coming of Lilith (A Vinda de Lilith)’ examinando o domínio patriarcal no judaísmo e no cristianismo, e a escrita de ‘Which Lilith (Qual Lilith)’ explorando as diversas identidades desse personagem por feministas, incluindo Enid Dame.

Lilith continua a servir como fonte de material na cultura popular de hoje, cultura ocidental, literatura, ocultismo, fantasia e horror, muitas vezes retratada como uma mulher lutando pela igualdade e pela justiça.

A HISTÓRIA DE LILITH:

No folclore judaico, como no satírico Alfabeto de Sirach (c. 700–1000 d.C.), Lilith aparece como a primeira esposa de Adão, que foi criada na mesma época e do mesmo barro que Adão. Compare esse relato com Gênesis 1:27, em que isso contrasta com Eva, que foi criada de uma das costelas de Adão). A lenda de Lilith desenvolveu-se extensivamente durante a Idade Média, na tradição da Aggadah, do Zohar e do misticismo judaico. Por exemplo, nos escritos do século 11 de Isaac on Jacob ha-Cohen, Lilith deixou Adão depois que ela se recusou a se tornar subserviente a ele e depois não retornou ao Jardim do Éden depois de se casar com o arcanjo Samael.

As interpretações de Lilith encontradas em materiais judaicos posteriores são abundantes, mas pouca informação sobreviveu sobre a visão suméria, acadiana, assíria e babilônica dessa classe de demônios. Embora os pesquisadores quase universalmente concordem que existe uma conexão, estudos recentes contestaram a relevância de duas fontes anteriormente usadas para conectar a lilith judaica a uma lilītu acadiana – o apêndice de Gilgamesh e os amuletos de Arslan Tash. (veja abaixo a discussão dessas duas fontes problemáticas). Em contraste, alguns estudiosos, como Lowell K. Handy, sustentam a opinião de que, embora Lilith deriva da demonologia mesopotâmica, a evidência da Lilith hebraica estar presente nas fontes frequentemente citadas – o fragmento sumério de Gilgamesh e o encantamento sumério de Arshlan-Tash sendo duas de tais evidencias – é escassa, se estiver presente.

Em textos de língua hebraica, o termo lilith ou lilit (traduzido como “criaturas da noite”, “monstro da noite”, “bruxa da noite” ou “coruja”) ocorre pela primeira vez em uma lista de animais em Isaías 34. A referência a Lilith em Isaías 34:14, não aparece na maioria das traduções comuns da Bíblia, como a KJV (Versão do Rei James) e a NIV (Nova Versão Internacional). Comentaristas e intérpretes muitas vezes imaginam a figura de Lilith como um perigoso demônio da noite, que é sexualmente libertina e que rouba bebês na escuridão. Nos Manuscritos do Mar Morto 4Q510-511, o termo ocorre pela primeira vez em uma lista de monstros. Inscrições mágicas judaicas em tigelas e amuletos do século VI Dc identificam Lilith como um demônio feminino e fornecem as primeiras representações visuais dela.

ETIMOLOGIA DA PALAVRA LILITH:

Na língua acadiana da Assíria e Babilônia, os termos lili e līlītu significam espíritos. Alguns usos de līlītu estão listados no Dicionário Assírio do Instituto Oriental da Universidade de Chicago (CAD, 1956, L.190), em Akkadisches Handwörterbuch de Wolfram on Soden (Ahw, p. 553), e Reallexikon der Assyriologie (RLA, página 47).

Os demônios femininos sumérios lili não têm relação etimológica com o acadiano lilu, “noite”.

Archibald Sayce (1882) considerou que o lilit hebraico (ou lilith) לילית e o anterior līlītu acadiano são derivados do proto-semítico. Charles Fossey (1902) traduz literalmente para “ser/demônio da noite feminino”, embora existam inscrições cuneiformes da Mesopotâmia onde Līlīt e Līlītu se referem a espíritos do vento portadores de doenças.

LILITH NA MITOLOGIA MESOPOTÂMICA:

Lilu:

Um lilu ou lilû é uma palavra acadiana masculina para um espírito ou demônio.

História:

Jo Ann Scurlock e Burton R. Andersen (2005) veem a origem do lilu no tratamento de doenças mentais.

Na Literatura Suméria e Acadiana:

Na literatura acadiana ocorre hlilu. Na literatura suméria ocorre lili. A datação de textos específicos acadianos, sumérios e babilônicos que mencionam lilu (masculino), lilitu (feminino) e lili (feminino) é casual. Em estudos mais antigos, como The Devils and Evil Spirits of Babylonia (Os Diabos e Espíritos Malignos da Babilônia, 1904), de R. Campbell Thompson, raramente são dadas referências de texto específicas. Uma exceção é K156 que menciona um ardat lili. Heinrich Zimmern (1917) identificou provisoriamente vardat lilitu KAT3, 459 como amante de lilu.

Uma inscrição cuneiforme lista lilû ao lado de outros seres perversos da mitologia e folclore da Mesopotâmia:

Os perversos Utukku que matam o homem vivo na planície.

Os perversos Alû que cobrem (o homem) como uma roupa.

Os perversos Edimmu, os perversos Gallû, que amarram o corpo.

Os Lamme (Lamashtu), os Lammea (Labasu), que causam doenças no corpo.

Os Lilû que vagueiam na planície.

Eles chegaram perto de um homem sofredor do lado de fora.

Eles provocaram uma doença dolorosa em seu corpo.

— Stephen Herbert Langdon 1864.

Na Lista de Reis Sumérios:

Na Lista de Reis Sumérios, diz-se que o pai de Gilgamesh é um lilu.

O ‘Espírito na Árvore’ no Ciclo Gilgamesh:

A Tabuinha XII, datada de c. 600 Ac, é uma tradução acadiana assíria posterior da última parte do sumeriano Epopeia de Gilgamesh. Ele descreve um ‘espírito na árvore’ referido a um ki-sikil-lil-la-ke.

Traduções sugeridas para a Tabuinha XII ‘espírito na árvore’ incluem ki-sikil como “lugar sagrado”, lil como “espírito” e lil-la-ke como “espírito da água”. Mas também simplesmente “coruja”, já que a pequena constrói uma casa no tronco da árvore.

O ki-sikil-lil-la-ke está associado a uma serpente e a um pássaro zu. Kramer traduz o zu como “coruja”, mas na maioria das vezes é traduzido como “águia”, “abutre” ou “ave de rapina”. Em Gilgamesh, Enkidu e Netherworld, uma árvore huluppu cresce no jardim de Inanna em Uruk, cuja madeira ela planeja usar para construir um novo trono. Depois de dez anos de crescimento, ela vem para colhê-lo e encontra uma serpente vivendo em sua base, um pássaro Zu criando filhotes em sua copa, e que um ki-sikil-lil-la-ke fez uma casa em seu tronco. Diz-se que Gilgamesh matou a cobra, e então o pássaro zu voou para as montanhas com seus filhotes, enquanto o ki-sikil-lil-la-ke com medo destrói sua casa e foge para a floresta.

Relação de Lilu com a Lilith Hebraica e com as Lilin:

É contestado se, se é que a palavra acadiana lilu ou seus cognatos estão relacionados com a palavra hebraica lilith em Isaías 34:14, que é considerada um pássaro noturno por alguns estudiosos modernos, como Judit M. Blair. O conceito babilônico de lilu pode estar mais fortemente relacionado ao conceito talmúdico posterior de Lilith (feminino) e lilin (feminino).

Samuel Noah Kramer (1932, publicado em 1938) traduziu ki-sikil-lil-la-ke como Lilith na “Tabuinha XII” da Epopeia de Gilgamesh. A identificação de ki-sikil-lil-la-ke como Lilith é indicada no Dictionary of Deities e Demons in the Bible (Dicionário de Divindades e Demônios na Bíblia, 1999). De acordo com uma nova fonte da Antiguidade Tardia, Lilith aparece em uma história de magia mandaica onde ela é considerada como representando os galhos de uma árvore com outras figuras demoníacas que formam outras partes da árvore, embora isso também possa incluir vários “Liliths”.

Uma conexão entre o ki-sikil-lil-la-ke em Gilgamesh e a Lilith judaica foi rejeitada por motivos textuais por Sergio Ribichini (1978).

A Mulher com Pés de Pássaro no Burney Relief (Relevo de Burney):

 

O Relevo de Burney, Babilônia (1800-1750 a.C.).

A tradução de Kramer do fragmento de Gilgamesh foi usada por Henri Frankfort (1937) e Emil Kraeling (1937) para apoiar a identificação de uma mulher com asas e pés de pássaro no disputado Burney Relief relacionado a Lilith. Frankfort e Kraeling identificaram a figura no relevo com Lilith. Pesquisas modernas identificaram a figura como uma das principais deusas dos panteões mesopotâmicos, provavelmente Ereshkigal, a deusa do submundo mesopotâmico, mais isso é assunto para um outro artigo.

Os Amuletos Arslan Tash:

Os amuletos Arslan Tash são placas de calcário descobertas em 1933 em Arslan Tash, cuja autenticidade é contestada. William F. Albright, Theodor H. Gaster e outros aceitaram os amuletos como uma fonte pré-judaica que mostra que o nome Lilith já existia no século VII a.C., mas Torczyner (1947) identificou os amuletos como uma fonte judaica posterior.

LILITH NA BÍBLIA HEBRAICA:

A palavra lilit (ou lilith) aparece apenas uma vez na Bíblia hebraica, em uma profecia sobre o destino de Edom, enquanto os outros sete termos da lista aparecem mais de uma vez e, portanto, são mais bem documentados. A leitura de estudiosos e tradutores é muitas vezes guiada por uma decisão sobre a lista completa de oito criaturas como um todo. [Veja Os animais mencionados na Bíblia, por Henry Chichester Hart, 1888, e fontes mais modernas; também entradas Brown Driver Briggs Hebrew Lexicon para tsiyyim, ‘iyyim, sayir, liylith, qippowz e dayah.] ​​Citando Isaías 34 (NAB):

(12) Seus nobres não existirão mais, nem reis serão proclamados ali; todos os seus príncipes se foram.

(13) Seus castelos serão cobertos de espinhos, suas fortalezas de cardos e sarças. Ela se tornará uma morada para chacais e um refúgio para avestruzes.

(14) Os gatos selvagens se encontrarão com as feras do deserto, os sátiros chamarão uns aos outros; Ali a Lilith descansará e encontrará para si um lugar para descansar.

(15) Ali a coruja aninha e põe ovos, choca-os e recolhe-os à sua sombra; Ali se reunirão os abutres, nenhum faltará ao seu companheiro.

(16) Olhem no livro do Senhor e leiam: Nenhum destes faltará, porque a boca do Senhor o ordenou, e o seu espírito os reunirá ali.

(17) É Ele quem lança a sorte para eles, e com Suas mãos Ele marca suas partes dela; Eles a possuirão para sempre, e habitarão ali de geração em geração.

Lilith no Texto Hebraico Massorético:

No Texto Massorético:

Hebraico:

u-pagšu ṣiyyim et-ʾiyyim, w-saʿir ʿal-rēʿēhu yiqra; ʾak-šam hirgiʿa lilit, u-maṣʾa lah manoaḥ

34:14 “E encontrarão gatos selvagens com chacais

o bode que ele chama de seu companheiro

lilit (lilith) ela descansa e ela encontra descanso [מנוח, manoaḥ, usado para pássaros como a pomba de Noé, Gen.8:9 e também humanos como o povo de Israel, Deut.28:65; Noemi, Rute 3:1.]

34:15 ali ela aninhará a grande coruja, e ela põe (ovos), e ela choca, e ela ajunta sob sua sombra: falcões [abutres, milhafres] também eles se reúnem, cada um com seu companheiro.

Nos Manuscritos do Mar Morto, entre os 19 fragmentos de Isaías encontrados em Qumran, o Grande Rolo de Isaías (1Q1Isa) em 34:14 apresenta a criatura no plural liliyyot (ou liliyyoth).

Eberhard Schrader (1875) e Moritz Abraham Levy (1855) sugerem que Lilith era um demônio da noite, conhecido também pelos exilados judeus na Babilônia. A visão de Schrader e Levy é, portanto, parcialmente dependente de uma datação posterior de Deutero-Isaías no século VI a.C., e a presença de judeus na Babilônia, que coincidiria com as possíveis referências ao Līlītu na demonologia babilônica. No entanto, essa visão é contestada por algumas pesquisas modernas, como Judit M. Blair (2009), que considera que o contexto indica animais impuros.

Lilith na Septuaginta, a Tradução Grega da Bíblia:

A Septuaginta traduz tanto a referência a Lilith quanto a palavra para chacais ou “animais selvagens da ilha” dentro do mesmo verso para o grego como onokentauros, aparentemente assumindo-os como referindo-se às mesmas criaturas e omitindo “gatos selvagens / animais selvagens do deserto” (assim, em vez dos gatos selvagens ou bestas do deserto se encontrarem com os chacais ou bestas da ilha, a cabra ou “sátiro” chorando “para seu companheiro” e lilith ou “coruja” descansando “lá”, é a cabra ou “sátiro” , traduzido como daimonia “demônios”, e os chacais ou bestas da ilha “onocentauros” se encontrando e gritando “um para o outro” e o último descansando ali, na tradução). Isaías 34:14: καὶ συναντήσουσιν δαιμόνια ὀνοκενταύροις καὶ βοήσουσιν ἕτερος πρὸς τὸν ἕτερον ἐκεῖ ἀναπαύσονται ὀνοκένταυροι εὗρον γὰρ αὑτοῖς ἀνάπαυσιν  Tradução: E os daemons encontrarão com os onocentauros, e eles irão gritar um ao outro: ali descansarão os onocentauros, tendo encontrado para si [um lugar de] descanso.]

Lilith na Vulgata, a Tradução Latina da Bíblia:

A Vulgata do início do século V traduziu a mesma palavra como lâmia, ou seja, lâmia.

et ocorrerent daemonia onocentauris et pilosus clamabit alter ad alterum ibi cubavit lamia et invenit sibi requiem

— Isaías (Isaías Propheta) 34.14, Vulgata.

A tradução é: “E demônios se encontrarão com monstros, e um peludo clamará ao outro; ali a lâmia se deitou e encontrou descanso para si mesma”.

Lilith nas Traduções da Bíblia para o Inglês:

A Bíblia de Wycliffe (1395) preserva a tradução latina lamia:

Is 34:15 Lamya viverá ali, e ali descansa para si mesma.

A Bíblia dos Bispos de Matthew Parker (1568) do latim:

Is 34:14 ali a Lâmia se deitará e terá o seu alojamento.

A Bíblia Douay-Rheims (1582/1610) também preserva a tradução latina lamia:

Is 34:14 E demônios e monstros se encontrarão, e os peludos clamarão uns aos outros; ali a lâmia se deitou, e encontrou descanso para si.

A Bíblia de Genebra de William Whittingham (1587) do hebraico:

Is 34:14 e ali descansará a coruja, e achará para si uma morada sossegada.

Em seguida, a versão King James (Versão do Rei James, 1611):

Isaías 34:14 As feras do deserto também se encontrarão com as feras da ilha, e o sátiro clamará ao seu companheiro; a coruja noturna também descansará ali, e achará para si um lugar de descanso.

A tradução “coruja noturna (screech owl)” da versão King James é, junto com a “coruja” (yanšup, provavelmente uma ave aquática) em 34:11 e a “grande coruja” (qippoz, propriamente uma cobra) de 34:15, uma tente traduzir a passagem escolhendo animais adequados para palavras hebraicas difíceis de traduzir.

Traduções posteriores incluem:

  • A coruja da noite (Young, 1898).
  • O espectro noturno (Rotherham, Emphasized Bible, 1902).
  • O monstro da noite (ASV, 1901; JPS 1917, Good News Translation, 1992; NASB, 1995).
  • Os vampiros (Moffatt Translation, 1922; Knox Bible, 1950).
  • A bruxa da noite (Versão Padrão Revisada, 1947).
  • Lilith (Bíblia de Jerusalém, 1966).
  • (a) lilith (New American Bible, 1970).
  • Lilith (Nova Versão Padrão Revisada, 1989).
  • (a) demônio da noite Lilith, maligna e voraz (A Mensagem (Bíblia), Peterson, 1993).
  • A criatura da noite (New International Version, 1978; New King James Version, 1982; New Living Translation, 1996, Today’s New International Version).
  • As aves noturnas (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, 1984).
  • O pássaro noturno (versão padrão em inglês, 2001).
  • O pássaro noturno (NASB, 2020).
  • Os animais noturnos (New English Translation (NET Bible)).

LILITH NA TRADIÇÃO JUDAICA:

As principais fontes na tradição judaica sobre Lilith em ordem cronológica incluem:

  1. 40–10 a.C. Os Manuscritos do Mar Morto – Canções para um Sábio (4Q510–511).
  2. 200 A Mishná – não mencionada.
  3. 500 A Gemara do Talmude.
  4. 700-1000 O Alfabeto de Ben-Sira.
  5. 900 Midrash Abkir.
  6. 1260 O Tratado sobre a Emanação Esquerda, Espanha.
  7. 1280 O Zohar, Espanha.

Lilith nos Manuscritos do Mar Morto:

 

Reprodução fotográfica do Grande Rolo de Isaías, que contém uma referência ao plural lilyyot.

Os Manuscritos do Mar Morto contêm uma referência indiscutível à Lilith em Songs of the Sage (As Canções do Sábio, 4Q510-511) fragmento 1:

E eu, o Instrutor, proclamo Seu glorioso esplendor para assustar e aterrorizar todos os espíritos dos anjos destruidores, espíritos dos bastardos, demônios, Lilith, uivadores e habitantes do deserto… e aqueles que caem sobre os homens sem aviso prévio para desviá-los de um espírito de entendimento e para tornar seu coração e seu… desolados durante o presente domínio da maldade e tempo predeterminado de humilhações para os filhos da luz, pela culpa dos séculos dos que foram feridos pela iniquidade – não para a destruição eterna, mas para uma era de humilhação por transgressão.

Tal como acontece com o texto massorético de Isaías 34:14, e, portanto, diferente do plural liliyyot (ou liliyyoth) no rolo de Isaías 34:14, lilit em 4Q510 é singular, este texto litúrgico adverte contra a presença de malevolência sobrenatural e assume familiaridade com Lilith; distinta do texto bíblico, no entanto, esta passagem não funciona sob nenhuma agenda sociopolítica, mas serve na mesma capacidade de Um Exorcismo (4Q560) e Canções para Dispersar Demônios (11Q11). O texto é assim, para uma comunidade “profundamente envolvida no domínio da demonologia”, um hino de exorcismo.

Joseph M. Baumgarten (1991) identificou a mulher sem nome de A Sedutora (4Q184) como relacionada ao demônio feminino. No entanto, John J. Collins considera essa identificação como “intrigante”, mas é “seguro dizer” que (4Q184) é baseado na mulher estranha do Livro de Provérbios, capítulos 2, 5, 7, 9:

Sua casa afunda até a morte,

E seu caminho leva às sombras.

Todos que vão até ela não podem voltar

E reencontrar os caminhos da vida.

— Provérbios 2:18–19.

As suas portas são portas da morte, e desde a entrada da casa

Ela parte em direção ao Sheol.

Nenhum dos que ali entram jamais voltará,

E todos os que a possuem descerão ao Poço.

— 4Q184.

Lilith na Literatura Rabínica Primitiva:

Lilith não ocorre na Mishná. Existem cinco referências a Lilith no Talmude Babilônico na Gemara em três tratados separados da Mishná:

  • “Rav Judah citando Samuel decidiu: Se um aborto tivesse a semelhança de Lilith, sua mãe é impura por causa do nascimento, pois é uma criança, mesmo que tenha asas.” (Talmude Babilônico no Tratado Nidda 24b).
  • “[Explicando sobre as maldições da feminilidade] Em um Baraitha foi ensinado: As mulheres crescem cabelos compridos como Lilith, sentam ao urinar como uma fera e servem de travesseiro para o marido.” (Talmude Babilônico no Tratado Eruvin 100b).
  • “Para gira, ele deve pegar uma flecha de Lilith e colocá-la com a ponta para cima e derramar água sobre ela e beber. Alternativamente, ele pode pegar a água que um cachorro bebeu à noite, mas deve tomar cuidado para que não tenha sido exposta.” (Talmude Babilônico, tratado Gittin 69b). Neste caso em particular, a “flecha de Lilith” é provavelmente um fragmento de meteorito ou fulgurita, coloquialmente conhecido como “relâmpago petrificado” e tratado como medicamento antipirético.
  • “Rabbah disse: Eu vi como Hormin, filho de Lilith, estava correndo no parapeito da muralha de Mahuza, e um cavaleiro, galopando abaixo a cavalo não podia alcançá-lo. Uma vez eles selaram para ele duas mulas que estavam em duas pontes do rio Rognag; e ele pulou de uma para a outra, para trás e para frente, segurando em suas mãos duas taças de vinho, derramando alternadamente de uma para outra, e nem uma gota caiu no chão.” (Talmude Babilônico, tratado Bava Bathra 73a-b). Hormin que é mencionado aqui como o filho de Lilith é provavelmente o resultado de um erro de escriba da palavra “Hormiz” atestado em alguns dos manuscritos talmúdicos. A própria palavra, por sua vez, parece ser uma distorção de Ormuzd, a divindade da luz e da bondade no Zend Avesta, o livro sagrado do Zoroastrismo. Se assim for, é um tanto irônico que Ormuzd se torne aqui o filho de um demônio noturno.
  • “R. Hanina disse: Não se pode dormir em uma casa sozinho [em uma casa solitária], e quem dorme em uma casa sozinho é capturado por Lilith.” (Talmude Babilônico no Tratado de Shabat 151b).

A afirmação acima de Hanina pode estar relacionada à crença de que as emissões noturnas engendraram o nascimento de demônios:

  • “R. Jeremiah b. Eleazar declarou ainda: Em todos aqueles anos [130 anos após sua expulsão do Jardim do Éden] durante os quais Adão estava sob a proscrição, ele gerou fantasmas e demônios masculinos e demônios femininos [ou demônios noturnos], pois isso é dito nas Escrituras: E Adão viveu cento e trinta anos e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, do que se segue que até aquele momento ele não gerou conforme a sua própria imagem… sua morte foi ordenada como punição ele passou cento e trinta anos em jejum, desvinculou-se de sua esposa por cento e trinta anos, e vestiu roupas de figo em seu corpo por cento e trinta anos. – Essa declaração [de R. Jeremiah] foi feito em referência ao sêmen que ele emitiu acidentalmente.” (Talmude Babilônico no Tratado Eruvin 18b).

A coleção Midrash Rabbah contém duas referências a Lilith. A primeira está presente em Gênesis Rabá 22:7 e 18:4: de acordo com Rabi Hiyya Deus passou a criar uma segunda Eva para Adão, depois que Lilith teve que retornar ao pó. No entanto, para ser exato, as referidas passagens não empregam a palavra hebraica lilith em si e, em vez disso, falam da “primeira Eva” (Heb. Chavvah ha-Rishonah, analogamente à frase Adam ha-Rishon, ou seja, o primeiro Adão). Embora na literatura e no folclore hebraico medieval, especialmente aquele refletido sobre os amuletos protetores de vários tipos, Chavvah ha-Rishonah fosse identificada com Lilith, deve-se ter cuidado ao transpor essa equalização para a Antiguidade Tardia.

A segunda menção de Lilith, desta vez explícita, está presente em Números Rabá 16:25. O midrash desenvolve a história da súplica de Moisés depois que Deus expressa raiva pelo mau relato dos espiões. Moisés responde a uma ameaça de Deus de que Ele destruirá o povo israelita. Moisés implora diante de Deus, que Deus não deve ser como Lilith que mata seus próprios filhos. Moisés disse:

[Deus,] não faça isso [ou seja, destruir o povo israelita], para que as nações do mundo não o considerem um Ser cruel e digam: ‘A Geração do Dilúvio veio e Ele os destruiu, a Geração da Separação veio e Ele os destruiu, os sodomitas e os egípcios vieram e Ele os destruiu, e também estes, a quem chamou de Meu filho, Meu primogênito (Êxodo IV, 22), Ele agora está destruindo! Como aquela Lilith que, quando não encontra mais nada, se volta contra seus próprios filhos, porque o Senhor não foi capaz de trazer este povo para a terra… Ele os matou’ (Núm. XIV, 16)!

Lilith nas Tigelas de Encantamento:

Uma tigela de encantamento com uma inscrição aramaica ao redor de um demônio, de Nippur, Mesopotâmia, entre o sexto e o sétimo século.

Uma Lilith individual, junto com Bagdana “rei dos lilits”, é um dos demônios a aparecer com destaque em feitiços de proteção nas oitenta tigelas de encantamentos ocultos judaicos sobreviventes da Babilonia, sob o Império Sassânida (séculos 4 a 6 d.C.) com influência da cultura iraniana. Essas tigelas eram enterradas de cabeça para baixo abaixo da estrutura da casa ou no terreno da casa, a fim de prender o demônio ou demônio. Quase todas as casas tinham essas tigelas protetoras contra demônios e demônios femininos.

O centro do interior da tigela retrata Lilith, ou a forma masculina, Lilit. Ao redor da imagem está a escrita em forma de espiral; a escrita geralmente começa no centro e segue até a borda. A escrita é mais comumente uma escritura ou referências ao Talmude. As taças de encantamento que foram analisadas estão inscritas nas seguintes línguas: aramaico judaico babilônico, siríaco, mandaico, persa médio e árabe. Algumas taças são escritas em uma escrita falsa que não tem significado.

A tigela de encantamento corretamente redigida era capaz de afastar Lilith ou Lilit da casa. Lilith tinha o poder de se transformar nas características físicas de uma mulher, seduzir seu marido e conceber um filho. No entanto, Lilith (feminina) se tornaria odiosa em relação aos filhos nascidos do marido e da esposa e tentaria matá-los. Da mesma forma, Lilit (masculino) se transformaria nas características físicas do marido, seduziria a esposa, daria à luz um filho. Tornar-se-ia evidente que a criança não foi gerada pelo marido, e a criança seria desprezada. Lilit iria se vingar da família matando os filhos nascidos do marido e da esposa.

As principais características da representação de Lilith ou Lilit incluem o seguinte. A figura é frequentemente representada com braços e pernas acorrentados, indicando o controle da família sobre o(s) demônio(s). O(s) demônio(s) é(são) representado(s) em posição frontal com toda a face à mostra. Os olhos são muito grandes, assim como as mãos (se retratadas). O(s) demônio(s) é totalmente estático.

Uma tigela contém a seguinte inscrição encomendada a um ocultista judeu para proteger uma mulher chamada Rashnoi e seu marido de Lilith:

Vós liliths, lili masculino e lilith feminina, bruxa e ghool, eu vos conjuro pelo Forte de Abraão, pela Rocha de Isaque, pelo Shaddai de Jacó, por Yah Ha-Shem por Yah seu memorial, para se afastarem deste Rashnoi b. M. e de Geyonai b. M. seu marido. [Aqui está] seu divórcio e mandado e carta de separação, enviados por meio de santos anjos. Amém, Amém, Selá, Aleluia! (imagem)

— Trecho da tradução em Aramaic Incantation Texts from Nippur (Textos de Encantamentos Aramaicos de Nippur), por James Alan Montgomery 2011, p. 156.

Lilith no Alfabeto de Ben Sira:

 

 

Lilith, ilustração por Carl Poellath, de 1886 ou anterior.

O pseudepigráfico Alfabeto de Ben Sira dos séculos VIII a X é considerado a forma mais antiga da história de Lilith como a primeira esposa de Adão. Não se sabe se esta tradição em particular é mais antiga. Os estudiosos tendem a datar o alfabeto entre os séculos 8 e 10 d.C. O trabalho tem sido caracterizado por alguns estudiosos como satírico, mas Ginzberg concluiu que foi feito com seriedade.

No texto, um amuleto é inscrito com os nomes de três anjos (Senoy, Sansenoy e Semangelof) e colocado no pescoço dos meninos recém-nascidos para protegê-los dos lilin até a circuncisão. Os amuletos usados ​​contra Lilith que se pensava derivar desta tradição são, de fato, datados como sendo muito mais antigos. O conceito de Eva ter uma antecessora não é exclusivo do Alfabeto, e não é um conceito novo, como pode ser encontrado em Gênesis Rabbá. No entanto, a ideia de que Lilith foi a antecessora pode ser exclusiva do Alfabeto.

A ideia no texto de que Adão teve uma esposa antes de Eva pode ter se desenvolvido a partir de uma interpretação do Livro de Gênesis e seus relatos de criação dual; enquanto Gênesis 2:22 descreve a criação de Eva por Deus da costela de Adão, uma passagem anterior, Gênesis 1:27, já indica que uma mulher havia sido feita: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” O texto do alfabeto coloca a criação de Lilith após as palavras de Deus em Gênesis 2:18 que “não é bom que o homem esteja só”; neste texto, Deus forma Lilith do barro do qual ele fez Adão, mas ela e Adão brigam. Lilith afirma que, como ela e Adão foram criados da mesma forma, eles eram iguais e ela se recusa a se submeter a ele:

Depois que Deus criou Adão, que estava sozinho, Ele disse: “Não é bom que o homem esteja só”. Ele então criou uma mulher para Adão, da terra, como Ele mesmo havia criado Adão, e a chamou de Lilith. Adão e Lilith imediatamente começaram a brigar. Ela disse: “Eu não vou deitar embaixo”, e ele disse: “Eu não vou ficar embaixo de você, mas apenas em cima. Pois você só serve para estar na posição inferior, enquanto eu sou o superior”. Lilith respondeu: “Somos iguais um ao outro, pois ambos fomos criados da terra”. Mas eles não ouviriam um ao outro. Quando Lilith viu isso, ela pronunciou o Nome Inefável e fugiu voando para o ar.

Adão ficou em oração diante de seu Criador: “Soberano do universo!” ele disse, “a mulher que você me deu fugiu.” Imediatamente, o Santo, bendito seja Ele, enviou esses três anjos Senoy, Sansenoy e Semangelof, para trazê-la de volta.

Disse o Santo a Adão: “Se ela concordar em voltar, o que foi feito é bom. Se não, ela deve permitir que cem de seus filhos morram todos os dias.” Os anjos deixaram Deus e perseguiram Lilith, a quem alcançaram no meio do mar, nas águas impetuosas onde os egípcios estavam destinados a se afogar (ou seja, o Mar Vermelho). Disseram-lhe a palavra de Deus, mas ela não quis voltar. Os anjos disseram: “Nós a afogaremos no mar”.

“Deixem-me!’ ela disse. “Eu fui criada apenas para causar doenças às crianças. Se a criança for do sexo masculino, eu tenho domínio sobre ele por oito dias após seu nascimento, e se for do sexo feminino, por vinte dias.”

Quando os anjos ouviram as palavras de Lilith, eles insistiram que ela voltasse. Mas ela jurou a eles pelo nome do Deus vivo e eterno: “Sempre que eu vir você ou seus nomes ou suas formas em um amuleto, não terei poder sobre aquela criança”. Ela também concordou em que cem de seus filhos morressem todos os dias. Assim, todos os dias, cem demônios perecem e, pela mesma razão, escrevemos os nomes dos anjos nos amuletos das crianças. Quando Lilith vê seus nomes, ela se lembra de seu juramento e a criança se recupera.

O pano de fundo e o propósito do Alfabeto de Ben-Sira não são claros. É uma coleção de histórias sobre heróis da Bíblia e do Talmude, e pode ter sido uma coleção de contos folclóricos, uma refutação de movimentos cristãos, caraítas ou outros movimentos separatistas; seu conteúdo parece tão ofensivo aos judeus contemporâneos que chegou a ser sugerido que poderia ser uma sátira antijudaica, embora, em qualquer caso, o texto tenha sido aceito pelos místicos judeus da Alemanha medieval.

O Alfabeto de Ben-Sira é a fonte sobrevivente mais antiga da história, e a concepção de que Lilith foi a primeira esposa de Adão só se tornou amplamente conhecida com o Lexicon Talmudicum do século XVII do estudioso alemão Johannes Buxtorf.

Nesta tradição popular que surgiu no início da Idade Média, Lilith, um demônio feminino dominante, tornou-se identificada com Asmodeus, o Rei dos Demônios, como sua rainha. Asmodeus já era bem conhecido nessa época por causa das lendas sobre ele no Talmude. Assim, a fusão de Lilith e Asmodeus era inevitável. O segundo mito de Lilith cresceu para incluir lendas sobre outro mundo e, segundo alguns relatos, este outro mundo existia lado a lado com este, Yenne Velt é a palavra em iídiche para este descrito “Outro Mundo”. Neste caso, acreditava-se que Asmodeus e Lilith procriavam infinitamente descendentes demoníacos e espalhavam o caos a cada passo.

Duas características primárias são vistas nessas lendas sobre Lilith: Lilith como a encarnação da luxúria, fazendo com que os homens sejam desencaminhados, e Lilith como uma bruxa assassina de crianças, que estrangula neonatos indefesos. Esses dois aspectos da lenda de Lilith pareciam ter evoluído separadamente; dificilmente há um conto em que ela englobe os dois papéis. Mas o aspecto do papel de bruxa que Lilith desempenha amplia seu arquétipo do lado destrutivo da bruxaria. Tais histórias são comumente encontradas no folclore judaico.

Lilith e a Influência das Tradições Rabínicas:

 

 

Adão agarra uma criança na presença da sequestradora Lilith. Fresco por Filippino Lippi, Basílica de Santa Maria Novella, Florença.

Embora a imagem de Lilith do Alfabeto de Ben Sira não tenha precedentes, alguns elementos em seu retrato podem ser rastreados até as tradições talmúdicas e midráshicas que surgiram em torno de Eva.

Em primeiro lugar, a própria introdução de Lilith na história da criação repousa no mito rabínico, motivado pelos dois relatos separados da criação em Gênesis 1:1-2:25, de que havia duas mulheres originais. Uma maneira de resolver a aparente discrepância entre esses dois relatos era supor que deve ter havido alguma outra primeira mulher, além daquela posteriormente identificada com Eva. Os rabinos, notando a exclamação de Adão, “desta vez (zot hapa’am) [esta é] osso do meu osso e carne da minha carne” (Gênesis 2:23), tomaram como uma insinuação de que já deve ter havido um ” primeira vez”. De acordo com Gênesis Rabbá 18:4, Adão ficou enojado ao ver a primeira mulher cheia de “poeira e sangue”, e Deus teve que lhe fornecer outra. A criação subsequente é realizada com as devidas precauções: Adão é feito dormir, para não testemunhar o processo em si (Sinédrio 39a), e Eva é adornada com joias finas (Gênesis Rabbá 18:1) e trazida a Adão pelos anjos Gabriel e Miguel (ibid. 18:3). No entanto, em nenhum lugar os rabinos especificam o que aconteceu com a primeira mulher, deixando o assunto aberto para mais especulações. Esta é a lacuna na qual a tradição posterior de Lilith poderia se encaixar.

Em segundo lugar, esta nova mulher ainda é recebida com duras alegações rabínicas. Novamente jogando com a frase hebraica zot hapa’am, Adão, de acordo com o mesmo midrash, declara: “é ela [zot] que está destinada a tocar o sino [zog] e falar [em contenda] contra mim, como você lê: ‘um sino de ouro [pa’amon] e uma romã’ [Êxodo 28:34] … é ela quem me perturbará [mefa’amtani] a noite toda” (Gênesis Rabbá 18:4). A primeira mulher também se torna objeto de acusações atribuídas ao rabino Josué de Siknin, segundo o qual Eva, apesar dos esforços divinos, acabou sendo “egoísta, sedutora, bisbilhoteira, fofoqueira, propensa ao ciúme, desonesta e farrista” (Gênesis Rabá 18:2). Um conjunto semelhante de acusações aparece em Gênesis Rabbá 17:8, segundo o qual a criação de Eva da costela de Adão e não da terra a torna inferior a Adão e nunca satisfeita com nada.

Terceiro, e apesar da concisão do texto bíblico a esse respeito, as iniquidades eróticas atribuídas à Eva constituem uma categoria separada de suas deficiências. Diz-se em Gênesis 3:16 que “seu desejo será para o seu marido”, ela é acusada pelos rabinos de ter um desejo sexual superdesenvolvido (Gênesis Rabbá 20:7) e constantemente seduzir Adão (Gênesis Rabbá 23:5). No entanto, em termos de popularidade e disseminação textual, o motivo de Eva copulando com a serpente primitiva tem prioridade sobre suas outras transgressões sexuais. Apesar do caráter pitoresco bastante inquietante desse relato, ele é transmitido em vários lugares: Gênesis Rabá 18:6 e BT Sotah 9b, Shabat 145b–146a e 156a, Yevamot 103b e Avodah Zarah 22b.

Lilith na Cabala:

 

 

A Queda do Homem, por Cornelis van Haarlem (1592), mostrando a serpente no Jardim do Éden como uma mulher.

O misticismo cabalístico tentou estabelecer uma relação mais exata entre Lilith e Deus. Com suas características principais bem desenvolvidas no final do período talmúdico, após seis séculos decorridos entre os textos de encantamento aramaico que mencionam Lilith e os primeiros escritos cabalísticos espanhóis no século XIII, ela reaparece, e sua história de vida torna-se conhecida em maiores detalhes mitológicos. Sua criação é descrita em muitas versões alternativas.

Uma versão menciona sua criação como anterior à de Adão, no quinto dia, porque as “criaturas viventes” com cujos enxames Deus encheu as águas incluíam Lilith. Uma versão semelhante, relacionada às primeiras passagens talmúdicas, relata como Lilith foi moldada com a mesma substância que Adão, pouco antes. Uma terceira versão alternativa afirma que Deus originalmente criou Adão e Lilith de uma maneira que a criatura feminina estava contida no homem. A alma de Lilith estava alojada nas profundezas do Grande Abismo. Quando Deus a chamou, ela se juntou a Adão. Depois que o corpo de Adão foi criado, mil almas do lado esquerdo (mal) tentaram se unir a ele. No entanto, Deus as expulsou. Adão foi deixado deitado como um corpo sem alma. Então uma nuvem desceu e Deus ordenou que a terra produzisse uma alma vivente. Este Deus soprou em Adão, que começou a ganhar vida e sua mulher foi anexada ao seu lado. Deus separou a mulher do lado de Adão. O lado feminino era Lilith, então ela voou para as Cidades do Mar e atacou a humanidade.

Ainda outra versão afirma que Lilith emergiu como uma entidade divina que nasceu espontaneamente, seja do Grande Abismo Superno ou do poder de um aspecto de Deus (o Gevurah de Din). Esse aspecto de Deus era negativo e punitivo, assim como um de seus dez atributos (Sefirot), em sua manifestação mais baixa tem afinidade com o reino do mal e é a partir disso que Lilith se fundiu com Samael.

Uma história alternativa liga Lilith com a criação de luminares. A “primeira luz”, que é a luz da Misericórdia (uma das Sefirot), apareceu no primeiro dia da criação quando Deus disse: “Haja luz”. Esta luz ficou escondida e a Santidade ficou cercada por uma casca do mal. “Uma casca (klippa) foi criada ao redor do cérebro” e essa casca se espalhou e trouxe outra casca, que era Lilith.

Lilith na Cabala Luriânica:

Nos ensinamentos do rabino Isaac Luria, diz-se que existem muitas Liliths. Manasseh Matlub Sithon disse que “muitos Liliths e demônios estão no exterior, e sobem e descem”.

A maior delas é a esposa de Adam Qadmon, um ser que Deus usou como avatar para criar o Universo em todas as suas dez ou mais dimensões, daí um multiverso.

Outra Lilith, mais demoníaca, conhecida como a mulher da prostituição, é encontrada no livro do Zohar 1:5a. Ela é a contraparte feminina de Samael (Satanás).

A Lilith com a qual a maioria está familiarizada é a esposa de Adão no alfabeto de Ben Sira (8 a 10 séculos EC), conhecido como Adam haRishon, “o primeiro homem”, entre os cabalistas.

Existem visões mistas de Lilith no Zohar. Em um relato ela é a contraparte de Samael e uma mãe de demônios. Em outro ela é vista seduzindo os anjos caídos como Naamah; os anjos Azza e Azazael depois de desafiarem a Shekhinah (a presença feminina de Deus) sobre a criação do homem. Isto é mencionado no livro do Zohar 1:19a-b, 23a-b, 27a-b respectivamente. Quando Lilith e Naamah (outro aspecto de Lilith) estavam com Adão em sua separação de 130 anos de Eva após a queda, elas tiveram filhas nascidas de sua união. Estas foram as nashiym, as liliyot(F), os espíritos liloth que foram os que seduziram os Vigilantes. Essas filhas, juntamente com Lilith e Naamah, são restauradas a Adão através da Sabedoria de Salomão, o aspecto da Shekhinah (referida como as duas prostitutas e as Nashiym nos capítulos 4 e 5 do Zohar, o Livro da Ocultação, o Sifri D Tsri-nita).

De acordo com a tradução do rabino Isaac Luria, Isaías 34:14-15 significa “O gato selvagem se encontrará com os chacais, E o sátiro clamará ao seu companheiro, Sim, Lilith descansará lá E encontrará para ela um lugar de descanso”. A partir dessas passagens, o rabino Isaac Luria acreditava que Lilith seria restaurada a Adão através do casamento de Lia com Jacó – Jacó era Adão, Lia era Lilith e Raquel era Eva. Esta deve ser entendida como uma das muitas interpretações sobre o Zohar e de Lilith.

Lilith no Midrash Abkir:

A primeira fonte medieval a retratar Adão e Lilith na íntegra foi o Midrash A.B.K.I.R. (c. século 10), que foi seguido pelo Zohar e outros escritos cabalísticos. Diz-se que Adão é perfeito até que reconheça ou seu pecado ou o fratricídio de Caim, que é a causa de trazer a morte ao mundo. Ele então se separa da santa Eva, dorme sozinho e jejua por 130 anos. Durante este tempo “Pizna”, um nome alternativo para Lilith ou uma filha dela, deseja sua beleza e o seduz contra sua vontade. Ela dá à luz multidões de djinns e demônios, o primeiro deles sendo chamado de Agrimas. No entanto, eles são derrotados por Matusalém, que mata milhares deles com uma espada sagrada e força Agrimas a dar-lhe os nomes dos restantes, após o que os lança longe para o mar e as montanhas.

Lilith no Tratado sobre a Emanação Esquerda:

A escrita mística de dois irmãos Jacob e Isaac Hacohen, o Tratado sobre a Emanação Esquerda, que antecede o Zohar em algumas décadas, afirma que Samael e Lilith têm a forma de um ser andrógino, de dupla face, nascido da emanação do Trono da Glória e correspondendo no reino espiritual a Adão e Eva, que também nasceram como hermafroditas. Os dois casais andróginos gêmeos se pareciam e ambos “eram como a imagem do Acima”; isto é, que eles são reproduzidos em uma forma visível de uma divindade andrógina.

  1. Em resposta à sua pergunta sobre Lilith, explicarei a você a essência do assunto. Sobre este ponto há uma tradição recebida dos antigos Sábios que fizeram uso do Conhecimento Secreto dos Palácios Menores, que é a manipulação de demônios e uma escada pela qual se ascende aos níveis proféticos. Nesta tradição fica claro que Samael e Lilith nasceram como um só, semelhante à forma de Adão e Eva que também nasceram como um só, refletindo o que está acima. Este é o relato de Lilith que foi recebido pelos Sábios no Conhecimento Secreto dos Palácios.

Outra versão que também era corrente entre os círculos cabalísticos na Idade Média estabelece Lilith como a primeira das quatro esposas de Samael: Lilith, Naamah, Eisheth e Agrat bat Mahlat. Cada uma delas é mãe de demônios e tem suas próprias hostes e espíritos imundos em grande número, para não dizer inumeráveis. O casamento do arcanjo Samael e Lilith foi arranjado pelo “Dragão Cego”, que é a contrapartida do “dragão que está no mar”. O Dragão Cego atua como intermediário entre Lilith e Samael:

O Dragão Cego monta (isto é, tem relações sexuais com) Lilith, a Pecadora – que ela seja extirpada rapidamente em nossos dias, Amém! – E este Dragão Cego traz a união entre Samael e Lilith. E assim como o Dragão que está no mar (Isaías 27:1) não tem olhos, assim também o Dragão Cego que está em cima, em aparência de forma espiritual, não tem olhos, ou seja, não tem cores… (Patai 81:458) Samael é chamado de Serpente Inclinada, e Lilith é chamada de Serpente Tortuosa.

O casamento de Samael e Lilith é conhecido como o “Anjo Satanás” ou o “Outro Deus”, mas não foi permitido que durasse. Para evitar que os filhos demoníacos de Lilith e Samael, os Lilin, enchessem o mundo, Deus castrou Samael. Em muitos livros cabalísticos do século XVII, isso parece ser uma reinterpretação de um antigo mito talmúdico onde Deus castrou o Leviatã masculino e matou o Leviatã feminino para impedí-los de acasalar e, assim, destruir a Terra com seus descendentes. Com Lilith sendo incapaz de fornicar com Samael, ela procurou acasalar com homens que experimentam emissões noturnas de sêmen. Um texto da Cabala do século 15 ou 16 afirma que Deus “esfriou” a Leviatã feminina, o que significa que ele tornou Lilith infértil e que ela é uma mera fornicação.

O Tratado da Emanação Esquerda também diz que existem duas Liliths, sendo a menor casada com o grande demônio Asmodeus.

A Lilith Matrona é a companheira de Samael. Ambos nasceram na mesma hora à imagem de Adão e Eva, entrelaçados um no outro. Asmodeus o grande rei dos demônios tem como companheira a Lilith Menor (mais jovem), filha do rei cujo nome é Qafsefoni. O nome de sua companheira (de Qafsefoni) é Mehetabel filha de Matred, e sua filha é Lilith (Menor).

Outra passagem acusa Lilith de ser uma serpente tentadora de Eva.

E a Serpente, a Mulher da Prostituição, incitou e seduziu Eva através das cascas de Luz que em si é santidade. E a Serpente seduziu a Santa Eva, e o suficiente é dito para quem entende. E toda essa ruína aconteceu porque Adão, o primeiro homem, se juntou a Eva enquanto ela estava em sua impureza menstrual – esta é a sujeira e a semente impura da Serpente que montou Eva (isto é, teve relações sexuais com ela) antes que Adão a montasse (isto é, tivesse relações sexuais com ela). Eis que aqui está diante de você: por causa dos pecados de Adão, o primeiro homem, todas as coisas mencionadas vieram a existir. Pois a Lilith Maligna, quando ela viu a grandeza de sua corrupção, tornou-se forte em suas cascas, e veio a Adão (isto é, teve relações sexuais com ele) contra sua vontade, e ficou quente com ele (ou seja, ficou grávida dele) e deu-lhe muitos demônios e espíritos e Lilin. (Patai 81:455f).

Lilith no Zohar:

As referências à Lilith no Zohar incluem o seguinte:

Ela vagueia à noite, e vai por todo o mundo e faz esporte com os homens e faz com que eles emitam sementes. Em todo lugar onde um homem dorme sozinho em uma casa, ela o visita e o agarra e se apega a ele e tem seu desejo dele, e carrega dele. E ela também o aflige com doença, e ele não sabe disso, e tudo isso acontece quando a lua está minguante.

Esta passagem pode estar relacionada à menção de Lilith no Talmude, Shabbath 151b (veja acima), e também ao Talmude, Eruvin 18b onde as emissões noturnas estão conectadas com a geração de demônios.

De acordo com Rapahel Patai, fontes mais antigas afirmam claramente que após a estada de Lilith no Mar Vermelho, mencionada também em Legends of the Jews (As Lendas dos Judeus, de Louis Ginzberg), ela retornou a Adão e gerou filhos dele, forçando-se sobre ele (ou seja, tendo relações sexuais com ele). Antes de fazer isso, ela se apega a Caim e lhe dá numerosos espíritos e demônios. No Zohar, no entanto, diz-se que Lilith conseguiu gerar descendentes de Adão mesmo durante sua curta experiência sexual. Lilith deixa Adão no Éden, pois ela não é uma companheira adequada para ele. Gershom Scholem propõe que o autor do Zohar, o Rabi Moisés de Leon, estava ciente tanto da tradição folclórica de Lilith quanto de outra versão conflitante, possivelmente mais antiga.

O Zohar acrescenta ainda que dois espíritos femininos em vez de um, Lilith e Naamah, desejaram Adão e o seduziram. O objetivo dessas uniões eram (a geração de) demônios e espíritos chamados de “as pragas da humanidade”, e a explicação usual adicionada era que foi através do próprio pecado de Adão que Lilith o subjugou a ter relações sexuais com ela contra sua vontade.

Lilith nos Amuletos Mágicos Hebraicos do Século XVII:

 

 

Amuleto hebraico medieval destinado a proteger uma mãe e seu filho de Lilith,

Uma cópia da tradução de Jean de Pauly do Zohar na Biblioteca Ritman contém uma folha hebraica impressa do final do século XVII inserida para uso em amuletos mágicos onde o profeta Elias confronta Lilith.

A folha contém dois textos dentro das bordas, que são amuletos, um para um homem (‘lazakhar’), o outro para uma mulher (‘lanekevah’). As invocações mencionam Adão, Eva e Lilith, ‘Chavah Rishonah’ (a primeira Eva, que é idêntica a Lilith), também demônios ou anjos: Sanoy, Sansinoy, Smangeluf, Shmari’el (o guardião) e Hasdi’el (o misericordioso). Algumas linhas no idioma iídiche são seguidas pelo diálogo entre o profeta Elias e Lilith quando ele a encontrou com seu exército de demônios para matar a mãe e levar seu filho recém-nascido que desejavam (‘beber seu sangue, chupar seus ossos e comer sua carne’), provavelmente no episódio da Viúva de Sarepta (1 Reis 17:8-24). Lilith diz a Elias que perderá seu poder se alguém usar seus nomes secretos, que ela revela no final: lilith, abitu, abizu, hakash, avers hikpodu, ayalu, matrota

Em outros amuletos, provavelmente informados pelo Alfabeto de Ben-Sira, ela é a primeira esposa de Adão. (Yalqut Reubeni, Zohar 1:34b, 3:19)

A porção do dicionário de Charles Richardson da Encyclopædia Metropolitana acrescenta à sua discussão etimológica da palavra lullaby (canção de ninar) “uma nota manuscrita escrita em uma cópia da Etymologicon Linguæ Anglicanæ de 1671, de Stephen Skinner, que afirma que a palavra lullaby (canção de ninar) se origina de Lillu abi abi, um encantamento hebraico que significa “Vá embora, Lilith!” recitado por mães judias no berço de uma criança. Richardson não endossou a teoria e os lexicógrafos modernos a consideram como uma etimologia falsa.

LILITH NA MITOLOGIA GRECO-ROMANA:

 

 

Lâmia (primeira versão), por John William Waterhouse, 1905.

No livro da Vulgata Latina de Isaías 34:14, Lilith é traduzida como lâmia.

De acordo com Augustine Calmet, Lilith tem conexões com visões iniciais sobre vampiros e feitiçaria:

Alguns eruditos pensaram ter descoberto alguns vestígios de vampirismo na mais remota antiguidade; mas tudo o que dizem sobre isso não chega nem perto do que está relacionado aos vampiros. As lâmias, as strigas, os feiticeiros que eles acusavam de sugar o sangue de pessoas vivas e assim causar sua morte, os magos que diziam causar a morte de crianças recém-nascidas por encantos e feitiços malignos, nada mais são do que o que entendemos pelo nome de vampiros; mesmo que se admita que essas lâmias e strigas realmente existiram, o que não acreditamos que possa ser bem provado. Admito que esses termos [lâmia e striga] são encontrados nas versões da Sagrada Escritura. Por exemplo, Isaías, descrevendo a condição à qual Babilônia deveria ser reduzida após sua ruína, diz que ela se tornará a morada de sátiros, lâmias e strigas (em hebraico, lilith). Este último termo, segundo os hebreus, significa a mesma coisa, como os gregos expressam por strix e lâmias, que são feiticeiras ou magos, que procuram matar os recém-nascidos. De onde vem que os judeus estão acostumados a escrever nos quatro cantos da câmara de uma mulher que acabou de dar à luz: “Adão, Eva, saia daqui, lilith”. … Os antigos gregos conheciam essas feiticeiras perigosas pelo nome de lâmias, e acreditavam que devoravam crianças ou sugavam todo o seu sangue até morrerem.

De acordo com Siegmund Hurwitz, a Lilith talmúdica está ligada à Lâmia grega, que, de acordo com Hurwitz, também governava uma classe de demônios-lâmias que roubavam crianças. Lâmia tinha o título de “assassina de crianças” e era temida por sua malevolência, como Lilith. Ela tem diferentes origens conflitantes e é descrita como tendo um corpo humano da cintura para cima e um corpo serpentino da cintura para baixo. Uma fonte afirma simplesmente que ela é filha da deusa Hécate, outra, que Lâmia foi posteriormente amaldiçoada pela deusa Hera para ter filhos natimortos por causa de sua associação sexual com Zeus; alternativamente, Hera matou todos os filhos de Lâmia (exceto Cila) com raiva por Lâmia ter dormido com seu marido, Zeus. A dor fez com que Lâmia se transformasse em um monstro que se vingava das mães roubando seus filhos e os devorando. Lâmia tinha um apetite sexual vicioso que combinava com seu apetite canibal por crianças. Ela era notória por ser um espírito vampírico e adorava sugar o sangue dos homens. Seu dom era a “marca de uma Sibila”, um dom da segunda visão. Zeus disse ter lhe dado o dom da visão. No entanto, ela foi “amaldiçoada” para nunca ser capaz de fechar os olhos para que ela ficasse para sempre obcecada por seus filhos mortos. Com pena de Lâmia, Zeus deu a ela a capacidade de remover e recolocar os olhos das órbitas.

LILITH NO MANDEÍSMO:

Nas escrituras mandeanas, como Ginza Rabba e Qolasta, as liliths são mencionadas como habitantes do Mundo das Trevas.

LILITH NA CULTURA ÁRABE:

O escritor ocultista Ahmad al-Buni (d. 1225), em seu Sol do Grande Conhecimento (árabe: الكبرى المعارف شمس), menciona um demônio chamado “a mãe dos filhos” (الصبيان  ام), um termo também usado para “colocar em um lugar”. Tradições folclóricas registradas por volta de 1953 falam sobre um gênio chamado Qarinah, que foi rejeitada por Adão e acasalou com Iblis (O “Satã” do Islã). Ela deu à luz uma série de demônios e ficou conhecida como a mãe deles. Para se vingar de Adão, ela persegue crianças humanas. Como tal, ela mataria o bebê de uma mãe grávida no útero, causaria impotência aos homens ou atacava crianças pequenas com doenças. De acordo com as práticas ocultas da feitiçaria árabe, ela estaria sujeita ao rei demônio Murrah al-Abyad, que parece ser outro nome para Iblis usado em escritos mágicos. Histórias sobre Qarinah e Lilith se fundiram no início do Islã.

LILITH NA LITERATURA OCIDENTAL:

Lilith na Literatura Alemã:

 

 

Fausto e Lilith, por Richard Westall (1831).

A primeira aparição de Lilith na literatura do período romântico (1789-1832) foi na obra de Goethe de 1808, Fausto: A Primeira Parte de uma Tragédia.

Fausto:

Quem é aquela ali?

Mefistófeles:

Dê uma boa olhada.

Lilith.

Fausto:

Lilith? Quem é aquela?

Mefistófeles:

A esposa de Adão, sua primeira. Cuidado com ela.

O único orgulho de sua beleza é seu cabelo perigoso.

Quando Lilith enrola em torno de jovens

Ela não os solta tão cedo.

—  Tradução de Greenberg de 1992, linhas 4206–4211.

Depois que Mefistófeles oferece esse aviso a Fausto, ele, ironicamente, encoraja Fausto a dançar com Lilith, “a Bruxa Bonita”. Lilith e Fausto travam um breve diálogo, onde Lilith conta os dias passados ​​no Éden.

Fausto: [dançando com a jovem bruxa]

Um lindo sonho que sonhei um dia

Eu vi uma macieira de folhas verdes,

Duas maçãs balançavam em um caule,

Tão tentadoras! Subi para elas.

A Bruxa Bonita (Lilith):

Desde os dias do Éden

Maçãs têm sido o desejo do homem.

Como estou feliz em pensar, senhor,

Maçãs também crescem no meu jardim.

—  Tradução de Greenberg de 1992, linhas 4216 – 4223.

Lilith na Literatura Inglesa:

 

 

Lady Lilith por Dante Gabriel Rossetti (1866-1868, 1872-1873).

A Irmandade Pré-Rafaelita, que se desenvolveu por volta de 1848, foi muito influenciada pelo trabalho de Goethe sobre o tema de Lilith. Em 1863, Dante Gabriel Rossetti, da Irmandade, começou a pintar o que mais tarde seria sua primeira versão de Lady Lilith, uma pintura que ele esperava ser sua “melhor imagem até agora”. Os símbolos que aparecem na pintura aludem à fama de “femme fatale” da Lilith romântica: papoulas (morte e frio) e rosas brancas (paixão estéril). Acompanhando sua pintura Lady Lilith de 1866, Rossetti escreveu um soneto intitulado Lilith, que foi publicado pela primeira vez no panfleto-revisão de Swinburne (1868), Notes on the Royal Academy Exhibition.

Da primeira esposa de Adão, Lilith, conta-se

(A bruxa que ele amava antes da dádiva de Eva,)

Que, antes da serpente, sua doce língua pudesse enganar,

E seu cabelo encantado foi o primeiro ouro.

E ela ainda está sentada, jovem enquanto a terra é velha,

E, sutilmente contemplativa de si mesma,

Atrai homens para observar a teia brilhante que ela pode tecer,

Até que o coração, o corpo e a vida estejam em seu poder.

A rosa e a papoula são sua flor; Para onde

Ele não é encontrado, ó Lilith, a quem derramou perfume

E os beijos suaves e o sono suave aprisionarão?

Eis! Como os olhos daquele jovem queimaram nos seus, assim foi

Teu feitiço através dele, e deixou seu pescoço reto dobrado

E em volta de seu coração um cabelo dourado estrangulado.

— Collected Works, 216.

O poema e a imagem apareceram juntos ao lado da pintura de Rossetti, Sibylla Palmifera e do soneto Soul’s Beauty (A Beleza da Alma). Em 1881, o soneto de Lilith foi renomeado “Body’s Beauty (A Beleza do Corpo)” para contrastá-lo com a Soul’s Beauty (A Beleza da Alma). Os dois foram colocados sequencialmente na coleção The House of Life (A Casa da Vida, sonetos número 77 e 78).

Rossetti escreveu em 1870:

Lady [Lilith] … representa uma Lilith Moderna penteando seus abundantes cabelos dourados e olhando para si mesma no espelho com aquela auto-absorção por cujo estranho fascínio tais naturezas atraem outros para dentro de seu próprio círculo.

— Rossetti, W. M. ii.850, ênfase de D. G. Rossetti.

Isso está de acordo com a tradição folclórica judaica, que associa Lilith tanto com cabelos longos (um símbolo do perigoso poder sedutor feminino na cultura judaica), quanto com o poder de possuir mulheres entrando nelas através de espelhos.

O poeta vitoriano Robert Browning reimaginou Lilith em seu poema “Adão, Lilith e Eva”. Publicado pela primeira vez em 1883, o poema usa os mitos tradicionais em torno da tríade de Adão, Eva e Lilith. Browning retrata Lilith e Eva como sendo amigáveis ​​e cúmplices uma com a outra, enquanto se sentam juntas em ambos os lados de Adão. Sob a ameaça de morte, Eva admite que nunca amou Adão, enquanto Lilith confessa que sempre o amou:

Como o pior dos venenos deixou meus lábios,

Eu pensei: ‘Se, apesar dessa mentira, ele se despir

A máscara da minha alma com um beijo – eu rastejo

Sua escrava — alma, corpo e tudo!

— Browning 1098.

Browning concentrou-se nos atributos emocionais de Lilith, em vez das de suas antigas predecessores demoníacas.

O autor escocês George MacDonald também escreveu um romance de fantasia intitulado Lilith, publicado pela primeira vez em 1895. MacDonald empregou o personagem de Lilith a serviço de um drama espiritual sobre pecado e redenção, no qual Lilith encontra uma salvação duramente conquistada. Muitas das características tradicionais da mitologia de Lilith estão presentes na descrição do autor: longos cabelos escuros, pele pálida, ódio e medo de crianças e bebês e uma obsessão por se olhar no espelho. A Lilith de MacDonald também tem qualidades vampíricas: ela morde as pessoas e suga seu sangue para se sustentar.

O poeta e estudioso australiano Christopher John Brennan (1870–1932), incluiu uma seção intitulada “Lilith” em sua obra principal “Poems: 1913” (Sydney: G. B. Philip and Son, 1914). A seção “Lilith” contém treze poemas explorando o mito de Lilith e é central para o significado da coleção como um todo.

A história de 1940 de C. L. Moore, Fruit of Knowledge (O Fruto do Conhecimento), é escrita do ponto de vista de Lilith. É uma releitura da Queda do Homem como um triângulo amoroso entre Lilith, Adão e Eva – com Eva comendo o fruto proibido sendo nesta versão o resultado de manipulações equivocadas da ciumenta Lilith, que esperava que sua rival fosse desacreditada e destruída por Deus e assim recuperar o amor de Adão.

A coleção Full Blood (Plena de Sangue) de 2011 do poeta britânico John Siddique tem um conjunto de 11 poemas chamado The Tree of Life (A Árvore da Vida), que apresenta Lilith como o aspecto feminino divino de Deus. Vários dos poemas apresentam Lilith diretamente, incluindo a peça Unwritten (Não-Escrita), que lida com o problema espiritual do feminino sendo removido pelos escribas da Bíblia.

Lilith também é mencionada no livro As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S.Lewis. O personagem Sr. Castor atribui a ascendência do principal antagonista, Jadis, a Feiticeira Branca, à Lilith.

Lilith é um poema de Vladimir Nabokov, escrito em 1928. Muitos o conectaram à Lolita, mas Nabokov nega veementemente: “Leitores inteligentes se absterão de examinar essa fantasia impessoal em busca de qualquer ligação com minha ficção posterior”.

LILITH NO ESOTERISMO OCIDENTAL E NO OCULTISMO MODERNO:

A representação de Lilith no Romantismo continua a ser popular entre os Wiccanos e em outros Ocultismos modernos. Existem algumas ordens mágicas dedicadas à subcorrente de Lilith, apresentando iniciações especificamente relacionadas aos arcanos da “primeira mãe”. Duas organizações que usam iniciações e magias associadas à Lilith são a Ordo Antichristianus Illuminati e a Order of Phosphorus. Lilith aparece como uma súcubo em De Arte Magica de Aleister Crowley. Lilith também foi um dos nomes do meio da primeira filha de Crowley, Nuit Ma Ahathoor Hecate Sappho Jezebel Lilith Crowley (1904–1906), e Lilith às vezes é identificada com Babalon nos escritos thelêmicos. Muitos dos primeiros escritores ocultistas que contribuíram para a Wicca moderna expressaram uma reverência especial por Lilith. Charles Leland, no apêndice do livro Aradia, ou o Evangelho das Bruxas, associou Aradia à Lilith: Aradia, diz Leland, é Herodias, que era considerada no folclore da stregheria como associada à Diana como a líder das bruxas. Leland observa ainda que Herodias é um nome que vem do oeste da Ásia, onde denotava uma forma primitiva de Lilith.

Gerald Gardner afirmou que havia adoração histórica contínua de Lilith até os dias atuais, e que seu nome às vezes é dado à deusa sendo personificada no coven pela sacerdotisa. Esta ideia foi ainda atestada por Doreen Valiente, que a citou como uma deusa que preside a Bruxaria: “a personificação dos sonhos eróticos, o desejo reprimido por prazeres”.

Em alguns conceitos contemporâneos, Lilith é vista como a personificação da Deusa, uma designação que se acredita ser compartilhada com o que essas religiões acreditam serem suas contrapartes: Inanna, Ishtar, Asherah (Aserá), Anath, Anahita e Ísis. De acordo com uma visão, Lilith era originalmente uma deusa mãe suméria, babilônica ou hebraica do parto, das crianças, das mulheres e da sexualidade.

Raymond Buckland afirma que Lilith é uma deusa da lua escura a par com a deusa hindu Kali.

Muitos satanistas teístas modernos consideram Lilith como uma deusa. Ela é considerada uma deusa da independência por aqueles satanistas e muitas vezes é adorada por mulheres, mas as mulheres não são as únicas pessoas que a adoram. Lilith é popular entre os satanistas teístas por causa de sua associação com Satanás ou Satã. Alguns satanistas acreditam que ela é a esposa de Satanás e, portanto, pensam nela como uma figura materna. Outros baseiam sua reverência por ela em sua história como súcubo e a elogiam como uma deusa do sexo. Uma abordagem diferente para uma Lilith satânica afirma que ela já foi uma deusa da fertilidade e da agricultura.

A tradição de mistério ocidental associa Lilith com as Qliphoth da Cabala. Samael Aun Weor em seu livro, A Pistis Sophia Desvelada escreve que os homossexuais são os “sequazes de Lilith”. Da mesma forma, as mulheres que se submetem ao aborto voluntário e as que apoiam essa prática são “vistas na esfera de Lilith”. Dion Fortune escreve em sua Autodefesa Psíquica que: “A Virgem Maria é refletida em Lilith”, e que Lilith é a fonte de “sonhos luxuriosos”.

Devido ao fato do tema de Lilith no Esoterismo Ocidental e no Ocultismo Moderno ser bastante amplo e diverso, o mesmo será abordado em outros artigos.

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Fontes:

  • Charles Fossey, La Magie Assyrienne, Paris: 1902.
  • Siegmund Hurwitz, LilithSwitzerland: Daminon Press, 1992. Jerusalem Bible. New York: Doubleday, 1966.
  • Samuel Noah Kramer, Gilgamesh and the Huluppu-Tree: A reconstructed Sumerian Text.(Kramer’s Translation of the Gilgamesh Prologue), Assyriological Studies of the Oriental Institute of the University of Chicago 10, Chicago: 1938.
  • Raphael Patai, Adam ve-Adama, tr. as Man and Earth; Jerusalem: The Hebrew Press Association, 1941–1942.
  • Patai, Raphael(1990) [1967]. “Lilith”. The Hebrew Goddess. Raphael Patai Series in Jewish Folklore and Anthropology (3rd Enlarged ed.). Detroit: Wayne State University Press. pp. 221–251. ISBN 9780814322710OCLC 20692501.
  • Archibald Sayce, Hibbert Lectures on Babylonian Religion
  • Schwartz, Howard, Lilith’s Cave: Jewish tales of the supernatural, San Francisco: Harper & Row, 1988.
  • Campbell Thompson, Semitic Magic, its Origin and Development, London: 1908.
  • Augustin Calmet, (1751) Treatise on the Apparitions of Spirits and on Vampires or Revenantsof Hungary, Moravia, et al. The Complete Volumes I & II. 2016. ISBN 978-1-5331-4568-0.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/as-origens-de-lilith/

Caos nas Ruas com os 40 servidores

“Não importa se o Terrorismo Poético é dirigido a apenas uma ou várias pessoas, se é “assinado” ou anônimo: se não mudar a vida de alguém, ele falhou.”
– Hankim Bey, Caos: Panfletos  do Anarquismo Ontológico.

Chegou a hora de tirar os 40 servidores da internet e materializá-los no mundo real. A prática apresentada a seguir se baseia no uso de terrorismo poético e psico-geografia como forma de entrar em contato e de agradecer operações de sucesso dos servidores.

O que fazer?

1. Imprima o cartaz do servidor (pdf aqui)
2. Assine com seu Sigilo Pessoal
3. Exponha a obra em seu território mágicko.

Um território mágicko é um lugar ou evento que esteja afinado com a essência do servidor. Um cemitério por exemplo é claramente afinado com A Morte, uma maternidade com a A Mãe. No final deste artigo existe sugestões de territórios mágickos para cada um dos 40 servidores.

Por que fazer?

Estas intervenções artísticas foram criadas com a imagem do servidor, sigilo, mantra e um QR Code por onde curiosos poderão conhecer mais sobre os servidores. Isso tem quatro efeitos:

1. Entrar em contato com a ideia universal daquele servidor. A adrenalina de fixar o cartaz em locais proibidos, estranhos ou expostos demais é por si só uma maneira de lançar o sigilo, dai a importância do sigilo pessoal estar junto.

2. Fazer uma oferta e agradecer o servidor pela inserção da sua imagem em uma atmosfera semelhante a ele.

3. Mudar a vida das pessoas. Ser o sinal que às pessoas tanto pedem aos céus – mas não da forma como elas esperam.

4. Criar um efeito viral.

Imagine por exemplo que ao caminho de uma reunião dos Alcoólicos Anônimos um alcoólatra se depare com o cartaz d’A Casta. Essa pessoa pode investigar no QR Code e conhecer a Casta em primeira mão, criando um ciclo que retro-alimenta os servidores e beneficiará todos os que utilizarem eles no futuro.

Como fazer?

Na medida do possível procure locais e eventos com grande circulação de pessoas. Quanto mais exposição melhor. Tente posicionar os cartazes em locais de difícil acesso mas de fácil visualização para evitar que sejam retirado facilmente. Fita adesiva transparente pode ser usada para fixar o cartaz e  desencorajar a remoção e ainda possui o benefício de proteger a imagem contra o clima adverso.

Não esqueça de assinar o cartaz com seu Sigilo Pessoal. Isso é importante para deixar a sua marca com aquele servidor. Se você ainda não tem um sigilo pessoal é só eliminar as letra repetidas do seu nome ou motte mágicko e organizá-las em um desenho.

Como alternativa você pode usar os cartazes para atingir apenas sua comunidade local. Neste caso use lugares significativos na sua história pessoal, na porta de casa, locais de primeiros encontros, memórias fortes e acontecimentos pessoais relevantes.

Faça aqui o Dowload dos 40 cartazes

Onde fazer?

A Aventureira: Locais recém inaugurados, locais onde crianças brincam.

A Harmonizadora: Ambientes naturais como parques, bosques, rios e cachoeiras.

A Lasciva: Motéis, locais populares de encontros e becos de sexo.

A Casta: Escolas religiosas, Clínicas de reabilitação, Alcoólicos Anônimos.

O Maestro: Estátuas de grandes personalidades, prefeituras , sedes de grandes empresas, tribunais e casa do governo.

O Contemplador: Locais onde às pessoas vão para ficar sozinhas.

A Dançarina: Locais abandonados, estabelecimentos comerciais fechados e falidos

A Morte: Cemitérios, Necrotérios, Funerárias

O Esgotado: Locais onde idosos se reúnem, asilos, casas de repouso, pousadas e recantos de férias.

O Desesperado: Locais onde houveram crimes violentos ou suicídios.

O Diabo: Locais onde adolescentes costumam ser expulsos. Boates,  Bares, Puteiros. Também Shows de Rock, Raves e Pancadões.

O Explorador: Museus, Centros Culturais, Agências de Viagens.

O Olho: Marcos históricos e monumentos.

O Pai: Escolas de Ensino Médio, Academias de Arte Marciais, Academias militares.

O Consertador: Advocacias, Academias, Financeiras, Oficinas, Caixas Eletrônicos.

A Afortunada: Locais lindos e ou luxuosos, Parques de Diversões, Shoppings Centers.

O Porteiro: Entradas, Portões, Elevadores, Catracas, Semáforos, Pedágios e Cancelas de Estacionamento.

O Doador: Sedes de Ongs, Feiras e Exposições de Negócios, Prédios Comerciais

O Guru: Escritórios, Espaços CoWorking, Incubadoras de empresas

A Curadora: Hospitais, consultórios e clínicas terapêuticas.

A Ideia: Lugares absurdos e inesperados, Galerias, Exposições Artísticas, Teatro.

O Levitador: Mirantes, Coberturas, Faróis, O Pontos mais alto da cidade.

A Bibliotecária: Livrarias, Arquivos, Bibliotecas.

Os Amantes: Locais românticos ou onde casais passeiam e namoram.

O Mestre: Templos, locais sagrados e solos santos.

A Mídia: Bancas de Jornal, Agências de publicidade, Redações, sedes de grandes editoras, rádios e emissoras.

O Mensageiro: Clínicas de Psicologia, também  Agências de Correios, postos telefônicos, pontos de wi-fi gratuito.

O Monge: Mosteiros, Retiros, Locais Silenciosos e Tranquilos.

A Lua: Departamentos de investigação pública e privada, Laboratórios de Análises Clínicas.

A Mãe: Maternidades, Clínicas de Fertilização, Berçários e Escolas de Educação Infantil

O Opositor: Centros representativos da opressão local (ex. sede do parti

O Planeta: Árvores, de preferências enormes e centenárias. Também planetários e observatórios astronômicos.

O Protetor: Guaritas, Vigias, Bancos, Sedes de segurança patrimonial.

A Protestadora: Locais onde costumam ocorrer manifestações públicas. De preferência durante elas.

O Abre-Caminhos: Saídas de Emergência, Estradas, Avenidas, Rod

O Santo: Quadros e murais de avisos populares e associação de bairro.

A Vidente: Postes telefônicos e locais próximos a câmeras de  vigilância.

O Sol: Locais com muito céu aberto (ex. praias, parques grandes, represas) onde as pessoas tomam sol.

O Pensador: Universidades, faculdades e centros de pesquisa.

A Bruxa: Círculos de pedras, Linhas Ley, Locais místicos, folclóricos ou com fama de serem assombrados.

Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/caos-nas-ruas-com-os-40-servidores/

Cronologia Vampírica Definitiva

T.H. Hawkmoor

Em algum momento de 2010 eu fui procurar por uma linha do tempo “abrangente” e COMPLETA da história dos vampiros. O que descobri foi que havia muitas e destas muitas eram simplesmente versões “copiar e colar” umas das outras. Alguns tiveram um pouco mais de trabalho. A maioria parava com a história por volta da virada do século XX e depois desviava para listas de ficção popular e entretenimento. Alguns simplesmente paravam. Havia muito, muito poucos que continuavam com a história após o Drácula de Bram Stoker ou alguns dos chamados crimes “vampiros” do início do século XX.

Decidi que merecíamos algo mais e então comecei a compilar e manter isso para mim.

Uma coisa que quero deixar bem claro desde o início ~ NÃO EXIJO NENHUM DIREITO AUTORAL NESSE MATERIAL. Eu compilei isso de dezenas de outras fontes, tanto eletrônicas quanto escritas. Eu mantenho um alerta aberto para instâncias “credíveis” de significado histórico para a comunidade e aceito sugestões de qualquer pessoa sobre coisas que, na opinião deles, constituem história vampírica. Eu pego essas sugestões, leio e pesquiso para corroborar informações e faço referências cruzadas de tudo antes de colocar na linha do tempo.

É um trabalho de amor, espero que seja útil para você, caro leitor.

Cumprimentos,

T.

A Cronologia Vampírica Definitiva

3200 – Escrita cuneiforme na Suméria. Lilith aparece como uma entre um grupo de demônios vampiros/canibais sumérios que incluíam Lillu, Ardat Lili e Irdu Lili.

2000-1600 – Antigo Império Babilônico. Lilith aparece no épico de Gilgamesh babilônico como uma prostituta vampírica que era incapaz de ter filhos. Ela era comumente descrita como uma jovem com pés de coruja.

1700-1100 aC – Escritos sagrados hindus descrevem criaturas vampíricas de origem sobrenatural

200 dC – Lilith é referida no Talmud (a coleção de lei e tradição judaica consistindo da Mishná e da Gemara), onde ela foi considerada a primeira esposa de Adão.

1047 – A primeira menção da palavra “vampir” foi descoberta em um documento eslavo de origem russa. O Livro da Profecia escrito em 1047 DC para Vladimir Jaroslav, Príncipe de Novgorod, no noroeste da Rússia. O texto foi escrito no que é geralmente chamado de proto-russo, uma forma da língua que evoluiu da antiga língua eslava comum, mas que ainda não havia se tornado a língua russa distintiva da era moderna. O texto dava a um padre o título mais desagradável; Upir Lichy, que traduzido literalmente significa vampiro perverso ou vampiro extorsionário.

1100-1300 – Origens das universidades no Ocidente; O termo “Kindred” aparece. Um termo que significa “ter a mesma crença ou atitude”. Originou-se em 1125-75AD; No Leste Europeu, uma variação (com epentético d) de kinrede.

1136 – William de Newburgh nasceu em Bridlington. Um cronista britânico do século XII de incidentes de vampiros. Quando jovem, mudou-se para um convento de cônegos agostinianos em Newburgh, Yorkshire. Ele se tornou um cônego e permaneceu em Newburgh pelo resto de sua vida. Instado a se dedicar às atividades acadêmicas por seus superiores, ele emergiu como um precursor da crítica histórica moderna e denunciou fortemente a inclusão do mito óbvio nos tratados históricos. Sua obra-prima, a Historia Rerum Anglicarum, também conhecida como As Crônicas, foi concluída perto do fim de sua vida. Os capítulos 32 a 34 referem-se a várias histórias de fantasmas contemporâneos, que William colecionou durante seus anos de adulto. Relatos como o de Alnwick e a Abadia de Melrose têm sido repetidamente citados como evidência de uma tradição vampírica existente nas Ilhas Britânicas nos tempos antigos. William morreu em Newburgh em algum momento entre 1198 e 1208

 

1190

De Nagis Curialium, de Walter Map, inclui relatos de seres semelhantes a vampiros na Inglaterra.

 

1347-1350

A praga da “Peste Negra” varre o mundo. Foi, na época, considerado por muitos como de origem ‘vampírica’.

 

1431

Vlad Dracula (ou seja, Filho de Dracul), também conhecido como Vlad, o Empalador, foi uma figura histórica sobre a qual Bram Stoker baseou parcialmente seu famoso personagem vampiro. O nome “Drácula” foi aplicado a Vlad durante sua vida. Foi derivado de “Dracul”, uma palavra romena que pode ser interpretada como “diabo” ou “dragão”. Assim, “Drácula” parece ter significado como “filho do dragão” ou “filho do diabo”. Ele nasceu em Sighisoara (então Schassburg), uma cidade na Transilvânia.

 

1448

Vlad Dracula primeiro tenta reivindicar o trono da Valáquia.

 

1456

Vlad Dracula então começou seu reinado de seis anos como governante da Valáquia, durante o qual sua reputação foi estabelecida.

 

1459

Muito provavelmente, na primavera de 1459, Vlad cometeu seu primeiro grande ato de vingança contra aqueles que considerava responsáveis ​​pela morte de seu pai e irmão mais velho. No domingo de Páscoa, depois de um dia de festa, ele prendeu as famílias Boyar. Os membros mais velhos ele simplesmente empalou fora do palácio e das muralhas da cidade. Ele forçou o resto a marchar de Tirgoviste para a cidade de Poenari, onde, durante o verão, eles foram forçados a construir seu novo posto avançado com vista para o rio Arges. Foi este castelo que viria a ser identificado mais tarde como Castelo Drácula. A maneira de Vlad Dracul aterrorizar seus inimigos e a maneira aparentemente arbitrária pela qual ele puniu as pessoas lhe renderam o apelido de “Tepes” ou “O Empalador”.

 

1476 -1477

A morte de Vlad veio nas mãos de um assassino em algum momento no final de dezembro de 1476 ou no início do ano seguinte.

 

1560

Elizabeth (Erszebet) Bathory nasceu

 

1575

Elizabeth Bathory se casa com o Conde Ferenc Nadasdy

 

1610

Elizabeth Bathory é presa em 29 de dezembro

 

1611

Elizabeth Bathory enviada a julgamento e condenada por 650 crimes. Condenado à prisão perpétua. Em provas apresentadas em seu julgamento, foi revelado que ela muitas vezes “mordia” suas vítimas enquanto as torturava. No entanto, não houve testemunho direto de que ela drenou o sangue de suas vítimas para se banhar.

 

1614

Elizabeth Bathory morre.

 

1622

Ludovici Maria Sinistrari nasceu em Pavia, Itália. (falecido em 1701) Franciscano, Sinistrari incluiu a questão do vampirismo em um estudo de fenômenos demoníacos intitulado De Daemonialitate, et Incubis, et Succubis. Ele ofereceu uma interpretação teológica deles que estava longe do racionalismo e iluminismo contemporâneos que surgiram no século seguinte. Ele considerava vampiros como criaturas que

 

 

ad não se originou com as teorias criacionistas cristãs aceitas. Ele supôs que enquanto eles, os vampiros, tinham uma alma racional igual aos humanos, sua dimensão corpórea era de uma natureza completamente diferente e perfeita. Ao dizer isso, ele reforçou a ideia de que os vampiros eram criaturas que se assemelhavam aos seres humanos, em vez de serem opostos, ctônicos, seres subterrâneos.

 

1645

Leo Allatius (1586 – 1669) Teólogo e estudioso católico romano, autor da primeira obra que trata seriamente o assunto dos vampiros. Em seu De Graecorum bodie quirundam opinationibus, o vampiro ao qual ele se referia principalmente era o grego Vrykolakas. Nesta época o vampiro estava conectado com o diabo do cristianismo tanto na natureza quanto na existência.

 

1656

Jure Grando, um camponês da Ístria (croata), que vivia em Kringa, um pequeno lugar no interior da península da Ístria. Ele morreu em 1656 e foi decapitado como vampiro em 1672.

 

1657

A Relation de ce qui s’est passé a Sant-Erini Isle de l’Archipel, de Françoise Richard, liga vampirismo e feitiçaria.

 

1665

Giuseppe Davanzati; Nasce um arcebispo da Igreja Católica Romana e vamamologista.

 

1672

Dom Augustin Calmet nascido em 26 de fevereiro.Um erudito bíblico católico romano e o mais famoso vampirólogo do século XVIII.

Jure Grando foi desenterrado e decapitado como um vampiro. Nove pessoas foram ao cemitério, carregando uma cruz, lamparinas e uma vara de espinheiro. Eles desenterraram seu caixão e encontraram um cadáver perfeitamente preservado com um sorriso no rosto. Eles tentaram perfurar seu coração novamente, mas a vara não conseguiu penetrar em sua carne. Depois de algumas orações de exorcismo, o mais valente deles, Stipan Milašić, pegou uma serra e cortou sua cabeça. Assim que a serra rasgou sua pele, o vampiro gritou e o sangue começou a fluir, e logo todo o túmulo estava cheio de sangue.

 

1679

A “Dissertatio Historico-Philosophica de Masticatione Mortuorum” de Phillip Rohr aparece. Rohr estava sediado no Sacro Império Romano, e seu texto discutia o folclore comum de que alguns cadáveres voltavam à vida, comendo tanto suas mortalhas funerárias quanto corpos próximos – um processo conhecido como mandução. Os mortos de mastigação faziam parte de um corpo maior de mitologia vampírica, para o qual o texto de Rohr contribuiu significativamente.

 

1727

No caso de Arnold Paole (Paul), Paul foi morto em um acidente e foi enterrado imediatamente. Cerca de três semanas depois, surgiram relatos de aparições de Paul. Quatro pessoas que fizeram denúncias morreram e o pânico começou a se espalhar pela comunidade. Os líderes da cidade decidiram agir rapidamente para conter o pânico e desenterraram o corpo de Paul para determinar se ele era um vampiro. No quadragésimo dia após seu sepultamento, com a presença de dois cirurgiões militares, o caixão foi exumado e aberto. Dentro eles encontraram um corpo que parecia ter morrido recentemente. O que parecia ser uma nova pele estava presente sob uma camada de pele morta e as unhas continuaram a crescer. Ao ser perfurado, o corpo derramou sangue da ferida. Os presentes julgaram que Paul era um vampiro e o cadáver foi estacado; supostamente proferindo um gemido alto com isso, então a cabeça do cadáver foi cortada e o corpo queimado. As outras quatro pessoas que morreram depois de fazer relatos das aparições de Paul foram tratadas da mesma forma.

 

1731

Na mesma área, 17 pessoas morreram no espaço de três meses, de sintomas que se acredita serem de vampirismo. As pessoas da cidade foram, a princípio, lentas para reagir até que uma garota se queixou de ter sido atacada por um homem recentemente falecido chamado Milo. A notícia desta segunda “onda” de vampirismo chegou a Viena e o imperador austríaco ordenou que uma investigação fosse conduzida pelo cirurgião de campo regimental Johannes Fluckinger. Nomeado em 12 de dezembro, Fluckinger dirigiu-se à cidade de Medvegia e começou a reunir relatos do ocorrido. O corpo de Milo foi exumado e encontrado no mesmo estado em que o de Paulo havia sido encontrado. Assim, o corpo foi estacado e queimado. Foi determinado que Paulo, em 1727, havia vampirizado várias vacas que o morto Milo havia jantado recentemente. Sob as ordens de Fluckinger, os moradores da cidade começaram a exumar os corpos de todos os que morreram nos últimos meses. Ao todo, 43 cadáveres foram exumados e 17 encontrados em estado “vampírico”; todos foram estacados e queimados.

 

1744

Davanzati publica sua “Dissertazione sopra I Vampiri” após vários anos de estudo de relatórios de atividades vampíricas em várias partes da Alemanha e outros textos pertinentes. Davanzati concluiu que os relatos de vampiros eram fantasias humanas, embora tenham aderido que podem ter origem diabólica.

 

1746

O único trabalho publicado de Calmet sobre vampiros aparece; “Dissertations sur les Apparitions des Anges des Démons et des Espits, et sur les revenants, et Vampires de Hingrie, de Boheme, de Moravie et de Silésie.”

 

1755-63

Giuseppe Davanzati morre em algum momento durante este período.

 

1810

Relatos de ovelhas sendo mortas por terem suas veias jugulares cortadas e seu sangue drenado circulam por todo o norte da Inglaterra.

 

1813

O poema “O Giaour”, concluído e publicado

 

 

ed. Neste poema Byron demonstrou sua familiaridade com os vampiros gregos sendo os Vrykolakas

 

1828

Peter Plogojowitz morre em uma vila chamada Kisolova na Sérvia ocupada pela Áustria, não muito longe do local do caso Paole. Três dias depois, no meio da noite, ele entrou em sua casa e pediu comida ao filho. Ele comeu e depois foi embora. Duas noites depois, ele reapareceu e novamente pediu comida. Seu filho recusou e foi encontrado morto no dia seguinte. Pouco depois disso, vários aldeões adoeceram de exaustão, que foi diagnosticada como causada por uma perda excessiva de sangue. Eles relataram que, em um sonho, foram visitados por Plogojowitz que os mordeu no pescoço e chupou o sangue deles. Nove pessoas sucumbiram a esta misteriosa doença durante a semana seguinte e morreram.

 

1828

O magistrado-chefe enviou um relatório das mortes ao comandante das forças imperiais e o comandante respondeu visitando a aldeia. As sepulturas de todos os recém-falecidos foram abertas. O corpo do próprio Plogojowitz era um enigma para eles – ele parecia estar em estado de transe e respirava muito suavemente. Seus olhos estavam abertos, sua carne carnuda e ele exibia uma tez avermelhada. Seu cabelo e unhas pareciam ter crescido e pele fresca foi descoberta logo abaixo do lenço. Mais importante ainda, sua boca estava manchada de sangue fresco. O comandante rapidamente concluiu que o cadáver era um vampiro e o carrasco que o acompanhou até Kisolova enfiou uma estaca no corpo. O sangue jorrou da ferida e dos orifícios do corpo que foi removido e queimado. Nenhum dos outros cadáveres exumados apresentavam sinais do mesmo estado, pelo que, para proteger tanto eles como os aldeões, colocaram-se alho e espinheiro-branco nas suas sepulturas e os seus restos mortais devolvidos ao solo.

 

1832

Henry Steel Olcott, líder religioso americano e autor, cofundador do movimento teosofista, b. Laranja, N. J.

 

1847

Abraham “Bram” Stoker, (falecido em 1912) nascido em Dublin, Irlanda – Stoker foi o autor de Drácula, a obra chave no desenvolvimento do mito do vampiro literário moderno.

 

1849

Vincenzo Verzeni, nascido em Bettanuco, região de Bergamasco. Em 1874, um tribunal o considerou culpado de dois assassinatos; envolvendo a “mordida e sucção do sangue de suas vítimas” e a tentativa de assassinato de mais quatro mulheres.

 

1854

Nicolau I ocupa as províncias do Danúbio da Turquia. Barão von Haxthausen relata o caso do DAKANAVAR – Mitologia; Armênia. Um vampiro que protegia as colinas e vales ao redor do Monte Ararat nos caucasianos. O caso de vampirismo na família Ray de Jewett, Connecticut, é publicado em jornais locais.

 

1858

França. Z.J. Piérart um pesquisador psíquico sobre vampirismo e professor no Colégio de Maubeuge, funda um jornal espiritualista, La Revue Spiritualiste. Sua rejeição da teoria popular da reencarnação o levou diretamente à consideração do vampirismo. Ele se interessou pela possibilidade de ataque psíquico e em uma série de artigos ele propôs uma teoria do vampirismo psíquico, sugerindo que os vampiros eram os corpos astrais de indivíduos encarcerados ou falecidos que estavam se revitalizando nos vivos. Ele primeiro propôs a ideia de que o corpo astral era ejetado à força do corpo de uma pessoa enterrada viva e que vampirizava os vivos para nutrir o corpo na sepultura ou tumba. O trabalho de Piérart foi pioneiro na preocupação psíquica moderna com os fenômenos do vampirismo. Abriu a porta para a discussão e consideração da possibilidade de uma drenagem paranormal de um indivíduo por um agente espiritual.

 

1860

Sociedade Oculta Britânica fundada para investigar assuntos paranormais e ocultos.

 

1870

Sir Richard F. Burton, que publicou a tradução inglesa da coleção de histórias The Vetala-Pachisi (publicada sob o título Vikram and The Vampire) em 1870 observou uma passagem em particular que Kali, “Não sendo capaz de encontrar vítimas, esta agradável divindade , para satisfazer sua sede pelo curioso suco, cortou sua própria garganta para que o sangue pudesse jorrar em sua boca.” Neustatt-an-der-Rheda (conhecido hoje como Wejherowo) na Pomerânia (noroeste da Polônia), um cidadão proeminente chamado Franz von Poblocki morreu de tuberculose. Duas semanas depois, seu filho, Anton, também morreu e outros parentes adoeceram e se queixaram de pesadelos. Os membros sobreviventes da família suspeitaram de vampirismo e contrataram um “especialista em vampiros” local Johann Dzigielski para ajudá-los. Ele decapitou o filho que foi então enterrado com a cabeça entre as pernas. Apesar das objeções do padre local, o corpo de von Poblocki foi exumado e tratado da mesma maneira. O padre local fez uma queixa às autoridades que prenderam Dzigielski. Ele foi julgado e condenado a quatro meses de prisão. Ele só foi liberado depois que a família do falecido recorreu em seu favor e achou o caso ouvido por um juiz compreensivo.

 

1874

Relatos de Ceven, na Irlanda, falam de ovelhas tendo suas gargantas cortadas e seu sangue drenado.

 

1875

Henry Olcott e Helena Blavat

 

 

sky encontrou a Sociedade Teosófica na cidade de Nova York. Olcott especulou que, ocasionalmente, quando uma pessoa foi enterrada, ela pode não estar morta, mas em um estado catatônico ou de transe, quase morta. Olcott supôs que uma pessoa poderia sobreviver por longos períodos em seu túmulo enviando seu duplo astral para drenar o sangue, ou “força vital” dos vivos para permanecer nutrido.

 

1880

Nascimento de Alphonsus Joseph-Mary Augustus Montague Summers. Summers foi o autor de vários livros importantes sobre o sobrenatural, incluindo vários estudos clássicos sobre vampiros.

 

1882

Um caso “vampiro” que chama a atenção é o de “The Blood Drawing Ghost” do Condado de Cork, na Irlanda. Relatado por Jeremiah Curtin

 

1890

Dion Fortune (Violet Mary Firth) nascido no País de Gales em 1890

 

1892

A suposta vampira de “Rhode Island” Mercy Brown morre aos 19 anos. Sua morte seguiu a de sua mãe e irmã mais velha. Na época, seu irmão, Edwin, estava gravemente doente e a família estava desesperada para salvá-lo. Familiares atribuíram as mortes a uma maldição sobre a família e decidiram desenterrar os corpos das mulheres, incluindo Mercy, que estava enterrada há cerca de um mês. Quando o corpo de Mercy foi exumado, os observadores notaram que parecia ter se movido para dentro do caixão e o sangue estava presente em seu coração e veias. Temendo que ela fosse uma vampira, as pessoas da cidade removeram seu coração e o queimaram em uma pedra antes de enterrá-la novamente. A família dissolveu as cinzas em remédios e deu a Edwin, que morreu dois meses depois.

 

1924

Fritz Harmaann de Hanover, Alemanha, é preso, julgado e condenado por matar mais de 20 pessoas em uma onda de crimes vampíricos.

 

1926

“A História da Bruxaria e Demonologia” de Montague Summers aparece

 

1928

Montague Summers termina sua ampla pesquisa, The Vampire: His Kith and Kin, na qual ele traçou a presença de vampiros e criaturas semelhantes a vampiros no folclore ao redor do mundo, desde os tempos antigos até o presente. Ele também pesquisou a ascensão do vampiro literário e dramático.

 

1929

Montague Summers publica seu igualmente valioso O Vampiro na Europa, que se concentra em vários

1930

Dion Fortune publica um de seus livros mais populares, Psychic Self Defense. Este livro veio de suas próprias experiências. Em seu trabalho oculto, Fortune também testemunhou vários casos de ataque psíquico que ela foi chamada a interromper. Entre os elementos de um ataque psíquico, ela observou, estava o “vampirismo” que deixava a vítima em um estado de exaustão nervosa e um estado de esgotamento. A partir desta Fortune propôs uma perspectiva oculta sobre o vampirismo. Ela sugeriu que os mestres do ocultismo tinham a capacidade de separar seu eu psíquico de seu corpo físico e se ligar a outros e drenar a energia do hospedeiro. Tais pessoas começariam então, inconscientemente, a drenar a energia daqueles ao seu redor.

 

1931

Peter Kurten de Dusseldorf, Alemanha é executado depois de ser considerado culpado de assassinar várias pessoas em uma matança vampírica.

 

1946

Dion Fortune morre.

 

1949

Na Inglaterra, John George Haigh, o infame “Acid Bath Murderer”, é enforcado. Ele também era conhecido como o “Vampiro de Londres”. Haigh, alegou ter bebido o sangue de suas vítimas antes de destruir seus corpos em um tanque de ácido sulfúrico.

 

1962

A Sociedade Conde Drácula é fundada nos Estados Unidos por Donald Reed.

 

1965

Jeanne K. Youngson funda o Fã Clube do Conde Drácula.

 

1966

Anne de Molay estabelece a Ordem da Donzela após investigar o arquétipo do vampiro e chegar à conclusão de que o vampirismo era uma interação muito real com a energia vital que poderia beneficiar o praticante.

 

1967

A Vampire Research Society foi fundada como uma unidade especializada dentro da muito mais antiga British Occult Society. Seán Manchester foi responsável pela unidade de pesquisa de vampiros tornando-se um órgão autônomo em 2 de fevereiro de 1970.

 

Também em 1967, Manchester, recebe um relato de uma estudante chamada Elizabeth Wojdyla e de uma amiga dela, que afirmava ter visto vários túmulos se abrindo no cemitério de Highgate, em Londres; e os ocupantes subindo deles. Elizabeth também relatou ter pesadelos em que “algo maligno” tentava entrar em seu quarto.

 

1969

Criação da ARPANET, antecessora da Internet.

 

Também em 1969, os pesadelos de Elizabeth Wojdyla voltaram, mas agora a figura malévola entrou em seu quarto. Ela teria desenvolvido os sintomas de anemia perniciosa e seu pescoço exibia duas pequenas feridas sugestivas da clássica mordida de vampiro. Manchester e seu namorado a trataram como vítima de vampirismo e encheram seu quarto de alho, crucifixos e água benta; sua condição e sintomas foram relatados para melhorar em breve.

 

1970

Diante de uma multidão reunida de espectadores, Manchester e dois companheiros entraram em um cofre em Highgate, onde três caixões vazios foram encontrados. Polvilharam as abóbadas com sal e água benta, forraram os caixões com alho e colocaram um crucifixo em cada um.

 

No verão (Norte) de 1970, David Farrant, outro caçador de vampiros amador

 

 

r entrou em campo. Ele alegou ter visto o vampiro de Highgate e foi caçá-lo com uma estaca e um crucifixo, mas foi preso.

 

Em agosto o corpo de uma jovem foi encontrado no cemitério. Parecia que a mulher havia sido tratada como uma vampira decapitando e tentando queimar o cadáver. Antes do final do mês, a polícia prendeu dois homens que alegavam ser caçadores de vampiros.

 

Também em 1970, Stephan Kaplan funda o The Vampire Research Center.

 

 

1972

True Vampires of History de Donald Glut é a primeira tentativa de reunir as histórias de todas as figuras históricas de vampiros.

 

 

1975

A Ordem do Vampiro foi fundada em 1975 por padres da Igreja de Satanás (fundada em 1966) que decidiram levar adiante o trabalho sério da Igreja em um contexto mais histórico e menos anticristão. O Templo de Set está configurado como uma organização “guarda-chuva” que possui um número de “ordens” especializadas cujos membros se concentram em áreas específicas de pesquisa e aplicações de magia negra dos resultados dessa pesquisa.

 

 

1973

Sociedade Drácula; The – Fundada por Bernard Davies e Bruce Wightman no Reino Unido

 

1976

Casa Sahjaza formada em Nova York

 

1977

Martin V. Riccardo funda a Sociedade de Estudos de Vampiros. Sean Manchester começou uma investigação de uma mansão perto do cemitério de Highgate que tinha a reputação de ser assombrada. Em várias ocasiões, Manchester e seus associados entraram na casa. No porão encontraram um caixão, que arrastaram para o quintal. Abrindo o caixão, Manchester viu o mesmo vampiro que tinha visto sete anos antes no cemitério de Highgate. Desta vez, foi relatado, ele realizou um exorcismo ao estacar o corpo que “se transformou em uma substância viscosa e fedorenta e queimou o caixão”. Richard Chase, apelidado de “O Assassino de Vampiros de Sacramento” comete o primeiro de uma série de assassinatos. O segundo assassinato em 1978 envolveu consumir o sangue da vítima.

 

1978

Eric Held e Dorothy Nixon encontraram o Vampire Information Exchange.

 

1980

Outros relatos de animais mortos encontrados drenados de sangue de uma área chamada Finchley. Manchester acreditava que um vampiro criado pela mordida do Highgate Vampyre era a causa.

 

1982

O primeiro RPG de vampiros, “Ravenloft”, foi lançado como um módulo “Dungeons and Dragons” com o vampiro Conde Strahd von Zarovich.

 

1985

David Dolphin apresentou um artigo à Associação Americana para o Avanço da Ciência delineando uma teoria de que a porfiria pode estar subjacente aos relatos de vampirismo. Ele argumentou que, como o tratamento da porfiria era a injeção de heme, era possível que, no passado, as pessoas que sofriam de porfiria tivessem tentado beber sangue como um método de aliviar seus sintomas. Entre aqueles que criticaram a hipótese de Dolphin estava Paul Barber. Em primeiro lugar, observou Barber, não havia nenhuma evidência para mostrar que o consumo de sangue tivesse qualquer efeito sobre a doença em si e só se sustentasse enquanto não se analisasse os dados disponíveis muito de perto e desconsidere os poderes de observação daqueles que fazem o teste. relatórios. Tais relatórios que não apoiavam a teoria de que qualquer um dos relatados exibia os sintomas da Porfiria.

 

Também em 1985, os membros fundadores da Casa Sahjaza, sob a orientação da Deusa Rosemary, formam a Sociedade Z/n.

 

1988

A loja de varejo “Siren” é fundada por Grovella Blak. Localizado em Toronto, Canadá, é o estabelecimento mais antigo do mundo que atende aos entusiasmos das comunidades sobrepostas dedicadas aos gêneros gótico e vampiro. A British Occult Society é formalmente dissolvida pelo presidente Sean Manchester.

 

1989

O secreto; internacional, o Templo do Vampiro (ToV) é fundado.

 

1991

De longe, o jogo de RPG de vampiros mais popular é intitulado “Vampire: The Masquerade” criado por Mark Rein-Hagen e publicado em 1991 pela White Wolf Game Studio. A Sociedade de Drácula da Transilvânia é fundada em Bucareste por um grupo de importantes historiadores, etnógrafos, folcloristas, especialistas em turismo, escritores e artistas romenos; bem como especialistas não romenos na área.

 

1993

O Sanguinário é fundado pelo padre Sebastian Todd (também conhecido como Aaron Todd Hoyt, Todd Sabertooth Father Todd, Father Sebastian, Father Todd Sebastian, Sebastiaan Van Houten) Isso leva ao estabelecimento da Ordo Strigoi Vii.

 

1994

Oprah Winfrey forma um “círculo de oração” fora da estreia da adaptação cinematográfica de “Entrevista com o Vampiro” de Anne Rice para trabalhar contra as forças das trevas que ela acredita que o filme está chamando.

 

1995

Sean Manchester escreveu um relato de sua perspectiva sobre “The Highgate Vampire” (1995, rev, 1991)

 

A Sociedade Z/n; formado pelos fundadores e líderes da Casa Sahjaza, chega ao fim.

 

1996

Uma repórter chamada Susan Walsh desaparece enquanto escrevia uma história sobre o misterioso “submundo dos vampiros” no centro de Manhattan.

 

1997

Sean Manchester expande e lança “The Vampire Hunter’s Handbook”. Os notáveis ​​eventos Long Black Veil ou “LBV” ocupam verdadeiramente um lugar único na história da

 

 

A vida noturna de Nova York. O LBV começou em 1997 como “Long Black Veil & the Vampyre Lounge” na segunda quarta-feira de cada mês na lendária boate MOTHER nas ruas 14 e Washington em Nova York. O Véu Negro
O Véu Negro representa um código de ética vampírica e bom senso amplamente aceito pela subcultura vampira. É semelhante ao Strigoi Vii Covenant e, embora sejam documentos diferentes, são, em essência, compatíveis.
Originalmente escrito em 1997, pelo Padre Sebastian da Casa Sahjaza, foi escrito como um código de conduta para os patronos do refúgio dos vampiros, Long Black Veil, na cidade de Nova York.

 

O ‘Black Veil’ original, agora referido como versão 1, foi derivado da etiqueta da Renaissance Fair e dos códigos de conduta existentes na cena BDSM / fetiche. Houve, sem dúvida, alguma influência absorvida do jogo de interpretação de papéis da White Wolf Game Studio Vampire: the Masquerade, pois este oferecia o único conjunto de “termos” sendo usados ​​na comunidade na época. O Véu Negro foi alterado por ‘Lady Melanie’ em 1998 e 1999, e foi revisado desde então por Michelle Belanger da Casa Kheperu.

 

Na primavera de 1997 surge a primeira página web de Sanguinarius.org.

 

1998

Katherine Ramsland (psicóloga clínica; jornalista e biógrafa de best-sellers) entrou em contato com o padre Sebastian Todd e pediu que ele servisse como consultor para um livro que ela estava escrevendo intitulado “Piercing the Darkness: Undercover with Vampires in America Today”. Sua intenção era seguir os últimos passos conhecidos da repórter investigativa Susan Walsh (que desapareceu na mesma época do histórico Vampyre Ball no Limelight em julho de 1996.) Uma festa de lançamento do livro foi realizada na LBV em 1998.

 

A última encarnação da Casa Sahjaza segue a dissolução da Sociedade Z/n em 1995

1999 – Página de suporte de vampiros reais do Sphynxcat estabelecida na internet. Vampire-church.com foi registrado pela primeira vez em abril.

2000 – COVICA, um conselho de anciões reunidos de diferentes tradições, revisou novamente o Véu Negro. Foi nessa época que a publicação ganhou grande popularidade e foi traduzida para o português, alemão e espanhol. Também foi distribuído como as “13 Regras da Comunidade”. 2000 viu o fechamento do MOTHER, mas o padre Sebastian optou por continuar o evento mudando-se para a boate True na 23rd Street, perto da Broadway, em Manhattan. LBV permaneceu lá por mais dois anos. The Vampire Codex é escrito pela ocultista e vampira psíquica Michelle Belanger e publicado pela Sanguinarium Press. O Vampire Codex tem um impacto significativo na comunidade mundial de vampiros psíquicos, tornando-se o texto fundamental usado por inúmeras Casas, Ordens, Covens e Clãs. Influenciou os ensinamentos de grupos de vampiros nos Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental.

2001 – A Vampire Research Society Worldwide  é fundada.

2002 – Michelle Belanger, juntamente com a contribuição de Father Sebastian e outros, apresentou The Black veil versão 2 como uma filosofia e tradição de ética, não regras. Este código é anotado como sendo voluntário e foi projetado para ser um exemplo para a comunidade. Esta versão atualizada e simplificada do Véu Negro não foi declarada como um conjunto de leis ou regras e não carregava mais o título alternativo “13 Regras da Comunidade”, mas foi escrita como um conjunto de exemplos de ética e ideias.

2006 – A Vampire & Energy Work Research Survey  (VEWRS) com 379 perguntas e a Advanced Vampirism & Energy Work Research Survey (AVEWRS) com 688 perguntas são conduzidas. De 2006 a 2009, um total de respostas combinadas (VEWRS & AVEWRS) atingiu mais de 1.450 pesquisas ou mais de 670.000 perguntas respondidas individualmente; tornando-o o maior e mais aprofundado estudo de pesquisa já realizado na comunidade ou subcultura real de vampiros/vampiros. As pesquisas são traduzidas do inglês para o francês, espanhol, alemão e russo. Em todos os dezessete países estão representados: Austrália, Bahrein, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Irlanda, Letônia, Malásia, México, Marrocos, Holanda, Nova Zelândia, Romênia, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

O corpo do grupo, Voices of the Vampire Community (VVC) é fundado para desenvolver relações amistosas entre as várias Casas, Covens, Ordens, organizações e líderes individuais da comunidade vampírica.

2007 – Os primeiros resultados das pesquisas VEWRS e AVEWRS são divulgados.

2008 – Pardubice, Boêmia Oriental, 11 de julho. Arqueólogos acreditam ter descoberto um túmulo de 4.000 anos em Mikulovice, Boêmia Oriental, contendo os restos do que poderia ter sido considerado um vampiro na época. Uma das sepulturas, do antigo local de sepultamento da Idade do Bronze, estava situada um pouco afastada das outras e o esqueleto masculino nela estava carregado com duas grandes pedras, uma no peito e outra na cabeça. “Os restos mortais tratados dessa maneira agora são considerados vampíricos. Os contemporâneos do morto temiam que ele deixasse seu túmulo e voltasse ao mundo” disse Radko Sedlacek, do Museu da Boêmia Oriental.

2010 –  Real Vampire News é concebido e iniciado por John Reason. O objetivo é se tornar um recurso do tipo “jornal” para a comunidade online de vampiros reais.

A Atlanta Vampire Alliance e a Suscitatio LLC iniciam uma segunda série de estudos para complementar as pesquisas VEWR e AVEWR de 2006-2009. Esse esforço incluirá a coleta de exames e informações médicas.

Junho de 2012 -Dois esqueletos de “vampiros” medievais surgiram perto de um mosteiro na cidade búlgara de Sozopol, no Mar Negro, anunciaram arqueólogos locais. Datando de 800 anos até a Idade Média, os esqueletos foram desenterrados com barras de ferro perfuradas em seus peitos – evidência de um exorcismo contra um vampiro.

1º de outubro de 2012 – O E-Zine Real Vampire Life de John Reason inicia uma pesquisa de um ano sobre a subcultura vampírica real intitulada “The Living Vampire – A social survey”, destinada a reunir informações sociais e demográficas sobre a subcultura.

31 de setembro de 2013 – A pesquisa Real Vampire Life de John Reason, “The Living Vampire – A social survey” é concluida.

3 de novembro de 2013 – I.C.E – o Conselho Internacional de Anciãos é formado por Stefan Resurrectus e um grupo de membros ativos e de longa data da comunidade que querem ver mudanças para melhor trazidas para a OVC.

30 de dezembro de 2013 – A primeira publicação da primeira parte dos resultados de “The Living Vampire – A social survey” é publicada no E-Zine Real Vampire Life de John Reason (http://realvampirenews.com/)

Fonte: https://vchistoricalsociety.freeforums.net/thread/31/ultimate-vampire-timeline

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/cronologia-vampirica-definitiva/

Ex-Jornalista Escreve Sobre OVNIs

Por Curtis Sutherly

Quando comecei a trabalhar nos Mistérios dos OVNIs, o objetivo era simples: expandir e revisar uma parte do meu livro anterior, Strange Encounters (Encontros Estranhos), e aumentar esse material com uma série de novos capítulos. Infelizmente, o que parecia uma tarefa bastante simples rapidamente se tornou tudo menos; eu me vi diante de um manuscrito cada vez mais pesado com notas de rodapé, muitas das quais eram quase tão envolvidas e ambiciosas quanto o texto do qual elas derivavam. Consequentemente, fui forçado a começar a reescrever.

Meses de trabalho e pesquisas adicionais moldaram o livro em algo significativamente diferente de uma revisão. O resultado foi uma cronologia OVNI: uma história não apenas do fenômeno, mas das pessoas envolvidas – as testemunhas, os investigadores e, em alguns casos, até mesmo os repórteres – de 1947 até a virada do século… o início de um novo milênio.

São os mistérios dos OVNIs na superfície. Um olhar mais atento revela algo mais, algo que eu não havia planejado, pelo menos não de forma consciente. O que eu descobri, ao completar um segundo rascunho do manuscrito, foi que os Mistérios OVNIs não são apenas uma história que ocasionalmente lê em primeira pessoa, mas é também uma autobiografia parcial. A descoberta me surpreendeu. Como, eu me perguntava, isso aconteceu?

Uma cuidadosa reconsideração do manuscrito revelou que, em muitos casos, eu havia incluído um histórico pessoal significativo enquanto tentava explicar algum ponto de vista particular ou alguma experiência com o fenômeno OVNI. Este material biográfico é aspergido em grandes e pequenos segmentos ao longo de todo o livro, começando com minha infância e prosseguindo até a idade adulta.

Como escritor e ex-jornalista, normalmente tenho a tendência de minimizar ou, se possível, evitar injetar minha própria história ou sentimentos em um relato escrito. Esta prática é um ideal industrial de longa data, projetado para ajudar a garantir a integridade jornalística. No entanto, há momentos em que a revelação pessoal melhora muito tanto a escrita quanto a mensagem. Em retrospectiva, eu me sinto confiante de que este foi o caso dos Mistérios dos OVNIs.

O Flap OVNI de 1965 (Um Trecho de UFO Mysteries (Mistérios OVNI)):

Em dezembro, um amigo do ensino médio, Elmer Benjamin Weaver, me pediu ajuda para liberar uma dúzia ou mais de rabos de algodão do meio-oeste nos campos ao norte de Fredericksburg. Os coelhos haviam sido trazidos do Kansas pelo bastão e pelo clube de armas de seu pai, e a ideia era soltá-los de volta à natureza na esperança de que sobrevivessem e criassem mais caça selvagem para os caçadores da Pensilvânia.

Em uma noite fria de inverno, Ben e eu nos encontramos carregando um par de grandes jaulas de coelho ao longo de uma estrada que levava ao norte da cidade. Os coelhos estavam nervosos e continuavam a se misturar. Fomos forçados a parar com frequência para ajustar nosso controle sobre as gaiolas.

A escuridão havia chegado e uma neve leve estava caindo. Enquanto andávamos, vários gatos domésticos começaram a nos seguir. Cada vez que parávamos para descansar, Ben gritava para os gatos para afastá-los. Eles ficavam perto, no entanto, e parecia óbvio que pelo menos alguns dos coelhos estavam destinados a se tornarem ternos petiscos. Finalmente chegamos a um ponto a uma milha ao norte da cidade onde saímos da estrada em direção a um campo aberto. Ben abriu as portas da jaula, e enquanto os rabos de algodão fugiam, fizemos o melhor que pudemos para interferir contra os gatos perseguidores. Quando os coelhos estavam fora de vista, pegamos as gaiolas e voltamos para a estrada.

A queda de neve se intensificou e a visibilidade foi limitada. Retraindo nosso caminho, discutimos o destino dos rabos de algodão – perguntando quantos, se algum, sobreviveriam. No céu diretamente à frente, duas luzes vermelhas brilhantes apareceram. Elas se moviam lado a lado a uma baixa altitude, vindo nosso caminho – claramente visíveis através do véu de neve. Eu olhei para Ben, ele para mim. Nenhum de nós falou. O único som era o suingue fraco da queda de neve.

À medida que as luzes se aproximavam, tive a nítida sensação de que estes não eram objetos separados, mas sim pontos opostos de alguma forma no meio. Além disso, eu estava bastante certo de que não se tratava de uma aeronave convencional. Ben e eu tínhamos crescido ao redor de aviões – um pequeno aeródromo coberto de grama estava situado no extremo oeste da cidade. Os aviões que voavam daquele campo tinham luzes vermelhas, verdes e âmbar, eram ruidosos, e não estavam no alto em visibilidade quase nula. As luzes que se aproximavam, quaisquer que fossem, eram sinistras e diferentes. Elas passavam por cima sem som, viajando mais lentamente do que qualquer aeronave que eu já tinha ouvido falar, exceto aquelas mais leves do que o ar – um balão ou um dirigível – e eu tinha certeza de que estas luzes não eram nem uma coisa nem outra. Elas voaram para o norte para a cortina de neve, em direção às montanhas, e nós as vimos desvanecer.

Em casa, com segurança, falei aos meus pais sobre as sinalizadoras vermelhas assustadoras. Eles escutaram educadamente e concluíram que Ben e eu tínhamos testemunhado um avião planando com o motor em marcha lenta. Eu não aceitei isso na época, e ainda não o aceito hoje. Quaisquer que fossem as luzes vermelhas, elas eram estranhas e desconhecidas – um OVNI por falta de um termo melhor – e inspiraram uma combinação de espanto e medo que tem permanecido comigo por todos os anos desde então.

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Fonte:

A Former Newsman on UFOs, by Curtis Sutherly

https://www.llewellyn.com/journal/article/350

COPYRIGHT (2002) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/ex-jornalista-escreve-sobre-ovnis/

As Origens Mágicas da Maçonaria – A Lenda de Hiram

Por Éliphas Lévi.

A grande associação cabalística, conhecida na Europa sob o nome de Maçonaria, surge de repente no mundo, no momento em que o protesto contra a Igreja acaba de desmembrar a unidade cristã. Os historiadores desta ordem não sabem explicar-lhe a origem: uns dão-lhe por mãe uma associação de pedreiros formada no tempo da construção da catedral de Estrasburgo; outros dão-lhe Cromwell por fundador, sem entrarem em indagações se os ritos da maçonaria inglesa do tempo de Cromwell não são organizados contra este chefe da anarquia puritana; há ignorantes que atribuem aos jesuítas, senão a fundação ao menos a continuação e a direção desta sociedade muito tempo secular e sempre misteriosa. À parte esta última opinião, que se refuta por si mesma, podem se conciliar todas as outras, dizendo que os irmãos maçons pediram aos construtores da catedral de Estrasburgo seu nome e os emblemas de sua arte, que eles se organizaram pela primeira vez publicamente na Inglaterra, a favor das instituições radicais e a despeito do despotismo de Cromwell.

Pode-se ajuntar que eles tiveram os templários por modelos, os rosa-cruzes por pais e os joanitas por antepassados. Seu dogma é o de Zoroastro e de Hermes, sua regra é a iniciação progressiva, seu princípio a igualdade regulada pela hierarquia e a fraternidade universal; são os continuadores da escola de Alexandria, herdeiros de todas as iniciações antigas; são os depositários dos segredos do Apocalipse e do Zohar; o objeto de seu culto é a verdade representada pela luz; eles toleram todas as crenças e não professam senão uma só e mesma filosofia; eles não procuram senão a verdade, não ensinam senão a realidade e querem chamar progressivamente todas os inteligências à razão.

O fim alegórico da maçonaria é a reconstrução do templo de Salomão; o fim real é a reconstituição da unidade social pela aliança da razão e da fé, e o restabelecimento da hierarquia, conforme a ciência e a virtude, com a iniciação e as provas por graus.

Nada é mais belo, está se vendo, nada é maior do que estas ideias e estas tendências; infelizmente as doutrinas da unidade e a submissão à hierarquia não se conservaram na maçonaria universal; houve logo aí uma maçonaria dissidente, oposta à maçonaria ortodoxa, e as maiores calamidades da revolução francesa foram o resultado desta cisão.

A LENDA DE HIRAM:

Os franco-maçons tiveram sua lenda secreta; é a de Hiram, completada pela de Ciro e de Zorobabel.

Eis a lenda de Hiram:

Quando Salomão mandou construir o templo, confiou seus planos a um arquiteto chamado Hiram.

Este arquiteto, para por ordem nos trabalhos, dividiu os trabalhadores segundo sua habilidade e como era grande o número deles, a fim de reconhecê-los, quer para empregá-los segundo seu mérito, quer para remunerá-Ios segundo seu trabalho, ele deu a cada categoria de aprendizes, de companheiros e aos mestres palavras de passe e senhas particulares…

Três companheiras quiseram usurpar a posição de mestres, sem o devido merecimento; puseram-se de emboscada nas três portas principais do templo, e quando Hiram se apresentou para sair, um dos companheiros pediu-lhe a palavra de ordem dos mestres, ameaçando-o com sua régua.

Hiram lhe respondeu: “Não foi assim que recebi a palavra que me pedis.”

O companheiro furioso bateu em Hiram com sua régua fazendo-lhe uma primeira ferida.

Hiram correu a uma outra porta, onde encontrou o segundo companheiro; mesma pergunta, a mesma resposta, e esta vez Hiram foi ferido com um esquadro, dizem outros com uma alavanca.

Na terceira porta estava o terceiro assassino que abateu o mestre com uma machadinha.

Estes três companheiros esconderam em seguida o cadáver sob um montão de escombros, e plantaram sobre este túmulo improvisado um ramo de acácia, fugindo depois como Caim após a morte de Abel.

Salomão, porém, não vendo regressar seu arquiteto, despachou nove mestres para procurá-lo; o ramo de acácia lhes revelou o cadáver, eles o tiraram de sob os escombros e como lá havia ficado bastante tempo, eles exclamaram, levantando-o: Mach Benach! o que significa: a carne solta-se dos ossos.

A Hiram foram prestadas as últimas honras, mandando depois Salomão 27 mestres à cata dos assassinos.

O primeiro foi surpreendido numa caverna: perto dele ardia uma lâmpada, corria um regato a seus pés e para sua defesa achava-se a seu lado um punhal. O mestre que penetrou na caverna e reconheceu o assassino, tomou o punhal e feriu-o gritando: Nekum! palavra que quer dizer vingança; sua cabeça foi levada a Salomão que estremeceu ao vê-la e disse ao que tinha assassinado: “Desgraçado, não sabias tu que eu me reservava o direito de punir?” Então todos os mestres se ajoelharam e pediram perdão para aquele cujo zelo o levara tão longe.

O segundo assassino foi traído por um homem que lhe dera asilo; ele se escondera num rochedo perto de um espinheiro ardente, sobre o qual brilhava um arco-íris; ao seu lado achava-se deitado um cão cuja vigilância os mestres enganaram; pegaram o criminoso, amarraram-no e o conduziram-no a Jerusalém onde sofreu o último suplício.

O terceiro foi morto por um leão que foi preciso vencer para apoderar-se do cadáver; outras versões dizem que ele se defendeu a machadadas contra os mestres que chegaram enfim a desarmá-lo e o levaram a Salomão que lhe fez expiar seu crime.

Tal é a primeira lenda; eis agora a explicação.

Salomão é a personificação da ciência e da sabedoria supremas.

O templo é a realização e a figura do reino hierárquico da verdade e da razão sobre a terra.

Hiram é o homem que chegou ao domínio pela ciência e pela sabedoria.

Ele governa pela justiça e pela ordem, dando a cada um segundo suas obras.

Cada grau da ordem possui uma palavra que lhe exprime a inteligência.

Não há senão uma palavra para Hiram, mas esta palavra pronuncia-se de três maneiras diferentes.

De um modo para os aprendizes, e pronunciada por eles significa natureza e explica-se pelo trabalho.

De outro modo pelos companheiros e entre eles significa pensamento explicando-se pelo estudo.

De outro modo para os mestres e em sua boca significa verdade, palavra que se explica pela sabedoria.

Esta palavra é a de que servem para designar Deus, cujo verdadeiro nome é indizível e incomunicável.

Assim há três graus na hierarquia como há três portas no templo.

Há três raios na luz.

Há três forças na natureza.

Estas forças são figuradas pela régua que une, a alavanca que levanta e a machadinha que firma.

A rebelião dos instintos brutais, contra a aristocracia hierática da sabedoria, arma-se sucessivamente destas três forças que ela desvia da harmonia.

Há três rebeldes típicos:

O rebelde à natureza;

O rebelde à ciência;

O rebelde à verdade.

Eles eram figurados no inferno dos antigos pelas três cabeças de Cérbero.

Eles são figurados na Bíblia por Corá, Datã e Abirão.

Na lenda maçônica, eles são designados por nomes que variam segundo as ritos.

O primeiro que se chama ordinariamente Abiram ou assassino de Hirain, fere o grão-mestre com a régua.

É a história do justo que se mata, em nome da lei, pelas paixões humanas.

O segundo, chamado Mephiboseth, do nome de um pretendente ridículo e enfermo à realeza de Davi, fere Hiram com a alavanca ou a esquadria.

É assim que a alavanca popular ou a esquadria de uma louca igualdade toma-se o instrumento da tirania entre as mãos da multidão e atenta, mais infelizmente ainda do que a régua, à realeza da sabedoria e da virtude.

O terceiro enfim acaba com Hiram com a machadinha.

Como fazem os instintos brutais quando querem fazer a ordem em nome da violência e do medo, abafando a inteligência.

O ramo de acácia sobre o túmulo de Hiram é como a cruz sobre nossos altares.

É o sinal da ciência que sobrevive à ciência; é o raio verde que anuncia uma outra primavera.

Quando os homens perturbam assim a ordem da natureza, a Providência intervém para restabelecê-la, como Salomão para vingar a morte de Hiram.

Aquele que assassinou com a régua, morre pelo punhal.

Aquele que feriu com a alavanca ou a esquadria, morrerá sob o machado da lei. É a sentença eterna dos regicidas.

Aquele que triunfou pela machadinha, cairá vítima da força de que abusou e será estrangulado pelo leão.

O assassino pela régua é denunciado pela lâmpada mesma que o esclarece e pela fonte onde bebe, isto é, a ele será aplicada a pena de talião.

O assassino pela alavanca será surpreendido quando sua vigilância for deficiente como um cão adormecido e será entregue por seus cúmplices; porque a anarquia é a mãe da traição.

O leão que devora o assassino pela machadinha, é uma das formas da esfinge de Édipo.

E aquele que vencer o leão merecerá suceder a Hiram na sua dignidade.

O cadáver putrefato de Hiram mostra que as formas mudam, mas que o espírito fica.

A fonte de água que corre perto do primeiro facínora lembra o dilúvio que puniu os crimes contra a natureza.

O espinheiro ardente e o arco-íris que fazem descobrir o Segundo assassino, representam a luz e a vida, denunciando os atentados contra o pensamento.

Enfim o leão vencido representa o triunfo do espírito sobre a matéria e a submissão definitiva da força à inteligência.

Desde o começo do trabalho do espírito para edificar o templo da unidade, Hiram foi morto muitas vezes e ressuscita sempre.

É Adônis morto pelo javali; é Osíris assassinado por Tífon (Set).

É Pitágoras proscrito, é Orfeu despedaçado pelas bacantes, é Moisés abandonado nas cavernas do Monte Neba (Nebo), é Jesus morto por Caifás, Judas e Pilatos.

Os verdadeiros maçons são pois os que persistem em querer construir. o templo, segundo o plano de Hiram.

Tal é a grande e principal lenda da maçonaria; as outras são menos belas e menos profundas, luas não pensamos dever divulgar-lhe os mistérios, e se bem que não tenhamos recebido a iniciação senão de Deus e de nossos trabalhos, consideramos o segredo da alta maçonaria como o nosso. Chegado por nossos esforços a um grau científico que nos impõe silêncio, não nos julgamos melhor empenhados por nossas convicções do que por um juramento. A ciência é uma nobreza que obriga e não desmerecemos a coroa principesca dos rosa-cruzes. Nós não cremos também na ressurreição de Hiram!

Os ritos da maçonaria são destinados a transmitir a lembrança das lendas da iniciação e a conservá-la entre nossos irmãos.

Perguntaram-nos talvez como, se a maçonaria é tão sublime e tão santa, pôde ela ser proscrita e tantas vezes condenada pela igreja.

Já respondemos a esta questão, falando das cisões e das profanações da maçonaria.

A maçonaria é a gnose e os falsos gnósticos fizeram condenar os verdadeiros.

O que os obriga a esconder-se, não é o temor da luz, a luz é o que eles querem, o que eles procuram, o que eles adoram.

Mas eles temem os profanadores, isto é, os falsos intérpretes, os caluniadores, os céticos de sorriso estúpido, os inimigos de toda crença e de toda moralidade.

Em nosso tempo aliás um grande numero de homens que se julgam francos-maçons, ignoram o sentido que seus ritos e perderam a chave de seus mistérios.

Eles não compreendem mesmo mais seus quadros simbólicos, e não entendem mais nada dos sinais hieroglíficos com que são pintados os tapetes de suas lojas.

Estes quadros e estes sinais são páginas do livro da ciência absoluta e universal.

Podem ser lidos com o auxílio das chaves cabalísticas e não têm nada de oculto para o iniciado que possui as clavículas de Salomão.

A maçonaria foi não somente profanada mas serviu mesmo de véu e de pretexto às cabalas da anarquia, pela influência oculta dos vingadores de Jacques de Molay, e dos continuadores da obra cismática do templo.

Em lugar de vingar a morte de Hiram, vingaram-se seus assassinos.

Os anarquistas retomaram a régua, o esquadro e a malheta e em cima escreveram liberdade, igualdade e fraternidade.

Isto é, liberdade para as cobiças, igualdade na baixeza e fraternidade para destruir.

Eis os homens que a Igreja condenou justamente e que condenará sempre.

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Fonte:

Histoire de la Magie (História da Magia), Capítulo 7 – Origines Magiques de la Maçonnerie, por Éliphas Lévi.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/as-origens-magicas-da-maconaria-a-lenda-de-hiram/

A loucura assassina do teísmo

Um ano após os atentados terroristas de 11/9, eu escrevi o texto abaixo que foi incluído em meu livro, “As Escrituras Satânica”. Acho que minhas palavras ainda soam verdadeiras.

“Hoje, o prefeito Bloomberg, de Nova York determinou que a observação do memorial primário não inclua a representação religiosa, e isso é uma pequena medida ou progresso. Enquanto ” A Torre da Liberdade” ainda está subindo no sul de Manhattan , em todo o mundo podemos facilmente observar a violência promulgada por aqueles que têm fé sobre- abundante em alguma autoridade sobrenatural que os leva a matar outros que não compartilham de suas ilusões .

Para mim, esta data serve como um momento de chamar a atenção para as atrocidades cometidas sob a influência da crença teísta. Enquanto os horrores medonhos da Inquisição espanhola são agora mais forragem para filmes de terror, até mesmo as mutilações grotescas que aparecem no recente gênero de “tortura pornô “, os filmes não podem aproximar as abominações sistemáticas perpetradas contra pessoas que tinham feito nada por aqueles que as exterminaram tendo como motivação ” a vontade de Deus “. Esses crimes não devem ser ignorados, nem esquecidos. A história humana, em muitos aspectos, é uma turnê mundial dentro de um abbatoire (abatedouro público N.T.) inspirado na religião. Essa é a natureza essencial dos templos dedicados a adoração à deidade, que se manifestam como pirâmides do Novo Mundo sobre qual corações vivos foram arrancados dos baús de vítimas contra a vontade, para ornamentar catedrais do Velho Mundo, catedrais da Europa muitas vezes adornadas com imagens de sofrimento e condenação, enaltecendo o ícone principal de um homem açoitado e sangrento, testa rasgada pelos espinhos, crucificado em um dispositivo de execução romano antigo. Os séculos de morte, dor e degradação comemorados aí devem servir como um aviso para qualquer um que celebre sua vida, para que entenda que essas crenças são um veneno virulento.

Para as pessoas sensatas que abraçam a sua existência e compartilham a alegria com aqueles que ama, é necessário que tenham o dever de identificar os adversários que impedem a sua busca da felicidade. É a única maneira de mantê-los sob controle, expondo-os como os monstros invejosos que são. Para você que está corrompido pela loucura do teísmo, independentemente de qualquer Deus ou Diabo que você acredite, você é uma ameaça para todos que valorizam a razão e um inimigo da filosofia racional do satanismo consubstanciado na Igreja de Satanás. Secularistas colegas, peço em nome de suas memórias que sejam longas e vivas, de modo que ambas as posturas intelectuais e emocionais não irão tolerar a peste de tais crenças e as consequências inevitáveis ​​provocadas por seus seguidores lunáticos.

A fé mata. A prova é escrita com sangue em toda as crônicas da civilização humana.

“No primeiro aniversário do 11/9 “

 Por Magus Peter H. Gilmore

Hoje é um dia de recordação. Muitas pessoas estão relembrando os parentes e amigos que foram assassinados por terroristas há um ano atrás em ataques ao Pentágono e ao World Trade Center. Satanistas compreendem e lamentam profundamente seus pesares, pois a perda imerecida da vida é uma parte trágica da existência humana que pode tocar a todos nós. Nossos corações estão com eles.

No entanto, também nos lembramos de algo de maior importância. Entendemos que a origem deste dia de luto é a convicção, realizada por fanáticos fundamentalistas, que qualquer ato de violência contra aqueles que não compartilham sua devoção é defendida por seu Deus. Os acontecimentos de 11/9 são prova absoluta do perigo de tais sistemas de crenças espirituais, que mantêm que apenas algumas pessoas têm uma conexão direta com a divindade, e que qualquer um que não concorde com a sua “verdade” é visto como menos humano, uma ameaça à sua “fé” que sobrenaturalmente sanciona seu extermínio.

Enquanto o hipócrita de muitas religiões espirituais entrará em seus espaços sagrados hoje, agradecendo ao seu Deus ou deuses por atos de heroísmo realizados pelos indivíduos valentes em resposta a essa tragédia, as pessoas presunçosamente se esquecem de que o seu Deus não fez nada para impedir esses desastres humanos iniciados. Responsabilidade por aquilo que julgam ser bom é atribuído à sua divindade, enquanto que a responsabilidade pelo que é considerado mal deve, em sua visão limitada, ser originário de outros países e, provavelmente, daqueles que têm crenças diferentes. Eles vão deixar de ver que tal perspectiva é partilhada pelos terroristas. Mais importante do que isso, essas pessoas também vão deixar de recordar que, ao longo dos séculos, muito mais pessoas têm sido abatidos pelos seguidores de religiões, incluindo espirituais que foram mortos pelos terroristas islâmicos em 11 de setembro de 2001. Há sangue nas mãos dos antepassados ​​de quem reza em seus santuários, hoje, e isso é um fato que deve ser apreciado, tanto quanto nós. Milhões de pessoas já morreram por causa de adoradores fanáticos que se recusaram a permitir que outros valores diferentes dos seus possam ter validade como para aqueles que os possuem.

Nós satanistas, bem como outros que compreendem a importância de manter uma sociedade secular que permita a diversidade de crença e não-crença, vamos lembrar essa triste verdade hoje. Fanáticos fundamentalistas, independentemente de qual divindade que eles adoram, são a maior ameaça à liberdade humana em nossa civilização. 11 de setembro deve ser apoiado como um memorial em todo o mundo para suas vítimas do passado e do presente. Lembre-se deste dia de fúria. Não abaixe a cabeça em gesto de oração, mas erga seu queixo em desafio. Ouça o clangor de bronze do sino funerário. Quebre a complacência, em memória do que aconteceu. Não vamos perdoar, nem devemos esquecer.

Por Magus Peter H. Gilmore. Tradução: Nathalia Claro.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-loucura-assassina-do-teismo/

Lenda Urbana: Xuxa Bruxa

Shirlei Massapust

Desde o fim da oitava década do século XX até a início do século XXI eu cansei de ouvir narrativas de religiosos fundamentalistas, membros de denominações cristãs, as quais afirmavam que a modelo e atriz brasileira Maria da Graça “Xuxa” Menenguel teria feito um pacto com o Diabo. Em torno dessa invencionice surgiram lendas urbanas, inclusive aquela onde todas as bonecas da Mimo estriam sujeitas a possessão diabólica.

Xuxa tornou-se um alvo favorito da crítica fundamentalista por várias razões: Ela é mulher, sexo favorito das mitológicas investidas do diabo desde a tentação de Eva. É uma profissional bem-sucedida do invejado meio artístico. Alcançou fama e fortuna por mérito, mas de forma tão súbita quanto o Fausto da ficção de Goethe. Xuxa ditava moda e influenciava a educação das crianças. Dizem – não sei se é verdade – que ela hospedava o amigo Michael Jackson (1958-2009) quando ele vinha ao Brasil a passeio e ele retribuía o favor recebendo-a no rancho Neverland, em Santa Ynez, nos EUA.

Xuxa teve a má sorte de vincular sua imagem como garota propaganda da loteria Papatudo, um empreendimento da Interrunion que faliu sem quitar alguns prêmios. Seu primeiro programa, assim como o restante da programação da rede Globo de televisão, conforme exibida à época, foi severamente criticado no documentário Beyond Citizen Kane (1993), dirigido por Simon Hartog para o Channel Four da Inglaterra.[1]

Todas as narrativas sobre pactos diabólicos estão amparadas por evidências forjadas e fatos distorcidos. Por exemplo, após conversar com o músico e compositor estadunidense Steven Edward Duren, da banda W.A.S.P., o vocalista e baixista israelita Genne Simmons (Chaim Witz) deixou-se fotografar fantasiado de Satã, fazendo o ideograma “eu te amo” da linguagem de sinais (ASL). Com a diferença da posição do dedão, este é quase o mesmo ideograma para “chifes” popular entre roqueiros, que consiste em fechar as mãos levantando os dedos indicador e mindinho. Daí a paródia na foto que apareceu na capa do álbum Love Gun (1977), da banda Kiss.

A intenção de Genne Simmons foi usar sua imagem para denunciar os horrores da guerra. Porém pessoas ignorantes entenderam aquilo como um sinal identificador de cultistas do diabo. Daí em diante lendas urbanas rotulariam indiscriminadamente a todos os demais artistas que fizessem o mesmo sinal sem possuir deficiência auditiva. E Xuxa exibia tal sinal à plateia, com frequência, na intenção de incentivar o interesse do público infanto-juvenil por métodos de acessibilidade. No programa Xou da Xuxa (30/06/1986-31/12/1992), até o surfista Moderninho – marionete criada por Reinaldo Waisman – usava o “eu te amo”, em LIBRAS, como variante do hang loose, dizendo “Yeah Yeah”.

Lições de resistência à influência da melancolia

A coisa mais parecida com um pacto diabólico que os fãs da dita “Rainha dos Baixinhos” a viram fazer foi uma cena do filme Super Xuxa Contra o Baixo Astral (1988) onde o vilão Baixo Astral, interpretado por Guilherme Karan, anuncia que o cãozinho Xuxo morreu por falta de cuidado. Xuxa fica tão deprimida que se deixa convencer que também ela é “uma pessoa má”, assume um visual sombrio com maquilagem carregada, unhas pretas e dentes deformados. Então eles dançam trocando promessas de um eterno pesadelo até que, no fim, a farsa é revelada e tudo volta ao normal.

Xuxa quase aceitando a aliança proposta pelo Baixo Astral.

(Cena capturada do VHS e tratada no Photoshop com o efeito watercolor).

O roteiro de Super Xuxa Contra o Baixo Astral (1988) foi notoriamente inspirado a um nível antropofágico no filme Legend (1985), onde a Princesa Lili (Mia Sara) muda de aparência sob o encanto do antagonista Darkness (Tim Curry). Outro tema icônico de dança em filmes de Jim Henson é a cena de Sarah (Jennifer Connelly) na festa a fantasia, com Jareth (David Bowie), o rei dos goblins, em Labyrinth (1986).

Tudo isso é fantasia e a mera ficção não deveria ser misturada com realidade. Mas o que os narradores de teorias estapafúrdias fazem? Eles recortam cenas do filme onde Tim Curry parece interpretar um diabo vermelho com cornos enormes e montam vídeos de batalha espiritual como se o personagem cinematográfico fosse o verdadeiro Diabo. Quem faz a imitação diabólica, claro, nesta lógica, deve se pactuante confesso.

O que a Xuxa fala sobre passes e magia?

Pessoas ingênuas tendem a confundir Xuxa (apelido) com Xuxa (personagem), assim como confundem José Mojica (ator) com Zé do Caixão (personagem). Nós não podemos cometer esse erro. Durante a coreografia da música Tindolelê, composta por Cid Guerreiro em parceria com Dito, a apresentadora Maria da Graça Menenguel, interpretando sua personagem Xuxa, inequivocamente solicitava que a plateia do auditório simulasse um passe, gritando: “Levante a mão passando energia!”

O objetivo da personagem era transmitir o alto astral, pois a Xuxa contém duas personas. Sem jamais repetir uma roupa, a Xuxa feliz alterna as cores vívidas do arco-íris de energia, cujo significado holístico é revelado na melodia “Arco-íris”, escrita por Sullivan, Massadas e Ana Penido, para o álbum Xou da Xuxa 3 (1998).

Com o azul eu vou sentir tranquilidade
O laranja tem sabor de amizade
Com o verde eu tenho a esperança
Que existe em qualquer criança
E enfeitar o céu nas cores do amor
No amarelo um sorriso
Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar
Brilha dentro da gente
Violeta mais uma cor que já vai chegar
O vermelho pra completar meu arco-íris no ar
Toda cor têm em si
Uma luz, uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia

Francamente penso que tanta gente insiste em diferenciar “esoterismo” com “s” da palavra inexistente “exoterismo” com “x” por causa do jargão sui generis da Xuxa.

Quando está de alto astral a personagem tem medo das assombrações do Trem Fantasma (1990); mas a Xuxa de baixo astral é punk gótica, veste preto, controla os fantasmas e caveiras mirins que saem das tumbas em Tumbalacatumba (2008), ordenando que façam várias coisas, inclusive pintar as unhas de preto, igual a ela.

No fim das contas nem o maligno é tão malvado ou, se for, nunca logra êxito no que faz. O temível trem fantasma “parou”, as caveiras voltaram para a tumba, os maus conselhos sempre se voltavam contra a Bruxa Keka no programa Xuxa no Mundo da Imaginação (2002-2004). A energia positiva prevalece no clima esotérico de Xuxa e os Duendes (2001). Os detalhes sombrios se dispersam com o poder da alegria juvenil.

Xuxa beijou a cruz invertida?

Na campanha Criança Esperança 2005 a Xuxa apareceu vestindo figurino completamente preto para destacar a brancura da roupa da filha Sasha durante a primeira apresentação da nova atriz mirim na TV. Além da roupa, Xuxa estava usando uma joia com motivo abstrato composto por um aglomerado de contas pretas. No vídeo de alta qualidade captado pelas câmeras da Globo dava para ver que eram contas, mas em cenas capturadas por terceiros e transformadas em fotos com resolução reduzida o pingente ficou idêntico à Cruz de Pedro da simbologia católica e gnóstica.

Os teóricos do pacto foram à farra com esta ilusão óptica[2] porque, além do Papa, os góticos, os punks e outras tribos urbanas às vezes usam a legitima cruz invertida por razões religiosas ou meramente estéticas. Isso foi noticiado em vários lugares. Criaram até uma comunidade no Orkut chamada “Xuxa faz cruz Invertida na TV”.

Posteriormente, na comemoração dos vinte e cinco anos da TV Xuxa, a apresentadora estava usando um rosário comum com uma cruz latina e, quando pegou o pingente para beijar, de novo, a coisa ficou parecendo uma Cruz de Pedro.[3]

Então suponhamos que alguém resolvesse sair por aí usando e beijando uma Cruz de Pedro. Vamos falar desta cruz? Atualmente numerosos impressos de batalha espiritual sustentam que a cruz invertida representa ideologia adversa à doutrina cristã. Bandas de black metal costumam distorcer seu significado, a exemplo do que vemos na capa do álbum Profana la Cruz del Nazareno (2008) da banda Morbosidad. Entretanto, a própria igreja católica utiliza a Cruz de Pedro em seus padrões iconográficos.

Segundo Orígenes (256 d.C.) a inversão da cruz foi uma ideia de São Pedro que pediu aos captores romanos que pudesse ser martirizado desta forma, de cabeça para baixo (EUSEBIO. História Eclesiástica, III, 1.).[4] Um texto apócrifo reproduz seu discurso:

Eu vos suplico, carrascos, que me crucifiqueis assim, com a cabeça para baixo e não de outra maneira (…) porque o primeiro homem, da raça de quem eu tenho a semelhança, caiu com a cabeça para a frente, mostrando assim uma maneira de nascimento que não existia até então. (…) Assim, tendo ele sido puxado para baixo (…) estabeleceu toda esta disposição para todas as coisas, tendo dependurado para cima uma imagem da criação, pela qual fazia as coisas da mão esquerda serem tomadas pela mão direita e as da mão direita pela mão esquerda, mudando todas as marcas de sua natureza, de modo que ele pensou que as coisas que não eram justas fossem justas, e as coisas que na verdade eram más, fossem boas… E a figura que estais vendo de mim aqui dependurado é a representação daquele homem que foi o primeiro a nascer. (Os Atos de Pedro 37).[5]

Segundo a lenda, a intenção de Pedro era não ser confundido com Jesus e, uma vez condenado à morte, desejou imitar o nascimento dos bebês. No ano 1750 a igreja católica proibiu os atos de devoção extremados duma seita de flagelantes parisiense. As lesões corporais com consentimento das vítimas incluíam a crucificação comum e a crucificação invertida que “devia ter lugar com os pés para cima e a cabeça para baixo”.[6] A polícia pôs fim à seita quando foram reportados óbitos e incapacitações. A maioria dos flagelados eram mulheres (freiras e devotas) e os flagelantes homens (padres).

A lenda urbana do pacto da Xuxa

Dizer que inúmeros famosos e pessoas proeminentes na sociedade venceram na vida frequentando giras de Exu, fazendo despacho, etc., é um método da propagada pró e contra religiões de matrizes africanas no Brasil, desde a época em que a liberdade de culto ainda não era um direito constitucional. O jornalista João do Rio (1881-1921) ouviu narrativas de negros babalorixás acostumados a fazer feitiço de amarração com panos de seda, fios de cabelo louro e cartas escritas em inglês cursivo, fornecidas pela nata da sociedade carioca. Parece que todo mundo batucava escondido.

A polícia visita essas casas como consulente (…). Eu vi senhoras de alta posição saltando, às escondidas, de carros de praça, como nos folhetins de romances, para correr, tapando a cara com véus espessos, a essas casas; eu vi sessões em que mãos enluvadas tiravam das carteiras ricas notas (…). Um babaloxá da costa da Guiné guardou-me dois dias as suas ordens para acompanhá-lo aos lugares onde havia serviço, e eu o vi entrar misteriosamente em casas de Botafogo e da Tijuca, onde, durante o inverno, há recepções e conversationes às 5 da tarde como em Paris e nos palácios da Itália (…). Noutro dia, tílburis paravam à porta, cavalheiros saltavam, pelo corredor estreito desfilava um resumo da nossa sociedade, desde os homens de posição às prostitutas derrancadas, com escala pelas criadas particulares[7].

É uma lástima que tudo que dizem sobre os frequentadores de terreiros não seja sempre verdade, pois seria ótimo se todas as personalidades formadoras de opinião convocassem gente de todas as etnias e classes sociais a uma reunião onde impera a empatia, a igualdade e o respeito; onde a felicidade é encontrada num passe de mágica.

Desgraçadamente, ao invés de servir ao melhor propósito, tanto a propaganda quanto a crítica – da forma como é feita hoje – objetivam emprestar prestígio merecido ou forjado a um templo particular; ou ainda depreciar templos e religiões em conjunto.

Um dos primeiros “paquitos” que dançavam e cantavam na equipe da Xuxa foi o “Xand”, hoje Pastor Alexandre Canhodre, que estudou teologia na Igreja Renascer em Cristo. Em 2010 ele deu entrevista afirmando ter sido escolhido para aquela vaga de emprego não por mérito e boa aparência, mas pela graça do Diabo:

Aos 17 anos me surgiu a oportunidade de fazer o teste para o Xou da Xuxa (…). Fiquei quatro anos aproximadamente no programa (…). Eu (…) frequentava todos os centros de Umbanda, Candomblé, magia negra, missa negra e vodu. Fui convidado por uma comunidade da Ku Klux Kan, maçonaria; via óvnis e discos voadores (…). Tinha em casa imagens de todo o tipo: Desde Aparecida até do Tranca Ruas (…). Eu tinha mais de sessenta imagens e sempre andava com uma estátua do Tranca Ruas em minha bolsa, um Exu Caveira e Maria Padilha. Também vendi minha alma ao diabo, oferecendo comida e bebida aos santos e fazendo pactos com eles para conseguir minha projeção artística (…). Em 1992 (…) pedi minha rescisão de contrato (…). Quando me rendi a Jesus, queimei todas as lembranças da época que eu era paquito da Xuxa (…). Reneguei meu passado e renunciei.[8]

Será que o paquito diz a verdade quando afirma ter construído um congá com seis dezenas de imagens em sua própria casa? Será que ele convidava os colegas de trabalho para assistir festas de Exu, tomar passes e receber axé? Será que conseguiu convencer os colegas da necessidade de rogar a Exu para abrir caminhos, trazer saúde, dinheiro, prosperidade, etc.? Será que Cid Guerreiro, Dito e Ceinha fizeram a música Ilariê, gravada pela Xuxa em 1987, na intenção de remeter por cacofonia à saudação “laroiê” do idioma jeje-nagô? Nada disso foi confirmado por outros testemunhos.

Existe um método na loucura fundamentalista. Primeiro os narradores de lendas urbanas compilam e interpretam fatos conhecidos. Cada singularidade adere ao rótulo pré-concebido do “artista herege” e passa a servir para atacar a coletividade. O parecido se torna igual quando, por exemplo, o sinal de amor da linguagem dos surdos mudos vira a mano cornuta. Não existem limites para a interpolação.

Após identificar as marcas do diabo, os guerreiros de deus se inserem como protagonistas da estória. É por isso que existe a mulher chamada Xuxa, a personagem chamada Xuxa e uma entidade abstrata chamada Xuxa, tão mitológica quanto o Saci, a Mula Sem Cabeça e a Loira do Banheiro. Essa última é a Xuxa Bruxa, satânica, que fabrica bonecas assassinas e faz crianças sofrerem de epilepsia subliminar.

Xand afirmou ter levado CDs gravados por ele mesmo para um terreiro onde “consagrava ao diabo” antes de vender. Igualmente, antes dele, o Pastor evangélico Francisco José Vieira Guedes (1960-2018), alcunhado “Tio Chico”, já costumava pregar aos fiéis congregados na Igreja Evangélica Ministério Solar, em Belo Horizonte.

Em seu testemunho de fé, alegava ter sido o pai de santo de confiança do empresário e jornalista Roberto Pisani Marinho (1904-2003), proprietário do Grupo Globo de 1925 a 2003, e que toda programação gravada no Projac, no Rio de Janeiro, era enviada para um terreiro de Umbanda situado no subsolo duma rua paulista onde recebia a aprovação dos Orixás. Numa gravação de uma de suas pregações, ele fala do suposto pacto feito pela Xuxa:

Eu conheci a Xuxa através do primeiro pai de santo dela, de nome Tadeu de Oxosi (…). Ela era simplesmente modelo: Trabalhava na Rede Manchete (…). Ela disse: “Tio Chico, eu sou filha de santo do Tadeu. Quero ser rica e famosa e quero trabalhar na melhor emissora de televisão do mundo, a Rede Globo” (…). Orientei a Maria das Graças sobre o que teria que fazer (…). Ela fez dois pactos. O primeiro ela fez com Exu Mirim: Uma entidade que vem como menino, como criança (…). Ela não podia dizer o nome de Jesus. Senão seria quebrado o pacto. (Transcrição de um vídeo do YouTube).[9]

A missionária Elizabete Marinho repete e continua:

A palavra Xuxa significa Xuxieli, que significa “Rainha de pequenos demônios”. Xuxa fez pacto com Exu Mirim e Caboclo Ilariê. Quando ela canta essa música é um louvor a esse caboclo. Xuxa não pode falar de Jesus, senão quebra o pacto com Lúcifer, e ela vai perdendo os bens materiais. Ela pode falar Deus, pois existem vários deuses. Por isso, na música Lua de Cristal, ela diz: “Tudo que eu quiser o Cara Lá de Cima vai me dar…” (…) O pacto da Xuxa foi feito em sua própria casa. A boneca Xuxa pertence à bruxaria. Há alguns anos atrás uma dessas bonecas estrangulou uma criança. (…) O filme Xuxa e os Duendes (…) baseado em lendas e na crença de Xuxa Meneguel em tais contos, vem agradando o seu público alvo: Crianças em idade pré-escolar, promovendo a simpatia de todos por criaturas monstruosas e diabólicas. (…) A grande jogada de marketing talvez tenha ficado por conta das declarações de Maria da Graça: “Eu já vi duendes”, disse ela à imprensa durante a coletiva de lançamento do filme.[10]

Na verdade, Xuxieli é o nome fantasia de uma indústria de calçados de Novo Hamburgo. Não existe Caboclo Ilariê em Umbanda. A censura prévia da programação da Globo prezava pela garantia constitucional às liberdades lacas; por isso não enaltecia nenhuma crença em particular. Boneca da Xuxa estrangulando crianças?! É risível, mas Renata Gonçalves Pereira explica que a lenda nasceu em 1989, na cidade de Sorocaba, São Paulo, quando a mídia noticiou a captura duma boneca homicida que teria acabado acorrentada no Museu Sacro da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Ponte.

Na verdade, existem duas versões da lenda, a primeira dizia que uma menina dormia com uma boneca da Xuxa na noite do dia das crianças. Então, o brinquedo teria assumido a forma de uma pessoa com garras, seios fartos e olhos demoníacos e matado a criança esganada.

No entanto, a segunda versão da lenda é mais elaborada, onde dizia que uma menina humilde via os anúncios da boneca na TV e insistia que queria ganhar uma. Porém, sua mãe estava desempregada e era pedinte na praça principal da cidade. Então, cansada de ouvir a insistência da menina, a mãe fala ironicamente que só compraria a boneca caso “o diabo mandasse o dinheiro”. E, assim, no outro dia, apareceu um montante com a quantia exata para comprar a boneca.

Dessa forma, a mãe cumpriu sua promessa e comprou o brinquedo, dando de presente para a filha no dia das crianças daquele ano. Mas, enquanto a menina dormia com a boneca, ela assumiu uma forma assustadora e acabou matando a menina. Por fim, a mãe levou a boneca até a igreja para que fosse exorcizada e destruída.

Na época, o caso foi noticiado com destaque em vários jornais, como o Cruzeiro do Sul, Diário de Sorocaba e O Estado de São Paulo. (…). Uma multidão foi até a igreja em novembro de 1989 para encontrar a tal boneca assassina. Pois, acreditavam que a boneca estivesse acorrentada no Museu Diocesano de Arte Sacra, nas galerias da igreja Catedral. (…) O monsenhor Mauro Vallini que era o pároco da matriz, precisou fechar as portas da igreja para minimizar o tumulto. Logo depois, procurou a imprensa e a polícia para avisar que toda aquela história era apenas um boato. Mas, as histórias não cessaram, pelo contrário, se espalhou pelo país e em Minas Gerais, uma criança teria achado uma faca dentro da boneca Xuxa. Então, atendendo uma ordem do brinquedo, ela pegou a faca e matou sua mãe.

Atualmente, o pároco da Catedral, Tadeus Rocha Moraes, disse (…) que não há nenhuma boneca guardada nas dependências da matriz. (…) Recentemente, a Netflix divulgou um vídeo em seu canal no Youtube, onde a boneca da Xuxa era uma enviada do Mundo Invertido dos anos 80. Em suma, a brincadeira recria um quarto de criança da época com outras referências ao período, onde o brinquedo está em um canto escuro do quarto. (…) Os olhos da boneca se acendem diabolicamente e com uma voz assustadora ela invoca o temível Demogorgon. (…) Inclusive, a própria Xuxa participa do vídeo da Netflix, fazendo uma rápida narração avisando sobre os novos episódios da série Stranger Things que já estavam disponíveis.[11]

A lenda urbana não morreu com o tempo e o brinquedo vintage continuou a fazer vítimas. Por exemplo, em 2007 uma crédula Vanessa escreveu numa rede social:

Eu amo bonecas, mas tem uma que eu odeio. A Xuxa é assassina! Quando eu nasci minha irmã tinha essa maldita e ela caiu na minha cabeça. Ela tentou me matar e olha que eu estava no colo da minha mãe… Fui parar no pronto socorro com a cabeça amassada graças a essa maldita! Fiquei internada em observação. Até hoje acho que minha cabeça é amassada! Mas não ficou nenhuma sequela grave.[12]

Outra versão sobre o pacto da Xuxa me foi narrada por volta de 2005 pelo Pastor Guilherme, da IURD, que afirmou sem provas que a pactuante teria se comprometido a mudar de orientação sexual perante Exu, incorporado no médium Renato Aragão. Ele insistiu com tremenda convicção, gesticulando como se tivesse um papel em suas mãos vazias, que havia obtido a escritura em nome da Xuxa da compra dum “barracão velho e imundo” onde Didi (Renato Aragão) atuaria como Pai de Santo.

Pesquisando descobri que, de fato, existe um Pai de Santo Didi atuando no Axê Opó Afonja – Ilê fundado por Eugênia Anna dos Santos em 1910, – mas este se chama Deoscoredes M. dos Santos e não possui nenhuma relação com o ator Renato Aragão.

Seu irmão, José Ribeiro de Souza, narrou sobre eventos intermediados pelo guia Tranca Ruas das Almas, baixado no Terreiro de Yansã Egun Nitá. Segundo afirma, o cantor Roberto Carlos e o Cabeleireiro Silvinho[13] visitaram aquele local para pedir axé, a atriz global Wilza Carla e a cantora Emilinha Borba foram curadas de doenças participando de giras, o detetive policial Fernando Gargaglione prendeu um fugitivo localizado por meios mediúnicos, etc.[14] A Xuxa, contudo, nunca esteve lá.

O que a atriz faz que a personagem não faz?

No início da sua vida profissional Maria da Graça Menenguel trabalhava como modelo ostentando todo tipo de figurinos ousados conforme os usos e costumes da indústria da moda. Algumas vezes os contratantes solicitavam que ela descobrisse os seios ou glúteos nas fotos publicadas em revistas femininas de alta tiragem. Isto não era e nem deveria ser motivo de vergonha ou reprovação social, pois o nu artístico é um trabalho perfeitamente digno para modelos profissionais.

De acordo com o Ricardo Setti, na Veja online, a Xuxa posou nua em cinco oportunidades na extinta revista Ele & Ela, da Bloch Editores. Depois, em 1982 tanto ela Xuxa quanto sua irmã Maruska posaram para a revista Playboy:

Não era tanto material como muita gente poderia imaginar. Xuxa, na verdade, protagonizou apenas um único ensaio para Playboy, publicado na edição de 7º aniversário, em agosto de 1982, e ao lado da irmã Maruska. As chamadas de capa falavam em “Segredo de família” e “As fotos que Pelé quase proibiu”. Fotos desse ensaio, algumas inéditas, seriam depois republicadas, em diferentes edições. A última de todas seria um pôster na edição de 10º aniversário, concessão que Mário obteve de Pelé no finzinho da reunião.[15]

Paralelamente ocorreu a estreia nos cinemas do filme Amor Estranho Amor (1982), dirigido pelo respeitado cineasta Walter Hugo Khouri, onde Xuxa atuou no papel da personagem coadjuvante Tamara, uma jovem apaixonada por um menino, mas que teve sua virgindade leiloada no início da vida como garota de programa. A fúria da critica se deve ao fato de a atriz ter coberto o ator mirim Marcelo Ribeiro de beijos técnicos.

Em 1986 ela assinou contrato de exclusividade com a Rede Globo e mudou completamente de vida. A celebridade só voltou a posar com os seios à mostra no ano 2000, durante o desfile do 9º Morumbi Fashion Brasil, onde alternou diversas peças da coleção de Lino Villaventura.

Poucos dias antes um fã arrematou uma revista com um nu artístico por R$ 2000,00, num leilão promovido pelo Raul Barbosa, e levou juntamente com outras peças pedindo-a que renegasse seu passado queimando tudo. Isso saiu nos jornais e a Xuxa reagiu com a corajosa atitude de desfilar novamente quatorze anos depois do seu último desfile, provando assim que não se envergonhava do seu primeiro emprego.

Detalhe: Nem a TV Globo se incomoda com provocações. Do contrário não teriam permitido a criação da personagem Cacilda, da Escolinha do Professor Raimundo, em 1990. Cacilda (Cláudia Jimenez) era uma versão ninfomaníaca da Xuxa que dizia “Comigo é assim: Beijinho-Beijinho, Pau-Pau”, parodiando o bordão da outra atriz “Beijinho-Beijinho, Tchau-Tchau”.

Falsos indícios de lesbianismo

A missionária Elizabete Marinho é uma das muitas pessoas que afirmam que a Xuxa não pode ter relação sexual com o sexo oposto por causa duma exigência do diabo: “Ela pode namorar, casar, mas não pode ter relação com o seu parceiro”[16].

Os pastores que apregoam a lenda urbana concordam unanimemente que o pacto da Xuxa foi assinado em 1986. Vejam a magnitude da falta de lógica de tal argumento: Suponhamos que esta vítima da propaganda fundamentalista fizesse tudo que eles dizem da forma depravada e exagerada como eles narram. Para que o diabo mitológico, o rei da luxúria, o maior apreciador de todos os pecados, tiraria uma joia da sacanagem do seu inverificável ofício de musa de filmes pornô?[17] Que interesse o diabo teria em impedir uma bela dama de atiçar a imaginação masculina posando nua? Por que mandaria observar o celibato e educar crianças? Isso não faz sentido. Parece até que o tinhoso quiz perder para o céu uma alma cujo lugar no inferno já estaria garantido.

Na Umbanda o Filho de Ogum não precisa mudar de sexo só porque este orixá é associado a São Jorge, que combate um Dragão, e o rótulo “Drag Queen” é aplicado aos travestis. Porém a Umbanda é uma religião livre de preconceitos contra gêneros diversos e preferências estéticas divergentes. Logo, um travesti ou homossexual que se interesse sinceramente pelo culto de Ogum poderá ser eventualmente reconhecido como um legítimo Filho de Ogum. Isso laça um nó na cabeça dos conservadores que inventam estórias mirabolantes sobre umbandistas obrigados a mudar de sexo.

A matéria prima para construção de novos boatos surgiu depois que a Xuxa rompeu o namoro com o ainda jovem, bonito e rico futebolista Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé.

Quem em sã consciência faria uma coisa dessas? Só uma mulher de princípios inabaláveis que prefere trabalhar por conta própria a viver na dependência do marido. Ou então uma lésbica! Criaturas invejosas que nunca perderiam a oportunidade de dar o golpe da barriga num futebolista rico e famoso se apressaram em procurar indícios de lesbianismo, deduzindo que a empresária Marlene Matos era o novo homem da atriz.

Ato contínuo, pessoas inescrupulosas inventaram que a música Sorvetão foi feita por quem achava a paquita Andréa Faria gostosa de lamber[18]. A narrativa do Tio Chico, gravada em junho do ano 2002, continua afirmando que a Xuxa fez sexo lésbico com a missionária Lanna Holder, com a nadadora Joanna Maranhão, mais as cantoras Simony e Ivete Sangalo[19]. Esta última se defendeu numa entrevista à revista Playboy:

Como é que vou dizer: “Minha gente, nunca transei com a Xuxa?” Eu tenho vergonha de ter de falar isso. Por mais que eu desminta, não vai ser suficiente para suprimir essa necessidade do boato que vende. São vários problemas que uma fofoca dessas traz. Primeiro porque ela é minha amiga. Segundo porque eu não sou lésbica. Mas se eu fosse isso teria de ser respeitado.[20]

A missionária Lanna Holder também respondeu na sua antiga página oficial:

É chegado ao meu conhecimento por meio de e-mails, como de telefonemas, o falso testemunho que o Pastor Francisco (ex-tio Chico), tem dado ao meu respeito pelos púlpitos do Brasil. (…) Assim venho por meio desta nota, desmentir o testemunho do Pastor Francisco (…) ao qual foi por mim procurado há cerca de três meses atrás para esclarecimentos, porém o mesmo negou com veemência que tenha feito tal afirmativa. Minha tristeza é saber que ele esteja usando de acontecimentos do passado (meados de 1999 a 2000), quando esteve na época pregando na igreja do meu ex-sogro e hospedado por um dia no meu apartamento em Guarulhos, para abusar com maldade do ocorrido, alegando que na ocasião eu tenha lhe dito que tive um envolvimento com a Xuxa!

É estarrecedor o fato de que se houverem verdades em suas palavras e testemunho, das quais eu passei a duvidar após este ocorrido, seja acrescentada esta mentira ao meu respeito. (…) Assim aos que me procurarem questionando o testemunho deste pastor, fique assim esclarecido: Eu nunca tive um caso com a Xuxa. (…) “A pessoa que diz mentiras a respeito dos outros é tão perigosa quanto uma espada, um porrete ou uma flecha afiada” (Pv 25:18).[21]

Os fundamentalistas procuraram menções esparsas de rituais para lésbicas e inventaram a participação de toda essa gente nessa bazofia. Quando Ayrton Senna morreu tragicamente disseram que o acidente aconteceu por causa do ciúme do demônio, pois a Xuxa o estava namorando. Quando ela teve uma filha biológica com Luciano Zsafir disseram que a Sasha nasceu por inseminação artificial e que o bebezinho morreria caçado pelo demônio ciumento.[22]  Mesmo com inúmeras provas em contrário os fundamentalistas são extremamente cruéis e inventivos quando defendem suas crenças difamantes e injuriosas.

Mensagens subliminares inexistentes

Na época dos discos de vinil tinha muita gente que brincava de produzir sons disformes girando discos em sentido anti-horário com o dedo na vitrola. A garotada rodava qualquer disco ao revés para imitar vozes de demônios nas festas de Dia das Bruxas, etc. O problema é que certas pessoas começaram a acreditar que realmente existiam mensagens satânicas escondidas nos ruídos da rotação irregular.

Os teóricos do pacto inventaram que muitos artistas escondiam mensagens de adoração ao diabo nos discos de vinil para que as crianças e jovens dependentes do sustento familiar conseguissem pedir objetos de culto idólatra para pais cristãos. Ou seja, os filhos dos temerosos nunca ganhariam de presente um álbum dos Menudos chamado explicitamente Los Fantasmas (1977), mas poderiam lograr êxito na obtenção dum exemplar de nome venturoso, a exemplo de Los Últimos Héroes (1989) cuja música Não se Reprima conteria a frase oculta “Satanás Vive” em seu reverso.

Alguns músicos reagiram à demanda gerada pela curiosidade de verificar a lenda urbana. Eles inseriram mensagens verdadeiras na rotação inversa de discos de vinil para os consumidores procurarem. Por exemplo, na música Ilusão de Ótica da banda Engenheiros do Hawaii existem perguntas: “Por que você está ouvindo isto ao contrário? O que você está procurando, hein?” Em Empty Spaces da banda Pink Floyd a voz de Roger Waters felicita o descobridor do efeito especial: “Congratulations! You have just discovered the secret message”. Na rotação normal de My Darling Nikki, do Prince, uma letra deprimente fala sobre um rapaz usado como brinquedo sexual duma rapariga rica. Já na rotação invertida um coral entoa um louvor gospel: “Hello! How are you? I’m fine, because I know the Lord is comming!” Tal foi o cúmulo do deboche da superstição alheia.

Xuxa afirma que nunca inseriu gravações ao contrário nos seus vinis e isto deve ser verdade. Contudo, as inversões funcionam como os desenhos do teste psicológico dos borrões de Rorschach onde os pacientes são convidados a procurar significados plurais em manchas pretas.[23] Dizem que o álbum 4º Xou da Xuxa (1989) foi recolhido, queimado e relançado porque encontraram uma mensagem subliminar no reverso de Tindolelê. Por sorte minha irmã comprou aquele álbum lendário produzido por Michael Sulivan e Paulo Massadas no primeiro dia de lançamento e nós ouvimos um minúsculo pedaço que parecia defeituoso na rotação normal. Dava para ouvir crianças gritando algo extremamente parecido com a palavra “Liberdade” no reverso, por coincidência.

Não escutei nada inteligível ouvindo as várias outras músicas que foram tocadas de traz para frente, gravadas e legendadas pelos fundamentalistas, exceto na versão de Meu Cãozinho Xuxo invertida e editada por Rafael Hezadoff.[24] Não sei como ele fez isto, mas fez. Outros inverteram a mesma música sem sucesso.

Os produtores de vídeos de batalha espiritual que denunciam músicas invertidas legendadas muitas vezes editam impiedosamente as imagens do incêndio no estúdio F do Projac, ocorrido em 11/01/2001 durante gravações do programa Xuxa Park, inserindo alegações estapafúrdias de que o Diabo foi evocado para receber sacrifícios humanos.

Vivificação de brinquedos consagrados ao diabo

Conforme exposto, a lenda do brinquedo assassino é subproduto do dogma da consagração ao diabo de todos os objetos relacionados aos programas televisivos. Tudo que fosse consagrado teria algum vicio redibitório de natureza preternatural: Discos de vinil tocariam louvores à Satã e mensagens subliminares. Os bonecos da indústria Mimo, dos personagens Xuxa e Fofão, trariam uma peça perigosa no pescoço que se transforma em punhal para ferir ou ser usado como arma por crianças consumidoras.

Os fatos por traz da lenda eram muito diferentes. Crianças poderiam aprender o mínimo sobre fantasia e motivos ufológicos assistindo ao Xou da Xuxa. Não há produto mais digno duma menção honrosa do que a Xuxa africana, única boneca de etnia negra distribuída em larga escala no Brasil naquele ano!

Detalhe duma ilustração na caixa da boneca.

Uma curiosidade saiu no jornal EXTRA, da franquia O GLOBO, numa ocasião especialíssima. No dia 21/05/2014, durante uma sessão plenária em que a CCJ discutia o projeto de Lei 7672/2010, proibindo o tratamento cruel ou degradante de crianças pelos pais e responsáveis, o deputado e radialista Francisco Eurico da Silva (PSB-PE), pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, levantou gritando e usou linguagem abusiva para acusar a convidada Maria da Graça Menenguel de violentar o ator mirim Marcelo Ribeiro durante a gravação do filme Amor Estranho Amor (1982).

Xuxa não pôde se defender da injúria porque convidados não são autorizados a falar. Quatro dias depois João Arruda e Renato Machado publicaram que “uma das lendas urbanas famosas nos anos 80 dava conta de que a boneca da Xuxa atacava crianças a facadas”. Isto os motivou a criar uma charge onde um personagem inspirado no músico Psirico, tocando Lepo Lepo, revela uma mensagem subliminar escondida na rotação invertida dum disco enquanto o Pastor Eurico é sacrificado: “O deputado que ofendeu Xuxa não perde por esperar! A boneca da Xuxa vai dar várias facadas nele!”[25]

1) Deputado Pastor Eurico fugindo duma boneca assassina numa charge de João Arruda e Renato Machado. 2) Uma boneca da coleção “XUXA: Volta ao Mundo”, produzida pela indústria brasileira MIMO. Esta boneca morena de cabelos pretos, da primeira série baseada na apresentadora branca e loira, teve cor e vestuário definido na intenção de homenagear os povos e costumes africanos.

Quando a Xuxa se defendeu aconteceram coincidências assustadoras

Se um piloto não houvesse usado a máquina que caiu na Baía de Guanabara dia 12 de agosto de 2010 antes do previsto, a Xuxa provavelmente teria morrido numa sexta feira 13, vítima da queda do jatinho táxi aéreo, de prefixo PT-LXO, da OceanAir, que havia fretado para ir ao Recife participar de um desfile.

Curiosamente, naquela época ela estava aguardando o julgamento duma ação movida contra a Editora Gráfica Universal, cobrando danos morais e materiais causados pela publicação dum artigo escrito pelo missionário Josué Yrion, com título “Pacto com o Mal?”, matéria de capa do jornal Folha Universal, edição 855, de 2008.[26]

E se a estória do pacto fosse verdadeira?

O Brasil é um Estado laico onde existe garantia constitucional à liberdade de culto. Comete ato ilícito quem injuria, difama ou calunia toda e qualquer pessoa que adquire figuras sincréticas de diabos vermelhos em lojas de artigos religiosos. Também não há lei que proíba brasileiros de serem homossexuais. Pelo contrário, homofobia é crime. É imputável quem injuria o homossexual ou difama quem não é homossexual afirmando falsamente que seja (assim como fizeram com a Xuxa).

Conclusão: Ainda que a Xuxa fosse bissexual ou lésbica (não é) e houvesse feito (não fez) um pacto às escondidas com intermédio do Tio Chico, ou do Alexandre Canhodre, ou do Didi, ou frequentasse terreiros, ou fizesse macumba por conta própria, se o público não a viu realizando estas atividades é como se chovesse canivete no deserto. E mesmo se ela tivesse feito tudo isso não teria cometido nenhum ato ilícito.

Quanto as bonecas da Mimo, eu tive quatro na minha coleção particular. Nunca as vi mexer e nunca sonhei com nenhuma elas, apesar de minha neuro-divergência. Como ouço vozes e tenho outras alucinações, sou sujeita a alterações espontâneas de consciência que apresentam uma perspectiva onde coisas podem dialogar e bonecos interagem. Porém, mesmo assim, as xuxinhas sempre se comportaram como objetos inanimados normais, não despertando em mim nenhum gatilho.

 

Notas

[1] Este filme foi banido do Brasil, graças a um processo judicial cuja causa foi ganha pela Globo, mas até hoje cópias caseiras são assistidas e debatidas nos meios universitário e acadêmico. Também acabou ovacionado pelo partido dos trabalhadores e sua base aliada (são eles os heróis do filme).

[2] Quando a Leilah Moreno ganhou o concurso de calouros do programa Raul Gil, em 2002, ela cantou pela última vez usando um enorme pingente de estrela de cinco pontas invertida (com duas pontas para cima). A escolha foi incomum, pois naquela ocasião ela ganhou o direito de gravar um álbum gospel (não era tema livre). A Record nada fez para impedir a exibição da bijuteria, nem os patrocinadores que arquivaram imagens da futura protagonista da série global Antônia (2006-2007) com isto, cantando uma música da banda Guns N’ Roses.

[3] XUXA DA UM BEIJO NA CRUZ INVERTIDA? Em: Unidos na Fé. Publicado em 07/12/2011 às 06:56h. URL: <http://www.unidosnafe.com.br/joomla1.5/latest/xuxa-da-um-beijo-na-cruz-invertida-um-descuido-ou-proposital>.

[4] O’GRADY, Joan. Satã. Trad. José Antonio Ceschim. São Paulo, Mercuryo, 1989, p 30.

[5] O’GRADY, Joan. Satã. Trad. José Antonio Ceschim. São Paulo, Mercuryo, 1989, p 28-29.

[6] DUMAS, François Ribadeau. Arquivos Secretos da Feitiçaria e da Magia Negra. Trad. M. Rodrigues Martins. Lisboa, Edições 70, 1971, p 174.

[7] BARRETO, Paulo. As Religiões do Rio. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1976, p 39-40.

[8] EPOCAESTADO BRASIL URL: <http://epocaestadobrasil.wordpress.com/2008/11/26/processo-xuxa-quer-r5-milhoes-da-band-e-r-3-milhoes-de-jornal-caso-venca-o-processo/>. Acessado em: 16/05/2013 às 15:49h.

[9] Nesta gravação Tio Chico continua afirmando que o primeiro pacto foi quebrado quando a cantora evangélica Aline Barros cantou a música Consagração no Xou da Xuxa. Então foi necessário realizar um “pacto de sangue” mais forte, “feio e escandaloso” que usou como ingrediente a menstruação da pactuante. Tal rito de sexo oral não pertence à Umbanda, mas existe um precedente no opúsculo De Arte Magica (1914) onde Edward Alexander Crowley acusa a atriz Mina Bergson (1865-1928) de praticar vampirismo bebendo e/ou dando de beber sangue uterino. Isto é amplamente citado nas obras norte-americanas de batalha espiritual, sobretudo na autobiografia do pastor Willian Schnoebelen, Lucifer Dethroned (1993), porque Kenneth Grant dedicou um capítulo de The Magical Revival (1972) àquele rito antes de se tornar chefe internacional da Ordo Templi Orientis (O.T.O.).

[10] MARINHO, Elizabete Venceslau. A Bela Face do Mal. Paraná, Deus é Fiel, p 38-39.

[11] PEREIRA, Renata Gonçalves. Boneca da Xuxa – Conheça a lenda urbana assustadora de 1989. Em: SEGREDOS DO MUNDO. Acessado em 16/05/2022, 18h37. URL: <https://segredosdomundo.r7.com/boneca-da-xuxa/>.

[12] Mensagens de Vanessa publicada na comunidade “Bonecas, objetos do mal?”, na rede social Orkut (atualmente desativada), publicada em 13/05/2007 e 14/05/2007.

[13] De acordo com José Ribeiro de Souza o cabeleireiro Silvinho participava do júri do programa do Chacrinha e precisava de sorte ou axé para ter seu próprio salão de beleza.

[14] SOUZA, José Ribeiro de & ROSA, Celso. Tranca Ruas das Almas. Rio de Janeiro, ECO, 1974, p 53-55.

[15] SETTI, Ricardo. Histórias Secretas de Playboy (4): O dia em que Pelé foi, pessoalmente, recolher todas as fotos de Xuxa nua. Em: VEJA. Acessado em: 16/05/2013 às 15:08h. URL: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/bytes-de-memoria/historias-secretas-de-playboy-5-o-dia-em-que-pele-foipessoalmente-recolher-todas-as-fotos-de-xuxa-nua/>.

[16] MARINHO, Elizabete Venceslau. A Bela Face do Mal. Paraná, Deus é Fiel, p 38.

[17] Os teóricos do pacto tentam forçar a confusão entre o Projac carioca e a Boca do Lixo paulista. Existem lendas restritas aos círculos de cinéfilos sobre fitas VHS de “clássicos pornôs” produzidos na Boca do Lixo onde a Xuxa seria vista praticando sexo anal, etc., com homens adultos e seu nome apareceria nos créditos finais. Dentre os que juram ter assistido os tais filmes “pesados”, ninguém divulga os títulos, certamente porque essas películas nunca existiram. Os mesmos cinéfilos costumam dizer que o anão Chumbinho – um ator de filmes pornô cujo nome real é desconhecido – fazia o papel do personagem Praga no Xou da Xuxa, apresentando como prova somente a baixa estatura do ator.

[18] A verdade é que a Andréa Faria foi ameaçada de demissão por causa do limite de peso estabelecido em contrato, mas nem assim parou de comer sorvetes.

[19] Na minha experiência percebi que as pessoas dão mais valor aos boatos e ínferas excentricidades do que aos fatos concretos. Durante do Festival de Verão de Salvador, em 2007, a produção da Ivete Sangalo escolheu um vestido branco muito curto para a cantora usar e ela fingiu estar possuída por uma entidade chamada “Piriguete Sangalo” no início do show. Os sensacionalistas se apressaram em editar o vídeo excluindo a parte onde a cantora explicou a brincadeira, deixando só a encenação dos movimentos frenéticos e voz alterada. Lembraram que a Ivete é “amiga da Xuxa” e colaram este vídeo com outros… Mas o que a Xuxa tinha a ver com isso? Ela nem estava presente naquele show da Ivete Sangalo.

[20] IVETE SANGALO NEGA TER FEITO SEXO COM XUXA. Em: Ego Notícias. Publicado em 06/11/2012. URL: <http://ego.globo.com/famosos/noticia/2012/11/revista-ivete-sangalo-nega-ter-feito-sexo-com-xuxa-nao-sou-lesbica.html>.

[21] LANNA HOLDER DESMENTE PASTOR FRANCISCO (EX-BRUXO TIO CHICO). Cópia em: O Verbo. Acessado em 16/05/2013 às 18:10h. URL: <http://www.overbo.com.br/lanna-holder-desmente-pastor-francisco-ex-bruxo-tio-chico/>.

[22] Anos atrás Tio Chico reagiu à comoção publica causada pela matéria de capa da Revista Contigo (nº 486, edição 1386, editada em 02/04/2002) intitulada “Sacha ameaçada de Sequestro: A agonia de Xuxa”. A gravação da pregação proferida em junho do ano 2002 afirma que as igrejas estavam fazendo de tudo pela conversão da Xuxa. Ele disse: “Pode esperar que ela vai se converter. Estou pedindo nas igrejas para interceder pela Maria das Graças Meneghel. Eu vou explicar por que. A Maria das Graças está numa situação muito difícil. Eu estive no Rio e falei com o Steve e com o pastor Marco lá em São João de Meriti. A Maria das Graças está indo, uma vez, na igreja Internacional da Graça de Deus do nosso amado irmão R. R. Soares. Ela vai, fica escondida no gabinete, não fica no salão junto com as pessoas. A segurança dela fica ali; porque o Diabo está ameaçando de matar a sua filha. (…) Então vamos orar pela Xuxa. (…) No segundo pacto que a Maria da Graça fez (…) não podia realizar o desejo de ser feliz e seu sonho: Casar. A Maria das Graças não pode coabitar. Não pode ter contato com homem. Aquela criança nasceu de inseminação artificial”.

[23] Também não é verdade que a cifra da tablatura de Tumbalacatumba copia o ritmo da bateria do início da musica I Don’t Wanna Stop de Ozzy Osbourne. Isso é pura lenda urbana.

[24] Na versão de Meu Cãozinho Xuxo invertida, distorcida e editada por Rafael Hezadoff a Xuxa parece choramingar as frases “Te levarei no mato”, “Isso é uma delícia” e “Meu anjo é o Diabo”.

[25] ARRUDA, João & MACHADO, Renato. Semana da Tia Lúcia: Fatos e Humor politicamente incorreto. Em: Jornal EXTRA. Domingo, 25 de maio de 2014, p 12.

[26] XUXA, IGREJA UNIVERSAL, DIABO E US$ 100 MILHÕES. Em: Espaço Vital – notícias jurídicas. Acessado em 16/05/2022, 17h53. URL: <https://www.espacovital.com.br/imprimir?id=26768&tipo=noticia>.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/lenda-urbana-xuxa-bruxa/