Alquimia no Ritual de Iniciação Demolay

Texto do meu irmão Hamal,

O Ritual de Iniciação é de fato um dos momentos mais marcantes em toda Ordem DeMolay. É como se algo fosse implantado, ou despertado, dentro de nós.

A Sala Capitular contêm em si um simbolismo em tudo que há lá, esse simbolismo é herança do que Frank Marshall chamou de “nossos antepassados”. Não há nada que não exista uma ligação ou um motivo de estarem inseridos nos Rituais da Ordem DeMolay. Isso fica bem claro a todo estudante do simbolismo ritualístico, e foi exatamente o que Frank S. Land disse aos primeiros DeMolays antes de suas Iniciações.

A Iniciação tem por objetivo apresentar uma nova realidade ao Neófito. É uma experiência que propõe uma mudança em sua personalidade, para que este tome um novo rumo em sua vida diária com o juramento que lhe é proposto e as virtudes que lhes são apresentadas.

Nossos antepassados são os Hermetistas, são aqueles que criaram a ciência iniciática mais antiga na terra: a Alquimia. Vamos recorrer a seus legados para decifrar esse mistério dentro da Iniciação.

Será mesmo que existe isso na Ordem DeMolay? Vejamos…

ALQUIMIA

Já fizemos uma pequena descrição sobre a Iniciação e a Alquimia no texto Iniciação – Hermetismo e Alquimia, e recomendamos fortemente a releitura desse importante texto para a ideal compreensão do que é Alquimia e qual sua relação com as Ordens. Esse é talvez o assunto de maior importância do blog.

Ao procurarmos sobre “Alquimia” na internet nos deparamos com informações de quais seriam seus objetivos, sua história, alquimistas famosos, etc. Vamos tentar ser claros e rápidos, pois teremos textos específicos sobre o assunto.

Alquimia tem duas possibilidades de origens históricas, o antigo Egito dos Faraós e as primeiras eras da China, apesar de sabemos que foi praticada por todo o globo de maneira semelhante. O objetivo dos alquimistas eram diversos e se destacavam na construção da Pedra Filosofal, que daria sabedoria, saúde e vida eterna ao alquimista, e na transmutação dos metais em ouro.

Os alquimistas foram os primeiros cientistas. Estudavam e analisavam em seus laboratórios como o mundo funcionava, penetravam por trás das aparências procurando as Leis que regem a Terra e os Céus, procurando o porquê disso tudo existir da maneira que existe. E atribuíam um símbolo sagrado por trás de cada descoberta.

Da Alquimia surgiu a medicina como ciência de curar os enfermos com a manipulação dos produtos da natureza, a Astrologia como ciência de prever as mudanças na natureza pelos astros, a Geometria como ciência dos estudos matemático da Terra e seus componentes, o Hermetismo como síntese simbólica e linguagem da Alquimia, a Química como estudo dos elementos e suas interações, a Engenharia e Arquitetura como arte de construir com as mesmas proporções da natureza, entre outras.

Mas isso tudo era antigamente. Hoje, num mundo completamente diferente, devemos nos perguntar “qual o valor que teria a alquimia em nossas vidas além de um conhecimento histórico”?

O grande Carl Gustav Jung desvendou esse véu e percebeu que a Alquimia é fonte de estudo para a psique humana, mostrando que dentro das ciências Herméticas encontram-se as chaves para decifrar o Inconsciente. Destaquemos aqui suas próprias palavras do livro “Psicologia e Alquimia”:

“A alquimia movia-se de fato sempre no limite da heresia e era proibida pela Igreja. Ela desfrutou entretanto da proteção eficaz da obscuridade de seu simbolismo, que a qualquer momento podia ser explicado por uma alegoria inofensiva. Para muitos alquimistas, o aspecto alegórico se achava de tal modo em primeiro plano, que estavam totalmente convencidos de tratar-se apenas de corpos químicos. Outros, entretanto, consideravam o trabalho de laboratório relacionado com o símbolo e seu efeito psíquico. Tal como demonstram os textos, esses alquimistas tinham a consciência do efeito psíquico, a ponto de condenarem os ingênuos fazedores de ouro como mentirosos, trapaceiros ou extraviados. Proclamavam seu ponto de vista através de frases como esta: “aurum nostrum non est aurum vulgi” (nosso o ouro não é o ouro vulgar).

Seu trabalho com a matéria constituía um sério esforço de penetrar na natureza das transformações químicas. No entanto, ao mesmo tempo era – e às vezes de modo predominante – a reprodução de um processo psíquico paralelo; este podia ser mais facilmente projetado na química desconhecida da matéria, uma vez que ele constituía um fenômeno inconsciente da natureza, tal como a transformação misteriosa da matéria. A problemática acima referida do processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de individuação, é expressa no simbolismo alquímico.”

O estudo de Jung sobre Alquimia destaca uma coisa importantíssima que deve ser atentada a todo estudante de Hermetismo. Demonstra a validade das ciências ocultas para com o entendimento do ser humano e sua evolução para o que Jung chamou de Individuação, que é a pessoa tornar-se Si Mesma, alguém inteiro e completo. Para Jung, “processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de Individuação, é expressa no simbolismo alquímico”. Isso é a transmutação do Chumbo em Ouro dos alquimistas, é o processo psicológico de Individuação, é a maturação que devemos ser em vida.

Nossos antepassados bem sabiam o que faziam e estudavam, e temos em nossas mãos seus legados.

As etapas da Alquimia, sua relação com a psique, a transmutação dos metais, Pedra Filosofal, e toda essa “obscuridade do simbolismo” como referido por Jung, voltaremos a estudar e entender melhor, já que os Templários também são alvo de nosso estudo e estes refugiaram e patrocinaram muitas Guildas de Pedreiros-Alquimistas na Idade Média.

Vamos entender agora a relação da Alquimia com o processo da Iniciação DeMolay.

PRINCÍPIO DO GÊNERO

O Sétimo Princípio descrito no Caibalion é este: “O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e seu princípio feminino o gênero se manifesta em todos os planos”.

Esse ensinamento se baseia na seguinte observação do Universo: tudo existem a partir de dois gêneros, para todo positivo existe seu negativo, em todos os planos de existência há sua contra parte, no físico, emocional, racional, energético, etc. Temos o dia e a noite, o veneno e o antídoto, o bem o mal, o macho e a fêmea, o macro e microcosmo, o quente e o frio, o animo e anima na psique, a vida e a morte, até mesmo a gravidade tem sua oposição na energia escura e os átomos tem suas cargas opostas para poderem existir.

Segundo a Tradição é dito que Deus criou tudo em dualidade para que pudesse existir e evoluir, e isso só é possível através do Princípio do Gênero que tem como meta a união dos opostos para haver a criação. Sem oposição não há criação nem evolução!

O Sol e a Lua foram tomados pelos Alquimistas como símbolos opostos que representam o “Grande Pai” e a “Grande Mãe” criadores de tudo. Enfatizemos que isso são símbolos e não uma crença cega. Quando os antigos adoravam o Sol estes estavam adorando a energia da Criação em seu princípio Masculino, e a Lua como princípio feminino. E para quem acha que esses cultos Solares e Lunares acabaram, revejam a origem de festas como Natal, Páscoa, Festa Junina e da Missa. São as mesmas energias que invocamos em nossa Ritualística.

Esses dois astros são opostos em suas energias e finalidades, mas a atuação de ambos é o que mantêm a vida na terra possível de existir e evoluir (isso é estudar Astrologia!). Reveja seus simbolismos nos textos: O Símbolo do Sol e O Símbolo da Lua.

A união do Sol com a Lua, na Alquimia, recebe uma denominação especial: Casamento Alquímico. Assim é denominado a união entre macho e a fêmea de maneira sagrada. E a Iniciação é uma nova vida sendo criada: a vida como Iniciados. A Iniciação da Ordem DeMolay, em especial, explora muito esse simbolismo alquímico.

Vejamos como…

Sabemos que o Altar é o ponto simbólico onde o plano espiritual é invocado e se espalha por toda Sala Capitular, é onde colocamos os utensílios para a Invocação. O Altar é a representação do Sol na arquitetura sagrada. É no Altar onde o Iniciado recebe a Luz. Durante a Iniciação os 23 Oficiais formam um certo símbolo ao redor do altar, e esse símbolo contem em seu centro a Lua.

No momento em que somos consagrados como DeMolays há o Casamento Alquímico entre o Sol e Lua e uma nova vida é criada, recebemos a Luz como DeMolays. E há muito mais. Que essa pequena revelação possa servir de inspiração aos irmão a buscarem ainda mais do que não pode aqui ser dito.

Revejam a imagem do inicio da postagem. Esta imagem simboliza o exato momento da nova vida sendo criada, a união alquímica entre o Sol e a Lua e o Pombo, símbolo do Espirito Santo, descendo para implantar a vida ao produto dessa união. É o próprio momento da Iniciação. Lembrem-se do Oficial que conduz os Iniciados em suas 9 voltas que representam a Vida e o Dia de Trabalho…

Nossos antepassados bem sabiam. Isso é Magia Cerimonial da Ordem DeMolay, e isso é Alquimia.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alquimia-no-ritual-de-inicia%C3%A7%C3%A3o-demolay

Dion Fortune

Batizada com o nome de Violet Mary Firth Evans, Dion Fortune nasceu em Wales no dia 6 de dezembro de 1890, na cidade de Bryn-y-Biam Liandudno em North Wales. Desde cedo Violet já demonstrava habilidades foras do comum; relatando visões de Atlântida com a idade de quatro anos, se lembrando de vidas passadas. Quando contava com 12 anos sua familia se muda para Somerset e dois anos depois sua família se converte para a Ciência Cristã. Esta conversão fez com que a família entrasse em uma período de muitas mudanças, indo viver em diferentes partes de Londres onde Sarah Jane, mãe de Violet, exercia a prática de curandeira. Ainda criança Violet se mostrava possuidora de uma imaginação muito criativa e dona de talentos literários, seu primeiro livro, ‘Violets’, foi publicado em 1904, quanto contava com 13 anos, e teve um poema publicado em 1906 em uma revista de circulação nacional, a ‘The Girl’s Realm’.

Cedo em sua vida se viu envolvida por estranhos acontecimentos. Um evento chave ocorreu quando ela tinha 20 anos que definiria o rumo que daria a sua vida. No verão de 1911 os pais de Violet decidiram enviá-la a uma faculdade, e escolheram o Studley Horticultural College. A diretora da Universidade era a Dra. Lillias Hamilton que por si só tinha um currículo interessante: graduada como doutora em 1890 (um grande feito para uma mulher naquela época), ela viajou para a Índia, onde foi trabalhar em Calcutá. Em 1984 foi apontada como médica da corte do Amir do Afeganistão, aquele era um período conturbado na região e por causa de insurreições de tribos afegãs a Dra. Hamilton teve que abandonar o pais e retornar à Inglaterra, viajando depois para a Africa do sul, onde criou e administrou uma fazenda, retornando a Londres posteriormente enquanto seu irmão dirigia a fazenda. Violet estudou por dois anos na universidade, sem maiores complicações, inclusive escrevendo peças para serem encenadas. Isso durou até que ela percebeu que algumas de suas colegas sofriam de alguns males físicos aparentemente sem causas naturais. Após algumas investigações ela descobriu que a Dra. Hamilton, a diretora, poderia ser a responsável, e decidiu deixar a universidade. Quando foi falar com a diretora para anunciar seu afastamento, a Dra. Hamilton, apesar de seriamente incomodada com a situação deixou que Violet abandonasse o curso dizendo: “Muito bem, deixe a faculdade se tiver que ser assim, mas primeiro você deve admitir que é uma incompetente”. Ela então começou a encarar a garota dizendo repetidamente que Violet não possuia qualquer auto-confiança e era incompetente. Isto se prolongou por horas, sempre repetindo a mesma frase: “Você é incompetente e sabe disso. Você não tem nenhuma auto-confiança e tem que admitir”. Com o passar dos minutos Violet foi sendo minada e finalmente admitiu as coisas que a Dra. falava, apenas para se livrar daquela situação anormal. Esse ocorrido resultou em um colapso nervoso que devastou tanto a mente quanto a saúde da garota por mais de três anos.

Ela conseguiu abandonar a instituição logo após este episódio e durante os meses que se seguiram começou a estudar psicologia como forma de reconquistar o controle pleno de sua mente e sua vida, assim ela começou a frequentar os cursos de Psicologia da Universidade de
Londres (não existia ainda uma faculdade própria para o assunto) e, em 1912. Talvez pelos dotes do cozinheiro, talvez pelo ambiente, nesta época, ao invés de frequentar o refeitório da universidade, Violet almoçava em uma cantina no centro da cidade, cantina esta administrada pela Sociedade Teosófica. Foi então que teve uma segunda experiência fora do comum. Certo dia, levada pela curiosidade, atendeu a uma das palestras da Sociedade Teosófica, o assunto era telepatia mental. Para seu completo assombro, durante a palestra foram propostos alguns exercícios simples e ela descobriu que era capaz de ler imagens que estavam sendo projetadas pela mente do palestrante. Após anos de estudo sobre os trabalhos e obras desenvolvidas por Freud e Jung, ela concluiu que nenhum dos dois havia se aprofundado adequadamente nos mistérios da mente humana, apesar de seus esforços e avanços, muitos dos nuances daquilo que chamamos consciência permaneciam inescrutáveis pelas técnicas psicológicas e psiquiátricas da época.

Violet se graduou e tornou-se terapeuta na East London Clinic e na Medico-Psychological Clinica em Brunswick Square. Durante este período começou a se ver envolvida com fenômenos que não podiam ser inteiramente explicados pela ciência, um estudante de um de seus pacientes estava sendo alvo de fenômenos físicos anormais: na sua presença portas se escancaravam sozinhas e cachorros entravam em frenesi, latindo e uivando. Colocando todo seu conhecimento em prática, ela se viu incapaz de prestar qualquer auxílio ao rapaz e acabou pedindo ajuda a um irlandês misterioso e cheio de carisma que acabava de retornar à Inglaterra de uma estadia na África do Sul. Seu nome era Theodore Moriarty. Juntos foram visitar o estudante e viram, no local onde ele morava, todos os fenômenos ocorrendo, Moriarty, um ocultista e maçom experiente, percebeu uma entidade presente no cômodo e depois de uma perseguição pela casa conseguiu prendê-la no banheiro e então destruí-la, o confronto foi tão violento que Moriarty terminou caído inconsciente no chão.

O episódio com Moriarty, que se tornou seu primeiro mentor, assim como suas experiências passadas, fez com que Violet mergulhasse de cabeça no ocultismo, estudando e desenvolvendo suas próprias habilidades psíquicas. A ela interessava especialmente como certos rituais místicos e orientais podiam provocar certos estados psicossomáticos, e foi nesta época que se tornou visitante constante da Sociedade Teosófica e durante seus estudos esotéricos, tomou conhecimento da Grande Loja Da Fraternidade Branca, e dos grandes mestres secretos que não possuem mais um corpo físico mas que auxiliavam a humanidade a evoluir. Entrar em contato com os Mestres Secretos se tornou sua obsessão. Foi essa busca que fez com que fosse iniciada, em 1919, no Templo Alpha et Omega, sendo depois transferida para a Ordem Stella Matutina, a ordem que mais tarde se tornaria a Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn). É neste ponto que Violet Mary Firth adota o nome de Dion Fortune, inspirado pelo lema de sua familia “Deo, non fortuna”, frase em latim que significava “por Deus, não pelo destino”.

O desenvolvimento esotérico e oculto de Dion Fortune amadurecia a cada dia que se passava. Ela começa a escrever uma série de novelas e histórias que abordavam vários aspectos da magia e do esoterismo, alguns deles de cunho auto biográfico como The Secrets of Dr. Taverner, uma coleção de histórias curtas baseadas em experiências que teve com Moriarty, na qual podemos ler alguns estudos de casos fictícios nos quais processos mágicos e psicológicos estavam mesclados. Talvez por nunca ter buscado a fama ela não fosse muito conhecida no meio mágico em sua época, mas sua influência era inegável, duas de suas obras, por exemplo, The Sea Priestess e Moon Magic, tiveram uma influência enorme no desenvolvimento da religião Wicca, que estava se formando na época, até hoje a dívida do paganismo com Dion é enorme, seja em seus ritos e costumes, seja no desenvolvimento da sua mitologia[1].

E veio então a década de 1920. Quando o mundo viu a Grande Guerra se encerrar, Dion encontrou seu próprio campo de batalha. Por causa de alguns de seus escritos, como o The Secret of Dr. Taverner e uma série de artigos para o periódico The Occult Review, Dion ganhou a inimizade de Moina Mathers, esposa de MacGregor-Mathers, o fundador da Golden Dawn, e por causa disso se tornou alvo de uma série de brutais ataques. Moina acreditava que os segredos da Ordem deveriam permanecer dentro da Ordem, e Dion simplesmente publicava material fechado par amembros para quem quisesse ler, e assim Dion foi expulsa da Ordem sob a alegação de que os símbolos de um real iniciado não estarem presentes em sua aura, na mesma época ela começou a se sentir inundada por um grande “sentimento geral de um vago mal-estar” que “gradualmente amadureceu em um nítido sentimento de ameaça e antagonismo”, neste mesmo período começou a ter visões de rostos demoníacos. Foi então que fenômenos físicos começaram a se manifestar, sua vizinhança foi invadida por gatos negros em tal quantidade que o caseiro do vizinho “retirava montes de gatos da soleira da porta e do parapeito da janela com uma vassoura, e declarou que nunca na vida vira tantos gatos juntos”. Quando Fortune se deparou com um “gigantesco gato listado, duas vezes maior que um tigre” na escada de sua própria casa, decidiu reagir e assim teve início um duelo mágico entre as duas mulheres. Dion, pedindo a ajuda dos Mestres Secretos, obteve sua vitória, mas como lembrança da batalha suas costas ficaram “marcadas por arranhões como se houvessem sido unhadas por um gato gigantesco”.

Seu amigo e mentor Theodore Moriarty morre em 1923, e nesta época ela se une ao Christian Mystic Lodge (Místico Templo Cristão) da Sociedade Teosófica, por causa de uma visão poderosa que teve que mostrava a necessidade que ela tinha de começar abraçar o cristianismo em seus estudos, se tornando Presidente da ordem em pouco tempo. Mesmo assim ela não estava satisfeita com o rumo que a Sociedade Teosófica estava tomando e no Solstício de Inverno de 1928 ela criou os “Mistérios Menores da Luz Interior, uma fraternidade que não demorou a se tornar uma poderosa escola iniciática, tendo como alguns de seus membros célebres, Coronel C.R.F. Seymour e Christine Hartley. Nesta época conheceu o médico Thomas Perry Evans, que também possuía interesses no ocultismo e acabou se tornando seu marido em 1927. Juntos eles trabalharam como Sacerdote e Sacerdotiza da ordem. Doze anos depois os dois se divorciam e Dion aluga uma propriedade em Londres e a dedica aos Mistérios de Isis.

Enquanto isso o mundo via com apreensão sombras negras se formarem no cenário político da Europa, e aquilo que se tornaria a Segunda Guerra Mundial começava a tomar forma. Dion Fortune então se engajou em uma segunda guerra pessoal: a Batalha Mágica da Grã Bretanha. Esta foi uma guerra travada por ocultistas que desejavam terminar com a Segunda Guerra Mundial, oferecendo auxílio mágico para os exércitos ingleses e ataques mágicos contra os Nazistas. Esta batalha ficou registrada pelas cartas que ela enviava a estudantes e posteriormente reunidas no livro Magical Battle of Britain.

Durante sua vida Dion Fortune começou a escrever obras não mais dedicadas à ficção, mas a registros de tudo o que viveu e descobriu. Apesar de seus contos e novelas terem um grande embasamento ocultista, já que ela acreditava que as histórias eram a melhor forma de mostrar como colocar em prática a sabedoria adquirida com seus estudos, ela se decidiu que muito do conhecimento da época seria perdido ou corrompido caso não fosse registrado de maneira mais adequada, e assim escreveu obras que se tornaram marcos até os dias de hoje para qualquer estudante de magia e ocultismo e mesmo para praticantes experientes. Livros como A Cabala Mística e Auto-Defesa Psíquica se tornaram obrigatórios nas bibliotecas de muitos estudiosos, outras obras, embora menos conhecidas, como Through the Gates of Death e vários de seus livretos também trazem o reflexo de alguém que passou a vida se dedicando ao conhecimento da mente e da alma humana.

Em janeiro de 1946, Dion Fortune se viu envolta em uma onda de cansaço e mal-estar, e foi internada no Hospital Middlesex de Londres, onde foi diagnosticada com Leucemia, morrendo alguns dias depois. Muitos afirmam que a doença se desenvolveu por causa das batalhas travadas durante o período da Batalha Mágica, que acabaram exigindo muito esforço e foi a causa de muitas baixas no mundo ocultista.

A Sociedade da Luz Interior está em atividades até os dias de hoje em Londres e de lá já surgiram alguns ocultistas de renome como Walter Ernest Butler  e Gareth Knight, ambos com a sorte de serem discipulos de Dion Fortune

Obras de Dion Fortune

– Aspectos do Ocultismo
– Através dos Portais da Morte
– Autodefesa Psíquica
– A Cabala Mística
– A Doutrina Cósmica
–  A Filosofia Oculta do Amor e do Matrimônio
– Glastonbury
– Magia Aplicada
– Magia Ritual
– Ocultismo Prático na Vida Diária
– As Ordens Esotéricas e Seu Trabalho
– Paixão Diabólica
– Preparação e Trabalho do Iniciado
– Sacerdotisa da Lua
– Sacerdotisa do Mar
– Os Segredos do Dr. Taverner
– Ocultismo São
– O Deus com Pés de Bode

[1] Para se ter uma idéia, os aspectos místicos da série Brumas de Avalon foram tirados das obras de Dion Fortune.

1890-1946

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/dion-fortune/

Os Cavaleiros Templários – parte 1

Publicado no S&H em 1/9/09

Retornando à nossa História das Ordens Iniciáticas, chegamos ao começo do século XII. Herdeiro da desintegração do Império Romano, o Ocidente Europeu do início da Idade Média era pouco mais que uma colcha de retalhos com populações rurais e tribos bárbaras. A instabilidade política e o definhar da vida urbana golpearam duramente a vida cultural do continente. A Igreja Católica, como única instituição que não se desintegrou juntamente com o extinto império, mantinha o que restava de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Com o tempo a sociedade foi se estabilizando e, em certos aspectos, no século IX o retrocesso causado pelas migrações bárbaras já estava revertido, mas nessa época os pequenos agricultores ainda eram impelidos a se proteger dos inimigos junto aos castelos. Esse cenário começa a mudar mais fortemente com a contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras no século X, época em que o sistema feudal começa a ser definido. O período de relativa tranqüilidade que se segue coincide com um período de condições climáticas mais amenas. A partir do ano 1000, o Feudalismo entra em ascensão.

Os Templários e a Primeira Cruzada
Depois que Maomé morreu (632), as vagas de exércitos árabes lançaram-se com um novo fervor à conquista dos seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas que passaram décadas a guerrear-se. Estes últimos, depois de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos, mais graças à extensão do seu império do que à resistência: o último Xá morre em Cabul em 655. Os bizantinos resistem menos: cedem uma parte da Síria, a Palestina, o Egito e o norte de África, mas sobrevivem e mantêm a sua capital, Constantinopla.
Num novo impulso, os exércitos conquistadores muçulmanos lançam-se então para a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália e França, as ilhas mediterrânicas. Tornado um império tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano sofre de um gigantismo e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que guardavam na memória a época de conquista: bizantinos, francos e reinos neo-godos.
No século X, esse desagregar acentua-se em parte devido à influência de grupos de mercenários convertidos ao islã e que tentam criar reinos próprios. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do atual estado da Turquia; nem com os Mamelucos, que só vão surgir em 1250; os Seljucidas seguiam o califa Seljucida), procuraram impedir esse processo e conseguem unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra contra os cristãos, chutam a bunda das forças bizantinas em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro da Anatólia e finalmente tomam Jerusalém em 1078.

O Império Bizantino, depois de um período de expansão nos séculos X e XI está completamente ferrado e em sérias dificuldades: vê-se a braços com revoltas de nômades no norte da fronteira, e com a perda dos territórios da península Itálica, conquistados pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato resultou em uma diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aleixo I Comneno decide pedir auxílio militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça seljúcida.
E adivinha quem eles mandaram?

Errou. Ao invés de mandarem cavaleiros bem preparados, em 1095, no concílio de Clermont, o papa mané Urbano II exorta a multidão de esfomeados malucos religiosos a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob o domínio cristão, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de “penitência”. A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, tendo consigo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de “cruzados”). Assim começavam as cruzadas. A idéia basicamente era “Vão lá e matem todo mundo, e Deus perdoará os seus pecados”.
Treinamento? Equipamento? Blá…

A Cruzada dos Pobres
A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças.
Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres, os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando todo tipo de desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros. Ainda no caminho, seus seguidores tinham criado diversos tumultos, massacrando comunidades judaicas em cidades como Trier e Colônia, na atual Alemanha.
Chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa “Cruzada” massacrou judeus pelo caminho, matou, pilhou e destruiu tudo, como hordas assassinas de personagens de RPG. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla. Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas… Mas a turba começou a saquear a cidade.

O imperador bizantino, desejando afastar esse “bando de personagens low level de world of warcraft” (ok, ele não os chamava assim, mas vocês entenderam a idéia) de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos, que tinham um level muito maior e melhores equipamentos… Noobs.
Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.

Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de badernar e saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva.
Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Nicéia, cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita maluco continuou o ataque a Nicéia, tomou uma fortaleza da região e comemorou bebendo todas, sem saber que estava caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.
Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram como galinhas amarelas.
O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir…

Os Cavaleiros e o Templo
No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos muçulmanos a glória dos atos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Eram os Gouvains do Cristianismo, que se constituiam fiadores da fé, disputando as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam. Reinava em Jerusalém Balduíno II que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros assinalavam as ruínas de um grande Templo. Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo.

Hugo de Payens (1070-1136), um fidalgo francês da região de Champagne, foi o primeiro mestre da Ordem dos Templários. Ele era originalmente um vassalo do conde Hugues de Champagne. Conde Hugues de Champagne visitou Jerusalém uma vez com Hugo de Payens, que ficou por lá depois de o conde voltar para a França. Hugo de Payens organizou um grupo de nove cavaleiros para proteger os peregrinos que se dirigiam para a terra santa no seguimento das iniciativas propostas pelo Papa Urbano II.
De Payens aproximou-se do rei Balduíno II com oito cavaleiros, dos quais dois eram irmãos e todos eram parentes de Hugo de Payens, alguns de sangue e outros de casamento, para formar a primeira das ordens dos Templários.
Os outros cavaleiros eram: Godofredo de Saint-Omer, Archambaud de Saint-Aingnan, Payen de Montdidier, Geofroy Bissot, e dois homens registrados apenas com os nomes de Rossal ou possivelmente Rolando e Gondamer. O nono cavaleiro permanece desconhecido, apesar de se especular que ele era o Conde Hugh de Champagne.

O símbolo destes Templários era esta imagem ao lado: dois Cavaleiros “tão pobres que precisavam dividir um cavalo”… você escutou esta balela na escola, certo? Vamos aos fatos: FIDALGO Hugo de Payens; Godofredo de Saint Omer, nobre da Família de Saint Omer, cujos VASSALOS foram alguns dos primeiros cavaleiros recrutados; Payen de Montdidier, da casa nobre flamenca Montdidier; o CONDE Geofroy Bissot, da família Bissot, entre outros… tantos nobres reunidos e não tinham dinheiro sequer para comprar um cavalo para cada um? Fala sério…
O que o Símbolo dos Templários realmente representa é que eles eram guerreiros espirituais. Os dois corpos no cavalo representam a união do guerreiro físico com o guerreiro espiritual que eles ali representavam. Mas a idéia de falar que eles eram pobres não era ruim…
Outro ponto bizarro é dizer que a função dos Templários era “defender as rotas de Peregrinos dos Muçulmanos”… ora, o que nove cavaleiros de meia-idade poderiam fazer contra as hordas de muçulmanos que estavam tomando conta da região? O que estes nove cavaleiros fizeram foi escavar sob os estábulos do Templo durante nove anos (de 1109 a 1118), até que finalmente encontraram o que estavam procurando…

As ruínas do Templo
Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as veneradas ruínas, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Kabbalah. E entraram. Uma extensa galeria conduziu-os até uma porta chapeada de ouro por detrás da qual deveria estar o maior Segredo da Humanidade.

Sobre a porta, uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-SE DO MUNDO DOS VIVOS.

Hugh de Payens escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD. Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão.

A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica da Kabbalah. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Yetzira propõe ao entendimento humano. As chaves expostas sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dão aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa, encantadora. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas.

Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já tinha uma concepção acerca da idéia de Deus que não era muito católica. A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência à inicial que, no centro do Triângulo, simbolizava a unidade perfeita: YOD.

Continua…

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-cavaleiros-templ%C3%A1rios-parte-1

Eletric Ladyland, Jimi Hendrix

A relação de Jimi Hendrix com magia negra é bem anterior a óbvia obra prima Vodu Chile e suas cenas botando fogo cerimonialmente em seus instrumentos de trabalho. Hendrix tinha fama de ser possuído por todos os seus demônios cativos em cima do palco. Seu interesse nos cultos africanos e em especial no culto Yoruba podem ser evidenciados na maioria de suas entrevista, mas começou com o encontro com o baterista Kwasi Dzidzornu, vulgo Rocki.

Rocki, nativo de Ganá  era filho de sacerdote e percebeu que as músicas de Hendrix eram muito semelhantes aos toques que ouvia quando era pequeno. Na excelente biografia de Jimi Hendrix, ‘Escuse me while I kiss the sky” lemos:

“Uma das primeiras coisas que Rocki perguntou a Jimi foi onde ele tinha aprendido aqueles capenga que muitas das ‘assinaturas rítmicas’ que Jimi tocava na guitarra eram, freqüentemente, idênticas aos ritmos que seu pai tocava em cerimônias Vodu. A maneira com que Jimi dançava aos ritmos que tocava faziam Rocki rememorar os ritmos que seu pai tocava para os loas. A cerimônia é chamada de Vodushi. Quando criança na aldeia, Rocki entalhava em madeira representantes destes espíritos. Eles também representavam seus ancestrais. Estes eram os deuses-demônios que eles adoravam e vieram a tomar um bocado de espaço na casa de Jimi.”

Em sua época de ouro a fama era de que Hendrix vendera a alma ao diabo em troca de seus talentos musicais. Sua namorada oficial, Fayne Pridgon, disse: “Ele costuma falar que há um tipo de diabo nele, você sabe, ele não tinha muito controle sobre isso. Ele não sabia a razão de muitas das coisas que fazia ou dizia em suas canções. ”

Quando colocado contra a parede e questionado se acreditava nestes demônios Jimi se saiu com essa: “Pergunte as cordas de minha guitarra e ouvirá a resposta.”. A música escolhida para representar o álbum registra o amor lascivo de Hendrix pela Magia Cigana, encontrada nesta pérola chamada Eletric Ladyland.

Gypsy Eyes, Jimi Hendrix

 

Well I realize that I’ve been hypnotized, I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
Alright!

Hey!
Gypsy.

Way up in my tree I’m sitting by my fire
Wond’rin’ where in this world might you be
And knowin’ all the time you’re still roamin’ in the country side
Do you still think about me?
Oh my gypsy.

Well I walked right on to your rebel roadside
The one that rambles on for a million miles
Yes I walk down this road searchin’ for your love and ah my soul too
But when I find ya I ain’t gonna let go.

I remember the first time I saw you
The tears in your eyes look like they’re tryin’ to say
Oh little boy you know I could love you
But first I must make my get away
Two strange men fightin’ to the death over me today
I’ll try to meet cha by the old highway.
Hey!

Well I realize that I’ve been hypnotized, I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
Alright!

I’ve been searchin’ so long my feet have made me lose the battle
Down against the road my weary knees they got me
Off to the side I fall but I hear a sweet call
My gypsy eyes is comin’ and I’ve been saved.

Oh I’ve been saved
That’s why I love you uh
Said I love you
Hey!
Love you uh
Lord I love you
Hey!

Tradução de Gypsy Eyes
Olhos ciganos

Bem ,descobri que fui hipnotizado,
Amo seus olhos ciganos
Amo seus olhos ciganos
tudo bem!
hey! cigana
escalo minha árvore e fico e me aqueço no fogo
querendo descobrir onde neste mundo você está
e sabendo o tempo todo que você continua rodando pelo país
você ainda pensa em mim?
oh, minha cigana
bem, eu fui até a estrada, o lugar onde você vive
aquele que se situa a milhão de milhas
sim, saí por aquela estrada em busca de seu amor e de minha alma também
mas quando encontrá-la não vou deixá-la ir
lembro-me da primeira vez que a vi
as lágrimas em seus olhos pareciam que tentavam dizer
oh menino, você sabe que eu poderia amar você
mas pimeiro devo trilhar meu caminho
hoje, dois homens estranhos brigaram até a morte por mim
vou encontrá-lo lá na velha estrada velha
hey!
tenho procurado por tanto tempo e meus pés me fizeram perder a batalha
andando pela estrada meus joelhos cansados
me jogaram fora do caminho, caí mas ouvi uma voz doce chamar
minha olhos ciganos está vindo e serei salvo
oh estarei salvo
por que eu a amo tanto
disse eu te amo
hey!
te amo uh
deus, eu te amo
hey!

Nº 71 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/eletric-ladyland-jimi-hendrix/

O Senhor dos Anéis e a Kabbalah

Aproveito o começo da Campanha do RPGQuest, um Jogo Baseado na Jornada do herói, para publicar este texto que já estou devendo para vocês ha algum tempo e explicar a importância de se estudar Kabbalah hermética e sua aplicação direta na construção de histórias épicas.

Não vou entrar em detalhes sobre cada uma das Esferas porque nesta altura do campeonato vocês já estão mais carecas que o gollum de saber do que se trata o assunto (se não conhecem, recomendo este livro de Kabbalah Hermética para entender todas as nuances da Árvore da Vida), então vamos às Esferas:

Um dos erros que tenho visto o pessoal nas listas de thelema, kabbalah e mitologia cometer é achar que a “Jornada do herói” é apenas de UM herói por vez. Como mostramos no texto sobre o filme Animais Fantásticos, a Jornada do Herói pode ser construída em múltiplos níveis situacionais e ser dividida em diversos personagens.

Malkuth – O reino, o Início da Jornada do herói. O Shire. No começo da Jornada do herói, temos o famoso “Chamado à Aventura” onde Gandalf chega ao Shire para iniciar toda a Jornada que Frodo e seus companheiros terão de percorrer. Mas o Senhor dos Anéis não possui apenas UM Herói em sua narrativa. O Sol (Tiferet) está dividido na narrativa de três personagens: Frodo, o herói ordinário que é arrancado do seu cotidiano para entrar em um universo muito maior do que o que estava anteriormente, tal qual Harry Potter, Luke Skywalker e muitos outros que seguem a Kabbalah Hermética; Aragorn, o Rei que precisa da jornada para retomar seu local de direito no Reino, tal qual o Rei Arthur; e finalmente Gollum, a Sombra que acompanha o iniciado em sua Jornada e o Deus Solar do Sacrifício (veremos o Sacrifício em duas partes neste épico. O Sacrifício de Chesed para se tornar Hochma e o sacrifício da Sombra do herói para a destruição do lado qlifótico da alma, no qual Gollum encontra a redenção).

Yesod – A figura feminina representada por Galadriel, que faz as partes de Yesod (a figura materna), Netzach (como sedutora) e Hochma (como Senhora das tempestades). Cuida dos heróis na Jornada ao mesmo tempo em que é tentada pelo poder ilusório do anel.

Hod e Netzach – As partes do subconsciente do herói que representam a Razão e a Emoção, tal qual Ron e Hermione, R2-D2 e C3PO, acompanham o herói durante toda a jornada, lembrando-lhes sempre de sua mortalidade. Sam e Pippin acompanham tanto o Iniciado (Frodo) quanto sua Sombra (Gollum) até os limites do Abismo (Mordor, lar de Sauron, que não por acaso é representado na forma de um “olho que tudo vê”, a letra Ayin na Kabbalah e o Caminho do Diabo no Tarot). Arwen faz o papel de futura Rainha, como amante de Aragorn (Tiferet).

Tiferet – O Rei. Dividido em três níveis de consciência e três jornadas distintas: Frodo como o herói tradicional da jornada de Campbell, que é arrancado de sua paz e tranquilidade para viver uma jornada. Frodo representa os leitores que também são arrancados do conforto de suas poltronas para viverem uma aventura de seu ponto de vista; Aragorn como o SAG e a Essência, que já possui sua realeza mas precisa recuperá-la através da mesma jornada do iniciado e, finalmente, Gollum que vivia nas sombras pela tentação qlifótica e tem a oportunidade de redenção durante a jornada.

Geburah – Legolas e Gimli são os guerreiros que acompanham o Herói. Partes antagônicas (tal qual Bruce Banner e o Hulk, dr Jeckyll e mr. Hide e Han Solo e Chewbacca), a esfera marcial está sempre ancorada no rigor e na ira, com personagens extremamente precisos e/ou científicos e/ou heróicos e suas contrapartes brutais, bestializadas ou selvagens. Juntos também formam um par em um segundo nível entre a Beleza e o Rigor, duas das colunas do Templo Simbólico de Salomão.

Chesed – O mentor e o Guia, representado por Gandalf, o herói que já possui sua própria coroa de reconhecimento e que guia o protagonista através da Jornada (como Dumbleodore, Merlin ou o Mestre Yoda). O sacrifício maior em prol do grupo (letra NUN na Kabbalah e arcano da Morte no tarot) é necessário para que ele possa se tornar Gandalf, o Branco (Hochma, a figura que atravessa o Abismo em direção à Sabedoria e, ao final da Jornada, pode atravessar para o “outro lado”).

Daath – O Portal, representado no desafio primordial da Jornada, tal qual o Imperador, a bruxa malvada da Branca de Neve ou Valdemort, representa a causa principal do início da Jornada e a razão do herói existir (os 3 heróis e as três Jornadas, no caso). Tal qual um portal que nos impede de cruzar o abismo, o Conhecimento do bem e do mal fará a separação entre os heróis e o mundo ordinário.

Todas as bases dos roteiros acima são frutos do estudo da Jornada Arquetípica do herói dentro de cada um de nós, cujas fórmulas são derivadas da Kabbalah Hermética. George Lucas, J RR Tolkien, JK Rowlings e muitos outros autores beberam da mesma fonte, que também utilizamos na estrutura do RPGQuest, de modo que cada partida deste Jogo de Tabuleiro será uma Jornada Épica dos Heróis. Uma Campanha inteira de RPG em uma tarde!

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-senhor-dos-an%C3%A9is-e-a-kabbalah

Em crise no Éden

A origem do termo Éden, em hebraico, parece derivar da palavra acade edinu, que deriva do sumério edin. Em todas estas línguas a palavra significa “planície” ou “estepe”. No entanto, o Gênesis nos conta que o Éden era uma espécie de jardim das delícias, com os frutos mais variados e suculentos, onde Adão e Eva viviam em felicidade plena, sem envelhecer, ou trabalhar, ou adoecer. O mito nos conta que Deus havia feito este tal acordo com o primeiro homem e a primeira mulher: poderiam viver indefinidamente em seu jardim, sem conhecer a fome e a morte, contanto que jamais comecem do fruto do conhecimento do bem e do mal.

Mas, estranho de se pensar: seria a ignorância a razão de sua felicidade? Adão e Eva eram imortais, mas todo animal é imortal, na medida em que não desenvolveu a consciência e, dessa forma, não sabe que vai morrer. O mito nos conta que eles foram expulsos do Éden, que “tomaram conhecimento de sua própria nudez”, mas não seria este momento exatamente o grandioso despertar da consciência humana? O momento em que souberam que eram um ser a parte, com vontade própria? Quando compreenderam que eram como qualquer outro animal, exceto pelo fato de que sabiam que iriam morrer? Neste sentido, a questão da existência não é a morte em si, que é fato, mas sim o que faremos desta vida, desta angústia quase insustentável de termos uma alma, algo tão infinitamente belo e frágil, sem sabermos ao certo o que fazer dela…

Sigmund Freud certa vez disse que houveram três feridas narcísicas [1] na humanidade que tiveram como consequência uma mudança significativa na forma como o homem vê a si próprio. Os três pensadores responsáveis por elas foram Nicolau Copérnico, Charles Darwin e o próprio Freud. Eu tendo a ver a análise de Freud como a análise de uma crise da alma humana, mas todas as crises geram admiráveis oportunidades para a elevação de nossa consciência, ao menos para aqueles que tem olhos atentos nas leis da Natureza:

Não estamos no centro

Inspirado por ideias de manuscritos antigos, Copérnico foi o primeiro cientista moderno a contrariar a ideia comum de que a Terra estava situada no centro do Cosmos, e que mesmo o Sol girava em seu redor. Com o heliocentrismo, que foi posteriormente comprovado por observações de Galileu Galilei, o homem se viu destituído do centro mítico do universo. Assim como Narciso, que só conseguia admirar sua própria imagem refletida no lago, o homem antigo acreditava que habitava a morada central, algum ponto importante do infinito…

Mas, estranho de se pensar: como pode o infinito ter um centro? Que importa se é a Terra que gira em torno do Sol, ou o contrário, se hoje sabemos que tudo se encontra catapultado em direção a tal imensidão, e que mesmo o nosso Sol é somente um dentre bilhões de outros sóis? Ainda que a Terra gire em seu torno, o Sol não está fixado em centro algum, mas viaja pelo Cosmos como um pedaço de poeira ao vento matinal. No Cosmos, afinal, nada se perde, mas tudo flui, e se metamorfoseia, se transforma. Somos formados por poeira de estrelas, e nossos átomos são emprestados do mesmo conjunto de átomos que forma tudo o que há.

Dessa forma, todos os pontos estão igualados – o centro não existe, mas se encontra espalhado por todos os lugares.

Não fomos criados perfeitos

Diz o mito que uma bela ninfa, chamada Eco, estava perdidamente apaixonada por Narciso. Mas o belíssimo rapaz, embriagado pelo próprio reflexo, se julgava um deus e, dessa forma, indigno da afeição de uma mera ninfa… Talvez tenha sido um pensamento parecido que levou o homem a se julgar um ser superior em meio a natureza e aos demais animais. Havia sido criado perfeito, pelo próprio Deus, ainda no Éden, de onde havia sido expulso por desejar adquirir conhecimentos proibidos. Isto tudo foi questionado pela teoria de Darwin e Wallace, que postulava que o homem não havia sido criado como era hoje, mas que veio evoluindo pela árvore da vida, desde uma simples bactéria, por bilhões de anos, e por milhões de espécies distintas.

Mas, estranho de se pensar: como poderia o homem ser uma criação perfeita se, ainda no Éden, havia muitas coisas que desconhecia? Veja bem: o fruto que comeu, e que causou sua expulsão do jardim das delícias, trazia não somente o conhecimento do mal, como do bem. Se o homem não conhecia o mal, tampouco conhecia o bem. Era, dessa forma, um perfeito ignorante – como vimos, nem mesmo conhecia sua própria mortalidade.

Hoje sabemos, através da biologia, que o homem não surgiu do nada, nem tampouco é perfeito, mas que evoluiu através das adversidades, de sua relação com o meio ambiente a volta. Darwin disse que através da “guerra da fome e da morte”, a evolução das espécies “tendia a perfeição”. Mas a perfeição a que ele se referia não era uma perfeição final, derradeira, mas um eterno “vir a ser”, um aprendizado sem fim. Não há nada mais sinistro do que a perfeição, se o próprio universo fosse perfeitamente simétrico desde o início do espaço-tempo, matéria e anti-matéria teriam se aniquilado mutuamente, e nada mais haveria do que vácuo e vazio – nenhum lampejo de luz numa escuridão fria, simétrica. Para nossa sorte, a Natureza nunca foi totalmente perfeita. E, quem somos nós, senão crianças em constante aprendizado?

Dessa forma, todos temos de seguir nesta trilha ancestral – a perfeição está no caminho, e não na chegada.

Não conhecemos sequer nossa casa

Coube ao próprio Freud redescobrir o inconsciente humano, aquele mesmo que se mostrava, antigamente, nos mais variados mitos. Pois que mitos nada mais são do que os fatos da mente encenados em ficções, histórias que eram passadas adiante pelos contadores e menestréis… Diz ainda o mito de Narciso que Némesis, a deusa da vingança e da ética, condenou-o por haver ignorado solenemente o amor da ninfa, que terminou por definhar em desilusão. Mesmo o próprio Narciso, condenado a contemplar sua bela face no lago, terminou por definhar e morrer, assim como Eco. Mas, quando foram buscar seu corpo, encontraram apenas uma flor, a flor da alma que havia morrido para a beleza do ego, e agora contemplava uma beleza ainda mais profunda.

Se antes Narciso andava distraído por sua própria beleza, e não observava o mundo a volta, agora havia morrido, e renascido. Um belo mito, que demonstra que nem todas as punições divinas são aquilo que imaginamos a primeira vista. Némesis teve sim compaixão, mas sobretudo senso de justiça: todos, afinal, precisam reavaliar seus atos, até que se conheçam verdadeiramente, até que compreendam os meandros e os monstros de seu próprio inconsciente.

Se Freud encontrou tantos traumas e tanta escuridão nas mentes mais comuns, é porque a era moderna carece de seus mitos, de modo que somente alguns poucos conseguem ser, ainda, psicólogos de si mesmos. Toda a filosofia se encontra aí: autoconhecimento. A filosofia é a verdadeira autoajuda, e conhecer aos próprios pensamentos, sem medo, sem culpa, é a única forma de lapidar a alma, transformar chumbo em ouro, e renascer, como a lótus, em meio ao charco dos desejos desenfreados – agora, devidamente controlados pela vontade.

Dessa forma, foi preciso que uma grande crise se abatesse sobre a alma para que percebêssemos o que somos – hóspedes em nossa própria mente, mas sempre a procura do Anfitrião.

O despertar

Assim como Narciso, Adão e Eva despertaram para uma existência própria, e deixaram de contemplar a Deus – seja indiretamente, pelo amor a própria beleza, seja diretamente, pelo espanto ante tal imenso jardim. Estavam em crise em meio ao próprio Éden, mas tal crise lhes trouxe a oportunidade de serem, enfim, seres que possuem vontade. E assim que puderam, finalmente, escolher por conta própria, escolheram caminhar a frente, em Sua direção, para não somente contemplar, mas compreender… E, em compreendendo, tornarem-se nesta Criação, cocriadores!

***
[1] Referência ao mito de Narciso, que ainda é revisitado ao longo do artigo.

Crédito da imagem: Robert Recker/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Espiritualidade #Gênesis #Freud #Mitologia #Psicologia

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Hellblazer – Constantine

Um dos quadrinhos que eu mais recomendo é Hellblazer , título das histórias do famoso Mago John Constantine , uma das séries mais longas da Vertigo.

Constantine foi abençoado desde sua criação , afinal foi criado por Alan Moore e mais tarde passou por outros excelentes escritores e desenhistas.

Ele apareceu pela primeira vez em Swamp Thing , o Monstro do Pântano , como personagem secundário quando o Alan Moore assumiu e mudou completamente a revista , aliás recomendo Monstro do Pântano , e ainda vou falar dessa HQ aqui.

Logo ele ganhou uma revista só pra ele com o nome de Hellblazer.

O título Hellblazer era para ser na verdade HellRaiser , mas como já existia um filme de terror com o nome foi decidido usar Hellblazer.

Na ideia original era para ser uma HQ de terror , mas o estilo fica meio como de aventura e suspense.

Em Hellblazer você pode encontrar muitos temas diferentes por edição , são alguns deles são : xamanismo , mitologia , voodoo , radiestesia, I ching , projeção astral , uso de drogas para acessar outras dimensões , pactos , evocações , deuses , egrégoras , arquétipos , anjos, demônios , demônios feitos do inconsciente coletivo , sincronicidade, histórias bíblicas , conspirações governamentais , camelot/Merlin/Rei Arthur , maçonaria e muito mais.

A história de John e ocultismo começa antes mesmo dele nascer , pois muitos dos seus ancestrais já eram ligados com magia.

Ele é um homem loiro , fumante , adora uma cerveja de preferência Guinness e não é tão anti-herói quanto alguns textos da internet dizem , porém na maior parte das vezes acaba por envolver pessoas inocentes em suas tramas , fazendo ele carregar algumas mortes na consciência.

Constantine na maior parte das vezes usa originalidade para resolver seus problemas , e apesar de ter dons muito úteis ele os usa raras vezes , um exemplo dessas habilidades é a Hipnose e em alguns capítulos ficamos sabendo que ele é sensitivo também.

Cada capítulo tem em torno de 26 páginas , isso sempre deixa o leitor com aquela sensação , de “Já Acabou?”.

As histórias são meio que narradas por John , uma estratégia que faz o leitor entender melhor alguns fatos , com eles sendo “explicados” , tudo com uma pitada de humor e com excelentes frases e tiradas de John.

Uma coisa que também ajuda Hellblazer ser um grande sucesso é o sistema em que os capítulos são criados , que na maior parte vezes não são relacionadas uns com os outros , isso ajuda um pouco em relação as vendas pois você não deixa de comprar uma edição porque perdeu outras , uma estratégia muito presente na editora vertigo , mas é claro que tem momentos em que uma edição tem continuação em outra.

Gosto de deixar claro que no universo de Constantine , basta você ter um Grimorium Verum e você pode evocar qualquer entidade e essa vai aparecer para você toda bonitinha , por isso mesmo não podemos esquecer que é um mundo de “fantasia” , apesar disso vemos conceitos ocultistas presentes tipo como a diferença entre Lúcifer e o Diabo.

Entre os diversos escritores e ilustradores de Hellblazer temos , Jamie Delano , Garth Ennis , Neil Gaiman , Grant Morrison, Warren Ellis , e outros mais.

Além disso as capas de Hellblazer são verdadeiras obras de arte.

Dica : Quando for ler Hellblazer , abra o Google e procure as palavras interessantes ou nomes que não conhece você pode aprender muito assim.

Atualmente Hellblazer esta sendo distribuído pela Panini que assumiu boa parte das HQ´s do Brasil , mais já passou por muitas editoras e como foi dito no começo a série é uma das mais longas já passando de 275 edições.

Em 2005 foi lançado o filme com o nome Constantine adaptado dos quadrinhos , foi um sucesso de bilheteria e foi feito para agradar tanto quem goste do tema Magia , como também religiosos , tanto agradou que uma cena do final do filme foi usada em uma propaganda da igreja universal , mal sabem que o filme foi baseado em uma HQ de tema que eles repudiam (John Constantine é mesmo muito irônico).

Apesar disso não acredite em nada do que eu disse , vá ler Hellblazer e tire suas próprias conclusões!

Outros Textos da Coluna de Quadrinhos

Lembrando que anotei os pedidos para novas postagens e aos poucos vou colocar aqui , só quero que vocês tenham paciência , pois é apenas uma postagem por mês e agradeço aos comentários na última postagem.

Abraços!!

#HQ

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hellblazer-constantine

Ekadasi: O Surgimento e o Propósito deste Dia Especial

Por Sri Navinacandra Cakravarti e Stephen Knapp

(Este artigo foi escrito em 1956 por Sri Navinacandra Cakravarti, um discípulo de Srila Bhaktisidanta Sarasvati Thakura. Há muitas histórias de Ekadasi nos Puranas, mas a maioria explica os benefícios materiais e bênçãos que se obtém ao observar Ekadasi. Este artigo, baseado na conversa entre Srila Vyasadeva e Jaimini Rishi, dá a verdadeira razão espiritual para seguir o voto de Ekadasi como enfatizado por Sri Caitanya Mahaprabhu em Sri Caitanya-caritamrita e mais tarde por Srila Prabhupada).

Muitos devotos são muito inquisitivos sobre a aparência de Sri Ekadasi e sobre suas características especiais. Portanto, estou apresentando esta descrição do 14º capítulo da Padma Purana, da seção intitulada “Kriya-sagara-sara”.

Uma vez o grande sábio Jaimini Rishi disse a seu mestre espiritual: “Ó Gurudeva! Anteriormente, por sua misericórdia, você me descreveu a história do rio Ganges, os benefícios de adorar Vishnu, a doação de grãos em caridade, a doação de água em caridade e a magnanimidade da água potável que tem sido usada para lavar os pés dos brahmanas. Ó melhor dos sábios, Sri Gurudeva, agora, com grande entusiasmo, desejo ouvir sobre os benefícios do jejum no Ekadasi e sobre o aparecimento do Ekadasi”.

“Ó Gurudeva! Quando Ekadasi nasceu e de quem ela apareceu? Quais são as regras do jejum no dia de Ekadasi? Por favor, descreva os benefícios de seguir este voto e quando ele deve ser seguido. Quem é a máxima divindade adoradora que preside a Sri Ekadasi? Quais são as falhas em não observar Ekadasi adequadamente? Por favor, conceda-me sua misericórdia e fale sobre estes assuntos, pois você é a única personalidade capaz de fazer isso”.

Srila Vyasadeva, ao ouvir esta indagação de Jaimini Rishi, tornou-se situado em êxtase transcendental. “Ó brahmana sábio Jaimini! Os resultados de seguir Ekadasi podem ser perfeitamente descritos pelo Senhor Supremo, Narayana, porque Sri Narayana é a única personalidade capaz de descrevê-los em sua totalidade. Mas vou dar uma descrição muito breve em resposta à sua pergunta”.

“No início da criação material, o Senhor Supremo criou as entidades vivas móveis e não móveis dentro deste mundo feitas de cinco elementos materiais brutos. Simultaneamente, com o propósito de punir os seres humanos maus, Ele criou uma personalidade cuja forma era a encarnação dos piores tipos de pecado (Papa-purusha). Os diferentes membros desta personalidade foram construídos de várias atividades pecaminosas. Sua cabeça era feita do pecado de assassinar uma brahmana, seus dois olhos eram a forma de beber intoxicantes, sua boca era feita do pecado de roubar ouro, suas orelhas eram a forma do pecado de ter ligação ilícita com a esposa do mestre espiritual, seu nariz era do pecado de matar a esposa, seus braços a forma do pecado de matar uma vaca, seu pescoço era feito do pecado de roubar a riqueza acumulada, seu peito do pecado do aborto, seu peito inferior do pecado de ter relações sexuais com a esposa do outro, seu estômago do pecado de matar a família, seu umbigo do pecado de matar aqueles que dependem dele, sua cintura do pecado de autoavaliação egoísta, suas coxas do pecado de ofender o guru, seus genitais do pecado de vender a filha, suas nádegas do pecado de contar assuntos confidenciais, seus pés do pecado de matar o pai, e seu cabelo era a forma de todo tipo de atividades pecaminosas menos severas. Desta forma, foi criada uma personalidade horrível que incorporava todas as atividades e vícios pecaminosos. Sua cor corporal é preta, e seus olhos são amarelos. Ele inflige uma miséria extrema sobre as pessoas pecadoras.

“A Suprema Personalidade da Divindade, o Senhor Vishnu, ao ver esta personalidade de pecado, começou a pensar para si mesmo da seguinte forma: “Eu sou o criador das misérias e da felicidade para as entidades vivas. Eu sou seu mestre porque criei esta personalidade de pecado, que dá aflição a todas as pessoas desonestas, enganosas e pecadoras”. Agora eu devo criar alguém que controle esta personalidade”. Neste momento, Sri Bhagavan criou a personalidade de Yamaraja e os diferentes sistemas planetários infernais. Essas entidades vivas que são muito pecaminosas serão enviadas após a morte para o Yamaraja, que por sua vez, de acordo com seus pecados, as enviará para uma região infernal apropriada para sofrer.

“Depois destes ajustes, o Senhor Supremo, que é o doador de aflição e felicidade às entidades vivas, foi à casa de Yamaraja, com a ajuda de Garuda, o rei dos pássaros. Quando Yamaraja viu que o Senhor Vishnu havia chegado, lavou imediatamente os pés e fez uma oferenda a Ele. Em seguida, mandou-o sentar-se em um trono dourado. O Supremo Senhor Vishnu sentou-se no trono, e ouviu sons de choro muito altos vindos da direção sul. Ele se surpreendeu com isso e perguntou a Yamaraja: “De onde vem esse grito alto?

“Yamaraja em resposta disse: ‘Ó Deva! As diferentes entidades vivas dos sistemas planetários terrestres caíram para as regiões infernais. Elas estão sofrendo muito por seus erros. O choro horrível é devido ao sofrimento das infligências de suas más ações passadas”.

“Depois de ouvir isto, o Supremo Senhor Vishnu foi para a região infernal ao sul. Quando os habitantes viram quem tinha vindo, começaram a chorar ainda mais alto. O coração do Supremo Senhor Vishnu ficou cheio de compaixão. O Senhor Vishnu pensou para si mesmo: “Eu criei toda esta progênie, e é por minha causa que eles estão sofrendo”.

Vyasadeva continuou: “Ó Jaimini, escutai o que o Senhor Supremo fez a seguir”. Depois que o misericordioso Senhor Supremo pensou sobre o que Ele havia considerado anteriormente, Ele subitamente manifestou de Sua própria forma a divindade do dia lunar Ekadasi. Depois disso, as diferentes entidades vivas pecaminosas começaram a seguir o voto de Ekadasi e foram então elevadas rapidamente à morada de Vaikuntha. Ó meu filho Jaimini, portanto, o dia lunar de Ekadasi é a mesma forma do Senhor Supremo, Vishnu, e da Superalma dentro do coração das entidades vivas. Sri Ekadasi é a atividade mais piedosa e está situado como a cabeça entre todos os votos.

“Após a ascensão de Sri Ekadasi, aquela personalidade que é a forma de atividade pecaminosa gradualmente viu a influência que ela, Ekadasi, teve. Assim, ele se aproximou do Senhor Vishnu com dúvidas em seu coração e começou a fazer muitas orações, após o que o Senhor Vishnu ficou muito satisfeito e disse: “Fiquei muito satisfeito com suas boas ofertas. Que bênção é essa que você quer?

“O Papa-purusha respondeu: “Eu sou sua progênie criada, e foi através de mim que você quis que a aflição fosse dada às entidades vivas, que são muito pecadoras”. Mas agora, pela influência de Sri Ekadasi, eu me tornei praticamente destruído. Ó Prabhu! Depois que eu morrer, todas as Suas partes e parcelas que aceitaram corpos materiais serão liberadas e retornarão à morada de Vaikuntha (o domínio espiritual). Se esta libertação de todas as entidades vivas ocorrer, então quem realizará Suas atividades? Não haverá ninguém para decretar os passatempos nos sistemas planetários terrestres! Ó Keshava! Se você quer que esses passatempos eternos continuem, por favor, me salve do medo de Ekadasi. Nenhum tipo de atividade piedosa pode me prender. Mas somente Ekadasi, sendo Sua própria forma manifestada, pode me impedir. Por medo de Sri Ekadasi, fugi e me refugiei de homens; animais; insetos; colinas; árvores; entidades vivas móveis e não móveis; rios; oceanos; florestas; sistemas planetários celestes, terrestres e infernais; semideuses; e o Gandharvas. Não consigo encontrar um lugar onde eu possa estar livre do medo de Sri Ekadasi. Ó meu Mestre! Eu sou um produto de Tua criação, portanto, muito misericordiosamente me dirija a um lugar onde eu possa residir sem medo”.

Vyasadeva então disse a Jaimini: “Depois de dizer isto, a encarnação de todas as atividades pecaminosas (Papa-purusha) caiu aos pés do Supremo Senhor Vishnu, que é o destruidor de todas as misérias e começou a chorar.

“Depois disto, o Senhor Vishnu, observando a condição do Papa-purusha, começou a falar assim com gargalhadas: ‘Ó Papa-purusha, levantai-vos! Não lamente mais. Basta ouvir, e eu lhe direi onde você pode ficar no dia lunar de Ekadasi. Na data do Sri Ekadasi, que é o benfeitor dos três sistemas planetários, você pode se abrigar de alimentos em forma de grãos. Não há mais motivo para se preocupar com isso, pois minha forma como Sri Ekadasi não o impedirá mais”. Depois de dar direção ao Papa-purusha, o Supremo Senhor Vishnu desapareceu e o Papa-purusha voltou ao desempenho de suas próprias atividades.

“Portanto, aquelas pessoas que levam a sério o benefício final da alma nunca comerão grãos em Ekadasi. De acordo com as instruções do Senhor Vishnu, todo tipo de atividade pecaminosa que pode ser encontrada no mundo material tem sua residência neste lugar de alimento (grãos). Quem segue Ekadasi é libertado de todos os pecados e nunca entra nas regiões infernais. Se alguém não segue Ekadasi por ilusão, ele ainda é considerado o maior pecador. Para cada boca cheia de grãos que é comida por um residente da região terrestre (em Ekadasi), recebe-se o efeito de matar milhões de brahmanas. É definitivamente necessário que se desista de comer grãos em Ekadasi. Eu repito com muita veemência: “Em Ekadasi, não coma grãos, não coma grãos, não coma grãos”! Seja um kshatriya, vaishya, shudra, ou de qualquer família, ele deve seguir o dia lunar de Ekadasi. A partir daí, a perfeição do varna e do ashrama será alcançada. Especialmente porque se alguém (mesmo) por truque segue Ekadasi, todos os seus pecados são destruídos e ele atinge muito facilmente o objetivo supremo, a morada de Vaikuntha”.

Informações adicionais:

Pelo artigo e história acima podemos entender que Ekadasi é uma forma do Senhor Vishnu, e ao observar o voto de Ekadasi, ele não apenas diminui a quantidade de pecado (mau carma) que ingerimos, mas também come reações pecaminosas para ajudar a preparar nosso caminho de volta à morada do Senhor Vishnu, Vaikuntha. É também por isso que Ekadasi é chamado de “A mãe da devoção”. Ele ajuda a remover os obstáculos em nosso caminho de serviço devocional ao Senhor.

Ekadasi geralmente cai no 11º dia após a lua nova, e no 11º dia após a lua cheia. Eka significa um e dasi é a forma feminina de dasa, que significa dez. Juntos, significa onze. Só ocasionalmente pode cair em um dia diferente. Então é nesses dias que os devotos e devotos hindus seguirão o voto de Ekadasi e não comerão feijões ou grãos, ou produtos com tais substâncias neles. Assim, espera-se que a dieta seja simples e simples como parte do clima de renúncia, e de preferência apenas uma vez no dia, se possível. Outras recomendações incluem que os alimentos devem ser feitos de vegetais, frutas, água, produtos lácteos, nozes, açúcar e raízes que são cultivadas no subsolo (exceto raízes de beterraba). As restrições incluem espinafre, berinjela, assafétida e sal marinho, mas o sal grosso é permitido.

Como há 12 meses em um ano, com dois Ekadasis em cada mês, há 24 Ekadasis em cada ano. Cada Ekadasi tem um nome, que são Utpanna, Mokshada, Saphala, Putrada, Shat-tila, Jaya, Vijaya, Amalaki, Papamocani, Kamada, Varuthini, Mohini, Apara, Nirjala, Yogini, Padma (Devashayani), Kamika, Putrada, Aja, Parivartini, Indira, Papankusha, Rama, e Haribodhini (Devotthani). Ocasionalmente, há dois Ekadasis extras que acontecem em um ano bissexto lunar, que são Padmini e Parama.

Cada dia Ekadasi tem benefícios e bênçãos particulares que se podem alcançar através da realização de atividades específicas realizadas naquele dia. Ao participar do estudo extra para aprender o que são, pode-se obter ainda mais benefícios de cada Ekadasi em particular. Estão disponíveis livros dedicados ao Ekadasi que contêm tais informações, portanto, não as incluiremos aqui. Entretanto, a leitura das glórias de cada dia Ekadasi, juntamente com todos os nomes desses dias, também atingirá um objetivo semelhante de observar o voto Ekadasi. Isto também significa que somos encorajados a aumentar nossas atividades espirituais naquele dia, que estão centradas em torno do canto dos santos nomes do Senhor. Caridade, especialmente para devotos avançados e pregadores do Darma, ou diretamente envolvidos em atividades da consciência de Krishna, culto à Deidade, canto dos hinos purusha-sukta, ou outras atividades espirituais no Ekadasi também são altamente recomendados e trazem grandes benefícios espirituais para o intérprete.

Diz-se que mesmo que se perca por engano a observância de um Ekadasi, ele ou ela pode compensar observando-o no dia seguinte no Dvadasi, e depois quebrar o jejum do grão no dia seguinte, Trayodasi. Também se pode observar o jejum especial em Nirjala Ekadasi. Este também é chamado de Bhima Ekadasi. Isto porque o irmão Pandava conhecido como Bhima era tão forte e tinha um apetite tão voraz que não podia observar Ekadasis duas vezes por mês. Ele não conseguia jejuar porque estava com muita fome. Então o Senhor Krishna lhe disse para observar apenas um Ekadasi por ano, que é o Nirjala Ekadasi. Nir jala significa sem água. Então ele tinha que observar pelo menos um Ekadasi por ano, e naquele dia ele tinha que se abster não só de feijões e grãos, mas de todos os alimentos, até mesmo de água. Assim, os devotos que perdem um dia de Ekadasi frequentemente observam um jejum completo de todos os alimentos e líquidos no Nirjala Ekadasi, que geralmente é em algum momento em junho, e assim compensam tudo o que foi perdido. Entretanto, este é um Ekadasi muito potente, então um jejum completo neste dia dá a quem observa estes muitos créditos piedosos.

Às vezes, há um dia chamado Mahadvadasi. É quando Ekadasi é astronomicamente combinado com Dvadasi, ou o décimo segundo dia do ciclo lunar da lua cheia ou da lua nova. Isto é chamado de Ekadasi puro e a observância é frequentemente iniciada na noite antes de Mahadvadasi e até o dia seguinte com o Ekadasi básico rápido.

Quebrar o Ekadasi rápido no dia seguinte com alguns alimentos feitos de grãos é normalmente feito duas horas e meia ou logo depois, a partir do nascer do sol.

No Caitanya-caritamrita (Adi-lila, 15-9-10), Sri Caitanya implora a sua mãe para seguir o Ekadasi, como era esperado de todos os seus seguidores. E no propósito deste verso Srila Prabhupada explica que mesmo que os devotos comam comida cozinhada e oferecida ao Senhor Vishnu, prasada, que é espiritualmente potente e livre de todo carma, mesmo em Ekadasi um devoto não come nem mesmo maha-prasada que tenha grãos nele, mesmo que possa ser guardada para o dia seguinte.

Desta forma, pela observância do dia especial do Ekadasi e seu jejum especial, uma pessoa pode acelerar seu crescimento espiritual e sua consciência, e libertar-se de carma negativo que só os ligará ainda mais às contínuas rondas de nascimento e morte.

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Fonte:

CAKRAVARTI, Sri Navinacandra Cakravarti; KNAPP, Stephen. Ekadasi: The Appearance and Purpose of This Special Day. Stephen-Knapp, 2022. Disponível em: <https://www.stephen-knapp.com/ekadasi.htm>.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/ekadasi-o-surgimento-e-o-proposito-deste-dia-especial/

O homem que esquecia (parte 1)

Um conto sobre os observadores do céu…

Oliver apaixonara-se pelas estrelas ainda criança, aproveitando muitas de suas horas noturnas para brincar com a imaginação, valendo-se não de soldados de plástico ou animações de pixels, mas da luz das estrelas sobre o pálido céu noturno e soturno de sua pequena cidade no interior.

Seus pais lhe ensinaram que as estrelas não eram deuses, e sim gigantescas fornalhas cósmicas. Mesmo assim, o garoto lia muitas histórias em quadrinhos, e imaginava que algumas das estrelas cintilavam de forma diferente das outras… “Será que são alienígenas nos enviando alguma mensagem? Será que alguém está nos chamando para viajar até lá?” – como nenhum adulto considerava seriamente suas questões, terminou por admitir: “Bem, são só estrelas mesmo”.

Quando decidiu o que apostar no vestibular, já sabia das histórias de Kepler, Galileu, Newton e Einstein. Já havia se apoiado em ombros de gigantes e vislumbrado com sua vasta imaginação toda a longa trilha da luz – desde os primeiros minutos do Cosmos até alcançar o mesmo céu que observara por tantas horas de tantas noites em sua pequena luneta. Oliver queria ser astrônomo. Seus pais afirmavam que era por amor a ciência, mas ele sabia que no fundo queria mesmo era ter acesso a lunetas maiores, cada vez maiores…

Oliver quase se arrependeu quando percebeu que tinha de estudar muito mais do que seus colegas economistas e advogados, para ganhar muito menos. “Que importa, mesmo que fosse milionário não poderia comprar um observatório inteiro só para mim…” – esse pensamento costumava amenizar seu rancor em relação ao assunto.

Durante a faculdade conheceu uma bióloga que se chamava Maria. Quando a pediu em namoro, em um parque da capital, apontou para o céu noturno e disse: “Eu sou Rigel, porque sempre gostei desse sol da constelação de Órion; e você é aquela ali, Maria, logo ao meu lado”. Porém, para sua surpresa, Maria respondeu: “Ei, mas ali são três Marias, assim vou ficar com ciúmes das outras duas!”.

“Não se preocupe, é que as outras duas são nossas filhas: Maria Cristina e Maria Luísa” – Assim Oliver conseguiu contornar o problema astronômico do início de sua relação, mas ao terminar o mestrado se arrependeu: Maria estava grávida de duas meninas gêmeas… Oliver preferia que as Marias ao menos nascessem uma de cada vez…

Era uma vida feliz. Oliver conseguira constituir família e ter um bom padrão social trabalhando com o que ama, observando o céu e tentando encontrar padrões que auxiliassem nas teorias de ponta de sua época. Trabalhava em contato com grandes astrônomos do mundo todo e estava pensando em escrever um livro sobre as estrelas. Mas essa vida terminou quando um dia, após deixar as filhas no colégio, sofreu um acidente de carro a caminho do observatório… Era grave, e Oliver teve de permanecer em coma induzido por mais de uma semana. O que preocupava não era seu corpo, alguns arranhões e um pé quebrado não eram nada… Mas sua situação neurológica talvez nunca mais fosse a mesma.

Quando acordou viu toda a família, mas se lembrava apenas dos pais, dos irmãos e dos primos – esquecera quase por completo que tinha esposa e filhas gêmeas… Oliver manteve sua capacidade lógica e raciocínio intactos, mas todas as emoções que houvera tido ao lado das três Marias haviam sido eclipsadas por alguma lua obscura.

Desde esse dia, e todos os dias, sua família lhe ajudava a relembrar das três Marias, mas após cada noite de sono, acordava novamente sem qualquer memória delas… Por um lado era um casamento maravilhoso: Oliver redescobria seu grande amor e suas filhas todas as manhãs, e dormia radiante, tão apaixonado quanto estava ao declarar seu amor num parque da capital.

Por outro lado, era uma situação terrível para aqueles que não esqueciam: sua mulher já não conseguia mais descrever a mesma história todos os dias, pelo menos não com a mesma emoção… E suas filhas já haviam cansado de tentar ensinar ao pai que eram suas filhas, preferiam simplesmente ver desenho a essa altura.

Tentaram todo tipo de tratamento neurológico, mas não resolveu… Como agora trabalhava apenas como divulgador de ciência, escrevendo livros aclamados pela crítica especializada, Oliver achou por bem tentar registrar em um caderno as histórias que ouvia todos os dias pela manhã – por mais bizarras que lhe parecessem –, assim pelo menos poupava sua recém descoberta esposa de ter de repetir a mesma história ad infinitum. Poderia agora ler, ele mesmo, seu próprio caderno de anotações. Ele o chamou de Caderno do Amor.

» continua na parte 2

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Crédito da foto: Trevor Lush/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Contos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-homem-que-esquecia-parte-1

De onde vêm as 72 virgens?

Supondo que a religião islâmica realmente assegure 72 virgens aos que morrem em nome de Alah, será que esta graça está reservada aos mártires ou é estendida a todos os fiéis que adentram o paraíso? E de onde vêm 72 mulheres virgens para cada homem do reino dos céus? São as almas das mulheres que morreram imaculadas que vão ao céu servir os mártires? Se não, o que reserva o céu às mulheres mártires? maridos perfeitos que nunca se esquecem de abaixar a tampa da privada? Pensando em todas estas questões decidi pesquisar um pouco mais sobre o paraíso islâmico.

Comecei pelo Alcorão. O livro máximo da religião islâmica não deixa dúvidas de que o paraíso islâmico é um lugar bastante sensual, mas nada é dito sobre a quantidade de virgens que aguarda os eleitos.

“E se deitarão sobre leitos incrustados com pedras preciosas, frente a frente, onde lhes servirão jovens de frescores imortais com taças e jarras cheias de vinho que não lhes provocará dores de cabeça nem intoxicação, e frutas de sua predileção, e carne das aves que desejarem. E deles serão as huris [virgens] de olhos escuros, castas como pérolas bem guardadas, em recompensa por tudo quanto houverem feito. (…) Sabei que criamos as huris para eles, e as fizemos virgens, companheiras amorosas para os justos.”

Alcorão, surata 56, versículos 12-40.

(todas as traduções deste texto foram feitas a partir do inglês)

São inúmeras as passagens como esta que mencionam a existência no paraíso de jóias, criados jovens e cheirosos, vinho (uma extravagância, já que o islã proíbe consumir bebidas alcoólicas em vida), rios de leite, rios de mel, rios de água (que costuma ser coisa preciosa nos países muçulmanos), frutas abundantes e moçoilas virgens para fazer “companhia” aos justos… Comparado ao paraíso cristão, com seus anjos assexuados de aparência andrógina tocando harpa e entoando cânticos (quando não estão em missão para destruir alguma cidade ou coisa assim), o céu islâmico parece o Club Med dos paraísos.

Só que diferentemente da Bíblia, que é a única fonte autenticada pela Igreja das palavras de Deus, na religião islâmica o Alcorão é complementado pelos hadiths, uma coletânea de histórias sobre tudo o que supostamente disse ou fez o profeta Maomé durante sua vida, que circularam no boca a boca por mais de um século até serem redigidas em sua forma atual. É aí, nessa barafunda de textos, às vezes antagônicos, que vamos encontrar mais detalhes sobre o paraíso islâmico, incluindo o número de virgens com que os eleitos são agraciados:

“A menor recompensa para aqueles que se encontram no paraíso é um átrio com 80.000 servos e 72 esposas, sobre o qual repousa um domo decorado com pérolas, aquamarinas e rubis, tão largo quanto a distância entre Al-Jabiyyah (hoje na cidade de Damasco) e Sana’a (hoje o Iemem)”

Hadith 2687 (Livro de Sunan, volume IV).

Se esta é a menor recompensa que aguarda os felizardos no paraíso, então é certo que os servos e as virgens não foram parar lá por mérito. Quem sabe fossem candidatos ao inferno (não dizem que “é melhor reinar no inferno que servir no paraíso”?). No caso das virgens isto faria todo o sentido, já que a rotina delas no céu não é moleza; sobre isso escreveu Al-Suyuti, um renomado comentador do Alcorão e estudioso dos hadith, no século XV:

“Cada vez que se dorme com uma huri descobre-se que ela continua virgem. Além disso o pênis dos eleitos nunca amolece. A ereção é eterna. A sensação que se sente cada vez que se faz amor é mais do que deliciosa e se você a experimentasse neste mundo você desmaiaria. Cada escolhido se casa com setenta huris, além das mulheres com que se casou na terra, e todas têm sexos apetitosos.”

Para as virgens o paraíso islâmico é mais ou menos como uma versão pornô do mito de Prometheus (aquele do titã que tinha seu fígado devorado todos os dias por uma águia), só que é o hímen das jovens donzelas, e não o fígado do titã, que se regenera perpetuamente.

Se você tem uma ereção permanente e o resto da eternidade nas mãos algumas dezenas de virgens não devem bastar, por isso o paraíso islâmico conta ainda com um local que, cá embaixo seria chamado de “bordel”, mas que no paraíso islâmico chamam de “mercado”. Segundo os hadith, Maomé teria dito:

“Existe no paraíso um mercado onde não há compra ou venda, mas homens e mulheres. Quando um homem deseja uma mulher ele vai até lá e tem relações sexuais com ela.”

Al Hadis, Vol. 4, p. 172, No. 34

Os cristãos, a quem devemos a noção agostiniana de que o mundo físico é impuro, gostam muito de apontar o dedo na cara dos muçulmanos e dizer que o paraíso deles é “liberal” demais. Aí, é a vez dos muçulmanos dizerem aos cristãos que se eles querem mesmo falar sobre sacanagem em livros sagrados é bom que se lembrem que têm teto de vidro. É impressionante quanta energia é gasta na internet nesta troca de citações porno-sacras entre cristãos e muçulmanos; eu imagino que jovens beatos de ambas as religiões aprendam bastante sobre estupro, pedofilia e prostituição nestes sites.

Bem, na defesa dos muçulmanos é justo dizer que como os hadith foram escritos muito tempo depois da morte de Maomé, nem todos eles são considerados genuínos pelos estudiosos islâmicos (segundo eles, por exemplo, o trecho acima é falso). Só que mesmo as passagens consideradas verdadeiras podem ser bastante embaraçosas; em algumas delas o constrangimento dos tradutores fez com que a formosura das virgens fosse minguando até que seus detalhes anatômicos desaparecessem por completo. Eis um bom exemplo:

Versão 1 – por Arberry

Para os tementes aguardam um lugar seguro, jardins, vinhedos, donzelas de seios arredondados (maduros) e um copo transbordante de vinho.

Versão 2 – por Yusuf Ali

Para os justos haverá a satisfação dos desejos em seu coração, jardins e vinhedos, companheiras da mesma idade e um copo cheio de vinho.

Versão 3 – por Rashad Khalifa

Os justos merecerão uma recompensa. Jardins e uvas. Esposas magníficas. Drinques deliciosos.

Surah an-Naba’ (78:31-34)

Mas existe uma boa chance de que os tradutores islâmicos nunca mais precisem dissimular a exuberância das virgens. Um livro publicado recentemente na Alemanha e muito bem recebido pela comunidade científica, “Die Syro-Aramaische Lesart des Koran” (“Uma Leitura Sírio-Aramaica do Alcorão”), do professor de línguas antigas Christoph Luxenberg, defende a tese de que muita coisa faria mais sentido nos textos sagrados se os tradutores levassem em conta que o Alcorão não foi escrito apenas em árabe, mas num mix de antigos dialetos aramaicos. Por exemplo, a palavra “hur”, que em árabe quer dizer “virgem”, em sírio significa “branca”. Assim, segundo Luxenberg, as “castas huris de olhos castanhos” descritas no Alcorão seriam na verdade “uvas brancas secas” de “clareza cristalina”, uma iguaria bastante apreciada naquela época. Dá para imaginar a decepção dos mártires? Deve ser como comprar uma passagem para um cruzeiro de solteiros e ao embarcar descobrir que não vai ter mulher…

No final o problema das virgens vai ser resolvido com a troca de uma única palavrinha. Nenhum candidato a homem-bomba vai ficar mesmo muito entusiasmado em abandonar esta vida quando souber que sua recompensa por morrer abraçado em dinamite será um suprimento vitalício de passas.

Mas é claro que esta não deveria ser a solução. A continuidade da civilização como a conhecemos não deveria depender da tradução de uma palavra num livro sagrado, ou de distinguir o que de fato disse um homem denominado profeta das fantasias eróticas de um bando de velhos babões. Melhor seria se não houvesse pessoas no mundo dispostas a acreditar literalmente em histórias escritas há milhares de anos, numa época em que a maioria das pessoas sabia tanto sobre o mundo natural quanto provavelmente sabe hoje uma criança da sétima série, e tinha os mesmos temores e superstições infantis de uma criança da quinta série.

Retirado de: http://dragaodagaragem.blogspot.com/

#Islamismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/de-onde-v%C3%AAm-as-72-virgens