Alquimia e Harry Potter, parte I

Arianrhod.

Este artigo traçará a história antiga da alquimia, suas metas e objetivos, e explicará os sete estágios da transformação alquímica. Mais tarde, discutirei os livros um de cada vez, discutindo as imagens alquímicas e o simbolismo em cada um no que se refere aos Sete Estágios e ao enredo. Finalmente, tentarei fazer algumas previsões sobre o próximo livro com base nos princípios da alquimia e nos elementos necessários para que Harry termine sua jornada para a iluminação e imortalidade espiritual.

  1. Uma (Muito) Breve Introdução à Alquimia:

A alquimia é uma prática protocientífica inicial que combina elementos de química, física, astrologia, arte, semiótica, metalurgia, medicina, misticismo e religião. Dois objetivos entrelaçados procurados por muitos alquimistas eram a pedra filosofal, uma substância mítica que possibilitaria a transmutação de metais comuns em ouro; e a panaceia universal, um remédio que curaria todas as doenças e prolongaria a vida indefinidamente. A alquimia pode ser considerada como a precursora da moderna ciência da química anterior à formulação do método científico.

A palavra alquimia vem do árabe al-kimiya ou al-khimiya e da palavra grega khumeia, que significa “juntar”, “derramar”, “soldar”, “ligar”, etc. (de khumatos, aquilo que é derramado fora, um lingote”). Outra etimologia liga a palavra com “Al Kemi”, que significa “a arte egípcia”, já que os antigos egípcios chamavam sua terra de “Kemi” e eram amplamente considerados como poderosos magos em todo o mundo antigo.

Essa é a definição padrão dos livros didáticos de alquimia como ciência, que é encontrada literalmente em vários sites de alquimia. Como veremos, porém, os próprios alquimistas eram tudo menos malucos, pagãos e ocultistas. A alquimia era muito mais do que uma protociência infantil baseada em princípios quase científicos e impregnada de alegoria e metáfora, embora certamente tivesse muito disso.

Ninguém sabe realmente a idade da alquimia. De acordo com o alchemylab.com, há algumas evidências de que o advento da alquimia antecede a Revolução Agrícola, que ocorreu há cerca de 8.000 anos. Algumas fontes conectam alquimia com xamanismo e metalurgia; certamente era conhecido na Suméria, Egito e Babilônia e mais tarde na Grécia, misturando-se cada vez mais com metalurgia e adivinhação até o advento do cristianismo, quando se tornou uma filosofia de pleno direito por direito próprio. Muitos dos alquimistas medievais eram devotos cristãos ou muçulmanos e começavam todos os dias com orações e devoções.

A alquimia como filosofia (assim como o Tarô, a Cabala, a astrologia e todos os estudos ocultistas) deve sua existência a um único documento chamado A Tábua de Esmeralda, também conhecida como a Mesa Smaragdine, Os Segredos de Hermes ou a Tabula smaragdina de Hermes Trismegisto. É um texto curto e enigmático que pretende revelar o segredo da substância primordial e suas transmutações. Até o século XX, suas primeiras fontes conhecidas eram manuscritos latinos medievais, mas a fonte documentada mais antiga para o texto é o Kitab Sirr al-Asrar, um livro de conselhos para governantes de autoria de Abd al-Qadir al-Jilani por volta de 800 d.C. Esta obra foi traduzida para o latim como Secretum Secretorum (O Segredo dos Segredos) por Johannes “Hispalensis” ou Hispaniensis (João de Sevilha) por volta de 1140 d.C. e por Filipe de Trípoli por volta de 1243 d.C. 1

A palavra-chave aqui é “documentado”. As origens da Tábua de Esmeralda podem remontar a vários milhares de anos; foi traduzido para o grego por estudiosos alexandrinos e, na verdade, foi exibido no Egito em 330 a.C. Por volta do ano 400 d.C., teria sido enterrado em algum lugar no planalto de Gizé para protegê-lo de fanáticos religiosos que estavam queimando bibliotecas ao redor do mundo naquela época. Muitos acreditam que a tabuleta ainda está escondida lá, escondida sob um hipogeu sob as patas traseiras da Esfinge. Segundo a lenda, o deus egípcio Thoth construiu um Salão de Registros ali, armazenando todos os registros da humanidade antes do dilúvio universal.

Para esclarecer um ponto: Hermes Trismegisto não deve ser confundido com o deus grego Hermes. Enquanto o nome Hermes Trismegisto significa “Hermes Três Vezes Grande”, o nome é realmente uma combinação do deus grego e Thoth, o deus egípcio do conhecimento, sabedoria e escrita. Aliás, os gregos, e os romanos depois deles, se recusaram a identificar Thoth com Hermes ou Mercúrio, e Cícero notou vários indivíduos conhecidos como Hermes. Hermes e Thoth, no entanto, compartilhavam muitos traços semelhantes. Ambos são deuses da escrita, comunicação e magia, e ambos eram considerados psicopompos, ou deuses que agiam como guias para as almas na vida após a morte.

No século XIV, o alquimista Ortolano escreveu O Segredo de Hermes, que influenciou o desenvolvimento subsequente da alquimia. Muitos manuscritos desta cópia da Tábua de Esmeralda e o comentário de Ortolano sobrevivem, datando pelo menos desde o século XV. A Tábua também foi encontrada anexada a manuscritos do Kitab Ustuqus al-Uss al-Thani (O Segundo Livro dos Elementos da Fundação) atribuído a Jabir ibn Hayyan ou Geber, e o Kitab Sirr al-Khaliqa wa San`at al-Tabi `a (O Livro do Segredo da Criação e da Arte da Natureza), datado entre 650 e 830 d.C.

Desde o início do texto vem o lema dos alquimistas: Como em cima, assim embaixo. É uma metáfora para recriar o céu na terra através dos segredos dos antigos, que certamente sabiam muito melhor do que nós como fazê-lo. Da Tábua de Esmeralda:

Verdade! Certeza! Aquilo em que não há dúvida!

O que está em cima é do que está em baixo, e o que está em baixo é do que está em cima, operando os milagres de um.

Como todas as coisas eram de um.

Seu pai é o Sol e sua mãe a Lua.

A Terra o carregou em seu ventre, e o Vento o alimentou em seu ventre,

como Terra que se tornará Fogo.

Alimente a Terra com o que é sutil, com o maior poder.

Ele sobe da terra ao céu e se torna governante sobre o que está em cima e o que está em baixo.

E já expliquei o significado de tudo isso em dois desses meus livros.

  1. As Metas e os Objetivos da Alquimia: Harry Potter e Tom Riddle (Lord Voldemort):

Os alquimistas medievais perseguiram três objetivos:

1· A transmutação de metais básicos em ouro;

2· A imortalidade da alma e do espírito;

3· A criação de vida artificial.

Enquanto muitos alquimistas passaram décadas tentando transformar metais básicos em ouro por meio de uma substância vaga chamada Pedra Filosofal, outros, como William Lilly e Nicolau Flamel, buscaram a iluminação espiritual da alma. Embora esses objetivos possam parecer incompatíveis ou mesmo mutuamente exclusivos, é importante lembrar que a alquimia era tanto uma filosofia quanto uma ciência experimental, e a transmutação dos metais permitiu aos alquimistas tentar provar que o Acima poderia ser recriado no Abaixo; em suma, recriar o céu na terra e na alma. Vemos o genuíno espírito científico nas palavras de um dos alquimistas: “Quisera Deus… que todos os homens se tornassem adeptos de nossa Arte – pois então o ouro, o grande ídolo da humanidade, perderia seu valor, e deveríamos valorizá-lo apenas por seu ensino científico.” 2 Infelizmente, porém, poucos alquimistas chegaram a esse ideal; e para a maioria deles, a alquimia significava apenas a possibilidade de fazer ouro barato e ganhar uma riqueza incalculável.

O terceiro objetivo da alquimia “a criação da vida a partir do nada” pertencia quase inteiramente aos alquimistas islâmicos. Isso entrará em jogo mais tarde, quando discutirmos o Cálice de Fogo. Os alquimistas islâmicos, especialmente Jabir ibn Hayyan ou Geber, experimentaram os princípios dos elementos na esperança de produzir takwin, a criação artificial da vida, incluindo a vida humana, em laboratório. Até onde sabemos, Geber não teve sucesso, mas Mary Shelley tocou nesse tema em seu romance Frankenstein, assim como muitos outros autores da época. Eles chamaram suas criações de homunculus, ou o “pequeno homem”, e parece que o grande alquimista e médico medieval Paracelso cunhou o termo depois que ele supostamente criou um homem falso que tinha apenas cerca de 30 centímetros de altura. O conceito é semelhante ao golem judeu, que era a criação de vida a partir de objetos inanimados, e os homúnculos geralmente faziam o trabalho atribuído aos golens.

A alquimia contém um elemento profundamente místico, e quem tentar estudá-la com um ponto de vista moderno ou puramente científico não a compreenderá nem a apreciará. Os alquimistas sempre falaram de sua arte como um Dom Divino, cujos segredos não poderiam ser aprendidos em nenhum livro, e só poderiam ser alcançados por longos anos de estudo e devoção. A iluminação, quando e se veio, ocorreu de uma só vez e sem aviso prévio. Mais de um alquimista ficou maravilhado com a simplicidade da resposta e quanto tempo eles levaram para compreendê-la. A atitude mental correta com Deus foi o primeiro passo crucial para alcançar a Grande Obra (magnum opus), porque a alquimia é uma transformação tripla: física, espiritual e psicológica.

De acordo com The Hermetic House (A Casa Hermética): “Do ponto de vista ascético… o desenvolvimento da alma só é plenamente possível com a mortificação do corpo; e todo o verdadeiro misticismo ensina que se alcançarmos o objetivo mais elevado possível para o homem – união com o Divino – deve haver um abandono de nossas próprias vontades individuais, um rebaixamento da alma diante do Espírito. E assim os alquimistas ensinaram que para a realização da magnum opus no plano físico, devemos despojar os metais de suas propriedades exteriores para desenvolver a essência interior, como diz Helvetius:

“… As essências dos metais estão escondidas em seus corpos exteriores, como o núcleo está escondido na noz. Todo corpo terrestre, seja animal, vegetal ou mineral, é a habitação e morada terrestre daquele espírito celestial, ou influência, que é seu princípio de vida ou crescimento. O segredo da Alquimia é a destruição do corpo, que permite ao Artista obter e utilizar para seus próprios propósitos, a alma viva.” Essa morte da natureza externa das coisas materiais deveria ser provocada pelos processos de putrefação e decadência; daí a razão pela qual tais processos figuram tão amplamente nas receitas alquímicas para a preparação do “Magistério Divino”. 3

O buscador deve entrar em seus estudos com um coração puro. Aqueles que não o fizerem “usar a alquimia para obter poder ou ganho financeiro” nunca alcançarão a perfeição espiritual e a imortalidade. Suspeito que foi isso que aconteceu com Tom Riddle. Em sua busca por conhecimento sobre as Horcruxes e em seus experimentos para se tornar imortal, seu coração e seus motivos não eram puros. Ele usou seu ganho para mutilar sua alma, um ato que ia contra as leis da natureza e de Deus. E ele pagou por isso: No capítulo “O Pedido de Lord Voldemort”, vemos o resultado de sua loucura. Sua boa aparência se foi “ainda não como uma cobra, mas apenas uma sombra do que eles eram uma vez. O exterior espelha o interior. Uma alma mutilada e difamada não pode ser encerrada em um belo pacote:

“Em primeiro lugar, que todo químico e estudante devoto e temente a Deus e estudante desta Arte considere que este arcano deve ser considerado, não apenas como uma arte verdadeiramente grande, mas como uma arte santíssima (vendo que ele tipifica e obscurece a mais alta bem celestial). Portanto, se alguém deseja alcançar este grande e indizível Mistério, deve lembrar-se de que ele não é obtido pelo poder do homem, mas pela graça de Deus, e que não nossa vontade ou desejo, mas apenas o misericórdia do Altíssimo, pode concedê-la a nós.

“Por esta razão, você deve primeiro limpar seu coração, levantá-lo somente a Ele, e pedir-Lhe este dom em oração verdadeira, fervorosa e indubitável. Só Ele pode dar e outorgar.” 4

Thomas Norton em seu Orindall of Alchemy coloca isso muito bem quando diz:

“… Uma graça e dom singular do Todo-Poderoso

Que nunca foi encontrado, como testemunha podemos,

Nem esta ciência jamais foi ensinada ao homem…

TAMBÉM NENHUM HOMEM DEVE ESSA CIÊNCIA ENSINAR

Pois é tão maravilhoso e tão isolado

Que deve ser ensinado de boca em boca,

Também ele deve (se ele nunca for tão relutante),

Receba-o com um juramento mais sagrado,

Que, ao recusarmos grande dignidade e fama,

Então ele deve necessariamente recusar o mesmo…

Para que por dúvida de tanto orgulho e riqueza

Ele deve tomar cuidado com o que esta ciência ensina

Nenhum homem, portanto, pode alcançar este presente

Mas ele tem virtudes excelentes.” 5

Tom Riddle também buscou o conhecimento dos alquimistas; ele também buscou a imortalidade da alma e do espírito para permanecer aqui na terra. A diferença entre Riddle e Harry, no entanto, são suas motivações para buscar o conhecimento para começar. Tom queria poder e ganho enquanto Harry não. Um excelente exemplo disso é um dos capítulos finais do primeiro livro “O Espelho de Ojesed”. Dumbledore, ele próprio um alquimista, estava bem ciente do princípio do amor e da iluminação, e escondeu a Pedra em um lugar onde apenas os puros de coração poderiam obtê-la. O professor Quirrell podia se ver com a Pedra Filosofal, mas não conseguia pegá-la. Por quê? Porque ele queria isso para ganho material e poder” para devolver seu mestre à força. Harry, por outro lado, queria que a Pedra a mantivesse segura; de forma alguma ele pretendia usá-lo para si mesmo. É por isso que ele conseguiu pegar a Pedra do Espelho.

Este é o caminho no qual Harry se encontra – o caminho para a iluminação. Somente buscando aquela parte de si mesmo “sua bondade e amor” ele encontrará os meios para destruir Voldemort de uma vez por todas. Ele deve se tornar a personificação física da Pedra Filosofal, alcançando a perfeição espiritual e a imortalidade, antes de finalmente se libertar do vínculo entre ele e Tom Riddle.

III. A Pedra Filosofal e o Elixir da Vida:

Mencionado pela primeira vez por Zósimo, o Tebano, no século III a.C., o conceito da Pedra Filosofal é verdadeiramente antigo. É conhecida por muitos nomes em muitas civilizações, mas o conceito ainda é o mesmo: a Pedra Filosofal é um meio pelo qual os humanos podem alcançar a perfeição espiritual e a imortalidade. Representa a força por trás da vida e o poder universal de ligação entre a mente e o corpo.

Uma das manifestações mais antigas da Pedra é tão antiga quanto a própria civilização. A água da vida suméria, agora conhecida como álcool ou aqua vitae, também era chamada de “água viva”, ou a “água com espíritos” e era usada na alquimia como agente de destilação. Foi mencionado na Epopeia de Gilgamesh e apresentada com destaque no mito do renascimento da deusa Inanna depois que sua irmã Eriskegal, a esposa do deus da morte, a assassinou no submundo.

A Pedra Benben da lenda egípcia também era chamada de “a pedra que caiu do céu” (lapsit ex caelis). Era o símbolo do sol, de forma piramidal, e residia no Templo do Sol em Heliópolis, o centro da religião e da astronomia no antigo Egito. Dizia-se que a Pedra Benben tinha os segredos da vida inscritos nela. A tradução latina da Pedra Filosofal/Elixir da Vida é ex lapis elixir, que é estranhamente semelhante ao nome que Wolfram von Esenbach dá ao Santo Graal em seu romance arturiano Parzival (lapsit exillis). Na verdade, Wolfram se esforça para descrever o Graal como uma pedra, e sua escolha de palavras não parece coincidência. O termo lapsit exillis também pode ser traduzido como lapsit ex caelis: a “pedra que caiu do céu”, o que implica que tanto a Pedra quanto o Graal podem ser rastreados pelo menos até o antigo Egito, embora provavelmente seja muito mais antigo do que isso.

Algumas das outras manifestações da Pedra incluem:

1· Lia Fáil, Irlanda/A Pedra do Destino, Escócia

2· Caldeirão da Imortalidade de Keridwen, Irlanda

3· A Pedra de Jacó, Bíblica

4· Caldeirão do Renascimento de Bran, País de Gales

5· O Santo Graal, Europeu.

6· A Kaa’ba, no Islã.

A Pedra era vista como uma substância mágica que poderia aperfeiçoar imediatamente qualquer substância ou situação. A Pedra Filosofal tem sido associada a muitos outros exemplos e fenômenos místicos e religiosos, incluindo o Sal do Mundo, o Corpo Astral, o Elixir e até mesmo Jesus Cristo. O Elixir dos alquimistas tem essencialmente a mesma capacidade de aperfeiçoar qualquer substância. Como a panaceia universal, o Elixir cura doenças e restaura a juventude.

Se a criação da Pedra Filosofal foi difícil, a criação do Elixir da Vida foi quase impossível. O Elixir da Vida deve conter os quatro elementos (fogo, terra, ar e água) mais os três princípios do animal, vegetal e prima materia (tan). Para trabalhar com esses ingredientes, muitos achavam que era necessário usar fígados de crocodilo, esqueletos humanos, raízes de mandrágora e vesículas biliares de antílopes, além de outros ingredientes bizarros.

Acredita-se que a prima materia ou tan seja o mineral cinábrio, ou sulfeto de mercúrio, também conhecido como Sangue de Dragão. Aprendemos em A Pedra Filosofal que Alvo Dumbledore era o parceiro de Nicolau Flamel, que possuía “a única Pedra Filosofal conhecida”. Como veremos, Flamel foi um dos melhores alunos de alquimia, e que Dumbledore era seu parceiro certamente não é por acaso da parte de Rowling. Dumbledore estava então familiarizado com o conhecimento dos alquimistas, suas metas e objetivos, e a atitude necessária para ter sucesso em sua busca. Rowling credita a Dumbledore a descoberta dos doze usos do Sangue de Dragão, que é um ingrediente crucial na construção da Pedra Filosofal. Muito usado pelos antigos como uma droga de longevidade, o cinábrio é extraído desde os tempos antigos e é altamente tóxico devido ao seu teor de mercúrio.

Sangue de Dragão também é o nome de uma planta, Dracaena draco, que é nativa das Ilhas Canárias, e outra planta, D. cinnabari, que é encontrada apenas na ilha de Socotra, na costa sul da Arábia. Acreditava-se que a resina seca dessas plantas tinha propriedades mágicas devido à sua cor vermelha brilhante. O Sangue de Dragão agora é usado em uma variedade de aplicações industriais” como verniz e em fotogravura, entre outros. Ainda é usado na Índia para fins cerimoniais. Embora tenha muito mais de doze usos, nenhum deles é limpador de forno!

O cinábrio, também chamado de vermelhão, combinava as duas substâncias importantes na alquimia: mercúrio e enxofre. Segundo Paracelso:

“A NATUREZA gera um mineral nas entranhas da terra. Existem dois tipos dele, que são encontrados em muitos distritos da Europa. figura do mundo maior, e está na parte oriental da esfera do Sol. A outra, na Estrela do Sul, está agora em sua primeira eflorescência. As entranhas da terra a empurram através de sua superfície. em sua primeira coagulação, e nele se escondem todas as flores e cores dos minerais. Muito se escreveu sobre isso pelos filósofos, pois é de natureza fria e úmida, e concorda com o elemento água.

No que diz respeito ao seu conhecimento e experimentação, todos os filósofos antes de mim, embora tenham mirado nele com seus mísseis, foram muito longe do alvo. Eles acreditavam que o Mercúrio e o Enxofre eram a mãe de todos os metais, nunca sequer sonhando em fazer menção a um terceiro; e, no entanto, quando a água é separada dela pela arte espagírica, a verdade é claramente revelada, embora fosse desconhecida para Galeno ou Avicena. Mas se, por causa de nossos excelentes médicos, tivéssemos que descrever apenas o nome, a composição; a dissolução e coagulação, como no início do mundo a Natureza procede com todas as coisas em crescimento, um ano inteiro dificilmente me bastaria, e para explicar essas coisas, nem mesmo as peles de numerosas vacas seriam adequadas.

Agora, afirmo que neste mineral se encontram três princípios, que são o Mercúrio, o Enxofre e a Água Mineral que serviu para coagular naturalmente. A ciência espagírica é capaz de extrair este último de seu próprio suco quando não está totalmente amadurecido, no meio do outono, como uma pera de uma árvore. A árvore contém potencialmente a pera. Se os astros celestiais e a natureza concordam, a árvore, antes de tudo, dá brotos no mês de março; em seguida, brota os botões e, quando estes se abrem, a flor aparece, e assim sucessivamente, até que no outono a pera amadurece. Assim é com os minerais. Estes nascem, da mesma maneira, nas entranhas da terra. Que os Alquimistas que estão procurando o Tesouro dos Tesouros observem isso cuidadosamente. Eu lhes mostrarei o caminho, seu começo, seu meio e seu fim. No tratado a seguir descreverei a Água adequada, o Enxofre adequado e o Bálsamo adequado. Por meio desses três, a resolução e a composição são coaguladas em uma…” 6

Como sabemos, a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida eram os principais objetivos dos alquimistas. A Pedra Filosofal era a substância que poderia transformar chumbo barato em ouro e criar uma panaceia universal que tornaria os humanos imortais – o Elixir da Vida. A Grande Obra, ou Magnum Opus, refere-se à busca por esta pedra. Além disso, a fabricação da Pedra Filosofal era entendida como conferir um tipo de iniciação ao aluno, e essa iniciação é a culminação adequada da Grande Obra. A Pedra Filosofal é um símbolo para a jornada para a iluminação, quebrando e recombinando elementos dentro de nós (solve et coagula).

Embora houvesse tradicionalmente sete etapas para a conclusão da Pedra Filosofal, outros autores colocam o número mais alto. De acordo com o Pergaminho Ripley, havia 12 etapas envolvidas na fabricação da Pedra Filosofal. Basílio Valentino escreveu As Doze Chaves. A diferença nos sistemas é que o sistema tradicional de sete etapas remonta a Tábua de Esmeralda, enquanto o sistema de 12 etapas lida mais com arquétipos astrológicos.

Ripley escreveu sobre os quatro elementos conhecidos: fogo, terra, ar e água:

Você deve fazer Água da Terra, e Terra do Ar, e Ar do Fogo, e Fogo da Terra.” 7

De acordo com a Wikipédia, os alquimistas acreditavam que todos os quatro elementos eram interdependentes uns dos outros e que qualquer processo produziria os quatro elementos. Essa ideia remonta aos filósofos, especificamente Empédocles de Agrigento (440 a.C.), que consideravam que havia quatro elementos – terra, água, ar e fogo. Aristóteles acrescentou o chamado Quinto Elemento, “o éter”. (alt: aether) Esses elementos eram considerados, não como diferentes tipos de matéria, mas como diferentes formas de uma única matéria original, pela qual manifestavam diferentes propriedades. Pensava-se que isso se devia às quatro propriedades primárias de secura, umidade, calor e frio, com cada elemento tendo duas dessas propriedades: fogo era equiparado a quente e seco, quente e úmido ao ar, úmido e frio à água, e seco e frio para a terra. Assim, corpos úmidos e frios (a maioria dos líquidos) foram chamados de “águas”. Além disso, como esses elementos não eram considerados diferentes tipos de matéria, os alquimistas pensavam que a transmutação era possível. Na verdade, é possível, mas foi preciso o desenvolvimento da fissão nuclear para tornar realidade os sonhos dos alquimistas.

De acordo com Rowling, as quatro Casas de Hogwarts são usadas para representar esses quatro elementos. Grifinória é Fogo, Corvinal é Ar, Lufa Lufa é Terra e Sonserina é Água. Mas e o Quinto Elemento de Aristóteles, o éter? É aqui que entra Harry. O éter, ou quintessência, está sozinho acima dos outros elementos. É puro e incorruptível, a presença essencial de algo ou alguém. A quintessência combina o Acima e o Abaixo, o mental e o material. Pode ser pensado como a encarnação etérea da força vital que encontramos em sonhos e estados alterados de consciência. Segundo os gregos, o éter era o fogo celestial na visão grega, a pura essência em que os deuses viviam e respiravam, e os gregos o comparavam ao calor radiante do sol, que podia se mover no espaço vazio; isso levou Aristóteles a afirmar que “a natureza abomina o vácuo”. 8

Os elementos clássicos são frequentemente usados juntos tematicamente na fantasia moderna, ficção científica, cinema e televisão. Normalmente, um mago, mago ou alguém capaz de usar magia tem a habilidade de influenciar um dos elementos, ou pode usar os elementos para afetar o mundo ao seu redor. O quinto elemento ou quintessência está incorporado no herói, que geralmente é o epítome do amor, e do amor puro. Exemplos deste tema incluem Capitão Planeta, onde o Capitão Planeta é invocado combinando o poder de cinco anéis que representam cada um dos quatro elementos clássicos, bem como um anel que representa o “Coração”; A série The Sword of Truth (A Espada da Verdade) de Terry Goodkind e o programa de televisão infantil Avatar, onde quatro nações representando os quatro elementos estão em guerra. Os “magos” de cada nação têm a capacidade de controlar o elemento para o qual sua nação é nomeada. O Avatar, Ang, uma criança pequena, é o único que pode controlar todos os quatro elementos e trazer as nações de volta à harmonia. Ainda outro exemplo é o longa-metragem O Quinto Elemento, onde o personagem principal (interpretado por Bruce Willis) deve usar os quatro elementos para alimentar uma arma para a defesa da Terra, juntamente com o amor, o “quinto elemento”. Exemplos mais recentes incluem dois filmes populares do ano passado: Os Incríveis e O Quarteto Fantástico (que originalmente era uma história em quadrinhos).

Harry está em busca da quintessência dentro de si mesmo. Ele é aquele que pode unir as quatro casas como uma. Ele sozinho contém todas as quatro características dentro de si mesmo. A busca da quintessência é a busca da Pedra Filosofal, seu despertar e imortalidade espiritual.

Em O Enigma do Príncipe, até encontramos Harry lendo um livro sobre a quintessência:

“Harry não respondeu, mas fingiu estar absorto no livro que eles deveriam ter lido antes de Feitiços na manhã seguinte, Quintessence: A Quest (A Quintessencia: Uma Busca). (US Deluxe HBP, p. 304).

  1. As Ferramentas da Alquimia e Harry Potter:

Os alquimistas acreditavam que a fórmula universal contida na Tábua de Esmeralda era a base para uma filosofia espiritual introduzida pela primeira vez no antigo Egito na remota antiguidade” algumas fontes dizem mais de 10.000 anos atrás. Esta fórmula consiste em sete operações consecutivas realizadas sobre a “matéria” – seja de natureza física, psicológica ou espiritual.

Basílio Valentim, em seu Azoth dos Filósofos, descreve o significado completo da Coisa Única, que é tanto a Caótica Matéria no início da Obra quanto a Pedra aperfeiçoada em sua conclusão. A palavra “Azoth” é da Tábua de Esmeralda; o “A” e o “Z” na palavra relacionada ao alfa e ômega gregos, que significa simplesmente o começo e o fim de todas as coisas. 9

No desenho acima, tirado de Os Sete Estágios da Transformação Alquímica, uma salamandra envolta em chamas e um pássaro em pé estão tocando as asas de um caduceu. Abaixo da salamandra está a inscrição Anima (Alma); abaixo do pássaro está a inscrição Spiritus (Espírito). Corpus significa Corpo. De acordo com o Alchemy Electronic Dictionary (O Dicionário Eletrônico da Alquimia), a alma é “a presença passiva em todos nós que sobrevive por toda a eternidade e, portanto, é parte da substância original (Primeira Matéria) do universo. Em última análise, é a Única Coisa do universo. A alma foi considerada além dos quatro elementos materiais e, portanto, conceituada como um quinto elemento (ou Quintessência). O espírito é “a presença ativa em todos nós que luta pela perfeição. O espírito busca manifestação material para expressão. Em última análise, é a Mente Única do universo”. Em outras palavras, a alma é aquilo com que nascemos; é o espírito e as escolhas que fazemos na vida que nos moldam em quem somos, um ponto que Rowling enfatiza repetidamente nos romances.

Spiritus, Anima e Corpus formam um grande triângulo invertido que fica atrás do emblema central. De acordo com McLean, juntos eles simbolizam as três forças celestes arquetípicas que os alquimistas chamavam de Enxofre, Mercúrio e Sal. Na filosofia da alquimia, não são produtos químicos, mas nossos sentimentos, pensamentos e corpo.

Antes de discutirmos os livros e como Rowling habilmente tece os fios da alquimia através deles, é necessário dar algumas breves definições e descrições das substâncias básicas usadas na alquimia. Havia sete metais conhecidos pelos alquimistas: ouro, prata, mercúrio, chumbo, cobre, estanho e ferro (ver figura 1). Cada um teve um papel específico na formação da Pedra Filosofal; no entanto, como veremos, os alquimistas nem sempre foram claros sobre os nomes das substâncias, muitas vezes expressando-os em metáfora e simbolismo. Além disso, antes do século XIX não havia um sistema de nomenclatura universal para os elementos químicos. O que um alquimista chamava de enxofre outro poderia chamar de mercúrio e vice-versa; isso torna a interpretação de seus textos extremamente difícil.

METAL/PLANETA REGENTE:

Ouro – Sol

Prata – Lua

Mercúrio – Mercúrio

Cobre – Vênus

Estanho – Júpiter

Ferro – Marte

Chumbo – Saturno

Figura 1: Os Sete Metais da Alquimia e seus planetas regentes.

Além dos sete metais, havia também outros elementos e compostos em uso: vitríolo, antimônio (o lobo cinzento ou estribita), salitre (nitrato de potássio), uma combinação de ácido sulfúrico e ácido nítrico (chamado aqua regis), ácido nítrico (aqua fortae), água, sal amoníaco (cloreto de amônio), alúmen (sulfato de alumínio e potássio) e sal, entre outros.

É importante lembrar que os elementos que possuíam as mesmas propriedades foram classificados sob o mesmo nome; por exemplo, os compostos mais combustíveis com os quais os alquimistas trabalharam receberam o nome de “enxofre”, embora claramente não sejam todos enxofre elementar. Mercúrio era bem conhecido por sua capacidade de se unir e era famoso por seu brilho e maleabilidade. Mas os alquimistas rotularam muitas substâncias como “mercúrio” – aquelas que eram macias, brilhantes e fáceis de trabalhar, o que inclui a maioria dos metais – e às vezes é difícil determinar exatamente do que eles estão falando. Mais uma vez, os próprios alquimistas nunca são claros sobre a qual “enxofre” ou “mercúrio” eles estavam se referindo, o que só agrava o problema da tradução.

As três substâncias mais importantes na alquimia eram mercúrio, enxofre e sal. Os alquimistas acreditavam que todos os metais eram compostos de mercúrio e enxofre, em diferentes proporções e graus de pureza. O mercúrio também era conhecido como mercúrio ou sangue de unicórnio e era usado para fazer óxido de mercúrio vermelho aquecendo-o em uma solução de ácido nítrico. Um espesso vapor vermelho pairava sobre a solução e cristais vermelhos brilhantes precipitavam no fundo. Isso convenceu os alquimistas de que o mercúrio transcendia os estados líquido e sólido e, consequentemente, tanto o céu quanto a terra, a vida e a morte. Mercúrio foi a causa da “perfeição” nos metais e deu ao ouro seu brilho. Um alquimista desconhecido, citando Arnold de Villanova, escreve: “O mercúrio é a forma elementar de todas as coisas fusíveis; pois todas as coisas fusíveis, quando derretidas, se transformam nela, e se mistura com elas porque é da mesma substância que elas. Tais corpos diferem do mercúrio em sua composição apenas na medida em que está ou não livre da matéria estranha do enxofre impuro”. 10 O “mercúrio filosófico”, presente na busca do buscador pela iluminação, era absolutamente necessário para a conclusão da Magnum Opus. Na alquimia, uma serpente ou cobra geralmente representa mercúrio.

Os alquimistas acreditavam que um excesso de enxofre nos metais causava impurezas. Ao eliminar o excesso de enxofre por meio de um processo de purificação, eles ficariam com mercúrio puro ou mercúrio. Geber chamou o enxofre de “a gordura da terra, por decocção temperada na mina da terra engrossada, até ser endurecida e seca”. 11 Ele considerava o excesso de enxofre como causa de imperfeição nos metais, e escreve que uma das causas da corrupção dos metais pelo fogo “é a inclusão de um enxofre ardente na profundidade de sua substância, diminuindo-os por Inflamação, e exterminando também em Fumo, com Consumo extremo, tudo o que Argentvive (a “prata viva”) neles é de boa Fixação.” 12 Ele assumiu, além disso, que os metais continham dois tipos de enxofre: enxofre incombustível e enxofre combustível, sendo o segundo aparentemente considerado uma impureza.13 Um alquimista posterior diz que o enxofre é “mais facilmente reconhecido pelo espírito vital nos animais, a cor nos metais, o odor nas plantas.” 14 Para piorar a situação, o termo enxofre também foi dado a qualquer substância de cores vivas.

De acordo com The Hermetic House: Alchemy Ancient and Modern (A Casa Hermética: Alquimia Antiga e Moderna), essa “teoria do enxofre-mercúrio dos metais foi defendida por alquimistas famosos como Roger Bacon, Arnaldo de Villanova e Raimundo Lúlio”. 15 O sal, por outro lado, foi uma adição tardia à alquimia. O sal foi o início e o fim da Grande Obra, e esse conceito que será extremamente importante em nossa análise dos livros. Assim como o mercúrio e o enxofre, os alquimistas não se referiam ao sal de mesa aqui. Qualquer substância que fosse resistente ao fogo era chamada de “sal”. Isaac da Holanda e Basílio Valentim tentaram explicar as diferenças nos metais pela quantidade de mercúrio, enxofre e sal que continham. Por exemplo, o cobre, que é brilhantemente colorido, contém um excesso de enxofre, enquanto o ferro, que é duro, contém um excesso de sal. Paracelso e outros aprovaram entusiasticamente a adição de sal à lista de substâncias alquímicas, embora o sal permanecesse menos importante que o mercúrio ou o enxofre.

O vitríolo é outra substância que encontraremos no decorrer de nossa análise. É o líquido mais importante na alquimia, sem exceção, servindo como catalisador para todas as reações subsequentes. Foi destilado a partir de uma substância oleosa e verde (sulfato de cobre) que se formou naturalmente a partir do desgaste do cascalho com enxofre. Este Vitríolo Verde é simbolizado pelo Leão Verde em desenhos alquímicos. Depois de recolhido, foi aquecido e decomposto em compostos de ferro e ácido sulfúrico. O ácido foi então separado por destilação. A primeira destilação produziu um líquido marrom que cheirava a ovos podres (enxofre), mas a destilação posterior produziu um óleo amarelo quase inodoro chamado simplesmente vitríolo. O nome também foi usado para vários sais de sulfato, como sulfato de cobre (vitríolo azul, ou raramente vitríolo romano), sulfato de zinco (vitríolo branco), sulfato de ferro (II) (vitríolo verde), sulfato de ferro (III) (vitríolo de Marte), ou sulfato de cobalto (vitríolo vermelho). O vitríolo dissolve facilmente o tecido humano e é severamente corrosivo para a maioria dos metais, embora não tenha efeito sobre o ouro. A importância do Vitríolo nos romances não pode ser subestimada; sem ela, Harry não pode passar pelos estágios de transformação para a iluminação, mesmo quando as coisas parecem irreprimivelmente sombrias.

O ácido sulfúrico reage com a maioria dos metais para produzir gás hidrogênio e um sulfato metálico. Essas reações fazem com que o ácido ferva e pode explodir. A única maneira de combater um incêndio de ácido sulfúrico é com espuma ou outros agentes de terra seca para evitar que ferva. Uma vez que ferve, libera gases ácidos que podem matar.

Em Harry Potter, essas quatro substâncias são simbolizadas pelos seguintes caracteres, e estes serão discutidos em maiores detalhes: Mercúrio=Dumbledore, Enxofre=Hagrid, Sal=Sirius e Vitriol=Snape. Os outros personagens também têm seus lugares. Três casais representam a união de enxofre e mercúrio ou o Grande Casamento: Tiago e Lílian; Ron e Hermione (o “casal briguento”); e Bill e Fleur. Além disso, o nome completo de Ginny, Ginevra, significa “espuma branca”. Como mencionado nos parágrafos sobre vitríolo, a única coisa que pode combater um incêndio de ácido sulfúrico é a espuma.

  1. Os Sete Estágios da Transformação Alquímica:

Segundo fontes tradicionais, havia sete estágios de alquimia, cujo produto final era a Pedra Filosofal. Os primeiros quatro passos ocorrem no Abaixo, no reino da matéria. Os últimos três passos acontecem no Alto, no reino da mente e da imaginação criativa. Embora cada livro represente um estágio na transformação, os ciclos de alquimia também estão presentes em cada livro, começando com Harry na casa dos Dursley (o Estágio Negro) e terminando com a importante conversa de Dumbledore e a viagem de trem para casa (o Estágio Vermelho).

Cada estágio está relacionado a uma cor, substância alquímica e metal, e cada um tem um lugar específico na criação da Pedra. De acordo com outras fontes, como George Ripley e Basílio Valentino, havia Doze Chaves ou Portões. Para os propósitos desta discussão, no entanto, vamos nos limitar aos sete estágios tradicionais e analisá-los como eles se relacionam com o mundo de Harry Potter. (veja a figura 2) As primeiras cinco fases juntas são chamadas do Estágio Negro ou melanose; o Estágio Branco é destilação ou leucose e o Estágio Vermelho é coagulação ou iose. A iose também é conhecida como fase roxa, porque o material fica roxo durante o processo de coagulação.

Ano 1: A Pedra Filosofal:

No universo de Rowling, a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida desempenharam o papel principal no primeiro livro. Lord Voldemort, arrancado de seu corpo onze anos antes, precisa que a Pedra permaneça viva até que possa construir um novo corpo, reduzindo-se a se alimentar de sangue de unicórnio, uma caricatura tão horrível que a partir de então levará uma meia-vida amaldiçoada. Hogwarts se torna um lugar de intriga e perigo para Harry e seus amigos enquanto eles tentam desvendar o mistério do roubo no Banco de Gringotes e evitar que a Pedra caia em mãos erradas. Eventualmente, Harry consegue, no processo descobrindo dentro de si suas próprias habilidades e o segredo do sacrifício de sua mãe por ele. Voldemort não recebe a Pedra e é forçado a fugir para a Albânia, não melhor do que quando voltou para a Grã-Bretanha.

Este é o início da jornada de Harry. Ele começa como uma massa confusa, sozinho sob os cuidados de parentes abusivos, e então leva o choque de sua vida quando Hagrid lhe diz que é um bruxo. A partir daí, ele precisa quebrar (dissolver) tudo o que aprendeu e começar a construir novamente (coagular). Ele aprende no processo que não é apenas um mago; ele é O Menino Que Sobreviveu. Para que ele fique completamente livre de Voldemort, ele deve dissolver o vínculo entre eles, um processo que levará mais seis livros para ser concluído.

Conhecemos Harry pela primeira vez no Capítulo 2, abusado por seus parentes trouxas e confinado em seu armário embaixo da escada. A impressão que temos é a de um menino que está sozinho no mundo, sem um amigo e sem esperança de que sua situação mude. E então, de repente, todo o seu mundo muda. Ele descobre que é um bruxo. O agente dessa mudança profunda é Rúbeo Hagrid, que passará a desempenhar um papel crucial na série. O nome Rúbeo significa “vermelho”, e logo descobrimos que Hagrid tem uma queda por criaturas perigosas. Ele é atencioso e carinhoso, algo que não esperaríamos em um homem tão grande; que ele seja retratado como tal por Rowling não é por acaso, como veremos nos livros posteriores.

De acordo com Adam McLean em seu The Seven Stages of Transformation (Os Sete Estágios da Transformação), este primeiro estágio da Grande Obra, chamado calcinação, é a quebra da massa confusa (massa confusa) pelo fogo. É representado pelo ácido sulfúrico, um potente corrosivo que corrói a pele e reage com todos os metais, exceto o ouro. Os alquimistas criaram o ácido sulfúrico a partir do vitríolo, o agente altamente corrosivo discutido anteriormente. A massa confusa caótica tem que passar por um longo processo no qual é repetidamente dissolvida e coagulada (solve et coagula) e daí surge a prima materia, que é a matéria-prima para a fabricação do ouro. O psicólogo Carl Jung estava muito ocupado com os aspectos arquetípicos da alquimia e ficou impressionado com as semelhanças entre o opus magnum e o processo psicanalítico. Na psicanálise de Jung, a massa confusa do subconsciente é o instrumento primordial para alcançar um estado de equilíbrio e completude mental. A própria calcinação representava a quebra do ego e os apegos às posses materiais. Através deste processo o Buscador torna-se introspectivo e começa a avaliar a sua vida.

A massa confusa é descrita como uma cobra segurando sua cauda – o Ouroboros. A cobra era frequentemente usada como um símbolo para a dualidade – seu corpo alongado separando as polaridades da cabeça e da cauda. Às vezes, a figura de um dragão alado era usada aqui no lugar da cobra, para fechar o círculo com o dragão no início do trabalho. Quando a cobra ou dragão agarrou sua cauda, uniu as polaridades em um círculo, um símbolo para os alquimistas para alcançar a solidez entre as energias dualistas das forças da alma. A criação da Pedra Filosofal foi a formação de uma base interna sólida sobre a qual os filósofos alquímicos puderam construir suas personalidades e experimentar toda a potencialidade de serem humanos.16

Isso é o que Harry começa a experimentar desde o momento em que pisa no Expresso de Hogwarts. Ele está entrando em um mundo totalmente novo; um de magia e admiração, que o obriga a avaliar quem ele é e a que propósito serve. A plataforma 9 3/4 representa sua iniciação neste mundo de maravilhas, cruzando as fronteiras entre os reinos mundano e superior. Ele conhece Ron e Hermione, que imediatamente não gostam um do outro. Juntos, eles representam o Casal Brigante; rei e rainha, mercúrio e enxofre, ouro e prata, cujo Grande Casamento no final da Grande Obra permitirá que Harry alcance todo o seu potencial. Discutiremos isso mais adiante.

O nome de Hermione encontra suas raízes no deus grego Hermes, mas ainda mais importante em Hermes Trismegisto, o autor da Tábua de Esmeralda, da qual derivam todos os estudos de alquimia e ocultismo. Também é significativo que São Tiago (Potter) seja o santo padroeiro da alquimia, e o símbolo do Estágio Branco da transformação seja o lírio.

Neste ponto, encontramos dois dos personagens mais importantes de todo o livro: Alvo Dumbledore e Nicolau Flamel. As Cartas de Sapo de Chocolate de Ron são uma verdadeira fonte de informação para nós na primeira leitura do livro. Descobrimos que Dumbledore e Flamel eram parceiros; além disso, afirma-se inequivocamente que eles eram alquimistas. Dumbledore é creditado com a descoberta dos doze usos do Sangue de Dragão, que como vimos não é uma fantástica virada da imaginação de Rowling. Dumbledore repetidamente mostra-se bem familiarizado com os princípios alquímicos ao longo do livro e de fato ao longo da série.

Por outro lado, Nicolau Flamel é a pessoa mais importante em Harry Potter a nunca ser lembrada em um Cartão de Sapo de Chocolate. A razão para isso não está clara; o fato de ele ainda estar vivo não pode ser o motivo, já que Dumbledore está vivo e tem seu próprio cartão. Em todo caso, a vida de Flamel foi bastante real”sua casa em Paris, construída em 1407, ainda está de pé, na rue de Montmorency, 51, onde foi transformada em restaurante. Suas façanhas, no entanto, são lendárias entre os estudantes de esoterismo e ocultismo.

Este é o fim da Parte I. A Parte II discute a vida de Flamel, seu infame manuscrito e aborda a questão: Flamel realmente encontrou a Pedra Filosofal? Também traço o simbolismo alquímico na Câmara Secreta através do Enigma do Príncipe e além, fazendo algumas previsões para o destino dos personagens e o final da série.

Referências:

1. The Internet Sacred Text Archive. “History of the Tablet.” The Emerald Tablet of Hermes. 2005. The Internet Sacred Text Archive. 10 March 2006. http://www.sacred-texts.com/alc/emerald.htm

2. Waite, A. E. “’EIRENÆUS PHILALETHES’: An Open Entrance to the Closed Palace of the King.” The Hermetic Museum. vol. ii. London. 1893. p. 178

3. Redgrove, H. Stanley. Alchemy: Ancient and Modern. London: William Rider & Son, LTD, 1922. http://www.geocities.com/andymak252/AlchemyAncientModern.htm

4. Geber; Richard Russel. “Of the Sum of Perfection.” The Works of Geber. London : Printed for William Cooper,1678. pp. 69 – 70

5. Norton, Thomas. The Ordinal of Alchemy. London ; New York : Published for the Early English Text Society by the Oxford University Press, 1975.

6. Mileusnic, Dusan Djordjevic. Paracelsus: The Treasure of Treasures for the Alchemists. London: J.H. Oxon, 1659. The Alchemy Web Site. McLean, Adam. 1996. levity.com. 10 March 2006. http://www.levity.com/alchemy/paracel1.html

7. McLean, Adam. The Ripley Scrowle. 1450-1500. The Alchemy Web Bookshop. 10 March 2006. http://www.alchemywebsite.com/bookshop/ripley_scroll.html

8. Wikipedia. “Classic Elements.” Wikipedia Encyclopedia. 2005-06. Wikmedia. 18 Feb. 2006. http://en.wikipedia.org/wiki/Classical_elements

9. De Giorgio,Dr. Laura. “The Seven Stages of Transformation.” Alchemy. 2001-2005. Deep Trance Now. 10 March 2006. http://www.deeptrancenow.com/exc3_7operations.htm

10. Waite, A. E. “The Golden Tract concerning the Stone of the Philosophers” The Hermetic Museum vol. i. London. 1893. p. 17.

11. Geber; Richard Russel. “Of the Sum of Perfection.” The Works of Geber. London : Printed for William Cooper,1678. pp. 69 – 70

12. Ibid, p 156.

13. Ibid, p 160.

14. Waite, A. E. The Hermetic Museum. The New Chemical Light, Part II. Concerning Sulphur. vol. ii. London. 1893. p. 151

15. Redgrove, H. Stanley. Alchemy: Ancient and Modern. London: William Rider & Son, LTD, 1922. http://www.geocities.com/andymak252/AlchemyAncientModern.htm

16. De Giorgio,Dr. Laura. “First Stage – Calcination.” The Seven Stages of Transformation. 2001-2005. Deep Trance Now. 10 March 2006. http://www.deeptrancenow.com/exc3_calcination.htm

Original: http://www.the-leaky-cauldron.org/features/essays/issue1/alchemypart1/

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/alquimia-e-harry-potter-parte-i/

A História de Buda nos Puranas

Buda foi o fundador do Budismo. Alguns o consideram como uma encarnação de Viṣṇu. Em dias de batalha, os devas foram derrotados pelos asuras e os deuses se aproximaram de Viṣṇu com sua queixa. Mahāviṣṇu encarnou como o filho de Śuddhodana com o nome de Gautamabuddha (Siddhārtha). Então ele foi aos asuras e os fez rejeitar os Vedas e as suas leis. Todas os Daityas (Asuras) se tornaram budistas. Há uma história no Agnipurāṇa, Capítulo 16, que assim foi o propósito de Buda converter cada asura ao budismo e mandá-lo para o inferno.

A história dada acima está de acordo com os Purāṇas. A seguir estão os fatos obtidos pelas investigações históricas.

Gautama Buda nasceu em B.C. 560, em Kapilavastu, perto do Himālayas. Seu pai era Śuddhodana. Ele nasceu na família do Śākyas. A palavra ‘Śākya’ é outra forma da palavra Kṣatriya. O verdadeiro nome de Buda era Siddhārtha. Śuddhodana criou seu filho de tal forma que ele não deveria ser submetido a nenhum tipo de dor mental ou preocupação. Assim, ele manteve Buda distante do mundo exterior. Assim, ele passou sua infância em conforto e prazer. Uma vez por acaso, ele viu um homem doente, um homem velho e um cadáver. A visão o fez pensativo. Ele começou a pensar em uma maneira de remover a tristeza e a dor do mundo e de trazer paz e conforto.

A mudança que apareceu no filho preocupou o pai. Assim, aos dezesseis anos de idade, ele fez com que Siddhārtha se casasse com Yaśodharā. Um filho nasceu para eles. Mas a mente de Siddhārtha estava inquieta, angustiada e agitada. Um dia, Siddhārtha descartou tudo e saiu do palácio sozinho.

Siddhārtha vagueou de lugar em lugar aprendendo com vários professores. Mas ele não encontrou a paz. Uma vez, num dia de lua cheia, enquanto estava sentado em meditação sob uma figueira-de-bengala, ele recebeu “Bodha”. (percepção ou convicção). A partir daquele dia, ele começou a ser conhecido pelo nome de ‘Buda’. Depois disso ele veio a Kāśi, e contou a seus discípulos como conseguiu Bodha ou convicção. O número de seus seguidores aumentava a cada dia. Assim surgiu o budismo. Buda disse que a razão da dor e do sofrimento no mundo era o desejo e que o sofrimento só poderia ser exterminado controlando e superando todo desejo. Para alcançar a felicidade eterna, deve-se ser verdadeiro e justo em pensamento, ação e palavra e que “Não Matar” era o fundamento da retidão. O budismo se espalhou por toda parte em Bhārata.

Gautama Buda morreu com a idade de oitenta anos.

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Fonte: https://www.wisdomlib.org/hinduism/compilation/puranic-encyclopaedia/d/doc241488.html

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-historia-de-buda-nos-puranas/

A História dos Vampiros

Conhecidos também como vampiros, nosferatu, entre outros, eles são incrivelmente inesplicaveis e maravilhosas criaturas. O conceito específico dos mortos retornando para atacar e se alimentar do sangue dos vivos encontrou sua maior expressão na Europa cristã. No séc. XII, O historiador inglês William de Newburgh relatou diversos casos de mortos retornando para aterrorizar, atacar e matar durante a noite. Identificou-se esse tipo de espírito maligno com o termo latino sanguisuga. Na maioria dos casos sobre os quais escreveu, a única solução permanente era desenterrar e queimar o corpo do assaltante acusado. Do séc XVI ao séc XVIII ocorreu vários relatos na Europa oriental. Várias palavras foram usadas para designar estas criaturas, tais como, vukodlak (extraída da palavra que designa lobisomem) ou outros termos usados na Sérvia, vampir (de origem questionavel) e palavras relacionadas (como a palavra russa upyr), também se disseminaram. Em fins do séc XIX, o romance Dracula, de Bran Stoker, iniciou a era da ficção que continua até hoje. Dracula criou o vampiro vilão definitivo, utilizando elementos de Polidori e Le Fanu para produzir um pano de fundo gótico para história de um predador aristocrático profano saído do túmulo, que hipnotiza, corrompe e se alimenta das lindas jovens que mata. Stoker revelou todo o impácto das conotações psicossexuais envolvidas entre o relacionamento vampiro e vítima, mostrando uma notável semelhança entre a ânsia de sangue dos mortos-vivos e a sensualidade reprimida dos simples mortais. Um elo psiquico ainda mais profundo está indicado quando uma vítima do sexo feminino é forçada a beber o sangue de Drácula como parte de sua transformação em vampira.

O que é?

O que é um vampiro? Você deve estar se perguntando. A definição comum, nos dicionários, serve como referência para a investigação: vampiro é um cadaver reavivado que levanta do túmulo para sugar o sangue dos vivos e assim reter a aparência da vida. Esta descrição certamente se adapta a Drácula, o vampiro mais famoso, mas é apenas um ponto de partida e rapidamente se prova inadequada quando nos aproximamos do reinado do folclore vampírico. De modo algum todos os vampiros se encaixam nesta descrição. Nem todos os vampiros são corpos ressuscitados, alguns são espíritos desencarnados, como os lamiai da Grécia, também são os humanos normais com hábitos incomuns (como beber sangue) ou um poder extraordinário (como a possibilidade de “drenar” as pessoas emocionalmente). Os animais vampiros, do tradicional morcego aos deliciosos personagens infantis como Bunnicula e Conde Duckula, não estão de nenhuma forma ausentes na literatura. Portanto, vampiros existem de várias formas, mesmo sendo a maioria de cadáveres que ressuscitam. Como o conhecido por todos, uma das características dos vampiros é a que eles tem que sugar sangue de pessoas ou animasi pra sobreviver, mas alguns vampiros não sugam sangue, na verdade só drenam a força vital de suas vítimas. A pessoa atacada por um vampiro tradicional sofre pela perda de sangue, o que causa fadiga, perda da cor no rosto, apatia, motivação esvaziada e fraqueza. Várias doenças que envolvem a perda do sangue também tem os mesmos sintomas.

Vampiro

Abordando um vampiro. Uma vez decidido que o termo vampiro cobre uma grande variedade de criaturas, surge um segundo problema. De um modo geral, os vampiros em si estão indisponíveis pra exame. Com algumas pequenas exceções, o assunto deste volume não é sobre vampiros em si, e sim sobre a crença humana neles. Assim sendo, alguma metodologia se fez necessária para levar em consideração a crença humana em entidades que objetivamente não existem. O problema não é novo e a vasta literatua sobre vampiros nos favorece de duas maneiras. A primeira oferece explicações de um contexto social, isto é, a existencia dos vampiros dá às pessoas uma explicação de eventos de ooutra forma inexplicaveis (que no Ocidente moderno tentamos explicar com termos científicos) . A segunda abordagem é psicológica e explica o vampiro como existindo no cenário psíquico íntimo do indivíduo. As duas abordagens não necessáriamente se excluem. De acordo com a distribuição mundial dos vampiros, podemos afirmar que eles tem seu próprio lugar em cada cultura, um exemplo é que na América Central existe os camazots, é muito parecido com o vampiro da Europa oriental, mas, nas culturas são encontrados em situações diferentes, os camazots tinham e ainda tem estátuas suas na América Central, enquanto nenhum Europeu iria pensar em fazer estátuas para vampiros. Mas eles também tinham suas semelhanças, como o lamai, era um ser que surgiu em respostas de uma série de problemas relativos ao parto, ele caçava bebês ou crianças pequenas, de modo que seria quase o mesmo de suyar e da Lilith.

Drácula

Drácula, com certeza é o vampiro mais conhecido, mas, por que? Sua pergunta será respondida neste texto. Ele na verdade nasceu em Schassburg na Transilvânia no séc XV, para ser mais preciso foi em 1428, assumiu o posto de príncipe da Valaquia (ou Wallachia, como preferir) em 1436. Este homem era um guerreiro da igreja católica, e sua família fez um juramento a ela de combater os turcos, ele seria um herói da igreja se não fosse por ele ter executado e empalado muitos de sua religião. Por seus atos, ele era também conhecido como Vlad, O empalador. Só na noite de 24 de agosto de 1460, Vlad, O empalador, matou 20 mil pessoas, entre as quais incluiam, mulheres, velhos e crianças. Seus atos eram totalmente brutais, antes de matar sua vítima, ele a torturava enfiando uma estaca no corpo da vítima a ponto de não matar, só causar dor, amarrava os menbros em cavalos, e puxava, sem matar ainda, por fim, como golpe de misericórdia, ele enfiava uma lança no abdome do alvo, levantava-o e deixava fincado no campo de batálha. Teve um tempo de sua vida, que, Drácula ficou aprisionado pelos turcos como modo de que Vlad Dracul (seu pai), não os traísse. Durante este tempo como prisioneiro Drácula aprendeu a lingua turca, aperfeiçoou suas tecnicas de tortura e estratégias de combate, até os guardas que cuidavam de sua “estadia”com os turcos, tinham medo do pequeno Drácula, pois conheciam o que o garoto poderia fazer com seus conhecimentos. Depois que seu pai morreu decaptado em 1447, Drácula viveu com inúmeros tutores e em inúmeros lugares, aprendeu muitas linguas e todas as formas e estratégias militares dos turcos e dos católicos, conhecia todos os pontos fracos de ambos os lados. Era sempre levado por seus tutores aos campos de batalha nos tempos de guerra, assim começou seu gosto por sangue, morte e torturas. Ainda com raiva dos turcos por terem executado seu pai, queria vingança, mas a matança não parou só com os turcos, ele queria mais, assim começou a matar católicos, e foi considerado pela igreja como um monstro, após matar suas vítimas bebia seu sangue, chegou até a fazer um comentário ironico uma certa vez dizendo “eu estou enjoando do cheiro de sangue coagulado”. O castelo de Drácula, era na época, praticamente ivulnerável a ataques, diziam que neste castelo existia uma passagem secreta que passava por baixo da montanha, que ele usava para fugir quando uma investida contra seu castelo era bem sucedida, mas esta passagem nunca foi encontrada. Existe uma suposição de que Bram Stoker estudou profundamente a vida de Vlad Tepes antes de escrever seu livro, pois muitas informações estão incrivelmente exatas, como a localização de seu castelo. Depois de uma vida inteira de matança, tanto de turcos como de católicos, Vlad Tepes foi assassinado em 1476.

Relatos

Relatos de seres “vampíricos” já foram apresentados diversas vezes. Uma certa vez foi sobre Johannes Cuntius que, na noite de sua morte um gato entrou em seu quarto e arranhou seu rosto. Após o enterro, o vigoa da cidade começou a relatar ruídos estranhos vindos da casa de Cuntius todas as noites. Outras histórias estraordinárias foram relatadas de outras residências. Uma empregada, por exemplo, relatou ter ouvido alguem cavalgando em volta da casa e depois para o dentro do edifício, abalando-o violentamente. Em outras noites, Cuntius apareceu e teve encontros violentos com antigos conhecidos, amigos e membros da família. Entrou no quarto e exigiu dividir a cama com a mulher. Como outras aparições (pessoas que voltam após a morte ou depois de longa ausência), Cuntius tinha uma presença física e uma força extraordinária. Numa ocasião, relata-se que arrancou dois postes firmemente enterrados no solo. Todavia, em outras ocasiões ele aparentemente operava de forma não-cormoral – como um fantasma- e desaparecia subtamente quando era acesa uma vela em sua presença. Dizia-se que Cuntius cheirava mau e tinha extremo mau alito. Relata-se que uma vez transformou leite em sangue. Sugava as vacas até que ficassem sem sangue, numa tentativa de chamar a atenção, não somente de sua esposa mas como também de diversas mulheres de sua cidade. Uma pessoa a qual tocou disse que sua mão era fria como o gelo. Diversos buracos dando para o local de seu caixão apareceram ao lado do túmulo. Os buracos foram preenchidos, mas reapareceram na noite seguinte. Os moradores da cidade, incapases de encontrar uma solução para essas ocorrências, resolveram finalmente verificar o cemitério, cavaram diversos túmulos. Todos os corpos estavam em adiantado seu estado de decomposição, menos o de Cuntius. Embora já estivesse enterrado a seis meses, seu corpo ainda estava macio e flexivel. Puseram um bastão na mão do morto e ele o agarrou. Cortaram o corpo e o sangue espirrou. Foi convocada uma audiência judicial formal, sendo pronunciado um julgamento contra o cadáver. Foram dadas ordens para que o corpo fosse queimado. Como este demorou a queimar, o corpo foi cortado em pedacinhos, o executor relatou que o sangue estava fresco e puro. Após a cremação, a figura de Cuntius nunca mais foi vista.

Lilith

Lilith, uma das figuras mais famosas do folclore hebreu, originou-se de um espírito malígno tempestuoso e mais tarde se tornou identificada com a noite. Fazia parte de um grupo de espíritos malígnos demoníacos dos americanos que incluíam Lillu, Ardat Lili, e Irdu Lili. Apareceu no Gilgamesh Epic babilônico (aproximadamente 2000 a.C) como uma prostituta vampira que era incapás de procriar e cujos seios estavam secos. Foi retratada como uma linda jovem com pés de coruja (indicativos de sua vida notívaga). No Gilgamesh Epic, Lilith foge de casa perto do rio Eufrates e se estabeleceu no deserto. Nesse sentido, mereceu um lugar na bíblia hebráica )velho testamento critão). Isaías, ao sdescrever a vingança de Deus, durante a qual a Terra foi transformada num deserto, proclamou isso como sinal da desolação: “Lilith repousará lá e encontrará seu local de descanso” (Isaías 34:14). Lilith reapareceu no Talmude , onde uma história mais interessante é contada, onde ela é como a mulher do bíblico Adão. Tiveram um desentendimento sobre quem ficaria na posição dominante durante as relações sexuais. Quando Adão insistiu em ficar por cima, Lilith usou seus conhecimentos magicos para voar até o Mar Vermelho, o lar dos espíritos malígnos. Conseguiu muitos amantes e teve muitos filhos, chamados lilin. Lá encontrou-se com três anjos enviados por Deus – Senoy, Sansenoy e Semangelof – com os quais fez um trato. Alegou ter poderres vampíricos sobre os bebês, mas concordou ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos. Uma vez mais atraída a Adão, Lilith retornou para assombrá-lo. Depois que ele e Eva (sua segunda mulher) foram explusos do jardim de Éden, Lilith e suas asseclas, todas na forma incubus/succubus, os atacaram, fazendo assim com que Adão procriasse muitos espíritos malígnos e Eva mais ainda. Dessa lenda, Lilith veio a ser considerada na tradição hebraica muito mais uma succubus do que uma vampira.

Kali

Kali, uma das mais importantes divindades da mitologia na Índia, era conhecida, entre outras características, pela sua sede de sangue. Kali apareceu pela primeira vez nos escritos indianos por volta do Séc VI em invocações pedindo ajuda nas guerras. Nestes primeiros textos foi descrita como tendo presas, usando uma guirlanda de cadáveres e morando no local de cremações, diverss séculos mais tarde no Bhagavat-purana, ela e seus seguidores, os dakinis, avançaram sobre um bando de ladrões, decapitaram-nos, embeberam-se em seu sangue e divertiram-se num jogo de atirar as cabeças de um lado para o outro. Outros escritos registram que seus templos deveriam ser construídos longe das vilas e perto dos locais de cremação. Kali fez sua aparição mais famosa no Devi-mahatmya, onde se juntou à deusa Durga para lutar contra o espírito demoníaco Raktabija, que tinha a habilidade de se reproduzir com cada gota de sangue derramado; assim, ao lutar contra ele, Durga se viu suberpujada pelos clones de Raktabija. Kali resgatou Durga ao vampirizar Raktabija e ao comer suas duplicatas. Kali foi vista por alguns como o aspécto irado de Durga. Kali também apareceu como consorte do deus Siva. Eganjaram-se numa dança feroz. Pictoricamente, Kali geralmente era vista sobre o corpo de Siva numa posição dominante enquanto se enganjavam em relações sexuais. Kali tinha um relacionamento ambíguo com o mundo. Por um lado, destruía espíritos malígnos e estabelecia ordem, por outro, servia como representante das forças que ameaçavam a ordem social e a estabilidade por sua embriagues de sangue.

Por Keld

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-dos-vampiros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-dos-vampiros/

Platão

Como no caso de Pitágoras, Platão é herdeiro da Antiga Tradição Órfica e dos mistérios iniciáticos de Eleusis. Platão sintetiza, dá a luz, revela este pensamento, recebido da boca de Sócrates e adquirido através de viagens e estudos de toda índole ao longo de anos. A influência de Platão é decisiva para a Filosofia, que a partir dele e de um de seus discípulos, Aristóteles, gera-se. Sublinhe-se que a Filosofia promove a história do pensamento, e que de sua aplicação prática em diversos níveis (que vão desde os acontecimentos cívicos, econômicos e sociais, aos usos e costumes, a moral e a religião, para acabar determinando as modas, as ciências, as técnicas e as artes), surge o mundo em que os ocidentais vivemos, queiramo-lo ou não. Apropriadamente, chamou-se “divino” a Platão. Na Antigüidade não se tomava este apelativo como alegórico, senão que se acreditava na divindade de Platão, ao qual também se considerou uma entidade, porque em seus diálogos (que ocorrem entre vários personagens da Grécia clássica, que expõem suas idéias, enquanto Sócrates as ordena e as rebate) não aparece jamais. Os erros denunciados diretamente por Sócrates, e os mostrados por Platão através dos distintos interlocutores, e da fina trama do diálogo, são, curiosamente, os que, desenvolvendo-se desde então de maneira equivocada e em progressão geométrica, desembocaram na crise do mundo moderno. Nas obras de Platão está perfeitamente explicada a Cosmogonia Tradicional e seu pensamento Filosófico e esotérico está tão vivo hoje em dia como no momento em que o Mestre escreveu. Basta nos aproximarmos de suas idéias, para se penetrar, quando é lido com suma concentração e sem preconceitos culturais e formais, num mundo de imagens e signos que vamos percorrendo levados por sua mão.

Símbolo dos atenienses e da cultura grega, Platão nasceu em 429 a.C. Igualmente a Pitágoras, descreveu um mundo de Idéias, ou Arquétipos (os “números” pitagóricos, as “letras” da Cabala) que geravam todas as coisas, e nas quais as coisas se sintetizavam. Como seu Mestre Sócrates, sofreu, se não a morte por veneno, a amargura do exílio, a desgraça e o cativeiro.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/plat%C3%A3o

A Ascensão Tifoniana: O Legado Mágico de Kenneth Grant

Matthew Levi Stevens

Onze anos após a morte do autor, ocultista e poeta britânico Kenneth Grant (1924-2011), estamos apenas agora começando a ver as primeiras tentativas de avaliar o impacto e o legado do homem que foi o último estudante e secretário do famoso Aleister Crowley, e que muitos acreditam ser seu sucessor natural.

Grant também foi um amigo próximo do mago artista Austin Osman Spare, apoiando-o em seus últimos anos, teve o padrinho de Wicca, Gerald Gardner, como um colega e às vezes rival, assim como durante seu tempo com Crowley e conheceu a Sacerdotisa da Nova Era, Dion Fortune. Como tal, Grant teve contato direto com quatro das figuras mais influentes do Renascimento Mágico e Místico dos meados do século XX.

Com relação a seu próprio trabalho, os nove volumes das três “Trilogias Tifonianas” de Grant escritos ao longo das três décadas de 1972 a 2003 – assim como vários volumes de ficção com temática oculta, e memórias das personalidades mágicas que ele encontrou – abrangem temas como Alquimia, Cabala, Controle de Sonhos, Egiptologia, Mitos de Cthulhu de H. P. Lovecraft, Caminho da Mão Esquerda, Magia Sexual, Surrealismo, Tantra, Thelema, Budismo Tibetano, Ufologia, Bruxaria e Vodu, que são um retrato único do Renascimento Oculto Moderno, assim como indiscutivelmente uma de suas correntes mais criativas.

Então, quem era exatamente Kenneth Grant?

Nascido em 23 de maio de 1924, muito pouco se sabe sobre os antecedentes de Grant ou sobre a sua biografia real. Ele era um homem intensamente reservado, que apesar – ou talvez até mesmo por causa – da natureza de seu trabalho e a notoriedade de seu mentor, Aleister Crowley, seguia uma rígida política de não divulgação, semelhante ao apagamento da história pessoal defendida nos livros de Carlos Castañeda.

Por sua própria natureza, algo como um jovem livreiro, sonhador, fascinado pela magia e pelo misticismo, o jovem Grant havia experimentado projeção astral e, aos 15 anos de idade, o que ele vivia eram contatos espontâneos de um ser que se chamava Aushik ou Aossic, que mais tarde identificaria como seu Santo Anjo Guardião. Grant tinha encontrado Magick In Theory and Practice (Magia em Teoria e Prática) de ‘Mestre Therion’ (um pseudônimo de Crowley’s) na livraria Charing Cross Road, Zwemmer’s, e, sentindo aqui talvez uma chave para entender – ou mesmo controlar – suas experiências, convenceu Michael Houghton, proprietário da Livraria The Atlantis Bookshop, a colocá-lo em contato com o autor. Houghton declinou, no entanto – as razões para isso não são claras – mas o que é um assunto de registro é que Grant, depois de escrever pela primeira vez, finalmente se encontrou com Crowley. Era dezembro de 1945, e quando eles apertaram as mãos pela primeira vez a música Shine On Harvest Moon estava tocando no rádio em segundo plano.

Foi assim que o jovem Kenneth Grant se tornou, por um tempo, um assistente-secretário do velho Magus ao abandonar Londres devastada pela Blitzkrieg, pela paz, tranquilidade e relativa segurança de uma hospedaria na costa sul. Foi em ‘Netherwood’ em Hastings, onde A Grande Besta terminou seus dias apenas três curtos anos depois, que Grant se tornaria aprendiz da Magia de Crowley a sério, e seria iniciado em sua Ordo Templi Orientis, conheceria pessoas como Dion Fortune, Gerald Gardner e Lady Frieda Harris, a artista talentosa que ilustrou o superlativo Livro do Tarô de Toth de Crowley. Ele também tomou conhecimento da ainda extensa rede de correspondência de Crowley com ocultistas no exterior – tais como Karl Germer e Eugen Grosche na Alemanha, e Jane Wolfe, W. T. Smith e Jack Parsons na América. Por um tempo, parece até que a Besta envelhecida estava preparando o jovem Grant para ser um possível sucessor, referindo-se a ele como um “Presente dos Deuses“, e anotando em seu diário:

“…o valor de Grant. Se eu morrer ou for para os EUA, deve haver um homem treinado para cuidar da OTO inglesa.”

Mas mesmo nesta fase inicial, a propensão de Grant para o devaneio e para o outro mundo desnorteou e frustrou o homem mais velho, que – afinal de contas – procurava assistência prática, no dia-a-dia, em primeiro lugar, e treinar um herdeiro, em segundo. Finalmente tudo se tornou demais – particularmente para Grant, que sentia falta de sua noiva Steffi – e Crowley o deixou ir, mas não antes de iniciar Grant no Grau IXO da O.T.O. e de fornecê-lo com uma Carta para montar um acampamento da Ordem.

Pouco antes da morte de Crowley, Grant também conheceu um homem que mais tarde provaria ser quase tão influente sobre ele quanto A Grande Besta: embora mais na forma de uma eminência parda, que influenciou Grant nos bastidores. Ele forneceu uma iniciação e inspiração que teve um impacto definitivo na reformulação da Thelema de Grant, no propósito e rituais do ramo da O.T.O. que ele fundou, e muito do foco das suas Trilogias Tifonianas. Seu nome era David Curwen.

Um alquimista praticante e aluno do Tantra, que havia dado o passo da devoção a um guru indiano – incomum para um ocidental na época – David Curwen foi mencionado pela primeira vez nas memórias de Grant de 1991, Remembering Aleister Crowley (Relembrando o diário Aleister Crowley):

“David Curwen foi mencionado pela primeira vez nos diários de Crowley, em 2.9.1944. Quando o conheci, pouco antes da morte de Crowley, ele era membro do IX° O.T.O. Sua paixão pela Alquimia era tão grande que ele quase morreu depois de absorver o ouro líquido. Seu conhecimento do Tantra era considerável. Foi através de Curwen que recebi, eventualmente, a iniciação completa em uma fórmula altamente recôndita do Tântrico vama marg.”

Ao discutir a tentativa de Crowley de formular um “elixir” como parte de seu trabalho da magia sexual, Grant menciona um detalhe de relevância fundamental para sua posterior tecelagem de Tantra e Thelema, que seria essencial para sua própria jornada de iniciação:

“Existe um documento relativo a esta fórmula compilado pelo antigo guru de Curwen, um tântrico do sul da Índia. É na forma de um extenso comentário sobre um texto antigo da Escola Kaula. Curwen emprestou a Crowley uma cópia do mesmo.”

O documento em questão era uma cópia do Anandalahari, ou a “Onda de Felicidade“, anotado pelo guru sul-indiano de Curwen e com um Comentário explicando o simbolismo fisiológico – e explicitamente sexual -. Isto forneceu a Grant a chave para desvendar os mistérios ocultos dos Textos Sagrados em Sânscrito, a partir dos quais ele foi capaz de desenvolver – com a ajuda de Curwen – uma visão mais profunda do Tantra do que seu antigo mentor jamais havia conseguido:

Nas instruções que acompanham os graus superiores da O.T.O., não há um relato abrangente do papel crítico dos kalas, ou emanações psicossexuais da mulher escolhida para os ritos mágicos. O comentário foi um abrir de olhos para Crowley, e explicou algumas de suas preocupações durante minha estada no ‘Netherwood’. Estas envolviam uma fórmula de rejuvenescimento. Faltava ao O.T.O. algumas chaves vitais para o verdadeiro segredo da magia que Crowley afirmava ter incorporado nos graus mais altos. Curwen, sem dúvida, sabia mais sobre estes assuntos do que Crowley, e Crowley ficou irritado com isso.

Apesar de suas credenciais externas como ocultista e às vezes transgressor, como um bissexual promíscuo e drogado, Aleister Crowley ainda era, em muitos aspectos, um produto de seu tempo: ele pode não ter sido um misógino, mas sofria de um chauvinismo masculino, todo típico de sua origem vitoriana, privilegiada e branca. Ele também tinha pouco ou nenhum conhecimento do autêntico Tantra de fontes originais, enquanto quando eu troquei cartas e me encontrei brevemente com Kenneth Grant em 1981, ele deixou claro que apesar de sua dedicação de toda sua vida a Crowley e à Lei de Thelema, realmente seu “primeiro amor”, espiritualmente falando, foi o Advaita Vedanta. Esta antiga filosofia hindu da não-dualidade afirma que Atman, ou o Verdadeiro Eu, não é essencialmente diferente do Princípio Universal mais Elevado, ou Brahman. Grant se tornaria por um tempo, nos anos 50, um seguidor do Sábio de Arunachala, Bhagavan Sri Ramana Maharshi, e via sua meditação essencial “Quem sou eu?” como equiparada à busca de Thelema de realizar a Verdadeira Vontade de alguém, escrevendo:

“O espírito natural do Oriente, em sua rotunda mais profunda, está em total concordância com a doutrina de Thelema. Que isto pode ser provado comparando os princípios básicos de Thelema com o Caminho Chinês do Tao, a doutrina Vedântica de Advaita e a filosofia central do Tantricismo Hindu e Budista.”

Vários artigos que Grant escreveu para as revistas anglo-indianas foram posteriormente reunidos e publicados como At the Feet of the Guru (Aos Pés do Guru).

Depois de um período de associação com Gerald Gardner – que também era membro da O.T.O., também com um estatuto para criar um acampamento (embora não haja evidências de que ele alguma vez o tenha utilizado) – Grant criaria um Grupo de Trabalho próprio, “evoluído… para fins de tráfego com os Outer Ones (Exteriores)”, do qual ele escreveu:

“Entre os anos 1955-1962, eu estava envolvido com uma Ordem oculta conhecida como New Ísis Lodge (Nova Loja Ísis). Ela funcionava como uma filial da Ordo Templi Orientis (O.T.O.), com sede em Londres. Fundei a Loja para canalizar transmissões de fontes transplutônicas… O corpo dessas transmissões forma a base das Trilogias Tifonianas.”

Isto causou uma briga com Karl Germer, chefe nominal da O.T.O. quando da morte de Crowley, que sentiu que Grant havia excedido sua autoridade. Houve também conflitos de personalidade porque a New Ísis Lodge havia emitido um manifesto em conjunto com o antigo Grão-Mestre da Fraternitas Saturni alemã, Eugen Grosche, com quem Germer havia se desentendido anteriormente – o resultado foi a expulsão de Grant da Ordem. Este Grant desconsiderou, entretanto, considerando sua autorização de ter vindo do próprio Crowley, e também seus próprios contatos dos “Planos Interiores”. Assim começou a separação dos caminhos entre a Ordem Tifoniana de Grant e o chamado ‘Califado’ O.T.O. reformulado na América por Grady McMurtry.

Uma chave para entender a noção de ‘Gnose Tifoniana é a identificação enfática de Kenneth Grant com Tifón – uma entidade monstruosa da mitologia grega, líder dos Titãs, que fazem guerra contra os deuses do Olimpo, e decididamente feminina – como a Mãe de Set. Grant não hesita em se apropriar deste gigantesco monstro ctônico, de múltiplas asas e membros de cobra, Tifón Primordial, como um avatar da Grande Mãe, ou seja, da própria “Mãe Natureza”, e ousadamente afirma:

“Ela tipificou a primeiro progenitora numa época em que o papel do macho na procriação era insuspeito. Como ela não tinha consorte, ela era considerada uma deusa sem um deus, e seu filho – Set – sendo sem pai, também não tinha deus e era, portanto, o primeiro ‘diabo’, o protótipo do Satã das lendas posteriores.”

Em relação a Set – uma figura sombria e primordial da potência bruta do Egito aborígine, pré-dinástico, mais tarde lançado como o assassino do deus-rei Osíris e depois protótipo do “Deus contra os deuses” – Grant escreveu no prefácio da edição de 1990 do que havia sido originalmente seu primeiro livro, O Renascer da Magia:

“Para nós, que temos o conhecimento interior, herdado ou vencido, resta restaurar os verdadeiros ritos de Átis, Adônis, Osíris, de Set, Serápis, Mitra, e Abel”.

Estas palavras de Aleister Crowley me inspiraram quando jovem e, imaginando-me como um daqueles a quem eram dirigidas, logo descobri que, por alguma razão, não fui capaz de entender que era o deus Set que eu estava sendo chamado a honrar. Assim, tomei a mim mesmo a tarefa de penetrar nos Mistérios deste, o mais antigo dos deuses, e traçar a história de seus ritos desde uma antiguidade indefinida até os dias de hoje.

Os Mistérios Egípcios formam em grande parte o núcleo da Tradição Mágica Ocidental e foram certamente a base para os mitos e rituais da  Hermetic Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada), onde Crowley tinha aprendido a maior parte do que precisava para seu desenvolvimento posterior. O Antigo Egito como fonte de poder sobrenatural sancionou seu papel como Profeta, e construiu sobre o Éon de Horus de Crowley e O Livro da Lei, tanto quanto Grant cuja principal fonte para sua Gnose Tifoniana foi o controverso trabalho do egiptólogo esotérico autodidata, Gerald Massey.

Em obras monumentais como o Natural Genesis and Ancient Egypt: The Light of the World (Gênesis Natural e o Egito Antigo: A Luz do Mundo), Massey expôs em termos inequívocos o que ele afirmava ser a base afrocêntrica e fisiológica da Gnose: “Os mais antigos símbolos e religiões têm origem na África”. Ele concebeu o Tifón como equivalente à Tauret egípcia, ou Ta-Urt, o hipopótamo “Senhora da Casa de Nascimento”. Ela era a Deusa das Sete Estrelas do Norte (A constelação da Ursa Maior), e seu filho era a Estrela da (Constelação) do Cão (Maior), Sothis ou Sírius (igualado a Set), cuja ascensão heliacal aparecia acima do horizonte pouco antes da inundação do Nilo. A palavra “Tifoniano” se referia àqueles que adoravam esta Deusa Primordial, e os membros de Seu Culto Estelar haviam fugido para o Oriente, levando sua sabedoria com eles, quando os adoradores do Culto Solar ganharam a ascendência. Em muitos aspectos, a maior inovação de Kenneth Grant foi ligar esta Tradição Tifoniana ao Ocultismo Moderno.

Enquanto Grant se baseava extensivamente nas obras de outros ocultistas que o precederam – Blavatsky, Crowley, Fortune, Grosche, Spare – e citou acadêmicos e estudiosos, do sexólogo pioneiro Havelock Ellis ao ‘Egiptosofista’ Gerald Massey, ele também tinha o curioso hábito de referenciar obras de ficção com a uma aparente mesma seriedade. Assim, as discussões sobre a Sabedoria Estelar e a sobrevivência do culto pré-dinástico do primeiro Egito podem incluir, assim como referências a fontes arqueológicas, também material especulativo extraído dos Registros Akáshicos. Comparações com escritos sobre Tantra e Vodu são todas misturadas com as histórias de terror de Bram Stoker, as pulp novels (romances de celulose) de Sax Rohmer, a ficção sobrenatural de Arthur Machen e os ‘Contos Estranhos’ de H. P. Lovecraft.

Grant tinha uma afeição especial por Lovecraft, aparentemente acreditando que ele estava “em alguma coisa” – que seu temido grimório, O Necronomicon, de fato existia no plano astral, e que HPL (Lovecraft) tinha apreendido isso através de seus sonhos, mas era incapaz de aceitar a “verdade” do que ele tinha discernido – que ele era, de fato, um mago inconsciente. Para aumentar a aparente confusão, em várias obras Grant deu relatos – alegadamente dos Anais de sua Nova Loja Ísis – que parecer como algo da prosa roxa de escritores de horror sobrenaturais, e falou de personagens fictícios como se fossem “reais” – e então em suas obras supostamente fictícias ele se baseou em elementos presumivelmente biográficos de sua própria vida, também personagens e locais “reais”.

A meu ver, este exame excessivamente literal de certos escritos, tais como Grant – ou mesmo Carlos Castañeda, com quem às vezes foi comparado – pode passar despercebido. Se Don Juan ‘realmente’ transformou Castañeda em um corvo, ou se eles saltaram da montanha juntos – ou se Crowley ‘realmente’ perguntou a Kenneth Grant se eles eram parentes distantes por meio de um primo compartilhado em um clã estendido, que por acaso estava de posse de uma herança de família na forma de um grimório documentando seu tráfego de gerações – com inteligências de outros mundos – não está nem aqui nem lá. O que Grant está tentando enfatizar – do que ele era um indubitável Mestre – é o uso da ficção ou literatura como uma forma de Glamour mágico.

As palavras podem tecer mundos, as palavras podem conjurar fantasmas – as palavras podem transportar, transformar, e alterar a consciência – o único limite sendo a imaginação. É preciso lembrar que a imaginação se preocupa com a criação de imagens, em cujo respeito está diretamente relacionada à Antiga Heka egípcia: uma palavra que significava tanto “Magia” quanto “a criação de imagens”. O rol de escritores que também eram magos – ou, alternativamente, ocultistas que empregam a ficção como meio de expressar conceitos mágicos – é longa e distinta.

O próprio Grant segue as pegadas de Aleister Crowley e Dion Fortune, ambos com um passado na Golden Dawn e seus descendentes, assim como Algernon Blackwood, J. W. Brodie-Innes, Arthur Machen, Sax Rohmer, Bram Stoker e A. E. Waite. Grant viu as implicações ocultas no trabalho de tais escritores como não sendo tão diferentes das suas próprias:

“Machen, Blackwood, Crowley, Lovecraft, Fortune e outros, frequentemente usaram como tema para seus escritos o influxo de poderes extraterrestres que têm moldado a história de nosso planeta desde o início dos tempos…”

Assim como outros poetas e escritores decadentes e simbolistas, como Baudelaire, Huysmans, Lautréamont e Rimbaud, pintores surrealistas como Salvador Dali, Paul Delvaux, Max Ernst e Yves Tanguy tem uma apreciação especial. Dali em particular foi elogiado como “Um dos maiores magos de nosso tempo” – com Grant passando a explicitar a comparação deste com Spare:

“Spare já havia conseguido isolar e concentrar o desejo em um símbolo que se tornou senciente e, portanto, potencialmente criativo através dos relâmpagos da vontade magnetizada. Dali, parece, levou o processo um passo adiante. Sua fórmula de ‘atividade paranóico-crítica’ é um desenvolvimento do conceito primordial (africano) do fetiche, e é instrutivo comparar a teoria de Spare de ‘sensação visualizada’ com a definição de Dali de pintura como ‘fotografia colorida feita à mão de irracionalidade concreta’. A sensação é essencialmente irracional, e sua delineação em forma gráfica (“fotografia a cores feita à mão”) é idêntica ao método de Spare de “sensação visualizada”.”

A ênfase no uso de tal criatividade, carregada de intenção mágica e dirigida pela vontade treinada, é um conceito chave da Gnose Tifoniana:

“Dion Fortune enfatizou a importância do devaneio conscientemente controlado. Baseando suas práticas em aspectos dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, ela demonstrou o valor mágico do “sonho verdadeiro”, uma expressão derivada do romance de George du Maurier, Peter Ibbetson. A teoria é que se alguém tece um sonho diurno com intensidade suficiente induz a uma abstração tão total dos sentidos que o sonhador se funde num sonho acordado, no qual ele é o criador e mestre de suas próprias fantasias. Se poderosamente formuladas, estas concretizam, reificam e assumem uma realidade igual em grau – e muitas vezes maior – àquela que é experimentada na consciência desperta comum. As vantagens de ser capaz de induzir tal estado são evidentes.”

Talvez mais do que qualquer outro escritor ocultista moderno, Grant enfatizou a importância, potencial e poder de tal criatividade, escrevendo em Aleister Crowley & O Deus Oculto que, “A Grande arte é sempre simples… a verdadeira arte expressa a Eternidade”. Desde o início, a arte de Austin Osman Spare e a esposa de Grant, Steffi, é essencial para a função das Trilogias Tifonianas – o texto ilustra as figuras tanto quanto as figuras ilustram o texto. Mais tarde, em Outside the Circles of Time (Fora dos Círculos do Tempo), Grant escreve a respeito de artistas como Dali, Sidney Sime, Spare, e Tanguy:

“Estes artistas deram um salto em outras dimensões e – este é o ponto importante – voltaram para registrar suas experiências extradimensionais… A arte, no sentido verdadeiro e vital, é um instrumento, uma máquina mágica, um meio de exploração oculta que pode projetar o vidente no reino do invisível, e lançar a mente desperta nos mares do subconsciente.”

Por mais que as obras de Kenneth Grant possam ser documentos inestimáveis da evolução do ocultismo contemporâneo – assim como registros da contribuição de muitas das figuras pioneiras com as quais ele teve contato pessoal – é de se esperar que a maior contribuição de seus livros seja como catalisadores mágicos para o leitor que está preparado para abordá-los sob a mesma luz. Como escreveu a antiga protegida de Grant, Sacerdotisa da Magia de Maat, Nema: “Estes não são apenas livros sobre Magia; são livros que são Magia”.

Usados como portais para o Nightside (Lado Noturno), os nove volumes das Trilogias Tifonianas – assim como os vários outros livros de Grant – podem finalmente servir como guias para aquele lugar de exploração e inspiração além de distinções como ‘fato’ e ‘ficção’ que ele gostava de chamar de “a Zona Malva”.

Como tal, eles podem servir como plataformas de lançamento ou mesmo veículos para aquele lugar que cada um de nós precisa encontrar por si mesmo: o lugar onde a Magia acontece.

Finalmente, para concluir, sei que uma imagem de Grant é frequentemente pintada como autocrático, até mesmo autoritário da “Velha Escola”, o que pode muito bem ter sido assim – várias pessoas me levaram a acreditar que ele era realmente mais fácil de lidar se você não fosse um membro da sua Ordem Tifoniana! – mas não há dúvida da sua óbvia dedicação ao Feminino Daemônico (ou Demoníaco). A  Fellowship of Isis (Irmandade de Ísis), que Grant apoiou, afirmou que ele era “totalmente a favor da Deusa”. Sua defesa da obra de Dion Fortune, de Marjorie Cameron – numa época em que a maioria das pessoas, se é que tinham conhecimento dela, apenas a consideravam como a “viúva de Jack Parsons” – seu encorajamento ativo às sucessivas gerações de mulheres fortes ocultistas, como Janice Ayers, Jan Bailey, Linda Falorio, Margaret Ingalls (a supracitada Nema), Mishlen Linden e Caroline Wise – assim como sua devoção vitalícia à sua esposa, a artista Steffi Grant, cujas obras complementam e ilustram vividamente seus livros – todas atestam isso.

Retrato de Steffi e Kenneth Grant, por Austin Osman Spare.

Sendo o último elo vivo* com Aleister Crowley, Gerald Gardner, Eugen Grosche e Austin Osman Spare, o legado de Kenneth Grant ainda está para ser totalmente avaliado e não voltaremos a ver algo semelhante a ele novamente.

* Kenneth Grant faleceu em janeiro de 2011 aos 86 anos.


Fonte: Tifon Rising: The Magical Legacy of Kenneth Grant.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-ascensao-tifoniana-o-legado-magico-de-kenneth-grant/

Memes para reflexão (parte 3)

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O Senhor dos Exércitos

As Cruzadas não se prestaram a “combater infiéis” somente na Terra Santa. No caminho até lá, houve algumas outras batalhas da Igreja dentro da própria Europa. Bem, “batalha” talvez não seja a melhor definição, e sim “massacre”.

Em 1209 a cidade de Béziers era habitada por cerca de 60 mil pessoas, e dentre elas havia muitos seguidores do catarismo, uma vertente mística do cristianismo que desagradava a Igreja. O problema é que nem todos dentro dos seus muros eram cátaros, o que gerou um questionamento muito pertinente de um dos comandantes do exército francês ao representante do Papa, quando eles se preparavam para invadir a cidade com uma força militar vastamente superior. O comandante perguntou: “Mas senhor, nesta cidade encontram-se vivendo em paz cristãos, judeus, árabes e cátaros. Como vamos saber quais são os inimigos?”. E o representante assim o respondeu: “Matem todos; Deus escolherá os seus!”. Béziers foi dizimada, mas não se sabe se Deus conseguiu encontrar os seus…

A ideia da “guerra do Bem contra o Mal” é poderosa e sedutora, e por isso mesmo sempre agradou aos Imperadores, Reis e Papas. De todas as ilusões que se interpõe a verdade inconveniente de que, como muitos já devem saber, todas as guerras do mundo se dão quase que unicamente pelo desejo da conquista de territórios e riquezas, a lenda do Bem contra o Mal é a mais simples de se compreender, e a mais capaz de arrebatar uma grande massa de ignorantes. Nesse tipo de guerra não há dor na consciência em dizimar inocentes, nem mesmo em estuprar mulheres e crianças, pois fica pré-estabelecido que elas são como demônios sem alma, fruto de um suposto exército comandando pelo Mal.

No entanto, talvez até mesmo uma criança já seja capaz de se questionar: “Ora, mas se Deus criou a todos nós, como ele pode ser o Senhor de um único exército?”. Acredito que a resposta seja óbvia, e este meme é uma tentativa de trazer essa reflexão à tona.

Buda, e Budai…

Uma curiosidade: na imagem cima não temos o Buda Sidarta Gautama, mas Budai, uma divindade chinesa que é costumeiramente confundida com Sidarta. Obviamente que o Buda Gautama provavelmente nunca foi muito “gordinho”, até mesmo porque chegou a praticar jejuns extremos, e após atingir a iluminação, aos 35 anos, passou os próximos 45 anos de sua vida viajando pelos arredores do Nepal.

A vida de Buda se parece muito mais com a vida de um místico andarilho, como Jesus de Nazaré, que viajou a pé pelos arredores de sua cidade natal, ensinando a todos com quem cruzava. A diferença é que Buda não é conhecido por realizar milagres, como ressuscitar mortos, curar leprosos ou transformar água em vinho. Em todo caso, os ensinamentos de Buda foram tão impactantes quanto os de Jesus, o que é atestado pelo fato de terem igualmente sobrevivido por mais de dois mil anos, sem terem sido esquecidos.

No entanto, não é difícil encontrar pessoas que, por total desconhecimento da história de vida de Sidarta, creem piamente que ele passou a vida toda meditando ao lado de uma árvore, e não ajudou ninguém. O fato de sua imagem ser costumeiramente confundida com a imagem de Budai talvez ainda ajude a perpetuar essa lenda do “monge gordinho que nunca saiu do lugar”.

Tal visão, é óbvio, não poderia estar mais distante da realidade. Desde o momento em que atingiu a iluminação, é dito que o Buda passou o restante de seus dias tentando auxiliar aos demais a atingir esse mesmo grau de consciência da realidade, e de desapego para com tudo o que existe somente no fluxo do tempo.

Se há um lugar em que Sidarta passou boa parte da vida, não foi na sombra de uma árvore, mas na própria eternidade.

» Em breve, + memes!

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Crédito das imagens: Raph/Google Image Search

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Budismo #Cristianismo #memes

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As Meditações do imperador Marco Aurélio

As Edições Textos para Reflexão retornam a filosofia com a obra de Marco Aurélio, o imperador romano que mais se aproximou do ideal platônico de um “rei-filósofo”.

Meditações é um dos marcos do estoicismo e da história da filosofia ocidental. A tradução (a partir de versões inglesas) é de Rafael Arrais, que também já traduziu o Manual de Epicteto e diversas obras poéticas e espiritualistas da humanidade.

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Abaixo, segue o Prefácio da obra (por Rafael Arrais):

Em sua famosa obra, A República, Platão defende que o Estado ideal deveria ser governado por uma espécie de “rei-filósofo”. No entanto, mesmo na época o pensador grego sabia que se tratava de algo muito difícil de vir a acontecer:

“Se nunca aconteceu, nos séculos passados, que um filósofo fosse obrigado a se encarregar do governo de um Estado […], se algum dia realmente vier a acontecer, poderemos então afirmar que existe uma República semelhante a esta que imaginamos, quando a Musa Filosófica se tornar senhora de uma cidade.” (A República, Livro VI)

O próprio Platão, convidado pelo governante de Siracusa, tentou implantar o seu sistema de governo idealizado no “mundo real”, mas falhou miseravelmente. Ora, se nem mesmo quem imaginou os reis-filósofos encontrou um, diríamos que alguém assim nunca existiu, certo?

Bem, se houve algum homem que se aproximou dos ideais platônicos, e conseguiu ser bem sucedido tanto na condução do Estado quanto no caminho da filosofia, este homem foi Marco Aurélio, imperador de Roma.

Marco Aurélio foi o último dos cinco imperadores que governaram o Império Romano num período conhecido como Pax Romana (Paz Romana), que durou até a sua morte, em 180 d.C. Curiosamente, como ainda veremos, a última década de sua vida foi quase toda dedicada a defender o Império de invasores bárbaros – havia paz dentro do Império, mas não em suas fronteiras.

Nascido em 121 d.C., devido a morte prematura do pai ele foi criado como filho adotivo do bom imperador Antonino Pio, também seu tio, a quem sucedeu no governo em 161 d.C. Devido a haver sido educado pelos melhores mentores e sábios de sua época, Marco Aurélio conheceu a fundo a filosofia grega, e veio a se apaixonar pelo estoicismo.

Esta corrente filosófica surgiu em Atenas já após Platão e Aristóteles, quando por volta do ano 301 a.C. um estrangeiro de origem fenícia chegou a cidade e passou a divulgar sua doutrina e atrair discípulos. Seu nome era Zenão de Cítio.

Ao contrário de muitos filósofos da época, Zenão preferia realizar suas palestras em locais públicos, sendo o seu ponto favorito uma espécie de “pórtico” (stoa, em grego) da cidade. Por conta da palavra stoa, a nova doutrina veio a ser conhecida como estoicismo.

Zenão teve alguns discípulos que vieram a se tornar relativamente famosos, mas do ponto de vista histórico existiram três estoicos tardios, nascidos séculos após Zenão, que foram muito mais importantes que ele próprio: Sêneca, Epicteto e o próprio Marco Aurélio.

Sêneca (3 a.C. – 65 d.C.), a exemplo de Marco Aurélio, conseguiu ser bem sucedido na filosofia e na política, tendo alcançado o cargo de senador romano. Foi Epicteto (60 d.C. – 100 d.C.), entretanto, o grande exemplo seguido pelo imperador filósofo. Ao contrário dos outros dois expoentes do estoicismo, Epicteto teve origem humilde e foi escravo por boa parte da vida; mesmo assim tal fato não o impediu de ter sido um dos pensadores mais originais da história da filosofia, ao ponto da própria obra de Marco Aurélio ser mais uma espécie de comentário alongado de Epicteto do que algo propriamente original.

A própria essência do estoicismo foi de tal forma resumida no início do Manual de Epicteto, que poderíamos dizer que todo o restante pode ser desenrolado, como um fio, desta reflexão inicial:

“As coisas se dividem em duas: as que dependem de nós e as que não dependem de nós. Dependem de nós o que se pensa de alguma coisa, a inclinação, o desejo, a aversão e, em uma palavra, tudo o que é obra nossa. Não dependem de nós o corpo, a posse, a opinião dos outros, as funções públicas, e, numa palavra, tudo o que não é obra nossa. O que depende de nós é, por natureza, livre, sem impedimento, sem contrariedade, enquanto o que não depende de nós é fraco, escravo, sujeito a impedimento, estranho.” (Manual, I)

Assim, um estoico focava a sua atenção não propriamente nos eventos do mundo, mas na sua interpretação, na sua opinião acerca de tais eventos. Ou, como repetia Marco Aurélio, “tudo é opinião”.

No entanto, sem dúvida seria bem mais simples se dedicar à filosofia estoica e à reflexão acerca da própria opinião no espaço reservado de uma escola filosófica, numa casa de campo afastada das grandes cidades, quiçá simplesmente viajando a turismo pelo mundo. Todavia, nada disso foi possível ao imperador Marco Aurélio, que tinha literalmente o maior império de seu tempo dependendo dos seus cuidados. O fato de ele ter sido bem sucedido em seu caminho filosófico, mesmo diante de tantas responsabilidades e atribulações, faz dele quase que um exemplo de homem divino, embora ele próprio pouco se importasse com a fama.

Aliás, Marco Aurélio jamais desejou publicar obra alguma. As suas Meditações, que tinham a si mesmo como destinatário, eram nada mais que diários pessoais, escritos sabe-se lá a qual custo em meio ao seu governo. De fato, ele passou os últimos dez anos de sua vida residindo longe do conforto de Roma, defendendo a fronteira norte do Império dos ataques de povos bárbaros, como os Quados e, principalmente, os Marcomanos. E ao que tudo indica foi precisamente nesses anos, quem sabe para ajudar a si mesmo a ser resiliente a guerra, quem sabe por puro amor a filosofia, que Marco Aurélio escreveu e presenteou a história da filosofia com as Meditações.

Coube a Cássio Dião, um historiador da época, relatar o esforço descomunal do imperador em não deixar a chama filosófica se apagar, mesmo em meio aos dias mais sombrios:

“Marco não encontrou a boa sorte que merecia, pois ele não era dotado de um físico vigoroso e se viu envolvido em um turbilhão de problemas durante praticamente todo o seu reinado. Mas, na parte que me toca, eu o admiro ainda mais por essa razão, já que, em meio a dificuldades incomuns e extraordinárias ele conseguiu sobreviver e preservar o Império.”

Assim, na sequência ficamos com as reflexões de um dos maiores governantes e filósofos que já passou pelo mundo, que embora tenham ficado conhecidas como as Meditações de Marco Aurélio, na realidade foram intituladas pelo próprio autor como Pensamentos para mim mesmo…

O tradutor.

#eBooks #estoicismo #Filosofia #Kindle

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A História do Manuscrito Voynich

O Dr. Dee era um colecionador encarniçado de manuscritos estranhos. Foi ele que, entre 1584 e 1588, ofereceu ao Imperador Rodolfo II o estranho manuscrito Voynich.

A história desse manuscrito foi contada muitas vezes, e em particular, por mim mesmo em O Homem Eterno e em Os Extraterrestres na História. Penso, entretanto, que será útil contá-la desde o início.

O Duque de Northumberland havia pilhado um grande número de mosteiros sob o reinado de Henrique VIII. Num deles, encontrou um manuscrito que sua família comunicou a John Dee, cujo interesse por problemas estranhos e testos misteriosos era bem conhecido. Segundo os documentos encontrados, tal manuscrito havia sido escrito por Roger Bacon. Roger Bacon (1214-1294) era considerado pela posteridade como um grande mago. Com efeito, ele se interessava sobretudo pelo que chamamos experimentação científica, da qual foi um dos pioneiros.

Predisse o microscópio e o telescópio, os navios com propulsão a motores, os automóveis e as máquinas voadoras. Interessava-se, igualmente, pela criptografia da qual falou na “Epístola sobre as obras secretas da arte e a nulidade da magia”. Dee podia pensar, perfeitamente, que um tal manuscrito inédito e cifrado por Roger Bacon podia conter espantosos segredos. Seu dilho, Dr. Arthur Dee, falando da vida de John Dee em Praga, cita “um livro contendo um texto incompreensível que meu pai tentou em vão decifrar”. Dee ofereceu o manuscrito ao Imperador Rodolfo. Após múltiplas atribulações, o documento parou no livreiro Hans P. Kraus, de New York, onde foi vendido em 1692, pela módica soma de 160.000 dólares. Não é caro, se tal livro contém todos os segredos do mundo, é muito caro se resumir, simplesmente, os conhecimentos do século XIII.

Falamos já do papiro egípcio que devia fornecer, em princípio, “todos os segredos das trevas”, e que indicava, unicamente, o método de resolução de equações do primeiro grau. É preciso desconfiar, mesmo do manuscrito Voynich. Penso, de minha parte, que esse manuscrito Voynich serve como bom exemplo de livro maldito que escapa à destruição, unicamente porque não se chega a decifrá-lo, e porque não constitui, por isso, um perigo imediato.

Aparece em forma de brochura de 15 por 27 cm, sem capa e, segundo a paginação, faltando 28 páginas. O texto é colorido em azul, amarelo, vermelho, marrom e verde. Os desenhos representam mulheres nuas, de pequeno talhe, diagramas (astronômicos?) e quatrocentas plantas imaginárias. A escrita parece uma escrita medieval corrente. O exame grafológico permite concluir que o escriba conhecia a língua que utilizava: copiou-a de maneira corrente e não letra por letra.

O código empregado parece simples, mas não se encontra maneira de decifrá-lo.

O manuscrito apareceu em 19 de agosto de 1666, quando o reitor da Universidade de Praga, Johannes Marcus Marci, enviou-o ao célebre jesuíta Athanase Kircher que era, entre outras coisas, especialista em criptografia e em hieróglifos egípcios, e em continentes desaparecidos. Era o homem a quem se deveria ter enviado o texto, realmente, mas ele não conseguiu decifrá-lo.

O manuscrito foi, em seguida, estudado pelo sábio tcheco Johannes de Tepenecz, favorito de Rodolfo II. Encontra-se uma assinatura de Tepenecz na margem, mas também este não decifrou o manuscrito. Kircher, tendo malogrado, guardou o manuscrito numa biblioteca jesuíta. Em 1912, um livreiro chamado Wilfred Voynich comprou o manuscrito da escola jesuíta de Mondragone, em Frascati, Itália. Levou-o aos Estados Unidos, onde muitos especialistas tentaram descobrir seu segredo. Não chegaram a identificar seu segredo. Não chegaram a identificar a maior parte das plantas. Nos diagramas astronômicos, foram identificadas as constelações de Aldebaran e Hyades, o que não mudou muita coisa. A opinião geral é de que o texto está cifrado, mas numa linguagem desconhecida. Os famosos arquivos do Vaticano foram abertos para auxiliar a procura. Nada se encontrou.

Numerosas fotografias circularam, foram remetidas a grandes especialistas. Nada.

Em 1919, fotocópias chegaram a William Romaine Newbold, deão da Universidade da Pensilvânia. Newbold tinha, então, 54 anos. Era especialista em lingüística e criptografia.

Em 1920, Franklin Roosevelt, então assistente no Ministério da Marinha, agradece-lhe por decifrar uma correspondência entre espiões, cujo segredo não pudera ser percebido por nenhum dos escritórios especializados de Washington. Newbold interessava-se, mais e mais, pela lenda do Graal e pelo gnosticismo. Era visivelmente um homem de grande cultura, capaz, se alguém no mundo fosse capaz, de decifrar o manuscrito Voynich.

Trabalhou durante dois anos. Pretendeu ter encontrado uma chave, depois tê-la perdido no curso das pesquisas, o que é singular. Em 1921 começou a fazer conferências sobre suas descobertas. O menos que se pode dizer de tais conferências é que foram sensacionais.

Segundo Newbold, Roger Bacon sabia que a nebulosa de Andrômeda era uma galáxia como a nossa. Sempre segundo ele, Bacon conhecia a estrutura da célula e a formação do embrião a partir do esperma e do óvulo. A sensação era mundial.

Não somente no meio científico, mas entre o grande público. Uma mulher atravessou todo o continente americano para suplicar a Newbold que expulsasse o demônio que a perseguia, utilizando as fórmulas de Roger Bacon.

Há também objeções. Não se compreende o método de Newbold, tem-se a impressão de que ele caminhava para trás, não se conseguem novas mensagens utilizando seu método. Ora, é evidente que um sistema de criptografia deveria funcionar nos dois sentidos. Se possui-se um código, dever-se-ia, também, traduzir nesse código mensagens em claro. A sensação continuou, mas Newbold tornava-se cada vez mais vago, menos acessível. Morreu em 1926. Seu colega e amigo, Roland Grubb Kent, publicou seus trabalhos. O entusiasmo do mundo foi considerável.

Depois, uma contra-ofensiva começou, conduzida em particular pelo Padre Manly. Não estava de acordo com a decifração de Newbold. Pensava que certos signos auxiliares eram deformações do papel. E bastante depressa não se falou mais nesse manuscrito.

É então que me separo de numerosos eruditos que estudaram a questão, e especialmente David Kahn, cujo admirável livro The Code-Breakers é a bíblia moderna dos peritos em criptografia. Aproveito a ocasião para agradecer a David Kahn ter citado uma de minhas aventuras pessoais no domínio da criptografia. Tendo, durante a ocupação alemã, necessidade de cinco tipos gráficos para terminar um trabalho, e encontrando-me à frente de jovens que fumavam como bombeiros, e que haviam sido privado de sua droga, acrescentei em minha mensagem as letras T A B A C. Londres compreendeu e 150 kg de tabaco caíram sobre nossas cabeças, de pára-quedas, logo na lua seguinte.

A hipótese que vou emitir é pessoal. Parece-me, pelo menos, que nunca vi em nenhum lugar e que, igualmente, já li tudo, sobre o manuscrito Voynich. Para mim, Newbold apagou a pista conscientemente, pois teria recebido ameaças. Tinha relações muito estranhas com todos os tipos de seitas. Sabia bastante para entender que certas organizações secretas são realmente perigosas. E estou persuadido que, a partir de 1923, foi ameaçado, e, temendo graves represálias, deu um passo para trás. Dissimulou o essencial de seu médico, e sua chave principal nunca foi encontrada.

Antes de examinarmos o que penso sobre o conteúdo do manuscrito de Voynich, preciso primeiro resumir, rapidamente, as tentativas de decifração posterior a Newbold. A maior parte são ridículas. Mas, a partir de 1994, um grande especialista em criptografia militar, William F. Friedman, morto em 1970, ocupou-se dessa questão. Utilizou um ordenador do tipo R.C.A. 301. Segundo Friedman, não só a mensagem é cifrada, mas está numa linguagem totalmente artificial. Como a língua enoquiana de John Dee. É uma hipótese interessante que, talvez, seja um dia provada.

Após a morte de Voynich em 1930, os herdeiros de sua mulher venderam o manuscrito à livraria Kraus. Está disponível por 160.000 dólares. A meu ver, se o manuscrito realmente interessou John Dee é porque ele reconheceu, como na Steganographie de Trithème, o código de uma linguagem que ele conhecia e que não era, talvez, uma linguagem humana. Roger Bacon, como outros antes e depois dele, teve acesso a um saber que provinha, seja de uma civilização desaparecida, seja de outras inteligências. Ainda uma vez, alguns pensaram, o pensam ainda, que uma revelação que venha muito cedo, relativa a segredos de uma ciência superior à nossa, destruiria nossa civilização.

Nesse caso, perguntar-se-á, por que o manuscrito de Voynich não foi destruído? A meu ver, percebeu-se muito tarde sua existência, por volta de 1920, e então já circulava tal número de fotografias do texto que seria impossível destruí-las todas. É a primeira vez que a fotografia intervém num caso de livros malditos, e parece, certamente, que ela vai tornar difícil, posteriormente, a tarefa dos Homens de Preto. Uma vez as fotografias divulgadas, não havia nada a fazer a não ser silenciar Newbold e isto sem despertar suspeitas.

Por isso ele não sofreu nenhum “acidente” e morreu naturalmente. Mas a campanha que visava desacreditá-lo e produzir traduções ridículas do manuscrito foi muito bem organizada.

Notemos, de passagem, para pessoas que se interessam pelo planejamento familiar que uma dessas falsas traduções, a do Dr. Leonell C. Strong, extraiu do manuscrito Voynich a fórmula publicada de uma pílula anticoncepcional. Mas o verdadeiro problema permanece.

Um dos objetivos da revista americana INFO, consagrada às informações de difíceis soluções, consiste na decifração do manuscrito Voynich. Até hoje, tal objetivo não progrediu muito. Parece-me que seria conveniente entregar-se mais ao manuscrito Voynich, e menos a outros problemas desse gênero. Quer se tratasse dos manuscritos de Trithème ou dos escritos incompletos de John Dee. No caso do manuscrito Voynich, parece tratar-se de um texto proibido completo. Entre as poucas frases que se encontram nas publicações de Newbold, uma faz, particularmente, sonhar. É Roger Bacon quem fala: “Vi num espelho côncavo uma estrela em forma de escaravelho. Ela se encontra entre o umbigo de Pégaso, o busto de Andrômeda e a cabeça de Cassiopéia.”

Foi exatamente ali que se descobriu a nebulosa de Andrômeda, a primeiro grande nebulosa extragalática que se conheceu. A prova foi anunciada após a publicação de Newbold que não pôde ter sido influenciado em sua interpretação do texto por um fato que ainda não fora descoberto.

Outras frases de Newbold fazem alusão ao “Segredo das Estrelas Novas”.

Se realmente o manuscrito Voynich contém os segredos das novas e dos quasares, seria preferível que ficasse indecifrável, pois uma fonte de energia superior à da bomba de hidrogênio e suficientemente simples de manejar para que um homem do século XIII possa compreendê-la, constituiria exatamente um tipo de segredo que nossa civilização não tem necessidade de conhecer. Sobrevivemos, penosamente, porque foi possível conter a bomba H. Se é possível liberar energias superiores, é melhor que não saibamos como, não ainda. Senão, nosso planeta desapareceria bem mais depressa na chama breve e brilhante de uma supernova.

A decifração do manuscrito Voynich deveria ser, a meu ver, seguida de uma censura séria antes de sua publicação. Mas quem aplicaria tal censura? Como diz o provérbio latino, “quem guardará os guardiães?” Pergunto-me se nunca se submeteu fotocópia do manuscrito Voynich a um grande intuitivo do tipo de Edgar Cayce, que poderia traduzi-lo sem usar o laborioso processo de decifração. Seria suficiente que ele encontrasse a chave, e os ordenadores fariam todo o resto. Pode-se encontrar uma foto de uma página do manuscrito Voynich, na página 855 do livro de David Kahn, já citado, edição inglesa Weidenfeld e Nicholson. Não se pode, evidentemente, deduzir dela o que quer que seja. Simplesmente, fica-se espantado com o número de repetições. Tais repetições foram aliás notadas por inúmeros especialistas de criptografia que tiraram daí conclusões contraditórias.

Mas o simples fato de se poder encontrar tais fotografias representa já uma vitória contra os Homens de Preto. E seria desejável que qualquer pessoa que tenha um documento desse tipo o difundisse, por fotografia, de maneira a mais ampla possível, evitando, dessa forma, sua destruição. Se a franco-maçonaria européia tomasse tal precaução antes da guerra de 1939-1945, documentos únicos não teriam sido destruídos. Tal destruição de documentos maçons foi efetuada por comandos especiais. Cada um desses comandos era dirigido por um nazista assistido por franceses, belgas e outros cidadãos do país onde a destruição se efetuava. Tais comandos eram muito bem treinados. E é de se notar que os franceses que deles participaram foram beneficiados com imunidades bem estranhas durante a depuração que se seguiu à libertação de 1944. Imunidade singular com efeito, não se aplicando a não se a esse tipo de colaboração. Enquanto colaboradores exclusivamente intelectuais, como o poeta Robert Brasillach, foram duramente castigados, especialistas da ação antimaçônica não foram tocados.

Voltando ao manuscrito Voynich, tenho excelentes razões para crer que uma versão desse manuscrito foi destruída. Com efeito, Roger Bacon tinha em sua posse um documento que, segundo ele, pertencera ao Rei Salomão e continha as chaves de grandes mistérios. Esse livro, constituído de rolos de pergaminho, foi queimado em 1350 por ordem do Papa Inocêncio VI. A razão que se deu foi que tal documento continha um método para invocar demônios.

Podemos substituir demônio por anjo, e anjo por extraterrestre, e compreender então muito bem a razão dessa destruição. É provável que se a igreja católica, em 1350, achasse o manuscrito Voynich, tê-lo-ia queimado.

Mas sabemos, agora, que estava escondido numa abadia, e que só com a pilhagem dessa abadia pelo Duque de Northumberland é que o manuscrito reapareceu, e foi levado ao conhecimento de John Dee. Segundo algumas notas de Roger Bacon, o documento que ele tinha e que provinha de Salomão, não estava em código, mas em escrita hebraica. Roger Bacon notou que o documento tratava mais de filosofia natural que de magia.

Bacon escreveu também: “Aquele que escreve a respeito de segredos, de forma não escondida ao vulgo, é um louco perigoso.” Escreveu em 1250 mais ou menos. Explicou em seguida esse método de escrita secreta que comporta a invenção de letras que não existem em nenhum alfabeto. Provavelmente foi o que fez para traduzir em código o que se poderia chamar de documento Salomão, mas que é mais cômodo chamar de manuscrito Voynich.

A língua básica desse manuscrito é, provavelmente, a mesma língua enoquiana que John Dee aprendeu através de sue espelho negro, e da qual ouviremos falar muito no capítulo seguinte, sobre a ordem da Golden Dawn.

Encontram-se, já, traços desse livro em Flávio Josefo. É preciso não confundi-lo com a “Clavícula de Salomão”, ou com “Testamento de Salomão”, ou com o Lemegeton. Todas essas compilações datam do século XVI e algumas do século XVIII.

A maior parte é totalmente desprovida de interesse e dá simplesmente listas de demônios.

O “Livro de Salomão”, que pertenceu a Roger Bacon e foi queimado em 1350, era, certamente, outra coisa. Seria essa obra, assim como algumas outras “fontes insuspeitadas e interditas” como disse Lovecraft, que Roger Bacon traduziu numa língua desconhecida, e que em seguida codificou. O infeliz Newbold, provavelmente ameaçado e aterrorizado, teve que inventar métodos de decifração e manter o mito de que o texto estava escrito em latim, apesar de não estar em latim, certamente, mas em língua enoquiana.

Como Bacon obteve esse documento? Não se pode, por ora, senão sonhar e imaginar que os Homens de Preto não constituem um grupo monolítico, mas que entre eles alguns querem revelar os segredos, e o conseguem ao menos parcialmente. Pode-se imaginar, também, que esses Homens de Preto formam uma organização terrestre localizada, que seres extraterrestres por vezes aparecem para auxiliá-los. E gostaria, a propósito, de chamar a atenção para o caso de Giordano Bruno.

Os racionalistas ligaram-se a esse mártir, e fizeram dele um homem de ciência, vítima de tendências as mais reacionárias da Igreja. Nada mais falso. Giordano Bruno era principalmente um mago apaixonado pela magia e praticante da mesma. Comparou a magia à uma espada que, entre as mãos de um homem direito, podia fazer milagres, e insistiu sobre o papel das matemáticas na magia. Para ele, a existência de outros planetas e a rotação da Terra ao redor do Sol constitui uma parte secundárias de sua obra que compreende sessenta e um livros, a maior parte de magia. A existência de outros planetas habitados faz, para ele, parte da magia. Porque sabia muito sobre isso foi que, atraído para Veneza por uma agente da Inquisição de nome Giovanno Mocenigo, foi entregue aos seus chefes.

Porque cria na magia e na existência de habitantes em outros planetas além da Terra, Giordano Bruno foi julgado herege impertinente e persistente, e queimado em Roma, no Campo dei Fiori, em 17 de fevereiro de 1600. Viveu na Inglaterra de 1583 à 1585, e não es´ta excluída a hipótese de ter conhecido os trabalhos de John Dee e o manuscrito Voynich. Segundo todos os registros que temos de Giordano Bruno, ele era um homem confiante e imprudente. Visivelmente, ele falou demais.

por Jacques Bergier

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-historia-do-manuscrito-voynich/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-historia-do-manuscrito-voynich/

Xamãs, Heróis e Dragões

Este texto é destinado principalmente a todos aqueles que sabem perfeitamente a diferença entre imaginação, fantasia e realidade, e exatamente por isso se sentiram “atraídos”, desde cedo, pelos mitos modernos – embora, talvez hoje saibam, estes sempre foram também uma parte dos mitos de outrora…

A chamada tradição oral é a preservação de histórias, lendas, usos e costumes através da fala. Origina-se do primórdio da história humana, quando ainda não havia a escrita e os materiais que pudessem manter e circular os registros históricos.

Na atualidade própria das classes iletradas, a tradição oral tem sido, contudo, muito valorizada pelos eruditos que se dedicam ao seu estudo e compilação (os contos dos Irmãos Grimm, por exemplo), ao considerarem que é na tradição oral que se fundamenta a identidade cultural mais profunda de um povo. Supõe-se, por exemplo, que a Ilíada e a Odisseia de Homero foram, inicialmente, longos poemas recitados de memória.

Joseph Campbell gostava de dizer que “o mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre”. Esse aparente paradoxo pode ser reconciliado se entendermos a tradição oral, mãe da mitologia, como a melhor forma com a qual o espírito humano pôde passar adiante suas experiências no contato com a essência das coisas, com o que há de eterno no mundo. Dessa forma, todas as variantes de um mesmo mito são, no fundo, uma mesma história. E toda mitologia é, no fundo, uma mesma mitologia, uma mitologia do espírito humano.

Mas hoje não vivemos mais em tribos e aldeias, e nem todos necessitam decorar tais histórias antigas. Além disso, não são os xamãs nem os anciãos quem nos passam os mitos, mas alguns poucos textos sagrados de outrora, que até hoje inspiram inúmeras variações na mente dos contadores de histórias modernos – a quem conhecemos, principalmente, como artistas. Existem mitos sendo recontados em todos os cantos: nos livros de vampiros adolescentes, nos filmes de Hollywood, nas séries de TV de fantasia, e até mesmo num gibi.

Desde pequeno eu fui imediatamente atraído pela mitologia dos super-heróis do século passado. E o meu predileto é Steve Rogers, o Capitão América, que era fisicamente fraco, mas ao passar pelo processo “mágico” do projeto do supersoldado, tornou-se um ser sobre-humano. No entanto, a maior força de Steve sempre foi sua honra e sua ética, sua compaixão pelos fracos – tão fracos e indefesos como ele fora um dia. Ora, essa história é um mito, e esse mito nada tem a ver com os Estados Unidos da América. Steve calhou de ter sido criado durante a Segunda Guerra, por quadrinistas americanos, e por isso serviu como um elemento patriótico na luta contra o nazismo. Mas a guerra acabou. As guerras passam, os mitos permanecem.

Por isso os heróis das histórias precisam continuar lutando suas guerras, e vivenciando suas aventuras e jornadas de heróis – tais histórias podem hoje terem se tornado superficiais, mitos “diluídos” em uma sociedade que em sua maior parte se esqueceu da espiritualidade antiga… Mas ainda continuam narrando, em essência, aquilo que está fora do tempo. Continuam se tratando de jornadas espirituais. Mesmo que não saibamos, estamos até os dias de hoje vivenciando a mitologia, apenas uma mitologia moderna, que nos chega através de gibis e filmes 3D, e não pela boca de um contador de histórias, próximo à fogueira no centro da aldeia, numa noite de céu estrelado – salpicado de super-heróis.

Essa reflexão pode não ter nada de aparentemente espiritual, mas isso é porque poucos interagem com os mitos. As histórias contadas da maneira antiga serviam principalmente para que cada homem e cada mulher se imaginassem como o herói ou heroína através de sua jornada. Não era algo para se ouvir e simplesmente decorar. Era algo para se ouvir, imaginar, experimentar, modificar, e só então passar adiante… Obviamente que as histórias foram alteradas, e seria estranho que não fossem. Mas, ainda mais estranho, é que tenham chegado aos dias atuais com sua essência inalterada – eis que são diversos modos de se abordar um mesmo mito, e o mito não se altera, pois sua essência reside fora deste mundo.

J. R. R. Tolkien foi um filólogo e escritor britânico que desde cedo se ressentiu do fato da maior parte da mitologia inglesa ter se perdido com o tempo. Ele decidiu resolver o problema criando uma nova mitologia inglesa. Claro que de nova ela não tinha nada, pois que todos os mitos são tão antigos quanto à humanidade, mas era uma mitologia moderna, uma mitologia que cativou seguidores em todo o mundo… Só para terem uma ideia, existem grupos que se reúnem para falar em quenya, um idioma fictício que existe apenas nas obras de Tolkien. Esses estão literalmente “entrando na história”, vivenciando o mito.

Mas foi através de Gary Gygax que encontramos uma forma totalmente inesperada de vivenciar mitos. Em 1974 ele adaptou, junto com seu amigo Dave Arneson, um jogo de guerra baseado no movimento de miniaturas em um tabuleiro. O tabuleiro passou a ser irrelevante, as partidas passaram a ocorrer principalmente na imaginação dos jogadores, e todos se tornaram contadores de histórias – novamente. No jogo de Gygax, o primeiro Role Playing Game da história (“Jogo de Interpretação de Personagens”), heróis enfrentavam jornadas épicas e aventuras sem fim, adentrando masmorras obscuras como labirintos de minotauros, e digladiando-se com dragões e outros seres mitológicos… Cabia ao jogador designado como mestre do jogo, um novo xamã da tribo, determinar o desenrolar da história – mas todas as escolhas dos heróis eram feitas por eles próprios, os jogadores. Todos estavam vivenciando a jornada.

Os resultados se suas ações eram determinados pelo resultado obtido em se arremessar poliedros regulares na mesa. Os famosos sólidos de Platão e Pitágoras continuavam a ser sagrados – são os rolamentos dos dados de 4, 6, 8, 12 e 20 faces que decidem o destino dos heróis (bem, existe também o dado de 10 faces, embora este não seja um poliedro regular). Todo jogo de RPG tem alguma coisa de experiência religiosa, mas foi só muito tempo depois de ter jogado a primeira vez, com cerca de 11 anos de idade, que me apercebi disso.

Cheguei a criar meu próprio mundo de fantasia e cenário de RPG. A mitologia moderna me atraiu, e não poderia ter sido de outra forma. Hoje compreendo: aquele jogo tão distinto, onde o tabuleiro existia principalmente em nossa mente, foi talvez a minha primeira experiência genuinamente espiritual.

E, se não lhes pareceu suficientemente profunda, gostaria de lembrar brevemente que quando um personagem com o qual jogamos RPG eventualmente morre na história, podemos ser ressuscitados por feitiços, mas também podemos ter de criar um novo personagem. E, não importa se este novo é um guerreiro ou ladrão, enquanto o antigo era um clérigo ou mago, nosso entendimento do jogo se desenvolveu, nosso potencial para jogar e interpretar cada vez melhor é hoje maior do que ontem. E, se tivermos de começar uma vez mais do nível 1, não significa que tenhamos perdido a experiência de um dia termos chegado, quem sabe, a um nível 13 ou 14… Um dia chegaremos finalmente ao nível 20, e depois quem sabe a semi-deuses, e depois a algum nível que nem mesmo Gygax descreveu nas regras. E teremos de criar novas regras nós mesmos.

Assim também ocorre com o espírito. Esta vida é meu mais novo personagem, e sinceramente não sei mais em que nível eu estou…

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Crédito das imagens: [topo] Jason Thompson; [ao longo] Divulgação (Capitão América/Marvel)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Espiritualidade #Mitologia #Quadrinhos #RPG

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22 alternativas sensatas para a morte involuntária

A maioria dos seres humanos encaram a morte com uma ‘atitude’ de impotência, seja resignada ou com medo. Nenhum desses ‘ângulos de enfoque’ submissos e freqüentemente mal-informados, frente ao evento mais crucial da vida de uma pessoa, pode ser considerado como enobrecedor.

Atualmente, existem muitas opções práticas disponíveis para lidarmos com o processo de morrer. A passividade, a falha em aprender sobre estas opções, poderá ser o ultimo e definitivo engano. A famosa proposição de Pascal sobre a existência de Deus traduz-se em termos da vida moderna como uma aposta que não envolve riscos, apoiada sobre a habilidade da tecnologia. Por milênios, o temor da morte depreciou a confiança individual e aumentou a dependência na autoridade. Ora, o membro leal de uma família ou reservatório genético pode orgulhar-se da tenacidade e sucesso em sobreviver de seus iguais.

Mas com relação ao indivíduo, as perspectivas tradicionais são bem menos exaltadas. Vamos ser curtos e grossos aqui. Como podemos ficar orgulhosos de nossos sucessos passados, andarmos eretos e nos encaminharmos com entusiasmo para o futuro se, implacavelmente à nossa espera em alguma esquina futura, nos aguarda a Velha Senhora Morte, a Colhedora de Vidas?

Mas que trabalho de primeira linha os Construtores do Mundo fizeram ao transformarem esse Conceito de Morte em um Show-Espetáculo de Horror! A tumba. Mortificação. Extinção. Degeneração. Catástrofe. Perdição. Fim. Fatalidade. Malignidade. Necrológicos. O final.

Notemos a atitude de negativismo calculado. Morrer ‚ decair, entregar o espírito, morder o pé, chutar o balde, perecer. Tornar-se inanimado, sem vida, defunto, extinto, moribundo, cadavérico, necrótico. Um cadáver, uma rigidez, um corpo, uma relíquia, alimento para vermes, um corpo de delito, uma carcaça. Que fim miserável para o jogo da vida!

O Temor da Morte era uma Necessidade Evolutiva no Passado.

No passado, o dever genético reflexo de Controle Gerencial Total (aqueles que se encontram no controle social de v rios reservatórios genéticos = governantes, autoridades, instituições, etc.) era fazer com que os seres humanos se sentissem fracos, impotentes e dependentes frente à morte. O bem da raça ou nação era garantido a custo do sacrifício do indivíduo.

A obediência e submissão eram recompensadas num planejamento de pagamento através do tempo. Pela devoção dele ou dela, era prometida a imortalidade ao indivíduo, naquele centro-de-enxame pós-mortem variadamente conhecido como ‘céu’, ‘paraíso’ ou ‘Reino do Senhor’. Para poder manter a atitude de dedicação, os controladores do reservatório genético tinham de controlar os ‘reflexos de morte’, orquestrar os estímulosdisparadores que ativam os ‘circuitos de morte’ do cérebro. Isto foi obtido através de rituais que imprintam a dependência e docilidade, quando os sinais de alarme da morte disparam dentro do cérebro.

Talvez possamos compreender melhor esse processo de imprint ao considerar um outro conjunto de ‘rituais’, aqueles pelos quais o enxame humano controla os reflexos de concepção-reprodução. Uma discussão destes apresenta um menor potencial de alarmalo. E os mecanismos de controle impostos pela atuação dos mecanismos sociais são semelhantes em ambas as situações (morte e reprodução). Convidamos o leitor a ‘sair fora do sistema’ por alguns momentos, para ver vividamente aquilo que ordinariamente está invisível por estar tão entrincheirado dentro de nossas expectativas.

Na adolescência, cada grupo de iguais fornece rituais, tabus e orientações éticas destinadas à guiar a situação toda-importante do esperma-óvulo.

O controle efetuado pelo indivíduo dos mecanismos do DNA excitado sempre representa uma ameaça ao processo de reprodução do enxame. Padrões no vestir, namorar, corte, anticoncepcionais e de aborto são fanaticamente convencionados em sociedades tribais e feudalizadas. A inovação pessoal ‚ fortemente condenada e ostracizada. As democracias industriais variam em termos de liberdade sexual permitida aos indivíduos. Mas nos estados totalitários, como China e Irã, por exemplo, uma moralidade rigidamente conservadora controla os reflexos de acoplamento e governa as relações rapaz-moça. Debaixo do domínio do ditador Mao, o ‘romance’ foi abolido porque enfraquecia a dedicação ao Estado, isto, o reservatório genético local. Se os adolescentes pudessem pilotar e selecionar seu próprio acoplamento, então teriam maior probabilidade em fertilizar fora do enxame e uma maior probabilidade de insistir em dirigir suas próprias vidas e, pior de tudo, menor possibilidade de educarem seus filhos com uma lealdade cega de reservatório genético.

Mesmo os mais rígidos rituais de imprint social guardam os ‘reflexos de morte’ . O controle efetuado pelo enxame das respostas de ‘morte’ ‚ considerado como garantido em todas as sociedades pró-cibernéticas. No passado essa degradação conservativa da individualidade era uma virtude evolutiva. Durante épocas de estabilidade das espécies, quando as tecnologias tribais, feudais e industriais estavam sendo ainda dominadas, a sabedoria sofisticamente afinada estava centrada no reservatório genético, armazenada na consciência linguística coletiva, nos arquivos de dados raciais do enxame.

Uma vez que a vida individual ‚ curta, brutal, sem objetivos, aquilo que um indivíduo aprendia era quase irrelevante. O mundo estava mudando tão lentamente que o conhecimento podia apenas ser corporificado nas espécies. Na falta de tecnologias para o domínio pessoal da transmissão e armazenamento da informação, o indivíduo era, portanto, muito lerdo, muito pequeno para ter alguma importância. A lealdade ao coletivo racial era então uma virtude. A Criatividade, a individuação Prematura eram anti-evolucionárias naquela época. Uma distração estranha, mutante. Apenas os idiotas de Greenwich Village tentariam cometer um pensamento independente, não-autorizado.

Nas eras feudal e industrial, o Gerenciamento fez uso do temor da morte para motivar e controlar indivíduos. Atualmente, os políticos fazem uso dos artesãos da morte, os militares, policiais e a punição capital para proteger a ordem social. A religião organizada afirma o seu poder e riqueza ao orquestrar e exagerar o temor à morte.

Entre as muitas coisas que o Papa, o Ayatollah e os Protestantes Fundamentalistas concordam temos: uma compreensão confiante e um domínio auto-direcionado do processo de morte são a última coisa a ser permitida ao indivíduo. A própria noção de uma Inteligência Cibernética Pós-Social ou uma opção-consumista de imortalidade‚ um tabu, pecado. Pelas mesmas razões previamente v lidas de proteção do reservatório genético.

As religiões espertamente monopolizaram os rituais da morte para ampliar seu controle sobre os supersticiosos. Através da história, os sacerdotes e mullahs rodearam o ser humano agonizante como abutres negros. A Morte pertencia a eles.

À medida que encerramos o século vinte, somos sistematicamente programados sobre Como Morrer. Os hospitais são povoados com sacerdotes/ministros/rabinos prontos a realizarem os ‘últimos ritos’. Cada unidade do exército tem o seu capelão Católico para administrar o Sacramento da Extrema Unção (que frase, realmente!) ao soldado que expira. O Ayatollah o Mullah-Chefe do Culto de Morte Islâmico, manda os seus soldados adolescentes para os campos minados do Iraque com etiquetas garantindo imediata transferência para os Campos de Chegada de Allah. O Paraíso corânico. Um terrível acidente automobilístico? Chame os médicos. Chame os sacerdotes! Chame o Reverendo!

Na Sociedade Industrial, tudo torna-se parte do Grande Negócio. A morte passa a envolver a Cruz Azul, Medicare, Sistemas de Saúde de Grupo, a Administração de Finanças de Serviços de Saúde (HCFA), alas de pacientes terminais. Serviços funerários. Cemitérios. Os rituais de enterro.

Os monopólios da religião e das linhas de montagem do processo de Gerenciamento Total dos agonizantes e mortos ‚ ainda mais eficiente do que o dos vivos.

Recordemo-nos de que o conhecimento e escolha seletiva sobre tais assuntos do reservatório genético como a concepção, fertilização em laboratório, gravidez e aborto são demasiadamente perigosos aos pais da(s) igreja(s).

Mas o suicídio, o conceito de direito de morrer, a eutanásia, a expansão da vida, experiências fora do corpo, experimentos ocultos, cenários de viagens astrais, relatos de morte/renascimento, especulações extraterrestres, criogenia, bancos de esperma, bancos de DNA, Tecnologia de Inteligência Artificial capaz de conferir capacidades e poderes aos indivíduos – tudo que encoraje ao indivíduo vir a se engajar numa especulação especial e experimentação com a imortalidade – representa um anátema aos ortodoxos Pastores de Sementes das eras feudais e industriais.

Por que? Porque se o rebanho não teme a morte, então o controle do Gerenciamento Religioso e Político ‚ quebrado. O poder da ferramenta genética ‚ ameaçado. E quando o controle sobre o reservatório genético se enfraquece, inovações genéticas e visões mutacionais tendem a aparecer.

Alguns acreditam que a Era Cibernética a que estamos ingressando poderia marcar o início de um período de individualismo iluminado e inteligente, um tempo único na história, onde a tecnologia está a disposição de indivíduos para dar apoio a uma imensa diversidade de estilos de vida personalizados e culturas, um mundo de diversos grupos sociais interativos, cujo número de sócios-fundadores ‚ um (1).

A tecnologia da computação e comunicação em franca explosão oferece um delicioso festim de conhecimento e escolha pessoal dentro de nossas possibilidades. Debaixo dessas condições, a sabedoria atuante e o controle, naturalmente são transferidos dos reservatórios genéticos de poder antigos para localizarem-se nos cérebros em rápida modificação, cérebros de indivíduos capazes de lidarem com uma taxa da mudança em plena aceleração.

Com a ajuda de acessórios adaptados às necessidades do ser, pessoal e quantumlinguisticamente programados, o indivíduo poder escolher o seu próprio futuro social e genético. E talvez escolher não ‘morrer’.

 

A Teoria de Evolução por Ondas

 

As teorias correntes da genética sugerem que a evolução, como tudo o mais no universo, acontece em ondas. Assim – nos tempos da evolução Pontuada, de metamorfose coletiva, quando muitas coisas estão mutando ao mesmo tempo, então os dez mandamentos dos ‘antigos’ tornam-se dez outras sugestões Em tais momentos de rápida inovação e de mutação coletiva, o dogma conservador do enxame pode ser perigoso, suicida. A experimentação individual e a exploração, o desafio sério, metódico e científico dos tabus tornam-se a chave para a sobrevivência da escola genética.

 

Agora, à medida que ingressamos na Era Cibernética, chegamos a uma nova sabedoria que amplia nossa definição da imortalidade pessoal e de sobrevivência do reservatório genético: As opções pós-biológicas das espécies da informação. Um conjunto fascinante de escolhas-gourmet subitamente aparecem no menu desdobrante do Café Evolucionário.

 

Está começando a parecer que na Sociedade da Informação, o ser humano individual poder escrever o roteiro, produzir e dirigir sua própria imortalidade. Aqui encaramos o Choque Mutacional na sua forma mais geradora de pânico. E, como fizemos na compreensão das mutações anteriores, o primeiro passo a ser dado ‚ desenvolver uma nova linguagem. Não devemos impor os valores ou os vocabulários das espécies do passado sobre a nova Cultura Cibernética.

 

Você permitiria que o zumbido de um culto pró-literato paleolítico controlasse a sua vida? Ir deixar com que as superstições de uma cultura tribal-urbana (agora representada pelo Papa e pelo Ayatollah) o atire fora de cena? Ir deixar com que as táticas de obsolescência planejada, mecânicas, da Cultura Fabril controlem a sua existência?

 

Assim, não mais façamos piedosos e mansos cordeiros discursos sobre a morte! Chegou o momento para falarmos de maneira entusiasmada e fazermos piadas sobre a responsabilidade de controlarmos o processo de morrer. Para começar, vamos desmitificar a morte e desenvolver metáforas alternativas para a consciência abandonando o corpo. Vamos especular de boa vontade sobre opções pós-biológicas. Vamos ser corajosos ao abrirmos um amplo espectro de possibilidades pós-biológicas.

 

De início, vamos substituir a palavra morte por um termo mais neutro, preciso e científico: Coma Metabólico. E em seguida vamos seguir em frente ao sugerirmos que esse estado temporário de ‘coma’ pode ser substituído por: Auto-Metamorfose, uma modificação auto-controlada da forma corporal, onde o indivíduo escolhe mudar o seu veículo de existência sem qualquer perda de consciência.

 

Então, vamos estabelecer uma distinção entre o coma metabólico voluntário e involuntário. Vamos explorar essa ‘terra de ninguém’ fascinante – o período dentre a morte corporal e a neurológica em termos do processamento de conhecimentoinformação aqui envolvido. Vamos coletar alguns dados sobre aquela zona ainda mais intrigante que agora começa a ser pesquisada nos campos interdisciplinares da ciência, chamada de Vida Artificial (2).

 

Que capacidades de processamento de conhecimento-informação podem ser preservadas depois que ocorreram tanto o coma metabólico quanto o cerebral? Que sistemas naturais e artificiais, a partir do crescimento de estruturas minerais, até a auto-reprodução de autômatos matem ticos formais, representariam alternativas de candidatos promissores à biologia frente à manutenção da vida?

 

E vamos realizar o ultimo ato de Inteligência Humana. Vamos nos aventurar com uma tolerância calma, aberta, e com rigor científico, naquela perene terra incógnita e fazer a pergunta final: Que possibilidades de processamento de conhecimento-informação podem permanecer depois do fim de toda a vida biológica: somática, neurológica e genética?

 

Como pode a consciência humana ser abrigada em um hardware situado fora deste envoltório carnal úmido, gracioso, atraente e cheio de prazer que agora habitamos? Como pode a lagarta construída a base de carbono tornar-se uma borboleta de silicone?

 

Christopher S. Hyatt, Ph.D. e A.K. O’Shea sugeriram três estágios de Inteligência Pós- Biológica: 1. Reconhecimento Cibernético das miríades de variedades de processamento do conhecimento-informação envolvidas nos muitos estágios de morte; 2. Gerenciamento Cibernético, com o desenvolvimento de habilidades de processamento de conhecimento-informação enquanto em estado fora do corpo, fora do cérebro e além do DNA; 3. Tecnologia Cibernética, alcançando uma entre muitas das opções de imortalidade.

 

A Inteligência de Reconhecimento Cibernética

 

Reconhecemos que o processo de morte, amortizado por milênios pelos tabus e superstições primitivas, subitamente tornou-se acessível à inteligência humana. Aqui experimentamos as intuições súbitas sobre o fato que não devemos ir quieta e passivamente para aquela noite escura ou paraíso disneyano iluminado feericamente por neons ou música ambiente monótona da multidão de regressão a vidas passadas. Descobrimos que o conceito de coma metabólico irreversível, conhecido como morte‚ uma superstição feudal, uma estratégia de Marketing promotora de eficiência da sociedade industrial. Compreendemos que podemos descobrir dúzias de alternativas ativas e criativas frente ao ato de irmos de barriga para cima, agarrados aos logotipos das companhias da Cruz cristã, Cruz Azul, Cruz Crescente ou aos cartões de sociedade das Companhias de Saúde Privada.

 

O reconhecimento sempre ‚ o início da possibilidade de uma modificação. Depois que compreendermos que a ‘morte’ pode ser definida como um problema de processamento de conhecimento-informação, então soluções para esse ‘problema’, que existe há tanto tempo, podem surgir. Podemos descobrir que a coisa inteligente a ser feita ‚ tentar manter as nossas capacidades de processamento de conhecimento-informações por tanto tempo quanto possível. Em forma corporal. Em forma neutra. Nos circuitos de silicone e nos meios de armazenamento magnético dos computadores atuais. Na forma molecular, através do empilhamento atômico da nanotecnologia dos computadores do futuro. Em forma criogênica, como dados armazenados, lendas, mitos. Na forma de filhos que são ciberneticamente treinados em usar a Inteligência Pós-Biológica. Em forma de reservatórios genéticos pós-biológicos, info-reservatórios, formas virais avançadas residindo nas redes mundiais de computadores e matrizes de ciberespaços do tipo descrito nas novelas de William Gibson (3).

 

O segundo passo para alcançar a Inteligência de Reconhecimento Pós-Biológica‚ mudar de um modo passivo para um ativo. Os humanos da era industrial foram treinados em esperar docilmente o término e a devolução de seus corpos para serem enterrados aos sacerdotes e à fábrica (hospitais).

 

Nossa espécie agora está desenvolvendo habilidades cibernéticas para planejar antecipadamente; para fazer com que a vontade do indivíduo prevaleça. A coisa inteligente a ser feita ‚ ver o ato de morrer como uma mudança na implementação do processamento de informações: orquestra-la, gerencia-la, antecipar e exercer as muitas opções disponíveis. Consideramos aqui vinte e dois métodos distintos de evitar um modo de morrer submisso ou cheio de medo (4).

 

A Inteligência Pós-Biológica Programadora

 

Em outras publicações, autores definiram oito níveis de inteligência: biológica, emocional, mental-simbólica, social, estética, neurológico-cibernética, genética, atômico-nano-tecnológica. Em cada um desses estágios existe uma fase de reconhecimento, seguida por uma fase de programação ou reprogramação cerebral. Para reprogramar é necessário ativar os circuitos do cérebro que mediam aquela dimensão particular da inteligência. Uma vez que este circuito é ‘ativado’, torna-se possível reimprinta-lo ou re-programa-lo.

 

A neurologia cognitiva sugere que a forma mais direta de reprogramar respostas emocionais‚ de reativar os circuitos apropriados. Para reprogramar respostas sexuais‚ eficiente reativar e reexperienciar os imprints originais da adolescência e reimprintar novas respostas sexuais.

 

Os circuitos do cérebro que mediam o processo de ‘morte’ são rotineiramente experienciados durante as crises de ‘quase morte’. Por séculos as pessoas contaram: ‘A minha vida inteira passou num relance frente aos meus olhos enquanto eu afundava na água pela terceira vez’.

 

Essa experiência de ‘quase morte’ pode ser ativada através do uso de certas drogas anestésicas. Ou por um aprendizado suficiente dos efeitos das drogas indutoras de experiências fora do corpo, de forma que se pode fazer uso de técnicas hipnóticas para ativar os circuitos desejados sem que tenhamos de usar estímulos químicos externos.

 

Imediatamente vemos que os rituais intuitivamente desenvolvidos por grupos religiosos têm a intenção de induzir estados de transe relacionados com o ato de ‘morrer’. A criança sendo educada numa cultura Católica ‚ profundamente imprintada (programada) pelos ritos dos funerais. A chegada de um sacerdote solene para administrar a extremaunção torna-se um código de acesso para o estado Pós-Biológico. Outras culturas têm diferentes rituais para ativarem e depois, controlarem os circuitos de morte do cérebro. Até recentemente, muitos poucos tiveram a permissão de um controle pessoal ou personalizado para realizar uma escolha.

 

Talvez essa discussão dos ‘circuitos de morte do cérebro’ seja excessivamente inovativa. Algumas vezes‚ mais fácil compreender novos conceitos sobre a nossa espécie por referência a outras espécies. Quase todas as espécies animais manifestam ‘reflexos de morrer’. Alguns animais abandonam o rebanho para morrer isolados. Outros ficam de pernas separadas, estoicamente postergando o ultimo momento. Algumas espécies ejetam o organismo agonizante do resto do grupo social.

 

Para ganhar um controle navegacional sobre os nossos processos de morte, sugerem-se três passos fundamentais: 1. Ativar os reflexos de morte imprintado pela nossa cultura, experiencia-los, 2. Detectar as suas raízes e, 3. Re-programar.

 

O objetivo‚ desenvolver um modelo científico da cadeia de processos cibernéticos (conhecimento-informação) que ocorrem quando nos aproximamos deste estado metamórfico – e intencionalmente desenvolver opções para assumirmos uma responsabilidade ativa frente a estes eventos.

 

Alcançando a Imortalidade

 

Desde a origem da história humana, filósofos e teólogos especularam sobre a imortalidade. De maneira constrangida, reis envelhecidos ordenaram m‚todos para a extensão da duração da vida. Um exemplo dos mais dramáticos desse impulso antiquíssimo ocorre no velho Egito, que produziu a mumificação, as pirâmides e os manuais tais como o Livro Egípcio dos Mortos.

 

O Livro Tibetano dos Mortos (Budista) apresenta um modelo primoroso dos estágios pós-mortem e técnicas para guiar o estudante a um estado de imortalidade que‚ neurologicamente ‘real’ e sugere técnicas científicas para a reversão do processo de morte.

 

O novo campo de engenharia molecular está produzindo técnicas dentro do âmbito do atual consenso da Ciência Ocidental para implementar a auto-metamorfose. O objetivo do jogo ‚ derrotar a morte – dar ao Indivíduo o domínio disto seria a estupidez final.

 

UMA LISTA PRELIMINAR DE OPÇÕES DE IMORTALIDADE

(Para substituirmos o Coma Metabólico Involuntário e Irreversível)

 

I. TREINAMENTO DE TÉCNICAS PSICOLÓGICAS/COMPORTAMENTAIS

 

As técnicas dessa categoria não ajudam na obtenção da imortalidade pessoal por si mesmas, mas são úteis para adquirir a experiência da ‘morte experimental’, uma Exploração reversível e voluntária do território entre o coma corporal e cerebral, uma morte geralmente chamada de Experiência Fora do Corpo ou Experiência de Quase Morte. Outros a denominaram de Viagem Astral ou Memórias de Re-encarnações Prévias.

 

1.  Meditação e hipnose

 

Estas são as rotas iogues clássicas para explorarmos estados não-comuns da consciência. São bastante bem conhecidas e exigem tempo e esforços intensos. Para uma discussão mais completa e ampla dessas técnicas, recomendamos Crowley (5).

 

2.  Experiências psicodélicas cuidadosamente planejadas para induzir um estado de ‘morte’ e uma consciência genética (re-encarnação/pré-encarnação).

 

Não existe aqui, nenhum tipo de envolvimento com alguma teoria ocultista sobre a encarnação biológica. Nos referimos a técnicas que permitem o acesso à informação e aos programas operacionais armazenados no cérebro do indivíduo em estados de consciência normais, são sub-rotinas atuando abaixo do acesso voluntário (6).

 

3.  Experiências Fora do Corpo com o uso de anestésicos.

 

John Lilly escreveu amplamente sobre as suas experiências com pequenas dosagens de anestésicos(7). _ possível que os efeitos subjetivos ‘fora-do-corpo’ de tais substâncias são (meramente) interpretações de uma disrupção (perturbação) proprioceptiva. Ainda assim, as experiências relatadas por Lilly parecem indicar que existem informações disponíveis através dessas rotas de investigação.

 

4.  Tanques de Privação e Isolamento Sensorial.

 

Novamente, foi Lilly quem investigou esse assunto de forma mais completa(8).

 

5.  Exercícios de Re-Programação (suspensão de efeitos e substituição de imprints primitivos de ‘morte’ impostos pela cultura).

 

6.  Desenvolvimento de Novos Rituais para guiar as Transições Pós-Corporais.

 

Os nossos tabus culturais proibiram o desenvolvimento de trabalhos muito detalhados nesta área. Uma das poucas fontes disponível ‚ E.J. Gold(9).

 

7.  Exercícios de Pré-encarnação

 

Com estes, usamos o m‚todo preferido de alteração de consciência (drogas, hipnose, transe xamânico, ritual vudu, frenesi de nascer de novo), para criar roteiros futuros.

 

8.  ’Morte’ Voluntária Esteticamente Orquestrada.

 

Este procedimento foi chamado de suicídio, isto é, ‘auto-assassinato’, por autoridades que desejam controlar o processo de morte. O Sr. e Sra. Arthur Koestler, membros ativos do grupo britânico EXIT, têm um programa que providencia um coma metabólico muito digno e gracioso. Um californiano, HADDA, está tentando colocar uma emenda nas eleições do estado, para permitir com que pacientes terminais possam planejar um coma metabólico voluntário juntamente com seus conselheiros médicos. Os não-californianos podem sempre buscar por um médico iluminado, ou amigos adultos que concordem com isto e que possam atuar como guias para as Terras Ocidentais.

 

II. TÉCNICAS SOMÁTICAS PARA A AMPLIAÇÃO DA DURAÇÃO DA VIDA.

 

Técnicas para inibir o processo de envelhecimento compreendem o enfoque clássico da imortalidade. No estado atual da ciência, estas meramente ‘compram tempo’.

 

9.  Dieta

 

A pesquisa clássica sobre a dieta e longevidade foi desenvolvida por Roy L. Walford, médico (10).

 

10.  Drogas de Extensão de Vida

 

Estas incluem drogas anti-oxidantes e outras. Uma referência ‚ a ‘Expansão da Vida’, por Sandy Shaw e Durk Pearson.

 

11. Programas de Exercícios.

 

12. Variações de Temperatura.

 

13. Tratamentos de Sono (hibernação)

 

14. Imunização Contra o Processo de Envelhecimento.

 

III. PRESERVAÇÃO SOMÁTICA/NEURAL/GENÉTICA

 

Técnicas nesta classe não garantem o funcionamento contínuo da consciência. Elas produzem o coma metabólico potencialmente reversível. Elas são alternativas para a preservação de estrutura dos tecidos até que alcancemos uma época de um conhecimento médico mais avançado.

 

15. ‘Conserva’ Criogênica ou pelo Vácuo.

 

Por que permitir que o corpo ou cérebro degenerem, quando isto parece implicar em nenhuma possibilidade para o futuro? Por que permitir que o arranjo cuidadoso de crescimentos dendríticos em nossos sistemas nervosos, que poder ser o reservatório de todas as nossas memórias, seja comido por fungos? A preservação perpétua de seus tecidos está disponível atualmente a preços moderados(11).

 

16. Preservação Criônica do Tecido Neuronal, ou do DNA

 

Aqueles que não estão particularmente apegados aos seus corpos podem optar para a preservação apenas dos elementos essenciais: seus cérebros, juntamente com os códigos instrucionais capazes de fazer crescer novamente algo geneticamente idêntico a atual bio-maquinaria.

 

IV. MÉTODOS BIO-GENÉTICOS PARA A EXTENSÃO DA VIDA.

 

Existe qualquer necessidade em experienciar o coma metabólico, afinal das contas? Temos mencionado modos de ganhar controle pessoal da experiência, para evita-lo através de técnicas ‘convencionais’ de longevidade, para evitar a dissolução irreversível do substrato sistêmico.

 

Agora começam a emergir técnicas que permitem uma garantia muito mais vívida de uma persistência pessoal, uma transformação metamórfica em direção a uma forma diferente de substrato no qual o programa de computador da consciência roda.

 

17. Reparo Celular/DNA

 

A nanotecnologia ‚ a ciência e a engenharia mecânica de sistemas eletrônicos construídos em dimensões atômicas(12). Uma das habilidades previstas e da nanotecnologia ‚ o seu potencial para a produção de nano-máquinas replicantes no interior de células biológicas. Essas enzimas artificiais irão realizar o reparo celular, à medida que ocorre o dano oriundo de causas mecânicas, radiação e outros efeitos do envelhecimento. O reparo do DNA garante a estabilidade genética.

 

18. Clonização.

 

A replicação biológica de cópias pessoais geneticamente idênticas de você mesmo, em qualquer momento desejado, está começando a tornar-se possível. O sexo é divertido, mas a reprodução sexual é biologicamente ineficiente, adaptada apenas para a indução da variação genética em espécies que ainda evoluem através dos acidentes devidos ao acaso de uma combinação probabilística.

 

V – MÉTODOS CIBERNÉTICOS (PÓS-BIOLÓGICOS) PARA A OBTENÇÃO DA IMORTALIDADE (VIDA ARTIFICIAL EM SILÍCIO)

 

Como o autor cyberpunk neuromântico Bruce Sterling nota, a evolução movimenta-se em ondas, irradiando-se para fora numa diversidade omnidirecional, e não seguindo uma trajetória única e linear. Alguns visionários do silício acreditam que a evolução natural da espécie humana (pelo menos os ramos especiais dela) está a ponto de se completar. Não mais estão interessados em meramente procriar, mas em planejar seus sucessores.

 

O cientista em robótica de Carnegie-Mellon, Hans Moravec escreve: “Devemos nossa existência à evolução orgânica. Mas devemos a ela muito pouca lealdade. Estamos no limiar de uma modificação no universo, comparável à transição do não-vivo à vida”.(13)

 

A sociedade humana já alcançou um ponto de virada na operação do processo de evolução, um ponto no qual o próximo salto evolutivo da espécie está debaixo de nosso controle. Ou, colocando de forma mais correta, os próximos passos, que irão ocorrer em paralelo, resultarão de uma explosão da diversidade de espécies humanas. Não mais estamos dependentes de uma capacitação em qualquer senso físico para a sobrevivência; nossos aparelhos quânticos ou outros mais antigos, mecânicos, fornecem o necessários para isto em todas as circunstâncias. Num futuro próximo, os métodos (agora emergentes) de tecnologia computacional e biológica, irão fazer da forma humana algo totalmente determinável pela escolha individual.

 

Como espécie de carne e sangue estamos moribundos, presos num momento ‘local ótimo’, para tomar de empréstimo a teoria de otimização matemática. Além desse horizonte que a humanidade alcançou, existe o desconhecido, aquilo que até agora foi muito mal imaginado. Iremos planejar nossos filhos e co-evoluir intencionalmente com os artefatos culturais que são a nossa progênie.

 

Os seres humanos já vêm em alguma variedade de raças e tamanhos. Em comparação ao que ir significar ser ‘humano’ no decorrer do próximo século nós, humanos da atualidade, somos tão indistinguíveis uns dos outros quanto moléculas de hidrogênio. Nosso antropocentrismo irá diminuir.

 

Vemos duas categorizações de princípios da forma do ser humano no futuro, uma biológica: um híbrido bio/máquina de qualquer forma desejada e uma que sequer ser biológica: uma ‘vida eletrónica’ nas redes de computadores. Humanos como máquinas e humanos dentro de máquinas.

 

Destes, os humanos como m quinas talvez serão mais facilmente aceitos. Atualmente, já dispomos de implantes e próteses grosseiros, membros artificiais, válvulas e órgãos inteiros. Os contínuos progressos na tecnologia mecânica de velho estilo lentamente aumentam a totalidade da integração homem-máquina.

 

A forma de vida eletrônica do humano dentro da m quina ‚ ainda mais alienígena para nossas formas atuais de conceitos de humanidade. Através do armazenamento dos sistemas de crenças e valores de uma pessoa, em estruturas de dados ‘on line’, ativadas por estruturas de controle selecionadas (o análogo eletrônico da vontade?), o sistema neuronal de uma pessoa ir funcionar em silício da mesma maneira que o faz numa ‘rede úmida’ cerebral, embora muito mais rapidamente, corretamente, muito mais automaleável e, se desejado, de maneira imortal.

 

19. Informacional – Arquivístico

 

Uma maneira padronizada de se tornar ‘imortal’ ‚ deixar uma trilha de arquivos, biografias e nobres obras que merecem ser tornadas públicas. O aumento da presença de um meio reconhecidamente estável em nossa Sociedade Cibernética faz disto uma plataforma mais rigorosa para uma existência persistente. O conhecimento possuído pelo indivíduo ‚ capturado por sistemas especialistas e sistemas de hipertexto de escala mundial(14), assim garantindo a longevidade e acessibilidade de memes texturais e gráficos. Visto fora da perspectiva do ‘Eu’, a morte não é um fenômeno binário, mas uma função continuamente variável. Quão vivo está você em Paris neste momento? Na cidade em que vive? No local onde está lendo isso?

 

20. Treinador de Cabeça – Transmissão de Bancos de Dados de Personalidade

 

O Treinador de Cabeça ‚ um sistema de computação que está sendo desenvolvido por Futique Inc., um dos primeiros exemplos de uma nova geração de programas psicoativos. Permite com que o usuário (o atuante) venha a digitalizar e armazenar pensamentos numa base de rotina diária. Se uma pessoa deixa, digamos, vinte anos de registros diários de desempenho mental armazenados, seu bisneto, após cem anos poder ‘conhecer’ e recuperar seus hábitos informacionais e desempenhos mentais. Para fornecer um exemplo dos mais vulgares, se os movimentos num jogo de xadrez de um indivíduo forem registrados, os seus descendentes poderão reviver, passo a passo, um jogo de seu tataravô feito no passado.

 

À medida que a leitura passiva‚ substituída por um ‘reescrever ativo’ as gerações posteriores serão capazes de reviver, como percebíamos, os grandes livros de nosso tempo. Ainda mais intrigante ‚ a possibilidade e implementação do conhecimento extraído ao longo do tempo de uma pessoa: suas crenças, preferências e tendências, como um conjunto de algoritmos guiando um programa capaz de atuar de forma funcionalmente idêntica à pessoa. Avanços na tecnologia da robótica irão fazer com que essas ‘Criaturas de Turing’ deixem de ser meros ‘cérebros dentro de garrafas’ e gerar híbridos capazes de interagir sensorialmente com o mundo físico.

 

21. Armazenamento Informacional Nano-tecnológico: em Direção a uma Transferência Computador-Cérebro Direta.

 

Quando um computador torna-se obsoleto, não temos de jogar fora as informações que ele contém. O hardware ‚ meramente um veículo de implementação para as estruturas de informação. As informações são transferidas para outros sistemas, para continuar a serem usadas. Os custos decrescentes de armazenamento de informações, CD-ROM e sistemas de memória WORM implicam que nenhuma informação gerada nos dias de hoje ter de ser perdida.

 

Podemos imaginar a construção de um substrato computacional artificial tanto funcional quanto estruturalmente idêntico ao cérebro (e talvez, com relação ao próprio corpo) de uma pessoa. Como? Através das capacidades previstas para o futuro da nano-tecnologia (15).

 

Nano-máquinas comunicantes que permeiam o organismo poderão analisar a estrutura neural e celular e transferir a informação obtida para maquinaria capaz de reproduzir, tomo por tomo, uma cópia idêntica. Mas e a alma? De acordo com o dicionário: ‘alma‚ o princípio que anima e confere vitalidade ao homem, creditado com faculdades de pensamento, ação e emoção, concebida como formando uma entidade imaterial distinguível de, mas temporariamente coexistente com o seu corpo.”

 

Numa primeira leitura, essa Definição parece ser um exemplo clássico de uma bobagem teológica. Mas estudada a partir da perspectiva da teoria da informação, seremos capazes de lidar com esse religio-jargão dentro de uma área científica. Vamos mudar a palavra bizarra ‘imaterial’ para ‘invisível aos órgãos dos sentidos desacompanhados de qualquer instrumento’, isto ‚, atômicos/moleculares/eletrônicos. Agora a ‘alma’ se refere às informações processadas e armazenadas em pacotes microscópicos, celulares, moleculares. A alma torna-se qualquer informação que ‘vive’, isto é, capaz de ser recuperada e comunicada. não ‚ verdade que todos os testes para a ‘morte’ em todos os níveis de medida (nuclear, neural, corporal, galáctico) envolvem a verificação pela não resposta a sinais?

 

A partir deste ponto de vista, as 22 opções para a imortalidade tornam-se m‚todos cibernéticos de preservação da capacidade única de sinalização. Existem tantas almas quantos formas de armazenar e comunicar dados. A cultura tribal define a alma racial. O DNA ‚ uma alma molecular. O cérebro ‚ uma alma neurológica. O sistema de armazenagem eletr”nica cria a alma de silicone. A nanotecnologia torna possível a alma atômica.

 

22. Computacional-Viral

 

A opção precedente permitiu a sobrevivência pessoal através do mapeamento isomórfico da estrutura neural para o silício (ou outro meio arbitrário qualquer de implementação). Também sugere a possibilidade de sobrevivência de uma entidade naquilo que parece ser uma retificação do inconsciente coletivo de Jung: a rede global de informação.

 

No século 21 imaginado por William Gibson, cibernautas temer rios e os cibernautas irão não somente se armazenar eletronicamente, como farão isto na forma de um ‘vírus de computador’, capaz de atravessar redes de computadores e de se auto-replicar como uma Proteção contra um ‘apagamento’ acidental ou malicioso por outras pessoas ou programas. (Imagine este cenário algo ridículo; ‘O que há nesse CD?’ ‘Ah, apenas um Leary antigo. Vamos reformata-lo.’)

 

Dada a facilidade de cópia de informações armazenadas em computadores, podemos existir simultaneamente em v rias formas. Onde o ‘eu’ se encontra nesta situação‚ assunto para a filosofia. A nossa crença ‚ que a consciência ir persistir em cada forma, correndo independentemente de ( e ignorando cada uma das outras manifestações do ‘Eu’, a menos que esteja em comunicação com uma ou mais das outras formas), clonificada em cada ponto de ramificação.

 

Notas

1- Essa lista de opções para o Coma Metabólico Voluntariamente Reversível e autometamorfose não é mutuamente exclusiva. A pessoa inteligente precisa de muito pouco encorajamento para explorar todas essas possibilidades. E tentar planejar muitas outras alternativas novas contra ir de barriga para cima, em fila para os Arquivos-Mortos do Gerenciamento.

2. KON-TIKI NA CARNE: no futuro próximo, aquilo que atualmente é considerado como garantido na forma de uma criatura humana perecível ser uma mera curiosidade histórica, um ponto entre outros de uma inimaginável diversidade multidimensional de formas. Indivíduos ou grupos de aventureiros estarão livres para escolher reassumir a forma de carne e sangue, construída de acordo com a ocasião pela ciência apropriada.

Tais expedições históricas podem muito bem ser conduzidas no espírito das viagens do Kon Tiki de Thor Heyerdahl. Viajar naquilo que à luz da História revela ser uma forma objetivamente improvável, meramente para provar que é possível, ou tão improvável quanto parece.

Notas e Referências

1. Os autores dividem os estágios da história humana em: tribal, feudal, industrial e cibernética

2. Los Alamos, famosa como berço das armas atômicas, atualmente também aloja o Centro para Estudos Não-Lineares, onde um grupo tem realizado reuniões semanais para discutir os muitos aspectos técnicos do novo campo da Vida Artificial. O centro recentemente patrocinou um workshop internacional de uma semana de duração, o primeiro no mundo, onde cientistas encontraram-se para discutir as implicações e a fundamentação das teorias do campo. A reunião foi amigável, divertida e selvagemente trans-disciplinar. Os pioneiros da nano-tecnologia delinearam os potenciais para a engenharia molecular e o especialista em robótica, Hans Moravec apresentou argumentos convincentes de que uma transformação genética estava em pleno desenvolvimento, sendo que nossos artefatos culturais agora estavam evoluindo para além do ponto de simbiose com a espécie humana. Estruturas auto-replicantes, de minerais e vírus de computadores foram demonstrados.

3. William Gibson, ciberpunk e visionário sci/fi publicou Neuromancer, Contagem Zero e Cromo Queimando. São leituras recomendadas pela sua visão técnica e socialmente plausível da vida high-tech do baixo mundo das ruas.

4. Os místicos poderão se lembrar de que também existem 22 caminhos para os Cabalistas, na ‘Árvore da Vida’, associada com o Taro.

5. Aleister Crowley, ‘Oito Palestras sobre Ioga’, dividida em duas partes, respectivamente intituladas: ‘Ioga para Yahoos’ e ‘Ioga para Covardes’.

6. Martin Minsky delineou uma teoria de que a ‘mente’ emerge de uma coleção de entidades menores interagindo conjuntamente, elas mesmas, isentas de mente. Isto está apresentado em seu livro, ‘A Sociedade da Mente’, 1986.

7. John Lilly, O Cientista e Programando e Metaprogramando no Bio-Computador Humano.

8. John Lilly, O Eu Profundo.

9. E.J. Gold, O Livro Americano dos Mortos, a ser lançado proximamente pela Ed. Eleusis, ver também a Estória da Criação.

10. Roy L. Walford, médico, A Dieta dos 120 Anos, 1986 e Máxima Duração de Vida, 1983.

11. Uma das poucas companhias de preservação criogênica em funcionamento é a Alcor Foundation, (800) 367-2228.

12. O proponente mais visível e eloqüente da nanotecnologia ‚ K. Eric Drexler, da MTI e Universidade de Stanford. Seu livro, Máquinas da Criação fornece uma visão detalhada do campo. Outros trabalhos mais técnicos incluem:

– K. Eric Drexler, Engenharia Molecular: Um Enfoque ao Desenvolvimento das Capacidades Gerais de Manipulação Molecular, Proc. Natl. Acad. Sci, vol. 78 #9, September, 1981, pp. 5275-5278.

– K. Eric Drexler, Rod Logic & Thermal Noise in the Mechanical Nanocomputer, Proc. 3rd Intl. Symposium on Molecular Electronic Devices, Elsevier, North Holland, 1987.

– K. Eric Drexler, Molecular Engineering: Assemblers and future Space harware, Aerospace XXI, 33rd Annual meeting of the American Astronautical Society, paper AAS-86-415.

– Feynman, R., There’s Plenty of rooms at the Botton, in ‘Miniaturization’, H.D. Gilbert (ed.), Reinhold, New York, 1976, pp. 282-296. (Um dos trabalhos originais enfocando a engenharia em escala molecular, o ganhador do prêmio Nobel, Feynman é sem dúvida um dos mais brilhantes cientistas da atualidade).

13. Hans Moravec, Mind Children, 1988.

14. Um sistema global de hipertexto para permitir acesso instantâneo on-line a redes globais de conhecimento foi imaginado e descrito por Ted Nelson em Literary Machines, publicado pelo autor. Outras informações estão disponíveis em Computer Lib de Nelson (1974), republicado pela Microsoft Press (1987).

15. Particularmente nos desculpamos destas especulações situadas presentemente para além das capacidades tecnológicas. O cérebro ‚ uma máquina das mais complexas, com algo de 1020 células individuais, conforme as estimativas mais atuais. Ainda assim somos redimidos por aquilo que vemos como a inevitabilidade tecnológica da nanotecnologia.

 

 

Timothy Leary, Ph.D. & Eric Gullichsen, Tradução: NoKhooja

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/22-alternativas-sensatas-para-a-morte-involuntaria/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/22-alternativas-sensatas-para-a-morte-involuntaria/