‘Demonologia sem Cerimônias

Anjos caídos, deuses antigos, formas-pensamento, espíritos desencarnados. Ou quem sabe um mero subterfúgio neurolinguístico? Que diferença faz? O objetivo deste trabalho sobre demonologia não é fornecer explicações metafísicas, mas procedimentos práticos. Então se você é um satanista moderno padrão, não se sinta culpado de continuar lendo. Encare o que vem a seguir como uma hipótese a ser testada.

Seja o que forem os demônios, o fato inegável é que quando nos dedicamos à demonologia podemos trabalhar sem ter conhecimento prévio de uma entidade e no processo experimentar e descobrir coisas que batem exatamente com a experiência de outros demonologistas que já trabalharam com ela. Ou seja, podemos afirmar que existe algo de objetivo nos demônios. Algo que vai além de nossa própria mente. Algo que pode ser usado como uma poderosa ferramenta para a realização do trabalho do feiticeiro.

De fato, desde os primórdios da prática mágica os Demônios tem sido usados. Os métodos para interagir com eles variam com cada civilização e com cada cultura mas a essência desta interação sobrevive a todas elas. Muitos destes métodos são desnecessariamente complexos e carregam toda uma moral religiosa da época em que eram usados, uma moral, especialmente judaico-cristã nos dias atuais, que deveria estar esquecida juntamente com a Idade Média. Por estas e outras razões que ficarão claras adiante, o procedimento que proponho a seguir supera em muito os métodos antigos e mais populares.

 I. A Escolha do Demônio

Devem existir mais demônios sob o céu do que pessoas sobre a terra. Talvez por conter dimensões extras o mundo dos demônios tenha muito mais espaço do que nossa esfera tridimensional para acomodar sua população. Lembre-se que todo deus ignorado é, por assim dizer, um demônio e em uma época onde o monoteísmo é monopólio o inferno tem superlotação. Só entre os devas hindus existem mais de um bilhão entidades. Some a eles todos os outros milhões de seres que foram e são cultuados em todos os continentes em todas as épocas até hoje e você verá que o leque de opções tem realmente proporções abissais. Como escolher? Pensando nisso ao decorrer dos milênios, os demonologistas fizeram catálogos de demônios que julgassem mais úteis, sendo que os mais conhecidos são o Grimorium Verum, o Pseudomonarchia Daemonum e, é claro, as Chaves Menores de Salomão, popularmente conhecido com o Goetia. Nestas e em outras obras são descritos diversos demônios bem como seus poderes e especialidades. É enriquecedor e divertido explorar os diversos seres à disposição e esta é a única forma de você encontrar aqueles seres com os quais terá mais afinidade e que, portanto, trabalharão melhor com você.

Por outro lado estes catálogos são grandes demais, com informações recheadas de preconceitos medievais e apresentam demônios com características repetitivas e muitas vezes redundantes. E pior, por séculos foram utilizados sem nenhum tipo de atualização em relação a nossos avanços tecnológicos, desta forma parece besteira evocar um demônio para encontrar tesouros enterrados, mas a coisa muda de figura se você pode chegar a este  tesouro de maneira virtual mas está tendo problemas com senhas, acessos ou localização remota.

Assim, se você não sabe por onde começar, recomendo escolher um dos sete demônios principais – Satã, Lilith, Belphegor, Lúcifer, Belial, Astaroth e Leviatan. Eles foram eleitos segundo o sistema septenário e são todos seres tradicionalmente evocados entre os chamados praticantes da magia negra desde a antiguidade:

Satã: Emancipação, Rebelião, Auto-domínio, Sucesso, Independência, Confiança, Status. Também assuntos de saúde e vitalidade da carne e do corpo.

Lilith: Fertilidade, mas também abortos. Sexo, tesão, inversão de orientação sexual e questões de beleza e juventude. Também pode fazer alguém se apaixonar por você, ou se matar de amor por você.

Belial: Guerra, casos de vingança, agressão, derrota de inimigos. Instigação de acidentes, tragédias, traumas e ferimentos . Também proteção contra os perigos.

Belphegor: Concentração, sucesso profissional, capacidade de aprendizagem, criatividade, encontrar coisas e pessoas desaparecidas. Sucesso em concursos e entrevistas.

Astaroth: Riqueza, Dinheiro, Prosperidade, abundância, investimentos. Também questões jurídicas e fiscais. Sucesso nos negócios e boas oportunidades. aumentar a clientela. Lúcifer: Sedução, carisma, afetividade, amor, fidelidade e infidelidade, reconciliação e separação, popularidade, auto-estima, amizade. Também questões políticas e interpessoais.

Leviatã: Morte, Assassinato, Doenças, Destruição, Eliminar obstáculos ou dificuldades, esquecimento, falência. Pode causar depressão, psicose e outros distúrbios mentais e afetivos ou longo sofrimento seguido de morte.

II. A Pratica da demonologia

A demonologia é essencialmente um trabalho com informação. Da mesma forma que você pesquisa, busca profissionais ou professores, estuda e pratica algo quando precisa lidar com um assunto novo que não conhece, você faz com demônios. Usando uma comparação tosca eles seriam como diferentes wikipédias sobre determinados assuntos que você acessa quando esbarra em um problema cuja solução parece estar fora do seu conhecimento. A diferença é que ao invés de acessar o site você evoca o demônio. Na verdade existem duas práticas que apesar de diferentes causam certa confusão entre os praticantes. A diferença entre invocação e evocação é que na invocação o corpo e mente do mago recebe a essência e os atributos dos demônios e divindades, você faz um download do demônio para seu sistema nervoso; enquanto que na evocação as entidades agem sempre como inteligências e realidades externas, você os chama para bater um papo. Portanto, na demonologia invocação é o mesmo que possessão. Embora isso ocorra com frequência e os conceitos se misturem este não será o foco dos procedimentos aqui descritos. Não recomendo abrir espaço em sua própria mente para nenhuma inteligência externa caso não esteja pronto para arcar com as consequências depois.

Primeiro Passo

Prepare um altar ao demônio escolhido. Não é necessário nada sofisticado inicialmente, a importância disto é apenas a de de ser um ponto focal para o relacionamento que está para nascer. Se você é um satanista praticante deve ter uma câmara ritual ou um altar montado em algum lugar, use-o. Ele será um ponto de encontro entre você e as forças das trevas no espaço-tempo se quiser entender assim. Você pode ter nele uma imagem do demônio que será evocado, mas não se preocupe se não tiver. Para começar tenha uma vela negra constante, uma vela da cor da entidade (veja adiante) e um recipiente bonito (prato, pote ou taça) para as ofertas. Mais tarde este altar pode ficar  mais sofisticado, mas nem sempre isso é necessário ou mesmo verdadeiro.

A demonologia prática se divide em três passos:

I – O Pacto

II – O Culto

II.I -O Pacto

III – A Despedida

 

 

Na medida do possível faça o pacto no dia indicado na seção ofertório a seguir. Sente-se em um lugar isolado de preferência, mas não obrigatoriamente, escuro e silencioso e se possível de frente ao seu altar. Busque uma postura mental adequada fazendo, por exemplo uma respiração 9x9x9x9 (9 segundos inspirando, 9 segurando o ar, 9 expirando, 9 sem ar). Chame o demônio em voz alta ou em pensamento usando suas próprias palavras até sentir sua presença. Peça exatamente o que quer. Este pedido também deve ser feito com suas próprias palavras e ser o mais exato possível, se quiser uma Ferrari peça uma Ferrari, não ganhar uma promoção ou na loteria para então comprar uma. Por fim, agradeça a presença e faça a primeira oferenda.

Descobri ser interessante combinar um prazo para a realização do pedido. Isso evita que o demônio seja alimentado indefinidamente sem que seja feito progresso real. Um prazo curto é obviamente bom para você mas para o demônio vai significar menos tempo sendo alimentado (detalhes sobre isso a seguir). Um prazo muito longo, por outro lado, pode significar não apenas uma distância da realização dos seus desejos, mas também que o demônio seria alimentado demais ficando, digamos assim, acomodado. Proponha um prazo realista e justo para os dois lados. Caso este prazo não seja cumprido recomendo chamar a entidade novamente e refazer o pedido com alguma alteração do que acredite possa estar complicando o pacto. É difícil que uma terceira vez seja necessária, mas caso isso ocorra talvez seja interessante usar algum sistema de divinação para “negociar” com o demônio e assegurar um pedido e prazo razoável. Quando você ganhar desenvoltura com o processo e intimidade com as entidades o prazo poderá ficar cada vez menor e os pedidos cada vez maiores. Por fim, quando atingir a maestria, poderá pedir coisas para que sejam feitas imediatamente ou o quanto antes assim que o  pacto inicial for fechado. Mas se você está começando agora na pratica demonológica duvido que isso funcione.

Outro ponto interessante de se combinar no pacto é o acompanhamento do progresso. Peça que o demônio te envie sinais de que as coisas estão caminhando. Esse sinais podem ser tanto em visões e sonhos como em notícias que chegam direta ou indiretamente até você cada vez que seu pedido se aproxima da realização.

 II.II – O Culto

Um demônio ignorado desfaz-se no ar. Essa é uma máxima importante tanto em exorcismos quanto na demonologia prática. Assim é necessário alimentar o demônio evocado para que o efeito iniciado com a evocação não se dissipe. Você pode entender isso como um desinteresse da entidade por quem não lhe oferece nada ou como um enfraquecimento natural de um constructo astral que é abandonado, no fundo isso não importa. O que importa é que assim como entre seres humanos não é diferente com os demônios, quem quer rir tem que fazer rir.

A melhor definição de como a magia demoniaca funciona veio de meu irmão em Satã, Inkubus King. Para ele,os demônios funcionam como bexigas que vão sendo enchidas e, quando estouram, aquilo que você pediu se realiza. Essa metáfora é genial porque ilustra um ponto importante que geralmente é esquecido que é a alimentação do demônio. Para pedidos de longo prazo você enche a ‘bexiga’ com muita intensidade e então solta ela no ar para que um dia estoure. Para pedidos mais imediatos você enche a bexiga sem parar, alimentando o demônio todo dia até que estoure.

Por alimentar quero dizer preencher o demônio de significância dando a ele vigor no nosso mundo. Eu me arrisco a dizer que os demônios querem que você prove a si mesmo o quão reais eles reais antes de agirem como tal, mas talvez eles só queriam mesmo nosso culto. Isso pode ser feito de muitas formas diferentes e varia de demônio para demônio mas tem sempre a ver com algum presente ou oferta dado a ele. Entre as possibilidades que citaremos a seguir estão velas, incensos, bebidas e alimentos propriamente ditos. Entretanto, com a prática, você verá que existem outras formas complementares de  alimentação para cada entidade como evocações, afirmações, dança, fluidos sexuais, sangue, dor, entre outros. Além disso os praticantes de vampirismo podem sempre oferecer energia vital sua ou dos demais drenada para este fim. Aos praticantes da magia do caos, basta dizer que qualquer estado de gnosis também pode ser oferecido, respeitando-se é claro, o gosto de cada demônio.

 II.III – A Despedida

Quanto o demônio estiver satisfeito ou, se preferir, completamente carregado de sua energia vital, então seu desejo se torna real. Talvez este seja o conceito mais importante deste artigo então, sob o risco de me repetir vou enfatizar. Tudo é troca. A maior erro dos praticantes inexperientes é achar que os demônios são uma mistura de entidade beneficente com disque-pizza. Eles acendem uma vela, se vestem como se estivessem no século XIII, fazem milhares de piruetas na câmara ritual e no dia seguinte, quando não conseguiram o que queriam, ficam putos e culpam o demônio que não os atendeu. Uma resposta imediata é possível sim, mas apenas depois de investir tempo e energia no domínio do processo. Se você pedir para um amigo um favor urgente, é claro que ele o atenderá com rapidez. Mas peça isso a um estranho e não dê nada em troca, vai ganhar no máximo um olhar de indiferença. Demonologia prática é como um namoro. Demanda tempo e dedicação se você realmente quiser chegar em algum lugar.

Esse namoro não termina nem mesmo depois que seu desejo se concretizou. Depois que seu pedido foi realizado é hora de encerrar apropriadamente sua ligação com o demônio. Isso é muito importante pois te protege de ficar dependente dos demônios eternamente ao mesmo tempo que garante um bom relacionamento para suas futuras necessidades. Outro ponto importante para se ter em mente é que cada demônio tem sua personalidade, sua assinatura energética, sua influência demoníaca, se preferir. Agora faça uma experiência, ou a imagine. O que acontece se você apanhar um prego e ficar passando um ímã perto dele? Depois de alguns instantes o prego passa a atrair metais, ele se torna, por um tempo, um ímã. O mesmo ocorre entre casais, com a convivência um cônjuge começa a adquirir as características do outro, muitos chegam a começar a se parecer fisicamente. Isso acontece em qualquer convívio. Drogas que num primeiro momento servem como recreação, se usadas por muito tempo criam dependência e mudam a personalidade da pessoa.

Animais de estimação, ambientes de trabalho, cores pintadas em  paredes. Isso tudo nos afeta. Agora imagine o que acontece com uma pessoa que está ligada 24 horas por dia a um demônio. Assim, tratar com ele estritamente o necessário e então cortar o vínculo é o melhor que você pode fazer pela sua sanidade e saúde emocional.

A melhor forma de encerrar esse compromisso é chamá-lo novamente e agradecê-lo com suas próprias palavras assim que receber as boas notícias. Alimente-o por mais alguns dias ou faça uma oferenda especial para selar o encerramento do pacto. O que é verdade para humanos é verdade para demônios. Nunca queime uma ponte.

 III – Ofertório

O ofertório a seguir serve de tabela de correspondência para o que pode ser ofertado a cada um dos demônios sugeridos acima. A cor refere-se a cor da vela ou de algum outro item no altar ou na oferta. As Essências podem ser usadas para incenso, como gotas de essência em uma taça de água, perfume ou mesmo em formato de comida ou bebida. O Dia pode significar não apenas o dia do pacto mas também um dia propício para uma oferta especial e para a despedida. Lembre que você não precisa se limitar a estas indicações. Fique atento para os sinais e intuições a este respeito.

Satã

Dia:Domingo

Cor: Dourada

Essência: Canela, louro e alecrim.

Lilith

Dia : Segunda-feira

Vela: Prata

Essência: mirra, jasmim e rosa branca.

Belial

Dia : Terça-feira

Cor: Vermelha

Essência: Pinho, vravo, pinho e absinto

Belphegor

Dia : Quarta-feira

Cor: Laranja

Essência: Benjoim, Lavanda

Astaroth

Dia:Quinta-feira Cor:Azul

Essência:Cedro, Cravo

Lucifer

Dia:Sexta-feira

Cor:Verde

Essência:Almíscar, rosa e verbena, flor de Laranjeira

Leviatã

Dia:Sábado

Cor: Roxo

Incenso:patchulli e cipreste, Violeta

 

IV. Dúvidas Comuns

Como me comunicar com os demônios? A comunicação direta com os demônios é possível, mas não é indicada. Especialmente se você for um iniciante. Se você não tem nenhuma experiência com conjurações evite o diálogo no primeiro momento. Se for realmente necessário iniciar uma conversação (e quase nunca é), os demônios aparecerão para você em sonhos, pois neste estado os olhos da mente estão muito mais abertos. Limite-se apenas ao um protocolo respeitoso de reforço do pacto inicial na hora da alimentação.

Logo de cara, o iniciante pode desistir da idéia neste ponto, afinal quem deseja trabalhar com demônios se não podemos vê-los ou mesmo conversar com eles? E a resposta para isso é simples: Sejam demonologistas sérios! O objetivo deste trabalho é ensinar a trabalhar com demônios, não conseguir provas para satisfazer o ego ou o ego dos amigos do praticante. Demônios existem em planos diferentes do nosso, não tem traquéias e não respiram ar. A voz deles, a não ser que se manifestem em um corpo físico ou de maneira física, a maior parte da comunicação será mental. E é muito fácil confundir seus próprios pensamentos com os deles e isso pode complicar as coisas. Dito isso, se você já se sente confiante o bastante para conversar com o demônio, para aprender mais sobre eles, perguntar coisas ou por sincera curiosidade, comece usando técnicas de divinação como um intermediário. Em seguida passe para técnicas de escrita automática e algaravias. Alie isso à prática do Scrying, explicada a seguir, e com o  tempo conseguirá discernir o dialogo interior com os demônios de seus próprios pensamentos.

 Como enxergar os demônios?

Querer enxergar um demônio é algo como querer dançar um bolo de chocolate. É possivel desde que você mude a receita. A natureza dos demônios não é como a de um quadro onde a luz se reflete e é absorvida pelos olhos. Se quiser enxergar uma entidade não-corporea será necessário usar seus olhos não corpóreos. Na maioria dos casos, como nos sonhos, isso significa fechar seus olhos de carne. Alguns diriam que os demônios só aparecem se realmente quiserem ou se este for um dos pedidos de um pacto no qual concordaram em participar.

Todavia, se você não quer ver os demônios apenas em sonhos ou em visões descontroladas e esporádicas pode tentar a técnica conhecida como Scrying, para forçar seus olhos mentais a abrirem durante a vigília. Para isso, precisará criar um espelho negro.

Para fazer um espelho negro use um porta retrado e pinte um dos lados do vidro com várias camadas de tinta preta. Com Rev Obito aprendi que a ‘Tinta Spray RC280 Metallic Black’ é especialmente boa para espelhos negros porque forma certos reflexos coloridos deformando a luz que se reflete nele. Deixe secar e retorne o vidro para a moldura. Quando quiser treinar sua visão de entidades deixe o espelho na altura dos olhos e concentre-se nele sob a fraca luz de uma vela colocada entre você e o espelho. Esta é uma forma de distrair os olhos físicos e deixar a mente fluir. Não creio em qualquer propriedade sobrenatural do espelho, nem na necessidade de consagrá-lo de qualquer forma, mas sim que é um aparato rústico que funciona como uma máquina Ganzfeld e que fará com que, no estado mental apropriado, sua mente possa formar as imagens na escuridão. Tenha paciência, inicialmente é provável que você veja apenas a sua vista embaçar. Depois de um tempo passará a formar visões aleatórias do seu próprio inconsciente. Se perseverar entretanto, poderá ter visões mais concretas não só do demônio invocado, mas de coisas que ele queira lhe mostrar.

Como me proteger dos demônios evocados? Como se proteger de um convidado? Não o convide em primeiro lugar. É em realidade uma grande hipocrisia evocar um demônio para em seguida prendê-lo dentro de um triângulo e esconder-se dentro de um círculo de proteção. Seria como chamar alguém para jantar e recebê- lo com um revolver em mãos. Isso realmente faz sentido se você trabalha em um paradigma cristão onde os demônios são seus inimigos. Mas a prática da demonologia trabalha com a ideia de somente uma aliança com estas forças e a melhor maneira de obter sucesso.

Não tenha medo do medo. Quem se recusa a ir até o fim em uma prática mágica por medo de cometer algum erro e libertar alguma ‘força maligna’ já esta desde o início cometendo um erro e se abrindo uma porta que não conseguirá fechar sozinho depois. Ao invés disso use o medo ao seu favor. Esse temor que todo praticante sente no começo é natural e não é necessariamente algo ruim. Use o medo ao seu favor como catalizador para uma postura emocional de reverência às entidades que certamente fará bem para todo o processo. O medo pode ser um tipo de gnosis. É verdade que com o tempo você vai se acostumando com a ideia de um relacionamento com os demônios e isso deixa de causar qualquer receio. A essa altura entretanto sua intimidade com eles e sua experiência compensarão as vantagens iniciais do temor perdido. Mas não se preocupe com isso, use o a tensão ao seu favor, a pressa em perder o medo só o intensifica.

Morbitvs Vividvs

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/demonologia-sem-cerimonias/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/demonologia-sem-cerimonias/

O Evangelho do Agnóstico

» Parte final da série “Reflexões sobre a evangelização” ver parte 1 | ver parte 2

As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no séc. XVIII por Kant e Hume. O termo, porém, foi cunhado pelo biólogo britânico Thomas Huxley em 1876 – ele definiu o agnóstico como aquele que acredita que a questão da existência de Deus não pode e talvez jamais possa ser resolvida.

“O Cosmos é tudo que existe, que existiu ou existirá” – Assim, com essa frase inesquecível, Carl Sagan inaugura o primeiro episódio da série de 13 documentários intitulada “Cosmos”, veiculados na TV americana em 1980, e depois no restante do mundo. Ao pretender explicar ciência e cosmologia para o público leigo, Sagan acabou criando um épico que abrange também muitas questões existenciais, história, mitologia, religião e espiritualidade em geral.

Em alguma costa rochosa, em alguma praia do globo, Sagan observa as ondas, os pássaros, o vento, e algum tempo depois nos traz outra pérola em sua narrativa: “Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”

Sagan era profundo conhecedor de religiões e mitologia, além de cientista e cético, mas não era nem ateu nem teísta ou deísta, era puramente agnóstico. Seu evangelho era constituído de uma obra de divulgação científica totalmente voltada para tal espanto, tal deslumbramento, tal amor pela natureza e todo o Cosmos a sua volta. Essa era a boa notícia de Carl…

Para muitos teístas, o fato de existirem pessoas que não creem em um Deus pessoal, ou que pelo menos não tem certeza de sua existência, parece causar um certo desconforto. Não é raro perceber, em qualquer pessoa ligada a doutrinas eclesiásticas, uma tendência a classificar ateus, agnósticos, céticos, e às vezes simplesmente todo e qualquer cientista, como “gente sem fé”, perdida, afastada de Deus, e até mesmo imoral.

Mas a verdade é que, a despeito do aparente consenso dos eclesiásticos, a moralidade, o amor, não são exclusividade daqueles que oram todos os dias a Deus, que frequentam missas, que consultam algum manual da Verdade Absoluta frequentemente. Para o religioso superficial, isto que digo não levanta muitas questões – “Ora, mas é exatamente assim: uns são bons, outros maus, crer em Deus não faz de ninguém um santo”. Sim, isso faz sentido, mas a questão é mais profunda…

Se Deus existe – e para teístas e deístas ele certamente existe –, porque ele “permite” que algumas de suas criaturas vivam sem sequer crer nele?

Em outro produto da obra de Sagan, o livro de ficção “Contato”, que também deu origem a um excelente filme homônimo, é descrito um contato com inteligências extra-terrestres de uma forma verossímel e científica. Existe também um conflito entre as crenças de cientistas e religiosos – em dado momento, a protagonista do primeiro contato (no livro são vários contatos ao longo das décadas, no filme há apenas um), uma cientista agnóstica, nos traz uma importante indagação:

“Se Deus quisesse nos mandar uma mensagem e escrituras antigas fossem a única forma que pudesse imaginar, ele poderia ter feito um trabalho melhor. E ele dificilmente teria que se confinar a escrituras. Por que não há um monstruoso crucifixo orbitando a Terra? Por que a superfície da Lua não é coberta com os Dez Mandamentos? Por que Deus deveria ser tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo?”

Ao contrário do que muitos eclesiásticos possam imaginar, esta mensagem não denota um pensamento que diminua de alguma forma a importância da Bíblia, mas antes um pensamento que aumenta enormemente a amplitude do que há de sagrado no mundo – o reino é todo o Cosmos. E não poderia ser de outra forma…

Podemos encontrar neste mundo ateus, agnósticos, teístas e deístas, sim isso tudo é verdade. Mas será muito difícil encontrar algum ser que negue a existência de um sistema que rege todo o universo. Seja a crença nas leis fundamentais da natureza, seja a crença nos desígnios divinos, seja um misto de ambos, todos creem em algum sistema, cuja função pode ainda ser um mistério – mas que há de ser buscado, há de ser resolvido passo a passo, por todos nós, juntos!

Sim, nós realmente somos a forma do Cosmos conhecer a si mesmo. E pouco importa, na prática, se tal Cosmos é um ser pessoal, uma força cósmica ou até mesmo um acaso miraculoso – pois no fim, conforme postularam Kant e Hume, não compreendemos ainda muito bem nenhum deles, não podemos ainda resolver tal questão. Será que poderemos um dia?

Para resolvê-la, talvez não bastem apenas orações e experiências místicas, apenas meditação e autoconhecimento, mas também o estudo meticuloso, prático, objetivo, material, profundamente mundano, da natureza a nossa volta. Há muitos gigantes da história da ciência que, buscando talvez um deus barbudo senhor dos exércitos, acabou esbarrando em verdades muito mais profundas. Talvez buscando um reino confinado a um pequeno pedaço de rocha na periferia da uma de bilhões de galáxias, acabou esbarrando no infinito.

E, se mesmo hoje existem seres que buscam aos mistérios de Deus sem sequer crer nele, que se aventuram pelas entranhas dos átomos e quarks, pelo reino bizarro da mecânica quântica, pelos códigos ocultos do DNA, pelos quasares e sóis distantes, pelas singularidades de seções inimagináveis do espaço-tempo, deixem que busquem, pois de uma coisa teremos sempre a certeza: é impossível estar “fora” de Deus.

Talvez o trabalho deles seja tão importante para o mundo quanto os mandamentos dos evangelhos. O importante é encarar as boas novas não como enigmas solucionados, mas como o início de um caminho, subjetivo e objetivo, interior e exterior, que preenche toda nossa existência.

Amai sim, o próximo, e toda a vida, como a ti mesmo. Mas amai a coletividade da vida, amai os átomos que nos conectam a tudo e a todos em uma teia sem fim, amai ao Cosmos acima de todas as coisas.

***

Crédito das imagens: Divulgação (Cosmos de Carl Sagan).

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

» Veja também nossa página no Facebook

#Espiritualidade #Deus #CarlSagan #universo #Ciência #Bíblia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-evangelho-do-agn%C3%B3stico

A Chave de Prata – O Ritual do Décimo Nono Portal

Morbitvs Vividvs

“Zin se encontra na Terra dos Sonhos, sob uma ancestral cidade sem nome, habitada por aterradores gigantes que também se lembram da era das Antigas Criaturas, mas não se lembram do Símbolo dos Deuses Mais Antigos…As Portas são uma caminho alternativo para a Terra dos Sonhos, o outro sendo os setecentos degraus para o Portal do Sono Profundo. O número de Portas a serem transpostas não é conhecido, mas você deve permanecer caminhando até que as trevas de Zin se manifestem, o que pode acontecer após se ter atravessado por apenas duas portas, ou se estender à travessia de não menos de oito delas. Sabe-se também que possuindo a chave correta as Portas podem levar o mago para o lugar que desejar na Terra dos Sonhos.”  – O Livro da Chave 

Este é sem dúvida o ritual mais poderoso que já compartilhei. A operação que mostrarei seguir fez parte do processo criativo que culminou em boa parte de todos os meus livros e em porção substancial de meus textos. Ela faz parte de um ensinamento oculto do do círculo interno do Templo de Satã que só agora está sendo aberto.

O objetivo desta operação é permitir ao celebrante adentrar dentro de todos os Aethyrs e de lá extrair visões. Os 30 Aethyres desenham o mapa do universo conhecido na forma de anéis concêntricos. Sendo que o 30º TEX é o mais interno e o 1º LIL é mais externo. Se você precisa de um forte influxo de inspiração e criatividade este é o mais potente caminho a seguir, em especial se busca conhecimentos do chamado Oculto ainda não disponíveis na literatura atual ou de difícil acesso.

Trata-se do mesmo mecanismo usado por John Dee, Aleister Crowley e Michael Aquino. Boa parte do currículo da Golden Dawn foi criado de ensinamentos extraídos de visitas aos Aethyres.  Aleister Crowley também buscou entrar neles e descreveu seus resultados em “A Visão e a Voz”, Liber 418 onde afirma que “O conhecimento dos Éteres é mais profundo do que o das Sephiroth, pois nos Éteres está o conhecimento dos aeons e de Thelema”. Não é segredo que às principais ideias do seu sistema de magia sexual vieram desta operação. Michael Aquino também utilizou um método semelhante na invocação chamada por ele de “Palavras de Set” e daquilo que obteve criou muitos materiais usados tanto na Church of Satan como no Temple of Set. 

Requisitos para o ritual 

Deve se garantir antes de começar vocês terá bastante tempo disponível e não será interrompidos. O ideal é realizar a operação em algum lugar afastado longe das poluições sonoras próprias das cidades.  

Tenha decorado o nome do Aethyrs que se quer chamar bem como o de seus governantes. Os nomes são aqueles encontrados nas tábuas enoquianas, para facilitar eles serão relacionados em um tópico mais a frente. 

O jejum é recomendado para aumentar os resultados das visões. O estado ideal é aquele em que o corpo já parou de reclamar de fome caso contrário a própria fome será uma distração. Se o jejum não for usado uma refeição leve é feita cerca de uma hora antes da operação. refeições pesadas devem ser evitadas de qualquer forma. 

Uma cerimônia noturna é mais indicada pois o estado de leve sonolência é apropriado. a posição rija garantirá que não se caia no sono.  Não deveria ser preciso ressaltar, mas o treinamento adequado de concentração e visualização mental são pré-requisitos.

A Chave de Prata

 

A Chave de Prata não é requisito para a operação mas mostrou-se muito útil como ferramenta de proteção. Criá-la não é difícil. O praticante deve deitar em um lugar confortável e silencioso, podendo acender um incenso se desejar. Após relaxar alguns instantes o corpo se tornará pesado e a mente enxergando as trevas deve tranquilamente dar a forma, tendo antes guardado na memória sua aparência.  

Ele deve então enxergar os raios da Lua sendo refletidos na Chave, gradualmente a tornando Prateada. O procedimento deve ser repetido por alguns dias para que a chave se torne facilmente visualizada com detalhes sempre que se quiser. 

Os Governantes dos Aethyrs 

Não é sábio avançar para Aethyrs mais externo sem passar pelos anteriores sendo que o início óbvio é TEX. Um retiro de um mês dedicado a invocação dos 30 Aethyrs é algo absolutamente transformador. 

  1. LIL

Occodon Pascomb Valgars     

  1. ARN

Doagnis Pacasna Dialioa     

  1. ZOM

Samapha Virooli Andispi     

  1. PAZ

Thotanp Axziarg Pothnir     

  1. LIT

Lazdixi Nocamal Tiarpax     

  1. MAZ

Saxtomp Vavaamp Zirzid     

  1. DEO

Opmacas Genadol Aspiaon     

  1. ZID

Zamfres Todnaon Pristac     

  1. ZIP

Oddiorg Cralpir Doanzin     

  1. ZAX

Lexarph Comanan Tabitom     

  1. ICH

Molpand Usnarda Ponodol     

  1. LOE

Tapamal Gedoons Ambriol     

  1. ZIM

Gecaond Laparin  Docepax     

  1. UTA

Tedoond Vivipos Ooanamb     

  1. OXO

Tahamdo Nociabi   Tastoxo     

  1. LEA

Cucarpt Lauacon Sochial     

  1. TAN

Sigmorf  Avdropt  Tocarzi     

  1. ZEN

Nabaomi  Zafasai Yalpamb     

  1. POP

Torzoxi  Abriond Omagrap     

  1. CHR

Zildron Parziba Totocan     

  1. ASP

Chirzpa Toantom Vixpalg     

  1. LIN

Ozidaia Paraoan Calzirg     

  1. TOR

Ronoomb Onizimp Zaxanin     

  1. NIA

Orcanir  Chialps Soageel     

  1. UTI

Mirzind Obvaors Ranglam     

  1. DES

Pophand Nigrana Bazchim     

  1. ZAA

Saziami Mathula Krpanib     

  1. BAG

Labnixp Poclsni Oxlopar     

  1. RII

Vastrim Odraxti Gmziam     

  1. TEX

Taoagla Gemnimb Advorpt  Doxmael Laxdizi  

O RITUAL 

 1 – O altar satânico é arranjado como de costume com uma cadeira em sua frente e os sete primeiros passos descritos na Bíblia Satânica são seguidos. Os nomes infernais lidos devem ser os nomes dos governadores do Aethry. 

 3 – Leitura em voz alta da  Décima Nona Chave Enoquiana (em português). 

 *O celebrante então deve sentar-se confortavelmente em uma cadeia com as costas retas, os pés firmes no chão e as mãos sobre as coxas.

 4 –  Fazer nove respirações profundas enquanto dá forma em sua mente a uma Chave de Prata..  

 5 – Entoe a Décima Nona Chave Enoquiana (em enoquiano). O celebrante deve permitir que seu senso estético o guie na entoação. É importante é que a terceira palavra da chave LIL, seja substituída pelo nome do Aethyrs que se está abrindo. 

 6 – Em seguida feche os olhos e esvaziar a mente para que possa enxergar às trevas.  

 7 – Com a imagem da chave criada na mente deve ser vista agora uma Porta atrás dela, o desenho da porta não importa, basta que seja grande o bastante para se passar por ela.  A Chave deve ser colocada sobre a porta para que esta se abra e possa ser atravessada. 

 8 – Ao atravessar deixe a mente tão receptiva quanto possível para quaisquer imagens, sons ou ideias e sentimentos que irão surgir. A experiência deverá ser semelhante a um sonho, com a diferença que você estará no controle e acordado. As coisas mais belas, estranhas e horríveis e maravilhosas poderão agora ser encontradas.  

 Caso a visão se enfraqueça, fique confusa demais veja a Chave de Prata aumentar seu brilho para limpar a mente e aumentar seu foco. Crie uma nova porta e entre por ela como fez. Se a situação complicar e você cair nas garras do medo você deve abandonar viagem o mais rápido antes de se encontrar em uma situação de real perigo 

 7 – Para encerrar a viagem você deve uma vez mais apanhar a Chave de Prata e deixar seu brilho se irradiar com cada vez mais intensidade até que nada além de sua luz prateada possa ser visto. Então o brilho deve ir reduzindo sua intensidade e você estará a salvo para retornar à sua próprias esfera. Por fim de olhos abertos entoe mais uma vez os nomes dos governantes. 

 8 –  Ritual do Pentagrama invertido em banimento.

 9 – Se encerra a cerimônia de acordo com o procedimento padrão, tocar o sino e dizendo as palavras  “Assim está feito”. 

 Conselhos práticos 

 A paciência é uma chave no momento da visualização. Para ajudar a mente após atravessar você pode imaginar outras portas sendo abertas, um imenso labirinto ou uma floresta por exemplo criando assim um ambiente para às manifestações. Mas este deve ser o máximo que a imaginação ativa deve criar. 

 Você pode não ver nada nos primeiros dez ou mesmo vinte minutos. Qualquer sentimento de se estar perdendo tempo ou se esforçando de mais pode arruinar a operação. Mantenha a postura relaxada, a mente quieta e aguarde. 

 Em grupos algumas pessoas terão mais facilidade com a prática do que outras. Nestes casos uma delas pode assumir o papel de escriba enquanto a outra descreve as imagens e impressões que surgem em sua mente. Em praticantes solitários não se deve fazer anotações para não se perde o foco, pois interromper as visões é semelhante a interromper sonhos e raramente são recuperados.  

 Nestes casos uma gravação para transcrição futuro é mais adequada. 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-chave-de-prata-o-decimo-nono-portal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-chave-de-prata-o-decimo-nono-portal/

Ventura

Para se ler com a imaginação…

Texto do poeta inglês John Galsworthy, nobel de literatura de 1932, traduzido do original (Felicity) por Rafael Arrais [1].

Quando Deus é tão bom para os campos, de que uso são as palavras – essas pobres cascas de sentimento! Não há como se pintar a Ventura nas asas! Nenhum meio de passar para a tela a glória etérea das coisas! Um único botão-de-ouro dos vinte milhões em um campo vale mais do que todos esses símbolos secos – que não poderão nunca expressar o espírito da neblina espumosa de Maio a se chocar com os arbustos, o coral dos pássaros e das abelhas, as anêmonas a se perder de vista, as andorinhas de pescoço branco em sua Odisséia.

Aqui apenas não existem cotovias, mas quanta alegria de sons e de folhas; de estradas a refletir o brilho das árvores, os poucos carvalhos ainda em dourado amarronzado, e a poeira ainda espiritual! Apenas os melros-pretos e os sabiás podem cantarolar este dia, e os cucos no topo da montanha. O ano fluiu tão rápido que as macieiras já deixaram cair quase todas as suas flores, e nos prados alongados, a grama verde já deixou crescer suas “adagas”, ao lado dos estreitos córregos ensolarados. Orfeu senta-se por lá em alguma pedra, quando ninguém passa por perto, e toca sua flauta para os pôneis; e Pan pode eventualmente ser visto dançando com suas ninfas nos bosques onde é sempre crepúsculo, se você se deita e permanece calmo o suficiente no barranco da outra margem.

Quem pode acreditar em envelhecer, enquanto estamos envoltos nesse manto de cores e asas e sons; enquanto esta visão inimaginável está aqui pronta para ser observada – os carneiros de face lisa ali ao lado, e os sacos de lã secando pendurados na cerca, e grandes números de patos ainda pequenos, tão confiantes que os corvos já pegaram vários.

Azul é a cor da juventude, e as flores azuis têm uma aparência enigmática. Tudo parece jovem, muito jovem para trabalhar. Existe apenas uma coisa ocupada, um passarinho, bicando larvas para sua pequena família, acima de minha cabeça – ele deve precisar fazer esse vôo umas duzentas vezes por dia. As crianças devem ser bem gordinhas.

Quando o céu é tão aventurado, e as flores tão luminosas, não parece ser possível que os anjos de luz deste dia possam passar à escuridão da noite; que lentamente essas asas devam se fechar, e o cuco se colocar para dormir. Insetos enlouquecidos dançam junto à tardinha, a grama se arrepia com o orvalho, o vento morre, e nenhum pássaro canta…

Ainda assim, acontece. O dia se foi – o som e o glamoroso farfalhar de asas. Lentamente, o milagre do dia passou. É noite. Mas a Ventura não se retirou; ela apenas trocou o seu manto pelo silêncio, o veludo, e a pérola da lua. Tudo está adormecido, exceto uma única estrela, e as violetas. Porque elas gostam mais da madrugada do que as outras flores, eu não faço idéia. A expressão em suas faces, quando uma se curva ao crepúsculo, é mais doce e astuciosa do que nunca. Elas partilham algum acordo secreto, sem dúvida.

Quantas vozes se renderam ao fantasma da noite e desistiram de cantar – restou apenas o murmúrio do córrego lá fora, na escuridão!

Com que religiosidade tudo isso tem sido feito! Nenhum botão-de-ouro aberto; as coníferas com as sombras derrubadas! Nenhuma traça apareceu ainda; está muito cedo no ano para os noitobós; e as corujas estão quietas. Mas quem poderia dizer que neste silêncio, nessa luz macilenta a pairar, nesse ar privado de asas, e de todos os odores exceto o frescor, existe menos do incomensurável, menos disto que as palavras são ignorantes em explicar?

É estranho como a tranqüilidade da noite, que parece tão derradeira, é habitada, se alguém permanece calmo o bastante para perceber. Um pequeno cordeiro está choramingando lá fora preso a sua amarra; um pássaro em algum lugar, dos pequenos, a cerca de trinta metros, assobia da maneira mais deliciosa. Existe um cheiro também, por debaixo do frescor doce das roseiras, eu acho, e das nossas madressilvas; nada mais poderia se espalhar de tal forma delicada pelo ar. E mesmo na escuridão as rosas têm cor, talvez mais belas do que nunca. Se as cores são, como dizem, apenas o efeito da luz em variadas ondas, alguém poderia pensar nelas como uma melodia, o som de agradecimento que cada forma entoa, para o sol e a lua, para as estrelas e o fogo. Essas rosas coloridas pela lua estão cantando um som bem silencioso. De repente eu percebo que existem muitas outras estrelas ao lado daquela ali, tão vermelha e observadora. O falcão passou por ali com seus sete amigos; ele se aventurou muito alto e profundamente na noite, na companhia de outros voando ainda mais distantes…

Essa serenidade da noite! O que poderia parecer menos provável de prosseguir, e se metamorfosear novamente no dia? Certamente agora o mundo encontrou o seu sono eterno; e o brilho de pérola da lua irá perdurar, e este precioso silêncio nunca mais irá renunciar ao seu reinado; a uva-flor deste mistério nunca mais irá brilhar novamente na luz dourada…

E ainda assim, não é o que ocorre. O milagre noturno se passou. É manhã. Uma luz pálida desponta no horizonte. Estou à espera do primeiro som. O céu ainda é nada mais do que papel acinzentado, com a sombra dos gansos selvagens a passar. As árvores não passam de fantasmas. E então começa – o primeiro canto de um passarinho, espantado em descobrir o dia! Apenas uma chamada – e agora, aqui, ali, em todas as árvores, repentinamente todas as respostas vêm em socorro, e o coral mais doce e despretencioso ecoa. Seria a irresponsabilidade alguma vez tão divina quanto isso, o piar dos pássaros? Então – açafrão no céu, e silêncio uma vez mais! O que será que os pássaros fazem após o primeiro Coral? Pensam em seus pecados e seus negócios? Ou apenas dormem um pouco mais? As árvores estão rapidamente soltando a imaginação, e os cucos começam a chamar. As cores estão queimando nas flores; o orvalho as saboreia.

O milagre acabou, pois a radiação iniciou seu trabalho; e o sol está desgastando essas asas negras e ocupadas com seu dourado. O dia chegou novamente. Mas sua face parece um pouco estranha, não mais como fora ontem. Estranho de se pensar, nenhum dia é como o dia que se foi e nenhuma noite como a noite que virá! Porque, então, temer a morte, que é noite e nada mais? Porque se preocupar, se o dia que virá trará uma nova face e um novo espírito? O sol iluminou o campo de botões-de-ouro agora, o vento acariciou os limoeiros. Alguma coisa me faz sombra, passando ali em cima.

É a Ventura em suas asas!

***

Comentário

Até agora não havia publicado textos de outros autores aqui na minha coluna no Portal TdC, achei que esse seria ideal para inaugurar, primeiro pela qualidade literária, segundo pela mensagem (que desenvolvi no meu artigo Pequenas mortes), mas principalmente pelas sensações e imagens que Galsworthy é capaz de invocar com suas “cascas de sentimento” – particularmente nos que exercitam a imaginação.

[1] Admito que essa tradução estava bem além das minhas capacidades linguísticas, poéticas e zoológicas. Se você conhece inglês profundamente, recomendo ler o original – Felicity.

***

Crédito da foto: Wikipedia (botões-de-ouro)

#Deus #Espiritualidade #morte #natureza

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ventura-1

7 Passos Para Se Conectar Com As Fadas

Por Emily Carding.

No século XXI, o reino das Fadas é tão popular como sempre; ainda assim, em nossa cultura de gratificação instantânea e plataformas de mídia não moderadas, existem muitos caminhos falsos e armadilhas ilusórias para nos distrair e nos direcionar mal. Como, então, o verdadeiro buscador das Fadas pode ter certeza de que não está seguindo algum metafórico (ou às vezes literal) Fogo-fátuo em um pântano perigoso? Aqui estão os sete passos que você precisa seguir para ter certeza de que está vivendo autenticamente e em sincronia com nossas primas Fadas.

1. Conhecimento:

Leia amplamente e com sabedoria! É claro que os livros não são a única fonte de conhecimento, mas são um bom lugar para começar (e continuar – nunca devemos parar de aprender!), em equilíbrio com os passos mais experienciais a seguir. Encontre recomendações de pessoas que você respeita e familiarize-se com o folclore e a mitologia tradicionais, principalmente irlandeses, escoceses e galeses. Qualquer bom livro sobre as Fadas também deve ter uma boa bibliografia, que você pode explorar para leitura adicional e exploração mais profunda. Quanto mais variada for sua leitura, mais forte será seu discernimento e menos provável será que você seja desviado do verdadeiro caminho para a ilusão. Também é importante perceber que muitos seres feéricos são hostis e/ou imprevisíveis. Quanto mais você souber, mais preparado estará.

2. Expanda sua Consciência:

Pode ser muito fácil ficar preso em nossas cabeças e confundir o pensamento ilusório e a imaginação destreinada com a experiência real. Portanto, um dos passos mais importantes para a verdadeira conexão com as Fadas é expandir sua consciência energética fora de seu próprio corpo e no mundo ao seu redor. Aqui está um exercício que é apresentado tanto no Faery Craft (A Bruxaria das Fadas) quanto no meu novo livro, Seeking Faery (Procurando as Fadas).

“Exercício: Tornando-se a Árvore das Fadas:

Este exercício é projetado para conectá-lo às energias da terra e abrir o centro do seu coração para aumentar a sensibilidade à presença e às comunicações dos seres Fadas. Dependendo de suas capacidades físicas, isso pode ser feito em pé ou sentado, mas em ambos os casos você deve idealmente ter os pés descalços e no chão, em um espaço o mais natural possível, idealmente onde você não será perturbado. Mantendo-se ereto e relaxado, com os pés a uma pequena distância e as mãos ao lado do corpo, faça sete respirações lentas e profundas (pelo nariz, segure por três segundos e expire lentamente pela boca), enquanto permite a tensão e as preocupações de o dia para derreter.

Na próxima respiração, com as palmas das mãos voltadas para baixo, imagine seus pés lentamente se transformando em raízes de árvores e cavando a terra abaixo de você. Sinta a força da terra e a estabilidade e nutrição que as raízes lhe proporcionam. Mantenha isso por sete respirações profundas dentro e fora.

Agora, nas próximas sete respirações, mantendo suas raízes, levante lentamente os braços em forma de “v” e levante as palmas das mãos para o céu. Imagine que seus braços estão se tornando grandes galhos, alcançando a luz do Sol, da Lua e das Estrelas. Mantenha as raízes e os galhos por mais sete respirações profundas.

Mantendo os braços erguidos na posição “v”, agora imagine que suas raízes estão atraindo a luz verde esmeralda da terra em direção ao seu coração. Inspire e desenhe com sete respirações profundas. Agora imagine que seus galhos estão atraindo a luz prateada dos céus para o seu coração. Desenhe-o com sete respirações profundas. A luz verde e prateada se encontra em seu coração e se torna dourada e rodopiante, abrindo seu coração para as energias da Terra e conectando você acima e abaixo.

Para iniciantes, mantenha isso enquanto estiver confortável e, em seguida, libere as energias de volta através de seus galhos e para baixo através de suas raízes, abaixe lentamente os braços e lentamente puxe as raízes de volta para os pés e torne-se seu eu normal novamente. Sete respirações profundas para se recuperar. À medida que você se acostumar com este exercício, poderá descobrir que pode fazer versões mais curtas ou mais longas, conforme desejar.”

3. Oferendas:

Além de expandir sua consciência energeticamente, é possível alcançar e conectar-se de uma maneira mais tangível com ofertas apropriadas. Isso não apenas ajuda a formar uma ponte energética entre os mundos, mas também mostra sua vontade de colaborar e não simplesmente esperar presentes ou orientação sem esforço de sua parte. A escolha da oferta é significativa, assim como a certeza de limpar depois. É uma boa ideia, se possível, encontrar um local ao ar livre para suas oferendas, onde você sinta instintivamente que sua conexão com as Fadas é forte e onde você não será perturbado. Embora este possa ser um local sagrado estabelecido, pode ser mais poderoso encontrar uma conexão pessoal em um caminho menos trilhado. Considere o valor das ofertas que você traz e o impacto no meio ambiente. Se deixar comida de qualquer tipo, certifique-se de verificar se ela está limpa e não simplesmente deixada para apodrecer. Muitas vezes, essas oferendas serão consumidas por animais, o que é absolutamente bom (os seres Fadas às vezes emprestam essas formas físicas para aceitar oferendas) desde que você tenha certeza de que elas não contêm nada tóxico para a vida animal (por exemplo, chocolate).

4. Ética e Honra:

Você pode pensar que são as Fadas que geralmente são invisíveis, mas a verdade é que elas também podem ver através de você! Se houver qualquer engano ou falsidade em seu coração, eles o sentirão e o tratarão de acordo. Como qualquer caminho mágico, é de extrema importância conhecer a si mesmo e estabelecer um forte código de honra e ética que você siga em todos os aspectos de sua vida, não apenas em seu trabalho com as Fadas.

5. Expressão:

Para muitos, inclusive eu, a comunicação com as Fadas vem através da expressão criativa. Esta é uma comunicação direta de coração para coração ou de espírito para espírito, e esses canais devem ser livres e abertos para receber. Quaisquer pensamentos negativos sobre sua própria criatividade precisam ser superados simplesmente criando de qualquer maneira que você se sinta movido, seja arte, dança, poesia. Ninguém irá julgá-lo, a menos que você escolha compartilhar com o mundo, mas sua alma e seus aliados feéricos agradecerão.

6. Imaginação:

Ao trabalhar com seres e forças do Outro Mundo, a imaginação torna-se um sentido extra através do qual podemos perceber as coisas que estão ocultas aos nossos sentidos terrenos. As armadilhas aqui são claras e, portanto, é importante treinar a imaginação por meio de técnicas de visualização, meditação e jornada para que ela se torne um tradutor confiável de energias, em vez de um autoengano fantasioso.

7. Aterramento:

Sempre volte a isso. Após qualquer encontro ou trabalho com as Fadas, certifique-se de se ancorar em seu corpo e no mundo físico ao seu redor. Libere as energias do outro mundo para sua fonte, sinta seus pés na terra, saboreie boa comida e beba água. Regularmente, reserve um tempo para simplesmente estar na Natureza, ver a maravilha que é o mundo em que habitamos, e você não terá necessidade de ilusão – você simplesmente aprenderá a ver a magia em verdades mais profundas enquanto trilha o caminho das Fadas em paz, verdade e aproveite.

***

Fonte:

7 Steps to Connect with Faery, by Emily Carding.

https://www.llewellyn.com/journal/article/2993

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/7-passos-para-se-conectar-com-as-fadas/

‘Árvore Qliphotica: Seu mapa de fuga da prisão

Tamosauskas

Este material é um acompanhamento do curso de Qlipoth: A Árvore da Morte, oferecido por Marcelo del Debbio adicionado de alguns insights pessoais do autor e apresenta uma introdução ao estudo da árvore da morte da cabala qliphótica. Esse estudo pode trazer medo quem só está acostumado com o lado luminoso da cabala e ilusões quem não está acostumado com cabala nenhuma. Ele fornece entretanto conceitos importantes tanto para quem quer evitar os erros do caminho com para quem quer se proteger da malícia dos demais.

Lida de cima para baixo a árvore da morte é um manual de como a opressão é criada e mantida,  Lido de baixo para cima entretanto pode ser vista como uma rota de fuga. Um mapa capaz de denunciar os mecanismos usados para nos escravizar. Este resumo trará a segunda opção com os nomes e características de cada Qlipha, bem como dos túneis que as ligam. Também foi incluído um pequeno questionamento meditativo em cada qlipha sobre os obstáculos que a árvore da morte impõe.Também será fornecida uma referência de ficção da literatura ou do cinema de uma distopia .

Entretanto a forma mais de compreender a árvore da morte é comparar cada um de seus elementos com seu correspondente na árvore da vida. Trata-se sempre de uma versão corrompida, prostituída e degenerada de sua contraparte. Por essa razão a cada elemento estudado será sempre mencionada a sephira ou caminho da qual é a sombra. Se estes nomes forem novidades para você, interrompa a leitura e faça um estudo da cabala pela via luminosa antes de continuar.

Conceitos chave:

  •  Árvore da morte: É o oposto da árvore da vida. Composta por qliphoth e túneis.Algumas pessoas tratam a árvore da morte como como as raízes subterrâneas, a sombra ou ainda o reflexo invertido da árvore da vida.
  • Qlipha: Qlipha (plural Qliphoth) é para a árvore da morte o que uma sephiras é para a árvore da vida. Cada uma possui sua correspondente em uma das duas árvores. Qlipha significa literalmente casca no mesmo sentido da casca de uma fruta, que depois de separada de sua polpa doce e nutritiva e só que só serve para ser jogada fora para servir de adubo.
  • Túneis: Os túneis ligam duas qliphoth na árvore da morte da mesma maneira que os caminhos ligam duas sephiroth na árvore da vida. São pontos em que duas forças se influenciam mutuamente gerando um resultado específico e que engana e prende a luz como uma teia.

Vejamos agora as Qliphoth e seus túneis separadamente:

X – Nahema (Os sussuradores)

Sombra de Malkuth

Conceito chave: escravidão

Ficção distópica: Matrix

Também chamada de Lilith. Esta é a masmorra, o porão da árvore da morte. É o resultado concreto em um reino de escravidão, ignorância e servidão onde em vez de perseguirem sua verdadeira vontade as pessoas aceitam, servem e obedecem completamente um sistema criado para aprisioná-las. É uma jaula fácil de ver por fora mais difícil de enxergar por dentro. Por essa razão é trivial detectar as ideologias, sistemas e religiões que manipulam outras pessoas mas é muito difícil detectar os sistemas que manipulam a nós mesmos. A primeira atitude para quem quer liberdade é se tornar consciente da falta dela.

Questionamento meditativo:

“Consigo enxergar os mecanismos de escravidão em que estamos imersos?”

 

IX –  Gamaliel (Os obscenos)

Sombra de Yesod
Conceito chave: Ilusão
Ficção distópica: Jogos Vorazes, a Ilha

Gamaliel é a terra das ilusões. Enquanto a imaginação consciente pode ser libertadora a mera fantasia é um grande obstáculo para o desenvolvimento. Em Gamaliel são produzidas as aspirações e ideias de que que um dia, de alguma forma a verdadeira realização virá e justificará toda escravidão dando então ao oprimido os mesmos benefícios que os opressores já tem.  Essa mitologia artificial deve de preferência durar toda a vida, por isso tradicionalmente nos sistemas religiosos a justificação só ocorre depois da morte. Enquanto isso, em termos de política, o socialismo convence as massas que a elite do partido é um mal temporário é necessário e o capitalismo convence os pobres que um dia, se tiverem sorte ou trabalharem muito poderão se tornar ricos. Tudo isso faz os prisioneiro serem os primeiros a defender suas prisões e a defender o mesmo sistema que os vampiriza. Na escala pessoal se trata da preguiça e da auto-ilusão que tudo consome e nada produz.

Questionamento meditativo:

“Quanto da minha criatividade é limitada pelas fantasias que consumo?”

 

Túneis:

32 (IX – X)

Thantifarax (Intolerância)

Sombra do Mundo

Afim de vender as ilusões de Gamaliel dominar os escravos de Nahema, Thantifarax, o carcereiro do jardim do éden, é a intolerância que garante exclusividade dos sonhos. Individualmente é a incapacidade de imaginar. Na sociedade  é o consumo apenas dos mitos enlatados e autorizados rechaçando qualquer sonho que saia da norma como ridículo, insano ou perverso.

 

VIII – Samael (O veneno de Deus)

Sombra de Hod

Conceito chave: Mentira

Ficção distópica: 1984

Esta qlipha é a ninho da mentira e da desonestidade intelectual e da auto-ilusão. Aqui os interesses são mais importantes do que a verdade e a própria linguagem é manipulada para não mais expressar a realidade mas sim favorecer nossos planos. No indivíduo essa sombra se manifesta sempre que pronunciamos inverdades e distorcemos os fatos por interesse próprio. Em uma escala maior ela faz nascer o controle da mídia para atender interesses políticos. Por essa razão quem tem o poder político sempre tentará controlar o poder midiático. Além disso o próprio controle de quais palavras e rótulos são usados para descrever uma situação já é uma expressão de poder. Usualmente em um sistema opressor bem estabelecido a liberdade de expressão é cerceada e toda produção intelectual precisa de aprovação.

 

Questionamento meditativo:

“Fui convencido de que algo é tão complicado que não possa entender?”

“Minto para mim mesmo por conforto ou comodismo?”

 

Túneis:

 

31(VIII-X) Shalicu  (preconceito)

Sombra do Julgamento
As mentiras fabricadas em Samael são perpetuadas no reino de Nahema através do preconceito. A cultura de escravidão e das falsas idéias são disseminada aqui por meio do uso de imagens, símbolos, piadas, histórias e linguagem viciadas que sustentam algumas mentiras essenciais.

 

30 (VIII-IX) Raflifu (falsos ídolos)

Sombra do Sol

Para assegurar que as mentiras se integrem a sociedade são construídos ídolos que representam o sucesso dentro de um sistema particular.  Estes falsos ídolos, são castas ou heróis que representam os sonhos encarnados dos escravos, mostrando que é possível chegar lá. Para serem como eles as massas o imitarão e farão tudo o que ele disser.

 

VII – A’arab’zarak (Os corvos da dispersão)

Sombra de Netzach

Conceito chave: Distração

Ficção distópica: Admirável Mundo Novo

Aqui gralham os corvos da dispersão cujo grande objetivo é tirar o nosso foco. Na esfera pessoal a influência dessa qlipha é sentida no escapismo de distrações usadas como válvula de escape para os problemas reais. Na esfera coletiva essas distrações reafirmam as ilusões criadas em Gamaiel e as mentiras criadas em Samael quando as autoridades desviam a atenção das massas mantendo-as ocupadas e longe das questões importantes e dos problemas reais. É o famoso Pão e Circo de Roma que se desenvolveu hoje para se transformar na indústria do entretenimento vazio onde o burlesco e o grotesco impede as pessoas de pensarem.

 

Questionamento meditativo:
“As distrações que me ocupam me afastam de meus problemas reais?”

 

Túneis:

 

29 (VII-X) Quliefi (Medo)

Sombra da Lua

Por outro lado quando os corvos da distrações falam diretamente com os escravos é sempre em um contexto de restrição no intuito de gerar um medo institucionalizado. Enquanto Tzuflifu diz que tudo vale, Quliefi brada que tudo é proibido. Isso torna os escravos confusos, sem saber como agir, para onde seguir e prontos para obedecer.

 

28 (VII-IX) Tzuflifu (Desejos)

Sombra do Imperador

As distrações de  A’arab’zmak quando conversam com as ilusões de Gamaliel criam um espaço onde finalmente os oprimidos podem dar vazão aos seus desejos. Numa escala pessoal aqui estão os vícios m geral Seguindo uma receita aprovada todos os desejos e paixões podem ser satisfeitos. Estes desejos não são apenas permitidos, mas compulsórios e quem quer que não os alimente é um proscrito.

 

27 (VII-VIII) – Paraxitas (Ódio ao diferente)

Sombra da Torre

As distrações de  A’arab’zmak somadas as mentiras de Samael se unem para formar uma casca mental de o ódio a tudo o que for diferente.  Assim esse túnel é a origem de toda cultura do “nós contra eles” e faz uma eficiente separação de seres humanos em grupos opostos. Se você identifica um certo ódio irracional a um tipo específico de ser humano, provavelmente já está respirando o ar deste túnel.

 

VI – Thagirion (O Sol Negro)

Sombra de Tipheret

Conceito chave: Egoísmo

Ficção distópica: V de Vingança

Thagirion é o agente centralizador das ações de todas as esferas vistas anteriormente. Ela queima com a  obsessão de fazer valer seus desejos acima de todas as outras  vontades e arde ao extremo de não emitir mais qualquer luz de cima. Isso faz  a estrela da vontade entrar em colapso gravitacional tornando-se um grande buraco negro no centro da árvore da morte. Em uma escala pessoal é o egoísmo autoritário, na história tem se traduzido na ascensão de imperadores na antiguidade e dos grandes ditadores industriais como Stalin, Hitler e Mao.

 

Questionamento meditativo:

“Abro mão de minha verdadeira vontade por medo e insegurança? Sou autoritário com alguém?”

 

Túneis:

 

26 (VI-VIII) A’ano’nin (Propaganda)

Sombra do Diabo

O imperativo egolatria de Thagirion é reforçado por meio da máquina da propaganda. Ou seja, um esforço ativo e oficial de promulgar sua ideologia e, muitas vezes, um culto a sua imagem divina. Na política pode surgir como um monopólio declarado dos meios de comunicação ou como criptocracia das mídias por parte

dos poderosos.

 

25 (VI-IX) SakSakSalin (Status Quo)

Sombra da Temperança

A normalização da realidade para atender os designeos de Thagirion é o que dá origem ao status quo. A idéia aqui é que a opressão não é apenas uma configuração arquitetada com malícia mas sim o estado natural e original das coisas. Qualquer tentativa de mudança é portanto não natural e fadada ao fracasso.

 

24 (VI-VII) Niantiel (Culto a juventude)

Sombra da Morte

Uma das maneiras de tornar seu controle certo é criar nos escravos um culto a juventude no qual qualquer acúmulo de sabedoria ou vivência é visto como não desejável. A indústria da moda, os padrões de beleza são alguns de seus efeitos físicos na coletividade. Mas o culto a ignorância e a infantilização são também sinais mais sutis deste túnel.

 

V – Golachab (Os incendiários)

 

Sombra de Geburah

Conceito chave: Violência

Ficção distópica: MadMax

Esta é a esfera da violência e da subjugação por meio do uso da força. Sua diretriz é reinar pelo terror causando danos, sofrimento ou morte em qualquer oposição. No mundo particular se traduz em ira ou mesmo violência doméstica e em termos de geopolítica na indústria bélica. O monopólio das armas e o constante pensamento belicoso é um dos mais antigos artifícios de tomada e concentração da autoridade. Se a concentração de força for desproporcional a opressão está garantida, permitindo como disse Sun Tzu, em A Arte da Guerra, subjugar o inimigo sem lutar. Quem controla as armas coloca-se ainda acima de todos os conflitos menores e geralmente prospera vendendo munição para os dois lados.

 

Questionamento meditativo:

“De quem ou do que tenho medo? Do que esse medo me afasta?”

 

Túneis:

 

23 (V-VIII) Malkunofat (Burocracia)

Sombra do Enforcado

A força de Gloachab se expressa no mundo das mentiras de Samael por meio da regularização extrema e imposição de regras e procedimentos explícitos. Aqui nascem os impostos dos governos,  as regras inúteis capazes de validar ou invalidar rituais e em particular a hierarquia das castas que colocam cada pessoa em seu devido lugar.

 

22 (V-VI) Lafoursian (Injustiça)

Sombra da Justiça

Enquanto as regras de  Malkunofat algemam toda intelectualidade, Lafousian estabelece a injustiça por meio de uma política de exceção. Por um lado isso significa que algumas pessoas terão tratamento especial enquanto outras pessoas enfrentarão todo o rigor da lei. A decisão de quem é quem cabe a quem possui o monopólio da violência.

 

IV – Gma’Asheklah (Os perturbadores)

Sombra de Chesed
Conceito chave: Ganância
Ficção distópica: Elysium

A influência dessa qlipha se revela quando a prosperidade e riqueza serve apenas a si mesma.  Quando isso acontece o comércio e a indústria não prosperaram mais provendo soluções, mas sim perpetuando problemas. Aqui nascem as atuais indústrias químico-farmacêutica-alimentar onde as sementes só podem ser plantadas uma vez para serem compradas e remédios de uso prolongado recebem mais pesquisas do que a cura das doenças propriamente ditas. É também a casa da indústria financeira onde riqueza não tem mais origem no trabalho e sim na especulação e nos juros sobre juros. Em uma escala microcósmica a influência dessa qlipha pode ser vista quando o dinheiro torna-se um fim em si mesmo.

 

Questionamento meditativo

“Quais são as coisas que cobiço? Do que essa cobiça me afasta?”

 

Túneis

 

21 (IV-VIII) Kurgasiax (Poluição)

Sombra da Roda da Fortuna

A fim de vender e enriquecer cada vez mais Gma’Asheklah produz neste túnel toda sorte de poluição. De um lado do túnel o vendedores vendem qualquer coisa que gere lucro, do outro lado o comprador compra qualquer coisa que lhe sirva de distração. Isso significa total negligência com as consequências de longo prazo, o meio ambiente e as outras pessoas.

 

20 (IV-VI) Yamalu (Suborno)

Sombra do Heremita

O poder do ego aliado ao desejo da riqueza por si só faz nascer o corrupto e o corruptor. Sabendo disso Gma’Asheklah e Thagirion se manipulam mutuamente o tempo todo, um para acumular ainda mais recursos e o outro para impor mais facilmente seus planos

 

19 (IV-V) Temphioty (Desumanização)

Sombra da Força

O acúmulo de poder como meta e a violência extrema como método nos levam ao último limiar da árvore da morte que ainda pode ser considerado humano. Aqui ocorre a completa desumanização e não existe mais nenhuma barreira. O “Nós contra eles” se degenera ainda mais e dá origem ao “Eu contra todos”.

 

III – Satariel (Os ocultadores)

Sombra de Binah

Conceito chave: Negação

Ficção distópica: Fahrenheit 451

Ocultar recursos, informações e possibilidades é o que rege esta qlipha. A idéia é que as pessoas não podem lutar contra um inimigo que você nem sabem que existe e não podem buscar por tesouros dos quais você nunca ouviram falar. Daí vem o impulso imediato de todo criminoso de ocultar o próprio crime e de todo ser humano de negar as próprias falhas. Além disso, quanto mais subimos na hierarquia de uma corporação, mais avessa ela será a transparência. Existem câmeras de vídeo apontando para a cabeça de todo caixa, mas nenhuma janela nas salas de reunião de cúpula. O governo nega ter conhecimento.

 

Questionamento meditativo:

“Sou um agente de luz e libertação ou um agente da restrição e ocultamento?”

 

Túneis:

18 (III – V) – Characith (Censura)

Sombra da Carruagem

A ocultação violenta se traduz em censura.  Ou seja, no uso sistemático de uma força superior para suprimir idéias, recursos e pessoas. Queimar livros, controlar acesso, proibir manifestações e calar pessoas são os primeiros degraus deste túnel, o último deles é a execução  de qualquer pessoa que pense ou fale demais.

 

17 (III-VI) – Zanradiel (Difamação)

Sombra dos Amantes

Difamação é outra arma usada para ocultar esforços da oposição. Numa escala pessoal este túnel se traduz na fofoca e na inveja, mas na humanidade não faltaram exemplos históricos do uso sistemático da difamação como no macartismo e na inquisição espanhola.

 

II – Ghogiel (Os estorvadores)

Sombra de Chokmah

Conceito chave: Confusão

Ficção distópica: Arquivo X

Enquanto Satariel preocupa-se em ocultar a realidade por meio da restrição e da falta de acesso, Gkogiel faz a mesma coisa por meio de um lamaçal de lixos inúteis, vomitando infinitas versões deturpadas da verdade. A idéia aqui é que a razão se não pode ser completamente eliminada ela será então ocultada em uma multidão de irracionalidade. A verdade desaparece assim em meio a um mar de mentiras. Um governo por exemplo pode criar e soltar as mais bizarras teorias da conspiração para ocultar a conspiração verdadeira tornando-se impossível distinguir o certo do errado. Os estorvadores causam a alienação pelo excesso de informação.

 

Questionamento meditativo:

“As coisas que consum, defendo, e acredito colaboram com minha verdadeira vontade?”

 

Túneis:

 

16 (II-IV) Uriens (Sectarismo)

Sombra do Hierofante

O enxame de lixo de Gkogiel  encontra a ganância de  Gma’Asheklah e dá origem ao túnel do sectarismo.  Em pequena escala aqui nascem as panelinhas, mas nas grandes corporações gera círculos internos dentro de círculos internos e eventualmente no surgimento de dissidências concorrentes.

 

15 (II-VI) Hemetherith (Loucura)

Sombra da Estrela

O ego inflado em Thagirion dá a luz a todo tipo de extravagância que reforça seu poder e caráter único distanciando-o das demais pessoas. Desvirtuada da verdadeira vontade quando mais poder, mais loucura ao ponto de não haver diferença entre o poder supremo e a loucura completa.

 

14 (II-III) Dagdagiel (Corrupção)

Sombra da Imperatriz

Ação dos ocultadores e dos estorvadores dão origem a corrupção em seu sentido mais abstrato, de essência estragada, ou core (núcleo), rupto (rompido). Se estabelece uma versão invertida do lema caoista e então “Nada é permitido e tudo é verdadeiro”. Daqui o erro se multiplica de forma virulenta para todos os outros túneis abaixo como uma herança maldita, um pecado original e um câncer fora de controle que cresce até consumir tudo, incluindo a si mesmo.

 

I – Thaumiel (O Gêmeo de Deus)

Sombra de Kether.

Conceito chave: Destruição

Ficção distópica: H.P. Lovecraft

Toda perversão vista nas outras sombras e que causam a escravidão ao desembocar em Nahema podem ser rastreadas até essa qlipha que essencialmente fala da essência do mal sendo causada por um ato de vontade externo ao sistema em uma intenção de destruí-lo. Essa é a única explicação possível para a existência da arte da morte, pois ela existe em uma constante situação de auto-destruição com diversos sistemas de opressão concorrendo uns com os outros e  se destruindo mutuamente. Segundo a tradição da cabala sepharadita, por exemplo, entidades de fora do nosso sistema solar, não podendo participar da criação de nosso mundo lançaram no coração humano suas sementes de corrupção e essas sementes por sua vez destroem toda a árvore da vida, de dentro para fora. Esses seres anti-cósmicos são retratados também nos mitos de H.P Lovecraft que fala de deuses extraterrenos completamente fora de nossa realidade, sem qualquer interesse humano e capazes de destruir tudo o que existe.

 

Questionamento meditativo:

 

“Eu mesmo colaboro com a escravidão e opressão de outras pessoas?”

 

Túneis

 

13 (I-IV) Gargoprias (Traição)

Sombra do Sacerdotiza

O agente externo é o verdadeiro manipulador que puxa os cordões de quem puxa o cordão. Ele promete o domínio completo da árvore ao mesmo tempo que estimula sua destruição, o resultado não poderia ser outro senão a traição. O ego pensa estar traindo o mundo quando na verdade está sendo traído e colaborando com sua aniquilação final.

 

12 (I-III) Barachial (Feitiçaria)

Sombra do Mago

As sementes do mal de Thaumiel podem corromper mais facilmente o sistema quando existe dentro dele um agente colaborador. A figura do mago negro como alguém que usa a feitiçaria de um poder sombrio superior é fácil de visualizar e representa bem este túnel, mas em outras escalas a feitiçaria está presente em qualquer ato intencional e consciente de maldade. Esse agente entende que a árvore da morte não pode ser mantida por muito tempo e, decidido a tirar o maior proveito possível antes da destruição final, opta pelo mal.

 

11 (I-II) Amprodias (Suicídio)

Sombra do Louco

O terceiro túnel que liga a Thaumiel é o daquelas pessoas que, entendendo que a árvore da morte é por si só decadente e que esconde em sua própria estrutura a essência de sua destruição, não vê outra solução senão destruir a si mesmo em antecipação da destruição do todo. Essas pessoas também optam pelo mal, mas levam seu ódio ao cosmos a última consequência acabando com sua própria vida numa tentativa de escapar do sistema.

 

Considerações finais

 

Embora essas explicações possam dar a entender que a Árvore da Morte só existe em grandes instituições, seitas e organizações, devemos considerar que o aspecto sombrio pode estar presente em qualquer manifestação. Mesmo uma relação a dois pode ser qliphotica. Ainda mais, é possível e bastante comum sabotarmos nós mesmos e assim fazemos sempre que nos desvirtuamos do caminho de nossa verdadeira vontade.

 

Rápidas Análises Qliphotica

Com base no que foi passado tentamos estruturar duas árvores da morte para servirem de comparação.

Este primeiro exemplo foi escolhido para mostrar como é muito fácil ver os mecanismos de escravização dos outros, particularmente um tão reforçado atualmente como a alemanha nazista. Por outro lado o atual sistema ocidental também tem um viés escravizador que muitas vezes passa despercebido.

Qlipha Terceiro Reich Ocidente
I. Thaumiel Mönch mit dem grünen Handschuh
(O monge da luva verde)
Elite Oculta (?)
(“Illuminati”, “sionistas”, “reptilianos”, etc..)
II. Ghogiel Contrainformação e Naziesoterismo
(Heinrich Himmler, Der Stürmer, Julios Evola, Savitri Devi Mukherji,
Karl Maria Wiligut)
Grande Mídia
(Thomson-Reuters, Time-Warner, News Corporation)
III. Satariel Gestapo
(Walter Schellenberg, Espionagem, Bücherverbrennung)
G8
(NSA, CIA, MI6, GCHQ, etc…)
IV. Gma’Asheklah Fascismo

(Lebensraum, Dr. Hjalmar Schacht )

Indústria Petroquímica
(Exxon Mobil, Chevron, Bayer, Basf, etc…)
V. Golachab Militarismo
(Invasões, Präventivkrieg, Holocausto, Einsatzgruppen)
Indústria Bélica
(Lockheed Martin, Constellis Holdings, Boeing, etc…)
VI. Thagirion Adolf Hitler

(Führerprinzip, Gleichschaltung)

Elite Financeira
Bilderberg Group, Fórum Econômico Mundial, etc…)
VII. A’arab’zmak Propaganda e Totalitarismo

(Lebensorn, Joseph Goebbels)

Show business e Politicamente correto
(Comcast, Disney, Sony, Viacom, etc..)
VIII. Samael Filosofia e Ciência Nazista
(Nietzschismo, Darwinismo Social, Eugenia,  Racismo, Joseph Mengele)
Controle da Informação
(Silicon valley: Google, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, etc..)
IX. Gamaliel Ideal Nazista

(Volksgemeinschaft, Herrenvolk, Richard Wagner, Leni Riefenstahl, Albert Speer)

American Way of Life
X. Nahema Povo Alemão Consumismo Global

A segunda análise traz duas aproximações genérica para facilitar o reconhecimento de uma natureza Qliphotica em cultos e organizações políticas. O primeiro caso é um bom exemplo de árvore da morte de ação particular, e o segundo de ação coletiva, embora é claro uma coisa afete a outra. Note que em ambos os casos em Thaumiel temos alguém que sobrevive ao desmoronamento de toda estrutura e que pode facilmente fundar outro grupo para reiniciar o processo de vampirização. Outro ponto interessante é que nestes exemplos fica clara a natureza fractal destas estruturas. Assim com a árvore da vida cada qlipha tem dentro de si uma mini árvore da morte. Dentro da Gestapo certamente os membros e subdivisões se organizam de modo semelhante, assim como o Politicamente Correto que rege o que é ou não pecado no mundo moderno tem expressões em todas as outras Qliphas.

Qlipha Grupos Religiosos Grupos Políticos
I. Thaumiel Alta hierarquia Alta Cúpula
II. Ghogiel Boataria Desinformação
III. Satariel Tabus Censura
IV. Gma’Asheklah Lavagem de Dinheiro Lobismo
V. Golachab Repressão Militancia agressiva
VI. Thagirion Líder do Culto Caudilhismo
VII. A’arab’zarak Monopólio Social Pão e Circo
VIII. Samael Doutrinação Propaganda
IX. Gamaliel Promessas da fé Ideologia
X. Nahema Cultistas Eleitores

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/arvore-qliphotica-seu-mapa-de-fuga-da-prisao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/arvore-qliphotica-seu-mapa-de-fuga-da-prisao/

Cria em mim, ó Deus, um coração puro – Parte 2 de 2

Esperamos que durante esta pausa de dois meses todos tenham aproveitado para ler as demais colunas deste portal, apanhar um ou mais livros que estavam aguardando na fila de leitura ou simplesmente caminhar por aí e conhecer novas pessoas e novos eventos. Todos os homens devem morrer, mas antes, deve-se viver.

Em novembro do ano passado, apresentamos a primeira parte deste artigo sobre a Sexta Virtude, a Pureza, tão importante para os jovens em formação. Depois de um certo ponto, é muito complicado retificar e limpar aquilo que foi poluído por anos e, infelizmente, como não se deve colocar vinho novo em odres velhos, com o risco de perder tanto o vinho quanto os odres, a atitude pura já não pode mais se manifestar em quem não só vive neste mundo, mas tornou-se parte dele.

Foi com propósito que o autor da nossa ritualística, o Dad Frank Marshall, jamais escreveu um guia oficial explicando todas as palavras dos nossos trabalhos – desta forma, cada DeMolay poderia refletir e discutir com seus Irmãos, aplicando aquelas lições em sua vida diária e conhecendo-as pela prática reiterada nas Reuniões e fora delas.

Seria, de qualquer forma, completamente irreal um “manual de como ser um DeMolay”. A sociedade muda com o passar das décadas e cada país e estado é completamente diverso do próprio vizinho. Se um DeMolay conhecer de verdade seu juramento e suas Virtudes através do Ritual, deverá ser capaz de agir como se espera dele.

Isto não quer dizer que os DeMolays não devam escrever materiais sobre os ensinamentos da Ordem. Apenas que não devem colocar suas ideias como absolutas e incontestáveis. Este, contudo, é o assunto de um artigo posterior, sendo mencionado para que todos compreendam que definir a “atitude pura” que todo Iniciado deve ter não pode ser feito em dois ou três parágrafos, mas que as diretrizes gerais podem ser lançadas.

Ser puro, então, é agir livre de malícia e de segundas e terceiras intenções. Como explicitado na primeira parte, pureza é diferente de ingenuidade e de inocência. É uma atitude consciente, uma escolha resoluta de ser verdadeiro nas palavras, nos gestos e nos pensamentos.

Com o estímulo contínuo à busca do poder e do prazer, é difícil encontrar candidatos à Iniciação que já não se vejam lutando justamente para se manter no caminho desse ideal. Esmagado entre o clamor hipócrita pela “moral da família e dos bons costumes” e o incentivo ao orgulho de ser dissoluto, o jovem deve tomar cuidado para não justificar seus desvios com argumentos falaciosos.

É esta Virtude, aliás, que deve nortear os relacionamentos dos DeMolays. Com sua família, deve ser um bom filho, vendo em seus pais e irmãos zeladores e companheiros de jornada. Com seus amigos, deve forjar laços de intimidade reforçados não por hábitos em comum ou frequência nas mesmas mesas de bar, mas por pensamentos e desejos igualmente bem direcionados. Por fim, o amor nunca se desenvolverá sobre solo traiçoeiro e fantasioso – aliás, quem não for puro com aquele que ama jamais descobrirá que o amor evolui e se transforma continuamente.

Uma última observação é que a Pureza, por si só, não é atributo unicamente do justo. Todas as ações sob seu prisma são genuínas, mas como muito bem ensinado pelo Príncipe Vegeta, um coração pode ser puro de maldade.

O Rei Davi, ao cantar seus Salmos pelos ares, suplicou muitas coisas a YHWH. Ele pediu justiça e consolo, amor e confiança, fidelidade e realização. Rogou também por um coração puro e o espírito de firmeza para mantê-lo no Salmo L.

Este Salmo que corresponde à quarta-feira, o dia de Mercúrio, no Enchiridion do Papa Leão III, é chamado de “Prece de um Coração Contrito”. Nele, Davi diz que não pode se apresentar diante de Deus como um homem sem faltas e sem iniquidade. Mais importante do que isso, ele reconhece que toda vez que pecou ou fez algo ruim, foi contra Deus que agiu. Mais tarde, essas palavras serão ecoadas por Jesus: “cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”.

A Pureza, portanto, se relaciona à Reverência pelas Coisas Sagradas, a Segunda Virtude, muito diretamente, embora esta ligação não seja óbvia. Ao ser maldoso ou cruel com qualquer outra pessoa, mesmo em pensamento, a falta é cometida contra a fagulha divina presente em todos os seres.

O Rei Davi ainda lembra que a Deus não interessa sacrifícios rituais – palavras da boca pra fora, ofertas de dinheiro por obrigação ou com intenções ocultas, fazer o que deve ser feito com a mente e o coração em outro lugar. O verdadeiro sacrifício é o coração contrito, a percepção do erro e o desejo de fazer melhor com o auxílio divino.

Para manter essa decisão, é necessário o espírito de firmeza. Apenas chegar no final do dia e pedir desculpas por todos os erros e acreditar que magicamente amanhã você será melhor é tolice. Ao fim dos trabalhos, ao revisar suas ações, você deve identificar claramente onde errou e se resolver a não falhar novamente naquilo.

Por conta desses atributos a forma como o DeMolay se porta durante as reuniões do Capítulo é tão importante. Como se fosse um microcosmo, cada palavra dita ali se verá refletida no macrocosmo do dia-a-dia… mas este também é assunto de uma próxima coluna.

Hugo Lima é Sênior DeMolay do Capítulo Imperial de Petrópolis, nº 470.

Virtude Cardeal é uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#Demolay #VirtudeCardeal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cria-em-mim-%C3%B3-deus-um-cora%C3%A7%C3%A3o-puro-parte-2-de-2

‘Os Jogos da Vida

Eric Berne

Jogos da Vida é o livro best seller do psiquiatra Eric Berne. Aqui ele apresenta de maneira bem didática os princípios e aplicações práticas da Análise Transacional, uma teoria psico-analitica e um método terapêutico que ele ajudou a desenvolver durante sua carreira. Trata-se de um guia universal para interpretar as interações sociais.

Ele descreve os três papéis ou estados do ego conhecidos como o Pai, o Adulto e a Criança e postula que muitos dos comportamentos disfuncionais que podem ser entendidos pela confusão entre estes três papéis em uma série de jogos mentais desonestos que costumamos jogar.

O livro trás um verdadeiro catálogo destes jogos da vida. É uma coleção de transações pelas quais as pessoas interagem que devido sua descrição e suas consequências muitas vezes são prejudiciais às partes envolvidas. O livro usa uma série de casos ilustrativos e frases com as quais se pode facilmente identificar quando um jogo em particular está sendo jogado e qual a melhor forma de solucionar a situação.

Por exemplo, no jogo intitulado “Agora eu te peguei filho da mãe.” alguém descobre que outra pessoa cometeu um pequeno erro. Em vez de resolver o problema o indivíduo então usa esse erro para alimentar uma série de animosidades. Todos nós em algum momento da vida vamos jogar estes jogos. Este livro pode ser um poderoso mapa para nos tornarmos conscientes deles de maneira a poder substituí-los por relações humanas menos prejudiciais, mais verdadeiras e sadias

A fome por transações

Crianças privadas por tempo prolongado do contato físico de suas mães ou equivalentes tendem a enfraquecer. Elas podem até mesmo morrer em consequência desse isolamento. Um fenômeno correlato é observado em adultos submetidos a privação sensorial em que ficam sem nenhum contato com outros seres humanos ou estímulos externos. Tal provação pode dar origem a psicoses passageiras semelhante a encontrada em indivíduos condenados a prisão em solitária. Além disso a privação emocional e sensorial pode produzir modificações degenerativas nas células nervosas que podem comprometer de maneira relativa ou definitiva todo o sistema nervoso.

Essa dependência do contato humano começa durante a gestação e se prolonga o resto da vida. Após um período de intensa intimidade com a mãe inicia-se a luta constante para conseguir esse sentimento de volta. A maioria das pessoas aprende a se satisfazer com formas de contato físico mais sutis e mesmo simbólicas. Até um simples aceno de reconhecimento pode servir a este propósito.  Mas por toda vida a fome por estímulos de relacionamento se mantém comparada a nossa fome por comida. Não é a toa que termos como desnutrição, saciedade, apetite, gourmet, jejum, entre outros são facilmente usados tanto no campo na nutrição como na psicologia. De forma semelhante, relacionamentos doentios são para o ser humano melhor do que a total ausência de relacionamentos. Preferimos o sofrimento ao não-reconhecimento, da mesma maneira que preferimos uma comida ruim a morrer de fome. Neste livro chamamos de transação a unidade básica de interação social que alimenta os relacionamentos humanos.

A Estruturação do Tempo

 

O objetivo de todo membro de um conjunto social é conseguir satisfazer-se tanto quanto possível de suas transações com os demais. Quanto mais sociável ele for, maior o número de transações que poderá obter. Por essa razão, as transações geralmente ocorrem em séries planejadas e não por mero acaso. Os seres humanos estruturam o tempo disponível no dia para saciar sua fome por transações assim como faz com os demais imperativos biológicos.

 

Existem basicamente quatro formas de se organizar o tempo em busca de transações: o trabalho, os rituais, os passatempos e os jogos. O trabalho é o método mais comum, mais conveniente. Uma tarefa útil, emprego ou projeto precisam de uma longa série de transações para serem realizadas e possuem naturalmente um reconhecimento final a ser obtido.

Os rituais por sua vez são os roteiros sociais que seguimos para adquirir transações previamente aceitas pela sociedade. Esportes, cultos religiosos e cerimônias como casamentos e aniversários podem ser rituais, mas o ritual mais conhecido são as boas maneiras. As boas maneiras variam de sociedade para sociedade mas em todas elas apresentam roteiros adequados e conhecidos por todos para cumprimentar, comer, ir ao banheiro, namorar, chorar  ou conduzir uma conversação. Alguém espirra, outra pessoa diz “Saúde” e ambas saem um pouco mais satisfeitas.

Já os passatempos são transações simples e complementares montadas em torno do objetivo básico em comum aos participantes. Passatempos são usados tipicamente em festas e reuniões sociais. Uma mesma festa pode haver um grupo se divertindo com “Fofocas” outro com “Educação dos Filhos” enquanto outro se entretém com Automóveis ou Receitas. O início e o fim dos passatempos são geralmente marcados por algum tipo de ritual.

Os Jogos

 

Apesar da importância do trabalho, dos rituais e dos passatempos, a maior parte da atividade social consiste em uma quarta categoria que chamaremos de jogos. Um jogo é um  pobre substituto para a verdadeira intimidade e se compõe de uma série de transações encadeadas e enfadonhas que se desenrolam com uma motivação oculta. A natureza desonesta dos jogos e seu desfecho previsível e geralmente dramático são o que os diferenciam dos passatempos.

Vale dizer que os jogos que formam a maior parte da vida social em todo o mundo são jogos inconscientes e os jogadores geralmente não percebem totalmente o que estão fazendo. Como veremos a própria percepção lúcida de seus mecanismos faz parte do processo para se vencer e abandonar estes jogos.

Uma boa forma de entender isso são os jogos de galanteio. Um amante diz para o outro: “Vamos na minha casa ouvir música” e a outra responde “Claro, desde criança que eu gosto de música.”. No nível social essa é uma conversa sobre música, no nível psicológico uma conversa sobre sexo. Outro exemplo fácil de entender é o do bullying, onde o perseguidor é na verdade uma pessoa carente em busca de aprovação. Existem várias outras possíveis abordagens e motivações ocultas para os jogos psicológicos. Para entendê-los melhor teremos que entender um pouco sobre os estados do ego.

Os Estados do Ego

Na Análise Transacional entendemos que a mente se manifesta por meio dos três estados de Ego correspondentes, que são eles o Pai, o Adulto e a Criança. Uma mudança de estado se reflete em mudanças na postura,pontos de vista, vocabulário e outros aspectos do comportamento.

O estado de ego Criança surge durante a primeira infância e perdura por toda vida como resíduos arcaicos. Quando a pessoa está neste modo suas reações e objetivos são os mesmos que teria se ainda fosse criança.

O estado de ego Pai é formada a partir da influência de pais e outras figuras de autoridade e é o reservatório de normas e valores, de conceitos e modelos de conduta, surge no indivíduo por volta dos 3 anos de idade. Neste modo a pessoa tem as mesmas reações, posturas, gestos e sentimentos da imagem que fez de seus pais.

O estado de ego Adulto é a parte da personalidade que são autonomamente dirigidos para uma avaliação objetiva da realidade. É a parte racional do ser humano, que pensa de forma independente desprovidos de preconceitos e influências sentimentais.

Estes são fenômenos normais e todo mundo carrega uma criança, um pai e um adulto dentro de si. Na Criança reside a intuição, a criatividade, o impulso espontâneo e o prazer. O Adulto é necessário para a sobrevivência. Atravessar a rua, por exemplo, exige uma série complexa de análises. O Pai por sua vez torna muitas das reações automáticas e isso poupa muito do tempo e energia do Adulto que pode se dedicar a situações não previsíveis.

É apenas quando um destes modos perturba o equilíbrio saudável do conjunto que uma reorganização da personalidade é necessária. Por exemplo, um chefe que porta com sua equipe como um pai controlador irá geralmente engendrar comportamentos infantis em sua equipe com birra e crises de ciúmes. Estas confusões acontecem em uma série de jogos psicológicos que veremos a seguir. Os verdadeiros vencedores destes jogos são as pessoas que conseguem reassumir seu papel de Adulto.

Estágios do Jogo

Uma característica essencial dos jogos é que eles seguem rumo a um desfecho, em geral prejudicial a um parcela ou todos os envolvidos.  Um jogo no primeiro estágio é aquele que é socialmente aceitável no círculo do jogador, podem causar algum embaraço mas nenhum dano sério.Os jogos de segundo estágio são aqueles que ainda não chegam a causar danos irremediáveis ou permanentes mas machucam emocionalmente e os jogadores já o preferem ocultá-los. Por fim no terceiro estágio estão os jogos que chegam ao seu caráter  definitivo e termina numa sala de operações, num tribunal ou no necrotério.

No primeiro estágio estão muitos jogos que não são prejudiciais. O trabalho voluntário, as boas ações e os cortejos podem todos ter razões ocultas muitas egoístas, mas não necessariamente efeitos danosos aos seus jogadores. Neste livro daremos ênfase aos jogos que tendem ao estágio dois e três.

A seguir veremos os principais jogos detalhados no livro:

O Alcoólatra

Tese: “Tenho me comportado mal: veja se pode fazer algo a respeito.”

Papéis: Alcoólatra, Perseguidor, Otário, Salvador, Conexão

Este é um jogo que pode envolver muitas pessoas. Essencialmente a pessoa se comporta mal para se tornar alvo de censura, preocupação ou generosidade. Como Criança espera que alguém tome a posição de Pai. Pode ser como Perseguidor que condena e pune, como Salvador, que suplica para que se comporte ou como Otário que se deixa agredir e o protege das consequências.

O jogo não é jogado apenas por viciados em álcool, jogo ou brigas de rua podem seguir o mesmo padrão. Mesmo crianças, em especial filhas de alcoólatras se entregam a este jogo sem beber comportando-se mal para conseguir a atenção que desejam.

Antítese: ser franco e tomar uma posição contratual Adulta se recusando a interpretar qualquer papel. Deve-se combinar que a pessoa também seja capaz de tolerar a abstinência tanto de beber como de jogar. Se não se mostrar capaz é melhor ser mandada a um Salvador profissional como os Alcoólicos Anônimos.

Agora eu te peguei seu filho de mãe.

Tese: Agora eu te peguei, seu filho da mãe.

Papéis: Vítima, Agressor

Este jogo envolve alguém dando a si mesmo a posição de Pai na tentativa de despertar a Criança ou um pai antagonista em outra pessoa. Ele pode ser visto nas mesas de poker. Um jogador recebe uma mão imbatível e em vez de se interessar na partida se interessa em ter algum outro jogador a sua mercê. Um marido pode usar uma conversa que lhe despertou ciúmes para repreender sua mulher a fim de libertar uma raiva  antiga, com sua mãe teria feito em uma situação análoga. Outro exemplo é um encanador que apresenta uma nota de pagamento levemente superior a combinada e em vez de negociar uma solução de modo digno e encontrar uma maneira adequada ambos aproveitam para criticar a qualidade do trabalho e mesmo o estilo de vida e caráter da cada um.

Antítese: A solução desse jogo é o comportamento correto.  Deve ser explicitado um contrato detalhado na primeira oportunidade e as regras devem ser estritamente seguidas.

Veja só o que você me fez fazer

Tese: Foi você que me colocou nessa situação. Eu não tenho culpa.

Papéis: Inocente, Culpado.

O objetivo deste jogo é a justificação do jogador como uma criança que se revolta contra os pais em vez de assumir responsabilidades. Na sua forma clássica é um jogo conjugal que em termos sexuais pode ser relacionada a reações como quando a ejaculação é prematura ou existe ansiedade de castração. Contudo também é jogado por pais e filhos  e no ambiente de trabalho

Antítese: Deixar o jogador em paz, sozinho se for um caso isolado ou delegar a ele todas as decisões caso tente fazer do jogo um modo de vida. Em alguns casos graves pode ser necessário buscar os benefícios da psicoterapia.

Mulher Fria

Tese: “Eu tentarei se você não deixar.”

Papéis: Esposa Decorosa, Marido sem consideração.

O marido procura a esposa e é repelido. Depois de várias tentativas ela diz que não é amada e todos os homens são animais que só querem sexo. O marido desiste por um tempo e tenta de novo com o mesmo resultado até que finalmente acaba por desistir. A mulher percebendo se faz provocante colocando uma camisola transparente por exemplo, ou se beber pode buscar flertar com outros homens. O marido reage e tenta de novo e é novamente repelido. O padrão escala e se repete até resultar na briga do casal. O ponto a ser ressaltado é que o marido também receia a intimidade e escolheu exatamente como companheira alguém que minimiza o perigo. Ambos reproduzem o padrão Criança-Pai/Mãe da sua primeira infância.

Antítese: Este é um jogo perigoso. Se um dos dois arranjar um amante o outro ganhará munição para jogar o “Agora eu te peguei seu filho da mãe.”. Os jogadores devem buscar psicoterapia individual ou , ainda melhor, um grupo de tratamento para casais.

Tribunal

Tese: Você precisa dizer que eu estou com a razão.

Papéis: Acusador, Acusado, Juiz

Este jogo pode se desenrolar em família, grupos de terapia, consultórios e mesmo em programas de televisão. Neste jogo duas Crianças procuram a intervenção de um Pai que seja o juiz e que diga que um dos dois tem razão.

Antítese: Recusar-se a assumir o papel de juiz e expor a verdade da situação apresentada.

Veja como eu me Esforcei

Tese: “Vejam só quanto me esforcei.”

Papéis: Obstinado, Perseguidor, Autoridade

Este outro jogo conjugal pede também três jogadores que em seu modo clássico são o marido, a esposa e o terapeuta. O marido quer se separar mas declara enfaticamente o contrário. A esposa  é sincera em seu desejo de conservar o casamento.  Ele vai contrariado ao consultório mas com o passar do tempo exibe ressentimento crescente contra o terapeuta. Seu comportamento piora até que ele se recusa a continuar. A esposa é levada a considerar a possibilidade da separação e o marido não precisa mais se sentir culpado pois foi ela que tomou a iniciativa e ele inclusive demonstrou boa fé indo ao terapeuta.  Este jogo é também observado em crianças que ao realizar uma de suas obrigações ou deveres e não os faz alegando desconhecimento ou os faz tão mal que necessita ser chamada atenção. Quando isso acontece se sente livre da culpa de não fazer o combinado.

Antítese: O marido deve ser mandado para casa com a explicação de que está menos preparado para a terapia, que continua com a esposa. Ele ainda poderá conseguir o divórcio mas às custas de abandonar o jogo. No caso dos pais devem mostrar a criança que seu esquema foi descoberto e não pode mais ser usado.

Desastrado

Tese: “Você tem que desculpar coisas que parecem acidentais”

Papéis: Agressor, Vítima

Um convidado em uma festa derruba coquetel no vestido da anfitriã que sente raiva mas se controla. O convidado pede desculpas e a anfitriã ou resmunga ou deixa claro seu perdão. O problema é que neste jogo o jogador continua quebrando as coisas e a anfitriã continua perdoando. O objetivo do jogo não é destruir mas obter o perdão ou a raiva da pessoa e transições entre o desastrado que se coloca como uma Criança e um Pai que tem que lidar com ela.

Antítese: No caso de repetição incômoda do jogo a solução é não oferecer a absolvição pedida, mas tornar o jogo as claras com algo do tipo “Você pode derrubar os copos e molhar o tapete, mas, por favor, não fique pedindo desculpas.”

Só estou querendo ajudar

Tese: “Ninguém faz o que eu digo.”

Papéis: Pessoa que ajuda, Pessoa que é ajudada.

Este jogo pode ser jogado em qualquer situação profissional. O jogador dá um conselho vago ou difícil de ser executado a alguém que mais tarde retorna dizendo que não obteve o efeito desejado. O jogador tenta de novo e o ciclo se repete. Se o outro jogador for hostil pode tentar jogar um “Olha o que você me fez fazer” e é nesse ponto que o profissional assume que a pessoa não seguiu suas exatas instruções e perplexo com a ingratidão explode em “Eu só estava tentando ajudar”. Note que para o jogo ocorrer a pessoa que ajuda precisa ter certeza que seu auxílio não será aceito ou que levem muito tempo para fazê-lo. Isso porque o jogador se frustraria com resultados rápidos e prefere saborear  aos poucos a vitória psicológica de ser a pessoa que ajuda. A pessoa se coloca como um Pai que precisa ser sempre consultado mas nunca é escutado.

Antítese: A pessoa que realmente quer ajudar em vez de desconfiar e se revoltar que seus conselhos não sao seguidos procura saber o que realmente está acontecendo em vez de escolher a saída fácil e a dependência infrutífera.

Sim, mas..

Tese: Veja se consegue achar uma solução em que eu não consiga descobrir um defeito.

Papéis: Pessoa com problema, Conselheiros

Este jogo pode ser jogado por várias pessoas ao mesmo tempo e consiste em um jogador que apresenta um problema para então encontrar um defeito em cada solução apresentada. Existe ganho em cada resposta mas seu objetivo é o silêncio que tem lugar quando todos se cansam de quebrar a cabeça tentando imaginar soluções. Este silêncio significa que o jogador ganhou demonstrando que todos são incompetentes. Às vezes o silêncio é disfarçado por uma mudança de assunto. É como uma criança que se recusa a aceitar as instruções do Pai para que ele continue lhe dando orientações e atenção.

Antítese: Este jogo é o exato oposto do “Só estou querendo ajudar”, sua antítese é assim se recusar a fazer o papel de conselheiro. Contudo em situações sociais  se o jogo é amistoso e inofensivo não há razão para não participar.

Bandido e Mocinho

Tese: “Pegue-me se for capaz!”

Papéis: Bandido e Mocinho.

Existem dois tipos de criminosos: os que visam o lucro e os que querem viver este jogo. Muitos criminosos são indivíduos que odeiam a polícia a tal ponto de obter tanta ou maior satisfação superando sua inteligência e esforços quanto o que obtêm materialmente com seus crimes. Curiosamente este é um jogo que as crianças aprendem bem cedo a jogar. O brincadeira de “Esconde-Esconde” oferece as mesmas transações da emoção de ser achado. Se são encontradas muito facilmente não há a mesma satisfação.

Antítese: A antítese deste jogo cabe mais aos criminologistas que aos psicólogos. Infelizmente este aspecto é raramente levado em conta na pesquisa criminal. Nos casos puramente sociais a recusa, a procura ou caçada pode mostrar que você não está disposta a entrar neste jogo.

Além dos Jogos

Existem vários jogos além dos que foram mencionados aqui. Para muitas pessoas a vida não passa de um processo de encher o tempo disponível com jogos destinados a saciar essa necessidade por transições. Entretanto para algumas pessoas afortunadas existe algo além: a Consciência, a Espontaneidade e a Intimidade.

Consciência significa viver a vida no aqui e agora e não em qualquer outra parte no passado ou no futuro. Uma pessoa consciente consegue ouvir o canto dos pássaros ou um bulé de café  de sua própria maneira e não do modo como foi obrigado.

Espontaneidade significa liberdade de escolher e de exprimir sentimentos existentes na coleção que cada indivíduo tem, seja ela do Pai, do Adulto ou da Criança. Significa portanto estar liberto da compulsão de ter apenas os sentimentos que aprendeu a ter.

Intimidade, por fim, é mais gratificante do que todos os jogos. É a sinceridade e liberação da Criança perceptiva e incorrupta em toda sua ingenuidade vivendo no aqui e agora.

Estes podem parecer objetivos perigosos para os despreparados, mas não são inatingíveis. É uma meta para os que acreditam que mesmo que não existe esperança para a raça humana, ela existe para os indivíduos que a compõem.

Conclusões

  • Uma transação é a unidade básica de interação social. Sem elas o ser humano pode-se  degenerar física e psicologicamente. Desta forma temos todos uma fome natural pelos relacionamentos sociais.
  • A mente se manifesta em três estados do ego: a criança, o pai e o adulto.
  • Um jogo é uma tentativa de estabelecer uma série de transações desonestas onde aparentemente um adulto fala, mas onde a motivação oculta alimenta os estados de criança e pai dos jogadores.
  • Jogos são um conjunto de transações desonestas que as pessoas usam para estimular outras pessoas a se relacionarem.
  • A única forma de vencer estes jogos é recusar os papéis que são impostos e  reassumir o ego Adulto com uma visão clara e objetiva da situação para restabelecer um relacionamento honesto e sadio.
  • Jogos são pobres substitutos para a intimidade. Por mais difícil que pareça é possível construir relacionamentos livres do vício de jogar com a vida.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/os-jogos-da-vida-games-people-play/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/os-jogos-da-vida-games-people-play/

A Espiritualidade Queer na China

 

INTRODUÇÃO À ESPIRITUALIDADE QUEER NO LESTE ASIÁTICO:

Como todas as partes do corpo, da mente e do espírito anseiam pela integração do yin e yang, a relação sexual angélica é conduzida pelo espírito e não pelos órgãos sexuais.

O Huahujing, versículo 69.

O Leste Asiático Queer é uma mudança de paradigma em relação a muitas das regiões exploradas até agora. Para os ocidentais, a comunidade LGBT+ é frequentemente mantida sob controle por meio do conceito de culpa. Uma pessoa queer deve se sentir culpada por sua orientação sexual e identidade porque os atos queer são pessoalmente imorais.

Os orientais queer, no entanto, são mantidos sob controle principalmente por vergonha. Enquanto a culpa é um sentimento privado e autonegativo sobre ações pessoais que você fez, a vergonha está mais focada em se sentir mal por causa de como os outros percebem você e suas ações pessoais. No Oriente, uma pessoa não se sente necessariamente culpada por ser LGBT+ porque as ações queer são moralmente erradas, mas sim, elas se sentem envergonhadas porque a natureza queer é socialmente inaceitável. Assim, ser um membro queer de uma família do Leste Asiático é muitas vezes visto como “ruim” porque traz vergonha para a família e, consequentemente, para aqueles que fazem negócios ou têm associações com a família. Portanto, há muita pressão extrafamiliar e externa sobre as pessoas LGBT+ para suprimir sua natureza queer. Mas, como estamos prestes a ver, nem todas as partes do leste da Ásia sempre se sentiram assim.

A ESPIRITUALIDADE QUEER NO TAOÍSMO:

A China é uma das poucas nações do mundo cujas antigas religiões ancestrais ainda são praticadas pela maioria de seus cidadãos modernos. Oficialmente, a República Popular da China é ateísta devido à preferência nietzschiana da ciência e da razão do comunismo sobre as superstições percebidas da religião que têm sido usadas há séculos pela burguesia para manter as classes trabalhadoras subservientes. Mas isso ainda não impede as pessoas comuns da prática religiosa. Para os chineses, predominam três escolas filosóficas de pensamento: o Taoísmo, o Confucionismo e o Budismo Mahayana. Na maioria das vezes, todos eles são misturados para formar uma fé híbrida amalgamada, mas passaremos por cada um individualmente para destacar suas implicações queer, começando com o que se acredita ser o mais antigo: o Taoísmo.

O Taoísmo é frequentemente considerado mais uma filosofia do que uma religião. Seu fundador é Lao Tzu, que, cansado do mundo e cansado de uma vida inteira assistindo a humanidade lutar entre si durante o século VI a.C., foi obrigado a escrever sua sabedoria antes de deixar a China devastada pela guerra para partes desconhecidas. Seus escritos são conhecidos como o Tao Te Ching, um pequeno manual que explica a maneira natural das coisas e como navegar na corrente da vida em vez de remar inutilmente contra ela e tornar a vida difícil para si mesmo. Este modo natural de coisas é conhecido como o Tao; assim, seguir o Tao é essencialmente seguir o caminho natural do universo em geral. 160

Não há divindades, nenhuma discussão sobre o que acontece após a morte, apenas um foco no aqui e agora, e como seguir o exemplo da natureza é a chave para uma vida tranquila. Por causa disso, não há menção à natureza queer ou mesmo à sexualidade. Não há mesmo nenhum ditado para o que é e o que não é moral, mas sim um aviso de que desviar-se do fluxo natural do universo resultará em tempos ruins. E é aí que as coisas ficam complicadas para o taoísta LGBT+: a interpretação do que constitui ser “natural”. A natureza queer pode ser testemunhada na natureza, mas a incapacidade de procriar parece ir contra a forma como a vida se sustenta naturalmente. Como não há mandatos divinos, a resposta à “naturalidade” da comunidade LGBT+ depende muito da perspectiva.

Até mesmo o símbolo taoísta yin-yang (chamado de taijitu) foi interpretado como a favor e contra a “naturalidade” queer. Todos conhecemos o símbolo; é o círculo dividido em duas metades curvas iguais, uma preta (yin) e outra branca/vermelha (yang), e dentro de cada metade há um círculo menor da cor oposta. Juntos, os dois lados representam a dicotomia do universo natural e o fato de que dentro de cada lado existe um pouco do outro. Yin é o lado feminino, passivo, emocional, frio e criativo da natureza, e yang é o lado masculino, ativo, lógico, quente e destrutivo da natureza. Juntos, eles trazem equilíbrio ao mundo, e cada um não pode existir sem o outro.

Para alguns praticantes, o yin-yang prova que ser queer não é natural, pois há uma divisão clara de apenas dois gêneros, e sua união cria a perfeição harmoniosa da vida. Yang não se mistura com yang e yin não se mistura com yin; cada um precisa de seu oposto para ser completo. Para outros praticantes, no entanto, o yin-yang é a prova de que ser queer é bastante natural em dois níveis separados.

No primeiro nível, mais superficial, um casal do mesmo sexo é uma conclusão de yin e yang, pois há um parceiro passivo “receptivo” e um parceiro ativo “dominador” ao fazer amor. Mesmo que ambos sejam versáteis, os dois se revezam sendo o yin passivo e o yang ativo ou estão simultaneamente recebendo e dando e, portanto, cada um sendo o yin e o yang ao mesmo tempo.

No nível mais espiritual, yin e yang não são tão representativos de feminino e masculino, mas da feminilidade e masculinidade do espírito. Os pequenos círculos dentro de cada metade do yin-yang são os principais pontos de referência para este lado do argumento. Individualmente, um homem gay e uma mulher transgênero pré-operatória podem ser vistos como um corpo yang com um yin interno, e uma lésbica e um homem transgênero pré-operatório seriam vistos como um corpo yin com um yang interno. Uma pessoa intersexo seria uma autocompletude do yin-yang expresso em si mesmo, e um bissexual seria uma autocompletude do yin-yang expresso em relação aos outros.

Para dar um passo adiante, argumenta-se que o yin-yang é um símbolo proponente de ser fluido de gênero, uma vez que é representativo da natureza sempre fluida e não estática de todas as coisas. E, em certo sentido, afirma sutilmente que todo mundo é um pouco bissexual, já que tanto o yin quanto o yang não são preto puro nem branco/vermelho puro. Cada lado tem um pouco do outro dentro de seu centro.

Além da simbologia do yin-yang, a filosofia do Taoísmo admite que a verdadeira natureza do Tao espiritual é incognoscível. A lógica é que se os humanos pudessem entender completamente a complexidade espiritual total do Tao, então não seria o Tao. Como a mente humana é limitada e o Tao é ilimitado, é impossível colocar quaisquer limites ou rótulos sobre o que o Tao é ou não. A sexualidade e a identidade humana são semelhantes ao Tao nesse sentido. Há um amplo e ilimitado espectro de possibilidades, mas não importa como nos definamos ou nos identifiquemos ou aos outros, nunca poderá representar toda a amplitude de possibilidades que é a sexualidade e a identidade humana. Além disso, nossos gostos podem mudar, então qualquer resposta que dermos agora nunca será permanente para sempre.

Ainda assim, a filosofia do Taoísmo eventualmente o levou a se tornar uma prática mágica semelhante à alquimia hermética no Ocidente. O ramo mais místico do Taoísmo muitas vezes se concentrava na vida eterna; para isso, a homossexualidade masculina era vista como uma espécie de remédio, ajudando a garantir a imortalidade (a sexualidade das mulheres era vista como sem importância ao longo da história chinesa até o estabelecimento de um governo comunista por Mao Zedong). Em suma, o sêmen de um homem era visto como sua essência de vida, e se ele ejaculasse, ele estava essencialmente disparando parte de seu elixir mágico, sustentador da vida, como “evidenciado” pelo quão cansado um homem ficaria depois de esfregar um (isto é, depois de se masturbar e ejacular). Mas, claro, aquele elixir branco cremoso parecia ser produzido apenas durante a excitação sexual. Portanto, produzir mais elixir da vida através da estimulação sexual sem perder nada através da ejaculação era visto como um método lógico para prolongar a vida. Isso era especialmente importante se a excitação fosse entre dois homens. A energia yang produzida por um amante masculino aumentava a potência yang do elixir da própria vida – desde que ninguém ejaculasse, é claro. 161

A CONTRIBUIÇÃO TAOÍSTA:

Seguindo o Fluxo da Vida:

Facilmente, a lição mais imediata do Taoísmo é seguir o fluxo natural da vida. Ironicamente, embora isso seja literalmente a coisa mais natural do mundo, nós humanos gostamos de complicar as coisas porque não podemos acreditar que as coisas são tão simples ou que nossos problemas não são tão únicos ou tão complexos quanto gostaríamos. pensam que são.

A natureza queer também é uma coisa natural. Muitos de nós desperdiçamos tempo e energia preciosos se preocupando com “Por que sou assim?” ou “Como posso suprimir minhas tendências queer naturais para me encaixar?” Somos como somos por uma razão.

Confie que você é queer por uma razão. A vida sabe o que está fazendo, e se você parar de suprimir suas tendências naturais, você pode descobrir que a vida é mais fácil quando você segue o fluxo natural do universo.

E pense na arte do feitiço, o ato de manipular as forças naturais do mundo para produzir um resultado específico. Muitas vezes não confiamos que a natureza sabe o que está fazendo ou não sentimos que está trabalhando a nosso favor, então temos que interferir e mudar as coisas para nosso benefício pessoal. Mas vou te contar um segredo: a vida está sempre funcionando para um bem maior. Quanto mais você estuda magia e ciências naturais, mais você percebe que a vida tem uma maneira de se desenvolver em seu próprio tempo e de acordo com sua própria vontade. O problema é que queremos as coisas como queremos quando as queremos, e às vezes nossos desejos pessoais são incompatíveis com o bem maior. Mas quanto mais poderosos e sábios nos tornamos em nossa magia, percebemos que a vida tem tudo sob controle e não precisamos microgerenciar tudo com magia o tempo todo. A magia pode ser útil, mas nunca é necessária para uma vida saudável e feliz.

Portanto, para esta atividade mágica, tente evitar a magia na próxima vez que sentir que é necessário recorrer a um problema específico. Sim, a magia é uma ajuda poderosa, mas se formos imediatamente a ela para resolver todos os nossos problemas o tempo todo, perderemos contato com o fluxo natural do universo tentando microgerenciar tudo. E às vezes coagir uma vitória pessoal resulta na perda do bem maior de maneiras que não podemos ver.

A vida envolve dor. Se você nunca luta, experimenta perda pessoal ou sente dor, então você não está realmente experimentando a vida, está apenas vivendo em uma bolha separada do mundo. Então, da próxima vez que você sentir a necessidade instintiva de fazer mágica, espere um segundo, pare e veja não apenas o que a existência do problema está tentando lhe ensinar, mas também como o fluxo natural da vida pode resolvê-lo para um bem maior, sem manipulação mágica.

A ESPIRITUALIDADE QUEER NO CONFUCIONISMO:

O Confucionismo nasceu, como o Taoísmo, de tempos difíceis. Confúcio, seu fundador homônimo, foi profundamente e pessoalmente afetado pelas intermináveis guerras civis que assolam a China. No entanto, ao contrário de Lao Tzu, que deixou a sociedade e usou a natureza como modelo de vida harmoniosa, Confúcio permaneceu no meio das coisas e acreditava que uma hierarquia social rígida que ditava as interações humanas era a chave para a estabilidade harmoniosa. Assim, como uma panaceia para os acontecimentos durante sua vida (551-479 a.C.), Confúcio estabeleceu um código ético e moral que acabaria com o caos e traria a paz de volta à terra se todos o seguissem. Sua falta de divindades, espiritualidade, discussão sobre a vida após a morte e o Divino fazem com que tecnicamente não seja uma religião, ainda menos que o Taoísmo.

A propagação do Confucionismo demorou um pouco para ganhar força e contrastava fortemente com o Taoísmo. O Taoísmo tinha uma atitude mais mística, laissez-faire, interpretativa e moralmente ambígua em relação ao mundo, concentrando-se na natureza. O Confucionismo, como alternativa, deu às pessoas um conjunto direto e direto de regras sociais conservadoras a seguir e a promessa de retornar aos bons velhos tempos. Como os tempos recentes nos mostraram, esse tipo de mensagem em tempos incertos provou ser muito popular.

Deve-se dizer, porém, que Confúcio nunca viveu para ver a popularidade de seus ensinamentos. Ele morreu acreditando ser um fracasso anônimo, e seus ensinamentos nunca foram totalmente compilados até séculos após sua morte. Coincidentemente, nos séculos imediatos após a morte de Confúcio, as guerras internas da China só se intensificaram. Uma vez que a Dinastia Han chegou oficialmente ao poder em 206 a.C., porém, eles prontamente propagaram o pensamento confucionista para ajudar a normalizar a paz e a ordem de volta à sociedade. O conservadorismo social do Confucionismo também teve o benefício de estabelecer um sistema de pseudo castas em que todos sabiam seu lugar; em tal sociedade, a aristocracia han poderia consolidar seu lugar no topo. 162

Então, qual foi a palavra de Confúcio sobre os indivíduos LGBT+? Nada. Mas, ao contrário do silêncio do Taoísmo em relação à comunidade queer geralmente interpretado de forma positiva, o silêncio do Confucionismo tem sido mais frequentemente interpretado de forma negativa. A razão para isso são os nossos velhos amigos e a vergonha da família. Confúcio ensinava que a família era o modelo ideal para a ordem social e, além de delinear o lugar de cada parente na hierarquia familiar patriarcal, ele a usava como metáfora do bom governo.

Tão poderosamente icônico foi o uso do Confucionismo de um bom governo baseado em uma boa estrutura familiar que foi usado pelo juiz Anthony Kennedy na opinião majoritária da Suprema Corte dos EUA sobre a lendária decisão Obergefell v. Hodges em 2015 (a que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo os EUA). Especificamente, ele escreveu: “A centralidade do casamento para a condição humana não surpreende que a instituição exista há milênios e entre civilizações…. Confúcio ensinou que o casamento está na base do governo.” 163

Ironicamente, foi essa mesma lógica confucionista que a China pré-comunista usou para suprimir os direitos LGBT+. Uma boa família era aquela que cumpria seus deveres. Para os filhos, era obedecer inquestionavelmente aos pais até se tornarem adultos, quando então se casariam e teriam seus próprios filhos, somando-se à família e fortalecendo-a. Se uma dessas crianças fosse queer, então uma chave seria lançada no sistema por sua relutância em se casar com uma pessoa do sexo oposto e/ou sua incapacidade de gerar filhos se tivessem um amante do mesmo sexo. Uma criança bissexual foi forçada a se casar apenas com o sexo oposto. Ser transgênero estava simplesmente fora de questão, pois desafiava a rígida e conservadora hierarquia de gênero do Confucionismo, onde você fica no seu lugar e não deseja ser outra coisa. E, claro, a vergonha era o chicote que mantinha todos na linha. 164

Embora algo vergonhoso, ser LGBT+ não foi crime em grande parte da história da China. Isso tudo mudou após as Guerras do Ópio de meados do século XIX, quando ficou dolorosamente claro para a derrotada Dinastia Qing que a China precisava se modernizar para ter alguma chance de ser levada a sério pelas potências imperiais ocidentais. Assim, junto com muitas outras coisas, a China adotou a moral ocidental moderna em um esforço para imitar o Ocidente e parecer igualmente moderna. Isso significava que todas as coisas queer não seriam mais toleradas legalmente, assim como na Europa. A homossexualidade permaneceu ilegal na China até que o Partido Comunista a legalizou em 1997 e a removeu da lista oficial de doenças mentais em 2001. 165

A CONTRIBUIÇÃO DO CONFUCIONISMO:

A Prevenção da Guerra Civil:

O objetivo original do Confucionismo para o qual foi criado era um código de conduta para reprimir a guerra civil. Há uma guerra civil semelhante acontecendo em nossa comunidade queer. Brigamos entre nós por tudo. Algumas das reclamações internas são legítimas; alguns são frívolos. Mas há tantas brigas internas de todos os lados que o frívolo às vezes parece legítimo e o legítimo às vezes parece frívolo.

Os direitos civis são um processo longo e lento. A maioria das pessoas neste planeta não vai acordar de repente um dia e perceber que todas as pessoas queer são iguais em todos os sentidos às pessoas não-queer. Em nenhum lugar da história do mundo isso foi o caso de qualquer questão social. Temos que vencer batalha por batalha, mas brigar entre si sobre como cada batalha deveria ser travada ou poderia ter sido melhor vencida só cria animosidade. Temos que apreciar cada vitória; desde que seja uma vitória para a comunidade queer, por menor que seja e por qualquer letra da sigla LGBT+, merece apoio e reconhecimento. O objetivo é vencer a guerra, não apenas a batalha pessoal que resolve o problema para você pessoalmente. A vitória total é uma maratona, não um sprint ou uma corrida de velocidade. Leva tempo. Até lá, todas as vitórias contam e temos de nos manter unidos.

A comunidade mágica está em apuros semelhantes. Certas tradições são tão rápidas em menosprezar outras tradições como não sendo magia real ou magia frívola ou como sendo de uma tradição que não tem raízes antigas ou “autênticas”. Os praticantes de magia já são uma minoria difamada por um grande número de pessoas. Precisamos nos manter unidos e edificar uns aos outros. Contanto que a magia de alguém seja eficaz e funcione para eles, quem se importa se não for do seu agrado ou dos padrões de sua tradição? Deixe as pessoas viverem suas próprias vidas; promulgar uma guerra civil não validará suas próprias opiniões. As guerras civis nunca mudam de opinião, apenas eliminam as mentes do lado perdedor.

Então, para sua próxima atividade mágica, escolha uma tradição mágica com a qual você sente que tem problemas e faça uma pesquisa imparcial sobre ela. Encontre algo sobre essa tradição que ressoe com você e, em seguida, incorpore-o em seu próximo feitiço. Ao encontrar algum terreno comum e realmente provar a si mesmo a eficácia de uma tradição que você não necessariamente gosta, isso ajudará a diminuir a divisão.

A ESPIRITUALIDADE QUEER NO BUDISMO MAHAYANA:

O Budismo foi a última das três principais religiões a se firmar e influenciar grandemente a cultura chinesa, chegando durante o primeiro século d.C. de missionários indianos muitos séculos após o Taoísmo (século VI a.C.) e a morte de Confúcio (479 a.C.). Especificamente, o Budismo Mahayana foi o ramo mais bem sucedido do Budismo. Atraiu a China densamente povoada por causa de sua ênfase na libertação espiritual universal para todos e não simplesmente na iluminação pessoal, que era vista apenas como um meio para ajudar melhor todos a alcançar a iluminação.

Como o Budismo estava atrasado para a festa religiosa, encontrou forte resistência. Sua chegada durante o pró-confucionismo da Dinastia Han o tornou inicialmente impopular, já que o Confucionismo era sobre o lugar e o dever de cada um na sociedade, enquanto o Budismo defendia uma fuga da sociedade por meio do desapego pessoal dos problemas sociais. Os dois não se misturavam muito bem e, como o Budismo era uma religião estrangeira, estava associado à barbárie e ao atraso. Era, no entanto, mais semelhante à religião nativa e antiga favorita do Taoísmo, pois ambas tinham visões de mundo liberais e uma aversão a hierarquias sociais estritas. Assim, os missionários indianos tentaram aumentar as semelhanças entre o Budismo e o Taoísmo. Isso levou o Budismo a se afastar de suas origens mais estoicas e ímpias na Índia e se fundir em uma tradição mais mística com um panteão de bodhisattvas sobrenaturais que, depois de atingir a iluminação, perderam a felicidade do nirvana para ajudar as massas a alcançar a iluminação também. 166

A vastidão da China e sua enorme quantidade de tribos amplamente diferentes de pessoas forçaram o Budismo a se adaptar e mudar quando necessário. É por isso que existem tantas visões únicas da filosofia budista em todo o país. Em relação a onde a comunidade LGBT+ se encaixa no Budismo chinês, a resposta está em todos os lugares e em nenhum lugar. Embora alterado e adaptado aos gostos chineses, o Budismo Mahayana tem as mesmas crenças e filosofias fundamentais originadas pelo próprio Buda na Índia. Tudo existe na mente, e tudo fora da mente são apenas rótulos que colocamos em nosso eu infinito, incluindo sexualidade e gênero. Nós somos o que somos, e qualquer coisa mais é uma rotulação da mente para dar sentido e interagir com o mundo ao nosso redor.

A CONTRIBUIÇÃO DO BUDISMO MAHAYANA:

Precedendo o Nirvana:

O Budismo Mahayana é de longe o mais popular dos três ramos budistas, reivindicando um pouco mais da metade de todos os adeptos globais. Não surpreendentemente, também é o mais popular em nações com grandes centros urbanos e condições de vida densamente povoadas, particularmente China e Japão. Em tais lugares é difícil escapar da sociedade, e só o foco social do Budismo Mahayana é relacionável.

Em um nível queer, nós, às vezes, queremos nos afastar do mundo. Queremos escapar da sociedade problemática e sua discriminação e fugir para viver entre nossa própria espécie, onde todos nos entendem. Mas isso é impossível. Mesmo enclaves altamente populosos de pessoas queer como West Hollywood e Castro District, em São Francisco, não são 100% queer nem tolerantes.

E por isso muitas vezes nos isolamos dentro de nossa comunidade. Só vamos a lugares queer, só permitimos que outras pessoas queer sejam amigas íntimas e só interagimos com pessoas cisgênero no trabalho ou quando necessário. Fabricamos um paraíso isolado para que nunca nos sintamos desconfortáveis.

Mas isso vai contra a mentalidade de libertação universal do Budismo Mahayana. Ao contrário de outros ramos budistas, o objetivo do Mahayana não é fugir do mundo para um paraíso pessoal, mas sim trazer o mundo inteiro para esse paraíso. Estar na linha de frente da defesa LGBT+ e alcançar a heterossociedade pode não ser confortável, mas é a única maneira de trazer toda a nossa comunidade para um mundo melhor. Afinal, é por causa dessas pessoas que renunciam à paz pessoal para estar no meio das batalhas pelos direitos civis que temos o nível de paz e aceitação que desfrutamos hoje.

Na comunidade mágica, estando mais em contato com o mundo natural, há uma fantasia idealizada comum de fugir das cidades e viver em meio à natureza, onde os problemas das cidades densamente povoadas não existem. Por causa disso, muitos de nós menosprezamos a vida urbana entre pessoas não-mágicas como um modo de vida menos idealizado que as circunstâncias nos forçam a viver. Mas isso só funciona contra nós em nossa magia. Como podemos criar um feitiço com as forças naturais ao nosso redor se estamos constantemente derrubando as forças naturais nas quais vivemos nossas vidas cotidianas, as forças do urbanismo?

Então, para sua próxima atividade mágica, entre em contato com o deva espiritual da cidade em que você vive, e então comece um relacionamento com essa entidade. Compreendam-se e comuniquem-se. Praticantes de magia geralmente fazem o mesmo ao entrar em lugares “naturais” como florestas, desertos e corpos d’água, então por que não a cidade em que você vive e passa a maior parte de sua vida? Como qualquer relacionamento, levará tempo para que a confiança e a amizade se desenvolvam, mas quando isso acontecer, você começará a perceber que a cidade e sua sociedade estarão ajudando você proativamente com o que você precisa.

DIVINDADES E LENDAS QUEER:

O Alquimista Raposa:

A história do Alquimista Raposa é um antigo conto popular chinês com uma forte mensagem LGBT+ que combina as filosofias taoísta e budista sobre o amor transcendente. Conforme a história, um estudioso idoso é visitado em sua casa solitária uma noite por um homem vestido de preto pedindo para fazer amor com ele. O estudioso fica desconfiado, mas o estranho explica que eles já foram amantes em uma vida anterior e que ele está procurando por sua alma gêmea desde então.

O estudioso começa a se lembrar de seu amor trágico de uma vida passada – como ele tinha sido uma jovem e o estranho seu jovem marido. Eles juraram amar um ao outro para sempre, mas durou pouco, pois eles se apaixonaram durante uma das guerras civis da China e tiveram um fim horrível ainda jovens. A esposa foi sequestrada por soldados rebeldes e tirou a própria vida para não ser estuprada. O marido juntou-se aos soldados rebeldes e morreu na batalha.

Para cada uma de suas ações, o karma os premia adequadamente. A esposa, por sua lealdade ao marido e imperador ao cometer suicídio antes que os soldados pudessem estuprá-la, foi autorizada a reencarnar como homem — não qualquer homem, mas um sábio literato. (Porque, lembre-se, esta é a China antiga e o valor patriarcal dos homens sobre as mulheres ainda era muito forte.) O homem, por sua deslealdade ao imperador e vontade de lutar pelos soldados rebeldes, reencarnou como um animal menor, uma raposa.

Mesmo sendo uma raposa, o marido ainda amava sua esposa e desejava cumprir seu voto de amá-la para sempre. Então, depois de descobrir que ela havia reencarnado em um estudioso do sexo masculino, ele estudou alquimia taoísta e encontrou a mistura mágica que o transformaria novamente em humano para que pudessem ficar juntos, com a ressalva de que os efeitos da poção durariam apenas um ano.

Agora, com a enxurrada de memórias voltando ao estudioso, ele reconhece seu ex-marido no estranho, mas ele não sabe como eles poderiam fazer amor um com o outro agora que ambos são homens. O estranho garante ao estudioso que confie nele e lhe diz que, enquanto os dois se amarem, sempre haverá um caminho.

Os dois aproveitam o tempo e fazem amor todas as noites durante 365 dias consecutivos. Inicialmente, depois que acabou e o estranho voltou a ser uma raposa, o estudioso idoso se perguntou se tudo não tinha sido um sonho, mas ele lembrou que seu amante lhe disse que a evidência de seu amor estaria para sempre nos pilares de sua casa. E assim ficaram: 365 marcas de mordidas feitas durante a agonia da paixão foram embutidas nos pilares de madeira.

Além da misoginia neste conto, é antigo como o amor não conhece limites. Está além do gênero, da idade física e até do próprio tempo. O conceito do próprio espírito é defendido como fluido de gênero, mas o amor é mostrado como sempre constante. 167

Guanyin:

Guanyin (também escrito Quan Yin ou Kwan Yin) é a bodhisattva da compaixão. De acordo com sua lenda, ela alcançou a iluminação, mas porque ela tinha tanta compaixão pela humanidade, ela se recusou a entrar no nirvana feliz até que todos os humanos pudessem vir com ela. Ela reencarnou como uma bodhisattva e se dedicou a ajudar a acabar com o sofrimento das pessoas em todos os lugares.

Seu lugar entre as divindades queer-positivas vem de ela ser uma mulher transgênero e um ícone do movimento LGBT+ na China. Historicamente, quando os missionários indianos espalharam o Budismo na China, Guanyin era o aspecto feminino do bodhisattva masculino Avalokiteshvara, mas esse aspecto feminino se tornou mais popular entre os chineses, levando Guanyin a se tornar seu próprio bodhisattva folclórico separado.

Sua identidade transgênero, no entanto, foi apoiada e mantida por taoístas e budistas, com os taoístas vendo Guanyin como uma harmonia divina das energias yin femininas e yang masculinas, e os budistas a vendo como a perfeição de um homem que aceitou sua compaixão interior e feminilidade que ele alcançou a plena feminilidade.

Por muitos séculos, Guanyin foi um símbolo sutil adotado pelas lésbicas chinesas, não apenas porque ela era uma protetora das mulheres, mas também porque ela supostamente defendia o casamento heterossexual para buscar uma vida mais espiritual. Para a maioria dos movimentos queer e feministas na China, Guanyin é um símbolo do tipo de paz, felicidade e harmonia que pode ser alcançada se a sociedade não enfatizar seu culto à masculinidade e abraçar sua feminilidade auto-suprimida, bem como amor e amor. compaixão por todas as pessoas, independentemente de quem elas sejam. 168

Os Imperadores Queer:

Enquanto muitos imperadores chineses são registrados como tendo tendências queer, nenhum foi tão lendariamente queer quanto o imperador Wu e o imperador Ai.

O imperador Wu, embora belicista, foi um grande defensor do Confucionismo, estabelecendo as primeiras universidades oficiais do país para ensiná-lo ao povo. Apesar do conservadorismo social do Confucionismo, o imperador Wu teve vários amantes do sexo masculino ao longo de sua vida. Seu amor mais forte era por um ex-colega de classe chamado Han Yun. Eles começaram um caso de amor juntos ainda jovens e, após a ascensão ao imperador, Wu lhe concedeu títulos e cargos de prestígio no governo. O favoritismo óbvio causou muita tensão na corte e fez dele um hipócrita, já que ele era o imperador que havia implementado a regra de promover e outorgar patente com base na excelência acadêmica em vez de nepotismo e ter as conexões certas. Em última análise, a pressão de todos os lados forçou Wu a ordenar que Han Yun tirasse a própria vida, encerrando o caso e o lugar indevido de seu amante no governo. 169

O outro monarca gay da China Han, o imperador Ai, é provavelmente o mais conhecido. Ai não tentou esconder sua preferência sexual por homens e teve um romance público de longa duração com um de seus funcionários menores, Dong Xian. O relacionamento deles acabou levando o eufemismo chinês da homossexualidade a ser referido como “a paixão da manga cortada”. Isso se originou de um famoso incidente em que, enquanto se aconchegava na cama, o imperador Ai queria se levantar, mas isso arriscaria acordar seu amante, que dormia profundamente em cima de uma de suas grandes mangas de corte. Então, em vez de correr esse risco, Ai simplesmente cortou sua manga.

Como o imperador Wu, no entanto, Ai mostrou grande favoritismo a Dong Xian, promovendo-o a comandante das forças armadas. Infelizmente para seu amante, o imperador Ai morreu repentina e inesperadamente, deixando Dong Xian como o oficial de alto escalão socialmente desprezado em uma corte sem imperador. Ele acabou sendo expulso e forçado a cometer suicídio. 170

Bibliografia:

[contents]

  1. Derek Lin, Tao Te Ching: Annotated & Explained (Woodstock: SkyLight Illuminations, 2006).
  1. Crompton, Homosexuality and Civilization.
  1. Yong Huang, Confucius: A Guide for the Perplexed (New York: Bloomsbury Academic, 2013).
  1. Justice Anthony Kennedy, “Read the Opinion: Supreme Court Rules States Cannot Ban Same-Sex Marriage,” CNN Politics, June 6, 2015, http://www.cnn.com/2015/06/26/politics/scotus-opiniondocument-obergefell-hodges/#document/p8p8 (accessed Nov. 19, 2016).
  1. Martin Weber, “Move Over, Confucius!” The Hufftngton Post, Jan. 30, 2012, http://www.huffingtonpost.com/marten-weber/move-overconfucius_b_1240939.html (accessed Nov. 19, 2016).
  1. Associated Press, “China Decides Homosexuality No Longer Mental Illness,” South China Morning Post, Mar. 8, 2001, http://www.hartford-hwp.com/archives/55/325.html (accessed Nov. 19, 2016); Bret Hinsch, Passions of the Cut Sleeve: The Male Homosexual Tradition in China (Berkeley: University of California Press, 1992).
  1. Kang-nam Oh, “The Taoist Influence on Hua-yen Buddhism: A Case of the Sinicization of Buddhism in China,” Chung-Hwa Buddhist Journal 13 (2000), https:// web.archive.org/web/20100323000712/http://www.chibs.edu.tw/publication/chbj/13/chbjl338.htm (accessed Nov. 21, 2016).
  1. Xiaomingxiong, GLBTQ Archives, http://www.glbtqarchive.com/literature/chin ese_myth_L.pdf.
  1. Kayla Wheeler, “Women in Religion: Does Gender Matter?” in Controversies in Contemporary Religion: Education, Law, Politics, Society, and Spirituality, edited by Paul Hedges (Santa Barbara: Praeger, 2014).
  1. Hinsch, Passions of the Cut Sleeve: The Male Homosexual Tradition in China.
  1. Hinsch, Passions of the Cut Sleeve.

Fonte: Queer Magic, por Tomás Prower.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/a-espiritualidade-queer-na-china/

O Bem e o Mal

Geralmente, glorifica-se e valoriza-se pessoas que são “boazinhas”, enquanto as pessoas que são “ruins” ou, em outras palavras, rebeldes, desordeiras, agitadas, são denegridas, segregadas ou isoladas do restante da sociedade.

Acho muito importante a ação dessas pessoas ditas “ruins”.

Muitas vezes ouve-se dizer que, se Deus existisse, não deixaria o Mal existir.

Acontece que Deus é, em última instância, Tudo. Se Ele(a) é Tudo, então, é ao mesmo tempo o Bem e o Mal.

Parece bastante estranho esse conceito porque não estamos acostumados a ver essa Entidade, se é que podemos chamá-la assim, como sendo ambivalente, ou bipolar. Parece presunção afirmar algo sobre Sua Natureza, mas podemos chegar a certas premissas, como já foi explicado no Hermetismo – Ele(a) é o Todo.

O Bem é muito conhecido pelas suas propriedades Criadoras e Mantenedoras/Amparadoras. Tudo aquilo que Cria, que Une, que provê, que dá suporte, que Gera, é visto com bons olhos, sendo geralmente classificado como “do Bem”.

O Mal é associado a tudo aquilo ligado à destruição, à doença, à tristeza, à pobreza, à miséria, aos vícios, à morte. Ou seja, seria o exato oposto daquilo que é representado pelo Bem.

Creio que a maioria já ouviu falar da célebre frase, “A Luz não existiria se não houvesse a Escuridão”, e vice-versa. É um conceito bastante útil para o que estou tentando expor aqui.

O “Bem” e o “Mal”, do modo como estão sendo apresentados aqui são, por si próprios, forças divinas. Eles atuam igualmente, em todos os níveis e em todas as esferas, como agentes balanceadores e indicadores. Se só houvesse Criação, tudo estaria em excesso, desde os Reinos mais básicos até os mais complexos. Minerais, Vegetais, Animais. Montanhas imensas, rios e mares dominando e invadindo tudo. Sistemas Solares repletos de planetas chocando-se uns nos outros. Sóis e mais sóis, gerando energia demasiada, grandes tempestades cósmicas e SuperNovas ocorrendo a cada segundo. Em todos os níveis, uma superpopulação. Tudo acabaria soterrado, aglomerado, “entulhado”, por assim dizer, se não houvesse a ação controladora da Destruição.

A Destruição e a morte nada mais são do que formas de reciclagem. Como no texto anterior dos Ciclos Naturais, em que comentei sobre o símbolo cíclico do Ouroboros (a serpente devorando a própria cauda) a construção e a destruição são o início e o fim de um Ciclo de Existência de qualquer coisa. Quando algo é construído, utiliza-se diversas matérias-primas, organizando-a e dando forma à ela, e aglomerando cada vez mais diversificadas matérias-primas à obra. Quando a obra é completada, ela é destinada para a finalidade pela qual ela foi construída. Quando terminada sua missão, seu objetivo mais natural e proveitoso é de se reciclar, ou seja, de morrer, de ser destruído em seus componentes básicos iniciais, para que o Escultor possa Esculpir uma Nova Obra, que será utilizada para uma Nova Finalidade, que só Ele(a) sabe.

Há muitas outras bipolaridades que representam essas forças, como a saúde e a doença, a felicidade e a tristeza, a riqueza e a pobreza, entre muitas outras. Muitos sábios já disseram que o mundo em que vivemos é bipolar em sua essência, ou seja, está em todas as coisas, mas que ambos os lados dessas “moedas” existem por razões fundamentais. Tomemos a saúde e a doença, por exemplo. Como poderíamos saber se certos costumes contribuem para a manutenção da vida se não houvesse a balança da saúde/doença? Balanças são usadas para medir. Nem sempre é bom permanecer somente em um lado da balança, pois a tendência é esquecer da sua contraparte, ou de seu oposto. É sábio experimentar e verificar os resultados de nossas ações ao longo do tempo, para adquirirmos sabedoria dos fatos da vida. Ficar em um oásis de paz, felicidade e saúde o tempo todo não nos trará lições, nem nos motivará para conhecermos o que há além das dualidades e dos arquétipos.

Portanto, que conselhos poderiamos extrair de tudo isso? Arrisque-se. Tente. Faça. Vá. E tome nota de tudo o que sente, imagina, raciocina, intui e percebe com seus sentidos. Experimente tudo o que quiser. Traga Vida à própria Vida. Faça aquilo que você acha que não pode fazer. Dessa forma, você brilhará e saberá no seu íntimo o que é a vida, pois isso é algo que ninguém pode te dizer, é algo que tem de ser descoberto por si próprio. Moralidade é importante no que tange a vida em sociedade. Mas na vida individual, a liberdade, a coragem e a ação são os regentes para a verdadeira realização. Carpe Diem!

#Deus

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-bem-e-o-mal