A pergunta de Aristóteles

Tudo começou com uma curta pergunta, algumas palavras em uma frase de simples entendimento, apenas alguns bits de informação; Mas a resposta – ou as inúmeras tentativas de resposta – se estendeu por centenas de posts ao longo dos anos.

E estávamos todos na crista da modernidade, em um fórum sobre física quântica e suas possíveis relações com a espiritualidade, hospedado em algum servidor na Califórnia, num site de redes sociais criado nas horas vagas por um engenheiro turco do Google.

O modo como nos comunicamos e trocamos informações pode ter mudado bastante desde que Aristóteles fez essa mesma pergunta a séculos atrás, mas nossa inquietação perante ela continua praticamente a mesma – afinal, como exatamente o espírito se une ao corpo?

Em um ambiente freqüentado por físicos e simpatizantes da ciência em geral, obviamente primeiro era preciso definir o que diabos era o espírito. Para os céticos de negação, de opinião cristalizada, era fácil zombar de quem aparentemente acreditava em coisas imateriais, não detectadas, fantasmas e assombrações… Outros, porém, de olhos mais atentos, ficaram um tanto curiosos quando alguns de nós falavam em materialidade do espírito, em partículas fluidas, não detectáveis pela luz (como os outros 96% da matéria e energia do universo), a compor corpos dentro de corpos, corpos vestindo corpos, como nós mesmos vestimos alguma roupa.

Mas ainda era necessário compreender de que forma este espírito se manifestava no mundo que conhecemos, que é afinal de contas o mundo que estamos agora, onde fomos colocados, onde bem ou mal precisamos estudar e amar como todos os outros mundos deste Cosmos infinito. Daí a física quântica parecia a princípio deslocada…

Está certo, Feynman já havia dito que ninguém havia entendido nada de física quântica, mas certamente os físicos entendiam pouco mais do que os leigos. E ainda que Hameroff e Penrose tenham um dia postulado que nosso aparente livre-arbítrio na verdade deriva de reações descritas pela mecânica quântica em minúsculos tubos constituídos de proteínas dentro de nosso cérebro, isso não era suficiente para associar a física quântica ao espírito – até mesmo porque esta teoria não dispunha de muita credibilidade no meio acadêmico, a despeito de prestígio de seus criadores.

A ciência moderna envolveu-se neste monumental paradoxo: primeiro, no campo da neurologia, foi obrigada a postular a existência da consciência, para somente então tratar de reduzi-la ao mero tilintar de neurônios no cérebro, a um fruto de reações químicas já estabelecidas, a suprema ilusão de todos os seres – que crêem que possuem efetivamente a capacidade de escolha.

Mas a neurologia não resolveu o problema difícil da consciência, não faz sequer idéia do porque tomamos decisões morais ou imorais, altruístas ou egoístas, enfim, do porque diabos um bombeiro arrisca sua vida para salvar a vida alheia em ambientes inóspitos como um prédio em chamas… Da mesma forma, não é capaz de criar máquinas que interpretem informações, que falem sobre a “vermelhidão” do vermelho, que expliquem por meio de algoritmos porque gostaram mais de uma poesia do que da outra, que determinem o exato valor com que aquela menina ama seu cachorrinho…

Máquinas jamais serão consciências. Nós não somos máquinas, e mesmo que fossemos, ainda estaríamos muito distantes da engenharia reversa – de sermos capazes de construir a nós mesmos.

Então, algo nos escapa, a natureza não nos deixa relaxar. Se fomos criados por um Deus desconhecido ou pelo acaso, pouco importa, porque não compreendemos muito bem nem um nem outro. Se a consciência é mera ilusão e se tudo é definido por uma dança neuronal aleatória, então somos obrigados a seguir tal dança, e uns crêem e outros não, e uns matam e outros não, e uns amam e outros não, simplesmente pelos desígnios da deusa Fortuna.

Mas, se existe a consciência, se existe a alma, se existe o espírito, temos que nos re-conectar a nossa essência, ao nosso inconsciente oculto, para que possamos viver esta vida do aqui e agora, mundana, de maneira mais rica, mais profunda, mais poética, mais espiritual.

Se ainda temos alguma escolha, ainda que vivamos num reino estranho onde partículas ora são onda, ora são pontos, e tem apenas uma probabilidade de estar aqui e acolá, escolhamos compreender o incompreensível, mergulhar no mar revolto da natureza – revolto, mas convidativo.

Sejamos espiritualistas, físicos, ocultistas, céticos, filósofos, ou ainda tudo isso ao mesmo tempo, esta é uma pergunta que não podemos nos dar ao luxo de ignorar.

Rafael Arrais, 13/02/2011

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Este foi o prefácio que escrevi para o livro “A pergunta de Aristóteles”, do meu amigo Abenides Afonso de Faria, e que foi lançado recentemente pela Editora Baraúna.

O livro é uma grandiosa compilação de uma das mais longevas e interessantes discussões online de que já participei. Abenides foi também o iniciador do tópico “A pergunta de Aristóteles“, que vem sendo discutido na comunidade Física Quântica – A Revolução, do Orkut, desde 25/05/07 (e hoje conta com mais de 15 mil respostas, e contando, apesar do Orkut não ser mais o mesmo de anos atrás).

Eu fico muito feliz de poder dizer que sou um dos “personagens principais” da discussão (apesar de só aparecer inicialmente lá pela página 60); E, se lerem o livro todo, verão que muito do que foi debatido lá serviu de base para inúmeras reflexões que foram posteriormente desenvolvidas em maior profundidade no meu blog (Textos para Reflexão).

Pode parecer estranho eu estar usando minha coluna no TdC para divulgar um livro, mas podem ter certeza que não tenho nenhum interesse comercial nisso, o livro realmente não é meu, sou tão somente um “personagem” dele… Mas acredito que seja uma leitura interessante para a maioria do público do TdC, que afinal de contas está representado pelos “personagens” presentes no livro – cada um com sua crença, ou descrença. Temos físicos ocultistas (sim eles existem, e eu conheço um!), físicos céticos, seguidores da logosofia, espíritas e espiritualistas em geral, curiosos, leigos, filósofos, etc.

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A pergunta de Aristóteles

O pensamento central do livro é a coleta de informações sobre o que pensa um grupo de pessoas que se propõe a trocar idéias sobre a polêmica aproximação entre a ciência oficial e a espiritualidade. Nos diálogos aparecem opiniões das mais variadas correntes do pensamento representadas por pessoas dos mais variados tipos psicológicos. Até aí nenhuma novidade, mas o que mais impressiona é que a troca de informações vai sendo conduzida de tal forma que se estabelece o respeito e a liberdade entre os membros da comunidade, não sem antes passar por algumas rusgas que se resolvem no decorrer dos diálogos. Observa-se também que a intenção de fazer proselitismo de uma corrente ou outra não tem lugar, pois a essência de um diálogo de alto nível intelectual não admite dogmatismo ou fanatismo.

A pergunta de Aristóteles: Como o espírito se une ao corpo? É o pano de fundo e o combustível para os debates que se traçaram entre o espiritismo, teosofia, ocultismo, ceticismo, logosofia, e até palpites desprovidos de qualquer racionalidade, mas que dão uma pitada de humor. As respostas foram apresentadas de acordo com o que até o momento pensam os representantes de cada corrente. Nenhum dos membros sustentou a imposição de suas opiniões e surgem várias respostas: o espírito se une ao corpo através da glândula pineal, do perispírito, da faculdade de sonhar, do cordão de prata, etc. Inclusive aqueles que se declararam contra qualquer idéia de dualidade. Porém, como o objetivo não é doutrinar, a resposta ficará a cargo do leitor que certamente meditará sobre o assunto. Fica no ar o vazio que surge da necessidade de se desenvolver uma mente mais capaz.

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O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#físicaquântica #Ceticismo #espiritualismo #Religião #Ciência

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-pergunta-de-arist%C3%B3teles

O nome é Dee. . . John Dee

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

John Dee (1527-1608 ou 1609) foi uma das figuras mais interessantes da era elisabetana. Quando ele morreu, sua casa em Mortlake (uma área de Londres) tinha a maior biblioteca de toda a Inglaterra. Além de ser um mago, ele também era um astrônomo e astrólogo, um geógrafo, um viajante do mundo, um matemático, um estudioso e… um espião.

Sua fama lhe permitiu ser conselheiro, ocasionalmente, da Rainha Elizabeth I da Inglaterra. Quando outros a aconselharam a enviar a frota britânica para atacar a Armada Espanhola, ele usou a astrologia para determinar que ela deveria esperar, e aconselhou-a assim. Ela seguiu seu conselho, e uma tempestade destruiu a maior parte da Armada, permitindo que sua frota terminasse o trabalho. O resultado mudou a face do mundo e deu início ao Império Britânico.

Por causa de seu conhecimento e sabedoria, ele foi bem-vindo em muitos países. Como resultado, ele pôde agir como um agente de Elizabeth. Ele era um espião. Quando obtinha informações que considerava valiosas, ele as enviava de volta para ela, geralmente usando um pombo-correio. Ele adicionava um símbolo especial para indicar que a mensagem era legítima. O símbolo eram três números: 007:

Não, o autor Ian Fleming, criador de James Bond, não conhecia esse segredo sobre Dee. Pelo menos não há evidências para apoiar essa afirmação. Sua ideia de dar a Bond o número 007 veio de outra fonte – eram os três últimos dígitos do número de telefone de seu agente. (fim da nota)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-nome-e-dee-john-dee/

Goécia

goecia

Uma das etapas mais importantes do desenvolvimento mágico na Tradição Esotérica Ocidental, mas também uma das mais incompreendidas, é o trabalho goético, ou invocação dos demônios. Foi sobretudo graças à Goécia que a magia adquiriu uma reputação tão sinistra no ocidente, especialmente em uma sociedade como a medieval, em que a palavra demônio evocava a noção de criaturas infernais, dotadas de chifres e rabo pontiagudo, sempre com um tridente na mão e envoltas em exalações sulfurosas. Essa idéia era compartilhada tanto pelo pio cristão quanto pelos pseudomagos que se aproximavam do trabalho goético ávidos por fama e poder, o que deu origem à lenda popular do pacto com o Diabo, que acabou se cristalizando na lenda de Fausto.

Foi só a partir das pesquisas de McGregor Mathers, um dos fundadores da Golden Dawn, que a Goécia começou a recuperar seu sentido original. Rato incansável de biblioteca, Mathers descobriu, traduziu e publicou a obra mais importante da tradição goética, a Clavícula de Salomão, cujas instruções serviram de base para a composição do Livro da Serpente Negra, o qual registra a versão Golden Dawn da Goécia. Na interpretação moderna adotada por Mathers e seus colegas, os demônios com os quais a Goécia trabalha são vistos como uma personificação das forças sombrias que agem nas profundezas da psique do próprio mago. Elas tornam-se demoníacas na medida em que são apartadas da consciência e, conseqüentemente, se voltam contra esta, o que não deixa de antecipar as teorias freudianas sobre o recalque e o retorno do recalcado. O objetivo do trabalho goético é recuperar essas forças e integrá-las à totalidade da psique, transformando-as em energias positivas que contribuem para a evolução interior do mago.

Com o costumeiro tom pragmático e pé-no-chão que adotava sempre que não estava preocupado demais em impressionar os basbaques com sua persona de Grande Mago, Crowley foi direto ao ponto, na célebre introdução que escreveu para a tradução de Mathers da Clavícula de Salomão: “Os espíritos da Goécia são parcelas do cérebro humano.”

Mais prudente que Crowley, Israel Regardie evita atribuir uma base cerebral para os demônios goéticos, mas não deixa de insistir sobre o paralelo entre eles e os complexos inconscientes estudados pela psicanálise:

complexo, enquanto for um impulso subconsciente oculto, à espreita e destituído de configuração ou forma no inconsciente do paciente, ainda com força para romper a unidade do consciente, não pode ser adequadamente confrontado. A mesma base racional subjetiva estende-se ao aspecto goético da magia, a evocação dos espíritos. Enquanto na constituição do mago permanecem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes, ou espíritos (…), ele é incapaz de enfrentá-los adequadamente, examiná-los ou desenvolvê-los visando modificar um e banir outro do campo total da consciência. Eles precisam assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocação, porém, os espíritos ou poderes subconscientes são convocados das profundezas, e sendo atribuída a eles forma visível no triângulo de manifestação, podem ser controlados por meio do sistema mnemônico de símbolos transcendentais e conduzidos ao terreno da vontade espiritualizada do teurgo.

Mesmo que Regardie use palavras com as quais os psicólogos contemporâneos não se sentem muito à vontade – como subconsciente, por exemplo -, sua descrição da Goécia é clara o suficiente para reconhecermos que o trabalho goético não é outra coisa senão o que os junguianos denominam de confronto com a sombra.

Sombra

Classicamente, a psicologia junguiana define a sombra como os aspectos da personalidade que o ego se recusa a reconhecer e que, dessa forma, são banidos para o inconsciente. Os motivos dessa recusa são vários mas, de um modo geral, têm uma base sociocultural: o indivíduo reprime aqueles traços que não são valorizados pela sociedade ou que, durante a infância, os pais o ensinaram a encarar como feios, maus ou indesejáveis. Alguns desses elementos foram simplesmente expulsos do campo da consciência. Outros nunca chegaram a fazer parte dele e foram barrados antes mesmo que tivessem condições de se desenvolver. Formam a base do que Jung descreveu como o inconsciente pessoal e que coincide mais ou menos com o conceito de inconsciente que Freud desenvolveu no início da psicanálise, antes que formulasse a célebre distinção entre ego, superego e id.

Nos sonhos e fantasias das pessoas, os componentes da sombra costumam aparecer sob a forma de figuras perturbadoras, más ou demoníacas. De fato, a interpretação junguiana tradicional identifica os demônios da religião aos complexos que constituem a sombra, e é esse o fundamento da explicação que Regardie dá para os demônios goéticos. No entanto, é importante frisar que esses complexos não são bons ou maus em si mesmos. São forças psíquicas, moralmente neutras, e é apenas à luz dos valores do ego que eles adquirem uma conotação maléfica.

Para dar um exemplo, durante boa parte da história, a sociedade patriarcal classificou os sentimentos como um atributo feminino e inferior. A expressão dos sentimentos pelos homens era vista como sinal de fraqueza, o que ainda persiste em ditados como o de que “homem não chora”. Para onde vão os sentimentos que os homens são proibidos de exprimir? Para a sombra, claro. Uma vez lá, tornam-se complexos inconscientes, em constante pé-de-guerra com o ego, e que exercem uma influência perturbadora sobre a consciência, apossando-se dela em determinadas circunstâncias – por exemplo, quando o homem explode em um ataque de raiva incontrolável. Essa raiva é um demônio porque possui a consciência, escapa ao seu controle e causa efeitos destrutivos para o próprio indivíduo e para os que o rodeiam. Mas ela não é essencialmente má. É uma força positiva, o sentimento, que só se tornou destrutiva devido à repressão que a impede de ser canalizada de uma forma mais construtiva. A mesma coisa vale para todos os elementos que constituem a sombra.

Os junguianos freqüentemente se referem à sombra no singular, como se fosse uma entidade única, mas não devemos nos iludir com isso. A sombra é uma instância múltipla, composta por diferentes forças que só têm em comum o fato de terem sido reprimidas pelo ego, e que muitas vezes, além de estarem em conflito com a consciência, também se opõem entre si. Imagine uma multidão de demônios, pequenos e grandes, em constante luta uns com os outros, uivando, berrando, e você vai ter uma boa idéia do que se passa no território da sombra. É esse quadro que está na origem do termo goécia, palavra que em grego significa um uivo feroz e inarticulado.

O desenrolar do processo de individuação – que, como foi dito em outra parte, é nada mais, nada menos do que a iniciação de que falam os esoteristas – leva a consciência a se identificar cada vez menos com o ego, alargando seu campo para integrar os conteúdos do inconsciente, tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo. É inevitável, portanto, que em determinada altura do caminho, ela se defronte com o problema de recuperar a sombra, trazendo seus demônios para a superfície, exorcizando o caráter destrutivo dessas forças e integrando-as a seu próprio campo.

No âmbito da psicologia junguiana, esse trabalho é feito com a ajuda do terapeuta. Antes que a psicologia fosse inventada, contudo, as religiões e escolas esotéricas desenvolveram uma bateria de rituais com o propósito de alcançar esse objetivo. A magia goética, tal como descrita pela Clavícula de Salomão, é um desses procedimentos.

A Sombra e a Sístase

Antes de continuar, consideremos a questão da sombra à luz do conceito gnóstico de sístase.

Quem vem acompanhando o Franco-Atirador há algum tempo deve se lembrar de que a sístase é o nome que os gnósticos davam para o sistema de dominação que aprisiona o ser humano, limitando seu potencial. Esse sistema tem ramificações que se estendem por todos os níveis, do cósmico ao psicológico, mas suas principais manifestações são:

1. Giger_bNo campo social, um conjunto de valores que determina o que é ou não aceitável, e inclusive o que deve ser considerado como real ou irreal. É o que o marxismo descreve sob a rubrica de ideologia.

2. No campo psicológico, padrões estereotipados de cognição e comportamento, que filtram as percepções das pessoas e moldam suas ações e interações. A psicanálise se refere a esses padrões como o superego.

3. No campo fisiológico, um sistema de tensões físicas – sobretudo musculares, mas não só – que impedem a energia de circular livremente pelo organismo. Reich batizou esse sistema de tensões de couraça caracteriológica ou couraça muscular.

Esses três níveis estão, obviamente, inter-relacionados. É a internalização da ideologia que está na origem do superego, e é o superego que se ancora no corpo sob a forma de um encouraçamento do organismo. Uma vez constituídos, superego, couraça e ideologia reforçam-se mutuamente em um circuito de retroalimentação (feedback). O circuito age como um filtro, que deixa passar algumas percepções, emoções e atitudes, com os quais a nossa realidade consensual (a visão que temos de nós mesmos e do mundo) é construída, enquanto outros, que não são considerados compatíveis com a realidade consensual, são sumariamente excluídos. O que mantém esse circuito funcionando é a energia dos próprios impulsos reprimidos, desviada e canalizada para alimentar o sistema.

Como o leitor deve ter percebido, a descrição gnóstica e a teoria junguiana da sombra descrevem a mesma coisa sob dois pontos-de-vista ligeiramente diferentes. A partir dessas duas visões, não é difícil perceber também que as relações entre o ego e a sombra são mais complexas, mais dialéticas, do que uma leitura superficial permitira supor. O mundo do ego rejeita a sombra mas, ao mesmo tempo, precisa da energia dela para existir. Nossa realidade consensual só se mantém à custa da força que extrai daquilo mesmo que ela exclui. Os impulsos reprimidos são transformados em demônios, mas são esses demônios que sustentam a estrutura que os reprime.

Conseqüentemente, é impossível superar a sístase enquanto ela for constantemente energizada pelo reprimido em nós. Daí que a integração da sombra, trazer os demônios do inconsciente à luz da consciência e, numa palavra, redimi-los, é uma condição sine qua non para a dissolução do estado de sístase. O que dá toda uma nova perspectiva ao trabalho goético.

A Clavícula de Salomão

Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. De acordo com os filólogos que estudaram a composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C., provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.

Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará inevitavelmente decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele imprudentemente evocar.

Mas não há motivo para susto. A razão pela qual a magia cerimonial antiga é tão abstrusa é a necessidade de mobilizar e canalizar as forças da imaginação, que são, afinal de contas, o único instrumento realmente necessário para a prática da magia. Todo o aparato que o mago é instruído a fabricar tem um significado acima de tudo simbólico, e espera-se que as dificuldades que ele vai encontrar ao fazê-los sejam suficientes para direcionar sua vontade em direção ao objetivo. Já no Renascimento, os criadores do que se tornou conhecido como magia hermética – Marsilio Ficino, Giordano Bruno e Pico della Mirandola, entre outros – compreenderam que uma capacidade de visualização bem-desenvolvida pode substituir com proveito essa tralha toda. A Golden Dawn aprofundou ainda mais essa trilha do uso mágico da imaginação, que consiste na visualização de símbolos e interação com eles em uma esfera puramente psíquica (o astral, como se costuma dizer). E AOSpare e a magia do caos levaram a tendência a seu limite extremo, substituindo até o simbolismo tradicional por símbolos e imagens que fossem eficientes e adequados à psicologia individual de cada mago.

(Por outro lado, para os que gostam da pompa e circunstância da magia cerimonial, Carroll “Poke” Runyon desenvolveu uma versão contemporânea da magia de Salomão que, embora eu não tenha testado na prática, me pareceu bem interessante e vale pelo menos uma olhada, apesar das horrendas ilustrações kitsch com que ele recheou seu livro…)

O Círculo Mágico e o Triângulo da Manifestação

Alegorias de escola de samba à parte, a magia goética se apóia sobre dois instrumentos: o círculo mágico e o triângulo da manifestação. Circle_goetiaO círculo mágico é um velho conhecido de todos os que estudam magia. É no interior dele que fica o mago e sua função tradicional é protegê-lo das forças que o ritual se destina a evocar. Autores contemporâneos, embora não neguem esse papel de proteção, tendem a ver o círculo mágico muito mais como a constituição de um espaço sagrado, separado da realidade quotidiana, no interior do qual a consciência se desloca para um estado alterado no qual a magia é possível. (Um exemplo dessa nova abordagem do círculo mágico pode ser encontrada aqui.) De qualquer forma, embora o mago medieval laboriosamente traçasse o círculo fisicamente no chão, não existe motivo pelo qual ele não possa ser simplesmente visualizado, que é a alternativa adotada por um bom número de adeptos nos dias de hoje.

A mesma coisa se aplica ao triângulo da manifestação, no interior do qual muitas vezes colocava-se um espelho mágico. De acordo com a Clavícula, ele deve ser feito de madeira, com as dimensões exatadas dadas pelo texto, mas pode-se perfeitamente visualizá-lo apenas na imaginação. Como o próprio nome diz, é no interior do triângulo que as entidades evocadas se manifestam. E as explicações dadas por Regardie e outros deixam bem claro que seu valor é antes de mais nada simbólico.

Identificando os demônios pessoais

Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.

O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto – o do cristianismo medieval – que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.

Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.

Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.

Exorcismo da sombra

Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.

A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.

Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.

Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.

O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.

Evocando os Demônios Pessoais

Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.

Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.

Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.

No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.

Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.

Agora eu tenho sua Atenção

Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?

Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).

Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: “Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros.” E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.

No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.

Psicologia do Ego

A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os “caprichos” do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).

Isso é o oposto da integração.

Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.

O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.

O que fazer?

Diálogo com a Sombra

Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.

Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico. Eles estão certos.

Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas – daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar – mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.

Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.

Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.

Além do Ego

Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self – ou o SAG, se você preferir o vocabulário mágico.

É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.

Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.

O resultado disso, numa palavra?

Loucura.

Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.

É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAG quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAG. Esqueçam estes charlatões prometendo contato com kiumbas e eguns; eles não têm poder para nada, se tivessem, estariam ricos e não precisariam vender pactos para viver. Os verdadeiros demônios que podem ser negociados estão dentro de cada um de nós.

Por Lucio Manfredi.

#Goécia #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia

Como entrar em contato com seu Sagrado Anjo Guardião

Por: Fr.Goya(Anderson Rosa)

Esse pequeno ensaio é fruto de diversas explicações dadas em listas e tentarei monta-lo em tópicos, para que sirva de referência ao estudante que busca maiores informações sobre o Conhecimento e a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião.

A questão do Anjo na verdade é controvertida por que muitos que passam a sua versão ou definição de anjo sequer sabem o que estão falando. Vide Mônica Buonfiglio e toda a fileira de Angelólogos, que rezam sabe deus pra quem, já que os nomes usados por essa turma estão na maioria das vezes está errado. Basta verificar os nomes dos anjos em hebraico e sua gematria pra cair pra trás, com a quantidade absurda de erros que vem sendo perpetuados por uma gang de incompententes.

Quanto aos supostamente mais sérios ocultistas (onde estão eles??), que fazem comparações com a psique humana, selfs, egos, id’s (seria uma abreviação de idiota’s??), também esses estão errados, por que se observarmos pela qabalah (fazemos isso pela praticidade do sistema), veremos que a comparação com o self ou qualquer semelhante seu também é complicada, por que:

1) O SAG encontra-se em Tiphareth, além do véu de Paroketh;

2) Até onde me recordo, o ser humano consegue conceber mentalmente apenas Netzachabaixo do Véu de Paroketh.

Por aí podemos deduzir que toda a concepção dada pela psicologia se encerra às bordas do Véu. E isso numa pessoa altamente desenvolvida, o que não é o caso de 95% da humanidade (sendo generoso) que está ai apenas pra continuar a espécie. Logo, o SAG está além da psique.

Seria o SAG uma entidade espiritual?

 NÃO! Principalmente se adotamos a definição de espírito à luz do espiritismo direta ou indiretamente. Então o que seria? Sou tentado a dizer que seria mais apropriado e neutro defini-lo como uma energia externa ao Adepto. Porque externo? Por que o anjo vem até você, e não a partir de você.

Essa energia é a mesma que forma tudo no Universo e cuja única diferença entre seres é a vibração a que ela está usando para se manifestar. De resto é tudo a mesma coisa…

O problema maior ao se falar em Anjos ou coisas assim é que da minha parte, não tenho conhecimento de ninguém fora 1 ou 2 pessoas que tenha feito o ritual de Abramelin como recomendado, ou até mesmo o Sameck (duvido que até mesmo Crowley tenha seguido inteiramente esse ritual).

Portanto, para falar de Anjo é preciso propriedade, como se deve ter em qualquer tema a ser discutido. Falar é fácil. Fazer nem um pouco fácil. E digo mais: quem precisa discutir natureza de Anjo ou de Magia, por exemplo, é por que nunca fez nada que preste. Por que se fizesse teria suas questões devidamente resolvidas no tempo e forma corretos.

Magia não explica nada. Quem busca a magia pra encontrar uma resposta, sairá cheio de dúvidas. Magia é prática. Usando seu exemplo, pra que ficar perguntando a origem das coisas se elas funcionam? Essa explicação deve ser dada pelas Ciências, que tem mais tempo pra responder essas coisas…

Mas magia não é Ciência? Não. Talvez consciência…

Citando R.A. Gilbert e Crowley, deixo alguns pontos de reflexão:

A esses pigmeus do ocultismo, fariam melhor se calassem e meditassem…” – Gilbert

Agora uma maldição sobre Porque e sua família. Seja Porque amaldiçoado para sempre! Se a Vontade pára e grita Por que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz“. – Crowley, Liber Al II, 28- 30

O Guia Espiritual e o SAG são a mesma coisa?

Na verdade, o SAG não é a mesma coisa que o Guia Espiritual. São energias distintas. O SAG, em teoria, estaria acima do conceito religião. Tanto é, que no texto original, Abramelin adverte que não importa a religião do indivíduo, desde este não a tenha abandonado ou trocado por outra, principalmente se convertido em outra religião.

Outro item que permite que avaliemos o Guia e o SAG, é que até onde sei, várias pessoas podem tem o mesmo Guia. Em alguns casos porém, há um tipo de Guia individual, que é um espírito em evolução, e ambos (o Guia e seu orientando) evoluem juntos. No entanto, segundo o Sistema de Abramelin, cada pessoa possui um único Anjo Guardião exclusivo, que não possui outra função a não ser aguardar seus serviços serem solicitados.

É possível dominar o inconsciente?

Avaliando o SAG a partir de Tiphareth, estamos então vendo sob o prisma da qabalah.

Logo, pelo que é ensinado pelos rabinos, não estamos falando definitivamente de qabalah hermética, e sim pela Qabalah Judaica, o mundo que concebemos como humano, ou que percebemos enquanto humanos, por mais evoluídos que possamos ser psicologicamente falando, acaba em netzach.

Ou seja, mesmo um ser humano que tenha atingido o self, que já é um super-humano do ponto de vista psicológico, ele ainda está em netzach.

Se o anjo é encontrado (mas pode ser visto em malkut) em Tiphareth, é por que a pessoa ultrapassou o self. Portanto, não adianta a psicologia argumentar em favor de algo que ela mesma ainda não compreende que é: o que está além do self?

Mas para vermos a complexidade do tema, ele cria confusão justamente por que para o ser humano comum, o limite ainda é o ego. Antes fosse o self. Logo, tudo que eu concebo enquanto ser humano padrão, tem que obrigatoriamente estar dentro do EU. Afinal, não se concebe nada além do umbigo.

A minha recomendação é: Ao invés de se falar de Abramelin, que se faça. Tem muita gente falando sobre o tema que sequer alguma vez leu o livro completo, quem dirá fazer. E ainda teve uma figura que em outra lista, teve a cara-de-pau de dizer que fez, usando dados que passei (sobre a minha realização do Ritual de Abramelin) noutra

ocasião, como local e data em que supostamente teria feito o ritual, e aos 19 anos, sendo que a idade mínima requerida é 25 anos. Isso é que é magista de m… (desculpe o desabafo, mas é pra você ver como as coisas são).

Aproveitando isso, devo dizer que se alguém aqui da lista pretende fazer esse ou qualquer outro ritual, envio as seguintes dicas:

* No caso do Abramelin, só faça se tiver um tutor que já tenha feito;

* Mantenha um diário decente. Se você não consegue sequer anotar suas práticas num caderno, que merda de magista é você e o que quer com magia ritual??

* Conheça intimamente o ritual, sabendo quase de cor e tendo providenciado tudo que precisa com antecedência;

* Siga estritamente as recomendações do autor do ritual, não invente, e principalmente, NUNCA SUBSTITUA NADA. Se pede Galanga, faça com Galanga, não com gengibre. Isso é coisa de magista safado.

* Se acha que não tem competência pra terminar, nem comece.

E principalmente:

SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES. SE VOCÊ ACHA QUE É BOM O SUFICIENTE

PRA PODER MUDAR ESSE OU QUALQUER OUTRO RITUAL, FAÇA DA SUA CABEÇA E

NÃO INCOMODE NINGUÉM SE FIZER BESTEIRA.

A coisa é simples no fundo. O ser humano é que é complicado e cara-de-pau.

 Errando Sozinho e Errando Orientado

Depois da última mensagem que enviei sobre o tema Abramelin, muitas pessoas me escreveram em off, para saberem por que trato do assunto de forma tão radical, em especial com relação a ter um tutor, uma vez que o próprio ritual é conhecido como uma forma de auto-iniciação.

Primeiro de tudo. Porque o radicalismo? Acredito que se você deseja algum resultado efetivo na vida e nas suas práticas, você deve jogar conforme as regras. Muitos misticóides se dizem cientistas do esoterismo, mas somente emporcalham os dois nomes: místico e cientista.

O de místico, porque não tem a visão necessária para enxergar as entrelinhas, nem tampouco o desprendimento que faz o buscador. Não é um sonhador, e sim um fugitivo de si mesmo. Esse tipo de pessoa, se envolve com misticismo não por que gosta, mas porque quer fugir do mundo, tentando achar algo que seja tão esquisito quanto ele e que agüente seus problemas de relacionamento com o mundo.

Faz pior ainda com o de cientista, porque não tem método, não tem disciplina e ainda pior, não tem conhecimento.

Esse tipo de pessoas, buscam na auto-iniciação a justificativa pra sua fuga de autoridade, de estrutura e para mentir ainda mais a si mesmo sobre seus fracassos. Logo, considerar qualquer método de auto-iniciação, seja Abramelin, Sameck, Pyramidos, ou monografias da AMORC, só ajuda a fazer mais loucos. Aqui cabe bem a expressão: Jogar pérolas aos porcos.

Um indivíduo dessa natureza (a do porco) recebe uma pérola, esmigalha a pérola com os pés e ainda se volta contra aquele que o alimenta, por estar habituado com lavagem. Logo, não vê utilidade para as pérolas.

 

É necessário um Tutor?

Quando se faz um ritual, em especial os de longa duração, é muito comum surgirem dúvidas, e principalmente, a pessoa ser bombardeada com inúmeras informações sobre si mesma e o mundo. Cada ritual tem sua estrutura, e portanto, exige do estudante muito cuidado com aquilo que faz, pois os resultados podem ser graves.

No ritual de Abramelin, que é o nosso tema, é muito comum a ocorrência de visões, de uma certa esquizofrenia por parte do estudante. Por que isso acontece? Por que o objetivo de toda iniciação é despertar certas condições no indivíduo, e estas exigem

para ocorrer, uma reorganização da nossa estrutura mental. Israel Regardie comenta bastante sobre esse tema no Z3., de sua obra The Golden Dawn.

No Abramelin, um dos objetivos principais é enaltecer a essência divina do indivíduo e as qualidades de sua crença, qualquer que seja ela. Mas no Sameck por exemplo, um dos objetivos do ritual, é um rompimento com o sistema de crenças do indivíduo até então. Isso é totalmente oposto ao sistema de Abramelin, como descrito acima.

Logo, em cada um dos casos, podem ocorrer as seguintes coisas:

ABRAMELIN: O indivíduo pode apresentar sintomas de um fanático religioso. Volta-se completamente para a religião e para a divindade, chegando até mesmo a um complexo de messias.

SAMECK: O estudante começa a perceber uma total ruptura com seu sistema de crenças vigente, e daí podem ocorrer basicamente duas coisas – Ou ele fortalece sua crença, ou pode virar um completo agnóstico.

Por isso, a presença de um tutor é fundamental, uma vez que essas mudanças podem mudar profundamente nosso ser, e a forma como vemos e nos comportamos no mundo. Caso a pessoa insista em fazer o ritual desamparada, ela corre o risco de ir parar numa casa de Saúde Mental.

E como as mudanças são bastante sutis, a pessoa que está imersa no processo, muitas vezes não identifica o que lhe ocorre, mas como no caso de um dependente químico, todos ao seu redor percebem a mudança.

Menos o dependente.

E uma vez que se tenha um tutor, é fundamental uma relação de respeito e dedicação na relação tutor/discípulo. Como há a ocorrência de mudanças na personalidade, podem ocorrer também momentos de certa paranóia, onde o discípulo se acha perseguido e manipulado pelo tutor. Tudo isso é previsto nesse tipo de ritual. E portanto, a única esperança para o estudante, é que ele seja orientado da melhor forma possível. E para isso, precisa de um tutor habilitado para tal.

Quando ele se arrisca sozinho, fica muito complicado ajudar, pois não há como saber o estágio do problema que o estudante vivencia.

Oportunamente iremos oferecer maiores instruções sobre como funciona o ritual em si, o que está envolvido ali e como se encontra o SAG efetivamente.

Atenciosamente,

Em L.L.L.L.,

Fr. Goya

ANKh, USA, SEMB

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-entrar-em-contato-com-seu-sagrado-anjo-guardiao/

O Real Sentido da Meditação

Texto do meu irmão e amigo Dario Djouki, sobre meditação:

A meditação, como conhecemos no ocidente, tem um significado completamente diferente de sua real origem, no oriente, mais especificamente na Índia. Várias práticas espirituais, ao chegaram até o ocidente, foram deturpadas ou mesmo adequadas ao estilo de vida das pessoas, mais voltado ao plano material do que o espiritual, ao dinheiro do que a elevação do ser e a busca de Deus dentro de cada um de nós.

As religiões ocidentais fizeram isto com as pessoas. Através de seus dogmas, sistemas verticalizados de comando, imposições sociais, introduziram na sociedade os conceitos de bem e mal, certo e errado, mantendo-as dentro de seus domínios, pois obviamente é muito mais fácil de se controlar alguém!

Com o próprio advento da espiritualidade “fast-food” com suas soluções práticas de vida e consumismo desenfreado, todos os conceitos orientais foram banalizados, e o resgate dos mesmos como caminhos de evolução do ser humano é muito importante para as pessoas que realmente querem ter uma vida melhor, tanto física como espiritual. Isto tudo pode e deve ser agregado às práticas espirituais ocidentais, sem o menor problema, pois todas as fontes levam à Deus.

Meditação

Por Swami Ritajananda

A palavra meditação não tem na Índia o mesmo significado que no Ocidente. Os hindus usam uma palavra equivalente, pois não existe outra que se aproxime mais dessa idéia. A palavra mais usada por eles é Dhyana, ou Nidihyasana, ou ainda Upasana.

Normalmente, durante a meditação, objetivamos pensar apenas em um Ideal espiritual ou uma idéia próxima deste ideal. Na Dhyana, o pensamento não se ocupa de modo algum com um tema, mas dirige-se intensamente para o Ideal espiritual.

Na Índia, o objetivo buscado é o de se obter uma experiência espiritual que transcenda a mente. Se não se admitisse a possibilidade de atingir um estado mais elevado que o nível da mente, a meditação hindu não teria nenhum significado. Para os hindus, a meditação é suscetível de levar um contato direto com o Supremo.

Por que é necessário meditar? Para buscar o Supremo. Aqueles que meditam desejam encontrar o Supremo. Sabem que a melhor coisa que existe em suas vidas é alcança-lo. É a meta suprema da existência. Na Índia é a salvação. Precisamos dizer também que a meditação deve tornar-se uma concentração intensa, tão fina e aguda quanto possível. Trata-se, portanto de uma intuição penetrante.

Há, por um lado, a intensidade da concentração e , por outro, uma compreensão bem aguçada, bem afinada, dentro da meditação profunda. Ficamos então completamente separados da vida comum.

Normalmente esta prática é difícil, pelo menos no início, porque nossa mente está habituada a afundar-se numa imensa variedade de pensamentos e sentimentos. A isto se acrescenta a lembrança de nossas impressões passadas, ou então aquilo que está próximo, o imediato, tornando a concentração muito difícil. Poucas pessoas consentem em desprender-se de todas as suas atividades mentais para se tornarem capazes de absorver-se em seu Ideal Espiritual.

Existe um meio eficaz para se conseguir purificar a mente de todos os diferentes tipos de pensamentos. Este meio é a introspecção e a análise de si mesmo. Praticando bastante a introspecção, analisando-se a si próprio em seu interior, consegue eliminar todas as más tendências da atividade mental. Mas isto é difícil no começo, porque não somos capazes de julgar-nos imparcialmente e dificilmente aceitamos reconhecer nossos defeitos.

Muitas vezes as pessoas não se dão conta da dificuldade que há em descobrir seus defeitos, porque sua própria mente, em geral, mascara as más tendências. Então, sem compreender que elas próprias estão velando a visão das coisas, não sabem que estão vendo incorretamente e agindo mal. Não sabem que sua apreciação de sua própria atitude mental não é nem clara, nem exata. Por esta mesma razão, tais pessoas não compreendem a crítica de seus defeitos, se lhes acontece ouvi-la, pois julgam-se feridas em seu amor-próprio. Portanto, é muito difícil.

(…) O objetivo supremo da meditação é atingir a Consciência Pura,absolutamente pura, a Luz sem nenhuma nuvem. Mas, antes disto, há diferentes níveis.

(…) A consciência pura é o estado de Samadhi. Se pudermos chegar a este estado, seremos realmente mestres. A mente ficará completamente controlada, descobriremos muitas coisas muito mais nitidamente do que antes. A compreensão habitual é a do mundo, daquilo que vemos. Não é o real. Não é a verdade. O que tomamos por verdadeiro é o produto de nosso pensamento, a criação da mente. Com a mudança da mente, o mundo muda, tudo muda. Nesse momento, pode-se dizer que vocês captaram a meta suprema de suas vidas. Compreendem quem são, compreendem onde estão. Vocês se transformam.

Como verificamos nas palavras do Swami Ritajananda, meditação não é apenas fechar os olhos, ficar em silêncio, praticando respiração. Meditação é algo muito mais profundo, é a busca da consciência suprema, da conexão com Deus, através de práticas, seja entoando mantras, observando imagens, ou outra forma que seja melhor adequada ao praticante. Quando você medita, você se conecta, descobre seu verdadeiro ser.

Meditar não é manter a mente vazia, mas sim preenchida de silêncio. É o equilíbrio absoluto, é a paz interior definitiva, criando uma mente centrada, em paz consigo mesma.

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-real-sentido-da-medita%C3%A7%C3%A3o

Um segredo (bem… mais ou menos)

Anton Szandor LaVey

Excerto de “Satan Speaks!”

O segredo que estou prestes a revelar me serviu bem durante a maior parte da minha vida adulta. Percebi seu potencial depois de tê-lo empregado involuntariamente. Ela se baseia em um princípio psicológico de que, uma vez que uma pessoa tenha sido posta de joelhos, ela aceitará qualquer que seja o mestre que a tenha feito ajoelhar. É o mesmo princípio que faz com que as vítimas se tornem leais a seus sequestradores. A maioria dos humanos é masoquista, respondendo ao medo e ao fracasso.

Essa é uma verdade confirmada por evidências empíricas. Muitos exemplos, ao longo de milênios, provam isso sem sombra de dúvida. A raiz da palavra sujeito é a mesma que sujeitar e subjulgar. Cada monarca, cada nação tem seus súditos.

Observei que as mulheres são minhas mais fortes aliadas. Não é por acaso, mas por design. O que eu não exercito para esses fim por diretamente, eu faço através do meu papel e suas conotações temíveis e subjugadoras. Se o público é feminino, um verdadeiro líder deve ser um subjugador. O conhecimento carnal é uma das fórmulas mais primitivas de subjugação . É o poderoso subjugador pelo qual as mulheres tiveram que mistificar para combater. O conhecimento carnal assume muitas formas, em muitos graus.

É por isso que eu não ando de camiseta e pés descalços. Não vou cruzar uma linha que me torna vulnerável. Só uma mulher bonita pode se expor ao poder por meio da vulnerabilidade. As fantasias de estupro em mulheres que precisam delas nada mais são do que uma das muitas situações que atendem às necessidades da mulher de ser subjugada.

Toda mulher quer amor. Sexo e amor estão tão indelevelmente entrelaçados na mulher, que ao sucumbir a um homem de sua escolha, ainda que de forma obtusa, abre os portais do amor. Não é necessário estuprar, agredir para abusar verbalmente. dê-lhes um exercício de constrangimento.

Eu permito que elas rompam com a convenção, enquanto experimentam sentimentos subjetivos de humilhação, vergonha, degradação e subjugação. Mas, o mais importante, liberte-se da responsabilidade. Forneça um retorno aos primeiros despertares sexuais, enterrados, mas com efeito mais forte do que qualquer possessão sexual aberta. Assumo o conhecimento carnal muito mais poderoso que os efeitos mundanos do estupro. Devolvo a figura paterna. Isso é o satânico.

Outros compartilharam meu segredo. Eles permanecerão sem nome, embora divulgar suas identidades me colocaria na companhia de déspotas e tiranos, ícones pop, psiquiatras lendários e figuras públicas amadas por milhões.

O primeiro exercício exigido por grupos de controle como Cientologia EST, etc., é ser mantido cativo em uma audiência que não permite que ninguém saia de seu assento. É um forçado – mas voluntário – cativeiro. Isso também faz seguidores fanaticamente devotos. Meus métodos são muito mais refinados, recorrendo a subterfúgios transparentes semelhantes ao orgásmico oráculo sagrado em tabernáculos para matar o pecado. Eu explico o plano, o propósito e o método. Ninguém é obrigado a participar. Se meu próprio fetiche produz dedicação e lealdade explorando os requisitos naturais femininos, ninguém perde. Quanto às ferramentas do meu negócio e detalhes processuais, isso deve permanecer em segredo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/um-segredo-bem-mais-ou-menos/

Perturbando os Mortos

Gilberto Antônio Silva

Escrevi esse artigo para nossa nova edição da revista eletrônica Daojia, sobre Taoismo. Mas devido ao teor da matéria e sua importância, achei por bem publicar aqui no portal em primeira mão.
Acredito que vivemos hoje uma preocupante crise de bom senso. E digo bom senso, mesmo, que não é questão de instrução nem “diplomas”, pois o bom senso nada mais é que uma maneira simples e objetiva de entender uma situação através de experiência e conhecimentos adquiridos.

Um cemitério sempre foi o lugar de “descanso dos mortos”, onde os falecidos encontram seu repouso eterno. Você já ouviu essas definições, sem dúvida. Cemitérios são lugares interessantes pela paz, pelo silêncio e por uma forte impressão de quietude. Quem consegue sentir as energias, o Qi do ambiente, percebe que ele é mais denso e pesado nestes locais e se move muito pouco, lentamente. É um local de quietude.

Para o Feng Shui tradicional chinês existem basicamente dois tipos de locais, chamados de “residências” (zhai): os Yin Zhai, que são locais de energia Yin, de repouso e contemplação, que incluem igrejas, templos e cemitérios, e os Yang Zhai, que possuem energia Yang, movimento, vida, e que são nossas residências familiares, comércio, indústria. Um contempla o Invisível, o Mistério, e o outro o mundo manifestado, a vida cotidiana e ativa das pessoas. Essa diferença é extremamente importante dentro do Feng Shui, que possui escolas especificas para cada tipo de residência e técnicas adequadas à configuração dos locais de acordo com sua utilização. Um Feng Shui para um túmulo é diferente do Feng Shui para sua casa, por exemplo.

Isso ocorre porque lidam com polaridades energéticas diferentes, uma o Yin (repouso) e outra o Yang (atividade). Seus objetivos também são diferentes: um busca estabelecer uma ligação entre nosso mundo manifestado e o Invisível, criando uma ponte de energia harmoniosa que permita haver uma interação benéfica entre os dois mundos; o outro procura harmonizar os fluxos de energia dinâmicos que permeiam nossas casas e nossas vidas em uma torrente de movimento e atividade.

Visitando o jazigo de meu pai há algum tempo, notei que havia uma quantidade exorbitante de cata-ventos colocados nos túmulos. O fato de ser um cemitério do tipo jardim, com vastos gramados, facilitava a colocação dos apetrechos pelos familiares. A geografia acidentada induzia ventos constantes que serviam de força motriz para os brinquedos, que giravam sem cessar em suas facetas multicoloridas. Um espetáculo bonito, se não estivessem em um cemitério. E isso se tornou algo muito comum, basta pesquisar “cata-ventos em cemitérios” no Google.
O Yin é caracterizado como repouso, concentração, imobilidade, alta densidade, enquanto o Yang aparece como movimento, dispersão, leveza. O que acontece quando se gera imobilidade em um ambiente Yang e movimento em um ambiente Yin?

No primeiro caso temos o que é chamado na Medicina Chinesa de “estagnação de Qi”. A energia não circula como deveria e isso gera um problema, seja em uma pessoa, seja em um imóvel. Uma das principais preocupações do Feng Shui é garantir um livre e harmonioso fluxo de Qi pelo imóvel, tanto interna quanto externamente. Qualquer obstrução ou impedimento nesse fluxo é caracterizado como problema e deve ser solucionado.

No segundo caso colocamos movimento e energia em um local onde deveria vigorar o repouso e a imobilidade. A consequência clara é a perturbação dessa energia Yin, que se agita e adquire características Yang, que não são adequadas.

Túmulos são elementos altamente importantes para os chineses. Sua harmonia ou desarmonia pode influenciar todas as gerações posteriores daquela família, por isso todo cuidado é pouco na sua elaboração. Na China continental, hoje, devido à população elevada, o governo tem como norma a cremação dos mortos para reduzir a enorme área destinada a cemitérios que seria necessária se todos fossem enterrados. Ocorre que as famílias precisam, por motivos culturais, enterrar seus mortos em túmulos regidos pelo Feng Shui para que suas futuras gerações tenham paz, harmonia e prosperidade. Com isso instituiu-se no sul da China, especialmente, um comércio clandestino de corpos. Pessoas sem parentes ou indigentes que morrem tem seus corpos vendidos para famílias que os repassam ao governo como se fossem os parentes falecidos, para cremação oficial, enquanto os verdadeiros corpos são enterrados em túmulos secretos, feitos de acordo com as regras tradicionais. Essa é a importância do túmulo para os chineses.

Voltando ao nosso problema, os túmulos aqui não possuem as mesmas necessidades que os chineses buscam, pois nossa cultura é diferente. No entanto, o aspecto de energia é o mesmo, pois independe de fatores culturais. E nossa tradição coloca os cemitérios como lugar de respeito, de repouso, de paz, o que mostra que a percepção energética de nossos antepassados era muito boa. Eles intuíam que é uma área de energia Yin que não deve ser perturbada.

Para bagunçar o Yin precisamos trazer aspectos Yang como movimento, ruído alto, cores vibrantes. Quase tudo que um inocente cata-vento fornece. Quando se colocam cata-ventos nos túmulos estão injetando energia Yang no campo de energia Yin e causando uma distorção. O movimento e as cores que irradiam alegria ao invés da muda contemplação perturbam a energia do local. Sabemos que existem vestígios energéticos dos falecidos sob vários aspectos e é necessária a tranquilidade do Yin para que se conclua esse trânsito entre as esferas. Quando você incute movimento, você atrapalha essa transição e coloca mais energia nos remanescentes energéticos que estão por ali, alimentando um estado que deveria se dissipar naturalmente. A rigor, se está perturbando os mortos.

Colocar cata-ventos nos túmulos é o equivalente a dar um show de rock no cemitério. Não seria estranho e desrespeitoso? Pense então que um show de rock duraria algumas horas e acabaria. Um cata-vento está lá, girando, 24 horas por dia, sete dias por semana. Desconheço a intenção precisa por detrás disso, se é justamente quebrar o clima de tristeza desse ambiente, mas é preciso manter separado o tratamento que damos aos mortos e o que fazemos por nós. A tristeza que nos invade nestes casos é fruto do apego e do egoísmo latente nos seres humanos e precisamos trabalhar isso usando ferramentas filosóficas e espirituais voltadas para nós. Não se resolve um cisco em nosso olho colocando colírio no olho do cara ao lado. Não se combate a tristeza pessoal pela perda de um ente querido “alegrando” o cemitério.

Acho que já está na hora de prestarmos mais atenção ao que fazemos e usarmos o bom senso como diretriz para nossas ações. Na dúvida recorremos à tradição, pois é um conhecimento passado através de gerações e que possui muito valor. Nem sempre o que é novo é necessariamente bom.
Que os que partiram encontrem seu descanso no intervalo de seu eterno caminhar e que os que ficaram possam respeitar mais as regras básicas do Universo e promover seu próprio autodesenvolvimento.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, incluindo “Os Caminhos do Taoismo” e “Dominando o Feng Shui”. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/perturbando-os-mortos

Como começar um diário mágicko

Por: Donald Michael Kraig

Gostaria de começar dizendo que todas as histórias e os “contos de fadas” sobre os poderes dos feiticeiros, as bruxas e os magos estão corretos, ainda que, desgraçadamente, somemente em parte. De fato, é possível creiar sortilégios para ganhar dinheiro, amor, sabedoria, satisfação e muitas coisas mais.

Devem compreender, apesar de tudo, que contrariamente ao que ocorre na magis dos contos de fadas e dos filmes, a maior parte da magia real não temtem efeito de forma instantânea. Por exemplo, se você realiza um ritual para conseguir dinheiro, este dinheiro poderia demorar uma semana ou duas para chegar e, quando chegar, seria por meios naturais. Porém, se o ritual foi realizado da forma adequada, o dinheiro “aparecerá”.

Ninguém pode outorgar-lhe poderes mágicos. Você mesmo deve ganhá-los. Há somente um modo de consegui-lo: Pratique, pratique, pratique!

Ademais, deverá anotar todas suas pŕáticas, experiências, pensamentos e sonhos; o deverá fazer em dois registros separados, ou diários.

Registro dos Sonhos

Deveria começar agora mesmo, hoje mesmo, a escrever um diário de seus sonhos. Quando sonhamos (e todo mundo sonha), pode ocorrer uma das seguintes quatro circunstâncias seguintes:

1. Trabalho astral: Ao realizaro trabalho astral, são aprendidas lições acerca do desenvolvimento espiritual, mágico e psíquico simutaneamente à prática dessas lições. Isso acontece no chamado “plano astral”. Em lições posteriore aprenderá mais coisas sobre a interpretação mágica e cabalística do plano astral.

2. Mensagens psicológicas: Muitas vezes o subconsciente necessita comunicar ao consciente, porém o consciente nega-se a escutá-lo! Em alguns sonhos o subconsciente envia uma mensagem, em símbolos, ao consciente. Este é uma das bases da psicanálise freudiana.

3. Brincar: Ao descansar, a mente pode vagar sem rumo ou sentido e enviar ao consciente qualquer tipo de imagem bela ou estranha.

4. Uma combinação de todas as anteriores.

Se nunca manteve um diário de sonhos, descubrirá que se trata de algo muito fácil.

Simplesmente tome um bloco de papel e um lápis ou uma caneta e os deixe próximos à cama. Enquanto desperta pela manhã, escreva tudo quanto recorde. Se não recorda nada, deverá escrever no diário “Não consigo recordar meus sonhos” e isso será suficiente. No princípio talvez somente lembrará um pequeno fragmento, talvez
somente um fato ou um sentimento. Ao cabo de um mês de prática regular terá dificuldades para conseguir que as entradas do diário caibam em uma página.

Ademais, procure um caderno em branco ou um fichario com papel em branco para transferir as breves notas que tenha tomado junto à cama. Ao menos que sua escrita seja muito legível, escreva com letras de forma no novo livro o que havia anotado no bloco de papel. Isto pode levar mais tempo, porém no futuro será muito mais fácil de ler. Assegure-se de por a data em cada entrada.

No parágrafo anterior você observou que eu falei em ler o diário no futuro. Essa atitude de revisão é muito importante. Não tente, neste ponto, analisar cada sonho. O mais provável é que não seja capaz nesse momento de decidir a qual dos quatro tipos mencionados anteriormente corresponde seu sonho. Em lugar disso, busque as
imagens repetidas ou as transformações que tenha observado em seus sonhos recorrentes. Por favor, fuja de todos esses ridículos manuais sobre o “significado dos sonhos”!

Vou oferecer-lhe um exemplo da importância que pode ter esse diário para você. Uma de minhas alunas tinha frequentemente sonhos nos quais era perseguida por soldades, corria e se escondia. Tinha sonhos desse tipo várias vezes ao mês e despertava molhada em suor frio, aterrorizada. Para ela, esse sonho era uma versão de algo que
havia acontecido realmente quando era pequena. Depois de praticar alguns dos rituais de proteção que aparecem nas presentes lições seus sonhos, segundo me contou, começaram a mudar. Já não se escondia nem era quase descoberta ou violentada, mas conseguia escapar. Havia desaparecido nela um antigo bloqueio mental que se manifestava como medo aos homens e ao sexo. A relação com seu noivo melhorou muito, já que se sentia mais segura. Isso estava representado pela mudança que
experimentou seu sonho recorrente. De forma parecida, você poderia ver as mudanças positivas em su vida ao ser capaz de observar as alterações que sofrem
seus sonhos ao longo do tempo.

Como registrar os rituais

Mais adiante, nesta mesma lição, encontrará rituais para serem realizados pelo menos uma vez ao dia. Enquanto esteja aprendendo-os, não deveria tardarmais de meia hora em levá-los a cabo, e muito menos tempo uma vez que os tenha memorizado. Em outro caderno, deveria cultivar um diário dos rituais. Na próxima página lhe oferecemos uma sugestão de formato para seu diário; poderia ser-lhe útil fazer cópias desta página e guarda-las em uma pasta, de modo que cada dia poderia simplesmente preencher uma delas.

Data:
Dia da semana:
Hora:

Fase da lua:
Condições meteorológicas
Emoções:
Condição física:

Execução (o que foi feito):
Resultados (o que foi conseguido):

Todos os dados que aparecem são importantes e deveriam incluir todos os aspectos em cada uma das entradas. No futuro, poderá descobrir que condições lhe proporcionam mais êxito ao praticar magia. Algumas pessoas tem mais sucesso quando estão contestes e a noite é quente; outras obtém melhores resultados quando estão deprimidas e o tempo é chuvoso. Conjuntamente, seu diário de sonhos e seu diário dos rituais constituem um texto mágico secreto e pessoal que somente podem ser realmente úteis para você.

Por fase da lua quero dizer se ela está cheia, minguante ou crescente. Esta informação pode ser localizada em qualquer calendário local ou astrológico. Por condições meteorológicas me refiro a se o tempo está chuvoso, nublado, abafado, morno, quente, frio, etc. Por emoções, se está alegre, triste, deprimido, etc. Por execução, seo o reitual foi bem executado, conscientemente, descuidadamente, etc. Por resultados me refiro a como se sente e o que experimentou. Também é possível que você deseje tecer comentários a esse respeito em uma data posterior; neste caso deverá indicar a data do comentário referido.

Devo dizer uma coisa mais sobre os rituais: Não se pode realizar o ritual sete vezes um mesmo dia e se esquecer dele o resto da semana! Pode realizá-los com uma maior frequência que a diária, porém deve fazê-los no mínimo uma vez ao dia.

Traduzido do espanhol por Infinitum

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-comecar-a-usar-o-diario-magicko/

Entrada no Céu Espiritual

O mundo material aparece como uma nuvem que cobre uma pequena porção do céu espiritual. As escrituras védicas explicam que, embora o mundo material sofra criação e aniquilação perpétuas, o mundo espiritual é eternamente manifesto. No mundo espiritual autoluminoso, o planeta mais alto é Goloka Vrndavana, a morada semelhante ao lótus do Senhor Sri Krsna, a Personalidade Suprema da Divindade. Ali o Senhor Krsna desfruta de trocas amorosas com seus devotos puros.

Uma palestra de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada Fundador-Acarya da Sociedade Internacional para a Consciência Krishna

paras tasmat tu bhavo ‘nyo
‘vyakto ‘vyaktat sanatanah
yah sa sarvesu bhutesu
nasyatsu na vinasyati

“Há uma outra natureza, eterna, que é transcendental à matéria manifestada e não manifestada”. Ela é suprema e nunca é aniquilada. Quando tudo neste mundo é aniquilado, essa parte permanece como está”. (Bhagavad-gita 8.20)

Não podemos calcular o comprimento e a largura nem mesmo deste universo, mas existem milhões e milhões de universos como este dentro do céu material. E acima deste céu material existe outro céu, que é chamado de céu espiritual. Nesse céu, todos os planetas são eternos, e a vida é eterna, também. Não podemos saber estas coisas pelos nossos cálculos materiais, por isso devemos tomar esta informação de Bhagavad-gita.

Esta manifestação material é apenas um quarto de toda a manifestação, tanto espiritual como material. Em outras palavras, três quartos do total da manifestação estão além do céu coberto, material. A cobertura material tem milhões e milhões de milhas de espessura, e somente depois de penetrar nela se pode entrar no céu aberto, espiritual. Aqui Krsna usa as palavras bhavah anyah, que significam “outra natureza”. Em outras palavras, há outra natureza, espiritual, além da material que normalmente experimentamos.

Mas mesmo agora estamos experienciando tanto a natureza espiritual quanto a material. Como é isso? Porque nós mesmos somos uma combinação de matéria e espírito. Somos espírito, e somente enquanto estivermos dentro do corpo material é que ele se move. Assim que estamos fora do corpo, ele é tão bom quanto a pedra. Portanto, como todos nós podemos perceber pessoalmente que existe espírito assim como matéria, devemos também saber que existe um mundo espiritual também.

No Sétimo Capítulo de Bhagavad-gita Krsna, discute-se a natureza espiritual e material. A natureza espiritual é superior, e a natureza material é inferior. Neste mundo material, as naturezas material e espiritual são mistas, mas se formos além desta natureza material – se formos para o mundo espiritual – encontraremos apenas a natureza superior, espiritual. Esta é a informação que obtemos no Oitavo Capítulo.

Não é possível entender estas coisas através do conhecimento experimental. Os cientistas podem ver milhões e milhões de estrelas através de seus telescópios, mas não podem aproximar-se deles. Seus meios são insuficientes. O que falar de outros planetas, eles não podem se aproximar nem mesmo do planeta lunar, que é o mais próximo. Portanto, devemos tentar perceber como somos incapazes de compreender Deus e o reino de Deus através do conhecimento experimental. E como não é possível entender desta maneira, é uma tolice tentar. Ao contrário, temos que entender Deus ouvindo Bhagavad-gita. Não há outra maneira. Ninguém pode entender quem é seu pai pelo conhecimento experimental. É preciso simplesmente acreditar na mãe quando ela diz: “Aqui está seu pai”. Da mesma forma, a pessoa tem que acreditar em Bhagavad-gita; então a pessoa pode obter todas as informações.

No entanto, embora não haja possibilidade de conhecimento experimental sobre Deus, se alguém se tornar avançado na consciência de Krsna, ele perceberá Deus diretamente. Por exemplo, através da realização, estou firmemente convencido do que estou dizendo aqui sobre Krsna. Eu não estou falando cegamente. Da mesma forma, qualquer pessoa pode realizar Deus. Svayam eva sphuraty adah: o conhecimento direto de Deus será revelado a qualquer pessoa que se apegue ao processo de consciência de Krsna. Tal pessoa realmente entenderá: “Sim, existe um reino espiritual, onde Deus reside, e eu tenho que ir para lá”. “Tenho que me preparar para ir para lá”. Antes de ir para outro país, pode-se ouvir tanto sobre isso, mas quando ele realmente vai para lá, ele entende tudo diretamente. Da mesma forma, se alguém assumir o processo de consciência de Krsna, um dia entenderá Deus e o reino de Deus diretamente, e todo o problema de sua vida será resolvido.

Aqui Krsna usa a palavra sanatanah para descrever esse reino espiritual. A natureza material tem um começo e um fim, mas a natureza espiritual não tem começo e não tem fim. Como é isso? Podemos entender através de um simples exemplo. Às vezes, quando há uma queda de neve, vemos que todo o céu está coberto por uma nuvem. Mas na verdade essa nuvem está cobrindo apenas uma parte insignificante de todo o céu. Porque somos muito minuciosos, porém, quando uma nuvem cobre algumas centenas de quilômetros do céu, para nós o céu parece completamente coberto. Da mesma forma, toda esta manifestação material (chamada de mahat-tattva) é como uma nuvem cobrindo uma porção insignificante do céu espiritual. E, assim como quando a nuvem clareia, podemos ver o céu brilhante, iluminado pelo sol, assim quando nos afastamos desta cobertura de matéria, podemos ver o céu original, espiritual.

Além disso, assim como uma nuvem tem um começo e um fim, a natureza material também tem um começo e um fim, e nosso corpo material também tem um começo e um fim. Nosso corpo simplesmente existe por algum tempo. Ele nasce, cresce, permanece por algum tempo, liberta alguns subprodutos, diminui, e depois desaparece. Estas são as seis transformações do corpo. Da mesma forma, toda manifestação material passa por estas seis transformações. Assim, no final, todo este mundo material será derrotado.

Mas Krsna nos assegura, paras tasmat tu bhavo ‘nyo ‘vyakto ‘vyaktat sanatanah: “além desta natureza material destrutível e nebulosa, há uma outra natureza superior, que é eterna. Não tem princípio e não tem fim”. Então Ele diz, yah sa sarvesu bhutesu bhutesu nasyatsu na vinasyati:

“Quando esta manifestação material for aniquilada, essa natureza superior permanecerá”. Quando uma nuvem no céu é aniquilada, o céu permanece. Da mesma forma, quando a manifestação material semelhante a uma nuvem é aniquilada, o céu espiritual permanece. Isto é chamado de avyakto ‘vyaktat’.

Há muitos volumes de literatura védica contendo informações sobre o céu material e o céu espiritual. No Segundo Canto de Srimad-Bhagavatam encontramos uma descrição do céu espiritual: qual é sua natureza, que tipo de pessoas vivem lá, quais são suas características – tudo. Chegamos até a informação de que no céu espiritual existem aviões espirituais. As entidades vivas ali são todas liberadas e, quando voam em seus aviões, ficam tão bonitas quanto um raio.

Portanto, tudo no mundo espiritual é substancial e original. Este mundo material é apenas uma imitação. O que quer que vejamos neste mundo material é tudo imitação, sombra. É como uma imagem cinematográfica, na qual vemos apenas a sombra da coisa real.

Em Srimad-Bhagavatam [1.1.1] é dito, yatra tri-sargo ‘mrsa: “Este mundo material ilusório é uma combinação de matéria”. Todos nós vimos um belo manequim de uma menina na vitrine de um lojista. Todo homem são sabe que se trata de uma imitação. Mas as chamadas coisas bonitas neste mundo material são exatamente como a bela “garota” na vitrine do lojista. De fato, qualquer coisa bela que vemos aqui neste mundo material é simplesmente uma imitação da verdadeira beleza do mundo espiritual. Como diz Sridhara Svami, yat satyataya mithya sargo pi satyavat pratiyate: “O mundo espiritual é real, e a manifestação irreal, material, só aparece real”. Algo só é real se ele existir eternamente. A realidade não pode ser vencida. Da mesma forma, o verdadeiro prazer deve ser eterno. Como o prazer material é temporário, ele não é real, e aqueles que buscam o prazer real não participam deste prazer sombra. Eles lutam pelo prazer real e eterno da consciência Krsna.

Aqui diz Krsna, yah sa sarvesu bhutesu bhutesu nasyatsu na vinasyati: “Quando tudo no mundo material for aniquilado, essa natureza espiritual permanecerá eternamente”. O objetivo da vida humana é alcançar esse céu espiritual. Mas as pessoas não conhecem a realidade do céu espiritual. O Bhagavatam diz, na te viduh svartha-gatim hi visnum: “As pessoas não conhecem seus próprios interesses. Elas não sabem que a vida humana é destinada a compreender a realidade espiritual e a nos preparar para ser transferida para essa realidade”. Ela não se destina a permanecer aqui no mundo material”. Toda a literatura Védica nos instrui desta forma. Tamasi ma jyotir gama: “Não permaneçam na escuridão; vão para a luz”. Este mundo material é a escuridão. Estamos iluminando-o artificialmente com luzes e fogos elétricos e tantas outras coisas, mas sua natureza é escura. O mundo espiritual, porém, não é escuro; está cheio de luz. Assim como no planeta do sol não há possibilidade de escuridão, não há possibilidade de escuridão na natureza espiritual, porque todo planeta lá é autoiluminado.

É claramente afirmado em Bhagavad-gita que o destino supremo, do qual não há retorno, é a morada de Krsna, a Pessoa Suprema. O Brahma-samhita descreve esta morada suprema como ananda-cinmaya-rasa, um lugar onde tudo está cheio de felicidade espiritual. Qualquer que seja a variedade que se manifeste, há toda a qualidade da bem-aventurança espiritual – nada há de material. Essa variedade espiritual é a expansão espiritual da própria Suprema Divindade, pois a manifestação ali é totalmente da energia espiritual.

Embora o Senhor esteja sempre em Sua morada suprema, Ele é, no entanto, todo-penetrante por Sua energia material. Assim, por Suas energias espirituais e materiais, Ele está presente em todos os lugares – tanto no universo material quanto no espiritual. Em Bhagavad-gita, as palavras yasyantah-sthani bhutani indicam que tudo é sustentado por Ele, seja a energia espiritual ou material.

É claramente afirmado em Bhagavad-gita que somente por bhakti, ou serviço devocional, pode-se entrar no sistema planetário (espiritual) Vaikuntha. Em todos os Vaikunthas existe apenas uma única Divindade Suprema, Krsna, que se expandiu a si mesmo em milhões e milhões de porções plenárias. Estas expansões plenárias são de quatro braços e presidem a inúmeros planetas espirituais. Eles são conhecidos por uma variedade de nomes: Purusottama, Trivikrama, Kesava, Madhava, Aniruddha, Hrsikesa, Sankarsana, Pradyumna, Sridhara, Vasudeva, Damodara, Janardana, Narayana, Vamana, Padmanabha, e assim por diante. Estas expansões plenárias são como as folhas de uma árvore, sendo o tronco principal da árvore como o Krsna. Krsna, morando em Goloka Vrndavana, Sua morada suprema, conduz sistematicamente e sem falhas todos os assuntos de ambos os universos (materiais e espirituais) pelo poder de Sua omnipotência.

Agora, se estamos interessados em chegar à morada suprema de Krsna, então devemos praticar bhakti-yoga. A palavra bhakti significa “serviço devocional”, ou, em outras palavras, submissão ao Senhor Supremo. Krsna diz claramente, purusah sa parah partha bhaktya labhyas tv ananyaya. As palavras tv ananyaya aqui significam “sem qualquer outro compromisso”. Assim, para alcançar a morada espiritual do Senhor, devemos nos engajar em puro serviço devocional a Krsna.

Uma definição de bhakti é dada no autoritário livro Narada-pancaratra:

sarvopadhi-vinirmuktam
tat-paratvena nirmalam
hrsikena hrsikesa-
sevanam bhaktir ucyate

“Bhakti, ou serviço devocional, significa envolver todos os nossos sentidos no serviço do Senhor, a Suprema Personalidade da Divindade, que é o mestre de todos os sentidos”. Quando a alma espiritual presta serviço ao Supremo, há dois efeitos colaterais. Primeiro, ele se liberta de todas as designações materiais, e segundo, seus sentidos são purificados simplesmente por serem empregados no serviço do Senhor”.

Agora estamos sobrecarregados por tantas designações corporais. Índio”, “americano”, “africano”, “europeu” – estas são todas designações corporais. Nossos corpos não somos nós mesmos, mas nos identificamos com estas designações. Suponha que alguém tenha recebido um diploma universitário e se identifique como um M.A. ou um B.A. ou um Ph.D. Ele não é esse diploma, mas identificou-se com essa designação. Portanto, bhakti significa libertar-se dessas designações (Sarvopadhi-vinirmuktam). Upadhi significa “designação”. Se alguém recebe o título de “Senhor”, ele se torna muito feliz: “Oh, eu tenho este título de ‘Senhor’”.” Ele esquece que este título é apenas sua designação – que ele existirá apenas enquanto ele tiver seu corpo. Mas o corpo certamente será derrotado, juntamente com todas as suas designações. Quando um recebe outro corpo, ele recebe outras designações. Suponha que, na vida atual, um seja um americano. O próximo corpo que ele recebe pode ser chinês. Portanto, como estamos sempre mudando nossas designações corporais, devemos parar de identificá-las como nosso “eu”. Quando alguém está determinado a se libertar de todas essas designações absurdas, então ele pode alcançar bhakti.

No verso acima do Narada-pancaratra, a palavra nirmalam significa “completamente puro”. O que é essa pureza? É preciso estar convencido: “Eu sou espírito (aham brahmasmi)”. Eu não sou este corpo material, que é simplesmente minha cobertura. Sou um eterno servo de Krsna; essa é minha verdadeira identidade”. Aquele que é liberado de falsas designações e fixado em sua verdadeira posição constitucional sempre presta serviço a Krsna com seus sentidos (hrsikena hrsikesa-sevanam bhaktir ucyate). A palavra (hrsika significa “os sentidos”. Agora nossos sentidos são designados, mas quando nossos sentidos estão livres de designações, e quando com essa liberdade e nessa pureza servimos ao Krsna – isso é serviço devocional.

Srila Rupa Gosvami explica o serviço devocional puro neste verso de Bhakti-rasamrta-sindhu [1.1.11]:

anyabhilasita-sunyam
jnana-karmady-anavrtam
anukulyena krsnanu-
silanam bhaktir uttama

“Quando se desenvolve um serviço devocional de primeira classe, é preciso ser desprovido de todos os desejos materiais, de conhecimento manchado pela filosofia monística e de ação frutífera. Um devoto puro deve servir constantemente o Krsna favoravelmente, como o Krsna deseja”. Temos que servir o Krsna favoravelmente, não desfavoravelmente. Além disso, devemos estar livres de desejos materiais (anyabhilasita-sunyam). Normalmente se quer servir a Deus para algum propósito material. É claro, isso também é bom. Se alguém vai a Deus para algum ganho material, ele é muito maior do que a pessoa que nunca vai a Deus. Isso é admitido em Bhagavad-gita [7.16]:

catur-vidha bhajante mam
janah sukrtino ‘rjuna
arto jijnasur artharthi
jnani ca bharatarsabha

“Ó melhor entre os Bharatas [Arjuna], quatro tipos de homens piedosos prestam-me serviço devocional – o angustiado, o desejoso de riqueza, o inquisitivo e aquele que procura conhecimento do Absoluto”. “Mas é melhor não irmos a Deus com algum desejo de benefício material”. Devemos estar livres desta impureza (anyabhilasita-sunyam).

As próximas palavras que Rupa Gosvami usa para descrever bhakti puro são jnana-karmady-anavrtam. A palavra jnana se refere ao esforço para entender Krsna por especulação mental. É claro que devemos tentar entender Krsna, mas devemos sempre lembrar que Ele é ilimitado e que nunca podemos entendê-lo completamente. Não é possível para nós fazer isso. Portanto, temos que aceitar tudo o que nos é apresentado nas escrituras reveladas. O Bhagavad-gita, por exemplo, é apresentado por Krsna para nossa compreensão. Devemos tentar entendê-lo simplesmente ouvindo de livros como Bhagavad-gita e Srimad-Bhagavatam. A palavra carma significa “trabalhar com algum resultado frutífero”. Se quisermos praticar bhakti puro, devemos trabalhar na consciência de Krsna abnegadamente – não apenas para obter algum lucro com isso.

A seguir Srila Rupa Gosvami diz que o bhakti puro deve ser anukulyena, ou favorável. Devemos cultivar a consciência de Krsna de forma favorável. Devemos descobrir o que irá agradar ao Krsna, e devemos fazer isso. Como podemos saber o que vai agradar ao Krsna? Ouvindo Bhagavad-gita e tomando a interpretação correta da pessoa certa. Então saberemos o que Krsna quer, e poderemos agir de acordo. Nesse momento, seremos elevados a um serviço devocional de primeira classe.

Portanto, a bhakti-yoga é uma grande ciência e existe uma literatura imensa para nos ajudar a compreendê-la. Devemos utilizar nosso tempo para entender esta ciência e assim nos preparar para receber o benefício supremo no momento de nossa morte – para alcançar os planetas espirituais, onde reside a Suprema Personalidade da Divindade.

Existem milhões de planetas e estrelas dentro deste universo, mas este universo inteiro é apenas uma pequena partícula dentro da criação total. Existem muitos universos como o nosso e, como mencionado anteriormente, o céu espiritual é três vezes maior do que a criação material total. Em outras palavras, três quartos do total da manifestação estão no céu espiritual.

Recebemos informações de Bhagavad-gita de que em cada planeta no céu espiritual há uma expansão do Krsna. Todos eles são purusas ou pessoas; não são impessoais. Em Bhagavad-gita Krsna diz, purusah sa parah partha bhaktya labhyas tv ananyaya: Pode-se abordar a Pessoa Suprema somente por serviço devocional – não por desafio, não por especulação filosófica, e não se estar exercitando nesta ou naquela yoga. Não. É claramente afirmado que se pode abordar o Krsna somente por rendição e serviço devocional. Não se diz que se pode alcançá-lo através de especulação filosófica ou de uma mistura mental ou algum exercício físico. Pode-se chegar ao Krsna somente pela prática da devoção, sem se desviar de atividades frutíferas, especulações filosóficas ou exercício físico. Somente através de um serviço devocional não ligado, sem qualquer mistura, podemos alcançar o mundo espiritual.

Agora, Bhagavad-gita diz ainda, yasyantah-sthani bhutani yena sarvam idam tatam. Krsna é uma pessoa tão grande que, embora situado em sua própria morada, Ele ainda é todo-penetrante, e tudo está dentro dele. Como isto pode ser? O sol está localizado em um só lugar, mas os raios solares estão distribuídos por todo o universo. Da mesma forma, embora Deus esteja situado em Sua própria morada, no céu espiritual, Sua energia está distribuída em todos os lugares. Além disso, Ele não é diferente de Sua energia, assim como o sol e a luz do sol não são diferentes, no sentido de que são compostos da mesma substância iluminadora. Assim, Krsna se distribui em toda parte por Suas energias, e quando nos tornamos avançados no serviço devocional podemos vê-lo em toda parte, assim como se pode acender uma lâmpada em qualquer lugar, ligando-a ao circuito elétrico.

Em seu Brahma-samhita, Lord Brahma descreve as qualificações que exigimos para ver Deus: premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena sadaiva sadaiva hrdayesu vilokayanti. Aqueles que desenvolveram o amor a Deus podem ver Deus constantemente diante deles, vinte e quatro horas por dia. A palavra sadaiva significa “constantemente, vinte e quatro horas por dia”. Se alguém é realmente Deus realizado, ele não diz: “Oh, eu vi Deus ontem à noite, mas agora Ele não é visível”. Não, Ele é sempre visível, porque Ele está em toda parte.

Portanto, a conclusão é que podemos ver Krsna em todos os lugares, mas temos que desenvolver os olhos para vê-Lo. Podemos fazer isso através do processo de consciência do Krsna. Quando vemos Krsna, e quando nos aproximamos Dele em sua morada espiritual, nossa vida será bem sucedida, nossos objetivos serão cumpridos e seremos felizes e prósperos eternamente.

***

Fonte: PRABHUPADA, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami. Entering the Spiritual Sky. In. Back to Godhead, September, 1980. Disponível em: <https://back2godhead.com/entering-spiritual-sky/>. Acesso em 3 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/entrada-no-ceu-espiritual/

Doenças confundidas com casos de vampirismo

As mais recentes bobagens famosas faladas a respeito da origem científica da lenda foram que poderia ter se originado da raiva comum transmitida por morcegos. A imagem ao lado ilustra um caso de Porfídia, por exemplo quando conseguir parar de olhar para ele continue lendo.

Anemia: Derivada da palavra grega para “ausência de sangue”, a anemia é uma doença do sangue na qual a contagem de célula vermelha e anormalmente baixa. As células vermelhas são transportadoras do oxigênio pelo corpo. Quando uma pessoa sofre de anemia, seus sintomas são causados pela oxigenação inadequada… Estes sintomas podem incluir:

  • Um complexo pálido
  • Fadiga
  • Desmaios
  • Falta de ar
  • Desordens digestivas

Há três principais causas de anemia: doença, hereditariedade e severa perda de sangue… no decorrer dos tempos, uma pessoa que sofre destes sintomas pode ter estado sob suspeita de um ataque vampírico. Mais uma vez, mitos servem para se adaptar as necessidades de quem acredita. Embora a vitima possa ter contraído a doença ou simplesmente ter herdado a desordem sangüínea, a sociedade teria achado fácil acreditar que os sintomas resultaram de um ataque vampírico. Com certeza estes sintomas podem ter sugerido aos nossos ancestrais que a vitima estava começando a sua própria transição para se transformar em um vampiro, marcado com um complexo pálido
e falta de apetite.

Catalepsia: A catalepsia é uma desordem do sistema nervoso que causa uma forma de animação suspensa. Isto causa a perda de movimentos voluntários, uma rigidez aos músculos, tão bem quanto uma sensibilidade diminuída das sensações de dor e calor. Uma pessoa que sofre de catalepsia pode ver ou ouvir mas não se mexer. A respiração, pulso e outras funções reguladoras são diminuídas a ponto de que para os olhos não treinados, pareceria que a pessoa está morta. esta condição pode durar de minutos a dias. Antes que a medicina do século 20 chegasse, havia alguns poucos diagnósticos que poderiam ser feito em um corpo para assegurar-se que ele estava realmente
morto e assim é possível e muito provável que pessoas sofrendo de catalepsia pudessem ter sido declaradas como mortas prematuramente. Embalsamar um cadáver antes deste ser enterrado também é uma idéia do século 20, então é bem provável que estes corpos foram declarados mortos e enterrados enquanto a pessoa ainda estivesse viva. Ao recobrar-se de seu estado de catalepsia, a pessoa tentaria cavar para a superfície. Muitos mitos podem Ter surgido desta condição por si só.

Porfíria: De todas as desordens, mesmo das que não estão ligadas ao vampirismo, a mais bizarra deve ser a porfíria. é uma doença sangüínea hereditária rara; seus sintomas são muito amplamente associados com nossa concepção moderna de vampirismo. Uma vítima da porfíria não produz heme, um componente vital e mais importante do sangue (vermelho). Hoje esta doença é tratada com injeções regulares de hemácias no corpo. Contudo, cerca de 50 anos atrás, este tratamento não estava disponível e a doença desconhecida. No passado, a vitima da porfíria mostraria sintomas que incluem:

  • Extrema sensibilidade a luz solar, dores e cicatrizes que surgiriam e não sarariam completamente.
  • Excessivo crescimento de cabelo.
  • Esticamento da pele ao redor dos lábios e gengivas (que faria com que os caninos ficassem mais saltados)

 

Esta doença provavelmente causaria com que a vitima só saísse à noite, para evitar os doloridos raios do sol. Em adição, enquanto o alho estimula a produção de hemácias em uma pessoa normal, ele apenas faria com que os sintomas da porfíria aumentassem e fosse mais severamente dolorido. A porfíria foi descartada pelos cientistas como uma explicação razoável para o mito do vampiro que está na nossa historia. Embora os contos vampíricos do passado contêm pouca semelhança com a figura que de imediato romantizamos hoje, estas qualidades podem ter contribuído para que prestássemos atenção ao vampiro no filme e na ficção: pele pálida; caninos saltados e até o medo do sol.

Raiva: Saint Paul – Minnesota — A lenda dos vampiros que mordem suas vitimas e sugam seu sangue pode ter se desenvolvido de homens com raiva por volta do 18º século. (Raiva – transmitida pelos animais). Assim diz um neurologista Espanhol, escrevendo no artigo de Neurologia no mês de Setembro, o periódico científico da Academia Americana de Neurologia. O vírus da raiva, que afeta o cérebro através do sistema nervoso periférico, é fatal quando não tratado e é geralmente transmitido pela mordida de um animal. Muitas das características atribuídas aos vampiros também aparecem em pessoas com raiva, de acordo com Juan GUmez- Alonso (sic), MD (Master Doctor), do Hospital Xeral em Virgo, Espanha. Vampiros são geralmente tidos como machos, a raiva é 7 vezes mais comum em homens. Alguns homens com raiva têm a tendência de morder outras pessoas. Além disso outros aspecos são singulares:

Uma aversão a alho e espelho: Homens com raiva se tornam hipersensitivo a estimulação, e reagem aos estímulos tais como a água, luz, odores ou espelhos com espasmos dos músculos facial e vocal que podem causar um som rouco, dentes expostos e um líquido branco na boca, de líquidos naturais do corpo.

A noite procura por conquistas: homens com raiva desenvolvem insônia e a tendência a vaguear. Eles também se tornam hipersexual, uma vez que a doença afeta o sistema límbico do cérebro, que regula emoções e comportamento.

Outros aspectos da lenda vampírica podem também ser explicados: A transformação em morcegos ou outros animais – o vírus da raiva pode afetar animais tais como os morcegos, cachorros e lobos da mesma forma como afeta aos humanos. “Seria concebível que homens e animais com ferocidade similares e comportamento bizarro possam ter sido vistos como tais seres malignos”, disse Gumes-Alonso. Aparição de cadáveres na vida real, após a morte – no começo do século 18, cadáveres eram geralmente exumados para determinar se a pessoa morta era um vampiro. Sinais de vampirismo eram aparições em vida e sangue fluindo da boca. Mortes pela raiva podem deixar o sangue liquefeito for um bom tempo após a morte, e cadáveres podem ter sangue saindo de suas bocas. Enterro em um lugar frio e úmido (tal como a região das Balcãs na Europa Oriental) pode conservar qualquer cadáver por meses ou anos.

Origem da lenda

Uma epidemia muito grande de raiva em cachorros, lobos e outros animais foi registrado na Hungria por volta de 1721 – 1728, local e tempo onde o vampirismo começou. Gumez-Alonso diz que outros tentaram explicar a lenda dos vampiros com teorias de esquizofrenia, má interpretação da aparência dos cadáveres ou apenas superstição.

“A conecção com a raiva é a explicação mais compreensiva, especialmente dada à coincidência no tempo e as similaridades marcantes entre as duas condições”, ele disse. O neurologista sempre pensou que vampiros fossem personagens fictícios. “Então um dia eu vi um filme do Drácula”, ele disse. “Eu fiquei surpreso quando um apresentador disse que as estórias de vampiro haviam sido historicamente documentadas. Eu assisti ao filme, mais como um doutor do que como um expectador e fiquei impressionado por algumas similaridades óbvias entre vampiros e o que acontece na raiva, tais como a agressividade e hipersexualidade. Tão logo o filme terminou, eu corri para meus livros e fiquei sabendo que 25% dos homens com raiva tinham a tendência de morder outros, e que pacientes com raiva geralmente não suportavam espelhos ou certos cheiros de certas substâncias.”

Gumez-Alonso decidiu devotar sua tese a este tópico. “Esta pesquisa mostra-nos que as vezes algumas coisas que são aparentemente bizarras e sem sentido podem ter uma explicação lógica”, ele disse. “Isso também nos lembra que o sistema límbico, ou a ‘brutalidade, parte animal de nosso cérebro’, tem um papel importante no nosso comportamento, e violência ou comportamento sexual diferente pode ser facilmente mal interpretado e ser o resultado de uma desordem no sistema límbico.”
Época 28 de Setembro, 1998

Quem mordeu Drácula?

A origem da lenda dos vampiros recebeu explicação num artigo da publicação científica Neurology. O autor, o espanhol Juan Gomez-Alonso, sustenta que os vampiros eram, na verdade, pessoas vitimadas pela raiva animal. Segundo Alonso, 25% dos doentes reagem dando mordidas e a maioria deles sofre de hipersensibilidade, que poderia causar a aversão à luz dos vampiros. “A doença afeta regiões do cérebro ligado ao comportamento sexual e ao sono”, diz Alonso. “Isso explica a atividade sexual intensa e a vida noturna dos vampiros”

Não confie em nenhuma dessas explicações.

Shirlei Massapust com [Tradução de Ricardo de Lima]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/doencas-confundidas-com-casos-de-vampirismo/